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Numero do processo: 10580.720119/2006-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anocalendário:
2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL.
É intempestivo o recurso protocolado na repartição quando expirado o prazo
de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3403-001.249
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestivo.
Matéria: Pasep- ação fiscal (todas)
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL. É intempestivo o recurso protocolado na repartição quando expirado o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, fls.125: Tratase de lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), relativo ao anocalendário de 2003, fundamentada em falta/insuficiência de recolhimento da contribuição, no montante de R$12.745,70, acrescido de multa de ofício de 75% e juros legais. A partir da comparação da DIPJ com os valores constantes do LRAICMS e o lançados no Livro Razão, a fiscalização elaborou as planilhas de fls. 24 a 28, demonstrando a origem da diferença apurada. Intimada, a empresa apresenta impugnação informando que era tributada pelo lucro presumido e pelo regime de caixa, de acordo com a previsão da Instrução Normativa SRF nº 104, de 1998, e a Solução de Consulta nº 283, de 2002, motivo pelo qual o auditor encontrou as diferenças que aponta, uma vez que considerou o regime de competência. A 2ª Turma da DRJ/Salvador, no Acórdão nº 1513.486, de 16 de agosto de 2007, fls.124/126, julgou procedente em parte o lançamento. No mês de maio de 2003, o valor lançado foi mantido, porque nesse mês, a contribuinte deixou de informar em DCTF o montante devido (fls. 72/73), nem consta do processo que tenha efetuado o recolhimento do valor correspondente.. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. REGIME DE CAIXA. Comprovado que a empresa apurou a contribuição pelo regime de caixa, em conformidade com a legislação vigente, o que gerou parte das diferenças constatadas na ação fiscal, há que se cancelar parcialmente o lançamento. Cientificada da decisão em 11/12/2007, fls. 130 e 144, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/01/2008, fls. 131/133, alegando que recebeu em 14/12/2006 a intimação do Acórdão nº 1513486. Inconformada vem apresentar o recurso, anexando a comprovação do recolhimento do PIS correspondente ao mês de 2003. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O Processo Administrativo Fiscal, Decreto nº 70.235/72, estabelece em seu art. 33 que o contribuinte pode interpor recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência de primeira instância. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10580.720119/200676 Acórdão n.º 3403001.249 S3C4T3 Fl. 151 3 A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 11/12/2007, uma terçafeira, de acordo com o Aviso de Recebimento, documento às fls. 130 do presente processo. O prazo para interposição do recurso começou a fluir no dia 12/12/2007, quartafeira, e expirou no dia 10/01/2008, quintafeira. O carimbo de recepção aposto na peça recursal, às fls.131, atesta que o mesmo foi apresentado no dia 14/01/2008, segundafeira, portanto, após o dia ad quem do prazo. Embora a recorrente afirme que recebeu a intimação do Acórdão 1513.486 em 14/12/2006, o extrato do processo – sistema SIEF de fls. 144, ratifica a data de ciência do referido acórdão em 11/12/2007 e data da entrega do recurso voluntário em 14/01/2008. Dessa forma, voto no sentido de não conhecer o recurso por intempestivo. Liduína Maria Alves Macambira Relatora Fl. 152DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902990/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
RECURSO INTEMPESTIVO.
A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1801-000.769
Decisão: Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 RECURSO INTEMPESTIVO. A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido.
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A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes Fl. 133DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Adoto o relatório da DRJ de Belém – PA: Relatório Versa o presente processo sobre PER/DCOMP n° 26292.07560.270307.1.7.023214 (fls.1/5) em que o contribuinte aponta crédito de saldo negativo IRPJ ano calendário 2002 no valor de R$ 814.679,34 para compensar débito de IRPJ, 2362, jan/2003, venc.28/02/2003, R$ 355.301,72. Ainda segundo consta da DCOMP, o crédito em questão teria sido originado por IRPJ retido da fonte sob o código 6800 (aplicações financeiras renda fixa) no montante pleiteado. Por intermédio do Despacho Decisório n° 783761443 de 26/08/2008 e anexos (fls.6/9), o direito creditório não foi reconhecido e a compensação, não homologada. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que não foi apurado saldo negativo, uma vez que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta imposto a pagar. Prosseguindo, o Despacho Decisório afirma que no PER/DCOMP foi informado Saldo Negativo IRPJ de R$ 814.679,34 e que na DIPJ houve apuração de Imposto a Pagar no montante de R$ 4.750.545,35. Também foram consideradas nãohomologadas as compensações declaradas nas PER/DCOMP's 16405.60416.270307.1.7.021482, 31783.15752.281103.1.3.025457 e 29259.96788.231203.1.3.020163. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 01/09/2008 (fl.10), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 01/10/2008 (fls.11/17), via procurador (fls.64/77), alegando em síntese que: 1. Quando do preenchimento da PER/DCOMP 30468.64041.281103.1.3.021160, retificada pela 26292.07560.270307.1.7.023214, a requerente informou equivocadamente que o crédito era oriundo de "Saldo Negativo de IRPJ", quando o correto seria informar que o crédito referiase a "Pagamento Indevido ou a Maior"; 2. O equívoco cometido não é suficiente para alterar a verdade dos fatos; Fl. 134DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1801000.769 S1TE01 Fl. 134 3 3. Na apuração do imposto de renda pessoa jurídica do mês de dezembro/2002, a empresa apurou saldo a recolher de R$ 5.565.224,65, que foi recolhido por DARF (doc.05); 4. Na elaboração da Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real constante na DIPJ 2003, ano calendário 2002, a empresa deixou de deduzir o imposto de renda retido na fonte pelo cliente JP Morgan, no valor de R$ 814.679,34 (doc.06), gerando portanto uma retificação da DIPJ anocalendário 2002 (doe.07). Desse modo, o valor do imposto de renda a pagar passou de R$ 5.565.224,65 para R$ 4.750.545,35; 5. Essa diferença recolhida a maior no valor de R$ 814.679,34 foi objeto de declarações de compensação n°s 26292.07560.270307.1.7.023214, 38086.51225.270307.1.7.02 8224 e 16405.60416.270307.1.7.021482; 6. As compensações foram efetuadas nos termos da legislação vigente (artigo 26 da INSRF600/2005); 7. Conforme demonstrado na Ficha 12 da DIPJ, foi declarado saldo devedor no valor de R$ 4.750.545,35, cuja composição demonstramos abaixo; (apresenta demonstrativo de apuração do IRPJ a Pagar) 8. A base de cálculo do imposto de renda está demonstrada na Ficha 09 — Demonstração do Lucro Real da referida DIPJ exercício 2003; 9. A estimativa devida em meses anteriores, no montante de R$ 521.418,88, recolhida até o mês de novembro de 2003 através de compensações com IRRF de anos anteriores; 10. Foi retido o valor de R$ 814.679,34 a título de IRRF sobre aplicações financeiras, cujo comprovante de rendimentos demonstramos anexo (doe.08); 11. A recorrente, frisese novamente, ao elaborar as citadas PER/DCOMP's, informou por equívoco que a origem do crédito era Saldo Negativo IRPJ, quando o correto seria informar como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior; 12. Resta mais do que claro que o crédito em questão existe, é legítimo e passível de utilização pela recorrente, bastando apenas a retificação da informação da origem do saldo credor nas referidas declarações de compensação; 13. Conforme estabelecido no artigo 56 da INSRF 600/2005, a retificação da Declaração de Compensação Fl. 135DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 gerada a partir do programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelosujeito passivo mediante a apresentação à SRF; 14. A recorrente verificou a necessidade de retificação da PER/DCOMP, contudo,conforme informações verbais obtidas na Secretaria da Receita Federal de São José dos Campos, uma vez emitido Despacho Decisório, o contribuinte fica impossibilitado de efetuar qualquer retificação através do programa PER/DCOMP; 15. A requerente solicita autorização para retificar as declarações de compensação; 16. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 165, estabelece que o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo que houver pago indevidamente; (transcreve a norma) 17. Além disso, o artigo 170 do CTN estabelece sobre a modalidade de compensação como uma das formas de extinção do crédito tributário; (transcreve a norma) 18. Atualmente, a compensação está regulamentada pelo artigo 74 da Lei 9.430/96; (transcreve o caput do artigo 74 e jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a prevalência da verdade material) 19. Requer a homologação das compensações. O contribuinte juntou à manifestação de inconformidade, dentre outros, os seguintes documentos: cópia de declarações de compensação (fls.26/55), cópia de DARF (fl.56), cópia da DIPJ retificadora Fichas 12 e 43 (fls.60/61) e Informe de Rendimentos Financeiros (fl.62). Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: tela de DIRF (fl.82) e telas da DIPJ/2003 retificadora (fls.83/88). Em sessão de 31 de janeiro de 2011, a 1ª Turma da DRJ em Belém – PA, julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente e o Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada do Acórdão em 23 de março de 2011, quartafeira, interpôs Recurso Voluntário em 25 de abril de 2011, segundafeira,onde repete as alegações da Manifestação de Inconformidade e pede que sejam homologadas as compensações realizadas , com a extinção do crédito tributário e no cancelamento da sua cobrança.. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1801000.769 S1TE01 Fl. 135 5 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal – Relator. O Recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido em 23 de março de 2011, quartafeira, e apresentou Recurso Voluntário em 25 de abril de 2011, segundafeira. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. Considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 22 de abril de 2011, sextafeira. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, em decorrência da sua intempestividade. (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 137DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.001237/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários
concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.109
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar
provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a nulidade do lançamento por vício formal. Apresentará Declaração de Voto
o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ISENÇÃO COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a nulidade do lançamento por vício formal. Apresentará Declaração de Voto o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 486DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 487DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001237/201016 Acórdão n.º 240102.109 S2C4T1 Fl. 428 3 Relatório ORGANIZAÇÃO SANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1626.727/2010, às fls. 328/344, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 03/2006 a 13/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 116/120. Tratase de Auto de Infração (antiga NFLD), lavrado em 28/05/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 72.203.038,57 (Setenta e dois milhões, duzentos e três mil e trinta e oito reais e cinquenta e sete centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, a contribuinte ao promover o recolhimento das contribuições previdenciárias informava em GFIP o código FPAS 639, relativo de entidades filantrópicas que fazem jus ao benefício da isenção da cota patronal, nos termos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, quando o correto seria fazer constar das guias de recolhimento os Códigos 515 (estabelecimentos hospitalares), 574 (estabelecimentos de ensino) e 523 (atividades assistenciais), gerando uma diferença entre os tributos devidos e os efetivamente recolhidos, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário adotando o FPAS da atividade preponderante da empresa (515). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 350/382, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla imunidade e/ou isenção, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Contrapõese ao crédito previdenciário ora combatido, aduzindo para tanto que a entidade goza de imunidade em relação à cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, não sendo possível a constituição do presente débito, mormente quando a fiscalização não apontou as razões da desconsideração da condição de entidade imune. Sustenta que a declaração do fato jurídico tributário, aqui retratado pela desconsideração da imunidade, atinente ao preenchimento de requisitos voltados à exclusão da incidência do tributo, constitui requisito essencial ao ato de lançamento e/ou ao de aplicação da multa, em virtude do que estipula o art. 142 do CTN. Fl. 488DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Em defesa de sua pretensão, infere que a autoridade lançadora ao promover o lançamento não logrou motivar referido ato administrativo, na forma que a legislação de regência determina, especialmente no que concerne as razões da desconsideração da condição de entidade imune, impondo seja reconhecida a improcedência do feito, conforme a jurisprudência administrativa transcrita na peça recursal. Insurgese contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que a conduta da autoridade fazendária malferiu o devido processo legal, uma vez inexistir qualquer procedimento cancelatório da isenção da contribuinte, de maneira a ensejar a constituição do crédito previdenciário sob análise, sobretudo quando lastreado em reenquadramento de código FPAS, desconsiderando tal condição da entidade. Sustenta que da mesma forma que se exige da contribuinte uma série de atos para a concessão e fruição da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, impõese ao Fisco levar a efeito procedimento específico para o seu cancelamento, mediante Ato Cancelatório, o qual servirá de suporte a eventuais lançamentos decorrentes da perda da isenção, consoante a legislação previdenciária específica determina. Opõese ao lançamento, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da pretensa isenção da contribuinte, aplicável as entidades que atuam nos ramos da educação e saúde, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, como se verifica da documentação acostada aos autos, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Defende que a entidade fora beneficiada pelos preceitos da Medida Provisória n° 446/2008, especialmente em seus artigos 37 a 39, os quais renovaram de forma incondicional e definitiva a sua condição de entidade beneficente de assistência social, atingindo o período objeto do presente lançamento, sendo defeso ao fiscal autuante tentar desconstituir esse benefício. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001237/201016 Acórdão n.º 240102.109 S2C4T1 Fl. 429 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos autos, o presente lançamento encontrase arrimado no reenquadramento do código FPAS da contribuinte, uma vez se autoenquadrar como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias adotando o código 639 (concernente às entidades filantrópicas), condição rechaçada pela autoridade lançadora, que a enquadrou no FPAS 515, relativo à atividade preponderante da empresa, ensejando a constituição do crédito previdenciário decorrente da diferença de contribuições apurada. Em outras palavras, por se considerar entidade isenta, a recorrente não vinha recolhendo a cota patronal das contribuições previdenciárias, o que não fora considerado pela fiscalização, lançando, por conseguinte, referidos tributos. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal e/ou motivação. A corroborar esse entendimento, defende que a declaração do fato jurídico tributário, aqui retratado pela desconsideração da imunidade, atinente ao preenchimento de requisitos voltados à exclusão da incidência do tributo, constitui requisito essencial ao ato de lançamento e/ou ao de aplicação da multa, em virtude do que estipula o art. 142 do CTN. Acrescenta que a conduta da autoridade fazendária malferiu o devido processo legal, uma vez inexistir qualquer procedimento cancelatório da isenção da contribuinte, de maneira a ensejar a constituição do crédito previdenciário sob análise, sobretudo quando lastreado em reenquadramento de código FPAS, desconsiderando tal condição da entidade. Nesse sentido, alega que da mesma forma que se exige da contribuinte uma série de atos para a concessão e fruição da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, impõese ao Fisco levar a efeito procedimento específico para o seu cancelamento, mediante Ato Cancelatório, o qual servirá de suporte a eventuais lançamentos decorrentes da perda da isenção, consoante a legislação previdenciária específica determina. Conclui, inferindo que a entidade fora beneficiada pelos preceitos da Medida Provisória n° 446/2008, especialmente em seus artigos 37 a 39, os quais renovaram de forma incondicional e definitiva a sua condição de entidade beneficente de assistência social, atingindo o período objeto do presente lançamento, sendo defeso ao fiscal autuante tentar desconstituir esse benefício. Fl. 490DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos se fixa em analisar se a recorrente, de fato e de direito, se caracteriza como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, na forma que pretende fazer crer. Isto porque, uma vez demonstrado que a entidade observa todos os requisitos necessários para concessão e manutenção da isenção em epígrafe, o presente lançamento somente poderia ser efetivado na hipótese de emissão de Ato Cancelatório específico, objetivando afastar o benefício fiscal sob análise. De outra banda, constatandose que a recorrente não faz jus à isenção que ora tratamos, não há se falar em vinculação do lançamento a qualquer outro procedimento especial, sendo perfeitamente viável a exigência tributária desconsiderando o autoenquadramento da autuada. Como se verifica, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender que possui imunidade da cota patronal. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 491DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001237/201016 Acórdão n.º 240102.109 S2C4T1 Fl. 430 7 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Decisão recorrida, a contribuinte, desde o primeiro momento, vem sustentando fazer jus à imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, em observância ao disposto no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente ao seu § 1°, o qual contempla o direito adquirido de aludido benefício fiscal, desobrigando o seu requerimento. A propósito matéria, contemplando caso idêntico ao presente, inclusive da mesma contribuinte, esta Egrégia Turma já se manifestou com muita profundida, consoante se positiva do Acórdão n° 240101.759 exarado pelo ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, nos autos do processo administrativo n° 14485.000538/200716, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: “Direito adquirido à isenção O fundamento de validade da imunidade/isenção das entidades beneficentes de assistência social quanto ao recolhimento das obrigações previdenciárias tem sede no § 7. do art. 195 da Constituição Federal, nesses termos: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para dar eficácia ao comando constitucional chegou ao ordenamento pátrio a Lei n. 8.212/1991 que, em seu art. 55, prescrevia: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; Fl. 492DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...] O texto legal transcrito nos indica que as entidades, ressalvados os casos de direito adquirido, deveriam requerer ao INSS a isenção das contribuições patronais previdenciárias. Assim, é necessário que se investigue a princípio a recorrente poderia ser enquadrada nos casos de direito adquirido, de modo que ficasse desobrigada de encaminhar ao INSS o pleito isentivo. Inicialmente chamemos atenção que a interpretação que tem prevalecido é a de que inexiste direito adquirido à manutenção da isenção para as entidades beneficentes de assistência social, ou seja, seria garantido o benefício apenas para aquelas que continuassem a preencher os requisitos normativos estabelecidos. É nesse sentido que se pronunciou a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, no Parecer n. CJ/MPS n ° 3.133/2003, do qual vale a pena transcrever o excerto: 30. Ora, revelase absurda a tese de direito adquirido à isenção, com fundamento no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.572/77, uma vez que este mesmo diploma legal estabelece, no art. 2º, hipóteses em que a isenção será automaticamente revogada. 31. A regra contida no art. 2º do Decretolei nº 1.572/77 exige que as entidades beneficiadas pelos §§ 1º, 2º e 3º do art. 1º, do referido Decretolei, mantenham a condição de entidades filantrópicas, bem como o reconhecimento de utilidade pública federal, caso contrário, perdem automaticamente o direito à isenção, ou seja, a garantia do direito à isenção fica sujeita a não ocorrência da condição resolutiva. 32. Ao prever a possibilidade da perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos, depreendese que o Decreto lei nº 1.572/77 manteve, consequentemente, no ordenamento jurídico, a exigência dos requisitos para caracterização da entidade como filantrópica, bem como o meio e a competência para esta certificação. 33. O instituto do direito adquirido protege um determinado direito, já incorporado definitivamente ao patrimônio do seu titular, contra alterações posteriores da legislação. Para tanto, é necessário que o ordenamento jurídico, em um dado Fl. 493DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001237/201016 Acórdão n.º 240102.109 S2C4T1 Fl. 431 9 momento, segundo as regras então vigentes, tenha garantido a incorporação do direito ao patrimônio do seu titular, bem como tenha determinado a intangibilidade deste direito. 34. Concluise, portanto, que o direito à isenção não foi resguardado pela cláusula da intangibilidade, muito pelo contrário, a própria lei que o garantiu, estabeleceu os casos em que seria revogado. Nunca, em nenhum momento, o direito à isenção tornouse um direito intocável, de forma a configurar direito adquirido das entidades beneficiárias, como quer fazer crer, equivocadamente, a recorrente. Em 1959, com o advento da Lei n. 3.577, surgiu no direito pátrio a isenção das contribuições previdenciárias para as entidades reconhecidas como de utilidade pública, cujos diretores não recebessem remuneração. Esse diploma normativo foi revogado pelo DecretoLei n. 1.572/1977, que dispôs em seu art. 1. : "Art. 1. Fica revogada a Lei n. 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no. Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. (grifamos) Todavia, as entidades que já gozavam do benefício e aquelas que estavam em vias de adquirilo foram ressalvadas nos parágrafos do art. 1. do mesmo diploma legal: § 1° A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste DecretoLei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição.(grifamos) § 2. A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do inicio da vigência deste DecretoLei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando de aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. A exegese dos dispositivos acima permite concluir que, a partir da edição do Decreto Lei n. 1.572/1977 foram fechadas as portas para concessão de novas isenções, ficando, todavia, garantido o direito das entidades ali ressalvados, desde, como já frisamos, mantivessem os requisitos legais necessários a fruição do benefício nos termos da legislação revogada. Verifiquemos, então, se observa no caso sob análise a recorrente era isenta do recolhimento das contribuições Fl. 494DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 previdenciárias sob a égide da Lei n. 3.577/1959. Os requisitos estabelecidos por essa Lei restringiamse a posse do título de entidade emitido pelo Governo Federal e do certificado de entidade de fins filantrópicos por prazo indeterminado e a constatação de que os diretores da entidade não recebessem remuneração. De acordo com o documento de fls. 268, a empresa detinha o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos desde 1974, o qual foi substituído pelo emitido em 04/08/1992. Quanto ao título de Utilidade Pública Federal, comprova o documento de fl. 167, que a entidade obteve pelo Decreto de 25/05/1992 (DOU 26/05/1992). Analisandose o referido Decreto,concluise que a empresa havia formulado o pedido em 1974. Vejase os termos do ato presidencial: O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição: DECRETA: (...) Art. 1. São declaradas de utilidade pública federal, nos termos do art. 1. da Lei n. 91, de 28 de agosto de 1935, combinado com o art. 1. do regulamento aprovado pelo Decreto n. 50.517, de 02 de maio de 1961, as seguintes instituições: (...) ORGANIZAÇÃO SANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, com sede na cidade de Santo Amaro, Estado de São Paulo, portadora do CGC n. 62.277.207/000165 (Processo MJ n. 10.813/74. Verificase, nesse sentido, que a OSEC, a época da edição do Decreto n. 1.572/1977 era portadora do Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos e havia requerido o título de utilidade pública federal. Diante desses fatos, forçoso reconhecer que a recorrente era possuidora do direito adquirido a que se refere o § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Nesse sentido para que a entidade pudesse ser notificada pelo inadimplemento das contribuições de responsabilidade da empresa, obrigatoriamente o Fisco teria que emitir ato cancelatório, do qual a empresa teria direito a se contrapor. Assim, a presente lavratura, por não ter observado o prévio cancelamento da isenção, não deve subsistir. É o que se pode ver do disposto na Instrução Normativa – IN n. 03/2005: Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. Fl. 495DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001237/201016 Acórdão n.º 240102.109 S2C4T1 Fl. 432 11 § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. Do § 6. acima não resta dúvida de que a perda do direito de gozar da isenção somente se dá mediante a emissão do Ato Cancelatório, que deverá indicar inclusive em que data a empresa deixou de cumprir os requisitos legais para manutenção da condição de entidade isenta. Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de incompetência da Auditoria Fiscal, por reconhecer a decadência do crédito no período de 05/2000 a 12/2001, e, no mérito, pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo [...]” (grifamos) A situação fática e de direito contemplada no processo supra se amolda perfeitamente ao caso vertente, notadamente por se tratar de mesma entidade, impondo seja adotado o mesmo entendimento acima alinhavado. Com efeito, consta dos presentes autos o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, às fls. 278, datado de 04/08/1992, renovando o anterior expedido em Fl. 496DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 04/10/1974, como Certidão do Ministério da Justiça, às fl. 289, com validade até 30/04/2010, atestando que a OSEC é detentora do Título de Utilidade Pública, com base em Decreto publicado em 26/05/1992, requerido desde 1974 (como elucidado no voto supratranscrito), ressaltando que sua cassação somente poderá ser levada a efeito mediante processo administrativo específico. Constatase, assim, que a recorrente era portadora do Certificado de Fins Filantrópicos e, bem assim, havia requerido o título de utilidade pública federal, à época da edição do Decreto n° 1.572/1977, fazendo, jus, portanto, ao direito adquirido insculpido no § 1°, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91. Na esteira desse entendimento, verificase que a ilustre autoridade lançadora não observou a necessidade de prévio cancelamento da isenção da entidade, a partir da emissão de Ato Cancelatório, consoante disposto no artigo 305 e parágrafos, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005 (acima transcrita), como condição à constituição do crédito previdenciário em epígrafe, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude. Aliás, não é demais registrar que o fiscal autuante não dissertou sequer uma linha das razões da eventual desconsideração da condição de entidade isenta, promovendo o reenquadramento do código FPAS sem qualquer motivação para tanto, como muito bem asseverou a contribuinte, reforçando, assim, a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência total do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 497DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001237/201016 Acórdão n.º 240102.109 S2C4T1 Fl. 433 13 Declaração de Voto Discordo do ilustre conselheiro relator, quanto ao provimento do recurso apresentado pelo recorrente. Na verdade o motivo que ensejou a divergência apontada no julgamento em questão, tem por base pedido de vista em outro processo da mesma empresa, processo esse citado pelo próprio relator, qual seja: Acórdão n° 240101.759, processo administrativo n° 14485.000538/200716, de relatoria do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. No mencionado processo, após apreciar as razões trazidas pelo auditor fiscal em seu relatório, manifesteime no sentido de que a entidade não preenchia os requisitos para pleitear direito adquirido a isenção. Contudo, naquele processo, entendi que a Decisão de Primeira Instância, foi omissa ao não apreciar todas as alegações, quanto a não preenchimento dos requisitos, razão porque votei no sentido de anular a referida decisão. Dessa forma, tratandose o presente processo, de lançamento de contribuições respaldado em argumentos similares, cujo encaminhamento do relator é no sentido de “dar provimento”, inclusive trazendo como razões de decidir, argumentos colacionados no citado processo, entendo que não é possível nesse instante dar provimento com as provas constantes nos autos. Dessa forma, entendo que o auditor não logrou êxito em demonstrar de forma cabal os motivos pelos quais seria indevida a isenção, razão porque voto para “anular o lançamento por vício formal”. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 498DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10120.721513/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
VTN. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT.
Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados.
A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.717
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. A subavaliação materializase pela simples constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 318DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Atílio Pitarelli, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de ITR suplementar, exercício 2005 (fls. 1 a 9), por divergências na área de Preservação Permanente, Reserva Legal e Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel denominado “Fazenda Santa Maria”. O crédito tributário constituído, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do seu vencimento, foi de R$ 542.574,44 (quinhentos e quarenta e dois mil, quinhentos e setenta e quatro reais e quarenta e quatro centavos) de imposto e R$ 406.930,83 (quatrocentos e seis mil, novecentos e trinta reais e oitenta e três centavos) de multa. Cientificada da autuação, a requerente impugnou o lançamento, alegando que: (i) discorda da não consideração da isenção do ITR das áreas ambientais de preservação permanente e reserva legal, essa averbada desde 1988, e do arbitramento do VTN do imóvel, por falta de laudo técnico; (ii) houve erro no levantamento da matéria tributária; e (iii) considera sem consistência a medida extrema do arbritamento do VTN com base no preço médio apurado no SPIT, visto que o valor informado na declaração é condizente com a realidade local e suas características peculiares. A 1ª Turma de julgamento da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, considerou a impugnação procedente em parte, reduzindo a área total, originariamente declarada, de 9.876,9ha para 9.726,9ha, e restabelecendo as áreas ambientais de preservação permanente e de reserva legal, para 3.500,0ha e 1.922,0ha, respectivamente. Com isso, o imposto suplementar apurado foi reduzido para R$ 8.414,22 (fls. 213 a 220). A contribuinte foi pessoalmente cientificada da decisão da DRJ em 14 de julho de 2010 (fl. 223, verso) e interpôs recurso voluntário no dia 13 do mês seguinte (fls. 227 a 241), representada em procuração por terceiro (fl. 153), alegando que: a) a propriedade tem características desfavoráveis evidenciadas em laudo técnico e foram feitos os esclarecimentos necessários para demonstrar essas características; b) o segundo laudo foi elaborado com a absoluta observação dos requisitos de validade mencionados na norma NBR 14.6533; c) foi anexada a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART); d) a propriedade está localizada na mais desvalorizada, senão pior, região do Município de Caiapônia/GO, pois lá existem grandes áreas totalmente imprestáveis à exploração, bastante montanhosa, pedregosa e arenosa, com baixo índice de aproveitamento agropecuário e severas limitações de uso, Fl. 319DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.721513/200991 Acórdão n.º 210201.717 S2C1T2 Fl. 244 3 razão pela qual não pode ser atribuído, genericamente, um valor com base no SIPT utilizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e) as grandes áreas de preservação permanente e reserva legal, com severas limitações de uso, praticamente imprestáveis à exploração, reduzem o valor da propriedade; f) o arbitramento foi inoportuno e totalmente despropositado, fruto do rigor excessivo do auditor que subscreve a notificação de lançamento, providência esta que somente deveria ser levada a efeito após esgotadas todas as outras formas de se apurar a matéria tributável; e g) o fisco nunca poderia ter arbitrado, de forma direta, o valor da terra nua com base num sistema absolutamente esdrúxulo – o SIPT – que, aleatória e genericamente, atribui o mesmo preço a diversos tipos de imóveis numa mesma região, sem análise de existência de construções, benfeitorias, curso de água e outros fatores como a qualidade da terra e o seu aproveitamento; É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Relator O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. No recurso apresentado pela contribuinte, resta o questionamento sobre a valorização do VTN pela média apurada no SIPT. Para o VTN foram apresentados os seguintes valores: • DITR, VTN declarado: R$ 25,31 (fl. 3) • Laudo Técnico de 05/2009, VTN médio: R$ 321,94/há (fl. 20/31); • Laudo Técnico de 03/2010, VTN médio: R$ 106,23 (fl. 162/181); • Valor apurado no SIPT: R$ 458,17 (fl. 5) A requerente apresentou dois laudos de avaliação. O primeiro, elaborado em maio de 2009, durante a ação fiscal, foi desconsiderado por não ter sido apresentado conforme estabelecido na NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). De acordo com o termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, os requisitos mínimos não foram obedecidos, prejudicando a análise. O segundo, apresentado antes do julgamento de primeira instância, apresenta o valor do imóvel na microregião onde está situada a propriedade no importe de R$ 4.249.509,92, sendo R$ 436,88 a média por hectare. Desse valor foi subtraído o preparo da terra para o cultivo, estimado em R$ 3.216.225,00, o que resultaria no Valor da Terra Nua em R$ 1.033.284,92 e o VTN médio, por hectare, de R$ 106,23. Entretanto, para se chegar ao valor de R$ 106,23 por hectare no segundo laudo, são atualizados os valores das pastagens cultivadas (que na DITR eram de R$ 1.750.000,00), reduzindose o valor da Terra Nua. Nos termos do § 2° do artigo 8º da Lei n° 9.393, de 1996, o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Verificandose subavaliação, a RFB procederá a correção do valor declarado. Essa orientação está respaldada no mandamento do artigo 14 da lei acima citada. Não está evidenciada nos autos, como alegado, a comprovação de que o imóvel possua características particulares desfavoráveis que justifiquem um VTN muito abaixo da média apontado no SIPT. Ademais, não se concebe que as terras tenham baixo nível de aproveitamento, já que o grau de utilização da terra constante da DITR 2005 (fl. 8) é superior a 85%. Isto posto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Fl. 321DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.721513/200991 Acórdão n.º 210201.717 S2C1T2 Fl. 245 5 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15504.002945/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. NÃO APLICAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SEM CORREÇÃO DA FALTA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No caso concreto, embora haja decadência parcial do período fiscalizado, por tratar-se multa única, não há que se falar na aplicação do instituto.
Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a não correção da falta impede a concessão do benefício de relevação.
Nos termos do Código Tributário Nacional, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-002.313
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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NÃO APLICAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SEM CORREÇÃO DA FALTA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso concreto, embora haja decadência parcial do período fiscalizado, por tratarse multa única, não há que se falar na aplicação do instituto. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a não correção da falta impede a concessão do benefício de relevação. Nos termos do Código Tributário Nacional, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva (ausente), Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.002945/200828 Acórdão n.º 2301002.313 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela CONSTRUTORA MINEIRA LTDA contra decisão que julgou procedente o lançamento de débito em desfavor do contribuinte, em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, posta no relatório fiscal, verbis: “A infração se caracteriza por ‘deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direita e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n.º 8.212, de 24.07.91.” (f. 17) 2. Ainda em consonância com o narrado na peça fiscal, o contribuinte não apresentou GFIP – Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, nem GRFP/GRFC – Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS e da Contribuição Social, referentes ao período de 09/2000 a 12/2004; apresentou GFIP e GRFP, referentes ao período de 01/1999 a 08/2000, com deficiência; e deixou de apresentar a RAIS referente aos anos de 1997 a 2004. Também não foram colocados à disposição do agente fiscalizador alguns documentos de Caixa solicitados. 3. A ementa da decisão recorrida restou lavrada nos termos que transcrevo a seguir: “MULTA POR INFRAÇÃO Á LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS Constitui infração ao artigo 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 deixar a empresa de exibir à fiscalização previdenciária os documentos ou livros solicitados, necessários à verificação de sua situação perante à Seguridade Social. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” (f. 34) 4. Irresignada com o julgamento a quo, a empresa apresentou recurso voluntário aduzindo, em síntese: a) é ilegal e inconstitucional a exigência do depósito recursal prévio no âmbito administrativo, devendo o recurso ser apreciado independentemente do depósito de 30%; b) os créditos imputados ao contribuinte antes de 01/01/01 foram alcançados pela decadência, já que o fisco tem o prazo de 5 anos para cobrar o crédito, nos termos do art. 173 do CTN. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 c) a não apresentação ou a apresentação deficitária dos documentos contábeis requeridos pela fiscalização não causaram prejuízo, pois tal fato não impediu que os débitos fossem lançados; d) inexistem circunstâncias agravantes em desfavor do contribuinte. Considerando que para caracterização de reincidência é necessária a prática da mesma infração, fato que não ocorreu, pois a autuação anterior foi em razão da apresentação de GFIPs com informações inexatas, incompletas ou omissas, fazendo jus à relevação ou atenuação da penalidade; e) por fim, alegou que a multa possui caráter confiscatório e abusivo, uma vez que a inconsistência das informações nos documentos apresentados, não causou prejuízo ao erário. Até porque o fisco pôde, perfeitamente, calcular o montante supostamente devido pela empresa nos períodos em que faltaram documentação. 5. Mesmo tendo tomado ciência do recurso apresentado pela recorrente, o fisco limitouse a encaminhar os autos à apreciação deste Conselho. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.002945/200828 Acórdão n.º 2301002.313 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 2. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 3. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista o estabelecido no Código Tributário Nacional. 4. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 5. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 8. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN, se aplica ao caso concreto. 9. Compulsando os autos, depreendese do Relatório Fiscal que o auto de infração lavrado contra o contribuinte foi recebido em 12/01/2006, referente às contribuições do período de 01/04/1997 a 31/12/2004, ficam alcançados pela decadência quinquenal os valores relativos às competências 04/1997 a 11/2000, incluindo o décimo terceiro, nos termos do art. 173, I, do CTN. Restando, entretanto, mantidas as competências 12/2000 a 12/2004. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.002945/200828 Acórdão n.º 2301002.313 S2C3T1 Fl. 4 7 10. Porém, no presente processo ocorreu a aplicação de uma multa única, assim, a menos que o período fiscalizado estivesse totalmente alcançado pela decadência, não há como aplicar o instituto no caso concreto. Dessa forma, passo à análise da demais questões recursais. DA APLICAÇÃO DA MULTA 11. Narra o relatório fiscal que “a empresa infringiu a Lei n.º 8.212, de 24.07.91, art. 33, parágrafo 2º, combinado com o art. 232 do regulamento da Previdência social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06.05.99, ao deixar de exibir as GFIP – Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de serviço e Informações à Previdência Social e GRFP/GRFC – Guia de recolhimento Rescisório do FGTS e da Contribuição Social, no período de 09/2000 a 12/2004, bem como sua apresentação deficiente de 01/1999 a 08/2000, também deixou de apresentar a RAIS para os Anos de Declaração de 1997 (a partir da comp. abril/início atividades) a 2004”. (fl. 17) 12. Para o calculo da multa devida pelo contribuinte em decorrência do descumprimento da obrigação acessória previdenciária, o fisco considerou que: “Ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048/99, por reincidência genérica, considerando a decisão de procedência – a empresa foi autuada por infração ao art. 32, inc. IV, §6º da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97 e o processo referente à infração – Auto de Infração n.º 35.535.7569, transitado em julgado em 16/07/2003. Em parte, ficaram configuradas as circunstâncias atenuante previstas no art. 291 do mesmo Regulamento, tendo a empresa corrigido as faltas relativas à apresentação GFIP com emissão dos documentos faltosos e entregues a Caixa Econ. Federal via Conectividade Social. Também em parte regularizou a entrega/registro dos Livros Diários, registrando os livros de 2002 a 2004 em ação fiscal, porém, deixando de apresentar e registrar o Diário ano 2005. Não apresentou demais documentos. (...) Diante da circunstância agravante configurada a multa fica elevada em duas vezes conforme determina inciso IV do art. 292 c/c art. 290 do RPS, passando para R$ 23.137,66 (vinte e três mil, cento e trinta e sete reais e sessenta e seis centavos).” 13. Assim, posta a obrigação, e como a empresa não demonstrou nos autos a correção do restante da infração, não há que se falar em relevação da multa, posto que o contribuinte não cumpriu com todas as condições necessárias para que fosse beneficiado com a aplicação do inciso I, do artigo 291, do Decreto 3.048/99. 14. Cumpre ressaltar que o cumprimento de obrigação acessória é determinado pelas normas previdenciárias e tributárias e independe da intenção dolosa ou culposa do contribuinte ou da existência ou não de danos ao Erário. É o que dispôs o artigo 136, do CTN: “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. 15. Dessa forma, mantenho a decisão de primeira instância neste ponto. DO AUTO DE INFRAÇÃO 16. Quanto ao procedimento de autuação realizado pela autoridade administrativa, não observo qualquer vício que venha causar lesão ao contribuinte, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 31 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72. 17. Além do mais, como pode ser verificado, a peça inicial encontrase fundamentada com a devida motivação requerida pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99, conforme se depreende da leitura das fls. 04/14. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a multa aplicada. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 35464.003457/2004-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C
DO CPC. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173
nas demais situações.
No presente caso, trata-se de contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada para serviços de cessão de mão-de-obra, em que o autuado foi considerado responsável solidário por ser o tomador do serviço e não comprovar o recolhimento dos tributos, e houve pagamento antecipado
pela empresa contratante, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-001.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. No presente caso, tratase de contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada para serviços de cessão de mãodeobra, em que o autuado foi considerado responsável solidário por ser o tomador do serviço e não comprovar o recolhimento dos tributos, e houve pagamento antecipado pela empresa contratante, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003457/200435 Acórdão n.º 9202001.925 CSRFT2 Fl. 292 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 09/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Conselheira Convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 20601.274, da 6a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes (fls. 161 a 168), julgado na sessão plenária de 03 de setembro de 2008, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência das contribuições apuradas. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999 PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OCORRÊNCIA. EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. JUROS. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4o do CTN. Recurso Voluntário Provido. Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração (fls. 173 a 174) indicando omissão no julgado, que, apesar de afirmar que existiu pagamento antecipado que levou à aplicação da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, não teria identificado, com base na prova dos autos, qual era esse pagamento. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003457/200435 Acórdão n.º 9202001.925 CSRFT2 Fl. 293 3 Com base em informações da relatora, os embargos não foram conhecidos por não terem logrado demonstrar a pretensa omissão (fls. 176 a 177), sendo importante destacar a seguinte argumentação: Considerando os embargos opostos pela Fazenda Nacional, permitome não lhe atribuir razão, porquanto não houve a contradição apontada. A aplicação do artigo 150 § 4o do CTN, deveuse, em verdade, da falta de comprovação pela fiscalização de que não houve antecipação de pagamento. É nesse ponto que a embargante vislumbra a ocorrência de contradição entre o decisum e as provas dos autos, afirmando que o processo não revela a existência de antecipação de pagamento, o que deslocaria a contagem do prazo decadencial para a norma encartada no inciso I do art. 173 do CTN. Em que pese o esforço da Fazenda Nacional em demonstrar a ocorrência de contradição no decisum embargado, deixo de concordar com sua tese. É muito comum nesse tipo de lançamento o fisco lançar apenas as bases de cálculo relativas aos fatos geradores em relação aos quais o autuado não se reconheceu como contribuinte ou responsável pelo recolhimento. Nessas situações essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se posicionado pela aplicação da regra do art. 150, § 4.°, do CTN, segundo a qual a contagem do prazo decadencial deve ter como marco inicial a ocorrência dos fatos geradores. Também tem sido esse o entendimento adotado quando, compulsandose os autos, não é possível concluir pela ocorrência ou não de antecipação de pagamento. Cientificada do resultado dos embargos, a Fazenda Nacional manejou recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova (fls. 180 a 192), com fulcro no artigo 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, admitido pelo despacho de fls. 193 a 194 do Presidente da 4a Câmara da 2a Seção. Aduz o recorrente que a conclusão do acórdão recorrido, no sentido de reconhecer a decadência para a totalidade dos fatos geradores ocorridos, apesar de não encontrar nos autos qualquer prova de pagamento, viola o art. 173, I, do CTN, e que não é possível aplicar a regra do artigo 150, §4°, do CTN no caso em apreço como se estivéssemos diante de uma presunção de pagamento antecipado em favor do contribuinte, que sequer se empenhou em demonstrar o que lhe competia. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 246 a 259), onde afirma que não foi comprovada a divergência jurisprudencial para a admissão do recurso especial, e que ocorreu a decadência do crédito tributário lançado, pois houve a antecipação do pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003457/200435 Acórdão n.º 9202001.925 CSRFT2 Fl. 294 4 Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte pede o não conhecimento do recurso por falta de comprovação da divergência jurisprudencial. Entretanto, há que se esclarecer que se trata de recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova, com base no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, que ainda pode ser manejado contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009, nos termos do artigo 4° do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para esse tipo de recurso, a comprovação de divergência jurisprudencial não é prérequisito, sendo apenas necessário que a decisão seja não unânime e que se comprove possível contrariedade à lei, condições verificadas no despacho de admissibilidade. Assim, rejeito a preliminar de defesa suscitada. O mérito da discussão diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003457/200435 Acórdão n.º 9202001.925 CSRFT2 Fl. 295 5 PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003457/200435 Acórdão n.º 9202001.925 CSRFT2 Fl. 296 6 Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. Foi esse o entendimento adotado no acórdão recorrido, e com ele está de acordo a Fazenda Nacional. A polêmica está na existência, ou não, de pagamento antecipado. No caso em tela, por se tratar de contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada para serviços de cessão de mãodeobra, em que o autuado foi considerado responsável solidário por ser o tomador do serviço e não comprovar o recolhimento dos tributos, devese verificar se houve algum pagamento referente às contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos empregados da empresa prestadora de serviços. O acórdão recorrido percebeu que a inexistência de pagamento antecipado implica a aplicação de regra de decadência menos favorável ao contribuinte, sendo portanto obrigação do Fisco demonstrar esse fato. Desse modo, não existindo nos autos provas de que não houve recolhimento antecipado, concluiu que deve se presumir a sua existência, e se utilizar a regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN. Já a Fazenda Nacional afirma que não se pode presumir a existência do pagamento, sendo ônus do contribuinte demonstrar o fato que lhe é favorável, e que, no presente caso, ele teve todas as oportunidades de trazer a prova do recolhimento antecipado, mas que não o fez. Em suma, a discussão se resume a saber a quem cabe comprovar a existência, ou não, de pagamento antecipado: se à autoridade lançadora ou ao sujeito passivo. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003457/200435 Acórdão n.º 9202001.925 CSRFT2 Fl. 297 7 Após intensa discussão na sessão de julgamento, fui convencido de que é possível se considerar, para fins de apuração da decadência, os recolhimentos de tributos da contratante, pois ela foi trazida à relação tributária como responsável solidária, o que faz com que o fato gerador seja único. Desta forma, considero que os pagamentos efetuados pela empresa contratante (fls. 20 a 23) devem ser considerados como recolhimentos antecipados, com a consequente aplicação da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001170/99-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997
DESPESAS NÃO COMPROVADAS.
Os descontos financeiros concedidos devem estar amparados em
documentação hábil e idônea, que demonstrem a ocorrência do fato que justifique a ocorrência do desconto.
DESPESAS INDEDUTÍVEIS.
As despesas com a viagem, hospedagem e inscrição em congressos médicos, de pessoas estranhas ao quadro de funcionários da empresa, não são dedutiveis para fins de apuração do lucro real.
IRPJ E CSLL. RECONSTITUIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Deve ser reconstituída a base de cálculo apurada na declaração de
rendimentos apresentada, considerando as infrações apuradas no curso da ação fiscal.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do
lançamento decorrente.
MULTA FISCAL PUNITIVA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do CTN e do art. 5º do Decreto Lei 1592/1977, restringe-se
aos tributos não pagos pela sucedida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1801-000.751
Decisão: .Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso nos termos do voto do Relator
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996, 1997 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Os descontos financeiros concedidos devem estar amparados em documentação hábil e idônea, que demonstrem a ocorrência do fato que justifique a ocorrência do desconto. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. As despesas com a viagem, hospedagem e inscrição em congressos médicos, de pessoas estranhas ao quadro de funcionários da empresa, não são dedutiveis para fins de apuração do lucro real. IRPJ E CSLL. RECONSTITUIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Deve ser reconstituída a base de cálculo apurada na declaração de rendimentos apresentada, considerando as infrações apuradas no curso da ação fiscal. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente. MULTA FISCAL PUNITIVA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do CTN e do art. 5º do DecretoLei 1592/1977, restringese aos tributos não pagos pela sucedida.. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Fl. 412DF CARF MF Emitido em 08/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 08/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 .Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edijalmo Antonio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 413DF CARF MF Emitido em 08/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 08/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.001170/9981 Acórdão n.º 1801000.751 S1TE01 Fl. 392 3 Relatório Adoto o relatório da DRJ: Relatório: ST JUDE MEDICAL BRASIL LTDA, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento fiscal. 2. Durante a realização dos trabalhos de auditoria fiscal, o autuante verificou as seguintes irregularidades, nos anos calendário de 1996 e 1997, descritas no Termo de Verificação Fiscal, fl. 46: 2.1.falta de entrega da DIRPJ do anocalendário de 1996, relativa ao período entre 01/01 a 31/08, da empresa sucedida CHO4M Comercial Ltda.; 2.2.descontos concedidos a clientes, sem que fosse obedecida a legislação de regência. Foram glosados os seguintes valores: R$ 20.637,42 (1996) e R$ 341.552,51 (1997); 2.3.despesas operacionais relacionadas a pessoas não vinculadas à empresa. Foram glosados os seguintes valores: R$ 17.713,14 (1996) e R$ 143.241,83 (1997); • 3. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados, em 18/08/99, os seguintes autos de infração: 3.1.Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 50/52): Total do crédito tributário, R$ 266.009,70, incluídos o tributo, multa, juros de mora e a multa por atraso na entrega da DIRPJ. Fundamento legal: artigos 195, I; 197, parágrafo único; 242; 243; 247 e 999, II, alínea "a", todos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) aprovado pelo Decreto n° 1.041/94. 3.2.Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 55/56): Total do crédito tributário, R$ 61.906,38, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 2° e parágrafos da Lei n° 7.689/88; artigo 19 da Lei n° 9.249/95; artigo 28 da Lei n° 9.430/96; artigo 57 da Lei n° 8.981/95 com a redação dada Fl. 414DF CARF MF Emitido em 08/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 08/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 pelo artigo I° da Lei n° 9.065/95 e artigo 1° da Lei n° 9.316/96. 4. O contribuinte apresentou defesa de fls. 59/81 e 176/190, em 17/09/99, alegando em síntese que: 4.1.0 auto de infração é nulo, já que a fiscalização não observou todos os documentos contábeis do contribuinte, posto que havia prejuízos fiscais e base de • cálculo negativa da CSLL, 4.2.os descontos incondicionais não integram a apuração do IRPJ, pois são parcelas redutoras de venda. Mesmo raciocínio deveria ser aplicado aos descontos condicionais, já que não geram qualquer renda às empresas. Assim, tributar estes valores, significa tributar o patrimônio da empresa; 4.3.o art. 227 do RIR/94 não impõe qualquer requisito à exclusão dos descontos incondicionais; 4.4.os descontos são considerados despesas operacionais, a bem da verdade sequer faz parte da renda; 4.5.a legislação vigente não determina qualquer forma específica de comprovação da existência destes descontos, assim para que a fiscalização alegue a ocorrência de omissão de receitas deve verificar todas as formas possíveis da sua existência, entre eles perícia e consulta aos clientes, não apenas presumindo a omissão, em face da inexistência de sua identificação nas notas fiscais. O ônus da prova é de quem alega; 4.6.anexa duplicatas, com os descontos concedidos em destaque; 4.7.o principio do contraditório e a presunção de inocência até prova em contrário seriam desprezados se admitida a presunção como meio de prova; 4.8.comercializa diversos equipamentos médicos, muitos deles inovadores. Assim os congressos e conferências são necessários para que os médicos assimilem as novas tecnologias. Neste eventos divulgamse e até aperfeiçoam se os produtos negociados pela empresa; 4.9.a empresa terá dificuldade em negociar seus equipamentos se os médicos desconhecem o produto; 4.10.as despesas glosadas são necessárias, usuais e inerentes à atividade da empresa, nos termos do art. 242 do RIR/94 e PNCST n°32/81; 4.11 as despesas glosadas são necessárias para a atualização e publicidade de seus produtos; Fl. 415DF CARF MF Emitido em 08/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 08/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.001170/9981 Acórdão n.º 1801000.751 S1TE01 Fl. 393 5 4 12 a falta de entrega da DIRPJ de empresa sucedida é infração meramente formal de fácil retificação e que não acarretou prejuízo ao Fisco, já que a sucedida estava inativa, não auferindo renda; 4.13.não cometeu nenhuma infração e não pode ser punida com a exigência de multa e juros, já que não há IRPJ a pagar, em razão da compensação que deve ser efetuada; 4.14.a multa é confiscatária e ofende aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; 4.15.a penalidade em relação à falta de entrega da D1RPJ foi fixada em seu patamar máximo R$ 6.629,60, sendo que o contribuinte jamais deixou de cumprir suas obrigações fiscais; 4.16.a aplicação das penalidades é ilegal e inconstitucional; 4.17.não houve omissão de receitas ou qualquer dedução ilegal, assim por falta de suporte fático e legal deve ser afastada a exigência das multa4.18.exigir penalidade sem que se tenha praticado qualquer ato que resulte em falta de recolhimento de tributo, significa confisco. Ademais, a alíquota de 75% é abusiva; 4.18.exigir penalidade sem que se tenha praticado qualquer ato que resulte em falta de recolhimento de tributo, significa confisco. Ademais, a alíquota de 75% é abusiva; 4.19.cita decisões judiciais e administrativas, além de obras de doutrinadores que amparam sua defesa; 4.20.requer a realização de perícia contábil, nomeia seu perito e formula os quesitos; • 4.21 protesta pela juntada de novos documentos; 4.22.requer o cancelamento dos autos de infração. Ao julgar a impugnação, a DRJ verificou (fls 287/292), que nos anos calendários de 1996 e 1997, a recorrente dispunha de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, que não foram consideradas pela fiscalização e, em decorrência, fez a reconstituição de ofício, o que fez com que não reste valor tributável. Informou que os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, a serem utilizados de ofício, não foram compensados nos anoscalendários subseqüentes, e intimou a recorrente a promover os ajustes em sua escrituração fiscal. Fl. 416DF CARF MF Emitido em 08/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 08/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Com o Acórdão 04.996, de 11 de março de 2004, manteve o lançamento em parte, exonerou os valores lançados de IRPJ e CSLL e manteve a multa por atraso na entrega da DIPJ da empresa sucedida. Cientificada do Acórdão em 10 de março de 2008, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08 de abril de 2008, onde alega: I – nulidade do lançamento, pois a fiscalização não examinou todos os documentos fiscais e contábeis da recorrente, posto que não constatou prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL no período de autuação. Tal verificação somente ocorreu por ocasião da decisão administrativa de 1ª instância; II – a fiscalização não poderia exigir os tributos de se cuida sobre base de cálculo inexistente. Se o IR e a CSLL incidem sobre acréscimo patrimonial, não pode de forma alguma ser exigido tal imposto quando há diminuição do patrimônio, que pode configurar uma tributação às avessas; III – a fiscalização deveria ter analisado as Declarações de IRPJ e CSLL dos anoscalendários de 1996 e 1997, ocasião em que seria verificada de plano (e não por meio de revisão de ofício, efetuada tãosomente em razão da Impugnação apresentada pela Recorrente) a existência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, o que, por si só, elidiria a exigência fiscal;; IV o Auto de Infração é passível de nulidade, uma vez que não observou todo os fatos ocorridos antes de proceder ao lançamento de suposto IRPJ e CSLL devidos, ante à glosa de deduções efetivadas que, aliás, são plenamente válidas. Cita decisões do Conselho de Contribuintes V – o Auto de Infração deve conter todos os elementos para que o acusado possa identificar qual foi a infração que teria sido cometida e para que possa, no termos da lei, se defender das acusações e demonstrar os motivos de seu procedimento, na busca da verdade e da legalidade; VI – a acusação revela vício que compromete sua validade, haja vista que o devido processo legal não foi respeitado, não tendo sido colhidas provas necessárias à elucidação dos fatos e desconsiderados argumentos decisivos para a aplicação da legislação ao caso. Pó esse motivo, merece ser reconhecida a nulidade dos Autos de Infração, por não corresponderem à realidade fática observada; VII – a decisão recorrida reconhece que a Recorrente não possuía tributo a pagar no período autuado, mas mesmo assim determina que reconstitua sua contabilidade para refletir os valores glosados pela fiscalização; VIII – se o Auto de Infração é lavrado de forma incorreta, o que comprova sua nulidade, não merece prosperar a determinação contida na decisão para refazer a contabilidade e compensados os prejuízos fiscais; IX –a determinação deveria constar de plano dos Autos de Infração, não podendo a decisão de 1ª Instância suprir tal nulidade, por meio de verdadeiro lançamento. Assim, a decisão de 1ª Instância merece ser reformada acatando a preliminar de nulidade ventilada pela Recorrente na impugnação; X – apesar da nulidade alegada, tendo em vista a desconsideração dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativo da CSLL apurados nos períodos base de 1996 e Fl. 417DF CARF MF Emitido em 08/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 08/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.001170/9981 Acórdão n.º 1801000.751 S1TE01 Fl. 394 7 1997, a Recorrente elenca , a título de argumentação, citando dispositivos legais e decisões do Conselho de Contribuintes, os motivos que demonstram, no seu entendimento, a correção de sua atitude ao efetuar a dedução de descontos a clientes e das despesas necessárias à manutenção de sua atividade própria; XI – não pode ser responsabilidade pelo pagamento de multa isolada em razão do descumprimento de obrigação tributária por empresa sucedida, tendo por base o disposto no artigo 132, que obriga o pagamento de tributos, mas não de multa.Cita decisões do STF e do Conselho de Contribuintes; XII protestando por todos os meios de prova admitidos para demonstrar a nulidade e total improcedência da exigência fiscal que lhe é formulada, inclusive pela posterior e oportuna juntada de documentos, a Recorrente pleiteia o deferimento integral do presente Recurso Voluntário, a realização de perícia e a reforma da r. decisão ora recorrida, de forma a cancelar 0110 (i) a determinação para que a Recorrente proceda a ajustes em sua contabilidade decorrente da glosa de despesas pelas DD. Autoridades Administrativas; e (ii) a exigência da multa isolada, mantida na decisão de primeira instância, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo. É o relatório. Fl. 418DF CARF MF Emitido em 08/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 08/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso é tempestivo e dele conheço. Inicialmente, registrese que a compensação é uma faculdade do contribuinte. O Objeto Social da Recorrente, de acordo com a cláusula 3 do seu contrato social é: 3. O objeto social compreende: (a) a industrialização, comercialização, distribuição, manutenção, e importação e exportação de válvulas cardíacas implantáveis, marcapassos (b) cardíacos e seus eletrodos, programadores e equipamentos correlatos, cateteres e introdutores de cateteres, desfibriladores cardíacos implantáveis e seus eletrodos, bem como neuro estimuladores implantáveis e seus eletrodos; e _ (b) a participação em outras sociedades. Três questões são colocadas neste Recurso Voluntário: I – a nulidade do lançamento; II – as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela decisão de 1ª Instância; e III – a manutenção da multa pela falta de entrega da DIPJ da empresa sucedida. A alegada nulidade do lançamento pela Recorrente não deve prosperar, eis que ausentes as situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1971. O fato de a fiscalização não ter considerado a base negativa de CSLL nos anoscalendários de 1996 e 1997 em nada prejudicaram a contribuinte, pois houve o aproveitamento, de ofício pela decisão de 1ª Instância. Ausente também cerceamento do direito de defesa, alegado pela recorrente, tanto é assim que ela impugnou o lançamento e apresentou Recurso Voluntário tempestivamente, expondo todas as suas argumentações. Rejeito portanto a nulidade do lançamento. Passo a análise das glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela decisão de 1ª Instância. A fiscalização glosou diversas despesas relacionadas à conta "congressos e conferências", entre elas, gastos com viagens e hospedagens, por entender que não eram Fl. 419DF CARF MF Emitido em 08/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 08/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.001170/9981 Acórdão n.º 1801000.751 S1TE01 Fl. 395 9 necessárias à atividade da empresa e à manutenção de sua atividade, tendo em vista que eram gastos com pessoas não vinculadas à empresa. O contribuinte alega que em decorrência da natureza da atividade desenvolvida pela empresa, produção e comercialização de equipamentos •médicos, era obrigado a promover congressos e conferências, para que os potenciais consumidores conhecessem e se habituassem com os seus produtos comercializados, o que facilitaria futuras negociações. A dedutibilidade de despesas operacionais é tratada pelo RIR/94, em artigo 242: "Art. 242. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n.° 4506/64, art. 47). § 1 0 São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n°4.506/64, art. 47, sç I °). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei a°4.506/64, art. 47, § 2°). Entendo que a empresa precisa participar de congressos e feiras para divulgar seus produtos, cujas despesas são dedutíveis, mas as despesas com pessoas estranhas ao quadro da empresa para participar desses congressos e feiras não são dedutíveis, o que levou a glosa por parte da fiscalização. Relativamente aos descontos concedidos são dedutíveis os incondicionais, ou seja, aqueles que reduzem o preço do produto e consta do documento de venda. Essa modalidade de desconto ocorre, geralmente, pela venda de grande quantidade do produto ou de sua má qualidade. Os chamados descontos condicionais ou financeiros, normalmente vinculados à antecipação do pagamento, não constam do documento fiscal e não reduzem o preço de venda do produto. Esses descontos não são dedutíveis. Os descontos glosados eram descontos condicionais ou financeiros, conforme relatado pela fiscalização. Assim, improcedentes as alegações da recorrente que as considerava despesas incondicionais. Corretas, portanto, as glosas das despesas efetuadas com pessoas estranhas ao quadro da empresa e aos descontos financeiros concedidos. Relativamente à multa aplicada , decorrente de falta de apresentação de DIPJ pela sucedida, cabe razão à Recorrente para não ser penalizada pelo seu pagamento, conforme se depreende do julgado a seguir: CSLL RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decreto nº Fl. 420DF CARF MF Emitido em 08/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 08/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 1.598/1977, art. 5º) restringese aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, tratase de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. Preliminares rejeitadas. Recurso provido( Acórdão nº 10808672 do Processo 10680000591200407Data09/12/2005 – 1º CC 8ª Turma) Diante do exposto voto para dar parcial provimento ao recurso, apenas para excluir do lançamento o valor da multa pela falta de entrega da DIPJ da empresa sucedida. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal . Fl. 421DF CARF MF Emitido em 08/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 08/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001896/2007-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/2001 a 09/2001 e 11/2001 e 12/2001
DECADÊNCIA-CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos relativos à contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, o prazo se inicia da data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.413
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Ronaldo Lima de Macedo, que dava provimento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
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Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/2001 a 09/2001 e 11/2001 e 12/2001 DECADÊNCIACONTRIBUIÇOES PREVIDENCIÁRIAS É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos relativos à contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, o prazo se inicia da data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Ronaldo Lima de Macedo, que dava provimento. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 18/04/2011 Fl. 240DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado pela autoridade fiscal cujo sujeito passivo é a empresa em epígrafe. Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 29/36, a notificação referese à remuneração de segurados empregados paga por meio de premiações na modalidade Top Premium, referente ao período de 01/2001 a 09/2001, 11/2001 e 12/2001, no valor de R$ 98.974,90. O crédito foi constituído, DEBCAD: 37.006.0687, e consolidado em 26/04/07, tendo sido cientificado o contribuinte em 27/04/2007, fl. 27. Apresentada a impugnação e analisada pela autoridade competente, o lançamento foi julgado procedente conforme Acórdão nº: 1217.263 exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento I (RJ), fls. 110/122. Irresignado, o sujeito passivou interpôs recurso voluntário, fls. 129/151 que, após apreciação pela 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, foi provido conforme acórdão nº 240100.855, fls. 154/162, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador Tendo tomado ciência do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra decisão não unânime alegando contrariedade à lei ou à evidência da prova, tempestivamente, fls. 165/180, em relação à matéria decadência. No entendimento da Fazenda Nacional, o acórdão merece reforma, visto ter negado vigência ao art. 173, I, do CTN, bem como aplicado indevidamente o art. 150, § 4º, do CTN, situação que implica manifesta violação dos preceitos legais bem como entendimento já manifestado no CARF em outros colegiados. Acrescenta que a aplicação dessas normas está umbilicalmente associada à verificação do pagamento parcial antecipado das contribuições objeto de cobrança, ou não. Além disso, a decisão recorrida sustenta que, em havendo pagamento antecipado do tributo como um todo, pode ser considerada a guia de recolhimento genérica das contribuições previdenciárias, autorizando a contagem do prazo decadencial na espécie Fl. 241DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.001896/200747 Acórdão n.º 920201.413 CSRFT2 Fl. 395 3 conforme disposto no art. 150, § 4º do CTN. Tal entendimento, entretanto, não é a melhor interpretação a ser conferida ao caso concreto, haja vista a necessidade de individualizar o recolhimento antecipado para os fatos geradores objeto do lançamento, ou seja, referente às rubricas constantes da NFLD em comento. O recurso foi admitido por meio de despacho, fls. 205/206, sob o fundamento de que merece acolhimento, haja vista ter ficado demonstrado a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e o paradigma , estando assim configurada a divergência jurisprudencial apontada. Em contrarazões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme análise cujo seguimento foi autorizado pelo ilustre presidente do órgão a quo, conforme consta às fls.205/206, e por estar de acordo com esse entendimento, conheço do recurso. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação desta Turma da Câmara Superior referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito previdenciário lançado e discutido no presente lançamento, tendo por base o entendimento manifesto a partir da edição da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, publicada no Diário Oficial da União, de 20/06/2008, em consonância com as disposições do art. 103A da Constituição Federal, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.5691997 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). O art. 2º da Lei nº 11.417, de 19/12/2006, que regulamenta o dispositivo constitucional supratranscrito, assim dispõe sobre os efeitos da Súmula Vinculante editada pelo Supremo Tribunal Federal: Fl. 242DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Quanto ao teor da Súmula Vinculante editada, esta declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que previam, respectivamente, prazos decadencial e prescricional de 10 anos para as contribuições devidas à Seguridade Social. O fundamento da decisão foi que lei ordinária não pode dispor sobre prazos de decadência e prescrição de tributo, questões reservadas à lei complementar (artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal). Além do entendimento manifesto pelo Supremo Tribunal Federal, para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 243DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.001896/200747 Acórdão n.º 920201.413 CSRFT2 Fl. 396 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 Fl. 244DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento. Ante o exposto, constatase que durante a ação fiscal foram analisadas guias de recolhimentos relacionadas às folhas de pagamento da empresa que não incluíram a rubrica objeto do presente lançamento, conforme consta à fl. 27, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, razão pela qual o prazo decadencial a ser aplicado, considerando os dispositivos retro mencionados, é o quinquenal contado do fato gerador, isto é, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, haja vista ter ocorrido a antecipação de pagamento pelo sujeito passivo dos valores relacionados aos demais itens da folha de pagamento consolidada. Assim, considerando que foi demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial a ser aplicado é o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, razão pela qual VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL. Francisco Assis de Oliveira Júnior (Assinado digitalmente) Fl. 245DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.001896/200747 Acórdão n.º 920201.413 CSRFT2 Fl. 397 7 Fl. 246DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10980.015232/99-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO.
Constatada omissão, quando do julgamento do Recurso Especial apresentado pela PGFN, consubstanciada pela ausência de pronunciamento acerca de argumento da Recorrente no sentido de se excluir a atualização de ressarcimento de crédito presumido pela taxa SELIC, deve ser promovida a complementação do Acórdão.
Embargos acolhidos para suprir a omissão do julgado.
TAXA SELIC.
Inexiste previsão legal para atualização de valores pertinentes a ressarcimento de créditos presumido de IPI. A ausência de autorização legal impede a correção desses créditos.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-001.245
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, para sanar a omissão da aplicação da taxa Selic no ressarcimento, no Acórdão nº CSRF/02-690, que passa a ter a seguinte decisão: “I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Josefa Maria Coelho Marques, Antonio Carlos Atulim e Henrique Pinheiro Torres, que davam provimento; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que admitiam a atualização monetária sobre o ressarcimento com a utilização da taxa Selic, a partir da data de protocolização do respectivo pedido de ressarcimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.”
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. Constatada omissão, quando do julgamento do Recurso Especial apresentado pela PGFN, consubstanciada pela ausência de pronunciamento acerca de argumento da Recorrente no sentido de se excluir a atualização de ressarcimento de crédito presumido pela taxa SELIC, deve ser promovida a complementação do Acórdão. Embargos acolhidos para suprir a omissão do julgado. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para atualização de valores pertinentes a ressarcimento de créditos presumido de IPI. A ausência de autorização legal impede a correção desses créditos. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, para sanar a omissão da aplicação da taxa Selic no ressarcimento, no Acórdão nº CSRF/02-690, que passa a ter a seguinte decisão: “I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Josefa Maria Coelho Marques, Antonio Carlos Atulim e Henrique Pinheiro Torres, que davam provimento; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que admitiam a atualização monetária sobre o ressarcimento com a utilização da taxa Selic, a partir da data de protocolização do respectivo pedido de ressarcimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.”
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. Constatada omissão, quando do julgamento do Recurso Especial apresentado pela PGFN, consubstanciada pela ausência de pronunciamento acerca de argumento da Recorrente no sentido de se excluir a atualização de ressarcimento de crédito presumido pela taxa SELIC, deve ser promovida a complementação do Acórdão. Embargos acolhidos para suprir a omissão do julgado. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para atualização de valores pertinentes a ressarcimento de créditos presumido de IPI. A ausência de autorização legal impede a correção desses créditos. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes, para sanar a omissão da aplicação da taxa Selic no ressarcimento, no Acórdão nº CSRF/02690, que passa a ter a seguinte decisão: “I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Josefa Maria Coelho Marques, Antonio Carlos Atulim e Henrique Pinheiro Torres, que davam provimento; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que admitiam a atualização monetária sobre o ressarcimento com a utilização da taxa Selic, a partir da data de protocolização do respectivo Fl. 267DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 pedido de ressarcimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.” Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Tereza Martínez López Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Beatriz Veríssimo de Sena, Gilson Macedo Roseburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande, contra Acórdão CSRF/0202.690, sob o entendimento de ter ocorrido omissão de julgamento sobre a incidência da Taxa SELIC sobre o ressarcimento. O interessado apresentou, em 23.09.99, Pedido de Ressarcimento do Crédito Presumido do IPI relativo às exportações (Lei n° 9.363/96), correspondente ao segundo trimestre de 1997 (fls. 01), acompanhado da respectiva Documentação de fls. 02 a 83. Após as diligências da fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Curitiba PR, foi proferido o despacho decisório dessa unidade da administração tributária federal, em 19.05.2000 (fls. 97), tomando por base as conclusões da fiscalização (fls. 92 a 96) e reconhecendo, parcialmente, o direito creditório; decisão da qual foi cientificado o peticionário em 23.05.2000, às fls. 97. Inconformada, a contribuinte impugnou tal despacho, por instrumento apresentado em 23.06.2000 (fls. 98 a 107). A decisão de primeira instância, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba PR, datada de 26.07.2000, tomou conhecimento da impugnação para, na seqüência, indeferir o pleito do sujeito passivo (fls. 109 a 117). Cientificado da decisão monocrática por Aviso de Recebimento de 05.09.2000 (fls. 119), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário para o Conselho de Contribuinte em 03.10.2000 (fls. 120 a 130), reiterando os seus argumentos. Por meio do Acórdão nº 20174618, em Sessão de 22.05.2001, em apertada síntese, foi lhe dado parcial provimento. A D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de duas matérias: (i) Quanto à aquisição de matérias primas de pessoas físicas e de cooperativa, e (ii) quanto à utilização da Taxa SELIC no ressarcimento. O Acórdão da CSRF embargado tratou apenas da primeira questão. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.015232/9989 Acórdão n.º 930301.245 CSRFT3 Fl. 268 3 Por meio de sorteio, esta Conselheira foi designada “ad hoc” para o exame da matéria, nos termos do § 7º, art. 49, anexo II, da Portaria MF 256/2009. É a síntese do relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme relatado, tratase de interposição de embargos de declaração sob entendimento de ter ocorrido omissão de ponto de que esta Eg. CSRF deveria ter se manifestado. Por meio do Acórdão nº 20174618, em Sessão de 22.05.2001, em apertada síntese, foi lhe dado parcial provimento. A D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de duas matérias: (i) Quanto à aquisição de matérias primas de pessoas físicas e de cooperativa, e (ii) quanto à utilização da Taxa SELIC no ressarcimento. O Acórdão da CSRF/0202.690, de 24/04/2007, ora embargado tratou apenas da primeira questão. Assiste portanto razão à embargante. De fato a CSRF deixou de apreciar a matéria SELIC no ressarcimento, razão pela qual acolho os embargos declaratórios face à omissão apresentada. DA TAXA SELIC A decisão recorrida deu provimento quanto à utilização da SELIC no ressarcimento. Há de se observar ter a contribuinte, ora interessada, solicitado inicialmente a SELIC desde abril de 1997, e não da data da protocolização do pedido. O cerne da questão diz respeito à respectiva atualização monetária, a partir da protocolização do pedido de ressarcimento de créditos de IPI. Penso parcialmente equivocado o raciocínio externado pela Fazenda Nacional. Ressalto conhecer da existência de Jurisprudência cristalina dos Tribunais Superiores no sentido de que crédito escritural não deve ser sujeito à atualização. Não é o caso quando a decisão administrativa reconhece o direito a partir do protocolo do pedido administrativo de ressarcimento de crédito de IPI. Aliás, a partir do protocolo de pedido de restituição de determinada importância, passa a ser a referida importância, uma dívida. Como dívida, ressalvase um outro aspecto importante. A demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. Cabe também asseverar que não se discute se correção monetária é mera recomposição do poder aquisitivo da moeda, fato este constatado pela jurisprudência dos Fl. 269DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Tribunais Superiores, a exemplo dos seguintes julgados: RE nº 93.415/RS, RE nº 893837/RJ, RE nº 77.803/RS. Penso, que a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais. A negativa de aplicação da taxa SELIC, nos ressarcimentos de crédito do IPI, por parte dos julgadores administrativos tem sido fundamentada em duas linhas de argumentação: uma, com o entendimento de que seria indevida a correção monetária, por ausência de expressa previsão legal, e a outra considera cabível a correção monetária até 31 de dezembro de 1995, por analogia com o disposto no art. 66, § 3o, da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, não admitindo contudo a correção a partir de 1o de janeiro de 1996, com base na taxa SELIC, por ter ela natureza de juros e alcançar patamares muito superiores à inflação efetivamente ocorrida. Não comungo nenhum desses entendimentos, pois, sendo a correção monetária mero resgate do valor real da moeda, é perfeitamente cabível a analogia com o instituto da restituição para dispensar ao ressarcimento o mesmo tratamento, como o faz a segunda linha de argumentação acima referida, à qual não me alio porque, no meu entender, a extinção da correção monetária a partir de 1o de janeiro de 1996 não afasta, por si só, a possibilidade de incidência taxa SELIC os ressarcimentos. Entendo que, se sobre os indébitos tributários incidem juros moratórios, também nos ressarcimentos, analogamente à correção monetária, esses juros são cabíveis. Registrese, entretanto, que os indébitos e os ressarcimentos se diferenciam no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder a essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco. Destarte, podese afirmar que a obrigação de ressarcir em espécie nasce para o Fisco apenas a partir desse pedido, portanto, somente com a protocolização do pedido de ressarcimento, podese falar em ocorrência de demora do Fisco em ressarcir o contribuinte, havendo, pois, a possibilidade de fluência de juros moratórios. Ademais, o simples fato de a taxa de juros eleita por lei para a administração tributária ser compensada pela demora no pagamento dos seus créditos e compensar o contribuinte pela demora na devolução do indevido alcançar patamares superiores ao da inflação não pode servir à negativa de compensar o contribuinte pela demora do Fisco no ressarcimento. Alguns poderiam questionar o por quê da escolha da taxa SELIC. Penso que a sua aplicação vai de encontro ao adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, “os juros” são devidos por representar remuneração do capital, que permaneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.015232/9989 Acórdão n.º 930301.245 CSRFT3 Fl. 269 5 Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa SELIC reflete a melhor opção. Devida assim a atualização monetária, somente a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Portanto, diante do exposto dou provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, eis que esta Conselheira admite a atualização somente a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de: I acolher os embargos declaratório com efeitos infringentes para retificar o AC. CSRF/0202.690, de 24/04/2007, para: II no mérito, dar provimento parcial ao recurso da Fazenda, no que diz respeito à atualização do ressarcimento do credito presumido pela Taxa SELIC, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado O Colegiado, por unanimidade de votos, conheceu dos embargos de declaração, com efeitos infringentes para suprir a omissão e enfrentar a questão da incidência de correção monetária sobre eventuais créditos a ressarcir ao sujeito passivo. Nesse ponto discordo do entendimento da nobre relatora, pelas razões seguintes: esse tema tem sido objeto de acirrados debates no Segundo Conselho de Contribuintes e nesta turma da CSRF, ora prevalecendo a posição da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição dos Colegiados. A meu sentir, a posição mais consentânea com o bom direito é a da não incidência de correção monetária desses créditos, visto que, contra tal pretensão, há o fato intransponível da inexistência de previsão legal que autorize a atualização. A Lei concessiva do benefício (Lei 9.363/1996) foi absolutamente silente em relação ao tema. A Instrução Normativa SRF nº 125, de 07/12/89, que trata dos créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI, ao prever o ressarcimento em dinheiro dos créditos excedentes aos débitos, não faculta a hipótese de utilização da correção monetária nesses créditos. Aliás, mandou que se corrigisse monetariamente apenas a importância recebida Fl. 271DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 a maior, nos casos em que a requerente, comprovadamente, tenha obtido ressarcimento indevido. Assim, na legislação específica desse benefício não há previsão legal autorizando a correção monetária do valor a ser ressarcido. Resta, agora, analisar a parte geral da Legislação para verificar se há previsão para que se atualizem os créditos do IPI. O RIPI/98, que reproduz a legislação do IPI não traz qualquer autorização para que se corrijam valores a ressarcir. A lei 9.779/1999 que modificou a sistemática de utilização de créditos de IPI não deu qualquer abertura para que se corrigissem eventuais ressarcimentos. A IN SRF nº 33/1999, que cuidou, dentre outros temas, do direito a ressarcimento trimestral do saldo credor de IPI, não previu qualquer hipótese de atualização desses créditos. Confirmase, assim, não haver previsão legal para proceder a correção monetária do crédito de IPI, e de outra forma não poderia ser, pois na sistemática de crédito criada pelo legislador ordinário, para atender o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, onde se abate o imposto efetivamente pago nas operações anteriores do IPI devido na operação seguinte, não há lugar para a correção monetária, pois consistiria numa redução do IPI a recolher sem base legal ou lógica. Ora, se não é admissível a correção do crédito utilizado para abater do imposto devido, tampouco haveria razão para se permitir a correção do crédito a ser ressarcido. Também a Lei 8.383/91, que instituiu a UFIR como medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos, multas e penalidades de qualquer natureza, previstos na legislação tributária federal, não tratou da correção do crédito do IPI. O art. 66, § 3º dessa Lei, ao contrário do alegado, não é o suporte legal para a correção monetária dos créditos a lhe serem restituídos. Tal dispositivo trata dos casos de repetição do pagamento indevido ou da parcela paga a maior. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Destaque não presente no original). Decorre dos princípios da hermenêutica que na interpretação das normas jurídicas não se pode dissociar o parágrafo do caput do artigo, a interpretação deve ser integrada, sistêmica e não isoladamente, de tal forma que o parágrafo complete o sentido do artigo ou acrescente exceções ao seu enunciado. Assim, o § 3º supracitado ao estabelecer que o valor da compensação ou da restituição serão corrigidos, está completando o sentido do caput do art. 66 que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi assim estabelecida no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.015232/9989 Acórdão n.º 930301.245 CSRFT3 Fl. 270 7 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Ora, ao reportarse ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, o dispositivo legal acima transcrito restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais. Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos Processo nº 10980.015232/9989 Acórdão n.º 930301.245 CSRFT3 Fl. 274 8 créditos decorrentes de estímulos fiscais; portanto, não é lícito estender o alcance desse dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida. Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao tratar sobre pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento , ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de3 decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. (Grifouse). Fl. 273DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito presumido de IPI. Ressaltese que o direito à compensação desse crédito ou a seu ressarcimento em espécie, o qual tem como fundamento o favor fiscal graciosamente concedido pela entidade tributante, não tem a mesma natureza jurídica da repetição do indébito, vez que esta tem como origem um pagamento indevido ou maior que o devido pelo sujeito passivo. Em outras palavras, o ressarcimento ou a compensação do crédito de IPI relativo as aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos têm natureza jurídica de incentivo fiscal, enquanto a repetição do indébito, quer na modalidade de restituição, quer na de compensação, tem natureza jurídica de devolução de tributo exigido indevidamente (de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito). Ademais, a empresa ao adquirir os insumos paga a contribuição que vem embutida no preço das mercadorias, exatamente como determina a lei. O que existe posteriormente é um favor fiscal que prevê o ressarcimento desses tributos na forma de créditos de IPI. Donde concluise que o ressarcimento desse crédito não se confunde com a devolução de pagamento indevido. Dessa forma, não é lícito valerse da analogia para estender ao ressarcimento de crédito o que a legislação (artigo 39, § 4º da Lei 9.250 c/c o art. 66, da Lei nº 8.383, de 1991) prevê exclusivamente para as hipóteses de compensação e de restituição de pagamento de tributos e contribuições indevidos ou pagos a maior que o devido. Ora, é evidente que se o legislador quisesse conceder a correção monetária também para o ressarcimento em questão, teloia incluído nos diplomas legais citados ou no que instituiu o incentivo fiscal. De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar a exclusão da incidência da taxa Selic sobre eventuais créditos a ressarcir ao sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 274DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10410.006963/2009-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
LANÇAMENTO. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR
INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. PROCEDÊNCIA.
Procede o lançamento de diferenças a pagar apuradas entre a Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), quando, devidamente intimado a esclarecer a divergência, o sujeito passivo nada se lhe contrapõe.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-001.115
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. PROCEDÊNCIA. Procede o lançamento de diferenças a pagar apuradas entre a Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), quando, devidamente intimado a esclarecer a divergência, o sujeito passivo nada se lhe contrapõe. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 253 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 1131.195, exarado pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em RecifePE: “Contra a sociedade empresária acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, às fls. 27 a 36, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para exigência de créditos tributários referentes ao ano calendário de 2005, adiante especificados: Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e Termo de Encerramento do respectivo Auto de Infração (fls. 30/31 e 34/36), que passa a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fosse, a autoridade autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata a infração apurada nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: DA AÇÃO FISCAL A empresa foi selecionada a partir de revisão parametrizada em virtude de insuficiência de recolhimento do IRPJ informado na DIPJ, tendo em vista que os valores declarados não foram encontrados nos sistemas de pagamento SINAL, em DCTF ou PER/DCOMP da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Intimada via postal cm 10/11/2009, com data de ciência em 13/11/2009, e reintimada em 30/11/2009, com data de ciência em 04/12/2009, a esclarecer o porquê de os valores informados em DIPJ referentes a IMPOSTO DE RENDA A PAGAR estarem superiores aos informados em DCTF, bem como não ter apresentado qualquer PER/DCOMP compensando os valores informados de IRPJ. No caso, foi encontrado um recolhimento no código de arrecadação 2089 no dia 30/06/2005, no valor de R$ 899,29, o qual não foi compensado com o valor apurado do IRPJ, objeto desta autuação, em virtude deste valor não ter sido declarado em DCTF. Em resposta datada de 03112/2009, a empresa alegou que estava impossibilitada de apresentar os livros fiscais e contábeis cm virtude de roubo de documentos financeiros, contábeis, fiscais c administrativos, para tanto apresentou cópia de boletim de ocorrência denunciando o fato ocorrido. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 254 3 Alegou, ainda, a impossibilidade de apresentar o que fora solicitado nas intimações em virtude de também estar sob fiscalização por parte da Secretaria da Receita Estadual do Estado de Alagoas; a qual, segundo a empresa, estava com seus livros contábeis e fiscais. Para tanto, apresentou cópia da Intimação Fiscal emitida por aquele órgão, cm que o mesmo solicita vários documentos e livros fiscais. Em análise da referida intimação do Fisco Estadual, a autoridade fiscal não vislumbrou a solicitação por parte daquela fiscalização dos livros Diário e Razão; que, em tese, seriam as bases de confecção da DIPJ objeto desta revisão. Desta forma, como a empresa não contestou os valores do IRPJ declarados na DIPJ Retificadora apresentada cm 01/12/2006, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Infração, concernente ao IRPJ trimestral com base no lucro presumido. DA IMPUGNAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO Após ter ciência do Auto de Infração, a Contribuinte apresentou impugnação ao mesmo (fls. 50 a 70), apresentando, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito: De inicio, apresentou breve estudo sobre aspectos constitucionais pertinentes ao Processo Administrativo Tributário (fls. 51/53), destacando, ao final, que nenhum ato administrativo pode ser discricionário, pois as atividades administrativofiscais de lançamento e julgamento são atividades administrativas plenamente vinculadas, nos moldes estatuídos no art. 30 do CTN. Em seguida, ressaltou que a exigibilidade do crédito tributário lançado de oficio encontrarse suspensa, por força dos comandos emitidos pelo art. 151 do CTN. 4.1 DA AUTUAÇÃO FISCAL A exigência fiscal corresponde ao crédito tributário referente insuficiência de recolhimento do IRPJ informado na DIPJ, cujos valores declarados estão superiores aos informados em DCTF. Para a apuração do valor do crédito tributário, o fisco adotou como base de cálculo apenas a DIPJ, não considerando o valor contido na DCTF DAS RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO A informação contida na DIPJ não é elemento induvidoso para constituição do crédito tributário, mas é a DCTF que pode aparelhar a exigência do crédito tributário, e não é o que se visualiza nos presentes autos. De tal forma, se houver divergência entre os valores contidos na DIPJ e DCTF, o lançamento deve pautar se levando em conta apenas a DCTF. (Instrução Normativa n" 127/98 c DecretoLei n°2124/84, art. 5º). Fl. 154DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 255 4 A partir do exercício 2000, anocalendário 1999, a DIPJ não mais se constitui cm meio próprio para confissão de divida. Somente por meio da DCTF é que os débitos tributários são confessados, pelo que os valores não informados como saldos a pagar em DCTF devem ser lançados de oficio, mesmo que constem de DIPJ. Com efeito, levandose em consideração que o lançamento fora promovido eminentemente com base na DIPJ, não resta dúvida que o mesmo é totalmente improcedente. O fisco não se desincumbiu de investigar minuciosamente todos os elementos a fim de efetuar um lançamento com base em informações seguras, não podendo simplesmente se utilizar dos dados contidos na DIPJ para efetuar o lançamento de oficio, mesmo porque houve erro de fato, não se podendo atribuir esse valor como base de cálculo a aparelhar a exigência do tributo. Corno a DIPJ não pode ser considerada para efeito de exigência do crédito tributário, caberia ao fisco fazer o lançamento com base nos elementos contidos na DCTF, e não o contrário, demonstrando a insubsistência do lançamento, através do auto de infração respectivo. DA MULTA FISCAL ESCORCHANTE, COM EFEITO CONFISCATÓRIO E O PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE A hipótese discutida nos presentes autos é o exemplo clássico de regra jurídica inconstitucional, haja vista ferir flagrantemente o principio da proporcionalidade. A multa aplicada possui caráter confiscatório, sendo suficiente, inclusive, para extinguir definitivamente as suas atividades mercantis, caso seja mantida. Impor ao contribuinte uma multa muito elevada implica desvirtuar a função da multa regulamentar, que passa de sanção pela omissão/mora, com vista a inibir a infração, a uma afronta descabida ao patrimônio do contribuinte. O Impugnante relatou posições doutrinárias e decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal no sentido de sua defesa (fls. 57/64). DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA SELIC O Impugnante alegou que a utilização da taxa SELIC como fator de correção monetária dos tributos ofende os seguintes princípios constitucionais: da legalidade da anterioridade; da indelegabilidade da competência tributária e, ainda, da segurança jurídica. Transcreveu decisão judicial do STJ e posição doutrinária. Concluiu afirmando ser a taxa SELIC inconstitucional e ilegal, devendo ser excluída do crédito fiscal descrito no auto de infração. DOS PEDIDOS Fl. 155DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 256 5 Por todo o exposto, demonstrada a impertinência da exigência contida no referido auto de infração, requereu o reconhecimento da improcedência absoluta do lançamento fiscal. (...)”. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em RecifePE, na sessão de em 24/09/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1131.195, entendendo “por unanimidade de votos, considerar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE nos termos do relatório, voto e conclusão que passam a integrar o presente julgado, sendo mantido em parte o crédito tributário”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores demonstrados nas Declarações DIPJ e os valores declarados na DCTF, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA (TAXA SELIC) INCONSTITUCIONALIDADE. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/11/2010 (sextafeira), AR fls. 106, a ANHANGUERA CARNES E FRIOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1131.195, protocolou em 13/12/2010 Recurso Voluntário (fls. 107 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 257 6 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Essa 3ª Turma Especial em 18/10/2011 realizou o julgamento do Processo Administrativo nº 10410.006964/200930, exarando o Acórdão nº. 180301.078 da lavra do ilustre Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, o qual peço vênia para transcrever as razões, por se tratar de autuação do mesmo contribuinte referente ao exercício de 2006: “Lançamento DIPJ x DCTF 4. O raciocínio em que se fundamenta a Recorrente é, basicamente, o seguinte: a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não se constitui em meio próprio para confissão de dívida, ao contrário da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF); logo, os valores desta é que devem ser considerados pela fiscalização, desprezandose os daquela. 5. Todavia, se é certo que não contém a DIPJ a expressão “Esta declaração constitui confissão de dívida”, também é correto que passou a constar em seu Recibo de Entrega a expressão “As informações prestadas na DIPJ correspondem à expressão da verdade (Decretolei nº 2.124/84, art. 5º e Lei nº 9.779/99, art. 16)”. 6. De todo modo, na DCTF apresentada, nada constava como valor a pagar (fls. 12 e 13), ao contrário da DIPJ (fls. 9 e 10). 7. Assim, andou bem a fiscalização ao efetuar o lançamento da diferença de valores constatada entre essas duas declarações (DIPJ e DCTF), quando, devidamente intimada (fls. 17) e reintimada (fls. 20) para esclarecer essa divergência, a autuada nada se lhe contrapôs. 8. Em sua Impugnação e Recurso, afirma a Recorrente o seguinte (fls. 57 e 116): ‘De mais a mais, o fisco não se desincumbiu de investigar minuciosamente todos os elementos, a fim de efetuar um lançamento com base em informações seguras, não podendo simplesmente se utilizar dos dados contidos na DIPJ para efetuar o lançamento de ofício, mesmo porque, como houve erro de fato, não se pode atribuir esse valor como base de cálculo a aparelhar a exigência do tributo’. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10410.006963/200995 Acórdão n.º 180301.115 S1TE03 Fl. 258 7 9. Sucede que caberia à Recorrente o ônus de comprovar qualquer inexatidão nas informações prestadas na DIPJ, por ela mesma declarada, sendo de se ressaltar que se está diante de uma declaração retificadora (fls. 7), o que torna ainda mais improvável a existência de qualquer erro de preenchimento. Multa de ofício 10. No que se refere à alegada inconstitucionalidade da aplicação da multa de ofício, por pretensamente ferir flagrantemente o princípio da proporcionalidade e possuir caráter confiscatório, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 11. Quanto às irresignações relativas ao seu montante pretensamente escorchante e elevado, tratandose de lei regularmente inserida no ordenamento jurídico nacional e de observância obrigatória pelo poder Executivo, ao qual pertence o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), resta à Recorrente socorrerse perante os poderes Judiciário ou Legislativo: aquele, para considerar inconstitucional referida multa, se for o caso; e este, para alterarlhe o percentual, o valor ou a base de cálculo, se assim entender conveniente.” Assim, fazendo meus os argumentos apresentados pelo ilustre Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes quando do julgamento do Processo Administrativo nº 10410.006964/200930, constantes do Acórdão nº. 180301.078, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter, integralmente a decisão ratificada pelo Acórdão nº 11 31.195, exarado pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em RecifePE. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Assinado Digitalmente Fl. 158DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
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