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5594918 #
Numero do processo: 13896.912041/2009-00
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912041/2009­00  Resolução nº  3801­000.640  S3­TE01  Fl. 378          2     Relatório  Trata­se de processo de PER/DCOMP em que a Delegacia da Receita Federal de  origem não homologou a compensação declarada.  O  despacho  decisório  baseou­se  em  análise  do  direito  de  crédito  limitada  ao  valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, que constatou que  o  pagamento  informado  havia  sido  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  da  contribuinte, não tendo restado crédito disponível para compensação dos débitos informados no  PER/DCOMP O fundamento  legal está  expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº  5.172, de 25/10/66 (CTN) e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 26/12/1996.  A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual afirma que:  i) Incluiu na base de cálculo da contribuição social receita de serviços prestados  a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior, o que acarretou pagamento indevido ou maior  que o devido do tributo, tecendo argumentos de direito sobre a matéria.  ii) Retificou  o Demonstrativo  de Apuração  de Contribuições  Sociais­DACON  para excluir as receitas provenientes do exterior da base de cálculo do tributo.  iii)  Em  15/07/2009,  retificou  a  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais­DCTF para alteração do débito anteriormente declarado e, com isso, poder utilizar o  pagamento indevido na compensação objeto da DCOMP previamente formalizada.  iv)  O  DACON  e  a  DCTF  retificadores  não  devem  ter  sido  processados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil­RFB,  o  que  teria  motivado  a  não  homologação  da  compensação.  v) O processamento das obrigações  acessórias  retificadoras  evidenciaria que o  DARF informado no PER/DCOMP não se encontra vinculado a nenhuma outra quitação e, por  conseguinte, disponível para compensação com outros tributos federais.  Pede o processamento das  retificações,  confirmando­se  a existência do  crédito  em seu favor, e que a decisão seja reformada, reconhecendo­se o crédito e homologando­se a  compensação declarada.  A Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de Julgamento em Campinas  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa:  “COMPENSAÇÃO.  INDÉBITO  ASSOCIADO  A  ERRO  EM  VALOR  DECLARADO  EM  DCTF.  REQUISITO  PARA  HOMOLOGAÇÃO.  DCTF  E  DCOMP.  CONFISSÃO  DE  DÍVIDA.  CORREÇÃO  DE  INFORMAÇÕES.  COMPROVAÇÃO.  DACON.  NATUREZA  JURÍDICA.  Fl. 378DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912041/2009­00  Resolução nº  3801­000.640  S3­TE01  Fl. 379          3 Nos casos em que a existência do  indébito incluído em declaração de  compensação está associada à alegação de que o valor declarado em  DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal  compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos  casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP,  retifica regularmente a DCTF.  Consideram­se  confissão  de  dívida  os  débitos  declarados  em  DCTF,  motivo  pelo  qual  qualquer  alegação  de  erro  nos  valores  nela  declarados deve  vir acompanhada de declaração retificadora munida  de  documentos  hábeis  e  suficientes,  consistentes  na  escrituração  contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza  da  operação,  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo,  a  base  de  cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o  valor do indébito tributário.  Considerando  que  o  DARF  indicado  no  PER/DCOMP  (Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição  /  Declaração  de  Compensação)  como  origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF  (Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais),  e  que  o  contribuinte não  logra comprovar por meio de provas robustas que a  verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido.  O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em  instrumento de confissão de dívida.”  Ciente  da  decisão,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  no  qual,  entendendo que a decisão de primeira instância administrativa fundamenta­se no fato de que a  data da DCOMP é anterior à da DCTF retificadora e que não foram apresentadas provas fiscais  e contábeis do crédito, assevera que:  i) Em virtude do expressivo volume de documentos e livros que comprovam seu  direito  ao  crédito  pleiteado,  junta  planilha  e  cópias  de  contratos,  fichas  e  documentos  que  comprovam algumas operações exemplificativas do que alegado;  ii) Em razão das retificações promovidas, há indébito tributário, uma vez que o  valor recolhido deixou de ser totalmente utilizado para pagamento de tributo.  iii)  A  DCTF  retificadora  substitui  integralmente  a  DCTF  apresentada  anteriormente, nos termos da IN RFB nº 903/2008, vigente à época da retificação.  iv) A  retificação  entregue,  de  forma  espontânea,  no  prazo  legal  e  segundo  as  formalidades previstas, torna o valor apontado na declaração retificadora legítimo e faz prova a  favor  da  contribuinte,  motivo  pelo  qual  qualquer  discussão  sobre  o  montante  apontado  na  DCTF retificadora deveria  ter sido  iniciada pela autoridade fiscalizadora, não pela Delegacia  de Julgamento.  v) O despacho decisório não alega ou contesta nada em relação às retificadoras.  vi) O despacho decisório  e o  acórdão  recorrido  cercearam o direito de defesa,  por isso são nulos, ma vez que:  Fl. 379DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912041/2009­00  Resolução nº  3801­000.640  S3­TE01  Fl. 380          4 a)  o  primeiro  não  lhe  deu  oportunidade  para,  em  momento  anterior  a  sua  emissão,  apresentar  justificativas  e  documentação  detalhadas  e  não  contém  fundamentação  coerente que lhe desse a conhecer as razões que levaram à decisão.  b)  o  segundo  apresenta  argumento  até  então  não  considerado,  o  de  serem  necessárias  provas  robustas  sobre  a  verdade  material,  quando  não  seria  mais  possível  apresentar tais provas.  Tece, novamente, argumentos sobre o direito aplicável.  É o relatório.  Fl. 380DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912041/2009­00  Resolução nº  3801­000.640  S3­TE01  Fl. 381          5   Voto Vencido  Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator.  O recurso é  tempestivo e atende aos demais  requisitos de admissibilidade para  julgamento nesta turma especial.  Sobre a nulidade por cerceamento do direito de defesa.  Ambas  as  decisões  estão  fundamentadas  e  permitiram  à  contribuinte  o  pleno  exercício do  contraditório  e da  ampla defesa,  ainda que o despacho decisório  contenha  erro,  como se verá adiante.  Para o presente caso, os artigos 165 e 170 do CTN deixam claro a necessidade  de que tenha ocorrido pagamento de tributo indevido ou maior que o devido e que o direito de  crédito seja líquido e certo.  Aquele que alega possuir direito deve prová­lo, conforme dispõe o art. 333 do  Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente.  O pagamento informado no pedido de restituição referiu­se a tributo lançado em  DCTF,  logo,  tributo  devido,  e,  por  isso,  o DARF  referente  a  este  pagamento  não  provava  a  existência  de  indébito  líquido  e  certo,  uma  vez  que  a  DCTF  retificadora  não  havia  sido  considerada no despacho eletrônico.  A falta de apresentação de provas em contrário  implica considerar verdadeiros  os valores informados na DCTF.  Logo, a necessidade de apresentação de provas quanto ao direito de crédito está  presente desde o início do processo. Não é algo que surge apenas no acórdão recorrido.  Mesmo  se  não  estivesse,  em  se  tratando  de  processos  de  PER/DCOMP  eletrônico,  em  que  não  tenha  havido  intimação  da  RFB  exigindo  documentos  antes  da  expedição  do  despacho  decisório,  admitem­se  provas  com  o  recurso  voluntário,  quando  se  prestem a contrapor as decisões de primeira instância administrativa, em obediência ao art. 16,  §4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, assegurando­se, assim, o direito de defesa.  De fato, a contribuinte juntou documentos ao recurso voluntário com a intenção  de provar seu direito, cuja análise não se promoverá apenas por restar prejudicada, em virtude  do que se propõe no decorrer deste voto.  Conclui­se que não houve cerceamento do direito de defesa.  Sobre a DCTF retificadora.  A contribuinte  formalizou e  transmitiu DCTF retificadora que  foi  recebida via  internet por agente receptor SERPRO em 15/07/2009, antes da emissão do despacho decisório  em 01/02/2012.  Fl. 381DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912041/2009­00  Resolução nº  3801­000.640  S3­TE01  Fl. 382          6 A IN RFB nº 903, de 30/12/2008, que dispõe sobre a DCTF, vigente à época da  recepção da DCTF retificadora, dispunha:  “Art.  11  .  A  alteração  das  informações  prestadas  em  DCTF  será  efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração  retificada.   §  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos  já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.   § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar  os débitos relativos a impostos e contribuições:   I ­ cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­Geral  da Fazenda Nacional  (PGFN) para  inscrição em DAU, nos casos em  que importe alteração desses saldos;   II  ­  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna,  relativos às  informações  indevidas ou não comprovadas prestadas na  DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de  exigibilidade,  já  tenham  sido  enviados  à  PGFN  para  inscrição  em  DAU;  ou  III  ­  em  relação  aos  quais  a  pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada de início de procedimento fiscal.  (...)  §  8º  A  pessoa  jurídica  que  apresentar  DCTF  retificadora,  alterando  valores que tenham sido informados:  I  ­  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica (DIPJ), deverá apresentar,  também, DIPJ retificadora; e  II  ­  no  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  (Dacon),  deverá apresentar, também, Dacon retificador.   (...)  §  10.  A  retificação  de  DCTF  não  será  admitida  quando  resultar  em  alteração  da  periodicidade,  mensal  ou  semestral,  de  declaração  anteriormente apresentada.”  O comando de que  a DCTF  retificadora  tem  a mesma natureza da  declaração  originariamente apresentada, substituindo­a integralmente, e serve para declarar novos débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos vinculados está presente também nas instruções normativas que sucederam a IN RFB  nº 903, de 2008.  No presente caso, nada há nos autos que permita enquadrar a DCTF retificadora  recepcionada nos sistemas informatizados da RFB numa das situações em que não produziria  efeitos.  Logo, a DCTF retificadora deveria ter sido considerada na análise do direito de  crédito, não a original.  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912041/2009­00  Resolução nº  3801­000.640  S3­TE01  Fl. 383          7 Para  tanto,  a  RFB  poderia  efetuar  os  procedimentos  fiscais  que  entendesse  necessários  para  apurar  a  idoneidade  das  informações  da  DCTF  retificadora  e  a  liquidez  e  certeza do crédito.  Por basear­se em elementos incorretos, o despacho decisório deve ser anulado.  O CARF já se manifestou neste sentido, conforme ementa do acórdão nº 3403­ 001.288,  de  09/11/2011,  da  3ª  Turma  da  4ª  Câmara  da  3ª  Seção  de  Julgamento,  em  que  o  Conselheiro Ivan Allegretti foi designado para redigir o voto vencedor.  “ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­ calendário:  2003  COMPENSAÇÃO.  DCOMP.  DECISÃO  ELETRÔNICA  BASEADA  EM  DADOS  DEFASADOS  DE  DCTF.  INFORMAÇÕES  RETIFICADAS  POR  DCTF­RETIFICADORA  APRESENTADA  EM MOMENTO  ANTERIOR  À  NOTIFICAÇÃO  DA  DECISÃO.  Decisão  eletrônica  que  nega  homologação  à  Declaração  de  Compensação  pelo  fundamento  de  que  o  DARF,  do  qual  teria  originado o crédito  indicado pelo contribuinte na compensação,  teria  sido  integralmente  absorvido  pelo  valor  confessado  em  DCTF  em  relação ao mesmo período de apuração.  A decisão deve ser anulada se foi baseada em dados defasados, que já  haviam  sido  alterados  por  meio  de  DCTF­retificadora  transmitida  antes da notificação da decisão.  Decisão anulada.”  Sobre  os  efeitos  da  anulação  do  despacho  decisório  O Decreto  nº  70.235,  de  1972, dispõe que:  “Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou  com preterição do direito de defesa.  § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.  § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento  ou  solução do processo.  § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem  aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade  julgadora não a  pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta. (Incluído  pela Lei nº 8.748, de 1993)  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se  este  lhes houver dado causa, ou quando não  influírem na  solução do  litígio.  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912041/2009­00  Resolução nº  3801­000.640  S3­TE01  Fl. 384          8 Art.  61.  A  nulidade  será  declarada  pela  autoridade  competente  para  praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.  A  distinção  entre  nulos  e  sanáveis mostra  que  o Decreto  nº  70.235,  de  1972,  aceita a separação entre atos nulos e anuláveis, logo, aceita a possibilidade de que a anulação  de um ato ou uma decisão administrativa produza efeitos ex nunc.  No  caso  deste  processo,  o  despacho  decisório  foi  proferido  por  autoridade  competente e não houve preterição do direito de defesa, logo, a irregularidade verificada pode  sanada.  Em decorrência, propõe­se que a anulação do despacho decisório se opere com  efeitos a partir desta decisão.  Os demais argumentos do recurso voluntário restam prejudicados.  Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário  para anular o despacho decisório com efeitos ex nunc, devendo a Delegacia da Receita Federal  de  origem  proceder  à  nova  análise  do  direito  de  crédito  pleiteado  com  base  na  DCTF  retificadora,  inclusive quanto à questão de mérito, submetendo o novo despacho decisório ao  rito do Decreto nº 70.235, de 1972, nos termos do art 74, da Lei nº 9.430, de 1996.  (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912041/2009­00  Resolução nº  3801­000.640  S3­TE01  Fl. 385          9 Voto Vencedor  Conselheiro Marcos Antônio Borges, Redator Designado  Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar.  A  recorrente  sustenta  que  o  seu  direito  creditório  decorre  da  apuração  das  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativas  que  teriam  sido  pagas  a maior.  Alega  ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON e DCTF.   O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório  inicial, porque  os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados.  Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada.  A  DRJ  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  considerando  que a retificação da DCTF feita pela recorrente foi posterior à apresentação da DCOMP e não  teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos.  Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou  a  maior  pleiteado  em  restituição  ou  utilizado  em  declaração  de  compensação  é  realizada  considerando o  saldo disponível do pagamento nos  sistemas de  cobrança, não se verificando  efetivamente  o  mérito  da  questão,  o  que  será  viável  somente  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal.   Tal  procedimento  é  disciplinado  em  atos  normativos  da  Receita  Federal  do  Brasil, conforme autorização prevista no art. 74 da Lei 9.430/1996.  Em relação a alegação de nulidade, conforme dispõe o art. 59 do PAF, ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  No  caso  vertente,  a  recorrente  justificou  a  origem  do  crédito  (retificação  da  declaração),  bem  como  seu  direito  em  compensá­lo  com  outros  débitos,  tendo  em  vista  o  equívoco  ao  incluir  na  base  de  cálculo  das  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS  a  receita  decorrente dos serviços prestados a clientes residentes ou domiciliada no exterior, apresentando  ainda as razões de direito atinentes ao caso e juntando documentação comprobatória.  Em sede de  restituição/compensação compete ao  contribuinte o ônus da prova  do  fato constitutivo do seu direito,  consoante a  regra basilar extraída do Código de Processo  Civil,  artigo  333,  inciso  I.  Ou  seja,  é  o  contribuinte  que  toma  a  iniciativa  de  viabilizar  seu  direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de  tal  sorte que,  se a RFB  resiste  à  pretensão  do  interessado,  não  homologando  a  compensação,  incumbe  a  ele,  o  contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito.  Assim, entendo não ser passível de nulidade o despacho decisório guerreado se  presentes os requisitos legais atinentes e o devido processo legal foi obedecido, em especial, o  contraditório e ampla defesa.  Não  obstante  as  alegações  da  recorrente,  o  entendimento  predominante  deste  Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912041/2009­00  Resolução nº  3801­000.640  S3­TE01  Fl. 386          10 que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova  dos  créditos  sem  no  entanto  conferir  a  liquidez  e  certeza  necessários  ao  reconhecimento  do  direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações.   Registre­se,  por  oportuno,  que,  apesar  de  não  existir  norma  procedimental  condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este  um procedimento lógico, no caso em tela a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência  do  despacho  decisório.  Assim,  a  interessada  não  foi  intimada  a  justificar  a  origem  de  seu  crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo, sendo­lhe ofertada posteriormente essa oportunidade  quando da instalação do contraditório.  Apesar  da  complementação  das  alegações  da  recorrente  e  a  correspondente  documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário,  o  que,  em  tese,  estaria  atingida  pela  preclusão  consumativa,  estes  devem  ser  aceitos  em  obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16  do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destine­se a contrapor fatos ou  razões  posteriormente  trazidos  aos  autos,  mormente  quando  a  Turma  de  Julgamento  de  1ª  Instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não  foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado,  quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado.  Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e,  em tese, ratificam os argumentos apresentados.  Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios,  constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar  o valor  correto das  contribuições do PIS e da COFINS  referente ao período de  apuração em  discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior.  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligência para que a Delegacia de origem:  a)  apure  a  legitimidade  do  crédito  pleiteado  decorrente  de  alegado pagamento  indevido ou a maior das contribuições do PIS e da COFINS, conforme as operações apontadas  pela recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil  e demais elementos que julgar necessários;  b)  cientifique  a  interessada  quanto  ao  resultado  da  diligência  para,  desejando,  manifestar­se no prazo de 30(trinta) dias.  Após  a  conclusão  da  diligência,  retornar  o  processo  a  este  CARF  para  julgamento.  É assim que voto.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges       Fl. 386DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI

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Numero do processo: 11634.720329/2011-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados, estando caracterizado o dolo e sonegação. JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL. Exigem-se juros de mora sobre os impostos e contribuições exigidos de ofício, apurados segundo a variação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais - Selic, por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1802-002.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados, estando caracterizado o dolo e sonegação. JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL. Exigem-se juros de mora sobre os impostos e contribuições exigidos de ofício, apurados segundo a variação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais - Selic, por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2115; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 2          1 1  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11634.720329/2011­11  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1802­002.273  –  2ª Turma Especial   Sessão de  26 de agosto de 2014  Matéria  SIMPLES  Recorrente  5 ESTRELAS TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007  NULIDADE   Não  restando  caracterizada  nenhuma  das  hipóteses  previstas  no  art.  59  do  Decreto  70.235/1972  ­  PAF,  quais  sejam,  lançamento  realizado  por  pessoa  incompetente ou cerceamento do direito de defesa, e tampouco caracterizada  a  utilização  de  prova  obtido  por  meio  ilícito,  devem  ser  rejeitadas  as  preliminares.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DOLO,  FRAUDE OU SIMULAÇÃO.  O prazo decadencial dos impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por  homologação,  no  caso  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  é  contado  a  partir  do  primeiro dia do exercício  seguinte àquele em que o  lançamento poderia  ser  efetuado.  EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELO FISCO, SEM ORDEM  JUDICIAL. POSSIBILIDADE.  É  licito  ao Fisco  examinar  informações  relativas  ao  contribuinte  constantes  de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas  de  depósitos  e  de  aplicações  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso  e  tais  exames  forem  considerados  indispensáveis,  independentemente de  autorização  judicial, mormente  após  a  edição  da Lei  Complementar 105 de 2001.  CONTA  BANCÁRIA  EM  NOME  DO  SÓCIO.  EFETIVO  TITULAR.  EMPRESA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 03 29 /2 01 1- 11 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 3          2 Quando provado que os valores depositados/creditados na conta de depósito  ou  de  investimento  pertencem  a  terceiro,  evidenciando  interposição  de  pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo  titular  da  conta  de  depósito  ou  de  investimento  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007  OMISSÃO DE RECEITAS  ­ DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM  NÃO FOI COMPROVADA  Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito  ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos  quais  o  Contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.  MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO.  Aplica  se  multa  qualificada  à  exigência  de  impostos  e  contribuições  sonegados, estando caracterizado o dolo e sonegação.  JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL.  Exigem­se  juros  de  mora  sobre  os  impostos  e  contribuições  exigidos  de  ofício,  apurados  segundo  a  variação  da  taxa  referencial  do  Sistema  de  Liquidação  e  Custódia  para  títulos  federais  ­  Selic,  por  expressa  previsão  legal.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE.  APRECIAÇÃO.  VEDAÇÃO.  Não  compete  à  autoridade  administrativa  manifestar­se  quanto  à  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  das  leis,  por  ser  essa  prerrogativa  exclusiva do Poder Judiciário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  rejeitar  as  preliminares  suscitadas  e,  no mérito,  negar provimento  ao  recurso,  nos  termos do  relatório  e  voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa ­ Relator.    Fl. 798DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 4          3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e  Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.    Fl. 799DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 5          4   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que manteve lançamento realizado para a constituição  de crédito tributário no regime de tributação simplificada – Simples.  A  autuação  fiscal  abrangeu  os meses  de  janeiro/2006  a  junho/2007.  Foram  imputadas à Contribuinte duas  infrações: omissão de receitas e  insuficiência de recolhimento  gerada  pela mudança  nos  coeficientes  para  apuração  do  Simples,  após  a  adição  das  receitas  omitidas.  Os  fatos  que  antecederam  o  presente  recurso  estão  assim  descritos  no  relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 06­34.052, às e­fls. 717 a 742:   Trata  o  processo  de  autos  de  infração  exigindo  os  impostos  e  contribuições:  a)Imposto  sobre a Renda de Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  ­  Simples,  págs. 447/455, no valor de R$ 1.827,54, devido a:  a.  a  omissão  de  receitas  da  atividade,  relativas  a  depósitos  bancários não escriturados cuja origem não  foi esclarecida,  mesmo  tendo  o  contribuinte  sido  intimado,  em  contas  em  nome  da  empresa  e  em  nome  de  seu  sócio;  períodos  de  apuração de 05 a 12/2006, 05 e 06/2007; base legal no art.  24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2°, §2°,  3°,  §  1°,  a,  5°,  7°,  §  1°  e  18  da  Lei  n°  9.317,  de  05  de  dezembro de1996; art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro  de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998;  arts. 186, 188 e 199 do Regulamento do Imposto de Renda ­  RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999);  b.  insuficiência  de  recolhimento  nos  períodos  de  06  a  12/2006 e 06/2007, resultante da alteração nas alíquotas de  recolhimento  do  Simples,  em  razão  das  omissões  que  aumentaram o valor das receitas; base legal nos arts. 5°, da  Lei n° 9.317, de 1996; art.3° da Lei n° 9.732, de 1998; e arts.  186 e 188 do RIR de 1999;  b)  contribuição  ao  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS  ­  Simples, págs. 456/464, no valor de R$ 1.303,76:  [...]  c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL – Simples,  págs. 465/477, no valor de R$ 3.620,36:  [...]  d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade – Cofins –  Simples, págs. 478/490, no valor de R$ 10.495,56:  Fl. 800DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 6          5 [...]  e)  Contribuição  para  a  Seguridade  Social  –  INSS  –  Simples,  págs. 491/503, no valor de R$ 48.254,66:  [...]  3. Sobre os impostos e contribuições devidos exigem­se multa de  150% do art. 44, II da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  c/c o art. 19 da Lei n° 9.317, de 1996; art. 44, I e § 1° da Lei n°  9.430, de 1996, com a redação do art. 18 da MP n° 303, de 2006  e da MP n° 351, de 2007 e da Lei n° 11.488, de 15 de junho de  2007,  c/c  o  art.  19  da  Lei  n°  9.317,  de  1996;  e  juros  de mora  segundo o art. 61, § 3° da Lei n° 9.430, de 1996.  4.  Às  págs.  427/430,  encontram­se  demonstrados  pela  fiscalização  os  percentuais  aplicáveis  sobre  a  receita  bruta  apurada do art.  23,  II,  da Lei n° 9.317, de 1996, do art.  1° da  MP nº 275, de 2005, convertida na Lei nº 11.307, de 19 de maio  de 2006, c/c o art. 2º da Lei nº 10.034, de 24 de outubro de 2000;  às págs. 431/438, o demonstrativo de apuração dos valores não  recolhidos  e  às  págs.  439/446,  apuração  do  imposto/  contribuição sobre diferenças apuradas.  5.  Às  págs.  417/425,  no  Termo  de Verificação  e Encerramento  Parcial  de  Ação  Fiscal  ­  TVF,  se  encontram  demonstrados  os  procedimentos de fiscalização.  6.  Cientificado  em  08/07/2011,  pág.  506,  o  interessado  apresentou  a  impugnação  tempestiva  em  25/07/2011,  págs.  509/521,  por meio  de  seu  representante  legal,  págs.  522/524  e  anexando Contrato de Mútuo, págs. 525/526.  7. Afirma que a fiscalização confundiu a pessoa  física do sócio  com a  empresa,  dado que o  auto  traz  em  seu  bojo  valores  que  pertencem  única  e  exclusivamente  ao  sócio,  seja  por  empréstimos de terceiros, ou pela geração de recursos próprios;  esclarece  que  anexa  contrato  de  mútuo  entre  esse  sócio  Luiz  Fernando  da  Silva  Baú  e  a  empresa,  no  valor  de  R$  1.000.000,00,  assinado  com  reconhecimento  de  firma  em  cartório, em 12/07/2005.  8.  Reclama  que  as  intimações  foram  omissas  em  relação  aos  créditos/depósitos  que  relaciona  na  impugnação  à  pág.  513,  portanto, esses valores não atenderam ao disposto no art. 42 da  Lei n° 9.430, de 1996; aduz que, em obediência ao art. 142 do  CTN, e ao Decreto n° 70.235, de 1972, deveriam compor o auto  de  infração  todos  os  documentos  fiscais,  relatórios,  termos  de  intimação, os valores fiscalizados, declarações e demonstrativos;  o fiscal deve obedecer rigorosamente a tais requisitos, sob pena  de  ver  nulo  o  seu  trabalho;  por  esses motivos  requer  nulidade  dos autos por lhes faltarem certeza e liquidez.  9. Argúi a decadência do direito ao lançamento fiscal quanto aos  meses de  01  a  05/2006,  com base no  art.  150, §  4°  do Código  Tributário Nacional  ­ CTN,  Lei  n°  5.172,  de  25  de  outubro  de  Fl. 801DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 7          6 1966,  e  porque  somente  possíveis  diferenças  foram  apuradas  pela fiscalização, o que não quer dizer que não recolheu outros  valores.  10.  Invoca  a  Súmula  n°  32  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais ­ CARF, referente à titularidade dos depósitos  bancários para argumentar que “restou a ser comprovado pela  fiscalização que AQUELES valores, ou seja, os especificamente  indicados pela fiscalização pertenciam à impugnante, ou mesmo  ao  sócio”;  assevera  que  há  nos  autos  somente  afirmativa  dos  autuantes e não provas de que os recursos pertenciam à empresa  impugnante,  sendo  que  o  fato  de  que  algumas  despesas  da  empresa foram pagas com recursos do sócio, não significa que a  totalidade  dos  recursos  recebidos  na  conta  deste  pertençam  à  autuada.  11. Aduz que a autuada deveria ter sido intimada destes valores  movimentados  ou  das  “suas”  despesas  pagas  pelo  sócio  Luiz  Fernando da Silva Baú, sob risco de nulidade a teor de Acórdão  do Conselho de Contribuintes que  transcreve, pois  todos os co­ titulares da conta devem ser intimados.  12.  Invoca Súmula n° 14 do CARF no sentido de que a simples  apuração  de  omissão  de  receitas  por  si  só  não  autoriza  a  qualificação  da  multa,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente intuito de fraude do sujeito passivo, o que restou a ser  comprovado neste processo.  13.  Referindo­se  às  págs.  3/4  do  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  Parcial  de  Ação  Fiscal  (págs.  419/420,  do  processo), reclama da impropriedade das Tabelas 1 a 4 que ali  constam,  afirmando  que  o  “auditor  ao  demonstrar  valores  de  saldos  bancários  movimentados  ou  pagos  pelo  sócio,  o  faz  MISTURANDO  anos  posteriores  com  o  que  foi  autuado.  Os  meses autuados foram de 01/2006 a 06/2007, e que nada tem em  haver com o demonstrado nas  tabelas de 01 a 04.” E aventa a  hipótese de o autuante também ter misturado valores dos meses  de autuação e aduz que este deveria ter analisado o contrato de  mútuo.  14.  Argumentando  que  somente  a  demonstração  analítica  dos  cálculos  de  apuração  do  crédito  tributário  constituído  permite  ao impugnante o exercício do direito de ampla defesa e tendo em  vista  os  erros  que  afirma  terem  sido  cometidos  na  autuação,  requer  que  conste  dos  autos  que  os  valores  antes  apontados  fossem  devidamente  intimados,  para  que  lhe  tivesse  sido  oportunizada  ampla  defesa  até  mesmo  na  fase  investigatória,  para que o auto seja líquido e exigível.  15.  Afirma  que  o  sigilo  bancário  quebrado  sem  autorização  judicial é ilegal e inconstitucional.  16. Afirma que a inclusão de valores de movimentação na conta  corrente em sua totalidade, não corresponde à receita recebida,  fato esse que se comprova pelo contrato de mútuo entre o sócio e  a empresa impugnante.  Fl. 802DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 8          7 17.  Reclama  da  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  da  adoção  da  taxa  referencial  do  Sistema  de  Liquidação  e  Custódia  para  títulos  federais  ­  Selic  para  fins  tributários,  invocando  fatos  e  motivos  apontados  por  Magistrado  do  Superior  Tribunal  de  Justiça ­ STJ, pleiteando seu cancelamento na autuação.  18.  Examinando o  processo,  esta DRJCTA  observou  que  havia  documentos  atinentes  ao  mesmo,  como  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  ­  RMF  e  Intimações  referentes  ao  sócio­gerente  da  empresa  Luiz  Fernando  da  Silva  Baú,  CPF  n°  043.699.409­74,  e  à  conta  bancária  Bradesco  agência  089  c/c  39546­3,  em  nome  deste,  mas de interesse para o presente processo, dado que se concluiu  que  os  depósitos  ali  recebidos  tratavam­se  de  receitas  da  empresa;  por  isso,  tais  documentos  foram  solicitados  ao  órgão  de  jurisdição, DRF em Londrina/PR, que os  remeteu  em  forma  de  Dossiê,  processo  n°  10010.009566/0911­06,  via  sistema  e­ processo.  Esses  documentos  foram  anexados  ao  presente  processo e se encontram às págs. 531/691.  Como  mencionado,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Curitiba/PR manteve integralmente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte  ementa:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007   AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.  Somente  ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE ­ SIMPLES   Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007   DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  A  Lei  n°  9.430,  de  1996,  no  seu  art.  42,  estabeleceu  uma  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  que  autoriza  o  lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da  conta  bancária,  regularmente  intimado,  não  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  creditados em sua conta de depósito ou de investimento.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.  Fl. 803DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 9          8 O  prazo  decadencial  dos  impostos  e  contribuições  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  no  caso  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  é  contado  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.  DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO.  Na  hipótese  em  que  o  recolhimento  dos  tributos  sujeitos  a  lançamento por homologação ocorre em desconformidade com a  legislação  aplicável  e,  por  conseguinte,  procede­se  ao  lançamento de ofício (art. 149 do CTN), o prazo decadencial de  cinco  anos,  nos  termos  do  art.  173,  I,  do  CTN,  tem  início  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  esse  lançamento de ofício poderia ter sido realizado.  SIGILO BANCÁRIO.  A  legislação  autoriza  à  autoridade  competente  requisitar  informações  referentes  a  contas  de  depósitos  e  de  aplicações  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso e tais exames forem considerados indispensáveis, e depois  de  o  sujeito  passivo  ter  sido  intimado  para  a  apresentação  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  necessárias  à  execução do Mandado de Procedimento Fiscal ­ MPF.  CONTA  BANCÁRIA  EM  NOME  DO  SÓCIO.  EFETIVO  TITULAR. EMPRESA.  Quando provado que os valores depositados/creditados na conta  de  depósito  ou  de  investimento  pertencem  a  terceiro,  evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na  condição  de  efetivo  titular  da  conta  de  depósito  ou  de  investimento.  MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO.  Aplica­se  multa  qualificada  à  exigência  de  impostos  e  contribuições  sonegados,  estando  caracterizado  o  dolo  e  sonegação.  JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL.  Exigem­se  juros  de  mora  sobre  os  impostos  e  contribuições  exigidos  de  ofício,  apurados  segundo  a  variação  da  taxa  referencial  do  Sistema  de  Liquidação  e  Custódia  para  títulos  federais ­ Selic, por expressa previsão legal.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE.  APRECIAÇÃO.  VEDAÇÃO.  Não compete à autoridade administrativa manifestar­se quanto à  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  das  leis,  por  ser  essa  prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.  LANÇAMENTOS  REFLEXOS:  PIS  ­  SIMPLES,  COFINS  ­  SIMPLES, CSLL ­ SIMPLES E INSS ­ SIMPLES.  Fl. 804DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 10          9 Dada  a  íntima  relação  de  causa  e  efeito,  aplica­se  aos  lançamentos reflexos o decidido no principal.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Inconformada  com  essa  decisão,  da  qual  tomou  ciência  em  14/12/2011,  a  Contribuinte apresentou em 29/12/2011 o recurso voluntário de e­fls. 749 a 766, alegando em  síntese:   EM PRELIMINAR  ­ que houve inversão da prova, a qual ofende o art. 142 do CTN e o art. 146,  III, “b”, da Constituição Federal;  ­ que o art. 142 do CTN possui eficácia de lei complementar, por força da sua  recepção pelo art. 146, III, “b” da CF/88, e que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 não poderia criar a  presunção em pauta, porque tal diploma é lei ordinária em seus aspectos formal e material;  ­  que  a  decisão  recorrida  incorre  em  erro  quando  entende  que  a  falta  de  justificativas do titular nominal da conta bancária, Luiz Fernando Silva Baú, sócio da empresa,  acerca dos depósitos/créditos nela recebidos, poderia ensejar a conclusão de que, na realidade,  o titular de fato dessa conta era a empresa 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda., uma vez  que a CRF/88 e também o CPP em seu artigo 1861 e o CPC em seu artigo 3472, afirmam ser o  silêncio  um  direito  da  parte,  e  por  certo  tal  atitude  não  pode  ser  interpretada  de  forma  prejudicial ao Recorrente;  ­  que  o  privilégio  contra  a  auto  incriminação,  traduzido  pelo  direito  ao  silêncio,  é  direito  público  subjetivo  assegurado  a  todos,  não  podendo  qualquer  órgão  estatal  punir cidadão que decidir exercer tal direito;  ­  que  faltou  ser  provado  que  os  valores  eram  desviados  da  pessoa  jurídica  para a pessoa física do sócio, ou vice­versa;  ­  que  o  simples  não  atendimento  das  perguntas/intimações  da  Fiscalização  não podem conferir o direito de a Receita vir a tributar a Recorrente;  ­  que  os  valores  encontrados  na  conta  corrente  do  sócio  devem  a  ele  ser  atribuídos, talvez em um possível auto de infração, e através da legislação pertinente ao caso;  ­  que  não  foi  comprovado  em  nenhum  momento  que  os  recursos  foram  provenientes  da  pessoa  jurídica,  e  se  não  provada  a  sua  procedência,  os  danos  deveriam  ser  suportados somente pela pessoa física do sócio;  ­  que  a  quebra  do  sigilo  bancário  através  da  RMF  ­  Requisição  de  Movimentação Financeira n° 0910200­2011­00008­3 e Ofício n° 82, não poderia  se dar  sem  autorização judicial;  ­ que a autoridade fiscal lançadora e a julgadora teriam que ter observado: o  extrato  bancário  do  supridor  com  coincidência  de  datas  e  valores  ­  como  foram  obtidos  o  ingresso dos valores na conta do sócio ­ declaração do banco depositário da origem do valor do  Fl. 805DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 11          10 depósito, sobre quem depositou os valores para o sócio, e pulsando os documentos e clientes da  Recorrente para identificar quais receitas foram desviadas para a conta do sócio;  ­  que  os  valores  constados  na  TABELA  1,  2  e  3  podem  muito  bem  ser  supridos pelo  recebimento de  seguros  ­  vendas de  imobilizado  ­  empréstimos  ­ mútuos,  etc.,  sendo portanto sem validade a autuação que não buscou detalhar os valores;  DO DIREITO  ­  que  os  fatos  apresentados  pela  Fiscalização  se  confundem,  misturando  a  pessoa física do sócio com a pessoa jurídica. Nessa tentativa, traz ao auto de infração valores  que  pela  sua  natureza  pertencem  única  e  exclusivamente  ao  sócio,  seja  por  empréstimos  de  terceiros ou ainda pela geração de recursos próprios;  ­ que o sócio em seu labor pode muito bem gerar os recursos, haja vista o já  citado “contrato de mútuo entre Luiz Fernando da Silva Baú e a Recorrente, no valor de R$  1.000.000,00  (um milhão de  reais),  e que o mesmo foi  assinado com os  reconhecimentos de  cartório na data de 12/07/2005 (doc.01); que não pode haver recusa desse documento apenas  pelo fato de não ter sido registrado contabilmente; que outras investigações poderiam ter sido  encaminhadas, quanto a pessoa física do sócio, e não aconteceram, preferindo­se um caminho  mais fácil;   ­  que  as  intimações  foram  omissas  quanto  a  vários  valores,  e  que  estes  deveriam ter sido intimados para esclarecimentos;  ­ que não haveria como provar ou mesmo praticar a defesa, uma vez que o  sócio e/ou o recorrente não foram intimados dos valores que compõem o auto de infração, ou  se  intimado,  o  foi  por  via  transversa,  porque  a  fiscalização  já  “convicta”,  simplesmente  sossegou;  ­ que em obediência ao art. 142 do CTN e ao Decreto 70.235/72, deveriam  compor o auto de  infração:  todos os documentos  fiscais,  relatórios,  termos de  intimações, os  valores fiscalizados, declarações e demonstrativos;  ­  que  faltou  ser  comprovado  pela  Fiscalização  que  os  valores  autuados  e  outros que compunham os extratos pertenciam à Recorrente. Que simplesmente  foi  afirmado  pela  Fiscalização  que  os  recursos  pertenciam  à  Recorrente.  Que  ademais  já  foi  anexado  contrato de mútuo que claramente comprova o contrário do afirmado pela fiscalização e pelo  recorrido Acórdão;  ­ que não se poderia desconsiderar o fato de o Fiscal ter consignado em uma  das  intimações  o  número  errado  da  conta  bancária;  que  a  Fiscalização  faz  confusão  entre  pessoa física e pessoa jurídica, mostrando que embora fossem emitidas intimações erradas, já  estava  predisposta  a  autuar  a  dita  omissão  de  receitas,  não  importando  a  resposta  dada  a  qualquer intimação;  ­  que  não  constou  do  lançamento  a  prova  do  dolo,  fraude  ou  simulação  praticado pelo Recorrente;  ­  que  diante  da  inexistência  de  manifesto  intuito  de  fraude,  dolo  ou  simulação,  a  contagem  do  prazo  decadencial  deve  seguir  o  que  dispõe  o  art.  150,  §  4º,  do  Fl. 806DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 12          11 Código Tributário Nacional, ou seja, iniciar­se na data de ocorrência do fato gerador, e não no  primeiro dia do exercício subseqüente;  ­ que a aplicação da taxa Selic é inconstitucional e ilegal, conforme já decidiu  o STJ (ementa transcrita).  Em  22/06/2012,  a  teor  do  §  1º  do  artigo  62­A  do  RICARF  o  presente  processo  restou  sobrestado.  Todavia,  o mencionado  dispositivo  normativo  foi  revogado  pela  Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013.  Assim,  não  havendo mais  determinação  para  o  sobrestamento,  passa­se  ao  julgamento do presente processo.    Este é o Relatório.  Fl. 807DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 13          12   Voto             Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator.  O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade.  Portanto, dele tomo conhecimento.  Conforme  relatado,  a  matéria  em  litígio  diz  respeito  a  lançamento  para  a  exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período  de janeiro/2006 a junho/2007.   O período de julho/2007 a dezembro/2008 também foi objeto de fiscalização,  e  a  autuação  a ele  referente,  já na  sistemática do Simples Nacional,  é objeto do processo nº  11634.720449/2011­19, que também está sendo examinado nesta mesma sessão de julgamento  do CARF.   A autuação em pauta está fundamentada em omissão de receita, apurada em  razão da falta de comprovação de origem dos valores creditados/depositados em duas contas  bancárias,  uma  em  nome  da  própria  empresa  (39.957­4),  e  outra  em  nome  do  sócio  Luiz  Fernando da Silva Baú (39.546­3), ambas no Banco Bradesco.   O Termo de Verificação Fiscal, às fls. 423 e 424, indica os valores creditados  nessas  contas  bancárias,  os  valores  declarados  pela  Contribuinte  e  a  diferença  apurada,  conforme os quadros abaixo:    Período  Descrição  Bradesco  C­39957­4  Bradesco  C­39546­3  Totais  Declarado  SIMPLES  Diferença  Apurada  jan/06  CRÉDITOS  43.496,19  32.385,06             (­)Devol.Ch depos  2.394,60  9.502,97             Total jan/2006  41.101,59  22.882,09  63.983,68  16.996,66  46.987,02  fev/06  CRÉDITOS  8.460,00  17.885,30             (­)Devol.Ch depos  1.875,00                Total fev/2006  6.585,00  17.885,30  24.470,30  16.208,72  8.261,58  mar/06  CRÉDITOS  42.765,23  29.010,00             (­)Devol.Ch depos  6.000,00  5.000,00             Total mar/2006  36.765,23  24.010,00  60.775,23  16.123,46  44.651,77  abr/06  CRÉDITOS  31.941,10  13.239,00             (­)Devol.Ch depos  40                Total abr/2006  31.901,10  13.239,00  45.140,10  17.949,43  27.190,67  mai/06  CRÉDITOS  28.491,00  17.659,85             (­)Devol.Ch depos                    Total mai/2006  28.491,00  17.659,85  46.150,85  12.855,07  33.295,78  jun/06  CRÉDITOS  63.920,10  10.498,30             (­)Devol.Ch depos     3.600,00             Total jun/2006  63.920,10  6.898,30  70.818,40  9.788,85  61.029,55  jul/06  CRÉDITOS  46.990,14  3.991,40             (­)Devol.Ch depos                 Fl. 808DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 14          13    Total jul/2006  46.990,14  3.991,40  50.981,54  11.238,64  39.742,90  ago/06  CRÉDITOS  40.806,90  16.672,42             (­)Devol.Ch depos     270             Total ago/2006  40.806,90  16.402,42  57.209,32  11.297,90  45.911,42  set/06  CRÉDITOS  37.058,50  9.184,50             (­)Devol.Ch depos     400             Total set/2006  37.058,50  8.784,50  45.843,00  16.770,00  29.073,00  out/06  CRÉDITOS  29.248,90  22.558,00             (­)Devol.Ch depos                    Total out/2006  29.248,90  22.558,00  51.806,90  10.466,00  41.340,90  nov/06  CRÉDITOS  28.916,00  20.800,00             (­)Devol.Ch depos  40  16.800,00             Total nov/2006  28.876,00  4.000,00  32.876,00  10.418,42  22.457,58  dez/06  CRÉDITOS  61.188,36  35.885,00             (­)Devol.Ch depos  3.158,18  8.400,00             Total dez/2006  58.030,18  27.485,00  85.515,18  8.809,90  76.705,28  total­06    449.774,64  185.795,86  635.570,50  158.923,05  476.647,45     Período  Descrição  Bradesco  C­39957­4  Bradesco  C­39546­3  Totais  Declarado  SIMPLES  Diferença  Apurada  jan/07  CRÉDITOS  34.921,23  10.200,00              (­)Devol.Ch depos                    Total jan/2007  34.921,23  10.200,00  45.121,23  20.506,80  24.614,43  fev/07  CRÉDITOS  51.263,30  7.659,23              (­)Devol.Ch depos  928,5                 Total fev/2007  50.334,80  7.659,23  57.994,03  18.016,13  39.977,90  mar/07  CRÉDITOS  52.703,71  16.600,73              (­)Devol.Ch depos  1.935,20                 Total mar/2007  50.768,51  16.600,73  67.369,24  14.856,54  52.512,70  abr/07  CRÉDITOS  30.756,08  15.655,65              (­)Devol.Ch depos                    Total abr/2007  30.756,08  15.655,65  46.411,73  15.734,21  30.677,52  mai/07  CRÉDITOS  53.318,76  13.776,16              (­)Devol.Ch depos  1.000,00                 Total mai/2007  52.318,76  13.776,16  66.094,92  12.405,23  53.689,69  jun/07  CRÉDITOS  42.654,80  6.336,00              (­)Devol.Ch depos  1.783,00                 Total jun/2007  40.871,80  6.336,00  47.207,80  10.508,96  36.698,84    Pela  alteração  nas  faixas  de  receita  bruta  acumulada  e,  conseqüentemente,  nos  percentuais  para  a  apuração  do  Simples,  a  omissão  de  receita  repercutiu  em  uma  outra  infração  ­  insuficiência  de  recolhimento  sobre a  receita declarada,  que  também  foi objeto de  lançamento.   Na  presente  fase  recursal,  a  Contribuinte  traz  alguns  argumentos  que  poderiam ensejar a nulidade do lançamento (preliminares), e outros que já envolvem questões  de mérito.   Fl. 809DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 15          14 PRELIMINARES  Registro  primeiramente  que  ela  teve  a  ciência dos  termos  e demonstrativos  que compõe o processo, onde estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento  e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas.  Diante disso,  a Contribuinte pôde plenamente  contestar  a  exigência  fiscal  e  seus fundamentos, e o fez por meio da impugnação já analisada, e novamente agora, por meio  do recurso voluntário sob exame.  Dois  aspectos  por  ela  suscitados  como  causadores  de  cerceamento  de  seu  direito  de  defesa  (falta  de  intimação  de  valores  que  compõem  o  auto  de  infração  e  erro  na  indicação do número da conta bancária) serão abordados mais adiante, no contexto do exame  de mérito.  Ainda em sede de preliminar, vale destacar que o lançamento sob exame esta  lastreado  parcialmente  na  Lei  Complementar  nº  105/2001,  que  permite  expressamente  a  obtenção e utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito  tributário, e a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não cabe o controle  de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula CARF nº 02, verbis:   Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  A  conclusão  que  se  impõe  é  que  é  licito  ao  Fisco  examinar  informações  relativas  ao  contribuinte  constantes  de  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  contas  de  depósitos  e  de  aplicações  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso  e  tais  exames  forem  considerados  indispensáveis,  independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105  de 2001.  Desse modo, não restando caracterizada nenhuma das hipóteses previstas no  art.  59  do  Decreto  70.235/1972  ­  PAF,  quais  sejam,  lançamento  realizado  por  pessoa  incompetente  ou  cerceamento  do  direito  de defesa,  e  tampouco  caracterizada  a  utilização  de  prova obtido por meio ilícito, devem ser rejeitadas as preliminares.  Há  também  preliminar  de  decadência,  que  será  examinada  mais  à  frente,  porque dependente de conclusões acerca do mérito da autuação.  MÉRITO  Como mencionado, o lançamento está fundamentado em depósitos bancários  com origem não comprovada, que foram realizados em duas contas bancárias, uma em nome  da própria empresa (39.957­4), e outra em nome do sócio Luiz Fernando da Silva Baú (39.546­ 3), ambas no Banco Bradesco.   A  identificação  destes  depósitos  se  deu  a  partir  de  extratos  bancários  fornecidos pelos próprios interessados (a empresa e seu sócio).  A utilização da LC 105/2001, com emissão de RMF, serviu especificamente  para colher informações sobre as contas bancárias do sócio Luiz Fernando da Silva Baú, que  Fl. 810DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 16          15 levaram a Fiscalização a considerar que a conta 39.546­3 do Banco Bradesco pertencia de fato  à empresa autuada.   Essa  constatação  da  auditoria  fiscal,  que  é  o  aspecto  mais  combatido  pela  Recorrente, não decorreu apenas do fato de os interessados (primeiramente o sócio, e depois a  empresa) não terem respondido às intimações para prestar esclarecimentos, mas especialmente  de eventos e situações apurados pela Fiscalização, conforme bem registra a decisão recorrida:   [...]  2. Mérito  2.1 Ampla defesa até mesmo na fase investigatória, e depósitos  em conta de titularidade do sócio.  47.  Argumentando  que  somente  a  demonstração  analítica  dos  cálculos  de  apuração  do  crédito  tributário  constituído  permite  ao  impugnante  o  exercício  do  direito  de  ampla  defesa;  que  deveriam compor o auto de infração todos os documentos fiscais,  relatórios,  termos  de  intimação,  os  valores  fiscalizados,  declarações e demonstrativos, e que, tendo em vista os erros que  afirma terem sido cometidos na autuação, requer que conste dos  autos  que  os  valores  antes  apontados  fossem  devidamente  intimados, para que  lhe  tivesse sido oportunizada ampla defesa  até mesmo na fase investigatória.  48.  Cabe  resumir  os  fatos,  para  responder  a  estes  questionamentos do litigante.  49. O início da fiscalização em relação a este contribuinte se deu  em 08/04/2010, com o Termo de Início de Fiscalização de págs.  2/3,  respaldado  pelo  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ­  Fiscalização (MPF­F) 09.1.02.00.2010.00291­0.  2.1.1 Fiscalização sobre a pessoa do sócio­gerente da empresa  Luiz Fernando Silva Baú.  50. Antes da empresa, foi aberta fiscalização sobre a pessoa do  sócio­gerente da empresa Luiz Fernando Silva Baú, mediante o  Termo  de  Início  de Ação Fiscal  de  págs.  539/545,  cientificado  em 06/04/2010, respaldado pelo MPF­F 09.1.02.00.2010.00290­ 2;  ele  foi  intimado  a  entregar  a  relação  das  suas  contas  bancárias e extratos de contas correntes, aplicações financeiras,  cadernetas  de  poupança,  etc,  de  todas  as  contas  bancárias,  individuais  ou  em  conjunto,  para  o  período  de  2006  a  2008,  e  cópias de comprovantes de saques e depósitos, nas mesmas.  51. Em 13/05/2010, págs. 548/549, consta que entregou extratos  do  Banco  Bradesco;  os  extratos  se  encontram  às  págs.  98/132  (período de 29/12/2005 a 18/12/2008).  52.  Em  04/08/2010,  foi  intimado  a  justificar  a  origem  de  depósitos/créditos recebidos, entre outras, na conta em seu nome  no  Bradesco  agência  089,  c/c  39546­3,  págs.  555/565;  em  19/10/2010,  foi  reintimado,  sem  que  tivesse  apresentado  as  justificativas;  em 06/12/2010, a  fim de  verificar a natureza das  Fl. 811DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 17          16 operações  realizadas  nessa  conta,  a  fiscalização  o  intimou  e  reintimou  a  apresentar  cópias  dos  cheques  da  citada  conta,  relacionados no Termo de Intimação Fiscal n°s 003 e 004, págs.  579/596; Luiz  Fernando Silva Baú novamente  silenciou;  então,  mediante  a  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  ­ RMF de  págs.  531/534,  foram obtidos  tais  cópias  diretamente  do  Banco  Bradesco  e,  com  base  nessas  cópias  de  cheques de pagamentos, foram intimadas as empresas Librelato,  Mercedes­Benz  do  Brasil,  P.B.  Lopes  e  Posto  da  Lavoura  que  enviaram  suas  respostas,  págs.  238/383,  cuja  síntese  está  às  págs. 419/420, no TVF, Tabelas 1 a 5, que evidenciam que essa  conta  foi utilizada para pagamentos de dispêndios da  empresa,  sendo  que  a  amostragem  abrangeu  os  anos  de  2006,  2007  e  2008.  53.Esses  elementos,  aliados  à  falta  de  justificativas  do  titular  nominal dessa conta corrente bancária, que era Luiz Fernando  Silva Baú, sócio da empresa, acerca dos depósitos/créditos nela  recebidos, ensejaram a conclusão fiscal de que, na realidade, o  titular  de  fato  dessa  conta  é  a  5  Estrelas  Transportes  Rodoviários Ltda.  2.1.2 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda ­ intimação sobre  os  depósitos/créditos  na  conta  Bradesco  agência  089,  c/c  39546­3, de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú.  54.  Conseqüentemente,  foi  apresentado  à  empresa  o  Termo  de  Intimação Fiscal de págs. 218/227, em 18/05/2011, no qual estão  descritos os fatos e que se havia evidenciado a movimentação de  recursos da empresa nessa conta bancária de titularidade do seu  sócio, ou seja, que a movimentação nessa conta era pertinente a  operações  mercantis  da  empresa  e  mantida  à  margem  da  escrituração;  e  simultaneamente  com  essa  notificação  da  conclusão  fiscal,  foi  a  empresa  intimada  a  contestá­las  e  a  comprovar  com  documentação  hábil  e  idônea  as  origens  dos  recursos recebidos nessa conta (além de em outra do Banco do  Brasil  agência0476­6  c/c  8523­5,  também  de  titularidade  do  sócio);  nessa  intimação,  o  contribuinte  5  Estrelas  Transportes  Rodoviários  Ltda  foi  alertada  de  que  a  falta  de  comprovação  caracteriza omissão de receitas a teor do art. 42 da Lei n° 9.430,  de 1996.  55.  Na  falta  de  resposta,  foi  a  empresa  novamente  intimada,  mediante  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  de  págs.  228/237,  em  06/06/2011,  de  idêntico  teor,  sendo  que  tampouco  houve  manifestação da empresa.  56. Conforme TVF e  resumido às págs.  423/424, o  lançamento  fiscal foi efetuado relativamente às contas:  a. Bradesco agência 089, c/c 39546­3, de titularidade de  Luiz Fernando Silva Baú, que restou caracterizada como,  na  realidade,  referente  a  movimentação  financeira  da  empresa;  Fl. 812DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 18          17 b. Bradesco agência 089, c/c 39957­4, de titularidade da  empresa 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda.  57.  E  não  foi  feito  lançamento  fiscal  relativo  aos  valores  da  conta  Banco  do  Brasil  agência  0476­6  c/c  8523­5,  também  de  titularidade de Luiz Fernando Silva Baú.  2.1.3  Depósitos/créditos  recebidos  na  conta  Bradesco  agência  089, c/c 39957­4, de titularidade da empresa  58.  A  5  Estrelas  Transportes  Rodoviários  Ltda,  depois  de  receber  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  e  requerer  vários  adiamentos,  apresentou  os  extratos  da  conta Bradesco  agência  089, c/c 39957­4, de sua titularidade (ocorreu erro no relato da  pág.  417,  no  TVF  porque  os  extratos  entregues  pela  empresa  foram os da conta de sua titularidade, enquanto que os extratos  da  Bradesco  agência  089,  c/c  39546­3,  conforme  cita  erroneamente  o  TVF,  de  titularidade  de  Luiz  Fernando  Silva  Baú, foram entregues espontaneamente por este); os extratos da  conta  Bradesco  agência  089,  c/c  39957­4,  de  titularidade  da  empresa se encontram às págs. 60/97, referentes ao período de  29/12/2005 a 12/01/2008.  59. Às págs. 4/27, consta a Intimação Fiscal, dirigida à empresa,  cientificada em 06/08/2010, intimado­a a informar e comprovar  documentalmente  a  origem  e  natureza  dos  depósitos/créditos  recebidos  na  conta  Bradesco  agência  089,  c/c  39546­3  (sic)  e  justificar a não­escrituração dessa conta bancária ­ eis que esta  intimação,  na  realidade,  e  como  evidencia  a  comparação  dos  créditos/depósitos ali consignados com os extratos, era referente  e  com  base  nos  extratos  da  conta  Bradesco  agência  089,  c/c  39957­4, de titularidade da empresa.  60.  Às  págs.  28/49,  por  meio  do  Termo  de  Constatação  e  Reintimação  Fiscal  foi  a  empresa  reintimada  exatamente  nos  mesmos termos, em 19/10/2010.  61. O  fato  de  o  fiscal  ter  consignado  número  errado  da  conta  bancária  não  foi  percebido  pelo  contribuinte,  que  recepcionou  as  intimações  e,  depois  de  vários  pedidos  de  prorrogação,  apresentou  sua  resposta  de  pág.  211,  justificando  depósitos/créditos na conta Bradesco agência 089, c/c 39957­4,  de  titularidade  da  empresa,  cujos  depósitos/créditos  estão  relacionados  nas  citadas  intimações  e  correspondem  aos  extratos  dessa  conta;  ele  justificou  e  apresentou  documentos  comprobatórios  de  págs.  213/215  os  seguintes  créditos  recebidos:  [...]  62.  Do  exposto  fica  evidente  que  não  houve  falha  quanto  à  intimação  prévia  do  contribuinte  acerca  dos  depósitos/créditos  recebidos  em  contas  bancárias  e  cuja  não  comprovação  da  origem ensejaram o lançamento fiscal, dado que tanto do titular  nominal  Luiz  Fernando  Silva  Baú,  sócio  da  empresa,  como  a  empresa  foram  intimados  e  reintimados  previamente  e  dessa  Fl. 813DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 19          18 forma  lhes  foi  oferecida  a  oportunidade  de  se  defenderem  e  apresentarem  provas  que  evitariam  a  autuação.  Porém  não  o  fizeram e tampouco o fazem na impugnação apresentada.  63.  Da  mesma  forma  foi  a  empresa  intimada  de  que  os  depósitos/créditos na  conta Bradesco agência 089,  c/c 39546­3  cuja titularidade nominal é do seu sócio, na realidade se referem  a  recursos  da  empresa  e  como  tal,  não  justificados,  seriam  objeto  de  lançamento  fiscal,  por  presunção  legal  de  receita  omitida, dado que não escriturados e não declarados à RFB.  2.2 Comprovação de  que os  valores  creditados/depositados na  conta  Bradesco  agência  089,  c/c  39546­3,  de  titularidade  de  Luiz Fernando Silva Baú, pertencem à empresa.  64.  Como  descrito,  Luiz  Fernando  Silva  Baú  não  apresentou  qualquer  justificativa  para  os  créditos/depósitos  recebidos  na  conta  bancária  de  sua  titularidade;  intimado  e  reintimado  a  apresentar cópias de comprovantes de pagamento a partir dessa  conta, não os entregou e a fiscalização os requisitou diretamente  às  instituições  financeiras,  por meio  de  RMF;  dos  pagamentos  identificados  foi  escolhida  uma  amostragem,  tendo  sido  as  empresas intimadas a explicar os pagamentos que receberam de  Luiz Fernando Silva Baú; às págs 419/420, estão tabulados tais  documentos.  65.  A  Mercedes­Benz  do  Brasil  Ltda  entregou,  págs.  250/258,  documentos  comprobatórios  de  aquisição  de  caminhão  trator  modelo ano 2008, Nota Fiscal 15217225 de 16/06/2008, pela 5  Estrelas  Transportes  Rodoviários  Ltda,  no  valor  de  duas  parcelas de R$ 81.200,00 e R$ 243.600,00, pagas em 17/06/2008  (Dep  Identific Dinheiro no Bradesco, do qual R$ 31.210,00  foi  sob  a  forma  do  cheque  Bradesco  emitido  por  Luiz  Fernando  Silva Baú nessa mesma data, nominal à Mercedes Benz do Brasil  Ltda)  e  28/08/2008  (Oper  de  Credito),  respectivamente,  págs.  250/258.  66. A Librelato Implementos Agrícolas e Rodoviários Ltda, págs.  259/280,  recebeu  adiantamentos  pagos  em  cheques  da  conta  Bradesco  agência  089,  c/c  39546­3,  de  titularidade  de  Luiz  Fernando  Silva  Baú,  cheques  n°  350  ­  R$  4.000,00  de  23/11/2007,  n°  351  ­  R$  4.999,00  de  26/11/2007,  n°  352  ­  R$  4.999,00 de 23/11/2007, n° 362 ­ 28/04/2008 conforme as cópias  dos  cheques  às  págs.  273/280,  para  aquisição  de  implementos  rodoviários  (Semi Reboque Bitrem) pela 5 Estrelas Transportes  Rodoviários  Ltda,  posteriormente  objetos  de  diversas  notas  fiscais de venda, tendo sido o saldo financiado pelo BNDES.  67.  A  P.B.Lopes  &  Cia  Ltda  encaminhou  documentos,  págs.  281/331,  comprovando  venda  de  veículos  à  5  Estrelas  Transportes Rodoviários Ltda e valores recebidos como entrada  (tendo sido os saldos  financiados pelo Finame) e constam duas  cópias de cheques:  a.  Pág.  328/329,  no  valor  de R$  118.300,00,  emitido  da  conta Bradesco agência 089, c/c 39.546­3, de titularidade  Fl. 814DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 20          19 de Luiz Fernando Silva Baú, depositado na conta da P.B  Lopes em 31/01/2008, pág. 298, data da emissão da Nota  Fiscal  de  venda  de  veículo  no  valor  total  de  R$  338.000,00  para  a  5  Estrelas  Transportes  Rodoviários  Ltda, sendo R$ 118.000,00 a cargo do cliente e o restante  Finame, págs. 296/297;  b. Pág. 330, no valor de R$ 50.000,00, emitido da conta  Bradesco  agência  089,  c/c  39546­3,  de  titularidade  de  Luiz  Fernando  Silva  Baú,  depositado  na  conta  da  P.B  Lopes  em  20/08/2008,  pág.  307,  e  da  Nota  Fiscal  de  venda de veículo no valor total de R$ 375.000,00 para a 5  Estrelas  Transportes  Rodoviários  Ltda,  emitida  em  21/08/2008,  sendo  R$  75.000,00  a  cargo  do  cliente  e  o  restante Finame, págs. 204/305.  68. O Posto Lavoura Ltda, págs. 332/383, informou ter vendido  combustíveis para a 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda e  para  a  pessoa  física  de  Luiz  Fernando  Silva  Baú;  anexou  Históricos de Cheques de pagamentos recebidos da empresa e de  Luiz  Fernando  Silva  Baú;  constam  cópias  de  cheque  de  R$  1.171,00 de 01/01/2006, R$ 1.067,49 de 04/02/2006, 1.138,00 de  13/05/200,  R$  1.200,00  de  24/06/2006,  R$  1.103,00  de  06/10/2006,  R$  1.098,00  de  22/12/2006,  R$  1.153,00  de  26/02/2007, nominais ao Posto Lavoura Ltda da conta Bradesco  agência 089, c/c 39546­3, de titularidade de Luiz Fernando Silva  Baú,  págs.  337/338,  342/353,  356/357,  361/362,  371/372,  376/377.  69.  Anexo  à  impugnação  foi  apresentado  Contrato  de  Mútuo  entre  o  sócio  e  a  empresa,  págs.  525/526,  assinado  por  Luiz  Fernando Silva Baú,  tanto como mutuante  (sócio pessoa  física)  como representante da empresa (sócio administrador da Pessoa  jurídica);  consta  carimbo  de  reconhecimento  da  sua  firma  datado  de  12/07/2005,  contudo,  não  está  declarado  qualquer  empréstimo  à  empresa  nas  Declarações  apresentadas  pela  pessoa  física  do  sócio,  págs.  696/713;  as  condições  pactuadas  são  de  que  o  sócio  coloca  à  disposição  da  empresa,  por  36  meses, limite de crédito de R$ 1.000.000,00, com juros segundo  do  Código  Civil;  porém  não  foi  anexado  qualquer  registro  contábil  dos  alegados  empréstimos,  dos  pagamentos  ou  dos  juros; cabe destacar que o autuante examinou a contabilidade e  não encontrou registros referentes a movimentações bancárias e  tampouco relativos ao Mútuo.  70.  Também,  verificou­se  dos  registros  da  RFB  de  págs.  693/695,  que  Luiz  Fernando  Silva  Baú  só  teve  como  fonte  de  rendimentos:  a  empresa  para  os  anos  de  2006  e  2007;  e  a  empresa  e  VGBL  no  valor  de  R$  2.893,02,  no  ano,  em  2008;  informou em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física  no ano­calendário 2005, Bens e Direitos  (Patrimônio) no valor  de  R$  253.415,88  e  no  ano  de  2006,  R$  260.940,12  e  R$  278.354,21 em 2007, portanto, não dispunha desses recursos.  Fl. 815DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 21          20 71.  Intimado  a  justificar  o  ingresso  dos  recursos  nessa  conta,  silenciou; se lhe pertencessem, haveria alguma justificativa.  72. Assim, sem dúvida se configura, dada a ausência de fontes de  renda alternativas de Luiz Fernando Silva Baú a justificarem a  origem  dos  recursos  depositados  nessa  conta  corrente  de  sua  titularidade  e  da  qual  saíram  recursos  para  pagar  contas  da  empresa, que os recebimentos nessa conta se referiam a receitas  de  prestação  de  serviços  de  transporte  pela  5  Estrelas  Transportes Rodoviários Ltda.  73. A empresa autuada também, de certa forma, admite ser parte  na  conta  corrente de  titularidade do  seu sócio,  ao  reclamar na  impugnação  que  deveria  ter  sido  intimada  dos  valores  movimentados  ou  das  “suas”  despesas  pagas  pelo  sócio  Luiz  Fernando  da  Silva  Baú,  pois  todos  os  co­titulares  da  conta  devem ser intimados, conforme dispõe o art. 42 da Lei n° 9.430,  de 1996:  Art. 42. Caracterizam­se também omissão de receita ou de  rendimento os valores creditados em conta de depósito ou  de investimento mantida junto a instituição financeira, em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados nessas operações.   (...)  § 5º Quando provado que os valores creditados na conta  de  depósito  ou  de  investimento  pertencem  a  terceiro,  evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo  titular  da  conta  de  depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n° 10.637,  de 2002)  § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento  mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou  de informações dos titulares tenham sido apresentadas em  separado,  e  não  havendo  comprovação  da  origem  dos  recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos  ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão  entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade  de titulares.(Incluído pela Lein° 10.637, de 2002)  74. Como já descrito, não prospera a argumentação de que nem  todos os “co­titulares” das contas foram intimados, já que tanto  o sócio como a empresa o foram.  75.  Dessa  forma,  correto  o  entendimento  de  que  os  recursos  pertencem  à  empresa,  e  a  autuação  lavrada,  referente  à  conta  Bradesco  agência  089,  c/c  39546­3,  nominalmente  de  titularidade  de  Luiz  Fernando  Silva  Baú,  em  nome  do  efetivo  titular que é a empresa.  Fl. 816DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 22          21 (grifos acrescidos)  O  conjunto  dos  fatos  narrados  deixa  bastante  evidente  que  não  procede  qualquer  alegação  de  cerceamento  do  direito  de  defesa.  Vê­se  que  a  Fiscalização  realizou  várias  intimações,  tanto  para  a  empresa,  quanto  para  o  seu  principal  sócio,  na  busca  de  esclarecimentos, e os interessados colaboraram muito pouco nesse sentido.  Ainda  assim,  a  Fiscalização  colheu  várias  informações  que  não  deixam  dúvidas de que a conta bancária 39546­3 movimentava na verdade recursos da empresa.  Mesmo  no  caso  dos  pagamentos  de  combustível  em  que  é  o  sócio  que  aparece  como  cliente  do  Posto  Lavoura,  o  tipo  de  combustível  (óleo  diesel)  e  a  quantidade  adquirida em cada abastecimento, que gira em torno de 500 litros, demonstram que se tratava  de despesas operacionais da empresa transportadora e não da pessoa física do sócio.   Não  foi  comprovada  a  origem  dos  depósitos  bancários  na  referida  conta,  e  nem na conta bancária da própria empresa, de nº 39.957­4, ambas do Banco Bradesco, o que  ensejou a aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996.  Nesse  ponto,  é  importante  ressaltar  que  não  houve  negativa  do  direito  ao  silêncio, como alega a Recorrente. O fato é que o art. 42 da Lei 9.430/1996 impõem um ônus  ao Contribuinte, de comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, e a  ausência dessa comprovação enseja a presunção legal de omissão de receitas.   No caso, também não cabe ao CARF examinar as críticas dirigidas à criação  de normas que prevêem presunções legais de omissão de receita (entre elas, a prevista no art.  42 da Lei 9.430/1996), em razão da já citada Súmula CARF nº 2.  A  Contribuinte,  embora  tenha  tentado  justificar  o  não  atendimento  das  intimações,  invocando para isso o direito ao silêncio, alega que as  intimações foram omissas  quanto a vários valores, e que estes deveriam ter sido intimados para esclarecimentos, o que já  indica uma contradição de sua parte.   De  qualquer  forma,  a  decisão  recorrida  examinou  também  esse  ponto,  esclarecendo  que  não  houve  nenhuma  omissão  de  valores  nas  intimações,  eis  que  a  comprovação de origem só é solicitada para os valores que ingressam na conta bancária:  [...]  2.3 Intimações Omissas de depósitos relacionados à pág. 513.  76.  Relaciona  cheques  de  pagamentos  ao  Posto  Lavoura  Ltda,  emitidos a partir da conta de titularidade de Luiz Fernando silva  Baú, listado a seguir, acusando que são valores que compõem a  autuação em relação aos quais não houve intimação:  [...]  77.  Tratando­se  dos  pagamentos,  ou  seja,  saídas  de  recursos,  não foram objetos de autuação por omissão de receitas.  78.  No  entanto,  foram  intimados  e  reintimados,  tanto  o  sócio  como a  empresa, quanto aos  valores depositados/creditados na  conta Bradesco  de  titularidade  do  primeiro,  que  a  fiscalização  Fl. 817DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 23          22 concluiu  ser,  na  realidade,  pertencente  à  empresa  (Bradesco  agê. 089 c/c 39546­3); e a empresa em relação aos depósitos em  conta  corrente  de  sua  própria  titularidade  (Bradesco  agê.  089  c/c  39957­4)  e  alertados  ambos  da  conclusão  fiscal  acerca  da  real  titularidade  dessa  conta  e  de  que,  não  justificados  os  recebimentos, seriam considerados receita omitida.  Também é preciso  registrar que o  fato de a Autoridade Fiscal,  em uma das  intimações dirigidas à empresa, ter se referido à conta da empresa como sendo de nº 39546­3, e  não nº 39957­4, em nada prejudicou o direito de defesa da Contribuinte.   Com  efeito,  não  houve  nenhuma  dúvida  de  que  os  depósitos  bancários  relacionados  na  planilha  anexa  à  intimação  referiam­se  à  conta  da  empresa.  A Contribuinte  inclusive  comprovou  a  origem  de  alguns  valores  que  foram  depositados  na  referida  conta  bancária (fls. 211).   Posteriormente,  as  intimações  dirigidas  à  empresa,  mas  tratando  dos  depósitos bancários na conta do sócio, também não deixavam nenhuma margem para dúvidas  quanto  ao  objeto  da  intimação,  eis  que  registravam explicitamente  que  se  tratava  de  valores  depositados  na  conta  do  sócio,  apresentando  inclusive  o  motivo  pelo  qual  esses  valores  estavam sendo atribuídos à empresa.  Quanto  à  aplicação  da  multa  de  150%,  adoto  os  mesmos  fundamentos  da  decisão recorrida, os quais não foram refutados pela Recorrente:  [...]  2.7 Multa de ofício qualificada. 150%.  105. Invoca Súmula n° 14 do CARF no sentido de que a simples  apuração  de  omissão  de  receitas  por  si  só  não  autoriza  a  qualificação  da  multa,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente intuito de fraude do sujeito passivo, o que não teria sido  comprovado.  106. Nos tópicos “4. Multa qualificada”, o autuante explica que,  tendo em vista que os procedimentos adotados pela contribuinte  de se utilizar de conta corrente mantida à margem de sua escrita  contábil, com o objetivo de não oferecer as referidas receitas à  tributação,  (cabe  aqui  lembrar  que  se  tratam  de  duas  contas  bancárias autuadas, uma de titularidade da empresa e outra do  seu  sócio,  a  qual  a  fiscalização  concluiu  ser  na  realidade  da  empresa) caracterizam intenção fraudulenta de omitir receitas e  diminuir o resultado tributável e, portanto, ensejam a aplicação  de multa qualificada de 150%, conforme dispõe do art 44, inciso  I  e  §  1°  da  Lei  9.430,  de  1996,  e  da  Lei  n°  4.502,  de  30  de  novembro de 1964:  Art  .  71.  Sonegação  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento por parte da autoridade fazendária:  I­ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  Fl. 818DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 24          23 II­ das condições pessoais de contribuinte,  suscetíveis de  afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário correspondente.  Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou  retardar,  total ou parcialmente, a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir ou modificar as suas características essenciais, de  modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar  ou diferir o seu pagamento.  Art  .  73.  Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou  mais  pessoas  naturais  ou  jurídicas,  visando  qualquer  dos  efeitos referidos nos arts. 71 e 72.   Art.  74.  Apurando­se,  no  mesmo  processo,  a  prática  de  duas  ou  mais  infrações  pela  mesma  pessoa  natural  ou  jurídica,  aplicam­se  cumulativamente,  no  grau  correspondente,  as  penas  a  elas  cominadas,  se  as  infrações  não  forem  idênticas  ou  quando  ocorrerem  as  hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo.   § 1° Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas  fixas,  previstas  no  art.  84,  aplica­se,  no  grau  correspondente,  a  pena  cominada  a  uma  delas,  aumentada  de  10%  (dez  por  cento)  para  cada  repetição  da  falta,  consideradas,  em  conjunto,  as  circunstâncias  qualificativas  e agravantes,  como  se  de  uma  só  infração  se tratasse. (Vide Decreto­Lei n° 34, de 1966) (Grifou­se.)  107.  As  conclusões  deste  voto  são  de  que  a  empresa  sonegou  receitas,  ou  seja,  ao  declarar  a  menor  que  a  receita  bruta  realmente  auferida,  sistematicamente,  em  períodos  repetidos,  não  contabilizando  a  conta  bancária  de  sua  titularidade  e  movimentando  recursos  em  conta  bancária  no  nome  do  seu  sócio, o que evidencia a intenção dolosa da litigante de impedir  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  sua natureza ou circunstâncias materiais.  108.  Verifica­se  que  a  sonegação  se  caracteriza  em  razão  de  uma  ação  ou  omissão,  de  uma  simulação  ou  ocultação,  e  pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública,  num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou  retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito  de  sonegação  seja  amplo,  deve  sempre  estar  caracterizada  a  presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de  causar  dano  à  fazenda  pública,  onde,  utilizando­se  de  subterfúgios  escamoteia­se  ocorrência  do  fato  gerador  ou  retarda­se  o  seu  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação,  que a diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da  simples  omissão  de  rendimentos  na  declaração  de  ajuste,  seja  ela pelos mais variados motivos que se aleguem.  Fl. 819DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720329/2011­11  Acórdão n.º 1802­002.273  S1­TE02  Fl. 25          24 109.  Havendo  fraude  e  dolo,  correto  o  lançamento  da  multa  qualificada de 150%.  Caracterizada  a  ocorrência  de  dolo/fraude,  a  contagem  da  decadência  se  desloca do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, para o art. 173, I, do mesmo diploma.  A ciência do lançamento ocorreu em 08/07/2011, e o fato gerador mais antigo  da autuação é de 31/01/2006.   Pela  regra do art. 173,  I,  a contagem da decadência para o  referido período  inicia  em 01/01/2007 e  finda  em 01/01/2012. Vê­se,  portanto,  que o  lançamento ocorreu  em  tempo hábil para todos os períodos, e a preliminar de decadência deve ser rejeitada.  Quanto à aplicação da taxa Selic, a matéria já está sumulada no CARF:  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Vale aqui citar novamente a Súmula CARF nº 2  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas, e,  no mérito, negar provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa                                 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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Numero do processo: 16151.000068/2008-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98). DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Inexistindo nos autos o termo que intimou o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento, a apresentação de recibos médicos é suficiente à comprovação de despesas médicas deduzidas na declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas no valor total de R$ 27.350,00. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16151.000068/2008­61  Acórdão n.º 2801­003.694  S2­TE01  Fl. 262          2 Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.  Relatório  Trata­se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa  Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 50.398,94, incluídos  multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.  Consta  da  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal”,  às  fls.  7/8  deste  processo  digital,  que  foi  constatada,  na  declaração  de  ajuste  anual  do  contribuinte,  dedução  indevida de despesas médicas e dedução indevida de pensão alimentícia judicial.  O  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  2/4  deste  processo  digital,  que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 111/114, assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF   Exercício: 2004   DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.  São dedutíveis na declaração de ajuste anual a titulo de despesas  com  médicos  e  planos  de  saúde,  os  pagamentos,  devidamente  comprovados.  PENSÃO ALIMENTÍCIA.  A  pensão  alimentícia  pode  ser  deduzida  pelo  alimentante  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda,  na  declaração  anual  de  ajuste,  quando  realizadas  em  virtude  de  cumprimento  de  decisão  judicial  ou  acordo  homologado  judicialmente.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  02/05/2013  (fl.  118),  o  Interessado interpôs, em 31/05/2013, o recurso de fls. 123/140, acompanhado dos documentos  de fls. 141/258. Na peça recursal alega, em síntese, que:  Pensão Alimentícia  ­ Com a  entrada  em vigor  da Lei  nº  11.441,  de  04.01.2007,  possibilitou­se  que  na  condição  de  inexistência  de  filhos menores  ou  incapazes  o  casal,  agindo  de  comum  acordo, poderia realizar a separação ou divórcio, bem como todos os atos inerentes por meio de  escritura pública (art. 1.124­A do Código de Processo Civil – CPC).  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16151.000068/2008­61  Acórdão n.º 2801­003.694  S2­TE01  Fl. 263          3 ­ Com a  alteração  trazida pelo CPC, que permitiu  a  separação e o divórcio  consensual  por  meio  de  escritura  pública  ou  dos  demais  atos  a  estes  atrelados  sem  a  intervenção  de  um  juiz,  o  pagamento  da  pensão  alimentar  vincular­se­ia  a  este  documento  público, ocasionando dúvida sobre a possibilidade de dedução das pensões alimentícias fixadas  por esta nova modalidade não alcançada pela  interpretação  literal da  redação original do art.  8o, II, "f" da Lei n° 9.250/1995.   ­ Objetivando por fim ao debate sobre a possibilidade de dedução dos valores  pagos  a  título  de  pensão  alimentícia  com  base  em  escritura  pública  editou­se  a  Lei  nº  11.727/2008, para alterar a redação dos art. 4º, II e 8º, II, "f", ambos da Lei 9.250/1995, cujos  dispositivos passaram a prever a dedução de pensões alimentícias fixadas por meio de escritura  pública  na  forma  do  art.  1.124­A  da  Lei  n°  5.869/1973,  como  ocorrido  in  casu,  conforme  comprova a  escritura ora  acostada aos  autos,  que por um equivoco deixou de  ser  juntada na  Impugnação da Recorrente.  ­ O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF vem considerando,  para fins de análise das deduções de pensão alimentícia, a redação atual dos art. 4º, II e 8º, II,  "f",  da Lei  nº  9.250/1995. Demais  disso,  o  próprio CARF  admite o  caráter  interpretativo  da  norma.  ­ Compulsando a escritura de retificação e ratificação devidamente registrada  no 18° Tabelionato de Notas,  verifica­se que  em comum acordo as partes  resolveram alterar  cláusula do formal de separação, quanto ao pagamento de pensão alimentícia para a ex­esposa  do Recorrente. O referido documento somente foi formalizado no ano de 2007, eis que apenas  naquele ano, com o advento da Lei n° 11.441/2007, se possibilitou formalizar tal alteração sem  o penoso e custoso uso da via judicial.  ­ Na  escritura  há  evidente  retratação  da  renúncia  do  direito  à  percepção  de  pensão,  a  partir  do momento  em  que  a  ex­esposa  passou  a  receber  tais  valores  (meados  de  1994),  vindo  a  alimentada  a  declarar  inclusive  rasa  e  irrevogável  quitação  de  todas  as  obrigações  vencidas  até  aquela  data,  que  comprova  o  efetivo  pagamento  das  pensões  alimentícias devidas, abarcando  inclusive as objeto da presente discussão  relativas ao ano de  2003.  Despesas Médicas  Dra. Maria Gemma Camargo de Assis  ­  Existindo  a  comprovação  dos  gastos  médicos,  ainda  que  descumprida  alguma  das  formalidades  previstas  no  §  2°  do  art.  8o  da  Lei  nº  9.250/1995,  poderá  o  contribuinte deduzir tais gastos da base de cálculo do seu imposto de renda.  ­ Da simples análise dos documentos acostados aos autos, verifica­se que são  suficientes para comprovar a viabilidade das despesas deduzidas na declaração do contribuinte.  Isto porque, muito embora os recibos apresentados encontrem­se desprovidos de formalidades  tais como as apontadas na decisão recorrida, estas certamente são suprimidas pela declaração  feita de próprio punho assinada e carimbada pelo profissional prestador dos serviços médicos  em referência.  ­ Para que não pairem dúvidas do  efetivo pagamento das despesas médicas  deduzidas,  o  Recorrente  junta  aos  autos  extrato  bancário  de  sua  conta  corrente  relativo  ao  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16151.000068/2008­61  Acórdão n.º 2801­003.694  S2­TE01  Fl. 264          4 período da Declaração, que comprova o pagamento de seis das oito parcelas dos valores pagos  ao profissional médico em referência.  ­ Em relação aos valores pagos em espécie é praticamente impossível para o  contribuinte  produzir  provas  além  daquelas  ora  acostadas  aos  autos  (recibos  de  pagamento,  declaração do profissional da área médica de que recebeu os valores pagos) para comprovação  do pagamento.  Dr. Richard Chetmob Carasso  ­ Ao contrário do que afirma a decisão recorrida, o caso em tela apresenta os  requisitos necessários para dedução dos gastos médicos realizados pelo Recorrente, conforme  comprovam  os  documentos  acostados  ao  processo  consistentes  nos  recibos  dos  pagamentos  realizados ao profissional médico a título de honorários profissionais.  ­  Existindo  a  comprovação  dos  gastos  médicos,  ainda  que  descumprida  alguma  das  formalidades  previstas  no  §  2°  do  art.  8o  da  Lei  nº  9.250/1995,  poderá  o  contribuinte deduzir tais gastos da base de cálculo do seu imposto de renda.  ­ Ainda que por um descuido de preenchimento o profissional em destaque  tenha deixado de identificar o Recorrente como beneficiário dos serviços médicos, tal fato não  significa que os serviços não tenham sido prestados ao Recorrente e muito menos que este não  tenha  realizado  o  pagamento  por  tais  serviços.  Por  um  descuido  o  Recorrente  deixou  de  apresentar  na  sua  defesa  inicial  o  comprovante  de  pagamento  dos  serviços  médicos  a  ele  prestados.  ­ Para que não pairem dúvidas quanto às despesas com a referida prestação de  serviços,  o  Recorrente  junta  aos  autos  extrato  bancário  de  sua  conta  corrente  relativo  ao  período da Declaração, que comprova o pagamento de oito das dez parcelas dos valores pagos  ao profissional médico em referência.  ­ Quanto aos valores pagos em espécie,  torna­se  impossível a comprovação  do pagamento senão pela apresentação dos recibos médicos juntados aos autos, que novamente  se  destaca  serem  suficientes  para  comprovar  as  deduções  erroneamente  glosadas  pela  Recorrida.  Pedido  ­  Ao  final,  requer  seja  o  presente  Recurso  Voluntário  integralmente  conhecido  e  provido,  a  fim  de  reformar  a  decisão  recorrida,  para  fins  de  se  admitir  como  corretas as deduções realizadas pelo Recorrente na sua declaração do exercício de 2004, ano­ base de 2003, bem como reconhecida a  total  improcedência do  lançamento  tributário, o qual  deverá ser cancelado.  Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16151.000068/2008­61  Acórdão n.º 2801­003.694  S2­TE01  Fl. 265          5 As folhas citadas neste voto referem­se à numeração do processo digital, que  difere da numeração de folhas do processo físico.  Cinge­se a controvérsia à glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, no  valor de R$ 85.064,51, e de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 40.710,48.  Pensão alimentícia  Observo, inicialmente, que na peça impugnatória o Interessado havia alegado  que “a pensão alimentar é devida por força da sentença judicial proferida pelo MM. Juiz de  Direito  da  E.  4ª  Vara  da  Família  e  das  Sucessões  da  Comarca  da  Capital  (proc.  250/82),  conforme a inclusa cópia da carta de sentença ou formal de partilha (doc. 3)”.  Ocorre que na petição de separação consensual que foi apresentada ao MM.  Juiz de Direito da 4ª Vara da Família não consta qualquer cláusula que determine o pagamento  de pensão alimentícia à ex­cônjuge do Recorrente. Pelo contrário: no item 10 da petição, à fl.  40,  “a mulher  dispensa  a  pensão  do marido”  expressamente,  o  que  significa  dizer  que  não  houve  homologação,  por  sentença,  no  bojo  do  processo  250/1982,  de  determinação  de  pagamento de pensão alimentícia à ex­esposa do Interessado.  Pretende o Recorrente,  agora,  nesta  fase  recursal,  que  a dedução de pensão  alimentícia do ano­calendário de 2003 seja restabelecida com base na “Escritura de Retificação  e Ratificação” lavrada no 19º Tabelionato de Notas de São Paulo em 21/12/2007 (fls. 149/150),  aduzindo  que  a  Lei  nº  9.250/1995  foi  alterada  e  passou  a  prever  a  dedução  de  pensão  alimentícia  fixada  por meio  de  escritura  pública  na  forma  do  art.  1.124­A  do  CPC.  Alega,  ademais, que o CARF vem admitindo o caráter interpretativo da norma.  A pretensão do Interessado não merece acolhida por três motivos.  A  um,  porque  “o  lançamento  reporta­se  à  data  da  ocorrência  do  fato  gerador da obrigação e rege­se pela  lei então vigente, ainda que posteriormente modificada  ou revogada” (CTN, art. 144).   Significa dizer que, em relação à parte substancial, vale dizer, aos elementos  intrínsecos  da  hipótese  de  incidência  (aspecto  material  =  identificação  do  fato  gerador  e  determinação  da  matéria  tributável,  aspecto  quantitativo  =  cálculo  do  montante  do  tributo  devido  ­  base  de  cálculo  e  alíquota  ­  e  aspecto  pessoal  passivo  =  identificação  do  sujeito  passivo) aplica­se ao lançamento a lei em vigor na data em que se consumou a ocorrência do  fato gerador da respectiva obrigação.  A  dedução  de  pensão  alimentícia  está  ligada  diretamente  ao  aspecto  quantitativo da hipótese de incidência, porquanto reduz a base de cálculo do imposto sobre a  renda da pessoa física, de modo que descabe a aplicação retroativa da alínea “f” do inciso II do  art. 8º da Lei nº 9.250/1995, na redação dada pela Lei nº 11.727/2008, em face do disposto no  art. 144 do CTN.  A dois, porque a alteração legislativa referida não pode ser confundida com  lei interpretativa, haja vista que a função desta é esclarecer dúvida revelada a partir da leitura  do dispositivo alterado.  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16151.000068/2008­61  Acórdão n.º 2801­003.694  S2­TE01  Fl. 266          6 Antes  da  alteração  promovida  pela  Lei  nº  11.727/2008  não  havia  nenhuma  dúvida em relação à norma prevista na alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250/1995,  cuja redação não permitia outra  interpretação que não fosse a dedução de pensão alimentícia  tão somente quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente,  até porque inexistia a previsão de divórcio por escritura pública.  A  três, em face do  teor da Súmula CARF nº 98, de observância obrigatória  pelos julgadores deste Conselho, assim descrita:  Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base  de cálculo do  Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em  face  das  normas  do Direito  de Família,  quando  comprovado  o  seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial,  de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28  de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor  da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.  Assim,  a  dedução  de  pensão  alimentícia  da  base  de  cálculo  do  IRPF  está  condicionada  à  comprovação  de  dois  requisitos:  a)  o  efetivo  pagamento;  e  b)  a  obrigação  decorrer de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública que  especifique o valor da obrigação, neste último caso, a partir de 28/03/2008.   Registro, ainda, por oportuno, que a Notificação foi lavrada em 03/09/2007 e  o  Interessado  cientificado  do  lançamento  em  22/09/2007.  Por  outro  lado,  a  “Escritura  de  Retificação e Ratificação” foi lavrada em 21/12/2007, o que implica dizer que o Interessado já  não contava mais com o benefício da espontaneidade.  Merece  transcrição,  por  interessante,  o  seguinte  excerto  da  intitulada  “Escritura de Retificação e Ratificação” (fls. 149/150):  E,  pelos  outorgantes  e  reciprocamente  outorgados,  assistidos  por seu advogado acima qualificado, me foi dito: ­  I) que, pela  presente e na melhor forma de direito, de pleno e mútuo acordo,  sem qualquer induzimento, sugestão ou coação, retificam, como  de  fato  retificado  tem,  a  forma  de  pagamento  da  pensão  alimentar  prevista  no  item  “10”  da  Carta  de  Sentença  ou  Formal  de Partilha  expedido  pelo  (...),  no Processo  nº  250/82,  transitada em julgado no dia 03 de março de 1982, passando o  item  “10”  a  ter  a  seguinte  redação:  “10”  –  a  mulher,  Maria  Luiza  Maida,  passou  a  receber,  desde  o  ano  de  1994,  pensão  alimentar,  no  valor equivalente a 35.236,30 UFIR’s  (ANUAIS),  reajustada  mensalmente,  com  base  na  variação  do  Índice  da  Caderneta  de  Poupança;  o  quantum  dessa  pensão  atualizado,  corresponde hoje à importância de R$ 10.514,89 (...).   À  evidência,  a  tentativa  do Recorrente  não  tem  o  condão  de  elidir  a  glosa  perpetrada  pela  Autoridade  lançadora,  se  mostrando,  em  meu  entendimento,  infrutífera,  porquanto  realizada  após  a  ciência  da  notificação.  Demais  disso,  não  se  concebe  que  uma  decisão  judicial  possa  ser  retificada  por  “Escritura  de Retificação  e Ratificação”  lavrada  em  Tabelionato de Notas.   Por  todo  o  exposto,  entendo  que  deve  ser  mantida  a  glosa  de  pensão  alimentícia  por  falta  de  um  dos  requisitos  necessários  à  dedução,  qual  seja,  a  obrigação  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16151.000068/2008­61  Acórdão n.º 2801­003.694  S2­TE01  Fl. 267          7 decorrer de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública que  especifique o valor da obrigação, neste último caso, a partir de 28/03/2008.  Despesas médicas  Dra. Maria Gemma Camargo de Assis e Dr. Richard Chetmob Carasso  Extrai­se  da  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal”,  à  fl.  7,  que  a  glosa  da  dedução  de  despesas médicas  com  os  profissionais  em  destaque  foi motivada  pela  falta de comprovação do efetivo pagamento. Por outro lado, não consta dos autos a intimação  que  solicitou  ao  contribuinte  a  efetuar  a  mencionada  comprovação.  O  único  Termo  de  Intimação  Fiscal  –  TIF  acostado  aos  autos  (fl.  11)  evidencia  que  o  Interessado  apenas  foi  intimado a apresentar os comprovantes originais e cópias das despesas médicas.   Em  processos  de  minha  relatoria  tenho  votado  no  sentido  de  negar  provimento a recursos em que foram glosadas despesas médicas por falta de comprovação do  efetivo  pagamento,  desde  que  o  contribuinte  tenha  sido  intimado  para  tanto,  e  de  dar  provimento a recursos quando não há provas da referida intimação.  Meu entendimento se baseia no fato de que a Administração Tributária pode  exigir  que  o  contribuinte  comprove  o  efetivo  pagamento  das  despesas  médicas  realizadas  quando  a  Autoridade  fiscal  assim  entender  necessário,  na  linha  do  disposto  no  art.  73  do  Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de  1999, cujo teor é o seguinte:  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  n°  5.844, de 1943, art. 11, § 3°).  Observo, no entanto, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um  ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo,  isto é, de um documento no qual  está  expressa  a  pretensão  da  Administração,  de  modo  que  o  sujeito  passivo  tenha  prévio  conhecimento  daquilo  que  o  Fisco  está  a  exigir,  proporcionando­lhe,  antecipadamente  à  constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.   Inexistindo  nos  autos  o  termo  que  intimou  o  contribuinte  a  comprovar  o  efetivo  pagamento,  entendo  que  a  apresentação  de  recibos  médicos,  corroborada  pela  apresentação de declaração da profissional de saúde que emitiu os recibos (Dra. Maria Gemma  Camargo  de  Assis),  bem  como  dos  recibos  médicos  emitidos  pelo  Dr.  Richard  Chetmob  Carasso, é suficiente à comprovação das despesas médicas com os referidos profissionais e que  foram deduzidas na declaração de ajuste anual.  Nesse contexto, sou pelo restabelecimento da dedução das despesas médicas  realizadas com a profissional Dra. Maria Gemma Camargo de Assis, no valor de R$ 7.380,00,  e  com  o  profissional  Dr.  Richard  Chetmob  Carasso,  no  valor  de  R$  19.970,00,  em  face  da  apresentação, respectivamente, dos recibos de fls. 85/87 e da declaração de fl. 84 e dos recibos  de fls. 100/103.  Anoto, por fim, que a afirmação contida na decisão de piso no sentido de que  o Recorrente  foi  intimado a  comprovar o  efetivo pagamento das despesas  realizadas  com os  profissionais Dra. Maria Gemma Camargo de Assis e Dr. Richard Chetmob Carasso se mostra  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16151.000068/2008­61  Acórdão n.º 2801­003.694  S2­TE01  Fl. 268          8 em desarmonia  com os documentos  carreados  aos  autos,  em  face da  inexistência do  suposto  Termo de  Intimação Fiscal que  intimou o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das  despesas citadas.  Conclusão  Pelo  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  restabelecer  dedução de despesas médicas no valor total de R$ 27.350,00 (R$ 7.380,00 + 19.970,00).   Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida                                Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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Numero do processo: 14751.000565/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006, 2007 TRIBUTO NÃO INDICADO EM MPF. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Verificada a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, é dever da autoridade fiscal realizar o devido lançamento, conforme art. 142, do CTN. Não ocorre cerceamento de defesa quando, após o término da fiscalização, a autoridade fiscal efetuar lançamento de tributo não especificado em MPF, desde que se relacione com os fatos observados. BASE DE CÁLCULO, IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. Não se aplica o disposto no art. 7º da Lei n.º 9.718/98 e art. 10 da Lei n.º 10.833/2003 ao cálculo da base de cálculo de IRPJ e CSLL. COMPENSAÇÃO. IRRF. NÃO COMPROVAÇÃO. Para que se proceda à compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte é necessária prova hábil da retenção.
Numero da decisão: 1302-001.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Ausente o Conselheiro HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006, 2007 TRIBUTO NÃO INDICADO EM MPF. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Verificada a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, é dever da autoridade fiscal realizar o devido lançamento, conforme art. 142, do CTN. Não ocorre cerceamento de defesa quando, após o término da fiscalização, a autoridade fiscal efetuar lançamento de tributo não especificado em MPF, desde que se relacione com os fatos observados. BASE DE CÁLCULO, IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. Não se aplica o disposto no art. 7º da Lei n.º 9.718/98 e art. 10 da Lei n.º 10.833/2003 ao cálculo da base de cálculo de IRPJ e CSLL. COMPENSAÇÃO. IRRF. NÃO COMPROVAÇÃO. Para que se proceda à compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte é necessária prova hábil da retenção.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 282          1 281  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14751.000565/2009­55  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.468  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de julho de 2014  Matéria  OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  SIMPLESTEC INFORMÁTICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2006, 2007  TRIBUTO  NÃO  INDICADO  EM MPF.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.  Verificada  a  ocorrência  de  fato  gerador  de  obrigação  tributária,  é  dever  da  autoridade fiscal realizar o devido lançamento, conforme art. 142, do CTN.  Não ocorre cerceamento de defesa quando, após o término da fiscalização, a  autoridade  fiscal  efetuar  lançamento  de  tributo  não  especificado  em MPF,  desde que se relacione com os fatos observados.  BASE DE CÁLCULO, IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO.  Não  se  aplica o  disposto  no  art.  7º  da Lei  n.º  9.718/98  e  art.  10  da Lei  n.º  10.833/2003 ao cálculo da base de cálculo de IRPJ e CSLL.  COMPENSAÇÃO. IRRF. NÃO COMPROVAÇÃO.  Para que se proceda à compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte é  necessária prova hábil da retenção.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento  ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.              AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 05 65 /2 00 9- 55 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     2     (assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  ALBERTO  PINTO  SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, MARCIO RODRIGO FRIZZO,  WALDIR  VEIGA  ROCHA,  GUILHERME  POLLASTRI  GOMES  DA  SILVA.  Ausente  o  Conselheiro HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO    Fl. 283DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000565/2009­55  Acórdão n.º 1302­001.468  S1­C3T2  Fl. 283          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário.  Na  origem  foi  lavrado  auto  de  infração  em  razão  da  suposta  omissão  de  receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 4.888.734,51) e  CSLL (R$ 1.794.179,19) (fl. 03/26).  Em  resumo,  o  AFRFB  convenceu­se  pela  ocorrência  dos  seguintes  fatos,  consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fls. 142/149):  i) Que foi constatado, através de consultas aos sistemas  internos da Receita  Federal,  que  os  valores  efetivamente  realizados  pelo  contribuinte  e  declarados em DIPJ, a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ),  divergiam daqueles declarados em DCTF.  ii) Que, então, a recorrente foi intimada através do Termo de Início de Ação  Fiscal  (fls.  27/28),  em  20/01/2009,  para  apresentar  sua  documentação  contábil  e  fiscal.  A  recorrente  atendeu  à  intimação,  apresentando  os  documentos exigidos pelo Fisco (fl. 29/56­71/100­121/141);  iii)  Que  o  principal  objeto  social  da  recorrente  é  a  prestação  de  serviços,  sendo que sua opção é pelo regime de tributação através do lucro presumido;  iv) Que segundo o art. 518, §1º, II, ‘a’, do RIR/99, para o caso de empresas  prestadoras  de  serviços  em geral,  a  apuração  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  é  determinada  pela  aplicação  do  percentual  de  32%  sobre  a  receita  bruta  auferida no período. As exceções legais não se aplicariam ao caso;  v) No mesmo sentido,  com fulcro na Lei n.º 10.684/03, art. 22, aplica­se o  percentual de 32% sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo da  CSLL;  vi)  Que,  com  base  nos  Balancetes  de  Verificação  apresentados,  os  quais  devem  espelhar  o  resultado  bruto  obtido,  elaborou­se  os  demonstrativos  denominados  de  Composição  de  Base  de  Cálculo  –  Apuração  Sintética  –  2006  e  2007  (fls.  57/58),  nos  quais  constam  detalhados  mensalmente  os  resultados do  faturamento da  recorrente nos períodos. Observou que para a  apuração do lucro presumido considerou a base trimestral;  vii) Que, encontrada a base de cálculo dos tributos (IRPJ e CSLL), aplicou as  alíquotas  legais  correspondentes  para  determinar  o  valor  da  obrigação  tributária devida pela recorrente, como detalhou nas planilhas de fls. 60/62;  viii)  Que,  portanto,  encontrou­se  diferenças  entre  os  valores  declarados/recolhidos e os valores apurados através da escrituração contábil  da  recorrente,  conforme  planilhas  (fls.  60/62),  realizando  o  lançamento  de  Fl. 284DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     4 ofício destas, nos termos do art. 841 e art. 845, ambos do RIR/99, por falta ou  insuficiência de recolhimento dos impostos (IRPJ e CSLL).  Encerrada  a  fiscalização,  a  recorrente  teve  ciência  do  auto  de  infração  em  01/04/2009 (fls. 06; 17). Na sequência, apresentou impugnação em 04/05/2009 (fl. 156/160), a  qual  foi  julgada  totalmente  improcedente,  nos  termos  da  ementa  do  acórdão  proferido  pela  Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 238/243):  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006,2007  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO  DIREITO DE DEFESA  Não  há  falar  em  cerceamento  de  defesa  durante  a  ação  fiscal,  posto  que  se  trata  de  fase  pré­processual  em  que  se  verifica  o  cumprimento das obrigações tributárias e, se for o caso, efetua­ se o lançamento do tributo devido.  RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.  O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos  somente  poderá  ser  compensado  se  o  contribuinte  possuir  comprovante  hábil  de  retenção  em  seu  nome  e  desde  que  seja  comprovada a inclusão das receitas correspondentes no cômputo  do lucro apurado.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.  Intimada  da  decisão  supratranscrita  em  28/03/2011  (fl.  247),  a  recorrente  apresentou, então, recurso voluntário em 27/04/2011 (fl. 249/252), no qual ventila as seguintes  razões, em resumo:   i) Que houve cerceamento do seu direito de defesa, pela  falta de menção à  fiscalização da CSLL no MPF que deu origem ao Termo de Inicio de Ação  Fiscal,  violando  o  art.  7º,  §1º,  da  Portaria  SRF  n.º  6.087/05.  Requereu  a  nulidade do auto de infração com fulcro no art. 59, II, do Dec. n.º 7.235/72 e  entendimento deste Conselho (Acórdão 101­94116);  ii) Que houve incorreção na apuração da base de cálculo dos tributos (IRPJ e  CSLL),  vez  que  não  teria  sido  observado  o  disposto  no  art.  7º  da  Lei  n.º  9.718,  c/c  art.  10  da  Lei  n.º  10.833/2003,  aplicáveis  ao  presente  caso.  Os  preceitos legais em questão versam sobre o PIS/COFINS e a possibilidade de  seu pagamento diferido;  iii) Que conforme Demonstrativo de Base de Cálculo e Apuração Tributária  (fls.  196)  e  Lista  de  Saldos  Contábeis  (fls.  197/221)  é  correta  a  apuração  constante  nos  registros  contábeis  da  recorrente,  pelo  que,  acaso  não  seja  declarada  a  nulidade  do  auto  de  infração,  requer  a  alteração  da  base  de  cálculo  do  tributo,  conforme  os  valores  de  serviços  prestados  foram  efetivamente recebidos;  Fl. 285DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000565/2009­55  Acórdão n.º 1302­001.468  S1­C3T2  Fl. 284          5 iv) Por  fim, alegou que não  foram realizadas as  devidas compensações dos  tributos retidos na fonte, conforme Demonstrativo (fls. 222) e Razão Contábil  (fls. 223 e seguintes).  É o relatório.  Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     6     Voto             Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo.  O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos  de admissibilidade, então dele conheço.  1. Do Cerceamento de Defesa  Alega  a  recorrente  que  houve  cerceamento  ao  seu  direito  constitucional  de  defesa, já que o MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) autorizador do início da Ação Fiscal  não  fazia,  especificamente,  menção  à  CSLL,  constando  dela  apenas  a  possibilidade  de  verificação de não pagamento de IRPJ.  Não assiste  razão à  recorrente, vez que o MPF é ato administrativo emitido  por  autoridade  competente  para  que  seja  dado  início  à  fiscalização  e  à  verificação  de  ocorrências que possam gerar obrigações tributárias.  Neste sentido, a Súmula n.º 46 do CARF apresenta a possibilidade de o Fisco  realizar o lançamento de tributo sem a prévia intimação do contribuinte, desde que possua os  elementos  suficientes  para  a  constituição  do  crédito  tributário,  o  que  aconteceu  no  caso  presente, como se destaca:  Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado  sem  prévia  intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito  tributário.  Outrossim, em tendo o AFRFB verificado a ocorrência de fatos que permitam  a  realização do  lançamento de ofício de mais de um  tributo,  não pode  ele,  tendo  em vista a  obrigação inerente ao cargo, deixar de proceder o lançamento.  O art. 142, caput e p. único, do CTN, prevê a responsabilidade da autoridade  fiscal, senão vejamos:   Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Agiu o AFRFB dentro dos parâmetros da legalidade, não havendo, portanto,  nulidade. Além disso, os lançamentos, tanto de IRPJ quanto de CSLL, atenderam aos requisitos  do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, estando regular nos termos legais.   Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000565/2009­55  Acórdão n.º 1302­001.468  S1­C3T2  Fl. 285          7 Assim sendo, não há que se  falar em nulidade do processo administrativo e  cerceamento  de  defesa  em  razão  de  lançamento  de  tributo  não  especificado  no  MPF  mas  oriundo dos fatos verificados durante o procedimento fiscal.  2. Da Apuração da Base de Cálculo  Alega, ainda, a recorrente, que a verificação da base de cálculo do IRPF e da  CSLL foram indevidas, pois ela se valeria das prerrogativas do art. 7º da Lei n.º 9.718/98, c/c  art. 10, II, da Lei n.º 10.833/2003, in albis:  Lei n.º 9.718  Art. 7º No caso de construção por empreitada ou de fornecimento  a  preço  predeterminado  de  bens  ou  serviços,  contratados  por  pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de  economia  mista  ou  suas  subsidiárias,  o  pagamento  das  contribuições de que trata o art. 2º desta Lei poderá ser diferido,  pelo contratado, até a data do recebimento do preço.  Parágrafo único.  A  utilização  do  tratamento  tributário  previsto  no caput deste  artigo  é  facultada  ao  subempreiteiro  ou  subcontratado, na hipótese de subcontratação parcial ou  total da  empreitada ou do fornecimento.  Lei n.º 10.833/2003  Art.  10.  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  COFINS,  vigentes  anteriormente  a  esta  Lei,  não  se  lhes  aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o:  (...)  II  ­  as  pessoas  jurídicas  tributadas  pelo  imposto  de  renda  com  base no lucro presumido ou arbitrado;  Incabível, no entanto, a aplicação de tais dispositivos, vez que são referentes  às contribuições destinadas à PIS/PASEP e da COFINS, e não IRPJ ou CSLL.  No caso, a recorrente é optante do regime de apuração da base de cálculo de  IRPJ  pelo  lucro  presumido,  tendo  a  sistemática  adotada  no  caso  específico  sido  plenamente  demonstrada  nos  próprios  autos  (fls.  145/146),  e,  por  estar  em  acordo  com  a  legislação  pertinente ao assunto, não há que se falar em alteração da base de cálculo no caso presente.  3. Das Compensações  Não  há,  também,  que  se  falar  em  compensação  de  valores  que  teriam  sido  retidos  na  fonte,  a  título  de  Imposto  de Renda,  vez  que não  houve,  nos  autos,  prova  de  sua  efetiva ocorrência.  Os  documentos  apresentados  pela  recorrente  –  demonstrativo  (fls.  222)  e  Livro Razão  (fls. 223 e  seguintes),  sem os documentos hábeis e  idôneos que os  respaldam –  não  são  suficientes  para  comprovar  a  retenção,  ressaltando­se  que  a  comprovação  pura  e  simples de tal ato já seria suficiente para a compensação de tais valores.  Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     8 Incide na espécie a Súmula n.º 80 do CARF, que determina a possibilidade de  dedução de Imposto de Renda retido na fonte quando efetivada a sua comprovação, o que não  ocorreu no caso presente.  Súmula CARF  nº  80:  Na  apuração  do  IRPJ,  a  pessoa  jurídica  poderá deduzir do  imposto devido o valor do  imposto de  renda  retido na  fonte, desde que comprovada a  retenção e o cômputo  das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.  A  recorrente  limitou­se  a  juntar  apenas  documentos  contábeis  e  outros  documentos  por  ela mesmo  confeccionados,  os  quais  não  são  suficientes  para  que  se  forme  convicção favorável.  Verifica­se  que  grande  parte  dos  clientes  da  empresa  recorrente  é  formada  por  pessoas  jurídicas  de  direito  público,  do  que  decorre  seria  mais  fácil  a  obtenção  de  documentos hábeis a comprovar eventual retenção, o que acabou não sendo feito.  Assim  sendo,  não  há  como  se  falar  em  compensação  de  valores  retidos  na  fonte.  4. Da Conclusão  Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário  interposto,  para manter  os  créditos  tributários  lançados  a  título  de  IRPJ  e CSLL,  bem como  manter a multa de ofício oriunda dos mesmos, nos termos do relatório e voto.  (assinado digitalmente)  Márcio Rodrigo Frizzo ­ Relator                                Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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Numero do processo: 15586.721277/2012-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Regular o trabalho fiscal no qual faculta-se à contribuinte pedido de cópia de documentos que não só lhe teriam cientificados pelo Fisco Estadual, como também se referem a operações próprias com cartões de crédito e de débito, acerca das quais é razoável crer que as administradoras de cartões de crédito prestassem contas periodicamente, com vistas a conciliação das operações realizadas com os créditos delas decorrentes. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO. Ausente prova da correlação dos pagamentos com as receitas omitidas tributadas no lançamento, mantém-se a exigência. MOMENTO DO FATO GERADOR. Correta a caracterização de receitas omitidas no momento em que realizada a operação com cartão de crédito ou débito informada pela administradora. OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS. PIS/COFINS. A falta de emissão de documentos fiscais impede a confirmação de que receitas omitidas não se sujeitariam à incidência das contribuições sobre o faturamento.
Numero da decisão: 1101-001.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Regular o trabalho fiscal no qual faculta-se à contribuinte pedido de cópia de documentos que não só lhe teriam cientificados pelo Fisco Estadual, como também se referem a operações próprias com cartões de crédito e de débito, acerca das quais é razoável crer que as administradoras de cartões de crédito prestassem contas periodicamente, com vistas a conciliação das operações realizadas com os créditos delas decorrentes. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO. Ausente prova da correlação dos pagamentos com as receitas omitidas tributadas no lançamento, mantém-se a exigência. MOMENTO DO FATO GERADOR. Correta a caracterização de receitas omitidas no momento em que realizada a operação com cartão de crédito ou débito informada pela administradora. OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS. PIS/COFINS. A falta de emissão de documentos fiscais impede a confirmação de que receitas omitidas não se sujeitariam à incidência das contribuições sobre o faturamento.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.721277/2012­55  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1101­001.164  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de agosto de 2014  Matéria  IRPJ e Reflexos ­ Omissão de Receitas  Recorrente  ITAPOàSUPERMERCADO LTDA (sucessora de Supermercado Luciano  Neves Ltda)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008, 2009  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA. Regular o  trabalho fiscal no qual  faculta­se à  contribuinte  pedido  de  cópia  de  documentos  que  não  só  lhe  teriam  cientificados  pelo  Fisco  Estadual,  como  também  se  referem  a  operações  próprias com cartões de crédito e de débito, acerca das quais é razoável crer  que  as  administradoras  de  cartões  de  crédito  prestassem  contas  periodicamente,  com  vistas  a  conciliação  das  operações  realizadas  com  os  créditos delas decorrentes.   SIGILO  BANCÁRIO.  A  utilização  de  informações  de  movimentação  financeira  obtidas  regularmente não  caracteriza  violação  de  sigilo  bancário,  sendo desnecessária prévia autorização judicial.  ALEGAÇÃO  DE  RECOLHIMENTO.  Ausente  prova  da  correlação  dos  pagamentos com as receitas omitidas tributadas no lançamento, mantém­se a  exigência. MOMENTO DO FATO GERADOR. Correta a caracterização de  receitas  omitidas  no momento  em  que  realizada  a  operação  com  cartão  de  crédito  ou  débito  informada  pela  administradora.  OPERAÇÕES  NÃO  TRIBUTADAS.  PIS/COFINS.  A  falta  de  emissão  de  documentos  fiscais  impede  a  confirmação  de  que  receitas  omitidas  não  se  sujeitariam  à  incidência das contribuições sobre o faturamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado  em:  1)  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa; 2) por  unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 12 77 /2 01 2- 55 Fl. 9824DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 3          2 bancário;  e  3)  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente ao mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.    (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão  (presidente da  turma), Edeli  Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício  Júnior,  Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.  Fl. 9825DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 4          3   Relatório  ITAPOà SUPERMERCADO  LTDA  (sucessora  de  Supermercado  Luciano  Neves Ltda), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia  da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, julgou  IMPROCEDENTE  a  impugnação  interposta  contra  lançamento  formalizado  em  21/12/2012,  exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.670.215,24.  Inicialmente a  autoridade  lançadora observa que  em 2010 a pessoa  jurídica  fiscalizada,  Supermercado  Luciano Neves  Ltda,  foi  incorporado  por  Itapoão  Supermercados  Ltda,  e  destaca  que  o  quadro  social  de  ambas  era  composto  pelos  mesmos  sócios:  Dailton  Perim, Djalma Perim, Deolindo Perim Júnior, Dalberto Perim e Deosdeti Perim.   Com  base  em  elementos  obtidos  por  meio  de  Convênio  de  Cooperação  Técnica entre a União e o Estado do Espírito Santo, a autoridade fiscal apurou, relativamente à  sucedida  Supermercado  Luciano  Neves  Ltda,  que  as  receitas  registradas  nos  emissores  de  cupons fiscais – ECF, e informadas em DIPJ e DCTF para os períodos de apuração de 2007 a  2009,  eram  inferiores  aos  valores  informados  pelas  administradoras  de  cartões  de  crédito.  Considerando  que  estas  últimas  informações,  relativamente  ao  4o  trimestre/2009,  estavam  incompletas, a contribuinte foi intimada a apresentá­las, mas não o fazendo ensejou a emissão  de Requisição de Movimentação Financeira para sua obtenção.   Detalhando  os  valores  movimentados  mensalmente  pela  contribuinte  com  cartões de débito e de crédito administrados por diferentes operadoras, e confrontando os totais  com as vendas escrituradas e declaradas nos anos­calendário 2008 e 2009, a autoridade fiscal  constatou omissão de receitas da atividade que afirmou corresponder à realização de operação  mercantil  sem  a  correspondente  emissão  de  documento  fiscal,  no  caso,  do  cupom  fiscal.  A  sucessora foi cientificada das diferenças apuradas, bem como informada de que os documentos  que  embasaram  o  lançamento  feito  pela  fiscalização  estavam  à  disposição  para  vista  e  eventuais  cópias.  Respondeu,  apenas,  que  não  teve  conhecimento  dos  documentos  que  serviram de base para a apuração e alegou cerceamento ao direito de defesa.   A  autoridade  lançadora  consigna  que  estas  alegações  são  improcedentes  porque  os  documentos  estavam  à  sua  disposição  para  vistas  e  requerimento  de  cópias.  Ademais, dentre os elementos recebidos da Secretaria de Fazenda consta a entrega, mediante  recibo  firmado  pela  fiscalizada,  de  todos  os  relatórios  emitidos  pelas  administradoras  de  cartões, referentes às operações de vendas nos anos citados.   Os  lançamentos  de  IRPJ  e CSLL  observaram  a  opção  da  contribuinte  pelo  lucro  presumido,  e  as  contribuições  sobre  o  faturamento  foram  calculadas  na  sistemática  cumulativa. A  exigência  foi  acrescida  de multa  qualificada  em  razão  da  prática  reiterada  de  realizar operação mercantil sem a correspondente emissão de documento fiscal [cupom fiscal].  Observando  que  a  sucessora  da  contribuinte  fiscalizada  é  pessoa  jurídica  constituída  pelos  mesmos  sócios  daquela,  a  autoridade  lançadora  acrescentou  que  a  idêntica  prática  ilegal  verificou­se,  por  três  anos  consecutivos,  e  também  em  relação  a  outras  pessoas  jurídicas  sucedidas  pela  recorrente  (Auto  Serviço  Perim  Ltda  e  Supermercado  Mata  da  Praia  Ltda),  constituídas pelos mesmos sócios.  Fl. 9826DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 5          4 Afirmou,  assim,  que  a  forma  com  que  foi  praticada  a  omissão  de  receitas  demonstra que houve ação dolosa  tendente a  impedir ou dificultar o conhecimento dos  fatos  por  parte  do  fisco,  além  de  restar  caracterizado,  em  tese,  crime  contra  a  ordem  tributária  definido no art. 1o da Lei nº 8.137/90.  Impugnando  a  exigência,  a  sucessora  questionou  a  falta  de  entrega  dos  documentos  que  comprovam  a  suposta  irregularidade;  apontou  a  ausência  de  autorização  judicial  para  a  abertura  do  sigilo  de  dados  financeiros;  disse  que  promoveu  recolhimentos  espontâneos no exercício 2008, desconsiderados na apuração fiscal; alegou que a Fiscalização  teria  confundido  faturamento  com  pagamento,  por  considerar  os  valores  recebidos  das  operadoras de cartões de crédito; bem como questionou a apuração da Contribuição ao PIS e da  COFINS, tendo em conta que algumas mercadorias vendidas estão sujeitas a regimes especiais  de tributação.   A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Data  do  fato  gerador:  30/03/2008,  30/06/2008,  30/09/2008,  31/12/2008,  30/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009   Nulidade. Auto de Infração. Inocorrência.  Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando o mesmo possui todos  os  elementos  necessários  à  compreensão  inequívoca  da  exigência,  detalhados  em  Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, que é parte integrante do Auto, e  dos fatos que o motivaram e enquadramento legal da infração fiscal.  O cerceamento ao direito de defesa  somente  se  caracteriza pela ação ou omissão  por  parte  da  autoridade  lançadora  que  impeça  o  sujeito  passivo  de  conhecer  os  dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa.   Demonstrado  que  os  Autos  de  Infração  foram  formalizados  de  acordo  com  os  requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições  dos artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido  de nulidade dos lançamentos formalizados por meio dos Autos de Infração.  PIS.  COFINS.  CSLL.  Lançamentos  Decorrentes.  Efeitos  da  decisão  relativa  ao  lançamento principal (IRPJ).  Em  razão  da  vinculação  entre  o  lançamento  principal  (IRPJ)  e  os  que  lhe  são  decorrentes,  devem  as  conclusões  relativas  àquele  prevalecerem  na  apreciação  destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Data  do  fato  gerador:  30/03/2008,  30/06/2008,  30/09/2008,  31/12/2008,  30/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009   Exame  de  Informações  Financeiras.  Embaraço  à  Fiscalização.  Negativa  de  Fornecimento de Extratos Bancários. Requisição Direta às Instituições Financeiras.  Por força do inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamenta o  art.  6º  da  LC  nº  105,  de  2001,  a  prática  de  atos  que  caracterizam  embaraço  à  fiscalização  (não  fornecimento  de  informações  sobre  movimentação  financeira),  devidamente conceituados no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a requisição  direta,  motivada,  às  instituições  bancárias,  bem  como  o  subsequente  exame  de  extratos e demais documentos bancários dos contribuintes.  Sigilo  Bancário.  Procedimento  de  Ofício.  Solicitação  Regular.  Transferência  de  Sigilo.  Fl. 9827DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 6          5 Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições  financeiras,  de  informações  solicitadas  pelos  órgãos  fiscais  tributários  do  Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestar­ se apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito  penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes  assegurado  pela  instituição  financeira  e  agora  mantido  pelas  autoridades  administrativas.  Assistência mútua entre as Fazendas Públicas. Convênios. CTN.  A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios  prestar­se­ão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e  permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por  lei ou convênio.  Cientificada da decisão de primeira instância em 17/10/2013 (fl. 9821/9822),  a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 18/11/2013.  Observa que em resposta apresentada à Fiscalização afirmou não ter tomado  conhecimento, até aquele momento, dos documentos que serviram de base para o lançamento;  destaca que a autoridade julgadora relata sua insistência em obter conhecimento, por cópia dos  aludidos documentos; assevera que não recebeu cópias dos documentos pelo Fisco Estadual e  que o Fisco confundiu­se com as rubricas do representante legal da Recorrente nas folhas do  processo, por exigência da própria Fiscalização Estadual, para que recebesse a cópia do Auto  de Infração; aduz ser pessoa simples e leiga, não compreendendo que estas rubricas poderiam  ser consideradas como recebimento dos documentos, tendo recebido unicamente cópia do auto  de  infração  e  planilha  dos  levantamentos  fiscais.  Acrescenta  que  a  Fiscalização  Federal  também não lhe deu conhecimento das informações obtidas junto às administradoras de cartões  de crédito e de débito relativamente ao último trimestre de 2009.  Argumenta que a validade do  lançamento está condicionada à sua  instrução  com as provas pertinentes, de modo a demonstrar a ocorrência do fato gerador. E reportando­se  ao art. 142 do CTN diz que para assegurar seu cumprimento, e o direito de conhecer as provas  que  o  acusador  tem  contra  o  acusado,  o  art.  9o  do  Decreto  nº  70.235/72  determina  que  a  exigência  de  crédito  tributário  seja  instruída  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Cita doutrina em reforço a  suas alegações.  Defende  que  o  dever  de  instruir  o  lançamento  na  forma  da  lei  não  se  confunde  com  a  atitude  de  somente  colocar  os  documentos,  que  diz  são  comprobatórios  da  infração,  à  disposição  da  Recorrente,  no  âmbito  da  Receita  Federal.  Observa  que  considerando  a  numeração  de  páginas  da  decisão  recorrida,  há  milhares  de  páginas  de  documentos,  todos  desconhecidos  da  Recorrente,  que  foram  supedâneo  para  o  lançamento,  cuja garantia ao direito de defesa não significa,  logicamente, a  sua simples visualização na  repartição pública. Entende que necessitaria cotejar estes documentos com seus próprios livros  e  documentos  fiscais  e  contábeis,  e  que  as  vistas  em balcão  caracterizariam  cerceamento  ao  direito de defesa.  Opõe­se à afirmação da autoridade julgadora de que seria fácil a conferência  por se tratar de operações da atividade observando que a própria autoridade lançadora demorou  meses  para  alcançar  suas  conclusões,  e  aduz  que  não  se  trata  de  discutir  a  possibilidade  de  conferir  a  ação  fiscal  no  balcão  da  Receita  Federal,  mas  sim  do  seu  direito  de  receber  os  Fl. 9828DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 7          6 documentos  para  efetuar  a  melhor  e  a  mais  abrangente  conferência  possível,  como  lhe  é  assegurado constitucionalmente.  Diz que, a teor da ementa de acórdão deste Conselho reproduzida na decisão,  houve ação ou omissão da autoridade lançadora que lhe impediu conhecer os dados e os fatos  que impossibilitam seu direito de defesa, haja vista que não recebeu os documentos em que se  baseia a acusação, e, mais, está sendo julgada por fato não provado nos autos. Reitera que seu  representante legal apenas rubricou as folhas do processo e afirma inexistir nos autos prova de  recebimento  dos  documentos,  devendo  a  conduta  de  rubricar  ser  analisada de  boa  fé,  pois  a  comprovação do recebimento deveria estar declarada expressamente nos autos.   Enfatiza que presumindo­se a existência de 9.700  folhas no processo, deve  ser  descartado,  porque  absurdamente  irrazoável,  que  estaria  ilidido  o  cerceamento  pela  simples  disponibilização  dos  documentos  no  balcão  da  Receita  Federal.  Cita  ementa  de  julgado do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo em favor de seu entendimento e pede a  declaração de cerceamento ao seu direito de defesa.  Discorda do rompimento do sigilo bancário sem autorização judicial porque  não houve negativa de fornecimento de informações sobre movimentação financeira, dado que  A  Fiscalização  Federal  recebeu,  sem  solicitar  e  sem  processo  administrativo  prévio,  da  Receita Estadual, as informações dos autos, as quais foram fruto de quebra de sigilo também  sem processo administrativo prévio e sem autorização judicial.  Invoca  o  direito  constitucional  ao  devido  processo  legal,  bem  como  a  julgamento mediante provas legitimamente conseguidas. Aduz que o Fisco teria quebrado sem  autorização o sigilo bancário da Recorrente, antes de qualquer procedimento administrativo  preparatório,  com a  devida  intimação para  apresentar  dados  que  lhe  interessava,  e  conclui  que  a  prova  ilícita  deve  ser  desentranhada  dos  autos,  seguindo  a  acusação  sem  elas,  respaldando­se no conjunto probatório restante, se houver.  Reporta­se a manifestação do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo em  favor  de  seu  entendimento  no  sentido  de  que  a  ausência  de  prévia  autorização  judicial  para  obtenção das provas aqui utilizadas inquina­as de indevidas e ilícitas. Acrescenta referências a  julgados do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal acerca de quebra de  sigilo bancário sem autorização judicial.  Prossegue  manifestando­se  favoravelmente  à  necessidade  de  autorização  judicial como garantia de não­violência contra direitos  inalienáveis  e  requer a  exclusão dos  autos de prova colhida sem autorização judicial e das provas dela derivadas.  Reafirma  que  promoveu  recolhimentos  espontâneos  em  2008  em  razão  de  diferenças  posteriormente  apuradas,  observando  que  não  houve  retificação  das  declarações  prestadas, e acrescentando que a autoridade fiscal foi advertida destas circunstâncias. Disse que  espera poder confrontar estas diferenças com as cópias dos pagamentos das administradoras  de crédito e débito, mas como estas lhe foram sonegadas assim não pode proceder. Conclui que  como  não  houve  retificação  das  declarações,  os  recolhimentos  espontaneamente  promovidos  devem correspondem à receita omitida lançada.  Novamente  aponta  a  possibilidade  de  confusão  entre  faturamento  e  recebimento  da  administradora,  cogitando  deste  erro  na  medida  em  que  não  recebeu  os  comprovantes de pagamentos feitos pelas administradoras de cartão para poder afirmá­los. A  Fl. 9829DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 8          7 autoridade julgadora teria limitado a possibilidade de diferenças ao último trimestre de cada no,  mas  isto  só  evidencia  que  vendas  ocorreram  em  um  exercício  e  foram  pagas  no  exercício  seguintes.  Entende  que  caberia  ao  Fisco  provar  que  isto  não  ocorreu,  e  pede  a  reforma  da  decisão recorrida, que embora detectando incorreção no lançamento, manteve a exigência.  Assevera  que  houve  arbitramento  dos  lucros  porque  a  escrituração  não  evidenciaria os estoques trimestrais, indispensável para apuração do lucro real. Argumenta que  não  poderia,  em  15  (quinze)  dias,  reconstituir  sua  escrituração  e  compatibilizá­la  com  outra  forma de  apuração,  e  acrescenta que  existiam  elementos  concretos  para  a  apuração  do  lucro  real,  desde  que  assinalado  prazo  adequado  para  apresentação  da  apuração.  Cita  julgados  administrativos  em  favor  de  seu  entendimento  e  conclui  que  o  arbitramento  é  descabido  e  desnecessário.  Pede  que  seus  argumentos  sejam  considerados  em  relação  às  exigências  de  CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS. Observa, ainda, que a acusação nos autos não é de falta  de emissão de documentos fiscais, de modo que existem as condições de apurar as possíveis  diferenças  de  recolhimentos  a  partir  dos  próprios  documentos.  E,  acrescenta  que  não  se  pronunciou  acerca  das  diferenças  porque  foi  impedida  em  razão  da  omissão  da Fiscalização  Federal  quanto  à  apresentação  dos  documentos  utilizados  na  confecção  do  lançamento.  Entende,  assim,  que  é  nula  a  ação  fiscal  e  o  julgamento  recorrido,  razão  pela  qual  devem  anulados os lançamentos.      Fl. 9830DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 9          8 Voto             Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  Preliminarmente  rejeita­se  a  argüição  de  nulidade  do  lançamento  por  impossibilidade de acesso aos elementos que suportam a acusação fiscal porque, além de esta  ocorrência, se confirmada, não acarretar a  invalidade do  lançamento mas apenas a  reabertura  do prazo para defesa do sujeito passivo, o conhecimento da contribuinte acerca dos elementos  reunidos pelo Fisco Estadual já se verificava antes mesmo do início do presente procedimento  fiscal.  Isto  porque,  ao  impugnar  o  primeiro  lançamento  formalizado  pelo  Fisco  Estadual,  relativamente  ao  ano­calendário  2008,  a  contribuinte  também  argüiu  vícios  no  lançamento,  inclusive porque os demonstrativos fiscais estariam desguarnecidos de comprovação, e diante  de  tais  circunstâncias  a  agente  fiscal  inicialmente  responsável  pela  apreciação  da  defesa  determinou  os  auditores  autuantes  que  juntassem  aos  autos  os  “Relatórios  fornecidos  pelas  administradoras de cartões de crédito”, e tirassem cópias legíveis dos mesmos, entregando sob  recibo, datado e assinado pelo sujeito passivo, fazendo constar do mesmo o nome das referidas  administradoras,  o  período  informado,  e a  reabertura  do  prazo  legal  para  apresentação de  impugnação ou de recolhimento com redução (fls. 297/298). Os autos do ano­calendário 2008  não estão aqui reproduzidos por inteiro, mas observa­se que no segundo lançamento, referente  ao ano­calendário 2009, a providência antes indicada foi adotada pela Fiscalização (fls. 4908,  5144, 5435, 5609, 5754, 6084, 6378, 6419, 6470, 6477, 6479 e 6499). Acrescente­se, ainda,  que às fls. 4895/4904 está demonstrado o pedido de parcelamento do lançamento referente ao  ano­calendário 2008 (auto de infração nº 2.059.988­7).  Para além disso, cumpre também ter em conta as oportunidades oferecidas à  contribuinte para requisitar cópia dos elementos de que necessitassem, precisamente abordadas  na decisão recorrida:  O  presente  lançamento,  ora  contestado,  contempla  fatos  geradores  trimestrais  ocorridos nos anos­calendário de 2008 e 2009, sendo o IRPJ apurado sob as regras  do Lucro Presumido.  Em  ambos  os  anos  foram  apuradas  omissões  de  receitas,  tendo  a  Fiscalizada,  conforme  relatoriado,  se  insurgido contra  tal  apuração,  em  face de que não  teria  tomado  conhecimento  dos  documentos/relatórios  que  a  autoridade  autuante  teria  então  utilizado  no  levantamento  fiscal,  origem  das  diferenças  de  receitas  ora  tributadas. Em vista disto, requer o cancelamento do lançamento por cerceamento  do seu direito de defesa.  Assim não vejo. De se mostrar.  A Sucessora Itapoã Supermercados Ltda. foi intimada, conforme Termo de Início de  Fiscalização,  a  apresentar  “demonstrativos  sintéticos,  um  para  cada  estabelecimento,  datado  e  assinado  pelo  representante  legal  da  empresa,  que  contemplem o valor das vendas efetuadas em cada mês, segregado segundo os meios  de pagamento utilizados pela clientela...” (que seriam, dinheiro em espécie, cheque,  cartão de crédito, cartão de débito, etc), relativamente ao período de 2007 a 2009.   Pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 01, de 13 de junho de 2012, temos  que:  Fl. 9831DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 10          9 ·  a  Fiscalização  recebeu  relatórios/listagens  do  Fisco  Estadual  (SEFAZ­ES)  que  apontam  os  montantes  mensais  (de  2007  a  2009)  das  operações  efetuadas  por  aqueles  estabelecimentos  (autuada  inclusive)  informados  àquele  órgão,  pelas  administradoras de cartões de crédito e débito;  · que a Fiscalizada recebeu cópias dos relatórios emitidos pelas administradoras de  cartões  de  crédito/débito,  entregues  pelos  auditores  do  Fisco  Estadual,  mediante  documento comprobatório de entrega;  · da comparação entre os valores de receitas escriturados nas DIPJ, com os valores  informados pelas administradoras de cartões à SEFAZ, a Fiscalização constatou a  existência  de  diferenças,  conforme  apontado  nas  tabelas  que  fazem  parte  deste  Termo;  ·  que  os  documentos  entregues  pela  SEFAZ  e  mencionados  neste  Termo  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal  encontram­se  à  disposição  dos  contribuintes  fiscalizados, para vistas e eventuais cópias;  No Termo 02, a Fiscalizada foi intimada, em 15/10/2012, no prazo de quinze dias,  a:   Manifestar­se, por escrito, a respeito das diferenças encontradas, relativamente ao ano­ calendário  de  2008  e  2009,  decorrentes  do  confronto  entre  as  receitas  escrituradas  e  declaradas por  Itapoã Supermercados Ltda., Auto Serviço Perim Ltda., Supermercado  Mata  da Praia  Ltda.  e Supermercado Luciano Neves Ltda  e  as  receitas  informadas  pelas administradoras de cartões e apuradas pelo presente termo fiscal.[destaquei]  Neste  documento  “Resposta  a  Intimação”  (fls.230  a  233),  protocolado  em  26/10/2012, a Contribuinte informou que:  1. [...] não tem conhecimento dos documentos que serviram de base para a apuração das  receitas  brutas  auferidas  nos  anos­calendário  de  2008  e  2009,  em  especial,  a  aludida  “cópia dos relatórios emitidos pelas administradoras de cartão de crédito e/ou débito”,  conforme [...].  2.  Reafirma  que  não  tem  conhecimento  desses  documentos  (cópias  dos  relatórios  emitidos  pelas  administradoras  de  cartão  de  crédito/débito),  não  tendo,  em  nenhum  momento, deles recebido cópias.  3. Infelizmente, não basta, como pretendem Vossas Senhorias, colocar à disposição da  empresa  os  aludidos  documentos,  cuja  abrangência,  referindo  a  vários  períodos,  indicam ser volumosos, exigindo, em razão de sua importância, conferência minuciosa  e  cotejamento  com  a  escrita  fiscal,  no  sentido  de  responder,  nessa  oportunidade,  à  intimação do Fisco, e mesmo, para contestar ou concordar a ação fiscal.   [...]  6.  A  Impugnante  reconhece  a  ausência  de  responsabilidade  dos  ilustrados  agentes  federais na omissão de entrega dos documentos que  lhes  foram repassados pelo Fisco  Estadual,  entretanto,  não  pode  compreender  como  prosseguir  com  a  ação  fiscal,  na  forma  como  lançada,  sem  efetuar  a  entrega  de  cópias  dos  aludidos  documentos,  para  que se possa conferi­los e cotejá­los com a sua contabilidade.  7. Os  atos  cerceadores  do  direito  de  defesa  e  de  negativa  de  contraditório  cometidos  pelo Fisco Estadual, não podem contaminar sob os auspícios do Fisco Federal, sob pena  de contaminar também de nulidade todo o procedimento fiscal federal.  8. Dessa forma, com base na Constituição Federal, art.5º,  inciso LV, requer, antes das  providências  declaradas  na  intimação,  que  se  faça  a  entrega  das  cópias  de  todos  os  documentos que estão servindo de base do levantamento fiscal, até então desconhecidos  da empresa, para as conferências necessárias e prestação das informações solicitadas.  Por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 03, de 26 de novembro  de 2012, a Fiscalização, após algumas considerações outras, reitera que (destaques  do original):  Fl. 9832DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 11          10 Os documentos entregues à RFB pelas administradoras de cartões de débito e de  crédito, mencionados neste Termo de Constatação e Intimação Fiscal, encontram­ se à disposição dos contribuintes  fiscalizados, para vistas e eventuais cópias, bem  como  os  documentos  entregues  pela  SEFAZ  e  mencionados  no  Termo  de  Constatação e Intimação Fiscal nº 02.   Neste Termo, novamente, repete a intimação fiscal anterior, agora com cinco dias  de prazo:   [...]  manifestar­se,  por  escrito,  a  respeito  das  diferenças  encontradas,  relativamente  ao  ano­ calendário de 2008 e 2009, decorrentes do confronto entre as  receitas escrituradas e declaradas  por Itapoã Supermercados Ltda., Auto Serviço Perim Ltda., Supermercado Mata da Praia Ltda. e  Supermercado  Luciano  Neves  Ltda  e  as  receitas  informadas  pelas  administradoras  de  cartões e apuradas pelo presente termo fiscal.  Em  21  de  dezembro  de  2012  foi  cientificado  à  Contribuinte  o  Termo  Final  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal,  do  qual  extraímos  os  seguintes  excertos  (destaques pertencem ao original):  2.2) Dos documentos recebidos da SEFAZ/ES:  [...]  os  valores  de  receitas  apurados  pela  fiscalização  com  base  nas  informações  prestadas  pelas  administradoras  de  cartões  revelaram­se  muito  maiores  que  os  registrados nos ECF’s da fiscalizada.  Registramos  que  o  fato,  demonstrado  nos  parágrafos  seguintes  e  caracterizado  como  omissão de receitas, foi objeto de lançamento de crédito tributário pelo Fisco Estadual,  conforme atestam cópias das autuações anexadas ao presente processo.  [...]  2.8) Da ciência ao contribuinte dos fatos apurados:  [...]  Em  relação  às manifestações  expressas  pela  fiscalizada  na  carta­resposta  supracitada,  ressaltamos que são improcedentes as alegações de desconhecimento dos relatórios das  vendas  brutas  de  cartões  disponibilizados  pelas  administradoras  de  cartões  à  RFB.  Todos  os  relatórios  e  demais  documentos  que  subsidiaram  o  trabalho  fiscal  foram  colocados  à  disposição  da  fiscalizada  em  endereço  certo  e  conhecido  para  vistas  ou  cópias,  respeitando,  assim,  o  direito  constitucional  ao  contraditório  e  a  ampla  defesa  previsto  no  art.5º,  inciso  LV  da  Constituição  Federal.  Não  há  que  se  falar  em  cerceamento  de  defesa,  pois  as  provas  encontravam­se  à  disposição  da  interessada,  bastando  requerer  vistas  ou  cópias. Argüiu  também  que  houve  negativa  por  parte  do  fisco de entregar documentos comprobatórios da autuação, o que é descabido, uma vez  que não houve pedido com esta finalidade, embora tenha havido ciência de que existiam  elementos de prova em poder desta fiscalização à disposição da fiscalizada no decorrer  de toda a ação fiscal, antes, portanto, de qualquer autuação. Ressaltamos que todos os  elementos  de  prova  encontram­se  nos  processos  digitais  produzidos  por  esta  fiscalização.  No subitem 2.2 deste relatório, mencionamos que o Fisco Estadual, SEFAZ – Secretaria  de Estado da Fazenda do Espírito Santo,  repassou  a RFB documentos  e  relatórios de  administradoras  de  cartões  de  crédito  e  de  débito,  referentes  às  operações  comerciais  realizadas na fiscalizada no período de 2007 a 2009. Corroborando o que descrevemos  no  parágrafo  anterior,  registramos  que,  dentre  os  documentos  recebidos  da  SEFAZ,  consta  a  entrega, mediante  recibo  firmado  pela  fiscalizada,  de  todos  os  relatórios  emitidos  pelas  administradoras  de  cartões,  referentes  às  operações  de  vendas,  nos  estabelecimentos  de  SUPERMERCADO LUCIANO DAS NEVES LTDA.,  nos  anos­ calendário citados. Cópias destes documentos estão anexadas a este processo digital.  O fato, mais uma vez, demonstra que são improcedentes as alegações de cerceamento  do direito de defesa e do desconhecimento dos documentos que serviram de base para o  presente lançamento.   A  Contribuinte,  ora  Impugnante,  reitera  que  não  recebeu  quaisquer  documentos/relatórios  informados  pelas  administradoras  de  cartões  de  Fl. 9833DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 12          11 crédito/débito  então  utilizados  pela  Fiscalização  Federal,  que  teria  obtido  da  Fiscalização Estadual. Desta forma, alega cerceamento de direito de defesa, eis que  inviabilizada de conferir os dados informados com seus registros.     Não me parece o caso.  Veja que desde o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 01,  lavrado em 06  de junho de 2012, (fls.195 a 202), a Fiscalizada já sabia que o Fisco Federal estava  se utilizando de relatórios/listagens informados pelas administradoras de cartões de  crédito/débito e relativas às operações efetuadas no estabelecimento da Fiscalizada,  compreendendo o período correspondente aos anos­calendário de 2007 a 2009.  O auto de infração foi cientificado à Autuada em 21 de dezembro de 2012! Ou seja,  passados  seis  meses  depois  de  saber  que  as  informações  enviadas  pelas  administradoras de cartões de crédito/débito (repassadas pela Fazenda Estadual à  RFB), estavam sendo utilizadas, vem agora a Autuada alegar que desconhece  tais  relatórios e/ou que não lhe foram entregues.  Alguns  destes  dados  foram  utilizados  pela  Fazenda  Estadual  em  lançamentos  tributários efetivados em 2009, contra a Contribuinte fiscalizada, que foram objeto  de parcelamento junto à Secretaria Estadual.  Ainda,  nos  autos  consta  que  várias  planilhas/relatórios  enviadas  pelas  administradoras  de  cartões  de  crédito/débito  foram,  sim,  recebidas  pela  Contribuinte,  informação  que  constava  em  todos  os  Termos  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal  Federal,  ratificada  com  a  ciência  da  Contribuinte  atestando  o  recebimento dos relatórios pertinentes.  Exemplos:  O relatório emitido pela administradora de cartões de crédito REDECARD, relativa  às  operações  de  2009,  foi  recebido  pela  Contribuinte  em  09  de  julho  de  2010  (fls.6.377 a 6.508).  O  relatório  emitido  pela  administradora  de  cartões  de  crédito  FININVEST  S/A  NEGÓCIOS  DE  VAREJO,  relativa  às  operações  de  2009,  foi  recebido  pela  Contribuinte em 09 de julho de 2010 (fls. 6.377 a 6.508).  O  relatório  emitido  pela  administradora  de  cartões  de  crédito  AMERICAN  EXPRESS S/A, relativa às operações de 2009, foi recebido pela Contribuinte em 09  de julho de 2010 (fls.6.377 a 6.508).  O relatório emitido pela administradora de cartões de crédito CABAL, relativa às  operações  de  2009,  foi  recebido  pela  Contribuinte  em  09  de  julho  de  2010  (fls.  6.377 a 6.508)  Nestes  relatórios/listagens  são  informadas  as  operações  verificadas  diariamente,  totalizadas por mês e por ano. Tudo muito fácil de checar, até porque tratam­se de  operações da atividade (com certeza é significativa a venda por meio de cartões) da  Contribuinte,  que  recebe  tais  informações  das  administradoras  de  cartões  de  crédito/débito, ocasião em que deve fazer o cruzamento com seus dados, por óbvio.  Ou seja, estas informações/relatórios recebidas das administradoras de cartões de  crédito/débito fazem parte da rotina (diária) empresarial da empresa.  Não obstante a comprovação de que a Contribuinte recebeu  tais  relatórios, ainda  assim, todas as informações e planilhas fornecidas pelas administradoras de cartões  de  crédito/débito  sempre  estiveram  à  disposição  da  Fiscalizada  (isto  era  sempre  reiterado nos Termos Fiscais),  seja  para  vistas  ou  obtenção de  cópias. Nos  autos  não consta nenhum requerimento neste sentido.  Fl. 9834DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 13          12 Contrariamente ao alegado, detinha, sim, a Contribuinte todas as condições para a  realização  de  sua  defesa,  de  forma  que  deve  ser  rejeitada  a  sua  preliminar  de  cerceamento de direito de defesa.   Frise­se,  ainda,  a  regularidade  da  condução  dos  trabalhos  pela  autoridade  fiscal que faculta à contribuinte pedido de cópia de documentos que não só teriam cientificados  à contribuinte pelo Fisco Estadual,  como  também se  referem a operações próprias do sujeito  passivo  com  cartões  de  crédito  e  de  débito,  acerca  das  quais  é  razoável  crer  que  as  administradoras de cartões de crédito prestassem contas periodicamente, com vistas a permitir  que  a  rede  varejista  conciliasse  as  operações  realizadas  com  os  créditos  delas  decorrentes.  Inclusive por esta  razão não prospera a alegação da  recorrente de que  teria dificuldades para  conferir  as  informações  de  tais  elementos:  se  o  Fisco  levou  meses  para  confrontar  estas  informações com os documentos fiscais emitidos pela contribuinte, é certo que a contribuinte  poderia tê­lo feito desde a ocorrência dos fatos geradores em 2008 e 2009.  Assim,  ante  a  possibilidade  real  destes  documentos  já  integrarem  os  documentos  de  suporte  da  escrituração  do  sujeito  passivo,  o  Fisco  não  estava  obrigado  a  fornecê­los à contribuinte, salvo se esta os requisitasse. E esta oportunidade lhe foi franqueada,  daí  porque  nem  mesmo  em  relação  às  informações  do  4o  trimestre/2009,  requisitadas  pelo  Fisco Federal diretamente junto às instituições financeiras, assiste razão a recorrente.  Por  tais  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de REJEITAR  a  argüição  de  nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa.  Na  seqüência,  a  contribuinte  afirma  a  quebra  de  sigilo  bancário  sem  autorização  judicial,  vez  que  não  houve  negativa  de  fornecimento  de  informações  sobre  movimentação  financeira,  dado  que  a  Fiscalização  Federal  recebeu,  sem  solicitar  e  sem  processo administrativo prévio, da Receita Estadual, as informações dos autos, as quais foram  fruto  de  quebra  de  sigilo  também  sem  processo  administrativo  prévio  e  sem  autorização  judicial.  Inicialmente  observe­se  que,  como  o  Fisco  Federal  não  dispunha  das  informações  referentes  ao  4o  trimestre/2009,  a  contribuinte  foi  intimada  a  apresentar  os  correspondentes  demonstrativos  (fls.  210/211),  e  não  o  fazendo  a  Fiscalização  entendeu  presentes  todos  os  pressupostos  previstos  no  art.  2o  da Portaria  SRF  180/2001  e  art.  3o  do  Decreto  3.724/2001  para  a  emissão  de  Requisição  de  Movimentação  Financeira  ­  RMF  dirigida às administradoras de cartões de crédito, conforme fls. 8518//9436.  Por  sua  vez,  com  base  no  art.  6o  da  Lei  Complementar  nº  105/2001,  o  Decreto nº 3.724/2001 estipulou em seu  art.  2o,  §5o  que a Secretaria da Receita Federal  do  Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor­Fiscal da Receita Federal do  Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras  e de  entidades  a  elas  equiparadas,  inclusive os  referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de  fiscalização  em  curso  e  tais  exames  forem  considerados  indispensáveis,  afirmando  indispensáveis  estes  exames  inclusive nas  hipóteses  do  art.  33  da Lei  nº  9.430/96,  dentre  as  quais  verifica­se  o  embaraço  à  fiscalização  caracterizado  pelo  não  fornecimento  de  informações  sobre  bens,  movimentação  financeira,  negócio  ou  atividade,  próprios  ou  de  terceiros, quando intimado o sujeito passivo.  Fl. 9835DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 14          13 Com  referência  às  informações  fornecidas  pelo  Fisco  Estadual,  como  bem  observa a decisão recorrida:  O repasse de dados dos contribuintes feito por Fiscos Estaduais ao Fisco Federal é  amparado  em  convênios  firmados  pelos  órgãos  fiscais  competentes,  conforme  determinado no art.199 do CTN:  Art.199.  A  Fazenda  Pública  da  União  e  as  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  prestar­se­ão  mutuamente  assistência  para  a  fiscalização  dos  tributos  respectivos  e  permuta  de  informações,  na  forma  estabelecida,  em  caráter  geral  ou  específico, por lei ou convênio.   No caso em questão, existe o Convênio de Cooperação Técnica entre a União e o  Estado do Espírito Santo, celebrado em 17 de abril de 2003, conforme informado  no Termo Final.  E, quanto à obtenção, pelo Fisco Estadual, das informações de operações com  cartões de crédito e de débito, importa ter em conta a disciplina específica acerca da emissão de  cupons fiscais, contida no Regulamento do ICMS do Estado do Espírito Santo, aprovado pelo  Decreto nº 1.090­R, de 25 de outubro de 2002:  Art. 658. A impressão de comprovante de crédito ou débito, referente ao pagamento  efetuado mediante utilização de cartão de crédito ou de débito, realizado por meio  de transferência eletrônica de dados, deverá ocorrer no ECF, vedada a utilização,  no estabelecimento do contribuinte, de equipamento do tipo Point of Sale (POS) ou  qualquer outro que possua recursos que possibilitem ao contribuinte usuário a não  emissão do comprovante.  § 1.º É vedada, também, a utilização de equipamento para transmissão eletrônica de  dados:  I ­ que possua circuito eletrônico para controle de mecanismo impressor; ou   II ­ capaz de capturar assinaturas digitalizadas que possibilitem o armazenamento e  a  transmissão  de  cupons  de  venda  ou  comprovantes  de  pagamento,  em  formato  digital, por meio de redes de comunicação de dados, sem a correspondente emissão,  pelo ECF, dos comprovantes referidos no caput.  §  2.º  A  operação,  com  pagamento  efetuado  por  meio  de  cartão  de  crédito  ou  débito,  ou  assemelhado,  não  deverá  ser  concretizada  sem  que  a  impressão  do  comprovante tenha sido realizada no ECF, ressalvado o disposto nos §§ 3.º e 9.º  (Redação dada pelo Decreto n.º 1.334­R, de 24.05.04)  § 3.º Fica assegurada, ao contribuinte usuário de ECF, a utilização do equipamento  do  tipo  Point  of  Sale  (POS),  excepcionalmente,  sempre  que  o mesmo  optar  por  autorizar  a  administradora  de  cartão  de  crédito  ou  débito,  na  forma  do  Anexo  LIII,  a  fornecer  o  faturamento  do  estabelecimento  usuário  do  equipamento  à  SEFAZ, na forma e nos prazos de que trata este artigo.  § 3.º­A. A emissão e impressão de comprovante de pagamento efetuado com cartão  de  crédito  ou  de  débito  automático  em  conta  corrente,  por  equipamento  POS  ou  qualquer outro não  integrado ao ECF,  somente  serão admitidas  se o mesmo fizer  constar,  impresso  no  referido  comprovante,  o  número  de  inscrição  no  CNPJ  do  estabelecimento usuário onde  se encontre  instalado o  equipamento.  (redação dada  ao pelo Decreto n.º 2.644­R, de 27.12.10, efeitos a partir de 01.04.11)  § 4.º A opção deverá ser registrada pelo contribuinte no livro Registro de Utilização  de  Documentos  Fiscais  e  Termos  de  Ocorrência,  mantendo  anexada  a  cópia  do  termo de autorização a que se refere o § 3.º e o comprovante de recebimento pela  Fl. 9836DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 15          14 administradora, remetido sob registro postal. (redação dada pelo Decreto n.º 2.301­ R, de 17.07.09, efeitos a partir de 20.07.09)  §  5.º  As  administradoras  ou  operadoras  de  cartão  de  crédito  ou  de  débito  entregarão à SEFAZ, até o último dia do mês subseqüente ao da ocorrência, os  arquivos  eletrônicos  contendo  as  informações  relativas  a  todas  as  operações  de  crédito ou débito,  com ou  sem  transferência  eletrônica  de  fundos,  realizadas no  mês  anterior,  de  acordo  com o Manual  de Orientação  constante  do Anexo LIV,  procedendo  da  seguinte  forma:  (redação  dado  pelo  Decreto  n.º  1.921­R,  de  20.09.07, efeitos a partir de 21.06.07)  I  ­  o  conteúdo  do  arquivo  a  ser  transmitido  será  submetido  à  validação,  com  utilização  do  programa  validador  TEF,  disponível  na  internet,  no  endereço  eletrônico www.sefaz.es.gov.br ; e   II  ­  a  transmissão  do  arquivo  será  realizada  com  utilização  do  programa  transmissor  TED,  disponível  na  internet,  no  endereço  eletrônico  www.sefaz.es.gov.br.  III ­ na hipótese de contingência que impossibilite o envio das informações referidas  no  §  5.º,  a  administradora  ou  a  operadora  deverão  comunicar  o  fato,  no  prazo  máximo  de  cinco  dias  úteis,  por  correspondência  registrada  à  Supervisão  de  Automação Comercial da Gerência Fiscal, localizada à Av. Jerônimo Monteiro, n.º  96,  Vitória,  ES,  CEP  29010­002,  justificando  a  contingência  e  solicitando  novo  prazo, de até quinze dias; (incluído pelo Decreto n.º 1.921­R, de 20.09.07, efeitos de  21.06.07 até 31.07.12)  IV ­ a omissão na remessa das informações, dentro do prazo estabelecido no caput e  sem a  justificativa prevista no  inciso III,  sujeita a administradora ou a operadora  responsável  pelo  cartão  de  crédito  ou  débito,  às  penalidades  previstas.  (incluído  pelo Decreto n.º 1.921­R, de 20.09.07, efeitos de 21.06.07 até 31.07.12)  §  6.º  A  opção  do  contribuinte  perderá,  automaticamente,  a  eficácia,  no  caso  de  descumprimento, pela administradora, das obrigações de que tratam os §§ 5.º e 8.º.  (incluído pelo Decreto n.º 1.217­R, de 24.09.03, efeitos de 25.09.03 até 31.07.12)  § 7.º Os novos contribuintes poderão formalizar a opção prevista no §1º, até trinta  dias após a concessão da inscrição estadual. (incluído pelo Decreto n.º 1.217­R, de  24.09.03, efeitos de 25.09.03 até 31.07.12)  § 8.º A Gerência Fiscal e a Subgerência Fiscal da região a que estiver circunscrito  o contribuinte poderão exigir, a qualquer tempo, a entrega de relatório impresso  em  papel  timbrado  da  administradora,  contendo  a  totalidade  ou  parte  das  informações  apresentadas  em  meio  eletrônico.  (redação  dada  pelo  Decreto  n.º  2.632­R, de 15.12.10, efeitos de 16.02.10 até 31.07.12)  §  9.º  A  empresa  não  enquadrada  na  condição  de  administradora  de  cartão  de  crédito ou de débito, que administre controle informatizado de meios de pagamento,  a  ser  operado  no  recinto  de  atendimento  ao  público  por  estabelecimento  de  contribuinte  do  imposto,  e  que  necessite  fazê­lo,  por  impossibilidade  operacional,  sem  a  devida  integração  ao  ECF;  deverá  apresentar  requerimento  à  Gerência  Fiscal,  instruído  com:  (incluído  pelo Decreto  n.º  1.334­R,  de  24.05.04,  efeitos  de  25.05.04 até 31.07.12)  I  ­  cópia  do  contrato  social,  registro  de  firma  individual,  estatuto  ou  do  ato  de  constituição de sociedade, atualizados, arquivados na Junta Comercial;  II  ­  esclarecimentos  quanto  aos  controles  e  equipamentos  que  deseja  ver  autorizados ao uso nos estabelecimentos conveniados;  III ­ declaração, sob pena de imputação de responsabilidades civis e penais, de que  o controle e equipamento não possui dispositivo ou função capaz de viabilizar, ao  Fl. 9837DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 16          15 seu  operador,  ou  ao  seu  usuário,  a  ocultação  de  informações  processadas,  para  impedir a disponibilização de que trata o inciso V;  IV  ­ manual de operação dos  controles  e  equipamentos,  impresso  e  rubricado em  todas  as  suas  folhas,  onde  deverão  constar  os  esclarecimentos  quanto  a  todas  as  suas funções; e   V ­ cópia do modelo de contrato a ser celebrado com os estabelecimentos usuários,  onde conste cláusula dispondo que as informações processadas através do sistema  serão  disponibilizadas  à  SEFAZ,  até  o  último  dia  do mês  subseqüente  ao  do  seu  processamento,  de  acordo  com o Manual  de Orientação  constante  do Anexo LIV.  (redação dada pelo Decreto n.º 1.921­R, de 20.09.07, efeitos a partir de 21.06.07)  § 10. A autorização referida no § 9.º será efetivada mediante a celebração de termo  de compromisso, devendo a empresa autorizada observar, ainda, o disposto no art.  655,  §  2.º.  (redação  dada  ao  pelo  Decreto  n.º  1.921­R,  de  20.09.07,  efeitos  de  21.06.07 até 31.07.12)  § 11. A autorização de que  trata o § 10 perderá, automaticamente,  a eficácia, no  caso de descumprimento, pela  solicitante, da obrigação de que  trata o art. 655, §  2.º, II. (redação dada pelo Decreto n.º 1.921­R, de 20.09.07, efeitos de 21.06.07 até  31.07.12)  § 12. A Gerência Fiscal e a Subgerência Fiscal da região a que estiver circunscrito  o contribuinte poderão exigir, a qualquer tempo, a entrega de relatório impresso em  papel timbrado da empresa autorizada na forma do § 10, contendo a totalidade ou  parte  das  informações  apresentadas  em  conformidade  com  o  art.  655,  §  2.º,  II.  (redação  dada  pelo  Decreto  n.º  2.632­R,  de  15.12.10,  efeitos  de  16.02.10  até  31.07.12) (negrejou­se)  Referido  dispositivo  regulamentar  foi  substituído  pelo  art.  699­Z­N  a  partir  da edição do Decreto nº 3.053­R, de 12 de julho de 2012, mas sem alterações substanciais, no  que aqui importa:  Art.  699­Z­N.  A  impressão  de  comprovante  de  crédito  ou  débito,  referente  ao  pagamento efetuado mediante utilização de cartão de crédito ou de débito, realizado  por meio  de  transferência  eletrônica  de  dados,  deverá  ocorrer  no ECF,  vedada a  utilização, no estabelecimento do contribuinte, de equipamento do tipo Point of Sale  – POS –  ou  qualquer  outro  que  possua  recursos  que  possibilitem ao  contribuinte  usuário a não emissão do comprovante.  § 1.º É vedada, também, a utilização de equipamento para transmissão eletrônica de  dados:  I ­ que possua circuito eletrônico para controle de mecanismo impressor; ou   II ­ capaz de capturar assinaturas digitalizadas que possibilitem o armazenamento e  a  transmissão  de  cupons  de  venda  ou  comprovantes  de  pagamento,  em  formato  digital, por meio de redes de comunicação de dados, sem a correspondente emissão,  pelo ECF, dos comprovantes referidos no caput.  §  2.º  A  operação,  com  pagamento  efetuado  por  meio  de  cartão  de  crédito  ou  débito,  ou  assemelhado,  não  deverá  ser  concretizada  sem  que  a  impressão  do  comprovante tenha sido realizada no ECF, ressalvado o disposto nos §§ 3.º e 9.º.  § 3.º Fica assegurada ao contribuinte usuário de ECF a utilização do equipamento  do tipo POS, excepcionalmente, desde que:  I ­ o mesmo opte por autorizar a administradora de cartão de crédito ou débito, na  forma  do  Anexo  LIII,  a  fornecer  o  faturamento  do  estabelecimento  usuário  do  equipamento à Sefaz, na forma e nos prazos de que trata este artigo; e   Fl. 9838DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 17          16 II ­ o equipamento faça constar, impresso no respectivo comprovante de crédito ou  de  débito,  o  número  de  inscrição  no  CNPJ  do  estabelecimento  usuário  onde  se  encontre o mesmo instalado.  § 4.º A opção deverá ser registrada pelo contribuinte no livro Registro de Utilização  de  Documentos  Fiscais  e  Termos  de  Ocorrência,  mantendo  anexada  a  cópia  do  termo de autorização a que se refere o § 3.º, I, e o comprovante de recebimento pela  administradora, remetido sob registro postal.  §  5.º  As  administradoras  ou  operadoras  de  cartão  de  crédito  ou  de  débito  entregarão  à  Sefaz,  até  o  último  dia  do  mês  subsequente  ao  da  ocorrência,  os  arquivos  eletrônicos  contendo  as  informações  relativas  a  todas  as  operações  de  crédito ou débito,  com ou  sem  transferência  eletrônica  de  fundos,  realizadas no  mês  anterior,  de  acordo  com o Manual  de Orientação  constante  do Anexo LIV,  procedendo da seguinte forma:  I  ­  o  conteúdo  do  arquivo  a  ser  transmitido  será  submetido  à  validação,  com  utilização  do  programa  validador  TEF,  disponível  na  internet,  no  endereço  eletrônico www.sefaz.es.gov.br;  II  ­  a  transmissão  do  arquivo  será  realizada  com  utilização  do  programa  transmissor  TED,  disponível  na  internet,  no  endereço  eletrônico  www.sefaz.es.gov.br;  III ­ na hipótese de contingência que impossibilite o envio das informações referidas  no § 5.º, a administradora ou a operadora deverão comunicar o fato, no prazo de  cinco  dias  úteis,  por  correspondência  registrada  à  Supervisão  de  Automação  Comercial da Gerência Fiscal, localizada à Av. Jerônimo Monteiro, 96, Vitória, ES,  CEP 29010­002, justificando a contingência e solicitando novo prazo, de até quinze  dias; e IV ­ a omissão na remessa das informações, dentro do prazo estabelecido no  caput  e  sem  a  justificativa  prevista  no  inciso  III,  sujeita  a  administradora  ou  a  operadora responsável pelo cartão de crédito ou débito, às penalidades previstas.  §  6.º  A  opção  do  contribuinte  perderá,  automaticamente,  a  eficácia,  no  caso  de  descumprimento, pela administradora, das obrigações de que tratam os §§ 5.º e 8.º.  § 7.º Os novos contribuintes poderão formalizar a opção prevista no §1.º, até trinta  dias após a concessão da inscrição estadual.  § 8.º A Gerência Fiscal e a Subgerência Fiscal da região a que estiver circunscrito  o contribuinte poderão exigir, a qualquer  tempo, a entrega de relatório impresso  em papel timbrado da:  I ­ da administradora, contendo a totalidade ou parte das informações apresentadas  em meio eletrônico; ou   II  ­  da empresa autorizada na  forma do § 10,  contendo a  totalidade ou parte das  informações apresentadas em conformidade com o art. 699­Z­L, § 2.º, II.  §  9.º  A  empresa  não  enquadrada  na  condição  de  administradora  de  cartão  de  crédito ou de débito, que administre controle informatizado de meios de pagamento,  a  ser  operado  no  recinto  de  atendimento  ao  público  por  estabelecimento  de  contribuinte  do  imposto,  e  que  necessite  fazê­lo,  por  impossibilidade  operacional,  sem  a  devida  integração  ao  ECF;  deverá  apresentar  requerimento  à  Gerência  Fiscal, instruído com:  I  ­  cópia  do  contrato  social,  registro  de  firma  individual,  estatuto  ou  do  ato  de  constituição de sociedade, atualizados, arquivados na Junta Comercial;  II  ­  esclarecimentos  quanto  aos  controles  e  equipamentos  que  deseja  ver  autorizados ao uso nos estabelecimentos conveniados;  Fl. 9839DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 18          17 III ­ declaração, sob pena de imputação de responsabilidades civis e penais, de que  o controle e o equipamento não possuem dispositivo ou função capazes de viabilizar  ao seu operador, ou ao seu usuário, a ocultação de informações processadas para  impedir a disponibilização de que trata o inciso V;  IV  ­ manual de operação dos  controles  e  equipamentos,  impresso  e  rubricado em  todas  as  suas  folhas,  onde  deverão  constar  os  esclarecimentos  quanto  a  todas  as  suas funções; e   V ­ cópia do modelo de contrato a ser celebrado com os estabelecimentos usuários,  onde conste cláusula dispondo que as informações processadas através do sistema  serão  disponibilizadas  à  Sefaz,  até  o  último  dia  do  mês  subsequente  ao  do  seu  processamento, de acordo com o Manual de Orientação constante do Anexo LIV.  § 10. A autorização referida no § 9.º:  I  ­  será  efetivada  mediante  a  celebração  de  termo  de  compromisso,  devendo  a  empresa autorizada observar, ainda, o disposto no art. 699­Z­L, § 2.º; e  II  ­  perderá,  automaticamente,  a  eficácia,  no  caso  de  descumprimento,  pela  solicitante, da obrigação de que trata o art. 699­Z­L, § 2.º, II. (negrejou­se)   No  presente  caso,  observa­se  que  as  respostas  encaminhadas  pelas  administradoras  de  cartões  ao  Fisco  Estadual  resultaram  de  ofícios  que  lhes  foram  encaminhados pela Gerência Fiscal da  região,  consoante autoriza o §8o do então vigente  art.  658 do Regulamento do ICMS do Estado do Espírito Santo. Por sua vez, estes ofícios foram  expedidos  no  curso  do  procedimento  fiscal  (originados  da  ordem  de  fiscalização  nº  2008­ 00466 de 02/10/2008, conforme fl. 4332), e assim estão amparados pela Lei Complementar nº  105/2001:  Art.  6o As  autoridades  e  os  agentes  fiscais  tributários  da União,  dos  Estados,  do  Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos,  livros e  registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela  autoridade administrativa competente.  Quanto  à  necessidade  de  prévia  autorização  judicial  para  obtenção  destas  informações,  como  já dito,  tal  procedimento  tem amparo no  art.  6o  da Lei Complementar nº  105/2001, objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, mas que ainda aguarda julgamento no  Supremo  Tribunal  Federal  em  rito  de  repercussão  geral,  sob  relatoria  do  Ministro  Ricardo  Lewandowski.  A  decisão  que  reconheceu  a  repercussão  geral  desta  matéria  foi  assim  ementada:  EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações  sobre  movimentação  bancária  de  contribuintes,  pelas  instituições  financeiras,  diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001).  Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários  referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão  constitucional. Existência de repercussão geral.  Assim, como ainda não  foi  editada decisão definitiva de mérito no  referido  recurso extraordinário, nada há que imponha a reprodução, pelos Conselheiros, no julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF,  do  entendimento  manifestado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal em outros casos semelhantes, até porque o Decreto nº 70.235/72 somente autoriza os  Fl. 9840DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 19          18 órgãos  administrativos  de  julgamento  a  afastar  a  aplicação  de  lei  que  tenha  sido  declarada  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal:  Art. 26­A. No âmbito do processo administrativo fiscal,  fica vedado aos órgãos de  julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009)  [...]  § 6o O disposto no  caput deste artigo não  se aplica aos  casos de  tratado, acordo  internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do  Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  II  –  que  fundamente  crédito  tributário  objeto  de:(Incluído  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do Procurador­Geral  da  Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de  2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar  no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  c) pareceres do Advogado­Geral da União aprovados pelo Presidente da República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993.  (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  É  certo  que  o  art.  6o  da  Lei  Complementar  nº  105/2001  foi  objeto  de  apreciação  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  caso  concreto  que  ali  chegou  por  meio  do  Recurso Extraordinário nº 389.808, decidido em 10/05/2011 nos termos da seguinte ementa:  SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo  5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às  comunicações  telegráficas,  aos  dados  e  às  comunicações,  ficando a  exceção –  a  quebra  do  sigilo  –  submetida  ao  crivo  de  órgão  equidistante  –  o  Judiciário  –  e,  mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal.  SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta  da  República  norma  legal  atribuindo  à  Receita  Federal  –  parte  na  relação  jurídico­tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.  Contudo, a Procuradoria Geral da República opôs embargos de declaração a  esta decisão, os quais aguardam julgamento, estando conclusos ao relator desde 09/11/2011, de  modo que não se verificou o trânsito em julgado, não se podendo falar, aqui, da existência de  decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, declarando a  inconstitucionalidade  do  dispositivo  legal  que  autoriza  o  procedimento  aqui  utilizado  para  reunião  das  provas  que  fundamentam a exigência.  Ademais,  em  recente  decisão  publicada  em  01/07/2013,  a  4a  Turma  do  Tribunal Regional da 3a Região assim se manifestou nos autos do Agravo de  Instrumento nº  2012.03.00.004864­1/SP:  AGRAVO DE INSTRUMENTO ­ EXECUÇÃO FISCAL ­ INCLUSÃO DE EMPRESA  ­  DECADÊNCIA  ­  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  SEM  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL.  Fl. 9841DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 20          19 1.  A  matéria  relativa  à  inconstitucionalidade  da  quebra  de  sigilo  bancário  pela  fiscalização sem autorização judicial ainda não se encontra dirimida no âmbito do  C. Superior Tribunal Federal e atualmente encontra­se afetada ao plenário em sede  de repercussão geral no RE 601.314.  2.  Embora  deva  ser  respeitado  o  direito  à  privacidade,  não  podem  ser  anulados  outros  vetores  da  Constituição  Federal,  tais  como  o  princípio  da  igualdade  na  tributação e o princípio da capacidade contributiva.  3.  Conquanto  a  regra  seja  a  proteção  do  sigilo  bancário,  se  a  situação  fática  apresentar­se de modo suspeito, de rigor a verificação da movimentação bancária.  4. A  prerrogativa  conferida  ao  fisco  pela Lei Complementar  nº  105/2001 não  lhe  permite, a seu talante, devassar a vida de quem quer que seja. A quebra do sigilo  bancário,  como  restrição do  direito  à  privacidade  do  cidadão,  somente  há  de  ser  permitida  ante  a  necessidade  do  procedimento,  a  bem  de  interesses  igualmente  insculpidos na nossa Constituição e seguindo o devido processo legal.  5.  Há  de  ser  resguardada  a  privacidade  do  indivíduo  e  protegido  o  interesse  público,  que  exsurge  da  necessidade  de  que  todos  sejam  tratados  de  maneira  isonômica, inclusive no campo da tributação.  6.  Aplicação  dos  princípios  da  Unidade  da  Constituição  e  da  mútua  cedência,  mediante interpretação harmônica dos dispositivos constitucionais.  7.  A  quebra  do  sigilo  bancário  não  pode  ser  feita  de  forma  desmedida,  qualquer  abuso  da  autoridade  poderá  ser  analisado  pelo  Poder  Judiciário,  que  deverá  conformar a atividade fiscal aos exatos termos de sua atuação vinculada, sob pena  de se permitir que seja transformada a prerrogativa constante da Lei n. 10.174/01  em mecanismo de perseguições e desmandos.  8.  O  magistrado  deve  verificar,  caso  a  caso,  se  o  sigilo  bancário  há  de  ser  compatibilizado com outros princípios norteadores da Constituição, ou se, no caso  em concreto, tal quebra afrontaria diretamente direito insculpido na Constituição.  9.  A  situação  fática  apresentou­se  de  modo  suspeito,  fazendo­se  necessária  a  verificação da movimentação financeira da executada, para comprovar a confusão  patrimonial entre a ela e as novas pessoas jurídicas criadas para dar continuidade  às atividades que exercia anteriormente.  10. Ante o panorama fático, não se vislumbra inconstitucionalidade ou ilegalidade  na  quebra  de  sigilo  bancário  e  de  movimentação  financeira  sem  autorização  judicial.  11.  O  Código  Tributário  Nacional  disciplina  a  decadência,  em  decorrência  da  anulação do lançamento anteriormente efetivado, no seu artigo 173, inciso II, mas  somente o vício formal enseja a aplicação deste dispositivo.  12.  A  anulação  do  lançamento  por  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo  da  obrigação tributária não é considerado vício formal pela jurisprudência assente do  E. Superior Tribunal de Justiça. Súmula n. 392.  13.  Impossibilidade  de  se  aferir  a  imutabilidade  da  decisão  administrativa  que  anulou o  lançamento  e de  se examinar a argüição de decadência,  que poderá ser  melhor  dirimida  em  sede  de  eventuais  embargos  à  execução,  com  ampla  dilação  probatória.  14. Agravo de instrumento desprovido.  A Desembargadora Federal Marli Ferreira abordou os efeitos do julgamento  do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR nos seguintes termos:  Fl. 9842DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 21          20 Ressalte­se, contudo, que o Plenário do C. Supremo Tribunal Federal, em apertada  votação  (4  votos vencidos),  obstou o acesso da Receita Federal,  com base na Lei  Complementar  nº  105/01,  na  Lei  nº  10.174/01  e  no  art.  4º  do  Dec.  3.724,  de  10/01/2001,  aos  dados  bancários  dos  contribuintes,  sem  autorização  judicial,  quando  do  julgamento  do RE  nº  389808/PR,  de  relatoria  do  e. Ministro MARCO  AURÉLIO, cujo acórdão vem assim ementado:  'SIGILO DE DADOS ­ AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo  5º  da  Constituição  Federal,  a  regra  é  a  privacidade  quanto  à  correspondência,  às  comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção ­ a quebra  do sigilo  ­ submetida ao crivo de órgão equidistante  ­ o  Judiciário  ­ e, mesmo assim,  para  efeito  de  investigação  criminal  ou  instrução  processual  penal.  SIGILO  DE  DADOS  BANCÁRIOS  ­  RECEITA  FEDERAL.  Conflita  com  a  Carta  da  República  norma  legal  atribuindo  à  Receita  Federal  ­  parte  na  relação  jurídico­tributária  ­  o  afastamento  do  sigilo  de  dados  relativos  ao  contribuinte.'  (RE  389808/PR,  Tribunal  Pleno, Dje 09­05­2011)  Ocorre  que  essa  Corte  Superior  ostenta  posicionamentos  díspares  acerca  da  matéria, como se depreende dos acórdãos a seguir transcritos:  'PENAL  E  PROCESSUAL  PENAL.  INQUÉRITO.  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO.  COMPARTILHAMENTO  DAS  INFORMAÇÕES  COM  A  RECEITA  FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I ­ Não é cabível, em sede  de inquérito, encaminhar à Receita Federal informações bancárias obtidas por meio de  requisição judicial quando o delito investigado for de natureza diversa daquele apurado  pelo fisco. II  ­ Ademais, a autoridade fiscal, em sede de procedimento administrativo,  pode  utilizar­se  da  faculdade  insculpida  no  art.  6º  da  LC  105/2001,  do  que  resulta  desnecessário o compartilhamento in casu. III ­ Agravo regimental desprovido.'(grifei)  (Inq 2593 AgR/DF, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, DJe 15­02­2011)  'RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TUTELA DE URGÊNCIA  (PODER GERAL DE  CAUTELA).  REQUISITOS.  AUSÊNCIA.  PROCESSUAL  CIVIL.  REFERENDO  DE  DECISÃO  MONOCRÁTICA  (ART.  21,  V  DO  RISTF).  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  DADOS  BANCÁRIOS  PROTEGIDOS  POR  SIGILO  .  TRANSFERÊNCIA  DE  INFORMAÇÕES  SIGILO  SAS  DA  ENTIDADE  BANCÁRIA  AO  ÓRGÃO  DE  FISCALIZAÇÃO  TRIBUTÁRIA  FEDERAL  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL.  LEI  COMPLEMENTAR  105/2001.  LEI  10.174/2001.  DECRETO  3.724/2001. A  concessão  de  tutela  de  urgência  ao  recurso  extraordinário  pressupõe  a  verossimilhança da alegação e o risco do transcurso do tempo normalmente necessário  ao processamento do recurso e ao julgamento dos pedidos. Isoladamente considerado, o  ajuizamento  de  ação  direta  de  inconstitucionalidade  sobre  o  tema  é  insuficiente  para  justificar a concessão de tutela de urgência a todo e qualquer caso. Ausência do risco da  demora,  devido  ao  considerável  prazo  transcorrido  entre  a  sentença  que  denegou  a  ordem  e  o  ajuizamento  da  ação  cautelar,  sem  a  indicação  da  existência  de  qualquer  efeito  lesivo  concreto  decorrente  do  ato  tido  por  coator  (21.09.2001  ­  30.06.2003).  Medida liminar não referendada. Decisão por maioria.'   (AC  33  MC/PR,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  Rel.  p/  Acórdão:  Min.  JOAQUIM  BARBOSA, DJe 10­02­2011)  Observe­se  que,  nessa  Cautelar,  considerou­se  que,  em  razão  da  ausência  de  decisão do próprio Supremo Tribunal Federal nas ações diretas nas quais se discute  a constitucionalidade das leis que autorizam a requisição de informações bancárias  pela Receita Federal  (ADI  2386/DF, ADI  2390/DF  e ADI  2397/DF),  não  haveria  verossimilhança da alegação. Restou ressaltado, ainda, o princípio da presunção de  constitucionalidade das leis.   Por  estas  razões,  deve  ser  REJEITADA  a  argüição  de  nulidade  do  lançamento em razão do acesso às informações bancárias da pessoa jurídica autuada.  Fl. 9843DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 22          21 No mérito,  a  recorrente  reitera  a  alegação  de  que  promoveu  recolhimentos  espontâneos  em  2008  em  razão  de  diferenças  posteriormente  apuradas,  observando  que  não  houve  retificação  das  declarações  prestadas,  e  acrescentando  que  a  autoridade  fiscal  foi  advertida destas circunstâncias.   Ocorre  que  a  exigência  tem  em  conta,  apenas,  receitas  omitidas  conforme  quadro abaixo, correspondente ao período referido na defesa:    Assim,  para  além  de  alegar  que  promoveu  recolhimentos  espontâneos,  a  defesa  deve  demonstrar  que  eles  corresponderiam  às  receitas  omitidas.  E,  embora  esta  circunstância tenha sido observada na decisão recorrida, a interessada nada juntou em recurso  voluntário  para  justificar  suas  alegações,  novamente  escorando­se  no  fato  de  que  lhe  foram  sonegadas  as  cópias  dos  pagamentos  das  administradoras  de  crédito  e  débito,  e  apenas  cogitando que como não houve retificação das declarações, os recolhimentos espontaneamente  promovidos devem correspondem à receita omitida lançada. Ausente demonstração do regular  recolhimento  dos  tributos  devidos  sobre  as  receitas  escrituradas  não  há  como  imputar  às  exigências de ofício os pagamentos alegados na defesa.  Quanto  à  possibilidade  de  confusão  entre  faturamento  e  recebimento  da  administradora,  a  abordagem  da  autoridade  julgadora  de  1a  instância,  questionada  pela  recorrente,  apresenta  impropriedades  mas  não  altera  o  resultado  do  julgamento,  pois  basta  observar que as informações prestadas pelas administradoras de cartões de crédito e de débito  individualizam as transações ocorridas, e não o crédito repassado ao beneficiário. Isto porque  na RMF  exige­se  as  operações  com  cartão  de  crédito  (ou  de  débito),  discriminadas  uma  a  uma, contendo data, número do comprovante, valor bruto, totalizadas mês a mês, assim como  o art. 658 do Regulamento do ICMS do Estado do Espírito Santo determina que informações  da mesma  espécie  sejam  prestadas,  com ou  sem  transferência  eletrônica  de  fundos,  ou  seja,  tendo em conta a data em que a operação paga com cartão de crédito ou débito é realizada.   A  recorrente  também  aduz  que  houve  arbitramento  dos  lucros  porque  a  escrituração  não  evidenciaria  os  estoques  trimestrais,  indispensável  para  apuração  do  lucro  real.  Ocorre  que  o  lançamento  foi  formalizado  segundo  a  opção  da  contribuinte  pelo  lucro  presumido, consoante expressamente declara a autoridade lançadora no Termo de Verificação  Fiscal (fl. 9451) e também se verifica nos Autos de Infração de IRPJ (fls. 9460/9473) e CSLL  Fl. 9844DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 23          22 (fls. 9487/9492).  Impróprios, assim, as alegações acerca da  impossibilidade de reconstituição  da escrituração durante o procedimento fiscal.   Por  fim,  a  recorrente  observa  que  a  acusação  nos  autos  não  é  de  falta  de  emissão  de  documentos  fiscais,  de  modo  que  existem  as  condições  de  apurar  as  possíveis  diferenças  de  recolhimentos  a  partir  dos  próprios  documentos.  Isto  porque  a  autoridade  julgadora de 1a instância assim se manifestou acerca de sua pretensão de ver excluídas, da base  tributável, receitas que não se sujeitavam à incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS:  A Impugnante alegou que teria havido incorreções na apuração das contribuições  de  Pis  e  Cofins,  em  face  da  variedade  de  mercadorias  que  vende  em  seu  estabelecimento, sendo que algumas são sujeitas a regimes especiais de tributação,  tais como bebidas, produtos hortícolas,  frutas, ovos, etc, com repercussão na base  de cálculo do Pis e da Cofins (regime cumulativo), concluindo que o auditor não fez  tal exclusão em seu levantamento.  Ora, a Impugnante teve a oportunidade de apontar/explicar eventuais divergências  entre  os  relatórios  dos  pagamentos  emitidos  pelas  administradoras  de  cartões  de  crédito/débito e as receitas escrituradas/declaradas (ECF), mas não foi o que vimos  nos autos.  Se havia algo de equivocado na apuração da base de cálculo destas contribuições,  cabia à Impugnante apontar o erro. Afinal, das diferenças ora tributadas de ofício  (receita omitida), como poderia a Fiscalização identificar a natureza da operação?  A  Impugnante  fora  intimada,  por  mais  de  uma  vez,  a  se  pronunciar/manifestar  acerca das diferenças  encontradas, mas preferiu outra  via,  conforme  já explicado  neste Voto.   Equivoca­se  a  recorrente  porque  a  acusação  é,  sim,  de  falta  de  emissão  de  documentos  fiscais.  Inclusive,  é  por  esta  conduta  reiterada  que  a  multa  de  ofício  foi  qualificada, consoante expresso na acusação fiscal:  A  realização de  operação mercantil  sem a  correspondente  emissão  de  documento  fiscal  [cupom  fiscal],  conforme  ficou  demonstrado  do  confronto  entre  as  receitas  apuradas  pela  fiscalização  com  base  nas  informações  prestadas  por  administradoras  de  cartões  e as  receitas  escrituradas/declaradas  [registradas nas  memórias  dos  ECF´s],  foi  prática  perpetrada  de  forma  reiterada  ao  longo  do  período  ora  fiscalizado  e  levada  a  efeito  pela  empresa  SUPERMERCADO  LUCIANO DAS NEVES LTDA, incorporada por Itapoã Supermercados Ltda.  [...]  Há  que  se  enfatizar  que  a  prática  acima  descrita  ocorreu  durante  três  anos  consecutivos e que foram utilizadas, no mesmo período, pela própria incorporadora  Itapoã Supermercados  e  suas  sucedidas,  empresas Auto Serviço Perim Ltda  [...] e  Supermercado Mata da Praia Ltda [...]. Além disto, estas empresas [...] registravam  em seus quadros  societários os mesmos  sócios da  empresa  Itapoã Supermercados  Ltda [...]  Assim, cumpria à recorrente identificar a natureza das transações com cartões  de crédito e débito cujos cupons  fiscais não  foram emitidos e provar que dentre elas haviam  parcelas que não se submeteriam à incidência de Contribuição ao PIS e de COFINS. E, como  antes demonstrado, os alegados  impedimentos de acesso àquelas  informações não se prestam  como argumentos de defesa.  Fl. 9845DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.721277/2012­55  Acórdão n.º 1101­001.164  S1­C1T1  Fl. 24          23 Diante  de  todo  o  exposto,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora                                Fl. 9846DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10580.911754/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2006 Direito ao crédito não conhecido. Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  2a  Turma  da  DRJ/BHE,  a  qual,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  pela  IMPROCEDÊNCIA  da  manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não  conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação  da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora  realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados  no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio  de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Data do fato gerador: 30/06/2006  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  Na  falta  de  comprovação  do  pagamento  indevido  ou  a maior,  não  há  que se falar de crédito passível de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecimento.  Em  sede  de  impugnação  e  de  recurso,  o  contribuinte  apresenta  os mesmos  argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e  da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor,  ainda  não  transitada  em  julgado,  perante  a  9ª  Vara  Federal  da  Seção  Judiciária  Federal  do  Distrito  Federal  sob  o  número  2009.34.00.031447­2,  de  modo  a  manter  a  integralidade  do  crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP.  É o relatório.  Voto             Admissibilidade do Recurso.  Tendo em vista que os  requisitos de admissibilidade do presente  recurso  se  fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão.  Mérito  Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que  houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional  de  Saúde,  Hospitais  e  Estabelecimentos  e  Serviços,  com  o  objetivo  de  suspensão  da  exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação,  na  forma  prevista  pela  Lei  nº  10.147/00,  com  as  alterações  posteriores  feitas  pela  Lei  nº  10.548/02, de modo a  isentar ou  impedir a  cobrança de  tais valores dos Hospitais e Clínicas  substituídos.  Nessa  decisão  de  primeira  instância  do  Pode  Judiciário  em  favor  ao  recorrente,  a  qual  está  em  segundo  grau  de  jurisdição,  a  segurança  foi  concedida  para  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911754/2009­11  Acórdão n.º 3802­003.482  S3­TE02  Fl. 112          3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o  PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado  o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título  de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos.  A partir da decisão  judicial  proferida pelo  Justiça Federal,  surge  a  seguinte  situação:  o  contribuinte  cumpre  a  determinação  judicial  e,  por  sua  conta  e  risco,  adota  esse  novo modelo  tributário para o  futuro  e aqui  sempre é bom  lembrar que essa decisão  judicial  ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o  seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se  antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial.  Pois bem!   Para  que  se  possa  promover  a  compensação  dos  pretensos  créditos,  necessário  se  faz  o  preenchimento  dos  requisitos  da  liquidez  e  certeza  decorrentes  do  artigo  170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A  compensação  tributária  dá­se  nas  condições  estipuladas  pela  lei,  entre  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  e  vincendos  do  sujeito  passivo.  Não  é  possível  o  encontro  de  contas  se  o  contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos.  No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária  que  suspende  a  exigibilidade  do  PIS  e  da  COFINS  proveniente  de  medicamentos  que  já  sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores,  bem  como  declaração  do  direito  dos  substituídos  à  compensação  de  todos  os  valores  indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta  situação,  por  sua  vez,  não  implica  no  reconhecimento  da  liquidez  e  da  certeza  dos  créditos  tributários.  A  compensação  de  tributos  devidos  com  créditos  do  particular  em  face  do  fisco  é  permitida  em  nossa  legislação,  desde  que  satisfeitos  certos  requisitos  para  tanto.  Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional,  no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja  estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda  Pública."   Desde  logo  se  verifica  que  o CTN  é  expresso  ao  afirmar  que  a  lei  poderá  permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos.  Não basta,  assim,  que  existam hipotéticos  pagamentos  de  um  tributo  posteriormente  julgado  indevido:  é preciso que  exista  a certeza do pagamento,  bem como o valor  atualizado do  seu  montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão  judicial que autorize a compensação de  créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN.   Interessante  observar  que  o  dispositivo  transcrito  acima  não  condiciona  a  compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que  somente  possa  compensar  créditos  aquele  que  tenha  uma  autorização  judicial  para  tanto.  O  caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do  CTN:  "Art.  66.  Os  casos  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  tributos  e  contribuições  federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação  Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor  no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes."   Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido  ou  a  maior  de  tributos  para  que  possa  surgir  o  direito  à  compensação.  Além  disso,  como  mencionado acima, os  créditos precisam ser  líquidos  e  certos. Assim,  se  inexiste pagamento  indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se  não  há  a  certeza  da  existência  dos  pagamentos  devidos,  ou  se  estes  não  são  líquidos,  não  é  possível compensar (art. 170 do CTN).   Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não  estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação.  Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma  decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou  pelo  CONHECIMENTO  do  presente  recurso  e  dele NEGO­LHE  provimento  para manter  a  decisão de primeira instância.      (assinado digitalmente)  Cláudio Augusto Gonçalves Pereira ­ Relator                                Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 12571.720025/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008, 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETAMENTE PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. COLETA DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS. DOCUMENTOS EXTERNOS PROVA EMPRESTADA. DADOS CONSTANTES EM RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO DE INTERESSE ESTADUAL. Os órgãos da Secretaria da Receita Federal e os órgãos correspondentes dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal permutarão entre si, mediante convênio ou pela forma que for estabelecida, as informações fiscais de interesse recíproco. A prova emprestada deverá ser examinada em si mesma, pois em certos casos, devem servir como indicador da irregularidade e não como fato incontestável, sujeito à incidência do imposto na esfera federal. O fato de a fiscalização utilizar dados relativos à receita bruta através de relatórios de fiscalização de interesse Estadual, com informações do valor das vendas de produtos, por si só, não implica em nulidade do lançamento, mormente se a autoridade lançadora se aprofundou nas investigações com vistas a caracterizar, adequadamente, a matéria tributável. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS E POR MEIO DE NOTAS FISCAIS PARALELAS. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR APURADO E COMPROVADO PELA AUTORIDADE FISCAL LANÇADORA. Apurada omissão de receitas escrituradas e não declaradas, bem assim provenientes de saída de produtos sem a emissão de notas fiscais e por meio de notas fiscais paralelas, impõe-se a exigência dos tributos correspondentes. Assim, se a autoridade fiscal comprovar e apurar, através de documentos e levantamentos, que o contribuinte omitiu receitas tributáveis é de se manter o lançamento, mormente, quando o autuado não apresenta razões convincentes de que os fatos apurados não ocorreram da forma descrita pela autoridade fiscal lançadora. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O ICMS se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. A exclusão da parcela de ICMS, cobrada do vendedor na condição de contribuinte, não está elencada entre as exclusões das bases de cálculo do PIS e da COFINS permitidas pelas normas que regem tais contribuições. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. NOTA FISCAL INIDÔNEA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA. Cabível a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática de omissão de receitas amparada em nota fiscal inidônea (emissão notas fiscais paralelas). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas ou os rendimentos omitidos na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. RECURSO VOLUNTÁRIO DO COOBRIGADO. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Atribui-se a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Assim, são solidariamente obrigadas às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, entendidas como aquelas que atuam de forma direta, realizam individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultam na situação que faz surgir o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação ativa com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Preliminares Rejeitadas. Recursos Voluntários Negados.
Numero da decisão: 1402-001.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelos Recorrentes e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: NELSON MALLMANN

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secao_s : Primeira Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelos Recorrentes e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008, 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETAMENTE PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. COLETA DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS. DOCUMENTOS EXTERNOS PROVA EMPRESTADA. DADOS CONSTANTES EM RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO DE INTERESSE ESTADUAL. Os órgãos da Secretaria da Receita Federal e os órgãos correspondentes dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal permutarão entre si, mediante convênio ou pela forma que for estabelecida, as informações fiscais de interesse recíproco. A prova emprestada deverá ser examinada em si mesma, pois em certos casos, devem servir como indicador da irregularidade e não como fato incontestável, sujeito à incidência do imposto na esfera federal. O fato de a fiscalização utilizar dados relativos à receita bruta através de relatórios de fiscalização de interesse Estadual, com informações do valor das vendas de produtos, por si só, não implica em nulidade do lançamento, mormente se a autoridade lançadora se aprofundou nas investigações com vistas a caracterizar, adequadamente, a matéria tributável. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS E POR MEIO DE NOTAS FISCAIS PARALELAS. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR APURADO E COMPROVADO PELA AUTORIDADE FISCAL LANÇADORA. Apurada omissão de receitas escrituradas e não declaradas, bem assim provenientes de saída de produtos sem a emissão de notas fiscais e por meio de notas fiscais paralelas, impõe-se a exigência dos tributos correspondentes. Assim, se a autoridade fiscal comprovar e apurar, através de documentos e levantamentos, que o contribuinte omitiu receitas tributáveis é de se manter o lançamento, mormente, quando o autuado não apresenta razões convincentes de que os fatos apurados não ocorreram da forma descrita pela autoridade fiscal lançadora. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O ICMS se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. A exclusão da parcela de ICMS, cobrada do vendedor na condição de contribuinte, não está elencada entre as exclusões das bases de cálculo do PIS e da COFINS permitidas pelas normas que regem tais contribuições. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. NOTA FISCAL INIDÔNEA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA. Cabível a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática de omissão de receitas amparada em nota fiscal inidônea (emissão notas fiscais paralelas). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas ou os rendimentos omitidos na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. RECURSO VOLUNTÁRIO DO COOBRIGADO. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Atribui-se a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Assim, são solidariamente obrigadas às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, entendidas como aquelas que atuam de forma direta, realizam individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultam na situação que faz surgir o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação ativa com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Preliminares Rejeitadas. Recursos Voluntários Negados.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     2 direito  de  defesa  quando  concedida,  na  fase  de  impugnação,  ampla  oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO.  Descabe  o  pedido  de  diligência  quando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção.  Por  outro  lado,  as  perícias  devem  limitar­se  ao  aprofundamento  de  investigações  sobre  o  conteúdo  de  provas  já  incluídas  no  processo,  ou  à  confrontação  de  dois  ou  mais  elementos  de  prova  também  incluídos  nos  autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal.  Assim,  a perícia  técnica destina­se  a  subsidiar a  formação da  convicção do  julgador,  limitando­se  ao  aprofundamento  de  questões  sobre  provas  e  elementos  incluídos  nos  autos  não  podendo  ser  utilizada  para  suprir  o  descumprimento de uma obrigação prevista na legislação.  ÓRGÃOS  DA  ADMINISTRAÇÃO  PÚBLICA.  COLETA  DE  INFORMAÇÕES  ECONÔMICO­FISCAIS.  DOCUMENTOS  EXTERNOS  PROVA EMPRESTADA. DADOS CONSTANTES  EM RELATÓRIO DE  FISCALIZAÇÃO DE INTERESSE ESTADUAL.  Os órgãos da Secretaria da Receita Federal e os órgãos correspondentes dos  Estados, dos Municípios e do Distrito Federal permutarão entre si, mediante  convênio  ou  pela  forma  que  for  estabelecida,  as  informações  fiscais  de  interesse recíproco. A prova emprestada deverá ser examinada em si mesma,  pois  em certos  casos,  devem servir  como  indicador da  irregularidade  e  não  como fato incontestável, sujeito à incidência do imposto na esfera federal. O  fato  de  a  fiscalização  utilizar  dados  relativos  à  receita  bruta  através  de  relatórios de fiscalização de interesse Estadual, com informações do valor das  vendas  de  produtos,  por  si  só,  não  implica  em  nulidade  do  lançamento,  mormente  se  a  autoridade  lançadora  se  aprofundou  nas  investigações  com  vistas a caracterizar, adequadamente, a matéria tributável.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  RECEITAS  ESCRITURADAS  E  NÃO  DECLARADAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS  FISCAIS  E  POR  MEIO  DE  NOTAS  FISCAIS  PARALELAS.  LUCRO  PRESUMIDO.  FATO  GERADOR  APURADO  E  COMPROVADO  PELA  AUTORIDADE FISCAL LANÇADORA.   Apurada  omissão  de  receitas  escrituradas  e  não  declaradas,  bem  assim  provenientes de saída de produtos sem a emissão de notas fiscais e por meio  de notas fiscais paralelas, impõe­se a exigência dos tributos correspondentes.  Assim,  se  a  autoridade  fiscal  comprovar  e  apurar,  através de documentos  e  levantamentos, que o contribuinte omitiu receitas tributáveis é de se manter o  lançamento, mormente, quando o autuado não apresenta razões convincentes  de  que  os  fatos  apurados  não  ocorreram  da  forma  descrita  pela  autoridade  fiscal lançadora.  PIS.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  EXCLUSÃO  DO  ICMS.  IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.  O  ICMS se  inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos  termos das  Súmulas  68  e  94  do  STJ.  A  exclusão  da  parcela  de  ICMS,  cobrada  do  vendedor na  condição de  contribuinte,  não  está  elencada entre as  exclusões  das bases de cálculo do PIS e da COFINS permitidas pelas normas que regem  tais contribuições.  Fl. 16166DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 3          3 MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  NOTA  FISCAL  INIDÔNEA.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA.  Cabível a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da  Lei nº. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente  intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502,  de  1964. Caracteriza  evidente  intuito  de  fraude,  autorizando  a  aplicação  da  multa qualificada, a prática de omissão de receitas amparada em nota  fiscal  inidônea (emissão notas fiscais paralelas).  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  CARÁTER  DE  CONFISCO.  INOCORRÊNCIA.   A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento  de  ofício,  para  exigi­lo  com  acréscimos  e  penalidades  legais.  A  multa  de  lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo  Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista  em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150  da Constituição Federal  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFICIO.  RESPONSABILIDADE  OBJETIVA.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má­fé do contribuinte  não  descaracteriza  o  poder­dever  de  a  administração  lançar  com  multa  de  oficio  as  receitas  ou  os  rendimentos  omitidos  na  declaração  de  imposto  de  renda.  INCONSTITUCIONALIDADE.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.  Tratando­se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ)  constitui  prejulgado  às  exigências  fiscais  decorrentes,  no  mesmo  grau  de  jurisdição  administrativa,  em  razão  de  terem  suporte  fático  em  comum.  Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  implica  os  lançamentos  da  contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  da  Contribuição  Social  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS)  e  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes  outros lançamentos naquilo em que for cabível.  RECURSO VOLUNTÁRIO DO COOBRIGADO.   Fl. 16167DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     4 SOLIDARIEDADE.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  ART.  124,  I,  DO  CTN.  INTERESSE  COMUM.  HIPÓTESES  DE  IMPUTAÇÃO.  PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.  Atribui­se a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado  o  nexo  existente  entre  os  fatos  geradores  e  a  pessoa  a  quem  se  imputa  a  solidariedade passiva, nos termos do art. 124,  inciso I do Código Tributário  Nacional.  Assim,  são  solidariamente  obrigadas  às  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal,  entendidas  como  aquelas  que  atuam  de  forma  direta,  realizam  individual  ou  conjuntamente  com  outras  pessoas  atos  que  resultam  na  situação que faz surgir o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja  em relação ativa com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação.  Preliminares Rejeitadas.  Recursos Voluntários Negados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as  preliminares  suscitadas  pelos  Recorrentes  e,  no  mérito,  negar  provimento  aos  recursos,  nos  termos do voto do relator.       (Assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Paulo Roberto Cortez ­ Relator     Participaram do presente julgamento os Conselheiros  Leonardo de Andrade  Couto,  Frederico  Augusto  Gomes  de  Alencar,  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Moisés  Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.    Fl. 16168DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 4          5 Relatório  MAGNOJET  INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS  LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da  Delegacia da Receita Federal de  Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, de  forma  parcial,  os  lançamentos  tributários  efetivados,  interpõe  recurso  a  este  colegiado  administrativo objetivando a reforma da decisão em referência.  Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e  reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de  Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS),  relativas  aos  anos­calendário  de  2007  e  de  2008,  formalizadas  em  razão  da  imputação  de  insuficiência de recolhimento e omissão de receitas, baseada nas seguintes irregularidades:  1  ­  Ganho  com  precatórios  apurado  na  escrituração  contábil,  receitas  não  operacionais  (ano­calendário  2008).  Infração  capitulada  nos  arts.  521  e  528,  do  RIR/1999  ­  Multa de ofício normal de 75%;  2  ­ Omissão  de  receitas  da  atividade mediante  a  utilização  de  notas  fiscais  paralelas,  apuradas  por  meio  de  elementos  coletados  no  estabelecimento  da  pessoa  jurídica,  bem como de receitas da atividade sem emissão de notas  fiscais:  Infrações capitulada no art.  528 do RIR/1999 ­ Multa de ofício qualificada de 150%;  3 ­ Omissão de receitas da atividade escrituradas e não declaradas.  Infração  capitulada nos arts. 224 e 518, do RIR/1999 ­ Multa de ofício normal de 75%;  5  ­  Omissão  de  rendimentos  de  aplicações  financeiras  de  renda  fixa.  O  contribuinte não  incluiu na base de cálculo do  IRPJ e da CSLL os  rendimentos de aplicação  financeira de renda fixa. Infração capitulada nos arts. 224 e 518, do RIR/1999 ­ Multa de ofício  normal de 75%.  O  crédito  tributário  lançado  totalizou  R$  5.209.865,75  (cinco  milhões,  duzentos e nove mil, oitocentos e sessenta e cinco reais e setenta e cinco centavos), conforme  demonstrativo de fl.2, tendo sido lavrados os seguintes autos de infração:  1 – Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) – fls. 15738 a 15755 ­  Total: R$ 3.102.187,54. Enquadramento legal do imposto: Decreto nº 3.000, de 26 de março de  1999,  (Regulamento do  Imposto de Renda – RIR, de 1999), arts. 224, 518, 521, 528; Lei nº  9.430, de 1996, art. 25, I; Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º;  2 ­ Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) ­ fls. 15756 a 15772 ­  Total: R$ 1.277.329,95. Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro  de 1988, art. 2° e §§, 3º (com alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008);  Lei nº 9.249, de 1995, art. 20, 24; Lei nº 9.430, de 1996, art. 29, II; Lei nº 10.637, de 2002, art.  37;  Fl. 16169DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     6 3  – Contribuição  para  o  PIS  ­  fls.  15773  a  15789  ­  Total:  R$  146.955,38.  Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar (LC) nº 7, de 7 de setembro de 1970,  arts. 1º e 3°; Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, arts. 2º, I, a e parágrafo único, 3º,  10, 22 e 51; Lei nº 9.718, de 1998, arts. 1º, 2º e 3º;  4 ­ Contribuição para a Seguridade Social (COFINS) – fls. 15790 a 15806 ­  Total:  R$  683.392,88.  Enquadramento  legal  da  contribuição:  Decreto  nº  4.524,  de  17  de  dezembro de 2002, arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51; Lei nº 9.718, de 1998, arts. 1º,  2º e 3º.  Consta no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 15411 a 15429, que na  fiscalização  anterior  relativa  ao  IPI,  período  de  01/2005  a  12/2006,  tendo  em  vista  a  coincidência  de  fiscalização  com  a  Delegacia  da  Receita  Estadual  em  Jacarezinho,  foram  solicitados à Coordenação da Receita Estadual do Paraná quaisquer elementos que indicassem  possíveis infrações à legislação tributária federal. Foram, então, disponibilizados os elementos  apreendidos  pela  fiscalização  daquele  órgão,  relativos  aos  anos­calendário  de  2007  e  2008,  sendo  que  as  exigências  referentes  aos  anos  de  2005  e  2006  já  foram  formalizadas  nos  processos  nº  12571.000373/2010­75  (IRPJ,  PIS, COFINS  e CSLL)  e 12571.000375/2010­64  (IPI).  Informou  o  autuante,  tendo  recebido  as  provas  emprestadas  pela  Receita  Estadual  do  Paraná  e  depois  de  analisá­las,  intimou  a  contribuinte  e  ela  apresentou,  relativamente  ao  ano­calendário  de  2008,  o  livro  Diário,  Razão,  Registro  de  Entradas,  de  Saídas, de Apuração do ICMS e Inventário, notas fiscais idôneas de junho a dezembro/2008.  Relatou  o  autuante  que  as  vendas  de  produtos  do  período  de  01/2007  a  12/2008  apontadas  pela  Receita  Estadual  do  Paraná  como  realizadas  sem  nota  fiscal  ou  mediante  notas  fiscais  inidôneas  foram  cotejadas  e  confirmadas  como  tais  em  relação  à  escrituração  contábil  e  fiscal.  Em  26/02/2008,  o  Sr.  Osvaldo  de  Carvalho,  procurador  da  contribuinte e pai das sócias, acompanhou a cópia de arquivos extraídos de computadores da  fiscalizada  (fl.27),  cujos  elementos  fazem  parte  da  prova  emprestada.  Nessa  data,  referido  senhor  firmou declaração,  segundo  a qual  a  contribuinte  estaria  fazendo uso de notas  fiscais  paralelas  e  os  valores  constantes  nos  “Relatório  mensal  de  vendas”  e  “Comissão  Vendas”  espelham o faturamento real da empresa, etc.  A  fiscalização  confirmou os  fatos  relatados  na  declaração  acima  citada. As  vendas  ou  saídas  especificadas  como  “Valdinéia”  ou  “B1”,  fls.  14872­6565,  são  receita  de  vendas efetuadas com emissão de nota  fiscal,  conforme se constatou no Relatório Mensal de  Vendas 01/2007 a 02/2008, fls. 48­85, retidos pela fiscalização da Receita Estadual do Paraná  no domicílio tributário da empresa. Nesse relatório, a fiscalizada identificou também as vendas  sem  emissão  de  nota  fiscal  e  as  vendas  com  emissão  de  nota,  e  dentre  estas,  as  operações  efetuadas com notas  idôneas  (“Valdinéia” ou “B1”) e aquelas  realizadas  com a utilização de  notas  paralelas  (“Marivone”  ou  “B2”).  Em  complemento  ao  Relatório  Mensal  de  vendas  01/2007 a 02/2008, o  relatório  identificado  como Controle de C/C,  fls.  36­37, no qual  estão  demonstradas  as  receitas  auferidas  e  creditadas  na  conta  da  fiscalizada,  bem  como  aquelas  depositadas na conta do Sr. Osvaldo de Carvalho.  Informou  o  autuante  que,  ao  cotejar  os  valores  apurados  com  base  na  escrituração contábil com os débitos apurados por meio das DSPJ/2008 e DASN/2008 e 2009,  anos­calendário  2007  e  2008,  fls.  15338­16349  e  15386­15399,  foram  apuradas  as  receitas  efetivamente  declaradas  e  confessadas  para  a  Fazenda  Nacional  pelo  regime  do  Simples  Federal e do Simples Nacional, bem assim os respectivos recolhimentos, DARF e DAS às fls.  15337 e 15350­15385.  Fl. 16170DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 5          7 Acrescentou que os valores mensais de receitas declarados na DSPJ e DASN  estão compatíveis com os demais elementos coletados pela fiscalização: as vendas escrituradas  indicadas  no  Relatório  Mensal  de  Vendas  01/2007  a  02/2008,  fls.  48­85,  que  contempla  adicionalmente  as  vendas  sem  NF  e  com  NF  paralelas;  também  estão  compatíveis  com  os  valores escriturados nos livros de Saídas e no Raipi de 2007, fls. 4300­4360, e Diário e Razão  de 2007 e 2008,  fls. 4148­4299 e 14335­14759. A  receita bruta declarada e confirmada pela  fiscalização, anos­calendário de 2007 e 2008, totalizaram R$ 2.363.618,03 e R$ 2.035.159,68,  respectivamente,  conforme  Planilha  02  Faturamento  de  01/2007  a  12/2008  –  Escrituração/DSPJ/DASN.  Esclareceu que, sendo intimada, a contribuinte se manifestou favoravelmente  à  compensação  dos  valores  recolhidos  pelo  Simples  Federal  e  Nacional  e  fez  a  opção  pelo  lucro presumido, fazendo­se a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo previsto  nos arts. 1º a 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e alterações.  Fez constar que foi apurada omissão de receitas financeiras informadas pelas  fontes  pagadoras  em Dirf  dos  anos  de  retenção  de  2007  e  2008  (fls.15400­15406)  e  foram  tributados  ganhos  com  precatórios  reconhecidos  na  conta  contábil  9600000  (receitas  não  operacionais, item 9600003­ganhos com precatórios, balanço do livro Diário fls. 14397­14475,  e razão fls. 14628­14759).  Informou  que  os  elementos  relativos  às  vendas  realizadas  sem  emissão  de  notas fiscais foram coletados no domicílio do sujeito passivo ou por circularização de terceiros  e estão demonstrados na planilha 06 (Vendas sem NF de 01/2007 a 01/2008),  totalizando R$  364.731,02 nos meses de 02 e 07 a 12/2007 e R$ 70.532,15 em 01/2008, conforme Planilha 07  (Totalização das Vendas Sem NF, coluna B.Pedidos de Clientes).  Quanto às notas fiscais paralelas ou inidôneas foram coletados no domicílio  do  sujeito  passivo  ou  por  circularização  de  terceiros  e  estão  demonstrados  nas  planilhas  03  (Notas  fiscais de venda – Paralela de 01/2007 a 06/2007) e 04  (Venda com NF Paralelas de  06/2007 a 01/2008), totalizando R$ 4.689.074,56 no ano­calendário de 2007 e R$ 462.683,19  em 01/2008, conforme Planilha nº 05 (Totalização das venda com NF Paralelas, coluna B.NF  Paralelas). Já os valores da coluna A da planilha 05 são provenientes do Relatório Mensal de  Vendas 01/2007 a 02/2008, fls. 48­85, ou seja, vendas com notas paralelas. A constatação de  que  tais notas  fiscais são paralelas  foi  feita mediante o cotejamento das notas  fiscais  idôneas  contabilizadas,  incluídos os pedidos  (fls. 4872­6565, 10210­11105, 12832­ 13606) e as notas  fiscais,  os  boletos  e  pedidos  com  indicações  de  irregularidades  (fls.  718­ 4147,  7018­10167,  11397­12830  e  13608­14184)  a  partir  do  qual  foram  elaboradas  as  planilhas  03  e  04  mencionadas. Na seqüência, a fiscalização apreciou os dados do Relatório Mensal de Vendas  01/2007  a  02/2008,  fls.48­85,  que  é  controle  do  faturamento  efetivo  utilizado  pelos  administradores da fiscalizada, com a  indicação das vendas contabilizadas e  faturamento não  contabilizado mediante vendas com nota fiscal paralela e vendas sem emissão de nota fiscal.  Esclareceu  que,  de  forma  complementar  ao  Relatório  Mensal  de  Vendas  01/2007 a 02/2008, o relatório gerencial Controle de C/C, fls. 36­37, identifica a destinação ou  partilha  dos  valores  faturados  e  auferidos  mediante  as  condutas  já  mencionadas,  inclusive,  indica os depósitos efetuados em conta da fiscalizada e na conta particular do Sr. Osvaldo de  Carvalho,  o  que  denota  interesse  deste  no  resultado  da  pessoa  jurídica  e  a  sua  participação,  tendo sido lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária.  Fl. 16171DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     8 Foi  aplicada  a multa  de  150%  sobre  as  diferenças  provenientes  de  receitas  auferidas pelo sujeito passivo mediante venda sem NF e com uso de NF paralelas. Foi feita a  representação fiscal para fins penais que constitui o processo nº 12571.720068/2011­70.  Em  sua  peça  impugnatória  de  fls.  15929/15931,  apresentada,  tempestivamente, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida  à  impugnação para declarar  a  insubsistência do Auto de  Infração,  com base,  em síntese,  nas  seguintes alegações:  ●  Nulidade  por  confisco,  quer  em  relação  ao  imposto  quer  em  relação  às  multas aplicadas. Em procedimento de fiscalização, foram apuradas infrações, aplicadas multas  e lavrado o auto de infração de valor quase igual ao seu faturamento total;  ●  Solicitou  a  exclusão  do  sujeito  passivo  solidário,  Osvaldo  de  Carvalho,  uma vez que este decidiu transferir efetiva e paulatinamente toda a administração da empresa  para suas filhas e genros, sendo requisitado para a solução de grandes problemas e decisões;  ●  A  inclusão  de  Osvaldo  de  Carvalho  no  pólo  passivo  foi  baseada  em  presunção  de  representatividade,  presunção  de  que  Osvaldo  seria  o  verdadeiro  proprietário,  administrador  e  beneficiário  dos  lucros  da  empresa  e  em  presunção  de  que  é  o  responsável  pelas eventuais fraudes fiscais. O processo é nulo, pois não há um documento sequer que possa  comprovar tais presunções, a não ser a declaração assinada por Osvaldo de Carvalho, a qual foi  obtida coercitivamente e sob ameaça de que ele e seus familiares seriam presos, sendo ilícita e  inválida para qualquer uso;  ●  Nulidade  pois  não  se  conseguiu  estabelecer  uma  relação  direta  entre  os  valores  apontados  em  contas­correntes  bancárias  (duas  da  empresa  e  duas  de  Osvaldo  de  Carvalho) e os documentos apreendidos, que se considerou terem sido constituídos a partir de  fraudes;  ● Tributaram os valores lançados nas contas correntes duplamente, tanto em  relação  ao  que  consideraram  omissão  de  receitas,  quanto  ao  que  consideraram  aplicações  financeiras,  fato  pelo  qual  entende  a  reclamante,  tais  valores  somente  poderiam  ser  considerados receitas após serem efetuados procedimentos para a apuração dos resultados;  ● Não foi feito nenhum levantamento específico de valores. Simplesmente se  somou os valores depositados nas referidas contas, sem considerar transferências entre contas  de  titulares  diferentes.  Não  foi  feito  levantamento  da  conta  mercadorias  para  que  o  Fisco  pudesse comprovar que tais receitas seriam realmente fruto de vendas efetuadas sem a emissão  de notas fiscais e com notas paralelas, conforme determina o RIR, de 1999, em seu art. 286;  ●  Nulidade  por  ausência  de  produção  de  prova  técnica  quanto  ao  enquadramento do produto. A fiscalização considerou que a contribuinte produz e comercializa  bicos  pulverizadores,  afirmando  que  são  acessórios  para  pulverizadores  agrícolas  e  não  o  próprio aparelho para pulverizar e assim não gozariam de nenhum benefício fiscal;  ●  Nulidade  por  obtenção  de  prova  ilícita  –  quebra  de  sigilo  bancário  sem  autorização  judicial.  Solicitou  que  seja  julgado  improcedente  todo  o  procedimento  administrativo por ter se utilizado de prova emprestada da Receita Estadual do Paraná, a qual  obteve  todo  o movimento  financeiro  do  contribuinte  e  do  sujeito  passivo  solidário  de  forma  ilegal,  sem  autorização  judicial,  e  portanto,  adquirida  de  forma  ilícita,  não  tendo  a  mesma  validade jurídica para qualquer imposição de penalidade, seja ela qual for;  Fl. 16172DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 6          9 · Exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS. A Lei nº 9.718,  de 1998, em seu art. 3º ampliou a definição e o entendimento de “faturamento mensal” como se  tratasse de receita bruta da pessoa jurídica, causando irregular expansão da base de cálculo por  meio da inclusão de receitas estranhas ao faturamento propriamente dito. O ICMS não é receita  do contribuinte, mas sim parcela pertencente ao Estado. O contribuinte é mero intermediário na  arrecadação dessas receitas que são repassadas ao Fisco. Existe questionamento a respeito da  constitucionalidade da citada lei, especialmente no que se refere ao seu art. 3º, § 1º;  ● A COFINS e o PIS sobre o faturamento, instituídos pela Lei Complementar  (LC)  nº  7,  de  1970,  e  nº  70,  de  1991,  possuem  natureza  jurídica  de  imposto  e,  como  tal,  somente poderiam ser legitimamente cobrados se atendessem aos requisitos disciplinados para  a cobrança dos tributos dentro da competência residual da União. Assim, a União não poderia  ter instituído um tributo com base de cálculo idêntica a de outro, ou seja, a COFINS e o PIS;  ● Exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ (abatimento como despesa)  no presente auto de infração. Até o advento da Lei nº 9.316, de 1996, os valores da CSLL eram  dedutíveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da própria CSLL. A vedação  prevista  nessa  lei  ofende  a  Constituição  Federal  (CF),  art.  153,  III,  e  o  Código  Tributário  Nacional (CTN), art. 43. Sendo uma despesa necessária à atividade da empresa e à manutenção  da  respectiva  fonte produtora,  não há como deixar de  considerar  a CSLL dedutível do  lucro  real;  ● Majoração/Alargamento da Base de Cálculo da COFINS no presente auto  de  infração.  A  lei  ordinária  nº  9.718,  de  1998,  em  seu  art.  3º,  pretendeu  a  definição  e  o  entendimento  de  “faturamento  mensal”  como  se  fosse  a  receita  bruta  da  pessoa  jurídica,  expandindo, assim, a base de cálculo, incluindo receitas estranhas ao faturamento propriamente  dito (receita bruta sobre vendas de mercadorias, mercadorias e serviços e serviço de qualquer  natureza), sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercido. A lei ordinária, ao completo e  total arrepio do art. 195, I, da CF e da LC nº 70, de 1991, alterou a base de cálculo da COFINS,  determinando  sua  incidência  sobre  a  “receita”  dos  empregadores,  esta  entendida  como  “a  totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por  ela exercida e a classificação contábil adotadas para as receitas;  ● Inconstitucionalidade formal do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998. Referida  lei não decorre da conversão em lei da Medida Provisória  (MP) nº 1.724, de 1998, porque a  redação do art. 8º  foi alterada e o Congresso Nacional deveria  ter observado o procedimento  legislativo  constitucionalmente  estabelecido  para  a  edição  de  lei  ordinária,  necessária  para  a  válida majoração da alíquota da COFINS, o que não ocorreu;  ● Inconstitucionalidade material do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998. O citado  art.  8º  elevou  a  alíquota  da  COFINS  para  3%  ao  mesmo  tempo  em  que  autorizou  a  compensação de 1/3 da COFINS somente para aqueles contribuinte sujeitos ao pagamento da  CSLL, violando assim o princípio da isonomia;  ● Majoração/Alargamento  da Base  de Cálculo  do  PIS  no  presente  auto  de  infração.  As  normas  da  lei  ordinária  que  ampliam  a  base  de  cálculo  do  PIS  para  fazê­la  alcançar receitas outras, além do faturamento, são flagrantemente conflitantes com o art. 195, I,  da CF, na redação anterior à Emenda Constitucional (EC) nº 20, de 1998. Até que seja editada  lei complementar regulando o disposto no art. 195, I, da CF, com redação que lhe deu a EC nº  20, de 1998, o PIS somente incidirá sobre o faturamento;  Fl. 16173DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     10 ● Dos fatos, argumentos, justificativas e fundamentações. A autuação se deu  pela apuração e verificação de ausência de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, nas  vendas sem a emissão de notas fiscais de saída, vendas com notas  fiscais paralelas ou falsas,  tudo em virtude de documentação apreendida pela Receita Estadual do Paraná, cuja atribuição  foi  de  serem documentos  fiscais paralelos  e de  relatório onde haveria  a  descrição de vendas  sem a emissão de notas fiscais. A Receita Federal de posse de tais documentos, sem nenhum  levantamento físico, sem nenhuma verificação técnica, simplesmente levantou os valores e de  posse destes, definiu como sendo de fato vendas paralelas ou sem notas fiscais, apurou a base  de cálculo de cada tributo, aplicou a alíquota e chegou ao tributo devido;  ●  Lucro  presumido  –  Regime  de  Competência  ou  Regime  de  Caixa.  As  empresas optantes pelo lucro presumido podem utilizar­se da possibilidade de reconhecimento  de suas receitas pela sistemática do regime de Caixa. Ao determinar a sua exclusão do Simples  Nacional, abriu­se a possibilidade para que optasse pelo lucro presumido, podendo optar pelo  regime de caixa ou de competência. O Fisco por mera liberalidade e por ser mais benéfico a ele  fez a opção pelo regime de competência, sem lhe dar o direito de opção.  Osvaldo  de  Carvalho  contra  quem  foi  lavrado  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária (fls. 15816/15817) apresentou impugnação (fls. 15932 a 16040) fazendo as mesmas  alegações constantes da impugnação da contribuinte.  Após  resumir  os  fatos  constantes  da  autuação  e  as  principais  razões  apresentadas pela  impugnante, os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto  ­  SP,  concluíram  pela  procedência  parcial  da  impugnação e pela manutenção,  em parte,  do  crédito  tributário  lançado baseado,  em síntese,  nas seguintes considerações:   ­  que  quanto  às  alegações  de  nulidade,  cabe  registrar  que,  conforme  o  disposto no art. 59 do PAF, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, assim  como  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente,  o  que  aqui  não  se  verificou. A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, somente  ocorre  nas  decisões  de  primeira  e  segunda  instância,  quando  são  aplicáveis  os  princípios  do  contraditório e da ampla defesa. Antes da apresentação da impugnação, não há litígio, não há  contraditório, o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco;  ­  que,  também,  não  se  verificou  qualquer  nulidade  formal  no  lançamento  ocasionada pela inobservância do que dispõe o art. 10 da mesma norma. Os autos de infração  foram  lavrados  cumprindo­se  as  formalidades  legais  essenciais,  informando  a  origem  da  autuação,  a  capitulação  legal  clara  e  coerente  com  a  descrição  dos  fatos  dados  como  infringidos, a multa aplicada e correspondente fundamento legal. Eles se fizeram acompanhar  pelo Termo de Verificação Fiscal, que relatou todos os fatos e especificou a infração apurada.  Estão  presentes  no  processo  todos  os  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação  do  ilícito, nos termos do disposto no art. 9º do PAF;  ­ que com relação à alegação de nulidade por ausência de produção de prova  técnica quanto ao enquadramento do produto, como visto anteriormente, o presente lançamento  não padece do vício de nulidade, devendo­se ressaltar que a classificação do produto fabricado  pela contribuinte não tem relevância neste processo (relativo ao IRPJ, PIS, CSLL e COFINS) e  as alegações a esse respeito serão analisadas no processo relativo ao IPI;  ­ que a contribuinte alega que não foi feito nenhum levantamento específico  de  valores  e  que  simplesmente  se  somou  os  valores  depositados  nas  contas  bancárias,  sem  considerar transferências entre contas de titulares diferentes;  Fl. 16174DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 7          11 ­ que deve­se esclarecer que, ao contrário do que afirma a contribuinte, não  foi  feito  lançamento  com base  em depósitos  bancários. Como  se  vê nos  autos  de  infração  o  lançamento  é  relativo  à  omissão  de  receitas  da  atividade  sem  emissão  de  notas  fiscais,  bem  assim  com  emissão  de  notas  fiscais  paralelas  ou  falsas,  apuradas  por  meio  de  elementos  coletados no estabelecimento da própria contribuinte e por circularização de terceiros;  ­  que  o  levantamento  específico  de  produtos  em  estoque,  a  que  se  refere  a  contribuinte,  com  base  no  art.  286  do  RIR,  de  1999,  é  um  critério  que  a  fiscalização  pode  adotar para apurar omissão de receita, não se constituindo um procedimento obrigatório a ser  seguido,  ainda mais  no  presente  caso  em  que  a  contribuinte  adotou  a  tributação  pelo  lucro  presumido;  ­  que  verifica­se  que,  em  diligência  na  empresa,  foram  retidos  documentos  fiscais escriturados, documentos fiscais paralelos emitidos e em branco, pedidos de venda sem  nota fiscal, relatórios mensais de vendas, relatórios de comissão de vendas, relatórios de venda  anuais,  etc. Analisando  tais  documentos  foi  apurado  pelo  Fisco Estadual,  e  confirmado pelo  autuante na escrituração da contribuinte, a realização de vendas sem emissão de nota fiscal e de  vendas com notas fiscais falsas ou paralelas;  ­ que ficou comprovado no processo, por meio dos pedidos dos clientes, em  que  se  especificou  as  parcelas  a  serem  pagas,  que  os  valores  das  vendas  sem  notas  fiscais  foram  creditados  nas  contas  bancárias  de  Osvaldo  de  Carvalho,  constando  nos  extratos  bancários  a  indicação  dos  depositantes  dos  citados  valores  coincidentes  com  os  referidos  pedidos dos clientes, conforme se pode ver, por exemplo, às fls.11250 a 11331. Estabeleceu­se,  assim,  ao  contrário  do  que  afirma  a  contribuinte,  a  conexão  entre  os  valores  apontados  em  contas­correntes bancárias de Osvaldo de Carvalho e os documentos apreendidos;  ­ que deve­se registrar que os extratos bancários foram utilizados apenas para  corroborar  a  constatação  de  que  foram  realizadas  vendas  sem  emissão  de  notas  fiscais,  não  podendo se falar em tributação em duplicidade dos valores lançados nas contas correntes;  ­  que  solicitou  a  contribuinte  que  seja  julgado  improcedente  todo  o  procedimento administrativo por ter se utilizado de prova emprestada da Receita Estadual do  Paraná;  ­ que cumpre registrar que não existe ato normativo expedido pela RFB que  proíba a utilização da “prova emprestada” e não há, no PAF, qualquer limitação com referência  às  provas  que  possam  ser  produzidas.  Ademais,  o  Código  de  Processo  Civil  (utilizado  subsidiariamente no processo administrativo tributário), estabelece que todos os meios legais,  bem  como  os  moralmente  legítimos,  ainda  que  não  especificados  neste  Código,  são  hábeis  para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa;  ­  que,  no  presente  caso,  a  fiscalização  expediu  inúmeras  intimações  para  a  apresentação  de  livros  e  documentos  contábeis  e  fiscais,  arquivos  magnéticos  e  para  a  prestação  de  esclarecimentos  a  respeito  das  receitas  omitidas,  tendo  a  contribuinte  apenas  informado que estava recorrendo das autuações do Fisco Estadual;  ­ que o autuante, a partir dos documentos apresentados por aquele Fisco, fez  as  verificações  em  relação  à  escrituração  contábil  e  fiscal  da  contribuinte  e  construiu  seu  entendimento  acerca  dos  fatos  ocorridos. A  eventual  coincidência  entre  as  conclusões  a  que  chegaram as fiscalizações estadual e federal não significa que há vício nas provas produzidas;  Fl. 16175DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     12 ­  que  quanto  à  sujeição  passiva  solidária  de  Osvaldo  de  Carvalho,  ficou  demonstrado  no  processo  que  todas  as  constituições  empresariais  e  as  operações  comerciais  giram em  torno de Osvaldo de Carvalho, constatando­se que ele  é o verdadeiro proprietário,  administrador  e  beneficiário  dos  lucros  declarados  e  omitidos,  e  responsável  pelas  fraudes  fiscais;  ­ que todos os valores relativos às vendas de mercadorias sem nota fiscal da  Magnojet  foram  recebidos  por  meio  de  depósitos  bancários  nas  contas  correntes  da  pessoa  física de Osvaldo de Carvalho, como se pode ver às fls.11250 a 11331;  ­ que, assim, além da declaração daquele senhor, que agora se alega que foi  obtida por meio de coação, tem­se o conjunto de fatos descritos no processo e acompanhados  das correspondentes provas de que Osvaldo de Carvalho efetivamente administrava a empresa  e se beneficiou dos valores decorrentes das fraudes fiscais depositados em sua conta corrente e  nas contas correntes da pessoa jurídica, sendo utilizados para fins particulares e comerciais (ex.  pagamento de parcelas de aquisição das quotas de capital da empresa Magno);  ­ que ficou claro o enquadramento da sua conduta no art. 124, I do CTN, que  dispõe que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação  que constitua o fato gerador da obrigação principal;  ­  que  a  contribuinte  alega  que  a  vedação  à  dedução  da  CSLL  da  base  de  cálculo do IRPJ e da sua própria base de cálculo ofende a Constituição Federal (CF), art. 153,  III, e o Código Tributário Nacional (CTN), art. 43;  ­ que deve­se registrar que a citada vedação está prevista na Lei nº 9.316, de  1996,  e,  conforme  anteriormente  esclarecido,  não  cabe  à  autoridade  administrativa  se  manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei;  ­ que cumpre esclarecer à impugnante que não existe previsão legal para que  se exclua o ICMS da base de cálculo de quaisquer dos tributos apurados nos autos, visto que o  valor do ICMS compõe o preço da mercadoria e do serviço de transporte e, conseqüentemente,  o faturamento;  ­  que  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  nos  termos da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trata das referidas contribuições no  regime cumulativo, fica restrito ao vendedor de bens ou prestador de serviços na condição de  substituto tributário;  ­ que das decisões  acima noticiadas, proferidas  em sessão plenária do STF,  constata­se que, de fato, o entendimento relativamente à inconstitucionalidade do alargamento  da base de cálculo das contribuições (PIS e COFINS) definido pelo §1º do artigo 3º da Lei nº  9.718, de 1998, foi acolhido naquela Corte;  ­  que  em  função  dos  efeitos  dessas  decisões,  foram  editados,  pela  Procuradoria­  Geral  da  Fazenda Nacional,  o  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  492,  de  22/03/2010  e  a  Portaria PGFN nº 294, de 2010, prevendo a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e  extraordinário, nos casos em que os precedentes sobre determinados assuntos, divulgados por  meio de  listas atualizadas periodicamente, oriundos do Supremo Tribunal Federal  e Superior  Tribunal de Justiça, respectivamente, forem julgados com base nos artigos 543­B (repercussão  geral) e 543­ C (repetitivos). E, da lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543­B  do CPC,  e que não mais  serão objeto de contestação/recurso pela PGFN,  encontra­se  aquele  objeto  do RE nº  585.235, Relator: Min. Cezar Peluso, Data  de  julgamento:  10/09/2008,  que  Fl. 16176DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 8          13 considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido  pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718, de 1998;  ­ que, desta forma, resta atingido o objetivo pretendido no texto do art. 26­A  o  Decreto  70.235,  de  1972,  acima  transcrito,  ou  seja,  a  não  aplicação,  pelo  julgador  administrativo, de dispositivo  legal declarado  inconstitucional por decisão plenária definitiva  do STF,  resguardando  a Fazenda Nacional  de  futuros  prejuízos  quando da  fase  de  execução  fiscal do crédito tributário;  ­ que, no presente lançamento, o PIS e a Cofins incidiram sobre rendimentos  de aplicação financeira de renda fixa, ensejando, assim, a sua exclusão dos valores tributados  nos autos de infração;  ­ que alega a contribuinte que, ao ser excluída do Simples Nacional, abriu­se  a possibilidade para que optasse pelo lucro presumido, podendo optar pelo regime de caixa ou  de competência, mas o Fisco fez a opção pelo regime de competência sem lhe dar o direito de  opção;  ­ que, entretanto, ela foi intimada a fazer sua opção pelo regime de tributação  e,  tendo optado pelo  lucro presumido, não  se manifestou  a  respeito da  adoção do  regime de  caixa;  ­  que  verifica­se  que  a  contribuinte  não  apresentou  o  citado  livro  Caixa  durante a fiscalização,  tampouco na impugnação, que pudesse comprovar o cumprimento das  determinações acima. Não cabe agora, na fase impugnatória, qualquer alteração do lançamento  com base em alegações desprovidas de provas;  ­ que com relação aos autos de infração reflexos (PIS, Cofins e CSLL), sendo  decorrentes  das  mesmas  infrações  tributárias  que  motivaram  a  autuação  relativa  ao  IRPJ  (lançamento  principal),  deverá  ser  aplicada  idêntica  solução,  em  face  da  estreita  relação  de  causa e efeito;  ­ que, em relação à perícia requerida, o PAF, art. 16, IV e §1º, alterado pela  Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, determina que todo pedido de perícia deve indicar os  motivos  que  o  justifiquem  e  o  perito  do  sujeito  passivo.  Caso  contrário,  o  pedido  deve  ser  considerado não formulado. Portanto, não tem efeito o pedido de perícia da empresa, mesmo  porque entendo que é despiciendo seu acolhimento em face de que as  informações carreadas  aos autos pela autoridade fiscal permitem julgar a matéria tributável.  A presente decisão encontra­se consubstanciada nas seguintes ementas:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007, 2008  OMISSÃO DE RECEITAS.  Comprovando­se a omissão de receita, mantém­se o lançamento.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007, 2008  Fl. 16177DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     14 SOLIDARIEDADE.  São  solidariamente  obrigadas  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum na  situação que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal.  PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.  Válida  é  a  prova  consistente  em  informações  bancárias  requisitadas em absoluta observância das normas de regência e  ao  amparo  da  lei,  sendo  desnecessária  prévia  autorização  judicial.  INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.  Às  instâncias  administrativas  não  compete  apreciar  vícios  de  ilegalidade  ou  de  inconstitucionalidade  das  normas  tributárias,  cabendo­lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007, 2008  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.   Aplica­se  à  tributação  reflexa  idêntica  solução  dada  ao  lançamento  principal  em  face  da  estreita  relação  de  causa  e  efeito.  PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE.  É  lícito ao Fisco Federal  valer­se de  informações  colhidas por  outras  autoridades  fiscais,  administrativas  ou  judiciais  para  efeito  de  lançamento,  quando  o  contraditório  é  ofertado  no  processo para o qual são transportadas.  COAÇÃO.  Inexistindo  comprovação  nos  autos  de  que  houve  coação,  não  procede a preliminar suscitada nesse sentido.  PERÍCIA. REQUISITOS.  O pedido de perícia deve ser denegado se  tiver  sido  formulado  em desacordo com as prescrições legais, aliado à circunstância  de  estarem  presentes  nos  autos  elementos  de  convicção  suficientes à adequada compreensão dos  fatos para solução da  lide.  JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO.  A  juntada  posterior  de  documentação  só  é  possível  em  casos  especificados na lei.  PROVA TESTEMUNHAL.  Inexiste previsão legal para oitiva de testemunhas no julgamento  administrativo em primeira instância.  INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL.  Fl. 16178DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 9          15 Dada  a  existência  de  determinação  legal  expressa,  as  notificações  e  intimações  devem  ser  endereçadas  ao  sujeito  passivo no domicílio fiscal eleito por ele.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2007, 2008  COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS.  Nos  termos da  legislação pertinente, o  ICMS  integra a base de  cálculo  da  contribuição  à  Cofins,  não  havendo  previsão  legal  para sua exclusão.  BASE DE CÁLCULO.  ALARGAMENTO.  §  1º  DO ART.  3º DA  LEI Nº 9.718, DE 1998 . INCONSTITUCIONALIDADE.  Declarada a  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da Lei  nº  9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em  sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecida por  aquele  Tribunal  a  repercussão  geral  da  matéria  em  questão  e  reafirmada a  jurisprudência adotada, deliberando­se,  inclusive,  pela edição de súmula vinculante, em observância ao art. 26­A,  § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa­se de aplicar  o  referido  dispositivo,  para  afastar  a  exigência  da  Cofins  que  incidiu sobre receitas estranhas ao faturamento da contribuinte.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2007, 2008  PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS.  Nos  termos da  legislação pertinente, o  ICMS  integra a base de  cálculo da contribuição ao PIS, não havendo previsão legal para  sua exclusão.  BASE DE CÁLCULO.  ALARGAMENTO.  §  1º  DO ART.  3º DA  LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE.  Declarada a  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da Lei  nº  9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em  sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecida por  aquele  Tribunal  a  repercussão  geral  da  matéria  em  questão  e  reafirmada a  jurisprudência adotada, deliberando­se,  inclusive,  pela edição de súmula vinculante, em observância ao art. 26­A,  § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa­se de aplicar  o  referido  dispositivo,  para  afastar  a  exigência  da  Cofins  que  incidiu sobre receitas estranhas ao faturamento da contribuinte.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Cientificada  da  decisão  de  Primeira  Instância,  e,  com  ela  não  se  conformando,  a  contribuinte,  interpôs,  tempestivamente  o  recurso  voluntário  de  fls.  Fl. 16179DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     16 16071/16144, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas  mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações:  ­ que a empresa autuada não concorda com a decisão de primeira  instância  em virtude de algumas nulidades ocorridas no decorrer do processo de fiscalização, as quais  lastream  o  presente  recurso,  esclarecendo  que  além  da  Carta  Magna,  também  o  CTN  e  inclusive o STF, órgão maior de nossa justiça, tiveram o cuidado de deixar isso de forma clara  e objetiva;  ­ que em primeiro lugar, é de extrema importância esclarecer que a relatora  engana­se  quando  afirma que  as  provas  obtidas  junto  às  instituições  financeiras  são  válidas,  pois  possuem  amparo  legal,  assim  como  também  se  equivoca  quando  alega  que  a  inconstitucionalidade da lei é de incompetência da autoridade administrativa;  ­  que  a  aplicação  das  penalidades  são  quase  maiores,  até  mesmo  que  o  movimento da empresa, o que sem sombra de dúvidas possui caráter de confisco, uma vez que  penaliza o contribuinte a ponto de não só invadir o patrimônio da pessoa jurídica, mas também  invadir seu próprio patrimônio se assim for mantida tais autuações;  ­  que  o  Sr. Osvaldo  de Carvalho,  eleito  indevidamente  sujeito  solidário  no  presente  auto  de  infração,  foi  sócio  da  empresa  MAGNO,  em  Santana  do  |Parnaíba  –  SP,  juntamente  com o Sr. Miguel Ronaldo Rizzo,  falecido  em 2001 por  ato de violência em um  seqüestro;  ­  que,  por  questões  óbvias,  sofrendo  com  o  trauma  e  o  “fantasma”  do  seqüestro e morte de seu sócio e melhor amigo, o Sr. Osvaldo na teve dúvidas em decidir pela  mudança de  cidade  juntamente  com  toda  a  família  e,  como  sua  atividade profissional  estava  voltada exclusivamente à empresa, decidiu por mudá­la também;  ­  que pela Fiscalização Federal  foi  emitido parecer,  em  seu Relatório Final  seguindo o mesmo critério adotado pela Receita Estadual, pela concordância da sua inclusão no  pólo passivo, na condição de responsável solidário;  ­  que  tal  fato  revela­se  precipitado  e  ilegal,  uma  vez  que  em  nenhum  momento  a  empresa  fugiu  as  suas  responsabilidades,  jamais  deixou  de  cumprir  qualquer  determinação imposta pelas autoridades fiscais;  ­  que  é  notório  que  o  ICMS  é  imposto  indireto  e  que  o  fisco,  por  conveniência, delega ao contribuinte a responsabilidade pela a arrecadação e a antecipação do  seu pagamento. Assim, pode­se dizer sem medo de errar, que o ICMS não é e nunca foi receita  do contribuinte de direito.    É o relatório.    Fl. 16180DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 10          17 Voto             Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator  O  presente  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  deve,  portanto,  ser  conhecido por esta Turma de Julgamento.  Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e  reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de  Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS),  relativas  aos  anos­calendário  de  2007  e  de  2008,  formalizadas  em  razão  da  imputação  de  insuficiência de recolhimento e omissão de receitas, baseada nas seguintes irregularidades:  1  ­  Ganho  com  precatórios  apurado  na  escrituração  contábil,  receitas  não  operacionais  (ano­calendário  2008).  Infração  capitulada  nos  arts.  521  e  528,  do  RIR/1999  ­  Multa de ofício normal de 75%;  2  ­ Omissão  de  receitas  da  atividade mediante  a  utilização  de  notas  fiscais  paralelas,  apuradas  por  meio  de  elementos  coletados  no  estabelecimento  da  pessoa  jurídica,  bem como de receitas da atividade sem emissão de notas  fiscais:  Infrações capitulada no art.  528 do RIR/1999 ­ Multa de ofício qualificada de 150%;  3 ­ Omissão de receitas da atividade escrituradas e não declaradas.  Infração  capitulada nos arts. 224 e 518, do RIR/1999 ­ Multa de ofício normal de 75%;  5  ­  Omissão  de  rendimentos  de  aplicações  financeiras  de  renda  fixa.  O  contribuinte não  incluiu na base de cálculo do  IRPJ e da CSLL os  rendimentos de aplicação  financeira de renda fixa. Infração capitulada nos arts. 224 e 518, do RIR/1999 ­ Multa de ofício  normal de 75%.  A decisão recorrida formou o seu convencimento pelo provimento parcial da  peça impugnatória sob o argumento de que declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º  da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo  Supremo Tribunal Federal, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em  questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando­se, inclusive, pela edição de súmula  vinculante, em observância ao art. 26­A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa­se  de aplicar o referido dispositivo, para afastar a exigência do PIS e da Cofins que incidiu sobre  receitas estranhas ao faturamento da contribuinte.  Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial,  a  contribuinte  apresenta  a  sua  peça  recursal  a  este  E.  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais pleiteando a  reforma da decisão prolatada na Primeira  Instância onde, em sua defesa,  ataca o que  entende  terem sido os  fundamentos do  lançamento  apresentando preliminares de  nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito.  Fl. 16181DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     18 1  –  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  BASEADO  NO  ARGUMENTO  DE  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  DIRETAMENTE PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL   É  de  se  notar,  inicialmente,  que  entre  outras  razões  recursais,  a  recorrente  argúi a  inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei complementar nº 105/2001, fundamento  legal  mediante  o  qual  a  fiscalização  teve  acesso,  administrativamente,  à  movimentação  bancária da pessoa jurídica fiscalizada.  Deve­se esclarecer que, ao contrário do que afirma a recorrente, não foi feito  lançamento com base em depósitos bancários. Como se vê nos autos de infração o lançamento  é  relativo  à  omissão  de  receitas  da  atividade  sem  emissão  de  notas  fiscais,  bem  assim  com  emissão  de  notas  fiscais  paralelas  ou  falsas,  apuradas  por  meio  de  elementos  coletados  no  estabelecimento da própria contribuinte e por circularização de terceiros.  Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida pela recorrente, sob o  entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo  legal,  entendendo  que  a  autoridade  lançadora  feriu  diversos  princípios  fundamentais,  quais  sejam: utilização da Lei nº 10.174, de 2001 e Lei Complementar nº 105, de 2001, para solicitar  os  extratos  bancários  e  quebra  do  sigilo  bancário  de  forma  incorreta,  não  cabe  razão  a  suplicante pelos motivos que se seguem.  Como  se  vê  o  aspecto  divergente  estaria  no  entendimento  que  a  suplicante  tem de  que o  lançamento  não  pode  prosperar  em  razão  de  que  as  provas  fiscais  teriam  sido  obtidas  por  autoridades  fazendárias  através  de  procedimentos  inteiramente  ilícitos,  sob  o  entendimento de que o  fato ocorrido  foi  uma  solicitação  indevida dos  extratos bancários,  ou  seja,  houve  a  quebra  do  sigilo  bancário  de  forma  irregular  e  obtenção  de  provas  por meios  ilícitos.   O presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que  alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para  fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos  arts. 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das  contas  de  depósito  e  aplicações  financeiras  em  geral),  tem  reflexo  direto  em  inúmeros  lançamentos  que  são  fundamentados  na  existência  de  movimentação  bancária  incompatível  com os rendimentos e receitas declaradas pelos contribuintes.   É sabido, que o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento  de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação  bancária  do  contribuinte,  pelas  instituições  financeiras,  diretamente  ao  Fisco  por  meio  de  procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº  105/2001).   Assim,  resta  evidente  que  o  assunto  se  encontra  na  esfera  das matérias  de  repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o Recurso Extraordinário 601314 e  que os processos estão sobrestados.   Ora, as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a  aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento  de  inconstitucionalidade,  a  teor  do  disposto  no  artigo  62  da  Portaria MF  nº  256/2009,  que  aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  Fl. 16182DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 11          19 internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  A  aplicação  de  normas  constitucionais  somente  é  possível  nos  casos  de  decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da  Lei  nº  5.869/73  (Código  de  Processo  Civil),  conforme  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF, a saber:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF.(Incluído  pela  Portaria  MF  nº  586,  de  21  de  dezembro de 2010)  Nesse  passo,  como  a  matéria  não  foi  definitivamente  julgado  pelo  STF,  considera­se legítima a requisição de dados e extratos bancários pela Receita Federal do Brasil  diretamente às Instituições Financeiras.  Sobre o tema, aplica­se, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho:  Súmula  CARF  Nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.  Logo, é de se rejeitar a preliminar argüida pelos recorrentes.  2  –  DAS  DEMAIS  PRELIMINARES:  NULIDADE  POR  DECLARAÇÃO  OBTIDA  ILICITAMENTE.  NULIDADE  POR  AUSÊNCIA  DE  RELAÇÃO  DIRETA  ENTRE  EXTRATOS  BANCÁRIOS  E  DOCUMENTOS  APREENDIDOS.  NULIDADE  POR  AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO TÉCNICA AO ENQUADRAMENTO DO  PRODUTO   A  recorrente,  preliminarmente,  requer  a  anulação  dos  lançamentos,  sob  a  alegação de que teria havido cerceamento do seu direito de defesa, tendo em vista a descrição  lacônica  ou  a  não  individualização  dos  fatos,  que  decorrem  de  situações  claramente  presumidas, além de não terem sido observadas as garantias constitucionais. Ou seja, sustenta  que os autos de infração lavrados violam o disposto nos incisos III e VI do art. 10 do Decreto  nº 70.235/1972, pois a autoridade fiscal autuante teria descaracterizado uma operação realizada  pela  empresa  sem  descrever  adequadamente  os  fatos  e  sem  apontar  a  base  legal  para  tanto.  Conclui que a autoridade autuante não apontou a correlação dos fatos narrados com qualquer  capitulação  legal  supostamente  infringida,  de  modo  que  houve  cerceamento  ao  direito  de  defesa.  Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante,  sob  o  entendimento  de  que  tenha  ocorrido  ofensa  aos  princípios  constitucionais  do  devido  processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais,  não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo.   Fl. 16183DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     20 Entendo  que  o  procedimento  fiscal  realizado  pelos  agentes  do  fisco  foi  efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer  ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal.  O princípio da verdade material  tem por  escopo,  como a própria  expressão  indica a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a  liberdade da prova, no  sentido  de  que  a Administração  possa  valer­se  de  qualquer meio  de  prova  que  a  autoridade  processante ou julgadora tome conhecimento, levando­as aos autos, naturalmente, e desde que,  obviamente  dela  dê  conhecimento  às  partes;  ao  mesmo  tempo  em  que  deva  reconhecer  ao  contribuinte  o  direito  de  juntar  provas  ao  processo  até  a  fase  de  interposição  do  recurso  voluntário.  O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a  notificação  de  lançamento  como  instrumentos  de  formalização  da  exigência  do  crédito  tributário, quando afirma:  A  exigência  do  crédito  tributário  será  formalizado  em  auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento  distinto  para  cada  tributo.  Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993:   A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal  e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos  de  infração ou notificações  de  lançamento,  distintos para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.  O  auto  de  infração  e  a  notificação  de  lançamento  por  constituírem  peças  básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua  lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de  uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal,  seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos  a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna  inexistente  o  ato,  sejam  os  atos  formais  ou  solenes.  Se  houver  vício  na  forma,  o  ato  pode  invalidar­se.  Ademais,  a  jurisprudência  é mansa  e  pacífica  no  sentido  de  que  quando  o  contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendo­as, uma a uma, de  forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares  como também as razões de mérito descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  Da  mesma  forma,  não  procede  à  nulidade  do  lançamento  argüida  sob  os  argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art.  10  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  ou  seja,  erro  de  capitulação  legal,  descrição  confusa dos  fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração  cometida pela recorrente.  Inicialmente, verifica­se que para a contribuinte foi concedido o prazo legal  de  30(trinta)  dias,  a  contar  da  ciência  do  auto  de  infração,  para  apresentar  a  impugnação,  sendo­lhe assegurado vista ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a  sua defesa, caso quisesse, garantindo­se desta forma o contraditório e a ampla defesa.   Fl. 16184DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 12          21 Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verifica­se que  foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  não  se  vislumbrando,  no  caso  sob  análise,  qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo  legal.  Verifica­se, ainda, que os Autos de Infrações lavrados identificam por nome e  CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta  Grossa  ­  PR,  cuja  ciência  foi  por  AR  e  descreve  as  irregularidades  praticadas  e  o  seu  enquadramento legal assinado por Auditor­Fiscal da Receita Federal, cumprindo o disposto no  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  ou  seja,  o  ato  é  próprio  do  agente  administrativo investido no cargo de Auditor­Fiscal.   Não restam dúvidas de que o lançamento que deu causa à omissão de receitas  foi  devidamente  descrita  pela  autoridade  fiscal  autuante  e  que  trata­se  de  receitas  auferidas  comprovada nos autos por diversos elementos de prova.   O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita  compreensão do procedimento adotado, bem como da base tributável apurada e do cálculo do  imposto resultante, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do seu direito de defesa. Nos  autos  de  infração  lavrados  estão  descritas  com  clareza  as  vendas  efetuadas  e  as  operações  subseqüentes.  Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebra­se com estrita  observância  dos  pressupostos  estabelecidos  pelo  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização  de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve  estar  consubstanciado  por  instrumentos  capazes  de  demonstrar,  com  segurança  e  certeza,  os  legítimos  fundamentos  reveladores  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário.  Isso  tudo  foi  observado quando da determinação do tributo devido, através dos Autos de Infrações lavrados.  Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas  pelo  recorrente,  neste  processo,  já  que  o  mesmo  preenche  todos  os  requisitos  legais  necessários.   Da análise dos autos, constata­se que a autuação é plenamente válida.  Faz­se necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão  apolítico,  destinada  a  prestar  serviços  ao  Estado,  na  condição  de  Instituição  e  não  a  um  Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na  legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto  rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu  dever de participação.  Ademais,  o  Processo  Administrativo  Fiscal  ­  Decreto  n.º  70.235,  de  1972  manifesta­se da seguinte forma:  Art. 59 ­ São nulos:  I ­ Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  Os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Fl. 16185DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     22 Como  se  verifica  do  dispositivo  legal,  não  ocorreu,  no  caso  do  presente  processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários  ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para  lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por  funcionários com competência para tal.  Ora,  a  autoridade  lançadora  cumpriu  todos  os  preceitos  estabelecidos  na  legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante,  conforme  se  constata  nos  autos,  com  perfeito  embasamento  legal  e  tipificação  da  infração  cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pela recorrente, ou seja, não  se  verificam,  por  isso,  os  pressupostos  exigidos  que  permitam  a  declaração  de  nulidade  do  Auto de Infração.  Haveria  possibilidade  de  se  admitir  a  nulidade  por  falta  de  conteúdo  ou  objeto, quando o  lançamento que, embora  tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de  forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na  descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao  sujeito  passivo  conhecer  com  nitidez  a  acusação  que  lhe  é  imputada,  ou  seja,  não  restou  provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o  caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre  o assunto.  É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no  litígio  propriamente  dito,  ou  seja,  correspondem  a  elementos  cuja  ausência  não  impede  a  compreensão  dos  fatos  que  baseiam  as  infrações  imputadas.  Circunscrevem­se  a  exigências  legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao  seu  conteúdo  material.  Por  outro  lado,  quando  a  descrição  defeituosa  dos  fatos  impede  a  compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, tem­se o vício  material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações  imputadas.  Além  disso,  o  Art.  60  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  prevê  que  as  irregularidades,  incorreções e omissões diferentes das  referidas no art. 59 do mesmo Decreto  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.  No tocante à alegada prova emprestada, temos que, em conformidade com os  documentos de fls. 02/03, a Superintendência Regional da Receita Federal na 9ª Região Fiscal  solicitou  à  Receita  estadual  do  Paraná  cópia  de  todo  e  qualquer  elemento  associado  a  lançamento de ofício porventura efetuado contra a ora Recorrente.  Em  atendimento,  a  Receita  Estadual  encaminhou  cópia  de  inúmeros  documentos, que foram juntados sob a forma de anexos.  Também por meio de Termo, a Fiscalização promoveu a devolução ao Fisco  estadual dos originais de notas fiscais, livros fiscais e comerciais e relatórios que haviam sido  encaminhados.  A  partir  dos  elementos  coletados,  foi  instaurado  procedimento  fiscal  na  contribuinte,  momento  em  que  foi  lavrado  o  competente  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal.  Fl. 16186DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 13          23 No  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal,  além  de  requisitar  inúmeros  documentos  (contrato  social  e  alterações;  instrumentos  de  procuração,  Livros  Comerciais  e  Fiscais;  Demonstrativos  e  Planilhas  relacionadas  ao  IPI;  arquivos  digitais,  entre  outros),  a  Fiscalização intimou a contribuinte “a apresentar esclarecimentos ou manifestação acerca da  documentação  obtida  junto  à  Receita  Estadual  do  Paraná,  conforme  o  art.  198  do  Código  Tributário  Nacional  (convênio),  que  aponta  valores  de  receitas  e  remunerações  não  contabilizados e que, conseqüentemente, não foram incluídos pelo fiscalizado na apuração dos  tributos e contribuições objeto da presente fiscalização”.  Foi  lavrado Termo de  Intimação Fiscal, por meio do qual a contribuinte  foi  instada  a  apresentar  esclarecimentos  sobre  notas  fiscais  paralelas  relacionadas  em  anexo  ao  referido Termo, momento em que ela foi informada que os dados coletados eram preliminares,  vez  que  ainda  estavam  sendo  revisados.  A  recorrente  foi  informada  também  que  os  dados  haviam sido repassados pela Receita estadual e que na medida em que fossem analisados pela  Fiscalização, seriam fornecidas as respectivas cópias.  No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal destacou que os valores  apurados pela Receita estadual e que foram transmitidos à Fiscalização Federal foram cotejadas  e confirmadas em relação à escrituração contábil e fiscal da contribuinte.  Não é demais ressaltar que, no caso, o responsável pela autuação que ora se  aprecia cuidou de confirmar, em procedimento próprio, as conclusões apresentadas no trabalho  realizado  em  âmbito  estadual,  sendo  impertinente  a  alegação  de  que  teria  sido  necessário  levantamento físico ou verificação técnica para aferir a veracidade dos fatos trazidos por meio  do procedimento efetuado na esfera estadual.  Assim, não pode prosperar a preliminar de quebra ilegal de sigilo fiscal pela  transferência de informações pelo fisco estadual, já que de acordo com a legislação de regência  todos os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, bem como entidades  autárquicas, paraestatais e de economia mista são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando  informações  e  esclarecimentos  que  lhe  forem  solicitados,  cumprindo  ou  fazendo  cumprir  as  disposições de regência, conforme o previsto no artigo 125 do Decreto lei nº 5.844, de 1943 e  artigo 2º do Decreto lei nº 1.718, de 1979.   É  sabido,  que  através  dos  convênios  é  celebrado  entre  o  Ministério  da  Fazenda  e  os  Secretários  da  Fazenda  ou  Finanças  dos  Estados  e  do  Distrito  Federal,  para  planejamento  e  execução  de  atividades  conjuntas,  a  permuta  de  experiências,  a  coleta  de  informações  econômico­fiscais  e  seu  intercâmbio,  em  relação  a  contribuintes  e  responsáveis  por  tributos  federais  ou  estaduais,  que  visem  ao  incremento  da  arrecadação  e  ao  aperfeiçoamento da fiscalização das receitas tributárias de competência da União, dos Estados  e do Distrito Federal.   Entendo,  que  o  direito  à  privacidade  não  é  ilimitado,  tendo  em  vista  o  princípio  da  convivência  de  liberdades.  Assim,  não  se  pode,  sob  o  manto  da  privacidade,  pretender  acobertar  indistintamente qualquer  irregularidade que  seja objeto de apuração pelo  fisco.  É  indiscutível  que  o  sigilo,  no Brasil,  para  fins  tributários,  é  relativo  e  não  absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei.  Fl. 16187DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     24 Faz­se necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão  apolítico,  destinada  a  prestar  serviços  ao  Estado,  na  condição  de  Instituição  e  não  a  um  Governo específico, dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na  legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto  rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu  dever de participação.  Portanto,  nos  atos  do  procedimento  fiscal,  não  identifico  violação  a  dispositivo de lei capaz de contaminar os feitos fiscais, motivo pelo qual rejeito os argumentos  expendidos pelos Recorrentes.  Alegam  os  Recorrentes  que  a  Fiscalização  falhou  ao  não  conseguir  estabelecer uma relação direta entre os valores apontados em contas bancárias e os documentos  tidos  como constituídos por meio  fraudulento. Sustentam que os valores  lançados nas contas  bancárias  foram  tributados  duplamente,  visto  que  foram  considerados  como  omissão  de  receitas  e  como  aplicação  financeira.  Afirmam  que  não  se  consegue  vislumbrar  nos  autos  nenhum  levantamento  específico  de  valores,  pois,  simplesmente  se  somou  os  valores  depositados  nas  citadas  contas  e  se  tributou.  Argumentam  que  o  que  os  agentes  fiscais  reuniram na  tentativa de que fosse configurada fraude são  indícios de prova e, como tal, não  possuem valor probatório.  Absolutamente  equivocadas  as  considerações  trazidas  pelos  Recorrentes.  Senão vejamos.  Como  bem  ressaltado  no  ato  decisório  combatido,  a  autuação  tratada  no  presente  processo  não  foi  efetuada  com  base  em  depósitos  bancários.  As  omissões  foram  apuradas  com  base  em  elementos  coletados  no  estabelecimento  da  própria  fiscalizada  e  por  meio de circularização de terceiros.  Ora,  é  oportuno  esclarecer  novamente  que,  ao  contrário  do  que  afirma  a  recorrente, não foi feito lançamento com base em depósitos bancários. Como se vê nos autos  de  infração o  lançamento é  relativo à omissão de receitas da atividade sem emissão de notas  fiscais,  bem  assim  com  emissão  de  notas  fiscais  paralelas  ou  falsas,  apuradas  por  meio  de  elementos  coletados  no  estabelecimento  da  própria  contribuinte  e  por  circularização  de  terceiros.  Verifica­se que, em diligência na empresa, foram retidos documentos fiscais  escriturados, documentos  fiscais paralelos  emitidos e em branco, pedidos de venda sem nota  fiscal,  relatórios  mensais  de  vendas,  relatórios  de  comissão  de  vendas,  relatórios  de  vendas  anuais,  etc.  Analisando  tais  documentos  foi  apurado  pelo  Fisco  estadual  e  confirmado  pelo  autuante na escrituração do contribuinte, a realização de vendas sem emissão de nota fiscal e de  vendas com notas fiscais falsas ou paralelas, cujos elementos encontram­se nos anexos A e B  desse processo.  Da mesma forma, se deve registrar que os extratos bancários foram utilizados  apenas  para  corroborar  a  constatação  de  que  foram  realizadas  vendas  sem  emissão  de  notas  fiscais,  não  podendo  se  falar  em  tributação  em  duplicidade  dos  valores  lançados  nas  contas  correntes.  Anote­se,  ainda,  que  a  tributação  das  receitas  financeiras  derivou  do  confronto entre o que  foi declarado pela  fiscalizada à Receita Federal e o que  foi  informado  pelas fontes pagadoras. Ausente, assim, qualquer relação com extratos bancários.  Fl. 16188DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 14          25   Por  fim,  a  recorrente  alega  que  a  declaração  assinada  por  Osvaldo  de  Carvalho  foi  obtida  sob  ameaça  de  que  ele  e  seus  familiares  seriam  presos,  sendo  ilícita  e  inválida para qualquer uso.  Ora, não há nos autos o mais leve indício de que o Sr. Osvaldo de Carvalho  tenha sofrido qualquer ameaça física ou moral, ou  tenha sido  induzido em erro para  firmar a  Declaração de fl. 28.  Além disso, os fatos narrados na referida declaração se ajustam perfeitamente  ao  que  revelam  as  provas  documentais  carreadas  aos  autos  pelo  Fisco.  A  convicção  deste  colegiado só pode ser no sentido de acolher como verídicas as informações prestadas à fl.28.  3 – DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA TÉCNICA  No que diz  respeito ao pedido de perícia  técnica, é de se esclarecer, que da  análise dos autos, se verifica que a decisão de Primeira Instância, através do voto do relator da  matéria, entendeu que não merece ser acolhida às alegações apresentadas.   Entendeu a autoridade julgadora, que a simples leitura da descrição dos fatos  constante  dos  autos  de  infração  lavrados  revela  que  as  investigações  solicitadas  pela  contribuinte são despiciendas. Ou seja, que pedido de perícia deve ser denegado se tiver sido  formulado em desacordo com as prescrições legais, aliado à circunstância de estarem presentes  nos autos elementos de convicção suficientes à adequada compreensão dos fatos para solução  da lide.  Por fim, entendeu a autoridade julgadora que em relação à perícia requerida,  o PAF, art. 16, IV e §1º, alterado pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, determina que  todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo.  Caso  contrário,  o  pedido  deve  ser  considerado  não  formulado.  Portanto,  não  tem  efeito  o  pedido de perícia da empresa, mesmo porque entendo que é despiciendo seu acolhimento em  face de que as informações carreadas aos autos pela autoridade fiscal permitem julgar a matéria  tributável.  Entendeu  aquela  autoridade  julgadora  que  própria  contribuinte  poderia,  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  ter  apresentado  todos  os  seus  esclarecimentos  e  documentos ao fiscal autuante, em atendimento às intimações feitas, notadamente em relação à  comprovação  das  operações  realizadas  que  originaram  o  presente  lançamento  e  não  o  fez,  ficando no mero terreno abstrato das alegações sem prova.  Ora, como visto, a autoridade julgadora fundamentou com rigor a negativa da  perícia  técnica  solicitada,  com  fundamentos  convincentes.  É  de  se  alertar  de  que  para  um  pedido de perícia seja deferido é necessário que existam dúvidas de ordem técnica que exijam a  manifestação de um profissional capacitado a esclarecê­las, bem como entende que o ônus da  prova  recai  sobre  o  contribuinte,  responsável  pela  comprovação  dos  valores  contestados  e  demais documentos.  Só posso confirmar a negativa da autoridade de primeira instância, já que, a  princípio, a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte  Fl. 16189DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     26 que  praticou  a  irregularidade  fiscal,  não  cabendo  a  determinação  de  diligência  ou  perícia  de  ofício para a busca de provas em favor do contribuinte.  Ademais, a solução das questões trazidas não demanda conhecimento técnico  especializado  e  complementar,  sendo  que  as  informações  que  a  contribuinte  pretende  sejam  prestadas por perito são as que cabem a ele produzir.   Ora, o Decreto n.º 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº. 8.748, de  1993 ­ Processo Administrativo Fiscal ­ diz:  Art. 16 – A impugnação mencionará:   [...]  IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito.  § 1º. Considerar­se­á não  formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.    [...]  Art.  18  ­  A  autoridade  julgadora  de  Primeira  Instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.  § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua  realização,  a  autoridade  designará  servidor  para,  como  perito  da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a  realizar  o  exame  requerido,  cabendo  a  ambos  apresentar  os  respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de  complexidade dos trabalhos a serem executados.  Como  se  verifica  do  dispositivo  legal,  acima mencionado,  o  colegiado  que  proferiu a decisão tem a competência para decidir sobre o pedido de diligência ou perícia, e é a  própria lei que atribui à autoridade julgadora de primeira instância o poder discricionário para  deferir ou indeferir os pedidos de diligência ou perícia, quando prescindíveis ou impossíveis,  devendo o indeferimento constar da própria decisão proferida.  4 – LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA   Alega  a  recorrente  que  ao  ser  excluída  do  Simples  Nacional  abriu­se  a  possibilidade para que optasse pelo lucro presumido, podendo optar pelo regime de caixa ou de  competência, mas o Fisco  fez  a opção pelo  regime de  competência  sem  lhe dar o direito de  opção.  Entretanto, já restou claro, que ela foi intimada a fazer sua opção pelo regime  de tributação e, tendo optado pelo lucro presumido, não se manifestou a respeito da adoção do  regime de caixa.  Fl. 16190DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 15          27 Quanto  a  essa  opção,  a  Instrução  Normativa  (IN)  SRF  nº  104,  de  1998,  determina:  Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com  base  no  lucro  presumido,  que  adotar  o  critério  de  reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou  de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas  na  medida  do  recebimento  e  mantiver  a  escrituração  do  livro  Caixa, deverá:  I ­ emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou  da conclusão do serviço;  II ­ indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a  que corresponder cada recebimento.  §  1º  Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  que  mantiver  escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá  controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica,  na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que  corresponder o recebimento.  §  2º Os  valores  recebidos adiantadamente,  por  conta  de  venda  de  bens  ou  direitos  ou  da  prestação  de  serviços,  serão  computados como receita do mês em que se der o faturamento, a  entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que  primeiro ocorrer.  § 3º Na hipótese deste artigo, os valores  recebidos, a qualquer  título,  do  adquirente  do  bem  ou  direito  ou  do  contratante  dos  serviços  serão  considerados  como  recebimento  do  preço  ou  de  parte deste, até o seu limite.  § 4º O cômputo da receita em período de apuração posterior ao  do  recebimento  sujeitará  a  pessoa  jurídica  ao  pagamento  do  imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e  de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na  forma da legislação vigente.  Verifica­se  que  a  recorrente  não  apresentou  o  citado  livro Caixa  durante  a  fiscalização,  tampouco  na  impugnação,  que  pudesse  comprovar  o  cumprimento  das  determinações acima. Não cabe agora, na fase impugnatória, qualquer alteração do lançamento  com base em alegações desprovidas de provas.  Dispõe o PAF em seu art. 16, III, que devem ser apresentados na impugnação  os documentos e provas que a impugnante possuir que possam influir na solução do litígio.  Não  sendo  apresentadas  provas  da  afirmação  feita,  não  se  altera  o  lançamento.  5 ­ DA EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS  E DO PIS  No que diz respeito à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições  para o PIS e para a Cofins é de se dizer que o tema não guarda novidades e, há muito tempo,  Fl. 16191DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     28 pacificou­se o entendimento de que a parcela de ICMS contida no valor das vendas compõe o  faturamento. Nesse sentido, cita­se as inúmeras súmulas sobre o tema:  – Súmula TFR nº 258: “Inclui­se na base de calculo do PIS a parcela relativa  ao ICM.”;  ­ STJ – Súmula 68: “A parcela do ICM inclui­se na base de cálculo do PIS”.  ­  STJ  ­  Súmula  94:  “A  parcela  do  ICMS  inclui­se  na  base  de  cálculo  do  Finsocial”.  Por oportuno, destaco entendimento de fundamental relevância na edição da  Súmula 68 do STJ contido no voto condutor do aresto no REsp 16841/DF, de lavra do Ministro  Garcia Vieira:  Estabelece  o  art.  3º  da  Lei  Complementar  07/70  constituir  o  Fundo  de  Participação  de  duas  parcelas,  a  primeira mediante  dedução do imposto de renda e a segunda com recursos próprios  da empresa, calculados com base no faturamento. O ICM incide  sobre  valor  da  mercadoria,  compõe  o  seu  preço  e  integra  o  faturamento  da  empresa.  Deste  faz  parte  também  as  despesas  com impostos e outras despesas, pagas pelo comprador. Assim, a  contribuição  social  da  empresa,  calculada  com  base  no  seu  faturamento, nos termos da citada Lei Complementar nº 07/70, é  calculada  sobre  o  total  das  vendas,  de  sua  receita  bruta,  composta  também  do  ICM.  Se  este  está  incluído  no  preço  da  mercadoria, não se pode excluir da base de cálculo do PIS.  As recentes decisões do STJ sobre a matéria, como não poderiam deixar de  ser, traduzem a sedimentação sobre o melhor entendimento da controvérsia:  1ª  Turma  AgRg  no  Ag  1069974  PR  DECISÃO:  17/02/2009  (unânime) Relator Minisrto FRANCISCO FALCÃO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  ICMS.  INCLUSÃO.  BASE  DE  CÁLCULO.  PIS  E  COFINS.  SÚMULAS  68  E  94  DO  STJ.  LEGALIDADE. RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 83/STJ.  I  –  O  acórdão  recorrido  encontra­se  em  perfeita  consonância  com a jurisprudência desta Corte, que firmou o entendimento de  que se inclui na base de cálculo da COFINS e do PIS a parcela  relativa ao ICMS, consoante se depreende das Súmulas 68 e 94  do STJ.  II  ­  Incidência do óbice  sumular 83/STJ ao  trânsito do recurso  especial.  III  Agravo  regimental  improvido.  (AgRg  no  Ag  1069974/PR,  Rel. Ministro  FRANCISCO FALCÃO,  PRIMEIRA  TURMA, 17/02/2009, DJe 02/03/2009).  Cumpre ainda esclarecer que os dispositivos legais que regem a matéria (Leis  números  9.718/1998,  10.637/2002  e  10.833/2003)  trazem  artigos  específicos  que  tratam  das  exclusões permitidas para fins de determinação da receita bruta/faturamento, base de cálculo de  tais contribuições.  No art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, consta que:  Fl. 16192DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 16          29 Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  § 1º [revogado]  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  I  –  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos,  o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  IPI  e  o  Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de Comunicação  ICMS,  quando  cobrado  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário;   II  ­  as  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como  perda,  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo  valor do patrimônio  líquido e os  lucros e dividendos derivados  de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham  sido computados como receita;  III – [revogado]  IV­ a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.  V­  a  receita  decorrente  da  transferência  onerosa  a  outros  contribuintes  do  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados  de  operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do §  1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de  1996.  Conforme  se  observa,  o  dispositivo  legal  em  comento  prevê  que  a  única  parcela  de  ICMS  que  poderá  ser  excluída  da  receita  bruta  é  a  que  se  refere  à  substituição  tributária. Ora, entender que o  ICMS cobrado na condição de contribuinte possa  ser  também  excluído da base de  cálculo do PIS e da Cofins por não  corresponder  ao  conceito de  receita  bruta,  implica,  a  uma  só  vez,  utilizar­se  de  exclusões  não  previstas  em  lei,  bem  como  que  interpretar que o legislador empregou “expressões supérfluas” ao permitir a exclusão do ICMS  cobrado na condição de substituto tributário, uma vez que, se o ICMS cobrado do vendedor na  condição  de  contribuinte  embutido  no  preço  da mercadoria  –  não  compusesse  o  conceito  de  receita  bruta,  mais  razão  ainda  assistiria  a  não  inclusão  do  ICMS  cobrado  em  razão  da  “substituição  tributária”  na  base  de  cálculo  de  tais  contribuições.  Contudo,  se  o  legislador  previu  expressamente  a  exclusão  do  ICMS  “substituição  tributária”  da  receita  bruta  torna­se  imperioso  entender  que  tal  parcela  estaria  compreendida  em  seu  conceito,  sob  pena  de  considerar tal norma inócua.  É  princípio  basilar  de  hermenêutica  jurídica  que  a  lei  não  contém  palavras  inúteis.  Ou  seja,  as  palavras  devem  ser  compreendidas  como  tendo  alguma  eficácia,  pois,  conforme leciona Caros Maximiliano, não se presumem, na lei, palavras inúteis (Hermenêutica  e Aplicação do Direito, 8. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262).  Fl. 16193DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     30 De  modo  semelhante,  não  há  nas  Leis  nº  10637/2002  e  nº  10.833/2003  dispositivos prevendo a exclusão do ICMS cobrado do vendedor, na condição de contribuinte,  das bases de cálculo do PIS e Cofins não cumulativos (faturamento, assim entendido o total das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação contábil).  A respeito das questões constitucionais envolvendo a matéria, seu mérito não  pode  ser  analisado  por  este  Colegiado.  Essa  análise  foge  à  alçada  das  autoridades  administrativas,  que,  em  regra,  não  dispõem  de  competência  para  examinar  hipóteses  de  violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional.  Deve­se  observar  que  as  supostas  ofensas  aos  princípios  constitucionais  levam  a  discussão  para  além  das  possibilidades  de  juízo  desta  autoridade.  No  âmbito  do  procedimento  administrativo  tributário,  cabe,  tão  somente,  verificar  se  o  ato  praticado  pelo  agente  do  fisco  está,  ou  não,  conforme  à  lei,  sem  emitir  juízo  de  constitucionalidade  das  normas  jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento  Interno do CARF,  em  seu  art.  62,  dispõe  que  “Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada  no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação  cogente aos membros do CARF.  Por  fim,  sobre  a  matéria  este  Conselho  já  pacificou  seu  entendimento  por  meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Desse modo, voto por negar provimento  à  exclusão do  ICMS das bases  de  cálculo do PIS e da Cofins.  6 – DA EXCLUSÃO DA CSLL DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ A  TÍTULO DE DESPESA  A recorrente alega que a vedação à dedução da CSLL da base de cálculo do  IRPJ  e da  sua  própria  base  de  cálculo  ofende  a Constituição Federal  (CF),  art.  153,  III,  e  o  Código Tributário Nacional (CTN), art. 43.  Deve­se registrar que a citada vedação está prevista na Lei nº 9.316, de 1996,  e,  conforme  se  verá  adiante,  não  cabe  à  autoridade  administrativa  se  manifestar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei.  7 – DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA  Observa­se  que  sobre  as  diferenças  provenientes  de  receitas  auferidas  pela  recorrente mediante condutas de venda sem nota fiscal e com uso de notas fiscais paralelas a  autoridade fiscal entendeu haver o evidente intuito de fraude.  Em  decorrência  desses  fatos,  foi  aplicada  a multa  qualificada  de  150%,  de  acordo com o art. 44,  inciso  I  e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, alegando a autoridade  fiscal  lançadora que  a empresa,  ao utilizar nota  fiscal  inidônea  (nota  fiscal  paralela) para  justificar  para justificar as vendas, praticou, intencionalmente, ato visando sonegar o IRPJ, CSLL, PIS e  COFINS, enquadrando­se no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964.  Fl. 16194DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 17          31 Como se vê nos autos,  a ora  recorrente  foi  autuada sob a acusação de ação  dolosa e fraudulenta caracterizada pela utilização de “nota fiscal paralela, cujo objetivo único  era comprovar perante o adquirente dos produtos a emissão de nota fiscal e que no entender da  autoridade  lançadora  caracteriza  evidente  intuito  de  fraude  nos  termos  do  Regulamento  do  Imposto de Renda.  Só posso concordar com esta decisão, já que, no meu entendimento, para que  ocorra a  incidência da hipótese prevista no art. 44,  inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, é  necessário  que  esteja  perfeitamente  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  já  que  sonegação,  no  sentido  da  legislação  tributária  reguladora  do  IPI,  “é  toda  ação  ou  omissão  dolosa,  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária,  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  sua  natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de  afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente”.  Porém,  para  a  legislação  tributária  reguladora  do  Imposto  de  Renda,  o  conceito  acima  integra,  juntamente  com o de fraude e conluio da aplicável ao IPI, o de “evidente intuito de fraude”.   Como  se  vê  o  artigo  957,  do  RIR/99,  que  representa  a  matriz  da  multa  qualificada, reporta­se aos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que prevêem o intuito  de  se  reduzir,  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  pagamento  de  uma  obrigação  tributária, ou simplesmente ocultá­la.  Resta,  pois,  para  o  deslinde  da  controvérsia,  saber  se  o  ato  praticado  pela  recorrente configurara ou não a fraude fiscal, tal como se encontra conceituada no artigo 72 da  Lei nº 4.502, de 1964, verbis:  Art.  72  ­  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do  imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento.  Entendo  que  para  aplicação  da  multa  qualificada  deve  existir  o  elemento  fundamental  de  caracterização  que  é  o  evidente  intuito  de  fraude  e  este  está  devidamente  demonstrado nos autos, através da utilização de documentos fiscais inidôneos. Existe nos autos  a prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto.  Já ficou decidido por este Conselho de Contribuintes que a multa qualificada  somente  será  passível  de  aplicação  quando  se  revelar  o  evidente  intuito  de  fraudar  o  fisco,  devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente  justificada e comprovada nos autos. Decisão,  por si só suficiente para uma análise preâmbular da matéria sob exame. Não será necessário à  referência de decisão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na medida em que é  princípio geral de direito universalmente conhecido de que multas e os agravamentos de penas  pecuniárias ou pessoais devem estar lisamente comprovadas.  Trata­se de aplicar uma sanção e neste caso o direito  faz com cautelas para  evitar abusos e arbitrariedades.  O  evidente  intuito  de  fraude  não  pode  ser  presumido.  Tirando  toda  a  subjetividade dos argumentos apontados,  resta apenas de concreto a  falta de recolhimento do  imposto de renda.  Fl. 16195DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     32 Da  análise  dos  documentos  constantes  dos  autos  e  das  suposições  da  autoridade  administrativa  se  pode  dizer  que  houve  o  “evidente  intuito  de  fraude”  que  a  lei  exige para a aplicação da penalidade qualificada.  Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age  com vontade de  fraudar  ­  reduzir o montante do  imposto devido, pela  inserção de elementos  que  sabe  serem  inexatos. Como  se vê  nos  autos,  a  recorrente  foi  autuada  sob  a  acusação  de  emissão de documentos fiscais inidôneos e vendas sem a emissão de documentação fiscal.   Sendo que até o momento a  suplicante não apresentou qualquer documento  que lhe fosse favorável no sentido de descaracterizar a infração ou atenuar a imputação que lhe  é dirigida de ação dolosa e fraudulenta. Não trouxe aos autos documentos que comprovassem a  efetiva  emissão  de  documentário  fiscal  idônea  para  lastrear  as  vendas  realizadas.  Não  apresentou documentos e informações lastreadas em documentação emitida por terceiros e que  fossem  convincentes  para  comprovar  os  fatos  ocorridos.  Limitou­se  na  sua  defesa  a  meras  alegações, muitas vezes não condizentes com as provas dos autos.  Assim,  entendo  que  neste  processo,  está  aplicada  corretamente  a  multa  qualificada de 150%, do art. 44, inciso I, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação  nos casos de evidente intuito de fraude.  Quando  a  lei  se  reporta  à  evidente  intuito  de  fraude  é  óbvio  que  a  palavra  intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de  seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente,  já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já  denotam ter o seu autor pretendido proceder desta ou daquela forma para alcançar tal ou qual  finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja aquilo que se tem  em vista, ao agir.  O  evidente  intuito  de  fraude  floresce  nos  casos  típicos  de  adulteração  de  comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, falsidade ideológica, notas  calçadas, notas frias, notas paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, etc.  Não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve  haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação das receitas e  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  dos  bens  produtores  da  renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer  forma e a qualquer título.  É  cristalino,  que  nos  casos  de  realização  das  hipóteses  de  fato  de  conluio,  fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas, e por decorrência da natureza característica  dessas figuras, o legislador tributário entendeu presente o intuito de fraude.  Enfim, há no caso a prova material suficiente da evidente intenção de sonegar  e/ou fraudar o imposto. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente  age  com  vontade  de  fraudar  ­  reduzir  o  montante  do  imposto  devido,  pela  inserção  de  elementos que sabe serem inexatos.  8 – DO CONFISCO. QUER EM RELAÇÃO AO IMPOSTO. QUER EM  RELAÇÃO  ÀS  MULTAS  APLICADAS.  ILEGALIDADE  DA  COBRANÇA DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC  Fl. 16196DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 18          33 Da mesma  forma,  não  cabe  razão  a  recorrente  no  que  tange  a  alegação  de  ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (confisco, ilegalidade e inconstitucionalidade),  o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora.   Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento  da  legislação  em vigor,  independentemente  de  questões  de  discordância,  pelos  contribuintes,  acerca  de  alegadas  ilegalidades/inconstitucionalidades,  sendo  a  atividade  de  lançamento  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  como  previsto  no  art.  142,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  Não  há  dúvidas  de  que  se  entende  como  procedimento  fiscal  à  ação  fiscal  para  apuração  de  infrações  e  que  se  concretize  com  a  lavratura  do  ato  cabível,  assim  considerado  o  termo  de  início  de  fiscalização,  termo  de  apreensão,  auto  de  infração,  notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de  suas  funções  inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles  tomar conhecimento pela intimação.  Os  atos  que  formalizam  o  início  do  procedimento  fiscal  encontram­se  elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo  138,  parágrafo  único  do  Código  Tributário  Nacional,  esses  atos  têm  o  condão  de  excluir  a  espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a  ser verificadas.  Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito  passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não  exclui  suas  responsabilidades,  sujeitando­os  às  penalidades  próprias  dos  procedimentos  de  ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e  torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização.  Ressalte­se, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada  pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida  de  fiscalização  tem o condão de constituir­se  em marco  inicial da ação  fiscal, mas,  também,  consoante  reza  o  mencionado  dispositivo  legal,  “qualquer  procedimento  administrativo”  relacionado  com  a  infração  é  fato  deflagrador  do  processo  administrativo  tributário  e  da  conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável  sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na  forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972.  O  entendimento,  aqui  esposado,  é  doutrina  consagrada,  conforme  ensina  o  mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220:  O processo  contencioso administrativo  terá  início  por  uma das  seguintes formas:  1.  pedido  de  esclarecimentos  sobre  situação  jurídico­tributária  do sujeito passivo, através de intimação a esse;  2.  representação  ou  denúncia  de  agente  fiscal  ou  terceiro,  a  respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo  à assunção de responsabilidades tributárias;  Fl. 16197DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     34 3 ­ autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular  perante a legislação tributária;  4.  inconformismo  expressamente  manifestado  pelo  sujeito  passivo, insurgindo­se ele contra lançamento efetuado.  [...]  A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da  intimação  para  esclarecimentos,  sendo  peças  iniciais  do  processo que irá se estender até a solução final, através de uma  decisão  que  as  julguem  procedentes  ou  improcedentes,  com os  efeitos naturais que possam produzir tais conclusões.  No  mesmo  sentido,  transcrevo  comentário  de  A.A.  CONTREIRAS  DE  CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando  de Atos e Termos Processuais:  Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários.  São atos processuais os que se realizam conforme as regras do  processo,  visando  dar  existência  à  relação  jurídico­processual.  Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas  em  razão  de  outro  processo,  do  qual  depende.  No  processo  administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros:  a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a  notificação  [...]  Mas,  retornando  a  nossa  referência  aos  atos  processuais,  é  de  assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada,  privativamente,  por  agentes  fiscais,  em  fiscalização  externa,  já  no  que  concerne  às  faltas  apuradas  em  serviço  interno  da  Repartição  fiscal,  a  peça que  as  documenta  é a  representação.  Note­se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal  [...]  Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a  penalidade  aplicável,  a  sua  ausência  implicará  na  invalidade  do  lançamento.  A  falta  ou  insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi­lo com  acréscimos e penalidades legais.   É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte,  entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando­se em conta a ausência de má­fé,  de  dolo,  e  antecedentes  do  contribuinte. A multa  que  excede  o montante  do  próprio  crédito  tributário,  somente  pode  ser  admitida  se,  em  processo  regular,  nos  casos  de  minuciosa  comprovação,  em  contraditório  pleno  e  amplo,  nos  termos  do  artigo  5º,  inciso  LV,  da  Constituição  Federal,  restar  provado  um  prejuízo  para  fazenda  Pública,  decorrente  de  ato  praticado pelo contribuinte.  Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de  1988,  é  dirigida  ao  legislador.  Tal  princípio  orienta  a  feitura  da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse  princípio,  a  lei  deixa  de  integrar o mundo  jurídico  por  inconstitucional. Além disso,  é  de  se  ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas  pelo Direito Fiscal  e,  por não  constituir  tributo, mas penalidade pecuniária prevista  em  lei  é  Fl. 16198DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 19          35 inaplicável o conceito de confisco previsto no  inciso V, do art. 150 da Constituição Federal,  não cabendo às autoridades administrativas estendê­lo.  Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração  às  regras  instituídas  pela  legislação  fiscal  não  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em  lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150,  IV da CF., não conflitando  com o estatuído no  art.  5°, XXII  da CF.,  que  se  refere  à  garantia do direito de propriedade.  Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência.   Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados  pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém,  com  exclusividade,  tal  prerrogativa.  É  inócuo,  portanto,  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa.  De qualquer forma, há que se esclarecer que o imposto de renda é um tributo  calculado sobre a  renda  tributável auferida. Ou seja, é calculado  levando­se em consideração  aos rendimentos ou receitas tributáveis auferidas e em razão do valor é enquadrada dentro de  uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da  obrigação tributária.   Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na  elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que  orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo  a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis.  Assim  sendo,  não  vejo  como  se  poderia  acolher  o  argumento  de  inconstitucionalidade ou ilegalidade formal.  É  entendimento,  neste Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  que  à  discussão  sobre  a  inconstitucionalidade  de  normas  legais  é  inócua,  já  que  os  órgãos  administrativos  judicantes  estão  impedidos  de  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  regulamento, face à inexistência de previsão constitucional.  No  sistema  jurídico  brasileiro,  somente  o  Poder  Judiciário  pode  declarar  a  inconstitucionalidade de  lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle  incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade.  No caso de  lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle  seria  mesmo  incabível,  por  ilógico,  pois  se  o  Chefe  Supremo  da  Administração  Federal  já  fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a  lei,  não  seria  razoável  que  subordinados  na  escala  hierárquica  administrativa,  considerasse  inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional.  Exercendo  a  jurisdição  no  limite  de  sua  competência,  o  julgador  administrativo  não  pode  nunca  ferir  o  princípio  de  ampla  defesa,  já  que  esta  só  pode  ser  apreciada no foro próprio.  Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda  inconstitucional, maior  insegurança  teriam  os  cidadãos,  por  ficarem  à mercê  do  alvedrio  do  Executivo.  Fl. 16199DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     36 O  poder  Executivo  haverá  de  cumprir  o  que  emana  da  lei,  ainda  que  materialmente possa ela ser  inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo  afasta ­ sob o ponto de vista formal ­ a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no  seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá­la­ia, nos termos do artigo  66,  §  1º  da Constituição. Rejeitado  o  veto,  ao  teor  do  §  4º  do mesmo  artigo  constitucional,  promulgue­a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza,  não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta­se­lhe,  tão­somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a  decisão,  continuará  o  Poder  Executivo  a  lhe  dar  execução.  Imagine­se  se  assim  não  fosse,  facultando­se  ao  Poder  Executivo,  através  de  seus  diversos  departamentos,  desconhecer  a  norma  legislativa  ou  simplesmente negar­lhe  executoriedade por  entendê­la,  unilateralmente,  inconstitucional.  A evolução do direito,  como quer o  suplicante, não deve pôr em risco  toda  uma construção  sistêmica baseada na  independência  e na harmonia dos Poderes,  e  em cujos  princípios repousa o estado democrático.  Não  se  deve  a  pretexto  de  negar  validade  a  uma  lei  pretensamente  inconstitucional, praticar­se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de  competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder.   Ademais, matéria  já pacificada no  âmbito  administrativo,  razão pela qual o  Presidente  do  então  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  objetivando  a  condensação  da  jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento  Interno dos Conselhos de Contribuintes  (RICC),  aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de  março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas  no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas  a partir de 28 de julho de 2006.  Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  – CARF,  pela Portaria CARF  nº  106,  de  2009  (publicadas  no DOU de  22/12/2009),  assim  redigidas:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).”  9 – DO LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. PIS. COFINS  Do relato  se  infere que  as exigências da Contribuição Social  sobre o Lucro  Líquido  (CSLL);  da  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS);  e  da  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS),  decorrem  do  lançamento  levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das  irregularidades  apuradas  pela  autoridade  fiscal  lançadora  e  mantida  de  forma  integral  pela  decisão recorrida.  Em  observância  ao  princípio  da  decorrência  e  pela  certeza  da  relação  de  causa  e  efeito  existente  entre  o  suporte  fático  em  ambos  os  processo,  o  julgamento  daquele  apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir  no  presente  julgado,  eis  que  o  fato  econômico  que  causou  a  tributação  por  decorrência  é  o  mesmo  e  já  está  consagrado  na  jurisprudência  administrativa  que  a  tributação  decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude  da  íntima  correlação  de  causa  e  efeito.  Considerando  que,  no  presente  caso,  a  autuada  não  Fl. 16200DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 20          37 conseguiu  elidir  a  irregularidade  apurada,  deve­se manter  o  exigido  no  processo  decorrente,  que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no  processo  principal  quer  a  dele  originada  (lançamento  decorrente)  repousam  sobre  o  mesmo  suporte fático.  10  –  DO RECURSO VOLUNTÁRIO  DO COOBRIGADO OSVALDO  DE  CARVALHO.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  ART.  124,  INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL  Alegam  os  Recorrentes  que,  no  presente  caso,  a  pessoa  jurídica  autuada  possui  todos os elementos  legais exigidos para  responder,  judicial ou extrajudicialmente, por  todos os atos praticados ou a ela imputados, sempre através de seus representantes legalmente  constituídos.  Procurando  demonstrar  a  improcedência  da  imputação  de  responsabilidade  tributária ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO, assinalam:  O  Sr.  Osvaldo  de  Carvalho,  eleito  indevidamente  sujeito  solidário  no  presente  Auto  de  Infração,  foi  sócio  da  empresa  MAGNO, em Santana do Parnaíba, São Paulo, juntamente com o  Sr. Miguel Ronaldo Rizzo, falecido em 2001 por ato de violência  em seqüestro.  Por questões óbvias, sofrendo com o trauma e o “fantasma” do  seqüestro  e morte  de  seu  sócio  e melhor  amigo,  o  Sr. Osvaldo  não teve dúvidas em decidir pela mudança de cidade juntamente  com toda a sua família e, como sua atividade profissional estava  voltada exclusivamente à empresa, decidiu por mudá­la também.  Imaginou que Ibaiti/PR pudesse proporcionar a si (sic) e a seus  familiares  a  tranquilidade  e  a  despreocupação  quanto  à  violência de um grande centro.  Decidindo  pela  mudança  e,  em  se  tratando  de  empresa  tipicamente  familiar,  já  que  grande  parte  dos  familiares  ali  exerciam  atividade  profissional,  o  Sr.  Osvaldo  de  Carvalho  também  decidiu,  efetiva  e  paulatinamente,  transferir  toda  a  administração da empresa para suas filhas e genros.  Prova  disso  é  que  já  há  algum  tempo  vêm  sendo  realizadas  reuniões  familiares  onde  se  debate  a  sucessão  no  comando  da  empresa,  já  que  o  Sr.  Osvaldo  tem  demonstrado  vontade  em  participar somente da parte “criativa” dos produtos fabricados  pela empresa Recorrente (foi o Sr. Osvaldo quem criou cada um  dos produtos oferecidos pela MAGNOJET).  No entanto, suas filhas e genros ainda são bastante inexperientes  na  função  administrativa  da  empresa,  motivo  pelo  qual,  para  grandes  problemas  e  decisões,  o  Sr.  Osvaldo  sempre  é  requisitado.  Ressalte­se  que  se  trata  de  empresa  reconhecida  mundialmente,  por  ter  desenvolvido  bicos  pulverizadores  especiais  para  cada  tipo  de  atividade  agrícola  diferente,  cujos  produtos  são  comercializados  com  exclusividade  para  todo  mundo.  Inicialmente se torna importante ressaltar que a MAGNOJET foi identificada  nos  autos  de  infração  lavrados  por  figurar  ela  como  contribuinte  dos  tributos  lançados.  A  Fl. 16201DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     38 despeito  disso,  foi  lavrado  para  o  responsável  apontado  pela  autoridade  fiscal  o  documento  intitulado  “Termo  de  Responsabilização  Tributária  –  Solidariedade  Tributária”,  nos  quais  consta  a  identificação  do  responsável  e  da  base  legal  (art.  124,  I,  do CTN)  utilizada  para  a  imputação  de  responsabilidade.  Ademais,  nos  autos  de  infração  lavrados  consta  a  fundamentação  fático­jurídica  para  a  atribuição  de  responsabilidade  tributária,  tendo  a  autoridade  fiscal  concluído  que  ele  teria  interesse  comum  na  situação  que  constituiu  o  fato  gerador  da  omissão  de  receitas,  pois  deliberou  a  forma  da  tributação  e  recebeu  os  frutos  financeiros das operações realizadas.  Adita  o  recorrente  que  a  imputação  de  responsabilidade  em  questão  está  embasada  em  presunção,  inexistindo,  ressalvada  a  declaração  por  ele  prestada,  documento  capaz de comprovar que o Sr. Osvaldo de Carvalho era efetivamente o proprietário da empresa.  Relativamente à declaração prestada pelo Sr. Osvaldo, assinalam que ela foi  assinada coercitivamente e sob ameaça de que ele e seus familiares seriam presos.  Com o devido respeito, as considerações trazidas pela peça recursal, ao invés  de  servir  como  fundamento para  a  exclusão do Sr. Osvaldo de Carvalho do pólo passivo da  obrigação  tributária  constituída,  concorre  para  corroborar  a medida  adotada  pela  autoridade  fiscal.  Consta dos autos, consta cópia de procuração outorgada pela sócia­gerente da  fiscalizada ao Sr. Osvaldo de Carvalho, seu pai, para que ele pudesse desempenhar e responder  por  todos  os  atos  perante  a  Receita  estadual,  haja  vista  a  instauração  do  procedimento  de  fiscalização por parte do órgão estadual competente.  A pessoa jurídica fiscalizada iniciou atividades em fevereiro de 2004 e, até 24  de  novembro  de  2004,  possuía  como  sócias  as  Sras.  Luciana  Moreira  de  Souza  e  Wanda  Bernardino de Souza. A partir de 24 de novembro de 2004, as  sócias passaram a  ser a Sras.  Heloisa de Carvalho e Elisa de Carvalho.  De  acordo  com  relato  feito  pela  fiscalização  estadual,  a  pessoa  jurídica  autuada (MAGNOJET) noticiou na internet que é uma seqüência da empresa MAGNO IND. E  COM.  DE  PRODUTOS  CERÂMICOS  LTDA,  que  tinha  como  sócio­administrador  o  Sr.  Osvaldo de Carvalho, pai de Heloisa de Carvalho e de Elisa de Carvalho, e como sócio­gerente  o Sr. Miguel Ronaldo Rizzo.  Em 24 de junho de 2004, a Sra. Karine Soares Rizzo, que havia sucedido o  Sr. Miguel  Ronaldo Rizzo  na MAGNO  IND.  E COM.,  deixa  a  sociedade,  entrando  em  seu  lugar o Sr. Carlos Fernando de Souza, sobrinho do Sr. Osvaldo de Carvalho.  As  Sras.  Luciana  Moreira  de  Souza  e  Wanda  Bernardino  de  Souza,  que  supostamente constituíram a MAGNOJET, são,  respectivamente, esposa e mãe do Sr. Carlos  Fernando de Souza.  Para a Fiscalização estadual, a MAGNO IND. E COM. simulou, em 2004, a  venda de seu ativo imobilizado para a MAGNOJET, visto que no relatório de vendas do mês  correspondente as notas  fiscais emitidas não apresentaram valores e continham a  informação  “mudança”,  o  que  levou  à  conclusão  de  que  não  houve  pagamento  nas  operações  e  que  a  emissão  da  documentação  objetivou,  apenas,  acobertar  a  transferência/mudança  dos  equipamentos.  Na  diligência  efetuada  na  MAGNOJET,  a  Fiscalização  estadual  foi  recepcionada  pelo  Sr. Carlos  Fernando  de Souza,  que  solicitou  que  fosse  aguardado  contato  Fl. 16202DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 21          39 com  o  Sr.  OSVALDO,  “proprietário  da  empresa”.  Uma  vez  contatado,  o  Sr.  OSVALDO  compareceu à empresa.  Relatam  os  fiscais  estaduais  que  foram  interpelados  pelo  Sr.  OSVALDO  acerca de uma possível denúncia contra a “sua empresa”. Questionado acerca da existência de  notas fiscais paralelas, respondeu: “faço mesmo”.  Transcrevo fragmento do Relatório elaborado pela Fiscalização  estadual, reproduzido no Termo de Verificação Fiscal, acerca de  fatos ocorridos no escritório da MAGNOJET:  2.4  –  existia  uma  sala  que  estava  fechada  e  os  presentes  (sobrinho, genro e namorado da filha) pediam para aguardar a  “chegada”  do  funcionário,  decorrido  mais  de  uma  hora,  foi  solicitado ao Sr. OSVALDO que abrisse a sala e o mesmo assim  procedeu,  fazendo  uso  das  chaves  do  molho  de  chaves  da  empresa que estava em seu poder;  2.5  –  nas  dependências  da  fábrica,  foi  localizada  uma  sala  fechada  da  qual  nenhum  funcionário  tinha  chave.  Ao  ser  inquirido,  o  Sr.  Osvaldo  confirmou  que  lá  estava  parte  dos  documentos falsos e mandou que CARLOS FERNANDO abrisse  a sala e acompanhasse os auditores;  2.6 – quando da formalização dos  termos  fiscais o Sr. Osvaldo  providenciou uma procuração de sua filha Heloísa e assinou­os,  tendo,  inclusive,  feito  uma  declaração  escrita  (fls.  6)  onde  confessa  –  confissão  é  a  rainha  das  provas  –  a  prática  de  sonegação  fiscal  através  do  uso  de  notas  fiscais  paralelas  e  vendas sem documento fiscal;  3 – DA REPRESENTATIVIDADE  3.1 –  em  todos os procedimentos  realizados antes da  lavratura  dos  autos  infra mencionados  –  notificação  para  defesa  prévia,  notificação  para  apresentação  de  documentos  e  termos  de  retenção de documentos –  foi o Sr. Osvaldo quem assinou pela  empresa MAGNOJET,  fazendo  uso  daquela  procuração,  sendo  certo  que  a  Sra.  Heloísa,  mesmo  estando  na  empresa,  em  nenhum  momento  conversou  com  os  auditores  a  respeito  dos  fatos;  3.2  –  no  dia  09/05/08,  foi  procedida  a  ciência  nas  autuações  fiscais  em  tela,  tendo  a  Sra.  Heloísa  assinado  como  representante da MAGNOJET, em virtude de que seu pai não se  encontrava  na  empresa,  oportunidade  em  que  o  Sr.  Carlos  Fernando fez muitas perguntas a respeito dos prazos e reduções  para pagamento, pois que teria que se reportar, posteriormente,  ao Sr. Osvaldo;  4 – DOS FATOS FINANCEIROS  4.1 – no banco de dados da empresa MAGNOJET, extraídos de  seus  equipamentos,  quando  da  diligência  realizada  no  dia  26/02/2008,  foi  localizado  um  recibo  (...),  datado  de  31/07/06,  em  papel  timbrado  da  MAGNOJET,  onde  a  Sra.  KARINE  Fl. 16203DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     40 SOARES RIZZO declara estar recebendo do Sr. OSVALDO DE  CARVALHO, a importância de R$ 90.450,00 referente à parcela  18/24 de aquisição de suas quotas na empresa MAGNO IND. E  COM.  DE  PROD.  CERÂMICOS  LTDA.,  cujo  pagamento  foi  efetuado com os cheques nºs. 826578 – nominal e no valor de R$  45.000,00 – e 826579 – no valor de R$ 45.450,00 e não nominal  –  do  Banco HSBC,  agência  0015,  em  nome  da MAGNOJET  –  IND. E COM. DE PROD. AGRÍCOLAS LTDA., não indicando o  nº da conta corrente, valendo lembrar que a MAGNOJET possui  duas contas correntes neste estabelecimento bancário, uma de nº  0578938 e outra de nº 0586442;  4.2 – O Sr. Osvaldo, conforme se observa no item 4.1, adquiriu  quotas  de  capital  da  empresa  MAGNO,  da  Sra.  KARINE  SOARES RIZZO e,  em 24/06/04,  introduziu  como novo  sócio  o  Sr.  CARLOS  FERNANDO  DE  SOUZA  –  seu  sobrinho  –  já  preparando a mudança da empresa de Santana de Parnaíba/SP  para Ibaiti/PR;  4.3  –  em  meados  de  2004,  como  demonstrado  acima,  o  Sr.  Osvaldo adquiriu as quotas de capital da MAGNO de sua então  sócia, nessa época – 30/01/2004 – já havia iniciado a abertura  da empresa MAGNOJET em nome de interpostas pessoas – Sras.  LUCIANA  e  WANDA,  esposa  e  mãe  do  Sr.  CARLOS  FERNANDO  –  na  cidade  de  Ibati/PR  e,  certamente  para  se  resguardar,  no  dia  24/11/2004,  alterou  o  contrato  social  da  MAGNOJET,  transferindo  as  quotas  de  capital  para  as  suas  filhas  HELOÍSA  e  ELISA,  cujo  início  das  atividades  foi  janeiro/05;   4.4  –  para  dirimir  de  vez  qualquer  dúvida  que  possa  ser  suscitada sobre a participação do Sr. Osvaldo na administração  da  empresa  MAGNOJET,  expomos  o  fato  de  que  os  valores  referentes  às  vendas  de  mercadoria  sem  nota  fiscal  –  anos  de  2005,  2006  e  2007  –  algo  em  torno  de  R$  1.800.000,00  (...),  eram  recebidos  através  de  depósitos  bancários  em  suas  contas  correntes/pessoa  física,  inicialmente  no  Banco  Bradesco,  agência nº 8338, conta nº 156841 e, por fim, no Banco do Brasil,  agência nº 06025, conta nº 26282X.  Nota­se,  pois,  em convergência  com o assinalado no Termo de Verificação  Fiscal, que o Sr. Osvaldo de Carvalho efetivamente era o proprietário da fiscalizada à época da  ocorrência dos fatos e responsável direto pelos atos infracionais apurados, eis que apresentou­ se como procurador da pessoa jurídica ao Fisco estadual; atendeu os auditores fiscais estaduais  nas diligências efetuadas e forneceu os elementos solicitados; esclareceu, como se verá adiante,  de forma clara e detalhada o modo como a autuada operava para subtrair receitas à tributação; e  apropriou­se de valores correspondentes a receitas que não foram declaradas ao Fisco.  Consta  do  processo  a  DECLARAÇÃO  do  Sr.  Oswaldo  de  Carvalho,  identificado, como já dito, como procurador da fiscalizada, da qual releva destacar as seguintes  informações:  ­ que efetivamente houve uso de notas fiscais “paralelas”;   ­ que somente parte do faturamento efetivo da autuada foi declarado;  Fl. 16204DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 22          41 ­  que  as  listagens  denominadas  RELATÓRIO  MENSAL  DE  VENDAS  COMISSÃO VENDAS retratam o faturamento real da empresa;   ­  que  no  RELATÓRIO MENSAL  DE  VENDAS  os  valores  especificados  com o nome de VALDINÉIA correspondem às vendas efetivamente declaradas ao Fisco, tendo  sido acobertados por notas fiscais regularmente emitidas;   ­  que  no  RELATÓRIO  MENSAL  DE  VENDAS  os  valores  especificados  com  o  nome  de MARIVONE  correspondem  às  vendas  que  foram  ocultadas  ao  Fisco,  tendo  sido acobertados por notas fiscais paralelas;   ­  que  no  RELATÓRIO  MENSAL  DE  VENDAS  os  valores  especificados  com o nome SP correspondem a vendas remanescentes efetuadas pela empresa MAGNO IND.  E COM. DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA, estabelecida no estado de São Paulo e que  funcionou até dezembro de 2004;   ­  que  foram  localizados  os  relatórios  denominados  RELATÓRIOS  DE  PRODUTOS VENDIDOS (NF), referentes ao período de 01/01/2007 a 18/12/2007, nos quais  aparecem  grafados  à  caneta  as  indicações  “B1”  e  “B2”,  que  correspondem  às  vendas  acobertadas por nota fiscal idônea e por nota fiscal paralela, respectivamente;   ­ que os RELATÓRIOS MENSAIS DE VENDAS  referentes ao período de  janeiro a dezembro de 2004, correspondem às vendas efetuadas pela empresa estabelecida no  estado de São Paulo;   ­ que os dados referentes ao faturamento eram manipulados na empresa e que  o contador responsável não tinha conhecimento de tal fato; e  ­  que  os  documentos  paralelos  que  não  haviam  sido  localizados  naquela  ocasião já haviam sido destruídos.  Embora a peça de defesa faça referência à coerção e ameaça na assinatura da  declaração acima referenciada, não identifico qualquer elemento, ainda que testemunhal, capaz  de comprovar a afirmação. Além do mais, na linha do sustentado no voto condutor da decisão  de  primeiro  grau,  os  fatos  ali  apontados  encontram­se  devidamente  corroborados  pelos  documentos carreados ao processo pela autoridade fiscal.  Assim  sendo,  resta  claro  nos  autos  que  atribuição  de  responsabilidade  solidária  ao Sr. Osvaldo  de Carvalho,  se  deu  com base no  art.  124,  I,  do Código Tributário  Nacional,  por  ter  a  autoridade  fiscal  considerado  à  presença  de  interesse  comum  deles  na  situação que constituiu o fato gerador dos tributos lançados. Nesse sentido, foi consignado nos  autos de infração lavrados que “foi ele quem deliberou a forma como seria tributado as receitas  auferidas e os  frutos financeiros do ganho foi por ele recebido e detinha o completo controle  sobre os atos que resultaram na incorreta tributação das receitas auferidas através da venda de  produtos, configurando o interesse comum.”.  Ora,  o  entendimento  da  autoridade  fiscal  quanto  a  esse  aspecto  da matéria  tributária é passível de contestação, da mesma forma que os demais aspectos do  lançamento,  sendo  legítimos para se opor às conclusões da autoridade  lançadora o  indigitado  responsável  solidário.  Fl. 16205DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     42 A solidariedade tributária está prevista no art. 124 e 125 do Código Tributário  Nacional, sendo que no art. 124 são fixados os requisitos para a sua configuração e no art. 125  são explicitados efeitos da solidariedade.  Como  dito,  no  art.  124  do  Código  Tributário  Nacional  são  fixados  os  requisitos para a configuração da solidariedade tributária, como se pode conferir pelo texto da  lei:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  Como se verifica, a solidariedade tributária pode existir sob duas formas. No  inciso I do art. 124, consta que haverá solidariedade passiva sempre que mais de uma pessoa  tenha  interesse  no  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  sendo  que  tal  interesse  deverá  ser  comum  ao  conjunto  de  pessoas  obrigadas  solidariamente.  Já  no  inciso  II  consta  que  haverá  solidariedade quando a legislação previr a sua ocorrência de maneira expressa.  No  citado  art.  124  do  Código  Tributário  Nacional,  foi  definido  o  motivo  necessário para a criação da responsabilidade – existência do interesse comum ­ e também se  permitiu que fossem criadas outras normas que viessem prever a ocorrência da solidariedade  passiva tributária.  Como visto  a norma  inscrita no  citado artigo  exige  apenas  e  tão­somente  a  presença  de  interesse  comum.  Não  se  exige  que  os  interessados  sejam  administradores  ou  gerentes  do  contribuinte.  Tampouco  a  condição  de  acionistas  de  sociedade  anônima  é  razão  bastante para afastar a responsabilidade.  Hugo  de  Brito  Machado  conceitua  a  solidariedade  tributária  passiva  de  maneira a identificar os dois tipos de solidariedade previstos no artigo 124:  As pessoas com  interesse comum na situação que constitui  fato  gerador  da  obrigação  de  pagar  um  tributo  são  solidariamente  obrigadas  a  esse  pagamento,  mesmo  que  a  lei  específica  do  tributo em questão não o diga. É uma norma geral, aplicável a  todos os tributos.  Também são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente  designadas em lei, isto é, a lei pode estabelecer a solidariedade  entre pessoas que não tenham interesse comum, a solidariedade  decorre  do  próprio  Código  Tributário  Nacional.  Independe  de  dispositivo  da  lei  do  tributo.  Se  não  há  interesse  comum,  a  existência de solidariedade depende de previsão expressa da lei  do tributo. (MACHADO, 2007, p. 146)  Estes  dois  tipos  de  solidariedade  constantes  do  artigo  124  do  Código  Tributário  Nacional  são  conhecidos  na  doutrina  como  sendo  solidariedade  Natural  e  solidariedade  Legal.  Esta  nomenclatura  traduz  a  noção  de  que,  no  primeiro  caso,  a  solidariedade  ocorre  por  causa  da  própria  natureza  intrínseca  da  obrigação  decorrente  da  Fl. 16206DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 23          43 existência  do  interesse  comum,  sendo  que  no  segundo  caso,  a  obrigação  decorre  de  uma  determinação imposta pela norma.  Embora  em  princípio  tal  nomenclatura  permita  distingui­las,  trata­se  de  diferenciação superficial  já que não basta a determinação pura e  simples da  lei para  impor a  obrigação  solidária,  visto  que  o  ordenamento  jurídico  deve  ser  interpretado  de  forma  sistemática, considerando também os demais enunciados normativos e os princípios jurídicos.  Cuida­se no presente caso, da hipótese referida no inciso I acima transcrito. A  questão  aqui  é  definir  o  alcance da  expressão  “interesse  comum na  situação  que  constitua  o  fato gerador do  imposto”,  tema controvertido dada  a vagueza da expressão. Paulo de Barros  Carvalho a  reconhece quando diz que “o  interesse comum dos participantes na realização do  fato jurídico tributário é o que define, segundo o inc. I, o aparecimento da solidariedade entre  os  devedores”,  mas  exclui  a  simples  participação  nos  acontecimentos  envolvendo  o  fato  gerador como critério definidor do vínculo de solidariedade. Diz Paulo de Barros, “aquilo que  vemos  repetir­se  com  freqüência,  em  casos  dessa  natureza,  é  que  o  interesse  comum  dos  participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do  vínculo da solidariedade”. É dizer, não basta participar dos fatos envolvendo os acontecimentos  caracterizadores  do  fato  gerador.  É  como  no  exemplo  mencionado  por  Paulo  de  Barros  Carvalho  de  uma  operação  de  compra  e  venda  de  mercadorias,  onde  ambos,  comprador  e  vendedor, têm interesse comum na operação, porém não se cogita de responsabilidade solidária  entre ambos.  Concordando  com  essas  ponderações,  penso  que  o  “interesse  comum”  referido  no  inciso  I  do  art.  124  do  Código  Tributário  Nacional  deve  ser  interpretado  em  conformidade com o limite estabelecido no inciso I do art. 121. Isto é, se o art. 121 limita as  possibilidades de sujeição passiva às pessoas expressamente apontadas pela lei e àquelas que  têm relação pessoal e direta com o fato gerador, ao versar sobre a responsabilidade solidária,  não  pode  o  mesmo  Código  Tributário  Nacional  referir­se  a  situação  que  amplia  essas  possibilidades. É dizer, esse interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar  associado  a  uma  relação  pessoal  e  direta  com  o  fato  gerador.  Assim,  além  das  pessoas  expressamente  apontadas  pela  lei,  seriam  solidariamente  obrigadas  ao  pagamento  do  tributo  pessoas que tenham, em comum, relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato  gerador. Luciano Amaro propõe a seguinte solução para a interpretação do art. 124, I coerente  com a regra do art. 121, I, a saber:  O  interesse  comum  no  fato  gerador  põe  o  devedor  solidário  numa  posição  também  comum.  Se  em  dada  situação  (a  co­ propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio  como  contribuinte,  nenhum  dos  co­proprietários  seriam  qualificados como terceiros, pois ambos ocupariam, no binômio  Fisco­contribuinte,  o  lugar  do  segundo  (ou  seja,  o  lugar  de  contribuinte).  Ocorre  que  cada  qual  só  se  poderia  dizer  contribuinte em relação à parcela de tributo que correspondesse  à  sua  quota  de  interesse  na  situação.  Como  a  obrigação  tributária (sendo pecuniária) seria divisível, cada qual poderia,  em princípio, ser obrigado apenas pela parte equivalente ao seu  quinhão  de  interesse.  O  que  determina  o  Código  Tributário  Nacional  (art.  124,  I)  é  a  solidariedade  de  ambos  como  devedores  da  obrigação  inteira,  onde  se  poderia  dizer  que  a  condição  de  sujeito  passivo  assumiria  forma  híbrida  em  que  Fl. 16207DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     44 cada  co­devedor  seria  contribuinte  na  parte  que  lhe  toca  e  responsável pela porção que caiba ao outro.  Não basta, portanto, para ser apontado responsável solidário, nos  termos do  art.  124,  I  do  Código  Tributário  Nacional,  que  a  pessoa  concorra  para  a  realização  do  fato  gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. É preciso que,  mais do que participar do  fato  gerador,  o  realize,  ao  lado de outras pessoas,  que envergue  a  condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador:  obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc.  Da  mesma  maneira  em  que  ocorre  na  solidariedade  civil,  a  solidariedade  tributária também pode ser paritária ou dependente, como explica Zelmo Denari:  Em direito tributário a coobrigação se diz paritária quando dois  ou  mais  sujeitos  passivos  realizam  ou  participam  da  situação  base, isto é, quando os efeitos de um único pressuposto referem­ se  contemporaneamente  a  distintos  sujeitos  (...)  em  virtude  da  comunhão  de  interesses  que  une  os  co­partícipes  e  que  é  o  fundamento  mesmo  da  solidariedade  paritária  –  os  efeitos  do  pressuposto  se  propagam  à  pluralidade  de  sujeito  que  o  realizaram contemporaneamente.  O imposto, nos termos da lei, é atribuído à responsabilidade de  uma  pessoa,  que  coincide  em  regra  com  o  partícipe  direto  da  situação  base  do  imposto.  Com  norma  diversa,  depois,  é  estabelecida  a  obrigação  de  um  outro  sujeito,  conjuntamente  com o  primeiro. Na hipótese  versada,  ainda  que  o  pressuposto  típico  esteja  relacionado  com  uma  só  pessoa,  subsiste  a  coobrigação  solidária  porque  o  legislador  tributário  faz  acrescer ao pressuposto monosubjetivo a figura do responsável.  Tal  modelo  de  relação  passiva  plurissubjetiva  recebeu  a  denominação de dependente (...) (DENARI, 1977. p. 48,49 e 51).  De  fato,  a  solidariedade  tributária  é  paritária  quando  mais  de  um  sujeito  possui interesse comum no fato gerador do tributo, por o haverem praticado conjuntamente. De  outro lado, a solidariedade tributária é dependente quando, além do partícipe da situação que  deu origem ao tributo, a obrigação solidária surge para um terceiro em decorrência da lei.  A solidariedade tributária também é incompatível com o benefício de ordem,  em razão do próprio conceito de solidariedade, que, neste aspecto, não encontra distinção na  seara tributária. Aliomar Baleeiro concorda com este preceito:  Como  no  CC,  não  há  benefício  de  ordem,  isto  é,  a  exigência  pode  ser  feita  a  qualquer  dos  co­obrigados  ou  a  todos,  não  podendo os indicados no art. 124 exigir que, em primeiro lugar,  se  convoque  ou  execute  o  contribuinte  definido  no  art.  121,  parágrafo único, I (BALEEIRO, 2005, p. 728).  Também Sacha Calmon Navarro Coelho defende que não existe benefício de  ordem na solidariedade tributária, apesar de enfatizar tal inexistência na previsão explícita do  Código Tributário, que teria excluído o benefício de ordem existente no Direito Civil:  O parágrafo único baniu do Código Tributário Nacional o  instituto  civil do  benefício de ordem, mediante o qual um co­devedor tem o direito de requerer sejam excutidos,  em  primeiro  lugar,  os  bens  do  chamado  devedor  principal.  (...) O benefício  de  ordem,  pois,  Fl. 16208DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 24          45 inexiste. A satisfação do crédito tributário prevalece em favor dos entes tributantes (COÊLHO,  2009. p. 630).  Assim  resta  claro  que  não  existe  benefício  de  ordem  na  solidariedade  tributária, independentemente da previsão expressa, o conceito de solidariedade já exclui, por  sua própria inteligência, o benefício de ordem.  Da  leitura do  artigo  125  do Código Tributário Nacional  verifica­se  que,  da  mesma  forma  que  ocorre  na  lei  civil,  na  esfera  tributária  os  efeitos  da  solidariedade  determinam que o pagamento  efetuado por um dos  coobrigados  aproveita  aos  demais,  o que  significa  que  se  a  Fazenda  recebeu  o  crédito  tributário  de  um  dos  obrigados  solidários,  não  poderá exigi­lo dos outros.  Nesse ponto, é fundamental para o deslinde o fato de que a solidariedade não  é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de  incluir  um  terceiro  no  pólo  passivo  da  obrigação  tributária,  mas  apenas  de  graduar  a  responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem.   Tanto  é  assim,  que  o  dispositivo  em  comento  não  integra  o  capítulo  do  Código Tributário Nacional que trata da responsabilidade tributária.  Sendo  assim,  a  definição  da  sujeição  passiva  deve  ocorrer  em  momento  anterior  ao  estabelecimento da  solidariedade. Ainda que  tal  assertiva  tenha características de  obviedade, seu escopo dirige­se à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124,  do Código Tributário Nacional, muitas vezes utilizado de forma equivocada para  estabelecer  uma espécie de sujeição passiva de forma indireta.  Em regra, deve­se buscar a responsabilidade tributária enquadrando­se o fato  sob  exame  em  alguma  das  situações  previstas  nos  arts.  129  a  138,  do  Código  Tributário  Nacional.  Já  a  solidariedade  obrigacional  dos  devedores  prevista  no  inciso  I,  do  art.  124  é  definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois trata­se de norma geral.  Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum”  é imprecisa, questionável, abstrata e mostra­se inadequada para expor com exatidão a condição  em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Daí a fragilidade do  inciso  I,  do mencionado  art.  124,  do Código  Tributário Nacional; muitas  vezes  utilizado  de  forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta.  Para  que  haja  solidariedade  com  supedâneo  no  art.  124,  I  do  Código  Tributário Nacional, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente  na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa  tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o  objeto  deste  interesse  recaia  sobre  a  realização  do  fato  que  tem  a  capacidade  de  gerar  a  tributação.   Mais  ainda,  é  necessário  que  o  interesse  comum  não  seja  simplesmente  econômico, mas, sim jurídico, entendendo­se como tal aquele derivado de uma relação jurídica  de  qual  o  sujeito  de  direito  seja  parte  integrante,  e  que  interfira  em  sua  esfera  de  direitos  e  deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse.  Fl. 16209DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     46 O  interesse  jurídico  se  caracteriza  quando  a  situação  realizada  por  uma  pessoa  é  capaz  de  gerar  os  mesmos  direitos  e  obrigações  para  a  outra.  Que  é  o  caso  em  discussão.  Neste ponto, cabe transcrever os comentários ao citado artigo na obra Código  Tributário  Nacional  Comentado,  Coordenador  Vladimir  Passos  de  Freitas,  Ed.  Revista  dos  Tribunais, 1999:  Para o CTN, interessa a solidariedade passiva, revelando­se que  dois  ou  mais  devedores  do  tributo  ou  penalidade  pecuniária  estão obrigados, individualmente, pelo valor total da dívida. (...)  São  dois  os  tipos  de  solidariedade  na  obrigação  tributária:  a  primeira, das pessoas que tenham interesse comum na situação  que  constitua  o  fato  gerador  e,  a  segunda,  nos  casos  definidos  em lei.  [...]  Já  no  tocante  a  primeira,  que  interesse  comum  é  esse?  Pela  vagueza do termo, há de se examinar cada situação que constitui  o fato gerador, de modo a se averiguar se existe a comunhão de  interesses mencionada, acarretando a solidariedade.  Como  visto,  quando  duas  ou mais  pessoas  estiverem  ligadas,  por  interesse  comum, ao fato gerador dar­se­á a solidariedade legal presumida, sendo considerada devedora  solidária em relação ao crédito tributário.  No  caso  que  se  examina,  trata­se  de  lançamento  para  formalização  de  exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido;  da  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  e  da  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social,  relativo  aos  anos­calendário  de  2007  e  de  2008.  A  autuação  demonstra  que  o  obrigado  solidário  obteve  os  benefícios  da  disponibilidade  econômica ou jurídica da renda. A acusação, segundo se extrai da descrição dos fatos, é de que  concorreu diretamente para a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.  Ora,  resta  claro  nos  autos,  que  os  responsáveis  solidários  apontados  pela  autoridade  fiscal  participou  ativamente  da  operação  que  lhe  direcionou  os  recursos.  Nesse  sentido,  a  efetividade  do  lançamento  requer  a  localização  dos  recursos  vertidos  aos  interessados, já que a MAGNOJET, contribuinte da obrigação tributária apurada, foi desfalcada  em seu patrimônio em virtude do desvio dos recursos originados na omissão de receitas.  O  fato  é  que  o  Sr.  Osvaldo  de  Carvalho,  conforme  já  referido,  foram  partícipes ativos e beneficiários da migração dos recursos da MAGNOJET, caracterizando esse  fato  o  interesse  comum  dele  com  ela  na  situação  que  constitui  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária que deu causa ao lançamento.  Assim sendo, é de se manter a designação do responsável solidário, conforme  consta da peça acusatória.  Por  fim,  quanto  à  solicitação  de  que  as  intimações  sejam  feitas  ao  seu  procurador, deve ser rejeitada. Estas devem ser feitas em nome do sujeito passivo e dirigidas ao  seu domicílio fiscal, conforme reza o Código Tributário Nacional, no art. 127, que dispõe sobre  a existência do domicílio  tributário, e o art.  art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, havendo,  portanto, previsão legal para o endereçamento dos atos processuais. Assim, feita a eleição pelo  Fl. 16210DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 12571.720025/2011­07  Acórdão n.º 1402­001.763  S1­C4T2  Fl. 25          47 sujeito passivo, não é possível a admissão de domicílio especial para o processo administrativo  fiscal.  Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas  as  considerações  expostas  no  exame  da matéria,  voto  no  sentido  de  rejeitar  as  preliminares  suscitadas pelos recorrentes e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários.    (Assinado digitalmente)  Paulo Roberto Cortez                                Fl. 16211DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ

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Numero do processo: 19515.008109/2008-89
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em se tratando de consectário do tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador se existir pagamento antecipado. LUCRO REAL.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias-primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em se tratando de consectário do tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador se existir pagamento antecipado. LUCRO REAL.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias-primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2078; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 373          1 372  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.008109/2008­89  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.274  –  3ª Turma Especial   Sessão de  31 de julho de 2014  Matéria  LUCRO REAL  Recorrente  CAÇULA DE PNEUS COMÉRCIO IMPORTÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2004  NULIDADE.  DEVER  DE  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  PELO LANÇAMENTO.  No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita  compreensão  da  descrição  dos  fatos  que  ensejaram  o  procedimento  não  há  que se falar em nulidade do ato em litígio.  Cabe  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  na  atribuição  do  exercício  da  competência  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  caráter  privativo,  no  caso  de  verificação  do  ilícito,  constituir  o  crédito  tributário,  cuja  atribuição  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade funcional.  PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.  A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de  defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob  pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.  O  MPF  é  ato  interna  corporis  de  controle  interno  e  eventuais  vícios  são  consideradas  meras  irregularidades,  que  não  têm  efeito  de  contaminar  de  nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício.  DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.  Em  se  tratando  de  consectário  do  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  o  prazo  decadencial  começa  a  fluir  da  ocorrência  do  fato  gerador se existir pagamento antecipado.  LUCRO REAL.OMISSÃO DE RECEITAS.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 81 09 /2 00 8- 89 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 374          2 Caracteriza­se  como  omissão  a  falta  de  registro  de  receita,  ressalvada  à  pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade  determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de  tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.  A  omissão  de  receita  poderá,  também,  ser  determinada  a  partir  de  levantamento  por  espécie  das  quantidades  de  matérias­primas  e  produtos  intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica.  DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.  Somente  devem  ser  observados  os  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.   INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.   LANÇAMENTOS DECORRENTES.  Os  lançamentos  de  PIS,  de  COFINS  e  de  CSLL  sendo  decorrentes  das  mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a  que  os  resultados  dos  julgamentos  destes  feitos  acompanhem  aqueles  que  foram dados à exigência de IRPJ.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente  o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Victor  Humberto  da  Silva  Maizman,  Artur  José  André  Neto,  Ricardo  Diefenthaeler,  Roberto  Armond  Ferreira  da  Silva  e  Carmen  Ferreira  Saraiva.  Relatório  I ­ Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às  fls.  138­142,  com  a  exigência  do  crédito  tributário  no  valor  de  R$130.911,37  a  título  de  Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional  apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual referente ao ano­calendário de  2003.  O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade,  cuja apuração foi efetivada pela diferença de estoque, ou seja, registro de compras, apurada a  partir  do  exame  dos  dados  constantes  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Fl. 374DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 375          3 Pessoa  Jurídica  (DIPJ),  fls.  50­108, no Livro Diário,  fls.  45­49, nos Mapas de Compras,  fls.  113­130 e no Mapa Demonstrativo da Diferença de Estoque, fl. 130, em conformidade com o  Termo de Verificação Fiscal, fls. 133­137:  O montante dos lançamentos denominados "Saídas Estoque Sem Geração do  Custo  Revenda  ­  Posição  em  31/12/2003"  apresentado  pela  contribuinte  perfaz  R$158.413,06 enquanto a diferença apurada pela fiscalização totaliza R$215.927,42  caracterizando,  destarte,  omissão  de  receita  operacional  por  diferença  e  estoque  resultante  da  declaração  a  menor  de  compras  na  DIPJ/2004  conforme  segue:  (Apurado  pelo  Fisco  R$25.240.800,48  —  R$25.024.873,06  Declarado  na  DIPJ/2004).  O  montante  da  diferença  retro  descrita  (R$215.927,42)  foi  objeto  de  lançamento de oficio nos  termos da legislação vigente, como Omissão de Receitas  —  Diferença  de  Estoque  com  base  nos  dispositivos  legais  mencionados  com  a  exigência  do  crédito  tributário  de  IRPJ,  PIS,  COFINS  e  CSLL  consignados  nos  respectivos  Autos  de  Infração  que  se  encontram  consolidados  no  Processo  n°.  19515.008109/2008­89. [...]  Os montante tributável é a diferença de estoque consignado na planilha anexa  denominada Mapa  Demonstrativo  da  Diferença  de  Estoque  Ano­Calendário  2003  que  é  o  resumo  de  todas  as  compras  liquidas  da  matriz  e  filiais  de  Janeiro  a  Dezembro/2003  apurando  em  R$215.927,42  [...]  para  efeito  de  constituição  do  crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento  legal:  art.  24  da  Lei  nº  9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 41 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art.  249,  art.  251,  art.  261,  art.  274,  art.  279,  art.  286,  art.  288  e  art.  289  do  Regulamento  do  Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999).  Em decorrência de  serem os mesmos elementos de provas  indispensáveis  à  comprovação dos  fatos  ilícitos  tributários  foram constituídos os  seguintes créditos  tributários  pelos lançamentos formalizados neste processo:  II ­ O Auto de Infração às fls. 143­147 com a exigência do crédito tributário  no valor de R$8.640,14 a título de Contribuição para o Programa de  Integração Social (PIS),  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  proporcional.  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento legal: art. 1º, art. 3º e art. 4º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002.  III – O Auto de Infração às fls. 148­152 com a exigência do crédito tributário  no valor de R$15.709,35 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  juros  de  mora  e multa  de  ofício  proporcional.  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art.  91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002.   IV – O Auto de Infração às fls. 153­156 a exigência do crédito tributário no  valor de R$47.128,07 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de  mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal:  art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de  1995, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 28 da Lei nº 9.430, de 26 de  dezembro de 1996, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996.  Fl. 375DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 376          4 Cientificada,  a  Recorrente  apresenta  a  impugnação,  fls.  160­189,  com  as  alegações abaixo sintetizadas.  Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que:  II.1 — Nulidade  acarretadora  do  cancelamento  do MPF  ­  extinção do MPF  pelo decurso de prazo de validade   Com relação à irregularidade do procedimento fiscal, cumpre verificar que o  Auto  de  Infração  impugnado  somente  foi  lavrado  após  a  extinção  do  prazo  de  validade  do  procedimento  de  fiscalização  pelo  transcurso  do  prazo  do  MPF  no  08.1.90.00­2007­00248­2. [...]  Como  se  vê,  a  existência  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  atende  aos  princípios do interesse público, como a impessoalidade, imparcialidade, finalidade e  razoabilidade,  proporcionando  aos  contribuintes  segurança  jurídica,  por  meio  de  uma ação fiscal previsível e transparente.   Por  isto, a previa instauração dos procedimentos fiscais através do Mandado  de Procedimento Fiscal (MPF) constitui pressuposto para o desenvolvimento válido  das atividades dos Auditores Fiscais, no âmbito da Receita Federal do Brasil. [...]  Logo, o MPF que deu origem a este Auto de Infração, datado de 02/02/2007,  permaneceu válido até 02/06/2007, quando, obrigatoriamente,  em cumprimento ao  principio da estrita  legalidade que norteia as obrigações da Administração Pública,  deveria ter sido extinto ou prorrogado.  Por  sua  vez,  a  Administração  Tributária  nas  datas  02/06/2007,  29/06/2007,  28/08/2007,  29/10/2007,  26/12/2007,  25/02/2008,  19/05/2008,  23/06/2008,  22/08/2008,  21/10/2008  e  17/12/2008,  emitiu  Mandados  de  Procedimento  Fiscal  complementares  que  tinham  como  objeto  a  ampliação  do  prazo  de  fiscalização  (documentos 4 a 14).  Todavia, não houve a correta prorrogação do MPF emitido com o Termo de  Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal.  Quando da emissão do documento datado de 19/05/2008  (documento 10),  a  validade do MPF estaria extinta nos termos do que preceituava o Demonstrativo de  Emissão e Prorrogação de MPF datado de 25/02/2008 (documento 9).  Desta  forma,  se  depreende  da  situação  fática  dos  autos,  que  o Mandado  de  Procedimento Fiscal teve seu prazo de validade expirado antes do encerramento das  atividades de fiscalização e da lavratura deste Auto de Infração, confira ­se:  ­ Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF de 25/02/2008;  ­  Validade  24/04/2008  (documento  9)  somente  prorrogada  em  19/05/2008  (documento 10);  ­ Termo de Encerramento em 12/12/2008.  Constata­se,  pois,  o  hiato  existente  entre  a  validade  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  e  o  Demonstrativo  de  Emissão  e  Prorrogação  de  MPF,  conforme comprovam os documentos juntados no processo.  Neste sentido, cabe ressaltar que ainda que existisse a prorrogação do prazo  de  validade  do  MPF,  competia  à  autoridade  fiscal  ter  promovido  a  juntada  no  Fl. 376DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 377          5 processo administrativo do competente Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do  MPF, para convalidação dos atos praticados, nos termos do artigo 19, da Portaria n°  4.066/2007.  Isto,  entretanto,  não  ocorreu  conforme  se  pode  depreender  do  processo  administrativo, pelo que inviável a ratificação dos atos deste Auto de Infração.  Por estes motivos, conclui­se que todos os atos praticados após o termo final  do  mandado  não  têm  validade,  não  podendo  ser  convalidados  sob  pena  de  infringência ao Texto Expresso da norma que regulamenta a matéria.  Tendo em vista  isto, conclui­se que o procedimento fiscal extinguiu­se antes  da  sua  conclusão, mais  precisamente,  em  24/04/2008,  o  que  deverá  ser  declarado  pela competente Delegacia de Julgamento na apreciação desta Impugnação.  Da mesma forma, deverá ser declarada a invalidade dos atos praticados após o  prazo  de  validade  do  MPF  n°  08.1.90.00­  2007­00766­2,  inclusive  este  Auto  de  Infração, sob pena de se admitir a convalidação de ato administrativo praticado ao  arrepio da legalidade.  Destaque­se,  por  fim,  que  o  ato  impugnado,  alem  de  completamente  desprovido  de  legalidade,  encerra,  por  conseqüência,  violação  ao  principio  constitucional da segurança jurídica, cuja observância essencial para a manutenção  do Estado de Direito. [...]  Por  todo  exposto,  a  fim  de  que  seja  restaurada  a  legalidade  e  a  segurança  jurídica, impõe­se o cancelamento deste Auto de Infração, lavrado tão somente após  o decurso do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, do que decorre  a  invalidade  de  todos  os  atos  praticados  posteriormente  à  extinção  do  ato  que  consubstanciou o procedimento.  III — Mérito   Enfrentada a questão prejudicial à validade da lavratura, passemos a avaliar as  questões de mérito da tributação.  III. 1 — Decadência que fulmina parte dos lançamentos — artigo 150, § 4° do  CTN   Outra  ilegalidade  repousa  na  decadência  tributária,  que  deverá  ser  aplicada  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  cinco  anos  anteriores  à  data  da  lavratura  em  12/12/2008. [...]  A presente  autuação  trata de omissão de  receita ocasionada por  inexistência  de  escrituração  das  entradas  de  estoque  no  Livro  Razão  e  conseqüente  DIPJ  nas  datas especificas de 19/11/2003 e 19/12/2003 (documentos 15 e 16).  Portanto, os fatos geradores ensejadores da lavratura referem­se a 19/11/2003  e 19/12/2003, donde se abstrai que, ao menos os valores  apurados  em 19/12/2003  encontram­se sumariamente fulminados pela decadência. [...]  Como se vê, ao menos os valores apurados pela fiscalização em 19/11/2003  encontram­se fulminados pela decadência, visto que os fatos geradores ensejadores  da  lavratura  nesse  período  teriam  ocorrido  há mais  de  5  (cinco  anos)  da  data  da  lavratura do Auto de Infração.  Fl. 377DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 378          6 III.2 —  Erro  de  lançamento  contábil  na  DIPJ  ­  Valores  contabilizados  nos  outros documentos fiscais   É verdade indiscutível que tanto o Sr. Agente Fiscal quanto os representantes  da autuada atuaram com o máximo zelo para comprovarem suas alegações.  A  fiscalização  objetivando  encontrar  uma  pequena  diferença  no  estoque,  o  que, a seu ver, geraria base de cálculo por omissão de receita suficiente para tributar  a autuada em IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.  Os  representantes  da  autuada  objetivando demonstrar  que  referida  diferença  não  encontraria  sustentação,  visto  que  sua  contabilidade  destaca­se  pela  perfeita  consonância  entre  as  atividades  empresariais  e  a  escrita  fiscal  exigida  pela  legislação.  Não  obstante,  à  época  da  fiscalização,  não  foi  possível  desvendar  a  efetiva  motivação  da  distorção meramente  escritural  que  originou  a  diferença  apurada  no  estoque.  Entretanto, após aprofundado estudo, a autuada pôde verificar com exatidão a  equivocidade meramente escritural do estoque representado na DIPJ pela Ficha 04A  —  "Custos  dos  Bens  e  Serviços  Vendidos—  PJ  em  Geral  (LR)",  mais  especificamente na linha 22. Estoques no Final do período de apuração.  Neste documento, formulado pela própria fiscalização, pode­se notar que:  O  Estoque  Final  (declarado  em  DIPJ  e  livro  de  registro  de  inventário)  representando  R$3.461.308,46,  diminuído  do  Estoque  Final  real  representando  R$3.677.235,88,  gera  a  diferença  do  resultado  (=)  diferença  de  estoque  de  R$215.927,42 (documento 15).  Primeiramente, solicita­se a verificação do denominado "Mapa Demonstrativo  da Diferença de Estoque — Ano Calendário 2003"  Referido Estoque Final (declarado em DIPJ e livro de registro de inventário),  ressalte­se,  foi  extraído  da  DIPJ:  Ficha  04A  —"Custos  dos  Bens  e  Serviços  Vendidos — PJ  em Geral  (LR)", mais  especificamente  na  linha  "22.  Estoques  no  Final do período de apuração" (documento 16).  Por sua vez, a Ficha 04A — "Custos dos Bens e Serviços Vendidos — PJ em  Geral  (LR)",  especificamente  na  linha  "22.  Estoques  no  Final  do  período  de  apuração" decorre da diferença oriunda da:  ­ linha 21. Compras de Mercadorias a Prazo 25.024.873,06; acrescida da  ­ linha 19. Estoques no Início do Período de Apuração 3.805.827,51; deduzida  da   ­  linha  23.  Custo  das  Mercadorias  Revendidas  25.369.392,11  (documento  16).  Esta é, em realidade, a escrituração equivocada que originou a distorção dos  resultados inclusive no referido "Mapa Demonstrativo da Diferença de Estoque —  Ano Calendário 2003".  Como se pode depreender dos documentos 15 e 16, "Mapa Demonstrativo da  Diferença de Estoque — Ano Calendário 2003" e Ficha 04A — "Custos dos Bens e  Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 379          7 Serviços Vendidos — PJ em Geral (LR)", os valores das compras de mercadorias a  prazo diferem da seguinte forma:   ­  DIPJ  na  Ficha  04 A —  "Custos  dos  Bens  e  Serviços Vendidos—  PJ  em  Geral  (LR)",  linha  "21.  Compras  de  Mercadorias  a  Prazo  ­  R$25.024.873,06  (documento 16).  ­  "Mapa Demonstrativo da Diferença de Estoque — Ano Calendário 2003",  (+) Compras (conforme mapa) R$25.240.800,48 (documento 15).  Evidenciada a distorção de valores, cabe­nos verificar a origem da diferença e  os  efeitos  que  referida  ocorrência  geram  na  apuração  de  tributos  supostamente  devidos pela autuada.  Nesse sentido, solicita­se a verificação do denominado "Razão Analítico em  Real de 01/11/2003 ate 30/11/2003", mais especificamente no dia 19, bem como do  denominado  "Razão  Analítico  em  Real  de  01/12/2003  até  31/12/2003",  também  mais especificamente no dia 19 (documentos 17 e 18).  Como se pode perceber, por alguma motivação infundada, o sistema excluiu  as entradas ocorridas nos dias 19, tanto de novembro quanto de dezembro.  Portanto, as notas fiscais, datadas dos dias 19 de novembro e de dezembro de  2003,  referentes  As  entradas  de mercadorias  que  comporiam  o  estoque  final,  por  alguma ocorrência injustificada, deixaram de integrar a DIPJ (documento 16) e, por  conseguinte, corromperam o "Mapa Demonstrativo da Diferença de Estoque — Ano  Calendário 2003" (documento 15).  Mas  referida  exclusão  do  sistema  ocorrida  nos  dias  19  de  novembro  e  dezembro  foi  devidamente  escriturada  em  todos  os  outros  documentos  fiscais  da  empresa, impedindo, assim, qualquer afirmação de que a autuada teria incorrido em  omissão de receita.  Elabora quadros demonstrativos dos estoque com a finalidade de demonstrar  a verdade material para concluir que:  As notas fiscais acima elencadas deixaram de constar no Razão reproduzindo  um resultado distorcido na DIPJ, totalmente diferente das escriturações realizadas no  Livro de Registro de Entradas e no Sistema de Controle de Estoque.  E, para não  restar dúvidas  sobre a  efetividade e  legalidade das operações, a  autuada  junta  à  esta  impugnação  cópias  das  notas  fiscais  expedidas  em  nome  do  contribuinte (documentos 23 a 30).  Portanto, as  relações negociais ocorreram fática e  juridicamente, produzindo  todos  os  efeitos  legais,  diferentemente  do  que  se  apurou  na  fase  de  investigação  fiscal.  Logo,  o  referido  "Mapa  Demonstrativo  da  Diferença  de  Estoque  —  Ano  Calendário  2003"  (documento  16),  utilizado  pela  fiscalização  para  demonstrar  a  omissão  de  receita  encontra­se  eivado  de  distorção  entre  os  valores  escriturados  equivocadamente  pela  autuada  e  a  verdade  materialmente  comprovada  pela  efetividade das operações. [...]  Portanto,  por  não  refletir  a  verdade materialmente  ocorrida,  a  lavratura  em  foco  deve  ser  julgada  improcedente  com  o  cancelamento  de  todos  os  seus  consectários.  Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 380          8 III.3 — Erro de  lançamento contábil na DIPJ  ­ demonstração de pagamento  das operações — Omissão de receita descaracterizada   Há  um  outro  ponto  que  deve  denotar  a  insubsistência  absoluta  do Auto  de  Infração lavrado em razão da diferença a menor do estoque entre a DIPJ (corolário  de  erro  de  preenchimento  do  Livro  Razão),  adverso  ao  Livro  de  Registro  de  Entradas (correspondência com o Sistema Kardex de estoque de mercadorias).  Cinge­se  a  efetividade  do  pagamento  regular  das  operações,  realizado  pela  autuada  através  de  cheques  e  boletos  bancários  de  sua  lavra,  em  decorrência  das  compras de mercadorias que passaram a integrar o seu estoque final.  Elabora  quadros  demonstrativos  dos  pagamentos  com  a  finalidade  de  demonstrar a verdade material para concluir que:  Portanto, as operações foram devidamente escrituradas no Livro de Registro  de Entradas, no Controle de estoque realizado através do Kardex Físico­Financeiro,  além de produzirem Nota Fiscal válida com seu respectivo pagamento, o que afasta  qualquer presunção de "omissão de receita".  III.4  —  Erro  de  lançamento  contábil  no  DIPJ  ­  demonstração  de  que  a  diferença  a  menor  de  estoque  na  DIPJ  não  gera  lucro  tributável  por  omissão  de  receita   Outro  fato  que  deve  ser  devidamente  relevado  decorre  da  incongruência  da  tributação em relação ao fato gerador dos tributos, visto que a diferença a menor no  estoque escriturado na DIPJ não gerou lucro tributável.  Pelo  contrário,  se  as  compras  no  período  fiscalizado  foram  apuradas  pela  fiscalização  no  valor  de R$25.240.800,48  (ver mapa demonstrativo — documento  15  grifo  laranja)  em  vez  de  R$25.024.873,06  equivocadamente  escriturados  pela  autuada (ver DIPJ — documento 16), o contribuinte, em verdade:  ­ Contabilizou um custo menor do que deveria, gerando, por conseguinte, uma  redução menor da base de cálculo tributária e uma conseqüente tributação maior do  que efetivamente era devedora.  Assim,  nota­se  que  a  autuada  realizara,  época,  pagamento  maior  do  que  deveria a titulo do IRPJ, da CSLL, do COFINS e do PIS. [...]  Conforme  afirmado  pela  fiscalização  e  comprovado  pela  documentação  anexada ao processo administrativo, a contabilização do estoque na DIPJ deu­se a  menor, logo, houve menos apropriação de custo redutor na apuração da tributação à  época.  Conclusão  inexorável  é  de  que  a  lavratura  está  punindo  duplamente  o  contribuinte  por  um  erro  de  escrituração  que  deverá  ser  oportunamente  retificado.  [...]  Logo,  a  diferença  a  menor  de  estoque  na  DIPJ  apenas  gerou  uma  redução  menor  da  base  de  cálculo  do  imposto,  razão  pela  qual  não  há  que  se  falar  em  omissão de receita. [...]  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 381          9 Conclui que:  Tendo  em  vista  todo  exposto,  resta  demonstrado  que  este Auto  de  Infração  não merece prosperar, tanto porque apresenta nulidade absoluta, quanto porque parte  da tributação caducou e outra parte foi exigida em duplicidade.  Sendo  assim,  é  a  presente  para  requerer  seja  o  Auto  de  Infração  declarado  nulo pela:  1°)  Ilegalidade  do  procedimento  fiscal  que  acarreta  a  nulidade  absoluta  da  autuação  como  lavratura  do  Auto  depois  da  extinção  do  procedimento  fiscal  por  decurso do prazo de validade do MPF;  Requer, ainda, caso não cancelada lavratura, seja o Auto de Infração julgado  improcedente, nos termos da fundamentação dessa Impugnação:  2°) a uma, porque os fatos geradores tributários decorrentes das mercadorias  adentradas  na  empresa  no  período  de  19  de  dezembro  de  2003  encontram­se  preclusos pela ocorrência da decadência, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código  Tributário  Nacional,  que  prescreve  o  prazo  máximo  de  5  anos  para  que  a  Administração  Pública  apure  as  infrações  e  •  aplique  As  sanções  cabíveis  aos  tributos lançados sujeitos A homologação;  3°) a duas, porque o erro de lançamento contábil, apenas no Razão e na DIPJ,  foram devidamente contabilizados no Livro de Registro de Entradas e no Controle  de estoque realizado através do Kardex Físico­ Financeiro; além de produzirem Nota  Fiscal válida com seu respectivo pagamento, o que afasta a utilização do documento  denominado "Mapa Demonstrativo" para comprovar as alegações da fiscalização;  4°) a três, porque apesar de ter ocorrido um erro escritural na DIPJ, a autuada  demonstrou  o  pagamento  das  operações  devidamente  comprovadas  com  as  notas  fiscais de compra das mercadorias, o que demonstra inexistir omissão de receita;  5°)  a  quatro,  porque  a  diferença  a menor  de  estoque  na DIPJ  apenas  gerou  uma  redução menor da base de cálculo do  imposto,  razão pela qual não há que se  falar em omissão de receita; pelo contrário, há que se  falar apenas em apropriação  menor  de  custos  que  reduziram  menos  a  base  de  cálculo  e,  conseguintemente,  o  recolhimento dos tributos.  Conseqüência  lógica  da  improcedência  do  Auto  de  Infração  que  apurou  equivocadamente "omissão de receita", por quaisquer dos motivos acima,  todos os  consectários e demais incidências tributárias devem ser canceladas como a CSLL, o  PIS e a COFINS.  Também  como  conseqüência  lógica  da  improcedência  do Auto  de  Infração  que  apurou  equivocadamente  "omissão  de  receita",  por  quaisquer  dos  motivos  acima,  a  Multa  constituída  deverá  ser  cancelada,  com  a  respectiva  baixa  do  seu  valor.  Por  fim,  a Autuada  protesta  provar  o  alegado  por  todos  os meios  de  prova  lícitos,  inclusive,  pela  juntada  de  novos  documentos,  bem  como  diligência  das  autoridades  para  verificação  e  comprovação  da  ocorrência  de  mero  erro  no  preenchimento da DIPJ, sem qualquer prejuízo para o Erário.  Está  registrado  como  ementa  do  Acórdão  da  2ª  TURMA/DRJ/SDR/BA  nº  15­26.988, de 04.05.2011, fls. 312­323:   Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 382          10 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2003   NULIDADE.  Verificando­se que o Auto de  Infração foi  lavrado por pessoa competente, e  em consonância com a legislação vigente, descabe arguir sua nulidade.  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF).  O  MPF  constitui­se  em  mero  elemento  de  controle  da  administração  tributária, disciplinado por ato administrativo, sendo que eventual inobservância da  norma infralegal, não ocorrida no presente caso, não pode gerar nulidades no âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  mormente  quando  devidamente  cientificado  e  quando as prorrogações de prazo foram disponibilizadas na interne.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA.  Deve  ser  negada  a  solicitação  de  diligência  considerada  desnecessária  A  solução do litígio.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2003   DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  Ainda  que  a  contagem  do  prazo  decadencial  seja  feita  pelo  critério  mais  favorável  A  pessoa  jurídica,  ou  seja,  com  o  transcurso  do  prazo  de  cinco  anos  contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, a alegada decadência não se  operou.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2003   OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE.  As diferenças de estoque  apuradas do  confronto  entre os valores declarados  pela  empresa  e  aqueles  levantados  pela  autoridade  fiscal  caracterizam­se  como  omissão de receita.  LANÇAMENTOS DECORRENTES.  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido  ­  CSLL  Contribuição  para  o  Programa de  Integração Social  ­ PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  ­  Cofins  Confirmada,  quando  da  apreciação  do  lançamento  principal,  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  que  deram  causa  aos  lançamentos  decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Notificada  em  07.06.2013,  fl.  333,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  02.07.2013,  fls.  334­368,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge.  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 383          11 Acrescenta  que  o  recurso  voluntário  é  apresentado  regularmente  e  suscita  que:  Após  estudo  integral  do  processo  e  documentos,  a  recorrente  verificou  a  existência de nulidades acarretadoras do cancelamento do Auto.  Dessa  forma,  apresentou  Impugnação  ao Auto  de  Infração,  em  15/01/2009,  expondo, na ocasião, os motivos e fundamentos jurídicos para anulação da autuação  ou, subsidiariamente, declaração de sua improcedência.  Ocorre que a Impugnação foi julgada improcedente, uma vez que, segundo a  decisão recorrida:  ­ A validade do MPF não havia se esgotado, quando do lançamento fiscal;  ­ Não se caracterizou decadência em relação a nenhum período apurado, uma  vez que o fato gerador do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL ocorreu em 31/12/2003; e,   ­ A diferença de R$215.927,42 no valor do estoque de mercadorias adquiridas  para revenda decorreu de erro escritural das compras dessas mercadorias no Livro  Razão, caracterizando omissão de receita.  Para justificar a suposta ocorrência de omissão de receita, a decisão recorrida  afirma o seguinte:  "(...)  A  falta  de  escrituração  no  Livro  Razão  de  notas  fiscais  referentes  a  compras  efetuadas  no mesmo período,  em princípio,  autoriza  inferir­se  que  foram  adquiridas  mercadorias  com  receita  não  contabilmente  registradas,  pressupondo,  portanto, uma omissão de receitas que a antecedeu".  "Na realidade, o que a autuada comprova, mediante os documentos acostados  aos autos — notas fiscais e comprovantes de pagamentos — é que as compras foram  efetivamente realizadas e pagas. Contudo, o que afastaria a imputação de omissão de  receitas, por força do artigo 40 da Lei n° 9.430 de 1996, seria a comprovação de que  os pagamentos efetuados  foram devidamente  escriturados, o que  a  interessada não  conseguiu demonstrar".  Ocorre que a decisão recorrida está equivocada, uma vez que, na Impugnação  apresentada em 15/01/2009, a não ocorrência de omissão de receita foi claramente  demonstrada,  por  meio  de  todos  os  documentos  que  a  contribuinte  poderia  apresentar. [...]  No  bojo  da  impugnação,  foi  demonstrada  a  ocorrência  de  mero  erro  de  preenchimento de  livro contábil (Livro Razão), mas que nada  interferiu no correto  preenchimento dos documentos fiscais (dentre eles a DIPJ).  Ademais, a visível falta de atenção às razões apresentadas pela recorrente em  sua  impugnação,  somente  caracterizam  cerceamento  de  defesa  ao  contribuinte,  na  medida  em  que  não  levam  em  consideração  a  verdade material  documentalmente  comprovada.  Ou seja, a eventual correção da mera escrituração equivocada do Livro Razão  — Contábil — demonstra a  inexistência de prejuízo  ao Erário  e deve  considerada  [...].  E  a  eventual  prova  documental  de  que  a  materialidade  é  distinta  do  erro  escritural também deve ser considerada [...].  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 384          12 Extinção do MPF pelo decurso de prazo de validade   Inicialmente, cumpre demonstrar que o Auto de Infração contém no seu bojo  irregularidade que determina a sua extinção para todos os fins e efeitos.  Com relação à irregularidade do procedimento fiscal, cumpre verificar que o  Auto de Infração recorrido somente foi lavrado após a extinção do prazo de validade  do  procedimento  de  fiscalização  pelo  transcurso  do  prazo  do MPF  n°  08.1.90.00­ 2007­00248­2. [...]  Com relação à irregularidade do procedimento fiscal, cumpre verificar que o  Auto  de  Infração  impugnado  somente  foi  lavrado  após  a  extinção  do  prazo  de  validade  do  procedimento  de  fiscalização  pelo  transcurso  do  prazo  do  MPF  no  08.1.90.00­2007­00248­2.  [...]Como  se  vê,  a  existência  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  atende  aos  princípios  do  interesse  público,  como  a  impessoalidade,  imparcialidade,  finalidade  e  razoabilidade,  proporcionando  aos  contribuintes  segurança  jurídica,  por  meio  de  uma  ação  fiscal  previsível  e  transparente.   Por  isto, a previa instauração dos procedimentos fiscais através do Mandado  de Procedimento Fiscal (MPF) constitui pressuposto para o desenvolvimento válido  das  atividades  dos  Auditores  Fiscais,  no  âmbito  da  Receita  Federal  do  Brasil.  [...]Logo,  o MPF  que  deu  origem  a  este Auto  de  Infração,  datado  de  02/02/2007,  permaneceu válido até 02/06/2007, quando, obrigatoriamente,  em cumprimento ao  principio da estrita  legalidade que norteia as obrigações da Administração Pública,  deveria ter sido extinto ou prorrogado.  Por  sua  vez,  a  Administração  Tributária  nas  datas  02/06/2007,  29/06/2007,  28/08/2007,  29/10/2007,  26/12/2007,  25/02/2008,  19/05/2008,  23/06/2008,  22/08/2008,  21/10/2008  e  17/12/2008,  emitiu  Mandados  de  Procedimento  Fiscal  complementares  que  tinham  como  objeto  a  ampliação  do  prazo  de  fiscalização  (documentos 4 a 14).  Todavia, não houve a correta prorrogação do MPF emitido com o Termo de  Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal.  Quando da emissão do documento datado de 19/05/2008  (documento 10),  a  validade do MPF estaria extinta nos termos do que preceituava o Demonstrativo de  Emissão e Prorrogação de MPF datado de 25/02/2008 (documento 9).  Desta  forma,  se  depreende  da  situação  fática  dos  autos,  que  o Mandado  de  Procedimento Fiscal teve seu prazo de validade expirado antes do encerramento das  atividades de fiscalização e da lavratura deste Auto de Infração, confira ­se:  ­ Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF de 25/02/2008;  ­  Validade  24/04/2008  (documento  9)  somente  prorrogada  em  19/05/2008  (documento 10);  ­ Termo de Encerramento em 12/12/2008.  Constata­se,  pois,  o  hiato  existente  entre  a  validade  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  e  o  Demonstrativo  de  Emissão  e  Prorrogação  de  MPF,  conforme comprovam os documentos juntados no processo.  Neste sentido, cabe ressaltar que ainda que existisse a prorrogação do prazo  de  validade  do  MPF,  competia  à  autoridade  fiscal  ter  promovido  a  juntada  no  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 385          13 processo administrativo do competente Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do  MPF, para convalidação dos atos praticados, nos termos do artigo 19, da Portaria n°  4.066/2007.  Isto,  entretanto,  não  ocorreu  conforme  se  pode  depreender  do  processo  administrativo, pelo que inviável a ratificação dos atos deste Auto de Infração.  Por estes motivos, conclui­se que todos os atos praticados após o termo final  do  mandado  não  têm  validade,  não  podendo  ser  convalidados  sob  pena  de  infringência ao Texto Expresso da norma que regulamenta a matéria.  Tendo em vista  isto, conclui­se que o procedimento fiscal extinguiu­se antes  da  sua  conclusão, mais  precisamente,  em  24/04/2008,  o  que  deverá  ser  declarado  pela competente Delegacia de Julgamento na apreciação desta Impugnação.  Da mesma forma, deverá ser declarada a invalidade dos atos praticados após o  prazo  de  validade  do  MPF  n°  08.1.90.00­  2007­00766­2,  inclusive  este  Auto  de  Infração, sob pena de se admitir a convalidação de ato administrativo praticado ao  arrepio da legalidade.  Destaque­se,  por  fim,  que  o  ato  impugnado,  alem  de  completamente  desprovido  de  legalidade,  encerra,  por  conseqüência,  violação  ao  principio  constitucional da segurança jurídica, cuja observância essencial para a manutenção  do Estado de Direito. [...]Por todo exposto, a fim de que seja restaurada a legalidade  e a segurança jurídica, impõe­se o cancelamento deste Auto de Infração, lavrado tão  somente após o decurso do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal,  do que decorre a invalidade de todos os atos praticados posteriormente à extinção do  ato que consubstanciou o procedimento.  Decadência de parte dos lançamentos — artigo 150, § 4° do CTN   Outra  ilegalidade  repousa  na  decadência  tributária,  que  deverá  ser  aplicada  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  cinco  anos  anteriores  à  data  da  lavratura  em  12/12/2008. [...]  A presente  autuação  trata de omissão de  receita ocasionada por  inexistência  de  escrituração  das  entradas  de  estoque  no  Livro  Razão  e  conseqüente  DIPJ  nas  datas especificas de 19/11/2003 e 19/12/2003 (documentos 15 e 16 da impugnação).  Portanto, os fatos geradores ensejadores da lavratura referem­se a 19/11/2003  e 19/12/2003, donde se abstrai que, ao menos os valores  apurados  em 19/12/2003  encontram­se sumariamente fulminados pela decadência. [...]  Como se vê, ao menos os valores apurados pela fiscalização em 19/11/2003  encontram­se fulminados pela decadência, visto que os fatos geradores ensejadores  da  lavratura  nesse  período  teriam  ocorrido  há mais  de  5  (cinco  anos)  da  data  da  lavratura do Auto de Infração.  Erro  de  lançamento  contábil  no  Livro  Razão  ­  Valores  contabilizados  corretamente nos outros documentos fiscais   A  fiscalização  objetivando  encontrar  uma  pequena  diferença  no  estoque,  o  que, a seu ver, geraria base de cálculo por omissão de receita suficiente para tributar  a autuada em IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.  Ocorre que [...] a recorrente verificou com exatidão o erro formal que gerou  toda a apresente discussão, assim como a constituição do crédito tributário.  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 386          14 Trata­se d erro no Livro Razão, equivocidade meramente escritural do estoque  representado na DIPJ pela Ficha 4A – Custos dos Bens e Serviços Vendidos – PJ em  Geral  (LR),  mais  especificamente  Linha  22.  Estoques  no  Final  do  período  de  apuração.  Primeiramente,  solicita­se  na  verificação  do  denominado  “Mapa  Demonstrativo  da  Diferença  de  Estoque  –  Ano  Calendário  (documento  15  da  impugnação).  O  Estoque  Final  declarado  em  DIPJ  e  Livro  de  Registro  de  Inventário  ­  R$3.461.308,46;  (­) Diminuído do Estoque Final real representando R$3.677.235,88;  (=)  Gera  Diferença  de  Estoque  de  R$215.927,42  (documento  15  da  impugnação).  Referido Estoque Final (declarado em DIPJ e livro de registro de inventário),  ressalte­se,  foi  extraído  da  DIPJ:  Ficha  04A  —"Custos  dos  Bens  e  Serviços  Vendidos — PJ  em Geral  (LR)", mais  especificamente  na  linha  "22.  Estoques  no  Final do período de apuração" (documento 16 da impugnação).  Por sua vez, a Ficha 04A — "Custos dos Bens e Serviços Vendidos — PJ em  Geral  (LR)",  especificamente  na  linha  "22.  Estoques  no  Final  do  período  de  apuração" decorre da diferença oriunda da:  ­ linha 21. Compras de Mercadorias a Prazo 25.024.873,06; acrescida da  ­ linha 19. Estoques no Início do Período de Apuração 3.805.827,51; deduzida  da,   ­ linha 23. Custo das Mercadorias Revendidas 25.369.392,11 (documento 16  da impugnação).  Esta é, em realidade, a escrituração equivocada que originou a distorção dos  resultados inclusive no referido "Mapa Demonstrativo da Diferença de Estoque —  Ano Calendário 2003".  Como se pode depreender dos documentos 15 e 16, "Mapa Demonstrativo da  Diferença de Estoque — Ano Calendário 2003" e Ficha 04A — "Custos dos Bens e  Serviços Vendidos — PJ em Geral (LR)", os valores das compras de mercadorias a  prazo diferem da seguinte forma:   ­  DIPJ  na  Ficha  04 A —  "Custos  dos  Bens  e  Serviços Vendidos—  PJ  em  Geral  (LR)",  linha  "21.  Compras  de  Mercadorias  a  Prazo  R$25.024.873,06  (documento 16).  ­  "Mapa Demonstrativo da Diferença de Estoque — Ano Calendário 2003",  (+)  Compras  (conforme  mapa)  R$25.240.800,48  (documento  15  da  impugnação)  [...]  Evidenciada a distorção de valores, cabe­nos verificar a origem da diferença e  os  efeitos  que  referida  ocorrência  geram  na  apuração  de  tributos  supostamente  devidos pela autuada.  Nesse sentido, solicita­se a verificação do denominado "Razão Analítico em  Real de 01/11/2003 ate 30/11/2003", mais especificamente no dia 19, bem como do  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 387          15 denominado  "Razão  Analítico  em  Real  de  01/12/2003  até  31/12/2003",  também  mais especificamente no dia 19 (documentos 17 e 18 da impugnação).   Portanto, as notas fiscais, datadas dos dias 19 de novembro e de dezembro de  2003,  referentes  As  entradas  de mercadorias  que  comporiam  o  estoque  final,  por  alguma  ocorrência  injustificada,  deixaram  de  integrar  a  DIPJ  (documento  16  da  impugnação) e, por conseguinte, corromperam o "Mapa Demonstrativo da Diferença  de Estoque — Ano Calendário 2003" (documento 15 da impugnação).  Mas  referida  exclusão  do  sistema  ocorrida  nos  dias  19  de  novembro  e  dezembro  foi  devidamente  escriturada  em  todos  os  outros  documentos  fiscais  da  empresa, impedindo, assim, qualquer afirmação de que a autuada teria incorrido em  omissão de receita.  Elabora quadros demonstrativos dos estoque com a finalidade de demonstrar  a verdade material para concluir que:  Conclui­se,  pois,  as  notas  fiscais  acima  elencadas  deixaram  de  constar  no  Razão  reproduzindo  um  resultado  distorcido  na  DIPJ,  totalmente  diferente  das  escriturações realizadas no Livro de Registro de Entradas e no Sistema de Controle  de Estoque.  E, para não  restar dúvidas  sobre a  efetividade e  legalidade das operações, a  autuada  junta  à  esta  impugnação  cópias  das  notas  fiscais  expedidas  em  nome  do  contribuinte (documentos 23 a 30).  Portanto, as  relações negociais ocorreram fática e  juridicamente, produzindo  todos  os  efeitos  legais,  diferentemente  do  que  se  apurou  na  fase  de  investigação  fiscal.  Logo,  o  referido  "Mapa  Demonstrativo  da  Diferença  de  Estoque  —  Ano  Calendário  2003"  (documento  16  da  impugnação),  utilizado  pela  fiscalização para  demonstrar  a  omissão  de  receita  encontra­se  eivado  de  distorção  entre  os  valores  escriturados equivocadamente pela autuada e a verdade materialmente comprovada  pela efetividade das operações. [...]  Portanto,  por  não  refletir  a  verdade materialmente  ocorrida,  a  lavratura  em  foco  deve  ser  julgada  improcedente  com  o  cancelamento  de  todos  os  seus  consectários.  Demonstração  de  pagamento  das  operações  —  Omissão  de  receita  descaracterizada   Há  um  outro  ponto  que  deve  denotar  a  insubsistência  absoluta  do Auto  de  Infração lavrado em razão da diferença a menor do estoque entre a DIPJ (corolário  de  erro  de  preenchimento  do  Livro  Razão),  adverso  ao  Livro  de  Registro  de  Entradas (correspondência com o Sistema Kardex de estoque de mercadorias).  Cinge­se  a  efetividade  do  pagamento  regular  das  operações,  realizado  pela  autuada  através  de  cheques  e  boletos  bancários  de  sua  lavra,  em  decorrência  das  compras de mercadorias que passaram a integrar o seu estoque final.  Elabora  quadros  demonstrativos  dos  pagamentos  com  a  finalidade  de  demonstrar a verdade material para concluir que:  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 388          16 Portanto, as operações foram devidamente escrituradas no Livro de Registro  de Entradas, no Controle de estoque realizado através do Kardex Físico­Financeiro,  além de produzirem Nota Fiscal válida com seu respectivo pagamento, o que afasta  qualquer presunção de "omissão de receita".  Diferença de estoque não gera lucro tributável por omissão de receita   Outro fato não revelado pela decisão da não geração de lucro tributável pela  mera diferença escritural de estoque.  Pelo  contrário,  se  as  compras  no  período  fiscalizado  foram  apuradas  pela  fiscalização  no  valor  de R$25.240.800,48  (ver mapa demonstrativo — documento  15  grifo  laranja)  em  vez  de  R$25.024.873,06  equivocadamente  escriturados  pela  autuada (ver DIPJ — documento 16 da impugnação), o contribuinte, em verdade:  ­ Contabilizou um custo menor do que deveria, gerando, por conseguinte, uma  redução menor da base de cálculo tributária e uma conseqüente tributação maior do  que efetivamente era devedora.  Assim,  nota­se  que  a  autuada  realizara,  época,  pagamento  maior  do  que  deveria a titulo do IRPJ, da CSLL, do COFINS e do PIS. [...]  Conforme  afirmado  pela  fiscalização  e  comprovado  pela  documentação  anexada ao processo administrativo, a contabilização do estoque na DIPJ deu­se a  menor, logo, houve menos apropriação de custo redutor na apuração da tributação à  época.  Conclusão  inexorável  é  de  que  a  lavratura  está  punindo  duplamente  o  contribuinte  por  um  erro  de  escrituração  que  deverá  ser  oportunamente  retificado.  [...]  Logo,  a  diferença  a  menor  de  estoque  na  DIPJ  apenas  gerou  uma  redução  menor  da  base  de  cálculo  do  imposto,  razão  pela  qual  não  há  que  se  falar  em  omissão de receita. [...]  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui que:  Tendo  em  vista  o  exposto,  resta  demonstrado  que  a  decisão  recorrida  não  analisou  as  razões  e  os  documentos  apresentados  pela  recorrente  em  sua  Impugnação, fazendo prevalecer um erro de preenchimento de livro contábil (Livro  Razão), que nada interferiu no correto preenchimento dos documentos fiscais (dentre  eles a DIPJ).  Sendo  assim,  requerer  a  recorrente  seja  integralmente  reformada  a  decisão  recorrida, uma vez que:  1  ­ Houve cerceamento de defesa ao contribuinte, na medida em que não se  levou  em  consideração  a  verdade  material  documentalmente  comprovada  (documentos acostados à impugnação);  2  ­  O  procedimento  fiscal  que  gerou  o  Auto  de  Infração  deveria  ter  sido  extinto pelo decurso do prazo de validade do MPF;  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 389          17 3  ­ Os fatos geradores tributários decorrentes das mercadorias adentradas na  empresa  no  período  de  19  de  dezembro  de  2003  encontram­se  atingidos  pela  ocorrência  da  decadência,  nos  termos  do  artigo  150,  §4°,  do  Código  Tributário  Nacional,  que  prescreve  o  prazo  máximo  de  5  anos  para  que  a  Administração  Pública  apure  as  infrações  e  aplique  às  sanções  cabíveis  aos  tributos  lançados  sujeitos à homologação;  4  ­  O  erro  de  lançamento  contábil,  apenas  no  Razão  foi  devidamente  contabilizado  no  DIPJ,  Livro  de  Registro  de  Entradas  e  no  Controle  de  Estoque  realizado  através  do  Kardex  Físico­Financeiro;  além  de  produzirem  Nota  Fiscal  válida  com  seu  respectivo  pagamento,  o  que  afasta  a  utilização  do  documento  denominado "Mapa Demonstrativo" para comprovar as alegações da fiscalização;  5 ­ A diferença a menor de estoque na DIPJ apenas gerou uma redução menor  da base de cálculo do  imposto, razão pela qual não há que se falar em omissão de  receita; pelo contrário, há que se falar apenas em apropriação menor de custos que  reduziram menos a base de cálculo e, conseguintemente, o recolhimento dos tributos  Dessa forma, o crédito exigido deverá ser integralmente cancelado, o Auto de  Infração anulado e o r. acórdão reformado, dando­se baixa nos valores respectivos.  Subsidiariamente,os autos deverão retornar à Fiscalização para elaboração de  diligência  tendente  a  confirmar  as  alegações  e  os  documentos  anexados  neste  processo administrativo. Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.  A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos.   Cabe  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  exercício  da  competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta  atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja  de  jurisdição diversa da do domicílio  tributário do sujeito passivo. É a autoridade  legitimada  para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação  profissional de contador.   Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito  tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 390          18 local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação  do  ilícito. Estes  atos  administrativos,  sim,  não  prescindem da  intimação  válida  para  que  se  instaure  o  processo,  vigorando  na  sua  totalidade  os  direitos,  deveres  e  ônus  advindos  da  relação  processual  de modo  a  privilegiar  as  garantias  ao  devido  processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1.  As  manifestações  unilaterais  da  RFB  foram  formalizadas  por  ato  administrativo,  como uma espécie de  ato  jurídico,  deve  estar  revestido  dos  atributos que  lhe  conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para  que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente  que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua  existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria  de  fato ou de direito  seja  juridicamente  adequada  ao  resultado obtido  e  (e)  com a  finalidade  visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratando­se de ato vinculado,  a Administração Pública tem o dever de motivá­lo no sentido de evidenciar sua expedição com  os requisitos legais2.  Os Autos de  Infração foram lavrados por Auditor­Fiscal da Receita Federal  do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou  a  matéria  tributável,  calculou  o  montante  do  tributo  devido,  identificou  o  sujeito  passivo,  aplicou  a  penalidade  cabível  e  determinou  a  exigência  com  a  regular  intimação  para  que  a  Recorrente pudesse cumpri­la ou impugná­la no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código  Tributário Nacional.   A  autoridade  tributária  tem  o  direito  de  examinar  a  escrituração  e  os  documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de  exibi­los  e  conservá­los  até  que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações a que se  refiram, bem como de prestar as  informações que  lhe forem solicitadas e  colaborar para o esclarecimento dos fatos3.   As Autoridade Fiscais  agiram em cumprimento  com o dever de ofício  com  zelo  e  dedicação  as  atribuições  do  cargo,  observando  as  normas  legais  e  regulamentares  e  justificando  o  processo  de  execução  do  serviço,  bem  como  obedecendo  aos  princípios  da  legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa,  contraditório,  segurança  jurídica,  interesse  público  e  eficiência.  4  Desse  modo,  não  tem  validade jurídica a alegação da Recorrente.  A  decisão  de  primeira  instância  está  motivada  de  forma  explícita,  clara  e  congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da                                                              1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código  Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº  70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de  janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46.  2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do  art. 9º do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.  3  Fundamentação  legal:  art.  142  e  art.  195  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  6º  da  Lei  nº  10.593,  de  6  de  dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784  de 29 de janeiro de 1999.  4 Fundamentação  legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de  janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal.  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 391          19 prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio  da  persuasão  racional5.  Assim,  os  Autos  de  Infração,  fls.  138­156  e  o  Acórdão  da  2ª  TURMA/DRJ/SDR/BA nº 15­26.988, de 04.05.2011, fls. 312­323, contêm todos os requisitos  legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia.   As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram  reunidos  no  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas  por meios  lícitos,  em  observância às garantias ao devido processo  legal. O enfrentamento das questões na peça de  defesa  denota perfeita  compreensão  da descrição  dos  fatos  e dos  enquadramentos  legais  que  ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo,  não tem cabimento.  A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova.   Sobre  a  matéria,  vale  esclarecer  que  no  presente  caso  se  aplicam  as  disposições  do  processo  administrativo  fiscal  que  estabelece  que  a  peça  de  defesa  deve  ser  formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se  fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões  em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas,  tais como fique demonstrada  a  impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de  força maior, refira­se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões  posteriormente trazidas aos autos6.   Embora  lhe  fossem  oferecidas  várias  oportunidades  no  curso  do  processo  (Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0819000.2007.00248, fls. 03­28, Termo de Início  de  Fiscalização,  fl.  32,  Termo  de  Continuidade  de  Fiscalização,  fls.  33­34,  Termos  de  Intimação  Fiscal,  fl.  35,  109­112  e  131  e  Intimação  do Resultado  do  Julgamento,  fl.  324)  a  Recorrente  não  apresentou  a  comprovação  inequívoca  de  quaisquer  fatos  que  tenham  correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Ao contrário, procura  demonstrar  que  caberia  ao  Erário  produzir  prova  em  seu  favor.  A  realização  desses  meios  probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios  lícitos  constantes  nos  autos  são  suficientes  para  a  solução  do  litígio.  A  justificativa  arguida  pela  defendente, por essa razão, não se comprova.  A  Recorrente  suscita  que  o  MPF  de  instauração  do  procedimento  fiscal  contém vício.   Na  atribuição  do  exercício  da  competência  da  RFB,  em  caráter  privativo,  cabe ao Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  cuja  atribuição  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade funcional.   O  procedimento  fiscal  pode  ser  instaurado  mediante  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  objetivando  a  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  tributárias,  por  parte  da  pessoa  jurídica,  mediante  termo  circunstanciado  do  qual  será  dada  ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade  fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas  mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação                                                              5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.  6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Fl. 391DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 392          20 definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e  a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados  incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.   O MPF tem validade por 120 (cento e vinte) dias prorrogáveis quantas vezes  sejam necessárias,  observando em  cada  ato o prazo de 60  (sessenta) dias,  cujas  informações  ficam  disponíveis  da  pessoa  jurídica  na  internet  independentemente  notificações  sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal  registrado em termo próprio. Este ato é interna corporis de controle interno e eventuais vícios  são  consideradas  meras  irregularidades,  que  não  têm  efeito  de  contaminar  de  nulidade  do  crédito constituído pelo lançamento de ofício7.   Em relação ainda do procedimento fiscal, vale esclarecer que esse tem início  com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  ou  seu  preposto.  Nessa  oportunidade  a  espontaneidade  do  sujeito passivo está excluída em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação  a dos demais envolvidos nas  infrações verificadas. Esse ato vale pelo prazo de sessenta dias,  prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o  prosseguimento dos trabalhos8.  No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da  Receita Federal do Brasil de São Paulo/SP expediu o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF)  nº 0819000.2007.0248, fls. 03­28 e as autoridades fiscais o Termo de Início de Fiscalização em  23.02,2007, fl. 32, Termo de Continuidade de Fiscalização em 11.04.2007, fls. 33­34, Termos  de  Intimação Fiscal  em 19.06.2007, 25.03.2008, 12.08.2008 e 31.10.2008,  fls. 35, 109­112 e  131, bem como o Termo de Encerramento em 17.12.2008, fl. 158. A contestação aduzida pela  defendente, por isso, não pode ser sancionada.  A Recorrente argui que os lançamentos foram alcançados pela decadência.   Compete  antes  de  examinar  as  razões  da  defesa,  analisar  a  objeção  de  decadência por ser matéria de ordem pública, que pode ser conhecida a requerimento da parte  ou de ofício e a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento.Este instituto pode ser  definido  como  a  perda  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  tendo em vista decurso do  lapso  temporal de cinco anos previsto em  lei. Em se  tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo  efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração  Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador.   Por seu turno, comprovada a conduta dolosa qualificada pela sonegação, pela  fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o  prazo de cinco anos se  inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de  mérito  proferida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  em  recurso  especial  repetitivo  nº                                                              7 Fundamentação  legal:  art. 142 do Código Tributário Nacional.  art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de  2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, Decreto  nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e Instrução Normativa SRF nº 180, de 01 de fevereiro de 2001.  8 Fundamentação legal: art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.  Fl. 392DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 393          21 973.733/SC9, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF10.  No  presente  caso,  tratando­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  o  termo  de  início  da  contagem  do  prazo  decadencial  começa  a  fluir  da  ocorrência do fato gerador se houver pagamentos antecipados. A intimação das exigências de  IRPJ, de PIS, e de Cofins e de CSLL, fls. 138­156, do ano­calendário de 2003 foi efetivada em  Termo  de  Encerramento  em  17.12.2008,  fl.  158,  de  modo  que  até  a  data  do  fato  gerador  ocorrido  em  31.12.2003  não  se  verificou  o  transcurso  do  prazo  legal  de  caducidade,  independentemente de pagamento antecipado. A contestação aduzida pela defendente, por isso,  não pode ser sancionada.  A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas.  A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos  comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibi­los e  conservá­los  até que ocorra  a prescrição dos  créditos  tributários decorrentes das operações  a  que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como  de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos  legais,  cabendo  à  autoridade  a  prova  da  não  veracidade dos fatos registrados.  O lucro real, trimestral ou anual, é determinado pelo lucro líquido do período  de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e  dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo  fiscal  apurado  em  períodos  de  apuração  anteriores,  das  perdas  no  recebimento  de  créditos  decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. A receita bruta das  vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o  preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia.   A  receita  líquida  de  vendas  e  serviços  é  a  receita  bruta  excluídos,  via  de  regra,  as  vendas  canceladas,  os  descontos  concedidos  incondicionalmente  e  os  impostos  incidentes  sobre vendas. Excepcionalmente a  legislação prevê  taxativamente as hipóteses em  que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta.   O  lucro  bruto  é  o  resultado  da  atividade  de venda  de bens  ou  serviços que  constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o  custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as  despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da                                                              9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux,  Primeira  Seção,  Brasília,  DF,  12  de  agosto  de  2009.  Dsponível  em:  <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011.  10 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62­A do Anexo  II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil.  Fl. 393DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 394          22 respectiva  fonte produtora  incorridas para a  realização operações  exigidas pela  sua atividade  econômica  apropriadas  simultaneamente  às  receitas  que  gerarem,  em  conformidade  com  o  regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a  soma  algébrica  do  lucro  operacional,  dos  resultados  não  operacionais  e  das  participações  e  deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial.   Caracteriza­se  como  omissão  a  falta  de  registro  de  receita,  ressalvada  à  pessoa  jurídica  a  prova  da  improcedência,  oportunidade  em  que  a  autoridade  determinará  o  valor  dos  tributos  a  serem  lançados  de  acordo  com  o  sistema  de  tributação  a  que  estiver  submetida no período de apuração correspondente11.  Especificamente sobre a matéria  tratada nos autos, a Lei nº 9.430, de 27 de  dezembro de 1996, determina:  Art.40.  A  falta  de  escrituração  de  pagamentos  efetuados  pela  pessoa  jurídica,  assim  como  a  manutenção,  no  passivo,  de  obrigações  cuja  exigibilidade  não  seja  comprovada,  caracterizam, também, omissão de receita.  Art. 41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a  partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias­ primas  e  produtos  intermediários  utilizados  no  processo  produtivo da pessoa jurídica.  § 1° Para os fins deste artigo, apurar­se­á a diferença, positiva  ou  negativa,  entre  a  soma  das  quantidades  de  produtos  em  estoque  no  início  do  período  com  a  quantidade  de  produtos  fabricados  com  as  matérias­primas  e  produtos  intermediários  utilizados  e  a  soma  das  quantidades  de  produtos  cuja  venda  houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com  as  quantidades  em  estoque,  no  final  do  período  de  apuração,  constantes do livro de Inventário.  § 2° Considera­se receita omitida, nesse caso, o valor resultante  da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou  de matérias­primas  e produtos  intermediários pelos  respectivos  preços  médios  de  venda  ou  de  compra,  conforme  o  caso,  em  cada período de apuração abrangido pelo levantamento.  §  3°  Os  critérios  de  apuração  de  receita  omitida  de  que  trata  este  artigo  aplicam­se,  também,  às  empresas  comerciais,  relativamente às mercadorias adquiridas para revenda.   Feitas  essas  considerações normativas,  tem cabimento  a  análise da  situação  fática  tendo  em  vista  os  documentos  já  analisados  pela  autoridade  de  primeira  instância  de  julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário.  O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade,  cuja  apuração  foi  efetivada  pela  diferença  de  estoque,  ou  seja,  falta  de  registro  de  compras,  apurada  a  partir  do  exame  dos  dados  constantes  na Declaração  de  Informações Econômico­                                                             11 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  6º  e  art.  9º  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 26  de dezembro de 1977,  art.  37 da Lei nº 8.981,  de 20  de  novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.  Fl. 394DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 395          23 Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ),  fls.  50­108,  no  Livro  Diário,  fls.  45­49,  nos  Mapas  de  Compras, fls. 113­130 e no Mapa Demonstrativo da Diferença de Estoque, fl. 130.  Em  conformidade  com  o  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fls.  133­137,  cujas  informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano,  tem­se:  Os  exames  específicos  da  Operação  20211  foram  restringidos  ao  ano­ calendário  de  2003,  tendo  sido  as  verificações  embasadas  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica — DIPJ  2004, Movimentação  Contábil de 2003 registrada no Livro Diário Geral n°. 142 autenticada na JUCESP  sob n°. 14094 em 22/06/2004 em arquivos magnéticos, Livros Registro de Entradas  e  Saídas  de  Mercadorias  com  o  ResUmo  da  Apuração  do  ICMS  em  arquivos  magnéticos  da  Matriz  e  de  todas  as  17  Filiais  de  Janeiro  a  Dezembro/2003,  documentos  fiscais  e  contábeis  colocado  à  disposição  do  fisco,  os  quais  foram  solicitados  mediante  Termo  de  Início  de  Fiscalização  lavrado  em  23/02/2007  e  Termos  de  Intimação  Fiscal  n°.  0001,  0002,  003,  004,  005  e  006  lavrados  respectivamente em 19/06/2007, 25/03/2008, 19/05/2008, 12/08/2008, 31/10/2008 e  17/11/2008.  A empresa fiscalizada, no [...] ano­calendário de 2003, apresentou via Internet  em  29/06/2004,  sua  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica pelo regime de tributação no lucro real com apuração do IRPJ e CSLL de  forma anual conforme cópia fiel do original da DIPJ/2004 extraída do sistema ND  0912521.  Foram  procedidos  na  presente  ação  fiscal,  os  critérios  definidos  e  estabelecidos no Programa supracitado, cujas análises se realizaram observando os  níveis  de  auditoria  determinados  no  roteiro  da  executada  Operação,  à  vista  dos  registros e documentos comprobatórios colocados à disposição do fisco, onde foram  desenvolvidos os seguintes exames:  a) Através dos  registros  fiscais nos Livros Registro de Entradas da matriz e  filiais retro citados e com o resumo dos Registros de Apuração do ICMS, também da  matriz  e  filiais  apresentados  em  arquivos magnéticos,  foram processados  todos  os  códigos de entradas e saídas (devolução de compras) de todas as compras efetivadas  pela  empresa  de  Janeiro  a  Dezembro/2003‘,conforme  planilhas  anexas  "Mapa  de  Compras do Ano de 2003" e o resumo total geral da matriz e filiais;  b) Aferição com os valores declarados na DIPJ/2004 a título de Compras de  Mercadorias a Prazo no ano­calendário de 2003 (Ficha 04A item 21), efetuando as  operações  de  exclusão  do  ICMS,  devoluções  e  inclusão  de  fretes  e  ICMS  sobre  devoluções,  quando  foi  observado  divergências  de  valores  declarados  com  os  apurados conforme Resumo Geral do Mapa de Compras do Ano de 2003;  c)  De  acordo  com  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  n°.  006  lavrado  em  17/11/2008,  a  fiscalizada  foi  intimada  a  justificar  as  diferenças  citadas  no  item  anterior  e/ou  apresentar  os  documentos  comprobatórios  de  tais  divergências,  entretanto, as justificativas e os documentos apresentados foram inconvicentes, pois  tratam­se  de  lançamentos  contábeis  envolvendo  as  contas  patrimoniais  do  ativo  1124190,  1124200,  1124230  e  1124240,  cujos  títulos  são:  Mercadoria  por  Reclamação,  Mercadoria  Entregue  sem  Ônus,  Resultado  Inventário  e  Produtos  Consignação;  Fl. 395DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 396          24 d) Ademais, o montante dos lançamentos denominados "Saídas Estoque Sem  Geração do Custo Revenda ­ Posição em 31/12/2003" apresentado pela contribuinte  perfaz  R$158.413,06  enquanto  a  diferença  apurada  pela  fiscalização  totaliza  R$215.927,42 caracterizando, destarte, omissão de receita operacional por diferença  e  estoque  resultante  da  declaração  a  menor  de  compras  na  DIPJ/2004  conforme  segue:  (Apurado  pelo  Fisco  R$25.240.800,48  —  R$25.024.873,06  Declarado  na  DIPJ/2004).  O  montante  da  diferença  retro  descrita  (R$215.927,42)  foi  objeto  de  lançamento de oficio nos  termos da legislação vigente, como Omissão de Receitas  —  Diferença  de  Estoque  com  base  nos  dispositivos  legais  mencionados  com  a  exigência  do  crédito  tributário  de  IRPJ,  PIS,  COFINS  e  CSLL  consignados  nos  respectivos  Autos  de  Infração  que  se  encontram  consolidados  no  Processo  n°  19515.008109/2008­89. [...]  No tocante aos lançamentos contábeis envolvendo as contas patrimoniais do  Ativo que a empresa apresentou em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n°  006,  note­se  que  todos  os  registros  de  estorno  ou  baixa  devem  estar  apoiados  em  elementos  consistentes  que  lhes  dêem  respaldo,  cabendo  à  pessoa  jurídica  demonstrar  que  os  valores  estornados  efetivamente­  haviam  sido  apropriados  nas  respectivas contas associadas as compras ou inventário. [...]  Os montante tributável é a diferença de estoque consignado na planilha anexa  denominada Mapa  Demonstrativo  da  Diferença  de  Estoque  Ano­Calendário  2003  que  é  o  resumo  de  todas  as  compras  liquidas  da  matriz  e  filiais  de  Janeiro  a  Dezembro/2003  apurando  em  R$215.927,42  [...]  para  efeito  de  constituição  do  crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. [...]  Ressalte­se  que  a  fiscalização  restringiu  tão­somente  ao  ano­calendário  de  2003  na  determinada  e  executada  Operação  20211  ­  LR  Comércio  ­  Compras,  ressalvando, entretanto, a Fazenda Nacional à aplicação de outros Programas dentro  dos  ditames  da  vigente  legislação  tributária  para  os  exercícios  não  atingidos  pela  decadência.   Com relação à Operação 91121, Verificações Preliminares, os exames foram  efetivados trimestralmente por amostragem com base nos registros contábeis, DCTF  e DACON de Março/2002 a Dezembro/2007, não apurando divergências dos débitos  registrados na contabilidade e declarados na DCTF.  A diferença de estoque apurada de ofício é decorrente da falta de registro do  total das compras de mercadorias nos dias 19.11.2003 e 19.12.2003, de acordo com os Mapas  de  Compras,  fls.  113­130,  no  montante  de  R$25.240.800,48,  que  diverge  de  valor  de  R$25.024.873,06  registrado  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica (DIPJ), fls. 50­108. Recorrente junta aos autos cópias do Livro Diário, fls. 45­49, do  Livro Razão, fls. 219­222, do Livro de Registro de Entradas, fls. 223­267, do Kardex Físico­ Financeiro Seqüencial, fls. 268­281, das Notas Fiscais de Compra, fls. 282­289 e da Relação de  Títulos Pagos e os extratos bancários, fls. 290­309.  Em  relação  argumento  da  defesa  de  que  incorreu  em  erro  na  escrituração,  tem­se que:  (a) na  linha 21­ Compras de Mercadorias a Prazo na Ficha 04 ­ Custos dos  Bens e Serviços Vendidos da DIPJ consta o valor de R$25.024.873,05, fl. 218;  Fl. 396DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 397          25 (b) no Mapa de Compras consta o valor de R$25.240.800,48, fl. 113;  (c) Mapa Demonstrativo da Diferença de Estoque Original, de acordo com as  autoridades fiscais, fl. 130:    estoque inicial (DIPJ e Livro de Registro de Inventário) – R$3.805.827,51    (+) compras – R$25.240.800,48    (­) custo de mercadoria vendidas (DIPJ) – R$25.369.392,11    (=) estoque final – R$3.677.235,88    (­) estoque final (DIPJ e Livro de Registro de Inventário) – R$3.461.308,46    (=) diferença de estoque – R$215.927,42  (d) Mapa Demonstrativo da Diferença de Estoque Correto, de acordo com a  Recorrente, fl. 354:    estoque inicial – R$3.805.827,51    (+) compras – R$25.024.873,05    (­) custo de mercadoria vendidas – R$25.369.392,11    (=) estoque final – R$3.461.308,46    (=) diferença de estoque – R$0,00  (e)  escrituração  das  compras  de  mercadorias  nos  dias  19.11.2003  e  19.12.2003 no Livro de Registro de Entrada, fls. 232 e 255, no valor total de R$158.860,83:  Nº e Data da Nota Fiscal         Valor  892.311 de 14.11.3003        R$44.717,60  908.268 de 18.12.2003        R$2.553,86  908.269 de 18.12.2003        R$5.959,02  908.285 de 18.12.2003        R$17.707,09  908.319 de 18.12.2003        R$20.289,83  908.320 de 18.12.2003        R$67.633,43  (e) as compras de mercadorias escrituradas nos dias 19.11.2003 e 19.12.2003,  de acordo com as Notas Fiscais emitidas pelo  fornecedor Pirelli Pneus S/A,  fls. 284­289, no  valor total de R$211.067,20:  Nº e Data da Nota Fiscal         Valor   Fl. 397DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 398          26 412.543 de 14.11.2003        R$56.519,60  413.502 de 18.11.2003        R$35.011,14  413.507 de 18.11.2003        R$5.393,23  464.501 de 18.12.2003        R$2.553,86  464.502 de 18.12.2003        R$5.959,02  464.518 de 18.12.2003        R$17.707,09  464.552 de 18.12.2003        R$20.289,83  464.553 de 18.12.2003        R$67.633,43  Verifica­se de plano que há várias inconsistências nas provas produzidas pela  Recorrente, situação que ainda se torna mais desfavorável pela falta de escrituração das notas  fiscais no Livro Razão. As suas alegações desprovidas de um conjunto probatório robusto não  estão comprovadas nos autos. Desse modo, infere­se que houve a omissão de receita pela falta  de  registro  correto  das  compras  e  por  consequência  falta  de  registro  corretos  das  vendas  de  mercadorias.  Por  seu  turno,  o  Kardex  Físico­Financeiro  Seqüencial,  fls.  268­281,  a  Relação  de  Títulos  Pagos  e  os  extratos  bancários,  fls.  290­309,  somente  comprovam  o  pagamento  das  obrigações,  porém  não  há  evidência  de  que  os  pagamentos  efetuados  foram  regularmente  escriturados.  O  valor  do  custo  de  mercadorias  não  foi  objeto  de  qualquer  questionamento por parte das autoridades fiscais.  Ademais, o feito fiscal limitou­se a ajustes efetuados em virtude da evidência  de  ilícito  tributária.  Em  relação  à  omissão  de  receitas,  não  há  que  se  falar  em  dedução  de  despesas, uma vez que os valores correspondentes constam na escrituração da Recorrente, que  adota o regime de tributação com base no lucro real.  Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o  conjunto  probatório  já  produzido  evidencia  que  o  procedimento  de  ofício  está  correto.  A  inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem  ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de                                                              12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março  de 1972.  Fl. 398DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 399          27 observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade13.   Tem­se  que  nos  estritos  termos  legais  o  procedimento  fiscal  está  correto,  conforme  o  princípio  da  legalidade  a  que  o  agente  público  está  vinculado  (art.  37  da  Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº  9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art.  41  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  256,  de  22  de  julho  de  2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  Em relação ao Auto de Infração PIS, a legislação citada ( art. 1º e art. 3º da  Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de  dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único  do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002) e atinente  ao Cofins o enquadramento legal mencionado (parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º,  art.  10,  art.  22,  art.  51  e  art.  91  do Decreto  nº  4.524,  de 17  de  dezembro  de 2002)  estavam  válidos no ordenamento jurídico à época da ocorrência dos fatos geradores, em conformidade  com o art. 144 do Código Tributário Nacional. A ilação designada pela defendente, a despeito  de tudo, não se destaca como procedente.  O  nexo  causal  entre  as  exigências  de  créditos  tributários,  formalizados  em  autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto  de um único processo no caso em que os  ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam  relativos  ao  mesmo  sujeito  passivo  14.  Os  lançamentos  PIS,  de  COFINS  e  de  CSLL  sendo  decorrentes das mesmas  infrações  tributárias, a  relação de causalidade que os  informa  leva a  que  os  resultados  dos  julgamentos  destes  feitos  acompanhem  aqueles  que  foram  dados  à  exigência de IRPJ.  Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                                                13 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.  14 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.                            Fl. 399DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.008109/2008­89  Acórdão n.º 1803­002.274  S1­TE03  Fl. 400          28     Fl. 400DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

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Numero do processo: 10166.000169/2010-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ERRO MATERIAL. Constatado que o acórdão em recurso voluntário acolheu integralmente o pedido feito em sede recursal, é de se reconhecer o erro material apontado para alterar a parte dispositiva do acórdão.
Numero da decisão: 2802-002.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para re-ratificar o Acórdão 2802-001.907, de 19/09/2012, que passa a ter a seguinte parte dispositiva: "Acordam os membros do Colegiado em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base tributável, o valor de R$ 93.169,48 (noventa e três mil, cento e sessenta e nove reais e quarenta e oito reais), nos termos do voto do relator". (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 20/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ

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Voto             Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández  Em primeiro lugar, é de se esclarecer a exclusão do processo do acórdão n.  2802­002.545, anexado por engano.   De fato, o  litígio  recursal apenas versava sobre omissão de rendimentos no  valor de R$ 93.169,48, cujas razões recursais pleiteavam a isenção, por ser o contribuinte em  portador de moléstia grave devidamente comprovada desde julho de 2000.  Logo, correta a observação do embargante no tocante à necessária retificação  do  acórdão,  para  constar,  na  parte  dispositiva,  o  provimento  integral  ao  recurso  voluntário  interposto  Pelo  exposto,  conheço  os  embargos  opostos  e  os  acolho,  inclusive  lhe  atribuindo efeitos infringentes, para reconhecer e suprir a omissão/erro material quanto à parte  dispositiva,  cuja  redação  passa  a  ser  a  seguinte:  “Pelo  exposto,  conheço  e  dou  provimento  integral ao Recurso Voluntário, excluindo­se da base tributável, o valor de R$ 93.169,48, por  se tratar de rendimentos isentos.  É o meu voto.  (assinado digitalmente)  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.000169/2010­19  Acórdão n.º 2802­002.896  S2­TE02  Fl. 3          3 German Alejandro San Martín Fernández ­ Relator                              Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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Numero do processo: 10882.001484/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 DECADÊNCIA. ARTIGO 3º DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118. RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 3º da Lei Complementar nº. 118 apenas produz efeitos após o vacatio legis, uma vez que não é norma meramente interpretativa, pois trás inovações ao mundo jurídico. PIS. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS feito pela Lei 9.718/98. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3401-002.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, deu-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 DECADÊNCIA. ARTIGO 3º DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118. RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 3º da Lei Complementar nº. 118 apenas produz efeitos após o vacatio legis, uma vez que não é norma meramente interpretativa, pois trás inovações ao mundo jurídico. PIS. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS feito pela Lei 9.718/98. Recurso Voluntário Provido

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, deu-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl,  Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.    Relatório  Trata­se  de  pedido  de  restituição,  referente  a  PIS  recolhido  a  maior  com  fundamento na Lei 9.718/98 (e alterações) referente ao período de apuração de fevereiro/1999  a dezembro/2000, no valor de R$ 347.111,86  Por  suficiente  para  a  compreensão  do  processo,  adoto  o  relatório  proferido  pela 3ª Turma da DRJ/CPS, na ocasião do julgamento da Manifestação de Inconformidade.  “Trata­se  de  Pedido  de  Restituição,  fl.  02,  encaminhado  à  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Osasco  por  via  postal,  em  08/06/2005,  e  protocolado  em  01/07/2005,  utilizando  direito  creditório  oriundo  de  pagamentos  da  Contribuição  para  o  Programa de Integração Social ­ PIS, relativos aos períodos de  apuração de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000, no valor de  R$  347.111,86.  As  cópias  dos  documentos  que  objetivam  a  comprovação  dos  pagamentos  efetuados  encontram­se  às  fls.  25/137.   Na  peça  que  acompanha  o  pedido  (fls.  04/06),  a  interessada  fundamentou  sua  pretensão,  aduzindo,  em  síntese,  que  houve  pagamento  indevido da contribuição para o PIS, em virtude da  ilegalidade/inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, que  havia modificado a base de cálculo do PIS, passando a ser, não  mais  o  faturamento,  mas  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pelas empresas.  Examinados  os  elementos  do  processo,  o  Delegado  da  Receita  Federal  da  Unidade  jurisdicionante,  através  do  Despacho  Decisório  de  fls.  244,  tendo  por  base  o  Parecer  SEORT/DRF/OSA n° 530/2005 (fls. 242/243), decidiu indeferir o  pedido  de  restituição,  por  não  reconhecer  o  crédito  que  a  interessada  alegava  possuir,  bem  como  não  homologou  eventuais  compensações  a  ele  atreladas,  pelos  seguintes  fundamentos:  1.  Extinção  do  direito  de  pleitear  a  restituição  por  decurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos,  em  conformidade  com  o  Ato  Declaratório  SRF  n°  96,  de  26  de  novembro  de  1999,  Parecer  PGFN/CAT/n°  1.538/99  e  arts.  165,  I  e  168,  I  do  Código  Tributário  Nacional;  tendo  sido  formulado  o  pedido  de  restituição  em  01/07/2005,  os  recolhimentos  objeto  do  pedido  efetuados até 01/07/2000 foram atingidos pela decadência;  2.não compete à autoridade administrativa se manifestar acerca  da  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  das  normas  legais  regularmente  editadas  segundo  o  processo  legislativo  estabelecido,  tarefa  essa  reservada  constitucionalmente  ao  Poder  Judiciário,  podendo  apenas  reconhecer  inconstitucionalidades  já  declaradas  pelo  Supremo  Tribunal  Fl. 415DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10882.001484/2005­01  Acórdão n.º 3401­002.288  S3­C4T1  Fl. 415          3 Federal,  e  nos  estritos  termos  do  Decreto  n°  2.346,  de  10  de  outubro de 1997, condições que não se apresentam neste caso.  Cientificada  em  13/07/2005,  a  interessada  postou,  em  08/08/2005,  a manifestação  de  inconformidade  de  fls.  247/266,  na qual alega, em suma e fundamentalmente, que:  1. tratando­se de tributo sujeito a lançamento por homologação,  como é o presente caso, o prazo para o pedido de restituição ou  para a compensação é de 5 anos contados da homologação do  lançamento, que ocorre de forma tácita em 5 anos da ocorrência  do  fato  gerador,  em  conformidade  com  a  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça;  assim,  os  pedidos  de  restituição  seriam tempestivos, eis que formulados dentro do prazo decenal;  2.  deve  ser  afastada  a  aplicação  retroativa  do  art.  3°  da  Lei  Complementar n° 118, de 2005 que, para efeito de contagem do  prazo  para  o  exercício  do  direito  de  pleitear  a  restituição,  estabelece  a  ocorrência  da  extinção  do  crédito  tributário,  no  caso  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  no  momento do pagamento antecipado; tendo sido postado o pedido  antes  da  vigência  da  referida  lei,  não  está  sujeito  aos  seus  dispositivos;  3.  é  ilegal  e  inconstitucional  a  exigência  conferida  pela Lei  no  9.718, de 1998, que alargou a base de cálculo do PIS, passando  a  ser,  não  mais  o  faturamento,  mas  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pelas  empresas,  em  dissonância  com  o  art.  110  do  Código  Tributário  Nacional  e  o  art.  195,  inciso  I,  da  Constituição  Federal,  porquanto  editada  antes  da  autorização  expressa pela Emenda Constitucional  n° 20, 1998; Assim, deve  ser  garantido  à  contribuinte  o  direito  de  recolher  o  PIS  nos  moldes da Lei Complementar n° 7, de 1970, ou seja, com base no  faturamento e não na totalidade das receitas”.    Em  vista  disso,  em  sessão  de  26.11.2007,  a  DRJ/CPS  indeferiu  as  solicitações  feitas  pela  contribuinte  na  Manifestação  de  Inconformidade,  sustentando,  em  síntese, que:  a­  Quanto à preliminar suscitada, embora a interessada fundamente, em sua  manifestação,  a  tese  de  que,  tratando­se  o  PIS  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  o  pedido  de  restituição  ou  para  a  compensação  seria  de  10  anos  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador.  No  entanto,  a  alegação  aventada  na  Manifestação  de  Inconformidade  não  deve  prosperar,  pois  a  questão  levantada  já  está  uniformizada no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, haja  vista  o  Ato  Declaratório  96,  de  26.11.1999,  sendo  que  todos  os  seus  servidores  obrigados  estão  obrigados  a  sua  observância.  Acrescente­se  que a este ato coaduna­se à interpretação dada à matéria pela PGFN, que,  por  sua  vez,  estriba­se  na  jurisprudência  do  STF,  de  que  o  prazo  de  restituição de tributos finda com o decurso de cinco anos contados da data  do pagamento;  Fl. 416DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     4 b­  O  teor  do  art.  168,  Inc.  I,  do  CTN,  a  extinção  do  direito  de  pleitear  a  restituição se dá após cinco anos do 1º pagamento antecipado, donde se  conclui, por conta da data do protocolo do pedido, 1º.7.2005, estar extinto  eventual direito  relativo  aos pagamentos em relação aos quais pleiteia a  interessada,  efetuados  anteriormente  a  1º.7.2000,  em  face  do  transcurso  do  prazo  de  cinco  anos  entre  as  datas  dos  pagamentos  e  a  data  da  formalização do pedido;  c­  Com  relação  ao  mérito,  vê­se  que  a  pretensão  da  manifestante  implica  negar efeito a disposição expressa de  lei. Nesse  sentido, cumpre repisar  que  a  apreciação  pela  DRJ  limita­se  às  questões  de  sua  competência,  estando  fora  de  seu  alcance  o  debate  sobre  aspectos  da  constitucionalidade  ou  da  legalidade  das  normas  jurídicas  que  fundamentam a decisão, pelo que não poderão ser analisadas as alegações  que pretendam levar ao exame da suposta inconstitucionalidade do art. 3º,  §1º, da Lei 9.718/98. Assim, o acolhimento da pretensão da contribuinte  depende  de  que  a  decisão  do  STF,  mencionada  na  Manifestação  de  Inconformidade, venha a ter seus efeitos estendidos para os contribuintes  que não são partes na ação em que foi proferida.    Após  ser  cientificada  da  decisão,  a  contribuinte  protocolou,  em  26.2.2008,  Recurso Voluntário, no qual alega, em curto resumo, que:  a­  Preliminarmente,  questiona  o  indeferimento  do  direito  de  pleitear  a  restituição,  já que a DRJ não acolheu o prazo de dez anos, suscitado na  Manifestação  de  Inconformidade,  para  pleitear  a  restituição  do  tributo  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação.  Portanto,  os  recolhimentos  indevidos ocorridos de 15.3.1999 a 15.1.2001, que o “decisum” entendeu  como  impassíveis  de  restituição,  não  se  encontram  fulminados  pela  prescrição;  b­  Reiterando a irresignação na Manifestação de Inconformidade, argumentou que  é ilegal e inconstitucional a exigência conferida pela Lei no 9.718, de 1998, que  alargou a base de cálculo do PIS, passando a ser, não mais o faturamento, mas a  totalidade das receitas auferidas pelas empresas, em dissonância com o art. 110  do Código Tributário Nacional  e  o  art.  195,  inciso  I,  da Constituição Federal,  porquanto editada antes da autorização expressa pela Emenda Constitucional n°  20, 1998; desta forma, deve ser garantido à contribuinte o direito de recolher o  PIS  nos  moldes  da  Lei  Complementar  n°  7,  de  1970,  ou  seja,  com  base  no  faturamento e não na totalidade das receitas    Por  fim,  a  contribuinte  requer  o  deferimento  do  pedido  de  restituição  da  contribuição ao PIS, face às ilegalidades e às inconstitucionalidades da Lei 9.718/98, para que  a mesma  seja  compensada ou  ressarcida  com a devida  atualização pela  taxa SELIC, que  é a  mesma utilizada por este órgão na recuperação de seus créditos.  É o Relatório.    Fl. 417DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10882.001484/2005­01  Acórdão n.º 3401­002.288  S3­C4T1  Fl. 416          5 Voto             Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE  Este  recurso  apresenta  os  requisitos  de  tempestividade  e  cumpre  os  pressupostos  de  admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  Em  suma,  a  contribuinte  protocolou,  em  1º.7.2005,  Pedido  de  Restituição  (fl.  2),  utilizando direito creditório de pagamento da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS),  relativos aos períodos de apuração de fev/1999 a dez/2000, no valor de 347.111,86. Não logrando êxito  em  seu  pedido,  apresentou,  em  8.8.2005,  Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  247/266),  sendo,  os  pedidos  constantes  neste  instrumento  indeferidos  pela  DRJ/CPS.  Não  satisfeita  com  o  desfecho  do  processo até então, em 26.2.2008, protocolou Recurso Voluntário onde defende, preliminarmente, que os  recolhimentos  indevidos ocorridos de 15.3.1999 a 15.1.2001, que o “decisum” da DRJ entendeu como  não  passíveis  de  restituição,  não  se  encontram  fulminados  pela  prescrição.  No mérito,  defende  que  é  ilegal e inconstitucional a exigência conferida pela Lei no 9.718, de 1998, que alargou a base de cálculo do PIS,  passando a ser, não mais o faturamento, mas a totalidade das receitas auferidas pelas empresas    I – DA PRELIMINAR  A recorrente aduz que, tratando­se o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação,  o prazo para o pedido de restituição ou para compensação seria de dez anos contados da ocorrência do  fato gerador.  Conforme entendimento do E. Supremo Tribunal Federal (RE 566.621/RS), não é cabível  a retroatividade do art. 3º da Lei Complementar nº. 118, transcrito abaixo:    RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  DIREITO  TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA  LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA  REPETIÇÃO  OU  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITOS  AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da  LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no  sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o  prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §  4º,  156,  VII,  e  168,  I,  do  CTN.  A  LC  118/05,  embora  tenha  se  auto­ proclamado  interpretativa,  implicou  inovação normativa,  tendo  reduzido o  prazo  de  10  anos  contados  do  fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada  como  lei  nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente interpretativa  também se submete, como qualquer outra, ao  controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação  de  Fl. 418DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     6  indébito  tributário  estipulado  por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões deduzidas  tempestivamente à  luz do prazo então aplicável, bem  como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando  da  publicação  da  lei,  sem  resguardo  de  nenhuma  regra  de  transição,  implicam ofensa ao princípio da segurança  jurídica em  seus conteúdos de  proteção  da  confiança  e  de  garantia  do  acesso  à  Justiça. Afastando­se  as  aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no  mais,  a  eficácia  da  norma,  permite­se  a  aplicação  do  prazo  reduzido  relativamente  às  ações  ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta  Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de  120  dias  permitiu  aos  contribuintes  não  apenas  que  tomassem  ciência  do  novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos  seus  direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na  maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso,  não  se  trata  de  lei  geral,  tampouco  impede  iniciativa  legislativa  em  contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC  118/05,  considerando­se  válida  a  aplicação  do  novo  prazo  de  5  anos  tão­somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias,  ou seja, a partir de 9 de  junho de 2005. Aplicação do art. 543­B, § 3º, do  CPC aos recursos sobrestados.   Recurso extraordinário desprovido.    Desta forma, tendo em vista que o pedido da contribuinte foi encaminhado anteriormente à  vigência da Lei Complementar nº. 118, seu direito não foi alcançado pela decadência.    Em face do exposto, acolho a preliminar.    2 – DO MÉRITO  A  ampliação  da  base  de  calculo  do COFINS  pelo  §1º  do  art.  3º  da Lei  9.718/98  foi  considerada inconstitucional pelo pleno do E. Supremo Tribunal Federal, como comprova a ementa que  segue abaixo:   EMENTA: RECURSO. Extraordinário.  Tributo. Contribuição  social. PIS.  COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE  nº  346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido. É  inconstitucional a ampliação da base de cálculo do  PIS  e  da  COFINS  prevista  no  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98.     (RE  585235  RG­QO,  Relator(a):  Min.  CEZAR  PELUSO,  julgado  em  10/09/2008,  DJe­227  DIVULG  27­11­2008  PUBLIC  28­11­2008  EMENT  VOL­02343­10 PP­02009 ) (negrito adicionado)     Fl. 419DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10882.001484/2005­01  Acórdão n.º 3401­002.288  S3­C4T1  Fl. 417          7 Com isso é facilmente visível que a jurisprudência do STF ficou consolidada no sentido  da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da  Lei nº. 9.718/98.  Em que pese a Súmula nº 2 do CARF determinar a incompetência deste Conselho para  se pronunciar a respeito de inconstitucionalidade de normas, o parágrafo único do art. 62 do Regimento  Interno autoriza o afastamento de disposição legal declarada inconstitucional pelo Pleno do STF, como  se segue:  “Art.  62.  Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei  ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado,  acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária  definitiva do Supremo Tribunal Federal”. (grifo nosso)    Portanto  entendo  que  cabe  a  restituição  dos  valores  recolhidos  a  maior  referente  ao  alargamento da base de cálculo.    3 – CONCLUSÃO  Frente a todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo o direito da  contribuinte  à  restituição  dos  valores  recolhidos  a maior  referente  ao  alargamento  da  base  de  cálculo,  dada  pelo  art.  3º  da  Lei  9.718/98,  no  que  diz  respeito  aos  valores  efetivamente  recolhidos  sobre  as  receitas financeiras auferidas e, à época, tributadas.  É como voto!    Fernando Marques Cleto Duarte – Relator                                 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE

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