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Numero do processo: 10840.002791/2001-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1995
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO.
Constatando-se que houve omissão na apreciação de prova constante dos autos, devem ser acolhidos os embargos.
DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. CONTAGEM DE PRAZO. Nos casos de decretação de nulidade do lançamento por vício formal, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o previsto no inciso II do artigo 173, do Código Tributário Nacional, ou seja, a Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos, a contar da decisão definitiva que houver anulado por vício formal o lançamento anterior, para constituir novamente o crédito tributário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações.
Embargos Acolhidos.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-000.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para retificar o acórdão nº 2201-00.502,
de 03/12/2009, rejeitando a preliminar de decadência e, julgando o mérito, dar provimento ao recurso do contribuinte.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Constatandose que houve omissão na apreciação de prova constante dos autos, devem ser acolhidos os embargos. DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. CONTAGEM DE PRAZO. Nos casos de decretação de nulidade do lançamento por vício formal, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o previsto no inciso II do artigo 173, do Código Tributário Nacional, ou seja, a Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos, a contar da decisão definitiva que houver anulado por vício formal o lançamento anterior, para constituir novamente o crédito tributário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações. Embargos Acolhidos. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para retificar o acórdão nº 220100.502, de 03/12/2009, rejeitando a preliminar de decadência e, julgando o mérito, dar provimento ao recurso do contribuinte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 2 (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora. EDITADO EM: 07/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaína Mesquita Lourenço de Souza, Gustavo Lian Haddad (Convocado) e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 04/08), para exigir crédito tributário de IRPF, no montante de R$150.012,30, dos quais R$51.214,47 referemse a imposto, R$ 38.410,85 a multa de ofício de 75% e R$ 60.386,98 a juros de mora calculados até 28/09/2001, originado de acréscimo patrimonial a descoberto no exercício de 1995. Tratase o presente processo de reexame de período já fiscalizado, devidamente autorizado (fls. 10), após o lançamento do processo nº 10840.000215/9617 (apenso a este), ter sido anulado pela Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, em 06/08/1997. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 18/09/2006, fls. 27/42 e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, pronunciouse, mediante Acórdão nº 0319.447, de 11/12/2006, fls. 54/64, julgando integralmente procedente o lançamento. O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 26/10/2005, interpôs, tempestivamente Recurso Voluntário, fls.70 e 86/93. Por meio do acórdão nº220100.502, de 03/12/2009, acolhi a preliminar de decadência do lançamento, deixando de apreciar as demais alegações formuladas pela recorrente, em decisão assim ementada: “IRPF – DECADÊNCIA – Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro. Preliminar Acolhida. Recurso Voluntário Provido.” Contra essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração de fls.128/131, por meio dos quais aponta omissão/obscuridade na análise da decadência. Em suas razoes argumenta que a notificação de lançamento foi anulada pela Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls.17/19), proferida em 06/08/1997, segundo noticiado nos autos do processo n.10840.000215/9617 (apenso). Posteriormente, o contribuinte foi intimado da autuação recorrida, em 08/10/2001 (fls.36verso). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 10840.002791/200163 Acórdão n.º 220100.890 S2C2T1 Fl. 2 3 Recebido o processo para exame, exarei Despacho, pelo qual me manifestei pelo cabimento dos presentes embargos, por estarem presentes seus pressupostos, requerendo, então, a sua inclusão em pauta. É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional são tempestivos e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Assiste razão à Fazenda Nacional. Efetivamente, constatase que o lançamento que originou o processo nº 10840.000215/9617 foi declarado nulo por vicio formal, pela Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferida em 06/08/1997. O auto de infração, que deu origem ao processo ora em exame, foi lavrado em 04/10/2001 e o contribuinte dele foi intimado 08/10/2001 (fls.36verso). Ressaltese ainda que ambos os lançamentos têm conteúdo material idêntico e apenas foi corrigido o vício formal. Efetivamente, tratandose de lançamento anulado por vício formal, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, a regra do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional, qual seja, a “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”, a partir de quando, então, tem a Fazenda Nacional, o prazo de cinco anos para efetuar um novo lançamento. No caso concreto, considerandose que a decisão que anulou o lançamento original tornouse definitiva 30 dias após a intimação do Contribuinte a seu respeito – o que se deu em 31/07/1998 (fls.45verso) e tendo o contribuinte sido intimado do novo lançamento em outubro de 2001, está perfeitamente dentro do prazo de 5 anos. Não há que se falar, portanto, de decadência do direito da Fazenda lançar. Por essa razão, afasto a preliminar de decadência sustentada pelo Recorrente em seu recurso e acolhida no acórdão embargado (nº nº220100.502). Resta, dessa forma, a análise das outras razões apresentadas no recurso voluntário. No mérito, o contribuinte argumenta, em síntese, que seu acréscimo patrimonial está respaldado no recebimento da doação de quotas de capital da empresa Caaporã Agropecuária Ltda. Importa de pronto ressaltar que no lançamento, ora recorrido, a fiscalização apurou o Acréscimo Patrimonial a Descoberto, através da análise por fluxo de caixa anual, considerando as origens e as aplicações de recursos informadas pelo seu montante anual, conforme demonstrativo incluído no Termo de Constatação e intimação fiscal de fls. 31/32. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 4 Antes de qualquer análise e apesar deste critério não ter sido diretamente contestado pelo recorrente, entendo que tal procedimento agride frontalmente os dispositivos legais que regem a matéria, devendo portanto ser levantado de ofício. A Lei nº 7.713, de 27 de dezembro de 1988, trouxe a mais significativa alteração para a sistemática de incidência e apuração do imposto de renda pessoa física – IRPF, ao dispor, em seus artigos 2º e 3º, que este seria devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital fossem percebidos: “ Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei.” No lançamento recorrido, apurado com base anual, foi utilizada forma indevida para presumir a renda auferida, pois o feito não exprime a verdade material das situações concretas motivadoras da incidência tributária, não se amoldando aos ditames das Leis nºs 7.713/88, 8.134/90, 8.383/91 e 9.250/95, nem atendendo às determinações do artigo 142 do CTN, a seguir transcrito: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Aplicável à situação as considerações de José Souto Maior Borges em Lançamento Tributário, 2.ª Ed. Malheiros, 1999, p. 246, sobre os feitos portadores de vícios de elaboração: “ O lançamento vicioso é, nesses termos considerado, aquele que apresenta deficiências jurídicas. Mas a conversão do lançamento num ato defeituoso não é decorrência de sua Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 10840.002791/200163 Acórdão n.º 220100.890 S2C2T1 Fl. 3 5 injustiça ou inconveniência. Apenas se liga a razões de ilegalidade ou, mais amplamente, de antijuridicidade. Defeito do lançamento significa, por um lado, que ele se encontra em contradição com um requisito qualquer, contemplado pela norma que lhe fundamenta a validade; não, porém, com toda a norma de sua produção. Mas, por outro lado, há de significar que o lançamento estará de acordo com o mínimo de determinação por essa norma, ou seja, com alguns critérios que lhe estão supraordenados, porque, do contrário, sequer existiria o lançamento como norma individual e concreta, ou seja, o lançamento não teria nenhuma validade. O lançamento defeituoso e, portanto, aquele que se encontra, sob um ângulo qualquer– ou seja, parcialmente –, em desacordo com as normas que regulam sua produção. Vale dizer: com as normas administrativas tributárias postas no Código Tributário Nacional e outros atos normativos de caráter geral e abstrato” . Neste sentido é pacífica a jurisprudência deste Colegiado: “IRPF EX: 1998 e 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL A presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimos patrimoniais a descoberto somente pode ser aceita se o respectivo levantamento for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento da percepção dos valores correspondentes. Recurso de ofício negado”.(Acórdão nº 102 45.853 de 05 de dezembro de 2002) “IRPF – EXS.: 1991 a 1993 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – APURAÇÃO ANUAL DESCABIMENTO Na vigência da Lei n. 7.713, de 1988, não pode prosperar o Auto de Infração que apura acréscimo patrimonial a descoberto em base anual. Recurso provido.” (Acórdão nº: 10246.708 de 13 de abril de 2005) “IRPF Exs.: 1992, 1994 e 1995 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO GASTOS INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL BASE DE CÁLCULO PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL FLUXO DE CAIXA. O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo se, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurada através de planilhamento financeiro ("fluxo de caixa"), onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Desta forma, somente é correto apurar a omissão de rendimentos, através de "fluxo de caixa", quando esta apuração for mensal. Não se mantém o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 6 lançamento apurado incorretamente.”(Acórdão nº: 10611.427, de 15 de agosto de 2000.) “IRPF – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – COMPROVAÇÃO DE ORIGEM – Com o advento da Lei n° 7.713, de 1988, o acréscimo patrimonial há de ser apurado mensalmente, competindo ao sujeito passivo a comprovação de recursos disponíveis no mês da constatação do acréscimo. Admitese, como recurso, os valores comprovadamente recebidos, no próprio anobase, até o mês da apuração do acréscimo, pelo valor líquido. Não é de ser aceito documento relativo a aplicações financeiras há mais de um ano do fato gerador, mormente quando, mesmo intimada, a contribuinte não logra comprovar ter sacado essas disponibilidades para compra do bem.” (Acórdão nº 0103.104, da CSRF de 12 de setembro de 2000.) Dessa forma não pode prosperar o lançamento, pois mesmo já tendo sido declarado nulo devido a erro formal, sem exame de mérito, pela decisão de primeira instância, novamente o lançamento ocorreu eivado de vicio insanável, por ter apurado acréscimo patrimonial a descoberto em base anual. Para prosperar o lançamento, o acréscimo patrimonial a descoberto, deveria ter sido apurado através de "fluxo de caixa" mensal, no qual considerase todos os ingressos e dispêndios realizados a cada mês pelo contribuinte. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, para retificar o acórdão nº 220100.502, de 03/12/2009, rejeitando a preliminar de decadência e passando a análise do mérito, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 10840.002791/200163 Acórdão n.º 220100.890 S2C2T1 Fl. 4 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 07/06/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC
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Numero do processo: 19647.003832/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
EXCLUSÃO DOS SIMPLES. ARBITRAMENTO DOS LUCROS.
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE, Regular o lançamento no qual estão descritos, com detalhes, os motivos de fato e de direito que fundamentam a exigência.
RECOLHIMENTOS NO ÂMBITO DO SIMPLES. IMPUTAÇÃO. CABIMENTO. Devem ser deduzidas do crédito tributário lançado as correspondentes parcelas de cada tributo recolhidas de forma centralizada na
sistemática do SIMPLES. MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA, Definidos em lei, o percentual de 75% aplicado em lançamento de oficio,
bem como a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não se sujeitam a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARP n° 2).
Numero da decisão: 1101-000.409
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ARBITRAMENTO DOS LUCROS. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE, Regular o lançamento no qual estão descritos, corn detalhes, os motivos de fato e de direito que fundamentam a exigência, RECOLHIMENTOS NO AMBITO DO SIMPLES. IMPUTAÇÃO„ CABIMENTO. Devem ser deduzidas do crédito tributário lançado as correspondentes parcelas de cada tributo recolhidas de forma centralizada na sistemática do SIMPLES. MULTA DE OFICIO. TUROS DE MORA, Definidos em lei, o percentual de 75% aplicado em lançamento de oficio, bem como a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não se sujeitam a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARP n° 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO — Vice-Presidente no exercício da Presidência. ,./kk (attcf,a cI DELI PEREIRA BESSA Relatora EDITADO EM: 11/02/.2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva, Marcos Vinícius Banos Ottoni (suplente convocado) e Plinio Rodrigues Lima (suplente convocado), Ausente, por afastamento legal, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), 2 Process() n" 19647 003832/2003-61 Si -Cl TI Acórdão 1101-00,409 Fl Relatório J&M Mercadinho Ltda ME, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE, que por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento formalizado em 06/11/2003, Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de 1nfração, às fly. 05 a 33, para exigência de créditos tributários, referentes aos anos calendários de 2000 a 2002, adiante especificados: CREDITO TRIBUTÁRIO EM REAIS TRIBUTO HS Imposto/ Contrib. Juros de Mora Multa Proporcional TOTAL Imposto de Renda Pessoa Jurídica 13 102.230,94 37.168,04 76.673,16 216.072,14 Contribuição Social sobre o Lucro 26 75.292,94 27.759,06 56.469,68 159.521,68 TOTAL - - - 375.593,82 Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalizace -o efetuada .junto à contribuinte, na qual a liscalização constatou infrações legislação do SIMPLES, do IRPJ, da CSLL, do PIS e da CORNS Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração, o autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento .fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: 1) A empresa optou, com efeitos a partir de 01701/1999, pela tributação através do sistema integrado — SIMPLES, como micro empresa. 2) Com base no Livro de Apuração do ICMS apresentado em resposta ao Termo de Intimação Fiscal a .fiscalização apurou as receitas brutas mensais do ano calendário de 1999. Ficou constatado que a empresa ultrapassou, no ano calendário de 1999, o limite de receita bruta para permanência no SIMPLES, pois obteve receita bruta total de R$ 1.881,54.2,60, quando o limite do sistema integrado é R$ 1,200,000,00.. 3) Constatou também o autuante que a contribuinte informou na Declaração Anita! Simplificado do ano calendário de 1999 valores de receita brutas hotel-loves aos constantes do Livro de Apuração do ICMS A contribuinte . foi intimada, através do Termo de Constatação Fiscal a justificar tais- diterenças e não apresentou resposta. Assim, a ,fiscalização procedeu à autuação por INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, dos meses de janeiro a dezembro de 1999, day impostos e contribuigjes do SIMPLES (IREI, CSLL, PIS, COFINS E INSS) finmalizados no PROCESSO N" 19647.003833/2003-14. 4) Como a pessoa jurídica não e,'fettiou a exclusão do SIMPLES, foi expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Recife o Ato Declara.tório Executivo n" 95 de 17/10/2003 (DOU de 20/10/2003), ivfl. 104, efetuando a exclusão da empresa do sistema integrado, com efritos a partir de 01/01/2000 3 5) De acordo com o art. 16 da Lei n" 9.317/1996 a pessoa . jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-6, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas . jurídicas. No presente caso, como a contribuinte não efetuou os pagamentos, nos anos calendários de 2000 a 2002, pelo lucro estimado ou pelo lucro presumido, não optando por estas Ibrinas de tributação, .ficando sujeito à tributação pelo lucro real trimestral. A contribuinte foi intimada a apresentar sua escrita contábil e .fiscal que possibilitaria a apuração do lucro real nos anos calendários de 2000 a 2002, porém esta informou, à fi. 110, que não possuía tais livros A fiscalização procedeu para estes anos calendários à tributação do IRPJ e da CSLL utilizando as regras do Lucia Arbitrado Autos de infração constantes do PROCESSO 19647.003832/2003-81. 6) Também decorrente da exclusão da empresa a partir de 01/01/2000 a contribuinte ficou sujeita aos recolhimentos da COFINS e da Contribuição para o PIS coma as demais pessoas jurídicas. A fiscalização constatou a falta de recolhimento destas contribuições e constituiu os autos de billagão da COFINS — PROCESSO N" 19647.003834/2003-51 e da CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS — PROCESSO N" 19647.003835/2003-03. 7) Na apuração do IRPJ/CSLLICOFINS/PIS, dos anos calendários de 2000 a 2002, nab . 1;w-cm considerados os recolhimentos efetuados pela sistemática do SIMPLES, por ausência de previsão legal, restando a contribuinte a opção de formalizar o pedido de restituição/compensação a DRFjurisdicionante. 8) 0/isca! autuante efetuou Representação Fiscal para Fins Penais no PROCESSO N°19647.003836/2003-40. Neste processo consta a infração relatada no item 5 — ARBITRA1VIENTO DO LUCRO COM BASE NA RECEITA BRUTA CONHECIDA, anos calendários de 2000a 2002. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento .fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, as fls. 117 a 135, na qual questiona integralmente o auto de infração, alegando em síntese o seguinte • 1— PRELIMINAR DE NULIDADE Alega a contribuinte que teve seu direito de defisa cerceado, pois o autuante descreve inúmeros dispositivos legais infringidos e a citação de um amontoado de dispositivos legais demonstra o propósito da . fiscalização em prejudicar o contribuinte. 2 — MÉRITO. ERRO NA BASE DE CALCULO/ VALORES NÃO COMPENSADOS E EXIGIDOS MAIOR ACRESCENDO 0 VALOR DA MULTA E DOS JUROS. Afirma a impugnante que nos autos de infra cão, efetuados pela fiscalização, não foram considerados, para efeito de apuração dos impostos e contribuições devidos, os valores recolhidos pela empresa no SIMPLES Alega que o art. 66 da Lei n" 8.383/1991 permite a compensação dos valores recolhidos sem qualquer restrição. .falta desta compensação ensejou na cobrança a maior dos impostos e contribuições, acrescidos da multa e dos jams, A contribuinte relaciona, às /is.. 119 e 120, os quadros demonstrativos dos valores recolhidos de 1999 a 2002. 3— MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. As fls. 121 a 123, reclama a contribuinte da aplicação da !indict de oficio em percentual de 75%, pois considera inconstitucional por • caracterizar confisco contra o patrimônio da empresa. 4 — UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC COMO FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA 4 Processo IV 19647 003832/2003-61 Sl-CITI AcOrdZio n." 1101-00A09 Fl 3 Às /is 123 a 134, contesta a contribuinte à aplicação da Taxa SELIC como juros de mora em matéria tributária, pois considera inconstitucional tal aplicação. .5 — INDUBJO PRO REU. Requer a contribuinte à aplicação do art 112 do CTN Finaliza a contribuinte requerendo diligéncia, perícia e a juntada posterior de provas. Nas .folhas 169 a 187, a contribuinte repete os mesmos argumentos expostos anteriormente. A Turma Julgadora recorrida afastou tais alegações argumentando que: • Não houve questionamento contra a exclusão da sistemática do SIMPLES a partir do ano-calendário 2000, bem como não foi apresentada a escrituração que permitisse a apuração do lucro real dos anos-calendário 2000 a 2002. • Não houve cerceamento ao direito de defesa da impugnante, na medida em que a exigência está lastreada pelos documentos compro batórios das infrações apuradas, além de nela estarem regularmente descritos os fatos imputados pela Fiscalização, bem como expressos os fundamentos legais do arbitramento dos lucros e dos percentuais aplicados, seguidos da demonstração dos cálculos dos tributos exigidos. • Não seria passive] deduzir os valores recolhidos na sistemática simplificada, por se constituírem em indébitos, cuja compensação deve observar as normas estabelecidas no art. 170 do CTN, bem como no art. 66 da Lei n" 8.38.3/91 e na Lei n° 9.4.30/96, além da Instrução Normativa SRF IV 21/97, com o conseqüente requerimento junto SRF, dado que o recolhimento unificado não permite a caracterização dos tributos como sendo de mesma espécie. ▪ Com a constituição do crédito tributário nestes autos, a contribuinte deveria observar as normas vigentes a partir da Medida Provisória n° 66/2002, especialmente a Instrução Normativa SRF n° 210/2002 para utilizar o crédito pretendido. • Declarou a impossibilidade de o julgamento administrativo declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade da multa e dos juros de mora, estes porque calculados com base na taxa SELIC. • Afastou a aplicação do art 112 do CTN, porque inexistentes dúvidas quanto a capitulação legal do fato, à natureza ou ás circunstâncias material do .fato, ou a natureza dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade ou pun ibilidade, ou á natureza da penalidade aplicável ou á sua graduação. • Por fim, declarou a inobservância dos requisitos formais para o pedido de diligência e perícia, hem como do pedido de juntada posterior de provas. 5 Cientificada da decisão de primeira instância em 15/04/2004 (fl. 241), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/05/2004 (fls. 243/261), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação, Reitera a argüição de nulidade por cerceamento ao seu direito de defesa, destacando não fbi especificado precisamente quais furam às infiagaes e o Andamento da infra çâo e penalidade para cada infração alegado, o que não foi contra-argumentado na decisão recorrida, o que comprova que o cerceamento ao direito de defesa ocorreu em relação a falta de discriminação precisa em relação aos artigos infringidos e penalidades. Quanto à desconsideração dos recolhimentos promovidos na sistemática do SIMPLES, afirma que a falta de compensação dos valores pagos torna improcedente o Auto de Infração, por exigir valores à maior, acrescendo os valores da multa e juros. Alega que a multa aplicada é confiscatória, citando jurisprudência e destacando que ela excede o limite de 20% admissivel, e opõe-se à utilização da taxa SELIC para calculo dos juros de mora, reportando-se a farta doutrina e jurisprudência. Entendendo que ha dúvida quanto à exigência, ante o cerceamento de seu direito de defesa, além da desconsideração dos valores pagos, da aplicação da multa confiscatôria e da exigência de juros acima do devido, novamente pede a aplicação do art 112 do CTN, para que se interprete fatos, fundamentos e fatos em seu favor. Inicialmente os autos foram encaminhados para inscrição em Divida Ativa da União, cm razão da ausência de garantia para seguimento do recurso voluntário (fl. 262), mas por força de ordem judicial proferida no Mandado de Segurança n° 2004.83.00.012019-9 esta exigência foi afastada, com fundamento no novo posicionamento do Supremo Tribunal Federal acerca da matéria (fis. 300/335). oelatóriocf)., r 6 Processo n' 19647 003832/2003-61 Acórao n ' 1101-00.409 Fl 4 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Não houve qualquer prejuízo à defesa da autuada. A descrição dos fatos inserida na folha de continuação dos Autos de Infração de MN e CSLL explicitam que promoveu-se o arbitramento dos lucros dos trimestres de 2000 a 2002 porque o contribuinte, sujeito a tributação corn base no Lucro Real, não possui escrituração na fOrma das leis comerciais e ,fiscais, fato este, por ele declarado conforme documento à .folha 40 (Art. 530, inciso I, do RIR/99), e, logo na seqüência, a autoridade lançadora demonstra como foram apuradas as receitas operacionais de revenda de mercadorias que se prestaram como base de calculo para o arbitramento. O relato da Fiscalização é detalhado e intercalado com a fundamentação legal correspondente, abordando aspectos da atividade da empresa, sua opção e subseqüente exclusão da sistemática simplificada de recolhimentos, o motivo e o fundamento legal (art. 9 ° , incisos I e II, c/c art. 16 da Lei n° 9317/96) desta exclusão e de seus conseqüentes efeitos, a razão da inviabilidade de tributação com base no lucro real anual ou lucro presumido trimestral (arts, 2°, 3° e 26, parágrafo único, da Lei a' 9430/96 e art. 13, §1 ° da Lei n" 9.718/98), o não atendimento à intimação para apresentação de escrituração contábil e fiscal que suportasse a apuração do lucro real trimestral (art, 1 ° da Lei n° 9.430/96 e art. 47, inciso I da Lei IV 8.981/95), a apuração da receita bruta com base no Livro Registro de Apuração do ICMS, devidamente cientificada e não contraditada pela contribuinte antes do lançamento, o coeficiente adotado para arbitramento dos lucros (para o IRPJ 9,6% com fundamento no art. 16 c/c art. 15 da Lei n° 9.249/95 e, para a CSLL, 12% com fundamento no art, 29, da Lei n° 9.430/96, c/c o art, 20 da Lei n° 9.249/95), as alíquotas adotadas para cálculo do IRPJ (art, 3' da Lei IV 9,249/95) e da CSLL (art, 19 da Lei n° 9,249/95 c/c o art. 6° da Medida Provisória n° 2.158-35/01, alem do adicional previsto no art 6 0 , Jell, ambos da Medida Provisória n° 1858- 10/99). Por fim, o fiscal autuante justificou a desconsideração dos recolhimentos promovidos no âmbito do SIMPLES, por inexistência de previsão legal, e explicitou a caracterização de crime contra a ordem tributária em razão das diferenças entre os valores da receita bruta mensal informadas nas DSPJ e nos Livros de Apuração de ICMS (art. 1 0 , inciso da Lei n° 8„137/90), embora aplicando multa de 75%, com fundamento no art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96, citado nos Demonstrativos de Multa e Juros de Mora que acompanham os Autos de Infração . A recorrente, por sua vez, alega que não foi especificado precisamente quais foram às infrações e o Andamento da infração e penalidade para cada infração alegado, talvez tendo em conta a parte final do documento Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), que resume os dispositivos legais que fundamentam a autuação. Todavia, como acima descrito, a autoridade lançadora cuidou de fundamentar na lei cada uma de suds 6,.. conelusaes, motivo pelo qual seria ate desnecessária esta referência final aos dispositivos le is pertinentes. 7 Assim, estando claramente evidenciado o procedimento fiscal adotado e as conclusôes dai decorrentes, de forma a permitir à autuada exercer regularmente sua defesa, rejeita-se a argüição de nulidade do lançamento. JA em relação aos recolhimentos promovidos na sistemática do SIMPLES, tern razão a contribuinte quando pleiteia sua consideração no lançamento que teve por referência a totalidade de suas receitas nos períodos de apuração fiscalizados. Mas isto não a titulo de compensação, pois não se trata da utilização de indébitos para liquidação de outros tributos de mesma espécie, e sim de imputação de pagamentos parciais dos próprios tributos devidos naqueles períodos. Isto porque a legislação tributária especifica, a partir da aliquota adotada no recolhimento centralizado, quais parcelas correspondem a cada um dos tributos federais inseridos na sistemática simplificada de recolhimento, bem como determina a partilha destes valores, a partir da sua arrecadação, e correspondente credito a cada imposto e contribuição a que corresponder. Em relação aos recolhimentos promovidos pela contribuinte (fls. 202/220), que teriam sido efetuados sob as aliquotas declaradas de 3% - de janeiro/2000 a março/2002 — e de 5,8% - de abril/2002 a dezembro/2002, a Lei n° 9.317/96 assim dispunha: Art 3 0 A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na .. forma do art 20 , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro empresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES §' 1' A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições.- a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - CORNS,- e) Imposto sobre Produtos Industrializados f) contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam o art. 22 da Lei n°8212, de 24 de julho de 1991, o art. 25 da Lei n" 8.870, de 15 de abril de 1994, e a Lei Complementar n" 84, de 18 de janeiro de 1996. (Redação dada Lei ri° 9.528, de 10.12.1997) [ Art. 5 0 0 valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, serti determinado mediante a aplicação, sabre a receita bruta mensal airferida, dos seguintes percentuais I - para a microempresa, em relação a receita bruta acumulada dentro do ano- calendário• a) até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais,) ,• 3% (três por cento); 11 -para a empresa de pequeno porte, em relação a receita bruta acumulada dentro do ano-calendário; [-] b) de R$ 240 000,01 (duzentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$ 360 000,00 (trezentos e sessenta mil reais* 5,8% (cinco inteiros e oito décimos por cento),. Process() 19647.003832/2003-61 SI-CIT1 Acôrdilo o II01-00 4 09 Fl 5 Art 23. Os valores pagos pelas pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES corresponderão - no caso de microempi esas; a) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "a" do inciso I do art 5 17. 1 - 0% (zero por cento), relativo ao IRPJ; 2 - 0% (zero por cento), relativo ao PIS/PASEP, 3 - 1,2% (um inteiro e dais décimos por cento,), relativos às contribuições de que trata a alínea '1" do § 1" do art, 3"; 4- 1,8% (inn inteiro e oito décimos por cento) relativos à COFINS, - II - no caso de empresa de pequeno porte: b) em relação h . faixa de receita bruta de que trata a alínea "b" do inciso II do art I - 0,26% (vinte e seis centésimos por cento), relativo ao IRPJ; 2 - 0,26% (vinte e seis centésimos por cento), relativo ao PIS/PASEP; 3 - 1% (um por cento), relativo à CSLL; 4 - 2% (dois por cento), relativos à COFINS, 5 - 2,28% (dois inteiros e vinte e oito centésimos por cento), relativos às contribuições de que trata ci alínea "f" do § 1" do art. 3" E, Art. 24. Os valores arrecadados pelo SIMPLES, na Ibrina do art 6", serão creditados a cada imposto e contribuição a que corresponder. § I" Serão repassados diretamente, pela União, as Unidades Federadas e aos Municípios con venia- dos, até o último dia útil do inds - da arrecadação, os valores correspondentes, respectivamente, ao ICMS e ao ISS, vedada qualquer retenção. § 2" A Secretaria do Tesouro Nacional celebrará convênio coin o Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS, visando a transferência dos recursos relativos às contribuições de que trata a alínea ,r do ,§ 1" do art. 3", vedada qualquer retencão, observado que, em nenhuma hipótese, o repasse poderá ultrapassar o prazo a que se refere o parágrafo anterior. I Nestes termos, relativamente aos períodos de apuração de janeiro/2000 a março/2002 trimestre/2000 a 1 ° trimestre/2002 — nenhum valor deve ser imputado ao lançamento, na medida em que os recolhimentos promovidos sob a aliquota de 3% não reúnem qualquer parcela a titulo de IR13.1 ou CSL,L,„Jd para os recolhimentos promovidos de abril/2002 a dezembro/2002, deveriam ser imputadas aos débitos lançados do 2 0 trimestre/2002 ao 4 ° trimestre/2002 parcelas equivalentes a 0,26% da base de calculo, no âmbito do IRPJ, e 1% da base de cálculo, no âmbito da CSLL, coma abaixo demonstrado: Período de Apuração Recolhimentos - SIMPLES ERPJ (0,26%) CSLL (1%) Período Total Recolhido Receita Mensal Trimestral Mensal Trimestral 2' trim/2002 abr/02 603,90 20130,02 52,34 169,96 201,30 653,68 abr/02 563,64 mai/02 1.296,93 22.360,98 58,14 223,61 jun/02 1.326,88 22.877,36 59,48 228,77 3 0 trim/2002 jul/02 1.385,05 23.880,22 62,09 177,96 238,80 684,48 ago/02 1.366,55 23.561,27 61,26 235,61 set/02 1.218,37 21.006,38 54,62 210,06 4' ttim/2002 01.1t/02 1.498,07 25.828,82 67,15 188,37 258,29 724,50 nov/02 1.310,23 22.590,04 58,73 225,90 dez/02 1.359,97 23.447,69 60,96 234,48 dez/02 33,84 583,52 1,52 5,84 Registre-se que os recolhimentos pertinentes ao ano-calendário 1999 foram ignorados, pois embora constatada a situação excludente neste período, a exclusão promovida somente operou efeitos a partir do ano-calendário 2000, ensejando, nestes autos, exigências de IRRI e CSLL apenas a partir deste período. Acrescente-se, ainda, que a falta de imputação daqueles pagamentos foi regularmente motivada pela autoridade lançadora, e a discordância aqui firmada neste voto não é suficiente para tornar improcedente todo o lançamento, mas apenas a parcela exigida a maior, acompanhada dos correspondentes acréscimos de multa e juros de mora, também lançados a maior. A determinação das parcelas recolhidas consistiu em mera aplicação da disposições legais aos valores de principal indicados pela contribuinte em DARF autenticados por instituição financeira, e não exigiu a inserção de qualquer elemento novo, ou mesmo a consideração de efeitos de eventual mora naqueles recolhimentos, a ensejar cerceamento ao direito de defesa da interessada. Por fim, quanto aos questionamentos dirigidos aos acréscimos de multa de oficio e juros de mora constantes do lançamento, tal se deu em razão das disposições legais constantes As fls. 11/12 e 24/25 (art 44, inciso I e art. 61, § 3 ° , ambos da Lei tr.' 9.430/96), aplicando-se, no mais, o que expresso nas Simulas CARF abaixo citadas: Súmula CARFn" 2 0 CARE não é competente para se pronunciar sabre a inconstitucianalidade de lei tributária. Súmula CARFn" 4 . A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sabre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplencia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais. Assim, regulamente formalizado o lançamento, e procedidos os ajustes decorrentes da divergente interpretação acerca da natureza dos recolhimentos promovidos no âmbito do SIMPLES, não há qualquer espaço para a requerida aplicação do art 112 do CTN. Por tais razões, voto por REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir as parcelas pagas no âmbito do SIMPLES. EDELIVEREIIRA BESSA - Relatora • !,1 10 Processo a° 19647 003832/2003-61 SI-C1T1 Acardilo a." 1101-00.409 Fl 6 I TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art, 81, § 3 0, do anexo H, do Regimento Interno do CARP, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, JOSE ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da I" Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-ME Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminbatnento da PFN: apenas com ciência; ] com Recurso Especial; [ com Embargos de Declaração; 11
score : 1.0
Numero do processo: 35368.002444/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2006
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2006
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CESSÃO DE DIREITO DE IMAGEM.
ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL. INCIDÊNCIA. Integram o salário de contribuição do atleta profissional de futebol os rendimentos auferidos a título de direito de imagem, por se constituir em
verba remuneratória, independente do título e da forma de percepção da renda.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. UTILIDADES. PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA.
Integram o salário de contribuição as verbas a título de premiação, quando pagas com habitualidade, bem como as prestações in natura pagas sob a forma de utilidades, dado seu caráter remuneratório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.617
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por
unanimidade de votos, em I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2006 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CESSÃO DE DIREITO DE IMAGEM. ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL. INCIDÊNCIA. Integram o saláriodecontribuição do atleta profissional de futebol os rendimentos auferidos a título de direito de imagem, por se constituir em verba remuneratória, independente do título e da forma de percepção da renda. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. UTILIDADES. PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA. Fl. 304DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Integram o saláriodecontribuição as verbas a título de premiação, quando pagas com habitualidade, bem como as prestações in natura pagas sob a forma de utilidades, dado seu caráter remuneratório. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 305DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 35368.002444/200780 Acórdão n.º 240101.617 S2C4T1 Fl. 300 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 282/296, interposto pela empresa acima epigrafada contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), fls. 261/275, a qual declarou procedente o lançamento consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 37.089.8168, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. O crédito em questão contempla o período de 07/2003 a 11/2006 e contém a contribuição dos segurados empregados e as contribuições patronais para outras entidades e fundos. O valor do crédito, com data de consolidação em 21/08/2007, assumiu o montante de R$ 103.209,24 (cento e três mil, duzentos e nove reais e vinte e quatro centavos). Nos termos do Relatório da Auditoria, fls. 88/89,o lançamento decorreu da suposta falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados pagas ou creditadas a título de Premiação em Jogos, Cessão de Direito de Uso de Imagem, Auxilio Moradia, ou em forma de utilidades, como Salário Habitação (aluguéis, condomínio, telefone, água, luz, IPTU). Assevera o fisco que as quantias que foram descontadas dos segurados a título de reembolso foram devidamente excluídas da apuração. Foram acostadas pela Auditoria as planilhas: Anexos I "Pagamentos de Premiação a Atletas", II "Pagamentos de Cessão de Direitos de Imagens a Atletas", III "Pagamentos de Auxílio Moradia a Atletas e Técnicos", IV "Pagamentos de Aluguéis, Condomínio a Atletas e Comissão Técnica", V "Descontos em Folha de Pagamento" e VI "Folha de Pagamento Suplementar — Cálculo da Contribuição de Segurados". A recorrente, argumenta, em apertada síntese, que: a) o seu direito de defesa foi ferido pelo fato do Relatório Fiscal fundar o débito em nomenclaturas de conhecimento exclusivo da Administração Tributária; b) não foram explicitados os índices utilizados para os acréscimos de mora, tampouco os termos iniciais para incidência dos referidos consectários; c) não há demonstrativo de que o Fisco tenha observado o limite máximo do saláriodecontribuição; d) o lançamento tributário promove a exigência sobre valores pagos ou creditados que não possuem qualquer ligação com o trabalho desenvolvido pelo atleta profissional, o que contraria a própria Constituição Federal; e) o direito de imagem não tem natureza salarial, por esse motivo não pode compor a base de incidência de contribuições; f) o “passe” não é salário, posto que a importância não é paga ao atleta, mas sim ao detentor do referido direito;. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 g) Não há como se estabelecer ao "bicho" (prêmio) uma natureza salarial, haja vista que depende da obtenção de determinado resultado em evento futuro; h) o pagamento de aluguel e condomínio não pode sofrer a incidência de contribuições, haja vista que fornecida ao atleta para facilitar a realização do trabalho; i) é ilegal a exigência de contribuições ao INCRA e ao SESC/SEBRAE em razão das atividades desenvolvidas pela recorrente não se enquadrar no campo de atuação daquelas entidades. Ao final, requer: a) o reconhecimento da nulidade da Notificação de Lançamento ante a deficiência formal na correta capitulação da exigência tributária constituída. b) o reconhecimento da improcedência do lançamento tributário ante a ilegalidade das exigências formuladas, nos termos acima expostos; c) a redução da multa punitiva e o afastamento da exigência da taxa SELIC. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 35368.002444/200780 Acórdão n.º 240101.617 S2C4T1 Fl. 301 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Alega a recorrente em preliminar que teve prejuízo ao direito de defesa em razão da Auditoria ter adotado, para descrever o lançamento, linguagem inacessível ao contribuinte, lançando mão de nomenclatura de domínio exclusivo dos agentes tributários. Essa tese me parece desarrazoada. É que o Relatório Fiscal apresenta com clareza e precisão as contribuições que estão sendo exigidas, os fatos geradores de contribuições considerados, a documentação que serviu de base para a apuração e, mais ainda, menciona todos os anexos da NFLD, os quais expõem de forma mais específica cada aspecto do lançamento. A recorrente não indicou expressamente qual o ponto da notificação deixou de ser compreendida, nem poderia, posto que os termos da sua defesa estão a demonstrar que houve a completa compreensão do trabalho do fisco. Vejase que o direito de defesa do Clube foi exercido com plenitude. Quando fala que não houve explicitação, quanto aos juros e multa, dos índices utilizados e do termo inicial de incidência, a recorrente mais uma vez incorre em equívoco. Os itens 601 e 602 do anexo denominado Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls. 76/78, esclarecem satisfatoriamente essas supostas lacunas, indicando inclusive a legislação de regência para cada período da apuração. A observância pelo Fisco do limite máximo do salário de contribuição foi magistralmente demonstrada na decisão de primeira instância. Tanto assim, que o sujeito passivo não ousou apontar uma competência sequer que tenha ocorrido atropelo a esse limite legal. Vejam as palavras do julgador monocrático quanto a esse aspecto da lide: Este relator conferiu a planilha do anexo VI com as declarações prestadas pelo contribuinte em suas GFIPs, por amostragem, informações disponíveis nos sistemas informatizados e de total conhecimento da Impugnante, posto que por ela declarados, cujas telas anexo ao processo às fls. 254/258, onde é possível verificarse a correção do procedimento adotado. Assim temos que na competência 07/2006, por exemplo, a planilha fiscal indica que o segurado Sr. Henrique de Lima Leandro houvera recebido uma remuneração conforme folha de pagamento no montante de R$ 1.000,00 (um mil reais), e desta forma sofrera um desconto em sua remuneração no valor de R$ 103,50 (cento e três reais e cinqüenta centavos), correspondente à sua contribuição. Identificado como fato gerador de contribuição previdenciária a percepção de auxílio Fl. 308DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 moradia, no importe de R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais), tal valor é acrescido em nova basedecálculo, da qual subtraise a contribuição já recolhida para então constituirse a diferença a recolher, no importe de R$ 17,00 (dezessete reais). Todos tais valores estão conforme a própria declaração da empresa. Dessa maneira procedeu a auditoria com todos os segurados em todas as competências levantadas, o que faz cair a alegação da impugnante de que a ação fiscal teria sido omissa nesta apuração. Vejamos agora o que expôs a recorrente: É falaciosa a afirmação de que todos os salários contribuições foram apurados com observância aos limites máximos instituídos em lei, pois nenhum demonstrativo acostado aos autos coloca à mostra este critério. Observese que o Clube se debate contra o suposto desrespeito ao limite legal da base tributável, todavia, fica no campo do inconformismo sem respaldo em elementos convincentes, jogando alegações genéricas sem qualquer fundamento de fato ou de direito. Com isso eu não posso concordar. Daí por diante, as alegações recursais voltamse contra a incidência de contribuições sobre as parcelas tributadas no lançamento. Para o deslinde da questão, passo a tecer comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195.A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 35368.002444/200780 Acórdão n.º 240101.617 S2C4T1 Fl. 302 7 A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando do da base de incidência das contribuições, o chamado saláriodecontribuição, nos seguintes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Temos que o conceito previdenciário de remuneração é bastante amplo e, como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Passo agora a ponderar sobre cada uma das rubricas questionadas pelo recorrente. Acerca da rubrica denominada direito de imagem, não tenho dúvidas que a mesma tem natureza eminentemente salarial, posto que paga com habitualidade a pessoas físicas que mantêm com o sujeito passivo vínculo empregatício. É induvidoso que os contratos de cessão de direito de imagem têm sua existência dependente da um contrato de trabalho. A utilização da imagem do atleta profissional pelo clube para o qual trabalha somente tem razão de existir até o momento em que o mesmo está prestando os seus serviços ao mesmo. Pesquisando a jurisprudência trabalhista sob o tema, vejo que o entendimento desse julgador está em consonância com a mesma, como se pode ver do julgado do Tribunal Superior do Trabalho, cuja ementa transcrevo: ATLETA PROFISSIONAL. FUTEBOL. LEI PELÉ. DIREITO DE ARENA. DIREITO DE IMAGEM. NATUREZA JURÍDICA. A jurisprudência desta Corte tem se inclinado no sentido de atribuir natureza de remuneração às parcelas em discussão qual seja direito de imagem e direito de arena, de forma semelhante às gorjetas, que também são pagas por terceiros. Nos termos do art. 42 § 1º da Lei 9.615/1998 (Lei Pelé), pertence à entidade desportiva empregadora, o direito de autorizar a transmissão de imagem de eventos desportivos, de cuja arrecadação é destinado 20% a ser distribuído entre os atletas que participarem dos eventos. Por essas razões a parcela recebida pelo atleta e esse título tem natureza salarial. Todavia, adotandose por analogia a diretriz da Súmula 354 deste Tribunal, os valores correspondentes aos direitos de imagem e de arena compõem o salário apenas para fins de cálculo do FGTS, do 13º salário e das férias. BICHOS. NATUREZA Fl. 310DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 JURÍDICA. Não demonstrada divergência jurisprudencial. Recurso de Revista de que não se conhece. Processo: RR 1630065.2004.5.03.0106 Data de Julgamento: 02/09/2009, Relator Ministro: João Batista Brito Pereira, 5ª Turma, Data de Divulgação: DEJT 25/09/2009. Acerca da incidência de contribuições sobre o denominado “passe”, pude verificar que essa parcela não foi tributada, ou sequer foi mencionada pelo Fisco. O que se cobra na presente Notificação como integrante da remuneração dos atletas vinculados ao clube são as verbas pagas, devidas ou creditadas identificadas na contabilidade do clube a título de remuneração sobre premiação em jogos (o popular 'bicho'), remuneração sobre direito de imagem e remuneração sobre auxílio moradia, aí compreendido pagamentos efetuados à guisa de aluguéis, condomínios, telefone, etc. A citação pelo órgão recorrido do instituto do “passe”, o qual foi inclusive banido do nosso ordenamento pela Lei n. 9.615/1998, a Lei Pelé, serviu apenas para rebater argumento apresentado na defesa que se referia a impossibilidade de tributação do “passe”. Insurgese a recorrente também contra a tributação das premiações oferecidas aos segurados, os “bichos”. Entendese “bicho” a importância paga ao jogador, a título de gratificação ou prêmio, por vitória alcançada ou título conquistado, e o pagamento habitual dessa verba conforme demonstrado pela Auditoria, torna indene de dúvidas a sua natureza salarial, e não de liberalidade. Aliás, o legislador consignou tal natureza no § 1º do artigo 31 da Lei 9.615/1998 (Lei Pelé), cuja redação é a seguinte: São entendidos como salário, para efeitos do previsto no caput, o abono de férias, o décimo terceiro salário, as gratificações, os prêmios e demais verbas inclusas no contrato de trabalho. Na doutrina de Alice Monteiro de Barros (Contratos e Regulamentações Especiais de Trabalho: Peculiaridades, Aspectos Controvertidos e Tendências, Ed. LTr, 2ª ed., pág. 80): “A importância intitulada “bicho”, pela linguagem futebolística, é paga ao atleta, em geral, por ocasião das vitórias ou empates, possuindo natureza de prêmio individual, resultante de trabalho coletivo, pois visa não só compensar os atletas, mas também estimulálos; essa verba fundase em uma valorização objetiva, conseqüentemente, dado o seu pagamento habitual e periódico tem feição retributiva. (Inteligência do art. 31, § 1º, da Lei n. 9.615, de 24.3.98). Nessa toada, posso concluir que a parcela relativa a premiação paga aos atletas e comissão técnica em razão dos resultados obtidos, denominada “bicho”, sem dúvida relacionase com o contrato de trabalho e é paga com habitualidade, assumindo assim natureza contraprestativa. Falandose das verbas classificas como auxílio moradia, também não tenho receio de dizer que as mesmas se configuram em utilidades salariais e, nos termos do citado art. 28 da Lei n. 8.212/1991, compõe o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuição. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 35368.002444/200780 Acórdão n.º 240101.617 S2C4T1 Fl. 303 9 É de se assinalar que os pagamentos sob a forma de utilidades são prestações pagas "in natura", que na situação posta a julgamento decorrem do contrato de trabalho e que são fornecidas pelo empregador com habitualmente ao empregado, sendo tratadas, conforme o art. 458 da CLT, como salário, nos seguintes termos: Art. 458 além do pagamento em dinheiro, compreendemse no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário e outras prestações "in natura", que a empresa por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado (...) Forçoso concluir, então, que acertou o Fisco ao considerar como base de cálculo todas as verbas listadas. Para enfrentar as outras questões apresentadas é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da contribuição aos terceiros (INCRA, SESC e SEBRAE) e da aplicação dos juros e da multa, além da contribuição ao seguro de acidente de trabalho – RAT. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares apontadas e, no mérito, pelo desprovimento do mesmo. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2011. KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 313DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 18471.002288/2003-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL, VALIDADE.
E válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 3302-000.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Walber Jose da Silva
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ASSIIN I 0: CON'IRIBUICAO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIA COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL, VALIDADE. E válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto nu 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos ter inos do voto do relator . (assinado digitalmente) Walber .losé da Silva - Presidente e Relator EDITADO EM: 11/12/2010 DI . F :\ ii í Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber lose da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjdo Barreto. Relatório Contra a empresa PARGIM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Colins, relativa a per iodos de apuração ocorridos entre janeiro de 1999 e dezembro de 2002, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada pagou ou declarou à RE13 valores menores do que os apurados com base na sua escrita fiscal e contabil. Não se conformando, a empresa interessada insurge-se contra a exigência fiscal, conforme impugnação As fls. 59/82, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no Relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A DRI no Rio de Janeiro - R.1 manteve o lançamento, nos termos do Acórdão n 13-14.529, de 301 11/2006 - lIs. 113/122. Ciente da decisão de primeira instância em 23/01/2007, conforme AR de fl. 123v, a contribuinte não interpôs recurso voluntário no prazo legal, sendo lavrado o Termo de Perempção de ft 127, datado de 05/04/2007.. O débito foi inscrito em Divida Ativa da União. No dia 19/04/2007 a empresa interessada solicitou vista do processo administrativo (1 1 133) e no dia 15/06/2007 solicitou cópia do processo (fl. 138). No dia 26/06/2007 apresentou o Recurso Voluntário de lis, 141/154, no qual alega, ern aperlada sintese, que: I- o recurso é tempestivo porque tomou conhecimento da decisão recorrida quando teve vista do processo e que desconhece o Sr. Carlos Alberto que recebeu a notificação Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. E: o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é intempestivo e não merece ser conhecido pelas razões que passo a expor. A recorrente foi intimada do acórdão da DR1 em 23/01/2007 (11123v), e interpôs Recurso Voluntário somente no dia 26/06/2007 (11141/154). mas alaga que não 2 : • ' Procoso if 18 ,171 00228812003-27 S3-C312 Actinkin fl' 3302-00.698 H 212 conhece a pessoa que assinou a AR, tendo conhecimento do acórdão da DRJ somente quando pediu vista do processo . Oeuvre que já está sumulado pelo CARE que basta a intimação ser entregue no domicilio eleito, não sendo necessário que o recebedor seja representante legal da empresa: 'S(1,11(11.,1 N"06 CARF válida a ciiincia da notificação por via postal roan:ado no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada corn a assinann a do i ecebedor da coirespondemcia, ainda que e.sle nao seja 0 esentatue legal do destinai& io " O endereço contido no AR é o mesmo constante da qualificação da recortente em seu Recurso, o que leva à conclusão de que a AR foi entregue no endereço correto, portanto, valida a notificação. Nas mesmas condições do AR de fls. 123v está o AR de fls. 185 e nem por isso a recorrente deixou de tomar ciência da Noti ficação n° 331/2008 - SECEX/DIDAU/PEN- RJ (fl, 184). 0 art, 33 do Decreto 70,235/72, dispõe que é de 30 (trinta) dias o prazo para interpor Recurso Voluntário, se não, veja-se: t 33 Da decisiio caberá recurso vohmt& io, total ou pal dal com ejeito suspensiva dent, o dosninta dias .Cgz;ii1(C à CiênCill da deciscio Por sua vez, o art. 35, também do Decreto 70,235/72, determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARE, que julgará a perempção: - Art 35 0 iecwso. mesmo perempto, reiá encaminhado ao &gao de segunda inskincia, que julgará a perempção" Nos autos não consta nenhuma informação de feriado capaz de dilatar o prazo de interposição do recurso, Como a recortente foi cientificada da decisão da DR, no dia 23/01/2007, seu prazo pra inter por o Recurso Voluntário venceu no dia 22/02/2007. 0 recurso é intempestivo e, portanto, no preencheu o requisito de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por perempto.. (assinado digitalmente) Walk! . José da Silva 3
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011837/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL. PARCELAS PAGAS IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL EXPRESSA.
Somente consideram-se isentas da incidência de contribuições sociais as verbas que tenham expressamente sido excluídas do campo de tributação pelo legislador.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO.
Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
A autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Não se podendo constatar, com esteio nos elementos constantes dos autos, a ocorrência de antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.988
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência ate a competência 09/2001. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até 11/2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL. PARCELAS PAGAS IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. Somente consideram-se isentas da incidência de contribuições sociais as verbas que tenham expressamente sido excluídas do campo de tributação pelo legislador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005 ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Não se podendo constatar, com esteio nos elementos constantes dos autos, a ocorrência de antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-19T12:03:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-19T12:03:05Z; Last-Modified: 2011-08-19T12:03:05Z; dcterms:modified: 2011-08-19T12:03:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:128b4ca9-08d9-4501-9c03-8079356d1ff0; Last-Save-Date: 2011-08-19T12:03:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-19T12:03:05Z; meta:save-date: 2011-08-19T12:03:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-19T12:03:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-19T12:03:05Z; created: 2011-08-19T12:03:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-08-19T12:03:05Z; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-19T12:03:05Z | Conteúdo => S2-C4Ti Fl. 168 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.011837/2007-32 Recurso n° 149.977 Voluntário Acórdão n° 2401-00.988 — 4' Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS Recorrente STEMAC S/A GRUPOS GERADORES Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005 PREVIDENCIARIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL. PARCELAS PAGAS IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. NECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. Somente consideram-se isentas da incidência de contribuições sociais as verbas que tenham expressamente sido excluídas do campo de tributação pelo legislador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005 ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato nonnativo vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005 PREVIDENCIARIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Não se podendo constatar, com esteio nos elementos constantes dos autos, a ocorrência de antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Camara / la Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência ate a competência 09/2001. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até 11/2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provime ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente KLEBER FERREIRA DE A JO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 11080.011837/2007-32 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.988 Fl. 169 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD n°37.025.915-7, posterioi inente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A notificação, lavrada em nome da contribuinte já qualificada nos autos, traz em seu bojo a contribuição dos segurados empregados e as seguintes contribuições patronais: para Seguridade Social, incluindo aquela destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - RAT, e as destinadas a outras entidades e fundos. 0 crédito em questão reporta-se à competências de 01/1998 a 07/2005 e assume o montante, consolidado em 06/10/2006, de RS 68.587,97 (sessenta e oito mil, quinhentos e oitenta e sete reais e noventa e sete centavos). De acordo como relatório fiscal, fls. 50/53, as contribuições lançadas incidiram sobre a remuneração indireta disponibilizada aos segurados empregados que prestaram serviço a. empresa notificada. Os fatos geradores dizem respeito pagamento de faturas de cartões de credito e de aluguéis, os quais foram verificados dos documentos de caixa apresentados ao fisco. Junta-se planilhas com relação das bases de cálculo apuradas. A empresa apresentou impugnação, fls. 86/113, a qual não foi acatada pelo órgão de primeira instância, que declarou procedente o lançamento, fls. 120/131. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 139/155, no qual, em apertada síntese, alega que: a) a inexigibilidade do depósito prévio para garantia de instância; b) as contribuições constantes na NFLD estão fulminadas pela decadência; c) a aplicação da taxa SELIC para fins tributários é inconstitucional; d) a verba relativa ao pagamento de cartão de crédito, na verdade, trata-se de reembolso de despesas, em relação aos gastos efetuados pelo empregado André Buneder; e) os aluguéis relativos ao empregado Fernando Wendt foram pagos para o exercício da prestação laboral, não podendo tais valores serem considerados salário-de- contribuição. Ao final, pede o cancelamento da NFLD. E o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, Relator 0 recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que a recorrente possuía decisão judicial garantindo o seguimento do recurso independentemente de depósito prévio. Vamos â decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o fisco previdencidrio aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Sumula Vineulante n.° 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: Sao inconstitucionais o parágrafo único do artigo 50 do decreto- lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. cediço que essas sumulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, confoline se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (-) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.° 8.212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4. 0, para os casos ern que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ti2 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS).0MISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATORIO. MULTA. 1. 0 aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito Processo n° 11080.011837/2007-32 S2-C4T1 Acórddo n.° 2401-00.988 Fl. 170 tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4°, do CM". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de recliscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deu-se em 18/10/2006 e o período do crédito é de 01/1998 a 07/2005. Nem do relato fiscal, nem dos anexos que acompanham a NFLD lid como se chegar a uma conclusão segura acerca da existência ou não de antecipação de pagamento, nesses casos, tenho me posicionado pela adoção do critério previsto no art. 150, § 4.°, do CTN. Diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência as contribuições relativas ao período de 01/1998 a 09/2001. A alegação de inconstitucionalidade da taxa SELIC não pode ser apreciada nessa instância de julgamento. Para enfrentar esse tipo de alegação é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, dai, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, note-se que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. 0 disposto no capuz' não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou - que fundamente crédito tributário objeto de: 5 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n2 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n 2 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n 2 73, de 1993. Observe-se que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portria CARF n.° 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARE N°2 O CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributúria. Essa sumula é de observância obrigatória, nos teillios do "caput" do art. 72 do Regimento Interno do CARF 1 . Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade de lei trazida pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros. Por fim, embora alegue que os valores tomados como base para incidência de contribuição referem-se a reembolso de despesas e a pagamento de aluguel para a prestação de serviço, a recorrente não consegue trazer aos autos qualquer indicio que venha em socorro de sua tese. A planilha juntada pela fiscalização traz a discriminação das despesas com cartões de crédito dos empregados André Buneder e Zenon Meireles, ver fls. 54/59, as quais, pelo histórico dos dispêndios, em nada estão a indicar que se trata de reembolso de despesas feitas para realização do trabalho. Encontram-se lançamentos de roupas, brinquedos, revelação de fotos, lingerie, artigos de cama e mesa, etc. E pouco crivei que essas despesas estivessem relacionas a atividade laboral. Por outro lado, a empresa nem durante a ação fiscal, nem na defesa, tampouco no recurso, logrou êxito em demonstrar o acerto de sua alegação, pelo contrário, manteve-se no campo da mera argumentação vazia, sem carrear ao processo qualquer elemento que desse guarida a sua defesa. Quanto ao fornecimento de aluguel, também não vejo como afastar a incidência de contribuição sobre essa verba. De fato, o art. 28, § 9. 0, "m", da Lei n.° 8.212/1991, o fornecimento de habitação quando direcionado para a realização do trabalho não sofre a tributação previdencidria, todavia, o que exsurge dos autos é que os aluguéis eram disponibilizados corno um complemento salarial, em nada indicando que se tratasse de habitação vinculada a uma necessidade do trabalho, a exemplo de prestação de serviço realizada em local distante da zona urbana. I Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARP serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARP. (-..) 6 Processo n° 11080.011837/2007-32 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.988 Fl. 171 Nesse sentido, entendo que essas verbas correspondem a salário indireto sobre as quais há incidência das contribuições. Ressalte-se que, nesse caso, a empresa também não trouxe aos autos nenhum elemento que pudesse afastar a tributação, nem mesmo indícios da veracidade de suas alegações. Diante do exposto, voto pelo acolhimento da decadência das contribuições relativas ao período de 01/1998 a 09/2001 e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2010 KLEBER FERREIRA DE A ÚJO — Relator 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 11080.011837/2007-32 Recurso n°: 149.977 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-00.988 BrasíFs de abril de 2010 ELIAS AIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Corn Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10435.000528/2006-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
TERMO DE RESPONSABILIDADE
O lançamento, conforme disciplina do art. 142 do CTN, é procedimento composto por várias etapas, dentre as quais, a de identificação do sujeito passivo; expressão empregada pela codificação tributária, no parágrafo único do art. 121, para designar ambos: contribuinte e responsável. Desse modo, as
instâncias de julgamento devem enfrentar as razões aduzidas pelo
responsável relativas à sua própria condição de sujeito passivo da relação jurídico-tributária.
Numero da decisão: 1201-000.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para devolver o feito à autoridade de primeiro grau com o fito de prosseguir no julgamento a fim de enfrentar os argumentos aduzidos pelo responsável quanto à sua condição de sujeito passivo tributário.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Desse modo, as instâncias de julgamento devem enfrentar as razões aduzidas pelo responsável relativas à sua própria condição de sujeito passivo da relação jurídicotributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para devolver o feito à autoridade de primeiro grau Fl. 1155DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 2 com o fito de prosseguir no julgamento a fim de enfrentar os argumentos aduzidos pelo responsável quanto à sua condição de sujeito passivo tributário (assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. EDITADO EM: 01/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso, e Regis Magalhães Soares Queiroz Fl. 1156DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.341 3 Relatório DA AUTUAÇÃO E DAS IMPUGNAÇÕES Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesas inaugurais: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 04/12 e 570/579, através dos quais foi constituído, respectivamente, o crédito Tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 3.840.923,49, incluídos juros de mora e multa de ofício de 150%, e referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 2.035.129,89, também incluídos juros de mora e multa de ofício de 150%. 2. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 389/400), o lançamento decorreu de diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos relativamente aos anos calendário de 2002 a 2005. 3. Descrevem as autoridades autuantes que a ação fiscal consistiu em verificar o recolhimento/declaração em DCTF dos tributos em cotejo com a escrituração fiscal e contábil. Para o anocalendário de 2005, a tributação se deu com base no lucro arbitrado, em face da nãoapresentação dos livros contábeis por parte da empresa. 4. Informa ainda a fiscalização que, pelos elementos que carreou, consta ter sido a pessoa jurídica administrada de fato pela pessoa física do senhor José Porfírio de Oliveira, o qual foi incluído no pólo passivo da relação tributária na condição de responsável solidário (termo de sujeição à fl. 387). 5. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração das receitas, dos tributos e das respectivas multas e juros, encontramse anexos aos autos de infração. 6. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, constituindo o Processo nº 10435.000527/200681,que, consoante despacho de fl. 1155, encontrase apenso ao Processo nº 10435.000532/200694. 7. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 411/432 e 989/1010), alegando, em síntese: a) preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Diz não se saber quem realmente foi autuado e do que haverá de se defender. Insurgese ainda contra o arbitramento do lucro e Fl. 1157DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 4 contra suposta falta de clareza quanto aos valores das receitas tributadas; b) no anocalendário 2002, não houve diferença entre o valor escriturado e o declarado, pois as receitas constaram da DIPJ. A multa devida seria de 20%; c) no anocalendário 2003, os valores foram declarados pelo Simples, sistema do qual a empresa foi excluída sem o devido comunicado pessoal. A multa também seria de no máximo 20%; d) no anocalendário 2004 também é indevida a multa de 150%, pois não houve fraude, dolo ou simulação; e) no anocalendário 2005 não havia razão para o arbitramento do lucro, além de que não foram compensados os valores pagos no decorrer do ano; f) a multa de 150% é confiscatória, como também é inconstitucional a cobrança de juros pela taxa Selic. 8. Ao final, requereu a interpretação benéfica (art. 112 do CTN), a produção de provas, inclusive a pericial, e a decretação de improcedência do lançamento. 9. O senhor José Porfírio de Oliveira, alçado pela fiscalização à condição de responsável tributário, apresentou defesa (fls. 538/547 e 1125/1134), por meio da qual contesta a sujeição passiva que lhe foi atribuída, o que, a seu ver, inquinaria de nulidade o auto de infração. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 1.165 a 1.180) afastou parcialmente a autuação, conforme ementa abaixo transcrita: NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento Fiscal. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Fl. 1158DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.342 5 ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação de regência ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 RECEITAS ESCRITURADAS E RECEITAS DECLARADAS. DIFERENÇA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatado que o sujeito passivo declarou a menor receitas escrituradas em seus livros fiscais, legítima a tributação da diferença apurada. Exonerase a parcela comprovadamente recolhida. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Sendo empresa optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o lucro será arbitrado no caso de falta de escrituração do Livro Caixa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Constatado que o sujeito passivo declarou a menor receitas escrituradas em seus livros fiscais, legítima a tributação da diferença apurada. Exonerase a parcela comprovadamente recolhida. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Sendo empresa optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o lucro será arbitrado no caso de falta de escrituração do Livro Caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Fl. 1159DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 6 INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O evidente intuito de fraude, consistente na nãodeclaração de receitas de forma reiterada, e conseqüente nãopagamento de tributos, enseja a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TERCEIROS ARROLADOS. Escapa à competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a análise da responsabilidade de terceiros arrolados nos autos pela Fiscalização. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Tanto o contribuinte, quanto o responsável tributário apresentaram recursos voluntários, respectivamente, às fls. 1250 a 1281 e 1304 a 1318. Ambas as peças se limitaram a reiterar (aliás, ipsis litteris) os argumentos já trazidos na impugnação. É o relatório do essencial. Fl. 1160DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.343 7 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Não há como enfrentar as razões aduzidas pelo responsável sem suscitar de ofício o questionamento de que a autoridade de primeiro grau deixou de conhecer a questão relativa à sua própria condição de sujeito passivo, conforme podemos constatar pela própria ementa. Abaixo, transcrevo os fundamentos da decisão recorrida quanto a esse ponto, in verbis: 39. O impugnante José Porfírio de Oliveira, alçado à condição de responsável tributário pelas autoridades lançadoras, propugna pela exclusão do seu nome do rol dos obrigados ao recolhimento do crédito tributário, pelos argumentos que deduz em sua peça de defesa. Requer, também, a nulidade do auto de infração. 40. No que respeita à nulidade, renovo as razões que já declinei nos itens 10 a 15 deste voto, para de novo afastar a preliminar argüida. 41. Esta turma já teve oportunidade de decidir que não compete às delegacias de julgamento manifestarse acerca da responsabilidade tributária. Trago, a propósito, trecho de recente voto proferido pela julgadora Maria Lúcia Andrade de Almeida Lopes Filha: “(...) O responsável somente será chamado se a obrigação não for espontaneamente cumprida pelo sujeito passivo, motivando a execução fiscal. Neste sentido também conclui Renato Lopes Becho ( Sujeição Passiva e Responsabilidade Tributária, São Paulo, Dialética, 2000, p. 159/160), com fundamento nos ensinamentos de Humberto Theodoro Júnior (Curso de Direito Processual Civil, Rio de Janeiro, Forense, 1988). Vejase: ‘Para o autor referido, a própria obrigação é dividida em dois elementos distintos: a dívida, de caráter pessoal; e a responsabilidade, que é a sujeição do patrimônio a sofrer a sanção civil. O devedor possui ambos, ao contrário do responsável, como veremos. Disso decorrem dois direitos distintos também para o credor: o direito à prestação (satisfeita pelo cumprimento voluntário da obrigação) e o ‘direito de garantia ou de execução que se satisfaz mediante intervenção estatal, através da execução forçada. Fl. 1161DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 8 (...) Se a relação jurídica entre o devedor e o credor possui dois elementos, o mesmo não ocorre naquela que envolve o responsável, que não tem o dever de prestação, só o de garantia ou de execução. Tanto assim que se distingue, em Direito Processual, obrigação e sujeição. Por sujeição temos a possibilidade de os bens do responsável, que pode ser ou não o devedor, serem executados compulsoriamente, para satisfação do direito do credor, em relação nitidamente processual. Vejamos os esclarecimentos de Humberto Theodoro Júnior: ‘Há, portanto, profunda diferença de natureza jurídica entre a relação que vincula o devedor ao credor – que é de direito material – e a relação que sujeita o responsável ao juízo da execução – que é de direito processual. Enquanto na primeira existe obrigação, na segunda há sujeição. Assim, os bens do responsável (devedor ou não) sofrem os efeitos da execução em virtude de sujeição inerente à relação de direito processual, que torna os bens do mesmo responsável destinados à satisfação compulsória do direito do credor.’ Com isso, afirmamos que o sujeito passivo da relação tributária será, sempre, o contribuinte ou o substituto (limitadamente), identificável de acordo com o modelo previsto constitucionalmente. Estes continuarão, pelo menos num primeiro momento, a integrar a relação processual que envolva a cobrança de tributos. Depois, passa a ser possível que o responsável integre essa relação processual, mas nunca a tributária.’ (negrejouse) (...) A responsabilidade dos sócios é matéria pertinente à execução judicial do crédito tributário, caso ele não venha a ser recolhido espontaneamente.” 42. Com efeito, vêse que essa matéria não se insere entre as competências atribuídas a este colegiado pela Portaria MF nº 030, de 25 de fevereiro de 2005. in verbis: “(...) Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal de Julgamento DRJ compete: I julgar, em primeira instância, conforme Anexo V, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, os relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos, à restituição, compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF; (...)” Fl. 1162DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.344 9 43. Penso que o arrolamento, pela fiscalização, de responsáveis tributários constitui apenas uma informação destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para a inscrição e execução do débito. Observese que, em procedimento análogo, a Receita Federal também identifica os responsáveis quando do encaminhamento à PFN, para fins de inscrição e execução, de créditos tributários de pessoas jurídicas inaptas, consoante prevê o art. 50 da Instrução Normativa SRF nº 568, de 8 de setembro de 2005: “Art. 50. O encaminhamento, para fins de inscrição e execução, de créditos tributários relativos à pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta, nas hipóteses dos incisos I, II e IV do art. 34, será efetuado com a indicação dessa circunstância e da identificação dos responsáveis tributários correspondentes.” 44. O art. 563 do Código de Processo Civil, com a redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º de outubro de 1973, prescreve que: “Art. 563. São sujeitos passivos na execução: (...) V o responsável tributário, assim definido na legislação própria.” 45. Somente no momento da execução do débito, caso venha a ocorrer tal circunstância, é que será oportuno discutir a questão da responsabilidade tributária. Caberá à Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão incumbido da inscrição da dívida ativa, a análise das circunstâncias relatadas pela fiscalização e, entendendo que as pessoas arroladas realmente se encontram na condição prevista no Código Tributário Nacional, fazer constar seus nomes como responsáveis. Em hipótese contrária, proceder de forma diversa. 46. Assim é que, além da já examinada falta de competência, inócua seria qualquer manifestação deste colegiado sobre a matéria, vez que sua decisão, para afastar ou parar manter a responsabilidade, nenhum efeito surtiria perante quem efetivamente detém competência para pronunciarse, que é a Procuradoria da Fazenda Nacional. De fato, há pronunciamentos deste Conselho no mesmo sentido. No entanto, mesmo quando ainda era julgador de primeiro grau adotava entendimento diverso. O art. 142 do CTN assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 1163DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 10 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (meus destaques) Já o art. 121 apresenta a seguinte redação: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Também vale citar a edição da recente Portaria da Receita Federal do Brasil nº 2.284, de 29/11/2010, que disciplinou “os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária”, diploma normativo em que se destacam os dispositivos abaixo transcritos: Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. (...) Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. (nosso negrito) O lançamento, conforme a própria codificação tributária, é procedimento composto por várias etapas, dentre as quais, a de identificação do sujeito passivo; expressão empregada pela codificação tributária, no parágrafo único do art. 121, para designar ambos: contribuinte e responsável. A condição de sujeição passiva, como todos os demais elementos inerentes ao lançamento, estão sob o controle exercido pelas instâncias de julgamento. Quando um Fl. 1164DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.345 11 lançamento de imposto de renda é exonerado, por exemplo, sob o fundamento de que a parte é imune, este fundamento é exclusivamente dirigido para afastar o aspecto da sujeição passiva; nesse caso, a pessoa não é contribuinte. Uma vez evidenciado que a análise da sujeição passiva é da competência das instâncias de julgamento por meio de um exemplo atinente ao contribuinte, cumpreme asseverar que, com base na dicção legislativa do CTN já reproduzida, não há qualquer razão para limitar essa análise apenas a um dos tipos de sujeito passivo, pois a sua identificação, seja na condição de contribuinte, seja de responsável, faz parte do conteúdo do ato do lançamento. Um lançamento sem a identificação do sujeito passivo – e há alguns em que não consta sequer o contribuinte, como na substituição tributária – é nulo de pleno direito. Ademais, há ainda a questão constitucional de garantia à ampla defesa e ao contraditório que corrobora a interpretação do CTN acima exposta e norteia a jurisprudência dominante neste Conselho, cujo Acórdão CSRF/0105.543, de 19/09/2006, é paradigma e foi proferido, quanto ao ponto, por unanimidade. Abaixo reproduzimos sua ementa, bem como trecho do voto do Ilustre Conselheiro Relator, Marcos Vinicius Neder de Lima, in verbis: LEGITIMIDADE PROCESSUAL — Admitese a defesa administrativa dos responsáveis solidários no processo administrativo fiscal, por força do disposto no art. 58 da Lei n° 9.784/99, que atribui legitimidade aqueles cujos interesses forem indiretamente afetados pela decisão. (...) ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Dorival Padovan, e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos a DRJ competente, para exame das demais questões suscitadas na impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (meu destaque) (...) Primeiramente, cumpre examinar a legitimidade processual dos responsáveis solidários para atuar no processo administrativo fiscal. Essas pessoas sofreram a imputação da responsabilidade solidária pela fiscalização por débitos de empresa individual com fundamento no interesse comum na situação que constitui o fato gerador (art. 124, I, do CTN) e, se mantida a exigência, os acusados seriam incluídos na certidão de dívida ativa, titulo que goza de liquidez e certeza e permite a cobrança do crédito tributário em Juizo. O efeito prático da presunção de certeza e liquidez estabelecida em lei é inverter o ônus da prova; invocandoa, a autoridade administrativa fica dispensada de provar a existência do crédito Fl. 1165DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 12 tributário que a lei presume — cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se relativa), provar o fato presumido não existir no caso. Na cobrança executiva, não há lugar para discussões sobre o mérito da pretensão do fisco ao crédito tributário, incluindose as questões relativas à sujeição passiva. Como observa Paulo Cesar Conrado, no processo de execução, o Estadojuiz parte do "direito material tributário já dito". Como regra, a legitimidade passiva processual, ou seja, a legitimidade para se defender da imposição fiscal, decorre da própria sujeição passiva na relação jurídica material. Nesse aspecto, verificase que a fiscalização atribuiu a determinadas pessoas a responsabilidade pelo pagamento do tributo com fundamento em sua participação no fato jurídico tributário ou em função de seu vinculo com o realizador desse fato. Humberto Theodoro Júnior observa que o procedimento previsto na Lei de Execução Fiscal não se destina ao acertamento da relação crediticia entre o Fisco e o contribuinte, mas apenas se volta para a expropriação de bens do devedor para satisfação do direito ao credor (artigo 646, CPC). Segundo ele, o acertamento é fato que precede à execução e consolidase no título executivo. Por isto, no processo executivo, não há lugar para discussões e definições de situações controvertidas ou incertas no plano jurídico. A imputação de responsabilidade pelo auditor fiscal e a, posterior, inclusão do acusado na CDA resultam, sem dúvida, conseqüências gravosas na esfera de direitos do contribuinte. O responsável se vê diante de uma demanda judicial expropriatória de seu patrimônio com fulcro na exigência de tributo e respectivos acréscimos legais. Essa ação executiva vem acompanhada por prova plena, qualificada pela presunção de certeza e liquidez, cuja origem está lastreada em prévio processo administrativo fiscal. Em que pese haver a possibilidade de defesa judicial pela via dos embargos a execução, o responsável inscrito na dívida ativa figurará, até que lhe seja oferecida a possibilidade da interposição dos referidos embargos, como inadimplente, arcando com todas as conseqüências danosas advindas desse fato (v.g., inscrição no CADIN, impossibilidade de obter certidão negativa). Assim, incluído como responsável tributário no auto de infração ou em termo de responsabilidade à parte, devese .assegurar o direito de defesa administrativo do interessado quanto a tal imputação. A Suprema Corte tem reafirmado sua posição firme de que "não se pode desconhecer que o Estado, em tema de restrição à esfera jurídica de qualquer cidadão ou entidade, não pode exercer a sua autoridade de maneira abusiva ou arbitrária, desconsiderando, no exercício de sua atividade, o postulado da plenitude de defesa, pois cabe enfatizar o reconhecimento da legitimidade éticojurídica de qualquer medida imposta pelo Poder Público, de que resultem conseqüências gravosas no plano dos direitos e garantias individuais, exige a fiel observância do princípio do devido processo legal (CF, art. 5 0, LIV e LV)". A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal Fl. 1166DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.346 13 sustenta a essencialidade desse princípio, "nele reconhecendo uma insuprimível garantia, que, instituída em favor de qualquer pessoa ou entidade, rege e condiciona o exercício, pelo Poder Público, de sua atividade, ainda que em sede materialmente administrativa, sob pena de nulidade do próprio ato punitivo ou da medida restritiva de direitos." (grifei) Dessa perspectiva não se afastou a Lei n° 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. O art. 2° desse diploma legal determina, expressamente, que a Administração Pública obedecerá aos princípios da ampla defesa e do contraditório. O parágrafo único desse dispositivo estabelece que nos processos administrativos sejam observados, dentre outros, os critérios de "observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" (inciso VIII) e de "garantia dos direitos à comunicação" (inciso X). Além disso, a Lei n°9.784, de 1999, em várias passagens, resguarda o direito à informação aos acusados (art. 28) 6 e a interposição de recursos nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio (art. 2°, parágrafo único, inciso X). A propósito, ensina a eminente Professora Ada Pellegrini Grinover: "litigantes existem sempre que, num procedimento qualquer, surja um conflito de interesses. Não é preciso que o conflito seja qualificado pela pretensão resistida, pois neste caso surgirão a lide e o processo jurisdicional. Basta que os partícipes do processo administrativo se anteponham face a face, numa posição contraposta. Litígio "litigantes existem sempre que, num procedimento qualquer, surja um conflito de interesses. Não é preciso que o conflito seja qualificado pela pretensão resistida, pois neste caso surgirão a lide e o processo jurisdicional. Basta que os partícipes do processo administrativo se anteponham face a face, numa posição contraposta. Litígio equivale à controvérsia, a contenda, e não a lide. Pode haver litigantes — e os há — sem acusação alguma, em qualquer lide”. Com efeito, o inciso II do artigo 90 e 58 da Lei n° 9.784/99, lei geral do processo administrativo, incluem também, entre os legitimados para atuar no processo administrativo, "aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direito ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada". A legitimação do terceiro se configura quando a solução que se dará à lide deve influir em outra relação jurídica de direito material em que ele faz parte como sujeito passivo, como é o caso da atribuição de responsabilidade solidária por interesse comum. A ausência de dispositivo específico disciplinando a matéria no Decreto n° 70.235/72 leva a concluir que esta norma geral aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Cientificados da imputação de responsabilidade solidária pela fiscalização, nasce o direito ao acusado de ver suas alegações apreciadas pela Câmara Recorrida por força do que dispõe a Lei n° 9.784, de 1999, e o art. 50, VII, do texto constitucional. Fl. 1167DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 14 Firmado esse entendimento, passo a examinar a ilegitimidade passiva alegada pela decisão da turma julgadora de primeira instância. Nesse sentido, cabe observar o lançamento fiscal ter fundamento em interposição fictícia de pessoas, em que a pessoa jurídica realizou negócios jurídicos em seu nome apenas para ocultar os reais beneficiários dos rendimentos e que normalmente figurariam no pólo passivo da obrigação tributária. Segundo a fiscalização, a imputação os rendimentos foi realizada as pessoas que efetivamente praticaram o fato jurídico tributário, reunido em sociedade de fato ou comum. Essa, aliás, é a regra inscrita na Lei n° 9.430/96, art. 42, § 5°, que determina que, no caso de interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito bancário, como a seguir transcrito: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei n° 10.637) Como no caso em comento, a acusação trouxe evidências relativas à existência vários beneficiários da omissão de receita, organizados sobre a gerência do principal interessado, impõe a fiscalização a solidariedade por força do interesse comum demonstrado pelo conjunto de pessoas (sociedade de fato). Como na solidariedade não há benefício de ordem, a exigência fiscal recai sobre todos os integrantes dessa sociedade de fato, arrolados no lançamento, podendo o fisco em fase de cobrança eleger, entre os devedores solidários, aqueles que irão responder, em parte ou integralmente, pela dívida. Não vislumbro também a possibilidade de tal imputação de responsabilidade por solidariedade ser realizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, posteriormente, na fase de cobrança, como sustenta a decisão de primeiro grau. Neste processo, não estamos diante de hipótese de responsabilidade por substituição ou transferência a ensejar o redirecionamento da cobrança em razão de fato superveniente ocorrido após a inscrição em Dívida Ativa v.g., impossibilidade de cobrança do contribuinte — art. 134, atuação dos sócios com excesso de poder ou infração à lei — art. 135, evento sucessório — art 131/132/133). Fl. 1168DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.347 15 A identificação dos sujeitos passivos já era passível de conhecimento pelos agentes fiscais por ocasião da lavratura do auto de infração, pois a pluralidade de pessoas que compõe o pólo passivo da obrigação tributária, já pertencia à relação jurídica desde a ocorrência do fato jurídico tributário. O lançamento fiscal que traz os devedores solidários apenas explicita tal fato. Nesse caso, não é admissível qualquer inovação no lançamento de ofício para inclusão de novas pessoas no pólo passivo da obrigação tributária após transcorrido o prazo decadencial previsto no 173 do Código Tributário Nacional. Dado o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário e determinar o retorno à DRJ competente para apreciação das questões apresentadas pelos interessados (responsável principal e solidários) na impugnação ao lançamento. No presente feito, contudo, a Delegacia de Julgamento deixou apenas de enfrentar os argumentos aduzidos pelo Sr. José Porfírio de Oliveira para excluílo da condição de responsável tributário; as suas demais razões de sua defesa foram enfrentadas. Assim, a decisão a quo deve ser superada apenas nessa parte. Conclusão Voto, pois, por dar provimento parcial ao recurso voluntário para devolver o feito à autoridade de primeiro grau com o fito de prosseguir no julgamento a fim de enfrentar os argumentos aduzidos pelo responsável quanto à sua condição de sujeito passivo tributário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 1169DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001531/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
Ementa:
ITR — ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO — ARRENDATÁRIO - Para a legislação, não se considera contribuinte do ITR o arrendatário do
imóvel explorado por contrato de arrendamento.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2101-000.705
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento recurso para acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, nos tenros do voto da Relatora.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ANA NEYLE OLIMPIO HOLANDA
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Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento recurso para acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, nos tenros do voto da Rei atora. O MARCOS Cik,NáDO - Presidente -"ANA NE LE C4 LIM 10 HOLANDA — Relatora EDITADO EM: z 2 ou 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel rural denominado Fazenda Sucesso Lagoa da Veada, localizado no município de São João do Paraíso (MG), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 20.081,48, a título de imposto, acrescido da multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, referente ao exercício 2002, com supedâneo nos artigos 1 0, 70, 90, 10, 11 e 14 da Lei n° 9,393, de 19/11/1996, nos seguintes moldes: i) Área de Utilização Limitada — 4.250,00 ha para 0,00 ha. 2. Em contraposição ao lançamento, foi apresentada a impugnação de fis, 20 a 21. 3. Submetida a lide a julgamento, os membros da P Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) acordaram por dar o lançamento como procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO; IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício 2002 DÁS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL, Ás áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou ,pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA Lançamento Procedente. 4, Intimado aos 24/12/2007, o sujeito passivo apresenta sua irresignação por meio de recurso voluntário (fis. 47 a 56). 5, defesa: No apelo interposto, o sujeito passivo aduz os seguintes argumentos em sua I — em preliminar, a ilegitimidade do sujeito passivo, vez que trata o imóvel em questão de terras devolutas pertencentes ao Estado de Minas Gerais, objeto de contrato de arrendamento, em que figura como arrendatária, o que fora reconhecido em julgamentos administrativos anteriores; 2 Processo n p 10670.001531/2006-84 S2-C1T1 Acórdão n. 2101-00.705 Fl. 80 II — no mérito, por se tratarem as áreas em questão de terras devolutas, não existe a matrícula do imóvel em cartório do registro imobiliário, não havendo como providenciar o registro das áreas preservacionistas, sendo pertinente o Termo de Ajustamento de conduta, firmado com o órgão ambiental; III — apresentou ao agente fiscal o Termo de Ajustamento de Conduta (fls. 27 a 28), datado de 05/11/2001, firmado perante o IBAMA/MG; IV — o Estado de Minas Gerais, que detém a propriedade do imóvel em questão, é imune ao imposto, por força do disposto no artigo 150, VI, a, da Constituição Federal, 6. tributária. Ao final, defende o acatamento do apelo, com o cancelamento da exação 7. Vieram os autos a julgamento nesse colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MF rf 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3', III. É o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O objeto do presente processo é o auto de infração para cobrança de valores que dizem respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), imóvel rural denominado Fazenda Sucesso Lagoa da Veada, localizado no município de São João do Paraíso (MG), no exercício 2001, em face da glosa parcial de valores apresentados na declaração do tributo, por falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea das informações prestadas na declaração do 1TR, a título de Arca de Utilização Limita — 4.250,00 ha para 0,00 ha. Apesar de ter apresentado a declaração de 1TR como detentora do imóvel, a recorrente argui em sua defesa a ilegitimidade passiva, vez que trata o bem em questão de área de terras devolutas pertencentes ao Estado de Minas Gerais, objeto de contrato de arrendamento, em que figura como arrendatária. Compulsando-se os autos, verifica-se Contrato de Arrendamento de Terias Devolutas Integrantes dos Distritos Florestais, firmado entre a autuada e a Fundação Rural Mineira, Colonização e Desenvolvimento — RURALMINAS, fundação pública instituída pelo Estado de Minas Gerais. Para que se deslinde a questão, necessário que se tragam à baila as características do arrendamento, frente a incidência do ITR. 3 A relação jurídica estabelecida pelos contratos de arrendamento, de comodato ou de parceria é de natureza obrigacional, ou seja, em decorrência destes contratos há a entrega do imóvel sem a intenção de transferir a posse plena; é cedido, temporariamente, apenas o exercício parcial do uso e da fruição (posse limitada), O sujeito passivo do ITR é somente aquele que tem a posse plena, sem subordinação - posse com animus domini, que possa gozar e dispor da coisa com plena liberdade, dentro dos limites legais. Os titulares do direito sobre a propriedade imóvel, portanto, obrigados na relação jurídica tributária em questão, são os que têm o exercício pleno da propriedade. É por assim dizer: o titular do direito real de propriedade, o co-proprietário ou condômino (mesmo em situação especial), o fiduciário com propriedade, o enfiteuta, o usufrutuário, o cornpromissário-comprador imitido na posse, o usuário que demonstre ou tenha intuito de posse duradoura, o titular do direito real de habitação, o possuidor com ânimo de propriedade com domínio. Com efeito, por não terem a posse plena, vale dizer, a posse com animus domini, o arrendatário, o comodatário e o parceiro não são contribuintes do ITR, Assim, o sujeito passivo do ITR sobre as terras devolutas objeto do lançamento deveria ser Fundação Rural Mineira, Colonização e Desenvolvimento — RURALMINAS, que, entretanto, por se tratar de fundação pública instituída pelo Estado de Minas Gerais, é imune ao tributo. Forte no exposto, somos por acolher a preliminar de ilegitimidade do sujeito passivo para dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2010 ojv -ÁrrtZU O Iírri'pTHICi?rata 4
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000702/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO PROLABORE SÓCIOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A apuração de fatos geradores apurados em Folha de Pagamento constitui base de cálculo de contribuições previdenciárias, mesmo se não declarados devidamente em GFIP.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
REGULAR PROCESSAMENTO DE EXCLUSÃO RESPALDO PARA LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO NO PEDIDO DE REINCLUSÃO
Havendo regular processamento de exclusão do SIMPLES, possível a
realização de lançamento para cobrança de contribuições previdenciárias patronais.
O pedido de reinclusão no Sistema SIMPLES, sem a comprovação de “efeito suspensivo” não é suficiente para desconstituição do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. EMPRESA COM RECOLHIMENTO PARA O SIMPLES. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Constatando-se
recolhimentos na sistemática do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial deve ser feito pela regra constante do art. 150, § 4.º, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-001.623
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos declarar a
decadência até a competência 08/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por rejeitar a decadência; e II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO PROLABORE SÓCIOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A apuração de fatos geradores apurados em Folha de Pagamento constitui base de cálculo de contribuições previdenciárias, mesmo se não declarados devidamente em GFIP. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. REGULAR PROCESSAMENTO DE EXCLUSÃO RESPALDO PARA LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO NO PEDIDO DE REINCLUSÃO Havendo regular processamento de exclusão do SIMPLES, possível a realização de lançamento para cobrança de contribuições previdenciárias patronais. O pedido de reinclusão no Sistema SIMPLES, sem a comprovação de “efeito suspensivo” não é suficiente para desconstituição do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. EMPRESA COM RECOLHIMENTO PARA O SIMPLES. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Constatando-se recolhimentos na sistemática do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial deve ser feito pela regra constante do art. 150, § 4.º, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos declarar a decadência até a competência 08/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por rejeitar a decadência; e II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A apuração de fatos geradores apurados em Folha de Pagamento constitui base de cálculo de contribuições previdenciárias, mesmo se não declarados devidamente em GFIP. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. REGULAR PROCESSAMENTO DE EXCLUSÃO RESPALDO PARA LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO NO PEDIDO DE REINCLUSÃO Havendo regular processamento de exclusão do SIMPLES, possível a realização de lançamento para cobrança de contribuições previdenciárias patronais. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 O pedido de reinclusão no Sistema SIMPLES, sem a comprovação de “efeito suspensivo” não é suficiente para desconstituição do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. EMPRESA COM RECOLHIMENTO PARA O SIMPLES. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Constatandose recolhimentos na sistemática do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial deve ser feito pela regra constante do art. 150, § 4.º, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos declarar a decadência até a competência 08/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por rejeitar a decadência; e II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15983.000702/200729 Acórdão n.º 240101.623 S2C4T1 Fl. 178 3 Relatório A presente NFLD de n. 37.073.2081, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e sócios contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 05/2002 a 13/2005, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP, considerando as informações constantes dos sistemas informatizados da previdência Social e a documentação apresentada à fiscalização. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 25/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/09/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 69 a 71, alegando em síntese serem indevidas as contribuições por ser a empresa optante pelo SIMPLES, tendo inclusive colacionado documentos à fls. 72 a 162. A DecisãoNotificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 167 a 169 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 172 a 173. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Não há que se falar em exclusão do SIMPLES, uma vez que ainda existe em tramitação um processo administrativo referente à suposta EXCLUSÃO DO SIMPLES, sob o n. 10845.003041/200410 (Pedido de Reinscrição no regime SIMPLES). 2. Segundo o recorrente enquanto o ato de exclusão estiver protegido por recurso administrativo, não cabe a Receita Federal do Brasil, efetuar lançamentos de oficio para exigências de eventuais diferenças entre os valores recolhidos no SIMPLES/Federal,e os devidos pelo Lucro Real, bem como pelo Presumido. 3. Face o exposto, requer seja julgada inteiramente procedente o presente recurso, para fim de ser reconhecida a total improcedência da NFLD. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 176. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em primeiro lugar, mesmo não tendo o recorrente suscitado em seu recurso, entendo que deva ser apreciada de ofício a aplicação da decadência. Assim, quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Nesse sentido exponho meu posicionamento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15983.000702/200729 Acórdão n.º 240101.623 S2C4T1 Fl. 179 5 IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra Fl. 183DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos Fl. 184DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15983.000702/200729 Acórdão n.º 240101.623 S2C4T1 Fl. 180 7 casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante Fl. 185DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 186DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15983.000702/200729 Acórdão n.º 240101.623 S2C4T1 Fl. 181 9 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas bem como a existência de recolhimentos antecipados, para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos aplicável o art. 173 do referido diploma. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 No caso ora em análise, observamos o lançamento de contribuições patronais sobre a remuneração paga aos segurados empregados, onde só é possível identificar o recolhimento da contribuição de segurados, tendo o contribuinte recolhido contribuições indevidamente por meio do SIMPLES já que sua exclusão foi devidamente processada, inclusive na base de dados da Receita Federal. Assim o fato de ter ingressado com pedido de reinclusão no SIMPLES não o exime do recolhimento na modalidade de empresa excluída. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado em 25/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/09/2007 e os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/2002 a 13/2005, pela aplicação do art. 173, I do CTN não existem competências a serem excluídas. Superadas as preliminares passo ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a DN. Contudo os argumentos apresentados pelo recorrente remontam na impossibilidade de realização do lançamento uma vez que o mesmo ingressou com pedido de reinclusão no Sistema SIMPLES após demonstrar que sua exclusão deuse em função de recolhimento em DARF incorreto. Contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente uma vez que o processo de exclusão deuse na forma devida com o regular processamento, sendo que na base de dados da Receita Federal do Brasil (cópia fl. 166), consta a informação de exclusão no período correspondente ao lançamento. Entendo que o fato de a empresa ter identificado o erro que levou a exclusão com a correspondente correção da falta, não produz efeitos retroativos, tanto que se fez necessário ingressar com pedido de reinclusão, o qual, conforme o recorrente, ainda encontra se pendente de julgamento. Não demonstrou o recorrente que o recebimento do pedido, deuse com efeitos suspensivos, razão porque deve se considerar regular a exclusão e por conseqüência devidas as contribuições. Face o exposto, o lançamento processouse na forma devida, não existindo motivos para sua improcedência, ou mesmo nulidade. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 188DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15983.000702/200729 Acórdão n.º 240101.623 S2C4T1 Fl. 182 11 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto esse Conselheiro quanto a Ilustre Relatora entendemos que, havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4.º do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para no presente caso quando há recolhimentos efetuados pela empresa no bojo da sistemática de recolhimento do SIMPLES. Nessa situação, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento do SIMPLES não devam ser consideradas antecipação de pagamento para fins da fixação do termo inicial para contagem do prazo decadencial. Ouso divergir dessa tese. É cediço que nos recolhimentos efetuados para o SIMPLES uma parcela referese às contribuições previdenciárias, sendo destinada à Seguridade Social. Nesse sentido, devo reconhecer que essas guias, embora quitadas de forma globalizada, contemplam também o tributo em questão, devendo assim serem tidas como recolhimento antecipado, justificando a aplicação da regra do art. 150, § 4.º, do CTN, para contagem do prazo decadencial. Assim, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 25/09/2007, voto pela declaração de decadência para o período de 05 a 08/2002. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004739/2004-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 1997
SIMPLES FEDERAL. INCLUSÃO RETROATIVA.
Deve ser deferida a inclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), inexistente na data do pedido, qualquer situação impeditiva para o pleno exercício da opção e presentes os requisitos do ADI SRF nº 16/2002. Fatos supervenientes devem ser tratados de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal e de conformidade com a situação fática
cronologicamente apresentada na data de eventual ato de exclusão.
Numero da decisão: 1803-000.696
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 SIMPLES FEDERAL. INCLUSÃO RETROATIVA. Deve ser deferida a inclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), inexistente na data do pedido, qualquer situação impeditiva para o pleno exercício da opção e presentes os requisitos do ADI SRF nº 16/2002. Fatos supervenientes devem ser tratados de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal e de conformidade com a situação fática cronologicamente apresentada na data de eventual ato de exclusão.
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BARBOSA Recorrida 1ª TURMA DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 SIMPLES FEDERAL. INCLUSÃO RETROATIVA. Deve ser deferida a inclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), inexistente na data do pedido, qualquer situação impeditiva para o pleno exercício da opção e presentes os requisitos do ADI SRF nº 16/2002. Fatos supervenientes devem ser tratados de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal e de conformidade com a situação fática cronologicamente apresentada na data de eventual ato de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator. EDITADO EM: 29/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH 2 Relatório PAULO J. BARBOSA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Trata o presente da manifestação de inconformidade de fls. 62/63 contra a decisão de fls. 55/56 que indeferiu seu pedido de inclusão retroativa no Simples (fl. 01). A Autoridade Fiscal da DRF/Recife fundamentou o indeferimento do pedido na existência de débito da interessada inscrito em Dívida Ativa da União, circunstância impeditiva ao Simples, de acordo com o art. 9°, inc. XV, da Lei n°9.317/96. Esta Turma de Julgamento, nos termos do Acórdão n° 12-15.719 (fls. 47 a 52), de 30/08/2007, havia declarado nulo o despacho decisório de fl. 36, anteriormente proferido, por ter sido praticado por servidor incompetente. Em sua manifestação de inconformidade, a interessada alega, em síntese, que: - optou tempestivamente pelo Regime de Tributação Simples, no ano de 1997; - a SRF acatou as declarações; - após a mudança do sistema de recepção de declarações continuou a apresentar suas declarações pelo Simples, sem qualquer óbice; - em 2005 foi surpreendida com a não aceitação da transmissão de sua declaração pela internet, que informava não ser ela optante por tal regime; - ao comparecer a SRF, recebeu a informação de que não era optante pelo regime; - solicitada a apresentar o documento de inclusão, não o encontrou em seus arquivos; - entende que o citado documento é inexigível, pois o prazo de guarda de documentos é de cinco anos; - em junho de 2007 parcelou os seus débitos juntos à SRF e à PGFN. O processo foi remetido a esta DRJ, em atendimento à Portaria RFB n° 10.733, de 20/07/2007 (DOU 24/07/2007), que transferiu a competência para julgamento do presente processo a este órgão (fl. 43). A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão 12-22.209, de 12 de dezembro de 2008 (fls. 69/71), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: Fl. 92DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 19647.004739/2004-55 Acórdão n.º 1803-000.696 S1-TE03 Fl. 82 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 SIMPLES DÉBITOS NA PGFN. A existência de débitos inscritos na Divida Ativa da União impede a opção/inclusão retroativa no Regime do SIMPLES Solicitação Indeferida Ciente da decisão em 15/01/2009, conforme Aviso de Recebimento - AR (fl. 73.v), apresentou em 03/02/2009 o recurso voluntário de fls. 76/77, onde reitera os termos da inicial de que a Secretaria da Receita Federal teria reconhecido a opção nos períodos de 1997 a 2004, tendo inclusive enviado débitos remanescentes do SIMPLES para inscrição em Dívida Ativa. A contribuinte por sua vez cumpriu todos os requisitos para fruição do regime simplificado tendo quitado ou parcelado todos os débitos devidos. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), formulado em 31/05/2004, tendo a solicitação sido indeferida pela Administração Tributária em face da existência de débitos inscritos em Dívida Ativa na PGFN (art. 9º, inciso XV da Lei nº 9.317/96). A recorrente alega que a própria Secretaria da Receita Federal teria tacitamente reconhecido a opção pelo regime simplificado, pois recebeu as Declarações Simplificadas e respectivos recolhimentos, tendo adicionalmente enviado débitos do SIMPLES para inscrição em Dívida Ativa. Afirma adicionalmente a recorrente, que recolheu integralmente os débitos bem como parcelou eventuais débitos remanescentes que haviam sido enviados para inscrição em Dívida Ativa. Entendo que assiste razão à interessada. Com efeito, inicialmente se constata que se aplicam integralmente as disposições contidas no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002, com o seguinte teor: Fl. 93DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH 4 Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 2 de outubro de 2002 DOU de 4.10.2002 -Dispõe sobre a retificação de ofício, por parte da autoridade fiscal, da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), nos casos de erros de fato. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 8º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, no art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 34, de 30 de março de 2001, e no processo 10168.004370/2002-37, declara: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf- Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. EVERARDO MACIEL Portanto, não há óbice algum para reconhecer que a interessada preenchia os requisitos para retificação de ofício do Termo de Opção e da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica – FCPJ, pois apresentou regularmente as Declarações Simplificadas e efetuou o recolhimento dos tributos de forma unificada, nos termos da Lei nº 9.317/96 (SIMPLES FEDERAL). As conclusões da Administração Tributária para indeferir o pedido são equivocadas e foram indevidamente convalidadas pela decisão de primeira instância, merecendo reforma. Inicialmente revela-se inequívoca contradição da Administração Tributária em inscrever débitos do SIMPLES FEDERAL em Dívida Ativa e ao mesmo tempo, negar a inclusão retroativa no sistema com fulcro justamente nestes mesmos débitos. Ou seja, ou a empresa era do SIMPLES FEDERAL e assim os débitos eram devidos ou então a inscrição em Dívida Ativa era indevida pois NÃO existiam débitos do SIMPLES FEDERAL. Por outro lado, deve-se considerar ainda que conforme se observa do pedido de inclusão retroativa (fl. 01) o mesmo foi formulado em 31/05/2004, enquanto a inscrição dos débitos em dívida ativa ocorreu somente em 22/09/2005 (fl. 46) o que faz cair por terra o óbice aventado pela Administração Tributária para negar o pedido, em face da evidente falta de identidade cronológica na situação fática apresentada. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 19647.004739/2004-55 Acórdão n.º 1803-000.696 S1-TE03 Fl. 83 5 Outrossim, comprova a recorrente a adesão em duas oportunidades à parcelamentos dos débitos inscritos – uma no PAES – Parcelamento Especial (fls. 15/16 e 26) e outra - no parcelamento especial para adesão ao SIMPLES NACIONAL (fl. 44), o que implicou suspensão da exigibilidade dos débitos nos respectivos períodos de vigência dos parcelamentos concedidos. Destarte, deve ser reformada a decisão de primeira instância, deferindo-se a inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), desde o ano calendário 1997. A critério da Administração Tributária existindo situação fática a partir do ano calendário 2005, poderia ter sido editado ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL, na forma da legislação que rege o processo administrativo federal, observando-se a situação fática cronologicamente existente na data da edição do ato administrativo. Tal ato no entanto não é mais possível considerando os efeitos previstos para estes casos somente a partir do ano seguinte à ciência do ato declaratório, conforme disposto no art. 15, inciso VI da Lei nº 9.317/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.196/2005. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado eletronicamente) Walter Adolfo Maresch - Relator Fl. 95DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 19647.005756/2007-52
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
0 Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n 08.212 de 1991, conforme Súmula Vinculante n° 8, de 12 de junho de 2008.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-000.420
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n 08.212 de 1991, conforme Súmula Vinculante n° 8, de 12 de junho de 2008. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19647.005756/2007-52 Recurso n° 269.593 Voluntário Acórdão n° 2803-00.420 — 3' Turma Especial Sessão de 2 de dezembro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente COMPANHIA INDUSTRIAL DE VIDROS Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RECIFE- PE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n 08.212 de 1991, conforme Súmula Vinculante n° 8, de 12 de junho de 2008. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). .4140k. 44 VET • ATO - Relator OrM, Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbit Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório O presente Recurso Voluntário apresentado por Paulo R. Tarossi Transportes - ME (fls. 512-523) busca a revisão total da decisão a quo (fis.441-446), que manteve crédito constituído pela NFLD a titulo de contribuições securitarias (patronal e SAT) e a terceiros (mera e Sebrae), lançados pela presente NFLD de forma substitutiva à NFLD n. 35.028.731-7 (ciência em 09.10.2000), anulada por vicio formal pelo Ac. 1903/2005, da 4aCAJ do CRPS (26.08.2006). A ocorrência dos eventos sobre os quais incidiu a norma de imposição tributária se deu nas competências de 02/1996 a 01/1999, sendo o lançamento cientificado no dia 15.06.2007 (t1s.01). Em seu recurso, a contribuinte alegou a presente NFLD, mesmo substitutiva da NFLD que foi anulada por decisão que informou que os vícios formais, os mesmos seriam de natureza material, pois ser referiam à ausência de fundamentação legal, exposição fatica e critérios de apuração adequados. Logo, não teriam o condão de que se aplicasse o art. 173, II, do CTN, bem como do art. 45, II, da Lei n. 8.212/1991 em razão da Súmula Vinculante n. 8 do STF. O recurso foi considerado tempestivo pela autoridade preparadora, seguindo originalmente para o 2° Conselho de Contribuintes ; que teve suas competências transferidas 2" Seção de Julgamento do CARF/MF, e, por conseguinte, veio distribuído à presente Turma Especial e relator. Este é o Relatório. Voto Conselheiro GUSTAVO VETTORATO, Relator Ao caso, observa-se a tempestividade do recurso voluntário e o inconfonnismo com a decisão a quo, bem como a inexigibilidade do deposito recursal ou arrolamento de bens (Súmula Vinculante n. 21 do STF), assim o mesmo deve ser admitido e conhecido. Preliminarmente, em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atenta-se à extinção dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência, contudo por outros motivos, indiferente de futuros vícios ou nulidades que venham ser apontadas. Ao verificar o inteiro teor do Acórdão Decisório n. 1903/2005, da 4aCAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, em 26.08.2006, mesmo ao identificar a nulidade da NFLD substituída como vicio formal, ele se refere a urn vicio intrínseco ao fenômeno da subsunção da regra-matriz tributária e sua positivação, várias vezes mencionados do indicado acórdão: pois ser referiam ?it ausência de fundamentação legal, exposição e comprovação fática e critérios de apuração adequados. Ou seja, vícios tipicamente vinculados à materialidade do tributo. 2 Processo n° 19647.005756/2007-52 S2-TE03 Acórclao n.° 2803-00.420 Fl. 2 Por aplicação subsidiária do art. artigo 469, I do CPC, os motivos jurídicos da nulidade anterior não fazem coisa julgada (Ac. 2301-00.502, da 1" Turma Ordinária da 3" Câmara da 2" Seção de Julgamento do CARF, 07.07.2009). Portanto, chamar-se atenção para a demonstração deficitária da relação jurídica tributaria no instrumento constituidor do crédito tributário, representante de um verdadeiro vicio material insanável, por ao art. 37, da Lei n. 8.212/1992, ao art.142, do CTN, e ao direito de ampla defesa e contraditório. A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do credito, como um erro material na identificação do sujeito passivo (art. 10 e 11, do Dec. 70.235/1997). De tal forma, que não ha o caso de reinicio de contagem do prazo decadencial qüinqüenal a partir da decisão de anulação do lançamento por vicio formal, contido no art. 173, II, do CTN, porque o vicio em questão tern natureza totalmente material. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE - VICIO FORMAL - LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos . fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevem-se a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de oficio, mas não pertencem ao seu conteúdo material. 0 suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vicio substancial, 11117(1 nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 108-08.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos', não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, COMO lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, Coln a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. rata-se, no caso, de nulidade por vicio material, na medida em que alia conteúdo ao ato, o que implica illOCOrrênCia da hipótese deincidência." (1° Câmara do l'' Conselho de Contribuintes, Recurso n"132.213 — Acórdão n°101-94049, Sessão de 06/12/2002, unânime,) Dessa forma, por não ter havido o reinicio do prazo decadencial qüinqüenal, a data de cientificação da NFLD objeto deste recurso ter sido em 28.09.2006, e a última competência que teve créditos tributários lançados foi 01/1999, esta clara a extinção do credito pelo alcance da decadência. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório administração pública, emitiu a Sumula Vinculante de n " 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei ri " 8.212 de 1991, nestas palavras: 3 Sala das Sessões, em .2/de de embro de 2010 :5)11 USTAVO VETTORA 0 - Snnntla Vinculante n" 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e oS artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Con Comic previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, apás reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar sumula que, a partir de sua publicação na imprensa terá efeito vinca/ante em relação aos demais órgdos do Potter Judiciário e á administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder ti sua revi.s.ão ou cancelamento, na . forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, lad que serem observadas as regras previstas no CTN. Observe-se a NFLD é referente As fatos geradores declarados ou não em instrumentos próprios nos períodos de 02/1996 a 01/1999. Neste caso, as contribuições tendentes ao lançamento por homologação, mas segundo o colocado no Relatório Fiscal que os créditos foram constituídos por levantamento fiscal sobre documentos diversos além daqueles obrigatórios de registro, inclusive utilizando-se de aferição indireta, o que torna-o em lançamento por oficio (art. 150, §4°, e 149, CF/1998), devendo-se seguir o disposto no art. 173, I, c/c art. 156, inciso V, do CTN, contando o prazo de 5(cinco) anos do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sick) efetuado. Assim, estarão extintos os créditos oriundos da incidência da norma tributária sobre fatos geradores anteriores à 1°.01.2001, ou seja, a decadência operou em todos os créditos constituídos nas competências anteriores A 11/2000, antes mesmo da lavratura da NFLD substitutiva. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDER-LHE TOTAL PROVIMENTO, reformando a decisão recorrida, declarando a improcedência do lançamento e decretando a nulidade por vicio material da NFLD em razão da decadência do credito tributário constituído. 4
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