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Numero do processo: 19647.015717/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA.
Sendo a compensação considerada não declarada nas hipóteses legalmente previstas, exige-se a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado.
INCOMPETÊNCIA PARA AFASTAR LEI POR ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE.
Não cabe ao CARF a apreciação de inconstitucionalidade.
NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1201-003.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Antonio Carvalho Barbosa Presidente e Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Ricardo Antonio Carvalho Barbosa (Presidente).
Nome do relator: BARBARA MELO CARNEIRO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. Sendo a compensação considerada não declarada nas hipóteses legalmente previstas, exige-se a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. INCOMPETÊNCIA PARA AFASTAR LEI POR ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a apreciação de inconstitucionalidade. NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento fiscal.
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MULTA ISOLADA. Sendo a compensação considerada não declarada nas hipóteses legalmente previstas, exige-se a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. INCOMPETÊNCIA PARA AFASTAR LEI POR ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a apreciação de inconstitucionalidade. NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ricardo Antonio Carvalho Barbosa – Presidente e Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Ricardo Antonio Carvalho Barbosa (Presidente). Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III 1 , do Anexo II do RICARF, 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 57 17 /2 00 7- 63 Fl. 446DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.849 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.015717/2007-63 designo-me Redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, relativo ao processo em referência, tendo em vista que a Relatora originária, Bárbara Melo Carneiro, não mais integra o Colegiado. Assim, transcrevo, na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pela referida Conselheira, a saber: Para descrever a controvérsia, adoto o relatório da DRJ: Contra a contribuinte acima qualificada foi o auto de infração de fls. 03/07, através do qual é exigida multa isolada no valor de R$ 84.902,76. 2. Segundo descrição da autoridade fiscal, o sujeito passivo apresentou Declaração de Compensação - DCOMP em 08/02/2007, na qual, além de utilizar créditos de terceiros e não administrados pela Receita Federal, compensava débitos já inscritos em Dívida Ativa da União. A compensação foi considerada não declarada, tendo sido lavrado o presente auto de infração para exigência da multa isolada prevista na legislação de regência. 3. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 167/182), alegando, em síntese: I) ilegalidade da multa, que seria exacerbada e descabida; 11)ocorrência de bis in idem, pois os débitos dos tributos exigidos já estão inscritos em Dívida Ativa; III) boa-fé na prestação das obrigações acessórias e ausência de falsidade na compensação; IV) não cabe a aplicação da multa porque não houve a efetiva compensação; V) a punição só atinge a compensação que extingue o crédito tributário; VI) a multa está sendo cobrada em duplicidade, já que os débitos são exigidos com multa de mora e encargos legais; VII) a ausência de apresentação da DCTF é mero descumprimento de obrigação acessória, apenada com multa de 2% por mês sobre os tributos devidos; VIII) quando da declaração de compensação, a empresa não tinha recebido resposta quanto à habilitação do crédito; IX) a Lei na 10.426, de 2002, reduziu a multa pela falta de entrega das declarações de rendimentos. 4. Ao final, requereu a nulidade do auto de infração ou a decretação de sua insubsistência. Ao apreciar a defesa apresentada, a 3ª Turma da DRJ/REC realizou uma detida análise de todo o processo, proferindo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. Sendo a compensação considerada não declarada nas hipóteses legalmente previstas, exige-se a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados . NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 447DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.849 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.015717/2007-63 Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 INTENÇÃO DO AGENTE. LANÇAMENTO. ATO VINCULADO E OBRIGATÓRIO. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Improcedente. Contra o referido acórdão, foi interposto Recurso Voluntário reiterando os fundamentos da sua defesa, que passo a analisar. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Redator ad hoc. Por se tratar de caso específico de Redator ad hoc, em situação em que a Relatora original - Conselheira Bárbara Melo Carneiro - saiu do CARF após a sessão de julgamento, torna-se necessário que eu adote, na íntegra, o voto por ela apresentado durante sessão. Os fundamentos não representem necessariamente o meu ponto de vista sobre a matéria em litígio. Segue o conteúdo, in verbis: O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como bem delimitado pela DRJ, o presente processo é exclusivamente relativo à exigência de multa isolada por compensação considerada não declarada. Por consequência, não serão aqui apreciadas outras questões estranhas aos autos, relativas aos lançamentos de tributos nos outros processos administrativos (fl. 362), tais como: alegações sobre os débitos inscritos na Dívida Ativa, do cumprimento de obrigações acessórias, etc. Também não há que se falar, nos presentes autos, em incompetência da autoridade lançadora, preterição ao direito de defesa ou qualquer outra causa de nulidade do ato administrativo. Todas as formalidades foram obedecidas no lançamento e, também, na condução das intimações, em observância aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Assim, deixo de acolher a preliminar suscitada. Quanto ao fato de a compensação ter sido considerada “não declarada” por meio do processo nº 19647.001129/2007-42, o Recorrente deveria ter se insurgido contra esse ponto no próprio processo em que o despacho decisório foi proferido. Aparentemente, o contribuinte não questionou a tempo e modo o referido fato por meio de recurso hierárquico, já que não é cabível manifestação de inconformidade nos casos de compensação “não declarada”. O referido PTA encontra-se arquivado desde 07/2007. Quanto ao mérito, a Declaração de Compensação apresentada em fevereiro de 2007, por meio do PTA nº 19647.001129/2007-42, foi considerada não declarada, por se Fl. 448DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.849 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.015717/2007-63 tratar de crédito de terceiros, oriundos de ação judicial da qual a contribuinte não fazia parte. Além disso, era relativo a créditos não administrados pela Receita Federal. No momento em que foi apresentada a DComp, já vigorava o §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 (com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004), utilizado como fundamento para a penalidade aplicada, que passou a permitir a aplicação da multa isolada também para os casos em que a compensação fosse considerada não declarada: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) A atual redação do referido §4º já dispõe qual a penalidade é aplicável para o caso de compensação não declarada (em caso semelhante ao dos presentes autos), eliminando qualquer dúvida que poderia existir em relação à possibilidade de cobrança em dobro da referida multa, caso prevalecesse a antiga redação do §2º do art. 18 dada pela Lei nº 11.051/2004. Confira-se a nova redação do §4º: § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Quanto às hipóteses de compensação não declarada previstas no inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9430/96, estão as compensações com crédito de terceiros, exatamente como verificado nos presentes autos. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I - previstas no § 3º deste artigo; II - em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refira-se a "crédito-prêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto-Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refira-se a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. Além disso, o §3º do referido art. 74, mencionado no inciso I do §12 acima, dispõe que: § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (...) III - os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Fl. 449DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.849 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.015717/2007-63 Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Diante dessas considerações, conforme previsto na legislação, é cabível a aplicação de multa isolada independentemente da cobrança dos débitos com acréscimos legais. A aplicação da multa isolada possui fundamento próprio e, em regra, é independente das penalidades exigidas em conjunto com os tributos. Como já demonstrado, o percentual de multa isolada aplicado foi de 75%, em conformidade com o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. No presente caso, a própria Autoridade Fiscal reconheceu que não seria o caso de aplicar a penalidade em dobro. Por fim, observados todos os critérios previstos na legislação vigente, a esse Conselho não compete apreciar matérias relativas à inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei, nos termos do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72. Inclusive, esse ponto é objeto da Súmula CARF nº 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Feitas essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Eis o voto que me coube redigir. (documento assinado digitalmente) Ricardo Antonio Carvalho Barbosa Fl. 450DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11065.901547/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 24 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3302-008.437
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11065.901545/2011-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-08-19T23:23:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-08-19T23:23:03Z; Last-Modified: 2020-08-19T23:23:03Z; dcterms:modified: 2020-08-19T23:23:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-08-19T23:23:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-08-19T23:23:03Z; meta:save-date: 2020-08-19T23:23:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-08-19T23:23:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-08-19T23:23:03Z; created: 2020-08-19T23:23:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2020-08-19T23:23:03Z; pdf:charsPerPage: 2112; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-08-19T23:23:03Z | Conteúdo => S3-C 3T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11065.901547/2011-57 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-008.437 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de junho de 2020 Recorrente ARROZELLA ARROZEIRA TURELLA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O serviço de frete na aquisição de matéria-prima, por si só, não é insumo da atividade de produção. A possibilidade de aproveitamento de crédito decorre de sua agregação ao custo da matéria-prima. Assim se a matéria-prima, insumo da atividade produtiva, gerar direito ao crédito da não-cumulatividade, o serviço de frete lhe acompanha, na mesma proporção do crédito gerado pelo próprio insumo. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11065.901545/2011-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3302-008.436, de 24 de junho de 2020, que lhe serve de paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 15 47 /2 01 1- 57 Fl. 372DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-008.437 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.901547/2011-57 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS mercado interno, transmitido através do PER/Dcomp. A DRF Novo Hamburgo proferiu o despacho decisório através do qual homologou parcialmente o PER/Dcomp e declarou que não havia valor a ser restituído/ressarcido para o PER/Dcomp em questão. Cientificado, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, juntando cópia do Relatório Fiscal. A autoridade fiscal enumerou as glosas e irregularidades constatadas, sendo que na tabela de consolidação consta o item do relatório correspondente, constante dos autos. Dessa forma, de acordo com o relatório, o Despacho Decisório reconheceu parcialmente o direito creditório, homologou parcialmente o PER/Dcomp e declarou que não havia valor a ser restituído/ressarcido para os PER/Dcomps em questão, sendo outros homologados. Cientificado, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade através da qual o contribuinte afirmou que teria sido instaurado o MPF, o qual teria reconhecido parcialmente o direito creditório, e passou a contestar as seguintes glosas: - Fretes de aquisições de pessoas físicas: o interessado afirmou que não haveria qualquer restrição veiculada por lei ao aproveitamento de tal crédito e que as normas infralegais não poderiam trazer inovações, restringindo direitos. Citou doutrina e jurisprudência administrativa e judicial. - Terceirizações - Pagamentos Pessoas Jurídicas: o contribuinte teria se creditado de serviços prestados por terceiros para beneficiamento de arroz ou manutenção de equipamentos. Alegou que a fiscalização teria entendido que os fornecedores do seu contribuinte seriam dependentes dele, com base nas folhas de pagamento de tais empresas e no endereço de uma das empresas, ATL Indústria e Comércio de Cereais Ltda. O interessado afirmou que a empresa Elaine Schonfeldt, com CNPJ atualmente baixado, não se localizava no mesmo endereço. Defendeu que a fiscalização teria se detido ao fato de que as três empresas citadas teriam o mesmo objeto social, o que seria incabível. Asseverou, ainda, que não haveria impedimento ao fato de que as três empresas teriam faturamento constituído somente dos serviços prestados ao interessado e que a legislação não proibiria que uma pessoa fosse sócia de mais de uma empresa. - Devoluções de vendas: o interessado afirmou que a fiscalização teria glosado créditos decorrentes de devolução de vendas, mesmo após a apresentação das notas fiscais de venda e de devolução das mercadorias. Alegou que a RFB disporia em seu site que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a estas operações” e que o inc. VIII, art. 3°, Lei n° 10.833/2003 preveria expressamente tal possibilidade. - Crédito sobre serviço de seguros: a vedação para tal aproveitamento constaria do art. 8° da IN SRF n° 404/2004. O contribuinte reafirmou que normas infralegais não poderiam alterar regras constitucionais. Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-008.437 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.901547/2011-57 - Conclusão: o interessado concluiu, para solicitar o reconhecimento total do crédito presumido, a reforma da decisão, a homologação integral das compensações e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. O órgão julgador de primeira instância administrativa (DRJ), por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A empresa foi intimada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade e ingressou com Recurso Voluntário. Foi alegado: Da incorreta desconsideração dos valores relativos à: “Créditos sobre fretes de aquisições de pessoas físicas. Diante disso, a Recorrente requer o provimento do presente Recurso, a fim de que se reforme o acórdão ora recorrido, para que seja cancelado o lançamento em discussão nos pontos ora debatidos, tendo em vista que o próprio CARF já decidiu em sessões anteriores sobre a mesma matéria em favor da recorrente, emanando entendimento que os fretes tomados de pessoa jurídica domiciliada no país, independente da mercadoria ser adquirida de pessoa física ou jurídica, tem direito à alíquota básica de 1,65% e 7,6% de crédito de PIS e Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3302-008.436, de 24 de junho de 2020, paradigma desta decisão. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 25 de outubro de 2018, às e-folhas 71. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 23 de novembro de 2018 e-folhas 74. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. Da incorreta desconsideração dos valores relativos à: “Créditos sobre fretes de aquisições de pessoas físicas”. Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-008.437 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.901547/2011-57 Passa-se à análise. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins - mercado interno, referente ao período 01/01/2006 a 31/03/2006, no valor de R$ 68.321,70, transmitido através do PER/Dcomp n° 13234.79696.140907.1.5.11-8232. A DRF Novo Hamburgo proferiu o despacho decisório de fls. 2, através do qual homologou parcialmente o PER/Dcomp n° 12782.26441.170907.1.7.11-6249 e declarou que não havia valor a ser restituído/ressarcido para o PER/Dcomp n° 8232 (os PER/Dcomps n° 2823.33454.140907.1.7.11-2406,6977, 33774.49200.170907.1.7.11- 9822 e 19982.07417.170907.1.7.11-0250 foram integralmente homologados). Junto com a manifestação, o interessado juntou cópia do Relatório Fiscal, resultante do MPF n° 10.1.07.00-2010-01890-5, denominado Auto de Infração. A autoridade fiscal enumerou as glosas e irregularidades constatadas, sendo que na tabela de consolidação consta o item do relatório correspondente. Deste modo, neste relato, mantivemos a mesma numeração, para maior clareza. O Acórdão n° 14-88.390, a 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. É de se salientar que o único ponto atacado no Recurso Voluntário é o Créditos sobre fretes de aquisições de Pessoas Físicas. Quanto a esse ponto, o Relatório Fiscal assinala, às e-folhas 32 e 33: Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal n° 02, o contribuinte foi intimado a apresentar os conhecimentos de transporte e a cópia das notas fiscais dos bens transportados, relativamente a algumas operações que integraram a base de cálculo dos créditos da não cumulatividade (Linha 3 e, a partir de jul-08, Linha 7 das Fichas 6A e 16A do Dacon). Verificamos que houve a inclusão na base de cálculo dos créditos da não cumulatividade de fretes relativos a compras de arroz em casca de diversos produtores rurais pessoas físicas. Assim, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal n° 03, o contribuinte foi intimado a apresentar o valor total dos fretes mensais que integraram a base de cálculo dos créditos da não cumulatividade que se referem a fretes na aquisição de arroz em casca de pessoas físicas. Em respostas apresentadas em 08/02/11, o contribuinte relacionou os fretes em tela. Cabe lembrar que não existe previsão específica para inclusão dos fretes sobre compras na base de cálculos da não cumulatividade. Esses dispêndios integram a base de cálculo dos créditos na condição de integrante do custo de aquisição do insumo/mercadoria. Assim, os fretes sobre compras, relativamente aos créditos da não cumulatividade, recebem o mesmo tratamento que o bem adquirido. Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-008.437 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.901547/2011-57 Por exemplo, se o bem adquirido não gera o direito ao crédito, o mesmo tratamento será dado ao respectivo frete. Se o bem adquirido possibilita apenas o direito ao crédito presumido sobre produtos de origem vegetal (alíquotas aplicadas sobre 35% do valor da aquisição), os fretes darão direito ao crédito no mesmo percentual. Esse é o caso dos fretes relacionados pelo contribuinte em sua resposta (aquisições de arroz em casca de produtores pessoas físicas). Assim, sobre esses valores é cabível apenas a apropriação de crédito à razão de 35% do valor do crédito básico, em vez dos 100% adotados pelo contribuinte. Além disso, o caput do art. 8 o da Lei n° 10.925/04, previu que o crédito presumido em tela poderia ser utilizado apenas para dedução das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Tal prescrição legal foi enfatizada com a emissão do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005. Assim, são indevidos os pedidos de compensação/ressarcimento, ora em análise, relativamente à totalidade dos créditos integrais apropriados sobre os referidos fretes (Coluna B da Tabela a seguir). O contribuinte teria sido intimado a apresentar os conhecimentos e a cópia das notas fiscais dos bens transportados. A autoridade fiscal teria constatado a inclusão na base de cálculo dos créditos da não cumulatividade de fretes relativos a arroz em casca de diversos produtores rurais pessoas físicas, mas como o bem adquirido não gerava direito a crédito, o frete também não poderia gerar. A aquisição de arroz em casca gerava crédito presumido à razão de 35%, mas conforme o art. 8°, Lei n° 10.925/2004, esse tipo de crédito só poderia ser deduzido do PIS e da Cofins, não integrando o valor passível de ressarcimento. Por tal motivo, tais fretes foram glosados. Essa posição é referendada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão 9303-008.755 – CSRF / 3ª Turma, Sessão de 13 de junho de 2019 de Relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo fragmento trago à colação: Situação específica dos fretes É de conhecimento notório que, em estabelecimentos industriais, especialmente do que se cuida no presente processo, existem vários tipos de serviços de fretes. São exemplos: 1) fretes nas aquisições de insumos de fornecedores; 2) fretes utilizados na fase de produção, como por exemplo em decorrência da necessidade de movimentação de insumos e de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do mesmo contribuinte; 3) fretes de produtos acabados entre estabelecimentos ou armazém geral do próprio contribuinte; e 4) fretes de produtos acabados em operações de venda. A legislação do PIS e da Cofins, no regime não-cumulativo, prevê os seguintes tipos de créditos que podem ser aqui aplicados: Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-008.437 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.901547/2011-57 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Da leitura do texto transcrito, conclui-se que para admitir o crédito sobre o serviço de frete, só existem duas hipóteses: 1) como insumo do bem ou serviço em produção, inc. II, ou 2) como decorrente da operação de venda, inc. IX. Portanto antes de conceder ou reconhecer o direito ao crédito, devemos nos indagar se o serviço de frete é insumo, ou se está inserido na operação de venda. Passemos então a analisar a situação específica dos fretes utilizados na aquisição do insumo “leite”. No caso o frete na aquisição de leite é um serviço prestado antes de iniciado o processo fabril, portanto não há como afirmar que se trata de um insumo do processo industrial. Assim, o que é efetivamente insumo é o bem ou mercadoria transportada, leite, sendo que esse frete integrará o custo deste insumo e, nesta condição, o seu valor agregado ao insumo, poderá gerar o direito ao crédito, caso o insumo gere direito ao crédito. Ou seja, o valor deste frete, por si só, não gera direito ao crédito. Este crédito está definitivamente vinculado ao insumo. Se o insumo gerar crédito, por consequência o valor do frete que está agregado ao seu custo, dará direito ao crédito, independentemente se houve incidência das contribuições sobre o serviço de frete, a exemplo do que ocorre nos fretes prestados por pessoas físicas. No presente caso, como o contribuinte pode apropriar-se de crédito presumido em relação à aquisição de leite in-natura, de produtores pessoas físicas e cooperativas, faz jus também à apropriação, na mesma proporção do crédito gerado pelo insumo, em relação aos serviços de frete utilizados na aquisição desses insumos. Melhor dizendo, o direito de crédito em relação aos serviços de fretes limita-se ao valor do crédito presumido apropriado pelo próprio insumo. (Grifo e negrito nossos) Portanto, adequado o tratamento dado pela fiscalização. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-008.437 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.901547/2011-57 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 18471.001069/2005-92
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001, 2002
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. SÚMULA CARF Nº 61.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
Numero da decisão: 2002-005.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001, 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. SÚMULA CARF Nº 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. SÚMULA CARF Nº 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Auto de Infração (e-fls. 66/76) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anos calendário 2001 e 2002. O Lançamento decorre da apuração de Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários Com Origem Não Comprovada e Falta de Recolhimento do IRPF Devido a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 69 /2 00 5- 92 Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-005.570 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18471.001069/2005-92 Título de Carnê-Leão, conforme detalhado no Termo de Constatação Fiscal anexo ao Auto de Infração (fls. 60/65). A contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 81/90) cujos argumentos foram resumidos no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 100/107): 1) A impugnação é tempestiva. 2) Uma das infrações refere-se a depósitos bancários com valores inferiores ao previsto em lei, conforme se demonstrará na presente impugnação. Outro item autuado corresponde à imposição da multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão, o qual a interessada não impugnará, efetuando seu pagamento parcelado, restando apenas a questão dos depósitos bancários. 3) Faz um histórico sobre a tributação com base em depósitos bancários. 4) argúi o entendimento da Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. 5) os depósitos por si só não representariam disponibilidade econômica ou jurídica de renda, sendo apenas indícios. O Fisco deveria ter demonstrado tratar-se de renda consumida. 6) Remete-se à doutrina e jurisprudência que, a seu ver, corroboram o seu entendimento. 7) Somente na hipótese de existir distorção entre o montante depositado e os rendimentos declarados e, mesmo assim, se o total não identificado ultrapassar R$ 80.000,00, ou, se entre os valores não identificados houver um valor igual ou superior a R$ 12.000,00, é que haverá incidência da norma contida no art. 42 e seus parágrafos da Lei n° 9.430/ 1996. Fora desta hipótese, não há como invocar o dispositivo legal em comento. 8) Quanto ao ano-calendário 2001, os depósitos considerados como não comprovados são os discriminados na peça defensória (fl. 87 dos autos), em que nenhum valor é superior a R$ 12.000,00 e a soma destes depósitos perfaz o montante de R$ 7.113,00, inferior a R$ 80.000,00. Como a conta é conjunta com seu cônjuge, o valor submetido à tributação corresponde a 50% desta quantia. Portanto, a hipótese não se enquadra nos limites de presunção de forma a inverter o ônus da prova. 9) Para o ano-calendário 2002, os depósitos considerados como não comprovados são os arrolados às fls. 87 e 88 dos autos. Como a conta e conjunta com seu cônjuge, o valor submetido à tributação corresponde a 50% desta quantia. Com efeito, nenhum valor é superior a RS 12.000,00 e a soma destes depósitos, R$ 13.606,87, é inferior a RS 80.000,00. Portanto, a hipótese não se enquadra nos limites de presunção de forma a inverter o ônus da prova. Merecem ser, pois, julgados totalmente improcedentes os lançamentos efetuados neste tópico. 10) Caso venha a remanescer alguma parcela do crédito tributário lançado, requer seja excluído do seu cômputo a taxa SELIC exigida a título de juros de mora, haja vista a decisão do E. Superior Tribunal da Justiça. O Lançamento foi julgado Procedente pela 2ª Turma da DRJ/RJOII. Cientificada do acórdão de primeira instância em 16/02/2009 (e-fls. 109), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 04/03/2009 (e-fls. 110/114) alegando, em apertada síntese, que nenhum dos depósitos de origem não comprovada ultrapassa R$ 12.000,00 e o somatório dos mesmos não atinge R$ 80.000,00 em cada ano calendário. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-005.570 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18471.001069/2005-92 O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado por este Colegiado recai somente sobre a “Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários Com Origem Não Comprovada”. A “Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de Carnê-Leão” consiste em matéria não impugnada pela contribuinte. A infração em exame tem como fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos utilizados em depósitos bancários, atenuando a carga probatória atribuída ao Fisco. Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. De acordo com o art. 42, caput, da Lei nº 9.430/96, é imprescindível que o contribuinte comprove, mediante documentação hábil e idônea, que os valores creditados em suas contas não constituem rendimentos tributáveis. Trata-se de presunção legal relativa, que transfere o ônus da prova para o sujeito passivo. Assim, diante da falta de comprovação da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários, tem a autoridade fiscal o dever de considerar tais valores tributáveis e omitidos na Declaração de Ajuste Anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. No caso concreto a interessada não traz aos autos nenhum documento com o intuito de demonstrar a origem dos depósitos bancários em exame, mas alega que todos são Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-005.570 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18471.001069/2005-92 inferiores a R$ 12.000,00 e que o somatório dos mesmos em cada ano calendário não atinge o total de R$ 80.000,00 previsto no art. 42, §3º, II, da Lei nº 9.430/96. Com efeito, assiste razão à recorrente. Equivoca-se o Colegiado a quo ao entender que todos os depósitos relacionados no Termo de Intimação Fiscal de 01/03/2005 (e-fls. 48/54) foram utilizados como base de cálculo para o imposto apurado no lançamento (e-fls. 105). Conforme exposto no Termo de Constatação Fiscal (e-fls. 61), apenas alguns valores indicados na Intimação não tiveram sua origem comprovada: Analisando os dados/informações obtidos, inclusive junto a seu cônjuge, contatamos que não ficou comprovada a origem dos recursos dos depósitos/créditos efetuados durante os anos-calendário de 2001 (itens 25, 28, 33/34,.47 e 50) e 2002 (itens 24, 29, 38, 45, 47, 49/50 e 57), em sua contas-correntes dos Bancos Citibank S/A e Unibanco S/A, conforme planilhas anexadas ao Termo de intimação, datado de 01/03/2005 (fls. 46/52). Tais depósitos estão discriminados no demonstrativo elaborado pelo auditor (e-fls. 64/65) e, como sustenta a recorrente, não atingem o valor individual de R$ 12.000,00 e o somatório de R$ 80.000,00 no ano calendário, não sendo possível enquadrá-los na presunção legal de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96. É nesse sentido o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 61, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a omissão de rendimentos em litígio. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13736.001109/2008-77
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. DEDUTIBILIDADE DE VALORES COM BASE EM EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. SÚMULA CARF Nº 68.
As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência do imposto de renda, que requerem, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, previsão legal específica para viabilizar o seu exercício.
Numero da decisão: 2003-002.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. DEDUTIBILIDADE DE VALORES COM BASE EM EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. SÚMULA CARF Nº 68. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência do imposto de renda, que requerem, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, previsão legal específica para viabilizar o seu exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF relativa ao ano calendário de 2005, exercício de 2006, no valor de R$ 318,04, já incluídos multa de ofício de juros de mora, em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 10.884,60, referente a diferença do valor declarado e o informado em DIRF pela fonte pagadora (R$ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 11 09 /2 00 8- 77 Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-002.584 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13736.001109/2008-77 67.076,55 – R$ 56.191,95), conforme se depreende da notificação de lançamento constante dos autos, importando na apuração do imposto suplementar no valor de R$ 162,02 (fls. 6/9). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 13-21.052, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II - DRJ/RJOII (fls. 32/36): Trata o processo fiscal de lançamento, gerado após o processamento da declaração de ajuste, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o impugnante insurgiu-se contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art. 1º da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/RJOII, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo-se incólume o crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 05/12/2008 (fls. 47), o contribuinte, em 23/12/2008, interpôs recurso voluntário (fls. 42/43), reportando-se e repisando os fundamentos lançados na peça impugnatória, por meio dos argumentos brevemente sintetizados a seguir: I – OS FATOS Na Notificação de Lançamento consta rendimentos omitidos no valor de R$ 10.884,60, porém tal situação não ocorre, pois o citado valor refere-se a rendimentos não tributáveis e corresponde ao "adicional por tempo de serviço", ao teor do art. 1º, III, “n”, da Lei nº 8.852/94. II – O DIREITO II.1 – PRELIMINAR Preliminarmente, requer a desconsideração dos valores não tributáveis, que se referem ao adicional por tempo de serviço, que foram incluídos ilegalmente nos rendimentos tributáveis, para que assim possa fazer nova apuração do imposto devido, adequando-o de forma justa e legal. II.2 – MÉRITO Como se pode inferir do art. 1º, III, da Lei n° 8.852/94, o imposto de renda não pode incidir nas seguintes parcelas dos vencimentos dos militares/servidores civis - Três Poderes (e ainda Estadual e Municipal entre outras: gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino ou 13° salário, compensação orgânica e salário família). Desde 1994 o imposto de renda vem incidindo sobre tais parcelas em seus contracheques, o que significa que há desconto "a maior" nos últimos 10 anos. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-002.584 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13736.001109/2008-77 Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares A alegação trazida em sede preliminar, a bem da verdade complementa e se confunde com as razões de mérito, e com ele será apreciada. Mérito Da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica apurada: Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/RJOII, que manteve o lançamento da omissão de rendimentos apurada em face do processamento da DAA/2006, onde foram alterados os valores declarados de rendimentos tributáveis recebidos de R$ 56.191,95 para R$ 67.076,55, importando na apuração do imposto suplementar de R$ 162,02, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise acerca do todo processado. Pois bem. Em que pese as alegações trazidas, do cotejo dos documentos carreados aos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 32/36) e atendo-se às informações contidas na notificação de lançamento (fls. 7/11), não há como prosperar a pretensão recursal. Assim, considerando que o Recorrente não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso - diga-se de passagem, considerando que a Lei nº 8.852/94, de fato, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência tributária, os rendimentos omitidos desatendem aos critérios de dedutibilidade da legislação do imposto de renda – me convenço do acerto da decisão proferida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos norteadores do voto condutor na decisão recorrida (fls. 33/36), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art. 3º, § 1º, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9º a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 4º do art. 3º da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-002.584 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13736.001109/2008-77 Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1º, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. O artigo 1º da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6º do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art. 1º da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. (...) Por fim, esclareça-se que houve a apresentação de declaração retificadora na qual a fiscalização constatou omissão de rendimentos. Dessa forma, havendo previsão legal para que seja efetuado o lançamento nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 — RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN), deve ser mantido o lançamento. Portanto, indene de dúvida que a Lei nº 8.852/94 apenas excluiu as verbas elencadas no inciso III e §1º do seu art. 1º, da mensuração e apuração do teto remuneratório do serviço público – limitado constitucionalmente ao subsídio mensal pago ao Ministros do STF, ao teor do art. 37, XI – nada se referindo sobre eventual isenção ou não tributação de tais rendimentos auferidos. A par dos fatos, e como bem explicitado na decisão recorrida, diante da ausência de regramento legal tributário veiculado por normativo próprio afastando a verba objurgada da incidência tributária, mantenho subsistente o lançamento. Ademais, vale salientar que a matéria já se encontra sedimentada neste CARF, inclusive culminando com a edição de súmula vinculante: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Por fim, cabe relembrar que o lançamento fiscal rege-se por expressa determinação legal, sendo portanto, a atividade fiscal, vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN, competindo à fiscalização revisar a declaração de ajuste apresentada, constituir o crédito tributário e calcular a exigência ou adequar o imposto a restituir declarado, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-002.584 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13736.001109/2008-77 Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para manter o lançamento e as alterações realizadas na base de cálculo do imposto de renda do ano-calendário 2005, exercício 2006. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910189/2009-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. PROVAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte provar o direito a restituição/ressarcimento, apenas, ou quando cumulado com o pedido de compensação. Para tanto, apresentando os documentos fiscais e contábeis desde a manifestação de inconformidade, exigência prevista no Código de Processo Civil e no Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 3002-001.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sabrina Coutinho Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Larissa Nunes Girard (Presidente) e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA
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CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. PROVAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte provar o direito a restituição/ressarcimento, apenas, ou quando cumulado com o pedido de compensação. Para tanto, apresentando os documentos fiscais e contábeis desde a manifestação de inconformidade, exigência prevista no Código de Processo Civil e no Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (documento assinado digitalmente) Sabrina Coutinho Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Larissa Nunes Girard (Presidente) e Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Por bem relatar os fatos, reproduzo o relatório constante no acórdão recorrido: Relatório O interessado transmitiu a Dcomp nº 08861.41071.170807.1.3.04-3933, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 8109, efetuado em 15/01/03; A DRF PIRACICABA emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 01 89 /2 00 9- 09 Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-001.371 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.910189/2009-09 A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que informou com erro o valor do débito na DCTF; É o breve relatório. A impugnação foi protocolada acompanhada da procuração, contrato social, despacho decisório, DCTF retificadora, Dacon, Per/Dcomp e comprovante de pagamento. Ato contínuo, à 2ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insatisfeita com o resultado, tão logo intimada (AR à fl. 28 dos autos) a Recorrente protocolou recurso administrativo voluntário arguindo ser possível a retificação de DCTF até que o crédito seja inscrito em dívida ativa e que apresentou em sua manifestação de inconformidade todo o documentário contábil e fiscal suficientes a provar que realizou as retificações necessárias concernentes ao PER/DCOMP em discussão e que, sequer, foram analisados pelo juízo de primeiro grau. Nos autos observo que foram juntados, tanto a manifestação de inconformidade, quanto ao recurso voluntário, o instrumento de representação e o contrato social. É o relatório. Voto Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-001.371 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.910189/2009-09 Tendo a Recorrente cumprindo todas as exigências formais e o valor do PER/DCOMP, ora discutido, estar dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, que deve o presente recurso voluntário ser conhecido. De logo, observo que restou vazado no acórdão recorrido, dentre outras questões, especialmente, de que não houve pela Recorrente prova da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Ao confrontar o argumento, afirma a Recorrente que retificou os documentos fiscais cito DCTF´s, DACON, PER/DCOMP e DIPJ (como apontado no acórdão recorrido) para que pudesse gozar do crédito tomado, tendo sido os mesmos juntados na primeira oportunidade de defesa. Ou seja, alega a Recorrente ter produzido provas a seu favor ainda na manifestação de inconformidade. Entretanto, melhor sorte não assiste a recorrente, como será demonstrado. Sabe-se que a DCTF constitui confissão de dívida, porque é nela que o contribuinte confessa os seus débitos e lança o crédito tributário passível de ressarcimento/ restituição e compensação oriundo de pagamento indevido ou a maior, segundo legislação vigente. Da mesma forma é de seu conhecimento que o ressarcimento/restituição e compensação de crédito declarado em PER/DCOMP é viável até mesmo sem a retificação da DCTF, com base no art. 165 do CTN, ao não condicionar o direito a compensação e restituição pelo contribuinte ao cumprimento de certos requisitos formais: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Nessa linha, entendo que a decisão objeto do presente recurso se mostra equivocada quando exige da Recorrente a retificação dos documentos fiscais, já que a legislação não condiciona ao contribuinte a retificação de DCTF para que goze de crédito oriundo de pagamento indevido/a maior, apenas, que comprove eventual erro e a higidez do crédito pleiteado. Por outro lado, o juízo a quo supera a questão quando enfrenta o tema e aborda a necessidade de demonstração pelo contribuinte do equívoco cometido no lançamento das informações em DCTF nos casos de retificações, através de apresentação dos documentos fiscais e contábeis. No caso em tela, como bem afirmado pela própria recorrente, tão logo ciente da não homologação da Per/Dcomp objeto da lide, cuidou de retificar a DCTF (documento devidamente juntado aos autos). Desta feita, está compelida a demonstrar mediante documentos Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-001.371 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.910189/2009-09 contábeis e fiscais a necessidade e a regularidade de retificação da DCTF, previsão contida expressamente no CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento oriundo de pagamento indevido ou a maior, segundo a legislação vigente. Repiso, à luz do § 1º do art. 147 do CTN, no caso em que houver retificação de DCTF, como o caso sub examine, para ter validade o documento fiscal é necessário estar acompanhado de documentação idônea a motivar a correção, sendo o documento contábil como por exemplo o “livro razão”. Tal fato fora narrado pelo juízo a quo sob o fundamento de ser essencial alguma prova contábil e fiscal para averiguarmos se certo e líquido o crédito indicado, portanto irreparável tal fundamento, seja porque imprescindível ante a retificação de documentos fiscais, seja por ser a DCTF titulo executivo no qual o contribuinte confessa os seus débitos. Todavia, fazendo leitura minuciosa dos autos, apesar do cuidado da Recorrente de tentar provar a certeza e a liquidez do crédito após a retificação da DCTF com a juntada de DCTF retificadora, Dacon, Per/Dcomp e comprovante de pagamento que deu origem ao crédito, entendo que tais documentos ainda são insuficientes para provar a higidez do crédito indicado, isso porque imprescindíveis os documentos contábeis, como citado “livro razão” ou “livro diário”, ou algum outro, já que por meio deles é possível examinar a origem do crédito quando confrontados com as informações retificadas nos documentos fiscais, ainda mais por constatar que não houve retificação de Dacon como declarado pela Recorrente, mostrando desencontro de informações. Em resumo, sem tais elementos, patente o descumprimento pela Recorrente de seu ônus probatório, consoante previsão expressão na legislação vigente a saber Art. 373 do CPC e Art. 28 do Decreto nº 7.574/2011, como também, Artigos 15 e 16, inciso III do Decreto nº 70.235/72. Portanto assente a decisão recorrida quando afirma o julgador a quo: Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplica-se ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) “mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC), que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-001.371 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.910189/2009-09 Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil (CC), para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora. Corroborando acerca da possibilidade de se reconhecer o direito creditório do contribuinte sem que tenha havido a retificação de DCTF, mas que imprescindível a apresentação de prova documental acerca da existência do crédito pleiteado, cito os acórdãos nºs 3001-000.774 e 3003-002.562, respectivamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório, não há de impedir o deferimento do pleito. Entretanto, a retificação deve estar acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem a erro cometido no preenchimento da declaração original. Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação. _____________________________________________________________________ ASSUNTO: NORMAS G ERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Do exposto, conheço o recurso voluntário e nego-lhe provimento mantendo a decisão recorrida integralmente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sabrina Coutinho Barbosa. Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3002-001.371 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.910189/2009-09 Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10167.001225/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2401-000.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andrea Viana Arrais Egypto, André Luís Ulrich Pinto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andrea Viana Arrais Egypto, André Luís Ulrich Pinto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andrea Viana Arrais Egypto, André Luís Ulrich Pinto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 103/106) contra o Acórdão de Impugnação da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (e-fls. 80/85) que julgou procedente em parte o lançamento veiculado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n° 35.675.468-5 (e-fls. 02/11), no valor total de R$ 64.735,96, cientificada em 18/07/2005 (e-fls. 18), a envolver na competência 11/2004 e as rubricas 11 Segurados, 12 Empresa, 13 Sat/rat e 15 Terceiros, apuradas a partir do Aviso de Regularização de Obra constante das e-fls. 14 (I.Obra: 23/10/1993 T.Obra 19/11/2004). O Relatório Fiscal está nas e-fls. 15/17. Na impugnação (e-fls. 22/26), em síntese, se alegou: (a) Decadência Parcial. (b) Do redutor. (c) Decadência dos valores devidos a outras entidades. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 67 .0 01 22 5/ 20 07 -1 9 Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 2401-000.803 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10167.001225/2007-19 (d) Mulas e juros. Convertido o julgamento em diligência (e-fls. 32), foi produzida Informação Fiscal intitulada Relatório Fiscal Complementar (e-fls. 37/38) a reduzir o período da obra pela adoção do encerramento na data de 29/04/2003 e a sustentar o cabimento de retificação pela utilização do redutor de 50% para área de 275,57 m² (garagem coberta), cientificado em 24/07/2006 (e-fls. 39 e 52). O contribuinte apresentou em 28/06/2006 (e-fls. 40/41) a manifestação de e-fls. 41/46 e em 04/08/2006 (e-fls. 58/59) a manifestação de e-fls. 59/64, esta fazendo referência à correspondência recepcionada em 24/07/2006, ambas a reiterar os argumentos de defesa anteriormente apresentados. Nova diligência foi comandada (e-fls. 69), a resultar na Informação Fiscal intitulada Relatório Fiscal Complementar de e-fls. 75/76 sustentando o cabimento de retificação pela utilização do redutor de 50% para área de 346,99 m² (garagem coberta e casa de máquinas). O contribuinte foi intimado em 10/04/2007 para se manifestar (e-fls. 78/79). A seguir, foi emitido Acórdão de Impugnação (e-fls. 80/85), transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DECADÊNCIA PARCIAL. INEXISTÊNCIA. O salário de contribuição decorrente de obra de Construção civil de responsabilidade de pessoa física era apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra. (An. 33, § 4 o , da Lei n.° 8.212/91.) Comprovado o erro na apuração do salário de contribuição, deve ser emitido novo ARO e retificada a notificação. É de dez anos o prazo para a constituição do crédito previdenciário, Lei 8.212/91, art. 45, incisos I e II. Após a prolação do Acórdão de Intimação, despacho da relatora e da Presidente da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (e-fls. 99) considerou não ser cabível a retificação do Acórdão de Impugnação em razão de a Turma Julgadora não ter tomado conhecimento de manifestação tempestiva acerca do resultado da diligência (e-fls. 91/97), manifestação que teria apenas reiterado os argumentos já apresentados na primeira defesa. Intimado do Acórdão de Impugnação e do Despacho de e-fls. 99 em 15/05/2008 (e-fls. 100/101), o contribuinte interpôs em 16/06/2000 (e-fls. 103) recurso voluntário (e-fls. 103/106), alegando, em síntese: (a) Decadência Parcial. Não se observou o disposto no art. 480 da IN INSS/DC n° 100, de 2003, acerca da decadência parcial. A Obra teve inicio em 23/10/93 e término em 17/03/94, diante de tal constatação conclui-se que a obra durou 145 dias (cento e quarenta e cinco) e a decadência deveria ser aplicada em 47,58 Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 2401-000.803 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10167.001225/2007-19 (quarenta e sete vírgula cinquenta e oito por cento) da obra, que compreende o período de 23/10 a 31/12/1993, proporcional a sessenta e nove dias (ver documento 23001060 - APSBTA- SERVIÇO DE ARRECADAÇÃO, DE 20/10/2004, página 17 do Processo n° 35758002015/2004 -76, copia anexa). Não estaria abrangido pela decadência o período de 76 dias do ano de 1.994, que compreende 52,42%, em face de aplicação do artigo 480 da IN INSS/DC n° 100, de 2003. Verifica-se no voto da Relatora fls. 80, que as datas de inicio e término da obra tiveram origem na DISO. Assim, foram apresentados elementos que comprovam sobejamente as alegações que comprovam a decadência parcial. (b) Decadência dos valores devidos a outras entidades. Da interpretação do Parágrafo Segundo do artigo 583, temos: “O prazo decadencial das contribuições devidas a outras entidades e fundos é de dez anos, exceto para os fatos geradores ocorridos até 18 de junho de 1995, cujo prazo decadencial é de cinco anos”. Devidamente comprovada a decadência parcial na forma do item precedente e que a obra foi concluída em 1994, resta claro que houve a decadência integral em relação às contribuições devidas a outras entidades. (d) Multas e juros. O processo teve origem por iniciativa do contribuinte, que espontaneamente buscou a regularização da obra e desde então vem procurando obter o valor efetivamente devido para providenciar seu pagamento. Desta forma, não entende, nem é justo ou legal, a aplicação de qualquer penal idade sobre o valor da divida. Cabe lembrar que o recurso já logrou êxito parcial com o reconhecimento da necessidade de aplicação dos Redutores, o que por si só já é motivo para não aplicação de qualquer penalidade, diante das disposições do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 12/03/2009 (e-fls. 184/187), o recurso interposto em 30/03/2009 (e-fls. 188) é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Conversão do julgamento em diligência. A fiscalização afirma que não foram apresentados documentos a demonstrar o término da obra em 17/03/1994, havendo habite-se a revelar termino da obra em 29/04/2003 (e-fls. 35).. Nas razões recursais (e-fls. 104), o recorrente sustenta que a obra estaria concluída em 17/03/1994 conforme: documento 23001060 - APSBTA- SERVIÇO DE ARRECADAÇÃO, DE 20/10/2004, página 17 do Processo n° 35758002015/2004 -76, copia anexa, onde o Servidor Odir Fernandes dos Santos, escreve: "Informamos que : já procedemos a matricula da mesma sob o n. 36.950.04452/68, com inicio de atividade em 23/10/1993, em anexo. Segue também, DISO-Declaração e Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 2401-000.803 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10167.001225/2007-19 Informação Sobre Obra, já que a mesma não se encontra alcançada pelo Instituto da Decadência, pois teve seu término em 17/03/1994, conforme Auto de Embargo n°763/94". O documento em questão consta das e-fls. 48 e menciona a matrícula CEI 36.950.04452/68, objeto do presente lançamento, e o processo n° 35758002015/2004-76 da Gerência Executiva do INSS do Distrito Federal - Agência de Taguatinga. Contudo, não se trata de documento contemporâneo ao período decadente, apenas fazendo referência ao Auto de Embargo n° 763/94 como o documento a revelar a data de término da obra em 17/03/1994. Nesse ponto, ressalte-se que o habite-se emitido em 29/04/2003 (e-fls. 35) faz referência ao processo 132.00478/97 com área de 1.556.32 m² e a um Alvará de Construção n° 355/00. O recorrente apresenta Parecer Técnico datado de 09/09/2004 e firmado por Inspetor de Atividades Urbanas do Núcleo de Fiscalização de Obras e Edificações do Governo do Distrito Federal a informar para fins de Declaração de Decadência que verificação física no imóvel de área de 1.556.32 m² revelaria tratar-se de edificação com mais de dez anos, além disso, que as características foram observadas com consulta ao processo 132.000.478/1997, no qual se constatou o Alvará de construção n° 355/00, expedido em 29/09/2000 (e-fls. 107). A seguir (e-fls. 108), há uma declaração do Chefe do Núcleo de Fiscalização de Obras e Edificações do Governo do Distrito Federal datada de 13 de setembro de 2004, a infomar que: a edificação, constituída de um prédio-comercial com 06 pavimento, construído no endereço QND 02 LOTE 09 Taguatinga-DF, foi licenciado por meio do processo administrativo n. ° 132.000.478/97, com projeto aprovado em 25/09/2000, e Alvará de Construção n ° 355/00, expedido em 29 de setembro de 2000, em nome do Sr. Osvaldo Pontes de Carvalho, com área de 1.556,32m², tendo como respcisável Técnico o Eng. Civil Miguel Angelo L. M. da Silva, Crea 6546/D-DF, que consta em nossos arquivos. A obra encontra-se concluida deste 1994, data a qual foi lavrado Auto de Embargo n° 763/94. Portanto, aflora que foi determinante para a análise vertida nos documentos emitidos no âmbito do Núcleo de Fiscalização de Obras e Edificações do Governo do Distrito Federal, o constante do Auto de Embargo n° 763/94. Em última análise, todos esses documentos apresentados pelo recorrente não são contemporâneos ao período decadente, ainda que façam referência a documento que seria contemporâneo, o Auto de Embargo n° 762/94. Consta dos autos ainda declaração da Companhia Energética de Brasília a informar cadastro de unidade consumidora no imóvel desde 03/02/1977 (e-fls. 111). Contudo, a existência de ligação de luz desde a década de 1970 não é prova de término da obra. Logo, entendo cabível a conversão do julgamento em diligência para que a Receita Federal carrei aos autos cópia integral do processo n° 35758002015/2004-76 da Gerência Executiva do INSS do Distrito Federal - Agência de Taguatinga e caso nele não conste o Auto de Embargo n° 762/94 para que quando da intimação do contribuinte para se manifestar Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 2401-000.803 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10167.001225/2007-19 sobre o resultado da diligência no prazo de trinta dias, abra prazo concorrente de trinta dias para a apresentação do Auto de Embargo n° 762/94. Após a juntada aos autos da manifestação e respectivos documentos e/ou da certificação de não apresentação no prazo fixado, venham os autos conclusos para julgamento. Isso posto, voto por CONHECER do recurso voluntário e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13706.000411/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. DILIGÊNCIA.
A realização de diligência e/ou perícia não se presta a suprir a omissão do sujeito passivo em instruir a impugnação com os documentos em que se fundamente.
REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Constatada a omissão de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, impõe-se a lavratura de lançamento de oficio, compensando-se o Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo aos rendimentos não declarados.
AÇÃO TRABALHISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
No caso de rendimentos recebidos em razão de reclamatória trabalhista, poderá ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda o valor das despesas necessárias à ação judicial que tenham sido suportadas pelo reclamante, inclusive os honorários advocatícios, desde que devidamente comprovadas pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2301-007.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo César Macedo Pessoa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: ANA CAROLINE LIMA DA SILVA
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PROVA. DILIGÊNCIA. A realização de diligência e/ou perícia não se presta a suprir a omissão do sujeito passivo em instruir a impugnação com os documentos em que se fundamente. REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a omissão de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, impõe-se a lavratura de lançamento de oficio, compensando-se o Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo aos rendimentos não declarados. AÇÃO TRABALHISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. No caso de rendimentos recebidos em razão de reclamatória trabalhista, poderá ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda o valor das despesas necessárias à ação judicial que tenham sido suportadas pelo reclamante, inclusive os honorários advocatícios, desde que devidamente comprovadas pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo César Macedo Pessoa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 04 11 /2 00 7- 84 Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.716 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.000411/2007-84 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão nº 13-24.191 – 6ª Turma da DRJ/RJOII, e-fls. 101 e ss, verbis: Trata-se de Notificação de Lançamento (fls. 04 a 06), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2003, decorrente, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 05 e 06), da revisão da Declaração de Ajuste Anual, que, após a análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Receita Federal, constatou a omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora CNPJ 42.422.253/0001-01 (EMPRESA DE TECNOLOGIA E INFORMAÇÕES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL), no valor de RS 15.296,67, e apurou crédito tributário no valor de RS 4.225,13 (quatro mil, duzentos e vinte e cinco reais e treze centavos), sendo RS 1.938,85 referentes ao imposto suplementar, RS 1.454,13 referentes à multa de ofício e RS 832,15 referentes aos juros de mora calculados até 31/01/2007(fls. 04). Tendo tomado ciência do lançamento em 17/01/2007, por via postal (fls. 21 e 22), o notificado ingressou com contestação (fls. 01/02), tempestivamente, em 07/02/2007, alegando que: a) o valor considerado como omitido, de R$15.296,67, refere-se à dedução de Honorários Advocatícios devidos pelo Processo Trabalhista n° 00.6293506, em curso na 9ª Vara Federal do Rio de Janeiro, valor este declarado como Pagamentos Efetuados; b) a DATAPREV deixou de informar em seu Comprovante de Rendimentos Pagos, ano base 2002, valores pagos em novembro e dezembro de 2002, relativos às 1ª e 2ª parcelas do resíduo de quinquênio, o que o levou a declarar no ajuste do exercício de 2003 os valores respectivos como não tributáveis, e o valor de RS 10.187,00, a título de Honorários Advocatícios, como Pagamentos Efetuados; c) esses valores foram informados somente em 2004, ano base 2003, acrescidos da 3ª parcela do resíduo de quinquênio e mais os rendimentos mensais, perfazendo um total de R$109.559,67; e d) como no ajuste do exercício de 2003 declarou os valores em questão como não tributáveis, não cabia descontar os Honorários Advocatícios de R$10.187,00; razão por que, no ajuste do exercício de 2004, os declarou como tributáveis, acrescidos de RS 5.109,00, relativos aos Honorários da 3ª parcela, totalizando R$15.296,00. No mais, anexou documentos à peça de defesa, de fls. 12 a 15, no intuito de comprovar esses pagamentos de honorários. Não obstante as alegações defensivas, a impugnação foi julgada improcedente. Cientificado da decisão de piso, em 18/06/2009, o interessado apresentou recurso voluntário, em 16/07/2009 (e-fls. 119 e ss). Em suma, alega ter recebido os rendimentos decorrente de ação trabalhista já deduzidos dos honorários, oportunidade na qual assinara recibo em favor do patrono da causa, para fins de prestação de contas junto à Justiça do Trabalho. Aduz não ter conseguido contato com o patrono, para fins de obtenção do recibo, mas requer seja admitida declaração prestada por um dos patronos. Alternativamente, requer seja deferida a realização de diligencia, com visitas a dirimir alguma dúvida que tenha restado. Voto Conselheiro Paulo César Macedo Pessoa, Relator. Conheço o recurso voluntário, por preencher os requisitos legais. O recorrente reitera os mesmos argumentos deduzidos em sede de impugnação ao lançamento, enfrentados e refutados na decisão de piso, cujos fundamentos, que acolho e adoto como razões de decidir, seguem transcritos: Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.716 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.000411/2007-84 No que tange à justificativa de que a DATAPREV somente informou em 2004 os valores que lhe pagou, a título de resíduo de qüinqüênio, em novembro e dezembro de 2002, oriundos do processo trabalhista n° 00.0629350-6, em curso na 9ª Vara Federal do Rio de Janeiro, juntamente com o valor pago a esse mesmo título em 2003, deve-se destacar que a fonte pagadora está obrigada a fornecer à pessoa física beneficiária documentos comprobatórios, com a indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no ano-calendário. Ocorrendo inexatidão nas informações, como argumenta o autuado, o contribuinte deve solicitar à fonte pagadora outro comprovante preenchido corretamente. E na impossibilidade de correção, por motivo de força maior, o contribuinte pode utilizar outros documentos hábeis e idôneos, tais como os contracheques ou recibos de pagamento mensais, ficando sujeito à comprovação de suas alegações, a critério da autoridade lançadora. Deveria, pois, o impugnante, ter declarado os valores dos rendimentos que afirma ter recebido em novembro e dezembro de 2002, e que não teriam sido informados pela fonte pagadora, na sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2003, com base nos seus contracheques ou recibos de pagamento correspondentes, e não proceder como o fez, declarando incorretamente tais valores como Rendimentos Isentos e Não- Tributáveis (fls. 41). Quanto aos documentos juntados de fls. 12 a 15, constituídos de uma Declaração assinada pelo advogado Antônio Vieira Gomes Filho, em nome do escritório Antônio Vieira Advogados Associados, e de três Recibos que o contribuinte teria oferecido a três advogados, Carlos Eraldo Lopes, Maria Elizabeth D'Araújo Costa e o próprio Antônio Vieira Gomes Filho, confirmando ter recebido, por intermédio dos mesmos, em novembro e dezembro de 2002, e em janeiro de 2003, valores oriundos do Processo Trabalhista n° 00.0629350-6, a título de quinquênios, não constituem prova necessária e suficiente do pagamento dos honorários advocatícios de RS15.297,34 invocados pelo sujeito passivo. Não trouxe ele aos autos qualquer documento que confirmasse a atuação dos advogados Carlos Eraldo Lopes, Maria Elizabeth D'Araújo Costa e Antônio Vieira Gomes Filho na ação trabalhista em curso na 9ª Vara Federal do Rio de Janeiro. No entanto, pesquisa realizada no sítio da Justiça Federal no Rio de Janeiro, na Internet (fls. 43 a 46) corrobora a atuação dos advogados Carlos Eraldo Lopes e Antônio Vieira Gomes Filho no referido processo, ao mesmo tempo em que aponta a atuação da advogada Maria Elizabeth Aguiar D'Araújo Costa, OAB RJ000593B, em um único processo junto àquela Seção Judiciária, de n° 880001276, em que as partes são totalmente distintas, conforme telas de fls. 48 e 49. O fato de ter declarado em sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2004, como "Pagamentos e Doações Efetuados", o pagamento a Carlos Eraldo Lopes, CPF 036582017-20, no valor de R$75.265,00 (fls. 27), e de ter declarado na Declaração do exercício de 2003, a esse mesmo título, ao mesmo Carlos Eraldo Lopes, o pagamento de R$10.187,00, não faz prova de que o valor considerado omitido, de R$ 15.296,00, corresponda a honorários advocatícios pagos ao referido causídico, no ano-calendário de 2003, por conta de rendimentos recebidos nesse ano-calendário provenientes da ação trabalhista 00.0629350-6. Além do que, a declaração do montante de R$15.296,00, como "Pagamentos e Doações" a Carlos Eraldo Lopes, na Declaração de Ajuste Anual não seria suficiente por si só para respaldar a dedução desse valor dos rendimentos tributáveis, posto que seria necessária a devida comprovação, através de documento hábil e idôneo, do efetivo pagamento das despesas com esse advogado. (...) Cabe ainda ressaltar que as alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar, visto ser assente em Direito que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Assim, no caso de rendimentos recebidos em razão de reclamatória Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.716 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.000411/2007-84 trabalhista, pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda o valor das despesas necessárias à ação judicial que tenham sido suportadas pelo reclamante, inclusive aquelas com advogados, desde que devidamente comprovadas pelo contribuinte. No presente caso o impugnante não anexou ao processo qualquer documento hábil e idôneo que pudesse comprovar o efetivo pagamento de honorários advocatícios em ação trabalhista, no ano-calendário de 2003, no valor de R$15.296,00, conforme informou em sua contestação. A defesa requer, ainda, a realização de diligências esclarecedoras, no caso de restar alguma dúvida. Com efeito, rejeito esse pleito por entender que a realização de diligência e/ou perícia não se presta a suprir a omissão do sujeito passivo em instruir a impugnação com os documentos em que se fundamente. Conclusão Com base no exposto, rejeito o pedido de diligência; e nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo César Macedo Pessoa Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10932.000213/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Os rendimentos pagos à pessoa física estão sujeitos à cobrança do imposto relativo nos termos da Lei n° 7.713/88.
RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. DADOS E ARQUIVOS ELETRÔNICOS DISPONIBILIZADOS PELA JUSTIÇA FEDERAL.
Os documentos comprobatórios anexados aos autos são suficientes para a demonstração da ocorrência do fato gerador e indicam que o autuado constou como ordenante de remessas para o exterior.
Tais provas gozam de presunção de veracidade e legitimidade, que não foi elidida, em momento algum pelo Contribuinte, razão pela qual resta mantida a confiabilidade dos dados neles constantes.
NULIDADE.
Somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
MULTA. JUROS. INCIDÊNCIA. ARGUIÇÃO DE CONFISCO.
Sobre os tributos em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, aplicados sobre o valor atualizado, e multa de mora, de caráter irrelevável.
A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual este julgador está vinculado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Os rendimentos pagos à pessoa física estão sujeitos à cobrança do imposto relativo nos termos da Lei n° 7.713/88.
BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
Não há bis in idem no lançamento fiscal em que restou evidenciada a omissão de rendimentos cuja origem não foi comprovada e que não foram oferecidos à tributação.
MULTA DE 75%.
A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária.
TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão aquela objeto da decisão.
Numero da decisão: 2201-007.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: Francisco Nogueira Guarita
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Os rendimentos pagos à pessoa física estão sujeitos à cobrança do imposto relativo nos termos da Lei n° 7.713/88. RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. DADOS E ARQUIVOS ELETRÔNICOS DISPONIBILIZADOS PELA JUSTIÇA FEDERAL. Os documentos comprobatórios anexados aos autos são suficientes para a demonstração da ocorrência do fato gerador e indicam que o autuado constou como ordenante de remessas para o exterior. Tais provas gozam de presunção de veracidade e legitimidade, que não foi elidida, em momento algum pelo Contribuinte, razão pela qual resta mantida a confiabilidade dos dados neles constantes. NULIDADE. Somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA. JUROS. INCIDÊNCIA. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. Sobre os tributos em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, aplicados sobre o valor atualizado, e multa de mora, de caráter irrelevável. A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual este julgador está vinculado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos pagos à pessoa física estão sujeitos à cobrança do imposto relativo nos termos da Lei n° 7.713/88. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 13 /2 00 8- 30 Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 Não há bis in idem no lançamento fiscal em que restou evidenciada a omissão de rendimentos cuja origem não foi comprovada e que não foram oferecidos à tributação. MULTA DE 75%. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão aquela objeto da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 17-41.259 -10ª Turma da DRJ/SP2, fls. 245 a 253. Trata de autuação referente a Imposto de Renda de Pessoa Física e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 06/08/2008, o Auto de Infração de fls. 23 e seguintes, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física devido por: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Omissão de rendimentos apurado conforme informação extraída do Dossiê elaborado pela EEF Portaria SRF n° 463/04 e não constante da Declaração de Rendimentos, ano-base 2003, do contribuinte. Os valores apurados referem-se a remessa de recursos para o exterior, tendo como beneficiário o sujeito passivo deste auto de infração. O enquadramento legal está previsto na seguinte legislação: Arts. 1º, 2º e 3° e parágrafos, da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 3° da Lei n. 8.134/90; Arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/99; Art. 1° da Lei n° 10.451/2002. Os valores lançados correspondem ao exercício de 2004, ano-calendário 2003, constituindo-se em crédito tributário no montante de R$ 208.287,81 dos quais R$ 88.803,16 corresponderam a imposto, R$ 66.602,37 a multa proporcional e R$ 52.882,28 a juros de mora calculados até 31/07/2008. A ação fiscal originou-se do Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização n° 08.1.19.00-2006-00905-4, para verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte no período de 01/2003 a 12/2003. — O valor lançado, constante do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, é relativo à data de 09/07/2003 (US$ 119,048.00). Do procedimento fiscal. A ação fiscal, que resultou na emissão do presente Auto de Infração, teve início com demanda requisitória da Justiça Federal. O seu objetivo foi a análise das informações obtidas pela Justiça Federal junto às autoridades do Governo dos Estados Unidos da América relativas ao Banco Lespan S /A, as quais foram transferidas para a Receita Federal do Brasil a fim de instruir atividade específica desta instituição. Transcreve-se do Termo de Verificação e Encerramento Fiscal, sem prejuízo da leitura integral do documento: (fl.19) Tendo cumprido o que determina o MPF supra-citado, relativo ao período de 0112003 à 1212003, conforme MEMO-GABIN/SRF n'33106 - Portaria SRF n° 463104 e MEMO-GABIN/SRRF-8° REGIÃO N° 479106, venho, venho por meio destes assentamentos constatar e informar o ocorrido. Segue o relato: Demos início a esta ação fiscal intimando o contribuinte com o fim de obter informações sobre as origens dos recursos remetidos para o exterior, com Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 movimentação financeira através das instituições Lespan TBL, com o fim de apurarmos se esses recursos foram oferecidos à tributação. (..) A fiscalizada informou por escrito (fls.7) não ter conhecimento de tais operações citadas no parágrafo acima. Visto que as informações "da Coordenação-Geral de Fiscalização (Equipe Especial de Fiscalização Portaria n°463104, de fls. 17 a 19), contidas por cópia em Dossiê próprio, apontam como beneficiário dos recursos remetidos para o exterior pelo banco Lespan S.A., por ordem de ~COTO INVESTMENT CORP, o contribuinte ora fiscalizado. Nos coube verificar se a aquisição das disponibilidades financeira aqui tratadas, foram informadas na "Declaração de Ajuste Anual " de 2004, período base 2003. (fl.20) Desta análise constatamos que os valores declarados nas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (f1s.13 a 16) não constam os valores relativos às remessas apontadas na Representação Fiscal e demais documentos citados anteriormente. ( ... ) Em cumprimento ao §7° do art. 1º da Portaria SRF no. 32612005, e parágrafo único do art. 13, da IN no. 22812002, será efetuada o Comunicado de Indício Criminal dos fatos observados na ação fiscal. A presente fiscalização se ateve exclusivamente à Operação determinada pelo RPF-Fiscalização no. 08.1.19.00-2006-00905-4, nos fatos constantes desse Termo de Verificação Fiscal e Encerramento Fiscal e elementos apresentados pelo contribuinte, procedendo-se às verificações pertinentes, abrangendo o ano- calendário de 2003, (...). " Da Impugnação. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 194 e seguintes. Sem prejuízo da leitura integral da mesma, alega em síntese, que: 1- foi intimado em endereço que não é seu domicílio fiscal. Informa que impetrou ação judicial (2009.61.14.000087-6) para lhe garantir o direito de defesa e, que, lhe foi deferida parcialmente a liminar "a fim de ordenar à autoridade impetrada que recebe regularmente a impugnação do contribuinte...". 2- após transcrever doutrina e desenvolver o tema relativo a constituição do crédito tributário, o contribuinte teria declarado em sua DIRPF todos os rendimentos tributários que teve e que; portanto, o lançamento tributário seria insubsistente. 3- a fiscalização não teria comprovado a ligação do peticionário com qualquer espécie de remessa ou mesmo titularidade de conta no banco LESPAN TBL no ano de 2003; impugnando a força probante dos documentos de fls.14/19. 4- desconhece toda e qualquer movimentação ou remessa de valores para o Banco Lespan TBL no ano de 2003, até mesmo a titularidade da conta. Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 5- todos os impostos relativos aos seus rendimentos no ano-calendário já estariam pagos, pois todos os seus rendimentos constariam da sua DIRPF. Mantendo- se a atual tributação, ocorreria "bis in idem". 6- não existiria nos autos nenhuma das materialidades necessárias para justificar a aplicação da multa de 75%. 7- não caberia cobrar o juros de mora (SELIC) no curso do processo administrativo. Seria inconstitucional, pelas razões que expõe, a aplicação da Taxa SELIC que, caso seja aplicada, não poderia superar o valor de 1% ao mês. É o Relatório. Em sua decisão, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que não assiste razão ao contribuinte, de acordo com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos pagos à pessoa física estão sujeitos à cobrança do imposto relativo nos termos da Lei n° 7.713/88. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Não há bis in idem no lançamento fiscal em que restou evidenciada a omissão de rendimentos cuja origem não foi comprovada e que não foram oferecidos à tributação. MULTA DE 75%. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade de lei. Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tempestivamente, houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às fls. 261 a 281, refutando os termos do lançamento e da decisão de piso. Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator. Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Em seu recurso, o recorrente, apesar de se utilizar de termos, expressões e palavras diferentes dos empregados por ocasião de sua impugnação, termina por desenvolver o mesmo raciocínio utilizado por ocasião de seu insurgimento original, sem contudo, apresentar novos elementos ou provas cabais que pudessem vir a refutar a autuação, com o respectivo desmerecimento da decisão ora recorrida, que confirmou a autuação. Em sede preliminar, além dos argumentos utilizados no sentido de afirmar sobre a tempestividade e cabimento do recurso, acatados por este voto, invoca também a preliminar de nulidade da autuação, tecendo comentários sobre os atributos dos atos administrativos, indicando que na presente autuação, a fiscalização não atendeu ao requisito da forma prescrita na lei, pois não foram apontados, descritos e provados os fatos que levaram à autuação, conforme trechos de seu recurso atinentes ao tema, a seguir transcritos: Nesta esteira e diante das considerações tecidas, conclui-se que é patente que o ato administrativo de lançamento tributário deve ser praticado de acordo com as formas prescritas na lei, destarte, dentre as exigências formais mais comuns, estão as da lavratura dos termos próprios para delimitar a ação fiscalizatória, a fundamentação legal do lançamento, a descrição correta da infração, a observância dos prazos da ação fiscal, o uso do instrumento material adequado para corporificar o lançamento, produção de provas cabais quando o fundamento legal para lavratura for omissão de receita, dentre outras. Verifica-se 'in casu' que o auto de infração fora lavrado por ter o recorrente supostamente omitido rendimentos. Todavia as hipóteses legais de omissão de receita requerem dois tipos de provas sendo estas: a) uma produzida pela fiscalização que possui o dever de demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 b) outra produzida pelo contribuinte para comprovar as alegações trazidas em sua defesa. No que toca a prova que deve ser produzida pela autoridade fiscal, diga-se que assim deve ser justamente porque não bastam meras considerações mecânicas de hipóteses legais para que se entenda pela ocorrência de omissão de receita. Ora, é necessário e porque não dizer imprescindível e indispensável que o lançamento tributário esteja pautado pela certeza da ação contrária à lei até então supostamente praticada pelo contribuinte. Portanto possível dizer que considera-se vício formal toda inobservância aos requisitos e formas prescritas em lei para a elaboração e fundamentação do ato administrativo do lançamento. Argumenta que a fiscalização se utilizou de telas de sistema para comprovar as acusações de omissão de rendimentos, além de apresentar decisões administrativas que corroborariam com o seu entendimento. Ao se debruçar sobre os autos do processo, às fls. 14 a 18, percebe-se que constam os elementos que deram origem à ação fiscal e consequentemente à autuação, sendo que os mesmos foram específicos ao mencionarem os motivos que levaram à autuação. A fiscalização, antes de proceder à lavratura do auto de infração intimou o contribuinte para justificar as informações apresentadas que configurariam a omissão de rendimentos. Em resposta à intimação, o contribuinte se limitou a negar as transações, ao mesmo tempo em que solicitou a dilação do prazo para a apresentação de esclarecimentos, conforme a resposta à intimação, a seguir transcrita: Rolf Dieter Acker, alemão, casado, químico, portador do CPF/MF no. 217.884. 158-92, com endereço comercial na Estrada Samuel Aizemberg, 1707, São Bernardo do Campo , Estado de São Paulo, nos autos da AÇÃO FISCAL e em referência ao mandado de procedimento fiscal acima mencionado, vem mui respeitosamente perante V.Sa., informar que desconhece qualquer remessa ou mesmo titularidade de conta mantida no banco denominado "Lespan TBL" no ano de 2003. Assim, requer o encerramento da presente Ação Fiscal por não haver qualquer relação com a referida conta bancária. Requer ainda, acesso aos documentos que subsidiam a presente Ação Fiscal para que se necessário complemente a sua manifestação , requerendo também a dilação do prazo para posterior manifestação considerando o exíguo prazo concedido. Considerando que o contribuinte não mais se manifestou em relação ao solicitado e nem sobre os questionamentos tributários, a fiscalização deu prosseguimento à lavratura do auto de infração, atendendo aos requisitos legais para a sua atuação. Observando o auto de infração e seus anexos, constata-se que houve a descrição clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pelo recorrente do Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 lançamento efetuado e das infrações imputadas pelo descumprimento das obrigações tributárias. Vale lembrar que o contribuinte, por ocasião da autuação, ao ser intimado para justificar as acusações objeto da fiscalização, limitou-se, genericamente, sem apresentar elementos desmerecedores da suposta omissão, a negar os fatos a ele imputados. Caso o contribuinte tivesse apontado um ponto específico para reforçar a sua argumentação, esta relatoria, faria a análise do mesmo e, se porventura constatasse que tivesse razão, não hesitaria em conceder o pleiteado. Não foi o observado ao nos atermos a este item de seu recurso, pois o mesmo apenas faz menções genéricas sem comprovar cabalmente a nulidade suscitada, não merecendo, portanto, prosperarem as suas alegações sobre a nulidade da autuação pelo não atendimento ao requisito legal da forma. Esse entendimento já foi bem demonstrado na decisão recorrida, conforme alguns de seus trechos, a seguir transcritos: Da prova do alegado. A fiscalização junta aos autos os documentos de fls. 14 a 16 que contém informações protegidas por sigilo fiscal e que demonstram a aquisição de disponibilidade econômica do contribuinte através de remessa financeira para o exterior. Tal documentação, conforme explicitado pela fiscalização, origina de Equipe Especial de Fiscalização que emitiu a Portaria n° 463/04 com tais informações. Da ilegitimidade passiva e da titularidade. Alega o impugnante que não existe nos autos qualquer elemento concreto que o identifique como responsável pelas operações ou que demonstrem a titularidade da conta. Contudo, a análise dos documentos de fls. 14, 15 e 16 sustentam a ocorrência narrada pela fiscalização no lançamento; tendo o impugnante como envolvido na operação que resultou no presente lançamento (fl.14 — CPF 217.884.158-92 — Nome/Razão Social: ROLF DIETER ACKER — Lespan TBL 119.048,00 // fl.15 (descrição da operação) //fl.16 -IDENTIFICADOS: 217.884.158-92) Os referidos documentos identificam o impugnante. Assim, conquanto o contribuinte alegue que não existam provas de que seja ele o responsável pelas operações, essa não é a verdade dos autos, pois as provas acostadas são suficientes para identificá4o como responsável pela obrigação tributária objeto do presente lançamento. Diante dos documentos inseridos nos autos, torna-se impossível negar a titularidade da citada operação. O impugnante, em sua defesa, limita-se a negar a titularidade das mesmas, mas não traz elemento hábil para desconstituir os documentos apresentados pela Fiscalização que são oriundos de um trabalho abrangente efetuado por vários órgãos públicos. Outrossim, não consta dos autos qualquer indicação de que o contribuinte tenha tomado qualquer medida para verificação de eventual utilização indevida de seu nome nestas operações. Situação que indiciaria pelo menos a tentativa do contribuinte de se afastar da operação ou da titularidade da conta. Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 Portanto, considerando que o recorrente em vez de contestar o alegado, omitiu-se, deixando que o processo transcorresse à sua revelia, não tem porque o mesmo ser arrazoado ao suscitar esta nulidade. Além do mais, os documentos comprobatórios anexados aos autos são suficientes para a demonstração da ocorrência do fato gerador e indicam que o autuado constou como remetente de remessas para o exterior. As provas apresentadas gozam de presunção de veracidade e legitimidade, que não foi elidida pelo contribuinte, razão pela qual resta mantida a confiabilidade dos dados nelas constantes. Vale lembrar que as decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão aquela objeto da decisão. Após descrever os fatos que levaram à autuação até a decisão recorrida, o recorrente passa a veredar nos tópicos relacionados ao direito, discorrendo sobre a inocorrência da omissão de receita, o erro material e do IR fonte, do “bis in idem” tributário, da inaplicabilidade da multa de 75%, do caráter confiscatório da multa e da inaplicabilidade dos juros de mora. Da inocorrência de Omissão de Receita A insatisfação do recorrente é demonstrada mencionando que tanto a autuação, quanto a decisão recorrida não foram justas ao delimitarem a hipótese tributária necessária para a autuação. Afirma que foram frágeis os elementos de prova utilizados e tece comentários sobre o que vem a ser renda e disponibilidade financeira, de acordo com os trechos desta sua insurgência a seguir apresentados: Afirma autoridade julgadora de 1a instância administrativa, sem o costumeiro brilhantismo: Fls. 243: "... a fiscalização junta aos autos os documentos de fls. 14 a 16 que contém informações protegidas por sigilo fiscal e que demonstram a aquisição de disponibilidade econômica do contribuinte através de remessa financeira para o exterior... " Entretanto tal afirmação faz parecer que as provas trazidas pelo fisco foram suficientes para demonstrar a omissão de receita e que tal ato ilegal realmente fora praticado pelo recorrente! Absurdo com que o mesmo não pode concordar e motivo pelo qual cabe melhor esclarecer. Vejamos. É sabido que o imposto de renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, entendidos aí todos os acréscimos não compreendidos como renda. ( ... ) Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 Postas tais premissas, cumpre dizer que a decisão recorrida merece total reforma pelo fato de que o recorrente cumpriu integralmente com seu dever de apresentar sua declaração de imposto de Renda no ano de 2004, ano-base de 2003 e indicou naquele ato TODOS os seus rendimentos tributáveis auferidos, inexistindo, portanto, a omissão alegada pelo fisco. Analisando os elementos acostados aos autos, mais especificamente, os itens constantes das fls. 14 a 18, onde é mencionado que o recorrente enviou recursos para o exterior, percebe-se que a autuação se baseou em elementos de prova colhidos perante a operação deflagrada pela Polícia Federal, cujos elementos foram repassados à fiscalização pela Justiça Federal do Paraná. Considerando que a autuação ao intimar o contribuinte, deu ciência ao mesmo dos elementos de prova de que dispunha para a caracterização da omissão de rendimentos, caberia ao então fiscalizado refutar as acusações infundadas, ou mesmo entrar com alguma ação no sentido de desmerecer as informações apresentadas. Pela análise dos elementos acostados aos autos, observa-se que em nenhum momento se encontra qualquer menção do recorrente no sentido de desmerecer a omissão a ele imputada. A partir do instante em que a fiscalização apontou a hipótese do enquadramento do fato à infração à lei tributária, caberia ao contribuinte procurar meios de afastá-la, no entanto, o mesmo se limitou a negar nos autos a veracidade das provas, sem contudo, apresentar qualquer ação ou elemento que desacreditasse o afirmado por ocasião da fiscalização. Destarte, considerando que o autuado não se desincumbiu de sua obrigação de desmerecer a imputação a ele atribuída de omissão de rendimentos e, que os documentos comprobatórios anexados aos autos são suficientes para a demonstração da ocorrência do fato gerador e indicam que o autuado constou como remetente de remessas para o exterior, não tenho porque dar razão ao contribuinte nesta insurgência. Portanto, como as provas apresentadas gozam de presunção de veracidade e legitimidade, presunção esta que não foi elidida pelo contribuinte, razão pela qual resta mantida a confiabilidade dos dados nelas constantes, não tenho porque dar credibilidade às afirmações do recorrente. Do erro material e do IR/Fonte Neste item de seu recurso, o recorrente reconhece que praticou operações de câmbio, porém afirma que as mesmas não se referem às operações entre as instituições a ele imputadas nesta autuação, mencionando, ao final que fez todas as retenções das duas únicas fontes pagadoras de que recebeu rendimentos e que apenas cometeu erros que caracterizariam obrigações acessórias ao não informar as referidas transações, conforme os trechos de seu recurso a seguir apresentados: Conforme explicitado no tópico anterior, o que na verdade ocorreu foi mera falha procedimental (erro na obrigação acessória) quando do preenchimento da Declaração de Imposto de Renda pelo recorrente e NÃO omissão de rendimentos. Ademais, o recorrente reconhece a titularidade da conta no Banco Dresdner Bank Lateinamerika em S.P. e Hamburgo instituição financeira que fora adquirida pelo banco UBS em 2005 e NÃO no Banco Lespan TBL, como afirmou a autoridade fiscal. Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 Conforme se verifica às fls. 15, tela apresentada pela SRFB, o Banco destinatário dos valores na verdade foi o Banco Dresdner Bank AG, ocorre que em operações de câmbio, quando contratada empresa para proceder com os trâmites, o caminho que o bem percorre em nada importa e muitas vezes tal "caminho" não é nem mesmo conhecido pelo contratante, contanto que a quantia seja recepcionada no destino almejado e tenham sido recolhidos os tributos devidos, como ocorreu in casu. No presente caso, o recorrente contratou empresa responsável por proceder com a operação de câmbio a fim de destinar os valores para o Banco Dresdner Bank AG e foi exatamente o que ocorreu. Todavia, ao preencher sua Declaração de IR o recorrente não mencionou a existência de tal conta e quando da autuação obviamente desconheceu a assertiva de que teria conta em Banco diverso - no Banco Lespan - porque realmente em tal instituição financeira INEXISTE conta de titularidade do recorrente. Vale indicar que ainda que o recorrente não tenha indicado a existência de conta no Banco Dresdner, declarou TODOS os seus rendimentos, sendo eles tributados na fonte pelas fontes pagadoras. Ressalte-se ainda que todos os rendimentos do recorrente advém unicamente de duas fontes a saber: a) Proventos da empresa Basf S/A e b) Proventos do Bradesco Vida e Previdência e estes proventos foram devidamente declarados! Assim, conclui-se que NÃO ouve omissão de rendimento, já que todos os valores foram devidamente declarados, pois, o que ocorreu na verdade, foi erro quanto a obrigação acessória, já que o recorrente não fez menção à conta no Banco Dresdner. ( ... ) Vale comentar que mero erro no preenchimento da declaração, sendo que todos os proventos do recorrente foram devidamente declarados, não poderia ensejar o entendimento equivocado de que ouve omissão de receita e nem tampouco deve ser o recorrente tributado novamente, até porque não obstante tratar-se de mera falha quanto à obrigação acessória, tais valores remetidos ao exterior foram devidamente tributados na fonte. Por derradeiro, vale ressaltar afim de aparar eventuais arestas, que as duas únicas 'fontes de renda' do recorrente (Basf S/A e Bradesco Vida e Previdência) procederam com a retenção do Imposto diretamente na fonte (IR Fonte), razão pelo qual deve o presente recurso ser julgado totalmente procedente, reformando-se a decisão de lª instância 'in totum'. Ao se ater sobre esta parte de seu recurso, percebe-se que o recorrente, reconhece que efetuou operações cambiais, porém com outros bancos ou instituições e que não os declarou infringindo apenas uma obrigação acessória e que por conta dessa ação, não justificaria a atribuição ao mesmo da infração à lei tributária por omissão de rendimentos conforme a autuação. Da análise dos argumentos apresentados, confrontados com os elementos constantes dos autos, percebe-se que o recorrente não se reporta a uma situação específica de erro sobre o IR fonte, apenas tenta justificar a autuação por omissão de rendimentos. Diante Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 disso, tem-se que o contribuinte continua sem razão em suas insurgências, pois este suposto erro material, conforme descrito pelo contribuinte, não justifica a omissão de rendimentos vastamente debatida e confirmada no item anterior. Do 'bis in idem' tributário Segundo o recorrente, estaria o ocorrendo o “bis in idem” porque os rendimentos alegados pela omissão de rendimentos já teriam sido tributados por terem sido provenientes da empresa BASF e da Bradesco Vida e Previdência, conforme declarado em sua declaração de rendimentos. Veja-se então a transcrição de alguns trechos de seu recurso, listados a seguir: Afirmou a Ilustre Autoridade Julgadora às fls. 239: "... Não há 'bis in idem' no lançamento fiscal em que restou evidenciada a omissão de rendimentos cuja origem não foi comprovada e que não foram oferecidos à tributação. " Contudo, melhor sorte não assiste à tal entendimento conforme será demonstrado. É sabido que uma vez identificada a repetição de tributação sobre a mesma obrigação, tem-se o 'bis in idem' sendo tal ato vedado pelo ordenamento justamente no intuito de evitar que as manifestações de riquezas ou as atividades estatais fiquem sujeitas a múltiplas incidências tributárias. Certo é que tal regra restringe a possibilidade de bis in idem justamente porque impede que a União utilize a competência para exigir novamente imposto que já se encontra na sua competência. No caso telado, verifica-se que os valores exigidos pela autoridade fiscal já foram tributadas na fonte (IR Fonte) pela empresa Basf S/A e pelo Bradesco Vida e Previdência, porém, exige-se do recorrente recolhimento do tributo novamente. Noutras palavras, verifica-se: a) Única obrigação; b) Retenção do tributo diretamente na fonte por parte da empresa Basf S/A e Bradesco Vida e Previdência; C) Exigência do pagamento do mesmo tributo já retido antes da saída dos valores do País. Assim, resta caracterizado e neste momento comprovada a ocorrência do bis in idem tributário, considerando-se principalmente que os valores foram devidamente tributados na fonte. Neste diapasão, o recorrente não pode concordar com a exigência de novo recolhimento de imposto de renda, já que todos os valores percebidos pelo mesmo foram declarados e oferecidos à tributação e qualquer recolhimento a maior deve ser considerado bis in idem tributário, vedado pelo ordenamento. Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 Ao se analisar a declaração de rendimentos às fls 11 a 14, vê-se que de fato o contribuinte declarou rendimentos percebidos da BASF S/A e do Bradesco Vida e Previdência. O problema é que, além do contribuinte não ter declarado rendimentos procedentes do exterior, em nenhum momento o recorrente fez a menção ou a interligação de qualquer destes rendimentos com os rendimentos objeto da autuação por omissão de rendimentos, que pudesse vir a comprovar que os mesmos já foram objeto de tributação. Por conta disso, não tem porque se falar em “bis in idem” e dar razão ao recorrente. Da inaplicabilidade da multa aplicada ante o flagrante caráter confiscatório Sobre o efeito confiscatório da multa de ofício, o recorrente alega que a mesma não poderia corresponder a mais da metade do valor do tributo supostamente não recolhido. Sobre o tema JUROS E MULTA – EFEITO CONFISCATÓRIO, este tribunal não é competente para se manifestar sobre o tema, haja vista todo a existência de todo um disciplinamento legal sobre o tema. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. A Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26-A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O recorrente sustenta o caráter confiscatório dos juros e da multa que lhe foram aplicados. Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado a este CARF, conforme a súmula nº 2, a seguir transcrita: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, não conhecerei das alegações afetas ao efeito confiscatório da multa aplicada. Nos demais itens de seu recurso, que tratam da inaplicabilidade da multa aplicada e dos juros de mora, onde o contribuinte insiste na tese da inexistência da omissão de rendimentos e sim no descumprimento de obrigação acessória e que os juros de mora não poderiam ser cobrados enquanto o crédito tributário não estivesse totalmente constituído, pois Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 resta claro que a Lei, fonte principal do direito indica que a mora só pode ocorrer no momento exato onde a obrigação passa a ser completamente exigível, e que no caso em tela, quando o crédito tributário está finalmente constituído, tem-se que o recorrente apenas repisa os argumentos utilizados por ocasião de seu recurso inicial. Por conta disso, consoante relatado, considerando que nestes aspectos do lançamento, os argumentos trazidos no recurso voluntário são similares aos da peça impugnatória, razão pela qual, em vista do disposto no § 3º do artigo 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF, estando os fundamentos apresentados na decisão de primeira instância estritamente de acordo com o entendimento deste julgador, adoto-os como minhas razões de decidir, o que faço com a transcrição da referida decisão na parte relacionada a estes itens do recurso: Dos Juros de Mora. (Da taxa SELIC). Sobre os juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, a Lei n° 8.981/95 estabeleceu, no seu art. 84, inciso I, que os juros de mora seriam equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional, relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna. A MP d 947, de 23/0311995, em seus artigos 13 e 14, alterou o disposto para juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, a serem aplicados a partir de 01/04/1995. A MP n° 972, de 22/04/1995, convalidou a Medida Provisória anterior e, finalmente, a Lei n° 9.065/95, no seu art. 13, reafirmou o art. 13 das duas Medidas Provisórias retro mencionadas. Por último, os juros SELIC, foram ratificados pelo art. 61, §3° da Lei n° 9.430/96, e vigoram até hoje: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 ° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento ". (grifei) " Sobre o tema, o 1° Conselho de Contribuintes já editou a Súmula n° 4, "Súmula 1º CC n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. " (grifei) Observa-se que o art. 151, inciso III, do CTN trata, somente, da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em função das reclamações e dos recursos interpostos nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Mantido o crédito tributário objeto do litígio, ou parte dele, os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do tributo. Fl. 366DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-007.144 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10932.000213/2008-30 No presente caso, o interessado descumpriu a obrigação de efetuar o pagamento do imposto devido. Tendo esse valor de imposto devido ficado indisponível para o Estado, faz-se, pois, necessário o ressarcimento por esta indisponibilidade monetária. Logo, por haver previsão legal para o cálculo dos juros de mora (com indicação objetiva do período sobre o qual deve ser cobrado), efetuado em percentual equivalente à taxa referencial SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente,, está correta a sua aplicação. Da Multa de 75%. Cabe ao contribuinte informar na .declaração de ajuste anual a totalidade dos rendimentos recebidos no decorrer do ano-calendário. O não oferecimento dos rendimentos à tributação sujeita ao contribuinte o lançamento de oficio, nos termos do artigo 149 do Código Tributário Nacional, e a aplicação da multa de 75% incidente sobre o valor do imposto apurado, nos termos do art.44 da Lei n° 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; " ( ... ) Conclusão Assim, tendo em vista tudo que o consta nos autos, bem como na descrição dos fatos e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer do recurso, para NEGAR provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 367DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10768.100257/2002-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
CRÉDITO DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS NT
Súmula CARF nº 124
A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. SÚMULA CARF 154
Constatada que não houve oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, descabe aplicação da taxa SELIC.
Numero da decisão: 9303-010.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS NT Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. PEDIDO DE RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. SÚMULA CARF 154 Constatada que não houve oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, descabe aplicação da taxa SELIC.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. SÚMULA CARF 154 Constatada que não houve oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, descabe aplicação da taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 02 57 /2 00 2- 12 Fl. 1005DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10768.100257/200212 Acórdão n.º 9303010.521 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos especiais de divergência interpostos pelo Procurador (fls. 842/852), admitido pelo despacho de fls. 880/881, no qual a recorrente se insurge em relação ao recorrido que admitiu crédito de insumos que compõe a produção de produtos NT, e pelo contribuinte (fls. 887/ ), que postula que a taxa SELIC deva ser reconhecida desde a data da apuração do crédito. O despacho de fls. 982/984 deu seguimento ao especial do contribuinte. O aresto afrontado, Ac. 20218.970 (fls. 820/837), de 07/05/2008, restou assim ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL PELO IPI. A norma do art. 1º da Lei n2 9.363/96, instituidora do crédito presumido do IPI, reportase ao conceito de produção e não de produto ou estabelecimento industrial. O conceito de produção é o contido no art. 3 2 do RIPI/82. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. IMPOSSIBILIDADE. O § 4 2 do art. 39 da Lei n 9.250/95 inseriu no seu comando a aplicação da taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento de tributo presumidamente calculado. Recurso provido em parte. Em síntese, alega a Fazenda Nacional que nos termos da Lei 9.363/96, descabe reconhecimento de crédito presumido de IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na produção de produtos NT. No caso, tratamse de minérios de ferro, não aglomerado e outros e seus concentrados (NBM 2601.11.00). Em contrarrazões (fls. 923/947), pede o contribuinte que se denegue provimento ao especial fazendário, "mantendose inalterado, no tocante ao NT o teor do v. acórdão 20218.970". O sujeito passivo em seu especial pede que seja reconhecido o direito de aplicação da taxa SELIC desde a data da apuração, e não apenas a partir da data do protocolo do pedido, até seu efetivo ressarcimento. Fl. 1006DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10768.100257/200212 Acórdão n.º 9303010.521 CSRFT3 Fl. 4 3 Em contrarrazões (fls. 990/1003), requer a Procuradoria que seja negado provimento ao recurso do contribuinte. É relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço dos recursos nos termos em que admitidos. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL Entende a Fazenda que não podem gerar direito a crédito de insumos que sejam aplicados a produtos NT. A matéria já não mais comporta dissídio ante a Súmula CARF nº 124. Eis seu enunciado: Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, ante sua obrigatória aplicação pelo termos regimentais, é de ser dado provimento ao recurso fazendário no sentido de declarar que não há direito a insumos aplicados na produção de produtos exportados classificados na TIPI como NT. RECURSO DO CONTRIBUINTE Como relatado, o contribuinte pede a aplicação da taxa SELIC desde a apuração do eventual crédito apurado. Acerca da matéria temos hoje a Súmula CARF 154, cujo enunciado é o seguinte: Súmula CARF nº 154 Constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07. Ocorre que no caso dos autos não houve oposição ilegítima, considerando o ora decidido no recurso da Fazenda por compulsória aplicação de matéria sumulada, que foi a Fl. 1007DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10768.100257/200212 Acórdão n.º 9303010.521 CSRFT3 Fl. 5 4 única matéria de mérito controvertida desde a manifestação de inconformidade e decisão da DRJ (fls. 114/124) Dessarte, é de ser negado provimento ao recurso do contribuinte. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço de ambos recurso, provendo o fazendário e negando provimento ao do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1008DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10768.100257/200212 Acórdão n.º 9303010.521 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 1009DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11516.001968/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 1.036 do CPC (antigo 543-B do CPC) no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência.
Numero da decisão: 2402-008.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à Unidade Preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil para que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, observando a renda tributável auferida mês a mês pelo contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, FranciscoIbiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Ausente o conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
Nome do relator: RAFAEL MAZZER DE OLIVEIRA RAMOS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 1.036 do CPC (antigo 543-B do CPC) no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à Unidade Preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil para que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, observando a renda tributável auferida mês a mês pelo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, FranciscoIbiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Ausente o conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 1.036 do CPC (antigo 543-B do CPC) no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à Unidade Preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil para que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, observando a renda tributável auferida mês a mês pelo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Ausente o conselheiro Luís Henrique Dias Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 19 68 /2 00 9- 14 Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-008.486 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.001968/2009-14 Relatório Tratou-se de Auto de Infração (fls. 34-40) que gerou o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 32.804,07, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, relativos ao ano-calendário 2004, exercício 2005. Relatou a autoridade fiscal que o lançamento é decorrente da constatação de omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 119.981,33 recebidos no ano-calendário 2004 em decorrência de decisão da Justiça do Trabalho na Ação Trabalhista 00634/90. Nesta demanda, o valor bruto recebido foi de R$ 163.000,82, em 12/02/2004, conforme Alvará Judicial, do qual foram deduzidas diversas parcelas permitidas, dentre elas os honorários advocatícios no valor de R$ 24.450,00 declarado no Quadro 7 (Pagamentos e Doações Efetuados) da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física do exercício 2005, ano-calendário 2004. Observa que o valor líquido recebido, R$ 119.981,33, foi declarado irregularmente pelo contribuinte na sua DIRPF/2005 (ano-calendário 2004) no Quadro 5: Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. Intimado, o Contribuinte Recorrente apresentou impugnação (fls. 48-55) tempestivamente. Em julgamento pela DRJ, decidiu pela manutenção do lançamento, julgando improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DE TRIBUTAÇÃO. REGIME DE CAIXA. Por expressa previsão legal, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos recebidos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil só produzem efeitos entre as partes envolvidas nos litígios, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Desta decisão, o Contribuinte foi intimado e interpôs Recurso Voluntário (fls. 68- 75), no qual protestou pela reforma da mesma. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-008.486 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.001968/2009-14 Voto Conselheiro Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Relator. Da Admissibilidade do Recurso Voluntário O recurso voluntário (fls. 68-75) é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Do Mérito do Recurso Voluntário O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte autuado, entendo que merece ser provido, tendo em vista o regime adotado, qual seja, adotou-se o regime de caixa, quando na realidade, deveria ser adotado o regime de competência. No caso de rendimentos recebidos de forma acumulada e tributados integralmente quando do efetivo recebimento, vigia o artigo 12, da Lei nº 7.713 de 1988, em sua redação original: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Com o advento da Lei nº 12.350 de 2010, que introduziu o art. 12-A da Lei nº 7.713, de 1998: Art. 12-A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010). O dispositivo acima transcrito definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social. De fato, não pairam mais dúvidas sobre a aplicação do novel dispositivo para os exercícios posteriores a 2009, ante a clareza da redação. Acontece que, o Superior Tribunal de Justiça decidiu nos Recursos Especiais REsp nº 1.470.720 e REsp nº 1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543-C do Código de Processo Civil anterior (atual art. 1.036 do CPC), que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.470.720 Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-008.486 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.001968/2009-14 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por fim, temos o julgamento do Recurso Extraordinário 614.406/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, também julgado sob rito do artigo 543-B do CPC, que reafirmou o entendimento de que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, nos exercícios envolvidos, in verbis: Recurso Extraordinário nº 614.406/RS - Relatora: Min. Rosa Weber. Redator do acórdão: Min. Marco Aurélio. Julgamento: 23/10/2014. IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Aliás, no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada, inclusive pacificada pela Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/2005-61, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontra-se situação similar, cujo voto vencedor do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Veja-se a ementa do acórdão nº 9202-003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-008.486 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.001968/2009-14 deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). No mesmo sentido, destaca-se a ementa do processo nº 10840.721019/2011-16, de Relatoria da ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, quando do julgamento pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Neste sentido, nos termos do artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, consoante ao entendimento do STF e STJ, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda tributável auferida mês a mês pelo contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para, no mérito, dar provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil para que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, observando a renda tributável auferida mês a mês pelo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital
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