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Numero do processo: 10980.723357/2012-79
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. POSSIBILIDADE.
O procedimento fiscal que deu origem ao Auto de Infração em discussão não fere o devido processo legal. Está rigorosamente evidenciado que na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa incumbida do lançamento observou criteriosamente os comandos insertos no art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Em virtude do lançamento, pelo que consta, o sujeito passivo teve acesso aos autos em sua plenitude, e apresentou impugnação e recurso nos prazos legalmente estabelecidos. Vê-se, portanto, que ao contribuinte foi dada oportunidade do contraditório e ampla defesa, situações que afastam qualquer inconformismo de ofensa ao devido processo legal.
Os fundamentos necessários para a desconsideração do vínculo pactuado constam do acórdão recorrido, não se caracterizando como meras suposições como pretende o sujeito passivo. Portanto, a manutenção do lançamento é medida que se impõe.
Não se pode perder de vista que é inerente à função de fiscalização constatar a existência ou não da relação empregatícia entre a empresa fiscalizada e as pessoas que lhe prestam serviços (físicas e jurídicas) independentemente da forma como foram contratadas. Insta destacar também que a competência da Justiça do Trabalho consiste no julgamento de controvérsias entre empregados e empregadores decorrentes da relação de emprego, situação que não pode ser confundida com atos de fiscalização a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.496
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. POSSIBILIDADE. 1. O procedimento fiscal que deu origem ao Auto de Infração em discussão não fere o devido processo legal. Está rigorosamente evidenciado que na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa incumbida do lançamento observou criteriosamente os comandos insertos no art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. 2. Em virtude do lançamento, pelo que consta, o sujeito passivo teve acesso aos autos em sua plenitude, e apresentou impugnação e recurso nos prazos legalmente estabelecidos. Vêse, portanto, que ao contribuinte foi dada oportunidade do contraditório e ampla defesa, situações que afastam qualquer inconformismo de ofensa ao devido processo legal. 3. Os fundamentos necessários para a desconsideração do vínculo pactuado constam do acórdão recorrido, não se caracterizando como meras suposições como pretende o sujeito passivo. Portanto, a manutenção do lançamento é medida que se impõe. 4. Não se pode perder de vista que é inerente à função de fiscalização constatar a existência ou não da relação empregatícia entre a empresa fiscalizada e as pessoas que lhe prestam serviços (físicas e jurídicas) independentemente da forma como foram contratadas. Insta destacar também que a competência da Justiça do Trabalho consiste no julgamento de controvérsias entre empregados e empregadores decorrentes da relação de emprego, situação que não pode ser confundida com atos de fiscalização a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 33 57 /2 01 2- 79 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10980.723357/201279 Acórdão n.º 2803003.496 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10980.723357/201279 Acórdão n.º 2803003.496 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, DEBCADs 51.015.9737, 51.015.9745, 51.015.9753 e 51.015.9761, correspondente ao período de 01/2009 a 05/2009, relativamente a contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive SAT/RAT; contribuições dos segurados, terceiros, bem como relativa a multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 17 de outubro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2009 AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRAIL. RECONHECIMENTO DO SEGURADO EMPREGADO. O reconhecimento da figura de “segurado empregado”, para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento de contribuições previdenciárias, se insere nas atribuições legais do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e independe do exame pela Justiça Trabalhista. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo das contribuições sociais previdenciárias é aquele que admite, dirige e assalaria e a quem o trabalhador presta os serviços; é aquele que se beneficia dos serviços do trabalhador. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há como prosperar a arguição de nulidade. SEGURADOS EMPREGADOS. EMPRESA INTERPOSTA. SIMULAÇÃO. Mantémse o crédito tributário quando comprovado que o sujeito passivo contratou segurados empregados de forma simulada, através de empresas interpostas optantes pelo SIMPLES, apenas para burlar o Fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10980.723357/201279 Acórdão n.º 2803003.496 S2TE03 Fl. 5 4 De maneira absurda, e em clara ilegalidade, a autoridade fiscal desconsiderou a relação laboral entre a empresa EVERSON FRANCISCO DA SILVA e seus funcionários, lançando todas as contribuições previdenciárias contra a Recorrente, sequer descontando os valores que já foram pagos pela empresa EVERSON FRANCISCO DA SILVA em clara bitributação. A autoridade fiscal ao desconsiderar a empresa prestadora de serviços (EVERSON) não observou todas as contribuições previdenciárias patronais e de empregados, não observou todos os documentos previdenciários e fiscais entregues, não observou as ações judiciais com trânsito em julgado. De forma absolutamente curiosa não observa as GFIPs declaradas pela empresa EVERSON para favorecer ou descontar valores da Recorrente, mas usa essas mesmas GFIPs como base de cálculo. A Recorrente, na absurda hipótese de ser mantida alguma exigência tributária, não poderá fazer ratificação de GFIP nem poderá pedir a restituição de valores pagos, pois quem pagou tais valores foi a empresa EVERSON e não a Recorrrente. Os Autos de Infração são nulos, tendo em vista a falta de competência dos Auditores Fiscais para desconsiderar vinculo laboral. A autuação fiscal, fazendo relatório com várias análises de cunho subjetivo, utiliza o equivocado fundamento de que os funcionários da empresa EVERSON pertenceriam à empresa ora Recorrente. A própria Justiça do Trabalho já reconheceu o vínculo empregatício entre a EVERSON e seus funcionários, com decisão transitada em julgado, e que a responsabilidade trabalhista da empresa NIPONSUL era meramente subsidiária, o que deixa claro o contrato de prestação de serviços entre ambas. Conforme informado pela pessoa jurídica EVERSON foram pagos todos os tributos previdenciários devidos. Na absurda hipótese de qualquer parte dessa exigência fiscal ser mantida, imperioso o desconto dos valores já pagos, a título de contribuição dos segurados, terceiros e empresa. Na absurda hipótese de ser mantida a cobrança de algum valor, o Fisco deverá observar a decisão judicial que determinou ser inexigível a contribuição social sobre várias verbas, entre elas o terço constitucional de férias. Diante das razões expostas e documentos anexados, requer a reforma da decisão de primeiro grau e invalidação do lançamento efetuado, requerendo: Preliminarmente: a) Improcedência da autuação em razão da ofensa ao Devido Processo Legal; Fl. 545DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10980.723357/201279 Acórdão n.º 2803003.496 S2TE03 Fl. 6 5 b) Reconhecimento da incompetência da autoridade fiscal para “criar” vínculo empregatício; No mérito. c) A total improcedência do lançamento, em razão de ter sido fundamentado em meras suposições, que foram claramente rebatidas na fundamentação; d) Na absurda hipótese de permanecer alguma exigência fiscal, o correto e justo desconto dos valores já pagos; e) Na absurda hipótese de permanecer alguma exigência fiscal, a obediência a sentença proferida nos autos 500698633.2010.404.7000, com a inexigibilidade da contribuição social sobre as verbas nela descritas, entre elas o terço constitucional de férias. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10980.723357/201279 Acórdão n.º 2803003.496 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento ocorreu em razão de a autoridade administrativa autuante ter entendido que o sujeito passivo contratou segurados empregados de forma simulada, por intermédio de empresas interpostas optantes pelo SIMPLES, apenas para burlar o Fisco. Em preliminar, o sujeito passivo requer a improcedência da autuação em razão da ofensa ao devido processo legal, bem como o reconhecimento da incompetência da autoridade fiscal para “criar” vínculo empregatício. O procedimento fiscal que deu origem ao Auto de Infração em discussão não fere o devido processo legal. Está rigorosamente evidenciado que na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa incumbida do lançamento observou criteriosamente os comandos insertos no art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em virtude do lançamento, pelo que consta, o sujeito passivo teve acesso aos autos em sua plenitude, e apresentou impugnação e recurso nos prazos legalmente estabelecidos. Vêse, portanto, que ao contribuinte foi dada oportunidade do contraditório e ampla defesa, situações que afastam qualquer inconformismo de ofensa ao devido processo legal. De outra parte, padece também de fundamentos válidos, o inconformismo de que a autoridade fiscal é incompetente para criar vínculo empregatício. Neste ponto, notase que o sujeito passivo faz uma confusão entre vínculo empregatício e desconsideração do vínculo pactuado pelo sujeito passivo com a empresa optante pelo SIMPLES. O lançamento em discussão como se pode observar, ocorreu em virtude da desconsideração do vinculo pactuado entre o sujeito passivo com a empresa EVERSON FRANCISCO DA SILVA, conforme estabelece o § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99, in verbis: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) § 2º. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10980.723357/201279 Acórdão n.º 2803003.496 S2TE03 Fl. 8 7 Realizada a fundamentação legal de forma correta, o enquadramento dos prestadores de serviços se amoldou perfeitamente às disposições do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, como acertadamente demonstra o acórdão recorrido. Os fundamentos necessários para a desconsideração do vínculo pactuado constam do acórdão recorrido, não se caracterizando como meras suposições como pretende o sujeito passivo. Portanto, a manutenção do lançamento é medida que se impõe. Rejeito, pois, as duas preliminares. No que diz respeito à possibilidade desconto dos valores já pagos proposto pelo sujeito passivo, adoto o entendimento do acórdão recorrido, in verbis: Notese, ainda, que a situação fática também não se enquadra em qualquer hipótese legal de responsabilidade tributária de terceiros por solidariedade, como pretendeu a defesa. Em assim sendo, o lançamento tributário em nome da Auto Comercial Niposul Ltda é ato administrativo vinculado, não havendo qualquer justificativa, fundamento legal ou possibilidade de formalização de Auto de Infração no formato sugerido pela defendente, com a firma Everson figurando como sujeito passivo da obrigação tributária em comento, e, autuada, como sua solidária. Também carece de fundamento legal a pretensão da defesa, de dedução dos tributos porventura recolhidos pela Firma Everson Francisco da Silva, uma vez que se trata de pessoa jurídica distinta do sujeito passivo do débito. Ademais, o § 6º do art. 56 da IN RFB nº 1.300/2012 (no mesmo sentido o § 6º do art. 44 da IN RFB nº 900/2008) preconiza que é vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor indevidamente recolhido ao Simples. Na hipótese de comprovação de indébito recolhido ao Simples pela firma Everson Francisco da Silva poderá esta pessoa jurídica ingressar com pedido de restituição. Logo, despido de fundamento também a alegação de enriquecimento ilícito. O sujeito passivo pleiteia, ainda, caso permaneça alguma exigência fiscal, a obediência a sentença proferida nos autos 500698633.2010.404.7000, com a inexigibilidade da contribuição social sobre as verbas nela descritas. A pretensão descrita no parágrafo anterior não pode prosperar, pois não existe previsão legal de que o julgador da esfera administrativa tem que obedecer aos Fl. 548DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10980.723357/201279 Acórdão n.º 2803003.496 S2TE03 Fl. 9 8 comandos de decisão (sentença) proferida na esfera judicial, salvo aquelas que têm efeitos vinculantes, o que não é o caso destes autos. Não se pode perder de vista que é inerente à função de fiscalização constatar a existência ou não da relação empregatícia entre a empresa fiscalizada e as pessoas que lhe prestam serviços (físicas e jurídicas) independentemente da forma como foram contratadas. Insta destacar também que a competência da Justiça do Trabalho consiste no julgamento de controvérsias entre empregados e empregadores decorrentes da relação de emprego, situação que não pode ser confundida com atos de fiscalização a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vêse, portanto, que o procedimento fiscalizatório que ensejou o lançamento ora contestado ocorreu estritamente em conformidade com a legislação em vigor, não restando margem para qualquer argumento a respeito da competência da autoridade administrativa para o cumprimento de seu mister. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10680.004963/2004-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
EMBARGOS - OMISSÃO - RECEITAS FINANCEIRAS - COFINS
Do dispositivo do acórdão do RE nº 585.235-1-MG sob repercussão geral, ainda que se admitisse, ou mesmo se admita que faturamento, nos moldes da Lei 9.718/98, seja receita da atividade social da empresa, só se incluiriam nela as receitas operacionais fim, não as receitas operacionais acessórias. As receitas financeiras da interessada não se incluem naquela esfera. E, apesar de a razão de decidir do acórdão embargado ter sido vazada de modo bem sintético sobre a questão, não houve omissão no seu enfrentamento.
Numero da decisão: 1103-001.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o Relator pelas conclusões por entender que o recurso não deveria ser conhecido.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS - OMISSÃO - RECEITAS FINANCEIRAS - COFINS Do dispositivo do acórdão do RE nº 585.235-1-MG sob repercussão geral, ainda que se admitisse, ou mesmo se admita que faturamento, nos moldes da Lei 9.718/98, seja receita da atividade social da empresa, só se incluiriam nela as receitas operacionais fim, não as receitas operacionais acessórias. As receitas financeiras da interessada não se incluem naquela esfera. E, apesar de a razão de decidir do acórdão embargado ter sido vazada de modo bem sintético sobre a questão, não houve omissão no seu enfrentamento.
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As receitas financeiras da interessada não se incluem naquela esfera. E, apesar de a razão de decidir do acórdão embargado ter sido vazada de modo bem sintético sobre a questão, não houve omissão no seu enfrentamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o Relator pelas conclusões por entender que o recurso não deveria ser conhecido. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 49 63 /2 00 4- 66 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 764 2 Relatório Contra a contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 19/23, o qual exige a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 3.234.169,81, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 23/04/2004. O Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 127, de 11 de novembro de 2003 (objeto do processo administrativo fiscal de nº 10680.007360/200335), suspendeu a imunidade da contribuinte prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal de 1988. O referido Ato Declaratório e o respectivo Despacho Decisório prolatado pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/BHE constam das fls. 56/79. Para melhor instruir o presente processo administrativo fiscal, foram juntadas as fls. 220/270. Tais peças referemse à publicação no DOU da Portaria DRJ/BHE nº 38, de 04 de outubro de 2004; ao Termo de Constatação e Notificação Fiscal – TCNF; à impugnação contra o referido Termo; ao Acórdão DRJ/BHE nº 07.183, de 10 de novembro de 2004. Da descrição dos fatos. Na descrição dos fatos, relatou a Fiscalização que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foi constatado que a Fiscalizada não apurou nem declarou a Cofins sobre as receitas apuradas. Do Termo de Verificação Fiscal – TVF, de fls. 42/46. Eis os principais pontos que a Fiscalização aborda no TVF. A Fundação Christiano Ottoni (FCO) declarou que é uma entidade fundacional, de direito privado, de cunho educacional, sem fins lucrativos, de apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão da UFMG, mais especificamente da Escola de Engenharia, devidamente registrada no Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia. Afirma a FCO que não é detentora do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, eis que não exerce a filantropia nos moldes definidos no Decreto nº 3.048, de 1999, de forma que recolhe todos encargos patronais e contribuições previstas em lei. Constatou a Fiscalização, após longa análise, que a FCO, apesar de se considerar uma entidade isenta, não preenchia todos os requisitos legais para se beneficiar da isenção do IRPJ, ou seja, a Lei nº 4.506, de 1964, e Lei nº 9.532, de 1997, não estavam sendo atendidas na sua totalidade. Suspensa a imunidade da FCO, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 127, de 11 de novembro de 2003, a Fiscalização passou a considerála como uma pessoa jurídica comercial, sujeita aos recolhimentos do IRPJ e da CSL, na forma da lei, para os Fl. 897DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 765 3 anoscalendário de 1999 a 2002. E, ainda, sujeita à Cofins, para os anoscalendário de 1997 a 2002. A base de cálculo da COFINS, nos anoscalendário de 1997 a 2001 e no primeiro trimestre de 2002, está composta pelos valores referentes às vendas de serviços, informados pela própria contribuinte, nas planilhas denominadas, “Demonstrativo Mensal das Receitas Apuradas”, constante das fls. 122/126, 166/167 e 184, do Anexo I. A partir de fevereiro de 1999, integram também as bases de cálculo os valores correspondentes às receitas financeiras, conforme balancetes mensais do ano de 1999 (fls. 30/143, do Anexo “02”). As importâncias lançadas como receitas financeiras para os anos de 2000, 2001 e 1º semestre de 2002, correspondem aos valores definidos nos balancetes trimestrais destes períodos, os quais estão sendo lançados pela Fiscalização no terceiro mês do trimestre correspondente. Para o 2º semestre de 2002, a Fiscalizada apresentou os balancetes mensais, os quais encontramse anexos às fls. 364/447, sendo então lançados os valores efetivos correspondentes às receitas financeiras. Das bases de cálculo estão sendo diminuídos os valores referentes às vendas canceladas, tendo em vista os valores registrados nos balancetes na conta denominada “CANCELANTOS”. Na apuração da Cofins, foram considerados os valores recolhidos pela contribuinte, no código de receita “2172”, nos períodos compreendidos entre 01/01/1997 a 14/07/1999, último recolhimento efetuado para esta contribuição, conforme consta do sistema “SINAL”. Da impugnação. Tendo sido dele notificado, em 23/04/2004, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 24/05/2004, mediante o instrumento de fls. 165/176. Adiante compendiamse suas razões. Inicialmente, destaca que, além das razões aventadas contra a expedição do Ato Declaratório nº 127, de 2003, há outras mais que obstam a pretensão do Fisco. Não incidência da Cofins a partir de fevereiro de 1999. Assevera, com fulcro no art. 14, X, combinado com o art. 13, VIII, ambos da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reproduzindo disposições da MP nº 1.8586, de 1999, que tem direito subjetivo à isenção da Cofins sobre suas receitas. Sustenta, assim, que a partir de fevereiro de 1999 as exigências a título de COFINS são indevidas, não havendo como prosperar a pretensão fiscal. Da decadência do crédito relativo aos meses de janeiro a março de 1999. Substancialmente, defendendo que o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, invade competência lei complementar, alega que as exigências fiscais no período compreendido entre janeiro de 1997 e março de 1999 já foram atingidas pela decadência, uma vez que a ciência do Fl. 898DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 766 4 auto de infração ocorreu em 23/04/2004, devendo prevalecer a regra do § 4º, do art. 150, do CTN. Nesse sentido, a impugnante cita jurisprudência e acórdão do Conselho de Contribuintes. Sucessivamente: da não incidência da Cofins sobre receitas transferidas a outras pessoas jurídicas. Citando disposições da Lei nº 9.718, de 1998, aduz que ingressos registrados como receitas por força de regras contábeis, mas que não são de titularidade daquele que as recebe, posto que recebidas por conta de terceiros, devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins. Defendendo sua tese, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes. Alega que somente as suas receitas próprias são passíveis de incidência da Cofins. Para se delimitar com clareza as suas próprias receitas, distinguindoas das receitas da Escola de Engenharia, é imperioso um esclarecimento mais detido do que vem a ser e como atua uma fundação de apoio, nos termos da Lei nº 8.958, de 1994. Sem a exata compreensão do relacionamento existente entre as Instituições Federais de Ensino – IFES e as Fundações de Apoio, afigurase impossível alcançar o seu relevante papel educacional. As Fundações de Apoio são entidades regidas pelo direito privado, que visam a proporcionar um mínimo de agilidade e autonomia às atividades universitárias como um todo, captando e gerindo recursos em prol do ensino, da pesquisa e da extensão universitárias. O desempenho das finalidades estatutárias da FCO fazse principalmente por meio da celebração de convênios, contratos, ajustes e acordos, através dos quais a Fundação passa a ser a interface da Escola de Engenharia da UFMG com os órgãos de fomento e a comunidade em geral. Dentro dessa filosofia, a defendente tem firmado convênios com as mais variadas entidades governamentais, tais como FINEP, FAPEMIG, CNPQ, CAPES, entre inúmeras outras. Através desse mecanismo é que a FCO recebe recursos necessários ao desenvolvimento dos projetos da Escola de Engenharia da UFMG. Ou seja, os recursos diretamente ingressados no caixa da Fundação a ela não pertencem integralmente. São recursos da UFMG, nos moldes concebidos pela Lei nº 8.958, de 1994, competindo à Fundação promover a sua gestão, adquirindo bens e serviços, e, ao término de cada projeto, prestar contas à UFMG da gestão financeira executada. A prestação de contas enseja, ainda, a devolução de eventual saldo remanescente do Projeto ao caixa da UFMG, fato que fortalece ainda mais o entendimento de que o recurso ingressado na Fundação a ela não pertence, não podendo, por conseguinte, ser entendido como faturamento ou servir de base de cálculo para apuração da Cofins. Salienta que vigoram no âmbito interno da UFMG, a Resolução nº 10/95, do Conselho Universitário, e a Resolução nº 03/2000, da Congregação da Escola de Engenharia, sendo certo que estes instrumentos normativos disciplinam e mostram, fundamentalmente, que Fl. 899DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 767 5 a Fundação gere recursos de terceiros (no caso a UFMG), não sendo racional entender com seu todo e qualquer montante que ingressa ao seu caixa. Em verdade, o trabalho fiscal ignorou cabalmente o fato de ser a impugnante mera gestora de recursos públicos. As referidas receitas restringemse àquelas contabilizadas nos balancetes da administração da fundação, nos centros de custo 01.001 (documentos em anexo). Ou seja, as receitas da FCO são as decorrentes de sua remuneração pela administração dos recursos públicos e de terceiros relacionados aos projetos por ela administrados. Entretanto, a Fiscalização computou, na apuração do suposto lucro, também os valores registrados nos balancetes, nos centros de custo 02.001 a 16.013 e 22.001 a 36.004, como se dissessem respeito a receitas e despesas próprias da entidade. Assim, é que o valor das supostas receitas de prestação de serviços, ponto de partida para apuração do resultado do exercício, restou majorado, demandando ajustes, segundo as planilhas em anexo (doc. nº 04 a 09), que apresentam as receitas decorrentes do pagamento da “taxa de administração”. Por outro lado, mesmo que superada a tese de que as receitas da impugnante restringemse às relativas à administração dos recursos públicos, ainda assim, os valores da receita e do lucro apurados pela Fiscalização são superiores aos que se poderiam inferir dos registros contidos nos balancetes integrados da administração e dos projetos (documentos nº 10 a 15). Ao final, pede a impugnante pela procedência da presente defesa. Sucessivamente, pede sejam consideradas, na apuração da base de cálculo da exação, somente as receitas de sua titularidade. A 2.ª Turma DRJ/BHE decidiu por meio do acórdão n.º 7185, ementa: “Ementa: CONTRIBUIÇÕES PARA SEGURIDADE SOCIAL. ISENÇÃO. Somente serão isentas das contribuições para seguridade social as entidades beneficentes que, além de atenderem aos demais requisitos legais (inclusive o de não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados), forem portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. CONTRIBUIÇÕES PARA SEGURIDADE SOCIAL. IMUNIDADE. Somente serão imunes das contribuições para a Seguridade Social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos da lei. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 768 6 A lei determina que o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Conforme a legislação de regência, o faturamento a ser tributado pela COFINS será composto pela totalidade das receitas auferidas, inclusive as financeiras e aquelas decorrentes da prestação de serviços de consultoria.” Irresignada com a decisão retro a contribuinte lançou mão do presente recurso voluntário, oportunidade em que reiterou os argumentos expendidos por ocasião de sua impugnação. Adicionou, contudo, a inconstitucionalidade do § 1.º do art. 3.º da Lei n.º 9.718, de 1998, pelo pleno do STF. Além de solicitar o envio destes autos à 8.ª Câmara do 1.º Conselho de Contribuintes. A Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho dos Contribuintes decidiu, (ementa): “COFINS. COMPETÊNCIA. REGIMENTO INTERNO. Nas hipóteses em que o lançamento de Cofins esteja lastreado no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática de infração à legislação pertinente tributação do IRPJ, a competência para sua análise é do Primeiro Conselho de Contribuintes. Inteligência do art. 20, inciso I, alínea "d" do Regimento Interno.” DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 7/11/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 1103000.778, por unanimidade de votos, declarar a decadência para os fatos geradores até 31/3/1999, e para excluir da base de cálculo da Cofins os valores relativos a receitas financeiras. E, por maioria de votos, afastar as receitas próprias, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 COFINS. ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS As fundações de direito privado têm isenção da Cofins sobre as receitas de suas atividades próprias, inconfundível aquela com a imunidade de contribuições sociais da seguridade social. As receitas correspondentes aos recursos recebidos e a receber para o desenvolvimento dos projetos da Escola de Engenharia da UFMG são receitas de atividade própria da recorrente, e, Fl. 901DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 769 7 pois, isentas da Cofins, independentemente de haver caráter contraprestacional. "PIS E COF1NS — TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS — INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART 3º DA LEI 9.718/98 DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM COMPOSIÇÃO PLENARIA, NO JULGAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS — APLICAÇÃO DO ART 1°, DECRETO 2.346/97 — A Lei nº 9.718/98, ao determinar a tributação das receitas não incluídas no conceito de faturamento, como as receitas financeiras, pelo PIS e pela COFINS, contrariou o art. 195, I da CF/88, que, à época, autorizava a incidência das contribuições apenas sobre o faturamento. Irrelevância da Emenda Constitucional nº 20/1998. Lei inconstitucional é lei absolutamente nula, e nulidade absoluta é vicio insanável, não passível de convalidação. Tese acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR, de observância obrigatória pelos órgãos do Executivo, a teor do disposto no art. 1° do Decreto 2.346/97. A discussão central desse processo referese à análise das receitas da recorrente, relativas ao desenvolvimento de projetos da Escola de Engenharia UFMG. Primeiramente, afirmouse que, tendo em vista que até julho de 1999 o prazo decadencial a ser observado era o do artigo 150, § 4º, do CTN, e que o lançamento só foi cientificado em 23/4/2004, restou claro que estão decaídos os valores lançados de Cofins com fatos geradores até 31/3/1999. Com relação às receitas financeiras, apontou que, como o STF declarou inconstitucional o artigo 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, os valores referentes às receitas financeiras devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins. No voto vencedor que reconheceu serem receitas de atividade própria (para efeitos de Cofins) as correspondentes aos recursos recebidos e a receber para o desenvolvimento dos projetos da Escola de Engenharia da UFMG, asseverouse o seguinte. No processo administrativo relativo a IRPJ sobre as mesmas materialidades em jogo, concluiuse que não restou comprovado no recurso voluntário que a receita própria da recorrente era somente “taxa de administração”, como foi denominado por ela. Ou seja, no julgamento daquele feito, consignouse não ter sido comprovado que os valores lançados a débito nas contas de resultado da recorrente, relacionados aos repasses realizados à UFMG, não são despesas, e que os valores integrais lançados a crédito nas contas de resultado não são receita. Nesse sentido, ressaltou que essa falta de comprovação deixa evidente que não é somente o líquido entre os valores lançados nas contas de resultado são receitas da recorrente, mas que, apesar disso, a integralidade dos valores lançados a crédito decorreram das atividades próprias da recorrente. Sendo o presente feito decorrente daquele, são aplicáveis aqui as mesmas conclusões. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 770 8 Apontouse que o artigo 13, VIII, da MP 2.158/01 deu maior extensão às fundações públicas sujeitas ao regime do PIS sobre a folha de salários, ao compreender também as fundações de direito privado. Logo, o artigo 13, VIII, da MP 2.158/01 alcança a recorrente. Sendo assim, devido ao fato de a recorrente ser uma fundação de direito privado, ela está sujeita ao PIS com base na folha de salários, e as receitas de suas atividades próprias não são tributáveis pela Cofins, sendo essa não incidência qualificada por isenção, nos termos do artigo 14, X, da MP 2.158/01. Registrouse que os recursos recebidos e a receber para o incremento dos projetos da Escola de Engenharia UFMG tratam de receitas próprias da recorrente, independentemente de essas receitas terem ou não caráter contraprescricional. Atestouse que a norma isentiva tem como pressuposto de fato as receitas relativas às atividades próprias das entidades previstas pelo artigo 13 da MP 2.158/01, e que o artigo 74, § 2º, da IN SRF 247/02 restringiu o suposto de fato da isenção previsto na lei. Concluiuse que se deve conceder provimento ao recurso nesses termos, de modo a afastar a exigência da Cofins sobre as receitas correspondentes aos recursos recebidos e a receber para o incremento dos projetos da Escola de Engenharia UFMG. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração de fls. 615 a 617, arguindo, em síntese, o que segue. Afirmou que a decisão recorrida é omissa, pois essa não analisou todos os aspectos do julgamento proferido pelo STF, acerca da matéria em questão. Apontou que, segundo o STF, além da venda de mercadorias e serviços, o faturamento abrange as receitas decorrentes da soma de outras atividades empresariais, de modo que o seu conceito não é restrito e não está limitado às disposições literais da LC 70/91. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Consignou que mesmo tendo o STF declarado inconstitucional o artigo 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, isso não trouxe como conseqüência a alteração do critério definidor da base de incidência do PIS e Cofins, que corresponde ao resultado econômico da atividade empresarial ligada aos objetivos sociais da empresa. Acrescentou que, até a vigência da EC 20/98, o STF entendia que o PIS e Cofins só poderiam incidir sobre os ingressos patrimoniais derivados da atividade empresarial típica da empresa, de modo a não incidirem sobre as receitas nãooperacionais, pois essas não correspondem ao faturamento da empresa. Nesse sentido, ressaltou que é preciso analisar a atividade social da empresa para estabelecer que tipos de receitas podem ser classificadas como receita operacional. Desse modo, pontuou a necessidade de ser feita a análise de cada processo administrativo ou judicial, sob pena de não ser Fl. 903DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 771 9 possível definir, de forma correta, quais rubricas deverão ou não ser retiradas da base de cálculo, podendo isso dar causa a um novo litígio. Afirmou que, além do conjunto de atividades operacionais e sua contabilização, há receitas operacionais acessórias, as quais não são receitas diretamente provenientes da atividadefim da empresa, mas possuem sua origem ligada, de forma intrínseca, ao seu objeto social. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o recebimento do presente embargos de declaração para que sejam analisadas as receitas financeiras excluídas à luz do objeto social da empresa. É o relatório. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 772 10 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso de embargos é tempestivo (fls. 1859 e 1864, numeração do e processo). Os embargos foram opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional por suposta omissão no Acórdão nº 1103000.778, no enfrentamento da questão da exigência de Cofins sobre receitas financeiras da Fundação Christiano Ottoni. Há potencialidade de omissão, de modo que conheço dos embargos. Relembrase que no acórdão objetivado aos embargos, afastouse a exigência de Cofins sobre receitas de atividades próprias, com o delineamento do que sejam tais receitas, segundo o voto vencedor (lavrado pelo relator destes embargos), bem como sobre receitas financeiras, por unanimidade de votos. Também resultou derruído o lançamento desses tributos por decadência, em relação a fatos geradores ocorridos até março de 1999. Como se sabe, o julgamento do RE nº 585.2351 MG, de relatoria do Ministro Cezar Peluso, deuse sob repercussão geral, com reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Nesse julgado, o dispositivo do acórdão faz remissão à jurisprudência da Excelsa Corte, ao proclamar que se reafirma essa jurisprudência no referido julgado. Ad litteram: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º. 9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. ACÓRDÃO: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob Presidência do Senhor Ministro GILMAR MENDES, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro MARCO AURÉLIO, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, em aprovar proposta do Relator para edição de súmula Fl. 905DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 773 11 vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro MARCO AURÉLIO, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro GILMAR MENDES. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro CELSO DE MELLO, a Senhora Ministra ELLEN GRACIE e, neste julgamento, o Senhor Ministro JOAQUIM BARBOSA. (grifamos) Quanto à jurisprudência então reafirmada, cito, por ex., os acórdãos do RE nº 390.8405MG (DJ de 1/9/2006), do RE nº 346.0846PR (DJ de 15/8/2006), e transcrevo excertos do voto do relator do primeiro acórdão, Ministro Marco Aurélio: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Não fosse o § 1º que se seguiu, terseia a observância da jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Em síntese, o legislador ordinário (logicamente não no sentido vulgar, mas técnicolegislativo) acabou por criar uma fonte de custeio da seguridade à margem do disposto no artigo 195, com a redação vigente à época, e sem ter presente a regra do § 4º nele contido, isto é, a necessidade de novas fontes destinadas a garantir a manutenção ou a expansão da seguridade social pautarse pela regra do artigo 154, inciso I, da Constituição Federal, que é explícito quanto à exigência de lei complementar. Antecipouse à própria Emenda Constitucional nº 20, no que, dando nova redação ao artigo 195 da Constituição Federal, versou a incidência da contribuição sobre a receita ou o faturamento. A disjuntiva “ou” bem revela que não se tem a confusão entre o gênero “receita” e a espécie “faturamento”. Repitase, antes da Emenda Constitucional nº 20/98, posterior à Lei ora em exame, a Lei nº 9.718/98, tinhase apenas a previsão de incidência da contribuição sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros. Com a citada emenda, passouse não só a se ter a abrangência quanto à primeira base de incidência, folha de salários, apanhandose de forma linear os rendimentos do trabalho pagos ou creditados a qualquer título, mesmo sem Fl. 906DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 774 12 vínculo empregatício, observandose o precedente desta Corte, como também a inserção, considerado o que surgiu como alínea “b” do inciso I do artigo 195, da base de incidência, que é a receita. Como, então, dizerse, a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no que haja atuado, à luz das balizas constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigurase írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagrado que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial. (grifamos) Não se desconhece que no voto do Ministro Cezar Peluso, houve a colocação de faturamento como receita oriunda do exercício de atividades empresariais, e de RE’s sob repercussão geral, a enfrentar especificamente a questão do que seja faturamento para certas pessoas jurídicas. No referido voto, o Ministro Cezar Peluso diz que o significado de faturamento “é o estrito de receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma da receita oriunda do exercício das atividades empresariais”. Já se falou o que transitou em julgado sob repercussão geral. De todo modo, ainda que se admitisse, ou mesmo se admita que faturamento, nos moldes da Lei 9.718/98, seja receita da atividade social da empresa, as receitas financeiras da Fundação Christiano Ottoni não se incluem em tal esfera. Mesmo que se admitisse ou se que admita tal alcance de faturamento, nele só se incluiriam, a meu ver, as “receitas operacionais fim”, não as “receitas operacionais Fl. 907DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103001.061 S1C1T3 Fl. 775 13 acessórias”. O contrário me parece elastecer além da conta o significado de faturamento, à vista do que se encontra transitado em julgado sob repercussão geral. Isso, como disse, partindose da admissão de que o conceito de faturamento não se define pelas receitas de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços, quer dizer, partindose da admissão ora colocada ao teor do que se encontra transitado em julgado sob repercussão geral até o momento. O que se pode afirmar é que receitas financeiras no caso da autuada não são receitas operacionaisfim. Diante do que ficou assentado no julgamento do feito conexo de suspensão de imunidade e de exigência de IRPJ e de CSL, “receitas operacionais fim” da autuada são as relativas ao desenvolvimento da Escola de Engenharia da UFMG. Para além disso, em face do que ficou transitado em julgado (dispositivo do RE nº 585.2351MG) sob repercussão geral, continuo entendendo que faturamento, conforme a Lei 9.718/98 para efeitos de Cofins, tem significado de receita de vendas de mercadorias e/ou prestação de serviços, conforme jurisprudência da Suprema Corte até aquele julgado, reafirmado nesse. Repito. Mesmo sob o alcance ampliado de faturamento, nos termos expostos acima, viuse que as receitas financeiras da Fundação Christiano Ottoni não se incluem na esfera de faturamento. Apesar de a ratio decidendi do relator do acórdão embargado ter sido vazada de modo bem sintético sobre a questão ora debatida, não chego a entrever omissão a respeito. Sob essa ordem de considerações e juízo, conheço dos embargos e lhes nego provimento. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 908DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 18471.002152/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa:
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Estando vigente, por ocasião do lançamento de ofício, a medida judicial correto o entendimento do acórdão recorrido que exonerou a multa de ofício em face da suspensão da exigibilidade dos tributos lançados, nos termos do art. 151, IV do CTN, em face do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996.
CSLL. ESTIMATIVAS MENSAIS QUITADAS POR COMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO DO FISCO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Não tendo sido questionado no lançamento a correção e validade da compensação de estimativas informada em DCTF, na sistemática de compensação de tributos da mesma espécie, instituída pelo art. 66 da Lei nº 8.383/1991, a mesma resta homologada tacitamente, ante a inércia do Fisco em proceder ao lançamento dos valores devidos.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR MEIO DE TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE E COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS TACITAMENTE. DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO, AINDA QUE PARCIAL. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO.
Ausente a constatação de dolo, fraude ou sonegação, e, existindo a declaração prévia do débito em DCTF e pagamentos antecipados, ainda que parciais, caracterizados pela retenção de IRPJ e CSLL na fonte e estimativas extintas por compensação, dispunha o Fisco de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento dos tributos exigidos, nos termos do § 4ª do art. 150 do CTN. Ultrapassado tal prazo, impõe-se reconhecer a decadência do lançamento. (Precedente do STJ: REsp 973.733/SC, proferido no rito do art. 543-C do CPC, de observância obrigatória no CARF, nos termos do art. 62-A do RICARF)
Numero da decisão: 1301-001.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). O conselheiro Valmir Sandri declarou-se impedido.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 Ementa: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Estando vigente, por ocasião do lançamento de ofício, a medida judicial correto o entendimento do acórdão recorrido que exonerou a multa de ofício em face da suspensão da exigibilidade dos tributos lançados, nos termos do art. 151, IV do CTN, em face do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996. CSLL. ESTIMATIVAS MENSAIS QUITADAS POR COMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO DO FISCO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não tendo sido questionado no lançamento a correção e validade da compensação de estimativas informada em DCTF, na sistemática de compensação de tributos da mesma espécie, instituída pelo art. 66 da Lei nº 8.383/1991, a mesma resta homologada tacitamente, ante a inércia do Fisco em proceder ao lançamento dos valores devidos. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR MEIO DE TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE E COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS TACITAMENTE. DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO, AINDA QUE PARCIAL. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. Ausente a constatação de dolo, fraude ou sonegação, e, existindo a declaração prévia do débito em DCTF e pagamentos antecipados, ainda que parciais, caracterizados pela retenção de IRPJ e CSLL na fonte e estimativas extintas por compensação, dispunha o Fisco de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento dos tributos exigidos, nos termos do § 4ª do art. 150 do CTN. Ultrapassado tal prazo, impõe-se reconhecer a decadência do lançamento. (Precedente do STJ: REsp 973.733/SC, proferido no rito do art. 543-C do CPC, de observância obrigatória no CARF, nos termos do art. 62-A do RICARF)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.322 1 1.321 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002152/200741 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301001.633 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de agosto de 2014 Matéria Falta de Recolhimento de IRPJ/CSLL Recorrentes TELEMAR NORTE LESTE SA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Estando vigente, por ocasião do lançamento de ofício, a medida judicial correto o entendimento do acórdão recorrido que exonerou a multa de ofício em face da suspensão da exigibilidade dos tributos lançados, nos termos do art. 151, IV do CTN, em face do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996. CSLL. ESTIMATIVAS MENSAIS QUITADAS POR COMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO DO FISCO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não tendo sido questionado no lançamento a correção e validade da compensação de estimativas informada em DCTF, na sistemática de compensação de tributos da mesma espécie, instituída pelo art. 66 da Lei nº 8.383/1991, a mesma resta homologada tacitamente, ante a inércia do Fisco em proceder ao lançamento dos valores devidos. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR MEIO DE TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE E COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS TACITAMENTE. DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO, AINDA QUE PARCIAL. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. Ausente a constatação de dolo, fraude ou sonegação, e, existindo a declaração prévia do débito em DCTF e pagamentos antecipados, ainda que parciais, caracterizados pela retenção de IRPJ e CSLL na fonte e estimativas extintas por compensação, dispunha o Fisco de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento dos tributos exigidos, nos termos do § 4ª do art. 150 do CTN. Ultrapassado tal prazo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 52 /2 00 7- 41 Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.323 2 impõese reconhecer a decadência do lançamento. (Precedente do STJ: REsp 973.733/SC, proferido no rito do art. 543C do CPC, de observância obrigatória no CARF, nos termos do art. 62A do RICARF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). O conselheiro Valmir Sandri declarouse impedido. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.324 3 Relatório TELEMAR NORTE LESTE SA, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 13.719.981,01 (incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até a data de ciência da autuação), relativo ao saldo anual devido a título de IRPJ e CSLL. Cientificada, a interessada apresentou duas impugnações: uma relativa ao IRPJ (fls. 102/114) e outra relativa a CSLL (fls. 324/337), cuja alegações foram assim sintetizadas no acórdão recorrido: Na impugnação relativa ao IRPJ, alegou em síntese: a) que não há IRPJ em aberto, posto que o devido foi integralmente absorvido pela utilização do prejuízo; b) que a DCTF registra a compensação com prejuízo; c) que o preenchimento da DIPJ respeitando o limite de 30% na compensação de prejuízo não é razão para a desconsideração da compensação autorizada judicialmente; d) que ocorreu a decadência; e) que a DCTF é confissão e que portanto não haveria necessidade do lançamento e que não se poderia lançar com base na DIPJ; Na impugnação relativa a CSLL, alegou em síntese: a) que não foi apurada CSLL na DIPJ; b) que na DCTF estão registradas as compensações do lucro com prejuízo fiscal acumulado nos anos anteriores, não havendo, portanto, contribuição a pagar; c) o preenchimento da DIPJ com registro de situação diversa da DCTF não é razão para a desconsideração da compensação autorizada judicialmente; d) houve compensação de parte da CSLL com saldo negativo do ano calendário 2000; e) que ocorreu a decadência; f) que a DCTF é confissão e que portanto, não haveria necessidade do lançamento e que não se poderia lançar com base apenas em informações da DIPJ; A 8ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro RJ1 analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1237.675, de 03/06/2011, considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: MULTA. LIMINAR. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.325 4 No lançamento destinado à constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de medida liminar, excluise a aplicação da multa de oficio. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. O direito de efetuar o lançamento nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador somente no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário, o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO LIMINAR SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Deve ser efetuado o lançamento do débito não confessado cuja exigibilidade da cobrança esta suspensa por liminar em Mandado de Segurança, como forma de prevenir a decadência. ESTIMATIVA COMPENSADA Desconsiderase a dedução de estimativa compensada quando não confirmada a compensação por inexistência de direito creditório. Ciente da decisão de primeira instância em 04/08/2011, conforme Aviso de Recebimento Postal, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/09/2011. No recurso interposto, alega preliminarmente os pontos que se seguem: 1) A decadência do lançamento, com base no § 4º do art. 150 do CTN, tendo em vista que os fatos geradores dos valores exigidos a título de IRPJ e CSLL ocorreram em 31/12/2001 e o lançamento somente foi realizado em 21/12/2007. 2) Que o prazo decadencial do art. 173, inc. I não pode ser aplicado nos casos em que o contribuinte não apura tributo a pagar. 3) Que o que se homologa é a atividade do lançamento exercida pelo contribuinte e, uma vez externada sua apuração por meio de DCTF e DIPJ (no caso de IRPJ e CSLL), e recolhimento dos Darfs que entende devidos, satisfeitas estão as condições exigidas pelo artigo 150 do CTN, ou seja, a existência de atividade homologável levada ao conhecimento da autoridade administrativa. 4) Que, na hipótese, a recorrente apurou inexistência de tributo a pagar em face da compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30%, amparado que estava por medida judicial. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.326 5 5) Que ainda que se considere a necessidade de pagamento, no caso, este está caracterizado pelas retenções de IRPJ e CSLL ocorridas durante o anocalendário. 6) Que as retenções de tributo na fonte configuram verdadeira antecipação do tributo devido ao final do ano calendário, ainda que recolhidas por terceiros, na medida em que tais retenções podem não ser devidas, caso o contribuinte verifique ao final do anocalendário que teve prejuízo, e, no caso, inexistiria IRPJ ou CSLL a pagar. Nessa situação, essas retenções passam a constituir indébito tributário, passível de restituição/compensação. 7) Que no caso da CSLL a situação seria ainda mais grave porque houve, além das retenções sofridas, o pagamento de estimativas mensais mediante compensação ao longo do anocalendário 2001. 8) Que a compensação é modalidade de pagamento, que extingue o crédito tributário, uma vez homologada. 9) Que a DRJ pretendeu desconsiderar compensação de estimativa de CSLL no anocalendário 2001 com saldo negativo também de CSLL relativo ao anocalendário 2000, realizada de forma direta, através de encontro de contas via DCTF, na forma prevista no art. 66 da Lei n° 8.383/91. 10) Que a compensação feita no regime do art. 66 da Lei n° 8.383/91 se assemelha ao pagamento antecipado feito pelo contribuinte no lançamento por homologação, pois assim como o pagamento antecipado fica submetido ao posterior exame e homologação do Fisco. 11) Que, se o Fisco, por qualquer razão, entender como irregular a compensação efetuada nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91, tem o dever de lançar de oficio o tributo que entende devido, para que possa exigilo. 12) Que, passados cinco anos a contar do fato gerador sem qualquer pronunciamento a respeito do pagamento via compensação a Fazenda não pode mais efetuar o lançamento de oficio de eventuais diferenças, pois o crédito tributário está definitivamente extinto, pela chamada homologação tácita. 13) Que a compensação de saldo negativo de CSLL realizada no anocalendário 2001 nunca foi desconstituída pelo Fisco mediante lançamento de oficio. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.327 6 14) Que a compensação realizada não poderia ter sido desconstituída tacitamente pela autoridade lançadora, uma vez que, no auto de infração a mesma não se manifestou sobre a validade da compensação; e este foi lavrado após o prazo de cinco anos a contar do fato gerador (novembro/2001). 15) Que resta clara a necessidade de considerar o pagamento de estimativa mensal de CSLL de novembro/2001 via compensação, seja para fins de apuração do imposto devido, seja para fins de contagem do prazo decadencial (pelo pagamento antecipado do tributo devido). 16) Que, no auto de infração, a autoridade fiscal, em nenhum momento analisou a validade da compensação de saldo negativo de CSLL, tendo se limitado a desconsiderála (o que motivaria a nulidade da autuação) e que, entretanto, a DRJ inovou no julgamento, pretendendo conferir outro motivo à autuação (inexistência do crédito utilizado para quitar a estimativa de novembro), o que é inadmissível por afrontar os princípios do devido processo legal e da ampla defesa. 17) Que ocorreu, a preclusão consumativa contra o Fisco e, assim, caso ultrapassada a preliminar de decadência, deve ser anulado o acórdão recorrido, pois restou comprovada a invalidade do motivo ali apontado para manter o auto de infração de CSLL impugnado. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: 18) Que, caso ultrapassadas as preliminares alegadas, o crédito exigido deve ser desconstituído, uma vez que ocorreu a mera postergação do imposto devido, o que deveria ter sido verificado pelo Fisco antes de realizar o lançamento. 19) Que, se o contribuinte utiliza prejuízos fiscais acima do limite legal de 30%, mas, nos anos calendários seguintes, não tem prejuízo fiscal a compensar, não há que se falar em prejuízo ao Fisco, pois se, por um lado houve antecipação da compensação dos prejuízos fiscais, por outro, nos anos seguintes o contribuinte não utilizou o prejuízo fiscal a que teria direito (se não tivesse compensado a maior anteriormente). 20) Que é o que ocorreu com a recorrente, pois até o ano calendário 2004 a empresa compensou prejuízos fiscais e base negativa até o limite legal de 30%, mas, no ano calendário 2005 acabaram os créditos compensáveis de prejuízos fiscais e base negativa de anos anteriores e, nos Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.328 7 anoscalendário 2006 e não houve qualquer compensação de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. 21) Que a autoridade fiscal deveria ter considerado no cálculo do IRPJ e da CSLL devidos no período autuado (anocalendário 2001) a ocorrência de postergação IRPJ e CSLL para períodos posteriores, o que ensejaria a cobrança apenas dos juros moratórios, conforme entendimento do CARF em casos semelhantes. 22) Que, assim, os autos devem ser baixados em diligência para que a autoridade fiscal recomponha eventual valor devido a titulo de IRPJ e CSLL para considerar a existência de prejuízos fiscais (e base negativa de CSLL) não utilizados nos anos seguintes, o que importaria na redução do tributo exigido. Ao final a Recorrente pede que seja dado provimento ao presente recurso voluntário, para reconhecer a improcedência do lançamento de oficio. Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.329 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Recurso de Ofício. O acórdão recorrido exonerou a multa de ofício do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade dos tributos lançados, nos termos do art. 151, IV do CTN, em face do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Com efeito, a interessada obteve provimento judicial em mandado de segurança, que autorizou a compensação de prejuízos fiscais sem a observância do limite legal de 30%. Essa medida estava vigente por ocasião do lançamento de ofício, embora tenha sido revista pelo tribunal regional federal em momento posterior. Ante ao exposto, entendo correta a decisão recorrida e, assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim, dele conheço. 1. Da alegação de decadência A recorrente alega em caráter preliminar a ocorrência de decadência do lançamento. Sustenta que, seja pela apuração de ausência de tributo devido ao final do exercício, seja pela existência de pagamento antecipado caracterizado pela retenção dos tributos na fonte, devidamente declarados, a regra aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN. Alega ainda que, no caso da CSLL, recolheu estimativa da CSLL do mês de novembro de 2001, mediante compensação informada na DCTF, que restou homologada tacitamente, configurandose também o pagamento antecipado. Analisando a DIPJ do anocalendário 2001, apresentada pela interessada , verificase na Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (fls. 19) e Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a existência de IRPJ e CSLL retidos na fonte e deduzidos dos tributos apurados. A dedução dos valores retidos na fonte do IRPJ e CSLL apurados não foi contestada pela autoridade fiscal, conforme se verifica no Termo de Constatação de Auto de Infração – IRPJ (fls. 90/92) e no Termo de Constatação de Auto de Infração – CSLL (fls. 357/360), nos quais os valores foram deduzidos da apuração dos valores lançados. No entanto, a autoridade fiscal ignorou a compensação de saldo negativo de CSLL de anos anteriores, informada na DCTF de novembro de 2001. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.330 9 A recorrente alega que deve ser considerado o pagamento de estimativa mensal de CSLL de novembro/2001, quitado por meio de compensação. Sustenta que, no auto de infração, a autoridade fiscal, em nenhum momento analisou a validade da compensação de saldo negativo de CSLL, tendo se limitado a desconsiderála (o que motivaria a nulidade da autuação) e que a DRJ teria inovado no julgamento, pretendendo conferir outro motivo à autuação (inexistência do crédito utilizado para quitar a estimativa de novembro), o que seria inadmissível por afrontar os princípios do devido processo legal e da ampla defesa. Defende que ocorreu, a preclusão consumativa contra o Fisco e, assim, caso ultrapassada a preliminar de decadência, deve ser anulado o acórdão recorrido, pois restou comprovada a invalidade do motivo ali apontado para manter o auto de infração de CSLL impugnado. Analisando os elementos dos autos, entendo que assiste razão à recorrente quanto ao alegado. De fato, a autoridade lançadora simplesmente desconsiderou o valor informado em DCTF, no mês de novembro de 2001, a título de compensação de parte da estimativa mensal de CSLL com o saldo negativo de CSLL de anos anteriores, sem qualquer justificativa, no Termo de Constatação da Auto de Infração da CSLL, no qual assinalou, in verbis: 5. A fiscalização ressalta que no ano de 2001 não houve nenhum pagamento por estimativa de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido pois nas CDTFs o contribuinte alocava os valores a serem pagos por estimativa como Exigibilidade Suspensa, vide fls. , portanto, como nenhum valor foi pago por estimativa, não há como aceitar o valor constante no item 38 da Ficha 17— Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, assim temos: [...] Como se vê, a autoridade fiscal referese tão somente aos valores de estimativas da CSLL informados nas DCTF com exigibilidade suspensa e afirma não existir nenhum pagamento por estimativa no período. Dito isto, simplesmente desconsiderou o valor informado por compensação na DCTF do mês de Novembro/2001, para efeito do cálculo do valor devido anualmente. A autoridade julgadora de primeira instância recompôs o saldo negativo da CSLL apurado desde o ano de 1.999, com base nas DIPJ apresentadas, e concluiu que não existiria saldo negativo a ser compensado em novembro de 2001. Assim, considerou correta a exclusão do valor informado na DCTF como estimativa compensada na apuração do saldo anual devido em 2001. Entendo que, para desconsiderar a compensação informada em DCTF a título de estimativas, a autoridade lançadora tinha o dever demonstrar na atuação a inexistência de saldo a compensar em anos anteriores, como veio a fazer a decisão recorrida. Na época em que foi realizada a compensação pela recorrente (novembro/2001) estava vigente a sistemática de compensação de tributos da mesma espécie instituída pelo art. 66 da Lei nº 8.383/1991, mediante a qual o próprio contribuinte apurava os valores a compensar e efetuava a compensação em sua escrituração, informandoa ao Fisco na DCTF. Nesta sistemática, ficava a compensação sujeita à eventual revisão do Fisco, que constatando irregularidade deveria proceder ao lançamento de ofício das diferenças devidas, nos termos do art. 90 da MP. nº 2.15835/2001, que estabelecia, in verbis: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.331 10 decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Destarte, não tendo sido questionada, no lançamento, a correção e validade da compensação informada em DCTF, entendo que esta restou homologada tacitamente, ante a inércia do Fisco em proceder ao lançamento dos valores devidos. Assim, por mais este aspecto resta caracterizada, em relação à CSLL, a existência de pagamento antecipado . A jurisprudência quanto à aplicação do instituto da decadência à luz dos dispositivos do Código Tributário Nacional, que sempre foi objeto de grande controvérsia jurisprudencial, foi recentemente consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, no julgamento do recurso especial (REsp) 973.733/SC que observou o procedimento de recursos repetitivos (CPC, art. 543C, e Resolução STJ n. 08/2008), com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.332 11 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. RESp 973.733/SC. Rel. Min. Luiz Fux. S1. J 12.08.09. DJe 18.09.2009) (grifo não constante no original) O entendimento acima, proferido no acórdão submetido ao regime do artigo 543C do CPC é de observância obrigatório pelos membros do CARF, nos termos do art. 62A do RICARF. Como se vê do julgado acima, a aplicação do prazo previsto no § 4º do art. 150, mesmo para os tributos sujeito a lançamento por homologação, depende da existência de requisitos objetivos: 1) a ausência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte; 2) a existência de pagamento antecipado, ainda que parcial e, 3) a declaração prévia do débito. Verificase nos autos que na DIPJ apresentada o sujeito passivo, a despeito de possuir autorização judicial para compensar prejuízos de anos anteriores acima do limite de 30%, limitou a dedução do prejuízo ao percentual estabelecido em lei, do que resultou na apuração de saldo de IRPJ devido na apuração anual. A recorrente informou nas DCTF’s (fls. 399/412) os débitos de IRPJ e CSLL, com exigibilidade suspensa pela medida judicial. Observase, ainda, que em relação à apuração mensal da CSLL do mês de novembro/01 a recorrente informou uma compensação parcial de Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002152/200741 Acórdão n.º 1301001.633 S1C3T1 Fl. 1.333 12 saldo negativo de CSLL de períodos anteriores. Nas DCTF’s apresentadas, a interessada não declarou nenhum débito a título de IRPJ devido na apuração anual, ainda que com a exigibilidade suspensa. Não obstante, há que se reconhecer que a recorrente declarou os débitos de IRPJ e CSLL, ainda que parcialmente, em suas DCTF´s, na medida em que os valores devidos a título de estimativas mensais, representam antecipações dos tributos efetivamente devidos ao final do exercício, tendo a mesma natureza destes. Portanto, o prazo decadencial a ser observado em relação ao presente lançamento é o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, de cinco anos a contar do fato gerador. Neste diapasão, entendo que, no momento em que formalizado (21/12/2007), a atividade de efetuar lançamento de ofício encontravase obstaculizada pelo decurso do prazo decadencial, pois, considerando que o fato gerador dos tributos ocorreu em 31/12/2001, a contagem do prazo iniciouse no 1º dia do ano de 2002, encerrandose em 31 de dezembro de 2006. Por todo o exposto, voto no sentido de acolher a alegação preliminar de decadência e, assim, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos de IRPJ e CSLL. Sala de Sessões, em 28 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /09/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10314.002411/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 14/10/2003, 25/02/2006
DRAWBACK SUSPENSÃO.
O descumprimento das condições estabelecidas em Ato Concessório emitido pelo órgão competente concedente do regime de drawback suspensão, com o não atendimento da legislação de regência, conduz à exigência do crédito tributário suspenso.
COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES. ÔNUS DA PROVA
O ônus da prova do cumprimento das condições estipuladas no ato concessório do regime drawback suspensão, visando descaracterizar as infrações devidamente comprovadas na autuação, compete a quem alega.
Para que haja a correta extinção do regime e consequente reconhecimento da isenção, é imprescindível que se demonstre que a mercadoria importada foi efetivamente empregada na fabricação daquela que foi exportada e que tal demonstração siga o rito preconizado pela legislação de regência.
MULTA DE OFÍCIO
A falta de recolhimento dos tributos (II, IPI, PIS/PASEP e COFINS) na data devida, ou seja, no registro da declaração de importação, tipifica a penalidade prevista na legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Jonathan Barros Vita; Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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O descumprimento das condições estabelecidas em Ato Concessório emitido pelo órgão competente concedente do regime de drawback suspensão, com o não atendimento da legislação de regência, conduz à exigência do crédito tributário suspenso. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES. ÔNUS DA PROVA O ônus da prova do cumprimento das condições estipuladas no ato concessório do regime drawback suspensão, visando descaracterizar as infrações devidamente comprovadas na autuação, compete a quem alega. Para que haja a correta extinção do regime e consequente reconhecimento da isenção, é imprescindível que se demonstre que a mercadoria importada foi efetivamente empregada na fabricação daquela que foi exportada e que tal demonstração siga o rito preconizado pela legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO A falta de recolhimento dos tributos (II, IPI, PIS/PASEP e COFINS) na data devida, ou seja, no registro da declaração de importação, tipifica a penalidade prevista na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 24 11 /2 00 7- 34 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Jonathan Barros Vita; Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte RESARLUX IND E COM LTDA, CNPJ 45.950.516/000135. O recurso voluntário visa desconstituir, naquilo que lhe foi desfavorável, a decisão proferida em 06 de outubro de 2011 pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, por meio do Acórdão nº 1754.436 1 ª Turma da DRJ/SP2, cujos membros, por unanimidade de votos, julgaram procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto que integrou o julgado, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 14/10/2003 DRAWBACKSUSPENSÃO. O descumprimento das condições estabelecidas em Ato Concessório emitido pelo órgão competente concedente do regime de drawbacksuspensão, com o não atendimento da legislação de regência, é cabível a exigência do crédito tributário suspenso. Multa de Ofício A falta de recolhimento dos tributos (II, IPI, PIS/PASEP e COFINS) na data devida, ou seja, no registro da declaração de importação, tipifica a penalidade prevista na legislação de regência. Multa ao Controle Administrativo das Importações Não está sendo objeto de autuação o descumprimento dos ‘requisitos de controle das importações’, mas, o descumprimento do regime drawbacksuspensão. Acresce que a autuação deixou de explicitar os motivos tipificadores da infração e penalidade respectiva, ocorrendo, assim, o cerceamento do direito de defesa da impugnante. Descabe a aplicação da multa do art. 169 do DecretoLei nº 37/66, com as alterações. Impugnação Procedente em Parte Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.002411/200734 Acórdão n.º 3302002.656 S3C3T2 Fl. 483 3 Crédito Tributário Mantido em Parte” Na origem trata do auto de infração de fls. 01/35, lavrados contra a contribuinte em epígrafe, para exigência do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados Vinculado, PIS/PASEP e COFINS Importação, acrescidos de Multa de Ofício e Juros de Mora (calculados até 28/02/2007) e, ainda, da Multa do Controle Administrativo. Os lançamentos foram consubstanciados basicamente na acusação de que foi descumprido o regime de DRAWBACK, modalidade Suspensão, nas operações de comércio exterior realizadas pela contribuinte, com o não atendimento da legislação de regência, relativamente aos Atos Concessórios AC considerados inadimplentes pela SECEX, quais sejam: Ato Concessório 20040294340 e Ato Concessório 20020015640. As infrações apontadas foram: 1) Infração 1 excedente de matériaprima importada, que não se incorporou ao produto exportado, nem foi nacionalizado ou submetido às demais destinações previstas na legislação de regência, cabendo a exigência parcial dos tributos suspensos, com os acréscimos legais devidos: Considerando a informação constante do laudo técnico fornecido pelo beneficiário, de que em cada tonelada de produto final consomese 97,65% de insumo importado, sem subproduto e/ou resíduo, bem como os Registros de Exportações vinculados aos respectivos AC, a fiscalização apurou um saldo excedente de insumos nos seguintes quantitativos: Ato Concessório nº 20020015640 Com início em 22/04/2002 e término em 14/10/2003 excedente de insumo em 29.195,04 KG, equivalente a 21,38% do total importado. Referente a este Ato Concessório nº 20020015640, o agente fiscal, esclarecendo as planilhas de apuração, efetua as seguintes Observações: 1) A exportação formalizada no RE 03/1275405001 (em negrito) foi glosada por ter sido efetuada fora do prazo previsto no Ato Concessório. 2) No RE 03/1030715001 (penúltimo da lista acima), foram exportadas 3.600 unidades do produto final, sendo que, em seu campo 24, foram vinculadas ao Ato Concessório apenas 2.110 unidades. Ato Concessório 20040294340 Com início em 25/02/2005 e término em 25/02/2006 excedente de insumo em 2.598,42 KG, equivalente a 4,33% do total importado. 2) Infração 2 o beneficiário do regime não comprovou, dentro do prazo legal o adimplemento das obrigações pactuadas nos Atos Concessórios, tipificando uma infração sujeita a penalidade prevista no art. 633, inciso III, alínea ‘b’ do Regulamento Aduaneiro de 2002. Considerando os prazos fixados em cada um dos atos concessório, a fiscalização aponta os seguintes descumprimentos: Ato Concessório nº 20020015640 A contribuinte enviou, via Sistema Drawback Eletrônico (quadro fl.25), os dados para comprovar o cumprimento Fl. 484DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 do regime, em 04/03/2004, enquanto que o prazo fatal havia se esgotado em 14/10/2003, Ato Concessório 20040294340 Conforme o sistema Drawback Eletrônico (tela reproduzida abaixo), não houve até o momento qualquer registro de exportação para a comprovação do regime. Retirase do relatório da decisão recorrida, os argumentos de defesa da impugnante: “Ato Concessório nº 20040294340 1.importou 60.000 kg de matériaprima (Poliestireno Cristal) para exportar, ao final, 17.480 Chapas Plásticas em Poliestireno; 2.exportou as referidas mercadorias, quadro de fl.210, totalizando KG 58.782,9800, 17.480 chapas, valor FOB US$ 158.367,25. 3. a quantidade de matériaprima importada que a fiscalização alega que não foi utilizada na produção do produto final, correspondendo a 4,33%, referese a ‘sobra’ da produção, sem nenhum valor comercial, com previsão legal na Consolidação das Portarias Secex atualizada até o dia 15/01/2007 (podem ser desprezados os subprodutos e os resíduos não exportados, quando seu montante não exceder de 5% do valor do produto importado, ficam excluídos, ainda, as perdas do processo produtivo que não tenham valor comercial). 4. Alega que as exportações foram realizadas e constatadas pela fiscalização, portanto houve cumprimento do AC’s., e que o inadimplemento do regime será declarado quando não for cumprido o disposto no art. 151,131 e 154, da referida Consolidação das Portarias Secex. 5. Que, de acordo com consulta realizada em 24/10/05 no sistema DecexSecex houve a ‘baixa’ do registro do AC. Ato Concessório nº 20020015640 1. importou 136.532,6900 kg de matériaprima (Poliestireno Cristal) para exportar, ao final, 30.000 Chapas Plásticas em Poliestireno, sendo que 107.337,65 kg estão vinculadas aos RE’s do AC e, ainda, 22.292,21 kg, (RE’s anexos) vinculados também ao AC, sem que fossem utilizados na comprovação, pelo fato de que o índice de nacionalização já havia sido atendido. 2. exportou as referidas mercadorias, quadro de fl.211/212, totalizando 30.000 chapas, valor FOB US$ 166.015,74. “3. no RE nº 0 3/1030715001, embora tenham sido vinculadas 2.110 unidades ao AC, foram exportadas 3.600 unidades do produto final, e não foram utilizados na comprovação, pelo fato de que o índice de nacionalização já havia sido atendido, conforme art.74 da Consolidação das Portarias Secex. 4. quanto ao RE 03/1275405001, o mesmo não se encontra vinculado ao ato concessório em questão. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.002411/200734 Acórdão n.º 3302002.656 S3C3T2 Fl. 484 5 Alega, ainda, que: realizou exportações pelos RE’s 02/1369488, 03/0380994, 02/121545, 03/0939477 e 03/1030715, que comprovam a exportação dos 22.292,21 kg; a exportação realizada pelo RE 03/1275405001, data de registro de 27/10/03 e embarque em 27/10/03, de 5.512 kg não foi declarada pela empresa e sequer entregue fora do prazo previsto no AC, não podendo ser exigido o pagamento dos tributos incidentes na importação; importou 136.532,69 kg e exportou 129.629,86 kg, não utilizando apenas 6.902,83 kg, 5% do total do produto importado, e que, ainda, tal percentual decorre de ‘sobra’ de produção, sem valor comercial, devendo ser desprezado conforme Consolidação das Portarias Secex (art.65). Quanto ao descumprimento de prazo, o mesmo foi motivado por problemas no processamento das respectivas RE’s, para alteração de dados e, ainda, devido a greve dos fiscais da SRF em 2003.” Com relação à Multa de Ofício e do Controle Administrativo das Importações, alega a impugnante que, além de indevida, a multa têm caráter confiscatório, e que, ao estabelecer a imposição de multa de 20% sob o valor aduaneiro, o RA/02 Decreto 4.543 de 2002 extrapolou; é abusiva.Aduz ainda ferir os princípios (proporcionalidade, razoabilidade, etc. Alega ser inconstitucional a multa estabelecida pelo Decreto n°. 4.543 de 2002, pois contraria a proibição do efeito confiscatório (conforme artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal) e fere o direito de propriedade, na medida em que não obedece a qualquer limite quantitativo. Diante das alegações da impugnante, a DRJ converte o julgamento em diligência (art.29 da Lei nº 9.748/99 e art.18 do Decreto nº 70.235/72), por meio da Resolução de 27/06/2011, fls.360/366. A diligência foi realizada e, ao final, houve manifestação da autuada, apresentando as mesmas alegações da impugnação, em atendimento ao disposto no art. 44 da Lei nº 9784/99. Como resultado da diligência, o fiscal esclarece que: à sobra apurada não se aplica o art. 65 da Portaria Secex, posto que ‘... o engenheiro que assina o laudo técnico apresentado à fiscalização informou expressamente que o processo produtivo não gera resíduos’; ‘...se não há formação de resíduos, não há espaço para a aplicação do art. 65 da Portaria Secex, que trata expressamente de casos envolvendo resíduos e/ou subprodutos’. Destaca, ainda, que a alegação da impugnante ‘... de acordo com a redação do dispositivo supra transcrito, não há que se falar em excedente de matériaprima importada, uma vez que o ‘excedente’ não possui valor comercial.” (fls. 218); ‘... que a quantidade de matéria prima importada e não utilizada na produção do produto final, ou seja, 4,33% é meramente ‘sobra’ de produção, não tendo nenhum valor comercial.” (fls. 217), é incoerente com suas declarações no curso da fiscalização, quando declarou, em laudo, que não havia formação de resíduos; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 A conclusão, em síntese, foi no sentido de que não havendo formação de resíduos, não há o como se amparar no disposto no art. 65 da Portaria Secex. que os RE’s 02/1369488, 03/0380994, 02/1211545, 03/0939477 e 03/1030715, que, segundo a impugnante, comprovariam a exportação dos 22.292,21kg ditos como excedentes já teriam considerados por esta fiscalização na comprovação do Ato concessório. nº 20020015640; Sobre a alegação da contribuinte “consulta realizada em 24/10/05, no sistema DecexSecex registra ‘baixa’ do registro do AC”, informa que o sistema não confirma essa informação e que o AC permanece em estado inadimplente até o presente momento. Acresce em sua informação que o último diagnóstico (de nº 15, datado de 25/01/11) foi concluído com a seguinte mensagem (g.n.): “Uma vez que o ato de levantamento de baixa foi revogado, o prazo de 10 dias, previsto no artigo 59 da mesma Lei 9784/99, para recurso sobre inadimplemento total,concedido em 26/06/2010, está expirado. Decex/Secex – 25/01/2011”. De fato, o RE 03/1275405001 não se encontra vinculado ao Ato Concessório nº 20020015640. Mas, a fiscalização o relacionou, porque entendeu tratarse de erro de digitação. Assim, se a própria impugnante admite que esse RE não está vinculado ao AC em epígrafe, então a glosa dessa exportação pelo Auditor Fiscal, por qualquer motivo, não afeta em nada a auditoria feita para este AC em particular, uma vez que, desde o início, o RE já deveria ter sido excluído do cálculo. Diante dos esclarecimentos da diligência realizada, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância decidiu pela manutenção parcial da autuação, excluindo do lançamento a multa do controle administrativo das importações, no valor de R$79.524,69. Cientificada da decisão em 03/11/2011 (AR efl.430), a autuada apresenta em 05/12/2001 o seu recurso voluntário reprisando os argumentos de defesa, mas, esclarecendo que “a interpretação dada pela D. Delegacia de Julgamento é equivocada, posto que tal sobra, conforme mencionado referese a perda no processo produtivo , repitase: armazenamento da matéria prima, estocaqem das chapas antes do despacho, no transporte e na movimentação dos materiais para abastecer as máquinas.” Afirma que nos Mapas de Produção é possível identificar perdas apuradas durante o processo de produção das chapas (anexa documentos Doc.1), e complementa o laudo anteriormente apresentado para esclarecer que de fato não há formação de resíduos no processo produtivo, mas tão somente sobra de produção, sem valor comercial. (Doc..2). Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo. E atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.002411/200734 Acórdão n.º 3302002.656 S3C3T2 Fl. 485 7 Cabe relembrar que a decisão recorrida exonerou a contribuinte da multa do controle administrativo das importações aplicada com base no art. 633, inciso III, alínea "b" do RA/0, em face da infração 2 mencionada no relatório, .no valor total de R$79.524,69. Assim sendo, remanesce o litígio, nesta fase recursal, apenas quanto à infração 1, relativa aos excedente de matériaprima importada, que, segundo a fiscalização, não se incorporou ao produto exportado, nem foi nacionalizado ou submetido às demais destinações previstas na legislação de regência, apurados nos Ato Concessório 20040294340 e Ato Concessório 20020015640, de modo que aqui não mais serão analisados os argumentos que contestam a multa administrativa já exonerada do lançamento. Como é sabido, o Drawback suspensão é a modalidade que permite ao beneficiário importar, com suspensão de tributos, mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. Reza o art. 341 do Decreto 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (RA/2002) 1, vigente à época dos fatos, que as mercadorias importadas na modalidade de Drawback suspensão deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Por sua vez, a Portaria Secex nº 36, de 22 de novembro de 20072 que consolida todas as normas até então emitidas pelo o SECEX sobre o tratamento administrativo das importações e exportações e sobre o regime especial de drawback estabelece as regras para implementação do sistema, das quais se ressaltam os dispositivos a seguir, por serem pertinentes: PORTARIA Nº 36, DE 22 NOVEMBRO DE 2007 (publicada no DOU de 26/11/2007) TÍTULO II DRAWBACK CAPÍTULO I ASPECTOS GERAIS DO REGIME DE DRAWBACK Seção I Disposições Preliminares 1 Decreto 4.543, de 26 de dezembro de 2002 Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. 2 As mesmas exigências já contidas nas Portarias Secex que antecederam no tempo (Portaria Secex nº 14, de 17 de Novembro de 2004 e Portaria Secex nº 35, de 24/11/2006). Fl. 488DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Art. 63. A habilitação ao Regime de Drawback farseá mediante requerimento da empresa interessada, sendo: I na modalidade suspensão por intermédio de módulo específico Drawback do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX); e (...) CAPÍTULO II REGIME DE DRAWBACK, MODALIDADE SUSPENSÃO Seção I Considerações Gerais Art. 64. Para pleitear o Regime de Drawback, modalidade suspensão, a empresa deverá preencher o respectivo pedido no módulo específico drawback do SISCOMEX. § 1º Poderá ser exigida a apresentação de documentos adicionais que se façam necessários à análise para a concessão do regime. § 2º O não cumprimento, no prazo máximo de 30 (trinta) dias corridos, de exigência formulada pelo DECEX poderá acarretar o indeferimento do pedido. (...) Art. 66. Serão desprezados os subprodutos e os resíduos não exportados, quando seu montante não exceder de 5% (cinco por cento) do valor do produto importado. § 1º A empresa deverá preencher o campo “Resíduos e Subprodutos” do ato concessório com o percentual obtido pela divisão entre o valor dos resíduos e subprodutos não exportados e o valor do produto importado. § 2º Ficam excluídas do cálculo acima as perdas de processo produtivo que não tenham valor comercial. (...) Art. 71. Qualquer alteração das condições concedidas pelo Ato Concessório de Drawback deverá ser solicitada, por meio do módulo específico Drawback do Siscomex, até o último dia de sua validade ou no primeiro dia útil subseqüente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil. Parágrafo único. O não cumprimento, no prazo máximo de 30 (trinta) dias corridos, de exigência formulada pelo DECEX poderá acarretar o indeferimento do pedido de alteração. Seção III Modalidade Suspensão Art. 124. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao regime, Fl. 489DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.002411/200734 Acórdão n.º 3302002.656 S3C3T2 Fl. 486 9 por intermédio do módulo específico de Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. § 1º As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório. § 2º Não será permitida a inclusão de AC no campo 24, bem como no campo 2a de código de enquadramento de drawback, após a averbação do registro de exportação, exceto nas operações cursadas em consignação. § 3º Poderão ser admitidas alterações, solicitadas no Siscomex e por meio de processo administrativo, para modificar dados constantes do campo 24, desde que mantido o código de enquadramento do drawback. (...). Art. 126. Para fins de comprovação, será utilizada a data de registro da DI. CAPÍTULO V LIQUIDAÇÃO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO Seção I Considerações Gerais Art. 142. A liquidação do compromisso de exportação no Regime de Drawback, modalidade suspensão, ocorrerá mediante: I exportação efetiva do produto previsto no Ato Concessório de Drawback, na quantidade, valor e prazo nele fixados, na forma do artigo 124 desta Portaria ; II adoção de uma das providências abaixo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data limite para exportação: a) devolução ao exterior da mercadoria não utilizada; b) destruição da mercadoria imprestável ou da sobra, sob controle aduaneiro; c) destinação da mercadoria remanescente para consumo interno, com a comprovação do recolhimento dos tributos previstos na legislação. Nos casos de mercadoria sujeita a controle especial na importação, a destinação para consumo interno dependerá de autorização expressa do órgão responsável. Seção II Inadimplemento do Regime de Drawback Art. 144. Será declarado o inadimplemento do Regime de Drawback, modalidade suspensão, no caso de não cumprimento do disposto no art. 142. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Art. 145. O inadimplemento do regime será considerado: I total: quando não houver nenhuma exportação que comprove a utilização da mercadoria importada; II parcial: se existir exportação efetiva que comprove a utilização de parte da mercadoria importada. § 1º O inadimplemento poderá ocorrer em virtude do descumprimento de outras condições previstas no ato de concessão. § 2º O DECEX, por meio do Siscomex, providenciará o inadimplemento automático, quando o AC contiver importação efetiva vinculada e não possuir registro de exportação averbado ou nota fiscal lançada pela empresa, exceto quando observado o artigo 142. Art. 146. O inadimplemento do Regime será comunicado à Secretaria da Receita Federal e aos demais órgãos ou entidades envolvidas, por meio de módulo específico Drawback do SISCOMEX, podendo futuras solicitações do mesmo titular ficar condicionadas à regularização da situação fiscal. Art. 147. O não cumprimento, no prazo máximo de 30 (trinta) dias corridos, de exigência formulada pelo DECEX poderá acarretar o inadimplemento parcial ou total, no termos do artigo 145. Tal como esclareceu a autoridade julgadora de 1ª instância, a concessão do regime é feita com base nos registros e nas informações prestadas pelo contribuinte junto à SECEX/DECEX, e quando da utilização do produto importado no produto exportado, comprovado pelos registros na empresa e nos documentos RE/DEs, bem como na compatibilidade entre as mercadorias importadas e aquelas a exportar, a referida suspensão se converte em isenção de tributos. De forma que, se adimplido o ato concessório do regime drawback, a suspensão se converte em isenção, isto é, o crédito tributário até então suspenso se converte em isento. Portanto, não existe a possibilidade de presunção do cumprimento do ato concessório, devendo o mesmo ser efetivamente comprovado. Isto porque, tratandose de uma renúncia fiscal, o controle tem que ser rígido e, ao contribuinte cabe atender expressamente o disposto na legislação de regência (art.111, Lei nº 5.172/66 CTN): “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.” Portanto, fazse necessário que se cumpra o rito procedimental próprio, consubstanciado tanto no pleito do benefício, quanto na apresentação de prova do preenchimento das condições definidas na norma de caráter substancial. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.002411/200734 Acórdão n.º 3302002.656 S3C3T2 Fl. 487 11 No presente caso, relativamente à questão do excedente de matériaprima importada que não foi nacionalizado, nem submetido às demais destinações previstas no inciso I do art. 342 do RA/023, entendeu a auditora responsável pela diligência realizada, corroborada pela relatora do voto condutor da Decisão ora recorrida, que o percentual não utilizado na produção não pode se enquadrar na hipótese do art. 65 das consolidações das portarias do SECEX mencionado nas peças impugnatória e recursal, tendo em vista que a própria contribuinte, por meio dos Laudos Técnicos previamente apresentados, afirmou que no seu processo produtivo não havia formação de subprodutos ou resíduos. De fato, os Laudos Técnicos emitidos à época (22 de abril de 2002) e fornecidos pelo beneficiário, referentes aos atos concessórios nº 20020015640 e 20040294340 (efls. 52 e 137, respectivamente) e que embasaram as informações desses atos no Siscomex, apenas informam que para cada tonelada de produto final consomese 97,65% de insumo importado e que não haveria formação de subproduto e/ou resíduo no seu processo produtivo. Nada mencionou acerca de perdas de produção. Dessa forma, podese inferir que as perdas, se existirem, já estariam computadas no percentual de 97,65% referente ao consumo do material importado na produção de cada tonelada do produto exportado. Como se sabe, o Ato Concessório é um contrato de direito público pelo qual o Estado comprometese a renunciar à tributação se o contribuinte importador realizar a exportação dos bens compromissados promovendo o ingresso de divisas. Esse contrato faz suspender a relação jurídica tributária que irromperia com a importação dos insumos. A regra do art. 71 da Portaria SECEX nº 36/2007 acima transcrito acima, é clara ao estabelecer que “qualquer alteração das condições concedidas pelo Ato Concessório de Drawback deverá ser solicitada, por meio do módulo específico Drawback do Siscomex, até o último dia de sua validade ou no primeiro dia útil subseqüente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil.” Neste caso, a concessão da alteração, então, darseia com a emissão de Aditivo ao Ato Concessório. De forma que, não tendo a contribuinte efetuado a alteração nos mencionados atos concessórios, por meio do módulo específico Drawback do Siscomex, tal como exige a regra, no sentido de destacar e demonstrar a existência de perdas de produção, de modo a justificar a ausência da utilização de insumos na produção dos produtos exportados, não se pode acolher como hábil a alteração efetuada apenas no Laudo Técnico e só promovida 3 RA/2002: Art. 342. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; ou c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; II no caso de renúncia à aplicação do regime, adoção, no momento da renúncia, de um dos procedimentos previstos no inciso I; e III no caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessório, requerimento de regularização junto ao órgão concedente, a critério deste. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 tardiamente em fase do recurso voluntário. A aceitação dessas retificações em desacordo com as regras fixadas pela SECEX caracterizaria a alteração ilegal dos contratos firmados por intermédio dos atos concessórios. É verdade que o artigo 65 da Consolidação das Portarias SECEX atualizada até o dia 15 de janeiro de 2007, invocada pela contribuinte em sua impugnação e no seu recurso voluntário (equivalente ao art. 66 acima transcrito) assim prescreve: “Art. 65. Serão desprezados os subprodutos e os resíduos não exportados, quando seu montante não exceder de 5% (cinco por cento) do valor do produto importado. § 2a Ficam excluídos do cálculo acima as perdas de processo produtivo que não tenham valor comercial.” O dispositivo é claro, referindose ao drawback suspensão, as perdas de produção sem valor comercial não serão computados no cálculo do limite de 5% dos subprodutos ou resíduos formados no processo produtivo. Estes últimos serão desprezados para fins de cobrança dos tributos suspensos, face ao descumprimento do regime. As perdas de produção não são computados neste cálculo. Ou seja, as perdas de produção distinguemse dos subprodutos e dos resíduos. Apesar da citação às perdas de produção, consoante acima transcrito, a portaria não fixa limite percentual para essas perdas de processo produtivo sem valor comercial. É lógico que as perdas de produção, se existirem, devem variar de acordo com o específico processo produtivo, cabendo à empresa efetuar o controle dessa perda, para fins de comprovação. Cabe ressaltar que, uma vez efetuado o lançamento dos tributos sob o regime drawback suspensão, em face do inadimplemento parcial dos atos concessórios, devidamente comprovados pela fiscalização, cabe à contribuinte o ônus da prova em contrário. Este tem a obrigatoriedade de trazer ao processo, pelos meios adequados, os fatos impeditivos da obrigação de imposto, devidamente comprovados. Alegar sem provar, é o mesmo que nada. No caso sob análise, a contribuinte apenas alega a existência de perdas em seu processo produtivo, sem, contudo, apontar o percentual dessa perda e sem fazer provas de sua alegação, o que poderia ocorrer por meio do seu controle de produção e controle de estoque ou por outros elementos probatórios. As fotos acostadas aos autos nada provam a esse respeito. Por outro lado, no que se refere ao Ato Concessório nº 20020015640, constatase que os RE 02/1369488, 03/0380994, 02/1211545, 03/0939477 e 03/1030715, todos indicados pela contribuinte em sua impugnação e recurso voluntário e ditos como não considerados pela fiscalização, foram devidamente apreciados pela fiscalização e inseridos no cômputo de utilização dos insumos, tal como já foi devidamente ressalvado no acórdão recorrido, consoante dados contidos na a lista de RE´s do Relatório Fiscal, fls. 25. Como também, em relação ao RE 03/1030715,como bem foi ressaltado pelo o autuante, embora tenham sido exportadas 3.600 unidades do produto final, só foram vinculadas 2.110 unidades ao Ato Concessório nº 20020015640, não se podendo acatar as suas alegações de que a não vinculação da diferença teria sido ocasionada pelo fato de que o índice de nacionalização já havia sido atendido, conforme art.74 da Consolidação das Portarias Secex. Como transcrito acima, o §1º do art. 124 da PORTARIA Nº 36, DE 22 NOVEMBRO DE Fl. 493DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.002411/200734 Acórdão n.º 3302002.656 S3C3T2 Fl. 488 13 2007, exige que os RE estejam vinculados ao Ato Concessório. Se a empresa só vinculou parte da produção do RE mencionado, somente essa parte será computada para fins de avaliação do cumprimento do regime. Portanto, para que haja a correta extinção do regime e consequente reconhecimento da isenção, é imprescindível que se demonstre que a mercadoria importada foi efetivamente empregada na fabricação daquela que foi exportada e que tal demonstração siga o rito preconizado pela legislação de regência. Não conseguindo comprovar a utilização da integralidade dos insumos importados sob o sistema de drawback suspensão, caracterizando o descumprimento das condições estipuladas nos Atos Concessórios, restaurase a incidência dos tributos sobre a diferença não utilizada. MULTA DE OFÍCIO É devida multa de ofício proporcionalmente aos tributos lançados, haja vista que a falta de recolhimento dos tributos (II, IPI, PIS/PASEP e COFINS) na data devida, ou seja, no registro da declaração de importação, tipifica a penalidade prevista na legislação de regência. CONCLUSÃO Diante do que foi acima exposto, mostrase correto o lançamento dos tributos suspensos incidentes na importação dos insumos, proporcionalmente aos percentuais dos insumos comprovadamente não utilizados na fabricação dos produtos exportados,motivo pelo o qual conduzo o meu voto no sentido de se negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 494DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13005.001594/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS MODIFICATIVOS. POSSIBILIDADE.
Devem ser admitidos e acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Acórdão Retificado
Numero da decisão: 3102-002.251
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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COMERCIO, INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO Interessado BALDO S.A. COMERCIO, INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS MODIFICATIVOS. POSSIBILIDADE. Devem ser admitidos e acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão Retificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 3102001.754, de 31 de janeiro de 2014 que, à época, recebeu a seguinte ementa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 15 94 /2 00 8- 33 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 186 2 AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS. As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico. Recurso Voluntário Provido O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento eletrônicos transmitidos pela contribuinte em 24/10/2006 e 30/01/2007 relativos a valores de COFINS nãocumulativa (mercados externo e interno) referentes ao terceiro e quarto trimestres de 2006, onde foram apurados créditos no montante total de R$ 1.076.370,66, conforme documentos de fls. 01/14. A SAFIS da DRF de origem adotou procedimentos para confirmação da legitimidade do crédito pleiteado, efetuando a necessária fiscalização, emitindo Termo de Intimação Fiscal e procedendo às verificações entendidas cabíveis, tendo sido produzido o Relatório de Ação Fiscal de fls. 27/34, com os demonstrativos de fls. 35/40, onde, em especial, assentou o agente fiscal: Da análise dos documentos e registros apresentados pela empresa foram verificadas irregularidades no preenchimento de determinadas linhas das DACON, que ocasionaram divergências entre os valores de crédito apurados pela empresa e os valores de créditos calculados pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, doravante denominado AFRFB. (fl. 27) Foram excluídos dos valores informados pela empresa nesta linha da Dacon, os montantes referentes a aquisições de soja e ervamate, demonstrados na tabela abaixo, obtidos da planilha demonstrativa das compras destes produtos no período fiscalizado (...) apresentada pela empresa à fiscalização (...). Estes valores foram excluídos da Linha 02 da Ficha 16A da Dacon em razão de que compras de produtos agropecuários (soja e ervamate) são geradoras de crédito presumido, sendo que nesta linha são informados os valores geradores de crédito básico. Isto porque, da análise das informações prestadas pela empresa referentes à composição dos valores informados na linha 02 da Dacon no período de agosto/2006 a setembro/2007, verificouse que foram incluídos valores de aquisição de produtos agropecuários (soja e ervamate). Este procedimento não se harmoniza com o disposto na IN SRF n° 660, de 17 de julho de 2006, normatizadora da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, que instituiu o crédito presumido e que determina, em seu art. 2°, inc. IV, que as vendas de produtos agropecuários que sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos elencados em seu art. 5°, inc. I, sejam efetuadas com suspensão da exigibilidade da contribuição da COFINS, e, em razão desta suspensão nas Fl. 488DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 187 3 operações de venda, a empresa agroindustrial que os adquire poderá descontar crédito presumido, à alíquota de 35% (sobre as compras de soja, até junho/2007, e ervamate em todo o período) e 50% (sobre as compras de soja, a partir de julho/2007) da alíquota normal da COFINS [7,6%], na determinação do valor da contribuição apagar. (fls. 28/29) (...) as compras de produtos agropecuários, sejam de pessoas físicas ou jurídicas, geram crédito presumido, em razão de que adquiridas por empresa que exerce atividade agroindustrial sujeita ao regime de nãocumulatividade da contribuição para a COFINS, tendo estes produtos servidos de insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos códigos da NCM dispostos nos inc. I e II do art. 5° da IN SRF 660/2006, cujas vendas pelos fornecedores devem ser efetuadas com suspensão da exigibilidade da COFINS, conforme determina o art. 2° desta Instrução Normativa. (fl. 30) À fl. 42 está anexado o Despacho Decisório DRF/SCS n° 379, de 23/10/2008, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando o Relatório de Ação Fiscal, resolveu: a) reconhecer parcialmente o direito creditório da contribuinte frente à Fazenda Pública da União, no montante de R$ 82.415,41 (oitenta e dois mil, quatrocentos e quinze reais e quarenta e um centavos), referente à Cotins não cumulativa exportação do 3° e 4° trimestres de 2006 e não reconhecer o direito creditório referente à Cotins nãocumulativa mercado interno do 3° trimestre de 2006; b) homologar as compensações declaradas e juntadas ao presente processo até o limite do crédito reconhecido anteriormente. Determinou fosse a contribuinte cientificada da decisão exarada, bem como da possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade relativamente àquela decisão. A contribuinte foi cientificada em 05/11/2008 — AR de fl. 44. Foram anexados novos PER/DCOMPs, informando compensações. Em 03/12/2008 a contribuinte apresentou, através de procurador, a manifestação de inconformidade de fls. 102/118, argüindo o que, em síntese, está exposto a seguir: DOS FATOS E DO DESPACHO DECISÓRIO ATACADO • a empresa foi intimada de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o seu direito ao ressarcimento de créditos de COFINS por operações de exportação realizadas no 30 e 40 trimestres de 2007 (sic); • o reconhecimento parcial do crédito está sustentado no entendimento de que a empresa não teria direito à utilização daqueles na forma prevista pelo art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003 (bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bem ou produtos destinados à venda) quando da aquisição de soja e ervamate; • o direito da empresa seria apenas à utilização do crédito presumido previsto nos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004, eis que tanto a soja quanto a erva mate seriam produtos agropecuários, na forma do art. 2°, IV, da IN SRF n° 660, de 2006; Fl. 489DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 188 4 • sua manifestação de inconformidade busca a reforma do Despacho Decisório e o conseqüente reconhecimento, em sua integralidade, do direito creditório pleiteado. RAZÓES DE REFORMA DO DESPACHO DECISÓRIO RECORRIDO • a questão em análise está centrada, única e exclusivamente, no tratamento conferido pela autoridade fiscal aos créditos oriundos das aquisições de soja e erva mate efetuadas pela empresa; • se tratados como produtos agropecuários destinados à fabricação dos produtos referidos no art. 5°, I, da IN n° 660, de 2006, as aquisições de soja e erva mate confeririam ao seu adquirente o direito ao lançamento de crédito presumido calculados à razão de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente, sobre o valor das aquisições. Se tratados na regra geral de insumos, prevista no art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003, as mesmas aquisições confeririam à empresa o direito ao lançamento de crédito integral, calculado à razão de 7,6% sobre o valor das aquisições. Transcreve parte do Relatório de Ação Fiscal; • conclui que o procedimento adotado pelo Fisco redundou na redução dos créditos pleiteados pela empresa, vez que o cálculo dos créditos presumidos é feito com base na aplicação de alíquota substancialmente menor do que aquela utilizada na apuração dos créditos previstos no art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003. Dos CRÉDITOS PRESUMIDOS EM MATÉRIA DE PIS E COFINS — ANÁLISE DOS MOTIVOS QUE LEVARAM À SUA INSTITUIÇÃO • traça arrazoado acerca da instituição da sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, estabelecida pelas Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, referindo à legislação, às alterações introduzidas na sistemática e à tentativa de neutralizar os custos suportados pelas pessoas físicas que atuam nos ramos da agricultura e da pecuária. Cita a Lei n° 10.925, de 2004 (posteriormente alterada pela Lei n° 11.051, de 2004), transcrevendo o art. 8º; • entende que a Lei citada, assim como previu a possibilidade de utilização do crédito presumido de PIS e de COFINS quando da aquisição de insumos de pessoas fisicas ou • Cooperado pessoa física, instituiu, também, o direito de aproveitamento do mesmo crédito quando da aquisição de insumos de pessoas jurídicas que exerçam as atividades de agropecuária e/ou de cerealista; • em contrapartida, a Lei determinou a suspensão da cobrança do PIS e da COFINS nas vendas realizadas por aquelas pessoas jurídicas desde que o adquirente apurasse o IR com base no lucro rela, exercesse a atividade agroindustrial (o que deveria ser comprovado mediante a apresentação de declarações) e utilizasse o produto adquirido com suspensão na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal ou classificados no código 22.04 da NCM. Fala sobre esta forma de apuração de créditos. DOS CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÓES DE ERVAMATE CANCHEADA • o Fisco entendeu pela glosa de todos os valores que excederam ao cálculo do crédito presumido de 35% do montante da alíquota da COFINS, donde, ao invés de reconhecer o direito da empresa ao lançamento de um crédito integral, calculado mediante a aplicação do percentual de 7,6% sobre as aquisições de ervamate, Fl. 490DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 189 5 permitiu apenas o aproveitamento de créditos da contribuição limitados a 2,66% da compras de tal produto; • a justificativa do Fisco para a limitação do direito creditório pleiteado está única e exclusivamente na aplicação do art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, que determina a suspensão da contribuição na venda dos produtos agropecuários que sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos relacionados no art. 5°, I, daquele diploma infralegal; • passa a esclarecer as atividades exercidas pela empresa no que tange à compra de insumos e a posterior fabricação de ervamate; • a análise das notas fiscais que deram origem ao crédito de PIS e COFINS cujo ressarcimento ou compensação com outros tributos era pleiteado pela empresa demonstra, sem margem a dúvidas, que os produtos por si adquiridos eram classificados como ervamate cancheada (código NCM 09.03.0010), ou seja, aquela adquirida de produtores rurais e submetida ao processo de trituração das folhas de ervamate que precede a sua industrialização; • há de ser analisado se está correto o enquadramento da ervamate cancheada na hipótese prevista no art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, assim como a necessidade de aplicação da regra de lançamento de créditos presumidos quando da aquisição de tal produto em detrimento do crédito integral garantido pelo art. 30, II, da Lei n° 10.833, de 2003; • a primeira inconsistência da tese defendida pelo Fisco para imposição do lançamento de apenas créditos presumidos quando da aquisição de ervamate cancheada está na classificação desta como produto agropecuário. A atividade agropecuária, na forma do art. 3°, § 1 0, II, da IN n° 660, de 2006, é aquela consistente do cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2° da Lei n° 8.023, de 1990. No caso em tela, a ervamate cancheada não pode ser considerada um produto agropecuário, à medida que se trata de produto resultante da atividade de extrativismo; • não tendo a ervamate cancheada origem no cultivo da terra, vez que suas folhas são extraídas de árvores pertencentes a reservas naturais em que não houve a atuação do homem (como ocorre em qualquer outra atividade de extrativismo mineral, como a obtenção de carvão, água, petróleo), suas vendas não devem se submeter à regra de suspensão da incidência do PIS e da COFINS e, conseqüentemente, as despesas com sua aquisição geram direito ao crédito das contribuições na forma prevista nos arts. 30, II, das Leis nos 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • o Poder Executivo caracterizou a atividade agropecuária como sendo a atividade econômica de cultivo da terra e/ou criação de aves, peixes e outros animais, donde o produto agropecuário a ser vendido com suspensão da incidência de PIS e COFINS haverá de ser aquele decorrente do exercício daquela atividade; • o ponto nevrálgico da presente discussão é que os créditos lançados pela empresa de maneira integral, tendo como base o disposto nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003, não obstante decorrentes da aquisição de ervamate (em tese, um produto agropecuário), não tem como origem uma venda realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária; • o fluxo de produção da ervamate passa por diversas fases até chegar a industrialização propriamente dita. A empresa inicia a sua atividade de Fl. 491DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 190 6 industrialização após promover a aquisição da ervamate cancheada, ou seja, aquela que já passou pelo processo de sapeco, secagem e cancheamento; • se a ervamate cancheada fosse adquirida de pessoa física ou jurídica que promovesse o cultivo direto da terra, não haveria dúvidas sobre a necessidade de aproveitamento do crédito presumido. Mas, no caso concreto, a ervamate cancheada é adquirida de pessoasjurídicas que não promovem o cultivo da terra, vez que compram a ervamate de terceiros. Estes, geralmente pessoas físicas, são os que efetivamente promovem a extração da ervamate e repassam a outras pessoas jurídicas para a realização das demais etapas da cadeia produtiva; • no caso concreto, não houve a aquisição de produtos agropecuários beneficiados com a suspensão de PIS e COFINS sobre as receitas auferidas com suas vendas. Isso porque, ao contrário do que entendeu o Fisco, a ervamate cancheada comprada pela manifestante e que de origem aos créditos glosados foi fornecida por pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, eis que não promovem o cultivo da terra e/ou a criação de aves, peixes e outros animais; • só poderia ter sido promovida a restrição ao direito de crédito caso as aquisições tivessem sido promovidas diretamente daqueles que promovem a extração da ervamate. A existência de uma terceira pessoa, que se insere na cadeia produtiva entre o produtor primário e a pessoa jurídica responsável pela industrialização da ervamate com vistas a realizar uma das etapas de tal processo, impede a incidência da norma de suspensão da incidência das contribuições e, conseqüentemente, torna impossível o aproveitamento do crédito presumido previsto na legislação; • as vendas de ervamate cancheada efetuadas para a empresa, jamais foram feitas com suspensão de PIS e COFINS prevista na legislação para as hipóteses de vendas realizadas por pessoas jurídicas que exercem atividades agropecuárias. Sempre houve a incidência das contribuições sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas vendedoras, com o conseqüente direito ao crédito das contribuições para as adquirentes; • não poderia ser outro o procedimento adotado pelos produtores de ervamate cancheada, porquanto, se pretendessem promover a venda com suspensão da incidência das contribuições, seria absolutamente fácil para o Fisco, a partir do confronto entre as notas fiscais de entrada de ervamate e de saída de ervamate cancheada, comprovar que o exercício da atividade agropecuária estaria concentrado apenas naquele que efetuou a extração vegetal, não se alastrando para a pessoa jurídica que alterou as condições do produto in natura; • a empresa buscou junto aos seus fornecedores de ervamate cancheada declarações de que não executam o cultivo da terra ou atividade extrativa vegetal, de que adquirem de terceiros as folhas e galhos de ervamate utilizada na produção da ervamate cancheada que lhe é vendida e, ainda, de que calculam e recolhem o PIS e a COFINS sobre as receitas auferidas com as vendas de ervamate cancheada. Relaciona as empresas e entende serem válidas as declarações; • caso a DRJ repute não serem suficientes os elementos de prova trazidos aos autos, poderá converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos que julgar necessários; • a empresa não poderá ser prejudicada com a suspensão de seus créditos se, ao mesmo tempo, os fornecedores de ervamate cancheada não forem beneficiados com a suspensão de incidência das contribuições. Tendo havido o pagamento do PIS Fl. 492DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 191 7 e COFINs na etapa anterior da cadeia produtiva, deve ser reconhecido o crédito em favor do adquirente, sob pena de se colocar à lona a nãocumulatividade almejada pelo legislador; • prova cabal da incidência das contribuições sobre as receitas auferidas com as vendas de ervamate cancheada efetuadas para a empresa está no fato desta última jamais ter cumprido a exigência constante do art. 40 da IN n° 660, de 2006, no sentido de emitir declarações que pudessem sustentar a venda de insumos para sua produção com suspensão de PIS e COFINS. Não tendo assim procedido, resta evidente que as pessoas jurídicas vendedoras, pela ausência de cumprimento das claras condições estabelecidas na legislação, haveriam de tributar normalmente as vendas, sob pena de posterior autuação por parte do Fisco Federal; • o fato da não expedição das declarações é impossível de ser comprovado pela empresa, vez que se tem, em tal hipótese, a caracterização precisa daquilo que tecnicamente é conhecido como prova negativa; • se o entendimento da empresa não for respaldado pelo DRJ, se estará diante de manifesta ofensa ao princípio da separação dos poderes, fundamental para a manutenção de um Estado Democrático de Direito, porquanto terão as autoridades administrativas responsáveis pela análise do crédito em questão, com a chancela da DRJ, criando nova hipótese de suspensão da incidência do PIS e da COFINS sem o respaldo de qualquer dispositivo legal; • estarseá definindo, pois, a possibilidade de duas suspensões de incidência das contribuições na mesma cadeia produtiva, sendo que apenas uma das vendas (a primeira, de ervamate in natura) é efetivamente realizada por pessoa fisica que exerce atividade agropecuária, uma vez que a segunda (de ervamate cancheada) é promovida por pessoa jurídica QUE NÃO TRABALHA NO CULTIVO DA TERRA, POIS A ERVAMATE CANCHEADA É RESULTADO DE PROCESSO APLICADO SOBRE VEGETAL CUJA EXTRAÇÃO FOI PROMOVIDA POR TERCEIROS; • conclui ser manifesto o desacerto do Despacho Decisório atacado, devendo os créditos que foram transferidos pelo Fisco da linha 02 para a linha 26 da DACON voltar a sua origem, recalculandose o montante de crédito passível de ressarcimento a que faz jus a empresa em razão da aquisição de ervamate cancheada de fornecedores que não exercem a atividade agropecuária, na forma do art. 3°, § 1°, II, da IN SRF n° 660, de 2006, e, conseqüentemente, não produzem os produtos agropecuários previstos no art. 2°, IV, do mesmodiploma infralegal. DOS CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÕES DE SOJA • a exemplo da ervamate cancheada, as aquisições de soja também foram consideradas oriundas de pessoas jurídicas que exercem atividade agropecuária; • a empresa informa que, do mesmo modo como ocorrera em relação à ervamate, sempre foram feitas junto a pessoas jurídicas que não exercem a atividade agropecuária definida no art. 3°, § 1°, II, da IN n° 660, 2006. A fim de evitar tautologia, não irá repetir os argumentos já apostos em relação à ervamate cancheada; • toda a soja foi comprada de pessoas jurídicas que já a haviam adquirido de produtores rurais, responsáveis pelo cultivo da terra. Assim, a operação realizada com suspensão de incidência de PIS e COFINS foi aquela realizada entre o produtor e esse adquirente, que posteriormente revendeu tal produto para a empresa; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 192 8 • a receita auferida com a venda de soja para a empresa foi submetida normalmente à tributação pelo PIS e pela COFINS. Como não poderia deixar de ser, gerou, também, o direito ao creditamento de valores a serem calculados sobre o montante despendido em tais aquisições, na forma do art. 3 0, II, das Leis IN 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • refere à provas que diz ter carreado aos autos (cita duas empresas) e entende que para a imposição do lançamento de crédito presumido vinculado às aquisições de soja, não se pode considerar os fornecedores relacionados pelo Fisco como cerealistas, na forma do art. 8°, § 1°, da Lei n° 10.925, de 2004; • se deve reconhecer, também em relação à soja adquirida de pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, o direito a créditos de COFINS calculados de acordo com o previsto nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003. Do PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA • em itens anteriores, a empresa pleiteou a realização de diligências que têm como objetivo esclarecer, de maneira cabal, a forma como foram realizadas as operações de compra e venda de soja e ervamate cancheada entre ela e seus fornecedores; • tal pedido, além de encontrar arrimo no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, vias, em última análise, à aplicação do princípio da busca da verdade real, norteador do PAF; • a empresa entende que dois devem ser os questionamentos a serem respondidos pela autoridade fiscal, ou por outra que for designada para realização de tal tarefa: os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de COFINS glosados compuseram a base de incidência do mesmo tributo para os respectivos fornecedores de ervamate cancheada e soja à manifestante ou tais vendas foram realizadas com suspensão de incidência da contribuição? as vendas de ervamate cancheada e soja que deram origem aos créditos de COFINS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, estavam sustentadas por alguma declaração emitida pela Baldo S/A que permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas? • com base na resposta a tais questionamentos, claro estará que as aquisições promovidas pela empresa foram integralmente tributadas, não havendo razão para a imposição de aproveitamento de apenas créditos presumidos vinculados a tais aquisições; • não se deve alegar que poderia a manifestante ter promovido a juntada de documentos que comprovem as circunstâncias argüidas. Além das declarações que já estão anexadas a esta peça, nenhum outro documento poderia ser juntado, vez que não há qualquer regra que obrigue às pessoas jurídicas vendedoras a concederem vista de seus registros fiscais a terceiros. Somente o Fisco, no exercício de sua atividade fiscalizatória, poderá ter acesso, sem restrições, aos elementos que sustentarão as respostas aos questionamentos formulados; • caso entenda a DRJ que as declarações anexadas aos autos não são suficientes para demonstrar o direito da empresa ao lançamento dos créditos glosados pelo Despacho Decisório atacado, imprescindível a realização da diligência solicitada, para que se ateste, de maneira inequívoca, o direito à apuração dos Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 193 9 créditos de COFINS na forma prevista nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003. Do REQUERIMENTO • a empresa requer: a)a conversão do processo em diligência, a fim de que sejam respondidas pela autoridade responsável pela elaboração do Despacho Decisório ora atacado, ou por outra designada para tal fim, as questões constantes da peça de contestação; b) independentemente da realização de diligência, a reforma do Despacho Decisório atacado, de modo a ser reconhecido o crédito integral de COFINS, na forma em que postulado nos PER/DCOMPs que deram origem ao presente processo administrativo. • pede deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos de fls. 119/205 e 208/264. O órgão de origem anexou cópia de AR de fl. 265 e encaminhou o processo a esta DRJ (fl. 266). Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AFRONTA A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questão que envolva possível afronta a princípio constitucional. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS ADQUIRIDOS SEM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A agroindústria pode calcular créditos da contribuição sobre o valor dos insumos, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, desde que atendidas todas as condições previstas na legislação, dentre elas a de que os bens adquiridos estejam sujeitos ao pagamento da contribuição. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 194 10 As questões de direito foram decididas favoravelmente à recorrente no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento; contudo, foram incluídos nos cálculos dos créditos apenas os valores referentes às aquisições de ervamate e soja das empresas referidas na fundamentação, delimitando a concessão ao universo de empresas identificadas nas declarações anexadas pela Recorrente. A parte requereu, em sede de Recurso Voluntário, a inclusão das demais empresas das quais adquiriu os produtos nas compras objeto da lide. Esclareceu não ter condições de trazer aos autos, ela própria, declarações dos seus fornecedores que atestem a sua condição de contribuintes de PIS e COFINS se estes, de modo voluntário, não o fizerem. O julgamento foi convertido em diligência para que fosse identificada a verdadeira condição dos fornecedores da empresa autuada, com o encaminhamento do processo à repartição de origem para que a fiscalização, a seu juízo, determinasse os esclarecimentos que julgasse necessários à perfeita instrução processual, devendo ainda responder às questões a seguir reproduzidas, em observância ao pleito consignado pela autuada a este Conselho. 1. Os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados (excetuados aqueles já reconhecidos como legítimos pelas autoridades julgadores de primeira instância, vinculados aos fornecedores relacionados na manifestação de inconformidade) compuseram a base de incidência do mesmo tributo para os respectivos fornecedores de ervamate cancheada e soja à recorrente ou tais vendas foram realizadas com suspensão de incidência da contribuição? 2. As vendas de ervamate cancheada e soja que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, estavam sustentadas por alguma declaração emitida pela Baldo S/A que permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas? Atendida a diligência, o processo retorna a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decisão definitiva. As razões dos Embargos opostos ao Acórdão podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. A ora Embargante foi intimada, no último dia 27 de maio de 2014, acerca do acórdão que deu provimento ao recurso voluntário interposto no presente processo administrativo. Para sua surpresa, a despeito do provimento integral do recurso, a Embargante foi intimada a promover o pagamento de parte dos débitos que teriam remanescido em aberto, haja vista, no entendimento da RFB, o acórdão proferido por este Colendo Conselho ter redundado no reconhecimento apenas parcial dos créditos de PIS e COFINS pleiteados. Diante de tal cenário, a Embargante buscou junto à RFB a explicação para que a aplicação do decisum tivesse se dado de maneira apenas parcial, uma vez que o parecer que acompanhou o acórdão não explicitou as razões pelas quais o reconhecimento do crédito'complementar tivesse sido apenas parcial. Para sua surpresa, a Delegacia da RFB em Santa Cruz do Sul sustentou que o acórdão proferido pelo CARF determinou, em sua parte dispositiva, que deveria ser reconhecido o direito do crédito básico na compra de ervamate apenas das empresas informadas pela Recorrente na resposta à intimação que havia encaminhado ao Fisco quando do cumprimento da diligência, razão pela qual os Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 195 11 demais créditos ainda discutidos, relativos às empresas que confirmaram ser contribuintes de PIS/COFINS por declarações juntadas ao recurso voluntário, não estariam abrangidas por tal decisão Neste cenário, imperiosa a oposição dos presentes embargos de declaração, a fim de que seja sanada a omissão constante da parte dispositiva do acórdão, com a consequente integração desse para o fim de restar confirmado que o reconhecimento do crédito de PIS/COFINS deve abranger (i) as empresas que confirmaram ser contribuintes, de PIS/COFINS, mediante declarações apresentadas quando da interposição do recurso voluntário, e (ii) aquelas que constaram da resposta apresentada pela Embargante à intimação encaminhada pelo Fisco. Explica que, originalmente, os créditos haviam sido glosados porque, de acordo com o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Embargante apenas fazia jus a créditos presumidos, "eis que a ervamate cancheada seria produto agropecuário cuja incidência de PIS/COFINS estaria suspensa pela aplicação do disposto no art. 2o , IV, da IN 660/2006". Essa premissa foi revista na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quando o direito ao crédito básico foi reconhecido, mas apenas para as empresas que haviam apresentado declaração favorável aos interesses da então impugnante. E explica, Diante de tal entendimento, a Embargante interpôs recurso voluntário, sustentada em duas razões, fundamentalmente. A primeira, no sentido de que a decisão de primeiro grau haveria de ser estendida também às empresas com relação às quais obteve declarações idênticas àquelas juntadas à sua manifestação de inconformidade, a saber: (...) A segunda, apontando a necessidade de ser promovida diligência nos autos do processo administrativo, a fim de que a RFB, único órgão com poderes de fiscalização capazes de esclarecer se as empresas que não emitiram declarações eram ou não contribuintes de PIS/COFINS, esclarecesse tal circunstância. Em tais condições, como foi esclarecido nas considerações precedentes, o julgamento da lide foi convertido em diligência, tendo sido a empresa intimada a prestar esclarecimento com base nos termos por ela mesma propostos. Quanto a isso, a Embargante esclarece. Ao responder tal diligência, a Embargante relacionou todas as empresas que não estavam arroladas em sua manifestação de inconformidade. Não incluiu em tal documento, porém, as empresas com relação às quais havia apresentado as declarações quando da interposição do recurso voluntário, eis que, com relação a estas, a diligência certamente havia se tornado desnecessária. Segundo defende, extraise incontroverso dos autos que este Colegiado decidiu pela inexistência que qualquer entrave ao reconhecimento do direito pretendido pela Embargante. Em suas palavras, Ao apreciar e prover o presente recurso voluntário, esta colenda Turma deixou absolutamente claro que, (i) o Fisco não logrou êxito em demonstrar as razões pelas quais reduziu o crédito pleiteado pela Embargante e, o que é mais importante, (ü) Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 196 12 que "preocupouse a contribuinte em demonstrar que tais empresas não se enquadravam como exercendo atividade agropecuária, estando elas sujeitas ao recolhimento da alíquota normal". Não se precisa fazer maior esforço para depreender, considerando o cenário existente nos autos, que tal entendimento haveria de redundar no reconhecimento do crédito integral pleiteado pela Embargante, uma vez que, para as empresas com relação às quais não existia declaração, definiuse que a RFB não havia trazido aos autos provas suficientes capazes de demonstrar que as mesmas promoviam vendas com suspensão de PIS/COFINS. Com base nisso, defende que a interpretação dada pela Unidade Local à decisão veiculada no Acórdão não pode prosperar. Ora, é evidente que tal interpretação não merece prevalecer, pois contrária à lógica desenvolvida pela DRJ e pelo CARF na análise da questão controvertida. Em primeiro lugar, pois já era suficiente para a DRJ (assim como para o CARF), que a demonstração da condição dos contribuintes dos vendedores se desse por declarações por estes firmadas. Não foi por outro motivo, evidentemente, que a DRJ afastou a glosa do crédito com relação às empresas com relação as quais a Embargante juntou tal declaração. Logo, havendo a juntada de declarações semelhantes no recurso voluntário, por certo a interpretação conferida pelo CARF é exatamente a mesma. Em segundo lugar, pois ainda que houvesse alguma dúvida com relação às declarações juntadas ao recurso voluntário, o acórdão embargado afirma que a RFB, mesmo após a diligência, não cumpriu com sua obrigação de comprovar que as demais empresas não eram contribuintes de PIS/COFINS. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte. Pareceme claro que o entrave na execução do Acórdão está relacionado única e exclusivamente à instrução complementar do Processo, realizada a partir e com base no pedido feito pela própria Embargante de que o julgamento fosse convertido em diligência, a fim de que ficasse demonstrado que as demais empresas das quais adquirira os produtos cujos créditos foram glosados também eram contribuinte das Contribuições para o PIS e para a Cofins, da mesma forma que as empresas que lhe haviam fornecido as declarações anexadas à impugnação ao lançamento, em relação às quais os créditos já haviam sido reconhecidos no julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Buscando elucidar a questão, a então Recorrente pediu que duas questões fossem respondidas. Em um delas, questionava se os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados compuseram a base de incidência para seus fornecedores. Esclareceu no corpo do quesito que essa pergunta não era necessária em relação aqueles já reconhecidos como legítimos pelas autoridades julgadores Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 197 13 de primeira instância, vinculados aos fornecedores relacionados na manifestação de inconformidade. Por exclusão, nos exatos termos em que a diligência foi proposta pela Parte, esse esclarecimento era destinado a todos os demais fornecedores, universo no qual estão fatalmente incluídos os fornecedores que prestaram as declarações encartadas ao Recurso Voluntário. Atendendo a diligência determinada por este Conselho, a Unidade Preparadora intimou o contribuinte a apresentar uma planilha demonstrativa de seus fornecedores, da qual deveriam ser excluídos apenas os que já haviam prestado declaração quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. Confirase o texto. Em atendimento à resolução do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARP, retroanexada, que decidiu por converter o julgamento do presente processo em diligência a fim de que fosse identificada a "condição dos fornecedores dos produtos adquiridos pela empresa como contribuintes ou não de PIS e COFINS, com vistas à correta apuração do crédito a que faz jus a recorrente", intimouse o contribuinte requerente a que apresentasse planilha demonstrativa dos fornecedores pessoa jurídica de ervamate, que efetuaram vendas, no período de agosto/2006 a dezembro/2007, sob as quais o contribuinte apurou créditos de PIS/COFINS calculados à alíquota integral (1,65% e 7,6%, respectivamente), exceto os fornecedores que constaram na relação já apresentada pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade neste processo. (grifos acrescidos) Conforme consta do Relatório de Diligência, com base na planilha fornecida pela ora Embargante, a Unidade Preparadora intimou os fornecedores de ervamate e buscou os demais esclarecimentos que considerou necessários para atestar sua real condição, inclusive mediante consulta aos sistemas informatizados do Órgão, chegando a derradeira conclusão de que nenhum deles aparentava atuar no cultivo de ervamate. O problema é que, dentre os "nenhum deles" acima pronunciado, não estão incluídos os fornecedores que já haviam apresentado as declarações carreadas aos autos pela Parte junto ao Recurso Voluntário, porque o contribuinte entendeu que já não havia mais nenhuma controvérsia em relação a eles, razão pela qual não os incluiu na planilha fornecida ao Fisco. De fato, a empresa, como afirmado por ela própria, partiu do entendimento de que a diligência não seria necessária em relação às empresas para as quais havia apresentado as declarações quando da interposição do recurso voluntário (...). Em sede de Recurso, pleiteou, primeiro, a extensão da decisão de primeiro grau a essas empresas e, segundo, a realização de diligência para as demais. No entanto, segundo me parece, esqueceuse de alterar o quesito que havia formulado por ocasião da impugnação ao lançamento, reproduzindoo, sem nenhuma modificação, no corpo do Recurso Voluntário. Eis aí, a origem de toda a confusão. Isto posto, em que pesem as circunstâncias acima descritas, entendo que, da forma como foi decidido, o Acórdão restou de fato contraditório. Explico. Conforme entendimento expresso desde a decisão pela conversão do julgamento em diligência, este Relator deixou claro que não existiam razões de cunho jurídico Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 198 14 que dessem suporte à glosa dos créditos determinada pela Fiscalização Federal. Que a glosa, por conseguinte, não tinha respaldo legal (o que já havia sido inclusive corrigido pela decisão de piso) e, finalmente, que o ônus de provar havia sido invertido a e exigência de apresentação de provas tinha sido imposta ao administrado sem que tivesse sido oferecida oportunidade. Observemse as considerações feitas no Voto que converteu o julgamento em diligência e, após, na decisão que concedeu o direito pleiteado. Na decisão que converteu o julgamento em diligência: Tal como se depreende dos autos, à inicial, a nãohomologação de parte dos valores declarados nas compensações se deu pelo fato de ter sido apurado “crédito integral de PIS sobre uma parte das compras de soja e de ervamate adquiridas de pessoas jurídicas, sendo que o correto, conforme explicado anteriormente, seria apurar apenas crédito presumido (com base reduzida).” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento reformou a decisão, por considerar impossível que das operações indicadas pela empresa resultem créditos presumidos, nos seguintes termos. (...) Se, conforme entendimento expresso na decisão de piso, “as peças processuais juntadas pela Fiscalização não permite a clara e objetiva interpretação de que às empresas relacionadas (vendedoras) se pudesse aplicar a modalidade de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS”, como se pode inverter o ônus probante, restringindo o direito da contribuinte ao universo de empresas em relação às quais ela pode demonstrar o equívoco da fiscalização? Na decisão final que deu integral provimento ao Recurso Voluntário interposto: Conforme entendimento que fundamentou a decisão tomada em primeira instância, a empresa faz jus ao crédito básico, conforme pretende, desde que os produtos tenham sido adquiridos de pessoa jurídica que não exerça atividade agropecuária. Por sua vez, a Fiscalização Federal decidiu pela glosa dos valores por entender que a aquisição de produtos agropecuários por empresa que, como a Requerente, exerce atividade agroindustrial, se dá com suspensão, na venda, da exigibilidade das Contribuições. A seguir excerto do Relatório Fiscal. (...) Não tendo sido levado em conta que, nos casos de vendas realizadas por pessoa jurídica, apenas as que exercem atividade agropecuária, ao venderem às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos contemplados no texto legal, geram direito a crédito presumido (e não básico), o Fisco terminou por não demonstrar e buscar comprovação para reduzir o direito de crédito pretendido pela Recorrente. A própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento fez menção à ausência de elementos probantes. (...) Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 199 15 A resposta à diligência demandada por este Colegiado não modifica o quadro. Em lugar disso, acrescenta mais um elemento em favor da pretensão da Recorrente. Para partes das empresas, foi obtida informação dando conta de que as vendas não foram efetuadas com suspensão do PIS/COFINS, que não houve declaração da Baldo S.A. que permitisse a nãoincidência de PIS/COFINS sobre as receitas com as referidas vendas e que a erva mate vendida foi adquirida de produtores/terceiros. Em relação às empresas que não responderam à Intimação do Fisco, constatouse que nenhum possui código Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE que compreenda o cultivo de ervamate, restando, dessa forma, ausente qualquer razão para glosa dos créditos básicos utilizados pela Recorrente. O entendimento que se extrai desses excertos é que, a todo o momento, a fundamentação da decisão caminha no sentido de que (i) a razão inicial para glosa dos créditos pretendidos pela Parte não tinha sustentação jurídica; (ii) a razão para a manutenção da glosa pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento não havia sido comprovada e nem havia sido dado o chance para que o contribuinte comprovasse o contrário e (iii) se as declarações apresentadas em sede de manifestação de inconformidade foram consideradas aptas a comprovar o direito do contribuinte, era necessário a realização de diligência. Por óbvio, tais fundamentos não estão de acordo com a decisão tomada, se dela decorra a recusa ao direito de crédito em relação às aquisições realizadas às empresas que, antes mesmo da realização da diligência demandada, já encontravamse nas mesmas condições das empresas cujos créditos haviam sido reconhecidos pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Ainda mais, se esse Relator a todo tempo defendeu que inexistia motivação jurídica para manutenção da glosa determinada pela Fiscalização Federal nem demonstração fática do novo fundamento indicado pela DRJ, e que cabia ao Fisco demonstrálo, então, de fato, não há como admitir que o provimento integral do Recurso exclua aqueles que já encontravamse nas mesmas condições dos que foram acolhido pela Delegacia. VOTO por acolher os Embargos de Declaração. O dispositivo do Acórdão passa a ser o seguinte. VOTO por dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao aproveitamento de crédito básico na compra de ervamate das empresas informadas pela Recorrente em resposta à intimação encaminhada pelo Fisco na diligência determinada por este Colegiado e das empresas que apresentaram declaração anexada aos autos pela então Recorrente em sede de Recurso Voluntário de que não exercem atividade agropecuária e recolheram as Contribuições pela alíquota normal nas vendas realizadas à Embargante. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102002.251 S3C1T2 Fl. 200 16 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10880.955953/2008-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2000
Ementa:
Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece.
Numero da decisão: 3802-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 141 1 140 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.955953/200868 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.051 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente MB OSTEOS COMERCIO E IMPORTAÇÃO DE MATERIAL MÉDICO LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 53 /2 00 8- 68 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13a Turma da DRJ/SPO I, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada, tendo em vista que sua protocolização fora feita fora do prazo legal. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico (PER/DCOMP nº 23534.31373.22090.1.04 9746), na data de 22/09/2004, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, na data de 01/01/2000, no valor de R$ 517,32, no código de recita: 8109, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/01/2000 Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à: (i) comprovação da existência do crédito para fins de compensação, (ii) existência do direito constitucional do direito de petição, (iii) não existência de natureza litigiosa no processo administrativo de compensação, e (iv) prevalência do princípio da verdade material no processo administrativo. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Admito o presente Recurso Voluntário em virtude do preenchimento dos requisitos regulares para o seu desenvolvimento positivo. O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente Recurso Ordinário para que este Órgão analisasse novamente suas pretensões. Porém, razão alguma assiste a ele, porquanto o processo administrativo está morto desde sua fase inaugural de apresentação da manifestação de inconformidade. Explico! Para minhas convicções como Julgador administrativo, o fato que determinou sua não admissão está centrado na ocorrência da preclusão temporal, quando da apresentação intempestiva da impugnação administrativa, alcunhada de manifestação de inconformidade. Veja, a Lei nº 10.822/2003 incluiu o § 9º ao artigo 74 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 e, assim, facultou ao sujeito passivo, no prazo de 30 dias, o exercício do direito subjetivo de apresentar a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação requerida. Além disso, o § 7º da referida legislação determinou também que, em Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.955953/200868 Acórdão n.º 3802003.051 S3TE02 Fl. 142 3 casos de não homologação da compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, ao pagamento dos débitos indevidamente compensados. Portanto, cruzando as normas extraídas do instrumento legal de regência, o contribuinte deveria apresentar sua manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, contado da intimação do ato que não homologou seu pedido de compensação, caso quisesse discutir a decisão contrária aos seus interesses. De modo que, em termos de prova concreta existente nos autos, se verifica que o contribuinte foi notificado dos Despachos Decisórios em 02/12/2008, e vindo somente a apresentar sua manifestação de inconformidade no dia 07/10/2009. Ou seja, quase um ano depois. Portanto, para fundamentar e noticiar os termos que me levaram a concluir pelo não conhecimento do presente recurso, trago aqui o que dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996: “a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo caracterizada ou suscitada tempestividade, como preliminar”. Nesse sentido, tendo em vista o que dos autos consta e pelas razões por mim aqui expostas, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo, assim, em sua integralidade, a decisão a quo que reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, portanto, não foi instaurada a fase litigiosa do processo administrativo. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13888.917216/2011-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 16 /2 01 1- 81 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917216/201181 Acórdão n.º 3801003.952 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917216/201181 Acórdão n.º 3801003.952 S3TE01 Fl. 64 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917216/201181 Acórdão n.º 3801003.952 S3TE01 Fl. 65 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917216/201181 Acórdão n.º 3801003.952 S3TE01 Fl. 66 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917216/201181 Acórdão n.º 3801003.952 S3TE01 Fl. 67 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917216/201181 Acórdão n.º 3801003.952 S3TE01 Fl. 68 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906250/2012-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 11/06/2008
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 50 /2 01 2- 18 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/06/2008 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906250/201218 Acórdão n.º 1802003.217 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005416/2002-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprova.
Numero da decisão: 3403-003.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 54 16 /2 00 2- 11 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente em face de Decisão da DRJ/FOR, que, por unanimidade, rejeitou a preliminar de nulidade e no mérito julgou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento da COFINS e decidiu exonerar a multa de oficio vinculada ao crédito tributário: sem prejuízo de sua cobrança e com os encargos moratórios que se fizer jus, verificando o que for decidido em processo Judicial, ajuizado pela contribuinte em processo nº 96.00442134. Fora lavrado Auto de Infração nº 0002218 com referencia a COFINS, fls 46/49, para formalização de cobrança do crédito tributário no valor de R$ 108.366,43. Tal fato teve origem na Auditoria Interna da Declaração de Contribuições e Tributos FiscaisDCTF, relativo ao segundo trimestre de 1997, onde se constatou a irregularidade no crédito vinculado informado pelo contribuinte na DCTF, anexo I –Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados, fls 48, e Anexo II Demonstrativo de Credito Vinculado a pagar, fl 49. Cientificada da Autuação, a postulante apresentou IMPUGNAÇÃO. A postulante apresenta IMPUGNAÇÃO, em 17 de Abril de 2002 fls 01 a 13, alegando: 1 Em preliminar atesta a contribuinte, a nulidade do auto de infração que deu origem ao processo, por imprecisão ou falta da descrição dos fatos do lançamento; 2 No mérito, alega a legitimidade da compensação efetuada para extinção do débito cobrado. 3 Alega ainda a ilegalidade da aplicação da multa de 75% do valor principal e aduz que a taxa SELIC não seria compatível como o Sistema Constitucional, requerendo o cancelamento do Auto. A DRJ decidiu, quanto à preliminar, que os fatos que alicerçaram o lançamento foram perfeitamente descritos, tanto que a contribuinte em sua defesa, contesta o Auto de Infração e demonstra conhecimento da infração apurada; a legislação tributária prevê dois momentos para nulidade do ato, 1 incompetência do agente e o cerceamento do direito de defesa, artigo 59 do PAF. No mérito, a Decisão aponta que o lançamento decorreu do confronto entre o valor do débito declarado a título de COFINS, PA 0104/97, na DCTF do segundo trimestre de 1997 e a vinculação do crédito declarado pela Recorrente, considerando como não comprovado o processo judicial nº 96.00442134, indicado pela Recorrente na DCTF. Nesse sentido, a Recorrente, antes do lançamento, ingressou com o Processo nº 96.00442134, visando proceder à compensação de seu crédito como seus débitos de Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10380.005416/200211 Acórdão n.º 3403003.026 S3C4T3 Fl. 6.143 3 COFINS. Dessa forma, não há impedimento judicial à Administração proceder ao lançamento da COFINS no valor acatado pela Recorrente, visto que coincide com o valor indicado na DCTF do primeiro trimestre de 1997, referente ao PA 0104/97. Portanto, a fim de prevenir a decadência, consignou a Decisão, deverá ser procedido o lançamento do crédito tributário objeto de discussão perante a esfera judicial, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996. Relativamente ao reclamo da Taxa SELIC, a Decisão apontou que ela encontrase prevista no inciso I, do artigo 84 da lei nº 8.981/1995, no artigo 13 da Lei nº 9.065/1995, e no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, havendo, portanto, fundamento legal para a sua exigência. Por outro lado, menciona a Decisão que o anterior Conselho de Contribuintes sumulou a matéria, por meio de Súmulas do 1º e do 3º Conselho (Súmula nº 4), de modo que os juros moratórios são devidos à taxa SELIC. E quanto à multa de ofício, a DRJ aplicou o disposto no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, entendendo que nos autos de infração oriundo de revisão de DCTF, cujo tributo devido foi regularmente declarado, descabe a multa de ofício, conforme entendimento expendido na Solução de Consulta nº 03, de 08 de janeiro de 2004. Portanto, a Decisão julgou procedente em parte o lançamento, decidindo por afastar a multa de ofício, observandose o que for decidido no processo judicial ajuizado pela Recorrente sob o nº 96.00442134. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que o débito declarado em DCTF foi devidamente compensado com créditos tributários da mesma natureza, de modo que a cobrança seria totalmente indevida, motivo pelo qual concluiu pela total inépcia do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Sendo o processo um Auto de Infração eletrônico, e tendo a descrição dos fatos sido lacônica (“Comp s/ DARFOutros PJU”/“Proc. jud. não comprova” e “Exigibilidade Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 suspensa”/“Proc. jud. não comprova”), restava difícil à recorrente exercer seu direito de defesa, mas ela o fez a contento ainda em sede de impugnação. Veja que o fato descrito na autuação é o de que não ficou comprovado o processo judicial indicado nas DCTF (no 96.00442134). E o processo foi inequivocamente comprovado, já no início da impugnação. A partir daí, o que se discute é concomitância (da matéria referente à compensação) com o processo judicial ,em que pese se estar apreciando um auto de infração. Flagrante a fuga ao tema inicialmente motivador da autuação: “processo judicial não comprovado”. Assim, descabe a continuidade da análise do recurso voluntário apresentado, visto que já afastada a razão da autuação. Nesse sentido reiteradas decisões deste CARF, aqui sintetizadas em análise recente de Recurso Especial da PGFN pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Recurso negado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 9303002.326, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, unânime, sessão de 20.jun.2013) Esta turma já apreciou caso semelhante (mas no qual havia claro prejuízo à defesa, que sequer compreendeu a matéria em discussão), adotando conclusão pela nulidade: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS LACÔNICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Há nulidade processual ab initio se a descrição dos fatos constante da autuação é lacônica, de forma a cercear o direito de defesa do sujeito passivo, e comprometer a sequência dos atos processuais, que acabam por tomar rumo diverso daquele referente à análise da conduta que se pretendeu imputar na autuação (proc. jud. de outro CNPJ).” (Acórdão n. 3403002.258, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24.abr.2013) Contudo, no presente caso não há propriamente nulidade, pois a defesa foi exercida a contento, afastando exatamente a conduta imputada na autuação (“Proc. jud. não comprova”), pelo que se defende que a autuação deve ser tida como improcedente, e não nula, seguindose a linha do julgamento aqui citado, adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10380.005416/200211 Acórdão n.º 3403003.026 S3C4T3 Fl. 6.144 5 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10840.000415/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2004
O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005.
PIS E COFINS. SALDOS CREDORES ACUMULADOS EM VIRTUDE DE OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. NATUREZA DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO E NÃO DE RECEITA FINANCEIRA.
Havendo previsão de termo e de critérios para determinação do preço da compra e venda, são precários os valores colocados nas notas fiscais emitidas para o transporte da mercadoria exportada, passíveis de ajustes de devolução ou complementação de preço, no momento contratual pactuado, sendo que referido valor tem natureza jurídica de receita de exportação, porque relacionada aos critérios de formação do preço, não se caracterizando como receita financeira. Consequentemente, deve o complemento do preço compor a receita de exportação para efeito de se determinar o percentual desta em relação à receita operacional bruta, para fins de cálculo do benefício de ressarcimento dos créditos das contribuições ao PIS e a COFINS acumulados em virtude de exportações.
Numero da decisão: 3402-001.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para reconhecer que a variação cambial consubstancia complemento de preço. Vencidos os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira e Nayra Bastos Manatta quanto a variação cambial e João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva quanto a possiblidade de compensação. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça apresentarão declaração de voto. O Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça votou pelas conclusões quanto a variação cambial.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. O presidente substituto da Turma assina o Acórdão face a impossibilidade, por motivo de saúde, da presidente Nayra Bastos Mannata.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2004 O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. PIS E COFINS. SALDOS CREDORES ACUMULADOS EM VIRTUDE DE OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. NATUREZA DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO E NÃO DE RECEITA FINANCEIRA. Havendo previsão de termo e de critérios para determinação do preço da compra e venda, são precários os valores colocados nas notas fiscais emitidas para o transporte da mercadoria exportada, passíveis de ajustes de devolução ou complementação de preço, no momento contratual pactuado, sendo que referido valor tem natureza jurídica de receita de exportação, porque relacionada aos critérios de formação do preço, não se caracterizando como receita financeira. Consequentemente, deve o complemento do preço compor a receita de exportação para efeito de se determinar o percentual desta em relação à receita operacional bruta, para fins de cálculo do benefício de ressarcimento dos créditos das contribuições ao PIS e a COFINS acumulados em virtude de exportações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 04 15 /2 00 5- 68 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para reconhecer que a variação cambial consubstancia complemento de preço. Vencidos os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira e Nayra Bastos Manatta quanto a variação cambial e João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva quanto a possiblidade de compensação. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça apresentarão declaração de voto. O Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça votou pelas conclusões quanto a variação cambial. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. O presidente substituto da Turma assina o Acórdão face a impossibilidade, por motivo de saúde, da presidente Nayra Bastos Mannata. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 182 3 Relatório Versam os presentes autos de Declaração de Compensação, apresentada pelo sujeito passivo, de crédito no valor de R$ 53.536,10 (cinqüenta e três mil, quinhentos e trinta e seis reais e dez centavos), relativa ao período de Nov/2004, referente a Contribuição para o PIS/Pasep. Foi lavrado um Termo de Informação Fiscal, onde a autoridade fiscalizadora relata as divergências detectadas na apuração efetuada, quais sejam: utilização de crédito apurado na forma do art. 3º de Lei nº 10.637/02, na compensação de débitos próprios em afronta ao art. 8º da lei nº 10.925/04, que não autoriza tal procedimento nos períodos de apuração posteriores a agosto de 2004; inclusão indevida, como receita de exportação, de valores correspondentes a variação cambial, que deveriam ser contabilizados como receitas operacionais financeiras decorrentes de variação cambial de vendas ao mercado externo. Através de Despacho Decisório, a DRF de Ribeirão Preto reconheceu parcialmente o direito creditório da empresa, homologando a compensação até o montante de R$29.751,92 (vinte e nove mil, setecentos e cinqüenta e um reais e noventa e dois centavos). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório supracitado, o interessado apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, onde alega, em breve síntese: que existe a possibilidade de utilização do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925 de 2004 para compensação com débitos próprios do interessado e que este não pode ser afastado, haja vista sua referência aos bens mencionados no art. 3º da Lei nº 10.637/02 e art. 3º da Lei nº 10.833/03. alega que a compensação efetuada é anterior à edição da IN SRF nº 660, de 2006. Entende, portanto, que seria vedada a aplicação de norma retroativa a fim de vedar a forma de compensação e que não há qualquer vedação na Lei nº 10.925, de 2004 em relação a possibilidade de utilização de crédito presumido para compensação com débitos de outros tributos. No que tange as receitas decorrentes a variação cambial, estes referemse a variação de preço do produto exportado e deve, portanto, ser considerado complemento de preço e integrar receitas de exportação, não se tratando de receita financeira propriamente dita. Cita decisões do STJ e doutrinas a respeito desse entendimento. Ao fim requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo integralmente o direito creditório declarado e a homologação das compensações efetuadas. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferiu o Acórdão de nº. 1430.229, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/11/2004 VENDAS AO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. CLASSIFICAÇÃO. Os valores referentes a ganhos ou perdas monetárias em função da variação cambial dos valores das vendas ao exterior, são considerados receitas ou despesas financeiras. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Quanto à forma de utilização do crédito presumido da agroindústria, ressalta que a partir de 1° de agosto de 2004, o crédito presumido somente poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins. Quanto ao disposto no inciso II, do § 1°, do art. 5° da Lei n° 10.637, que autoriza a utilização do crédito apurado na forma do art. 3° desta lei, ressalta que não se aplica ao caso, pois os §§ 10 e 11, do mesmo artigo, que tratavam da forma de utilização do crédito presumido em questão, foram revogados pelo art. 16, inciso I, letra “a”, da Lei 10.925 de 2004. Sendo assim, por falta de previsão legal, os créditos apurados na forma do art. 8°, da Lei 10.925, de 2004, não podem ser objeto de ressarcimento e/ou compensação com débitos do sujeito passivo. No que tange a Variação Cambial, com base no art. 9°, da Lei n° 9.718/98, os valores referentes a ganhos ou perdas monetárias em função de variação cambial devem ser considerados receitas ou despesas financeiras, não sendo classificadas, portanto, como receitas ou despesas de vendas. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 183 5 Após todo o exposto, mantevese o decidido pela DRF de origem, votando pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. DO RECURSO Ciente em 19/08/2010 do Acórdão acima mencionado, e não se conformando com a manutenção da homologação parcial de suas compensações, o contribuinte apresentou em 20/09/2010 Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, fundamentado com jurisprudência e doutrina, em apertada síntese: é possível a utilização do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04 para compensação com débitos relativos a tributos federais que não seja o PIS apurados na sistemática da não cumulatividade em razão do diposto no art. 6° da Lei n° 10.637/02; e as receitas de variação cambial decorrentes de contratos de exportação devem ser consideradas como receitas de exportação e não como receitas financeiras, tal qual pretendem classificálas as autoridades fiscais. Ao fim requer o conhecimento do recurso voluntário, uma vez que este é tempestivo, e o total provimento deste, reformando a decisão recorrida e reconhecendo integralmente o direito creditório em discussão, homologando as compensações efetuadas e cancelando os valores exigidos. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 145 (cento e quarenta e cinco), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento. Inexistindo razões preliminares, passo diretamente á análise do mérito suscitado nas razões do recorrente. 1. Mérito: Compensação/Ressarcimento do Crédito Presumido da Agroindústria (art. 8º, da Lei nº 10.925/2002): 2.1. Delimitação da controvérsia: No que pertine à alegação da recorrente, na condição de agroindústria preponderantemente exportadora, de que é possível a utilização do crédito presumido, atualmente previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04, para a compensação com débitos relativos a tributos federais, que não apenas a Contribuição (ao PIS e a COFINS) apurada na sistemática da nãocumulatividade, em razão de entender lhe ser aplicável o disposto no art. 5º, da Lei 10.637/02, e art. 6º, da Lei nº 10.833/2003, tenho que tal via é perfeitamente possível, nos termos da fundamentação que passo a tecer. Antes mesmo de passar às razões do entendimento para o deslinde da situação em tela, cumpre salientar que o processo discute em sua essência o direito de uma empresa exportadora se ressarcir – por meio da restituição ou compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil – dos créditos presumidos da agroindústria, concedidos por meio do comando legal, cujos contornos atualmente estão delineados, para os contribuintes sujeitos ao regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, pelo art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. Nesse sentido cumpre colocar que existem dois pontos antagônicos de entendimentos, a saber: de um lado o panorama de uma empresa que possui incentivos e benefícios fiscais, por atender as expectativas econômicas do país no que tange às exportações, e de outro, uma regulamentação que aparentemente (no entendimento da decisão recorrida e de Instrução Normativa da Receita Federal), limitaria a utilização dos créditos presumidos em questão, à de sua utilização apenas com as contribuições para o PIS/Pasep e a COFINS devidas em cada período de apuração. 2.1.2. Evolução histórica da legislação do Crédito Presumido da Agroindústria no regime da NãoCumulatividade: A fim de orientar as razões do voto, vejo a necessidade de trazer a evolução histórica da legislação de regência, relativa ao crédito presumido em questão, abordando desde comentários acerca da intenção do legislador nela prevista, bem como a interpretação e aplicação do Direito ao longo de sua existência, até os dias atuais. Façoo de modo cronológico, conforme abaixo: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 184 7 · Em 29/08/2002, com o intuito de dar início à minirreforma tributária, o Executivo Federal editou a Medida Provisória nº 66, que alterou, entre outras disposições, a forma de apuração da contribuição ao PIS/PASEP, pretendendo minimizar os efeitos da incidência cumulativa da referida contribuição; · Em 1º de outubro 2002 a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 209, objetivando regulamentar a matéria. Em 24 de outubro de 2002, foi editada a Medida Provisória nº 75, complementando essas modificações MP 75/02 (que não foi aprovada pelo Congresso Nacional). · Em 21 de novembro de 2002, foi editada a IN/SRF nº 247 e, em 17 de dezembro de 2002, foi editado o Decreto nº 4.524, almejando consolidar em um único diploma legal as formas de apuração das contribuições ao PIS/PASEP e da COFINS. E, em 30 de dezembro de 2002, finalmente, a MP 66/02 foi convertida na Lei nº 10.637. Na exposição de motivos da referida Medida Provisória (que culminou na Lei 10.637/2002), verificase que a proposta dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretendeu, na forma dessa Medida Provisória era, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). O modelo então proposto pela nova sistemática traduzia a demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas. No caso específico do setor agroindustrial, constatouse uma significativa relevância na aquisição de insumos que, no modelo proposto, não resultaria em transferência de créditos, porquanto não estariam direta e “destacadamente” sujeitos à tributação – como é o caso de insumos adquiridos de pessoas físicas. Consequentemente, embora os produtos de origem agropecuários produzidos por pessoas físicas (ou por esses entregues para venda em cooperativas agroindustriais) não sofrerem tributação pelas contribuições ao PIS e COFINS, e, portanto, não concederem direito ao crédito aos adquirentes de tais insumos, era claro que nos custos agrícolas estavam contemplados valores provenientes da incidência das citadas contribuições, e, portanto, por respeito a sistemática de nãocumulatividade, seria desejável que se concedesse o direito ao crédito, pena de se desequilibrar a pretendida nãocumulatividade. Por tais razões que, em 30 de maio de 2003, pela Lei 10.684, o legislador corrigiu o desequilíbrio do sistema proposto optando, então, por conceder um crédito presumido, no montante correspondente a 70% (setenta por cento) das aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas, com vistas a minorar o desequilíbrio entre débitos e créditos. Ao criar referido crédito presumido, o legislador incluiu os §§ 10 e 11, no artigo 3º, da Lei nº Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 10.637/2002, de modo a contemplar no mesmo dispositivo que já previa os demais créditos admitidos no modelo. Assim, a partir do ano de 2003 a Lei 10.637/2002 passou a vigorar com a previsão do referido crédito, que ficou consignado no art. 3º, §§ 10 e 11, assim dispondo: “§ 10. Sem prejuízo do aproveito dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...] destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2º; II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal.”. Pela leitura do artigo supramencionado, desponta claro que o referido crédito seria calculado sobre o valor dos bens e serviços elencados no inciso II do art. 3º da mencionada Lei, que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. Por um viés totalmente apartado da demanda, às agroindústrias, no mesmo diploma legal (Lei nº 10.637/2002 e Lei 10.833/2003), agora com o intuito de cumprir o preceito constitucional e de estimular as exportações e, a exemplo do que já era direito daqueles que estavam no regime de apuração cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o art. 5º (e art. 6º, para a COFINS), determinou a nãoincidência da contribuição para o PIS/PASEP sobre as receitas decorrentes das exportações. E assim disciplinou, em seu § 1º, inciso II que: “Art. 5º. A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º. Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: [...] II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 185 9 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria” Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º. Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.”. Agora analisando o cenário legislativo do momento acima descrito, temse claro que o legislador ordinário instituiu, por um lado, o crédito presumido da contribuição para o PIS e COFINS em favor da agroindústria, e por outro lado, deixou expressa a possibilidade do contribuinte que realizar exportações, compensar referidos créditos com a própria contribuição ou com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. No entanto, com o advento da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (resultado de conversão da Medida Provisória n. 183), o legislador houve por bem em disciplinar inteiramente a matéria do crédito presumido, deslocando então a permissão legal do desconto do crédito presumido para o art. 8º que assim reza: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos /03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º. das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física”. Vejase que o artigo acima mencionado, ao disciplinar inteiramente a matéria do crédito presumido da agroindústria, praticamente manteve a redação contida originariamente no art. 3º, §§ 10 e 11, da Lei nº 10.637/2002 (e posteriormente da Lei nº 10.833/2003, quanto a COFINS). Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 E aí chegamos ao cerne da questão, pois que a partir dessa nova regulamentação do crédito presumido, passou a se colocar em dúvida se o legislador, ao revogar os §§10 e 11 do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, para “alocálo” na novel legislação (art. 8º, da Lei nº 10.925/2002), teria afastado do agroindustrial a disciplina de restituição e compensação de saldos credores acumulados, enquanto exportador, prevista nos arts. 5º, da Lei 10.637/2002 e art. 6º, da Lei 10.833/2003, eis que referido dispositivo se reportava aos créditos apurados na forma do art. 3º da mesma lei, no qual aparentemente deixaria, a partir de agosto de 2004, de contemplar o crédito presumido da agroindústria. Convém expressar de antemão que, a Lei nº 10.925/2004, em momento algum, foi expressa em limitar o direito de utilização do crédito para os fins de “conta gráfica”, ou seja, apenas para compensação com débitos das próprias contribuições ao PIS e a COFINS, respectivamente. Se assim o fizesse, certamente dúvidas não haveria. Apenas após decorridos praticamente 02 (dois) anos desde a edição da Lei nº 10.925/2004, no qual se vivia um cenário de dúvida quanto a aplicação e extensão dos efeitos da legislação tributária (como será demonstrado oportunamente), é que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006 que, em seu artigo 8º, §3º, determinou, de forma clara que: “§ 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento”.(grifouse) A partir de então, a Secretaria da Receita Federal passou a não homologar as declarações de compensação levadas a efeito por contribuintes que acumulavam seus créditos, mesmo que em virtude de serem preponderantemente exportadores, como se nos apresenta o caso da recorrente. Para finalizar a digressão histórica, anos após, veio a ser editada a Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a qual, com redação da Lei nº 12.431/2011, permitiu a possibilidade de compensação/ressarcimento do saldo do crédito presumido apurado, fato este que será oportunamente abordado, mas que já permite concluir que atualmente não mais pairam dúvidas sobre a possibilidade de sua compensação/ressarcimento, ficando, então, dentre outras questões, a análise quanto aos pedidos de compensação/ressarcimento para períodos entre Ago/2004 e Dez/2005, como é o caso dos autos. 2.1.3 Comparação entre os Créditos Presumidos da Agroindústria submetida ao Regime Cumulativo e ao Regime NãoCumulativo: Para que se possa extrair a interpretação coerente com todo o sistema normativo que permeia a exigência das contribuições ao PIS e a COFINS, e também para delimitar as premissas do voto, tornase pertinente traçar um paralelo entre o tratamento dado ao crédito presumido, para o caso também de agroindústrias exportadoras, mas que estejam submetidas ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 186 11 Para tanto, mister partir da apreciação do regime da Lei nº 9.363/96 (resultante da Medida Provisória n. 674/1994), sendo que, já de antemão se percebe que não foi senão esta legislação, a inspiração legislativa inicial para a concessão do crédito presumido sob análise, sempre no sentido de afastar óbices que acabem onerando o exportador, retirandolhe competitividade do produto nacional frente ao estrangeiro, para com isso auxiliar na missão governamental de angariar divisas que equilibrem nossa economia. A Lei n. 9.363, de 16 de dezembro de 1996, numa evidente intenção de desonerar, ao menos parcialmente, as exportações das contribuições de PIS e COFINS – e, com isto, reduzir o chamado “Custo Brasil” –, concedeu em seu artigo 1o, um “benefício fiscal” ao contribuinte produtorexportador de mercadorias nacionais. Reza o aludido dispositivo: “Art. 1º A empresa produtora exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. A legislação partiu da realidade de que no preço relativo às aquisições no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, diante da tributação cumulativa então vigente para o PIS e COFINS, trazia consigo o custo dos tributos suportados nas operações anteriores, sendo certo, portanto, que adquirenteexportador suportava tal ônus, obrigandoo a repassálo, financeiramente, no preço dos produtos exportados. Essa situação reside ainda hoje, para as empresas exportadoras que permaneçam no regime cumulativo, razão porque se lhes ainda aplicam os comandos da Lei 9.363/96. Logo, consiste o aludido preceito num “Crédito Presumido” como forma de ressarcimento das contribuições à COFINS e ao PIS, incidentes sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno, para utilização na fabricação de produtos destinados à exportação. E, digase, referido crédito foi concedido na conta gráfica do IPI, em virtude de que naquela época não existia conta gráfica de PIS e COFINS, para que se aproveitassem as normas de restituição e ressarcimento já existentes para o referido imposto. A Lei nº 9.363/1996, em sua Exposição de Motivos, deixou expressa a intenção de se incentivar as exportações, como se depreende do trecho abaixo colacionado: “[...] A desoneração do IPI sobre as exportações, assegurada por determinação constitucional, tem sido viabilizada pela própria técnica do imposto, que permite assegurar a manutenção do crédito incidente sobre as matériasprimas empregadas na Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 fabricação do produto exportado, sem a qual o benefício da isenção na etapa final de exportação seria efetivamente menor. Por outro lado, o Governo de Vossa Excelência vem, diante da importância vital das exportações para o crescimento do emprego, da renda e da manutenção da capacidade de importar do País, criando condições e estímulos para a expansão das vendas externas, cabendo mencionar a isenção da COFINS e PIS na etapa final da exportação. Porém, tal benefício, ainda que importante para as exportações, perde muito de sua força em decorrência da própria mecânica de incidência dessas contribuições, que, ao contrário dos tributos sobre o valor adicionado, não permite que o montante despendido sobre as matériasprimas e produtos intermediários empregados na fabricação de um produto possa ser creditado contra os débitos registrados pelo faturamento desse bem. Desse modo, a contribuição vai se acumulando 'em cascata' em todas as fases do processo produtivo. Por essas razões, estou propondo o presente projeto de Medida Provisória, com o objetivo de desonerar também a etapa produtiva imediatamente anterior à exportação, da incidência daquelas contribuições, o que permitirá, no âmbito dos tributos indiretos federais, a eliminação quase total dessas incidências sobre as operações comerciais de vendas de mercadorias ao exterior. Finalmente, destaco o caráter urgente e relevante da medida, devido à necessidade de indicar aos exportadores ações objetivas que estimulem a continuidade de suas operações com o exterior".(grifei) Verificase claramente a origem da instituição de crédito presumido com vistas à recuperação do PIS e da COFINS, que incidiram em etapas anteriores, e que ela reconhece ter o objetivo de desonerar as exportações, justamente porque não havia a possibilidade de efetuar o crédito e mantêlo em conta gráfica das citadas contribuições. Por decorrência lógica, direta e até mesmo óbvia desse objetivo, ao ser instituído o regime nãocumulativo para as contribuições ao PIS e a COFINS, pelas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, passando então a haver permissão para a manutenção dos créditos sobre as aquisições de insumos realizados no mercado nacional, acabou perdendo o sentido preservar o direito ao crédito presumido de IPI como ressarcimento de tais contribuições, previsto no art. 1º, da Lei nº 9.363/96, para os contribuintes que migrassem para o regime nãocumulativo. Vejamos o tratamento: Lei nº 10.637/2002: “Art. 6º O direito ao ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep de que tratam as Leis nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei.” [Revogado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003] Lei nº 10.833/2003: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 187 13 “Art. 14. O disposto nas Leis nos 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de setembro de 2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei e dos arts. 2º e 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002.” Por outro lado, é importante ainda focar o tratamento que atualmente encontrase pacificado, tanto pelo Judiciário quanto por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sucedendo a jurisprudência do extinto Conselho Federal de Contribuintes, quanto ao alcance do direito ao “crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS” (art. 1º, da Lei nº 9.363/96), quando as aquisições se derem junto a pessoas físicas, especialmente focando os produtos agropecuários por elas comercializados, e que posteriormente são utilizados na industrialização de produtos nacionais exportados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N. 9.363/1996. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA HIERARQUIA NORMATIVA. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 111 DO CTN. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ. 1. "Não consubstancia fundamento de natureza constitucional, a exigir a interposição de recurso extraordinário, a afirmação de que instrução normativa extrapolou os limites da lei que pretendia regulamentar. Tratase de mero juízo de legalidade, para cuja formulação é indispensável a investigação da interpretação dada pelo acórdão recorrido aos dispositivos cotejados, incidindo, portanto, a orientação expressa na Súmula 636/STF, segundo a qual 'não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio constitucional da legalidade, quando a sua verificação pressuponha rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão recorrida'" (REsp 509.963/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Rel. p/ Acórdão Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 18/8/2005, DJ 3/10/2005 p. 122) 2. No caso, interpretarse a Lei n. 9.363/96 com a exclusão das aquisições de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas da base de cálculo do crédito presumido do IPI é fazer distinção onde a lei não a fez. Não há como, numa interpretação literal do citado art. 1º, chegarse à conclusão de que os insumos adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas não podem compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI. É certo que a interpretação literal preconizada pela lei tributária objetiva evitar interpretações ampliativas ou analógicas (v.g.: REsp 62.436/SP, Min. Francisco Peçanha Martins), mas também não pode levar a interpretações que restrinjam mais do que a lei quis. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 14 3. Com efeito, Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não 8 podem modificar Lei a pretexto de estarem regulando o aproveitamento do crédito presumido do IPI. 4. O acórdão recorrido está em perfeita sintonia com a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, que tem entre suas atribuições constitucionais a de uniformizar a jurisprudência infraconstitucional. 5. Recurso especial não provido.” (RECURSO ESPECIAL Nº 1.109.034 PR . (2008/02789261) . REL. : MIN. BENEDITO GONÇALVES. DT. JULG. 6 DE MAIO DE 2009) “TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA – LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 – LEGALIDADE – PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 2. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes. 3. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 4. Inúmeros precedentes desta Corte. 5. Recurso especial provido. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.008.021 CE (2007/02733630), REL. MIN. ELIANA CALMON. DT DO JULG. 1º DE ABRIL DE 2008) “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. Os valores correspondentes às Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 188 15 aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. A forma de cálculo prevista na norma legal estabelece uma ficção legal, aplicável a todas as situações, independentemente da efetiva incidência das contribuições na aquisição das mercadorias ou nas operações anteriores. CRÉDITO PRESUMIDO.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF / Segunda Turma / ACÓRDÃO CSRF/0202.270 em 24.04.2006) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Segunda Turma / ACÓRDÃO CSRF/0201.416 em 08.09.2003) Vêse então que o estabelecimento produtor submetido ao regime cumulativo de apuração das Contribuições ao PIS e COFINS, que adquirir produtos agropecuários no mercado interno, junto a pessoas físicas, e posteriormente os destinar ao exterior, faz jus ao crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS. E mais, para esses contribuintes a legislação é expressa em permitir que referido crédito seja utilizado não só para a compensação das próprias contribuições, mas com outros débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 4º, da Lei nº 9.363/96 c/c art. 74 da Lei nº 9.430/96. Reportando esses objetivos contidos na Lei nº 9.363/96, para as empresas exportadoras submetidas ao regime nãocumulativo das contribuições ao PIS e a COFINS, verificase que os mesmos foram igualmente preservados, eis que as Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram, inicialmente em seus artigos 3º, §§ 10 e 11, o direito ao crédito presumido das agroindústrias, e nos artigos 5º e 6º, respectivamente para PIS e COFINS, o direito de manter, compensar com tributos federais, e, se o caso, de ressarcir o citado crédito presumido. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 16 E, ao ser inteiramente regulada a matéria pela Lei nº 10.925/2004, foi igualmente preservado o direito ao crédito presumido da agroindústria, apenas sendo criados parâmetros e limites, provenientes de alteração na tributação de tais contribuições sobre insumos agrícolas. Vejamos a Exposição de Motivos da MP nº 183, de 30 de abril de 2004, posteriormente convertida na Lei nº 10.925/2004: “[...] 9. Se, do ponto de vista econômico, a substituição do crédito presumido pela redução das alíquotas dos já mencionados insumos tende a ser neutra para agroindústria e cerealistas, o mesmo não ocorre com as cooperativas agropecuárias e os produtores rurais pessoas físicas. 10. No caso das cooperativas, que, pelo Projeto de Conversão aprovado e em decorrência de acordo firmado com representantes do setor (OCB), passam ao regime da não cumulatividade das contribuições, a ausência de disposição expressa que lhes estenda a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido acarretará grave aumento da carga tributária, dado que os insumos estarão tributados. 11. Caso semelhante ocorrerá com os produtores pessoas físicas, com o agravante de sequer haver, para esses, a possibilidade de, em norma superveniente, lhes conceder o dito crédito, pelo simples fato de não serem contribuintes das mencionadas exações. 12. Em ambos os casos, o prejuízo causado repercutiria não apenas em relação ao mercado interno, pois esses estariam em desvantagem competitiva com aqueles que detêm o direito de aproveitamento do crédito presumido, mas, também no mercado internacional, pois estariam obrigados a ‘exportar’, em seus preços, o acúmulo das mencionadas contribuições. [...]” (Grifouse) Daí porque, tendo havido a redução ou isenção da tributação de grande parte dos insumos agrícolas, acabou sendo cogitado que o “benefício” do crédito presumido deveria, por decorrência lógica, ser extinto, pois que deixaria de haver a oneração de PIS e COFINS no mercado interno. No entanto, essa desoneração dos insumos agrícolas não eliminaria por completo a oneração do custo de producão agrícola, quando se tratasse de pessoas físicas (embora atenuasse esse referido efeito) que vendessem seus produtos agropecuários a agroindústrias que, posteriormente, destinassem sua produção a exportação, em razão de que tais pessoas não poderiam lançar a crédito, manter e restituir o custo do PIS e COFINS, ainda que parcialmente incluídos em seus custos de produção. Daí porque a “Exposição de Motivos” é expressa em preservar o direito ao crédito presumido nas aquisicões de pessoas físicas, eis que sua a extinção provocaria um Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 189 17 prejuízo, o qual “(...) repercutiria não apenas em relação ao mercado interno, pois esses estariam em desvantagem competitiva com aqueles que detêm o direito de aproveitamento do crédito presumido, mas, também no mercado internacional, pois estariam obrigados a ‘exportar’, em seus preços, o acúmulo das mencionadas contribuições.” Portanto, ao invés de extinguir por completo o crédito presumido da agroindústria, inicialmente proposto pelo Governo em função da desoneração de boa parte dos insumos de produção agrícola, o legislador optou por preservar esse direito, especialmente para evitar que o Brasil “exporte tributos”. Houve por bem o legislador, no entanto, em acatar parcialmente a proposta, pelo que acabou por limitar os produtos em que referido direito seria garantido e, ainda, acabou por reduzir a alíquota de presunção do crédito, de 70% (setenta por cento) para 35% (trinta e cinto por cento), sendo esse, concluo, o “acordo político final”, que culminou na efetiva edição da Lei nº 10.925/2004 a qual, por conta dessas negociações, acabou por entender em regular inteiramente a matéria, revogando os §§10 e 11, dos arts. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deslocando por completo a disciplina do crédito presumido para o seu artigo 8º. Portanto, se compreende perfeitamente os motivos pelos quais o legislador houve por bem em revogar os citados §§10 e 11, passando a regular a matéria no art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, mas esse fator, partindo das premissas iniciais, não teve o condão de alterar o fundamento e o objetivo previsto pela Lei n. 9.363/96, para aqueles que permanecem no regime cumulativo de apuração das contribuições, ou pelas Leis nºs. 10.637/2002, 10.833/2003, para aqueles que migraram para o regime não cumulativo. Esse objetivo legislativo desponta claro, qual seja: buscam as Leis a desoneração tributária das contribuições ao PIS e COFINS, para os produtos nacionais destinados ao exterior. Assim sendo, ao entender que os créditos apurados sobre as aquisições feitas a pessoas físicas, desde que vinculadas às receitas de exportação, só poderiam ser utilizados para fins de compensação com débitos das próprias contribuições sociais, tornariam inócuo o benefício pretendido pelo legislador ordinário. Interpretar o contrário, como pretende a Instrução Normativa nº 660/06 e a decisão recorrida, seria permitir que convivam no ordenamento jurídico duas situações antagônicas: agroindústrias que produzem e exportam um dado produto, terão o direito de compensar e de ressarcir o crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS e COFINS, provenientes das aquisições feitas junto a pessoas físicas, pelo fato de estarem no regime cumulativo dessas contribuições; por outro lado, agroindústrias que exportem produtos iguais, mas que estiverem no regime nãocumulativo poderão apenas compensar o crédito presumido com a própria contribuição, em regime de conta gráfica. É de se observar que, no segundo caso, exatamente por ocuparem posição de “preponderantemente exportadoras” jamais conseguirão “gastar” seus créditos diante da, praticamente, inexistência de saldo devedor dessas contribuições, redundando a concessão dos créditos em aumento real dos custos dos produtos exportados. Com efeito, tenho que a função interpretativa das Leis mencionadas (Leis ns. 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.925/2004, em um comparativo com a Lei n. 9.363/96), além de conferir a aplicabilidade de tais normas às relações sociais que lhe deram origem, é de, igualmente, temperar o alcance do preceito normativo, para fazêlo corresponder às necessidades reais e atuais, ou seja, aos seus fins sociais e aos valores que pretende garantir. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 18 É certo que se deve buscar interpretar a norma de forma a atribuirlhe algum sentido, algum efeito prático e, no caso do crédito em referência, cujo objetivo primordial (declarado na “Exposição de Motivos” da Lei que o disciplina), é a desoneração tributária das exportações, não se pode admitir a concessão de um crédito visando ressarcir o exportador pelas incidências de contribuições em etapas anteriores e, ato contínuo, impedir que esse ressarcimento se concretize. Sendo a recorrente produtora e exportadora de açúcar e alcool e seus derivados, portanto, produtos de origem vegetal, tal como mencionado na legislação de regência, goza do benefício de incentivo às exportadores, não merecendo sofrer qualquer restrição ao intuito da legislação de tal incentivo, bem como ao princípio da não cumulatividade dele proveniente, até porque o mecanismo do crédito presumido visa justamente eliminar uma distorção do sistema que permite manterse a indesejada tributação “em cascata”. Assim sendo, ao meu ver, a exposição de motivos da legislação, cujo parcial teor já foi acima colacionado, é taxativa em afastar tais hipóteses. Não é, e nem foi este o intuito da modificação dos percentuais de crédito presumido oriundo das aquisições por empresas industriais, de produtos rurais de pessoas físicas. Ao contrário, a referida modificação mostrase como um mecanismo legislativo intentado de forma a evitar repercussões econômicas de grandes proporções, tais como o embargo econômico dos países consumidores dos produtos exportados. Tais créditos, uma vez acumulados por industriais exportadores – como o caso da ora recorrente – deve ter o tratamento estipulado pelo incisos II e § 2º do art. 5º da Lei 10.637/2002 e do artigo 6º da Lei n. 10.833/2003, qual seja, poderem ser compensados com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal ou objetos de ressarcimento em dinheiro, pois representam créditos apurados sobre os insumos de que tratam os artigos 3.º, II, ambos da Lei nºs. 10.637/02 e 10.833/03 já referidos, sendo essa remissão feita pelo art. 8º, da Lei nº 10.925/04, uma clara demonstração de que está indissociavelmente ligado, no sentido de garantir o regime de apuração não cumulativa e, como tal, igualmente se deve aplicar ao crédito respectivo, os direitos previstos para as receitas de exportação. Diferentemente, no entanto, se daria se a agroindústria acumulasse créditos presumidos de aquisições de pessoas físicas, em razão de operações por ele levadas a efeito no mercado interno. Nesse caso, aí sim, não se lhe estenderia o direito ao ressarcimento e compensação, pois não lhe socorre a legislação, devendo tais créditos serem utilizados apenas para compensação com a própria contribuição, pois que não se lhe pode extender os preceitos dos arts. 5º e 6º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Face as considerações tecidas, em função da interpretação sistemática, teleológica e até mesmo histórica que se faz do crédito presumido, enquanto mecanismo que visa desonerar os produtos nacionais da incidência em cascata das contribuições ao PIS e COFINS, considero equivocada a aplicação, aos créditos acumulados em função de operações de exportação, da vedação contida na Instrução Normativa nº. 660/2006. 2.1.4. Aplicação retroativa da Instrução Normativa nº 660/06: Apesar de entender que a interpretação sistemática já seria suficiente para concluir que o direito a compensação e o ressarcimento do crédito presumido de IPI, previstos nos arts. 5º e 6º, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/04, jamais foram revogados pelo art. 8º, da Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 190 19 Lei nº 10.925/2004, entendo ainda ser pertinente avaliar se a Instrução Normativa nº 660, editada em 17 de julho de 2006, poderia ou não produzir efeitos interpretativos retroativos. E o faço por tratarse de matéria relevante e de ordem pública, relativa aplicação das leis no tempo, devendo ser abordada por este Colegiado. Como se afirmou alhures, a partir da edição do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, emergiram dúvidas quanto à preservação do direito de compensação ou de ressarcimento do crédito presumido, pelo fato de os §§10 e 11, dos arts. 3º. das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, terem sido expressamente por ela revogados. Nessa esteira de considerações, no ambiente de dúvida que para alguns contribuintes permanecia, foi formulado processo de consulta, resultando na edição da Solução de Consulta nº 59, de 27 de Abril de 2005, cuja ementa trouxe a seguinte norma: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatívidade da Contribuição para o PIS/Pasep que produzirem mercadorias relacionadas no caput do a/t. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, na nova redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.051, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir de crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § Io do mencionado artigo. Em quaisquer dessas hipóteses, somente os créditos presumidos vinculados às receitas de exportações auferidas no mesmo período de apuração podem ser utilizados na forma dos §§ Io e 2o do art. 5o da Lei n° 10.637, de 2002, para fins de compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, ou para ressarcimento em dinheiro, observadas as disposições contidas nos dispositivos legais referidos e na legislação pertinente." Assim sendo, se para alguns contribuintes havia a dúvida, essa teria sido dissipada pelo conteúdo da Consulta exarada pela Receita Federal. No entanto, é certo que referida consulta teve o condão de deflagrar, inicialmente o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/05, e após, a edição da Instrução Normativa nº 660, a qual, porém, que somente veio a lume em 17 de julho de 2006, com o seguinte conteúdo: Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. § 1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 20 I 0,99% (noventa e nove centésimos por cento) e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso: a) dos insumos de origem animal classificados no capítulo 2, exceto os códigos 02.01, 02.02, 02.03,0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 da NCM; b) das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da NCM; e c) dos insumos de origem animal classificados nos capítulos 3, 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM, exceto o código 1502.00.1; II 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos. § 2º Para efeito do cálculo do crédito presumido de que trata o caput, o custo de aquisição, por espécie de bem, não poderá ser superior ao valor de mercado. § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Portanto, a Instrução Normativa nº 660/06 veio revogar o conteúdo interpretativo anteriormente exarado pela Solução de Consulta nº 59, passando a obrigar os agentes da Administração Tributária ao cumprimento de seus ditames, a ponto da decisão recorrida, ao fundamentar sua conclusão, ter sido expressa em citar a referida IN, e, ao mesmo tempo, se lhe atribuir caráter meramente interpretativo. Consequentemente, nos termos do art. 106, do CTN, deveria referida IN ser aplicada retroativamente. Vejamos a parte da decisão que assim se posiciona: “[...] Também não prospera a alegação de aplicação retroativa da IN SRF nº. 660, de 2006, uma vez que o impedimento para a compensação ou ressarcimento dos referidos créditos está implicitamente disposya na Lei, e explicitamente no acima transcrito ADI nº. 15, cujos efeitos são retroativos, fundamentado no art. 106 do CTN.” No entanto, pela simples leitura que se faz do art. 106 do CTN, emerge claro que o que retroage é a Lei que seja expressamente interpretativa, o que, data vênia, não é o caso de ato emanado do Poder Executivo, eis que as Instruções Normativas não possuem caráter legislativo, mas sim, visam a edição de normas destinadas a fiel execução das Leis. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 191 21 Não é a Instrução Normativa uma Lei, em sentido formal, material ou mesmo finalístico, de modo que não se pode atribuir a uma Instrução Normativa o caráter legiferante, não lhe cabendo um predicado exclusivo das Leis. Diante disso, o que se tem é que, em junho de 2006 foi editado um ato pelo qual se deixou clara a interpretação do Poder Executivo, sobre os efeitos do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 e o direito de compensar ou ressarcir créditos presumidos pelo exportador de produtos agroindustriais. Porém, ainda que não se tivesse verificado que a interpretação sistemática, teleológica e até mesmo histórica levam a conclusão de que referido direito de compensar e ressarcir o crédito presumido da agroindústria, em favor do contribuinte exportador, não logrou ter sido revogado pelo art. 8º, da Lei nº 10.925, ainda assim teríamos um óbice intransponível, que seria o de atribuir efeitos retroativos ao art. 8º, da Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006. É o que se colhe do seguinte julgado do extinto Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “INSTRUÇÃO NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAGIR PARA RESTRINGIR DIREITO DO CONTRIBUINTE. AFRONTA AO PRINCÍPIO TRIBUTÁRIO DA IRRETROATIVIDADE. A Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, entretanto não é válido o dispositivo que determina a retroatividade de sua eficácia restritiva para período anterior à sua publicação. Recurso provido.” (Acórdão n° 20312.809. 2º Conselho de Contribuintes 3a. Câmara. Sessão de 08 de abril de 2008) Portanto, tratandose de crédito presumido relativo a período anterior a edição da Instrução Normativa nº 660/2006, ou mesmo do ADI/SRF nº 15/2005, independentemente da interpretação neles veiculada estar ou não ajustada à interpretação sistemática do ordenamento jurídico pátrio, entendo que ela não poderá colher atos anteriores a sua edição, especificamente no que diz respeito aos créditos acumulados em razão de operações de exportação. 2.1.5 Interpretação do entendimento do STJ sobre a questão: É importante deixar registrado que existe entendimento emanado do STJ sobre o tema em questão (vide Recurso Especial nº 1.240.954 – RS), o qual, se visualizado superficialmente, se posiciona em sentido oposto ao que defendo nessa exposição. Vejamos a Ementa: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 22 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N. 10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. No entanto, entendo que a decisão do STJ está plenamente correta no que diz respeito aos saldos credores de PIS e de COFINS que se acumularem em conta gráfica dos contribuintes submetidos ao regime não cumulativo de tais tributos, decorrentes de operações realizadas no mercado interno. Essa, aliás, é a interpretação que penso deva emanar das normas infralegais editadas pelo Poder Executivo, tanto a IN nº 660/06 quanto o Ato Declaratório Interpretativo nº 15/05, pois que atende aos critérios interpretativos pelo método histórico, teleológico e sistemático da legislação. Embora essa interpretação não esteja textual no precedente analisado e colacionado, posicionome no sentido de que o entendimento do STJ se compatibilizará com o sistema legislativo como um todo quando aplicado apenas aos contribuintes que acumularem créditos no mercado interno, excluídos de seu espectro os saldos credores acumulados em virtude de operações de exportação. Portanto, embora conhecendo o entendimento do STJ, interpretoo como não extensivo ao caso dos autos, respeitando os que interpretarem tal entendimento de modo diverso, embora sem modificação da conclusão aqui exarada, até porque a questão não encontrase sumulada, não foi julgada em sede de recurso repetitivo ou de repercussão geral. 2.1.6 Alcance do Art. 56B, da Lei nº 12.350/2010 (na redação da Lei nº 12.431/2011): Como já mencionado no corpo do voto, em 20 de dezembro de 2010 foi sancionada a Lei nº 12.350, a qual, com redação da Lei nº 12.431/2011, acabou por deixar expressa a possibilidade de compensação/ressarcimento do saldo do crédito presumido em favor das agroindústrias, ora objeto de análise. Nesse sentido, transcrevese o art. 56B, da Lei nº 12.350/10: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 192 23 “Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: I efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.”. Com efeito, a partir do advento do citado art. 56B, não mais pairam dúvidas sobre a possibilidade de sua compensação/ressarcimento. As dúvidas sobrevirão para autuações que tiverem sido lavradas glosando esse referido direito. Além disso, cumpre abordar a redação do art. 56A, da mesma Lei nº 12.350/2010: “Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º, da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria”. Portanto, no art. 56B houve o reconhecimento do direito a compensação, enquanto que no art. 56A, ambos da Lei em questão, há limitação temporal e formal para se pleitear os ressarcimentos e as compensações do crédito presumido quando acumulados em períodos retroativos. Consequentemente, o que aqui se deve perquirir é se, por não ter a Lei nº 12.350/2010 sido expressa em determinar os seus efeitos para períodos anteriores a Janeiro de 2006 (ou seja, períodos entre Ago/2004 e Dez/2005), o direito a compensação preexistiria a sua edição? E mais, em não preexistindo, podem ser aplicados tais efeitos retroativamente?. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 24 Em resposta ao primeiro questionamento, entendo que a referida legislação em nada inovou o ordenamento jurídico naquilo que diga respeito aos saldos credores acumulados decorrentes de operações de exportação, pois que vislumbro que o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, não teve o condão de alterar o direito de ressarcimento e de compensação para os exportadores, diferentemente dos saldos decorrentes do mercado interno, por todos os argumentos já esposados ao longo deste voto. Quanto ao efeito retroativo, igualmente entendoo plenamente aplicável no caso, e por dois fundamentos. O primeiro é porque, não tendo a novel legislação inovado o Direito Positivo, a interpretação que se extrai do ato formal de promulgação da Lei, é no sentido de que está havendo o reconhecimento expresso de um direito préexistente. É dizer: a Lei nº 12.350/10, na redação da Lei nº 12.431/11, revestese de caráter interpretativo, e, como tal, deve retroagir seus efeitos para colher não só as situações anteriores a sua vigência (Dez/2011), mas também aqueles fatos constituídos anteriormente a Janeiro de 2006. No que diz respeito ao efeito retroativo para o período de Ago/2004 a Dez/2005, essa conclusão é também respaldada no princípio pelo qual não se poderia instituir tratamento diferenciado entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente, de modo a vedar o direito de compensação para aqueles que pleitearem compensação com créditos apurados em Dez/05, e deferilo para aqueles que pleitearemno para créditos de Jan/2006. Assim sendo, essa limitação temporal existente no art. 56A, da Lei nº 12.350/2010, visou atingir o período decadencial do direito de crédito, de modo que não se pode negar aplicabilidade retroativa, dado seu caráter interpretativo (art. 106, do CTN). Vejamos o dispositivo legal: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Portanto, com a edição das Leis nºs 12.350/10 e 12.431/11, há o reconhecimento legislativo de que a interpretação emprestada ao direito de compensação do crédito presumido da agroindústria pela Administração Tributária estava equivocada, sendo necessária a veiculação de legislação para efetivamente atribuir efeitos interpretativos a questão, e ao mesmo tempo deixar extreme de dúvidas que o direito a efetivação dos créditos deveria ter sido sempre preservado. No entanto, a retroatividade não se sustenta somente neste fundamento. Além disso, até mesmo para os que se posicionarem no sentido de que as Lei nºs. 12.350/10 e 12.431/11 não deveriam retroagir porque não teriam sido expressas nesse sentido, ou porque estariam limitando cronologicamente o direito de pleitear as compensações, entendo que ainda assim devem tais Leis colherem os fatos pretéritos, pois que, a partir do art. 56B, das Leis citadas, deixouse de tratar o direito de compensação como contrário a qualquer Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 193 25 exigência de ação ou omissão, a qual estava materializada exatamente no dever do contribuinte absterse de efetuar a compensação dos créditos acumulados. Nesse sentido, invocase novamente o art. 106, do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;” Assim, seja pelo inciso I, seja pelo inciso II, alínea “a”, do art. 106, do CTN, devem as Leis nº 12.350/10 e 12.431/11, retroagirem os seus efeitos, e, conseqüentemente, merece guarida o pleito de ressarcimento e compensação declinado pela Recorrente. Em resumo da fundamentação contida nos autos: Considerando que, quando os arts. 5º, da Lei nº 10.637/02 (para o PIS) e art. 6º, da Lei nº 10.833/03 (para a COFINS) concederam o crédito presumido da agroindústria, reportouse aos arts. 3º das citadas Leis, os quais, naquele momento, traziam em seu bojo os §§10 e 11 concessores do crédito presumido; Considerando que o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 não revogou expressamente o direito de compensação e de ressarcimento previsto nos arts. 5º, da Lei nº 10.637/02 (para o PIS) e 6º, da Lei nº 10.833/03 (para a COFINS) e ainda, pela sua exposição de motivos, preservou o crédito presumido com o objetivo declarado de evitar que se “exportasse” tributos; Considerando que a interpretação sistemática, teleológica e histórica do crédito presumido em questão, posicionao como mecanismo de eliminação do efeito de “exportar tributos”, e que não deve conviver no sistema um direito com esse mesmo objetivo que tenha aplicabilidade diversa em função unicamente de estar ou não o exportador sujeito ao regime cumulativo ou não cumulativo do PIS e da COFINS; Considerando, ainda, que a Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006, não tem a aptidão legislativa de retroatividade para aplicarse a fatos passados, especialmente aos saldos credores decorrentes de operações de exportação; Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 26 Considerando, finalmente, que com o advento do art. 56B, da Lei nº 12.350/10 (na redação da Lei nº 12.431/11), houve reconhecimento expresso do direito, e que nos termos do art. 106, incisos I e II, “ b”, do CTN, o mesmo deve retroagir os seus efeitos para o caso em análise. Entendo que o recurso, nesse particular, merece provimento, sendo que quanto aos valores do crédito presumido, estes deverão ser averiguados pela autoridade preparadora para fins de homologação total ou parcial da compensação pleiteada. 3. Variação cambial como complemento de preço: Passando em seguida à análise quanto às receitas denominadas pelo recorrente como complementos de exportação – e pela fiscalização como variação cambial ativa (portanto, receitas financeiras submetidas à tributação) – excluídas da base de cálculo das receitas de exportação, alterando, consequentemente, o percentual da proporcionalização entre as receitas de exportação e a receita bruta total, tenho que a mesma referese, de fato, à complementação de receitas de exportação, conforme sustenta a recorrente, em face, suscintamente, da análise das provas acostadas ao processo e das considerações que doravante passo a expor. Dos documentos que a Autoridade Fiscal solicitou no curso de suas verificações, denotase que, mesmo que ocorridas por intermédio de empresa trading, ou ainda, mesmo que decorrente de efetiva variação na taxa de câmbio ocorrida na operação, a diferença financeira discutida ocorreu antes da determinação do preço, conforme critérios contratualmente determinados. Observase que a diferença de preço capturada pelo Fisco como “receita financeira”, restou caracterizada como o preço final de venda negociado pela empresa, tendo sido a variação ocorrida no caso, mera conseqüência do lapso temporal entre o transporte da mercadoria ao porto (etapa do processo de venda), e a data de determinação do preço, independentemente de ter ou não havido o efetivo embarque ao exterior (finalização da negociação, com fechamento do preço), lapso esse em que houvera oscilação no preço em reais, original e contratualmente fixado em dólar para a operação de exportação. No “Contrato de Compra e Venda de Açúcar para Entrega Futura Destinado à Exportação”, de fls. 57 e seguintes dos autos, vêse que o item “preço” prevê a fixação final dos valores contratados no máximo até o 3º dia útil anterior à expiração do contrato futuro da Bolsa de Açucar de Londres, estipulando assim, que ainda que houvessem preços utilizados para emissão inicial das notas fiscais (embasando tão somente o transporte do produto), a finalização da operação estará condicionada à cotação do dólar norteamericano “da terçafeira imediatamente anterior à data do pagamento”(fls. 59). É dizer, o preço constante da nota fiscal era nela aposto de forma precária, pois que seu valor contratado, era aquele previsto contratualmente. Colacionase o trecho do Contrato apresentado à fiscalização, para melhor elucidação do exposto: “PREÇO: A ser fixado por ordens executiveis do vendedor para 280 lotes da posição do contrato de Dezembro/2004 do contrato no 5, da Bolsa de Açúcar de Londres (LIFFE), deduzido de um desconto fixo de USD 42,00 (quarenta e dois dólares norte americanos) por tonelada métrica, base FOB estivado Santos, Brasil, e de um desconto fixo de R$112,00 (cento e doze reais) por tonelada métrica, referente ao transporte das Usinas do Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 194 27 Vendedor até o Porto e as despesas portuárias e serviços de elevação. 0 mínimo aceitável para a fixação será de 10 (dez) lotes. A fixação será feita sem ônus para a VENDEDORA. 0 prego final deverá ser completado o mais tardar até o 3° dia útil anterior A expiração do relevante contrato futuro da Bolsa de Açúcar de Londres (LIFFE) do contrato no 5.” Da leitura do contrato mencionado, entendo que a negociação comercial da qual resulta a variação financeira em foco, não findase com a emissão da nota fiscal que acompanha o produto para transporte, e que daí por conseguinte as variações ativas não seriam tipicamente “receitas financeiras”; mas sim, tenho que a operacionalização de venda efetuada pela recorrente seria impossível de se concretizar sem que a mesma tomasse por base uma cotação “préestabelecida” apenas para assegurar o tranporte da mercadoria, ou ainda que para assegurar a previsão contratual estabelecida no terceiro parafrafo do item “preço”, in verbis: “ [...] Se a VENDEDORA não efetuar a fixação de 100% de contrato até o 3º dia útil anterior à expiraão do contrato futuro da Bolsa de Açúcar de Londres (LIFFE) – contrato nº. 5, a VENDEDORA autoriza a COMPRADORA a fixar os lotes restantes no segundo dia útil anterior à expiração do referido contrato futuro, sempre dentro dos níveis praticados pelo mercado, independentemente de qualquer notificação ou aviso prévio à VENDEDORA.” Na lógica a ser compreendida, a variação ocorrida somente ocorre por que a finalização da negociação após o transporte da mercadoria, e que a taxa de câmbio utilizada anteriormente pela “VENDEDORA” somente serviu para a emissão das notas necessárias para que fosse realizado o transporte, mas de modo precário, já que o preço efetivamente pactuado apenas seria conhecido em momento posterior (preço determinável), segundo termo contratual expresso nesse sentido. É indubitável o conhecimento acerca do modo ou forma como a negociação comercial se concretiza, para concluir se as receitas questionadas tratamse ou não de receitas financeiras decorrentes de variação cabial ativa, ou então, apenas e somente de “complementos de vendas”. Sendo a variação financeira posterior ao fechamento da negociação, após a determinação do preço, e, por exemplo, lá ocorrendo variação do câmbio sobre os recebíveis tornados definitivos pelo fechamento da exportação, claro fica que o “ganho” assim obtido é, de fato, uma receita financeira decorrente de “variação cambial ativa”. Entretanto, em ocorrendo a variação financeira entre o fechamento do câmbio apenas para emissão de nota de transporte (portanto de modo “precário” em relação ao preço contratado), e o termo contratual para sua determinação final, claro também fica que a emissão de nota fiscal de “complemento de venda” (com a diferença cambial ocorrida neste lapso temporal – emissão de NF para transporte e fechamento do câmbio no “termo” contratual), é, e apenas é, complemento do preço em relação àquele precariamente aposto na Nota Fiscal que serviu ao transporte, demonstrando ser apenas o cumprimento de uma formalidade essencial no negócio, que nada mais é do que a determinação do preço segundo os critérios do contrato. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 28 Estando expressamente evidenciado que a negociação comercial destinada ao exterior somente estará finalizada com o fechamento do preço final – exigido do comprador por meio de complemento de nota fiscal – concluise que a variação ocorrida neste interrégno revestese de natureza de “complemento do preço” das entregas de produtos nesse átimo consumadas, cuja execução de parte deste negócio jurídico se iniciara quando do envio prévio dos produtos para formação de lote destinado a exportação. Neste sentido, quanto à consideração das notas fiscais de complemento de exportação representarem, de fato, receitas de exportação, transcrevo a íntegra do voto vencedor proferido no Processo nº. 13854.000106/200101, cujo Acórdão nº. 20219.039, da lavra do Ilustre Conselheiro Antonio Zomer, compactuo inteiramente: “Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Cuido neste voto apenas da possibilidade de inclusão, no valor da Receita de Exportação, da variação cambial, que ocorre entre a data de emissão da nota fiscal e a data do embarque dos produtos exportados, e que é objeto de emissão de nota fiscal complementar e contabilizada como complemento de faturamento, integrando a receita bruta da empresa. Pretende a recorrente que a variação cambial, que ocorre entre a data de emissão da nota fiscal e o fechamento do contrato de câmbio, seja considerada como receita de exportação para efeito de se determinar o percentual desta em relação à receita operacional bruta, como definido pelo art. 22 da MP n2 948/95. A lei instituidora do incentivo determinou que a apuração da receita de exportação seja feita com base na legislação que rege a contribuição para o PIS e a Cofins (art. 32 da Lei nº 9.363/96). Só subsidiariamente a referida lei determinou que se recorra à legislação do Imposto sobre a Renda e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (parágrafo único do art. 32), para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. As contribuições não incidem sobre a receita de exportação. Entretanto, a base de cálculo das mesmas é o faturamento, que advém do somatório dos valores constantes das notas fiscais de venda, excluídas as notas fiscais de exportação. Neste contexto, a variação cambial em questão, mesmo que reconhecida pelo Decex como receita de exportação, não integraria o faturamento e, conseqüentemente, não seria considerada no cálculo do percentual utilizado para o cálculo do valor do crédito presumido de IPI. No entanto, se o valor da variação cambial for objeto de emissão de nota fiscal de exportação complementar, tal receita passa a integrar a receita operacional bruta e, como tal, também a receita de exportação. Neste caso, estarão plenamente atendidos os requisitos da legislação que rege as contribuições que o incentivo fiscal visa a ressarcir. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 195 29 É importante perceber que com esse proceder, se de exportação não se tratasse, a empresa estaria lançando a variação cambial na base de cálculo das contribuições, pois que a nota fiscal complementar a transforma em complemento de preço de venda, isto é, faturamento. Portanto, se há comprovação de que foram emitidas notas fiscais complementares, a variação cambial integra a receita bruta e, neste passo, a receita de exportação. Ante o exposto, dou provimento ao recurso quanto a esta parte. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2008.” Entendo que, se o preço é a determinar, havendo no contrato critérios de sua determinação, não estamos ainda falando de preço certo e determinado, até o momento (termo contratual) previsto para sua determinação, fixação ou formação. Assim, chegado o dia da determinação do preço e aplicandose os critérios previstos para sua fixação, é que teremos o preço certo, e então, determinado. Se, antes disso, para acompanhar a mercadoria exportada, era emitida Nota Fiscal pela cotação do dólar daquele dia (antes do termo contratual para determinação do preço), temse que o valor aposto na Nota Fiscal é precário, sendo apenas uma referência a um preço, mas que não é definido (nem é o contratualmente acordado). Apenas quando se chegar ao termo fixado no contrato para determinação é que teremos o PREÇO, e então, os valores contidos nas NF’s anteriormente emitidas para seguir com a mercadoria, deverão ser ajustados, provocando a devolução de preço ou o complemento de preço. Na verdade, o preço sempre foi aquele conforme previsto no contrato, sendo as NF’s anteriores apenas instrumentos para viabilizar o trânsito da mercadoria até o porto. Antes da determinação do preço, não há que se falar em variação cambial. A variação cambial é em função da oscilação do preço, este já determinado e definitivo, conforme previsto no contrato. A variação incide sobre os recebíveis da empresa, e o recebível é aquele cujo preço já esteja determinado, e não ainda “a determinar”. Assim, não há variação cambial antes da conclusão do processo de determinação do preço. Após a determinação do preço, com a emissão da Nota ou sua Complementação por outra Nota Fiscal, aí sim teremos o preço determinado, esse sim, passível de sofrer oscilações em função da variação cambial. Ademais, o fato de no contrato estar previsto como critério de fixação ou determinação do preço a vinculação à cotação da moeda estrangeira em determinada data, não transforma essa vinculação em variação cambial antes da efetiva determinação do preço conforme ajuste contratual. Se fosse possível ao contribuinte despachar mercadorias desacompanhadas da Nota Fiscal, ele assim o faria, sendo que na data prevista para a determinação do preço, seria emitida uma única Nota Fiscal, com um único preço, que deveria refletir exatamente o preço determinado conforme os critérios ajustados para sua determinação. Como não é permitido transportar mercadoria desacompanhada da Nota Fiscal, e esse transporte ocorre antes da data prevista para a determinação do preço, evidentemente que o valor colocado na Nota Fiscal não é aquele determinado, mas sim está ali aposto de maneira precária, para ser objeto de complemento ou de devolução de preço (em termos de emissão de Nota Fiscal), conforme critérios de fixação do preço. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 30 Os artigos 486 e 487 do Código Civil, no amparo ao que aqui se explana, prevêem a possibilidade de determinação futura de preço em negócios jurídicos, demonstrando que, desde que haja previsão contratual para sua fixação ou objetiva determinação, possa ser o mesmo condicionado à características específicas e/ou peculiares ao objeto contratado, de modo que sua fixação seja negociada como “a determinar”. Vejamos: Art. 486. Também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. A doutrina de SILVIO DE SALVO VENOSA, nos ensina que o negócio jurídico somente se configura perfectibilizado com a determinação do preço (valor em dinheiro) negociado, a se verificar: “Além de ser em pecúnia numerata, dinheiro de catado, normalmente se afirma que o preço deve ser certo, real ou justo e verdadeiro. Apenas após determinado o valor em dinheiro, a compra e venda tornase perfeita e obrigatória (...).” (VENOSA, SILVIO DE SALVO. Direito Civil – Contratos em Espécie. 10ª Ed. São Paulo: Atlas, 2010. P. 14) Assinalando o que até agora foi exposto, vêse que antes que haja a determinação do preço final contratado, não há que se falar em negócio jurídico perfectibilizado, de modo que a variação decorrente da alteração cambial ocorrida entre a emissão da NF de transporte e a NF de Complementação de preço, não é, sob nenhuma hipótese, receita financeira ativa para o contribuinte em questão, representando somente uma diferença de valores ocorrida entre o transporte e o termo previsto para que haja a determinação final do preço estipulada em contrato. Cabe afirmar, ainda, que a vinculação do preço a moeda estrangeira, não é proibida no Brasil, desde que o pagamento seja feito na moeda corrente nacional. Portanto, é permitido indexar o preço a moeda estrangeira, para no momento previsto para sua conversão, vir a ser liquidado em real. Porém não se deve tratar como variação cambial a oscilação da moeda prevista para indexar, ou seja, “determinar”o preço. Antes da determinação do preço, a oscilação da moeda não afeta os recebíveis da empresa, pois que ainda indeterminado e ilíquido, apenas precariamente aposto em um documento fiscal para viabilizar o transporte. Assim, na esteira das considerações acima tecidas, tenho que as notas fiscais emitidas de forma complementar, com o fim de ajustar o preço de venda em virtude de diferenças cambiais existentes entre a data do transporte e o efetivo fechamento do preço da exportação do produto, conferem ao citado valor a natureza receita de exportação, e não de receita financeira, de modo que deve compor as receitas de exportação, refletindo no cálculo da relação percentual aplicada para fins de determinação do valor do incentivo. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 196 31 4. Dispositivo: Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do contribuinte compensar ou ressarcir o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2002, acumulados em virtude e na proporção das operações de exportações que realizou no referido período de apuração, bem como, para reconhecer como receita de exportação àquela denominada “variação cambial”, por representarem apenas e tão somente um complemento, ou ajuste ao preço efetivo da venda realizada. É como voto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 32 Voto Vencedor Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator designado Com a devida vênia discordo da possibilidade de utilização do valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004, para fins compensação ou de ressarcimento. Entendo que somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das próprias contribuições, senão vejamos: Para clarear a questão vejo de suma importância definir a irradiação das modificações impostas pela Lei nº 10.925/2005 ao regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. A Lei nº 10.637/2002, assim dispõe sobre o assunto: Art. 2o Para determinação do valor do PIS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65. (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11.Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) IIo valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 197 33 Assim, a agroindústria poderia aproveitar os créditos presumidos para dedução do valor a recolher resultante de operações no mercado interno, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela SRF e, caso não conseguisse utilizálos até o final de cada trimestre, pleitear seu ressarcimento. Ocorre que os §§ 10 e 11 do art. 3º supra, foram revogados pela Medida Provisória nº 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art.3° Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5o darseão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4° Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Art.5° Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Sobreveio a conversão dessa Medida Provisória na Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004), reinstituindo os créditos presumidos da agroindústria com alterações, conforme arts. 8º e 15: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 34 (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1o, 3o, 7o, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei Observe que a Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento. Importa notar que, quanto ao aproveitamento, essa Lei dispôs apenas sobre a possibilidade da pessoa jurídica, indicada no caput dos arts. 8º e 15, “deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” De outro lado, a mesma Lei nº 10.925 manteve as revogações promovidas pela MP nº 183, verbis: Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Assim, como os créditos previstos no art. 3º, §§ 10 e 11 da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, §§ 11 e 12 da Lei nº 10.833/2003 foram expressamente revogados pelo art. 16 da Lei nº 10.925/2004, não sendo mais apurados na forma do art. 3º daquelas leis, não há mais possibilidade de efetuar compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação a aqueles créditos, por falta de previsão legal. Pelo mesmo motivo, não é possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em função da revogação promovida pela Medida Provisória nº 183 não ter produzido efeitos antes da reinstituição dos créditos presumidos da agroindústria pela Lei nº 10.925, podese concluir que o aproveitamento de tais créditos não sofreu solução de continuidade. Portanto, em que pese a reinstituição de créditos presumidos para a agroindústria pela Lei 10.925, não houve mudanças nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que contemplam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º e não esses “novos” créditos. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.000415/200568 Acórdão n.º 3402001.679 S3C4T2 Fl. 198 35 Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º das mesmas Leis: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o credito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 36 dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei n° 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8º, § 4º, da Lei nº 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Na linha de entendimento acima fixado, a partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS devido na sistemática da nãocumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS apurado no regime de incidência nãocumulativa. Assim sendo, não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação e subsunção para concluir que a compensação e o ressarcimento pretendidos pelo contribuinte não devem prosperar. É como voto. Sala de Sessões, em 15/02/2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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