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Numero do processo: 10920.001940/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 22/01/2007
PRELIMINAR. NULIDADE. PROCEDIMENTO ESPECIAL DE CONTROLE ADUANEIRO. ATRIBUIÇÃO. SRF. VÍCIOS.
Nos termos do art. 68 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, quando houver indícios de infração punível com pena de perdimento, a Secretaria da Receita Federal possui atribuição para investigar e aplicar as devidas penalidades ao contribuinte, se cabíveis. O procedimento investigatório é indispensável para averiguar possíveis infrações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO.
Nas operações de importação por conta e ordem de terceiro, importador e adquirente participam da nacionalização do bem importado, desse modo, constatada a infração, instaura-se o vínculo solidário, na forma do artigo 95, V do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966. OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO.
A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele.
RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 33 DA LEI 11.448/07. MULTA.
PENA DE PERDIMENTO. COEXISTÊNCIA. SANÇÕES DIVERSAS.
Conforme decorre do §3º do artigo 727 do Decreto nº 6.759/09, a multa pela cessão de nome do importador, introduzida pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/07, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas.
RELEVAÇÃO DE PENALIDADE.
Inviável o exame de pedido de relevação da pena de perdimento durante o curso do litígio administrativo. Necessidade de encerramento do contencioso administrativo, sob pena de se proferir decisões conflitantes.
Competência do Secretário da Receita Federal do Brasil, nos
termos da Portaria MF n°. 214, de 28 de março de 1979.
Preliminar de nulidade suscitada rejeitada. No mérito, recurso voluntário improvido.
Numero da decisão: 3202-000.710
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Théo Francisco Von Atzingen Sasse, OAB/SC nº. 15.270.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Gilberto de Castro Moreira Junior
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NULIDADE. PROCEDIMENTO ESPECIAL DE CONTROLE ADUANEIRO. ATRIBUIÇÃO. SRF. VÍCIOS. Nos termos do art. 68 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, quando houver indícios de infração punível com pena de perdimento, a Secretaria da Receita Federal possui atribuição para investigar e aplicar as devidas penalidades ao contribuinte, se cabíveis. O procedimento investigatório é indispensável para averiguar possíveis infrações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. Nas operações de importação por conta e ordem de terceiro, importador e adquirente participam da nacionalização do bem importado, desse modo, constatada a infração, instaurase o vínculo solidário, na forma do artigo 95, V do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 19 40 /2 00 7- 72 Fl. 359DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 326 2 Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 33 DA LEI 11.448/07. MULTA. PENA DE PERDIMENTO. COEXISTÊNCIA. SANÇÕES DIVERSAS. Conforme decorre do §3º do artigo 727 do Decreto nº 6.759/09, a multa pela cessão de nome do importador, introduzida pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/07, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. Inviável o exame de pedido de relevação da pena de perdimento durante o curso do litígio administrativo. Necessidade de encerramento do contencioso administrativo, sob pena de se proferir decisões conflitantes. Competência do Secretário da Receita Federal do Brasil, nos termos da Portaria MF n°. 214, de 28 de março de 1979. Preliminar de nulidade suscitada rejeitada. No mérito, recurso voluntário improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Théo Francisco Von Atzingen Sasse, OAB/SC nº. 15.270. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Fl. 360DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 327 3 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, SC (DRJ/FNS), que julgou improcedente a impugnação (fls. 78 a 137) apresentada, em 23 de outubro de 2007, por ACSICOMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., ora Recorrida, sendo responsável FEP CONFECÇÕES LTDA (que, apesar de intimado, não apresentou impugnação). Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: “Trata o presente processo de exigência de Multa Equivalente ao Valor Aduaneiro da Mercadoria, prevista no § 3º do art. 23 do Decretolei 1455/76, acrescentado pela Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, perfazendo, na data de sua constituição, em 10/08/2007, um crédito tributário no valor de R$ 109.920,93, objeto do Auto de Infração e Relatório de Ação Fiscal, de fls. 37 a 68. A infração apurada pela fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 45/48, foi, em síntese, a seguinte: • A Acsicomex importou fios de elastano em nome da FEP Confecções Ltda., CNPJ 04.575.034/000165, de forma oculta, fato que geraria perdimento das mercadorias, porém como foi dado o consumo dos fios será aplicada a multa de 100% sobre os valores dos mesmos, conforme estabelece a legislação. • Os fios de elastano foram importados por encomenda da FEP Confecções Ltda., através da Dl n° 07/00937891, registrada em 22/01/2007, registrando entrada pela nota fiscal ° 000113, de 24/01/2007, fls. 21, dando duas saídas para os mesmos fios: (i) mediante nota fiscal n° 000115, para a própria FEP, fls. 22, (ii) nota fiscal n° 000116, de 25/01/2007, fls. 23, para a Seubertec Malhas Ind. Com. de Produtos Têxteis Ltda., em cujo corpo da referida nota descreve que a encomenda está sendo encaminhada por conta e ordem da FEP, autor da encomenda recebida pela NF 000115, emitida em 25/01/2007. • Outra comprovação de que a compra da mercadoria realmente foi feita por encomenda está sacramentada no recebimento antecipado de numerário da FEP pela Acsicomex, conforme lançamentos feitos em seu livro Razão n° 2, página 21, cópia fls. 31, cujos valores registrados em CAIXA, com os seguintes históricos: "VR. DOC PEDIDO FEP CONFECÇÕES LTDA EM 13/12/06 VALOR R$ 33.645,00". Fl. 361DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 328 4 "VR. DOC PEDIDO FEP CONFECÇÕES LTDA EM 18/12/06— VALOR R$ 77.975,00". • Também no livro Diário n°19, página 84, cópia fls. 32, registra o pedido da FEP com os seguintes históricos: "VR. PEDIDO FEP CONFECÇÕES LTDA EM 13/12/06 — VALOR RS 33.645,00". "VR. PEDIDO FEP CONFECÇÕES LTDA EM 13/12/06 — VALOR DE RS 77.975,00". • Resta caracterizada a importação por conta e ordem com antecipação de pagamentos, infração punível com a pena de perdimento. Como não foi localizada a mercadoria, aplicase a pena de multa no valor de 100% da mercadoria, nos termos da legislação aplicável. • Elementos probatórios foram obtidos com a documentação retida na empresa, documentação esta mantida alheia aos trâmites alfandegários em relação à FEP. Cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 78/137, acompanhada dos documentos de fls. 138/264, alegando, em síntese: • Não existe nenhum indicio que demonstre a vontade da impugnante e da FEP de simularem uma operação para ocultar esta última, tendo as importações sido realizadas por conta e risco daquela, uma vez que era a impugnante que realizava todas as operações inerentes ao negócio, entre estas o pagamento do câmbio. • A importação foi realizada com pagamentos parciais por parte da FEP, porém todas as demais provas demonstram que a importação era feita por conta e risco da impugnante. Quando do pagamento do primeiro câmbio não houve qualquer pagamento da FEP, sendo que os pagamentos do fechamento do segundo câmbio, não podem, por presunção legal relativa, descaracterizar a importação realizada por conta própria, que foi um negócio jurídico válido. • A importação da forma como foi feita não gerou dano algum ao Erário na medida em que as mercadorias foram utilizadas como matériaprima pela FEP para industrialização e revendidas com incidências de todos os impostos. Ademais, a FEP é industrial e obrigatoriamente contribuinte do IPI, não havendo, como dito anteriormente, qualquer dano ao Erário também nesse ponto, muito pelo contrário, houve apenas aumento na arrecadação em função das margens de lucro praticadas pela impugnante. • Destarte não havia qualquer vantagem para a FEP em comprar os produtos da impugnante. A única razão para operação ter sido realizada da forma que ocorreu foi o fato da impugnante ter identificado o fornecedor internacional e ter optado pela importação direta para poder realizar Fl. 362DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 329 5 margens de lucro superiores às comissões que receberia caso as importações fossem realizadas por encomenda ou por conta e ordem. • No entanto, em se considerando a presunção relativa de que a importação deveria ter sido realizada por conta e ordem de terceiro ou por encomenda, não há que se falar em perdimento das mercadorias, por não haver qualquer indicio de simulação, bem como qualquer dano efetivo ao Erário. • O perdimento das mercadorias ou sua conversão em multa só é cabível para os casos em que se constatam a intenção de ocultar terceiro mediante fraude ou simulação, inclusive com a interposição fraudulenta de terceiros. • Que todas as importações foram negociadas pela impugnante diretamente com os fornecedores internacionais como XIAMEN YUNDANG, sem qualquer intervenção da FEP. • Que o contrato de câmbio na referida importação foi fechado com pagamento de 30% em 21/11/2006, com recursos integralmente da impugnante e 70% em 19/12/2006, após dois pagamentos parciais da FEP, porém estes pagamentos em nada alteraram a capacidade de compra da impugnante, uma vez que o saldo em conta, mesmo sem os pagamentos da FEP, seria suficiente para efetuar o pagamento integral do câmbio. Destarte, os eventuais adiantamentos não alteravam em nada a capacidade financeira da impugnante, que na data do fechamento do câmbio das importações realizadas, sempre possuía saldo maior do que o necessário para realizar as operações. • Que a ora impugnante era a responsável por toda a operação e que o risco do negócio era toda desta, na medida em que os valores pagos não tinham qualquer vinculação à variação da moeda, estocagem das mercadorias, entre outros fatores. • Que a autoridade fiscal se fixou na presunção de que a importação deveria ter sido realizada por conta e ordem de terceiros em virtude da identificação de adiantamentos realizados pela FEP. Ocorre que a presunção legal invocada é relativa, admitindo prova em contrário, tendo demonstrado a impugnante estar agindo de forma legítima nas importações por conta própria (diretas) em todas as fases do processo. Ressaltamos que a única razão para a impugnante ter realizado a importação por conta própria foi a possibilidade de aplicação de margens de lucro superiores a 18%, percentuais que jamais seriam atingidos nas outras modalidades de importação, onde as comissões giram em torno de 5%. • Mesmo que a impugnante tivesse cometido um erro, por realizar importação por conta própria, quando, por presunção legal, o deveria ter feito por conta e ordem de terceiros, este erro não pode ser considerado fraude ou simulação. Fl. 363DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 330 6 • Destarte, considerando que todas as provas reunidas pela impugnante derrubam a presunção relativa de que a importação seria por conta e ordem de terceiro, sendo legitimamente por conta própria (direta), tendo provado conseqüentemente não ter havido simulação ou fraude para ocultação do real adquirente, assim como não ter havido dano ao erário, não há que se falar em pena de perdimento das mercadorias, devendo ser declarado insubsistente e, por conseguinte, improcedente o auto de infração. • Disserta sobre: 1. DO ERRO FORMAL E DA SIMULAÇÃO OU FRAUDE NA IMPORTAÇÃO — DEFENDE SUA TESE ÀS FLS. 104/118; 2. DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA — DEFENDE SUA TESE ÀS FLS. 118/123; 3. DA INEXISTÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO — FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS FEDERAIS — E DA INEXISTÊNCIA DE DOLO — DEFENDE SUA TESE ÀS FLS. 123/128; 4. DA FLEXIB/LIZAÇÃO E RELEVAÇÃO DA PENALIDADE — DEFENDE SUA TESE ÀS FLS. 128/129; 5. DA ERRÔNEA APLICAÇÃO DA PENALIDADE E DA RETROATIVIDADE E APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA — DEFENDE SUA TESE ÀS FLS. 129/135; 6. DA APLICAÇÃO DO PERDIMENTO DE MERCADORIA CONVERTIDO EM MULTA NAS IMPORTAÇÕES EM QUE HOUVE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS DEFENDE SUA TESE ÀS FLS. 135/136. • Por todo o exposto, claro se mostra a impossibilidade de cobrança de tributos no caso de efetiva aplicação da pena de perdimento, razão pela qual, em ocorrendo esta, requer seja efetuada a devolução dos tributos já pagos pela impugnante nas importações em questão. • Requer: I. a nulidade do auto de infração por aplicação injustificada do Procedimento Especial de Controle Aduaneiro; 2. a improcedência do auto de infração pela não ocorrência da interposição fraudulenta; 3. a improcedência do auto de infração pela não ocorrência de simulação ou fraude para ocultação do real adquirente da mercadoria; 4. a declaração de, no máximo, ocorrência de erro formal quanto ao tipo de importação realizada; Fl. 364DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 331 7 5. a improcedência do auto de infração pela inexistência de dano presumido ou efetivo ao Erário, tampouco dolo no agir, não havendo qualquer falta ou insuficiência de recolhimento de tributos; 6. a flexibilização ou relevação da pena de perdimento conforme previsão legal e jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça; 7. a anulação do auto de infração pelo erro na aplicação da penalidade atribuindo a impugnante a figura principal responsável no referido auto; 8. entendendo existir a ocultação do real adquirente, seja aplicada a legislação mais benéfica à impugnante, qual seja, o art. 33 da Lei na 11.488/2007, que prevê aplicação de multa de 10% sobre o valor das operações acobertadas; 9. havendo aplicação da pena de perdimento, que sejam devolvidos os tributos pagos nas importações em epígrafe. O responsável tributário solidário FEP Confecções Ltda., CNPJ 04.575.034/000165, indicado pela fiscalização no presente processo, não apresentou impugnação. O processo administrativo fiscal 10920.004475/200721, que se encontra apensado junto ao presente processo, se refere à REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS que foi formalizada contra a empresa acima identificada e a seus responsáveis que, segundo a fiscalização, restou caracterizada a ocorrência de fato que, em tese, configura crime contra a ordem tributária. É o relatório. Passo ao voto.” Em sua decisão, a DRJ/FNS houve por bem manter totalmente o lançamento através do Acórdão n° 0712.602, de 16 de maio de 2008, cuja ementa foi assim formulada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/01/2007 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/01/2007 Fl. 365DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 332 8 MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIARIA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/01/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Lançamento Procedente Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário com o objetivo de reformála, reiterando todos os argumentos já apresentados em sua impugnação, ressaltandose, em breve síntese, os seguintes pontos: (i) como não considera que suas ações se classificam como fraudulentas, entende que o procedimento especial de controle aduaneiro não seria aplicável a seu caso, já que este se destina à investigação e controle de operações de comércio exterior, com vistas a coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas. Ademais, defende que jamais poderia ter sofrido tal procedimento, vez que é contribuinte exemplar, com endereço identificado e sócios de reputação ilibada, não havendo qualquer motivo que a desabone; (ii) a importação foi realizada por conta própria em razão da possibilidade de utilização de margens de lucro superiores às aplicadas às comissões em importações por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. Consequentemente, em razão de o valor ser superior, houve uma arrecadação maior de tributos, o que afastaria qualquer alegação de dano ao Erário; (iii) para configuração de interposição fraudulenta de terceiros, necessariamente, deveria restar comprovado o dolo do agente e a vantagem ilícita obtida, o que, a seu ver, não foi demonstrado pelos elementos que instruíram a autuação. Aponta que, no momento da operação, possuía patrimônio suficiente para arcar com seus custos, cumpria regularmente com todas as suas obrigações tributárias, seus sócios possuíam reputação ilibada etc.; Fl. 366DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 333 9 (iv) muito embora afirme que sua importação tenha sido realizada por conta própria, sustenta, ainda, que cometeu mero erro formal no preenchimento da DI, motivo este que não justificaria a aplicação de pena tão severa; (v) entende que jamais poderia sofrer com a aplicação de pena de perdimento sobre as mercadorias importadas, pois não seria a proprietária das mesmas; (vi) subsidiariamente, caso seja mantida a penalidade, aduz a aplicação do princípio da retroatividade benigna em relação à Lei nº 11.488/2007, já que esta prevê penalidade mais branda para situação semelhante ao caso aqui analisado; (vii) por fim, caso não seja julgado procedente o presente recurso, requer seja encaminhado o processo ao Ilustríssimo Senhor Secretário da Receita Federal do Brasil para que julgue a relevação da pena de perdimento. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Preliminar de nulidade do procedimento fiscal de controle aduaneiro A Recorrente alega não ser aplicável ao seu caso o procedimento fiscal de controle aduaneiro, já que este se destina à averiguação de possíveis ações fraudentas. Entende que há elementos que demonstram não ser ela interposta pessoa fraudulenta, motivo pelo qual o procedimento estaria eivado de vícios. Embora este tema já tenha sido devidamente esclarecido pelo julgador a quo, cumpre tecer alguns comentários sobre a atribuição conferida à autoridade que lavrou o auto de infração ora analisado. Nos termos do artigo 68 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, quando houver indícios de infração punível com pena de perdimento, a Receita Federal do Brasil é competente para investigar o caso e aplicar as devidas penalidades, se cabíveis. Durante a análise de pedido de enquadramento em regime aduaneiro especial, a autoridade fiscal apurou que a Recorrente possuía alguns lançamentos de adiantamentos de Fl. 367DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 334 10 clientes para cobrir gastos com importação. Ainda, constatou que as importações foram feitas em nome da Recorrente, indício de que poderia haver a ocultação do real importador. Na presença de tal indício, podese dizer que o auditor fiscal não apenas possuía a atribuição para investigar a Recorrente, como também possuía o dever de assim agir. Do contrário, verificarseia um evidente descumprimento do princípio da oficialidade e estrita legalidade, que pautam o agir da Administração Pública. Ademais, quanto à alegação de que restou comprovada a idoneidade da Recorrente, o que impediria o início da ação fiscal e a eivaria de vícios, não há como se conceber tal argumento. Como seria possível a autoridade fiscal saber de antemão sobre a verdade dos fatos somente analisando a reputação e histórico do contribuinte, sem ao menos ter acesso a documentos que formalizem os atos praticados? O procedimento investigatório é indispensável para tanto, razão pela qual não há que se falar em vício algum. Rejeito a prelimianr. Da responsabilidade solidária A Recorrente alega ser incorreta sua responsabilização solidária em relação à pena de perdimento convertida em multa, pois ela não seria a real proprietária dos bens objeto da importação. Na ocorrência de concurso de terceiros para a prática de infração tributária, como ocorre nos casos de interposição fraudulenta, impõese sejam esses sujeitos todos incluídos no polo passivo da obrigação tributária pelo vínculo da solidariedade. O artigo 124, I do Código Tributário Nacional assim determina: Art.124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. É certo que a interposição fraudulenta não se instaura pela conduta exclusiva de apenas um sujeito, pressupondo, no mínimo, a presença do importador e do adquirente das mercadorias. Na importação por conta e ordem de terceiros, o importador empresta seu nome ao despacho aduaneiro, figurando como mero mandatário do adquirente, que, por seu turno, a um só termo, assume as vestes de importador de fato e tomador dos serviços, suportando o ônus econômico da operação. Ou seja, a importação por conta e ordem de terceiros, operação que o Fisco diz terse caracterizado, não se aperfeiçoa por exclusiva iniciativa do importador (interposta Fl. 368DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 335 11 pessoa), sem que haja ordem do adquirente, verdadeiro destinatário dos bens importados. Dessa forma, concluise que a operação em tela não se concretiza sem a convergência de interesses do mandante e do mandatário na nacionalização do bem importado, daí a caracterização do interesse comum a que alude o Código neste tipo de operação, instaurandose o vínculo solidário entre os sujeitos, na forma do artigo 124, I do CTN. Ademais, exaurindo a competência que lhe fora outorgada pelo artigo 124, II do CTN, o artigo 95, V do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, em harmonia com aquele diploma, determina que: “Art.95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (g.n.)” Nesse sentido, vale lembrar que esse Colegiado já consagrou o entendimento de que: RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Responde pelas infrações, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” – PAF 10909.001837/200438, 2ª Câmara, 3º CC, Dj 08.11.2006. Sendo assim, não há que se falar em ilegitimidade passiva da Recorrente, já que ela preenche os requisitos para se qualificar como responsável solidária, bem assim, a lei determina seja o importador qualificado como responsável solidário, inexistindo prova nos autos que leve a conclusão diversa. Da importação por conta e ordem de terceiros e da ocultação do real adquirente das mercadorias A Recorrente defende que sua importação foi realizada por conta própria, por escolha deliberada com base nas margens de lucros que poderiam ser obtidas com tal operação, em face das comissões geralmente praticadas nas importações por conta e ordem de terceiros. Adicionalmente, sustenta que, se assim não for entendido e a operação for considerada por conta e ordem de terceiros, teria ocorrido um mero erro formal no preenchimento de suas obrigações acessórias. Embora, no procedimento administrativo sejam aplicados, subsidiariamente, alguns princípios de processo civil, tal como o da eventualidade, as teses defendidas de forma subsidiária devem possuir uma mínima coerência entre si, e não se anularem reciprocamente. Fl. 369DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 336 12 Entretanto, no presente caso, ao assumir que optou conscientemente pela forma direta de importação, a Recorrente, automaticamente, já afastou a tese de erro formal, pois, para que este seja caracterizado, é necessário que o erro não seja intencional e tenha ocorrido por mero descuido do contribuinte, hipótese na qual não se enquadra a situação aqui analisada. Ademais, cabe ressaltar que os fatos se enquadram nas espécies de operações quando suas características se alinham às delineadas para determinado tipo de operação comercial, não sendo escolha das partes sua classificação em categorias diversas, conforme seus interesses particulares. Logo, se a operação preenche todos os contornos de uma importação por conta e ordem de terceiros não cabe ao contribuinte enquadrála como uma importação própria, simplesmente porque assim pode obter mais lucros, ainda que com isso resulte numa maior arrecadação de tributos. No caso em tela, o auditor fiscal logrou demonstrar, por meio dos lançamentos contábeis da Recorrente, que a venda das mercadorias havia sido acordada antes de sua importação, tendo inclusive sido arcada pela própria compradora, com as antecipações por ela pagas. Vale ressaltar que é da essência da importação por conta e ordem a transferência de recursos de terceiros ao importador, erigindose presunção legal de que a operação assim se caracteriza constatada a ocorrência desse evento, conforme dispõe o art. 27 da Lei nº 10.637/02. Tendo em vista que a Recorrente desafia a presunção de que operação em pauta tenha se dado por conta e ordem de terceiros, fazse necessário tecer alguns comentários acerca das presunções. Segundo a doutrina, existem duas modalidades de presunção, a simples e a legal. A primeira é fruto da análise e interpretação dos fatos feitas pelo aplicador do direito, tendo caráter bastante subjetivo. Já a segunda tem origem legislativa, na medida em que é imposta por Lei. Essa última também se subdivide em duas categorias: (i) relativa; e (ii) absoluta. A diferença entre a presunção simples e a legal se encontra no ônus da prova. Em relação à simples, quem a alega tem o dever de comprovar sua tese, ainda que por meio de prova indireta. Já para presunção legal, se for relativa, invertese o ônus da prova, cabendo ao acusado demonstrar que os fatos por ele praticados não se enquadrariam na hipótese a qual a lei atribuiu a presunção; mas se for absoluta, não cabe prova em contrário. Quando a este instituto, cabe extrair trecho de um artigo de Maurício Barros e Nelson Albino Neto: “Dentre as presunções legais, há, ainda, a divisão entre as relativas (iuris tantum) e as absolutas (iuris et de iure), assim classificadas conforme a admissibilidade, ou não, de prova em contrário, respectivamente. Para LUÍS Fl. 370DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 337 13 EDUARDO SCHOUERI, ‘a presunção relativa nada mais faz, em princípio, do que dispor sobre o ônus da prova: reza que, em determinados casos, uma circunstância que, em si, dependeria de prova, dispensa comprovação; tal circunstância é tida por verdade, até que se consiga demonstrar o contrário.’ Já as ‘presunções absolutas’ correspondem às disposições legais que qualificam determinados fatos como verdadeiros, independentemente da produção de prova em contrário (vedadas).’ – SANTI, Eurico Marcos Diniz de; ZILVETI, Fernando Aurelio; MOSQUEIRA, Roberto Quiroga (coord.). A Prova no Processo Administrativo Federal – Simulação, Presunções e a Visão dos Conselhos de Contribuintes in Tributação de Empresas – Curso de Especialização, São Paulo: Quartier Latin, 2006, p. 411412. No presente caso, estamos diante de uma hipótese de presunção legal relativa. Para desafiála, a Recorrente deveria ter trazido sólidos elementos para comprovar que os negócios firmados entre a FEP e ela possuíam contornos de uma importação em nome próprio, seguida de operação de compra e venda. Contudo, da análise dos documentos acostados aos autos, notase que não há prova de que tal tenha ocorrido. Além do contrato entre elas ser anterior à importação e dos valores terem sido adiantados pela FEP, a atividade habitual da Recorrente não abrange a revenda dos produtos objeto da importação aqui analisada, o que demonstra que a tal operação ocorreu, exclusivamente, em decorrência da encomenda arcada pela própria FEP. Dessa forma, vêse que as justificativas para as transações entre as empresas não tem força suficiente para afastar a presunção legal de que a operação em exame é de importação por conta e ordem de terceiros. Cabe salientar, aliás, que a Recorrente não negou os fatos ocorridos, tendo apenas apresentado justificativas baseadas na possibilidade de aferição de lucros, ausência de dolo, caráter idôneo e na falta de prejuízo ao Erário. Restando claro que a presunção legal prevalece no caso em tela, cumpre também lembrar que as formalizações de obrigações acessórias devem refletir a efetiva operação levada a cabo pelo contribuinte. Nesse sentido, dispõe a IN nº 225/02 que, nas importações por conta e ordem de terceiro, os dados do real adquirente devem ser mencionados na declaração de importação, assim como o contrato firmado entre as partes deve ser apresentado à autoridade aduaneira para fiscalização. Se assim não for feito, por fraude, simulação ou interposição fraudulenta de terceiros, as partes envolvidas devem responder solidariamente pela infração, estando sujeitas à pena de perdimento, conforme estabelece o artigo 23, V do DecretoLei nº 1.455/76. Cabe ressaltar que tal dispositivo condicionou intencionalmente a aplicação desta penalidade somente aos casos em que reste evidenciado o intuito de fraude ou simulação de operações comerciais. Isso porque a finalidade almejada não é penalizar o contribuinte que, por descuido ou mero erro, deixou de cumprir corretamente com suas obrigações acessórias, Fl. 371DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 338 14 mas, sim, evitar que eventos mais danosos ocorram em decorrência da omissão dolosa do real adquirente das mercadorias importadas. Com isso em mente, para esclarecer o presente conflito, é pertinente abordar o conceito e a caracterização do instituto da simulação. Segundo Pontes de Miranda, quem simula aparenta, faz verse, ouvirse, ou sentirse, o que não se vê, não se ouve e não se sente. Quer se tenha por existente o que não existe. (...) Põese, em vez do que é verdadeiro, o que se parece com o verdadeiro e não o é. Quem dissimula encobre o verdadeiro. – (Tratado das Ações, Tomo II, São Paulo: Revista dos Tribunais, 1971, p. 273). Como o Direito Tributário valese de conceitos de outros ramos do Direito, como reconhece o art. 109 do CTN, a fim de se determinar o alcance de expressões por ele empregadas, vale visitar definições já consagradas em outros domínios jurídicos. Desta forma, ao analisarmos o art. 167, § 1º do Código Civil, notase que: "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado." Tendo em vista que a operação praticada entre a Recorrente e sua parceira se revestiu da forma de uma importação em nome próprio, seguida da venda de mercadorias, quando, na verdade, observandose o conjunto fáticoprobatório, deveria ter se formalizado como importação por conta e ordem de terceiros, houve evidente simulação na forma do inciso II do artigo supracitado. Nesse sentido, este Colegiado já decidiu que: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 10/10/2003 a 09/02/2004 Ementa: IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. CARACTERIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária, em operações de importação (realizadas por conta e ordem de terceiros), infração punível Fl. 372DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 339 15 com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou houverem sido consumidas.” PAF 10909.001837/200438, 2ª Câmara, 3º CC, Dj 08.11.2006. Cabe, ademais, dar destaque ao acórdão 310200.588 deste Conselho, datado de 04 de fevereiro de 2010, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que distinguiu a interposição fraudulenta em: (i) importação sem comprovação da origem dos recursos próprios e (ii) importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão de nome). Transcrevo, a seguir, trechos do voto vencedor que elucidam referida distinção: “Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a nãocomprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976... No segundo caso, o fato presuntivo da nãocomprovação dos recursos próprios é causador da conduta inidôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996. Dessa forma, inferese que, embora o fatobase seja o mesmo (a não comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infracional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ... Fl. 373DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 340 16 Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1°, do Decretolei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracterizase pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos... Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: Fl. 374DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 341 17 a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita).” Destarte, inexistindo contraprova que autorize a conclusão de que ocorreu importação direta, operação que a Recorrente alega ter ocorrido, bem assim, inexistindo elemento probatório apto a afastar a presunção de que ocorreu importação por conta e ordem de terceiros, inviável acolher a pretensão de ver desconstituído o auto de infração. Do dano ao Erário Conforme dispõe o art. 673 do Regulamento Aduaneiro de 2002: “Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei no 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei no 37, de 1966, art. 94, § 2o).” (grifos nossos) Daí se extrai que o Regulamento Aduaneiro se satisfaz com a mera transgressão de regra nele disciplinada ou em norma destinada a complementálo, como é o caso das regras que disciplinam a importação por conta e ordem de terceiro, tendo lugar as punições decorrente de infração, independentemente de se verificar a configuração de dano ao Erário. Adicionalmente, dispõe ainda o artigo 23, V do DecretoLei nº 1.455/76: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 375DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 342 18 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)” (grifos nossos) Com base nisso, não tem lugar a alegação de que a ausência de dano ao Erário afastaria a configuração da infração. A mera omissão de informações relevantes, como o real destinatário das mercadorias, já é suficiente para configurar a infração. Da retroatividade benigna O auto de infração foi lavrado em 10 de agosto de 2007. Em 15 de junho de 2007, foi promulgada a Lei nº 11.488, que em seu artigo 33 estabeleceu a seguinte sanção: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 376DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 343 19 Fiandose na premissa de que a pena de perdimento não pode ser imposta ao importador, pois não é ele o proprietário das mercadorias, com fulcro no artigo 106, II, ‘c’ do Código Tributário Nacional (CTN), a Recorrente postula a aplicação da sanção mais benigna, prevista no dispositivo retrocitado. Sem embargo de posições divergentes, penso que a pena de perdimento se aplica tanto ao importador quanto ao adquirente e não prejudica a aplicação da multa pela cessão de nome pelo importador, introduzida pela Lei nº 11.033/07. Primeiro, porque o artigo 33 da Lei n° 11.488/2007 não revogou o artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976 e, por conseguinte, que não regulou inteiramente a matéria. Sobre o tema, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) já decidiu que: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI N. 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI N° 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. (...) O artigo 33 da Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL n° 1.455/76, com a redação dada pela Lei n. 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "A hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto as demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal.” (AMS 200572080051666, relator Desembargador Otávio Roberto Pamplona grifamos) Fl. 377DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 344 20 Segundo, porque se trata de infrações diversas e que coexistem (pena de perdimento e multa pela cessão de nome pelo importador). Tal entendimento é confirmado pelo §3º do artigo 727 do Decreto nº 6.759/2009: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) § 3° A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. (g.n.) Dessa forma, sendo a multa pela cessão de nome do importador sanção diversa da pena de perdimento e que não prejudica sua imposição, não há razão que ampare o acolhimento da pretensão da Recorrente para aplicar a retroatividade benigna. Da relevação da penalidade Por fim, requer a Recorrente, caso mantido o auto de infração, seja apreciado pedido subsidiário de relevação da pena de perdimento, na forma do artigo 67, da Medida Provisória nº 2.15835/01, artigo 4º do DecretoLei nº 1.042, de 21 de outubro de 1969, artigo 654 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento Aduaneiro – RA/2002) e inciso I, alínea c da Portaria MF nº 214, de 2 de abril de 1979. Todavia, como esclarecido na decisão recorrida, o pedido de relevação da pena de perdimento deve ser formulado em requerimento próprio endereçado ao Secretario da Receita Federal do Brasil, sendo inviável sua apreciação sm sede de recurso voluntário. Ao fim do litígio administrativo, caso a Recorrente queira manejar pedido de relevação da pena de perdimento, instruída com os autos do processo administrativo, deverá formular requerimento nesse sentido. Sem que se tenha se encerrado a jurisdição administrativa, inviável o exame do pedido de relevação da pena de perdimento nos autos do processo administrativo fiscal, sob pena de usurparse competência de autoridade superior. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 378DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001940/200772 Acórdão n.º 3202000.710 S3C2T2 Fl. 345 21 Fl. 379DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.13578.BMDH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR em 24/06/2013 16:58:25. Documento autenticado digitalmente por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR em 24/06/2013. Documento assinado digitalmente por: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 27/06/2013 e GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR em 24/06/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.1119.13578.BMDH Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: DE71CEEE060AE8A947C7AD6D5748B19BE0A8C17B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10920.001940/2007-72. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.910839/2011-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/08/2000
BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
A base de cálculo da contribuição social devida pelas instituições financeiras é o faturamento mensal, assim entendido, o total das receitas operacionais decorrentes das atividades econômicas realizadas por elas.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência da contribuição sobre este tipo de receita, pois são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Numero da decisão: 9303-009.940
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama(relatora), Walker Araújo (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16327.910834/2011-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Walker Araújo (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Ausente a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INSTITUIÇÃO FINANCEIRA FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. A base de cálculo da contribuição social devida pelas instituições financeiras é o faturamento mensal, assim entendido, o total das receitas operacionais decorrentes das atividades econômicas realizadas por elas. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência da contribuição sobre este tipo de receita, pois são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama(relatora), Walker Araújo (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16327.910834/2011-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Walker Araújo (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Ausente a conselheira Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 08 39 /2 01 1- 76 Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.940 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.910839/2011-76 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 9303-009.933, de 21 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra decisão do colegiado a quo que: indeferiu a realização de diligência; rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, negou provimento ao Recurso Voluntário. O fundamento da decisão encontra-se consignado na ementa do acórdão prolatado, que, em síntese, estabelece: no regime cumulativo, a base de cálculo da contribuição é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão para que se reconheça o direito à restituição pleiteada, especificamente no que diz respeito a contribuição paga sobre as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios ou de terceiros. Em Despacho, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo para a matéria “Base de Cálculo de PIS e Cofins – Receitas Financeiras Provenientes de Aplicação de Recursos Próprios das Instituições Financeiras”. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que ao contrário do alegado pelo interessado, mesmo quando realiza operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, ou operações em bolsa de mercadorias e futuros, em interesse próprio, tais receitas se enquadram no âmbito do faturamento da empresa, não por força de uma ampliação do conceito histórico de faturamento, típico de empresas comerciais, mas pelo conceito específico de faturamento de uma instituição financeira. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.940 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.910839/2011-76 voto vencedor consignado no Acórdão nº 9303-009.933, de 21 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. Com todo respeito ao voto da ilustre Relatora 1 , discordo de suas conclusões, quanto à base de cálculo da COFINS das instituições financeiras. A Lei nº 9.718/1998 que trata do PIS e da COFINS devidas pelas instituições financeiras, como no presente caso, vigente à época dos fatos geradores assim dispunha: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluem-se da receita bruta: I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II - as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...); IV - a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...). § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considera-se receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5 o , poderão excluir ou deduzir: I - no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; 1 • Deixa-se de reproduzir o voto vencido, que integra o acórdão paradigma deste julgamento, fazendo-o em relação ao voto vencedor por expressar o entendimento predominante do colegiado. Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.940 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.910839/2011-76 b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (...). No presente caso, conforme consta do Estatuto Social do contribuinte, trata-se de uma entidade financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central. Especificamente, quanto a instituições financeiras e contribuintes a elas equiparadas, por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, deve-se entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos próprios e de terceiros que proporcionem de alguma forma ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto afirmou, no RE 346.084- 6/PR, a identidade entre faturamento e receita operacional, esta constituída por ingressos que decorrem da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91, in verbis: A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decreto-lei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1º, “a”, assim redigido (...) : Art. 22. ........................................................................................ ....................... Parágrafo 1º ............................................................. a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. (...) Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo artigo 2º assim dispõe (....). Por outro lado, a determinação da base de cálculo da COFINS devida pelas instituições financeiras e assemelhadas foi totalmente prevista com o advento dos §§ 5° e 6° do art. 3°. da Lei n° 9.718, de 1998, este último introduzido pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999 (atualmente, art. 2º da MP n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001), transcritos anteriormente. Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.940 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.910839/2011-76 Dessa forma, as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios em aplicações financeiras e títulos de valores mobiliários constituem receitas de prestação de serviços e devem ser tributadas pela COFINS, nos termos da Lei nº 9.718, arts. 2º e 3º, citados e transcritos anteriormente. O entendimento de que a decisão do STF no RE 585.235-1/MG deve ser aplicada ao presente caso não procede. Conforme demonstrado nos autos, as receitas tributadas decorreram das atividades econômicas realizadas pelo contribuinte, prestação de serviços financeiros, aplicações financeiras e operações com títulos e valores mobiliários. Estas receitas segundo o plano de contas do Banco Central (COSIF) constituem receitas operacionais das entidades financeiras. Além disto, o procedimento administrativo (despacho decisório) não teve como fundamento o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, e sim os arts. 2º e 3º, caput, §§ 2º e 4º ao 6º, desta mesma lei. Na data da prolação do despacho decisório, objeto do crédito financeiro em discussão, em 03/01/2012, o § 1º do art. 3º, já havia sido revogado pela Lei nº 11.941/2009. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13708.003617/2007-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Data do fato gerador: 17/12/2007
ISENÇÃO DE IPI. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA FÍSICA. INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA. NÃO ENQUADRAMENTO.
Não há como se conceder o benefício de isenção de IPI na aquisição de automóveis, previsto no do art. 1º da Lei no 8.989/1995, a pessoas que, embora sofram de moléstias graves, como a insuficiência renal crônica, não se enquadrem como deficientes físicos nos termos do art. 4°, I do Decreto n° 3.298/99, por ausência de subsunção do fato à norma.
Numero da decisão: 3002-001.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA FÍSICA. INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA. NÃO ENQUADRAMENTO. Não há como se conceder o benefício de isenção de IPI na aquisição de automóveis, previsto no do art. 1º da Lei no 8.989/1995, a pessoas que, embora sofram de moléstias graves, como a insuficiência renal crônica, não se enquadrem como deficientes físicos nos termos do art. 4°, I do Decreto n° 3.298/99, por ausência de subsunção do fato à norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (documento assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 37 dos autos: Trata-se da aquisição de veículos destinados a pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com as alterações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 36 17 /2 00 7- 46 Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13708.003617/2007-46 Acórdão n.º 3002-001.195 S3-TE02 Fl. 1,5 da Lei nº 10.182, de 2001, dos arts. 29, 39 e 59 da Lei n9 10.690, de 2003, e da Lei n9 10.754, de 2003. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls.22/27, fundamentado no fato de que a enfermidade descrita no laudo de avaliação não está contemplada pela norma que confere a isenção solicitada. Em sua peça de insurgência insiste o contribuinte na legitimidade de seu pleito. Em sua impugnação (fls. 32/34), a contribuinte argumentou que seu pleito seria legítimo, pois a lei se estenderia a toda pessoa portadora de deficiência física, ou seja, com perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o ser humano. Afirmou que, sendo portadora de insuficiência renal crônica, enquadrar-se-ia na condição de deficiente e por isso não haveria como lhe ser negada a isenção requerida. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão que restou assim ementada (fls. 36/39): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 17/12/2007 ISENÇÃO.IPI.DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 e alterações posteriores restringe-se às hipóteses citadas em seu art.1°, bem como àquelas previstas no Decreto n° 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2°, §l°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 607/2006. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. Solicitação Indeferida A contribuinte foi intimada acerca desta decisão em 30/04/2009 (vide fl. 42 dos autos) e, insatisfeita com o seu teor, interpôs, em 26/05/2009, Recurso Voluntário (fls. 44/45). Em seu recurso, a contribuinte reiterou os termos de sua impugnação e requereu que o seu pleito seja deferido. Não juntou novos documentos. Os autos, então, vieram-me conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pela contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora: Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13708.003617/2007-46 Acórdão n.º 3002-001.195 S3-TE02 Fl. 2 O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como visto acima, a Recorrente é portadora de insuficiência renal crônica e pretende, em razão desta doença, usufruir do benefício da isenção de que trata a Lei nº 8.989/95, destinada aos deficientes físicos. O laudo médico apresentado pela Recorrente traz a seguinte descrição: A CID em questão possui a seguinte descrição: CID 10 - N18 Insuficiência renal crônica CID 10 - N18.0 Doença renal em estádio final Após realizar arrazoado acerca da legislação que trata sobre esta temática, a DRJ assim concluiu: Ou seja, não há questionamento acerca da doença que acomete a Recorrente. A isenção não lhe foi concedida em razão da ausência de previsão legal para tanto, visto que a deficiência relatada não está prevista na legislação de regência. Ao analisar o caso, entendo acertada a decisão recorrida. Isso porque, em que pese a insuficiência renal que acomete a Recorrente, entendo que esta não confere à mesma o usufruto da isenção prevista no art. 1º da Lei nº 8.989/95, por ausência de subsunção do fato à norma. Para que melhor se compreenda o que aqui se expõe, transcreve-se a seguir o teor do referido dispositivo legal: Art. 1 Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a 2.000 cm³ (dois mil centímetros cúbicos), de, no mínimo, 4 (quatro) portas, inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital http://www.medicinanet.com.br/cid10/8324/n180_doenca_renal_em_estadio_final.htm Processo nº 13708.003617/2007-46 Acórdão n.º 3002-001.195 S3-TE02 Fl. 2,5 combustível de origem renovável, sistema reversível de combustão ou híbrido e elétricos, quando adquiridos por: (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; § 1 o Para a concessão do benefício previsto no art. 1 o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. O cerne da presente contenda, então, é definir o que seria deficiência física para fins de usufruto do benefício ali inserido. Em sua defesa, o contribuinte defende que o comprometimento total e definitivo da função renal seria uma deficiência fisiológica, a qual encontra previsão no Decreto nº 3.298/99, que regulamenta a Lei nº 8.989/95. Nessa toada, para a solução da contenda, apresenta-se imprescindível analisar o teor de dito decreto, cuja transcrição se faz a seguir: Art. 3° Para os efeitos deste Decreto, considera-se: I - deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano; II - deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; e III - incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. Art. 4° É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I - deficiência física - alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Ou seja, em seu recurso, a contribuinte embasa a sua argumentação no inciso I do art. 3º, o qual traz o conceito de deficiência, incluindo-se aí a deficiência fisiológica. Acontece que, como visto acima, o art. 1º da Lei nº 8.989/95 se aplica especificamente à deficiência física, a qual encontra definição no inciso I do art. 4º do referido decreto. Do seu teor, portanto, extrai- Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13708.003617/2007-46 Acórdão n.º 3002-001.195 S3-TE02 Fl. 3 se que, para que se enquadre como deficiente físico, é necessário que haja comprometimento da função física, esta entendida como a função motora do indivíduo. Ainda sobre o tema, é importante mencionar que, em razão do termo “também” adotado no §1º do art. Lei nº 8.989/95 ao tratar sobre a definição de “pessoa portadora de deficiência física”, a conclusão a que se chega é que, para que seja considerado deficiente físico, o comprometimento da função física não deverá se dar necessariamente sob as formas ali elencadas. Porém, em qualquer situação, há de se verificar a existência de comprometimento motor do indivíduo que produza dificuldades para o desempenho de suas funções. Por oportuno, trago à colação ensinamento disposto no Acórdão nº 3802-004.089, de relatoria do Conselheiro Francisco José Barroso Rios: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Data do fato gerador: 14/02/2014 IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA. ALCANCE CONCEITUAL DO TERMO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO. As disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física, elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas). A tal conclusão se chega em vista do emprego da conjunção "também" no início do preceito em comento - "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" -, assim como pela parte final do mandamento em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, já que são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária, e não o acometido de toda e qualquer deficiência, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, nos termos da lei em evidência, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções". No caso dos presentes autos, portanto, em que pese ter restado comprovado nos autos que a Recorrente é portadora de insuficiência renal crônica, penso que tal fato não se subsume à hipótese prevista na Lei nº 8.989/95 para fins de usufruto da isenção pretendida. Nesse contexto, entendo que não há como se acolher a pretensão recursal. Em caso similar ao ora analisado, o Acórdão nº 3401-007.330, proferido em 30/01/2020, chegou à mesma conclusão. É o que se extrai do conteúdo e ementa e do voto a seguir transcritos: EMENTA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13708.003617/2007-46 Acórdão n.º 3002-001.195 S3-TE02 Fl. 3,5 ISENÇÃO DE IPI. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA FÍSICA. INCAPACIDADE FUNCIONAL PULMONAR. NÃO ENQUADRAMENTO. Nega-se reconhecimento à isenção de IPI na aquisição de automóveis a pessoas que sofram de moléstias graves, como a incapacidade funcional pulmonar, mas que não se enquadrem como pessoas portadores de deficiência física, nos termos do inciso IV e § 1o do art. 1o da Lei no 8.989/1995 c/c art. 4°, I do Decreto n° 3.298/99. *** VOTO Trata-se de controvérsia acerca da isenção de IPI na aquisição de automóveis por pessoas portadoras de deficiência física prevista na Lei no 8.989/1995, que instituiu o benefício em seu art. 1o, IV, com a seguinte redação: Art. 1° Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) os automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: (...) IV - pessoas que, em razão de serem portadoras de deficiência física, não possam dirigir automóveis comuns. A Lei no 10.690/2003 ampliou os termos da isenção, conferindo nova redação aos dispositivos antes transcritos, bem como incluindo o parágrafo primeiro: Art. 1° Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados - IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (texto vigente ao tempo da solicitação, e alterado posteriormente pela Lei no 13.755/2018, apenas para incluir veículos elétricos ou híbridos) (...) IV - pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal. (...) § 1° Para a concessão do benefício previsto no art. 1° é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (grifo nosso) Para fruição do benefício, o Recorrente formulou requerimento perante a RFB, o qual foi indeferido pela unidade preparadora por se ter concluído que o interessado, o qual padece de incapacidade funcional pulmonar decorrente de neoplasia maligna, não é pessoa portadora de deficiência física nos termos da legislação em vigor, o que foi confirmado pela decisão recorrida: Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13708.003617/2007-46 Acórdão n.º 3002-001.195 S3-TE02 Fl. 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Exercício: 2007 DEFICIENTE FÍSICO. INCAPACIDADE FUNCIONAL PULMONAR. ISENÇÃO. REQUISITOS. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação de médica não informa hipótese de deficiência prescrita na legislação de regência, bem como não atesta o comprometimento da função física dos membros. Doutro lado, o Recorrente sustenta que é pessoa portadora de deficiência física em sentido amplo, pois a incapacidade funcional pulmonar é grave e pode ser inclusive mais limitante para o paciente que a ausência de um membro, devendo ser concedido o benefício por medida de isonomia. Trata-se, portanto, de se definir se as moléstias das quais padece o interessado enquadram-no no conceito de pessoa portadora de deficiência física de que cuidam as hipóteses previstas na Lei no 8.989/1995. O laudo médico pericial indica como tipo de deficiência a “incapacidade funcional pulmonar”, se referindo aos códigos CID J96.1 (insuficiência respiratória crônica), J95.3 (insuficiência pulmonar crônica pós- cirúrgica), J44.9 (doença pulmonar obstrutiva crônica não especificada) e C34 (neoplasia maligna dos brônquios e dos pulmões), deixando in albis o campo descrição da deficiência. Parece-me evidente que o interessado é portador de doença grave, a neoplasia maligna, a qual lhe confere o benefício da isenção do imposto sobre a renda que incida sobre seus proventos de aposentadoria ou pensão, como demonstrado nos autos. Ocorre, porém, que como assentou a decisão de piso, a despeito da gravidade desta e de tantas outras doenças, o seu quadro não se subsume ao conceito de deficiência física. É preciso distinguir que os destinatários da isenção do imposto sobre a renda são as pessoas portadoras de doenças graves, mas os destinatários da isenção do IPI sobre a aquisição de automóveis são as pessoas portadoras de deficiência física, conceitos que, em tese, não se confundem. Veja-se que, apenas confirmando o que já estatui a Lei no 8.989/1995, o Decreto n° 3.298/99 (que dispõe sobre a Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência) define os conceitos de deficiência e de pessoa portadora de deficiência: Art. 3° Para os efeitos deste Decreto, considera-se: I - deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano; II - deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; e III - incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. Art. 4° É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13708.003617/2007-46 Acórdão n.º 3002-001.195 S3-TE02 Fl. 4,5 I - deficiência física - alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando- se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; Não me parece que a insuficiência funcional pulmonar decorrente de intervenção cirúrgica realizada para tratamento de neoplasia maligna, por mais que implique limitações ao paciente em relação às atividades de seu quotidiano, seja classificável como deficiência física para os fins previstos na legislação, o que, por consequência, impede a concessão do benefício fiscal previsto no art. 1° da Lei no 8.989/1995, posto que a sua concessão é ato administrativo vinculado e que não é lícito às autoridades fiscais conferir interpretação extensiva ou analógica a dispositivos legais que rejam outorga de isenção, ainda que as peculiaridades do caso concreto possam ensejar fundadas considerações acerca da aplicação dos princípios da isonomia e da igualdade. Assim, à luz do que consta do laudo médico pericial, reputo acertada a decisão recorrida, visto que o mesmo não indica o comprometimento da função física dos membros do interessado, e concluo, portanto, que o Recorrente, embora portador de moléstia grave, não se enquadra na condição de pessoa portadora de deficiência física para fins de usufruir da isenção do IPI na aquisição de automóvel prevista no art. 1° da Lei no 8.989/1995. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. Da conclusão Diante das razões supra expendidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13971.724398/2015-22
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49.
Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46.
O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA
A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO.
Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO.
Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA.
O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
Numero da decisão: 2003-000.928
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 43 98 /2 01 5- 22 Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.928 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.724398/2015-22 proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando que não foi intimado previamente ao lançamento, invocando a súmula 410 do STJ; a denúncia espontânea da infração; que já quitou a obrigação principal, e por isso a multa não se aplicaria; que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN; invocou ofensa a princípios constitucionais no lançamento, inclusive o efeito confiscatório da multa; e a contrariedade à jurisprudência tanto dos tribunais, quanto do próprio CARF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário no qual pretende sejam novamente apreciadas as alegações já submetidas à apreciação da primeira instância. Requer o cancelamento do débito lançado. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.928 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.724398/2015-22 É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares As questões preliminares se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Mérito Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 do CTN, uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.928 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.724398/2015-22 Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Alega ainda que o Manual vigente da GIFP/SEFIP 8.4 traz disciplina contraditória, pois assim estabelece: “12 - PENALIDADES Estão sujeitas a penalidades as seguintes situações: • Deixar de transmitir a GFIP/SEFIP; • Transmitir a GFIP/SEFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; • Transmitir a GFIP/SEFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005. A correção da falta, antes de qualquer procedimento administrativo ou fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza a denúncia espontânea, afastando a aplicação das penalidades previstas na legislação citada.” Entretanto, consta no referido Manual a seguinte informação: “Atualização: 10/2008”. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ou seja, em data posterior à publicação da última versão do Manual. Nota-se que o próprio dispositivo citado do Manual prevê que “Os responsáveis Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.928 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.724398/2015-22 estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005.”, dispositivo este que resguardou a aplicação da multa que se discute nos autos. Isso posto, não há como prover o recurso neste ponto. Da necessidade de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de ... entrega após o prazo”. O recorrente invoca a aplicação da Súmula 410 do STJ (que não possui efeito vinculante), segundo a qual “A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.” Além de não ter efeito vinculante, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido, cabe aqui a aplicação da Súmula CARF nº 2, esta sim de observância obrigatória por todos os membros desse Colegiado, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.928 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.724398/2015-22 Da alteração no critério jurídico de interpretação – morosidade no lançamento O recorrente alega ainda que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN. Não assiste razão à recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo a incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir o fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Da alegação de inobservância de princípios constitucionais na aplicação da penalidade Não assiste razão ao recorrente. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência, portanto não há que se falar em confisco. Das outras alegações A fim de subsidiar suas alegações, o recorrente juntou aos autos jurisprudência dos tribunais. Entretanto, a jurisprudência citada não possui efeito vinculante em relação à Administração Pública Federal, pois somente se aplicam entre as partes e nos limites das lides e das questões decididas (inteligência do art. 100 do CTN c/c art. 506 da Lei º 13.105/2015 – Código de Processo Civil). Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.928 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.724398/2015-22 No que se refere à decisão colacionada, emitida por este Conselho, além de não ser vinculante, trata-se de situação distinta daquela que se discute nos autos. Cita-se ali a impossibilidade de concomitância da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. No presente caso, além de não haver concomitância, a multa aplicada foi a prevista no inciso II (e não no inciso I) do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Por último, o fato de ter havido pagamento do tributo em nada invalida o lançamento da multa. Como expressamente assentado no inciso II do art. 32-A da Lei 8.212/91, a multa aplicada foi “de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas... no caso de ...entrega após o prazo”. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13656.000292/2001-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1987,1988
CONTRIBUIÇÃO AO IBC. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO DECENAL. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. SÚMULA CARF Nº 91.
A Contribuição ao IBC foi declarada inconstitucional frente a Constituição de 1988 e, posteriormente, frente à ordem constitucional anterior, o que levou ao reconhecimento legislativo da inconstitucionalidade da exação e a publicação da Resolução nº 28/2005 do Senado Federal. Ao pedido de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, pleiteados administrativamente antes de 9 de junho de 2005 (entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005), aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (5 anos para a homologação do crédito, acrescido de 5 anos que o contribuinte possui para formular o seu pedido repetitório). Súmula CARF nº 91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-007.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: Cynthia Elena de Campos
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO DECENAL. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. SÚMULA CARF Nº 91. A Contribuição ao IBC foi declarada inconstitucional frente a Constituição de 1988 e, posteriormente, frente à ordem constitucional anterior, o que levou ao reconhecimento legislativo da inconstitucionalidade da exação e a publicação da Resolução nº 28/2005 do Senado Federal. Ao pedido de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, pleiteados administrativamente antes de 9 de junho de 2005 (entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005), aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (5 anos para a homologação do crédito, acrescido de 5 anos que o contribuinte possui para formular o seu pedido repetitório). Súmula CARF nº 91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 02 92 /2 00 1- 15 Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.312 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000292/2001-15 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02-57.980 (e-fls. 192-196), proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o indeferimento do pedido de restituição, conforme Ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1987,1988 PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem reproduzir os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Em 24/07/2001, a interessada apresentou pedido de restituição dos pagamentos por ela efetuados a título de cota de contribuição ao Instituto Brasileiro do Café (IBC) no período de dezembro de 1987 a outubro de 1988, no valor de R$ 74.070.885,08 (fls. 03). Em 23/04/2012, foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido aos seguintes fundamentos (fls. 123/124): Como o pleito do contribuinte refere-se a pagamentos efetuados entre 1987 e 1988 e o protocolo do Pedido de Restituição foi feito em 24/07/2001, verifica-se, então, o decurso do prazo decadencial para a restituição dos pagamentos. Em 15/05/2012, a interessada foi cientificada, por via postal, do despacho decisório (fls. 127). Em 13/06/2012, foi apresentada manifestação de inconformidade, na qual se alega, em essência, o seguinte (fls. 132/139): Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.312 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000292/2001-15 O pedido de restituição foi feito em 24/07/2001, dentro dos 5 anos contados da decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade da cota de contribuição (RE 191.044-5). O prazo decadencial iniciou-se do julgamento da inconstitucionalidade do RE 191.044-5, publicado em 31/10/1997. A prescrição conta-se sempre da data em que se verificou a lesão, pois só com esta surge a denominada “actio nata” que sustenta o direito à reparação. Citam-se: Marco Aurélio Greco, Helenilson Cunha Pontes e San Tiago Dantas. Ao reconhecer a inconstitucionalidade da contribuição, dispensando a Administração Tributária de procedimentos arrecadatórios nesse particular, a Fazenda Nacional admitiu a violação do direito do contribuinte, marco inicial do prazo prescricional para que este pleiteie sua restituição. Data do julgamento da inconstitucionalidade: 18/09/1997. A Lei n° 11.051, de 2004, que, em seu art. 3°, alterou o art. 18 da Lei n° 10.522, de 2002, e a Resolução do Senado Federal n° 28, de 2005, vieram ao encontro da tese arguida pelo contribuinte. O pedido de restituição é posterior à declaração da inconstitucionalidade (RE 191.044-5) e anterior à Lei n° 11.051, de 2004, à Lei n° 10.522, de 2002 e à Resolução do Senado Federal n° 28, de 2005. Dez anos e nove meses após efetuado o pedido de restituição, ele foi indeferido sob a alegação de prescrição. Inaceitável tal decisão. Invoca-se decisão do Terceiro Conselho de Contribuintes (recurso n° 133.315). Diante do exposto, deve-se determinar a devolução dos valores recolhidos indevidamente, corrigidos monetariamente até a data da efetiva devolução, inclusive com os expurgos inflacionários constantes no pedido inicial. A Contribuinte foi intimada pela via postal em data de 05/08/2014, conforme Aviso de Recebimento de fls. 201, apresentando o Recurso Voluntário de fls. 202-219 por meio de protocolo físico em data de 02/09/2014, pelo qual pediu o provimento do recurso para que seja reconhecido o direito de reaver o pagamento considerado indevido. Em síntese, as razões de recurso foram apresentadas com as seguintes matérias: i) Lei nº 11.051/2004 – Reconhecimento do caráter indevido da exação e do direito à devolução: Incidência da Lei nº 11.051/2004, que inclui a quota de contribuição do café no rol dos tributos declarados inconstitucionais constante do artigo 18 da Lei nº 10.522/2002; Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-007.312 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000292/2001-15 A União reconheceu a ilegitimidade da cobrança e o direito à restituição, fluindo o prazo prescricional de cinco anos para se pleitear a restituição do tributo; ii) Renúncia à prescrição pela União Federal: A Lei nº 10.522/02 enunciou em seu artigo 18 um rol de tributos cobrados indevidamente, determinando que a Fazenda Pública se abstivesse de constituir créditos tributários existentes. O § 3º, por sua vez, dispunha sobre a restituição dos valores pagos indevidamente, estabelecendo que que a devolução deveria ocorrer por meio de requerimento do contribuinte; A Lei nº 10.522/2002, com redação dada pela Lei nº 11.051/2004 vincula a administração a devolver ao contribuinte que postular o montante do tributo recolhido indevidamente. iii) A necessidade de modulação Jurisprudencial: O Superior Tribunal de Justiça, através do julgamento ao REsp 44.221/PR, reconheceu que, no caso de tributos declarados inconstitucionais pelo STF, o prazo prescricional deve ocorrer a partir da decisão que reconheceu a invalidade da exação. Após declinação da competência por meio da Resolução nº 1401-000.389 (fls. 247-2510, o processo foi movimentado e sorteado para esta Relatora. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verifica-se a tempestividade do Recurso Voluntário, bem como o preenchimento dos requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Mérito 2.1. Conforme relatado, em 24/07/2001 o Contribuinte apresentou pedido de restituição dos pagamentos por ela efetuados a título de cota de contribuição ao Instituto Brasileiro do Café (IBC) no período de dezembro de 1987 a outubro de 1988, no valor de R$ 74.070.885,08, o qual foi indeferido pela DRF por considerar o decurso do prazo decadencial. Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-007.312 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000292/2001-15 2.2. Tendo em vista os argumentos expostos em Recurso Voluntário, passo à análise do mérito inicialmente com as considerações abaixo: 2.3. Argumenta a Recorrente que a União reconheceu a ilegitimidade da cobrança e o direito à restituição, fluindo o prazo prescricional de cinco anos para se pleitear a restituição do tributo a partir da data de 31/10/1997, quando foi publicada a declaração de inconstitucionalidade da cota de contribuição pelo STF em julgamento ao RE 191.044-5. De fato, a decisão tomada em decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 191.00445 SP atestou a não recepção do Decreto-Lei nº 2.295/1986 pela Constituição Federal de 1988, com a declaração de sua inconstitucionalidade. Como tratado na Resolução nº 1401-000.389 (fls. 247-251), o tema já está pacificado na jurisprudência administrativa, conforme Acórdãos que abaixo reitero: QUOTA DE CONTRIBUIÇÃO AO IBC. O STF decidiu de forma inequívoca e com animas definitivo, em votação unânime, a inconstitucionalidade do art. 40, do DL 2.295/86 e de resto entendeu como inválido o referido diploma legal que, desde a sua edição, não dispunha sobre a alíquota do tributo (cota de contribuição sobre a exportação de café). Por força do Decreto 2.346/97, em caso de decisão do STF de forma inequívoca e definitiva, mesmo sem eficácia erga omnes, cabe aos órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da administração tributária afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional. (AC 30329.433, de 17.10.2000) CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. RESTITUIÇÃO. A não-recepção do Decreto-lei nº 2.295/86 implica na sua absoluta ineficácia, por ab-rogação, aproveitando todos os contribuintes atingidos pela exação declarada inconstitucional pelo STF. Pleito restituitório não alcançado pela decadência, cujo prazo flui a contar da data do trânsito em julgado da referida declaração de inconstitucionalidade. Autos devolvidos à autoridade de Primeira Instância para avaliação de mérito e outras providências. (AC 30130.740, de 09.09.2003) Por outro lado, através da Resolução nº 28/2005, o Senado suspendeu a execução dos artigos 2º e 4º do Decreto-Lei nº 2.295/1986, em virtude de declaração de inconstitucionalidade pelo STF em julgamento ao RE nº 408.8304/ES, publicado em 04/06/2004. A 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça apreciou o REsp nº 1.556.957/ES e decidiu que o termo inicial para o prazo prescricional é a partir da Lei nº 10.522/2002, por meio da qual a Receita Federal e a Fazenda acolheram formalmente o entendimento do Supremo, determinando a desistência dos recursos por parte da PGFN. Vejamos a Ementa abaixo colacionada: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. APLICABILIDADE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. "COTA DE CONTRIBUIÇÃO DO CAFÉ". ART. 18, X, E § 3º, DA LEI N. 10.522/02, COM A MODIFICAÇÃO INTRODUZIDA PELA LEI N. 11.051/04. CONFISSÃO DE DÍVIDA CARACTERIZADA. DEVOLUÇÃO DOS VALORES PAGOS INDEVIDAMENTE. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO DO CONTRIBUINTE. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Aplica-se, in casu, o Código de Processo Civil de 1973. Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-007.312 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000292/2001-15 II – O art. 18, X, da Lei n. 10.522/02, introduzido pela Lei n. 11.051/04, encerra genuína confissão de dívida da União, consistente no reconhecimento legal, com efeitos pretéritos e futuros, a contar da última publicação do diploma alterador de 2004, da ilegitimidade da imposição fiscal, cuja inconstitucionalidade já houvera sido declarada pelo Supremo Tribunal Federal. III – O art. 18, § 3º, da Lei n. 10.522/02, ao estabelecer que os valores pagos não serão restituídos de ofício, não veda o direito ao ressarcimento, mas dispõe, em rigor, que a devolução da quantia recolhida indevidamente ficará condicionada à apresentação de requerimento pelo contribuinte. IV – A contagem do prazo prescricional quinquenal para o ajuizamento de ação de repetição de indébito referente à devolução de quantias recolhidas a título de "cota de contribuição do café" deve ter início a partir da data da publicação da última retificação da Lei n. 11.051/04, é dizer, 16.02.2005, uma vez que, a teor do disposto no art. 1º, § 4º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB, "as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova", disposição aplicável ao caso, nos termos da disciplina do art. 101 do CTN. V – Recurso Especial provido. (sem destaque no texto original) Na decisão acima, a Eminente Ministra Regina Helena Costa analisou a prescrição da pretensão de repetição de indébito em referência, concluindo que o fato de a Administração Tributária desobrigar da constituição de crédito tributário e cancelamento das respectivas cobranças, observou que “resta caracterizada genuína confissão de dívida da União, consistente no reconhecimento legal, com efeitos pretéritos e futuros, a contar da Lei n. 11.051/04, da ilegitimidade da imposição fiscal, como já houvera declarado o Supremo Tribunal Federal.” Com isso, a contagem do prazo prescricional quinquenal para o ajuizamento de ação de repetição de indébito referente à devolução de quantias recolhidas a título de "cota de contribuição do café", foi considerada com início a partir da data da publicação da última retificação, ou seja, 16.02.2005. 2.4. Conforme relatado, em 24/07/2001, a Contribuinte apresentou pedido de restituição dos pagamentos por ela efetuados a título de tal contribuição no período de dezembro de 1987 a outubro de 1988, no valor de R$ 74.070.885,08 (fls. 03), o qual foi indeferido pela DRF por considerar o decurso do prazo decadencial. Quando a Recorrente protocolou o pedido de restituição já havia decisão do STF declarando a inconstitucionalidade da Contribuição ao IBC. Todavia, o efeito erga omnes somente ocorreu quando a Fazenda Nacional decidiu reconhecer a inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição ao IBC, como acima já mencionado. 2.5. Com as considerações acima, o fato é que, no presente caso, ao que pese a contagem do prazo prescricional argumentada em razões de recurso e mencionada neste voto, melhor sorte não socorre ao Recorrente. Ocorre que à Contribuição ao IBC, enquanto tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se o julgamento proferido no RE 566.621/RS 1 , através do qual o Supremo 1 "DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-007.312 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000292/2001-15 Tribunal Federal consagrou o entendimento de que deve ser aplicado o prazo de 5 (cinco) anos para os casos de repetição, restituição ou compensação de indébitos aos processos ajuizados somente a partir de 9 de junho de 2005 e, para os processos anteriores, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça decidiu o tema através do REsp nº 1.002.932 - SP, julgado em sede de repercussão geral. A matéria igualmente está pacificada perante este Tribunal Administrativo através da Súmula CARF nº 91, que assim prevê: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 2.6. No caso em análise, mesmo retroagindo no tempo a partir da data do protocolo do pedido ocorrido em 24/07/2001 e, aplicando a Súmula CARF nº 91, o pleito não abrange o período de recolhimento da contribuição, qual seja: dezembro de 1987 a outubro de 1988. REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido." (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 RTJ VOL0022301 PP00540) Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-007.312 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000292/2001-15 Com isso, diante da vedação imposta pelo artigo 62 do RICARF 2 , não é possível afastar o prazo prescricional sobre o caso em análise, motivo que impede o provimento do recurso. 3. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15553.720259/2018-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2015
LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. COMPROVAÇÃO.
Incabível a imposição de multa de oficio no lançamento constituído com base em erro no preenchimento de Declaração de Ajuste Anual, causado por informações equivocadas prestadas pela fonte pagadora, conforme previsto na Súmula CARF nº 73.
Numero da decisão: 2001-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a multa de ofício da autuação.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto, Marcelo Rocha Paura e Fabiana Okchstein Kelbert, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
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MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. COMPROVAÇÃO. Incabível a imposição de multa de oficio no lançamento constituído com base em erro no preenchimento de Declaração de Ajuste Anual, causado por informações equivocadas prestadas pela fonte pagadora, conforme previsto na Súmula CARF nº 73. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a multa de ofício da autuação. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto, Marcelo Rocha Paura e Fabiana Okchstein Kelbert, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 10-62.990, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (e-fls. 55/57) que manteve integralmente a notificação de lançamento nº 2015/296530424917498 (e-fls. 30/33). Abaixo, resumo do relatório do Acórdão da instância de piso: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 3. 72 02 59 /2 01 8- 29 Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-002.884 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15553.720259/2018-29 (...) O contribuinte, por meio de procurador habilitado, em sua impugnação discorda da notificação de lançamento. Afirma que o rendimento informado teve origem em transação imobiliária realizado com a Empresa Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRAS, realizada em 14 de maio de 2014, no valor de R$ 270.000,00 (Duzentos e setenta mil Reais), com a seguinte composição: terra-nua o valor R$ 138.976,00 (Cento e trinta e oito mil novecentos e setenta e seis Reais), lucros cessantes R$ 1.700,00 (mil e setecentos Reais) e indenização por dano direto R$ 129.324,00 (Cento e vinte e nove mil trezentos e vinte e quatro Reais). Ao verificar junto à Receita Federal do Brasil a existência de pendências na sua DIRPF/2015, procurou a Petrobrás e, por meio de contranotificação extrajudicial, tomou conhecimento de que houve erro de processamento dos pagamentos, mas que esse erro teria sido corrigido por meio de retificação da "DIRPJ/2015". Todavia, foi surpreendido com a notificação de lançamento em apreço, que glosou o IRRF no valor de R$ 35.505,45, por compensação indevida. Argumenta que fez sua declaração com base em comprovante de rendimentos fornecido pela Petrobrás (fonte pagadora). Alega que agiu de boa fé, e entende que o correto seria excluir os rendimentos declarados, uma vez que a empresa fez declaração retificadora, informando que houve erro ao processar o informe de rendimentos e que nenhum valor foi retido. De acordo com a fonte pagadora, parte da quantia recebida não se sujeitava à incidência de imposto de renda e a outra parte não atingiu o valor do qual a retenção é devida, portanto, todos os valores lançados na declaração do contribuinte devem ser retificados. Anexa os documentos de fls. 22/28 com o intuito de comprovar suas alegações. (...) Consta do voto da relatoria de piso, especialmente o seguinte: (...) Em sua impugnação, o contribuinte apresenta comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora (fls.24), onde consta informação do recebimento de juros e indenizações por lucros cessantes no valor de R$ 132.724,00 e a respectiva retenção na fonte de R$ 35,205,45. Anexa ainda o documento de fls. 25/28, onde o Sr. Cláudio Roberto Martins Ferreira, denominado gerente setorial de tributos federais retidos e municipais, esclarece que não houve retenção de IRRF sobre os valores creditados. Informa ainda que o crédito realizado em favor do contribuinte se referiu à compra e venda de um imóvel rural situado na Estrada Municipal José Fiúza, São Tomé, no Município de Itaboraí, Rio de Janeiro, CEP 24.800-000, e inscrito no Registro n9 46.603, do no Livro 002, fis. 001, do Cartório de Registro de Imóveis de Itaboraí, Rio de Janeiro. O imóvel teria sido adquirido pelo valor de R$ 270.000,00, e a quitação da quantia teria ocorrido em 02/04/2014, quando houve o crédito do valor da terra-nua, no importe de R$ 138.976,00, conforme DOC n9 101784589; em 15/04/2014, quando se realizou o creditamento de R$ 1.700,00, relativamente aos lucros cessantes, e; em 17/04/2014, com a transferência de R$ 129.324,00, para pagamento da indenização por dano direto. Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-002.884 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15553.720259/2018-29 Ao consultar a DIRPF/2013 e DIRPF/2015 (DIRPF/2014 não foi entregue) não encontramos qualquer registro da referida propriedade, tampouco houve apuração de ganho de capital referente ao apontado imóvel. Da mesma forma, não foi juntado ao processo a respectiva escritura pública de compra e venda de imóvel. Portanto, não é possível concluir que o valor recebido pelo contribuinte refira-se integralmente à venda de imóvel. Tampouco pode ser aceita a nova interpretação da fonte pagadora de que os valores pagos são isentos de tributação. Não existe qualquer previsão legal excluindo de tributação lucros cessantes. Não há no processo qualquer indicação do que seria a apontada indenização por dano direto, classificado pela fonte pagadora como isento de tributação. Assim, não havendo documentos (escritura pública, contrato de compra e venda de imóvel) que respaldem as informação prestadas por funcionário da fonte pagadora, não é possível aceitar a mudança de entendimento apontada Diante de todo o exposto, voto no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o imposto exigido por meio da notificação de lançamento. O interessado apresenta recurso administrativo, (e-fls. 60/64), onde, basicamente, reitera os argumentos expendidos em sua peça impugnatória e traz aos autos documentos comprobatórios do requerido (e-fls. 68/93). É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Rocha Paura, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Matéria em Julgamento A matéria em julgamento no presente recurso voluntário é a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 35.205,45. Mérito O recorrente em sua defesa alega, em síntese, que cumpriu com as suas obrigações compulsórias entregando a sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) dentro do prazo, mas que incluiu o valor de R$ 35.205,45, a título de IRRF, erradamente, em função das informações contidas no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. Que ao verificar, no site da Receita Federal, que a sua declaração estava com pendências, entrou em contato com a Empresa Petrobras, através de telefone, sendo informado Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-002.884 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15553.720259/2018-29 que: "houve um erro no processamento e que já haviam corrigido". Sendo assim, só após procurar informações, foi que recebeu uma Contranotificação Extrajudicial de n° 0003/2016, datada de 01 de março de 2016, esclarecendo que houvera um erro no sistema de processamento de pagamentos Desta forma, assevera que foi induzido ao erro, pois, acreditava que o assunto estaria totalmente solucionado com a Declaração Retificadora feita pela Empresa Petrobras, não realizando a sua Declaração Retificadora, por ser pessoa humilde e, não ter entendimento do procedimento fiscal, ficando inerte diante do infortúnio, sempre dentro da boa-fé. De início, convém reproduzir trechos da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, constante da respectiva autuação (e-fls. 39): Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ *******35.205,45, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Não comprovado. A Relatora da instância a quo não acatou as alegações do recorrente, fundamentando no seu voto o seguinte: Ao consultar a DIRPF/2013 e DIRPF/2015 (DIRPF/2014 não foi entregue) não encontramos qualquer registro da referida propriedade, tampouco houve apuração de ganho de capital referente ao apontado imóvel. Da mesma forma, não foi juntado ao processo a respectiva escritura pública de compra e venda de imóvel. Juntamente com seu recurso voluntário o sujeito passivo trouxe aos autos a seguinte documentação: i) Comprovante de rendimentos, ano-calendário 2014 (e-fls. 68); ii) Contranotificação extrajudicial nº 003/2016 emitida pela Petrobras (e-fls. 69/72); iii) Escrituras (e-fls. 78/85 e 89/93); iv) Certidão de quitação de ITBI (e-fls. 86); e v) Recibo de pagamento (e- fls. 87). Da análise da documentação acostada, especialmente o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, podemos inferir que assiste razão ao interessado quando afirma que foi induzido ao erro, durante o preenchimento de sua DIRPF. Naquele documento pode-se constatar que a fonte pagadora informou no campo 3. o valor de R$ 35.205,45, como imposto sobre a renda retido na fonte. Neste caso, entendo que o contribuinte não pode ser penalizado por tal conduta, tudo conforme previsto na Súmula CARF nº 73, in verbis: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Nessas circunstâncias não se pode imputar no lançamento a multa de ofício ao contribuinte, pois, como demonstrado, houve erro na informação prestada pela fonte pagadora, que induziu-o ao preenchimento incorreto de sua DIRPF. Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-002.884 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15553.720259/2018-29 Nestes termos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL, para excluir a multa de ofício da presente autuação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10670.721740/2015-39
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN.
O dispositivo legal a ser aplicado na avaliação da decadência do direito de a Fazenda Pública lançar a multa por atraso na entrega da GFIP é o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66).
INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA LEGAL
Por se tratar a ação fiscal de procedimento de natureza inquisitória, a intimação do contribuinte prévia ao lançamento não é exigência legal (Súmula CARF nº 46), e desta forma a sua falta não caracteriza cerceamento de defesa, a qual poderá ser exercida após a ciência do auto de infração.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. NÃO OCORRÊNCIA.
Conforme já sumulado pelo CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 2001-001.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10380.730319/2015-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura, André Luis Ulrich Pinto e Fabiana Okchstein Kelbert.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. O dispositivo legal a ser aplicado na avaliação da decadência do direito de a Fazenda Pública lançar a multa por atraso na entrega da GFIP é o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA LEGAL Por se tratar a ação fiscal de procedimento de natureza inquisitória, a intimação do contribuinte prévia ao lançamento não é exigência legal (Súmula CARF nº 46), e desta forma a sua falta não caracteriza cerceamento de defesa, a qual poderá ser exercida após a ciência do auto de infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme já sumulado pelo CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. O dispositivo legal a ser aplicado na avaliação da decadência do direito de a Fazenda Pública lançar a multa por atraso na entrega da GFIP é o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA LEGAL Por se tratar a ação fiscal de procedimento de natureza inquisitória, a intimação do contribuinte prévia ao lançamento não é exigência legal (Súmula CARF nº 46), e desta forma a sua falta não caracteriza cerceamento de defesa, a qual poderá ser exercida após a ciência do auto de infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme já sumulado pelo CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10380.730319/2015-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura, André Luis Ulrich Pinto e Fabiana Okchstein Kelbert. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 17 40 /2 01 5- 39 Fl. 38DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.758 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10670.721740/2015-39 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2001-001.705, de 18 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de documento de lançamento emitido pela Receita Federal do Brasil no qual é exigido do contribuinte crédito tributário de multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O enquadramento legal foi o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Conforme se extrai do acórdão da DRJ, o contribuinte apresentou impugnação na qual alegou, em síntese, falta de intimação prévia e a ocorrência de denúncia espontânea. A turma julgadora da primeira instância administrativa concluiu pela total improcedência da impugnação e consequente manutenção do crédito tributário lançado. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário onde, em síntese, alega prescrição/decadência, ocorrência de denúncia espontânea e falta de intimação prévia ao lançamento, invoca princípios constitucionais, cita jurisprudência. Requer ao final o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito - Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF Desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2001-001.705, de 18 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. PRELIMINARES Informação incorreta no documento de lançamento O contribuinte alega que ou a Caixa Econômica Federal ou a Previdência Social teriam perdido os dados, e que por isso teria sido orientado pelo Fiscal Previdenciário a nova transmissão da GFIP, dando a entender que teria transmitido a declaração original no prazo legal, em data anterior à apontada no documento de lançamento, que é a data constante dos sistemas internos da Receita Federal. O recorrente entretanto não acosta aos autos qualquer documento que comprove que teria havido uma Fl. 39DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.758 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10670.721740/2015-39 transmissão em data anterior. Conforme prevê o art. 36 da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da administração publica federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Assim sendo, a alegação feita, por não comprovada, não merece ser acatada. Prescrição/decadência Uma vez que não definitivamente constituído o crédito tributário em questão no âmbito administrativo, com relação à fluência dos prazos processuais o instituto a se avaliar a ocorrência é o da decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito por meio do lançamento. Trata-se de lançamento de ofício de multa por atraso na entrega da GFIP, e nesse caso o dispositivo legal a ser aplicado é o disposto no CTN, art. 173, I, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue- se após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O lançamento só poderia ter sido efetuado, para cada competência lançada, a partir da data limite para entrega da declaração. Desta forma, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 anos é o dia 1º de janeiro do ano seguinte ao da data limite para entrega no prazo da GFIP. Verifica-se no caso em questão, que a ciência pelo interessado do documento de lançamento se deu, de forma regular, para a competência mais antiga, antes da ocorrência da decadência do direito de a Fazenda Publica efetuar o lançamento do crédito. Se não ocorreu a decadência nem para a competência mais antiga, também não ocorreu para as demais. Intimação prévia ao lançamento A respeito da alegação do recorrente da inocorrência de intimação prévia ao lançamento, a mesma não procede e não tem o condão de afastar a multa aplicada. A ação fiscal é um procedimento de natureza inquisitória, onde o fiscal, ao entender que está em condições de identificar o fato gerador e demais elementos que lhe permitem formar sua convicção e constituir o lançamento, não necessita intimar o sujeito passivo para esclarecimentos ou prestação de informações. Não é a intimação prévia exigência legal para o lançamento do crédito. Nesse sentido a Súmula nº 46 deste CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 40DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.758 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10670.721740/2015-39 O art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, determina a necessidade da intimação apenas nos casos de não apresentação da declaração e a apresentação com erros ou incorreções. Na situação em comento, a infração de entrega em atraso da GFIP é fato em tese verificável de plano pelo auditor fiscal, a partir dos sistemas internos da Receita Federal, ficando a seu critério a avaliação da necessidade ou não de informação adicional a ser prestada pelo contribuinte. Não há aqui que se falar em cerceamento do direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório. O contencioso administrativo só se instaura com a apresentação da impugnação pelo sujeito passivo, ocasião em que ele exerce plenamente sua defesa, o que lhe é facultado após a ciência pelo interessado do documento de lançamento, tudo na observância do devido processo legal. Ante o exposto, REJEITO as preliminares suscitadas no recurso e passo à apreciação do mérito. MÉRITO Denúncia espontânea Da Instrução Normativa RFB nº 971 de 2009: Art. 472. Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Parágrafo único. Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator que regularize a situação que tenha configurado a infração, antes do início de qualquer ação fiscal relacionada com a infração, dispensada a comunicação da correção da falta à RFB. O art. 472 da IN RFB nº 971/2009, estabelece, como regra geral, que não é aplicada multa por descumprimento de obrigação acessória, caso haja denúncia espontânea da infração. O parágrafo único do dispositivo esclarece o que se considera denúncia espontânea para tal fim: procedimento adotado pelo infrator, antes de qualquer ação do Fisco, que regularize a situação que tenha configurado a infração. No caso da multa por atraso, uma vez ocorrida a entrega da declaração fora do prazo, tem-se configurada a infração (entrega em atraso) em caráter irremediável. Já o art. 476 da mesma IN RFB nº 971/2009 trata especificamente da aplicação das multas por descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, relativas à GFIP e, em seu inciso II, letra ‘b’, especificamente da multa aplicável, para a GFIP, no caso de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo”. Fl. 41DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.758 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10670.721740/2015-39 Assim sendo, a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP é legal conforme especificamente regulada pelo art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, e art. 476 da IN RFB nº 971, de 2009. A matéria já foi inclusive sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Desta forma, não procede a pretensão do recorrente de exclusão da multa com base na denúncia espontânea. Da multa aplicada A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Logo, constatada a infração, no caso o atraso na entrega da GFIP, a autoridade fiscal não só está autorizada como obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa prevista na legislação que rege a matéria, sem emitir juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou de eventual afronta em tese a princípios do direto administrativo e constitucional ou de outros aspectos de sua validade. No caso em comento, a multa é exigida em função do não cumprimento no prazo da obrigação acessória, e sua aplicação independe do cumprimento da obrigação principal, da condição pessoal ou da capacidade financeira do autuado, da existência de danos causados à Fazenda Pública ou de contraprestação imediata do Estado. A multa é aplicada, por meio do mesmo documento de lançamento, por cada GFIP entregue em atraso no período fiscalizado, não havendo que se falar em infração continuada. Os valores são aplicados conforme definidos na lei, verificados os limites mínimos os quais independem do valor da contribuição devida. Também não cabe no caso invocar alteração de critério de atuação do Fisco para afastar a multa imposta. A correspondente alteração legislativa ocorreu já no início de 2009, com a inserção do art.32-A da Lei nº 8.212, de 1991, no arcabouço jurídico pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando a sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP, em especial com a previsão de aplicação da multa por atraso na entrega de GFIP, até então inexistente. A alteração em critérios do Fisco é legal se respaldada por correspondente alteração na legislação correlata. Jurisprudência No que se refere à jurisprudência citada, por falta de lei que lhe atribua eficácia normativa, não constitui norma geral de direito tributário decisão judicial ou administrativa que produz efeito apenas em relação às partes Fl. 42DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-001.758 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10670.721740/2015-39 que integram o processo (art. 100 do CTN – Parecer Normativo CST nº 23, publicado no DOU de 9 de setembro de 2013). CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, conforme acima descrito. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11020.007494/2008-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 16/05/2008
CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. RECEITA
O art. 1º, § 3º, inciso VI, da Lei nº 10.833/03, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 17 colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins, do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.326
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andrea Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López.
Nome do relator: Mauricio Taveira e Silva
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 16/05/2008 CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. RECEITA O art. 1º, § 3º, inciso VI, da Lei nº 10.833/03, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 17 colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins, do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 16/05/2008 Ementa: CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. RECEITA O art. 1º, § 3º, inciso VI, da Lei nº 10.833/03, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 17 colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins, do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andrea Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.007494/200805 Acórdão n.º 3301001.326 S3C3T1 Fl. 97 2 Relatório SAN MARINO MÓVEIS LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 69/84 contra o acórdão nº 0120.650, de 08/02/2011, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém – PA, fls. 46/48, que julgou procedente o auto de infração de fls. 06/08, relativo ao ressarcimento indevido de Cofins não cumulativa, referente ao fato gerador de 16/05/2008, decorrente de transferência de créditos de ICMS, cuja ciência se verificou em 21/11/2008 (fl. 09), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa acima identificada, no valor de R$ 50.958,49, incluídos nesse valor a contribuição, a multa proporcional (75%) e juros de mora. 2. Segundo a Fiscalização (Termo de fls. 11/16, integrante do Auto), o lançamento decorreu de análise de pedido de ressarcimento transmitido pela empresa, no qual foi requerido crédito de Cofins nãocumulativa do 2º trimestre de 2007. Nessa análise, foi constatado que a interessada efetuou operações de transferência de créditos de ICMS para terceiros sem o correspondente reconhecimento das receitas dessas alienações. 3. Cientificada em 21.11.2008 (fl. 07) a interessada apresentou, tempestivamente, em 18.12.2008, impugnação (fl. 19/27) na qual: a) Alega que a Receita Federal amplia o conceito de faturamento quando entende que as quantias realizadas pelos contribuintes decorrentes da transferência de créditos de ICMS configuram receita tributável pela contribuição, contrariando as práticas contábeis e a legislação que regula a matéria; b) O saldo credor do ICMS acumulado por força da não incidência do imposto nas exportações contabilmente possui natureza de “tributo recuperável” que no balanço está classificado como uma conta do ativo da empresa; c) “A transferência desse saldo para pagamento de fornecedores e para terceiros não caracteriza o auferimento de uma ‘receita’, pois o que ocorre é a alteração da sua classificação; da conta ‘tributos recuperáveis’, o saldo credor passa para uma outra conta constante no passivo, a de ‘saldo a pagar fornecedores’ ”; d) Acrescenta que os “tributos recuperáveis” são contas do ativo da empresa e a efetiva recuperação do tributo, feita a través da transferência do ICMS, não inova no ativo, “apenas altera sua classificação contábil”, podendo ser visualizado no Demonstrativo de Resultado do Exercício que a transferência resulta no abatimento da conta “saldos a pagar fornecedores”; e) Argumenta: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.007494/200805 Acórdão n.º 3301001.326 S3C3T1 Fl. 98 3 “Ocorre que o Auto de Infração objeto da presente Impugnação deixa claro que a fiscalização vem adotando o entendimento de que a transferência do saldo credor de ICMS para fornecedores/terceiros geraria uma ‘receita’ para a empresa. O entendimento retro permite constatar dois pontos que merecem ser destacados: 1) que as empresas abatem do saldo da conta ‘saldo a pagar fornecedores’ os valores de ICMS transferidos e, 2) que por conta da transferência do saldo acumulado de ICMS, as empresas aufeririam uma vantagem patrimonial, a que é considerada uma ‘receita’ pelo ente tributante. Todavia, é importante distinguir os dois aspectos ressaltados: uma coisa é o abatimento do saldo da conta ‘saldo a pagar fornecedores’ (situação 1, acima). Outra coisa é a alteração da classificação contábil dos valores recebidos por conta da transferência do saldo credor acumulado de ICMS, da conta ‘tributos recuperáveis’ para a conta ‘caixa’, situação que ocorre no patrimônio da empresa (ativo), demonstrado através do respectivo Balanço, e que não configura auferimento de vantagem patrimonial. A confusão dos conceitos advinda do entendimento da autoridade tributante leva a errônea interpretação de que a efetiva realização do ativo (impostos a recuperar) corresponde ao auferimento de uma receita (conta do DRE), quando o que ocorre é a redução do passivo através da diminuição da conta ‘saldo a pagar fornecedores’. A pretensão fiscal em tributar pelo PIS/COFINS (através de autuações) os valores realizados através da transferência de saldo credor de ICMS para terceiros, pelo simples fato de que o saldo da conta Fornecedores diminuiu, e o mesmo que tributar os pagamentos que a empresa faz aos Fornecedores, pois estas operações, evidentemente, também causam a diminuição da conta Fornecedores!” f) Afirma que mantido o entendimento da RF “poderiase chegar à esdrúxula tributação dos valores correspondentes aos créditos recuperados – através de confrontação com os débitos gerados pela empresa nas vendas realizadas no mercado interno e sujeitas à incidência do imposto – situação que nem de perto configura o auferimento de receita passível de tributação”; g) Cita acórdão do extinto Conselho de Contribuintes que reforça seu entendimento, além de doutrina; h) Ao final requer a procedência de sua impugnação e a anulação do crédito lançado. A DRJ considerou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.007494/200805 Acórdão n.º 3301001.326 S3C3T1 Fl. 99 4 Data do fato gerador: 16/05/2008 TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS. RECEITA. Somente a partir de 1º de janeiro de 2009 é que as receitas decorrentes de transferência onerosa do ICMS, originado das operações de exportação, passaram a ser excluídas das bases de cálculo das contribuições sujeitas ao regime da não cumulatividade. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido Tempestivamente, em 07/04/2011, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 69/84, repisando seus argumentos de defesa anteriormente apresentados, no sentido de que a transferência do saldo credor de ICMS acumulado por força da não incidência nas exportações possui natureza de tributo recuperável e que a transferência desse saldo para o pagamento de fornecedores e terceiros não caracteriza o auferimento de receita. A MP n° 451/08 (convertida na lei n° 11.945/09) veio tão somente explicitar a correta interpretação da matéria, conforme entendimento já adotado pelos tribunais administrativos e judiciais. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme mencionado anteriormente, a contribuinte pleiteou o ressarcimento de Cofins não cumulativa em cuja análise constatouse a transferência de créditos de ICMS para terceiros sem o correspondente reconhecimento das receitas dessas alienações, ensejando o presente auto de infração. A peticionante registra que a transferência de créditos de ICMS não configura fato gerador da Cofins. Há de se reconhecer tratarse de assunto controvertido tendo posicionamento consonante ao da contribuinte o asseverado pelos ilustres autores Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi1, que em suas considerações registram não haver nenhuma receita a ser contabilizada na conta de resultado. Em sentido contrário se manifestou a autoridade administrativa por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 48, de 30/12/2004, a qual registra dentre outras considerações que: “Seja qual for o 1 in “Imposto de Renda das Empresas Interpretação Prática”, 34ª ed. São Paulo, IR Publicações Ltda., 2009, pág. 892 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.007494/200805 Acórdão n.º 3301001.326 S3C3T1 Fl. 100 5 motivo que ensejou a cessão do crédito, v.g., decisão gerencial ou excessos resultantes de saídas por vendas para o exterior, a receita auferida na cessão daquele direito encontrase no campo de incidência das contribuições.” Por fim, a referida Solução de Consulta, quanto à Cofins, restou assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Cessão de Créditos do ICMS (Tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins) CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO Os valores auferidos com a cessão de créditos do ICMS estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, do IRPJ e da CSLL. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; 25 e 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; 2o e 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; 1o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; 1o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; 36, 41 e 49 da Instrução Normativa no 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 4o da Instrução Normativa no 355, de 29 de agosto de 2003. Porém, em que pese se tratar de assunto polêmico, por meio do art. 1º, § 3º, inciso VI, da Lei nº 10.833/03, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 17, o legislador se posicionou no seguinte sentido: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos). Contudo, a mesma Lei nº 11.945/09, por meio do seu art. 33 fixou a produção de efeitos do precitado inciso nos seguintes termos: Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de janeiro de 2009, em relação ao disposto: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.007494/200805 Acórdão n.º 3301001.326 S3C3T1 Fl. 101 6 [...] d) no art. 17, relativamente ao inciso VI do § 3o do art. 1o e ao art. 58J da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Portanto, tendo em vista a manifestação formal do legislador acerca do dies a quo como sendo 01/01/2009 e, no presente caso, se referir a fato anterior, não há como concordar com o pleito da contribuinte, no sentido de canelar o lançamento decorrente das transferências de créditos de ICMS. Portanto, não há reparos a fazer à decisão recorrida. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13558.000035/2006-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
NULIDADE DE ACÓRDÃO PROFERIDO PELA DRJ COM PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
O reconhecimento de nulidade de ato praticado com preterição de defesa exige prova do cerceamento de defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO DE RECEITAS E DESPESAS.
O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência.
Numero da decisão: 2001-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para restaurar parte das despesas escrituradas em Livro Caixa. (documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 NULIDADE DE ACÓRDÃO PROFERIDO PELA DRJ COM PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. O reconhecimento de nulidade de ato praticado com preterição de defesa exige prova do cerceamento de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO DE RECEITAS E DESPESAS. O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência.
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O reconhecimento de nulidade de ato praticado com preterição de defesa exige prova do cerceamento de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO DE RECEITAS E DESPESAS. O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para restaurar parte das despesas escrituradas em Livro Caixa. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura Relatório Trata-se de notificação de lançamento lavrada em 31/10/05, por meio da qual exige-se da ora recorrente o valor de R$ 5.778,93 título de IRPF suplementar, exercício 2003, ano-calendário 2002, acrescido de multa de ofício e demais consectários legais diante das seguintes infrações: - dedução indevida com despesas médicas; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 00 35 /2 00 6- 98 Fl. 292DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.067 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.000035/2006-98 - dedução indevida a título de livro Caixa; Devidamente notificada do lançamento, a Recorrente apresentou impugnação, na qual argumenta em síntese, que todos os documentos foram entregues à fiscalização. Requer diligência para apurar o extravio destes documentos. Apresenta listagem das despesas que visa deduzir a titulo de livro caixa. A Recorrente instruiu a sua impugnação com os seguintes documentos: (i) auto de infração (fls.04-09); (ii) cópias Livro Caixa (fls.10-4); (iii) instrumento de procuração (fl.15); (iv) documentos de identificação (fl.16); (v) Acerto de Declaração (fl.19); e (vi) DAA-2003 (fls.22-25). Na ocasião do julgamento da impugnação apresentada pela ora Recorrente, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Salvador (BA) proferiu o acórdão nº 15- 16.429 - 3ª Turma da DRJ/SDR, julgando improcedente a impugnação, por não haver apresentado, a impugnante, os documentos durante a fiscalização, como alega. Não se justifica a realização de diligência para apurar o que apenas se alega. O livro caixa desacompanhado dos documentos correspondentes não é prova suficiente das despesas declaradas. Inconformada com o v. acórdão nº 15-16.429 - 3ª Turma da DRJ/SDR, a Recorrente interpôs recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, ter havido falha administrativa, no sentido de os documentos antes apresentados foram extraviados na própria repartição, o que cerceou seu direito de comprovar a idoneidade de todos os lançamentos que subsidiaram a sua declaração ano base 2002; Reapresenta para análise os documentos comprobatórios. A Recorrente instruiu a sua impugnação com os seguintes documentos: (i) instrumento de procuração (fl.41-42); (ii) documentos de identificação do advogado (fl.43); (iii) cópias Livro Caixa (fls.48-52); (iv) Guias DAE (fl.53,79,95,112,128,); (v) boleto e comprovante de pagamento no valor de R$ 3.565,12, cedente COND. ED. ARTUMIRO FONTES (fls.55-56, 77-78, 93-94, 115-116, 131- 132, 154-155, 180-181, 199-200, 213-214, 243-244, 261-262, 279-280); (vi) recibos emitidos no valor de R$ 195,00, referentes à serviços prestados pela GRÁFICA VITAL (fl.57,137,182); (vii) recibos no valor de R$ 1.458,00, referentes à serviços contábeis (fl.58,76,99,114,130,151,177,196,215,240,258,276); (viii) Guias GPS e respectivos comprovantes de pagamento (fls.59-60, 81-82, 97-98, 133-136, 152-153, 178-179, 197-198, 216-217, 241-242, 259-260, 277-278); Fl. 293DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.067 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.000035/2006-98 (ix) faturas de serviços telefônico e respectivos comprovantes de pagamento(fls.61-64, 83-84, 100-103, 140-141, 156-157, 186-187, 188-189, 201-202, 218-219, 224-227, 245-246, 263-264, 281-282); (x) faturas de serviços de energia elétrica e respectivos comprovantes de pagamento(fls.65-66, 85-86; 117-118, 138-139, 158-159, 160-161, 184-185, 220-223, 247-248, 283-284 ); (xi) comprovantes de Recolhimento FGTS e respectivos comprovantes de pagamento (fls.67-68; 87-88, 104, 119-120, 142-143, 162-163, 167, 203-204, 232-233, 249-250, 254-256, 265-266, 285-286); (xii) demonstrativo de folha de pagamento de salário de funcionários (fls.70-75, 90-92, 93-94, 110-111, 126-127, 148-149, 168-170; 173-174, 191-193, 209- 210, 236-237, 271-273, 289-290 ); (xiii) instrumento de procuração (fl.15); (xiv) documentos de identificação (fl.16); (xv) Acerto de Declaração (fl.19); (xvi) DAA-2003 (fls.22-25); (xvii) relação dos trabalhadores constantes do arquivo SEFIP (fl.105-107, 121- 123, 144-146, 164-166, 205-207, 250-252, 267-269, 288,); (xviii) ICMS a recolher (fl.109); (xix) documento de arrecadação municipal de Itabuna (fls.150,175,195,212,239,257,275); (xx) encerramento do balanço - Secretaria da Fazenda (fl.172); (xxi) Relação Anual de Informações Sociais, ano-base 2001 (fl.208); e (xxii) notas fiscais, emitidas por CDR MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. (fl.228-229). Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. O recurso voluntário foi interposto tempestivamente, razão pela qual dele tomo conhecimento. Trata-se a controvérsia que deduções de despesas contabilizada em livro caixa. Como é sabido, a lei nº 8.134/1990 estabelece que: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) Fl. 294DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art236 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art236 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8383.htm#art9 Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.067 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.000035/2006-98 I - a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II - os emolumentos pagos a terceiros; III - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. No mesmo sentido, estabelecia o art. 51, da IN 15/2001, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores que: Art. 51. O contribuinte que receber rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro deve registrar as receitas e as despesas em livro Caixa, podendo deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas escrituradas, a saber: I - a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os respectivos encargos trabalhistas e previdenciários; II - os emolumentos pagos a terceiros, assim considerados os valores referentes à retribuição pela execução, pelos serventuários públicos, de atos cartorários, judiciais e extrajudiciais; III - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1o O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem assim a despesas de arrendamento; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo, quando correrem por conta deste; c) em relação aos rendimentos da prestação de serviços de transporte em veículo próprio, locado, arrendado ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária. § 2o O contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e despesas mediante documentação idônea, que será mantida em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou a prescrição. § 3o O excesso de deduções apurado no mês pode ser compensado nos meses seguintes, até dezembro, não podendo ser transposto para o ano seguinte. § 4o O livro Caixa independe de registro. Nota-se, portanto, que o contribuinte de recebe rendimentos oriundos de trabalho não assalariado devem registrar receitas e despesas em livro caixa, sendo-lhes permitida a dedução de algumas despesas, incluindo-se despesas com pagamento de salários e encargos trabalhistas, além de despesas de custeio pagas, assim compreendidas aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Inicialmente, deve-se dizer que não há qualquer nulidade nos autos do presente processo administrativo, primeiro porque o Recorrente apenas alega ter entregue os documentos originais à Fiscalização, no entanto, não comprova suas alegações mediante apresentação de recibo de entrega ou outros documentos. Dessa forma, afastada a hipótese de nulidade, passo a analisar os documentos juntados para instruir o recurso voluntário e comprovar as despesas lançadas em livro caixa. Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-002.067 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.000035/2006-98 Entendo que restam comprovadas as seguintes despesas enquadradas nas hipóteses previstas no art. 6º, da Lei nº 8.134/1990: boletos e comprovante de pagamento, no valor de R$ 3.565,12, tendo como cedente COND. ED. ARTUMIRO FONTES, referente ao imóvel utilizado pela Recorrente ara o exercício de sua profissão (fls.55-56, 77- 78, 93-94, 115-116, 131-132, 154-155, 180-181, 199-200, 213-214, 243- 244, 261-262, 279-280); recibos no valor de R$ 195,00, emitido por GRÁFICA VITAL, tendo como objeto a confecção de blocos de receituário médico (às fls. 57,137,182); recibos no valor de R$ 1.458,00, emitidos por REVISA PLANEJAMENTO E REVISÃO CONTABIL LTDA. S/A, referentes à serviços contábeis (fls. 58,76,99,114,130,151,177,196,215,240,258,276); comprovantes de pagamento de remuneração pago à terceiro, com vínculo empregatício ( FGTS, INSS e folha de pagamento), totalizando a quantia de R$ 4.999,89 (fls. 59-60, 81-82, 97-98, 133-136, 152-153, 178-179, 197-198, 216-217, 241-242, 259-260, 277-278 ; 67-68; 87-88, 104, 119- 120, 142-143, 162-163, 167, 203-204, 232-233, 249-250, 254-256, 265- 266, 285-286; e 70-75, 90-92, 93-94, 110-111, 126-127, 148-149, 168- 170; 173-174, 191-193, 209-210, 236-237, 271-273, 289-290); Por outro lado, não é possível admitir as contas de energia elétrica e serviço telefônico, tributos estaduais e municipais como despesas da Recorrente, por não estarem em seu nome. Dessa forma, não podem ser acolhidos os seguintes documentos: faturas de serviços telefônico juntadas às fls. 61-64, 83-84, 100-103, 140- 141, 156-157, 186-187, 188-189, 201-202, 218-219, 224-227, 245-246, 263-264, 281-282); faturas de serviços de energia elétrica juntadas às fls. 65-66, 85-86; 117- 118, 138-139, 158-159, 160-161, 184-185, 220-223, 247-248, 283-284. documento de arrecadação municipal de Itabuna (fls.150,175,195,212,239,257,275); Guias DAE (fl.53,79,95,112,128,); ICMS a recolher (fl.109); Por fim, também não são admissíveis as despesas com materiais de construção, tendo em vista que a Recorrente não demonstra de que forma estes materiais estão relacionados à sua atividade profissional. Dessa forma, não podem ser acolhidos como documentos idôneos para comprovação de despesa de livro-caixa as: Fl. 296DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-002.067 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.000035/2006-98 notas fiscais emitidas por CDR COM. DIST. E REP. DE MAT. DE CONSTR., no valor de R$ 125,20, tendo como objeto matérias de construção/reforma, às fls. 228-230; em nome da contribuir Diante do exposto, conheço do recurso, rejeito a preliminar de nulidade e dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer parte das despesas escrituradas em livro caixa. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 297DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10640.901694/2015-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2014
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DE DCTF. COMPROVAÇÃO.
Na espécie, tendo sido demonstrado por meio da escrituração contábil e fiscal o valor correto do débito do tributo, tem-se a comprovação do pagamento a maior. Demonstrada a liquidez e certeza do crédito, é de se dar provimento ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 1401-004.311
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o crédito tributário no valor original pleiteado e homologar as compensações efetuadas até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10640.901693/2015-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PAGAMENTO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DE DCTF. COMPROVAÇÃO. Na espécie, tendo sido demonstrado por meio da escrituração contábil e fiscal o valor correto do débito do tributo, tem-se a comprovação do pagamento a maior. Demonstrada a liquidez e certeza do crédito, é de se dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o crédito tributário no valor original pleiteado e homologar as compensações efetuadas até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10640.901693/2015-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 16 94 /2 01 5- 15 Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-004.311 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10640.901694/2015-15 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 1401-004.306, de 12 de março de 2020, que lhe serve de paradigma. Cuidam os presentes autos de Pedido de Ressarcimento (PER) por meio do qual o contribuinte formalizou crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior da CSLL apurada sobre o lucro real trimestral. O crédito foi utilizado para compensar débitos de sua responsabilidade. A autoridade administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu despacho decisório por meio do qual indeferiu o crédito pleiteado e não homologou as compensações efetuadas. A razão do indeferimento foi a utilização integral do valor pago por meio de DARF para a quitação de débitos do contribuinte declarados em DCTF. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que retificou a DCTF para que espelhasse o débito correto do tributo. Diante da retificação da DCTF, pediu a reforma da decisão da RFB. No julgamento de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a retificação da DCTF não foi acompanhada de elementos probatórios que dessem suporte ao montante do débito do tributo em questão declarado. Irresignado com a decisão de piso, o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual, resumidamente, apresentou os elementos de prova para dar suporte à retificação da DCTF. Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-004.311 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10640.901694/2015-15 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1401-004.306, de 12 de março de 2020, paradigma desta decisão. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. A partir do relato acima, vê-se que o crédito pleiteado pela recorrente já havia sido integralmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Essa é a razão para não haver saldo disponível para as compensações declaradas em DComp. Impende destacar que, na sistemática do lançamento por homologação, a apresentação da DCTF constitui o crédito tributário. Assim, conforme bem demarcado pela decisão de piso, a questão posta na espécie é a desconstituição de débito declarado por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. Em outras palavras, se o contribuinte equivocou-se na DCTF e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar o erro e qual o montante efetivamente devido. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na impugnação "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, é recorrente o posicionamento deste Conselho, conforme se pode observar nos seguintes julgados: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-004.311 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10640.901694/2015-15 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) Na espécie, o contribuinte logrou fazer a prova pretendida. Trouxe aos autos a Escrituração Contábil Digital – ECD e a Escrituração Contábil Fiscal demonstrando o valor correto do débito de CSLL devido de acordo com as regras do lucro real trimestral. Considerando que o débito foi pago em três parcelas, conforme legislação de regência, verifico que a diferença entre o montante efetivamente devido de acordo com a contabilidade e o valor da contribuição pago equivale ao crédito pleiteado. Assim, considero provado além de qualquer dúvida razoável a liquidez e certeza do crédito. É oportuno ressaltar que a autoridade administrativa deverá observar, ao liquidar a presente decisão, a disponibilidade do crédito ora reconhecido em função de eventual utilização em outros pedidos de ressarcimento. Conclusão. Voto por dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o crédito tributário no valor original pleiteado e homologar as compensações efetuadas até este limite. Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-004.311 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10640.901694/2015-15 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o crédito tributário no valor original pleiteado e homologar as compensações efetuadas até o limite do valor reconhecido. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital
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