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Numero do processo: 15374.722480/2008-58
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003,2004
PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A partir de 1º de outubro de 2002 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a legislação fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica.
Numero da decisão: 1803-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Sergio Rodrigues Mendes.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003,2004 PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A partir de 1º de outubro de 2002 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a legislação fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A partir de 1º de outubro de 2002 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a legislação fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 24 80 /2 00 8- 58 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722480/200858 Acórdão n.º 1803001.886 S1TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Sergio Rodrigues Mendes. Relatório De acordo com o acórdão 1227.012 – 9a Turma do DRJ/RJ foi considerada Homologada Tacitamente, em 12/08/2008 a compensação efetuada na Declaração de Compensação n° 08544.58211.110803.1.3.044723, transmitida em 11/08/2003, no valor de R$ 1.361,15. Todavia, a Recorrente sustenta que na mesma data, foram transmitidas mais duas PER/DCOMP, respectivamente nos valores de R$ 1.067,45 e R$ 1.103,07 (itens b e c dos fatos), que juntamente com a primeira quitam o débito total de R$ 3.531,67. Aduz que pela similaridade estas duas últimas PER/DCOMP se enquadram na Homologação Tácita do Acórdão, pois também foram transmitidas em 11/08/2003 e a empresa não recebeu até 12/09/2008 os respectivos despachos decisórios. Assim, as três PER/DCOM, que inclusive já foram consideradas Homologadas Tacitamente em outro(s) processo(s) que cobra(m), indevidamente o mesmo débito referente à estimativa de IRPJ de junho de 2003, devem ser consideradas na quitação do valor total de R$ 3.531,67 do processo a que ser refere o acórdão em referência, cancelandose o(s) demais processo(s) que cobram a mesma coisa. Aduz que como se constata nos processos que cobram o valor de R$ 3.531,67, este débito informado é único e se refere à estimativa de IRPJ de junho de 2003, vencível em 31/07/2003. Em síntese a Recorrente sustenta que: O presente acórdão considerou Homologada Tacitamente apenas uma declaração de compensação, enquanto há outras duas, transmitidas no mesmo dia, que se enquadram na Homologação Tácita e que devem ser consideradas na quitação do débito total único informado de R$ 3.531,67 a que se refere o acórdão em referência. O débito total de R$ 3.531,67 é único, mas, indevidamente, há outro(s) processo(s) com a mesma cobrança. Este valor se refere à estimativa de IRPJ de junho de 2003, vencível em 31/07/2003, conforme consta neste processo e, indevidamente, em outro(s). As 3 PER/DCOMP deveriam ser consideradas num único processo, quitando o valor total de R$ 3.531,67 e não separadamente em outros processos indevidos que se referem a mesma coisa, isto é, à estimativa de IRPJ de junho de 2003. d) A cobrança do valor principal de R$ 2.170,52 é INDEVIDA. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722480/200858 Acórdão n.º 1803001.886 S1TE03 Fl. 4 3 Em sede de cognição ampla, a DRJ considerou apenas homologado o crédito de R$ 1.361,15 (hum mil, trezentos e sessenta e um reais e quinze centavos) nos exato limite da DCOMP ora analisada. Inconformada com a r. decisão, a Recorrente interpõe Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos oito dias do mês de outubro do ano de dois mil e treze, às quatorze horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente), MARCOS ANTONIO PIRES, MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 15374.722480/200858 Recorrente: O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA EPP e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.886 Decisão: Por unanimidade de votos deram provimento ao recurso para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes. Ausência momentânea: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido Outros Valores Controlados É o Relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722480/200858 Acórdão n.º 1803001.886 S1TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30 de dezembro de 2003, ficou estabelecido que a PERDCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação também fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica, embora não se possa inferir que este instituto tenha o efeito de fazer nascer qualquer direito creditório1. No presente caso verificase que o pedido formalizado pendente de apreciação se converteu em declaração de sorte que foi abrangido pelo efeito temporal da homologação tácita. A pretensão da defendente, por esta razão, tem cabimento. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722480/200858 Acórdão n.º 1803001.886 S1TE03 Fl. 6 5 Em assim sucedendo voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001617/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.087
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida DRJ Ribeirão Preto / SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Walber José da Silva Presidente Fabiola Cassiano Keramidas Relatora EDITADO EM: 01/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de aproveitamento de créditos decorrentes de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI objeto do processo n° 13971.000459/200167. Constam declarações de compensação de débitos às fls. (fls. 01/04; 05/08) no valor total de R$ 100.000,00. Às fls. 22/23(verso), consta Parecer SAORT/DRF/Blumenau nº 81/08 e Despacho Decisório, nos quais a autoridade administrativa deixa de homologar as declarações de compensação em razão da inexistência de crédito, uma vez que o processo administrativo nº 13971.000459/200167, que discutia o crédito, foi analisado pela DRF, tendo se concluído pela sua procedência parcial. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 13971.001617/200872 Resolução n.º 330200.087 S3C3T2 Fl. 2 2 Neste sentido e, por retratar a realidade dos fatos, passo a transcrever trecho do relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “A Autoridade Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, através do despacho decisório de fls. 22/23, de 19/05/2008, decidiu por não homologar as declarações de compensação, em razão da inexistência do alegado crédito, pois o pedido de ressarcimento formulado e analisado no processo n° 13971.000459/200167 foi parcialmente deferido, conforme cópia do despacho decisório de fls. 10/14, exarado em 08/09/2004, e o valor deferido foi utilizado integralmente para homologar as compensações apresentadas naquele processo. Irresignada com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 21/05/2008, conforme aviso de recebimento nos autos, a contribuinte ofereceu a manifestação de inconformidade de fls. 30/38, alegando, em síntese, que está garantido o direito ao crédito presumido do IPI decorrentes das aquisições de combustível, lubrificante, energia elétrica, e da prestação de serviços de industrialização por encomenda, empregados em produtos exportados. Deste modo, ao final requer a reforma do despacho decisório para que sejam acatadas as compensações efetuadas, considerando a legitimidade dos créditos pleiteados.” Após analisar as razões da Recorrente, a Segunda Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu o acórdão nº 1423.302 fls. 55/58, por meio do qual manteve o despacho administrativo nos exatos termos que foi proferido, a saber: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação, quando o direito creditório reclamado é proveniente de outro processo administrativo, só é reconhecida quando o direito creditório reclamado for reconhecido como líquido e certo. Solicitação Indeferida.” Registrase que o mérito do recurso apresentado pela Recorrente, que discutia o direito ao crédito de ressarcimento de IPI, sequer foi analisado pela DRJ, posto que objeto de outro processo administrativo, a saber: “Voto A manifestação de inconformidade, tempestivamente apresentada, cumpre os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e • alterações posteriores. Portanto, dela tomo conhecimento. A origem do crédito indicado nas declarações de compensação de fls.01/04 e 05/08 está no pedido de ressarcimento de crédito presumido Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 13971.001617/200872 Resolução n.º 330200.087 S3C3T2 Fl. 3 3 de IPI formalizado no processo n° 13971.000459/200167. Assim, a homologação ou não da declaração de compensação está na total dependência do que for decidido naquele processo. Há que se observar que o direito creditório com base no qual a contribuinte efetuou as compensações é matéria estranha ao presentes autos, não cabendo aqui nenhuma manifestação a seu respeito, eis que se trata de matéria já apreciada e decidida no âmbito do processo n° 13971.000459/200167. Aqui, cabe apenas dar conseqüência ao decidido naqueles autos. O despacho decisório de fls. 22/23 já expôs que crédito analisado no processo n° 13971.000459/200167 foi parcialmente deferido e o valor utilizado integralmente para homologar as compensações apresentadas naquele processo. Assim, a pretensão da contribuinte, de ter homologadas as declarações de compensação deste processo, não foi acolhida.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 62/68, por meio do qual reiterou as alegações realizadas em sua inconformidade, atinentes à existência de crédito tributário em seu favor e principalmente, no que se refere à impossibilidade dos autos serem decididos antes do processo nº 13971.000459/200167 ser julgado definitivamente, uma vez que o direito creditório está sendo discutidos naqueles autos. Neste aspecto, alega a Recorrente que a manutenção da decisão de primeira instância administrativa significa a não homologação da compensação efetuada e que tal fato está vinculado à existência do crédito. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se depreende dos termos do relatório, o Recurso Voluntário apresentado está vinculado a outro processo administrativo, não há meios de concluir pela procedência da compensação sem que a existência e o valor do crédito seja decidido definitivamente. Com razão a Recorrente quando alega que a não homologação da compensação é concluir pela inexistência do crédito, o que não está sendo discutido nestes autos. Ante os fatos apresentados, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade administrativa anexe aos autos cópia da decisão definitiva proferida nos autos do processo administrativo nº 13971.000459/200167. Na hipótese de o mencionado processo ainda não ter sido julgado, os autos deverão ficar aguardando a decisão definitiva nesta Delegacia para posteriormente, após a juntada do documento solicitado, ser encaminhado a este Conselho para julgamento. É como voto. Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS
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Numero do processo: 10820.002512/2004-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
ART. 3° DA LEI 10.174/2001 - APLICAÇÃO A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO.
A questão sobre a retroatividade e legalidade do artigo 3º da Lei 10.174/2001 e a Requisição de Movimentação Financeira pela Receita Federal são matérias que tem como fundamento a violação ao artigo 5º, inciso XII, da CF. O STF ainda não decidiu de forma definitiva a matéria, atribuindo ao Recurso Extraordinário pendente de julgamento na Corte Maior os efeitos da repercussão geral.
Incompetência desse Tribunal Administrativo em analisar a matéria. Súmula nº 2 do Carf.
DECADÊNCIA - CONTAGEM DO PRAZO - CONSTATAÇÃO DE FRAUDE.
A contagem do prazo decadencial de cinco anos do IRPJ, nos casos em que se verificar a ocorrência de fraude, conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, c/c art. 150, § 4º, CTN)
OMISSÃO DE RECEITA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA.
A omissão de receitas, com a utilização de interpostas pessoas jurídicas para acobertar receitas provenientes de suas operações comerciais, denota a intenção de sonegar tributos.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA.
E defeso à autoridade administrativa pronunciar-se quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais.
MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA.
Aplicável a multa qualificada de 150% quando comprovada a ocorrência de omissão de receitas com evidente intuito de fraude.
PROCEDIMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. COFINS. INSS.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida quanto ao IRPJ pela intima relação de causa e efeito existente.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-001.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 ART. 3° DA LEI 10.174/2001 APLICAÇÃO A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. A questão sobre a retroatividade e legalidade do artigo 3º da Lei 10.174/2001 e a Requisição de Movimentação Financeira pela Receita Federal são matérias que tem como fundamento a violação ao artigo 5º, inciso XII, da CF. O STF ainda não decidiu de forma definitiva a matéria, atribuindo ao Recurso Extraordinário pendente de julgamento na Corte Maior os efeitos da repercussão geral. Incompetência desse Tribunal Administrativo em analisar a matéria. Súmula nº 2 do Carf. DECADÊNCIA CONTAGEM DO PRAZO CONSTATAÇÃO DE FRAUDE. A contagem do prazo decadencial de cinco anos do IRPJ, nos casos em que se verificar a ocorrência de fraude, contase do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, c/c art. 150, § 4º, CTN) OMISSÃO DE RECEITA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. A omissão de receitas, com a utilização de interpostas pessoas jurídicas para acobertar receitas provenientes de suas operações comerciais, denota a intenção de sonegar tributos. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 25 12 /2 00 4- 42 Fl. 8806DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. E defeso à autoridade administrativa pronunciarse quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% quando comprovada a ocorrência de omissão de receitas com evidente intuito de fraude. PROCEDIMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. COFINS. INSS. Aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida quanto ao IRPJ pela intima relação de causa e efeito existente. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Por critério de economia processual, tomo como parte deste Relatório as descrições trazidas no Relatório proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do Carf, que sobrestou os autos em razão de dispositivo existente e já revogado do regimento interno do Carf. Tratase de impugnação aos Autos de Infração de IRPJ Simples, PIS Simples, CSLL Simples, Cofins Simples e Cofins INSS Simples, lavrados em 20 de dezembro de 2004, contra o Interessado, relativos ao anocalendário de 1999, em razão de haver sido apurado, em ação fiscal direta, omissão de receita, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas jurídicas. No procedimento das verificações obrigatórias o autuante constatou, também, insuficiências nos recolhimentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no anocalendário de 1999, em razão da alteração das alíquotas que deveriam ter sido utilizadas decorrente da omissão de receita apurada. Fl. 8807DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002512/200442 Acórdão n.º 1201001.165 S1C2T1 Fl. 3 3 Os valores relativos aos fatos geradores verificados no anocalendário de 1999, encontramse indicados nos corpos dos autos de infração, nos quais também constam os enquadramentos legais respectivos, atingindo o crédito tributário o montante de R$ 7.373.874,41 na data da lavratura, compreendendo os valores dos tributos, acrescidos da multa de ofício de 150%(omissão de receita) e 75%(insuficiência de recolhimento) e de juros de mora calculados até 30/11/2004, assim distribuídos: IRPJ..................................................R$ 555.775,80 PIS....................................................R$ 555.775,80 CSLL................................................R$ 859.158,06 Cofins..............................................R$ 1.718.316,30 CofinsINSS..................................... R$ 3.684.848,47 A fiscalização lavrou o Termo de Constatação e Verificação Fiscal TCVF (fls.57/113), onde há a descrição do procedimento fiscal e das irregularidades apontadas pelo autuante como infrações à legislação tributária, que motivaram a lavratura dos autos de infração acima citados. Regularmente cientificada, apresentou impugnação (fls.571 a 624), firmada pelo sócio da empresa Sr. Gregório Pompei, onde em síntese alega o seguinte: Inicialmente contesta o critério de apuração da omissão de receita vedada em lei. Argüi que a omissão de receitas das empresas integrantes do Simples deverá ser apurada com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas as microempresas e as empresas de pequeno porte, consoante o art. 33 da IN SRF nº 355, que regulamentou o art. 18 da Lei nº 9.317, de 1996. Após reproduzir excertos do item 67 do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, e a nota de rodapé 36, afirma que o procedimento da fiscalização contraria frontalmente a determinação contida no art. 33 da IN/SRF nº 355/2003. Aduz que é defeso à fiscalização utilizar meios proibidos pela própria administração em que servem, e que o não cumprimento do princípio da legalidade administrativa torna inválido e ineficaz todos os atos praticados, tornando nulo o lançamento efetuado. Ainda em sede preliminar, combate a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001. Alega que a autuação pautouse na utilização de dados da CPMF em período anterior à vigência da Lei nº 10.174/2001 e da Lei Complementar nº 105/2001, ou seja, anocalendário 1999, pois que, entrando em vigor na data de sua publicação a indigitada Lei 10.174, de 09 de janeiro de 2001, não autorizava requisição de informações bancárias anteriores ao seu Fl. 8808DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 surgimento no mundo jurídico, sob pena de clara afronta à irretroatividade das leis, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. Diz que a vedação é reafirmada, de forma insofismável, pela Lei nº 9.784 de 29/01/1999, de aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal, por força do art. 69. Após discorrer sobre o art. 5º, LVI e XXXVI, da Constituição Federal e o art. 6º, § 1º, da Lei de Introdução ao Código Civil, reproduz ementas de acórdãos do STF e do Conselho de Contribuintes, assim como, ensinamentos de Leandro Paulsen, e de Hiromi Higuchi, retirados de obras de suas autorias, em socorro de seus argumentos. A DRJ manteve integralmente a autuação, motivando assim a decisão quanto à preliminar de nulidade sobre a aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001: que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal, art. 145, §1º, assim como no art. 197, inciso II, do CTN; que a Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, dispôs sobre o acesso às informações bancárias, condicionando a requisição ao início do procedimento fiscal e à regulamentação ministerial; que a LC nº 105, de 10 de janeiro de 2001, que regulou, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras e a Lei nº 10.174, de 2001, e o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, apenas definiram com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados; que, uma vez presente o comando expresso, em lei ordinária e complementar, autorizando o exame de informações bancárias, cumpre acatálo e utilizálo, até porque não cabe aos agentes públicos questionarem a constitucionalidade de lei vigente, mediante juízos subjetivos, dado o princípio da legalidade que vincula a atividade administrativa. que é clara a disposição do art. 144 do CTN no sentido de o lançamento submeterse ao procedimento disposto na lei vigente à data de sua formalização, o que não é o caso da lei que só estabelece meios de fiscalização, e não hipóteses tributárias; que, por estar o acesso às informações bancárias dos contribuintes regularmente autorizado nas leis mencionadas, bem como no Decreto nº 3.724, de 2001, regulares são os procedimentos aqui adotados e as provas assim obtidas, inexistindo qualquer prejuízo à validade da exigência, sendo rejeitada a preliminar. A turma prossegue analisando outras preliminares e o mérito para, ao final, julgar procedente o lançamento. Fl. 8809DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002512/200442 Acórdão n.º 1201001.165 S1C2T1 Fl. 4 5 Cientificada da decisão em 07/03/2006 (conforme AR de fl.691), a contribuinte, inconformada, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 04/04/2006 (fls.692 e seguintes), em que contesta a decisão recorrida, trazendo, especificamente quanto à questão do sigilo bancário, os argumentos abaixo sintetizados. Alega que dois fatos interferem na legalidade da constituição do crédito tributário: a) lapso temporal da efetiva vigência do art.11, § 3° da Lei n° 9.311/96, e b) criação, pela Lei n° 10.174/2001, de uma nova forma de lançamento. Aduz que a utilização da Lei n° 10.174 de 09/01/2001, que entrou em vigor na data da sua publicação em 10 de janeiro de 2001, não autoriza a utilização da CPMF para instaurar procedimento administrativo em data anterior ao seu surgimento no mundo jurídico, como é o caso da autuação fiscal, que decorre da utilização de dados da CPMF abrangendo os anos de 1999 a 2000, período anterior à vigência da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001. Segundo ela, a permissão desse procedimento constituiria clara afronta a irretroatividade das leis, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. Pede a anulação da autuação com base nessa preliminar, antes de prosseguir com as alegações de mérito. Este é o Relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, cumpre destacar que os presentes autos ora julgados decorrem de reflexos da exclusão da empresa do Simples, ou seja, estamos tratando dos tributos incidentes na sistemática do Simples no ano de 1999, sendo que a exclusão se dessa sistemática se deu a partir de janeiro de 2000. A exclusão do Simples está sendo discutida nos autos do Processo nº 10820.002515/200486, julgado nessa mesma sessão. Portanto, não há nenhuma nulidade ou necessidade de sobrestamento desse processo, pois a exclusão do Simples está sendo julgada conjuntamente por essa Colenda Turma na mesma sessão de julgamento dos demais processos. A contribuinte se pauta basicamente na tese da quebra de sigilo bancário com base em informações obtidas pela CPMF e por meio de Requisições de Movimentação Financeira RMF, sem autorização judicial, bem como na questão da decadência parcial. Vejamos o que constou do TCF sobre a quebra de sigilo bancário: Fl. 8810DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 17) Assim, solicitou se os extratos (em papel e em meio magnético, ver nota de rodapé 39), dados cadastrais, procurações etc, através de Requisições de Movimentação Financeira — RMF's13 em 23/07/2003, que foram emitidas em 31/07/2003, para todas as instituições bancárias constantes do Termo de Inicio de Fiscalização, e que todas foram cientificadas em 05/08/2003. 18) Em documento datado de 29/07/2003, recebido pela agência da SRF de Andradina em 30/07/2003, a fiscalizada solicita prazo de 60 dias para apresentar a documentação (extratos bancários, etc) referente ao anocalendário de 2002, e devido à clara intenção de postergação, não concedemos tal prazo e esta foi reintimada, conforme Termo de Intimação Fiscal n°085 lavrado em 11/08/2003, via postal, cuja ciência ocorreu em 28/08/2003. 19) Também se intimou a fiscalizada, vide item "12", a apresentar cópia de cheques/comprovantes de depósitos e recibos de pagamentos dos aluguéis pagos aos arrendatários pelo arrendamento das instalações do Frigorífico Abaeté Ltda desde o inicio do arrendamento ou seja, contrato de arrendamento datado de 28/12/1998, com primeiro pagamento em 11/01/1999 até 31/12/2002, como resposta foram apresentados recibos de arrendamento de março de 2001 até dezembro de 2002, portanto deveria apresentar os recibos faltantes, ou seja de janeiro de 1999 ate fevereiro de 2001, e apresentar todas as cópias de DARF's referentes à retenção do Imposto de Renda, que é devida no caso dos pagamentos de aluguel / arrendamento a pessoa física, ou informar os motivos da não retenção, além de apresentar relação dos veículos de propriedade da Fiscalizada no período em que esta prestou serviço de transporte de cargas. Quanto a estes fatos a empresa informa, em 11/08/2003, que os recibos de arrendamento dos períodos solicitados foram extraviados, por tal razão não foram apresentados, sendo que ocorreu a escrituração por haver a efetivação real dos pagamentos e existir contrato de arrendamento registrado e válido e que não existem DARFs de recolhimento referente a retenção do imposto de renda dos pagamentos de aluguel/arrendamento para serem apresentados, em razão do recebedor se negar a receber tal arrendamento com algum tipo de desconto ou retenção, sendo que o mesmo recolheria na declaração de ajuste anual. A Fiscalizada também declara que não é a titular de direito e/ou de fato de contas correntes no período fiscalizado (está se fiscalizando os anos de 1999 a 2002), e informa que o contrato de prestação de serviços constaria o titular da movimentação financeira (a Distribuidora), esclarece ainda que não foram escrituradas movimentações financeiras em razão de não possuírem. Que os empréstimos realizados com a Distribuidora foram em espécie. Também informa que os serviços de transportes foram efetuados através de subcontratação e que a empresa não possuía veículos de carga. Fl. 8811DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002512/200442 Acórdão n.º 1201001.165 S1C2T1 Fl. 5 7 20) Também foram apresentados parte dos documentos solicitados nas RMF's já emitidas, referentes aos anoscalendário de 1999 à 2001, e constam na ficha cadastral da fiscalizada, seus dados cadastrais e não os da Distribuidora, além de haver históricos de transação de crédito com as informações de "carnets e assemelhados" e "liberação de capital de giro" que provavelmente sejam pagamentos de despesas em débito automático e de empréstimo de capital de giro para a Fiscalizada, respectivamente, que deveriam estar contabilizados nos livros fiscais desta. Posteriormente, com a apresentação dos mesmos (vide item 49, tópico xvi), confirmouse tal probabilidade, mas estes não estão contabilizados nos livros da Fiscalizada. 21) Em 02/09/2003 a fiscalizada informa que não apresentará a documentação por motivo de sigilo bancário. Assim em 09/10/2003 foram emitidas novas RMF's para o período de 2002 solicitando os extratos e demais documentos cadastrais, cujas ciências ocorreram em 14 e 16/10/2003. 22) Em 13/10/2003 emitiuse duas RMF's para apresentação de cópias dos documentos creditados ou depositados (cheques, comprovantes de depósitos, etc) dos bancos Itaú e Bradesco, cujas ciências ocorreram em 15/10/2003. Mesmo ainda não possuindo os documentos, verificouse, pelos extratos, que há uma movimentação financeira elevada . [...] . As Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) foram emitidas em consonância com o disposto no art. 4º, §6º, do Decreto nº 3.724, de 10/10/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. No recurso voluntário, assim como na impugnação, a contribuinte alega a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001. A despeito da discussão ter conotação de legalidade/ilegalidade, essa suposta ilegalidade ou retroatividade da legislação frente aos períodos de 1999 a 2001, tem cunho constitucional, pois as requisições de movimentações financeiras emitidas pela fiscalização aos Bancos se deram sem qualquer autorização judicial, e nesse aspecto teria incorrido o fisco em violação ao artigo 5º, inciso XII, da CF. Observase que o espírito da tese defendida pelo contribuinte não é nova, pois há quase 5 (cinco) anos o STF atribuiu repercussão geral ao tema (Recurso Extraordinário nº 389.808/PR), e por sua morosidade e burocracia processual nas definições de questões importantes para o país ainda não definiu o julgamento da matéria: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. Fl. 8812DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Repitase, a questão da quebra de sigilo bancário, embora passe pela análise da Lei nº 4.595/64, em seu artigo 38, § 5º, que trata de procedimento instaurado pela autoridade fiscal competente, para fins de obter esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras, envolvendo inclusive o artigo 197 do CTN e a Lei Complementar nº 105/2001 (vide artigos 1º e 6º), é uma matéria reflexa no plano da discussão de eventual ilegalidade, tendo como fundamento principal a inconstitucionalidade do acesso às informações sem decisão judicial fundamentada para tanto, qual seja violação clara do artigo 5º, inciso XII. Sob esse prisma, a violação dos dados e informações bancárias pelas autoridades Fazendárias, que tem total rechaço por esse julgador, é matéria que deve ser levada ao Poder Judiciário, que sinalizou no brilhante voto do Ministro Marco Aurélio tratarse de uma garantia do contribuinte não se sujeitar à quebra de sigilo bancário sem ordem judicial. Vejamos: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. RE 389808/PR, Min. Rel. Marco Aurélio, Julgamento em 15/12/2010. Pleno.” No caso específico ora julgado o fundamento do lançamento fiscal, embora se trate de omissão de receita em razão de movimentações bancárias que extrapolaram os limites do Simples, temse como preceito a quebra de sigilo bancário sob a forma de RMF – Requisição de Movimentações Financeiras, não existindo nenhuma outra peculiaridade. Como esse E. Tribunal não pode cancelar lançamentos fiscais por violação de regra constitucional, visto o teor da Súmula nº 2 do CARF, que exclui a competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, matéria essa reservada ao Poder Judiciário, não podemos acolher a pretensão da contribuinte na parte que ventila essa matéria em seu Recurso: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe então analisarmos a questão da Receita omitida, que não fora afastada por elementos de provas ou justificativas objetivas pelo contribuinte, preferindo impugnar a forma, do que a essência dos depósitos bancários. Nesse caso, é sabido que movimentação financeira não pode ser considerada como receita tributada sob uma verdade absoluta. Ademais, não estamos diante de presunção de receita omitida, há efetiva demonstração nos autos de que as operações qualificadas pela Recorrente e pela Fl. 8813DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002512/200442 Acórdão n.º 1201001.165 S1C2T1 Fl. 6 9 DISTRIBUIDORA como prestação de serviços de abate de primeira à segunda foram, na verdade, operações de abate do BABY BEEF, que utilizava a DISTRIBUIDORA como interposta pessoa, deixando de recolher os tributos devidos. Vejamos as descrições trazidas na decisão da DRJ, confirmada pelas Notas Fiscais, depoimentos de fornecedores, cópia de cheques, etc: 3.12. Constatouse a existência de cheque pago em 1999 ao procurador do ABAETÉ, Sr. Fábio Antônio Óbice, relativo ao pagamento do arrendamento pelo BABY BEEF, revelando que é falsa a alegação de que este só operou a partir de junho de 2000, assim como é falsa a afirmação da DISTRIBUIDORA de que, de fevereiro de 1999 a maio de 2000, quem prestou serviço de abate foi o ABAETÉ. 3.13. Constatouse que o Sr. Marcos Antônio Pompei firmou grande parte dos cheques e autorizações para pagamentos emitidos pelo BABY BEEF, sem que nenhuma assinatura fosse verificada de pessoa da DISTRIBUIDORA, contrariando a informação de que a movimentação financeira era desta. 3.14. Verificouse que havia procurações para empregados e prepostos do BABY BEEF para que estes movimentassem contas bancárias não apenas do BABY BEEF, mas também da DISTRIBUIDORA, demonstrado que, a rigor, as contas desta eram controladas por aquele. 3.22. A DISTRIBUIDORA informa, contradizendo afirmação da Srta. Maria dos Anjos Medeiros, que as dependências térreas de suas instalações, nas quais se localizam as câmaras frias, são utilizadas por ela e não por outra empresa. Informa, ademais, que não tem contratos de prestação de serviços com compradores e vendedores que efetuam operações de compra e venda comissionada, que não faz retenção de IR e que os acertos com estes são realizados mensalmente em dinheiro. 3.23. Constatouse a existência de contrato firmado entre BABY BEEF e ELECTRO ELETRICIDADE S/A, em 13/01/99, bem como pagamentos do consumo ocorrido a partir de março de 1999. Verificouse que foi interrompido o fornecimento de energia entre janeiro de 1998 (último período de funcionamento do ABAETÉ) e janeiro de 1999. 3.24. Constatouse, por circularização, que os pagamentos dos clientes não eram feitos à DISTRIBUIDORA, mas ao BABY BEEF. 3.25. Constatouse que o ABAETÉ não demonstra quaisquer recebimentos que correspondam a prestação de serviço. Não foi localizado no livro Diário da DISTRIBUIDORA quaisquer menções a pagamentos ou históricos de prestação de serviço, tanto do BABY BEEF quanto do ABAETÉ. O Sr. Ricardo Aparecido Quinhones, funcionário do BABY BEEF, consta como responsável pelo preenchimento e entrega das DIRPJ’s do ABAETÉ, declarações estas de valores condizentes apenas com Fl. 8814DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 os recebimentos do arrendamento para o anocalendário 1999 e não de atividade de abate. 3.26. Constatouse, por cruzamento de dados entre extratos bancários e recolhimentos do ICMS, que o BABY BEEF pagou até a dívida de ICMS do ABAETÉ. 3.27. Constatouse que o ABAETÉ não efetuou recolhimentos do INSS, de modo que não tinha empregados e, portanto, não poderia operar o frigorífico. 3.28. Constatouse que o ABAETÉ não teve movimentação financeira de 1999 em diante e que sua última movimentação financeira foi em abril de 1998, corroborando a informação da Elektro de que ocorreu um corte no fornecimento de energia de junho de 1998 a janeiro de 1999, período em que o ABAETÉ esteve inativo. 3.29. Constatouse que o Sr. Marcelo Aparecido Pompei e o Sr. Marcos Antônio Pompei praticaram atos de administração no BABY BEEF quando não constavam no quadro social da empresa. 3.30. Constatouse que a movimentação financeira do BABY BEEF foi muito superior à da DISTRIBUIDORA e que a primeira utilizou as contas bancárias da segunda para transitar seus recursos, inclusive por meio do Sr. Alex Sandro Pereira da Silva que, a despeito de constar como funcionário do BABY BEEF, atuou como procurador deste (a partir de 06/10/1999) e como procurador da DISTRIBUIDORA (a partir de 05/03/2001). 3.31. Constatouse que no anocalendário 1999 não se localizou qualquer repasse de recursos das contascorrentes do BABY BEEF para as contascorrentes da DISTRIBUIDORA. Nos anoscalendário 2000 a 2002 somente se encontraram três cheques nominais à Distribuidora, nos valores de R$ 36.000,00 (29/10/2001), R$ 15.000,00 (20/02/2002) e R$ 141.000,00 (28/03/2002), e foi efetuado um depósito pela DISTRIBUIDORA na contacorrente do BABY BEEF, no valor de R$ 12.496,00 (27/06/2000), que, pela insignificância diante da movimentação financeira verificada, demonstra que não houve os repasses previstos nos itens 2.4 e 6.3 do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. Verificouse, ademais, que não há no referido contrato a indicação do método a ser utilizado para quantificar os valores devidos pela prestação de serviços, além de não constar comprovação desses pagamentos. 3.32. Constatouse que não há registro de veículos da DISTRIBUIDORA no Renavam, que seu prédio é alugado e que os valores declarados na DIRPF pelo Sr. Valder Antônio Alves são incompatíveis com as vendas declaradas pela DISTRIBUIDORA em DIPJ. Verificouse que a movimentação financeira (1999) do Sr. Valder Antônio Alves é irrisória e os bens constantes de sua declaração são de pequena monta. Por outro lado, o Sr. Marcos Antônio Pompei possui movimentação financeira elevadíssima na pessoa física (1998/1999), além de possuir patrimônio de valor altíssimo quando comparado ao do Sr. Valder. Fl. 8815DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002512/200442 Acórdão n.º 1201001.165 S1C2T1 Fl. 7 11 3.33. Em 28/09/2005, foi arquivada na JUCESP alteração contratual do BABY BEEF por meio da qual saíram do quadro social o Sr. Marcos Antônio Pompei e a Sra. Sinézia de Lima e entraram o Sr. Vinicius dos Santos Vulpini (sócio da empresa NORTE RIOPRETENSE) e a DISTRIBUIDORA. Verificouse que o Sr. Valder Antônio Alves, sócio da DISTRIBUIDORA, constou na referida alteração contratual do BABY BEEF como residente à Rua São Paulo, nº 1.439, casa 2, Jardim Paulista, São José do Rio Preto/SP, fato este que não corresponde à verdade, conforme constatado pela Fiscalização. 3.34. O INSS informou que o BABY BEEF realizou recolhimentos de contribuição previdenciária descontada dos empregados a partir de novembro de 1998, sendo que a partir de julho de 1999 os valores pagos triplicaram em relação ao mês de junho de 1999, crescendo nos meses seguintes, informações estas condizentes com o crescimento dos abates informados pelo SIF. 3.35. Constatouse que no dia 30/12/2002 o Sr. Marcos Antônio Pompei sacou mais de R$ 800.000,00 em espécie da conta bancária do Banco Bradesco de titularidade do BABY BEEF. 3.36. Em conclusão, o BABY BEEF exerceu a atividade de compra de bovinos para abate e comercialização (frigorífico) desde fevereiro de 1999 até os dias atuais, vez que ele próprio sempre adquiriu, industrializou e comercializou seus produtos com plena autonomia financeira, utilizandose da DISTRIBUIDORA apenas para acobertar operações comerciais, além do que, no período de fevereiro de 1999 a maio de 2000, também se valeu dos dados do ABAETÉ, acobertando suas operações comerciais. Assim, as operações tidas como de prestação de serviços pela autuada foram consideradas operações compra de gado, abate e venda de carnes e derivados. Desta feita, não há qualquer erro quanto ao sujeito passivo do lançamento. Diante dessa fraude, devidamente demonstrada, o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN é inaplicável, devendo ser aplicado o artigo 173, inciso I, do CTN, em razão da fraude. Nestes termos, não há que se reconhecer a decadência do ano de 1999, como alegada pela Recorrente. Quanto à multa de 150%, a mesma possui previsão legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, devendo ser aplicada em razão da fraude demonstrada pela fiscalização. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, NEGOLHE provimento, mantendo a decisão da DRJ. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 8816DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 Fl. 8817DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 10730.724462/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor da compensação fiscal em decorrência de transmissão obrigatória e gratuita de propaganda eleitoral ou partidária somente pode ser deduzido da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária.
Numero da decisão: 1401-001.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor da compensação fiscal em decorrência de transmissão obrigatória e gratuita de propaganda eleitoral ou partidária somente pode ser deduzido da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.724462/201196 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.153 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2014 Matéria Pedido de restituição Recorrente CANAL E TRANSMISSÕES INTERTV S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor da compensação fiscal em decorrência de transmissão obrigatória e gratuita de propaganda eleitoral ou partidária somente pode ser deduzido da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 44 62 /2 01 1- 96 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10730.724462/201196 Acórdão n.º 1401001.153 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, fls. : Este processo foi inaugurado com o Pedido de Restituição anual (fls.2/7), no valor de R$ 5.045.012,72, abaixo em parte reproduzido: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10730.724462/201196 Acórdão n.º 1401001.153 S1C4T1 Fl. 4 3 2 O crédito pretendido foi discriminado assim (fls.7): 3 A DRF/NiteróiRJ, conforme Despacho Decisório de fls.33/41, indeferiu o citado pedido, sob os seguintes fundamentos: a) inexiste previsão legal atribuindo às emissoras de rádio e televisão o direito à restituição pela cedência de horário gratuito destinado à divulgação das propagandas partidária e eleitoral; b) o direito creditório pleiteado no pedido de restituição não se refere a pagamento indevido ou a maior de valores recolhidos por meio de Darf ou Gps, tratandose de crédito decorrente de supostas despesas com veiculação obrigatória de propagandas eleitoral e partidária gratuitas ocorridas no anocalendário de 2006; c) o crédito pleiteado não se refere a tributo ou contribuição administrado pela RFB e não é passível de restituição; d) na forma da legislação de regência, as compensações não referidas a tributos ou contribuições administradas pela RFB Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10730.724462/201196 Acórdão n.º 1401001.153 S1C4T1 Fl. 5 4 estão expressamente vedadas e, caso formalizadas, serão consideradas não declaradas, sendo hipótese de multa de ofício isolada, prevista no art.18, da Lei nº 10.833, de 2003. 4 O sobredito Despacho Decisório foi encerrado desse modo (fls.41): 5 Em Manifestação de Inconformidade – MI às fls.47/62, a interessada afirma: a) que está “obrigada, em face do código brasileiro de telecomunicações, a exibir gratuitamente propagandas partidárias e eleitorais, deixando de difundir anúncios publicitários pagos, conforme as Leis nº 8.713/93, nº 9.096/95 e nº 9.054/97, que instituíram o direito à compensação fiscal pela cessão do horário gratuito”; b) que, “não obstante a clareza da legislação em determinar o ressarcimento, através da compensação fiscal, dos custos e da perda da receita” (art.80 da Lei nº 9.713/93; parágrafo único do art.52, da Lei nº 9.096/95; art.99 da Lei nº 9.504/97), o Decreto nº 5.331, de 2005, “veio impedir, na prática, a compensação integral da perda de receita das empresas de rádio e TV”; c) que “o Decreto nº 5.331/2005 e os Decretos nºs 1.976/1996, 2.814/1998 e 3.786/2001 (por aquele primeiro revogados), a pretexto de regulamentar o ressarcimento ou compensação fiscal devido às emissoras pela veiculação da propaganda eleitoral gratuita, estabeleceram graves limitações não previstas na lei, chegando mesmo a quase esvaziar o seu conteúdo”; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10730.724462/201196 Acórdão n.º 1401001.153 S1C4T1 Fl. 6 5 d) os decretos em questão permitem apenas a exclusão do lucro líquido do valor correspondente a oito décimos do produto do preço do espaço comercializável, pelo tempo efetivamente utilizado em publicidade comercial, e, “dessa forma, as emissoras não estariam sendo ressarcidas do prejuízo com a veiculação da propaganda eleitoral e partidária gratuita, mas sim recebendo uma bonificação quase inexistente”; e) “não se trata, pois, de um benefício, dado graciosamente pelo Poder Público, mas de uma indenização – de modo que deve ser integral”; f) os “decretos extrapolaram seu poder estritamente regulamentar”, e, “reduzem tanto o ressarcimento, que esvaziam a provisão de ressarcimento contida na lei”; g) “que a natureza da compensação fiscal decorrente da transmissão de propaganda eleitoral e partidária, segundo o Conselho de Contribuintes é indenizatória, ou seja, é devido às emissoras de rádio e televisão o ressarcimento integral das despesas, diferentemente do que preconizam os Decretos nºs 1.976/96, 2.814/98, 3.786/2001 e 5.331/2005”; h) “ademais, as empresas que estiverem em situação negativa (não obtiverem lucro) terão que arcar totalmente com os custos da propaganda eleitoral e partidária, vez que não terão de onde deduzir as despesas, sendo impedidas de aproveitar a compensação fiscal”; i) “verificase claramente que, da mesma forma que a IN 23/97 não poderia exceder os limites estabelecidos na Lei nº 9.363/96, também os Decretos nº 1.976/96, nº 2.814/98, nº 3.786/2001 e nº 5.331/2005 não poderiam jamais reduzir o alcance das Leis nº 8.713/1993, nº 9.096/1995 e nº 9.504/97, visto que tais normas asseguraram o direito ao ressarcimento às emissoras através de compensação fiscal da totalidade da perda de suas receitas e não uma dedução de parte dos prejuízos”; j) “devem ser considerados inaplicáveis os decretos citados no Despacho Decisório, deferindose a restituição integral dos gastos com a propaganda eleitoral, na forma prevista em lei”; k) “as restrições contidas nos Decretos em questão foram editadas em leis apenas em 2009 (Lei nº 12.034/2009) e em 2010 (Lei nº 12.350), o que confirma a necessidade de lei em sentido estrito para impor as restrições antes contidas apenas em atos infralegais”, que “vieram, na verdade, inovar no ordenamento jurídico (algo que o decreto não pode), não podendo ser aplicada a situações anteriores a suas edições”; l) “como a lei prevê compensação fiscal, isto é, com tributos federais, deve ser considerada competente a Secretaria da Receita Federal para analisar o pedido, ao contrário do que expõe a decisão atacada”; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10730.724462/201196 Acórdão n.º 1401001.153 S1C4T1 Fl. 7 6 m) “considerandose que a compensação deve ser fiscal, isto é, com tributos (...), concluise que é razoável a aplicação, como forma adequada de cumprir a legislação que dá direito à compensação fiscal, do art.74 da Lei nº 9.430/1996”; n) “afora o art.74 da Lei nº 9.430, não há outro procedimento legal específico para compensar os créditos decorrentes da propaganda eleitoral gratuita, limitandose a lei a dizer que a restituição se dará por “COMPENSAÇÃO FISCAL”. 6 A interessada encerra a MI, pedindo: A 3ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por unanimidade, manteve o despacho decisório recorrido, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 79): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. HORÁRIO GRATUITO. PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor da compensação fiscal em decorrência de transmissão obrigatória e gratuita de propaganda eleitoral ou partidária pode ser deduzido da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi devidamente cientificados do aludido Acórdão em 10/04/2013, conforme A.R. de fl. 95. Em 22/04/2013 o interessado apresentou o recurso voluntário de fls. 99109, com base nas seguintes alegações: a) Argüiu a ilegalidade dos Decretos nº 1.976/96, nº 2.817/98, nº 3.786/01 e nº 5.331/05, em face das Leis nº 8.713/93, nº 9.095/95 e nº 9.504/97; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10730.724462/201196 Acórdão n.º 1401001.153 S1C4T1 Fl. 8 7 b) Os aludidos Decretos impedem a compensação da totalidade dos prejuízos causados às emissoras de rádio e televisão pela transmissão de propaganda eleitoral e partidária gratuita, causandolhes grandes prejuízos ; c) Sustentou a possibilidade de utilização do instituto da compensação para o ressarcimentos dos prejuízos sofridos pela recorrente pela cedência dos horários partidários e eleitorais gratuitos. Em seu entender, não haveria motivos para afastar a aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96; É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10730.724462/201196 Acórdão n.º 1401001.153 S1C4T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Tratase de recurso contra o indeferimento de pedido de restituição pela cedência de horário gratuito destinado à divulgação das propagandas partidária e eleitoral. O pedido em apreço foi indeferido pelas seguintes razões: a) inexistência de previsão legal; b) inexistência de pagamento indevido ou a maior. A recorrente, repetindo o que alegou nas fases anteriores no presente processo, defendeu que as emissoras de rádio e televisão têm direito a ressarcimento integral das despesas incorridas em face de transmissão gratuita de propaganda eleitoral e partidária. No seu entender, no caso concreto deve ser aplicado o disposto no art.74 da Lei nº 9.430/96. Não assiste razão à recorrente. A decisão recorrida efetuou uma abrangente revisão de toda as normas legais e regulamentares que dispõe sobre a propaganda eleitoral e partidária gratuita, desde a Lei nº Lei nº 9.430/96 até o Decreto nº 7.791, de 17 de agosto de 2012. Todas as legislações referidas pela decisão de piso ratificam que a compensação fiscal, de que tratam os art.52 da Lei nº 9.096, de 1995, e o art.99 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, se dá sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ. A título meramente exemplificativo, transcrevo parcialmente o aludido Decreto nº 7.791/12, verbis: A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no parágrafo único do art. 52 da Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e no art. 99 da Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997, DECRETA: Art. 1o As emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação gratuita da propaganda partidária e eleitoral, de plebiscitos e referendos poderão efetuar a compensação fiscal de que trata o parágrafo único do art. 52 da Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e o art. 99 da Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997, na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, inclusive da base de cálculo dos recolhimentos mensais previstos na legislação fiscal, e da base de cálculo do lucro presumido. Art. 2o A apuração do valor da compensação fiscal de que trata o art. 1o se dará mensalmente, de acordo com o seguinte procedimento: I – partese do preço dos serviços de divulgação de mensagens de propaganda comercial, fixados em tabela pública pelo veículo Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10730.724462/201196 Acórdão n.º 1401001.153 S1C4T1 Fl. 10 9 de divulgação, conforme previsto no art. 14 do Decreto no 57.690, de 1o de fevereiro de 1966, para o mês de veiculação da propaganda partidária e eleitoral, do plebiscito ou referendo; II – apurase o “valor do faturamento” com base na tabela a que se refere o inciso anterior, de acordo com o seguinte procedimento: (...) III – apurase o “valor efetivamente faturado” no mês de veiculação da propaganda partidária ou eleitoral com base nos documentos fiscais emitidos pelos serviços de divulgação de mensagens de propaganda comercial local efetivamente prestados; IV – calculase o coeficiente percentual entre os valores apurados conforme previsto nos incisos II e III do caput , de acordo com a seguinte fórmula: (...) V – para cada espaço de serviço de divulgação de mensagens de propaganda cedido para o horário eleitoral e partidário gratuito: VI – apurase o somatório dos valores decorrentes da operação de que trata a alínea “c” do inciso V do caput. Art. 3o O valor apurado na forma do inciso VI do caput do art. 2º poderá ser excluído: I – do lucro líquido para determinação do lucro real; II – da base de cálculo dos recolhimentos mensais previstos no art. 2o da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e III – da base de cálculo do IRPJ incidente sobre o lucro presumido. (grifos nossos) Como facilmente se percebe, todas as leis eleitorais e partidárias invocadas pela recorrente – e devidamente analisadas pelo colegiado julgador a quo – autorizaram a compensação fiscal unicamente sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ. Conforme bem apontado pela decisão recorrida, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09 não autoriza que os órgãos de julgamento afastem a aplicação ou deixem de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido, podemos mencionar a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, não procede a alegação da recorrente no sentido de que a legislação aplicável “impede, na prática, a compensação integral da perda de receita das empresas de rádio e TV”. O fato inquestionável é que nem a lei eleitoral nem a lei partidária amparam o pleito da contribuinte, da forma como foi formulado. Em outras palavras, é cristalino concluir Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10730.724462/201196 Acórdão n.º 1401001.153 S1C4T1 Fl. 11 10 que “não houve formação de crédito tributário passível de ressarcimento, restituição ou compensação tributária, institutos de que trata o art.74 da Lei nº 9.430/96”, a seguir reproduzido: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) A recorrente invocou a Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997 (revogada pela IN SRF nº 313, de 3 de abril de 2003), que apenas dispôs sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido de IPI, Pis e Cofins, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996 . Como facilmente se observa, a Instrução Normativa em tela é inaplicável ao presente caso, por tratar de matéria totalmente estranha à que ora é objeto de análise. Registrese, por fim, que eventuais precedentes do extinto Conselho de Contribuintes não produzem efeito vinculante sobre este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e tampouco constituem normas complementares em matéria tributária. Em outras palavras, os aludidos precedentes administrativos somente produzem efeito para as partes dos processos em que foram proferidas aquelas decisões. Nestes termos, é forçoso concluir que, por falta de previsão legal, as emissoras de rádio e televisão não têm direito a crédito tributário equivalente à despesa incorrida com transmissão gratuita de propaganda eleitoral e/ou partidária. A compensação fiscal destas despesas somente pode ser efetuada sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ, independentemente de o período de apuração evidenciar resultado positivo ou negativo. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 16327.901638/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3301-000.150
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA-Relator ad hoc
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva – Relator “Ad hoc” Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Rafael Yuji Kavabata, OAB 249.810-SP. BANCO ITAÚ S.A., devidamente qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 38/43 contra o acórdão nº 05-28.800, de 17/05/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas - SP, fls. 30/33, que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, por meio de PER/Dcomp transmitida em 22/05/2003 (fl. 15), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901638/2006-11 Resolução n.º 3301-000.150 S3-C3T1 Fl. 55 2 Trata-se de Despacho Decisório, fl. 15, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 27/02/2008, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/03/2008, fls. 04/08, alegando, em síntese: a) a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação. No caso em tela, seguramente, o fisco não trouxe aos autos do processo nenhum elemento que, por si, realmente desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. Por isso é que, além da circunstância de em qualquer ramo do direito incumbir o ônus da prova àquele que alega determinado fato como constitutivo de seu direito (vale dizer, à Receita Federal quanto ao fato constitutivo de seu direito, isto é, do imposto a que se julga credor), em matéria de direito administrativo, seja ela de direito tributário ou não, o ato administrativo há de ser sempre e necessariamente motivado. Ora, a falta de apuração da matéria (demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo), por parte da autoridade fiscal, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa. Portanto, o ato administrativo deve sempre atender às formalidades impostas, devendo permitir ao contribuinte apreender o motivo e o fato (sic) está sendo autuado, a fim de que possa se defender ou, caso concorde com a autoridade fiscal, recolher o tributo apurado. Entretanto, o auto de infração em tela, ao arrepio das normas mencionadas, não demonstrando o que alega, impede que o contribuinte apresente sua defesa corretamente, o que, por si só, já o torna nulo de pleno direito; b) foram cometidos erros na declaração de compensação, cujo valor do débito corresponde à totalidade do tributo do período, tributo esse que teve parte já paga e, portanto, não fora compensada. c) o valor de débito apresentado em DCTF (doc. 08) pelo peticionante, também contém erro que deve ser observado, especificamente, o campo pagamento com DARF, pois apresentou valor maior de débito; d) o peticionante requer que seja alterado de ofício as informações da DCTF, de acordo com os dados informados no demonstrativo (doc. 07) visando contemplar o crédito ora não homologado. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901638/2006-11 Resolução n.º 3301-000.150 S3-C3T1 Fl. 56 3 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2003 Compensação. Pagamento indevido ou a maior. Argüição de nulidade. Despacho decisório. Motivação. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. Despacho Decisório Eletrônico. Fundamentação. Cerceamento de Defesa. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade. Retificação. Impossibilidade. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Compensação. Créditos. Comprovação. É pré-requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 38/43, acrescido dos documentos de fls. 45/47, apresentando os seguintes argumentos: a) após uma sucessão de diversos erros que relaciona, a contribuinte localizou trinta e cinco pequenos valores recolhidos a maior com os quais compôs o total a ser compensado com débitos de IOF no montante de R$13.931,23; b) a verdade material deve ser privilegiada acolhendo-se as provas trazidas aos autos, afastando-se, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir valor que não possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário. Por fim, requer a homologação da compensação pretendida e, se necessário, a alteração de ofício das Per/Dcomp e DCTF transmitidas, nos termos do art. 147, § 2º do CTN; Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901638/2006-11 Resolução n.º 3301-000.150 S3-C3T1 Fl. 57 4 o cancelamento da cobrança efetivada através do processo n° 16327.720035/2008-81 e, ainda, protesta pela juntada dos documentos em anexo. É o Relatório. Conselheiro Walber José da Silva – Relator “Ad hoc” O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado, a interessada transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 15), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontrava-se totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do Per/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$271.040,71, gerando uma insuficiência de R$13.330,06. Entretanto, esquecendo-se do DARF de R$601,17, entendeu ser devedora de R$13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$271.040,71, além de multa e juros. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Por outro lado, no presente caso, sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estar-se-ia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontram- se equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitar-se-ia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901638/2006-11 Resolução n.º 3301-000.150 S3-C3T1 Fl. 58 5 b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva – Relator “Ad hoc” Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13888.000866/2004-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.093
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. /7, /-7'----2---? ;-;,' ----,- / .=,/ ,.-7 j(7,--... '7 Henrique Pinheiro, Torres - Presidente fl i 'H\ r : if / li Corintho Ot fa achado - Relator EDITADO EM: 17/05/2010 Participaram do piesente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges, Cori tho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa • lbuquerque Valente. RELATÓRIO Adoto como parte de meu relato, o quanto relatado pelo I. relator do decisum a quo: Trata o presente processo de pedido de retificação da Declaração de Importação n°00/0505859-1, de 06 de junho de 2000, e o respectivo reconhecimento do direito de crédito. Alega a interessada que à época do desembaraço da referida DI, deixou de usufruir o beneficio da redução em 40% do Imposto de Importação, então previsto no artigo 50 da Medida Provisória n° 1.939-35, de 16 de novembro de 2000 (Regime automotivo), já que tais mercadorias eram destinadas ao -I processo produtivo da empresa, de forma que o requisito estabelecido na legislação para fruição do beneficio fora efetivamente atendido, consoante disposto no art. 50, 1° da referida Medida Provisória. Por equivoco, alega ter recolhido integralmente o imposto de importação. O Regime Automotivo consistiu na concessão de um beneficio fiscal em relação ao imposto de importação (redução de 40% do II para as indústrias automotivas), que foi disciplinado por sucessivas medidas provisórias, até que a última delas foi convertida na Lei 9.449, de 14 de março de 1997, quando o beneficio foi concedido até a data-limite de 31 de dezembro de 1999. O beneficio fiscal foi restaurado pela Medida Provisória n° 1939-24, de 06 de janeiro de 2000, que foi sucessivamente reeditada até a de n° 1939-36, de 14 de dezembro de 2000, sempre com a convalidação dos atos praticados pela MP anterior. Esta MP foi explicitamente revogada pelo artigo 9 da MP 2068-37, de 27 de dezembro de 2000, a qual, em seu artigo 7 0, convalidou os atos praticados em sua vigência, tendo reproduzido o texto de seus dispositivos, na íntegra. O pleito do interessado foi objeto de DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO (fls. 7/10), com base no art. 62 da Constituição Federal de 1988, sem a modificação introduzida pela Emenda Constitucional n° 32, de 11 de setembro de 2001. O parágrafo único deste artigo assim determinava que as medidas provisórias perderiam eficácia, desde a edição, se não fossem convertidas em lei no prazo de trinta dias contados de sua publicação, devendo o Congresso Nacional disciplinar as relações jurídicas dela decorrentes. Em vista do exposto, o indeferimento do pedido baseou-se nas seguintes premissas: I - A Constituição Federal negava eficácia jurídica à Medida Provisória no caso de ausência de deliberação parlamentar no prazo constitucional de trinta dias (antes do advento da EC 32, em 11/09/2001). 2 - A última reedição da Medida Provisória que restaurou o beneficio fiscal, a MP 1939-36, foi explicitamente revogada pela MP 2068-37, determinando a perda retroativa de sua eficácia jurídica, 3 - Com a revogação da MP 1939-36, sem a devida apreciação pelo Congresso, foi restaurada a eficácia da Lei 9.449, de 14 de março de 1997, que restringia a concessão do beneficio à data de 31 de dezembro de 1999. Entendeu a autoridade administrativa que o Regime Automotivo não mais tinha vigência durante o ano de 2.000, sendo que a Declaração de Importação objeto do pleito foi registrada em 07/12/2000. Ciente do despacho decisório de indeferimento acima mencionado, e inconformado com o teor do mesmo, o impugnante apresentou sua Manifestação de Inconformidade de fls. 13/19, cujos principais argumentos são os seguintes: 1 - Embora a MP 2068-37 tenha revogado a 1939-36, convalidou os atos praticados com base na MP revogada e reproduziu seu texto na íntegra. Após mais uma reedição, a MP 2068-38 foi convertida na Lei n° 10182/01, que em seu artigo 7° convalidou os atos praticados com I base na Medida Provisória n°2068-37, de 27 de dezembro de 2000. ' 2 Processo n0 13888.000866/2004-66 S3-C1T1 Resolução n.° 3101-00.093 Fl. 2 2 - A edição e reedição de todas essas MP's , que em seu bojo mantinham praticamente a mesma redação, constituíram-se em técnica legislativa que visava atender ao prazo de eficácia das Medidas Provisórias disposto no parágrafo 10 do art. 62 da CF, antes da alteração promovida pela Emenda Constitucional e 32, de 11 de setembro de 2001. 3 - Dessa forma, a reedição de MP's com a reprodução integral do texto anterior, bem como a conseqüente convalidação dos efeitos surgidos sobre a égide da MP reeditada, tornou-se prática comum, sendo chancelada pelo Supremo Tribunal Federal, que editou a Súmula n°65], abaixo transcrita: A Medida Provisória não apreciada pelo Congresso Nacional podia, até a Emenda Constitucional n°32/2001, ser reeditada dentro do prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de Lei desde a primeira edição. (grifei). 5 - Assim, consoante o exposto acima, o beneficio da redução de 40% do Imposto de Importação foi constantemente renovado até a conversão da MP n° 2068-38 na Lei n° 10.182/01, que manteve o beneficio concedido ao setor automotivo. 6 - Em vista do exposto, o impugnante considera que faz jus ao beneficio vigente à época do desembaraço das mercadorias, que por equívoco deixou de pleitear oportunamente. Para análise do pleito, constatou-se que o processo encontrava-se insuficientemente instruido. Tendo o beneficio fiscal natureza mista (subjetiva e objetiva), por estar vinculado tanto à qualidade do importador quanto à qualidade da mercadoria importada, e objetivando possibilitar verificações relativas ao art. 119 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 91.030, de 05 de março der 1985), bem como do art. 60 da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995, foi o mesmo baixado em diligência, conforme Resolução n° 792/2008, para fins de intimação do interessado para apresentação de: a) Extrato da Declaração de Importação n° 00/0505859-1, registrada em 06/06/2000. b) — Documento comprobatório de estar o impugnante habilitado , à época do desembaraço das mercadorias, para fruição dos beneficios fiscais do Regime Automotivo, nos termos do art. 6° da MP 1.939-35. c) — CND 's (Certidões Negativas de Débito) comprobatórias de que, à época da importação, encontrava-se em situação regular quanto aos tributos administrados pela Secretaria da receita Federal. O processo retornou a esta DRJ, conforme fls 45, tendo o interessado respondido, quando aos itens solicitados: a) Anexou o extrato da Declaração de Importação objeto do pleito. b) Quanto ao Documento comprobatório de estar o impugnante habilitado , à época do desembaraço das mercadorias, para fruição dos benefícios fiscais do Regime Automotivo, nos termos do art. 6° da 3 MP 1.939-35, a intimada informa que a habilitação era efetuada automaticamente no sistema Siscomex, motivo pelo qual não possui tal documento em seu arquivo. c) Quanto às CND 's (Certidões Negativas de Débito) comprobatórias de que, à época da importação, encontrava-se em situação regular quanto aos tributos administrados pela Secretaria da receita Federal, informa que também não possui tais documentos em seus arguivos. Sugere que tais documentos sejam consultados diretamente no banco de dados da Receita Federal do Brasil, órgão emissor dos mesmos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULO II/SP indeferiu a solicitação em 18/09/2008. Houve intimação da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULO II/SP, fl. 229, em 04/11/2008. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 230 e seguintes, tempestivos, onde traz Declaração de habilitação no SISCOMEX, emitida pelo DECEX, comprovando que a recorrente foi habilitada a usufruir do beneficio de redução do imposto de importação relativo ao Regime automotivo, e Comprovante de Importação, acompanhado de Extrato de DI contendo informação de haver certidão de quitação de tributos federais ao tempo do registro da DI, e requer a reforma da decisão a quo. Subiram então os autos ao Conselho de Contribuintes, fls. 259. Relatados, passo a votar. VOTO Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em primeiro plano, devo dizer que o contencioso cinge-se a questões de fato, pois sob a ótica do direito a DRJ em SP já reconheceu a plausibilidade do pleito da recorrente. Pois bem, a DRJ entendeu que o feito estava mal instruído, e para tanto determinou diligência, na qual solicitava extrato da Declaração de Importação objeto do pleito; documento comprobatório de estar a recorrente habilitada, à época do desembaraço das mercadorias, para fruição dos benefícios fiscais do Regime Automotivo e Certidão Negativa de Débito comprobatória de que, à época da importação, encontrava-se em situação regular quanto aos tributos administrados pela Secretaria da receita Federal. A recorrente trouxe aos autos a DI, informou que a habilitação era efetuada automaticamente no sistema Siscomex, motivo pelo qual não possuía tal documento em seu arquivo, e quanto à CND, por não possuir o documento em arquivo, sugeriu que a Administração Tributária consultasse diretamente no banco de dados da Receita Federal do Brasil, órgão emissor da certidão. Em virtude dessa resposta foi indeferido o seu pleito. Agora, em sede recursal, a recorrente traz os documentos (ou similares), por cópias reprográficas, que a primeira instância havia solicitado. Entendo que assiste razão à recorrente, tanto no que pertine à CND como no que tange ao documento do DECEX, pois de 4' \I 4 Processo n° 13888.000866/2004-66 S3-C1T1 Resolução n.° 3101-00.093 Fl. 3 acordo com a Lei n° 9.784/99, art. 37, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de oficio, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Nada obstante, como os documentos vieram por simples cópia, penso razoável autenticá-los antes do julgamento do mérito, utilizando o supedâneo do § 30 do art. 22 da mesma lei supradita: A autenticação de documentos exigidos em cópia poderá ser feita pelo órgão administrativo. Nessa moldura, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora do domicilio da recorrente verifique no sistema eletrônico de dados respectivo, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a veracidade da informação de haver certidão de quitação de tributos federais ao tempo do registro da DI; ato seguido, intime a recorrente do resultado dessa pesquisa, e para apresentar, em 30 dias, o documento original do DECEX, a fim de autenticar a cópia trazida com o recurso voluntário. Após escoado o prazo retro, com ou sem manifestação da recorrente, retornem os autos a esta Turma para ju1gan1ento. ilir , / lir iiil ! Corintho Oh, 9, ya Machado i,, i I I 5
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007832/2003-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997
Ementa:
DEPÓSITO RECURSAL. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. DEPÓSITO INTEGRAL. FINALIDADE DA EXIGÊNCIA SATISFEITA. EXAME DO RECURSO DO CONTRIBUINTE.
Alem da exigência de depósito recursal ou arrolamento de bens serem inconstitucional, conforme declarado pelo STF na ADIN 1976, os mesmos não se justificam na hipótese do contribuinte ter efetuado o depósito do montante integral da exigência, eis que o que se busca com a edição de referidos requisitos de interposição - que somente pode ser a proteção do crédito da Fazenda Nacional - isto é, o do interesse público enquanto se processa a defesa do contribuinte, o qual está mais do que atendido pelo depósito do montante integral.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para exame das demais matérias.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997 Ementa: DEPÓSITO RECURSAL. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. DEPÓSITO INTEGRAL. FINALIDADE DA EXIGÊNCIA SATISFEITA. EXAME DO RECURSO DO CONTRIBUINTE. Alem da exigência de depósito recursal ou arrolamento de bens serem inconstitucional, conforme declarado pelo STF na ADIN 1976, os mesmos não se justificam na hipótese do contribuinte ter efetuado o depósito do montante integral da exigência, eis que o que se busca com a edição de referidos requisitos de interposição - que somente pode ser a proteção do crédito da Fazenda Nacional - isto é, o do interesse público enquanto se processa a defesa do contribuinte, o qual está mais do que atendido pelo depósito do montante integral. Recurso Especial do Contribuinte Provido
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INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. DEPÓSITO INTEGRAL. FINALIDADE DA EXIGÊNCIA SATISFEITA. EXAME DO RECURSO DO CONTRIBUINTE. Alem da exigência de depósito recursal ou arrolamento de bens serem inconstitucional, conforme declarado pelo STF na ADIN 1976, os mesmos não se justificam na hipótese do contribuinte ter efetuado o depósito do montante integral da exigência, eis que o que se busca com a edição de referidos requisitos de interposição que somente pode ser a proteção do crédito da Fazenda Nacional isto é, o do interesse público enquanto se processa a defesa do contribuinte, o qual está mais do que atendido pelo depósito do montante integral. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para exame das demais matérias. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 78 32 /2 00 3- 75 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte em face ao acórdão de nº 20402.028, que, por maioria de votos, não conheceu do recurso voluntário do contribuinte por inexistência de arrolamento de bens ou depósito recursal, condição à época necessária para interposição de referido recurso, ainda que se verifique a existência de depósito judicial do montante integral do crédito tributário objeto do lançamento. Aduz o contribuinte em seu recurso especial que a exigência de depósito recursal ou arrolamento de bens é inconstitucional conforme declarado pelo STF na ADIN 1976, além da decisão recorrida divergir de outras proferidas por este Conselho. Cita como acórdão paradigma o de nº 20179.593, da Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, bem assim o de nº 20176.709, proferido pelo mesmo colegiado. Conforme despacho de fls. 355/356 o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso especial do contribuinte, por entender que a divergência de decisões a justificar o cabimento do referido recurso restou devidamente demonstrada, bem assim determinou a intimação da Fazenda Nacional para querendo oferecer suas contrarrazões. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço o Recurso Especial interposto pelo contribuinte, eis que tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade. Como bem colocado no recurso especial em exame, a exigência de depósito de valor correspondente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal questionada ou o equivalente em bens e direitos como condição para interposição de recurso voluntário pelo contribuinte, nos termos da Lei 10.522/2002, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento da ADIN 1.976, por ferir o direito de petição, bem assim o princípio do contraditório entre outras garantias asseguradas ao cidadão e especialmente aos contribuintes. Por essa exclusiva razão, a meu ver, não há como negar ao Recorrente o direito que se busca por intermédio do presente recurso especial, que é o de ver julgado seu recurso voluntário. Especialmente, no presente recurso especial, pelo qual inclusive o mesmo foi admitido, verificase divergência de entendimento, eis que não obstante o valor da exigência Fl. 367DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.007832/200375 Acórdão n.º 9303003.115 CSRFT3 Fl. 367 3 fiscal questionada no presente processo administrativo encontrarse integralmente depositada judicialmente, o recurso voluntário não foi conhecido, eis que a Câmara julgadora não entendeu que referido depósito dispensaria a exigência do arrolamento de bens, vigente a época da interposição do recurso, enquanto a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a unanimidade de votos, se posicionava em sentido contrário. Entendo que a condição recursal existente a época, como consignado no acórdão recorrido, não se neutraliza pelo fato do crédito encontrarse suspenso em razão do depósito, eis que caso a suspensão da exigibilidade do crédito tributário justificasse a não exigência do arrolamento de bens ou o depósito equivalente a 30% do valor da exigência, por maior razão a própria impugnação ou inconformismo do contribuinte expressa em seus recursos dispensaria a referida condição, por também ser uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (cfr. art. 151 do CTN). No entanto, o que a meu ver não justifica a condição recursal, na hipótese do contribuinte ter efetuado o depósito do montante integral da exigência, é o objeto, a finalidade que se busca com a edição de referidos requisitos de interposição do recurso, que somente pode ser a proteção do crédito da Fazenda Nacional, isto é, o do interesse público enquanto se processa a defesa do contribuinte, o qual está mais do que atendido pelo depósito do montante integral. Exigir qualquer condição que extrapole os limites da obrigação tributária que se traduz no pagamento do crédito tributário pelo contribuinte, que no caso depositou o montante integral de sua respectiva obrigação, é ilegal, e por conseguinte, injusto. Em face do exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo contribuinte e no mérito por darlhe conhecimento com com o consequente retorno dos autos ao colegiado de origem prolator do acórdão recorrido. É como voto. Nanci Gama Fl. 368DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001462/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005
Autos de Infração sob N° 37.265.7761
Consolidados em 30/12/2009
FATO GERADOR NÃO DEMONSTRADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Tratando de pagamento eventual de futuro incerto, onde várias circunstâncias há de ocorrer para que o evento ocorra, independente do labor, não pode ser considerado pagamento de natureza salarial remuneratória.
No caso em tela trata-se de pagamento realizado a segurado empregado e ou dirigente, por conta de Acordo Coletivo de Trabalho, onde o seu pagamento estava consubstanciado a diversos fatores para que obtivesse resultado desejado e acordado, fazendo jus ao recebimento por merecimento, de natureza eventual, portanto, não incidindo contribuição previdenciária, porque não há fato gerador demonstrado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, pela ausência de demonstração do fato gerador da contribuição previdenciária, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Melo Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em converter o julgamento em diligência, a fim de anexar relatório fiscal e documentos relativos a lançamento diverso, formalizado em relação ao mesmo sujeito passivo, citado pela fiscalização nos autos, para a comprovação dos ilícitos. Sustentação oral: Luiz Eduardo de Castilho Girotto. OAB: 124.071/SP.
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005 Autos de Infração sob N° 37.265.7761 Consolidados em 30/12/2009 FATO GERADOR NÃO DEMONSTRADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Tratando de pagamento eventual de futuro incerto, onde várias circunstâncias há de ocorrer para que o evento ocorra, independente do labor, não pode ser considerado pagamento de natureza salarial remuneratória. No caso em tela trata-se de pagamento realizado a segurado empregado e ou dirigente, por conta de Acordo Coletivo de Trabalho, onde o seu pagamento estava consubstanciado a diversos fatores para que obtivesse resultado desejado e acordado, fazendo jus ao recebimento por merecimento, de natureza eventual, portanto, não incidindo contribuição previdenciária, porque não há fato gerador demonstrado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, pela ausência de demonstração do fato gerador da contribuição previdenciária, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Melo Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em converter o julgamento em diligência, a fim de anexar relatório fiscal e documentos relativos a lançamento diverso, formalizado em relação ao mesmo sujeito passivo, citado pela fiscalização nos autos, para a comprovação dos ilícitos. Sustentação oral: Luiz Eduardo de Castilho Girotto. OAB: 124.071/SP. MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa.
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NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Tratando de pagamento eventual de futuro incerto, onde várias circunstâncias há de ocorrer para que o evento ocorra, independente do labor, não pode ser considerado pagamento de natureza salarial remuneratória. No caso em tela tratase de pagamento realizado a segurado empregado e ou dirigente, por conta de Acordo Coletivo de Trabalho, onde o seu pagamento estava consubstanciado a diversos fatores para que obtivesse resultado desejado e acordado, fazendo jus ao recebimento por merecimento, de natureza eventual, portanto, não incidindo contribuição previdenciária, porque não há fato gerador demonstrado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, pela ausência de demonstração do fato gerador da contribuição previdenciária, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Melo Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em converter o julgamento em diligência, a fim de anexar relatório fiscal e documentos relativos a lançamento diverso, formalizado em relação ao mesmo sujeito passivo, citado pela fiscalização nos autos, para a comprovação dos ilícitos. Sustentação oral: Luiz Eduardo de Castilho Girotto. OAB: 124.071/SP. MARCELO OLIVEIRA – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 62 /2 00 9- 48 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.001462/200948 Acórdão n.º 2301004.329 S2C3T1 Fl. 7 3 Relatório Tratase de Auto de Infração(ai) DEBCAT nº 37.265.7761, lavrado à constituição de crédito tributário previdenciário relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos(terceiros) SALÁRIO EDUCAÇÃO (FNDE Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação), incidentes sobre valores pagos, pelo incorporado BANCO SANTANDER BRASIL, aos empregados, a título de BÔNUS, não declarados em GFIP, relativas as competências de 12/2003 a 12/2005. Alega o Relatório Fiscal que: (i) a Recorrente não considerou como verba incidentes de contribuições para a previdência social a remuneração paga aos segurados empregados referente aos levantamentos BD1 BÔNUS DE DESEMPENHO e BO1 BÔNUS, (ii) os conceitos de remuneração e salário estão previstos nos artigos 457 e 458 da CLT e do salário de contribuição para o empregado, está estabelecido no artigo 28, inciso I da Lei nº 8.212/1991 e no artigo 214, I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Devidamente noticiada do lançamento, apressouse em impugnar, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 03 de junho de 2013 tomou ciência eletrônica da decisão de piso e no dia 02 de julho do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo alegando: PRELIMINARES: a) decadência relativo ao período anterior a novembro de 2004; MÉRITO: i) não incidência das contribuições ao FNDE sobre o bônus e o bônus desempenho, j) da necessária aplicação da retroatividade benigna da Lei nº 11.941/2009. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões. QUESTÃO DE MÉRITO NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE O BÔNUS E BÔNUS DESEMPENHO A Fiscalização lançou no presente AI os valores pagos aos empregados segurados da Recorrente a título de 'Bônus' e Bônus Desempenho, pois para ela os valores pagos a estes títulos não estariam previstos no rol de verbas excluídas de saláriocontribuição estampado no Artigo 28, § 9º da Lei 8.212/91, eis que se trata de uma contraprestação de serviço, incidindo a contribuição ao FNDE. Segundo a Recorrente não assiste razão à Fiscalização, eis que os bônus pagos por ela a seus empregados e dirigentes dependem da ocorrência de vários fatores, sendo que a maioria fora do controle de quem paga e de quem recebe, como o resultado obtido pela empresa, o resultado de cada área específica, contando ainda com resultados obtidos pelo esforço próprio do empregado ou dirigente. Este fatores todos são cumulativos e, caso não seja cumprido um quesito, o segurado empregado e ou dirigente não fará jus. Diz que além de haver previsão no Manual de Instrução da Recorrente os bônus em destaque foram acordados com ACT do PPR realizado com a CONTEC, e estas condições todas demonstram a eventualidade dos referidos 'bônus'. Neste sentido vejo que os 'bônus' pagos pela Recorrente, conforme documentos acostados, mormente o ACT que o evento pagamento de 'bônus' está ligado a uma série de fatores, cujos quais, em não acontecendo não haverá tal pagamento, o que configura evento possível e não certo, independente de ocorrência de ter o segurado empregado ou dirigente laborado. Vejamos que a Carta Maior prevê contribuições sociais de natureza previdenciária, em seu art. 195, I, “a”; sobre determinadas verbas trabalhistas. Assim, a contribuição é devida pelo empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Entretanto, não olvidemos que nem todas as verbas recebidas pelos empregados ou prestadores de serviço sofrem a incidência da contribuição previdenciária, entre elas destacamos as verbas trabalhistas de natureza eventual, como é o caso em destaque. Vejamos que no § 9º do art. 214, do Decreto 3048/99 trás um rol exemplificativo das verbas que não possuem natureza salarial. Entre elas destacamos: · os benefícios da previdência social; · a ajuda de custo; · as férias indenizadas, · o abono e respectivo terço constitucional; (DN) · aviso prévio indenizado; · participação nos lucros e resultados, Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.001462/200948 Acórdão n.º 2301004.329 S2C3T1 Fl. 8 5 · auxílio doença, etc. Não olvidemos que todas as verbas de caráter não salarial, indenizatória ou encargo social, assim como a verbas percebidas de forma eventual, estão fora do âmbito de incidência da contribuição previdenciária, independente de expressa previsão legal. O STF em vários julgados já se manifestou no sentido de que a contribuição previdenciária só incide sobre o salário (espécie) e não sobre o total da remuneração (gênero) e expressamente exclui do seu âmbito de incidência as parcelas cuja natureza jurídica sejam indenizatórias e não habituais. 'In verbis': RE 166.172, ADI1.6596. O Ministro Marco Aurélio, Relator do RE 166.7722 RS, nas folhas de nº 722 e ss. dos autos, assim se posicionou quanto a natureza jurídico constitucional do salário: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do artigo 195, não se pode configurar em algo que discrepe do conceito que se lhe atribui quando cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial – inciso VI do artigo 7º da Carta, considerase que, na verdade, a lei ordinária mesclou institutos diversos ao prever a contribuição. Após alusão, no caput do artigo 3º, à expressão utilizada na própria carta federal – folha de salário – ao versar sobre o que pago aos administradores avulsos e autônomos, refere a remuneração, talvez mesmo pelo fato de o preceito a que se atribui a pecha de constitucional englobar, também, os segurados empregados. Desconheceuse que salário e remuneração não são expressões sinônimas. Uma coisa é a remuneração, gênero do qual salário, vencimentos, soldo, subsídios, prólabore e honorários são espécies. Seria fácil darse à previsão constitucional em questão o alcance dado pelo Instituto, no que se fugiria até mesmo da necessidade de balizarse, de maneira precisa e clara, as bases de incidências das contribuições sociais. Suficiente seria, ao invés de utilizarse a expressão “folha de salários”, a expressão “empregador”, aludirse ao tomador de serviços e à remuneração por estes satisfeita. Com acerto, enquadraram à matéria constitucionalistas e tributaristas, dentre os quais destaco Ives Gandra, Geraldo Ataliba, Ruy Barbosa Nogueira e a também professora Misabel Abreu Machado Dersi. Esta última emitiu parecer sobre a contribuição social incidente sobre a remuneração e o prólabore pagos a autônomos e administradores. De forma proficiente, apontou as diferenças entre o vocábulo “empresa” e o vocábulo “empregador”, afirmando que o uso das expressões “empregador” e “folha de salários”, contidas na Carta de 1988, exclui as relações de trabalho não subordinado, como as que envolvem autônomos em geral e administradores. Aduziu ainda que as constituições brasileiras sempre usaram os termos empregador e salário no sentido próprio e técnico em que encontrados no direito do trabalho, o que, aliás, está consagrado jurisprudencialmente. Já disse linhas atrás, que está em tela uma ciência. Assim enquadrado o direito, o meio justifica o fim, mas não este aquele. Compreendo as grandes dificuldades de caixa que decorrem do sistema de seguridade social pátrio. Contudo, estas não podem ser potencializadas, a ponto de colocarse em segundo plano a segurança, que é o objetivo maior de uma Lei Básica, especialmente no embate cidadão/Estado, quando as forças em jogo exsurgem em descompasso”. Finalmente, reportome ao Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. 'In verbis': Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe18/5/2009). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Pelas razões expostas, tenho que os 'bônus' pagos aos segurados empregados e ou dirigentes é um evento possível de ocorrer, consubstanciados a vários fatores, não podendo ser considerado verba remuneratória, eis que não é suficiente somente o trabalho, mas, sobretudo o resultado, de caráter esporádico e eventual e, previsto em acordo coletivo de trabalho, não estando assim demonstrado o fato gerador para o lançamento da contribuição previdenciária incidente sobre salário educação. Com razão a REcorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que o Recurso aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para no mérito DAR PROVIMENTO ao Recurso. É como voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 19515.001221/2004-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2001, 2002, 2003
BENEFÍCIO FISCAL DE ALÍQUOTA ZERO DO IMPOSTO INCIDENTE SOBRE JUROS REMETIDOS AO EXTERIOR. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS NO FINANCIAMENTO DAS EXPORTAÇÕES.
O preenchimento dos requisitos estabelecidos pelo BACEN são necessários à fruição do benefício de alíquota zero mas não são suficientes, estando as empresas exportadoras sujeitas a procedimentos de fiscalização da RFB, à qual cabe a tarefa de homologar ou não o enquadramento do caso concreto à hipótese normativa prevista em lei para, no presente caso, aplicar a alíquota zero ao IRRF.
O gozo do benefício da alíquota reduzida não se restringe somente àquelas exportadoras que tenham produzido a mercadoria a ser enviada para o exterior.
Por certo, uma empresa não produtora, que atue apenas na fase comercial das exportações, também poderia, em princípio, gozar do benefício fiscal em tela. Para tanto, assim como as empresas produtoras, deve efetivamente aplicar - comprovadamente - os recursos no financiamento às exportações.
Como se percebe dos autos, os aludidos recursos financeiros foram internados em 26 de maio de 2000 e os embarques iniciaram-se no mês de Maio de 2002, dois anos após a entrada dos recursos referentes à operação de antecipação de recursos para exportação. Como bem apontou a fiscalização, o descasamento entre o momento da internalização dos recursos e as datas de embarques gerou saldo de caixa na Sul Geradora, que foi utilizado para liquidar mútuos da sua controladora RGE, via contrato de mútuo.
A comprovação da efetiva aplicação dos recursos no financiamento às exportações não se dá com o mero embarque dos produtos
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9202-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Fez sustentação oral a Dra. Luciana Rosanova, OAB/SP nº 109.787, advogada do contribuinte.
Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente à época da formalização
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designada AD HOC para formalização do voto vencedor.
EDITADO EM: 28/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS NO FINANCIAMENTO DAS EXPORTAÇÕES. O preenchimento dos requisitos estabelecidos pelo BACEN são necessários à fruição do benefício de alíquota zero mas não são suficientes, estando as empresas exportadoras sujeitas a procedimentos de fiscalização da RFB, à qual cabe a tarefa de homologar ou não o enquadramento do caso concreto à hipótese normativa prevista em lei para, no presente caso, aplicar a alíquota zero ao IRRF. O gozo do benefício da alíquota reduzida não se restringe somente àquelas exportadoras que tenham produzido a mercadoria a ser enviada para o exterior. Por certo, uma empresa não produtora, que atue apenas na fase comercial das exportações, também poderia, em princípio, gozar do benefício fiscal em tela. Para tanto, assim como as empresas produtoras, deve efetivamente aplicar comprovadamente os recursos no financiamento às exportações. Como se percebe dos autos, os aludidos recursos financeiros foram internados em 26 de maio de 2000 e os embarques iniciaramse no mês de Maio de 2002, dois anos após a entrada dos recursos referentes à operação de antecipação de recursos para exportação. Como bem apontou a fiscalização, o descasamento entre o momento da internalização dos recursos e as datas de embarques gerou saldo de caixa na Sul Geradora, que foi utilizado para liquidar mútuos da sua controladora RGE, via contrato de mútuo. A comprovação da efetiva aplicação dos recursos no financiamento às exportações não se dá com o mero embarque dos produtos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 21 /2 00 4- 65 Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fez sustentação oral a Dra. Luciana Rosanova, OAB/SP nº 109.787, advogada do contribuinte. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente à época da formalização (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignada AD HOC para formalização do voto vencedor. EDITADO EM: 28/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.001221/200465 Acórdão n.º 9202003.487 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 3401 00.086, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção em 01 de junho de 2009, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO DESCRIÇÃO DOS FATOS Não há que se falar em falta de descrição dos fatos que deram origem ao lançamento se o Relatório de Ação Fiscal, parte integrante do auto de infração, descreve exaustivamente todas os fatos que culminaram na autuação, nele sendo indicadas, detalhadamente, todas as providências adotadas na ação fiscal, com a elaboração de demonstrativos em que são enumeradas e quantificadas todas as ocorrências verificadas relacionadas às situações que deram origem ao fato gerador da obrigação tributária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Precedentes da CSRF/MF. IRF JUROS RELATIVOS A CRÉDITOS OBTIDOS NO EXTERIOR DESTINADOS AO FINANCIAMENTO DE EXPORTAÇÕES Nos dispositivos legais que regem a matéria não há determinação qualquer que balize a forma como devem ser utilizados os recursos ingressados no país por meio do empréstimo para financiamento à exportação, enquanto aquela não se efetive. A exportação de mercadorias adquiridas do produtor não descaracteriza o escopo do mútuo tomado. O objetivo do incentivo à produção de bens para exportar se veria plenamente atendido, vez que a empresa produtora empreendeu a venda das mercadorias, com o conseqüente incentivo ao incremento da produção. Preliminares rejeitadas. Recurso provido.” Afirma que o acórdão recorrido contrariou os arts. 1º, XI da Lei n° 9.481/97 e 9º da Lei n° 9.779/99. Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Diz ser um fato incontroverso que os recursos recebidos em virtude do empréstimo celebrado não foram utilizados para o financiamento de exportações. Entende que em nenhuma oportunidade a contribuinte apresentou sequer arremedo da documentação prevista legalmente como comprobatória da destinação dos recursos mutuados em apreço. Pelo contrário, repetiu as alegações trazidas na impugnação e anteriormente refutadas. Nota que a contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito à fruição do benefício em tela, nos termos do art. 333,1, do CPC. Explica que a autoridade autuante comprovou e a contribuinte confessou que os recursos recebidos em virtude do empréstimo celebrado não foram utilizados para financiamento à exportação durante os dois primeiros anos depois do seu ingresso no país, pois se destinaram à liquidação de contratos de mútuo celebrados por sua controladora RGE com outras pessoas jurídicas. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 2200.060/2011, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Refuta o argumento de litigância de máfé aduzido pela Fazenda Nacional. Diz ser incontroverso no presente caso que os recursos obtidos pela recorrida não foram utilizados na produção das mercadorias exportadas, o que não se confunde com a não utilização dos recursos para financiamento das suas exportações. Afirma que a legislação que trata das operações de prépagamento de exportações não obriga a aplicação prévia dos recursos na produção dos produtos exportados, que poderiam até ser utilizados para amparar exportações de outras empresas do mesmo grupo econômico. Entende que a alocação dos recursos não deve servir de parâmetro para julgar se o contribuinte faz jus ou não à alíquota zero de IRF. Pondera que as notas fiscais, os registros no SISCOMEX, os boletins de embarque e os registros de operação de câmbio comprovam que as exportações foram efetivamente realizadas pela recorrida e que os recursos captados no exterior foram empregados na exportação de produtos. Frisa que as operações realizadas foram fiscalizadas e autorizadas pelo BACEN, que atestou a legitimidade da operação de prépagamento de exportação. Ao final, requer o não provimento do recurso interposto pela PGFN. Eis o breve relatório. Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.001221/200465 Acórdão n.º 9202003.487 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignada AD HOC para formalização do voto vencedor. Pelo fato de o ConselheiroRedator Elias Sampaio Freire ter se aposentado antes da formalização do presente acórdão, eu, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nomeada para formalização reproduzo na integra, a seguir, o voto por ele apresentado na sessão. Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Examinandose o recurso especial apresentado com supedâneo no inciso I, verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, especificando haver, no entendimento da Fazenda Nacional, contrariedade aos arts. 1º, XI da Lei n° 9.481/97 e 9º da Lei n° 9.779/99, consoante o disposto no inciso I do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Os elementos que embasaram a autuação estão circunstanciados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 712 a 719), como a seguir transcrito: DA OPERAÇÃO 1 A Sul Geradora Participações S/A é uma subsidiária integral da RIO GRANDE ENERGIA S/A (RGE), CNPJ nº 02.016.439/000138, o estatuto social da atual Sul Geradora define o objeto social da companhia como "a participação no capital de outras sociedades e o exercício de atividade como importação, exportação e comércio de produtos agrícolas ". 2 A Sul Geradora Participações, empresa importadora e exportadora, em 24/05/2000, firmou contrato com a Cargill Agrícola S/A Turks and Caicos Branch, onde foi acordada a venda a termo, para entrega futura, de US$ 190.000.000,00 (cento e noventa milhões de dólares americanos) em produtos brasileiros, quais sejam: suco de laranja, soja a granel, café, cacau e outros subprodutos (contrato ás fls. 102, vol. 02). Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 3 Na mesma data foi assinado Contrato de Compra e Venda de Mercadorias para Exportação e Outras Avenças, nº 66/99/00, com a Cargill Agrícola S/A (Cargill Brasil), prevendo o pagamento de uma comissão à mesma, sob o custo dos produtos (contrato às fls. 143, vol. 02). 4 De posse dos contratos de compra e venda acima citados, a Sul Geradora Participações obteve, em 24/05/2000, um adiantamento de recursos de US$ 190.000.000,00 (cento e noventa milhões de dólares americanos) numa operação de pagamento antecipado de exportação, junto ao Bank Boston, N.A., filial localizada em Charlotte House, P.O. Box 4294, Nassau, N.P., Bahamas, na modalidade de "trade finance ". 5 A operação da Sul Geradora foi aprovada e registrada junto ao BACEN, conforme certificado de autorização de nº 214/00616, de 12/05/2000, e aditivo nº 01, de 25/03/2002, às f3s, 17, vol. 03. 6 — A operação financeira prevê pagamentos de juros de 2,25% ao ano mais Libor. 7 — As garantias dessa operação financeira foram prestadas em forma de fiança bancária com o custo para a Sul Geradora. 8 — Trimestralmente, a Sul Geradora Participações realiza o pagamento de juros ao Bank Boston no exterior e dos custos da fiança no Brasil, bem como a comissão devida à Cargill Brasil. 9 nas datas pactuadas para o embarque a Cargill Brasil entrega as mercadorias contra o pagamento da Sul Geradora Participações, que remete as mercadorias á Cargill no exterior, sendo que essa paga ao banco no exterior, quitando assim o adiantamento recebido pela Sul Geradora. Todos os embarques efetuados pela Sul Geradora Participações estão devidamente registrados no SISCOMEX, conforme anexos às fls. 109, vol. 03. 10 Os recursos contratados pela Sul Geradora junto ao Bank Boston estão condicionados á obrigatoriedade de embarque nos seguintes períodos: i) de 1º a 31 de maio de 2002 ii) de 1º a 30 de junho de 2002 iii) de 1º a 31 de julho de 2002 iv) de 1º a 31 de maio de 2003 v) de 1º a 30 de junho de 2003 vi) de 1ºa 31 de julho de 2003 vii) de 1º a 31 de maio de 2004 viii) de 1º a 30 de junho de 2004 ix) de Io a 31 de julho de 2004 x) de 1° a 31 de maio de 2005 Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.001221/200465 Acórdão n.º 9202003.487 CSRFT2 Fl. 5 7 xi) de 1º a 30 de junho de 2005 xii) de 1º a 31 de julho de 2005 11 — Estes recursos foram internados em 26 de maio de 2000 e creditados na mesma data na contacorrente da Sul Geradora Participações, disponível no Bank Boston, agência São Paulo Libero, contacorrente nº 20.6381.06 (fls. 07, vol. 01). 12 Os embarques iniciaramse no mês de Maio de 2002, dois anos após a entrada dos recursos referentes à operação de antecipação de recursos para exportação. 13 o descasamento entre o momento da internalização dos recursos e as datas de embarques gerou saldo de caixa na Sul Geradora, que foi utilizado para liquidar mútuos da sua controladora RGE, via contrato de mútuo. 14 A RGE, por sua vez, utilizou os recursos para pagamento de contratos de mútuo que mantinha junto aos acionistas (Serra da Mesa Energia S/A, fls. 205, vol. 02, 521 Participações S/A, fls. 171, 1 vol. 02 e Ipê Energia S/A, fls. 188, vol. 02) contratos estes existentes '' desde 1998. 15 — A operacionalização dessa transação deuse pela transferência dos Direitos dos Contratos de Mútuos mantidos junto aos acionistas, da RGE para a Sul Geradora, em 26 de maio de 2000, mediante a celebração de Instrumento particular de Cessão de Contrato de Mútuo. Desta forma a posição atualizada, em 26/05/2000, dos contratos de mútuo junto aos acionistas da RGE foi liquidada pela Sul Geradora em favor da RGE, passando a Sul Geradora, por meio desta referida cessão de contratos de mútuo (fls. 181, 198 e 215 do volume 02). 16 Tais contratos de mútuo entre a RGE e Sul Geradora passam a ser pagos e baixados á medida da necessidade financeira da Sul Geradora para liquidação de seus compromissos, quais sejam, aqueles relacionados ao pagamento das mercadorias destinadas à exportação, juros do adiantamento dos recursos para exportação e comissões. DOS FATOS (...) 8Diante dos livros , documentos e planilhas apresentados restou claro que as partesSUL GERADORA e RGE tiveram por objetivo,proporcionar capital de giro para a concessionária RGE via SUL GERADORA ,recursos esses de propriedade do BankBoston e que deverão ser restituídos com encargos. Mas para isso não recorreram formalmente ao mútuo ,mas à outra operação (pagamento antecipado da exportação) onde se alcança o mesmo resultado prático. O pagamento antecipado de exportações estaria trazendo três vantagens significativas, a saber: prazo longo , juros menores e benefício fiscal ao contrário do mútuo simples, que iria onerar a companhia. Ou Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 seja, ao invés de simplesmente tomar um empréstimo no Brasil ou no exterior, optou por uma transação mais complexa onde obteve os recursos de que necessitava a custos menores pois não houve o pagamento dos impostos devidos. Tratase a nosso ver, de negócio indireto, as partes recorrem a um determinado negócio jurídico, mas o escopo prático visado não é afinal , o normalmente realizado através do negócio adotado,mas um escopo diverso. E no nosso caso resulta em não pagamento de impostos. 9 Para avaliar se a SUL GERADORA podia ou não realizar uma compra de bem e exportálo , devemos analisar o problema pela substância do negócio que as partes realizaram.O objetivo da SUL GERADORA não é a compra do bem e a sua exportação e sim tomar recursos emprestados e repassálos para a RGE. 10 Na realidade podese concluir que o negócio em análise foi feito não com base na empresa SUL GERADORA , empresa esta que até o exercício de 1999 constava em nossos registros como inativa,e sim com base no aval da RGE ,uma empresa concessionária de energia , que tem sua sede no Rio Grande do Sul . 11 A SUL GERADORA é uma empresa que foi constituída em 18/08/98 como SUL GERADORA PARTICIPAÇÕES LTDA , com sede na rua. do Carmo n.7 , 9.andar na cidade do Rio de Janeiro , tendo como objeto a participação em outras sociedades ,como acionista , quotista ou sob qualquer outra forma de participação e tendo como sócios quotistas: (...) o estatuto social foi alterado em abril de 2000 para atender às necessidades de obtenção de recursos para a RGE porque até então a SUL GERADORA constava como inativa. 12 Em 05/04/2000 as empresas PSEG PARTICIPAÇÕES S/A (atual denominação social de CEA RIO GRANDE S/A) ,521 PARTICIPAÇÕES S/A , SERRA DA MESA ENERGIA S/A,cedem e transferem as suas quotas do capital social para a empresa RIO GRANDE ENERGIA S/A,passando a ser neste ato a SUL GERADORA convertida em subsidiária integral, tendo como única cotista a sociedade RIO GRANDE ENERGIA S/A. Nesta mesma data foi alterado o objeto da empresa passando a ter como objeto principal a participação no capital de outras sociedade , como acionista ,quotista ou sob qualquer outra forma de participação.A sociedade poderá também exercer atividades como a importação,exportação e comercialização de produtos agrícolas , tais como , mas não exclusivamente , citros, café , cacau e soja. Foi transformada em sociedade anônima e o endereço foi alterado do Rio de Janeiro para São Paulo à av. Eng. Luis Carlos Berrini, 1297 , 13. andar , parte. 13 A estrutura do negócio jurídico utilizou uma subsidiária integral , a SUL GERADORA com o objeto de uma "trading company" para fazer com que os recursos chegassem à Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.001221/200465 Acórdão n.º 9202003.487 CSRFT2 Fl. 6 9 RGE.Uma das características de uma "trade company" é se beneficiar de incentivos fiscais decorrentes do fato de ser exportadora.Como vimos exaustivamente nos itens anteriores, a SUL GERADORA só modificou o seu estatuto social com o propósito específico de realizar o negócio de pagamento antecipado de exportações acima descrito e carrear os recursos para a RGE. 14Na tabela em anexo ,às fls 109 , consta as datas ,o valor do montante de juros remetidos para o exterior na operação de antecipação de exportação ,o valor do IRRF devido à alíquota de 25%,a página e o numero do Livro Diário onde se encontra escriturado tais valores. DO DIREITO (...) Como pudemos depreender do acima exposto a empresa em tela obteve recursos provenientes do exterior numa operação de antecipação de recursos para exportação, com uma defasagem de dois anos entre o recebimento dos recursos (cento e noventa milhões de dólares americanos equivalentes na época a R$ 351.818.060,00) e o início da exportação,e grande parte deste montante obtido foi utilizado no pagamento de mútuos da controladora da "SUL GERADORA" , a "RGE" ,ficando a "SUL GERADORA " credora da "RGE" do valor de R$ 321.148.250,09 em 26/05/00. Claro está que durante os dois primeiros anos a totalidade dos recursos obtidos não foram utilizados para a exportação e mesmo depois , a controladora só vai liberando os recursos a medida em que são realizados os embarques especifica dos no item 10 DA OPERAÇÃO deste termo ,ficando até o último embarque que se realizará no período de 1º. a 31 de julho de 2005 , de posse do montante percebido a titulo de contratos de empréstimo "trade finance". Portanto entendo que todas as remessas de juros correspondentes à parcela dos recursos relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações, não aplicada no financiamento de exportações brasileiras , nos dos dois primeiros anos (de maio de 2000 a maio de 2002), incidirá o imposto de renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento|), de acordo com a legislação vigente. Em suma, a recorrida tomara aquele crédito junto ao Bank Boston N.A., localizado em Nassau, Bahamas, com o objetivo de financiamento à exportação de mercadorias ao exterior, e, durante o período de préembarque utilizara parte daqueles recursos para contratar mútuos com a empresa Rio Grande Energia S/A (RGE), de quem é subsidiária integral. Entretanto, entendeu a fiscalização que tal fato seria capaz de descaracterizar a operação, na parte dos valores mutuados à RGE, pois estaria em desacordo com as determinações do artigo 1º , XI, da Lei n° 9.481, de 13/08/1997, por isto, cabível a tributação do IRF, à alíquota de 25%, com a imposição incidindo nas datas das remessas dos juros ao Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 exterior, decorrentes do adiantamento para exportação, cujos envios se deram no lapso temporal em que a Sul Geradora Participações S/A contratara os mútuos com a RGE. Por seu turno, o acórdão recorrido deu provimento ao recurso com fulcro nos seguintes argumentos: Assim, o que se tem a analisar é se, quando a Sul Geradora efetuara a operação de empréstimo à RGE de parte do montante que obtivera com o fim de financiamento à exportação, houvera retirado aquela característica da forma de obtenção de recursos no exterior. Entretanto, entendo que, antes, há que se tecerem algumas considerações. É certo que as mercadorias exportadas pela Sul Geradora não foram objeto de produção própria. A empresa adquiriu os produtos para exportação da Cargill Agrícola S/A. Dessarte, há que se averiguar se tal operação descaracteriza a finalidade do mútuo obtido no exterior. Predica o artigo 1º, XI, da Lei n° 9.481, de 13/08/1997, que a remessa de juros e comissões ao exterior, para gozarem do benefício da alíquota zero, dever ser relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações. Não há na norma legal a exigência de que os produtos exportados sejam de produção própria do tomador do mútuo. E, especialmente na seara tributária, o que a lei não determina é defeso ao intérprete exigir, vez que a legalidade restrita é a própria essência da tributação. Todo ato administrativo tributário deve se respaldar em norma legal, nos termos do artigo 150, I, da Constituição Federal de 1988. Assim, ninguém pode ser obrigado a pagar tributo ou a cumprir dever instrumental tributário que não tenha sido respaldado em lei, através da pessoa política competente. Sob este pórtico, a lei não deve apenas prever a exigência do tributo, mas deve determinar também seus elementos fundamentais, vinculando a atuação da Fazenda Pública e circunscrevendo, ao máximo o âmbito de discricionariedade do agente administrativo. Neste sentido, concessa venia, dos que entendem que a exportação de mercadoria adquiridas do produtor para exportação desvirtuaria o escopo da lei, entendo que, tal operação não descaracteriza o objeto do mútuo tomado com o fim de adiantamento daquela exportação. O objetivo do incentivo à produção de bens para exportar se veria plenamente atendido, vez que a empresa produtora empreendeu a venda das mercadorias, com o conseqüente incentivo ao incremento da produção. A exigência determinada pela Portaria MF n° 70, de 1997, conforme inscrito no seu artigo 1º, § 2º, limitase à "comprovação a que se refere o inciso V, pelo banco Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.001221/200465 Acórdão n.º 9202003.487 CSRFT2 Fl. 7 11 autorizado a operar em câmbio, será efetuada mediante confronto dos pertinentes saldos contábeis diários, observadas normas específicas, expedidas pelo Banco Central do Brasil" Não está expressa a deliberação de que o gozo do benefício da alíquota reduzida restrinjase somente àquelas exportadoras que tenham produzido a mercadoria a ser enviada para o exterior. De outra banda, há que se ressaltar que o lançamento em questão abrange apenas os juros remetidos ao exterior no período que antecede à exportação das mercadorias, e, baseandose no fato de que a Sul Geradora efetuara mútuos à controladora RGE, no período anterior à remessa dos produtos. Ora, não há nos dispositivos legais que regem a matéria determinação qualquer que balize a forma como devem ser utilizados os recursos ingressados no país por meio do empréstimo para financiamento à exportação, enquanto aquela não se efetive. Forte no exposto, entendemos indevida a exação, porque somos pelo provimento do recurso voluntário apresentado. A aplicação do benefício de "alíquota zero" para juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações encontrava decorre de disciplina contida na Lei nº 9.481, de 1997 ( decorrente da Medida Provisória n°1.563, de 31 de dezembro de 1996), com a seguinte redação à época dos fatos geradores: "Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) (...) XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações. (...) Parágrafo único. Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI, deverão ser observadas as condições, formas e prazos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda." Regulamentando a questão da alíquota zero para juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações, o artigo 691 do RIR/99 dispõe o que se segue: “Art. 691. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida a zero, nas seguintes hipótese (Lei nº 9.481, de 1997, art. 1º, e Lei nº 9.532, de 1997, art.20): (...) Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações. § 1º Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI, deverão ser observadas as condições, formas e prazos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda (Lei nº 9.481, de 1997, art. 1º, § 1º, e Medida Provisória nº 1.75316, de 1999, art. 11).” Regulamentando as condições, formas e prazos para fruição do beneficio, na forma do art. 1°, § único, da Lei n° 9.481/97, o Ministro da Fazenda fez editar a Portaria n° 70/97, que a seguir se transcreve excertos para aclarar a controvérsia em debate: "Art. 1º Para efeito do beneficio da alíquota zero do imposto de renda incidente nas remessas para beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, nas hipóteses dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI do art. 1° da Medida Provisória n° 1.563, de 1996, devem ser atendidos os seguintes requisitos: (...) V — nos pagamentos de juros de descontos, no exterior, de cambiais de exportação e as comissões de banqueiros inerentes a essas cambiais, bem assim de juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações: tenham sido os recursos, comprovadamente, aplicados no financiamento de exportações brasileiras. (...) §2° A comprovação a que se refere o inciso V, pelo banco autorizado a operar em câmbio, será efetuada mediante confronto dos pertinentes saldos contábeis diários, observadas normas específicas, expedidas pelo Banco Central do Brasil." Por seu turno, o art. 9° da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que determinava a aplicação da alíquota de 25% do IRRF no caso de o empréstimo não ser aplicado no financiamento de exportações, in verbis: "Art.9º Os juros e comissões correspondentes à parcela dos créditos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei te 9.481, de 1997, não aplicada no financiamento de exportações, sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à animosa de vinte e cinco por cento." A leitura dos dispositivos transcritos deixa claro que a competência para a fixação dos requisitos ao benefício da alíquota zero é do Ministro de Estado da Fazenda, que o fez com a edição da Portaria MF nº 70/97. O único requisito nela estabelecido é que os recursos sejam comprovadamente aplicados no financiamento de exportações brasileiras. A norma contida no § 2º do artigo 1º da referida portaria estabelece a forma como as instituições financeiras intermediadoras das remessas devem comprovar a aplicação no financiamento de exportações brasileiras, formalidade auxiliar no sentido de prevenir eventuais fraudes. As normas específicas emanadas do BACEN têm por objetivo, portanto, regular o aspecto financeiro das operações, para fins de controle e prevenção de fraudes. Desprovido de competência para fiscalizar as atividades produtivas e comerciais das empresas exportadoras, o Bacen limitase a editar resoluções e fiscalizar os Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.001221/200465 Acórdão n.º 9202003.487 CSRFT2 Fl. 8 13 aspectos formais da operação e, uma vez obtidos os competentes registros e averbadas as exportações, presumese que os recursos tenham sido aplicados no financiamento às exportações. A preocupação do Bacen na prevenção de fraudes é de amplo conhecimento de todos os que lidam direta ou indiretamente com o mercado bancário e pode ser observado em breve trecho de difundida obra de Eduardo Fortuna: “A diferença entre o ingresso de dólares no país e o efetivo embarque de mercadoria para o exterior, envolvendo recursos não só do prépagamento mas também dos ACC, é conhecida no jargão de mercado como “jacaré” e é um fato que o BC tem, permanentemente, a preocupação de evitar, pois, na realidade, representa o volume de dólares que entram no País via exportadores, com intuito meramente especulativo de aproveitar as diferenças entre os juros reais em moeda nacional e o juro externo.” (Mercado Financeiro, 13ª ed., Rio Janeiro, Qualitymark, 1999, p. 263) A regulação e fiscalização do BACEN restringemse, dessa forma, aos aspectos financeiros da operação e ao mero encontro de contas entre os recursos que ingressaram no país e os produtos exportados, essenciais para um controle efetivo do endividamento externo. Verificada qualquer irregularidade prevista em suas Cartas Circulares, o BACN deve reclassificar a operação em seus controles e representar à RFB para que sejam examinados os aspectos fiscais da operação. Dessarte, não há deslocamento para o BACEN do poder fiscalizatório exercido pela RFB. Competirá sempre a esta, a posteriori, a auditoria das contas das empresas no sentido de homologar o procedimento adotado ou autuála nas eventuais irregularidades que tenha praticado. Dito de outra forma, o preenchimento dos requisitos estabelecidos pelo BACEN são necessários à fruição do benefício de alíquota zero mas não são suficientes, estando as empresas exportadoras sujeitas a procedimentos de fiscalização da RFB, à qual cabe a tarefa de homologar ou não o enquadramento do caso concreto à hipótese normativa prevista em lei para, no presente caso, aplicar a alíquota zero ao IRRF. Destaco, ainda, que são válidas e consideradas para fins de prova no âmbito do processo administrativo tributário conclusões do Banco Central do Brasil acerca da regularidade das operações de câmbio realizadas. Entretanto, entendo que cada entidade e/ou órgão da esfera federal tem atividades especificas, não sendo da competência do BACEN, mas sim da RFB, pronunciarse sobre os efeitos tributários decorrentes das operações em comento. Portanto, firmada a primeira conclusão, de que o cumprimento das normas do BACEN não garante, por si só, o gozo no benefício fiscal da alíquota zero. Passase, então, ao examine da operação realizada, que no entender da recorrida está sujeita à alíquota zero. O que é contestado pela recorrente. Outra questão a ser enfrentada, diz respeito a possibilidade de uma empresa exportadora não produtora beneficiarse do benefício da alíquota zero de IRRF para juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Concordo com o argumento contido no acórdão recorrido, no sentido de que o gozo do benefício da alíquota reduzida não se restringe somente àquelas exportadoras que tenham produzido a mercadoria a ser enviada para o exterior. Por certo, uma empresa não produtora, que atue apenas na fase comercial das exportações, também poderia, em princípio, gozar do benefício fiscal em tela. Para tanto, assim como as empresas produtoras, deve efetivamente aplicar comprovadamente os recursos no financiamento às exportações. O contribuinte advoga que o empréstimo bancário em comento foi destinado ao financiamento de exportações, com a modalidade de empréstimo denominado pré pagamento de exportação (ou pagamento antecipado de exportação), devendo as remessas de juros ao exterior não sofrerem a incidência do IRRF, na forma do art. 1º, XI, da Lei n° 9.481/97. O prépagamento de exportação (pagamento antecipado de exportação) é um financiamento ao exportador na fase préembarque, cujos recursos são obtidos por meio de captação em instituições financeiras no exterior e que tem a finalidade de viabilizar a produção dos bens destinados à exportação, com as seguintes características: • obtenção de recursos de longo prazo (acima de 360 dias), na fase pré embarque, para o financiamento do processo produtivo, visando à exportação; • taxas de juros praticadas no mercado internacional inferiores às internas; • a remessa de juros isenta de pagamento de imposto de renda; • a parcela do principal é obrigatoriamente liquidada com a exportação de mercadorias. Há a possibilidade de liquidação da parcela de juros com a remessa de mercadorias ou transferência financeira; • exportador recebe à vista uma exportação a prazo; • obtenção de recursos de longo prazo para produção na fase préembarque com custo inferiores aos praticados no mercado interno; • flexibilidade nas condições de pagamento (principal e juros). Como se percebe dos autos, os aludidos recursos financeiros foram internados em 26 de maio de 2000 e os embarques iniciaramse no mês de Maio de 2002, dois anos após a entrada dos recursos referentes à operação de antecipação de recursos para exportação. Como bem apontou a fiscalização, o descasamento entre o momento da internalização dos recursos e as datas de embarques gerou saldo de caixa na Sul Geradora, que foi utilizado para liquidar mútuos da sua controladora RGE, via contrato de mútuo. A Cargill Agrícola S/A produziu os bens exportáveis com recursos diferentes dos tomados no exterior pelo recorrido. Disso, não há qualquer dúvida. Produzido os bens exportáveis, vendeu as performances de exportação ao recorrido. O recorrido, de outra banda, tinha se beneficiado, pois auferira os benefícios de um empréstimo externo direcionado ao financiamento de exportações, sem cumprir o ditame legal de empregar os recursos no financiamento de bens exportáveis, com a incidência do IRRF à alíquota zero sobre as remessas dos juros. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.001221/200465 Acórdão n.º 9202003.487 CSRFT2 Fl. 9 15 Como já dito, o crédito externo deveria financiar o exportador brasileiro na fase préembarque, com a finalidade de viabilizar a produção dos bens destinados à exportação. Inegavelmente, isto não ocorreu. Em essência, toda a operação foi realizada para permitir a obtenção de um benefício fiscal, sem necessidade de cumprimento do direcionamento definido em lei. A prosperar a tese da recorrida, todas as empresas não exportadoras que tivessem limite de crédito junto à banca nacional e internacional poderiam se albergar na benesse do art. 1°, XI, da Lei n° 9.481/97, contratando empréstimos externos vinculados a exportações futuras de bens produzidos por terceiros. Na data aprazada, comprariam as performances de exportação, exportariam os produtos produzidos pelos terceiros, efetuando o pagamento dos juros do financiamento sujeitos à aplicação da alíquota zero para o IRRF. Ademais, entendo que a comprovação da efetiva aplicação dos recursos no financiamento às exportações não se dá com o mero embarque dos produtos, como pretende a recorrida. Os questionamentos do contribuinte acerca da abusividade da multa e dos juros aplicados, envolvem discussão de constitucionalidade de lei tributária e estão em dissonância o que dispõem as Súmulas CARF nº 2 e nº 4: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." "Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignada AD HOC Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13962.000049/2003-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. PRESCRIÇÃO.
O termo inicial do prazo de prescrição para solicitação de crédito presumido do IPI, em espécie, como ressarcimento do PIS/PASEP e COFINS, para os anos-calendários de 1995 e 1996 era a data de encerramento do balanço anual. A partir do período de apuração janeiro de 1997, passou a ser a data do encerramento do trimestre-calendário em que ocorrer saldo remanescente passível de ser ressarcido.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Rodrigo, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama Deça.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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COM. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. PRESCRIÇÃO. O termo inicial do prazo de prescrição para solicitação de crédito presumido do IPI, em espécie, como ressarcimento do PIS/PASEP e COFINS, para os anoscalendários de 1995 e 1996 era a data de encerramento do balanço anual. A partir do período de apuração janeiro de 1997, passou a ser a data do encerramento do trimestrecalendário em que ocorrer saldo remanescente passível de ser ressarcido. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Rodrigo, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama D’eça. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 00 49 /2 00 3- 97 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13962.000049/200397 Acórdão n.º 3101001.832 S3C1T1 Fl. 32 2 Por bem relatar, adotase o Relatório dos autos emanados da decisão da DRJ/RPO, por meio do voto da relatora Marcela Cheffer Bianchini, nos seguintes termos: “Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que deferiu integralmente o pedido de ressarcimento original, não aceitou o pedido de ressarcimento retificador e homologou a compensação solicitada somente no limite do crédito reconhecido, já que esta compensação fora efetivada com crédito inferior ao débito. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363 de 1996, e a Portaria MF nº 38/97, no valor de R$ 312.948,67 e sua compensa com débitos próprios e posteriormente apresentou documento pretendendo alterar a forma de apuração de seu crédito pela Lei n° 10.276/2001 (apuração alternativa) e seu montante. A DRF de origem indeferiu o PEDIDO DE ALTERAÇÃO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO de fls. 403/404 e RECONHECEU a aplicação do art. 74, §5º à Declaração de Compensação, no limite em que este crédito de R$ 312.948,67 a suporta, DETERMINANDO A COBRANÇA do valor de RS 70.551,27, acrescido de multa moratória e juros, que resulta da parte da referida Declaração de Compensação no suportada pelo SALDO do credito tempestivamente requerido. Regularmente cientificada do despacho decisório a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual fez as seguintes considerações: 1 Em 03/02/2003 a Recorrente formalizou perante a Secretaria da Receita Federal o Pedido de Ressarcimento do crédito apurado e informou a compensação do valor total do crédito, com débitos vencidos. Ocorre que, em 21/12/2007, a Contribuinte verificou que deixou de incluir na base de cálculo do Crédito Presumido do IPI, alguns valores. Os cálculos informados originalmente foram retificados e adequados a Lei n° 10.276/2001 incluindo na base de cálculo os custos relativos a matériasprimas, materiais secundários e material de embalagem; fretes sobre a aquisição de matériasprimas; energia elétrica; e industrialização por encomenda. 2. A alegação da Fazenda é de que, entre o período de 01/07/2002, data do término do período de apuração do 2° trimestre de 2002 e a data da retificação do pedido de ressarcimento, 21/12/2007, transcorreuse mais de 5 (cinco) anos, sendo alcançado pela decadência o direito da Recorrente em pleitear a alteração do Pedido de Ressarcimento. Consoante citado pela Autoridade Administrativa em seu Parecer, o Decreto n° 20.910, de 06/01/02, prevê em seu art. 1º, que as dívidas da União prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. A Recorrente não se irresigna quanto ao prazo prescricional de cinco anos para pleitear o ressarcimento, mas quanto ao tratamento que a Fazenda está dando ao fato. A Autoridade Fiscal considera que a Contribuinte efetuou uma nova apuração do Crédito Presumido do IPI do 2° trimestre de 2002 e transmitiu novo Pedido de Ressarcimento, mas na verdade, não houve apuração nova ou Pedido de Ressarcimento novo, o que houve foi apenas uma retificação do pedido realizado em 03/02/2003 e ainda não Fl. 555DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13962.000049/200397 Acórdão n.º 3101001.832 S3C1T1 Fl. 33 3 analisado. O fato que deu origem a alteração do Pedido de Ressarcimento do Crédito Presumido do IPI foi o próprio pedido.O prazo prescricional para a realização da retificação começou a correr a partir da data do protocolo desse pedido, ou seja, 03/02/2003, e se extinguiu em 03/02/2008. Portanto a Contribuinte efetuou a retificação dentro do período em que lhe era permitido. Mesmo que fosse o caso de nova apuração do Crédito Presumido, o que se admite apenas para argumentar, ainda não haveria que se falar em decadência, pois o crédito presumido somente pode ser apurado após o trimestre. 3. A cobrança da Autoridade Fiscal não pode prosperar, eis que o crédito apurado e reconhecido foi suficiente para amparar as compensações preconizadas pela Contribuinte. Dentre as modalidades de extinção do crédito tributário, o artigo 156 do Código Tributário Nacional (CTN), elenca as hipóteses de decadência e prescrição. Se o lançamento não é efetuado no prazo da Lei, ou se o lançamento contém vícios que o tornam nulo, o direito de constituir o crédito desaparece ou se extingue. Os fatos geradores da obrigação de PIS e COFINS em questão ocorreram em setembro e outubro de 2002 e a Declaração de Compensação concernente a tais débitos, foi apresentada em 03/02/2003, portanto a União teria até 03/02/2008 para analisar a declaração, o que não ocorreu, já que a Fazenda veio a se manifestar somente agora, mais de cinco anos e seis meses depois. 4. A compensação dos tributos em questão foi homologada, pois excedeu o prazo quinquenal, sem ter sido analisada, como prevê o art. 74 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996. O que se observa é que decorreu o prazo para a Autoridade Administrativa estar cobrando um suposto valor não quitado em tempo hábil, pois o direito fazendário caiu em decadência. Sendo assim, o Parecer merece reforma quanto à cobrança do valor de R$ 70.551,27, acrescido de multa moratória e juros, tendo em vista ser totalmente indevido pela empresa, ora Recorrente. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº 14.36.522 de traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/ 04/2002 a 30/06/2002 RETIFICAÇÃO DE RESSARCIMENTO. DECISÃO DEFINITIVA. É definitiva a decisão da autoridade administrativa que indeferir a retificação de pedido de ressarcimento. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. A homologação tácita da compensação, disposta no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, referese a encontro de contas entre crédito e débito da contribuinte perante a Fazenda Nacional. O débito que ultrapasse o crédito apresentado para compensação na DCOMP, uma vez confessado pela contribuinte, pode ser cobrado, pois está fora do encontro de contas a que o instituto representa. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13962.000049/200397 Acórdão n.º 3101001.832 S3C1T1 Fl. 34 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF onde alega em síntese o seguinte: I – Fatos; II – Do acordão DRJ/POR nº 1436.522 de 14/02/2010; III – Inocorrência de prescrição na alteração do pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI do 2º semestre de 2002 – a) não houve apuração nova ou pedido de ressarcimento novo, o que houve foi apenas uma retificação do pedido realizado em 03/02/2003 e ainda não analisado; b) o prazo prescricional para a realização da retificação começou a ocorrer a partir da data do protocolo desse pedido, ou seja, 03/02/2003 e se extinguiu em 03/02/2008 – Retificação dentro do prazo; IV – Improcedência do lançamento da COFINS – crédito tributário Extinto pela compensação – Extinção do crédito tributário pela decadência ou pela prescrição – a) a compensação dos tributos em questão foi homologada tacitamente, pois, excedeu o prazo quinquenal, sem ter sido analisada como prevê o artigo 74 da Lei nº 9.430 de 27/12/96. V – Pedido – a) Requer seja julgado procedente o seu recurso para reformar o acordão recorrido, anulando a decisão, determinando o retorno dos autos para análise do mérito, da alteração do Pedido de ressarcimento do Crédito Presumido do IPI do 2º trimestre de 2002 de R$ 342.948,67 para R$ 576.521,23; b) Requer seja cancelada a cobrança do valor de R$ 70.551,27 acrescido de multa e juros, tendo em vista que esse suposto crédito, mesmo que fosse devido está extinto pela prescrição (art. 174 c/c art. 150, § 4º, ambos do CTN e § 5º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96; c) Requer que intimações e atos recaiam na pessoa do subscritor do Recurso Voluntário, evitando prejuízos ao contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. A Recorrente apresentou, em 03/02/2003, a Declaração de compensação de através da qual procurava efetuar a extinção dos seus débitos lá relacionados com a utilização de créditos de IPI do segundo trimestre de 2002, no valor total de R$ R$ 312.948,67. A DRF de origem indeferiu o PEDIDO DE ALTERAÇÃO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO de fls. 403/404 e RECONHECEU a aplicação do art. 74, §5º à Declaração de Compensação, no limite em que este crédito de R$ 312.948,67 a suporta, Fl. 557DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13962.000049/200397 Acórdão n.º 3101001.832 S3C1T1 Fl. 35 5 DETERMINANDO A COBRANÇA do valor de RS 70.551,27, acrescido de multa moratória e juros, que resulta da parte da referida Declaração de Compensação no suportada pelo SALDO do credito tempestivamente requerido. No voto condutor da decisão recorrida, encontramos a afirmação de que: “Dessa forma, independentemente do tratamento dado ao pedido inicial, cuja compensação foi objeto de homologação tácita, o valor excedente do crédito do imposto foi requerido quando já estava prescrito o direito da contribuinte, estando correta a decisão da Unidade de origem”. Aqui, também, por prejudicial ao mérito, deve ser enfrentada, primeiramente, a prescrição do direito ao ressarcimento pretendido. Nessa questão, concordo com a decisão recorrida, O teor do art. 1º do citado Decreto nº 20.910/1932, assim dispõe: “Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originara.” O período de apuração apontado referese ao segundo trimestre de 2002 cujo prazo prescricional, em regra, tem a contagem inicial em 31/07/2002 e a final em 31/07/2007. In casu, o ressarcimento pretendido referese a aquisições efetuadas no segundo trimestre de 2002. A Portaria MF nº 038, de 27/02/1997, dispôs no art. 4º, § 3º, que “No caso de impossibilidade de utilização do crédito presumido na forma do caput ou do § lº, o contribuinte poderá solicitar, à Secretaria da Receita Federal, o seu ressarcimento em moeda corrente.” E no parágrafo seguinte, a forma de apresentar o pedido de ressarcimento: “§ 4º O pedido de ressarcimento será apresentado por trimestrecalendário, em formulário próprio, estabelecido pela Secretaria da Receita Federal.” A obrigação acessória relativa ao ressarcimento em moeda corrente está prevista no art. 6º da mesma Portaria: “Art. 6º A empresa produtora e exportadora beneficiada com o crédito presumido deverá apresentar ao órgão da Secretaria da Receita Federal de seu domicílio fiscal, até o último dia útil dos meses de abril, julho, outubro e janeiro, demonstrativo referente à fruição do benefício nos trimestres encerrados, respectivamente, nos meses de março, junho, setembro e dezembro, imediatamente anteriores. O pedido, apresentado em 21/12/2007, referente ao segundo trimestre de 2002, por via de consequência, encontrase integralmente prescrito, mirando o art. 1º do Decreto nº 20.910/32, ao dispor que: “As dívidas passivas da União (...) prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originara.” Fl. 558DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13962.000049/200397 Acórdão n.º 3101001.832 S3C1T1 Fl. 36 6 Também, entendo que a dívida da União decorrente do direito de gozo de benefício fiscal estabelecido em lei pode ser exercida nos prazos delimitados pelas normas constantes do ordenamento jurídico e a ele inerentes. Tratase de direito de agir, ou seja, de exigir uma prestação, representada pelo crédito presumido do IPI, primeiro pela observância de obrigação acessória estabelecida na legislação do IPI, referente à escrituração do Livro de Apuração do IPI, modelo 8, inerente à própria essência do tributo, compensando o crédito presumido com os débitos porventura escriturados e, no excesso, acionar o órgão competente, no caso a Receita Federal, para cumprir o desiderato legal de ressarcilo. Ou ainda, no caso de impossibilidade de execução do procedimento antes mencionado, requer o ressarcimento do benefício em moeda corrente. Portanto, entendo estar a norma do art. 1º do Decreto nº 20.910/32 reportandose, corretamente, ao instituto da prescrição. Assim, o fato é que não existe mais para a Recorrente o direito de pleitear tais valores junto ao Tesouro Nacional, por tratarse de apuração de valores relativos ao segundo trimestre de 2002, cuja reivindicação somente foi efetuada em 21/12/2007, conforme consta dos autos. Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto Relatora – VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Fl. 559DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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