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Numero do processo: 16682.720852/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Não cabe a discussão no processo de compensação quando a discussão sobre o crédito foi transladada para o processo que se discute o auto de infração.
Numero da decisão: 3401-007.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente Substituta e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto, Luís Felipe de Barros Reche(suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Não cabe a discussão no processo de compensação quando a discussão sobre o crédito foi transladada para o processo que se discute o auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente Substituta e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto, Luís Felipe de Barros Reche(suplente convocado). Relatório Trata-se de embargos de declaração do contribuinte opostos em desfavor do Acórdão nº 3401-005.786, de 30/01/2019. A decisão negou provimento por unanimidade de votos, e restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Incabível a decretação de nulidade do despacho decisório, quando nele contidas as informações necessárias e suficientes para justificar a não homologação das compensações declaradas. COMPENSAÇÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 52 /2 01 1- 96 Fl. 3002DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720852/2011-96 Restando decidido o direito creditório, pelo não cabimento da restituição, não cabe a homologação da compensação vinculada por falta de crédito a ser compensado com o débito apurado. Os embargos foram admitidos parcialmente em 11/07/2019 para sanar omissão quanto a nulidade do acórdão de manifestação de inconformidade: 1 - Omissão quanto à nulidade do Acórdão de Manifestação de Inconformidade A embargante suscita omissão no julgado quanto ao pedido de nulidade do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Litteris (fl. 2.979): Inicialmente, não poderia a ora Embargante deixar de destacar a presença de vício de omissão no julgado, eis que, no Recurso Voluntário de fls., foi dedicado um tópico interior (“A Nulidade do Acórdão Recorrido por não enfrentar o Mérito”) explicitando os motivos para que esse E. CARF decretasse a nulidade do julgamento realizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/JFA). Ocorre que, ao analisar o Recurso Voluntário interposto pela Embargante, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento desse E. CARF nada disse quanto à nulidade do acórdão recorrido, restringindo-se a analisar os pressupostos de validade do despacho decisório tratado em outra parte de seu Recurso (“A nulidade do Despacho Decisório fundamentado em auto de infração anulado pela fiscalização”). Com efeito, a dita seção do Recurso Voluntário está a partir das fls. 2.886, e não encontro, no acórdão embargado, tratamento da matéria. Verifico, pois, efetivamente, a omissão suscitada, a merecer apreciação pela Turma. Destaque-se que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Relatora. Os embargos foram admitidos parcialmente pelo Presidente da Turma por isso dou seguimento a sua análise para sanar omissão quanto a nulidade do acórdão de manifestação de inconformidade. A embargante informa que apresentou um tópico inteiro em seu Recurso Voluntário com título “a nulidade do acórdão recorrido por não enfrentar o mérito” explicitando os motivos para que o CARF anulasse o julgamento realizado pela DRJ. E o colegiado do CARF ao analisar o recurso voluntário nada disse quanto a nulidade do acórdão recorrido, restringindo- se a analisar os pressupostos de validade do despacho decisório. Na admissibilidade foi assim analisado: Com efeito, a dita seção do Recurso Voluntário está a partir das fls. 2.886, e não encontro, no acórdão embargado, tratamento da matéria. Verifico, pois, efetivamente, a omissão suscitada, a merecer apreciação pela Turma. Fl. 3003DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720852/2011-96 Voltando ao Recurso voluntário, temos que a contribuinte alega que o acórdão de piso não enfrentou expressamente o mérito da questão, o que o inquina de nulidade, vide trecho do acórdão da DRJ: E também que a simples menção à decisão preferida nos autos do processo 16682.720508/2013-69, referente ao auto de infração, não tem o condão de sanar vício existente no acórdão recorrido. Quanto ao mérito a embargante no Recurso voluntário traz as seguintes alegações, em síntese: - a compensação diz respeito a crédito do IPI do 2ºtrimestre de 2008 com débito de Cofins (junho/2008); - os créditos de IPI tidos como inexistentes e que levaram a não homologação das compensações referem-se a aquisições de matérias primas utilizadas em produtos classificados na TIPI com tributado e não tributado, a equivocada classificação de mercadorias e ao recebimento de produtos em consignação; - foi autuada pelas mesmas razões, ano calendário 2007, Processo nº 16682.720110/2012-41, e uma vez glosados os créditos de IPI do ano anterior entendeu a fiscalização não ser a empresa detentora de créditos de IPI passíveis de compensação no ano de 2008; - começar a discorrer sobre seu direito ao crédito do IPI. Cita que o acórdão nº 01- 28.070, referente ao julgamento do auto de infração, restou decidido que a empresa manteve indevidamente créditos de produtos não tributados. E que o entendimento exposto no acórdão citado representa mudança de critério jurídico; - o comando da não cumulatividade do IPI está previsto na Constituição e no CTN, e é absoluto, amplo e irrestrito. Cita doutrina e jurisprudência; - quanto a possibilidade de manutenção de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos tributados para a industrialização de produtos imunes existem diversos julgados no CARF que reconhecem a possibilidade de sua manutenção; Fl. 3004DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720852/2011-96 - direito ao crédito do IPI no recebimento de produtos em consignação, já que pratica consignação industrial que é diferente da consignação mercantil. Entendo que a embargante que rediscutir a matéria que já foi julgada pela DRJ, e por isso insiste em opor embargos, quando deveria ter apresentado Recurso no processo que discute o auto de infração, e não nesse processo que discute a compensação. O fato de ter sido sucinta no seu voto não significa que a decisão estaria incompleta. Vejamos. Segundo o relatório que consta no acórdão da DRJ a empresa apresentou PER/DCOMP, que foi analisado pela DRF resultando no Despacho Decisório que não reconheceu o direito ao crédito relativo ao 2º trimestre de 2008 e não homologou as compensações. No curso da auditoria fiscal foram detectados dois tipos de infração, erro na classificação de mercadorias e aquisição de insumos empregados em produtos não tributados. Também foram glosados créditos oriundos de mercadorias recebidas em consignação. A ação fiscal resultou em auto de infração formalizado em outro processo. A existência de saldos devedores em todos os períodos de apuração objeto da auditoria, indicando a falta da liquidez e certeza do crédito pleiteado, levou ao indeferimento do pedido de ressarcimento deste processo. Ciente do auto de infração a empresa solicitou na sua manifestação de inconformidade o sobrestamento do julgamento do presente processo até que fosse proferida a decisão administrativa final no processo que trata do auto de infração, uma vez que entendeu que a decisão influenciaria a compensação tratada. Ora se a auditoria fiscal entendeu que a empresa não fazia jus ao crédito solicitado em pedido de ressarcimento e formalizou autuação em outro processo, a discussão foi transferida para o outro processo, e não caberia mais discutir-se o crédito aqui. Sobrou aqui a discussão sobre a compensação com débitos reconhecidos pela empresa. É certo que a autuação fiscal no outro processo influenciaria a discussão aqui empreendida e poderia inclusive vir a mudar o curso dos acontecimentos, em tese. Entretanto o sobrestamento do processo que discute a compensação para aguardar o final do processo que discute o auto de infração não é procedimento que encontra guarita em todas as turmas julgadoras da primeira e segunda instância administrativa. Inclusive se for analisar friamente a legislação não existe amparo para a pretensão: Quanto ao pedido de sobrestamento do presente julgamento, até o julgamento final do processo tendo por objeto o citado auto de infração, cabe referir que não encontra amparo nas normas que disciplinam o processo administrativo fiscal. A par disso, independente do resultado final da apreciação do citado auto de infração, as compensações declaradas não podem prosperar, porque existe vedação expressa ao ressarcimento de crédito passível de ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI (art. 25 da Instrução Normativa RFB no 1.300/2012). Tal vedação esteve presente nas normas que trataram e tratam da matéria, até o momento, a saber: a IN SRF Fl. 3005DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720852/2011-96 no 21/1997, art. 8o , § 6º; art. 19 da IN SRF no 210/2002; art. 20 da IN SRF no 460/2004, pelo art. 20 da IN SRF no 600/2005; art. 25 da IN RFB no 900/2008. No caso a DRJ entendeu que como não havia liquidez e certeza dos créditos não haveria como compensar com os débitos. Nesses casos muitas turmas julgadoras tem entendido por indeferir a compensação por falta do crédito e por consequência é cobrado o débito que foi reconhecido. A questão do crédito é discutida em outro processo, e caso seja julgada improcedente a autuação, o contribuinte poderá utilizar o crédito em outras compensações, seguindo os trâmites legais e normativos. A realização de auditoria encontra amparo na legislação, uma vez que, nos termos do art. 170 do CTN, a lei somente pode autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, do sujeito passivo perante a Fazenda Nacional Certo agiu a DRJ que não discutiu o mérito relativo ao pedido de ressarcimento nesse processo, já que poderia redundar em discussões concomitantes em dois processos e com possibilidade de resultados diferentes, o que traria insegurança para o próprio contribuinte. Apesar de não discutir o mérito, por que não caberia a discussão nesse processo, a DRJ se pronunciou sobre a questão da seguinte forma: No caso presente, efetuada a auditoria foi verificada a prática de irregularidades que resultaram em falta de recolhimento de IPI. A reconstituição da escrita apontou saldos devedores em todos os trimestres do ano-calendário de 2008, o que afasta a existência dos pressupostos de certeza e liquidez do crédito, ensejando o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, e, por consequência, a não-homologação das compensações vinculadas. Além disso, tendo em vista a subordinação da autoridade fiscal aos textos legais, que deve cumprir, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, não restou outra alternativa senão formalizar o lançamento, o que foi feito na forma explicitada. A correção de ofício visou apenas a retificação quanto à identificação do sujeito passivo do lançamento, mantendo-se inalteradas todas as conclusões do procedimento fiscal, pelo que não há repercussão alguma em relação ao despacho decisório contestado. Assim, apesar da insistência da embargante em que fosse analisado o mérito no presente processo entendo que agiu corretamente o acórdão de piso, já que a discussão deveria ser levada no processo nº 16682.720508/2013-69, que à época havia sido apreciado em primeira instância pela Terceira Turma da DRJ em Juiz de Fora, em sessão de 17 de dezembro de 2013, que julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, nos termos do acórdão nº 01-28.070. Atualmente, o processo encontra-se no CARF, aguardando o julgamento do recurso especial do procurador, tendo sido julgado em 26/04/2016, acórdão nº 3302-003.142: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em manter a solidariedade passiva atribuída a empresa Chevron Brasil Lubrificante Ltda, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Lenisa Prado, Sarah Araújo e Walker Araújo. designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa do crédito de IPI oriundo dos insumos recebidos em consignação, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por unanimidade de votos, em afastar a aplicação de multa isolada por falta de lançamento do Imposto com cobertura de crédito.. Fl. 3006DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-007.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720852/2011-96 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 TRANSFERÊNCIA DE ATIVOS E PASSIVOS MEDIANTE INTEGRALIZAÇÃO DE QUOTAS. CISÃO PARCIAL. A integralização de quotas em empresa pré-existente, mediante a versão de parcela do patrimônio, incluindo ativos e passivos, caracteriza a operação de cisão de que trata o artigo 229 e seu parágrafo terceiro da Lei nº 6.404, de 1976. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA APLICAÇÃO DA SÚMULA N°2 DO CARF Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias AQUISIÇÃO DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS ISENTOS. ALIQUOTA ZERO. NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera direito ao crédito sobre os insumos adquiridos aplicados na fabricação de produtos sujeitos a não tributação, isento e de alíquota zero a ser comercializados no mercado interno. CRÉDITOS DE IPI EM OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO INDUSTRIAL. Os créditos de IPI em operações de consignação industrial podem ser escriturados quando da efetiva utilização no processo produtivo e não na entrada dos produtos recebidos por ocasião da remessa em consignação. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE. Impossibilidade de exigir concomitantemente Multa de Ofício e Multa Isolada ao mesmo tempo em face de sua própria natureza, sob pena de aplicar-se dupla penalidade com referência a uma mesma infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Também merece ser trazido que apesar de ter sido admitido os embargos, também não cabia no julgamento do recurso no CARF o enfrentamento da questão além do que foi efetuado, já que conforme já esclarecido a discussão do crédito estava em outro processo, por isso o acórdão nº 3401-005.786, foi econômico em suas palavras: Preliminarmente requer a nulidade do auto de infração fundamentado em processo anulado pela fiscalização. Inicialmente devemos verificar que o presente processo não se encontra maculado pelas hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que ensejariam sua nulidade. A nulidade argumentada pela recorrente é a respeito de outro processo administrativo (16682.720351/201371) em que o auto de infração foi anulado pela fiscalização por ter sido efetuado contra o estabelecimento matriz, mas logo em seguida foi emitido outro auto de infração contra o estabelecimento filial, detentor do crédito (16682.720508/201369). O que nos informa a fiscalização é que a correção de ofício visou apenas a retificação quanto a identificação do sujeito passivo do lançamento, mantendo-se inalteradas todas as conclusões do procedimento fiscal, pelo que em nada modifica as conclusões a que chegou o presente despacho decisório. Fl. 3007DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-007.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720852/2011-96 Ademais também podemos verificar que sendo os fatos imputados os mesmos, e de pleno conhecimento da contribuinte, em nada prejudicou sua ampla defesa. Pelo que deixo de acolher a preliminar suscitada. Também quanto ao pedido de sobrestamento do feito para que se aguarde o julgamento do processo 16682.720508/201369 cabe informar que não existe amparo legal para tal procedimento. Além disso o processo foi julgado em 26/04/2016, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sessão do CARF, acórdão nº 3302003.142, por voto de qualidade, em manter a solidariedade passiva atribuída a empresa Chevron Brasil Lubrificante Ltda, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Lenisa Prado, Sarah Araújo e Walker Araújo, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa do crédito de IPI oriundo dos insumos recebidos em consignação, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por unanimidade de votos, em afastar a aplicação de multa isolada por falta de lançamento do Imposto com cobertura de crédito. Existe atualmente pendente de julgamento Recurso Especial da PGFN. ... Conforme consta do Relatório fiscal a empresa apresentou vários pedidos eletrônicos de restituição ou ressarcimento acompanhados das declarações de compensação. Foi instaurado procedimento de fiscalização, para o período de 01/01/2008 a 31/12/2008 com o objetivo de examinar os créditos escriturados. O resultado da fiscalização foi a reconstituição da escrita fiscal com a constatação de inexistência de saldo credor para os períodos do ano 2008, sendo indeferidos todos os pedidos de ressarcimentos, inclusive o que consta no presente processo. O auto de infração em questão, está juntado ao processo 16682.720508/201369 julgado em 26/04/2016, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sessão do CARF, acórdão nº 3302003.142, acima reproduzida a ementa. Resta a esse processo apenas a discussão sobre o pedido de compensação efetuado, já que toda a discussão sobre o direito ao crédito está contida no processo acima, já julgado pelo CARF definitivamente. Pelo exposto, voto por conhecer dos embargos e no mérito por negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Fl. 3008DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-007.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720852/2011-96 Fl. 3009DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13811.003295/2002-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
LANÇAMENTO INDEVIDO.
Não poderá subsistir o auto de infração de débitos declarados em DCTF quando comprovada a extinção do crédito tributário por compensação.
NORMAS PROCESSUAIS. DCTF. REVISÃO INTERNA.
Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo inexistente no Profisc.
Tendo sido comprovada a regular existência do processo administrativo, elidindo a motivação do lançamento, este deve ser cancelado dada a impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando de sua competência, de modo a alargar sua motivação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.321
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Votaram pelas conclusões os conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Mauricio Taveira e Silva
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ELETRODOMÉSTICOS) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO INDEVIDO. Não poderá subsistir o auto de infração de débitos declarados em DCTF quando comprovada a extinção do crédito tributário por compensação. NORMAS PROCESSUAIS. DCTF. REVISÃO INTERNA. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo inexistente no Profisc. Tendo sido comprovada a regular existência do processo administrativo, elidindo a motivação do lançamento, este deve ser cancelado dada a impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando de sua competência, de modo a alargar sua motivação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo da Costa Pôssas. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Relator Fl. 790DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 791 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral pela parte recorrente a advogada Vanessa Spina, OAB/SP 208.294. Relatório WHIRLPOOL S.A. (atual denominação de MULTIBRÁS S.A. ELETRODOMÉSTICOS), devidamente qualificada nos autos, recorre a este colegiado, através do recurso de fls. 714/740 contra o acórdão nº 1622.291, de 29/07/2009, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP, fls. 689/708, que julgou procedente o auto de infração nº 0050795 (fls.39/40) relativo ao PIS, referente aos períodos de julho a dezembro de 1997, decorrente de auditoria interna na DCTF em razão de que os créditos vinculados ao Processo nº 13811.000102/9765, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc inexist no Profisc”, conforme fls. 29 e 33, cuja ciência ocorreu em junho de 2002 (fl. 53), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: 4. O processo em exame versa sobre lançamento eletrônico originado de auditoria interna que realizou a DEFIS/SPO nas DCTF da contribuinte em epígrafe relativas ao terceiro e ao quarto trimestres de 1997, nas quais se apurou falta de recolhimento dos débitos de Pis referentes aos meses de julho a dezembro desse ano, conforme registra o auto de infração, anexo às fls. 29, 33 e 37/44. 5. A irregularidade acima foi detectada em virtude da ausência de registro do processo n° 13811.000102/9765 no sistema Profisc, o qual fora informado nessas declarações para justificar a inclusão dos débitos em apreço na linha “Comp s/DARF OutrosPAF”. Tal circunstância vem atestada pela ocorrência “Proc inexist no Profisc”, consignada nos demonstrativos das fls. 29 e 33. 6. A interessada impugnou o feito por meio do arrazoado anexo às fls. 1/21, cujo teor passo a resumir: Afirma preliminarmente que o auto de infração deve ser declarado nulo porque: em desacordo com o art. 10, III, do decreto nº 70.235/72, a descrição dos fatos que lhe deram origem não é clara, visto que seus anexos não são autoexplicativos, o que torna impossível identificar a infração cometida e a impede de elaborar uma defesa coerente (invoca dois acórdãos do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujas ementas transcreve na fl. 4); Fl. 791DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 792 3 ao deixar de descrever corretamente os fatos, tornou praticamente impossível os argumentos de defesa por parte da impugnante em face da infração imputada, o que fere frontalmente os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (cita excerto de doutrina nas fls. 5/6); não se reveste de motivação, princípio inerente aos atos administrativos (reproduz duas passagens doutrinárias relativas à matéria nas fls. 6/8); Alega ter realizado as compensações demonstradas nas DCTF relativas ao período de julho a dezembro de 1997 com créditos do próprio Pis resultantes de recolhimentos indevidos realizados sob a égide dos decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88, na forma do art. 66 da lei n° 8.383/91 e em conformidade com o entendimento externado pela RFB na IN SRF nº 21/97; Observa que, como tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional podem ser compensados independentemente de autorização do Fisco, não há que falar de processo de restituição/compensação, de modo que se deve desconsiderar a alegação de “proc. inexistente no Profisc”, visto que não há, de fato, qualquer processo relativo às compensações em causa; Em seguida, tece algumas considerações acerca do instituto da compensação em matéria de tributos federais e sobre a inconstitucionalidade dos decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88 (fls. 9/12), concluindo que se deve julgar improcedente o auto de infração, tendo em vista que a compensação se deu de acordo com os ditames legais; Finalmente, discorrendo sobre a matéria em ligeira dissertação inçada de citações doutrinárias, na qual invoca outrossim um acórdão do STJ, alega ser inconstitucional a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora incidentes sobre créditos tributários (fls. 12/21); Encerrando o arrazoado, requer se declare nulo ou totalmente improcedente o lançamento fiscal. 7. Em despacho anexo à fl. 64, a DERAT/SPO informou não haver localizado nenhum pagamento relativo aos débitos autuados. 8. Ao examinar o processo, propusemos a realização de diligência com o fito de verificar os registros contábeis e a regularidade das compensações, bem como a existência e suficiência dos créditos utilizados (fls. 65/66). Com a aquiescência do então presidente desta Turma de Julgamento, os autos foram encaminhados à DEFIS/SPO, cuja divisão de fiscalização, apoiandose em vasta documentação fornecida pela empresa, a qual ocupa a maior parte das folhas numeradas de 70 a 653, refez os cálculos relativos às compensações (fls. 661/665) e elaborou o relatório anexo às fls. 666/672, no qual apresenta suas conclusões. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 793 4 9. Cientificada do resultado da diligência, a impugnante manifestouse sobre a matéria em comunicado anexo às fls. 673/678, no qual observa em síntese que: diferentemente do que afirmou a autoridade encarregada da diligência, a compensação entre tributos da mesma espécie não requer apresentação de declaração de compensação; tendo em vista tratarse de tributo cuja inconstitucionalidade foi expressamente declarada pelo STF, o prazo para repetir o indébito deve ser contado a partir da publicação da Resolução do Senado Federal, como prevê o Parecer Cosit nº 58/1998 (cujo texto reproduz nas fls. 679/687), não se aplicando ao caso o Ato Declaratório SRF nº 096, de 26/11/1999, nem tampouco a lei complementar nº 118/2005. A DRJ julgou procedente o lançamento cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. Segundo disposição expressa do art. 90 da MP nº 2.158/2001, era obrigatório à época da autuação o lançamento da diferença decorrente de compensação não comprovada informada pela contribuinte em DCTF. ESCRITURAÇÃO MERCANTIL INFORMATIZADA. FORMALIDADES LEGAIS. VALOR PROBATÓRIO. Somente faz prova em favor da contribuinte a escrituração mercantil mantida com observância das formalidades previstas em lei, as quais incluem a obrigatoriedade de submeter todas as folhas emitidas eletronicamente à autenticação da Junta Comercial. COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS E DÉBITOS DE PIS. AUSÊNCIA DE REGISTROS CONTÁBEIS ADEQUADOS. O fato de a legislação em vigor à época permitir a realização de compensação sem prévio exame do Fisco não exime a contribuinte do ônus de registrála na escrita contábil por meio de lançamentos apropriados. CRÉDITOS DE PIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mera apresentação de planilhas e guias de recolhimento não se presta a comprovar a existência de créditos de Pis em favor da interessada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição ou compensação extinguese com o decurso do prazo qüinqüenal contado da data da extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado nos casos de lançamento por homologação. Aplicação do art. 168, inc. I, do Fl. 793DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 794 5 CTN, do Ato Declaratório SRF n º 96/1999 e do art. 3 º da Lei Complementar n º 118/2005. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, visto estar amparada em lei ( art. 61, § 3º, da lei nº 9.430/96). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se justifica a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o teor da impugnação apresentada demonstra à saciedade que a contribuinte tinha pleno conhecimento dos fatos objeto de autuação. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Lançamento Procedente Tempestivamente, em 21/09/2009, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 714/740, apresentando os seguintes argumentos: a) era detentora de créditos de PIS decorrentes da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e nº 2.449/88, cujo direito à restituição surgiu com a Resolução do Senado Federal nº 49/1995. Assim, efetuou a compensação desses indébitos com débitos de PIS, com fulcro no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Não obstante a diligência reconhecer a suficiência e a compensação dos créditos, a autuação foi mantida pela DRJ; b) desnecessidade de lavratura de auto de infração conforme determina a IN SRF nº 31/97; c) a Derat/SPO não localizou pagamentos relacionados aos débitos porque estes foram quitados por compensação, a qual não foi formalizada em nenhum processo administrativo, visto ser desnecessário, à época; d) caso os elementos mencionados ainda não sejam suficientes para que seja julgado nulo o auto de infração, é de se registrar que mediante a apresentação de sua contabilidade, planilhas e tabelas, demonstrou a regularidade das compensações efetuadas. A fiscalização comprovou a suficiência de crédito de PIS a compensar, o qual não pode ser ignorado pela autoridade julgadora; e) todos os documentos contábeis solicitados foram entregues não podendo, assim, ser desconsiderada a sua escrituração, como pretendeu o acórdão recorrido; f) há que se registrar que a contabilidade faz prova a favor da contribuinte. Para sua desconsideração há que se observar o ônus da prova. Ademais, a autuada tem livre escolha quanto aos processos de contabilização, consoante PN CST 347/70 e soluções de consulta que traz à colação, sendo descabida a afirmação da instância a quo no sentido de que “a impugnante não se deu ao trabalho de criar uma conta no ativo para controlar os supostos créditos de PIS, limitandose a informar que teria efetuado apenas em 30/09/1999 um lançamento a crédito das contas ‘recuperações de despesas’ e ‘pis produtos’, tendo como contrapartida a conta ‘PIS a pagar’”; g) a autoridade fiscal chega a afirmar que a apresentação de cópias simples de guias de recolhimento não podem se constituir em prova do crédito alegado, embora a legislação não obrigue o contribuinte a apresentar Fl. 794DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 795 6 cópias autenticadas para fazer prova dos fatos alegados no processo; h) tão logo seja concluído pela empresa de auditoria, apresentará laudo técnico comprovando o crédito ora analisado; i) inocorrência de prescrição. O indébito se caracterizou a partir da Resolução do Senado. O fato de ter efetuado a baixa dos valores de PIS a pagar contra as contas de “PIS Produtos” e de “Recuperação de Despesas” em setembro de 1999 não significa que a compensação tenha sido efetuada neste momento, consistindo tãosomente num ajuste contábil efetuado pela Recorrente; j) inaplicabilidade da LC nº 118/05. Por fim, requer o reconhecimento do indébito e o cancelamento do auto de infração. Protesta pela posterior juntada de documentos que comprovem o direito em análise. Na sequência, em 18/11/2009, apresentou os documentos de fls. 777/782, consubstanciados nas cópias dos Termos de abertura e de encerramento do Livro Diário, devidamente autenticadas, para o anocalendário de 1999. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Compulsandose os autos do processo, verificase que a contribuinte foi autuada por meio de auto de infração eletrônico, em virtude de que os créditos vinculados ao Processo nº 13811.000102/9765, informado pela interessada em sua DCTF, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc inexist no Profisc”. Em sua defesa a autuada informa que de fato os pagamentos não foram localizados porque os débitos foram quitados por compensação, a qual não foi formalizada em nenhum processo administrativo, visto ser desnecessário á época, por se tratar de tributo de mesma espécie, PIS com PIS, consoante art. 66 da Lei nº 8.383/91. Visando à confirmação do alegado, este e outros processos, foram encaminhados à DRF, em diligência, para comprovação da suficiência do crédito e de sua efetiva compensação (fls. 65/66). Tal procedimento teve início em agosto/2008 (fl. 68), resultou na anexação dos documentos de fls. 68/658, planilhas elaboradas pelo fisco às fls. 661/665, bem como o Relatório da diligência de fls. 666/672, de maio/2009. O relatório da diligência registra a condução dos trabalhos levados a efeito junto ao contribuinte, fazendo menção, dentre outras questões, que em resposta a termos de intimação a contribuinte informa a inexistência de processo judicial vinculado aos créditos, os quais se originam de incorporação de empresas, Cônsul S/A e Semer S/A, pela Brastemp, cuja Fl. 795DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 796 7 razão social foi alterada para Multibrás S/A Eletrodomésticos e, posteriormente, para Whirlpool S/A. Em conclusão o fiscal diligente registra (fls. 639/642): CONTABILIZAÇÃO No que se refere a contabilização dos fatos relativos a compensação foi observado a seguinte situação: O débito do Pis foi provisionado na conta de PIS A PAGAR nos respectivos períodos de apuração. A contabilização da utilização se deu em 30/09/1999, na conta de 450703 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS no valor de R$ 12.389.333,43 (f1.412) e outra parte na conta de 405930 – PIS PRODUTOS no valor de R$ 23.008.762,08 (fl. 653), totalizando a importância de R$ 35.398.095,51 (doc. fls.411). [...] PLANILHA DE CORREÇÃO E UTILIZAÇÃO DO CREDITO Não possuindo Medida Judicial autorizando a incorporação dos expurgos inflacionários, a regra de correção a ser aplicada é a estabelecida pela Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. Assim, foi elaborada nova planilha observandose as regras ali estabelecidas. PLANILHA "A" Na Planilha "A" estão contidos os valores das diferenças a ressarcir em moedas da época, correspondentes às empresas incorporadas e corrigidas até 31/12/1995 de acordo com os índices estabelecidos pela Norma citada, abrangendo o período de julho de 1988 a dezembro de 1991, resultando no valor corrigido de credito a ressarcir de R$ 20.574.721,26. PLANILHA "B" Na Planilha "B" estão contidos os valores das diferenças a ressarcir em moedas da época correspondentes às empresas incorporadas e corrigidos até 31/12/1995, de acordo com os índices estabelecidos pela norma citada, abrangendo o período de janeiro de 1992 a setembro de 1995, resultando no valor corrigido de crédito a ressarcir de R$ 29.761.224,40, que somadas ao apurado na planilha "A" no valor de R$ 20.574.721,26, totalizam o valor corrigido a ressarcir até 31/12/1995 passa a ser de R$ 50.335.945,66. PLANILHA "C" A Planilha "C" recebe como saldo inicial o valor apurado na planilha "B" no valor de R$ 50.335.945,66, abrangendo o período de janeiro de 1996 a dezembro de 1998, procedendo a partir daí a correção de acordo com a taxa SELIC e a utilização do crédito corrigido para compensação de acordo com informação contida em DCTF. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 797 8 A empresa também forneceu informações a respeito de valores anteriormente utilizados: out/95 de R$ 947.734,51; nov/95 de R$ 1.087.544,36 e dez/95 de R$ 828.540,16, os quais foram considerados na planilha de cálculo. O saldo final apresentado de R$ 46.049.353,06 é o resultado das compensações efetuadas e atualização até 31/12/1998. [...] As páginas de referencia aos documentos citados no relatório tem como base o processo de n° 13811.003295/200243, tendo em vista que são comuns a todos os processos. Portanto, conforme se verifica do precitado Relatório e planilha de fl. 665, a partir de um saldo inicial de R$50.335.945,66, obtido em consonância com o disposto na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97, após promover a compensação, mês a mês, procedendose as devidas correções, efetuouse a compensação de R$37.320.497,76, referente ao PIS de out/95 a dez/98 e, ainda, restando um saldo credor de R$46.049.353,06. O Relatório assinala, ainda, a ausência de formalização de compensação por meio de Declaração de Compensação, nos termos do artigo 74, §§ 1° e 2° da Lei 9.430/96 e IN SRF nº 21/97, alterada pela IN SRF n° 73/97, bem assim, assevera a necessidade de se avaliar a aplicabilidade de regras de prescrição ao caso concreto. Quanto a este tópico, alertese que a contribuinte encontravase autorizada a efetuar a compensação em sua contabilidade, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e art. 14 da IN SRF nº 21/97, por se tratar de contribuição da mesma espécie, ou seja, PIS com PIS a vencer, independente de requerimento ao fisco. Por outro lado, o relator do voto condutor do acórdão menciona, como razões de decidir, os seguintes excertos que se transcreve (fls. 689/708): 26. Vêse portanto que, em se tratando de livros escriturados eletronicamente, não somente o termo de abertura, senão também todas as folhas deverão trazer a autenticação do órgão de registro, o qual deverá ser expressamente identificado com aposição de carimbo ou indicação do nome completo em letra de forma legível. 27. Ora, no caso em exame, verificase que as folhas extraídas dos livros Diário e Razão, além de não estarem acompanhadas dos respectivos termos de abertura e de encerramento, não apresentam a autenticação da Junta Comercial, em flagrante desacordo com a legislação citada nos parágrafos precedentes, o que as torna imprestáveis como prova. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 798 9 28. Assim, como estão em desacordo com os requisitos extrínsecos previstos na legislação vigente à época, as cópias reprográficas do livro Razão anexas às fls. 412 e 653 não se prestam a comprovar a suposta compensação que alega a defendente haver realizado em 30/09/1999. [...] 32. Acrescentese que a autocompensação deve estar consignada na escrita contábil por meio de lançamentos específicos feitos na época propícia que vinculem cada débito aos respectivos indébitos com ele compensados, de modo que a autoridade administrativa tenha condições de verificar a regularidade do procedimento. A não ser assim, não haveria como controlar tais operações, e os mesmos créditos poderiam ser utilizados de forma indevida mais de uma vez. [...] 34. No caso vertente, no entanto, embora a Resolução do Senado Federal nº 49/1995 tenha sido publicada em 10/10/1995, a impugnante não se deu ao trabalho de criar uma conta no ativo para controlar os supostos créditos de Pis, limitandose a informar que teria efetuado apenas em 30/09/1999 um lançamento a crédito das contas “recuperações de despesas” e “pis produtos”, tendo como contrapartida a conta “pis a pagar”, como se observa na folha 381. 35. Tal técnica contábil, naturalmente, é inadequada, uma vez que não permite saber se os supostos créditos não teriam sido utilizados em compensações anteriores. Assim, ainda que o lançamento contábil exibido pela impugnante estivesse registrado em documentação devidamente autenticada pela Junta Comercial — o que, como visto, não é o caso — não se prestaria a comprovar a regularidade da compensação. [...] Sucede, porém, que tais planilhas, embora demonstrem como a empresa apurou os créditos, não constituem prova, por si sós, de que as bases de cálculo utilizadas estejam corretas em face de sua escrituração contábil. 37. Na verdade, com a declaração de inconstitucionalidade dos decretos lei nº 2.445/88 e nº 2.449/88, a maior parte das empresas tornouse devedora, e não credora do Fisco. E isso por uma razão muito simples. A lei complementar nº 7/70 prevê a aplicação da alíquota de 0,75% sobre o faturamento, bastante superior à alíquota prevista nos referidos decretoslei, que estabeleciam a cobrança de 0,65% sobre a “receita operacional bruta”, a qual abrange, além do faturamento, outras receitas, dentre as quais sobressaem as receitas financeiras. Dessa forma, a sistemática de cálculo instituída pela lei complementar só seria mais favorável à contribuinte do que a introduzida pelos decretoslei, se ela houvesse auferido receitas financeiras expressivas, o que implicaria a diminuição da base de cálculo Fl. 798DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 799 10 quando adotada a lei complementar. Ocorre que, não sendo empresa do ramo financeiro, assim como não o eram suas incorporadas, parece pouco crível que a defendente se enquadre nessa situação. 38. Finalmente, cumpre assinalar que, como já salientou na fl. 672 a própria autoridade fiscal encarregada da diligência, parte dos pretensos créditos utilizados pela impugnante já haviam sido atingidos pela decadência na data em que ela afirma haver exercido o direito à compensação — 30 de setembro de 1999. É o que passo a demonstrar. [...] Nessa toada, a despeito do vasto conhecimento contábil que demonstrou ter o relator do acórdão recorrido, não procedem suas considerações consignadas no precitado item 37, no sentido de que: com a declaração de inconstitucionalidade dos decretos lei nº 2.445/88 e nº 2.449/88, a maior parte das empresas tornouse devedora, e não credora do Fisco.[...] Ocorre que, não sendo empresa do ramo financeiro, assim como não o eram suas incorporadas, parece pouco crível que a defendente se enquadre nessa situação. Tais afirmações demonstram que o ilustre julgador não levou em conta a tese da semestralidade, consubstanciada na Súmula CARF nº 15, a qual dispõe: “A base de. cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Também a autocompensação foi rechaçada pela decisão recorrida por falha nos aspectos extrínsecos e intrínseco, sintetizada no item 34, nos seguintes termos: [...] a impugnante não se deu ao trabalho de criar uma conta no ativo para controlar os supostos créditos de Pis, limitandose a informar que teria efetuado apenas em 30/09/1999 um lançamento a crédito das contas “recuperações de despesas” e “pis produtos”, tendo como contrapartida a conta “pis a pagar”, como se observa na folha 381. É certo que a boa prática contábil deve ser observada, sobretudo, para evitar a utilização indevida de créditos em duplicidade. Por outro lado, a diligência registra que “o débito do Pis foi provisionado na conta de PIS A PAGAR nos respectivos períodos de apuração” e, ainda, que “a contabilização da utilização se deu em 30/09/1999, na conta de 450703 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS no valor de R$ 12.389.333,43 (f1.412) e outra parte na conta de 405930 – PIS PRODUTOS no valor de R$ 23.008.762,08 (fl. 653), totalizando a importância de R$ 35.398.095,51 (doc. fls.411)”. Portanto, no presente caso, ainda que a contabilização pudesse ter sido efetuada de modo mais adequado, o fiscal diligente não se insurgiu contra ela e também não a desclassificou. Ao contrário, relatou a forma como foi feita, ou seja, o provisionamento do débito foi feito mês a mês e a utilização do crédito se deu em setembro de 1999, antes de qualquer procedimento fiscal. Nessa toada, entendo inadequada e desproporcional a desconsideração das conclusões da diligência fiscal, pela decisão recorrida. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 800 11 Repisese que a contribuinte encontravase autorizada a efetuar a compensação em sua contabilidade, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e art. 14 da IN SRF nº 21/97, por se tratar de contribuição da mesma espécie, ou seja, PIS com PIS a vencer, independente de requerimento ao fisco. Portanto, vez que a suficiência dos créditos foi devidamente confirmada pelo fiscal diligente, conforme supradito, bem assim, sua contabilização, ainda que de modo inadequado, e tendo sido efetuada antes de qualquer procedimento fiscal, entendo improcedente o auto de infração, vez que os créditos tributários lançados já se encontravam extintos, por compensação, à época do lançamento. Reafirmando a improcedência do presente lançamento cabem, ainda, outras considerações. O fisco emitiu auto de infração em decorrência de auditoria interna na DCTF conforme consignado à fl. 40 na qual se encontra a descrição e enquadramento legal. No campo intitulado “Descrição”, temos: FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III. “DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR”, em anexo. Na sequência, consta todo enquadramento legal pertinente. No citado ANEXO I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS (fls. 29 e 33), está consignada a ocorrência de “Proc. inexist no Profisc”, ou seja, processo inexistente no Sistema Profisc. Contudo, à fl. 775 consta extrato de consulta ao sistema Comprot, demonstrando a existência do referido processo, em cujo assunto assinala “consulta – PIS” e como interessado, Multibrás S/A Eletrodomésticos. Destarte, constatase a existência do referido processo e, ainda, ter sido necessária a realização de diligência para que fosse avaliada a compensação efetuada. Verifica se, portanto, que o lançamento não contestou a compensação realizada, até porque, somente em agosto de 2008, por meio do Termo de Intimação Fiscal de fl. 68, o fisco perquiriu acerca da existência dos créditos e da contabilização da compensação efetuada, junto ao contribuinte. De se ressaltar as considerações da Nota Técnica Conjunta Corat/Cosit nº 61, de 28/12/2001, destinada a fornecer “orientações para o atendimento às impugnações dos autos de infração relativos às DCTF/97”, ao mencionar que, em virtude de problemas técnicos e da decadência eminente, houve comprometimento da qualidade do trabalho de auditoria das DCTF/97. “Em função desses fatores, a emissão dos autos de infração não foi precedida de todas as verificações que seriam desejáveis, pelo que estimase que grande quantidade de autos emitidos sejam inconsistentes.” Neste passo, no presente caso, o lançamento foi motivado de forma equivocada, a uma, pois o processo mencionado existe, ainda que não trate diretamente da compensação efetuada. A duas porque a complexidade que envolve esta compensação é incompatível com a autuação motivada de forma simplista contida na expressão abrangente e genérica “Proc. inexist no Profisc”. Cumpre destacar a possibilidade de que um lançamento regularmente notificado possa ser alterado. Nesse sentido, elucidativos são os esclarecimentos prestados por Antonio da Silva Cabral1, donde se extrai o esclarecedor excerto: “Quando o sujeito passivo contesta, dáse o início da fase litigiosa do mesmo procedimento. O lançamento regularmente 1 in “Processo Administrativo Fiscal”, Ed. Saraiva, 1993, p. 258/259 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 801 12 notificado ao contribuinte e por este validamente impugnado faz com que a fase interna do procedimento de lançamento tenha continuação, até o surgimento de um crédito tributário definitivo, que é aquele não mais sujeito a recurso na área fiscal. Embora, por princípio, todo lançamento seja definitivo (já que não existe lançamento provisório, nem lançamento condicional), o ato administrativo está sujeito a alteração, nas hipóteses previstas no art. 145 do CTN.” Todavia, no presente caso, extrapolouse o limite do razoável. A prosperar essa forma de lançamento teremos em breve situações do tipo: Descrição dos Fatos: “Descumprimento de obrigação tributária”; “Enquadramento Legal: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN”. Assim, a partir de uma imputação abrangente dessas, em um segundo momento, apurarseia a falta cometida. Ora, se a contribuinte não pode apresentar novas razões para se defender, de modo a que seus argumentos sejam submetidos à dupla instância, do mesmo modo, não pode a autoridade julgadora suprir procedimentos próprios da autoridade lançadora, agravando sua exigência, modificando seus argumentos, fundamentos e sua motivação, o que consistiria em inovação. Sobre o tema, assim lecionam os autores, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª edição, 2004, p.262), tecendo os comentários abaixo: 11.44. Auto de Infração Complementar Agravamento Ao comentar o artigo 15, parágrafo único, discorremos sobre o agravamento da exigência por auto de infração complementar e os limites à revisão de ofício do lançamento pela autoridade administrativa. Já vimos também, que agravar, do latim aggravare significa tornar pior, mais grave, mais pesado, exacerbar. Luiz Henrique Barros de Arruda276 escreve, com muita propriedade, que "O termo agravar, na acepção do Decreto n° 70.235/72, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa, mas compreende também modificar os argumentos que a suportam ou seus fundamentos, a exemplo do que requer a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento complementar, nos termos do artigo 18, parágrafo terceiro." Só quem pode constituir o crédito tributário por meio do lançamento é quem possui a competência para, em exames posteriores, realizados no curso do processo, verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, proceder ao agravamento da exigência fiscal. 276Arruda, Luiz Henrique Barros de. Processo Administrativo Fiscal, 2ª ed., Resenha Tributária, São Paulo, 1994. Ainda acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento, cabe trazer à colação os acórdãos abaixo: Acórdão n° 10320.074 (Rec. 118.581), sessão de 19/8/99. Ementa: (...) É vedado à Autoridade Julgadora o aperfeiçoamento do lançamento em face da previsão legal Fl. 801DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 802 13 atribuindo tal atividade à Autoridade Lançadora. Publicado no DOU de 8/10/99 n° 194E. Acórdão n° 10320.754 (Rec. 125.219), sessão de 17/10/01 (DOU de 12/12/01). Ementa: (...) IRPJ Inovação quanto ao Lançamento no Ato Decisório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Impossibilidade. O deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe cabendo aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. CSSL Erro na Apuração da Base de Cálculo Impossibilidade de Aperfeiçoamento por este órgão Julgador. Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para a fixação da base de cálculo da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar a exigência, diante do erro ocorrido. (...) Recurso conhecido e provido em parte. Acórdão nº 10706.463 (Rec. 127.319), sessão de 7/11/01. Ementa: Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração. Não deve subsistir o Auto de Infração que não contenha exigências tributárias, nem mesmo relativas à redução no estoque de prejuízos a compensar. Se houve erro em sua lavratura não cabe ao órgão julgador o seu aperfeiçoamento. Outro ponto que merece ser abordado é a necessária motivação dos atos administrativos. No odenamento pátrio, sua justificação sempre foi obrigatória, ou como pressuposto de existência, ou como requisito de validade, conforme entendimento da doutrina, confirmado através da norma positiva, pelo disposto na Lei 4.717/65, art.2°. Mais recentemente, houve a edição da Lei 9.784/99, corroborando a imprescindibilidade do motivo como sustentáculo do ato administrativo. Dispõe o art. 50 desta lei: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I ) neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II ) imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1° A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores, pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso serão parte integrante do ato. Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado, invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, "tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade" (Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81). Fl. 802DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13811.003295/200243 Acórdão n.º 330101.321 S3C3T1 Fl. 803 14 Por fim, há que se registrar ser inapropriado, no presente caso, a análise quanto à eventual ocorrência de prescrição em relação aos créditos compensados, pois, conforme dito anteriormente, a motivação da autuação não decorre deste fato. Ademais, ainda que parte do crédito pudesse ter sido atingido pela prescrição, cabe relembrar que após a compensação realizada, ainda restou um saldo credor de R$46.049.353,06. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para acolher o cancelamento do auto de infração, e seus consectários. (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Fl. 803DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10680.723567/2010-80
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007, 2008, 2009
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA
APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA.
Eventual concessão de aposentadoria por invalidez não vincula a Administração Federal a conceder isenção fiscal ao contribuinte, que deve comprovar os requisitos dispostos no art. 39 do RIR/1999.
JURISPRUDÊNCIA DE TRIBUNAL SUPERIOR. NÃO VINCULAÇÃO.
Somente a jurisprudência de natureza vinculante, assim exarada pelo Supremo Tribunal Federal, pode vincular as razões de decidir deste Conselho Administrativo.
Numero da decisão: 2003-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Raimundo Cássio Gonçalves Lima Presidente
(assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Redatora ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Relator), Wilderson Botto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente).
Nome do relator: GABRIEL TINOCO PALATNIC
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima Presidente (assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Redatora ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Relator), Wilderson Botto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente).
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. Eventual concessão de aposentadoria por invalidez não vincula a Administração Federal a conceder isenção fiscal ao contribuinte, que deve comprovar os requisitos dispostos no art. 39 do RIR/1999. JURISPRUDÊNCIA DE TRIBUNAL SUPERIOR. NÃO VINCULAÇÃO. Somente a jurisprudência de natureza vinculante, assim exarada pelo Supremo Tribunal Federal, pode vincular as razões de decidir deste Conselho Administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Presidente (assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Redatora ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Relator), Wilderson Botto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente). Relatório Como Redatora ad hoc, sirvo-me da minuta de relatório inserida pelo Relator no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 67 /2 01 0- 80 Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.478 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.723567/2010-80 Auto de infração lavrado às fls. 3-7, onde se apurou, em face do contribuinte acima identificado, crédito tributário a ser suplementado no valor total R$ 29.902,22, relativamente à dedução indevida de dependente, de despesas médicas e com instrução, nas declarações de ajuste anual dos anos-calendário de 2007 a 2009. Impugnação apresentada às fls. 51-52, pessoalmente, onde o contribuinte, preliminarmente, requereu o cancelamento do crédito tributário lançado e, no mérito, invocou o teor da Lei 11.052/2004. Ainda, juntou documentos às fls. 53-70. O acórdão de primeira instância, doravante, julgou improcedente a impugnação, por unanimidade, mantendo, assim, a higidez do crédito tributário lançado (fls. 72-75). Sobreveio, então, recurso voluntário às fls. 84-87, oportunidade em que, preliminarmente, o contribuinte aduziu, em verdade, questões de mérito, mencionando dispositivos legais e jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça a seu favor; ao final, requereu a reforma de decisão de piso. Autos, por fim, encaminhados a esta egrégia Seção de Julgamento (fl. 94), para decisão colegiada, com as homenagens e cautelas de praxe. É o relato do essencial. Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Redatora ad hoc. Como Redatora ad hoc, sirvo-me da minuta de voto inserida pelo Relator no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzida, de sorte que o posicionamento adotado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira. Conheço do recurso interposto, eis que o contribuinte foi cientificado da decisão combatida em 05/02/2013 (fl. 82), e manifestou sua irresignação em 27/02/2013 (fl. 84), sendo, portanto, tempestivo. Rejeito, de plano, a preliminar suscitada, porque, decerto, a aplicabilidade de norma legal ou de jurisprudência de tribunal superior à espécie é questão de fundo do processo, devendo, portanto, ser analisada no mérito. A pretensão do contribuinte não merece prosperar. A matéria objeto deste recurso voluntário é exclusivamente de direito, mas somente porque o contribuinte defende a regularidade das deduções lançadas sob a alegação única de que é portador de moléstia grave, apta a fazer incidir isenção tributária. No entanto, o documento às fls. 56-57, de lavra da Previdência Social, demonstra que o contribuinte é portador de hipertensão grave (pressão alta), sendo que essa moléstia não está prevista no rol taxativo do art. 39, inciso XXXIII, do RIR/1999. Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.478 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.723567/2010-80 Ainda, o laudo previdenciário juntado se presta, somente, para fins de concessão de aposentadoria por invalidez junto ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, e não possui o condão de autorizar isenção de imposto de renda, porque não existe previsão legal equiparando como laudo oficial para concessão de isenção tributária a perícia previdenciária. O próprio contribuinte, ainda, menciona o art. 39, inciso XXXIII, do RIR/1999; porém, destaca que, aparentemente, possui cardiopatia grave, o que, à evidência, não é o mesmo que hipertensão grave. Por fim, a jurisprudência informada no bojo do recurso não possui natureza vinculante, mas apenas informativa, e, portanto, não tem o condão de influenciar na ratio decidendi deste julgado. De todo modo, cumpre observar se trata de decisão sobre início do benefício de auxílio-doença (fl. 87), não possuindo, sequer, correlação com o discutido nos autos. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e rejeitar a questão preliminar levantada para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para manter o crédito tributário tal como lançado. (assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (voto de Gabriel Tinoco Palatnic) Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10675.721413/2011-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CONCEITO DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170
A avaliação de determinado bem como insumo é feita individualmente, cabendo ao julgador definir quais gastos devem ser considerados relevantes ou essenciais ao processo produtivo. Interpretação pelo Recurso Especial 1.221.170-PR.
COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Na verificação dos elementos probatórios trazidos aos autos, que convergem com as alegações para dar-lhes verossimilhança, impera a verdade material para o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE.
Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar ser detentor do crédito.
Numero da decisão: 3003-000.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Lara Moura Franco Eduardo, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170 A avaliação de determinado bem como insumo é feita individualmente, cabendo ao julgador definir quais gastos devem ser considerados relevantes ou essenciais ao processo produtivo. Interpretação pelo Recurso Especial 1.221.170-PR. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Na verificação dos elementos probatórios trazidos aos autos, que convergem com as alegações para dar-lhes verossimilhança, impera a verdade material para o reconhecimento do direito creditório pleiteado. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar ser detentor do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Lara Moura Franco Eduardo, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170 A avaliação de determinado bem como insumo é feita individualmente, cabendo ao julgador definir quais gastos devem ser considerados relevantes ou essenciais ao processo produtivo. Interpretação pelo Recurso Especial 1.221.170-PR. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Na verificação dos elementos probatórios trazidos aos autos, que convergem com as alegações para dar-lhes verossimilhança, impera a verdade material para o reconhecimento do direito creditório pleiteado. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar ser detentor do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 14 13 /2 01 1- 11 Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.997 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.721413/2011-11 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Lara Moura Franco Eduardo, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela instância a quo: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do despacho decisório Nº 397 - DRF/UBE, de 03/05/2011, o qual deferiu parcialmente o crédito pleiteado no pedido de ressarcimento de PIS/Pasep - Mercado Interno não tributado nº 07892.75036.270306.1.1.10-3120 e homologou parcialmente as compensações declaradas na Dcomp nº 14402.68026.260706.1.3.10-9080. O Despacho Decisório foi emitido tomando como base a Informação Fiscal, elaborada em 09/08/2010 (fls. 1518), e reconheceu parcialmente o direito creditório sobre vendas no mercado interno, no quarto trimestre de 2005, no valor de R$ 22.185,35 (do montante solicitado de R$ 29.459,85) que foi utilizado para homologar as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido. De acordo com o estatuto social apresentado, a sociedade tem por objeto a exploração da atividade agrícola e pecuária, como também a atividade de cultivo e comercialização de sementes, mudas e flores, podendo também prestar serviços ligados à atividade agrícola e pecuária, como secagem e beneficiamento de grãos e também armazenagem de produtos em geral para o uso próprio e de terceiros. O pedido de ressarcimento de PIS/Pasep não cumulativo teve como base legal o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. A verificação fiscal levada a cabo pela DRF/Uberlândia constatou o aproveitamento de créditos em desacordo com o disposto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e efetuou glosas de créditos, conforme demonstrado no Anexo I da Informação Fiscal (fls. 15/18). Cientificada do despacho decisório em 17/05/2011, a interessada apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade de fls. 33/70, cujo teor será, a seguir, sintetizado. Primeiramente, narra sobre os objetivos do legislador ao editar a Lei nº 10.833, de 2003. Neste sentido, aduz que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003 foram editadas em busca ao atendimento do interesse dos contribuintes e reduzir as graves injustiças fiscais decorrentes de anos seguidos de mecanismo cumulativo. Ressalta, todavia, que atualmente, o conceito de não- cumulatividade tem assento no texto constitucional, mediante a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 2003, a qual agregou os §§ 12 e 13 ao art. 195 da CF. Em relação às glosas efetuadas, entende a manifestante que todos os insumos que foram anteriormente tributados pelo PIS/Pasep deverão gerar créditos aos Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.997 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.721413/2011-11 seus adquirentes. Desse modo, argumenta que à semelhança do que ocorre com o ICMS, a condição de crédito físico que a Receita Federal insiste em atribuir aos insumos na hipótese em questão está totalmente divorciada do sentido teleológico da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, as glosas foram efetuadas sem qualquer autorização legal para fazê-lo, infirmando o status constitucional da não-cumulatividade do PIS/Pasep. A visão "tacanha" da fiscalização, no que se refere a insumos, não retrata a realidade, gerando um crédito tributário em favor da Fazenda Nacional que absolutamente não existe, visto que a mecânica da não-cumulatividade, na hipótese engendrada pela Lei nº 10.637, de 2002, e posteriormente constitucionalizada pela EC nº 42, foi observada de forma regular. A 3ª Turma da DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de os gastos informados não se adequarem ao conceito de insumos e, ainda, por não haver provas da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Inconformada, a Recorrente socorre-se a este Conselho alegando, em suma, as mesmas matérias apostas na manifestação de inconformidade. Ao fim pugna pelo provimento do Apelo São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 1 Dos créditos com insumos As Contribuições ao PIS e COFINS, em razão da não-cumulatividade prevista no texto constitucional do artigo 195, §12, autoriza a tomada de crédito com insumos e despesas que compõem o processo produtivo da contribuinte. Portanto, há de se fazer um juízo sobre quais gastos são geradores de crédito. A avaliação deve ser feita individualmente, à luz do que decidiu a Primeira Seção do STJ no Recurso Especial 1.221.170-PR, na sistemática de representativo de controvérsia geral, que vincula este julgamento por força do art. 36, VII do RICARF: O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.(REsp 1.221.170-PR. Primeira Seção. Min. Rel. Napoleão Nunes Maia Filho. DJe 24/04/2018). – grifado. Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.997 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.721413/2011-11 Por essencial ou relevante deve ser entendido os gastos sem os quais o desenvolvimento da atividade empresarial ficaria prejudicada. Ainda, há de se observar que o aresto vergastado fora publicado em data anterior ao julgamento do STJ e, da mesma forma, antes do Parecer Normativo Cosit 5/2018. Portanto, há de se apreciar o mérito recursal sob a orientação do novel entendimento sobre créditos das contribuições PIS/COFINS. Há de se destacar que o direito a crédito emerge dos gastos no curso do processo produtivo, admitidas ressalvas quando determinado gasto é de tamanha relevância que, mesmo após o processo produtivo, deve ser incorporado aos créditos de PIS/COFINS. Para tanto, quando se trata de fato constitutivo do direito de crédito, o contribuinte deve demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de modo que as alegações aventadas nos autos alcancem elevado grau de verossimilhança. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A demonstração da certeza e liquidez do crédito tributário que se almeja compensar é condição sine qua non para que a Autoridade Fiscal possa apurar a existência do crédito, sua extensão e, por óbvio, a certeza e liquidez que o torna exigível. Ausentes os elementos probatórios que evidenciem o direito pleiteado pela Recorrente, não há outro caminho que não seja seu não reconhecimento. Em análise dos autos afere-se que a Recorrente não traz a esta Instância Revisora documentos aptos a provar que incorreu nos gastos que informa em Dcomp, tampouco a discriminação dos itens por meio de prova idôneas, como notas fiscais de aquisição. As provas devem ser compreendidas como um meio apto a formar convencimento daquele que avalia determinada situação fática. No caso em testilha, o que deve ser elevado ao patamar de prova são quaisquer elementos, aptos a dissuadir o julgador a tomar como verdadeira as alegações articuladas. Regressando aos autos, verifico que há carência de elementos probatórios representativas de gastos que podem gerar crédito. É preciso que seja demonstrado, por meio de documentos idôneos, que a Recorrente incorreu nos gastos informados e/ou adquiriu os bens indicados como insumos, com a devida indicação dos valores e data para que se possa inferir a base de cálculo da contribuição no período de apuração. Entendo que andou bem a instância primeira e o acórdão recorrido não merece reparos, vez que o pleito da Recorrente carece de provas da certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência. Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.997 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.721413/2011-11 Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para no mérito negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907452/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE
É ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.
Numero da decisão: 3301-007.687
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16327.907451/2012-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16327.907451/2012-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 3301-007.685, de 18 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão recorrido, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) – DRJ/FOR – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 74 52 /2 01 2- 13 Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-007.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907452/2012-13 Adota-se o relatório do referido Acórdão: em questão estimativa mensal. da pelo despacho de Inconformidade, onde requer: fonte; b) O direito É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3301-007.685, de 18 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 08-41.732 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão não possui ementa, pois se trata de julgamento de processo administrativo fiscal decorrente de despacho decisório emitidos por processamento eletrônico, segundo a Portaria RFB n° 2.724/2017. Na análise da Manifestação de Inconformidade a Delegacia Regional de Julgamento em Fortaleza considerou que a mesma é improcedente, tendo em vista que a DCTF retificadora não produz efeitos em relação ao débito em questão, pois não está respaldada pela correta retificação da DACON; que o Contribuinte não demonstrou ; e, DACON, informa Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-007.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907452/2012-13 Diante disso o Contribuinte entende que os documentos apresentados até a prolação da decisão já eram suficientes para comprovar o indébito requerido, mas, todavia, apresenta argumentos complementares que alega, dão suporte ao seu pedido. Trata por primeiro da tempestividade, da necessidade de apensamento de dezesseis processos para julgamento único devido a conexão, dos fatos e dos fundamentos jurídicos para a reforma da decisão recorrida. Neste ponto cito trechos em que o Contribuinte salienta o seguinte: – DCTFs (original e retificadora) e efetivamente paga. apurada no AC 2008 permaneceu tal como declarada inicialmente. --- Por outro lado, no entendimento da DRJ, a si (...) – COFINS de R$ 229.259,64 (da fonte pagadora Banco Real S/A – CNPJ 33.066.408/0001-15), discriminado da seguinte forma: (...) Para comprovar qu – doc. anexo). Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-007.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907452/2012-13 - Com efeito, ! possibilidade de ded sociais, ainda que extemporaneamente. a pagar (indicado em - (...) Salienta-se que o Contribuinte em seu recurso cita doutrina e jurisprudência administrativa fiscal que reforça o seu entendimento. Requer por fim, o apensamento dos demais processos referidos para julgamento único e a baixa dos autos em diligência para que a DIORT/DEINF/RFB ateste as informações prestadas e o reconhecimento do direito creditório pleiteado na PER/DCOMPs, com o consequente provimento do recurso reconhecendo-se o indébito e homologando as compensações. Na análise dos autos e em específico, do Recurso Voluntário, entende-se que não assiste razão ao Contribuinte, tanto no que tange a demonstração do crédito alegado, quanto ao pedido de diligência, tendo em vista que é formulado de forma genérica sem pontuar item por item o objeto da diligência. No que concerne a comprovação do crédito ficou assim consignado na decisão ora recorrida: – – DCTF. (...) - Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-007.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907452/2012-13 explicado. pleiteado, tal como exige a Lei. - - - – COFINS, passivo, a fim de que seja verificada, mediant (...) Como se sabe o ônus da prova do crédito alegado cabe neste caso ao Contribuinte. Não se verifica a demonstração e comprovação do crédito quando da Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário. Neste sentido o Código de Processo Civil estabelece: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; - odificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-007.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907452/2012-13 Do exposto, pelo fato do Contribuinte não demonstrar e comprovar a existência do crédito alegado por intermédio de documentos contábeis e fiscais idôneos para a demonstração da base de cálculo da contribuição, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900857/2008-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3001-000.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta tome conhecimento, analise e se pronuncie sobre a documentação exibida com o Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta tome conhecimento, analise e se pronuncie sobre a documentação exibida com o Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta tome conhecimento, analise e se pronuncie sobre a documentação exibida com o Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Transcrevo, a seguir, o sucinto relatório constante do acórdão recorrido (fls. 26), quanto segue. Trata-se de Declaração de Compensação (DcomP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 7), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito credit6rio estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 02/05/2008 (fl. 21), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/06/2008 (fl. 11), na qual alega: 1) Com a vigência da Lei 10637 de 30/12/02, recolhemos o Pis pelo regime não cumulativo. 2) Como a lei 10.684 de 30/05/03, excluindo as Sociedades Cooperativas, foi efetuado a Perd Camp 40406.26182.280104.1.3.04-0889, para compensação do Pis recolhido a maior. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 00 85 7/ 20 08 -8 5 Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3001-000.357 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900857/2008-85 3) No mesmo sentido conforme orientação da fiscalização da RFB, foi efetuada a Declaração retificadora da DCTF n° 1212127612 em 29/05/2008 Em face do exposto acima, solicitamos o cancelamento da notificação em referência. O acórdão combatido julgou improcedente a manifestação de inconformidade do sujeito passivo por entender que está “correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados”, bem assim, que “o reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito credit6rio não pode ser admitido” (fls. 24). Justificando sua decisão, sustentou mais a decisão de piso (fls. 26), verbis. Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime não cumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito, nada impede que os valores devidos a titulo de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo, pois, mesmo que a aliquota seja superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhido seja menor do que o realmente devido. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. ..............................................................(omissis)................................................................. No caso concreto, para que comprovasse seu direito ao crédito, a manifestante deveria ter apresentado demonstrativo da apuração da contribuição segundo os dois regimes, cumulativo e não cumulativo, devidamente acompanhado dos documentos que comprovassem a correção dos dados considerados. Contudo, ela nada trouxe aos autos nesse sentido. ..............................................................(omissis)................................................................. Não se trata aqui, de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. Contudo, tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensãO esteja calcada em provas documentais robustas. Regularmente cientificada do teor da decisão de piso em 28 de julho de 2012 (fls. 40), ingressou o contribuinte com recurso voluntário em 22 de agosto de 2012 (fls. 42/47), ilustrado com 09 (nove) documentos contábeis (fls. 47/59), reiterando que o equívoco cometido e a falta de algumas pequenas formalidades não pode impedir que usufrua de receber o que pagou a maior, e pede a reforma do acórdão recorrido e o consequente liberação da compensação objeto do Per/Dcomp que deu origem à presente demanda. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator. O recurso é tempestivo, uma vez que o contribuinte-recorrente teve ciência do teor da decisão de 1ª instância em 28 de julho de 2012 (fls.40), e ingressou com Recurso Voluntário Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3001-000.357 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900857/2008-85 em 22 de agosto daquele mesmo ano (fls. 42/47)), dentro do prazo legal de que trata o art. 33 do Decreto 70.235/1972. Presentes os demais pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do apelo do recorrente. O acórdão combatido julgou improcedente a manifestação de inconformidade do sujeito passivo por entender que está “correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados”, bem assim, que “o reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito credit6rio não pode ser admitido” (fls. 24). Para rebater o argumento de que não constaram dos autos documentos contábeis idôneos capazes de comprovar a liquidez e certeza do erro cometido e de que a DCTF Retificadora espelha a verdade dos fatos, o sujeito passivo exibiu com o seu recurso voluntáio cópias de demonstrativo comparativo da base de cálculo do PIS/COFINS das modalidades cumulativas e não cumulativa, com diferença recolhida a maior; termo de abertura do Diário e fls. 461, 462 e 464 do Livro Diário nº 76 e respectivo termo de encerramento; DARF do valor pago a maior no importe de R$ 3.523,39; e, folha nº 185 do Diário nº 77, com o lançamento de recolhimentos respectivos. Cotejando-se os argumentos constantes do acórdão combatido com aquel’outros trazidos pelo contribuinte em grau de recurso voluntário documentalmente ilustrados, tenho a firme convicção de que o melhor direito pode muito bem se encontrar com a empresa, ora recorrente, caso confirmada seja a idoneidade de sua documentação, conjugadamente com a argumentação desenvolvida no apelo. Ademais, os documentos exibidos com o recurso voluntário não passaram pelo crivo das autoridades recorridas e, por outro lado, não cabe a este Colegiado, fazer a conferência documental, até porque toda a documentação eletrônica do sujeito passivo já se encontram no sitio da DRF da jurisdição do sujeito passivo. Ressalte-se, a propósito, que o motivo fundamental da decisão de piso haver julgado improcedente a pretensão do sujeito passivo foi a falta de documentação contábil e idônea capaz de possibilitar a aferição da liquidez e certeza do crédito pretendido. Saliente-se mais que, com o Recurso Voluntário, o contribuinte exibiu documentos extraídos de sua escrita contábil com vistas à provar materialmente os seus argumentos e demonstrar o erro material cometido que resultou no alegado pagamento a maior. Relevante ressaltar, por oportuno, que já é pacífico o entendimento neste colegiado, a partir de decisões da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, quanto à possibilidade de juntada, recepção, análise e consideração de documentos em fase recursal, para comprovar argumentos sustentados pelo sujeito passivo, em busca da verdade material e para homenagear o tão festejado princípio da ampla defesa, constitucionalmente a todos assegurado. A propósito, merece transcrição a ementa do Acórdão CSRF nº 9303-005.065, proferido em 16 de maio de 2017, em que se deu provimento a Recurso Especial do contribuinte, em circunstâncias semelhante àquela discutida nos presentes autos, verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3001-000.357 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900857/2008-85 DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido. (Destaquei). O processo em que foi proferido o voto acima pela CSFR, foi distribuído a este relator e unanimemente convertido em Diligência à Repartição de Origem, através da Resolução nº 3001-000.085, de 10 de julho de 2018, cujo voto assim concluiu, verbis. Registre-se, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte-recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinando-se o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF (fls. 654/659), tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão (fls. 654), e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma (fls. 654/664). Nesta e em outras Câmaras e Turmas do CARF vem se consolidando o entendimento de que a verdade material deve sempre sobrepor-se aos conceitos estritamente legalistas. É a lição que se extrai do Acórdão nº 1402-000.686, proferido em 05 de agosto de 2011 (Processo nº 11020.002050/0019), pela 4ª Câmara da 2ª Tuma Ordinária do CARF, e assim ementado, verbis. ASSUNTO : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-Calendário : 1997, 1998 e 1999 BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Nos processos administrativos predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve o seu nascimento e regular constituição. Neste contexto, devem ser superados os erros de procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo às partes, por consequência, ao processo. Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3001-000.357 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900857/2008-85 Corroborando a tese de que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade estrita, anote-se também mais dois julgados proferidos por este Conselho, e assim ementados, verbis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRRIO Ano calendário : 2004. EMENTA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. POSSIBILIDADE. A retificação da DIPJ quando anterior à data de conclusão da fiscalização deve ser considerada como válida à luz do princípio da verdade material. O contribuinte trouxe aos autos documentos para que fossem sanadas as falhas e omissões cometidas, afastando o fundamento que levou à negativa do pedido de compensação. (Acórdão 1301-002.192). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano-calendário : 2007. EMENTA. COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Em busca da verdade material, em detrimento de eventuais erros formais, é possível considerar documentos que comprovem o crédito do contribuinte. Relevante repisar, também que, como do conhecimento dos demais integrantes desta nossa 1ª Turma Extraordinária, tenho entendimento consolidado e reiterado no sentido de que meros erros materiais (seja por erro material propriamente dito, seja por desconhecimento da legislação, seja por ignorância tributário-fiscal, etc.) devem ser considerados e mitigados a fim de que não impeçam que as empresas usufruam de valores pagos a maior e/ou indevidamente, apenas porque esta ou aquela formalidade não essencial não foi rigorosamente preenchida (por exemplo, retificar uma DCTF através de uma DACON; errar a data de um recolhimento no preenchimento do PerDcomp, quando existe o comprovante do efetivo pagamento do tributo; retificar o DACON e/ou a DCTF após a emissão do despacho decisório e desde que lastreada em farta e idônea documentação comprobatória do fato alegado, e casos semelhantes). E assim deve-se proceder, exatamente, para dar guarida à consagrada tese de que a verdade material deve sempre prevalecer em detrimento do formalismo estrito. Em derradeiro, não é demais relembrar que se é afirmativo o brocardo jurídico de que ‘dura lex sed lex’ (a lei é dura mas é lei), não é menos válido o que reza que “summum jus, summa injuria’ (excesso de direito, excesso de injustiça). Assim, forçoso reconhecer que mesmo rigorosa a lei deve ser aplicada, porém não se deve esquecer que a aplicação muito rigorosa da lei pode dar margem a grandes injustiças. Logo, pode-se concluir que a virtude está no meio, como já diziam os antigos, e que a justiça há de se fazer se contrapondo ao rigor da lei os devidos temperamentos. Por isto mesmo, o próprio STJ pronunciou-se no sentido de que “o direito não fica alheio às realidades sociais, nem se divorcia do bom senso, devendo a sua compreensão ser ajustada à justiça das normas. Não pode ser desajustado, nem injusto.” (REsp 33757-8/PR, julgado em 15.3.1995, pela 1ª Turma do STJ). Em outras palavras, o que o STJ fez foi aplicar a recomendação expressa nos arts. 4º e 5º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, e no art. 112 do Código Civil Brasileiro, segundo os quais “as normas legais devem ser interpretadas de forma a se buscar mais a intenção do legislador do que o sentido literal da linguagem” (art. 112 do CC/2002), tendo sempre em mente que, “na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum” (art. 5º da LINDB ), bem assim, que, “quando a lei for omissa, o Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3001-000.357 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900857/2008-85 juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito” (art. 4º da LINDB. Diante do exposto, considerando que as normas legais devem ser interpretadas de forma a se buscar mais a intenção do legislador do que o sentido literal da linguagem (art. 112 do Código Civil de 2002); considerando a expressa recomendação constante da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (alteração introduzida pela Lei 12.376/2010) no sentido de que, “na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum” (art. 5º), bem assim, que, “quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito” (art. 4º); considerando que é pacifico neste colegiado o entendimento de que a verdade material deve sempre sobrepor-se à verdade estritamente formal; considerando que o erro do contribuinte não causou nenhum prejuízo ao erário; considerando que está evidenciado nos autos que existe grande probabilidade de que realmente a empresa seja detentora do crédito alegado em virtude do alegado pagamento a maior; considerando os precedentes desta própria 1ª Turma Extraordinária a partir das Resoluções nºs 3001-000.084 a 3001-000.213, proferidas na sessão de 10 de julho de 2018; considerando que, com o Recurso Voluntário, o recorrente exibiu importantes documentos complementares que, por isto mesmo, não foram apreciadas pelos órgãos de 1ª instância; considerando ainda que “o direito não fica alheio às realidades sociais, nem se divorcia do bom senso, devendo a sua compreensão ser ajustada à justiça das normas”, mas que “não pode ser desajustado, nem injusto.” (REsp 33757-8/PR, julgado em 15.3.1995, pela 1ª Turma do STJ); considerando, finalmente, que até os Juízes podem corrigir de ofício erros materiais constantes de suas Sentenças mesmo após serem proferidas e publicadas (NCPC, art. 494), VOTO no sentido de acolher a preliminar do sujeito passivo com vistas a converter o julgamento do processo em Diligência à Repartição de Origem, para as seguintes providências. 01. Tomar conhecimento, analisar e se manifestar conclusivamente sobre os argumentos e documentos exibidos em sede de Recurso Voluntário, seja para acolher a pretensão da empesa, seja para confirmar o teor do acórdão recorrido, porém em ambas as hipóteses, fundamentando sua conclusão. 02. Aferir a autenticidade da documentação referida no item anterior, e apurar fundamentadamente se tais documentos corroboram (ou não) as assertivas sustentadas no apelo da recorrente. 03. Caso entenda necessário, conferir, in loco, a documentação e a escrita fiscal do contribuinte, e/ou solicitar que a recorrente os exiba para análise e conferência pelo técnico designado para dar cumprimento a esta diligência. 04. Emitir relatório circunstanciado sobre o resultado do exame dos documentos e providências objeto dos itens anteriores. 05. Concluída a diligência, dar ciência à recorrente sobre o teor e resultado dessa diligência e do relatório referido nos itens anteriores, para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias. 06. Ao final, retornar os autos a este Colegiado para prosseguir com o julgamento da demanda. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator. Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13839.001165/2008-53
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1003-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos moldes do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos moldes do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 11-46.036, de 09 de maio de 2014, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Por economia processual, para evitar repetições e por entender suficientes as informações contidas no Relatório do acórdão da DRJ, transcrevo-o abaixo: A interessada acima qualificada formalizou Declarações de Compensação eletrônicas, ora em apreciação, nas quais informa como origem do crédito o processo nº 13839.002936/99-50. Neste processo, foi reconhecido o direito creditório a favor da contribuinte no valor original de R$ 47.432,17 . A seguir, foram apresentadas outras DCOMPs eletrônicas utilizando-se deste mesmo crédito remanescente, analisadas no processo nº 13839.720109/2005-79, restando ainda saldo credor a favor da interessada RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .0 01 16 5/ 20 08 -5 3 Fl. 676DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1003-000.160 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.001165/2008-53 no montante de R$ 31.479,76, que foi utilizado para a compensação parcial das DCOMPs do presente processo. Por meio de Despacho Decisório, às fls. 150/153, a Autoridade Competente resolveu HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações declaradas, fundamentando nos seguintes termos: “Sendo a compensação utilizada para liquidar débito tributário, é claro que a DCOMP deve ser formalizada até a data de vencimento do débito. É de se observar que todos os débitos foram liquidados com atraso. Será observada, então, a incidência de acréscimos moratórios (...)”. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 171/176, alegando que: - o despacho decisório prolatado no processo nº 13839.002936/99-50 reconheceu a favor da Requerente a existência de crédito remanescente do referido processo no valor de R$ 31.479,76. Todavia, a Requerente afirma que o valor do saldo credor é de R$ 32.411,86, na data original, segundo seu controle de compensações em anexo; - quanto à CSLL de competência 11/99, com vencimento em 30/12/1999, no valor de R$ 1.011,01, ela já foi cobrada anteriormente e foi protocolado recurso em tempo legal, mas não houve resposta. Foi formulado PER/DCOMP em 27/05/2004 o qual foi desconsiderado e gerou conseqüências danosas à Requerente. O atual julgamento demonstra que houve atropelo por parte do Fisco nos procedimentos anteriores; - a discordância maior, entretanto, se circunscreve no fato de que embora havendo crédito, o Fisco, limitado aos parâmetros fornecidos por Instruções Normativas editadas posteriormente aos fatos, alega em suas razões que a DCOMP utilizada para liquidação dos débitos, foi formalizada após a data de vencimento dos mesmos, ou seja, os débitos foram liquidados com atraso. A contribuinte apresentou, ainda, as seguintes alegações: Fl. 677DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1003-000.160 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.001165/2008-53 A 4ª Turma da DRJ/REC julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. Não houve a comprovação da liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados nos pedidos de compensação. Não há que se declarar a nulidade do Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ através de AR aos 27/05/2014 (e- fls. 665) e, inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário no dia 26/06/2015 (e-fls. 667 a 671), no qual destacou, em síntese, o seguinte: (i) Informa que não há dúvida da comprovação da liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados. O direito creditório foi reconhecido em despacho decisório da Secretaria da Receita Federal, nos autos do Processo Administrativo nº 13839.002936/99-50 no valor de R$ 47.432,17; (ii) Declara que, à época, após o pedido de reconhecimento de crédito ter sido deferido em 21/07/ 2000 e interessado em utilizar esse crédito, o contribuinte foi informado pela DRF de Jundiaí que a DCTF era instrumento adequado e suficiente para pagamento/compensação do(s) tributo(s) em questão ( IRPJ, CSIL, PIS e Cofins). De fato, havia nas DCTFs da época campo adequado para informar o débito, o pagamento por compensação e a origem do crédito com o qual se "pagava/compensava", anexou tais documentos ao processo; (iii) Observa que na época em análise, o Fisco não efetuou nenhum lançamento dos débitos de ofício e que em documento emitido pela autoridade fiscal, no qual realiza a compensação dos débitos e créditos, encontra-se a seguinte rubrica: “confissão espontânea”; (iv) Defende que a r. decisão não analisou todos os fatos levantados pela Recorrente e apenas manteve o despacho decisório, o qual alegou que os pedidos de compensação foram apresentados com atraso. Salienta, no entanto, que esses pedidos de regularização de compensação que foram solicitados pelo Fisco são posteriores à informação de pagamento por compensação feita através das DCTFS em 2001, 2002 e 2003. Só em 2004, a Receita Federal solicitou que fossem efetuadas as regularizações dessas compensações, mas o Fl. 678DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1003-000.160 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.001165/2008-53 pagamento por compensação já havia sido realizado em DCTF no vencimento da obrigação tributária; (v) Aduz que o STJ consolidou o entendimento de que a denúncia espontânea se caracteriza quando o sujeito passivo faz o pagamento do tributo e dos juros antes, ou no mesmo momento em que o declara. Apenas nestas hipóteses o devedor é beneficiado com o afastamento das multas e conclui que o pagamento por compensação informado em DCTF no prazo definido em lei enseja o afastamento da multa moratória de 20%; (vi) Por fim, requereu sejam reconhecidas as compensações efetuadas, sem a cobrança da multa moratória de 20%, o que resultaria em crédito suficiente para o pagamento de todas as obrigações informadas. É o relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Da análise do despacho decisório e do acórdão da DRJ, nota-se que não há celeuma acerca do valor do crédito objeto das compensações, conforme atesta a própria decisão recorrida: A interessada acima qualificada formalizou Declarações de Compensação eletrônicas, ora em apreciação, nas quais informa como origem do crédito o processo nº 13839.002936/99-50. Neste processo, foi reconhecido o direito creditório a favor da contribuinte no valor original de R$ 47.432,17 . A seguir, foram apresentadas outras DCOMPs eletrônicas utilizando-se deste mesmo crédito remanescente, analisadas no processo nº 13839.720109/2005-79, restando ainda saldo credor a favor da interessada no montante de R$ 31.479,76, que foi utilizado para a compensação parcial das DCOMPs do presente processo. A controvérsia, na verdade, gira em torno da aplicação ou não da dispensa de multa moratória na hipótese de compensação tributária, ou seja, se aplica ou não aplica a denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) na liquidação de débitos por meio de compensações formalizadas após o vencimento legal, apenas com incidência de juros. A Recorrente defende que efetuou as compensações posteriormente apresentadas através de DCOMP eletrônica através da DCTF do período, isto é, ela declarava o débito e informava o respectivo pagamento através de compensação na própria DCTF nos anos de 2001, 2002 e 2003 e só em 2004 o Fisco teria solicitado que ela regularizasse as compensações com apresentação de Per/Dcomp. Com isso, aduz que a declaração de compensação foi apresentada rigorosamente no prazo correto de vencimentos dos tributos. Fl. 679DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1003-000.160 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.001165/2008-53 Embora as DCTFs tenham sido acostadas à manifestação de inconformidade (e- fls. 494 a 632), o Ilmo. Relator da primeira instância administrativa não se manifestou sobre esses documentos. Durante a vigência da IN SRF 221/1997 era possível efetuar a indicação da compensação através da DCTF, seguindo as regras ali estabelecidas. Contudo, essa IN foi revogada pela IN SRF nº 210/2002, que instituiu a modalidade de formulário eletrônico para apresentação de pedido de restituição e compensação. Diante disso, a partir de 01/10/2002, a compensação seja de tributos da mesma espécie ou de espécie diferentes deve ser realizada apenas através de apresentação de Per/Dcomp eletrônico. A Recorrente defende ter realizado a compensação dos débitos de 2001, 2002, e 2003 nas suas respectivas datas de vencimento através de DCTF e, apenas em 2004, teria sido orientada pelo Fisco a apresentar Per/Dcomp de todas essas compensações. Até 30/09/2002, era possível efetuar a compensação da forma como alegada pela Recorrente e, caso seja verificada a regularidade da informação da compensação nas DCTF, a multa imposta por atraso no pagamento para as compensações de débitos regularmente informados na DCTF até a data de 30/09/2002 seriam indevidas. A partir de 01/10/2002, tornou-se obrigatória a compensação unicamente através de Per/Dcomp eletrônica. Logo, aquelas compensações de débitos posteriores a 01/10/2002 que eventualmente tenham sido lançados na DCTF, estariam com o lançamento da multa, a princípio regular. Diante disso, é imprescindível para a solução deste litígio que sejam analisadas as DCTFs referentes aos débitos até 30/09/2002 e identificada a regularidade da compensação efetuada via DCTF. Com relação aos débitos com vencimentos a partir de 01/10/2002, é importante identificar se foram eles declarados em DCTF ou não. Tal informação é relevante em razão do posicionamento do STJ sobre a matéria, que entende poder ser objeto de denúncia espontânea aqueles débitos não declarados anteriormente à compensação (pagamento). Abaixo, segue planilha com todos os débitos discutidos no processo. Direito Creditório – Saldo Negativo IRPJ do ano-calendário de 1998 no valor de R$31.479,76, e-fls. 124-146: Tributo Débito Código de Receita Período de Apuração Vencimento Valor Original R$ Saldo Devedor R$ Data da Compensação Nº Per/DComp Original Nº Per/DComp Retificador CSLL 2484 Novembro de 1999 30.12.1999 1.011,01 0,00 27.05.2004 41205.54274.270504.1.3.02- 4275 IRPJ 2362 Agosto de 1999 30.09.1999 2.431,94 0,00 11.09.2004 20083.07564.110904.1.3.02 - 8365 IRPJ 2362 Setembro de 1999 29.10.1999 479,47 0,00 11.09.2004 05580.64751.110904.1.3.02- 4802 IRPJ 2362 Outubro de 1999 30.11.1999 1.704,44 0,00 11.09.2004 31994.28470.110904.1.3.02- 9785 IRPJ 2362 Novembro de 1999 30.12.1999 2.072,55 0,00 11.09.2004 16724.22487.110904.1.3.02- 4095 IRPJ 2362 Dezembro de 1999 31.01.2000 280,20 0,00 11.09.2004 32425.37473.110904.1.3.02- 6092 Fl. 680DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1003-000.160 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.001165/2008-53 Cofins 2172 Junho de 2002 15.07.2002 427,22 0,00 11.10.2004 14156.15463.111004.1.3.02- 7089 01671.36162.031006.1.7.02- 9800 Cofins 2172 Julho de 2002 15.08.2002 758,20 0,00 11.10.2004 11950.69132.111004.1.3.02- 0407 28453.20958.031006.1.7.02- 4648 Cofins 2172 Agosto de 2002 13.09.2002 746,46 0,00 11.10.2004 0667.21846.111009.1.3.02- 2500 02617.49906.031006.1.7.02- 3385 Cofins 2172 Setembro de 2002 15.10.2002 622,62 0,00 11.10.2004 16441.99160.111004-1.3.02- 2212 01131.95342.031006.1.7.02- 9591 Cofins 2172 Outubro de 2002 14.11.2002 818,86 0,00 11.10.2004 2962.65287.111004.1.3.02- 3244 10969.34374.031006.1.7.02- 5169 Cofins 2172 Novembro de 2002 13.12.2002 570,37 0,00 11.10.2004 4351.18749.,111004,1.3.02- 5168 18426.61094.031006.1.7.02- 2227 Cofins 2172 Dezembro de 2002 15.01.2003 591,88 0,00 11.10.2004 27203.15860.111004.1.3.02- 7044 11159.29935.031006.1.7.02- 6318 Cofins 2172 Janeiro de 2003 14.02.2003 495,82 0,00 11.10.2004 1983.43747.111004.1.3.02- 9586 27371.83242.031006.1.7.02- 5483 Cofins 2172 Fevereiro de 2003 14.03.2003 387,00 0,00 11.10.2004 38426.44762.111004 1 3.02- 0060 24753.57520.031006.1.7.02- 6156 PIS 8190 Junho de 2002 15.07.2002 92,56 0,00 11.10.2004 14156.15463.111004-1.3.02- 7089 01671.36162.031006.1.7.02- 9800 PIS 8190 Julho de 2002 15.08.2002 164,28 0,00 11.10.2004 11950.69132.111004.1.3.02- 0407 28453.20958.031006.1.7.02- 4648 PIS 8190 Agosto de 2002 13.09.2002 161,73 0,00 11.10.2004 0667.21846.111009.1.3.02- 2500 02617.49906.031006.1.7.02- 3385 PIS 8190 Setembro de 2002 15.10.2002 134,90 0,00 11.10.2004 16441.99160.111004-1.3.02- 2212 01131.95342.031006.1.7.02- 9591 PIS 8190 Outubro de 2002 14.11.2002 177,42 0,00 11.10.2004 2962.65287.111004.1.3.02- 3244 10969.34374.031006.1.7.02- 5169 PIS 8190 Novembro de 2002 13.12.2002 123,58 0,00 11.10.2004 4351.18749.,111004,1.3.02- 5168 18426.61094.031006.1.7.02- 2227 PIS 8190 Dezembro de 2002 15.01.2003 325,53 0,00 11.10.2004 27203.15860.111004.1.3.02- 7044 11159.29935.031006.1.7.02- 6318 PIS 8190 Janeiro de 2003 14.02.2003 272,70 0,00 11.10.2004 1983.43747.111004.1.3.02- 9586 27371.83242.031006.1.7.02- 5483 PIS 8190 Fevereiro de 2003 14.03.2003 212,85 0,00 11.10.2004 38426.44762.111004 1 3.02- 0060 24753.57520.031006.1.7.02- 6156 Cofins 2172 Março de 2003 15.04.2003 579,84 0,00 05.11.2004 5955.99655.051104.1.3.02- 3059 13506.80515.031006.1.7.02- 3587 Cofins 2172 Abril de 2003 15.05.2003 522,84 0,00 05.11.2004 32816.54472.051104.1.3.02- 9440 27685.48491.031006.1.7.02- 8040 PIS 8190 Março de 2003 15.04.2003 318,91 0,00 05.11.2004 5955.99655.051104.1.3.02- 3059 13506.80515.031006.1.7.02- 3587 PIS 8190 Abril de 2003 15.05.2003 287,56 0,00 05.11.2004 32816.54472.051104.1.3.02- 9440 27685.48491.031006.1.7.02- 8040 Cofins 2172 Maio de 2003 13.06.2003 411,00 0,00 09.11.2004 39144.69861.091104.1.3.02- 6890 34519.85687.031006.1.7.02- 0874 Cofins 2172 Junho de 2003 15.07.2003 255,00 0,00 09.11.2004 28463.98659.091104.1.3.02- 1608 17151.88123.031006.1.7.02- 3310 Cofins 2172 Agosto de 2003 15.09.2003 255,00 0,00 09.11.2004 22610.43970 .091104.1.3.02- 1480 20912.94408.051006.1.7.02- 9485 IRPJ 2362 Julho de 2003 29.08.2003 1.972,48 0,00 09.11.2004 9297.90901.091104.1.3.02- 2179 21517.33676.051006.1.7.02- 2040 IRPJ 2362 Agosto de 2003 30.09.2003 7.014,99 0,00 09.11.2004 22610.43970 .091104.1.3.02- 1480 20912.94408.051006.1.7.02- 9485 IRPJ 2362 Setembro de 2003 31.10.2003 5.932,10 0,00 09.11.2004 22458.51560.091104.1.3.02- 9907 08641.39417.051006.1.7.02- 8019 CSLL 2484 Julho de 2003 29.08.2003 1.183,49 0,00 09.11.2004 9297.90901.091104.1.3.02- 2179 21517.33676.051006.1.7.02- 2040 CSLL 2484 Agosto de 2003 30.09.2003 4.208,99 0,00 09.11.2004 22610.43970 .091104.1.3.02- 1480 20912.94408.051006.1.7.02- 9485 CSLL 2484 Setembro de 2003 31.10.2003 3.559,26 0,00 09.11.2004 22458.51560.091104.1.3.02- 9907 08641.39417.051006.1.7.02- 8019 PIS 8190 Maio de 2003 13.06.2003 226,05 0,00 09.11.2004 39144.69861.091104.1.3.02- 6890 34519.85687.031006.1.7.02- 0874 PIS 8190 Junho de 2003 15.07.2003 140,25 0,00 09.11.2004 28463.98659.091104.1.3.02- 1608 17151.88123.031006.1.7.02- 3310 PIS 8190 Agosto de 2003 15.09.2003 140,25 0,00 09.11.2004 22610.43970 .091104.1.3.02- 1480 20912.94408.051006.1.7.02- 9485 PIS 8190 Setembro de 2003 15.10.2003 140,25 0,00 09.11.2004 22458.51560.091104.1.3.02- 9907 08641.39417.051006.1.7.02- 8019 Fl. 681DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 1003-000.160 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.001165/2008-53 Cofins 2172 Julho de 2004 13.08.2004 748,70 630,80 11.11.2004 4024.087922.11104- 1.1.3.02-4587 09971.38919.051006.1.7.02- 2500 Cofins 2172 Agosto de 2004 15.09.2004 1.022,01 1.022,01 11.11.2004 3774.83080.111104.1.3.02- 6161 25126.93426.051006.1.7.02- 5903 Cofins 2172 Setembro de 2004 15.10.2004 1.158,81 1.158,81 11.11.2004 07168.13064.111104.1.3.02- 6183 33949.24174.051006.1.7.02- 1576 PIS 8190 Julho de 2004 13.08.2004 162,55 0,00 11.11.2004 4024.087922.11104.1.1.3.02- 4587 09971.38919.051006.1.7.02- 2500 PIS 8190 Agosto de 2004 15.09.2004 221,88 221,88 11.11.2004 3774.83080.111104.1.3.02- 6161 25126.93426.051006.1.7.02- 5903 PIS 8190 Setembro de 2004 15.10.2004 251,58 251,58 11.11.2004 07168.13064.111104.1.3.02- 6183 33949.24174.051006.1.7.02- 1576 Cofins 2172 Outubro de 2004 12.11.2004 1.023,11 1.023,11 15.02.2005 22683.76027.150205.1.3.02- 5200 38120.51414.051006.1.7.02- 2181 Cofins 2172 Novembro de 2004 15.12.2004 1.631,11 1.631,11 15.02.2005 38120.51414.051006.1.7.02- 2181 13371.53800.051006.1.7.02- 4236 Cofins 2172 Dezembro de 2004 14.01.2005 1.251,11 1.251,11 15.02.2005 04236.35359.150205.1.3.02- 0003 06409.69277.051006.1.7.02- 0660 PIS 8190 Outubro de 2004 12.11.2004 222,12 222,12 15.02.2005 22683.76027.150205.1.3.02- 5200 38120.51414.051006.1.7.02- 2181 PIS 8190 Novembro de 2004 15.12.2004 354,12 354,12 15.02.2005 38120.51414.051006.1.7.02- 2181 13371.53800.051006.1.7.02- 4236 PIS 8190 Dezembro de 2004 14.01.2005 271,62 271,62 15.02.2005 04236.35359.150205.1.3.02- 0003 06409.69277.051006.1.7.02- 0660 Cofins 2172 Julho de 2003 14.08.2003 255,00 255,00 16.05.2005 15635.68664.160505.1.3.02- 5694 Cofins 2172 Setembro de 2003 15.10.2003 255,00 255,00 16.05.2005 01648.96789.160505.1.3.02- 3053 PIS 8190 Julho de 2003 14.08.2003 140,25 140,25 16.05.2005 15635.68664.160505.1.3.02- 5694 IRPJ 2089 Março de 2005 29.04.2005 1.821,60 1.821,60 27.06.2005 26668.83881.270605.1.3.02- 4168 Cofins 2172 Janeiro de 2005 15.02.2005 408,00 408,00 27.06.2005 06391.24982.270605.1.3.02- 0386 Cofins 2172 Fevereiro de 2005 15.03.2005 370,50 370,50 27.06.2005 17455.87195.270605.1.3.02- 5070 Cofins 2172 Março de 2005 15.04.2005 360,00 360,00 27.06.2005 26668.83881.270605.1.3.02- 4168 CSLL 2373 Março de 2005 29.04.2005 1.092,96 1.092,96 27.06.2005 26668.83881.270605.1.3.02- 4168 PIS 8190 Março de 2000 14.04.2000 65,00 65,00 27.06.2005 17275.39193.270605.1.3.02- 9606 PIS 8190 Janeiro de 2005 15.02.2005 88,40 88,40 27.06.2005 06391.24982.270605.1.3.02- 0386 PIS 8190 Fevereiro de 2005 15.03.2005 80,28 80,28 27.06.2005 17455.87195.270605.1.3.02- 5070 PIS 8190 Março de 2005 15.04.2005 78,00 78,00 27.06.2005 26668.83881.270605.1.3.02- 4168 Cofins 2172 Abril de 2005 13.04.2005 660,00 660,00 02.09.2005 08571.47186.020905.1.3.02- 1595 PIS 8190 Abril de 2005 13.04.2005 143,00 143,00 02.09.2005 08571.47186.020905.1.3.02- 1595 Isto posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que autoridade designada elabore Relatório Fiscal e conclusivo sobre os fatos analisados, com as seguintes informações: - Sejam verificadas as DCTFs em relação aos débitos até 30/09/2002 (vide planilha) e verificar se foram informadas as respectivas compensações e se essas foram realizadas nas respectivas datas de vencimento dos débitos e em conformidade com a norma vigente à epoca; - Sejam ainda analisadas as DCTFs relacionadas aos débitos posteriores a 30/09/2002 (vide planilha), para identificar se eles haviam sido regularmente Fl. 682DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 1003-000.160 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.001165/2008-53 declarados antes da apresentação das respectivas declarações de compensação. Devendo informar com a indicação das datas. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes (inciso LV do art. 5º da Constituição Federal e art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). É como voto. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 683DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12585.000046/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2008
PRODUTOS DA POSIÇÃO 27.11. REGIME MONOFÁSICO. VEDAÇÃO AO CRÉDITO
Não há direito a crédito pelas compras de propano desodorizado(código 27.11.12, pois encontra-se sob o regime monofásico, nos termos inciso I do caput do art. 3º c/c o inciso I do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.637/02
CRÉDITOS SOBRE ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
A interpretação do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02 deve ser restritiva, pelo que não abriga a locação de bens móveis e imóveis que não sejam prédios, máquinas e equipamentos.
CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO
Não devem ser acatados os créditos cuja comprovação não seja apresentada.
Numero da decisão: 3301-007.717
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 12585.000041/2009-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2008 PRODUTOS DA POSIÇÃO 27.11. REGIME MONOFÁSICO. VEDAÇÃO AO CRÉDITO Não há direito a crédito pelas compras de propano desodorizado(código 27.11.12, pois encontra-se sob o regime monofásico, nos termos inciso I do caput do art. 3º c/c o inciso I do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.637/02 CRÉDITOS SOBRE ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS A interpretação do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02 deve ser restritiva, pelo que não abriga a locação de bens móveis e imóveis que não sejam prédios, máquinas e equipamentos. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Não devem ser acatados os créditos cuja comprovação não seja apresentada.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2008 PRODUTOS DA POSIÇÃO 27.11. REGIME MONOFÁSICO. VEDAÇÃO AO CRÉDITO Não há direito a crédito pelas compras de propano desodorizado(código 27.11.12, pois encontra-se sob o regime monofásico, nos termos inciso I do caput do art. 3º c/c o inciso I do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.637/02 CRÉDITOS SOBRE ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS A interpretação do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02 deve ser restritiva, pelo que não abriga a locação de bens móveis e imóveis que não sejam prédios, máquinas e equipamentos. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Não devem ser acatados os créditos cuja comprovação não seja apresentada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 12585.000041/2009-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 46 /2 00 9- 21 Fl. 413DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-007.717 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000046/2009-21 Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3301-007.714, de 18 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de PER/DCOMP Declaração de Compensação relativo à Contribuição para PIS não cumulativo mercado interno do período em questão. O Despacho Decisório da autoridade fiscal de jurisdição deferiu em parte o PER, homologando a compensação até o limite do crédito reconhecido. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em que alega, em síntese: que não se apropriou de crédito sobre aquisições de GLP pois o produto tem tributação concentrada; improcede a glosa de créditos relativos ao propano desodorizado, pois este produto tem o mesmo tratamento do GLP, a legitimidade dos créditos relativos a hospedagem de equipamentos de informática, alugueis de vaga de estacionamento que integram o prédio alugado, contraprestação para assegurar direito de uso e gozo de determinadas áreas configura contrato de locação, bem assim que a lista de créditos previstas nas leis de regência não é taxativa, que procedeu ao rateio proporcional para apropriação dos créditos e, por fim, protesta por realização de diligências, juntada posterior de documentos e a suspensão da exigibilidade. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em essência, a DRJ fundamentou a decisão de julgar como improcedente o apelo do contribuinte, sob o fundamento, extraído do acórdão prolatado, aqui sintetizado: “as hipóteses que podem originar crédito não cumulativo são taxativas, deste modo não cabe interpretação extensiva. Somente o pagamento de aluguel de prédio utilizado na atividade da pessoa jurídica gera direito à apuração de crédito não cumulativo”. Diante disso, a contribuinte interpôs recurso voluntário em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3301-007.714, de 18 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de PER de créditos de PIS do 4º trimestre de 2006, ao qual foi vinculada declaração de compensação. A recorrente dedicava-se à revenda, industrialização e prestação de serviços. Adquiriu produtos sob o regime monofásico, com alíquota Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-007.717 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000046/2009-21 reduzida a zero e tributados regularmente. Registrou créditos exclusivamente sobre os dois últimos grupos. Sobre os créditos derivados de custos e despesas comuns a mais de um tipo de atividade, aplicou percentual de rateio, que determinou com base nas receitas auferidas por cada um dos setores. A fiscalização glosou parte dos créditos, em razão de entender que a compra de propano desodorizado não dá direito a crédito, que houve erro no cálculo do percentual de rateio e que parte dos custos e despesas não se enquadravam no art. 3° da Lei n° 10.637/02 Aprecio os argumentos de defesa. “III – DA NECESSIDADE DE REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA – DA REGULARIDADE DOS CRÉDITOS APROPRIADOS” “III.1. Das Aquisições do Propano Desodorizado” Ratifico os posicionamentos da fiscalização e da DRJ. A meu ver, não há direito a crédito pelas compras de propano desodorizado, pois encontra- se sob o regime monofásico. Adoto o respectivo trecho do voto condutor da decisão de piso, da lavra do i. julgador Valter Kiyoshi Sato: Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-007.717 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000046/2009-21 Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-007.717 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000046/2009-21 No recurso voluntário, a recorrente adicionou argumento, o qual, todavia, não deve ser considerado como “novo”, precluso, pois havia sido incluído no tópico inaugural “DA NATUREZA DOS CRÉDITOS UTILIZADOS PELA EMPRESA”. Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-007.717 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000046/2009-21 Alega que a tomada de crédito estaria assegurada, por força do art. 17 da Lei n°11.033/04: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” O argumento não procede, pois a alínea b do inciso I do caput do art. 3º c/c o § 1º do inciso I do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.637/02, acima reproduzidos, vedam expressamente a tomada de créditos derivados de compras dos produtos classificados na posição 27.11. “III.2. Da Permissão de Uso de Área e Arrendamento” “III.3. Da Locação de Vagas de Estacionamento” “III.4. Das Despesas com Hospedagem de Página na Internet” Foram glosados créditos calculados sobre “arrendamento” e “permissão de uso de área” de terrenos, locação de vagas de estacionamento e aluguel de espaço para hospedagem de equipamentos de informática (registradas na rubrica “hospedagem de página na internet”), porque o inciso IV do art. 3º da Lei n° 10.637/02 admitia exclusivamente aluguel de prédios, máquinas e equipamentos. A recorrente argumenta que arrendamento e permissão de uso são institutos similares ao da locação, pelo que devem ser admitidos no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02. E no mesmo dispositivo legal encontrariam abrigo os créditos sobre o aluguel de vagas de garagem, necessário às atividades comerciais, posto que são reconhecidos, quando incluídos no aluguel de um prédio. Por fim, sustenta o cômputo de créditos sobre as despesas registradas na rubrica “hospedagem de página na internet”, que eram relacionadas ao sítio virtual da empresa e à manutenção de programas de informática, necessárias às atividades da empresa. Passemos à análise das alegações e documentos contidos nos autos. Em relação aos gastos titulados “Arrendamento e da Permissão de Uso de Área”, de acordo com os contratos (fls. 67 a 85), os terrenos foram utilizados exclusivamente para passagem de gasodutos ou “recebimento, armazenamento, enchimento de GLP e produtos correlatos”. Exclusivamente com base na leitura dos contratos, não é possível concluir se este gasto que era comum às atividades tributadas regularmente e às sujeitas à tributação monofásica, requisito necessário ao cômputo na base de cálculo dos créditos a serem rateados. Contudo, como este argumento não foi utilizado pela fiscalização, também não será explorado por este relator. O inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02 dispõe que podem ser descontados créditos relativos a “IV – aluguéis de prédios, máquinas e Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-007.717 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000046/2009-21 equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;”. Em outras oportunidades, já manifestei-me no sentido de que o dispositivo legal que dispõe sobre créditos deve receber interpretação restrita, pelo que ratifico o procedimento fiscal, posto que o em tela não incluiu os terrenos entre os bens cujo aluguel pode ser computado na base de cálculo dos créditos. Quanto ao aluguel de vagas de garagem, tal qual o defendido pela recorrente, de fato, poder-se-ia incluí-lo no rol do aluguel de prédios, que então encontraria guarida no citado inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.637/02. Contudo, para tanto, deveria ter trazido documentos que associassem os gastos às atividades da empresa. Neste caso, em razão do caráter genérico do dispositivo, poder-se-ia inclusive relacionar o aluguel das vagas a atividades de cunho administrativo ou comercial. Porém, dada a falta de documentos, ratifico a glosa. Por último, com relação às “despesas com hospedagem de página na internet”, em sua defesa, a recorrente afirma tratar-se de hospedagem do sítio virtual da empresa e de manutenção de programas de computador. Contudo, os contratos dispõem que era aluguel de espaço para instalação de computadores. Em razão da divergência entre as informações e os contratos providos pela recorrente, mantenho as glosas. “III.3. Do Método de Rateio Proporcional” A fiscalização reduziu o percentual de rateio calculado pela recorrente, pois excluiu as vendas de imobilizado das receitas cujos produtos dão direito a crédito, pois violaria o disposto nos §§ 7º e 8º do art. 3º da Lei nº 10.637/02. Por seu turno, a recorrente alega que não há tal vedação legal. Transcrevo os citados dispositivos legais: “§ 7 o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8 o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7 o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.” (g.n.) Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-007.717 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000046/2009-21 A recorrente e a fiscalização concordam com a aplicação, por analogia, do rateio dos §§ 7º e 8º, pelo que não disporei sobre este assunto. Havia custos e despesas comuns às atividades que geravam créditos, isto é, cujas receitas eram tributadas ou não tributadas (porém com a possibilidade de tomada de créditos, nos termos do art. 17 da Lei n° 11.033/04), e às atividades que não geravam créditos, pois sujeitas ao regime monofásico. O objetivo do rateio era o de apurar a participação das receitas que originavam créditos no somatório destas com as que não davam direito a créditos. Assim sendo, resta claro que as receitas com vendas do imobilizado devem ser excluídas dos cálculos, pois os custos dos bens baixados não geram créditos de PIS. Com efeito, o custo de aquisição de bens do imobilizado utilizados nas atividades da empresa somente dá direito a crédito, quando os mesmos estão em uso e, por este motivo, sujeitos à depreciação, a qual pode ser computada na base de cálculo dos créditos, nos termos do inciso VI c/c inciso II do § 1º do art. 3° da Lei n°10.637/02. Portanto, nego provimento aos argumentos. Diligência A recorrente pleiteia a conversão do julgamento em diligência, para complementação de provas, caso esta turma entenda que as eu se encontram nos autos não são suficientes para comprovar a legitimidade dos créditos. Nego o pedido, pois a diligência não se presta para tanto, porém a esclarecimentos sobre o que já foi juntado ao processo. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-007.717 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000046/2009-21 Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10314.003897/98-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 19/09/1995
MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A não apresentação da fatura comercial durante o despacho aduaneiro configura infração prevista no art. 521, inciso III, do RA.
ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS.
O Recurso Especial de Divergência tem como requisito de admissibilidade a apresentação de acórdão paradigma com identidade de situação fática ou jurídica que tenha, outro colegiado, dado solução diversa do acórdão recorrido. Não havendo identidade fática, deve-se não conhecer o Recurso Especial.
Recurso Especial do Procurador provido e Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-02.008
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) não se conhecer do recurso especial do sujeito passivo, por falta de divergência.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/09/1995 MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A não apresentação da fatura comercial durante o despacho aduaneiro configura infração prevista no art. 521, inciso III, do RA. ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. O Recurso Especial de Divergência tem como requisito de admissibilidade a apresentação de acórdão paradigma com identidade de situação fática ou jurídica que tenha, outro colegiado, dado solução diversa do acórdão recorrido. Não havendo identidade fática, deve-se não conhecer o Recurso Especial. Recurso Especial do Procurador provido e Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A não apresentação da fatura comercial durante o despacho aduaneiro configura infração prevista no art. 521, inciso III, do RA. ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. O Recurso Especial de Divergência tem como requisito de admissibilidade a apresentação de acórdão paradigma com identidade de situação fática ou jurídica que tenha, outro colegiado, dado solução diversa do acórdão recorrido. Não havendo identidade fática, devese não conhecer o Recurso Especial. Recurso Especial do Procurador provido e Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) não se conhecer do recurso especial do sujeito passivo, por falta de divergência. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente substituto. (assinado digitalmente) Fl. 430DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Por narrar bem os fatos, usarei o relatório da instância a quo, com as alterações e acréscimos necessários. Tratase de Recursos Especiais interpostos pela PGFN e pelo sujeito passivo contra acórdão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, conforme ementa abaixo transcrita: Relatora: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro Redator Designado: Corintho Oliveira Machado Acórdão: 30238580 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. EX TARIFÁRIO. PARTES DE MÁQUINA. As mercadorias não fazem jus ao benefício fiscal de redução do Imposto de Importação (II), porquanto, embora se destinassem a fazer parte da máquina amparada pelo EX 001 (criado pela Portaria nº 215/1995), foram importadas separadamente (e o EX foi concedido para o todo que constituía a máquina de pesagem, e não para suas partes). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOLVE ET REPETE. Deixar de compensar um tributo pago indevidamente, com outro da mesma espécie que está sendo exigido, é o mesmo que impor um pagamento indevido para depois restituir o valor correspondente. É o restabelecimento do solve et repete, regra segundo a qual o contribuinte não tem o direito de questionar a exigência de um tributo sem fazer o respectivo pagamento. Uma vez que a compensação pretendida pela Interessada tem como fundamento os próprios valores levantados pela Fiscalização, temse que a compensação que deve ser efetuada de ofício, pois tem como fundamento valores líquidos e certos apurados pela própria Fiscalização. MULTA DE OFÍCIO Partindo da premissa que os recolhimentos efetuados para liberação da mercadoria, em 1995, foram realizados conforme a classificação imputada pela autoridade fiscal à ocasião Fl. 431DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10314.003897/9811 Acórdão n.º 930302.008 CSRFT3 Fl. 416 3 competente para vistoriar a internação dos bens não se deve aplicar a multa de ofício (ADN Cosit nº 10/97). MULTA REGULAMENTAR. A multa prevista no art. 521, III, “a”, do RA/85 somente se aplica quando comprovada: (i) a inexistência da fatura comercial; ou (ii) a falta de sua apresentação, no prazo fixado em Termo de Responsabilidade. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A empresa acima qualificada (doravante denominada Interessada) submeteu a despacho aduaneiro, mediante as Declarações de Importação (DI) nºs 138.708 – Adição 001, de 19/09/1995 (fls. 38 e seguintes) e 375.569 – Adição 001, de 20/09/1995 (fls. 11 e seguintes), diversas partes e peças de uma Máquina para Pesagem, Mistura, Dosagem e Embalagem de Misturas Vitamínicas, tendo classificado a mercadoria no destaque EX 001 do código 8423.89.00, criado pela Portaria/MF nº 215, de 04 de setembro de 1995, que reduziu para 0% (zero) o Imposto de Importação (ii) incidente sobre “Máquina para pesagem, mistura, dosagem e embalagem de misturas vitamínicas”. O laudo pericial de nº 61/95 (fls. 33) constatou que as mercadorias da DI nº 375569 se tratavam de partes e peças da máquina de pesagem, mistura, dosagem e embalagem de misturas vitamínicas, representando aproximadamente 50% da instalação. Por outro lado, o laudo pericial nº 436/95 (fls. 44/45) concluiu que a mercadoria despachada pela DI nº 138.708, se tratava de mercadorias destinadas a integrar a máquina para pesagem, mistura, dosagem e embalagem de misturas vitamínicas. A fiscalização entendeu, com base na identificação técnica das mercadorias, que as mesmas não faziam jus ao benefício fiscal de redução do Imposto de Importação (II), porquanto, embora se destinassem a fazer parte da máquina amparada pelo EX 001 (criado pela Portaria nº 215/1995), tinham sido importadas separadamente (e o EX foi concedido para o todo que constituía a máquina de pesagem, e não para suas partes). Frisou ainda que, o importador poderia ter efetuado o despacho fracionado do equipamento, mas, para isso, deveria ter solicitado autorização ao Chefe da Unidade de Desembaraço. Com isso, os fiscais poderiam proceder à conferência conjunta das mercadorias importadas (fazendo constar, de cada DI, que as mercadorias são partes da máquina cujo benefício pleiteia) e, com isso, conseguir verificar se o conjunto das partes constituía o todo amparado pelo benefício fiscal. Nada disto, entretanto, foi providenciado pelo importador. Em razão disso, a Fiscalização reclassificou as mercadorias no código NBM 8423.90.0200 – Outras partes de aparelhos de pesagem, cujas alíquotas são de 19% para o Imposto de Importação e 10% para o IPI. Em conseqüência, lavrouse o Auto de Infração de fls. 01 a 10, pelo qual o importador foi intimado a recolher ou impugnar crédito tributário relativo ao Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora, multa do art. 4º, inciso I, da Lei nº 8.218/91 (com a redação dada pelo art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96), e multa do art. 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45, da Lei 9.430/96. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 Inconformada com o lançamento fiscal, a Interessada impugnou, tempestivamente, o Auto de Infração, apresentando, em sua defesa, resumidamente, o que se segue: 1) O Auto de Infração não contém os requisitos mínimos exigidos para apuração da irregularidade cometida, uma vez que esta não se encontra fundamentada com as disposições legais contidas nas respectivas legislações. 2) Os laudos emitidos só poderiam registrar as mercadorias como partes e peças do equipamento de pesagem, etc., posto que o desembaraço ocorreu parcialmente em Santos e parcialmente em Guarulhos. Não procede a afirmativa de que a mesma não tomou nenhuma providência para que os fiscais procedessem à conferência conjunta. 4) Cita a nota 4, da Seção XVI, da TAB/SH, que justificaria a classificação pela mesma adotada. 5) O enquadramento utilizado pelo Fisco no código 8423.90.0200, não procede, pois nele se classificam os pesos para quaisquer balança e partes de aparelhos para instrumentos de pesagem. 6) A importação foi efetuada separadamente por motivos de custo de transporte e também porque, por serem mais sensíveis, determinadas partes tiveram que ser transportadas por via aérea. 7) Quanto a não apresentação das faturas no despacho, estava em vigor a IN/SRF nº 21/83, que dispensava a sua apresentação e permitia que fossem apresentadas posteriormente, quando solicitado, o que foi feito em 24/09/1998. 8) A Portaria nº 26/97, por sua vez, reiterou que os equipamentos importados gozavam de redução. Os membros da 2ª Turma de Julgamento da i. Delegacia de Julgamento em São Paulo/SP, por unanimidade de votos, declararam procedente, em parte, o lançamento fiscal, conforme se evidencia pela simples leitura da ementa abaixo: “Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 19/09/1995 Ementa: O produto identificado como sendo partes e peças de uma máquina para pesagem, mistura, dosagem e embalagem de misturas vitamínicas não faz jus ao benefício fiscal previsto em destaque EX, dada a impossibilidade de se interpretar extensivamente a legislação que concedeu o benefício. Incabível a multa do art. 4º, inciso I da Lei 8.218/91, c/c art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 por não ter sido caracterizada a hipótese de declaração inexata. Cabível a multa do art. 80, inciso II da Lei 4.502/64 e a do art. 521, inciso III, alínea "a" do regulamento Aduaneiro.” Fl. 433DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10314.003897/9811 Acórdão n.º 930302.008 CSRFT3 Fl. 417 5 Regularmente intimada sobre a decisão supra, em 21 de setembro de 2004, a Interessada apresenta Recurso Voluntário endereçado a este Colegiado (fls. 80/86), em 20 de dezembro do mesmo ano. Nesta defesa, a Interessada altera, parcialmente sua linha de defesa no sentido de: 1) Não reitera os argumentos referentes à: (i) nulidade do Auto de Infração (em função da suposta falta de fundamentação legal); (ii) justificativa da classificação adotada com base na nota 4, da Seção XVI, da TAB/SH; (iii) enquadramento equivocado pela Fiscalização (código 8423.90.0200); e, (iv) a não apresentação das faturas no despacho, em função do disposto na IN/SRF nº 21/83. 2) Reitera os seguintes argumentos: (i) os laudos emitidos só poderiam registrar as mercadorias como partes e peças do equipamento de pesagem, etc., posto que o desembaraço ocorreu parcialmente em Santos e parcialmente em Guarulhos; (ii) não procede a afirmativa de que a mesma não tomou nenhuma providência para que os fiscais procedessem à conferência conjunta; (iii) a importação foi efetuada separadamente por motivos de custo de transporte e também porque, por serem mais sensíveis, determinadas partes tiveram que ser transportadas por via aérea; e, (v) a Portaria nº 26/97, por sua vez, reiterou que os equipamentos importados gozavam de redução. 3) Inova sua defesa argumentando que: (i) a conclusão de que haveria peças faltantes somente foi introduzida pela decisão recorrida, portanto solicita seja efetuada uma diligência na sede da empresa no intuito de demonstrar a insubsistência dessa alegação; (ii) mesmo tendo reconhecido pagamento a maior de IPI, a Autoridade Lançadora não considerou o crédito quando da lavratura do Auto de Infração; (iii) a multa de ofício não deve prevalecer, uma vez que a Interessada recolheu os tributos (por força das obrigações comerciais contraídas), conforme classificação imputada pela Autoridade Fiscal competente para vistoriar a internação dos bens; e, (iv) a multa por falta de apresentação de faturas não seria aplicável, uma vez que as faturas foram regularmente emitidas e constam dos presentes autos. No que pertine à exigência recursal, a interessada aponta para a existência de depósito recursal equivalente a 30% do crédito tributário mantido pela decisão recorrida (fls. 243). A PGFN apresentou embargos de declaração ao acórdão do Recurso Voluntário, que foram rejeitados. Ambas as partes apresentaram Recurso Especial e ContraRazões. É o relatório Voto Fl. 434DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 6 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, contestando o acórdão recorrido nas questões da multa administrativa e em relação a compensação. O sujeito passivo, por sua vez, contesta o referido acórdão no que tange a classificação fiscal. Começaremos analisando o Recurso da PGFN. O recurso da PGFN atendes aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. O procurador recorreu em duas matérias: Impossibilidade de compensação de ofício do IPI pago a maior – Da violação do art. 74, § 1º da Lei 9.430/96 e; Da multa regulamentar prevista no art. 521, III, “a” do RA/85. Então temos dois objetos na presente lide que serão analisados abaixo. Primeiramente trataremos da compensação de ofício pleiteada pelo contribuinte e deferida pela instância ordinária. Não faremos aqui um tratado sobre o instituto da compensação tributária mas nos deteremos a uma análise dos fatos em questão. O que se decidirá nesse colegiado não é o direito à compensação, pois aí não há questionamento, mas somente à forma de exercêlo. O próprio CTN, em seu art. 170, garante o direito à compensação, mas permite que a lei determine certas condições e garantias para o seu exercício. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Portanto a legislação complementar, leis e atos da RFB, é que irá determinar o modo como será exercido esse direito. Tratase de normas cogentes que devem ser obedecidas pelo administrado e pelo agente público. O principal diploma legal que trata da compensação é a Lei 9.430/96, com as alterações posteriores. O modo correto do exercício do direito à compensação é a apresentação de uma declaração de compensação, conforme determina o art. 74, do referido diploma legal. As Instruções normativas expedidas pela RFB detalham ainda mais o modus operandi,a ser seguido pelos contribuintes e agentes públicos. Art. 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 435DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10314.003897/9811 Acórdão n.º 930302.008 CSRFT3 Fl. 418 7 passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § 12 A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Assim, por determinação legal, não pode o Auditor Fiscal, em sua auditoria, sair levantando créditos do contribuinte e fazendo à compensação de ofício. Ele tem o dever legal de seguir as normas legais impostas aos agentes públicos. Isso afasta a possibilidade de compensação de ofício fora das determinações legais. Com efeito, também não podem os órgãos recursais administrativos fazer as compensações sem que se proceda ao rito determinado pela legislação tributária. As regras servem para resguardar o direito de ambas as parte, até porque não temos como saber, em sede de recursos administrativos se não há pedidos de compensação para o referido indébito. Não se trata aqui de restringir o direito à compensação. O sujeito passivo poderá exercer o direito plenamente, porém na forma legal. Até porque o prazo prescricional não corre enquanto estiver tramitando o processo administrativo, para que seja resguardado o direito do administrado. Assim dou provimento ao recurso fazendário quanto a essa matéria, restabelecendo a decisão proferida pela DRJ. Também entendo cabível a multa prevista no art. 521, inciso III, alínea “a” do Regulamento Aduaneiro, posto que a fatura comercial não foi apresentada por ocasião do despacho aduaneiro. Em que pese o RA/85 não dispor sobre o momento da apresentação, a legislação complementar, editada desde 28/02/1995. Assim não há que se falar em inexistência de fato típico, vez que tal infração esta perfeitamente capitulada no art. 521, III, do RA/85. Essa apresentação tinha sido dispensada pela IN nº 21, de 15 de março de 1983, porém este normativo foi revogado pela IN SRF 39/94 (artigo 35), que entrou em vigor em 28/02/1995, com a IN 2/95. Deste modo, a partir de 28/02/1995, a apresentação da fatura comercial no Despacho Aduaneiro passou novamente a ser exigida. A apresentação da fatura comercial, por ocasião do despacho aduaneiro, é uma obrigação acessória instituída em norma legal, e seu cumprimento independe de exigência formal da fiscalização. Tal entendimento encontrase exposto no acórdão usado como paradigma. Número do Recurso:123386 Câmara:PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo:11128.003794/9811 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 8 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:OUTROS Recorrida/Interessado:DRJ SA0 PAULO/SP Data da Sessão:0410712001 11:00:00 Relator:MOACYR ELOY DE MEDEIROS Decisão:Acórdão 30129822 Resultado:NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Ementa :FATURA COMERCIAL FALTA DE APRESENTAÇÃO POR OCASIÃO DO DESPACHO. A não apresentação da fatura comercial durante o despacho aduaneiro configura infração prevista no art. 521, inciso III, do RA. Recurso voluntário desprovido. Assim, dou provimento ao recurso da PGFN também nessa parte. Analisaremos agora o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Transcrevemos na íntegra o voto vencedor em relação à classificação fiscal, para que possamos fazer a devida análise da admissibilidade. Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das considerações tecidas pela I. Conselheira Relatora, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento em contrário, no que pertine ao item CLASSIFICAÇÃO FISCAL, chegando à conclusão de que não assiste razão à recorrente, no seu pedido de acolhimento do apelo voluntário e irresignação contra os lançamentos de II e IPI. Significa dizer que embora possa existir presunção a favor da Interessada, no sentido de que as peças vindas da Suíça são partes de um todo, as quais devidamente agrupadas, formariam a máquina de misturas vitamínicas, classificadas conforme o “EX” pretendido pela Interessada, como entende a i. relatora em seu voto vencido, tal presunção não pode prosperar ante as evidências dos laudos que constataram que as mercadorias se tratavam de partes e peças da máquina de pesagem, mistura, dosagem e embalagem de misturas vitamínicas, representando aproximadamente 50% da instalação, e ainda, que a mercadoria despachada pela DI nº 138.708, se tratava de mercadorias destinadas a integrar a máquina para pesagem, mistura, dosagem e embalagem de misturas vitamínicas. Com isso, assiste Fl. 437DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10314.003897/9811 Acórdão n.º 930302.008 CSRFT3 Fl. 419 9 razão à i. auditoriafiscal, no sentido de que as mercadorias não faziam jus ao benefício fiscal de redução do Imposto de Importação (II), porquanto, embora se destinassem a fazer parte da máquina amparada pelo EX 001 (criado pela Portaria nº 215/1995), tinham sido importadas separadamente (e o EX foi concedido para o todo que constituía a máquina de pesagem, e não para suas partes). No vinco do exposto, voto no sentido de DESPROVER o recurso quanto à classificação fiscal. A essência do voto vencedor é o fato de que as partes completam aproximadamente 50% do toda a instalação e os paradigmas se referem a equivalência das partes com o todo me matéria de classificação fiscal. Em que pese a ementa dar a entender que a razão de decidir foi o fato de as partes terem classificação fiscal distinta da máquina completa, a leitura do voto nos leva a conclusão que a real razão de decidir foi o fato de as partes completarem 50% da instalação. Como o acórdão recorrido e os paradigmas não trazem fatos idênticos com decisões díspares, não há como se conhecer o recurso. Eis os paradigmas: "CLASSIFICAÇÃO FISCAL — Confirmado em Laudo Técnico que a Declaração de Importação espelha a entrada no território nacional de "parte" de uma unidade funcional específica, classificase esta "parte" na posição que se enquadra a unidade funcional." (Acórdão CSRF/0304.675, Recurso n° 302 120219, Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Relator: Nilton Luiz Bartoli, j. 08/11/2005) — grifos nossos. "IMPORTAÇÃO FRACIONADA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os bens internados fracionadamente, mas que correspondem à importação de um todo, sequem a classificação do bem completo." (Acórdão 30328619, Recurso n° 118446, Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Relator: Levi Davet Alves, j. 16/04/1997) — grifos nossos. "CLASSIFICAÇÃO FISCAL. In casu dáse a situação prevista na RGI 2 a, com o subsidio das NESH (Notas IV e V da Seção XVI). A necessidade ou comodidade de transporte fracionado levou importação por partes (duas). A Porção constante da importação em causa compõese no estado em que se apresentava, de partes essenciais da máquina completa conforme laudo técnico. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 10 Conquanto se tratem de partes separadas, o conjunto é classificado como máquina e não, embora a posição exista, na posição relativa as partes." (Acórdão 30330046, Recurso n° 120814, Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, RelatorZenaldo Loibman, j. 08/11/2001) — grifos nossos. "IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO. 'Unidade de fita magnética desmontada' não se confunde com 'partes e peças' para classificação fiscal. Recurso negado." (Acórdão 30128316, Recurso n° 113738, Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Relator: João Baptista Moreira, j. 19/03/1997) — grifos nossos. Assim, não conheço o Recurso interposto pelo sujeito passivo. Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e não conheço o Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 439DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/08/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13364.720221/2018-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2016
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte, ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
As despesas de educação dos alimentandos somente podem ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, respeitando os limites previstos em lei. É dever do contribuinte, apresentar a decisão judicial ou o acordo homologado judicialmente determinando que ele ficou responsável pelas despesas de educação dos alimentandos.
DEDUÇÃO. DEPENDENTES.
Poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte os que se enquadrarem nas hipóteses previstas no art. 77, §1º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, desde que comprovada esta condição através de documentação hábil e idônea, conforme restou comprovado nos autos.
Numero da decisão: 2002-004.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2016 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte, ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. As despesas de educação dos alimentandos somente podem ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, respeitando os limites previstos em lei. É dever do contribuinte, apresentar a decisão judicial ou o acordo homologado judicialmente determinando que ele ficou responsável pelas despesas de educação dos alimentandos. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte os que se enquadrarem nas hipóteses previstas no art. 77, §1º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, desde que comprovada esta condição através de documentação hábil e idônea, conforme restou comprovado nos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DESPESAS MÉDICAS. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte, ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. As despesas de educação dos alimentandos somente podem ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, respeitando os limites previstos em lei. É dever do contribuinte, apresentar a decisão judicial ou o acordo homologado judicialmente determinando que ele ficou responsável pelas despesas de educação dos alimentandos. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte os que se enquadrarem nas hipóteses previstas no art. 77, §1º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, desde que comprovada esta condição através de documentação hábil e idônea, conforme restou comprovado nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansono Gil – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 4. 72 02 21 /2 01 8- 58 Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-004.984 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13364.720221/2018-58 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fl. 63) contra decisão de primeira instância (e- fls. 46/55), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. O processo refere-se a auto de infração de e-fls. 32/39 lavrado em face do contribuinte acima identificado, em decorrência de procedimento interno de revisão de Declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício 2017, ano- calendário 2016, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 8.158,22, sendo imposto suplementar apurado no valor de R$ 4.351,52, juros de mora no valor de R$ 543,06 e multa de oficio no valor de R$ 3.263,64. De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, e-fls. 34/37, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento das seguintes infrações na notificação fiscal em exame: Dedução Indevida com Dependentes – glosado o valor de R$ 4.560,16, por falta de comprovação de relação de dependência; Dedução Indevida de Despesas com Instrução — glosado o valor de R$ 6.780,00, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal; Dedução Indevida de Despesas Médicas — glosado o valor de R$ 5.107,70, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal; Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação não concordando com as infrações, alegando que: - os dependentes são seus filhos; - as despesas com instrução foram efetuadas com seus filhos; - as despesas médicas foram comprovadas através dos documentos anexados. A 1ª Turma da DRJ/FOR, julgou procedente em parte, entendendo que: - em relação à dedução com a Kaua de Sousa Pires e Natan de Sousa Pires (filhos), não consta nos autos documento que comprove que o contribuinte detenha a guarda dos filhos; - em relação às despesas com instrução, foi aceito apenas a dedução com o filho Roberto de Sousa Pires Junior, pois não foram considerados como dependentes os filhos Kaua de Sousa Pires e Natan de Sousa Pires; - em relação às despesas médicas, foram acatadas as despesas com Plamta no valor de R$ 4.672,70 e com Sulamita Cândida do valor de R$ 435,00, serão acatados apenas R$ 210,00, mantendo o valor de R$ 225,00 por ser despesas médicas de seu filho, não considerado como dependente; Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-004.984 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13364.720221/2018-58 - quanto à isenção, o contribuinte não comprovou que os rendimentos eram oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e não apresentou laudo médico emitido por serviço médico oficial para reconhecimento da moléstia. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando que detém a guarda compartilhada dos dependentes em questão, conforme faz prova através de documentação ora apresentada. Junta documentos e requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansono Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 26/02/2019 (e-fl. 61); Recurso Voluntário protocolado em 15/03/2019 (e-fl. 63), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida com Dependentes; b) Dedução Indevida com Despesas de Instrução; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFRF: Glosa do valor de R$ *********4.550,16, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. Glosa do valor de R$ *********6.780,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas com Instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Glosa do valor de R$ *********5.107,70, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Contribuinte não comprovou as despesas médicas declaradas com SULAMITA CANDIDA DE ARAUJO PESSOA e com INST. DE ASSIST. A SAUDE DOS SERVIDORES PUBLICOS DO ESTADO. A r. decisão revisanda, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo a glosa com os dependentes Kaua de Sousa Pires e Natan de Sousa Pires (filhos), bem como a glosa com instrução dos mesmos e também a glosa parcial de despesas médicas com a odontóloga Sulamita Cândida. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Relativamente às deduções de despesas com dependentes e com instrução dos mesmos, o contribuinte carreia aos autos (e-fls. 65/76), os quais comprovam a guarda Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-004.984 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13364.720221/2018-58 compartilhada, bem como a responsabilidade com despesas médicas e com instrução, sendo assim razão assiste ao recorrente. No que toca à dedução de despesas médicas, uma vez comprovada a relação de dependência e a obrigatoriedade (e-fl. 68) em arcar com gastos com saúde, educação e alimentação, entende este relator que o recorrente está coberto de razão. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do recurso voluntário e, no mérito, dá-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansono Gil Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital
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