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Numero do processo: 10120.904286/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 42 86 /2 00 9- 38 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10120.904286/200938 Acórdão n.º 3401004.061 S3C4T1 Fl. 3 2 Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10120.904286/200938 Acórdão n.º 3401004.061 S3C4T1 Fl. 4 3 foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.691424/2009-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/10/2006
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. ELEMENTOS DEMONSTRADOS NO CURSO DO PAF
Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material.
Numero da decisão: 3001-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Cléber Magalhães.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Cléber Magalhães. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
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DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. ELEMENTOS DEMONSTRADOS NO CURSO DO PAF Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Cléber Magalhães. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 14 24 /2 00 9- 10 Fl. 141DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório 849817953 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 16824.31821.110107.1.3.046021, o direito à compensação ficou limitado ao valor do crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP. De acordo com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por esta razão, não se homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que em setembro de 2006 houve recolhimento a maior. O débito que estava declarado em DCTF perfazia o valor de R$ 379.120,32, tendo, contudo, recolhido a quantia de R$401.008,74. Em seguida, houvera a compensação com débito de Cofins do mês de dezembro de 2006. DRJ/SP1. A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1634.763 13 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/10/2006 Ementa: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.691424/200910 Acórdão n.º 3001000.156 S3C0T1 Fl. 142 3 munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº. 16824.31821.110107.1.3.046021 fls.(01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de COFINS, no montante de R$ 21.888,42, ocorrido em 13/10/2006. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 11/01/2007, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fls. 3, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da Requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito para tanto. Esclarecido no item 3 do referido Despacho de fls. 3 que para o DARF indicado no PER/DCOMP em questão foi localizado o pagamento devidamente identificado no mesmo campo (débito do tributo com código 585601, período de apuração: 30/09/2006), integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em apreço. Inconformado, o Contribuinte impugnou o Despacho Decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07/08, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas: Informa que apurou a COFINS (código 5856) no mês de setembro de 2006 conforme DCTF juntada (fls. 26/28) e que recolheu em 13/10/06 valor maior que o devido. Menciona os respectivos valores. Acrescenta que em 11/01/2007 compensou o referido crédito (já atualizado) com débito, também de COFINS, do mês 12/2006, consoante cópia da Declaração de Compensação e da DCTF. Em conclusão requer a homologação da compensação do PER/DCOMP em questão e que seja baixado o respectivo processo de cobrança nº 10880.662.560/200994. Fl. 143DF CARF MF 4 A demonstração dos fatos/interpretações que conduziram às alterações na apuração dos débitos retificados na DCTF revelamse imprescindíveis para a formação do convencimento quanto à efetiva existência do pretenso crédito da Manifestante. Destarte, repisese, a nova apuração da contribuição tida como devida sem que esteja acompanhada das razões (operações) que conduziram a sua correção, nada comprova quanto ao direito creditício da Insurgente. Assim, o que restou de fato comprovado é que o Contribuinte declarou um crédito que foi prévia e totalmente utilizado para a quitação de outros débitos, conforme especificado no item 3 do Despacho Decisório de fls. 3 e a Manifestante não demonstrou o contrário. Consequentemente, não merece reparo a conclusão emitida pela Autoridade Fiscal teve como pressuposto as informações prestadas pelo próprio Contribuinte (DCOMP), assim como através da verificação de outros Per/DCOMP e débitos constantes do sistema informatizado, válidos a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Portanto, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação não mais existia. Daí a não homologação. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Repisase que o Contribuinte não se utilizou – como deveria – do contido no art. 16 do Decreto nº 70.235/72 pois a manifestação de inconformidade não apresenta motivos (de fato e/ou de direito) ou documentos que justifiquem a pretendida alteração do Despacho Decisório. Por tudo o quanto exposto, concluise que o exame das declarações prestadas pela Manifestante à Administração Tributária revelaram a inexistência do pretenso crédito declarado por ter sido previamente utilizado, motivo da correta não homologação da compensação. Nestas condições, negado o direito creditório a que se refere a Declaração de Compensação, não há como se homologar a compensação. Recurso Voluntário A recorrente realizou breve relato dos autos, destacando o fundamento da decisão no sentido de exigir que qualquer alegação de erro deve vir fundado em documento hábil e idoneo que comprove sua origem. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.691424/200910 Acórdão n.º 3001000.156 S3C0T1 Fl. 143 5 A partir daí, teceu comentários sobre o instituto da compensação, requerendo, ao final, o cancelamento do débito reclamado, no qual informa que efetivou compensação com crédito oriundo de pagamento indevido A DRF de Araraquara teria proferido decisão que não homologou a compensação por conta da existência de débito declarado em DCTF. Ao tomar ciência do despacho decisório, teria retificado a DCTF, conforme informou em sua Manifestação de Inconformidade. Em face dos argumentos de ausência dependente provas de seu crédito, juntou cópias de seu livro razão, notas fiscais e comprovantes de arrecadação, além do que, em sua DIPJ, constava o lançamento do valor pretendido como crédito. Pugnou pela aplicação da verdade material como substrato para aceitação dos documentos comprobatórios de seu pagamento a maior, citando decisões deste CARF. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário no qual busca ver o direito ao crédito legitimado por este CARF, vez que sucedeu a seqüência de equívocos no preenchimento de Dcomp. A fim de tornar didático a exposição, colacionase trechos do acórdão do eminente Conselheiro Cássio Schappo, que, por bem delimitar o tema, merece ser transcrito na íntegra: Discordando do Despacho Decisório que foi desfavorável ao seu pedido, aborda o fato de ter transmitido DCTF retificadora referente ao período do 1º Semestre de 2007 na data de 13/08/2009 e que esta declaração não foi levada em consideração na análise de seu pleito. A DRJ/BHE (2ª Turma) negou provimento a Manifestação de Inconformidade pela ausência de comprovação da origem do crédito e pela divergência entre os valores informados no DACON e na DCTF, o que afasta a certeza do crédito e resulta em razão suficiente para o indeferimento da compensação requerida. A questão se apresenta sob dois enfoques, o primeiro, conforme apresentado pela recorrente diz respeito a existência de uma DCTF retificadora transmitida em data anterior à PER/DCOMP, que no seu entendimento atesta a existência de crédito da COFINS pelo pagamento a maior/indevido da competência 30/06/2007 e que sequer foi levada em consideração quando da emissão do Despacho Decisório; o segundo, passado pela DRJ/BHE de que haveria divergência de valores declarados entre a DACON e a DCTF. Cabe esclarecer que a divergência apontada pelo julgador singular só passou a existir com a recepção pelo fisco da DCTF Fl. 145DF CARF MF 6 retificadora, quando comparados a DACON original com a DCTF retificadora. A 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, já firmou entendimento ao confirmar decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, de “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. De outro norte vem o acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, nº 3201003.071 da Sessão de 27/07/2017, Processo 19740.900036/200904, da lavra do Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira, cujas razões de decidir passo a adotar para fundamentar o presente voto: Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.691424/200910 Acórdão n.º 3001000.156 S3C0T1 Fl. 144 7 À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado e a cobrança já tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que Fl. 147DF CARF MF 8 eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: " Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o despacho decisório por vício material. No caso transcrito, diversamente do presente, o débito que estava declarado em DCTF perfazia o valor de R$ 379.120,32, tendo, contudo, recolhido a quantia de R$401.008,74. O erro, portanto, ocorrera apenas no recolhimento, merecendo ser acolhido o pleito do contribuinte. Ainda foi relatado, em sede de recurso voluntário que, ao tomar ciência do despacho decisório, teria retificado a DCTF,. Ainda, em face dos argumentos de ausência Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.691424/200910 Acórdão n.º 3001000.156 S3C0T1 Fl. 145 9 dependente provas de seu crédito, juntou cópias de seu livro razão, notas fiscais e comprovantes de arrecadação, sendo mister, por fim, ressaltar que em sua DIPJ constava o lançamento do valor pretendido como crédito. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925667/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.094
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para determinar à Unidade de Origem que promova as correções do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para determinar à Unidade de Origem que promova as correções do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando que retificara a DCTF, bem como o Dacon, de forma a adequá los às diferenças e créditos apurados para o período. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 25 66 7/ 20 12 -1 9 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10680.925667/201219 Resolução nº 3201001.094 S3C2T1 Fl. 141 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: a) retificou o Dacon antes da transmissão do Per/DComp; b) na Manifestação de Inconformidade, esclareceu que o débito estava incorretamente informado na DCTF original, motivo de sua retificação, mas corretamente lançado no Dacon; c) houve espontaneidade na retificação da DCTF pois ocorrera antes da ciência do despacho decisório, conforme documentos demonstrativos da situação; d) a DCTF retificadora é prova do indébito do qual decorre o direito creditório; e) a recusa em aceitação da DCTF retificadora viola o art. 147 do CTN e art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010; f) inferese do Dacon e da DCTF retificadores que, no período de apuração destes autos, não havia débitos, assim o recolhimento por DARF do valor erroneamente informado nas declarações originais tornaramse indevidos, constituindose crédito do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.083, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.925656/201221, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.083): Em face de debates surgidos em sessão de julgamento, fui designada redatora da posição vencedora em decorrência de divergência aberta. Como se verifica pelo relato dos fatos, a compensação declarada pelo Contribuinte não foi admitida em razão de o crédito informado, decorrente de pagamento indevido ou a maior, estar vinculado a débito regularmente declarado em DCTF. Contudo, tendo sido demonstrado que a referida DCTF foi retificada pelo contribuinte anteriormente à cientificação do Despacho Decisório, temse que o crédito deve ser analisado em face das informações constantes do documento retificador, que substitui integralmente o original. Isso não significa afirmar que o crédito informado não possa ser averiguado pela Fiscalização, notadamente em razão do fato de que a retificação ocorreu posteriormente à emissão do Despacho Decisório e, Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.925667/201219 Resolução nº 3201001.094 S3C2T1 Fl. 142 3 portanto, em face de informações constantes nos sistemas da RFB naquele momento. Tratase de situação na qual a análise inicial deve ser revista em face do documento retificador admitido pela RFB. Desse modo, e em respeito ao Princípio da Verdade Material, propõese a conversão do feito em diligência para que a Autoridade Lançadora efetue nova análise da compensação efetuada a partir das informações constantes na DCTF retificadora, podendo intimar o Contribuinte a apresentar documentos que entenda necessários, além daqueles já apresentados nos presentes autos. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF antes da ciência do despacho decisório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Lançadora efetue nova análise da compensação efetuada a partir das informações constantes na DCTF retificadora, podendo intimar o Contribuinte a apresentar documentos que entender necessários, além daqueles já apresentados nos presentes autos. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907142/2011-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 07 14 2/ 20 11 -7 3 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 66 2 A recorrente, em manifestação de inconformidade, solicita a extinção do crédito tributário relativo ao despacho decisório, mediante o deferimento da compensação com débitos. Erro no Preenchimento da DCOMP Ao preencher o Per/Dcomp, teria informado que a totalidade de créditos de de PIS seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas, quando, de fato, tais créditos vincularseiam, também, com receitas de exportação. A justificativa do lapso, segundo o raciocínio apontado, decorreria do fato de ter tomado por base os dados da DACON original, a qual não segregou, ou vinculou, a receita interna e externa, mas teria informado de forma mensal totalizada. Ou seja, por ter consignado que os créditos estavam integralmente vinculados a receitas não tributadas no mercado interno, quando deveria ter segregado entre receitas de mercado interno e externo. Origem do Crédito mercado interno não tributado e receita de exportação Argumenta que a totalidade do crédito de PIS a compensar seria oriunda de aquisicões no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas. Quando, em verdade, apenas parte de aquisições ocorreram no mercado interno com receitas não tributadas. Enquanto parcela diversa referiase a receita de exportação. A Ficha 28B, DACON, apresenta informação do crédito de PIS vinculado a receita não tributada no mercado interno e proveniente de exportação, assegurando a legitimidade do crédito de PIS. Documentos anexados Foram anexados a estes autos: cópia parcial da DACON originária, cópia parcial da DACON e Per Dcomp. DRJ/FOR A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0833.001 4ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS TIPO DE CRÉDITO. DISCRIMINAÇÃO. PER/DCOMP. O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação exigem a formulação de pleitos distintos quando da demonstração de créditos de natureza não cumulativa decorrentes de aquisição no mercado interno e de receitas de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório da mencionada decisão, por bem retratar o assunto, é trazido em sua integralidade. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 67 3 Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em oposição ao Despacho Decisório (fl. 38) que deferiu parcialmente o crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 05522.93290.130809.1.5.105405, homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 26856.65091.310308.1.3.109232 e não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP nº 21728.26275.130809.1.7.103692 e 33688.23916.130809.1.7.104170. O primeiro PER/DCOMP acima citado continha o Pedido de Ressarcimento e a demonstração do crédito referente a Pis/Pasep não cumulativa vinculada a receita não tributada no mercado interno, relativamente ao 3º trimestre de 2005, e lastreava as compensações intentadas. O Despacho Decisório não homologou as compensações sob a justificativa de que o crédito apurado foi inferior ao requerido, sendo o valor reconhecido insuficiente para extinguir os débitos declarados. Cientificado da decisão em 17/01/2012 (fl 42), o interessado apresentou em 26/01/2012 a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/5 arguindo, em síntese que equivocouse, em duas ocasiões, a saber. Primeiramente, no preenchimento do demonstrativo no PER/DCOMP que discrimina o direito creditório, ao indicar que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, de fato, parte do crédito pleiteado decorria de receitas de exportação. Em segundo lugar, alega que cometera o equívoco de preencher o Dacon do período em questão sem segregar os valores de crédito associados a receitas internas daqueles decorrentes de vendas ao mercado externo. Alega, contudo que no Dacon do mês de janeiro de 2006 os créditos pleiteados encontramse devidamente vinculados, de forma segregada, entre receitas não tributadas no mercado interno e receitas de exportação. Cientificado da decisão em 42 (fl 42), o interessado apresentou em 26/01/2012 a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/5 arguindo, em síntese que equivocouse ao preencher o demonstrativo do crédito no primeiro PER/DCOMP entregue, ao indicar apenas o total do crédito no trimestre, quando deveria ter discriminado o direito creditório mês a mês. É o relatório Já em trecho de seu voto, destacase tópico no qual expõe a questão central deste caso, a saber: a possibilidade de discussão, em sede de manifestação de inconformidade,sobre a utilização de créditos de natureza distintas; e, a comprovação da existência do crédito alegado. Para tanto, destacase, na primeira tese, os seguintes trechos: De plano, cabe esclarecer que o PER/DCOMP não comporta a utilização de créditos de natureza distintas, como quer o defendente. Se o contribuinte possui créditos decorrentes de aquisições no mercado Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 68 4 interno e créditos decorrentes de receitas de exportação deve apresentar um pedido para cada tipo de crédito. Na segunda tese, finaliza sob o seguinte argumento: Destaquese por fim, que o interessado não apresentou, junto com a manifestação de inconformidade, nenhum elemento extraído de seus assentamentos contábeis, visando demonstrar a existência do crédito adicional, no sentido de justificar os alegados erros cometidos no Dacon e no PER/DCOMP. Recurso Voluntário Apresentado a defesa, a recorrente relata que se trata de pedido de compensação cujo resultado foi o indeferimento de parte dos valores, em face do qual, apresenta sua iresignação. Relatou que o crédito reclamado está alocado no mês de competência e estariam vinculados à receitas não tributadas no mercado interno e á atividade de exportação, mas que, conforme relatou em manifestação de inconformidade, reprisando a narrativa da forma como se deu o erro no preenchimento da Per/Dcomp Requer a baixa em diligência para averiguação do crédito tomado. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário que pretende demonstrar a ocorrência de erro no preenchimento de valores em DACON. Em síntese, a recorrente aponta crédito decorrentes de venda não tributada no mercado interno e crédito advindo da atividade de exportação, e pretende aproveitar o crédito mediante compensação. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A decisão recorrida, conforme relatado acima, sustentase em dois argumentos centrais. O primeiro, de plano, considero superado, pois este Conselho detém competência para analisar as compensações postas no litígio administrativo. O segundo, merecedor de maior atenção, revelase no tema acerca da possibilidade de busca da verdade material por este Tribunal Administrativo. Meios de Prova do Crédito Tributário A recorrente argumenta que seus créditos são legítimos, não indicando porém, nenhum documento comprobatório de sua narrativa. Ao contrário, limitase a repisar os argumento trazidos em manifestação de inconformidade sustentandoos, basicamente, nas DACONs. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 69 5 Em outros julgados, fui adepto à corrente mais formalista, no que tange à possibilidade da juntada de documentos após o início da fase litigiosa, no processo administrativo federal, aceitandoos, tão somente, sob a tutela dos artigos 14 e 16 do Decreto 70.235/72. Esta egrégia Primeira Turma Extraordinária, muito embora, vem aplicando entendimento mais favorável ao contribuinte, motivo pelo qual, arredo posição de decisões anteriores para seguir os precedentes, como ressaltado a seguir: Da proposta de diligência Conforme observase do voto condutor do acórdão recorrido, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, o interessado indicou como crédito a compensar, o constante de DARF relativo ao IPI do período de apuração de abril de 2005, no valor de R$ 11.253,67, mas que, entretanto, em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que o valor recolhido, referente ao citado DARF, encontravase inteiramente alocado para a quitação de outros débitos do sujeito passivo e, por conseguinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, notadamente, em razão de o Colegiado a quo concluir que o contribuinte, ao apresentar sua manifestação de inconformidade, não a instruiu com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito creditório pleiteado. O contribuinte, em sua manifestação de inconformidade afirma que "devido a erro de preenchimento da DCTF (...), onde a empresa informou como débito total o valor de R$ 11.253,67 (...) referende ao Débito de IPI do mês de Abril desse mesmo ano, enquanto o valor apurado foi de R$ 6.027, 56 (...), gerouse um pequeno equívoco na constatação da existência do crédito", e que "constatado o erro de preenchimento em sua DCTF, procedemos a retificação da mesma a qual gerou o recibo de entrega nº 12.67.79.26.7273"; logo, "conforme se pode observar, a inexistência do crédito apontada (...) se deu apenas pelo erro cometido pela empresa no preenchimento de sua DCTF referente ao 1º Semestre de 2005". Não obstante o contribuinte, além de reconhecer o evidenciado equivoco e de ter apresentado juntamente com sua manifestação de inconformidade, a cópia da DCTF retificadora do período de apuração em questão e do PER/DCOMP, verdade é que com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida, o recorrente colaciona as cópias: do livro Registro de Apuração do IPI, Modelo 8, do anocalendário de 2005 (fls. 125 a 151), da PER/DCOMP 09262.56375.310805.1.3.04 5123, transmitida em 31.08.2005, acompanhada dos respectivos DARF e comprovante de recolhimento bancário (fls. 152 a 160), da DCTF/SEMESTRAL 100.0000.2010.2080235820 referente ao 1º Semestre de 2005 Número do Recibo 41.72.69.01.9197, recepcionada e processada em 30.08.2010 (fls. 161 a 276), do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 861818943, emitido em 19.04.2010 (fl. 282). Em face do exposto, e do possível erro quando do registro dos fatos contábeis na sua escrituração, com reflexo no preenchimento da DCTF, que, ao menos em tese, deveriam ser sanados de ofício, mediante a confirmação da aludida DCTF, mas que não se observa a Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 70 6 manifestação conclusiva da autoridade fiscal competente para se pronunciar sobre referido documento DCTF retificadora e tendo em vista verossimilhança das alegações do contribuinte e em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que, nas circunstâncias observadas nestes autos, devem nortear o processo administrativo fiscal de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, em consonância, inclusive, com os termos do recente Acórdão 9303005.096, da 3ª Turma da CSRF, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a autoridade preparadora da unidade fiscal de origem analise os O recurso voluntário e, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a não só confirmar a existência do indébito alegado, mas, sobretudo, para demonstrar o acerto quanto à apresentação da DCTF retificadora Neste sentido, Robson Bayerl, nos autos do processo n.º 13502.900764/201311 assevera: Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. O caso presente, contudo, escapa aos precedentes acima mencionados, por manterse inerte a recorrente no sentido de apresentação das provas a fim de comprovar existência ao seu direito de crédito, por exemplo, das receitas advindas das atividades de exportação. Faço, portanto, análise que nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, resumese a líde no protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 71 7 Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 72 8 pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 73 9 Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, os documentos trazidos no Recurso Voluntário, são insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 74 10 O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como no caso, a comprovação de suas vendas para exportação. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 75 11 transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 76 12 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila VOTO VENCEDOR Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo Em que pesem os elogiáveis argumentos do Voto Vencido, da lavra do I. Conselheiro Relator, Sr. Renato Vieira de Avila, peço licença, primeiro, para, aqui, em nome da eficiência, reproduzir seu Relatório e, segundo, em divergindo do seu entendimento, para, em breves linhas, explicitar as razões às quais considero que justifica a conversão do presente julgamento em diligência. Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 77 13 vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao terceiro trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 26856.65091.310308.1.3.109232, Per/Dcomp 21728.26275.130809.1.7.103692 e no Per/Dcomp 33688.23916.130809.1.7.104170. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábilfiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10935.907142/201173 Resolução nº 3001000.036 S3C0T1 Fl. 78 14 Da conclusão Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a DRF/CASCAVEL. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente no Per/Dcomp 26856.65091.310308.1.3.109232, Per/Dcomp 21728.26275.130809.1.7.103692 e no Per/Dcomp 33688.23916.130809.1.7.104170. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.011392/00-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara para que esta junte a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 10880.022809/99-64.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara para que esta junte a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 10880.022809/99-64. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 365 1 364 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.011392/0036 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.720 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de março de 2018 Assunto Sobrestamento Recorrente CODEMIN S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara para que esta junte a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 10880.022809/9964. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para cobrança de PIS/Pasep no período 08/1994 a 02/1996, lavrado em decorrência de indeferimento do pedido de restituição efetuado no processo 10880.022809/9964, no qual a unidade refez a apuração do PIS/Pasep, segundo a LC 07/70, afastando a semestralidade, e apurando saldos a pagar ao invés de saldos a restituir. O lançamento ocorreu com exigibilidade suspensa e sem multa de ofício, uma vez que a recorrente obteve sentença no Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0540179 que determinou, dentre outros, a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados administrativamente. Em impugnação, a recorrente reforçou estar resguardada pela decisão proferida no referido Mandado de Segurança, assim como pugnou pela aplicação da semestralidade na apuração do PIS/Pasep sob a égide da LC nº 07/70. Posteriormente, aditou a impugnação, defendendo a inaplicabilidade da alíquota de 0,75% prevista na LC nº 07/70, vez que observara a legislação vigente à época. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 11 39 2/ 00 -3 6 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13807.011392/0036 Resolução nº 3302000.720 S3C3T2 Fl. 366 2 A DRJ em Campinas proferiu o Acórdão nº 6.496, julgando improcedente a impugnação. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando a decadência do direito de lançar concernente ao período de 08/1994 a 10/1995, o sobrestamento do julgamento até a decisão definitiva a ser proferida no processo 10880.022809/9964, a aplicação da semestralidade na apuração do PIS/Pasep nos termos do parágrafo único do artigo 6º da LC nº 07/70, inaplicabilidade do diferencial de alíquota de 0,65% (previstas no DL nº 2.445 e 2.449/1988) para 0,75% (prevista na LC nº 07/70) e a inexigibilidade dos juros de mora. Em 20/01/2012, a então relatora solicitou a conexão deste processo com o de pedido de restituição de nº 10880.022809/9964 e, posteriormente, o então presidente desta Segunda Turma Ordinária determinou o sobrestamento do feito até o retorno do processo de restituição, que houvera sido convertido em diligência. Retornados os autos do processo de pedido de restituição, ambos, na forma regimental, foram distribuídos a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Constatase a partir dos fatos expostos, que o julgamento deste processo depende do julgamento a ser proferido no processo de restituição de nº 10880.022809/9964, cujos saldos a restituir foram considerados inexistentes e transformados em saldos a pagar, em razão da não aplicação da semestralidade prevista no parágrafo único do artigo 6º da LC nº 07/70, matéria esta pacífica neste Conselho e na Receita Federal do Brasil, com a edição da Súmula CARF nº 15 (vinculante), a seguir transcrita: Súmula CARF nº 15 (VINCULANTE): A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Destacase, assim, que as alegações da recorrente quanto à aplicação da semestralidade procedem, o que alterará os cálculos efetuados no pedido de restituição acima mencionado. Destarte, verificase que este processo é decorrente do processo nº 10880.022809/9964, nos termos do artigo 6º1, §1º, inciso II do Anexo II do RICARF, devendo a decisão ali a ser proferida pautar este julgamento. 1 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13807.011392/0036 Resolução nº 3302000.720 S3C3T2 Fl. 367 3 Assim sendo, e nos termos do artigo 122 da Portaria CARF nº 34, de 31 de agosto de 2015, deve o presente julgamento aguardar a decisão administrativa a ser proferida no processo 10880.022809/9964. Diante do exposto, voto no sentido de sobrestar o presente julgamento na Terceira Câmara, para que esta junte a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 10880.022809/9964 e, após, retorne o processo a esta turma para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. 2 Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. Fl. 367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14033.003573/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/09/1988 a 30/09/1995
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ.
Uma vez constatado erro material no fundamento do acórdão da DRJ que entendeu pelo não conhecimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (inexistência de concomitância no caso concreto), deverá ser reconhecida a sua nulidade, determinando-se o retorno dos autos àquela instância de julgamento, para que esta aprecie os fundamentos constantes da referida peça de defesa.
Numero da decisão: 3301-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, decidiu-se pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/09/1988 a 30/09/1995 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. Uma vez constatado erro material no fundamento do acórdão da DRJ que entendeu pelo não conhecimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (inexistência de concomitância no caso concreto), deverá ser reconhecida a sua nulidade, determinando-se o retorno dos autos àquela instância de julgamento, para que esta aprecie os fundamentos constantes da referida peça de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, decidiu-se pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
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ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. Uma vez constatado erro material no fundamento do acórdão da DRJ que entendeu pelo não conhecimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (inexistência de concomitância no caso concreto), deverá ser reconhecida a sua nulidade, determinandose o retorno dos autos àquela instância de julgamento, para que esta aprecie os fundamentos constantes da referida peça de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, decidiuse pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 35 73 /2 00 8- 88 Fl. 948DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da Resolução de fls. 377/382 dos autos: Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Brasília que não conheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que haveria identidade entre a matéria objeto de litígio e a de ação judicial. Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Per/Dcomp (fls. 1 a 17), relacionados na Tabela 1 do relatório do despacho decisório, nos quais a empresa acima identificada compensou crédito reconhecido por sentença judicial com débitos de IRRF, Cofins e Pis no valor total de R$ 10.950.467,53. No despacho decisório (fls. 56 a 60), a autoridade fiscal competente homologou parcialmente as declarações de compensação, porque o saldo remanescente (R$ 1.290.815,01) do quantum (R$ 11.499.393,77) do crédito apurado no processo n° 14033000196/200825 não foi suficiente para liquidar o total dos 4 débitos confessados. A contribuinte tomou ciência da decisão proferida no despacho decisório, acima citado, 2/04/2009 (AR — fl. 61v). Inconformada, em 21/05/2009 apresentou a manifesta inconformidade (fls; 62 á 75), na qual transcreve os fatos; discorre sobre a abrangência da decisão judicial transitada em julgado e sobre o processo de habilitação do crédito na Receita Federal; faz quadros demonstrativos e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: é detentor de decisão judicial, transitada em julgado, que reconheceu seu direito à compensação de indébito tributário relativo aos valores de PIS/PASEP indevidamente recolhidos no período de 10 anos anteriores ao ajuizamento da ação judicial, ou seja, a partir de setembro de 1986 com tributos administrados pela Receita Federal; amparado pela decisão judicial transitada em julgado, requereu, em 28/12/06, a habilitação do valor (R$ 52.168.664,04) total do crédito atualizado, à época, conforme anexo (Doc. 3). Apesar da clareza da sentença judicial, a Receita Federal entendeu, consoante Despacho Decisório EQAJUD/DICAT/DRF/BSA n° 58, de 29/05/07, que os pagamentos indevidos alcançados pela decisão judicial foram somente os efetuados a partir de julho de 1988; em 11/05/07, respondendo a Termo de Intimação Fiscal, demonstrou, reafirmou e esclareceu ao Fisco a amplitude do seu direito creditório, de agosto/1986, pois a decisão final reconheceu que o prazo prescricional deveria ser de 10 anos, contados a partir do ajuizamento da ação, que ocorreu em setembro/1996. No entanto, ignorando a clareza da sentença judicial, esse órgão, usurpando o papel do judiciário, aplicou seu entendimento ao caso e, displicentemente, julgou que os pagamentos indevidos ocorreram apenas a partir de julho de 1988, deferindo apenas parcialmente a habilitação, no valor de R$ 44.841.111,52; diante dos desrespeitados à decisão proferida pelo STF, acobertada pelo manto da coisa julgada, inclusive para fina de ação rescisória, não lhe restou outra Fl. 949DF CARF MF Processo nº 14033.003573/200888 Acórdão n.º 3301000.322 S3C3T1 Fl. 949 3 alternativa a não ser buscar seu direito novamente junto ao judiciário, ao impetrar, em 03/09/2007, o Mandado de Segurança 2007.34.00.0308022, com pedido de liminar, visando habilitação do crédito relativo ao período de setembro de 1986 a junho de 1988 que, ilegalmente, foi negada administrativamente por essa Receita Federal; com a denegação da liminar pleiteada, interpôs o Agravo de Instrumento n° 2007 01 00 0449551 acolhido pelo TRF, em julgamento realizado em 07/12/2007 (doc 4). Nessa decisão, assim se manifestou o Juizado Federal: "Nem mesmo a Súmula 121/STJ pode ser invocada como óbice à pretensão do agravante, pois, o que se busca é o direito de habilitação, perante a Receita Federal, de crédito já transitado em julgado, cujos limites temporais foram ali definidos"; Nesse contexto, resta evidente a legitimidade do direito à habilitação dos valores indevidamente recolhidos desde setembro de 1986 até junho de 1988, tal como assegurado pela decisão transitada em julgado no Recurso Especial n. 495.980." Ante o exposto, dou provimento ao agravo de instrumento para reconhecer ao agravante o direito a habilitação nos termos em que requerida no item 3.1." é cristalino o equivoco da Receita Federal ao, ultrapassar seu papel querer delimitar o seu direito adquirido por meio de sentença proferido no RE e, além disso, confirmado pelo Acórdão do TRF no AGI. Por fim, o crédito total solicitado em dezembro de 2006 deverá set habilitado, porque é objeto de ação judicial transitada em julgado, não cabendo a essa autarquia nenhum juízo de mérito, mas apenas proceder ao seu fiel cumprimento; ademais, nos cálculos.realizados pela. Receita Federal, os recolhimentos de PIS/PASEP efetuados cm 31/08/1988 e 30/09/1988, referentes aos períodos de apuração de julho e agosto de 1988, não foram acatados; as guias de recolhimentos foram devidamente entregues, em 10/03/2007, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n°. 141/2008 (Doc 5). Analisandose os documentos, é possível constatar que estão devidamente autenticados pelo Banco do Brasil e que foram recolhidos nas respectivas datas de Vencimento; não cabe ônus ao contribuinte se os valores não foram localizados por essa Receita, uma vez que o recolhimento está documentalmente comprovado. Em respeito ao principio da verdade material, as guias Apresentadas devem ser obrigatoriamente reconhecidas pelo Fisco, conforme reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes; assim, os recolhimentos de Cr$ 27.108.275,29 e Cr$ 19.116.537,67, procedidos em 31/08/1988 e 30/09/1988, devem ser considerados na determinação do valor do crédito de recolhimentos indevidos de PIS/PASEP efetuados por ela; constatou que foi incluído, no calculo do PISRepique devido, o adicional de IRPJ, o que reduziu o crédito a compensar a seu faVor. Ocorre que a lei que instituiu o PIS e que deverá ser aplicada ao caso em tela é a LC n° 07/70, especialmente o disposto pelo art. 3', "a", e §1°, que determina como sendo base de cálculo do PIS o valor devido a titulo de Imposto de Renda, deduzidos os incentivos fiscais previstos na legislação. Sobre esta base de cálculo deverá ser aplicada a alíquota de 5%; Fl. 950DF CARF MF 4 em face do disposto na LC no 7/70, a inclusão do Adicional de Imposto de Renda, para efeitos de se obter a base de calculo do Pis) é devida, pois ela estabelece que a base de cálculo do PIS seria o Imposto de Renda devido. A época da promulgação da LC n° 7/70, a legislação do IR não contemplava a figura do adicional, que só veio a partir do exercício financeiro de 1980, através do DecretoLei n° 1.704/79, assim, o IR apurado pela alíquota adicional não deve ser considerado para efeitos do cálculo do PISRepique; ademais, em 1987, a Receita Federal se pronunciou sobre a matéria, por meio de indagações formuladas ao "Plantão Fiscal", publicadas em obra intitulada "Perguntas e Respostas Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1987" o disposto acima corrobora o seu entendimento, e, tendo partido da própria Receita Federal, não pode ela proceder em contrário. Portanto, o IRPJ calculado alíquota adicional não faz parte da base de cálculo do PISRepique. Assim, no cálculo efetuado por esse Fisco, o valor do IRPJ calculado à alíquota adicional constou indevidamente na base de calculo da contribuição nos exercícios de 1993 e 1994, o que, imerecidamente, reduziu o valor do crédito compensável pelo contribuinte; Por derradeiro, discorre sobre a base de calculo correta nos exercícios de 1988 a 1990; índices; conversão (0Th, BTN ou UF1R) e sobre o valor correto do crédito a compensar e no pedido requer o seguinte: a) esse órgão. cumpra o determinado em sentença judicial transitada em julgado, habilitando‘ o valor total dos recolhimentos indevidos. de PIS/PASEP realizados, no período de agosto de 1986 a abril de 1994, conforme já solicitado em 28/12/2006 (processo 10166.012225/200680); b) sejam corrigidas as inconsistências existentes no cálculo do crédito ao qual tem direito, conforme apontado nesta manifestação de inconformidade e que seja acolhida a Planilha 1 (Doc,6) como demonstrativo correto do crédito passível de compensação; c) as DCOMP 10017.69110 101008.1.3:546287 e 39111 57400.201008.1.3.540066 sejam homologadas, haja' vista a suficiência do crédito utilizado para a compensação dos débitos, consoante demonstrado; d) seja cancelada a cobrança dos débitos considerados não compensados e os encargos dela decorrentes, visto que se mostram indevidos, porquanto existem os créditos para as compensações efetuadas pelo contribuinte, conforme relatado e documentado A DRJ em Brasília não conheceu a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: Restituição de indébito Concomitância do processo judicial com o administrativo. A propositura de ação judicial antes, concomitante ou posteriormente autuação, afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da mesma pretensão. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho basicamente repetindo as razões da manifestação de inconformidade e acrescentando que jamais lhe fora dado a a oportunidade de se insurgir contra o reconhecimento apenas parcial do crédito pleiteado nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 14033.003573/200888 Acórdão n.º 3301000.322 S3C3T1 Fl. 950 5 Face à referida decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 19/01/2010 (vide fls. 283 e seguintes do eprocesso). Ato contínuo, através da Resolução de fls. 377/382 dos autos, a então Relatora, Conselheira Andréa Medrado Darzé, entendeu por converter o julgamento do processo em diligência, com base nos seguintes fundamentos: Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, proferida nos autos do processo judicial n° 1996.34.00.185786, o qual não teria sido integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, o que representaria ofensa à coisa julgada. A autoridade recorrida entendeu que a manifestação de inconformidade não deveria ser conhecida, com base nos seguintes argumentos: No processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, a autoridade fiscal competente, com base na sentença judicial transitada em julgado apurou quantum do crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77. Desse valor, R$ 10.208.578,76 foi utilizado para liquidar débitos confessados nas Dcomp homologadas naquele processo, restando saldo remanescente de R$ 1.290.815,01, compensado com os débitos confessados nas Dcomp analisadas neste processo, homologadas parcialmente. Assim, com o crédito que a contribuinte pretende discutir neste processo foi analisado nos autos do processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, não cabe, aqui nos autos deste processo administrativo fiscal a discussão ou rediscussão da matéria lá examinada ou de qualquer outra pertinente a apuração daquele credito. Ao tomar conhecimento daquela decisão, à época oportuna, a interessada deveria ter se manifestado a respeito e não agora, após a definitividade da decisão proferida naquele processo de apuração do quantum do crédito compensado. Ademais, o crédito relativo ao período (set/1986 a jun/1988) pleiteado pelo sujeito passivo teve sua discussão deslocada para o Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022, o que, caracteriza a renúncia tácita à via administrativa, e, por conseguinte, impede o exame da matéria pelos órgãos judicantes da administração. Nesse sentido deve ser observado o disposto no artigo 26 da Portaria MF 258 de 2001, que estabelece: (...) a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Vale esclarecer que a autoridade julgadora trouxe ao presente processo apenas cópia da decisão proferida nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, no qual há o reconhecimento de crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77 e a homologação total das declarações de compensação daquele processo. O ora Recorrente, por outro lado, sustenta o seguinte: Ademais, quando da cientificação ao contribuinte do Despacho emitido para o processo n° 14033.000196/200825 (Doc. 5) —ao contrário do que ocorreu no 14033.000196/200825 sequer houve menção a possibilidade e prazo para refutar o 16583.59275.100908.1.3.545774 e 09762.52438. 180908.1.3.547408, bem como o valor integral de uma DCOMP homologada parcialmente 10017.69110.1010. 08.1.3. 546287. Até mesmo neste ponto há equívocos. Fl. 952DF CARF MF 6 Postas estas razões por ambas as partes, verifico que a documentação trazida aos autos não é suficiente para formar a convicção de que foi efetivamente oportunizado ao contribuinte o direito de se insurgir contra a decisão que reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado. Com efeito, independentemente de terem sido integralmente homologadas as compensações declaradas no processo administrativo n° 14033.000196/200825, entendo que, como parte do crédito pleiteado não foi reconhecida, teria o contribuinte que ser intimado, abrindolhe oportunidade para a apresentação de recurso voluntário, sob pena de nulidade do processo ou, no mínimo, de se ter que reconhecer que não houve decisão final sobre o crédito e que, por conta disso, eventualmente poderá ser discutido em outra sede, como a presente. Da mesma forma, não se tem notícia nesses autos do desfecho do processo judicial nº 2007.34.00.0308022, o que nos impede de decidir com segurança se a decisão recorrida andou bem ao reconhecer a concomitância ou se na verdade, em face do estágio do processo, deveria ter cumprido o comando exarado pelo Poder Judiciário em caráter definitivo, como alegado pelo contribuinte em seu recurso. Neste contexto, verificando as deficiências de instrução do processo acima identificadas e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que traga aos autos (i) cópia da intimação do acórdão proferido pela DRF nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, do comprovante do seu recebimento pelo contribuinte e, ainda, em havendo intimação, se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte e, igualmente, (ii) certifique se o processo judicial nº 2007.34.00.0308022 transitou em julgado, bem como traga a estes autos cópia das decisões de primeira instancia, do TRF e eventualmente do STJ proferidas neste processo. Em atendimento à diligência indicada no item (i) acima, foram juntados as autos: (a) despacho decisório constante do processo nº 14033.000196/200825 (fls. 387/404 dos autos); (b) comunicado encaminhado ao BRB dando ciência do teor do deferido despacho (fl. 405 dos autos); (c) AR atestando o recebimento por parte do contribuinte (fl. 406 dos autos). De outro norte, em atendimento à diligência constante do item (ii) supra, o contribuinte anexou aos autos cópia do processo nº 2007.34.00.0308022 (fl. 409 e seguintes). Percebeuse, contudo, que não foi atendida a parte final do item (i), no sentido de identificar "se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte". Isso porque, apenas a juntada aos presentes autos do AR de ciência do teor do despacho decisório, sem a informação sobre o desfecho do caso (certificação sobre o transcurso do prazo para se manifestar, ou mesmo a apresentação de eventual manifestação e os atos decisórios subsequentes), não atendia ao fim da diligência requerida, imprescindível à solução da presente demanda. Sendo assim, já sob a minha relatoria, foi determinada nova conversão do julgamento em diligência (Resolução nº 3301000.251), no intuito de que fosse juntado aos presentes autos cópia integral do Processo Administrativo n° 14033.000196/200825. Cumprida esta diligência (vide cópia anexada às fls. 486/946), os autos retornaram a esta Julgadora, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 14033.003573/200888 Acórdão n.º 3301000.322 S3C3T1 Fl. 951 7 Fl. 954DF CARF MF 8 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Para que melhor se compreenda o cerne da presente demanda, farseá inicialmente um breve resumo do caso. Entre 10/09/2008 e 20/10/2008, o contribuinte em epígrafe transmitiu quatro declarações de compensação eletrônicas (DCOMPs nº 16583.59275.100908.1.3.545774, 09762.52438.180908.13.547408, 10017.69110.101008.1.3.546287 e 39111.57400.201008.1.3.540066), através das quais solicitou a homologação da compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de PIS oriundo de decisão judicial transitada em julgado (Proc. nº 1996.34.00.185786) com débitos próprios de IRRF, Cofins e PIS, no montante total de R$ 10.950.467,53. Parcelas do crédito citado neste processo foram utilizados no Proc. nº 14033.000196/200825, o qual já teve o seu trâmite concluído, encontrandose atualmente na situação de arquivado (vide cópia integral deste processo anexado às fls. 486/946 dos autos). No despacho decisório, a autoridade fiscal competente reconheceu o direito creditório oriundo do Processo Judicial nº 1996.34.00.185786. Contudo, considerando que o quantum de tal crédito já havia sido fixado nos autos do Proc. nº 14033.000196/200825 (R$ 11.499.393,77 em 31/12/1995), e que a maior parte do crédito (R$ 10.208.578,76) já havia sido utilizada naquele processo, admitiu a compensação realizada nos presentes autos até o limite da diferença identificada (R$ 1.290.815,01). Ou seja, homologou apenas parcialmente as declarações de compensação, porque o saldo remanescente (R$ 1.290.815,01) do crédito apurado no Processo n. 14033000196/200825 não foi suficiente para liquidar o total dos 4 débitos confessados na presente demanda. Em manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que, amparado em decisão judicial transitada em julgado, teria requerido em 28/12/2006 a habilitação do total do crédito, no importe de R$ 52.168.664,04. Ocorre que a Receita Federal teria, equivocadamente, deferido a habilitação de apenas parte deste valor, no importe de R$ 44.842.111,52, por entender que estariam alcançados pela decisão judicial os pagamentos indevidos efetuados a partir de julho de 1988. Aponta, então, uma série de falhas quanto ao levantamento realizado pela Receita Federal no que concerne ao montante do crédito a que faria jus. Ressaltou, também, que face ao equívoco da administração pública, teria ajuizado Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022 no intuito de obter a habilitação do crédito tributário também quanto ao período de setembro de 1986 a junho de 1988. Em decisão proferida em sessão realizada em 30/10/2009, a DRJ entendeu por não conhecer da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte sob o fundamento de que "A propositura de ação judicial antes, concomitante ou posteriormente autuação, Fl. 955DF CARF MF Processo nº 14033.003573/200888 Acórdão n.º 3301000.322 S3C3T1 Fl. 952 9 afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da mesma pretensão". Em seu voto, indicou o Relator que não poderia analisar a matéria em razão da concomitância decorrente do ajuizamento por parte do contribuinte do Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022. Face a esta decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, através do qual reiterou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, pleiteando a homologação integral dos créditos ali apontados, corrigindose as inconsistências quanto ao cálculo do crédito a que faria jus conforme decisão judicial transitada em julgado. Já no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através de diligências solicitadas através das Resoluções nº 3102000.312 e 3301000.251, foram anexadas aos autos cópias do Processo Administrativo nº 14033000196/200825, bem como do Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022, para que se pudesse avaliar a influência dos referidos julgados na presente demanda, e, em consequência, a correção da decisão recorrida. Das cópias do Processo Administrativo nº 14033000196/200825, constatase que se trata de DCOMPs apresentadas pelo contribuinte em 31/01/2008, por meio das quais pretendia o contribuinte a homologação de compensações realizadas com créditos oriundos da mesma decisão judicial transitada em julgado (Proc. nº 1996.34.00.185786). O despacho decisório, proferido em 02/09/2008 (vide fls. 877 e seguintes), após identificar o montante do crédito a que faria jus o contribuinte, concluiu pela homologação integral das DCOMPs ali apresentadas. O contribuinte, por seu turno, fora intimado do despacho decisório proferido naqueles autos em 12/12/2008 (vide fl. 888 dos autos), não tendo interposto qualquer recurso quanto ao seu conteúdo. De outro norte, para que se pudesse avaliar a correção da decisão que determinou a concomitância, foi juntada aos autos cópia do referido Mandado de Segurança (vide fls. 409/470). Da análise destas cópias, extraise que o pedido expresso naquele mandamus foi no sentido de que "seja dada efetividade à decisão judicial transitada em julgado proferida na Ação Ordinária nº 96.00185786, determinandose que a Delegacia da Receita Federal em Brasília efetue a habilitação dos créditos do Impetrante, decorrente da decisão proferida na Ação Ordinária nº 96.00185786, especificamente no que se refere aos recolhimentos efetuados no período de setembro de 1986 a junho de 1988, para que possa dar início ao procedimento administrativo de compensação do tributo recolhido a maior em virtude de decisão judicial" (vide fls. 461/462 dos autos). Feitos estes esclarecimentos preliminares, passo, então, à análise da decisão recorrida. Entendo que não fora acertada a conclusão da DRJ no sentido de não conhecer da Manifestação de Inconformidade em razão da concomitância. Isso porque, entendo que simplesmente não há concomitância no caso vertente, senão vejase. Como é cediço, a súmula nº 01 do CARF assim dispõe: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com os mesmo objeto do Fl. 956DF CARF MF 10 processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Observase, pois, que a referida súmula fala em ação judicial que possua o mesmo objeto. Da análise dos autos, contudo, extraise que a discussão objeto do Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte é diversa da discussão objeto do presente processo administrativo. Enquanto nesta demanda o contribuinte discute a habilitação do crédito em si, o mandado de segurança visa obter uma ordem mandamental no intuito de que a autoridade impetrada cumpra o que fora determinado em decisão judicial proferida nos autos do Proc. 96.00185786, já transitado em julgado. Para que não reste qualquer dúvida quanto à diferença de objetos, reproduz se novamente o pedido constante do referido mandado de segurança: "seja dada efetividade à decisão judicial transitada em julgado proferida na Ação Ordinária nº 96.00185786, determinandose que a Delegacia da Receita Federal em Brasília efetue a habilitação dos créditos do Impetrante, decorrente da decisão proferida na Ação Ordinária nº 96.00185786, especificamente no que se refere aos recolhimentos efetuados no período de setembro de 1986 a junho de 1988, para que possa dar início ao procedimento administrativo de compensação do tributo recolhido a maior em virtude de decisão judicial" (vide fls. 461/462 dos autos). Logo, não havendo que se falar em concomitância neste caso concreto, deveria a DRJ ter conhecido e apreciado os argumentos trazidos pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Ademais, é importante mencionar, também em demonstração da ausência de concomitância nos moldes em que restou decidido pela decisão recorrida, que o pedido objeto do mandado de segurança visa a habilitação do crédito tributário de PIS relativos ao período de setembro de 1986 a junho de 1988, ao passo que os créditos objeto da presente demanda atinge outros períodos além do que fora objeto do Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022 (setembro de 1986 a junho de 1988). Destaquese ainda que o contribuinte apresentou outros argumentos em seu Recurso Voluntário que levariam ao reconhecimento do seu direito creditório que vão além do que fora reconhecido nos autos do Proc. 14033000196/200825. E, como dito, esses argumentos não foram em momento algum analisados. Indicamse a seguir alguns dos argumentos apresentados pelo contribuinte que decerto não possuem concomitância com o Mandado de Segurança mencionado pela DRJ na decisão recorrida: (i) os recolhimentos de PIS/PASEP efetuados em 31/08/1988 e 30/09/1988, referentes aos período de apuração de julho e agosto de 1988 não foram acatados; (ii) inclusão indevida do IRPJalíquota adicional na base de cálculo do PISRepique; (iii) base de cálculo incorreta no período de 1988 a 1990; (iv) índices de conversão. Nesse contexto, verificase que a decisão recorrida, ainda que entendesse pela concomitância (inexistente neste caso concreto consoante acima assinalado), não poderia ter deixado de conhecer por completo da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, quando havia outros argumentos que decerto não eram objeto da Ação Judicial e que deveriam ser apreciados pela DRJ. Houve, portanto, erro material da decisão recorrida visto que não se sustentam os fundamentos que levaram ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte. Nessa toada, há de se reconhecer nulidade da Fl. 957DF CARF MF Processo nº 14033.003573/200888 Acórdão n.º 3301000.322 S3C3T1 Fl. 953 11 decisão recorrida, visto que proferida com preterição do direito de defesa do contribuinte, nos termos do art. 50 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Há de se destacar, inclusive, que as inexatidões materiais existentes na decisão poderão ser corrigidas de ofício, nos termos dos artigos 31 e 32 do Decreto nº 70.235/72: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Como se não bastasse, das cópias do Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022, anexada aos pressentes autos, extraise que a decisão que prevaleceu nos referidos autos, proferida em 23/11/2010, foi no sentido de que o mandado de segurança não seria a via processual adequada para dar efetividade à decisão judicial transitada em julgado, proferida no bojo de outros autos processuais em razão do seu descumprimento na esfera administrativa. Sendo assim, foi negado provimento à Apelação interposta pelo BRB Banco de Brasília S/A. A certidão de trânsito em julgado desta decisão data de 24 de junho de 2011. Nesse contexto, essa decisão definitiva proferida na Ação Judicial vem reiterar a inexistência de concomitância, visto que a referida ação possuía objeto distinto do aqui discutido (pretendia uma ordem mandamental de cumprimento de decisão judicial transitada em julgado, quando aqui se discute o crédito em si). Diante das razões supra expendidas, entendo, ao contrário do que restou consignado na decisão recorrida, que não há concomitância entre a matéria discutida na presente demanda com o Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022, cabendo à DRJ conhecer e analisar os argumentos trazidos pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, com base inclusive no que fora decidido na Ação Judicial nº 1996.34.00.185786, já transitada em julgado, a qual deu origem aos créditos objeto do pedido de homologação das compensações aqui analisados. Entendo, pois, que deverá ser reconhecida a nulidade da decisão recorrida que entendeu pelo não conhecimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, face à inexistência de concomitância no que tange ao Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022 e à inexistência de vinculação deste julgamento à conclusão obtida no Proc. 14033000196/200825 quanto ao montante do crédito discutido. Os autos, portanto, deverão retornar à DRJ, para que esta conheça e aprecie todos os argumentos Fl. 958DF CARF MF 12 apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, evitando assim supressão de instância. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 959DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10242.720242/2014-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3402-005.100
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em não conhecer do Voluntário, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente.
Assinado Digitalmente
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em não conhecer do Voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Presidente. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 72 02 42 /2 01 4- 38 Fl. 512DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Dos Autos de Infrações. Tratase de impugnação contra autos de infrações de PIS/PASEP (fls. 3/8) e Cofins (fls. 9/14), totalizando respectivamente R$ 215.310,90 e R$ 991.734,98, perfazendo neste processo um crédito tributário no valor total de R$ 1.207.045,88, já incluídos multas e juros, na data do lançamento, conforme valores discriminados no demonstrativo de fls. 2. A infração imputada ao contribuinte foi o “desvio de finalidade do beneficio fiscal vinculado ao ingresso de mercadorias nacionais em áreas de livre comércio”. Relata a autoridade fiscal que o contribuinte adquiriu em 2010, através do seu estabelecimento situado em GuajaráMirimRO, considerada Área de Livre Comércio, mercadorias beneficiadas com alíquota zero de PIS e Cofins, no valor total de R$ 6.984.248,50, provenientes de fornecedores situados fora da ZFM. O beneficio se deu com base no art. 2º da Lei nº 10.996/2004. Desse total de aquisições beneficiadas com alíquota zero, o contribuinte desviou, segundo a Fiscalização, para seu estabelecimento situado em JiParaná, fora da Área de Livre Comércio, uma quantidade de mercadorias equivalente a R$ 4.905.021,63. O desvio violou, segundo a autoridade fiscal, o art. 2º da Lei nº 10.996/2004, na medida em que o beneficio da alíquota zero está condicionado ao consumo ou industrialização da mercadoria na Área de Livre Comércio. Por essa razão, a Fiscalização desconsiderou o benefício e fez incidir o PIS e a Cofins nas aquisições supostamente desviadas, exigindo o respectivo crédito tributário da Impugnante, na condição de responsável, nos termos do art. 22 da Lei nº 11.945/2009. Os fundamentos da autuação e a apuração dos valores encontramse expressos em detalhes no Relatório Fiscal anexo às fls. 15/102. Da Impugnação. Ciente dos autos de infrações em 28/07/2014 (fls. 379), o contribuinte apresentou impugnação em 27/08/2014 (fls. 386/414), cujo conteúdo resumo a seguir. Inicialmente, o contribuinte faz uma descrição dos fatos, na qual traz, em síntese, as seguintes alegações: A Impugnante fora autuada em razão de ter supostamente praticado Desvio da Finalidade do Benefício Fiscal Vinculado ao Ingresso de Mercadorias Nacionais em Área de Livre Comércio como conseqüência lógica, foi autuado POR PRESUNÇÃO LEGAL EM TODAS AS NOTAS FISCAIS QUE SÃO TRIBUTADAS NO ICMS/RO por um suposto crédito Tributário apurado, unilateralmente, pois OS DOCUMENTOS QUE CONSUBSTANCIAM O AUTO DE INFRAÇÃO, FORAM ENTREGUES, CONTUDO FORAM NÃO FORAM DESTACADOS OS ISENTOS, OS NÃO TRIBUTADOS E OS QUE GOZAM DO BENEFICIO DA REDUÇÃO 0 (ZERO). In casu foram aplicadas a EXAÇÃO ARBITRARIAMENTE ou seja ilegalmente imputada à Impugnante, haja vista que, o sistema Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10242.720242/201438 Acórdão n.º 3402005.100 S3C4T2 Fl. 513 3 contábil adotado pela EMPRESA, ENQUADRASE NO REGIME DE MICRO EMPRESA, ADOTANDO A SUA TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO E DENTRO DO SIMPLES DO ICMS, Portanto tal imputação NÃO SE SUBSISTE. Mostrando esta, portanto, arbitrária, devendo, por isto, em razão da autotutela administrativa, SER ANULADA AB INITIO, em razão do critério de subordinação à lei. Consta do termo de verificação e constatação fiscal que fora efetuado lançamento de ofício, pasmem, após o transcurso do lapso temporal de 5 anos, em razão de suposta infração apurada QUE, DA ANÁLISE DO TERMO SUPRACITADO, PODEMOS PERCEBER ALGUMAS LIMITAÇÕES INCLUSIVE TEMPORAIS PARA A REALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. Por outro lado, a empresa estava enquadrada sob o REGIME DE TRIBUTAÇÃO DE MICRO EMPRESA, O QUE AFASTA DE PLANO A EXIGÊNCIA DA ESCRITA FISCAL, BEM COMO DE SEUS LIVROS E ACESSÓRIOS, SOLICITADOS PELO ILUSTRE AUDITOR, que sequer REALIZOU PROCEDIMENTO DE DESENQUADRAMENTO DA MESMA E NÃO PUBLICOU OFICIOU DO DESENQUADRAMENTO NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, simplesmente DECLAROU O E APLICOU ARBITRAMENTO PELO MONTANTE GERAL DAS ENTRADAS DAS MERCADORIAS NA ZONA DE LIVRE COMERCIO. Na seqüência da impugnação, a defendente aduz um item denominado: “dos procedimentos efetuados pela fiscalização”, no qual se limita a reproduzir, ipsis literis, o Relatório Fiscal produzido pelo auditor. Em seguida, em sede de preliminares, apresenta diversas alegações de nulidade, por ela assim sintetizadas: a exigência consagrada pelo lançamento não tem o condão de prosperar, POR FALTA DE MATERIALIDADE, POR NULIDADES DA COLHEITA DE SUPOSTAS PROVAS QUE NÃO LASTREIAM OS AUTOS DE INFRAÇÕE EM RAZÃO DAS MESMAS SEREM UTILIZADAS COMO AMOSTRAGEM, POR NULIDADE NA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO, POR SUPOSIÇÕES DOS VALORES (PRESUNÇÕES), ERROS DE PROCEDIMENTO. COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO DO ILUSTRE AUDITOR, ERROS NAS SOMATÓRIAS EM QUE CONSIDEROU AS ENTRADAS E NÃO AS TRANFERENCIAS O QUE TORNA O AUTO DE INFRAÇÃO IMPRESTÁVEL POR ESTAR CONTAMINADO COM ERROS QUE PREJUDICAM E CAUSAM CERCEAMENTO DE DEFESA, DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO, ETC, como será demonstrado ao longo das razões que passa a desenvolver: Na seqüência das alegações preliminares, a Impugnante sustenta que, caso devida fosse a tributação, deveria ser realizada pelos valores das saídas e não das entradas e que deveria levar em consideração os estornos e as devoluções, etc. Sustenta também que houve violação ao devido processo legal, em detrimento do direito ao contraditório e ampla defesa e que houve violação indevida do sigilo bancário. Por fim, alega a decadência do lançamento. Fl. 514DF CARF MF 4 Nas razões que trata como “de mérito”, que, na realidade, de mérito não são, a Impugnante alega: O respeitável auditor não conseguiu explicitar, DE FORMA CONCRETA, qual realmente teria sido o elemento objetivo da conduta que teria sido praticada pela Impugnante para, com certeza, considerala COMO SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEL PELO SUPOSTO CRÉDITO TRIBUARIO, não possibilitando inclusive a Ampla defesa da Impugnante, pois não demonstrou com clareza qual das condutas tipificadas efetivamente teriam sido realizadas, qual o subsidio legal para tal consideração, como, quando, onde, não descrevendo concretamente a efetiva conduta que teria sido realizada para justificar, de forma CONCRETA, A APLICAÇÃO DE qualquer penalidade e responsabilização, baseandose a fiscalização, e de forma genérica, a descrever várias hipóteses possíveis, O QUE NÃO É SUFICIENTE. Com base na argumentação acima, a Impugnante sustenta que o ato apresenta vício de motivação. Em seguida, aduz jurisprudência administrativa do então Conselho de Contribuintes, identificando acórdãos que estabelecem restrições ao lançamento com base no arbitramento dos lucros. Por fim, argumenta que a multa punitiva no percentual de 75% tem efeito confiscatório, violando o principio constitucional da tributação com efeito de confisco e do principio da razoabilidade e proporcionalidade. Ao final, peticiona: a) POR CONSIDERAR APENAS AS NOTAS DE ENTRADAS ONDE FORAM DESPREZADAS AS SUPOSTAS TRANFERENCIAS QUE NÃO OCORRERAM, O QUE SOMENTE PODERÁ SER CONFERIDO NOTA A NOTA, COM DESPACHO DE VOSSA EXCELÊNCIA PARA CONVERTER ESTE JULGAMENTO EM DILIGENCIAS PARA FIM DE TORNAR MAIS CLARO TODO O PROCEDIMENTO FISCAL, HÁ PONTOS CONTROVERSOS, HÁ EXISTÊNCIA DE VÍCIOS, O QUE DEVERÁ SER FEITA UMA ANALISE MINUCIOSA DE TODO O ACERVO CONTÁBIL E NAO DESPREZANDOO, COM UMA ÚNICA FINALIDADE DE SABER O QUANTUM DEBEATUR. b) Protesta por todos os meios de provas ADMITIDAS EM DIREITO e pela juntada de NOVAS PROVAS NO DECORRER DESTE PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTES DO JULGAMENTO DE 2ª INSTANCIA. c) Ultrapassadas as considerações acima e pela motivação incompatível com o direito de não produção de provas contra si mesmo, em razão do direito ao silêncio nemo tenetur se detegere, da inexistência de materialidade das condutas alegadas pelo fisco por parte da Impugnante, RECONHECENDO AB INITIO A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO E requerendose, ao final, o seu arquivamento, por ser de inteira JUSTIÇA! Ato contínuo, a DRJFORTALEZA (CE) julgou a Impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10242.720242/201438 Acórdão n.º 3402005.100 S3C4T2 Fl. 514 5 Período de apuração: 01/01/2010 a 30/12/2010 ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO A ZERO DE ALÍQUOTA. PIS. COFINS. VENDA OU TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA A OUTRA ÁREA NÃO INCENTIVADA. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO BENEFÍCIO. No caso de mercadoria ingressa em Área de Livre Comércio com redução a zero da alíquota da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda da pessoa jurídica estabelecida fora dessa área, porém com posterior venda ou transferência para outro estabelecimento da mesma empresa que não se encontra em área incentivada, verificase desvio de finalidade da norma isentiva (artigo 2º, §3º da Lei m. 10.996/2004) a ensejar a queda do benefício e o dever do responsável pelo fato ao pagamento da contribuição e das penalidades cabíveis, como se a redução da alíquota não existisse (artigo 22 da Lei n. 11.945/2009). Impugnação Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão da DRJ. Neste Recurso, a Empresa repisou praticamente os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) Fl. 516DF CARF MF 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio de aviso de recebimento foi realizada em 07/02/2017 (fls.443). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 09/03/2017 (quinta feira). Na folha 508 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi endereçado ao CARF por via postal no dia 03/04/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13936.000372/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006
LANÇAMENTO. BIS IN IDEM. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO CONSTITUCIONAL.
Não ofende a constituição federal a incidência de mais de uma espécie tributária sobre o mesmo fato econômico, quando as diferentes exações forem instituídas com respeito às regras de competência e às normas gerais de direito tributário. Também não é ofensivo ao sistema constitucional tributário a concomitante aplicação de multa por descumprimento de obrigação principal e acessória, dado que diferentes os bens jurídico ofendidos.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se resta configurada a nulidade do lançamento quando a conduta omissiva do sujeito passivo encontra-se adequadamente descrita, com a identificação dos dispositivos legais que foram violados.
APRESENTAR A GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES.
Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a obrigação acessória prevista em lei.
Numero da decisão: 2201-004.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 LANÇAMENTO. BIS IN IDEM. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO CONSTITUCIONAL. Não ofende a constituição federal a incidência de mais de uma espécie tributária sobre o mesmo fato econômico, quando as diferentes exações forem instituídas com respeito às regras de competência e às normas gerais de direito tributário. Também não é ofensivo ao sistema constitucional tributário a concomitante aplicação de multa por descumprimento de obrigação principal e acessória, dado que diferentes os bens jurídico ofendidos. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se resta configurada a nulidade do lançamento quando a conduta omissiva do sujeito passivo encontra-se adequadamente descrita, com a identificação dos dispositivos legais que foram violados. APRESENTAR A GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a obrigação acessória prevista em lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 150 1 149 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13936.000372/200892 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.284 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria PREVIDENCIÁRIO MULTA Recorrente BRASFIBRA INDUSTRIA E COMERCIO DE CHAPAS DE MADEIRA EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 LANÇAMENTO. BIS IN IDEM. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO CONSTITUCIONAL. Não ofende a constituição federal a incidência de mais de uma espécie tributária sobre o mesmo fato econômico, quando as diferentes exações forem instituídas com respeito às regras de competência e às normas gerais de direito tributário. Também não é ofensivo ao sistema constitucional tributário a concomitante aplicação de multa por descumprimento de obrigação principal e acessória, dado que diferentes os bens jurídico ofendidos. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se resta configurada a nulidade do lançamento quando a conduta omissiva do sujeito passivo encontrase adequadamente descrita, com a identificação dos dispositivos legais que foram violados. APRESENTAR A GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a obrigação acessória prevista em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 6. 00 03 72 /2 00 8- 92 Fl. 150DF CARF MF 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 82/99) apresentado em face do Acórdão nº 0322.770, da 5ª Turma da DRJ/CTA (fls. 61/73), que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo (fls. 24/41), mas determinou a aplicação da penalidade mais benigna, em vista do lançamento de multa relativa à infração do art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 225, IV, § 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, tendo em vista que a pessoa jurídica fiscalizada apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o relatório da fiscalização (fls. 11/12), nas competências relativas ao período de 03/2003 a 12/2006, verificouse que a empresa deixou de informar os fatos geradores correspondentes a todas as contribuições previdenciárias em GFIP, o que implicaria infração ao dispositivos acima mencionados. O cálculo da multa, com observância do limitador imposto pelo art. 284, I, do RPS, consta das fls. 13/14. A impugnação do sujeito passivo deu origem ao Acórdão nº 0322.770, da 5ª Turma da DRJ/CTA, que tem a seguinte redação: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 AI 37.047.5526 APRESENTAR A GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a dispositivo legal. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13936.000372/200892 Acórdão n.º 2201004.284 S2C2T1 Fl. 151 3 São legitimas as diversas autuações durante a ação fiscal quando não comprovada a dupla incidência de um mesmo tributo sobre o mesmo fato gerador. MULTA. APLICAÇÃO DE NOVA SISTEMÁTICA. Por ocasião do pagamento do débito, a multa prevista no art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, que se refere à apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores, deverá ser comparada com os termos da MP 499, de 2008, para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte. Lançamento Procedente O sujeito passivo tomou ciência dessa decisão em 03/07/2009 (fl. 75) e apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 20/07/2009 (fls. 82/99), alegando, em síntese, que: 1. O auto de infração é nulo por ocorrência de bis in idem, uma vez que teriam sido lavrados três autos distintos tendo por base a mesma conduta. 2. Nulidade do auto de infração por falta de motivação. 3. Nulidade do auto de infração por ausência dos pressupostos quanto à autoria e à materialidade. 4. Nulidade do auto de infração por ofensa ao princípio da legalidade, uma vez que o Decreto nº 3.048, de 1999, teria extrapolado os limites próprios do poder regulamentar. 5. O lançamento e a decisão recorrida estabeleceram critérios que não existem na legislação de regência para classificar a empresa como agroindústria. 6. A atividade rural é fator definitivo para a atividade da recorrente e seus registros contábeis da empresa denunciam a existência do produto rural, dos seus incrementos, do aporte financeiro na sua produção, da existência de empregados, enfim, de toda a sorte de fatos próprios que apontam para a atividade rural como base da transformação industrial já denunciada. 7. Tal como denuncia o auto impugnado, detém a empresa vasta área de florestas, inclusive algumas com altíssimo poder de extração, contando ainda com instalações industriais modernas para o processamento da sua própria matériaprima e ainda de terceiros (o que não seria vedado por lei). 8. A aquisição pela recorrente de matériasprimas de terceiros produtores rurais e sua transformação em produto industrializado caracteriza atividade de agroindústria. Com base nesses argumentos, pede seja julgado procedente o recurso voluntário com base nas preliminares arguídas, e, sucessivamente, que seja mantido o enquadramento da empresa como agroindústria o que afastaria as exigências baseadas nas Fl. 152DF CARF MF 4 informações prestadas em GFIP. Por fim, protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito, em especial a realização de vistorias, perícias documentais e outros. Neste Colegiado, o processo foi inicialmente distribuído para a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara que, através da Resolução nº 2302000.371, de 04 de dezembro de 2014, converteu o julgamento em diligência para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: 1) Há provas de que o recorrente cultivava madeira antes de adquirir as propriedades mencionadas? 2) Da análise da contabilidade e dos documentos apresentados, há comprovação de despesas com o cultivo (adubação, poda, corte, extração,etc.) além de gastos com transporte? Aliás, da análise da contabilidade, constam despesas com o que, exatamente? 3) Tendo em vista a contradição encontrada quanto a utilização de madeira própria (contabilidade indica que não, mas Livro de Entrada indicar o contrário), esclarecer o que representa esta pequena quantidade mencionada no Relatório Fiscal em relação à totalidade da madeira utilizada. 4) Deve ser esclarecido quais partes do processo foram terceirizadas e quais não foram. Constam gastos com industrialização? No processo 13936.000370/200801, ao qual este se encontra anexado, vêse que, pelo termo de intimação fiscal nº 27, de 2016 (fls. 359/362), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa intimou o sujeito passivo a apresentar elementos necessários ao esclarecimento das questões delimitadas pela Resolução CARF. Em 23/03/2016, a contribuinte se manifestou pedindo a dilação do prazo concedido por mais trinta dias, "considerando o elevado número de documentos que deverão ser apresentados, bem como analisados para elaboração da planilha solicitada" (fl. 354). Apesar disso, o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 381/384) atesta que até 25/08/2016 nenhuma resposta foi entregue pela empresa autuada, o que culminou no encerramento da diligência. Retornando a este colegiado, em face da extinção da turma que determinou a diligência e do fato de o conselheiro relator não mais integrar o CARF, o processo foi incluído em lote distribuído em sessão pública a esta conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminares Bis in idem Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13936.000372/200892 Acórdão n.º 2201004.284 S2C2T1 Fl. 152 5 Em sede preliminar, alega a recorrente a ocorrência de bis in idem, uma vez que o mesmo comportamento teria gerado três autos de infração: 37.047.5518, 37.047.5526 e 37.047.5500, o que seria defeso por lei. Com efeito, como resultado da ação fiscal foram lavrados autos de infração tendo por objeto: multa por descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212, de 1991 (Debcad 37.047.5526); contribuição patronal e Gilrat incidentes sobre a folha de pagamento e aquisições de produtor rural pessoa física (Debcad 37.047.5500); contribuições para terceiros sobre a base de cálculo descrita no item anterior (Debcad 37.047.5518). Cada uma dessas autuações resulta da violação de regras jurídicas específicas, que instituíam diferentes e inconfundíveis obrigações tributárias principais e acessórias. Essas regras estão de acordo com a Constituição Federal e com o Código Tributário Nacional CTN, o que legitima sua incidência sobre o mesmo fato. Isso porque, ao contrário do que afirma a recorrente, o bis in idem, assim entendido como a incidência de tributos diversos sobre o mesmo fato, é prática autorizada pela Constituição Federal, desde que essa incidência cumulativas de normas ocorra dentro dos limites impostos pelo seu texto. Para verificar a correção dessa assertiva, basta a leitura atenta dos arts. 195 e 240 da Constituição Federal. Por outro lado, obrigações acessórias e principais são ontologicamente independentes, especialmente na seara previdenciária, uma vez que destinadas a atender diferentes interesses. Nesse caso, a violação das regras que impõem essas obrigações implicam também ofensa a diferentes bens jurídicos o que justifica a aplicação concomitante de mais de uma penalidade. Se assim não fosse, as regras que impõem deveres instrumentais tornarse iam letra morta, deixando a descoberto interesses jurídicos relevantes, uma vez que as informações que devem ser prestadas viabilizam a fruição de direitos pelos trabalhadores, pelos quais se garantem condições dignas de sobrevivência. Como não se demonstrou qualquer vício nas normas de incidência, em especial que tenham extrapolado as bordas da autorização constitucional, não merecem prosperar os argumentos de defesa. Deve ser registrado, ainda, que argumentos como os tratados nesse tópico procuram lançar sobre as normas tributárias a pecha de inconstitucionalidade, matéria estranha ao âmbito de competência deste colegiado, conforme reconhece o seguinte enunciado da Súmula CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nulidades A recorrente alega nulidade do auto de infração por falta de motivação, não identificação de autoria e materialidade da conduta e ofensa ao princípio da legalidade. Não lhe assiste razão, entretanto. Fl. 154DF CARF MF 6 O relatório fiscal contém descrição clara da conduta realizada, na hipótese em análise de natureza omissiva, e das normas que assim foram violadas em função do descumprimento dos deveres instrumentais por ela impostos. A materialidade se revela pela descrição da conduta e o sujeito passivo foi adequadamente identificado (autoria). Portanto, não se está a punir atos realizados por terceiros, como alega a recorrente. Por outro lado, não há qualquer violação à legalidade quando a obrigação criada foi veiculada por lei, que também trouxe a previsão da penalidade a ser aplicada (art. 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991. Registrese que a possibilidade de o Regulamento realizar a mera atualização de valores originariamente fixados em Lei, desde que com respeito aos índices oficiais, constitui matéria já pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (Tema 540). Pelas razões expostas, nego provimento ao recurso em relação às preliminares de nulidade. Mérito Em relação ao mérito, vêse que a controvérsia cingese a determinar se a existência de produção rural própria é condição inafastável para que a empresa possa ser enquadrada como agroindústria para fins de se habilitar ao tratamento tributário que é estabelecido pelo art. 22A, da Lei nº 8.212, de 1991, a estes agentes econômicos e se a aquisição de área de reflorestamento pronto para abate atenderia a essa exigência. Quanto à primeira questão, penso que ela é respondida sem embargo pelo texto do mencionado artigo, que é abaixo transcrito: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: A partir da leitura desse artigo, não há sombra de dúvida de que, para ser considerada como agroindústria, a pessoa jurídica deve ser "produtora rural" e industrializar produção própria. A partir da observância dessa regra, seria possível também a industrialização de produção adquirida de terceiros. Dito de outra forma, não se considera agroindústria quem promove apenas a industrialização de matériaprima produzida por terceiros. Particularmente, não entendo que a aquisição de reflorestamento pronto para abate seja suficiente para caracterizar a adquirente como produtora rural, isso porque deixaria de existir o risco inerente a esse tipo de atividade, característica que justificaria o favor legal. No mais, adoto como razões de decidir o trecho que é abaixo transcrito, de lavra do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, no voto que foi vencido na Resolução nº 2302 000.371: Deflui dos termos estampados no citado artigo 22A as notas características conformadoras da agroindústria para fins de Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13936.000372/200892 Acórdão n.º 2201004.284 S2C2T1 Fl. 153 7 enquadramento perante as obrigações estabelecidas na Lei nº 8.212/91. a) Ser produtor rural pessoa jurídica; b) Ter produção rural própria; c) Industrializar essa produção rural própria, a qual pode ser complementada por produtos rurais adquiridos de terceiros. Conferindo contornos mais definidos ao conceito legal, o inciso XXIII do art. 247 da IN INSS/DC nº 100/2003 estatui ser considerado como agroindustrial o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica for a industrialização de produção própria ou a industrialização de produção própria e da adquirida de terceiros, que desenvolve as duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos; Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 247. Considerase: I produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos; (...) XXIII agroindustrial o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção própria ou a industrialização de produção própria e da adquirida de terceiros, que desenvolve as duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos; Na mesma esteira, a alínea ‘b’ do inciso I do art. 240 da IN SRP nº 3/2005 define como agroindústria o produtor rural pessoa jurídica que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização, tanto da produção rural própria ou da adquirida de terceiros. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 240. Considerase: I produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, sendo: (...) Fl. 156DF CARF MF 8 b) produtor rural pessoa jurídica: 1. o empregador rural que, constituído sob a forma de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), ou sociedade mercantil, tem como fim apenas a atividade de produção rural, observado o disposto no inciso III do § 2º do art. 250 desta IN; 2. a agroindústria que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização, tanto da produção rural própria ou da adquirida de terceiros, observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 250 desta IN; Aditese que para ser considerado agroindústria é condição sine qua non que a empresa seja produtora rural pessoa jurídica, isto é, sendo proprietária ou não, desenvolva em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos. Avulta dos preceptivos legais acima desfraldados que a mens lege concentrase no incentivo ao produtor rural pessoa jurídica de industrializar a sua própria produção, mesmo que complementada pela produção adquirida de terceiros, agregandolhe valor de natureza industrial, tornandoo mais competitivo no mercado. O tratamento fiscal diferenciado previsto no art. 22A da Lei nº 8.212/91 tem por destinatário, portanto, o produtor rural pessoa jurídica que, efetivamente, industrialize sua produção rural. Dessarte, para ser considerado como agroindústria é necessário que a empresa, cumulativamente, seja produtora rural pessoa jurídica, tenha produção rural própria e industrialize tal produção, e que desenvolva as duas atividades, rural e industrial, em um mesmo empreendimento econômico, com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. A falta de qualquer um desses requisitos descaracteriza a condição de agroindústria para os fins previstos no art. 22A da Lei nº 8.212/91. No caso ora em estudo, a Fiscalização apurou fatos e circunstâncias que, em seu entendimento, são suficientes para descaracterizar a Autuada como agroindústria. De acordo com o Relatório Fiscal, para comprovar o auto enquadramento como agroindústria, a empresa apresentou escrituras de aquisições de áreas de terras, sob adenominação de FAZENDA, para exploração de atividades agrícolas (florestamento e reflorestamento). A primeira fazenda foi adquirida em 11/11/1999 e todas as demais aquisições deramse em datas posteriores. No que se refere às fazendas em que foram identificadas transferências de matériaprima, no período envolvido na ação fiscal, a Fiscalização arrolou as seguintes: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13936.000372/200892 Acórdão n.º 2201004.284 S2C2T1 Fl. 154 9 · Fazenda Rondon III, Matrícula 12.415, adquirida em 11/11/1999. · Fazenda Boa Vista, Matrícula 6.148 aquisição em 11/12/2001, · Fazenda São Lourenço, Matrícula 6.791, aquisição em 20/05/2003. No contrato de compra da Fazenda Rondon III, está expresso que a área contém reflorestamento de Pinus Thaeda, com idade média de 23 anos. Considerando que a empresa passou a adquirir áreas de terras a partir de 11 de novembro de 1999, com a finalidade de explorar o plantio, replantio e reflorestamento; Considerando que o plantio, replantio e reflorestamento nas terras adquiridas é de árvores da espécie Pinus Elliotii, que em média, necessita de 15 anos para ser viável sua exploração, concluiu a Fiscalização que a madeira utilizada a partir de 2003 referese a madeiras já existentes quando da aquisição das fazendas. Portanto ao adquirir as áreas de terras também adquiriu mata viva. Dessa forma as transferências de matériaprima (madeira) realizadas pela empresa no período compreendido na ação fiscal, se referem a madeiras já existentes quando da aquisição das áreas de terras, não se tratando, portanto, de produção própria, mas, sim, de produção realizada por terceiros – os antigos proprietários das terras. Com efeito, a aquisição de terras com a matéria prima já nela plantada e pronta para o corte não torna o adquirente Produtor Rural Pessoa Jurídica, mas mero proprietário da madeira contida na propriedade. Anotese que para que a pessoa jurídica seja considerada agroindústria, não basta a industrialização de produtos rurais de sua propriedade. A lei exige que a pessoa jurídica seja Produtora Rural, ou seja, que sendo proprietária ou não, desenvolva em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos. Merece ser destacado que a atividade de plantio, extração e reflorestamento de árvores da espécie Pinus Elliotii não se trata de extração de produtos primários, mas atividade agrária stricto sensu, eis que resulta da atuação humana sobre a natureza, em participação funcional, condicionante do processo produtivo. A atividade agrária caracterizase por ser um processo agrobiológico de produção, realizado na terra pela mão do homem. A atividade agrária é representada, portanto, pelo trabalho da terra para a produção primária de vegetais e animais, indispensáveis ou úteis à vida humana. Dessarte, o fato de uma empresa adquirir áreas de terras com reflorestamentos prontos para o corte não lhe conferem a natureza de produtor rural pessoa jurídica. Fl. 158DF CARF MF 10 Tal ilação não discrepa das conclusões assentadas na Solução de Consulta nº 94 SRRF/ l0ª RF/Disit, adiante reproduzida em pequenos excertos para a melhor compreensão de seus fundamentos: Solução de Consulta nº 94 SRRF/ l0ª RF/Disit 7.1. Como já salientado na resposta ao item "(ii)" da consulta anteriormente formulada, acima transcrita, "a industrialização da produção rural própria é condição essencial para que uma empresa possa ser qualificada como agroindústria" e recolher as contribuições previdenciárias tendo como base o valor bruto da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento das segurados empregados e trabalhadores avulsos. 72. Na interpretação de Wladimir Novaes Martinez (Curso de Direito Previdenciário. São Paulo,LTr, 2003, p. 416), a agroindústria se caracteriza como "um empreendimento econômico complexo, em que a matéria prima rural própria é transformada pela divisão manufatureira. Nela, o mencionado insumo provém da área rural e ela se utiliza de métodos industriais para aperfeiçoar o bem, mesclandose os objetivos sociais". O fato de o art. 22A da Lei n° 8.212, de 1991, autorizar a aquisição de matériaprima de terceiros na atividade agroindustrial, não significa que permita a dispensa do departamento da produção rural própria da agroindústria (inciso II do §1º do art. 240 da IN MPS/SRP nº 3, de 2005) com o objetivo de enquadramento ou manutenção dessa condição, para fins da substituição tributária nele contemplada. A produção rural própria da agroindústria é fundamental para a caracterização dessa condição na forma como definida pela legislação previdenciária, 7.3. Portanto, para que se caracterize a agroindústria, o empreendimento econômico deve iniciarse com a utilização de matériaprima própria em seu processo agroindustrial, e, em complementação, se for do seu interesse, adquirir matériaprima de terceiros. Entendese como matériaprima própria, no caso da consulente, a madeira que extrair de florestas de pinus que ela própria tenha cultivado. Não importa a titularidade das terras, se de sua propriedade ou arrendadas, mas sim que, a matéria prima utilizada seja por ela mesma comprovadamente produzida. 7.4. Dessa forma, a aquisição de terras com florestas ele pinus pronta para a extração de matériaprima a ser utilizada na atividade industrial não caracteriza a atividade rural, tampouco essa matéria prima é considerada produção própria para fins ele enquadramento da atividade de agroindústria, nos termos do art. 22A da Lei n°8.212, de 1991. 8. Assim, a extração (corte) de árvores de pinus de florestas adquiridas conjuntamente com as terras em que foram cultivadas, com vistas à sua utilização corno matéria prima em processo industrial, não caracteriza atividade rural. Por essa mesma razão, a madeira obtida de extração dessas árvores de pinus não pode ser considerada como produção rural própria da consulente. E consecutivamente, pelos mesmos fundamentos, a utilização da madeira de árvores de pinus extraída de terras adquiridas já Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13936.000372/200892 Acórdão n.º 2201004.284 S2C2T1 Fl. 155 11 florestadas não autoriza o enquadramento da adquirente na condição de agroindústria para fins de substituição da contribuição previdenciária prevista nos incisos I e II do art. 22A da Lei n° 8.212, de 1991. CONCLUSÃO Diante do exposto, concluise que: a) a extração (corte) de árvores de pinus de florestas para industrialização, quando adquiridas conjuntamente com as terras mesma forma, as toras de madeira obtidas da extração de árvores de pinus adquiridas prontas para o corte não são consideradas produção rural própria; b) a utilização de madeira de árvores de pinus extraída de terras adquiridas já florestadas não autoriza o enquadramento da adquirente dessas terras na condição de agroindústria, para fins de substituição da contribuição previdenciária prevista nos incisos I e II do art. 22A da Lei n° 8.212, de 1991”. A literatura especializada demonstra que com 07 anos de idade a pinus elliotii já pode sofrer desbaste destinado à produção de pasta de celulose. Aos 10 anos, para a produção de resinas, e a partir dos 15, 17 anos, para a produção de madeira. De acordo com a literatura, tal crescimento tem a ver não somente com a densidade da madeira, resistência mecânica, etc., mas, também, com o diâmetro da arvore, que é de vital importância para a produção de laminados. Ora ... Sendo a atividade do Recorrente a produção de laminados de madeira, é de se presumir que sua matéria prima tenha maturidade de, pelo menos, 15 anos. Dessarte, considerando que as aquisições de fazendas tiveram início em nov/1999, dessai que eventual produção rural somente adentraria as instalações industriais da Autuada a contar do ano 2014. Nessa perspectiva, concluise que no horizonte temporal de 2003 a 2006 a matéria prima utilizada pelo Recorrente não adveio de sua produção rural própria . Contrariando, todavia, todos os estudos científicos, o Recorrente afirma que “as florestas exóticas, desde terna idade, aproximadamente entre 4 e 5 anos, já são industrializadas, havendo um manejo seletivo para abastecimento do objetivo social da agroindústria”. Notese que a industrialização pode ser para a produção de pasta de celulose, produção de resinas, produção de madeira, dentre outras. A literatura especializada relata para cada caso, respectivamente, 7, 10, 15 anos (fonte: A CULTURA DO PINUS: uma perspectiva e uma preocupação João Suassuna Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco). Fl. 160DF CARF MF 12 A que realiza o Recorrente referese à industrialização da madeira, ou seja, a partir de arvores com, pelo menos, 15 anos de idade. Contudo, o Recorrente não fez prova da proeza de obter o Pinus que permita o corte para madeira com arvores de 4 ou 5 anos de idade, não ultrapassando as insólitas fronteiras da argumentação retórica. Corrobora a compreensão de que não se houve por utilizada produção rural de seu manejamento, o fato de a contabilidade da empresa não registrar mutações no valor registrado como reflorestamento, no período de 2003 a 2006, conforme consignado no item 4.3.5. do Relatório Fiscal. “4.3.5 Nos balanços patrimoniais apresentados 2003 a 2006 não constam registros de exaustão florestal, confirmando que a empresa não utilizou produção própria (madeira de reserva própria) inclusive o valor registrado como reflorestamento é o mesmo para os exercícios de 2003, 2004, 2005 e 2006, R$ 1.084.140,00 demonstrando claramente que não foram utilizadas madeiras de reserva própria”. Não procede a alegação de que “O balanço patrimonial da empresa Recorrente não é obrigado a traduzir toda a exploração florestal havida, mesmo porque a floresta não utilizada traz um incremento natural, nas mesmas proporções”. A uma, porque o Princípio da Oportunidade, que se refere, simultaneamente, à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determina que este seja feito de imediato e com a extensão correta. A integridade diz respeito à necessidade de as variações serem reconhecidas na sua totalidade, sem qualquer falta ou excesso. Já a tempestividade obriga a que as variações sejam registradas no momento em que ocorrerem, pois sem o registro no momento da ocorrência, ficarão incompletos os registros sobre o patrimônio até aquele momento, e, em decorrência, insuficientes quaisquer demonstrações ou relatos e falseadas as conclusões e diagnósticos. A duas, porque a empresa não faz qualquer prova do alegado incremento natural da floresta não utilizada, que seria proporcional à exploração florestal havida. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. No que se refere aos desbastes, estes são utilizados em função da idade das arvores, visando à cadeia produtiva a que se destina, conforma acima já delineado: 67 anos, indústria da celulose; 1012 anos, extração de resinas, acima de 15 anos, extração de madeira, etc. Publicação da Fundação Joaquim Nabuco intitulada “A CULTURA DO PINUS: uma perspectiva e uma preocupação” (http://www.fundaj.gov.br/index.php? option=com_content&id=760&Itemid=376), em excerto adiante reproduzido, dá bem a ideia da questão em tela: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13936.000372/200892 Acórdão n.º 2201004.284 S2C2T1 Fl. 156 13 “Exploração Os Pinus, quando cortados, não rebrotam; o maciço é explorado, para madeira e lenha, uma vez só. Devese realizar desbastes (cortes periódicos), de maneira a dar às árvores não abatidas condições de desenvolvimento; nos desbastes obtémse matériaprima para celulose, postes, estacas etc. e no final do ciclo, as árvores restantes constituirseão no material mais valioso, que se destinará às serrarias. O Pinus permite um primeiro desbaste já aos 6 ou 7 anos, quando as árvores estão com mais ou menos 5 m de altura e uns 12 cm de diâmetro; aos 10 ou 15 anos pode ser usado na extração de resinas (As árvores usadas para extração de resinas podem ser usadas para outra finalidade também); muitas vezes o Pinus já permite o corte para madeira aos 15 anos. O Pinus pode dar, no primeiro corte, aos 67 anos, 250 m³/ha (média anual de 3040 m³/ha). Há uma série de recomendações na condução da exploração do Pinus a seguir, para efeito de orientação, um esquema que pode ser usado. Supondo que tivéssemos plantado no espaçamento 3 x 2 m, teríamos 1666 plantas por ha, realizaríamos 5 cortes, da seguinte maneira: ∙ 1° corte, aos 6 ou 7 anos; seriam cortadas 40% (660670) das árvores; (produção de pasta de celulose) ∙ 2° corte, 3 anos depois do primeiro, seriam retiradas 30% (290310) das árvores restantes; (produção de resinas) ∙ 3° corte, 3 anos depois do 2°, seriam cortadas 35% (240250) das árvores; (postes) ∙ 4° corte, 3 anos depois do 3°, quando seriam retiradas 35% (150160) das árvores; (produção de madeira para industrialização) Restariam de 250 a 300 árvores, que seriam retiradas num corte final, depois de 20 anos; estariam bem espaçadas, com possibilidades de engrossar e produzir, inclusive, madeira de lei para serraria”. O Recorrente, todavia, não realiza produção de pasta de celulose, tampouco produção de resinas a justificar desbastes antes dos 15 anos de idade dos pinus. Conforme destacado no item 4.4. do Relatório Fiscal, a fl. 53, “o motivo fundamental na decisão da auditoria é o fato de não comprovar que possuía produção rural (madeira) de reserva própria em idade para ser industrializada. Dessa forma a auditoria fiscal enquadrou a empresa no código FPAS 507 (Indústria)”. Além disso, constatou a Fiscalização que a industrialização da matéria prima (transformação da madeira em laminados), no período de 2003 e 2004, foi totalmente realizada por terceiros. Fl. 162DF CARF MF 14 O Recorrente alega que “Tal atividade é altamente lícita e prevista no diploma legal previdenciário”, mas se engana ao asseverar que “A utilização de serviços e matériaprima de terceiros não desvirtua a caracterização da agroindústria”. A utilização, tão somente, de madeira não oriunda de produção própria desqualifica a Autuada como Produtora Rural Pessoa Jurídica. De outro canto, a terceirização integral das etapas de industrialização, descaracteriza, por completo, a condição de agroindústria, pelo simples fato de a industrialização propriamente dita ser elemento constitutivo da condição de agroindústria. Nesse contexto, não se caracterizando a Recorrente, no período de apuração em tela, como Produtora Rural Pessoa Jurídica, não pode esta ser considerada como agroindústria, mas tão somente, como indústria, motivo pelo qual se sujeita às obrigações tributárias previstas no art. 22 da Lei nº 8.212/91, conforme assim também concluiu a Fiscalização. “Considerando que a empresa não industrializou produção rural própria no período (2003 a 2006) pelos motivos já mencionados e caracterizado contabilmente nos balanços patrimoniais e com a agravante que não realizou todo o processo produtivo no período 2003 e 2004, utilizandose de terceiros (Laminadora 3R Ltda) para realizar a transformação da matériaprima (Laminação), constatase que a empresa não preenche os requisitos necessários para enquadrarse como agroindústria, observandose que o motivo fundamental na decisão da auditoria é o fato de não comprovar que possuía produção rural (madeira) de reserva própria em idade para ser industrializada. Dessa forma a auditoria fiscal enquadrou a empresa no código FPAS 507 (Indústria)” Portanto, quanto ao mérito, nego provimento ao recurso voluntário apresentado, por entender não demonstrado que a recorrente tenha preenchido os requisitos necessários para ser enquadrada como agroindústria, uma vez que não há qualquer comprovação de que tenha industrializado matériaprima de produção própria. Neste caso, resta perfeitamente caracterizada a inobservância do comando contido no art. 32, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, o que justifica a imposição da multa exigida neste processo. Deve ser registrado que o Acórdão recorrido determinou a revisão da multa aplicada em função das alterações promovidas na matéria por legislação superveniente e não houve qualquer recurso em relação a esse tema, de forma que ela não se encontra em litígio. A despeito disso, merece menção que a decisão de piso está de acordo com a jurisprudência deste Conselho, conforme demonstra o trecho abaixo transcrito do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão nº 9202 004.499: Para que possamos definir a interpretação mais adequada no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13936.000372/200892 Acórdão n.º 2201004.284 S2C2T1 Fl. 157 15 citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos. Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação,a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 164DF CARF MF 16 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13936.000372/200892 Acórdão n.º 2201004.284 S2C2T1 Fl. 158 17 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Produção ulterior de provas A recorrente também protestou pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito. Em atenção a esse pedido houve conversão do julgamento em diligência, oportunidade em que poderia ter colaborado para a produção das provas por que ansiava. Fl. 166DF CARF MF 18 Entretanto, conforme evidenciou o relatório, deixou transcorrer mais de cinco meses sem qualquer manifestação. Considerando sua conduta desinteressada na produção de provas, considero atendido e superado o pedido feito. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitadas as preliminares, no mérito, negarlhe provimento. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000416/2007-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 16 /2 00 7- 75 Fl. 645DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial. A Contribuinte, por sua vez, intimada do acórdão, opôs Embargos de Declaração, o que motivou a prolação de Acórdão de Embargos, assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Cientificada do Acórdão de Embargos, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado Fl. 646DF CARF MF Processo nº 12045.000416/200775 Acórdão n.º 9202006.617 CSRFT2 Fl. 3 3 pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época, visando rediscutir a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: dispõe o Decreto n 70.235, de 1972, arts. 59 c/c 60, que o processo administrativo fiscal somente será declarado nulo na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; conforme já salientado, tratase de defeito procedimental que gera, no máximo, vício de natureza formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados; por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; na seara tributária, então, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”; assim, ante todo o até aqui exposto, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação; nesse contexto, concluise que o vício no procedimento fiscalizatório que acarretou cerceamento ao direito de defesa da parte tem natureza formal (e não material), razão pela qual merece ser reformado o acórdão ora recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional requer, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que a decisão recorrida seja reformada, considerandose que o vício observado no acórdão é formal e não material. Em alguns casos desse lote repetitivo, o pedido é no sentido de que se mantenha incólume o lançamento. Cientificada do Acórdão de Embargos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 647DF CARF MF 4 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.613, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.613): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício material. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a nulidade do lançamento, sob o pressuposto de que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse da fiscalização e de que, se não houve demonstração do prejuízo ao Contribuinte pelo fato de a ação fiscal ter ocorrido em outro estabelecimento, não há nulidade. Salientese que, em um primeiro momento, o Colegiado a quo declarou a nulidade do lançamento por vício formal, oportunidade em que a Fazenda Nacional expressamente informou que não haveria a interposição de Recurso Especial. Em face de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, a natureza do vício foi alterada para material. Nesse passo, embora o paradigma indicado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial conclua pela inexistência de nulidade, na maioria dos processos que compõem esse lote repetitivo o pedido é no sentido de que seja declarada a ocorrência de vício formal, embora em alguns poucos o pedido seja para que se considere incólume o lançamento. Entretanto, independentemente do pedido da Recorrente, de plano cabe consignar que a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando, confrontadas situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face de interpretação divergente da legislação tributária. Nesse passo, é de fundamental importância averiguar as situações fáticas retratadas nos julgados em cotejo. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização de períodos posteriores a 1996, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: Fl. 648DF CARF MF Processo nº 12045.000416/200775 Acórdão n.º 9202006.617 CSRFT2 Fl. 4 5 "DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2. Creio que o Colegiado deve enfrentar, primeiramente, a irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 3. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 4. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 5. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 6. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2" Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra se em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Fl. 649DF CARF MF 6 Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam .similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, Fl. 650DF CARF MF Processo nº 12045.000416/200775 Acórdão n.º 9202006.617 CSRFT2 Fl. 5 7 também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. Fl. 651DF CARF MF 8 III Recurso provido." 7. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 8. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório." Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se considerar como correto o estabelecimento eleito pela fiscalização, declarandose nulidade por vício formal. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 20601.429 não se reveste destas características, já que trata de situação em que o Contribuinte intentou alterar o domicílio tributário, que era a sua sede e onde se desenvolvia a ação fiscal, após lavrada a NFLD, sem qualquer notícia acerca de decisão judicial ou de prejuízo à defesa. Pelo contrário, consta no paradigma que o Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada. Ademais, o lançamento foi mantido na integralidade, e não anulado por vício formal, como pleiteia a Fazenda Nacional em quase todos os processos integrantes do lote. Confirase: "Quanto ao argumento de que não caberia fiscalização tributária em domicílio tributário diferente do local de origem dos fatos geradores, não assiste razão à recorrente. Não se pode esquecer que o domicilio tributário é interpretado pleiteia sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos, conforme disposto no art. 127, § 2° do CTN, tanto a possibilidade de recusa do mesmo. A fiscalização foi feita em Fl. 652DF CARF MF Processo nº 12045.000416/200775 Acórdão n.º 9202006.617 CSRFT2 Fl. 6 9 estabelecimento diverso do eleito pelo recorrente, em função de já ter sido iniciado o procedimento fiscal no domicílio anterior, e só haver sido encerrado parcialmente por trâmites administrativos. Ressaltese que a comunicação da mudança só foi realizada em dezembro de 2003, sendo que o início da ação se deu em data anterior e a continuidade do procedimento por outro auditor fiscal poderia causar prejuízo ao bom andamento dos trabalhos, para não dizer gastos desnecessários com a prorrogação de procedimentos. Ademais, as relações entre Fisco e contribuinte devem se basear na lealdade e na boafé, desse modo não é lícito ao contribuinte receber a fiscalização, tolerar o procedimento fiscal, apresentar toda a documentação, esperar a lavratura da NFLD e somente então alegar que aquele não seria o seu verdadeiro domicílio tributário. Uma vez que o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Há permissão legal para a autoridade fiscal fiscalizar a pessoa jurídica de direito privado no local da sede, conforme previsto no art. 127, inciso Ido CTN. Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO." Destarte, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem ser sequer comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 653DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.001915/2010-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 19 15 /2 01 0- 56 Fl. 208DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 15586.001912/201012 37.234.8904 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Parcelamento 15586.001913/201067 37.234.8912(Seg.) Obrig. Principal Parcelamento 15586.001914/201010 37.234.8920 (Terceiros) Obrig. Principal Parcelamento 15586.001915/201056 37.234.8890 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial O presente processo trata do Debcad 37.234.8890 (AI68), lavrado em razão de a empresa ter apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, a autuada deixou de informar em GFIP os segurados empregados elencados na PLANILHA VII (fls. 18/22); os valores pagos a dois de seus diretores a título de bônus, consoante PLANILHA I (fls. 15); e a alíquota RAT da filial 0005, conforme PLANILHA III (fls. 16). Em sessão plenária de 12/02/2015, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.946 (efls. 155 a 175), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 9202006.477 CSRFT2 Fl. 209 3 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MPF PRORROGAÇÃO CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL AUSÊNCIA DE NULIDADE. A partir da análise do instrumento do MPF disponibilizado no sítio da RFB, bem como nos elementos disponíveis nos autos, temse que tanto a emissão quanto as prorrogações do MPF e as Intimações Fiscais demonstram a continuidade do procedimento fiscal, de forma a não ocorrer a nulidade por interrupção do procedimento fiscal. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS NÃO APRECIAÇÃO PELO CARF A Súmula nº 28 do CARF, expressamente estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar acerca de controvérsias referentes à Representação Fiscal para Fins Penais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. Fl. 210DF CARF MF 4 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no Mérito, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.” O processo foi encaminhado à PGFN em 06/04/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 176) e, em 05/05/2015, foi interposto o Recurso Especial de efls. 177 a 186 (Despacho de Encaminhamento de efls. 187). O apelo está fundamentado nos arts. 64, II, e 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Nesse passo, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 03/03/2016 (efls. 189 a 194). Cientificada, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 211DF CARF MF Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 9202006.477 CSRFT2 Fl. 210 5 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase do Debcad 37.234.8890 (AI68), lavrado em razão de a empresa apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O mesmo procedimento fiscal gerou os Debcads 37.234.8904 (processo nº. 15586.001912/201012), 37.234.8912 (processo nº 15586.001913/201067) e 37.234.8920 (processo nº 15586.001914/201010), que tratam das obrigações principais, conforme Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF de fls. 09/10, que foram incluídos no parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009, em 30/06/2011. Na decisão recorrida, foi determinada a aplicação da multa do artigo 32A, da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, caso esta seja mais benéfica à Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientaram o Auto de Infração tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 212DF CARF MF 6 a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de procedimentos separados (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo, e descumprimento de obrigação principal), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 213DF CARF MF Processo nº 15586.001915/201056 Acórdão n.º 9202006.477 CSRFT2 Fl. 211 7 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de declaração inexata do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Fl. 214DF CARF MF 8 Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 215DF CARF MF
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