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7777413 #
Numero do processo: 11020.908434/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.065
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­001.065  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  24 de abril de 2019  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  MONTAGENS DE ESTRUTURAS PAM LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.     (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho   Presidente Substituto e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho, Walker  Araújo,  Jose  Renato  Pereira  de  Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado) e Corintho Oliveira Machado.    RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de  restituição  (PER) de contribuição, que  restou  indeferido,  por  ausência de  crédito,  nos  termos  do Despacho Decisório  que  instrui  os  autos.  Regularmente  cientificado  desta  decisão,  a  contribuinte  interpôs Manifestação  de Inconformidade, sintetizada nos seguintes termos:  Alega  que  a  atividade  da  empresa  é  de  montagens  de  estruturas  metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de  construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base  na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 08 43 4/ 20 12 -8 0 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11020.908434/2012­80  Resolução nº  3302­001.065  S3­C3T2  Fl. 3          2 PIS  e  da  Cofins.  Porém,  continuou  a  recolher  a  contribuição  pelo  sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior.  Demonstra, então, o valor a restituir a que entende ter direito.  Anexa a relação de notas  fiscais do período de apuração em análise,  buscando  comprovar  o  total  da  receita  mensal  sobre  o  qual  a  contribuição deve incidir e o Darf, comprovando o pagamento.  Requer a acolhida da Manifestação de Inconformidade  A  3ª  Turma  da  DRJ  Curitiba  (PR)  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente,  conforme  acórdão  acostado  aos  autos,  cuja  ementa  foi  vazada  nos  seguintes  termos:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  RESTITUIÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  RECOLHIMENTO VINCULADO. DÉBITO CONFESSADO.  Correto  o  Despacho  Decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento  alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado  em DCTF para a quitação de débito confessado.  PROVAS. INSUFICIÊNCIA. CONTRATO DE EMPREITADA.  Apenas  as  notas  fiscais  trazidas  aos  autos,  embora  importantes,  não  são suficientes para comprovar que a contribuinte executou obras por  empreitada  de  construção  civil,  sendo  imprescindível  a  juntada  do  contrato de empreitada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Irresignada  com  a  decisão  da  primeira  instância  administrativa,  a  recorrente  interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que:  a)  Em  relação  a  não  retificação  da  DCTF,  o  próprio  relator  menciona  a  possibilidade de retificação de ofício pela autoridade fiscal;  b) As empresas que tiveram receitas decorrentes da execução por administração,  empreitada e sub­empreitada, de construção civil estão sujeitas ao sistema cumulativo do PIS e  da Cofins; e  c) De fato, as notas fiscais não discriminam os serviços. Por esse motivo, estão  em anexo ao recurso voluntário os respectivos contratos de prestação de serviços.  É o breve relatório.  VOTO  Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho ­ Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11020.908434/2012­80  Resolução nº  3302­001.065  S3­C3T2  Fl. 4          3 343,  de  24  de  abril  de  2019.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  na Resolução  3302­001.058,  de  24  de  abril  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  11020.908418/2012­97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302­001.058):  "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de  admissibilidade,  de  forma  que  dele  conheço  e  passo  à  análise  do  mérito.  A  instância  a  quo,  utilizou  como  razão  de  decidir  a  falta  de  provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do  acórdão recorrido, verbis:  Portanto,  para que  se possa  acolher  a alegação da  contribuinte,  ou  seja,  de  que  exerceu,  no  período  analisado,  “obras  por  empreitada de construção civil” é imprescindível o cumprimento  de  dois  requisitos  essenciais:  a  existência  do  contrato  de  empreitada  e  a  relação  de  serviços  efetivamente  executados  neste  contrato.  Ressalte­se  que  o  campo  “discriminação”  das  notas  fiscais  trazidas  pela  manifestante  aos  autos  não  permite  conhecer quais foram os serviços realizados (se a montagem de  estruturas é permanente ou temporária, por exemplo) e, portanto,  se enquadram na norma supra.  Enfim,  apenas  as  notas  fiscais  trazidas  aos  autos,  embora  importantes,  não  são  suficientes  para  comprovar  o  que  se  pretende.  Por  tal  razão,  não  é  possível  reconhecer  que  houve  pagamento  indevido  ou  a maior  no Darf  objeto  da Dcomp  em  análise.  O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou cópias  das notas fiscais referentes aos valores em discussão e os respectivos  contratos. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos,  os analise e se posicione acerca de seu direito creditório.  A questão que surge está  ligada ao direito de apresentação de  documentos  a  qualquer  momento  processual  em  nome  da  verdade  material.  Entendo que a decisão dependerá do tipo de processo que está  em  análise.  Nos  casos  de  procedimentos  referentes  a  despacho  eletrônico  de  pedido  de  restituição,  onde  o  sujeito  passivo  não  é  intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas  acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se  pronunciar  sobre  questões  de  direito  é  na  manifestação  de  inconformidade.  Porém,  nem  todo  patrono  é  operador  do  direito  ou  está  familiarizado  com  a  instrução  probatória,  podendo  deixar  de  providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer  sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve  inerte,  buscando  sempre participar da  instrução probatória,  não vejo  motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos  no  momento  da  interposição  do  recurso  voluntário.Trata­se  de  processo  de  restituição  em  que  o  contribuinte  teve  seu  pedido  de  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11020.908434/2012­80  Resolução nº  3302­001.065  S3­C3T2  Fl. 5          4 indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o  fundamento  de  que  o  crédito  financeiro  alegado  como  pagamento  indevido  foi  integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte,  não  restando crédito disponível para restituição.  Regressando  aos  autos,  temos  que  na  manifestação  de  inconformidade, o recorrente alega que o objeto social da sociedade é  montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de  obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir  de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter  ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins. Não obstante, continuou a  recolher  a  contribuição  pelo  sistema  não  cumulativo,  o  que  gerou  o  pagamento a maior.  A  DRJ  de  Curitiba  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade tendo como fundamento a falta de comprovação de seu  direito por intermédio de contratos.   Em  sede  de  recurso  voluntário,  o  sujeito  passivo,  ao  interpor,  acostou  aos  autos  contratos  de  prestação  de  serviços,  documentos,  segundo  a  primeira  instância,  essenciais  para  comprovação  de  seu  direito.  Os  contratos  apresentados,  em  uma  análise  perfunctória,  sugerem  a  modalidade  empreitada  e  podem  indicar  que  o  sujeito  passivo  possuía  o  direito  de  recolher  as  contribuições  no  regime  cumulativo.   Não  posso  deixar  de  admitir  que  os  fatos  produzidos  extemporaneamente  geraram  grande  dúvida,  o  que  impossibilita meu  julgamento nesta assentada.   Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências  que  entender  necessárias,  é  a  literalidade  do  art.  29  do  Decreto nº 70.235/72.   Assim,  entendo  que  as  alegações  e  as  provas  produzidas  pelo  recorrente  nesta  fase  recursal  devem  ser  analisadas  com  mais  profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit  n° 02/2015.  Pelo  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência  para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos  no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência  do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro  pedido de restituição ou de compensação.  Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal,  facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre  os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do  Decreto nº 7.574/2011.   Posteriormente  aos  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos ao CARF para prosseguimento do rito processual."  Importante  frisar  que  as  situações  fática  e  jurídica  presentes  no  processo  paradigma  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta  forma,  os  elementos  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11020.908434/2012­80  Resolução nº  3302­001.065  S3­C3T2  Fl. 6          5 que  justificaram  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  no  caso  do  paradigma  também  a  justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  o  órgão  de  origem  analise  os  documentos  acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do  indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de  compensação.  Após  sanadas  essa  dúvidas,  que  seja  elaborado  relatório  fiscal,  facultando  à  recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do  parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011.   Posteriormente  aos  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para prosseguimento do rito processual   (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho  Fl. 143DF CARF MF

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7725009 #
Numero do processo: 15504.732104/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010 LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS PELA DRJ. O lançamento é de competência privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN) e o órgão de julgamento não tem competência para alterá-lo mediante a utilização de novos critérios jurídicos.
Numero da decisão: 1401-003.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar a arguição de nulidade da decisão recorrida para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a infração relativa à receita da atividade escriturada e não declarada decorrente de atos cooperados. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA

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1401­003.312  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de abril de 2019  Matéria  IRPJ  Recorrente  COOPERATIVA DOS ANESTESIOLOGISTAS DE MINAS GERAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2009, 2010  LANÇAMENTO.  COMPETÊNCIA  PRIVATIVA  DA  AUTORIDADE  LANÇADORA.  IMPOSSIBILIDADE  DE  MODIFICAÇÃO  DOS  CRITÉRIOS JURÍDICOS PELA DRJ.  O  lançamento  é de  competência privativa da  autoridade  administrativa  (art.  142  do CTN)  e  o  órgão  de  julgamento  não  tem  competência  para  alterá­lo  mediante a utilização de novos critérios jurídicos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  superar  a  arguição  de  nulidade  da  decisão  recorrida  para,  no  mérito,  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  para  afastar  a  infração  relativa  à  receita  da  atividade  escriturada  e  não  declarada  decorrente de atos cooperados.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Daniel Ribeiro Silva­ Relator.    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza  Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice­Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto  Carlos  André  Soares  Nogueira,  Luciana  Yoshihara  Arcangelo  Zanin,  Cláudio  de  Andrade  Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 21 04 /2 01 3- 14 Fl. 39803DF CARF MF     2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte  em  face  do  Acordão  proferido  pela  Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em Ribeirão  Preto (SP) que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte  , mantendo as exigências fiscais em virtude das receita de prestação de serviços escriturada e  não  declarada  e  ausência  de  inclusão  na  base  de  cálculo  do  IRPJ  e CSLL  da  totalidade  dos  rendimentos  e/ou  ganhos  líquidos  de  aplicações  financeiras  de  renda  fixa  ou  renda  variável,  conforme valores abaixo indicados:        Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal  (TVF),  a ação  fiscal  teve  início  em  10/09/2013,  com  a  ciência  da  contribuinte  através  do  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  (TIPF),  no  qual  foi  intimada  a  apresentar  a  documentação  nele  relacionada. Conforme solicitação, a contribuinte apresentou, dentre outros, cópia do Estatuto  Social  e  Atas  de  Assembléia,  livros  Diário  e  Razão,  contratos  de  prestação  de  serviços,  balancetes,  planilha  com demonstração de  receitas  auferidas,  notas  fiscais  por  amostragem e  informações contábeis em meio digital.  De  acordo  com  o  Estatuto  Social  a  cooperativa  tem  como  objeto  social  "organizar  o  exercício  da  atividade  econômica  de  seus  cooperados,  prestando  assistência  administrativa nos contratos de serviços médicos de anestesiologia e tratamento de dor a serem  executados pelos cooperados.  O contribuinte informou as receitas auferidas pela cooperativa, contabilizadas  nas contas 3.1.1.01 000— Ingressos de Serviços, 3.1.1.02.000 ­  Ingressos Taxa Contribuição  Cooperados  ­e  3.1.1.01.001  —  Ingressos  de  Custos  Hospitalares,  como  atos  cooperativos,  deduzindo das mesmas os valores das  contas  ­  3.1.2.01.001 Descontos  e Abatimentos  e 3.1­  2.01.003  ­  Faturas  Canceladas  e  adicionando  Rendimentos  e  Ganhos  Líquidos  Aplicações  Renda Fixa/Renda Variável (Linha 10).  No  entanto,  excluiu  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  CSLL  os  resultados  da  aplicação do percentual sobre as receitas mencionadas acima, linha 23 da Ficha 14A e linha 19  da Ficha 18A (Resultados não tributáveis de sociedades cooperativas), somente apurando IRPJ  a pagar no 2º, 3º e 4º trimestres de 2010 e CSLL a pagar nos 2º e 3º trimestres de 2009 e 2o, 3º  e  4°  trimestres  de  2010,  em  decorrência  da  incidência  dos  tributos  sobre  os  rendimentos  de  aplicações financeiras informadas na DIPJ.  Quanto ao IRPJ, foi aplicado o percentual de 15%, e o percentual de 10% a  título de adicional de imposto de renda sobre a parcela do lucro presumido que exceder o valor  Fl. 39804DF CARF MF Processo nº 15504.732104/2013­14  Acórdão n.º 1401­003.312  S1­C4T1  Fl. 39.804          3 resultante  da  multiplicação  de  R$  20.000,00  (vinte  mil  reais)  pelo  número  de  meses  do  respectivo período de apuração, conforme Art. 3º, caput e § 1º da Lei 9.249 de 26/12/1995.  Com  relação  à  CSLL,  foi  aplicado  sobre  a  base  de  cálculo  apurada  o  percentual de 9%, conforme Art. 3º,  II da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da  Lei n° 11.727/08.  Ressalte­se que dos valores apurados foram deduzidos os valores declarados  em DCTF e os valores retidos confirmados na Dirf, conforme Anexos VII e VIII.  Ciente da  autuação  fiscal,  a  interessa  apresenta  Impugnação Administrativa  às fls.798 a 812, alegando em síntese as seguintes razões:    a)  Depois  de  discorrer  sobre  os  artigos  79  e  111  da  Lei  n°  5.764/71,  concluiu a auditora­fiscal, em livre interpretação, que "a cooperativa ao contratar com  terceiros  praticou  ato  não  cooperativo,  devendo  oferecer  à  tributação  a  receita  proveniente da prestação de serviço aos contratantes."  b)  A  impugnante,  cumprindo  o  seu  objetivo,  presta  serviços  cooperativos  aos  seus  associados  (art.  79  da  Lei  5.764/71),  sem  fins  lucrativos,  e  estes  prestam  serviços  profissionais  a  terceiros,  não  cooperados. Não  é  a  cooperativa,  portanto,  a  prestadora de serviços aos não cooperados.  c)  Não é correto afirmar que "a atividade preponderante da fiscalizada é a  prestação  de  serviços  médico­hospitalares  a  terceiros,  por  meio  de  contratos  celebrados  com  pessoas  jurídicas,  estando,  por  isso,  sujeita  aos  recolhimentos  de  tributos e contribuições."  d)  Os  atos  cooperativos,  conforme  definição  contida  no  artigo  79  da  Lei  5.764/71, são aqueles "praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes  e  aquelas  e  pelas  cooperativas  entre  si  quando  associadas,  para  a  consecução  dos  objetivos sociais." Já os atos não cooperativos são os que não se relacionam com os  objetivos sociais das cooperativas, ou seja, são realizados com a participação de não  cooperados e tem objetivo comercial, de lucro.  e)  A  redação  deste  artigo  79  produz  interpretações  divergentes.  Alguns  interpretam  de  forma  restritiva  e  entendem  que  os  atos  cooperativos  são  aqueles  praticados  única  e  exclusivamente  com  a  participação  dos  cooperados  e  da  cooperativa  para  atingir  os  objetivos  sociais.  Um  exemplo  disso  seria  uma  cooperativa  de  trabalho médico,  onde  os médicos  cooperados  só  pudessem atender  aos próprios associados.  f)  Em  outras  palavras,  o  exame  das  disposições  colocadas  no  segmento  dedicado  à  hermenêutica  tributária  revela­se  um  autêntico  estatuto  de  defesa  do  contribuinte,  pois  as  disposições  são  voltadas  a  não  permitir  excesso  de  exação,  interpretações coniventes ou convenientes a favor do Fisco, mas a estrita obediência  da lei, e, na dúvida, sempre a favor do pagador de tributos.  g)  Deve, pois, o intérprete da lei tributária buscar orientar­se pela intenção  do legislador, pelo texto da lei, por seu enquadramento no sistema, pela história dos  eventos  que  levaram  à  elaboração  legislativa,  pela  finalidade  do  dispositivo  e,  principalmente,  para que  a norma produza os  efeitos que o  legislador pretendeu ao  aprová­la, no campo de sua concretude à ordem fática;  h)  No caso da impugnante, cooperativa de trabalho médico, os "atos­meio",  ou "atos não­cooperativos intrínsecos", consistem em negociar com terceiros (planos  Fl. 39805DF CARF MF     4 de saúde) os honorários médicos que são recebidos e repassados aos seus cooperados,  pelos  serviços  profissionais  que  estes  prestam  aos  clientes/usuários  das  empresas  contratantes. Não fosse assim, como poderia a cooperativa "prestar serviços aos seus  associados",  que  se  reúnem  "para  o  exercício  de  uma  atividade  econômica,  de  proveito comum", como previsto nos artigos 3º e 4º da Lei n° 5.764/71?.  i)  Demais  disso,  na  relação  contratual  com  terceiros,  com  a  nítida  finalidade  de  beneficiar  os  cooperados,  não  há  receita,  rendimento  ou  lucro  para  a  cooperativa. Tanto  assim  que os  cooperados  são  contribuintes  do  IRPF,  que  incide  sobre os valores dos honorários que lhe são repassados.  j)  Segundo  consta  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  ­  e  assim  foi  feita  a  apuração dos supostos débitos de IRPJ e CSLL ­ devem integrar a base de cálculo e  ser  tributadas  "as  parcelas  que  não  tenham  origem''  nos  atos  cooperativos,  "sendo  tributáveis as receitas das cooperativas em relação aos atos não­cooperativos."  k)  Por considerar que ao contratar, faturar, receber de terceiros e repassar os  honorários médicos  aos  seus  cooperados  a  impugnante  "fugiu  do  seu  objetivo"  ­  o  QUE É UM EQUÍVOCO, conforme demonstrado acima ­ a auditora tributou toda "a  receita  proveniente  da  prestação  de  serviço  aos  contratantes",  como  se  esta  pertencesse à cooperativa.  l)  Diga­se,  desde  logo,  que  o  conceito  de  receita  não  se  confunde  e  nem  pode  compreender  todo  o  conjunto  de  ingressos  de  caixa  que  venha  a  ocorrer  no  curso das atividades desempenhadas pelos contribuintes, na medida em que estas se  revestem  de  distintos  fundamentos  e  origens,  sujeitos  a  apreciação  própria.  Tais  'entradas',  quando não  se  caracterizarem como  fatores de  remuneração de atividade  econômica  desenvolvida,  obviamente,  não  servem  de  parâmetros  para  a  adequada  identificação  da  contrapartida  que  o  'faturamento'  ou  'preço  do  serviço'  devem  representar;  por  outras  palavras,  elas  não  compartilham  da  natureza  comum  dos  valores que irão compor, em conjunto, a base de cálculo do ISS, do PIS e da Cofins.  O  delicado  ponto  de  distinção  entre  o  que  constitui  receita  tributável  para  o  contribuinte destes tributos e aqueles valores que, embora transitando pelo seu caixa,  não  guardam  tal  configuração,  foi muito  bem  demonstrado  pelo  saudoso  Professor  Geraldo Ataliba na seguinte passagem, que cabe como luva no presente contexto: 'O  conceito de receita refere­se a uma espécie de entrada. Entrada é todo o dinheiro que  ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é a  entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de  dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que a recebe.  m)  Em  nenhum  momento  constatou  e  demonstrou  a  auditora  que  a  impugnante,  realizando  os  supostos  atos  não­cooperativos,  teria  obtido  acréscimo  patrimonial o repasse aos cooperados dos honorários médicos contratados e recebidos  é fato incontroverso in casu.  n)  Conclui­se, pois, que não poderia ter sido tomada como base de cálculo  "a receita proveniente da prestação de serviço aos contratantes."  o)  Aliás,  tanto  o  art.  111  da  Lei  n°  5.764/71,  quanto  o  artigo  183,  II,  do  RIR/99,  consideram  como  renda  tributável  os  resultados  positivos  decorrentes  dos  atos não­cooperativos.  p)  Por resultado, em sentido propriamente contábil, entende­se a conclusão  a  que  se  chegou  na  verificação  de  uma  conta  ou  no  levantamento  de  um  balanço  (lucro  ou  prejuízo).  Em  relação  às  contas,  refere­se  ao  saldo  da  Demonstração  do  Resultado do Exercício, que tanto pode ser credor como devedor.  q)  Porém, o objetivo não  lucrativo das cooperativas é  traço marcante para  afastá­la das demais formas empresariais.  r)  Entretanto,  por  ser  atividade  econômica,  a  cooperativa  precisará  ter  contabilidade própria, operará no meio empresarial intensamente, e produzirá, como  Fl. 39806DF CARF MF Processo nº 15504.732104/2013­14  Acórdão n.º 1401­003.312  S1­C4T1  Fl. 39.805          5 decorrência também econômica ­ por trabalhar com dinheiro ­ resultados econômicos.  Esses resultados podem ser positivos, neutros ou negativos, da mesma forma que as  empresas  comerciais  ou  civis  que  trabalham  com  dinheiro.  Se  na  aparência  (que  pouco  significa  para  o Direito,  v.g.  ser  o  navio,  em  termos  jurídicos,  bem  imóvel)  esses  resultados  são  iguais,  juridicamente,  se  diferenciam  radicalmente.  Vamos  demonstrar, assim, que o resultado positivo de uma cooperativa não se confunde com  o  resultado  positivo  de  empresas  lucrativas.  E  não  se  confunde  com  o  objetivo  (cooperativa  é  entidade  não  lucrativa)  e  também  na  destinação  desse  eventual  resultado  financeiro.  É  disso  (a  destinação)  que  trata  o  princípio  em  tela.  Os  resultados positivos das cooperativas devem voltar para os associados, na proporção  de suas operações com a instituição. Podem decidir, contudo, mantê­los na sociedade,  ou  como  forma  de  aumento  do  capital  (que  não  será  remunerado)  ou  doá­los  à  sociedade.  s)  Como  visto,  o  sistema  cooperativo  não  visa  o  lucro.  Então  poder­se­ia  perguntar: mesmo não visando o lucro, o sistema produz? A resposta é negativa. Mas  esclareça­se: uma cooperativa pode produzir sobras, que são o resultado positivo em  suas Operações." (destacamos).  t)  Diz  que  tributar  a  receita  da  cooperativa  (na  realidade,  a  renda  dos  cooperados),  mesmo  nos  atos  considerados  não­cooperativos,  constituí  flagrante  desrespeito ao princípio da capacidade contributiva,  insculpido no art. 145, § 1º, da  Constituição Federal (CF). No presente caso, chegou­se ao astronômico valor de R$  15.842.253,85, calculado sobre os honorários médicos dos profissionais cooperados e  que,  se mantidas  as  autuações,  deverá  ser  suportado  por  eles,  com  a  renda  do  seu  trabalho  (já  tributada)  e  prejuízo  do  seu  patrimônio  pessoal,  uma  vez  que  a  cooperativa,  por  expressa  disposição  legal,  não  tem  recursos  próprios.  Importante  destacar  que  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  nos  seus  anexos  não  houve  a  demonstração de qualquer resultado, SOBRA ou LUCRO da impugnante, decorrente  do exercício de atos supostamente não­cooperativos. No Acórdão n° 1302­00.233, da  2ª Turma ordinária do Carf (Proc. n° 10925.000725/2005­42), concluiu o relator que  os  resultados  de  atos  não  cooperativos  devem  ser  tributados  tanto  pelo  IRPJ  como  pela CSLL, mas cuidou de ressalvar, para dar provimento ao recurso voluntário: "No  entanto,  para  tanto,  tornasse  necessário  que  a  fiscalização  verifique  a  parcela  do  resultado que se refere a atos não cooperados, o que não ocorreu no caso concreto."  u)  Onde  o  "adequado  tratamento  tributário"?  Este  preceito  constitucional  não  prescreve,  evidentemente,  que  as  sociedades  cooperativas  devem  ser  privilegiadas; apenas que devem merecer um tratamento tributário condizente com as  suas  peculiaridades.  Nunca,  porém,  mais  gravoso  do  que  aquele  conferido  às  sociedades comerciais, que faturam para si e que visam lucro.  v)  Requereu  “considerar  que  não  podem  ser  tomados  como  não­ cooperativos os atos praticados em benefício do trabalho e da renda (tributável) dos  profissionais cooperados, estes os efetivos prestadores de serviços a terceiros”;  w)  Alternativamente,  considerar  que  "a  intermediação  e  a  negociação  de  serviços  contratados  com  terceiros",  serviços  estes  que  são  prestados  pelos  cooperados,  não  vão  "além  das  suas  atividades  essenciais",  mas  constituem  "atos­ meio",  ou  "atos  nãocooperativos  intrínsecos",  necessários  para  a  realização  do  ato  cooperativo e para a própria existência da cooperativa”.  x)  Protesta  pela  juntada  de  novos  documentos  no  curso  do  Processo  Administrativo.    Fl. 39807DF CARF MF     6 O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa:      ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010  COOPERATIVA DE TRABALHO. ATO COOPERATIVO. ISENÇÃO.  A  receita  da  cooperativa  de  trabalho  configura  ato  cooperativo  quando  o  serviço  tiver  sido  prestado  por  associado  e  disser  respeito  à  sua  atividade  econômica, sendo irrelevante o fato de o usuário final não compor o quadro  associativo.  HIPÓTESE  DE  TRIBUTAÇÃO  DO  RESULTADO  GLOBAL  DA  COOPERATIVA.  Se  a  escrituração  da  sociedade  não  estiver  apoiada  em documentação  hábil  que comprove a prática exclusiva de atos cooperativos, o resultado global da  cooperativa será tributado, por ser impossível a determinação da parcela não  alcançada pela não incidência tributária.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009, 2010.  INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.  Às  instâncias administrativas não compete  apreciar vícios de  ilegalidade ou  de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo­lhes apenas dar fiel  cumprimento à legislação vigente.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido.      Isto  porque,  segundo  entendimento  da  Turma  julgadora,  “da  análise  dos  Contratos/acordos  e de notas  fiscais apresentados verificamos que a cooperativa ao  contratar  com terceiros praticou ato não cooperativo, devendo oferecer à tributação a receita proveniente  da  prestação  de  serviço  aos  contratantes.  Ressalta­se  que  foram  apresentados  apenas  os  contratos/acordos  firmados  entre  a  fiscalizada  e  os  tomadores  relacionados  no  Anexo  I  do  Termo  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal  ­TCIF  n°01.  Dessa  forma,  por  meio  de  tais  documentos, pudemos constatar que a atividade preponderante da fiscalizada é a prestação de  serviços  médico­hospitalares  a  terceiros,  por  meio  de  contratos  celebrados  com  pessoas  jurídicas, estando, por isso, sujeita aos recolhimentos de tributos e contribuições”.  Segue  concluindo  que(...)  não  ficou  demonstrado,  de  forma  segura  e  cabal,  com os  respectivos documentos de suporte dos  lançamentos contábeis, que se  tratam de atos  cooperativos.  Veja­se  que,  não  se  comprovando  que  são  atos  cooperativos,  a  cooperativa  submete­se  às  mesmas  regras  de  tributação  a  que  se  obrigam  as  demais  pessoas  jurídicas.  Portanto,  não  estão  alcançados  pela  não  incidência  os  “ingressos  de  serviços”  relativos  aos  contratos não apresentados pela contribuinte.  Ciente da autuação, o interessado interpõe Recurso Voluntário às fls. 954/984  dos autos alegando as seguintes razões:  Fl. 39808DF CARF MF Processo nº 15504.732104/2013­14  Acórdão n.º 1401­003.312  S1­C4T1  Fl. 39.806          7   a)  DA  IMPROCEDÊNCIA  DO  LANÇAMENTO  POR  ADOTAR  UM  MOTIVO  REJEITADO PELA DRJ.  IMPOSSIBILIDADE DE SE ALTERAR O MOTIVO DO  LANÇAMENTO.  VINCULAÇÃO  DA  FUNDAMENTAÇÃO  PELA  TEORIA  DOS  MOTIVOS DETERMINANTES. Afirma que o ponto controverso do presente processo  limita­se  apenas  à  qualificação  jurídica  da  atividade  da  Recorrente  (se  é  ou  não  ato  cooperativo).  Assim,  resta  claro  que  a  DRJ  não  poderia  ter  analisado  a  questão  por  outro ângulo, pois a autoridade fiscal não o fez no momento oportuno, quando realizou  o lançamento e indicou como único fundamento a qualificação jurídica da atividade da  Recorrente.  b)  DA  COMPROVAÇÃO  DE  QUE  TODOS  OS  VALORES  REGISTRADOS  NA  CONTABILIDADE  DA  RECORRENTE  SÃO  FRUTOS  DO  TRABALHO  DOS  MÉDICOS COOPERADOS E QUE ESSES VALORES FORAM INTEGRALMENTE  A ELES REPASSDOS. Afirma que o conjunto probatório constante dos autos por si só,  já  é  apto  a  demonstrar  que  os  valores  tributados  referem­se  mesmo  à  prestação  de  serviços médicos cooperados, nem que seja por amostragem.  c)  DA COMPROVAÇÃO DE QUE TODOS OS VALORES QUE INGRESSARAM NA  CONTABILIDADE DA RECORRENTE FORAM DEVIDAMENTE REPASSADOS  AOS MÉDICOS  COOPERADOS.  Diz  que  a  divergência  não  corresponde  a  receita  própria da recorrente, pois no final do exercício o que sobra é devidamente tributado e  depois distribuído para os fundos legais, estatutários e para os médicos cooperados, nos  termos  dos  artigos  4º,  inciso  VII  e  87  da  Lei  nº  5.764/71  bem  como  do  art.  46  do  Estatuto  social  da  recorrente.  Isso  demonstra  de  fato  que  os  valores  tributados  são  referentes aos serviços prestados aos tomadores pelos médicos cooperados, em razão da  captação  realizada  pela  cooperativa,  o  que  configura  verdade  ato  cooperativo  e  portanto, não pode ser tributado pelo IRPJ e CSLL, o que justifica a reforma da decisão  proferida pela DRJ.  d)  OS  INGRESSOS  CONTABILIZADOS  NAS  CONTAS  DA  RECORRENTE  NÃO  PODEM  SER  TRIBITADOS  PELA  IRPJ/CSLL.  Diz  que  deve  ser  considerada  a  atividade  da  recorrente  como  ato  não­cooperativo  (o  que  admite  exclusivamente  por  argumentação), ainda assim a tributação pretendida não poderia ser levada a cabo. Isso  porque esses valores são de renda da Recorrente, mas sim de seus cooperados.  e)  DA  CARACTERIZAÇÃO  DA  ATIVIDADE  DA  RECORRENTE  COMO  ATO  COOPERATIVO. ISENÇÃO DADO PELA LEI Nº 5.764/71. Diz que as cooperativas  de  trabalho,  que  têm  como  finalidade  intermediar  negócios  para  seus  cooperados,  precisam, para atingir a sua atividade­fim,  tratar como terceiros não cooperados. Essa  tratativa  com  terceiros  é meramente  uma  atividade­meio  para  que  as  cooperativas  de  trabalho consigam entregar aos seus cooperados o que contratam com eles.  f)  NÃO  RECONHECER  A  ATIVIDADE  DA  RECORRENTE  COMO  UM  ATO  COOPERATIVO AFRONTA O SISTEMA JURÍDICO VIGENTE: Aduz  que  aceitar  os  atos  de  captação,  intermediação  e  representação  realizados  pela  recorrente  não  constituem atos cooperativos, como pretende a Receita Federal, é o mesmo que aceitar  a absurda hipótese de os médicos cooperados terem se reunido para prestarem serviços  gratuitos, o que não seria razoável de se admitir.  g)  NÃO  RECONHECER  A  ATIVIDADE  DA  RECORRENTE  COMO  UM  ATO  COOPERATIVO AFRONTA O SISTEMA JURÍDICO VIGENTE: Aduz  que  aceitar  os  atos  de  captação,  intermediação  e  representação  realizados  pela  recorrente  não  constituem atos cooperativos, como pretende a Receita Federal, é o mesmo que aceitar  Fl. 39809DF CARF MF     8 a absurda hipótese de os médicos cooperados terem se reunido para prestarem serviços  gratuitos, o que não seria razoável de se admitir.  h)  INEXISTÊNCIA DE RENDA PRÓPRIA DA RECORRENTE. OS VALORES QUE  INGRESSAM  NA  CONTABILIDADE  DA  RECORRENTE  SÃO  TODOS  REPASSADOS AOS SEUS MÉDICOS COOPERADOS, DE MODO QUE NÃO SÃO  RENDA  DA  RECORRENTE,  MAS  SIM  DOS  MÉDICOS  QUE  PRESTAM  OS  SERVIÇOS. Diz que por uma questão de organização e gestão administrativa que os  médicos  cooperados  preferem  que  a  cooperativa  receba  valores,  consolide­os  e  posteriormente lhe faça o devido repasse. É um ato propriamente dito: recebimento de  valores que pertencem aos médicos cooperados e o posterior repasse.  i)  DA BITRIBUTAÇÃO:  Tributar  a  recorrente  é  tributar  duas  vezes  a mesma  base  de  cálculo,  o  que  configura  bis  in  idem:  Aduz  que  os  valores  repassados  já  foram  tributados  nas  pessoas  físicas  dos  médicos  cooperados  (efetivos  prestadores  dos  serviços e titulares da renda), não há que se falar na tributação pretendida nestes autos,  sob pena de se incorrer em vedado bis in idem.  j)  Requereu o provimento do recurso interposto tendo em vista as razões expostas.    Às  fls.  1752 dos  autos – RESOLUÇÃO Nº 1401­001.412 – 4ª Câmara  / 1ª  Turma Ordinária, conversão do feito em diligência para:    1.  A Recorrente seja intimada a apresentar os contratos e as notas  fiscais  ainda  não  juntadas  nos  autos  deste  processo  administrativo  fiscal  ou  outros  documentos  que  ajudem  a  comprovar  que  os  valores  em  discussão  têm  natureza  de  pagamentos por atos cooperativos.  2.   A  Recorrente  seja  intimada  a  apresentar  documentos  que  comprovem  a  vinculação  entre  os  valores  discutidos  nesse  processo  administrativo  e  aqueles  efetivamente  pagos  aos  cooperados nos anos calendários de 2009 e 2010.  3.  A  Recorrente  seja  intimada  a  apresentar  os  comprovantes  de  pagamento  do  IRRF  relativos  às  entregas  de  valores  aos  cooperados.  4.  Após  encerrado  o  prazo  para  apresentação  de  documentos,  a  Autoridade  de  Origem  informe  quais  notas  fiscais  estão  acobertadas por quais contratos e quais não estão suportadas por  nenhum deles.  5.  Após  encerrado  o  prazo  para  apresentação  de  documentos,  a  Autoridade de Origem informe se é possível vincular os valores  discutidos  nesse  processo  administrativo  com  os  pagamentos  realizados aos cooperados e se houve o devido recolhimento do  IRRF em relação a cada um desses pagamentos.  6.  Informe a Autoridade Origem se tem mais alguma consideração  relevante  a  fazer  relativa  ao  julgamento  deste  processo  administrativo fiscal.  7.  A  Recorrente  seja  intimada  acerca  do  relatório  final  da  diligência, para, caso queira, se manifestar.”    Isso porque o entendimento firmado foi no sentido de que “deve­se verificar,  portanto, se é possível vincular os valores tidos por renda neste processo administrativo fiscal  Fl. 39810DF CARF MF Processo nº 15504.732104/2013­14  Acórdão n.º 1401­003.312  S1­C4T1  Fl. 39.807          9 com  os  valores  que  a  recorrente  diz  ter  sido  pagos  aos  cooperados,  mas  sem  comprovar  o  critério para pagamento que os vincularia às receitas recebidas por ela e a efetiva entrega dos  valores”.(...) “Assim, é importante segregar com clareza não somente os atos cooperativos dos  não cooperativos, mas também checar quando as receitas foram efetivamente distribuídas aos  cooperados com pagamento do respectivo IRRF”.  A fiscalização, com o objetivo de responder aos questionamentos do CARF,  acima  relatados,  intimou  o  recorrente  a  apresentar  documentos  (contratos,  recibos  e  notas  fiscais), esclarecimentos e planilhas demonstrativas, por meio dos Termos de Intimação n° 1º  ao 3º, anexos ao processo.  Às  fls.  1765  ­  INFORMAÇÃO  FISCAL,  onde  se  conta  no  item  7  que  “Para  entender melhor  o  processo  de  repasse  aos  cooperados  dos  valores  recebidos  de  seus  contratantes,  intimamos  o  contribuinte,  por  meio  do  Termo  3,  a  detalhar  os  procedimentos  adotados pela cooperativa para cumprir seu objetivo. A resposta apresentada pelo contribuinte  está  anexa  a  esta  informação.  É  importante  ressaltar  que  os  valores  lançados  na  conta  3.1.1.01.000  –  Ingresso  de  Serviços,  que  foram  a  base  de  cálculo  do  Auto  de  Infração,  correspondem a faturas e não às notas fiscais emitidas pela cooperativa. Por isso, foi necessário  que a cooperativa apresentasse uma planilha vinculando cada fatura contabilizada na referida  conta às notas fiscais emitidas (Anexos I e II).  Em resumo, assim resumiu o fiscal diligente:    “a)  A  Recorrente  seja  intimada  a  apresentar  os  contratos  e  as  notas  fiscais ainda não  juntadas nos autos deste processo administrativo  fiscal ou  outros  documentos  que  ajudem  a  comprovar  que  os  valores  em  discussão  têm  natureza de pagamentos por atos cooperativos.”  Resposta: Anexamos cópias de todos os contratos apresentados e  das  notas  fiscais,  por  amostragem  (o  volume  é  muito  grande,  anexamos  uma  amostra por competência).  “b)  A  Recorrente  seja  intimada  a  apresentar  documentos  que  comprovem a vinculação entre os valores discutidos nesse processo administrativo e  aqueles efetivamente pagos aos cooperados nos anos calendários de 2009 e 2010.”  Resposta: Foram apresentadas notas fiscais, relatórios de serviços  prestados  e  extratos  bancários  para  comprovar  o  repasse  dos  valores  aos  cooperados.  “c) A Recorrente seja  intimada a apresentar os comprovantes de  pagamento do IRRF relativos às entregas de valores aos cooperados.”  Resposta: A recorrente apresentou DARF´s e D´Comp´s que estão  informados na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais.  “d) Após encerrado o prazo para apresentação de documentos, a  Autoridade  de  Origem  informe  quais  notas  fiscais  estão  acobertadas  por  quais  contratos e quais não estão suportadas por nenhum deles.”  Fl. 39811DF CARF MF     10 Resposta:  Na  coluna  I  dos  Anexos  I  e  II  estão  demonstradas  as  notas fiscais apresentadas, e na coluna K as que foram canceladas. A coluna H dos  Anexos I e II demonstra se há contrato vigente ou não para cada pagamento.  “e) Após encerrado o prazo para apresentação de documentos, a  Autoridade  de  Origem  informe  se  é  possível  vincular  os  valores  discutidos  nesse  processo administrativo com os pagamentos realizados aos cooperados e se houve o  devido recolhimento do IRRF em relação a cada um desses pagamentos.”  Resposta: Nos anexos I e II, na coluna J (“Valores cujos repasses  não  foram  comprovados”),  estão  demonstrados  e  totalizados,  por  trimestre,  os  valores  que  não  foram  repassados  aos  cooperados  em  razão  do  serviço  por  eles  prestados  ou  que  não  foram  comprovados.  Os  valores  correspondem  em  sua  maioria, às  taxas de custeio da cooperativa e aos valores repassados por meio do  Banco Unicred, conforme informações constantes da coluna K (“Observações”).  Quanto ao recolhimento do IRRF, os valores informados no Anexo  III, que corresponde ao demonstrativo apresentado pelo próprio recorrente,  foram  recolhidos e/ou compensados e estão declarados na DCTF.  “f)  Informe  a  Autoridade  Origem  se  tem  mais  alguma  consideração relevante a fazer relativa ao julgamento deste processo administrativo  fiscal.”  Resposta: Ao examinar os contratos apresentados, verificamos que  alguns  não  estavam  vigentes  à  época  dos  repasses  analisados  (não  foram  apresentados aditivos)  e outros estão sem data de assinatura, conforme consta na  coluna K, “Observações”.  “g)  A  Recorrente  seja  intimada  acerca  do  relatório  final  da  diligência, para, caso queira, se manifestar.”  Resposta:  A  presente  informação,  assim  como  seus  anexos  (I  ao  VI)  foram  enviados  por  via  postal  à  recorrente,  Aviso  de  Recebimento  –  AR  em  anexo.    Às  fls.  Fl.  39792  dos  autos  (6ª  parte)  –  PETIÇÃO DO CONTRIBUINTE,  alegando as seguintes razões:    a)  Diz  que  “devem  também  ser  excluídos  os  valores  das  notas  cujos  contratos  foram  apresentados  no  recurso  voluntário,  uma  vez  que  não  foram  juntados  à  impugnação  porque este não era o objeto da autuação”.  b)  E que “os ingressos contabilizados nas contas da Recorrente não podem ser tributados  pelo  IRPJ/CSLL porque são decorrentes de atos cooperativos, como reconhecido pela  DRJ, e tais atos são isentos de tributação nos termos do art. 111 da Lei nº 5.764/71”.  c)  No presente caso, a Recorrente não auferiu renda em momento algum porque os valores  que ela recebe dos tomadores de serviços são repassados para os médicos cooperados  que prestaram esses serviços, nos termos do seu Estatuto Social e dos documentos 04 a  11 do recurso voluntário.  d)  Assim,  os  lançamentos  são  insubsistentes,  pois  entradas  transitórias,  como  as  da  Recorrente,  não  podem  constituir  base  de  cálculo  de  IRPJ/CSLL.  Ressalte­se  que  Fl. 39812DF CARF MF Processo nº 15504.732104/2013­14  Acórdão n.º 1401­003.312  S1­C4T1  Fl. 39.808          11 argumento  semelhante  foi  utilizado  pelo  STF  para  afastar  a  incidência  do  PIS  e  da  COFINS sobre o ICMS no julgamento do RE 240.785.  e)  Diz  que  a  Recorrente  deixou  de  fazer  prova  apenas  dos  repasses  cuja  documentação  solicitada  inexiste,  por  razões  alheias  à  sua  vontade,  tendo  comprovado  todos  os  demais. Por essa razão, a presunção deve caminhar em favor da Recorrente, até mesmo  porque  não  há  qualquer  elemento  nos  autos  que  possa  levantar  dúvidas  acerca  da  higidez das suas demonstrações financeiras.  f)  E  que  a  Informação  Fiscal  foi  clara  no  sentido  de  elucidar,  em  favor  da Recorrente,  todos  os  questionamentos  suscitados  pelo  i.  Relator,  de  tal  sorte  que  o  objeto  do  julgamento deverá ficar restrito às razões de direito já suscitadas ao longo do processo.  g)  Assim, requereu a Recorrente o provimento do seu recurso para: (a) reformar a decisão  recorrida,  para  que  o  lançamento  objeto  deste  PTA  seja  integralmente  anulado  e  o  crédito tributário por ele veiculado extinto ou (b) sucessivamente, que seja decotado da  base  de  cálculo  dos  tributos  cobrados  neste  processo,  dos  valores  comprovadamente  repassados  aos médicos  cooperados,  pois,  como visto,  esses  valores  não  representam  renda/lucro líquido da Recorrente.    É o relatório do essencial.  Voto             Conselheiro Daniel Ribeiro Silva ­ Relator.  Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao  e­processo.  O recurso é  tempestivo e preenche os  requisitos para a sua admissibilidade,  portanto dele conheço.  Inicialmente, ressalto que as Infrações 02 e 03 não foram impugnadas.   Como bem relatado na resolução de diligência, a Recorrente alega que a DRJ  teria  rejeitado  o  motivo  utilizado  pelo  Auto  de  Infração  e,  então,  inserido  outro  para  fundamentar a exigência tributária.  O Termo de Verificação Fiscal (TVF) afirma que a Recorrente tem atividade  não cooperativa preponderante, pois ela realiza a intermediação e a negociação da prestação de  serviços dos cooperados a terceiros, o que é bem característico de cooperativas médicas.  O TVF explica, então, que apenas foram apresentados "os contratos/acordos  firmados entre a fiscalizada e os tomadores relacionados no Anexo I do Termo de Constatação  e Intimação Fiscal TCIF nº 01". Da análise desses contratos, a Fiscalização concluiu, sem uma  fundamentação muito rebuscada, que a maior parte da atividade era de atos não cooperativos.  O  TVF  possui  apenas  5  laudas,  e  além  de  relatar  de  forma  resumida  o  procedimento,  bem  como  citar  a  legislação  aplicável,  no  ponto  central  que  levou  ao  lançamento, o agente fiscal defende que:  Fl. 39813DF CARF MF     12       Assim  foi  resumido  o  ponto  central  do  lançamento.  E  o  fundamento  do  lançamento  foi  a  conclusão  pelo  agente  fiscal  de  que  a  Recorrente  não  realizava  atos  cooperados  uma  vez  que  prestava  serviços médico­hospitalares  a  terceiros,  estando  sujeita  à  tributação.  Desta forma, resta claro que a autoridade autuante analisou todos os contratos  apresentados pela recorrente no curso do procedimento fiscalizatório e concluiu que os mesmos  representavam  a  origem  de  receitas  de  atos  não  cooperados.  Em  suma,  o  que  é  possível  se  depreender das conclusões do agente fiscal autuante é que um ato cooperado apenas poderia ser  representado através de uma prestação de serviço entre cooperativa e cooperados.  Fl. 39814DF CARF MF Processo nº 15504.732104/2013­14  Acórdão n.º 1401­003.312  S1­C4T1  Fl. 39.809          13 A DRJ, de fato, atesta expressamente que o fato da cooperativa contratar com  terceiros não desconfigura a natureza de sua atuação, e que os contratos apresentados referem­ se a atos cooperativos, mas ressalva que mantém o lançamento pelo fato de que nem todos os  contratos foram apresentados.  Por  sinal,  a  Recorrente  juntou  mais  alguns  contratos  ao  seu  Recurso  Voluntário e, ainda, reconheceu que não havia juntado todos eles, de modo que há notas fiscais  cujos fatos geradores não se sabe exatamente a natureza jurídica, motivo pelo qual o processo  foi baixado em diligência à autoridade de origem.  Além disso, a Recorrente trouxe em Recurso Voluntário documentos com o  objetivo de comprovar que quase  toda a  renda  tributada pelo Auto de  Infração  foi  repassada  aos médicos cooperados, não havendo que se falar na cooperativa como sua beneficiária.  O primeiro ponto que deve ser analisado, diante da alegação da Recorrente é  se houve inovação no critério jurídico.  Isto  porque,  o motivo  da  autuação  não  foi  a  ausência  de  comprovação  das  receitas. Em verdade a agente autuante afirma que analisou os contratos apresentados (portanto  houve comprovação das receitas), e não questionou a validade deles, entretanto, concluiu não  se tratarem de receitas de atos cooperados por serem firmados com terceiros.  Por  outro  lado,  a  DRJ  validou  a  tese  da  contribuinte  e  reconheceu  a  possibilidade  da  cooperativa  contratar  com  terceiros,  reconhecendo  a  natureza  jurídica  dos  contratos apresentados como receitas de atos cooperados, mas enveredou pela  improcedência  da  impugnação  sob  o  fundamento  da  falta  de  apresentação  de  todos  os  contratos  que  embasaram as receitas de atos cooperados autuados.  Assim,  me  parece  absolutamente  claro  que  o  lançamento  (pelo  agente  autuante) e a manutenção do lançamento (pela DRJ) se deram por fundamentos diversos.  O lançamento original se deu por desconsiderar a contratação com terceiros  como  receita  de  ato  cooperado,  já  a manutenção  se  deu  pela  falta de  comprovação  total  das  receitas.  O  primeiro  questionamento  que  deve  ser  enfrentado  é  se  a  DRJ  poderia  descaracterizar o fundamento da autuação, mas manter o lançamento por fundamento diverso.  Me parece claro que não.  Explico. Se o lançamento original fosse fundado na ausência da comprovação  das  receitas,  o  contribuinte  se  defenderia  adequadamente  sobre  a  validade  e  apresentaria  a  documentação  que  entende  pertinente.  A  partir  daí  poderia  a  DRJ  acatar  parcialmente  ou  totalmente a documentação apresentada.  Ocorre que, no caso concreto, o  lançamento se deu por entender a autuante  que a contratação com terceiros consistiria em ato não cooperado. A validade das receitas ou  contratos não foi questionada. Apenas o fato de contratar com terceiros.  Nessa linha entendeu a DRJ que:    Fl. 39815DF CARF MF     14 (início da transcrição)  Assim,  vê­se  que  a  finalidade  da  cooperativa  está  vinculada  à  atividade  própria  do  associado  e  o  seu  objeto  somente  pode  ser  a  prestação  de  serviços aos seus associados, nunca a terceiros.  Nas  cooperativas  de  trabalho,  o  valor  recebido  por  elas  por  serviços prestados por  seus associados,  a outra  pessoa ainda que não associado,  é  ato  cooperativo,  desde  que  o  serviço  seja  da  mesma  atividade  econômica  da  cooperativa.  Foi  o  que  definiu  o  PN CST  38/80,  ao  especificar  quais  atos  são  tratadoscomo cooperativos em uma cooperativa de médicos:  (...)  No  presente  caso,  o  autuante  fundamentou  o  lançamento  nos  seguintes termos:    Da  análise  dos  Contratos/acordos  e  de  notas  .fiscais  apresentados  verificamos  que  a  cooperativa  ao  contratar  com  terceiros  praticou  ato  não  cooperativo,  devendo  oferecer  à  tributação  a  receita  proveniente  da  prestação  de  serviço  aos  contratantes.  Ressalta­se que foram apresentados apenas os contratos/acordos  firmados  entre  a  fiscalizada  e  os  tomadores  relacionados  no  Anexo  I  do  Termo  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal  ­TCIF  n°01.  Dessa  forma,  por meio  de  tais  documentos,  pudemos  constatar  que  a  atividade  preponderante  da  fiscalizada  é  a  prestação  de  serviços médico­hospitalares a  terceiros, por meio de contratos  celebrados com pessoas jurídicas, estando, por isso, sujeita aos  recolhimentos de tributos e contribuições;    Foram  anexados  ao  processo  alguns  contratos  que  a  contribuinte  firmou com terceiros, os quais contêm as seguintes cláusulas:    (...)    Vê­se nos citados contratos que a cooperativa apenas  se identifica  como mandatária  negocial  dos  sócios  (Lei  nº  5.764/71,  arts.  4º  e  7º  ),  buscando  a  captação  de  clientela,  a  oferta  dos  serviços  dos  associados  e  a  cobrança  e  o  recebimento dos honorários recebidos pelos cooperados.  (...)  Fl. 39816DF CARF MF Processo nº 15504.732104/2013­14  Acórdão n.º 1401­003.312  S1­C4T1  Fl. 39.810          15 Dessa  forma,  com  relação  aos  contratos  constantes  no  processo,  entendo que tratam de atos cooperativos, uma vez que a cooperativa age em nome e  por conta dos cooperados, que são os prestadores dos serviços contratados.  Entretanto, tem­se no presente caso que a contribuinte foi intimada,  durante  a  fiscalização,  a  apresentar  todos  os  contratos  de  prestação  de  serviços  executados em 2009 e 2010 e não os apresentou em sua totalidade, como se constata  do confronto das notas fiscais com os contratos apresentados.  Assim,  não  ficou  demonstrado,  de  forma  segura  e  cabal,  com  os  respectivos documentos de suporte dos lançamentos contábeis, que se tratam de atos  cooperativos.  Veja­se  que,  não  se  comprovando  que  são  atos  cooperativos,  a  cooperativa submete­se às mesmas regras de tributação a que se obrigam as demais  pessoas jurídicas.  Portanto,  não  estão  alcançados  pela  não  incidência  os “ingressos  de serviços” relativos aos contratos não apresentados pela contribuinte.    (término da transcrição)    Verifica­se portanto que a DRJ analisou e conceituou com base na legislação  e  no  PN  CST  38/80  o  que  á  ato  cooperado,  chegou  à  conclusão  que  nas  cooperativas  de  trabalho, o valor recebido por elas por serviços prestados por seus associados, a outra pessoa  ainda  que  não  associado,  é  ato  cooperativo,  desde  que  o  serviço  seja  da  mesma  atividade  econômica da cooperativa.   Desta  feita,  o  fato  de  a  Recorrente  contratar  e  receber  receitas  de  terceiros  não  desconfigura  o  ato  cooperativo,  o  que,  em  outras  palavras,  rechaçou  o  fundamento  da  autuação.  Entendo  que  a  análise  da  DRJ  deveria  finalizar  nesse  ponto,  vez  que  por  consequência lógica levaria à conclusão de improcedência da autuação.  Mas  não,  a  DRJ  foi  além  e  analisou  parte  dos  contratos  juntados  pela  Impugnante,  descrevendo  seus  objetos  e  reforçando  o  entendimento  de  que  os  contratos  apresentados, de fato, fundamentariam o recebimento de receitas de atos cooperados.  Ocorre  que,  não  satisfeita  a DRJ  seguiu  em  sua  análise,  e  à  partir  daí  que  entendo que se equivocaram os julgadores a quo.   Isto  porque,  prosseguiram  afirmando  que  como  a  Recorrente  no  curso  da  fiscalização não apresentou a totalidade dos contratos e notas fiscais ao agente fiscal, e nem o  fez junto da impugnação (e nem seria necessário já que o fundamento do lançamento não foi  ausência  de  comprovação  da  origem  das  receitas),  chegou  à  conclusão  que  não  ficou  demonstrado,  de  forma  segura  e  cabal,  com  os  respectivos  documentos  de  suporte  dos  lançamentos contábeis, que se tratam de atos cooperativos.  E nesse ponto entendo que a DRJ promoveu clara inovação no fundamento.  A DRJ,  por  vias  diretas,  introduziu  um  novo  fundamento  na  autuação,  o  que  é  defeso  pelo  Fl. 39817DF CARF MF     16 ordenamento  jurídico brasileiro. E mais, esse novo fundamento sequer ocorreu em função da  defesa apresentada pelo contribuinte, tratando­se, evidentemente, de inovação que não pode ser  admitida.  Há significativa divergência, outrossim, quanto ao  significado específico da  expressão “critérios jurídicos” para fins de aplicação do art. 146 do CTN.  Entendo  que  dita  expressão  abrange:  i)  as  decisões  discricionárias  tomadas  pela Administração  quando  do  lançamento  tributário,  nas  hipóteses  excepcionais  em  que  há  espaço para  tanto,  como  sucede  quando do  arbitramento da  receita para  fins de  apuração do  IRPJ  (cfr.  o  art.  51  da Lei  8.981/1995);  ii)  a  qualificação  jurídica  dos  fatos  imponíveis  (ex.  classificação  de  produtos  industrializados  na  TIPI);  e  iii)  as  variantes  exegéticas  adotadas  quando  da  aplicação  das  leis  e  dos  atos  normativos  infralegais,  de  modo  que  mudanças  interpretativas se qualificam como modificações de critério  jurídico, a ensejar a aplicação do  dispositivo em apreço.  E  entendo  que  foi  o  que  ocorreu  no  caso  concreto.  A  DRJ  ao  afastar  o  fundamento  do  lançamento  original,  acatando  a  tese  da  impugnante,  fundamentou  a  manutenção do lançamento em fundamento novo, contra o qual ela não precisaria se defender.  O  lançamento  é de  competência privativa da  autoridade  administrativa  (art.  142  do  CTN)  e  o  órgão  de  julgamento  não  tem  competência  para  alterá­lo  mediante  a  utilização de novos critérios jurídicos. E mesmo a eventual modificação introduzida, de ofício  ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela  autoridade  administrativa  no  exercício  do  lançamento,  somente  poderia  ser  efetivada,  em  relação  ao  contribuinte,  quanto  a  fato  gerador  ocorrido  posteriormente  à  sua  introdução,  na  dicção do art. 146 do CTN.  Há  uma  clara  dissonância  entre  a  fundamentação  do Auto  de  Infração  e  a  fundamentação  do  acórdão  de  impugnação.  Enquanto  que  a  autoridade  lançadora  havia  questionado  a  impossibilidade  de  a  cooperativa  contratar  com  terceiros  (caracterizando  isso  como  ato  não  cooperado),  a  DRJ  reconheceu  a  possibilidade  da  contribuinte  contratar  com  terceiros,  caracterizou  os  contratos  apresentados  como  atos  cooperados,  mas  manteve  o  lançamento sob o fundamento da ausência de apresentação de todos os contratos (ausência da  comprovação da receita).  E  o  pior,  mesmo  quanto  aos  contratos  já  apresentados  e  analisados  pela  própria DRJ (que os caracterizou como atos cooperados), manteve o lançamento.  Outrossim,  apenas  para  ressaltar,  o  relatório  de  diligência  confirmou  que  quase a totalidade das receitas autuadas, foram repassadas aos cooperados e estavam abarcadas  por contratos ou notas fiscais, sendo que a maior parcela do que não foi repassado correspondia  à taxa de custeio.  Tal  fato,  em que  pese  ser prescindível  à minha  decisão,  apenas  confirma  e  coaduna com a tese defensiva.  Desta  feita,  superando  eventual  nulidade  da  decisão  da  DRJ  em  razão  da  inovação,  dou  provimento  ao  mérito  pelas  razões  acima  expostas,  em  especial,  pelo  reconhecimento da possibilidade de se contratar com terceiros (o que foi base de fundamento  da própria DRJ).  Assim  é  que,  face  a  tudo  o  quanto  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  julgar  improcedente  o  lançamento  da  Infração  01,  restando  Fl. 39818DF CARF MF Processo nº 15504.732104/2013­14  Acórdão n.º 1401­003.312  S1­C4T1  Fl. 39.811          17 prejudicadas as demais razões de mérito, bem como mantido o lançamento quanto às infrações  não impugnadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Daniel Ribeiro Silva                                   Fl. 39819DF CARF MF

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Numero do processo: 10950.720131/2011-92
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006, 2007 ADMISSIBILIDADE. DECISÃO PARADIGMA. FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE PARA REFORMAR DECISÃO RECORRIDA. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Em razão das situações fáticas sem suficiente correspondência, as decisões paradigmas apresentam fundamentos que não são suficientes para reformar acórdão recorrido, razão pela qual não resta atendido requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-004.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo. Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA

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Acórdão nº  9101­004.166  –  1ª Turma   Sessão de  8 de maio de 2019  Matéria  PAF ­ PRODUÇÃO DE PROVAS  Recorrente  DOMIMAR ­ INDUSTRIA E COMERCIO LTDA   Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2006, 2007  ADMISSIBILIDADE.  DECISÃO  PARADIGMA.  FUNDAMENTAÇÃO  INSUFICIENTE  PARA  REFORMAR  DECISÃO  RECORRIDA.  IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.  Em  razão  das  situações  fáticas  sem  suficiente  correspondência,  as  decisões  paradigmas  apresentam  fundamentos  que  não  são  suficientes  para  reformar  acórdão recorrido, razão pela qual não resta atendido requisito específico de  admissibilidade  de  recurso  especial,  de  divergência  na  interpretação  de  legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer  do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva  (suplente convocado), que conheceram do recurso.    (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  André  Mendes  de  Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane  Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 01 31 /2 01 1- 92 Fl. 3405DF CARF MF Processo nº 10950.720131/2011­92  Acórdão n.º 9101­004.166  CSRF­T1  Fl. 3.406          2 Gomes Rêgo. Ausente  o  conselheiro Demetrius Nichele Macei,  substituído  pelo  conselheiro  Daniel Ribeiro Silva.    Relatório  Trata­se de Recurso Especial (e­fls. 3326/3331) interposto pela DOMIMAR  INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão  nº 1301­002.692 (e­fls. 3276 e segs), pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção,  na sessão de 19/10/2017, no qual foi dado provimento parcial ao recurso voluntário.  A decisão recorrida apresentou a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 2007  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  PRESUNÇÃO LEGAL.  A  partir  da  edição  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  caracterizam­se  omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos  recursos utilizados nessas operações.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA.  NATUREZA  DO  OBJETO.  IMPROCEDÊNCIA.  Não compete ao Fisco  realizar diligência que  tenha por objeto  reunir  documentos  que,  supostamente,  serviria  de  suporte para  comprovar  operações  bancárias  realizadas  pelo  contribuinte.  Sem que  se  faça  juízo do  valor probatório do documento a  ser  requisitado (FITA DETALHE DE CAIXA), é certo que, tratando­ se  de  créditos  bancários,  a  documentação  comprobatória  das  respectivas origens deve ser mantida em ordem e boa guarda, de  modo a, se for o caso, impedir a aplicação da presunção prevista  em lei.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA.  NATUREZA  DO  OBJETO.  IMPROCEDÊNCIA.  Não compete ao Fisco  realizar diligência que  tenha por objeto  reunir  documentos  que,  supostamente,  serviria  de  suporte para  comprovar  operações  bancárias  realizadas  pelo  contribuinte.  Sem que  se  faça  juízo do  valor probatório do documento a  ser  requisitado (FITA DETALHE DE CAIXA), é certo que, tratando­ se  de  créditos  bancários,  a  documentação  comprobatória  das  respectivas origens deve ser mantida em ordem e boa guarda, de  modo a, se for o caso, impedir a aplicação da presunção prevista  em lei.  Fl. 3406DF CARF MF Processo nº 10950.720131/2011­92  Acórdão n.º 9101­004.166  CSRF­T1  Fl. 3.407          3 IPI. LANÇAMENTO REFLEXO.  Aplica­se ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada  pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF ao processo  principal de IRPJ.  IPI.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  DECORRENTE.  OMISSÃO  DE RECEITAS.  Comprovada  a  omissão  de  receitas  em  lançamento  de  ofício  respeitante  ao  IRPJ,  é  devida,  por  decorrência,  a  exigência  do  IPI  correspondente  e  dos  respectivos  consectários  legais,  em  virtude da irrefutável relação de causa e efeito.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO  LEGAL.  SAÍDA  DE  PRODUTOS  SEM  A  EMISSÃO  DE  NOTAS  FISCAIS.  ALÍQUOTA MAIS ELEVADA.  No  caso  de  omissão  de  receitas,  devido  à  presunção  legal  de  saída  de  produtos  à  margem  da  escrituração  fiscal  e  à  consequente  impossibilidade  de  separação  por  elementos  da  escrita,  utiliza­se  a  alíquota mais  elevada,  daquelas  praticadas  pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido.  Foi  dado  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  corrigir  erros  relativos a apuração da base tributável, concernentes a erros de transcrição e consolidação dos  valores devidos.   Resumo Processual  A  autuação  fiscal,  relativa  aos  anos­calendário  de  2006  e  2007,  tratou  da  infração  tributárias  de  presunção  de  omissão  de  receitas  ­  depósitos  bancários  não  contabilizados. O lançamento de IPI é decorrente dos lançamentos de IRPJ,CSLL, PIS e Cofins  formalizados  nos  autos  do  processo  nº  10950.720133/2011­81  (art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996). Foi aplicada multa de ofício de 75%.  A  Contribuinte  apresentou  impugnação  (e­fls.  926/934),  que  foi  julgada  improcedente pela DRJ (e­fls. 993/995).  Foi  interposto  recurso  voluntário  (e­fls.  1002/024).  Posteriormente,  foi  peticionado documento  "aditivo  ao  recurso voluntário"  (e­fls.  2569/2600). A  turma ordinária  do CARF deu provimento parcial ao recurso (e­fls. 3276/3306).  A  PGFN  não  interpôs  recurso  especial.  A  Contribuinte  interpôs  recurso  especial (e­fls. 3326/3331), que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade (e­fls.  3384/3388).  A PGFN apresentou contrarrazões (e­fls. 3390/3398).  A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa.      Fl. 3407DF CARF MF Processo nº 10950.720131/2011­92  Acórdão n.º 9101­004.166  CSRF­T1  Fl. 3.408          4 Da Fase Contenciosa  A contribuinte apresentou  impugnação. A 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto,  no Acórdão nº 14­34.181, julgou a impugnação improcedente, conforme ementa a seguir.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 2006, 2007  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO  LEGAL.  SAÍDA  DE  PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS..  Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão  consideradas provenientes de vendas não registradas.  IPI.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  DECORRENTE.  OMISSÃO  DE RECEITAS..  Comprovada  a  omissão  de  receitas  em  lançamento  de  ofício  respeitante  ao  IRPJ,  cobra­se,  por  decorrência,  em  virtude  da  irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com  os consectários legais.  Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte, apreciado pela 1ª Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  Primeira  Seção,  na  sessão  de  19/10/2017.  Foi  dado  provimento  parcial  ao  recurso,  para  correção  de  erros  cometidos  pela  autoridade  fiscal  na  apuração  da  apuração da base tributável.   A PGFN foi intimada (e­fl. 3308) da decisão, e não interpôs recurso especial.  A  Contribuinte  interpôs  recurso  especial.  Discorre  que  não  teriam  sido  apreciadas  as  provas  anexadas  nos  autos  por  meio  do  aditivo  ao  recurso  voluntário  com  o  objetivo de comprovar a origem dos depósitos bancários identificados como "DEPÓSITO EM  CHEQUE BB LIQUIDADO", e que a obtenção de tais documentos só teria sido possível por  força da sentença judicial proferida pelo juízo da 7ª Vara Cível da Comarca de Maringá (PR)  no qual se determinou ao Banco do Brasil a apresentação no prazo de trinta dias das cópias das  FITAS­DETALHE DE CAIXA. Aduz que os documentos não foram apreciados em razão do  disposto  no  art.  16,  §  4º  do Decreto­lei  nº  70.235,  de  1972  (PAF),  por  entender  ter  restado  consumada preclusão processual. Entende que a decisão recorrida teria privilegiado o aspecto  formal em detrimento do princípio da verdade material, e aponta dois paradigmas no qual teria  havido  interpretação  divergente,  Acórdãos  nº  1102­000.940  e  9202­002.295.  Requer  pelo  provimento do recurso especial para reformar a decisão recorrida e determinar a apreciação das  provas anexadas aos autos com o aditivo ao recurso voluntário.  Despacho de exame de admissibilidade de e­fls. 3384/3388 deu seguimento  ao recurso especial.  A PGFN apresentou contrarrazões (e­fls. 3390/3398). Em preliminar, pugna  pela  não  admissibilidade  do  recurso  especial,  vez  que  não  haveria  semelhança  entre  as  situações fáticas discutidas na decisão recorrida e nos paradigmas.  Isso porque, no recorrido,  reclama­se  pela  apreciação  de  provas  acostadas  aos  autos  após  a  interposição  do  recurso  voluntário,  enquanto  que,  nos  paradigmas,  as  provas  foram  juntadas  dentro  do  prazo  da  Fl. 3408DF CARF MF Processo nº 10950.720131/2011­92  Acórdão n.º 9101­004.166  CSRF­T1  Fl. 3.409          5 interposição do  recurso  voluntário. Assim, não haveria que  se  falar  em dissenso. No mérito,  aduz ser aplicável o disposto no § 4º do art. 16 do PAF, vez que a Contribuinte teria tido várias  oportunidades para se manifestar pela juntada de documentos no decorrer do processo, e não  teria se consumado nenhuma das exceções previstas na norma. Requer pelo não conhecimento  do recurso e, caso admitido, pelo seu não provimento.  É o relatório.    Voto             Conselheiro André Mendes de Moura, Relator.  Trata­se de recurso especial da Contribuinte propondo­se a devolver matéria  relativa  à  apreciação  de  provas  anexadas  aos  autos  em momento  posterior  à  interposição  do  recurso voluntário,  tendo sido apresentados como paradigmas os acórdãos nº 1102­000.940 e  9202­002.295.  Em  contrarrazões,  aduz  a  PGFN  que  os  paradigmas  tratam  de  situações  fáticas  distintas  da  decisão  recorrida,  razão  pela  qual  não  se  poderia  falar  em  interpretação  divergente da legislação tributária.  Passo ao exame da admissibilidade do recurso.  Inicialmente, vale tecer breve histórico sobre a situação posta nos autos.  Trata­se de autuação fiscal no qual se consumou a presunção de omissão de  receitas em razão da falta de comprovação de depósitos bancários.   Desde  a  fase  inquisitória,  no  decorrer  da  ação  fiscal,  foi  a  Contribuinte  intimada  a  apresentar  documentação  probatória  apta  a  demonstrar  a  origem  dos  depósitos  bancários.  Em face dos depósitos com origem não comprovada, foram lavrados os autos  de  infração  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  Cofins  (outro  processo  administrativo,  nº  10950.720133/2011­81) e de IPI (presentes autos).  Na  impugnação,  em  relação  aos  lançamentos  decorrentes  do  "DEPÓSITO  EM CHEQUE BB LIQUIDADO",  aduziu  que  a  instituição  financeira  apresentou  resistência  em fornecer a cópia dos documentos "FITA DETALHE DO CAIXA", onde ficaria registrada a  memória  de  cálculo  da  operação.  Nas  tratativas,  logrou  negociar  junto  ao  banco  a  entrega  informal de cópia de algumas das fitas que foram anexadas à impugnação, no qual se poderia  identificar o cheque utilizado e a sua efetiva destinação. A DRJ apreciou os documentos e não  os  considerou aptos para  comprovar  a origem dos  recursos  (e­fls.  988/989,  itens 59  a 68 do  voto da decisão relativa ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, que foi aplicada aos presentes autos).   60.   Eis o que alegou na impugnação:  "Na  FITA  DETALHE  DO  CAIXA  do  dia  19/07/2006  consta  a  emissão do cheque no valor de R$ 40.000,00 da conta n° 7.893­ Fl. 3409DF CARF MF Processo nº 10950.720131/2011­92  Acórdão n.º 9101­004.166  CSRF­T1  Fl. 3.410          6 X, cujo recurso  foi utilizado para  fazer dois depósitos na conta  n°  16.288­4,  um  de  R$  22.000,00  e  outro  de  R$  18.000,00,  exatamente como consta nos extratos das respectivas contas."  61.   Mais adiante, prossegue  "Na  FITA  DETALHE  DO  CAIXA  do  dia  31/07/2006  consta  a  emissão de dois cheques da conta n° 7.893­X, no valor  total de  R$ 54.000,00, e que parte do recurso foi utilizado para fazer dois  depósitos na conta n° 16.2884, um de R$ 28.300,00 e outro de  R$ 20.095,00, da forma como aparece nos extratos bancários".  Ressaltamos,  que  neste  caso  o  Banco  suprimiu  da  FITA  DETALHE  DO  CAIXA  os  pagamentos  que  totalizaram  R$  5.605,00,  alegando  sigilo  bancário  porque  no  documento  aparecia o nome de outras pessoas. A sessão foi encerrada com  recebimento de R$ 54.000,00; pagamentos R$ 54.000,00 e saldo  R$ 0,00.  62.   Tais  alegações  não  merecem  prosperar  e  explica­se  porque.  Por  primeiro  como  a  própria  defesa  sustenta,  os  documentos intitulados FITA DETALHE DO CAIXA, juntados às  fls.  664­681,  foram  obtidos  informalmente,  posto  que,  segundo  alega,  o  banco  se  recusou  fornecer  tais  informações  oficialmente,  à  desculpa  do  sigilo  bancário  (fl.637  dos  autos).  Por  segundo,  a  peça  de  defesa  menciona  a  conta  corrente  n°  7.893­X,  sem,  no  entanto,  explicitar  a  qual  banco  nem  a  que  agência  pertence,  fato  que  compromete  a  análise  de  qualquer  razão  de  defesa  apresentada.  A  interessada  sustenta  que  desta  conta  teriam  saído  valores  para  suprir  a  conta  corrente  n°  16.288­4,  também  de  sua  titularidade,  e  mais,  os  documentos  juntados  aos  autos  não  possuem  qualquer  assinatura  ou  identificação de quem os forneceu, sequer um carimbo ou ofício  de encaminhamento. Muito menos a chancela do banco.  63.   Contudo,  num  esforço  para  dar  uma  resposta  aos  questionamentos da  impugnante, vamos admitir que a  tal conta  corrente  n°  7.893­X  pertence  ao  Banco  do  Brasil,  mais  especificamente  da  Agência  2868­1,  já  que  esta  informação  consta da planilha de fls. 644663, montada pela contribuinte.  64.   Assim, analisando a primeira alegação de que um cheque  da  conta  n°  7.893­X  da  Ag.  2868­1,  datado  de  19/07/2006,  comprovaria  a  origem  de  dois  depósitos  ocorridos  na  conta  16.288­4,  da  mesma  agência,  não  merece  prosperar,  uma  vez  que  inexiste  justificativa  plausível  para  o  banco  desdobrar  um  único cheque que lhe é apresentado na boca do caixa, a fim de  proceder a dois depósitos no mesmo dia, na mesma hora e para  a mesma correntista. Outro detalhe que  impede a consideração  dos  mencionados  documentos  é  o  fato  de  ali  não  constar  o  número do cheque objeto da operação, impedindo que se realize  qualquer confrontação. Aliás, essa também foi a prática adotada  pela  defesa.  Embora  tente  justificar  alguns  dos  valores  questionados  ao  argumento  de  que  teriam  origem  em  transferências,  via  cheques,  efetuadas  entre  suas  próprias  contas,  esquiva­se  de  fazer  vinculação  a  um  cheque  específico  Fl. 3410DF CARF MF Processo nº 10950.720131/2011­92  Acórdão n.º 9101­004.166  CSRF­T1  Fl. 3.411          7 nem  traz cópia do documento que  teria  servido de base para a  operação.  65.   E  mais,  qual  é  a  justificativa  de  emitir  um  cheque  para  suprir  outra  conta  da  contribuinte  na  mesma  instituição  e  na  mesma agência se a  simples emissão de um TED ou mesmo de  um DOC surte o mesmo efeito, sem a necessidade de a empresa  "gastar" suas folhas de cheque?  66.   Como  a  conta  corrente  n°  7.893­X  da  Ag.  2868­1  não  se  encontra  discriminada  no  item  23,  questionou­se  a  autoridade  fiscal qual a razão ao que ele respondeu que: Essa é uma conta  cuja movimentação  (créditos)  serve,  apenas  para  transferência  de valores entre as contas da impugnante, por isso não constou  dos  demonstrativos  sendo  que,  os  extratos  encontram­se  nos  anexos.  67.   E complementou: Os débitos nestas contas e com créditos  em outras  contas da empresa  com datas  e valores  coincidentes  foram  consideradas.  As  transferências  em  parcelas  não  foram  consideradas  por  falta  de  documentos  que  identificassem  a  efetiva movimentação conforme alegado. No caso não há sigilo  bancário, pois a fiscalizada teria que ter a posse dos documentos  quitados e que deveriam estar escriturados nos livros.  68.   Assim,  ante  todo  o  exposto  voto  por  desconsiderar  os  documentos  apresentados  uma  vez  que  os  mesmos  não  preenchem  os  requisitos  básicos  para  sua  aceitação.  Outras  razões não foram apresentadas.  Ingressou a Contribuinte com ação judicial para obter acesso às memórias de  cálculo complementares, relativas a todos os depósitos bancários.  Tendo sido julgada improcedente a impugnação (ciência em 04/07/2011 e­fl.  996),  foi  interposto  recurso  voluntário,  em  29/07/2011.  Em  relação  aos  lançamentos  decorrentes  do  "DEPÓSITO  EM  CHEQUE  BB  LIQUIDADO",  a  Contribuinte  repetiu  os  argumentos trazidos na impugnação, e teceu comentários sobre a apreciação efetuada pela DRJ  que  considerou  a  memória  de  cálculo  da  "FITA  DETALHE  DO  CAIXA"  inapta  para  demonstrar a origem do depósito bancário:  Entretanto,  para  nossa  surpresa,  parece  que  a  Ilustre Relatora  do  Voto  condutor  do  Acórdão  relativo  ao  IRPJ,  adotado  na  decisão  recorrida,  não  entendeu  multo  bem  essa  questão,  deixando  transparecer  em  suas  alegações  (itens  62  a  72)  uma  clara  falta de vontade para examinar as FITA DETALHE DE  CAIXA anexadas à Impugnação, com muita luta e desgaste.  A Ilustre Relatora também não entendeu muito bem o fato de que  competia exclusivamente ao Auditor Fiscal o ônus de produzir a  contraprova  de  que  os  cheques  sacados  tiveram  destinação  diferente  daquelas  indicadas  pela  Recorrente,  em  seus  esclarecimentos prestados no decorrer da ação fiscal.  Neste  particular,  a  Relatora  cometeu  outro  equivoco  quando  rejeitou  a  diligência  requerida  alegando  que  a  contribuinte  Fl. 3411DF CARF MF Processo nº 10950.720131/2011­92  Acórdão n.º 9101­004.166  CSRF­T1  Fl. 3.412          8 pretendia  "deslocar  para  o  Fisco  a  atribuição  de  Ilidir  o  que  fora  presuntivamente  apurado  e  por  determinação  legal  a  ela  compete",  uma  vez  que  a  diligência  visava  exclusivamente  a  busca da verdade material dos fatos ocorridos, para suprir uma  deficiência  do  lançamento,  em  face  do  Auditor  Fiscal  não  ter  produzido a contraprova que exclusivamente a ele competia.  Na  sequência,  apresentou  em  23/12/2011  petição  denominada  "aditivo  ao  recurso  voluntário".  Aduziu  que,  em  razão  da  decisão  judicial  (juízo  da  7ª  Vara  Cível  da  Comarca  de Maringá­PR),  o  Banco  do  Brasil  teria  disponibilizado  "a  quase  totalidade"  dos  documentos  relativos  a  "FITA  DETALHE  DO  CAIXA",  que  seria  o  documento  apto  a  demonstrar  a  origem  dos  depósitos  bancários  relativos  ao  "DEPÓSITO  EM  CHEQUE  BB  LIQUIDADO",  e  também  requereu  diligência  para  que  se  fosse  efetuada  verificação  dos  documentos.  Diante  da  situação  posta,  entendeu  a  decisão  recorrida  que  não  caberia  diligência,  vez  que,  no  caso  de  autuação  relativa  a  presunção  de  omissão  de  receitas  de  depósitos  bancários,  caberia  ao  Contribuinte  a manutenção  da  documentação  comprobatória  em ordem e boa guarda, e que, em relação aos documentos juntados aos autos no "aditivo ao  recurso  voluntário",  não  poderiam  ser  admitidos,  em  razão  do  descumprimento  do  lapso  temporal fixado no artigo 16, § 4º, do PAF. Discorreu a decisão:  Consoante o parágrafo único do artigo 393 do Código Civil em  vigor,  o  evento  de  força  maior  verifica­se  no  fato  necessário  cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Fato necessário  é aquele que, sendo inescapável a qualquer atitude diligente, dá  causa  à  impossibilidade  de  cumprimento  da  obrigação.  A  apresentação  intempestiva dos documentos anexados ao aditivo  não tem como fato necessário a demora de resposta pelo banco,  porque  os  efeitos  da  demora  –  a  intempestividade  –  eram  evitáveis,  se  a  embargante  tivesse  sido  diligente  a  partir  do  momento  em  que  adotou  as  práticas  que  ela mesma qualificou  como “operações corriqueiras”. Para tanto, bastaria conservar  planilhas,  demonstrativos  e  outros  meios  respaldados  por  documentos bancários para,  (i) além de revelar o esquema que  alega  ter  engendrado  com  o  fim  de  transferir  recursos  entre  contas  de  depósito,  realizar  pagamentos  e  efetuar  saques  de  numerário,  (ii)  também  comprovar  a  origem  dos  valores  movimentados.  Ou  seja,  o  caso  tratado  nos  presentes  autos  discorre  sobre  provas  a  serem  apresentadas para desconstituir presunção legal de omissão de receitas de depósitos bancários  não contabilizados, cujo ônus para apresentar a documentação é do Contribuinte; desde a fase  inquisitória  (ação  fiscal)  concedeu­se  a  oportunidade  para  apresentação  das  provas;  foram  apreciadas  partes  de documentos  (depósitos  bancários)  da mesma natureza  (DEPÓSITO EM  CHEQUE BB LIQUIDADO) pela  decisão  de  primeira  instância  com  decisão  ratificada  pela  segunda instância no sentido de serem inaptas a comprovar a origem dos recursos; as provas  complementares, do "aditivo ao recurso voluntário", foram apresentadas após o prazo previsto  para interposição do recurso voluntário.  Por outro lado, os paradigmas tratam de situações distantes da trazida pelos  presentes autos.   Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 10950.720131/2011­92  Acórdão n.º 9101­004.166  CSRF­T1  Fl. 3.413          9 No  acórdão  nº  1102­000.940,  a  ementa  em  relação  à  matéria  discutida  é  esclarecedora:  PRODUÇÃO  DE  PROVAS  NO  VOLUNTÁRIO.  POSSIBILIDADE  PARA  SE  CONTRAPOR  ÀS  RAZÕES  DO  JULGAMENTO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE MATERIAL.  Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na  impugnação, precluindo do direito de fazê­lo em outro momento  processual.   Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava  aptos  a  comprovar  seu  direito,  ao  não  ser  bem  sucedido  no  julgamento  de  1ª  instância,  razoável  se  admitir  a  juntada  das  provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão  a  produção  de  novos  documentos  destinados  a  contrapor  fatos  ou razões posteriormente trazidas aos autos.   Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da  verdade  material,  a  manutenção  da  glosa  de  deduções  sem  a  análise das provas constantes nos autos.  E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura  exigiria  do  contribuinte  a  busca  da  tutela  do  seu  direito  no  Poder  Judiciário,  o que  exigiria do Fisco a análise das provas  apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas  do processo.  Fala­se na possibilidade de se apresentar documentação probatória  junto ao  recurso  voluntário,  e  para  se  contrapor  a  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidos  aos  autos.  Percebe­se  que  não  há  nenhuma  comunicação  com  a  decisão  recorrida.  Primeiro,  porque  na  decisão  recorrida  os  documentos  foram  trazidos  após  a  interposição  do  recurso voluntário, e segundo, não há que se falar nos presentes autos em se contrapor a fatos  ou razões posteriormente trazidos aos autos. Desde a ação fiscal restou transparente o motivo  da  autuação  fiscal:  ausência  de  documentação  probatória  apta  a  demonstrar  a  origem  dos  depósitos bancários, e a decisão de primeira instância apreciou os documentos relativos a um  dos lançamentos DEPÓSITO EM CHEQUE BB LIQUIDADO.   Em  relação  ao  segundo  paradigma,  acórdão  nº  9202­002.295,  transcrevo  a  ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2001  ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  ADA  TEMPESTIVO.  APRESENTAÇÃO  NO  RECURSO  ESPECIAL.  PRECLUSÃO.  NÃO  CONFIGURAÇÃO.  OBSERVÂNCIA  DO  PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.  Fl. 3413DF CARF MF Processo nº 10950.720131/2011­92  Acórdão n.º 9101­004.166  CSRF­T1  Fl. 3.414          10 O  princípio  da  verdade  material  determina  que  o  processo  administrativo  tributário  seja  conduzido  de  modo  a  que  o  seu  desfecho  seja  amparado,  da  melhor  maneira  possível,  na  verdade dos fatos apurados. A apresentação do Ato Declaratório  Ambiental,  tempestivo,  pelo  contribuinte,  ainda  que  posteriormente  à  impugnação,  por  desbancar  o  fundamento  mesmo da autuação, não pode ser desconsiderada, sob pena de  se  solucionar  o  respectivo  processo  administrativo  fiscal  em  descompasso  com a  verdade  dos  fatos,  apenas  em benefício  de  formalidades procedimentais.  Como se pode observar,  trata­se de autuação fiscal de ITR, no qual o ADA  (Ato Declaratório Ambiental) foi trazido junto ao recurso voluntário, nos termos do voto:  O  contribuinte,  no  seu  recurso  voluntário,  alegou  que,  equivocadamente,  apresentou,  anteriormente,  à  fiscalização  ADA  protocolizado  em  21/06/2005,  juntando,  na  ocasião  (da  interposição  do  recurso  voluntário),  o  ADA  tempestivamente  protocolizado no IBAMA em 18/02/2002. (Grifei)  Não  há  como  dizer,  com  precisão,  como  o  Colegiado  teria  votado  caso  o  ADA  teria  sido  apresentado  em  momento  posterior  ao  recurso  voluntário,  principalmente  diante do registro expresso que fez a relatora do paradigma.  Não  há  como  se  induzir  como  os  Colegiados  das  decisões  paradigmas  votariam  em  face  das  situações  apresentadas  nos  presentes  autos.  Nenhum  deles  enfrentou  autuação fiscal de presunção de omissão de receitas, tampouco com provas apresentadas após a  interposição do recurso voluntário. Poder­se­ia especular que, "SE" o Colegiado do paradigma  estivesse  diante  dos  presentes  autos,  "TERIA"  julgado  de  maneira  a  reformar  a  decisão  recorrida.  Contudo,  tal  exercício  não  é  suficiente  para  concretizar  a  divergência  na  interpretação da legislação tributária. Devem ser colocadas em confronto decisões amparadas  em  premissas  fáticas  com  semelhança  suficiente  para  se  averiguar  se  os  fatos  receberam  qualificações  jurídicas  diversas  e/ou  se  houve  interpretação  distinta  que  concretizou  consequências jurídicas conflitantes.  Nesse  contexto,  em  razão  das  situações  fáticas  que  não  guardam  correspondência,  por  consequência  as decisões  paradigmas  apresentam  fundamentos que não  são suficientes para reformar a decisão recorrida, razão pela qual não resta atendido requisito  específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação  tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF.  Assim,  sendo,  voto  no  sentido  de  não  conhecer  do  recurso  especial  da  Contribuinte.    (assinatura digital)  André Mendes de Moura      Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 10950.720131/2011­92  Acórdão n.º 9101­004.166  CSRF­T1  Fl. 3.415          11                               Fl. 3415DF CARF MF

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Numero do processo: 10950.904121/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/COFINS. CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EQUIPARAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a compensação do saldo credor acumulado no trimestre nessas condições. No entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35 não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada. Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.532
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­006.532  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de abril de 2019  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  CM3 COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007  PIS/COFINS. CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS.  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  EQUIPARAÇÃO.  ISENÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência  do  PIS/Pasep  e  da Cofins  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a  compensação do saldo credor acumulado no  trimestre nessas condições. No  entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo  dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória nº 2.158­35 não  representam  a  isenção  sobre  as  vendas  correspondentes,  mas  somente  a  redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento  de  saldo  credor  das  contribuições  com  fundamento  no  art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004  c/c  o  art.  16  da  Lei  nº  11.116/2005  na  hipótese  de  receita  de  venda no mercado interno tributada.  Recurso Voluntário negado         Acordam  os membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)    Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 41 21 /2 01 1- 16 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.904121/2011­16  Acórdão n.º 3402­006.532  S3­C4T2  Fl. 3          2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego  Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa  Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  em  face  da  decisão  da  Delegacia  de  Julgamento  em  Curitiba  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  da  contribuinte.  Versam os autos sobre o Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS/COFINS  não cumulativa vinculado à receita não tributada no mercado interno.   Mediante  o  Despacho  Decisório  decidiu­se  pela  homologação  parcial  da  compensação  declarada,  não  restando  valor  a  ser  ressarcido,  sob  os  seguintes  fatos  e  fundamentos, constantes no Relatório Fiscal:  ­  Ao  contrário  do  crédito  vinculado  à  Receita  não  Tributada  no  Mercado  Interno, para o qual existe disposição expressa de autorização de ressarcimento (art. 17 da Lei  nº 11.033, de 2005 e art. 16 da Lei nº 11.116, de 2006), não existe qualquer previsão legal para  a  realização de  ressarcimento de crédito  (de PIS e Cofins) vinculado à Receita Tributada no  Mercado Interno.  ­ A receita tributável (venda de fécula), mesmo após as deduções legais (no  caso, repasses aos cooperados e custos agregados), não pode se enquadrar no conceito de venda  efetuada  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não­incidência,  motivo  pelo  qual  os  créditos vinculados a essa  receita  só estão sujeitas ao desconto  corrente ou manutenção para  uso futuro em abatimento (art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/2003).  ­  As  bases  de  cálculo  negativas,  geradas  quando  a  soma  dos  valores  de  repasse  aos  cooperados  (compra  de  raiz  de mandioca)  com  os  demais  custos  agregados  são  superiores aos valores das vendas tributadas (venda de fécula), não podem ser carreadas para  os meses seguintes, de forma a reduzir as bases de cálculos futuras.  ­ O  crédito  presumido,  calculado  sobre o  valor  dos  produtos  agropecuários  utilizados  como  insumos  na  fabricação  do  produto  fécula  de  mandioca,  está  limitado  à  contribuição do mês e serve somente para dedução do valor devido de cada contribuição, não  podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento.  ­ De  todos  os  custos,  despesas  e  encargos  informados  pela  cooperativa  em  seus Dacons os únicos que estariam vinculados tanto às Receitas Não Tributadas no Mercado  Interno quanto às Receitas Tributadas no Mercado Interno seriam os relativos às Despesas de  Energia  Elétrica.  Foi  procedido  ao  recálculo  dos  créditos  da  não  cumulatividade  das  contribuições dos períodos fiscalizados, dividindo as despesas de energia elétrica entre os tipos  de crédito (vinculado às Receitas Tributadas no Mercado Interno e às Receitas Não Tributadas  no Mercado Interno), com base no rateio proporcional, cuja previsão consta dos §§ 8º e 9º do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  e  alocando  todos  os  outros  custos,  despesas  e  encargos  integralmente para o crédito vinculado às Receitas Tributadas no Mercado Interno.  Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.904121/2011­16  Acórdão n.º 3402­006.532  S3­C4T2  Fl. 4          3 A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório,  alegando, em síntese:  a)  Na  tributação  do  PIS  e  da  Cofins  o  ato  cooperativo  é  caso  de  não  incidência  e  as  exclusões  das  bases  de  cálculo  dessas  contribuições  (art.  15  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35/2001  e  art  17  da  Lei  nº  10.684/2003)  decorrem  logicamente  da  não  tributação do ato cooperativo.   b) O art.  16 da Lei nº 11.116/2005 assegura o direito  ao  ressarcimento dos  créditos  acumulados  em  relação  às  operações  não  tributadas  (previstas  no  art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004). O órgão  fiscal  deve  também  considerar  (para  efeito  de  aproveitamento  desses  créditos) as exclusões das bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins.   A Delegacia  de  Julgamento  não  acolheu  as  razões  da manifestante,  sob  os  seguintes argumentos principais:  ­ A requerente apura créditos vinculados a receitas  tributadas/não tributadas  no mercado  interno. Assim,  seus  créditos  objetos  de  pedidos  de  ressarcimento  referem­se  às  aquisições vinculadas a vendas de produtos sujeitos à alíquota zero no mercado interno, já que  esses  créditos  são  compensáveis  e  ressarcíveis. Por  sua vez,  os  créditos vinculados  a vendas  tributáveis no mercado  interno  são  apenas dedutíveis das  contribuições  a pagar,  devendo  ser  mantidos na escrituração da contribuinte.  ­ A empresa só pode beneficiar­se da norma do art. 16 da Lei nº 11.116/2004  se suas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). As receitas relativas  à atividade de venda de amido/fécula estão sujeitas à tributação normal das contribuições, já as  receitas relativas aos insumos agropecuários são tributados à alíquota zero, conforme dispõe o  art.  1º  da  Lei  nº  10.925/2004.  Assim,  somente  o  saldo  credor  relativo  às  aquisições  dos  produtos agropecuários é que poderia ser ressarcido ou compensado com outros tributos, pois  somente essa atividade (revenda de produtos agropecuários) subsome­se à hipótese constante  do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Assim é que inexiste reparo no entendimento aplicado pela  fiscalização quanto à alocação dos créditos informados pela cooperativa nos Dacon.  ­  Os  dispêndios  relativos  aos  Bens  Utilizados  como  Insumos  estão  diretamente  ligados à Receita Tributada no Mercado  Interno,  já que se  referem às aquisições  dos bens/produtos utilizados como insumo no processo produtivo da fécula/amido. Já quanto  aos outros dispêndios, é evidente a não vinculação com a revenda de produtos agropecuários  para  os  associados  da  cooperativa,  pois  a  própria  denominação  das  rubricas  (Despesas  de  Aluguéis  de  Máquinas  e  Equipamentos  Locados  de  Pessoa  Jurídica,  Despesas  de  Armazenagem  e  Fretes  na  Operação  de  Venda  e  Despesas  com  Encargos  de  Depreciação)  deixa  claro  que  esses  custos,  despesas  e  encargos  referem­se  a  equipamentos/serviços  utilizados na atividade tributada (venda de amido/fécula).  ­  A  contribuinte  não  contestou  a  forma  de  rateio  das  despesas  de  energia  elétrica  realizada  pela  fiscalização,  sendo  forçoso  concluir  que  houve  concordância  tácita  quanto a esse ponto.  ­ As sociedades cooperativas passaram a se submeter à incidência da Cofins  como  as  pessoas  jurídicas  em  geral  nos  termos  da  Lei  nº  9.718/98,  ou  seja,  as  sociedades  cooperativas  passaram,  também,  a  pagar  a  Cofins  com  base  nas  receitas  provenientes  de  Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10950.904121/2011­16  Acórdão n.º 3402­006.532  S3­C4T2  Fl. 5          4 operações com associados. Desse modo, como regra geral para a  tributação das cooperativas,  não  é mais  relevante  a distinção entre  receitas  decorrentes de  atos  cooperados  e de  atos não  cooperados,  visto  que  a  classificação  não  afeta  a  base  imponível  definida  por  lei. Refuta­se,  dessa forma, a argumentação da interessada de que o ato cooperativo é caso de não incidência  tributária.  ­  A  efetivação  das  deduções  legais  (exclusões)  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  (PIS e Cofins) não  tem o condão de  transformar uma receita de venda que era  tributada em uma receita não tributada.  ­ Lendo­se o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158/35, de 2001, verifica­se  que  dentre  as  possibilidades  legais  de  exclusão  da  base  de  cálculo  das  contribuições  (PIS  e  Cofins) não se encontra prevista a de exclusão de base de cálculo negativa de meses anteriores.  O  simples  fato de não haver  restrição na  legislação para o procedimento de  transferência da  base de cálculo negativa para ser descontada em meses subsequentes não autoriza que o mesmo  seja  realizado,  posto  que  a  fixação  da  base  de  cálculo  de  um  tributo  somente  pode  ser  estabelecida pela Lei.  Cientificada  dessa  decisão,  a  interessada  interpôs  o  recurso  voluntário,  sustentando, em síntese:  i) O ato cooperativo configura hipótese de não incidência tributária para fins  de aproveitamento de créditos nos termos do que prescreve o art. 17 da Lei n° 11.033 de 2004.  É  assegurado  às  Sociedades  Cooperativas  o  direito  de  manutenção  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS,  igualmente  as  demais  empresas.  O  órgão  fiscal  também  deve  compreender  as  exclusões da base de cálculo da MP n° 2.158­35/2001 e do art. 17 da Lei n° 10.684/2003 como  autorizativas do  aproveitamento de créditos. A exclusão, diferentemente,  do  ato  cooperativo,  deve ser analisada como isenção, mesmo que parcial.  ii) São importantes para o julgamento os princípios da proporcionalidade e da  moralidade administrativa.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 3402­006.530,  de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10950.904119/2011­39.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402­006.530):  "A recorrente apenas repisa os argumentos já aduzidos na  manifestação  de  inconformidade,  sem  contestar  especificamente  os  fundamentos  utilizados  pela  decisão  recorrida para refutá­los, o que já seria suficiente para não  Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10950.904121/2011­16  Acórdão n.º 3402­006.532  S3­C4T2  Fl. 6          5 acolher a defesa da recorrente. Não obstante isso, a fim de  se  evitar  futuras  alegações  de  cerceamento  do  direito  de  defesa, passa­se a analisar a matéria abordada no recurso  voluntário.  O pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa sob  análise  está  vinculado  à  receita  não  tributada  no  mercado  interno e tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no  art.  16  da  Lei  nº  11.116/2005,  que  assim  dispõem,  respectivamente:  Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0  (zero)  ou  não  incidência  da Contribuição  para  o PIS/PASEP e  da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de  dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do  art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao  final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto  no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá  ser objeto de:   I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria; ou   II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação  específica aplicável à matéria.   Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre­calendário  anterior ao de publicação desta Lei,  a  compensação ou pedido  de  ressarcimento  poderá  ser  efetuado a partir  da  promulgação  desta Lei.   Dessa  forma,  interessa  ao  pedido  de  ressarcimento  sob  tal  fundamento  somente  os  créditos  vinculados  às  receitas  do  mercado  interno de  "vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou não  incidência" da contribuição", devendo  ser desconsiderados os créditos vinculados a receitas tributadas  que  podem apenas  ser  deduzidos  das  contribuições  a  pagar  do  período,  eis  que  inexiste  previsão  legal  de  ressarcimento  para  estes últimos.   No  caso  específico  da  recorrente,  conforme  decidido  no  despacho decisório e mantido na decisão recorrida, as  receitas  relativas  às  vendas  de  amido/fécula  seriam  tributadas,  razão  pela qual os créditos vinculados a elas não poderiam ser objeto  do ressarcimento pleiteado. Por outro lado, no caso das receitas  de venda no mercado interno de produtos agropecuários sujeitas  à  alíquota  zero  (art.  1º  da  Lei  nº  10.925/2004)  não  houve  tal  Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10950.904121/2011­16  Acórdão n.º 3402­006.532  S3­C4T2  Fl. 7          6 óbice quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do  trimestre dos créditos vinculados a essas receitas.  Conforme entendimento constante na Solução de Divergência nº  1  ­  Cosit1,  de  21  de  janeiro  de  2019,  as  exclusões  da  base  de  cálculo da Cofins e do PIS/Pasep tratadas no art. 15 da Medida  Provisória nº 2.158­35/20012 e no art. 11 da IN SRF nº 635/2006                                                              1 Solução de Divergência nº 1 ­ Cosit   Data 21 de janeiro de 2019   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  PIS/PASEP  COOPERATIVA DE  PRODUÇÃO  AGROPECUÁRIA.  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  POSSIBILIDADE  DE  DESCONTO  DE  CRÉDITOS.  COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.IMPOSSIBILIDADE.  A exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do  produto do associado não inibe a possibilidade do desconto de crédito em relação aos insumos dessas atividades,  desde que previsto no art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006. Esses créditos não são passíveis de compensação com  outros tributos ou de ressarcimento, exceto em caso de previsão legal específica.  Dispositivos legais: MP nº 2.158­35, de 2001 art. 15; Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º; Lei nº 10.684, de 2003 art.  17; Lei nº 11.033, de 2004, art.17; Lei nº 11.116, de 2005, art. 16; e IN SRF nº 635, de 2006, art. 23.  (...)  11. Assim, cabe, primeiramente, examinar se as exclusões da base de cálculo aludidas nos incisos II e V do art. 11  da IN SRF nº 635, de 2006, são compatíveis com a apuração de créditos de que tratam os incisos II e III do art. 23  da mesma IN.  12. Como se vê, a própria IN SRF nº 635, de 2006, ao mesmo tempo em que admite a exclusão da base de cálculo  das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado, bem como  dos custos agregados a esse produto quando da sua comercialização,  também autoriza o desconto de crédito em  relação  às  aquisições  de  não  associados  de  bens  ou  serviços  utilizados  como  insumo  e  às  despesas  com  armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda.  13. Ao exame da questão mencionada, cumpre ressaltar que, conforme explicitado nos itens 8 e 9, os dispositivos  em  análise,  apesar  de  elencados  em  uma  Instrução Normativa,  são  derivados  de Lei,  possuindo  base  legal  que  fundamentam a sua existência. Também cabe ressaltar que não haveria lógica jurídica na reprodução na Instrução  Normativa de dispositivos incompatíveis entre si.  14. Impende mencionar ainda que não há qualquer disposição na legislação vedando o creditamento após o ajuste  da  base  de  cálculo  das  contribuições  com  as  exclusões  legais  permitidas.  A  vedação  ao  desconto  de  créditos  somente pode ser feita nas hipóteses expressamente previstas no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 2º  do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, no caso de pagamento de mão de obra a pessoa física e no caso da  aquisição de bens que não sejam sujeitos ao pagamento das contribuições.  15. Importante registrar que o art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006, admite o crédito em relação a bens adquiridos  como insumos de não associados e não autoriza o crédito em relação à aquisição dos mesmos bens de associados.  16. É que a aquisição de bens de não associados é sujeita ao pagamento das contribuições pelos não associados na  ocasião da venda do bem, enquanto a entrega do produto de associado à cooperativa não corresponde sequer a  uma aquisição, eis que a propriedade do bem permanece na esfera do associado. Daí se concluir que não é cabível  o crédito em relação à entrega do produto à cooperativa por associado.  17.  Em  suma,  a  exclusão  de  base  de  cálculo  das  receitas  decorrentes  do  beneficiamento,  armazenamento  e  industrialização do produto do associado não inibe a possibilidade do desconto de crédito em relação aos insumos  dessas atividades, uma vez que a lei não traz nenhuma restrição à aplicação simultânea desses dois institutos, bem  como que a própria IN SRF nº 635, de 2006, detalha, sem restrição, os créditos que podem ser descontados e as  hipóteses de exclusão de base de cálculo das contribuições.  18. Resolvido  o  primeiro  ponto  e  admitindo­se  a  possibilidade  de  desconto  de  créditos  em  relação  a  despesas  utilizadas  como  exclusão  da  base  de  cálculo,  resta  definir  se  esse  créditos  podem  ou  não  ser  objeto  de  compensação com outros tributos e de ressarcimento.  (...)    2  Art. 15.  As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998,  excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP:          I  ­  os  valores  repassados  aos  associados,  decorrentes  da  comercialização  de  produto  por  eles  entregue  à  cooperativa;          II ­ as receitas de venda de bens e mercadorias a associados;  Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10950.904121/2011­16  Acórdão n.º 3402­006.532  S3­C4T2  Fl. 8          7 não são, em si, um obstáculo ao desconto de créditos em relação  aos  insumos  dessas  atividades,  o  qual  poderá  ocorrer  nas  hipóteses previstas na legislação.   Da  mesma  forma  a  possibilidade  de  ressarcimento  ou  compensação  de  créditos  acumulados  pela  cooperativa  está  condicionada  à  previsão  na  legislação,  a  qual  pode,  inclusive,  beneficiar­se no disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o  art. 16 da Lei nº 11.116/2005, como as demais pessoas jurídicas,  em relação aos créditos vinculados às vendas não tributadas.  A questão que interessa aos autos é que a recorrente quer que se  considere  como  receitas  isentas,  ainda  que  parcialmente,  para  fins  do  disposto  no  art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004,  as  receitas  relativas  às  vendas  de  amido/fécula,  em  face  das  exclusões  da  base de cálculo das contribuições (art. 15 da Medida Provisória  nº  2.158­35),  de  forma  a  ser  autorizado  o  ressarcimento/compensação em relação aos créditos vinculados  a tais receitas.  No  entanto,  as  exclusões  na  base  de  cálculo  das  contribuições  não acarretam a  isenção das receitas dessas vendas. Diante da  ausência de previsão legal específica em contrário, tais receitas  de  vendas  são  tributadas  normalmente,  não  obstante,  em  face  dessas exclusões, poderá o contribuinte ter um valor a recolher  da contribuição menor do que o valor integral, que seria devido  sem nenhuma exclusão. O que muda em  face das exclusões é o  valor a recolher da contribuição. É certo que a isenção somente  ocorrerá com a previsão legal para determinado tipo de receita  de venda,  independentemente de eventuais valores excluídos da  base de cálculo das contribuições e do valor a recolher para a  contribuição.  Nem  há  que  se  olvidar  que  o  art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004  refere­se  expressamente às  "vendas  efetuadas  com  (...)  isenção",  razão  pela  qual  pouco  importa  se  o  valor  a  recolher da contribuição no período resultar zero ou menor do  que o valor integral.   Nesse sentido foi o tratamento dado pela questão na Solução de  Consulta n° 383 ­ Cosit, de 30 de agosto de 2017, publicada  no Diário Oficial da União (DOU) de 12/09/2017, proferida nos  seguintes termos:                                                                                                                                                                                                   III ­ as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade  rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas;          IV ­ as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado;          V  ­  as  receitas  financeiras  decorrentes  de  repasse  de  empréstimos  rurais  contraídos  junto  a  instituições  financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos.          § 1o  Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de  bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto  da cooperativa.          § 2o  Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput:          I ­ a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13;          II  ­  serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil  e  idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades  vendidas.  Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10950.904121/2011­16  Acórdão n.º 3402­006.532  S3­C4T2  Fl. 9          8 Solução de Consulta Cosit n° 383/2017  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep   VENDAS  POR  COOPERATIVAS  COM  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  CRÉDITOS  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  IMPOSSIBILIDADE  DE  COMPENSAÇÃO  E  RESSARCIMENTO.  Os  créditos  de  que  trata  o  art.  3°  da  Lei  n°  10.637,  de  2002,  vinculados a  vendas  feitas por  cooperativas com a  exclusão da  base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória n°  2.158­35, de 2001, o art. 1° da Lei n° 10.676, de 2003, e o art.  17  da  Lei  n°  10.684,  de  2003,  não  podem  em  regra  ser  compensados  com  outros  tributos  nem  ressarcidos.  Contudo,  podem  ser  compensados  e  ressarcidos  os  mesmos  créditos  vinculados a  vendas  feitas por  cooperativas  com alíquota  zero,  isenção, suspensão ou não incidência.  Dispositivos  Legais:  Medida  Provisória  n°  2.158­35,  de  2001,  art. 15; Lei n° 10.676, de 2003, art. 1°; Lei n° 10.684, de 2003,  art.  17;  Lei  n°  11.033,  de  2004,  art.  17;  e  IN RFB  n°  635,  de  2006, art. 15.  (...)  12. Em suma, a  cooperativa,  ao efetuar a  venda de produtos a  terceiros,  aufere  receita  que  compõe  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  No  entanto,  essa  base  de  cálculo  é  ajustada mediante  as  exclusões  previstas  em  lei. Em razão disso, exsurge a dúvida se tais exclusões permitem  a  manutenção,  o  ressarcimento  e  a  compensação  dos  créditos  apurados com fundamento no art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002,  e  do  art.  3°  da  Lei  n°  10.833,  de  2003,  vinculados  a  tais  operações.  13.  Para  o  deslinde  da  questão,  releva  entender  a  natureza  jurídica  dessas  exclusões  da  base  de  cálculo.  Note­se  que  tais  exclusões não correspondem a uma retirada de parte da base de  cálculo,  que  deixa  de  ser  tributada.  Na  verdade,  as  referidas  exclusões  não  correspondem  a  parte  das  receitas  das  cooperativas. A título de exemplo, tomemos a exclusão do valor  repassado ao associado. Esse valor não corresponde ao valor de  venda  das  mercadorias  pela  cooperativa;  corresponde  sim  ao  valor  de  aquisição  dessas  mercadorias  (valor  que  o  associado  recebe).  Não  se  está,  portanto,  retirando  parte  da  receita  das  cooperativas  do  campo  de  incidência  das  contribuições.  A  receita  continua  no  campo  de  incidência.  O  que  se  retira,  na  verdade, está na categoria de despesas, como o valor repassado  ao associado.  14. Em outras palavras, toda a receita é tributada. O que se tem,  na  realidade,  é  uma  redução do quantum debeatur do  tributo,  que  não  corresponde  nem  a  isenção,  nem  a  suspensão,  nem  a  alíquota zero e nem a não incidência.  Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10950.904121/2011­16  Acórdão n.º 3402­006.532  S3­C4T2  Fl. 10          9 15. Não se admite, portanto, que os créditos vinculados a essas  operações  das  cooperativas  possam  ser  mantidos  e,  consequentemente,  ser  compensados  ou  ressarcidos  nos  termos  do  art.  17  da  Lei  no  11.033,  de  2004,  e  do  art.  16  da  Lei  n°  11.116, de 18 de maio de 2005.  16. Esclareça­se, contudo, que nada obsta que a cooperativa, ao  vender produtos sujeitos a isenção, suspensão, alíquota zero ou  não incidência não possa utilizar os créditos do art. 3° da Lei n°  10.637,  de  2002,  e  do  art.  3°  da  Lei  n°  10.833,  de  2003,  vinculados  a  essas  vendas,  para  fins  de  compensação  ou  ressarcimento.  (...)  Também a já mencionada Solução de Divergência Cosit nº  1/2019, ratifica esse entendimento:  (...)  21. A questão que exsurge é se as exclusões da base de cálculo  das  cooperativas  podem  ser  comparadas  a  isenção  ou  a  outra  forma de não tributação favorecida pelo art. 17 da Lei nº 11.033,  de 2004, de modo a permitir a compensação e o  ressarcimento  dos créditos vinculados a essas receitas.  22. Tal questão foi pormenorizadamente examinada na Solução  de Consulta Cosit nº 387, de 30 de agosto de 2017, publicada no  Diário  Oficial  da  União  (DOU)  de  12/09/2017  (disponível  na  íntegra  no  sítio  eletrônico  da  RFB  <http://idg.receita.fazenda.gov.br/>),  o  que  vincula,  nos  termos  do  art.  9º  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.396,  de  16  de  setembro de 2013, o entendimento da RFB acerca da matéria.  (...)  24.  Resta,  portanto,  claro  que  as  exclusões  de  base  de  cálculo  realizadas  pelas  cooperativas  não  correspondem  a  isenção,  suspensão,  alíquota  zero  ou  não  incidência,  de  modo  que  os  créditos  vinculados  à  receita  de  venda  de  cooperativas  não  podem, em regra, ser aproveitados para fins de compensação ou  de  ressarcimento.  A  exceção  a  essa  regra  seriam  os  créditos  vinculados  a  receitas  de  exportação,  a  receitas  decorrentes  de  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  ou a outras receitas a que a legislação especificamente autorize  a compensação e o ressarcimento.  (...)  Por  fim,  quanto  aos  princípios  e  aos  subprincípios  mencionados  pela  recorrente,  há  que  se  esclarecer  que,  desde  que  legítima,  como  é  o  caso,  a  aplicação  e  a  interpretação da legislação que acaba por acarretar menor  valor  de  créditos  a  ressarcir  à  contribuinte  do  que  o  Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10950.904121/2011­16  Acórdão n.º 3402­006.532  S3­C4T2  Fl. 11          10 pretendido  não  representa  lesão  aos  princípios  da  proporcionalidade ou da moralidade administrativa.  Assim,  pelo  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  colegiado  decidiu  por  negar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                           Fl. 137DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.910052/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA - FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA - INOCORRÊNCIA O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura. IRPJ - SALDO NEGATIVO - DIREITO CREDITÓRIO - IRRF - SUMULA 80 A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornam-se indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto.
Numero da decisão: 1302-003.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.687517/2009-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA - FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA - INOCORRÊNCIA O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura. IRPJ - SALDO NEGATIVO - DIREITO CREDITÓRIO - IRRF - SUMULA 80 A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornam-se indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto.

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1302­003.522  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de abril de 2019  Matéria  IRPJ ­ COMPENSAÇÃO ­ PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR  Recorrente  CITICORP TRADING LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  DECADÊNCIA ­ FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA  ­ INOCORRÊNCIA  O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a  obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a  possibilidade de  se  reexaminar  fatos contábeis pretéritos  (ocorridos há mais  de 5 anos) com repercussão futura.  IRPJ ­ SALDO NEGATIVO ­ DIREITO CREDITÓRIO ­ IRRF ­ SUMULA  80  A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que  geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à  tributação,  tornam­se  indedutíveis as parcelas do  IRRF suportadas para  fins  de apuração de eventual saldo negativo do imposto.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos  do  relatório  e voto do  relator. O  julgamento deste processo  segue  a  sistemática dos  recursos  repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no julgamento do processo 10880.687517/2009­31,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho  Machado  (Presidente),  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Marcos  Antônio  Nepomuceno     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 00 52 /2 00 9- 28 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 3          2 Feitosa,  Ricardo  Marozzi  Gregório,  Rogério  Aparecido  Gil,  Maria  Lúcia  Miceli,  Flávio  Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.  Relatório  Cuida o feito de pedido de compensação de pagamento indevido ou efetuado  em  valores  superiores  aos  efetivamente  devidos  a  título  de  ajuste  de  IRPJ,  apurado  no  ano­ calendário de 2004.  Pelo que se infere do despacho decisório eletrônico proferido nestes autos o  pleito da empresa recorrente foi indeferido pela Unidade de Origem sob o argumento de que o  valor  descrito  no  DARF,  apontado  na  respectiva  declaração  de  compensação,  estaria  integralmente alocado para a quitação de débitos do contribuinte, inexistindo saldo disponível  para compensação dos débitos em sua declaração de compensação.  Em manifestação de inconformidade regularmente apresentada o contribuinte  busca esclarecer que, em verdade, no ano­calendário em testilha, consideradas as estimativas  pagas  e  o  imposto  retido  na  fonte,  conforme  DIRFs  apresentadas,  teria  apurado  um  saldo  negativo  de  imposto  (ao  invés  de  valor  a  pagar),  sendo  este  o  motivo  de  seu  pedido  de  compensação. Informa, mais, que por um lapso, teria deixado de fazer a necessária informação  em DCTF, equívoco que teria sido corrigido mediante retificação da predita declaração.  Instada  a  decidir  o  caso,  a  DRJ  de  Salvador  houve  por  bem  julgar  improcedente a manifestação de inconformidade oposta. Nos termos do acórdão recorrido, não  obstante,  de  fato,  o  contribuinte  ter  informado  valores  retidos  na  fonte  no  importe  de  R$  1.058.299,14, concernentes à receitas financeiras percebidas pela empresa, não constariam da  DIPJ  acostada  aos  autos  demonstrações  que  indicariam  a  tributação  de  tais  valores,  não  podendo considerá­los para a formação do pretendido saldo negativo.  Devidamente  intimado  do  conteúdo  do  julgamento  acima,  o  contribuinte  apresentou o seu recurso voluntário por meio do qual, em apertada síntese, sustentou:  a) em prejudicial de mérito, a decadência do direito da Fazenda de revisitar a  apuração  do  IRPJ  ocorrida  ano  de  2004,  a  fim  de  considerar  não  demonstrado  o  direito  creditório pretendido;  b) no mérito, que, além de  inovar a discussão (a questão afeita à  tributação  das receitas financeiras não teria sido suscitada até o advento do julgamento levado a cabo pela  DRJ),  que  as  preditas  receitas  teriam,  sim,  sido  incluídas  em  seu  resultado  operacional,  trazendo, agora, para comprovar as suas alegações, além dos documentos já acostados em sua  manifestação, cópias de razões relativos aos anos­calendários de 2001 a 2004;  c) a possibilidade de apresentar novos documentos (especificamente os livros  tratados anteriormente), a luz do princípio da verdade material  Ao  final  de  sua  peça,  além  de  requerer  o  provimento  de  seu  apelo,  pede  a  conversão do julgamento em diligência.  Este é o relatório.  Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 4          3   Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1302­003.521,  de  17/04/2019,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10880.687517/2009­ 31, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302­003.521):  I ­ Admissibilidade do recurso.  O recurso é tempestivo. Contudo, a despeito de entender satisfeitos os demais  pressupostos de cabimento, até por dever de lealdade, me cabe expor de forma mais  detida os motivos pelos quais admito­o neste momento, particularmente, em relação  ao argumento e aos documentos novos trazidos por ocasião, apenas, da interposição  do apelo.   De  fato,  tenho  um  entendimento  já  sedimentado  e,  na  maioria  das  vezes,  isolado, de que, em procedimentos compensatórios, o  limite  temporal e processual  para se fazer a prova sobre "a liquidez e certeza" do direito creditório pretendido é a  manifestação de  inconformidade, notadamente a  luz dos preceitos combinados dos  artigos  170,  caput,  do CTN  e  16,  §  4º,  do Decreto  70.235/72.  É  que,  a  partir  do  preceptivo de lei complementar, fixa­se o ônus da prova quanto a própria existência  do  crédito,  cuja  repetição  se  perquira,  nos  ombros  do  contribuinte  interessado,  cabendo a ele, e não à Administração Pública, tal mister.   Neste particular, transmitida DCOMP e verificada, prima facie, a inexistência  dos  requisitos  necessários  ao  reconhecimento  do  direito  postulado,  a  subsequente  manifestação de conformidade (=impugnação ­ art. 74, § 11, da Lei 9.430/96) deverá  ser instruída com todos os documentos essenciais a:  a)  refutar os motivos declinados pela Unidade de Origem para  indeferir  seu  pleito compensatório;  b) evidenciar, consequentemente, o próprio direito creditório.  Em outras palavras, o contribuinte deve demonstrar, por ocasião da oposição  de sua manifestação de inconformidade, que as premissas adotadas pela Autoridade  Fiscal não se sustentam a luz de suficiente, idônea e hábil, documentação. Daí, em  casos  muito  comumente  analisados  por  este  Colegiado,  em  que  o  interessado  transmite uma DCOMP veiculando um crédito inexistente (dada a alocação integral  do DARF para a quitação de uma determinada obrigação), quando, assim advertido,  se limita, em suas razões de insurgência (manifestação de inconformidade) a trazer,  v.g.,  uma  DCTF  retificadora,  sem  expor  os  motivos  desta  retificação  e  sem  comprovar tais motivos, por meio de documentos hábeis e idôneos.  Isto é, na hipótese acima, as  razões declinadas pela Unidade de Origem não  são refutadas simplesmente porque a DCTF retificadora, de per si¸ não evidencia a  Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 5          4 correção dos novos fatos nela apontados, sendo  imperioso a sua efetiva e concreta  demonstração,  inclusive,  a  teor do  entendimento  exarado,  recentemente,  pela RFB  por meio do Parecer Cosit de nº 2, de 2018.  A hipótese dos autos, todavia, se afasta do exemplo alhures aventado.   Isto  porque,  a  par  do  contribuinte  ter  informado  um  crédito  de  pagamento  indevido  (ou  efetivado  por  valor  superior  ao  efetivamente  devido1)  oriundo  de  DARF  inicialmente utilizado para a quitação de outra obrigação (sem que  restasse  qualquer  saldo  compensável  de  tributo),  ao  opor  a  sua  "defesa"  dirigida  à  DRJ  trouxe documentos razoavelmente suficientes para comprovar que o aludido indébito  realmente existia, quais sejam:  a) a DCTF retificadora;  b) a DIPJ;  c) as DIRFs, que demonstram os valores por ele suportados, a título de IRPJ,  na fonte;  d)  os  DARFs  concernentes  às  estimativas  pagas  ao  longo  do  período  de  apuração.  Ou seja, tais documentos comprovam que ao invés de um valor de ajuste a ser  recolhido,  a  empresa  teria,  outrossim,  e  em  tese,  apurado  um  saldo  negativo...  se,  contudo,  a  dedução  do  IRFonte  dependeria  de  um  segundo  conjunto probatório,  é  questão até aqui não apontada, já que, insista­se, o pressuposto do indeferimento do  direito creditório era, tão só, a própria inexistência do saldo negativo.   Também como já expus em casos pretéritos, e ainda que sustente que o ônus  da prova, aqui, recaia sobre os postulantes, defendo e propago, de outra sorte, que a  própria instrução do processo/procedimento de compensação deverá se nortear pela  verdade  material,  mesmo  que,  neste  caso,  semelhante  princípio  se  aplique  tão  só  para  garantir  ao  contribuinte  a  oportunidade  para  corretamente  demonstrar  o  seu  direito. Explicando melhor, a contribuinte deve ser, quando menos, informado sobre  qual prova deva produzir, a fim de, assim, adimplir com o seu mister (ônus).  Ainda que a  limitação da atividade  instrutória, no caso,  tenha se dado como  decorrência do próprio erro incorrido ­ confessadamente ­ pela empresa, o fato é que  não  se  observa,  em  nenhum  momento,  qualquer  pretensão  da  autoridade  administrativa de questionar a concretização (ou não) das parcelas que comporiam o  predito  saldo  negativo...  não  houve,  aí,  qualquer  intimação  subsequente  ao  recorrente  para  que  demonstrasse  a  efetiva  tributação  das  receitas  geradoras  do  IRFonte .  O  processo  se  instaurou  a  partir  da  resistência  ofertada  pela  Unidade  de  Origem,  delimitada  pela  inexistência  de  saldo  restituível  do  imposto  ante  a  vinculação  dos  respectivos  DARF  ao  pagamento  de  outra  obrigação  (a  relação  jurídico­processual  é  delimitada  pela  causa  de  pedir  e  pela  pretensão  resistida),  surgindo  o  questionamento  relativo  ao  IRFonte,  apenas  quando  do  julgamento  realizado  pela  DRJ.  Não  é  razoável  admitir­se  que  esta  prova  (oferecimento  à  tributação  das  receitas  financeiras)  deveria  ser  desde  logo  produzida,  até  porque,  como dito, o contribuinte estava  limitado aos motivos declinados pela Unidade de  Origem.  Em  outras  palavras,  este  questionamento  deve  ser  considerado  "novo",                                                              1  Recuso­me,  peremptoriamente,  a  utilizar  a  expressão  "pagamento  a  maior",  não  só  porque  sintáticamente  equivocada, mas, também, porque estéticamente inadequada.  Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 6          5 adequando­se, pois, aqui, o caso concreto, à hipótese contida no art. 16, § 4º, alínea  "c", do Decreto 70.235/72:  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  (...)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  Para  deixar  ainda  mais  evidente,  na  presente  demanda,  o  cabimento  da  exceção  processual  acima  mencionada,  vale  destacar  que  o  contribuinte  não  se  contrapõe  à  falta  de  declinação  de  valores  concernentes  às  receitas  tributárias  na  linha própria de sua DIPJ, apontada, pela Turma Julgadora a quo. As novas provas  não se destinam a comprovar que, no ano­calendário de 2004, as receitas geradoras  do IRFonte foram, naquele período,  tributadas; pelo contrário, assevera (como será  melhor  explorado  mais  adiante),  que  tais  receitas  foram,  "pulverizadamente",  ofertadas  à  tributação  ao  longo dos  anos  de  2001  a 2004,  sendo  este motivo  pelo  qual  não  teria  informado  qualquer  valor  dessa  natureza  no  campo  próprio  de  sua  DIPJ.  O primeiro momento que a empresa teve para esclarecer os argumentos acima  se deu no ato da interposição de seu recurso administrativo, dado que arguidos como  contraponto às "razões posteriormente trazidas".  A  luz  destas  ponderações,  conheço,  integralmente  do  recurso  e  dos  documentos nele veiculados.  II ­ Preliminares.  II.1  ­  Vinculação  aos  demais  processos  compensatórios  que  tem  por  objeto partes do direito creditório ora analisado.   Aqui, e de forma bastante breve, esclarece­se que este feito está sendo julgado  sob  o  rito  do  art.  47,  §  1º,  do RICARF. Objetivamente,  o  que  for  decidido  aqui,  prevalecerá quanto aos demais processos descritos no recurso voluntário (a luz dos  preceitos  do  §  3º  deste  mesmo  preceito  regulamentar),  dado  que  tais  demanadas  compõem lote formado "por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma  matéria ou concentração temática".  II.2 ­ Decadência.  A alegação do contribuinte não é nova é já foi objeto de sucessivas decisões  por parte deste Conselho, em especial em questões análogas como, v.g., de fatos que  contribuíram para a formação de ágio..  Com efeito,  a decadência a que alude o art. 150, §4º, do CTN (e  também a  contemplada  pelo  art.  173,  I)  refere­se  ao  direito  de  lançar  o  tributo  uma  vez  verificada a  ocorrência de  seu  fato  gerador.  Isto  é,  o  quinquênio  tratado  nestes  preceitos tem o seu termo a quo a partir da constituição (na sua acepção técnica) da  obrigação  tributária  que,  na  hipótese  em  testilha,  seria  a  compensação  do  saldo  negativo  de  IRPJ  (em  que  se  apura  a  existência  ou  não  do  crédito  cujo  ressarcimento/compensação  se  postula)...  a  decadência,  pois,  não  abarca  os  fatos  pretéritos que contribuam para a formação do fato imponível; a extinção a que alude  o  art.  156,  V,  do  CTN  é  do  direito  de  lançar  o  tributo  (ou  de  não  homologar  a  Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 7          6 compensação) e não do direito de examinar as premissas que detenham repercussão  na formação da obrigação.  Outro entendimento engessaria a atividade fiscalizadora e reduziria, de forma  ilícita, os prazos descritos nos já citados arts. 150, § 4º e 173,  I, do CTN e, ainda,  aquele contemplado pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96.   Daí,  o  posicionamento  atualmente  adotado  por  este  CARF,  consoante  extraído dos julgamentos abaixo reproduzidos:  Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Ano­calendário:  2002  IRPJ.  CSLL.  SALDO  NEGATIVO.  AJUSTES  NO  PASSADO  COM  REPERCUSÃO  FUTURA.  DECADÊNCIA.  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA.  INOCORRÊNCIA.  Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a  data de ocorrência dos  fatos geradores, não  importando a data  contabilização  de  fatos  passados  que  possam  ter  repercussão  futura.  O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge  com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar  o  lançamento,  nos  termos  do  art.  142  do  Estatuto  Processual,  nada  mais  é  do  que  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente.  Não  é  papel  do  Fisco  auditar  as  demonstrações  contábeis  dos  contribuintes  a  fim  de  averiguar  sua  correição  à  luz  dos  princípios  e  normas  que  norteiam  as  ciências  contábeis.  A  preocupação  do  Fisco  deve  ser  sempre  o  reflexo  tributário  de  determinados  fatos, os quais,  em  inúmeras ocasiões, advém dos  registros contábeis.  Ressalte­se o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê  que  seja  efetuado  o  lançamento  também  nas  hipóteses  em  que,  constatada  infração  à  legislação  tributária,  dela  não  resulte  exigência de crédito tributário.  O  prazo  decadencial  somente  tem  início  após  a  ocorrência  do  fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do  exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado  nas hipóteses do art. 173, I, do CTN.  Não  se  submetem  à  homologação  tácita  os  saldos  negativos  de  IRPJ  e  da  CSLL  apurados  nas  declarações  apresentadas,  a  serem  regularmente  comprovados  pelo  sujeito  passivo,  quando  objeto  de  declaração  de  compensação,  devendo,  para  tanto,  ser  mantida  a  documentação  pertinente  até  que  encerrados os processos que  tratam da utilização daquele  crédito.  Recurso  Voluntário  Improvido  (Acórdão  nº  1402­001.590,  publicado em 20/08/2014).  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2004  Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 8          7 DECADÊNCIA.  PREJUÍZOS  FISCAIS  DE  PERÍODOS  ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.  INOCORRÊNCIA.  Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após  a  data  de  ocorrência  dos  fatos  geradores,  não  importando  a  data  contabilização  de  fatos  passados  que  possam  ter  repercussão futura.  A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e  somente  a  partir  de  então  pode  se  falar  em  lançamento  (Acórdão nº 1402­001.515, publicado em 23/01/2014).  Não  faço,  vejam  bem,  ouvidos  moucos  às  teses  deduzidas  nos  acórdãos  veiculados pelo embargante em seu recurso voluntário. Sei que tais julgados se opõe  ao entendimento que ora exponho mas, venia concessa, simplesmente não concordo  com as premissas lá adotadas.   Quando  a  fiscalização  recompõe  o  saldo  negativo,  entendo,  não  está  promovendo novo lançamento de ofício (até porque o lançamento se reporta à data  da  ocorrência  do  fato  gerador  ­  art.  146  do  CTN).  Neste  caso,  estar­se­á  apenas  verificando  a  existência  de  fato  do  crédito,  formado  a  partir  de  informações  pretéritas  com  repercussão  futura  e,  como  já  dito,  sobre  os  quais  não  se  opera  o  ocaso decadencial.  Notem,  o  Fisco  não  poderia,  realmente,  na  forma  do  artigo  142  do  CTN,  efetuar  o  lançamento  quanto  ao  período  em  que  o  saldo  negativo  foi  apurado  (identificando­se,  neste passo,  o  sujeito passivo  e,  se assim couber,  aplicando­se  a  penalidade  cabível  ­  no  caso,  multa  isolada  por  estimativas  pretensamente  não­ recolhidas);  mas,  impedir  que  o  fisco  examine  a  escrita  contábil  utilizada  pelo  contribuinte para, justamente, formar o aludido saldo, representaria, como já afirmei,  engessamento desarrazoado da atividade descrita no já tratado § 5º do art. 74 da Lei  .9.430/96.  E  a  falta  de  razoabilidade,  aqui,  é  palpável  bastando,  para  tanto  considerar­se a seguinte situação (inclusive observável neste feito):  a)  o  contribuinte  apura  saldo  negativo  de  IRPJ  no  ano­calendário  de  2004  sendo­lhe, neste passo, franqueado o compensar já no ano de 2005;  b) deixa para compensar saldos negativos do imposto às vesperas do decurso  dos prescricional (para postular a compensação) e decadencial (para operar, contra o  fisco, a extinção do direito de constituir o respectivo crédito tributário);  c) neste caso, ao invés de 5 anos para "homologar" a predita compensação o  fisco teria alguns poucos meses.  Enfim...  a decadência se opera em relação ao  fato gerador e ao consequente  direito do fisco de constituir a obrigação tributária, não atingindo os fatos contábeis  considerados pelo contribuinte para a apuração de seus tributos.   Afasto, pois, a prejudicial em análise.  III ­ Mérito.  III.1 ­ A tese do recorrente.  Como  não  descrevi  de  forma  mais  clara  os  fundamentos  que  permeiam  as  pretensões recursais, me permitam, aqui, declinar, ainda que de forma concisa, a tese  sustentada pela empresa para demonstrar o seu direito creditório.  Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 9          8 Pois  bem,  como  se  extrai  do  acórdão  recorrido,  a  turma  a  quo  teria  se  pronunciado pela inexistência do direito creditório levando em conta o fato de que, a  partir das informações contidas na DIPJ, para se chegar ao saldo negativo apontado  pelo  recorrente,  ter­se­ia  que  considerar,  além dos  valores  relativos  às  estimativas  pagas (consideradas comprovadas pela decisão ora combatida), os valores retidos e  recolhidos por terceiros (instituições financeiras). O problema aventado pelo aresto  de  primeira  instância  é  que,  justamente  os  valores  concernentes  ao  IRFonte,  decorreriam de receitas financeiras, a priori, não tributadas pela empresa insurgente.   Com  efeito,  da  predita  DIPJ,  extrai­se  a  dedução  do  montante  de  R$1.058.299,14,  os  quais,  de  outra  sorte,  a  teor,  inclusive,  dos  preceitos  da  Súmula/CARF 80, somente poderiam ser abatidos do imposto devido se, e quando,  comprovada a tributação das respectivas receitas (que, in casu, perfaziam o importe  de R$ 5.291.496,04). Como pontuado pela DRJ, este último valor não foi informado  na citada declaração no ano­calendário de 2004, e, portanto, os valores das receitas  financeiras acima mencionado não teria sido objeto de tributação.  No  seu  recurso  voluntário  o  contribuinte  explica  que,  em  verdade,  considerando­se estar sujeita a regime de competência, os rendimentos provenientes  de  suas  aplicações  teriam  sido  reconhecidos  na  medida  de  sua  disponilibização,  ocorrida  ao  longo  dos  anos  calendários  de  2001  a  2004,  trazendo,  para  tanto,  as  cópias dos seus livros Razão e das DIPJs relativas aos mesmos períodos.   Passo  seguinte,  sustenta  que,  nada  obstante  o  reconhecimento  prévio  das  preditas  receitas,  o  IRRF  se  sujeitaria  ao  regime  de  caixa,  de  sorte  que  seu  recolhimento  somente  se daria  (ou  se deu)  a partir  do pagamento,  pela  instituição  financeira,  dos  aludidos  rendimentos  (v.  as  DIRFs  trazidas  juntamente  com  a  impugnação).  Em  linhas  gerais,  o  valor  de  R$  1.058.299,14  teria  sido  retido  e  recolhido no ano calendário de 2004, ainda que, sob a ótica do recorrente, as receitas  geradoras do aludido IRFonte tenham sido reconhecidas e ofertadas à tributação ao  longo dos anos de 2001 a 2004 (inclusive).   Para melhor explicitar a tese sustentada pela empresa insurgente, peço vênia  para  reproduzir  a  seguinte  demonstração  gráfica,  extraída  do  próprio  apelo  voluntário:    Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 10          9 Este  primeiro  quadro,  vejam  bem,  apenas  descreve  as  receitas  financeiras  suportadas no curso dos anos de 2001 a 2004, e os  respectivos  impostos  retidos e  recolhidos,  a  partir  dos  informes  de  rendimentos  apresentados  quanto  ao  ano  de  2004 e com base na ficha 43 das DIPJ relativas aos demais anos­calendários.  O  segundo  quadro,  abaixo,  é  que,  de  fato,  se  prestaria  para  demonstrar  a  diluição das  receitas,  objeto desta  análise,  no período defendido pelo  contribuinte.  Veja­se      As  informações  inseridas  no  quadro  acima  teriam  sido  extraídas  das  DIPJs  trazidas  pela  empresa,  com  exceção  dos  dados  concernentes  ao  ano­calendário  de  2004  que,  como  já  pontuado  pela  própria  DRJ,  não  contemplaria  qualquer  informação  relativa  à  eventuais  receitas  financeiras  percebidas  pelo  recorrente  no  citado  ano­calendário.  O  contribuinte,  destaque­se,  nada  diz  (ao  menos  explicitamente)  sobre  falta  de  registro  de  receitas  financeiras  no  ano  de  2004.  Todavia, na DIPJ/2005 (AC 2004) vê­se uma anotação, feita a mão, ao lado da linha  30, em que, pretensamente, o valor ali descrito (R$ 1.351.958,09), teria sido inserido  de  forma parcialmente equivocada. Realmente, até por  remição contida na própria  anotação,  é  possível  inferir  que,  pelo  Razão  juntado  ao  feito,  aquele  valor  seria  assim formado:  a)  R$  316.177,72,  refeririam­se  à  "outras  receitas  operacionais",  consoante  informações lançadas à conta­contábil de nº 7.9.99.00.9;  b)  o  restante,  seria  formado  a  partir  de  dois  lançamentos,  feitos,  respectivamente,  nas  contas  de  nos  7.14.10.00.7  ("rendas  aplica  oper"  ­  R$  234.429,41)  e  7.15.10.00.0  ("rendas  tits  renda"  ­  R$  801.341,72),  pretensamente  relativos à resultados de aplicações financeiras.   Ou seja, o valor total de R$ 1.035.771,13 (resultante da soma dos rendimentos  tratados em "b", supra), deveria ter sido registrado na linha 24 da DIPJ/2005 e não  Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 11          10 na  linha  30;  haveria,  pois,  aí,  uma  erro  no  preenchimento  desta  declaração  (ainda  que,  insista­se,  tal  equívoco  não  tenha  sido  informado  ou  mesmo  declarado  pelo  contribuinte, do forma oficiosa ou expressa). Mesmo assim, todavia (e considerado o  equívoco incorrido pelo recorrente quando do preenchimento de sua declaração ­ a  par de seu silêncio), esta importância não coincide, nem de perto, com o valor de R$  5.291.496,04 que, ao fim e ao cabo, é o cerne do problema tratado aqui neste feito.  Esta disparidade, diga­se, poderia ser justificada acaso entendamos correta a tese da  empresa  insurgente  (e  consideremos  a  possibilidade  deste  montante  ter  sido  tributado de forma diluída, no curso dos anos de 2001 a 2004).   E,  não  obstante  uma  aparente  coerência  e  razoabilidade  extraível  dos  argumentos do contribuinte, passo a demonstrar que, em verdade, as premissas por  ele deduzidas são, indubitavelmente, falaciosas.  III.2 ­ Os sofismas incorridos pelo recorrente.  Objetivamente, o interessado embasa seus argumentos em dois pilares:  a)  os  rendimentos  provenientes  de  aplicações  financeiras  realizadas  em  Certificados de Depósitos Bancários ­ CDB, são disponibilizados pelas instituições  Bancárias  ou  assemelhadas  ao  longo  de  um  determinado  período  (impondo  o  seu  oferecimento à tributação segundo o regime de competência), mas seu pagamentos  somente  se daria, v.g.,  com o encerramento do contrato ou em momento posterior  (quando, então, se verificaria a retenção do imposto devido pela instituição pagadora  ­ segundo o regime de caixa);  b)  o  somatório  das  receitas  descritas  no  quadro  1  e  sua  comparação  com  aquelas  receitas  descritas  no  quadro  2  (reproduzido  anteriormente)  comprovaria  a  diluição  das  preditas  receitas  ao  longo  dos  anos  de  2001  a  2004, mormente  a  se  considerar a identidade entre os valores totais descritos nos preditos quadros, o que  confirmaria a tese firmada no item "a", acima.  Me atendo, neste primeiro momento, apenas na premissa fática apontada em  "b",  acima,  de  antemão  já  se  demonstra  a  sua  falsidade.  Isto  porque,  os  quadros  reproduzidos  anteriormente  consideram,  na  base  de  comparação,  receitas  que  não  podem, por conta do regime  tributário que  lhe é aplicável, ser comparadas. Notem  que  particularmente  quanto  ao  ano  de  2002,  o  contribuinte  insere,  ali,  ganhos  concernentes  ao  "mercado  de  renda  variável"  (dos  razões  juntados,  em  princípio,  depreende­se que tais ganhos decorreriam de operações de swap).   Ora,  o  valor R$ 5.291.496,04,  como  se  infere  dos  informes  de  rendimentos  apresentados  é  composto,  exclusivamente,  por  rendimentos  produzidos  a  partir  de  aplicações  em  renda  fixa  (CDB).  Para  que  os  preditos  quadros  fizessem  algum  sentido, seria necessário efetuar­se a comparação apenas entre os rendimentos desta  mesma natureza (CDB). Retirando­se do quadro elaborado pelo próprio contribuinte  as importâncias concernentes aos rendimentos de renda variável, a diferença entre os  valores apontados nos informes de rendimentos e aqueles declinados no resultado da  empresa,  através  de  DIPJ  (e  que,  portanto,  teriam,  como  alega  o  recorrente,  suportado a tributação), seria superior a R$ 2,6 milhões.   Em  outras  palavras,  considerando  correta  a  tese  do  contribuinte  a  partir  da  premissa descrita em "a", acima, pela simples comparação entre os dados extraídos  de suas DIPJs e os informes de rendimentos (apresentados em relação ao ano 2004, e  informados na ficha 43 das DIPJs relativas aos anos de 2001 a 2003), chegar­se­ia a  conclusão  de  que  a  empresa  não  logrou  demonstrar,  de  forma  indiscutível,  o  Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 12          11 oferecimento à tributação de cerca de R$ 2,6 milhões de reais (R$ 5.291.496,04 ­ R$  2.656.893,95).  É claro, todavia, que o raciocínio acima intentado não seria definitivo, já que,  para termos absoluta certeza de que os rendimentos provenientes de aplicações em  renda fixa não foram tributados de forma diluída, como pretende o recorrente, seria  necessário explodir os dados inseridos, por exemplo, no primeiro quadro (o que seria  possível a partir da análise dos Razões trazidos). Tal medida, no entanto, é, de toda  sorte, despicienda.   Isto porque a própria premissa apontada em "a", pilar de sustentação de toda a  tese  recursal,  também  é  falaciosa...  não  é  possível,  e  juridicamente  sustentável,  separar,  no  caso  vertente,  quanto  aos  rendimentos  provenientes  de  aplicação  em  CDB/RDB2,  o  momento  de  sua  disponibilização  (disponibilidade  jurídica  ­  competência), do momento de seu efetivo pagamento (disponibilidade econômica ­  caixa).  Com efeito, a teor dos preceitos do art. 30, § 1º, da Lei 4.728/65, entende­se  por  "CDB"  a  "promessa  de  pagamento  à  ordem  da  importância  do  depósito,  acrescida  do  valor  da  correção  e  dos  juros  convencionados".  O  rendimento,  portanto,  objeto  de  possível  tributação  nos  contratos  de  CDB/RDB  é  produzido  pelos  juros  pagos  ou  creditados  pela  instituição  financeira,  como  contraprestação  pelo "empréstimo" realizado pelo correntista.   Considere­se,  de  outro  turno,  as  regras  preconizadas  pelo Banco Central  do  Brasil (vigentes à época dos fatos aqui tratados) sobre a remuneração das aplicações  realizadas  em  CDB/RDB,  particularmente  aquelas  contidas  na  Resolução  de  no  105/68, cujo o inciso primeiro, alíneas "a" e "b", assim dispunha:  I  ­Fica  revigorada  a  faculdade  atribuída  aos  bancos  comerciais,  mediante  aprovação  prévia  do  Banco  Central  do  Brasil,  para  receberem  ­  de  pessoas  físicas  ou  jurídicas  ­ depósitos de prazo fixo, com cláusula de correção monetária, e  emitirem certificados de depósitos, nominativos, observadas as  seguintes condições:  a)os  depósitos  da  espécie  serão  regidos  pelas  condições  estabelecidas  nos  itens  III  e  IV  da  Resolução  nº  31,  de  30.7.1966;  b)os  certificados  respectivos  não  poderão  ter  valor  inferior  a  NCr$1.000,00 (hum mil cruzeiros novos), nem prazo inferior a  12 (doze) meses, admitido, porém, o pagamento dos juros e da  correção monetária por períodos mínimos de 3 (três) meses.  Ora, comparando­se as DIRFs apresentadas nos autos, à previsão contida na  alínea  "b",  acima,  está  mais  que  evidenciado  que  os  valores  percebidos  pela  recorrente  no  ano  de  2004,  referem­se,  efetivamente,  aos  montantes  de  juros  e  correção monetária devidos em decorrência da contratação dos preditos depósitos a  prazo.  Agora, particularmente quanto a esta modalidade de investimento, o Decreto  3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos tratados no  processo),  estabelece  algumas  regras  importantes  para  análise  do  caso.  Primeiramente, veja­se que o dispunha o art. 729, caput:                                                              2 A distinção entre CDB e RDB cinge,  tão  só,  à  impossibilidade de  alienação  deste  último  tipo  de  rendimento  (RDB).  Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 13          12 Art. 729. Está sujeito ao imposto, à alíquota de vinte por cento,  o rendimento produzido, a partir de 1º de janeiro de 1998, por  aplicação  financeira  de  renda  fixa,  auferido  por  qualquer  beneficiário, inclusive pessoa jurídica imune ou isenta.  Já  o  art.  730  do  mesmo  diploma  regulamentar  estendia  a  regra  acima  transcrita  também  "aos  rendimentos  auferidos  pela  entrega  de  recursos  a  pessoa  jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a  fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e em  operações  de  empréstimos  em  ações  (inciso  III),  hipótese  que  se  adequa,  perfeitamente, ao conceito extraído da Lei 4.728, alhures tratado.  O § 2º do art. 731, de outro  turno, estabelecia que o IR  incidirá  sobre valor  dos rendimentos produzidos em razão das aplicações contempladas pelo inciso III do  art.  730  retro  ao  passo  que  o  art.  732,  II,  determina  que  o  tributo  seja  retido,  em  casos tais, "por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do título ou  da aplicação".  Outrossim, o art. 770 do RIR/99, preconizava que os rendimentos em testilha  integrariam o lucro real (§ 2º, inciso II).  Por fim, atentem para o que rezava a regra encartada no art. 773 do RIR:   Art.  773.  O  imposto  de  renda  retido  na  fonte  sobre  os  rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda  variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será:  I  ­  deduzido  do  devido  no  encerramento  de  cada  período  de  apuração  ou  na  data  da  extinção,  no  caso  de  pessoa  jurídica  tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado.  O que se pode dessumir do compêndio legislativo trazido acima, é o seguinte:  a)  os  contratos  de  CDB  geram  rendimentos  tributáveis  a  partir  do  creditamento dos respectivos encargos remuneratórios;  b)  tais  encargos  podiam  (ao  menos  no  período  em  análise)  ser  pagos  integralmente quando do vencimento do contrato ou  trimestralmente  (interpretação  apreensível dos preceitos do inciso I, "a", da Resolução/BACEN de nº 105/68);  c) se, de fato, o IRPJ segue o regime de competência, e, portanto, impõe o seu  pagamento  a  partir  da  simples  disponibilização  jurídica  da  renda,  é  igualmente  inegável  que  em  aplicações  financeiras  de  renda  fixa,  notadamente,  o  CDB,  a  disponibilidade  em  questão  somente  será  observada  quando  do  creditamento  dos  respectivos juros (trimestralmente ou ao final do contrato).  Acaso o contrato de depósito firmado pelo recorrente juntamente ao Citybank  estabelecesse  regra  de  remuneração  a  ser  paga  apenas  quando  do  fim  de  sua  vigência, a lógica trazida em sua peça de defesa seria razoavelmente aceitável. Fosse  esta  a  realidade,  a  tendência,  aqui,  seria  até  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência a fim de verificar se, realmente, haveria, na espécie, a geração de renda ao  longo  do  período  do  contrato  e  o  pagamento  efetivo  da  respectiva  remuneração,  apenas, ao final.   Reprise­se, todavia, que as DIRFs exibidas indiciam, senão comprovam, que o  contribuinte fazia jus ao pagamento trimestral dos juros remuneratórios decorrentes  do  seu  contrato  de  CDB  (basta  atentar­se  para  as  guias  "Mês"  e  "Rendimento  Nominal"); estivéssemos, de fato, diante de contrato com previsão de percepção de  Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 14          13 juros apenas com o resgate do respectivo depósito, não haveria lógica na inserção de  dados  concernentes  aos  pagamentos  devidos  ao  longo dos  trimestres  do  ano  2004  (cada DIRF apresentada, refere­se a um trimestre daquele ano).   E  aí,  diga­se,  revela­se  a  falácia  contida  na  tese  ora  analisada...  os  rendimentos em questão foram produzidos no ano de 2004 e não em anos anteriores,  justamente  pela  forma  de  contratação  do  CDB  intentada  pelo  contribuinte  ("pagamento dos juros e da correção monetária por períodos mínimos de 3 (três)  meses"), inferível a partir da própria estrutura das DIRFs juntadas ao processo. Não  há,  no  caso  vertente,  distinção  entre  os  momentos  da  disponibilização  da  renda  (competência) e pagamento (caixa); pelos elementos constantes dos autos, os fatos  geradores  do  imposto  e  da  obrigação  concernente  ao  fonte  ocorreram  simultaneamente, no próprio ano de 2004  À  toda  evidência,  as  receitas  financeiras que  deram origem ao  IRFonte  que  compôs o valor do pretenso saldo negativo do IRPJ não foram ofertadas a tributação,  seja  no  ano  de  2004  ­  como  exposto  anteriormente,  não  é  possível,  mesmo  considerando a anotação "a mão" posta na DIPJ, atestar nem mesmo que parte destes  rendimentos  tenham  sido  incluídos  no  resultado  da  empresa  ­,  seja  nos  anos  anteriores,  atraindo  para  a  hipótese  o  entendimento  plasmado  na  já  mencionada  Súmula  80,  deste  CARF,  isto  é,  o  IRRF  não  é,  aqui,  abatível  do  montante  do  imposto apurado.  E  assim  o  sendo,  como  demonstrado  no  acórdão  recorrido,  em  se  desconsiderando o  IRRF para a  formação do aludido  saldo,  apura­se,  em verdade,  imposto a pagar, e não um direito creditório qualquer.   Não obstante criativas e muito bem construídas as alegações do contribuinte,  as provas trazidas ao processo dão conta de sua procedência.  III.3 ­ Inovação pela DRJ.  Por fim, o contribuinte tangencia uma possível nulidade do acórdão recorrido  por pretensa inovação... realmente, a empresa recorrente chega a mencionar que, ao  exigir  a  comprovação  do  oferecimento  das  receitas  financeiras  à  tributação,  teria  desbordado  dos  limites  da  decisão  proferida  pela  Unidade  Origem  (que  tinha  se  calcado,  apenas,  no  problema  da  indisponibilidade  de  crédito  oriundo  do  DARF  informado no PERDCOMP).   Esquece­se, todavia, que o contribuinte somente dera notícia da retificação de  sua DCTF e da correta origem do direito creditório pleiteado quando da oposição de  sua manifestação  de  inconformidade;  assim,  quem,  realmente,  inovou  a  lide  foi  o  próprio recorrente, e não a DRJ, que apenas se opôs ao novo argumento trazido ao  feito.   Não  haveria,  portanto,  inovação  intentada  pela  turma  a  quo.  A  inovação  argumentativa, insista­se, adveio da própria manifestação de inconformidade.  IV ­ Conclusão.  A  luz  do  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  RECURSO  VOLUNTÁRIO.    Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10880.910052/2009­28  Acórdão n.º 1302­003.522  S1­C3T2  Fl. 15          14 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR  PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado                            Fl. 259DF CARF MF

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Numero do processo: 16682.901637/2013-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.858
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.

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3302­006.858  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2019  Matéria  Processo Administrativo Fiscal  Recorrente  TIM S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011  PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.  A matéria  já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na  via administrativa. Caracteriza­se a concomitância quando o pedido e a causa  de  pedir  dos  processos  administrativos  e  judiciais  guardam  irrefutável  identidade.        Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)    Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator     Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  Walker  Araújo,  Jose  Renato  Pereira  de  Deus,  Gilson  Macedo  Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva  (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.  Relatório  Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER),  transmitido pelo  contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS.  Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de  origem,  o  qual  concluiu  pela  improcedência  do  crédito  original  informado  no  PER,  sob  o     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 37 /2 01 3- 56 Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16682.901637/2013­56  Acórdão n.º 3302­006.858  S3­C3T2  Fl. 3          2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação  de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.  Cientificado  desta  decisão,  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12­089.004.   Inconformado  com  a  decisão  da  DRJ,  apresentou  recurso  voluntário  ao  CARF, no qual argumenta que:  a)  A  ausência  de  retificação  de  DCTF  ou  de  qualquer  outra  obrigação  acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida  em  que  o  Fisco  possui  outros  meios  de  apurar  a  existência  de  eventual  indébito  tributário.  Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda  do direito ao crédito;  b)  Não  há  concomitância  entre  o  presente  processo  e  o  Mandado  de  Segurança  n°  0024185­79.2013.4.02.5101.  A  lide  proposta  foi  no  sentido  de  que  fosse  reconhecido o direito  líquido e certo da recorrente não se sujeitar à  incidência do PIS/Cofins  sobre as  receitas de  interconexão, bem como para  reconhecer o  crédito  referente  a  eventuais  valores  pagos  indevidamente,  relativamente  a  contribuições  apuradas  e  recolhidas  após  a  impetração  do writ.  O  objeto  da  ação  judicial  se  destina  apenas  às  contribuições  de  PIS  e  Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS;  c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos  indevidos  de PIS/COFINS sobre receitas de  interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013,  foram  objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em  apurações  de  PIS/COFINS  feitas  partir  de  23.9.2013,  foram  objeto  do  pedido  judicial  formulado  no Mandado  de  Segurança  n°  0024185­79.2013.4.02.5101.  Bem  verdade  que  há  certa  semelhança  entre  as  causas  de  pedir  dos  processos  administrativos  e  judicial.  Ambos  estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia,  os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem  como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma  discussão para períodos de apuração distintos. Frise­se: os pedidos administrativos se voltam às  contribuições  apuradas  e  pagas  antes  da  impetração  do  mandado  de  segurança.  Já  aquelas  apuradas  e  pagas  após  o  ajuizamento  da  ação  judicial  são  objeto  do mandado de  segurança.  Diante desse cenário, verifica­se que não há concomitância entre o mandado de segurança em  curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo,  tendo em vista que os  períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos;  d) Os valores  recebidos pela Recorrente e  repassados a outras operadoras a  título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não  se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do  ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros  a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos  que  devem  ser  repassados  ao  terceiro  que  cedeu  seus  meios  de  rede  à  Recorrente.  Não  há,  portanto,  qualquer  efetivo  acréscimo patrimonial  da Recorrente,  porque  já  há  um  imediato  e  compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de  telecomunicação;  e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a  tributação pelo  PIS/COFINS  da  receita  total  auferida  pela  Recorrente  pela  prestação  do  serviço  de  Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16682.901637/2013­56  Acórdão n.º 3302­006.858  S3­C3T2  Fl. 4          3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes.  E,  além  dessa  tributação,  nos  termos  da  pretensão  fiscal,  haveria  uma  nova  incidência  do  PIS/COFINS  pelo  terceiro  que  realiza  a  interconexão,  no  momento  em  que  ele  apropriar  a  receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário;  f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser  integrada por elementos  estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a  título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente  a  título  de PIS/COFINS  sobre  esses  valores  de  interconexão  de  redes  seja  qualificado  como  indébito tributário, que lhe deve ser restituído.  Termina  o  recurso  requerendo  o  provimento  para  que  seja  reformado  o  acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado.  É o breve relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Acórdão nº  3302­006.815,  de  25  de  abril  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  16682.900008/2014­90, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302­006.815):  "O  recurso  é  tempestivo  e  apresenta  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  de  forma  que  dele  conheço  e  passo à análise.  O cerne da questão  está  em decidir  se há  concomitância  entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n°  0024185­79.2013.4.02.5101.  Para  tanto,  é  necessário  analisar  os objetos dos respectivos processos.  Conforme  já  mencionado  na  decisão  a  quo,  o  indébito  pleiteado  no  Pedido  de  Restituição  decorre,  nas  palavras  do  contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de  valores  referentes  a  ingressos  de  numerário  em  razão  de  contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da  Manifestante”. Portanto,  defende  em  processo  administrativo a  não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão.  Vejamos o objeto do MS nº 0024185­79.2013.4.02.5101:  Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos:  a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e  certo  da  impetrante  à  suspensão  da  exigibilidade  dos  créditos  tributários,  nos  termos  do  art.  151,  IV,  do  CTN,  das  Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16682.901637/2013­56  Acórdão n.º 3302­006.858  S3­C3T2  Fl. 5          4 contribuições  ao  PIS  e  a  Cofins,  sobre  os  meros  ingressos  apurados  mensalmente  pelo  regime  de  competência  pela  impetrante  decorrentes  tão  somente  das  tarifas  de  interconexão  recebidas  dos  usuários  pela  co­prestação  dos  serviços  de  telecomunicações  prestados  pelas  demais  operadoras  e  a  elas  integralmente  repassadas  (serviços  de  transmissão,  emissão  ou  recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos,  imagens, sons  ou informações de qualquer natureza);  b)  determinação  à  Autoridade  Coatora  sobre  o  contudo  da  decisão  liminar,  bem  como  acerca  do  conteúdo  do  presente  mandamus,  para que  no  prazo  legal,  preste  as  informações  que  entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do  Ministério Público;  c) Ciência à União Federal,  nos  termos do art.  7º,  II,  da Lei nº  12.016/2009;  d)  ao  final,  a  concessão  da  segurança  para  confirmar  a  liminar  requerida  e  assegurar  o  direito  liquido  e  certo  de  a  impetrante  não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins,  sobre  meros  ingressos  apurados  mensalmente  pelo  regime  da  competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas  de  interconexão  recebidas  dos  usuários  pela  co­prestação  dos  serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras  e  a  elas  integralmente  repassadas  (serviços  de  transmissão,  emissão  ou  recepção  de  símbolos,  caracteres,  sinais,  escritos,  imagens,  sons  ou  informações  de  qualquer  natureza),  sob  pena  de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 §  1º;  150,  I  e  IV  e  195,  I,  "b"  da  Constituição  Republicana  de  1988,  com  a  consequente  compensação  do  indébito  dessas  contribuições,  apurados  desde  a  distribuição  do  presente  writ,  devidamente  atualizado  pela  Taxa  Selic,  após  o  trânsito  em  julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170­A do CTN.  A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº  0024185­79.2013.4.02.5101, assim decidiu:   Trata­se  de  mandado  de  segurança  com  pedido  de  liminar  impetrado  por  INTELIG COMUNICAÇÕES  LTDA  contra  ato  atribuído  ao  DELEGADO  DA  DELEGACIA  ESPECIAL  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  DE  MAIORES  CONTRIBUINTES  NO  RIO  DE  JANEIRO  ­  DEMAC,  objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao  PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo  regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de  interconexão  ­  serviços prestados pelas demais  operadoras,  que  são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a  declaração do direito de compensar o  indébito  referente a  estas  contribuições, apurado desde a distribuição do writ.  Sustenta,  em  apertada  síntese,  que  as  chamadas  "tarifas  de  interconexão"  não  constituem  receita,  e  sim  meros  ingressos  econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm  um  primeiro  momento,  pela  Impetrante,  porem  repassadas  cm  seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao  cliente usuário da Impetrante.  (...)  Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16682.901637/2013­56  Acórdão n.º 3302­006.858  S3­C3T2  Fl. 6          5 Pelo  exposto,  com  fulcro  no  art.  269.  I,  do  CPC.  JULGO  PROCEDENTE  O  PEDIDO  e  CONCEDO  A  SEGURANÇA,  para  determinar  ao  Impetrado  que  se  abstenha  de  exigir  da  Impetrante  que  recolha  o PIS  e  a Cofins,  incluindo  na  base  de  cálculo  o  valor  recebido  pela  Impetrante  e  posteriormente  repassado  a  operadora  congênere,  que  prestou  efetivamente  o  serviço,  a  título  de  "tarifa  de  interconexão",  bem  como  para  declarar  o  direito  da  Impetrante  à  compensação  do  indébito,  apurado  desde  a  distribuição  do  presente,  na  forma  da  lei  de  regência,  de  acordo  com  a  modalidade  escolhida  pelas  Impetrantes, aplicando­se a SELIC como critério de atualização  do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos  termos da fundamentação supra.  Analisando  as  razões  jurídicas  apresentadas  na  peça  recursal,  fico  convencido  da  identidade  das  demandas  administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é  a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins  em  relação  as  receitas  de  interconexão.  O  próprio  recorrente  reconhece essa congruência entre os processos administrativo e  judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara  no  fato de que os pagamentos  indevidos de PIS/COFINS sobre  receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013,  foram  objeto  de  pedido  administrativo  de  restituição,  e  que  apenas  os  pagamentos  realizados  com  base  em  apurações  de  PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido  judicial  formulado  no  Mandado  de  Segurança  n°  0024185­ 79.2013.4.02.5101.   Não comungo do entendimento no qual a concomitância é  afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração  apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial  entre  os  períodos  de  apuração,  aqueles  contemplados  pelo  mandamus  e  os  não  contemplados,  na  minha  visão,  refere­se  somente à possibilidade de o  recorrente utilizá­los para pedido  de  compensação  antes  do  trânsito  em  julgado,  por  ordem  judicial,  conforme  sua  solicitação  na  exordial.  Os  demais  períodos  de  apuração,  os  que  foram  apurados  antes  da  distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da  ação  para  poderem  se  credenciar  a  objeto  de  um  pedido  de  restituição, com possíveis compensações.   Digo  isso,  pois  a  decisão  do  Poder  Judiciário  sobre  a  incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das  tarifas  de  interconexão,  terá  reflexos  para  todos  os  períodos  de  apuração,  independentemente  se  foi  contemplado  no  pedido  do  MS nº 0024185­79.2013.4.02.5101 ou não  Isso  se  deve  ao  fato  de  que  na  existência  de  processos  paralelos,  com objeto  e  finalidade  idênticos,  não  é  salutar  que  haja  decisões  com  efeitos  redundantes  ou  antagônicos.  Em  qualquer  das  hipóteses,  prevalecerá  a  decisão  judicial,  motivo  pelo  qual  a  concomitância  de  processos  ofende  o  princípio  da  economia  processual.  Em  face  disso,  a  opção  do  contribuinte  pela  via  judicial  encerra  o  processo  administrativo  fiscal  em  definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre.  Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16682.901637/2013­56  Acórdão n.º 3302­006.858  S3­C3T2  Fl. 7          6 Registre­se que a coisa julgada a ser proferida no âmbito  do  Poder  Judiciário  jamais  poderia  ser  alterada  no  processo  administrativo,  pois  tal  procedimento  feriria  a  Constituição  Federal,  que  adota  o  modelo  de  jurisdição  una,  onde  são  soberanas as decisões judiciais.  Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela  via  judicial  para  a  discussão  de  matéria  tributária  implica  na  renúncia  ao  poder  de  recorrer  nesta  instância,  nos  termos  do  parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º  do Decreto­lei nº 1.737, de 1979.   Ratificando este entendimento,  foi aprovado o enunciado  de Súmula CARF nº 01, in verbis:  Súmula CARF nº 1  Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso  quanto à matéria  submetida ao  crivo do Poder  Judiciário  e na  parte  conhecida,  nego  provimento  ao  recurso  por  enxergar  identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no  MS nº 2007.70.00.022276­5 e neste recurso administrativo."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                           Fl. 378DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.721348/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a pelo ato de lançamento. PROVAS DOCUMENTAIS COMPLEMENTARES APRESENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO RELACIONADAS COM A FUNDAMENTAÇÃO DO OBJETO LITIGIOSO TEMPESTIVAMENTE INSTAURADO. APRECIAÇÃO. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO E DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. NECESSIDADE DE SE CONTRAPOR FATOS E FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO. Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado, que devem viger no âmbito do processo administrativo fiscal, deve-se conhecer a prova documental complementar apresentada no recurso voluntário que guarda relação com a matéria litigiosa controvertida desde a impugnação, especialmente para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. O documento novo, colacionado com o recurso voluntário, pode ser apreciado quando se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado, de modo a se invocar a normatividade da alínea "c" do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, não se cogitando de preclusão. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA E CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO DE DETERMINADAS RUBRICAS. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO EFETUADO E REVISTO DE OFÍCIO PARA LANÇAR RUBRICA COMPLEMENTAR ESPECÍFICA DE MESMA ESPÉCIE E NATUREZA. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições sociais previdenciárias e para as contribuições de terceiros, cuja natureza é de tributo sujeito a lançamento por homologação, não se observando dolo, fraude ou simulação, considera-se a existência de pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato imponível, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo que resultou no referido recolhimento, rubrica específica de mesma espécie e natureza das antecipações que vem a ser exigida pela autoridade fiscal no auto de infração do lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício com base em omissão ou inexatidão, lavrado por ocasião do procedimento de homologação da atividade exercida pelo contribuinte. Deste modo, o prazo decadencial para esta rubrica de mesma espécie e natureza deve ser contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível. Ocorrendo a caducidade, deve-se declarar o perecimento do direito potestativo da Administração Tributária de realizar o lançamento. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS COM VÍNCULO DE EMPREGO NÃO COMPROVADO APÓS INTIMAÇÕES FISCAIS NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) concedida pela empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, é regida com especialidade pela Lei 10.101, sendo esta a utilizada para fundamentar a não inclusão no salário-de-contribuição dos pagamentos realizados a tal título, afastando a incidência previdenciária, deste modo os valores pagos aos diretores estatutários, sem comprovação de vínculo de emprego, especialmente após intimação fiscal e resposta de inexistência de registro, caracterizando distinguishing em relação ao diretor empregado registrado e declarado nos documentos fiscais e sociais, sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, por não restar demonstrado que mantenha as características inerentes a relação de emprego. Os valores pagos aos diretores com base na Lei 6.404, ainda que à título de participação nos lucros, sujeita-se a incidência de contribuições previdenciárias, pois, neste caso, não se compatibiliza com a Lei 10.101 e não provem do capital investido na sociedade, baseando-se no efetivo trabalho executado na administração da Companhia possuindo natureza remuneratória. A Lei 6.404 não regula a participação nos lucros e resultados para fins de exclusão de tal título do conceito de salário-de-contribuição. A natureza jurídica da disciplina da participação nos lucros da Companhia para os Administradores na forma do art. 152, § 1.º, não se confunde com a natureza jurídica da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na forma da Lei 10.101, pois esta tem natureza de direito social e aquela de direito societário regulando os interesses dos Administradores, da própria Companhia, dos Acionistas e de modo geral de quaisquer dos Stakeholders. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS EM GERAL COM BASE EM ACORDO COLETIVO FOCADO EM RESULTADOS FIRMADO NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO. ANÁLISE CONCRETA QUANTO A RAZOABILIDADE AO CONHECIMENTO PRÉVIO PARA O CUMPRIMENTO DE METAS. Focando-se o instrumento negocial no incentivo à produtividade, sendo lastreado, especialmente, no inciso II do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando programa de metas e resultados (e não o lucro), inclusive prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, deve-se compreender que atende o requisito do ajuste prévio a negociação subscrita em meados do primeiro exercício (agosto), com vigência para dois exercícios, pois se mostra hígido para suas finalidades, sendo possível perseguir as metas e imputar ao negociado os resultados já alcançados face ao processo de negociação. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. DESCUMPRIMENTO PARCIAL. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Em relação as verbas que a decisão deixou de reconhecer como integrantes do salário-de-contribuição, não sendo fatos geradores das contribuições previdenciárias, a multa não é devida. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2202-005.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento referente às rubricas "Participação Lucros Administradores", nas competências 02/2007 e 08/2007, e "Participação Lucros ou Resultados Empregados" na competência 02/2007", e para afastar o lançamento do "Levantamento PE - Participação Lucros ou Resultados Empregados" para o período 08/2008, bem como afastar as multas calculadas sobre tais parcelas. Vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão, e o conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

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O documento novo, colacionado com o recurso voluntário, pode ser apreciado quando se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado, de modo a se invocar a normatividade da alínea "c" do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, não se cogitando de preclusão. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA E CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO DE DETERMINADAS RUBRICAS. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO EFETUADO E REVISTO DE OFÍCIO PARA LANÇAR RUBRICA COMPLEMENTAR ESPECÍFICA DE MESMA ESPÉCIE E NATUREZA. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições sociais previdenciárias e para as contribuições de terceiros, cuja natureza é de tributo sujeito a lançamento por homologação, não se observando dolo, fraude ou simulação, considera-se a existência de pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato imponível, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo que resultou no referido recolhimento, rubrica específica de mesma espécie e natureza das antecipações que vem a ser exigida pela autoridade fiscal no auto de infração do lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício com base em omissão ou inexatidão, lavrado por ocasião do procedimento de homologação da atividade exercida pelo contribuinte. Deste modo, o prazo decadencial para esta rubrica de mesma espécie e natureza deve ser contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível. Ocorrendo a caducidade, deve-se declarar o perecimento do direito potestativo da Administração Tributária de realizar o lançamento. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS COM VÍNCULO DE EMPREGO NÃO COMPROVADO APÓS INTIMAÇÕES FISCAIS NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) concedida pela empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, é regida com especialidade pela Lei 10.101, sendo esta a utilizada para fundamentar a não inclusão no salário-de-contribuição dos pagamentos realizados a tal título, afastando a incidência previdenciária, deste modo os valores pagos aos diretores estatutários, sem comprovação de vínculo de emprego, especialmente após intimação fiscal e resposta de inexistência de registro, caracterizando distinguishing em relação ao diretor empregado registrado e declarado nos documentos fiscais e sociais, sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, por não restar demonstrado que mantenha as características inerentes a relação de emprego. Os valores pagos aos diretores com base na Lei 6.404, ainda que à título de participação nos lucros, sujeita-se a incidência de contribuições previdenciárias, pois, neste caso, não se compatibiliza com a Lei 10.101 e não provem do capital investido na sociedade, baseando-se no efetivo trabalho executado na administração da Companhia possuindo natureza remuneratória. A Lei 6.404 não regula a participação nos lucros e resultados para fins de exclusão de tal título do conceito de salário-de-contribuição. A natureza jurídica da disciplina da participação nos lucros da Companhia para os Administradores na forma do art. 152, § 1.º, não se confunde com a natureza jurídica da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na forma da Lei 10.101, pois esta tem natureza de direito social e aquela de direito societário regulando os interesses dos Administradores, da própria Companhia, dos Acionistas e de modo geral de quaisquer dos Stakeholders. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS EM GERAL COM BASE EM ACORDO COLETIVO FOCADO EM RESULTADOS FIRMADO NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO. ANÁLISE CONCRETA QUANTO A RAZOABILIDADE AO CONHECIMENTO PRÉVIO PARA O CUMPRIMENTO DE METAS. Focando-se o instrumento negocial no incentivo à produtividade, sendo lastreado, especialmente, no inciso II do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando programa de metas e resultados (e não o lucro), inclusive prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, deve-se compreender que atende o requisito do ajuste prévio a negociação subscrita em meados do primeiro exercício (agosto), com vigência para dois exercícios, pois se mostra hígido para suas finalidades, sendo possível perseguir as metas e imputar ao negociado os resultados já alcançados face ao processo de negociação. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. DESCUMPRIMENTO PARCIAL. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Em relação as verbas que a decisão deixou de reconhecer como integrantes do salário-de-contribuição, não sendo fatos geradores das contribuições previdenciárias, a multa não é devida. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.

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PROVAS DOCUMENTAIS COMPLEMENTARES APRESENTADAS NO  RECURSO  VOLUNTÁRIO  RELACIONADAS  COM  A  FUNDAMENTAÇÃO  DO  OBJETO  LITIGIOSO  TEMPESTIVAMENTE  INSTAURADO.  APRECIAÇÃO.  PRINCÍPIOS  DO  FORMALISMO  MODERADO  E  DA  BUSCA  PELA  VERDADE  MATERIAL.  NECESSIDADE  DE  SE  CONTRAPOR  FATOS  E  FUNDAMENTOS  DA  DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO.  Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado,  que  devem  viger  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  deve­se  conhecer  a  prova  documental  complementar  apresentada  no  recurso  voluntário que guarda  relação com a matéria  litigiosa controvertida desde a  impugnação, especialmente para que se obtenha, em tempo razoável, decisão  de  mérito  justa  e  efetiva.  O  documento  novo,  colacionado  com  o  recurso  voluntário, pode ser apreciado quando se destinar a contrapor fatos ou razões  posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão  de  primeira  instância  constituem  nova  linguagem  jurídica  a  ser  contraposta  pelo administrado, de modo a se invocar a normatividade da alínea "c" do §  4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, não se cogitando de preclusão.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008  DECADÊNCIA.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PREVIDENCIÁRIA  E  CONTRIBUIÇÕES  DE  TERCEIROS.  TRIBUTOS  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 48 /2 01 2- 33 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 364          2 DE  DETERMINADAS  RUBRICAS.  LANÇAMENTO  SUBSTITUTIVO  EFETUADO  E  REVISTO  DE  OFÍCIO  PARA  LANÇAR  RUBRICA  COMPLEMENTAR ESPECÍFICA DE MESMA ESPÉCIE E NATUREZA.  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4.º,  do  CTN, para as contribuições sociais previdenciárias e para as contribuições de  terceiros,  cuja natureza é de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação,  não  se  observando  dolo,  fraude  ou  simulação,  considera­se  a  existência  de  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência  do  fato  imponível,  mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  que  resultou  no  referido  recolhimento,  rubrica  específica  de  mesma  espécie  e  natureza  das  antecipações  que  vem  a  ser  exigida  pela  autoridade  fiscal  no  auto de infração do lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício com  base  em  omissão  ou  inexatidão,  lavrado  por  ocasião  do  procedimento  de  homologação  da  atividade  exercida  pelo  contribuinte. Deste modo,  o  prazo  decadencial para esta rubrica de mesma espécie e natureza deve ser contado a  partir  da ocorrência  do  respectivo  fato  imponível. Ocorrendo  a  caducidade,  deve­se  declarar  o  perecimento  do  direito  potestativo  da  Administração  Tributária de realizar o lançamento.  PAGAMENTO  DE  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  AOS  DIRETORES  ESTATUTÁRIOS COM VÍNCULO DE EMPREGO NÃO COMPROVADO  APÓS  INTIMAÇÕES  FISCAIS  NO  CURSO  DA  FISCALIZAÇÃO.  INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA.  A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) concedida pela empresa, como  forma  de  integração  entre  capital  e  trabalho  e  ganho  de  produtividade,  é  regida  com  especialidade  pela  Lei  10.101,  sendo  esta  a  utilizada  para  fundamentar  a  não  inclusão  no  salário­de­contribuição  dos  pagamentos  realizados  a  tal  título,  afastando  a  incidência previdenciária,  deste modo os  valores  pagos  aos  diretores  estatutários,  sem  comprovação  de  vínculo  de  emprego,  especialmente  após  intimação  fiscal  e  resposta  de  inexistência  de  registro,  caracterizando  distinguishing  em  relação  ao  diretor  empregado  registrado  e  declarado  nos  documentos  fiscais  e  sociais,  sujeitam­se  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  e  de  terceiros,  por  não  restar  demonstrado que mantenha as características inerentes a relação de emprego.  Os valores pagos aos diretores com base na Lei 6.404, ainda que à título de  participação  nos  lucros,  sujeita­se  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  pois,  neste  caso,  não  se  compatibiliza  com  a  Lei  10.101  e  não  provem  do  capital  investido  na  sociedade,  baseando­se  no  efetivo  trabalho  executado  na  administração  da  Companhia  possuindo  natureza  remuneratória. A Lei 6.404 não regula a participação nos lucros e resultados  para  fins de exclusão de  tal  título do conceito de salário­de­contribuição. A  natureza jurídica da disciplina da participação nos lucros da Companhia para  os  Administradores  na  forma  do  art.  152,  §  1.º,  não  se  confunde  com  a  natureza jurídica da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na forma da  Lei  10.101,  pois  esta  tem  natureza  de  direito  social  e  aquela  de  direito  societário  regulando  os  interesses  dos  Administradores,  da  própria  Companhia, dos Acionistas e de modo geral de quaisquer dos Stakeholders.  Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 365          3 PAGAMENTO DE  PLR AOS  EMPREGADOS  EM GERAL COM BASE  EM ACORDO COLETIVO FOCADO EM RESULTADOS FIRMADO NO  CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO. ANÁLISE CONCRETA QUANTO  A  RAZOABILIDADE  AO  CONHECIMENTO  PRÉVIO  PARA  O  CUMPRIMENTO DE METAS.  Focando­se  o  instrumento  negocial  no  incentivo  à  produtividade,  sendo  lastreado,  especialmente,  no  inciso  II  do  §  1.º  do  art.  2.º  da  Lei  10.101,  objetivando  programa  de  metas  e  resultados  (e  não  o  lucro),  inclusive  prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, deve­se compreender que  atende  o  requisito  do  ajuste  prévio  a  negociação  subscrita  em  meados  do  primeiro exercício (agosto), com vigência para dois exercícios, pois se mostra  hígido para suas finalidades, sendo possível perseguir as metas e imputar ao  negociado os resultados já alcançados face ao processo de negociação.  PREVIDENCIÁRIO.  MULTA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  CFL  68.  DESCUMPRIMENTO PARCIAL.  Constitui  infração  à  legislação  previdenciária  a  apresentação  de GFIP  com  dados  não  correspondentes  a  todos  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente  de  descumprimento  de  obrigação  acessória.  Em  relação  as  verbas  que  a  decisão  deixou  de  reconhecer  como  integrantes  do  salário­de­contribuição,  não  sendo  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  a multa  não  é  devida.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N.º 108.  Incidem juros moratórios, calculados à  taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC, sobre o valor correspondente à multa de  ofício.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer  a  decadência  do  lançamento  referente  às  rubricas  "Participação Lucros Administradores", nas competências 02/2007 e 08/2007, e "Participação  Lucros ou Resultados Empregados" na competência 02/2007", e para afastar o lançamento do  "Levantamento PE ­ Participação Lucros ou Resultados Empregados" para o período 08/2008,  bem como afastar  as multas  calculadas  sobre  tais parcelas. Vencidos os  conselheiros Ronnie  Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão, e o conselheiro Martin da  Silva Gesto, que deu provimento integral ao recurso.    (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Leonam Rocha de Medeiros ­ Relator.    Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 366          4 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  de  Sousa  Sateles,  Martin  da  Silva  Gesto,  Ricardo  Chiavegatto  de  Lima,  Ludmila  Mara  Monteiro  de  Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha  de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes  Chieregatto.  Relatório  Cuida­se,  o  caso  versando,  de  Recurso  Voluntário  (e­fls.  339/356),  com  efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6  de  março  de  1972,  que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo  fiscal  ―,  interposto  pelo  recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com  a  decisão  de  primeira  instância  (e­fls.  200/220),  proferida  em  sessão  de  31/10/2017,  consubstanciada no Acórdão n.º 16­80.620, da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  em  São  Paulo/SP  (DRJ/SPO),  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  à  impugnação  (e­fls.  125/139),  mantendo  integralmente  o  crédito  tributário  lançado de R$ 2.360.367,91 (e­fls. 2, 27, 33, 39), cujo acórdão restou assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008  DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.  Com  o  entendimento  sumulado  da  Egrégia  Corte  (Súmula  n.º  08/2008)  e  do  Parecer  PGFN/CAT  n.º  1.617/2008,  aprovado  pelo  Sr.  Ministro  de  Estado  da  Fazenda  em  18/08/2008,  na  contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  na  hipótese  de  lançamento de ofício, utiliza­se a  regra geral do art. 173,  I, do  CTN e, na contagem do prazo decadencial para constituição do  crédito  referente  às  obrigações  acessórias,  aplica­se  a  regra  decadencial prevista no art.173, I, do CTN, uma vez que, quanto  a esses deveres, não há que se falar em pagamento antecipado.   CONVENÇÃO  COLETIVA  /  ACORDO  COLETIVO  DE  TRABALHO.  INCAPACIDADE  DE  ALTERAR  OBRIGAÇÕES  DEFINIDAS EM LEI.   As  Convenções  Coletivas  /  Acordos  Coletivos  de  Trabalho  comprometem  empregadores  e  empregados,  não  possuindo  capacidade  de  alterar  as normas  legais  que  obrigam  terceiros,  ou  de  isentar  o  Contribuinte  de  suas  obrigações  definidas  por  Lei.   MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS.   A multa  de  ofício,  sendo parte  integrante  do  crédito  tributário,  está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro  dia do mês subsequente ao do vencimento.   PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  APRESENTAÇÃO  DE  DOCUMENTOS.   A  apresentação  de  documentos,  no  contencioso  administrativo,  deve  ser  feita  juntamente  com  a  impugnação,  com observância  das determinações previsto no Decreto n.º 7.574/2011.   Para  a  realização  de  perícia  e/ou  diligência  devem  ser  observadas as regras previstas no Decreto n.º 7.574/11.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008   Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 367          5 CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  A  CARGO  DA  EMPRESA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.  A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as  contribuições  a  seu  cargo,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a  seu serviço.   PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  DA  EMPRESA  PARA  A  SEGURADO  EMPREGADO  EM  DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.   O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros  ou  resultados  da  empresa,  em  desacordo  com  a  lei  específica,  integra o salário de contribuição.   PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  DA  EMPRESA PAGA A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR  NÃO­EMPREGADO.   Integra  a  remuneração  a  parcela  recebida  a  título  de  participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga  ou creditada a administradores não empregados.   ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES   Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008   CONTRIBUIÇÕES  DESTINADAS  A  TERCEIROS.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  DA  EMPRESA  EM  DESACORDO  COM  A  LEGISLAÇÃO  ESPECÍFICA   Em decorrência dos artigos 2.º e 3.º da Lei n.º 11.457/2007 são  legítimas  as  contribuições  destinadas  a  Terceiras  Entidades  incidentes sobre o  salário de contribuição definido pelo art. 28  da Lei 8.212/91.   O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros  ou  resultados  da  empresa,  em  desacordo  com  a  lei  específica,  integra  o  salário  de  contribuição,  incidindo  contribuição  destinada aos Terceiros.   ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008   AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA ­ CFL 68.   Pratica infração a empresa que não informar em GFIP todos os  dados relacionados a fatos geradores, bases de cálculo e valores  devidos  da  contribuição  previdenciária,  conforme dispõe  o  art.  32, inciso IV, e § 5.º, da Lei 8.212/91.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Do lançamento fiscal  A  essência  e  as  circunstâncias  do  lançamento,  no  Procedimento  Fiscal  n.º  0816600.2011.00427, para fatos geradores ocorridos entre 01/02/2007 a 31/08/2008, com auto  de infração lavrado em 22/11/2012, DEBCAD's 37.346.339­1 (e­fls. 27/32), 37.346.340­5 (e­ fls.  33/38),  37.346.341­3  (e­fls.  39/41),  notificado  o  contribuinte  em  29/11/2012  (e­fl.  119),  com Termo de Verificação Fiscal ­ TVF juntado aos autos (e­fls. 07/26), foram bem delineadas  e sumariadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotá­lo:      Trata  o  presente  processo  de  autos  de  infração,  lavrados  pela  Fiscalização  contra  a  empresa  em  epígrafe  pelo  Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 368          6 descumprimento de duas obrigações principais e uma acessória,  a saber:   ­  DEBCAD  n.º  37.346.339­1:  refere­se  contribuição devida à Seguridade Social,  parte da empresa, incidente sobre verbas  pagas  à  titulo  de  Participação  nos  Lucros  aos  segurados  contribuintes  individuais e empregados, em desacordo  com  a  legislação,  não  declarados  em  GFIP,  no  montante  de  R$  2.183.375,15  (dois milhões, cento e oitenta e  três mil,  trezentos e setenta e cinco reais e quinze  centavos),  abrangendo  o  período  02/2007  a  08/2008,  lavrado  em  22/11/2012;   ­  DEBCAD  n.º  37.346.340­5:  refere­se  contribuição  devida  aos  Terceiros,  incidente  sobre  verbas pagas à  titulo de  Participação  nos  Lucros  aos  segurados  empregados,  em  desacordo  com  a  legislação, não declarados em GFIP, no  montante de R$ 112.307,96 (cento e onze  mil, trezentos e sete reais e noventa e seis  centavos),  abrangendo  o  período  02/2007  a  08/2008,  lavrado  em  22/11/2012;   ­  DEBCAD  n.º  37.346.341­3:  refere­se  ao  descumprimento  de  obrigação  acessória, no que toca a apresentação de  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  no  valor  de  R$  64.684,80  (sessenta  e  quatro  mil,  seiscentos  e  oitenta  e  quatro  reais  e  oitenta centavos), competências 02/2007,  08/2007, 02/2008 e 08/2008, lavrado em  22/11/2012.     O  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fls.  07/26,  apresenta  as  informações que seguem adiante.       A  empresa  Itaú  Vida  e  Previdência,  cujo  nome  empresarial  anterior  era  UNIBANCO  Vida  e  Previdência  S/A,  com sede na cidade de São Paulo, tem como objeto a exploração  de  seguros  de  pessoas,  além  de  instituir  planos  privados  de  concessão  de  pecúlio  ou  de  rendas  de  previdência  privada  aberta, conforme consta de seu Estatuto Social.   ­ Fatos Geradores       Os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  tiveram  origem  nas  participações  nos  lucros  atribuídos  aos  administradores  (diretores  estatutários)  pelo  contribuinte  sem  a  devida  incidência  de  contribuições  previdenciárias  (levantamento  PA  ­  Participações  dos  Administradores),  e  ainda,  o  pagamento  de  participações  nos  lucros  pago  em  desacordo  com  a  legislação  aos  segurados  empregados (levantamento PE ­ PLR Empregados).   Fl. 368DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 369          7 ­ Participação nos Lucros aos Administradores       A  empresa,  conforme  constava  do  seu  Estatuto  Social  no  período  fiscalizado,  era  administrada  por  uma  Diretoria  a  qual  competia,  entre  outras  funções,  administrar  e  gerir  amplamente  os  negócios  e  atividades  da  Companhia,  cabendo a Assembléia Geral  a eleição da diretoria  e a  fixação  da remuneração dos administradores (Doc. 1 ­ Estatuto Social).         Conforme  Ata  da  Assembléia  Geral  Ordinária realizada em 30 de março de 2007 foi fixada a verba  mensal global de remuneração para diretoria no valor de até R$  271.000,00.  Destaca  a  Fiscalização  que,  referidas  verbas  não  incluem as participações nos lucros ou resultados de acordo com  o disposto na Lei 10.101/2000, a serem pagas aos diretores que  mantêm  vínculo  empregatício  com  a  instituição.  Na  Ata  da  assembléia Geral Ordinária realizada em 31/03/2008 é fixada a  verba  mensal  global  de  remuneração  da  diretoria  em  R$  271.000,00  sendo  omissa  em  relação  a  participações  da  diretoria (Doc. 2 ­ Ata da AGO de 30/03/2007 e ATA da AGO de  31/03/2008).         Ressalta  a  Fiscalização  que,  apesar  dos  diretores  estatutários  possuírem  todas  características  de  administradores (contribuintes individuais): eleição e destituição  do  cargo  pela  Assembléia  da  CIA,  atribuição  de  gerir  e  administrar  amplamente  os  negócios  da  empresa,  contrair  obrigações  etc.,  nas  Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP  ­  são  declarados  na  categoria 1 ­ Empregados. Se do ponto de vista trabalhista não  haveria  relevância  esta  fiscalização  questionar  a  empresa  do  motivo  de  considerar  administradores  como  empregados,  o  mesmo não ocorre do ponto de vista fiscal. Sobre os pagamentos  da  participação  dos  administradores  não  houve  incidência,  de  contribuições previdenciárias e diminuição do Imposto de Renda  a pagar.         No Termo de Início de Procedimento Fiscal  datado de 23/12/2011 e no Termo de Intimação Fiscal datado de  16/03/2012  a  empresa  foi  intimada  a  apresentar  relação  dos  diretores eleitos pela assembléia da CIA e  ficha de Registro de  Empregados dos mesmos. Em resposta datada de 29/03/2012 a  empresa  informa  que  "Todos  os  diretores  que  trabalham  e  trabalharam  na  Itaú  Vida  e  Previdência,  foram  admitidos  inicialmente  em  outra  empresa  do  conglomerado  e  posteriormente transferidos em 2007 a 2009." (Doc. 3 ­ resposta  do contribuinte e relação dos diretores da CIA).         Já no Termo de Intimação Fiscal datado de  24/04/2012  o  contribuinte  foi  intimado  a  esclarecer  se  estes  diretores,  depois  de  transferidos,  não  foram  registrados  na  empresa  ora  fiscalizada.  Em  02/05/2012  a  empresa  responde:  "Ratificando  a  resposta  efetuada  através  da  carta  CRT­UAF  170/2012,  não  houve  diretores  empregados  registrados  pela  empresa  Itaú  vida  e  Previdência.  (Doc.  4  ­  resposta  do  contribuinte).         No  Termo  de  Intimação  Fiscal  de  25/09/2012  a  empresa  foi  intimada  a  informar  os  anos  calendários  em  que  as  despesas  dos  pagamentos  a  título  de  Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 370          8 participação nos lucros atribuídos aos diretores estatutários, nos  meses de fevereiro de 2007; 2008; 2009, tiveram efeito dedutível.  Em resposta datada de 04/10/2012 o  contribuinte no  item 2 da  resposta  afirma:  "Cabe  esclarecer  que  os  diretores  Alexandre  Gonçalves  de  Vasconselos,  Antonio  Eduardo M.  F.  Trindade  e  Luiz  Fernando  Butori  Reis  Santos  não  eram  diretores  estatutários  no  período  de  2007  a  2009,  nem  mesmo  foram  efetivados  (registrados)  por  essa  empresa,  porém  no  decorrer  das  funções  ambos  eram  remunerados  como  diretores  empregados." (Doc. 5 ­ resposta do contribuinte).        A Fiscalização esclarece que não procede a  afirmação do contribuinte, pois conforme as atas de assembléia  anexados ao presente processo, os diretores Antonio Eduardo M.  F.  Trindade  e  Alexandre  Gonçalves  de  Vasconselos,  únicos  diretores  a  receberem  suas  participações  nos  lucros  nos  anos  2007  e  2008,  foram  eleitos  diretores  pela  assembléia  da  CIA,  com poderes amplos de gerência e administração da sociedade,  não  sendo  registrados  como  empregados,  não  mantendo,  portanto,  vínculo  empregatício  com o  contribuinte,  sendo  tanto  na  essência  quanto  na  forma  verdadeiramente  administradores/contribuintes  individuais.  O  simples  fato  do  contribuinte declarar na GFIP seus diretores como empregados  ­ quando de fato e de direito são contribuintes individuais ­ e a  Assembléia da CIA aprovar que a participação destes diretores  serão  atribuídas  pelo  plano  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados baseada na Lei 10.101/2000, não concede a empresa  o  direito  de  usufruir  da  isenção  previdenciária  prevista  na  lei  (Doc. 6 ­ Atas de Assembléia da CIA de eleição dos diretores).         A Fiscalização constatou que os valores dos  pagamentos  das  participações  foram  registrados  na  conta  de  despesa  392000000  ­  Participações  no  Lucro  (Doc.  7  ­  Demonstrativo  e  Folha  de  Pagamento  das  Participações  dos  diretores  fornecidos  pelo  contribuinte  e  registro  contábil  da  despesa.         Sendo assim, concluiu a Fiscalização que a  participação  nos  lucros  paga  aos  diretores  não  empregados  integra  o  salário  de  contribuição,  ficando,  pois,  sujeita  à  incidência  de  contribuição  previdenciária  objeto  deste  Auto  de  Infração.       No  que  toca  o  levantamento  Participação  nos  Lucros/Empregados,  verificou  a  Fiscalização  após  análise  da  documentação solicitada que os Regulamentos assinados entre a  empresa e o Sindicato dos Empregados em Empresas de seguros  Privados e de Capitalização, de Agentes Autônomos de Seguros  Privados e de Crédito em Empresas de Previdência Privada no  Estado de São Paulo, não observaram a legislação:   ­ o plano relativo aos anos bases 2006 e  2007 que vigorou entre 01 de janeiro de  2006  e  31  de  dezembro  de  2007,  alcançando  pagamentos  até  março  de  2008,  relativo  ao  segundo  semestre  de  2007,  foi  celebrado  somente  em  22  de  março  de  2007,  em  data  posterior,  portanto, aos pagamentos efetuados em  Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 371          9 fevereiro  de  2007  na  rubrica  PLR  Bônus; e   ­ o plano relativo aos anos bases 2008 e  2009 que vigorou entre 01 de janeiro de  2008  e  31  de  dezembro  de  2009,  foi  celebrado em 18 de agosto de 2008, na  mesma  competência  dos  pagamentos  relativos ao primeiro  semestre de 2008  (08/2008).         2.4.1.  A  Fiscalização  solicitou  as  Atas  de  Reuniões  e/ou  Assembléias  convocado  pelo  sindicato  da  categoria,  pelo  contribuinte  ou  pelos  próprios  empregados,  relativo aos acordos de PLR assinados em 22 de março de 2007  e 18 de agosto de 2008. Em resposta a empresa informou: "Cabe  esclarecer que até o presente momento não foram localizado as  Atas  de  Reuniões  e  as  Convocações  ao  sindicato  e  aos  colaboradores, foi solicitado o desarquivamento dos documentos  inativos".         Assim, a Auditoria concluiu que as parcelas  pagas de PLR nas competências apuradas no presente processo  (lev. PL _ Participação nos Lucros – Empregados) descritas na  rubrica  PLR  Bônus,  e  que  estão  em  desacordo  com  a  Lei  10.101/2000,  foram  consideradas  integrantes  do  salário  de  contribuição, objeto deste levantamento.  Da Impugnação ao lançamento  O  contencioso  administrativo  teve  início  com  a  impugnação  efetivada  pelo  recorrente,  em 28/12/2012  (e­fls. 125/139),  a qual delimitou os contornos da  lide. Em suma,  controverteu­se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na  decisão vergastada, pelo que replico, litteris:    A  empresa  apresentou  defesa  tempestiva  (fls.  125/139),  conforme  se  verifica  às  fls.  119  e  198,  sustenta  os  argumentos  que seguem abaixo.  I – Preliminar   A) Decadência (Obrigação Principal e Acessória)     Sustenta  que  a  decadência  alcançou  as  competências  02/2007  e  08/2007,  tendo  em  vista  o  transcurso  do  prazo  de  cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos  do art. 150, § 4.º, do CTN.      De acordo com o dispositivo  legal acima citado, o  Fisco possui prazo de cinco anos não somente para homologar o  pagamento,  caso  existente,  mas  também  para  verificar  se  o  contribuinte  agiu  de  acordo  com  a  lei,  homologando  ou  não  o  seu ato.      O contribuinte argumenta que efetuou o pagamento  das  contribuições  previdenciárias  que  entendia  devidas,  relativamente ao período autuado, conforme os comprovantes de  recolhimento dos meses de fevereiro e agosto de 2007 (doc. 03).  II – Mérito   A)  Participação  nos  Lucros  aos  Diretores  Empregados  –  Não  Incidência   Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 372          10   A  empresa  alega  que  o  entendimento  da  Fiscalização  é  equivocado  quando  considera  que  apenas  a  Lei  10.101/2000  regularia a Participação nos Lucros e Resultados, nos termos do  art. 28, § 9.º, da Lei 8.212/91. Entretanto, o  fato de um diretor  empregado  ter  sido  eleito  em  assembléia  não  retira  deste  a  condição  de  empregado,  sujeito  ao  recebimento  da  PLR,  nos  termos da Lei n.º 10.101/2000, conforme acertadamente efetuou  a Impugnante (Súmula 269 do TST).      No  caso  em  tela,  tanto  restou  configurada  essa  situação, que os contratos de  trabalho dos diretores não  foram  suspensos,  conforme  restou  consignado  na  Ata  Sumária  de  Assembléia Geral, realizada em 30 de março de 2007 (doc. 4).      Ademais,  para  reforçar  a  comprovação  do  vínculo  empregatício  dos  diretores  citados  pela Fiscalização,  juntamos  aos  autos,  cópia  dos  comunicados  de  dispensa,  pedido  de  demissão e Termos de Rescisão dos  contratos de  trabalhos dos  diretores com a Impugnante (doc. 5).      Por  fim,  ainda  que  se  admita  que  os  diretores,  mesmo que empregados, se sujeitariam as disposições da Lei n.º  6.404/76 e não da Lei n.º 10.101/2000, para fins de pagamento  da  PLR,  é  de  se  salientar  que,  de  igual  forma,  a  presente  cobrança  não  poderá  prosseguir,  isso  porque,  o  pagamento  da  PLR foi expressamente excluído da relação de verbas sujeitas ao  recolhimento  da  contribuição  previdenciária,  nos  termos  da  alínea "j" do § 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91.      A mesma legislação (artigo 22, § 2.º) determina que  as parcelas pagas a título de PLR não integram a remuneração,  e  a  Lei  n.º  10.101/2000  não  é  a  única  legislação  que  regula  o  pagamento de PLR, haja vista a existência de previsão expressa  na  Lei  n.º  6.404/76,  que  disciplina  o  pagamento  aos  administradores  e  diretores,  pois  do  contrário,  estaria  se  ofendendo ao art. 150, II, da CF.       Sendo  assim,  o  levantamento  Participação  nos  Lucros deve ser cancelado.  B)  Participação  nos  Lucros  aos  Segurados  Empregados  em  desacordo com a Legislação     A  Fiscalização  equivoca­se  quando  entendeu  que  a  Participação  nos  Lucros  paga  aos  segurados  empregados  não  atende a Lei 10.101/00, pois é imprescindível destacar que, para  o ano de 2007, o acordo coletivo foi assinado em 22/03/2007, ou  seja,  houve  transcurso  de  apenas  três meses  do  ano  até  a  sua  assinatura,  que  foi  o  prazo  necessário  para  negociação  das  regras e metas pactuadas. Já para o ano de 2008, a assinatura  se deu no mesmo mês do seu pagamento.      A ausência de  tais  requisitos  formais não pode ser  suficiente  para  descaracterizar  os  pagamentos  realizados  pela  Impugnante.       Sendo  assim,  não  pode  prevalecer  a  atribuição  de  natureza  salarial  às  verbas  pagas  a  título  de  participação  nos  lucros e resultados haja vista a existência de plano próprio com  regras claras e objetivas, aceitas tanto por empregador, quanto  pelos  empregados,  com  a  participação  do  Sindicato  da  categoria.  Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 373          11     Além  disso,  os  programas  próprios  dos  quais  a  Impugnante  fez  parte  permitem  dizer  que  não  houve  nenhum  intuito de se pagar salário indireto e, claramente, não se prestam  a essa finalidade.       Ademais,  o art.  3.º  da Lei  n.º  10.101/00 determina  que  a  participação  nos  lucros  e  resultados  não  substitui  ou  complementa a remuneração do empregado, mas não determina  limitação  quanto  ao  valor  que  pode  ser  pago  ao  empregado.  Basta que sejam atendidos os requisitos por ela determinados, os  quais foram obedecidos, conforme demonstrado acima.       Sendo  assim,  não  pode  prosperar,  portanto,  a  descaracterização dos  pagamentos  efetivados  pela  Impugnante,  com  base  nos  Planos  Próprios,  pelo  que  se  impõe  que  esta  C.  Turma Julgadora determine o cancelamento da exigência fiscal.   C) Da Multa pelo Descumprimento de Obrigação Acessória     Os valores apurados não devem integrar a base de cálculo  das  contribuições  previdenciária,  logo,  não  devem  ser  declarados em GFIP.       Naturalmente, como não constituem fato gerador da  contribuição previdenciária, tendo em vista que as participações  nos  lucros  e  resultados  não  possuem  natureza  salarial,  não  devem  ser  incluídos  na  folha  de  pagamento,  razão  pela  qual  descabe  a  multa  ora  imposta,  devendo  ser  afastada  por  essa  autoridade julgadora.   D) Não Incidência de Juros sobre a Multa de Oficio     A  Lei  9.430/96  prevê  que  os  débitos  de  tributos  e  contribuições serão acrescidos de multa de mora (art. 61, caput),  e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora (art. cit., §  3.º).  Ou  seja,  os  débitos  de  tributos  e  contribuições  é  que  se  sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora.       O  artigo  164  do  CTN  confirma  essa  conclusão  quando,  ao  tratar  de  crédito  tributário,  separa  claramente  os  conceitos  de  crédito,  juros  de  mora  e  penalidades.  A  mesma  clara  distinção  ocorre  no  art.  161,  caput,  do  CTN.  Por  consequência,  também  não  são  aplicáveis  à multa  de  ofício  os  juros de 1% ao mês, referidos no § 1.º do art. 161 do CTN.      Portanto, não cabem juros  sobre a multa. Se, para  argumentar,  fossem  cabíveis,  seriam  aplicáveis  apenas  juros  moratórios à taxa Selic, limitados a 1%.   III ­ Do Pedido    Ante  o  exposto,  requer  que  seja  julgado  improcedente  o  lançamento, cancelando os autos de infração.       Protesta,  ainda,  pela  juntada  dos  documentos  anexados e produção de todas as provas admitidas em direito.     Em  24/08/2016  os  autos  foram  enviados  à  SERET­DRJ­ SPO­SP para apreciação.  Do Acórdão de Impugnação  A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso  tributário. Na  decisão  a  quo  foram  refutadas  cada  uma  das  insurgências  do  contribuinte  por  meio  de  razões  baseadas  nos  seguintes  tópicos:  a)  Preliminar  de  decadência  parcial  do  lançamento  (obrigação  principal  e  acessória);  b)  Participação  nos  Lucros  aos  Diretores  Empregados  –  Não  Incidência;  c)  Participação  nos  Lucros  aos  Segurados  Empregados  em  Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 374          12 desacordo com a Legislação; d) Da Multa pelo Descumprimento de Obrigação Acessória;    e)  Não  Incidência de  Juros  sobre  a Multa de Ofício;  f) Da Jurisprudência Colacionada; g) Dos  Pedidos.  Ao  final,  consignou­se  o  seguinte  dispositivo:  "Ante  o  exposto,  voto  pela  improcedência  da  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário,  conforme  apurado  pela  Fiscalização."  Do Recurso Voluntário  No recurso voluntário, interposto em 09/02/2018 (e­fls. 225/226 e 339/356),  o sujeito passivo, reiterando os termos da impugnação, postula o provimento do recurso com o  consequente  cancelamento  dos  autos  de  infração  DEBCAD's  37.346.339­1,  37.346.340­5  e  37.346.341­3, bem como protesta pela  juntada  dos documentos  anexos,  especialmente  (e­fls.  227/338) e produção de todas as provas admitidas em direito.  Na peça recursal aborda os seguintes capítulos para devolução da matéria ao  CARF:  a)  Da  decadência;  b)  Da  não  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  os  pagamentos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos diretores empregados; c) Da  não incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos de PLR; d) Da multa pelo  descumprimento de obrigação acessória (Auto de infração 37.346.341­3); e) Da não incidência  de juros sobre multa de ofício.  Nesse  contexto,  os  autos  foram  encaminhados  para  este  Egrégio  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  sendo,  posteriormente,  distribuído  por  sorteio  público para este relator, em data de 12/03/2019.  É  o  que  importa  relatar.  Passo  a  devida  fundamentação  analisando,  primeiramente,  o  juízo  de  admissibilidade  e,  se  superado  este,  o  juízo  de  mérito  para,  posteriormente, finalizar com o dispositivo.  Voto             Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator  Admissibilidade  O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade  intrínsecos,  relativos  ao  direito  de  recorrer,  e  extrínsecos,  relativos  ao  exercício  deste  direito, sendo caso de conhecê­lo.  Especialmente,  quanto  aos  pressupostos  extrínsecos,  observo  que  o  recurso se apresenta  tempestivo  (notificação em 15/01/2018, e­fl. 223, protocolo  recursal  em 09/02/2018, e­fls. 225/226, e despacho de encaminhamento, e­fl. 361), tendo respeitado  o  trintídio  legal, na  forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe  sobre  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  bem  como  resta  adequada  a  representação  processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto  que,  conforme  a  Súmula CARF  n.º  110,  no  processo  administrativo  fiscal,  é  incabível  a  intimação  dirigida  ao  endereço  de  advogado  do  sujeito  passivo,  sendo  a  intimação  destinada ao contribuinte.  Por conseguinte, conheço do recurso voluntário.  Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 375          13 Apreciação de requerimento antecedente a análise do mérito  ­ Requerimento para apreciação de documentos novos  O recorrente  requer o deferimento da prova documental  (e­fls. 227/338)  juntada com o recurso voluntário.  De início, significativa parte dos documentos são atas e documentação de  representação para legitimar a postulação e representatividade, bem como cópia da decisão  recorrida e solução de consulta (e­fls. 227 a 266 e 282/289). Por sua vez, comparando os  documentos  novos  com  os  já  juntados  aos  autos  observo  que  a  maior  parte  deles  já  constava no processo, não se cuidando de verdadeira inovação documental (por exemplo,  e­fl. 268 corresponde ao e­fl. 162; e­fl. 269 corresponde ao e­fl. 161; e­fl. 272 corresponde  ao e­fl. 163; e­fl. 273 corresponde ao e­fl. 164; e­fl. 278 corresponde ao e­fl. 168; e­fl. 279  corresponde ao e­fl. 169; e­fl. 280 corresponde ao e­fl. 171; e­fl. 281 corresponde ao e­fl.  170;  e­fls.  319/327  corresponde  ao  e­fls.  174/182;  e­fls.  329/338  corresponde  ao  e­fls.  183/192.).  Pois bem. O caso dos autos trata de lançamento de ofício com lavratura  de  auto  de  infração,  tendo  a  fiscalização,  após  averiguações,  entendido  que  alguns  lançamentos  contábeis  e  declarações  fiscais  não  se  revestiam  do  correto  enquadramento  tributário,  haja  vista  que,  para  a  auditoria  fiscal,  foram  efetivados  pagamentos  sujeitos  a  contribuições  previdenciárias,  embora  o  contribuinte  tenha  escriturado  como  não  constitutivos  de  fatos  geradores  das  referidas  contribuições  e,  por  conta  disso,  omitido  o  informe em GFIP.  O  contribuinte,  tempestivamente,  apresentou  impugnação  e  juntou  os  documentos com os quais pretendia demonstrar o seu alegado direito de não ser tributado,  prova  esta  que  entendia  ser  suficiente  para  demonstrar  o  seu  arrazoado,  no  entanto  foi  vencido na primeira instância, a qual expôs firmes razões para infirmar a  tese jurídica do  sujeito passivo. Neste diapasão,  inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário,  observando  o  prazo  legal.  Nesta  ocasião,  apresentou  inovação  documental,  porém  vinculada a matéria já controvertida e focada em contrapor fundamentos da decisão de piso  e reafirmar sua tese de defesa, não inovando quanto as suas teses de defesa, ademais muitos  dos  documentos  são  meras  repetições  de  documentos  já  colacionados  no  caderno  processual eletrônico. Este é o cerne da apreciação neste capítulo.  Disciplinando o processo administrativo fiscal, o Decreto n.º 70.235, de  1972,  traz  regramento  específico  quanto  a  apresentação  da  prova  documental.  Lá  temos  normatizado  que,  em  regra,  a  prova  documental  será  apresentada  com  a  impugnação,  precluindo o direito de fazê­lo em outro momento processual (art. 16, § 4.º, caput). Porém,  há  ressalvas,  isto  porque  resta  previsto  que  não  ocorre  a  preclusão  quando:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por motivo de  força maior  (art. 16, § 4.º, alínea "a"); b) refira­se a fato ou a direito superveniente (art. 16, § 4.º, alínea  "b"); ou destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art.  16, § 4.º, alínea "c"). A juntada dos novos documentos, com supedâneo em quaisquer das  ressalvas, deve ser formulada pelo contribuinte à autoridade julgadora (art. 16, § 5.º).  Dito  isto,  tenho  que  na  resolução  da  lide,  sempre  que  possível,  deve­se  buscar a revelação da verdade material, especialmente na tutela do processo administrativo,  de modo a dar  satisfatividade ao administrado, objetivando efetiva pacificação do  litígio.  Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 376          14 Em  outras  palavras,  busca­se,  em  tempo  razoável,  decisão  de  mérito  justa  e  efetiva.  A  processualística  dos  autos  tem  regência  pautada  em  normas  específicas  do  Decreto  n.º  70.235, de 1972, mas também, de modo complementar, pela Lei n.º 9.784, de 1999, e, de  forma  suplementar,  pela  Lei  n.º  13.105,  de  2015,  sendo,  por  conseguinte,  orientado  por  princípios intrínsecos que norteiam a nova processualística pátria,  inclusive observando o  dever de agir da Administração Pública conforme a boa­fé objetiva, dentro do âmbito da  tutela da confiança na relação fisco­contribuinte, pautando­se na moralidade, na eficiência  e na impessoalidade.  A  disciplina  legal  posta  no  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  permite,  inclusive  de  ofício,  que  a  autoridade  julgadora,  na  apreciação  da  prova,  determine  a  realização de diligência, quando entender necessária para formação da sua livre convicção  (arts. 29 e 18), sendo regido pelo princípio do formalismo moderado. A Lei n.º 13.105, de  2015, impõe as partes o dever de cooperar para que se obtenha, em tempo razoável, decisão  de  mérito  justa  e  efetiva  (art.  6.º).  Por  sua  vez,  a  Lei  n.º  9.784,  de  1999,  prevê  que  o  administrado tem direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão  (art. 38, caput), os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente (art. 3.º, III),  sendo­lhe facilitado o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações (art.  3.º,  I).  Por  último,  este Conselho  tem  entendido  que  é  possível  a  apresentação  de  novos  documentos  quando  da  interposição  do Recurso Voluntário  (Acórdão  n.º  2202­005.0981,  9303­005.065, 9202­001.634, 9101­002.781, 9101­002.871, 9303­007.555, 9303­007.855 e  1002­000.4602).  Especialmente,  tenho  em mente  que  o  documento  novo,  juntado  com  a  interposição  do  recurso  voluntário,  quando  vinculado  a  matéria  controvertida  objeto  do  litígio  instaurado a  tempo e modo com a  impugnação, que, portanto, é  relativo a questão  controversa  previamente  delimitada  no  início  da  lide,  não  objetivando  trazer  aos  autos  discussão  jurídica  nova,  mas  tão­somente  pretendendo  aclarar  matéria  fática  importante  para o âmbito da quaestio iuris, deve ser apreciada regularmente, inclusive para os fins da  busca  da  verdade  material,  da  observância  do  princípio  do  formalismo  moderado,  bem  como com base na esperada normatividade que deve ser dada para a alínea "c" do § 4.º do  art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, ao dispor que o documento novo pode ser apreciado  quando  se  destinar  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos,  sendo  certo  que  os  fundamentos  da  decisão  de  primeira  instância  constituem  nova  linguagem  jurídica a ser contraposta pelo administrado.  De mais a mais, o contribuinte requereu a juntada dos novos documentos,  na forma do art. 16, § 5.º, do Decreto n.º 70.235, de 1972, na forma como a legislação lhe  impõe proceder.  Sendo  assim,  os  documentos  juntados  com  o  recurso  voluntário  serão  apreciados (e­fls. 227/338) quando da análise do mérito.  Mérito  Quanto ao  juízo de mérito, passo a apreciá­lo.  Inicialmente, conheço da  temática envolvendo a decadência, por ser uma prejudicial de mérito.                                                              1 Acórdão de minha relatoria nessa Turma, julgado em 10/04/2019, por unanimidade.  2 Acórdão de minha relatoria ao integrar a Primeira Seção de Julgamentos do CARF, julgado em 04/10/2018.  Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 377          15 ­ Decadência  A  defesa  advoga  que  se  operou  a  decadência  quanto  a  exigência  de  contribuições sociais previdenciárias referente a rubrica "Levantamento PA — Participação  Lucros Administradores ­ período do crédito previdenciário: 02/2007; 08/2007" e a rubrica  "Levantamento PE — Participação Lucros ou Resultados Empregados ­ período do crédito  previdenciário:  02/2007",  isto  é,  para  as  competências  02/2007  e  08/2007  (DEBCAD  37.346.339­1, e­fls. 27/32; DEBCAD 37.346.340­5, e­fls. 33/38; DEBCAD 37.346.341­3,  e­fls. 39/41), vez que intimado do lançamento em 29/11/2012 (e­fl. 119), enquanto isto a  decisão vergastada não reconhece a decadência, pois, em síntese, conclui que:      Conforme  consta  nos  autos,  não  houve  pagamento  antecipado da contribuição  exigida  no presente  lançamento.  É  importante  frisar  que,  o  sujeito  passivo  não  as  considerou  como  base  de  cálculo  das  contribuições  devidas  à  Previdência  Social,  como  também,  não  as  declarou  em  GFIP,  consequentemente,  como  contribuinte  não  efetuou  qualquer  recolhimento  referente  às  contribuições  sociais devidas  sobre  referidas  remunerações  (pagamento  de  Participação  nos  Lucros  aos  Administradores  e  Empregados),  houve  a  necessidade  do  lançamento de ofício, razão pela qual se aplica o art. 173, I,  do CTN, acima transcrito.       Com relação as guias de pagamento acostadas  à  defesa  (GPS  –  02/2007  e  08/2007  –  fls.  161/166),  recolhidas  no  código  geral  (2100),  conforme  o  próprio  contribuinte  informa,  referem­se  a  recolhimentos  de  contribuições  sociais  incidentes  sobre  fatos  geradores  que  entende devidos e que foram declarados em GFIP’s, ou seja,  não tratam dos fatos geradores do presente processo.  Pois  bem.  É  incontroverso  que  o  lançamento  se  efetivou  com  a  notificação  do  sujeito  passivo  em  29/11/2012  (e­fl.  119).  Por  sua  vez,  também  é  incontroverso  que  os  referidos  itens  "Participação  Lucros  Administradores"  e  "Participação  Lucros  ou  Resultados  Empregados"  são  rubricas,  dentre  outras  possíveis,  que  se  descaracterizadas,  tem  os  seus  valores  facilmente  enquadrados  como  base  de  incidência  de  contribuições  sociais  previdenciárias  patronal,  sendo  enquadradas  na  base  legal dos incisos I, II e III do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991.  Noutro  prisma,  constato  que  há,  sim,  prova  nos  autos  de  que  houve  recolhimento  de  contribuição  social  previdenciária  patronal  (e­fls.  161/166  e  267/276),  ainda  que  não  tenha  sido  englobado  no  recolhimento  a  rubrica  referente  aos  itens  "Participação  Lucros  Administradores"  e  "Participação  Lucros  ou  Resultados  Empregados". Aliás, de certo modo, a decisão da DRJ confirma isso quando afirma, verbis:  Com  relação  as  guias  de  pagamento  acostadas  à  defesa  (GPS  –  02/2007  e  08/2007  –  fls.  161/166),  recolhidas  no  código  geral  (2100),  conforme  o  próprio  contribuinte  informa, referem­se a recolhimentos de contribuições sociais  incidentes sobre  fatos geradores que entende devidos e que  foram declarados em GFIP’s, ou seja, não tratam dos fatos  geradores do presente processo.  Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 378          16 Vê­se que, na verdade, a decisão da DRJ se equivoca ao se atentar apenas  para  a  rubrica  em  detrimento  da  natureza  jurídica,  espécie  a  que  ela  se  reporta  se  tiver  natureza efetivamente tributária. Portanto, entendo que assiste razão ao recorrente quanto a  decadência. Isto porque, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §  4.º, do CTN, para as contribuições sociais previdenciárias, cuja natureza é de tributo sujeito  a lançamento por homologação, não se observando dolo, fraude ou simulação, considera­se  a  existência  de  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato imponível, mesmo que  não tenha sido incluída, na base de cálculo que resultou no referido recolhimento, rubrica  específica  de  mesma  espécie  e  natureza  das  antecipações  que  vem  a  ser  exigida  pela  autoridade  fiscal  no  auto  de  infração  do  lançamento  substitutivo  efetuado  e  revisto  de  ofício  com  base  em  omissão  ou  inexatidão,  lavrado  por  ocasião  do  procedimento  de  verificação da atividade exercida pelo contribuinte. Deste modo, o prazo decadencial para  esta  rubrica  de  mesma  espécie  e  natureza  deve  ser  contado  a  partir  da  ocorrência  do  respectivo fato imponível.   O  certo  é  que,  para  a  Competência  02/2007  e  08/2007,  em  face  ao  pagamento antecipado de rubrica de contribuição social previdenciária patronal, ainda que  ausente  o  recolhimento  de  parcela  relativa  a  alguma  rubrica  desta  contribuição,  estava  a  autoridade fiscal obrigada a iniciar o procedimento de homologação da atividade exercida  pelo  contribuinte,  dentro  do  prazo  decadencial  quinquenal,  contados  do  fato  imponível,  haja  vista  o  autolançamento  valorado  pelo  sujeito  passivo.  Verificando  omissão  ou  inexatidão, não concordando com a declaração e com o recolhimento realizado pelo sujeito  passivo, obrigava­se a autoridade fiscal ao lançamento substitutivo a ser efetivado e revisto  de ofício.  Isto é, a correta validação da contribuição social previdenciária patronal  devida,  na  forma  dos  incisos  I,  II  e  III  do  art.  22  da  Lei  n.º  8.212,  de  1991,  para  a  Competência  02/2007  e  08/2007,  estava  sobre  o  crivo  da  autoridade  administrativa  para  homologação,  considerando  que  houve  antecipação  de  pagamento  para  as  referidas  competências.  Aliás,  tratando­se  de  contribuição  social  previdenciária,  aplica­se  a  Súmula CARF n.º  99,  nestes  termos:  "Súmula CARF n.º  99: Para  fins  de aplicação da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4.º,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do  valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se  referir  a  autuação,  mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração."  A  mencionada  súmula  foi  lavrada  com  base  nos  seguintes  acórdãos  precedentes  (paradigmas): Acórdãos ns.º 9202­002.669, de 25/04/2013; 9202­002.596, de  07/03/2013; 9202­002.436, de 07/11/2012; 9202­01.413, de 12/04/2011; 2301­003.452, de  17/04/2013; 2403­001.742, de 20/11/2012; 2401­002.299, de 12/03/2012; e 2301­002.092,  de 12/05/2011.  Por sua vez, quanto as rubricas devidas a terceiros, considerando que  os  pagamentos  efetivados  a  contemplam,  a  despeito  de  não  se  aplicar  a  súmula  acima  referida, o entendimento é o mesmo, de modo a se reconhecer a decadência.  Fl. 378DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 379          17 Deste modo, deve ser observado o prazo decadencial previsto no art. 150,  § 4.º, do CTN, e não aquele previsto no art. 173, I, do mesmo codex, de forma que o prazo  decadencial  em  específico  é  contado  a  partir  da  ocorrência  do  respectivo  fato  imponível  (02/2007 e 08/2007, face aos recolhimentos parciais efetivados ­ e­fls. 161/166 e 267/276),  logo, se a notificação do lançamento se realizou somente em 29/11/2012 (e­fl. 119), houve  decadência nas competência 02/2007 e 08/2007.  Sendo  assim,  declaro  o  perecimento  do  direito  potestativo  da  Administração Tributária de  realizar o  lançamento e declaro a decadência do  lançamento  referente às  rubricas "Participação Lucros Administradores", nas competências 02/2007 e  08/2007, e "Participação Lucros ou Resultados Empregados" na competência 02/2007.  ­  Da  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  ­  PLR  (Diretores  Empregados)  Considerando  a  decadência  reconhecida  no  capítulo  anterior  (02/2007;  08/2007), passamos a análise da "Participação nos Lucros Administradores" para o período  02/2008 e 08/2008.  Alega  a  defesa  que  não  incide  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  pagos  aos  diretores  estatutários  indicados  pela  fiscalização,  pois  estes  seriam  Empregados, sendo os pagamentos efetivados a título de Participação nos Lucros, ademais  existem  duas  leis  a  afastar  a  tributação,  quais  sejam,  a  Lei  n.º  10.101,  que  trata  de  "trabalhadores",  incluindo­se, então,  todos os que  laboram na empresa, e a Lei n.º 6.404,  que  também  cuida  da  participação  nos  lucros,  neste  caso  da  participação  dos  administradores no  lucro,  ex  vi  do  art.  152, § 1.º,  do mencionado diploma  legal.  Invoca,  igualmente, a aplicação da alínea "j" do § 9.º do art. 28 e o art. 22, § 2.º, da Lei n.º 8.212.  Outrossim, argumenta que o fato de um diretor empregado ter sido eleito  em assembleia, não retira deste a condição de empregado, sujeito ao recebimento da PLR,  nos termos da Lei n.º 10.101. Informa que a fiscalização não descaracterizou o vínculo de  emprego.  Cita  a  Súmula  269  do  TST,  dispositivos  legais  e  entendimentos  colegiados.  Colaciona cópia dos comunicados de dispensa, pedido de demissão e Termos de Rescisão  dos contratos de trabalhos dos diretores (e­fls. 168/174, 278/281). Junta contratos de metas  dos diretores, a fim de demonstrar o reporte, a subordinação e a vinculação do pagamento  da PLR à obtenção de resultados contratados previamente, como qualquer outro empregado  e  cópia  da  CTPS  para  comprovar  o  vínculo  trabalhista  celetista  e  os  demonstrativos  da  folha de pagamento da PLR (e­fls. 295/315).  Pois bem. Em primeiro momento, analisando os argumentos de defesa, os  elementos  da  autuação  e  confrontando  as  provas  colacionadas  neste  específico  processo  constato  que  é  incontroverso  que  foram  efetuados  pagamentos  aos  Senhores  Antonio  Eduardo M. F. Trindade e Alexandre Gonçalves de Vasconcelos. Não há controvérsia neste  ponto.   Em  continuidade  na  análise  observo  que  a  recorrente  alega  o  vínculo  empregatício, todavia os informes dos autos não são transparentes para essa comprovação,  especialmente  após  intimações  fiscais.  As  respostas  dadas  no  curso  da  fiscalização,  na  minha leitura, são, até mesmo, com o devido respeito, confusas.  Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 380          18 Veja­se as seguintes respostas em torno do alegado vínculo de emprego:  Na  página  e­fl.  63  consta  a  seguinte  resposta:  "Todos  os  diretores  que  trabalham  e  trabalharam na Itaú Vida e Previdência, foram admitidos inicialmente em outra empresa  do conglomerado e posteriormente transferidos em 2007 a 2009".  Por sua vez, na página e­fl. 67 consta: "Ratificando a resposta efetuada  através da carta CRT­UAF 170/2012, não houveram diretores empregados registrado pela  empresa Itaú Vida e Previdência."  Na  página  e­fl.  69  consta  que:  "Cabe  esclarecer  que  os  diretores  Alexandre Gonçalves de Vasconcelos, Antonio Eduardo M. F. Trindade e Luiz Fernando  Butori Reis Santos não eram diretores estatutários no período de 2007 a 2009, nem mesmo  foram  efetivados  (registrados) por  essa  empresa,  porém no  decorrer  das  funções  ambos  eram remunerados como diretores empregados."  É fato que a defesa apresenta documentos de rescisão contratual e pedido  de dispensa e alega o vínculo de emprego. Porém, o que extraio dos autos, especialmente a  partir das respostas vindas da própria recorrente, a qual assumiu o pressuposto de fato, é o  seguinte: As  referidas pessoas  trabalharam dentro do conglomerado econômico da qual a  recorrente faz parte, no entanto não estiveram registradas como empregados na recorrente,  ao menos na época dos recebimentos da PLR questionadas, porém desempenharam funções  por lá e, por isso, receberam PLR. Posteriormente, foram transferidas e isso teria ocorrido  sem nunca terem sido registradas na recorrente, no entanto consta dos documentos com os  quais pretende a recorrente provar o vínculo de emprego que o desligamento se efetivara na  recorrente, de toda sorte, não resta claro o momento do registro e se efetivamente existiu a  manutenção do vínculo de emprego nas competências da controvérsia.  Sobre o assunto, a decisão de piso consigna, ipsis verbis:    No Termo de  Início de Procedimento Fiscal datado de  23/12/2011  e  no  Termo  de  Intimação  Fiscal  datado  de  16/03/2012 a empresa foi intimada a apresentar relação dos  diretores eleitos pela assembléia da CIA e ficha de Registro  de  Empregados  dos  mesmos.  Em  resposta  datada  de  29/03/2012 a empresa informa que "Todos os diretores que  trabalham e trabalharam na Itaú Vida e Previdência, foram  admitidos inicialmente em outra empresa do conglomerado e  posteriormente  transferidos  em  2007  a  2009."  (Doc.  3  ­  resposta do contribuinte e relação dos diretores da CIA).     Já no Termo de Intimação Fiscal datado de 24/04/2012  o  contribuinte  foi  intimado  a  esclarecer  se  estes  diretores,  depois  de  transferidos,  não  foram  registrados  na  empresa  ora  fiscalizada.  Em  02/05/2012  a  empresa  responde:  "Ratificando a resposta efetuada através da carta CRT­UAF  170/2012, não houve diretores empregados registrados pela  empresa  Itaú  vida  e  Previdência."  (Doc.  4  ­  resposta  do  contribuinte).     No Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012 a empresa  foi  intimada  a  informar  os  anos  calendários  em  que  as  despesas dos pagamentos a título de participação nos lucros  atribuídos aos diretores estatutários, nos meses de fevereiro  de 2007; 2008; 2009,  tiveram efeito dedutível. Em resposta  Fl. 380DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 381          19 datada de 04/10/2012 o contribuinte no  item 2 da  resposta  afirma:  "Cabe  esclarecer  que  os  diretores  Alexandre  Gonçalves de Vasconselos, Antonio Eduardo M. F. Trindade  e  Luiz  Fernando  Butori  Reis  Santos  não  eram  diretores  estatutários no período de 2007 a 2009, nem mesmo  foram  efetivados  (registrados)  por  essa  empresa,  porém  no  decorrer  das  funções  ambos  eram  remunerados  como  diretores empregados." (Doc. 5 ­ resposta do contribuinte)     A Fiscalização esclarece que não procede a afirmação  do  contribuinte,  pois  conforme  as  atas  de  assembléia  anexados  ao  presente  processo,  os  diretores  Antonio  Eduardo  M.  F.  Trindade  e  Alexandre  Gonçalves  de  Vasconselos,  únicos  diretores  a  receberem  suas  participações nos lucros nos anos 2007 e 2008, foram eleitos  diretores  pela  assembléia  da  CIA,  com  poderes  amplos  de  gerência  e  administração  da  sociedade,  não  sendo  registrados  como  empregados,  não  mantendo,  portanto,  vínculo  empregatício  com  o  contribuinte,  sendo  tanto  na  essência  quanto  na  forma  verdadeiramente  administradores/contribuintes individuais. O simples fato do  contribuinte  declarar  na  GFIP  seus  diretores  como  empregados ­ quando de fato e de direito são contribuintes  individuais  ­  e  a  Assembléia  da  CIA  aprovar  que  a  participação destes diretores serão atribuídas pelo plano de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  baseada  na  Lei  10.101/2000, não concede a empresa o direito de usufruir da  isenção  previdenciária  prevista  na  lei  (Doc.  6  ­  Atas  de  Assembléia da CIA de eleição dos diretores).  Na leitura do último trecho acima transcrito e aferindo a prova dos autos,  tenho  que  não  assiste  razão  a  defesa,  por  ponto  de  vista  especialmente  probatório  e  demarcatório  das  respostas  da  recorrente  no  fluxo  da  fiscalização.  Não  tenho  como  de  clareza  solar  o  alegado  vínculo  de  emprego  que  teria  sido  mantido  nas  competências  controvertidas.  Neste  diapasão,  tenho  que  afirmar  que  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PLR)  concedida  pela  empresa,  como  forma  de  integração  entre  capital  e  trabalho e ganho de produtividade, é regida com especialidade pela Lei 10.101, sendo esta  a  utilizada  para  fundamentar  a  não  inclusão  no  salário­de­contribuição  dos  pagamentos  realizados  a  tal  título,  afastando­se  a  incidência  previdenciária,  deste  modo  os  valores  pagos aos diretores estatutários, sem comprovação de vínculo de emprego, especialmente  após intimações fiscais e resposta de inexistência de registro, caracterizando distinguishing  em relação ao diretor empregado registrado e declarado nos documentos fiscais e sociais,  sujeitam­se  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  e  de  terceiros,  por  não  restar  demonstrado que mantenha as características inerentes a relação de emprego.  De  mais  a  mais,  para  o  argumento  subsidiário,  quanto  a  alegada  legitimação da desoneração da participação nos lucros com base na Lei 6.404, entendo que  a lei específica mencionada na Constituição e na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei 8.212 é  unicamente  a  Lei  10.101,  que  tratou,  efetivamente,  com  especialidade  própria  acerca  da  participação nos lucros e resultados, exigindo prévia negociação, não podendo ser invocar  o  art.  152,  §  1.º,  da  Lei  das  S/A. Aliás,  a  Lei  6.404  trata  com  especialidade  acerca  das  Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 382          20 Sociedades  por  Ações  não  tendo  viés  previdenciário  ou  trabalhista.  Deveras,  parece­me  intelectivo que a natureza jurídica da disciplina da participação nos lucros da Companhia  para os Administradores na forma do art. 152, § 1.º, da Lei 6.404, não se confunde com a  natureza  jurídica  da  Participação  nos  Lucros  e Resultados  (PLR)  aos  trabalhadores,  pois  esta tem natureza de direito social e aquela de direito societário regulando os interesses que  poderiam ser conflitantes dos Administradores, da própria Companhia, dos Acionistas e de  modo geral de quaisquer dos Stakeholders.  A  título  ilustrativo  veja­se  o  seguinte  posicionamento  do  Superior  Tribunal de Justiça (STJ) ao interpretar o direito infraconstitucional, verbis:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  LEI  10.101/2000.  1. A jurisprudência do STJ é de que a parcela que não sofre  a incidência de contribuição previdenciária, no que se refere  aos  valores  pagos  a  título  de  participação  nos  lucros,  é  aquela paga nos moldes da Lei 10.101/2000. Nesse sentido:  REsp  1.216.838/RS,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  DJe  19/12/2011.  2. Na  jurisprudência invocada para rejeitar a pretensão da  empresa, o voto condutor do acórdão hostilizado afirma que  o simples pagamento de parcela remuneratória, em favor de  diretores estatutários, de parcela denominada "participação  nos lucros", feito nos termos do art. 152 da Lei 6.404/1976,  é insuficiente para comprovar que a empresa tenha adotado  uma  política  efetiva  de  implantação  de  participação  nos  lucros por parte de todos os seus empregados, o que somente  poderia  ser  feito  mediante  o  regime  instituído  pela  Lei  10.101/2000.  3. Recurso Especial não provido.  (REsp  1.650.783/SP,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  26/09/2017,  DJe  19/12/2017)  Em  mais  um  título  ilustrativo,  no  mesmo  sentido,  cito  a  compreensão  dada pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, nestes termos: "Os dispositivos  da Lei das Sociedades Anônimas  (Lei n.º 6.404/76)  tratam de normas de  contabilização,  não  possuindo  o  condão  de  afastar  as  normas  de Direito  Tributário."  (TRF  3.ª Região,  Terceira Turma, Ap ­ Apelação Cível ­ 1955377 ­ 0004039­93.2010.4.03.6103, julgado em  13/03/2019, e­DJF3 Judicial 1 em 20/03/2019)  Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo.  ­ Considerações básicas sobre a PLR paga aos Empregados  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  tem  que  ser,  obrigatoriamente,  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados  (Lei  10.101,  art.  2.º),  portanto  deve ser  razoavelmente negociada  e  instrumentalizada, conforme critério a  ser escolhido.  Decerto,  que  não  necessariamente  será  exigido  o  seu  acertamento  antes  do  início  do  exercício  ou  do  período  aquisitivo,  inclusive  por  questões  de  ordem  prática,  porém,  Fl. 382DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 383          21 razoavelmente,  deve­se  esperar  que  seja  finalizada  em  tempo  apto  a  atender  a  seus  objetivos, seja de integrar o capital e o trabalho, seja de incentivar à produtividade.  A  lei  prescreve  que  podem  ser  considerados  no  plano  de  PLR,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  (i)  "índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa"  (Lei  10.101,  art.  2.º,  §  1.º,  I);  e  (ii)  "programas  de  metas,  resultados e prazos, pactuados previamente" (Lei 10.101, art. 2.º, § 1.º, II).  Destaco  que  a  famigerada  "PLR"  é  sinônimo  de  "participação  nos  lucros" ou de "participação nos resultados", sendo verdadeiro afirmar que a vertente paga  com base em "lucros" tem um caráter aproximado das "gratificações de desempenho"3 e a  lastreada  nos  "resultados"  se  assemelha  aos  "prêmios  por  desempenho"4. Para  a  doutrina  justrabalhista  a  gratificação  independeria  de  fatores  ligados  ao  empregado,  enquanto  o  prêmio, para que o empregado fizesse jus a ele, dependeria do seu próprio esforço.  Rememore­se,  igualmente,  que,  a despeito  de  se  exigir  negociação,  que  pressupõe,  então,  seja  subscrita  e,  por  conseguinte,  devidamente  formalizada,  questões  práticas  do  cotidiano  das  relações  sociais  esperadas  na  média  das  situações  concretas  impõem,  corriqueiramente,  a  sua  celebração  durante  o  período  aquisitivo  em  curso.  A  razoabilidade e proporcionalidade devem prevalecer, inclusive por serem corolários lógicos  do  devido  processo  legal  substantivo,  sendo  certo  que  as  negociações,  por  vezes,  são  complexas e envoltas por vários atores sociais, verbi gratia, entes sindicais, empregados e  empregadores,  podendo,  inclusive,  resultar  em  impasse,  hipótese  em  que  a  lei  prevê  os  meios de solução (Lei 10.101, art. 4.º).  Deste  modo,  à  guisa  de  complementação,  cabe  anotar  que,  se  a  PLR  acordada  tem  por  base  "lucros",  como,  por  exemplo,  a  pessoa  jurídica  alcançar  um  determinado  "índice de  lucratividade",  em verdade,  como não  é  possível  exigir  condutas  predefinidas  que  diretamente  contribuam  para  alcançar  o  índice  almejado,  pois  atingir  o  indicador  de  lucratividade  nem  sempre  vai  depender  de  um  específico  comportamento  volitivo do trabalhador, considerando que inúmeros aspectos, fatores e situações concretas  podem interferir na lucratividade, independentemente do agir humano e da própria vontade  dos agentes econômicos, não se pode ser tão rigoroso em relação ao prazo da concretização  final da negociação da PLR durante o exercício. Neste tipo de negociação prevalece, com  mais ênfase, a integração do capital e do trabalho.  Por  sua  vez,  se  a  PLR  acordada  tem  por  base  "resultados",  pode­se  esperar  que  o  trabalhador  atinja  metas  e  marcas  previamente  ajustadas,  alcançando  resultados  concretos,  ainda  que  departamentalizados  ou  setorizados,  precisando  conhecer  com  antecipação  sua metas,  tarefas  e  encargos,  devendo­se  exigir  que  a  negociação  seja  concretizada mais  celeremente,  especialmente  frente  ao  período  aquisitivo  de  referência,  malgrado se reconheça que, muitas vezes, os planos se repetem no tempo, todavia a mera  expectativa  de  renovação  não  pode  sobrepujar  a  efetiva  renovação  em  razoável  periodicidade. Por isso, neste tipo de negociação, o destaque é o incentivo à produtividade,  sempre importando, mesmo em renovações, o restabelecimento de metas, sendo secundária  a integração capital e trabalho.                                                              3 Neste sentido conferir precedente judicial: TRF 3.ª Região, Terceira Turma, Ap ­ Apelação Cível ­ 1955377  ­ 0004039­93.2010.4.03.6103, julgado em 13/03/2019, e­DJF3 Judicial 1 em 20/03/2019.  4 Idem.  Fl. 383DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 384          22 Aliás,  quando  a  Lei  n.º  10.101,  de  2000,  fala  em  "pactuados  previamente"  ela  trata  no  mesmo  enunciado  prescritivo  de  "programas  de  metas,  resultados  e  prazos"  (art.  2.º,  §  1.º,  II),  não  cuidando  dos  critérios  "índices  de  produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa" (art. 2.º, § 1.º, I) em conjunto com  o termo "pactuados previamente". Este é exclusivo daquele primeiro grupo.  Em  outras  palavras,  o  verbete  "pactuados  previamente"  está  conectado  unicamente  com  "programas  de  metas,  resultados  e  prazos",  ademais,  penso  que  a  expressão  sequer  esteja  associada  diretamente  ao  caput,  quiçá,  do  ponto  de  vista  hermenêutico, signifique que, para os fins da negociação do direito social à PLR, possa ser  utilizado programas de metas, resultados e prazos já existentes, já pactuados, já em vigor,  pois,  não  raro,  as  empresas  possuem  programas  de  metas  em  constante  fluxo  contínuo,  tanto  que  é  bem  comum  se  observar  a  repetição  dos  planos  de  resultados  firmados  com  supedâneo na Lei 10.101. De toda sorte, malgrado este raciocínio antecedente, a lei impõe  instrumento negociado, pelo que penso, em ponderação e como minha posição efetiva, que  é,  ao menos,  razoavelmente  esperado  que  este  instrumento  negociado  esteja  formalizado  previamente,  podendo­se,  repito,  "ponderar"  a  data  de  sua  concretização,  avaliando­se  integrativamente elementos, tais como, período de negociação, colaboração das partes, ou  eventuais  negativas  sindicais,  deliberações,  publicação  de  convocação,  existência  de  assembleia etc.  Concluída  toda  essa  digressão,  que  objetivei  necessária  a  fixação  das  premissas jurídicas de minha convicção, passo ao tópico correspondente.  ­ Da PLR paga aos Empregados ­ Descritas na rubrica PLR Bônus  De  início,  considerando  a  decadência  reconhecida  no  capítulo  próprio  (02/2007),  passo  a  analisar  a  "Levantamento  PE  ­  Participação  Lucros  ou  Resultados  Empregados" para o período 08/2008.  O  recorrente  relata que a PLR paga  com base nas convenções  coletivas  não foram questionadas, porém não se conforma e advoga que a PLR paga na forma dos  acordos  assinados  entre  a  recorrente  e  o  sindicado  da  categoria,  que  foram baseados  em  contrato  de  metas  e  resultados  (planos  próprios),  devem  ser  aceitas,  a  despeito  da  fiscalização ter efetivado o lançamento de ofício neste ponto.  A fiscalização alega que: "O plano relativo aos anos bases 2008 e 2009  que vigorou entre 01 de janeiro de 2008 e 31 de dezembro de 2009, foi celebrado em 18 de  agosto de 2008, na mesma competência dos pagamentos relativos ao primeiro semestre de  2008 (08/2008)" (e­fl. 24, Termo de Verificação Fiscal, item 8.11).  Especialmente, por isso, ocorreu a autuação.   Advoga a  recorrente que os  instrumentos possuem vigência  retroativa e  que  foram negociados  antes,  apenas  a  assinatura  é posterior,  enquanto que  a  fiscalização  refuta  a  legitimidade  das  PLR's  pagas  aos  empregados,  uma  vez  que  não  precedidas  de  ajuste prévio.  Pois  bem.  Penso  que  estão  hígidos  e  válidos  os  pagamentos  realizados  sob  sua  égide,  não  sofrendo  incidência  de  contribuições.  Ora,  eles  foram  firmados  em  18/08/2008, com vigência retroativa, é verdade, para o período de 01/01/2008 a 31/12/2009  Fl. 384DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 385          23 (e­fls. 96/105), prevendo­se que os "pagamentos referentes à participação dos empregados  serão feitos semestralmente", dentro da previsão da Lei 10.101. Ademais, sua vigência vai  até 31/12/2009, estando fixada em longo prazo, para além do exercício social. Some­se a  isto o efetivo registro do  instrumento no ente sindical  (e­fl. 96), na forma da Lei 10.101,  tenho,  em  avaliação  de  ponderação,  que  é  tempestivo  o  acordo  para  os  seus  propósitos  dentro  do  contexto  fático  estabelecido,  especialmente  porque  tem  vigência  para  dois  exercícios, mostrando­se, portanto, hígido para  suas  finalidades,  sendo possível perseguir  as  metas  e  imputar  ao  negociado  os  resultados  já  alcançados  face  ao  processo  de  negociação,  uma  vez  que  os  instrumentos  coletivos  não  podem nascer  de  uma  completa  ausência de acordos mútuos, logo estando dentro do espírito da Lei 10.101.  Sendo assim, com razão o recorrente neste capítulo.  ­ Das obrigações acessórias (penalidade)   A  defesa  sustenta  a  necessária  exclusão  das  penalidades  por  descumprimento de obrigações acessórias.  Pois bem. Quanto a obrigação acessória (penalidade), realmente, constitui  infração  à  legislação  previdenciária  a  apresentação  de  GFIP  com  dados  não  correspondentes  a  todos  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  ensejando  com  esta  conduta  a  aplicação  de  multa  decorrente  de  descumprimento  de  obrigação  acessória (CFL 68).  No entanto, no caso dos autos, para as verbas excluídas do  lançamento,  não  há  descumprimento  de  obrigação  acessória,  pelo  que  devem  ser  afastadas  as multas  sobre tais rubricas excluídas.  Sendo assim, com parcial razão o recorrente neste capítulo, para as verbas  excluídas do lançamento deve­se afastar as multas sobre tais rubricas, mantendo­se a multa  sobre as demais não excluídas.  ­ Dos juros de mora sobre a multa de ofício  A defesa sustenta a não incidência de juros sobre multa de ofício.  Pois  bem.  A matéria  há muito  foi  superada  pelo  STJ  ao  uniformizar  a  interpretação  do  direito  infraconstitucional,  conforme  segue:  "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito  tributário."  (REsp  1.129.990/PR,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJ  de  14/9/2009).  De  igual  modo:  REsp  834.681/MG,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJ  de  2/6/2010."  (AgRg  no  REsp  1.335.688/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/12/2012)  As razões, com as quais concordo, são que o crédito tributário (prestação  pecuniária  devida  ao  ente  tributante)  tem  concepção  mais  ampla  do  que  o  conceito  de  tributo,  inclusive  a  disciplina  do  art.  113,  caput  e  parágrafos,  do  CTN,  enuncia  prescritivamente  um  regime  único  de  cobrança  para  as  exações  e  as  penalidades  pecuniárias  fiscais,  o  que  é  extremamente  necessário  para  a  arrecadação  e  administração  fiscal,  deste  modo  a  multa,  por  constituir  crédito  tributário,  sendo  dotada  dos  mesmos  mecanismos  e  procedimentos  aplicados  aos  tributos,  inclusive  quanto  aos  consectários  legais, sujeita­se à incidência de juros de mora.  Fl. 385DF CARF MF Processo nº 16327.721348/2012­33  Acórdão n.º 2202­005.195  S2­C2T2  Fl. 386          24 Destaco,  outrossim,  que  a  própria  natureza  da  obrigação  acessória  representa um viés autônomo do  tributo. Nessa  trilha, quando se descumpre a obrigação,  exsurge  a  possibilidade  da  constituição  de  um  direito  autônomo  à  cobrança,  pois  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal,  relativamente  à  penalidade pecuniária (art. 113, § 3.º, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar  que  “a  obrigação  tributária  é  principal  ou  acessória”  estabeleceu  que,  para  fins  de  cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento  em pecúnia do valor equivalente a penalidade imposta devem ser tratados de igual maneira  para todos os fins de exigibilidade.  Por fim, este Colendo Conselho já sumulou o assunto, nestes termos:  Súmula CARF n.º 108  Incidem  juros moratórios,  calculados  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC, sobre o  valor  correspondente  à  multa  de  ofício. (Vinculante,  conforme  Portaria  ME  n.º  129, de  01/04/2019,  DOU  de  02/04/2019).  Portanto, sem razão o recorrente neste capítulo.  Conclusão quanto ao Recurso Voluntário  Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida  pela  primeira  instância,  dentro  do  controle  de  legalidade  que  foi  efetivado  conforme  matéria  devolvida  para  apreciação,  deste modo,  de  livre  convicção,  relatado,  analisado  e  por mais o que dos autos constam, considerando o até aqui esposado, entendo por manter  reformar a decisão recorrida, conhecendo do recurso voluntário e, no mérito, dando parcial  provimento,  mantendo­se  o  lançamento  quanto  aos  diretores,  pois  que  não  verifiquei  a  comprovação do vínculo de emprego, não tendo sido atendidas as intimações fiscais.  Dispositivo  Ante  o  exposto,  conheço  do  recurso  voluntário  para  DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO,  para  reconhecer  a  decadência  do  lançamento  referente  às  rubricas  "Participação  Lucros Administradores",  nas  competências  02/2007  e  08/2007,  e  "Participação Lucros ou Resultados Empregados" na competência 02/2007", e para afastar  o lançamento do "Levantamento PE ­ Participação Lucros ou Resultados Empregados" para  o período 08/2008, bem como afastar as multas calculadas sobre tais parcelas.  É como Voto.    (assinado digitalmente)  Leonam Rocha de Medeiros ­ Relator              Fl. 386DF CARF MF

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7760421 #
Numero do processo: 13896.900268/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 31/03/2008 OMISSÃO. APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO. INOCORRÊNCIA. Todas as medidas necessárias para se verificar a efetiva ocorrência do fato gerador do IRRF no presente caso, foram adotadas pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco em nulidade. Na mesma esteira, não prospera a alegação de nulidade atribuída à DRJ por não ter se manifestado explicitamente sobre a alegação da Recorrente de que a I. Fiscalização deveria intimar os prestadores de serviços a apresentarem documentos que comprovassem o cancelamento da prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF, tendo em vista que a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha de entendimento adotada pela instância a quo; via de consequência, se o julgador entende que o ônus da prova para apresentação das notas fiscais eletrônicas canceladas é do Recorrente, despicienda, em face da convicção que já se formou, qualquer argumentação relacionada à necessidade da fiscalização em intimar os prestadores de serviço a apresentarem documentos que o julgador entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o argumento da Recorrente não se tornou essencial à solução da lide, posto que o Relator adotou tese contrária à defendida pela empresa, não preterindo seu direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus interesses. Conforme entendimento já consolidado pela Corte Superior de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS DA PROVA. Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. Em especial no caso concreto, quando se trata de desfazimento de negócios entre empresas representadas pelo mesmo diretor e/ou sócio e integrantes de mesmo grupo econômico de fato. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ART.170 CTN. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. As meras declarações dos prestadores de serviços oriundas de mesmo signatário, que também é o mesmo diretor da Recorrente, sem nenhuma formalidade, além da produção unilateral, per si, não é documento hábil e idôneo a comprovar os fatos alegados. O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos.
Numero da decisão: 2401-006.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA

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2401­006.484  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de maio de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Recorrente  CPM BRAXIS TECNOLOGIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Data do fato gerador: 31/03/2008  OMISSÃO. APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO. INOCORRÊNCIA.  Todas  as medidas  necessárias  para  se  verificar  a  efetiva  ocorrência  do  fato  gerador do IRRF no presente caso, foram adotadas pela autoridade fiscal, não  havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco em  nulidade. Na mesma esteira, não prospera a alegação de nulidade atribuída à  DRJ  por  não  ter  se  manifestado  explicitamente  sobre  a  alegação  da  Recorrente de que a I. Fiscalização deveria intimar os prestadores de serviços  a apresentarem documentos que comprovassem o cancelamento da prestação  dos  serviços  que  geraram  os  recolhimentos  indevidos  de  IRRF,  tendo  em  vista que a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da  prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha  de  entendimento  adotada  pela  instância  a  quo;  via  de  consequência,  se  o  julgador  entende  que  o  ônus  da  prova  para  apresentação  das  notas  fiscais  eletrônicas  canceladas  é  do Recorrente,  despicienda,  em  face  da  convicção  que  já  se  formou,  qualquer  argumentação  relacionada  à  necessidade  da  fiscalização em intimar os prestadores de serviço a apresentarem documentos  que o julgador entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o  argumento da Recorrente não se tornou essencial à solução da lide, posto que  o Relator adotou tese contrária à defendida pela empresa, não preterindo seu  direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus interesses.  Conforme  entendimento  já  consolidado  pela  Corte  Superior  de  Justiça,  o  julgador não está obrigado a  responder a  todas as questões  suscitadas pelas  partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão.  O  julgador  possui  o  dever  de  enfrentar  apenas  as  questões  capazes  de  infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida.  PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS  DA PROVA.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 02 68 /2 01 3- 81 Fl. 206DF CARF MF     2 Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de  pleito  de  compensação  ou  restituição  de  tributos,  a  teor  do  que  dispõe  o  art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. Em especial no caso  concreto,  quando  se  trata  de  desfazimento  de  negócios  entre  empresas  representadas pelo mesmo diretor  e/ou sócio  e  integrantes de mesmo grupo  econômico de fato.   COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  INOCORRÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  DIREITO  LÍQUIDO  E  CERTO. ART.170 CTN.  Não  se  reconhece  o  direito  creditório  quando  o  contribuinte  não  logra  comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido  ou  a maior. As meras  declarações  dos  prestadores  de  serviços  oriundas  de  mesmo  signatário,  que  também  é  o  mesmo  diretor  da  Recorrente,  sem  nenhuma formalidade, além da produção unilateral, per si, não é documento  hábil  e  idôneo  a  comprovar  os  fatos  alegados.  O  artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional  determina  que  só  podem  ser  objeto  de  compensação,  créditos líquidos e certos.          Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.    Miriam Denise Xavier – Presidente   (assinado digitalmente)    (assinado digitalmente)  Luciana Matos Pereira Barbosa ­ Relatora    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier  (Presidente),  Cleberson  Alex  Friess,  Andréa  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e  Marialva de Castro Calabrich Schlucking.    Relatório  Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13896.900268/2013­81  Acórdão n.º 2401­006.484  S2­C4T1  Fl. 3          3   Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  Eletrônica  –  PER/DCOM  P(PD)  nºs.  02226.92219.190608.1.3.04­6398;  36157.11694.130608.1.3.04­1348;  05172.32409.10709.1.7.04­ 6851; e 14929.73687.100608.1.3.04­0092 (fls. 74 a 77) ­, pelo qual  a Recorrente pretende aproveitar um  suposto  crédito de Pagamento  Indevido ou a Maior,  no  valor  de R$  82.343,29,  na  data  de  transmissão,  utilizando  o DARF,  código  de  receita  1708  (IRRF),  no  valor  de  R$  113.258,78,91,  PA  31/03/2008,  com  vencimento  em  10/04/2008,  e  pagamento feito em 27/05/2008.  O Despacho Decisório de fls. 71, não homologou a compensação dos débitos  informados no presente PER/DCOMP, porque o valor do crédito não foi reconhecido.  A  Recorrente  apresentou  os  PER/DCOMP(PD)  de  números  14929.73687.100608.1.3.04­0092  (processo  nº.  13896.900.184/2013­47),  05172.32409.10709.1.7.04­  6851  (processo  nº.  13896.900266/2013­91),  36157.11694.130608.1.3.04­1348  (processo  nº.13896.900.267/2013­36),  e  02226.92219.190608.1.3.04­6398  (processo  nº.  13896.900.268/2013­81),onde  pretende  aproveitar supostos créditos de Pagamento  Indevido ou a Maior, utilizando o mesmo DARF,  código de receita 1708 (IRRF), no valor de R$ 113.258,78, PA 31/03/2008, com vencimento  em 10/04/2008, e pagamento feito em 27/05/2008, objetivando quitar débitos  Conforme consta dos autos, na conclusão do Relatório Fiscal de fls. 140/144,  após a análise dos documentos apresentados, observou­se que nenhuma das NF­e constavam  como  canceladas  no  sítio  da  Prefeitura  Municipal  de  São  Paulo  na  internet.  Por  meio  dos  documentos  apresentados,  deu­se  a  entender  que  os  cancelamentos  teriam  ocorrido  após  o  pagamento  do  ISS,  o  que  ,  de  acordo  com  a  legislação  municipal,  faria  com  que  os  cancelamentos  tivessem  que  ser  solicitados  via  Processos  Administrativos.  Intimou­se  o  contribuinte a apresentar cópias de tais processos, incluindo os despachos que teriam deferido  os cancelamentos, o que não ocorreu.  Diante  desses  fatos,  e  com  base  na  legislação  de  regência,  a  fiscalização  concluiu pela não homologação das compensações, em face da total falta de certeza e liquidez do  direito creditório.  Após  intimação  a  empresa  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  sustentando a  legalidade da compensação  realizada, e argumentando que cabe ao emissor da  nota  o  cancelamento  das  mesmas,  e  que  ele  não  teria  como  deles  exigir  os  documentos.  Manifestou  entendimento  de  que  os  lançamentos  contábeis  e  as  cartas  entregues  aos  prestadores de serviço comunicando o cancelamento são provas suficientes para comprová­los,  o  que  também  tornaria  indevida  a  retenção  na  fonte.  Alega  ainda  que,  em  obediência  ao  princípio da verdade material, a forma não deve prevalecer sobre o conteúdo, sendo irrelevante  “o procedimento formal de cancelamento da notas perante o Município”.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lavrou  Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 12­83.154­ da 9ª Turma da DRJ/RJ1,  às fls. 147/159, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte.  Inconformada,  a  empresa  apresentou  Recurso  Voluntário  às  fls.  168/191  alegando em síntese que:  Fl. 208DF CARF MF     4 a)  a  insuficiência  da  fiscalização  levada  a  cabo  antes  da  prolação do r.despacho decisório eletrônico;  b)  cabe  à  I.  Fiscalização  intimar  os  prestadores  de  serviços  a  apresentar  documentos  que  comprovassem  o  cancelamento  da  prestação dos serviços que geraram os recolhimentos  indevidos  de IRRF;  c)  aduz  que  tais  documentos  representariam  a  manifestação  inconteste  da  outra  parte  da  relação  civil  de  prestação  de  serviços, que serviria como mais um documento a comprovar a  existência do crédito, e que a I. Fiscalização poderia se valer do  seu  natural  poder  de  polícia  para  intimar  os  prestadores  de  serviços a provar que os serviços de fato foram cancelados;  d)o  fato da Delegacia Regional de Julgamento (“DRJ”) não se  dignar  a  combater  tal  insuficiência  da  fiscalização alegada  na  manifestação  de  inconformidade,  macula  de  nulidade  a  r.  decisão recorrida;  e)em  que  pese  constar  do  relatório  do  v.  acórdão,  em  leitura  atenta  do  r.  julgado,  não  se  nota  qualquer  passagem  na  fundamentação  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade em que a I. DRJ tenha apreciado os argumentos  de insuficiência da fiscalização tecidos pela Recorrente;  f)tal  omissão,  contudo,  macula  de  nulidade  o  v.  acórdão  recorrido, nos termos do artigo 12, II, do Decreto nº 7.574, de 29  de setembro de 2011;  g)na  prática,  referido  direito  de  defesa  resta  mitigado  especialmente  porque,  ainda  que  implicitamente  se  considere  que o argumento de insuficiência da fiscalização não tenha sido  acolhido  pela  I.  DRJ  pelo  fato  de  ter  julgado  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  fato  é  que  a  Recorrente  não  sabe  os  motivos  que  levaram  a  I.  DRJ  a  não  acolher  sua  alegação formulada, cerceando seu direito de defesa;  h)nesse contexto, resta claro o cerceamento do direito de defesa  da  Recorrente  em  relação  ao  argumento  de  insuficiência  da  fiscalização,  cuja  apreciação  imediata  por  essa  I.  Corte  Administrativa  pode  ensejar  em  supressão  de  instância,  agravando  ainda  mais  a  preterição  do  direito  de  defesa  da  Recorrente, portanto, é de rigor seja reconhecida a nulidade do  v. acórdão recorrido,com a consequente remessa dos autos à I.  DRJ de origem, para que aprecie os;  i)a  I.  Fiscalização  não  se  dignou  a  adotar  as  medidas  necessárias  para  se  verificar  a  efetiva  ocorrência  do  fato  gerador do IRRF que se busca sustentar para glosar o crédito da  Recorrente,  tal postura, além de violar o artigo 142 do Código  Tributário  Nacional,  viola  também  a  busca  pela  verdade  material, inerente a todo ato administrativo;  j)  ao  se  afirmar  no  relatório  fiscal  que  “tampouco  podem  ser  aceitas como provas, como pretende o contribuinte, meras cartas  enviadas aos fornecedores, sem quaisquer respostas dos mesmos  concordando com o que nelas é comunicado”, a I. Fiscalização  poderia,  ao  menos,  ter  intimado  a  Recorrente  a  apresentar  Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13896.900268/2013­81  Acórdão n.º 2401­006.484  S2­C4T1  Fl. 4          5 qualquer  declaração  dos  prestadores  dos  serviços  que  comunicasse  o  cancelamento  das  notas.  Tais  documentos  representariam  a  manifestação  inconteste  da  outra  parte  da  relação cível  de prestação de  serviços,  que  serviria  como mais  um documento a comprovar a existência do crédito.  k)a  I.  Fiscalização  preferiu  adotar  a  postura  cômoda  de  simplesmente  não  homologar  as  compensações,  mesmo  não  sendo possível afirmar que os serviços foram concluídos e que o  IRRF recolhido era devido. A esse respeito, aliás, após intimada  do  r.  despacho  decisório,  a  Recorrente  pleiteou,  perante  os  prestadores dos serviços, que lhe fossem fornecidas declarações  que  atestassem  o  cancelamento  das  notas,  o  que  foi  de  pronto  atendido  por  três  dos  prestadores,  conforme  se  nota  das  declarações acostadas aos autos (vide fls. 62­64);  l)Como  se  vê,  referidas  declarações  poderiam  ter  sido  providenciadas durante o procedimento  fiscalizatório,  caso o  I.  Agente  Fiscal  tivesse  consignado  sua  insatisfação  com  a  não  comprovação do cancelamento das notas pelos prestadores dos  serviços,  o  que  veio  a  restar  consignado  apenas  no  relatório  fiscal  que  instruiu  o  r.despacho  decisório.  Além  disso,  deve­se  apontar que, somente no relatório final, a I.Fiscalização afirmou  que  as  cópias  dos  espelhos  do  Livro  Razão  apresentados  não  seriam hábeis  a  comprovar  os  registros  contábeis,  por  não  ser  possível  verificar  a  autenticidade  desses  espelhos.  Nota­se  aí  outra  omissão  que  macula  o  procedimento  fiscalizatório,  haja  vista que bastaria que a Recorrente fosse intimada novamente a  apresentar  o  Livro  Razão  original  onde  constam  as  folhas  apresentadas,  ou,  quando  muito,  apresentar  as  folhas  devidamente autenticadas;  m) Nesse aspecto, adicionalmente, afirma a I. Fiscalização, com  base no Código de Processo Civil, que o ônus da prova incumbe  a  quem  alega  fato  constitutivo  do  seu  direito.  Contudo,  é  importante lembrar que, em se tratando de obrigação tributária,  o  lançamento  é  atividade  administrativa  plenamente  vinculada,  conforme previsto no artigo 3º do Código Tributário Nacional.  Nessa  qualidade,  o  lançamento  é  ato  administrativo  cuja  verificação  incumbe  à  Fiscalização,  cabendo  a  ela,  portanto  o  dever de provar a ocorrência do fato gerador. Por outra banda,  também  é  fato,  que,  em  se  tratando  de  fiscalização  de  compensações  declaradas  pelo  contribuinte,  é  dever  do  contribuinte  possuir  o  respaldo  de  provas  que  estejam  ao  seu  alcance  para  atestar  a  regularidade  dessas  compensações,  tal  como abordado no v. acórdão recorrido;  n)  Entretanto,  o  ônus  da  prova  nesse  caso  se  confunde  com  a  obrigação  da  Fiscalização  de  comprovar  a  ocorrência  o  fato  gerador, o que conduz à inconteste assertiva de que não há que  se  falar  de  ônus  da  prova  exclusivo  a  uma  das  partes  da  obrigação  tributária,  como  pretendeu  a  I.  Fiscalização  ao  repassar tal responsabilidade à Recorrente, inclusive em relação  a  obrigações  que  seriam  de  responsabilidade  exclusiva  dos  prestadores dos serviços cancelados;  Fl. 210DF CARF MF     6 o)destaca uma vez mais,  que a Recorrente apresentou  todos os  documentos  que  estavam  ao  seu  alcance  para  comprovar  a  existência  de  crédito  em  seu  favor  suficiente  à  realização  das  compensações. Com efeito,  a Recorrente  apresentou a  seguinte  documentação:  (i) DARFs de recolhimento do IRRF;  (ii) DCTF retificadora que constituiu o crédito de recolhimento a  maior;  (iii) Planilha com a composição do crédito;  (iv) Notas fiscais que vieram a ser canceladas;  (v) Lançamentos contábeis em Livro Razão;  (vi) Declarações apresentadas aos prestadores dos serviços para  fins  de  atendimento  ao  artigo  166  do  Código  Tributário  Nacional, que comunicam os cancelamentos extemporâneos das  notas fiscais;  (vii)  Declarações  dos  prestadores  dos  serviços  que  atestam  a  não realização dos serviços.  p)que  não  cabe  à  Recorrente,  na  qualidade  de  tomadora  dos  serviços, a tarefa de proceder ao cancelamento das notas fiscais  analisadas,  mas  sim  aos  prestadores  dos  serviços.  É  o  que  se  observa,  aliás,  do  próprio  dispositivo  transcrito  por  pela  I.  Fiscalização  no  último  Termo  de  Intimação  expedido,  de  nº  1453/2012. Observe o conteúdo normativo transcrito a seguir:  “Seção V  – Do Cancelamento  da NF­e Art.  12. A NF­e  poderá  ser  cancelada pelo  emitente,  por  meio  do  sistema, antes do pagamento do Imposto.  Parágrafo único. Após o pagamento do Imposto, a NF­e  somente  poderá  ser  cancelada  por  meio  de  processo  administrativo.”  q) No caso concreto, sendo a Recorrente apenas a tomadora dos  serviços,  não  cabe,  por  consequência,  exigir  dela  documentos  relacionados aos cancelamentos, cuja incumbência, reitera­se, é  restrita  aos  prestadores.Aliás,  também  não  cabe  exigir  que  a  Recorrente  pressione  os  seus  tomadores  de  serviços  para  que  providenciem  os  respectivos  cancelamentos  formais  das  notas  fiscais,  uma  vez  que  não  possui  poderes  para  tanto.  Tal  incumbência  é  restrita  à  Fiscalização,  diante  dos  poderes  coatores que viabilizam atingir a finalidade almejada.Nada mais  justo, portanto, que a I. Fiscalização exerça sua parcela de ônus  da  prova  e  contate  os  prestadores  dos  serviços  para  que  comprovem as formalidades exigidas para o reconhecimento do  cancelamento  das  notas  fiscais,  uma  vez  que  cogitarse  a  glosa  dos créditos pela não comprovação do cancelamento formal é o  mesmo que tributar fatos geradores que não ocorreram.  r) Caso não se entenda pela nulidade supramencionada – o que  se  cogita  apenas  por  argumentar  –  cumpre  apontar  que,  no  mérito,  o  v.  acórdão  recorrido  também  não merece  prosperar,  tendo  em  vista  a  inequívoca  existência  do  crédito  de  IRRF  Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13896.900268/2013­81  Acórdão n.º 2401­006.484  S2­C4T1  Fl. 5          7 utilizado  na  compensação  não  homologada  devidamente  comprovada  nesses  autos,  não  merecendo  prosperar  a  insuficiência de provas sustentada pelo I. Agente Fiscal e pela I.  DRJ;  s)  Conforme  brevemente  exposto,  para  sustentar  o  crédito  de  IRRF utilizado na compensação, a I. Fiscalização afirmou que a  Recorrente  deveria  comprovar  a  certeza  e  liquidez  daquele.Nesse  sentido,  sendo  o  caso  de  retenção  indevida,  a  Recorrente  apresentou  documentos  que  demonstram  a  inocorrência do fato gerador para fazer jus ao direito creditório.  De fato, consoante brevemente exposto, o pagamento de IRRF é  indevido  em  razão  de  serviços  que  jamais  se  realizaram,  pois,  não  tendo ocorrida a prestação de serviços, há que se concluir  que  não  houve  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária.In  casu,  os  serviços  que  originaram  as  retenções  indevidas estão relacionados a quatro notas fiscais que, por sua  vez, estão relacionadas a serviços que não foram prestados;  t)  Deveras,  tendo  os  serviços  sido  cancelados,  procedeu  a  Recorrente  aos  (i)lançamentos  contábeis,  que  identificam  os  débitos  dos  valores  de  IRRF  na  conta  do  passivo  IRRF  a  Recolher – “IRRF P.J. 1708 a Rec” – referentes a essas notas, e  os  respectivos  créditos  da  mesma  conta  –  que  representam  os  cancelamentos  das  notas  e,  consequentemente,  o  cancelamento  dos valores a recolher, (ii) à retificação da DCTF apresentada,  bem  como,  para  fins  de  atendimento  ao  artigo  166  do  Código  Tributário  Nacional,  (iii)  comunicou  aos  prestadores  dos  serviços os cancelamentos;  u)  De  fato,  tanto  o  relatório  fiscal  que  acompanhou  o  r.  despacho  decisório  eletrônico,  quanto  o  v.  acórdão  recorrido  apoiam­se  na  inexistência  de  procedimentos  de  cancelamento  das notas fiscais dos serviços não prestados perante a Prefeitura  do  Município  de  São  Paulo,  como  também  em  supostas  inconsistências  das  cartas  de  cancelamento  dos  serviços.  De  toda  forma,  ainda  que  se  cogite  pela  responsabilidade  da  Recorrente  em  providenciar  as  comprovações  necessárias  do  efetivo  cancelamento das notas  fiscais– o que  se  cogita apenas  por  argumentar  –  cumpre  esclarecer  que,  relativamente  às  impropriedades  e  suspeitas  destacadas  no  v.  acórdão  contidas  das declarações apresentadas pelos prestadores de serviços, na  verdade, não são suficientes a afastar o valor probatório de tais  declarações.  A  esse  respeito,  afirmou  a  I.  DRJ  que  as  declarações foram “emitidas em uma mesma data (14/03/2013),  com  rubricas  de  assinaturas  idênticas  e  sem  identificação,  apesar de  serem de  três empresas distintas,  levando a crer que  foram  emitidas  por  um  mesmo  remetente”.  Acontece  que  as  assinaturas  das  Declarações  são  de  fato  oriundas  do  mesmo  signatário.  Isso  porque,  as  três  empresas  possuem os mesmos  sócios que assinaram as declarações, conforme se observa dos  primeiros sócios mencionados no quadro de sócios dos cartões  de  CNPJ  dos  prestadores  que  ora  se  acosta  (doc.  j.).Pelo  exposto,  é  incabível  que  a  forma  prevaleça  sobre  o  conteúdo,  sobre  pena  de  a  I.  Fiscalização  passar  a  cobrar  valores  Fl. 212DF CARF MF     8 despropositados,  apenas  em  razão  de  alguma  irregularidade  formal não ter sido cumprida. (Cita o art. 112 do CC e art.4º do  CTN, além de jurisprudências administrativas para reforcar sua  tese);  v)  que  a  ordem  cronológica  dos  fatos  destacados  pela  I.  Fiscalização  em  seu  relatório,  e  reiterados  pela  I.  DRJ  no  v.acórdão recorrido, não deve implicar na não homologação das  compensações  realizadas  pela  Recorrente.  Ao  traçar  a  ordem  cronológica envolvendo o recolhimento do IRRF, a apresentação  das  DCTFs  original  e  retificadora,  a  apresentação  de  PER/DCOMP  e  as  declarações  firmadas  entre  os  prestadores  dos  serviços  e  a  Recorrente,  a  I.  Fiscalização  procurou  evidenciar  erros  de  procedimento  que  ensejariam  no  não  reconhecimento do crédito. Diante do elevado grau burocrático,  é esperado que os contribuintesde grande porte, como é o caso  do  Recorrente,  incorram  em  erros,  havendo,  inclusive,  mecanismos  para  corrigi­los.  Referidos  erros  comumente  são  verificados  somente  por  meio  de  auditorias,  realizadas  tempos  após  a  ocorrência  do  ato.E  a  verificação  do  erro  com  a  correspondente  correção  deve  ser  admitida  para  fins  fiscais,  tendo  em  vista  que  os  mecanismos  próprios  para  tanto  estão  previstos  em  lei.  Nesse  contexto,  mister  se  faz  afirmar  que  foi  exatamente  o  que  ocorreu  no  caso  em  tela,  tendo  originado  a  confusão cronológica dos atos que  legitimaram a  existência do  crédito de IRRF. A DCTF do período foi devidamente retificada  quando o procedimento de auditoria  verificou a  inconsistência.  A mesma situação ocorreu com as declarações para fins de ISS  apresentadas  pela  Recorrente  aos  prestadores  dos  serviços.  Desta  feita,  não  há  que  se  falar  de  procedimentos  suspeitos  quando  as  retificações  e  providências  foram  realizadas  nos  termos  da  lei.  Assim,  uma  vez  provada  a  impossibilidade  de  constituição  de  crédito  tributário  por  erro  de  declaração,  é  de  rigor  seja  reformado  o  r.  despacho  decisório  combatido  para  que  restem  homologadas  as  compensações  realizadas  pela  Recorrente.  x)Diante do exposto, requer a procedência do recurso voluntário  para  reconhecer  a  nulidade  do  v.  acórdão  recorrido,  com  a  remessa  dos  autos  à  I.  DRJ  de  origem,  para  que  aprecie  os  argumentos de insuficiência da fiscalização prévia ao despacho  decisório  que  não  homologou  as  compensações,  e  reconheça  a  nulidade daquele despacho decisório.    Subsidiariamente, caso não se entenda pelo reconhecimento  da  nulidade  ,  requer  a  procedência  do  recurso  para  julgar  a  reforma do v. acórdão recorrido e, por conseguinte, homologar  integralmente a compensação inicialmente declarada.  É o relatório    Voto             Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa­ Relatora  Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13896.900268/2013­81  Acórdão n.º 2401­006.484  S2­C4T1  Fl. 6          9   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE    1. DA ADMISSIBILIDADE    A  Recorrente  foi  cientificada  da  r.  decisão  em  debate  no  dia  10/02/2017  conforme  Termo  de  Ciência  às  fls.  165,  e  o  presente  Recurso  Voluntário  foi  apresentado,  TEMPESTIVAMENTE,  no  dia  10/03/2017  (fl.  168/191),  razão  pela  qual  CONHEÇO  DO  RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade     1.  DA PRELIMINAR    a) nulidade    A  alegação  de  nulidade  atribuída  à  DRJ  por  não  ter  se  manifestado  explicitamente  sobre  a  alegação  da  Recorrente  de  que  a  I.  Fiscalização  deveria  intimar  os  prestadores  de  serviços  a  apresentarem  documentos  que  comprovassem  o  cancelamento  da  prestação  dos  serviços  que  geraram  os  recolhimentos  indevidos  de  IRRF;  não  merece  prosperar.  Conforme  entendimento  já  consolidado  pela  Corte  Superior  de  Justiça,  o  julgador não está obrigado a responder a  todas as questões suscitadas pelas partes, quando já  tenha  encontrado  motivo  suficiente  para  proferir  a  decisão.  O  julgador  possui  o  dever  de  enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão  recorrida.  A  decisão  ora  atacada  foi  proferida  dentro  dos  ditames  delineados  em  lei,  apresentando de forma clara e objetiva o motivo porque negou provimento à Manifestação de  Inconformidade,  para  NÃO  RECONHECER  QUALQUER  DIREITO  CREDITÓRIO,  referente a Pagamento Indevido ou a Maior, no valor de R$ 82.343,29, na data de transmissão,  utilizando  o  DARF,  código  de  receita  1708  (IRRF),  no  valor  de  R$  113.258,78,  PA  31/03/2008, com vencimento em 10/04/2008, e pagamento feito em 27/05/2008.  Note­se que no voto ora atacado a instância a quo, registra que:  14.  Ressalte­se  que  as  Cartas  enviadas  aos  prestadores  de  serviços, bem como as Declarações que serviram de resposta às  respectivas  Cartas,  não  podem  ser  aceitas  como  prova,  sobretudo pelas incorreções destacadas, conforme demonstrado  acima.  15. Registre­se que,  in casu, o cancelamento ou não das notas  fiscais  eletrônicas  não  é  mero  procedimento  formal,  uma  vez  que a  Interessada alega que a prestação de  serviços de quatro  fornecedores, que emitiram as  respectivas notas fiscais, de  fato  não  ocorreram,  de  modo  que  a  retenção  e  o  recolhimento  de  IRRF, que houve, foi indevida.  16.  Reforce­se  que  as  folhas  do  livro  Razão  Analítico  apresentadas  pela  Interessada,  onde  constam  lançamentos  contábeis  cancelando os  pagamentos  e  a  retenção dos  serviços  desamparados dos documentos que  lhes dão  suporte, por  si  só,  Fl. 214DF CARF MF     10 não  são  suficientes  para  dirimir  a  questão  em  apreço,  pois  os  fatos nelas registrados não foram comprovados por documentos  hábeis,  que  seriam  as  notas  fiscais  eletrônicas  canceladas.  Entendo  ser oportuno  transcrever o disposto no Artigo 923, do  Decreto 3000/99, in verbis:  Art.  923.  A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo  sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto­ Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º).  17. Diante de todo o exposto, entendo que a Interessada não se  desincumbiu do ônus de comprovar os fatos alegados, faltando,  pois, certeza e liquidez ao crédito pleiteado. (g.n)  Ou seja, a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da  prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha de entendimento  adotada pela instância a quo; via de consequência, se o julgador entende que o ônus da prova  para  apresentação  das  notas  fiscais  eletrônicas  canceladas  é  do  Recorrente,  despicienda,  em  face  da  convicção  que  já  se  formou,  qualquer  argumentação  relacionada  à  necessidade  da  fiscalização em  intimar os prestadores de  serviço a apresentarem documentos que o  julgador  entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o argumento da Recorrente não se  tornou essencial à solução da lide, posto que o Relator adotou tese contrária à defendida pela  empresa, não preterindo seu direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus  interesses.   Aliás,  entendimento  que  esta  Relatora  também  compartilha  em  sua  integralidade, em especial no presente feito, pois além do respaldo legal constante no art. 333  do  CPC  c/c  o  artigo  923  do  Decreto  nº  3.000/99,  soma­se  ainda  as  circunstâncias  fáticas  peculiares ao presente caso, onde tanto a Interessada, ora Recorrente, como as três prestadoras  de  serviços  que  apresentaram  as  "Declarações  de  Não  Prestação  de  Serviços",  são  representadas  pelo mesmo  socio/diretor,  Sr. ROGÉRIO  IGREJA BRECHA  JR,  conforme  se  verifica nos documentos abaixo:  a)  CPM  BRAXIS  TECNOLOGIA  LTDA  ­  RECORRENTE.(fl.  43/45)  ­  ATA DE REUNIÃO DE SÓCIOS ­ Diretor: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR;  b)  BRAXIS  ERP  SOFTWARE  S.A  (fls  193/194)  ­  DECLARAÇÃO  DE  INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS  ­ R$ 248.572,98  ­ Diretor: ROGÉRIO  IGREJA BRECHA JR;  c)  BRAXIS  TECNOLOGIA  DA  INFORMAÇÃO  S.A  (fls.  195/197)  ­  DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ­ R$ 1.234.737,16 ­  Sócio: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR;  d)  SBS  SERVIÇOS  DE  INFORMÁTICA  LTDA  (fls.  198/203)  ­  DECLARAÇÃO  DE  INEXISTÊNCIA  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  ­  R$  3.670,64  ­  Diretor: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR;  Dos fatos narrados e da documentação carreada aos autos, depreende­se que a  atuação das mencionadas empresas em alguns aspectos se assemelham a um Grupo Econômico  de fato, pois possuem atividades complementares, propósito econômico comuns, formação do  quadro  societário  com  alguns  indivíduos  integrando  todas  as  empresas,  dentre  outras  características.  Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13896.900268/2013­81  Acórdão n.º 2401­006.484  S2­C4T1  Fl. 7          11 Não  há  como  prescindir  da  formalidade  exigida  por  lei  em  relação  ao  cancelamento  das  notas  fiscais  eletrônicas,  via  processo  administrativo,  e  acatar  declarações  unilaterais produzidas pelo mesmo  representante de  todas  as  empresas,  tanto na condição de  contratante  como  na  condição  de  contratado.  Não  é  possível  atribuir  qualquer  critério  de  isenção e  imparcialidade na produção das  referidas declarações. Ou seja,  o documento não é  apto, apropriado, ao fim que se pretende destinar.  Noutro  giro,  a  posição  que  a  Recorrente  se  coloca  de  mera  tomadora  de  serviços, sem nenhum "poder" sobre as prestadoras para exigir­lhes os referidos cancelamentos  das  notas  fiscais,  diante  da  representação  comum  exercida  pelo  Sr  Rogério  Igreja,  referida  alegação aproxima­se da má fé, já que como se observa, é uma prova que está inteiramente ao  seu alcance e  já deveria  ter sido produzida desde a  fase de Manifestação de Inconformidade,  estando preclusa sua produção no momento presente.   Assim,  que  fique  consignado  que  o  ônus  da  prova  é  inteiramente  do  Recorrente conforme já mencionado no Relatório Fiscal e Acórdão ora Recorrido, não havendo  que  se  transferir  para  a  fiscalização  a  obrigação  legal  do  Recorrente  de  apresentar  os  documentos hábeis a demonstrar o direito que alega possuir, razão pela qual indefiro o retorno  dos  autos  à  DRJ,  por  entender  que  não  houve  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  Contribuinte, nem tampouco que há embasamento legal para a inversão do ônus da prova por  ele pretendido.  Nesse  diapasão,  não  há  cerceamento  de  defesa  em  nenhuma  fase  do  curso  processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise  de mérito no presente feito.      2.  DO MÉRITO  Em  seu Recurso Voluntário  o  contribuinte  se  restringe  a  alegar,  no mérito,  que  tendo  os  serviços  sido  cancelados,  procedeu  a Recorrente  aos  (i)lançamentos  contábeis,  que identificam os débitos dos valores de IRRF na conta do passivo IRRF a Recolher – “IRRF  P.J. 1708 a Rec” –  referentes a essas notas,  e os  respectivos créditos da mesma conta – que  representam os  cancelamentos das notas  e,  consequentemente,  o  cancelamento dos valores  a  recolher, (ii) à retificação da DCTF apresentada, bem como, para fins de atendimento ao artigo  166  do  Código  Tributário  Nacional,  (iii)  comunicou  aos  prestadores  dos  serviços  os  cancelamentos.    A)  DA  INEXISTÊNCIA  DE  PROCEDIMENTO  DE  CANCELAMENTO  DAS  NOTAS  FISCAIS DE SERVIÇOS PERANTE A PREFEITURA DE SÃO PAULO E AS CARTAS DE  CANCELAMENTO DOS SERVIÇOS  O  ponto  controvertido  que  sobreveio  à  análise  deste  colegiado  refere­se  à  falta  de  certeza  e  liquidez  do  direito  creditório,  seja  pela  inexistência  de  procedimentos  de  cancelamento  das  notas  fiscais  dos  alegados  serviços  não  prestados  perante  a  Prefeitura  do  Município  de  São  Paulo,  sejam  pelas  inconsistências  das  cartas  de  cancelamento  fornecidas  pelos prestadores dos serviços, acostadas aos autos pela Recorrente.  Fl. 216DF CARF MF     12 A  instância  a  quo  entendeu  que  as  declarações  foram  “emitidas  em  uma  mesma data (14/03/2013), com rubricas de assinaturas idênticas e sem identificação, apesar, de  serem de três empresas distintas, levando a crer que foram emitidas por um mesmo remetente,  afastando o valor probatório de  tais declarações, além de não comprovar o cancelamento das  notas fiscais.  Em sede de Recurso Voluntário a Recorrente esclarece que as assinaturas das  Declarações são de fato oriundas do mesmo signatário; isso porque, as três empresas possuem  os mesmos  sócios  que  assinaram  as  declarações,  conforme  se  observa  dos  primeiros  sócios  mencionados  no  quadro  de  sócios  dos  cartões  de  CNPJ  dos  prestadores  que  acostou  ao  Recurso, concluindo assim que é incabível que a forma prevaleça sobre o conteúdo, sobre pena  de  a  I.  Fiscalização  passar  a  cobrar  valores  despropositados,  apenas  em  razão  de  alguma  irregularidade formal não ter sido cumprida. (Cita o art. 112 do CC e art.4º do CTN, além de  jurisprudências administrativas para reforçar sua tese).  Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos:  Conforme  já  me  posicionei  no  item  referente  à  preliminar,  pertence  ao  contribuinte  o  ônus  da  prova  de  comprovar  os  fatos,  em  sede  de  pleito  de  compensação  ou  restituição de tributos.  O Código de Processo Civil  (Lei nº 5.869/73),  estabelece, em caráter geral,  preceito nesse sentido:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.(g.n)  Já o artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser  objeto de compensação, créditos líquidos e certos, in verbis:  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (g.n)  E o Artigo 923, do Decreto 3000/99,dispõe que:  Art.  923.  A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos  legais.(g.n)  A Recorrente trouxe aos autos as Notas Fiscais Eletrônicas objeto da questão,  as  folhas  do  Razão  Analítico,  as  Cartas  que  teria  enviado  aos  prestadores  de  serviço  comunicando o cancelamento extemporâneo das notas fiscais, as Declarações fornecidas pelos  prestadores  de  serviços  visando  atestar  os  cancelamentos  das  notas  fiscais  eletrônicas,  bem  como  cartões  de  CNPJ  dos  três  prestadores,  para  demonstrar  que  as  referidas  empresas  possuem o mesmo sócio que assinou as declarações de que inexistiu a prestação dos referidos  serviços.  Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13896.900268/2013­81  Acórdão n.º 2401­006.484  S2­C4T1  Fl. 8          13 Ocorre que, como já lhe foi esclarecido pela instância a quo, o cancelamento  das  notas  fiscais  não  é mero  procedimento  formal. O  contribuinte  alega  que  a  prestação  de  serviços  de  quatro  fornecedores  (  embora  só  tenha  apresentado  declaração  de  três),  que  emitiram  as  respectivas  notas  fiscais,  de  fato  não  ocorreram,  de  modo  que  a  retenção  e  recolhimento de IRRF, que houve, foi indevida.   Para  que  seja  deferido  o  pleito  de  restituição/compensação,  é  fundamental  que  esses  fatos  sejam  comprovados,  em  obediência  aos  dispositivos  legais  citados  acima. O  que não ocorreu , já que não foram apresentadas as notas fiscais canceladas.   Conforme o art. 923 do RIR/99 a escrituração contábil faz prova em favor do  contribuinte,  mas  desde  que  os  fatos  nela  registrados  sejam  comprovados  por  documentos  hábeis. Assim, entendo que não podem ser aceitas como provas, como pretende o contribuinte,  meras cartas enviadas por fornecedores, pertencentes ao que se assemelha a um mesmo grupo  econômico  de  fato  da  Recorrente,  inclusive  assinada  pelo  mesmo  diretor  da  Recorrente,  Sr  ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR.  Pois, como já fundamentado em minhas razões em sede de preliminar, não há  como prescindir da formalidade exigida por lei em relação ao cancelamento das notas fiscais  eletrônicas,  via  processo  administrativo,  e  acatar  declarações  unilaterais  produzidas  pelo  mesmo representante de todas as empresas, tanto na condição de contratante como na condição  de  contratado.  Não  é  possível  atribuir  qualquer  critério  de  isenção  e  imparcialidade  na  produção das referidas declarações. Ou seja, o documento não é apto, apropriado, ao fim que se  pretende destinar.  E também não é possível considerar a posição que a Recorrente pretende se  colocar de mera tomadora de serviços, sem nenhum "poder" sobre as prestadoras para exigir­ lhes os referidos cancelamentos das notas fiscais, diante da representação comum exercida pelo  Sr  Rogério  Igreja;  referida  alegação  aproxima­se  da má  fé,  já  que  como  se  observa,  é  uma  prova  que  está  inteiramente  ao  seu  alcance  e  já  deveria  ter  sido  produzida  desde  a  fase  de  Manifestação de Inconformidade, já que ele é sócio/diretor de todas as empresas envolvidas.  Diante  do  exposto,  entendo  que  o  único  documento  hábil  capaz  de  fazer  prova  e  demonstrar  que  o  crédito  pretendido  seria  líquido  e  certo  seria  o  cancelamento,  via  respectivo processo administrativo, das  respectivas notas  fiscais, o que,  durante  todo o curso  processual não foi apresentado, e nem poderia pois conforme consulta realizada pela DRJ, as  Notas Fiscais Eletrônicas NÃO CONSTAM COMO CANCELADAS no endereço virtual da  Prefeitura  do  Município  de  São  Paulo  (https://nfe.prefeitura.sp.gov.br).  E  a  Recorrente  não  apresentou  qualquer  comprovação  da  existência  de  processo  administrativo  objetivando  o  cancelamento das  referidas notas  fiscais eletrônicas,  à  luz das exigências previstas no Artigo  12,  Parágrafo Único,  do Decreto Nº  47.350,  de  06/06/2006,  da Prefeitura  da Cidade  de São  Paulo  Razão  pela  qual  não  há  como  se  reconhecer  qualquer  direito  creditório  referente a pagamento indevido ou maior da Recorrente.  B) ORDEM CRONOLÓGICA DOS FATOS . RECOLHIMENTO IRRF  O Recorrente alega ainda em sede recursal que ao traçar a ordem cronológica  envolvendo  o  recolhimento  do  IRRF,  a  apresentação  das  DCTFs  original  e  retificadora,  a  apresentação de PER/DCOMP e as declarações firmadas entre os prestadores dos serviços e a  Fl. 218DF CARF MF     14 Recorrente, a I. Fiscalização procurou evidenciar erros de procedimento que ensejariam no não  reconhecimento do crédito. Todavia, diante do elevado grau burocrático, é esperado que os  contribuintes de grande porte, como é o caso do Recorrente, incorram em erros, havendo,  inclusive,  mecanismos  para  corrigi­los.  Referidos  erros  comumente  são  verificados  somente  por  meio  de  auditorias,  realizadas  tempos  após  a  ocorrência  do  ato.E  a  verificação  do  erro  com a  correspondente  correção  deve  ser  admitida  para  fins  fiscais,  tendo  em  vista  que  os  mecanismos  próprios  para  tanto  estão  previstos  em  lei.  Nesse  contexto, mister se faz afirmar que foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, tendo  originado  a  confusão  cronológica  dos  atos  que  legitimaram  a  existência  do  crédito  de  IRRF.  A DCTF  do  período  foi  devidamente  retificada  quando  o  procedimento  de  auditoria  verificou  a  inconsistência.  A mesma  situação  ocorreu  com  as  declarações  para  fins  de  ISS  apresentadas pela Recorrente aos prestadores dos serviços. Desta feita, não há que se falar de  procedimentos suspeitos quando as retificações e providências foram realizadas nos termos da  lei. Assim, uma vez provada a impossibilidade de constituição de crédito tributário por erro de  declaração,  é  de  rigor  seja  reformado  o  r.  despacho  decisório  combatido  para  que  restem  homologadas as compensações realizadas pela Recorrente.  Novamente, não assiste razão ao Contribuinte, senão vejamos.  Conforme relatado pela DRJ e pela  I. Fiscalização a ordem cronológica em  que  os  fatos  ocorreram  não  corroboraram  o  reconhecimento  de  crédito  do  contribuinte;  por  óbvio que erros ocorrem, todavia os mecanismos de correção utilizados pelo Recorrente, não  estavam aptos a  serem admitidos para  fins  fiscais, nem  tampouco a  legitimar a existência de  eventual  crédito de  IRRF,  e,  ao  contrário do  entendimento  esposado pela Recorrente,  após  a  análise  dos  presentes  autos  e  das  provas  nele  carreadas,  verificou­se  que  as  retificações  e  providências não foram realizadas nos termos da lei, faltando demonstrar o principal, que é a  certeza e liquidez dos créditos que se pretendia obter autorização para compensar.  Assim, mantenho o entendimento esposado pela DRJ de que não há como se  reconhecer qualquer direito creditório referente a pagamento indevido ou maior da Recorrente  3. CONCLUSÃO  Pelos  motivos  expendidos,  voto  para  CONHECER  do  recurso,  rejeitar  a  preliminar  e,  no  mérito,  NEGAR­LHE  PROVIMENTO,  pela  falta  de  certeza  e  liquidez  do  direito creditório pleiteado nos termos do relatório e voto.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Luciana Matos Pereira Barbosa.                            Fl. 219DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.910876/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:01/07/2000 a 31/07/2000 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO. Verifica-se ausência de fundamento do indébito preconizado pela recorrente, uma vez que o STF já explicitou a identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida esta última como a resultante de sua atividade principal, que no caso das instituições financeiras abarca as receitas de intermediação financeira (spreads).
Numero da decisão: 3302-006.747
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões por entender que os documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora e que as rendas de aplicações de recursos próprios compõem o faturamento das instituições financeiras. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões por entender que os documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora e que as rendas de aplicações de recursos próprios compõem o faturamento das instituições financeiras. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).

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3302­006.747  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de março de 2019  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  ALVORADA CARTOES, CREDITO, FINANCIAMENTO E  INVESTIMENTO S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração:01/07/2000 a 31/07/2000  RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO.   Verifica­se ausência de fundamento do indébito preconizado pela recorrente,  uma vez que o STF já explicitou a identidade entre o conceito de faturamento  e a receita operacional da pessoa jurídica, tida esta última como a resultante  de sua atividade principal, que no caso das instituições financeiras abarca as  receitas de intermediação financeira (spreads).      Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar  de  nulidade  e,  no  mérito,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Os  Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus,  Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões por entender que os  documentos acostados permitiriam a conversão em diligência para apurar o direito creditório,  caso,  no  mérito,  a  recorrente  fosse  vencedora  e  que  as  rendas  de  aplicações  de  recursos  próprios compõem o faturamento das instituições financeiras.   (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 08 76 /2 01 1- 84 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 3          2   Relatório  Contra o contribuinte acima  identificado  foi emitido o Despacho Decisório,  através do qual a RFB não homologou a compensação realizada através de PER/.DCOMP.  Referido PER/DCOMP  teve  como  suporte um  crédito  declarado  a  título de  pagamento indevido ou a maior de COFINS..  O Despacho Decisório fundamentou a não homologação sob a justificativa de  que  o  pagamento  referente  ao DARF  indicado  no  PER/DCOMP  foi  integralmente  utilizado  para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação.  Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a manifestação de  inconformidade, na qual, alega em síntese que:  • a autoridade administrativa deveria ter intimado o contribuinte  previamente  ao  indeferimento  da  compensação,  sob  pena  de  caracterização de cerceamento do direito de defesa;  • os documentos apresentados não deixam dúvida de que efetuou  recolhimento a título de contribuição ao PIS calculado sobre base  de  cálculo  diversa  da  constitucionalmente  prevista,  fazendo  jus  portanto à restituição do valor recolhido indevidamente a maior;  •  o  pedido  de  restituição  tem  por  fundamento  o  fato  de  o  Impugnante  ter  efetuado  o  recolhimento  da  contribuição  em  questão  nos  termos  da  Lei  n°  9.718/98,  sendo  certo  que  o  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  já  reconheceu  a  inconstitucionalidade  do  parágrafo  1o  do  artigo  3o  da  Lei  n°  9.718/98,  entendendo  só  ser  possível  a  exigência  com  base  no  faturamento  das  empresas,  assim  entendido  como  a  receita  decorrente  da  venda  de  mercadorias,  de  serviços  ou  de  mercadorias e serviços;  • o conceito de faturamento deve ser extraído da alínea “a” do §  1º  do  art.  1º  do DL  1940/82,  na  redação  do DL  2397/87  e LC  7/70, nele não podendo ser inseridas outras receitas, tais como as  provenientes de  juros  sobre capital  próprio, dividendos,  receitas  financeiras, etc;  • não concorda com a conclusão expressa no Parecer PGFN/CAT  nº  2773/2007,  segundo  o  qual  a  declaração  de  inconstitucionalidade  do  art.  1º,  §  1º  da  Lei  nº  9.718/98  não  atinge as receitas financeiras das instituições financeiras;  • a prevalecer o entendimento de que o conceito de faturamento  varia em função do objeto social de cada contribuinte, a base de  cálculo  das  contribuições  ficaria  sujeita  a  um  grau  de  incerteza  inaceitável;  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 4          3 •  não  há  qualquer  relação  de  identidade  entre  o  conceito  de  faturamento (receita bruta das vendas de mercadorias e serviços e  de serviços de qualquer natureza) com a atividade principal dos  contribuintes;  • a questão encontra­se pendente de decisão pelo STF no RE nº  609.096,  reconhecido  o  efeito  de  repercussão  geral;  assim,  de  acordo  com  o  art.  62­A  do Regimento  Interno  do CARF,  deve  ficar  o  presente  feito  sobrestado  até  o  julgamento  final  do STF  sobre a matéria;  • mesmo  que  se  entenda  que  as  receitas  financeiras  auferidas  pelas instituições financeiras têm natureza de receita de prestação  de serviços, quando menos, mereceria ser parcialmente deferido  o  pedido  de  restituição,  posto  que  não  seriam  operacionais  as  receitas  financeiras  decorrentes  de  aplicações  de  recursos  próprios ou de terceiros;  • não  se questiona o  fato de  que  integram  a  base  de  cálculo  as  prestações  de  serviços  bancários,  tais  como  administração  de  fundos  de  investimentos,  assessoria  em  operações  de  fusão  e  aquisição;  • ao final solicita seja julgada procedente a presente manifestação  de inconformidade, para o fim de reformar o despacho decisório  e deferir o pedido de restituição pleiteado e ainda que (sic) se o  caso, após o julgamento pelo STF do RE nº 609.096.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento,  julgou  improcedente  a  manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08­031.450.  Regularmente  cientificada  desta  decisão,  a  Recorrente  interpôs  o  recurso  voluntário  ora  em  apreço,  tempestivamente,  no  qual  essencialmente  reitera  os  argumentos  iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida está equivocada, uma vez  que trata­se de pedido de restituição, e não de compensação, e no caso a legislação é expressa  no  sentido  de  que  a  autoridade  administrativa  deve  intimar  previamente  o  contribuinte  a  apresentar  os  documentos  necessários  à  comprovação  do  indébito  antes  de  decidir  sobre  o  pedido formulado. Rebate a decisão recorrida quando essa sustenta que o crédito tributário não  é líquido e certo, e a critica quanto ao entendimento de que o conceito de faturamento varia em  função do objeto social de cada contribuinte. Diz, ainda, que a MP n° 627/2013 introduziu um  conceito de "receita bruta" semelhante ao do antigo art. 44 da Lei n° 4.506/64, mas com uma  significativa  alteração  do  inciso  IV,  que  passou  a  incluir  na  receita  bruta  "as  receitas  da  atividade  ou  objeto  principal  da  pessoa  jurídica,  não  compreendidas  nos  incisos  I  a  III",  ou  seja,  criou no ordenamento  jurídico o conceito de faturamento nos  termos defendidos pela  r.  decisão recorrida. Assim, a adoção de tal base de cálculo antes da edição desta MP implicaria  legislar positivamente,  já que ausente qualquer  fundamento  legal que sustentasse a exigência  da contribuição ao PIS e da COFINS nestes termos. Subsidiariamente, merece ser parcialmente  deferido o pedido de restituição, uma vez que não podem integrar a base de cálculo as receitas  financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses  que  não  envolvam  intermediação  financeira.  Por  fim,  requer  reforma  da  decisão  e  reconhecimento da restituição pleiteada.   É o relatório.  Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 5          4     Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Acórdão nº  3302­006.743,  de  28  de  março  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  16327.909520/2011­06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302­006.743):  "O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais  requisitos  de  sua  admissibilidade,  merece ser apreciado.     DO DESPACHO DECISÓRIO  Em sede de manifestação de inconformidade, foi invocada  nulidade do despacho decisório porque, segundo a manifestante,  a Receita Federal deveria tê­la intimado previamente à emissão  do  despacho  decisório. O  recurso  voluntário  traz  novamente  a  preliminar  dizendo  que  a  decisão  recorrida  está  equivocada,  uma  vez  que  trata­se  de  pedido  de  restituição,  e  não  de  compensação,  e  no  caso  a  legislação  é  expressa  no  sentido  de  que  a  autoridade  administrativa  deve  intimar  previamente  o  contribuinte  a  apresentar  os  documentos  necessários  à  comprovação  do  indébito  antes  de  decidir  sobre  o  pedido  formulado.   Apesar de a decisão recorrida estar, de fato, equivocada  quanto à natureza do pedido ­ restituição, e não compensação ­  a  recorrente  não  tem  razão  quanto  à  matéria  de  fundo:  obrigatoriedade  de  intimação  para  apresentar  documentos  previamente  à  prolação de  despacho decisório.  A  uma,  porque  toda  a  legislação  aplicável  e  inclusive  indicada  pela  própria  recorrente,  Instruções  Normativas  n°s  600/2005,  900/2008  e  1300/2012,  quando  trata  de  apresentação  de  documentos  comprobatórios,  o  faz  como  sendo  uma  prerrogativa  da  autoridade tributária, e o verbo utilizado é sempre "poderá". A  duas,  porque  a  conjuntura  do  procedimento  de  restituição  não  justificava apresentação de documentos ­ o alegado pagamento  indevido  constava  nos  sistemas  da  Receita  Federal  como  totalmente utilizado para a liquidação de débito confessado pelo  próprio  contribuinte  em  DCTF,  há  mais  de  cinco  anos,  sendo  que  não  foi  em momento  algum  retificado,  portanto  operada  a  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 6          5 decadência do direito de retificar, de modo que a Administração  detinha  as  informações  necessárias  à  prolação  do  Despacho  Decisório.   Dessarte, merece ser rejeitada a preliminar de nulidade  do  despacho  decisório.  Superada  a  preliminar,  passa­se  ao  mérito do litígio.     DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO DO INDÉBITO   A  recorrente  rebate  a  decisão  recorrida  quando  essa  sustenta  que  o  crédito  tributário  não  é  líquido  e  certo,  considerando que o STF ainda não se pronunciou em definitivo  sobre  a  constitucionalidade  da  incidência  do  PIS  e  COFINS  sobre  as  receitas  financeiras  das  instituições  financeiras,  e  a  critica quanto ao entendimento de que o conceito de faturamento  varia em função do objeto social de cada contribuinte.   Ora, a decisão recorrida simplesmente tratou de analisar  a  documentação  trazida  aos  autos  pela  então  manifestante  e  verificar  qual  o  conceito  de  faturamento  que  o  STF  entendia  aplicável às instituições financeiras, que é o caso da recorrente:  No  presente  caso,  o  contribuinte  alega  que  o  pagamento  indevido  decorreu  do  fato  de  a  contribuição  haver  sido  recolhida  com  base  na  receita  bruta,  quando  deveria  ter  sido  recolhida  com  base  no  faturamento,  já  que  o  STF  declarou inconstitucional o dispositivo legal que definiu a  totalidade da receita bruta como base de cálculo (§ 1° do  artigo 3° da Lei n° 9.718/98). A diferença entre os valores  recolhidos segundo esses dois critérios seria o pagamento  a maior.  De  fato,  não  resta  dúvidas  de  que  o  STF  declarou  a  inconstitucionalidade  do  §  1°  do  artigo  3°  da  Lei  n°  9.718/98 e que, em conseqüência dessa decisão, a base de  cálculo  admitida  passou  a  ser  o  faturamento,  tal  como  previsto  no  art.  2º  da  LC  nº  70/91.  Não  resta  dúvidas  também  de  que  a  decisão  do  STF  em  causa  atende  o  disposto  no  §5º  do  art.  19  da  Lei  nº  10.522/20025,  pelo  que vincula esta instância administrativa de julgamento.  Contudo, a determinação do valor do pagamento a maior  dependeria, no mínimo, de um levantamento comparativo  entre  o  valor  devido  segundo  a  receita  bruta  e  o  devido  segundo  o  faturamento,  sendo  necessário  discriminar  quais  as  espécies  de  ingressos  integrariam  e  quais  não  integrariam  o  faturamento,  tais  como:  receita  de  intermediação de operações financeiras (spread), tarifas de  prestação  de  serviços;  dividendos;  juros  sobre  capital  próprio; remuneração sobre depósitos compulsórios, etc.  No presente caso, o  contribuinte  simplesmente  “zerou” a  base de cálculo, como se faturamento não tivesse auferido.  Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 7          6 Isso  é  o  que  se  constata  do  demonstrativo  por  ele  elaborado, anexo às fls. 44. Contraditoriamente, a própria  manifestante  admite  que  não  questiona  que  integram  a  base de cálculo das contribuições as receitas de prestações  de serviços bancários, tais como administração de fundos  de  investimentos,  assessoria  em  operações  de  fusão  e  aquisição,  etc.  Sua  tese  essencial  é  a  não  incidência  da  contribuição  sobre  as  receitas  financeiras  decorrentes  de  intermediação financeira (spread).  A esse propósito, o contribuinte  invoca a alínea “a” do §  1º do art. 1º do DL 1940/826, para delimitar o conceito de  faturamento.  De  fato,  referido  dispositivo  define  como  base de calculo da contribuição “a receita bruta das vendas  de mercadorias e de mercadorias e serviços...”, só que se  olvidou a manifestante de observar que  logo em seguida,  na  alínea  “b”  do  mesmo  dispositivo,  a  lei  faz  incidir  a  contribuição  sobre  “as  rendas  e  receitas operacionais das  instituições  financeiras e entidades a elas equiparadas...”,  expressando a clara intenção de incluir o spread na base de  cálculo do então Finsocial.  Ora, é sabido, conforme reconhece a própria manifestante  em sua manifestação de inconformidade, que o STF ainda  não  se  pronunciou  em  definitivo  sobre  a  constitucionalidade da incidência do PIS e Cofins sobre as  receitas financeiras das instituições financeiras. A matéria  está  sendo  discutida  no  RE  609096/RS,  com  efeito  de  repercussão  geral,  sob  relatoria  do  Ministro  Ricardo  Lewandowski (concluso ao relator em 02/09/2014).  Pesquisando  os  debates  que  se  desenvolveram  na  sessão  do Tribunal Pleno que julgou o RE 346.084/PR, na qual se  decidiu pela inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da  Lei  n°  9.718/98,  os Ministros  explicitaram  entendimento  no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e  a  receita  operacional  da  pessoa  jurídica,  tida  esta  última  como  a  resultante  de  sua  atividade  principal.  Segue­se  breve  transcrição  do  que  afirmaram  alguns  Ministros  acerca do tema:  Ministro César Peluso:  “Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1°  do  art.  3°  da  Lei  9.718/98,  por  ampliar  o  conceito  de  receita  bruta  para  "toda  e  qualquer  receita",  cujo  sentido  afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I,  da  Constituição  da  República,  e,  ainda,  o  art.  195,  parágrafo 4°, se considerado para esse efeito de nova fonte  de custeio da seguridade social.  Quanto ao caput do art. 3°, julgo­o constitucional, para  lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos  do julgamento proferido no RE n° 150755/PE, que tomou  a locução receita bruta como sinônimo de faturamento,  ou  seja,  no  significado  de  "receita  bruta  de  venda de  Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 8          7 mercadoria  e  de  prestação  de  serviços",  adotado  pela  legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma  das  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais. (...)  Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja  remuneração  entra  na  classe  das  receitas  chamadas  financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade  própria  do  campo  empresarial,  de modo  que  tal  produto  entra no conceito de "receita bruta  igual a faturamento ".  (grifos nossos)  Ministro Marco Aurélio:  “O Tribunal estabeleceu a sinonímia "faturamento/receita  bruta ", conforme decisão proferida na Ação Declaratória  de  Constitucionalidade  n°  1­1/DF  ­  receita  bruta  evidentemente  apanhando  a  atividade  precípua  da  empresa. (...)  Operacional. (...) " (grifo nosso)  Ministro Carlos Britto:  A  Constituição  de  88,  pelo  seu  art.  195,  I,  redação  originária,  usou  do  substantivo  "faturamento  ",  sem  a  conjunção disjuntiva "ou " receita ".  Em  que  sentido  separou  as  coisas?  No  sentido  de  que  faturamento é receita operacional, e não receita total da  empresa.  Receita  operacional  consiste  naquilo  que  já  estava  definido pelo Decreto­lei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo  1°, "a ", assim redigido (...) :  "Art. 22. ...................................................................  § 1°.............................................................  a)  a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias  e  de  mercadorias  e  serviços,  de  qualquer  natureza,  das  empresas  públicas  ou  privadas  definidas  como  pessoa  jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto  de  Renda;  "  Por  isso,  estou  insistindo  na  sinonímia  "faturamento"  e  "receita  operacional",  exclusivamente,  correspondente  àqueles  ingressos  que  decorrem  da  razão  social  da  empresa,  da  sua  finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim.  (...)  Esse  tratamento  normativo  do  faturamento  como  receita  operacional  foi  reproduzido  pela  Lei  Complementar 70/91, cujo artigo 2° assim dispõe (....) ".  (grifos nossos)  Ministro Sepúlveda Pertence:  Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 9          8 Recordem­se, na conformidade do referido DL 2.397/87, a  nova redação do § 1° e o § 4° ­ esse, então acrescentado ao  art. 1° do DL 1.940/82, regente do FINSOCIAL sobre a  receita bruta das empresas :  'Art. 22 (...)  Parágrafo  1°  ­  A  contribuição  social  de  que  trata  este  artigo  será  de  0,5%  (meio  por  cento)  e  incidirá  mensalmente sobre: (...);  b)  as  rendas  e  receitas  operacionais  das  instituições  financeiras e entidades a elas equiparadas (...);  c)  as  receitas  operacionais  e  patrimoniais  das  sociedades  seguradoras  e  entidades  a  elas  equiparadas.'  (...)  FINSOCIAL,  é  na  legislação  desta  [contribuição],  e  não alhures, que se há de buscar a definição específica  da respectiva base de  cálculo, na qual  receita bruta  e  faturamento  se  identificam:  (...),  essa  é  a  solução  imposta,  no  ponto,  pelo  postulado  da  interpretação  conforme a Constituição. (...)  No  prosseguimento  da  discussão,  (...),  acentuei  ­ RTJ149/287;  "(...)  .  O  que  tentei  mostrar  no  meu  voto,  a  partir  do  Decreto­lei n° 2.397, é que a lei tributária, ao contrário,  para  o  efeito  de  FINSOCIAL,  chamou  receita  bruta  o  que é faturamento. E, aí, ela se ajusta à Constituição."  Essa  interpretação  conforme  veio  a  ser  a  base  da  definição de receita como base de cálculo da COFINS,  na  Lei  Complementar  70,  cuja  constitucionalidade  se  declarou na ADC n° 1, Moreira Alves.  Como se vê, além de não estar julgada no STF a questão  da incidência do PIS e Cofins sobre as receitas financeiras  das  instituições  financeiras,  não  é  precipitado  afirmar,  com  base  nas  manifestações  acima,  que  existem  reais  perspectivas de que venha a ser julgada constitucional essa  incidência.  Nessa  mesma  linha  de  raciocínio  se  expressa  o  Parecer  PGFN/CAT/N° 2.773/2007, segundo o qual, as receitas de  serviços das instituições financeiras, inseridas no conceito  de faturamento, abarcam as receitas advindas da cobrança  de  tarifas  (serviços  bancários)  e  das  operações  bancárias  (intermediação financeira).  A  própria  manifestante  admite,  ainda  que  em  caráter  subsidiário  do  entendimento  principal,  a  possibilidade  dessa  interpretação,  ao  formular  pedido  alternativo  no  sentido  de  quando  menos  excluir  da  base  de  cálculo  as  receitas  financeiras  de  aplicação  de  recursos  próprios  Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 10          9 (capital  de  giro)  e  de  terceiros  e  da  remuneração  dos  depósitos compulsórios junto ao BACEN.  Pelas razões acima expostas, não há como se aceitar que o  crédito pretendido pelo contribuinte seja líquido e certo.    Assim é que data maxima venia da posição da recorrente,  comungo  da  visão  da  decisão  recorrida,  que  apenas  verificou  haver  ausência  de  fundamento  do  indébito  alegado  pela  recorrente.  Entretanto,  a  maioria  do  colegiado  votou  pelas  conclusões,  por  entender  que  os  documentos  acostados  permitiriam  a  conversão  em  diligência  para  apurar  o  direito  creditório, caso, no mérito, a recorrente fosse vencedora. Assim,  a afirmação contida no voto da DRJ de que haveria necessidade  de  levantamento  comparativo  e  discriminação  das  espécies  de  ingressos integrantes da base de cálculo não se sustenta, já que  a  recorrente  juntou  o  doc  06,  contendo  o  balancete  contábil,  discriminando  as  contas  de  receitas  operacionais,  receitas  não  operacionais e despesas operacionais, suficientes, em princípio,  para a verificação das parcelas componentes da base de cálculo  a que se referiu a decisão de primeira instância.  DAS  ALTERAÇÕES  PROMOVIDAS  PELA  MP  N°  627/2013  Em outro  item,  diz  a  recorrente  que  a MP  n°  627/2013,  art  2º  e  49,1  introduziu  um  conceito  de  "receita  bruta"                                                              1   "Art. 2° O Decreto­Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, passa a vigorar com as seguintes alterações:   "Art. 12. A receita bruta compreende:  1­ o produto da venda de bens nas operações de conta própria;  II­ o preço da prestação de serviços em geral;  III ­ o resultado auferido nas operações de conta alheia; e  IV ­ as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não  compreendidas nos incisos I a III.  § 1° A receita líquida será a receita bruta diminuída de:  1­ devoluções e vendas canceladas;  II­ descontos concedidos incondicionalmente;  III ­ tributos sobre ela incidentes; e  IV ­ valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei n° 6.404,  de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (...)  § 4° Na  receita bruta,  não  se  incluem os  tributos  não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou  contratante, pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário.  §  5°  Na  receita  bruta,  incluem­se  os  tributos  sobre  ela  incidentes  e  os  valores  decorrentes  do  ajuste  a  valor  presente,  de que  trata o  inciso VIII do  caput do  art.  183 da Lei  n° 6.404,  de 1976, das operações  previstas  no  caput,  observado o disposto no § 4°." (NR)" e   "Art. 49. A Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações:   "Art. 30 O faturamento a que se refere o art. 2° compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto­Lei n°  1.598, de 26 de dezembro de 1977.  § 2° (...)  1­ as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos;  II ­ as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de  novas receitas e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham  sido computados como receita; (...)  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 11          10 semelhante  ao  do  antigo  art.  44  da  Lei  n°  4.506/64,  mas  com  uma significativa alteração do inciso IV, que passou a incluir na  receita  bruta  "as  receitas  da  atividade  ou  objeto  principal  da  pessoa jurídica, não compreendidas nos incisos I a III", ou seja,  criou  no  ordenamento  jurídico  o  conceito  de  faturamento  nos  termos  defendidos  pela  r.  decisão  recorrida,  e  a  adoção de  tal  base  de  cálculo  antes  da  edição  da  MP  implicaria  legislar  positivamente,  já  que  ausente  qualquer  fundamento  legal  que  sustentasse  a  exigência  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  nestes termos.   Com  todo  respeito  à  alegação  trazida,  não  foi  esse  o  conceito de faturamento defendido pela r. decisão recorrida, e  sim  o  expresso  anteriormente  no  item  DA  LIQUIDEZ  E  CERTEZA DO CRÉDITO deste voto, que buscou nas palavras  dos  ministros  do  STF  a  devida  compreensão  da  legislação  aplicável às contribuições sociais até então (Lei nº 9.718/98, art.  3º,  interpretação  cfe.  Constituição,  LC  nº  70/91  e  DL  nº  1.940/82)    PEDIDO SUBSIDIÁRIO  Subsidiariamente,  a  recorrente  pede  ser  parcialmente  deferida  a  restituição,  porque  não  podem  integrar  a  base  de  cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus  recursos  próprios  e  ou  de  terceiros  em  hipóteses  que  não  envolvam intermediação financeira.  Em tese, o pedido tem boa dose de razoabilidade, contudo  resta  prejudicado,  porquanto  esbarra  na  análise  já  feita  em  primeira  instância, contrária à pretensão da então  impugnante,  sem que fosse contraditada de forma específica:  Contudo, a determinação do valor do pagamento a maior  dependeria, no mínimo, de um levantamento comparativo  entre  o  valor  devido  segundo  a  receita  bruta  e  o  devido  segundo  o  faturamento,  sendo  necessário  discriminar  quais  as  espécies  de  ingressos  integrariam  e  quais  não  integrariam  o  faturamento,  tais  como:  receita  de  intermediação de operações financeiras (spread), tarifas de  prestação  de  serviços;  dividendos;  juros  sobre  capital  próprio; remuneração sobre depósitos compulsórios, etc.  No presente caso, o  contribuinte  simplesmente  “zerou” a  base de cálculo, como se faturamento não tivesse auferido.  Isso  é  o  que  se  constata  do  demonstrativo  por  ele  elaborado, anexo às fls. 44. Contraditoriamente, a própria  manifestante  admite  que  não  questiona  que  integram  a                                                                                                                                                                                           § 13. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção  por  empreitada  ou  de  fornecimento,  a  preço  predeterminado,  de  bens  ou  serviços  a  serem  produzidos,  será  calculada  sobre  a  receita  apurada  de  acordo  com  os  critérios  de  reconhecimento  adotados  pela  legislação  do  imposto sobre a renda, previstos para a espécie de operação." (NR)"    Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 12          11 base de cálculo das contribuições as receitas de prestações  de serviços bancários, tais como administração de fundos  de  investimentos,  assessoria  em  operações  de  fusão  e  aquisição,  etc.  Sua  tese  essencial  é  a  não  incidência  da  contribuição  sobre  as  receitas  financeiras  decorrentes  de  intermediação financeira (spread).    Demais  disso,  nenhuma  prova  da  existência  de  tais  receitas financeiras (decorrentes da aplicação de seus recursos  próprios  e  ou  de  terceiros  em  hipóteses  que  não  envolvam  intermediação financeira) foi apontada nos autos.  Neste  tópico,  a  maioria  do  colegiado  votou  pelas  conclusões, entendendo que as rendas de aplicações de recursos  próprios  compõem  o  faturamento  das  instituições  financeiras,  não havendo boa dose de razoabilidade no pedido.  O argumento central do apelo sustenta­se no  julgamento  do  RE  585.235/MG,  oportunidade  na  qual  o  Pleno  do  STF  declarou  inconstitucional o §1º do artigo 3ª da Lei 9.718/1998,  cuja  consequência  foi  a  exclusão  das  receitas  financeiras  da  base  de  cálculo  da  contribuição  ao  PIS,  porém  com  a  manutenção  das  receitas  operacionais  da  empresa,  nos  termos  do art. 1ª, § 2º da Lei 10.637/2002.   A Recorrente defende que o entendimento firmado no RE  585.235/MG  aplica­se  também  às  instituições  financeiras,  especialmente à administradoras de cartão de crédito, quando as  receitas financeiras advirem da aplicação de recursos próprios.  Afirma em seu Recurso que, em razão de objeto social amplo, a  aplicação  de  receitas  próprias  não  configura  sua  atividade  principal  e  entende  pela  não  tributação  pelo  PIS  receitas  financeiras.  É  imperiosa  menção  do  tratamento  legal  dado  às  empresas  que  compõem  o  Sistema  Financeiro Nacional  ­  SNF,  tais como a Recorrente. A Lei 4.595/1964 no seu artigo 17 traça  as  diretrizes  gerais  do  SFN,  objeto  social  das  empresas  que  o  integram e atividades típicas:  Art.  17.  Consideram­se  instituições  financeiras,  para  os  efeitos  da  legislação  em  vigor,  as  pessoas  jurídicas  públicas ou privadas, que tenham como atividade principal  ou  acessória  a  coleta,  intermediação  ou  aplicação  de  recursos  financeiros  próprios  ou  de  terceiros,  em  moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de  propriedade de terceiros.  Parágrafo  único.  Para  os  efeitos  desta  lei  e  da  legislação  em  vigor,  equiparam­se  às  instituições  financeiras  as  pessoas  físicas  que  exerçam  qualquer  das  atividades  referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual ­  (grifado).  Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.910876/2011­84  Acórdão n.º 3302­006.747  S3­C3T2  Fl. 13          12 A  Recorrente,  por  ser  administradora  de  cartões  de  crédito,  funciona  sob  a  égide  da  Lei  4.595/1964,  mediante  autorização do Banco Central do Brasil e tem como atividade a  aplicação de  recursos  financeiros próprios ou de  terceiros, nos  termos  do  artigo  17  da  Lei  4.595/1964,  de  maneira  que  independe o que é transcrito em seus atos constitutivos; vale, por  império da lei, a atividade de fato exercida pela Recorrente.  Posto  isso,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Deroulede                                  Fl. 152DF CARF MF

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Numero do processo: 13982.000915/2002-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1997 MULTA DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM DCTF, SEM FALSIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART 18 DA LEI Nº 10.833/2003. APLICÁÇÃO, AINDA QUE NÃO SUSCITADA EM SEDE RECURSAL. Cabível, por se revelar infrutífero levar a discussão adiante, à vista do reconhecido pela própria Receita Federal, cancelar-se, mesmo sem contestação por parte do sujeito passivo em sede recursal, a multa de ofício de 75 % lançada sobre valor indevidamente compensado, informado em DCTF, antes da edição da MP 135, convertida na Lei nº 10.833/2003, pela aplicação da retroatividade benigna do art. 106, II, “c”, do CTN, a não ser no caso de comprovada falsidade (considerando a atual redação do art. 18, caput, da lei que regula a aplicação da penalidade).
Numero da decisão: 9303-008.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 217          1 216  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13982.000915/2002­21  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­008.387  –  3ª Turma   Sessão de  21 de março de 2019  Matéria  Multa de Ofício ­ Retroatividade Benigna  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  BRITADOR BALDISSERA IND E COM LTDA ­ ME    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1997  MULTA  DE  OFÍCIO.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  INFORMADA  EM  DCTF,  SEM FALSIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART  18  DA LEI Nº 10.833/2003. APLICÁÇÃO, AINDA QUE NÃO SUSCITADA  EM SEDE RECURSAL.  Cabível,  por  se  revelar  infrutífero  levar  a  discussão  adiante,  à  vista  do  reconhecido  pela  própria  Receita  Federal,  cancelar­se,  mesmo  sem  contestação por parte do sujeito passivo em sede recursal, a multa de ofício  de  75  %  lançada  sobre  valor  indevidamente  compensado,  informado  em  DCTF,  antes da  edição  da MP 135,  convertida na Lei nº 10.833/2003, pela  aplicação da retroatividade benigna do art. 106, II, “c”, do CTN, a não ser no  caso  de  comprovada  falsidade  (considerando  a  atual  redação  do  art.  18,  caput, da lei que regula a aplicação da penalidade).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso Especial e, no mérito, em negar­lhe provimento.   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 09 15 /2 00 2- 21 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13982.000915/2002­21  Acórdão n.º 9303­008.387  CSRF­T3  Fl. 218          2 Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da  Fazenda Nacional  (fls. 188 a 192),  contra o Acórdão 3801­003.415, proferido pela 1ª Turma  Especial da 3ª Sejul do CARF (fls. 179 a 185), sob a seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1997  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ELETRÔNICO.  FUNDAMENTAÇÃO  DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.  Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe  e  trata  do  direito  creditório  que  se  informa  ter  utilizado  em  compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento  “eletrônico” em relação aos valores que tem por fundamentação  “proc. jud. não comprovado”.  DCTF.  EXTINÇÃO  POR  PAGAMENTO.  RECOLHIMENTO  NÃO LOCALIZADO.  Não  se  comprovando a  extinção  do  crédito  tributário mediante  pagamento conforme informado em DCTF mantém­se o crédito  tributário constituído de ofício.  MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART.  18 DA LEI Nº 10.833/2003.  Com  a  edição  da  MP  nº  135/2003,  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003,  não  cabe  mais  imposição  de  multa  de  ofício  excetuando­se  os  casos mencionados  em  seu  art.  18.  Sendo  tal  norma  aplicável  aos  lançamentos  ocorridos  anteriormente  à  edição  da MP  nº  135/2003  em  face  da  retroatividade  benigna  (art. 106, II, “c” do CTN), impõe­se o cancelamento da multa de  ofício lançada.  O  julgado  versa  sobre  um  Auto  de  Infração  da  Cofins  (fls.  019  a  025),  lavrado em razão de Auditoria Interna de DCTF, por falta de recolhimento / declaração inexata,  (com multa de ofício de 75 %, tendo a penalidade como base legal o art. 44, inciso I e § 1º, da  Lei nº 9.430/96) sob dois fundamentos:  1) Nos casos em que foi declarada Compensação sem DARF, “Proc jud não  comprovad”;  2) Tendo sido o valor declarado como pago, “Pgto não localizado”.  O contribuinte, em sua Impugnação (fls. 002 a 018) alegou e comprovou que  efetivamente  figurava  no  pólo  ativo  da  Ação  Ordinária  nº  97.6001841­1,  perante  a  Vara  Federal  de  Chapecó/SC,  tendo  obtido  sentença  favorável,  em  22/07/1997,  confirmada  pelo  TRF  da  4º  Região  (não  contesta  a  parcela  do  lançamento  decorrente  de  pagamentos  não  localizados).  Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13982.000915/2002­21  Acórdão n.º 9303­008.387  CSRF­T3  Fl. 219          3 Em  razão  disto,  a  DRJ/Florianópolis  baixou  o  Processo  em  diligência  (fls.  053  e  054),  a  fim  de  que  a  autoridade  competente  se  manifestasse,  conclusivamente,  em  relação às compensações, sendo que, conforme consta do Relatório do Acórdão da instância de  piso (fls. 148), a DRF/Joaçaba concluiu (Informação às fls. 145 e 146) que os créditos foram  “suficientes para  cobrir  totalmente as  compensações  informadas  em DCTF  ...  dos meses de  julho, agosto e setembro de 1997 e parcialmente a compensação de outubro de 1997 quando  restou de saldo devedor a quantia de R$ 213,53 ”.  No  seu  Recurso  Voluntário  (fls.  155  e  156),  como  dito  no  Relatório  do  Acórdão recorrido (fls. 181), o sujeito passivo alega “em síntese, que os valores  lançados  já  haviam  sido  compensados  no  processo  judicial,  a  prescrição  da  cobrança  e  remissão  dos  débitos”.  Mesmo  que  se  possa  depreender  isto  da  Ementa  do  Acórdão  recorrido,  ressalto  que,  “no  bojo”, mesmo  a  parcela  restante  de R$  213,53  da  compensação  relativa  a  outubro  de  1997  foi  exonerada  pela Turma a quo,  em  razão  de  que  o Auto  de  Infração  não  poderia  se manter  sob  outro  fundamento  que  não  fosse  “Proc  jud  não  comprovad”,  o  qual,  como visto, foi afastado.  Decide ainda (fls. 184), que “apesar de não  ter sido contestada a multa de  ofício, esta deve ser exonerada em razão do princípio da retroatividade benigna” (do art. 18  da  Medida  Provisória  nº  135/2003,  que  promoveu  alterações  no  art.  90  da  MP  nº  2.158­ 35/2001).  No  seu  Recurso  Especial,  ao  qual  foi  dado  seguimento  (fls.  200  e  201),  a  PGFN defende que não poderia ter havido a exoneração da multa de ofício, pois, “Como é de  todos sabido, só é lícito deduzir novas alegações, em supressão de instância, quando relativas  a  direito  superveniente,  competir  ao  julgador  delas  conhecer  de  ofício,  a  exemplo  da  decadência; ou por expressa autorização legal”.  O contribuinte não apresentou Contrarrazões.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  Preenchidos  todos  os  requisitos  e  respeitadas  as  formalidades  regimentais,  conheço do Recurso Especial.  No mérito, a questão da retroatividade benigna do disposto no art. 18 da Lei  nº 10.833/2003, e alterações, já foi enfrentada diversas vezes por esta Turma, sendo que trago,  como exemplo, o Acórdão nº 9303­004.676, de 16/02/2017 (decisão unânime, em Sessão que  também presidi), de relatoria da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997  Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13982.000915/2002­21  Acórdão n.º 9303­008.387  CSRF­T3  Fl. 220          4 MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA  DO ART. 18 DA LEI 10.833/2003.  Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não  cabe mais a imposição de multa de ofício, desde que não se trate  das hipóteses descritas em seu art. 18.  Tal  dispositivo  seria  aplicável  aos  lançamentos  ocorridos  anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade  benigna (art. 106, II, "c" do CTN).  Transcrevo também excertos do Voto Condutor, observando que se trata de  situação fática muito similar à aqui enfrentada):  “... vê­se que a lide traz a discussão acerca da aplicabilidade ou  não da multa de ofício no caso vertente.  Para melhor elucidar a questão,  importante  trazer que se  trata  de Auto de  Infração objetivando a  cobrança da Cofins  relativa  aos períodos de julho a dezembro/97 – fruto de auditoria interna  de DCTF – na qual restou constatada  falta de  recolhimento da  contribuição  por  não  terem  sido  confirmados  os  créditos  vinculados  aos  débitos  sob  o  argumento  de  que  o  processo  inexiste no Profisc. O que, por conseguinte, depreendendo­se da  análise  dos  autos  do  processo,  a  compensação  feita  com  tais  créditos foi considerada indevida.  Quanto a essa discussão,  importante aprofundar as questões de  direito antes de se direcionar o entendimento de que no caso em  comento seria cabível a multa de ofício, em respeito à hipótese  trazida  pelo  art.  44,  inciso  I,  da Lei  9.430/96  e  art.  90  da MP  2.158­35/01:  Art. 44. Nos casos de  lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  [...]  Art.  90.  Serão  objeto  de  lançamento  de  ofício  as  diferenças  apuradas,  em  declaração  prestada  pelo  sujeito  passivo,  decorrentes  de  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  indevidos  ou  não  comprovados,  relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela  Secretaria da Receita Federal.  Eis  que  resta  esclarecer  se  no  lançamento  de  ofício  seria  aplicável a multa disposta no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96,  quando  ocorrer  o  indeferimento  da  compensação  ...  não  ser  passível  de  compensação  por  expressa  disposição  legal,  ou  o  crédito  ser  de  natureza  não  tributária  ou  que  tenha  sido  Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13982.000915/2002­21  Acórdão n.º 9303­008.387  CSRF­T3  Fl. 221          5 caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73  da Lei 4.502/64.  O  art.  18  da  MP  n°  135/2003,  que  foi  convertida  na  Lei  10.833/03,  previu,  a  priori,  que  o  lançamento  de  ofício  decorrente de diferenças apuradas em declaração prestada pelo  sujeito  passivo,  decorrentes  de  compensação,  seria  cabível  na  hipótese  em  que  as  diferenças  apuradas  forem  decorrentes  de  compensação  indevida  quando  o  crédito  ou  o  débito  não  for  passível  de  compensação  por  expressa  disposição  legal;  o  crédito for de natureza não­tributária e às demais hipóteses em  que  ficar  caracterizada  a  prática  de  sonegação,  fraude  ou  conluio ­infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64.  Posteriormente, com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o  art. 18 da Lei 10.833/03 de conversão da MP 135/03, vê­se que  tal  dispositivo  sofreu  alteração  em  sua  redação  ­  passando  a  estabelecer:  Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida  Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à  imposição  de  multa  isolada  em  razão  de  não­homologação  da  compensação  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada pelo sujeito passivo.  Dessa forma, a hipótese de lançamento de ofício e de aplicação  da  respectiva  multa  para  autuações  decorrentes  de  compensações  indevidas  passou  a  ter  aplicação  ainda  mais  restrita, qual seja, apenas para os casos em que se comprovasse  a falsidade da declaração do sujeito passivo, além das hipóteses  de compensações "não declaradas".  A  restrição  das  hipóteses  para  a  aplicação  da  multa  nos  lançamentos  de  ofício  não  as  conduziu  automaticamente  à  aplicação da multa tratada no art. 44 da Lei 9.430/96 – eis que  esse dispositivo traz a regra geral – que não seria aplicável aos  casos de compensação – como nunca foi.  Com  o  advento  da  Lei  11.488/07,  que  alterou  o  art.  18  da  Lei  10.833/03,  houve  apenas  a  restrição  da  aplicação da multa  no  lançamento de ofício para aqueles casos de não homologação de  compensação sem comprovação de falsidade da declaração.  Continuando,  importante  lembrar  que  a MP  135/03  convertida  na  Lei  10.833/03,  que  trouxe  novo  regramento  legal  para  as  compensações,  também, dispôs sobre a operacionalização a ser  observada  mediante  entrega  da  "DCOMP",  estabelecendo,  inclusive em seu art. 17 – que, por sua vez, alterou o art. 74 da  Lei 9.430/96, que tal declaração constitui confissão de dívida e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente compensados.  Dessa  forma,  vê­se  que  com  a  constituição  da  DCOMP  em  confissão  de  dívida,  perdeu­se  o  sentido  a  aplicação  da multa  por  descumprimento  da  obrigação  tributária  ­  por  exemplo,  entrega  da  DCTF  com  inexatidão  quando  identificada  Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13982.000915/2002­21  Acórdão n.º 9303­008.387  CSRF­T3  Fl. 222          6 irregularidade  na  compensação  sem  comprovação  de  falsidade  nas informações. O que afastaria a aplicação da multa prevista  no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96.  Com  efeito,  é  de  se  clarificar  que  o  art.  44,  inciso  I,  da  Lei  9.430/96 trata do lançamento de ofício – como regra geral, não  alcançando as hipóteses de compensação referendadas no caput  do art. 18 da Lei 10.833/03 que faz referência aos lançamentos  de ofício de que trata o art. 90 da MP 2.158­35/01.  Ora,  o  art.  90  da MP  trata  especificamente  do  lançamento  de  ofício  das  ‘diferenças  apuradas,  em  declaração  prestada  pelo  sujeito  passivo,  decorrentes  de  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  indevidos  ou  não  comprovados,  relativamente  aos  tributos  e  às  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal’.  Em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat  legi generali – é de se aplicar o art. 18 da Lei 10.833/03 para os  casos de lançamento de ofício de tributos declarados – tal como  foi na DCTF. Eis que prevê processo administrativo próprio.  Dessa  forma,  entendo  ser  plenamente  aplicável  o  instituto  da  retroatividade  benigna  ­  tal  como  estabelece  o  art.  106  do  Código Tributário Nacional:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  (...)  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  (...)  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  O  que,  verifica­se  a  subsunção  do  caso  concreto  à  norma  referendada.  Com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso  vertente,  há  de  ser  afastada  a  aplicação  da  multa  de  ofício  –  considerando  a  redação  do  art.  18  da  Lei  10.833/03  com  a  redação dada pela Lei 11.488/07.”  Demonstrado  está  então  que  a  retroatividade  benigna  em  questão  é  efetivamente aplicável.  Mas o que aqui nos foi trazido à apreciação é se ela poderia ser reconhecida  de ofício pela Turma a quo, sem que isto tenha sido suscitado no Recurso Voluntário – o que,  sem dúvida, leva à preclusão.  Estando mais  que  pacificada,  repiso,  a  aplicação  da  retroatividade  benigna  nestes casos, revela­se inútil levar esta discussão adiante – ainda mais considerando que, como  o  lançamento  de  ofício  foi  considerado  totalmente  improcedente  no  que  se  refere  às  compensações (outra questão mais que pacificada), estaríamos a discutir aqui a aplicação de 75  Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13982.000915/2002­21  Acórdão n.º 9303­008.387  CSRF­T3  Fl. 223          7 % sobre nada (ressalvando, no entanto, que a parcela do lançamento relativa aos pagamentos  foge totalmente ao que aqui se discute).  E, mesmo que assim não, fosse, esta Turma já decidiu neste sentido (tratando  de outro assunto, com jurisprudência bem mais consolidada, é verdade, mas seguindo a mesma  lógica), em 17/10/2017, no Acórdão nº 9303­005.848, de minha relatoria:  BASE  DE  CÁLCULO.  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  7/70.  SEMESTRALIDADE.  APLICAÇÃO,  SEM  INCIDÊNCIA  DE  CORREÇÃO  MONETÁRIA,  POR  FORÇA  DE  SÚMULAS  DO  CARF E DO STJ E DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTES.  RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. IRRELEVÂNCIA.  Mesmo  tendo  sido  reconhecida  de  ofício,  pois  tão  somente  suscitada em sessão de julgamento do Conselho de Contribuintes  (sem  que  o  sujeito  passivo  tenha,  em  qualquer  momento,  levantado  a  questão),  mostra­se  inócuo  e  descabido  levar  adiante a discussão da chamada semestralidade na definição da  base  de  cálculo  da  contribuição  ...  reconhecendo  a  própria  Fazenda  Nacional  ...  que  continuar  insistindo  nessa  tese  significaria  apenas  alocar  os  recursos  ...  em  causas  nas  quais,  previsivelmente, não se teria êxito.  Por  fim,  transcrevo  ainda  trechos  da  Solução  de  Consulta  Interna  Cosit  nº  3/2004, para demonstrar que a própria RFB entende da mesma forma, no que se refere à multa  de ofício aqui tratada:  Relatório  (...)  3.  Por  sua  vez,  indaga  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento em Belo Horizonte ... :  c) tendo em vista que o “caput” do art. 18 da MP 135, de 2003,  modifica a redação original do art. 90 da MP 2.158­35 ... seria  cabível  exonerar  (com  base  art.  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN) a multa de ofício lançada no auto de infração, desde que  esta  não  tenha por  fundamento  as  referidas  hipóteses  versadas  no “caput” do referido art. 18 ... ?”  (...)  4.  Assim  se  posiciona  a  DRJ/BHE  sobre  as  questões  que  apresenta:  (...)  Quanto à indagação do item “c”, entendemos que no julgamento  dos  processos  pendentes,  cujo  crédito  tributário  tenha  sido  constituído  com  base  na  redação  original  do  art.  90  da  MP  2.158­35,  as  multas  de  ofício  exigidas  juntamente  com  as  diferenças lançadas devem ser exoneradas, mesmo que o sujeito  passivo não tenha formulado pedido expresso nesse sentido, pela  aplicação retroativa ...”  Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13982.000915/2002­21  Acórdão n.º 9303­008.387  CSRF­T3  Fl. 224          8 (...)  Conclusão  (...)  d)  no  julgamento  dos  processos  pendentes,  cujo  crédito  tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº  2.158­35,  as  multas  de  ofício  exigidas  juntamente  com  as  diferenças  lançadas  devem  ser  exoneradas  pela  aplicação  retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde  que  essas  penalidades  não  tenham  sido  fundamentadas  nas  hipóteses versadas no “caput” desse artigo.  À  vista  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  Especial  interposto pela Fazenda Nacional.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas                            Fl. 224DF CARF MF

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