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Numero do processo: 10480.730254/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O regime jurídico da não cumulatividade pressupõe a tributação plurifásica, objetivando evitar-se a incidência em cascata do tributo. Por outro lado, na tributação monofásica não há cumulatividade, pois o tributo incide em uma única etapa do processo. Por isso, a lei veda que o contribuinte, nas fases seguintes, se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia.
Por expressa vedação legal, os revendedores de combustíveis não podem incluir na base de cálculo dos créditos das contribuições os valores pagos na compra, para revenda, desses produtos, tendo em vista estarem inseridos numa cadeia de comercialização sujeita à tributação monofásica. O art. 17 da Lei nº 11.033/04 não revogou as vedações ao creditamento já contidas nas Leis n° 10.6.37/02 e 10.833/03.
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A Administração Tributária dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do Pedido de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação, para averiguar a legitimidade de todo o crédito pleiteado, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 3302-009.162
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-009.135, de 26 de agosto de 2020, prolatado no julgamento do processo 10480.730257/2012-30, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O regime jurídico da não cumulatividade pressupõe a tributação plurifásica, objetivando evitar-se a incidência em cascata do tributo. Por outro lado, na tributação monofásica não há cumulatividade, pois o tributo incide em uma única etapa do processo. Por isso, a lei veda que o contribuinte, nas fases seguintes, se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia. Por expressa vedação legal, os revendedores de combustíveis não podem incluir na base de cálculo dos créditos das contribuições os valores pagos na compra, para revenda, desses produtos, tendo em vista estarem inseridos numa cadeia de comercialização sujeita à tributação monofásica. O art. 17 da Lei nº 11.033/04 não revogou as vedações ao creditamento já contidas nas Leis n° 10.6.37/02 e 10.833/03. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A Administração Tributária dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do Pedido de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação, para averiguar a legitimidade de todo o crédito pleiteado, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-009.135, de 26 de agosto de 2020, prolatado no julgamento do processo 10480.730257/2012-30, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 02 54 /2 01 2- 04 Fl. 1556DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-009.162 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.730254/2012-04 (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento, pelo qual o contribuinte pretendeu o reconhecimento de supostos créditos de Cofins do regime não cumulativo - mercado interno (Pedido de ressarcimento por suposta homologação tácita e créditos objeto dos pedidos de ressarcimento seriam válidos e encontrariam respaldo no art. 17 da lei nº 11.033/2004). Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto. Devidamente cientificada da decisão a recorrente apresentou tempestivamente seu recurso voluntário, repisando as teses trazidas pela manifestação de inconformidade, sem apresentar qualquer outro fato que pudesse modificar o entendimento quanto ao decidido. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma motivo pelo qual passa a ser analisado. Conforme se verifica do relatório acima, o presente processo tem por objeto o pedido de ressarcimento de créditos de PIS/COFINS com sustentação no art. 17 da lei 11.033/2004, além de suposta existência de homologação tácita do crédito. I - Pedido de Ressarcimento. Homologação Tácita Fl. 1557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-009.162 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.730254/2012-04 Para a recorrente, tendo em vista o decurso de mais de cinco anos havidos entre o protocolo do pedido de ressarcimento e a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido, supostamente teria ocorrido a homologação tácita de seu direito. Pois bem. A Lei n. 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que é aplicável aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. No regime acima referido, a extinção do crédito tributário se dá de forma tácita após o decurso do prazo de 5 anos, nos exatos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, conforme podemos observar abaixo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administradas por aquele órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Medida Provisória n. 135, de 2003, depois convertida na Lei n. 10.833/2003). Conforme podemos observar, o prazo de 5 anos para a homologação tácita não diz respeito aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato de os pedidos de ressarcimento/restituição serem transmitidos pelo mesmo sistema em que é feita a transmissão dos pedidos de compensação não autorizam a necessidade de se obedecer tal prazo pelo Fisco. Vale dizer, nos pedidos de ressarcimento/restituição não existe a extinção de uma dívida tributária, o que se visa com tal procedimento é o reconhecimento de um direito do contribuinte. Para que o pedido de ressarcimento/restituição seja deferido, faz-se necessária a comprovação de sua existência por parte do contribuinte, não havendo a comprovação não ha que se falar em homologação, muito menos em homologação tácita. Desta forma, pela necessidade de haver a contribuição direta do contribuinte em sua comprovação, não existe prazo legal para que o fisco reconheça ou não a existência dos créditos sobre os quais recaia o pedido de ressarcimento/restituição. Nesse sentido, peço vênia para transcrever parte do voto do I. Conselheiro Jorge Olmiro Loch Freire, no Acórdão nº 3402-004.569, que tratou da mesma matéria, vejamos: " (...) Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, Fl. 1558DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-009.162 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.730254/2012-04 passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferi-lo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação (...)". Desta forma, afasta-se a alegação da existência de homologação tácita, arguida pela recorrente. II – Crédito com respaldo no art. 17 da lei nº 11.033/2004 Para a contribuinte os créditos objeto dos pedidos de ressarcimento seriam válidos e encontrariam respaldo no art. 17 da Lei nº 10.033/2004. Diferentemente da recorrente entendo que não há razão em sua tese. A regras trazida no art. 17, acima mencionado, tem aplicação nos casos em que as vendas estão sujeitas a alíquota zero, porém, na aquisição, tenham sido pagas as contribuições ao PIS e COFINS, fato não verificado no presente caso, vez que, é revendedora da combustíveis, interveniente na terceira fase da cadeia de comercialização desses produtos. Vale ressaltar que há norma específica de tributação de combustíveis, previstas no art. 3º, inc. I, alínea “ b” das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, a qual veda a geração de crédito, afastando a norma geral. Não é demasiado lembra ainda, o que fora decidido pelo STJ ao debruçar-se sobre o tema no Agravo Regimental no REsp 1.239.794/SC, na relatoria do E. Ministro Herman Benjamin, vejamos: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO PELO SUJEITO INTEGRANTE DO CICLO ECONÔMICO QUE NÃO SOFRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. 1. Pretende a agravante valer-se da previsão normativa do art. 17 da Lei 11.033/2004 para apurar créditos segundo a sistemática das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que disciplinam, respectivamente, o PIS e a Cofins não cumulativos, embora figure como revendedora em cadeia produtiva sujeita à tributação monofásica. Fl. 1559DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-009.162 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.730254/2012-04 2. O regime jurídico da não cumulatividade pressupõe tributação plurifásica , ou seja, aquela em que o mesmo tributo recai sobre cada etapa do ciclo econômico. Busca-se evitar a incidência em cascata, de modo a que a base de cálculo do tributo, em cada operação, não contemple os tributos pagos em etapas anteriores. 3. Na tributação monofásica , por outro lado, não há risco de cumulatividade, pois o tributo é aplicado de forma concentrada numa única fase, motivo pelo qual o número de etapas passa a ser indiferente para efeito de definição da efetiva carga tributária. Logo, não há razão jurídica para que, nas fases seguintes, o contribuinte se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia (AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Mini. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/5/2012; AgRg no REsp 1.289.495/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 23/03/2012; REsp 1.140.723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Min. Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 4/2/2013). 4. Por não estar inserida no regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a recorrente não faz jus à manutenção de créditos prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004. Tal fundamento é suficiente para o não acolhimento da pretensão recursal. 5. Diante disso, afigura-se irrelevante a discussão sobre o alcance do art. 17 da Lei 11.033/2004 aos contribuintes não incluídos no Reporto, pois, neste caso concreto, a apuração do crédito é incompatível com a lógica da tributação monofásica, que afasta o risco de cumulatividade." Na mesma direção, são os acórdão proferidos por esta D. Turma, que podem ser observados nos acórdãos nºs 3302-004.751, 3302-007.883 e 3302-008.215, dentre outros. Desta forma, podemos verificar que a lógica da não-cumulatividade tem por princípio a ocorrência de tributação em várias fases, tendo por objetivo evitar a incidência sequencial do tributo. Já na tributação monofásica não temos a presença da cumulatividade, uma vez que o tributo incide apenas em uma etapa do processo. Esse é o motivo pelo qual não se tem o aproveitamento de crédito no regime monofásico. Destarte, por expressa vedação legal, os revendedores de combustíveis não podem incluir na base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS os valores pagos na compra, para revenda, desses produtos, tendo em vista pertencerem a uma cadeia de comercialização de tributação monofásica. Assim, não há como ser dada guarida à tese da recorrente, devendo seu pleito ser rechaçado. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Fl. 1560DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-009.162 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.730254/2012-04 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar arguida e no mérito, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 1561DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12448.923317/2012-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/06/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS.
Cabe ao contribuinte trazer ao contencioso todas as provas e documentos que efetivamente comprovem os fatos que alega. A recorrente alegou erro no preenchimento da DCTF, entretanto, não apresentou qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório e nem mesmo a explicação sobre a origem do crédito. A DCTF retificadora, apresentada após a ciência do despacho decisório, não pode ser considerada, por si só, como instrumento hábil e capaz de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 3302-008.875
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-008.859, de 29 de julho de 2020, prolatado no julgamento do processo 12448.921309/2012-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte trazer ao contencioso todas as provas e documentos que efetivamente comprovem os fatos que alega. A recorrente alegou erro no preenchimento da DCTF, entretanto, não apresentou qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório e nem mesmo a explicação sobre a origem do crédito. A DCTF retificadora, apresentada após a ciência do despacho decisório, não pode ser considerada, por si só, como instrumento hábil e capaz de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-008.859, de 29 de julho de 2020, prolatado no julgamento do processo 12448.921309/2012-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório excertos do relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 92 33 17 /2 01 2- 98 Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-008.875 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.923317/2012-98 Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara Pedido de Compensação apresentado sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido, juntamente com os fundamentos e ementa deste. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual defende que o entendimento da DRJ, de que devem ser apresentados outros documentos além da DCTF retificadora é ilegal, seja pela natureza da PER/DCOMP, que se trata de instrumento hábil para a verificação do crédito, ou pelo fato de que a DCTF ter a mesma natureza da declaração originária; no mais, reprisou parcialmente as alegações ofertadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que o presente recurso seja conhecido e provido para que seja homologado o crédito tributário pleiteado; subsidiariamente, requer a conversão do feito em diligência, para averiguação do crédito pleiteado. Ainda requer que todas as intimações sejam realizadas na pessoa de seu procurador. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. Ab initio, cumpre dizer que o pedido para que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos procuradores da recorrente não pode ser deferido, porquanto a legislação é peremptória no sentido de que as intimações sejam feitas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (art. 23, II e III, do Decreto nº 70.235/72). Em não havendo preliminares, passa-se de plano à questão central da lide, que vem a ser o ônus da prova do quanto alegado em casos de compensação. A recorrente reprisou parcialmente as alegações ofertadas na manifestação de inconformidade, de que o crédito ocorreu devido a um erro no preenchimento da DCTF e que a retificação das informações gera o crédito pleiteado. Destaca ainda a comprovação por meio do Darf, Dacon e DCTF da existência de crédito para fazer face à homologação da compensação, e criticou as razões de decidir do acórdão guerreado, todavia não trouxe os documentos que em tese originariam o crédito pleiteado. Optou por invocar o princípio da verdade material e protestar Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-008.875 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.923317/2012-98 por diligência fiscal, para examinar a documentação que se julgue necessária. Ora, nenhuma explicação adequada foi ofertada, e sem qualquer documentação comprobatória do crédito pleiteado nada de novo veio para a lide. Nessa moldura, vale repetir o quanto dito na decisão recorrida, nos termos do art. 57, § 3º do RICARF: (...) Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o valor, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Portanto, não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório e nem mesmo a explicação sobre a origem do crédito, não se pode considerar, por si só, a DCTF retificadora, apresentada após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho- Presidente Redator Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10805.002683/2003-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
PREVIDÊNCIA PRIVADA - RESGATE DE VALORES - Os valores resgatados dos fundos de previdência privada não têm natureza indenizatória e, portanto, não se confundem com verbas auferidas à titulo de PDV, sujeitando-se a regular tributação. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.338
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
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ementa_s : Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996 PREVIDÊNCIA PRIVADA - RESGATE DE VALORES - Os valores resgatados dos fundos de previdência privada não têm natureza indenizatória e, portanto, não se confundem com verbas auferidas à titulo de PDV, sujeitando-se a regular tributação. Recurso especial provido.
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Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Relatório Em 22/12/2003, Gilmar Francisco da Rocha, por meio dos documentos de fls. 01/23, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de IRPF incidente sobre o pagamento recebido em decorrência de adesão ao Plano de Demissão Voluntário – PDV ocorrida em 31/07/1996, mediante a outorga de titulos de previdencia provada. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10616.908, que se encontra às fls. 181/184 e cuja ementa é a seguinte: “RESTITUIÇÃO — PDV — UTILIZAÇÃO DA SELIC PARA REAJUSTAR RETENÇÃO INDEVIDA — RV PROVIDO A conversão da verba indenizatória obtida em Plano de Demissão Voluntária em título de previdência privada não descaracteriza a natureza jurídica do PDV. Restituição devida. Aplicação da SELIC para reajustar o valor desde a retenção indevida. Recurso voluntário provido” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso reconhecendo o directo de crédito do contribuinte. Intimada do acórdão em 24/09/2008 (fls. 186) a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 189/195, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando divergência jurisprudencial entre o v. acórdão recorrido e outras decisões deste Colegiado no tocante ao carater indenizatorio das verbas recebidas (acórdãos nºs 10248.920 e 10247.135). Ao Recurso Especial foi negado seguimento, conforme Despacho nº DDF10614625_395, de 14/11/208 (fls. 205/208), tendo a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôsto o Agravo de fls. 213/220. O Agravo foi acolhido para dar seguimento ao Recurso Especial, conforme Despacho nº 240179/2010, de 26/02/2010 (fls. 223/225) Regularmente intimado do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 227/239. É o Relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10805.002683/200389 Acórdão n.º 920202.338 CSRFT2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso da procuradoria preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheco. No mérito a discussao nos presentes autos se vincula à incidência do IRPF sobre verbas recebidas pelo contribuinte a título de incentivo em plano de demissao voluntaria, que foram pagas por meio de titulos de previdencia privada da empresa PREVER S.A. SEGUROS E PREVIDENCIA. O v. acordao recorrido, analisando a situacao fática, concluiu que os valores recebidos a titulo de PDV não estariam sujeitos a IRPF, ainda que recebidos por meio de empresa de previdencia privada, como se verifica no trecho a seguir transcrito: “É comprovado que o contribuinte teve o seu contrato de trabalho rescindido com a empresa Volkswagen e que recebeu desta, além das verbas rescisórias legais, uma indenização especial, em virtude de adesão ao Programa de Demissão Voluntária — PDV, conforme doc. de fls. 130 e 131. No caso em concreto, o fato de a verba indenizatória recebida a título de PDV ter sido convertida em Titulo de Previdência Privada, não descaracteriza a natureza indenizatória do valor transferido, portanto faz jus à restitução do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre a referida verba. Cabe aduzir que o valor recebido pelo contribuinte não caracteriza rendimento tributável advindo do seu trabalho ou coisa que o valha, mas sim foi percebido em razão de um acordo (PDV) firmado com a empresa Volkswagen do Brasil S.A.” Entendo, no entanto, que tal decisão deve ser reformada. O que o contribuinte recebeu, em verdade, foram valores resgatados em plano de previdência previdencia privada. O fato de a origem anterior destes valores ser pagamento de plano de demissão voluntária não desnaturam a característica de rendimento de outra natureza, oriunda do resgate de planos de previdência privada. De fato, verifico dos autos que o contribuinte efetivamente aderiu a plano de demissao voluntaria instituido pela empresa Volkswagen do Brasil Ltda., tendo rescindido seu contrato de trabalho em 1996. Em decorrencia da adesao ao PDV o contribuinte recebeu, alem das verbas legais (ferias, multa do FGTS, etc), a quantia de R$35.951,82. Posteriormente, o contribuinte optou por resgatar esse valor, sobre a qual foi retido o valor de R$ 8.672,95 a título de Imposto de Renda retido na Fonte — IRF. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 No presente caso, entendo que o contribuinte recebeu da empresa Volkswagen o valor de R$35.951,82, quantia essa sobre a qual nao devem incidir quaiquer tributes ante a natureza indenizatoria do PDV. Tal valor, entretanto, foi aplicado em plano de previdência privada, apenas com a particularidade de que o valor foi depositado diretamente pela Volkswagen junto à empresa de previdencia privada. Posteriormente, o contribuinte resgatou os valores do plano de previdência privada. Neste momento, já não se trata mais de verba recebida a título de PDV, mas sim valor recebido a título de resgate de previdência, com natureza e tratamento fiscal diverso. Tratase de rendimento distinto da indenizacao recebida em decorrencia da adesao ao PDV. O resgate do fundo de previdência privada não tem a mesma natureza indenizatória e não se confunde com a verba de PDV. Considerando que os valores relativos aos resgates de planos de previdência privada passaram a ser tributados a partir de 01/01/1996, nos termos da Lei 9.250 de 1.995, artigo 33, correta a incidencia no presente caso, nao sendo aplicavel a não incidência reconhecida aos rendimentos recebidos a título de pagamento de indenização em PDV. Dessa forma, encaminho meu voto no sentido de conhecer, o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 16682.721332/2013-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS LEGAIS.
A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora.
Numero da decisão: 1001-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas no que se refere à alegação de denúncia espontânea, nos termos do voto do relator e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro André Severo Chaves.
Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: Sérgio Abelson
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS LEGAIS. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora.
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PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS LEGAIS. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas no que se refere à alegação de denúncia espontânea, nos termos do voto do relator e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro André Severo Chaves. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 13 32 /2 01 3- 62 Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.150 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.721332/2013-62 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 164/170) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às folhas 99/101 e 129, que reconheceu parcialmente o direito creditório relativo ao Saldo Negativo de CSLL do exercício 2006 ano-calendário 2005 no valor de R$ 4.129.417,04, homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP 10643.99311.230609.1.3.037606, e indeferiu a retificação da referida DCOMP pela DCOMP 41003.28218.080813.1.7.039805, apresentada após a contribuinte ter sido intimada a apresentar documentos comprobatórios. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 138/142), a contribuinte, em síntese do necessário, alegou (i) que o crédito fiscal homologado foi compensado com os débitos declarados acrescidos “indevidamente” de multas de mora e juros Selic, desconsiderando a ocorrência da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN e consolidada em reiteradas decisões do STJ; (ii) que, tratando-se de recolhimentos de estimativas, sua falta não ensejaria a cobrança de multa; (iii) que, com relação aos juros, o saldo negativo também não foi atualizado, de forma que sua não aplicação aos débitos teria “efeito nulo” para fins da compensação. O acórdão a quo manteve o despacho decisório em todos os seus termos, conforme voto a seguir parcialmente transcrito: Voto 9. Inicialmente, cabe ressaltar que, da leitura da manifestação de inconformidade, verifica-se que o contribuinte não contestou expressamente o motivo do não reconhecimento de parcela do crédito pleiteado, qual seja, R$ 22.584,68, assim, tal matéria foi considerada incontroversa. 10. O contribuinte ataca a consideração de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, alegando que estaria sob a proteção do princípio da denúncia espontânea. Argumenta também que o efeito dos juros cobrados é nulo, haja vista que também incide juros sobre o crédito pleiteado. 11. Apesar de a empresa não ter confessado os débitos em DCTF antes do pedido de compensação em discussão, que seria um requisito para o enquadramento do caso na denúncia espontânea, entendo que não cabe razão à mesma. 12. Antes de mais nada, cabe observar que todos os débitos envolvidos foram compensados em data posterior ao seu vencimento, sendo aplicável o disposto no caput do artigo 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, abaixo reproduzido: Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.150 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.721332/2013-62 Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. (...) 13. Além disso, admitir que o artigo 138 do CTN afasta a responsabilidade pela multa de mora, como quer o contribuinte, implica admitir uma contradição com o próprio Código Tributário Nacional, que apresenta em seu artigo 161 a hipótese de penalidade pelo não pagamento do crédito tributário na data de seu vencimento, cujo cálculo é definido pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96 (multa de mora). 14. A respeito da alegação de que a conduta configuraria denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do CTN, entendo que não se configura na espécie o invocado instituto e, mesmo que se configurasse, não estaria afastada a multa de mora sobre os débitos compensados. 15. Ainda que se entenda que a denúncia espontânea evita a incidência da multa moratória, no caso dos autos o contribuinte não cumpriu o requisito básico imposto pelo artigo 138 do CTN. Vejamos a redação do dispositivo: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 16. O citado artigo exige, para que se realize a denúncia espontânea, que o tributo seja pago ou depositado, não alcançando os casos em que tenha sido efetuada compensação. 17. Apesar de ser também forma de extinção do crédito tributário, a compensação não se confunde com o pagamento. Não há como estender as hipóteses de cabimento da denúncia espontânea à compensação, por não estar tal modalidade de extinção prevista no artigo 138 como apta a afastar a aplicação da multa de mora. 18. No mesmo sentido, a Nota Técnica 19, elaborada pela Cosit, dispõe o seguinte sobre o tema: Nota Técnica 19 - Cosit Data: 12 de junho de 2012 Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.150 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.721332/2013-62 Interessado COORDENAÇÃO GERAL DE ARRECADAÇÃO E COBRANÇA (CODAC) E COORDENAÇÃO ESPECIAL DE RESSARCIMENTO,COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO (COREC) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO (Gedoc n2 15149/2012) A Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e a Coordenação Especial de Ressarcimento, Compensação e Restituição (Corec) enviaram a Nota Conjunta Codac/Corec n° 1, de 14 de março de 2012, à Coordenação Geral de Tributação (Cosit) para solicitar a revisão da Nota Técnica Cosit n° 1, de 18 de janeiro de 2012. (...) 2. A Nota Técnica Cosit n° 1, de 2012, teve por escopo orientar as unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) acerca das consequências dos Atos Declaratórios da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) n°s 4 e 8, de 20 de dezembro de 2011: (...) 2.2. Tendo em vista os mais diversos questionamentos acerca dos atos, a Nota Técnica Cosit n° 1, de 2012, objetivou responder os já formulados, principalmente na definição (não feita pela PGFN em seus atos e pareceres) das situações que podem ser definidas como denúncia espontânea e que a multa de mora não mais deve ser cobrada (Ato PGFN n° 4); e em quais situações a retificação da declaração por parte do sujeito passivo pode ser considerada denúncia espontânea (Ato PGFN n° 8). (...) 5. , Em conseqüência, conclui-se: (...) c) não se considera ocorrida denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: cl) quando o sujeito passivo paga o débito, mas não apresenta declaração ou outro ato que dê conhecimento da infração confessada; c2) quando o sujeito passivo declara o débito a menor, mas não paga o valor declarado e posteriormente retifica a declaração, pagando concomitantemente todo o débito confessado; c3) quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de Dcomp; (grifo e nota nosso) c4) quando o sujeito passivo declara o débito, mas o paga a destempo; (...) 19. Da mesma forma, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado pela procedência da exigência da multa moratória nos casos de DCOMP enviada após o vencimento do débito compensado: Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.150 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.721332/2013-62 “COMPENSAÇÃO. DCOMP ENVIADA APÓS O VENCIMENTO DO DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora.” (Acórdão nº 140200.253, sessão de 02/10/2010, da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento) “COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO INTEGRALMENTE. DCOMP APRESENTADA EM ATRASO. EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA NO MOMENTO DA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DOS DÉBITOS. A obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo. Nesse caso, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN. Não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, pois sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso. Sendo exigível a multa de mora no momento das compensações, correta a imputação implementada pela Delegacia de origem, que resultou na homologação apenas parcial das compensações.” (Acórdão nº 1802-00.883, sessão de 24/05/2011, da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. O procedimento do sujeito passivo por meio do qual confessa a existência de débito e requer compensação não corresponde à denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que compensação não é pagamento.” (Acórdão nº 1803- 00.724, sessão de 15/12/2010, da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento) (Grifou-se) 20. Desse modo, é de se concluir, portanto, que a compensação efetuada após a data de vencimento dos respectivos débitos não se caracteriza como denúncia espontânea e implica a incidência tanto dos juros quanto da multa moratória. 21. Outrossim, mesmo tratando-se de débitos de estimativas, não se sustenta a alegação de que a mora não ocorreria. O que determina a mora, pela própria definição do termo, é a não quitação do tributo após o seu vencimento, sendo irrelevante a possibilidade de ajuste do valor devido em ocasião distinta, tal como ocorre com as estimativas. As estimativas têm periodicidade mensal e vencimento próprio, o qual não se confunde com o vencimento do tributo devido no ajuste anual, conforme decorre da Lei nº 9.430/96: Pagamento por Estimativa Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. (...) 22. Com relação ao efeito nulo que o contribuinte quer dar aos juros incorridos sobre os débitos compensados/cobrados e o crédito pleiteado, há de se ressaltar que as datas de início para o cálculo dos referidos juros são distintas e, por esse motivo, os Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.150 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.721332/2013-62 índices também o são. Assim, seus efeitos nunca serão nulos, devendo ser calculados tanto sobre o crédito quanto sobre o débito. (...) Ciência do acórdão DRJ em 28/05/2015 (folha 178). Recurso voluntário apresentado em 26/06/2015 (folha 179). A recorrente, às folhas 180/188, em síntese, alega: I – Que a compensação em questão caracterizou-se como denúncia espontânea e, por tal razão, os débitos não deveriam ser acrescidos de multa de mora, conforme determina o art. 138 do CTN; II – Que a RFB, através da Nota Técnica nº 1 COSIT, de 18/01/2012, corroborou o entendimento “para o período em questão”, que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos da Lei, configura denúncia espontânea e que, ainda que tenha sido publicada a Nota Técnica nº 19 COSIT em 12/06/2012, modificando o critério de avaliação da aplicação da denúncia espontânea em casos de compensação, conforme art. 146 do CTN, esse novo entendimento não pode alcançar fatos pretéritos, sob pena de ofensa à Segurança Jurídica que foi assegurada à recorrente; III – Que a recorrida reconheceu créditos para compensação superiores aos requeridos pela recorrente, sem contudo, aproveitá-los no momento da compensação e, dessa forma, a fim de garantir a validade do Princípio da Verdade Material, espera que seja reconhecido o direito creditório superior ao requerido em sua DCOMP. Apresenta jurisprudência judicial e administrativa para corroborar suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo. De início, é necessário registrar que o pedido da recorrente de reconhecimento de direito creditório em valor superior ao requerido na DCOMP é matéria preclusa no presente processo, por não ter sido objeto de contestação na impugnação, conforme é claramente registrado no acórdão recorrido, no trecho a seguir, mais uma vez, transcrito: 9. Inicialmente, cabe ressaltar que, da leitura da manifestação de inconformidade, verifica-se que o contribuinte não contestou expressamente o motivo do não reconhecimento de parcela do crédito pleiteado, qual seja, R$ 22.584,68, assim, tal matéria foi considerada incontroversa. Ad argumentandum tantum, é oportuno acrescentar que tal requerimento equivaleria a novo pedido ou declaração de compensação, para os créditos que não constaram da DCOMP em discussão, em plena sede de julgamento de segunda instância, o que viola Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-002.150 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.721332/2013-62 frontalmente o procedimento legal da compensação, entre outras razões, por ser este colegiado incompetente para analisar o referido pedido ou declaração de forma originária. Desta forma, o recurso voluntário não deve ser conhecido por este colegiado em relação ao requerimento de reconhecimento de direito creditório em valor superior ao requerido na DCOMP. No que se refere à alegação de que a compensação em questão caracterizou-se como denúncia espontânea e, por tal razão, os débitos não deveriam ser acrescidos de multa de mora, conforme determina o art. 138 do CTN, observa-se que o instituto da denúncia espontânea define que caso o contribuinte reconheça e pague um débito tributário antes do Fisco iniciar qualquer procedimento, o tributo é a ser recolhido é o principal e os juros de mora, não incidindo a multa de mora, conforme previsto no art. 138 do CTN, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (Grifei) A redação do art. 138 é restrita e literal, de forma que para a configuração da denúncia espontânea, sobressai a necessidade de que haja pagamento total do tributo anteriormente não declarado, acompanhado dos juros de mora, antes de iniciado procedimento de ofício. No presente caso, o extrato da DCOMP em tela (folhas 105/121) mostra que a recorrente compensou todos os débitos sem os juros de mora, conforme mostra o exemplo do trecho a seguir reproduzido: Desta forma, a compensação efetuada pela contribuinte não atendeu ao requisito legal de pagamento (ou extinção por compensação, conforme a tese defendida no recurso) dos juros de mora para caracterizar denúncia espontânea e excluir a responsabilidade e, Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-002.150 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.721332/2013-62 consequentemente, a multa de mora, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10. Mais uma vez, a título de mera argumentação, cabe acrescentar que a referida DCOMP foi transmitida em 23/06/2009, o que mostra não ser cabível o argumento de que a retificação da interpretação da Administração Tributária, por meio do cancelamento, pela Nota Técnica Cosit nº 19, de 12 de junho de 2012, da Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012, teria trazido ao sujeito passivo insegurança jurídica. Além disso, o mencionado art. 146 do CTN não é aplicável à situação, por tratar de modificação de critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, enquanto aqui se trata de interpretação da legislação tributária quanto a considerar compensação equivalente a pagamento para fins de caracterização da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, conforme já tratado no acórdão recorrido, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Importante acrescentar, contudo, que a jurisprudência do STJ consolidou-se no sentido de que é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aos casos de compensação tributária, conforme decisão da C. 1ª Seção, exarada em setembro/2018, a seguir transcrita; AgInt nos EDcl nos Embargos de Divergência em REsp. nº 1.657.437/RS (2017/00461010) Relator: Ministro GURGEL DE FARIA Órgão Julgador: PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ Data do Julgamento: 12/09/2018 Data da Publicação: DJe 17/10/2018 EMENTA TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no sentido de que é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedentes. 2. Agravo interno desprovido. ACÓRDÃO Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1001-002.150 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.721332/2013-62 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Og Fernandes, Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. A decisão acima transitou em julgado em 14/12/2018. Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, negando-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10469.721812/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2202-006.942
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10469.721811/2014-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Juliano Fernandes Ayres, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10469.721811/2014-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Juliano Fernandes Ayres, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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PRECLUSÃO. Preclusa desde a impugnação a discussão acerca da glosa parcial da área de produtos vegetais declarada. CERCEAMENTO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. REVISÃO DO LANÇAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS - SIPT. LAUDO TÉCNICO EM DESCONFORMIDADE COM A NBR 14.653-3. Não tendo apresentado laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, o valor do VTN deve ser arbitrado, com base no Sistema de Preços de Terra - SIPT, nos termos do artigo 14, da Lei nº 9.393/96 e da Portaria SRF nº 447, não havendo que se cogitar cerceamento de defesa. NULIDADE DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. REJEIÇÃO. Não há que se falar em ausência de motivação quando o auto de infração explicita as supostas infrações cometidas e o respectivo enquadramento legal, nos termos do 11 e 59 do Decreto nº 70.235/72. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE OFÍCIO. LAUDO TÉCNICO. AUSÊNCIA DE PRECISÃO. Laudo Técnico que apenas aponta valores com base em lei sem comprovar como foram constatadas as áreas indicadas não é documento apto para atestar a existência de áreas de preservação permanente. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. O fato de o Art. 1º do Decreto Estadual nº 5.308/1985 determinar que a Área Especial de Interesse Turístico do Marumbi tem como objetivo a manutenção do equilíbrio ecológico, não significa tratar-se de uma área de preservação permanente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 18 12 /2 01 4- 52 Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-006.942 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.721812/2014-52 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10469.721811/2014-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Juliano Fernandes Ayres, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2202-006.941, de 8 de julho de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília que não acolheu a impugnação apresentada para manter a glosa da área declarada de produtos vegetais, bem como o VTN arbitrado. Colaciona-se a ementa da decisão recorrida por ser suficiente à compreensão da querela devolvida a esta instância revisora: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A impugnação tempestiva da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente a partir disso é que se pode, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. Para serem excluídas da área tributável do ITR, exige-se que as áreas de preservação permanente, de reserva legal e cobertas por florestas nativas, requeridas pelo contribuinte, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA, além de a área de reserva legal ser averbada tempestivamente em cartório. Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-006.942 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.721812/2014-52 DO VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exige-se que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL E DA ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS . MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideram-se matérias não impugnadas a alteração da área total do imóvel, bem como a redução da área de produtos vegetais efetuadas pela Autoridade Fiscal, por não terem sido expressamente contestadas nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão, o recorrente apresentou recurso voluntário replicando as mesmas teses declinadas em sede de impugnação, que podem ser assim sumarizadas: i) o restabelecimento do VTN declarado; e ii) o acatamento de áreas isentas indicadas no laudo técnico, a despeito da ausência da declaração em DITR. Preclusa, desde a impugnação, o debate acerca da glosa parcial da área de produtos vegetais declarada. O recorrente narra que estava viajando para o exterior desde 09/04/2016 e que, por ter retornado apenas em 16/04/2016, deveria ser este o termo inicial para a contagem do prazo de apresentação do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2202-006.941, de 8 de julho de 2020, paradigma desta decisão. Registro que, a despeito de o termo “a quo” do trintídio legal para o manejo recursal ter início em momento anterior ao pretendido pelo recorrente, o recurso é tempestivo, eis que apresentado em 13/05/2016 (f. 132), tendo a ciência ocorrido em 14/04/2016 – “vide” AR às f. 129. Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade recursal. I – DA NULIDADE DO LANÇAMENTO A Lei nº 9.393/96, em seu art. 14, é clara ao dispor que Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-006.942 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.721812/2014-52 [n]o caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. O recorrente foi intimado para apresentar laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR nº 14.653 da ABNT, com fundamento e grau de precisão II, emitido por profissional habilitado, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica, além de alertado que a apresentação do laudo, sem a observância das formalidades exigidas, ensejaria o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra da RFB (f. 5) Do escrutínio do laudo apresentado (f. 14/37) fica evidente não ter sido feita pesquisa de valores com apuração de mercado (transações, ofertas, opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais com características semelhantes às do imóvel avaliado, conforme determinado pela NBR nº 14.653-3. Para se chegar ao valor do imóvel, a Sra. Perita esclarece que “(...) procedeu-se a utilização do método evolutivo e a pesquisa de âmbito regional para introdução ao método comparativo direto de dados de mercado (...)” (f. 31/32). Ademais, às f. 100, está a tela do SIPT, que demonstra o VTN médio por aptidão agrícola para o Município de Pedro Velho – RN, onde se localiza o bem imóvel objeto da autuação, razão pela qual não me convenço da alegação feita no sentido de sequer deter ciência da forma como foi realizado o arbitramento. Estando acostada a tela do SIPT, não vislumbro ter o recorrente suportado prejuízo à elaboração de sua defesa, de modo estar afastada as genéricas alegações de nulidade aventada. Por não ter se desincumbido do ônus que lhe competia e por não ter demonstrado ter sido lançamento foi feito ao arrepio dos requisitos incrustados no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 ou que tenham ocorrido quaisquer das causas de nulidade prevista no art. 59 daquele mesmo diploma, rejeito a tese arguida. II – DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA: DA (IM)POSSIBILIDADE DE REVISÃO DE OFÍCIO Ausente a retificadora, há possibilidade de revisão de ofício, a qualquer tempo, pela Administração Pública, caso cabalmente comprovada a ocorrência do indigitado erro material no momento da realização da declaração por parte do sujeito passivo. É dever, portanto, de quem deu azo ao erro, demonstrá-lo, de forma inequívoca. Ao sentir do recorrente indiscutível que Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-006.942 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.721812/2014-52 (...) a propriedade rural conta com uma área de reserva legal correspondente a 196,95 ha (cento e noventa e seis hectares e noventa e cinco ares), uma área de mata remanescente de 88,13 ha (oitenta e oito hectares e treze ares); uma área de preservação permanente de 20,24 ha (vinte hectares e vinte e quatro ares); uma área em processo de regeneração natural de 63,79 ha (sessenta e três hectares e setenta e nove ares); uma área de mineração de 0,66 ha. (sessenta e seis ares) e outras de 49,97 ha (quarenta e nove hectares e noventa e sete ares). Não obstante a realidade acima denunciada, diz o acórdão não poder subtrai-las do ITR tendo em vista a falta do Ato Declaratório Ambiental (ADA) (...) e ainda a inexistência de averbação no registro geral de imóveis da área destinada a preservação ambiental e reserva legal. Ora, (...) a manutenção e preservação das áreas acima referidas não decorre do mero ato de vontade do recorrente. É impositivo de lei. (f. 147/148; sublinhas deste voto) O laudo acostado pelo recorrente tem “(...) por objetivo a realização de vistoria de avaliação de construções e edificações indenizáveis, considerados os aspectos técnicos, ambientais, culturas agrícolas permanentes e terra nua.” (f. 15) – “vide” ART que atesta que o contrato tem como escopo “avaliação do imóvel rural e elaboração de planta e uso do solo” às f. 38. Apenas “en passant”, sem qualquer comprovação, o laudo, contratado para avaliar o imóvel, faz a seguinte consideração: III – IDENTIFICAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DO IMÓVEL (...) Uso do Imóvel: Área com cultura permanente, 563,19 ha (quinhentos e sessenta e três hectares e 19 ares) de cana de açúcar. Área destinada a Reserva Legal (Não averbada em cartório): 196,95 ha (cento e noventa e seis hectares e noventa e cinco ares); Área de mata remanescente : 88,13 ha (oitenta e oito hectares e treze ares); Área de Preservação Permanente: 20,24 ha (vinte hectares e vinte e quatro ares); Área em processo de regeneração natural: 63,79 ha (sessenta e três hectares e setenta e nove ares); Área com benfeitorias: 1,8 ha (um hectare e oito ares); Área de mineração (Piçarreira): 0,66 ha (sessenta e seis ares); Outras áreas (Estradas): 49,97 ha (quarenta e nove hectares e noventa e sete ares). Área total: 983,73 ha (novecentos e oitenta e três hectares e setenta e três ares). (f. 17) Ainda que seja superada a inexistência de ADA ou de averbação das áreas de preservação ambiental, o laudo acostado para objetivo diverso ao que ora se pretende não é apto a autorizar que seja retificada a DITR. Ao contrário do que defende o recorrente, o fato de o Decreto Estadual nº 5.308/1985 determinar que toda a Área Especial de Interesse Turístico do Marumbi “(…) terá por escopo a manutenção do equilíbrio ecológico (…)” (art. 1º), não significa tratar-se de uma área de preservação permanente. Afirma, ao final, que “(...) mesmo não excluindo-se as áreas de preservação, o imóvel é explorado em mais de 65% (sessenta e cinco por Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-006.942 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10469.721812/2014-52 cento) de sua área total” (f. 145), razão pela qual deveria ser reduzida a alíquota aplicada. Ainda que se se supere restar a matéria preclusa, as parcas notas fiscais carreadas (f. 49/55), cuja maior parte sequer foi emitida no ano do fato gerador ora sob escrutínio, são incapazes de demonstrar ser o imóvel explorado em mais de 65% (sessenta e cinco por cento) da sua área total. Rejeito, por essas razões, o pleito do recorrente. III – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, nego provimento ao recurso. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10120.726198/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO TERMOS DE OPÇÃO. AUSÊNCIA DE REGULARIZAÇÃO TEMPESTIVA DAS PENDÊNCIAS.
Em concreto, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar a regularização tempestiva dos débitos em aberto impeditivos à adesão ao regime do Simples Nacional, o que, nos termos do artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, dá ensejo ao indeferimento do termo de opção.
Numero da decisão: 1201-004.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Antonio Carvalho Barbosa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Gisele Barra Bossa, Allan Marcel Warwar Teixeira, Alexandre Evaristo Pinto, Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Ricardo Antonio Carvalho Barbosa (Presidente).
Nome do relator: Gisele Barra Bossa
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ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO TERMOS DE OPÇÃO. AUSÊNCIA DE REGULARIZAÇÃO TEMPESTIVA DAS PENDÊNCIAS. Em concreto, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar a regularização tempestiva dos débitos em aberto impeditivos à adesão ao regime do Simples Nacional, o que, nos termos do artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, dá ensejo ao indeferimento do termo de opção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Antonio Carvalho Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Gisele Barra Bossa, Allan Marcel Warwar Teixeira, Alexandre Evaristo Pinto, Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Ricardo Antonio Carvalho Barbosa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-09-29T21:00:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-09-29T21:00:50Z; Last-Modified: 2020-09-29T21:00:50Z; dcterms:modified: 2020-09-29T21:00:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-09-29T21:00:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-09-29T21:00:50Z; meta:save-date: 2020-09-29T21:00:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-09-29T21:00:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-09-29T21:00:50Z; created: 2020-09-29T21:00:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2020-09-29T21:00:50Z; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-09-29T21:00:50Z | Conteúdo => S1-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10120.726198/2014-56 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-004.070 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2020 Recorrente RESTAURANTE NOZAKI LTDA. - EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO TERMOS DE OPÇÃO. AUSÊNCIA DE REGULARIZAÇÃO TEMPESTIVA DAS PENDÊNCIAS. Em concreto, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar a regularização tempestiva dos débitos em aberto impeditivos à adesão ao regime do Simples Nacional, o que, nos termos do artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, dá ensejo ao indeferimento do termo de opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Antonio Carvalho Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Gisele Barra Bossa, Allan Marcel Warwar Teixeira, Alexandre Evaristo Pinto, Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Ricardo Antonio Carvalho Barbosa (Presidente). Relatório 1. Trata o presente processo de indeferimento de pedidos de opção pelo regime do Simples Nacional, apresentados pela empresa em epígrafe, referente aos anos-calendários de 2009 a 2012, com fulcro no artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, em razão dessa possuir débitos com exigibilidade não suspensa junto à Receita Federal do Brasil (RFB), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 61 98 /2 01 4- 56 Fl. 504DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-004.070 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.726198/2014-56 débitos inscritos em dívida Ativa e sem exigibilidade suspensa junto à União, pendência cadastrais e fiscais com o Estado de Goiás e com a Prefeitura do Município de Goiânia. 2. Ao ver lançadas obrigações previdenciárias constantes de Autos de Infrações que compõem o Processo nº 10120.720224/2014-32, durante ação fiscal realizada nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal nº 01.2.01.00-2013-00924-1, de 19/09/2013, a contribuinte apresentou impugnação (e-fls. 364/372), trazendo em síntese as alegações e pedidos (e-fls. 475/476): Insegurança e nulidade do lançamento 2.1. O lançamento das obrigações previdenciárias exigidas nos autos de infrações que compõem o Processo 10120.720224/2014-32 deve considerado nulo, em razão de insegurança na determinação das infrações imputadas, pois foram apresentados pela empresa pedidos anuais de opção pelo regime SIMPLES NACIONAL no período de 2010 a 2012, sem que tenha havido qualquer decisão tempestiva de indeferimento de tais pedidos, fato que confronta com o disposto no Art. 142, do CTN. 2.2. Tal fato pode ser constatado no bojo dos “Termos de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” relacionados aos pedidos de opção formulados pela impugnante, pois tais documentos somente foram emitidos pela RFB em 27.01.2014, ou seja, após o lançamento das obrigações constantes do Processo 10120.720224/2014-32. 2.3. Os motivos elencados para o indeferimento dos pedidos de opção feitos pela empresa já não existiam quando da publicação das decisões em 27.01.2014, pois nessa data, nos termos do Art. 6º, I, da Resolução CGSN 94/2011, a impugnante já havia regularizado a sua situação perante o fisco. 2.4. Dessa forma, entende-se que foi ilegal a denegação de tais pedidos, posto que as decisões foram emitidas em momento posterior ao lançamento do débito, gerando insegurança quanto à validade da exigência previdenciária contida no Processo 10120.720224/2014-32. 2.5. Além disso, não havia motivos para o indeferimento realizado, já que os pedidos de opção foram apresentados de acordo com as regras legais que regem a matéria, tanto é que após a entrega de tais pedidos, convicta de fazer jus ao requerido, a empresa continuou a recolher seus tributos de acordo com a tributação do regime do Simples Nacional. 2.6. Diante disso, entende-se que a exigência previdenciária contida nos Autos de Infrações do Processo 10120.720224/2014-32 atropela o direito de a impugnante recolher suas obrigações fiscais pela forma simplificada (SIMPLES NACIONAL), uma vez que essa não tomou conhecimento de qualquer motivo que a impedisse de ser atendida em sua demanda e, também, não ficou sabendo de qualquer decisão negativa da RFB, até que ocorreu o lançamento do débito. Da Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) 2.7. A RFFP lavrada pela auditoria não deve ser levada em consideração, pois a impugnante não se utilizou de qualquer artifício para deixar de recolher ou recolher a menor o valor devido, tendo apenas pago suas obrigações tributárias de acordo com as regras do SIMPLES NACIONAL, ante o não indeferimento de sua opção por tal regime. Pedido Fl. 505DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-004.070 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.726198/2014-56 2.8. Em razão do exposto, a impugnante pede que seja declarado nulo o lançamento e, caso assim não se decida, pede que seja reconhecida a sua improcedência, em virtude de, à época dos fatos, encontrar-se apta a ser tributada pelo regime simplificado, forma pela qual efetivamente pagou suas obrigações. 2.9. Protesta-se, ainda, pela produção de todos os meios de prova, em especial pela revisão do trabalho fiscal e pela realização de perícia, a fim de que fique demonstrado o equivoco do lançamento. 3. Ao analisar os autos, o órgão julgador de 1ª instância verificou que, ao lançar as obrigações previdenciárias, a autoridade fiscal partiu do pressuposto de que a fiscalizada não estava enquadrada no regime do Simples Nacional. 4. Entretanto, analisada a peça de defesa, constatou-se que a empresa havia impugnado não só os AI`s lavrados, mas, também, o indeferimento de seus diversos pedidos de adesão ao SIMPLES NACIONAL feitos para os exercícios de 2009 a 2012, argumentando que a denegação de tais requerimentos somente ocorreu após a constituição do crédito lançado no processo nº 10120.720224/2014-32. 5. Diante disso, considerando que tais argumentos tratam de matérias distintas, requerendo, em virtude disso, provas igualmente distintas, que devem ser analisadas em processos separados (Art. 1º, da Portaria RFB 666/2008), encaminhou-se os autos ao órgão preparador a fim de que esse apartasse do processo original as provas e alegações versando sobre o inconformismo da empresa ante o indeferimento de seus pedidos de opção ao SIMPLES NACIONAL (e-fls. 418/419). 6. Em atendimento ao requerido, a autoridade preparadora realizou o desmembramento solicitado, formando o presente Processo Administrativo 10120.726198/ 2014-56 (fls. 2, 3 e 471), o qual versa exclusivamente sobre tal inconformismo. 7. Em sessão de 26 de setembro de 2014, a 5ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, Acórdão nº 06-49.149 (e-fls. 474/488), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 COMUNICAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. CONDIÇÃO PARA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, destinado, entre outras finalidades, a cientificar o sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, incluídos os relativos ao indeferimento de opção, à exclusão do regime e a ações fiscais. Nos termos da lei, as comunicações serão feitas, por meio eletrônico, em portal próprio, dispensando-se a sua publicação no Diário Oficial ou o envio postal, ficando o contribuinte com a responsabilidade de acompanhar o trâmite de seu pedido. Fl. 506DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-004.070 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.726198/2014-56 PEDIDO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INTIMAÇÃO. Considera-se intimado o contribuinte no 15º dia após tomar ciência eletrônica da decisão, no termos da data de registro constante do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, publicado na página da RFB, na Web. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 8. Cientificada da decisão em 25/11/2014 (e-fl. 492), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 494/500) em 22/12/2014, onde reitera seus pontos de defesa apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade, em especial que a denegação dos pedidos de adesão ao regime simplificado para os exercícios de 2010 a 2012 somente ocorreu em 27/01/2014, depois da lavratura dos autos de infração contidos no Processo nº 10120.720224/2014-32, fato que gera insegurança jurídica, pois muito antes dessa data a empresa já havia regularizado a sua situação fiscal, sem haver recebido até então qualquer comunicação em sentido contrário. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora. 9. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 10. Inicialmente, cumpre consignar que o presente voto se restringe ao exame das alegações da empresa relacionadas ao seu inconformismo pelo indeferimento de seus pedidos de opção pelo regime do Simples Nacional nos exercício de 2009 a 2012. 11. A ora Recorrente sustenta que depois de sua exclusão do regime do Simples Nacional (a partir de 01/01/2009, Ato Declaratório Executivo – ADE DRF/GOI n° 031047, de 22/08/2008) apresentou diversos pedidos de adesão ao regime simplificado para os exercícios de 2010 a 2012 e, mesmo sem qualquer decisão contrária a tais requerimentos, a empresa sofreu lançamento tributário (em 16/01/2014) relacionado a contribuições previdenciárias, das quais restaria dispensada, se seus pedidos tivessem sido tempestivamente analisados e aceitos, entretanto, a análise do mérito e a denegação dos pedidos apresentados somente ocorreu em 27/01/2014, depois da lavratura dos Autos de Infrações (contido no Processo nº 10120.720224/2014-32), fato que gera insegurança jurídica, pois muito antes dessa data a empresa já havia regularizado a sua situação fiscal, sem haver recebido até então qualquer comunicação em sentido contrário. Fl. 507DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-004.070 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.726198/2014-56 12. Por sua vez, o r. voto condutor da decisão de piso, cuidou de analisar minuciosamente as razões que levaram ao indeferimento dos pedidos da Recorrente, inclusive colacionou as telas do sistema do Simples. Vejamos alguns trechos: 8.2. Sobre os diversos pedidos formulados, ao contrário do que a impugnante alega, tais requerimentos foram sim apreciados e decididos tempestivamente no âmbito da RFB, conforme demonstra a tela abaixo, extraída da página da RFB que trata exatamente do processamento eletrônico dos pedidos de opção pelo Simples Nacional: 8.3. Exatamente com o fim de esclarecer os motivos do indeferimento de tais pedidos, abaixo foi realizada uma análise individualizada das razões das negativas: Quanto ao pedido de opção do exercício de 2009 8.3.1. Relativamente ao pedido de opção para o exercício 2009, esse foi apresentado pela empresa em 23.01.2009 e, tão logo isso ocorreu, foi apreciado pelo setor encarregado, que decidiu em 25.03.2009 pelo seu indeferimento, em razão de naquela data a empresa possuir débitos pendentes junto à RFB e pendências cadastrais e fiscais com a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, conforme demonstram as telas extraídas do sitio eletrônico da RFB. [...] Fl. 508DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-004.070 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.726198/2014-56 Quanto ao pedido de opção do exercício de 2010 8.3.2. Relativamente ao pedido de opção para o exercício 2010, esse foi apresentado pela empresa em 29.01.2010 e, tão logo isso ocorreu, foi apreciado pelo setor encarregado, que decidiu em 18.02.2010 pelo seu indeferimento, em razão de naquela data a empresa possuir débitos pendentes junto à RFB, dívida ativa com a Procuradoria da Fazenda Nacional e pendências cadastrais e fiscais com a Secretaria da Fazenda do Município de Goiânia-GO, conforme demonstram as telas extraídas do sitio eletrônico da RFB. [...] Fl. 509DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-004.070 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.726198/2014-56 Quanto ao pedido de opção do exercício de 2011 8.3.3. Relativamente ao pedido de opção para o exercício 2011, esse foi apresentado pela empresa em 24.01.2011 e, tão logo isso ocorreu, foi apreciado pelo setor encarregado, que decidiu em 13.02.2011 pelo seu indeferimento, em razão de naquela data a empresa ainda possuir débitos pendentes junto à RFB, dívida ativa com a Procuradoria da Fazenda Nacional e pendências cadastrais e fiscais com a Secretaria da Fazenda do Município de Goiânia-GO, conforme demonstram as telas extraídas do sitio eletrônico da RFB. [...] Quanto ao pedido de opção do exercício de 2012 8.3.4. Relativamente ao pedido de opção para o exercício 2012, esse foi apresentado pela empresa em 19.01.2012 e, tão logo isso ocorreu, foi apreciado pelo setor encarregado, que decidiu em 11.02.2012 pelo seu indeferimento, em razão de naquela data a empresa ainda possuir débitos pendentes junto à RFB, dívida ativa com a Procuradoria da Fazenda Nacional e pendências cadastrais e fiscais com a Secretaria da Fazenda do Município de Goiânia-GO, conforme demonstram as telas extraídas do sitio eletrônico da RFB. 8.4. Conforme demonstram as informações acima expostas, tais requerimentos foram apreciados e denegados tempestivamente, em razão de pendências cadastrais e fiscais da empresa junto às Fazendas Nacional, Estadual e Municipal. 8.5. Observa-se que tais atos foram regularmente publicados por meio eletrônico na página da RFB, conforme prevê o Art. 16, §1º da Lei Complementar 123/2006, in verbis: Art. 16, §1º da Lei Complementar 123/2006 Art. 16. (...) (...) Fl. 510DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-004.070 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.726198/2014-56 § 1º-A. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, destinado, dentre outras finalidades, a: I - cientificar o sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, incluídos os relativos ao indeferimento de opção, à exclusão do regime e a ações fiscais; II - encaminhar notificações e intimações; e III - expedir avisos em geral. § 1º-B. O sistema de comunicação eletrônica de que trata o § 1º-A será regulamentado pelo CGSN, observando-se o seguinte: I - as comunicações serão feitas, por meio eletrônico, em portal próprio, dispensando- se a sua publicação no Diário Oficial e o envio por via postal; II - a comunicação feita na forma prevista no caput será considerada pessoal para todos os efeitos legais; III - a ciência por meio do sistema de que trata o § 1º-A com utilização de certificação digital ou de código de acesso possuirá os requisitos de validade; IV - considerar-se-á realizada a comunicação no dia em que o sujeito passivo efetivar a consulta eletrônica ao teor da comunicação; e V - na hipótese do inciso IV, nos casos em que a consulta se dê em dia não útil, a comunicação será considerada como realizada no primeiro dia útil seguinte. § 1º-C. A consulta referida nos incisos IV e V do § 1º-B deverá ser feita em até 45 (quarenta e cinco) dias contados da data da disponibilização da comunicação no portal a que se refere o inciso I do § 1º-B, ou em prazo superior estipulado pelo CGSN, sob pena de ser considerada automaticamente realizada na data do término desse prazo. (...) 8.6. Quanto à alegação da manifestante de que o indeferimento de seus pedidos foi irregular, pois já havia regularizado as suas pendências no final do ano de 2012, observa-se que o juízo a ser feito pela autoridade fiscal sobre o cumprimento dos requisitos legais necessários ao deferimento dos pedidos de opção pelo Simples Nacional apresentados pelos contribuintes leva em consideração a situação cadastral/fiscal do interessado no momento da análise de tais requerimentos, assim, eventual regularização de pendência em momento posterior somente gera efeitos sobre eventuais pleitos relacionados a exercícios futuros. (destaques do original) 13. Em vista das verificações apresentadas, caberia a contribuinte em seu Recurso Voluntário contrapor os fatos apresentados, leia-se fazer prova de que procedeu a devida regularização no prazo de 30 dias, contados da data da ciência eletrônica dos indeferimentos da opção pelo Simples Nacional 1 . Contudo, limitou-se a reiterar os argumentos de defesa sem confrontar a análise e conjunto probatório trazido pela r. autoridade julgadora. 1 Nessa linha, ver Acórdão nº 1301-004.745 (sessão de 13/08/2020), cuja ementa abaixo transcrevo: INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. PENDÊNCIA DE DÉBITOS. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. Seja na forma de um termo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional ou de um ato de exclusão do regime, há que se conceder o prazo de trinta dias, contados da data da sua ciência, para a regularização dos débitos que motivaram o feito. Fl. 511DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-004.070 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.726198/2014-56 14. Ademais, é certo que, nos termos do artigo 17, V, da Lei Complementar (“LC”) nº 123/2006, abaixo transcrito: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 15. No caso, ficou claro que haviam débitos em aberto impeditivos à adesão e a ora Recorrente não trouxe provas hábeis a desconstituir essa assertiva. Conclusão 16. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO interposto e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa No presente caso, entretanto, há que se manter o indeferimento porque não se comprovou a regularização da totalidade dos débitos. Fl. 512DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15165.722652/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 23/08/2012
COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE.
A legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS IMPORTAÇÃO, em caso de importação por conta e ordem, é do real adquirente que, por força de contrato, é o mandante da importação, aquele que efetivamente assume os custos da importação, embora o faça através de uma interposta pessoa.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-008.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, que votou por dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ari Vendramini - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado) e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/08/2012 COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE. A legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS IMPORTAÇÃO, em caso de importação por conta e ordem, é do real adquirente que, por força de contrato, é o mandante da importação, aquele que efetivamente assume os custos da importação, embora o faça através de uma interposta pessoa. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-10-03T21:23:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-10-03T21:23:01Z; Last-Modified: 2020-10-03T21:23:49Z; dcterms:modified: 2020-10-03T21:23:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:647173fc-6538-4978-863b-af4765467358; Last-Save-Date: 2020-10-03T21:23:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-10-03T21:23:49Z; meta:save-date: 2020-10-03T21:23:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-10-03T21:23:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-10-03T21:23:01Z; created: 2020-10-03T21:23:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2020-10-03T21:23:01Z; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-10-03T21:23:01Z | Conteúdo => S3-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15165.722652/2012-35 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-008.485 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2020 Recorrente BLUETRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/08/2012 COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE. A legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS IMPORTAÇÃO, em caso de importação por conta e ordem, é do real adquirente que, por força de contrato, é o mandante da importação, aquele que efetivamente assume os custos da importação, embora o faça através de uma interposta pessoa. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, que votou por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Ari Vendramini - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado) e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Adoto os dizeres constantes do relatório que compõe o Acórdão nº 07-44.008, exarado pela 1ª Turma da DRJ/FLORIANÓPOLIS : AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 26 52 /2 01 2- 35 Fl. 780DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-008.485 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722652/2012-35 Trata o presente processo de pedido de restituição referente a valores recolhidos a título de Cofins-importação. Depreende-se dos autos que a interessada protocolou, em 23/08/2012, pedido de restituição de valores recolhidos a título de Cofins-importação quando do registro de declarações de importação. O pleito foi indeferido totalmente em Despacho Decisório da autoridade competente, tendo a interessada sido cientificada em 05/10/2012 e apresentado manifestação de inconformidade em 01/11/2012. Depois de apresentar pedido de restituição, e antes da ciência do Despacho Decisório, a interessada protocolou, em 23/08/2012, a Declaração de Compensação nº 03723.33882.230812.1.3.04-2074 (fls. 690/699). Em 30/03/2016 a DRJ Florianópolis proferiu Acórdão que anulou o Despacho Decisório da autoridade a quo. Analisando o pedido da interessada, a autoridade a quo proferiu o Despacho Decisório DRF/CTA nº 0474/2017, em 11/08/2017, por meio do qual deferiu em parte o pedido de restituição/compensação, somente em relação às declarações de importação 12/0577214-8, 12/0711579-9, 12/1024224-0 e 12/1073984-6. A restituição foi deferida com base no entendimento de que somente essas declarações de importação foram registradas na modalidade direta ou por encomenda e a interessada tinha optado pela tributação pelo lucro presumido nos anos de 2011 e 2012, sendo a contribuição ao PIS/Pasep na modalidade cumulativa. Em relação às demais declarações de importação o pleito não foi reconhecido, pois foram registradas na modalidade por conta e ordem de terceiros e, portanto, o verdadeiro importador é o adquirente das mercadorias e não o importador ostensivo, cabendo somente àquele o aproveitamento dos créditos das contribuições, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.865/2004. E ademais, o art. 166 do Código Tributário Nacional estabelece que somente quem assumiu o encargo financeiro tem competência para pleitear restituição. (v. fl. 705) Conclui o Despacho Decisório referido pela não homologação dos valores controlados pelos processos 10980.723557/2017-36 e 10983.721342/2017-51 (v. fl. 706) Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese: O sujeito passivo da obrigação ao recolhimento da PIS/Cofins- importação é o importador, quando da entrada dos bens em território nacional, ou seja, o importador das mercadorias e, portanto, é quem faz jus ao pedido de restituição dos valores recolhidos a maior. A base de cálculo das contribuições é inconstitucional, devendo se ater ao valor aduaneiro legalmente instituído. Requer seja dado provimento à manifestação de inconformidade para reforma da decisão e homologação das compensações realizadas. É o relatório. 2. Analisando as razões de defesa, a DRJ/RPO assim ementou a sua decisão : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/08/2012 PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO.COFINS-IMPORTAÇÃO.RESTITUIÇÃO. MODALIDADE DE IMPORTAÇÃO. LEGITIMIDADE PARA O PLEITO. Fl. 781DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-008.485 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722652/2012-35 A legitimidade para pleitear a restituição de valores relativos ao PIS/Pasep-importação e à Cofins-importação é do importador na importação realizada na modalidade direta e do adquirente da mercadoria na importação realizada por sua conta e ordem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Inconformada, a manifestante apresentou recurso voluntário, combatendo o Acórdão DRJ/RPO, alegando, em apertada síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS IMPORTAÇÃO, por força do decidido pelo STF no RE 558.937, em sede de repercussão geral, a sua legitimidade para pleitear a restituição do valor indevidamente, finalizando como o pedido para acatamento, pelo TOTAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, reformando o Acórdão n° n° 07-44.008, para reconhecer a legitimidade da Recorrente ao crédito, homologando a Declaração de Compensação nº 03723.33882.230812.1.3.04-2074 (fls. 690/699) transmitida ao Fisco. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini, Relator. 5. O recurso voluntário atende aos pressupostos genéricos de tempestividade e Regularidade formal merecendo a sua admissibilidade. 6. A questão central dos presentes autos é a legitimidade da recorrente para pleitear recolhimento de valor indevido a título de COFINS IMPORTAÇÃO. 7. Além da classificação em relação á repercussão do encargo econômico-financeiro, em tributos diretos e indiretos, também devemos considerar a classificação quanto más bases eco nômicas de incidência. Com fundamento neste critério, o CTN classifica os impostos sobre o comércio exterior em impostos sobre a importação e impostos sobre a exportação. 8. Os tributos incidentes sobre a operação de importação devem ser recolhidos pelo sujeito passivo, que é o importador. 9. Na importação pela modalidade direta, o adquirente da mercadoria figura como importador e promove a operação em seu próprio nome, não havendo dificuldades em relação ao legitimado para pleitear a restituição de eventual indébito. Tendo em vista que o adquirente figurará como importador e, portanto, sujeito passivo da obrigação tributária, sobre ele recairá a responsabilidade de arcar com todos os ônus financeiros da tributação. Como consequência, ele terá legitimidade para solicitar a devolução de valores recolhidos de forma indevida ou a maior do que devida. 10. Diferente á a situação daquele que realiza a operação de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro. É comum que as empresas não disponham de uma estrutura organizada para realizar suas operações internacionais e optem pela terceirização deste tipo de Fl. 782DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-008.485 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722652/2012-35 serviço. Tal tendência ocorre no comércio exterior, quando uma ou mais atividades relacionadas á execução e ao gerenciamento dos aspectos operacionais, logísticos, burocráticos, financeiros, tributários, entre outros, da importação de mercadorias são transferidas para empresas ( trading companies) ou profissionais especializados (despachantes aduaneiros) em tais atividades. 11. A modalidade de importação por conta e ordem de terceiro foi instituída no ordenamento pátrio pela MP nº 2.158/2001, em seu artigo 80, Inciso I. Por seu turno, a Secretaria da Receita Federal, em cumprimento á determinação legal contida no dispositivo citado, editou a Instrução Normativa nº 225/2002, que estabeleceu os requisitos e as condições para a atuação de pessoa jurídica importadora em operações procedidas por conta e ordem de terceiros. 12. As legislações de regência da Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS trazem expressamente a possibilidade de aplicação desta modalidade de importação, respectivamente, no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 e nos artigos 6º e 18 da Lei nº 10.865/2004, ambas regulamentadas pelo Decreto nº 4.524/2004 e pela IN SRF nº 247/2002. 13. A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa – a importadora, a qual promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquiridas por outra empresa – a adquirente, em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados coma transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. 14. Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possas abranger desde a simples execução do despacho aduaneiro de importação até a intermediação da negociação no exterior, a contratação do transporte, do seguro, entre outros, o importador de fato é o adquirente, o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional, embora, neste caso, o faça por via de interposta pessoa – a importadora por conta e ordem – que é uma mera mandatária do adquirente. 15. A Secretaria da Receita Federal, em seu sítio na Internet, esclarece acerca do tratamento tributário diferenciado quanto á importadora e quanto á adquirente : ‘Embora devam ser contabilizadas tanto as entradas das mercadorias importadas como os recursos financeiros recebidos dos adquirentes – para fazer face ás despesas com a importação ou, até mesmo, aos pagamentos efetuados aos fornecedores estrangeiros -, esses lançamentos nãio devem e não podem ser computados como bens, direitos ou receitas da importadora, pelo contrário, são bens e direitos dos terceiros adquirentes destas mercadorias. Consequentemente, a receita bruta da importadora, para efeito da incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, corresponde ao valor dos serviços por ela prestados, nos termos do artigo 12 do Decreto nº 4.524/2002 e dos artigos 12 e 86 a 88 da IN SRF nº 247/2002. Por essa razão, não caracteriza operação de compra e venda a emissão de nota fiscal de saída das mercadorias importadas, do estabelecimento do importador para o do adquirente, nem o importador pode descontar eventuais créditos gerados pelo recolhimento dessas contribuições por ocasião da importação realizada, que poderão ser aproveitados, no entanto, pelo adquirente como determina o artigo 18 da Lei nº 10.865/2004. Fl. 783DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-008.485 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722652/2012-35 Quanto á adquirente : no que se refere á Contribuição para o PIS/PASEP- Importação e á COFINS-Importação, ainda que seja o importador o contribuinte de direito e que este venha a recolher os valores devidos, o pagamento termina por ser efetuado com recursos originários do próprio adquirente. Logo, por este devem ser aproveitados os créditos por ventura utilizados na determinação dessas mesmas contribuições incidentes sobre o seu faturamento mensal. É o que estabelece o artigo 18 da Lei nº 10.865/2004” 16, Resta evidente que a “trading” recolherá as Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre o valor do seu faturamento, considerado apenas como a receita bruta decorrente da prestação de seus serviços, ou seja, a prestadora (importadora de direito) não deverá incluir os créditos utilizados na determinação das contribuições incidentes sobre o faturamento mensal. A empresa adquirente (importadora de fato) é quem suporta o ônus financeiro da tributação, fornecendo recursos á prestadora de serviços para pagamento dos tributos. 17. Assim, em se tratando de tributo direto que não gera qualquer repercussão jurídica, vige a regra geral no sentido de que terá´ direito de buscar a restituição de valores indevidamente recolhidos , apenas aquele que suportou o ônus de tal recolhimento. 18. Não há necessidade de se tecer considerações acerca da natureza jurídica das contribuições, se tributação direta ou indireta, se seria necessário a empresa prestadora demonstrar que recolheu as contribuições ou que detém autorização para fins de aplicação do artigo 166 do CTN, isto porque o pedido de restituição do indébito deve ser formulado por aquele que suportou o ônus financeiro da tributação, seja o tributo classificado como direto ou indireto, já que tem como fundamento a vedação de enriquecimento sem causa. 19. Neste sentido, nos caso de importação realizada por “trading” pela modalidade direta ou por encomenda, terá ela legitimidade para postular valores indevidos ou recolhidos a maior que o devido, já que em tais situações a “trading” não presta serviços a terceiros, realizando a importação e suportando todos os ônus tributários da operação. 20. Já nos casos de importação por conta e ordem de terceiro, em que a “trading” atua como prestadora de serviços, carecerá de legitimidade para buscar a restituição de tributos indevidamente recolhidos por parte das adquirentes, uma vez que foram estas que suportaram todos os custos e ônus tributário da operação. Conclusão 21. Diante do exposto, considerando que a recorrente efetuou importação por conta e ordem de terceiro, não detém ela legitimidade para pleitear restituição de valores recolhidos indevidamente ou a maior que o devido, portanto nego provimento ao recurso. É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Ari Vendramini Fl. 784DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-008.485 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722652/2012-35 Fl. 785DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13889.720050/2018-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Sun Oct 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/07/2009, 13/10/2009, 11/01/2010, 11/07/2013
CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO.
Não se conhece da matéria que não tenha sido prequestionada na impugnação.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea prevista no art. 472 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 2301-007.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, não conhecendo das matérias preclusas, e negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: João Maurício Vital
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AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO. Não se conhece da matéria que não tenha sido prequestionada na impugnação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea prevista no art. 472 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, não conhecendo das matérias preclusas, e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de lançamento de multa por atraso na entrega das Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – Gfip relativas a: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 9. 72 00 50 /2 01 8- 48 Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.808 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13889.720050/2018-48 a) 01/2009 a 06/2009, entregues em 27/07/2009; b) 07/2009 a 09/2009, entregues em 13/10/2009; c) 10/2009, entregue em 11/07/2013, e d) 12/2009, entregue em 11/01/2010. O lançamento foi impugnado e a impugnação foi considerada improcedente. Manejou-se recurso voluntário em que alegou: a) a entrega espontânea das declarações afastaria a aplicação de penalidade, nos termos do que constava no art. 472 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, e no art. 138 do CTN; b) que o art. 55 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a fiscalização seja orientadora e que deva visitar duas vezes o contribuinte para lavar autos de infração por descumprimento de obrigação acessória; c) que o lançamento é improcedente porque haveria previsão legal de dispensa de entrega de Gfip em caso de ausência de fato gerador; d) que, eventualmente, a penalidade deve ser reduzida em face do princípio constitucional da vedação ao confisco e, também, por força do que consta no art. 38-B da Lei Complementar nº 123, de 2006. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo mas dele conheço apenas da questão prequetionada, que foi o afastamento da multa em face da entrega espontânea das declarações, nos termos do que constava no art. 472 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, e no art. 138 do CTN. Todos os demais questionamentos estão preclusos, pois não constaram da impugnação, que se resume a um parágrafo (e-fl. 2): Diz o artigo 472 da Instrução Normativa 971 de 13/11/2009, que caso haja denúncia espontânea de infração, não cabe a lavratura de Auto , de Infração correspondente para aplicação e penalidades pelo descumprimento de obrigação acessória. Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.808 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13889.720050/2018-48 1 Da denúncia espontânea O recorrente alegou que, por haver apresentado espontaneamente as declarações, teria incidido na hipótese do art. 472 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, e no art. 138 do CTN, afastando-se a penalidade em face da espontaneidade. O acórdão recorrido analisou a matéria e assim asseverou: O parágrafo único do art. 472 da IN estabelece que “considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator que regularize a situação que tenha configurado a infração[...]”, entretanto, no caso da entrega em atraso de declaração, a infração é justamente essa (entrega após o prazo legal), não havendo meios de sanar tal infração, de forma que nunca poderia ser configurada a denúncia espontânea. Correta a análise do colegiado a quo, pois a ocorrência do fato gerador da exação sob julgamento foi justamente a entrega das declarações a destempo e essa hipótese, como bem determina a Súmula Carf nº 49, não configura denúncia espontânea: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Nego, pois, provimento ao recurso na matéria. Conclusão Voto conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo das matérias preclusas, e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11128.734534/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 27/02/2009
MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. CONTROLE DE CARGA.
A não entrega de declaração na forma e no prazo estipulado pela RFB para prestar informações sobre cargas transportadas, constitui embaraço a fiscalização, punível com a respectiva multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003.
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
A matéria discutida perante o Poder Judiciário importa renúncia da discussão administrativa, não podendo ser conhecida nesta esfera, sob pena de gerar decisões contraditórias.
Numero da decisão: 3301-008.272
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11128.731037/2013-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONTROLE DE CARGA. A não entrega de declaração na forma e no prazo estipulado pela RFB para prestar informações sobre cargas transportadas, constitui embaraço a fiscalização, punível com a respectiva multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. A matéria discutida perante o Poder Judiciário importa renúncia da discussão administrativa, não podendo ser conhecida nesta esfera, sob pena de gerar decisões contraditórias. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11128.731037/2013-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 45 34 /2 01 3- 46 Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-008.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734534/2013-46 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3301-008.267, de 29 de julho de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de recurso voluntário contra decisão do colegiado do órgão julgador de primeira instância administrativa. Por bem resumir os fatos, adota-se e remete-se ao relatório da r. decisão de piso, aqui resumido. Origina-se a lide de auto de infração lavrado para constituir multa aduaneira por prestação de informação em atraso, nos termos do artigo 107, IV, “e” do Decreto-lei 37/1966. Nos termos do auto de infração, a Instrução Normativa RFB n° 800/2007, desde 31 de março de 2008, estabelece que a forma para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital, conforme prazos estipulados pelo artigo 22 e artigo 50, o qual prevê o prazo ao transportador para informar a carga antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. A partir de 01 de abril de 2009, o prazo passou a ser o previsto no artigo 22, III, considerando-se quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Essa mesma instrução normativa, no artigo 2º, § 1º, IV, equipara a transportador a "empresa de navegação operadora", "empresa de navegação parceira", "consolidador", "desconsolidador" e "agente de carga". Desta forma, a fiscalização concluiu que a autuada procedeu à desconsolidação da carga incluindo o C.E.-Mercante Agregado em datas posteriores às data de atracação no porto, restando portanto INTEMPESTIVA a informação, conforme dados de data e horas, detalhados, constantes dos autos. Notificada do auto de infração, a autuada apresentou impugnação para instaurar o contencioso administrativo, arguindo: As informações foram prestadas – A autuação se funda na não prestação de informações, mas tal alegação não se sustenta, se elas não tivessem sido prestadas na forma e no prazo estabelecidos não poderia ser efetuada qualquer operação de carga e descarga, conforme dispõe o art. 37, § 2º do Decreto-Lei nº 37/66; Embaraço - Não ocorreu embaraço à fiscalização nos termos do art. 107, IV, “c” do Decreto- Lei 37/77; Ofensa ao princípio da motivação - Para justificativa do ato foi utilizado o art. 22 da Instrução normativa 800/07, entretanto as hipóteses previstas em lei não abrangem os fatos que ocorreram, não tendo sido provado que a impugnante deixou de prestar as informações; Princípio da Razoabilidade - Não se pode impor condutas impossíveis de serem realizadas. A impugnante não deixou de prestar as informações; ademais, não se pode exigir a multa estipulada no auto de infração, conforme dispõe o ADE Corep nº 03, de 2008 no art. 28 e seus parágrafos; Denúncia espontânea - Aplica-se o disposto no art. 102 e §§ do Decreto-Lei nº 37/66, conforme jurisprudência que apresenta nesta impugnação; Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-008.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734534/2013-46 Infrações anteriores a 01/04/2009 - Não há de se falar que os incisos I e II do art. 50 da IN 800/2007 atingiram a impugnante já que esta é agente de carga, e não transportador, e a própria instrução normativa faz distinção entre estas duas atividades no seu art. 1º, parágrafo único, inc.I. O colegiado do órgão julgador de piso (DRJ) proferiu o Acórdão para julgar improcedente a impugnação apresentada. Notificado do resultado do julgamento, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos de sua impugnação, conforme síntese abaixo, acrescentando apenas breves informações sobre a ação judicial, afirmando ser beneficiária de liminar concedida nos autos da ação nº 0005238-86.2015.4.03.6100: - Defende a insubsistência do auto de infração por decisão judicial que concedeu o benefício da denúncia espontânea; - - Nulidade da decisão, diante da ilegitimidade passiva. Afirma que Recorrente não é agente marítimo e sim agente de cargas; - Argumenta que a IN RFB nº 1.473/2014 consolidou o entendimento de que eventual atraso na prestação de informações, previsto pelo art. 22, seria imputável somente ao armador transportador, visto que somente este manifesta carga; Nulidade – Afirma que o auto de infração é nulo por ferir a determinação de individualização das condutas, devendo-se lavrar um auto de infração para cada conduta, como previsto no Art. 9 do Decreto n°. 70.235/72; - Afirma que a autuação teria fundamento em suposta “NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES”, mas referida alegação não se sustenta, na medida em que as informações foram prestadas, caso contrário, não poderiam ser efetuadas as operações de carga e descarga, conforme artigo 37. § 2º do DL 37/66; - Isso demonstra que a Recorrente de fato prestou as informações no prazo legal, não havendo subsistência legal para a autuação; - A Recorrente foi autuada devido a “NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO”, no entanto, a Recorrente jamais atrasou, tampouco deixou de prestar quaisquer informações. Se as informações não tivessem sido prestadas na forma e no prazo estabelecidos pela própria Receita Federal, conforme alegado, não poderiam ser efetuadas quaisquer operações de carga e descarga, conforme Art. 37, § 2º, do Decreto-Lei 37/66 - Alega a inexistência de tipificação da penalidade, diante da inexistência de DOLO ESPECÍFICO de embaraçar conforme previsto no artigo 107 do Decreto-Lei n°37/66. A norma pretende punir a quem embarace, dificulte ou impeça ação de fiscalização, o que absolutamente não ocorreu no caso; - Ainda, deve ser analisada a inexistência da hipótese de incidência tributária imputada, porque as informações exigidas pelo artigo 22 da IN 800/07 FORAM PRESTADAS. Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-008.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734534/2013-46 - A conduta descrita na hipótese de autuação é a NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. A penalidade imposta pelo poder público não admite o recurso à analogia, nem a interpretação extensiva, pois as suas disposições aplicam-se no sentido rigoroso, estrito. - Alega ofensa ao princípio da motivação, na medida em que o auto de infração em apreço gira em torno da questão atrelada à PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO ou da NÃO PRESTAÇÃO de informações, o que impossibilita a aplicação do artigo 22, da Instrução Normativa 800/07, que trata dos prazos mínimos para a prestação das informações solicitadas pela Receita Federal; - O fato é que a autoridade aduaneira não conseguiu demonstrar em momento algum que a Recorrente teria deixado de prestar as informações necessárias ao devido controle da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Instrução Normativa RFB 800/07 - Defende a aplicação da denúncia espontânea, a partir da conversão da Medida Provisória nº 497/2010 na Lei nº 12.350/2010, que alterou o §2º do artigo 102 do Decreto-lei nº 37/66. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3301-008.267, de 29 de julho de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos da legislação, por isso, será conhecido. Preliminarmente, é preciso analisar alguns pontos, quais sejam: 1. Denúncia espontânea e a questão da concomitância; 2. Nulidade da decisão recorrida; 3. Nulidade da autuação por ferir a individualização da infração; 4. Nulidade por falta de motivação, não adequação do fato à norma e cerceamento de defesa. 1. Denúncia Espontânea e Concomitância Consta dos autos cópia de peças da ação judicial 0005238- 86.2015.4.03.6100, proposta em 2015, em trâmite na justiça federal de São Paulo e ajuizada pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC), da qual o contribuinte é associada. Foi juntado aos autos a decisão que concede tutela antecipada para reconhecer o direito à denúncia espontânea (163-166). Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-008.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734534/2013-46 Trata-se de uma ação coletiva que busca a declaração de inexistência de relação jurídica, atingindo fatos futuros. Trata-se, assim, de uma ação declaratória coletiva, de efeitos prospectivos, questionando dispositivo em tese. A tutela antecipada foi proferida em agosto/2015. Analisando a decisão, percebe-se que o objeto da ação ordinária não se limita ao reconhecimento da aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras nos termos do §2º do artigo 102 do Decreto-lei nº 37/66, mas também pela declaração de inexistência de relação jurídico- tributária em razão da ilegalidade das multas aplicadas com base no descumprimento de obrigações acessórias conforme previsão da Instrução Normativa RFB/2007, artigos 18 e 22, bem como do ato declaratório executivo COREP nº 03/2008. Note que o pedido da autora é específico pela declaração de ilegalidade de tais normas para impedir que a RFB aplique essas normas e exija as penalidades. Deferida a tutela antecipada, concedendo parcialmente os efeitos dos pedidos formulados, o Poder Judiciário reconheceu apenas a aplicação da denúncia espontânea prevista no artigo 102 do DL 37/1966, por reconhecer a verossimilhança das alegações e a possibilidade de danos irreparáveis, mas não se pode esquecer que toda a matéria será analisada quando do julgamento do mérito. Com isso, com a obtenção de uma decisão de mérito, declarando a ilegalidade dos artigos 18 e 22 da Instrução Normativa RFB/2007, haverá a formação de coisa julgada suficiente para provocar efeitos no auto de infração em análise, daí a razão de se reconhecer a concomitância. No ano de 2014, em sede de repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão no sentido de que a coisa julgada das ações coletivas propostas por associações civis só teriam efeito para os associados que assim conferido a autorização expressa para a Associação litigar em seu nome para defender seus interesses, autorização esta que deveria ser apresentada com a petição inicial para comprovar a legitimidade processual. Com esta decisão o STF firmou o posicionamento de que a autorização estatutária genérica conferida para a Associação não é suficiente para legitimar a sua atuação em juízo na defesa de direitos de seus filiados, sendo indispensável que a declaração expressa exigida no inciso XXI do art. 5º da Constituição. Esta autorização deve ser manifestada por ato individual do associado ou por assembleia geral da entidade e somente os associados que apresentaram, na data da propositura da ação de conhecimento, autorizações individuais expressas à associação, podem executar título judicial proferido em ação coletiva. RE 573232/SC. Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI. Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO. DJe 18/09/2014 Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-008.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734534/2013-46 Ementa REPRESENTAÇÃO – ASSOCIADOS – ARTIGO 5º, INCISO XXI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALCANCE. O disposto no artigo 5º, inciso XXI, da Carta da República encerra representação específica, não alcançando previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa dos interesses dos associados. TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL – ASSOCIAÇÃO – BENEFICIÁRIOS. As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, é definida pela representação no processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos associados e a lista destes juntada à inicial. Tema 82 - Possibilidade de execução de título judicial, decorrente de ação ordinária coletiva ajuizada por entidade associativa, por aqueles que não conferiram autorização individual à associação, não obstante haja previsão genérica de representação dos associados em cláusula do estatuto. Tese I – A previsão estatutária genérica não é suficiente para legitimar a atuação, em Juízo, de associações na defesa de direitos dos filiados, sendo indispensável autorização expressa, ainda que deliberada em assembleia, nos termos do artigo 5º, inciso XXI, da Constituição Federal; (grifei) II – As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, são definidas pela representação no processo de conhecimento, limitada a execução aos associados apontados na inicial. Anos mais tarde, também em sede de repercussão geral, o STF analisou a constitucionalidade do artigo 2º-A da Lei 9.494/1997 para tratar da eficácia subjetiva da coisa julgada em ações coletivas propostas por Associações Civis e consolidou o entendimento de que a coisa julgada só tem efeito no âmbito da jurisdição do órgão judicial que proferiu a decisão. Este entendimento foi proferido no RE 612043/PR, conforme ementa abaixo: RE 612043/PR. Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO. DJe 06/10/2017 Ementa EXECUÇÃO – AÇÃO COLETIVA – RITO ORDINÁRIO – ASSOCIAÇÃO – BENEFICIÁRIOS. Beneficiários do título executivo, no caso de ação proposta por associação, são aqueles que, residentes na área compreendida na jurisdição do órgão julgador, detinham, antes do ajuizamento, a condição de filiados e constaram da lista apresentada com a peça inicial. Tema 499 - Limites subjetivos da coisa julgada referente à ação coletiva proposta por entidade associativa de caráter civil. Tese A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento. (grifei) Note que a tese fixada, além da necessidade de autorização expressa e prévia à propositura da ação, também considerou que a coisa julgada terá eficácia apenas para os associados que sejam residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador. No caso concreto, a ação coletiva tramita na Seção Judiciária de São Paulo – TRF da 3ª Região. Do contrato social juntado aos autos, especificamente fl. 82, é possível perceber que a Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-008.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734534/2013-46 Recorrente está estabelecida no município de São Paulo, no Estado de São Paulo, submetida à jurisdição do TRF da 3ª Região. Como dito, restou assentado que a eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador e desde que houvessem autorizado para tanto, em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, declarando a constitucionalidade do art. 2º-A da Lei 9.494/1997. Assim dispõe o referido dispositivo da Lei 9.494/1997: Art.2 o -A.A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator.(Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 2001) Parágrafo único. Nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias e fundações, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos seus associados e indicação dos respectivos endereços. (grifei) Com isso, o resultado da ação coletiva poderá beneficiar a Recorrente, que poderá utilizar a coisa julgada para ver reconhecido seu direito, importando renúncia da discussão na esfera administrativa: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 2. Nulidade da decisão recorrida por ilegitimidade passiva Afirma a Recorrente ser agente de cargas, sendo a sanção aplicável apenas ao transportador. Esta preliminar, na verdade, se confunde com o mérito, pois se trata de verificar se a conduta imputada à contribuinte se encaixa na norma de incidência de sanção aduaneira. Assim, deixo de analisar em sede de preliminar para analisar no mérito. 3. Nulidade da autuação por ferir a individualização da infração Afirma que o auto de infração é nulo por ferir a determinação de individualização das condutas, devendo-se lavrar um auto de infração para cada conduta, como previsto no Art. 9 do Decreto n°. 70.235/72. No entanto, o argumento não encontra pertinência com o caso concreto, Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-008.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734534/2013-46 tendo em vista que foi lavrado auto de infração para apenas uma infração, uma única conduta. 4. Nulidade por falta de motivação, não adequação do fato à norma e cerceamento de defesa. Esta preliminar, na verdade, se confunde com o mérito, pois se trata de verificar se a conduta imputada à contribuinte se encaixa na norma de incidência de sanção aduaneira. Assim, deixo de analisar em sede de preliminar para analisar no mérito. MÉRITO Trata-se o caso de auto de infração por prestar a informação fora do prazo determinado legalmente pela RFB, nos termos do artigo 107, IV, “e” do Decreto-Lei nº 37/1966: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; (grifei) Perceba que a multa é bem objetiva: não entregar a declaração na forma e no prazo em que estabelecido pela RFB. Note que o fato gerador da multa inclui a entrega da declaração em forma diversa e/ou fora do prazo. A Recorrente argumenta que o artigo 50 da IN RFB nº 800/2007 dispôs que os prazos previstos no artigo 22 teriam aplicação apenas a partir de 1º/04/2009. Desta feita, não havia disposição quanto ao prazo, sendo impossível a aplicação da regra sancionatória. Não se sustenta as alegações de nulidade do auto de infração. Ainda, a Recorrente argumenta, em letras maiúsculas, que a acusação é de “NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO”, mas como houve a entrega da declaração, o que admitido pela própria fiscalização, não há como aplicar a sanção, faltando motivação para o lançamento, na medida em que o fato não se encaixa na hipótese de incidência. Como dito, tais argumentos não merecem prosperar. Também não prospera os argumentos de cerceamento de defesa por falta de adequada descrição dos fatos e diante da inexistência de provas da infração. Ocorre que os fatos estão muito bem descritos no auto de infração pelo sr. Agente fiscal, perfeitamente enquadrados no art. 107, IV, “e” do DL 37/1966, e devidamente comprovadas com documentos sobre as embarcações e local de atracação, com os respectivos horários, bem Fl. 242DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-008.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734534/2013-46 como os documentos que registram as declarações apresentadas pela Recorrente de forma intempestiva (fls. 27-53). Todas as informações sobre os fatos apresentados foram registrados nos sistemas "Siscomex Carga" e "Mercante" de modo permanente e foram inseridas por meio de certificação digital pela própria autuada ou seus representantes. Foram esses os dados utilizados para a lavratura do, presente Auto de Infração. A hipótese de incidência da multa é não entregar declaração no prazo e na forma fixados pela RFB. A infração não é falta de declaração, pura e simples, incluindo-se no tipo a entrega intempestiva da declaração. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como as relativas às Escalas, aos dados constantes nos Manifestos Marítimos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas de forma eletrônica, nos termos da IN RFB 800/2007, autenticadas por via de certificação digital. Quanto ao prazo, a Receita Federal os fixou também na IN RFB 800/2007. Para as datas dos fatos geradores desta autuação, aplica-se o quanto disposto no artigo 50, que estabelece o dever do transportador prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Após a atracação, a entrega da declaração é considerada intempestiva e o contribuinte já é considerado infrator, aplicando-se a multa em referência. Ainda, a Recorrente observa que com a recente modificação da IN RFB 800/2007 pela IN RFB nº 1.473/2014, foi ratificado o entendimento de que eventual atraso na prestação de informações, previsto pelo art. 22, seria imputável somente ao armador-transportador, visto que somente este manifesta carga, não sendo imputável tal penalidade ao agende de carga. Com isso, a Recorrente afirma que esta sanção é aplicada ao transportador e não para o agente de cargas. No entanto, neste ponto, o tratamento dado ao transportador é o mesmo que o conferido aos agentes de cargas. A própria IN RFB, que utiliza o termo “transportador” no artigo 50, define em seu artigo 2º as pessoas que se enquadram como tal: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa define-se como: (...) V - transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; (...) § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: (...) IV - o transportador classifica-se em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-008.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734534/2013-46 c) consolidador, tratando-se de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela consolidação da carga na origem; c) consolidador, tratando-se de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (grifei) Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. O Decreto-Lei 37/1966 estabelece que o transportador, assim como o agente de cargas, tem o dever de prestar à RFB as informações sobre as cargas transportadas, bem como a chegada de veículos do exterior, na forma e no prazo fixados na legislação. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1 o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Não se trata de mero formalismo. Os prazos são fixados para o devido controle aduaneiro do ingresso e saída de bens do território nacional e a falta de informação, ou mesmo atraso nas informações que devem ser prestadas, causam embaraço à fiscalização e ao bom andamento do controle aduaneiro. O transporte internacional de cargas é atividade complexa, que envolve vários intervenientes em suas diversas etapas, cada um deles respondendo pelas operações e informações correspondentes a suas fases de atuação. Diante das peculiaridades desta atividade e objetivando proporcionar maior segurança e agilidade ao comércio internacional, foi criada no território nacional toda uma sistemática de acompanhamento e controle das cargas que estivessem em trânsito para o território nacional, que estivessem sendo movimentadas em território nacional e mesmo as que estivessem saindo do território nacional, por um sistema informatizado, administrado pela Aduana Brasileira. Assim, os transportadores marítimos, diretamente ou por meio de seus representantes, deviam prestar Às autoridades aduaneiras informações Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-008.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734534/2013-46 detalhadas sobre as cargas ( e as unidades que as contem, os “containers”), a serem embarcadas , desembarcadas e de passagem pelo território nacional, bem como informações sobre as embarcações que operariam em portos brasileiros (sua descrição, carga transportada , portos em que atracariam e datas correspondentes. O objetivo de tal controle seria permitir ás autoridades aduaneiras um controle preciso sobre a movimentação de cargas e embarcações que as transportam pelos portos brasileiros. A entrega intempestiva das informações provocam, por si só, dano ao erário por configurar embaraço à fiscalização e dificuldades no controle aduaneiro. Isto posto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.959919/2009-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 12 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3002-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a Unidade de Origem, a partir dos documentos arrolados ao longo do procedimento fiscal, apure a certeza e a liquidez do crédito indicado pela recorrente em Per/Dcomp. Sendo necessário, seja a recorrente intimada para esclarecimentos e juntada de documentação complementar pertinentes ao caso. Concluído o relatório fiscal sobre a diligência efetuada, seja a recorrente intimada para se manifestar dentro do prazo legal. Com ou sem manifestação, decorrido o prazo, sejam os autos devolvidos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sabrina Coutinho Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Larissa Nunes Girard (Presidente), Mariel Orsi Gameiro e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a Unidade de Origem, a partir dos documentos arrolados ao longo do procedimento fiscal, apure a certeza e a liquidez do crédito indicado pela recorrente em Per/Dcomp. Sendo necessário, seja a recorrente intimada para esclarecimentos e juntada de documentação complementar pertinentes ao caso. Concluído o relatório fiscal sobre a diligência efetuada, seja a recorrente intimada para se manifestar dentro do prazo legal. Com ou sem manifestação, decorrido o prazo, sejam os autos devolvidos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (documento assinado digitalmente) Sabrina Coutinho Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Larissa Nunes Girard (Presidente), Mariel Orsi Gameiro e Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Cuidam os autos de Per/Dcomp nº 36321.26652.150405.1.3.043800 transmitido pela recorrente em 15/04/2005 com o intuito de quitar débito de Pis de 03/2005 no valor de R$ 161,70 com crédito de Pis/Pasep oriundo de pagamento indevido/a maior no valor de R$ 5.535,63 de 11/2004. Processado eletronicamente, através de despacho decisório eletrônico, a compensação não foi homologada, porque inexistente o crédito indicado (fl. 7). Citada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fl. 8 e seguintes) afirmando a existência do crédito tomado e que a não homologação do Per/Dcomp teria se dado em razão de erro nas informações prestadas na DCTF, o que foi sanado através de retificadora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 59 91 9/ 20 09 -4 3 Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3002-000.124 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959919/2009-43 Juntou a peça procuração, contrato social, DDE, Per/Dcomp, comprovante de pagamento, DIPJ/2005 e cópia da conta contábil do livro razão. Posteriormente, a 11ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, ante a inexistência de comprovação do crédito lançado. Assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. DIPJ NATUREZA JURÍDICA. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADOS. INDEFERIMENTO. Aplicam-se as regras processuais previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, à manifestação de inconformidade, a qual deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de dívida. O processo que consubstancia pedido de compensação deve estar instruído com as provas que demonstrem inequivocamente a liquidez e certeza do crédito alegado, sem as quais o pedido não pode ser aceito. Intimada, a recorrente interpôs recurso administrativo voluntário arguindo preliminarmente a nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida; e, no mérito, alega que os documentos comprobatórios da certeza e liquidez do crédito indicado no Per/Dcomp foram juntados ainda na manifestação de inconformidade, portanto não há que se falar em preclusão incorrido no art. 16 do Decreto 70.235/70 e, ainda que a juntada das provas ao expediente recursal repousa sobre a busca pela verdade material. Ao final pleiteou: III. DO PEDIDO. 42. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, protestando desde já pela produção de todas as provas admitidas em direito, espera e requer a "Recorrente" que seja acolhido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de: (a) anulação do Despacho Decisório, uma vez que o mesmo carece de descrição clara e precisa dos argumentos que o fundamentam, bem como a anulação da decisão da DRJ/SP1 pela falta da análise dos documentos apresentados, em manifesto cerceamento ao direito a ampla defesa e ao contraditório. (b) reconhecimento do direito creditório e do crédito utilizado e homologação da compensação efetuada, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3002-000.124 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959919/2009-43 Anexou ao recurso procuração, contrato social, DCTF retificadora, Dacon, manifestação de inconformidade, planilha de crédito de Pis/Pasep de novembro/2004, livro razão/2004, relatório com as despesas efetuadas em outubro e novembro/2004, notas fiscais e recibos de bens e serviços para o mês de novembro/2004, relatório de depreciação/2004, comprovante de pagamento, DI, livro diário, registros de entradas e saídas, balancete e registro de apuração do IPI. É o relatório. VOTO Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. Atendidos os requisitos formais previsto em lei e no RICARF, o presente recurso voluntário deve ser conhecido. Fazendo leitura da decisão recorrida, constata-se que a improcedência da manifestação de inconformidade se deu por ausência de provas da certeza e liquidez do crédito suscitado pela recorrente, cabendo transcrever os seguintes trechos das razões de decidir (fls. 38/39): [omissis] ............................................................................................................................................. 11. O art. 170 do CTN, por sua vez fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. 12. Assim, em que pese a retificação efetuada, pela defesa, através de DCTF, têm-se que na fase processual em que se encontra o processo, são aplicadas à manifestação de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme está previsto no parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96: ............................................................................................................................................. 14. Cumpre destacar, que a cópia da conta contábil n° 3814.1.01.07.02.00016 do razão contábil do exercício de 2004, trazida pela manifestante, não é capaz de demonstrar a origem, liquidez e certeza do crédito ali registrado. Nestes termos, não foram trazidos aos autos cópia da escrituração contábil e demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levadas a registro no órgão competente, à época dos fatos, mantidas em boa ordem e conservadas sob a responsabilidade do sujeito passivo, que comprovassem a origem do crédito lançado naquela conta contábil, a fim de serem colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, enquanto não ocorrida a prescrição dos créditos tributários vinculadas aos fatos a que se refiram as declarações de compensação, conforme determina o art. 195, parágrafo único, do CTN: ............................................................................................................................................. 17. Ademais, cumpre ressaltar que a DIPJ 2005 (ano-calendário 2004) juntada pela defesa, não configura documento suficiente a comprovar erro nas informações prestadas Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3002-000.124 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959919/2009-43 na DCTF, tendo este documento apenas caráter informativo, não constituindo instrumento de confissão de dívida, vez que lhe falta previsão em ato normativo para tanto. Inicialmente, destaco que a decisão recorrida atende as regras impostas pela legislação, não incorrendo em violação a nenhum direito da recorrente, visto que a apreciação prévia e homologação do pedido de ressarcimento/compensatório são feitos de forma eletrônica a partir de dados fornecidos pelo próprio contribuinte (ora recorrente). Todavia, olvida-se para o fato de que a recorrente procedeu na retificação da DCTF antes da emissão do despacho eletrônico pela autoridade fiscal. O Per/Dcomp fora transmitido em 15/04/2005, o despacho decisório expedido em 22/06/2009 (ciência em 26/06/2009), enquanto que a DCTF retificadora em 19/06/2009, ou seja, a declaração que lastreia o crédito apontado pela recorrente, sofreu retificação antes do despacho decisório. Nestes casos, é cediço que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos de original, assim previsto na IN RFB nº 1110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. ........................................................................................................................................... § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I - na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II - no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como se não bastasse, contido expressamente nos artigos 333 do Código de Processo Civil (art. 373 do NCPC), artigos 15 e 16, inciso III, do 70.235/72 e, por último, 28 do Decreto nº 7.574/2011, é ônus do contribuinte provar os fatos alegados, especialmente no caso de retificação de declaração, pós-despacho decisório, cito: Art. 147. [omissis]. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Em paralelo, a legislação vigente estabelece como marco inicial para exibição dos documentos contábil e fiscal como prova do direito alegado a fase de impugnação/manifestação de inconformidade, segundo previsão contida nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, Fl. 222DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3002-000.124 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959919/2009-43 sujeitando-se a juntada extemporânea, a preclusão, exceto nos casos elencados no parágrafo 4º, do Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 1 . Pois bem, essa Turma em diversas oportunidades já se manifestou sobre a possibilidade de o contribuinte trazer documentação complementar no expediente recursal, quando àqueles trazidos anteriormente ainda não forem suficientes a certificar a certeza e liquidez do crédito indicado. No caso ora em análise a recorrente acreditando serem capazes de provar a veracidade das informações retificadas, trouxe na manifestação de inconformidade comprovante de pagamento, DIPJ/2005 e cópia da conta contábil do livro razão. Ainda assim, o juízo a quo entendeu como escassos, já que a DIPJ é declaração meramente informativa e, porque a cópia da conta contábil do livro razão necessitava de documentação complementar como a cópia da escrituração contábil e as demonstrações financeiras. Por consequência, a recorrente preparou arcabouço probatório completo em atendimento a decisão recorrida anexando como provas adicionais: planilha de crédito de Pis/Pasep de novembro/2004, livro razão/2004, relatório com as despesas efetuadas em outubro e novembro/2004, notas fiscais e recibos de bens e serviços para o mês de novembro/2004, relatório de depreciação/2004, comprovante de pagamento, DI, livro diário, registros de entradas e saídas, balancete e registro de apuração do IPI. Veja que não se trata de analisar o aceite ou não de provas em recurso voluntário à luz da verdade material, posto que desde a manifestação de inconformidade a recorrente trouxe elementos importantes para a elucidação dos fatos tendo ali, iniciado a fase de produção de provas, restando obedecida a regra dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ___________________________________________________________________ Art. 16. A impugnação mencionará: [omissis] 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Art. 17.Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Fl. 223DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3002-000.124 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959919/2009-43 III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Como bem destacado no acórdão recorrido a prova documental é indispensável, sendo ônus do contribuinte a sua guarda e a seu exposição como prova de um crédito ou inexistência de um débito, porque é através dos documentos contábil e fiscal que a relação obrigacional contribuinte e administração fiscal, como os seus direitos. Portanto os documentos contábil e fiscal que demonstrarão a veracidade dos fatos deduzidos pelo contribuinte. De mais a isso, tendo a decisão se embasado na ausência de documentos contábeis, de pronto a recorrente cuidou de fornecer no recurso administrativo voluntário o balancete a fim de comprovar, em definitivo, a idoneidade dos novos dados em Dacon e em DCTF, em atendimento aos artigos 333 do Código de Processo Civil, 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72 e 28 do Decreto nº 7.574/2011. Estar-se, desse modo, diante de nítida exceção daquelas arroladas no § 4º do Decreto nº 70.235/72, in verbis: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [omissis] c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Isso porque a recorrente teve ciência da necessidade de produção de provas, em especial carrear documentos contábeis, apenas, a partir da decisão de primeira instância, porquanto ausente tal exigência em despacho decisório. Concluindo, o aceite das provas trazidas pela recorrente em sua peça recursal, que traduzem a ausência mencionada no acórdão recorrido, se mostra perfeitamente possível, cujo acolhimento de prova complementar arrolada em recurso voluntário já é tema superado por esta Turma. Oportunamente cito o acórdão nº 3002-000.091 de relatoria do Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves: Outro ponto nodal sobre a mesma matéria refere-se ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias, as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente e c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ............................................................................................................................................. Fl. 224DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3002-000.124 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959919/2009-43 A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, tem-se admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente deve-se admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estaria-se diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindo-o do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. ............................................................................................................................................. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e se possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, consequentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógico-jurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, concordo com a decisão da instância a quo de que as cópias da nota fiscal e da carta de correção ainda não comprovaram a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Entretanto, entendo que a ora recorrente trouxe um conjunto probatório mínimo inicial com sua Manifestação de Inconformidade. Após a ciência decisão de piso, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Embasado em todo o raciocínio lógico-jurídico sobre o direito probatório desenvolvido ao longo do presente voto e nas circunstâncias do caso concreto, entendo ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Voluntário, tendo em vista que estas podem ser validamente consideradas, pois reforçam um conjunto probatório mínimo já presente nos autos. Ao todo o exposto, voto no sentido de converter o feito em diligência para que sejam os autos remetidos à Unidade de Origem e que seja apreciado o documentário apresentado Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 3002-000.124 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959919/2009-43 pela recorrente na presente fase e, sendo necessário, seja a recorrente intimada para esclarecimentos e juntada de documentação complementar em respeito ao contraditório e a ampla defesa, bem como a busca pela verdade. Posteriormente, seja preparado relatório com aferição do crédito apurado em favor da recorrente e, após, seja dada ciência de seu teor a recorrente para que se manifeste em 30 (trinta) dias. Transcorrido o prazo in abis, com ou sem manifestação, sejam os autos devolvidos ao CARF para julgamento do recurso administrativo voluntário da recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sabrina Coutinho Barbosa. Fl. 226DF CARF MF Documento nato-digital
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