Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 35204.005592/2005-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das
nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2401-002.066
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos anular a
Decisão de Operação Concomitante nº 15.401.1/064/2005.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Processo Anulado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 35204.005592/2005-67
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4801997
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.066
nome_arquivo_s : 2401002066_35204005592200567_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 35204005592200567_4801997.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos anular a Decisão de Operação Concomitante nº 15.401.1/064/2005.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4744894
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231045513216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 148 1 147 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35204.005592/200567 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.066 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria REGULARIZAÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL Recorrente USINA CENTRAL OLHO D'AGUA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos anular a Decisão de Operação Concomitante nº 15.401.1/064/2005. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieria de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henryque Magalhães de Oliveira. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35204.005592/200567 Acórdão n.º 240102.066 S2C4T1 Fl. 149 3 Relatório Tratase de pedido de realização de operação concomitante (encontro de débitos e créditos), formulado pela Usina Central Olho D' agua S/A. Assevera a requerente que lhe fora deferido judicialmente um crédito de R$ 4.710.312,93 (quatro milhões, setecentos e dez mil, trezentos e doze reais e noventa e três centavos), quantificado conforme perícia contábil, que teria direito a utilizar para realizar compensações, sem a sujeição aos limites de 25% e 30% impostos pelas Leis 9 032/95 e9129/95, porquanto os recolhimentos referemse a período anterior àquela data. Alega que desde julho de 2002 vem efetuando as compensações, mesmo na pendência de Recurso Especial a ser julgado, posto que este não teria efeito suspensivo. Afirma que vem corrigindo o crédito pela Taxa SELIC, e que, mesmo após realizadas as , compensações, detém ainda um montante de R$ 5.236.083,36 (cinco milhões, duzentos e trinta e seis mil, oitenta e três reais e trinta e seis centavos), com o qual almeja realizar operação concomitante com débitos constituídos na forma de NFLD/Parcelamentos. Conforme informação da Procuradoria Federal Especializada, em face da ação judicial mencionada, foi declarada a inexistência da relação jurídica tributaria apenas no tocante à exigibilidade da contribuição à previdência social urbana dos trabalhadores rurais da autora no período de maio de 1971 a outubro de 1991, declarando, destarte indevidos os pagamentos efetuados em relação a tal exação; Todavia, reconhecendo a prescrição decenária, foi assegurado à autora o direito de proceder a compensação das parcelas pagas indevidamente sob tal rubrica, para o período de 25 de janeiro de 1986 a outubro de 1991, com parcelas vencidas e vincendas da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários dos empregados. Esclarece, ainda, que deverá a fiscalização examinar a planilha apresentada às fls. 64/70 e dela excluir o período anterior a 25 de janeiro de 1986. Sobre o saldo que sobejar deverá utilizar os mesmos índices utilizados pelo INSS par,a atualização de seus créditos. Em seguida, verificar no sistema utilizado pela Delegacia da Receita Previdenciária se a empresa já deu início à compensação, devendo aterse para o fato de que nao deve ser aplicada a restrição legal prevista nas leis 9.032195 e 9.129/95. para o caso de a empresa já estar se compensando, deverá o fiscal fazer a dedução deste valor, para assim, obter o saldo credor a ser compensado. O serviço de Orientação da Arrecadação –SEARP, da Delgacia Previdenciária em Recife, por meio da Decisão de Operação Concomitante nº 15.401.1/064/2005, indeferiu o pedido, em face ao exaurimento do crédito da Requerente, justicando que: Nos termos Indicados pela Procuradoria, foram elaborados os cálculos do crédito da Requerente com base no laudo pericial judicial de fls. 64/67. Para tanto, foi utilizado Fl. 155DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 o Sistema de Cálculos da Previdência Social SAL — Sistema de Acréscimos Legais, no módulo de Cálculo de Restituições, destinado ao cálculo dos créditos previdenciários objeto de restituição, compensação ou reembolso. O valor base das contribuições foi aquele constante no laudo pericial. No que cerne às contribuições do período de 04/1986 a 11/1986, o SAL, por razões operacionais desconhecidas, não efetuou os cálculos solicitados, se mostrando necessário fazer um ajuste neste caso. Assim sendo, para as competências de 04/1986 a 11/1986, foi inicialmente atualizado monetariamente o valor das contribuições para 31/12/95 (planilha de f1.127), aplicandose os índices de correção monetária da Previdência Social. Após isto, tais valores foram lançados no SAL, com a incidência da taxa de juros SELIC até 31/12/1998, data dos cálculos do laudo pericial. Desta feita, somou R$ 15.783,40 (quinze mil, setecentos e oitenta e três reais e quarenta centavos) o crédito do período de 04/1986 a 11/1986, valor atualizado até ' 31/12/98 (f1.128). Quanto ao restante do período ( 12/86 a 10/91 ), os cálculos foram executados no SAL (módulo atualização de restituições), importando num crédito de R$ 326.468,31 (trezentos e vinte e seis mil quatrocentos e sessenta e oito reais e trinta e um centavos), montante atualizado até 31112/98 (fl129/130). O crédito total da Requerente, com atualização até 31/12/98, importou em R$ 342.251,71 (trezentos e quarenta e dois mil, duzentos e cinqüenta e um reais e setenta e um centavos). Considerando a informação prestada. pela Requerente em sua planilha de fl. 70, onde está consignado que as compensações referentes iniciaramse no mês agosto de 2002, o crédito foi atualizado pela Taxa SELIC até 31/07/2002 (fl.131), tendo somado nesta data a importância de R$ 559.513,09 (quinhentos e cinqüenta e nove mil, quinhentos e treze reais e nove centavos); A partir deste momento, elaborouse a planilha de compensações (f1.132). A primeira compensação informada deuse em agosto de 2002, tendo sido então deduzido do crédito o valor indicado pela Requerente, sendo o saldo devidamente atualizado pela Taxa SELIC. Tal procedimento se deu competência a competência, até janeiro de 2003, quando o saldo remanescente, devidamente atualizado, somava R$ 34.457,01 (trinta e quatro mil, quatrocentos e cinqüenta e sete reais e um centavo), porém a Requerente efetuou uma compensação no valor de R$ 87.568,94 (noventa e sete mil, quinhentos e sessenta e oito reais e noventa e quatro centavos), tendo excedido, deste modo, em R$ 53.111,93 (cinqüenta e três mil, cento e onze reais e noventa e três centavos) o valor compensável. Contra a decisão, a contribinte interpôs recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme razões aduzidas às fls. Em que alega, em síntese, o seguinte: Que não merece prosperar a decisão em referência, que indeferiu o pedido de compensação de créditos para com esse instituto apurados através do processo judicial no 96.17077, com débitos parcelados através dos processos números 601637445 (NFLD no 35.028.8232), 601616456 (NFLD 's n os 35.028.6094 e 35.028.6108) e 30.865..8701 (NFLD no 5136/ 308658701), sob o argumento de que, o crédito da Requerente já se exauriu. Que o crédito da Autora apurado através de perícia judicial nos autos da "Ação Declaratáda de Inexistênda de Relação Jurídica, Cumulado com Condenação de Fl. 156DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35204.005592/200567 Acórdão n.º 240102.066 S2C4T1 Fl. 150 5 Repetição de Indébito e Compensação movida contra o INSS, processo no 96.17077, foi no valor de R$ 4.710.312,93 (quatro milhões, setecentos e dez mil, trezentos e doze reais e noventa e três centavos), conforme perícia judicial em anexo (Doc incluso nº 05), restando um saldo a compensar de R$ 5.236.083,36 (cinco milhões, duzentos e trinta e seis mil, oitenta e três reais e trinta e seis centavos). Que os valores apurados pela perícia judicial foram homologados pela Justiça Federal de Pernambuco, do qual o INSS não apresentou qualquer recurso sobre referida matéria, tendo sido a então Requerente autorizada a proceder à compensação do crédito levantado na perícia, conforme determinado pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em acórdão publicado no dia 10.07.2002 (Doc Inclusos nº. 03/04), autorizando, frisese, a compensação sem a limitação de 30% (trinta por cento). Que desta forma, não resta outra conclusão senão o direito da Requerente de proceder à compensação de seus créditos com débitos parcelados, conforme reconhecido inclusive através de despacho de fls. 121/123, da lavra da Procuradora do INSS Dra. Gilda Maria Rocha da Silva, no qual firma posição de que a Requente tem direito a compensar os valores das contribuições previdenciárias urbana dos trabalhadores rurais, relativas ao período de janeiro de 1986 a outubro de 1991, com parcelas vencidas e vincendas das contribuições sociais sobre a folha salarial de seus empregados, sem a limitação de 30% (trinta por cento), restringindose a controvérsia, no presente caso, apenas ao indexador que deverá ser utilizado para correção dos créditos até 01/01/96, uma vez que, a partir daquela data, é incontroverso a atualização monetária pela Taxa Selic. Ao final, requer dignese esse Conselho de Recursos da Previdência Social em reformar a decisão de P instância, no sentido de autorizar a compensação dos créditos antes referidas com os parcelamentos que a requerente possui perante esse Instituto. O Serviço de Orientação da Arrecadação da Delegacia Previdenciária em Recife, ofereceu contrarrazões, em que alega que: consoante exsurge dos autos, destacandose a fundamentação depreendida na decisão recorrida, não há o que se falar em crédito de R$ 4.710.312,93 (quatro milhões, setecentos e de mil, trezentos e doze reais e noventa e três centavos), porquanto o montante do credito não foi fixado judicialmente, conforme alega equivocadamente a Recorrente. Que o quantum do crédito foi apurado nos moldes prescritos pela Procuradoria, tomando por base a perícia efetuada, porém utilizando os critérios de correção monetária da Previdência Social, em consonância com a Decisão Judicial. Somou R$ 342.251,71 (trezentos e quarenta e dois mil, duzentos e cinqüenta e um reais e setenta e um centavos), com atualização até 31/12/98. Considerando as informações prestadas pela Requerente em sua planilha de f1.70, onde está consignado que as compensações se iniciaram no mês agosto de 2002, o crédito foi atualizado pela Taxa SELIC até 31/07/2002 (8.131), tendo somado nesta data a importância de R$ 559.513,09 (quinhentos e cinqüenta e nove mil, quinhentos e treze reais e nove centavos), valor substancialmente inferior àquele postulado pela Recorrente. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Cleusa Vieria de Souza, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. Sem adentrarmos ao mérito das razões de inconformidade do Recorrente, creio que a presente questão deve ser enfrentada inicialmente pela correta procedimentalização formal do contencioso fiscal, na medida em que vislumbro nos autos, ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, ambos garantidos constitucionalmente a todos os litigantes em processos judiciais e administrativos. Com efeito, da análise dos autos verificase que a autoridade a quo, antes mesmo de proceder à análise do pedido, conforme despachos de fls. 124 e 125, entendeu necessária, para que se dê prosseguimento ao pleito de operação concomitante, manifestação da Procuradoria — Serviço de Dívida Ativa sobre a questão acima suscitada, informando se está correto o valor informado pela Requerente, de R$ 4.710.312,93 (quatro milhões, setecentos e dez mil, trezentos e doze reais e noventa e três centavos), a título de crédito que possui, deferido judicialmente Após a referida diligência, cuja manifestação foi observada na íntegra para elaboração da planilha dos valores a serem compensados, o pedido foi indeferido sem, no entanto, conferir ao contribuinte a oportunidade de manifestarse sobre a informação da Procuradoria, bem assim sobre os cálculos elaborados pelo Serviço de Arrecadação da Delegacia da Receita Previdenciário no Recife. Em verdade, entendo que deveria o Recorrente ter sido cientificado do resultado da diligência em questão, sendolhe oportunizado sobre ela se manifestar, e não julgar o procedimento diretamente, o que o fez em desprestígio de princípios norteadores do procedimento administrativo. Com efeito, a Constituição da República, dentre avanços e tantos erros, inovou de forma correta, ao assegurar por meio do inciso LV, do seu art. 5°, a observância ao princípio do contraditório, a todos os litigantes em procedimentos administrativos: “Art. 5: omissis: LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e os acusados em geral, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” Vêse, pois, que a Constituição, garantiu aos administrados em geral, o direito ao contraditório e à ampla defesa. Também a Lei n° 9.784/99, que regula os procedimentos administrativos em âmbito Federal, em seu artigo 2°, impõe à Administração o dever de observar o princípio do contraditório. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35204.005592/200567 Acórdão n.º 240102.066 S2C4T1 Fl. 151 7 “Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.” Nesse passo, resta cristalino que o contraditório, como princípio inafastável das situações em que envolva litígio entre o Estado e seus cidadãos, garante as partes o direito de sempre manifestarse sobre o que uma delas venha a alegar ou produzir provas; exige uma paridade de manifestação, é dizer, se um alega ou junta provas aos autos, o outro, necessariamente há de ser ouvido também, do contrário, significaria sério cerceamento do direito de defesa, merecendo pronto reparo pela instância julgadora superior. Certo é que o procedimento administrativo está sob o comando de uma autoridade julgadora, a qual deve, indissoluvelmente se atentar para a sua devida formalização processual, e zelar, de forma cuidadosa e cautelosa, pela observância dos princípios a ele aplicados, especialmente o contraditório, sob pena de viciar o trabalho desenvolvido, impedindoo de atingir seu fim. Assim, entendo que antes de se proferir a Decisão Denegatória do pedido era imperioso à autoridade que julgou o procedimento fiscal em análise, oportunizar ao Recorrente se manifestar sobre o parecer da procuradoria, cujo conteúdo ensejou a feitura do cálciulos que culminaram com a diminuição dos valores que o Recorrente entendia serlhe de direito. É certo que ao não agir dessa forma, a i. autoridade julgadora de 1ª instância acabou por cercear o direto de defesa do Recorrente, não merecendo, assim, prosperar sua decisão. Pelo exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, e anular a Decisão de Operação Concomitante nº 15.401.1/064/2005. Cleusa Vieira de Souza Fl. 159DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10783.904043/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DO SUJEITO PASSIVO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA.
O instituto da compensação tributária exige que os créditos do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Ao alegar erro no preenchimento da declaração de compensação, incumbiria à interessada provar o valor alegadamente correto, mediante apresentação de balanço/balancete de suspensão/redução do tributo, ajustes para determinação do valor devido e a correspondente escrituração contábil, o que não se encontra nos autos. Em sentido contrário, o valor pago corresponde exatamente à dívida confessada em DCTF, pelo que não se pode vislumbrar qualquer pagamento a maior. Diante da incerteza quanto ao
alegado direito creditório, é de se negar homologação à compensação declarada.
Numero da decisão: 1301-000.724
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DO SUJEITO PASSIVO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. O instituto da compensação tributária exige que os créditos do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Ao alegar erro no preenchimento da declaração de compensação, incumbiria à interessada provar o valor alegadamente correto, mediante apresentação de balanço/balancete de suspensão/redução do tributo, ajustes para determinação do valor devido e a correspondente escrituração contábil, o que não se encontra nos autos. Em sentido contrário, o valor pago corresponde exatamente à dívida confessada em DCTF, pelo que não se pode vislumbrar qualquer pagamento a maior. Diante da incerteza quanto ao alegado direito creditório, é de se negar homologação à compensação declarada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10783.904043/2008-15
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4862756
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.724
nome_arquivo_s : 130100724_10783904043200815_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 10783904043200815_4862756.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
id : 4745642
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231048658944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 76 1 75 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.904043/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.724 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2011 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente CHOCOLATES GAROTO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DO SUJEITO PASSIVO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. O instituto da compensação tributária exige que os créditos do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Ao alegar erro no preenchimento da declaração de compensação, incumbiria à interessada provar o valor alegadamente correto, mediante apresentação de balanço/balancete de suspensão/redução do tributo, ajustes para determinação do valor devido e a correspondente escrituração contábil, o que não se encontra nos autos. Em sentido contrário, o valor pago corresponde exatamente à dívida confessada em DCTF, pelo que não se pode vislumbrar qualquer pagamento a maior. Diante da incerteza quanto ao alegado direito creditório, é de se negar homologação à compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10783.904043/200815 Acórdão n.º 130100.724 S1C3T1 Fl. 77 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório CHOCOLATES GAROTO S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1230.339, de 05/05/2010, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do objetivo e sintético relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Trata o presente processo administrativo do PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito nº 17810.84898.070206.1.3.037202, relativo a crédito de saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário de 2004, no valor de R$ 106.126,30 (fls 32/44). 2. Por meio do Despacho Decisório nº 783762846 (fl. 19), não foi homologada a compensação declarada, visto que não foi apurado saldo negativo de CSLL na DIPJ. 3. O interessado foi cientificado da decisão em 01/09/2008 (fl. 47) e apresentou sua manifestação de inconformidade em 29/09/2008 (fls. 01/03), alegando, em síntese: 3.1. que, em verdade, não apurou saldo negativo de CSLL; 3.2. que, no anocalendário de 2004, apurou o valor de CSLL a pagar de R$ 3.589.390,77. Entretanto, recolheu o valor de R$ 3.695.517,07. Destarte, procedeu a um pagamento a maior de CSLL, no valor de R$ 106.126,30; 3.3. que houve mero erro no preenchimento do PER/DCOMP. A 1ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1230.339, de 05/05/2010 (fls. 49/51), consideroua improcedente com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da fundamentação que embasou o pedido de restituição, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10783.904043/200815 Acórdão n.º 130100.724 S1C3T1 Fl. 78 3 Ciente da decisão de primeira instância em 22/06/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 54, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/07/2010 conforme carimbo de recepção à folha 55. No recurso interposto (fls. 56/61), a interessada se insurge contra a decisão de primeira instância, afirmando que seria plenamente factível o reconhecimento do erro pela autoridade fiscal e a homologação da compensação. Acrescenta que “se pela aplicação do Artigo 149, p.u. do CTN é tangível a revisão do lançamento original, inclusive de maneira a cancelálo em razão dos elementos materiais apresentados pelo sujeito passivo, porque em sede de apreciação da manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo não é possível a apreciação do erro material ou erro de fato suscitado para homologar a compensação apresentada?”. A recorrente invoca a aplicação de dispositivos da Lei nº 9.784/1999 e colaciona jurisprudência administrativa no sentido de ser admissível a retificação de declaração quando constatado erro de fato. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e reforma da decisão recorrida, com a devolução do processo para análise pela autoridade a quo para que, a final, se considere homologada a compensação declarada. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Devese ressaltar, inicialmente, que a compensação em matéria tributária regese por disposições específicas, a saber, o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), cabendo destacar a exigência de liquidez e certeza para os créditos do sujeito passivo. Eis o dispositivo em comento (grifos não constam do original): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A compensação declarada trazia como crédito um alegado saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2004, no valor de R$ 106.126,30, não reconhecido pela autoridade administrativa competente tendo em vista que a contribuinte teria apurado saldo zero (nada a pagar nem a restituir) em sua DIPJ daquele ano. À vista disso, a autoridade administrativa, corretamente, negou homologação à compensação declarada. Por outro lado, a contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, alega que teria cometido um erro no preenchimento da DCOMP, ao informar que seu direito Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10783.904043/200815 Acórdão n.º 130100.724 S1C3T1 Fl. 79 4 creditório seria decorrente de saldo negativo de CSLL, em vez da informação que seria correta, de pagamento a maior no valor da estimativa de dezembro/2004. Compulsando os autos, constato que o pagamento em questão (fl. 17) no valor de R$ 3.695.517,07, foi feito sob o código 2484 (CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL), e, conforme o preenchimento do DARF, se refere ao período de apuração 31/12/2004, com vencimento em 31/01/2005. No entanto, não encontro nos autos prova de que esse pagamento tenha sido efetivamente a maior, visto que, na DCTF apresentada (fl. 31), a contribuinte confessou dívida nesse exato valor, a ela fazendo vincular o DARF anteriormente mencionado. Se, como alega a recorrente, a estimativa de dezembro/2004 seria no valor de R$ 3.589.390,77, a ela incumbiria a prova acerca de seu erro e do valor correto, fazendo trazer aos autos o balanço/balancete de suspensão/redução do tributo, os ajustes para apuração do valor devido por estimativa naquele mês e os registros contábeis tempestivamente escriturados. Nada disso encontro nos autos, pelo que o alegado crédito carece de liquidez e certeza, indispensáveis para a homologação da compensação declarada, nos termos do art. 170 do CTN. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000001/2005-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO. OCORRÊNCIA.
Merece ser rejeitado o protesto do Embargante pela decretação da nulidade do julgamento, tendo em vista que não foi respeitada a ordem de julgamento preconizada pelo art 30, § 1° do RICSRF.
O art. 31, IV do RICSRF previa a realização de debates entre os conselheiros sobre assuntos pertinentes ao processo e questões levantadas pelas partes. Este debate encontrava-se previsto no RICSRF para se realizar após a sustentação oral das partes e antes da votação: Não vislumbro a omissão apontada pelo embargante, uma vez que a matéria, ou seja, a aplicação do art. 112 do CTN não foi sequer questionada em sede de contrarazões
ou em outro momento processual.
Embargos declaratórios não se prestam à discussão de tema novo, sequer ventilado anteriormente, no momento processual oportuno.
A omissão a ser suprida pela via dos embargos deve ser relevante ao ponto de tornar fortemente comprometida a decisão recorrida. Por conta da omissão verificada, a decisão viciada desafia os elementos basilares constantes dos autos e se afasta lateralmente da questão controvertida, que deveria ter sido
apreciada em sua totalidade e efetivamente não o foi.
No presente caso, o voto condutor do acórdão embargado foi omisso quanto à matéria de defesa alegada em suas contrarazões
cuja apreciação passou in albis, e sobre a qual é imprescindível que se manifeste este Colegiado.
A última omissão apontada pelo embargante, diz respeito aos elementos que caracterizariam o alegado conluio, por não ter o acórdão embargado se manifestado sobre qual o ajuste fraudulento e quem são as pessoas jurídicas que agiram em conluio.
Conforme apontado no voto vencedor do acórdão embargado, as razões de mérito confundemse com o fundamento da qualificação da multa.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não merecem prosperar as alegações da embargante acerca da existência de contradição e obscuridade, por considerar que o recurso foi recebido para apreciação de dispositivos de lei supostamente violados que não foram sequer citados no Acórdão embargado e que os fundamentos do Acórdão contradizem a razão de admissibilidade do recurso. O recurso especial foi conhecido sob o fundamento de que teriam sido violados o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, com relação à multa qualificada, além do artigo 733, inciso III, do RIR/99, quanto à responsabilidade tributária da interessada.
O voto vencedor foi exatamente no mesmo sentido, por considerar que o Contribuinte, em que pese a condição de responsável tributário pela obrigação, prevista no art. 733, III do RIR/99, deixou de efetuar a retenção e o recolhimento do IRF sobre os ganhos de aplicações financeiras. Quanto a alegada impossibilidade de se discutir prova cuja inexistência foi
proclamada desde a Delegacia de Julgamento e de que o voto vencedor contradiz as provas dos autos, há de se salientar que o conhecimento do recurso especial interposto em decorrência de contrariedade à lei ou à evidência da prova devolve à CSRF a possibilidade de apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide, sendo certo que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (art. 29 do
Decreto 70.235/72).
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . INOVAÇÃO. OCORRÊNCIA
A doutrina, bem como a assentada jurisprudência de nossos tribunais superiores e deste Conselho têm alargado, com parcimônia, a estreita via desse recurso, de modo a permitir que se corrijam outros erros de procedimento, muito embora a rigor não se constate omissão, obscuridade ou contradição, quando não exista no sistema legal outro recurso que permita a correção do erro cometido no julgado.
A existência, no acórdão embargado, de inovação por parte do voto vencedor de fundamento jurídico – simulação que não constituiu fundamentação para a exigência tributária, justifica o acolhimentos do presente declaratório.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. CARÁTER MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE.
Omissão que tornou imperfeita a decisão, que diz respeito a ponto sobre o qual deveria o julgador necessariamente se manifestar. A ausência de sua manifestação sobre este ponto, que é crucial para a resolução do litígio, resultou em uma decisão seriamente prejudicada pela conclusão equivocada a que se chega.
Configurada a omissão acima descrita e, ainda, de inovação por parte do voto vencedor do acórdão embargado de fundamento jurídico – simulação que não constituiu fundamentação para a exigência tributária, vê-se que é impossível suprir as falhas encontradas no aresto sem a necessária revisão do seu dispositivo, emprestando aos embargos declaratórios o efeito
modificativo.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA.
A responsabilização do tributária do sujeito passivo pelo imposto de renda na fonte incidente sobre a cessão dos CDBs, decorre, segundo a autoridade lançadora, do fato de que a referida instituição financeira comandou as transferências de custódia e em seguida as liquidações financeiras. , conforme
Termo de Verificação Fiscal(fls. 358): “4.1 – A fiscalizada deixou de efetuar na condição de responsável a retenção e recolhimento do Imposto de Renda sobre os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras listadas na planilha “APURAÇÃO DO IRRF SOBRE AS CESSÕES”, anexa a este termo cuja ocorrência do fato gerador se deu em cada uma das cessões ocorridas
entre os originais aplicadores e a Vale Treding S.A. Assim infringiu os arts. 729 a 733 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR.” Esta situação não permite atribuir a responsabilidade pela retenção do imposto de renda na fonte incidente sobre o resultado apurado na cessão dos títulos, pois o Banco apenas desempenhou sua função de instituição financeira, cumprindo ordens de sua cliente, sendo esta a pessoa jurídica que
efetuou os pagamentos.
MULTA QUALIFICADA
Por considerar que não há responsabilidade tributária a ser imputada ao sujeito passivo do presente lançamento, prejudicado está o pedido formulado pela Fazenda Nacional no que diz respeito a aplicação de multa qualificada.
Embargos Acolhidos.
Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: 9202-001.844
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado que passará de recurso provido para recurso especial da Fazenda Nacional negado. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres que não conheciam dos embargos e, no mérito, o rejeitavam.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : 2ª SEÇÃO
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 19740.000001/2005-31
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4885604
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.844
nome_arquivo_s : 920201844_19740000001200531_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ELIAS SAMPAIO FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 19740000001200531_4885604.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado que passará de recurso provido para recurso especial da Fazenda Nacional negado. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres que não conheciam dos embargos e, no mérito, o rejeitavam.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
id : 4747110
ano_sessao_s : 2011
ementa_s : IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Merece ser rejeitado o protesto do Embargante pela decretação da nulidade do julgamento, tendo em vista que não foi respeitada a ordem de julgamento preconizada pelo art 30, § 1° do RICSRF. O art. 31, IV do RICSRF previa a realização de debates entre os conselheiros sobre assuntos pertinentes ao processo e questões levantadas pelas partes. Este debate encontrava-se previsto no RICSRF para se realizar após a sustentação oral das partes e antes da votação: Não vislumbro a omissão apontada pelo embargante, uma vez que a matéria, ou seja, a aplicação do art. 112 do CTN não foi sequer questionada em sede de contrarazões ou em outro momento processual. Embargos declaratórios não se prestam à discussão de tema novo, sequer ventilado anteriormente, no momento processual oportuno. A omissão a ser suprida pela via dos embargos deve ser relevante ao ponto de tornar fortemente comprometida a decisão recorrida. Por conta da omissão verificada, a decisão viciada desafia os elementos basilares constantes dos autos e se afasta lateralmente da questão controvertida, que deveria ter sido apreciada em sua totalidade e efetivamente não o foi. No presente caso, o voto condutor do acórdão embargado foi omisso quanto à matéria de defesa alegada em suas contrarazões cuja apreciação passou in albis, e sobre a qual é imprescindível que se manifeste este Colegiado. A última omissão apontada pelo embargante, diz respeito aos elementos que caracterizariam o alegado conluio, por não ter o acórdão embargado se manifestado sobre qual o ajuste fraudulento e quem são as pessoas jurídicas que agiram em conluio. Conforme apontado no voto vencedor do acórdão embargado, as razões de mérito confundemse com o fundamento da qualificação da multa. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não merecem prosperar as alegações da embargante acerca da existência de contradição e obscuridade, por considerar que o recurso foi recebido para apreciação de dispositivos de lei supostamente violados que não foram sequer citados no Acórdão embargado e que os fundamentos do Acórdão contradizem a razão de admissibilidade do recurso. O recurso especial foi conhecido sob o fundamento de que teriam sido violados o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, com relação à multa qualificada, além do artigo 733, inciso III, do RIR/99, quanto à responsabilidade tributária da interessada. O voto vencedor foi exatamente no mesmo sentido, por considerar que o Contribuinte, em que pese a condição de responsável tributário pela obrigação, prevista no art. 733, III do RIR/99, deixou de efetuar a retenção e o recolhimento do IRF sobre os ganhos de aplicações financeiras. Quanto a alegada impossibilidade de se discutir prova cuja inexistência foi proclamada desde a Delegacia de Julgamento e de que o voto vencedor contradiz as provas dos autos, há de se salientar que o conhecimento do recurso especial interposto em decorrência de contrariedade à lei ou à evidência da prova devolve à CSRF a possibilidade de apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide, sendo certo que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (art. 29 do Decreto 70.235/72). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . INOVAÇÃO. OCORRÊNCIA A doutrina, bem como a assentada jurisprudência de nossos tribunais superiores e deste Conselho têm alargado, com parcimônia, a estreita via desse recurso, de modo a permitir que se corrijam outros erros de procedimento, muito embora a rigor não se constate omissão, obscuridade ou contradição, quando não exista no sistema legal outro recurso que permita a correção do erro cometido no julgado. A existência, no acórdão embargado, de inovação por parte do voto vencedor de fundamento jurídico – simulação que não constituiu fundamentação para a exigência tributária, justifica o acolhimentos do presente declaratório. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. CARÁTER MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. Omissão que tornou imperfeita a decisão, que diz respeito a ponto sobre o qual deveria o julgador necessariamente se manifestar. A ausência de sua manifestação sobre este ponto, que é crucial para a resolução do litígio, resultou em uma decisão seriamente prejudicada pela conclusão equivocada a que se chega. Configurada a omissão acima descrita e, ainda, de inovação por parte do voto vencedor do acórdão embargado de fundamento jurídico – simulação que não constituiu fundamentação para a exigência tributária, vê-se que é impossível suprir as falhas encontradas no aresto sem a necessária revisão do seu dispositivo, emprestando aos embargos declaratórios o efeito modificativo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. A responsabilização do tributária do sujeito passivo pelo imposto de renda na fonte incidente sobre a cessão dos CDBs, decorre, segundo a autoridade lançadora, do fato de que a referida instituição financeira comandou as transferências de custódia e em seguida as liquidações financeiras. , conforme Termo de Verificação Fiscal(fls. 358): “4.1 – A fiscalizada deixou de efetuar na condição de responsável a retenção e recolhimento do Imposto de Renda sobre os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras listadas na planilha “APURAÇÃO DO IRRF SOBRE AS CESSÕES”, anexa a este termo cuja ocorrência do fato gerador se deu em cada uma das cessões ocorridas entre os originais aplicadores e a Vale Treding S.A. Assim infringiu os arts. 729 a 733 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR.” Esta situação não permite atribuir a responsabilidade pela retenção do imposto de renda na fonte incidente sobre o resultado apurado na cessão dos títulos, pois o Banco apenas desempenhou sua função de instituição financeira, cumprindo ordens de sua cliente, sendo esta a pessoa jurídica que efetuou os pagamentos. MULTA QUALIFICADA Por considerar que não há responsabilidade tributária a ser imputada ao sujeito passivo do presente lançamento, prejudicado está o pedido formulado pela Fazenda Nacional no que diz respeito a aplicação de multa qualificada. Embargos Acolhidos. Recurso Especial Negado.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231058096128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 211 1 210 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.000001/200531 Recurso nº 146.640 Embargos Acórdão nº 920201.844 – 2ª Turma Sessão de 26 de outubro de 2011 Matéria IRF Embargante BANCO MODAL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Merece ser rejeitado o protesto do Embargante pela decretação da nulidade do julgamento, tendo em vista que não foi respeitada a ordem de julgamento preconizada pelo art 30, §1° do RICSRF. O art. 31, IV do RICSRF previa a realização de debates entre os conselheiros sobre assuntos pertinentes ao processo e questões levantadas pelas partes. Este debate encontravase previsto no RICSRF para se realizar após a sustentação oral das partes e antes da votação: Não vislumbro a omissão apontada pelo embargante, uma vez que a matéria, ou seja, a aplicação do art. 112 do CTN não foi sequer questionada em sede de contrarazões ou em outro momento processual. Embargos declaratórios não se prestam à discussão de tema novo, sequer ventilado anteriormente, no momento processual oportuno. A omissão a ser suprida pela via dos embargos deve ser relevante ao ponto de tornar fortemente comprometida a decisão recorrida. Por conta da omissão verificada, a decisão viciada desafia os elementos basilares constantes dos autos e se afasta lateralmente da questão controvertida, que deveria ter sido apreciada em sua totalidade e efetivamente não o foi. No presente caso, o voto condutor do acórdão embargado foi omisso quanto à matéria de defesa alegada em suas contrarazões cuja apreciação passou in albis, e sobre a qual é imprescindível que se manifeste este Colegiado. A última omissão apontada pelo embargante, diz respeito aos elementos que caracterizariam o alegado conluio, por não ter o acórdão embargado se manifestado sobre qual o ajuste fraudulento e quem são as pessoas jurídicas que agiram em conluio. Conforme apontado no voto vencedor do acórdão embargado, as razões de mérito confundemse com o fundamento da qualificação da multa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 212 2 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não merecem prosperar as alegações da embargante acerca da existência de contradição e obscuridade, por considerar que o recurso foi recebido para apreciação de dispositivos de lei supostamente violados que não foram sequer citados no Acórdão embargado e que os fundamentos do Acórdão contradizem a razão de admissibilidade do recurso. O recurso especial foi conhecido sob o fundamento de que teriam sido violados o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, com relação à multa qualificada, além do artigo 733, inciso III, do RIR/99, quanto à responsabilidade tributária da interessada. O voto vencedor foi exatamente no mesmo sentido, por considerar que o Contribuinte, em que pese a condição de responsável tributário pela obrigação, prevista no art. 733, III do RIR/99, deixou de efetuar a retenção e o recolhimento do IRF sobre os ganhos de aplicações financeiras. Quanto a alegada impossibilidade de se discutir prova cuja inexistência foi proclamada desde a Delegacia de Julgamento e de que o voto vencedor contradiz as provas dos autos, há de se salientar que o conhecimento do recurso especial interposto em decorrência de contrariedade à lei ou à evidência da prova devolve à CSRF a possibilidade de apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide, sendo certo que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (art. 29 do Decreto 70.235/72). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . INOVAÇÃO. OCORRÊNCIA A doutrina, bem como a assentada jurisprudência de nossos tribunais superiores e deste Conselho têm alargado, com parcimônia, a estreita via desse recurso, de modo a permitir que se corrijam outros erros de procedimento, muito embora a rigor não se constate omissão, obscuridade ou contradição, quando não exista no sistema legal outro recurso que permita a correção do erro cometido no julgado. A existência, no acórdão embargado, de inovação por parte do voto vencedor de fundamento jurídico – simulação que não constituiu fundamentação para a exigência tributária, justifica o acolhimentos do presente declaratório. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. CARÁTER MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. Omissão que tornou imperfeita a decisão, que diz respeito a ponto sobre o qual deveria o julgador necessariamente se manifestar. A ausência de sua manifestação sobre este ponto, que é crucial para a resolução do litígio, resultou em uma decisão seriamente prejudicada pela conclusão equivocada a que se chega. Configurada a omissão acima descrita e, ainda, de inovação por parte do voto vencedor do acórdão embargado de fundamento jurídico – simulação que não constituiu fundamentação para a exigência tributária, vêse que é impossível suprir as falhas encontradas no aresto sem a necessária revisão do seu dispositivo, emprestando aos embargos declaratórios o efeito modificativo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 213 3 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. A responsabilização do tributária do sujeito passivo pelo imposto de renda na fonte incidente sobre a cessão dos CDBs, decorre, segundo a autoridade lançadora, do fato de que a referida instituição financeira comandou as transferências de custódia e em seguida as liquidações financeiras. , conforme Termo de Verificação Fiscal(fls. 358): “4.1 – A fiscalizada deixou de efetuar na condição de responsável a retenção e recolhimento do Imposto de Renda sobre os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras listadas na planilha “APURAÇÃO DO IRRF SOBRE AS CESSÕES”, anexa a este termo cuja ocorrência do fato gerador se deu em cada uma das cessões ocorridas entre os originais aplicadores e a Vale Treding S.A. Assim infringiu os arts. 729 a 733 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR.” Esta situação não permite atribuir a responsabilidade pela retenção do imposto de renda na fonte incidente sobre o resultado apurado na cessão dos títulos, pois o Banco apenas desempenhou sua função de instituição financeira, cumprindo ordens de sua cliente, sendo esta a pessoa jurídica que efetuou os pagamentos. MULTA QUALIFICADA Por considerar que não há responsabilidade tributária a ser imputada ao sujeito passivo do presente lançamento, prejudicado está o pedido formulado pela Fazenda Nacional no que diz respeito a aplicação de multa qualificada. Embargos Acolhidos. Recurso Especial Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado que passará de recurso provido para recurso especial da Fazenda Nacional negado. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres que não conheciam dos embargos e, no mérito, o rejeitavam. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 214 4 Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 215 5 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração apresentados pelo contribuinte (fls. 847/962) contra o acórdão em epígrafe, da lavra da então 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Os presentes autos referemse a auto de infração (fls. 376/379) lavrado contra o Banco Modal S.A., para a exigência de imposto de renda na fonte incidente sobre aplicações financeiras de renda fixa, anocalendário 2004, acrescido de multa de ofício qualificada para o patamar de 150%. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 351/361) do qual resultou o AI em discussão, a fiscalização entendeu ter havido conluio entre o Banco Modal S.A. e a Vale Trading S.A., o que resultou na supressão do tributo que deveria ter sido recolhido aos cofres públicos. Nesse contexto, o Termo registrou o que segue: 2.1 — Entre fevereiro e julho deste ano de 2004 a Vale Trading S.A. negociou com os originais aplicadores todos os 160 (cento e sessenta) títulos discriminados na planilha anexa e intermediados pela fiscalizada. A sistemática negociai foi idêntica em todas as operações. As empresas listadas na planilha possuíam títulos, na quase totalidade CDBS (há seis negócios com LFT) e que não tinham sido negociados até então, ou seja, os aplicadores os detinham desde a sua emissão. 2.2 — Os títulos foram cedidos, ou seja, alienados, pelos originais aplicadores à Vale Trading S.A. que para isso se comprometeu a pagar, conforme o documento intitulado "Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações" — IPCDO (comum a todas as operações), a cada um dos aplicadores originais um valor (preço do papel ajustado entre as partes), líquido do imposto de renda. 2.3 — Preliminarmente os aplicadores originais solicitaram a transferência de custódia dos títulos das instituições emitentes para as suas respectivas contas na fiscalizada. Em seguida, a fiscalizada promoveu, em cada um dos dias em que ocorreu a operação, a transferência de titularidade do aplicador original para a conta da Vale Trading S.A. com base no documento descrito no item 2.2 acima (IPCDO). 2.4 — No momento seguinte à cessão a Vale Trading S.A. solicitava o resgate do titulo ao Banco Modal S.A. que por sua vez solicitava às instituições emitentes os respectivos resgates. Os valores eram então creditados na conta da custodiante (fiscalizada) pelo valor bruto via reserva bancária. Esses valores correspondem aos discriminados em cada uma das 160 notas de negociação e listados na coluna "Valor Resgate pela Vale Trading" da planilha entregue pela fiscalizada, em 07 de dezembro de 2004 (item 1.5). Tais valores representam a Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 216 6 cotação de cada papel pela "curva" naquela data, ou seja, o valor corresponde à valorização pela taxa correspondente a cada título. 2.5 — Com esses recursos a fiscalizada creditou as contas dos originais aplicadores na forma pactuada, ou seja, o valor negociado em cada documento IPCDO (item 2.2), líquido do imposto de renda. 2.6 — Para uma melhor compreensão, a operação descrita pode ser desdobrada em duas. A primeira consiste na cessão (alienação) de cada um dos títulos dos originais aplicadores para a Vale Trading S.A. Em seguida, ocorre o resgate de cada um dos títulos já na titularidade da Trading S.A. Nessa segunda operação a fiscalizada, em resposta à primeira intimação (item 1.3), afirma que não houve fato gerador do imposto de renda nas 160 liquidações/resgates listados, pois o valor pago pela cliente Vale Trading S.A. foi sempre inferior ao estipulado nos IPCDO (preço ajustado entre as partes). 2.7 — No entanto, a renda apurada entre a emissão de cada título e a cessão de cada um dos títulos deixou de ser tributada. Os contratos — IPCDO — discriminam o preço ajustado entre as partes, a renda auferida no papel ou papéis que fazem parte daquela avença e o imposto devido na operação. Ou seja, as partes não negam, nem omitem que há renda e conseqüentemente imposto a ser devidamente retido e recolhido. 2.8 — Os negócios realizados e aqui descritos geraram um fluxo de caixa positivo para o cliente Vale Trading S.A. Como foi dito acima, a empresa usou os recursos provenientes dos resgates/liquidações dos títulos para cumprir a obrigação de pagar o preço acordado a cada um dos clientes, aplicadores originais dos títulos. Como o valor recebido por cada um dos resgates/liquidações foi sempre superior ao valor pago (preço ou valor bruto diminuído do imposto de renda) a cada um dos cedentes, a Vale Trading S.A. obteve um aumento no seu caixa. 2.9 — Para uma melhor compreensão das operações, descrevemos no final deste termo no documento intitulado "Exemplo das Operações" um exemplo — relativo ao IPCD0_39 — dos negócios realizados que é um dos utilizados pela fiscalizada em atendimento à intimação de 10 de dezembro (item 1.6). Há ainda um gráfico de como tais operações seriam contabilizadas na Vale Trading S.A. (demonstração do item 2.6). 2.10 — Fica então caracterizada uma operação em que a Fazenda Pública foi prejudicada pela não retenção e recolhimento do imposto de renda sobre os ganhos Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 217 7 ocorridos em cada um dos títulos desde a sua emissão até o momento da cessão. (...) 3.4 — As operações descritas no item 2 revelam que houve a ocorrência do fato gerador do imposto de renda no momento da cessão de cada um dos negócios realizados entre os originais aplicadores dos títulos e a empresa Vale Trading S.A. e intermediados pela fiscalizada, o Banco Modal S.A. A Secretaria da Receita Federal, no Ato Declaratório n° 98, de 2 de dezembro de 1999 se manifestou afirmando que não ocorre o fato gerador do imposto de renda nas operações de transferência entre contas, no âmbito do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, de títulos de pessoa jurídica não financeira, quando não haja transferência de propriedade. Em sentido contrário ao declarado no ato, quando ocorre a mudança de titularidade não há dúvida de que ocorreu ato jurídico de alienação, ocorrendo, por conseguinte a situação fática geradora da obrigação. 3.5 — A existência da obrigação tributária é reconhecida pelas partes que assinam os documentos com a denominação de Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações. Porém, nesses instrumentos a sujeição passiva da obrigação é deslocada para a empresa Vale Trading S.A. (...) 3.10 — A fiscalizada é que figura no pólo passivo na qualidade de responsável pela retenção do imposto que deveria ter sido retido no momento de cada uma das cessões ocorridas entre fevereiro e julho deste ano. Não importa que não tenha sido a entidade que tenha produzido os rendimentos, ou seja, a fonte de produção dos ganhos tributáveis. A fiscalizada, ao realizar a transferência de titularidade dos títulos, caracterizada pela mudança da custódia dos papéis para a conta da Vale Trading S.A. juntamente com o pagamento dos valores aos beneficiários dos rendimentos assumiu o ônus da obrigação investindose como responsável tributária, sujeito passivo da obrigação gerada. (...) 4.3 — Ao deixar de realizar a retenção do imposto de renda a fiscalizada assumiu o ônus do imposto devido, assim a base de cálculo do rendimento deve ser reajustada conforme comando do art. 725 do Decreto 3.000, de 26, de março de 1999— RIR. 4.5 — Não importa que a fiscalizada não tenha produzido o rendimento de cada um dos títulos listados na planilha em anexo. Ao realizar preliminarmente o comando das Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 218 8 transferências de custódia e em seguida as liquidações financeiras, o Banco Modal S.A. assume, conforme a legislação descrita neste termo, a condição de responsável. Foi por meio da fiscalizada que a Vale Trading S.A. honrou o pactuado nos contratos, ou seja, as TED (Transferência Eletrônica Disponível) foram realizadas pelo Banco Modal S.A. Em resumo, a instituição financeira fiscalizada, realizou o crédito aos beneficiários finais, é portanto fonte que pagou os rendimentos, mesmo não tendo sido a fonte original que os produziu. (...) 5.2 A sonegação e a fraude são espécies da figura conhecida como evidente intuito de fraude, como se infere do artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96. Referidos tipos exigem o dolo, na ação ou na omissão, para o agravamento da multa. 0 legislador, mais precisamente, na mesma esteira do Direito Penal, também aqui definiu que o dolo integra os tipos em questão, por decorrência da redação dos dispositivos legais indicados. Assim, não se pode deixar de lado a preciosa contribuição dos penalistas, com volumoso material doutrinário gerado nas discussões sobre o crime. Aliás, o Código Penal em vigor, desde a reforma de 1984, adotou a chamada teoria finalista da ação, rejeitando o dolo normativo em favor do dolo natural. Com este enfoque, diante do ato ilícito, segundo as lições do Professor Damásio de Jesus, não importa saber se o agente tinha ou não conhecimento da ilicitude, isto é, valoração normativa da conduta praticada ; o que basta considerar é se o autor: estava dotado da vontade de cometer a ação, ou a omissão, e de produzir o resultado; e tinha consciência da conduta, do resultado e da relação causal objetiva entre a conduta e o resultado. 5.3 — No presente caso, como já foi amplamente descrito nos itens anteriores, o Banco Modal S.A., na qualidade de sujeito passivo da obrigação deixou de efetuar a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre os ganhos de aplicações financeiras, por intermédio de um expediente em que a obrigação foi transferida por um instrumento particular para a cliente Vale Trading S.A. Ora, o Banco Modal S.A., instituição financeira, com expertise nas operações em comento tinha pleno conhecimento de que a cliente Vale Trading S.A., teria prejuízo em todas aquelas cessões. Lembremos que os valores de aquisição dos títulos registrados sempre na cláusula segunda nos IPCDO eram sempre superiores aos valores com que a Vale iria receber pela liquidação/resgate dos títulos. O Banco Modal S.A. tinha exata compreensão de que seu cliente sofreria perdas nessas operações. 5.4 — De outro lado ao se afastar do pólo passivo da obrigação tributária a fiscalizada pretendeu que a Fazenda não conhecesse o real responsável pela retenção dos tributos que deixaram de ser retidos e o fez em acordo com o cliente Vale Trading S.A., empresa que vem sendo investigada (conforme Introdução) por vender supostos créditos tributários. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 219 9 5.5 — Fica então caracterizado o conluio entre o Banco Modal S.A. e a Vale Trading S.A. que resultou na supressão do tributo que deveria ter sido recolhido aos cofres públicos. Às fls. 393/659, a ora embargante apresentou impugnação ao AI em comento, no qual afirma o que segue: “Outrossim, demonstrouse que não houve conluio algum por conta da impossibilidade material de a PROCESSADA transferir qualquer tipo de obrigação se não foi parte em nenhum dos referidos instrumentos de cessão, e nem poderia ter tido qualquer conhecimento, no período de fevereiro e julho de 2004, de uma notícia de jornal publicada em novembro de 2004. A PROCESSADA apenas agiu estritamente de acordo com seu objeto social de Instituição Financeira autorizada a custodiar e liquidar aplicações financeiras em CDB, e as operações em comento, absolutamente normais e comuns a qualquer Instituição Financeira, foram conduzidas com a rigorosa observância da Legislação Tributária.” (grifos do original) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroRJ, às fls. 661/673, prolatou o Acórdão DRJ/RJOI nº 7.017, de 24/03/2005. Vejamos, a seguir, sua ementa: “APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA – CESSÃO – Por ocasião da cessão de títulos de renda fixa por uma pessoa jurídica a outra, o imposto de renda na fonte deve ser retido pela instituição que, embora não seja fonte pagadora original, faça o pagamento ou crédito dos rendimentos ao beneficiário final. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO – A fonte pagadora deve arcar com o ônus do imposto de renda na fonte, reajustandose a base de cálculo, se o fisco constata, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, que ela deixou de proceder à retenção do imposto devido pelo contribuinte pessoa jurídica. (Parecer Normativo SRF nº 1/2002). MULTA AGRAVADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NÃO COMPROVADO – Deixando os fatos descritos no auto de infração de se ajustar à hipótese de evidente intuito de fraude definido nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, descabe a aplicação da multa de 150%. Lançamento Procedente em Parte.” O Colegiado julgou procedente em parte o lançamento para exigir da interessada o Imposto de Renda na Fonte no valor estipulado, acompanhado da multa de ofício, que deveria ser reduzida para o percentual de 75%, além dos demais acréscimos legais. No relatório do acórdão, o Relator afirmou que os autuantes “aplicaram a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430/96, por julgarem que a interessada teria agido com evidente intuito de fraude, em conluio com as empresas cedentes e a cessionária, nos termos dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Segundo eles, ela teria se Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 220 10 valido de um artifício para transferir a sua responsabilidade tributária e impedir que a Fazenda conhecesse o real responsável pela retenção, sabendo inclusive que sua cliente Vale Trading SA, investigada por vender supostos créditos tributários (conf. Matéria de jornal à fl. 348), teria prejuízo nas operações.” (grifei) No voto do acórdão, o Relator assinalou que, de acordo com o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, a multa de 150% apenas é aplicável nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Reproduzo, a seguir, trecho do voto: “No caso presente, as justificativas dos autuantes para o seu entendimento de que teria havido conluio – e, naturalmente, dolo por parte da interessada – são as seguintes: a) a interessada, segundo eles, teria visado transferir a sua responsabilidade por meio dos contratos de cessão, nos quais aparece como anuente, com a intenção de impedir que o Fisco descobrisse o real responsável pela retenção dos tributos; b) a interessada, segundo eles, saberia antecipadamente, pela sua experiência, que a sua cliente Vale Trading SA teria prejuízo nas operações; c) a empresa Vale Trading SA, adquirida pelo Banco Santos (alvo de intervenção do Banco Central), segundo um recorte de jornal do dia 30/11/2004 (fls. 348), estaria vendendo no mercado supostos créditosprêmio de IPI. Examinandose os elementos apresentados pelos autuante para demonstrar o conluio (dolo) cabe ponderar que o fato de a interessada figurar como anuente nos contratos pode ser explicado pela circunstância de que ela deveria operacionalizar as transações, transferindo a titularidade dos créditos, não se vislumbrando no fato, por si só, qualquer intenção de lesar o Fisco. Ademais, considerar os contratos como um artifício imaginado por ela para fugir da responsabilidade da retenção do imposto não parece crível, pois ela nem figurava como parte dos contratos e não ganharia nada deixando de reter os impostos na fonte de valores dos quais não era beneficiária. Da mesma forma, a possibilidade de ela prever, por sua experiência, que a empresa Vale Trading SA teria um resultado desfavorável ao final das operações, nada prova de dolo ou de conluio, uma vez que ela, como instituição financeira, cumpre ordens de seus clientes, não lhe cabendo interferir nos negócios deles Em relação ao recorte de jornal datado de 31711/2004 (fí 348), constatase que ele não prova que a interessada soubesse das investigações na empresa Vale Trading SA à época das operações, realizadas entre fevereiro e julho de 2004, uma vez que a reportagem é visivelmente posterior ao período no qual ocorreram as cessões. Verificase, portanto, que os elementos apresentados pelos autuantes constituem, na verdade, indícios insuficientes e não provas efetivas de eventual intenção dolosa da interessada, não se podendo afirmar, com base neles, que tenha havido, de fato, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 221 11 algum conluio envolvendo a interessada. Se os autuantes vislumbraram um conluio, era imperioso que tivessem carreado aos autos provas conclusivas da existência do mesmo, uma vez que o ônus da prova é da autoridade administrativa, não podendo ser transferido para a interessada, a menos que a lei disponha em outro sentido, como nas hipóteses específicas das presunções legais. Em suma, a autuação carece de provas definitivas que evidenciassem a intenção dolosa da interessada em praticar qualquer ação descrita nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964 (..) Assim, diante da falta de comprovação da atitude dolosa da interessada, não pode prevalecer a exigência da multa de 150 %, que deve ser reduzida para o percentual de75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9 430/1996.” Diante da redução da multa, e nos termos do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e art. 67 da Lei nº 9.532/97 c/c Portaria MF nº 333/97, recorreuse de ofício do Acórdão DRJ/RJOI nº 7.017/05. Intimada da decisão acima, a embargante apresentou, às fls. 697/733, dois pedidos: a) solicita a correção do Acórdão 7017/05, em face da existência de inexatidões materiais; e b) recurso voluntário, na hipótese de rejeição do pedido anterior. Resumidamente, afirma em seu recurso voluntário o que segue: “(i) A RECORRENTE não foi parte nos Instrumentos de Cessão de Direitos e Obrigações, consoante reconheceu o Acórdão ora recorrido; (ii) O único pagamento ou crédito efetuado pela RECORRENTE foi o correspondente ao resgate das aplicações financeiras cedidas, ocasião em que, utilizandose do que foi constatado tanto pelo Termo de Verificação Fiscal como pelo Acórdão recorrido, ocorreu “seu resgate já na titularidade da Cessionária (Vale Trading S/A), em cuja contacorrente os valores foram integralmente depositados”; (iii) Também reconhecem tanto o Termo de Verificação Fiscal como o Acórdão recorrido que “a empresa Vale Trading teria obtido um fluxo de caixa positivo, uma vez que ela se valeu dos valores dos resgates para pagar aos cedentes valores menores (diminuídos de IRRF) que os resgatados; (iv) Logo, está equivocada a decisão recorrido quando atribui à RECORRENTE a qualidade de “instituição que, embora não seja fonte pagadora original, faça o pagamento ou crédito dos rendimentos ao beneficiário final”, porque quem efetuou o pagamento aos “Beneficiários Finais” foi a CESSIONÁRIA (Vale Trading SA), nos termos em que verificado pela Fiscalização e dos exemplos de TED juntados às fls. 441/443; Fl. 11DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 222 12 (v) Para a RECORRENTE, a única pessoa ou entidade que poderia ser considerada “Beneficiária Final” seria a CESSIONÁRIA, pois sua obrigação de pagar ou atender a ordem de resgate esgotouse no momento em que efetuou o crédito do valor INTEGRAL das aplicações financeiras que lhe foram cedidas. A partir daí, se a CESSIONÁRIA “ssumisse” com estes valores ou deixasse de pagar aos CEDENTES, a quem a decisão recorrida chama de “Beneficiários Finais”, nenhuma responsabilidade caberia à RECORRENTE; (vi) Em verdade, o auto de infração quis atribuir à RECORRENTE, através das incipientes acusações de fraude e conluio – que muito bem foram rechaçadas pelo Acórdão recorrido – uma inédita “responsabilidade solidária” por tributos que, pelo menos diante das declarações de compensação apresentadas à RECORRENTE pela CESSIONÁRIA, foram retidos e recolhidos por esta última, ainda que tal compensação esteja sujeita à competente homologação. (vii) A alegação do Acórdão recorrido de que não haveria prova do oferecimento à tributação dos rendimentos (ganho de capital) pagos pela CESSIONÁRIA aos “Beneficiários Finais” (CEDENTES) em nada legitima a grave violência fiscal perpetrada contra a RECORRENTE; (viii) Primeiro porque, de acordo com o que dispõe o art. 37 da lei 9.784/99, estes fatos não poderiam ser postos em dúvida quando há a possibilidade de serem investigados por iniciativa da própria Autoridade Julgadora, seja através da determinação de ofício de realização de diligência para a obtenção de documentos ou informações relacionadas ao sigilo fiscal que somente pode ser feita por quem detém a competência para tanto – a própria Autoridade Julgadora; (ix) Segundo porque a RECORRENTE, diante da hesitação da Autoridade Julgadora em cumprir com seu mister de buscar a verdade real sobre a ocorrência do fato gerador, logrou obter dos CEDENTES várias declarações que não somente comprovam que os tais rendimentos foram oferecidos à tributação, mas corroboram os fatos e documentos que afirmam que a fonte pagadora dos mesmos foi a CESSIONÁRIA o que no mínimo indicaria a necessidade deste Egrégio Conselho determinar a realização de diligência para, se for o caso, confirmarem estas declarações.(...)” O pedido de correção das supostas inexatidões materiais no Acórdão nº 7.017/05 foi negado nos termos do despacho de fls. 736/737. Às fls. 742/763 foram julgados os recursos de ofício (fls. 661/673) e voluntário (fls. 711/733), Segue abaixo a ementa do Acórdão n.º 10247.558: “MULTA QUALIFICADA – A penalidade de maior ônus somente pode ser imposta ao sujeito passivo quando efetivamente comprovada a prática de infração, com presença de dolo, fraude ou simulação. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 223 13 ILEGITIMIDADE PASSIVA – RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO – O sujeito passivo da obrigação tributária principal é a pessoa que participou do fato jurídico e dele obteve benefício financeiro de natureza tributável, ou, na qualidade de responsável tributário, aquele que praticar a conduta que o subsume à hipótese legal. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido.” Às fls. 768/777, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial em face do Acórdão n.º 10247.558, pelo qual discute duas questões: a) a definição do responsável tributário pela retenção e recolhimento do IR incidente sobre os ganhos percebidos pelas empresas cedentes com a alienação das CDB´s; e b) a existência de conluio entre o Banco Modal e a Vale Trading S.A., que se aliaram no intuito de que a operação de compra e venda de CDB´s não fosse onerada pela incidência do IR na fonte. Quanto ao segundo ponto, afirma que a Vale, segundo os IPCDOs, era responsável pelo pagamento do IR incidente sobre os valores que a mesma teria que remeter para as empresas cedentes através do Banco Modal. Entretanto, como não possuía recursos para pagar a compra das CDBs, a Vale se comprometia a efetuar os pagamentos às empresas cedentes, mas apenas o fazia após obter rendimentos com o resgate dos títulos. Com esses recursos, a Vale efetuava o pagamento pela compra das CDBs. Ressalta que, no mesmo dia em que eram creditados os valores para as empresas cedentes, a Vale comandava o resgate dos CDBs, e, com esses recursos, provenientes do próprio papel, eram feitos os pagamentos efetuados. Argumenta que o panorama exposto demonstra que a participação da Vale na operação possuía o único sentido de possibilitar o não recolhimento do IR incidente sobre os rendimentos obtidos com os títulos, uma vez que a Vale, ao invés de recolher o tributo, utilizavao na tentativa de compensálo com créditos de IPI inidôneos, frios, sem respaldo jurídico. Por tal motivo, a definição da Vale, e não do Banco Modal, como a responsável pela retenção e recolhimento do IR era tão importante, uma vez que era ela que possuía créditos falsos de IPI, a serem compensados com o IR devido. Entende ser nítido o ajuste fraudulento existente entre o Banco Modal – intermediador de todas as operações – e a Vale, que se uniram no intuito de frustrar o pagamento de IR sobre os rendimentos obtidos na operação com CDBs. Conclui que, uma vez demonstrado o conluio entre o Banco Modal e a Vale, impõese o restabelecimento da multa qualificada de 150% de que trata o art. 44, II da Lei 9.430/96. O recurso especial foi admitido nos termos do Despacho n.º 1020.399/2007 (fls. 778/780). Às fls. 787/817 o contribuinte apresentou suas contrarazões juntamente com os documentos de fls. 805817, onde defendeu, em apertada síntese, que: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 224 14 a. Há no presente caso uma flagrante violação ao princípio da legalidade, na medida em que fora interposto recurso especial contra acórdão nãounânime que negou provimento a recurso de oficio sem que houvesse, na época de sua interposição, em 29/03/2007, autorização legal para tanto, o que só ocorreu com o advento da Portaria MF n° 147/07, em junho de 2007, através do artigo 4°, § 7°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais; b. O recurso foi interposto com base no inciso II, do artigo 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, mas não há demonstração de entendimento divergente; c. Inexiste no recurso qualquer demonstração de contrariedade à lei ou à evidência de prova; d. Estas três preliminares indicam que o recurso não pode ser conhecido; e. Quanto ao mérito, a interessada não pagou ou creditou nenhum valor aos beneficiários finais ou cedentes; f. Restou provado, de forma incontestável, que a recorrida não foi parte em nenhuma das operações de cessão ou dos IPCDO, tendo sua interveniência justificada pelo artigo 290 do Código Civil, que exige a intervenção de pessoa contra quem o direito de crédito deve ser exercido; g. O documento em anexo, que deu origem ao processo administrativo n° 13502.000712/200613 e envolve a empresa DETEN, cuja operação foi utilizada a titulo de exemplo pela autoridade lançadora, prova que a Receita Federal já reconhece que a recorrida não tem que ver com o recolhimento de IRRF algum; h. Não há nos autos nenhuma menção a qualquer prova que poderia servir ao menos como indicio da existência de conluio. A CSRF julgou o recurso especial às fls. 820/842. Vejamos a ementa do Acórdão n.º CSRF/0400.958: “RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL DECISÃO RECORRIDA QUE NEGA PROVIMENTO A RECURSO DE OFICIO. O acórdão recorrido, ao confirmar a decisão de primeira instância, não tornou definitiva a exoneração parcial do crédito tributário (desqualificação da penalidade). Tal matéria pode, por força da maioria de votos (inciso I) ou da divergência jurisprudencial (inciso II), ser submetida à apreciação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme permitia o Regimento Interno desta Casa. Faculdade expressa no artigo 7°, § 4°, do atual Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. PRINCIPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL – DECISÃO NÃOUNÂNIME. A Fazenda Nacional insurgiuse contra acórdão proferido por maioria de votos, invocando como fundamento o artigo 5°, inciso II, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Não obstante esse equivoco, na peça recursal tentou demonstrar, de acordo com os Fl. 14DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 225 15 elementos que instruem os autos, a contrariedade à lei. Hipótese em que o recurso deve ser conhecido pelo inciso I do dispositivo citado. Inteligência do princípio da fungibilidade recursal. CONHECIMENTO DO RECURSO ACÓRDÃO PROFERIDO POR MAIORIA DE VOTOS. Para que seja conhecido o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão não unânime, deve restar demonstrada a contrariedade à lei ou à evidência de prova. Providência adotada no caso em tela. IRF RENDIMENTOS DE OPERAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA LEGITIMIDADE PASSIVA. Na transferência da custódia de títulos de renda fixa, de uma instituição financeira para outra, o imposto de renda na fonte deve ser retido por esta instituição, que, embora não seja a fonte pagadora original, fará o pagamento ou crédito dos rendimentos ao beneficiário final. MULTA QUALIFICADA — SIMULAÇÃO e CONCLUIO. A multa de oficio qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pelo Contribuinte, mediante a constatação de seus motivos simulatórios e o conclui ocorrido. Preliminares rejeitadas. Recurso especial provido.” Após ciência do Acórdão n.º CSRF/0400.958, o contribuinte apresentou os embargos de declaração em análise. Inicialmente, a embargante protesta pela decretação da nulidade do julgamento, tendo em vista que não foi respeitada a ordem de julgamento preconizada pelo art. 30, § 1º do RICSRF, sendo relevante pontuar que esta é a primeira oportunidade que tem para apontar tal questão. Entende que a Conselheira Ana Maria Ribeiro dos Reis foi impedida de manifestar livre e conscientemente seu voto, eis que pressionada por uma divergência que caberia à mesma abrir, e não ao Sr. Presidente ou ao Sr. VicePresidente. Em seguida, afirma que há omissão quanto aos fundamentos que levaram o douto Relator do Voto Vencedor a não aplicar o comando contido no art. 112 do CTN, no que se refere ao provimento do recurso da Fazenda Nacional quanto á decisão da Segunda Câmara do Primeiro CC que negou recurso de ofício, no particular, atinente à multa qualificada. Requer que a Egrégia Turma saneie esta omissão e explicite as razões pelas quais não foi aplicado o art. 112 do CTN diante de dúvida objetivamente demonstrada quanto à existência de suposto conluio, o qual é ponto nodal do auto de infração revivido pela decisão por voto de qualidade deste Colegiado. Pondera que a manifestação a respeito desta omissão é imprescindível para o exercício integral e irrestrito da garantia constitucional à ampla defesa, na medida em que este conluio é o elemento que sustenta o auto de infração que a decisão Embargada resolveu manter por voto de qualidade. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 226 16 Ademais, afirma haver outra matéria de defesa alegada pelo ora Embargante que não foi apreciada pelo Colegiado que deve se manifestar sobre a nova interpretação da RFB acerca das operações sobre as quais o auto de infração lançou interpretação equivocada, na forma como alegado nas contrarazões de Recurso Especial. Explica que em contrarazões alegou que o auto de infração descreveu, a título de exemplo, uma operação que envolvia, no pólo Cessionário das aplicações financeiras, a Vale Trading SA e, no pólo Cedente, a empresa DETEN QUÍMICA SA, e que esta operação, na forma como relatada no auto de infração, foi desconsiderada pela própria RFB. Argumenta ser importante que se aprecie tais razões de defesa, pois a mesma trata de nova interpretação do próprio Órgão Autuante sobre um mesmo fato, na qual pelo menos se reconhece de forma correta as figuras de contribuinte e responsável tributário na operação de alienação de aplicações financeiras. Entende que, no lançamento ora renovado, há uma confusão entre estas figuras, atribuindose responsabilidade ao ora Embargante por conta de um conluio que, por óbvio, nunca restou provado. Segundo a Embargante, o Colegiado deve ainda se manifestar a respeito dos elementos que caracterizariam o alegado conluio. O art. 73 da Lei n.º 4502/64 diz que conluio é o ajuste entre duas ou mais pessoas para fins da prática dos ilícitos descritos nos arts.71 e 72 do mesmo diploma legal. Considerando que o Relator do Voto Vencedor tem o dever de fundamentar sua decisão no pedido deduzido no Recurso interposto pela Fazenda Nacional, servem os presentes Embargos para requerer se a Turma se manifeste sobre qual dos dois ilícitos o recurso aponta, qual o ajuste fraudulento e quem são as pessoas jurídicas que agiram em conluio. Em seguida, afirma que os fundamentos do Acórdão embargado nada têm que ver com o motivo da admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O prolator do Voto Vencedor deveria circunscrever sua decisão à apreciação de violação ao artigo 44, II da Lei 9430/96, com relação à multa qualificada, e ao artigo 733, III do RIR/99, quanto à responsabilidade tributária da interessada. Pondera que, se o relator do voto vencedor estava convencido da ofensa à lei de regência ao prolatar seu voto, tem o dever de indicar e justificar a infringência à lei contida do acórdão recorrido. Entretanto, a única menção aos dispositivos tidos como violados pelo Recurso Especial é lançada da seguinte forma: “Ou seja. Segundo os arts. 729, 730 e 732 do RIR, o IRF seria retido por ocasião do resgate dos títulos e pagamento dos rendimentos à Vale Trading S/A, pelo Contribuinte, este na qualidade de entidade custodiante e, como tal, pessoa jurídica que efetuaria o pagamento dos rendimentos ao beneficiário legal.” Aponta equívoco do Relator pois, como bem explicou o Acórdão do Conselho de Contribuintes, houve dois fatos geradores distintos, um no resgate das aplicações, com base de cálculo zero, e outro na cessão, com dois responsáveis tributários distintos, o que torna inverídica sob qualquer ponto de vista a assertiva contida no Acórdão de que “o Contribuinte, em que pese a condição de responsável tributário pela obrigação, deixou de efetuar a retenção Fl. 16DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 227 17 e o recolhimento do IRF sobre os ganhos de aplicações financeiras, em face dos contratos então celebrados pela Vale Trading SA e os cedentes dos títulos”. Argumenta que, de forma equivocada, quis o Relator do voto vencedor direcionar a conclusão do seu voto para a existência de um conluio que nunca existiu, o qual, pelas razões de admissibilidade com as quais a Quarta Turma da CSRF concordou unanimemente, nem mesmo poderia ser discutido, já que isto dependeria da análise de provas, sendo certo que o recurso não foi e nem poderia ter sido recebido por este fundamento. Ressalta que o fato gerador que motivou o auto de infração foi o do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre o ganho de capital obtido por cedentes de aplicações financeiras em operação de cessão da qual o Embargante não foi parte. Sua única participação foi o atendimento a uma ordem de resgate de aplicações financeiras cujo IRF a reter era zero em função da base de cálculo negativa, e quem resgatou foi o legítimo proprietário das aplicações, o qual apresentou a nota de compra a que alude o art. 35 da Lei n.º 8.383/91. Afirma ser forçosa a conclusão de que o Acórdão ora embargado contradiz prova nos autos. Diferentemente de tudo o que restou provado nos autos, o Voto condutor da decisão ora embargada reafirma uma tese derrubada no Conselho de Contribuintes e que somente tinha sustentação com a alegação de conluio, que era, ou pelo menos assim se entendeu do obscuro voto, a de que o Embargante teria responsabilidade na retenção do IRF incidente sobre a operação de alienação das aplicações financeiras. Explica que, como há prova nos autos de que o pagamento foi efetuado por TED pela Cessionária aos diversos Cedentes, não há como se concluir diversamente daquilo que tal prova mostra, de que a responsabilidade, nas palavras do recurso da Fazenda Nacional, “pela retenção e recolhimento do IR incidente sobre os ganhos percebidos pelas empresas cedentes com alienação das CDB´s”, é de quem efetuou o pagamento ou crédito aos beneficiários finais, isto é, as pessoas jurídicas Cedentes. Pondera que o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi recebido apenas pelo fundamento relacionado à alegada violação ou negativa de vigência de dispositivo de Lei, e não para exame de provas, principalmente prova inexistente, e pior ainda uma alegação de simulação aventada apenas pelo Relator do voto vencedor. Ressalta que esta nova tese de simulação foi criada e adotada apenas pelo Relator do voto vencedor para tentar justificar o injustificável, e é interessante notar que nem mesmo o auto de infração ou mesmo o Recurso da Fazenda Nacional menciona essa categoria jurídica. A tese de simulação constituise em elemento novo, que contradiz as provas dos autos, os fundamentos do auto de infração e a própria razão de admissibilidade do Recurso da Fazenda Nacional. Segundo seu entendimento, ainda que o auto de infração tivesse sido fundamentado em “simulação”, esta deveria estar inequivocadamente comprovada e não meramente alegada em um voto que dá provimento a um recurso que sequer ventilou esta alegação. Entende que o acórdão embargado, ao reformar o julgado da Câmara com base em alegação nova de cometimento de simulação, proferiu decisão em que se verifica incontestável preterição do direito de defesa da parte recorrida, o que a torna nula, nos termos do art. 59, II do Decreto 70235/72. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 228 18 Ao final, requer o conhecimento e provimento dos presentes embargos, para sanar as obscuridades e contradições indigitadas, atribuindoo efeitos infringentes para que a decisão proferida por voto de qualidade seja modificada, negandose provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Tendo em vista o fato de que o redator designado para redigir o voto vencedor do acórdão embargado não pertencer mais a este colegiado, a sua análise foi a min distribuída por sorteio, conforme despacho do presidente da 2ª Seção (fls. 970) Após apreciar as informações prestadas, os presentes embargos obtiveram o aval do Presidente da CSRF para sua inclusão em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O contribuinte em 05/12/2008, tempestivamente, opôs embargos de declaração ao acórdão que lhe foi cientificado em 28/11/2008. Em caráter preliminar, merece ser rejeitado o protesto do Embargante pela decretação da nulidade do julgamento, tendo em vista que não foi respeitada a ordem de julgamento preconizada pelo art 30, §1° do RICSRF. Neste ponto há de se salientar que o art. 31, IV do RICSRF previa a realização de debates entre os conselheiros sobre assuntos pertinentes ao processo e questões levantadas pelas partes. Este debate encontravase previsto no RICSRF para se realizar após a sustentação oral das partes e antes da votação: Art. 31. Anunciado o julgamento de cada recurso, o Presidente dará a palavra, sucessivamente: I ao relator, para leitura do relatório; II ao recorrente, se desejar fazer sustentação oral, por quinze minutos, prorrogáveis por igual período; III ao interessado, assim entendidos a Fazenda Nacional ou o sujeito passivo ou o seu representante legal, se desejar fazer sustentação oral, por quinze minutos, prorrogáveis por igual período; e IV aos demais conselheiros, para debate sobre assuntos pertinentes ao processo e questões levantadas pelas partes. § 1º Encerrado o debate, o Presidente ouvirá o relator e tomará, sucessivamente, o seu voto, dos que tiveram vista e dos demais, a partir do primeiro conselheiro sentado à sua esquerda, representante da Fazenda Nacional, e votará por último, anunciando, em seguida, o resultado do julgamento. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 229 19 Quanto ao requerimento do embargante para que se dê o saneamento da omissão e explicitar as razões pelas quais não foi aplicado o art. 112 do Código Tributário Nacional diante de dúvida objetivamente demonstrada quanto à existência de suposto conluio, o qual é ponto nodal do auto de infração revivido pela decisão por voto de qualidade desta Turma, transcrevo trecho do voto vencido que aborda a questão: “Dos debates ocorridos durante este julgamento, saltou aos olhos deste julgador, salvo melhor juízo, que mesmo para a posição majoritária, adotada pelos Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga, existem, no mínimo, dúvidas sobre a efetiva participação do Banco Modal S.A. na operação em causa. Nessas circunstâncias, tenho como aplicável ao caso o artigo 112, incisos II e III, do CTN, segundo o qual: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto:(...) II — à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III — à autoria, imputabilidade, ou punibilidade;". (Grifos do autor) Sobre este aspecto não houve nenhuma abordagem no voto vencedor condutor do acórdão ora embargado. Entretanto, não vislumbro a omissão apontada pelo embargante, uma vez que a matéria, ou seja, a aplicação do art. 112 do CTN não foi sequer questionada em sede de contrarazões ou em outro momento processual. Destarte, embargos declaratórios não se prestam à discussão de tema novo, sequer ventilado anteriormente, no momento processual oportuno. Por outro lado, entendo que o voto vencedor condutor do acórdão foi omisso ao não enfrentar questão suscitada pelo embargante em sede de contrarazões, nos seguintes termos: E, para espancar de vez quaisquer dúvidas sobre a ilegitimidade de um recurso que, além de não reunir as mínimas condições de admissibilidade, não tem o menor fundamento, o auto de infração descreve, a titulo de operaçãoexemplo, o fluxograma do contrato feito entre a Vale Couros e a empresa DETEN, conforme se depreende do anexo "Exemplo das Operações", relacionado ao IPCDO 39 Ocorre que o documento em anexo, originado do mandado de procedimento fiscal n° 0510400/00043/06, e que deu origem ao processo administrativo n° 13502.000712/200613, prova que a Receita Federal do Brasil já reconhece de forma expressa e inequívoca que a Recorrida nada tem que ver com o recolhimento de IRRF algum.” A omissão a ser suprida pela via dos embargos deve ser relevante ao ponto de tornar fortemente comprometida a decisão recorrida. Por conta da omissão verificada, a decisão Fl. 19DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 230 20 viciada desafia os elementos basilares constantes dos autos e se afasta lateralmente da questão controvertida, que deveria ter sido apreciada em sua totalidade e efetivamente não o foi. No presente caso, o voto condutor do acórdão embargado foi omisso quanto à matéria de defesa alegada em suas contrarazões cuja apreciação passou in albis, e sobre a qual é imprescindível que se manifeste este Colegiado. A última omissão apontada pelo embargante, que diz respeito aos elementos que caracterizariam o alegado conluio, por não ter o acórdão embargado se manifestado sobre qual o ajuste fraudulento e quem são as pessoas jurídicas que agiram em conluio. Conforme apontado no voto vencedor do acórdão embargado, as razões de mérito confundemse com o fundamento da qualificação da multa: “Quanto à multa qualificada, pelas mesmas razões de mérito, acima suscitadas, entendo que deva ser mantida sua aplicação, como determina o art. 44, II, da Lei 9430/97 (com a redação vigente à época).” Não merecem prosperar as alegações da embargante acerca da existência de contradição e obscuridade, por considerar que o recurso foi recebido para apreciação de dispositivos de lei supostamente violados que não foram sequer citados no Acórdão embargado e que os fundamentos do Acórdão contradizem a razão de admissibilidade do recurso. Saliente–se que o recurso especial foi conhecido sob o fundamento de que teriam sido violados o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, com relação à multa qualificada, além do artigo 733, inciso III, do RIR/99, quanto à responsabilidade tributária da interessada. Por sua vez o voto vencedor foi exatamente no mesmo sentido, por considerar que o Contribuinte, em que pese a condição de responsável tributário pela obrigação, prevista no art. 733, III do RIR/99, deixou de efetuar a retenção e o recolhimento do IRF sobre os ganhos de aplicações financeiras. Quanto a alegada impossibilidade de se discutir prova cuja inexistência foi proclamada desde a Delegacia de Julgamento e de que o voto vencedor contradiz as provas dos autos, há de se salientar que o conhecimento do recurso especial interposto em decorrência de contrariedade à lei ou à evidência da prova devolve à CSRF a possibilidade de apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide, sendo certo que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (art. 29 do Decreto 70.235/72). Passase, agora, a apreciação da alegação do embargante no sentido de que teria havido, por parte do relator do voto vencedor, inovação ao tratar da simulação, posto que nas palavras do embargante: “esta nova tese de simulação, foi criada, adotada apenas pelo Relator do voto vencedor para tentar justificar o injustificável, e é interessante notar que nem mesmo o auto de infração ou mesmo o Recurso da Fazenda Nacional menciona repitase menciona essa categoria jurídica.” Ainda, de acordo com o embargante: “somente por conta do novel argumento da simulação é que foi reformado o Acórdão recorrido, pois não há nenhuma outra razão, de fato ou de direito, que justifique esta reforma.” Fl. 20DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 231 21 Conforme relatado alhures, de pronto constatase que assiste razão ao embargante na sua assertiva de que a simulação aventada no voto condutor do acórdão embargado não constituiu fundamentação para a exigência tributária em questão. O então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época em que os embargos de declaração forma opostos, em seu art. 41, previa o seguinte: “Art. 41. Cabem embargos de declaração quando existir no acórdão obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma ou o Pleno.” Da leitura do dispositivo regimental depreendese que as funções dos embargos de declaração, por sua vez, são afastar do acórdão qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão. Por sua vez, o art. 535 do Código de Processo Civil, , dispõe que: "cabem embargos de declaração quando: I houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição; II for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o juiz ou o tribunal". Em comentário a esse último dispositivo legal, o doutrinador Luis Guilherme Aidar Bondioli, citando outros renomados processualistas, ainda menciona os "erros evidentes" sanáveis pela via dos embargos e os raríssimos erros de julgamento embargáveis. Transcrevemse, por oportunos, os seguintes trechos de sua obra doutrinária: "Existem diversas categorias de erro. O erro material não chega a ser uma anomalia do juízo, mas sim de sua expressão (supra, n. 23). O chamado error in procedendo é um vício de atividade, uma desatenção do juiz para com as disposições do ordenamento jurídico que regulam o processo e o seu modo de atuar na condução do feito. É o caso, por exemplo, das sentenças extra ou ultra petita (CPC, art. 460) ou do acórdão que se pronuncia sobre pretensão não devolvida pela apelação (CPC, art. 515). (...) Como é cediço, a lei não prevê dentre as hipóteses de cabimento dos embargos declaratórios a sanação de erro material. Muitas espécies de errores in procedendo também não são contempladas pelo art. 535 do Código de Processo Civil (p. ex., sentença extra ou ultra petita). E nenhum erro de julgamento é arrolado dentre os defeitos dos pronunciamentos judiciais sanáveis via embargos de declaração. Todavia, a celeridade, segurança, adequação e efetividade dos embargos declaratórios para a sanação de imperfeições existentes nas decisões judiciais fez com que a jurisprudência estendesse o mecanismo para outras situações além das previstas no Código de Processo Civil. Como conseqüência disso, todo erro material passou a ser corrigível por meio de embargos de declaração (supra, n. 23). E determinados errores in judicando e errores in procedendo não abarcados pelo art. 535 do Código de Processo Civil, em condições especialíssimas, passaram também a contar com os embargos declaratórios para a sua extirpação do ato decisório. (...) Sentenças ultra ou extra petita têm sido corrigidas pela via dos embargos declaratórios, por se consubstanciarem em erros Fl. 21DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 232 22 evidentes. Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda elogia essa iniciativa: 'a lei não se refere à decisão fora do que se tinha de decidir, mas seria absurdo que se pudesse recorrer com embargos de declaração tendo sido omissivo o julgado, e não se pudessem opor embargos de declaração contra a decisão que, devendo aterse a x, decidiu x e y'. Devem ser abertas as portas, ainda, para a correção em sede de embargos de acórdãos proferidos em dissonância com a regra tantum devolutum quantum appellatum (CPC, art. 515), por tratarse igualmente de manifesto equívoco." (Embargos de Declaração, Coleção Theotônio Negrão / coordenação José Roberto Ferreira Gouvêa, São Paulo: Saraiva, 2005, pp. 141 a 142, 144, e 151 a 152)” Destarte, à primeira vista, poderseia concluir que o vício no acórdão apontado pelo embargante, acerca da inovação no voto vencedor de fundamento jurídico – simulação que não constituiu fundamentação para a exigência tributária, não poderia ser suprido pela estreita via de embargos de declaração, por não se configurar omissão, obscuridade ou contradição. Todavia, a doutrina, bem como a assentada jurisprudência de nossos tribunais superiores e deste Conselho têm alargado, com parcimônia, a estreita via desse recurso, de modo a permitir que se corrijam outros erros de procedimento, muito embora a rigor não se constate omissão, obscuridade ou contradição, quando não exista no sistema legal outro recurso que permita a correção do erro cometido no julgado. Como exemplo, transcrevese ementa do julgamento do Resp 1.757SP, relator Ministro Sálvio de Figueiredo – DJU de 9 de abril de 1990, página 2.745: “PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATORIOS. EFEITO INFRINGENTE. EXCEPCIONALIDADE. QUESTÕES NOVAS. PRECLUSÃO OCORRIDA. DESCABIMENTO. I DOUTRINA E JURISPRUDENCIA TEM ADMITIDO O USO DE EMBARGOS DECLARATORIOS COM EFEITO INFRINGENTE DO JULGADO, MAS APENAS EM CARATER EXCEPCIONAL, QUANDO MANIFESTO O EQUIVOCO E NÃO EXISTINDO NO SISTEMA LEGAL OUTRO RECURSO PARA A CORREÇÃO DO ERRO COMETIDO.(GRIFEI) II DESCABEM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA SUSCITAR QUESTÕES NOVAS, ANTERIORMENTE NÃO VENTILADAS, NÃO SENDO ELES TAMBÉM HABEIS PARA A DESCONSTITUIÇÃO E PRECLUSÃO JA OCORRIDA.” No mesmo sentido, Embargos de Declaração no RECURSO ESPECIAL Nº 853.216 – MG, relatora Ministra Denise Arruda: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS NO RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE CONFIGURA JULGAMENTO EXTRA PETITA . CORREÇÃO DO ALEGADO ERRO MATERIAL. RECURSO ESPECIAL INADMISSÍVEL ANTE A INEXISTÊNCIA DE INTERESSE EM Fl. 22DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 233 23 RECORRER. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS, COM EFEITOS MODIFICATIVOS. 1. Na hipótese, houve erro evidente no julgamento do recurso especial, pois a contribuinte, ora embargada, pugnou pela reforma do acórdão proferido pelo Tribunal de origem a fim de que lhe seja permitido "proceder a compensação integral dos valores indevidamente recolhidos, a título da exação Contribuição Social incidente sobre a remuneração paga a autônomos, administradores e avulsos, sem as limitações previstas nas Leis 9.032/95 e 9.129/95" , enquanto que, no acórdão embargado, o recurso especial foi provido sob o fundamento de que, "nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para pleitear a compensação ou a restituição do que foi indevidamente pago somente se encerra quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco, contados a partir da homologação tácita (tese dos 'cinco mais cinco')" . Igualmente tem sido a jurisprudência na Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO JULGAMENTO EXTRA PETITA. A doutrina e também a assentada jurisprudência dos tribunais superiores têm alargado, com parcimônia, a estreita via desse recurso, de modo a permitir que se corrijam outros erros de procedimento que não se encontrem enclausurados no quarteto: omissão, contradição, dúvida e obscuridade quando não exista no sistema legal outro recurso que permita a correção do erro cometido no julgado. Devese reformar o acórdão embargado no sentido de escoimar o julgamento de matéria não devolvida ao Colegiado (julgamento extra petita), e restabelecer o acórdão da instância a quo que fixou o termo inicial da contagem do prazo de decadência do PIS como sendo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado.(GRIFEI) (Acórdão n.º CSRF/0203.778, relator: Conselheiro Henrique Pinheiro Torres) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento. (GRIFEI) IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – GANHO DE CAPITAL – ARBITRAMENTO DO VALOR DE VENDA – O arbitramento do valor de venda de imóvel, pela desconsideração do valor informado na escritura pública de compra e venda só é Fl. 23DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 234 24 admissível mediante procedimento regular em que o fisco faça prova da aptidão do valor por ele atribuído à operação. Recurso especial provido. Decisão Por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Declaratórios para retificar a decisão do Acórdão de nº CSRF/0102.728, de 12/07/1999, para DAR provimento ao Recurso do Contribuinte, e considerar prejudicado os Embargos Declaratórios da DRF/BSB, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Acórdão CSRF/0104.535, relator: Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber) Como bem asseverou o relator original do acórdão embargado: “a controvérsia que chega à apreciação deste Colegiado diz respeito ao sujeito passivo da obrigação tributária e à existência ou não de conluio entre a interessada e a Vale Trading S.A.” Entretanto, o voto vencedor condutor do acórdão ora embargado introduziu a figura que não constituiu fundamentação para a exigência tributária, a ocorrência de simulação. Segue abaixo trecho do Voto Vencedor do julgado: “No caso concreto, as operações de aquisição dos títulos e seu resgate foram realizados em seqüência, em mesmo dia, ganhando relevo o fato de que a segunda etapa da transação, de resgate, é que viabilizou a liquidação financeira da primeira etapa, de aquisição dos títulos, indicando a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto de atos. Ademais, manifesto que ocorreu o uso do Contribuinte, como meio para se viabilizar o resgate dos títulos sem a retenção do IRF (como faria a instituição emissora do título, razão pela qual ocorreu a transferência da custódia, anteriormente ao resgate). Não teve o Contribuinte outra função dentro do contexto, que não realizar o resgate sem a retenção do IRF. É igualmente revelador desta simulação o caráter fictício da operação (em que o Contribuinte compra os títulos já sabendo que incorrerá em perdas, em sua liquidação, ocorrida no mesmo dia) É de todo evidente, no caso concreto, o motivo simulatório, que seria deslocar, para a Vale Trading S/A, a responsabilidade tributária pela retenção do IRF incidente sobre os rendimentos usufruídos pelos cedentes dos títulos de crédito, sendo que, para que isto fosse possível, a instituição financeira responsável pelo resgate dos títulos, cujo encargo, na transação em questão, foi assumido pelo Contribuinte, não poderia proceder à retenção do IRF devido sobre os títulos resgatados. E, mediante o deslocamento da responsabilidade tributária para a Vale Trading S/A, esta poderia fazer uso, via compensação, de créditos de certeza e liquidez duvidosa. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 235 25 O processo administrativo fiscal busca, entre outros, a verdade material dos fatos. Assim sendo, é dever da autoridade utilizar se de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento, na busca dessa verdade. Os fatos indicados, entendo, são vestígios que denunciam a simulação realizada, pois, apreciados de forma conjugada, demonstram a construção artificial da compra e venda dos títulos, de modo a proporcionar, como motivo simulatório, que os rendimentos fossem tributados pela Vale Trading S/A, que, assim, poderia fazer uso de créditos cuja legitimidade e certeza é considerada duvidosa. Francisco Ferrara / ressaltando a dificuldade da prova direta da simulação, aborda os meios probatórios indiretos, elencando lhes os elementos, que classifica como relativos ao interesse em simular; às pessoas dos contraentes; ao objeto do negócio jurídico; à execução do negócio; à conduta das partes na realização do negócio. Aspectos relevantes destacados por Ferrara são a existência de motivo para a simulação e a falta de execução material do contrato. Esta, segundo Ferrara, é decisiva para caracterizar um negócio como simulado, tratandose da "mais clara confissão" da simulação. Na execução apenas formal do negócio jurídico, este leva a mutações jurídicas que só se manifestam no campo do direito, comportandose os contraentes, de fato, de acordo com outro negócio jurídico ou como se não tivesse negócio algum. Neste particular, ganho relevo o fato de que o pagamento dos títulos, pela Vale Trading S/A, somente ocorreu quando esta recebeu, do Contribuinte, mediante depósito em sua conta corrente, os valores da liquidação dos títulos cedidos. Entendo, assim, que se trata de operação tendente a deslocar a responsabilidade tributária de retenção do IRF, mediante a operação simulada, evidenciando o intuito de fraude e conluio. Na atividade de lançamento, não cabe à Secretaria da Receita Federal invalidar os atos, mas fixar sua repercussão frente à legislação tributária e exigir o tributo porventura deles decorrentes. Diante dos fatos acima, entendo que deve ser mantido o lançamento, já que a responsabilidade tributária do Contribuinte não pode ser afastada em razão do valor atribuído (superior ao valor de resgate) à aquisição dos títulos pela Vale Trading S/A, em operação simulada, que não se consumou, em termos reais, anteriormente ao fato gerador da obrigação em questão. Quanto à multa qualificada, pelas mesmas razões de mérito, acima suscitadas, entendo que deva ser mantida sua aplicação, como determina o art. 44, II, da Lei 9430/97 (com a redação vigente à época) (...) Fl. 25DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 236 26 Entendo que a simulação e o conluio, autorizadores da aplicação da multa de 150%, restaram provados pela fiscalização, diante das razoes acima já suscitadas. Assim sendo, no mérito, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Procuradoria, restabelecendo a exigência na forma do auto de infração, com multa qualificada.” O conluio é o ajuste doloso que visa qualquer dos efeitos da sonegação ou da fraude, conforme referidos nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 (art. 73 da referida Lei). Desse modo, somente se presente os efeitos da sonegação ou da fraude, há falar em conluio, do qual aqueles são pressupostos. A época do lançamento, somente nos casos de evidente intuito de fraude, a sonegação, a fraude e o conluio poderiam ensejar a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, como se inferia da redação do artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, anterior a redação atual dada pela Lei nº 11.448/2007. Percebase que a expressão "nos casos de evidente intuito de fraude” não mais consta da atual redação da Lei 9.430/96. Isso quer significar que, hoje, os conceitos de sonegação, fraude e conluio estão desvinculados da caracterização de evidente intuito de fraude, podendo a qualificação ser imposta, diretamente, nas situações em que se identificar sonegação, fraude ou conluio. Fraude, mais precisamente, evidente intuito de fraude não se confunde com simulação. São figuras distintas. A simulação compreende a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. Isto é, consiste na prática de ato ou negócio que esconde a sua real intenção. A Fraude, entrementes, é figura jurídica diferente, que encontra conceituação no art. 72 da Lei nº 4.502/64, in verbis: “Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” Assim, a fraude pode ser compreendida como a ação ilícita que vise enganar o fisco sobre a ocorrência do fato gerador da obrigação principal. Isto é, ocorrido o fato gerador da obrigação tributária principal, a conduta ilícita do contribuinte que vise enganar o fisco (negando a ocorrência do fato gerador ou alterando as características essenciais de modo a reduzir o montante do imposto devido, evitar ou diferir seu pagamento). Portanto, neste outro aspecto, qual seja, a existência, no acórdão embargado, de inovação por parte do voto vencedor de fundamento jurídico – simulação que não constituiu fundamentação para a exigência tributária, justifica o acolhimentos do presente declaratório. Fl. 26DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 237 27 Destarte, os embargos merecem ser acolhidos para: i) suprir a omissão que diz respeito a alegação, em sede de contrarazões, de que o auto de infração descreveu, a titulo de exemplo, uma operação que envolvia, no pólo Cessionário das aplicações financeiras, a Vale Trading Couros SA e, no pólo Cedente, a empresa DETEN QUÍMICA SA, e que esta operação, na forma como relatada no auto de infração, foi desconsiderada pela própria Receita Federal do Brasil; e ii) sanear a existência, no acórdão embargado, de inovação por parte do voto vencedor de fundamento jurídico – simulação que não constituiu fundamentação para a exigência tributária. Inicialmente abordarei a alegação do ora embargante, em sede de contra razões, de que o auto de infração descreveu, a titulo de exemplo, uma operação que envolvia, no pólo Cessionário das aplicações financeiras, a Vale Trading Couros SA e, no pólo Cedente, a empresa DETEN QUÍMICA SA, e que esta operação, na forma como relatada no auto de infração, foi desconsiderada pela própria Receita Federal do Brasil. Conforme relatado, o Termo de Verificação Fiscal menciona documento denominado Exemplo de Operações, para que se compreenda as operações, nos seguintes termos: “2.9 Para uma melhor compreensão das operações, descrevemos no final deste termo no documento intitulado "Exemplo das Operações" um exemplo — relativo ao IPCD0_39 dos negócios realizados que é um dos utilizados pela fiscalizada em atendimento à. intimação de 10 de dezembro (item 1.6). Há ainda um gráfico de como tais operações seriam contabilizadas na Vale Trading S.A (demonstração do item 2.6).” O documento intitulado Exemplo de Operações (fls. 362) menciona o seguinte Resumo da Operação: “Fase 1 Deten Química S.A. é proprietária de CDB emitido pelo UNIBANCO Fase 2 Deten Química solicita a transferência de custódia do banco emitente para o Banco Modal S.A. Fase 3 Em seguida é solicitado ao UNIBANCO o resgate do título que faz o crédito no Banco Modal S.A. (novo custodiante) do valor bruto do título, correspondente à valorização pela curva do papel, no caso 101,7 % CDI. O Banco Modal deposita na conta da Vale Trading o valor bruto do CDB – R$ 3.626.494,25. Acerca da ocorrência do fato gerador e da responsabilidade pela retenção do IRRF, asseverou a Fazenda Nacional em sede de recurso especial, nos seguintes termos: “14. Assim, ocorreu fato gerador do IR no momento da alienação dos títulos à Vale, devendo o imposto incidir sobre o ganho obtido pelas empresas cedentes, desde a emissão do título até a sua cessão. O fato gerador do IR também ocorreu, ao menos em tese, por ocasião do resgate dos títulos, incidindo a exação sobre os rendimentos obtidos nessa operação. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 238 28 15. A incidência do IR nesses dois momentos está respaldada nos seguintes dispositivos do RÍR/99: (...) 16. Vale notar, nesse ponto, que em nenhum dos dois momentos antes destacados cessão e resgate dos títulos houve recolhimento do IR, Por ocasião da alienação dos títulos, a Vale descontou, dos valores pagos às empresas cedentes, o IR devido; entretanto, conforme se extrai dos autos, não houve recolhimento, pela Vale, dos valores descontados a título de IR. (...) 33. Segundo antes relatado, consta dos IPCDOs firmados entre a Vale, as empresas cedentes e o Banco Modal que a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do IR devido na alienação dos títulos caberia à Vale, como suposta fonte pagadora dos recursos,. 34. Entretanto, essa responsabilidade, ao contrário do previsto nos referidos contratos, não cabe à Vale, mas sim ao Banco Modal,, Ora, primeiramente, cumpre observar que, conforme já demonstrado, a Vale é empresa que integrou as operações objeto de fiscalização com o único fim de possibilitar o não pagamento do IR devido mediante a tentativa de compensálo com créditos inidôneos de IPI. Exatamente por tal motivo, tentouse deslocar a responsabilidade pela retenção do IR para a Vale.” Por outro lado, no Termo de Verificação Fiscal do Auto de Infração lavrado em face da empresa DETEN QUÍMICA S/A (fls. 814/816), juntado aos autos pelo embargante em sede de contrarazões, manifestase da seguinte forma acerca da mesma operação citada no documento intitulado Exemplo de Operações: “6. Inicialmente se faz necessário à descrição da operação de cessão efetuada, posteriormente, infrações apuradas e penalidades aplicáveis. 7. O fiscalizado (cedente), Vale Trading S/Á (cessionário) e Banco Modal (anuente), celebraram quatro instrumentos Particulares de Cessão e Direitos e Obrigações, doravante chamado de IPCDO, onde o cedente cede e transfere ao cessionário os seus direitos e obrigações decorrentes de CDB de sua titularidade, conforme quadro abaixo: VALOR BASE (RS) PARÂMETRO ATUALIZAÇÃO PERÍODO VIGÊNCIA BANCO EMISSOR 2.700.000,00 101,7 30/12/2002 a 14/12/2005 UNIBANCO 1.900.000,00* 101,5 25/10/2002 a 11/10/2005 UNIBANCO 1.300.000,00* 101,5 28/10/2002 a 13/10/2005 UNIBANCO 2.500.000,00 101 14/09/2001 a 30/08/2004 MERCANTIL DO BRASIL 1.833.000.00 100,9 23/09/2002 a 04/10/2004 BRADESCO *Estes fazem parte de um IPCDO, os demais de fornia individualizada 8. Na cláusula segunda de cada IPCDO os valores que o cessionário deveria pagar ao cedente, valor este antes de Fl. 28DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 239 29 "descontado o imposto de renda a alíquota de 20%", e os pagamentos líquidos ajustados entre as partes, via transferência eletrônica disponível TED. No parágrafo segundo desta cláusula especificase que o cessionário estaria obrigado a reter o IRRF e ainda, que deveria fornecer ao cedente em seis dias corridos o informe de rendimentos relativos às operações. No parágrafo terceiro o estabelecimento de responsabilidade ao cessionário, caso o cedente fosse responsabilizado em razão do não recolhimento ou recolhimento em desacordo com o estabelecido na legislação vigente, pela autoridade competente Este parágrafo não consta no IPCDO relativo ao CDB emitido pelo Banco Mercantil do Brasil. PREÇO AJUSTADO (R$) PAGAMENTO EFETUADO – TED VALOR DO “IRRF" 3.663.554,01 3.470.843,21 192.710,80 4.485.854,91 4.228.683,94 257.170,97 4.192.199,15 3.853.759,32 338.439,83 2.594.391,91 2.443.113,53 151.278,38 9. A transferência de responsabilidade da retenção do IRRF, previstas nos IPCDO não são oponíveis ao Fisco art 123 do CTN. 10. No presente caso, os bancos emissores dos CDB são os responsáveis pelas retenções e recolhimentos dos IRRF, pois cabem aos bancos fazerem os pagamentos dos rendimentos auferidos pelo titular dos títulos por eles emitidos, conforme art. 733, I do Decreto n° 3 000 de 26 de março de 1999 RIR/99, e também fornecer aos beneficiários comprovantes dos rendimentos pagos e do imposto de renda retido na fonte – art. 733, Parágrafo único, I do RIR/99. Os bancos emissores dos CDB informaram em DIRF os rendimentos pagos tendo como beneficiário o fiscalizado, mas sem retenção na fonte. 11. O fato gerador do imposto não decorre da mudança de custódia do título na Câmara de Custódia e Liquidação CETTP AD SRF n° 102/99. 12. O banco emissor de cada CDB por ocasião do pagamento/resgate dos rendimentos deveria reter o IRRF art.. 732, II do RIR/99, auferidos pelo fiscalizado Isto é, os rendimentos de aplicações financeiras foram auferidos pelo fiscalizado desde a compra do título até o resgate de cada CDB. Observese que as Notas de Negociação dos CDB apresentadas, todas tem como titular o fiscalizado. Cópias no processo. 13. O pagamento de rendimentos de aplicação financeira e sua retenção são de responsabilidade de instituições financeiras, a compensação do IRRF em aplicações financeiras deverá ser feita de acordo com comprovante de rendimento fornecido por instituição financeira art 33, § 10 da IN SRFn° 25/2001. Fl. 29DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 240 30 14. Constatada a falta de retenção do imposto que tiver a natureza de antecipação, após o encerramento do período de apuração, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte, ou seja. verificar se o contribuinte submeteu os rendimentos à tributação, e neste caso não há a possibilidade de se compensar do imposto apurado do período de apuração, imposto não retido e nem recolhido PN SRF n° 1/2002. 15. Verificase que os rendimentos pagos pelos bancos emissores dos CDB por ocasião do resgate foram devidamente contabilizados pelo fiscalizado em conta de resultado como receita financeira pro rata tempore, e em conta Outras Receitas, cópias do razão no processo lambem contabilizou os "valores referentes aos IRRF, informados pela Vale Trading S/A" em conta de ativo como imposto a recuperar, no valor total de R$ 939.599,98 em junho e julho de 2004, em que pese a informação prestada de que não haveria utilizado o valor R$ 257.272,32, por nao terem obtido o informe de rendimento. 16. Portanto efetuamos a glosa do valor R.$ 939.599,98 utilizado pelo contribuinte para compensar com o imposto devido em 2004 lucro real anual.” Como se vê, o Termo de Verificação Fiscal referente ao auto de infração a que se refere o embargante em suas contrarazões é peremptório ao afirmar que: “No presente caso, os bancos emissores dos CDB são os responsáveis pelas retenções e recolhimentos dos IRRF” Ademais, resta claro que na operação tida como exemplo, conforme apontado no referido Termo de Verificação Fiscal (item 10), os bancos emissores dos CDB informaram os rendimentos pagos, tendo como beneficiário a Deten Química S.A., mas sem a respectiva retenção. Ou seja, ao lavrar o auto de infração em que o sujeito passivo era a empresa Deten Química S.A., o fisco federal considerou que: a) o fato gerador ocorreu no momento do resgate dos CDB; b) a base de cálculo eram os rendimentos auferidos pela Deten Química S.A., desde a compra do título até o resgate de cada CDB; e c) os responsáveis pelas retenções e recolhimentos dos IRRF eram os bancos emissores dos CDB. Como se vê, estamos de frente de uma omissão que tornou imperfeita a decisão, que diz respeito a ponto sobre o qual deveria o julgador necessariamente se manifestar. A ausência de sua manifestação sobre este ponto, que é crucial para a resolução do litígio, resultou em uma decisão seriamente prejudicada pela conclusão equivocada a que se chega. Portanto, configurada a omissão acima descrita e, ainda, de inovação por parte do voto vencedor do acórdão embargado de fundamento jurídico – simulação que não constituiu fundamentação para a exigência tributária, vêse que é impossível suprir as falhas Fl. 30DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 241 31 encontradas no aresto sem a necessária revisão do seu dispositivo, emprestando aos embargos declaratórios o efeito modificativo. Vêse claramente que, em lançamentos distintos realizados pelo fisco federal, acerca das mesmas operações, a tributação incidiu em dois diferentes momentos: (i) quando da cessão dos CDBs dos investidores originais e (ii) quando do resgate dos CDBs. No auto de infração apresentado pelo embargante, em que o sujeito passivo era a empresa Deten Química S.A., no entender da autoridade fiscal o fato gerador deuse no momento do resgate dos CDBs , no qual ficou consignado que os responsáveis pelas retenções e recolhimentos dos IRRF eram os bancos emissores dos CDBs. Diferentemente, no presente auto de infração as autoridades fiscais entenderam que o fato gerador deuse por ocasião da cessão dos CDBs e que o responsável pela retenção e recolhimento dos IRRF era o embargante. Segundo a Fiscalização, a responsabilidade do embargante deriva do disposto no art. 19, parágrafo único, inciso IV da IN SRF n° 25/2001, segundo o qual é responsável pela retenção do imposto: "a instituição ou entidade que, embora não seja fonte pagadora original, faça o pagamento ou crédito dos rendimentos ao beneficiário final". A responsabilização do tributária do sujeito passivo pelo imposto de renda na fonte incidente sobre a cessão dos CDBs dos investidores para a Vale Trading S.A., por intermédio dos IPCDO, decorre, segundo a autoridade lançadora, do fato de que a referida instituição financeira comandou as transferências de custódia e em seguida as liquidações financeiras, conforme Termo de Verificação Fiscal(fls. 358): “4.1 – A fiscalizada deixou de efetuar na condição de responsável a retenção e recolhimento do Imposto de Renda sobre os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras listadas na planilha “APURAÇÃO DO IRRF SOBRE AS CESSÕES”, anexa a este termo cuja ocorrência do fato gerador se deu em cada uma das cessões ocorridas entre os originais aplicadores e a Vale Treding S.A. Assim infringiu os arts. 729 a 733 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR.” Esta situação não permite atribuir a responsabilidade pela retenção do imposto de renda na fonte incidente sobre o resultado apurado na cessão dos títulos, pois o Banco apenas desempenhou sua função de instituição financeira, cumprindo ordens de sua cliente, sendo esta a pessoa jurídica que efetuou os pagamentos. Portanto, no que diz respeito a responsabilidade tributária atribuída ao ora embargante, a decisão recorrida não merece reparo, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos, que os adoto como razões de decidir. Colaciono os seguintes trechos do voto condutor do acórdão recorrido (Acórdão n.º 10247.558), de relatoria do conselheiro Naury Fragoso Tanaka: “As autoridades fiscais elegeram o Banco Modal S/A corno responsável, porque tomaramno como a outra entidade autorizada pela legislação que, embora não sendo fonte pagadora original, teria sido a autora do pagamento ou crédito Fl. 31DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 242 32 dos rendimentos ao beneficiário. Nessa linha de raciocínio , em qualquer das duas operações consideradas, na cessão para a Vale ou no resgate, o SP seria o mesmo, porque responsável pelo pagamento ou crédito dos valores. A retenção do tributo pela fonte pagadora, originalmente, deveria ocorrer pela instituição emissora do título ao pagar os rendimentos por ocasião do resgate, porque ela, na forma da lei, corresponderia à "pessoa jurídica que efetuar o pagamento dos rendimentos", indicada como responsável na forma do artigo 731, I, do RIR/99. Caso o pagamento fosse efetuado com dinheiro em caixa da própria Vale a retenção na fonte pelo SP deixaria de ter sentido não teria qualquer participação nos pagamentos. No entanto, como custodiante, o SP atuou como interveniente na transação de venda e compra, e como simultaneamente também era entidade financeira, tinha conhecimento que a transferência efetuada era para fins de pagar a "teórica" aquisição, situação que a coloca no papel da "pessoa jurídica que, embora não sendo a fonte pagadora, efetue o pagamento". Tendo o cedente alienado os títulos que possuía, deveria fornecer as NNT à Vale, ou o documento comprobatório da aplicação, na forma do artigo 728, do RIR199, para que esta efetivasse o pagamento e a retenção do IRF. Ocorre que as retenções foram feitas pela Vale, mas não recolhidas aos cofres da União, conforme constatado pelas AF. Então, por raciocínio dedutivo, concluíram as AF que embora não tendo produzido o rendimento dos títulos, o SP realizou o comando de transferências de custódia e as liquidações financeiras, subsumindose à hipótese prevista no artigo 733, III, parte final deste último, do RIR/99. A situação fática poderia externar um conluio entre funcionário do SP, a Vale e os cedentes, uma vez que, a princípio, esse tipo de negócio seria suspeito, porque contrário à prática de negociação desses títulos na qual o comprador exige um spread (deságio) para fins de manter a rentabilidade da aquisição no resgate ou venda futura. Assim, para que os primeiros negócios fossem efetivados, haveria uma garantia dada pelo SP, o custodiante, de que a Vale honraria os compromissos contratados pelos IPCDO, que poderia até ser, supondo que a Vale não dispusesse dos montantes envolvidos, a evidência de disponibilidade do dinheiro do resgate antes do pagamento ao cedente, ou o crédito ao cedente, via TED previamente à assinatura dos contratos, isso nas primeiras negociações, uma vez que as seguintes, teriam, além da garantia do SP, os exemplos de cumprimento da obrigação pela Vale dados pelos cedentes anteriores. Ocorre que essa teórica situação fática não se encontra demonstrada no processo, e a AF conformou a responsabilidade por força da transferência de numerário pelo SP: "Não importa que a fiscalizada não tenha produzido o rendimento de cada um Fl. 32DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 243 33 dos títulos listados na planilha em anexo. Ao realizar preliminarmente o comando das transferências de custódia e em seguida as liquidações financeiras, o Banco Modal S.A. assume, conforme a legislação descrita neste termo, a condição de responsável. Essa atitude, no entanto, não se presta para impor a responsabilidade ao SP, porque constitui ação normal de uma instituição financeira cumpridora de uma ordem do correntista. A TED nada mais é do que uma ordem bancária da pessoa que tem a disponibilidade financeira à instituição de referência para que transfira importâncias superiores a R$ 5.000,00, conforme já explicitado. Sob outra perspectiva, as AF afirmam no TVF, fls. 359, que o SP "realizou o crédito aos beneficiários finais, é portanto fonte que pagou os rendimentos mesmo não tendo sido a fonte original que os produziu", no entanto, o pagamento dos rendimentos ao beneficiário final implicaria em IRF nulo, uma vez que os negócios anteriores não foram tidos como ineficazes, fato que proporciona custo da aplicação o valor da negociação anterior, nesta situação, maior que o valor de resgate. Assim, mesmo possível de externar uma situação de conluio para fins de postergar o pagamento do tributo e de um planejamento tributário, esta realidade concreta não constituiu a fundamentação para a exigência tributária, motivo para que já em primeira instância fosse excluída a qualificação da penalidade. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.” Por considerar que não há responsabilidade tributária a ser imputada ao sujeito passivo do presente lançamento, prejudicado está o pedido formulado pela Fazenda Nacional no que diz respeito a aplicação de multa qualificada. Por todo o exposto, voto por ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para reratificar o acórdão CSRF nº 0400.958, de 4 de agosto de 2008, passando a NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 33DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000001/200531 Acórdão n.º 920201.844 CSRFT2 Fl. 244 34 Fl. 34DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.006534/2005-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2002
SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRA EMPRESA.
Comprovado nos autos que a causa determinante da exclusão da sistemática de apuração de tributos favorecida, diferenciada e simplificada foi removida, subsiste a exclusão apenas para o período em que persistiu.
Numero da decisão: 1801-000.799
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por haver participado do julgamento em primeira instância.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRA EMPRESA. Comprovado nos autos que a causa determinante da exclusão da sistemática de apuração de tributos favorecida, diferenciada e simplificada foi removida, subsiste a exclusão apenas para o período em que persistiu.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10680.006534/2005-12
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4819832
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.799
nome_arquivo_s : 180100799_10680006534200512_201111.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10680006534200512_4819832.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por haver participado do julgamento em primeira instância.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
id : 4747511
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231071727616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 31 1 30 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.006534/200512 Recurso nº 142.203 Voluntário Acórdão nº 180100.799 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria Simples Exclusão Recorrente LEBRUM CULTURAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRA EMPRESA. Comprovado nos autos que a causa determinante da exclusão da sistemática de apuração de tributos favorecida, diferenciada e simplificada foi removida, subsiste a exclusão apenas para o período em que persistiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Declarouse impedida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por haver participado do julgamento em primeira instância. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe apresentou manifestação de inconformidade às fls. 01 e 02 contra o Ato Declaratório Executivo – ADE nº 506.085, emitido em 02/08/2004, que a exclui da sistemática diferenciada, favorecida e simplificada de apuração de tributos – Simples. O referido ADE, fls. 04, noticia que a empresa foi excluída porque o sócio identificado no CPF nº 480.148.26868, Élvio de Souza Soares, participava de outra empresa com mais de 10% de participação e a receita bruta das empresas ultrapassou o limite legal permitido para que permanecesse no sistema de tributação favorecido, no anocalendário de 2001. A exclusão surtiu efeitos a partir do ano de 01/01/2002. A recorrente explica que quando a exclusão foi realizada pela administração tributária a situação excludente já havia sido resolvida e que as alterações posteriores das normas que regem o Simples instituíram isenção de PIS, Cofins e contribuições para as empresas que atuam na venda e distribuição de livros, pelo que não há razão para ser excluída da sistemática de apuração de tributos favorecida. Consta às fls. 03 e verso cópia da Terceira Alteração Contratual da empresa, datada em 25 de novembro de 2003, cujo registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais foi efetivado em 09/12/2003. Às fls. 22 e ss, a Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG exarou o Acórdão nº 0214.938/07, mantendo a exclusão da empresa do Simples. Fundamentou o votocondutor no fato de o sócio efetivamente possuir mais de 10% de ações em outra empresa no anocalendário de 2001, fato incontroverso, não havendo previsão legal para a exclusão temporária da sistemática. Afastou o exame das demais matérias (isenção de contribuições), por impertinentes ao objeto da lide administrativa. Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, o Recurso de fls. 26 a 28 reprisando os termos das defesas iniciais. É o relatório. Passo a análise das razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. De plano, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente, no que concerne ao fato de que o sócio Élvio de Souza Soares no anocalendário de 2001 e seguintes, até 2003, participava com mais de 10% de outra empresa, e estas faturaram acima do limite legal permitido para se manter na sistemática de apuração de tributos denominada Simples.. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.006534/200512 Acórdão n.º 180100.799 S1TE01 Fl. 32 3 O Contrato Social e posterior alteração (Terceira) comprovam claramente esta situação fática. Somente em novembro de 2003, pela Terceira Alteração Contratual, foi registrada a diminuição de participação societária (em menos de 10%) do referido sócio, constatandose que no período compreendido entre 01/01/2002 a 31/12/2003 a empresa realmente consideravase impedida de utilizarse da sistemática do Simples. A argumentação da recorrente fundamentada no fato de a emissão do Ato Declaratório (ADE) ter sido realizada apenas em momento posterior à remoção da causa determinante da exclusão não tem guarida, visto que não modifica a situação fática constatada nos anoscalendários de 2001, 2002 e 2003 e da natureza declaratória deste ato administrativo. No que respeita à aplicabilidade dos efeitos retroativos dos ADE, à situação fática que determina a exclusão da empresa, este assunto já está pacificado neste órgão colegiado. Tratase de matéria sumulada, inclusive: Súmula CARF nº 56: No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9o da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1o de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. A partir de 01/01/2004, todavia, a causa impeditiva, motivadora da exclusão, já não mais subsistia, razão pela qual entendo que a empresa pode ser reincluída no Simples. Neste ponto divirjo do acórdão proferido em primeira instância. A lacuna na legislação de regência do Simples não pode impedir a empresa de voltar à sistemática de apuração de tributos, uma vez retirado o óbice legal e solicitado pela recorrente a sua reinclusão. Pelo exposto, voto por dar provimento em parte à recorrente para manter a exclusão do Simples no período compreendido entre 01/01/2002 a 31/12/2003. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 43DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Fl. 44DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907495/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 15/05/2002
COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE.
A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%.
Numero da decisão: 1801-000.788
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/05/2002 COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10166.907495/2009-15
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4817397
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.788
nome_arquivo_s : 180100788_10166907495200915_201111.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10166907495200915_4817397.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
id : 4747491
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231073824768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1621; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 44 1 43 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.907495/200915 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.788 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria Compensação Dcomp eletrônica Recorrente CLÍNICA PREVILABOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/05/2002 COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe emitiu diversas Declarações de Compensação eletrônicas – Dcomp pleiteando a restituição/compensação de parte dos valores recolhidos por DARF, a título de IRPJ, durante os anoscalendários de 1999, 2000, 2001 e 2002 por entender que fez pagamentos maiores que os devidos. Explica que se enquadra no conceito de empresa que exerce atividades hospitalares e, portanto, fez jus ao coeficiente de 8% para apuração do lucro presumido naqueles anos e não 32%, como equivocadamente procedeu nos cálculos de IRPJ. As Dcomp foram emitidas para solicitar a restituição/compensação das diferenças entre os valores que entende devidos e aqueles efetivamente recolhidos. A empresa apresenta manifestação de inconformidade à fl. 01 e o despacho eletrônico de não homologação da compensação veiculada na Dcomp de fls. 12 a 16 encontra se às fls. 02 dos autos. Neste despacho está consignado que o valor pleiteado na Dcomp – referente ao recolhimento de IRPJ efetuado em 15/05/2002 – está devidamente alocado como pagamento do tributo devido, não havendo qualquer saldo a ser restituído. A fiscalização intimou a empresa a apresentar cópia do Contrato Social e alterações, entre outros documentos, às fls. 03 (Intimação nº 135/2010), ao que juntouse ao processo as referidas cópias às fls. 05 a 10. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão nº 0339.705/10 não reconhecendo o direito creditório em litígio. Assim restou ementado o aresto: “LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS NÃO HOSPITALARES. Auferindo a empresa receita de atividade médica ambulatorial restrita a consultas, que não se enquadra no conceito de serviços hospitalares estabelecido pela legislação tributária, a base de cálculo do lucro presumido deve ser apurada com a aplicação do percentual de 32%.” Aquela turma de julgamento fundamentou o votocondutor no fato de a clínica em apreço ter sua atividade econômica enquadrada expressamente como “ambulatorial restrita a consultas (CNPJ) e constar na cláusula 3ª do Contrato Social, como objetivo social: Prestação de serviços de segurança e medicina do trabalho, clínica médicaambulatorial, ginecologia, cardiologia, oftamologia, otorrinolaringologia, psiquiatria, psicologia, fonoaudiologia (exclusivamente para audiometria ocupacional) e pequenas cirurgias; sem internação e sem raio X no local. Invocou o Ato Declaratório Interpretativo – ADI/RFB nº 19/07 que cuida dos aspectos conceituais de “serviços hospitalares”. Tempestivamente, a clínica médica interpôs o Recurso de fls. 29 e ss, instruído com a consolidação do Contrato Social. Reprisa os termos da exordial e enfatiza: “Extraise dos autos que o Relator do Acórdão, com base no art. 106 do CTN, aplicou retroativamente o Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 2007 para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação efetuada pela Recorrente através do PER/DCOMP. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907495/200915 Acórdão n.º 180100.788 S1TE01 Fl. 45 3 A Recorrente é empresa que atua na área de "atendimento médico ambulatória!, atendimento médico ocupacional, programa de prevenção de riscos ambientais, elaboração do Itcat (laudo técnico de condições ambientais do trabalho), assessoria na elaboração do PPP (perfil prossiográfico previdenciário) e PCMAT (programa de condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Consta do Contrato social que a empresa "tem por objetivos a prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho,, Clínica Médica Ambulatoriál, Ginecologia, Cardiologia, Oftamologia, Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias, sem internação e sem Raio X no local"e apresentou pedido de compensação oriundo de CSLL, no regime de tributação do lucro presumido, pelo percentual de 32% sobre a receita bruta trimestral. Respalda seu entendimento na Instrução Normativa – IN SRF nº 306/03 que classificou como serviços hospitalares o que segue, conforme cita: "Art. 23 . Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de UMA DAS ATIVIDADES ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II. Capitulo 2. da Portaria GM 1.884. de 11 de novembro de 1994. do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: (...) II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial. compreendendo as seguintes atividades: a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem: Observese que esses conceitos relativos ao que se enquadra como serviços hospitalares e extraídos da Portaria GM/1.884, do Ministério da Saúde, mencionada na INSRF n.° 306/2003 já haviam sido mantidos e reproduzidos, em termos idênticos, na Resolução RDC n.° 50, de 21.02.2002, da Diretoria Colegiada da ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária.” Cita, ainda, a Solução de Divergência em Consulta CST nº 11/2003 editada no sentido de admitir a natureza hospitalar das clínicas médicas (para os serviços médicos prestados por clínicas de ortopedia, traumatologia e radiológicas) e decisões judiciais que entende corroborar seu entendimento sobre a abrangência da expressão “serviços hospitalares”: 1999.01.1.0149015 TJDFT e Resp STJ nº 380.584/02 – este último sobre sociedades civis prestadoras de serviços médicos de hemodiálise. É o relatório. Passo à análise das razões recursais. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia a restituição de valores de IRPJ que entende haverem sido pagos a maior indevidamente, por enquadrarse nas pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares, estando sujeita ao coeficiente para apuração do lucro presumido no percentual de 8% e não 32%, conforme houvera procedido aos efetivos recolhimentos via DARF. Respalda seu entendimento no artigo 23 da IN SRF nº 306/03, cujo texto parcial transcreveu no recurso interposto e foi acima reproduzido. Divirjo da interpretação dada pela recorrente ao texto do caput do referido artigo 23. A administração tributária ao redigir o referido preceito infralegal deixou claro que a pessoa jurídica para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares deve necessariamente possuir estrutura física condizente com a execução de uma das atividades elencadas nos incisos I, II, III, IV e V que esmiuça. Cada inciso traz as atividades que devem ser desenvolvidas pela pessoa jurídica conjuntamente, não uma de cada, como interpretou equivocadamente a recorrente. O inciso I, por exemplo, exige: I realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: a) ações individuais ou coletivas de prevenção à saúde tais como: imunizações, primeiro atendimento, controle de doenças transmissíveis, visita domiciliar, coleta de material para exames, etc.; b) vigilância epidemiológica por meio de coleta e análise sistemática de dados, investigação epidemiológica, informação sobre doenças, etc.; c) ações de educação para a saúde, mediante palestras, demonstrações e treinamento in loco, campanhas, etc.; d) orientar as ações em saneamento básico por meio de instalação e manutenção de melhorias sanitárias domiciliares relacionadas com água, dejetos e lixo; e) vigilância nutricional por meio das atividades continuadas e rotineiras de observação, coleta e análise de dados e disseminação da informação referente ao estado nutricional, desde a ingestão de alimentos à sua utilização biológica; f) vigilância sanitária, por meio de fiscalização e controle que garantam a qualidade aos produtos, serviços e do meio ambiente. O inciso II, ad exemplum: II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: Fl. 55DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907495/200915 Acórdão n.º 180100.788 S1TE01 Fl. 46 5 a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; b) realizar procedimentos de enfermagem; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem; d) recepcionar, transferir e preparar pacientes; e) assegurar a execução de procedimentos préanestésicos e realizar procedimentos anestésicos nos pacientes; f) executar cirurgias e exames endoscópios em regime de rotina; g) emitir relatórios médico e de enfermagem e registro das cirurgias e endoscopias realizadas; h) proporcionar cuidados pósanestésicos; i) garantir o apoio diagnóstico necessário. E assim por diante. Todas as atividades que encabeçam os incisos exigem a prestação de serviços que em algum momento diferenciam as clínicas de atendimento meramente ambulatorial, consultas etc daqueles estabelecimentos médicos que possuem leitos, internações, disponibilidade para atendimento de urgência (24h), realização de exames de raio X, endoscopias, realização de hemodiálises. É suficiente a leitura acurada de cada atividade descrita nos incisos. Por isto, correta era a interpretação do caput do referido artigo 23 determinando que para a pessoa jurídica se enquadrar como prestadora de “serviços hospitalares” deve exerce pelo menos uma das atividades (descrita no inciso e não nas alíneas somente), podendo ainda combinar outras atividades das alíneas dos demais incisos. Assim a norma interpretativa faz o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico, desde que com mais de um profissional, se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir à IN SRF. Ademais, o mais importante é que esta IN SRF nº 306 foi expressamente revogada pela nº 480/2004, e essa, por sua vez, foi posteriormente alterada pela IN SRF nº 500/2005, que em seu artigo 27 incluiu mais algumas exigências para o conceito de “serviços hospitalares”, grifei. Mas as instruções normativas não servem para legislar. Somente elucidam a norma tributária e constituem fonte secundária do Direito Tributário, pois, por serem normativas, são as denominadas normas complementares previstas no artigo 100, mais especificamente inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Todavia, frisese, são atos interpretativos não podendo ir além das normas tributárias. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Para o mesmo fim, no entanto sem a referida força normativa, servem os atos expedidos interna corporis pela Administração Tributária, cuja principal meta é homogeneizar o entendimento da própria administração sobre determinado assunto, sempre à luz da norma tributária. Dito isto, prossigamos para a norma insculpida no artigo 15, da Lei nº 9.249/95, que dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] Há uma questão de pura semântica aqui envolvida. A norma tributária, vigente à época, não disse que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. E quando a norma não diz, não cabe aos intérpretes o fazer, quando mais se trata de normas tributárias, cuja tipicidade é cerrada. Ao revés do que pretende a recorrente, como visto, inúmeros atos administrativos, Soluções de Consulta e inclusive decisões judiciais versaram sobre esta matéria. E nem hoje a norma tributária igualou os serviços hospitalares aos demais serviços prestados na área da saúde. Pelo contrário, esse assunto foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência da Corte Superior foi pacificada no mesmo sentido ora sustentado. A exemplo, citese o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: Ementa : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além Fl. 57DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907495/200915 Acórdão n.º 180100.788 S1TE01 Fl. 47 7 dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 30.10.06). 2. No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Eliana Calmon e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentou oralmente Dr. Marcos Cardoso Resende, pela parte: RECORRIDO: LABORATÓRIO FLEMING S/S LTDA. (grifos não pertencem ao original) Trago à luz da discussão, por oportuno, para demonstrar que não possuo entendimento isolado sobre a questão proposta, o Projeto de Lei nº 1.716/071, no qual o deputado Júlio Delgado e o relator, deputado Luiz Carlos Hauly, teceram questões a respeito da inclusão das empresas que desenvolvem as atividades laboratoriais no texto das empresas favorecidas pelo coeficiente do lucro presumido a 8%: PROJETO DE LEI Nº 1.716, de 2007 (Apensado: PL 1.777, de 2007) Altera a Lei nº 9.249, de 1995, no que respeita ao coeficiente de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime do Lucro Presumido, para os laboratórios de Análises Clínicas. AUTOR: Deputado JÚLIO DELGADO RELATOR: Deputado LUIZ CARLOS HAULY I RELATÓRIO O Projeto de Lei nº 1.716, de 2007 pretende equiparar os laboratórios de análise clínica aos hospitais, para efeito do cálculo do lucro presumido sujeito à tributação pelo Imposto de Renda e pela Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL. 1 http://www.camara.gov.br/sileg/integras/553012.pdf Fl. 58DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Segundo o Autor da proposição, atualmente a Lei nº 9.249, de 1995 institui o coeficiente de 8% do faturamento para calcular o lucro presumido das prestadoras de serviços hospitalares, com exceção das empresas do setor de serviço, cujo coeficiente é de 32%. A presente Medida visa, deste modo, equiparar os laboratórios de análise clínica com os serviços hospitalares. [...] É o relatório. II VOTO Cabe a esta Comissão, além do exame de mérito, inicialmente apreciar as proposições quanto à sua compatibilidade ou adequação com o plano plurianual, a lei de diretrizes orçamentárias e o orçamento anual, nos termos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RI, arts. 32, IX, "h", e 53, II) e de Norma Interna da Comissão de Finanças e Tributação, que "estabelece procedimentos para o exame de compatibilidade ou adequação orçamentária e financeira". A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2008, no seu artigo 98, condiciona a aprovação de lei ao cumprimento do art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, nos seguintes termos: O art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 04.05.2000) determina: "Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: [...] § 1º A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. § 2º Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata o caput deste artigo decorrer da condição contida no inciso II, o benefício só entrará em vigor quando implementadas as medidas referidas no mencionado inciso. .............................................................................................." Contudo, entendemos que a aplicação de tais dispositivos deve aterse a uma interpretação finalística da própria Lei de Responsabilidade Fiscal LRF. Em seu artigo 1º, ela estabelece que seu escopo é a determinação de normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, entendida esta Fl. 59DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907495/200915 Acórdão n.º 180100.788 S1TE01 Fl. 48 9 responsabilidade como a “ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas”. De tal conceito depreendemos que somente aquelas ações que possam afetar o equilíbrio das contas públicas devem estar sujeitas às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, entendemos que as proposições que tenham impacto orçamentário e financeiro de pequena monta não ficam sujeitas ao disposto no art 14 da LRF, já que não representam qualquer risco para a obtenção dos resultados fiscais definidos nas peças orçamentárias. É precisamente essa a característica do PL nº 1.716, de 2007, que possibilita aos laboratórios de análises clínicas se enquadrarem no regime do lucro presumido. Além disso, devese esclarecer que até novembro de 2007, os laboratórios de análise clínicas e os serviços de auxílio diagnóstico estavam enquadrados no regime de lucro presumido. Assim, está receita não estava prevista para o ano 2008 e seguintes, não podendo se falar em renúncia fiscal efetiva. Quanto ao mérito, tratase de matéria que preserva a isonomia de tratamento entre os prestadores de serviço de saúde à população A redução da carga tributária poderá beneficiar a toda sociedade prestandose um serviço de melhor qualidade a menor custo. Além disso, a similitude e o caráter de complementação dos serviços laboratoriais aos de natureza médicohospitalar exigem um tratamento isonômico na parte tributária. De modo a aprimorar o presente projeto, alteramos a redação inicialmente proposta pelo AUTOR, acrescentando os serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e de análises e patologia clínicas, que se constituem em serviços subsidiários e complementares das atividades hospitalares, assim como aqueles de análises clínicas. (grifos não pertencem ao original) É importante ressaltar que o presente projeto de lei, retrato da mens legis da norma tributária, não precisou ser votado, pois em 2008 a Lei nº 11.727, cuja proposição original foi a Medida Provisória nº 413/08 (que recebeu diversos aditivos no deputado HAULY), assim dispôs em seu artigo 29: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (grifos não pertencem ao original) Eis que somente a partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, a prestação de serviços de auxílio diagnóstico, terapia e outras foram alçadas pela exceção referida na alínea “a” do inciso III do § 1º da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sujeitandose, portanto, ao coeficiente de 8% (oito por cento) incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido. Por conseguinte, considerando que a lei tributária não retroage (exceto nas hipóteses elencadas no artigo 106, o que não é o caso), antes da vigência do artigo 29 da Lei nº 11.727, as pessoas jurídicas que prestam serviços à saúde, mas sem prestarem serviços hospitalares sujeitamse ao coeficiente de 32% para determinar o seu lucro. Colaciono, por derradeiro, ao presente voto para corroborar o entendimento ora esposado, a ementa do Acórdão nº 10323.236, de 18/10/07, cuja lavra do votocondutor é do conselheiro Antonio Carlos Guidoni Fº: “SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada.” Transcrevo, por oportuno, trecho do voto: “A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 (artigo 15, § 1°, III), está intimamente ligada à existência de custos relevantes com equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A aplicação do percentual de 8% apenas se justifica quando presentes fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada.” (grifos não pertencem ao original) Comungo com as colocações do r. conselheiro em todos os aspectos, precipuamente quando faz a distinção entre os demais serviços prestados pelas pessoas jurídicas ligadas à área da saúde (mera receita de prestação de serviços em geral – 32%) e aqueles prestados pela entidade hospitalar (receita de serviços hospitalares – 8%). De todo o exposto, verifico dos autos que é fato incontroverso no presente caso que a recorrente tem como objetivo social: Fl. 61DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907495/200915 Acórdão n.º 180100.788 S1TE01 Fl. 49 11 “Cláusula Terceira Alteram também neste ato os objetivos da Sociedade, que passam a ser: Prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho, Clinica Médica Ambulatorial, Ginecologia, Cardiologia, Oftalmologia, Otorrino laringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias; sem internação e sem Raio X no local.” (grifos não pertencem ao original) Entendo que estes serviços não podem ser considerados como serviços hospitalares da recorrida. São serviços que consistem em outra atividade que não a de oferecer ou disponibilizar internação em seu estabelecimento, pelo que justa a aplicação do coeficiente de 32% para a apuração do lucro presumido. Tratase de mera prestação de serviços, em geral, na área de saúde, no entanto, sem natureza hospitalar. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso, por não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação pleiteada. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 62DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11618.000242/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF
Ano calendário: 2008
VALORES RECEBIDOS POR APOSENTADO PORTADOR DE DOENÇA GRAVE – ISENÇÃO
Os valores recebidos em decorrência de aposentadoria, reforma ou pensão, por portadores de doença grave, devidamente comprovado nos autos, tanto da enfermidade quanto da natureza dos rendimentos, estão isentos do imposto de renda pessoa física, nos termos do art. 6º, inciso XIV da lei 7.713/88.
Numero da decisão: 2102-001.764
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, para reconhecer que os rendimentos recebidos pelo recorrente da Marinha do Brasil estão isentos desde fevereiro de 2.008, na forma do art. 6º, XIV, da Lei n.o 7.713/88, devendo a autoridade preparadora restituir os eventuais valores pagos indevidamente. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano calendário: 2008 VALORES RECEBIDOS POR APOSENTADO PORTADOR DE DOENÇA GRAVE – ISENÇÃO Os valores recebidos em decorrência de aposentadoria, reforma ou pensão, por portadores de doença grave, devidamente comprovado nos autos, tanto da enfermidade quanto da natureza dos rendimentos, estão isentos do imposto de renda pessoa física, nos termos do art. 6º, inciso XIV da lei 7.713/88.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11618.000242/2010-41
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 5027284
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.764
nome_arquivo_s : 210201764_11618000242201041_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ATILIO PITARELLI
nome_arquivo_pdf_s : 11618000242201041_5027284.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para reconhecer que os rendimentos recebidos pelo recorrente da Marinha do Brasil estão isentos desde fevereiro de 2.008, na forma do art. 6º, XIV, da Lei n.o 7.713/88, devendo a autoridade preparadora restituir os eventuais valores pagos indevidamente. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4748707
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231086407680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 41 1 40 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.000242/201041 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102001.764 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente ANTONIO BEZERRA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano calendário: 2008 VALORES RECEBIDOS POR APOSENTADO PORTADOR DE DOENÇA GRAVE – ISENÇÃO Os valores recebidos em decorrência de aposentadoria, reforma ou pensão, por portadores de doença grave, devidamente comprovado nos autos, tanto da enfermidade quanto da natureza dos rendimentos, estão isentos do imposto de renda pessoa física, nos termos do art. 6o, inciso XIV da lei 7.713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para reconhecer que os rendimentos recebidos pelo recorrente da Marinha do Brasil estão isentos desde fevereiro de 2.008, na forma do art. 6o, XIV, da Lei n.o 7.713/88, devendo a autoridade preparadora restituir os eventuais valores pagos indevidamente. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório O presente Recurso Voluntário é proposto em função da decisão proferia em 30 de junho de 2.010, pela 1a Turma da DRJ/REC (fls. 24/27), que por unanimidade de votos manteve integralmente a exigência objeto do Auto de Infração lavrado em 14/12/2009, decorrente da glosa de valores deduzidos da base de cálculo do imposto a título de dependentes no valor de R$ 1.655,88, em nome de Raone Aritana de Paula Bezerra da Silva, a quem já paga pensão judicial e figurar sem comprovação de relação de dependência e R$ 1.624,89 de pensão alimentícia, por falta de comprovação e previsão legal, uma vez que o valor abatido foi superior ao constante em documento apresentado pelo contribuinte. O valor total do crédito tributário é de R$ 1.278,47 (mil, duzentos e setenta e oito reais e quarenta e sete centavos), sendo R$ 705,04 a título de imposto, R$ 528,78 de multa de ofício e R$ 42,65 de juros de mora calculados até 30/12/2009. A decisão recorrida destaca que não houve contestação aos itens constantes no Auto de Infração, e que o Recorrente se limitou a informar que é isento do imposto de renda, por ser portador de moléstia grave e juntou documentos que comprovam ter submetido a cirurgia. Notificado da decisão proferida, no prazo recursal, apresenta Revisão de Lançamento (fl. 28), onde solicita restituição do imposto pago na fonte, por ser portador de doença grave (câncer de próstata) e sido considerado isento a partir de fevereiro de 2.008, com fundamento na lei n.o 8.541/92 c/c art. 6o da lei n.o 7.713/88, juntando documentos neste sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo art. 33 do decreto n.o 70.235, de 6 de março de 1.972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, dele conheço e passo ao exame. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11618.000242/201041 Acórdão n.º 2102001.764 S2C1T2 Fl. 42 3 Se quando da impugnação, não obstante provar a doença a que foi cometido, inclusive, sujeita a cirurgia fartamente comprovada, com documentos médicos emitidos por instituição hospitalar do Ministério da Marinha, o Recorrente não havia comprovado a sua condição de reformado, o que veio a ocorrer na peça recursal, com o documento de fl. 38, onde informa que o mesmo foi transferido para a reserva, em 18/09/96. Assim, comprovada a anomalia grave pelo Hospital Naval Marcílio Dias, bem como da condição de reformado do Ministério da Marinha, a ele fica assegurado não só o direito à isenção do imposto de renda pessoa física a que se refere o presente processo, pois em consonância com o art. 6o, inciso XIV da lei n.o 7.713/88, bem como à restituição do imposto retido na fonte, com observância do benefício que lhe é assegurado, como precedente deste colegiado, relatado pelo Conselheiro Nelson Mallmann, Acórdão 10421290, de 9.12.2005: PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR DOENÇA GRAVE. NEOPLOSIA MALIGNA, APOSENTADORIA COM DATA RETROATIVA. Estão isentos do Imposto de Renda os proventos de aposentadoria recebidos por portador de doença grave. Estando comprovado, nos autos, que o beneficiário passou a preencher os requisitos legais exigidos, ou seja, o reconhecimento de que o contribuinte é portador de doença grave, comprovado mediante laudo pericial, emitido por junta médica oficial, que estabeleceu, inclusive, quando a moléstia foi contraída e que os rendimentos foram percebidos durante período em que o contribuinte foi considerado aposentado para todos os efeitos legais (aposentadoria com data retroativa), é de se deferir o pedido de restituição de Imposto de Renda retido na fonte sobre estes rendimentos. Destarte, com fundamento no art. 47 da lei n.o 8.541/92, os rendimentos auferidos pelo Recorrente a partir do mês de fevereiro de 2.008 estão isentos do imposto de renda, sendolhe ainda assegurado o direito à restituição dos valores indevidamente pagos posteriormente a esta data, inclusive, sobre a verba do 13o salário, se sobre ela incidiu o imposto. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10245.000115/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros
Anos-calendários: 2000 a 2005
Ementa: NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
IMPROCEDÊNCIA.
Somente a inexistência de exame de argumentos apresentados pelo
contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo
da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito
de defesa do impugnante. (Acórdão nº 1101-00.172/09).
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
As diligências devem ter condão de fazer a prova necessária à caracterização
da afirmação que pretende provar, bem como esclarecer aquilo que já fora
afirmado no momento processual oportuno: a fiscalização ou a impugnação.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA.
Não há impedimento de ação fiscal ter inicio através de Mandado de
Procedimento Fiscal de diligência (MPF-D), sendo este destinado à coleta de
informações.
DOCUMENTO INIDÔNEO.
Existem outras formas autorizativas da declaração de inidoneidade de
documentos, além das descritas no art. 48 da IN SRF 748/2007.
PAGAMENTO SEM CAUSA.
É necessário individualizar os pagamentos dando certeza e liquidez à
obrigação descrita, ou indicar outros elementos com força de prova, para
considerar recibos ou notas fiscais aptos a provar a causa do pagamento
nestes documentos descritos.
DÉBITOS NÃO GARANTIDOS.
As certidões negativas ou positivas com efeito de negativa provam
regularidade fiscal, mas não a garantia de débitos vencidos e não quitados.
FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
A prova do ânimo do autuado em reduzir tributos, mediante condutas
tipificadas como fraude, conluio ou sonegação, é essencial para a aplicação
da multa qualificada do artigo 44 da lei 9.430/96, independentemente da
ocorrência e das demais exações exigidas no procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1101-000.623
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira
Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Anos-calendários: 2000 a 2005 Ementa: NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Somente a inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. (Acórdão nº 1101-00.172/09). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. As diligências devem ter condão de fazer a prova necessária à caracterização da afirmação que pretende provar, bem como esclarecer aquilo que já fora afirmado no momento processual oportuno: a fiscalização ou a impugnação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA. Não há impedimento de ação fiscal ter inicio através de Mandado de Procedimento Fiscal de diligência (MPF-D), sendo este destinado à coleta de informações. DOCUMENTO INIDÔNEO. Existem outras formas autorizativas da declaração de inidoneidade de documentos, além das descritas no art. 48 da IN SRF 748/2007. PAGAMENTO SEM CAUSA. É necessário individualizar os pagamentos dando certeza e liquidez à obrigação descrita, ou indicar outros elementos com força de prova, para considerar recibos ou notas fiscais aptos a provar a causa do pagamento nestes documentos descritos. DÉBITOS NÃO GARANTIDOS. As certidões negativas ou positivas com efeito de negativa provam regularidade fiscal, mas não a garantia de débitos vencidos e não quitados. FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prova do ânimo do autuado em reduzir tributos, mediante condutas tipificadas como fraude, conluio ou sonegação, é essencial para a aplicação da multa qualificada do artigo 44 da lei 9.430/96, independentemente da ocorrência e das demais exações exigidas no procedimento fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10245.000115/2009-21
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 5132872
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1101-000.623
nome_arquivo_s : 110100623_10245000115200921_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10245000115200921_5132872.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4747680
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231117864960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.000115/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110100.623 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente OURO VERDE AGROSILVOPASTORIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Anoscalendários: 2000 a 2005 Ementa: NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Somente a inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. (Acórdão nº 110100.172/09). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. As diligências devem ter condão de fazer a prova necessária à caracterização da afirmação que pretende provar, bem como esclarecer aquilo que já fora afirmado no momento processual oportuno: a fiscalização ou a impugnação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA. Não há impedimento de ação fiscal ter inicio através de Mandado de Procedimento Fiscal de diligência (MPFD), sendo este destinado à coleta de informações. DOCUMENTO INIDÔNEO. Existem outras formas autorizativas da declaração de inidoneidade de documentos, além das descritas no art. 48 da IN SRF 748/2007. PAGAMENTO SEM CAUSA. É necessário individualizar os pagamentos dando certeza e liquidez à obrigação descrita, ou indicar outros elementos com força de prova, para considerar recibos ou notas fiscais aptos a provar a causa do pagamento nestes documentos descritos. DÉBITOS NÃO GARANTIDOS. Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 2 As certidões negativas ou positivas com efeito de negativa provam regularidade fiscal, mas não a garantia de débitos vencidos e não quitados. FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prova do ânimo do autuado em reduzir tributos, mediante condutas tipificadas como fraude, conluio ou sonegação, é essencial para a aplicação da multa qualificada do artigo 44 da lei 9.430/96, independentemente da ocorrência e das demais exações exigidas no procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório A ação fiscal foi conduzida com o objetivo de apurar eventuais infrações à legislação tributária regente dos tributos IRPJ, IRRF, e IOF, sendo que este último teve sua apuração formalizada através do PAF nº 10245.000.077/200915. É importante a observação de que a presente autuação se deu no âmbito da operação conjunta entre a RFB, DPF e MPF, motivada pela existência de Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 2 3 "indícios" de um esquema de recepção e lavagem de recursos oriundos do exterior, conforme relatório banco Central do BrasilBACEN (ANEXO I – fls. 147172). A operação se denominou EXODUS e ocorreu em 18/08/2006. Como resultados do trabalho de fiscalização, foram apuradas as seguintes infrações: 1 Com base no descrito no art. 61, § 1° da lei 8.981, de 20/01/1999, pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, às empresas: Eletroacácia Eletricidade Ltda, CNPJ 04.299.121/000137, item v.1.1 do termo de verificação fiscal; Mecamp Serviços Agrícolas Ltda., CNPJ 03.094.126/000160, item v.1.2 do termo de verificação fiscal; Seagri Serviços Agrícolas Ltda., CNPJ 06.010.505/000113, item v.1.3 do termo de verificação fiscal; Souza e Albuquerque Ltda., CNPJ 06.088.312/000185, item v.1.4 do termo de verificação fiscal item v.1.; Construtora Ouro Prata Ltda., CNPJ 06.024.117/000191, item v.1.5 do termo de verificação fiscal, fl 643 do processo; Thaiti Indústria Alimentícia Ltda., CNPJ 07.225.200/000134, item v.1.5 do termo de verificação fiscal, 11 645 do processo; Pinho e Santos Ltda. EPP, CNPJ 03.382.469/000120, item v.1.6 do termo de verificação fiscal; Agrosul Agropecuária Ltda., CNPJ 04.262.600/000189, item v.1.7 do termo de verificação fiscal; .I.A.L.Ferreira —ME, CNPJ 04.683.099/000124, item v.1.8 do termo de verificação fiscal; Mozaniel B Silva Química Ambiental, CNPJ 01.242.598/000198, item v.1.9 do termo de verificação fiscal; Extremo Norte Agro Industrial, CNPJ 04.932.062/000192, item v.1.10 do termo de verificação fiscal; Redução do saldo em caixa no período de 01/01/2006 a 31/07/2007, em virtude ausência de comprovação, item v.1.11 do termo de verificação fiscal; 2 Omissão de receitas, em relação às seguintes situações: Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 4 passivo fictício em relação à empresa H P DE M REZENDE ME , CNPJ 04.315.430/000153, item v.2.1 .a do termo de verificação fiscal; passivo fictício em relação à empresa OLIVEIRA E PAIVA LTDA, CNPJ 05.620.028/000145, item v.2.1.a do termo de verificação fiscal; pagamentos não contabilizados, em situações diversas; item v.2.2 do termo de verificação fiscal; 3 insuficiência de recolhimento de débitos declarado item v.3 do termo de verificação fiscal; 4 distribuição de lucros aos sócios por empresa com débito não garantido, item v.4 do termo de verificação fiscal; 5 aplicação de multa qualificada, em virtude de situação caracterizadora de fraude, conluio ou simulação, item v.5 do termo de verificação fiscal. Em antítese à cognição dos fatos pela fiscalização, o impugnante apresentou, em sua defesa, os seguintes argumentos: Nulidade do Auto de Infração, em virtude de ilicitude da obtenção das provas, em especial a "Teoria da árvore envenenada". O impugnante argumenta que os atos de obtenção das provas foram praticados por autoridade incompetente, por estarem desprovidos de "Mandado de Procedimento Fiscal (MPF)" regular. No caso específico, não poderia, no entender do impugnante, o procedimento fiscal ter se iniciado através de MPFD (Mandado de Procedimento Fiscal de diligência). Em decorrência, o auto de infração teria sido constituído com abuso de poder, por falta das formalidades essenciais; Nulidade do Auto de infração por violação dos arts. 116 e 142 do CTN, basicamente por entender que, sendo a atividade do lançamento tributário vinculada, na situação de a fiscalização ter se convencido da simulação dos negócios jurídicos da impugnante, deveriam ter sido instaurados procedimentos específicos, estabelecidos em lei ordinária, o quê, mais uma vez no entender do impugnante, não existe no ordenamento jurídico; Ausência de declaração de inaptidão das empresas cujos documentos foram considerados inidôneos pela fiscalização, em afronta, segundo entendimento do impugnante, ao art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007; Improcedência do Auto de Infração, alegando que a utilização do instituto do art. 61 da lei 8981/95 não dispensa a Administração Tributária de investigar a ocorrência do fato gerador do tributo, conforme art. 142 do CTN. A impugnante apresenta justificativas e contra argumentos ao entendimento da fiscalização, em relação aos seguintes pagamentos: i) Eletroacácia Eletricidade Ltda, CNPJ 04.299.121/000137; Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 3 5 ii) Seagri Serviços Agrícolas Ltda, CNRI 06.010.505/000113; iii)Thaiti Indústria Alimentícia Ltda, cnpj 07.225.200/000134; iv) Pinho e Santos Ltda EPP, cnpj 03.382.469/000120; v) Agrosul Agropecuária Ltda, cnpj 04.262.600/000189; vi) Demais pagamentos; Em relação à redução do saldo de caixa, entre 01/01/2006 e 31/07/2007, alega o impugnante que nem todos os documentos apreendidos durante a operação EXODUS foram devolvidos integralmente pela autoridade policial, o que impossibilitaria sua defesa; O impugnante pleiteia pela improcedência da aplicação da multa regulamentar descrita no art. 32 da lei 4.357/64, alegando aplicação indevida pela fiscalização do termo "débito garantido", descrito no artigo acima, uma vez que possuía, no período da distribuição dos lucros questionados, certidão negativa de tributos; Em relação à multa qualificada de 150%, o impugnante afirma que a lei exige dolo específico do agente, ou seja, que ele tenha deliberadamente agido com o objetivo, no caso, de suprimir ou reduzir tributos. No entender do impugnante, a fiscalização não logrou êxito na demonstração do dolo específico; A impugnante requer deferimento de diligência, consistindo no depoimento de pessoas físicas que especifica, bem como com as perguntas pertinentes; Ao final, a impugnante requereu: a) seja decretada a nulidade do auto de infração, pois lavrado por pessoa incompetente; b) se rejeitadas as preliminares, seja julgado improcedente o auto de infração, à vista das justificativas dos pagamentos relacionados no item V da fiscalização; c) seja julgado improcedente o auto de infração em relação à redução de caixa, porque a redução do saldo se deu por motivo de força maior; d) seja julgado improcedente o auto de infração em relação à aplicação do art. 32 da lei 4537/64, pois provada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; e) o agravamento da multa seja rejeitado, por não haver prova do dolo específico da impugnante. Em sede de julgamento, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém – PA houve por bem manter integralmente a impugnação, ementando o julgamento segundo moldes assim formatados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA. Não há impedimento de ação fiscal ter inicio através de Mandado de Procedimento Fiscal de diligência (MPFD), sendo este destinado à coleta de informações. DOCUMENTO INIDÔNEO. Existem outras formas autorizativas da declaração de inidoneidade de documentos, além das descritas no art. 48 da IN SRF 748/2007. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 6 PAGAMENTO SEM CAUSA. É necessário individualizar os pagamentos dando certeza e liquidez à obrigação descrita, ou indicar outros elementos com força de prova, para considerar recibos ou notas fiscais aptos a provar a causa do pagamento neste documentos descritos. DÉBITOS NÃO GARANTIDOS. A prova de regularidade fiscal feita pelas certidões negativa ou positiva com efeito de negativa, prova regularidade fiscal, mas não a garantia de débitos vencidos e não quitados. FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. É necessário provar o ânimo interno do autuado em reduzir tributos para a aplicação da multa qualificada do art. 44 da lei 9.430/96, independente da ocorrência e demais exações no procedimento fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. As diligências devem ter condão de fazer a prova necessária à caracterização da afirmação que pretende provar, bem como esclarecer aquilo que já fora afirmado no momento processual oportuno: a fiscalização ou a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificado, por meio de seu procurador, em 23/02/2010 (f. 1667), interpôs o contribuinte, tempestivamente, o Recurso Voluntário em apreço (fls. 1679 e ss.), reiterando os argumentos expendidos em primeira instância e pugnando, ainda, pela nulidade do aresto recorrido, sob adução de que não teria sido motivada a conclusão de inexistência de violação aos artigos 142 e 116 do CTN, de um lado, e de ausência de motivo para a denegação do pleito de produção de prova pericial, de outro. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Os autos de infração em análise cerram origem em labor investigativo que fora desenvolvido, em conjunto, pelo Ministério Público Federal, pela Receita Federal do Brasil e pela Polícia Federal. A autuada, nos termos detalhadamente expostos pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 608/680), é sociedade que compõe grupo empresarial formado por quase uma centena de pessoas jurídicas, todas vinculadas ao Sr. Walter Vogel (CPF/MF nº 703.513.92904). Tais sociedades Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 4 7 representariam, segundo as conclusões fazendárias, instrumentos destinados a acobertar a recepção e a distribuição interna de recursos oriundos do exterior, em típico esquema de “lavagem de dinheiro”, com vistas a legitimar o recebimento de montantes que, sob outro pálio, não teriam causa para ingressar no patrimônio das pessoas físicas envolvidas. Na forma constatada pela Fazenda, ocorreriam, corriqueiramente, aportes fraudulentos de recursos advindos de supostos investidores estrangeiros. Tais remessas de pecúnia eram operadas mediante empréstimos, de um lado, ou de investimentos diretos (mormente integralizações de capital social), de outro – todas com destino à autuada ou a empresas coligadas. Uma vez recebidos os valores em questão, procedia o Sr. Walter Vogel, juntamente com outras pessoas naturais, à quase imediata transformação dos valores em numerário, a fim de evitar a fiscalização desenvolvida pelos órgãos do Sistema Financeiro Nacional. Subsequentemente, procediase à distribuição de lucros (rendimentos isentos) aos sócios brasileiros das variadas empresas, sem que iguais pagamentos fossem feitos aos aventados acionistas e quotistas estrangeiros (investidores diretos). Outrossim, a fim de encampar os trânsitos de pecúnia realizados entre as variadas sociedades do grupo, realizavamse inúmeros negócios supostamente simulados, operacionalizados sob a forma de mútuos, compras e vendas e prestações de serviços – operações estas em que se empregava moeda em espécie, a despeito do vulto dos valores envolvidos. A recorrente, em tal cenário, seria, então, a sociedade na qual se concentraria quase toda a distribuição de lucros às pessoas físicas. A análise de todo o cenário em tela levou o Fisco a apurar variadas infrações à ordem tributária, a saber: i) pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, representado pela remessa de pecúnia desprovida de comprovação da realidade das operações econômicas subjacentes; ii) passivo fictício, em decorrência da manutenção, na escrituração fiscal, de passivos cuja exigibilidade não fora comprovada; e iii) pagamentos não contabilizados, conforme apurado em diligências realizadas junto à sociedade Pinho e Santos Ltda. EPP; iv) insuficiência de recolhimento, face à divergência existente entre as receitas apuradas por cotejo de notas fiscais de saída, entregues pelo contribuinte, e as cifras informadas em DCTF; e v) distribuição de lucros por empresa em débito não garantido. Em oposição às conclusões fazendárias – e aos lançamentos delas derivados –, apresentou o contribuinte variadas arguições. Tratemos, então, segregadamente, de cada uma delas. (1) Preliminarmente: da falta de fundamentação parcial do aresto recorrido A recorrente alega, inicialmente, que o aresto recorrido é nulo, porquanto carecedor de suficiente fundamentação. Como se explicou sucintamente, os lançamentos perpetrados partiram do suposto de que as operações societárias e comerciais praticadas pela autuada eram simuladas, voltadas a acobertar esquema de “lavagem internacional de dinheiro”. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 8 O cerne do entendimento fiscal estaria repousado, segundo aventa o contribuinte, no parágrafo único do artigo 116 do CTN, enunciador de norma geral antielisiva. A recorrente afirmou, pois,em primeira instância, que este dispositivo não seria autoaplicável, dado ser necessária, para que surta efeitos, a promulgação da pertinente regulamentação, encampada por legislação ordinária. O colegiado a quo, ao dispor sobre o tópico, não explicitou, de fato, o porquê de a construção da então impugnante ser incorreta. Optou, pois, apenas por afastar tal sorte de ilação, afirmando que as hipóteses que autorizam a declaração de inidoneidade de documentos fiscais não se limitam àquela em que a própria empresa emissora é decretada inapta, consoante leitura do artigo 48, §§ 4º a 6º, da Instrução Normativa RFB nº 748/07. Pois bem. De fato, o colegiado inferior calou sobre a possibilidade de desconsideração, por simulados, dos negócios jurídicos praticados pela autuada, na forma do estresido artigo 116, parágrafo único, do CTN. Acontece, no entanto, que tal aparente omissão não importa em nulidade do acórdão. Vale lembrar, nesse sentido, que a autoridade julgadora não está obrigada a rebater cada um dos argumentos recursais, individualmente, desde que adote fundamentação suficiente a dirimir, de forma global, a controvérsia instaurada nos autos. Assim já decidiu este Conselho, em outras oportunidades: “DESNECESSIDADE DE MANIFESTAÇÃO INDIVIDUALIZADA ACERCA DE TODOS OS ARGUMENTOS. Não viola a legislação que rege o processo administrativo tributário, nem importa negativa de prestação das alegações da recorrente, a decisão administrativa que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos no recurso interposto, adotou fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia ora posta nos autos. (Acórdão nº 2402 01.049/10)” “NULIDADE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA IMPROCEDÊNCIA Somente a inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. (Acórdão nº 110100.172/09)” Ora, a falta de análise do argumento em estudo não ensejou qualquer cercamento de defesa. Assim é, afinal, como se explicará à frente, porquanto o permissivo insculpido pelo artigo 116, parágrafo único, do CTN sequer foi empregado para fundamentação dos trabalhos realizados. Ainda que assim não fosse, ele autoriza, de pronto, a desconsideração de negócios jurídicos simulados ilícitos, independentemente de regulamentação por lei ordinária. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 5 9 (2) Preliminarmente: da preterição do direito de defesa derivada da falta de oportunidade de produção de prova testemunhal Também consoante se explicou, a autuada efetuou variados pagamentos a outras sociedades, reputados como injustificados pela Fiscalização, pelos motivos descritos no Termo de Verificação Fiscal acima indigitado. Os motivos que levaram o Fisco a desconsiderar os documentos apresentados pelo contribuinte, como supedâneo das operações praticadas, foram de distintas ordens. A ele nos debruçaremos, mais detidamente, no momento em que analisarmos as razões de mérito contrapostas aos lançamentos pertinentes. Por ora, porém, importante ressaltar que a peticionária pleiteou, em primeira instância, a produção de prova testemunhal, sob o suposto motivo de que tal elemento probatório seria capaz de elidir as conclusões fiscais, tendentes a entrever as beneficiárias como incapazes, materialmente, de prestar os serviços ou realizar as vendas pelos quais foram remuneradas. O pleito formulado foi denegado pelo aresto recorrido, em decorrência de sua aduzida imprestabilidade para o deslinde da verdade. Calcado no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, adiante transcrito, o colegiado a quo entendeu como despiciendo o requerimento de prova testemunhal, uma vez que a demonstração da realidade das operações deveria, por evidente, ter índole documental: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Com razão, a meu ver, o acórdão em debate. As averiguações feitas pela Fazenda levaramna a crer que as prestações de serviços e os demais negócios subjacentes aos pagamentos efetivados pela autuada jamais ocorreram. Quer porquanto desprovidas de estrutura física compatível com as atividades aduzidas, quer porque simplesmente carentes de movimentação operacional e financeira nos períodos estudados, houve o fiscal, por bem, reputar as sociedades beneficiárias como não prestadoras de qualquer atividade que pudesse render, a elas, as cifras que lhe foram remetidas pela recorrente. Ora, não parece difícil perceber que tais indícios, objetivos e sólidos, não podem ser sobrepostos por simples provas testemunhais. Assim, o pedido do contribuinte se mostrou totalmente dispensável, não existindo outra saída que não sua vedação sumária. Tal conduta não configura cerceamento de defesa, mas, sim, mero instrumento de resguardo da higidez e da celeridade do processo administrativo fiscal, em detrimento de diligências desnecessárias ou meramente protelatórias. Superadas então, as preliminares suscitadas, passemos à análise do mérito recursal. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 10 (3) Da nulidade dos MPFD. Da ilicitude das provas colhidas. No mérito, a autuada iniciou pela afirmação de que os elementos probatórios arregimentados pelo Fisco, junto às beneficiárias dos pagamentos injustificados, seriam ilícitos, porquanto coletados no bojo de procedimento de investigação arvorado em Mandados de Procedimento Fiscal – Diligência eivados de nulidade. Por consequência, não teria o i. autuante competência concreta para tal sorte de fiscalização, eis que tais atribuições só surgiriam com a emissão do regular MPF. Duas seriam, no entender do contribuinte (fl. 1689), as principais claudicações formais verificáveis da leitura dos MPFD’s juntados aos autos. De um lado, estariam ausentes a descrição do tributo fiscalizado e o respectivo período de apuração. De outro, também não estaria satisfatoriamente definido o objeto da diligência fiscal, uma vez ter se limitado o i. fazendário a descrever o escopo do procedimento como sendo o de “acompanhamento/constatação previstos na legislação tributária”. Ora, parece, a mim, que as aduções recursais ora resenhadas em nada infirmam o trabalho impositivo. Como se depreende do próprio artigo 7º, § 4º, da Portaria RFB nº 11.371/07, trazido à baila pela insurgente, o MPFD deve indicar, somente, a “descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo aprovado por esta Portaria”: “Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. (...) § 4º O MPFD indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o:modelo aprovado por esta Portaria.” Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 6 11 Descabe afirmar, ao contrário do que quis o contribuinte, que os requisitos imanentes ao § 1º do citado artigo se apliquem também ao MPFD. A redação do dispositivo é clara e, em tal diapasão, não deixa dúvidas de que aquelas informações pertinem apenas ao MPFE e ao MPFF. Nada há, pois, algo a se retocar nos MPF’s que instruíram as investigações fiscais. Inexiste falar em nulidade do procedimento ou, em última análise, em ilicitude de qualquer das provas colhidas. (4) Da suposta violação aos artigos 116 e 142 do CTN Ato contínuo, o contribuinte aventou que os lançamentos em debate inobservaram os lindes dos artigos 116 e 142 do CTN. No que atine ao primeiro dispositivo, afirma a postulante que a Fazenda, para efetivar as exigências guerreadas, desconsiderou, por alegadamente simuladas, variadas operações comerciais e societárias praticadas entre autuada e terceiras sociedades. Para reputar como sem causa os pagamentos feitos a outras empresas, o Fisco entendeu, por exemplo, que eram simuladas diversas prestações de serviços e variadas compras e vendas de mercadorias; em igual esteira agiu, outrossim, para caracterizar a existência de pagamentos não contabilizados ou de passivos cuja exigibilidade não estaria demonstrada. O supedâneo normativo para tal raciocínio, aduz a recorrente, só poderia ser identificado à norma geral antielisiva esculpida pelo artigo 116, parágrafo único, do CTN. Tal mandamento, no entanto, só poderia ser aplicado depois de regulamentado pela legislação ordinária, nos termos do próprio enunciado em questão: “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.“ Não creio que o contribuinte tenha retidão em sua exegese. O fiscal lançador não calcou suas diligencias, em nenhum momento, no permissivo ora cuidado. As inferências assim realizadas são da lavra do contribuinte, sem qualquer arrimo nos autos. Todos os argumentos despendidos partem de uma premissa errônea, eis que outros dispositivos foram elencados, na verdade, a legitimar as desconsiderações dos negócios simulados. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 12 Ainda que assim não fosse, não há dúvidas, como se pode depreender da mais rasa leitura do dispositivo encimado, que a desconsideração de atos ou negócios jurídicos, quando praticados com fins de simulação de sua causa econômica – dissimulando a ocorrência do fato imponível, lado um, ou camuflando a natureza dos elementos componentes da obrigação fiscal, lado outro – pressuporia procedimento específico apenas nos casos em que o contribuinte, ao praticar atos lícitos, prefere fazêlo sob o manto de outro instituto jurídico, visando à economia tributária. Noutras palavras, parece certo que a norma ora cuidada inovou, apenas, na medida em que autorizou o Fisco a descortinar atos que, embora legais, estavam simulados pela prática de outras operações, com fito único de reduzir a carga tributária. Sem entrarmos no mérito da constitucionalidade desta regra, acredito que o parágrafo único do artigo 116 do CTN veio inaugurar, apenas, permissivo antielusivo, que lidima a Fazenda a desconstruir planejamentos tributários calcados na simulação. A necessidade de regulamentação, nessa hipótese, é, repitase, inquestionável. Conclusão similar não se aplica, no entanto, quando os atos subjacentes sejam, desde sempre, ilícitos. Neste caso, creio que o artigo 116 nada fez mais do que explicitar regra antievasiva que, por evidente, já imperava desde sempre em nosso ordenamento, como decorrência lógica dos princípios de direito tributário. Ora, nos termos explicados pelo agente fiscal, circunscritos pelo Termo de Verificação Fiscal anexo aos autos infracionais, remanesce claro que as operações ora desconsideradas faziam parte de um esquema complexo de “lavagem de dinheiro”, destinado a internalizar e a distribuir, a pessoas naturais residentes no País, pecúnia recebida de paraísos fiscais diversos. Não se está, pois, desqualificando mero planejamento tributário, engendrado via simulação. Cuidase, sim, de desmascarar práticas ilícitas e sonegatórias, dissimuladas mediante documentação contábilfiscal fraudulentamente empregada. Para tal fim, não é preciso rito específico, porquanto a desconsideração do negócio camuflado prescinde de lei específica que a autorize. Por tudo o que se expôs, parece evidente que não tem cabimento a alegação recursal de que só poderia ser reputado inidôneo qualquer documento fiscal se a própria empresa emissora também fosse declarada inapta, junto ao Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ). A identificação de simulação documental não pressupõe a irregularidade cadastral da pessoa jurídica que a ensejou. Uma nota fiscal que acoberte operação inexistente, para fins de justificação de pagamento sem causa econômica, é inábil, para todos os fins fiscais, ainda que o emissor esteja em posição regular no que concerne a outras operações. Assim, igualmente insubsistente é a leitura que o sujeito passivo intenta fazer do artigo 48 da Instrução Normativa RFB nº 748/07. (5) Dos pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Da redução imotivada do saldo de caixa. Adentrando, especificamente, na questão da demonstração dos substratos econômicos dos adimplementos feitos em prol das sociedades arroladas pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 608/680, aduz a autuada que há provas cabais, nos autos, da efetividade das atividades comerciais de compra e venda e de prestação de serviços por ela contratadas. Em resumo, são os seguintes os argumentos para tanto apresentados: Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 7 13 i) Eletroacácia Eletricidade Ltda.: ainda que não tenha mantido escrituração contábil regular, esta empresa prestou, sim, serviços à autuada, conforme se pode provar pelas notas fiscais carreadas aos autos; ii) Seagri Serviços Agrícolas Ltda.: os préstimos desenvolvidos se provam pelos correspondentes recibos – documentos que foram emitidos em lugar das notas fiscais de serviços, em razão da confusão da emissora acerca da Municipalidade credora do ISS. Outrossim, conforme livro Caixa, de um lado, e GFIP’s dos anosbase de 2003 a 2006, de outro, dita sociedade operava regularmente, com utilização de quadro regular de funcionários; iii) Thaiti Indústria Alimentícia Ltda.: eventuais deficiências na escrituração contábil fiscal desta sociedade não representam prova de não prestação de serviços. Esta empresa desenvolvia idênticos préstimos a outras tomadoras roraimenses, na forma das notas fiscais amostralmente juntadas aos autos; iv) Pinho e Santos Ltda. EPP: similarmente, há, nos autos, notas fiscais que evidenciam que esta sociedade desenvolvida atividades junto a outras empresas, na época em que ajustava operações com a recorrente; v) Agrosul Agropecuária Ltda.: há, mais uma vez, nos autos, cópias de algumas notas fiscais que demonstravam a existência de negócios operados com outras sociedades, distintas da autuada. Cópias de contracheques de funcionários, ademais, mostrariam a operacionalidade da empresa, à época dos fatos apurados. Quanto aos demais pagamentos, pugnou a peticionária pela posterior juntada de documentos, que jamais se materializou. Acerca da redução imotivada do saldo credor de seu caixa, entre 01/01/06 e 31/07/07, limitouse a autuada a asseverar que os recibos e comprovantes correlatos foram apreendidos pela Polícia Federal, sem que nunca mais tivessem sido devolvidos. Argui que tais elementos documentais poderiam explicar as minorações constatadas, acaso não tivessem sido extraviados durante as apreensões realizadas no transcurso da Operação Exodus. A respeito, primeiramente, dos pagamentos sem causa, guardo posição no sentido da correção do labor de lançamento. A simples juntada das notas fiscais emitidas pelas empresas beneficiárias não representa, evidentemente, contraprova hábil a todas as constatações e as diligências realizadas pela Fazenda – realizadas, em sua maioria, in loco. São robustos os indícios de que os ajustes comerciais feitos entre a autuada, de um lado, e as favorecidas pelos pagamentos imotivados, de outro, jamais ocorreram. Documentos fiscais emitidos em favor de terceiras empresas, mormente em quantidades ínfimas, não comprovam que, de fato, as específicas operações ora cuidadas efetivamente ocorreram. Por oportuno, colacionemse, abaixo, as considerações a que chegou o i. AFR lançador, naquilo que toca aos fornecedores elencados no recurso: Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 14 “Ao tratarmos de causa, o fazemos, referindonos ao fato motivador do pagamento do qual se exige comprovação. A análise da comprovação foi efetuada em cada evento, com os elementos característicos à operação praticada, e nos casos em que ficou evidenciada a falta de idoneidade do documento apresentado como comprovante, e havendo o lançamento contábil, ou não, do pagamento da obrigação, quer por caixa, quer por banco ou outra forma, houve a apuração de ofício do crédito tributário decorrente do fato gerador do Imposto de Renda na Fonte, pagamento sem causa, pela empresa ora fiscalizada, com base no artigo 61, §1º, da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. Conforme já mencionado, é significativa a redução do saldo da conta Caixa no ano 2005, passando de um saldo no início do período de R$ 13.273.410,02, para R$2.657.379,32 em 31/12/2005. Analisando as possíveis causas dessa redução, além da distribuição de lucros aos sócios que totalizou R$5.186.445,42 em 2005, verificamos a existência de diversos pagamentos a fornecedores. No decorrer do procedimento, intimamos a fiscalizada a comprovar as saídas de Caixa/Banco no período de 2004 a 2005, para as quais apresentou como prova tão somente cópias de notas fiscais de prestação de serviços ou fornecimento de materiais, relativos a pagamentos em valores vultosos para alguns fornecedores, sem trânsito pelo sistema financeiro. Desta feita, realizamos procedimentos de diligência nos fornecedores mais relevantes, onde pudemos constatar algumas inconsistências que nos permitiram concluir que os produtos / serviços descritos nas notas fiscais não foram de fato entregues, e os repasses financeiros não foram efetivamente efetuados, tais como: Incapacidade operacional e financeira do suposto fornecedor Incompatibilidade entre o faturamento da empresa e o patrimônio de seus sócios Pessoa jurídica declarada inativa Negativa de emissão do documento fiscal Indisponibilidade em estoque dos produtos para os quais foi dada saída A seguir detalhamos, por fornecedor, os pontos mais relevantes observados na diligência, os quais nos levaram a concluir pela improcedência dos pagamentos, cujos documentos formam os ANEXOS IX ao XXIII. V.1.1. ELETROCÁCIA ELETRICIDADE LTDA. Os documentos da Diligência Fiscal realizada na Eletrocácia compõem o ANEXO XII, fls. 02 a 141. De acordo com as notas fiscais e escrituração apresentadas pela Ouro Verde, verificamos que todos os desembolsos efetuados para a Eletrocácia ocorreram em espécie e que, em suma, os serviços prestados eram de natureza de manutenção elétrica em fazendas e prédios, e aluguéis de caminhão e gerador. Os pontos principais observados na Diligência, conforme relatório, foram os seguintes: Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 8 15 1) A empresa não apresenta qualquer atividade operacional contínua ao longo dos AC 2003 a 2006; 2) No AC 2005, ano de prestação de serviços à Ouro Verde Agrosilvopastoril, a empresa tinha apenas a sócia responsável como funcionária (em 2003, eram 3 funcionários para um faturamento de 1/3 ao apresentado em 2005); 3) A Eletrocácia não era proprietária de qualquer veículo no AC 2005; a atividade de locação de bens não consta em seu objeto social. Somente há um caminhão de propriedade da responsável pela empresa, transferido para Joinville/SC em 2000. 4) Os supostos recebimentos pelos serviços prestados à Ouro Verde no AC 2005 eram efetuados em espécie, sem comprovarse a efetiva transferência dos recursos. Intimado para tal, justifica a saída do montante apenas mediante a apresentação da NF correspondente. Considerando os elementos pontuados acima, concluiuse que não houve a prestação dos serviços pela Eletrocácia à Ouro Verde no AC 2005, devendo os valores registrados como saída de numerário na Ouro Verde serem lançados como Pagamento sem Causa / a Beneficiário não Identificado, de acordo com a tabela abaixo, na data do pagamento, com base no art. 61 da Lei n o 8.981/95: (...) V.1.3. SEAGRI SERVIÇOS AGRÍCOLAS LTDA Os documentos desta Diligência Fiscal compõem o ANEXO IX. A seguir relacionamos os pontos principais levantados: 1) No AC 2004, somente houve a "suposta" prestação dos serviços para a empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril, sendo a liquidação financeira em espécie. 2) Analisandose os talonários fiscais, percebemos que é praxe da empresa manter NF em branco, sem nenhuma evidência de rasuras ou erros de preenchimento, constando simplesmente o carimbo de "cancelada". 2) A empresa não apresenta conta bancária no período. 3) Seus sócios não apresentam rendimentos e bens que se compatibilizem com os valores movimentados pela empresa. Por fim, concluiuse que não houve as saídas de recursos da empresa Ouro Verde, como também não foi comprovado o vínculo com os supostos serviços prestados pela SEAGRI Serviços Agrícolas Ltda. Portanto, as saídas de numerário registradas na contabilidade da Ouro Verde devem ser consideradas pagamentos sem causa / a beneficiário não identificado, sendo exigido o Imposto de Renda na Fonte mediante a aplicação da alíquota de 35% sobre o rendimento reajustado, de acordo com o art. 61 da Lei n o 8.981/95, conforme detalhado na tabela abaixo: (...) V.1.5. THAITI INDUSTRIA ALIMENTÍCIA LTDA Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 16 Os documentos desta Diligência Fiscal compõem o ANEXO X. Segundo o Relatório de Encerramento de Diligência, restou descaracterizada a prestação de serviços à Ouro Verde pela empresa Thaiti Indústria Alimentícia, relativos a fornecimento de alimentação a trabalhadores daquela, devendo as saídas de numerário da fiscalizada, conforme tabela abaixo, ser considerados pagamentos sem causa ra beneficiário não identificado, com base no art. 61 da Lei no 8.981/95. Alguns pontos relevantes levantados no Relatório da Diligência: 1) Existe incompatibilidade entre a movimentação da empresa e a capacidade econômica e patrimonial dos sócios; 2) Os sócios sequer possuem conta bancária no período analisado; 3) Não existem contratos escritos e a liquidação financeira se dava mediante a apresentação das notas fiscais pela prestadora, com o pagamento em espécie; 4) Inexiste comprovação da efetiva transferência dos recursos. (...) V.1.6. PINHO E SANTOS LTDA EPP Os documentos desta Diligência Fiscal compõem os ANEXOS XIX, XX e XXI. Segundo o Relatório de Encerramento de Diligência, podemos destacar os seguintes aspectos mais relevantes: 1) Cuida da averiguação de documentos fiscais apresentados pela Ouro Verde, como comprovação de saídas de numerário, de emissão da empresa Pinho e Santos, relativos a suposta prestação de serviços de manutenção e poda de árvores; 2) Houve emissão de NF de forma fraudulenta, conforme análise dos talonários de numeração 51 a 100 e 101 a 150. Verificase que o talonário das NF 51 a 100 apresenta datas de emissão entre 16 de fev/2004 à 28 de maio/2007 (data da emissão da última NF, a 82), enquanto o outro bloco apresenta datas de emissão de 31 de jan/2004 à 19 de ago/2005 (data de emissão da NF 132; todas as NF, a partir da 133, estão em branco). Além disso, todas as NF de numeração 1 a 21 estão canceladas, sem qualquer rasura que evidenciem erros em seu preenchimento; 3) Devidamente intimado, manifestou os recebimentos pelos supostos serviços prestados somente pela emissão de NF, sem comprovalos efetivamente; alegou, ainda, que alguns clientes exigiam recibos. Todos os recebimentos ocorreram em espécie; 4) Os sócios não apresentam bens, rendimentos declarados ou movimentação financeira que apresente razoabilidade com a propriedade de uma empresa que faturou receitas da ordem de R$812.479,50 (AC 2003), R$713.848,80 (AC 2004) e R$434.216,82 (AC 2005); Considerando os elementos citados acima, pudemos concluir que não houve a comprovação dos repasses dos recursos em referência aos supostos serviços prestados pela Pinho e Santos Ltda EPP, tampouco comprovouse a efetiva prestação dos serviços. Devese tributar a empresa Ouro Verde mediante repasse de recursos sem a identificação do beneficiário, exigindo o IRRF de 35% sobre o valor reajustado, de acordo com a tabela a seguir: Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 9 17 (...) Adicionalmente, a Ouro Verde registrou repasses de recursos a Pinho e Santos por serviços prestados conforme notas fiscais n o 60, 62 e 63. Todavia, em análise dos registros contábeis e dos talonários fiscais da suposta prestadora de serviços, constatamos que estes foram prestados para empresas diversas da Ouro Verde, senão vejamos: Razão da Ouro Verde Data Valor Histórico contábil 30.04.2005 14.666,30 Pago na data ref a NF 000060 Pinho e Santos Ltda EPP 31.05.2005 15.046,57 Pago na data ref a NF 000062 Pinho e Santos Ltda EPP 30.06.2005 19.348,80 Pago na data ref a NF 000063 Pinho e Santos Ltda EPP Talonário Fiscal da Pinho e Santos DATA NF EMPRESA 15.05.2004 60 Construtora Blokus Ltda, 02.066.112/000170 01.06.2004 62 Engexata Engenharia, 07.654.734/000133 01.06.2004 63 Engexata Engenharia, 07.654.734/000133 Pelo exposto, restou caracterizada a saída de recursos da fiscalizada com finalidade diversa do que foi registrado na contabilidade, cabendo à fiscalização exigir de ofício o Imposto de Renda na Fonte sobre pagamento sem causa / a beneficiário não identificado, aplicando a aliquota de 35% sobre a base reajustada, de acordo com o art. 61 da Lei n o 8.981/95, conforme quadro a seguir: (...) V.1.7. AGROSUL AGROPECUARIA LTDA EPP Segundo a contabilidade da Ouro Verde, verificamos o repasse de valores à empresa Agrosul pela suposta prestação de serviços de podagem, adubação e manutenção no ano 2005. Em procedimento de diligência fiscal realizado na Agrosul, encontramos fortes evidências de que esta não prestou efetivamente os serviços à Ouro Vede, conforme pontuado abaixo. Os documentos desta Diligência Fiscal compõem o ANEXO XIII, fls. 02 a 158. 1) A Agrosul não apresentou contratos referentes aos serviços prestados no ano 2005, informando apenas que os mesmos seriam feitos por meio de acertos verbais. Tal conduta vai de encontro aos procedimentos empresariais típicos para essas operações, em que se têm valores relevantes envolvidos, como no caso em pauta; 2) Levese em conta ainda que, até o ano 2004 o contribuinte realizava os serviços via contratos formais, e, no ano seguinte, passa a realizalos mediante acertos verbais, sem que se apresente uma justificativa plausível; Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 18 3) Não foi comprovado o efetivo repasse dos valores, os quais não transitaram, em sua grande maioria, pelo sistema bancário; 4) A Agrosul apresenta uma redução drástica no seu quadro de pessoal a partir do ano 2004, não acompanhada por uma redução proporcional da receita, o que não parece coerente para uma empresa prestadora de serviços, totalmente dependente de sua mão de obra; 5) Para justificar a variação da receita desalinhada com a redução no quadro de pessoal, o contribuinte atribui a fatores climáticos, condições do trabalho, complexidade das tarefas, acesso ao local de trabalho. Todavia, de acordo com os contratos apresentados, as atividades exercidas pela empresa são de baixa complexidade. Em resumo, concluímos que o contribuinte informou ter prestado serviços os quais não se concretizaram, e também não comprovou o efetivo recebimento pelos mesmos, sendo que tais valores não transitaram pelo sistema bancário. Portanto, os saídas de numerário registradas na contabilidade da Ouro Verde tendo como destinatária a Agrosul Agropecuária no anocalendário 2005, devem ser tributadas como pagamento sem causa / a beneficiário não identificado, de acordo com a tabela abaixo: (...)” Por outra vertente, naquilo que respeita à inexplicada redução do saldo em caixa, mister é recordar que as justificativas apresentadas foram exclusivamente retóricas. Escorase o contribuinte em suposto extravio de documentos, a que teria dado causa a Polícia Federal, para justificar eventual impossibilidade de defenestrar a omissão de receitas apurada. Evidentemente, tal sorte de arguição, porquanto incomprovada e abstrata, não pode ser acolhida por este Conselho. (6) Da multa regulamentar. Da distribuição de lucro por pessoa jurídica em débito não garantido Foi cominada ao contribuinte, ainda, multa regulamentar, em virtude da distribuição de dividendos a sócios residentes no País, em concomitância com a existência de débitos fiscais federais insolvidos e não garantidos. A penalidade em foco calcou fundamento no artigo 32, alínea b, § 1º, inciso I, da Lei nº 4.357/64, in verbis: “Art. 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: (...) b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; (...) Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 10 19 § 1o A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; (...)” Para tentar afastar dita sanção, alega a peticionária que “manteve a exigibilidade suspensa da dívida mantida com o Regime Geral de Previdência Social na maior parte do interregno, registrado pela autoridade administrativa às fls. 665/667”. Em diapasão similar, “protesta pela juntada, a posteriori, das certidões negativas de débito e positiva com efeito de negativa, emitidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Ocorre, em primeiro lugar, que os passivos em aberto, à época das distribuições de lucro, tocavam tanto a débitos previdenciários quanto a nãoprevidenciários, na forma detidamente exposta às fls. 661/674. Não bastasse isso, em segundo posto, não obsta a impingência da multa tratada a eventual existência de Certidão Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa, uma vez que estas não impedem que Fisco apure e cobre, no período de sua vigência, passivos outros que venham a se tornar exigíveis. Nesta hipótese, vencido o débito, de um lado, e não existindo garantia ou parcelamento, de outro, pode a Fazenda, sim, obstar a distribuição de dividendos, haja vista a necessária destinação destes recursos ao adimplemento das dívidas tributárias federais. Não há, portanto, motivo para se afastar a pena aplicada. (7) Da qualificação da multa de ofício Por derradeiro, insurgese a autuada contra a qualificação da multa oficiosa aplicada pelo fiscal autuante. É cediço, neste colegiado, o entendimento de que a dobra da sanção de 75% (setenta e cinco por cento) só se justifica nas hipóteses em que resta caracterizado dolo específico, atinente à prática dos delitos previstos pelos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. A simples apuração de omissão de receitas, ainda que reiterada, não consubstancia causa suficiente para a majoração, segundo disposto pela própria Súmula CARF nº 14. Acontece, entretanto, que este não é o caso dos presentes autos. O detalhado trabalho investigativo levado a efeito pelo i. AFR, instruído à exaustão, sintetizado em Termo de Verificação Fiscal, evidencia, com clareza, a existência de esquema fraudulento, operado mediante simulação de investimentos diretos e de empréstimos estrangeiros, destinados a pessoas jurídicas nacionais, com o desiderato de concretização de posterior distribuição de dividendos espúrios a pessoas naturais aqui residentes. Seria repetitivo reproduzir, aqui, todas as conclusões fazendárias que instruíram a lavratura dos autos infracionais em debate. No entanto, para fins de ilustração, creio ser indispensável a colação de alguns excertos, capazes de evidenciar as razões de qualificação da multa punitiva. Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 20 Inicialmente, transcrevase a descrição do cenário fático averiguado pela Operação Exodus, subjacente à lavratura dos AII’s em estudo: “A fiscalizada é a principal de um grupo de 98 (noventa e oito) empresas que apresentam ligação com o 1empreendimento WALTER VOGEL", o qual tem sobre si indícios de existência de um esquema de recepção de recursos do exterior, integrado por dezenas de sociedades pertencentes ao Grupo, inclusive a empresa ora fiscalizada, cujo objetivo era darlhes um caráter legal, motivo pelo qual se faz necessário uma exposição sobre o modo de operação do Grupo conforme relatado no item II. (...) O empreendimento abrange diversas empresas, as quais estão ou estavam de alguma forma, ligadas ao Sr. Walter Vogel WV, empresário suíço, naturalizado brasileiro, CPF n o 703.513.92904, o qual, segundo sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta ou já constou como sócio ou representante de 98 empresas, sendo ainda, procurador no Brasil dos investidores/credores estrangeiros que aportavam recursos originários de paraísos fiscais em tais empresas. Pela existência de indícios de um esquema de recepção de recursos do exterior (lavagem de dinheiro), desencadeouse em 18 de agosto de 2006 a operação denominada EXODUS, realizada de forma conjunta entre Secretaria da Receita Federal do Brasil, Departamento de Policia Federal e Ministério Público Federal. Segundo informação do Banco Central do Brasil BACEN, de acordo com Relatório do Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros (Gerencia Técnica de Recife ANEXO I fls. 147172), os recursos originários do exterior e recebidos pelas 98 empresas do Grupo, totalizavam em 28/07/2004 US$ 41.774.273,34, dos quais, US$ 32.280.605,28 ingressaram sob a forma de empréstimos e US$ 9.493.668,06, sob a forma de investimentos diretos no Brasil, como participações societárias. Várias empresas participavam do mencionado esquema, sendo que, em um dos extremos, algumas agiam ativa e exclusivamente na captação de recursos externos oriundos de países com tributação favorecida (os chamados paraísos fiscais, definidos pela Instrução Normativa SRF n o 188, de 06 de agosto de 2002), que, embora ingressados no país legalmente, via BACEN, tais recursos possuem origem duvidosa; outras, intermediando a movimentação de recursos no País, e finalmente, um reduzido número de empresas recepcionando o capital de todas as empresas do grupo. Em relação à constituição das 98 empresas ligadas ao empreendimento WALTER VOGEL, via de regra, eram formadas inicialmente com pequeno capital social, integralizados pelo Sr. Walter Vogel ou uma das pessoas relacionadas ao grupo, tendo alguns sócios características de interposta pessoa, os quais eram substituídos pelos supostos investidores estrangeiros, seja pessoa física ou jurídica. Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 11 21 Os sócios estrangeiros, em sua grande maioria, têm domicílio na Suíça, e em paraísos fiscais São Vicente e Granadinas, e Anguilla, e desses lugares enviavam para o Brasil os valores sob título de integralização/aumento de capital, e como empréstimos. O endereço indicado como sede, de quase todas as empresas domiciliadas no exterior é "TRUST HOUSE 112, BONADIE STREET, EM KINGSTON/ SAINT VICENT (fls. 0710). Os investidores estrangeiros passaram a injetar recursos nas empresas do grupo, tanto a título de integralização de capital, como de empréstimos, e, com o ingresso desses valores, houve a necessidade de criarem mais empresas no Brasil ligadas ao grupo para que dessem suporte contábil e fiscal à circulação dos montantes que ingressavam por meio de operações diversas, e que geralmente findavam na contabilidade da empresa OURO VERDE AGROSILVOPATORIL LTDA, que é a centralizadora da distribuição dos lucros aos sócios residentes no Brasil. É importante ressaltar que a suposta circulação de recursos entre as empresas do grupo ocorreu, quase em sua integralidade, em espécie, com pouquíssimas operações realizadas com a utilização do sistema financeiro nacional. Em relação aos empréstimos às empresas do empreendimento, estes foram comumente contratados sob condições especiais de pagamento de juros, os quais, mesmo quando vencidos, em sua grande maioria, não foram pagos. A partir do ano 2004, a maior parte das empresas obteve perdão dos juros por parte do credor, conforme informações repassadas pelo Banco Central e pelo próprio contribuinte. Verificase o cuidado que os gestores do empreendimento têm, em causa justificada, em retirar os recursos dos controles dos órgãos competentes do sistema financeiro nacional. (...) Das poucas empresas do empreendimento WV que distribuíram lucros no período, nenhuma delas reportou dividendos aos seus acionistas estrangeiros, evidenciando, mais uma vez, as dúvidas que pairam sobre os "investidores internacionais com sede em paraísos fiscais", como podemos verificar nos registros contábeis da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda, ‘alma’ das operações do grupo. Inexiste a comprovação da efetividade de algumas transações entre as empresas do grupo localizadas no Brasil. Os repasses monetários em razão das causas contabilizadas não se comprovam, visto que quase todas as transações efetuadas foram informadas como ocorridas em espécie, existindo somente os registros contábeis que dão suporte aos caixas da empresa, constando como documentação comprobatória apenas recibos e escrituras, documentos nos quais encontramos o Sr. Walter Vogel, ou outra pessoa ligada ao grupo, como representante de ambas as partes.” Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 22 Não parece haver dúvidas, destarte, de que a conduta do sujeito passivo pode, ao menos em princípio, ser tipificada como sonegação, fraude ou conluio, para escorreita qualificação da multa oficiosa: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” “Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” “Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Todo o cenário apurado deixa clara a existência de circunstâncias qualificadoras. Não há, pois, como minorar a penalidade em tela. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso interposto, mantendo o auto de infração na íntegra. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 12 23 Relator Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003644/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 26/04/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Ao deixar de apresentar documentos relacionados em documento TIAD, sejam folhas de pagamento, contratos de prestação de serviços e documentos relacionados a salário família, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS POSTO QUE OS MESMOS FORAM RETIDOS POR FISCALIZAÇÃO ANTERIOR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO.
Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos qualquer prova de que os documentos foram retidos em fiscalização anterior, não podendo ser esse argumento, por si sóM utilizado para refutar a autuação.
MULTA APLICADA CARÁTER CONFISCATÓRIO PREVISÃO LEGAL PARA A ATUAÇÃO E MULTA
O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa.
DECADÊNCIA AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ART. 173, I CTN MULTA ÚNICA FALTAS NÃO INCLUÍDAS EM PERÍODO DECADENCIAL MANUTENÇÃO DA MULTA APLICADA.
Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontram-se alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.006
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o acolhimento da decadência; II) rejeitar preliminar de nulidade; III) rejeitar os pedidos de perícia e oitiva de testemunhas; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 26/04/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Ao deixar de apresentar documentos relacionados em documento TIAD, sejam folhas de pagamento, contratos de prestação de serviços e documentos relacionados a salário família, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS POSTO QUE OS MESMOS FORAM RETIDOS POR FISCALIZAÇÃO ANTERIOR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos qualquer prova de que os documentos foram retidos em fiscalização anterior, não podendo ser esse argumento, por si sóM utilizado para refutar a autuação. MULTA APLICADA CARÁTER CONFISCATÓRIO PREVISÃO LEGAL PARA A ATUAÇÃO E MULTA O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. DECADÊNCIA AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ART. 173, I CTN MULTA ÚNICA FALTAS NÃO INCLUÍDAS EM PERÍODO DECADENCIAL MANUTENÇÃO DA MULTA APLICADA. Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontram-se alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 18050.003644/2008-95
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4803200
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 21 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.006
nome_arquivo_s : 2401002006_18050003644200895_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 18050003644200895_4803200.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o acolhimento da decadência; II) rejeitar preliminar de nulidade; III) rejeitar os pedidos de perícia e oitiva de testemunhas; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4744027
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231179730944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 116 1 115 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.003644/200895 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.006 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente TRACOL SERVIÇOS ELÉTRICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 26/04/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Ao deixar de apresentar documentos relacionados em documento TIAD, sejam folhas de pagamento, contratos de prestação de serviços e documentos relacionados a saláriofamília, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS POSTO QUE OS MESMOS FORAM RETIDOS POR FISCALIZAÇÃO ANTERIOR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos qualquer prova de que os documentos foram retidos em fiscalização anterior, não podendo ser esse argumento, por si sóM utilizado para refutar a autuação. MULTA APLICADA CARÁTER CONFISCATÓRIO PREVISÃO LEGAL PARA A ATUAÇÃO E MULTA Fl. 111DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. DECADÊNCIA AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ART. 173, I CTN MULTA ÚNICA FALTAS NÃO INCLUÍDAS EM PERÍODO DECADENCIAL MANUTENÇÃO DA MULTA APLICADA. Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontramse alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o acolhimento da decadência; II) rejeitar preliminar de nulidade; III) rejeitar os pedidos de perícia e oitiva de testemunhas; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 117 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.056.9008, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de apresentar os lançamentos contábeis descritos no Termo de Intimação para apresentação de documentos. Mais precisamente, segundo relatórios fiscal da infração, a empresa TRACOL deixou de atender à solicitação fiscal de exibição de todas as folhas de pagamento da empresa, das competências de 05/1998 a 13/2002, indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias. Essa solicitação foi feita mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD emitido em 11/09/2006. Em 24/11/2006 foi emitido um novo Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, em anexo, solicitando, especificamente as folhas de pagamento não apresentadas da matriz das competências 05/1998, 06/1998, 07/1998, 08/1998, 09/1998, 10/1998, 12/1998, 13/1998, 04/1999, 11/1999, 01/2000, 02/2000, 03/2000, 04/2000, 08/2000, 09/2000, 12/2003, 13/2000, 02/2001, 03/2001, 04/2001, 06/2001, 08/2001, 09/2001, 11/2001, 12/2001, 03/2002, 04/2002, 11/2002,12/2002, 13/2002; da filial 0002 das competências 02/2002, 04/2002, 06/2002, 11/2002, 12/2002, 13/2002; da filial 0003 da competência 13/2002; para a verificação das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento. Cabe ressaltar, a empresa só forneceu posteriormente as folhas de 13/2002 das filiais 0002 e 0003. Foi solicitado da empresa, mediante TIAD de 27/03/2007, certidões de nascimento, atestado de invalidez, cartão de vacinação e/ou comprovante de freqüência escolar para a verificação se a TRACOL está pagando saláriofamília de acordo com a legislação previdenciária. A empresa não forneceu nenhum desses documentos, alegando que não possuía essas informações. Em 11/09/2006 foi emitido um Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, solicitando da TRACOL os contratos prestações de serviços celebrados com terceiros. Tal solicitação foi feita novamente através dos TIADs de 02/03/2007 e de 06/03/2007, os quais solicitavam os contratos celebrados com as empresas citadas nas relações contidas explicitamente nesses TIADs A empresa não forneceu todos os contratos, já que havia notas fiscais sem os devidos contratos. Cabe ressaltar que esses contratos são muitos importantes para verificar o instituto da retenção (contribuição de 11%) sobre notas fiscais de prestação de serviços. Em 27/03/2007 e em 29/03/2007 foram emitidos novos TIADs intimando a apresentação dos contratos celebrados com as empresas prestadoras de serviços, contidas no próprio termo, e que a TRACOL ainda não tinha fornecido a essa fiscalização. Mesmo após 5(cinco) TIADs, a empresa TRACOL deixou de fornecer a fiscalização todos os contratos celebrados com as seguintes empresas prestadoras de serviços, conforme relatório fiscal, fls. 13 e 14. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 26/04/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/04/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 63 a 67. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 73 a 81. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 86 a 96. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: Da Insubsistência do Auto de Infração. Ocorre que em meados de 2006, a impugnante foi intimada através de TIAD expedido pela Auditora Fiscal Sra. Nazilda, tendo sido entregues os originais de todos os documentos disponíveis para a apuração da regularidade fiscal e previdenciária da contribuinte entre agosto de 1998 (início das atividades) e dezembro de 2002, inclusive folhas de pagamento, contratos com terceiros c GPS, dentre os quais parte jamais foi devolvida. Ou seja, a impugnante, em atendimento ao que foi determinado por um Auditor Fiscal do INSS, entregou os documentos que possuía à fiscalização, que, por sua vez, não se desincumbiu de devolvêlos, como poderá ser comprovado por oitiva de funcionários da contribuinte e da Auditora Fiscal, Sra. Nazilda ou, ainda, pela juntada dos autos e registros da ação fiscal que antecedeu a de n° 09330040, nos termos do art. 37 da Lei n° 9.784/99. Fazse necessário ressaltar que a lei não exige que todos os negócios jurídicos sejam formalizados em instrumento contratual e, por via reflexa, não há amparo para que a fiscalização exija os contratos firmados entre o contribuinte e terceiros, sem prejuízo, evidentemente, da obrigatoriedade dos registros fiscais e contábeis. Os documentos outrora objetos de TIAD — contratos com prestadores de serviços, folhas de salários, certidões de nascimento, atestado de invalidez, cartão de vacinação e/ou comprovante de freqüência escolar para verificar a regularidade do pagamento do saláriofamília, entre outros, foram resgatados, e constam anexos às NFLD n° 37.056.8966, 37.056.8958, 37.056.8931, 37.056.8974 e 37.056.8923, o que permite a aplicação do art. 291, §1°, do RPS. Requer que seja determinada a oitiva de funcionários da empresa contribuinte e da Auditora Fiscal, Sra. Nazilda, ou, ainda, a juntada dos autos e registros da ação fiscal que antecedeu a de n° 09330040, conforme art. 37 da Lei 9.784/99. Requer, nos termos do art. 37 da Lei n° 9.784/99, a juntada, aos autos, dos documentos que acompanham as NFLD's 37.056.8931, 37.056.8923, 37.056.8966, 37.056.9874 e 37.056.8958 e nos AI's n° 37.056.8982, 37.056.8990, 37.056.9008 e 37.056.9016, e, em especial as GPS's, a fim de que sejam considerados/compensados os recolhimentos efetuados pela Contribuinte com o débito tributário eventualmente apurado, ressalvada, ainda, ajuntada posterior de documentos, nos termos do art. 38 da Lei n° 9.784/99. Finalmente, requer, ainda, a realização de perícia contábil. Assim, requer seja julgado nulo o presente auto de infração nos termos e razões expostas ou, ainda, que seja relevada a multa, nos termos do art. 291, §1°, do RPS. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 118 5 Requer, ainda, a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial, aquelas descritas no item 5 da presente defesa. Em 23/10/2009 a empresa apresentou requerimento para que os AI e NFLD lavrados fossem julgados em conjunto, considerando que apresentou defesa conjunta no processo 18.050000022/200724. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 115. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO NULIDADE PELA IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAR DOCUMENTOS RETIDOS Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por estar a empresa impossibilitada de apresentar os documentos retidos em outo procedimento fiscal, entendo que razão não assiste ao recorrente. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos qualquer prova de que os documentos foram retidos em fiscalização anterior, não podendo ser esse argumento por si só utilizado para refutar a autuação. Importante destacar que a fiscalização não se apropria de documentos originais, ou mesmo os anexa a NFLD ou AI. Quando estritamente necessário é lavrado o respectivo documento de Retenção de Documentos, mas sempre é deixada uma via com a empresa para que a mesma faça prova da retenção do mesmos. Assim, a mera argumentação não elide ou justifica a não apresentação de diversos documentos durante procedimento fiscal. No mesmo sentido, entendo que a oitiva de testemunhas não seria capaz de refutar a autuação que lhe foi apontada, tendo em vista que não restou demonstrado por meio de documentos as alegações. Quanto ao julgamento conjunto, competiria a empresa apresentar defesas distintas para cada autuação, e além disso demonstrar que os documentos apresentados Fl. 116DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 119 7 possuem correlação direta com o auto aqui descrito, razão porque entendo não haver necessidade de julgamento conjunto. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no Fl. 118DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 120 9 que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória necessária a apreciação do feito já consta nos autos. E como principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente quando diponibilizada e a notificação seguiu o procedimento previsto, portanto não reconheço sua nulidade. DA DECADÊNCIA DE PARTE DA AUTUAÇÃO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas Fl. 119DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Fl. 120DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 121 11 Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o Fl. 121DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do Fl. 122DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 122 13 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Fl. 123DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa comprovado o lançamento contábil na forma devida de alguns pagamentos feitos ainda no ano de 1997. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 123 15 Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 26/04/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/04/2007, os fatos geradores ocorreram no período de 05/1998 a 13/2002, dessa forma a exigência em relação ao período até 11/2001 encontrarseia decadente. Todavia, conforme já mencionado pela autoridade julgadora em suas razões de decidir, ao contrário de outras autuações em que o cálculo da multa depende do n. de infrações, como o caso de omissão em GFIP, no auto em questão a multa aplicada é única, tendo seu valor estipulado independente do n. de faltas cometidas, sendo que em restando competências não abrangidas pela decadência não há de se afastar a autuação. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO No mérito, conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois a não apresentação da documentação durante o procedimento fiscal acarreta a responsabilidade do infrator pela penalidade prevista na legislação previdenciária. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 33, § 2º, da Lei n ° 8.212/1991. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.§ 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento.§ 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Contudo, não apresentou o recorrente os documentos, conforme alegou em sede de defesa, descrevendo que os mesmos teriam sido acostados a outra defesa, lavrada durante o mesmo procedimento. Contudo, tal fato não é suficiente para desconstituir a autuação, nem tão pouco afastar a autuação. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 124 17 Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de decadência, de nulidade e de perícia e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 127DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000481/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2007
EMBARGOS RESULTADO DO JULGAMENTO REGISTRO DA DECISÃO.
Acolhem-se os embargos de declaração para corrigir contradição em razão de o Acórdão, no registro da decisão, não ter indicado corretamente o resultado da votação.
Numero da decisão: 1201-000.574
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos,
ACOLHERAM os embargos para rerratificar o Acórdão nº 120100.108,
de 18.06.2009, para constar, em substituição a "por unanimidade de votos", a expressão "por maioria de votos", nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 EMBARGOS RESULTADO DO JULGAMENTO REGISTRO DA DECISÃO. Acolhem-se os embargos de declaração para corrigir contradição em razão de o Acórdão, no registro da decisão, não ter indicado corretamente o resultado da votação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16327.000481/2008-76
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4794493
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.574
nome_arquivo_s : 120100574_16327000481200876_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 16327000481200876_4794493.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, ACOLHERAM os embargos para rerratificar o Acórdão nº 120100.108, de 18.06.2009, para constar, em substituição a "por unanimidade de votos", a expressão "por maioria de votos", nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
id : 4744841
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231195459584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 313 1 312 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000481/200876 Recurso nº 173.763 Embargos Acórdão nº 120100.574 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de outubro de 2011 Matéria IRPJ e outro Embargante Fazenda Nacional Interessado Banco Santander S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 EMBARGOS RESULTADO DO JULGAMENTO REGISTRO DA DECISÃO. Acolhemse os embargos de declaração para corrigir contradição em razão de o Acórdão, no registro da decisão, não ter indicado corretamente o resultado da votação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, ACOLHERAM os embargos para rerratificar o Acórdão nº 120100.108, de 18.06.2009, para constar, em substituição a "por unanimidade de votos", a expressão "por maioria de votos", nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 120100.574 S1C2T1 Fl. 314 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Gabriela Maria Hilu da Rocha Pinto e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório Mediante a peça de fl. 311, a Procuradoria da Fazenda Nacional opõe embargos de declaração ao acórdão de fls. 300 a 306, no qual aduz as seguintes razões: A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, com amparo no art. 65 do RICARF, vem apresentar EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelos motivos a seguir aduzidos: A 1ª Turma Ordinária da 2a Câmara da P Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário. Vejamos: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antônio Bezerra Neto, que dava provimento parcial tãosomente para afastar a multa de oficio, e a Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que negava provimento integral ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Carlos Pelá declarouse impedido de participar do julgamento". (Grifos nossos) A leitura do dispositivo indica a principio, que houve uma unanimidade no entendimento. Contudo, mais à frente, consta que a Conselheira Adriana Gomes foi vencida por negar provimento ao recurso. Essa contradição dificulta a identificação do tipo de recurso especial que será apresentado, pois, no caso de ser confirmada a maioria de votos, ainda há permissão para o oferecimento de recurso por contrariedade à lei, na forma do art. 4 0 do Regimento Interno do CARF, vez que o acórdão foi proferido na sessão de 18/06/2009. Desse modo, requer a Unido (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja sanado o vicio no dispositivo da decisão. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 120100.574 S1C2T1 Fl. 315 3 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A contradição é facilmente percebida pelos próprios termos do acórdão reproduzido pela embargante e a sua solução não exige maiores esforços interpretativos. Em razão de haver um voto vencido e um vencedor, evidentemente, o equívoco que produziu a contradição está justamente na expressão também destacada pela embargante, qual seja, “por unanimidade de votos”. Em seu lugar deveria ter constado: “por maioria de votos”. Isso posto, voto por conhecer os embargos para, no mérito, darlhes provimento com o fito de retificar o acórdão nº 120100.108, de 18 de junho de 2009, para no lugar da expressão ““por unanimidade de votos” conste “por maioria de votos”. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME
score : 1.0
Numero do processo: 11075.900193/2006-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-001.778
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentou declaração de voto.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11075.900193/2006-47
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 5132091
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.778
nome_arquivo_s : 930301778_11075900193200647_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Rodrigo da Costa Possas
nome_arquivo_pdf_s : 11075900193200647_5132091.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentou declaração de voto.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
id : 4748573
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231249985536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 172 1 171 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11075.900193/200647 Recurso nº 261.073 Especial do Contribuinte Acórdão nº 930301.778 – 3ª Turma Sessão de 9 de novembro de 2011 Matéria Crédito presumido do IPI Exportação de produtos NT Recorrente FRIZON E FRONZA LTDA Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Fl. 0DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo acima qualificado, que solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI, instiuído pela Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, cumulado com declaração de compensação. Em despacho decisório proferido pela DRF, não se reconheceu o direito creditório e, por conseguinte, não se homologou as compensações declaradas em DCOMP. O interessado apresentou a Manifestação de Inconformidade, que foi indeferida. Também apresentou Recurso Voluntário, que também foi negado. Agora em sede de Recurso especial, devidamente admitido por Despacho do Presidente da Câmara, pleiteia a reforma da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Voto A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 173 3 Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições — ser produtora e ser exportadora —, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 174 5 É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25/06/98). "Art. 2° Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermeneutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 175 7 Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 176 9 tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros Fl. 8DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 177 11 Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Tratase de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 178 13 O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto voto pelo não provimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Declaração de Voto A controvérsia aduzida nos presentes autos consiste em definir se os insumos utilizados para a produção de produtos, classificados como não tributáveis “NT” pela TIPI, integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI ao serem exportados. Em que pesem as razões aduzidas no acórdão recorrido, entendo que as mesmas não mereçam prosperar eis que o artigo 1º da lei nº 9.363/961, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à “empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais”, não o restringiu apenas aos produtos industrializados, não cabendo, com a devida venia, ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Assim, tendo o benefício fiscal em tela sido dado ao gênero “mercadorias nacionais”, não cabe ao intérprete restringilo à espécie de “produtos industrializados”. 1 “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” (grifouse) Fl. 12DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Nesse sentido, peço a devida licença para transcrever como meu, o voto proferido pelo i. Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda quando do julgamento do Recurso nº 202126.282, cujas razões passo a aduzir: “Não cabe ao intérprete da norma jurídica estabelecer distinção onde o legislador não o fez. Ao excluir as aquisições, cuja última operação não esteja sujeita à incidência das contribuições por haver um distanciamento do critério legal de apuração da carga de contribuições contida nos insumos, automaticamente estarseia legitimando o pleito de um ressarcimento maior que o previsto em lei para os casos em que a carga de contribuições contida no valor das mercadorias fosse maior que o valor resultante da aplicação do critério previsto em lei, em razão do maior número de etapas que tenha percorrido. O erro da exigência da efetiva incidência das contribuições na última operação decorre, na minha opinião, de dois fatores. A tentativa da administração de barrar o benefício dado pela lei às empresas que adquiram produtos sem a incidência das contribuições, em razão do evidente ganho que auferem pela critérios contidos na lei. O outro é a decorrente da transferência indevida das regras vigentes na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI para a presente sistemática de apuração dos créditos de COFINS e PIS a serem ressarcidos. Como é sabido, a legislação do IPI, como regra geral, expressamente proíbe o registro do crédito do imposto, se a operação de aquisição não está sujeita à incidência do referido imposto. Em razão do nome “crédito presumido de IPI” a Secretaria da Receita Federal deu ao incentivo fiscal o tratamento de crédito de IPI (conforme fica evidenciado pelas diversas normas administrativas expedidas por aquele órgão), como é o caso das mercadorias classificadas como “Não Tributadas” (ou NT) na tabela de incidência do IPI, hipótese em que as considera fora do incentivo fiscal em tela. O crédito passível de registro nos livros fiscais do IPI foi apenas uma forma criada pelo legislador para o ressarcimento mais rápido das contribuições, e seu valor não pode ser confundido com o IPI. Por outro lado, a lei autoriza que se utilize os conceitos da legislação do IPI apenas no que se refere aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (art. 3o., parágrafo único, da Lei nº 9.363/96). O fato de ser ressarcido mediante a compensação com créditos de IPI não lhe altera a natureza jurídica, que permanece sendo de contribuição para o PIS e COFINS. Finalmente, não cabe à autoridade administrativa tentar corrigir eventuais distorções contidas na lei, como é o caso do ressarcimento das contribuições nos casos em que não houve essa incidência na operação anterior por não ser praticada por contribuinte, como nos casos de pessoas físicas e cooperativas, entre outros. Da mesma forma como a lei beneficiou as empresas que adquirem mercadorias de não contribuintes do PIS e PASEP, ao estabelecer um critério uniforme de apuração do crédito a ser ressarcido para todas as situações, igualmente prejudicou aquelas, cujos produtos percorrem várias etapas, sendo oneradas pelas contribuições de forma mais intensa, pela cumulação da incidência tributária, lhes retirando a competitividade, especialmente no mercado internacional, onde a regra é a não exportação de tributos. Entendo que a lei deva ser aplicada da forma como foi concebida pelo legislador, e que somente a este compete aprimorála. Evidentemente, por Fl. 13DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 179 15 todas razões expostas, sou da opinião de que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, mesmo que adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, ou que, por outro motivo, essas contribuições não tenham incidido na aquisição dessas mercadorias, os valores correspondentes a essas operações devem compor a base de cálculo do incentivo fiscal em tela, sendo, portanto, incorreta a glosa aplicada pela fiscalização.” (...) “Como já por diversas vezes decidido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a finalidade da Lei nº 9.363/96 foi a de desonerar as exportações de mercadorias nacionais e, como conseqüência, melhorar o balanço de pagamentos. Aliás, tal entendimento está em linha com o que doutrinariamente defendido por José Erinaldo Dantas Filho, “O espírito do citado diploma legal foi o de incentivar a exportação de produtos nacionais, tentando diminuir o chamado ‘custo Brasil’ para os produtos pátrios, de maneira que sejam ‘exportados tributos para o exterior’. O legislador federal visualizou a extrema necessidade de desonerar a exagerada carga tributária para os produtos exportados, bem como visou a combater o acentuado déficit da balança comercial de nosso País, assim gerando mais empregos e maior arrecadação.”2. Diferente não é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme já consubstanciado no acórdão referente ao julgamento do já mencionado e citado Recurso Especial nº 586.392/RN3. Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as “mercadorias” exportadas pela recorrente (produtos de origem animal), são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado “A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI – Hipóteses de Conflito”4:” (...) “Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultado final deste ato – o produto. Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: “... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na 2 “Da impossibilidade de Restrições ao Crédito Presumido de IPI através de Normas Administrativas Complementares”, in Revista Dialética de Direito Tributário, volume 75, p. 77. 3 REsp 586.392/RN, Ministra relatora Eliana Calmon, Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, acórdão publicado no D.J.U., Seção I, de 6/12/2004 4 “IPI – Aspectos Jurídicos Relevantes – Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto” – São Paulo: Quartier Latin, 2003, pp. 221 a 238 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso.” Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não.” (...) “E a propósito da discussão travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o benefício do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre “produto industrializado não tributado” e “produto industrializado tributado”, pois tanto um como outro são “mercadorias”5 e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei nº 9.363/96.” Dessa forma, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. Face ao exposto, conheço do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte para, no mérito, darlhe provimento. NANCI GAMA Conselheira 5 “Aquilo que é objeto de comércio; bem econômico destinado à venda; mercancia. ...” Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. “Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa/3ª edição – Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1999 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
