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Numero do processo: 13816.000778/2003-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração eletrônico lavrado para exigir o PIS declarado em DCTF relativo aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a maio e de agosto a dezembro de 1998. O motivo alegado para a autuação foi o não recolhimento dos valores devidos em razão da ocorrência “pagamento não localizado no sistema”. Em sede de impugnação, o contribuinte confirma o não recolhimento das contribuições devidas no período abarcado pelo lançamento. Entretanto, alegou a nulidade do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 16 .0 00 77 8/ 20 03 -2 7 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13816.000778/200327 Resolução nº 3403000.502 S3C4T3 Fl. 3 2 lançamento, a decadência do direito do fisco e contestou os consectários do lançamento de ofício. Alegou também que o lançamento não poderia ter sido efetuado porque em 26/04/2000 os débitos ora lançados teriam sido incluídos no REFIS. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ – Campinas entendeu que não houve nulidade e nem decadência. Considerou que a adesão ao Refis não impede a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Além disso, os relatórios de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF revelam que os valores do PIS dos meses do ano calendário de 1998 foram informados com vinculação de DARFs que não existem, conforme alegação do próprio contribuinte. Desse modo, não houve possibilidade de inclusão automática dos débitos no REFIS. Tais débitos deveriam ter sido objeto da declaração REFIS e como isso não foi feito no momento oportuno está precluso o direito de incluílos no referido parcelamento. Regularmente notificado do Acórdão da DRJ em 21/10/2005, o contribuinte manejou em tempo hábil o recurso voluntário, no qual alegou, em síntese, a nulidade do auto de infração por ausência de motivação, uma vez que não teria sido declinado a causa da autuação. No mérito, alegou a decadência do direito do fisco e que os débitos objeto do auto de infração já estavam confessados em DCTF, fato que afasta a possibilidade de serem lançados de ofício. Além disso, nos termos da Orientação nº 6, de 16 de junho de 2004, da Secretaria Executiva do Comitê Gestor do REFIS, todos os débitos confessados em DCTF antes da opção pelo referido programa devem ser consolidados para efeitos de parcelamento, de onde também decorre a nulidade deste auto de infração, uma vez que optara pela adesão ao Refis em 26/04/2000. Contestou os consectários do lançamento de ofício. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se verifica nos autos, o contribuinte não contesta os valores devidos a título de PIS. Entretanto, alega que os débitos foram incluídos no Refis antes da lavratura do auto de infração. Na fl. 63 do PDF existe cópia da confirmação do recebimento do termo de opção pelo Refis, datado de 26/04/2000, enquanto que na fl. 52 se pode verificar que o auto de infração foi emitido cerca de três anos após, em 16/06/2003. Além disso, existem demonstrativos do Refis juntados aos autos. Na fl. 80 se pode verificar que foram consolidados no REFIS valores de PIS inferiores àqueles lançados no auto de infração, os quais estavam declarados em DCTF. Sendo assim, para melhor subsidiar o julgamento da lide, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade administrativa esclareça conclusivamente as seguintes questões, juntando os documentos comprobatórios pertinentes quando for o caso: 1) Foi válida a opção do contribuinte estampada no documento de fl. 24? Fl. 338DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13816.000778/200327 Resolução nº 3403000.502 S3C4T3 Fl. 4 3 2) Os débitos exigidos no presente auto de infração eletrônico foram incluídos no Refis? Qual a data em que ocorreu essa inclusão? 3) Se os débitos exigidos neste auto de infração estavam declarados em DCTF e não foram incluídos no Refis, indicar a razão da não inclusão no referido programa. 4) Qual a origem dos débitos de PIS que foram incluídos no REFIS listados na fl. 80 dos autos? 5) Para fins de aferição do prazo de decadência do direito do fisco é necessário saber se houve o pagamento antecipado da contribuição a que alude o art. 150, § 1º do CTN. Sendo assim, solicito à autoridade administrativa que informe, de forma conclusiva, em quais dos períodos de apuração objeto do auto de infração eletrônico houve o pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) e em quais períodos não houve recolhimento algum, juntando as telas ou um extrato do sistema Sinal para fins de comprovação. Atendida esta solicitação, os autos deverão retornar ao colegiado para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Fl. 339DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906204/2012-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/08/2007
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/08/2007 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 04 /2 01 2- 19 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20.08.2007 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906204/201219 Acórdão n.º 1802003.171 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.727133/2011-83
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1998 a 28/02/1999
Para que seja reconhecida a cessão de mão de obra, sob pena de sua descaracterização, é imperiosa que se verifique a presença de todos os requisitos previstos na legislação, quais sejam: disponibilidade do empregado, prestação do serviço nas dependências do tomador ou terceiro e continuidade do serviço.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogada Dra Ariene Amaral, OAB/DF nº 20.928.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Caio Eduardo Zerbeto Rocha.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1998 a 28/02/1999 Para que seja reconhecida a cessão de mão de obra, sob pena de sua descaracterização, é imperiosa que se verifique a presença de todos os requisitos previstos na legislação, quais sejam: disponibilidade do empregado, prestação do serviço nas dependências do tomador ou terceiro e continuidade do serviço. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogada Dra Ariene Amaral, OAB/DF nº 20.928. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Caio Eduardo Zerbeto Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 28/02/1999 Para que seja reconhecida a cessão de mão de obra, sob pena de sua descaracterização, é imperiosa que se verifique a presença de todos os requisitos previstos na legislação, quais sejam: disponibilidade do empregado, prestação do serviço nas dependências do tomador ou terceiro e continuidade do serviço. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogada Dra Ariene Amaral, OAB/DF nº 20.928. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Caio Eduardo Zerbeto Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 71 33 /2 01 1- 83 Fl. 3344DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10880.727133/201183 Acórdão n.º 2803003.510 S2TE03 Fl. 3.345 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela VIVO PARTICIPAÇÕES S.A INCORP. DA TELEMIG CELULAR S.A E OUTRO, em face de acórdão que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito constituído. 2. A autuação foi relativa a crédito tributário lançado por solidariedade, com fundamento no art. 31 da Lei nº 8.212/91, e se refere a contribuições sociais previdenciárias patronais e de ônus dos segurados incidentes sobre a remuneração inserida em notas fiscais de serviços contratados mediante cessão de mão de obra, sob o título “agente credenciado/distribuidor autorizado”, apurado por aferição indireta, com base no art. 33 da Lei 8.212/91, em razão de a empresa fiscalizada, contratante dos serviços, não ter apresentado os documentos previstos na legislação, necessários à elisão da responsabilidade solidária e à comprovação da regularidade da obrigação tributária em foco. 3. O contribuinte foi cientificado da constituição do crédito tributário e, por não se conformar, apresentou impugnação (fls.500/518). 4. O acórdão de primeira instância (fls. 3.299 a 3.306) julgou improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário lançado em face da devedora regularmente intimada e cientificada no prazo de decadência, a empresa tomadora de serviços, por sua sucessora, porém, devendo ser excluída a empresa prestadora de serviços do pólo passivo da exigência, em razão da decadência quinquenal. O acórdão restou lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 28/02/1999 Ementa: DECADÊNCIA QÜINQÜENAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM FACE DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. A prestadora de serviços deve ser excluída do pólo passivo da exigência fiscal em razão de estar o Fisco impedido de constituir o crédito tributário em nome desta devedora, que somente foi cientificada e intimada do débito após o transcurso do prazo decadencial qüinqüenal. CESSÃO DE MÃODEOBRA. PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS EM LOCAIS SOB O CONTROLE E FISCALIZAÇÃO DA CONTRATANTE. “DEPENDÊNCIAS” DA CONTRATANTE. O requisito da “cessão de mãodeobra”relativo ao local de prestação de serviços nas “dependências” da contratante restará caracterizado quando esta mantém controle e fiscalização sobre os mesmos, ainda que em imóveis de propriedade da contratada ou por ela locados. Fl. 3345DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10880.727133/201183 Acórdão n.º 2803003.510 S2TE03 Fl. 3.346 3 SERVIÇOS JUNTO AO PÚBLICO OU POR TELEFONE. DEPENDÊNCIAS DE TERCEIROS. Comprovado que a prestação dos serviços é feita via telefone ou pessoalmente junto ao público, restam caracterizadas as “dependências de terceiros”, como exige a legislação de solidariedade. COLOCAÇÃO DE MÃODEOBRA A DISPOSIÇÃO DA CONTRATANTE. COMPROVAÇÃO. A comprovação de que a contratante tem contato direto com os trabalhadores, orientando, acompanhando, supervisionando e fiscalizando a prestação de serviços, demonstra a “colocação de mãodeobra a disposição da contratante”. FISCALIZAÇÃO DIRETA NA CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. NÃO EXIBIÇÃO DE GUIAS E FOLHAS DE PAGAMENTOS ESPECÍFICAS. LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. É legitima e legal a fiscalização direta da empresa contratante dos serviços ,hipótese em que a não exibição das folhas de pagamentos específicas e das respectivas guias de recolhimento vinculadas é suficiente para determinar os lançamentos fiscal por solidariedade mediante aplicação do método da aferição indireta. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência desnecessária e/ou que não atenda aos requisitos legais deve ser indeferido. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 5. Intimada da decisão da instância a quo, em 30/04/2013, conforme AR de fls. 3.310, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 3.312/3.331), alegando, em síntese que: a) houve a inexistência de contratação pela recorrente de serviços por cessão de mão de obra, por responder por solidariedade prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, em razão de os serviços objetos das notas fiscais arroladas nos autos não se enquadrarem no conceito de “cessão de mão de obra”, eis que: não havia colocação de segurados à disposição da contratante e os serviços não eram realizados nas dependências da contratante, nem nas de terceiros, mas nas dependências da própria contratada; b) a natureza do contrato firmado é a de agentes credenciados e/ou distribuidores autorizados, razão pela qual a solidariedade só poderia se consumar após o levantamento do valor real da dívida, apurada junto ao Fl. 3346DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10880.727133/201183 Acórdão n.º 2803003.510 S2TE03 Fl. 3.347 4 contribuinte diretamente vinculado ao seu fato gerador, ou seja, na empresa prestadora dos serviços, e a comprovação de que esta não adimpliu sua obrigação; e c) quanto aos documentos fiscais e diligências, requer a juntada dos autos originais para comprovação dos argumentos da defesa mediante documentos que compuseram o referido processo. 6. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados á apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 3347DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10880.727133/201183 Acórdão n.º 2803003.510 S2TE03 Fl. 3.348 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA CESSÃO DA MÃO DE OBRA 2. A controvérsia posta no recurso voluntário reside na responsabilidade da empresa tomadora em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária. A contribuinte afirma que o contrato firmado com a empresa credenciada não se configura como cessão de mão de obra, haja vista que os empregados da empresa cedente não foram colocados à sua disposição, nos termos do artigo 31 da Lei n. 8.212/91. 3. Alega ainda ás fls. 3326, que, “os empregados da empresa credenciada, dentre outras atividades, limitamse a apresentar ao público produtos e serviços oferecidos pela Recorrente e, havendo interesse, preenchem ‘Pedidos Eletrônicos de Habilitação’, que são, então, enviados e analisados pela Recorrente.” 4. Para analisar o caso trazido à baila, imperiosa se faz a análise da mens legis, de forma a identificar o conceito da cessão de mão de obra. O Decreto nº 2.173/97, que regulamentou o art. 31, da Lei 8.212/91, dispôs da seguinte forma: “Art. 42. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste Regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre o faturamento e lucro, de que trata o art. 28. §1º. Omissis. §2º. Omissis. §3º. Omissis. §4º. Entendese por cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, independentemente da natureza e forma de contratação.” 5. Vejase que o Dec. nº 3.048/99 (RPS), dispõe no mesmo sentido, verbis: Fl. 3348DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10880.727133/201183 Acórdão n.º 2803003.510 S2TE03 Fl. 3.349 6 Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende se como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. 6. Dos dispositivos trazidos a colação, verificase que para fins do conceito de cessão de mão de obra, três requisitos são essenciais, a saber: disponibilidade do empregado, prestação do serviço nas dependências do tomador ou terceiro, continuidade do serviço. Certamente, para que seja reconhecida a cessão de mão de obra, é imperiosa a presença de todos os requisitos, sob pena de sua descaracterização. 7. No caso dos autos, verifico que não existem indícios da disponibilidade dos empregados da credenciada para com a contribuinte recorrente, que consiste na subordinação dos trabalhadores cedidos ao poder de comando do tomador de serviços. Apesar de o acórdão recorrido ter sido fulcrado nas cláusulas contratuais que condicionam o pagamento do prestador do serviço “à comprovação de suas obrigações trabalhistas e previdenciárias relativas à mão de obra envolvida”, bem como obrigação do Agente/distribuidor, destinar, no mínimo, 01 (um) funcionário por turno, e ponto de venda, observo que as referidas obrigações eram entre a credenciada e a contribuinte, ora recorrente, em nada subordinando os empregados da primeira. 8. No que tange ao local onde eram realizados os serviços, a Lei é clara no sentido de que para a existência da cessão de mão de obra é necessário que os serviços sejam prestados no estabelecimento do tomador de serviços ou terceiros. Consta dos autos que a empresa CELLULAR POINT COMERCIO E PREST DE SERVIÇOS LTDA é credenciada para oferecer os serviços da contribuinte recorrente, logo, saltame aos olhos que os serviços objeto do contrato eram realizados nas dependências da credenciada, o que redunda na descaracterização da cessão de mão de obra, e, por conseguinte, na inexistência de relação jurídica tributária entre o FISCO e a recorrente. 9. O Superior Tribunal de Justiça, ao enfrentar o tema em tela, assim decidiu: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS (LEI 9.711/88). EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. NATUREZA DAS ATIVIDADES. CESSÃO DE MÃO DEOBRA NÃO CARACTERIZADA. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. [...]. Fl. 3349DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10880.727133/201183 Acórdão n.º 2803003.510 S2TE03 Fl. 3.350 7 3. Não se configura a cessão de mãodeobra se ausentes os requisitos de colocação de empregados à disposição do contratante (submetidos ao poder de comando desse) e de execução das atividades no estabelecimento comercial do tomador de serviços ou de terceiros (art. 31, § 3º, da Lei 8.212/91). 4. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 499.955 RS, Primeira Turma, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ: 14/06/2004).” 10. Dessa forma, entendo que razão assiste à contribuinte recorrente, na medida em que não consta dos autos os requisitos necessários para a caracterização da cessão de mão de obra, sendo imperioso o afastamento da obrigação solidária que era contida no art. 31, da Lei nº 8.212/1991, e, consequentemente a anulação do lançamento tributário realizado. 11. Deixo de analisar o pedido de abertura de diligência, por considerar que o referido pleito restou prejudicado. CONCLUSÃO 12. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, nos termos acima alinhavados. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 3350DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906265/2012-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/04/2010
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 65 /2 01 2- 78 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/04/2010 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906265/201278 Acórdão n.º 1802003.232 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10882.724240/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE EXAME INDIVIDUALIZADO DAS ALEGAÇÕES DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão que enfrenta todos os tópicos da defesa, adotando fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta.
SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECEITAS DA ATIVIDADE. O descompasso injustificado entre a escrituração e as informações prestadas pela contribuinte em declaração acerca da receita bruta no período autoriza que se tome o maior valor para fins tributários. ALEGAÇÃO DE ERRO NA ESCRITURAÇÃO. AVERIGUAÇÃO DESNECESSÁRIA. Se o sujeito passivo omite-se no dever de prestar esclarecimentos durante o procedimento fiscal e a Fiscalização elege uma das fontes de informação como representativa das receitas da atividade, e assim reduz o montante da omissão de receitas presumida em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, a eventual existência de erro na aferição das receitas da atividade não afasta a exigência tributária, que subsiste motivada pelos montantes decorrentes de depósitos de origem não comprovada.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. INTUITO DE FRAUDE AFASTADO EM JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Se a imputação de responsabilidade tributária é motivada pelo intuito de fraude que ensejou a qualificação da penalidade, a redução desta impõe a desconstituição daquela acusação.
Numero da decisão: 1101-001.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, CONHECER do recurso voluntário como interposto por Florence Industrial e Comercial Ltda e José Marcos Boni Costa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas da atividade; e 7) por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária imputada a José Marcos Boni Costa, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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FALTA DE EXAME INDIVIDUALIZADO DAS ALEGAÇÕES DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão que enfrenta todos os tópicos da defesa, adotando fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECEITAS DA ATIVIDADE. O descompasso injustificado entre a escrituração e as informações prestadas pela contribuinte em declaração acerca da receita bruta no período autoriza que se tome o maior valor para fins tributários. ALEGAÇÃO DE ERRO NA ESCRITURAÇÃO. AVERIGUAÇÃO DESNECESSÁRIA. Se o sujeito passivo omitese no dever de prestar esclarecimentos durante o procedimento fiscal e a Fiscalização elege uma das fontes de informação como representativa das receitas da atividade, e assim reduz o montante da omissão de receitas presumida em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, a eventual existência de erro na aferição das receitas da atividade não afasta a exigência tributária, que subsiste motivada pelos montantes decorrentes de depósitos de origem não comprovada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. INTUITO DE FRAUDE AFASTADO EM JULGAMENTO DE PRIMEIRA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 42 40 /2 01 2- 11 Fl. 4661DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 3 2 INSTÂNCIA. Se a imputação de responsabilidade tributária é motivada pelo intuito de fraude que ensejou a qualificação da penalidade, a redução desta impõe a desconstituição daquela acusação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, CONHECER do recurso voluntário como interposto por Florence Industrial e Comercial Ltda e José Marcos Boni Costa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas da atividade; e 7) por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária imputada a José Marcos Boni Costa, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 4662DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório FLORENCE INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA e responsável tributário JOSÉ MARCOS BONI COSTA, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 20/11/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 6.418.451,16. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1.554 a 1.556), do Programa de integração Social– PIS (fls. 1.596 a 1.598), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 1.587 e 1.589) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls.1.570 a 1.573), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 6.418.451,16. 2. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.540 a 1.553), o lançamento decorreu de omissão de receita, inferida do cotejo de receitas contabilizadas, consignadas em notas fiscais, declaradas em DIPJ e informadas em DACONs, conforme quadro da fl. 1.545 (infração 001), e presumida, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ante a falta de comprovação da origem de recursos utilizados em depósitos bancários (infração 002). Agravouse a multa (150%) no tocante à primeira infração. 3. Formalizouse Representação Fiscal para Fins Penais, consubstanciada no Processo nº 10882.724.313/201274, e lavrouse Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o sócioadministrador José Marcos Boni Costa. 4. Apresentouse impugnação, às fls. 1.619 a 1.700, contrapondose, em síntese, que: 4.1 – Teria ocorrido cerceamento do direito de defesa. 4.2 – A qualificação da multa teria sido indevida. 4.3 – O lançamento “arbitrado com base (apenas)” em depósitos bancários seria ilegal. As quantias objeto de discussão não se caracterizariam como renda ou receita, “sendo a autuação feita de forma arbitrária e ilegal”. 4.4 – A lei Complementar nº 105, de 2001, afrontaria o direito de privacidade, resguardado pelo artigo 5o da Constituição Federal. 4.5 – O STF teria decidido, em sede de recurso extraordinário com repercussão geral, pela inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário pela autoridade administrativa sem autorização judicial. 4.6 – Não teria ficado claro na autuação quais valores foram excluídos da “base de cálculo do valor tributável”. 4.7 – Não teria havido omissão de receita em decorrência da não emissão de notas fiscais; o programa de envio do SPED teria somado, indevidamente, “o saldo anterior ao movimento do anocalendário de 2008, ocasionando valor superior ao declarado”, erro que teria sido corrigido através de envio de SPED retificado. Fl. 4663DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 5 4 4.8 – O imposto/contribuição teria sido apurado mensalmente, o que caracterizaria erro de forma. 4.9 – A atribuição de responsabilidade do sócioadministrador não poderia vingar, porquanto não teria sido provado que ele teria praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN. 4.10 – Teria sido violado o princípio do non bis in idem. A Turma julgadora acolheu parcialmente estes argumentos, afastando a qualificação da penalidade e aduzindo que: · Não há prova de cerceamento ao direito de defesa, pois a contribuinte não demonstra que pediu vistas do processo e que houve negativa por parte da Delegacia local. Ademais, a minuciosa descrição do procedimento de fiscalização evidencia que os elementos que fundamentam o processo já eram de conhecimento da contribuinte, resultando inclusive em abordagem de pormenores da acusação em impugnação; · Além de imprópria a utilização do termo no bis in idem, a autoridade fiscal antecipadamente atendeu à pretensão da contribuinte ao deduzir, de forma incorreta mas em benefício do sujeito passivo, os valores de receitas da atividade daquelas presumidas a partir de depósitos bancários; · Correto o procedimento fiscal em adotar o maior valor de receita dentre os valores cotejados, desprezando as demais informações acerca das quais a contribuinte, intimada, não logrou esclarecer. · Com referência à qualificação da penalidade, o diminuto percentual da “omissão” apurado, relativamente às receitas que foram declaradas na DIPJ e nos DACONs (vide quadro da fl. 1.543), por si só, não evidencia intuito de sonegar ou de fraudar o fisco, nos termos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. O fato de as diferenças terem sido constatadas ao longo de todo o anocalendário não muda o entendimento. · Quanto às omissões de receita presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, caracterizado o fato indiciário, o lançamento deve subsistir, até porque a legislação que ampara este procedimento, inclusive no que tange à quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa, subsiste válida. Ademais, não houve prova de que depósitos bancários corresponderiam a cheques de clientes descontados na rede bancária em seu nome, por falta de capacidade daqueles em abrir conta bancária. · A tributação se deu de forma trimestral e não há qualquer obscuridade nos cálculos do lançamento. · A imputação de responsabilidade ao sócio administrar subsiste pois a não comprovação da origem de recursos utilizados em depósitos bancários evidencia que valores de receita foram mantidos à margem de tributação, o que por si dá ensejo à observação do art. 135 do CTN, que não divisa vontade deliberada (dolo) de culpa na prática da infração. Cientificada da decisão de primeira instância em 27/11/2013 (fl. 4561), a contribuinte, representada pelo responsável tributário José Marcos Boni Costa, interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 18/12/2013 (fls. 4563/4651), no qual preliminarmente argúi a Fl. 4664DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 6 5 nulidade da decisão recorrida, porque não foi examinado os argumentos de defesa em sede de impugnação, ensejando cerceamento de direito de defesa. Diz que a autuação encontrase fundamentada em meras informações, as quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa, e que nessa seara de equívocos de interpretação, erros de procedimento e de incerteza, a Turma a quo julgou a impugnação procedente em parte. Transcreve ementas de julgados administrativos que declararam a nulidade de decisão que não aprecia a quase totalidade dos argumentos de defesa. Na seqüência, apresenta os fundamentos para reforma da decisão de 1a instância, descrevendo as acusações que resultaram no absurdo Crédito Tributário de R$ 6.418.451,16, e reafirmando o cerceamento do direito de defesa afastado na decisão recorrida, mas destacando que em 11/12/2012, vésperas da data fatal para apresentação da impugnação, o processo administrativo ainda se encontrava no Serviço de Fiscalização da DRF Osasco, consoante informações extraídas do COMPROT e juntadas à impugnação. Entende, assim, transcorridos 21 (vinte e um) dias desde a ciência do lançamento, houve demora excessiva na formalização do auto de infração, contrariando o disposto no art. 4o do Decreto nº 70.235/72, bem como o art. 3o, inciso II, e o art. 46, ambos da Lei nº 9.784/99, acerca do direito de vistas e de cópias do processo. Transcreve doutrina, e invoca os incisos LIV e LV do art. 5o da Constituição Federal. Acrescenta ser indispensável que todos os atos praticados pelo agente fiscal devem ser cientificados, por escrito, à contribuinte ou seu preposto, e a ausência de ciência resulta em vício formal e nulidade processual. Afirma, assim, que foi obstado seu pleno conhecimento da autuação feita, em afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, e conclui: Neste contexto de arbitrariedades, impossibilitou a ora impugnante de ter vista integral dos autos, o que dificultou a elaboração da justa impugnação ao feito fiscal, dentro do exíguo prazo de 30 (trinta) dias, infringindo o dispositivo constitucional de “ampla defesa”, tornando NULO O ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO, e por conseqüência, insubsistente o crédito tributário exigido e os autos de infração. Na seqüência, observa que a decisão recorrida reconheceu o não cabimento da multa qualificada, no entanto ainda assim foi mantido o percentual de 150% para a contribuição de PIS/PASEP relativamente aos itens que demonstra, a exigir a recomposição dos cálculos da autuação. Afirma a ilegalidade do lançamento arbitrado com base (apenas) em extratos e depósitos bancários, discorrendo sobre suas operações com escovas de cabelo, cosméticos, perfumaria e higiene pessoal, e asseverando que por abranger em sua clientela micro e pequenas empresas, não só dá suporte de vendas como também, suporte na área financeira, sem o que não poderiam sobreviver. Por esta razão, recebia cheques de clientes de seus clientes e os depositava em sua conta bancária, junto à rede bancária, ajudando seus clientes que não conseguiam sequer abrir uma simples conta bancária, valendose de seu socorro financeiro. Diz somente ter percebido o descompasso de sua movimentação financeira com seu faturamento quando fiscalizada, e que o lançamento foi feito de forma arbitrária e ilegal. Associa os depósitos de cheques de pequena monta a saques que na verdade, em sua grande maioria pertencem a terceiros. Fl. 4665DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 7 6 Critica a presunção fiscal de omissão de receita e de crime quando a movimentação financeira em contas bancárias é superior à receita bruta declarada, cita doutrina, invoca a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e jurisprudência deste Conselho. Aduz que pode licitamente, alegar e demonstrar, que os valores movimentados em contas correntes provêm de cheques de terceiros (recebidos de micro empreendedores e pequenas empresas), os quais, depois de descontados retornam a seus verdadeiros donos (microempreendedores e pequenas empresas), cujos valores, por sua origem legal, não podem ser considerados como renda omitida, portanto, não são tributáveis. E, nestas condições, entende que há patente vício de procedimento, com ofensa ao princípio da legalidade, tanto material como processual, na constituição do crédito tributário. Prossegue argumentando que, assim sendo, todo o crédito tributário constituído com violação do sigilo bancário poderá ser questionado judicialmente, porque lastreado em prova ilícita, na medida em que a Lei Complementar nº105/2001 afronta o direito de privacidade dos indivíduos, resguardado pelo artigo 5o da Constituição Federal, resultando de atividade legislativa que viola o art. 60, §4o, inciso IV da Constituição Federal. Defende que o sigilo somente pode ser vulnerado por ordem judicial, observa que o art. 11, §3o da Lei nº 9.311/96 vedava a utilização das informações bancárias para constituição de crédito tributário, até que este procedimento fosse autorizado pela Lei nº 10.174/2001 que, combinada com o art. 42 da Lei nº 9.430/96 resultou em explícito atentado aos direitos individuais, delegando ao particular a ingrata tarefa de demonstrar e provar que não realizou o fato gerador do tributo quando, ao contrário, o Estado deveria afirmar e demonstrar a ocorrência do Fato Imponível. Transcreve doutrina e decisões judiciais em favor da inconstitucionalidade dos arts. 5o e 6o da Lei Complementar nº 105/2001, diz que a Receita Federal tenta “adivinhar” a receita da empresa através de sua movimentação bancária, o que de forma alguma configura o relevante motivo necessário à quebra do sigilo de seus dados, vez que nem é apto a legitimar lançamento fiscal, citando decisões contrárias à tributação com base em depósitos bancários. Reportase a decisão do Supremo Tribunal Federal contrária ao acesso, pela Receita Federal, dos dados dos contribuintes e cita notícia acerca da repercussão desta manifestação. Arremata citando outro excerto doutrinário e pedindo o cancelamento do crédito tributário. Na seqüência, diz que a Turma Julgadora sequer fez menção em seu acórdão de que, na autuação, não ficou demonstrado com planilhas e demonstrativos os cheques devolvidos, as transferências bancárias entre contas do mesmo titular, as aplicações financeiras, empréstimos contraídos junto às instituições financeiras e etc., cujas operações, embora devidamente lançadas nos extratos bancários fornecidos pela rede bancária, não foram excluídas da base de cálculo do valor tributável. Diz que a afirmação fiscal acerca desta exclusão ficou somente no campo imaginário, haja vista que não foi demonstrado, com planilhas e demonstrativos, se estas exclusões/deduções foram de fato feitas. Entende, assim, que houve erro na base de cálculo do lançamento, em afronta ao inciso IV do art. 5o do Decreto nº 70.235/72, cumulado com o caput do art. 142 do CTN, e pede a anulação do lançamento. Acrescenta que a Turma Julgadora também não se manifestou acerca de seu requerimento de prazo adicional de 60 (sessenta) dias para juntada dos documentos comprobatórios das operações questionadas. Fl. 4666DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 8 7 Passando à equivocada omissão de receita de atividades, assevera que a Turma Julgadora não fez qualquer comentário acerca da suposta divergência encontrada pelo agente fiscalizador em seu trabalho fiscal, afirmando indevida e ilegal a conclusão de que não houve emissão de notas fiscais mediante confronto entre Livros Diário e Razão, arquivos de notas fiscais e informações em DIPJ e DACON. Reitera que houve retificação das informações originalmente enviadas por meio do SPED, com a indevida soma do saldo anterior ao movimento do anocalendário 2008, e que as divergências também resultariam do cômputo de vendas canceladas, descontos concedidos, IPI e etc na “Receita de Vendas Contabilizada”. Entende, assim, que o procedimento fiscal não tem respaldo legal porque os lançamentos de seus livros fiscais e contábeis evidenciam que foram regularmente emitidas as notas fiscais. Critica a afirmação fiscal de que apenas parte da receita bruta mensal da atividade foi declarada em DCTF, na medida em que nesta são declarados débitos e créditos, inexistindo campo para informação do valor da Receita Bruta Mensal. Acrescenta que a multa qualificada não foi aplicada sobre a receita bruta não declarada, mas sim sobre o maior valor entre a “Receita bruta de Vendas Contabilizada” e a “Receita Bruta de Vendas (Arquivos de Notas Fiscais)”, reconhecendo a Turma Julgadora que esta aplicação não observou os requisitos legais. Diz que a exigência foi formalizada com desconhecimento da legislação tributária vigente, resultando em trabalho inócuo e de péssima qualidade técnica, prejudicando a contribuinte. E espera, assim, que os valores informados corretamente no SPED RETIFICADOR sejam desconsiderados da autuação, consoante demonstrativo que apresenta, nos quais destaca que as diferenças remanescentes são tão insignificantes no contexto geral que não dariam azo para autuação. Indica, ainda, a juntada dos livros fiscais, contábeis e declarações por ocasião da impugnação. Esclarece que em impugnação, ao questionar a forma de apuração em razão de sua opção pelo lucro presumido, argumentou que caso houvesse a OMISSÃO DE RECEITAS, que na verdade não ocorreu, o Auditor Fiscal teria que apurar o Imposto/Contribuição trimestralmente e não como fez, mensalmente, cujo procedimento veio a invalidar a autuação por ERRO DE FORMA, pois a taxa SELIC foi aplicada mensalmente ao passo que deveria ser aplicada trimestralmente. E, quanto à imputação de responsabilidade solidária, diz que ela depende da demonstração de seus pressupostos na forma da lei, e não de uma alegada “irregularidade” que o próprio fiscal não conseguiu definir em termos claros, congruentes e objetivos. Desta forma, por não se verificar a ocorrência de atos praticados por diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, com excesso de poderes ou infração de lei, deve ser cancelada a responsabilidade solidária atribuída ao sócio administrador da autuada. Defende que o ônus da prova é de quem acusa, citando o art. 333, inciso I do Código de Processo Civil, o art. 156 do Código de Processo Penal, doutrina e jurisprudência, para invocar o princípio da verdade material e concluir que no presente caso houve flagrante desrespeito ao princípio da legalidade, uma vez que a simples desconfiança não tem o condão de gerar obrigação tributária, a qual depende da ocorrência do fato gerador, em observância ao princípio da tipicidade. Por esta razão, uma autuação fiscal baseada em mera presunção é um procedimento execrado na seara judicial, administrativa e doutrinária, não podendo prevalecer a verdade ficta ou presumida. Acrescenta lições de direito administrativo e afirma Fl. 4667DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 9 8 restar claro e inequívoco que neste caso não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, prosseguindo na transcrição de excertos doutrinários acerca do princípio da segurança e da certeza jurídica. Arremata afirmando a nulidade do auto de infração por violação ao princípio do no bis in idem, observando que a Turma Julgadora não fez qualquer comentário sobre que a tributação foi feita duas vezes sobre a mesma base de cálculo, na medida em que a omissão de receitas da atividade está englobada na omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários, devendo ser considerado apenas o maior valor de cada período. Defende a ampliação do conceito de bis in idem e entende que sua presença neste caso enseja a nulidade do lançamento por tornálo excessivamente gravoso. Assim, a equidade e a justiça fiscal vedaria múltiplas persecuções e sanções a um mesmo administrado com base substancialmente nos mesmos fatos (razoabilidade). Transcreve doutrina acerca da necessidade de respeito aos rigores do ato de lançamento, e porque eles não foram observados pede o cancelamento do auto de infração. Ao final, protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente apresentação de demonstrativos, extratos, declarações, documentos, inclusive perícias, diligências, vistorias, aditamentos, juntada de documentos e, as que mais se fizerem necessárias. Fl. 4668DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 10 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Observase nos autos que a impugnação foi interposta por Florence Industrial e Comercial Ltda, representada por seu sócio José Marcos Boni Costa. Este, embora responsabilizado pessoalmente pelo crédito tributário, não apresentou defesa em nome próprio, mas também deduziu, naquele recurso, argumentos contra a imputação de responsabilidade. Sem qualquer ressalva, a Turma Julgadora de 1a instância apreciou a defesa em favor de José Marcos Boni Costa, mantendo a responsabilidade tributária que lhe foi imputada. O recurso voluntário apresenta o mesmo formato da impugnação: foi interposto por Florence Industrial e Comercial Ltda, representada por seu sócio José Marcos Boni Costa, que assina a peça de defesa e questiona, também, a responsabilidade tributária a ele atribuída. O Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73) estabelece que para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade (art. 3º). E mais: que ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei (art. 6º). Desse modo, em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defenderse em nome próprio da exigência fiscal assim constituída, quer pessoalmente quer por meio de representante regularmente constituído nos autos, por competente instrumento de mandato. A discordância da pessoa jurídica quanto à atribuição de responsabilidade a seus sócios e administradores, aliás, mostrase incompatível com os interesses da própria pessoa jurídica em ver liquidado, pelo responsável, o crédito tributário lançado. Ocorre que embora o responsável tributário não tenha apresentado defesa em nome próprio, a peça na qual são veiculados os questionamentos contra a imputação de responsabilidade tributária foi por ele assinada. Situação distinta se verificaria caso o sócio, como representante legal da autuada, constituísse procurador para defesa administrativa da pessoa jurídica, e este acrescentasse na mencionada defesa argumentos contra a imputação de responsabilidade àquele que não lhe outorgou poderes para tanto. No presente caso é possível afirmar que os argumentos de defesa contra a imputação de responsabilidade foram deduzidos por José Marcos Boni Costa, pois este assina a petição, ainda que em seu preâmbulo noticie como recorrente, apenas, a pessoa jurídica autuada. Por tais razões, deve ser CONHECIDO o recurso voluntário como interposto por Florence Industrial e Comercial Ltda e José Marcos Boni Costa. Preliminarmente os recorrentes argúem a nulidade da decisão recorrida em razão de cerceamento ao seu direito de defesa. Genericamente dizem que não foram apreciados argumentos de sua defesa, destacam que a autuação encontrase fundamentada em meras informações, as quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa, e ainda assim a exigência foi parcialmente mantida. No mais, citam julgados administrativos que declararam a nulidade de decisão que não aprecia a quase totalidade dos argumentos de defesa. Fl. 4669DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 11 10 Ocorre que, além de imprecisa a alegação, não se verificou, na prática, qualquer cerceamento ao direito de defesa dos impugnantes, pois confrontandose a impugnação com o voto condutor do julgado, observase que todos os tópicos da defesa foram enfrentadas. De fato, apreciando a preliminar veiculada na impugnação, a autoridade julgadora de 1a instância declara a inocorrência de cerceamento ao direito de defesa dos acusados por entender incomprovada a recusa a vistas dos autos, e também porque já seriam conhecidos os elementos que fundamentam a exigência. Na seqüência, os argumentos opostos contra a qualificação da penalidade restaram acolhidos; a argüida ilegalidade do lançamento arbitrado com base (apenas) em extratos e depósitos bancários foi afastada em razão da prevalência da presunção legal, mormente tendo em conta a ausência de qualquer comprovação das alegações acerca da origem dos depósitos; as alegações acerca de obscuridades nos demonstrativos que instruem a autuação foram rejeitadas porque demonstrada com clareza a base imponível; as justificativas apresentadas para as divergências entre a receita bruta contabilizada e expressa em arquivos de notas fiscais foram rejeitadas porque também não suportadas por provas; o vício em razão da apuração mensal do lucro presumido restou afastado ante a evidente apuração trimestral dos valores devidos; e a responsabilidade solidária foi mantida sob o entendimento de que a movimentação de recursos à margem da contabilidade justificava a aplicação do art. 135 do CTN. Destaquese que é pacífico, na jurisprudência, o entendimento acerca da desnecessidade de a decisão conter referência expressa a cada um dos argumentos tecidos pela interessada, desde que adotada fundamentação suficiente para decidir a controvérsia. Vejase, a respeito, manifestação do Superior Tribunal de Justiça: Não viola os artigos 165, 458, II, e 535, II, do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. (Recurso Especial n° 687.417RS, Relator: Ministro Teori Albino Zavascki). Na mesma linha, é o voto da Ministra Eliana Calmon: O Tribunal não está obrigado a responder questionários formulados pelas partes, tendo por finalidade os declaratórios dirimir dúvidas, obscuridades contradições ou omissões realmente existentes, pois existindo fundamentação suficiente para a composição do litígio, dispensase a análise de todas as razões adstritas ao mesmo fim, uma vez que o objetivo da jurisdição é compor a lide e não discutir as teses jurídicas nos moldes expostos pelas partes. (EDcl na Ação Rescisória n°770 – DF) Por tais razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade da decisão recorrida. Na seqüência, os recorrentes reiteram a argüição de cerceamento ao seu direito de defesa em razão da impossibilidade de vistas aos autos, na medida em que, em 11/12/2012, vésperas da data fatal para apresentação da impugnação, o processo administrativo ainda se encontrava no Serviço de Fiscalização da DRF Osasco, consoante informações extraídas do COMPROT e juntadas à impugnação. Como bem observou a autoridade julgadora de 1a instância, a contribuinte não provou ter requerido vistas dos autos no prazo de impugnação. Sua alegação fundase, apenas, no fato de os autos terem permanecido no Serviço de Fiscalização da DRF/Osasco e na alegada impossibilidade de se obter vistas em tais circunstâncias. Ocorre que consulta ao Fl. 4670DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 12 11 sistema Eprocesso permite afirmar que a formalização dos autos, com anexação e autenticação do despacho de encaminhamento juntado depois do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1605/1606), foi concluída em 19/11/2012, antes da ciência do lançamento à contribuinte, promovida por via postal em 20/11/2012: Logo, não houve a alegada demora excessiva na formalização do auto de infração, e os recorrentes poderiam ter requerido cópias ou vistas junto ao Serviço de Fiscalização da DRF/Osasco. Impróprias, assim, as referências ao art. 4o do Decreto nº 70.235/72 e ao art. 3o, inciso II, e o art. 46, ambos da Lei nº 9.784/99. Acrescentese que a contribuinte foi cientificada, no curso do procedimento fiscal, das divergências identificadas entre as receitas de vendas declaradas, consignadas em suas notas fiscais e escrituradas em seus livros contábeis, bem como da constatação de que, do total movimentado em instituições financeiras (R$ 81.894.981,80), apenas a parcela de R$ 1.217.233,01 estaria registrada em contas representativas de Bancos conta movimento, exigindose justificativas que não foram apresentadas (fls. 64/65). Além disso, a Fiscalização não logrou êxito em obter a comprovação da origem de depósitos bancários individualizados às fls. 66/123, também cientificados à fiscalizada, e são esses valores que, agregados mensalmente, ensejam a presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. De fato, a título de exemplo, verificase que os depósitos referentes a janeiro/2008, indicados nos itens 1 a 122 do Anexo 1 (R$ 2.625.972,96), nos itens 1 a 69 do Anexo 2 (R$ 1.289.651,20), itens 1 a 36 do Anexo 3 (R$ 125.393,41), itens 1 a 23 do Anexo 4 Fl. 4671DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 13 12 (R$ 1.339.636,31) e itens 1 e 2 do Anexo 5 (R$ 15.347,41), totalizam precisamente R$ 5.396.001,29, como indicado no Termo de Verificação Fiscal à fl. 1547. No mais, o Termo de Verificação Fiscal e os Autos de Infração foram cientificados aos recorrentes, por via postal, e inclusive foram por eles juntados à impugnação (fls. 1713/1781). Assim, embora os recorrentes tenham razão ao afirmar indispensável que todos os atos praticados pelo agente fiscal devem ser cientificados, por escrito, à contribuinte ou seu preposto, a ciência das constatações fiscais processouse regularmente durante o procedimento fiscal, de modo que também deve ser REJEITADA a arguição de nulidade do lançamento. Já no mérito os recorrentes argúem a ilicitude da prova em razão da violação ao sigilo bancário, mas cumpre ter em conta que a obtenção de informações financeiras por meio de Requisição de Movimentação Financeira – RMF tem amparo no art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, dispositivo legal objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal em rito de repercussão geral, sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. A decisão que reconheceu a repercussão geral desta matéria foi assim ementada: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Todavia, no referido recurso extraordinário ainda não foi editada decisão definitiva de mérito que pudesse impor a reprodução, pelos Conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, do entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal em outros casos semelhantes, como pretendem os recorrentes. Nem mesmo o sobrestamento antes previsto nos §§ do art. 62A do RICARF prevalece, dada sua recente revogação pela Portaria MF nº 545/2013. Por sua vez, o Decreto nº 70.235/72 somente autoriza os órgãos administrativos de julgamento a afastar a aplicação de lei que tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 4672DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 14 13 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) O art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001 foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal em caso concreto que ali chegou por meio do Recurso Extraordinário nº 389.808, decidido em 10/05/2011 nos termos da seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Contudo, a Procuradoria Geral da República opôs embargos de declaração a esta decisão, os quais aguardam julgamento, estando conclusos ao relator desde 09/11/2011, de modo que não se verificou o trânsito em julgado, não se podendo falar, aqui, da existência de decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal que autoriza o procedimento aqui utilizado para reunião das provas que fundamentam a exigência. Acrescentese, ainda, o que destacado pela autoridade julgadora de 1a instância: 27. Ao demais, vale dizer, malgrado o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, a questão ainda não está definitivamente decidida dado que a respectiva ação ainda não foi julgada. 28. Em recente decisão, a 4ª Turma do TRF3 considerou que não há inconstitucionalidade ou ilegalidade na quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. 29. No seu voto, a desembargadora Marli Ferreira afirma a questão levantada no Recurso Extraordinário nº 389.8087 ainda não foi extinta: “A decisão proferida pelo STF no RE 389.808, afastando a possibilidade de o Fisco proceder à quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, não dirimiu definitivamente a questão, em razão de outras decisões contrárias a essa”. 30. Para tanto, a magistrada cita o Inquérito nº 2.593, julgado pelo STF em fevereiro de 2011, sob relatoria do ministro Ricardo Lewandowski, no qual se afirma a autoridade fiscal, em sede de procedimento administrativo, pode utilizarse da faculdade insculpida no artigo 6º da LC 105/2001. 31. Arremata, por fim, até que o Pleno do Supremo julgue a inconstitucionalidade da Lei Complementar 105/2001, ela possui presunção de constitucionalidade, “não havendo qualquer mácula na solicitação, pelo Fisco, de informações bancárias”. Estas as razões, portanto, para REJEITAR a argüição da nulidade do lançamento em razão de inconstitucional acesso às informações bancárias da pessoa jurídica autuada. Fl. 4673DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 15 14 Quanto à origem dos depósitos bancários, os recorrentes reproduzem as alegações apresentadas em impugnação no sentido de que, por abranger em sua clientela micro e pequenas empresas, não só dá suporte de vendas como também, suporte na área financeira, sem o que não poderiam sobreviver. Por esta razão, recebia cheques de clientes de seus clientes e os depositava em sua conta bancária, junto à rede bancária, ajudando seus clientes que não conseguiam sequer abrir uma simples conta bancária, valendose de seu socorro financeiro. Dizem somente ter percebido o descompasso de sua movimentação financeira com seu faturamento quando fiscalizada, e que o lançamento foi feito de forma arbitrária e ilegal. Associam os depósitos de cheques de pequena monta a saques que na verdade, em sua grande maioria pertencem a terceiros. Observase às fls. 66/123 que a parcela mais representativa dos valores questionados pela Fiscalização decorre de lançamentos bancários sob os históricos de “cobrança”, “liquidação de cobrança”, “mov tit cobrança”, “cr cobrança disponível agrupad”, e “recebimento de clientes”, além de transferências “DOC” originadas de grandes redes varejistas como Sendas, Wal Mart e Bompreço, transferências eletrônicas “TED” e depósitos em dinheiro. Há, de fato, diversos depósitos desbloqueados que podem ter se originado do recebimento de cheques, mas seu montante é insignificante frente ao volume decorrente das demais operações. De toda sorte, embora seja anormal uma indústria prestar socorro financeiro a seus clientes de menor porte, se assim procedeu, deveria minimamente demonstrar a devolução dos valores àqueles interessados. Na ausência desta prova, é razoável concluir que mesmo o depósito de cheques de clientes de seus clientes representam nada mais que o recebimento das vendas em favor destes clientes de pequeno porte. Incomprovada a origem dos depósitos bancários individualmente questionados pela autoridade lançadora, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza a presunção de que receitas foram omitidas. Referido dispositivo legal é posterior à Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, assim como a jurisprudência invocada pela recorrente formouse em razão de lançamentos fundamentos no art. 6o, §5o da Lei nº 8.201/90, muito embora até mesmo na vigência desta determinação anterior houvesse julgados administrativos em favor da presunção simples de omissão de receitas. Vejase: IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A insuficiência de origem dos recursos depositados em conta corrente bancária, apurada em análise dos dados constantes dos lançamentos contábeis, permite inferir que tal montante é proveniente de receitas omitidas. A presunção simples, neste caso, é prova admitida no Direito Tributário porque demonstrada por elementos convergentes, direcionando os indícios para a ocorrência do fato probando. (Acórdão 1º CC nº 10806208, Data da Sessão: 17/08/2000) Os recorrentes têm razão quando defendem que podem licitamente, alegar e demonstrar, que os valores movimentados em contas correntes provêm de cheques de terceiros (recebidos de microempreendedores e pequenas empresas), os quais, depois de descontados retornam a seus verdadeiros donos (microempreendedores e pequenas empresas), cujos valores, por sua origem legal, não podem ser considerados como renda omitida, portanto, não são tributáveis. Todavia, a mencionada demonstração não veio aos autos, e o Decreto nº Fl. 4674DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 16 15 70.235/72, em seu art. 16, §4o, estabelece a impugnação como momento para esta prova que, evidentemente, tem natureza documental. Correta, portanto, a conclusão da autoridade julgadora de 1a instância no sentido de que, neste ponto volvese à questão da falta de comprovação, ou seja, não há acatá la uma vez que não se trouxe nenhum elemento que pudesse, de alguma forma, comprovála. Por esta razão, também, é imprópria a argüição dos recorrentes de que a Turma Julgadora não se manifestou acerca de seu requerimento de prazo adicional de 60 (sessenta) dias para juntada dos documentos comprobatórios das operações questionadas. Nos termos do art. 16, §4o do Decreto nº 70.235/72 e do que consignado pela autoridade julgadora de 1a instância, as provas documentais deveriam ter sido juntadas à impugnação. Na medida em que a contribuinte foi regularmente intimada, no curso do procedimento fiscal, a comprovar a origem dos depósitos bancários, e omitiuse neste dever, mantendose inerte, também, por ocasião da impugnação, inexiste qualquer vício de procedimento, ou ofensa ao princípio da legalidade. Registrese, ainda, que transcorridos mais de 19 (dezenove) meses desde o lançamento, e quase 24 (vinte e quatro) meses desde a intimação antes referida, nenhuma prova foi juntada pelos recorrentes em suporte a suas alegações. Ainda, especificamente no que tange à alegação de que a combinação da Lei Complementar nº 105/2001 com o art. 42 da Lei nº 9.430/96 resultou em explícito atentado aos direitos individuais, delegando ao particular a ingrata tarefa de demonstrar e provar que não realizou o fato gerador do tributo, cumpre ressaltar que a obrigação da pessoa jurídica, nos termos do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, é manter a guarda da escrituração de todas as operações que afetam seu patrimônio, enquanto não prescritas as ações cabíveis, e resta evidente nos autos a desídia do sujeito passivo no cumprimento destas obrigações acessórias, especialmente porque do total movimentado em instituições financeiras (R$ 81.894.981,80), apenas a parcela de R$ 1.217.233,01 estaria registrada em contas representativas de Bancos conta movimento. Logo, não se trata aqui de imputar ao sujeito passivo o dever de provar que não realizou o fato gerador do tributo, mas tão somente de manter a regular escrituração de suas operações financeiras, de modo a demonstrar a origem de seus depósitos bancários. Sua omissão neste sentido impede a Fiscalização de identificar a real dimensão do resultado de suas atividades, e a presunção legal de omissão de receitas mostrase essencial para garantir, ao menos em parte, o crédito tributário devido. Os recorrentes questionam a ausência de demonstração com planilhas e demonstrativos os cheques devolvidos, as transferências bancárias entre contas do mesmo titular, as aplicações financeiras, empréstimos contraídos junto às instituições financeiras e etc.. Diz que o acórdão recorrido nada disse a respeito, mas a resposta a seus questionamentos foi assim consignada: Também não se enxerga obscuridade nos demonstrativos de apuração, como se tentou incutir. Todos os créditos lançados foram objeto de intimação para que fossem comprovadas as suas origens. Se, dentre esses, existiam alguns que não se trata de omissão, caberia ao contribuinte têlos apontado, o que efetivamente não fez. De fato, a intimação de fls. 64/65 é clara no sentido de que os depósitos bancários cuja origem deveria ser comprovada foram identificados a partir dos créditos Fl. 4675DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 17 16 constatados nas contascorrentes de titularidade da empresa, já excluídos os valores relativos a aplicações em fundos, movimentações entre contas de mesma titularidade, estornos e devoluções de valores, operações em bolsa de valores e outras movimentações financeiras. Além disso, não só os históricos dos depósitos questionados deixam evidente que somente créditos bancários efetivos foram arrolados nos anexos à intimação de fls. 66/123, como também na mesma intimação os créditos bancários que deveriam ter sido objeto de contabilização são totalizados em R$ 81.984.891,80, ao passo que no Termo de Verificação Fiscal os depósitos que se prestaram como lastro para presunção de omissão de receitas representaram R$ 56.345.266,37. Correta, portanto, a conclusão da autoridade julgadora de 1a instância de que caberia ao sujeito passivo, inclusive como demonstração da origem dos valores questionados, indicar se algum dos depósitos eventualmente corresponderia a parcela que não representaria ingresso de terceiros em suas contas bancárias. Inexiste, assim, qualquer evidência de erro na base de cálculo do lançamento, ou ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e ao art. 142 do CTN, que estabelecem os requisitos para formalização do lançamento. Os recorrentes também discorrem extensamente sobre o dever de prova imposto a quem acusa, invocando os princípios da verdade material, da legalidade e da tipicidade, para questionar o lançamento com base em presunção e afirmar que a simples desconfiança não tem o condão de gerar obrigação tributária. Ocorre que a presunção é, também meio de prova, e no presente caso está expressa em lei, permitindo que a ocorrência do fato gerador seja provada ante evidências de que depósitos bancários favoreceram o sujeito passivo e este não consegue provar que eles teriam outra origem que não receitas da atividade. Em tais condições, a lei inverte o ônus da prova e autoriza o lançamento com base em verdade ficta ou presumida a partir da demonstração, pelo Fisco, apenas do indício elegido pelo legislador como causa suficiente para afirmação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Neste contexto, a invocação de princípios constitucionais se presta, em verdade, a questionar a validade da lei, e nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto à alegação de nulidade do auto de infração por violação ao princípio do no bis in idem, cabe consignar que a Turma Julgadora apreciou as alegações postas em impugnação, nos seguintes termos: 11. Mas uma vez, descabe razão à defesa. Ressaltese de antemão a impropriedade do uso do termo non bis in idem, dado que, entrevêse, o que se quis dizer foi que alguns valores teriam sido tributados duas vezes, ou melhor: que os valores da omissão da receita da atividade estariam embutidos nos valores da omissão presumida com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 12. Com efeito, não há concluir os valores relativos à “omissão da atividade” componham os valores presumidos com base nos depósitos bancários; conclusão aliás adotada, de forma incorreta, pela autuação (em benefício do sujeito passivo) que os diminuiu quando da apuração da omissão de receita presumida. A defesa, aqui, equivocouse, pois que a sua pretensão foi atendida ab initio pela fiscalização. De fato, a afirmação de que a omissão de receitas da atividade está englobada na omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários dependeria da demonstração da origem destes depósitos naquelas receitas. Todavia, a autoridade lançadora Fl. 4676DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 18 17 admitiu esta origem mesmo sem a demonstração por parte do sujeito passivo, e adotou como indício para presunção de omissão de receitas apenas os depósitos bancários que excederam as receitas da atividade. Logo, a pretensão dos recorrentes foi antecipadamente atendida, como dito pela autoridade julgadora de 1a instância. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências decorrentes de omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Passando à equivocada omissão de receita de atividades, assevera que a Turma Julgadora não fez qualquer comentário acerca da suposta divergência encontrada pelo agente fiscalizador em seu trabalho fiscal, mas o voto condutor do acórdão recorrido traz expressamente que: 16. Contrapôsse na impugnação, quanto à omissão levantada no quadro da fl. 1.543, as diferenças apuradas pela fiscalização decorreriam de erro de envio do SPED para a RFB; o programa teria somado indevidamente o saldo anterior ao movimento do anocalendário de 2008, o que teria ocasionado valor superior ao declarado. Erro todavia que teria sido sanado por meio de “retificadora do SPED”. Acresceuse, as vendas canceladas, descontos concedidos, IPI etc, embora tenham sido computadas no cálculo da “Receita de Vendas Contabilizada”, teriam sido deduzidas, motivo também da divergência dos valores questionados na autuação. 17. Questionouse ao demais, seria impróprio falarse em informação de receita bruta em DCTF (item 22 do Termo de Verificação Fiscal) e que seria um absurdo a qualificação da multa, dado que as diferenças apuradas, após retificação, seriam mínimas (vide Quadro da fl. 1.667). 18. Não há acordar com a defesa quanto aos valores do crédito principal; ou seja, quanto aos valores da omissão apurados pela fiscalização, dado que o que se questionou não tem suporte probatório. A atitude da fiscalização em adotar o maior valor de receita dentre os valores cotejados1 está correta, haja vista que de antemão os valores contabilizados, consignados em notas fiscais e informados em DACONs devem ser considerados como verdadeiros, a não ser que se trate de erro, cuja aceitação, digase de passagem, não prescinde de demonstração dos motivos em que se funda. 19. Quando à DCTF, decerto a fiscalização não quis referirse à confissão de receita bruta, dado que nela se confessam tributos, mas sim à receita que serviu de base ao cálculo destes detalhe insignificante, adrede levantado no intuito de desmerecer o profícuo trabalho da fiscalização. 20. Melhor sorte tem a defesa quanto à qualificação da multa. O diminuto percentual da “omissão” apurado, relativamente às receitas que foram declaradas na DIPJ e nos DACONs (vide quadro da fl. 1.543), por si só, não evidencia intuito de sonegar ou de fraudar o fisco, nos termos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. O fato de as diferenças terem sido constatadas ao longo de todo o anocalendário não muda o entendimento. 21. Se se trata de “omissão de receita”, como se levantou, aqui vale observar a Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, 1 Termo de Vrificação Fiscal, fl. 1.543: Tendo em vista que o contribuinte não se manifestou, apesar de ter sido intimado a esclarecer as divergentes receitas localizadas pela fiscalização, estaremos desconsiderando as receitas informadas em DACON, DIPJ e utilizando como valores de Receita Bruta de vendas conhecida os valores contabilizados e sos constantes como vendas no arquivo de notas fiscais de acordo com a tabela abaixo. Fl. 4677DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 19 18 por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. De fato, na intimação de fls. 64/65 a autoridade lançadora exigiu esclarecimentos acerca das divergências constatadas nos elementos apresentados pela fiscalizada. A contribuinte limitouse a pedir prorrogação de prazo (fl. 126), e nada apresentando foi reintimada (fl. 127/128). Frente a este contexto, e confrontando apenas as receitas brutas mensais informadas pela contribuinte, a autoridade fiscal desconsiderou as receitas informadas em DACON, DIPJ e utilizou como valores de Receita Bruta de Vendas conhecida aos valores contabilizados e os constantes como vendas no arquivo de notas fiscais como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal a partir dos seguintes quadros: Fl. 4678DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 20 19 Os recorrentes reiteram as alegações de retificação das informações originalmente enviadas por meio do SPED, dizem que seus livros fiscais e contábeis evidenciam que foram regularmente emitidas as notas fiscais, novamente questionam a afirmação fiscal de que apenas parte da receita bruta mensal da atividade foi declarada em DCTF. Mais à frente apresenta demonstrativo dos valores informados corretamente no SPED RETIFICADOR, que devem ser desconsiderados da autuação, e destaca que as diferenças remanescentes são tão insignificantes no contexto geral que não dariam azo para autuação. Indica, ainda, a juntada dos livros fiscais, contábeis e declarações por ocasião da impugnação. Ocorre que, com a exoneração da multa qualificada de forma definitiva pela decisão de 1a instância, a investigação acerca destas divergências perde qualquer relevo. Isto porque, como visto, a contribuinte foi intimada a prestar tais esclarecimentos no curso do procedimento fiscal e não apresentou qualquer resposta à autoridade lançadora. Em conseqüência, além de eleger de diferentes origens o valor da receita bruta mensal reconhecida pelo sujeito passivo, a Fiscalização, ao determinar o valor tributável da omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, excluiu dos montantes mensais apurados, em benefício do sujeito passivo, as parcelas antes classificadas como receita bruta conhecida, como demonstrado neste outro quadro apresentado no Termo de Verificação Fiscal: Assim, caso o sujeito passivo suprisse sua omissão no curso do procedimento fiscal e lograsse, em defesa administrativa, provar que outra seria a receita bruta reconhecida em sua contabilidade, como os depósitos bancários de origem não comprovada superaram as receitas indicadas em todas as fontes de informação examinadas pela Fiscalização, a base de cálculo dos lançamentos aqui em debate não sofreria qualquer alteração. Em outras palavras, as parcelas eventualmente passíveis de exclusão como receita bruta conhecida subsistiriam tributáveis como omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, na medida em que a primeira irregularidade não decorreu de erro na apuração Fl. 4679DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 21 20 pela autoridade lançadora, mas sim de omissão do sujeito passivo no curso do procedimento fiscal. Impróprias, assim, as afirmações dos recorrentes no sentido de que a exigência foi formalizada com desconhecimento da legislação tributária vigente, resultando em trabalho inócuo e de péssima qualidade técnica. A omissão do sujeito passivo durante o procedimento fiscal, e sua desídia antes disso, ao deixar de escriturar significativa parcela de sua movimentação bancária, impediram a Fiscalização de alcançar a realidade dos fatos geradores por ele praticados, contexto no qual não se pode admitir prejuízo ao lançamento tributário, o qual deve ser formalizado com fundamento em evidências probatórias relevantes de que o sujeito passivo auferiu resultados tributáveis, com conseqüente inversão do ônus da prova em desfavor daquele sujeito passivo. Por fim, os recorrentes esclarecem que em impugnação, ao questionarem a forma de apuração em razão de sua opção pelo lucro presumido, argumentaram que caso houvesse a OMISSÃO DE RECEITAS, que na verdade não ocorreu, o Auditor Fiscal teria que apurar o Imposto/Contribuição trimestralmente e não como fez, mensalmente, cujo procedimento veio a invalidar a autuação por ERRO DE FORMA, pois a taxa SELIC foi aplicada mensalmente ao passo que deveria ser aplicada trimestralmente. A argumentação permanece incompreensível porque, embora apurando mensalmente as receitas omitidas, o lucro presumido foi determinado mediante agregação das receitas mensais de cada trimestre, de modo que o IRPJ e a CSLL devidos foram exigidos apenas ao final do trimestre, calculandose os juros a partir do último dia do mês subseqüente ao encerramento do trimestre, como demonstrado nos Autos de Infração: Registrese, ainda, que os recorrentes também alegaram que a multa qualificada subsistiu aplicada sobre os créditos tributários referentes à Contribuição para o PIS/PASEP, porém o acórdão recorrido considerou procedente em parte a impugnação, para: a) manter os valores principais dos créditos lançados, que devem ser exigidos com a aplicação da multa de ofício (75%) e juros de mora, consoante legislação de regência, e b) exonerar o crédito no montante de R$ 32.044,25, relativo ao agravamento da multa, e os quadros ao final do voto condutor do julgado expõem que: Fl. 4680DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 22 21 Por sua vez, na Relação de Créditos Tributários do Processo às fls. 4557/4560, encaminhada aos recorrentes juntamente com a intimação de fl. 4556, todas as exigências estão acrescidas de multa no percentual de 75%, e o valor calculado sobre os créditos tributários acima indicados são idênticos àqueles exonerados porque estes representavam, justamente, metade da exigência inicial. Por tais razões, também no que tange às exigências decorrentes de omissão de receitas da atividade, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Arrematando, no que tange à imputação de responsabilidade solidária, observase que embora a autoridade julgadora de 1a instância tenha afastado a qualificação da penalidade, sob o argumento de que o diminuto percentual da “omissão” apurado, relativamente às receitas que foram declaradas na DIPJ e nos DACONs (vide quadro da fl. 1.543), por si só, não evidencia intuito de sonegar ou de fraudar o fisco, nos termos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, manteve a imputação de responsabilidade solidária ao sócio administrador basicamente porque a não comprovação da origem de recursos utilizados em depósitos bancários evidencia que valores de receita foram mantidos à margem da tributação, o que por si dá ensejo à observação do art. 135 do CTN, que não divisa vontade deliberada (dolo) de culpa na prática da infração. Fl. 4681DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 23 22 Ocorre que a motivação para responsabilização do sócio administrativo foi exposta, pela Fiscalização no tópico referente à qualificação da penalidade nos seguintes termos: 30) Constatadas as irregularidades já informadas, atribuise responsabilidade solidária ao crédito tributário lançado aos sócios administradores da empresa na época da ocorrência do fato gerador (2008) por força do artigo 1036 do Código Civil, combinado com o artigo 135, III do CTN. [...] 31) Logo, foi lavrado no presente procedimento Termo de Sujeição Passiva Solidária ao sócioadministrador José Marcos Boni Costa (...), que deve responder solidariamente pelos tributos e pelo crime contra a ordem tributária, cuja ciência e cópia está sendo encaminhada a seu endereço de cadastro (...) via postal. Por sua vez, o Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 1606/1609, embora veicule o relato acerca do desenvolvimento do procedimento fiscal e da constatação das diferentes omissões de receita, com citação do art. 135 do CTN e de jurisprudência em favor da responsabilização do sóciogerente que não recolhe os tributos devidos, é finalizado com a informação de que a multa qualificada foi aplicada em razão das receitas da atividade conhecidas e não declaradas pela pessoa jurídica e a seguinte conclusão: 12) Desta forma, por tudo o que foi constatado, e através de uma análise sistêmica dos artigos do CTN em conjunto com a jurisprudência pátria e a legislação vigente, fica caracterizada a responsabilidade solidária do sóciogerente da fiscalizada, Senhor José Marcos Boni Costa, sócioadministrador da pessoa jurídica na época dos fatos apurados, pelos créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica, pelo seguinte motivo: Declaração a menor ao Fisco Federal de receitas registradas na contabilidade e obtidas em face de atividade da empresa. 13) Assim, ante todo o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 135 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Nestes termos, resta evidente que o motivo para imputação da responsabilidade tributária foi o dolo presente na declaração a menor, ao Fisco Federal, de receitas registradas na contabilidade da pessoa jurídica. Afastado o intuito de fraude vislumbrado nesta conduta e, por conseqüência, a qualificação da penalidade, não subsiste motivação para a responsabilização do sócioadministrador. É certo que o histórico dos lançamentos bancários, como antes exposto, permite cogitar que efetivamente receitas de atividade foram mantidas à margem da contabilidade, aspecto que autorizaria a responsabilização do sócio gerente, como conclui a autoridade julgadora de 1a instância. Todavia, como esta argumentação não integrou a acusação fiscal, a responsabilidade tributária não pode ser mantida, nestes autos, sob outro fundamento. Assim, tem razão o recorrente quando defende que a acusação fiscal não logrou provar as irregularidades que ensejariam a responsabilidade a ele atribuída. Na medida em que a autoridade julgadora de 1a instância afastou a qualificação da penalidade imposta aos créditos tributários decorrentes da declaração a menor ao Fisco Federal de receitas registradas na contabilidade e obtidas em face de atividade da empresa, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange à responsabilidade tributária atribuída a José Marcos Boni Costa. Fl. 4682DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.724240/201211 Acórdão n.º 1101001.156 S1C1T1 Fl. 24 23 Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos créditos tributários lançados e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange à responsabilidade tributária atribuída a José Marcos Boni Costa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 4683DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009040/2002-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1997
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO
As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas, o que impede o seu conhecimento em sede de recurso voluntário. In casu, na impugnação não houve preliminar de nulidade do lançamento e não foi impugnado o lançamento do imposto, mas tão somente a multa de ofício e os juros de mora.
MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2.
A multa de ofício é prevista em lei e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
TAXA SELIC. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-003.091
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1997 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas, o que impede o seu conhecimento em sede de recurso voluntário. In casu, na impugnação não houve preliminar de nulidade do lançamento e não foi impugnado o lançamento do imposto, mas tão somente a multa de ofício e os juros de mora. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO As matérias que não forem expressamente contestadas consideramse não impugnadas, o que impede o seu conhecimento em sede de recurso voluntário. In casu, na impugnação não houve preliminar de nulidade do lançamento e não foi impugnado o lançamento do imposto, mas tão somente a multa de ofício e os juros de mora. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 90 40 /2 00 2- 61 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Foi lavrado auto de infração contra EVELYN – Incorporadora e Construtora de Imóveis Ltda, por meio do qual exigese recolhimento de imposto, no valor de R$17.923,58, acrescido de multa de ofício e juros de mora, decorrente de irregularidades verificadas na Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, nos 3° e 4º trimestres de 1997. De acordo com a descrição dos fatos (fls. 16) e demonstrativo de fls. 17/19, houve falta de recolhimento ou pagamento do principal nos períodos de apuração 0509/1997 a 0512/1997. A ciência do lançamento efetivouse em 10/06/2002. Na impugnação, o contribuinte discordou da exigência de multa e de juros de mora (fls. 1/13). A impugnação foi indeferida, sob os seguintes fundamentos, em síntese: a) não compete às autoridades administrativas apreciar alegação de inconstitucionalidade de leis; b) o lançamento da multa de ofício e dos juros de mora está em harmonia com os preceitos legais; e c) a parcela do lançamento, alusiva ao imposto, não foi expressamente contestada, tornandose definitiva na instância administrativa. Ciente da decisão em 09/03/2007, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/04/2007, assentado nas alegações abaixo resumidas: 1. nulidade do auto de infração por não atender aos preceitos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, carecer de fundamentação e de certeza e liquidez, não ter a autoridade fiscal apurado a exatidão dos fatos concretos registrados no auto de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.009040/200261 Acórdão n.º 2802003.091 S2TE02 Fl. 186 3 infração, muito embora tenha o ônus dessa prova; ferindo princípios da razoabilidade, proporcionalidade e moralidade; 2. multa de ofício confiscatória; 3. inaplicabilidade da taxa de juros Selic; 4. não há definitividade do valor principal tal como assentado no acórdão recorrido, pois tanto o recurso voluntário visa quanto a impugnação visou o afastamento in totum do auto de infração; uma vez discutidas todas as questões do auto de infração (principal, multa e juros), não há que se falar em definitividade do crédito tributário. O recurso voluntário foi apreciado pela então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que decidiu cancelar o auto de infração por ser incabível o lançamento para exigir valores declarados em DCTF e não recolhidos, assim demais matérias não foram analisadas (fls. 90/105). Por meio do Acórdão 9200201.666, de 26/07/2011, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 137/137verso) para admitir o lançamento em questão e determinar o retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Às fls. 140 ( numeração digital n. 147) foi juntada consulta ao sistema CNPJ da Receita Federal onde a pessoa jurídica é identificada pelo nome Rubens Goldenberg, designação utilizada doravante. Os embargos do contribuinte não foram conhecidos por intempestivos (folha digital 175/176). Após ciência ao embargante, a DRF Porto Alegre remeteu o processo ao CARF para apreciação das demais questões, assim como decidido pela CSRF. Em razão modificação na estrutura do CARF, o processo foi distribuído à 2ª Câmara e a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Da alegação de nulidade do auto de infração Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A análise do auto de infração (fls. 14/22) demonstra que não há qualquer mácula nesse instrumento de constituição do crédito tributário, decorrente de não terem sido localizados os DARF informados pelo contribuinte em DCTF (fls. 17/19), inadimplemento do qual decorreu exigência de imposto, e consequentemente, multa de ofício e juros de mora. Ao contrário, é o recorrente que, não obstante empregar lições doutrinárias, precedentes e legislação, não apontou objetivamente sequer um dado concreto em que teria faltado ao lançamento identificar a infração ou que justificaria suas alegações genéricas. Da não definitividade do valor principal. Na impugnação não houve alegação preliminar. Ao impugnar, o contribuinte teceu o breve histórico abaixo reproduzido integralmente. Tratase de ação fiscal para a cobrança de tributos, oriundos de supostas irregularidades nas DCTFs apresentadas pelo ora peticionário, no montante de R$ 47.313,27 (quarenta e sete mil, trezentos e treze reais e vinte e sete centavos ). Da análise da autuação efetuada, verificase que foram incluídos no débito, valores referentes a multa e taxa SELIC, em desacordo com a legislação e jurisprudência pátrias, tornando imperioso a interposição da presente impugnação. Em seguida desenvolve argumentação contra a exigência da multa de ofício e a aplicação da Selic como fórmula para apuração de juros de mora. Não houve qualquer alegação que possa ser entendida como razão de fato ou de direito para considerar impugnado o lançamento do imposto (principal). Não basta ao final da impugnação afirmar que “impugna os valores constantes no Auto de Infração”, pois não se admite negativa geral, sem exposição das razões de fato e de direito. Nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto 70.235/1972, o impugnante precisa expressamente descrever os pontos de discordância e as suas razões de fato e de direito, o que não aconteceu em relação ao lançamento do imposto. O acórdão recorrido está correto ao consignar que somente foram impugnados a multa e os juros de mora e que o lançamento do imposto é definitivo na instância administrativa. Quanto à multa de ofício, a alegação entra no âmbito de aferição de constitucionalidade de lei, o que é defeso aos Órgãos administrativos. Tratase de matéria objeto da súmula nº 2 deste Conselho: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A multa exigida tem previsão legal e a este Conselho compete o controle da legalidade dos atos administrativo e não da constitucionalidade das leis. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.009040/200261 Acórdão n.º 2802003.091 S2TE02 Fl. 187 5 No tocante à exigência dos juros de mora com base na Selic, aplicase a Súmula CARF nº4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10380.011720/2006-21
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara
que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta
após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: MARIA LÚCIA MONIZ DE ARAGÃ0 CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10380.011720/2006-21 Resolução n.º 2202-00.219 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 7, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 e 9, pelo qual se exige a importância de R$31.093,61, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos anos-calendário 2001. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido no Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 4 a 7, no qual o autuante esclarece que o contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, no ano-calendário 2001, rendimentos auferidos da Companhia Docas do Ceará, em decorrência de decisão judicial da 5ª Vara do Trabalho de Fortaleza, a título de "Adicional de Risco". DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 82 a 87, instruída com os documentos de fls. 88 a 94, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 105 e 106): Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 30/11/2006, fls. 80, a contribuinte apresentou impugnação em 29/12/2006, fls. 82/87, por meio de instrumento procuratório, fls. 88, apresentando as alegações a seguir, parcialmente, transcritas: (...) DO NÃO RECEBIMENTO TOTAL DOS VALORES INDICADOS NA AUTUAÇÃO Em que pese a Cia Doca ter repassado integralmente ao SINDEPOR o valor fixado no Instrumento de Acordo firmado perante o TRT da 7ª Região, o (a) declarante somente recebeu 78,75% da quantia que lhe cabia na Reclamação Trabalhista 351/96 da 5ª Vara do Trabalho. Assim sendo o rendimento expresso na autuação (R$ 114.890,24) e que serviu de base de cálculo para a exigência do tributo, está em desacordo com a realidade fática (R$ 90.476,06), circunstância que exige um reparo por parte do fisco, uma vez que o tributo está calculado a maior e, conseqüentemente, todos os seus consectários (multa e juros). É importante explicar que o pagamento total da Reclamação Trabalhista, efetuado pela CDC ao SINDEPOR, em decorrência do Termo de Acordo celebrado no TRT, se deu através dos cheques 097544-3, 097543-1 e 097642-3 sacados contra o Banco do Brasil S/A, agencia 1702-7 (Doc. 01), cada um no valor de R$ 3.170.689,39 (...), perfazendo a quantia de R$ 9.512.068,17 (...). Segundo consta no Relato Fiscal o Sindicato não apresentou em sua resposta a comprovação dos valores repassados aos litigantes que integraram a Reclamação Trabalhista. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10380.011720/2006-21 Resolução n.º 2202-00.219 S2-C2T2 Fl. 3 3 É inaceitável o conformismo da Receita Federal com o silêncio do Sindicato em prestar todos os esclarecimentos acerca da diferença retida por aquela entidade, vez que aquela quantia não pode compor a base de cálculo do tributo, pela singela razão de não ter sido recebida pelo (a) autuado (a). Como é costumeiro saber, o ônus da prova é de quem alega, porém, uma vez apresentada uma negativa de fato imputado, o ônus da prova se inverte e cumpre a autoridade administrativa adotar todas as providências que o caso requer para que a verdade material apareça e não se cometam injustiças. A Receita Federal possui os meios legais para investigar quem foi o real beneficiário dessa diferença. Consta inclusive no RIR (Decreto 3000/99) expresso comando nesse sentido: "Art 720. As caixas, associações e organizações sindicais, que interfiram no pagamento de remuneração aos trabalhadores de que trata o art. 43, inciso XIII alínea "e", são responsáveis pelo desconto do imposto previsto no art. 620 e estão obrigadas a prestar às autoridades fiscais todos os esclarecimentos ou informações, como representantes das fontes pagadoras dos rendimentos (Lei n° 4357 de 16 de julho de 1964, art. 16, parágrafo único)".(negritos nossos) O (a) autuado(o) é que não pode ser compelido(a) a recolher tributo por parcela que não recebeu. Segundo a legislação que regula a matéria, todas despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, pode ser abatida da base de cálculo. O dispositivo legal que assegura a dedução possui o seguinte texto: "Art 640 A fiscalização, apesar de conhecer esse comando, a seu alvedrio, deixou de deduzir a parcela não repassada pelo sindicato, ensejando a revisão do presente lançamento fiscal. DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTE A SUA QUITAÇÃO Independentemente as diferença existente entre os valores repassados pela CDC ao SINDEPOR e do SINDEPOR aos funcionários que integraram a Reclamação de 351/96, a Cia Docas do Ceará, sendo detentora de créditos fiscais junto à União Federal e, movida pela responsabilidade objetiva decorrente do equívoco nas informações prestadas a seus colaboradores, houve por bem quitar o IRRF através de três PERD/COMPs, evitando assim danos a seus colaboradores (Docs, 02, 03, 04 e 05). O débito compensado correspondeu a 27,5% (vinte e sete meio por cento) sobre os valores integrais repassados ao Sindicato (Substituto processual), acrescido de multa moratória e taxa de juros SELIC acumulada (de 11/07/2001 até 28/12/2006). A minuta do Darf demonstra, analiticamente, os valores quitados: Principal 2.615.818,75 Multa 523.163,75 Juros SELIC 2.429.834,03 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10380.011720/2006-21 Resolução n.º 2202-00.219 S2-C2T2 Fl. 4 4 5.568.816,53 O (a) autuado(a) aduz que com tal procedimento, o Valor Principal exigido no presente Auto encontra-se plenamente satisfeito, bem como os respectivos juros SELIC incidentes sobre a exação. Os cofres federais nenhum prejuízo sofreram, vez que o sistema jurídico repele o BIS IN IDEM, restando, tão só, enfrentar a questão relativa a imposição da Multa de Ofício. DO NÃO CABIMENTO DA MULTA DE OFÍCIO É imprescindível frisar que, ao longo da lide trabalhista e ante a complexidade da natureza jurídica do denominado "adicional de risco", a CDC sempre entendeu que os valores cobrados na Reclamação eram verbas indenizatórias e, como tal, não alcançadas pela tributação do IR, cuja hipótese de incidência é delimitada pelo art. 43 do CTN, qual seja, "a aquisição...". Alegava também, entre outros argumentos, que o art.110 do CTN era taxativo ao dispor que a lei tributária "não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias" (destaques). A partir de tal entendimento, por sua conta e risco, a CDC deixou de incluir os valores pagos na Reclamatória Trabalhista, a título de "Adicional de Risco", como Rendimentos Tributáveis". Tais considerações se fazem necessárias porque, no que se refere a multa de ofício imposta pela zelosa autuante, o Conselho dos Contribuintes tem reiteradamente decidido que descabe tal exigência quando o erro decorre de culpa da fonte pagadora. [...] Com efeito, ao emitir o "Comprovante de Rendimentos Pagos e Creditados", a CDC deixou de incluir os valores pagos a título de "Adicional de Risco" como Rendimentos Tributáveis. Por todo o exposto, REQUER: a)Seja considerada insubsistente a presente autuação, face a quitação do Principal e dos Juros Acumulados SELIC, até 28.12.2006, pela fonte pagadora; b)Seja relevada a multa de ofício, com vez o(a) autuado(a) foi induzido(a) erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos percebidos, a partir de informações prestadas pela fonte pagadora e, ainda, considerando-se o disposto no art. 112 do CTN (Doc. 06); AD CAUTELAM, Requer: Seja determinada uma diligência ao SINDEPOR para se comprovar o valor efetivamente repassado para o(a) autuado(a), para fins de apuração correta da base de cálculo sobre a qual, em tese, se poderia exigir a cobrança do tributo, se não tivesse havido a quitação do crédito fiscal pela fonte pagadora. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10380.011720/2006-21 Resolução n.º 2202-00.219 S2-C2T2 Fl. 5 5 O deferimento de todos os meios de prova previstos em direito, principalmente, a juntada posterior de documentos. Para corroborar seu entendimento relativamente à aplicação da multa de ofÍcio a contribuinte citou Acórdãos do Conselho de Contribuintes que tratam da matéria. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza (CE) julgou parcialmente procedente o lançamento, proferindo o Acórdão no 08-16.485 (fls. 103 a 108), de 03/11/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001 ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS. A apuração pelo Fisco de rendimentos tributáveis, informados erroneamente na Declaração como rendimentos isentos, caracteriza o ilícito fiscal, e justifica o lançamento de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO Cabível a aplicação da multa de ofício de 75% nos casos de lançamento de ofício quando constatada inexatidão na declaração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2001 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo aquela, objeto da decisão. O julgador a quo, examinando as provas juntas pelo impugnante, reduziu a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização de R$114.890,24 para 90.476,06 (fl. 107). DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificada do Acórdão de primeira instância, em 28/01/2010 (vide AR de fl. 112), a contribuinte interpôs, em 12/02/2010, tempestivamente, o recurso de fls. 113 a 116, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 120), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10380.011720/2006-21 Resolução n.º 2202-00.219 S2-C2T2 Fl. 6 6 DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 15, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio numerado até à fl. 123 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10380.011720/2006-21 Resolução n.º 2202-00.219 S2-C2T2 Fl. 7 7 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Trata-se de lançamento de rendimentos recebidos acumuladamente, por pessoa física, em virtude de decisão judicial, a título de diferenças salariais, relativo ao ano-calendário 2001, conforme consignado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 4 a 7. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento dos Recursos Especiais nos 614.232/RS e 614.406/RS, de 20/10/2010, em que o Superior Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A do Código de Processo Civil, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que trata dos rendimentos recebidos acumuladamente. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram- se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, de acordo com o disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10380.011720/2006-21 Resolução n.º 2202-00.219 S2-C2T2 Fl. 8 8 Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001375/2004-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 Ementa: CSLL. FINSOCIAL. TÍTULO JUDICIAL TRANSITADO EM JULGADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO DO PROCEDIMENTO COMPENSATÓRIO. - A existência de incontroverso direito creditório decorrente do recolhimento indevido a título de FINSOCIAL não é suficiente para comprovar a realização de procedimentos compensatórios, haja vista a necessidade de prévia declaração com a individualização dos períodos de competência abrangidos. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. - Incabível a aplicação de multa isolada, na hipótese de ausência de recolhimento de estimativas, quando lançada a CSLL apurada ao final do exercício, acrescida de multa de ofício. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1102-000.464
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da multa isolada, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Leonardo de Andrade Couto e, pelo voto de qualidade manter o lançamento dos juros sobre a multa, vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barretto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e João Carlos de Lima Júnior, nos termos do
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 Ementa: CSLL. FINSOCIAL. TÍTULO JUDICIAL TRANSITADO EM JULGADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO DO PROCEDIMENTO COMPENSATÓRIO. - A existência de incontroverso direito creditório decorrente do recolhimento indevido a título de FINSOCIAL não é suficiente para comprovar a realização de procedimentos compensatórios, haja vista a necessidade de prévia declaração com a individualização dos períodos de competência abrangidos. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. - Incabível a aplicação de multa isolada, na hipótese de ausência de recolhimento de estimativas, quando lançada a CSLL apurada ao final do exercício, acrescida de multa de ofício. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96.
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FINSOCIAL. TÍTULO JUDICIAL TRANSITADO EM JULGADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO DO PROCEDIMENTO COMPENSATÓRIO. A existência de incontroverso direito creditório decorrente do recolhimento indevido a título de FINSOCIAL não é suficiente para comprovar a realização de procedimentos compensatórios, haja vista a necessidade de prévia declaração com a individualização dos períodos de competência abrangidos. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. Incabível a aplicação de multa isolada, na hipótese de ausência de recolhimento de estimativas, quando lançada a CSLL apurada ao final do exercício, acrescida de multa de ofício. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da multa isolada, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Leonardo de Andrade Couto e, pelo voto de qualidade manter o lançamento dos juros sobre a multa, vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barretto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e João Carlos de Lima Júnior, nos termos do Fl. 344DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 2 relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor em relação aos juros sobre a multa o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (presidente da turma à época), João Carlos de Lima Júnior (vicepresidente), Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 16327.001375/200486 Acórdão n.º 1102000.464 S1C1T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo à CSLL do anocalendário de 1999, acrescida de multa de ofício e de juros, além de multa isolada, calculada sobre os valores que deveriam ter sido recolhidos a título de estimativa, consoante Termo de Verificação Fiscal de fls.09/12. Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 116/130), pugnando pela nulidade da autuação, em razão do trânsito em julgado de decisão judicial (Ação Ordinária 94.00142587 /Apelação Cível 324.496/SP) em 10 de fevereiro de 1999, e decisão proferida no processo administrativo n.º 16327.001992/9962, que teriam reconhecido seu direito creditório decorrente do recolhimento a maior a título de FINSOCIAL no período de outubro de 1989 a abril de 1992, bem como o direito de compensação de tais parcelas com débitos de CSLL. Defende, ainda, a Recorrente que as compensações efetuadas teriam suporte no art. 17, da IN 21/97, que o direito creditório teria sido suficiente para compensar a CSLL do anocalendário de 1999, apresentando controles internos que demonstrariam a regularidade dos procedimentos adotados, e que apenas as compensações efetuadas com débitos do IRRF foram alvo de indeferimento, contudo, teriam sido recolhidos de forma espontânea. Conclui asseverando que as estimativas teriam sido apuradas, apenas não recolhidas, porquanto compensadas, insurgindose, ainda, contra a aplicação da Taxa Selic e da multa, por entender teria esta última caráter confiscatório. Para fundamentar a sua pretensão, a Recorrente colacionou aos autos cópias extraídas dos autos da Ação Ordinária n.º 94.00142587 (fls. 154/179), formulário de Pedido de Restituição, planilhas demonstrativas do crédito (fls. 180/184), e cópias do processo administrativo n.º 16327.001992/9962 (fls. 185/197) Por entender dotadas de plausibilidade as alegações da Recorrente, a DRJ SP I converteu o feito em diligência para que a autoridade administrativa informasse se os débitos de CSLL do anocalendário de 1999, objeto do lançamento teriam sido alvo de compensações (fl. 213). A DEINF/SP lavrou o Termo de Intimação n.º 44/2008 (fl. 217), determinando a apresentação pela Recorrente de: demonstrativo de compensação do crédito de FINSOCIAL, informações sobre a existência de PER/DCOMP referente ao crédito objeto de restituição e registros das compensações em DCTF. Em resposta ao Termo, a Recorrente apresentou planilha com demonstração da apuração do IRPJ e CSLL, no anocalendário de 1999 e informou não ter formalizado compensações em PER/DCOMP ou DCTF’s (fls. 218/223). Na fl. 224, foi acostada Declaração datada de 27 de agosto de 1999, fornecida pela Recorrente nos autos do processo administrativo n.º 16327.001992/9962 para atestar que Fl. 346DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 4 os créditos decorrentes dos processos n.º 94.00142587 e n.º 93.00326228 (fl. 224) não teriam sido alvo de outros pedidos de compensação. A DEINF, nas fls. 230/233, não acatou o recolhimento espontâneo realizado pelo Recorrente a título de IRRF, por entender que, quando do recolhimento em 25/04/03, já havia sido extinto, em razão da compensação declarada à Receita Federal, e deferida nos autos do processo administrativo n.º 16327.001992/9962. No tocante à CSLL, foi mantida a exigência formalizada no Auto de Infração, sob o entendimento de que inexistentes registros da alegada compensação, além de divergentes as assertivas postas na Manifestação de Inconformidade e na declaração apresentada no sentido de que não teriam sido restituídos ou compensados os valores reconhecidos através das ações judiciais acima referidas. Registraram, ainda, as autoridade que deveria a Recorrente, caso tivesse decidido quitar o valor lançado com o seu crédito, deveria ter formalizado pedido de compensação, consoante determinada o art. 16, da IN SRF n.º 21/97. Com base na ausência de registro da alegada compensação e da existência do direito creditório, foi determinada a compensação de ofício para a CSLL, após a compensação do débito de IRRF no período de 03/01/98. Intimada da diligência através do Ofício n.º 537/2008, a Recorrente defendeu, em síntese, que a totalidade do crédito auferido através das ações judiciais em exame teria sido compensada com a CSLL, em razão do posterior pagamento do IRRF e, caso não aceito pagamento em razão da extinção do crédito pela homologação da compensação, pugna pela compensação do IRRF pago a maior. A DRJ não conheceu da matéria constitucional suscitada pela Recorrente e manteve em parte o lançamento, por entender não comprovada a compensação através de registros contábeis ou cópia de protocolo de Declaração de Compensação, determinando apenas a redução da multa isolada para 50%, com espeque no princípio da retroatividade benigna. Cientificada do acórdão, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, repetindo as razões suscitadas na Manifestação de Inconformidade e acrescentando que: i) não teria sido analisado pela DEINF/SP o pedido de compensação do IRRF, o que justificaria o posterior pagamento e teria ensejado a compensação de todo o crédito reconhecido em juízo com a CSLL apurada no anocalendário de 1999. ii) Teriam sido seguidas as normas em vigor relacionadas à compensação e restituição, porquanto formalizado o procedimento em 1999, ou seja, antes das da instituição do novo regime em 2002; iii) Incabível a multa isolada, na hipótese de lançamento do tributo acrescido de multa de ofício; iv) Impossível a cobrança de juros SELIC sobre a multa de ofício É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 16327.001375/200486 Acórdão n.º 1102000.464 S1C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Pretende a Recorrente ver reformada em parte decisão da DRJ que não reconheceu a compensação da CSLL do anocalendário de 1999, com créditos oriundos do recolhimento a maior de FINSOCIAL, auferidos através da Ação Judicial n.º 94.00142587, em razão da ausência de especificação das parcelas compensadas, e, ainda, exigiu multa de ofício e isolada pela ausência de recolhimento de estimativas. A Recorrente apresenta direito creditório reconhecido nas esferas administrativa e judicial em contraposição a lançamento de CSLL, formalizado em 29 de setembro de 2004, sem apresentar qualquer documento capaz de comprovar que o procedimento compensatório foi anterior à lavratura do Auto de Infração. Defluise da análise de documentos e decisões acostados ao processo administrativo de restituição, identificado sob o n.º 16327.001992/9962, que não há qualquer informação quanto ao período de apuração objeto de lançamento, ao contrário, consta Declaração, datada de 27 de agosto de 1999 (fl. 224), atestando que os créditos não haviam sido alvo de restituição em outros processos. A Declaração apresentada faz cair por terra a defesa da Recorrente no sentido de que apuradas as estimativas no anocalendário de 1999, apenas não recolhidas em razão do direito creditório e compensação supostamente realizada. Não há, portanto, como homologar compensação, cujo pedido apenas foi efetuado após a lavratura do Auto de Infração. Consequentemente, irretorquível a determinação de compensação de ofício. No que tange à multa isolada, merece reparos a decisão a quo, haja vista que aplicada de forma concomitante com a multa de ofício, matéria já pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante evidencia a ementa a seguir transcrita, verbis: “PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Recurso especial provido.” (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº 40105503 do Processo 13502000216200317 ) Por fim, insurgese a Recorrente contra a aplicação da Taxa Selic, contrariando entendimento sumulado por esta Colenda Corte, requerendo, ainda, em caráter subsidiário, o afastamento da referida taxa sobre a multa de ofício. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 6 Aplico o entendimento da Súmula CARF n.º 4 para manter a aplicação da Taxa Selic sobre o principal, verbis: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Afasto, contudo, a aplicação da referida taxa sobre a penalidade aplicada, por entender ausente previsão legal. A redação do art. 161, do CTN e do art. 61, da Lei n.º 9.430/96 não autorizam a incidência dos juros de mora sobre penalidades, apenas sobre débitos de tributos e contribuições, verbis: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Em reforço ao acima exposto, o art. 13, da Lei n.º 9.065/95 referese exclusivamente a tributos federais, sem menção a penalidades, como o caso da multa de ofício, verbis: “Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Fl. 349DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 16327.001375/200486 Acórdão n.º 1102000.464 S1C1T2 Fl. 4 7 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)” É mister considerar ainda que há previsão legal expressa para incidência da Selic sobre multa isolada, consoante dicção do art. 43, o que evidencia não ser possível a exigência sobre a multa de ofício, quando carente dispositivo expresso, verbis: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Corroborando o entendimento ora exposto, transcrevo precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: “Ementa: NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente. SIMULAÇÃO GANHO DE CAPITAL Se as provas constantes dos autos demonstram que a Contribuinte realizou negócio jurídico de forma diversa daquela formalmente declarada, havendo desconformidade entre a realidade fática e a aparência do negócio jurídico, resta caracterizada a ocorrência de simulação, devendo a obrigação tributária ser apurada sobre o negócio jurídico de fato realizado. ATOS NÃOCOOPERADOS TRIBUTAÇÃO Os atos praticados por cooperativas que não se configurem como tipicamente cooperativos, estão sujeitos à tributação. Apenas os atos cooperativos, praticados entre associados e com o objetivo de atingir suas finalidades estatutárias não serão tributados. MULTA E JUROS SELIC Se a multa de ofício e os juros pela taxa Selic aplicados encontramse em consonância com a legislação vigente, o Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos da sua Súmula nº 02, não pode afastar sua aplicação, já que não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado. RV Provido em Parte.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária,Acórdão n.º 10196523, Processo n.º 19511.003663/200527) Em face do exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas para cancelar a multa isolada e afastar a cobrança da Taxa SELIC sobre a multa de ofício. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 8 É como voto. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO – Relatora Fl. 351DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 16327.001375/200486 Acórdão n.º 1102000.464 S1C1T2 Fl. 5 9 Voto Vencedor Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Minha divergência da Ilustre Relatora voltase à questão da incidência dos juros sobre a multa de ofício. Esse tema adquiriu relevância neste Colegiado em vista de julgamentos recentes que poderiam direcionar a jurisprudência para a não incidência do acréscimo sob exame. Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de Fl. 352DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 10 mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 16327.001375/200486 Acórdão n.º 1102000.464 S1C1T2 Fl. 6 11 Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 12 Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Fl. 355DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 16327.001375/200486 Acórdão n.º 1102000.464 S1C1T2 Fl. 7 13 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 14 Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe uma avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até Fl. 357DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 16327.001375/200486 Acórdão n.º 1102000.464 S1C1T2 Fl. 8 15 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano1 (todos os destaques não são do original): a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com 1 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 16 outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 16327.001375/200486 Acórdão n.º 1102000.464 S1C1T2 Fl. 9 17 Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os Fl. 360DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 18 artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei d. 9.430, de 1996, art. 61). (.......) § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício. Em termos jurisprudenciais, convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício2: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. . 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 16327.001375/200486 Acórdão n.º 1102000.464 S1C1T2 Fl. 10 19 DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Confirase o voto do Relator: "Não merece acolhida a tese da apelante. O artigo 113, § 3º, do CTN dispõe que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A respeito do mencionado artigo, Leandro Paulsen teceu o seguinte comentário: "o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para a sua cobrança (...)" (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 5ª edição, p. 774) Ou seja, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária como quer a impetrante. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifos meus) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Ante o exposto, nego provimento ao apelo." Fl. 362DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 20 Registrese que o STJ também tem decisões nesse sentido: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) De todo o exposto, a meu ver o entendimento correto é no sentido de considerar perfeitamente legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Redator Designado Fl. 363DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/02 /2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO
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Numero do processo: 10725.720380/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 01/03/2008, 21/05/2008, 24/07/2008, 25/09/2008, 22/05/2009, 10/09/2009
REPETRO. AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESNECESSIDADE. MANTIDA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE AFASTOU A MULTA.
À época da ocorrência dos fatos, a legislação (Portarias nº 36/2007 e 25/2008, em seus respectivos artigos 7º e 8º, parágrafo único, inciso II) era clara ao dispensar a obtenção de licença para bens importados sob o regime do REPETRO (Decreto nº 4.543/2002), independentemente da sua condição (usado ou novo).
MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE.
A multa aplica-se ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar, de forma inexata ou incompleta, informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. A Requerente prestou informações suficientes a fim de que fosse constatado que os bens eram usados, condição esta que, aliás, era irrelevante na época dos fatos. Princípio da razoabilidade. Impossibilidade de aplicação da multa prevista no parágrafo 1º, do artigo 69, da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos, quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 16/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, e Alexandre Gomes.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESNECESSIDADE. MANTIDA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE AFASTOU A MULTA. À época da ocorrência dos fatos, a legislação (Portarias nº 36/2007 e 25/2008, em seus respectivos artigos 7º e 8º, parágrafo único, inciso II) era clara ao dispensar a obtenção de licença para bens importados sob o regime do REPETRO (Decreto nº 4.543/2002), independentemente da sua condição (usado ou novo). MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. A multa aplicase ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar, de forma inexata ou incompleta, informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. A Requerente prestou informações suficientes a fim de que fosse constatado que os bens eram usados, condição esta que, aliás, era irrelevante na época dos fatos. Princípio da razoabilidade. Impossibilidade de aplicação da multa prevista no parágrafo 1º, do artigo 69, da Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos, quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 03 80 /2 01 0- 61 Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 16/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, e Alexandre Gomes. Relatório Adotase parte do relatório do acórdão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ Florianópolis/SC, por bem relatar os fatos: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 403.683.039,13, referentes a multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente e, multa por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro. (...) Informa a fiscalização que o presente lançamento, lavrado no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, decorre: I) do fato de a interessada não ter informado nas respectivas adições das DI´s (inicialmente listadas, alíneas “a” até “f”), no campo indicativo ‘Condição’ da mercadoria, que as mercadorias eram usadas e; II) do fato de a interessada não ter providenciado a Licença de importação, por ocasião da concessão do regime especial, para as mercadorias das DI`s nº 08/11232780, 08/15155519, 09/06409220 e 09/12153762 (alíenas “c” a “f”). Relativamente à caracterização das mercadorias importadas como ‘usadas’, a fiscalização indica que as ‘plataformas’ e o ‘navio de perfuração’ foram construídos em data muito anterior à sua apresentação para despacho e apresenta ainda informações de Laudos de Avaliação Técnica que ratificam a sua tese; com relação aos ‘barcos salvavidas’ a conclusão de que se tratavam de mercadorias usadas decorre do fato de terem sido apresentados Certificados de Dispositivos Salvavidas com datas de emissão de 17/08/2008 e 27/09/2006 (fls. 29 e 30); quanto aos ‘módulos de flutuação’ a fiscalização apenas faz menção ao fato Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10725.720380/201061 Acórdão n.º 3302002.150 S3C3T2 Fl. 3 3 de que tais mercadorias foram objeto de transferência de bens do ‘Deepwater Millennium’ anteriormente submetido a despacho (citada na alínea “b” anteriormente) para a embarcação “Sedco 710” (citada na alínea “c” anteriormente). Anexa aos autos os documentos de folhas 59 a 956 com vistas a comprovar os fatos narrados no lançamento. Relativamento à multa por falta de guia ou documento equivalente, a fiscalização manifesta o entendimento de que a dispensa de licença de importação não se aplica à mercadoria usada, mesmo na hipótese em que importada ao amparo do regime de admissão temporária (fl. 11). Cientificada, a interessada apresentou impugnação de folhas 962 a 1.017, anexando os documentos de folhas 1.018 a 1.246. Em síntese apresenta as seguintes alegações: (...) Que há ausência de tipicidade da multa por falta de licença de importação no que diz respeito às DI´s nº 08/11232780 e 08/15155519 dado que para estas declarações foi providenciada a licença de importação. A impugnante, apesar da dispensa em face do REPETRO (admissão temporária) providenciou as LI´s por exigência do Banco Central do Brasil (BACEN) para obter o Registro de Operação Financeira (ROF), conforme artigo 30 da Circular BACEN nº 2.731 de 13/12/1996. Traz jurisprudência administrativa; Que as Portarias SECEX nº 36/2007 e 25/2008 prevêem nos seus artigos 7º e 8º, respectivamente, parágrafo único, inciso II, que estão dispensadas de licenciamento as importações realizadas sob o regime de admissão temporária, de bens amparados pelo REPETRO. Não há, nestes dispositivos qualquer menção quanto à exceção em face do bem ser “usado”, não houve distinção entre bens novos e usados (notar o inciso VII – as doações, exceto de bens usados). As caraccterísticas dos bens que normalmente são submetidos ao REPETRO se enquadram na condição de “usados”, e mesmo assim, não houve a inclusão desta exceção nas Portarias vigentes à época das operações. (...) Que até a inclusão do §2º, do artigo 8º, na Portaria SECEX nº 10/2010 (pela Portaria SECEX nº 13/2010 em 30/06/2010), não havia dispositivo determinando que nas situações que se enquadrem tanto nas hipóteses de dispensa como nas hipóteses de obrigatoriedade do licenciamento, deve prevalecer a exigência do licenciamento. Não há como tal dispositivo retroagir para ser aplicado às operações abrangidas pela autuação, e o fato de tal regra ter sido expressamente inserida no comando normativo só vem a demonstrar que antes da sua instituição não existia a obrigatoriedade de se adotar o procedimento determinado pela mesma; Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Que a multa por falta de LI é inaplicável nos casos em que há correta descrição das mercadorias. Traz jurisprudência e cita o Ato Declaratório Normativo nº 12/1997; Que quanto à multa por omissão de informação necessária ao controle aduaneiro cumpre esclarecer que as Beleeiras Norsafe (DI nº 09/0640922) eram novas. Ademais, o § 2º, do artigo 69, da Lei nº 10.833/2003 indica precisamente quais são as informações que, se omitidas ou prestadas de maneira inexata poderiam sujeitar o importador à imposição de penalidade e, neste dispositivo legal não há qualquer informação relativa à obrigatoriedade de se informar se o bem importado é novo ou usado.(...) Que não houve qualquer prejuízo ao Erário, o auto de infração viola flagrantemente os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco. Traz jurisprudência; (...) Requer o provimento da impugnação e o cancelamento integral do auto de infração.” A 1ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, entendeu por julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário no valor de R$ 24.985.509,90 em relação à multa pela omissão de informação na documentação aduaneira, bem exonerando o valor de R$ 378.697.529,23, correspondente à multa imposta pela ausência de licença de importação, por entender que a multa aplicável à ausência de licença de importação relativa à mercadoria usada só é cabível quando houver o desembaraço de mercadorias no regime comum de importação, não sendo este o caso dos autos, por estarem as mercadorias amparadas por “regime aduaneiro especial REPETRO”. A decisão foi submetida a recurso de ofício. Intimada em 15/06/2011, irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/07/2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O recurso da contribuinte é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. O Recurso de Ofício preenche também os requisitos de admissibilidade, por isso também merece ser conhecido. Com mencionado, a decisão que exonerou a multa de 30% (trinta por cento) regulamentada pelo artigo 633, inciso II, alínea “a” do Decreto nº 4.543/2002 foi submetida a recurso de ofício. Entendo no entanto que a decisão proferida em primeira instância pela autoridade julgadora, quanto à inaplicabilidade da referida multa, foi corretamente fundamentada e em consonância com a legislação de regência, com os fatos e com as provas Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10725.720380/201061 Acórdão n.º 3302002.150 S3C3T2 Fl. 4 5 produzidas nos autos, razão pela qual merece ser mantida, negandose provimento ao recurso de ofício. À época dos fatos (importação das mercadorias sob o regime do REPETRO) as Portarias SECEX nº 36/2007 e 25/2008 eram os comandos normativos que se encontravam vigentes e que regulavam as operações em questão. O inciso II do artigo 7º da Portaria SECEX nº 36/2007 (artigo 8º, inciso II, da Portaria Secex nº 25/2008) dispensava expressamente a apresentação de licença de importação para as mercadorias amparadas pelo regime especial do REPETRO: “art. 7º. Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: ... II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro).” (destacouse) Em que pese o artigo 9º, inciso II, alínea “e” da Portaria acima mencionada (artigo 10, inciso II, alínea “e” da Portaria Secex nº 25/2008) dispor que bem usado sujeitava se à licença de importação, não se pode afastar o comando específico aplicável aos bens importados sob o regime especial do REPETRO, sendo certo que, sob tal regime, era absolutamente irrelevante se o bem importado era ou não usado. Apenas a partir da vigência da Portaria Secex nº 10/2010 é que ficou determinado que os bens importados sob o regime especial do REPETRO, se fossem usados, estariam sujeitos ao licenciamento nãoautomático. Entretanto, a Portaria Secex nº 10/2010 não poderia retroagir para atingir fatos pretéritos, de modo que os bens relacionados às DI`s objeto do presente processo devem obedecer ao disposto nas Portarias Secex nº 36/2007 e 25/2008, vigentes à época dos fatos, afastandose, por conseguinte, a multa de 30% (trinta por cento) prevista no artigo 633, inciso II, alínea “a” do Decreto nº 4.543/2002. Como bem explicitado na decisão da DRJ, “a partir da vigência da Portaria Secex 10/2010 o tratamento administrativo do Siscomex prevalece sobre as hipóteses de dispensa de licença de importação. Como se vê, o dispositivo não é expressamente interpretativo, portanto não pode retroagir.” (cf. fls. 1.257 ou 1.317) Importa salientar que, não sendo interpretativa a norma (Portaria Secex nº 10/2010), esta não pode alcançar fatos geradores passados. E ainda que pudesse, neste caso, não seria cabível a multa imposta à contribuinte, em razão da “nova” interpretação dada à norma reguladora. Esta é a conclusão que se obtém da leitura conjunta do disposto nos artigos 105, 106, I e 144 do Código Tributário Nacional, que assim dispõem: Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 “Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do artigo 116.” “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” (destacouse) “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” (destacouse) Se foi necessária a edição da Portaria Secex nº 10/2010 para que ficasse expressa no universo normativo a exigência de licença para importação de bens usados, ainda que importados sob o regime especial do REPETRO, fica evidente a ausência desta exigência antes da edição da referida portaria. Não encontra respaldo em nosso ordenamento jurídico a aplicação de multa pelo suposto descumprimento de uma norma, se tal norma não existia à época dos fatos, ou melhor, não é possível penalizar a contribuinte por não ter obtido licença de importação sob o regime especial do REPETRO, de bens usados, sem que houvesse base normativa que lhe determinasse a obtenção de tal licença. Além disso, como bem ressaltado na decisão da DRJ, “se a exigência de licença de importação era determinante para a concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária, e esta não foi apresentada por ocasião da concessão do regime, então a questão está relacionada ao ato administrativo que concedeu o regime. Mas até que referido ato venha a ser afastado ou modificado, sua presunção de legitimidade não pode ser afastada. Assim, o que se vislumbra, é que a autoridade competente para conceder o regime, o fez por entender ser prescindível a apresentação de licença de importação para as mercadorias à época da concessão autorizada”. (cf. fls. 1.254 ou1.314) Prossegue: “Ao pretender impor a presente multa em procedimento de revisão aduaneira, a fiscalização está, em verdade, adentrando à esfera de competência alheia, isto é, o auto de infração, nos termos em que foi lavrado, equivale a invalidação, de forma imprópria, das concessões e aplicações do regime aduaneiro especial REPETRO, devidamente deferido por autoridade competente, às mercadorias em questão.” Neste contexto, a decisão da DRJ que exonerou a multa em questão, no valor de R$ 378.697.529,23 deve ser mantida, negandose provimento ao recurso de ofício. Do recurso voluntário do contribuinte A Requerente alega ser indevida a aplicação da multa prevista no parágrafo 1º, do artigo 69, da Lei nº 10.833/2003, uma vez que esta somente dever ser aplicada quando o importador do regime aduaneiro especial omita informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Com efeito, o parágrafo 1º, do artigo 69, da Lei nº 10.833/2003 estabelece que: “Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10725.720380/201061 Acórdão n.º 3302002.150 S3C3T2 Fl. 5 7 10% (dez por cento) do valor toral das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º. A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO APROPRIADO. § 2º. As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I – identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II – destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III – descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV – países de origem, de procedência e de aquisição; e V – portos de embarque e de desembarque.” (destacouse) O artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, bem como o artigo 69 da Lei nº 10.833/2003 são regulamentados pelo artigo 636 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002) e pelo artigo 711 do Decreto nº 6.759/2009, que assim dispõe: “Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput, e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §1º): I – classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II – quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal.” “Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput, e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §1º): I – classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 8 II – quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou III – quando o importador ou benefícios de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. §1º. As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §2º): I – identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II – destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III – descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV – países de origem, de procedência e de aquisição; e V – portos de embarque e de desembarque.” Por sua vez, o Anexo Único da Instrução Normativa SRF nº 680/2006, em seu item 40, determina que deverá o importador indicar: “40 – Indicativos da Condição da Mercadoria. Assinalar o(s) indicativos(s) abaixo, se adequados à condição da mercadoria objeto da adição: 1 – Material usado 2 – Bem sob encomenda.” À primeira vista, pela leitura conjunta da legislação de regência, seria possível concluir que o Recorrente, não tendo informado a condição dos bens em questão, teria incorrido da conduta típica “nãoprestação de informação necessária ao controle aduaneiro” como destacado no trabalho fiscal. Isto porque, como se depreende dos documentos que instruiram a ação fiscal, bem como do relatório elaborado pela autoridade fiscalizadora, o Recorrente teria deixado de informar a condição de “usados” dos bens que importou temporariamente, sob o regime do REPETRO. No entanto, tal conclusão não se sustenta diante da leitura atenta dessa mesma legislação. Com efeito, como se verifica do artigo 69, §1º, da Lei nº 10.833/2008, o objetivo da informação da condição do bem importado é de determinar o procedimento de controle aduaneiro a ser aplicado nas respectivas operações de importação. De acordo com as informações que podem ser consultadas no site da Receita Federal do Brasil, os procedimentos de controle aduaneiro são os seguintes: “O despacho aduaneiro de mercadorias na importação é o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10725.720380/201061 Acórdão n.º 3302002.150 S3C3T2 Fl. 6 9 declarados pelo importador em relação às mercadorias importadas, aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas ao seu desembaraço aduaneiro. Toda mercadoria procedente do exterior, importada a título definitivo ou não, sujeita ou não ao pagamento do imposto de importação, deve ser submetida a despacho de importação, que é realizado com base em declaração apresentada à unidade aduaneira sob cujo controle estiver a mercadoria. (...) O despacho aduaneiro de importação é dividido, basicamente, em duas categorias: o despacho para consumo; e o despacho para admissão em regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais. (...) O despacho para admissão em regimes aduaneiros especiais ou aplicados em áreas especiais tem por objetivo o ingresso no País de mercadorias, produtos ou bens provenientes do exterior, que deverão permanecer no regime por prazo certo e conforme a finalidade destinada, sem sofrerem a incidência imediata de tributos, os quais permanecem suspensos até a extinção do regime. Entre outros, se aplica às mercadorias em trânsito aduaneiro (para um outro ponto do território nacional ou com destino a um outro país) e em admissão temporária , caso em que as mercadorias devem retornar ao exterior, após cumprirem a sua finalidade.” Neste contexto, temse que a determinação do procedimento de controle aduaneiro aplicável ao caso – “importações dispensadas de licenciamento” – está definido pela sujeição da importação ao regime do REPETRO. Em outras palavras, à época dos fatos estava vigente a Portaria SECEX nº 36/2007, que não previa qualquer diferenciação entre a condição do bem, se usado ou novo, para fins de dispensa de licença de importação no caso de bens importados no regime do REPETRO. Disso se conclui que, para as importações realizadas pelo contribuinte Recorrente, a condição dos bens que importou (usados ou novos), era informação absolutamente irrelevante para fins de determinação do procedimento de controle aduaneiro aplicável. Com efeito, no caso sob julgamento, independentemente da condição dos bens importados (se novos ou usados), o regime a ser aplicado às operações em questão era o regime especial do REPETRO que, à época dos fatos, expressamente dispensava a obtenção de licença de importação. Por esta razão, deixar de assinalar o campo destinado à indicação da condição dos bens importados, para informar que os bens eram usados, informação esta absolutamente irrelevante no contexto do REPETRO, não pode conduzir à aplicação da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, sob pena de não observância ao princípio da razoabilidade. Neste aspecto, restou consignado pela DRJ no sentido de ser “impossível aplicar ao caso os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade, a conduta em questão está perfeitamente tipificada na lei, e na lei também está determinado a respectiva pena, não Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 10 havendo espaço para qualquer interpretação discricionária que pudesse deixar margem à aplicação de tais princípios. A autoridade fiscal é regida pelo princípio da estrita legalidade.” É bem verdade que as autoridades fiscais estão adstritas ao que determina a legislação aplicável a determinado caso sob exame ou fiscalização, entretanto, a aplicação da lei não pode ocorrer de forma ineficiente e alheia às circunstâncias daquele caso. A aplicação das leis em observância ao princípio da estrita legalidade há de ser ponderada e pautada no princípio da razoabilidade. A respeito do princípio da razoabilidade, já se pronunciou Antônio José Calhau Resende no seguinte sentido: “A razoabilidade é um conceito jurídico indeterminado, elástico e variável no tempo e no espaço. Consiste em agir com bom senso, prudência, moderação, tomar atitudes adequadas e coerentes, levandose em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a pratica do ato”1. O i. jurista Celso Antônio Bandeira de Mello também já discorreu, com maestria, acerca do princípio da razoabilidade ensinando que: "... a Administração, ao atuar no exercício de discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional, em sintonia com o senso normal de pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida. Vale dizer: pretende se colocar em claro que não serão apenas inconvenientes, mas também ilegítimas e, portanto, jurisdicionalmente inválidas , as condutas desarrazoadas, bizarras, incoerentes ou praticadas em desconsideração às situações e circunstâncias que seriam atendidas por quem tivesse atributos normais de prudência, sensatez e disposição de acatamento às finalidades da lei atributiva da discrição manejada."2 A possibilidade de aplicação das normas pelas autoridades administrativas em consonância com o princípio da razoabilidade, já foi objeto de confirmação Superior Tribunal de Justiça, conforme os julgados abaixo transcritos: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da 1 “O Princípio da Razoabilidade dos Atos do Poder Público”. Revista do Legislativo. Abril, 2009 2 “Curso de Direito Administrativo”, 9ª Ed. São Paulo, Malheiros, 1997. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10725.720380/201061 Acórdão n.º 3302002.150 S3C3T2 Fl. 7 11 providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado. 4. À luz dessa premissa, é lícito afirmarse que a declaração efetuada de forma incorreta não equivale à ausência de informação, restando incontroverso, na instância ordinária, que o contribuinte olvidouse em discriminar os pagamentos efetuados às pessoas físicas e às pessoas jurídicas, sem, contudo, deixar de declarar as despesas efetuadas com os aludidos pagamentos. 5. Deveras, não obstante a irritualidade, não sobejou qualquer prejuízo para o Fisco, consoante reconhecido pelo mesmo, porquanto implementada a exação devida no seu quantum adequado. 6. In casu, "a conduta do autor que motivou a autuação do Fisco foi o lançamento, em sua declaração do imposto de renda, dos valores referentes aos honorários advocatícios pagos, no campo LivroCaixa, quando o correto seria especificálos, um a um, no campo Relação de Doações e Pagamentos Efetuados, de acordo com o previsto no artigo 13 e parágrafos 1º, a e b, e 2º, do DecretoLei nº 2.396∕87. Da análise dos autos, verificase que o autor realmente lançou as despesas do anobase de 1995, exercício 1996, no campo LivroCaixa de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, deixou de discriminar os pagamentos efetuados a essas pessoas no campo próprio de sua Declaração de Ajuste do IRPF (fl. 101)" (fls. 122∕123). 7. Desta sorte, assente na instância ordinária que o erro no preenchimento da declaração não implicou na alteração da base de cálculo do imposto de renda devido pelo contribuinte, nem resultou em prejuízos aos cofres públicos, depreendese a ausência de razoabilidade na cobrança da multa de 20%, prevista no § 2º, do DecretoLei 2.396∕87. 8. Aplicação analógica do entendimento perfilhado no seguinte precedente desta Corte: "TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – GUIA DE IMPORTAÇÃO – ERRO DE PREENCHIMENTO E POSTERIOR CORREÇÃO – MULTA INDEVIDA. 1. A legislação tributária é rigorosa quanto à observância das obrigações acessórias, impondo multa quando o importador classifica erroneamente a mercadoria na guia própria. 2. A par da legislação sancionadora (art. 44, I, da Lei 9.430∕96 e art. 526, II, do Decreto 91.030∕85), a própria receita preconiza a dispensa da multa, quando não tenha havido intenção de lesar o Fisco, estando a mercadoria corretamente descrita, com o só equívoco de sua classificação (Atos Declaratórios Normativos Cosit nºs 10 e 12 de 1997). 3. Recurso especial improvido." (REsp 660682∕PE, Relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ de 10.05.2006) 9. Recurso especial provido, invertendose os ônus Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 12 sucumbenciais.” (RESP 728.999/PR, 26/10/2006) “AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. FINANCEIRO. ADMINISTRATIVO. IMPOSIÇÃO DE MULTA. CONTROLE DE VALIDADE. RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E CARÁTER CONFISCATÓRIO APURADOS SEGUNDO O CASO CONCRETO (NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA). POSSIBILIDADE. COBERTURA CAMBIAL. DECRETO 23.258/1933. A jurisprudência desta Suprema Corte entende plenamente cabível o controle de constitucionalidade dos atos de imposição de penalidades, especialmente à luz da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação do uso de exações com efeito confiscatório (cf., e.g., a ADI 551 e a ADI 2.010). Está prequestionada a incompatibilidade da pena aplicada, por violação do princípio da proporcionalidade, na medida em que o argumento foi expressamente abordado pelo Tribunal de origem, ainda que tenha prevalecido o fundamento que implicava a invalidade integral de qualquer punição (não recepção por contrariedade formal processo legislativo). Agravo regimental ao qual se nega provimento.” (REsp nº 595.553/RS, Relator Ministro Joaquim Barbosa, 2ª Turma, DJe; 04/09/2012) Por esta razão, conclusão exarada na decisão de primeira instância não pode prevalecer diante das particularidades do caso, visàvis o que determina o princípio da razoabilidade. Isto porque, se as importações ocorreram sob o regime do REPETRO que, à época dos fatos, permitia a importação de bens usados sem a necessidade de obtenção de licença de importação, assinalar a “opção” bem usado na Declaração de Importação era absolutamente irrelevante simplesmente porque, como já mencionado, a condição de usados dos bens importados não faria qualquer diferença quanto ao regime e procedimentos aos quais as referidas importações estariam sujeitas. A norma de regência exige que o importador indique a condição do bem (usado ou novo) para fins de determinação do procedimento aduaneiro a ser seguido, pois, nas importações ordinárias, e de acordo com a legislação atual (que não pode se aplicada aos pretéritos fatos dos autos), esta é uma informação crucial e que pode disparar uma séria de procedimentos e exigências. Mas, no contexto dos autos, a informação USADOS era, à época dos fatos, completamente dispensável, por que completamente irrelevante. Deixar de informar esta condição (de bens “usados”) não gerou qualquer consequência para o Fisco, isto é, a Recorrente não deixou de pagar tributos ou teve a importação dos bens processada por regime aduaneiro diverso do que seria aplicável ao seu caso específico, pois, como exaustivamente mencionado, no âmbito do regime especial do REPETRO esta informação era, à época dos fatos, absolutamente irrelevante. Diante deste cenário, imporse à Recorrente uma multa no valor histórico de R$ 24.985.509,90 por ter deixado de prestar informação acerca da condição de usados dos bens importados sob o regime especial do REPETRO, quando tal conduta não trouxe qualquer prejuízo ao erário e não implicou em alteração do regime aduaneiro aplicável configura, sem dúvida alguma, afronta ao princípio da razoabilidade e da moralidade dos atos administrativos. As importações sob o regime especial do REPETRO, no mais das vezes, têm por objeto bens de valores extremamente altos, de porte físico fora do comum e, principalmente, uma finalidade muito específica. Os bens utilizados nas atividades de pesquisa Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10725.720380/201061 Acórdão n.º 3302002.150 S3C3T2 Fl. 8 13 e exploração de petróleo e seus derivados, justamente por conta destas características antes descritas, não são bens encontrados facilmente no varejo mundial. Até por esta razão é que sua importação goza de um regime especial e sua admissão é, geralmente, temporária. Por terem estas características muito particulares, especialmente no que se refere ao elevadíssimo custo de sua produção e ao campo de aplicação extremamente reduzido, estes bens utilizados em tal atividade são longevos e são utilizados em todo o mundo, nas áreas que comportam a exploração de petróleo e seus derivados. Tendo o Requerente informado, além de outros dados, o ano de fabricação das mercadorias Plataformas SEDCO 710 (ano de construção 1983), SOVEX (ano de construção 1982) e FALCON 100 (ano de construção 1974) e ao NAVIO DW MILLENIUM (ano de construção 1999), tais dados, conjugados com as características usuais e tão especificadas desses bens utilizados na atividade de exploração de petróleo e derivados, bastava para a Receita Federal do Brasil ter conhecimento de que tratavamse de bens usados – o que, destaquese novamente, era informação totalmente irrelevante no caso. Ora, se a própria DRJ afastou a multa de R$ 378.697.529,23, porque entendeu, corretamente, que à época dos fatos não havia exigência legal de obtenção de licença de importação de bens usados sob o regime especial do REPETRO, é contraditório manterse a multa pela aparente ausência de informação quanto à condição de usado dos bens, na medida em que tal informação era absolutamente irrelevante para fins de aplicação do mencionado regime especial. Não bastasse todo o quanto até agora se expôs pela documentação acostada aos autos pela Recorrente, a constatação da condição dos bens como usados não demanda grandes esforços pelo homem médio. Portanto, não encontra respaldo nos princípios basilares do Estado Democrático de Direito aplicarse multa que, no caso, tem valor impactante para a grande maioria dos contribuintes brasileiros, simplesmente porque deixou de constar, em alguns dos casos sob exame, o vocábulo “usado” nos documentos aduaneiros, sendo que tal constatação era absolutamente possível por toda a documentação e descritivos referentes a tais bens, bem como porque esta informação, repitase mais uma vez, era absolutamente irrelevante para a definição do regime aplicável e não importou em prejuízo ao erário público. O i. Professor Ives Gandra Silva Martins, ao exarar Parecer em casos análogos ao presente, asseverou, com precisão, que: “Dizer que as informações prestadas depois de 2000, por ocasião da importação temporária de embarcação fabricada em 1977 ou 1982, apesar da descrição de todos os elementos, foi insuficiente, pois faltou o vocábulo ‘USADO’ depois da data de fabricação é reviver, em pleno século XXI, procedimentos proscritos da República Romana, antes de Cristo!!!!! O bom senso da autoridade que se debruçou, após detalhada conferência, sobre a documentação das embarcações que só poderiam ser usadas – como se verifica pela indicação da data de sua fabricação, como por exemplo, Oil Tracer 1982, ADAMTIDE 1998, Huntator 1977 e outras mais recentes, nenhuma delas com menos de 2 anos entre a fabricação e a importação – está a demonstrar a PRESTAÇÃO DE TODAS AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS EXIGIDAS pelo Fisco. Não há Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 14 como aceitar a alegação da PGN, de que a autoridade aduaneira poderia ter sido induzida em erro, sendo levada a acreditar ser nova uma embarcação fabricada em 1977 (Huntetog), entrada no país em 2007!!! À evidência, todas as informações foram prestadas e, pela data de fabricação de cada embarcação, mesmo as mais recentes, restou parente tratarse de embarcações usadas. Até porque, na pesquisa de petróleo, tais embarcações correm o mundo, por períodos limitados. Não houve omissão de informação, do que decorria a inaplicabilidade da multa de 1%.” Diante disso, aplicarse multa no valor histórico de R$ 24.985.509,90, considerando a total irrelevância da informação que deixou de ser consignada pela Recorrente (condição de usados dos bens por ele importados sob o regime do REPETRO), fere o princípio da razoabilidade e da moralidade dos atos administrativos, além não encontrarse amparada em Lei, e por isso mesmo, deve ser afastada no caso concreto. Nestes termos, nego provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a exoneração da multa no valor de R$ 378.697.529,23, bem como dou provimento ao Recurso Voluntário para exonerar a multa no valor de R$ 24.985.509,90. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2013. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 16/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10909.003793/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. RECEITAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INCIDÊNCIA DO IPI. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, ainda que por presunção legal, correta a incidência do IPI sobre tais receitas. Na impossibilidade de separação por elementos da escrita, o imposto será quantificado mediante a aplicação da alíquota mais elevada, ou a única, daquelas praticadas pelo sujeito passivo.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Deve ser mantida a classificação fiscal empregada pelo Fisco no lançamento, se baseada em criteriosa análise dos produtos fabricados e confirmada por diligência anterior ao julgamento de primeira instância. Havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, afasta-se a aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, devendo o produto ser classificado no mesmo código das embarcações de destino.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO.
Correta a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída (imposto não lançado), mesmo havendo créditos para abater parcela desse imposto.
Numero da decisão: 1302-001.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. RECEITAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INCIDÊNCIA DO IPI. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, ainda que por presunção legal, correta a incidência do IPI sobre tais receitas. Na impossibilidade de separação por elementos da escrita, o imposto será quantificado mediante a aplicação da alíquota mais elevada, ou a única, daquelas praticadas pelo sujeito passivo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Deve ser mantida a classificação fiscal empregada pelo Fisco no lançamento, se baseada em criteriosa análise dos produtos fabricados e confirmada por diligência anterior ao julgamento de primeira instância. Havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, afasta-se a aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, devendo o produto ser classificado no mesmo código das embarcações de destino. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Correta a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída (imposto não lançado), mesmo havendo créditos para abater parcela desse imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
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MARINE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS NÁUTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. RECEITAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INCIDÊNCIA DO IPI. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, ainda que por presunção legal, correta a incidência do IPI sobre tais receitas. Na impossibilidade de separação por elementos da escrita, o imposto será quantificado mediante a aplicação da alíquota mais elevada, ou a única, daquelas praticadas pelo sujeito passivo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Deve ser mantida a classificação fiscal empregada pelo Fisco no lançamento, se baseada em criteriosa análise dos produtos fabricados e confirmada por diligência anterior ao julgamento de primeira instância. Havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, afastase a aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, devendo o produto ser classificado no mesmo código das embarcações de destino. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Correta a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída (imposto não lançado), mesmo havendo créditos para abater parcela desse imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 37 93 /2 00 5- 61 Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.003793/200561 Acórdão n.º 1302001.491 S1C3T2 Fl. 1.720 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório F. MARINE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS NÁUTICOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1420.239, de 27/08/2008, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às fls. 633, 653 e 665 (da sequência do sistema eprocesso), por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. A exigência totalizou R$2.395.163,29, aí incluídos multa de ofício e juros moratórios calculados até a data do lançamento. Os procedimentos adotados pelo Fisco, bem assim as infrações apuradas, se encontram minuciosamente descritos no Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 313/334 da sequência do sistema eprocesso). De sua leitura, se pode constatar que o contribuinte foi excluído do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresa de Pequeno Porte SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2002, nos autos do processo administrativo fiscal nº 10909.003743/2005841. Também se constata que o contribuinte teve seu lucro arbitrado nos autos do processo administrativo fiscal nº 10909.003790/2005282, no qual constam os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entre as infrações ali apuradas, encontrase a omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada (item 4.3 do Termo, fl. 325 da sequência do sistema e processo). 1 Arquivado por 10 anos, desde 18/11/2010, no Arquivo da Alfândega do Porto de ItajaíSC, conforme sistema Comprot, consultado em 24/10/2013. 2 Na Agência da RFB em Itajaí/ SC, desde 25/02/2011, conforme sistema Comprot, consultado em 24/10/2013. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.003793/200561 Acórdão n.º 1302001.491 S1C3T2 Fl. 1.721 3 Especificamente no que pertine ao presente processo, as infrações à legislação do IPI estão descritas nos itens 4.4 e 4.5 do TVF, às fls. 326 e segs., e podem ser resumidas como segue: · Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado sem emissão de nota fiscal Venda sem emissão de nota fiscal apurada em decorrência de receita não comprovada. Esta infração decorre da omissão de receitas, apurada por presunção legal para o IRPJ no outro processo acima mencionado, com base em depósitos bancários de origem não comprovada. · Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com emissão de nota fiscal IPI não lançado Caracterização de Industrialização. O Fisco considerou a atividade desempenhada pelo contribuinte como de industrialização, devendose ressaltar que as declarações entregues na sistemática do SIMPLES eram de não contribuinte do IPI, e que a interessada foi excluída do sistema simplificado. Considerando que os produtos fabricados pela contribuinte classificamse na posição 8903.99.00 da TIPI, de alíquota de 10%, o autuante lançou as saídas de produtos (Anexos VII e IX) considerando esta alíquota de IPI, reconstituindo a escrita fiscal, com a concessão dos créditos pelas entradas de insumos. A impugnação ao lançamento e os fatos subsequentes estão bem sintetizadas no relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, que transcrevo abaixo: Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 1163/1187, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: [...] Por fim, requer o cancelamento dos autos de infração, ou, alternativamente, que a base de cálculo se restrinja às receitas escrituradas no Livro de Saída, com aplicação de alíquota de 5%, com multa de 75% do imposto que deixou de ser lançado. Em 08/08/2007, mediante a Resolução n° 883 desta Delegacia de Julgamento (fls. 1285/1287), o processo foi baixado em diligência para a discriminação das saídas dos cascos/embarcações destinados à busca e salvamento, ambulância, fiscalização e policiamento. Intimada e reintimada, a contribuinte respondeu, à fl. 1293, que não poderia apresentar as notas fiscais de vendas do período em referência, porque estas estavam em poder da Secretaria da Fazenda Estadual, entretanto, afirmou que todas as notas fiscais do período, sem qualquer exceção, descrevem o produto da mesma forma: "Cascos para embarcação para uso c/ motor fora de borda". Através do Termo de Encerramento da Diligência Fiscal de fls. 1313/1314, o auditor diligenciador esclareceu que a fiscalização estava sendo feita conjuntamente com a Secretaria Estadual, e que a autuada tinha acesso aos documentos, não atendendo às intimações por vontade própria. Contestou as assertivas da contribuinte de que todas as notas fiscais de vendas têm a mesma descrição da mercadoria vendida e de que a empresa comercializa somente cascos para embarcação, juntando cópias de notas fiscais. Finalmente, informou que no período de 2002 a 2004, objeto Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.003793/200561 Acórdão n.º 1302001.491 S1C3T2 Fl. 1.722 4 da autuação, somente foram encontradas quatro notas fiscais, n° 1805, n° 1806, n° 1851 e n° 1852, emitidas em 24/06/2004, relativas a saídas de cascos ambulancha, destinados à busca e salvamento, ambulância, fiscalização e policiamento. Regularmente intimada, a contribuinte não se manifestou. A 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1420.239, de 27/08/2008 (fls. 833/850 da sequência do sistema eprocesso), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/05/2002 a 31/12/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Os depósitos em contascorrentes mantidas em nome da pessoa jurídica e de terceiros, cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas, presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, ou a única, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. INDUSTRIALIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A fabricação de cascos e/ou embarcações caracterizase como industrialização, sujeitando as operações à incidência do IPI. Havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, afastase a aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, devendo o produto ser classificado no mesmo código das embarcações de destino. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.003793/200561 Acórdão n.º 1302001.491 S1C3T2 Fl. 1.723 5 MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É licita a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado. Ciente da decisão de primeira instância em 20/11/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 871 da sequência do sistema eprocesso, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/12/2008 conforme carimbo de recepção à folha 872 da sequência do sistema eprocesso. No recurso interposto (fls. 873/910 da sequência do sistema eprocesso), a interessada reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, aduzindo razões que foram assim sintetizadas às fls. 1000/1001 da sequência do sistema eprocesso: 1. A base de cálculo possível para o IPI é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria, base econômica esta a ser apurada com espeque nas receitas tributáveis escrituradas nos Livros Registros de Saída, razão pela qual a movimentação financeira, não pode servir de suporte fático de incidência do IPI. 2. A empresa fabrica cascos de embarcação, e não embarcações, como equivocadamente afirma o autuante, produto este que se classifica na posição 8906.90.00 da TIPI, alíquota de 5%, com amparo na Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI; os cascos fabricados não propiciam a aferição da natureza específica das embarcações que irão se formar, pois somente com a montagem final da embarcação é que se torna possível determinar a natureza da embarcação. 3. O lançamento ocorreu de forma discricionária, não tendo sido acompanhado de catálogos e laudos técnicos. 4. A empresa não fabrica somente cascos para embarcações de recreio ou de esporte, como presume a fiscalização, pois os cascos são adaptáveis para a utilização na busca e salvamento, policiamento, fiscalização e como ambulância; o autuante classifica erroneamente estes cascos na posição 8901.90.00. Nesse sentido sustenta que os "cascos" fabricados pela empresaautuada, por configurar uma simples parte de um todo composto de várias partes e diversos acessórios, tecnicamente denominada "embarcação", não tem o condão de revelar a natureza específica desta, conforme já teve a oportunidade de decidir a 3ª Câmara do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: "IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL As partes e peças que não preencham os requisitos de uma máquina completa 'são partes e peças separadas', classificáveis segundo regime próprio, independentemente da classificação do produto final. (Acórdão 20300893, Rel. Osvaldo José de Souza, Sessão de 09.12.1993). Logo, não há como prosperar a insubsistente alegação lançada às fls. 15 do acórdão recorrido, de que "para efeitos de caracterização da industrialização, e da classificação fiscal dos produtos, é indiferente se a fabricação é somente de cascos, ou também de embarcações." 5. A autoridade aplicou dupla penalidade pecuniária, uma a título de multa proporcional e outra a título de multa de IPI nãolançado com cobertura de crédito, Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.003793/200561 Acórdão n.º 1302001.491 S1C3T2 Fl. 1.724 6 chegandose, no caso concreto, à aplicação de uma desautorizada multa de oficio nãoqualificada de 150% do valor do imposto que deixou de ser lançado. Por fim, requer o cancelamento dos autos de infração, ou, alternativamente, que a base de cálculo se restrinja às receitas escrituradas no Livro de Saída, com aplicação de alíquota de 5%, com multa de 75% do imposto que deixou de ser lançado. O processo foi, então, distribuído para a Terceira Seção de Julgamento do CARF, para que fosse apreciado o recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Mediante a Resolução nº 3301000.154, de 19/07/2012 (fls. 985/991 da sequência do sistema eprocesso), a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF resolveu converter o julgamento em diligência, “a fim de que o processo seja encaminhado à DRF respectiva, para que esta aguarde o resultado do julgamento do processo nº 10909.003790/200528 (IRPJ), juntando ao final, cópia da decisão final do processo, devendo o presente processo retornar a este colegiado para dar prosseguimento no julgamento”. À fl. 995 da sequência do sistema eprocesso, encontro expediente da Unidade Preparadora, datado de 23/10/2012, informando que “o contribuinte protocolou desistência do recurso em 14/09/2006 referente ao processo 10909.003790/200528, e que o mesmo está parcelado na Lei 11941 RFB”. O processo retornou à pauta de julgamento em 28/02/2013. Na oportunidade, mediante o acórdão nº 3301001.772 (fls. 997/1002 da sequência do sistema eprocesso), o colegiado não conheceu do recurso e declinou competência de julgamento para a Primeira Seção do CARF, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2004 PROCEDIMENTOS CONEXOS, DECORRENTES OU REFLEXOS. LEGISLAÇÃO DO IRPJ. COMPETÊNCIA DA 1ª SEÇÃO. Quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, cujas exigências estejam lastreadas em fatos que serviram para configurar a prática à legislação do IRPJ, a competência para julgamentos de recursos, no âmbito do CARF é da competência da Primeira Seção (art. 2º, IV, do Anexo II, do RICARF). A seguir, o processo foi distribuído a este Conselheiro, mediante sorteio, para relato e voto. Em 11/02/2014, mediante a Resolução nº 1302000.283 (fls. 1006/1011), este Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, para que fosse providenciada a digitalização dos volumes 01, 02 e 03 do processo, até então não disponíveis no sistema e processo. Cumprida a diligência, o processo retorna para julgamento. É o Relatório. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.003793/200561 Acórdão n.º 1302001.491 S1C3T2 Fl. 1.725 7 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Passo a apreciar os questionamentos da recorrente, na sequência em que foram apresentados. 1. Argumento do recurso: a base de cálculo possível para o IPI é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria, base econômica esta a ser apurada com espeque nas receitas tributáveis escrituradas nos Livros Registros de Saída, razão pela qual a movimentação financeira, não pode servir de suporte fático de incidência do IPI. Com este argumento, pretende a recorrente desconstituir a exigência da infração descrita como Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado sem emissão de nota fiscal Venda sem emissão de nota fiscal apurada em decorrência de receita não comprovada. Essa infração teve como base a omissão de receita por depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430/1996), a qual, em outro processo, serviu para a apuração de créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A questão que se coloca é se, neste processo, seria possível exigir o IPI. Para este tributo, é de se verificar o teor do art. 108 da Lei nº 4.502/1964, o qual serve de base para o art. 448, § 2º, do Regulamento do IPI (RIPI Decreto nº 4.544/2002): Art . 108. Constituem elementos subsidiários para o cálculo da produção o correspondente pagamento do impôsto de consumo dos estabelecimentos industriais, o valor ou quantidade da matériaprima ou secundária adquirida e empregada na industrialização dos produtos, o das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo da produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas ou secundárias. § 1º Apurada qualquer diferença, será exigido o respectivo impôsto de consumo, que, no caso, de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas diversas, será calculado com base na mais elevada quando não fôr possível fazer a separação pelos elementos da escrita do contribuinte. § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, será sôbre elas, exigido o impôsto de consumo, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior. Como se vê, também a legislação do IPI contém a previsão de que, diante de receitas de origem não comprovada, sobre essa base se faça a exigência do imposto. A exigência não se faz sobre a movimentação financeira, conforme sustenta a recorrente, mas sim sobre as receitas omitidas (por presunção legal), de origem não comprovada e sem registro na escrita da interessada. O argumento deve, assim, ser rejeitado. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.003793/200561 Acórdão n.º 1302001.491 S1C3T2 Fl. 1.726 8 2. Argumento do recurso: a empresa fabrica cascos de embarcação, e não embarcações, como equivocadamente afirma o autuante, produto este que se classifica na posição 8906.90.00 da TIPI, alíquota de 5%, com amparo na Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI; os cascos fabricados não propiciam a aferição da natureza específica das embarcações que irão se formar, pois somente com a montagem final da embarcação é que se torna possível determinar a natureza da embarcação. 3. Argumento do recurso: o lançamento ocorreu de forma discricionária, não tendo sido acompanhado de catálogos e laudos técnicos. 4. Argumento do recurso: a empresa não fabrica somente cascos para embarcações de recreio ou de esporte, como presume a fiscalização, pois os cascos são adaptáveis para a utilização na busca e salvamento, policiamento, fiscalização e como ambulância; o autuante classifica erroneamente estes cascos na posição 8901.90.00. Com relação aos argumentos 2, 3 e 4, acima, o AuditorFiscal autuante fez acostar aos autos, entre outros documentos, cópias por amostragem de notas fiscais de saída (fls. 398/402 do processo em papel), além de pesquisas por ele efetuadas na página da então fiscalizada na internet (fls. 593/627 do processo em papel, fls. 1711/1717 e 3/29 da seqüência do sistema eprocesso), com a finalidade de permitir a perfeita identificação dos produtos fabricados pela interessada e sua correta classificação fiscal. Não obstante, diante dos reclamos da então impugnante, a Autoridade Julgadora em primeira instância houve por bem determinar a realização de diligência para complementação e aprofundamento da matéria. Os argumentos foram, então, apreciados e fundamentadamente rejeitados em primeira instância, nos seguintes termos (fls. 847/848 da seqüência do sistema eprocesso, grifos no original): [...] Em visita ao site da empresa (www.fibrafort.com.br), percebese que a contribuinte oferece uma gama de embarcações completas destinadas ao lazer e ao esporte, conforme se constata no material juntado às fls. 593/627. Ressaltese que no referido site, na página inicial, a FIBRAFORT é identificada no endereço Rua Bruno Vicente da Luz, 95, Itajaí/SC, ou seja, exatamente o endereço da F MARINE. Além disso, em diligência fiscal, o autuante juntou cópias de notas fiscais de fls. 1299/1300 que comprovam que a contribuinte deu saída a embarcações completas. De qualquer forma, para efeitos de caracterização da industrialização, e da classificação fiscal dos produtos, é indiferente se a fabricação é somente de cascos, ou também de embarcações. O cerne da questão é se os cascos vendidos permitem identificar a natureza das embarcações a que se destinam. A recorrente alega que os cascos são adaptáveis para a utilização na busca e salvamento, policiamento, fiscalização e como ambulância, o que impede a identificação. Mas é neste ponto que as alegações da contribuinte não se sustentam. Às fls. 812/818 estão juntadas fotos de cascos fabricados pela autuada. Independentemente da identificação dos cascos de salvamento com uma cruz em vermelho, até mesmo um cego é capaz de ver a diferença do formato dos cascos para lazer e esporte daqueles destinados à busca e salvamento, policiamento, fiscalização e como ambulância. O design dos cascos destinados ao recreio e esporte são mais arrojados. Por exemplo, o casco da parte de baixo da fl. 812, que tem a identificação "fisherman" é exatamente o casco destinado à embarcação "Ficherman 238" apresentada no site www.fibrafort.com.br, no ícone "Produtos". Obviamente, este casco é destinado à embarcação para a pesca. Os cascos para a "Ambulancha" tem uma borda traseira mais baixa, que permite um acesso mais fácil à água, já que a embarcação deve ser usada para o resgate de pessoas. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.003793/200561 Acórdão n.º 1302001.491 S1C3T2 Fl. 1.727 9 No site em referência, no ícone "Produtos", encontrase a linha de embarcações da FIBRAFORT para o recreio e esporte: Focker 160, Extreme 190, Focker 190 Style, Focker 200, Focker 215, Focker 215i, Extreme 2202, Focker 240, Focker 240, Focker 255 e Fisherman, 238 (exemplos estão juntados às fls. 593/627). Cada embarcação tem um tamanho e um design específico e diferenciado. Deste modo, não só a contribuinte tem condições de definir a natureza da embarcação ao qual o casco se destina, como até mesmo pode identificar a qual modelo o casco se refere. Afastase assim, a aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, já transcrita acima, pois não há dúvida sobre a natureza das embarcações a que são destinados os cascos. As embarcações e os cascos fabricados pela empresa destinados a embarcações de recreio e esporte, em razão das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1 e n° 2 classificamse no código 8903.9900 da TIPI, alíquota de 10%, e as ambulanchas e os cascos destinados a estas embarcações classificamse no código 8906.90.00, alíquota de 5%, com base na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1 e no texto da posição 8906. A fiscalização, ao efetuar o lançamento do imposto aplicou, indistintamente a alíquota de 10%. Por esse motivo, o processo foi baixado em diligência para permitir a separação das saídas de cascos destinados ao recreio e esporte, daqueles destinados às ambulanchas. A fiscalização comprovou que é inverídica a afirmação da contribuinte de que todas as saídas tem a mesma descrição da mercadoria "cascos para embarcação para uso c/ motor fora de borda", ao juntar as cópias de notas fiscais de fls. 1301/1304, em que o produto está descrito como "casco ambulancha H com motor 60 HP, com acessórios padrões, ano/modelo 2004". Isto comprova, mais uma vez, que a empresa tem conhecimento prévio do destino de seu produto. Através do Termo de Encerramento da Diligência Fiscal de fls. 1313/1314, o auditor informou que de todas as saídas de produtos no período objeto do auto de infração, apenas as notas fiscais n° 1805, n° 1806, n° 1851 e n° 1852, emitidas em 24/06/2004, referemse a saídas de ambulanchas, sujeitas à alíquota de 5% de IPI. As demais saídas destinamse a embarcações de recreio e esporte, com alíquota de 10%. Intimada a se manifestar (fl. 1314), a contribuinte nada apresentou. Deste modo, o lançamento efetuado pelo autuante deve ser retificado somente em relação às notas fiscais relacionadas no parágrafo anterior. Entretanto, como se pode constatar no ANEXO VIII — Livro de Saídas — Mercado Externo (fls. 1071/1072), e nas próprias notas fiscais, estas saídas foram para o mercado externo, e já foram excluídas da apuração do IPI a ser lançado. Conseqüentemente, não há qualquer reparo a fazer nos cálculos realizados pela fiscalização, mantendose integralmente o lançamento efetuado. Não faço reparo ao quanto decido em primeira instância, e adoto as razões acima também aqui como razões de decidir. Com efeito, somente se poderia cogitar da aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI3 caso houvesse dúvidas sobre a natureza das embarcações a que se destinam os cascos. Mas, como visto, os cascos fabricados têm sua destinação perfeitamente identificada, o que restou reforçado pela diligência realizada, a qual examinou todas as notas fiscais de vendas emitidas no período autuado. Nos únicos quatro casos identificados (no período de três anos) em que as embarcações vendidas poderiam 3 1.As embarcações incompletas ou por acabar e os cascos de embarcações, mesmo desmontados ou por montar, bem como as embarcações completas, desmontadas ou por montar, classificamse, em caso de dúvida sobre a natureza das embarcações a que dizem respeito, na posição 8906. Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.003793/200561 Acórdão n.º 1302001.491 S1C3T2 Fl. 1.728 10 receber classificação fiscal distinta, a diligência constatou que essas vendas se destinavam ao exterior e desde o início haviam sido excluídas da exigência. Ao exposto, acrescento que a discussão aqui travada se aplica tão somente à infração descrita como Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com emissão de nota fiscal IPI não lançado Caracterização de Industrialização. Para a outra infração, descrita como Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado sem emissão de nota fiscal Venda sem emissão de nota fiscal apurada em decorrência de receita não comprovada, a aplicação da alíquota mais elevada é imposição dos parágrafos 1º e 2º do art. 108 da Lei nº 4.502/1964, anteriormente transcritos neste voto. Reputo, assim, correta a classificação fiscal na posição 8903.9900 da TIPI, feita com base em criteriosa análise dos produtos fabricados, pelo que os argumentos da interessada devem ser rejeitados. 5. Argumento do recurso: a autoridade aplicou dupla penalidade pecuniária, uma a título de multa proporcional e outra a título de multa de IPI nãolançado com cobertura de crédito, chegandose, no caso concreto, à aplicação de uma desautorizada multa de oficio nãoqualificada de 150% do valor do imposto que deixou de ser lançado. A base legal para a imposição da multa é o art. 80, inciso I4, da Lei nº 4.502/1964, com a redação que lhe foi atribuída pelo art. 45 da Lei nº 9.430/1996. Esse dispositivo legal é expressamente mencionado no auto de infração, tanto no demonstrativo da multa proporcional ao imposto lançado de ofício (fls. 626, 650 e 663 da sequência do sistema eprocesso) quanto no demonstrativo da multa incidente sobre o IPI não lançado, com cobertura de crédito (fls. 632, 652 e 664 da sequência do sistema eprocesso). Confirase o teor do dispositivo legal em comento, com sua redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício:(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória;(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Como se observa, a multa de 75% incide sobre o valor do imposto que deixou de ser lançado. Ocorre que, no caso concreto, ao recompor a escrita do contribuinte, concedendolhe os créditos fiscais a que faz jus pela aquisição de insumos, nos termos da legislação do IPI, uma parte do tributo devido deixou de ser exigível, posto que coberta pelos créditos. Isso, no entanto, não tem o condão de exonerar o sujeito passivo da multa, pois o imposto não foi lançado na nota fiscal, como seria obrigação do contribuinte. A exigência do tributo, pois, é apenas da parte não coberta por créditos fiscais. A multa, porém, incide sobre a totalidade do imposto não lançado, separada em duas partes: a primeira, proporcional ao 4 A decisão de primeira instância, por equívoco, fez menção ao inciso II, em vez do inciso I. No entanto, toda a análise lá empreendida se fundou corretamente no inciso I, com o que nenhum prejuízo adveio. Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.003793/200561 Acórdão n.º 1302001.491 S1C3T2 Fl. 1.729 11 imposto lançado de ofício; a segunda, calculada sobre a parcela do imposto coberta por créditos fiscais. Também aqui, portanto, a alegação deve ser rejeitada. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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