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Numero do processo: 15504.002765/2008-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002
DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Os tributos ora cobrados tem como fato gerador o pagamento de remuneração à contribuintes individuais (autônomos e pró-labore) e à segurados empregados. Tratam-se de contribuições com distintas fundamentações legais. A contribuição devida pelas remunerações pagas a contribuintes individuais está prevista no artigo 22, III, da Lei 8.212/91, enquanto que a contribuição devida em função do pagamento de remuneração aos segurados empregados está prevista no artigo 22, I, do mesmo diploma legal.
Em relação às contribuições devidas a segurados empregados é possível identificar nos autos pagamentos em todos os períodos, conforme se vê do RDA e RADA (fls. Fl. 45 a Fl. 54). Já em relação aos pagamentos efetuados à contribuintes individuais, não se verifica pagamento nos autos.
Assim sendo, considerando que o pagamento foi comprovado em parte, o prazo decadencial deve ser contado com base no artigo 150, §4º do CTN em relação às contribuições devidas pela remuneração aos segurados empregados. Em relação à remuneração à contribuintes individuais, aplica-se a regra decadencial contida no artigo 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9202-004.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN aos levantamentos de autônomos e pró-labore, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002 DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Os tributos ora cobrados tem como fato gerador o pagamento de remuneração à contribuintes individuais (autônomos e pró-labore) e à segurados empregados. Tratam-se de contribuições com distintas fundamentações legais. A contribuição devida pelas remunerações pagas a contribuintes individuais está prevista no artigo 22, III, da Lei 8.212/91, enquanto que a contribuição devida em função do pagamento de remuneração aos segurados empregados está prevista no artigo 22, I, do mesmo diploma legal. Em relação às contribuições devidas a segurados empregados é possível identificar nos autos pagamentos em todos os períodos, conforme se vê do RDA e RADA (fls. Fl. 45 a Fl. 54). Já em relação aos pagamentos efetuados à contribuintes individuais, não se verifica pagamento nos autos. Assim sendo, considerando que o pagamento foi comprovado em parte, o prazo decadencial deve ser contado com base no artigo 150, §4º do CTN em relação às contribuições devidas pela remuneração aos segurados empregados. Em relação à remuneração à contribuintes individuais, aplica-se a regra decadencial contida no artigo 173, I, do CTN.
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Tratamse de contribuições com distintas fundamentações legais. A contribuição devida pelas remunerações pagas a contribuintes individuais está prevista no artigo 22, III, da Lei 8.212/91, enquanto que a contribuição devida em função do pagamento de remuneração aos segurados empregados está prevista no artigo 22, I, do mesmo diploma legal. Em relação às contribuições devidas a segurados empregados é possível identificar nos autos pagamentos em todos os períodos, conforme se vê do RDA e RADA (fls. Fl. 45 a Fl. 54). Já em relação aos pagamentos efetuados à contribuintes individuais, não se verifica pagamento nos autos. Assim sendo, considerando que o pagamento foi comprovado em parte, o prazo decadencial deve ser contado com base no artigo 150, §4º do CTN em relação às contribuições devidas pela remuneração aos segurados empregados. Em relação à remuneração à contribuintes individuais, aplicase a regra decadencial contida no artigo 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN aos levantamentos de autônomos e prólabore, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 65 /2 00 8- 46 Fl. 534DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de lançamento efetuado através da NFLD 37.110.9620, cuja ciência ao contribuinte ocorreu em 22/08/2007, referente a contribuições sociais devidas à Seguridade Social e a Terceiros, no período de 06/2000 a 13/2002, elaborado através dos seguintes levantamentos: 1. Levantamento AUT : referente a pagamentos a autônomos que prestaram serviço empresa no período de 08/2000 a 12/2002. 2. Levantamento FPA: referente a valores aferidos em ação fiscal para os casos de empregados que constam no Livro de Registro de Empregados e não foram incluídos em folhas de pagamento e GFIP, no período de 09/2000 a 13/2002. 3. Levantamento FPS: referente a diferenças entre folhas de pagamento e recolhimentos efetuados, período de 06/2000 a 13/2002. 4. Levantamento PRO: referente a pagamentos efetuados a titulo de pró labore lançados em contas diversas, período 07/2000 a 12/2002. No julgamento da Impugnação pelo contribuinte a DRJ a ela deu parcial provimento para declarar a decadência parcial do direito da União efetuar o lançamento, tendo em vista haver nos autos comprovantes de pagamentos realizados pelo contribuinte em relação à determinadas rubricas. Conforme se extrai do relatório do voto da Turma a quo a Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte reconheceu a decadência conforme abaixo: Levantamento AUT : 08/2000 a 11/2001 Levantamento FPA: 09/2000 a 07/2002 Levantamento FPS: 06/2000 a 07/2002 Levantamento PRO: 07/2000 a 11/2001 Dessa decisão houve interposição de Recurso Voluntário. No julgamento deste Recurso, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, reconheceu a decadência do direito de constituição do crédito tributário, com base no § 4º, do artigo 150, do CTN, para fatos geradores ocorridos até a competência 07/2002, exarando a seguinte decisão: Fl. 535DF CARF MF Processo nº 15504.002765/200846 Acórdão n.º 9202004.522 CSRFT2 Fl. 528 3 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002 Ementa: DECADÊNCIA Devese aplicar regra única de decadência para o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 07/2002, inclusive, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN. II) No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Marthius Sávio Cavalcante Lobato que votaram pela base de cálculo do pró labore correspondente a um salário mínimo conforme contrato social. Cientificada da decisão, a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial, trazendo como paradigma o acórdão 24020.769, alegando que ao contrário do acórdão recorrido, a aplicação do art. 150, §4° ou do art. 173, I, do CTN, teve como premissa a identificação de antecipação do pagamento em relação a cada fato gerador isoladamente considerado. A União alega divergência jurisprudencial na medida em que o acórdão recorrido aplica o art. 150, parágrafo 4º, do CTN para o período compreendido entre 03/2002 e 06/2002, por considerar configurada a antecipação de pagamento em levantamentos de contribuições não declaradas em GFIP (fls. 07/09), o acórdão paradigma, em tal hipótese de não reconhecimento do fato gerador pelo contribuinte, entende pela aplicação do art. 173, I do CTN por considerar inexistente qualquer recolhimento antecipado. Em suas razões alega a União que não há que se falar em homologação do art. 150 do CTN no prazo de 5 anos contados do fato gerador, quando não tenha havido pagamento relativo àquele específico fato gerador. Ao contrário, sob o amparo do art. 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do art. 173 do CTN. No exame de admissibilidade o Presidente da 4ª Câmara da 2ª seção acolheu o alegado pela União, dando seguimento ao Recurso. Regularmente intimado, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Fl. 536DF CARF MF 4 Não há reparos a se fazer na análise da admissibilidade do presente Recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade. Assim, passo à análise do mérito da questão. O lançamento por homologação, regulado pelo artigo 150 do CTN, tem como principal característica a atribuição ao contribuinte do dever de antecipar o pagamento do tributo, ficando a autoridade administrativa com o dever de posteriormente chancelar ou não o valor do recolhimento efetuado e, sendo o caso, efetuar cobrança de diferença, verbis: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. A regra da decadência do direito do fisco de lançar o tributo por homologação é regra especial, contida no §4º, do artigo 150 em questão, que estabelece o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, caso não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, verbis: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 537DF CARF MF Processo nº 15504.002765/200846 Acórdão n.º 9202004.522 CSRFT2 Fl. 529 5 Ao se posicionar sobre o tema a 1ª Turma da CSRF, por maioria, se manifestou que a aplicação do artigo 173, I, do CTN na constituição de crédito relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas pode ocorrer na hipótese de não haver pagamento, nem declaração do tributo, conforme trecho do voto vencedor do Acórdão 9101002.021, abaixo transcrito: A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Assim, encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. Assim, mesmo não existindo o pagamento, a declaração prévia constitutiva do crédito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Entendo pertinente essa última colocação, no sentido de que a declaração prévia, constitutiva do crédito tributário basta para manutenção da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Isso porque, não pago o tributo a União já possui título passível de execução direta, não demandando qualquer procedimento administrativo para se efetuar a cobrança. Nesse contexto o próprio STJ, no fim do ano de 2015, editou a Súmula 555, que possui a seguinte redação: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. A meu ver, para fins de contagem do prazo decadencial a declaração do débito na competente obrigação acessória se equivale ao pagamento. Assim, para a aplicação do §4º, do artigo 150, do CTN exigese a ocorrência dos seguintes situações: 1. A lei deve estabelecer que o lançamento do tributo é realizado na modalidade homologação; 2. Não ocorra a comprovação de dolo, fraude ou simulação pelo ente tributante; 3. Haja pagamento e/ou declaração do tributo. Passo, então, a verificar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733 ao caso ora sob análise. A Turma a quo, decidiu, com base na análise do Relatório de Documentos Apresentados constante da NFLD, que se aplica ao caso a decadência contida no artigo 150, Fl. 538DF CARF MF 6 §4º, do CTN, para os fatos geradores ocorridos até a competência 07/2002, tendo em vista haverem comprovantes de pagamento reconhecidos pela própria fiscalização relativos a todo o período, muito embora nem sempre das exatas rubricas. Vejo, entretanto, que os tributos ora cobrados tem como fato gerador o pagamento de remuneração à contribuintes individuais (autônomos e prólabore) e à segurados empregados. Vale aqui destacar que tratamse de contribuições com distintas fundamentações legais. A contribuição devida pelas remunerações pagas a contribuintes individuais está prevista no artigo 22, III, da Lei 8.212/91, enquanto que a contribuição devida em função do pagamento de remuneração aos segurados empregados está prevista no artigo 22, I, do mesmo diploma legal. Em relação às contribuições devidas a segurados empregados é possível identificar nos autos pagamentos em todos os períodos, conforme se vê do RDA e RADA (fls. Fl. 45 a Fl. 54). Já em relação aos pagamentos efetuados à contribuintes individuais, não se verifica pagamento, nem declaração nos autos. Assim sendo, considerando que o pagamento foi comprovado em parte no presente caso, entendo que o prazo decadencial deve ser contado com base no artigo 150, §4º do CTN em relação às contribuições devidas pela remuneração aos segurados empregados. Em relação à remuneração à contribuintes individuais, aplicase a regra decadencial contida no artigo 173, I, do CTN, dada a ausência de pagamento ou declaração do débito nos autos. Nesse contexto, voto por dar parcial provimento ao recurso da União, para aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN aos levantamentos de autônomos e pró labore. Importante registrar que na visão da maioria a declaração não se equipara a pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 539DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.721119/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012
SUBFATURAMENTO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. INAPLICABILIDADE.
A partir da vigência da Medida provisória n° 2.158-35/01, não se aplica o perdimento da mercadoria ou a multa por conversão aos casos caracterizados como exclusivamente de subfaturamento, devendo ser exigido, além dos impostos e da multa de ofício, a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado. A declaração falsa na fatura e em outros documentos que instruem o despacho, na situação de fato infracional exclusivamente de subfaturamento, constitui ato meio para obter o fim (subfaturamento),
Numero da decisão: 3401-003.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conelheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, que davam provimento. Apresentou contrarazões orais PEdro Gilberto Brand, OAB RS n.º 37.955.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 SUBFATURAMENTO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. INAPLICABILIDADE. A partir da vigência da Medida provisória n° 2.158-35/01, não se aplica o perdimento da mercadoria ou a multa por conversão aos casos caracterizados como exclusivamente de subfaturamento, devendo ser exigido, além dos impostos e da multa de ofício, a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado. A declaração falsa na fatura e em outros documentos que instruem o despacho, na situação de fato infracional exclusivamente de subfaturamento, constitui ato meio para obter o fim (subfaturamento),
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conelheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, que davam provimento. Apresentou contrarazões orais PEdro Gilberto Brand, OAB RS n.º 37.955. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
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IMPORTAÇÃO. Recorrentes METALURGICA DO TONI LTDA. E FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL E METALURGICA DO TONI LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 SUBFATURAMENTO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. INAPLICABILIDADE. A partir da vigência da Medida provisória n° 2.15835/01, não se aplica o perdimento da mercadoria ou a multa por conversão aos casos caracterizados como exclusivamente de subfaturamento, devendo ser exigido, além dos impostos e da multa de ofício, a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado. A declaração falsa na fatura e em outros documentos que instruem o despacho, na situação de fato infracional exclusivamente de subfaturamento, constitui ato meio para obter o fim (subfaturamento), Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conelheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, que davam provimento. Apresentou contrarazões orais PEdro Gilberto Brand, OAB RS n.º 37.955. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 72 11 19 /2 01 3- 73Fl. 930DF CARF MF 2 Relatório Este processo cuida do Auto de Infração que constituiu e exige, contra a empresa Metalúrgica de Tony Ltda: · multa por conversão da pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, PELO FATO DE TER SIDO ENCONTRADA MERCADORIA JÁ DESEMBARAÇADA, CUJOS TRIBUTOS TENHAM SIDO PAGOS APENAS EM PARTE, MEDIANTE ARTIFÍCIO DOLOSO, POR MEIO DO SUBFATURAMENTO DO VALOR DAS MERCADORIAS IMPORTADOS, conforme previsto no inciso IV, art. 23, do DecretoLei n o 1.455/76 c/c inciso XI, do art. 105, Decretolei n ° 37/66; · Imposto de Importação (II), · Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), · Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) · Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), · multa lançada de ofício proporcional a 150% e · juros de mora. A autoridade fiscal, a partir dos documentos obtidos no estabelecimento da contribuinte (Metalúrgica De Toni) e no da empresa PAESE (Paese Comércio de Ferragens), encontrou provas de que houve prática de subfaturamento e indícios de outros ilícitos. Ela descreve que: " o esquema fraudulento capitaneado pelo sócio administrador Deonir De Toni e pelo Sr. Evandro Paese consistiu, no mais das vezes, na omissão da parcela paga a título de adiantamento para o início da produção, também denominado de downpayment, prepayment ou advance. O pagamento final das mercadorias importadas, também referido como balance ou rest payment, restava como o único valor declarado à Fiscalização". Sendo que a parcela paga a titulo de antecipação era remetida ilegalmente ao exterior, à margem do Sistema Financeiro Nacional, por meio de uma prática conhecida como "doleiros" ou, como referido pelo próprio importador, "money changer", logo, não declarada ao fisco. Além da Metalúrgica De Toni, a fiscalização apontou, também, como responsáveis solidários, com fundamento nos art. 124 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), o Sr. Deonir de Tony, devido a sua condição de sócio administrador e pelas infrações praticadas na condução da operações de importação promovidas pela Metalúrgica De Toni Ltda, e o Sr. Evandro Paese, em função da sua participação como representante da autuada nas operações de importação realizados entre 05/2008 a 04/2013 Fl. 931DF CARF MF Processo nº 11050.721119/201373 Acórdão n.º 3401003.246 S3C4T1 Fl. 3 3 Os autuados ingressaram com impugnação contra essa exigência fiscal. Os Julgadores de 1º piso, após apreciála, bem como os demais documentos e atos que compõem o contraditório decidiram: Por unanimidade, REJEITAR as alegações de afronta aos Princípios Constitucionais, de nulidade por ausência de tradução juramentada e de inadmissibilidade de prova emprestada; Votou pela conclusão a julgadora Maria do Socorro Ferreira Aguiar, nos termos da declaração de voto. Por maioria de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a impugnação, para EXONERAR a parte do lançamento referente a multa por conversão do perdimento, no valor de R$ 2.564.110,95, por vício material; Vencido o julgador Ricardo Serra Rocha, que votou pela aplicabilidade da multa de conversão do perdimento, conforme declaração de voto.. No mérito, por unanimidade, julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, para manter integralmente o crédito tributário exigido, referentes aos tributos, no valor de R$ 298.952,52, a multa de ofício, no valor de R$ 448.428,78, e os respectivos juros de mora. RECORRER DE OFÍCIO do presente Acórdão ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme previsto no artigo 34, do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no artigo 1o, da Portaria MF no 3, de 3 de janeiro de 2008. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em 2a instância. O Acórdão n. 0831.369 proferido em 16/10/2014 pela respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza ficou assim ementado: Acórdão 0831.369 2a Turma da DRJ/FOR Sessão de 16 de outubro de 2014 Processo 11050.721119/201373 Interessado METALÚRGICA DE TONI LTDA CNPJ/CPF 89.041.560/000106 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Não compete a julgador administrativo a apreciação de alegações de violação de princípios constitucionais, em face da sua submissão ao Princípio da Legalidade. PROVA EMPRESTADA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. ADMISSIBILIDADE. Admitese o uso de prova emprestada quando for ofertado ao acusado a chance de impugnar a exigência fiscal e, por conseqüência, for respeitado o seu direito a ampla defesa e ao contraditório, conforme prevê o Decreto n° 70.235/72. DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA. CÓDIGO CIVIL. Fl. 932DF CARF MF 4 É dispensável a tradução juramentada de documento redigido em língua estrangeira utilizado como meio de prova, quando a ausência de referida tradução não trouxer prejuízo à defesa do acusado. SUBFATURAMENTO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. INAPLICABILIDADE. A partir da vigência da Medida provisória n° 2.15835/01, não se aplica o perdimento da mercadoria ou a multa por conversão aos casos de subfaturamento, devendo ser exigido, além dos impostos e da multa de ofício, a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte ingressou com recurso voluntário contra a parte remanescente do crédito exigido, repisando as alegações apresentadas na impugnação no que concerne a essa exigência. O Colegiado de 1ª instância recorreu de ofício pela parte que exonerou em seu acórdão. Após esses eventos, a contribuinte veio ao processo para noticiar sua adesão a parcelamento para a parte que havia sido mantida pelo acórdão dos julgadores de 1º piso. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminares Antes de prosseguirmos nos temas e matérias deste contraditório, devo trazer a esta sessão a informação inserida neste processo de que o autuado aderiu a parcelamento para o valor do crédito mantido pelos Julgadores de 1ºpiso. Sendo assim, proponho a este Colegiado não tomar conhecimento do recurso voluntário. MÉRITO RECURSO DE OFÍCIO Os Julgadores a quo apresentaram seu entendimento de que há penalidade específica para o subfaturamento, no caso 100% da diferença entre o valor declarado e o valor Fl. 933DF CARF MF Processo nº 11050.721119/201373 Acórdão n.º 3401003.246 S3C4T1 Fl. 4 5 real, e não, como propôs a autoridade de lançamento, a multa de conversão da pena de perdimento com 100% do valor aduaneiro do bem. Este erro constituiria vicio material a ensejar o cancelamento do auto nesta matéria. Vejamos os seus argumentos e justificativa para essa decisão de exonerar a multa constituída pela autoridade fiscal: Da inaplicabilidade da multa por conversão do perdimento aos casos de subfaturamento Extraise do "Relatório de Auditoria" que a aplicação da multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria, disposta no art. 23, do DecretoLei n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 41 da Lei n° 12.350/10, no presente caso, teve como motivação o suposto subfaturamento nas importações efetuadas pela Metalúrgica De Tony, conforme trecho da conclusão fiscal copiado abaixo (fl. 201): Assim, a questão a ser enfrentada nesse momento do julgamento versa sobre qual norma deve ser aplicada diante da situação em que uma mesma conduta se amolda, aparentemente, a dois ou mais dispositivos legais, ou seja, há uma unidade no fato e uma pluralidade de normas identificando este mesmo fato como uma infração, aplicando penalidade diversa, surgindo, assim, o que a doutrina convencionou chamar de "conflito ou concurso aparente de normas". Para a solução da controvérsia sobre qual das normas seria aplicável ao caso concreto, recorrome ao Princípio da Sucessividade e ao Princípio da Especialidade; o primeiro, define que quando duas ou mais normas sucedem no tempo, referindose ao mesmo fato, a que for posterior sempre será preferida; o segundo, afirma que a norma será considerada especial quando trouxer elementos próprios e particulares à descrição da norma geral, e, por isso mesmo, deverá prevalecer. Concluise, então, que a lei de natureza geral, por abranger ou compreender um todo, somente seria aplicável quando não se verificar no ordenamento jurídico uma norma de caráter mais específico sobre determinada matéria. Assim,vejo que a partir de 24/08/01, quando entrou em vigor da MP 2158, que no art. 88 passou a prever penalidade específica a ser aplicada na hipótese de subfaturamento, tal ilícito foi excluído do rol das fraudes enumeradas em qualquer dos incisos do art. 23 do DecretoLei no 1.455/76. Por isso mesmo, a Lei n° 10.637, que em 2002 estabeleceu que as infrações definidas como dano ao Erário seriam punidas com o perdimento ou a sua conversão, não alcançou (e ainda não alcança) o subfaturamento ou quaisquer outras infrações a ele vinculadas e não autônomas, pois essa infração (subfaturamento) não mais se encontrava no rol das condutas consideradas danosas ao Erário no momento de Fl. 934DF CARF MF 6 início de vigência da referida lei, uma vez que já havia passado a receber tratamento tributário distinto, sujeito a uma infração específica. Quanto ao uso de documento ideologicamente falso, é bem verdade que a fatura, ao não apresentar o valor real da operação, obviamente, é falsa, e, à primeira vista, tal fato se enquadraria ao previsto no art. 105 do DecretoLei n° 37/66. Todavia, no presente caso, deve ser aplicado o Princípio da Consunção, utilizado nos casos em que há uma sucessão de condutas com existência de um nexo de dependência entre elas, afastandose o crime meio, preparatório e necessário, que passa a ser absorvido pelo crime fim. In casu, afastase o crime de utilização de fatura falsa, crime meio, através do qual se buscava alcançar o crime fim, o subfaturamento, que deve ser o penalizado. Posicionamento diverso, obrigatoriamente, levaria a aplicação de duas penalidades (perdimento e multa de 100%) para uma única infração (subfaturamento), ou tornaria inócua a multa de 100% prevista no art. 88 da MP 2158, que nunca seria aplicável, pois o subfaturamento sempre traz consigo uma fatura falsa. Em síntese, entendo que, a partir 24/08/2001, aos casos de subfaturamento, não se aplica o perdimento ou a multa por conversão, devendo ser exigido, além dos impostos e da multa de ofício, a multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, conforme prevê o art. 88 da MP 2158. Na hipótese dos autos, a aplicação da multa prevista no art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76 teve como motivação justamente o subfaturamento, conduta para a qual já havia (e ainda há) previsão de penalidade específica. Desta forma, considerando que a aplicação da penalidade prevista no art. 23 da DecretoLei no 1.455/76 foi motivada pelo subfaturamento, conduta esta que já se encontra prevista em norma específica, qual seja, no art. 88 da MP 2158, julgo que, no presente caso, houve erro na capitulação legal, fato que enseja a nulidade do lançamento, na parte referente à multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, no montante de R$ 2.564.110,95. Diante das definições acima, vêse, então, que a parte do lançamento referente a penalidade prevista no art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76, no valor de R$ 2.564.110,95, foi contaminado por vício material, uma vez que os fatos narrados, referente a infração definida como subfaturamento, não se amolda ao enquadramento legal utilizado pela fiscalização. Ao reler o auto de infração, percebo que o fato central descrito como infração é o subfaturamento. E nesse caso, a declaração falsa é meio para essa prática. De fato, há infração específica para a prática de subfaturamento e ela deve prevalecer sobre a hipótese de penalidade menos específica. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 11050.721119/201373 Acórdão n.º 3401003.246 S3C4T1 Fl. 5 7 Por isso, considero que decidiram com correção os Julgadores de 1º piso, e proponho a este colegiado negar provimento ao recurso de ofício, nos termos da decisão recorrida nesta matéria. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 936DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.014214/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2003
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS.
Deve ser excluída a multa e o juros moratórios que tenham incidido sobre débitos depositados espontaneamente em juízo.
DÉBITO LANÇADO. PAGAMENTO NO PERÍODO.
Comprovado que o valor recolhido pelo contribuinte no período lançado de ofício foi devidamente aproveitado para reduzir o montante devido, indevido o pleito para exclusão do débito.
PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INEXISTÊNCIA DE OBJETO
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, deve-se atribuir efeitos retroativos à legislação tributária que comine penalidade menos severa.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração."
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA E DA SELIC.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: i) reconhecer a decadência nos meses de maio a novembro de 2002; ii) excluir as multas e os juros de mora exigidos sobre a parcela do crédito tributário depositado em juízo; iii) determinar o recálculo o valor da multa da GFIP nos termos do artigo 476-A da IN RFB nº 971. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) quanto à decadência reconhecida.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 06/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2003 MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. Deve ser excluída a multa e o juros moratórios que tenham incidido sobre débitos depositados espontaneamente em juízo. DÉBITO LANÇADO. PAGAMENTO NO PERÍODO. Comprovado que o valor recolhido pelo contribuinte no período lançado de ofício foi devidamente aproveitado para reduzir o montante devido, indevido o pleito para exclusão do débito. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INEXISTÊNCIA DE OBJETO Tratando-se de ato não definitivamente julgado, deve-se atribuir efeitos retroativos à legislação tributária que comine penalidade menos severa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA E DA SELIC. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: i) reconhecer a decadência nos meses de maio a novembro de 2002; ii) excluir as multas e os juros de mora exigidos sobre a parcela do crédito tributário depositado em juízo; iii) determinar o recálculo o valor da multa da GFIP nos termos do artigo 476-A da IN RFB nº 971. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) quanto à decadência reconhecida. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 06/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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DEPÓSITOS JUDICIAIS. Deve ser excluída a multa e o juros moratórios que tenham incidido sobre débitos depositados espontaneamente em juízo. DÉBITO LANÇADO. PAGAMENTO NO PERÍODO. Comprovado que o valor recolhido pelo contribuinte no período lançado de ofício foi devidamente aproveitado para reduzir o montante devido, indevido o pleito para exclusão do débito. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INEXISTÊNCIA DE OBJETO Tratandose de ato não definitivamente julgado, devese atribuir efeitos retroativos à legislação tributária que comine penalidade menos severa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA E DA SELIC. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 42 14 /2 00 7- 18 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: i) reconhecer a decadência nos meses de maio a novembro de 2002; ii) excluir as multas e os juros de mora exigidos sobre a parcela do crédito tributário depositado em juízo; iii) determinar o recálculo o valor da multa da GFIP nos termos do artigo 476A da IN RFB nº 971. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) quanto à decadência reconhecida. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 06/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, DEBCAD 37.117.2667, referente às contribuições sociais patronais, destinadas à Seguridade Social, nos termos do art. 22, inciso. I , da Lei 8.212/91. Os valores lançados decorrem das diferenças resultantes do confronto entre as contribuições devidas sobre as remunerações pagas a autônomos nos meses de maio/2002 a dezembro de 2003, com os montantes recolhidos pela empresa. Inconformada com o lançamento, o contribuinte formalizou a impugnação de fl. 168, a qual restou assim relatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Salvador/BA: Tratase de processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 37.117.2667, através da qual é exigido crédito tributário referente a Contribuição Previdenciária, instituída pela Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, abrangendo a cota patronal, incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. O crédito, no valor de R$ 177.864,27 (cento e setenta e sete mil, oitocentos e sessenta e quatro reais e vinte e sete centavos), foi lançado no código de levantamento PCIPAG C INDIV N DECLARADOS GFIP, que engloba contribuições devidas sobre os pagamentos a contribuintes individuais. O Auditor Fiscal afirma em seu Relatório, fls. 44 a 47, que o sujeito passivo possui ação na justiça (processo n° Fl. 569DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10580.014214/200718 Acórdão n.º 2201003.335 S2C2T1 Fl. 569 3 1999.01.00.0190786), “apelando contra a exigência da contribuição social sobre os pagamentos a empresários, e trabalhadores autônomos, e que foi negado provimento à apelação em 20/08/2002”. E continua: “informamos ainda que possui um outro processo contra a Previdência social no. l999.33.00.0060751/BA, referente ao qual a empresa apresentou comprovantes de depósitos judiciais, e que nada leva a crer que tais depósitos englobem valores cobrados nesta NFLD, mesmo porque, os depósitos são em valor inferior às contribuições devidas sobre a folha de pagamento e que estes contribuintes individuais sequer constam destas folhas”. Adiante o Auditor afirma que “o valor referese a diferenças resultantes do confronto entre as contribuições devidas sobre as remunerações pagas a autônomos nos meses de maio/2002 a dezembro/2003, com os montantes recolhidos pela empresa”. Constam desta NFLD valores referentes às contribuições relativas à empresa para a seguridade social devida sobre as remunerações pagas a autônomos e empresários (prólabore)”. O Relatório afirma ainda que foram utilizados como base para o levantamento as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e os livros Razão; que os pagamentos efetuados a autônomos estão individualizados e comprovados pelas contas 3.1.01.03.034 até 11/2002, e 310300.01 e 323000.01 de 12/2002 até 12/2003; que os pagamentos efetuados sob este título de Pró labore constam da conta 3.l.01.0003; e que se trata de valores não informados em GFIP. O Sujeito Passivo foi cientificado do lançamento no dia 05/12/2007, conforme assinatura aposta à fl. 01 e, inconformado com o lançamento, apresentou impugnação no dia 04/01/2008, que foi juntada às fls. 167 a 197, na qual apresenta os argumentos a seguir resumidos: Inicia alegando a tempestividade da impugnação e informando a data da ciência e da defesa. Afirma também que, visando afastar a cobrança da contribuição previdenciária instituída pela Lei Complementar (LC) n° 84, de 18 de janeiro de 1996, ingressou com a Ação Cautelar n° 96.001168458 perante a Justiça Federal de Salvador/BA, por meio da qual requereu a autorização judicial para efetuar o depósito das importâncias que deveriam ser recolhidas em virtude da Lei supracitada. A seguir, ainda que, ao analisar tal pleito, o Juiz Federal proferiu decisão que a autorizou a proceder ao depósito judicial requerido. Assim, passou, a partir da competência abril de 1999, a depositar em juízo todo o montante correspondente aos valores devidos a titulo de contribuição previdenciária incidentes sobre as parcelas pagas ou creditadas aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 4 Todavia, posteriormente, foi proferida sentença julgando improcedente o pleito cautelar, decisão que foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1” Região e, assim, passou, a partir da competência outubro de 2003, a recolher diretamente aos cofres públicos federais as contribuições previdenciárias objeto da NFLD sob julgamento. Quanto aos depósitos judiciais até então efetuados, atualmente estariam sendo convertidos em renda a favor da União. Dispõe que, após o ajuizamento da Ação Cautelar acima mencionada, ingressou com a Ação Declaratória n° 1997.33.00.0001399, distribuída por dependência à primeira, por meio da qual requereu a declaração de inconstitucionalidade da LC n° 84, de 1996, e também nessa ação foi proferida sentença desfavorável, posteriormente confirmada pelo TRF. Dispõe que foi surpreendida com o lançamento da NFLD sob julgamento, asseverando que, tendo em vista o expresso reconhecimento da existência dos depósitos judiciais das quantias supostamente devidas a título de contribuição previdenciária nos autos do processo judicial atrelado à Ação Cautelar n° 9600168458 (Apelação n° 1999.01.00.0190786), cumpriria à agente fiscal, em total atendimento às normas tributárias vigentes e aplicáveis ao presente feito, efetuar o lançamento tributário somente para prevenir a decadência. Todavia, a agente fiscal não só lançou créditos acometidos pela decadência, mas também incluiu em seu lançamento valores supostamente devidos a título de multa e juros, fato que desrespeitou a Carta Magna de 1988, o CTN, o Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, e a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim requer que tal falta seja sanada. Alega que o processo administrativo sob julgamento deverá ser suspenso até que os depósitos judiciais vinculados à Ação Cautelar n° 9600168458 sejam efetivamente convertidos em renda em favor da União, haja vista a exigibilidade do crédito tributário estar suspensa. Transcreve o art. 62 do Decreto n° 70.235, de 1972, e afirma que tal dispositivo impõe a impossibilidade de que se venham a perpetrar atos de cobrança no que tange aos débitos que tiveram sua exigibilidade suspensa, não impedindo o lançamento nos termos do art. 142 do CTN, para fins de prevenir a decadência. Assim, conclui, demonstrada a suspensão da exigibilidade das contribuições lançadas, não podem ser imputados juros ou multa, devendo ser cancelada tal exigência. A fim de embasar o seu entendimento, transcreve o art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, e decisões judiciais sobre a matéria e afirma que se impõe o imediato cancelamento da autuação nesse mister. Afirma que a partir da competência outubro de 2003 passou a recolher o valor das contribuições previdenciárias diretamente aos cofres federais, portanto o valor lançado na competência dezembro de 2003 padece de qualquer fundamentação legal e deve ser cancelado. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10580.014214/200718 Acórdão n.º 2201003.335 S2C2T1 Fl. 570 5 Argumenta que, considerando a natureza tributária das contribuições sociais, toda matéria concernente à decadência tributária deve ser regulada via lei complementar, em respeito ao art. 146 da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Assim, tendo em vista que as contribuições previdenciárias são recolhidas por meio de lançamento por homologação, deve ser aplicado o art. 150, §4° do CTN, que preceitua a contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador do tributo. Alega que a utilização da taxa do SELIC como taxa de juros de mora na atualização de débitos tributários denota uma cobrança extorsiva, em completa desproporção com o próprio conceito de indenização, pois expressa uma verdadeira punição ao equipará la à taxa de juros remuneratórios e não moratórios, sendo tal exigência inconstitucional por ferir os arts. 161, parágrafo único do CTN e 146, III e 150, I ambos da CF/88. Por fim, requer a impugnante o imediato cancelamento da NFLD sob julgamento, no que tange aos juros e à multa; a suspensão do curso do presente processo administrativo até a efetiva conversão em renda em favor da União dos depósitos judiciais vinculados à Ação Cautelar" n° 9600168458, especialmente no período compreendido entre os meses de maio de 2002 a setembro de 2003; no que diz respeito ao mês de dezembro de 2003, a exclusão do valor supostamente não recolhido, haja vista a ter comprovado documentalmente o pagamento da contribuição previdenciária supostamente devida neste período; e a decretação de nulidade da NFLD em decorrência de ter decaído o direito de a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) lançar os créditos tributários relacionados às competência maio a dezembro de 2002, bem como em virtude da indevida aplicação da Taxa do SELIC. Após analisar as fatos e fundamentos legais expostos pela autoridade autuante e pelo impugnante, a 6ª turma da DRJ salvador concluiu: (...) Por outro lado, os depósitos judiciais efetuados pelo sujeito passivo, enquanto esteve vigente a decisão liminar concedida em sede da Ação Cautelar supracitada, correspondentes às contribuições aqui lançadas, deverão, quando eventualmente convertidos em renda, ser apropriados ao presente crédito pelo órgão da Delegacia da Receita Federal (DRF) responsável pela cobrança. Nesse momento, a multa de mora aplicada, relativa aos valores que tiverem sido previamente depositados em juízo pelo contribuinte, deverá ser excluída do débito, por força do contido no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Quanto aos juros cobrados, estes deverão ser mantidos por falta de previsão legal para a sua exclusão. (...) Fl. 572DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 6 Quanto à competência dezembro de 2003, não procede a alegação do sujeito passivo, tendo em vista que o único pagamento efetuado para esta competência, conforme Guia da Previdência Social (GPS) apresentada na defesa, fls. 297, foi considerada no lançamento, fato que pode ser verificado da análise do relatório Discriminativo Analítico do Débito (DAD), fls. 08, o qual consigna o valor do tributo apurado (RS 4.266,92), subtraído pelo valor da contribuição recolhida (R$ 2.906,54), resultando o tributo devido na competência (R$ 1.360,38). (...) No que tange às alegações concernentes à decadência, (...) Assim, em virtude de ter o sujeito passivo efetuado recolhimento parcial na competência julho de 2002, para o estabelecimento CNPJ n° 15.676.893/000167, conforme tela impressa às fls. 304, o crédito relativo a esta competência será excluído do presente lançamento. As contribuições lançadas na competência julho de 2002 do estabelecimento 15.676.893/000914 e nas competências abril a junho e agosto a novembro de 2002 em todos os estabelecimentos não serão extintas, por não constar dos nossos sistemas qualquer recolhimento, conforme telas impressas às fls. 304 e 305. (...) No que tange à alegação de inconstitucionalidade da aplicação da taxa do SELIC na cobrança dos juros (art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991), não há declaração proferida pelo Supremo Tribunal Federal a este respeito. As normas que amparam estas cobranças continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas. (...) Dessa forma, esta autoridade deixa de examinar a questão da ilegalidade e inconstitucionalidade suscitada pela impugnante, por extrapolar os limites de sua competência. Repitase, trata de matéria que escapa à apreciação deste julgador administrativo. Ciente do Acórdão da DRJ, em 04/09/2009, e ainda inconformada, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 464/496, no qual pondera as conclusões da decisão de 1ª Instância, objetivando ver atendidas as razões expostas em sede de impugnação. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Da suspensão da exigibilidade em decorrência da realização de depósitos judiciais. O contribuinte entende que o presente processo deveria estar suspenso nos termos do inciso II do art. 151 da Lei 5.172/66 (CTN) em razão de depósitos judiciais Fl. 573DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10580.014214/200718 Acórdão n.º 2201003.335 S2C2T1 Fl. 571 7 regularmente efetuados nos autos da Medida Cautelar nº 96.00168458. Entende, ainda, que devem ser excluídas a multa e juros de mora incidente sobre a contribuição previdenciária supostamente devida. Contesta a decisão de primeira instância, que foi contrária à suspensão do processo por entender que os créditos objeto da discussão não estariam suspensos, em razão da decisão que concluiu pela improcedência da ação judicial antes do lançamento. Conforme de vê em fl 45, embora ciente da existência de depósitos judiciais, a autoridade fiscal entendeu por bem efetuar lançamento afirmando que "nada leva a crer que tais depósitos englobem valores cobrados nesta NFLD, mesmo porque, os depósitos são em valor inferior às contribuições devidas sobre a folha de pagamento e que estes contribuintes sequer constam destas folhas". Assim, diante da mera suspeita, considerando que a autuação fiscal não demonstrou que os depósitos efetuados são relativos a outros contribuintes individuais, a questão que remanesce nos autos se situa na abrangência da imposição de multa de ofício e da incidência juros de mora em lançamento quando há depósito judicial que alcança apenas parte do crédito tributário. Ou seja, se multa e juros alcançam a totalidade do crédito (uma vez que apenas o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito), ou apenas a parte do crédito não garantida pelo depósito judicial (pelo fato de que o depósito em montante não integral suspende a exigibilidade do crédito até o montante depositado). Com relação à multa, a DRJ concluiu que multa de mora aplicada, relativa aos valores que tiverem sido previamente depositados em juízo pelo contribuinte, deverá ser excluída do débito, por força do contido no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Quanto aos juros cobrados, entendeu a DRJ que estes deverão ser mantidos por falta de previsão legal para a sua exclusão. Ocorre que o objeto de um depósito em juízo de um crédito tributário não é só a sua suspensão nos termos do inciso II do art. 151 do CTN. O que se objetiva, principalmente, é que depositante não seja punido com o pagamento de multas de ofício e juros moratórios. A suspensão é mero reflexo da garantia em juízo do valor em discussão. O Decreto 3.048/99, que aprova o Regulamento da Previdência Social, e dá outras providências, prevê: (...) Art. 369. Os depósitos judiciais e extrajudiciais referentes a contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social serão efetuados na Caixa Econômica Federal mediante guia de recolhimento específica para essa finalidade, conforme modelo a ser aprovado pelo Instituto Nacional do Seguro Social e confeccionado e distribuído pela Caixa Econômica Federal. (...) Art. 370. O valor dos depósitos recebidos será creditado pela Caixa Econômica Federal à Subconta da Previdência Social da Conta Única do Tesouro Nacional junto ao Banco Central do Fl. 574DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 8 Brasil, no mesmo prazo fixado para recolhimento das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Grifouse Assim, tendo em vista que os valores depositados foram repassados à subconta da Previdência Social da Conta Única do Tesouro Nacional, no mesmo prazo fixado para o recolhimento das contribuições arrecadadas pelo INSS, não faria sentido algum a incidência de atualização a título de mora, já que os valores já estão de posse da União. Por outro lado, é certo que, sendo uma atitude unilateral do contribuinte em promover o depósito, os valores por ele levados à custódia judicial são os apurados espontaneamente. O que não impede que uma eventual ação fiscal posterior constate que o valor realmente devido pelo contribuinte seja maior do que aqueles depositados. Tal como ocorre quando um contribuinte apura um débito e efetua o recolhimento regular, nada obsta a atuação fiscal para verificação da correção de tal apuração. Como é de elementar conhecimento, quando a fiscalização apura um tributo devido maior que o declarado e recolhido pelo sujeito passivo, a cobrança ocorre exclusivamente sobre o valor suplementar, com incidência de multas e juros de mora. Ora, por que seria diferente para os casos em que, no lugar do pagamento, houvesse o depósito judicial do montante apurado pelo contribuinte? Por que haveríamos de impor a cobrança de juros moratórios sobre o valor total depositado? Assim, penso que a suspensão da exigibilidade prevista no inciso II do art. 151 do CTN deve ser entendida de modo que alcance a parcela correspondente ao valor depositado do débito. Afinal, como dito acima, o que o contribuinte depositou acreditando que seria o montante integral, pode não ser o suficiente para fazer face ao débito levantado posteriormente em lançamento de ofício. Pelo que se nota nos autos, o contribuinte não questiona a ocorrência dos fatos gerados apontados pela fiscalização na apuração do débito fiscal. O que nos conduz ao entendimento de que estão corretos. Insurgese apenas em relação à cobrança de juros e multa de mora sobre os valores depositados judicialmente e pede a suspensão do processo, possivelmente acreditando que tudo o que foi apurado pela fiscalização estaria lastreado em depósitos judiciais, esquecendose de se ater a uma eventual apuração de débito que seja superior ao depositado. Assim, está correta a DRJ ao manifestarse contrariamente a suspensão do processo. Não obstante, entendo que procedem, em parte, os argumentos da recorrente, pelo quê dou provimento à exclusão de multa e dos juros de mora exigidos sobre a parcela do crédito tributário depositado em juízo e convertido em renda da União, mediante transformação em pagamento definitivo (inciso II do artl 371 do Decreto 3.048/99), devendo estas penalidades serem mantidas para os valores lançados que superarem os montantes depositados. Da retroatividade benigna A requerente questiona a aplicação de multas de mora e de ofício sobre as mesmas infrações, sejam principais ou acessórias e requer a aplicação de retroatividade benigna em razão das alterações promovidas pela lei 77.941/09. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10580.014214/200718 Acórdão n.º 2201003.335 S2C2T1 Fl. 572 9 De início cumpre destacar que os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que previam as penalidades por descumprimento de obrigações principais e acessórias, tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a:(...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. (...) § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Assim, no caso em apreço, considerandose que houve aplicação de multas pelo descumprimento de obrigações principais e acessórias, no contexto de lançamento de ofício, o entendimento desta Conselho é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixava dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 10 Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, e ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10580.014214/200718 Acórdão n.º 2201003.335 S2C2T1 Fl. 573 11 E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifouse) Destarte, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante dessas considerações, sobre o eventual saldo de débito apurado após a exclusão do lançamento dos valores depositados em juízo, inclusive multa e juros de mora incidentes sobre os mesmos, prestigiando o comando contido no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei 5.172/66 (CTN), o órgão responsável pelo cumprimento deverá recalcular o valor da penalidade a fim de verificar qual critério seria mais benéfico ao contribuinte, a saber: a soma das multas vigentes à época do fato gerador ou a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44, da Lei 9.430/96. Do recolhimento de dezembro. A recorrente questiona a conclusão da DRJ que considerou improcedente a alegação de incorreção do valor apurado para o mês de dezembro de 2013. Concluiu a DRJ que o valor da guia apresentada pela contribuinte foi considerado na apuração do montante lançado para o mês em comento. A análise do Discriminativo Analítico do Débito acostado às fl. 09 é clara, conforme se vê na figura abaixo. PAGAMENTO DEZEMBRO Fl. 578DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 12 Ou seja, o pagamento que o contribuinte aponta para o mês está inserido em fl. 390, sendo exatamente o valor em destaque acima, não sendo possível entender de onde o contribuinte, sem contestar o valor apurado do mês, tenha concluído que o recolhimento efetuado encontrase correto e perfeito, refletindo o valor do débito. Ora, o valor apurado do mês, como visto acima, foi de R$ 4.266,92, dos quais foram excluídos o montante de R$ 2.906,54 (exatamente o recolhimento de fl. 390), remanescendo diferença a pagar de R$ 1.360,38. Assim, correta a conclusão da DRJ, restando improcedente, nesta parte, as alegações da recorrente. Da decadência de maio a dezembro de 2002. O contribuinte questiona a decisão de primeira instância que só reconheceu a decadência para o mês de julho de 2002, sob argumento de que apenas nesse mês, por ter sido localizado pagamento nos sistemas (fl. 398). Para a aplicação da contagem do prazo decadencial, este CARF vem adotando o entendimento do STJ, no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, e, portando, de observância obrigatória neste julgamento administrativo, por força de disposição regimental interna, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 579DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10580.014214/200718 Acórdão n.º 2201003.335 S2C2T1 Fl. 574 13 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, inexistindo declaração prévia do débito, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A situação em tela é uma questão sobre a qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou, uniforme e reiteradamente, tendo sido editada Súmula, de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do RICARF, cujo teor destaco abaixo: "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Como se verifica, após discorrer com clareza acerca da decadência, o julgador de primeira instância reconheceu apenas para um mês, por considerar unicamente o pagamento contido na tela de fl. 398. Contudo, entendo que os recolhimentos efetuados no âmbito da Medida Cautelar que deferiu o depósitos judiciais já tratados acima, fl. 342 e seguintes, da mesma forma que o recolhimento constante de fl. 398, têm o condão de amparar a contagem decadencial nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. Desta forma, considerando que a ciência do lançamento ocorreu em 05 de dezembro de 2007, dou provimento parcial ao pleito expresso no recurso voluntário para considerar decadentes eventuais saldos de débitos apurados nos meses de maio a novembro de 2002. Da impossibilidade de utilização da taxa Selic como taxa de juros e da possibilidade de tribunais administrativos afastarem a aplicação de lei que afronte texto Constitucional. O contribuinte insurgese contra o posicionamento do Julgador de 1ª Instância por conta da manutenção da incidência da Selic sobre os débitos lançados e, ainda, por conta de sua afirmação de impossibilidade de declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor. Sobre tais temas, entendo desnecessárias maiores considerações, já que as questões da inconstitucionalidade de lei tributária e da incidência dos juros de mora com base na Selic já foi objeto de reiteradas e uniformes manifestações deste Conselho Administrativo Fl. 580DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 14 de Recursos Fiscais, tendo emitidas Súmulas de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujos conteúdos transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, nesta parte, nego provimento do recurso voluntário. Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário: I excluir as multas e dos juros de mora exigidos sobre a parcela do crédito tributário depositado em juízo e convertido em renda da União; II determinar o recálculo o valor da multa da GFIP nos termos do artigo 476A da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009; III indeferir o pleito de alteração do valor apurado para o mês de dezembro de 2013; IV considerar decadentes saldos remanescente de débitos apurados nos meses de maio a novembro de 2002; V Negar provimento ao pleito relativo à inconstitucionalidade de leis e da Selic. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Carlos Alberto Do Amaral Azeredo Relator Fl. 581DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 16095.720249/2012-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Caso não atenda o requisito previsto no art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Caso não atenda o requisito previsto no art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 49 /2 01 2- 13 Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.919 2 Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 2819/2833) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1102001.009 (efls. 2794 e segs), pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 11/02/2014, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e dado parcial provimento ao recurso voluntário. Resumo Processual Na autuação fiscal, relativa ao anocalendário de 2008, trata da tributação de presunção de omissão de receitas, por saldo credor de caixa e falta de escrituração de compras/pagamentos efetuados, no qual foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A Contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte pela primeira instância (DRJ). Em razão do crédito exonerado, foi enviada remessa necessária (recurso de ofício). A turma ordinária do CARF negou provimento ao recurso de ofício e deu parcial provimento ao recurso voluntário. Foi interposto pela PGFN recurso especial, admitido por despacho de exame de admissibilidade. A Contribuinte apresentou contrarrazões. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e da fase contenciosa. Da Autuação Fiscal Trata a autuação fiscal (Termo de Verificação Fiscal de efls. 2497/2521) de presunção de omissão de receitas, tendo sido tipificadas duas infrações tributárias: 1) saldo credor de caixa não foi comprovada a origem do saldo credor na conta "caixa", escriturada no Livro Razão; 2) falta de escrituração de compras/pagamentos efetuados não foram contabilizadas compras de matériasprimas e/ou insumos e respectivos pagamentos. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (efls. 2522/2550), com multa proporcional de 75%, para o anocalendário de 2008. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 2557 e segs.), que foi julgada procedente em parte pela 4ª Turma da DRJ/Campinas, para afastar parte do crédito tributário Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.920 3 relativo à infração "falta de escrituração de compras/pagamentos efetuados", por terem sido lançados em duplicidade os valores das notas fiscais relacionadas nos quadros de efls. 2679/2680, e manter as demais exações fiscais, nos termos do Acórdão nº 0540.003 (efls. 2661 e segs.), conforme ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. COMPRAS NÃO ESCRITURADAS. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 40, caracteriza presunção de omissão de receitas a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica de compras de mercadorias comprovadamente recebidas e não escrituradas. OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA. A existência de sucessivos saldos credores da conta caixa na contabilidade da empresa constitui presunção legal de omissão de receitas.Verificado o saldo credor da conta Caixa em diversos momentos do períodobase, computase o maior saldo credor do período como valor da receita omitida para fins de determinação do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei nº 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. Fl. 2920DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.921 4 PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Para pretender o direito à utilização de crédito porventura existente é preciso demonstrar a sua apuração em conformidade com a legislação, a regular contabilização, bem como a respectiva disponibilidade. Em razão do crédito tributário exonerado, foi efetuada remessa necessária (recurso de ofício). Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte, apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, por meio do Acórdão nº 1102001.009 (e fls. 2794 e segs.), no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e dado parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar integralmente as exações relativas à infração " falta de escrituração de compras/pagamentos efetuados", conforme ementa a seguir. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ALEGAÇÃO DE INOBSERVÂNCIA DE PRINCÍPIOS E DEVERES PROCESSUAIS. ÔNUS DA RECORRENTE. Incabível a alegação de inobservância de princípios e deveres processuais que não indique onde eles teriam sido infringidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE PAGAMENTOS. OMISSÃO DE COMPRAS. DISTINÇÃO. O fato indiciário da presunção legal de omissão de receita é a falta de escrituração de “pagamentos efetuados” e não a omissão de compras propriamente dita. A omissão de compras constitui também um fato indiciário da omissão de receita. Mas, por não vir expressa na lei, tratase de uma presunção simples, que exige outra capitulação no auto de infração (o artigo 286 do RIR/99), além de outro conjunto probatório, o levantamento quantitativo por espécie, no qual o ônus da prova sobre eventuais diferenças é da fiscalização. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 2819/2833). Discorre que na presunção de omissão de receitas, como a do caso concreto com base no art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, invertese o ônus da prova para o contribuinte. Assim, uma vez constatada a omissão no registro de gastos, independente de quaisquer outros requisitos, resta caracterizada a omissão de receitas. Entende que a hipótese encerrada o antecedente da norma presuntiva é a ausência de escrituração, e pautase a presunção em indícios apurados pelo Fisco que levam à conclusão de que houve compras/pagamentos não escriturados. Logo, comprovada a ocorrência de operações de compra desacompanhadas dos respectivos registros, temse caracterizada a hipótese prevista no art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996. Aduz que, no caso concreto, mediante procedimento de circularização, a autoridade fiscal descobriu que fornecimentos ao contribuinte que não foram contabilizados, por meio de notas fiscais e comprovantes de entrega das mercadorias, ou seja, localizou as compras omitidas. Ainda, logrou identificar os Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.922 5 pagamentos correspondentes aos fornecimentos efetuados pela autuada, ou seja, demonstrou a ocorrência dos pagamentos não escriturados. E, não obstante a intimação, não logrou o contribuinte afastar a presunção aferida pelos fatos indiciários. Nesse contexto, restando ausente prova por parte do contribuinte capaz de provar a origem ou a descaracterizar os pagamentos correspondentes às obrigações, consumouse a omissão de receitas. Entende que não prospera argumento da turma recorrida, de que as notas fiscais teriam servido apenas para evidenciar a omissão de compras, mas não teriam o condão de demonstrar a falta dos pagamentos, ou seja, as operações de compra e de pagamento deveriam ser cindidas. Isso porque a nota fiscal já é instrumento hábil para comprovar tanto a entrega do bem, quanto a execução do pagamento. E, ainda assim, a autoridade fiscal cuidou a apresentar os respectivos comprovantes de pagamento. Em relação ao argumento de que alguns pagamentos não foram efetuados nas mesmas datas em que emitidas as notas fiscais, ou que foram parcelados, tratase de constatação que não tem o condão de afastar a presunção, porque é a nota fiscal o instrumento hábil para demonstrar a ocorrência da operação de compra. Pelo princípio da competência, a divergência entre a data da operação e a data do pagamento não altera o período de apuração das receitas omitidos, e, apenas se não ocorrido o pagamento dentro do mesmo período de apuração é que se poderia descaracterizar a omissão de receitas, mas quem deveria ter feito a prova nesse sentido seria o contribuinte. Enfim, ainda que se demonstrasse a inocorrência do pagamento para algumas das operações de compra, o efeito seria de insubsistência parcial do lançamento fiscal. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 2836/2839 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte (efls. 2584/2861). Aduz que a reanálise fáticoprobatória pretendida pela PGFN está preclusa, vez que só poderia ser realizada via embargos de declaração. Discorre que a jurisprudência pacífica do CARF é no sentido de que notas fiscais emitidas por terceiros, por si só, não comprovam a tradição do bem, e tampouco o recebimento do pagamento. Entende que não restou caracterizada a divergência necessária para a admissibilidade do recurso, vez que a situação tratada no paradigma é diferente da versada nos presentes autos. Alega que o aresto apresentado pela PFN tem como base para a omissão a falta dos pagamentos efetuados tendo em vista vários documentos que demonstram a entrada de dinheiro a menor, ou seja, restou comprovada a realização do pagamento, enquanto que no caso concreto a fiscalização amparouse unicamente na emissão de notas fiscais de fornecedores, sem, contudo, demonstrar ou apontar como e quando aqueles pagamentos deveriam ter sido realizados. Requer pelo não conhecimento do recurso especial da PGFN. O despacho de saneamento (efls. 2877/2861) determinou providências junto à unidade preparadora, para efetuar correções no sistema SIEF/Processos relativas aos créditos tributários dos autos, que foram atendidas conforme despacho de efls. 2888/28921. 1 Contexto do despacho de saneamento do CARF e providências tomadas pela autoridade preparadora: (...) 9. O processo foi devolvido pelo CARF para esta unidade preparadora a fim de que fossem adotadas as medidas necessárias, pois embora o processo estivesse em julgamento, o crédito tributário estava na situação devedor no sistema SIEF/Processos. (folhas 2.877 a 2.878) 10. Analisandose o extrato do processo (folhas 2.880 a 2.887) e as decisões exaradas até o momento no contencioso fiscal, podemos concluir que: 10.1 A ARF/Suzano apurou de maneira incorreta o crédito tributário de IRPJ mantido pelo Acórdão CARF n.º 1102001.009/2014 . Na planilha juntada à folha 2.841, no calculo do imposto adicional, não foi considerada a parcela do lucro não sujeita ao adicional utilizada de ofício;e Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.923 6 É o relatório. 10.2 Os créditos tributários que estão na situação devedor no extrato do processo, após a correção do equívoco relatado no item 10.1, estão exigíveis e a cobrança deve ter prosseguimento imediato, pois esta parte do lançamento foi mantida no acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e o sujeito passivo não apresentou recurso especial. 11. Diante de todo o exposto, proponho a formalização da presente representação e que sejam adotadas as seguintes providencias: 11.1 Corrigir, no sistemas da RFB, o valor do crédito tributário de IRPJ mantido no Acórdão CARF n.º 1102 001.009/2014 de R$ 424.597,35 para R$ 407.680,00, conforme apurado na tabela 2 em anexo; 11.2 Transferir os créditos tributários exigíveis, ou seja, aqueles que foram mantidos pelo CARF e não foram objeto de recurso especial do sujeito passivo, para o processo originado a partir desta Representação; 11.3 Encaminhar os créditos tributários remanescentes no processo n.º 16095.720249/201213 para prosseguimento da apreciação do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional; 11.3 Cientificar o sujeito passivo do inteiro teor da presente Representação;e 11.4 Encaminhar carta cobrança para o sujeito passivo relativa à parte exigível do lançamento, conforme item 11.2, intimandoo para o pagamento/parcelamento do crédito tributário no prazo de 30 dias e informandoo de que, após o término do prazo, os débitos serão encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. (...) Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.924 7 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Pretende a recorrente (PGFN) devolver para discussão ao Colegiado a matéria relativa à infração "falta de escrituração de compras/pagamentos efetuados". Para isso, relacionou com paradigmas os acórdãos nº 9101001.558 e 1401 00.403. Por sua vez, a Contribuinte, em contrarrazões, protesta no sentido de que o recurso não deveria ser conhecido, vez que o paradigma nº 9101001.558 trataria de situação diferente da versada nos presentes autos. A presunção de omissão de receitas em debate é a prevista no art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996: Falta de Escrituração de Pagamentos Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Conforme entendimento da decisão recorrida, a hipótese de incidência da presunção legal em debate consumase com o efetivo pagamento, e não com a emissão da nota fiscal. Ou seja, para se apurar a base de cálculo do lançamento de ofício, não se deve tomar como referência o valor da nota fiscal e a data de sua emissão, mas sim, o valor do pagamento efetuado e a data da ocorrência da extinção da obrigação. Vale transcrever excerto do acórdão (efls. 2804/2805): Contudo, no demonstrativo “COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS – AC 2008” (fls. 2506 a 2521), anexo ao Termo de Verificação Fiscal, percebese que os valores utilizados para totalizar as bases de cálculo mensais de omissão de receita (fls. 2503) foram os extraídos das notas fiscais apresentadas pelos fornecedores circularizados. Não foi feito um trabalho que totalizasse mensalmente os pagamentos efetuados. Como se vê em diversos dos documentos acima mencionados, muitos dos pagamentos foram realizados de forma parcelada e em meses distintos daqueles em que as correspondentes notas fiscais foram emitidas. Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.925 8 O dispositivo legal é claro ao prever que a presunção de omissão de receita é feita a partir da falta de escrituração de “pagamentos efetuados”. O fato indiciário, portanto, é este e não a omissão de compras propriamente dita. (grifei) Como se pode observar, a decisão em nenhum momento diverge em relação à validade da presunção legal, ou a legitimidade da inversão do ônus da prova, ou a falta de comprovação de pagamento. O que a decisão contesta é o procedimento da autoridade autuante, que tomou como referência, para apurar a base de cálculo tributável, a materialidade "nota fiscal", quando deveria ter se pautado pela materialidade "pagamento". Entendeu, portanto, que teria ocorrido um erro de direito, razão pela qual afastou toda a parte da autuação fiscal relativa à infração "falta de escrituração de compras/pagamentos efetuados". Por sua vez, nos acórdãos paradigmas relacionados, em nenhum momento se instaurou tal debate. Sobre o paradigma nº 9101001.558, transcrevo a ementa na parte que interessa: OMISSÃO DE REGISTRO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Nas presunções legais, se aplicadas a fatos geradores após a sua vigência e desde que objetivamente comprovado a existência do indício necessário e suficiente à sua aplicação, cabe ao contribuinte a prova em contrário dos fatos alegados pela fiscalização. Cabe apreciar o contexto em que se deu a autuação fiscal. No caso, a base de cálculo do lançamento deuse mediante a diferença entre o valor da duplicata (efetivamente pago) e o valor escriturado no livro de entrada. Escriturouse um valor a menor do que aquele que realmente foi adimplido pela contribuinte. Em suma, foi contabilizado apenas uma parte do que foi realmente pago. A outra parte, que não foi escriturada, foi objeto do lançamento. E o lançamento tomou como base a ocorrência do pagamento. Portanto, teve como referência a data do vencimento da NF/Duplicata, e não a data da emissão da Nota Fiscal (Anexo do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 697/703 dos autos do processo nº 13161.000825/200465). A título de exemplo, tomando a composição da base de cálculo do lançamento de ofício para o 2º trimestre de 1999, apurouse o montante de R$25.000,00, conforme quadro a seguir: Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.926 9 Nota Fiscal Data de Emissão Valor da Nota Fiscal (R$) Número da Duplicata Valor da Duplicata (R$) Vencimento da NF/Duplicata Valor Escriturado no Livro de Entrada Diferença do Valor de Duplicata e Livro de Entrada 205.850 29/03/1999 14.019,43 20585001 14.019,43 01/04/1999 7.019,43 7.000,00 205.852 29/03/1999 17.322,11 20585201 17.322,11 01/04/1999 8.322,11 9.000,00 205.854 29/03/1999 14.019,43 20585401 14.019,43 01/04/1999 7.019,43 7.000,00 66.543 18/03/1999 2.378,00 s/n 2.378,00 17/04/1999 378,00 2.000,00 TOTAL 25.000,00 Observese que caso se tomasse como referência a data da emissão das Notas Fiscais (em março), os lançamentos teriam integrado a base de cálculo do 1º trimestre de 1999. Ocorre que tomou como referência a Fiscalização a data do pagamento, procedimento confirmado no voto da 2ª Turma da DRJ/Campo Grande: No presente caso, aplicandose a regra acima, temse que a contribuinte, tanto durante o procedimento fiscal, como na fase de impugnação, não contesta o fato de ter efetuado o pagamento das notas fiscais não escrituradas. Expressamente, à fl. 692, ao responder a intimação da fiscalização para apresentar as duplicatas e/ou comprovantes de pagamentos, especificando o valor pago e a data dos pagamentos referentes às notas fiscais a contribuinte afirmou que os pagamentos se deram a vista. (grifei) Observase, portanto, que a interpretação dada pela autuação fiscal no paradigma é consonante com a conferida pela decisão recorrida. A materialidade da presunção de omissão de receitas em análise é o pagamento, devendose tomar como referência o seu valor e a data de sua ocorrência. E a decisão paradigma mantém a autuação fiscal porque a contribuinte, apesar de intimada, não apresentou provas para desconstruir a presunção (efls. 1063/1064): A fiscalização verificou que havia escrituração de pagamentos a menor ao comparar os valores escriturados nos livros de Registro de Entradas, Diário e Razão e as notas fiscais de compra de mercadorias adquiridas para revenda. A partir disso, conforme esclarece o acórdão recorrido, houve a intimação (fls. 696) para que o contribuinte “comprovasse a origem dos recursos utilizados para o pagamento da diferença apurada de compras de mercadorias no anocalendário de 1999”. Anexado ao Termo de Intimação, seguiuse a relação de notas fiscais e respectivas duplicatas, bem como os valores pelas quais as aquisições de mercadorias foram escrituradas. Em resposta à intimação, conforme relata o acórdão recorrido (fls. 905), o contribuinte afirmou que “nada tem a declarar”. (...) Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.927 10 Em seu Recurso Especial, o contribuinte limitase a alegar que o trabalho fiscal foi incompleto e insuficiente a comprovar os fatos geradores, bem como que se pautou exclusivamente em indícios não corroborados em diligência fiscal. Porém, em sua defesa, assim como o fez em resposta à intimação fiscal, o contribuinte não esclarece a origem dos recursos utilizados para o pagamento da diferença apurada de compras de mercadorias no anocalendário de 1999, tampouco refuta o pagamento ou a falta de seu registro. Pelo exposto, entendo que comprovado o indício, de se aplicar a presunção legal que não foi rechaçada pelo contribuinte, pelo que voto por negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte neste ponto. (grifei) Como se pode observar, não se fala em critério adotado para a composição da base de cálculo do lançamento. Sobre o segundo paradigma, de nº 140100.403, apesar de a autuação fiscal ter tomado como referência a data da emissão das notas fiscais, a decisão entende que, como a contribuinte, apesar de intimada, não apresentou provas aptas a desconstituir a presunção legal, não haveria reparos no procedimento fiscal. Vale transcrever excerto do voto: Por considerar a escrituração apresentada insatisfatória, a Autoridade Fiscal intimou os fornecedores da Recorrente a apresentar as cópias das notas fiscais de vendas efetuadas no anocalendário 2001. A partir da resposta dos fornecedores, a fiscalização constatou que as transações realizadas entre eles e a Recorrente somaram mais de R$ 9.000.000,00 no período investigado. Confrontandose as informações dos fornecedores com os registros contábeis da Recorrente, verificouse que esta, apesar de ter realizado expressiva aquisição de mercadorias, não realizou a adequada escrituração das receitas auferidas, atraindo a presunção do art. 40 da Lei nº 9.430/96. Do exposto, em virtude da aplicação da presunção de omissão de receitas, cabia à contribuinte, ora Recorrente, apresentar provas contundentes da ausência de receitas auferidas, demonstrando motivos plausíveis que pudessem justificar a sua receita extremamente inferior às compras realizadas, como, a título exemplificativo, que se tratava de mera intermediação de negócios entre os fornecedores e terceiros, ou que as mercadorias adquiridas foram devolvidas. Como não foram apresentadas provas que pudessem afastar a presunção acima, a fiscalização houve por bem adotar critérios de arbitramento do lucro, com o intuito de realizar a devida tributação das receitas omitidas. (...) Quanto ao argumento de que a Autoridade Fiscal baseouse apenas nas informações prestadas por terceiros para a apuração crédito tributário, salientase que, diante da imprestabilidade da escrituração para apurar os pagamentos efetuados, foi preciso apurar as receitas tributáveis por meio das cópias das notas Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.928 11 fiscais apresentadas pelos fornecedores da própria Recorrente, ante a não apresentação dos documentos solicitados, apesar das diversas intimações, e a constatação das deficiências nos registros contábeis da Recorrente. Verificase que não se discute o procedimento adotado pela Fiscalização para apurar a base de cálculo, como no caso do acórdão recorrido. Ou seja, tanto a decisão recorrida, quanto as decisões paradigmas, convergiram no sentido de que a presunção legal prevista no art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, é válida, que o ônus da prova se inverte para o contribuinte, tanto que nos paradigmas as autuações fiscais foram mantidas precisamente porque a prova não foi produzida pelo fiscalizado. Ocorre que a decisão recorrida, superada a legitimidade da presunção de omissão de receitas, e a não apresentação de provas por parte da contribuinte, entendeu, como já visto, que a apuração da base de cálculo realizada pela Fiscalização deveria ter considerado o quantum e a data dos pagamentos efetuados, e não o quantum e a data de emissão das notas fiscais, aspecto que não foi apreciado pelas decisões paradigma. Nesse contexto, não tendo sido restada demonstrada a divergência prevista no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) 2, voto no sentido de não conhecer o recurso especial da PGFN. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura 2 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 16095.720249/201213 Acórdão n.º 9101002.521 CSRFT1 Fl. 2.929 12 Fl. 2929DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.723037/2012-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente.
No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido quanto ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-002.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, acordam, (1) quanto à concomitância das multas isoladas, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento; (2) quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008, 2009 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido quanto ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 706 1 705 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.723037/201212 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.510 – 1ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria CONCOMITÂNCIA DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LINKNET TECNOLOGIA E TELECOMUNICAÇÕES LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido quanto ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 30 37 /2 01 2- 12 Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 707 2 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, acordam, (1) quanto à concomitância das multas isoladas, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento; (2) quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 614 e ss., contra o acórdão nº 1202001.018, de 10 de setembro de 2013 (efls. 577 e ss.), que, no mérito e por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para afastar as incidências da multa isolada e dos juros de mora sobre a multa de oficio. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 641 e ss. Na matéria objeto da presente discussão, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 (...) MULTA ISOLADA — IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 708 3 A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. (...) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. O recurso fazendário abarca duas matérias, quais sejam, (1) concomitância das multas isolada decorrente da falta/insuficiência de recolhimento de estimativas e de ofício e (2) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em relação ao primeiro tema, foi apresentado como paradigma o acórdão a seguir: Acórdão nº 1401000.176: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 IRPJ. CSLL. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória “é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal”. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS E PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL AO DIREITO TRIBUTÁRIO. DIVERSIDADE DE CONTEXTOS. DIVERSIDADE DA NATUREZA DAS SANÇÕES. As normas e princípios do direito penal, relativas a excludentes de ilicitude ou dirimentes, tendo em conta as sanções restritivas Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 709 4 de liberdade ali cominadas, não são aplicáveis às sanções administrativas de caráter exclusivamente patrimonial, previstas no âmbito do direito tributário. Já no que se refere ao segundo tema os paradigmas apresentados são os seguintes: Acórdão nº 910100.539: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Acórdão CSRF/0400.651: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINICIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. As alegações de mérito da Recorrente em relação ao tema da concomitância das multas, são, em síntese, as seguintes: a) que não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades distintas, uma vez que o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito; b) que as infrações apenadas pela chamada "multa de ofício" e pela "multa isolada" são diferentes. A multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte, ao passo que a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativas; c) que com a multa isolada o contribuinte está sendo penalizado por não auxiliar a União a fazer frente às despesas incorridas no decorrer dos anos pelo regime de pagamento de estimativas, e não, propriamente, por não pagar o IRPJ e a CSLL, até por que, como se percebe da Lei nº 9.430/1996, tal multa será devida ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para tais tributos; d) que a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. A primeira deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o ajuste anual, ao passo que a segunda deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas, sendo que essas antecipações não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada do CARF, são meros adiantamentos do tributo; e) que a Turma recorrida procurou atenuar o suposto "rigor" do art. 44, II, alínea "b" da Lei nº 9.430/1996, e criou nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, qual seja, a cobrança, concomitante, de multa de ofício decorrente do não pagamento do tributo, o que não pode ser admitido, a teor do art. 97, inciso IV, do CTN Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 710 5 ("somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades"). Acrescenta que, como estabelecido no CTN, o intérprete não poderá se valer do juízo de eqüidade para dispensar a exigência de crédito tributário; f) conclui asseverando que, se por uma lado sempre foi cabível a cobrança concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício, após o advento da MP nº 351/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, como é o caso, não há sequer espaço para discussão do assunto, em face da clareza do texto legal. Já no que se refere ao tema da incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, as alegações da Recorrente podem ser assim sintetizadas: a) que o art. 61, caput, e seu § 3º da Lei nº 9.430/96 utilizam, respectivamente, as expressões "débitos para com a União" e "débitos a que se refere este artigo", sendo que os débitos a que se referem são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo. Assim, "os juros incidirão sobre o principal e a multa de ofício aplicada", como manda o citado § 3º; b) que a Lei nº 9.430/96 dispôs de modo diverso do § 1º do art. 161 do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a "taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, que é a taxa SELIC". Ao final pede a Fazenda que o presente recurso seja conhecido e provido, para reformar o acórdão recorrido, com o conseqüente restabelecimento da multa isolada e dos juros sobre a multa de ofício. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 655 e ss.), aduzindo, em essência, em relação ao tema da concomitância das multas, o que segue: a) que a redução da alíquota da multa isolada de 75% para 50% perpetrada pela MP nº 351/2007, com a manutenção da alíquota de 75% para a multa de ofício constitui reconhecimento legal da maior importância do bem jurídico tutelado pela multa de ofício (efetivação da arrecadação tributária) quando comparado ao protegido pela multa isolada (antecipação do fluxo de caixa do governo); b) que a exposição de motivos da MP nº 351/2007 evidencia que apenas a multa de ofício teve sua hipótese de incidência alterada e, mesmo assim, para reduzirlhe, vedando sua aplicação em caso de recolhimento intempestivo do tributo devido, sem o acréscimo da multa de mora. No que se refere à multa isolada, não houve alteração (alargamento) da hipótese de incidência, como sustenta a Recorrente, tão somente redução de percentual. Sendo, assim, "há que se observar a exegese cristalizada na Súmula CARF nº 105, mesmo após a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007". Nesse ponto, sublinha a relevância das exposições de motivos no processo interpretativo, destacando decisões do STJ e do CARF, inclusive sobre o tema da concomitância das multas, bem como Parecer do PGFN sobre o RTT; c) que não existe previsão legal para exigência concomitante das multas de ofício e isolada, uma vez que a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 trazida pela MP nº 351/2007 "ratifica a intentio legislatoris objetivada em sua Exposição de Motivos, e denota a Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 711 6 inexistência de previsão legal para exigência, cumulativa, das multas de ofício e isolada". Aduz que o legislador tinha conhecimento que a jurisprudência do CARF era contrária à concomitância e, mesmo assim, "não inseriu sequer um dispositivo em sentido contrário", o que indica que não se trata de "lacuna legal" mas, sim de "silêncio eloquente". Cita julgado do CARF nesse sentido; d) que, pelo princípio da consunção (ou absorção), ilícito anterior que sirva de meio é absorvido pelo ilícito final subsequente, sendo que tal princípio se aplica à questão da cumulação das multas, conforme decisões do STJ, do CARF e do RTF da 4ª Região que cita; e) que a aplicação concomitante das multas de ofício e isolada confiura bis inidem, ao incluir "um mesmo valor (estimativas ''glosadas') na base de cálculo de duas multas distintas [ofício (75%) e isolada (50%)]". Refere que a inclusão das "estimativas glosadas" na base de cálculo das duas multas faz com que incida multa total de 125%, que é quase idêntica àquela aplicável aos casos de dolo, fraude ou simulação, o que não é razoável; f) que há precedentes da CSRF no sentido da impossibilidade da concomitância. Cita o acórdão nº 9101002.109 (de 24/02/2015, Relator Valmir Sandri), em que a turma entendeu que a MP nº 351/2007 "veio a reconhecer a correção da sua jurisprudência (e não alterála)", e o acórdão nº 9101002.120 (de 25/02/2015, Relator Antônio Carlos Guidoni Filho), em que o colegiado decidiu que "a multa isolada lançada após o encerramento do anocalendário, NÃO é devida caso o contribuinte tenha deduzido as estimativas cobradas na apuração anual"; g) que a multa isolada aplicada à empresa é ilegal, "uma vez que lançada sobre base de cálculo superior àquela utilizada no cálculo da multa de ofício". Aqui apresenta demonstrativo que indica que as multas isoladas aplicadas à Contribuinte incidiram sobre valor total de R$ 11.273.843,97 (de IRPJ) e R$ 4.061.407,66 (de CSLL), ao passo que as multas de ofício incidiram sobre R$ 9.763.330,03 (de IRPJ) e R$ 4.061.407,66 (de CSLL). Cita julgado do CARF; No que toca à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício as alegações da Contribuinte são sintetizadas a seguir: a) que correto o acórdão recorrido ao afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, uma vez que inexiste previsão legal para tal. Faz tal afirmação traçando análise da redação do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 e concluindo que "a multa de ofício NÃO constitui débito decorrente de 'tributo ou contribuição', e seu inadimplemento não permite a cobrança de 'multa de mora'"; b) que equivocada a Recorrente quando aduz que a obrigação tributária principal compreenderia o tributo e a multa de ofício proporcional e que isso alteraria o disposto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996; c) que o STF já decidiu que as normas que versem sobre atualização do crédito tributário possuem natureza financeira, e, assim, os entes federativos podem legislar de forma concorrente sobre o tema. Por essa razão "nada impediria que a União, por meio do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 lançasse mão do § 1º do artigo 161 do CTN, para prever a incidência de juros de mora equivalentes à Taxa SELIC, apenas, sobre o valor do débito decorrente de tributo ou contribuição", concluindo que "foi o que ela fez"; Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 712 7 Requer, ao final, que se negue provimento ao recurso, "mantendo o v. acórdão recorrido pelo seus próprios e bem lançados fundamentos, nos moldes que restou exposto". É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Aplicação simultânea da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais com a multa de ofício No mérito, a primeira questão a ser dirimida no presente recurso diz respeito à possibilidade de serem aplicadas, simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. A lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou, o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, desde que antecipe pagamentos mensais, a título de estimativa, que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. Observese: Lei nº 9.430, de 1996 (redação original): Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 713 8 § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Vêse, então, que a pessoa jurídica, obrigada a apurar seus resultados de acordo com as regras do lucro real trimestral, tem a opção de fazêlo com a periodicidade anual, desde que, efetue pagamentos mensais a título de estimativa. Essa é a regra do sistema. No presente caso, a pessoa jurídica fez a opção por apurar o lucro real anualmente, sujeitandose, assim, e de forma obrigatória, aos recolhimentos mensais a título de estimativas. Como se vê nos autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 210 e ss), a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento das estimativas mensais desses tributos teve fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, mais precisamente em seu inciso II, alínea "b", com as modificações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007. A exigência da multa isolada foi mantida pela autoridade julgadora de 1ª Instância, mas, no julgamento do Recurso Voluntário, o colegiado a quo, por maioria de votos, acatou as alegações da autuada e exonerou a multa isolada exigida nestes autos por entender que a constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL "após o encerramento do ano calendário, juntamente com a multa de ofício de 75%, retira a eficácia da multa isolada de 50% sobre as estimativas não recolhidas, uma vez que, após o encerramento do ano calendário, referida exação só poderia subsistir se houvesse pagamento dos tributos após o vencimento do prazo previsto em lei ou informação de prejuízo fiscal em DCTF, antes do início de procedimento de fiscalização com a finalidade de cobrar o IRPJ e a CSLL". Todavia, discordo de tal entendimento porque vislumbro que as penalidades exigidas são autônomas e incidem sobre infrações distintas. A exemplo do que argumenta a Contribuinte em suas contrarrazões, há aqueles que alegam que as alterações promovidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, não teriam afetado, substancialmente, a infração sujeita à aplicação da multa isolada, apenas reduzindo o seu percentual de cálculo e mantendo a vinculação da base imponível ao tributo devido no ajuste anual. Nesse sentido invocam a própria Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 351, de 2007, limitouse a esclarecer que a alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 714 9 mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. E, ainda que se entenda que a identidade de bases de cálculo foi superada pela nova redação do dispositivo legal, para essas pessoas subsistiria o fato de as duas penalidades decorrerem de falta de recolhimento de tributo, o que imporia o afastamento da penalidade menos gravosa. Ora, a vinculação entre os recolhimentos antecipados e a apuração do ajuste anual é inconteste, até porque a antecipação só é devida porque o sujeito passivo opta por postergar para o final do anocalendário a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Contudo, a sistemática de apuração anual demanda uma punição diferenciada em face de infrações das quais resulta falta de recolhimento de tributo pois, na apuração anual, o fluxo de arrecadação da União está prejudicado desde o momento em que a estimativa é devida, e se a exigência do tributo com encargos ficar limitada ao devido por ocasião do ajuste anual, além de não se conseguir reparar todo o prejuízo experimentado à União, há um desestímulo à opção pela apuração trimestral do lucro tributável, hipótese na qual o sujeito passivo responderia pela infração com encargos desde o trimestre de sua ocorrência. Na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, esta penalidade foi prevista nos mesmos termos daquela aplicável ao tributo não recolhido no ajuste anual, ou seja, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, inclusive no mesmo percentual de 75%, e passível de agravamento ou qualificação se presentes as circunstâncias indicadas naquele dispositivo legal. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 715 10 para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) [...] A redação original do dispositivo legal resultou, assim, em punições equivalentes para a falta de recolhimento de estimativas e do ajuste anual. E, decidindo sobre este conflito, a jurisprudência administrativa posicionouse majoritariamente contra a subsistência da multa isolada, porque calculada a partir da mesma base de cálculo punida com a multa proporcional, e ainda no mesmo percentual desta. Frente a tais circunstâncias, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi alterado pela Medida Provisória nº 351, de 2007, para prever duas penalidades distintas: a primeira de 75% calculada sobre o imposto ou contribuição que deixasse de ser recolhido e declarado, e exigida conjuntamente com o principal (inciso I do art. 44), e a segunda de 50% calculada sobre o pagamento mensal que deixasse de ser efetuado, ainda que apurado prejuízo fiscal ou base negativa ao final do anocalendário, e exigida isoladamente (inciso II do art. 44). Além disso, as hipóteses de qualificação (§1º do art. 44) e agravamento (2º do art. 44) ficaram restritas à penalidade aplicável à falta de pagamento e declaração do imposto ou contribuição. Observese: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 716 11 As conseqüências desta alteração foram apropriadamente expostas pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: Logo, tendo sido alterada a base de cálculo eleita pelo legislador para a multa isolada de totalidade ou diferença de tributo ou contribuição para valor do pagamento mensal, não há mais qualquer vínculo, ou dependência, da multa isolada com a apuração de tributo devido. Perfilhando o entendimento de que não se confunde a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição com o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, é vasta a jurisprudência desta CSRF, valendo mencionar dos últimos cinco anos, entre outros, os acórdãos nºs 910100577, de 18 de maio de 2010, 910100.685, de 31 de agosto de 2010, 910100.879, de 23 de fevereiro de 2011, nº 9101001.265, de 23 de novembro de 2011, nº 9101001.336, de 26 de abril de 2012, nº 9101001.547, de 22 de janeiro de 2013, nº 9101001.771, de 16 de outubro de 2013, e nº 9101002.126, de 26 de fevereiro de 2015, todos assim ementados (destaquei): O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Daí porque despropositada a decisão recorrida que, após reconhecer expressamente a modificação da redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 pela Lei nº 11.488, de 2007, e transcrever os mesmos dispositivos legais acima, abruptamente conclui no sentido de que (efls. 236): Portanto, cabe excluir a exigência da multa de ofício isolada concomitante à multa proporcional. Em despacho de admissibilidade de embargos de declaração por omissão, interpostos pela Fazenda Nacional contra aquela decisão, e rejeitados, foi dito o seguinte (efls. 247): Por fim, reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas multas. Isso porque é sabido que um dos fatores que levou à mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho, sendo que à época da edição da Lei 11.488/2007 já predominava esse entendimento. Vejamos novamente a redação de parte [das] disposições do art. 44 da Lei 9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007: [...]. Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto à impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir, no parágrafo § 1º, excetuou a cumulatividade de Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 717 12 penalidades quando a ensejar a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que aliás é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões factíveis é que essa cumulatividade é mesmo indevida. Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 718 13 materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) Destaquese, ainda, que a penalidade agora prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996, é exigida isoladamente e mesmo se não apurado lucro tributável ao final do anocalendário. A conduta reprimida, portanto, é a inobservância do dever de antecipar, mora que prejudica a União durante o período verificado entre data em que a estimativa deveria ser paga e o encerramento do anocalendário. A falta de recolhimento do tributo em si, que se perfaz a partir da ocorrência do fato gerador ao final do anocalendário, sujeitase a outra penalidade e a juros de mora incorridos apenas a partir de 1º de fevereiro do ano subseqüente1. Diferentes, portanto, são os bens jurídicos tutelados, e limitar a penalidade àquela aplicada em razão da falta de recolhimento do ajuste anual é um incentivo ao descumprimento do dever de antecipação ao qual o sujeito passivo voluntariamente se vinculou, ao optar pelas vantagens decorrentes da apuração do lucro tributável apenas ao final do anocalendário. E foi, justamente, a alteração legislativa acima que motivou a edição da referida Súmula CARF nº 105. Explico. O enunciado de súmula em referência foi aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 08 de dezembro de 2014. Antes, enunciado semelhante foi, por sucessivas vezes, rejeitado pelo Pleno da CSRF, e mesmo pela 1ª Turma da CSRF. Vejase, abaixo, os verbetes submetidos a votação de 2009 a 2014: PORTARIA Nº 97, DE 24 DE NOVEMBRO DE 20092 [...] ANEXO I I ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DO PLENO: [...] 12. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº : Até a vigência da Medida Provisória nº 351/2007, a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência de antecipações não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado no ajuste anual. [...] PORTARIA Nº 27, DE 19 DE NOVEMBRO DE 20123 [...] ANEXO ÚNICO [...] 1 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. 2 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 112, em 27 de novembro de 2009. 3 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 19, em 27 de novembro de 2012. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 719 14 II ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 1ª TURMA DA CSRF: [...] 17. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnêleão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 3401 00078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/ 10/ 2011. [...] III ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 2ª TURMA DA CSRF: [...] 22. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnêleão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 3401 00078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/ 10/ 2011. [...] PORTARIA Nº 18, DE 20 DE NOVEMBRO DE 20134 [...] ANEXO I I Enunciados a serem submetidos ao Pleno da CSRF: [...] 9ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA Até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001261, de 22/11/11; 9101 001203, de 22/11/11; 9101001238, de 21/11/11; 9101001307, de 24/04/12; 1402001.217, de 04/10/12; 110200748, de 09/05/12; 1803001263, de 10/04/12. [...] PORTARIA Nº 23, DE 21 DE NOVEMBRO DE 20145 4 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 71, de 27 de novembro de 2013. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 720 15 [...] ANEXO I [...] II Enunciados a serem submetidos à 1ª Turma da CSRF: [...] 13ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101 001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; 9101 001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 1102 00.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012. [...] É de se destacar que os enunciados assim propostos de 2009 a 2013 exsurgem da jurisprudência firme, contrária à aplicação concomitante das penalidades antes da alteração promovida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007. Jurisprudência esta, aliás, que motivou a alteração legislativa. De outro lado, a discussão acerca dos lançamentos formalizados em razão de infrações cometidas a partir do novo contexto legislativo ainda não apresentava densidade suficiente para indicar qual entendimento deveria ser sumulado. Considerando tais circunstâncias, o Pleno da CSRF, e também a 1ª Turma da CSRF, rejeitou, por três vezes, nos anos de 2009, 2012 e 2013, o enunciado contrário à concomitância das penalidades até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007. As discussões nestas votações motivaram alterações posteriores com o objetivo de alcançar redação que fosse acolhida pela maioria qualificada, na forma regimental. Com a rejeição do enunciado de 2009, a primeira alteração consistiu na supressão da vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, substituindoa, como marco temporal, pela referência à data de sua publicação. Também foram separadas as hipóteses pertinentes ao IRPJ/CSLL e ao IRPF, submetendose à 1ª Turma e à 2ª Turma da CSRF os enunciados correspondentes. Seguindose nova rejeição em 2012, o enunciado de 2009 foi reiterado em 2013 e, mais uma vez, rejeitado. Este cenário deixou patente a imprestabilidade de enunciado distinguindo as ocorrências alcançadas a partir da expressão "até a vigência da Medida Provisória nº 351", de 2007, ou até a data de sua publicação. E isto porque a partir da redação proposta havia o risco 5 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 12, de 25 de novembro de 2014. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 721 16 de a súmula ser invocada para declarar o cabimento da exigência concomitante das penalidades a partir das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, apesar de a jurisprudência ainda não estar consolidada neste sentido. Para afastar esta interpretação, o enunciado aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 2014 foi redigido de forma direta, de modo a abarcar, apenas, a jurisprudência firme daquele Colegiado: a impossibilidade de cumulação, com a multa de ofício proporcional aplicada sobre os tributos devidos no ajuste anual, das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas exigidas com fundamento na legislação antes de sua alteração pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Omitiuse, intencionalmente, qualquer referência às situações verificadas depois da alteração legislativa em tela, em razão da qual a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas passou a estar prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", e não mais no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, sempre com vistas a atribuir os efeitos sumulares6 à parcela do litígio já pacificada. Assim, a Súmula CARF nº 105 tem aplicação, apenas, em face de multas lançadas com fundamento na redação original do art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, tendo por referência infrações cometidas antes da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, publicada em 22 de janeiro de 2007, e ainda que a exigência tenha sido formalizada já com o percentual reduzido de 50%, dado que tal providência não decorre de nova fundamentação do lançamento, mas sim da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Neste sentido, vale observar que os precedentes indicados para aprovação da súmula reportamse, todos, a infrações cometidas antes de 2007: Acórdão nº 9101001.261: 6 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010: [...] Anexo II [...] Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: [...] XXI negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso; [...] Art. 53. A sessão de julgamento será pública, salvo decisão justificada da turma para exame de matéria sigilosa, facultada a presença das partes ou de seus procuradores. [...] § 4° Serão julgados em sessões não presenciais os recursos em processos de valor inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) ou, independentemente do valor, forem objeto de súmula ou resolução do CARF ou de decisões do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. [...] Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. [...] Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 722 17 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 9101001.203: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Acórdão nº 9101001.238: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 [...] MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Acórdão nº 9101001.307: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 [...] Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 723 18 MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 1402001.217: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 [...] MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). [...] Acórdão nº 1102000.748: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: [...] LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. [...] Acórdão nº 1803001.263: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 [...] Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 724 19 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Frente a tais circunstâncias, ainda que precedentes da súmula veiculem fundamentos autorizadores do cancelamento de exigências formalizadas a partir da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, não são eles, propriamente, que vinculam o julgador administrativo, mas sim o enunciado da súmula, no qual está sintetizada a questão pacificada. Digo isso porque esses precedentes têm sido utilizados para se tentar aplicar outra tese no sentido de afastar a multa, qual seja a do princípio da consunção. Ora se o princípio da consunção fosse fundamento suficiente para inexigibilidade concomitante das multas em debate, o enunciado seria genérico, sem qualquer referência ao fundamento legal dos lançamentos alcançados. A citação expressa do texto legal prestase a firmar esta circunstância como razão de decidir relevante extraída dos paradigmas, cuja presença é essencial para aplicação das conseqüências do entendimento sumulado. Da mesma forma que faz a Contribuinte em suas contrarrazões, há quem argumente que o princípio da consunção veda a cumulação das penalidades. Sustentam os adeptos dessa tese que o não recolhimento da estimativa mensal seria etapa preparatória da infração cometida no ajuste anual e, em tais circunstâncias o princípio da consunção autorizaria a subsistência, apenas, da penalidade aplicada sobre o tributo devido ao final do ano calendário, prestigiando o bem jurídico mais relevante, no caso, a arrecadação tributária, em confronto com a antecipação de fluxo de caixa assegurada pelas estimativas. Ademais, como a base fática para imposição das penalidades seria a mesma, a exigência concomitante das multas representaria bis in idem, até porque, embora a lei tenha previsto ambas penalidades, não determinou a sua aplicação simultânea. E acrescentam que, em se tratando de matéria de penalidades, seria aplicável o art. 112 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para tanto, aproveitome, inicialmente do voto proferido pela Conselheira Karem Jureidini Dias na condução do Acórdão nº 9101001.135, para trazer sua abordagem conceitual acerca das sanções em matéria tributária: [...] A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 725 20 simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em obrigação principal. Vale destacar que, mesmo ocorrendo tal conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 726 21 “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 727 22 apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 728 23 quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Frente a estas considerações, releva destacar que a penalidade em debate é exigida isoladamente, sem qualquer hipótese de agravamento ou qualificação e, embora seu cálculo tenha por referência a antecipação não realizada, sua exigência não se dá por falta de "pagamento de tributo", dado o fato gerador do tributo sequer ter ocorrido. De forma semelhante, outras penalidades reconhecidas como decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias são calculadas em razão do valor dos tributos devidos7 e exigidas de forma isolada. Sob esta ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, §2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos. Vejase, aliás, que as manifestações do Superior Tribunal de Justiça acima citadas expressamente reconhecem este ônus como decorrente de uma opção, e distinguem a antecipação do pagamento do pagamento em si, isto para negar a aplicação de juros a partir de seu recolhimento no confronto com o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário. É certo que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça já consolidou seu entendimento contrariamente à aplicação concomitante das penalidades em razão do princípio da consunção, conforme evidencia a ementa de julgado recente proferido no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.576.289/RS: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. 7 Lei nº 10.426, de 2002: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 729 24 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido. As contrarrazões oferecidas pela Contribuinte, aliás, fazem referência ao REsp 1.496.354/PR, mencionado na ementa acima. Todavia, referidos julgados não são de observância obrigatória na forma do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Além disso, a interpretação de que a falta de recolhimento da antecipação mensal é infração abrangida pela falta de recolhimento do ajuste anual, sob o pressuposto da existência de dependência entre elas, sendo a primeira infração preparatória da segunda, desconsidera o prejuízo experimentado pela União com a mora subsistente em razão de o tributo devido no ajuste anual sofrer encargos somente a partir do encerramento do ano calendário. Favorece, assim, o sujeito passivo que se obrigou às antecipações para apurar o lucro tributável apenas ao final do anocalendário, conferindolhe significativa vantagem econômica em relação a outro sujeito passivo que, cometendo a mesma infração, mas optando pela regra geral de apuração trimestral dos lucros, suportaria, além do ônus da escrituração trimestral dos resultados, os encargos pela falta de recolhimento do tributo calculados desde o encerramento do período trimestral. Quanto à transposição do princípio da consunção para o Direito Tributário, vale a transcrição da oposição manifestada pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 730 25 autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Oportuna, também, a citação da abordagem exposta em artigo publicado por Heraldo Garcia Vitta8: O Direito Penal é especial, contém princípios, critérios, fundamentos e normas particulares, próprios desse ramo jurídico; por isso, a rigor, as regras dele não podem ser estendidas além dos casos para os quais foram instituídas. De fato, não se aplica norma jurídica senão à ordem de coisas para a qual foi estabelecida; não se pode pôr de lado a natureza da lei, nem o ramo do Direito a que pertence a regra tomada por base do processo analógico.[15 Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, p.212] Na hipótese de concurso de crimes, o legislador escolheu critérios específicos, próprios desse ramo de Direito. Logo, não se justifica a analogia das normas do Direito Penal no tema concurso real de infrações administrativas. A ‘forma de sancionar’ é instituída pelo legislador, segundo critérios de conveniência/oportunidade, isto é, discricionariedade. Competelhe elaborar, ou não, regras a respeito da concorrência de infrações administrativas. No silêncio, ocorre cúmulo material. Aliás, no Direito Administrativo brasileiro, o legislador tem procurado determinar o cúmulo material de infrações, conforme se observa, por exemplo, no artigo 266, da Lei nº 9.503, de 23.12.1997 (Código de Trânsito Brasileiro), segundo o qual “quando o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, serlheão aplicadas, cumulativamente, as respectivas penalidades”. Igualmente o artigo 72, §1º, da Lei 9.605, de 12.2.1998, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente: “Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações [administrativas, pois o disposto está inserido no Capítulo VI – Da Infração Administrativa] serlheão aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas”. E também o parágrafo único, do artigo 56, da Lei nº 8.078, de 11.9.1990, que regula a proteção do consumidor: “As sanções [administrativas] previstas neste artigo serão aplicadas pela autoridade administrativa, no âmbito de sua atribuição, podendo ser aplicadas cumulativamente, inclusive por medida cautelar antecedente ou incidente de procedimento administrativo”.[16 Evidentemente, se ocorrer, devido ao acúmulo de sanções, perante a hipótese concreta, pena exacerbada, mesmo quando 8 http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2644 Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 731 26 observada imposição do mínimo legal, isto é, quando a autoridade administrativa tenha imposto cominação mínima, estabelecida na lei, ocorrerá invalidação do ato administrativo, devido ao princípio da proporcionalidade.] No Direito Penal são exemplos de aplicação do princípio da consunção a absorção da tentativa pela consumação, da lesão corporal pelo homicídio e da violação de domicílio pelo furto em residência. Característica destas ocorrências é a sua previsão em normas diferentes, ou seja, a punição concebida de forma autônoma, dada a possibilidade fática de o agente ter a intenção, apenas, de cometer o crime que figura como delitomeio ou delito fim. Já no caso em debate, a norma tributária prevê expressamente a aplicação das duas penalidades em face da conduta de sujeito passivo que motive lançamento de ofício, como bem observado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no já citado voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: [...] Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 732 27 conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação alterada não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem. Neste sentido, aliás, são as considerações do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 733 28 um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. [...] Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos de que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 734 29 valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Tais circunstâncias são totalmente distintas das que ensejam a aplicação de multa moratória ou multa de ofício sobre tributo não recolhido. Nesta segunda hipótese, sim, a base fática é idêntica, porque a infração de não recolher o tributo no vencimento foi praticada e, para compensar a União o sujeito passivo poderá, caso não demande a atuação de um agente fiscal para constituição do crédito tributário por lançamento de ofício, sujeitarse a uma penalidade menor9. Se o recolhimento não for promovido depois do vencimento e o lançamento de ofício se fizer necessário, a multa de ofício fixada em maior percentual incorpora, por certo, a reparação que antes poderia ser promovida pelo sujeito passivo sem a atuação de um Auditor Fiscal. Imprópria, portanto, a ampliação do conteúdo expresso no enunciado da súmula a partir do que consignado no voto condutor de alguns dos paradigmas. É importante repisar, assim, que as decisões acerca das infrações cometidas depois das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não devem observância à Súmula CARF nº 105 e os Conselheiros têm plena liberdade de convicção. Somente a essência extraída dos paradigmas, integrada ao enunciado no caso, mediante expressa referência ao fundamento legal aplicável antes da edição da Medida Provisória nº 351, de 2007 (art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) , representa o entendimento acolhido pela 1ª Turma da CSRF a ser observado, obrigatoriamente, pelos integrantes da 1ª Seção de Julgamento. Nada além disso. De outro lado, releva ainda destacar que a aprovação de um enunciado não impõe ao julgador a sua aplicação cega. As circunstâncias do caso concreto devem ser analisadas e, caso identificado algum aspecto antes desconsiderado, é possível afastar a aplicação da súmula. Vejase, por exemplo, que o enunciado da Súmula CARF nº 105 é omisso acerca de outro ponto que permite interpretação favorável à manutenção parcial de exigências formalizadas ainda que com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. 9 Lei nº 9.430, de 1996, art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 735 30 Neste sentido é a declaração de voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa no Acórdão nº 1302 001.753: A multa isolada teve em conta falta de recolhimento de estimativa de CSLL no valor de R$ 94.130,67, ao passo que a multa de ofício foi aplicada sobre a CSLL apurada no ajuste anual no valor de R$ 31.595,78. Discutese, no caso, a aplicação da Súmula CARF nº 105 de seguinte teor: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Os períodos de apuração autuados estariam alcançados pelo dispositivo legal apontado na Súmula CARF nº 105. Todavia, como evidenciam as bases de cálculo das penalidades, a concomitância se verificou apenas sobre parte da multa isolada exigida por falta de recolhimento da estimativa de CSLL devida em dezembro/2002. Importa, assim, avaliar se o entendimento sumulado determinaria a exoneração de toda a multa isolada aqui aplicada. A referência à exigência ao mesmo tempo das duas penalidades não possui uma única interpretação. É possível concluir, a partir do disposto, que não subsiste a multa isolada aplicada no mesmo lançamento em que formalizada a exigência do ajuste anual com acréscimo da multa de ofício proporcional, ou então que a multa isolada deve ser exonerada quando exigida em face de antecipação contida no ajuste anual que ensejou a exigência do principal e correspondente multa de ofício. Além disso, podese interpretar que deve subsistir apenas uma penalidade quando a causa de sua aplicação é a mesma. Os precedentes que orientaram a edição da Súmula CARF nº 105 auxiliam nesta interpretação. São eles: [...] Observase nas ementas dos Acórdãos nº 9101001.261, 9101 001.307 e 1803001.263 a abordagem genérica da infração de falta de recolhimento de estimativas como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano, e que por esta razão é absorvida pela segunda infração, devendo subsistir apenas a punição aplicada sobre esta. Sob esta vertente interpretativa, qualquer multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas sucumbiria frente à exigência do ajuste anual com acréscimo de multa de ofício. Porém, os Acórdãos nº 9101001.203 e 9101001.238, reportam se à identidade entre a infração que, constatada pela Fiscalização, enseja a apuração da falta de recolhimento de estimativas e da falta de recolhimento do ajuste anual, assim como os Acórdãos nº 1402001.217 e 1102000.748 fazem referência a aplicação de penalidades sobre a mesma base, ou ao Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 736 31 fato de a base de cálculo das multas isoladas estar contida na base de cálculo da multa de ofício. Tais referências permitem concluir que, para identificação da concomitância, deve ser avaliada a causa da aplicação da penalidade ou, ao menos, o seu reflexo na apuração do ajuste anual e nas bases estimativas. A adoção de tais referenciais para edição da Súmula CARF nº 105 evidencia que não se pretendeu atribuir um conteúdo único à concomitância, permitindose a livre interpretação acerca de seu alcance. Considerando que, no presente caso, as infrações foram apuradas de forma independente estimativa não recolhida em razão de seu parcelamento parcial e ajuste anual não recolhido em razão da compensação de bases negativas acima do limite legal e assim resultaram em distintas bases para aplicação das penalidades, é válido concluir que não há concomitância em relação à multa isolada aplicada sobre a parcela de R$ 62.534,89 (= R$ 94.130,67 R$ 31.595,78), correspondente à estimativa de CSLL em dezembro/2002 que excede a falta de recolhimento apurada no ajuste anual. Divergência neste sentido, aliás, já estava consubstanciada antes da aprovação da súmula, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 120100.235, de lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: [...] O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 – R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Abaixo, segue a discriminação dos valores: Base estimada remanescente: R$ 3.826.453,79 Estimativa remanescente (R$ 3.826.453,79 x 25%): R$ 956.613,45 Multa isolada mantida (R$ 956.613,45 x 50%): R$ 478.306,72 Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 737 32 Multa isolada excluída (R$ 1.109.844,27 – R$ 478.306,72: R$ 631.537,55 [...] A observância do entendimento sumulado, portanto, pressupõe a identificação dos requisitos expressos no enunciado e a análise das circunstâncias do caso concreto, a fim de conferir eficácia à súmula, mas não aplicála a casos distintos. Assim, a referência expressa ao fundamento legal das exigências às quais se aplica o entendimento sumulado limita a sua abrangência, mas a adoção de expressões cujo significado não pode ser identificado a partir dos paradigmas da súmula confere liberdade interpretativa ao julgador. A contribuinte ainda alega que os valores das multas isoladas foram superiores às multas de ofício. Ora, com a devida vênia, esse argumento só corrobora a tese de que não há concomitância, que as bases podem inclusive serem distintas, como foi no presente caso. Como visto, no caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida para fatos ocorridos após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo ambas as multas devidas. Cumpre assinalar, finalmente, diante da afirmação da Contribuinte de que não é razoável que a cobrança conjunta das multas de ofício e isolada resulte em percentual próximo do aplicável aos casos de dolo, fraude ou simulação, que a imposição dessas multas, ainda que em paralelo, decorre, como se viu, de disposição expressa da lei, não sendo dado a este Colegiado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme prevêem o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e o art. 62 do Anexo II do RICARF. Deve, portanto, o recurso fazendário ser acolhido, reformandose o acórdão recorrido para reconhecer a possibilidade de aplicação simultânea (ou concomitante) da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados ao final do anocalendário e das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais desses tributos. Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Em relação ao tema da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, verificase que essa 1ª Turma da CSRF vem reiteradamente se posicionando pela incidência. Citese, nesse sentido, os acórdãos de nº 9101002.180 e 9101002.181 (de 19/01/2016), ambos de relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, bem como os de nº 9101002.209 e 9101 002.209 (de 02/02/2016) e 9101002.349 (de 14/06/2016), esses de minha relatoria e nos quais fui acompanhada por maioria de votos pela turma. Peço vênia, portanto, para adotar os argumentos expendidos no último julgado citado, de nº 9101002.349, no qual assim me manifestei: A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 738 33 cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos (sublinhei): Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Este é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, em 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves (sublinhei): AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10166.723037/201212 Acórdão n.º 9101002.510 CSRFT1 Fl. 739 34 Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." Conforme o antes transcrito § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vejase: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Portanto, não assiste razão à Contribuinte quando afirma que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra respaldo na legislação. Como se viu, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorrem da lei. Conclusão Em face do exposto, conheço do recurso da Fazenda Nacional e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 739DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.720211/2013-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 23/01/2007 a 12/12/2007
DRAWBACK SUSPENSÃO. EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO.
Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação a ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas.
RECURSO ESPECIAL PROVIDO.
Numero da decisão: 9303-004.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez Lopes, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 23/01/2007 a 12/12/2007 DRAWBACK SUSPENSÃO. EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação a ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.
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EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação a ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez Lopes, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 02 11 /2 01 3- 38 Fl. 2458DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403003.159, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento parcial ao recurso da seguinte forma: · Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à decadência e à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais incidentes na importação, e · Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à desnecessidade de vinculação física no drawback suspensão. Em vista da decisão, foi consignado, então, no acórdão recorrido a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 23/01/2007 a 12/12/2007 DRAWBACK SUSPENSÃO. TERMO DE INÍCIO DA DECADÊNCIA. Nos casos de importação realizada ao abrigo do regime aduaneiro especial de drawback, não há lançamento, pagamentos ou atos preparatórios praticados pelo sujeito passivo, o que, de per si, afasta qualquer tipo de homologação. Consequentemente, o termo inicial da decadência é deslocado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 10508.720211/201338 Acórdão n.º 9303004.139 CSRFT3 Fl. 2.457 3 ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 23/01/2007 a 12/12/2007 DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. O regime aduaneiro especial de drawback, em sua modalidade suspensão, impõe que haja vinculação física entre os insumos importados com suspensão de tributos e os produtos exportados. Contudo, havendo equivalência entre o insumo importado e o nacional, fungíveis, há que se admitir a comprovação do regime de drawback havendo comprovação de utilização do insumo no produto exportado de forma quantitativa e qualitativa. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 23/01/2007 a 12/12/2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que haja repercussão geral reconhecida e julgamento não definitivo pelo pleno do STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 23/01/2007 a 12/12/2007 JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. QUESTÃO DEFINITIVAMENTE DECIDIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. Decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal com repercussão geral tem efeito vinculante no julgamento de igual matéria nos recursos interpostos perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. Fl. 2460DF CARF MF 4 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que haja repercussão geral reconhecida e julgamento não definitivo pelo pleno do STF. Recurso Voluntário Provido em Parte” Para melhor compreensão dos pontos apreciados naquele julgamento, importante trazer breve histórico do ocorrido: · JOANES INDUSTRIAL SA PRODUTOS QUÍMICOS E VEGETAIS teve lavrados contra si os autos de infração para determinação e exigência de crédito tributário referente a, respectivamente, Imposto de Importação (II), CofinsImportação e PIS/PasepImportação, no valor total de R$ 24.287.352,17, como resultado de procedimento de fiscalização do Regime Aduaneiro Especial DRAWBACK SUSPENSÃO; De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 44 a 103, os insumos importados ao amparo do benefício fiscal suspensivo são: a) pó de cacau, amparado especificamente pelo AC nº 20070095930, e b) amêndoas de cacau, amparado pelos AC nº 20070095930, 20070132518, 20070132577, 20070087040, 20070150249, 20070153302, 20070000220, 20070150249, 20070087067; · O sujeito passivo apresentou impugnação, combatendo o lançamento com o argumento de que, mesmo tendo sido estimada pela Fiscalização a não utilização de parte dos insumos importados nos produtos exportados, o beneficiário efetuou a exportação dos produtos constantes do compromisso assumido no AC em idêntica quantidade e qualidade, rejeitando a existência na legislação do princípio da vinculação física, alegando critérios de equivalência e fungibilidade e que o aval eletrônico do DECEX no sistema informatizado de controle seria necessário e suficiente para comprovar o cumprimento do regime. Aduziu ainda que o princípio da vinculação física seria incompatível com as regras de Organização Mundial do Comércio (OMC); · A 2ª Turma da DRJ/FNS julgou a impugnação improcedente, trazendo, entre outros, que o regime aduaneiro especial de drawback, em sua modalidade suspensão, impõe que haja Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 10508.720211/201338 Acórdão n.º 9303004.139 CSRFT3 Fl. 2.458 5 vinculação física entre os insumos importados com suspensão de tributos e os produtos exportados, esclarecendo que o cumprimento do regime ocorre pela exportação de produto final industrializado ao qual comprovadamente foram incorporados os insumos importados com suspensão; · O sujeito passivo, por conseguinte, apresentou Recurso Voluntário, insurgindo com a improcedência das exigências, uma vez que a legislação não exige a vinculação física entre insumos importados e produtos exportados por meio das operações realizadas sob o regime de drawback. Após apreciação da matéria pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, irresignada da decisão daquele Colegiado, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, para se considerar procedente o lançamento efetuado pela fiscalização. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do Despacho 2440/2443 apreciado pelo Presidente da Primeira Turma da Quarta Câmara da 3ª Seção de Julgamento desse Conselho. O despacho traz, entre outros, que foi comprovada a divergência jurisprudencial, propondo, então, o seguimento ao recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso. O que concordo com a análise feita através do despacho de fls. 2440/2443 apreciado pelo Presidente da Primeira Turma da Quarta Câmara da 3ª Seção. Fl. 2462DF CARF MF 6 Eis que o acórdão 3403003.159 foi consignado com o entendimento de ser dispensável a vinculação física dos insumos importados aos produtos exportados para a comprovação do cumprimento das condições do regime aduaneiro de drawbacksuspensão. Enquanto, os acórdãos apontados como paradigmas contemplam, em síntese, que a não vinculação do ato concessório ao respectivo registro de exportação, bem como à declaração de exportação e a ausência da informação do número do ato concessório no respectivo registro de exportação impede que as mercadorias importadas ao abrigo do regime aduaneiro especial denominado drawbacksuspensão sejam consideradas como exportadas, restando descaracterizado o referido regime e inadimplido o compromisso de exportar. Passadas tais considerações, é de se analisar, portanto, sobre a necessidade ou não da demonstração de vinculação física entre o insumo importado e o produto exportado, quando se tratar de insumo fungível, para fins de aferição do cumprimento do referido regime aduaneiro. Importante elucidar que o presente caso se refere a existência de fungibilidade entre o insumo importado e o nacional. Primeiramente, para fins de melhor clarificar, trago breves considerações a respeito do Drawback. O Drawback se resume como sendo um verdadeiro mecanismo de incentivo à exportação, possibilitando ao exportador adquirir, com desoneração de impostos, quais sejam, de II, IPI e de ICMS, incidentes sobre os insumos quando esses forem incorporados ou utilizados na industrialização de produtos destinados à exportação. Esse mecanismo de incentivo poderá ser concedido sob três modalidades distintas, quais sejam, drawback suspensão, drawback isenção e drawback restituição, conforme reza o art. 78 do DecretoLei 37/66, in verbis (Grifos meus): “Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10508.720211/201338 Acórdão n.º 9303004.139 CSRFT3 Fl. 2.459 7 ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. [...]” Sendo assim, em vista dos dispositivos descritos acima, vêse que, especificamente ao drawback suspensão, de que trata o caso vertente, é conferida a fruição do benefício da suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de mercadoria exportada quando ocorrer o seu beneficiamento, ou essa mercadoria for destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outro produto a ser exportado. Proveitoso também trazer que, quanto ao Drawback suspensão, matéria ora trazida na lide, o Decreto 6.759/09, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, fiscalização, controle e tributação das operações de comércio exterior, traz em seu art. 389 (Grifos meus): “Art. 389. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos tributos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos.” Fl. 2464DF CARF MF 8 Com efeito, vêse que a obrigatoriedade da vinculação física para a concessão da suspensão dos impostos incidentes sobre a importação da mercadoria transpareceu de certa forma, com o art. 389 do Decreto 6.759/09. Não obstante, considerando as particularidades das mercadorias importadas e, com o intuito de trazer maior segurança jurídica aos sujeitos passivos, vêse que houve mudança legislativa, concedendo procedimento menos impositivo e restritivo quando se tratar de importação de mercadorias fungíveis. É o que conferiu o art. 17 da Lei 11.774/08 conversão da MP 428/08 (Grifos meus): “Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos nacionais adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes por aplicação do § 1o do art. 59 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, podem ser substituídos por outros produtos nacionais da mesma espécie, qualidade e quantidade, adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplicase também ao regime aduaneiro de isenção, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo.” Posteriormente, ocorreu amplitude da fruição do benefício com aplicação dessa modalidade ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero – com o advento da MP 497/2010 e manutenção da redação do novo art. 17 na Lei 12.350/2010 – conversão dessa MP: “Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 10508.720211/201338 Acórdão n.º 9303004.139 CSRFT3 Fl. 2.460 9 nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1º O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo.” Dessa forma, em síntese, com o advento da Lei 11.827/08, passou se a permitir que, para o efeito de comprovação do adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos – drawback suspensão, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. E, com a alteração trazida pela MP 497/2010 – mantida pela Lei de conversão 12.350/2010, admitiuse a permissão à sua aplicação ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero. Quanto à possibilidade de substituição dos produtos importados sujeitos ao benefício poderem ser substituídos por outros produtos nacionais da mesma espécie, qualidade e quantidade, adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, mister se trazer que o termo “da mesma espécie, qualidade e quantidade” aplicase aos produtos fungíveis, conforme art. 85 do CC/2002 – in verbis: Fl. 2466DF CARF MF 10 “Dos Bens Fungíveis e Consumíveis Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituirse por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade.” Confere tal dispositivo que aqueles bens que se apresentarem com as mesmas características espécie, qualidade e quantidade, podem ser substituídos por outros. Sendo assim, com a inovação legislativa, a observância do princípio da vinculação física para a fruição da modalidade do drawbacksuspensão, passou a considerar, para tanto, a particularidade do produto importado – conferindo maior segurança jurídica e justiça aos sujeitos passivos. Eis que a observância ao princípio foi afastada quando o beneficiário do regime suspensivo permitiuse importar insumos do exterior, vendê los no mercado interno e, posteriormente, adquirir outros, também no mercado interno, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade para empregálos no processo de industrialização daqueles produtos a exportar. Quanto ao efeito desse dispositivo no tempo, é de se considerar a possibilidade de alcançar situações pretéritas, promovendo alterações em situações já consolidadas no tempo, desde que legitimamente discutíveis. O que, por conseguinte, caso a matéria sob lide estiver pendente de julgamento na esfera administrativa, deve ser considerado tal inovação pelas instâncias julgadoras, em respeito ao art. 106 do CTN, in verbis (Grifos meus): “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 10508.720211/201338 Acórdão n.º 9303004.139 CSRFT3 Fl. 2.461 11 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Ora, o art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN estabelece que a Lei 11.827/08 deve aplicarse a ato ou fato pretérito quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. O que, por conseguinte, empregar os insumos importados no produto a ser exportado que resulta do processo de industrialização seria conduta comissiva contemplada no artigo 78, inciso II, do Decretolei 37/66. Tal imposição foi afastada por norma de mesma hierarquia positivada posteriormente, conferindo a reclamação de aplicação retroativa, em respeito ao art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” É de se atentar que, nesse caso, não estou invocando o dispositivo que trata de penalidade, mas o que dispõe sobre a exigência de ação ou omissão. O que é o caso em questão. Fl. 2468DF CARF MF 12 Impertinente, por evidente, a exigência de o sujeito passivo segregar os estoques dos insumos fungíveis adquiridos no mercado interno dos importados com suspensão dos tributos aduaneiros. Ademais, nessa esteira, vêse que a própria Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior – SECEX publicaram a Portaria Conjunta RFB/SECEX 1.618/2014, que, por sua vez, disciplinou a fungibilidade das mercadorias utilizadas no regime aduaneiro especial de Drawback, alterando a redação da Portaria Conjunta RFB/SECEX 467/2010 que trata do regime aduaneiro especial de Drawback Integrado Suspensão – in verbis (Grifos meus): “Art. 5º A comprovação das aquisições de mercadoria nacional sob o amparo do regime terá por base a nota fiscal eletrônica emitida pelo fornecedor, que deverá ser registrada no Siscomex pelo titular do ato concessório. Parágrafo único. As notas fiscais eletrônicas registradas deverão representar somente operações de venda de mercadorias empregadas ou consumidas na industrialização de produtos a serem exportados, devendo constar do documento: I a descrição e os respectivos códigos da NCM; II o número do ato concessório; e III a indicação da saída e venda da mercadoria com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Art. 5ºA Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. § 1º Poderão ser reconhecidas como equivalentes, em espécie e qualidade, as mercadorias que, cumulativamente: I sejam classificáveis no mesmo código da NCM; II realizem as mesmas funções; III sejam obtidas a partir dos mesmos materiais; Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 10508.720211/201338 Acórdão n.º 9303004.139 CSRFT3 Fl. 2.462 13 IV sejam comercializadas a preços equivalentes; e V possuam as mesmas especificações (dimensões, características e propriedades físicas, entre outras especificações), que as tornem aptas ao emprego ou consumo na industrialização de produto final exportado informado. § 2º O disposto no caput: I não alcança a hipótese de empréstimo de mercadorias com suspensão do pagamento dos tributos incidentes entre pessoas jurídicas distintas; II admitese também nos casos de sucessão legal, nos termos da legislação pertinente; III poderá ocorrer, total ou parcialmente, até o limite da quantidade admitida sob o amparo do regime, apurada de acordo com a unidade de medida estatística da NCM prevista para cada mercadoria. § 3º Ficam dispensados, para fins de verificação de adimplemento do compromisso de exportação, controles segregados de estoque das mercadorias fungíveis referidas no caput, sem prejuízo dos controles contábeis previstos na legislação. § 4º A apuração da equivalência de preços mencionada no inciso IV do § 1º será efetuada descontandose a variação cambial, podendo ainda ser acatadas alterações no preço da mercadoria de até 5% (cinco por cento) em relação ao valor das mercadorias originalmente adquiridas no mercado interno ou importadas. § 5º Não se aplica o disposto no inciso IV do § 1º às mercadorias idênticas, assim consideradas aquelas iguais em tudo, inclusive nas características físicas, qualidade e reputação comercial, admitidas pequenas diferenças na aparência. § 6º O disposto neste artigo aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a formalidade prevista no parágrafo único do art. 6ºA. Fl. 2470DF CARF MF 14 § 7º Não será considerada a equivalência de mercadorias nas operações em que for constatada a ocorrência de fraude ou prática de preços artificiais, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis.” O que torna mais transparente que com a publicação da Lei 11.827/08, não mais seria observável a imposição da separação dos insumos destinados para a exportação daqueles que seriam usados internamente – ou seja, a vinculação física dos insumos – quando se tratar de produtos fungíveis. Não obstante, importante elucidar que, nos termos da Portaria, para o reconhecimento da equivalência das mercadorias, estas devem ser classificáveis na mesma NCM, realizar as mesmas funções, serem obtidas a partir dos mesmos materiais, serem comercializadas a preços equivalentes e possuir as mesmas especificações e elementos característicos. Considerando o exposto, as alterações promovidas pela Portaria foram justas e condizentes com a evolução legislativa, que conferiu que a fungibilidade dos insumos importados autorizaria a sua substituição por outros adquiridos no mercado interno, desde que, por óbvio, os produtos a exportar fossem destinados à exportação, na qualidade, quantidade e tempo referidos no Ato Concessório. Dessa forma, considerando o caso vertente – onde, em suma: · O sujeito passivo efetuou a exportação dos produtos constantes do compromisso assumido no Ato Concessório em idêntica quantidade e qualidade pelos critérios de equivalência e fungibilidade; · Houve aval eletrônico do DECEX no sistema informatizado de controle; · Houve uso de produtos nacionais similares e com atendimento da equivalência insurgida na Portaria, na industrialização dos produtos a serem exportados, em substituição aos importados com suspensão. Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 10508.720211/201338 Acórdão n.º 9303004.139 CSRFT3 Fl. 2.463 15 E, aplicandose o Princípio da Retroatividade Benigna, entendo que o sujeito passivo faz jus ao benefício da modalidade do drawback suspensão. O que, por conseguinte, admito o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento ao seu recurso. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 2472DF CARF MF 16 Voto Vencedor Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Discordo da ilustre relatora e passo a redigir o voto vencedor. O drawback é um incentivo à exportação que visa propiciar ao exportador a possibilidade deste adquirir, com desoneração tributária, os insumos a serem incorporados ou utilizados na industrialização de produtos destinados à exportação. Alcança, também, o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante – AFRMM, além da dispensa do recolhimento de outras taxas que não correspondam à efetiva contraprestação de serviços, nos termos da legislação em vigor. O regime de drawback poderá ser concedido, essencialmente, mediante três modalidades distintas: drawback suspensão, drawback isenção e drawback restituição. A modalidade de drawback objeto da lide – drawback suspensão – como a própria denominação permite antever, contempla a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outro produto a ser exportado. Nesse diapasão, os produtos importados pelo beneficiário deverão ser efetivamente àqueles utilizados nas mercadorias exportadas, obrigatoriedade esta que caracteriza o denominado princípio da vinculação física, exigido, em regra, em todas as modalidades de drawback. Com efeito, referido princípio está embasado, historicamente, nos artigos 314, 315 e 317 do Regulamento Aduaneiro de 1985 – RA/85 (aprovado pelo Decreto nº 91.030/85) – vigente à época dos fatos –, nos artigos 335, 336, 341, 342, 345, 346 e 349 do já revogado Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/2002), assim como nos artigos 171, 383, 384, 389, 390, 393, 394 e 397 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto nº 6.759, de 05/02/2009). Não custa repetir que a lide se restringe apenas ao drawback suspensão comum, e que, à época, vigia o Regulamento Aduaneiro de 1985. No entanto, por questões meramente pedagógicas, elencamos aqui os dispositivos sobre o assunto contidos nos Regulamentos Aduaneiros que vigoraram desde a concessão do regime em favor da impugnante até o momento atual, tornando clara, assim, a característica histórica de necessidade de observação do princípio da vinculação física nos três subgêneros de drawback – suspensão, isenção e restituição –, salvo algumas exceções admitidas pela lei, mas cujo estudo não se faz necessário no exame da presente contenda. A necessária observação do princípio da vinculação física traz como consequência a obrigatoriedade de serem adotadas medidas de controle de estoque compatíveis com a efetiva demonstração de que os insumos adquiridos no mercado externo foram realmente empregados nos produtos exportados sob a guarida do regime em apreço. Com efeito, o inciso II do art. 78 do DecretoLei n° 37/66, raiz legal do art. 314, inciso I, do RA/85, bem como do artigo 335, inciso I, do RA/2002, e do artigo 383, inciso I, do RA/2009, ao estabelecer que referida modalidade envolve a “suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada” (grifos nossos), exige que as mercadorias exportadas estejam acondicionadas, contenham ou tenham sido elaboradas com os insumos efetivamente importados para tal fim. E não poderia ser de outra forma, posto que a não utilização dos insumos importados nos produtos compromissados a exportar representaria desvio de finalidade do incentivo, com prejuízos para Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 10508.720211/201338 Acórdão n.º 9303004.139 CSRFT3 Fl. 2.464 17 a Fazenda Pública e à livre concorrência nacional, retratada na aquisição de mercadorias do exterior, pelo beneficiário do incentivo, em condições bem mais favoráveis que a concorrência, pois sobre tais mercadorias não haveria a incidência normal de tributos sobre os bens importados. Exatamente por tais razões é que, no regime aduaneiro especial de drawback, deve ser observado o princípio da vinculação física. Sobre essa questão, o Parecer Normativo CST n° 126/72, ao se reportar ao art. 78, inciso II, do Decretolei n° 37/66, afirma, em seu item 10, que “[...] somente a mercadoria importada na modalidade constante do inciso II, do texto legal em referência [drawback suspensão], é que tem destinação específica, devendo ser exportada numa das formas previstas, sob pena de tornaremse exigíveis as obrigações tributárias anteriormente suspensas”. Ressaltese que o item 9 do parecer em tela, ao abordar a sistemática do drawback isenção, assevera que, na referida modalidade, “[...] a mercadoria é importada com isenção tributária em substituição a uma outra igualmente importada que, em quantidade e qualidade equivalente, foi utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado”. Posteriormente, o Parecer Normativo CST n° 12, de 12/03/1979 (DOU de 19/03/1979) – citado no voto recorrido como justificativa à flexibilização da vinculação física no drawback suspensão (fls. 327) –, embora tendo se reportado a outra matéria (hipóteses de isenção do II e do IPI para empresas fabricantes de produtos manufaturados que tiveram Programa Especial de Exportação nos termos do art. 1° do Decretolei n° 1.219, de 15/05/1972), abordou, justamente, a questão relativa à necessidade de observação da vinculação física, tanto no drawback suspensão como no drawback isenção, conforme excertos do citado parecer, abaixo reproduzidos: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS 4.12.19.00 – Isenções – Produtos Importados. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO 5.13.16.99 –Bens Condicionados à Aprovação de Projeto por Órgão Governamental Setorial ou Regional Outros. Desde que cumprido o programa especial de exportação, é irrelevante, para manterse a isenção prevista no artigo 1° do Decretolei n° 1.219/72, que as matériasprimas e produtos intermediários incentivados sejam utilizados na industrialização de bens destinados à venda no mercado interno. Em estudo, implicações referentes à destinação dada a matérias primas e produtos intermediários importados, "ex vi" do disposto no artigo 1° do Decretolei n° 1.219, de 15 de maio de 1972, com isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados. 2. Criou o referido diploma legal, entre outros, conforme se infere de seus artigos 1° e 4°, um incentivo à exportação semelhante ao previsto no artigo 78 do Decretolei n° 7, de 18 de novembro de 1966, que se insere entre as “importações vinculadas à exportação” de que trata o capítulo III do título III desse repositório. Fl. 2474DF CARF MF 18 2.1 – Todavia, enquanto a vinculação a que se refere o citado capítulo do Decretolei n° 37/66, tanto no caso da "admissão temporária" como no de "drawback", é sempre de natureza física, ou seja, o bem importado deve ser obrigatoriamente exportado ou as matériasprimas e produtos intermediários (ou similares em quantidade e qualidade) importados devem ter sido ou ser totalmente utilizados na industrialização de bens já exportados ou a exportar, o vínculo referente ao incentivo em análise é meramente financeiro, consistindo na obrigação assumida pelo beneficiário de efetivar, em um determinado lapso de tempo, um programa especial de exportação de produtos manufaturados. (...) (os grifos, ao contrário dos destaques em negrito, não constam do original) Ainda sobre a obrigatoriedade de observação do princípio da vinculação física no regime de drawback, dispunha o artigo 341 do Regulamento Aduaneiro de 2002, que “as mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas” (grifo nosso). Essa mesma redação foi mantida no artigo 389 do RA/2009. O parágrafo único de ambos os dispositivos citados acima estabelece ainda que o excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos tributos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. Chamese atenção, mais uma vez, para o fato de que, à época dos acontecimentos, o Regulamento Aduaneiro vigente era o de 1985 (Decreto nº 91.030, de 05/03/1985). No entanto, e concernente ao princípio da vinculação física, foram trazidos os dispositivos dos Regulamentos Aduaneiros de 2002 e de 2009 no intuito exclusivo de demonstrar que a observância a aludido princípio foi sempre exigida desde os primórdios do regime de drawback, tendo se perpetrado historicamente nas normas que regulam esse regime aduaneiro especial, conforme normas legais e infralegais já destacadas no arrazoado acima expendido. Ainda com respeito à legislação vigente à época dos fatos, a Portaria nº 594, de 25/08/1992, do então Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, estabelecia, em seu art. 4°, § 3º, que a concessão do drawback suspensão estava condicionada “[...] ao adimplemento do compromisso de exportar, no prazo estipulado, produtos na quantidade e valor determinados, industrializados com a utilização das mercadorias a serem importadas” (grifei). O § 2º do mesmo artigo exigia, como condição para a concessão do drawback isenção, a “[...] comprovação das exportações já realizadas do produto, em cuja fabricação foram utilizadas mercadorias importadas, em quantidade e valor determinados” (grifo nosso). O art. 3º, alíneas “a” e “b”, da Portaria SECEX nº 04, de 11/06/1997, publicada no DOU de 12/06/1997, mantinha a mesma regra ao determinar que o regime de drawback poderia ser concedido para “reposição, em quantidade e qualidade equivalente, de mercadoria importada utilizada na industrialização de produto exportado” (drawback isenção), bem como para “mercadoria destinada a processo de industrialização e posterior exportação” (drawback suspensão) (grifos nossos). Posteriormente, a Consolidação das Normas do Regime de Drawback CND (anexa ao Comunicado DECEX nº 21, de 11/07/1997, DOU de 23/07/1997), também não Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10508.720211/201338 Acórdão n.º 9303004.139 CSRFT3 Fl. 2.465 19 abandonou a necessidade de observação do princípio da vinculação física como requisito do regime de drawback, conforme se observa abaixo: Comunicado DECEX n° 21, de 11/07/97 (Consolidação das Normas do Regime de Drawback) 2.1 O Regime de Drawback compreende as seguintes modalidades: I SUSPENSÃO dos tributos incidentes na importação de mercadoria a ser utilizada em processo de industrialização de produto a ser exportado; II ISENÇÃO de tributos incidentes na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes, destinada à reposição de mercadoria anteriormente importada utilizada na industrialização de produto exportado... [...] Anexo II MERCADORIAS AMPARADAS PELO REGIME DE DRAWBACK O Regime de Drawback, desde que atendido o disposto no item 3.1 desta CND, poderá amparar importações de: a) mercadoria (matériaprima, produto semielaborado ou acabado) utilizada no processo de industrialização de produto a exportar ou exportado; Anexo XI UTILIZAÇÃO DE NOTA FISCAL DE VENDA NO MERCADO INTERNO Empresa de Fins Comerciais 1. Na comprovação de exportação vinculada ao Regime de Drawback, nas modalidades de suspensão e de isenção, será aceita Nota Fiscal de venda no mercado interno, com o fim específico de exportação, realizada por empresa industrial à empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior, devidamente acompanhada da Declaração prevista no subitem 3.8 deste Anexo. [...] 3. MODALIDADE SUSPENSÃO [...] 3.2 Sem prejuízo das normas específicas em vigor, a Nota Fiscal de venda deverá conter, obrigatoriamente: Fl. 2476DF CARF MF 20 a) declaração expressa de que o produto destinado à exportação contém mercadoria importada ao amparo do Regime de Drawback, modalidade suspensão; b) número e data de emissão do Ato Concessório de Drawback vinculado; c) quantidade da mercadoria importada sob o Regime empregada no produto destinado à exportação; [...] [...] 4. MODALIDADE ISENÇÃO 4.1 Para a modalidade isenção, sem prejuízo das normas específicas em vigor, a Nota Fiscal de venda emitida pela empresa industrial que pretenda se habilitar ao Regime deverá conter, obrigatoriamente, as seguintes informações: a) declaração expressa de que o produto destinado à exportação contém mercadoria importada e que a empresa pretende habilitarse ao Regime de Drawback, modalidade de isenção; b) número e data de registro da Declaração de Importação que amparou a importação da mercadoria utilizada no produto destinado à exportação; c) quantidade da mercadoria importada empregada no produto destinado à exportação; [...] (os grifos não constam dos originais) Depreendese do acima exposto que o princípio da vinculação física advém da própria legislação, estando presente, historicamente, deste a instituição do incentivo à exportação em evidência, não podendo, assim, ser ignorado pela autoridade administrativa. Pelo exposto, dou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003197/2006-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO FÁTICA PREJUDICIAL AO JULGAMENTO. CABIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.
A existência de situação fática ocorrida antes do julgamento e prejudicial à decisão administrativa, cujo conhecimento ocorre posteriormente, é motivo para interposição de embargos ao teor do artigo 66 do RICARF, com efeitos modificativos da decisão vergastada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO DO JULGAMENTO.
A desistência do processo administrativo fiscal com vistas à adesão a parcelamento especial é fato impeditivo do julgamento de recurso.
Numero da decisão: 2201-003.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, atribuindo-lhes efeitos infringentes, para tornar nula a decisão representada pelo Acórdão 2201-01.408, de 01/12/2011, sanando assim o processo administrativo.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO FÁTICA PREJUDICIAL AO JULGAMENTO. CABIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. A existência de situação fática ocorrida antes do julgamento e prejudicial à decisão administrativa, cujo conhecimento ocorre posteriormente, é motivo para interposição de embargos ao teor do artigo 66 do RICARF, com efeitos modificativos da decisão vergastada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO DO JULGAMENTO. A desistência do processo administrativo fiscal com vistas à adesão a parcelamento especial é fato impeditivo do julgamento de recurso.
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EXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO FÁTICA PREJUDICIAL AO JULGAMENTO. CABIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. A existência de situação fática ocorrida antes do julgamento e prejudicial à decisão administrativa, cujo conhecimento ocorre posteriormente, é motivo para interposição de embargos ao teor do artigo 66 do RICARF, com efeitos modificativos da decisão vergastada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO DO JULGAMENTO. A desistência do processo administrativo fiscal com vistas à adesão a parcelamento especial é fato impeditivo do julgamento de recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, atribuindolhes efeitos infringentes, para tornar nula a decisão representada pelo Acórdão 220101.408, de 01/12/2011, sanando assim o processo administrativo. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 31 97 /2 00 6- 53 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de despacho proferido pela Agência da Receita Federal em Patos de Minas que noticiou a extinção do crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração combatido no âmbito do presente processo administrativo fiscal e que foi acolhido como embargos pela Sra. Presidente da 2ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento. Por meio do auto de infração constante das folhas 143 do processo digitalizado, a Fiscalização constituiu, em 22 de novembro de 2006, crédito tributário referente ao ITR do exercício de 2002. O Contribuinte foi cientificado em 28 de novembro de 2006, por meio de AR anexado às folhas 90. Inconformado, o contribuinte impugnou o lançamento (fls 92). Tal impugnação restou considerada improcedente pela 1ª Turma da DRJ Brasília por meio do Acórdão 0321.513 (fls. 107). Em 05 de outubro de 2007, foi interposto recurso voluntário contra a decisão da DRJ Brasília (fls. 122). A 1ª Turma da 2ª Câmara desta 2ª Seção, por meio do Acórdão 220101.408, de 01/12/2011, decidiu manter parcialmente o crédito tributário lançado. Após ter embargos rejeitados, a Procuradoria interpôs, em 28 de maio de 2013, recurso especial contra a decisão que contrariou os interesses da Fazenda Nacional (fls. 162). Tal recurso foi admitido por meio de despacho prolatado em 29 de outubro de 2015 e anexado às folhas 223. Ao se demandada no sentido de cientificar o contribuinte do teor do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Fazenda Nacional interposto e do despacho que o admitiu, a unidade preparadora da Receita Federal do Brasil, constatou que o sujeito passivo havia requerido, em 27 de maio de 2011, desistência do recurso voluntário interposto com o objetivo de aderir ao parcelamento especial previsto na Lei 11.941/09. Tal requerimento se encontra anexado às folhas 229. Foi constado ainda que tal parcelamento foi integralmente quitado, consoante se verifica pelo teor do despacho de folhas 232 da Agência da Receita Federal em Patos de Minas. Tendo sido novamente encaminhado o processo para este Conselho, a Sra Presidente da 2ª Câmara, após admitir tal despacho como embargos, determina o retorno do processo para que fosse apreciado pela Turma embargada. Em cumprimento, o processo foi eletronicamente sorteado para minha relatoria. É o relatório do necessário. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10675.003197/200653 Acórdão n.º 2201003.292 S2C2T1 Fl. 238 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Por concordar com o despacho de admissibilidade dos presentes embargos, passo a examinálo. Como relatado, foi observado que houve um formal pedido de desistência do recurso voluntário interposto em face do interesse do sujeito passivo em aderir ao parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941 de 2009. Tal pedido de desistência, textualmente formulado com renúncia a qualquer direito referente ao recurso interposto, foi requerido meses antes do julgamento proferido por esta 1ª Turma Ordinária. Consta das folhas 229 o carimbo do protocolo do requerimento de desistência e nele se pode constatar a data de 27 de maio de 2011. Já a decisão representada pelo Acórdão 220101.408, que julgou o recurso voluntário objeto da desistência irrevogável, foi proferida na sessão de 1º de dezembro de 2011 (fls. 136), ou seja, mais de seis meses após o pedido de desistência do prosseguimento do processo administrativo inaugurado com a impugnação ao lançamento que originou o crédito tributário que veio a ser reconhecido e parcelado pelo contribuinte. Tal fato, a desistência, é impeditivo do julgamento realizado, uma vez que houve perda do objeto do ato administrativo representado pela decisão colegiada, que, como cediço, se presta a decidir sobre a insurgência do contribuinte contra o lançamento tributário. Não se pode olvidar que um julgamento administrativo nada mais é do que o pedido do administrado para a Administração Pública se pronuncie sobre a legalidade do ato administrativo por ela praticado. No caso tributário, a lide se instaura pela resistência do sujeito passivo em reconhecer a procedência do direito de crédito do sujeito ativo. Tal insurgência contra o direito de crédito, direito patrimonial e portanto, disponível, só se consubstancia mediante o agir do contribuinte, representada pela impugnação e recursos cabíveis. Ao deles desistir, há nítida falta de interesse em prosseguir com o processo, quanto mais ao se recordar que houve o parcelamento e posterior quitação, do crédito tributário lançado. Esse é o sentido da decisão da Sra. Presidente da 2ª Câmara que ao conhecer do despacho da unidade preparado da Receita Federal, atribuiulhe efeitos de embargos. Vejamos (fls. 234): "Dessa forma, a Unidade da Receita Federal juntou aos autos o requerimento de desistência total de impugnações e recursos (fls. 229/230), protocolado em 27/05/2011, portanto antes do julgamento do recurso voluntário (Acórdão de nº 220101.408, de 01/12/2011). Assim, constatase que o acórdão de recurso voluntário nº 220101.408 foi proferido com base em premissa fática Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 equivocada que foi decisiva para o conhecimento do recurso voluntário, uma vez que não constava dos autos o documento de desistência, de maneira que o referido acórdão desconsiderou o fato de que houvera a desistência do recurso voluntário. Com efeito, as ementas abaixo transcritas demonstram que o CARF tem decidido pelo acolhimento de embargos de declaração ainda que a hipótese autorizadora seja constatada quando da juntada aos autos, após o julgamento, de documentos que deveriam estar anexados anteriormente." (destaquei) Ao se acolher tais embargos, ou seja, ao se reconhecer a existência de um fato impeditivo ao prosseguimento do processo administrativo, tornando despiciendo o julgamento do recurso interposto em face da sua retirada pela parte cujo resultado do recurso aproveita, forçoso atribuir aos embargos efeitos modificativos. Por todo o exposto, e reconhecendo o ato volitivo de desistência do processo do sujeito passivo, titular da peça recursal, voto por conhecer e acolher os embargos, atribuindolhes efeitos infringentes, para tornar nula a decisão representada pelo Acórdão 220101.408, sanando assim o processo administrativo. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10620.001143/2003-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
Numero da decisão: 9202-004.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em superar a preliminar de delimitação da lide, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra que a delimitava em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões não apreciadas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões quanto ao conhecimento o conselheiro Gerson Macedo Guerra. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em superar a preliminar de delimitação da lide, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra que a delimitava em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões não apreciadas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões quanto ao conhecimento o conselheiro Gerson Macedo Guerra. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2082; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 692 1 691 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10620.001143/200346 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.279 – 2ª Turma Sessão de 19 de julho de 2016 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSÉ EVANGELISTA JUNIOR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em superar a preliminar de delimitação da lide, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra que a delimitava em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões não apreciadas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões quanto ao conhecimento o conselheiro Gerson Macedo Guerra. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 11 43 /2 00 3- 46 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 693 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2101002.121, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 13 de março de 2013 (efls. 652 a 658). Ali, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS LEI 9.430, DE 1996 COMPROVAÇÃO Estando as Pessoas Físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada servem para justificar os valores depositados ou creditados em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores.Recurso Voluntário Provido. Decisão: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Cientificada a PGFN em 08/07/2013 (efl. 659). insurgese a Fazenda Nacional contra o Acórdão, no dia 09/07/2013 (efl. 661), agora através de Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 662 a 668). O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 671 a 673, tendo alegado a recorrente divergência em relação ao decidido em 22/02/2006 no Acórdão 10421.400, de lavra da 4a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, bem como em relação ao decidido pela mesma 4a. Câmara, agora no Acórdão 10421.546, prolatado em 27/04/2006, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 10421.400 DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 694 3 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e artigo 5º da Instrução Normativa SRF nº 94, de 1997, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, de 2001 Não há vedação à constituição de crédito tributário decorrente de procedimento de fiscalização que teve por base dados da CPMF. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, aplicandose, no caso, a hipótese prevista no § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA DEPÓSITOS DE VALOR INDIVIDUAL INFERIOR A R$ 12.000,00 TRATAMENTO Nos lançamentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, devem ser desprezados os depósitos de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00, quando sua soma, no ano, não ultrapasse a R$ 80.000,00. Preliminar de decadência acolhida. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido. Decisão: Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para o anocalendário de 1999, relativamente aos depósitos bancários de titularidade de fato e de direito do Recorrente, vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo. Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em face da utilização de dados obtidos com base nas informações da CPMF, vencida a Conselheira Meigan Sack Rodrigues e, por unanimidade de votos, a de nulidade do lançamento por violação de princípios constitucionais. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência os valores relativos aos anoscalendário de 2000 e 2002. Designado para redigir o voto vencedor quanto à decadência o Conselheiro Nelson Mallmann. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 695 4 Acórdão 10421.546 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DADOS DA CPMF INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO PROCESSO FISCAL O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei nº. 5.172, de 1966 CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Decisão: por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: Fl. 695DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 696 5 a) Enquanto o Colegiado a quo considerou como comprovados os depósitos objeto de lançamento, sem que houvesse uma exata correspondência de datas e valores entre os recursos indicados como origem e os depósitos bancários individualmente, os paradigmas consideram como não comprovados, para fins de aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, os valores para os quais não se demonstra a origem, com necessária coincidência de datas e valores; b) A presunção constante do referido art. 42 opera a favor do Fisco com inversão do ônus da prova, cabendo, assim, ao contribuinte o ônus da comprovação de cada depósito individualmente, através de documentação hábil e idônea, com coincidência de datas e valores das operações que alega para justificálos, a fim de que não seja considerado como renda tributável (omissão de receita). Rejeita que os depósitos a serem comprovados e a documentação comprobatória possam ser tratados de forma genérica ou por média. Ou seja, entende que para a comprovação da origem dos depósitos, é indispensável que os documentos indiquem o pagamento da importância em data e valor coincidente aos dos depósitos. Requer, assim, a reforma do recorrido, uma vez que este considerou como justificados valores sem lastro em operações que demonstrassem a coincidência em valores e datas com os depósitos individualmente considerados. O recurso foi admitido através de despacho de efls. 671 a 673. Encaminhados os autos ao autuada para fins de ciência, ocorrida em 31/08/2015 (efl. 677), o contribuinte apresentou no dia 11/09/2015, contrarrazões ao Recurso Especial (efls. 680 a 683), onde, alega, quanto à matéria em litígio: a) Entende inexistir divergência a ser apreciada, uma vez que se tratam de situações fáticas distintas; b) Reitera, ainda, que o Recurso Voluntário baseouse em dois pilares fundamentais: a) A existência de comprovação de origem para os depósitos objeto de tributação e b) A existência de receitas declaradas, que restou não analisada por prejudicada. Assim, caso se dê provimento ao recurso da recorrente, requer a exclusão das receitas declaradas, a fim de que se evite a tributação em duplicidade. c) Reitera as argumentações já trazidas em sede impugnatória e em sede de Recurso Voluntário. Assim, requer que o pleito da Fazenda Nacional não seja conhecido e, caso o seja, seja julgado improcedente. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 697 6 Ressaltese que, diferentemente de casos onde o referido art. 42 remete à comprovação (tal como previsto no §5o. do referido, onde se pode valorar diferentemente até um mesmo conjunto probatório, utilizando critério idêntico sem que haja divergência interpretativa), aqui se está diante de caso onde se adotou, ao compararmos recorrido e paradigmas, critérios diversos de valoração da prova, sendo despicienda para o colegiado recorrido a coincidência entre datas e valores para fins de comprovação de determinado crédito, enquanto para os colegiados paradigmáticos tal coincidência é indispensável. Assim, não se está diante de caso de diferente valoração probatória, e, portanto, cabível assim a análise da divergência em questão por este Colegiado uniformizador. Passo, assim, à análise de mérito. Imprescindível, aqui, inicialmente, que se faça breve digressão acerca do lançamento e da matéria apreciada pelo Colegiado a quo, para fins de delimitação da lide nesta instância especial. Faço notar, a propósito, que o lançamento sob análise abrangeu, consoante demonstrativos de efls. 11 a 16, um total de 9 (nove) depósitos considerados como de origem não comprovada pela autoridade autuante. Em sede de julgamento de 1a. instância, a autoridade julgadora considerou como devidamente comprovado o depósito datado de 28/02/2000, no valor de R$ 81.461,03 (vide efls. 565 a 573), permanecendo assim sob apreciação em sede de Recurso Voluntário os seguintes 8 (oito) depósitos, tidos como não comprovados e assim tributados consoante art. 42, da Lei no. 9.430, de 1996: Depósito ContaCorrente Data Valor 1 01100.0448 (Conjunta) 24/03/1998 R$ 20.690,00 2 6.0631 19/05/1998 R$ 26.028,03 3 01100.0448 (Conjunta) 25/06/1998 R$ 35.616,00 4 6.0631 08/03/1999 R$ 15.500,00 5 01100.0448 (Conjunta) 15/03/1999 R$ 13.496,40 6 6.0631 07/05/1999 R$ 25.178,00 7 6.0631 21/12/1999 R$ 15.000,00 8 6.0631 12/06/2000 R$ 44.101,00 Em uma primeira apreciação do Recurso Voluntário (anexado às efls. 588 a 595), realizada através da Resolução 10202.417, de efls. 602 a 608, optouse por converter o julgamento em diligência, para fins de comprovação da origem alegadas pelo contribuinte exclusivamente quanto aos depósitos 2, 4, 6, 7 e 8 (vide quadro de efl. 606). Consoante tese do relator de efl. 607, despicienda seria a realização de diligências para os depósitos 1, 3 e 5, uma vez que se tratavam de depósitos realizados em conta conjunta sem que o outro cotitular tivesse sido intimado, a partir daí já se podendo produzir, no entendimento do Conselheiro, julgamento de mérito quanto a tais depósitos. A seguir, retornando o feito à apreciação deste Conselho em instância ordinária após a realização da diligência, verifico que, quando da prolação do recorrido, o Colegiado a quo considerou a partir dos elementos obtidos da diligência e, ainda, a partir dos demais elementos de prova já constantes dos autos, que restaram justificadas as origens dos depósitos, a partir da seguinte documentação respectiva: a) Depósito no valor R$ 20.690,00, de 24/03/98: Admitiuse como documentação comprobatória a NF 004399, de 05/02/98 (efl. 461), consoante efl. 656; Fl. 697DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 698 7 b) Depósito no valor de R$ 26.028,03, de 19/05/98: Admitiuse como documentação comprobatória as NFs 001715 a 001717, de 06/05/98 (efl. 462 a 464), consoante efl. 655 ; c) Depósito no valor de R$ 35.616,00, de 25/06/98: Admitiuse como documentação comprobatória as NFs 005374 e 005397, respectivamente de 04/06/98 e 09/06/98 (efls. 466/467), consoante efl. 656; d) Depósito no valor de R$ 15.500,00, de 08/03/1999: Admitiuse como documentação comprobatória a declaração de efl. 625, consoante efl. 655; e) Depósito de R$ 13.496,40, de 15/03/1999: Não mencionado no recorrido; f) Depósito no valor de R$ 25.178,00, de 07/05/1999: Admitiuse como documentação comprobatória a NF 004475, de 05/05/99 (efl. 422), consoante efl. 655; g) Depósito no valor de R$ 15.000,00, de 21/12/1999: Admitiuse como documentação comprobatória a declaração de efl. 636, consoante efl. 655; h) Depósito no valor de R$ 44.101,00, de 12/06/00: Admitiuse como documentação comprobatória as NFs 005853 e 983738, respectivamente de 10/05/00 e 13/05/00 (efls. 428/429), consoante efl. 656; Ressalto, a propósito, que ainda que não tenha se discorrido no Recorrido acerca da comprovação do depósito no valor de R$ 13.496,40, de 15/03/1999 (nem mesmo acerca da sua possível exclusão por se tratar de depósito em conta conjunta), no entanto, se deu provimento integral ao Recurso Voluntário na instância ordinária. A partir de tal consideração, ou seja, que não se deu provimento por força de comprovação documental quanto ao referido depósito de R$ 13.496,40, ao notar também que a decisão recorrida não foi objeto de decisão integrativa por terem inexistido embargos e, ainda, ao verificar que se atém a argumentação da recorrente exclusivamente à divergência entre se poder ou não considerar comprovados depósitos para os quais não haja coincidência de datas e valores com a respectiva documentação comprobatória, considero objeto de trânsito em julgado administrativo a exclusão do valor do depósito em questão, a saber, no valor de R$ 13.496,40, datado de 15/03/1999. Passa assim o litígio no âmbito desta instância especial a estar composto da discussão acerca da comprovação ou não, para fins de elidir a aplicação do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, dos seguintes depósitos: Depósito ContaCorrente Data Valor 1 01100.0448 (Conjunta) 24/03/1998 R$ 20.690,00 2 6.0631 19/05/1998 R$ 26.028,03 3 01100.0448 (Conjunta) 25/06/1998 R$ 35.616,00 4 6.0631 08/03/1999 R$ 15.500,00 5 6.0631 07/05/1999 R$ 25.178,00 6 6.0631 21/12/1999 R$ 15.000,00 7 6.0631 12/06/2000 R$ 44.101,00 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 699 8 Prosseguindo, assim, na análise quanto aos depósitos supra em litígio, estabelece o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou dei nvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 699DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 700 9 Quanto à aplicação do referido dispositivo, adoto posicionamento bastante restritivo no que diz respeito à comprovação capaz de elidir a aplicação da presunção, que, para tal fim, deve ser feita de forma individualizada, com correspondência de datas e valores e através de documentação hábil e idônea que comprove não só a procedência, mas a origem dos recursos, aqui abrangida sua natureza. Mais detalhadamente a propósito, é cediço que, a partir de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996, em seu art. 42 e parágrafos, estabeleceu uma presunção legal (g.n.) de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Do dispositivo acima, defluem: a) a força probatória de extratos onde constem créditos em contas titularizadas pelo contribuinte, bem como, b) a nítida inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, o contribuinte titular da conta de depósito bancário é quem deve demonstrar a origem do numerário creditado (dos depósitos), sob pena da autoridade fiscal poder, com base na presunção legal, caracterizá los como renda tributável deste, que é o contribuinte legalmente determinado. Caberia ao autuado, na forma disposta pela Lei, refutar a presunção legal através de documentação hábil e idônea, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário. No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTECRJ1979 pg. 806, José Luiz Bulhões Pedreira defende com muita clareza essa posição: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Por comprovação de origem, aqui, há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Ainda quanto à citada presunção, atendome agora ao cerne da questão sob análise no presente feito, entendo que decorre de disposição expressa do §3o. do art. 42 em questão a necessidade de se comprovar cada depósito de forma individualizada, vedado assim que se tente justificar determinado somatório de depósitos de forma genérica, em perfeito alinhamento com o argumento trazido à baila pela recorrente. Quanto à necessidade de coincidência de datas e valores, entendo que se deva, porém, fazer ressalva. Em meu entendimento, o que deve haver é uma correspondência (e não coincidência) unívoca entre cada depósito realizado e a respectiva documentação suporte, hábil e idônea comprobatória de sua origem (abrangendo sua natureza), permitido, Fl. 700DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 701 10 assim, haver divergência entre datas e valores dos documentos comprobatórios e dos depósitos realizados, mas somente, notese, no caso em que tal divergência seja devidamente esclarecida pelo autuado, também com base em suporte probatório hábil e idôneo. Assim, tanto quanto ao valor principal constante da documentaçãosuporte e àquele que compõe eventual diferença, necessária a anexação, pelo autuado, de elementos que comprovem que os recursos, provenientes da transação alegada como origem de recursos, transitaram pela conta corrente em questão. Exemplificando sob uma ótica prática, entendo que possa se aceitar que o valor da nota fiscal de determinada operação mercantil sirva como comprovação para depósito de valor mais elevado realizado posteriormente à transação, uma vez que se deva esta diferença a encargos pactuados pela dilação do prazo de pagamento, desde que, notese, reste devidamente comprovada a incidência de tais encargos e o pagamento de principal e encargos pelo devedor referente à transação na conta do credor. Um outro exemplo poderia ser a diferença entre o preço pauta (muito propriamente citado em voto de efl. 605/606) e o valor recebido pelo vendedor em transação agrícola, ainda que meu entendimento somente seria de se aventar de tal hipótese (ou de qualquer outra como a acima descrita) caso o autuado alegasse tal motivação para existência de diferença de valores e prazos, produzindo, ainda, provas acerca da veracidade da sua alegação, incabível, assim, em meu entendimento, que a autoridade fiscal ou o julgador possa assumir que a não coincidência se deva a este ou àquele motivo, considerandose, aqui, o ônus da prova claramente estabelecido pelo dispositivo de forma a recair, in casu, sobre o contribuinte. Ou seja, nestas hipóteses acima exemplificadas e em outras de natureza similar, entendo que ainda que não haja a exata coincidência de datas e valores entre a documentaçãosuporte e o depósito efetuado, podese, sim, a partir de detalhada alegação acompanhada do devido suporte probatório, estabelecer a correspondência unívoca entre a documentação comprobatória apresentada (abrangendo a natureza da operação) e o depósito efetuado, sendo, uma vez estabelecida tal correspondência, também nestas hipóteses de se elidir a aplicação da presunção do referido art. 42. Todavia, para o caso em questão, a partir da análise dos autos, verifico que: 1. Não há qualquer comprovação detalhada pelo autuado de que os recursos originados das Notas Fiscais de venda de gado anexas aos autos transitaram pela contas correntes objeto de auditoria, onde foram efetuados os depósitos objeto de tributação; 2. As duas motivações para as diferenças apuradas entre datas e valores de Notas Fiscais e depósitos, apontadas pelo contribuinte em sede impugnatória e recursal, a saber, venda de leite e resgates de aplicações financeiras, não restaram comprovadas, uma vez que: 2.a) Não se pode estabelecer qualquer vinculação, a partir dos elementos probatórios carreados aos autos, entre os depósitos (ou parcela destes) e alegada atividade de venda de leite, uma vez que também aqui não há qualquer prova que houve trânsito de recursos desta alegada atividade nas contas onde se efetuaram os depósitos tributados (só se localizou a respeito, como elemento probatório, a boleta de efl. 432); Fl. 701DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 702 11 2.b) Os resgates de aplicações financeiras ocorridos nas contas em que ocorreram os créditos tributados já foram objeto de exclusão pela fiscalização, anteriormente à solicitação de comprovação dos depósitos sob litígio; 3. A diligência realizada se limitou a comprovar os valores das Notas Ficais trazidas aos autos e, ainda assim, somente para alguns dos créditos, sendo, destarte, de nenhuma utilidade para o estabelecimento da necessária correspondência documentação suportedepósitos. Assim, entendo que não há como se considerar os depósitos aqui em litígio restaram individualmente comprovados para fins de afastamento da presunção do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996 e, destarte, me posiciono pela reforma do recorrido, de forma a que sejam considerados como não comprovados os seguintes créditos, objeto de tributação e que julgo serem aqueles que permanecem, a esta altura, sob litígio no âmbito desta CSRF: Depósito ContaCorrente Data Valor 1 01100.0448 (Conjunta) 24/03/1998 R$ 20.690,00 2 6.0631 19/05/1998 R$ 26.028,03 3 01100.0448 (Conjunta) 25/06/1998 R$ 35.616,00 4 6.0631 08/03/1999 R$ 15.500,00 5 6.0631 07/05/1999 R$ 25.178,00 6 6.0631 21/12/1999 R$ 15.000,00 7 6.0631 12/06/2000 R$ 44.101,00 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional para considerar como não comprovados os depósitos acima resumidos, com retorno ao Colegiado a quo, a fim de que este se manifeste acerca das questões constantes do Recurso Voluntário que restaram não apreciadas, por prejudicadas, a saber: a) Tributação de créditos ocorridos em contacorrente conjunta sem a devida intimação de todos os cotitulares; b) Exclusão de receitas declaradas em DIRPF do montante objeto de tributação. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 702DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 703 12 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. Em que pese o brilhante voto do relator discordo de seu posicionamento em dois pontos. Primeiro quanto a necessidade de exata correlação entre datas e valores para comprovação da origem dos recursos de depósitos bancários. E em segundo, mas não menos importante, quanto a competência deste colegiado para reanálise de matéria probatória. Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda Nacional tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Utilizase aqui das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em discussão. Assim, "presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Podemos deste dispositivo destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as Fl. 703DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 704 13 quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. Ou seja, não houve falta de prova nos autos, mas sim apresentação de prova considerada suficiente pelos conselheiros da Câmara Ordinária, a quem de fato regimentalmente compete a análise probatória. No caso concreto a atividade do contribuinte é notadamente a atividade rural, a qual conjuga historicamente relações complexas para comprovação de sua comercialização como, por exemplo, a situação dos produtos que estão com o preçopauta lançados com valores acima do valor real, ou seja, do preço comercializado no mercado as quais sugerem um lucro virtual (hipotético) a fim de atender uma exigência legal, a qual sabemos gera problemas na comprovação de Imposto de Renda. Exigir deste trabalhador, por exemplo, a exata comprovação da origem dos recursos com a correspondência de datas e valores é uma missão impossível. Vez que a nota fiscal sairá com um valor acima do valor real da comercialização. O que demanda um conjunto de outras provas possíveis, as quais foram analisadas pela Instância Ordinária. Deste modo, cabe a este colegiado julgar tão somente o critério jurídico, qual seja, se a a expressão legal “documentação hábil e idônea” significa necessariamente a comprovação pormenorizada da origem dos depósitos com a exata correspondência de datas e valores dos recursos indicados como origem. Deste modo, a meu ver caberia ao colegiado da Câmara Superior tão somente afirmar o critério jurídico. Tomando como exemplo o voto do relator do qual discordo, este afirma que é necessária a exata correspondência. Assim, tendo logrado êxito em ser o voto vencedor, deveriam os autos serem remetidos para Câmara Ordinária que trataria da adequação do julgado, qual seja, a aplicação do critério jurídico: documentação hábil e idônea correspondem a comprovação da exata correspondência entre datas e valores dos recursos indicados como origem. Esse posicionamento encontra guarida na competência instituída para cada instância recursal do Tribunal Administrativo Fiscal, por meio de seu Regimento Interno. Não há razão em instituir uma Câmara de Uniformização de Jurisprudência se esta expressão “uniformização” não tiver duas finalidades: a) garantir a segurança jurídica de seus jurisdicionados (caráter recursal); b) dar as Câmaras Ordinárias o conhecimento formal de seu posicionamento através da necessária adequação do julgado (caráter instrumental). Contudo, ambas as finalidades devem ser conjugadas sem retirar da Câmara Ordinária sua competência, também regimental, que é a de realizar a valoração probatória dentro do processo administrativo. Assim, uniformizado o critério jurídico referente ao tema da comprovação da origem dos depósitos bancários, cabe a este colegiado da Câmara Superior informar a Câmara Ordinária, ao analisar o Recurso Especial de uma das partes votou por maioria que, é devida a comprovação exata da correspondência entre datas e valores dos recursos. Todavia, a valoração do que é tido como “correspondência exata entre datas e valores dos recursos” é cabível tão somente a Câmara Ordinária, sob pena de permitir as partes Fl. 704DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 9202004.279 CSRFT2 Fl. 705 14 que interponham Recurso Especial para discutir critério de valoração probatória o que seria inaceitável dentro da estrutura deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Diante do exposto, ainda que necessária a exata correspondência para comprovação hábil e idônea (posicionamento que discordo, mas que venceu por maioria), divirjo integralmente da possibilidade de revaloração de provas nesta esfera como restou realizada pelo relator, devendo esta questão voltar ao juízo a quo para adequação, a exemplo do que ocorre na Turma Nacional de Uniformização responsável por uniformizar os Juizados Especiais Federais no cenário nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 705DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000007/2009-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece de recurso especial quando recorrido e paradigmas adotaram decisões divergentes em razão de diferenças entre as situações fáticas enfrentadas.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Luís Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausente momentaneamente a Conselheira Nathalia Correia Pompeu. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de recurso especial quando recorrido e paradigmas adotaram decisões divergentes em razão de diferenças entre as situações fáticas enfrentadas. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 5.863 1 5.862 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12897.000007/200918 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.409 – 1ª Turma Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria Lucro Arbitrado Obrigatoriedade de adoção pelo Fisco Recorrente CIBRAPEL SA INDUSTRIA DE PAPEL E EMBALAGENS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de recurso especial quando recorrido e paradigmas adotaram decisões divergentes em razão de diferenças entre as situações fáticas enfrentadas. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Luís Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausente momentaneamente a Conselheira Nathalia Correia Pompeu. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 07 /2 00 9- 18 Fl. 5863DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 9101002.409 CSRFT1 Fl. 5.864 2 Relatório A contribuinte recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 5.743/5.838), contra o acórdão de nº 130100.809 (efls. 5.509/5.524) que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negou provimento aos recursos de ofício e voluntário, mantendo o lançamento. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento. ADICIONAL DO IRPJ. ERRO DE CÁLCULO NO LANÇAMENTO. CORREÇÃO. Correta a decisão de primeira instância que corrigiu erro no cálculo do adicional do IRPJ, lançado a maior, adequando o valor exigido àquele previsto em lei. PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL. PERÍODOS ANTERIORES. DIREITO À COMPENSAÇÃO. Correta a decisão de primeira instância que admitiu a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, acumulados em períodos anteriores, respeitada a limitação legal de 30%. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Se a contribuinte não consegue comprovar a existência e exigibilidade de obrigações registradas em seu passivo, na data do balanço, deve prevalecer a presunção legal de omissão de receitas A Recorrente apontou divergência jurisprudencial entre o Acórdão nº 1301 00.809, e outras decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes, no que toca as seguintes questões: 1ª Divergência: Forma indevida de apuração, que diz respeito à obrigatoriedade de se proceder ao arbitramento dos lucros, em vista de a glosa da totalidade do passivo demonstrar a imprestabilidade da escrita para fins de apuração do lucro real. Indicou os paradigmas de nº 10706.940 e 10321.229; 2ª Divergência: Eleição indevida da ocorrência do fato gerador, que diz respeito aos saldos de diversas contas que, em tese, já registravam saldo final do anoanterior e, assim, não poderiam ser tributadas como omissão de receitas. Indicou os paradigmas de nº 107 07.444 e 10323.105. Fl. 5864DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 9101002.409 CSRFT1 Fl. 5.865 3 3ª Divergência: Passivo fictício: afirma que esse tipo de presunção prescinde da recomposição do caixa. Indicou os paradigmas nºs 10188.921 e 10184.621. Pelo Despacho nº 95/2014, de 11/07/2014 (efls. 5.846/5.852), o Recurso Especial manejado pela contribuinte foi admitido parcialmente, apenas em relação à primeira divergência alegada "Forma indevida de apuração obrigatoriedade de se proceder ao arbitramento dos lucros, em vista de a glosa da totalidade do passivo demonstrar a imprestabilidade da escrita para fins de apuração do lucro real". Em relação aos demais itens, o Recurso Especial não foi admitido porque não restaram caracterizadas as divergências. Relativamente à divergência admitida Forma indevida de apuração obrigatoriedade de se proceder ao arbitramento dos lucros, em vista de a glosa da totalidade do passivo demonstrar a imprestabilidade da escrita para fins de apuração do lucro real , as ementas dos acórdãos paradigmas são as seguintes: Acórdão nº 10706.940 IRPJ – GLOSA DA TOTALIDADE DAS DESPESAS RELATIVAS A FINANCIAMENTO E CONSIDERAÇÃO DA TOTALIDADE DAS CONTAS COM FORNECEDORES E DE FINANCIAMENTOS COMO OMISSÃO DE RECEITAS – OFENSA AOS PRINCÍPIOS NORTEADORES DO TRIBUTO – IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O imposto sobre a renda tem como pressuposto a tributação do efetivo acréscimo patrimonial e, nesse contexto, não obstante a possibilidade de glosa de custos ou de despesas, não pode a fiscalização, pura e simplesmente, desconsiderar, pela sua totalidade, despesas inerentes à atividade do contribuinte, muito menos considerar, como omissão de receitas, também pela sua totalidade, as contas de fornecedores e de financiamentos. Na realidade, pelo contexto dos fatos verificados ao longo da fiscalização, se persistisse a recusa do contribuinte na demonstração da veracidade das contas impugnadas, o arbitramento era a única medida que se impunha. Acórdão nº 10321.229 OMISSÃO DE RECEITA PASSIVO FICTÍCIO GLOSA DE TODO O SALDO DA CONTA FORNECEDORES IMPROCEDÊNCIA DA ACUSAÇÃO Inadmissível é a glosa de todo o saldo da conta FORNECEDORES para assim erigir presunção de omissão de receita sob pena de se tributar fato gerador não materializado na renda disponível na medida em que não é de se admitir venda sem custo ou, na pior das hipóteses, aquisições totalmente à vista. A não comprovação do passivo, quando muito, deveria implicar na desconsideração da escrita e no inevitável arbitramento dos lucros. No tocante a essa questão, a recorrente aduz, em sua peça recursal, que a receita supostamente omitida representa aproximadamente 69% da receita declarada e, assim, sua contabilidade não poderia de forma alguma ser considerada confiável. Fl. 5865DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 9101002.409 CSRFT1 Fl. 5.866 4 Assinala ainda que, da mesma forma, a auditoria fiscal considerou como incomprovado a quase totalidade de sua conta fornecedores, sem efetuar uma análise mais acurada, o que também implica na imprestabilidade da contabilidade. A PFN apresentou de Contrarrazões (efls. 5.857/5.860), em que aduz: a) caberia prova à recorrente, uma vez tratarse, o passivo fictício, de presunção de omissão de receitas "juris tantum"; o fisco apenas desincumbiuse de provar o fato e o contribuinte não apresentou provas de que as obrigações escrituradas em seu passivo fossem existentes ou exigíveis na data do encerramento do período de apuração; b) a hipótese de arbitramento dos lucros não se aplicaria ao caso sob exame, sendo suficiente a adição das receitas omitidas, tendo em vista que o montante não era elevado a tal ponto de tornar toda a contabilidade imprestável, sendo o arbitramento medida extrema; e, por fim, c) que seja negado o provimento ao recurso especial interposto. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. De início registro, com o devido respeito, que não verifiquei, na comparação entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados pela recorrente, a divergência aventada, em virtude da falta de identidade fática entre as decisões. Vejamos. No caso do primeiro paradigma Acórdão nº 10706.940 a autuação se deu pela: (i) glosa da totalidade das despesas escrituradas, (ii) da consideração, como passivo fictício, por falta de comprovação, da totalidade das contas fornecedores, além de (iii) glosa de financiamentos de curto e longo prazo. Entendo que essa situação é diversa daquela analisada pelo acórdão recorrido. Primeiramente, porque o paradigma demonstra que houve, naquele caso, mais indícios de que a escrituração poderia apresentar inconsistências para apuração do lucro real. Com efeito, foram apuradas várias irregularidades na escrituração do sujeito passivo, eis que houve desqualificação, não apenas da totalidade da conta fornecedores, como também da totalidade das despesas escrituradas e, ainda, outras glosas promovidas pela auditoria fiscal. Tais irregularidades, no conjunto, poderiam realmente levar à conclusão de que a escrita do sujeito passivo, naquele caso, seria imprestável. Ocorre que, no caso do recorrido, não se materializaram indícios suficientes para levar a descaracterização da escrita fiscal da contribuinte, já que se apurou uma única irregularidade na contabilidade, que foi a desconsideração de parte do passivo. Sim, foi uma parte expressiva do passivo aquela descaracterizada, cerca de 66%. Mas, bem lembrou o voto proferido no acórdão recorrido, isto se deu em virtude de que Fl. 5866DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000007/200918 Acórdão n.º 9101002.409 CSRFT1 Fl. 5.867 5 as supostas compras foram efetuadas de uma única empresa, a Flexpack Indústria de Embalagens Ltda. Nesse mesmo sentido segue meu entendimento a respeito da comparação entre o acórdão recorrido e o segundo paradigma, de nº 10321.229. Ressalto, que o cotejo entre o recorrido e o segundo paradigma demonstra que, neste último caso, foi desconsiderado, pela auditoria fiscal, todo o passivo da empresa, enquanto que no caso do recorrido, a desconsideração do passivo foi, apenas, parcial. A respeito desse segundo acórdão trazido como paradigma, cumpre transcrever trecho do argumento do relator do voto vencedor para demonstrar que, o fato de ser glosado a totalidade do passivo foi decisivo para não se considerar o lançamento do passivo fictício: “ora, não de pode assumir que todas as compras feitas pelo sujeito passivo sejam sempre à vista, ora não se pode aceitar que as vendas prescindam do custo sob pena de em última análise não se tributar a renda disponível A jurisprudência deste Conselho e principalmente desta Câmara já tem assentado, assim, que a glosa de todo o passivo é intolerável. Na pior das hipóteses a escrita do sujeito passivo não seria confiável e então teria a autoridade lançadora que caminhar para a sua desconsideração com o conseqüente arbitramento dos lucros.”(Negritei) Entendo, assim, que não há identidade fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados. Conclusão Voto, portanto, no sentido de não conhecer do recurso manejado. Adriana Gomes Rêgo Relatora. Fl. 5867DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000281/2004-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2001
Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela
denúncia espontânea se refere à obrigação principal. O instituto não é aplicável ás obrigações acessórias, de acordo corn o artigo 138 do CTN.
INCONST1TUCIONALIDADE, LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA, O CARF
não é competente para se pronunciar a respeito de eventuais incongruências entre a legislação fiscal e os princípios constitucionais tributários.
Numero da decisão: 1803-000.631
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2001 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal. O instituto não é aplicável ás obrigações acessórias, de acordo corn o artigo 138 do CTN. INCONST1TUCIONALIDADE, LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA, O CARF não é competente para se pronunciar a respeito de eventuais incongruências entre a legislação fiscal e os princípios constitucionais tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Benedicto Celso,Be ic o Júnior - Relator EDITADO EM: NOV Mt (_ Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Benedict° Celso Benicio Júnior. Processo n° 13678.000281/2004-11 S1-I E03 AcOrddo n ° 1803-00.631 Fl 2 Relatório Contra a interessada acima identificada foi lavrado o auto de infração de fl. 29, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas aos quatro trimestres do ano-calendário de 2000, no valor total de R$ 4.185,82, Como enquadramento legal, foram citados: § 3 0 do art. 113 e art. 160 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN); art. 4°, combinado com o art. 2°, da Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996; art. 2° e 6° da Instrução Normativa SRF no 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item I da Portaria do Ministério da Fazenda no 118, de 26 de agosto de 1984; art. 5° do Decreto-lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 7' da Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei no 10,426, de 24 de abril de 2002. A ciência do lançamento se deu em 14/10/2004 (AR, fl. 40) . Em 09/11/2004 (fl. 30), foi postada a impugnação de fls. 01 a 13. Nela, pediu-se que o auto de infração fosse julgado improcedente. Alegou-se que a multa imposta era indevida, tendo em vista a denúncia espontânea e a ofensa ao principio da razoabilidade. 0 arrazoado que fundamentou o pedido é a seguir resumido: (1) Existência de denúncia espontânea - a entrega da DCTF se deu antes de qualquer intimação ou procedimento da Receita Federal; - deve ser aplicado o art. 138 do CTN, excluindo-se a multa exigida; - o alt. 138 se aplica à obrigação acessória ou a deveres instrumentais; - o art. 138 emprega o termo infração, sem fazer distinção entre infração de obrigação principal e infração de obrigação acessória; - não cabe ao intérprete distinguir aquilo que o legislador não fez; - o mesmo dispositivo diz que a denúncia espontânea sera acompanhada do pagamento do tributo, se for o caso; - ao empregar a expressão "se for o caso", o art. 138 não deixa dúvida de que aplicável à hipótese de denúncia de infração de obrigação acessória; - as decisões do Conselho de Contribuintes endossam a pretensão da impugnante; (2) Foram violados os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5°, inciso LIV, da CF) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV, da CF); Processo ri° 13678,000281/2004-11 S1-TE03 AcOrdrio n O 1803-00.631 F I 3 - o principio da razoabilidade é urna norma jurídica constitucional que impõe ao legislador, quando do exercício da discricionariedade legislativa, um limite negativo A. sua liberdade de aplicação da Constituição, vedando a criação de leis desarrazoadas, arbitrárias e desproporcionais; - a multa imposta viola o princípio da razoabilidade, em virtude de três razões especificas; - a primeira razão decorre do fato de que a lei impõe uma sanção para cada mês de atraso: a) o descumprimento de uma obrigação acessória não pode ser visto corno um somatório de desobediência à legislação fiscal; b) o STJ já decidiu que não é razoável efetuar um somatório de sanção pecuniária para cada mes de atraso; c) o auto deve ser cancelado, por se tratar de multa desarrazoada e não existir, na lei, outra forma de lançar referido descumprimento; a segunda razão diz respeito ao fato de que a lei utiliza como base de calculo da sanção os valores declarados em DCTF: a) o descumprimento da obrigação acessória não tem pertinência lógica corn os valores apurados de tributo em determinado trimestre; b) tal criteria é desarrazoado, porque o contribuinte que apura valor alto de tributo tem multa enorme, enquanto que o contribuinte que não apura valor de tributo ou apura tributo de valor baixo terá multa pequena; c) a mesma conduta infratora ta rá medidas distintas; - a terceira razão é que o valor da multa imposta não tern relação de adequação e proporcionalidade com a conduta praticada, sendo muito alto: a) trata-se de verdadeiro confisco, conforme decisão do STF. A 3' TURMA DRJ EM BELO HORIZONTE — MG, ao julgar a impugnação anexada, preservou, in lotion, o lançamento da multa, nos seguintes moldes: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2000 DCTF. MULTA POR ATRASO. O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF se sujeita its penalidades previstas na legislação vigente, quando deixar de apresentá-la ou apresentá-la em atraso." Cientificado da decisão em 02/05/2007, interpôs o contribuinte, em 22/05/2007, recurso a este conselho, aventando razões similes As ante riores e afirmando, ainda, Processo n° 13678.000281/2004-11 SI-T £03 Acórdão n.° 1803-00.631 Fl 4 a ilegalidade da sanção debatida, em virtude de a obrigação de entrega de DCTF não estar prescrita em lei stricto sensu.t o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, Relator O recurso 6 tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. (I) Da aplicação da denúncia espontânea ao descumprimento de obrigações acessórias O contribuinte aduziu, primeiramente, a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Segundo sua exegese, o mecanismo denuncista deveria indistintamente, As infrações derivadas do descumprimento de obrigações principais, de um lado, e As transgressões oriundas da inobservância de deveres instrumentais, de outro. Assim seria em decorrência de o artigo 138 do CTN jamais ter diferenciado entre contravenções, na medida em que indicara a necessidade de pagamento de tributo e de juros moratórios "somente se este fosse o caso". Nesse cenário, muito embora tivesse apresentado a DCTF/01, não poderia a autuada, ern sua visão, ser penalizada, uma vez que a infração comentada teria sido sanada voluntariamente, antes de qualquer procedimento fazenddrio de oficio. A multa cominada deveria ser afastada, ema vez ter inoconido prejuízo ao erário. Pois bem. A despeito das ilações trazidas na peça recursal, entendo inagasalhável o entendimento proposto. De fato, a interpretação do artigo 138 do CTN não pode ser levada a efeito de maneira tal que tome inócua a previsão de prazo A apresentação da DCTF, Caso as penas derivadas do atraso na entrega desta declaração só pudessem ser impingidas depois de começado rito administrativo correlato, estaria sendo esvaziada a definição de interregnos máximos para o cumprimento de tais obrigações acessória, tão caras à arrecadação. A leitura mais correta do estresido artigo 138 é aquela que o antevê aplicável apenas As infrações derivadas da inobservância dos chamados deveres fiscais principais. Assim 6, afinal, porquanto a razão de ser do instituto denuncista está posta no estimulo dado ao contribuinte para o recolhimento, aos cofres públicos, do valor de tributo devido, antes que a Fazenda tenha que dar andamento a procedimentos destinados A cobrança atinente. Ora, tendo em conta que as obrigações acessórias, por definição, não tocam ao pagamento da exação em si, não haveria razão para que o legislador privilegiasse seu cumprimento extemporâneo voluntário, eximindo a multa correspondente. Não entregue a DCTF, ou apresentada ela fora do prazo, cabe, por força de lei, a impingência da penalidade debatida, não sendo caso de subsunção A figura da denúncia espontânea. Processo n" 13678.000281/2004-11 S1-TE03 Acórdão n 1803-00.631 Fl 5 Nesse sentido já se posicionou este colegiado, consoante as exemplificativas ementas abaixo copiadas: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere a obriga cão principal. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, de acordo com o artigo 138 do CTN. (Ac, 3° CC —302-39.878/08,)." "DCTF- DENÚNCIA ESPONTÂNEA A entrega da DCTF . fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa correspondente. A responsabilidade acessória autônoma não é alcançada pelo art. 138 do CTN. (Ac, 3° CC — 302-39.974/087 Assim, remanesce em aberto somente o tratamento das arguições principiológicas feitas pelo contribuinte. Passemos a isso. (2) Da ofensa a princípios constitucionais Também declinou a peticionária, em suas razões recursais, longa explanação a respeito dos motivos que, em sua visão, implicariam na incongruência entre a aplicação da multa debatida, de um lado, e a preservação de variados princípios constitucionais regentes da função tributante, de outro . A respeito do tópico, temos para nós a desnecessidade da ereção de considerações mais aprofundadas. A atividade julgadora deste Conselho, por sua natureza administrativa, não é permitido o questionamento da validade das normas legais e infralegais positivadas, ainda que sob adução de ineonstitucionalidade, O entendimento ora exposto se encontra consolidado, na forma da Súmula CARF n" 02, in verbis: "Súmula CARF n° 02: 0 CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributciria." Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Benedi?4:,elso 'cio Junior
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