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Numero do processo: 10768.004738/99-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1993
PDV. VERBAS PAGAS COMO INCENTIVO GERAL À DEMISSÃO VOLUNTÁRIA.
Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário ou Incentivado - PDV/PDI, são tratados como verbas rescisórias especiais de caráter indenizatório, não se sujeitando à incidência do Imposto de Renda. Recurso provido.
Neste sentido, a totalidade dos rendimentos recebidos a título de PDV deve ser deduzida dos rendimentos tributáveis informados em comprovante de rendimentos pagos.
Numero da decisão: 2102-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor de 4.123,69 UFIR.
assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente
assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator
EDITADO EM: 20/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Nubia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Declarou-se impedido o Conselheiro Bernardo Schmidt que participou do julgamento de primeira instância. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Alice Grecchi.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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VERBAS PAGAS COMO INCENTIVO GERAL À DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário ou Incentivado PDV/PDI, são tratados como verbas rescisórias especiais de caráter indenizatório, não se sujeitando à incidência do Imposto de Renda. Recurso provido. Neste sentido, a totalidade dos rendimentos recebidos a título de PDV deve ser deduzida dos rendimentos tributáveis informados em comprovante de rendimentos pagos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor de 4.123,69 UFIR. assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 47 38 /9 9- 13 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 06/07/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10768.004738/9913 Acórdão n.º 2102003.188 S2‐C1T2 Fl. 460 2 assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator EDITADO EM: 20/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Nubia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Declarouse impedido o Conselheiro Bernardo Schmidt que participou do julgamento de primeira instância. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Alice Grecchi. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 170/171v, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 153/156 (cópia completa da decisão acostada às fls. 172/175), que julgou procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo RECORRENTE, para “reconhecer o direito à restituição do saldo explicitado, observada a conversão e atualização devidas segundo legislação aplicável, além da devolução do saldo de imposto a pagar apurado em declaração (fls. 08 e 09)”. Em síntese, o RECORRENTE apresentou, em 18/03/1999, pedido de restituição de imposto de renda na fonte incidente sobre verba recebida no anocalendário 1993 como decorrência de rescisão do contrato de trabalho com PETROBRÁS, sob a alegação de que a importância lhe fora paga em razão de adesão à Programa de Demissão Voluntária – PDV (fl. 02). Em princípio, tanto a DRF quanto a DRJ de origem indeferiram o pleito do RECORRENTE, por entender que estaria decadente o direito de pleitear a referida restituição, conforme decisões de fl. 13 e fls. 24/29, respectivamente. Após análise do Recurso Voluntário primitivo (fls. 31/34), o antigo Conselho de Contribuintes afastou a decadência do direito à restituição do contribuinte e determinou o retorno dos autos à DRF de origem para que se pronunciasse sobre o mérito do pedido (fls. 61/68). Tal decisão foi ratificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após interposição de Recurso Especial por parte do Procurador da Fazenda Nacional (fls. 98/104). Quando da análise do mérito do pleito do contribuinte, a DRF de origem proferiu o Despacho Decisório de fls. 112/114, indeferindo a solicitação do RECORRENTE, Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 06/07/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10768.004738/9913 Acórdão n.º 2102003.188 S2‐C1T2 Fl. 461 3 alegando que não havia comprovação de que as verbas recebidas eram/foram oriundas de indenização a título de adesão ao PDV. DA DECISÃO DA DRJ Contudo, após Manifestação de Inconformidade apresentada pelo RECORRENTE (fls. 117/118), a DRJ do Rio de Janeiro/RJ julgou procedente o pleito do contribuinte através do acórdão de fls. 172/175, que restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1994 PDV. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Superada, mediante acórdão do Conselho de Contribuintes, a preliminar de decadência argüida cabe à. autoridade administrativa a quo pronunciarse quanto ao mérito do pedido. VERBAS INDENIZATÓRIAS. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. VERBAS PERCEBIDAS A TÍTULO DE INCENTIVO A ADESÃO. Os rendimentos recebidos a titulo de incentivo à adesão a programas de demissão voluntária (PDV) não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte ou na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido em Parte” Entretanto, a DRJ divergiu do contribuinte RECORRENTE no tocante ao valor da restituição. É que, conforme esboço da declaração retificadora de fls. 41/42v apresentada pelo RECORRENTE, este calculou que o saldo de imposto a lhe ser restituído seria de 7.261,97 UFIR (fl. 41), ao passo que a DRJ de origem entendeu que o saldo de imposto a restituir seria de 2.740,09 UFIR (fl. 174v/175). Colaciono, abaixo, trecho do voto proferido na ocasião: “(...) Por oportuno, salientase que o requerente ostenta pretensão de considerar não tributável o montante de Cr$ 899.934.461,00 consignado em Termo de Rescisão à fl. 10 com Indenização. Porém, é preciso elucidar que o exempregador em dois momentos distintos (fls 45 e 123) elucidou que somente parcela deste rendimento foi tributada, qual seja, Cr$ 445.583.485, por se constituir ‘Excesso de Indenização Legal’. Denotese que o próprio Termo de Rescisão corrobora a informação prestada à fl. 11 consignando retenção em montante de Cr$ 148.512.976,00 sob rubrica ‘I.R. EXC IND. LEGAL’. Logo, tornase imperioso rememorar o conteúdo do item III alínea (a) do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 7, de 1999, Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 06/07/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10768.004738/9913 Acórdão n.º 2102003.188 S2‐C1T2 Fl. 462 4 anteriormente transcrito, com escopo de explicar que somente são consideradas oriundas de PDV verbas não pagas em rescisões imotivadas, ou seja, aquelas que naturalmente seriam recebidas em qualquer outro tipo de rescisão por força de lei restam excluídas deste entendimento. De outro turno, a questão poderia ser resumida na seguinte premissa: se o valor de Cr$ 594.096.461,00 não foi tributado por ocasião da demissão do solicitante, como lhe restituir algo sobre o qual nada lhe foi cobrado. Dito isto somente se excluirá do rol de rendimentos tributáveis declarados o montante de Cr$ 445.583.485,00. Esboçamos a seguir as alterações realizadas em declaração: (...)” Importante mencionar que na declaração de ajuste original (fls. 37/38v), foi calculado um saldo de imposto a pagar de 1.693,33 UFIR e que a DRJ já reconheceu que tal valor deveria ser restituído ao RECORRENTE. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 02/07/2010 (AR de fl. 169 dos autos), apresentou recurso voluntário de fls. 170/171v, em 19/07/2010, com o intuito de discutir os cálculos elaborados pela autoridade julgadora de primeira instância. Alegou que a premissa adotada pela DRJ levou ao erro de cálculo por ela elaborado, pois não considerou que valores recebidos a titulo de PDV foram oferecidos à tributação na declaração de ajuste original, gerando inclusive um imposto a pagar de 1.693,33 UFIR. Afirmou que os valores declarados como rendimentos tributáveis foram tirados dos Comprovantes de Rendimentos da Petrobrás, do INSS e da PETROS que constam dos autos (fls. 177/177v). Verificase que o valor total recebido da Petrobrás no anocalendário 1993 foi de 71.117,32 UFIR, o qual foi oferecido a tributação. Portanto, entendeu que o valor a ser deduzido dos rendimentos tributáveis seria de 34.228,47 UFIR, representado pela soma dos valores recebidos em razão da adesão ao PDV, nos termos da declaração de fl. 123 (Cr$ 594.096.461 + Cr$ 445.583.485 = Cr$ 1.039.679.946, ou 41.378,07 UFIR), subtraindose o valor de 7.149,60 UFIR já declarado como isento, o qual foi extraído do comprovante de rendimentos fornecido pela Petrobrás (fl. 177). Colaciono, adiante, a memória de cálculo elaborada pelo RECORRENTE: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 06/07/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10768.004738/9913 Acórdão n.º 2102003.188 S2‐C1T2 Fl. 463 5 Desta forma, requereu a procedência de seu recurso, para considerar como valor de imposto a restituir a quantia de 6.863,78 UFIR, que deve ser acrescida do valor do imposto pago em decorrência da declaração de ajuste (1.693,33 UFIR), o que totaliza o valor de imposto a restituir de 8.557,11 UFIR. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A controvérsia limitase a analisar qual o correto valor relativo ao PDV a ser excluído dos rendimentos tributáveis informados em declaração de ajuste anual referente ao anocalendário 1994, uma vez que o RECORRENTE entende que o valor a ser deduzido dos rendimentos tributáveis corresponde a 34.228,47 UFIR, ao passo que a DRJ de origem entendeu que o valor relativo ao PDV, e portanto dedutível dos rendimentos, seria de 17.733,70 UFIR. A DRJ apresentou os seguintes cálculos relativos à dedução pleiteada pelo RECORRENTE (fls. 174v/175): Rendimentos declarados 105.283,40 UFIR () Valor relativo ao PDV (17.733,70) UFIR Rendimentos tributáveis 87.549,70 UFIR () Deduções (9.364,14) UFIR (=) Base de cálculo 78.185,56 UFIR Imposto devido 15.406,39 UFIR Imposto de Renda Retido na Fonte pago 18.146,48 UFIR Imposto a restituir 2.740,09 UFIR Por sua vez, em seu Recurso Voluntário, o contribuinte contestou o valor relativo ao PDV considerado pela autoridade julgadora de primeira instância. Ou seja, enquanto a DRJ entendeu que o valor relativo ao PDV seria de 17.733,70 UFIR, o RECORRENTE argumentou que tal valor foi de 34.228,47 UFIR. Assim, refez os cálculos e afirmou que o imposto a restituir seria de 6.863,78 UFIR, da seguinte forma (fls. 171/171v): Rendimentos declarados 105.283,40 UFIR () Valor relativo ao PDV (34.228,47) UFIR Rendimentos tributáveis 71.054,93 UFIR () Deduções (9.364,14) UFIR (=) Base de cálculo 61.690,79 UFIR Imposto devido 11.282,70 UFIR Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 06/07/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10768.004738/9913 Acórdão n.º 2102003.188 S2‐C1T2 Fl. 464 6 Imposto de Renda Retido na Fonte pago 18.146,48 UFIR Imposto a restituir 6.863,78 UFIR A autoridade julgadora de primeira instância alega que o exempregador do RECORRENTE afirmou, por meio das declarações de fls. 45 e 123, que apenas uma parte do rendimento recebido em razão do desligamento foi tributada, qual seja, a verba de Cr$ 445.583.485 (que corresponde a 17.733,70 UFIR). Nesse passo, a DRJ entendeu que o contribuinte não poderia deduzir dos rendimentos declarados como tributáveis todo o valor relativo ao PDV (Cr$ 445.583.485 + Cr$ 594.096.461), pois o valor de Cr$ 594.096.461,00 não foi tributado por ocasião da demissão do solicitante, portanto não haveria o que ser restituído sobre o que não lhe foi cobrado. O RECORRENTE, por sua vez, alega que preencheu a sua declaração de ajuste com base nas informações fornecidas pela exempregadora, através do comprovante de rendimentos pagos de fl. 177, onde consta que as indenizações foram da ordem de 7.149,60 UFIR e os rendimentos tributáveis foram de 71.117,32 UFIR. Desta forma, defendeu que o valor a ser deduzido dos rendimentos tributáveis seria de 34.228,47 UFIR, representado pela soma dos valores recebidos em razão da adesão ao PDV (Cr$ 594.096.461 + Cr$ 445.583.485 = Cr$ 1.039.679.946, ou 41.378,07 UFIR, conforme declaração de fl. 123), subtraindose o valor de 7.149,60 UFIR já informado como isento no comprovante de rendimentos fornecido pela Petrobrás (fl. 177). Entendo que assiste razão ao RECORRENTE. Explico. A Petrobrás, exempregadora, declarou por duas vezes nos autos (fls. 45 e 123) que a verba total recebida pelo RECORRENTE em razão da adesão ao PDV foi de Cr$ 1.039.679.946 (= Cr$ 594.096.461 + Cr$ 445.583.485), ou 41.378,07 UFIR (considerando que a UFIR em Junho/93 foi de Cr$ 25.126,35). Deste modo, entendo que a declaração fornecida pela Petrobrás é documento oficial que indica o valor real recebido pelo RECORRENTE a título de PDV, não podendo a autoridade julgadora ponderar a parcela que seria PDV e que não seria. Portanto, o valor total de 41.378,07 UFIR foi recebido a título de PDV. Ademais, o entendimento apresentado pela DRJ apresenta distorções em relação a declarado pela fonte pagadora em declaração de rendimentos pagos (fl. 177). É que, segundo o acórdão recorrido, a Petrobrás já havia considerado que a parcela de Cr$ 594.096.461 já seria isenta. Ou seja, dividindo as verbas recebidas pelo RECORRENTE, a DRJ considerou o seguinte: · Parte já tida como isenta: Cr$ 594.096.461 = 23.644,36 UFIR; e · Parte a ser excluída dos rendimentos tributáveis: Cr$ 445.583.485 = 17.733,71 UFIR. Ocorre que o cenário acima exposto não guarda relação com as informações prestadas pela fonte pagadora por meio do comprovante de rendimentos pagos de fl. 177, o qual indica que as indenizações recebidas pelo RECORRENTE foram da ordem de 7.149,60 UFIR, bem inferior, portanto, aos 23.644,36 UFIR apontados pela DRJ de origem. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 06/07/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 10768.004738/9913 Acórdão n.º 2102003.188 S2‐C1T2 Fl. 465 7 Portanto, podese inferir que apenas um pequena parte do valor recebido a título de PDV foi informado como isento pela fonte pagadora. A outra parte foi, indubitavelmente, computada no total dos rendimentos tributáveis recebidos, devendo, portanto, haver a dedução do valor correto, sob pena de não conceder o direito adquirido pelo contribuinte. Sendo assim, entendo que foi correto o cálculo elaborado pelo RECORRENTE (abaixo replicado) a respeito do valor a ser excluído dos rendimentos tributáveis, uma vez que somou ambas as parcelas recebidas a título da adesão ao PDV (total de 41.378,07 UFIR) e deduziu de tal montante a quantia informada como isenta pela fonte pagadora (7.149,60 UFIR), a fim de evitar duplicidade do cômputo deste valor. Portanto, a parcela que deve ser deduzida dos rendimentos tributáveis declarados pelo RECORRENTE é de 34.228,47 UFIR, conforme acima exposto. Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar o valor do imposto a restituir ao RECORRENTE no valor de 6.863,78 UFIR, menos o valor já concedido pela DRJ de origem (2.740,09 UFIR), totalizando 4.123,69 UFIR. assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 06/07/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.004102/00-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Jul 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1998
NORMAS PROCESSUAIS. CONCESSÃO, DE OFÍCIO, DE DIREITO NÃO POSTULADO PELAS PARTES - IMPOSSIBILIDADE.
O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, bases em que se assenta a atividade judicante.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-001.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designada a Conselheira Nayra Bastos Manatta para redigir o voto vencedor.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto e Redator Designado ad hoc
Nanci Gama - Relatora
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gileno Gurjão Barreto, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1998 NORMAS PROCESSUAIS. CONCESSÃO, DE OFÍCIO, DE DIREITO NÃO POSTULADO PELAS PARTES IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, bases em que se assenta a atividade judicante. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designada a Conselheira Nayra Bastos Manatta para redigir o voto vencedor. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto e Redator Designado ad hoc Nanci Gama Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 41 02 /0 0- 79 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10875.004102/0079 Acórdão n.º 9303001.265 CSRFT3 Fl. 454 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gileno Gurjão Barreto, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147/2007, em face do acórdão de nº 20180.153, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, para reconhecer de ofício a semestralidade da base de cálculo do PIS, em conformidade a Lei Complementar 7/70, no que se refere aos períodos de apuração de novembro e dezembro de 1995 e janeiro e fevereiro de 1996, conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/10/1995 a 31/10/1998 PIS. RESTITUIÇÃO. SEMESTRALIDADE. Para a apuração do crédito tributário, é preciso que se observe a aplicação do critério da semestralidade na base de cálculo do PIS, sem incidência de correção monetária, conforme determina a Lei Complementar 7/70. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212/95, SUAS REEDIÇÕES E LEI Nº 9.715/98. ADIN Nº 1.4170/DF. A inconstitucionalidade declarada pelo STF referese apenas ao art. 5º da MP nº 1.212, de 28/11/95 (art. 18 da Lei nº 9.715/98), pela inobservância do prazo nonagesimal, o qual se conta a partir da veiculação da primeira medida provisória, sendo consideradas regularmente válidas sua reedições. Recurso provido em parte.” Inconformada com a decisão de aludido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, por entender ter sido violado o princípio tantum devolutum, quantum appellatum, eis que a semestralidade na base de cálculo do PIS teria sido reconhecida de ofício, e não como resultado do pedido do contribuinte, o que acarretaria em decisão ultra petita. Para tanto, a Fazenda Nacional juntou alguns acórdãos paradigmas, exarados por esta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais restouse entendido pela impossibilidade de se reconhecer de ofício o critério da semestralidade na base de cálculo do PIS, “pois não se trata de matéria de ordem pública”. A ilustre presidente da Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em despacho de fls. 446/448, admitiu o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10875.004102/0079 Acórdão n.º 9303001.265 CSRFT3 Fl. 455 3 Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, alegando que é entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça que “não se configura decisão extra petita o fato de o Tribunal de origem entender que o PIS é devido nos moldes da LC 7/70”, devendo, portanto, o julgador, tanto em esfera judicial, quanto em esfera administrativa, aplicar o direito cabível aos fatos, em consonância ao princípio iuria novic curia. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, eis que tempestivo e, ao meu ver, encontramse reunidas todas as condições de admissibilidade previstas no artigo 5º, inciso I, do Regimento Interno desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Conforme se infere do relatório, a divergência aduzida nos presentes autos cingese acerca da possibilidade de se reconhecer de ofício, como fez o acórdão recorrido, a semestralidade da base de cálculo do PIS prevista na Lei Complementar 7/70. O fato de o contribuinte ter deixado de alegar, de forma expressa, tanto em sua impugnação, quanto em seu recurso voluntário, a semestralidade da base de cálculo do PIS, não impossibilita que esta seja reconhecida, eis que, inclusive, o contribuinte, no seu próprio pedido de restituição, requer seja aplicado o disposto na Lei Complementar 7/70. Ora, se o contribuinte requer a aplicação de aludida legislação complementar, em detrimento à aplicação dos DecretosLeis 2445 e 2449, ambos de 1988, declarados como inconstitucionais pela Resolução do Senado de nº 49, o mesmo requer seja a aludida legislação aplicada integralmente. Ademais, ainda que o mesmo não requeresse pela aplicação da Lei Complementar 7/70, cabe ao julgador administrativo zelar pelo princípio da verdade material, aplicando ao caso concreto, a lei cabível, em sua totalidade. Nesse sentido, inclusive, se manifesta o STJ, em diversos julgados como os acórdãos proferidos nos Recursos Especiais de nºs 873.364, 939.335 e 759.213, ao entender que “não se configura decisão extra petita o fato de o Tribunal de origem entender que o PIS é devido nos moldes da LC 7/70”. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo os efeitos do acórdão recorrido, reconhecendo a semestralidade da base de cálculo do PIS. Nanci Gama Fl. 455DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10875.004102/0079 Acórdão n.º 9303001.265 CSRFT3 Fl. 456 4 Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado ad hoc O voto vencedor não foi formalizado pela Redatora Designada, Conselheira Nayra Bastos Manatta, que se encontra aposentada do Serviço Público. Com isso, houve necessidade de se designar redator ad hoc. Diante disso, como atual presidente substituto da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no exercício da presidência, designeime redator para formalizar o voto vencedor. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese ao reconhecimento, de ofício, da semestralidade da base de cálculo do PIS de que trata o art. 6º da Lei Complementar 7/70. Por meio do Acórdão 20180.153, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo, no sentido de reconhecer, de ofício, a semestralidade da base de cálculo da contribuição. O representante da Fazenda Nacional insurgiuse contra o reconhecimento, de ofício, da semestralidade do PIS. A matéria que se apresenta ao debate passa pela análise de questão processual, qual seja, a possibilidade de concederse, de ofício, direito não postulado pelas partes, in casu, a apuração da contribuição devida tomando como parâmetro a semestralidade de sua base de cálculo. Aqueles que navegam no direito subjetivo sabem ou deveriam saber que o mar processual é bravio e desafiador, quase sempre revolto e cheio de ondas e marolas que fazem, muitas vezes o barco perder o rumo. Isso faz com que muitos se percam e não consigam completar a travessia. Mas nem tudo está perdido. Os instrumentos de navegação vêm, a cada dia, se aperfeiçoando, de tal sorte, que o barqueiro que os utilizar corretamente, nunca perderá o norte e, facilmente, chegará a um porto seguro. Saindo da linguagem figurada para a real, os instrumentos são os princípios gerais e específicos que norteiam a atividade jurisdicional e, por empréstimo, a “judicante” administrativa. Muitos desses princípios são universais, isso quer dizer que estão presente em todos, ou em quase todos, sistemas jurídicos mundiais. Na maioria das vezes, são eles incorporados à legislação processual e até mesmo à constitucional, tornandose, portanto, obrigatória sua observância. Nos países, como o Brasil, em que a atividade judicante é dissociada da inquisitória, um dos pilares da jurisdição é justamente o princípio da iniciativa da parte, cuja origem remonta ao direito romano onde ao juiz era vedado proceder sem a devida provocação das partes. Predito princípio, versão moderna do ne procedat iudex ex officio; nemo iudex sine actore, foi consagrado no artigo 2º e, também, no 262, ambos do Código de Processo Civil Brasileiro, conforme a seguir: Art. 2º Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais Art. 262 O processo civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10875.004102/0079 Acórdão n.º 9303001.265 CSRFT3 Fl. 457 5 Esse princípio tem como corolários (está assentado) dois outros princípios, o dispositivo e o da demanda, ambos positivados no Código de Processo Civil. Segundo o dispositivo, o julgador deve decidir a causa com base nos fatos alegados e provados pelas partes, não lhe sendo permitido perquirir fatos não alegados nem provados por elas. A razão fundamental que legitima o princípio dispositivo é, justamente, a preservação da imparcialidade do julgador que, em última análise, é o pressuposto lógico do próprio conceito de jurisdição. Em direito probatório, a norma fundamental que confere expressão legal ao princípio dispositivo encontrase inserta no art. 333 do CPC o qual incumbe às partes o ônus da prova do por elas alegado. Para o eminente processualista Ovídio A. Baptista da Silva, Tal princípio vincula duplamente o juiz aos fatos alegados, impedindoo de decidir a causa com base em fatos que as partes não hajam afirmado e obrigandoo a considerar a situação de fato afirmada por todas as partes como verdadeira. O princípio dispositivo contrapõese ao inquisitório onde são dados ao juiz amplos poderes de iniciativa probatória, a exemplo do direito processual espanhol, italiano etc. Entre nós, o princípio inquisitório tem aplicação bastante restrita, circunscrevendose às ações que versem sobre direitos indisponíveis, como ocorre nas ações matrimoniais nas quais a lei confere ao magistrado amplos poderes para investigar os fatos da causa. Essa restrição ao princípio inquisitório é necessária, pois, como bem anotou o professor Ovídio Baptista na obra citada linhas acima, dificilmente teria o julgador condições de manterse completamente isento e imparcial, se a lei lhe conferisse plenos poderes de iniciativa probatória. Outro princípio que norteia a atividade judicante é o da demanda, que vai balizar o alcance da própria atividade jurisdicional. Aqui, o pressuposto básico é a disponibilidade do direito subjetivo das partes, que têm a faculdade de decidir livremente se o exercerá ou se o deixará de exercêlo. Isso porque, ninguém poder ser forçado a exercer os direitos que lhe são devidos, tampouco podese compelir alguém, contra a própria vontade, a defendêlos perante um órgão julgador, seja ele administrativo ou judicial. Desse pressuposto decorre o princípio, jurisdicizado pelo art. 2º do CPC, de que nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer. O princípio da demanda também se encontra positivado nos artigo 128 e 460 do CPC, nos seguintes termos: Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Art 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Traçandose um paralelo entre o princípio dispositivo e o da demanda, temse que o primeiro deles preserva o livre arbítrio das partes na determinação das ações que elas pretendem litigar, enquanto o outro define e limita o poder de iniciativa do juiz com relação às ações efetivamente ajuizadas pelas partes. Esse princípio da demanda apresentase em nosso ordenamento jurídico como pressuposto a ser seguido por todo o sistema processual, muito raramente, admite Fl. 457DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10875.004102/0079 Acórdão n.º 9303001.265 CSRFT3 Fl. 458 6 exceções ou algum arrefecimento. A quebra desse princípio é raríssima, ocorrendo mais no processo de falência, e, também, nos casos de jurisdição voluntária. Como conseqüência lógica dos princípios dispositivos e da demanda, há o que a doutrina denominou de princípio da congruência, ou da correspondência, entre o pedido e a sentença, que impede o julgador de atuar sobre matéria que não foi objeto de expressa manifestação pelo titular do interesse. Por conseguinte, é o pedido que limita a extensão da atividade judicante. Daí, considerarse extra petita a decisão sobre pedido diverso daquilo que consta da petição inicial. Será ultra petita a que for além da extensão do pedido, apreciando mais do que foi pleiteado. Por fim, é citra petita a decisão que não versou sobre a totalidade do pedido. Em suma, pelo princípio da congruência, deve haver perfeita correspondência entre o pedido e a decisão. Não sendo lícito ao julgador ir além, aquém ou em sentido diverso do que lhe foi pedido. Em outras palavras, o julgamento da causa é limitado pelo pedido, não podendo o julgador dele se afastar, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, bases em que se assenta a atividade judicante. Diante do exposto, e considerando que a denominada semestralidade do PIS decorrente da interpretação do parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar 7/70 por não configurar matéria de ordem pública, muito menos de jurisdição voluntária, não poderia ser concedida de ofício. Com essas considerações dou provimento ao recurso especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.919006/2012-78
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 18/01/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 18/01/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 06 /2 01 2- 78 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919006/201278 Acórdão n.º 3801005.152 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919006/201278 Acórdão n.º 3801005.152 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919006/201278 Acórdão n.º 3801005.152 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919006/201278 Acórdão n.º 3801005.152 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919006/201278 Acórdão n.º 3801005.152 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919006/201278 Acórdão n.º 3801005.152 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919006/201278 Acórdão n.º 3801005.152 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919006/201278 Acórdão n.º 3801005.152 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13054.000849/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3102-000.225
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, relativo ao saldo credor de PIS não cumulativo apurado no 3° trimestre de 2004. 0 interessado discorda da glosa parcial oriunda da tributação das receitas correspondentes As transferências de créditos do ICMS a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 54 .0 00 84 9/ 20 05 -1 2 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13054.000849/200512 Resolução nº 3102000.225 S3C1T2 Fl. 220 2 terceiros, alegando, em preliminar, o cerceamento de seu direito de defesa, pois não teriam sido demonstrados os motivos de constituição do crédito tributário da contribuição para o PIS, pois nada teria recebido ao transferir os créditos do ICMS para terceiros, uma vez que tais operações teriam sido realizadas a titulo gratuito. Ainda em preliminar, pede novamente o cancelamento do Despacho Decisório, alegando precariedade no levantamento fiscal que não teria verificado se as transferências dos créditos de ICMS para terceiros foram realizadas a titulo gratuito ou oneroso, voltando a afirmar que não teria recebido qualquer valor pela transferência de tais créditos, transcreve jurisprudência para embasar seus argumentos. No mérito, sustenta a impossibilidade da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep em operações a titulo gratuito e acrescenta que jamais a transferência de créditos de ICMS para terceiros poderia compor a base de cálculo da Contribuição para o PIS pois tais operações não se enquadrariam no conceito de receita e se tratariam de mera recuperação de despesa/custo, decorrente da sistemática de apuração do imposto que visa atender o principio da não cumulatividade. Novamente, cita e transcreve jurisprudência a seu favor e pleiteia a homologação das compensações realizadas no presente processo. Isso posto, requer a reforma do Despacho Decisório, com a homologação integral das compensações efetuadas, pois o valor do direito creditório pleiteado no presente processo seria superior ao valor dos débitos compensados." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do despacho decisório negando provimento a manifestação de inconformidade. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Deve permanecer válido o indeferimento parcial de ressarcimento contra o qual não foi apresentado qualquer elemento de prova no sentido contrário. Há incidência de Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, dada a existência de uma alienação de direitos classificados no ativo circulante. Solicitação Indeferida” Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário, alegando a procedência dos créditos pleiteados. As alegações do Recurso podem ser assim resumidas: O Acórdão recorrido merece ser cancelado por cercear o direito de defesa da Recorrente, por não ter sido demonstrado pela fiscalização os motivos da apuração de PIS sobre os créditos de ICMS transferidos para terceiro, considerando que a Recorrente nada recebeu pela transferência realizada. Ofendendo assim, o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal. A decisão da autoridade de primeira instância não motivou o julgamento com razões jurídicas, que demonstrem as irregularidades constatadas, não informando o fundamento legal que permite exigir da Recorrente o PIS sobre a transferência de ICMS realizada a título gratuito. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13054.000849/200512 Resolução nº 3102000.225 S3C1T2 Fl. 221 3 O acórdão também merece ser reformado na parte em que realizou a glosa relativas às compras de insumos de não contribuintes da COFINS e da Constituição para o PIS, especialmente aquelas realizadas de pessoas físicas e cooperativas. Os créditos do ICMS transferidos para terceiros não poderiam compor a base de cálculo da Contribuição para o PIS, por não constituírem em receitas da Recorrente, mas ressarcimento do custo do ICMS acrescido no valor dos insumos adquiridos, como forma de recuperação do encargo fiscal no âmbito do Princípio da Não Cumulatividade, para que tais créditos fossem considerados receita, deveria ter existido um acréscimo no patrimônio da Recorrente. Finalizando, pede a Recorrente, que seja homologada integralmente as compensações realizadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estamos diante de um despacho decisório realizado pela autoridade fiscal e entendo, não existir nenhum obste legal ou equivoco neste procedimento. Entretanto, quando a pessoa fiscalizada é cientificada de decisão que lhe é desfavorável tem o direito ao contraditório e que sejam analisadas as suas alegações. Caso a autoridade, responsável pela apreciação destes argumentos, entenda que as provas apresentadas não são suficientes para a convicção no julgamento poderá determinar a busca destas provas, por meio direto, se lhe for possível ou por determinação de diligência nos termos previstos no Processo Administrativo Fiscal – PAF. Ressalto que a apresentação genérica de argumentos, alegando simplesmente ilegalidade no procedimento fiscal, sem apontar fatos concretos ou quaisquer provas que indiquem erro na decisão prolatada pelo Fisco, não pode prosperar, visto que, a produção de provas é obrigação de quem contesta e não da autoridade julgadora. O fato que estamos discutindo na presente lide é a exigência da contribuição para o PIS sobre a transferência de créditos de ICMS. Entendeu a fiscalização em exigir a contribuição com base nos lançamentos contábeis. A Recorrente na sua manifestação de inconformidade e posteriormente no recurso voluntário alega que a transferência dos créditos de ICMS se deu de forma gratuita sem a obtenção de receita nesta operação. A justificativa para o lançamento consta de Relatório Fiscal (fls. 94 e 95), do qual extraio o trecho abaixo. "Constatamos, no decorrer da ação fiscal, através de exame em seu Livro Registro de Apuração do ICMS e de acordo com resposta da fiscalizada ao Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 01 (anexa), que aquela efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestação Fl. 221DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13054.000849/200512 Resolução nº 3102000.225 S3C1T2 Fl. 222 4 de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (I CMS). Essa operação é regulada pela legislação estadual, sendo tais créditos oriundos de suas aquisições para o processo produtivo, não tendo havido seu posterior aproveitamento para compensação com débitos do mesmo imposto. A fiscalizada não ofereceu a tributação tais cessões de crédito de ICMS. Tendo em vista que essa operação equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, a qual origina receita tributável, deve a mesma compor a base de cálculo do PIS/PASEP, que, conforme o art. 1 ° da Lei n° 10.637/02, parágrafos 1° e 2°, corresponde a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por ela exercida e da classificação contábil adotada para a escrituração de suas receitas. Para o fim de melhor compreendermos seu enquadramento no campo de incidência da contribuição, passamos a discorrer sobre tal operação de forma detalhada." O julgamento da primeira instância, entendeu, não estar demonstrado que as transferências de créditos de ICMS para terceiros teriam sido realizadas a título gratuito (fls. 143 e 144), conforme o trecho abaixo, extraído do voto do acórdão guerreado. "Em que pese toda a argumentação do interessado, não ficou demonstrada a existência de qualquer indicio de que tais operações de transferência de créditos de ICMS para terceiros teriam sido realizadas a titulo gratuito. Pelo contrário, na declaração de fl. 75, o próprio interessado primeiro afirma que as transferências de ICMS estariam inclusas na base de cálculo das contribuições, posteriormente, ao retificar esta informação, fl. 77, indica que a empresa não incluiu na base de cálculo do PIS e da Cofins as transferências de ICMS. Porém, em momento algum menciona qualquer observação no sentido de que tais operações pudessem ter ocorrido a titulo gratuito, fato que deveria ser mencionado com destaque, face sua importância, além do caráter inusitado do mesmo. Por sua vez, na Manifestação de Inconformidade existem apenas repetidas alegações, sem a juntada de qualquer documentação capaz de comprovar a tão alegada gratuidade das operações tributadas, destaquese que o interessado sequer indica que poderiam existir indícios ou provas para embasar suas afirmações. Desta forma, deve permanecer válido o procedimento da fiscalização que acarretou no indeferimento parcial do pedido de ressarcimento, contra o qual não foram apresentados quaisquer elementos de prova no sentido contrário." Verificase que a discussão sobre a onerosidade da cessão de crédito é matéria controversa no processo. Afirma a Recorrente que não existiu nenhuma receita obtida com a cessão dos créditos para terceiros. A fiscalização não deixa claro esta matéria no relatório que embasou o despacho decisório. Da mesma forma entendeu a autoridade a quo que a Recorrente não trouxe comprovação suficiente da alegada gratuidade na cessão dos créditos. Entendo que a solução desta questão é matéria essencial para o julgamento da questão, sendo necessário o esclarecimento quanto a gratuidade ou não da cessão dos créditos de ICMS, realizados pela Recorrente. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13054.000849/200512 Resolução nº 3102000.225 S3C1T2 Fl. 223 5 Diante do exposto e buscando a verdade material dos fatos, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que unidade preparadora informe se a Recorrente auferiu algum tipo de receita com a cessão de créditos de ICMS para terceiros e caso tenha ocorrido, informar o montante recebido, dando ciência das conclusões da diligência a Recorrente, para em querendo, se manifestar no prazo de 30 dias, retornando os autos a este Conselho para a retomada do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 223DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001687/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de inscrever na previdência social segurado empregado que lhe preste serviços, mediante preenchimento dos documentos que o habilitem ao exercício da atividade e formalização de seu contrato de trabalho, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa).
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade decorrente de uma suposta falta de caracterização do fato gerador e da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para fatos geradores de obrigação acessória, decorrente da falta de inscrição de segurados ao RGPS, há dispositivo específico na legislação tributária que afasta a aplicação do art. 32-A da Lei 8.212/1991.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de inscrever na previdência social segurado empregado que lhe preste serviços, mediante preenchimento dos documentos que o habilitem ao exercício da atividade e formalização de seu contrato de trabalho, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade decorrente de uma suposta falta de caracterização do fato gerador e da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para fatos geradores de obrigação acessória, decorrente da falta de inscrição de segurados ao RGPS, há dispositivo específico na legislação tributária que afasta a aplicação do art. 32-A da Lei 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de inscrever na previdência social segurado empregado que lhe preste serviços, mediante preenchimento dos documentos que o habilitem ao exercício da atividade e formalização de seu contrato de trabalho, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade decorrente de uma suposta falta de caracterização do fato gerador e da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para fatos geradores de obrigação acessória, decorrente da falta de inscrição de segurados ao RGPS, há dispositivo específico na legislação tributária que afasta a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 87 /2 00 9- 75 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001687/200975 Acórdão n.º 2402004.651 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 17 da Lei 8.213/1991, combinado com os arts. 16 e 18, inciso I e parágrafo 1°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de inscrever o segurado empregado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 61/66), a empresa deixou de inscrever segurados empregados no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), enumerados nas planilhas de fls. 62/65, para as competências 01/2004 a 12/2004. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 01/06/2009 (fls. 01/02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 72/90), alegando, em síntese, que: 1. no presente caso houve cerceamento de defesa, vez que ao contribuinte estão sendo imputados fatos os quais a princípio desconhece o teor, não lhe sendo apresentados quaisquer documentos que comprovem a ocorrência dos fatos geradores apontados no Auto de Infração e Imposição de Multa; 2. Da Multa. A Medida Provisória (MP.) 449/08 trouxe uma redução das multas incidentes sobre o descumprimento das obrigações acessórias relacionadas com as contribuições previdenciárias previstas na Lei 8.212/91. No presente caso devido a ausência de indicação de qual multa deve ser aplicada, ou seja devido a ausência de relatório comparativo, não se pode precisar qual multa está sendo aplicada, se a da MP 449/08 ou a anterior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão 1624.611 da 12a Turma da DRJ/SP1 (fls. 109/121) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 61/66). Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/70) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001687/200975 Acórdão n.º 2402004.651 S2C4T2 Fl. 4 5 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 09/53) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (fls. 54/55) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 61/66. Registrase que não será acatada a alegação de que o Relatório Fiscal não foi apresentado pelo Auditor Fiscal autuante na entrega do auto. Esse entendimento decorre do fato de que, no dia 01/06/2009, o Procurador da Recorrente declarouse ciente do Auto de Infração e seus Anexos (fls. 01/02) e, às fls. 02, o mesmo declara que recebeu a 2a via do RELATÓRIO FISCAL. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/70) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o procedimento de auditoria fiscal não cumpriu a legislação de regência para a constituição do lançamento fiscal. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente deixou de inscrever, no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados, estes fora devidamente delineados nas planilhas de fl. 62/65. A legislação de regência exige a inscrição de todos os segurados obrigatórios junto ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Lei 8.213/1991 – Lei de Benefício da Previdência Social: Art. 17. O Regulamento disciplinará a forma de inscrição do segurado e dos dependentes. Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 18. Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral da Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: I empregado e trabalhador avulso – pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mão de obra, no caso de trabalhador avulso. §1° A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindicato ou órgão gestor de mão de obra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social. (g.n.) Em observância ao art. 17 da Lei 8.213/1991 c/c o art. 18, § 1°, do Decreto 3.048/1999, compete ao empregador efetuar a inscrição de seus empregados no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Essa inscrição deverá ser efetuada diretamente pela Recorrente no próprio documento declaratório – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) – enviado mensalmente à Previdência, nos termos da formalização do contrato de trabalho. Esta formalização ocorre com o preenchimento dos documentos que habilitem os segurados empregados ao exercício da atividade designada pela Recorrente. Conforme disposto no art. 456 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a prova da formalização do contrato de trabalho será feita pelas anotações constantes da Carteira de Trabalho e Previdência Social, obrigatória para o exercício de qualquer emprego (art. 13 da CLT), que será apresentada ao empregador para nela anotar a data de admissão, remuneração e, se houver, condições especiais (art. 29 da CLT). Também compõe o procedimento de formalização referido o registro do empregado em livros próprios (art. 41 da CLT). A auditoria fiscal constatou que os segurados empregados, inseridos nas planilhas de fl. 61/65, não foram devidamente inscritos ao Regime Geral de Previdência Social, conforme verificação nas folhas de pagamentos e cópias dos Livros de Registros de Empregados. Isso está caracterizado no Relatório Fiscal (fls. 61/66) nos seguintes termos: 1. Às fls. 62, consta “Planilha de Bases de Contribuição dos Segurado Bráulio dos Santos Neto (Não incluídas em Folha de Pagamento) Anexo 1 do AI 56”. Nesta Planilha consta a conta verificada na contabilidade da empresa, a competência, o valor e o histórico do pagamento; 2. Às fls. 63, consta “Planilha de Bases de Contribuição do Segurado Ricardo Aparecido Cirillo (Não incluídas em Folha de Pagamento), Anexo 2 do AI 56”. Nesta Planilha consta a conta verificada na contabilidade da empresa, a competência, o valor e o histórico do pagamento; 3. Às fls. 65, consta “Planilha de Bases de Contribuição do Segurado Antônio Paulo dos Santos (Não incluídas em Folha de Pagamento), Anexo 3 do AI 56”. Nesta Planilha consta a conta verificada na contabilidade da empresa, a competência, o valor e o histórico do pagamento. Logo, a constatação, pela auditoria fiscal, de segurados empregados, sem a devida e correta inscrição à Previdência Social, enseja imediata autuação, nos termos do art. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001687/200975 Acórdão n.º 2402004.651 S2C4T2 Fl. 5 7 142 do CTN. No caso em tela, está patente pela não comprovação dos fatos pela Recorrente e frente aos fatos jurídicos constantes das fls. 01/70, em que se comprova a não inscrição dos segurados. A aplicação da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991 relacionase à ausência de declaração de GFIP ou sua declaração com incorreções ou omissões de fatos geradores de contribuição previdenciária, que não é o caso dos autos. Para fatos geradores de obrigação acessória, decorrente da falta de inscrição de segurados ao RGPS, há dispositivo específico na legislação tributária – consubstanciado pelo art. 17 da Lei 8.213/1991 combinado com os arts. 16 e 18, inciso I e parágrafo 1°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999 –, que afasta a aplicação dessa multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991. Esse entendimento está em conformidade com o art. 144 do Código Tributário Nacional (CTN), que estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005815/2004-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 25/10/2004
Intempestividade.
Não se toma conhecimento de recurso interposto fora do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-00.976
Decisão: Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso face à sua apresentação intempestiva.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Não se toma conhecimento de recurso interposto fora do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso face à sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração, fls. 01/03, para aplicação da multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 02/03, o lançamento decorreu da infração indicada a seguir. 1 Embaraço ou Impedimento à Ação da Fiscalização, Inclusive não Atendimento à Intimação. Embaraçou/dificultou, por meio ou forma omissiva, a ação de fiscalização por não apresentar resposta à intimação em procedimento fiscal. Na análise do processo administrativo nº 10283.004627/2001 53, o Autuado foi intimado, através do Termo de Intimação Fiscal SEANA/ALF/MNS nº 148/2004, a adotar providências previstas na legislação para a extinção do regime aduaneiro de admissão temporária. Em resposta ao Termo de Intimação, o Autuado apenas informou que as providências adotadas estavam contidas no processo administrativo nº 10283.003540/2004 10. Em 31/08/2004, o Autuado tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal SEANA/ALF/MNS nº 173/2004, que o reintimava a apresentar esclarecimentos no prazo de cinco dias, quanto a adoção das providências para a extinção do regime aduaneiro de admissão temporária, mencionado também que a resposta apresentada ao Termo de Intimação Fiscal SEANA/ALF/MNS nº 148/2004 não obteve a conseqüência desejada. Até a data da confecção do Auto de Infração, o Autuado não apresentou qualquer resposta ao Termo de Intimação SEANA/ALF/MNS nº 173/2004, dificultando e embaraçando a ação da fiscalização aduaneira. Enquadramento Legal: Art. 15, 18, 19, 20, 22, 493, 503, 510 do Decreto 4.543/02; Art. 107, inciso IV, alínea "c" do Decreto Lei nº 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03 e art. 81 da Lei nº 10.833/03. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 27/10/2004, fls. 01, apresentou o contribuinte impugnação em 25/11/2004, fls. 15/16, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. 1. Alega se, como fundamento da ação fiscal, que a Requerente teria criado “embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento a intimação”, o que representaria infração aos diversos dispositivos legais citados sob a epígrafe “enquadramento legal". 2. De modo geral, tais dispositivos cuidam de afirmar o direito da Administração Tributária Aduaneira a examinar documentos e bens do contribuinte, "na defesa dos interesses fazendários nacionais”, a teor do art. 15 do Regulamento Aduaneiro. 3. Ora, em primeiro lugar deve ficar claro que a Requerente jamais se negou a colaborar com a Administração e a atender suas exigências, em conformidade com a lei. 4. Pode até salientar que satisfez os interesses da Fazenda, pagando os tributos devidos na operação de internação dos bens que importou, sob regime especial de admissão temporária. 5. Apenas ocorreu divergência quanto a simples formalidades burocráticas, pois tendo a Requerente providenciado o despacho Fl. 135DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.005815/200441 Acórdão n.º 310200.976 S3C1T2 Fl. 115 3 para internação dos bens pela alfândega do porto de sua entrada, ou seja, Manaus, no curso do processo surgiu interpretação distinta, no sentido de que essa formalidade deveria ser satisfeita na alfândega com jurisdição sobre o local onde se encontram os bens, a serem então vistoriados. 6. A Requerente, com manifesta boa fé, além de já ter pago os tributos, mantém se em permanente contato com as autoridades dessa Alfândega, para que lhe seja esclarecido quais as providências a tomar para pleno cumprimento das determinações dessa aduana. 7. A Requerente não tem outro interesse nem outro objetivo senão cumprir as normas aplicáveis para finalmente lograr o desembaraço dos bens, atividade em que se vê envolvida, com desnecessário desgaste, desde pelo menos fevereiro de 2003, sem resultado. 8. Assim sendo, enquanto nega ter cometido as infrações apontadas no Auto ora impugnado, roga a compreensão de V.Sa no sentido de lhe ser indicado como o contribuinte deve agir, materialmente, para cumprir as normas regulamentares aplicáveis ao caso, que tem características inéditas; ao mesmo tempo, espera que, reconhecida sua boa fé, e ante o recolhimento dos tributos, seja tornado sem efeito o Auto de Infração, considerando se que seria ato de justiça a relevação da multa, por força das circunstâncias especiais do caso (Reg. Aduaneiro, art. 654).. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 25/10/2004 MULTA ISOLADA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. A nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal justifica a aplicação da multa isolada prevista no art. 107, IV, “c” do DecretoLei nº. 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº. 10.833/03. Lançamento Procedente Regularmente cientificada pela via postal em 18 de dezembro de 2007(terça feira), conforme aviso de recebimento à fl. 60, comparece a Contribuinte ao processo em 18 de janeiro de 2008 (sextafeira), conforme protocolo à fl. 61, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas em sede de impugnação. É o Relatório Voto Fl. 136DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Como é cediço, o prazo para interposição do recurso está previsto no art. 33, que deverá ser computado nos termos do art. 5º do Decreto no 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Considerando tais comandos, dado que a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 18/12/2007, o trintídio em que o competente recurso voluntário deveria ser apresentado encerrouse em 17/01/2008 Ocorre que a recorrente só apresentou o presente recurso no dia 18/01/2008. Sendo o recurso extemporâneo, voto no sentido de não conhecêlo. Sala das Sessões, em 7 de abril de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 137DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11128.000813/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.095
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11128.000813/2004-11 Recurso n° 340.059 Resolução n° 3101-00.095 — la Câmara /la Turma Ordinária Data 29 de abril de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BASF S/A Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, Henrique Pinheiro Torres - Presidente 727 Vanessa Albuquerque Valente - Relatora EDITADO EM: 27/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tardsio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem relatar a processo em exame, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo II/SP (fls. 138 a 139), que passo a transcrever: "A interessada por meio das declarações de importação 03/0093744-4- 4, de 04/02/2003, fl. 22, e 03/0226885-0, de 19/03/2003, importou a mercadoria descrita como "LUTAVIT E 50 PO (ACETATO DL-ALFA TOCOFEROL CONCENTRAÇÃO: 50% MIN. DE VITAMINA DE ACETATO DESNIDADE: 0,45-0,60 G/CM3 QUALIDADE: INDUSTRIAL FEED GRADE ESTADO FÍSICO: SOLIDO EM PO FINALIDADE: FABRICAÇÃO ANIMAL. REGISTRO DIFISA: NR. SP — 003301", classificando na NCM 2936.28.12, com aliquota de 0% para o imposto de importação e para o imposto sobre produtos industrializados. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para o produto é a NCM 2309.90.90, com aliquota do imposto de importação de 9,5%. Baseou-se a autuação nos Laudos Funcamp 0826, fl .82, 0447.02, fl. 46, e 0447.01fl. 42. Através do Auto de Infração de fls. 01 a 03, cobram-se as diferenças de imposto de importação, juros, multa de ofício e multa pela classificação fiscal incorreta. Intimada do Auto de Infração em 04/03/2004 . 1), a interessada apresentou impugnação e documentos em 19/03/2004, juntados as folhas 98 e seguintes, alegando em síntese: 1. Requer seja declarado insubsistente o Auto de Infração." 0 produto foi classificado de acordo com entendimento exarado pela Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro (COA NA) em processo de consulta n° 10168.003154/98-36, formulado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação (Sindiracões), fl .126. 2. As NESH do capitulo 2309 excluem dessa posição as vitaminas apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidante ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo gelatina, ceras, matérias graxas (gordas), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. 3. Argumenta que as mercadorias devem classificar-se na posição 2936 de acordo com a lista de inclusões da NESH dessa posição. 4. Cita que tal entendimento foi adotado pelo Comitê da OMA e consubstanciada no doumento COM/AS de 21/02/98. 5. Não havendo reclassificação, também não há razão para a cobrança da multa pelo erro na classificação fiscal. 6. Alega a inconstitucionalidade da MP 2.158-35. 7. Os juros não podem ser cobrados durante o procediemento administrativo, posto que o débito ainda está sendo discutido. 8. A taxa SELIC é inconstitucional. Processo n° 11128.000813/2004-11 S3-C I T1 Fl. 2 Resolução n.° 3101-00.095 A 2' Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo II— SP, ao apreciar as razões aduzidas na impugnação apresentada, julgou procedente o Lançamento, conforme decisão DRJ/SPOII N.° 17-27.713, de 25 de setembro de 2008, assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/02/2003, 19/03/2003 LUTAVIT E 50. Preparação de Acetato de Tocoferol ( Acetato de Vitamina E e substâncias inorgânicas 5 base de silica, apresentada em microesferas, para adição em ração animal.) A autoridade fiscal apresentou prova de que as substâncias acrescidas tornam o produto particularmente apto para uso especifico preferencial a sua aplicação geral. Inaplicável solução de consulta fundada em pressuposto fálico refutado pela prova técnica que suporta o lançamento. QUESTIONAMENTO DE LEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de la Instancia, em 23 de outubro de 2008, a Contribuinte, em 19 de novembro de 2008, interpôs Recurso Voluntário ao Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes, através do qual reitera os argumentos e fundamentos apresentados em sua Impugnação. Requer, ao final: (t) que o presente recurso seja julgado totalmente PROCEDENTE no sentido de declarar a inexistência do suposto crédito tributário, tendo em vista que a classificação adotada pela Recorrente é a correta; (ii) seja desconstituida a multa arbitrada tendo em vista ser esta de ordem totalmente confiscatória, bem como esta afrontar diretamente o principio da RAZOABIL IDADE, afrontando assim os preceitos constitucionais; (Hi) Alternativamente, sejam desconstituidos os juros aplicados, tendo em vista que os mesmos só poderiam ser cobrados em caso de derrota em sede administrativa ao auto de infração impugnado, nos termos do art. 151 do CTN; (iv) Seja afastada a aplicabilidade da lava referencial SELIC, tendo emt vista a flagrante inconstitucionalidade da mesma. o relatório. 3 Voto Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, Relatora 0 Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Camara. Recorre a Contribuinte da decisão proferida pela DIU de origem que entendeu correta a reclassificação feita pela autoridade fiscal concernente ao produto importado "LUTAVIT E 50 PO (ACETATO DL-ALFA TOCOFEROL CONCENTRAÇÃO: 50% MIN. DE VITAMINA DE ACETATO DESNIDADE: 0,45-0,60 G/CM3 QUALIDADE: INDUSTRIAL FEED GRADE ESTADO FÍSICO: SOLIDO EM PO FINALIDADE: FABRICAÇÃO ANIMAL. REGISTRO DIFISA: NR. SP — 003301", através da Declaração de Importação n.° 03/0093744-4. Conforme se verifica, a solução da presente lide consiste em decidir se o produto importado se classifica sob o código 2936.2812, na forma sustentada pela Recorrente, ou no código 2309.90.90, como "Preparações especificamente elaboradas para serem adicionadas a ração animal e/ou pré-misturas", nos termos defendidos pela Fiscalização. Alega, a Recorrente, em seu Recurso, que a classificação tarifária da mercadoria por ela importada "encontra lastro nos autos da consulta n.° 10168.003154/98- 36, a qual foi exarada pela Coordenação de Assuntos Tarifdrios e Comerciais (COTAC), por intermédio da Divisão de Nomenclatura, Classificacdo e Origem de Marcadorias (DINON) e que tratou também de Vitamina E absorvida em silica expendida, contendo, no mínimo, 500 unidades internacionais de vitamina E por grama de sólido". Aduz, ainda, que "trata-se de uma consulta formulada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (SINDIRAÇÕES), na qual foi determinada a classificação correta para produtos similares ao importado e na qual se demonstra, magistralmente, que o correto enquadramento tarifário para o Acetato de Vitamina E absorvido em silica expandida é junto à posição 2936.2812; ou seja, a mesma posição adotada pela ora Recorrente. No caso sub examen, em face das alegações acima expostas pela Recorrente, assim como, em observância ao principio da verdade material, proponho que se converta o julgamento deste processo em DILIGÊNCIA à DRF de origem, no sentido de: 1) Aferir a identidade entre a composição química da mercadoria importada, pela Recorrente, através da Declaração de Importação n.° 03/0093744-4, as fls. 22, e a da mercadoria objeto da CONSULTA, formulada pelo SINDIRAÇÕES, acostadas as fls. 91/96 dos autos; 3) Identificar a quantidade relativa de vitamina na mercadoria classificada; 2) Caso haja alguma divergência entre a composição química da mercadoria importada e a da mercadoria objeto da CONSULTA, identificar objetivamente. 1P 4 Processo n° 11128.000813/2004-11 S3-CIT1 Resolução n.° 3101-00.095 Fl. 3 Posteriormente, após facultar à Recorrente oportunidade de manifestay5o quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para esta Camara. 0. Vanessa Albuquerque Valente' 5
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000919/2006-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar realização de diligência, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar realização de diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar realização de diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Na sessão de julgamento, a Conselheira Relatora, Julianna Bandeira Toscano, apresentou o seguinte relatório: "Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2002, no qual se exige do contribuinte imposto suplementar no valor de R$11.413,62, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, decorrente de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 00 91 9/ 20 06 -1 1 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11516.000919/200611 Resolução nº 2802000.210 S2TE02 Fl. 63 2 Relata a autoridade fiscal que a glosa decorreu do fato de ser o contribuinte sócio da empresa Átimo Empreendimentos Ltda. e por não ter havido comprovação do recolhimento do imposto retido. O contribuinte impugnou o débito, sustentando não ser sócio da Átimo, nova denominação social de Trem Empreendimentos Imobiliários Ltda.. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em Florianópolis julgou improcedente a impugnação do contribuinte, uma vez que, consoante documentos apresentados na diligência fiscal, ficou comprovado que, no anocalendário de 2001, o contribuinte exerceu a função de diretor superintendente da empresa e, nesta condição, para se aproveitar do imposto retido, deve fazer a prova do seu recolhimento, fato que não o fez. Eis a ementa da referida decisão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2001 IRRF. SÓCIO OU DIRETOR. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. DEDUÇÃO DIRPF. Sendo o beneficiário dos rendimentos sócio ou dirigente da fonte pagadora, a dedução do imposto retido na fonte fica condicionada à comprovação do seu efetivo pagamento, em observância ao princípio da responsabilidade tributária solidária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em seu recurso voluntário o contribuinte informa que a Átimo confessou o débito de IRRF e o parcelou no âmbito do programa de anistia fiscal instituído pela Lei nº 11.941/2009, razão pela qual não mais se justificaria a necessidade de comprovação por ele do recolhimento do imposto. É o relatório". Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Reproduzo abaixo o seguinte trecho do Voto exposto pela Conselheira Relatora na sessão de julgamento: "O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como se observa, o litígio gira em torno da comprovação do recolhimento do IRRF de beneficiário dirigente da fonte pagadora. Os documentos de fls. 53/58 comprovam a confissão de dívida de IRRF pela Átimo Empreendimentos Ltda. e seu parcelamento nos termos do programa de anistia da Lei nº 11.941/2009. Não obstante, do seu exame não é possível verificar se o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos percebidos pelo notificado em 2001, objeto da glosa efetuada pela fiscalização, está incluído no montante sujeito ao parcelamento em comento. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11516.000919/200611 Resolução nº 2802000.210 S2TE02 Fl. 64 3 Por conseguinte, voto por determinar a realização de diligência para fins de que a Delegacia de origem esclareça se, dentre o montante parcelado nos termos da Lei nº 11.941/2009 pela empresa Átimo Empreendimentos Ltda., CNPJ nº 81.542.169/000175, está incluído o IRRF retido sobre os rendimentos recebidos pelo contribuinte em epígrafe, e, sendo o caso, informe o valor original dessa retenção. Julianna Bandeira Toscano Relatora" (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, na qualidade de redator ad hoc Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906722/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § Iº, DA LEI n.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
Numero da decisão: 3401-002.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § Iº, DA LEI n.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2295; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.906722/200942 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.955 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2015 Matéria PIS Recorrente UNIDADE CEARENSE DE IMAGEM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § Iº, DA LEI n.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 67 22 /2 00 9- 42 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente de pedido de compensação informado em PER/DCOMP que não foi homologado, e que percorre as instâncias julgadoras pela persistente inconformidade do contribuinte, nos termos da legislação que disciplina a matéria. A Autoridade Administrativa, consoante despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação pleiteada pela Requerente, através da PER/DCOMP referenciada em epígrafe, sob os seguintes fundamentos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 38,62. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” [...] Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada O contribuinte contestou essa decisão. Explicou que seu direito creditório para realizar a compensação provinha da redefinição da base de calculo do Pis e da COFINS conforme constava no texto legal, mas que havia deixado de registrar esse valor nas DCTF e DIPJ, razão porque o sistema informatizado de controle identificou falta de crédito e não homologou a compensação. Mas que providenciou a DCTF e a DIPJ retificadora. Sua argumentação, in verbis: · Consoante exposto nas razões de fato, a Requerente quando da definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, incluiu, no conceito de faturamento, além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, outras receitas nãooperacionais, tais como receitas financeiras, decorrentes de descontos obtidos, juros ativos, variação monetária, rendimentos de aplicações, recuperação de despesas e reversão de provisões, conforme comprovam os balancetes elaborados à época (DOC. 04), a seguir descritos · Sobre o montante acima identificado, apurou os valores a pagar das referidas Contribuições, cujas informações foram devidamente prestadas à Receita Federal, através das declarações entregues à época, quais sejam DIPJ's e DCTF's. Ato contínuo, efetuou o recolhimento dos valores supostamente devidos, através de Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906722/200942 Acórdão n.º 3401002.955 S3C4T1 Fl. 3 3 bem como efetuou a vinculação de outros créditos, decorrentes de compensações outrora realizadas. · Ocorre que, por força da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a Requerente passou a ser detentora de créditos oriundos dos recolhimentos efetuados a maior, a título das referidas Contribuições, relativamente à parcela calculada sobre outras receitas, ... : · A Requerente, todavia, não obstante ter identificado a existência desses créditos em seu favor, não efetuou as retificações necessárias das Declarações originalmente transmitidas à Receita Federal DIPJs e DCTF's motivo pelo qual o Fisco, ao cruzar os valores declarados e os DARF's pagos, não identificou o recolhimento realizado a maior, entendendo que os pagamentos localizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. · Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Requerente. · Vislumbrando a documentação acostada, fácil constatar que houve pagamento a maior do. período, visto que, a partir das Declarações Retificadoras, o valor efetivamente devido a título de PIS em 31/01/2002 perfazia originalmente R$ 2.644,17 (dois mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e dezessete centavos), ao passo que foi efetuada a vinculação de créditos no montante de R$ 2.684,83 (dois mil, seiscentos e oitenta e quatro reais e oitenta e três centavos), remanescendo saldo credor original de R$ 40,66 (quarenta reais e sessenta e seis centavos), valor este integralmente utilizado nesse Pedido de Compensação. Em sede de apreciação do pedido do contribuinte a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza(CE) exarou o Acórdão 0818.238– 4ª Turma, em 15 de junho de 2010, ponderando que: "(...) cabe vincar que a declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos (contábeis e fiscais) que fundamentam a retificação." A respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE apreciou a contestação da contribuinte, mas concluiu pelo indeferimento do seu pedido. Em suma, entendeu que não havia direito liquido e certo quando do pedido de Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 compensação, e que a declarações retificadoras não poderiam produzir efeito para sanear o fato, representado pela exigência relacionada à não homologação. A ementa do Acórdão 0818.238 ficou assim redigida: ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. E legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante ajuntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, onde, além das razões presentes na impugnação, acrescenta outras adicionais porque pede a reforma da decisão de 1º grau: · Seu direito creditório provem do recolhimento indevido de Pis e Cofins face a inconstitucionalidade reconhecida do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. o “Preliminarmente, antes de adentrar nas razões que levaram à improcedência da Manifestação de Inconformidade em comento, importa destacar que o direito creditório diz respeito à possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sob a égide do inconstitucional § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98.” o “Com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram reconhecidas como indevidas as majorações da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da ampliação de suas bases de cálculo, assim entendidas como faturamento, deixando de ser considerado como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, para voltar a ser entendido como as receitas advindas da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços.” Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906722/200942 Acórdão n.º 3401002.955 S3C4T1 Fl. 4 5 · Em sua opinião, a legislação que rege as DIPJ E DCTF prevê o direito do contribuinte retificar as declarações por ele prestadas, inclusive para louvar os princípios de justiça e da verdade material que devem orientar os procedimentos das relações tributárias: o “Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento da impossibilidade de análise das retificações de declarações apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, o que, a seu ver, impossibilitaria a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado.” o “No caso em comento, a Autoridade Administrativa afirma que o despacho decisório (de não homologação das compensações) levara em conta as informações prestadas em DCTF original, e que o manifestante retificou a DIPJ e a DCTF depois de cientificado do decisório impugnado, o que impossibilitaria a análise das referidas retificações, a não ser que a defesa administrativa fosse acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito.” o “ Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo qual merece ser acatado, senão vejase. (...) A Instrução Normativa RFB n°. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época da retificação das DCTF's que albergam o crédito pleiteado, dispõe, em seu art. 11, sobre os efeitos da referida retificação” (...) E o item ‘c’ desse artigo 11 não pode ser interpretado como restrição para a retificação e seus efeitos pois o contribuinte não havia sido intimado do inicio de procedimento fiscal, mas apenas cientificado do despacho eletrônico de não homologação de seu pedido de compensação. o O princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir de mera presunção. o Desta forma, a autoridade administrativa competente para decidir não está limitada às provas produzidas pelas partes, nem está restrita às suas alegações, devendo obrigatoriamente buscar todos os elementos que julgar necessários e suficientes ao seu livre convencimento. o Assim, dada à importância desse princípio, a busca da verdade material não é uma faculdade da autoridade administrativa, mas sim um dever, de modo que esta deve solicitar e analisar todos os documentos que entender necessários à elucidação do caso, principalmente quando o contribuinte apresenta documentação amplamente comprobatória do deu direito. · Não é verdade, como afirmaram os Julgadores que o contribuinte não comprovou seu direito ao crédito e à compensação: o Neste diapasão, afirmou a Autoridade Administrativa que a Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora." o Ocorre que basta uma análise perfunctória da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, para verificar que a Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 mesma não instruiu referida impugnação "apenas com a DCTF retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa. o Quando da apresentação da manifestação de inconformidade por parte da Recorrente, a mesma apresentou diversas PLANILHAS contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento das receitas auferidas, acompanhados ainda da DIPJ devidamente retificada. o Dessa forma, o entendimento exarado no acórdão recorrido, pela não homologação da compensação declarada deve ser modificado, levandose em conta a documentação já apresentada pela Recorrente e já acostada aos autos, quando da apresentação de manifestação de inconformidade, que devem ser objeto de apreciação da Autoridade Administrativa, em obediência aos princípios da verdade material e da instrumentalidade. Este processo chegou à apreciação da Egrégia 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e foi submetido a apreciação, ocasião em que ela proferiu decisões e determinou diligência, tudo isso através da Resolução n.º 3402 000.182 Os Respeitáveis Conselheiros, ao analisarem as manifestações do contribuinte aduziram que: "De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente. Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada "balanço" e referida no recurso como "balancete", e por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas "demonstrações". Para baixar o processo em diligência para que a fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição o Colegiado decidiu que a autoridade da unidade de jurisdição levasse em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição, ou seja, considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, e que ela indicasse se há indébito no período de apuração em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão). A autoridade fiscal, como resultado no atendimento da diligência solicitada pelo CARF, de posse das informações apresentadas pelo contribuinte (Livro Razão), finaliza seu parecer informando: O crédito objeto do PER/DCOMP e tratado neste processo referese a PIS do período de apuração janeiro de 2002. Após os procedimentos de auditoria, chegase ao seguinte valor de crédito a que faz jus o contribuinte: Base de cálculo PIS apurado PIS pago/retido Crédito do PIS Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906722/200942 Acórdão n.º 3401002.955 S3C4T1 Fl. 5 7 R$ 411.866,13 R$ 2.677,13 R$ 2.684,83 R$ 7,70 Apesar de cientificada desse relatório fiscal e da possibilidade de se manifestar, o contribuinte nada apresenta a ser juntado ao processo. Assim, o processo retorna ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Há tempestividade do Recuso Voluntário e atendimento dos requisitos de admissibilidade. Tratase de recurso interposto contra decisão que indeferiu pedido de compensação declarado por meio do PER/DCOMP n° 22828.14043.301106.1.3..048989. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de PIS, referente ao mês de janeiro de 2002 e efetuado em 15/02/2002, com débito de estimativa de IRPJ, respeitante ao mês de outubro de 2006. Aliome aos que valorizam a busca da verdade material como concorrente à realização dos mais elevados propósitos do julgamento das lides na esfera administrativa. Há acórdãos proferidos em o Conselho de Contribuinte e no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que representam essa orientação de que a busca da verdade material deve ser fortemente considerada nas relações tributárias e nas soluções dos contenciosos entre o Fisco e o Contribuinte: IRPJ FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO Em respeito à legalidade, verdade material e segurança jurídica não pode subsistir lançamento de crédito tributário quando não estiver devidamente demonstrada e provada a efetiva subsunção da realidade factual à hipótese descrita na lei como infração à legislação tributária. ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação. PROCESSOS REFLEXOS PIS COFINS IRF CSLL Respeitandose a materialidade do respectivo fato gerador, a decisão prolatada no processo principal será aplicada aos processos tidos como decorrentes, face a íntima relação de causa e efeito. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3° Câmara, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz, Recurso n°. 124737, Processo n°. 10283.002174/9774, Acórdão n°. 10320594,sessão de 22/05/2001) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 EXCESSO NA DESTINAÇÃO AO FINOR Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 Como cediço, no processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que, buscase descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação, é de se levar em conta, que a preclusão temporal, em razão dos princípios da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência pode vir a ter sua aplicação mitigada nos julgamentos administrativos. Recurso Voluntário Provido. (1° Conselho de Contribuintes, 8 Turma Especial, Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Recurso n°.156170, processo n°. 10820.002086/200366, Acórdão n°. 19800116, sessão de 30/01/2009). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1994 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELEMENTOS PARA COMPROVAÇÃO DA DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material, tão caro no processo administrativo fiscal, deve prevalecer, de modo que sejam considerados documentos hábeis a comprovar a decadência das contribuições vinculadas à realização de obra de construção civil, ainda que não expressamente previstas nas normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido. (2° Conselho de Contribuintes, 6ª Turma Especial, Relator Kleber Ferreira de Araújo, Recurso n°. 246754, processo n°. 12045.000374/200772, Acórdão n°. 296 00078, sessão de 10/02/2009). IRRF DCTF ERRO DE PREENCHIMENTO Comprovados os recolhimentos de IRRF, mediante apresentação das guias respectivas, acompanhadas da regular retificação e complementação da DCTF e dos respectivos lançamentos contábeis, afastase o lançamento. Recurso provido. (Iº Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, processo n°. 10665.000668/200267, Recurso n°. 147364, Relatora Silvana Mancini Karam, Acórdão 10247820, Sessão de 16/08/2006) A meu sentir, correta foi a decisão e orientação dada pelo E. Relator na Resolução n.º 3402000.182 que originou o pedido de diligência, em suas palavras: “Não partilho, como já tive oportunidade de afirmar em outros julgados, a tese da Administração segundo a qual a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo dependa de prévia retificação de sua DCTF quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso que não se pode ainda decidir o recurso.” “De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente.” “Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada “balanço” e referida no recurso como “balancete” e, por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906722/200942 Acórdão n.º 3401002.955 S3C4T1 Fl. 6 9 contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindoselhe prazo de trinta dias para eventual contestação.” Portanto, não procede deixar de apreciar as retificações das declarações prestadas pelo contribuinte, nem de se verificar a sua correspondência com os próprios registros contábeis. E nessa direção, é que a verificação dos valores que seriam devidos do tributo é procedimento essencial para a apreciação e conclusão da lide. Como já exposto anteriormente, entendo que o Colegiado pode apreciar o mérito da lide, parcial ou totalmente, em sessões que não resultem em Acórdão final, mas, sim, em Resoluções. Entendo que, neste caso, o Colegiado apreciou e decidiu o mérito, no que concerne à não inclusão, na base de tributação do PIS e da COFINS, das receitas apontadas pela contribuinte em sua petição original e indeferida pela autoridade de jurisdição e pelos julgadores a quo. O processo retorna ao CARF para apreciar o resultado da diligência, tendo como válidas as decisões que conduziram e condicionaram a sua realização. Respeitando essa decisão, há que se reconhecer o teor das bases do direito creditório pleiteado. Esta posição adotada pelo Colegiado com relação aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998 tem respaldo em entendimento firmado neste Tribunal Administrativo. Há julgamentos do CARF que consolidam, nos casos concretos, a definição de que a ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, foi inconstitucional, afastando a aplicação da referida Lei, o que corresponde à tese do recorrente, conforme julgados a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/05/2002, 31/08/2002 BASE DE CALCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Acórdão 20181.260, de 03.07.08, Relator: José Antonio Francisco). COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 380840 MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § Iº, do artigo 3°, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Processo n". 10120.003831/200381, Recuso n°. 140629, Acórdão 10195764, Relator Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 21/09/2006). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Iº, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § Iº, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. [...] Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Iª Câmara, Processo n°. 10980.011343/200318, Recurso nº 139409, Acórdão 20181235,Relator Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Sessão de 01/07/2008). Além disso, a contribuinte tem como objeto social os serviços de diagnóstico médico, e as receitas financeiras aqui em discussão não resultam de suas atividades empresariais operacionais. A autoridade fiscal, em seu relatório em atendimento à diligência calculou o saldo credor de PIS de R$ 7,70. Proponho a este colegiado que seja reconhecido o valor de saldo credor calculado pela autoridade fiscal na resposta à diligência efetuada, e que seja homologada a compensação ate o limite deste crédito. Observado este limite, e por todos esses elementos, concluo que deve se dar PARCIAL provimento ao recurso. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 11831.002906/2001-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2007
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIUALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
MULTA E JUROS. INAPLICABILIDADE DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.
Quando a norma complementar alegada pelo sujeito passivo não se reveste das qualidades necessárias ao seu enquadramento no art. 100 do Código Tributário Nacional, é incabível a alegação de violação ao princípio da confiança legítima e da boa fé objetiva, e, consequentemente, não pode justificar o afastamento das penalidades e juros de mora.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 3301-002.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Danton Miranda, OAB/DF 11.859.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
FÁBIA REGINA FREITAS - Relatora.
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2007 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIUALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. MULTA E JUROS. INAPLICABILIDADE DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. Quando a norma complementar alegada pelo sujeito passivo não se reveste das qualidades necessárias ao seu enquadramento no art. 100 do Código Tributário Nacional, é incabível a alegação de violação ao princípio da confiança legítima e da boa fé objetiva, e, consequentemente, não pode justificar o afastamento das penalidades e juros de mora. Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Danton Miranda, OAB/DF 11.859. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora. EDITADO EM: 17/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 29 06 /2 00 1- 91 Fl. 652DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Por bem relatar os fatos traçados nesses autos, adoto o relatório do v. aresto recorrido de fl. 68, in litteris: O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em destaque, com base na Lei n° 9.779/99, a fim de ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. A fiscalização apurou que os créditos escriturados se referiam a insumos aplicados tanto na industrialização de produtos de alíquota zero, como :em produtos não tributado pelo imposto (Livros e Listas Telefônicas), assim os saldos credores foram recalculados com a exclusão proporcional dos insumos empregados na produção do produto, NT. Diante disso, foi exarado o Despacho Decisório da autoridade competente reconhecendo parcialmente o direito creditório e homologando em parte as compensações. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3°, II, da Constituição Federal; que o direito pleiteado encontra amparo na Lei n° 9.779, de 1999, art. 11, que tem natureza interpretativa, e que as limitações ao direito de crédito contidas no regulamento são inconstitucionais, concluindo, basicamente, que os efeitos das saídas nãotributadas, imunes, isentas Ou, ainda, sujeitas à alíquota zero são rigorosamente os mesmos. Além disso, por serem seus Produtos imunes, nos termos da CF/88, seu direito estaria garantido no art. 1º., § 4°, da IN SRF n° 33/99. Encerrou solicitando o integral deferimento do pedido. A DRJ de Ribeirão Preto rejeitou as alegações do contribuinte, mantendo a glosa, pelas razões descritas na ementa do acórdão de fls. 607/611, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuraçãO: 01/07/2000 a 31/12/2000, 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como; custo. Irresignada, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário às fls. 614/630, mediante o qual, quanto às razões de mérito, repisa os mesmos fundamentos deduzidos em sua impugnação, confirmando, entretanto, que os produtos por ela fabricados são NT. No tocante à multa, a contribuinte alegou violação ao art. 100 do CTN, já que teria respeitado o disposto nas normas constitucionais e legais que permeiam o tema. É o relatório Fl. 653DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11831.002906/200191 Acórdão n.º 3301002.527 S3C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Quanto aos insumos utilizados para fabricação de produtos NT, que esse Colegiado já firmou entendimento, consubstanciado na Súmula CARF n. 20, que reza: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Assim o provimento do recurso estaria prejudicado pela edição do Verbete supra. Cabe também aduzir que esse Eg. CARF, a teor do que determina sua Súmula 02, não é competente para se manifestar a respeito de matéria constitucional, restando, assim, prejudicadas as alegações da Contribuinte nesse ponto. No tocante à cobrança multa e juros, a recorrente alega que o cumprimento de normas complementares a exime da sua imposição por força do art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Entretanto, a fiscalização glosou os créditos pleiteados pela ora recorrente com respaldo em Norma Ordinária e Instrução Normativa válidas e eficazes, razão pela qual o referido dispositivo não se aplica ao caso concreto. É assim que a multa de ofício e os juros moratórios são cobrados, de forma legítima, no lançamento guerreado e mantido parcialmente pela decisão recorrida. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por DESPROVER o recurso voluntário da contribuinte. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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