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Numero do processo: 10830.720418/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir.
Numero da decisão: 3401-005.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta na Resolução CARF nº 3401000.494, de 26/06/2012, que converteu o julgamento em diligência para que a unidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 18 /2 01 0- 06 Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10830.720418/201006 Acórdão n.º 3401005.780 S3C4T1 Fl. 525 2 de origem aguardasse o julgamento do Processo nº 10830.014190/201011, que trata do recolhimento do IPI a menor , cuja apuração se deu mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI (saldo credor apurado conforme o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e IN SRF nº 33 de 1999), relativo ao 4º trimestre de 2009, no valor de R$ 8.067.776,09, o qual foi formulado mediante a entrega de PER/Dcomp em 19/01/2010, ao qual foram vinculadas declarações de compensação de débitos mediante a entrega de Dcomp em datas posteriores e em montante equivalente ao crédito postulado. A DRF em Campinas/SP, todavia, acolhendo parecer emitido pelo seu Serviço de Fiscalização, reconheceu apenas de forma parcial o montante do crédito pleiteado, de sorte que não homologou todas as compensações declaradas. Na Informação Fiscal em que baseado o Despacho Decisório da DRF, observase que a glosa parcial decorreu da constatação de “falta de lançamento do IPI”, o que, por sua vez, teria se originado no “uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei nº 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome do contribuinte, identificando esses produtos/modelos”.(sic) Esclarece ainda a autoridade fiscal na sua informação que esse IPI recolhido a menor fora objeto de lançamento de oficio por meio de auto de infração autuado em outro processo administrativo, qual seja, o de nº 10830.014190/201011, cuja apuração se dera mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI. Assim, o crédito reconhecido montou a R$ 7.596.223,79 e foi esse o limite utilizado para a homologação das compensações declaradas, de sorte que os débitos exsurgidos foram objeto de cartas de cobrança. Na Manifestação de Inconformidade a interessada, preliminarmente, pediu a unificação do presente processo àquele em que autuado o mencionado lançamento de ofício do IPI, sob o argumento de que, ocorrendo o cancelamento do auto de infração, a reconstituição de seu saldo credor e que implicou na glosa ora em discussão também deixaria de existir. Para tanto, invocou a aplicação da regra contida no § 2º do art. 29 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e no inciso II do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008. Ad argumentandum, pediu, alternativamente, que se sobrestasse o julgamento do presente feito até que se tenha uma decisão quanto aos rumos do referido processo nº 10830.014190/201011. Quanto ao mérito, a interessada reproduziu os seus argumentos de defesa lançados na impugnação ao referido lançamento de Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10830.720418/201006 Acórdão n.º 3401005.780 S3C4T1 Fl. 526 3 oficio, os quais, em apertadíssima síntese, clamam pela nulidade da autuação por falha na busca da verdade dos fatos [ a fiscalização não teria demonstrado interesse em apurar a inexistência de produtos comercializados sem o benefício da isenção fiscal de que trata a Lei 8.248/91], e, quanto ao mérito, que nenhum dos produtos/modelos escolhidos pelo Fisco para motivar a imputação [não inclusão na portaria ministerial para a fruição do benefício] deixou de constar do referido ato infralegal, de sorte que a reconstituição de sua escrita fiscal não poderia ser dada como certa. A 8a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, todavia, considerou improcedentes os termos da Manifestação de Inconformidade. Para afastar a regra constante do inciso II, do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008, de que “Serão objeto de um único processo administrativo: [...] II –...a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes;”, esclareceu a instância de piso que o referido processo nº 10830.014190/201011, que trata do auto de infração de IPI, “não decorreu da não homologação das compensações, como é o caso da multa isolada ou de glosas de créditos, ao contrário, a não homologação das compensação é que é decorrente do lançamento efetivado e da consequente diminuição do saldo credor de IPI, [...]”. Quanto ao pedido da interessada para a juntada ou anexação dos processos, alegou a DRJ não existir qualquer dispositivo legal a prever tais hipóteses, e, quanto ao pedido de sobrestamento, esclareceu não existir essa figura jurídica no processo administrativo tributário. No mérito, a instância de piso assim se manifestou, verbis: “[...]Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco. [...]”E foi justamente invocando os termos da decisão que essa mesma 8ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP proferira no Acórdão nº 14032.958, de 22/03/2011, no bojo do referido processo administrativo nº 10830.014190/201011, ou seja, mantendo na íntegra no auto de infração, que a DRJ manteve as glosas e a não homologação das compensações tratadas no presente processo. No Recurso Voluntário a interessada, preliminarmente, suscitou a nulidade do “Despacho Decisório” (sic) [na verdade, pretendeu referirse ao Acórdão da DRJ, ora vergastado] sob o argumento de que não fora cientificada em tempo hábil [o fora em 06/05/2011] dos termos daquele Acórdão nº 14032.958, de sorte que sua defesa teria sido cerceada na medida em que não teve acesso aos fundamentos que, na verdade, foram utilizados Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10830.720418/201006 Acórdão n.º 3401005.780 S3C4T1 Fl. 527 4 para manter o indeferimento de seu pleito contido na Manifestação de Inconformidade. Esclareço eu que, na verdade, a Recorrente pediu um novo prazo para a apresentação de suas considerações, desta feita, levando em conta os termos do Acórdão da DRJ proferido no processo que versa sobre o auto de infração. A Recorrente insistiu na juntada dos processos [este e o do auto de infração], ou, alternativamente, no sobrestamento do presente julgamento até que se decida sobre os rumos da lide envolvendo o auto de infração, de modo a se evitar prejuízo de sua parte. Explica que esse prejuízo ocorreria no caso de obter uma decisão desfavorável neste processo, situação que o obrigaria ao recolhimento imediato dos débitos cuja compensação não fora homologada, e, de outra parte, caso futuramente venha obter uma decisão favorável no processo que trata do lançamento dos débitos do IPI, o que evidenciaria a improcedência das glosas dos créditos; assim, teria havido um locupletamento ilegal por parte do Fisco. A DRF Campinas, em 08/06/2015, devolveu o processo ao CARF sob a seguinte argumentação: A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o SOBRESTAMENTO do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. Em não havendo diligência a ser tomada a cabo por esta DRF, retornese ao CARF para, se julgado conveniente, seja feita a análise em conjunto do presente com o que lhe precede. Nesse ínterim o Processo nº 10830.014190/201011 foi julgado procedente conforme acórdão CARF nº 3201003.372, de 31/01/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática, os produtos cujas alterações no processo fábril não implicam em alteração do modelo.conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT. Recurso Voluntário Provido Em resumo, as razões de decidir do acórdão citado foram: Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10830.720418/201006 Acórdão n.º 3401005.780 S3C4T1 Fl. 528 5 A teor do relatado tratase de processo que discute o benefício da isenção prevista na lei de informática a telefones celulares fabricados pela Recorrente. A Fiscalização da Receita Federal entendeu que os produtos apresentavam alterações nos seus modelos que desqualificavam a habilitação inicial, promovida pela Motorola junto aos órgãos públicos e formalizada na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. A extinta segunda turma ordinária desta Câmara, ao apreciar o recurso resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse elaborado Parecer Técnico para avaliar se as alterações promovidas nos modelos de celulares desqualificariam os produtos para fruição do benefício da lei de informática. O Parecer Técnico nº 000.956/2013, elaborado pelo INT, concluiu que as modificações promovidas nos telefones celulares não foram suficientes para alterar o modelo dos referidos equipamentos, estando estes novos equipamentos qualificados nos modelos previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. ... O Parecer Técnico elaborado pelo INT conclui que os telefones celulares produzidos pela Recorrente e que foram objeto do presente lançamento, tratamse do mesmo produto e modelo daqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01, destarte não pode prosperar o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A questão crucial do presente processo foi a não existência de crédito para homologar as compensações declaradas, conforme explicado na Resolução que converteu o julgamento em diligência: A Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10830.720418/201006 Acórdão n.º 3401005.780 S3C4T1 Fl. 529 6 na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. Então, não obstante a Recorrente aqui apresente contestação às glosas efetuadas em seu pedido de ressarcimento de IPI, o fato é que o fez reproduzindo as suas alegações lançadas na Impugnação apresentada naquele processo, que trata do auto de infração de IPI. Como relatei acima, a própria DRJ considerou que, verbis, “Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco”. Além disso, uma outra questão prejudicial suscitada pela Recorrente é, referindose aos procedimentos adotados pelo Fisco na auditoria fiscal que resultou no auto de infração, de que a autoridade fiscal teria incorrido em “patente falha na busca da verdade dos fatos”, e contra ou a favor desse argumento não é possível a este Relator apresentar considerações, haja vista a inexistência, neste processo, dos elementos e documentos necessários para tanto. Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Portanto concluído no julgamento do processo que trata da autuação fiscal pela correção das anotações efetuadas pela recorrente no Livro de IPI, e pela existência do crédito alegado é de se homologar as compensações declaradas, já que esse foi o único impedimento para tanto. Pelo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito por dar lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10830.720418/201006 Acórdão n.º 3401005.780 S3C4T1 Fl. 530 7 Fl. 530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906854/2012-57
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2007
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2007 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 54 /2 01 2- 57 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.906854/201257 Acórdão n.º 3003000.019 S3C0T3 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor original na data de transmissão de R$ 15.018,54, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/07/2007. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13888.906854/201257 Acórdão n.º 3003000.019 S3C0T3 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 02 056.380. O fundamento adotado, em síntese, foi o de rejeição da preliminar de nulidade e falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à nulidade tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido e, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, decorrente de revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório e da decisão recorrida por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13888.906854/201257 Acórdão n.º 3003000.019 S3C0T3 Fl. 5 4 § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que entendeu embasar o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer ao contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13888.906854/201257 Acórdão n.º 3003000.019 S3C0T3 Fl. 6 5 Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Alega a Recorrente que efetuou revisão dos seus créditos da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS e deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no pagamento das contribuições a maior durante todo o período revisado. Para embasar o seu direito juntou ao presente processo DACON original e retificador, demonstrativo dos cálculos e amostras de Notas Fiscais. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar o DACON retificador, demonstrativo e amostras de Notas Fiscais, porém sem documentos hábeis, idôneos e suficientes que os embasassem. As declarações retificadas e demonstrativos produzidos pelo contribuinte, bem como, provas apresentadas por amostragem desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13888.906854/201257 Acórdão n.º 3003000.019 S3C0T3 Fl. 7 6 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 13601.000818/2007-80
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e redator do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 08 18 /2 00 7- 80 Fl. 82DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 0222.498, da 3a Turma da DRJ/BHE, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o auto de infração lavrado exigindo a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Resumo, a seguir o relatório: O auto de infração a folhas 5 exige o recolhimento de R$ 1.942,77 a titulo de multa por atraso na entrega de declaração de débitos e créditos tributários federais (DCTF) relativa ao mês de fevereiro de 2006. O prazo final da entrega era 07.04.2006, mas a declaração foi entregue em 05.05.2006. Enquadramento legal: artigo 113, § 3°, e artigo 160, da Lei n° 5.172, de 25.10.1966 (Código Tributário Nacional CTN); artigo ll do Decretolei n° 1.968, de 23.11.1982, com redação dada pelo artigo 10 do Decretolei n° 2.065, de 26.10.1.983; artigo 30 da Lei n° 9.249, de 26.12.1995; artigo 7° da Lei n° 10.426, de 24.04.2002; artigos 1° da Instrução Normativa SRF n° 18, de 24.02.2000. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENT0 O auto de infração, conforme consta a folhas 5, foi emitido em 05.10.2007. Em 29.10.2007, conforme carimbo da repartição receptora, o sujeito passivo apresentou a impugnação juntada a folhas 2 a 4. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. Consta do AI que a entrega da DCTF ocorreu em 05.05.2006, como de fato ocorreu. Todavia, como o contribuinte tinha dúvidas quanto à interpretação da lei para o caso concreto, aviou consulta no dia 06.03.2006, conforme faculta o artigo 46 do Decreto n° 70.235, de 1972. A consulta foi respondida e o contribuinte regularmente intimado do resultado em 19.04.2006, mediante carta com aviso de recebimento. O contribuinte então enviou a DCTF nos exatos termos da resposta à consulta em 05.05.2006, ou seja, dentro do prazo de 30 dias a que se refere o artigo 48, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, o qual estabelece que, salvo o disposto no artigo que vem em seguida, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso. O artigo 49 do mesmo Decreto n° 70.235, de 1972, dispõe que a consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de rendimentos. Todavia, não se trata aqui de nenhuma das hipóteses desse artigo 49. Portanto, o lançamento em causa é indevido por expressa determinação do artigo 48. Nesses termos, pedese o seu integral cancelamento e arquivamento. A recorrente foi cientificada da decisão em 02/07/2009 (fl 39) e apresentou o seu recurso voluntário em 28/07/2009 ( fl 40). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13601.000818/200780 Acórdão n.º 1001001.104 S1C0T1 Fl. 3 3 Voto Vencido Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente argumenta, basicamente, o seguinte: · face à dúvida sobre a periodicidade de entrega da DCTF, apresentou consulta sobre o assunto, se deveria entregar mensalmente ou semestralmente; · apresenta um quadro com a cronologia de todo o processo: Protocolo da Consulta: 06/03/2006 Data limite para entrega mensal da DCTF: (fevereiro de 2006) 07/04/2006 A Resposta da Consulta foi recebida pelo Recorrente em: 19/04/2006 Data da Efetiva Entrega da DCTF (mensal): 05/05/2006 05/05/2006 Data Limite para entrega DCTF após resposta Consulta 19/05/2006 Data limite para entrega Semestral, jan/06 a jun/06: 06/10/2006; · Merece forte destaque a situação de dúvida do contribuinte, pois, caso o Protocolo da Consulta em 06/03/2006 5319 suspendesse a obrigação de apresentar a DCTF em 07/04/06 poderia haver uma grande confusão e maiores problemas se o Contribuinte realizase a entrega da DCTF em 07/04/06 e a Fazenda respondesse a Consulta determinando que a periodicidade fosse semestral. · Nessa esteira, percebemos que nos termos do inciso I do artigo 48, c/c o art. 49, ambos do Decreto 70.235/72, a Recorrente cumpriu rigorosamente o prazo para apresentação da DCTF, já que a DCTF não é Declaração de Rendimentos, e não se sujeita à exceção do art. 49 ..: · Por certo não estamos tratando aqui de nenhuma hipótese do artigo 49 acima, uma vez que não foi tratado na Consulta sobre recolhimento de tributos retidos na fonte ou autolançado tão pouco de declaração de rendimentos. · argumenta que: a IN 569/05 não pode alterar o Decreto 70.235/72: Logo não é concebível em um Estado de Direito uma norma hierarquicamente inferior alterar comando normativo de Lei hierarquicamente superior, isso porque a Instrução Normativa não pode modificar Decreto, ainda mais o Decreto 70.235/72 que possui status de Lei Ordinária. · Não há espaço no ordenamento Pátrio para que o interprete diga o que o legislador não disse em matéria tributária. E caso assim não o fosse, Fl. 84DF CARF MF 4 estarseia criando multa (punição) por analogia, o que é vedado pelo CTN art. 108, § 1°, c/c o artigo 112, inciso I. · Logo, o argumento fiscal de que cabe ao caso uma interpretação extensiva do artigo 49 do Decreto 70.235/72 para incluir na sua exceção além da Declaração de Rendimentos a DCTF é, data vênia, um disparate jurídico. Por fim, requer o cancelamento do lançamento. A DRJ conduziu o seu voto alegando, basicamente o seguinte: A impugnante interpreta literalmente esse preceito e como ele não menciona a apresentação de DCTF, entende que tal obrigação não estaria por ele alcançada. Todavia, o raciocínio da impugnante é equivocado. O Decreto n° 70.235, de 1972, não faz alusão à DCTF porque na época em que foi editado essa declaração não havia sido instituída nem muito menos era obrigatória a sua apresentação. Em verdade, o primeiro ato normativo a tratar da DCTF foi a Instrução Normativa SRF n° 129, de 19 de novembro de 1986. No presente caso, a interpretação literal produziria um contrasenso, visto que a DCTF e outras declarações similares instituídas posteriormente são tão importantes para a administração tributária quanto o é a declaração de rendimentos. A finalidade da norma foi estabelecer um tratamento isonômico para todos os contribuintes, do contrário aqueles que instaurassem um processo de consulta acabariam por ter um prazo ampliado para cumprir quer suas obrigações principais quer suas obrigações acessórias. Assim, a vedação expressa no artigo 49 em causa abrange o prazo para o cumprimento de quaisquer obrigações tributárias, sejam principais, sejam acessórias. O entendimento expresso no parágrafo precedente, além de amparado pela hermenêutica, tem o caráter de norma de observância compulsória no âmbito da Receita Federal, uma vez que a Instrução Normativa RFB n° 569, de 19 de setembro de 2005, vigente na época da proposição da consulta invocada pela impugnante, dispõe textualmente que (sem os grifos no original): Art. 14. A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. (...) § 5” A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. Em suma, ainda que antes do vencimento do prazo para apresentação da DCTF a autuada tenha apresentado consulta eficaz a respeito do assunto e finalmente cumprido a obrigação nos termos da orientação recebida dentro de trinta dias de ter sido desta última cientificada, ela ainda se acha sujeita à imposição das penalidades previstas no artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, pela entrega da DCTF fora do prazo fixado. Pareceme assistir razão à recorrente. Mesmo com a interpretação dada pela DRJ, com base na IN 569/2005, entendo que o parágrafo 5°, ao seu artigo 14 (acima reproduzido) queira fazer alusão a qualquer obrigação acessória que não àquela do objeto da consulta. A dúvida da Recorrente era exatamente esta se deveria entregar a DCTF mensal ou semestral, duvida esta exposta no processo de consulta (fl s 15 a 17). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13601.000818/200780 Acórdão n.º 1001001.104 S1C0T1 Fl. 4 5 Como o resultado da consulta foi no sentido de que a recorrente deveria apresentar a DCTF mensal (fls 21 a 23), esta apresentou a DCTF mensal, dentro do prazo de 30 dias, de que trata o artigo 48 do Decreto 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: O artigo 49 trata das exceções a esta regra: Art. 49. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. Na ocasião da publicação do decreto 70.235, a declaração de rendimentos correspondia ao lançamento (confissão da dívida) e foi, então, excepcionada pelo artigo 49. Observase que a IN 569/2005, no artigo 14, parágrafo 5°, norma hierarquicamente inferior, parece ter inovado ao incluir as demais obrigações acessórias em seu texto: § 5” A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. Embora este CARF não seja apto a discutir legalidade ou constitucionalidade de normas tributárias, pareceme que a melhor interpretação para o referido parágrafo 5° seja a de que, sob processo de consulta, a consulente não pode excusarse de continuar apresentando as demais obrigações acessórias. Entretanto, a exceção evidente seria aquela em que, eventualmente, a obrigação acessória seja o objeto da própria consulta. Neste caso, se a interpretação da DRJ fosse possível, haveria uma total incoerência entre as normas, pois, sob consulta, conforme dispõe o artigo 48 do CTN, nenhum procedimento fiscal pode ser instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência. No entanto, de acordo com a referida IN, a punição seria cabível (mesmo no caso em que a obrigação acessória seja o objeto da própria consulta). Assim, entendo assistir razão a recorrente e, portanto, dou provimento ao presente Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Voto Vencedor Fl. 86DF CARF MF 6 Lizandro Rodrigues de Sousa redator do voto vencedor. Quanto ao mérito, entendo que está correto o prescrito pela Instrução Normativa RFB n° 569, de 19 de setembro de 2005, vigente na época da proposição da consulta invocada pela impugnante, dispondo textualmente sobre a obrigação de apresentar as DCTFs no prazo legal independentemente de consulta. Isto porque embora o artigo 48 do Decreto n° 70.235, de 1972, impeça a instauração de procedimento administrativo contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, desde a apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da solução que for dada a esta, o artigo 49 do mesmo decreto estabelece uma exceção a esta regra, ao estabelecer que a consulta não suspende o prazo para o recolhimento de tributo retido na fonte ou autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para a apresentação da declaração de rendimentos. Como bem ressaltado na decisão de primeira instância, a vedação expressa no artigo 49 em causa abrange o prazo para o cumprimento de quaisquer obrigações tributárias, sejam principais, sejam acessórias. No mesmo sentido interpretou a Instrução Normativa RFB n° 569 de 19 de setembro de 2005, no exercício do poder regulamentar disposto no art. 100, I, do CTN. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.918447/2011-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda às verificações pertinentes da PER/DCOMP de nº 29108.81159.311006.1.2.04-1119 e elabore termo circunstanciado respondendo: (i) se houve a homologação expressa ou tácita do citado direito creditório; em caso positivo, (ii) se há registro de uso deste mesmo crédito em outra compensação ou restituição; e, por fim, (iii) quanto a suficiência dos valores para a quitação dos débitos compensados pela DCOMP de nº 34014.02622.170807.1.3.04-3502, objeto do presente feito. Após, a Recorrente deverá ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda às verificações pertinentes da PER/DCOMP de nº 29108.81159.311006.1.2.041119 e elabore termo circunstanciado respondendo: (i) se houve a homologação expressa ou tácita do citado direito creditório; em caso positivo, (ii) se há registro de uso deste mesmo crédito em outra compensação ou restituição; e, por fim, (iii) quanto a suficiência dos valores para a quitação dos débitos compensados pela DCOMP de nº 34014.02622.170807.1.3.043502, objeto do presente feito. Após, a Recorrente deverá ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 18 44 7/ 20 11 -3 5 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10983.918447/201135 Resolução nº 1001000.080 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 100 a 108) interposto contra o Acórdão nº 0729.246, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (fls. 87 a 90), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra o Despacho Decisório eletrônico que consta no presente processo, por meio do qual a autoridade administrativa decidiu não homologar a compensação efetuada pela pessoa jurídica em epígrafe, sob o fundamento da inexistência do crédito pleiteado, em face da integral utilização do pagamento apontado pela Contribuinte como indevido ou a maior. É de se registrar que a Declaração de Compensação (Dcomp) em questão, de nº 34014.02622.170807.1.3.043502, foi transmitida pela Interessada em 17/08/2007, e o pagamento indicado como indevido ou a maior foi efetuado em 10/12/2001. Em sua manifestação de inconformidade, a Contribuinte alega que em setembro de 2005 foi excluída de ofício do Simples Federal, retroativamente, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2001, conforme o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 49, de 5 de setembro de 2005, anexado a sua petição. Prossegue a Contribuinte informando que, com a exclusão do Simples, a fiscalização apurou os tributos devidos nos anoscalendário 2001 e 2002 com base nas regras do Lucro Arbitrado, nos termos dos autos de infração que constam do processo nº 11516.002202/200515. Registrese, ainda, que a Contribuinte anexou à sua petição cópia dos referidos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal que integrou o lançamento de ofício. Nesse sentido, a Contribuinte sustenta que, com a exclusão, tornaramse indevidos os pagamentos recolhidos com o código de receita do Simples Federal, referentes a competências abrangidas pelos anoscalendário alcançados pela exclusão do regime simplificado. Por essa razão, requer o reconhecimento de seu direito creditório e a consequente homologação da compensação instrumentalizada pela DComp sob exame. A distribuição do presente processo observou o disposto no art. 3º da Portaria RFB nº 1.610, de 31 de agosto de 2010, que dispõe sobre critérios de prioridade para o julgamento de processos administrativos fiscais no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. No caso, a distribuição se deu junto a outros processos em que se discute matéria semelhante, em face da coincidente área de concentração temática e da avaliação da disponibilidade de horas de julgamento desta 3ª Turma. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10983.918447/201135 Resolução nº 1001000.080 S1C0T1 Fl. 4 3 (...)."Sobreveio decisão de primeira instância reconhecendo a decadência do direito creditório, portanto, negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Inconformada, a Recorrente apresentou o presente Recurso alegando que antes da transmissão da DCOMP sob análise já havia tido seu crédito reconhecido por meio de PER transmitido antes do decurso do prazo decadencial de 05 anos. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente processo versa sobre a não homologação do PER/DCOMP nº 34014.02622.170807.1.3.043502 (fls. 92 a 95), transmitida em data de 17/08/2007. Conforme narrado a DRJ de origem reconheceu ex officio a decadência do direito creditório da Recorrente, nos termos que se colaciona: "(...) No caso em exame, considerando que a Contribuinte apresentou Declaração de Compensação em 17/08/2007, quase seis anos após a data em que efetuou o pagamento supostamente indevido ou a maior (o dia 10/12/2001), não resta alternativa senão declarar extinto o direito da Contribuinte em face da verificação concreta da decadência. (...)"Abrese um parênteses apenas para constar que a decisão de piso,em momento algum, adentrou em qualquer outra análise fática ou de mérito após o reconhecimento da decadência. Por sua vez, a contribuinte nega a decadência de seu direito creditório alegando que, dentro dos 05 anos após o recolhimento, já havia o havia requerido pela transmissão do PER/DCOMP de nº 29108.81159.311006.1.2.041119 (fls. 109 a 115) em 13/10/2006, tendo sido esta, inclusive, referenciada como origem do crédito na DCOMP analisada. Pois bem, deve dizer que há uma forte verossimilhança das alegações apresentadas pela Recorrente e dos documentos que as acompanharam. Em verdade, a documentação constante dos autos parece corroborar os argumentos trazidos pela Recorrente quanto ao prévio e tempestivo reconhecimento do crédito posterior utilizando na DCOMP objeto deste feito. Contudo, destaco que a decisão de piso se manifestouse tão somente a respeito da inexistência do crédito a ser utilizado, não tomando conhecimento acerca da regularidade e tramitação do Processo de PER/DCOMP nº 29108.81159.311006.1.2.041119. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10983.918447/201135 Resolução nº 1001000.080 S1C0T1 Fl. 5 4 Destarte, para maior convicção e segurança da decisão, entendo que se faz oportuno a baixa do feito em diligência para verificações e confirmação dos dados constantes. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda às verificações pertinentes da PER/DCOMP de nº 29108.81159.311006.1.2.041119 e elabore termo circunstanciado respondendo: (i) se houve a homologação expressa ou tácita do citado direito creditório; em caso positivo, (ii) se há registro de uso deste mesmo crédito em outra compensação ou restituição; e, por fim, (iii) quanto a suficiência dos valores para a quitação dos débitos compensados pela DCOMP de nº 34014.02622.170807.1.3.043502, objeto do presente feito. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940012/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 01 2/ 20 11 -0 5 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10980.940012/201105 Resolução nº 1402000.754 S1C4T2 Fl. 3 2 ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição". Em sua Manifestação de Inconformidade, alegou a Recorrente que efetuou diversos pagamentos espontâneos de tributos devidos, anteriormente a qualquer procedimento de fiscalização ou cobrança, o que motivou a apresentação do pedido de restituição visando a devolução dos valores indevidamente exigidos a título de multa moratória; Entende que faz jus à devolução da multa de mora, já ser mera conseqüência da denúncia espontânea havida com o pagamento do débito antes de qualquer procedimento fiscalizatório e anteriormente à retificação de DCTF. Alega que conforme o art. Nº 138 do CTN, que dispensa o pagamento de multa, seja ela qual for, em casos de denúncia espontânea apresentada antes de o início de qualquer procedimento administrativo, não há que se cogitar na espécie de multa de qualquer natureza. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório, com o entendimento que "aplicase a multa de mora aos pagamentos efetuados em atraso, não se considerando como crédito, compensável, os valores abarcados pela tese da espontaneidade prevista no art. Nº 138 do CTN". Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em que reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.739, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.939894/201149, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.739): "O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente alega que a previsão legal contida no artigo 138, do CTN, bem assim a jurisprudência pátria, inclusive na esfera administrativa, contemplam a exclusão da responsabilidade por força da denúncia espontânea e, consequentemente, a inexigibilidade de qualquer multa sobre os valores recolhidos em atraso, seja ela de mora ou de ofício. Afirma que tratandose a hipótese subexamine de procedimento espontâneo da Contribuinte (quitação de tributo, antes da inclusão do pagamento e da entrega da DCTFRetificadora ou de qualquer ato fiscalizatório), a multa de mora cobrada é de todo indevida, razão pela qual a sua devolução é medida que se impõe. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10980.940012/201105 Resolução nº 1402000.754 S1C4T2 Fl. 4 3 Aduz que tendo em vista tais premissas fáticas e legais motivadoras do pedido de restituição ora em debate, temse por configurado o "pagamento a maior ou indevido", passível de aproveitamento, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/96 (com a redação da pela Lei n° 10.637/02), razão pela qual merece reforma o v. acórdão recorrido, a fim de reconhecer o direito creditório da Empresa. Verificase que em relação ao mérito há uma questão fundamental ao deslinde da questão, que é a comprovação da alegada denúncia espontânea. Entendeu o STJ que nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, esse pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Diante da decisão sobre denúncia espontânea do STJ, que é de repercussão geral, fazse necessário para a comprovação da mesma, que se verifique se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Pelos fatos expostos, apresentase a necessidade de diligência para confirmar se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderseá formar definitivamente a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para: 1. Pronunciarse sobre a procedência da alegação de espontaneidade apresentada pela recorrente, verificando se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. 2. Juntar ao processo a DCTF com o respectivo comprovante de sua entrega, a fim de se comprovar a pertinência ou não do pagamento da multa e aproveitamento do crédito. 3. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 4. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10980.940012/201105 Resolução nº 1402000.754 S1C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721747/2015-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 74 7/ 20 15 -0 6 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16682.721747/201506 Resolução nº 3302000.780 S3C3T2 Fl. 312 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever e grifar: "Trata o presente processo de auto de infração (fls. 30/33) de multa em decorrência de DCOMP não homologada, no valor de R$ 16.616.504,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 34/35) a Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 não foi homologada, conforme Despacho Decisório 0017/2015 exarado no Processo Administrativo nº 16682.720030/201539. A Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 foi apresentada em 20/04/2011, portanto, após a publicação da Lei nº 12.249/10 em 14/06/2010, cujo art. 62 deu nova redação ao §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. A MP 656/2014 e Lei nº 13.097/2015 alteraram a redação original do parágrafo citado. Antes da MP 656/14, a multa era calculada como 50% sobre o valor do crédito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Depois da publicação da MP 656/14, a penalidade passou a ser calculada como 50% sobre o valor do débito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Tendo em vista o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se aplicar a penalidade menos severa entre as duas redações acima. Como são aritmeticamente idênticas, tornase óbvio que o cálculo resulta igual, e, desse modo, enquadramos a infração no dispositivo referido, com a redação da Lei nº 12.249/2010. O contribuinte foi cientificado em 21/03/2016 (fl. 40) e apresentou impugnação (fl. 42/51) em 15/04/2016 alegando em síntese: Nulidade do auto de infração A aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. A interessada cita doutrina no sentido da necessidade de configuração da máfé do requerente para que se possa aplicar a multa isolada. Cita ainda decisões judiciais no mesmo sentido. Cumulação de multa configurando BIS IN IDEM Na eventualidade da não homologação da compensação, o débito já é penalizado com a cobrança do débito levado à compensação, acrescido com a multa de mora, cuja essência consiste, repisa se, em verdadeira penalidade. Posto isto, ao desconsiderar essa situação, a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem a ensejar o enriquecimento sem causa do erário, ao passo que em condições normais, como no caso em tela, já será recompensado pela incidência da multa de mora posto que a não homologação da compensação (à míngua de prova de ilicitude e má fé do contribuinte) se equipara, sob qualquer ângulo de análise, ao pagamento realizado a destempo. Da apensação A presente autuação consiste na cobrança de multa isolada, em virtude da não homologação do PER/DCOMP n º 04102.45828.200411.1.3.047247, constante do processo administrativo nº 16682.720030/201539. Este processo está aguardando julgamento do recurso voluntário. A Portaria RFB nº 354 de 2016 em seu art. 3º, inciso III exige que os autos sejam juntados por apensação. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16682.721747/201506 Resolução nº 3302000.780 S3C3T2 Fl. 313 3 Assim, requer a apensação do presente processo ao PAF nº 16682.720030/201539. Suspensão do processo Na eventualidade de se superar o item anterior, resta de imediato a suspensão do presente processo, pautado nos seguintes fundamentos: A interessada recorreu da decisão de não homologação, portanto, não há que se falar em declaração de compensação não homologada, uma vez que o crédito ainda se encontra sob discussão administrativa e que, ante ao teor do recurso voluntário, tornase inconcebível, permissa vênia, outro resultado que não seja a homologação integral da DCOMP envolvida. Portanto, por imposição legal e havendo evidência do recurso voluntário, devese suspender o andamento do presente, especialmente ante a apensação requerida no item anterior, bem como da imperiosa necessidade de conclusão do PAF 16682.720030/201539, pois não parece crível a cobrança do acessório antes da definição final do processo principal. Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; e c) a apensação do presente processo o PAF 16682.720030/201539, por força do artigo 3º, inciso III da Portaria RFB 354 de 2016; d) uma vez demonstrado o caráter acessório da presente autuação com o PAF nº 16682.720030/201539 sua suspensão se mostra imperiosa, pois caso contrário acarretará a solução atabalhoada da autuação sem a definitiva conclusão do processo principal que, pela lógica processual, redundará em decisão teratológica, ou seja, verdadeiro processo de Kafka. e) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente." A decisão de primeira instância, proferida em 16/05/2016 (fls. 250/260) foi no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter o crédito tributário lançado e dar provimento ao pedido de apensação ao processo nº 16682.720030/201539: Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 266), em 25/05/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/278, em 20/06/2016, em essência, reprisando os argumentos trazidos na peça de impugnação, requerendo: a) a distribuição deste processo vinculada ao PAF nº 16682.720030/201539, por se tratar de processo conexo e decorrente do primeiro, nos termos do art. 6º do RICARF e sua imediata suspensão até o julgamento final daquele; e que b) seja dado provimento ao presente recurso, anulandose o presente auto de infração em sua totalidade. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16682.721747/201506 Resolução nº 3302000.780 S3C3T2 Fl. 314 4 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Ainda que corretamente negado o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, na instância administrativa de julgamento a quo, por falta de previsão legal para tal procedimento, especificamente no âmbito do CARF, a Portaria CARF Nº 34/2015, abre essa possibilidade, existindo precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16682.721747/201506 Resolução nº 3302000.780 S3C3T2 Fl. 315 5 Pelo exposto, proponho o sobrestamento do julgamento dos presentes autos, perante à Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, uma vez concluído o julgamento do processo principal nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos, com a prolação da decisão administrativa definitiva, deverá ser providenciado o retorno dos autos sobrestados a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16151.720195/2016-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. INCIDÊNCIA. SUMULA CARF 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-003.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. INCIDÊNCIA. SUMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
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INCIDÊNCIA. SUMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 72 01 95 /2 01 6- 90 Fl. 650DF CARF MF 2 Relatório Primeiramente, registrese um esclarecimento quanto aos números de processos que serão encontrados nestes autos. No processo nº 19515008145/200842, em 08/12/2014, foi admitido parcialmente o recurso especial interposto pelo contribuinte OWENSILLINOIS DO BRASIL S/A, apenas quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, motivo pelo qual a DICAT/EQCOB, por intermédio da representação nº 148/2016 (efl. 2), formou o processo apartado nº 16151720195/201690 (presente processo) para julgamento da temática mencionada. Tratase de auto de infração (efl. 163), lavrado para exigir IRPJ (R$ 202.303,13), juros de mora (R$ 136.574,84) e multa de ofício (R$ 151.727,34), totalizando o crédito tributário de R$ 490.605,31, relativo ao ano 2003, por pagamento a menor do IRPJ, uma vez constatado por auditoria fiscal que o contribuinte destinou parte do imposto devido ao Finam, porém possuía pendências fiscais, o que impede a fruição de qualquer benefício fiscal, conforme o artigo 60 da Lei n° 9.069/95. Assim, o incentivo não foi reconhecido pela Receita Federal do Brasil e o contribuinte, apesar de cientificado, não se manifestou no prazo regulamentar. Apresentou impugnação (efls. 173 a 180), mas esta foi julgada improcedente pelo acórdão nº 1524.987, em setembro de 2010. Vejase a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 IRPJ. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito Tributário relativo ao IRPJ só se extingue após 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. As argüições de nulidade do auto de infração só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a intimação promovida por meio dos Correios mediante Aviso de Recebimento, entregue no domicilio Fiscal eleito pelo contribuinte, nos termos da legislação de regência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003 INCENTIVO FISCAL. FINAM. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE DÉBITOS. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16151.720195/201690 Acórdão n.º 9101003.961 CSRFT1 Fl. 651 3 Na ausência de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, não deve ser reconhecido o incentivo fiscal relativo a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, sendo cabível a realização do lançamento para a cobrança do imposto que deixou de ser recolhido. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário (efls. 357372), que não foi provido pelo acórdão nº 1801002.028 (efls. 411 a 416), de julho de 2014. Vejase a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese definitivamente após cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte antecipa voluntariamente o pagamento do tributo sujeito a lançamento por homologação, ressalvados os casos de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROVA DOS AUTOS. Não configura cerceamento do direito de defesa o fato de não ser enviado ao contribuinte os elementos de prova da infração, quando estes estão juntados aos autos e é facultado aos interessados o livre acesso a esses autos. Às efolhas 424 a 431 a autuada interpôs recurso especial, alegando divergência jurisprudencial da decisão proferida: i) que não reconheceu a existência de nulidade por cerceamento ao direito de defesa; e ii) manteve a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O despacho de admissibilidade (efls. 593 a 596) deu seguimento ao recurso reconhecendo somente a segunda matéria. Vejase os acórdãos paradigmas e as conclusões tomadas: Acórdão nº 10196.490, de 06/12/2007 1ª Câmara/1º CC IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA REDUÇÃO DE INCENTIVO FISCAL FINAM EXISTÊNCIA DE DÉBITOS FISCAIS — FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DOS DÉBITOS a simples indicação genérica da existência de débitos de tributos e contribuições federais não impede a fruição de incentivos e benefícios fiscais relativos a tributos e contribuições federais na forma do artigo 60, da lei n° 9.069/1995, sendo Fl. 652DF CARF MF 4 necessário para tanto a indicação, pormenorizada, dos débitos indicados como existentes (tributo, período de apuração, vencimento, etc.). Acórdão nº 10195.362, de 26/01/2006 1ª Câmara/1º CC REDUÇÃO DE INCENTIVO FISCAL FINAM EXISTÊNCIA DE DÉBITOS FISCAIS FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DOS DÉBITOS a simples indicação genérica da existência de débitos de tributos e contribuições federais não impede a fruição de incentivos e benefícios fiscais relativos a tributos e contribuições federais na forma do artigo 60, da lei n°9.069/1995, sendo necessário para tanto a indicação, pormenorizada, dos débitos indicados como existentes (tributo, período de apuração, vencimento, etc.). A recorrente não demonstrou o prequestionamento da matéria sob a perspectiva espelhada na ementa dos acórdãos indicados como paradigmas. Além disso, não demonstrou analiticamente a divergência com indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divergiriam de pontos específicos do acórdão recorrido. E, pelo simples cotejo das ementas dos acórdãos, acima transcritas, não é possível identificar a divergência alegada. Assim, entendo que não restou caracterizada a divergência jurisprudencial alegada quanto ao primeiro aspecto. (…) Acórdão nº 3403003.271, de 17/09/2014 3ª TO/4ªC/3ª SJ MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Acórdão nº 1202001.083, de 04/12/2013 2ªTO/2ªC/1ªSJ JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Precedentes do CARF Embora a recorrente não tenha demonstrado o prequestionamento da matéria, este pode ser verificado na própria ementa do acórdão recorrido. Quanto ao mérito da divergência, verificase que os acórdãos paradigmas adotam tese distinta da aplicada no acórdão recorrido sobre a matéria. Enquanto os paradigmas entendem que falta base legal para incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, o acórdão recorrido traz entendimento de que os juros incidem sobre a multa que está compreendida na obrigação tributária principal. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16151.720195/201690 Acórdão n.º 9101003.961 CSRFT1 Fl. 652 5 Assim, resta configurada a divergência alegada sob o segundo aspecto do recurso, pelo que o recurso deve seguir quanto a este ponto. O despacho de reexame de admissibilidade do recurso especial (efls 597 a 598) manteve a decisão do primeiro despacho. Na sequência, a Procuradoria apresentou Contrarrazões (efls. 612 a 616)defendendo que a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” prevista no artigo 61, da Lei nº 9.430/1996, inclui todas as rubricas, dentre as quais a multa de ofício (em consonância com os artigos 113 e 139 do CTN), que, como a própria lei dispõe, decorram da falta de pagamento de tributos. É o relatório. Fl. 654DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O recurso especial do Contribuinte (p. 424/431) é tempestivo e trata de duas matérias: i) não reconhecimento da existência de nulidade por cerceamento ao direito de defesa; e, ii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. No despacho de admissibilidade (p. 593/596), o referido recurso foi admitido parcialmente, tão somente em relação à segunda matéria, pois entendeu que quanto à primeira alegação nenhum dos requisitos para a admissibilidade foi respeitado. Este posicionamento foi confirmado no despacho de reexame de admissibilidade (p. 597/598). Apresentada contrarrazões pela PGFN (p. 612/616), não foi questionado o conhecimento do recurso do contribuinte. Depois de superados todos os requisitos para o conhecimento do recurso especial do contribuinte, regularmente admitido, verificase que, em setembro/2018, foi editada a Súmula CARF 108, que firmou entendimento sobre a matéria de mérito no mesmo sentido do v. acórdão recorrido. Vejase: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. O Regimento Interno do CARF, no § 3º, do art. 67, traz a seguinte disposição procedimental: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Desta forma, com a edição da Súmula CARF 108, restou prejudicado o recurso especial interposto pelo contribuinte, uma vez que a decisão recorrida está em consonância com a referida Súmula. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 16151.720195/201690 Acórdão n.º 9101003.961 CSRFT1 Fl. 653 7 Ante o exposto, e em atenção ao disposto no § 3º, do art. 67 do RICARF, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso especial do contribuinte, mantendose íntegro o v. acórdão recorrido. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 656DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.724599/2014-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBO QUE JUSTIFIQUE O SERVIÇO MÉDICO E QUE SE REFIRA A PROCEDIMENTO DE MEDICINA.
São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda as despesas médicas devidamente comprovadas, independentemente da especialidade, quando o serviço for efetuado por profissional habilitado, com a finalidade prevenir, manter ou recuperar a saúde física ou mental do paciente.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física somente quando revestido das formalidades legais e que permita a perfeita identificação dos procedimentos médicos realizados por profissionais devidamente registrados no órgão de controle do sistema de saúde e medicina. A glosa de despesa é conhecida na ausência dos elementos que assegurem tratar-se de serviços médicos ou quando na presença de indícios consistentes de sua inaplicabilidade ao que dispõe a legislação.
Numero da decisão: 2001-001.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBO QUE JUSTIFIQUE O SERVIÇO MÉDICO E QUE SE REFIRA A PROCEDIMENTO DE MEDICINA. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda as despesas médicas devidamente comprovadas, independentemente da especialidade, quando o serviço for efetuado por profissional habilitado, com a finalidade prevenir, manter ou recuperar a saúde física ou mental do paciente. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física somente quando revestido das formalidades legais e que permita a perfeita identificação dos procedimentos médicos realizados por profissionais devidamente registrados no órgão de controle do sistema de saúde e medicina. A glosa de despesa é conhecida na ausência dos elementos que assegurem tratar-se de serviços médicos ou quando na presença de indícios consistentes de sua inaplicabilidade ao que dispõe a legislação.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBO QUE JUSTIFIQUE O SERVIÇO MÉDICO E QUE SE REFIRA A PROCEDIMENTO DE MEDICINA. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda as despesas médicas devidamente comprovadas, independentemente da especialidade, quando o serviço for efetuado por profissional habilitado, com a finalidade prevenir, manter ou recuperar a saúde física ou mental do paciente. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física somente quando revestido das formalidades legais e que permita a perfeita identificação dos procedimentos médicos realizados por profissionais devidamente registrados no órgão de controle do sistema de saúde e medicina. A glosa de despesa é conhecida na ausência dos elementos que assegurem tratarse de serviços médicos ou quando na presença de indícios consistentes de sua inaplicabilidade ao que dispõe a legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 45 99 /2 01 4- 71 Fl. 104DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O Lançamento da Fazenda Nacional em revisão da DAA modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição declarada pelo Contribuinte de R$ 5.242,06 para R$ 1.378,70, de imposto de renda pessoa física a pagar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. A fundamentação do lançamento considera dedução indevida de despesas médicas por se tratar de pagamento de serviço de estética não previsto na legislação como dedutível, no entender do Agente Fiscal Autuante. A constituição do acórdão recorrido, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da improcedência da impugnação por considerar que o documento apresentado é insuficiente para comprovar a despesa, pois não se faz acompanhar de outros documentos probantes, como discriminação dos serviços ou relatórios médicos e declaração da prestadora dos serviços de detalhamento dos pagamentos, nos seguintes termos: Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 22/26, relativo ao anocalendário de 2012, exercício de 2013, para formalização da exigência do imposto suplementar no valor de R$ 1.378,70, com multa de ofício de R$ 1.034,02 e juros de mora de R$ 136,49. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 23/24, foi dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 37.272,55, conforme abaixo. Para análise da glosa da despesa médica questionada, relativa a pessoa jurídica FORMA DAY SPA – Nutriderma Médicos Associados Ltda, não acatada pela autoridade lançadora cabe observar o disposto no art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, transcrito a seguir: (...) Nesse sentido, observase que o art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), e os artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, não fazem qualquer restrição quanto à Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10120.724599/201471 Acórdão n.º 2001001.002 S2C0T1 Fl. 105 3 especialidade de despesa médica, no que se refere a dedutibilidade destes gastos, limitandose a autorizar a dedução de pagamentos feitos a médicos, no caso de pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento ou a de seus dependentes, e condicionados a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Podese afirmar que os serviços de saúde abrangem o diagnóstico e o tratamento da enfermidade, e a prevenção e a manutenção da saúde, ou seja, são serviços voltados diretamente à promoção da saúde, capazes de fornecer ao cidadão uma vida plena. A legislação tributária não faz restrição à dedução das despesas médicas, quanto à finalidade do serviço de saúde prestado, não se preocupando se seria reparador ou estético, limitandose tão somente a que haja tratamento e recuperação da saúde física e mental do beneficiário. O entendimento no âmbito da Receita Federal do Brasil, conforme evidenciado na ementa da Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 4/12/2009, é que: DESPESA MÉDICA. DEDUÇÃO. CIRURGIA PLÁSTICA. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda as despesas médicas comprovadas independentemente da especialidade, inclusive as relativas à realização de cirurgia plástica, reparadora ou não, com a finalidade de prevenir, manter ou recuperar a saúde, física ou mental, do paciente. Portanto, concluise que a despesa com cirurgia plástica, seja reparadora ou não, tratamento estético realizado por profissional habilitado, possuindo a finalidade de manter ou recuperar a saúde do paciente, encontrase ao abrigo da legislação tributária para fins de dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física. Assim sendo, se a lei não restringe o alcance da dedução em tela a determinadas especialidades médicas, não cabe ao seu intérprete fazêlo. Consequentemente, são dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda as despesas médicas comprovadas independentemente da especialidade, inclusive as relativas à realização de cirurgia plástica reparadora ou não, tratamento estético realizado por profissional habilitado, com a finalidade de prevenir, manter ou recuperar a saúde do paciente. Em análise ao Recibo emitido por FORMA DAY SPA – Nutriderma Médicos Associados Ltda, em 24/11/2012, fl. 05, no valor total de R$ 32.272,55 o mesmo não comprova a despesa médica em questão. De acordo com a discriminação dos serviços prestados, conforme imagem abaixo, não restou especificado quais profissionais Fl. 106DF CARF MF 4 realizaram os serviços, assim como o detalhamento dos serviços, para que fossem passíveis de dedução, conforme a legislação vigente. Constatase que nos autos não foram anexados documentos que comprovassem as datas dos respectivos pagamentos, assim como sua efetividade. Por esta razão deve ser mantida a infração de dedução com despesa médica no valor total de R$ 37.272,55, correspondente ao pagamento feito a FORMA DAY SPA – Nutriderma Médicos Associados Ltda, considerando que o documento apresentado é insuficiente para comprovar a referida despesa, já que não se encontra acompanhado de outros documentos probantes, como discriminação dos serviços através de relatório médico, declaração da respectiva clinica detalhando a data e forma de cada pagamento, assim como a comprovação dos respectivos pagamentos. Assim, VOTO por julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a reversão do resultado de imposto a ser restituído para imposto de renda a pagar no valor de R$ 1.378,70. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: O peticionante vem a presença de Vossa Senhoria para, nos autos do processo supra requerer a reconsideração da decisão proferida por essa relatoria, pelos motivos que adiante expõe: É nítido nos presente autos que o documento que comprova o pagamento de despesas médicas pelo peticionante corresponde a gastos feitos no anocalendário de 2012. O peticionante pede juntada do documento original comprobatório dos gastos médicos relativos ao anocalendário de 2012 e, com base nele, seja reconsiderada a respectiva decisão que manteve o crédito exigido. Observa o peticionante que no referido documento estão especificados os serviços médicos pelos quais pagou o respectivo valor, não sendo possível exigir do seu emitente cópia de relatório médico, bem como a comprovação dos respectivos pagamentos, tendo em vista que a empresa NUTRIDERMA MÉDICOS ASSOCIADOS S/C LTDA., encontrase devidamente baixada e sem quaisquer atividades. Por outro lado, importante informar que as condições de pagamentos pelos serviços médicos nele atestados estão especificados em seu “corpo”, informação esta incontestável. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10120.724599/201471 Acórdão n.º 2001001.002 S2C0T1 Fl. 106 5 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide trata de comprovação de despesas médicas utilizadas como redutor na tributação do imposto sobre a renda de pessoa física com comprovação fornecida por pessoa jurídica que disponibilizou recibos de prestação de serviços no valor de R$ 37.272,55. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 108DF CARF MF 6 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10120.724599/201471 Acórdão n.º 2001001.002 S2C0T1 Fl. 107 7 De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante se especificar com clareza a espécie de serviço prestado de forma a identificalo com a permissibilidade da dedução amparada na legislação tributária. Neste sentido passemos a analisar o caso aqui apresentado. No presente caso, foi apresentado recibo nº 159, da empresa FORMA DAY SPA – Nutriderma Médicos Associados Ltda., emitido em 24/11/2012, no valor de R$ 37.272,55, dos atendimentos do anobase de 2012, que corresponde ao período examinado pela fiscalização. Contudo, o documento apresentado carece de clareza quanto à especificação dos serviços prestados, especialmente quando informa como procedimento “aplicações corporais”, sem identificar a que tipo se refere e qual sua finalidade em relação à saúde do paciente/contribuinte. Igual indefinição e de difícil leitura está contida no descritivo do item “aplicações corporais c/med.”, o que pressupõe entender que se refere a procedimento feito por médico não identificado. O item “seguimentos s/med.” pressupõe entender que se refere a acompanhamento de alguém sem habilitação médica ou sem acompanhamento do profissional médico, o que não seria enquadrado como despesa médica a menos que tivesse sido realizado em ambiente hospitalar, clínica ou laboratório médico, reconhecido como tal. Se a empresa FORMA DAY SPA – Nutriforma Médicos Associados Ltda. estivesse claramente identificada como estabelecimento hospitalar, clínica ou laboratório seria perfeitamente entendível que os itens “consultas” e “honorários médicos” teriam sido realizados por profissionais da medicina, pelo rígido controle que os órgãos de saúde e da profissão médica exercem sobre essas atividades. Contudo, num estabelecimento que se dedica a tratar da forma estética corporal o contribuinte poderia ser atendido por profissionais não enquadrados na atividade de médico. Portanto, o serviço carece de comprovação específica da atividade de medicina conforme dispõe a legislação. O instrumento de prova utilizado é inadequado para a situação em vista de que sendo o prestador de serviço uma pessoa jurídica deveria fornecer nota fiscal, e não recibo que é um comprovante emitido por profissional pessoa física. Este fato, por si só não seria definidor da rejeição do documento, porém, em vista da existência de outras inconsistências passa a ser considerado como elemento de inadequada comprovação. O recibo, mesmo que aceito para justificar serviço prestado por pessoa jurídica, em complemento ou substituição à nota fiscal, deveria ter a assinatura de alguém responsável pelo recebimento dos valores, fato relevante que não consta do documento apresentado. A comprovação mostrase com ausência absoluta de identificação direta ou indireta de profissionais médicos nos atendimentos a que fora submetido o contribuinte. Também não há assinatura em qualquer documento de profissionais médicos e identificação de registro do órgão de controle profissional. Em resumo, o recibo apresenta várias indefinições na identificação dos procedimentos que resultam em incerteza de tratarse de procedimento médico e/ou realizado por profissional habilitado, pelo que se vê do enunciado no corpo do documento. Assim sendo, o recibo não se mostra como documento hábil para fazer prova efetiva da prestação do serviço utilizado como dedução do imposto na DAA. Fl. 110DF CARF MF 8 É evidente que os pagamentos de prestação de serviços médicos possam ser realizados em espécie porque são meios de pagamento legalmente admitidos, contudo, o documento comprobatório de quitação deve apresentarse com clareza para transmitir certeza da realização da operação. A ausência de comprovação escritural seja na pessoa física ou na pessoa jurídica do fornecedor/emitente dos recibos não permite a verificação da veracidade dos fatos ocorridos entre o Recorrente e o prestador dos serviços. Assim, verificase que o Recorrente não logrou êxito em comprovar a despesa utilizada como dedutível do imposto sobre a renda porque tão somente o recibo apresentado não se fez suficiente para respaldar a realidade dos fatos alegados como verdadeiros. Neste caso, a documentação comprobatória da despesa não contempla o benefício da dedução do imposto porque incompatível com as disposições legais e, por isso, não poderia ter sido utilizada como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a manutenção da glosa das despesas no valor de R$ 37.272,55. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR PROVIMENTO, para manter o crédito tributário no valor de R$ 1.378,70. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.728697/2016-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA.
Não existe nulidade no simples fato de a Delegacia de Julgamento, atendendo às alegações da empresa, determina a retificação da base tributável.
NULIDADE MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. SUPERAÇÃO.
Reconhece-se a existência de nulidade no fato de a decisão de Piso ter inovado na fundamentação do critério jurídico para manutenção do lançamento. Supera-se a nulidade apontada em face do provimento do mérito em favor do contribuinte.
OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. CARACTERIZAÇÃO PELA ENTREGA DA DIPJ. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
O lançamento relativo a Ganho de Capital deve obedecer à sistemática de apuração do resultado eleita pelo contribuinte. A DIPJ apresentada com informações sobre patrimônio, resultado e demais exigidas pela legislação infirma a existência de declaração tida como zerada, mais ainda quando inexistiam receitas tributáveis a declarar pelo lucro presumido. Legítima a
opção realizada pelo contribuinte.
Impossibilidade de realização de lançamento pela sistemática do lucro real em arrepio à legítima opção realizada pelo contribuinte. Improcedência do lançamento.
Numero da decisão: 1401-002.998
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares aventadas e superar a nulidade de modificação do critério jurídico no julgamento pela DRJ e, no mérito, dar provimento ao recurso do Contribuinte, considerando improcedente o
lançamento em razão de sua realização pela sistemática do lucro real, enquanto a opção regularmente realizada pelo contribuinte o foi pelo lucro presumido.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. Não existe nulidade no simples fato de a Delegacia de Julgamento, atendendo às alegações da empresa, determina a retificação da base tributável. NULIDADE MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. SUPERAÇÃO. Reconhece-se a existência de nulidade no fato de a decisão de Piso ter inovado na fundamentação do critério jurídico para manutenção do lançamento. Supera-se a nulidade apontada em face do provimento do mérito em favor do contribuinte. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. CARACTERIZAÇÃO PELA ENTREGA DA DIPJ. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O lançamento relativo a Ganho de Capital deve obedecer à sistemática de apuração do resultado eleita pelo contribuinte. A DIPJ apresentada com informações sobre patrimônio, resultado e demais exigidas pela legislação infirma a existência de declaração tida como zerada, mais ainda quando inexistiam receitas tributáveis a declarar pelo lucro presumido. Legítima a opção realizada pelo contribuinte. Impossibilidade de realização de lançamento pela sistemática do lucro real em arrepio à legítima opção realizada pelo contribuinte. Improcedência do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 01 66 .7 28 69 7/ 20 16 -1 3 Fl. 2.944 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária novembro de 2018 mbro de 2018 IRPJ - GANHO DE CAPITAL IRPJ - GANHO DE CAPITAL MSP PARTICIPAÇÕES S/A MSP PARTICIPAÇÕES S/A FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 2944DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares aventadas e superar a nulidade de modificação do critério jurídico no julgamento pela DRJ e, no mérito, dar provimento ao recurso do Contribuinte, considerando improcedente o lançamento em razão de sua realização pela sistemática do lucro real, enquanto a opção regularmente realizada pelo contribuinte o foi pelo lucro presumido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Sergio Abelson (suplente convocado). Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Trata-se de impugnações apresentadas pelo contribuinte supra qualificado e pelos responsáveis solidários em face de autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados em procedimento fiscal instaurado sob o nº 0819000.2015.00104. Relata a autoridade fiscal, no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 854/885: que, durante a ação fiscal, constatou-se que a MSP Participações S/A(doravante denominada “MSP” ou “Contribuinte”), conjuntamente com o Grupo MSP, perpetrou uma seqüência de operações societárias para: a) transferir o controle acionário da Biopalma da Amazônia S/A Indústria e Comércio (“BIOPALMA”), CNPJ 08.581.205/0001-10, para o MSP Fundo de Investimento em Participações (“MSP FIP”); b) vender esse controle para a Vale S/A (“VALE”), CNPJ 33.592.510/0001-54, por intermédio do MSP FIP, pois o ganho de capital apurado na venda desses ativos pelo MSP FIP não são tributados; e c) aplicar os recursos obtidos na citada venda nas empresas do Grupo MSP, por meio de aquisições, integralizações, quitações de dívidas e de pagamentos de consultoria de investimento; conforme analiticamente descrito no TVF, foram colacionadas várias constatações que, em seu conjunto, comprovam o planejamento tributário abusivo efetuado pela MSP com o fim de não oferecer à devida tributação o Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.945 3 ganho de capital apurado na alienação do controle acionário da Biopalma à VALE; a MSP tem como objeto social a participação em outras sociedades e administração de bens móveis e a denominação “MSP” vem das iniciais de seus sócios fundadores: Marina Guaspari de Brito Gonçalves (“MARINA”), CPF 281.905.708-03, Silvana Guaspari de Brito Gutfreund (“SILVANA”), CPF 290.638.718- 56, e Paulo Carlos de Brito Filho (“PAULO FILHO”), CPF 330.159.598- 75, denominados conjuntamente pela fiscalização como “FAMÍLIA MSP” e de seu patriarca, Paulo Carlos de Brito (“PAULO”), CPF 289.847.908-00; a Biopalma nasceu, em 20/04/2007, a partir da transformação da Mineração Império Serrano Ltda. em sociedade anônima, que naquela data tinha os seguintes sócios, então transformados em acionistas: Mineração Santa Elina S/A Indústria e Comércio (“SANTA ELINA”), CNPJ 47.419.874/0001-41, com 999 ações ordinárias, e a MSP, com 1 ação ordinária, sendo o capital social da recém-denominada Biopalma no valor de R$ 1.000,00 (fls. 09/17); em 10/06/2007, o capital social da Biopalma foi aumentado para R$ 5.000.000,00, com a subscrição de R$ 4.999.000,00 pela Pembroke Pines Fund LLC, sociedade constituída de acordo com as leis do Estado da Flórida (EUA) e cujo diretor era o Sr. Paulo, passando o quadro societário da Biopalma a ter a seguinte composição (fls. 18/40): em 22/11/2007, conforme informou o contribuinte, a Pembroke Pines Fund LLC cedeu a obrigação de integralização de 4.999.000 ações ordinárias, para a PMS Participações Ltda. (“PMS”), CNPJ 09.168.290/0001-51, outra empresa da Família MSP; conseqüentemente, após essa mudança de sócios, com capital social de R$ 5.000.000,00, a composição societária passou a ser (fls. 41/50): conforme Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas, a Santa Elina transferiu as suas 999 ações para a MSP, e o quadro societário da Biopalma passou a ser (fls. 41/50): Fl. 2946DF CARF MF 4 em 04/04/2008 e 27/06/2008, houve aumento de capital social para R$ 196.800.000,00, mediante a emissão total nas duas emissões de 962.499 novas ações nominativas, sem valor nominal, totalmente subscrito pela Bio Participações S/A (“BIO PARTICIPAÇÕES”), CNPJ 09.239.809/0001-45, e o quadro societário da Biopalma ficou com a seguinte composição (fls. 51/57): essas subscrições pela Bio Participações de valor superior a R$ 1,00 por ação e sem a concomitância de subscrição pela PMS e MSP na Biopalma geraram variação de equivalência patrimonial na PMS e reflexo na MSP por esta ter participações na PMS; em 01/05/2009, foi constituído o Consórcio Brasileiro de Produção de Óleo de Palma - CBOP, tendo a Biopalma e a VALE como consorciadas, com participação de 59% e 41%, respectivamente (fls. 58/61); conforme explicitado no Acordo de Investimento de 28/01/2011, após a constituição do CBOP, a VALE investiu no consórcio o valor de R$ 86.432.252,51, em nome da Biopalma, a qual passou a ser devedora da VALE (fls. 120); em 15/07/2009, conforme atas AGE (Biopalma e Santa Elina), a PMS cedeu e transferiu, por meio de instrumento particular de assunção, dívidas no valor de 25,5 milhões e 75 milhões, devidas junto ao Banco Itaú BBA S/A, para Biopalma e Santa Elina, respectivamente, mediante a compensação de valor devido pela Biopalma e Santa Elina à PMS (fls. 62/66); em 16/12/2009, a PMS alienou 331.500 ações da Biopalma para a Bio Participações por R$ 10.090.860,00, e o quadro societário da Biopalma passou a ter a seguinte configuração (fls. 67/68): no início de 2010, a Família MSP, por meio da MSP controlava, entre outras sociedades empresariais, indiretamente a Biopalma, por meio de outra holding, a PMS, e diretamente a Santa Elina: Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.946 5 em 22/06/2010, a MSP incorporou a PMS e passou a deter 4.668.500 ações da Biopalma (fls. 69/79): conforme ata de AGE de 26/07/2010, a MSP aprovou a distribuição de lucros no valor total de 135,3 milhões (oriundos da variação da equivalência patrimonial resultante da subscrição pela Bio Participações de ações com valores acima de R$1,00), sendo 12 milhões distribuídos diretamente aos seus acionistas, e o restante capitalizado proporcionalmente a participação de cada um; dessa maneira, as participações dos sócios (Família MSP) de 2,56 milhões passaram para mais de 42,5 milhões cada (fls. 80/82); em 03/09/2010, a Família MSP integralizou suas ações de emissão da MSP no MSP FIP; conforme diligência na administradora desse fundo, Oliveira Trust Servicer S.A., os únicos aportes de recurso ao fundo realizado por cotistas foram nos dias 03/09/2010 e 20/12/2010, na forma de integralização de ações (03/09/2010) e pequenas quantias em efetivo (fls. 83/95): Fl. 2948DF CARF MF 6 em 01/10/2010, a VALE e a Biopalma (controlada pela MSP nesta data) assinaram Memorando de Entendimentos, no qual acertaram data, garantias, aumentos de capital, preço da aquisição do controle acionário da Biopalma pela VALE, nos seguintes termos (fls. 96/10): em 15/10/2010, a VALE pagou à Biopalma R$ 90.500.812,00, conforme estabelecido no Memorando de entendimentos, e foi celebrado Instrumento Particular de Penhor de Ações, por meio do qual 994.526 ações ordinárias nominativas de emissão da Biopalma foram dadas à VALE em garantia da devolução do valor acima referido (fls. 121); essa transação evidencia um preço de R$ 90,998940 por ação, valor esse que se alinha ao preço de R$ 89,40004333, que foi o confirmado na transação de 28/01/2011 detalhada mais adiante, e, portanto, já havia um Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.947 7 preço de mercado no dia 15/10/2010 conforme item ‘g’ do acordo de investimento; a partir dessa data, a Biopalma passou a dever para a VALE a importância total de R$ 176.933.064,51, dívida essa que foi transformada em ações em 28/01/2011: em 18/10/2010, a Biopalma transferiu R$ 67,9 milhões para a Santa Elina para que esta quitasse dívidas citadas anteriormente (fls. 187/188): em 01/11/2010, houve cisão de parcela do patrimônio da MSP, representada por 4.458.104 ações do capital da Biopalma de titularidade da MSP, que foi incorporada pela própria Biopalma; como consequência, essas ações foram extintas e substituídas por outras idênticas em direitos, obrigações e ônus, atribuídas ao MSP FIP (fls. 189/223); como justificativa para a operação, constou no respectivo Protocolo e Justificação de Cisão Parcial (fls. 210): com a cisão parcial, o MSP FIP passou a controlar a Biopalma: Fl. 2950DF CARF MF 8 em 28/01/2011, a VALE adquiriu o controle acionário da Biopalma com base em Acordo de Investimento que detalha e confirma a transação anteriormente acertada (fls. 58, 117/185); conforme AGE de 28/01/2011, boletim de subscrição e ditames descritos no Acordo de Investimento abaixo, houve emissão de 4.143.431 ações subscritas e totalmente integralizadas por R$ 188.882.467,72 pela VALE com bens, direitos e obrigações detidos por esta no CBOP (fls. 126 e 248/251): na mesma assembléia, houve a emissão de nota promissória pela Biopalma em favor da VALE no montante de R$ 12.643.971,09, para quitação do crédito de mesmo valor detido pela VALE contra a Biopalma (fls. 126 e 248/251); a dívida da Biopalma com a VALE, nesse momento, estava assim configurada: de posse da nota promissória, a VALE comprou 162.664 ações da Biopalma pertencentes ao MSP FIP mediante endosso do citado título de crédito (fls. 127); com o endosso, a Biopalma passou a dever R$ 12.643.971,09 ao MSP FIP; conforme Acordo de Investimentos, a VALE adquiriu 94.792 ações pertencentes à Bio Participações por R$ 1,00, as quais não estavam integralizadas; a integralização ocorreu com a utilização de R$ 18.200.000,00 da dívida que detinha com a Biopalma (fls. 126); em outra AGE da Biopalma, no mesmo dia, a VALE subscreveu e integralizou 1.537.013 ações mediante conversão de parte do crédito remanescente detido pela VALE contra a Biopalma, no valor de R$ 59.656.840,91 (fls. 127 e 228/242); ao fim desses AGE’s da Biopalma, a VALE adquiriu 5.937.900 ações da Biopalma, conforme item (H) das considerações contidas no Acordo de Investimento e quadro resumo (fls. 121): Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.948 9 verifica-se que a VALE utilizou, para adquirir parcela das ações, o crédito de R$ 90.500.812,00 (12.643.971,09 + 18.200.000,00 + 59.656.840,91) repassado para Biopalma em 15/10/2010 por meio do penhor de ações; na assembleia do MSP FIP, de 28/01/2011, a VALE adquiriu 2.212.159 ações da Biopalma pertencentes ao MSP FIP por 199.665.308,01, passando a deter 8.150.059 ações, conforme quadro abaixo (fls. 127/128 e 290/308): na mesma assembleia, acordou-se a quitação de dívidas das empresas do grupo MSP com a Biopalma e desta com a VALE (fls. 128): Fl. 2952DF CARF MF 10 conforme registros contábeis, em 28/01/2011, a MSP e a Santa Elina deviam à Biopalma R$ 20.165.555,47 e R$ 78.910.668,13, respectivamente (conjuntamente, R$ 99.076.223,60); parte da dívida de R$ 78.910.668,13 é oriunda do recebimento de R$ 67.920.000,00 no dia 18/10/2010 pela Santa Elina da Biopalma que serviu para quitar obrigações assumidas pela Santa Elina devidas à PMS junto ao Banco Itaú, conforme já demonstrado; para executar essa quitação, a Santa Elina, em AGE de 20.01.2011, aprovou sua 1ª emissão de debêntures conversíveis em ações no valor máximo de 150 milhões, e colocação na forma privada (fls. 262/264); em 27.01.2011 ocorreu a 1ª subscrição, no valor de 100 milhões, realizado pelo MSP FIP, por meio de transferência para o Banco Itaú. Na seqüência, foram realizadas outras subscrições até o limite de 150 milhões, as quais, todas, foram integralizadas pelo MSP FIP (fls. 265/280): em sequência, no dia 28/01/2011, a Santa Elina pagou a dívida à Biopalma e transferiu R$ 20.165.555,47 para MSP pagar o passivo à Biopalma, conforme escrituração contábil da Santa Elina (fls. 291/292): a MSP, após receber os recursos financeiros, também quita a dívida com a Biopalma, conforme escrituração contábil da MSP: Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.949 11 esse circuito financeiro do planejamento tributário abusivo, também está demonstrado em Ata de Assembléia Geral de Quotistas do MSP FIP, de 27 de janeiro de 2011 (fls. 298/300): poucos dias depois da subscrição, conforme Ata da AGE da Santa Elina de 18/02/2011, R$ 100.000.000,00 em debêntures foram convertidas em ações ordinárias, estas subscritas pelo MSP FIP (fls. 501/503); as outras debêntures, no valor de R$ 50.000.000,00, com a devida atualização, em julho de 2013, foram utilizadas pelo MSP FIP para subscrever e integralizar ações ordinárias nominativas, sem valor nominal de emissão da MSP, conforme consta nas notas explicativas do MSP FIP de 2013 (fls. 449); o MSP FIP, com os outros R$ 49.665.308,01 oriundos da alienação do controle da Biopalma, conforme Demonstrações Financeiras de 2011, ainda, adquiriu ações da Mineração Irajá S.A (“MINERAÇÃO IRAJÁ”), CNPJ 10.399.131/0001-47) da Rio Alto Mineração S.A. (“RIO ALTO”), CNPJ 13.751.510/0001-42, e do Banco Indusval S/A. (“INDUSVAL”) - (fls. 505/553 e 376); até 2015, o MSP FIP adquiriu mais ações de outras empresas do Grupo MSP, formalizando uma composição da carteira constituída por ações de empresas do grupo MSP ou de empresa com que possuía algum de tipo relacionamento: Biopalma, MSP, Santa Elina, Indusval, Mineração Irajá, Rio Alto, MSP Negócios S.A, Palma Brasil S/A Reflorestamento, Industria e Comercio, Mineração Rio Claro S.A., Rio Minas Mineração S/A (fls. 481); para auxiliar nessa tarefa de aquisições, no período de 2010-2014, o MSP FIP pagou por consultoria de investimento, conforme DIRFs e DIPJs Fl. 2954DF CARF MF 12 (Remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica para o MSP FIP), o montante de R$ 6.142.000,00 à Irajá Consultoria em Negócios Empresariais Ltda1 (“IRAJÁ CONSULTORIA”), da qual Paulo de Carlos Brito, patriarca da Família MSP, detém 99,99% das quotas, e que está localizada na sala vizinha à da sede da MSP (fls. 554/659); constam relacionados às fls. 870, exemplificativamente, os valores mensalmente pagos pelo MSP FIP à Irajá Consultoria nos anos de 2012 e 2013, bem assim a forma de cálculo da remuneração de administração do Fundo extraída das notas explicativas às suas demonstrações contábeis, que inclui a remuneração do consultor de investimentos (fls. 430); ante a sequência de operações formalizadas acima descrita, a autoridade fiscal passa a expor os motivos pelos quais entende que, tendo em vista a prevalência da essência sobre a forma, resta demonstrado o planejamento tributário abusivo praticado pelo contribuinte; da análise dos atos societários formalmente praticados, constata-se que: a) antes da concretização do referido negócio, ocorreu uma série de eventos societários sem propósito negocial realizados com intuito de encobrir a venda do controle acionário da Biopalma por parte do Grupo MSP, então controlador da empresa vendida; b) durante a formalização, já havia um memorando de entendimentos contendo antecipadamente preço, data, quantidades de assembléias a serem realizadas, aumentos de capital, garantias; c) na data da formalização, houve prescrições referentes à subscrição de debêntures da Santa Elina, à confissão de dívida da Biopalma com a VALE e à quitação de dívidas; d) após a realização da transação, houve a conversão das debêntures da Santa Elina em ações, aquisições de participações societárias do Grupo MSP e pagamento por prestação de serviço à consultoria de propriedade de Paulo de Carlos Brito, com recurso advindos da alienação do controle acionário da Biopalma; tudo com objetivo único, doloso, de impedir a ocorrência do fato gerador de IRPJ e CSLL, incidentes sobre o ganho de capital referente à referida venda de participações societárias, de modo a evitar o pagamento desses tributos; com a concretização do negócio na forma planejada pelas partes (e externada sob a forma do supramencionado Acordo de Investimento assinado em 28/01/2011), não houve pagamento, por parte da MSP (real vendedora) do IRPJ à alíquota de 15% mais 10% adicional e da CSLL à alíquota de 9% referentes ao ganho de capital apurado na venda do controle acionário da Biopalma, uma vez que os supramencionados atos formais praticados pelo Grupo MSP (reorganizações societárias) elevaram, ao menos na aparência, o MSP FIP à condição de vendedor da empresa; ocorre que o conjunto probatório evidencia que a real vendedora do controle acionário da Biopalma é a MSP, sendo que as operações realizadas em sequência (step transactions) acima descritas foram, na verdade, realizadas com o intuito de ocultar a venda do controle acionário da Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.950 13 Biopalma pela MSP, tudo com o desiderato único de evitar o pagamento de tributos; o que de fato ocorreu foi o seguinte: a MSP vendeu o controle acionário da Biopalma e aplicou o dinheiro recebido por meio do MSP FIP nas empresas do Grupo MSP mediante subscrições e integralizações de capital, e quitação de dívidas; alegando buscar maior eficiência econômica, redução de custos operacionais e sinergia das atividades das sociedades envolvidas na reorganização societária, segundo consta na ata da sua AGE, a MSP cindiu parcela do patrimônio, representada por 4.458.104 ações do capital da Biopalma de titularidade da MSP, que foi incorporada pela própria Biopalma extinguindo-as e substituindo-as por outras idênticas em direitos, obrigações e ônus, atribuídas ao MSP FIP; ou seja, ações da Biopalma saíram da MSP e retornaram para a própria Biopalma; por sua vez, a Biopalma as extinguiu e emitiu novas ações as quais foram atribuídas ao MSP FIP; portanto, constata-se dos fatos narrados, que o MSP FIP funcionou como uma espécie de “Fundo-Veículo” utilizado para transferir ações da Biopalma dos Vendedores (MSP) aos compradores (VALE) com propósito de impedir a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, uma vez que a venda direta do controle acionário da Biopalma pela MSP, uma sociedade empresária, ensejaria apuração de ganho de capital nesta última; o MSP FIP na forma é um fundo de investimento, mas na essência, além de ter sido um "fundo-veículo" utilizado para perpetrar o comprovado planejamento tributário abusivo, transformou-se em uma Sociedade de Participações (holding de controle), pois é controlada por um único investidor, a Família MSP, possui um único investimento, ações de empresas do Grupo MSP, avalia essas ações pelo custo de aquisição, e a arquitetura de seus investimentos é realizada pelo comitê de investimentos, composto pela Família MSP, e pelo seu consultor de investimento, a Irajá Consultoria, a qual é uma empresa de propriedade do patriarca da Família MSP; essas anomalias presentes e perenes no MSP FIP se opõem às características e vantagens de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) elencadas no sítio da BM&F Bovespa, em especial, a diversidade de investidores, bem como de investimentos, com o fim de reduzir o risco global da carteira; a composição da carteira do fundo se estabeleceu, primeiro, com a integralização de cotas do fundo pela Família MSP com as ações da MSP e, depois, por meio de cisão e incorporação, sem nenhum propósito negocial, a MSP transferiu as ações da Biopalma para o MSP FIP; logo em seguida, o MSP FIP vendeu o controle acionário da Bioplama para a VALE e, com os recursos gerados pela venda, adquiriu ações de outras empresas do Grupo MSP e debêntures da Santa Elina, as quais foram convertidas em ações; em pareceres emitidos por auditores independentes (fls. 455/456, 478/479), mereceu ressalva, ainda, o fato de haver investimentos no fundo Fl. 2956DF CARF MF 14 avaliados pelo custo de aquisição, e não com base no valor justo, o que contraria recomendação contida no item B85K do CPC 36; todas essas transações de investimentos, as aquisições de ações das empresas do Grupo MSP, feitas pelo MSP FIP, foram assessoradas pelo seu Consultor de Investimento, a Irajá Consultoria, a qual foi contratada pela instituição administradora, por conta e ordem do MSP FIP, para desempenhar as funções a ele atribuídas conforme estabelecidas no regulamento (fls. 321); por essas consultorias, pontualmente, em 2010, 2012 e 2013, do total de despesa do MSP FIP de R$ 5.753.000,00 com Remuneração da Administração, Serviços contratados e Taxa de Administração, nas quais contemplavam a remuneração do consultor de investimento, R$ 4.426.000,00, 76,93% desse total, foram pagos para a Irajá Consultoria, em detrimento do administrador do fundo, o qual tem diversas responsabilidades, obrigações e vedações delineadas no art. 14 e 35 da Instrução Normativa 391/2003 da CVM e no regulamento do MSP FIP; no ano de 2012, conforme sua DIPJ2013, a Irajá Consultoria obteve uma receita total de R$ 2.313.923,56, nela contida o valor de R$ 2.105.923,56 oriundo do MSP FIP, sendo que Paulo de Carlos Brito amealhou R$ 1.916.707,70 de Lucros/Dividendos mais R$ 48.000,00 de Remuneração do Trabalho (fls. 610/612); não obstante a instituição administradora deter poderes para praticar todos os atos necessários à administração do MSP FIP, as suas decisões de investimentos e desinvestimentos estão limitadas às deliberações e aos termos, condições, e prazos estabelecidos por seu Consultor de Investimentos e seu Comitê de Investimentos, consoante expressa previsão no Regulamento do Fundo (fls. 318/353); o Comitê de Investimentos, cujas atribuições e funções estão demarcadas no item 12 do Regulamento do MSP FIP, é exclusivamente composto pelos cotistas do Fundo, ou seja, pela Família MSP; é inelutável a conclusão de que o Comitê de Investimentos, a Família MSP, e o Consultor de Investimentos, o patriarca da Família MSP, na verdade, exercem o papel de sócios-administradores da sociedade empresária denominada MSP FIP; uma sociedade empresária envelopada na forma de um fundo de investimento para se beneficiar da isenção determinada no art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 1022/2010 e suas alterações seguintes; portanto, o MSP FIP, com únicos, investidor (Família MSP) e investimento (Grupo MSP), com suas ações avaliadas a custo de aquisição e com Consultor de Investimento (patriarca da família MSP) e Comitê de Investimento (família MSP) que planejam e ordenam todos os investimentos e desinvestimentos e que delimitam as decisões e execuções do administrador do MSP FIP, é de fato uma sociedade de participações, cujo intuito real é apenas titularizar ações de empresas do grupo MSP adquiridas com recursos proveniente da alienação do controle acionário da Biopalma, sem o devido pagamento de tributos sobre o ganho de capital apurado nessa venda; Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.951 15 o MSP FIP funcionou como uma espécie de “Fundo Veículo” utilizado para transferir ações da Biopalma dos Vendedores (MSP) aos compradores (VALE) com propósito de impedir a ocorrência o fato gerador do IRPJ e da CSLL, uma vez que a venda do controle acionário da Biopalma pela MSP ensejaria apuração de ganho de capital nesta última; assim, todos os resultados auferidos pela alienação do controle acionário da Biopalma pertencem, em verdade, à MSP, devendo o ganho de capital ser apurado nos termos do § 3º do art. 3º c/c os arts. 19 e 20 da Lei nº 7.713/1988 e do art. 426 do RIR/99; o valor do patrimônio líquido da Biopalma em 28/01/2011, relativo a 4.458.104 ações, que estava registrado no MSP FIP era de R$ 130.000.000,00, resultando num valor unitário de R$ 29,16 p/ ação; todavia, esse valor unitário de R$ 29,16 é fruto de acréscimo decorrente de ganho de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada, conforme aumentos de capital da Biopalma de 04/04/2008 e 27/06/2008 subscrito pela Bio Participações, já descritos neste termo acima, portanto não deve ser contemplado no cálculo do custo de aquisição, consoante determina o art. 428 do RIR/99; logo, o valor do custo de aquisição das ações da Biopalma, para fins de apuração do ganho de capital, é de R$ 1,00 p/ ação; dessa forma, a MSP, em 28/01/2011, alienou o controle acionário, 2.374.823 ações da Biopalma, com custo de R$ 2.374.823,00 (1 ação por R$ 1,00) por R$ 212.309.279,00 (fls. 301/311), o que gerou um ganho de capital de R$ 209.934.456,00; em sua DIPJ o contribuinte indica o lucro presumido como forma de tributação; todavia, não há que se considerar feita tal opção pois não houve qualquer pagamento ou declaração entregue com a discriminação de valores que servissem para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, devendo portanto ser feita a apuração pelo regime trimestral do lucro real, nos termos dos arts. 220 e 516 do RIR/99; por se tratar de operações praticadas apenas formalmente, sem substância econômica, tais condutas subsumem-se à hipótese de fraude do art. 72 da Lei nº 4.502/1964; sendo assim, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário rege-se pelo art. 173, inc. I, do CTN, haja vista estar configurada a excludente prevista no § 4º, in fine, do art. 150 do mesmo CTN, e também por ausente o pagamento antecipado do tributo; pelo mesmo motivo, ou seja, por estar configurada a fraude fiscal acima delineada, visto que a redução da base de cálculo dos tributos, por meio de referidas operações realizadas artificialmente com o objetivo de modificar indevidamente a base de cálculo de tributos federais, uma das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido e a evitar o seu pagamento, fica autorizada a aplicação da multa qualificada Fl. 2958DF CARF MF 16 de 150% prevista no art. 44, inc. I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007; estão demonstrados e caracterizados o grupo econômico de fato, GRUPO MSP, e o interesse comum (atuação comum ou conjunta) de suas empresas componentes (incluída a empresa fiscalizada) “na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”, pois existem liames inequívocos entre as atividades desempenhadas pelos integrantes desse grupo econômico destinadas a reduzir o IRPJ e a CSLL; essa atuação comum e conjunta está explicitada antes, durante, na data e depois da realização da alienação do controle acionário da Biopalma pelo Grupo MSP e a jurisprudência brasileira alberga o entendimento de que existe a solidariedade de grupo econômico quando há fraude e confusão patrimonial com finalidade de dificultar o pagamento de tributos; no caso, “a confusão patrimonial consiste no círculo financeiro decorrente do penhor de ações, das subscrições e integralizações, das confissões e quitações de dívidas e dos pagamentos à Irajá Consultoria, de propriedade de Paulo de Carlos Brito, patriarca da Família MSP”; assim, as seguintes empresas componentes do grupo econômico controlado pela Família MSP e Paulo de Carlos Brito (CPF 289.847.908-00) respondem solidariamente pelo total do crédito tributário apurado, nos termos do art. 124, inc. I, do CTN: provado que o MSP FIP não foi parte vendedora, mas sim a opção de “veículo” para a MSP aplicar os recursos recebidos na venda do controle acionário da Biopalma no Grupo MSP, controlado pela Família MSP, sem o devido pagaemento de tributos sobre o ganho de capital apurado nessa venda, a conduta perpetrada pelos administradores do Grupo MPS subsume-se ao que dispõe o art. 72 da Lei nº 4.502/1964; considerando que Marina Guaspari de Brito Gonçalves (281.905.708-03), Silvana Guaspari de Brito Gutfreund (290.638.718-56) e Paulo Carlos de Brito Filho (330.159.598-75), têm poderes de administração e, nessa qualidade, cometeram o ilícito descrito no referido art. 72, fica caracterizada a responsabilidade solidária pelo total do crédito tributário prevista no art. 135, III, do CTN, em decorrência de infração de lei. Ante a constatação do ganho de capital havido em 28/01/2011, no valor de R$ $ 209.934.456,00, a autoridade fiscal lavrou os seguintes AUTOS DE INFRAÇÃO em desfavor do contribuinte: i) Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 843/853, constituindo um crédito tributário de R$ 160.838.639,20, nele incluídos o imposto, a multa de ofício de 150% e os juros de mora calculados até 09/2016; Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.952 17 ii) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fls. 833/842, de R$ 58.563.603,82, composto de principal, multa e acréscimos igualmente calculados. Em ambos os autos de infração, que perfazem um crédito tributário de R$ 219.402.243,02, foram indicados como responsáveis tributários solidários do crédito tributário lançado, segundo a motivação contida no TVF: Cientificada da autuação por via postal em 30/09/2016 (fls. 1441), a MSP Participações S/A, devidamente representada por seus procuradores (fls. 1006/1009), juntou aos autos, em 27/10/2016, a IMPUGNAÇÃO de fls. 926/1007, alegando: 1.1. inicialmente, que estava decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário relativo ao fato gerador ocorrido em 28/01/2011, eis que, por ter havido pagamento antecipado do imposto no período e por inexistir ato fraudulento ou doloso, o prazo decadencial rege-se pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; 1.2. ainda que se entenda pela adoção da regra inserta no art. 173, inc. I, do CTN, o prazo contar-se-ia a partir de 1º/07/2011 (“primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”), haja vista que a apuração do tributo é trimestral e, portanto, seria igualmente extemporâneo o lançamento fiscal realizado em 30/09/2016; 1.3. é nula a exação fiscal por ilegitimidade passiva da MSP Participações, pois o ganho de capital com a alienação das ações da Biopalma à VALE foi auferido pelo MSP FIP, que era quem alienou as ações em 28/01/2011, como admite a própria fiscalização; 1.4. se a autoridade fiscal interpretou que o MSP FIP seria de fato uma sociedade de participações (holding), deveria então efetuar o lançamento em seu nome; também não foi demonstrada a existência de simulação, descabendo desconsiderar o MSP FIP e simplesmente optar pela via mais onerosa tributariamente; Fl. 2960DF CARF MF 18 1.5. é igualmente nula a autuação em razão da incongruência da autoridade fiscal na determinação do aspecto temporal do fato gerador, pois: i) ora considera a compra e venda realizada em 28/01/2011, ignorando que nesta data é o MSP FIP que figuraria como possuidor e alienante das ações, ii) ora considera a operação ocorrida em 01/10/2010 (que estaria fulminada pelo instituto da decadência), com base na data da assinatura do Memorando de Entendimentos (“MOU”), para atribuir à MSP Participações a condição de alienante das ações; 1.6. incorreu a fiscalização em erro material ao realizar o lançamento com base no lucro real trimestral, desconsiderando a opção pelo lucro presumido exercida pelo contribuinte por ocasião da entrega da DIPJ e da DCTF; 1.7. a ausência de recolhimento do imposto não implica impossibilidade de opção pela sistemática do lucro presumido, consoante jurisprudência colacionada, bem assim o que dispõem o § 3º, do art. 13, da Lei nº 8.541/92 e a SCI Cosit nº 5/2008; 1.8. ainda que se admitisse a apuração pelo lucro real trimestral, há erro material na definição da base tributável, pois nesse caso a autoridade fiscal deveria recompor o lucro real partindo do prejuízo líquido apurado no ano- calendário de 2011, no valor de R$ 13.194.212,69, bem como deveria compensar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL registrados na parte B do Lalur, no valor de R$ 1.005.289,79, oriundo do ano-calendário de 2007; 1.9. a prevalecer a interpretação da autoridade fiscal, também deveriam ser considerados os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas que seriam apurados pelo lucro real em 2008 e 2009, anos em que o contribuinte igualmente havia optado em DIPJ pelo lucro presumido (demonstrativo às fls. 951); 1.10. o impugnante passa a descrever a sequência de operações societárias que resultaram na alienação de ações da Biopalma à VALE, ressaltando que desde 2007 já havia interesse do Grupo MSP em constituir um Fundo de Investimento para gerir os investimentos e empresas do grupo, conforme cópias de propostas da BNY Mellon DTVM S/A e da BNY Mellon Ativos Financeiros Ltda. anexadas à peça impugnatória; 1.11. refuta, ainda, a tese do autuante de que o Memorando de Entendimentos de 01/10/2010 se aproximaria de um documento de consecução da compra e venda ou de caráter definitivo, pois jamais estabeleceu que o contribuinte alienaria ações da Biopalma; referido Memorando constituiria apenas uma formalização de entendimentos prévios e indefinidos, sem a vinculação das partes, repleto de condições suspensivas; 1.12. em 28/01/2011, a VALE adquiriu as ações da Biopalma mediante dois contratos de compra e venda firmados com o MSP FIP, dos quais a fiscalização não apontou qualquer vício que possa afastar a sua existência, validade e eficácia; tais instrumentos contratuais demonstram que o MSP FIP alienou as ações, recebeu o pagamento e, consequentemente, auferiu o ganho Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.953 19 de capital na operação, a qual, aliás, foi amplamente divulgada em notícias da imprensa; 1.13. em nenhum momento o Sr. Agente Fiscal alegou que houve simulação na constituição do MSP FIP, motivo pelo qual tal estrutura não poderia ser desconsiderada para fins de apuração do ganho de capital no presente caso; 1.14. o MSP FIP, desde a época objeto de autuação, tem mantido uma carteira diversificada de investimento e teve crescimento significativo, estando ativo até os dias de hoje; 1.15. os valores oriundos da venda de parte das ações da Biopalma foram legitimamente aplicados pelo MSP FIP em diversos investimentos, em especial, nas empresas do Grupo MSP, e a parcela remanescente do investimento na Biopalma que não foi alienada, correspondente a mais de 2 milhões de ações, continua até hoje compondo a carteira de investimentos do Fundo, a demonstrar que a reorganização societária não teve como único propósito a economia tributária alegada pela fiscalização; 1.16. o MSP FIP reinvestiu os recursos recebidos pela alienação das ações nas empresas do Grupo MSP, via aumento de capital; o fato de tais empresas terem utilizado estes montantes para quitação de obrigações constituídas anteriormente não tem o condão de invalidar a venda das ações pelo Fundo, cuja estrutura é amplamente regulada, com informações públicas, fiscalizada pela CVM, administrada e gerida por instituições financeiras, com total transparência; 1.17. um Fundo de Investimento em Participações, constituído sob a forma de condomínio fechado, consoante prevê o art. 2º da Instrução CVM nº 391/2003, não tem personalidade jurídica, razão pela qual o FIP no Brasil não sofre, em regra, tributação sobre as operações próprias de suas carteiras; 1.18. a razão para a isenção das carteiras dos fundos de investimento é que seus correspondentes ganhos e rendimentos são indiretamente tributados pelos respectivos investidores, de acordo com as regras previstas na legislação, após consolidação dos resultados de todas as transações e a valorização das cotas; 1.19. de fato, por se tratar, no presente caso concreto, de um FIP (condomínio fechado), somente são autorizados o investimento, a amortização e o resgate em prazos determinados e, em regra, a tributação ocorrerá apenas nos momentos em que há alienação, o resgate ou a amortização de cotas, conforme disposto no art. 16, da IN RFB nº 1.022/2010; 1.20. no presente caso, os cotistas do MSP FIP não resgataram ou amortizaram os valores recebidos em decorrência da alienação das ações da Biopalma, não havendo que se falar em recolhimento de imposto de renda; os recursos foram mantidos na carteira do FIP justamente para que ele cumpra o seu objetivo, que é a realização de novos investimentos; Fl. 2962DF CARF MF 20 1.21. ademais, à autoridade fiscal tributária não é dado adentrar à competência detida pela CVM, que é a entidade responsável pela apreciação de aspectos relacionados à constituição, funcionamento e administração dos fundos de investimento no Brasil; 1.22. não deveria surpreender a fiscalização o fato de o MSP FIP, após a alienação, ter realizado aquisição de ações e de debêntures conversíveis em ações, haja vista que, por definição, é essa a sua atividade e, principalmente, pela composição obrigatória da carteira do fundo estabelecida no art. 6º da ICVM nº 391/2003; 1.23. assim, seria imprópria a qualificação de “fundo-veículo” dada pela fiscalização, bem como esta deveria reconhecer que, àquela época, cabia ao regulamento do FIP estabelecer as regras de avaliação de sua carteira, sendo impertinente questionar a aplicação do método de custo uma vez que somente em 2016 a legislação estabeleceu procedimento diverso; 1.24. não se pode ignorar que o patrimônio do Fundo evoluiu no período, pois seu valor era de R$ 133 milhões em 2011 e chegou a R$ 349 milhões em 2015, em nada se assemelhando a um “fundo-veículo”, pois não houve o resgate de cotas com o produto da venda das ações da Biopalma e tampouco houve a extinção do FIP após tal operação; 1.25. equivoca-se ainda a autoridade fiscal ao afirmar que o MSP FIP “contava com um único investidor e um único investimento”, pois o “único investidor” – a Família MSP – são na realidade três pessoas distintas, enquanto o suposto “único investimento”, na verdade representa a participação em mais de uma dezena de empresas distintas, incluindo sociedades independentes que não pertencem ao Grupo MSP, como, por exemplo, o Banco Indusval; 1.26. são indevidos os questionamentos dirigidos ao comitê de investimento do fundo, bem como é descabida a desqualificação da operação realizada pelo FIP em razão da relação de parentesco entre o fundador da Irajá Consultoria (consultor de investimentos) e os acionistas da impugnante; os serviços foram regular e efetivamente prestados e as remunerações devidas foram pagas segundo seu valor de mercado e tributadas pelo beneficiário; 1.27. na apuração do custo da participação da Biopalma, para fins de apuração do ganho de capital, incorreu em erro a autoridade fiscal ao atribuir o valor de R$ 1,00 por ação, em vez de R$ 29,16 por ação, tal como escriturado no MSP FIP em 28/01/2011; 1.28. em primeiro lugar, é irrelevante o aumento de capital realizado pela Bio Participações, uma vez que era o MSP FIP quem detinha as ações da Biopalma em 28/01/2011, e não a impugnante, ações essas que foram recebidas pelo valor de R$ 29,16 por ocasião sua emissão; 1.29. além disso, a legislação tributária expressamente prevê que na apuração do ganho de capital deve ser considerado o valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte (art. 426, I, RIR/99), o que não foi observado pela fiscalização; Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.954 21 1.30. equivoca-se a autoridade fiscal ao entender que o art. 428 do RIR/99 autorizaria a exclusão, na composição do valor contábil do investimento para fins de determinação do ganho de capital, do montante correspondente à variação no percentual de participação no capital social da investida, devendo o lançamento, por esse motivo, ser parcialmente cancelado; 1.31. é insubsistente o questionamento fiscal quanto ao fato de a Irajá Consultoria pertencer ao Sr. Paulo Carlos de Brito, pai dos cotistas do MSP FIP, pois: (i) os gestores de fundos de investimento, em regra, devem receber um valor superior aos administradores em razão da sua atuação; (ii) o Sr. Paulo Carlos de Brito (pai) possui uma competência diferenciada no mundo dos negócios que é publicamente reconhecida, fato que legitima a sua contratação como gestor por um fundo de investimento; e (iii) a taxa de remuneração paga pelo MSP FIP em razão dos serviços de administração a ele prestados, está em linha com a taxa praticada pelo mercado de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (“ANBIMA”); 1.32. não há que se falar em tributação de ganho de capital no momento da alienação das ações da Biopalma pelo MSP FIP, haja vista a isenção expressamente prevista, para os ganhos auferidos pelas carteiras dos fundos de investimento, na alínea ‘a’, do § 10º, do art. 28, da Lei nº 9.532/1997, bem como no inciso I, do art. 14, da IN RFB nº 1.585/2015 e no inciso I, do art. 741, do RIR/99; 1.33. são inadmissíveis as ilações da autoridade fiscal de que teria havido um “circuito financeiro do planejamento tributário abusivo” e “confusão patrimonial com [a] finalidade de dificultar o pagamento de tributos”; os atos relacionados a dívidas do Grupo MSP ou mesmo a suposta confusão patrimonial não guardam relação com objeto da presente lide e não têm qualquer efeito sobre ela; 1.34. a utilização dos recursos oriundos da alienação das ações para quitar dívidas é legal e está de acordo com as práticas do mercado, evidenciando, inclusive, a validade dos negócios jurídicos praticados; 1.35. a constituição de um fundo de investimento pelos controladores do Grupo MSP se deveu à sua necessidade, tanto do ponto de vista gerencial como do ponto de vista societário, e a operação em comento não buscou nenhuma economia tributária que não as decorrentes estritamente da realização do negócio almejado pelas partes; 1.36. a necessidade de otimização da atuação empresarial passa, necessariamente, pela redução de despesas tributárias, que tem por fundamento o direito que o contribuinte detém de não ser obrigado a sofrer uma carga tributária maior quando existe uma opção fiscal mais econômica, autorizada pelo próprio ordenamento jurídico; 1.37. não cabe ao Fisco limitar a autonomia da vontade e liberdade de iniciativa dos contribuintes que visam a melhor forma de gerir seus negócios, Fl. 2964DF CARF MF 22 sendo nítido que no caso concreto o caminho adotado para a alienação do controle societário da Biopalma foi escolhido com base em razões totalmente alheias aos efeitos fiscais; 1.38. a tentativa da autoridade fiscal de ver a constituição do MSP FIP como inválida não possui qualquer respaldo legal no ordenamento jurídico, motivo pelo qual, deve ser desconsiderada, em obediência ao princípio da legalidade e aos demais princípios acima tratados, os quais devem ser observados pelos contribuintes e protegidos pela Administração Pública; 1.39. a fiscalização buscou a desconsideração do FIP sob o único argumento de que não haveriam “preceitos econômicos” para justificar a sua constituição, mas não há no ordenamento jurídico vedação legal à utilização de fundos de investimentos para a alienação de participações societárias; 1.40. o MSP FIP de fato possuía propósito negocial, haja vista que este claramente não foi utilizado exclusivamente para possibilitar a postergação da tributação do ganho de capital na alienação do controle acionário da Biopalma; 1.41. mesmo que pretendesse desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo contribuinte, não poderia a fiscalização fazê-lo, pois a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN ainda depende de elaboração de lei ordinária que, até o presente momento, não foi editada; 1.42. caso o resultado do presente julgamento seja pela manutenção da exigência fiscal pelo voto de qualidade, há de ser afastada a qualificação da multa de ofício uma vez que, existindo dúvida quanto à ocorrência da infração, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se de maneira mais favorável ao acusado, nos termos do art. 112 do CTN; 1.43. a multa qualificada é inaplicável pois não houve fraude nas operações que culminaram na alienação do controle acionário da Biopalma pelo MSP FIP; não restou comprovada a prática de qualquer conduta dolosa pelas partes do referido negócio, limitando-se a autoridade fiscal a tentar demonstrar suposta ausência de propósito negocial, fato não tipificado como crime no ordenamento jurídico brasileiro; 1.44. quem age com intuito de fraude realiza operações proibidas, não as escritura em seus registros comerciais e fiscais e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações; e mais, adultera documentos, utiliza-se de documentos calçados e paralelos, pessoas inexistentes ou “laranjas” e de documentos falsos e inidôneos; 1.45. nenhuma destas condutas foi praticada pela Impugnante, tendo em vista que ela: (i) prestou informações e forneceu documentos à fiscalização, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho fiscal; (ii) registrou e arquivou todos os atos societários nas respectivas Juntas Comerciais; e (iii) diligenciou de forma a conferir maior transparência das informações referentes à operação.; Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.955 23 1.46. quando muito, poder-se-ia dizer que teria ocorrido uma interpretação diversa da lei pelas partes, o que não pode ser confundido com ato ilícito; inexiste fraude quando se trata de matéria controvertida decorrente de erro na interpretação de lei, devendo a multa qualificada ser cancelada; 1.47. ademais, a multa no percentual de 150% tem caráter confiscatório, sendo notória a ausência de proporcionalidade e razoabilidade da penalidade; 1.48. por fim, por ausência de previsão legal, é incabível a exigência de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração. O responsável tributário solidário MSP Fundo de Investimento em Participações foi notificado da exigência fiscal em 30/09/2016 (fls. 1207 e 1446). Irresignado, apresentou, em 31/10/2016, a IMPUGNAÇÃO de fls. 1097/1149, na qual aduz: 2.1. que a impugnação é tempestiva e plenamente admissível, ainda que apresentada mediante atendimento presencial em unidade da RFB; 2.2. repisa diversas considerações contidas na impugnação da MSP (contribuinte), já relatadas retro, como, por exemplo: a) que a fiscalização não questiona a validade dos negócios que formam a sequência da operações societárias e nem considerou ter havido simulação, b) que o MSP FIP até hoje mantém em sua carteira participações em empresas da Família MSP, c) que não houve resgate dos valores recebidos pela alienação das ações da Biopalma, d) que o Fundo é ativo até os dias de hoje, sendo as suas operações reguladas e fiscalizadas pela CVM; 2.3. a abordagem das step transactions desenvolvida pelo autuante é incoerente, na medida em que são relatados eventos ocorridos no longo período que se inicia em abril/2007 e termina em julho/2013, que não podem ter seus efeitos jurídicos desconsiderados; 2.4. a MSP Participações nada “encobriu”, como afirma a fiscalização, pois tudo foi feito absolutamente às claras, com transparência e descrição documental detalhada; muita informação é divulgada publicamente; não por acaso, todos os fatos são detalhadamente descritos no TVF, mesmo tendo havido somente uma intimação à fiscalizada, o que demonstra inexistência de fraude; 2.5. dentre as diversas acusações fiscais, merece destaque aquela em que o autuante equipara o Fundo a uma Sociedade de Participações (“Uma sociedade empresária envelopada na forma de um fundo de investimento para se beneficiar da isenção determinada no art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 1022/2010”), que não se coaduna com a presente exigência fiscal; Fl. 2966DF CARF MF 24 2.6. ou bem se reconhece uma nulidade material indiscutível no lançamento tributário ou se reconhece a validade da operação praticada pelo MSP FIP pois: i) de um lado, se a fiscalização aponta que se tratava de uma sociedade empresária e que se buscou aplicar indevidamente determinada isenção, significa que o Fundo deveria ter sido qualificado como contribuinte; ao se apontar essa condição para outra pessoa, haveria vício material insanável na identificação do contribuinte; ii) de outro lado, se a “roupagem” de FIP tinha por objetivo se beneficiar da isenção, a conclusão somente pode ser no sentido de que foi o Fundo que efetuou a alienação; 2.7. o impugnante discorre sobre cada uma das operações societárias praticadas para, ao fim, defender que: “i) não há qualquer apontamento de irregularidade formal ou material pela fiscalização e (ii) ausência de relação dos eventos com a operação objeto de questionamento pela fiscalização”; 2.8. a acusação fiscal, que se inicia com o questionável texto “da essência sobre a forma”, faz ainda alusão a outras figuras como; “dolo”, “propósito negocial”, “step transactions”, “Fundo-Veículo”, sem, no entanto, demonstrar a relação de pertinência com os fatos relatados; 2.9. conforme já exposto pelo contribuinte MSP Participações, equivoca-se a autoridade fiscal ao dizer que o Fundo teria apenas um investidor (Família MSP) e um único investimento, quando na verdade são três investidores e mais de uma dezena de participações societárias; 2.10. descabe a caracterização de “fundo-veículo” pois os investidores não resgataram as suas cotas com o produto da venda de ações e tampouco promoveram a sua extinção, e também porque o Fundo ainda está ativo até os dias atuais, com diversos investimentos, tendo inclusive aumentado de forma significativa o seu patrimônio; 2.11. igualmente descabidos os questionamentos relativos à atuação do administrador, do consultor de investimentos e do Sr. Paulo Carlos de Brito (pai), pelos motivos já expendidos pelo contribuinte MSP Participações; 2.12. por fim, também contesta a multa de ofício e os juros de mora sobre ela incidentes. Os responsáveis solidários Marina Guaspari de Brito Gonçalves, Silvana Guaspari de Brito Gutfreund e Paulo Carlos de Brito Filho foram notificados em 03/10/2016, 30/09/2016 e 30/09/2016, respectivamente (fls. 1445, 1454, 1447). Inconformados, apresentaram em 31/10/2016 as IMPUGNAÇÕES de fls. 1351/1361, 1367/1377 e 1054/1064, com os seguintes argumentos: 3.1. os impugnantes foram considerados responsáveis solidários com base no art. 135, inc. III, do CTN, hipótese em que as pessoas ali indicadas seriam pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias que tenham surgido de atos praticados com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatuto; Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.956 25 3.2. contudo, não logrou a autoridade lançadora comprovar que o suposto responsável tributário, além de exercer cargo de direção, gerência ou representação de pessoas jurídicas, tenha praticados atos ilícitos, manifestados em excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato ou estatuto social, indicando a relação de causalidade entre o ilícito cometido e a obrigação tributária; 3.3. é insubsistente a imputação de responsabilidade solidária a partir de mera indicação do art. 72 de Lei nº 4.506/64, pois não basta a acusação de fraude, sendo necessária a prova concreta da conduta dolosa atribuível ao administrador incluído no polo passivo; 3.4. não há no TVF descrição individualizada dos fatos imputados a cada um dos responsáveis solidários indicados com base no art. 135, III, do CTN, mas apenas a sua condição de administrador, devendo, por esta razão, ser afastada a responsabilidade tributária atribuída aos impugnantes; 3.5. todos os atos e negócios jurídicos analisados pela fiscalização foram praticados às claras, escriturados contábil e fiscalmente, arquivados na Junta Comercial, publicados tempestivamente, etc., a demonstrar que não houve intuito de enganar, esconder ou iludir; 3.6. assim, afastada a presunção de fraude desacompanhada de prova da conduta dolosa dos impugnantes, e considerando que a mera ausência de recolhimento de tributo não justifica a aplicação do art. 135, III, do CTN, devem os impugnantes ser excluídos do polo passivo da exigência fiscal. O responsável solidário Paulo Carlos de Brito foi cientificado da exigência fiscal em 03/10/2016 (fls. 1449) e apresentou, em 31/10/2016, a IMPUGNAÇÃO de fls. 1071/1089, alegando: 4.1. que é descabida a atribuição de responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN, pois o impugnante não pode ser qualificado como contribuinte, pois não manteve relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, e nem pode ser considerado responsável, situação em que, sem revestir da condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei; 4.2. o art. 124 não estabelece nova hipótese de responsabilidade tributária, mas apenas disciplina a existência de solidariedade entre pessoas que já estão obrigadas ao pagamento do tributo; 4.3. inexiste o “interesse comum” entre o impugnante e a MSP (suposta contribuinte), eis que baseada na genérica acusação fiscal de existência de um grupo econômico de fato (“Grupo MSP”) e na “atuação comum ou conjunta” das empresas que o compõe; 4.4. considerando os tributos envolvidos no presente processo, a existência de interesse comum poderia ser cogitada na imponderável hipótese em que a MSP, o impugnante e todas as demais responsáveis solidárias tivessem Fl. 2968DF CARF MF 26 auferido, conjuntamente, ganho de capital a partir da alienação do controle da Biopalma – que, na verdade, teria sido realizada, de fato e de direito, pelo MSP FIP; 4.5. no TVF, a autoridade fiscal não questionou, formal ou materialmente, nenhum dos atos e negócios jurídicos praticados, sendo equivocado incluir o impugnante no polo passivo com fundamento em pretenso “interesse comum”; 4.6. a fiscalização não demonstra a ocorrência de “confusão patrimonial” ou de “fraude” como consigna no TVF, embora utilize-se de tais termos, pautando-se a acusação fiscal apenas em considerações genéricas, para atribuir responsabilidade solidária ao impugnante; 4.7. além da falta de precisão sobre qual teria sido a conduta fraudulenta do impugnante ou de qualquer outra pessoa indicada no TVF, não deve ser ignorado o fato de que as operações foram feitas às claras, registradas documentalmente e respeitando-se as normas legais e regulamentares dos órgãos competentes; 4.8. assim, requer seja o impugnante excluído do polo passivo da exigência fiscal em virtude da inexistência de responsabilidade solidária, pela inaplicabilidade do art. 124, inc. I, do CTN, ao presente caso. Os responsáveis solidários Mineração Santa Elina S/A Indústria e Comércio, Mineração Irajá S/A, Rio Alto Mineração S/A e Irajá Mineração Ltda. foram notificados da autuação em 30/09/2016 (fls. 1452, 1442, 1450 e 1444) e apresentaram as IMPUGNAÇÕES de fls. 1307/1326, 1216/1231, 1257/1272 e 1386/1407, protocolizadas em 31/10/2016 (as três primeiras) e 28/10/2016 (a última). Nas suas peças recursais, os referidos responsáveis solidários apresentam, em essência, os mesmos argumentos expendidos na impugnação de Paulo Carlos de Brito. Analisando as impugnações apresentadas a Delegacia de Julgamento julgou procedentes em parte essas impugnações, reduzindo o valor da autuação nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 28/01/2011 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SEQUÊNCIA DE ATOS E EVENTOS SOCIETÁRIOS. DESLOCAMENTO DO GANHO PARA UM FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (FIP). IMPOSSIBILIDADE. Constatado que a reorganização societária foi implementada mediante a formalização de uma sequência de atos e eventos societários intragrupo que se revelaram eivados de artificialidade, há que se buscar a apropriada qualificação dos fatos e aplicar o tratamento tributário correspondente. Em essência, a reorganização societária em questão, considerada em seu todo, Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.957 27 correspondeu a uma efetiva operação de alienação de participação societária detida pelo contribuinte, devendo o alienante reconhecer o respectivo ganho de capital. Não é dado à pessoa jurídica alienante transferir a participação societária e fazer deslocar o respectivo ganho de capital para um carteira de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) isenta do imposto – in casu, alienante e Fundo sob controle comum – para, ato contínuo, entregar referida participação societária ao adquirente. LUCRO PRESUMIDO. FALTA DE OPÇÃO. EXIGÊNCIA FISCAL PELO LUCRO REAL TRIMESTRAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Por não manifestada a opção pelo regime de lucro presumido conforme previsto na legislação de regência, mediante pagamento do imposto devido no primeiro período de apuração do ano-calendário, cabível a exigência fiscal pelo regime de lucro real trimestral. Não é válida a opção pelo lucro presumido mediante a entrega da DIPJ quando as respectivas fichas em que se apura o imposto devido estão com seus valores zerados. INVESTIMENTO. VALOR CONTÁBIL. MAJORAÇÃO INDEVIDA EM REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES INTRAGRUPO. GLOSA DE VALOR. Na apuração do valor contábil utilizado para fins de ganho de capital, cabe a glosa do valor oriundo de operações intragrupo que majoraram artificialmente o valor patrimonial da investida. DECADÊNCIA. FRAUDE. CONTAGEM DO PRAZO. TERMO INICIAL. Comprovada a ocorrência de fraude, o prazo decadencial conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. Retifica-se a base de cálculo da exigência fiscal por comprovada a falta de compensação de prejuízo fiscal regularmente apurado em período anterior. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A longa reorganização societária realizada mediante a concatenação de complexas operações societárias eivadas de artificialidade evidencia a conduta dolosa com objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Por estar caracterizada a fraude, é cabível a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. CONSTITUCIONALIDADE. Lançada em razão de expressa previsão legal, resta vedado aos órgãos de julgamento reduzir ou afastar a aplicação da multa de ofício sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. BASE LEGAL. CABIMENTO. Fl. 2970DF CARF MF 28 A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. CONDUTA DOLOSA. INFRAÇÃO DE LEI. São solidariamente responsáveis os administradores que participaram de atos com infração de lei em planejamento tributário abusivo cuja conduta dolosa ficou comprovada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSÁVEL DE FATO. Constatado que terceiros são beneficiários de renda proveniente de ganho de capital auferido em contexto de reorganização societária implementada com uma sequência de operações, resta caracterizado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, devendo ser incluídos no polo passivo da obrigação societária nos termos do art. 124, I, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 28/01/2011 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SEQUÊNCIA DE ATOS E EVENTOS SOCIETÁRIOS. DESLOCAMENTO DO GANHO PARA UM FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (FIP). IMPOSSIBILIDADE. Constatado que a reorganização societária foi implementada mediante a formalização de uma sequência de atos e eventos societários intragrupo que se revelaram eivados de artificialidade, há que se buscar a apropriada qualificação dos fatos e aplicar o tratamento tributário correspondente. Em essência, a reorganização societária em questão, considerada em seu todo, correspondeu a uma efetiva operação de alienação de participação societária detida pelo contribuinte, devendo o alienante reconhecer o respectivo ganho de capital. Não é dado à pessoa jurídica alienante transferir a participação societária e fazer deslocar o respectivo ganho de capital para um carteira de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) isenta do imposto – in casu, alienante e Fundo sob controle comum – para, ato contínuo, entregar referida participação societária ao adquirente. LUCRO PRESUMIDO. FALTA DE OPÇÃO. EXIGÊNCIA FISCAL PELO LUCRO REAL TRIMESTRAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Por não manifestada a opção pelo regime de lucro presumido conforme previsto na legislação de regência, mediante pagamento do imposto devido no primeiro período de apuração do ano-calendário, cabível a exigência fiscal pelo regime de lucro real trimestral. Não é válida a opção pelo lucro presumido mediante a entrega da DIPJ quando as respectivas fichas em que se apura o imposto devido estão com seus valores zerados. Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.958 29 INVESTIMENTO. VALOR CONTÁBIL. MAJORAÇÃO INDEVIDA EM REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES INTRAGRUPO. GLOSA DE VALOR. Na apuração do valor contábil utilizado para fins de ganho de capital, cabe a glosa do valor oriundo de operações intragrupo que majoraram artificialmente o valor patrimonial da investida. DECADÊNCIA. FRAUDE. CONTAGEM DO PRAZO. TERMO INICIAL. Comprovada a ocorrência de fraude, o prazo decadencial conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO VALOR AUTUADO. Retifica-se a base de cálculo da exigência fiscal por comprovada a falta de compensação de base de cálculo negativa regularmente apurada em período anterior, bem assim pela constatação de erro material na identificação do valor autuado. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A longa reorganização societária realizada mediante a concatenação de complexas operações societárias eivadas de artificialidade evidencia a conduta dolosa com objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Por estar caracterizada a fraude, é cabível a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. CONSTITUCIONALIDADE. Lançada em razão de expressa previsão legal, resta vedado aos órgãos de julgamento reduzir ou afastar a aplicação da multa de ofício sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. BASE LEGAL. CABIMENTO. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. CONDUTA DOLOSA. INFRAÇÃO DE LEI. São solidariamente responsáveis os administradores que participaram de atos com infração de lei em planejamento tributário abusivo cuja conduta dolosa ficou comprovada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSÁVEL DE FATO. Constatado que terceiros são beneficiários de renda proveniente de ganho de capital auferido em contexto de reorganização societária implementada com uma sequência de operações, resta caracterizado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, devendo ser Fl. 2972DF CARF MF 30 incluídos no polo passivo da obrigação societária nos termos do art. 124, I, do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificados da decisão o contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram recursos voluntários conforme abaixo: MSP PARTICIPAÇÕES S.A. - fls. 1704 em diante. - Nulidade da autuação. Erro material reconhecido pela DRJ. Violação ao art. 142 do CTN. Alega que a DRJ retificou a autuação quando deveria tê-la anulado em razão da modificação da base de cálculo do lançamento. - Nulidade da autuação. Alteração do critério jurídico. Violação do art. 146, do CTN. Valor patrimonial das ações da Biopalma. Entende que a DRJ ao dizer que a fiscalização errou em considerar o art. 428 como base legal deveria ter anulado a autuação e não tê-la mantido sob outros argumentos (majoração artificial do valor patrimonial). - Decadência. Alega que inexiste a fraude imputada à empresa e, assim, a decadência do direito de constituir o crédito tributário teria se completado antes da data de emissão da autuação. Nulidade por Ilegitimidade Passiva. Neste ponto alega que como a fiscalização entende que a MSP FIP é uma holding travestida de fundo de investimento deveria ter descaracterizado sua forma de constituição e lançado os tributos devidos na mesma. Assim, tendo realizado o lançamento em nome da MSP Participações esta não seria o sujeito passivo adequado da autuação. Nulidade por Incoerência na determinação do Fato Gerador e da Base de Cálculo. Entende a recorrente que a fiscalização foi incoerente ao entender que a operação de venda tenha se realizado a partir do memorando de entendimento em outubro/2010 para descaracterizar a MSP FIP como sujeito passivo e, ao mesmo tempo, indicar como fato gerador do lançamento 31/01/2011. Assim seria nulo o lançamento. Nulidade Material por Inobservância da Sistemática de Apuração da Recorrente no período. Entende que não seria possível à fiscalização alterar a sistemática de tributação da empresa que havia feito regular opção pelo lucro presumido. Erro Material na Identificação da Base de Cálculo. Alega que mesmo considerando que fosse possível a apuração pelo lucro real, esta foi errôneamente realizada vez que deixou de considerar as deduções previstas na legislação a ela relativa. Alega que a fiscalização simplesmente não utilizou o resultado do exercício apurado pela empresa, ou seja, não partiu do lucro líquido do exercício para apurar o lucro real devido. Não utilizou o LALUR, etc. Do Direito. Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.959 31 Efetiva Operação Realizada e o Propósito Negocial. Apresenta extensa demonstração a justificar a legalidade e o propósito negocial das alterações societárias realizadas a fim de infirmar as alegações apresentadas pela fiscalização. Neste ponto apresenta alegações sobre a legitimidade de constituir um fundo de investimento privado para administração das participações societárias. Mais ao fim traz diversas alegações acerca do preço de aquisição da participação para fins de apuração do ganho de capital. Apresenta argumentação acerca da validade das operações de crédito da Biopalma. Impossibilidade de Ingerência do Fisco na Atividade do Contribuinte. Irresigna-se neste ponto contra a possibilidade de o fisco desconsiderar operações legítimas realizadas pela empresa, interferindo indevidamente na gestão das empresas. Impossibilidade de desconsideração dos Negócios Jurídicos Praticados. Da mesma forma, apresenta argumentos no sentido de não ser possível à fiscalização desconsiderar negócios jurídicos legalmente praticados. Multa Qualificada. Quanto à multa qualificada entende que não é possível a aplicação da qualificação posto que há acertadas dúvidas quanto à possibilidade de autuação o que demonstra que os atos praticados não se adequam com clareza às normas que determinam a qualificação da multa. Inexistência de Fraude. Seguem alegações similares à do ponto precedente. Vedação ao Confisco. Novamente, referindo-se à multa aplicada, entende que não é cabível a aplicação de multa no percentual de 150% por se caracterizar como confisco que é constitucionalmente vedado. Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a multa de Ofício. Por seu turno os responsáveis solidários apresentaram recursos voluntários conforme páginas abaixo destacadas. PAULO CARLOS DE BRITO FILHO - fls. 2101 em diante SILVANA GUASPARI DE BRITO GUTFREUND - fls. 2177 em diante IRAJÁ MINERAÇÃO LTDA - fls. 2253 em diante MARINA GUASPARI DE BRITO GONÇALVES - fls. 2330 em diante PAULO CARLOS DE BRITO - fls. 2406 em diante MINERAÇÃO IRAJÁ S.A. - fls. 2486 em diante RIO ALTO MINERAÇÃO S.A. - fls. 2560 em diante MINERAÇÃO SANTA ELINA S.A. IND. E COM. - fls. 2635 em diante MSP FUNDO DE INV. EM PARTICIPAÇÕES - fls. 2709 em diante Fl. 2974DF CARF MF 32 Os recursos apresentados, além de contestarem a autuação em si, objeto já bastante contestado no recurso voluntário do contribuinte, apresentam suas alegações quanto à inexistência de fraude e a impossibilidade de responsabilização solidária. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 2765 em diante, na qual, em extenso memorial, apresenta argumentos para defender os termos da autuação e a decisão proferida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL relativos a ganho de capital não tributado em razão da suposta interposição fraudulenta de uma empresa veículo, constituída sob a forma do Fundo de Investimento em Participações (MSP - FIP) com vistas a evitar a tributação dos ganhos gerados com a venda da participação na Biopalma pela MSP Participações. Por seu lado a fiscalização alega que a criação do referido fundo ocorreu apenas para evitar a incidência tributária do ganho da venda enquanto que a recorrente alega que a criação do fundo decorreu da necessidade de melhorar a gestão dos recursos do grupo e a eficiência da atuação. Protesta pela legalidade na constituição do fundo, sua existência e operação até os presentes dias. Passemos a analisar os pontos de discordância levantados pelo recorrente após a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Nulidade da autuação. Erro material reconhecido pela DRJ. Violação ao art. 142 do CTN. Alega que a DRJ retificou a autuação quando deveria tê-la anulado em razão da modificação da base de cálculo do lançamento. Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.960 33 Quanto a este ponto não entendo assistir razão ao recorrente. No presente caso o erro apontado pela DRJ referiu-se, apenas e tão somente ao cálculo do valor tributável levando-se em consideração que a tributação lavrada ocorreu na sistemática do lucro real e a fiscalização, ao realizar os cálculos, deixou de considerar estes valores como parcela redutora do ganho tributável a ser tributado. Assim, o que a Decisão de Piso fez, em meu pensar de forma adequada, foi reconhecer um erro de cálculo do valor autuado e, usando o seu poder revisor, determinar a sua correção. O recorrente, neste ponto apresenta diversos precedentes do CARF, notadamente da 2a Seção, nos quais há a determinação de nulidade da autuação em face do erro na apuração da matéria tributável, verifica-se que existe um equívoco na interpretação do critério jurídico a ser adotado para realização do cálculo, fato diferente do que se demonstra neste ponto. Aqui a matéria tributável está adequadamente apontada na autuação. O que se corrige não é o fundamento legal da autuação, mas sim o montante apurado pela não dedução dos prejuízos fiscais, demonstrando-se que se trata de simples erro de cálculo perfeitamente corrigível em instâncias revisoras. Desta forma, entendo por rejeitar esta preliminar. - Nulidade da autuação. Alteração do critério jurídico. Violação do art. 146, do CTN. Valor patrimonial das ações da Biopalma. Entende que a DRJ ao dizer que a fiscalização errou em considerar o art. 428 como base legal deveria ter anulado a autuação e não tê-la mantido sob outros argumentos (majoração artificial do valor patrimonial). Neste ponto do recurso a recorrente alega que a nulidade da autuação atacada decorre da mudança do critério jurídico adotado pela decisão de piso para a fixação do valor patrimonial das ações para fins de apuração do ganho de capital. Ao mudar o critério adotado pela fiscalização, baseado na desconsideração do valor apontado pela empresa de R$ 29,16 para o valor de R$ 1,00 por ação, com base na norma do art. 428 do Regulamento do Imposto de Renda, mantendo este valor ao argumento de que houve uma majoração artificial do valor patrimonial, estaria a Delegacia de Julgamento incidindo em modificação do critério jurídico da autuação que seria passível de nulidade. Em verdade, neste ponto, assiste parcial razão ao contribuinte em relação à modificação do critério jurídico pela decisão de piso. Ocorre, no entanto, que a inovação provocada pela decisão atacada não tem o condão de, no meu pensar, causar a nulidade da autuação como um todo. Fl. 2976DF CARF MF 34 Neste caso, a DRJ efetivamente utilizou inadequadamente de seu poder revisor para inovar no critério jurídico de eleição do valor patrimonial das ações a ser considerado para a apuração do ganho de capital devido. A recorrente, conforme alegado em impugnação e recurso, alega que o valor patrimonial por ação é de R$ 29,16, conforme demonstrado em seus registros contábeis. Ocorre que, quando da elaboração do auto de infração, a fiscalização entendeu que não deveria ser adotado este valor da ação para fins de cálculo do ganho de capital, mas sim o valor de R$ 1,00, tendo em vista que desconsiderou uma operação de capitalização sob o argumento de que esta infringiria o art. 428 do Regulamento do Imposto de Renda. Em sua impugnação a recorrente já contesta este argumento e aduz que o procedimento realizado foi legal e que, mantida a autuação, o cálculo do ganho de capital devido deveria utilizar o valor patrimonial de R$ 29,16. Mais ainda, já em sede de recurso voluntário apresenta laudo técnico para confirmar o valor patrimonial da ação a ser utilizado no ganho de capital. Ora, assim, temos que em relação ao valor original das ações para fins de apuração do ganho de capital na operação de alienação de participação a análise a ser feita pela decisão de piso deveria se prender a dois momentos: 1) Em primeiro lugar, estabelecer se a autuação, ao descaracterizar a operação de alienação como realizada com empresa veículo para fins de obstar a imposição tributária agiu com acerto e dentro das diretrizes normativas. Esta fase foi adequadamente cumprida pela referida decisão, quando com seus fundamentos corrobora os argumentos apresentados pela fiscalização em confronto com a impugnação do contribuinte. 2) Ultrapassada a primeira fase a Delegacia deveria se debruçar, como fez sobre a forma de apuração do ganho tributável. Nesta fase, a partir da apresentação da informação da fiscalização em confronto com a impugnação apresentada a DRJ poderia concordar com a fiscalização e manter a autuação como originalmente realizada, concordar com o contribuinte e retificar o valor da autuação para considerar o valor patrimonial constante da contabilidade da empresa. Entretanto, no meu entender, não poderia discordar da fiscalização quanto à aplicação da norma do art. 428, do RIR, e, mesmo assim, manter o valor por ela utilizado fundamentando em argumento diverso do utilizado pela fiscalização sem permitir ao contribuinte qualquer análise a este respeito. Assim, analisando o caso específico, temos que assim se pronunciou a fiscalização quanto à fixação do valor de aquisição do investimento e apuração do ganho: 75. Para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido11, o valor contábil é obtido, de acordo com o contido no art. 426 do RIR: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (Decreto- Lei nº 1.598, de 1977, art. 33, e Decreto-Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I - valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na Fl. 2977DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.961 35 contabilidade do contribuinte; II - ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III - provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. 76. O valor de patrimônio líquido da Biopalma, em 28/01/2011, que estava registrado no MSP FIP era de: 77. Todavia, esse valor unitário de R$ 29,16 é fruto de acréscimo decorrente de ganho de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada, conforme aumentos de capital da Biopalma de 04/04/2008 e 27/06/2008 subscrito pela Bio Participações, já descritos neste termo acima, portanto não deve ser contemplado no cálculo do custo de aquisição. É o que determina o RIR: Art. 428. Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 33, § 2º, e Decreto-Lei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso V). 78. Logo, o valor do custo de aquisição das ações da Biopalma, para fins de apuração do ganho de capital, é de R$ 1,00. 79. Dessa forma, a MSP, em 28/01/2011, alienou o controle acionário, 2.374.823 ações da Biopalma, com custo de R$ 2.374.823,00 (1 ação por R$ 1,00) por R$ 212.309.279,00, o que gerou um ganho de capital de R$ 209.934.456,00, conforme já relatado acima. Analisando o caso a Decisão de Piso assim se pronunciou em relação à utilização do valor patrimonial de R$ 1,00 pela fiscalização como preço de aquisição do investimento em vez do valor patrimonial escriturado pela fiscalizada. Duas operações que chamam atenção são os aumentos de capital da Biopalma, realizados em 04/04/2008 e 27/06/2008, no valor total de R$ 191.800.000,00 e totalmente subscritos pela Bio Participações. O vultoso valor subscrito para ingressar no quadro de acionistas com apenas 16,14% de participação numa sociedade que, antes da subscrição, tinha um capital de apenas R$ 5.000.000,006, é flagrantemente desproporcional e sem sentido econômico. Fl. 2978DF CARF MF 36 A toda evidência, este aumento de capital somente poderia ocorrer por se tratar de operação intragrupo, isto é, por ser uma transação entre partes relacionadas. Jamais seria possível uma operação nesses termos se o negócio fosse efetuado entre partes independentes (não relacionadas). Como decorrência contábil dessa inusitada subscrição de capital, foi possível à controladora PMS reconhecer, mesmo havendo diminuição de sua participação na sua controlada Biopalma, uma expressiva receita de equivalência patrimonial em razão do desproporcional aumento do patrimônio líquido da investida. A Reserva de Lucros formada a partir deste ganho foi posteriormente transferida para a MSP, na incorporação ocorrida em 22/06/2010, possibilitando a distribuição de lucros de R$ 135 milhões alguns dias depois. O valor patrimonial da ação da Biopalma teria passado de R$ 1,00 para R$ 25,83 (valor em 31/12/20087) e a correspondente variação do valor contábil do investimento escriturado na controladora PMS foi na mesma proporção, ou seja, de aproximadamente R$ 5 milhões para quase R$ 130 milhões. Este aumento artificial do valor patrimonial do investimento revelou-se muito conveniente, pois nas etapas subsequentes da reorganização societária serviria para reduzir o ganho de capital em futura alienação, tendo em vista que referida participação societária foi transferida para a MSP com essa majoração de valor. ................ Destarte, como regra geral, o valor contábil do investimento apurado segundo o valor do seu patrimônio líquido é utilizado no cômputo do ganho de capital. Acontece que, como bem concluiu a fiscalização, não poderá ser aceita a parcela do valor do investimento escriturado resultante da equivalência patrimonial ocorrida por ocasião do aumento de capital da Biopalma em 2008 e totalmente subscrito pela Bio Participações. Segundo já analisado anteriormente no presente voto, esta operação intragrupo é flagrantemente desproporcional e sem sentido econômico, cabendo a glosa do respectivo montante em face do seu evidente artificialismo. Não pode o contribuinte utilizar-se de forma abusiva de seu direito de formalizar operações intragrupo com o intuito de majorar artificialmente o valor do patrimônio líquido de seu investimento. Ressalve-se, porém, que é equivocada a interpretação apresentada pela autoridade fiscal no que diz respeito ao art. 428 do RIR/998. Esse dispositivo trata da não tributação do ganho ou perda de capital pela variação na percentagem da participação na sociedade investida. No aumento de capital da Biopalma, ocorrido em 2008, houve diminuição da percentagem de participação detida pela PMS (embora, em decorrência do enorme valor injetado na investida, tenha havido um grande aumento do valor do investimento), que não seria computado na base de cálculo apurada naquele ano-calendário, nos termos do art. 428 do RIR/99. De qualquer forma, por não admissível a majoração artificial do valor patrimonial das ações da Biopalma, é cabível a glosa do respectivo valor contábil do investimento e, portanto, correta a utilização do valor patrimonial anterior das ações da Biopalma, que era de R$ 1,00 por ação. Consequentemente, o valor do investimento da Biopalma alienado pela MSP à VALE perfaz R$ 2.374.823,00, correspondente a 2.374.823 ações X R$ 1,00 p/ ação. Tendo sido o valor da alienação de R$ 212.309.279,00, o ganho de capital Fl. 2979DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.962 37 apurado na operação foi de R$ 209.934.456,00, como corretamente constou na autuação fiscal. Note-se que, assim procedendo, a Delegacia de Julgamento ao mesmo tempo considerou equivocado o critério jurídico adotado pela fiscalização mas manteve o valor adotado por outros critérios. Desta forma, em verdade, a Delegacia de Julgamento inovou no critério jurídico utilizado pela fiscalização o que não é possível da seara administrativa, conforme precedentes abaixo: INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras. Acórdão nº 1302-002.627, de 13/03/2018. INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras. Acórdão nº 1201-001.557, de 14/02/2017. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS NO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado, devendo, sempre, limitar-se aos termos ali então especificamente apresentados. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras, acarretando, assim, a sua invalidade. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Entretanto, considerando a possibilidade de julgamento do feito de maneira favorável à contribuinte, segundo a inteligência contida nas disposições do Art. 59, par.3o do Decreto 70.235/72, afasta-se a nulidade apontada, apreciando-se o mérito da causa. Acórdão nº 1301-001.436, de 12/03/2014. Diante do exposto, votaria por estas razões no sentido de decretar a nulidade da decisão de Piso a fim de determinar a prolação de nova decisão na qual se manifeste acerca da validade do lançamento em relação à apuração do valor patrimonial da participação adquirida, da forma como foi realizado pela fiscalização, não devendo, para tal fim, Fl. 2980DF CARF MF 38 simplesmente desconsiderar os fundamentos apresentados pela fiscalização e apresentar novos fundamentos para manter o valor utilizado. Entretanto, avançando na análise do processo e das razões de recurso deparei com fato que entendo insuperável no que tange à impossibilidade de manutenção do lançamento e que, por tais razões, supero a nulidade acima para no mérito pronunciar em favor do contribuinte conforme abaixo demonstrado. - Realização de Lançamento pela sistemática do Lucro Real quando a opção do contribuinte era pela sistemática do Lucro Presumido. Desconsideração da opção do contribuinte. No presente caso constata-se que o contribuinte, formalmente, realizou a opção pelo Lucro Presumido conforme informações apresentadas em sua DIPJ relativa ao ano- calendário de 2011, fls. 660. No entanto a fiscalização ao realizar o lançamento realizou a tributação sob a sistemática do Lucro Real conforme os seguintes fundamentos: 4.2 Regime de Tributação 80. Conforme informações contidas na DIPJ do ano-calendário em questão, o contribuinte informa o lucro presumido como forma de tributação. 81. Todavia, essa opção não ocorreu, pois não houve qualquer pagamento ou declaração entregue para o sujeito ativo em que houvesse a discriminação de valores que servissem para apurar o base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Portanto, a apuração será feita pelo regime trimestral do lucro real, de acordo com o estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda: (fls. 660/832) Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano- calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). (...) Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano-calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no ano-calendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o ano-calendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ). (...) § 3º A pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano-calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 1º). Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.963 39 Ou seja, a fiscalização, em seu entender manifestou-se no sentido de que a interpretação seria literal de que a opção pelo Lucro Presumido somente poderia ocorrer pelo pagamento da primeira quota ou quota única relativa ao primeiro período de apuração do exercício. Assim entendendo, verificando a inexistência de pagamento relativo ao IRPJ e CSLL, desconsiderou a manifestação do contribuinte relativa à forma de tributação exercida por meio das opções demonstradas em DIPJ e DCTF. O contribuinte se irresignou quanto a este procedimento em sua impugnação, entretanto a irresignação não obteve guarida quando do julgamento de primeira instância, conforme seguintes argumentos: DO VALOR TRIBUTÁVEL E A FALTA DE OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO Alegam os impugnantes que a fiscalização teria incorrido em erro material ao desconsiderar a sua opção pelo lucro presumido exercida por ocasião da entrega da DIPJ e da DCTF e realizar o lançamento com base no lucro real trimestral. Observam que o contribuinte não apurou imposto a pagar no decorrer do ano-calendário de 2011, tendo em vista a sua atividade principal de “holding”, não podendo ser desconsiderada a sua opção por esse motivo. A autoridade fiscal, por sua vez, asseverou que a Lei nº 9.430/1996 estipula que a opção pela tributação com base no lucro presumido deve ser manifestada com o pagamento relativo ao primeiro trimestre de 2011: Art.26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada ano- calendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano-calendário. É bem verdade que, conforme relatam os impugnantes, a Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 5, de 11/02/2008, reconhece a possibilidade de opção pelo lucro presumido mediante a entrega da DIPJ, tendo sido assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ A entrega espontânea da DCTF ou de Declaração de Compensação, bem como os parcelamentos requeridos caracterizam opção pelo lucro presumido uma vez que constituem confissão de dívida, e são encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União, quando não pagos administrativamente. A entrega da DIPJ, devidamente preenchida, sem pagamentos e sem entrega de DCTF, caracteriza opção pelo lucro presumido, uma vez que ela representa mais do que a mera opção pelo lucro presumido, pois traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto. Fl. 2982DF CARF MF 40 Contudo, o preciso entendimento explicitado pela SCI nº 5/2008 há de ser obtido a partir da sua fundamentação, nos itens 15 e 16, verbis (g.n.): 15. Quanto a DIPJ, é importante ressaltar que ela, atualmente, constitui a declaração mais completa da pessoa jurídica. A DIPJ contém informações acerca da escrituração contábil da pessoa jurídica, relativos aos custos, despesas e receitas do período; a Demonstração do Resultado do Exercício, a demonstração da apuração do Lucro Real e o Balanço Patrimonial para as empresas tributadas com base no lucro real. Ainda contém informações relativas à receita bruta de cada período e demais receitas e ganhos líquidos, a apuração da base de cálculo do lucro presumido ou arbitrado. Portanto, a DIPJ não apenas traz informação do débito de IRPJ ou CSLL, mas revela com detalhes à apuração da base de cálculo e do imposto de cada período. 16. Neste sentido, a DIPJ corretamente preenchida representa muito mais do que a mera opção pela tributação pelo lucro presumido, pois traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto. Entretanto, tal consideração não pode ser aplicada à DIPJ entregue sem preenchimento, apenas com o objetivo de afastar a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. (grifo nosso) Fica claro, então, que a opção mediante a DIPJ é aceita tão somente quando ela traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto. No entanto, não se considera exercida a opção quando a DIPJ não traz tais elementos, ou seja, quando ela é entregue “zerada”. No presente caso, verifica-se às fls. 663/666, na DIPJ 2012 (AC2011) entregue pela MSP, que a Ficha 14A - Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido encontra-se integralmente “zerada”. O mesmo ocorre com a Ficha 18A - Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido às fls. 667/670, com todos os campos “zerados”. Assim, a sua DIPJ não fornece os elementos requeridos para a apuração do imposto, como explicado na SCI 5/2008, de modo que a pretendida opção pelo lucro presumido não pode ser aceita. Acertado o procedimento da autoridade fiscal, portanto, em apurar a exigência fiscal segundo o lucro real trimestral. .................. Pleiteiam os reclamantes que seja considerado o prejuízo líquido contábil apurado no ano, que teria sido de R$ 13.194.212,69. Contudo, referido valor consta apenas da Ficha 38A – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – Critérios em 31/12/2007 da DIPJ 2012, não sendo permitido simplesmente deduzir esse valor sem um detalhamento de sua formação, pois o contribuinte não apresenta a Demonstração do Resultado do Exercício e nem a Demonstração do Lucro Real. A pretendida dedução apenas será possível após a devida apuração do prejuízo fiscal, nos moldes preceituados pela legislação do imposto de renda. (grifo nosso) Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.964 41 Quanto à compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL relativos ao ano-calendário de 2007 e controlados na Parte B do Lalur, no valor de R$ 1.005.289,79, há que se acolher a solicitação, porquanto esses os valores foram devidamente demonstrados e apurados na sua DIPJ 2008 (AC2007), cuja cópia foi juntada ao processo às fls. 1475/1504. Ocorre que, em razão da cisão da MSP ocorrida em 01/11/2010, houve a versão de 97,2% de seu patrimônio (v. DIPJ da cisão às fls. 1505/1518), resultando que, segundo estabelece o art. 514, parágrafo único, do RIR/99, a pessoa jurídica cindida apenas pode compensar os seus próprios prejuízos proporcionalmente à parcela remanescente do seu patrimônio líquido. No caso da MSP, a parcela remanescente foi de 2,8% do patrimônio. Destarte, devem ser compensados do valor autuado o montante de R$ 28.148,11, equivalente a 2,8% do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados no ano-calendário de 2007. Temos então que a Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento da fiscalização de que não haveria pagamento relativo ao primeiro trimestre de 2011 sob a forma do lucro presumido e, assim, não teria havido opção válida na forma da Lei. Mais ainda, acrescentou, com fundamento na Solução de Consulta Interna nº 05/2008, que a empresa apresentou a DIPJ com informações de apuração do IRPJ e CSLL zeradas. Assim, não seria válida a opção do contribuinte, sendo correta a tributação do ganho pela sistemática do lucro real, conforme realizado pela fiscalização. Não concordo com os fundamentos do lançamento e com a decisão adotada pela Delegacia de Julgamento quanto à impossibilidade de opção pelo lucro presumido realizada pelo contribuinte na apresentação da DIPJ e da DCTF. De início vejamos as normas da Lei nº 8.541/92 a respeito das regras de obrigação e opção pelo lucro presumido. Art. 13. Poderão optar pela tributação com base no lucro presumido as pessoas jurídicas cuja receita bruta total, acrescida das demais receitas e ganhos de capital, tenha sido igual ou inferior a 9.600.000 Ufir no ano- calendário anterior. ................. § 2° Sem prejuízo do recolhimento do imposto sobre a renda mensal de que trata esta seção, a opção pela tributação com base no lucro presumido será exercida e considerada definitiva pela entrega da declaração prevista no art. 18, inciso IV, desta lei. ................. Art. 18. A pessoa jurídica que optar pela tributação com base no lucro presumido deverá adotar os seguintes procedimentos: Fl. 2984DF CARF MF 42 I - escriturar os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada mês, em Livro-Caixa, exceto se mantiver escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II - escriturar, ao término do ano-calendário, o Livro Registro de Inventário de seus estoques, exigido pelo art. 2°, da Lei n° 154, de 25 de novembro de 1947; III - apresentar, até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário seguinte ou no mês subseqüente ao de encerramento da atividade, Declaração Simplificada de Rendimentos e Informações, em modelo próprio aprovado pela Secretaria da Receita Federal; IV - manter em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios, por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para apurar os valores indicados na Declaração Anual Simplificada de Rendimentos e Informações. Sustenta a DRJ que a declaração foi apresentada zerada e, assim não forneceria os elementos para apuração do imposto. Discordo também deste entendimento. A solução de consulta, ao indicar que a apresentação de declaração zerada não surtiria efeitos se referia, no meu entender, a dois pontos específicos: 1) que a declaração fosse totalmente zerada, ou seja, não contenha qualquer informação em suas fichas, demonstrando que foi entregue apenas para não ser penalizada pelo descumprimento de obrigação acessória; 2) que nos casos de ser entregue desta forma, ou seja, zerada não estaria caracterizado o cumprimento da obrigação, ou seja, estaria possível a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração. Ora, consultando a DIPJ em questão verifica-se que existem informações de balanço, de lucros e prejuízos acumulados, retenções, participações em investimentos, informações previdenciárias, etc. Ou seja a demonstração do conteúdo patrimonial da empresa está devidamente apresentada na declaração referida. Entretanto as fichas de apuração do IRPJ e da CSLL devida estão zeradas e isso foi utilizado como fundamento de negar a validade da opção. Neste ponto discordo do entendimento da DRJ por um motivo bem simples. Para que as fichas de apuração do IRPJ e CSLL devidos fossem preenchidas seria necessário que a empresa houvesse auferido rendimento tributável no período. Ora, se a empresa em questão é uma holding que detém participação em outras empresa suas receitas só ocorrem quando existe o recebimento de rendimentos tributáveis segundo a legislação do IRPJ. Consultando as demais fichas da declaração verificamos que não existem informações de outras receitas no exercício, assim, como se poderia preencher as fichas de apuração do IRPJ e CSLL sem o auferimento de rendimentos tributáveis segundo estas legislações? É uma obrigação de impossível cumprimento. Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.965 43 Por isso, entendo que o simples fato de as fichas de apuração do IRPJ e CSLL não estarem preenchidas não é causa para desconsideração da opção pelo lucro presumido na DIPJ, quando se verifica que outras fichas da apuração estão preenchidas, notadamente as que demonstram a substância patrimonial da empresa. Mais ainda, ao decidir acerca das alegações da empresa de que, mantida a autuação, deveria ser abatido o prejuízo fiscal do exercício apurado de cerca de R$ 13 milhões a própria DRJ se utiliza de informações da DIPJ da empresa que foi desconsiderada como opção pelo lucro presumido. Analisando este pedido a Delegacia de Julgamento assim se pronunciou: Pleiteiam os reclamantes que seja considerado o prejuízo líquido contábil apurado no ano, que teria sido de R$ 13.194.212,69. Contudo, referido valor consta apenas da Ficha 38A – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – Critérios em 31/12/2007 da DIPJ 2012, não sendo permitido simplesmente deduzir esse valor sem um detalhamento de sua formação, pois o contribuinte não apresenta a Demonstração do Resultado do Exercício e nem a Demonstração do Lucro Real. A pretendida dedução apenas será possível após a devida apuração do prejuízo fiscal, nos moldes preceituados pela legislação do imposto de renda. (grifo nosso) Para negar o pedido da empresa a Delegacia de Julgamento informa que o prejuízo está informado na ficha 38A - Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, mas que, no entanto, como este valor não se encontra na DRE, nem na demonstração do Lucro Real, essa dedução somente seria permitida se após devidamente apurado o prejuízo fiscal, conforme a legislação do IRPJ. No mínimo incoerente a decisão neste ponto. Como se pode obrigar o contribuinte a algo que ele não optou. Se o contribuinte não elaborou a DRE nem a demonstração do Lucro Real é porque esta nunca foi sua opção. A sua efetiva opção, como exercida desde o ano de 2008 e até o ano de 2012, sempre foi pelo lucro presumido, sem qualquer informação em contrário por parte da administração tributária. A tela de sistema acostada ao processo demonstra que desde 2008 a empresa apresenta declarações pelo lucro presumido sem qualquer problema. Não faz sentido em não se considerar esta opção, regularmente realizada pela apresentação da DIPJ, e, ainda, impor obrigações impraticáveis ao contribuinte como se o mesmo tivesse descumprido alguma de suas obrigações legais. Por tudo isso, entendo indevida a autuação realizada com base na sistemática do lucro real, com a desconsideração da opção realizada pelo lucro presumido, devidamente indicada nas informações da DIPJ e DCTF da empresa, posto que, no meu entender e consoante extensos precedentes abaixo apresentados, na ausência de pagamento de IRPJ e CSLL a opção pelo lucro presumido pode ser realizada pela apresentação das informações n DIPJ da empresa. Fl. 2986DF CARF MF 44 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação. Acórdão nº 3201-003.251, de 29/01/2018. ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – Se a Fiscalização considerou os depósitos bancários como receita operacional, deveria, em conformidade com art. 288 do RIR/99, respeitar, no lançamento do imposto, o regime de tributação e o período de apuração a que estava submetido a contribuinte. Acórdão nº 110100.241, de 11/12/2009. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. No caso presente, a contribuinte fez opção expressa pelo regime de tributação do lucro presumido, por meio da apresentação de sua DIPJ, em que optou por essa forma de tributação. Acórdão nº 1401-001.464, de 10/12/2015. Lucro Presumido. Opção. Momento. Não havendo o recolhimento e/ou a informação em DCTF do valor do IRPJ devido correspondente ao 1º período de apuração do lucro, a opção se manifesta pela entrega da declaração de rendimentos (DIPJ) e é irretratável para o exercício financeiro. Acórdão nº 1801-002.078, de 16/08/2014. DIPJ. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. NOVA DECLARAÇÃO COM MUDANÇA DE OPÇÃO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Sendo vedada a retificação de declaração de rendimentos da pessoa jurídica para mudança de forma de tributação, no caso, de Lucro Presumido para Lucro Real, o lançamento de multa por atraso, quando cabível, deve ser feito em relação à declaração originalmente apresentada. Acórdão nº 1802- 002.193, de 03/06/2014. OMISSÃO DE RECEITA. MUDANÇA DE OPÇÃO. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO. Sendo um opção legal do contribuinte a escolha pela forma de tributação do lucro presumido, ainda que seja mais desfavorável sob a ótica de outro regime de tributação como é o caso do lucro real, isso configura o exercício de uma opção, e não um erro, mormente quando se alega que a pessoa jurídica teria optado pela tributação pelo lucro real, quando a DIPJ, a DCTF e o DARF demonstram a opção pela tributação pelo lucro presumido. Acórdão nº 1401-001.052, 08/10/2013. Veja-se que os precedentes são muitos no sentido de que a opção, ante a ausência de pagamento, é realizada por meio da apresentação da DIPJ. Mais ainda, tal opção na DIPJ é irretratável, não se podendo modificar a forma de tributação por simples retificação da declaração. Assim, se a irretratabilidade da opção pela apresentação da DIPJ é regra, não Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 10166.728697/2016-13 Acórdão n.º 1401-002.998 S1-C4T1 Fl. 2.966 45 poderia a fiscalização, por sua conta, modificar esta opção sem justificativa plausível que justificasse ser indevida a opção exercida pela empresa. Em consequência é que entende este relator não ser possível a realização do lançamento com apuração do IRPJ e CSLL devidos sob a sistemática de apuração diversa da opção realizada pelo contribuinte, sem que tenha a empresa incidido em alguma irregularidade que a obrigasse à apuração pelo lucro real. Só para bem situar a impressão do erro cometido pela fiscalização nesta autuação, devemos destacar que, tendo a empresa optado pela tributação na sistemática do lucro presumido, a tributação levada a efeito relativa ao ganho de capital auferido na operação de alienação de participação não se submeteria aos percentuais de presunção e deveria ser integralmente oferecido à tributação de acordo com a norma do art. 521, do Regulamento do Imposto de Renda. Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). Ou seja, o ato da fiscalização de não considerar a opção válida do contribuinte pelo Lucro Presumido causou apenas um tumulto no processo, motivo de impugnações e discussões, que não redundaram em nenhum ganho ao fisco. O valor devido relativo ao ganho de capital, quer fosse a empresa tributada pelo lucro real ou lucro presumido, seria idêntico e não traria outras influências à autuação. Pelo contrário, simplificaria o processo e retiraria a discussão que agora se travou e que levou, no entendimento deste relator à improcedência da autuação. Por todo o exposto e considerando que agiu inadequadamente a fiscalização ao desconsiderar a forma de tributação escolhida pela empresa em sua DIPJ, entendo que não pode prosperar a autuação realizada pela sistemática do lucro real, quando constatado a regular opção da empresa pelo lucro presumido e todos os seus consecutórios. Desta forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar a autuação em sua integralidade. De todo o exposto, em conclusão, voto no sentido de rejeitar as preliminares aventadas e superar a nulidade de modificação do critério jurídico no julgamento pela DRJ para, no mérito, dar provimento ao recurso do contribuinte para considerar improcedente o lançamento em razão de sua realização pela sistemática do lucro real, enquanto a opção regularmente realizada pelo contribuinte tinha sido pelo lucro presumido. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator Fl. 2988DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.722600/2016-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
ARBITRAMENTO DE LUCRO. NÃO CABIMENTO. POSTULAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA.
A glosa de parte dos custos e despesas registrados contabilmente pelo contribuinte, considerados pela fiscalização como não comprovados, enseja a tributação com base na sistemática adotada pelo contribuinte (lucro real), não constituindo hipótese para o arbitramento do lucro.
O método do arbitramento, na verdade, constitui sistemática excepcional de tributação e não pode ser utilizado como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir os tributos apurados em face de glosa de dispêndios que foram considerados dedutíveis.
COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE.
A comprovação da despesa é requisito para sua dedutibilidade, sob pena de glosa. Assim, dispêndios não comprovados pelo contribuinte devem ser adicionados para fins fiscais, ao passo que dispêndios passíveis de comprovação com documentos hábeis e idôneos são dedutíveis.
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS OU (PPR OU PRL). TRATAMENTO COMO DESPESA OPERACIONAL. OBSERVÂNCIA AOS CRITÉRIOS DA LEI 10.101/2000.
Não atendidos os requisitos da Lei 10.101/2000, não são passíveis de serem aproveitadas como despesas operacionais as parcelas pagas a empregados a título de participações nos lucros ou resultados (PPR/PLR). Inteligência do §1º do art 3º do referido diploma normativo.
MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
A aplicação do agravamento da multa de ofício, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilitar, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE. AFASTAMENTO.
A falta de caracterização de dolo ou fraude enseja o cancelamento da qualificação da multa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS OU (PPR OU PRL). INDEDUTIBILIDADE.
São indedutíveis da apuração do resultado ajustado as parcelas pagas a empregados a título de participações no lucros ou resultados.
LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no que for cabível, as mesmas aplicadas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) em caso de lançamento reflexo.
Numero da decisão: 1201-002.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar a glosa remanescente, de R$ 211.895.021,59, da conta de custos no 33101226 -Fretes MI entre filiais/unidades; (ii) afastar a glosa de R$ 9.401.612,85 relativa à conta no 33112045 - Contribuições a Associações - ND; (iii) afastar a glosa remanescente, de R$ 9.104.034,38, da conta no 33107010 - Serviços - Assistência e Consultoria Empresarial; (iv) afastar a glosa de R$2.739.966,45 referente à conta no 33116070 - Despesas Legais e Judiciais, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Eva Maria Los, Edgar Bragança Bazhuni e Ester Marques Lins de Sousa que davam parcial provimento ao recurso, em menor extensão porque mantinham as glosas relativas aos itens (i) e (ii). E, por voto de qualidade, considerar indedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 54.648.883,05 (relativo ao PPR) constante do item (v) do voto do relator. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros que reconheciam a dedutibilidade. Designado o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Rafael Gasparello Lima, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ARBITRAMENTO DE LUCRO. NÃO CABIMENTO. POSTULAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. A glosa de parte dos custos e despesas registrados contabilmente pelo contribuinte, considerados pela fiscalização como não comprovados, enseja a tributação com base na sistemática adotada pelo contribuinte (lucro real), não constituindo hipótese para o arbitramento do lucro. O método do arbitramento, na verdade, constitui sistemática excepcional de tributação e não pode ser utilizado como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir os tributos apurados em face de glosa de dispêndios que foram considerados dedutíveis. COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE. A comprovação da despesa é requisito para sua dedutibilidade, sob pena de glosa. Assim, dispêndios não comprovados pelo contribuinte devem ser adicionados para fins fiscais, ao passo que dispêndios passíveis de comprovação com documentos hábeis e idôneos são dedutíveis. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS OU (PPR OU PRL). TRATAMENTO COMO DESPESA OPERACIONAL. OBSERVÂNCIA AOS CRITÉRIOS DA LEI 10.101/2000. Não atendidos os requisitos da Lei 10.101/2000, não são passíveis de serem aproveitadas como despesas operacionais as parcelas pagas a empregados a título de participações nos lucros ou resultados (PPR/PLR). Inteligência do §1º do art 3º do referido diploma normativo. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A aplicação do agravamento da multa de ofício, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilitar, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE. AFASTAMENTO. A falta de caracterização de dolo ou fraude enseja o cancelamento da qualificação da multa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS OU (PPR OU PRL). INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis da apuração do resultado ajustado as parcelas pagas a empregados a título de participações no lucros ou resultados. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no que for cabível, as mesmas aplicadas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) em caso de lançamento reflexo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar a glosa remanescente, de R$ 211.895.021,59, da conta de custos no 33101226 -Fretes MI entre filiais/unidades; (ii) afastar a glosa de R$ 9.401.612,85 relativa à conta no 33112045 - Contribuições a Associações - ND; (iii) afastar a glosa remanescente, de R$ 9.104.034,38, da conta no 33107010 - Serviços - Assistência e Consultoria Empresarial; (iv) afastar a glosa de R$2.739.966,45 referente à conta no 33116070 - Despesas Legais e Judiciais, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Eva Maria Los, Edgar Bragança Bazhuni e Ester Marques Lins de Sousa que davam parcial provimento ao recurso, em menor extensão porque mantinham as glosas relativas aos itens (i) e (ii). E, por voto de qualidade, considerar indedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 54.648.883,05 (relativo ao PPR) constante do item (v) do voto do relator. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros que reconheciam a dedutibilidade. Designado o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Rafael Gasparello Lima, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ARBITRAMENTO DE LUCRO. NÃO CABIMENTO. POSTULAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. A glosa de parte dos custos e despesas registrados contabilmente pelo contribuinte, considerados pela fiscalização como não comprovados, enseja a tributação com base na sistemática adotada pelo contribuinte (lucro real), não constituindo hipótese para o arbitramento do lucro. O método do arbitramento, na verdade, constitui sistemática excepcional de tributação e não pode ser utilizado como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir os tributos apurados em face de glosa de dispêndios que foram considerados dedutíveis. COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE. A comprovação da despesa é requisito para sua dedutibilidade, sob pena de glosa. Assim, dispêndios não comprovados pelo contribuinte devem ser adicionados para fins fiscais, ao passo que dispêndios passíveis de comprovação com documentos hábeis e idôneos são dedutíveis. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS OU (PPR OU PRL). TRATAMENTO COMO DESPESA OPERACIONAL. OBSERVÂNCIA AOS CRITÉRIOS DA LEI 10.101/2000. Não atendidos os requisitos da Lei 10.101/2000, não são passíveis de serem aproveitadas como despesas operacionais as parcelas pagas a empregados a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 26 00 /2 01 6- 18 Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 3 2 título de participações nos lucros ou resultados (PPR/PLR). Inteligência do §1º do art 3º do referido diploma normativo. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A aplicação do agravamento da multa de ofício, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilitar, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE. AFASTAMENTO. A falta de caracterização de dolo ou fraude enseja o cancelamento da qualificação da multa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS OU (PPR OU PRL). INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis da apuração do resultado ajustado as parcelas pagas a empregados a título de participações no lucros ou resultados. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no que for cabível, as mesmas aplicadas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) em caso de lançamento reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar a glosa remanescente, de R$ 211.895.021,59, da conta de custos no 33101226 Fretes MI entre filiais/unidades; (ii) afastar a glosa de R$ 9.401.612,85 relativa à conta no 33112045 Contribuições a Associações ND; (iii) afastar a glosa remanescente, de R$ 9.104.034,38, da conta no 33107010 Serviços Assistência e Consultoria Empresarial; (iv) afastar a glosa de R$2.739.966,45 referente à conta no 33116070 Despesas Legais e Judiciais, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Eva Maria Los, Edgar Bragança Bazhuni e Ester Marques Lins de Sousa que davam parcial provimento ao recurso, em menor extensão porque mantinham as glosas relativas aos itens (i) e (ii). E, por voto de qualidade, considerar indedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 54.648.883,05 (relativo ao PPR) constante do item (v) do voto do relator. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros que reconheciam a dedutibilidade. Designado o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Rafael Gasparello Lima, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 1.320/1.335) que exigem IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2011, em razão da glosa de determinados custos e despesas que, segundo a fiscalização, não teriam sido comprovados ou devidamente justificados. Na DIPJ do ano base 2011 constatouse que foi declarado como custo dos bens e serviços revendidos o montante de R$ 3.331.684.762,32 (fl. 13). Já na linha 35 da ficha05D (fl. 14) foi declarado, como “total das despesas operacionais das atividades em geral”, o valor de R$ 810.651.187,66, tendo a empresa apresentado a respectiva composição contábil, bem como o LALUR. Durante a ação fiscal foram selecionadas amostragens de lançamentos das contas de despesas e de custos com a finalidade de comprovar sua dedutibilidade, não tendo concordado o fisco com todos os esclarecimentos prestados e documentação apresentada. Nesse contexto, foram apuradas as seguintes infrações: (i) DESPESAS NÃO COMPROVADAS Valor apurado de R$ 249.445.759,01 e multa de 112,50%; (ii) CUSTOS NÃO COMPROVADOS Valor apurado de R$ 212.651.350,93 e multa de 112,50%; e (iii) ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (a título de Programa de Participação nos Lucros) Valor apurado de R$ 54.648.883,05 e multa de 150%. Mais precisamente, o fisco questiona 17 (dezessete) itens, que foram objeto de glosa. Segundo conclui o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 1.154/1.280): Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 5 4 13. [...] após diversas solicitações e diante das análises das respostas apresentadas, temos que os elementos essenciais para a convicção da existência e direito a dedutibilidade não foram apresentados. 14. Estas despesas e custos não comprovados foram glosados através da lavratura deste Auto de Infração, sendo então constituído o respectivo credito tributário, como será a seguir relatado. 15. Os valores totalizados objeto de lançamento de credito tributário e discorridos neste Termo de Verificação são os seguintes: O contribuinte apresentou impugnação (fls. 1.343/1.403), seguida de petição complementar (fls. 1.782/1.785) e diversos documentos (fls. 1.404/1.773 e 1.786/2.528). Alega, em resumo, que a glosa resta indevida, apresentando comentários e documentação por amostragem a fim de comprovar a necessidade e vinculação dos dispêndios questionados com as suas atividades empresariais, bem como aduz que a multa agravada e qualificada não têm o menor cabimento. Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 6 5 Houve, então, pedido de diligência pela autoridade julgadora (fls. 2.529/2.532), nos seguintes termos: [...] entendemos que é prudente que a Delegacia de origem verifique a procedência das assertivas da interessada (e dos documentos apresentados) quanto às glosas de despesas e custos lançadas nos AI em questão, em especial aquelas que discriminamos no quadro acima, procedendo, se necessário, ao recálculo dos tributos exigidos. No caso de os esclarecimentos e documentos apresentados pela Votorantim não forem hábeis para comprovar algum dos fatos a que se referem e, consequentemente, não reverterem integralmente os lançamentos de glosas de despesas e custos, dar ciência à interessada das verificações efetuadas, com reabertura do prazo de trinta dias para manifestação. Em atendimento, e após análise dos argumentos do contribuinte, a autoridade responsável pela diligência promoveu alguns ajustes no lançamento, em conformidade com o quadro constante do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 2.540/2.571). O contribuinte apresentou manifestação (fls. 2.579/2.588). Discorda da conclusão fiscal; reitera as alegações de defesa e sustenta que o fisco se apegou aquilo que se denomina de formalismo exacerbado. Em Sessão de 15 de dezembro de 2017, a 1a Turma da DRJ/JFA julgou a impugnação parcialmente procedente por meio de decisão (fls. 2.591/2.713) que restou assim ementada: DESPESAS E CUSTOS NÃO NECESSÁRIOS OU INDEDUTÍVEIS. LUCRO REAL. GLOSA. Para que sejam dedutíveis na apuração do lucro real, as despesas e os custos administrativos devem ser necessários à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, cabendo à contribuinte comprovar, com elementos convincentes e incontestáveis, a efetividade da operação, especialmente no caso da prestação de serviços. Caso não atendidos os requisitos legais, as despesas e os custos serão glosados e acrescentados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEDUTIBILIDADE. As parcelas pagas aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados (PLR/PPR) em desacordo com os requisitos fixados pela legislação pertinente, são indedutíveis na apuração do lucro real. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SONEGAÇÃO. Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 7 6 AFASTAMENTO. Não deve prevalecer a multa qualificada, quando o fisco deixa de demonstrar que o sujeito passivo incorreu em fraude, dolo ou sonegação. MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. A falta de apresentação de documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou a glosa de despesas e custos não dedutíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS. Aplicamse as regras processuais previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, à impugnação, a qual deve mencionar os pontos de discordância e os motivos de fato e de direito em que se fundamentam esses pontos, além das razões e provas que possuir. PRODUÇÃO DE PROVAS. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses excepcionadas pela legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias, devendo, no julgamento de primeira instância, serem observadas as normas legais e regulamentares, assim como o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência quando desnecessário ou prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. O ajuste promovido pela DRJ ao lançamento originário foi sintetizado conforme o quadro abaixo. Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 8 7 Cientificado da decisão de piso em 08/01/2018 (fls. 2.721), decisão esta objeto de recurso de ofício em razão do valor exonerado, a contribuinte interpôs, em 05/02/2018 (fls. 2.723), recurso voluntário (fls. 2.724/2.812), por meio do qual reitera novamente as alegações de defesa e rebate determinados pontos da decisão de primeiro grau. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. A controvérsia diz respeito à dedutibilidade ou não de determinados custos e despesas operacionais informados na DIPJ, sendo (i) R$ 249.445.759,01 pela não comprovação de 15 (quinze) tipos de despesas; (ii) R$ 212.651.350,93 pela falta de comprovação de custos Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 9 8 de fretes internos; e (iii) R$ 54.648.883,05 pela glosa da dedução dos pagamentos de PLR em desconformidade com a lei regulamentar. Após a realização de diligência e da análise da documentação trazida aos autos pelo contribuinte, do total da glosa efetuada, a DRJ considerou comprovado o total de despesas de R$ 38.309.814,36 e do custo de R$756.329,34, bem como afastou a qualificação e agravamento da multa, o que ensejou a interposição de recurso de ofício em relação à exoneração do IRPJ e CSLL apurados sobre tais montantes. Quanto às glosas mantidas, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Por questões de objetividade e clareza, o presente voto será desenvolvido em tópicos. 1. Da dedutibilidade de despesas Como se sabe, os requisitos para a dedutibilidade de despesas estão previstos no artigo 299 do RIR/99, vigente à época dos fatos, in verbis: “Artigo 299 – São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora”. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Esse dispositivo legal veicula norma geral que confere o direito à dedutibilidade de despesas operacionais, não incluídas no custo, com base em quatro regras básicas, de cunho substancial e formal. São elas: (i) não serem custos do texto legal, notase, de plano, que são operacionais as despesas não computadas no custo. Conforme leciona Ricardo Mariz de Oliveira1: 1 Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quarter Latin. 2008. P. 671. Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 10 9 A distinção entre custo e despesas é estabelecida a partir do emprego dos recursos despendidos ou a serem despendidos pela pessoa jurídica, estejam esses recursos no ativo da pessoa jurídica ou decorram de dívidas que ela contraia para poder fazer emprego. Assim, quando ela emprega recursos do seu ativo, ou incorre em dívidas, para aquisição de um bem ou direito, na verdade não está tendo despesa (nem prejuízo, nem perda), pois está investindo para ter a propriedade do referido bem ou a titularidade do referido direito, ou, em outras palavras, está trocando um bem ou direito já existente no seu ativo, ou os recursos de uma dívida, para fazer a aquisição. Neste caso, ela tem um custo, correspondente ao montante que empregou, ou à dívida que contraiu, para a obtenção do bem. Ao contrário, quando ela emprega recursos ou incorre em dívida para pagar um encargo que não representa algo que ainda remanesça no seu ativo, portanto, algo que já tenha sido usado ou consumido, ela tem uma perda. Neste caso, ela tem uma despesa, correspondente àquele valor empregado ou contraído como dívida. (ii) necessidade a despesa é necessária quando contribui, direta ou indiretamente, para o desenvolvimento das atividades empresariais e formação do lucro. Nos termos do Parecer Normativo CST no 32/1981, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. (iii) usualidade ou normalidade a despesa é usual e normal quando os atos praticados que lhe dão causa são corriqueiros na execução das atividades econômicas da empresa. Como esclarecido no PN citado (32/1981), despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de "usualidade" deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio. Nesse ponto, vale destacar que a necessidade, usualidade e normalidade não estão restritas, ou melhor, não se caracterizam apenas em função do desenvolvimento do objeto social strictu sensu da pessoa jurídica, isto é, da atividadefim da fonte pagadora, mas podem se fazer presentes também a partir da pertinência do gasto com operações ou negócio subjacentes, cuja causa pode variar de acordo com o contexto em que esteja inserida. (iv) comprovação para serem admitidas para fins fiscais, as despesas devem ser registradas na contabilidade, a débito da conta de resultado e suportadas com base Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 11 10 em prova que possa identificar a natureza da operação, sua efetiva liquidação e a individualização clara das partes envolvidas. Embora não seja o único meio probatório, a prova documental é o principal meio de comprovação, desde que sejam documentos idôneos e emitidos por terceiros, ou do qual terceiros façam parte juntamente com o próprio contribuinte (como é o caso dos contratos, por exemplo). Pois bem. Uma vez definida a regra geral de dedutibilidade, segundo a qual a despesa é dedutível desde que não corresponsa a custo e seja necessária, usual e comprovada, é importante observar que existem, na legislação, regras próprias de dedução fiscal para determinados dispêndios (gratificação a administradores, royalties, importação e exportação com empresas vinculadas etc.), regras estas que, em face do princípio da especificidade da norma, sobrepõe à regra geral. Nesse contexto, passaremos a analisar os recursos interpostos no presente processo administrativo (recurso de ofício e recurso voluntário), mas desde já registramos que, como as despesas glosadas não possuem regras próprias aplicáveis somente ao IRPJ, nossas conclusões também devem ser aplicadas à CSLL. Em outras palavras, partindo da premissa de que a regra geral de dedutibilidade também é dirigida à Contribuição Social sobre o Lucro, e por se tratar este tributo exigência reflexa, realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de IRPJ aplicase à CSLL. 2. Recurso de ofício A DRJ afastou a glosa de cerca de 15% (R$ 38.309.814,36) do total de despesas consideradas não comprovadas (249.445.759,01) e de 0,36% (R$ 756.329,34) da parcela de custo que também foi considerado não comprovado (212.651.350,93). Em seguida os valores cuja glosa foi afastada serão analisados individualmente. Item 1 Conta 33111014 Outros Fretes glosa de R$1.869.222,27 De acordo com o relatório de diligência (fls. 2.542), o contribuinte comprovou os gastos registrados na conta contábil em questão por meio de contratos de prestação de serviços, conhecimentos de transporte, valores pagos conciliados com os valores dos fretes contratados e planilha analítica, documentos estes que foram considerados hábeis para afastar integralmente a glosa. A DRJ acatou o resultado da diligência, não havendo razões para reforma desse entendimento. Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 12 11 Item 2 Conta 33111078 Fretes MI Empr/Cliente (NAC) glosa de R$101.953.710,80 Do total glosado, de R$ 101.953.710,80, a DRJ, na linha do que concluiu a diligência, afastou apenas o montante de R$ 840.275,06, por entender que somente em relação a este valor é que teria havido confirmação da efetividade dos serviços, tendo em vista a apresentação das notas fiscais e conciliação dos pagamentos com os lançamentos contábeis. Não há, portanto, razões para reforma da glosa ora afastada. Itens 6 Conta 34103030 Comissões s/ Operações Financeiras ME glosa de R$17.024.053,65 Conforme consta no Termo de Intimação Fiscal de 28/06/2016 (TIF2), foi selecionada amostra de 4 lançamentos da conta em questão, com valores relevantes, para que a Recorrente apresentasse documentação capaz de comprovar a existência e a natureza das despesas. Em resposta datada de 10/11/2016 (R16), a contribuinte, além de detalhar aspectos das operações, anexou os correspondentes contratos de câmbio que suportaram os lançamentos contábeis na conta analisada. Nesse contexto, a DRJ entendeu que: A partir dos contratos de câmbio apresentados (fls. 1620/1652, nos anexos à Impugnação) podese identificar uma série de informações, tais como: partes contratantes, valores em moeda estrangeira e moeda nacional, natureza da operação, corretor, forma de pagamento (normalmente, débito em conta corrente bancária), taxas envolvidas. Já os Registros de Operações Financeiras ROF, constantes do Siscomex, revelam operações de importação, empréstimos e títulos (fls. 1606 e ss). [...]. Entendemos, portanto, que com os contratos de câmbio e demais informações trazidas na resposta de 10/11/2016 e na Impugnação, ficam comprovados os pagamentos selecionados na amostra inicial e estão delineadas as suas características principais, incluindo a natureza das operações e as pessoas envolvidas. Registrese que na autuação não foi cogitada a realização de operações com pessoas ligadas e os valores confirmados representam uma amostra de 97% dos valores lançados nesta conta contábil. Pelo exposto, fica revertido integralmente o lançamento de glosa nesta conta, no valor de R$ 17.024.053,65. Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 13 12 Concordo com esse racional, considerando correto o afastamento da glosa. Item 7 Conta 34103040 Comissões s/ Operações Financeiras Moeda Nacional glosa de R$3.295.591,10 A fiscalização selecionou o lançamento mais relevante da conta contábil em questão, para que a empresa intimada apresentasse documentação capaz de comprovar a existência e a natureza da despesa, o que foi feito por meio de contrato de câmbio e demais registros. Para a DRJ: A partir do contrato de câmbio apresentado (fls. 1649/1651, nos anexos à Impugnação) podese identificar uma série de informações, tais como: partes contratantes, valores em moeda estrangeira e moeda nacional, natureza da operação, corretor, forma de pagamento (normalmente, débito em conta corrente bancária), taxas envolvidas. Entendemos, portanto, que com o contrato de câmbio, o Registro de Operações Financeiras ROF e demais informações trazidas na resposta de 10/11/2016 e na Impugnação, fica comprovado o pagamento e estão delineadas as suas características principais, incluindo a natureza das operações e as pessoas envolvidas. Pelo exposto, fica revertido o lançamento de glosa nesta conta, no valor de R$ 3.295.591,10. De fato, uma vez comprovada a efetividade do serviço que deu suporte a comissão, e uma vez demonstrado o respectivo pagamento, a despesa realmente é dedutível. Item 8 Conta 33116050 Despesas de viagens glosa de R$ 12.931.076,69 Na conta de "despesas de viagens" a autoridade diligenciante, seguida pela DRJ, afastou apenas o montante de R$ 36.635,00 do total glosado. Isso porque foi considerado que apenas as viagens de mudança residencial de determinado funcionário, de R$ 19.700,00, e para a participação de Workshop de Comunicação, no montante de R$ 16.935,00, que guardavam pertinência direta com as notas fiscais dos serviços, foram de fato comprovadas. Nenhum reparo cabe à decisão recorrida, que corretamente entendeu que esses dois lançamentos correspondem à despesas necessárias comprovadas. Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 14 13 Item 9 Conta 33116030 Comunicações glosa de R$9.421.973,29 A DRJ acatou o resultado da diligência, que foi favorável ao cancelamento integral da glosa referente ao presente item, uma vez que somente após a defesa a Recorrente teria demonstrado que as faturas relativas aos pagamentos pelos serviços que são registrados na conta contábil em destaque teriam sido emitidos para empresa por ela sucedida. Nesses termos, concluiu a autoridade fiscal que "a impugnante trouxe novos esclarecimentos e documentos, que por amostragem, indicam que são hábeis para comprovar a dedutibilidade da conta de despesa aqui analisada". Em linhas gerais, são pagamentos para a Embratel, por serviços de comunicação, que realmente são despesas operacionais devidamente comprovadas. Item 12 Conta 33107010 Serviços Assistência e Consultoria Empresarial glosa de R$ 14.926.098,37 A DRJ, em conformidade com o resultado da diligência, afastou parcialmente a glosa, mais precisamente no montante de R$ 5.822.063,99, montante este composto dos seguintes "itens aceitos": 12.1. comprovação do pagamento por serviços de construção de determinada linha de transmissão, no valor de R$ 881.395,29, conforme nota fiscal que foi apresentada; 12.2. comprovação de estornos (3 lançamentos contábeis), nos valores de R$ 1.580.708,44, R$ 878.063,00 e de R$ 536.200,00, que não impactaram o resultado; 12.3. comprovação do pagamento por serviços de engenharia (montagem mecânica) executado pela empresa Tecnomont Montagens, no valor de R$ 878.063,00, conforme atestam a nota fiscal e pedido de compra que detalha a operação; 12.4. pagamento de R$ 536.150,00, para a empresa Escavasul Construções, a título de aterro, topografia e escavação, conforme nota fiscal, pedidos de compra e propostas; e 12.5. contratação de serviços de terraplanagem, pelo valor de R$ 531.484,26, pagos a empresa De Amorim Construtora, conforme descritos em pedidos de compra e nota fiscal. Como se percebe, os serviços realmente correspondem a gastos necessários às atividades da Recorrente, razão pela qual a glosa de fato deve ser cancelada. Parcelas de custos conta 33101226 Fretes MI entre filiais/unidades glosa de R$ 212.651.350,93 Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 15 14 A DRJ e a diligência, adotando postura extremamente rigorosa, afastaram a glosa de R$ 756.329,34 em face da comprovação dos dispêndios, na linha do item 2 acima, não merecendo esta conclusão nenhum reparo. Multa agravada A multa agravada (de 75% para 112,5%) aplicada em relação à infração das glosas de custos e despesas não comprovados foi afastada pela DRJ com base na seguinte motivação: De fato, confirmase em diversos pontos das intimações e reintimações, bem como do TVF, que a Votorantim ultrapassou os prazos concedidos e apresentou respostas parciais ou incompletas às requisições da autoridade fiscal, o que poderia ensejar o agravamento da multa de ofício. Por outro lado, verificase que o atendimento incompleto ou parcial para muitas das intimações foi repetidamente registrado pela intimada em suas respostas, sob a justificativa, entre outras, de representarem grande volume documental. Tal alegação, a princípio, é compreensível dado o porte da empresa e a sua dispersão territorial. Houve também várias solicitações para ampliação do prazo de atendimento. Devese levar em conta também que a fiscalizada entregou ao todo 18 respostas às 11 intimações feitas ao longo da ação fiscal, contendo esclarecimentos e acompanhadas de centenas de folhas com planilhas e documentos. Considerandose o período em que se concentraram as 10 intimações específicas de maio a dezembro de 2016 , foram 16 respostas, sendo a primeira em junho e a última em novembro do mesmo ano. Podese dizer aproximadamente que esses atendimentos se deram em média a cada 10 dias. Nesse cenário, não me parece justa a majoração da multa para 112,5% simplesmente por não ter o contribuinte apresentado toda a documentação comprobatória das despesas e custos declarados objeto das intimações. A fiscalização, quando agrava a multa de 75% para 112,5%, deve provar o embaraço à fiscalização, o que não se vislumbra nos autos, [...] Com efeito, "não atender" não é sinônimo de "mal atender". O campo de aplicação do agravamento da penalidade, pois, não contempla a hipótese de prestação deficitária ou insuficiente de documentos e esclarecimentos por parte dos contribuintes, o que , a meu ver, foi o que ocorreu na presente situação. Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 16 15 A falta de apresentação de determinado livro e/ou documentos da escrituração, o descumprimento de dada formalidade de registro/arquivo ou a não prestação de um determinado esclarecimento pontual, em um universo onde foram apresentados vários documentos solicitados e dezenas de respostas, por si só, não enseja o agravamento da multa de oficio. A fiscalização, a bem da verdade, se valeu de várias respostas fornecidas ao longo do procedimento fiscal para reforçar sua tese e, mais ainda, efetuou a glosa e adição a partir dos dados colhidos diretamente do contribuinte, que nunca embaraçou a fiscalização. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, a propósito, vem afastando o agravamento da multa quando não há prejuízos ao trabalho fiscal, conforme atesta a decisão abaixo. MULTA AGRAVADA ARTIGO 44, § 2º, LEI 9.430/96 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal. Na hipótese em que a fiscalização se vale de regra que admite o lançamento por presunção, a atitude do sujeito passivo tornase irrelevante para o deslinde do trabalho fiscal, de modo a tornar se inaplicável o agravamento da multa. (Acórdão n. 9202 004.290. Data de publicação: 17/08/2016) Nesse sentido, considero, assim como a DRJ fez, que o agravamento da multa de ofício é incabível, devendo ela ser reduzida de 112,5% para 75%. Multa qualificada Relativamente à multa qualificada (de 150%) aplicada sobre a parcela do IRPJ e CSLL relativa à adição dos pagamentos de PLR, a DRJ julgou por afastála em razão da ausência de caracterização de conduta dolosa por parte da Recorrente, adotando como razões de decidir o entendimento proferido na decisão de piso referente ao Auto de Infração de contribuições previdenciárias (processo 10314.722768/201623), que ora transcrevo: Em consonância com votos exarados em outros processos já manifestei minha posição de que a aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa de ofício, somente tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento anormal do sujeito passivo, seja no tocante ao dolo, conluio ou fraude, situações que, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior monta, com o fito de punir o infrator que assim age, extrapolando a Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 17 16 conduta do mero inadimplente, e desestimular novos procedimentos desta natureza. Conforme se depreende da legislação, para que a multa seja qualificada, é necessária a conduta dolosa por parte do agente. Ensina a Doutrina que “dolo ocorre quando o indivíduo age de máfé, sabendo das consequências que possam vir a ocorrer, e o pratica para de alguma forma beneficiarse de algo”. Assim, para que haja dolo deve haver a intenção de “burlar a lei”, enganando o próximo em proveito próprio ou alheio, o que, no meu sentir, não ocorre no caso concreto. A Lei 4.502/1964, nos artigos 71 a 73, tratou das situações caracterizadoras da ocorrência de sonegação, fraude e conluio. Dentre essas questões, há a exigência de ação ou omissão dolosa com finalidade de deixar de recolher o tributo ou fazêlo a menor, in verbis: [...] No presente caso não observo as hipóteses da legislação supratranscrita, que justifiquem a qualificação da multa aplicada. O fato de o contribuinte omitir informações na GFIP de pagamento efetuados a contribuintes individuais, pagar verbas que entende estarem inseridas no §9º do art. 28 da Lei 8.212/1991, portanto, excluídas de incidência, deixar de cumprir requisitos formais na execução dos Programas de PLR, sem a comprovação de subterfúgios com vistas a camuflar, dificultar o conhecimento destas condutas, não se traduz em dolo, mas, sim, conforme alegado, em entendimento jurídico diverso e em conseqüência em inadimplemento no pagamento. À situação, por analogia, entendo aplicável as mesmas regras de omissão de rendimentos ou receitas, os quais, por si só, não autorizam a qualificação da multa de ofício, pois se faz necessária a comprovação da intenção do sujeito passivo, ou seja, provas que configurem o dolo, como se verifica nas Súmulas CARF n.º 14 e 25, ora colacionados: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. “Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” [...] Assim, por todo o exposto, encaminho o voto no sentido de se julgar procedente em parte a impugnação, em face da exclusão da qualificação da multa de ofício, retificandoa para o percentual de 75% [...] conforme indicados no presente voto. Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 18 17 Nesse mesmo sentido, entendo incabível a qualificação da multa de ofício. 3. Recurso voluntário Da alegação de vícios no procedimento fiscal A Recorrente inicia seu recurso argüindo vícios do procedimento de fiscalização, notadamente em face do dever do fisco de se valer do arbitramento dos custos e despesas, nos termos do artigo 148 do CTN e dos artigos 529 e 530, I e II, do RIR/99, bem como em face do descumprimento do dever de busca da verdade material. Razão, porém, não lhe assiste. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 19 18 Os Autos de Infração foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito. Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Tal como determinado nesse dispositivo legal, os lançamentos têm como motivação a caracterização de ausência de comprovação de parte dos custos e despesas operacionais, bem como o não cumprimento das regras regulamentares do PLR. Nesses termos, a fiscalização entendeu que a Recorrente, mesmo possuindo contabilidade regular, não teria comprovado a totalidade dos custos e despesas que foram deduzidos fiscalmente, bem como que teria pago parcelas de PLR em desconformidade com seus requisitos, o que, no seu entender, teria o efeito de perder o direito de dedutibilidade. No exercício, então, de sua atividade plenamente vinculada, a fiscalização cumpriu seu dever de, após identificar esses fatos, efetuar a glosa de dispêndios e adição dos valores de PLR e daí constituiu o crédito tributário correlato. A descrição dos motivos de fato e de direito caracterizadores das infrações, ademais, está clara, explícita e congruente no TVF, permitindo o pleno conhecimento da lide e o julgamento do recurso voluntário, sem qualquer prejuízo a ampla defesa ou a busca pela verdade material. Não procede, assim, a alegação de que a autoridade autuante deveria ter se valido do arbitramento do lucro, sob pena de macular o lançamento. Isso porque o arbitramento constitui método de tributação facultativo e aplicável em face de impossibilidade de apuração direta do lucro, o que não se fez presente nessa situação. Não custa repetir, aqui, que a origem dos tributos lançados de ofício tem por fundamento a glosa de custos e despesas escriturados pelo contribuinte. Nesse contexto, chama atenção o fato que restou consolidado na jurisprudência administrativa que não cabe ao contribuinte postular o arbitramento como matéria de defesa, visto que esse recurso é posto apenas a serviço da Fazenda Pública como instrumento de salvaguarda do crédito tributário. Vejase alguns julgados nesse sentido: Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 20 19 PROCEDIMENTO FISCAL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA E ARBITRAMENTO DE LUCROS Sendo a aplicação desses instrumentos prerrogativa da Fazenda Pública como salvaguarda do crédito tributário, não pode o contribuinte reclamar a aplicação para furtarse ao pagamento do justo valor do imposto. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na DIPJ, constitui omissão de receita passível de tributação. (Acórdão n. 1103000.823. Data da decisão: 06/03/2013). PROCEDIMENTO FISCAL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA E ARBITRAMENTO DE LUCROS Sendo a aplicação desses instrumentos prerrogativa da Fazenda Pública como salvaguarda do crédito tributário, não pode o contribuinte reclamar a aplicação para furtarse ao pagamento do justo valor do imposto. (Acórdão n. 1401001.410. Data da decisão: 05/03/2015). Correta, portanto, a decisão de piso quando assim se manifesta: É notório que a Votorantim é uma empresa de grande porte, que possui estrutura complexa e que está presente em diversas localidades. Tudo isso torna sua administração, incluindo o controle contábil e documental, tarefa de grande monta. Por outro lado, esperase que tal empresa possua controles e logística compatíveis com seu porte, além de quadro funcional condizente com suas necessidades de gestão. Devese considerar ainda que, nos trabalhos de auditoria fiscal, os documentos devem ser buscados conforme seleção feita pela autoridade fiscal, principalmente quando a base de pesquisa são os lançamentos contábeis elaborados pela fiscalizada, pois os documentos requisitados se constituem no fundamento dos seus próprios registros contábeis. [...] Ademais, a contrario sensu do disposto nos arts. 923 e 924 do RIR/992, o ônus da prova recai sobre o contribuinte quando sua escrituração está em desacordo com as normas legais ou desamparada de documentação hábil segundo o tipo de transação. Ao ensejo: [...] Nesse contexto, quanto à alegada dificuldade em atender às intimações e reintimações, observase que os documentos requisitados na presente auditoria fiscal pertencem principalmente ao anocalendário 2011, e que a maior parte das Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 21 20 intimações ocorreram ao longo do ano de 2016, ou seja, 5 (cinco) anos após os fatos contábeis e fiscais a que se referem. Além disso, os prazos concedidos pela fiscalização atenderam ao disposto no art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, com a redação dada pelo art. 71 da MP nº 2.15835/2001, que assim dispõe: [...] Em suma, a interessada teve, nesta ação fiscal, aproximadamente 7 (sete) meses para prestar esclarecimentos específicos quanto às intimações até a lavratura das autuações (de maio/2016 a dezembro/2016), pôde juntar documentos durante 1 (um) ano (de maio/2016 a maio/2017) e exerceu seu direito de defesa por 16 (dezesseis) meses (de maio/2016 a setembro/2017). [...] Dessa forma, para que as despesas e custos sejam dedutíveis na apuração do lucro tributável, devem ser apresentados elementos convincentes da efetividade das operações a que se referem, constantes da escrituração contábil e fiscal da empresa. São os livros fiscais e contábeis (e os documentos que lhes dão suporte), mantidos pela contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido para a busca da verdade material. É essencial informar a natureza dessas despesas e custos, especialmente no caso da prestação de serviços, e a sua relação com as operações exigidas pelas atividades da empresa, com elementos incontestáveis de que o serviço foi realmente prestado. Especificamente quanto ao critério de amostragem adotado pelo auditor fiscal responsável pelo lançamento que considerou os maiores lançamentos da conta contábil objeto de auditoria e que foi tido por falacioso e violador da verdade material pelo contribuinte entendo que revelase razoável, segue a praxe de auditoria de empresas de grande porte e não enseja nenhuma nulidade da autuação propriamente dita. A legitimidade do critério empregado, na verdade, será aferido no contexto de cada uma das glosas efetuadas, devendo levar em conta o número de lançamentos abrangidos, a complexidade das operações e a valoração entre a prova exigida e aquela apresentada, o que será feito em seguida para cada uma das glosas mantidas. Feitas essas considerações, afasto os vícios apontados pelo contribuinte e passo a analisar a procedência ou não das glosas remanescentes. Fretes Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 22 21 Esse é o tópico que provocou maior ajuste e diz respeito à conta da despesa (item 2) no 33111078 Fretes MI Empr/Cliente (NAC), que ensejou a glosa de R$101.953.710,80, dos quais apenas o montante de R$ 840.275,06 foi considerado comprovado, bem como aos custos registrados na conta 33101226 Fretes MI entre filiais/unidades, que ensejou a glosa de R$ 212.651.350,93, dos quais apenas R$ 756.329,34 foram considerados comprovados. Durante a fiscalização, foram selecionados determinados lançamentos de cada uma das contas em questão e, em nova intimação, os 50 maiores lançamentos também de cada conta, tendo sido exigido do contribuinte a comprovação dos dispêndios ali contabilizados por meio de apresentação dos documentos fiscais (fatura e conhecimento de transporte) conciliados com os registros contábeis e respectivos pagamentos. Em relação à conta de despesa, o TVF conclui que: 53. Dos lançamentos inicialmente selecionados não foram apresentados diversos comprovantes de pagamentos e qualquer documento fiscal (Notas fiscais/Conhecimentos de Transporte/Faturas/Contratos de prestação de serviços, etc.). 54. Não foi apresentada a documentação para os 50 maiores lançamentos. 55. Não foi apresentada a listagem contendo o valor, data, nome e CNPJ dos prestadores dos serviços contendo o número da nota fiscal/fatura/conhecimento com os totais dos valores pagos durante todo o anocalendário 2011 nas contas em análise, totalizados por fornecedor, ou seja, uma listagem anual de pagamento por transportador. 56. Não foi informado o motivo pelo qual não poderia fornecer a listagem contendo os prestadores e montantes que compuseram suas despesas. 57. Conforme comunicado ao sujeito passivo que o aqui solicitado era uma amostragem, e diante de uma nova e possível solicitação de novos elementos, foi solicitado que o sujeito passivo deixasse, e informasse a esta fiscalização, a disponibilidade dos demais documentos que materializem a origem das despesas dos demais lançamentos. Tal solicitação não foi atendida. 58. Assim, conforme o aqui discorrido, constatado e comprovado, temos que o sujeito passivo não atendeu ao solicitado, deixando assim de comprovar a existência e a dedutibilidade da despesa. [...] 61. Desta forma, por tudo aqui exposto, a despesa utilizada no valor de R$ 101.953.710,80, oriunda da conta: 33111078 Fretes MI Empr/Cliente (NAC), está sendo glosada por não Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 23 22 apresentação de documentação que comprovasse sua existência e dedutibilidade. Já para a conta de custos com fretes, alega o fisco no TVF que: 428. Dos lançamentos inicialmente selecionados não foram apresentados diversos comprovantes de pagamentos e qualquer documento fiscal (Notas fiscais/Conhecimentos de Transporte/Faturas/Contratos de prestação de serviços, etc.). 429. Não foi apresentada a documentação para os 50 maiores lançamentos. 430. Não foi apresentada a listagem contendo o valor, data, nome e CNPJ dos prestadores dos serviços contendo o número da nota fiscal/fatura/conhecimento com os totais dos valores pagos durante todo o anocalendário 2011 nas contas em análise, totalizados por fornecedor, ou seja, uma listagem anual de pagamento por transportador. [...] 436. Desta forma, por tudo aqui exposto, o custo apropriado no valor de R$ 212.651.350,93, oriundo da conta: 0033101226 Fretes MI entre filiais/unidades, está sendo glosado por não apresentação de documentação que comprovasse sua existência e dedutibilidade. Após apresentação de defesa, petição complementar pelo contribuinte, planilhas analíticas e documentos relacionados aos fretes, a glosa foi afastada após a realização de diligência determinada pela DRJ apenas nos valores acima indicados, tendo em vista que somente aqueles montantes foram rigorosamente comprovados por meio de todos os documentos fiscais pertinentes conciliados com os pagamentos e contabilidade. A DRJ acolheu esse entendimento, tecendo os seguintes comentários para a conta de despesas com fretes objeto de glosa: Passase agora à análise do conjunto de informações e documentos juntados aos autos e relacionados com a presente conta, sobre os quais teceremos comentários de maneira geral: · Na documentação anexada à resposta de 10/08/2016, os comprovantes de pagamento são de datas e valores diferentes do contabilizado e não se apresentou nenhum documento fiscal e nenhuma conciliação. Intimada e reintimada a esclarecer os fatos, nada foi apresentado ou informado. Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 24 23 · Quanto à planilha referente aos 50 maiores lançamentos, anexada à resposta datada de 03/11/2016, verificase que, além de dados básicos tais como nomes, CNPJ dos prestadores de serviço e número dos conhecimentos de transporte, nada mais foi trazido. Tampouco houve conciliação contábil. · Não foi apresentada a listagem contendo valor, data, nome e CNPJ dos prestadores dos serviços, apesar de intimada e reintimada para tanto. · Para a documentação que atendeu aos requisitos básicos em síntese, aquela que permitiu conciliação contábil e confirmação da efetividade da prestação do serviço houve sua aceitação como dedutível. Importante aqui repetir as afirmações da interessada na Manifestação sobre o Relatório de Diligência Fiscal: 6. [...] se o AFRFB aceitou que a documentação anexada por amostragem justificava a dedutibilidade das despesas – cancelou integralmente o Item 1 33111014 – Outros Fretes – R$1.869.222.27, e parte dos Itens 233111078 – Fretes MI – Empr/Cliente (NAC) – R$101.953.710,80 e 16 33101226 – Fretes MI entre filiais/unidades – R$212.651.350,93 , deveria ter cancelado a integralidade dessas absurdas exigências [sic]". A respeito das afirmações acima, devese levar em conta, por primeiro, que a fiscalizada apresentou documentos que representam uma amostra de 67% do saldo total da conta 33111014 Outros Fretes, e, em segundo, que neste caso houve conciliação contábil e foi possível a confirmação da efetividade dos fatos. Estas foram, em síntese, as razões para comprovar a dedutibilidade do total dos valores escriturados na conta 33111014. Por outro lado, além de tudo o que já se disse sobre as lacunas documentais e a insuficiência das informações, a documentação apresentada para a presente conta que pôde ser aceita como dedutível equivale a uma amostra de 0,8%, isto é, menos de 1% do saldo total desta conta. Estas são, em síntese, as razões para não se aceitar a dedutibilidade da quase totalidade dos valores lançados na conta em questão. Vale repisar que, nos trabalhos de auditoria fiscal, os documentos devem ser buscados conforme seleção feita pela autoridade fiscal, principalmente quando a base de pesquisa são os lançamentos contábeis elaborados pela fiscalizada, pois os documentos requisitados se constituem no fundamento dos seus próprios registros contábeis. Como já se demonstrou neste voto, não houve excessos nem prazos exíguos nas intimações; ao contrário, os lançamentos foram selecionados por amostragem e houve sucessivas prorrogações de prazo. A interessada teve, nesta ação fiscal, aproximadamente 7 meses para prestar esclarecimentos Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 25 24 específicos quanto às intimações até a lavratura das autuações (de maio/2016 a dezembro/2016), pôde juntar documentos durante 1 ano (de maio/2016 a maio/2017) e exerceu seu direito de defesa por 16 meses (de maio/2016 a setembro/2017). Dessa forma, não justificam o não atendimento às intimações as alegações da impugnante quanto à dificuldade de se localizar a documentação. Vêse, portanto, que o atendimento por parte da Votorantim foi parcial e insuficiente para comprovar a dedutibilidade das despesas na quase totalidade dos lançamentos e valores envolvidos. Mesmo após a análise da Impugnação de 13/01/2017, do Requerimento Complementar de 22/05/2017 e também da Manifestação sobre o Relatório de Diligência em 06/09/2017, não se identificou documento ou esclarecimento que permitisse embasar, dentre os valores lançados, sua aceitação enquanto despesa ou custo dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Registrese ainda que a amostragem de lançamentos inclui valores relevantes, o que, por consequência, leva à necessidade de se manter documentação de suporte compatível com a sua importância (é dever de toda empresa observar as leis comerciais e fiscais, e conservar em boa ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade e que serviram de base para a escrituração, como preceituam os artigos 251 e 264 do RIR/99). Como já se consignou neste voto, para que a despesa e o custo sejam dedutíveis para fins tributários ou na apuração do lucro tributável, é necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, especialmente no caso da prestação de serviços. É essencial informar a natureza dos mesmos e a sua relação com as operações exigidas pelas atividades da empresa, com elementos incontestáveis de que o serviço foi realmente prestado. A dedutibilidade de uma despesa deve ser aferida principalmente à luz do art. 299 do RIR/99, de modo que não são dedutíveis do lucro tributável quaisquer despesas, pois é imprescindível para dedução que a despesa preencha os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade, os quais estão relacionados com a atividade da pessoa jurídica. Mantémse, portanto, a glosa dos valores contabilizados nesta conta, no valor de R$ 101.113.435,74. Para a glosa dos custos com fretes, a DRJ se vale da mesma motivação, apresentando como diferença apenas o percentual da parcela que foi considerada comprovada em relação ao total lançado, nos seguintes termos: Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 26 25 [...]além de tudo o que já se disse sobre as lacunas documentais e a insuficiência das informações, a documentação apresentada para a presente conta que pôde ser aceita como dedutível equivale a uma amostra de 0,4%, isto é, menos de 1% do saldo total desta conta. Estas são, em síntese, as razões para não se aceitar a dedutibilidade da quase totalidade dos valores lançados na conta em questão. No recurso voluntário, a Recorrente sustenta que "merece reforma a decisão, tendo em vista que a avaliação da prova produzida nos autos é falha por três razões principais: (i) porque ignora que os custos e despesas são de existência necessária da atividade desenvolvida; (ii) porque adota amostragem enviesada e insuficiente; (iii) porque deixa de buscar meios alternativos e adicionais de prova, ante a documentação parcialmente apresentada pela Recorrente". Com relação ao item (i) a Recorrente anexa laudo contábil (fls. 2.866/2.919) que evidencia, em resumo, a necessidade dos dispêndios com fretes em sua atividade fim (venda de cimentos), considerando os valores que teriam sido por ela gastos a esse título compatíveis com o setor de pessoal de logística e até menores daqueles praticados no mercado. Além disso, o laudo ainda atesta a existência de uma relação linear dos montantes registrados sob esta rubrica com a receita líquida, o que demonstraria que o total lançado na contabilidade e deduzido fiscalmente seria no mínimo razoável. No que concerne ao item (ii) a Recorrente reitera que a amostragem que se valeu o fisco não é representativa, sendo a conclusão pela glosa infundada e não suportada pelas próprias premissas. Aduz, assim, que "se a Recorrente tivesse apresentado um único documento que comprovasse 51% do valor das suas despesas ou custos com frete, a autoridade fiscal teria, por amostragem, aceito toda a escrituração desta conta. No entanto, como a Recorrente apresentou milhares de documentos, os quais, em conjunto, permitiram comprovar, respectivamente, apenas 0,8% e 0,4% do montante total dos lançamentos registrados em cada uma dessas contas, a autoridade fiscal não permitiu a dedução da integralidade dos valores nelas registrados". No item (iii), relata a Recorrente que caberia ao fisco ter buscado informações adicionais ou complementares para a determinação da efetiva ocorrência de tais operações, afinal considerou que os documentos apresentados não seriam suficientes para a comprovação da efetiva prestação dos serviços de frete. Nas suas palavras: 2.2.3.18 A autoridade fiscal solicitou a apresentação de planilha contendo indicação de valores, datas, nomes, números de CNPJ, notas fiscais, conciliadas com alguns conhecimentos de transporte e valores pagos no exercício de 2011, discriminados por prestador de serviços. Quanto à esta solicitação, a Recorrente apresentou duas planilhas contendo o nome e o número de CNPJ dos prestadores de serviço e o número do conhecimento de transporte, relativamente aos cinquenta maiores lançamentos de cada conta contábil (fls. 997/1002 dos Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 27 26 autos), conforme consta, por exemplo, na planilha da Conta nº 33101226: [...] 2.2.3.19 Além da planilha, a Recorrente também apresentou diversos comprovantes dos pagamentos efetuados e juntou inúmeros documentos contendo (i) o número das notas fiscais da prestação do serviço de frete; (ii) o nome e CNPJ/CPF do contratado; (iii) o valor do frete; (iv) o plano de viagem; e (v) o número do documento de transporte (fls. 15191605; 17861856; 17861914 dos autos). Ainda assim, apesar de todos os documentos e esclarecimentos prestados, a autoridade fiscal entendeu que os custos e despesas com frete não seriam dedutíveis pela empresa e, apesar de ter informações suficientes para dar prosseguimento ao processo fiscalizatório, procedeu à glosa dos referidos valores. Finalmente, e especificamente em relação à falta de apresentação da maioria dos documentos fiscais relativos aos fretes incluídos na amostragem e, mais ainda, da imperfeição de conciliação dos pagamentos com a contabilidade, a Recorrente esclarece que atendeu a intimação, fornecendo a documentação que estava na sua posse á época, afinal ela possuiria estabelecimentos "espalhados" no Brasil, reconhecendo, porém, que não foi fornecido a totalidade dos documentos solicitados, mas amostragem considerável que não poderia ter sido desprezada. É dentro desse contexto, que passo a analisar a legitimidade da glosa de cada uma das contas relativas aos fretes. Despesas de fretes para clientes (conta 33111078) De acordo com os elementos constantes dos autos, parece não haver dúvidas de que despesas com fretes realmente são necessárias para a Recorrente. O que se discute neste tópico, porém, não é a necessidade da despesa, mas sim se elas foram comprovadas nos termos do artigo 299 do RIR/99, artigo este que, conforme visto anteriormente, está direcionado justamente às despesas necessárias não computadas nos custos. E a resposta, de acordo com o que restou demonstrado no TVF, Relatório de Diligência e decisão da DRJ, é negativa. A empresa, no que diz respeito ao controle documental da conta de despesa com fretes para clientes, apresentou apenas informações genéricas, notadamente através de uma planilha interna global de cunho gerencial, mas não disponibilizou a documentação fiscal pertinente que permita confrontar os respectivos pagamentos com a contabilidade. Notase, aqui, que não estamos diante de uma exigência de prova para milhares de operações, mas a fiscalização se concentrou nos 50 maiores lançamentos e, em face de não ter sido atendida de forma eficiente, atestou que não há um controle documental rigoroso sobre eles e daí concluiu pela indedutibilidade. Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 28 27 Com efeito, a comprovação do que suporta o registro contábil, ainda mais nesse contexto, no qual a fiscalização atestou existir divergência de valores dos pagamentos com a conta contábil de despesa, registros zerados e exemplos de lançamentos que não dizem respeito a presente conta, constitui elemento essencial para a dedução enquanto despesa operacional. A lei não permite, como parece fazer crer o Recorrente, que a dedução de despesas do Lucro Real seja feita apenas com base na lógica da necessidade do gasto ou em face de uma proporcionalidade razoável do dispêndio frente à receita da atividade. Isso porque, conforme visto acima, o artigo 299 impõe um requisito legal adicional para a dedutibilidade de despesas tidas por operacionais, qual seja, a sua efetiva comprovação, devendo esta ser feita pelo contribuinte com base em documentos de suporte hábeis e idôneos. Considerando que as despesas operacionais têm o condão de reduzir o lucro líquido e, por conseqüência, o IRPJ e CSLL devidos, cabe ao contribuinte comproválas de forma irrefutável. E se assim não o fizer, o direito de dedução milita em seu desfavor. Ainda que se reconheça que os gastos com fretes aos clientes são necessários às atividades da Recorrente e, mais ainda que os valores por elas contabilizados sob esta rubrica sejam factíveis no contexto operacional, o fato é que o presente Julgador está vinculado ao critério de comprovação de despesas previsto em lei. Para fazer jus a dedução das despesas de fretes, mister que a Recorrente comprovasse, mediante documentos fiscais (faturas e/ou conhecimentos de transporte) conciliados com os pagamentos e registros contábeis, ao menos os "principais" valores lançados na conta contábil utilizadas para esse fim. O ônus dessa prova, repitase, é do próprio contribuinte, e não de terceiro. Essa exigência não implica em um formalismo exacerbado ou de uma prevalência da forma sobre a essência econômica do negócio praticado, mas é proveniente de um comando legal objetivo que não pode ser ignorado. Acerca do critério de amostragem eleito de exigir os comprovantes analíticos dos 50 maiores lançamentos da conta a meu ver ele é razoável e até mesmo natural, afinal estamos diante de milhares de lançamentos. Reportome, nesse ponto, ao que prescrevem os itens 3 e 4 do Parecer Normativo CST nº 10, de 28/01/1976, que assim dispõem sobre a forma de comprovação de despesas operacionais: [...] 3. A comprovação dessas despesas, qualquer que seja sua natureza, há de ser feita com os documentos de praxe, isto é, recibos, notas fiscais, canhotos de passagens, etc., desde que a lei não impõe forma especial. O importante é serem de idoneidade indiscutível. 4. Pode ocorrer, todavia, o fato de a despesa ser de pequeno valor e, ocasionalmente, de difícil comprovação. Nesse caso, essa despesa poderá ser tida como acessória, admissível ante a Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 29 28 razoabilidade e comprovação das principais, a juízo da autoridade fiscal Feitas essas considerações, entendo que a falta de apresentação de grande parte das informações solicitadas acerca das despesas com fretes, da não apresentação das notas fiscais para os 50 maiores lançamentos e da ausência de conciliação da contabilidade com os pagamentos fazem concluir que não houve comprovação do direito de deduzir os valores ali registrados. Custo de fretes internos (conta 33101226) Em primeiro lugar, cumpre reiterar que o artigo 299 do RIR/99 base legal da autuação não está dirigido aos custos, conforme visto acima. A norma de dedutibilidade ali prevista é clara ao se dirigir às despesas não computadas no custo. Nesse caso concreto, a contabilidade de custos da Recorrente nunca foi colocada em xeque, o que leva a tomála como verdadeira e capaz de produzir efeitos, na linha do que prescrevem os artigos 923 e 924 do RIR/99, in verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.. Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior. Valendose, aliás, de julgado do CARF reproduzido pela própria decisão recorrida: A ciência contábil é formada por uma estrutura única composta de postulados e orientada por princípios. Sua produção deve ser a correta apresentação do patrimônio, com apuração de suas mutações e análise das causas de suas variações. A apuração contábil observará as três dimensões na qual está inserida e as quais deve servir: comercial a Lei 6404/1976; contábil Resolução 750/1992 e fiscal, que implica em chegar ao cálculo da renda, obedecendo a critérios constitucionais com fins tributários. A regência da norma jurídica originária de registro contábil tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil sob forma legal e um fato jurídico imposto legal e prescritivamente. Feito o registro contábil, como determina a lei, tornase norma jurídica individual e concreta, observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 30 29 a favor do sujeito passivo. Caso contrário, faz prova contra. [Ac. CC 10807.616, de 03/12/2003. Grifei] A essencialidade de custos com fretes na atividade produtiva da Recorrente produção e venda de cimentos , aliás, é natural, lógica e restou caracterizada. Conforme se extrai do laudo contábil já referido, esses fretes registrados como custos dizem respeito "a transferência de um produto final para outra unidade ou filial, como por exemplo, de uma fábrica para um centro de distribuição", sendo os valores praticados a este título no ano de 2011 até mesmo menores do que os praticados no mercado. Ademais, por ocasião da defesa e seu complemento, foram sim apresentadas planilhas destacando, também por amostragem, determinadas operações de fretes realizadas no período, documentos internos demonstrando a existência e realização de diversas operações (inclusive contendo o itinerário dos caminhões e a identificação dos respectivos prestadores de serviços), além de vários comprovantes de pagamentos aos transportadores (por exemplo: fls. 997/1002, 1.564/1.605, 1.857/1.914) que integraram o custo. Dos quadros reproduzidos no Relatório de Diligência, a propósito, notase que o contribuinte teria apresentado documentação (amostragem) para 16 (dezesseis) operações, dos quais 11 (onze) acabaram sendo aceitas e consideradas comprovadas. Tal fato revela, quando menos, que a amostragem do contribuinte infirma a amostragem da fiscalização, evidenciando um vício material na quantificação da glosa desse item. Posto isso, no que diz respeito aos fretes: (i) mantenho a glosa da despesa relativa ao item 2 (conta no 33111078 Fretes MI Empr/Cliente (NAC), no montante de R$ 101.113.435,74; e (ii) afasto a glosa de R$ 211.895.021,59 mantida pela DRJ em relação à conta de custo no 33101226 Fretes MI entre filiais/unidades. Item 3 Conta 33401010 Ajuste Físico/Fiscal glosa de R$26.336.966,05 A justificativa apresentada pela Recorrente em relação aos valores registrados na conta em questão é singela e carente de comprovação, razão pela qual concordo com as razões da DRJ para manutenção da glosa, vazadas nos seguintes termos: Pelo exposto, mesmo após a análise dos esclarecimentos apresentados junto à Impugnação, não se identificou documento ou justificativa que permitisse embasar a aceitação dos valores em questão enquanto despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. As informações apresentadas não são suficientes, por si sós, para comprovar a origem, a natureza e a materialidade desses valores. Não houve anexação de nenhum documento ou informação de terceiro que pudesse permitir alguma forma de confirmação independente ou de circularização. Vale repetir Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 31 30 ainda que esta conta não foi localizada no plano de contas nem no balancete extraído do SPEDContábil. Registrese ainda que é dever de toda empresa observar as leis comerciais e fiscais, e conservar em boa ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade e que serviram de base para a escrituração, como preceituam os artigos 251 e 264 do RIR/99. Itens 4 Conta 33116130 Despesas Eventuais glosa de R$20.614.572,88 e 5 Conta 36101070 Despesas Eventuais glosa de R$3.699.587,26 Como bem observou a decisão recorrida: [...] não se identificou documento ou justificativa que permitisse embasar a aceitação dos lançamentos em questão enquanto despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. As planilhas, telas de sistema e informações apresentadas não são suficientes, por si sós, para comprovar a origem, a natureza e a materialidade desses lançamentos. Não houve anexação de nenhum documento ou informação de terceiro que pudesse permitir alguma forma de confirmação independente ou de circularização. Nesse sentido, as glosas desses itens devem ser mantidas. Item 8 Conta 33116050 Despesas de viagens glosa de R$ 12.931.076,69 Conforme visto no tópico do "recurso de ofício", restou comprovada parcela de R$ 36.635,00, sendo os demais valores registrados nessa conta contábil considerados indedutíveis em face da não comprovação dos dispêndios. Mais precisamente, assim decidiu a autoridade julgadora de primeira instância: Na documentação anexada à resposta de 10/08/2016 (fl. 775), alguns dos TEDs possuem valor diferente do escriturado e nenhuma conciliação foi apresentada. Intimada e reintimada a esclarecer os fatos, nada foi apresentado ou informado. Quanto à planilha referente aos 50 maiores lançamentos, anexada à resposta datada de 13/10/2016 (Doc. 01 fl. 909), observase que para a maior parte dos dados não veio Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 32 31 acompanhada de nenhum comprovante de desembolso nem de documentos que atestem que as despesas foram realizadas e efetuadas a serviço, e para as necessidades da empresa. Nos documentos que acompanharam a planilha citada acima Doc. 02 a 12 (fls. 910/920), constatase que não houve comprovação do vínculo das pessoas descritas nem demonstração do motivo ou finalidade dos desembolsos. Em alguns, falta o CNPJ da empresa tomadora ou a discriminação do serviço está ilegível, ou ainda não há comprovante de pagamento. As planilhas da Walhalatur e papéis relacionados (Doc. 03 a 05 fls. 911/914), trazem apenas o nome da pessoa física e o valor. A Impugnação trouxe mais informações e documentos (Doc. 08 a 11 fls. 1739/1752) que, excetuandose aqueles que foram capazes de atender aos critérios de dedutibilidade (Doc. 10 e 11), não acrescentaram nenhum novo elemento nem houve demonstração da finalidade do gasto. Por fim, quanto ao fato de alguns dos documentos apresentados se reportarem à Votorantim Cimentos Brasil S.A., CNPJ nº 96.824.594/000124, sabese que esta empresa foi incorporada pela fiscalizada Votorantim Cimentos S.A., CNPJ nº 01.637.895/000132, mas, mesmo que passíveis de aceitação como despesas da incorporadora, não possuem os requisitos de dedutibilidade do lucro tributável, pois as faturas não discriminam quais foram os serviços prestados, nenhuma documentação auxiliar foi apresentada e os memoriais contém apenas a conta e o nome das pessoas físicas. Vêse, portanto, que o atendimento por parte da Votorantim foi parcial e insuficiente para comprovar a dedutibilidade das despesas na quase totalidade dos lançamentos e valores envolvidos (excetuamse apenas os documentos relacionados com os valores de 19.700,00 e 16.935,00). Mesmo após a análise da Impugnação de 13/01/2017, do Requerimento Complementar de 22/05/2017 e também da Manifestação sobre o Relatório de Diligência em 06/09/2017, não se identificou documento ou esclarecimento que permitisse embasar, dentre os valores lançados, sua aceitação enquanto despesa ou custo dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Registrese ainda que a amostragem de lançamentos inclui valores relevantes, o que, por consequência, leva à necessidade de se manter documentação de suporte compatível com a sua importância (é dever de toda empresa observar as leis comerciais e fiscais, e conservar em boa ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade e que serviram de base para a escrituração, como preceituam os artigos 251 e 264 do RIR/99). Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 33 32 Como já se consignou neste voto, para que a despesa e o custo sejam dedutíveis para fins tributários ou na apuração do lucro tributável, é necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, especialmente no caso da prestação de serviços. É essencial informar a natureza dos mesmos e a sua relação com as operações exigidas pelas atividades da empresa, com elementos incontestáveis de que o serviço foi realmente prestado. A dedutibilidade de uma despesa deve ser aferida principalmente à luz do art. 299 do RIR/99, de modo que não são dedutíveis do lucro tributável quaisquer despesas, pois é imprescindível para dedução que a despesa preencha os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade, os quais estão relacionados com a atividade da pessoa jurídica. Mantémse, portanto, a glosa dos valores contabilizados nesta conta, no valor de R$ 12.894.441,69 De fato, tendo em vista a ausência de comprovação da natureza da viagem e, mais ainda, de sua vinculação às atividades empresariais, entendo correta a glosa. Item 10 Conta 33112045 Contribuições a Associações ND glosa de R$9.401.612,85 A decisão de primeiro grau não aceitou a dedutibilidade dos valores registrados nessa conta contábil, sob a premissa de que os pagamentos ao Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e para a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) não seriam necessários e, inclusive, vedados pela legislação (cf. art. 13, V, da Lei nº 9.249/95). Não concordo, porém, com esse entendimento. A meu ver tratamse de despesas necessárias no contexto dos negócios desenvolvidos pela empresa. Há, ao contrário do que decidiu a DRJ, um propósito econômico específico, qual seja, o aprimoramento e aferição de vantagens obtidos através da atuação de tais entidades de classe, que devem ser concebidas como representantes dos interesses do contribuinte. Afasto, contudo, a glosa proveniente desse item, até mesmo porque o critério de amostragem empregado sequer diferenciou as entidades beneficiárias e praticamente ignorou a atuação operacional dos beneficiários dos pagamentos. Item 11 Conta 33116183 Gastos com Projetos não Ativáveis glosa de R$5.900.098,30 Os gastos registrados nessa conta contábil não foram comprovados, razão pela qual não merece reforma a decisão de piso, que assim concluiu: Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 34 33 As duas planilhas anexadas à resposta de 20/07/2016 (fl. 769) vieram desacompanhadas de documentação e suas informações não possibilitam a compreensão dos fatos no sentido de comprovar a dedutibilidade dos valores. Na resposta de 13/10/2016, os documentos juntados apenas do "Projeto Dinamite" (fls. 923/927) contemplam, em síntese, formulários internos de solicitação de pagamento e correspondentes documentos bancários de arrecadação, e faturas com descrição genérica dos serviços tais como "honorários por serviços profissionais prestados" e "serviços de consultoria". Nada foi informado ou apresentado quanto ao lançamento correspondente à “Baixa de projetos de estudos e pesquisas”, no valor de R$ 3.317.210,36”. Quanto ao fato de alguns dos documentos apresentados se reportarem à Votorantim Cimentos Brasil S.A., CNPJ nº 96.824.594/000124, sabese que esta empresa foi incorporada pela fiscalizada Votorantim Cimentos S.A., CNPJ nº 01.637.895/000132, mas, mesmo que passíveis de aceitação como despesas da incorporadora, não possuem os requisitos de dedutibilidade do lucro tributável, pois as faturas contém descrição genérica dos serviços prestados e estão desacompanhadas de documentação auxiliar que permita comprovar a efetividade da prestação dos serviços, bem como a sua relação com as operações exigidas pelas atividades da empresa. Já detalhamos neste voto, no tópico "Da dedutibilidade das Despesas de Prestação de Serviços", quais são os requisitos para que essas despesas possam ser deduzidas na apuração do lucro tributável. Como vimos, no caso dos serviços de consultoria ou assessoria, é fundamental que a contratante apresente provas claras de sua realização, isto é, demonstre que efetivamente se beneficiou desses trabalhos através de documentos tais como laudos ou estudos, cronogramas de implementação, análises de resultados alcançados etc., papéis esses que devem estar assinados pelos representantes da contratada. As exigências acima possuem a dupla importância de, por um lado, possibilitar a aferição documental dos resultados advindos da consultoria ou assessoria, e, de outro, permitir a atribuição de responsabilidades. [...] Mesmo após a análise da Impugnação de 13/01/2017, do Requerimento Complementar de 22/05/2017 e também da Manifestação sobre o Relatório de Diligência em 06/09/2017, não se identificou documento ou esclarecimento que permitisse Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 35 34 embasar, dentre os valores lançados, sua aceitação enquanto despesa ou custo dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Item 12 Conta 33107010 Serviços Assistência e Consultoria Empresarial glosa de R$ 14.926.098,37 Nesse item houve afastamento parcial de aproximadamente 39% da glosa efetuada. Na visão da DRJ: Através do Termo de Intimação datado de 31/08/2016 (TIF5), foram selecionados 14 lançamentos e solicitados documentos que comprovassem as despesas da conta em tela. [...] Em 28/09/2016 a Votorantim atendeu parcialmente ao TIF5 (R8) entregando documentação referente a 10 dos 14 lançamentos intimados, basicamente comprovantes de pagamento e notas fiscais. [...] A respeito das afirmações acima, devese levar em conta, além de tudo o que já se disse sobre as lacunas documentais e a insuficiência das informações, que todos os lançamentos selecionados são relevantes, ou seja, não basta atender aos critérios de dedutibilidade para uma parte das despesas contabilizadas (no caso, R$ 5.822.063,99), para justificar a parte restante cuja intimação não foi atendida a contento (a diferença de R$9.104.034,38). As características desta conta contábil, em especial o número de lançamentos e a relevância dos valores, não indica a auditoria fiscal por inferência amostral, que, se fosse aqui aplicável, permitiria que se confirmados parte dos lançamentos tal conclusão se estenderia aos demais. Não é o caso. Aproveitando ainda a citação acima, que remete ao item 122 da Impugnação, temos que se refere aos dois lançamentos no valor de R$ 514.083,88 objeto de intimação no TIF7 itens 14 e 15 e abordados no subitem 12.6 do Termo de Verificação Fiscal e do Relatório de Diligência Fiscal. Façamos uma análise do conjunto de informações e documentos a esse respeito: A primeira constatação se refere ao valor dos dois lançamentos, que é de R$ 514.083,88 cada e não de R$ 506.372,62 como está na peça de defesa (item 122). Na resposta de 07/11/2016 (R15), a Votorantim faz constar que "A INTIMADA informa que, apesar de seus esforços, até o presente momento não conseguiu reunir maiores informações a respeito do lançamento". Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 36 35 Em seu último atendimento durante a ação fiscal (R18), a fiscalizada anexa o Doc. 07 (fl. 1111). Identificamos, neste anexo, apenas um comprovante de transferência (TED) para a Redecam, no valor de R$ 964.935,43. Na Impugnação, além das informações nenhum documento foi apresentado. O Requerimento Complementar trouxe os Doc. 7 e 8 contendo os seguintes papéis: Contrato com a Redecam em língua inglesa (fls. 2195/2228 e 2229/2314); Correspondência em língua inglesa do "Banca Popolare di Novara" (fl. 2315); e Pedido de Compra nº 4504030536 tendo como fornecedor a Redecam, no valor bruto de R$ 1.686.790,78 e preço total com impostos de R$ 1.713.612,93. Não localizamos nos autos documento fiscal ou outro papel que pudesse se relacionar com os lançamentos em tela, além dos citados. Pelo acima exposto, constatase que os documentos apresentados em vernáculo (Pedido de Compra e TED) não permitem conciliação contábil, e que o contrato, por estar em inglês, não atende aos requisitos legais. A despeito dos relevantes valores lançados, não há documentos fiscais nem explicações ou papéis de suporte que possibilitem a identificação precisa do serviço. É cediço que qualquer documento redigido em língua estrangeira deve ser traduzido para o português, para produzir efeitos legais no País e para valer contra terceiros e em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou em qualquer instância, juízo ou tribunal. Além disso, deve ser legalizado em seu país de origem, ou seja, notarizado e consularizado e, ainda, registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 10.406, de 2002, art. 224; Lei nº 13.105, de 2015, art. 192; Lei nº 6.015, de 1973, art. 148; e Decreto nº 13.609, de 1943, art. 18). Já detalhamos neste voto, no tópico "Da dedutibilidade das Despesas de Prestação de Serviços", quais são os requisitos para que essas despesas possam ser deduzidas na apuração do lucro tributável. Como vimos, é fundamental que a contratante apresente provas claras da realização dos serviços, isto é, demonstre que efetivamente se beneficiou desses trabalhos através de documentos tais como laudos ou estudos, cronogramas de implementação, análises de resultados alcançados etc., papéis esses que devem estar assinados pelos representantes da contratada. Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 37 36 As exigências acima possuem a dupla importância de, por um lado, possibilitar a aferição documental dos resultados advindos da consultoria ou assessoria, e, de outro, permitir a atribuição de responsabilidades. [...] Vêse, portanto, que o atendimento por parte da Votorantim foi parcial e insuficiente para comprovar a dedutibilidade das despesas na maior parte dos lançamentos inicialmente glosados (da glosa inicial no valor de R$ 14.926.098,37, foram justificados lançamentos que somam R$ 5.822.063,99). Nesse caso específico, ao contrário do que decidiu a DRJ, entendo que os documentos juntados aos autos pela Recorrente, e em face do próprio critério de amostragem que norteou o trabalho fiscal, fazem prova da dedutibilidade dos gastos registrados na conta contábil ora em análise. Com efeito, a própria autoridade julgadora atesta que a Recorrente juntou os comprovantes de pagamentos e as notas fiscais de 10 (dez) dos 14 (quatorze) lançamentos selecionados na amostragem eleita pela fiscalização, além de vários documentos de suporte, tais como propostas, pedidos de compras, trocas de emails e contratos. Os quadros constantes do recurso voluntário (fls. 2.791/2.792), aliás, resumem bem esses fatos e o respectivo histórico de atendimentos, não podendo ser desprezados. Ademais, cumpre reiterar que no requerimento de complementação da impugnação, a Recorrente prestou mais esclarecimentos e anexou mais documentos de suporte, por amostragem, tendo sido a maioria deles aceitado como prova em seu favor. No que tange aos serviços prestados pela FL Smidth – Divisão Cimentos, por exemplo, apesar das Notas Fiscais e comprovantes de pagamento terem sido apresentados, o fisco passa a exigir o lançamento contábil, o que ora foi feito pela Recorrente. Para a empresa Redecam, o presente julgador não pode simplesmente desconhecer a prestação de serviços em face dos contratos estarem em língua inglesa. E, mais ainda, também não pode ignorar o equívoco cometido pela autoridade fiscal responsável, ao afirmar que tais lançamentos totalizam R$ 514.083,88, e não R$ 506.372,62. Isso porque, conforme esclarece o contribuinte, o valor indicado e comprovado pela ora Recorrente (R$506.372,62) já havia abatido o valor equivalente ao pagamento do IRRF (1,5%). Ou seja, R$514.083,88 – R$7.711,26 (1,5%) = R$506.372,62. É deste valor – e não outro – que devem ser descontados os demais tributos retidos (PIS/COFINS/CSLL), no valor de R$ 23.904,91. Assim, verificase a correção do valor líquido indicado, no total individual de R$ 482.467,71. E como a Recorrente efetuou dois pagamentos a este título, notase a comprovação do valor escriturado de R$964.935,43. Enfim, diante desses elementos, notadamente o critério jurídico que foi adotado (amostragem), considero que a conta contábil em testilha registra valores pagos por Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 38 37 serviços contratados que guardam relação com as atividades desenvolvidas da Recorrente, razão pela qual afasto a glosa desse item. Item 13 Conta 33107030 Honorários Advocatícios glosa de R$16.727.903,27 Em sentido oposto ao do item anterior, entendo que não houve comprovação mínima, isto é, nem por amostragem, da natureza e origem exata dos serviços que teriam gerado os pagamentos registrados na conta contábil em questão. Adoto, aqui, as razões de decidir da DRJ, a qual a meu ver deve prevalecer. Veja: [...] No TVF, a autoridade fiscal apresenta o resultado da análise das informações e dados trazidos até então pela fiscalizada, dividindo os lançamentos glosados em nove subitens ("a" a "i") e tratandoos um a um. Esta mesma análise é refeita no Relatório de Diligência com base em novos documentos e esclarecimentos da parte da Votorantim (ver relato mais à frente), razão pela qual reproduzimos aqui apenas alguns trechos deste Relatório Fiscal: [...] Cientificada do Relatório de Diligência Fiscal, a Votorantim protocolou Manifestação na qual não menciona a presente conta. Passase agora à análise do conjunto de informações e documentos juntados aos autos, sobre os quais teceremos comentários de maneira geral: Desde o TIF5, datado de 31/08/2016, a autoridade fiscal indicou os requisitos básicos da documentação intimada, orientando no sentido de que "comprove a existência e natureza das despesas utilizadas. [...] Também devem ser apresentados os contratos firmados com as empresas envolvidas que discriminem o serviço prestado, o valor, e elementos que comprovem a mensuração do valor pago". Novamente no TIF7, de 13/10/2016, forma detalhados os requisitos dos documentos comprobatórios: "...documentação de suporte para identificar a natureza da despesa, tais como laudos, pareceres, estudos técnicos, etc. [...] se faz necessário os documentos contábeis e fiscais emitidos a favor do contratante através da nota fiscal, fatura recibo, desde que demonstre claramente a natureza da despesa, a identidade do beneficiário, a quantidade, o valor da operação". O Termo de Verificação Fiscal e o Relatório de Diligência detalham, lançamento a lançamento, as razões para aceitação Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 39 38 (ou não) dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Votorantim. As principais razões para a não dedutibilidade das despesas são, em síntese, falta de documentação comprobatória, documentação que não possibilita conciliação contábil, discriminação genérica do serviço (por exemplo: "serviços profissionais prestados"), não apresentação de contratos, falta de papéis de suporte para compreensão dos fatos (laudos, resultados etc.), divergências de valores e outros. [...] apesar de informada sobre os requisitos da documentação comprobatória para o lançamento em questão, tanto no TIF5 quanto no TIF7, não foram apresentados documentos que permitissem considerar o gasto como despesa dedutível, tais como: contrato firmado entre as partes discriminando a natureza do serviço; explicações do que se trata o "Projeto Trilogy"; e documentação auxiliar, estudos técnicos, laudos, pareceres etc. que permitam confirmar a efetiva realização do serviço, mensurar o que foi executado e calcular os valores pagos. Pelo acima exposto, constatase que, a despeito do relevante valor em questão, não há documentos fiscais nem explicações ou papéis de suporte que possibilitem a identificação precisa do serviço. Não se trata de questionar a idoneidade ou o renome do escritório beneficiário do contrato de câmbio, mas sim de verificar a adequação (ou não) dos fatos aos requisitos essenciais de dedutibilidade da despesa. Item 14 Conta 33116070 Despesas Legais e Judiciais glosa de R$2.739.966,45 De acordo com a própria decisão de primeira instância "apesar de intimada a esclarecer e a apresentar, entre outras coisas, os documentos que demonstrem e detalhem os acordos firmados entre as partes e a aquisição de ações, a fiscalizada juntou aos autos apenas os comprovantes de pagamento de 4 dos 6 lançamentos da amostra inicial". Ressaltese, por oportuno, que esses 4 (quatro) comprovantes de pagamentos foram juntados de um total de 6 (seis) lançamentos inicialmente selecionados por amostragem. Isso significa dizer que os valores oriundos de acordos trabalhistas comprovados que realmente não raramente são feitos diretamente aos patronos da causa e que são registrados nessa conta correspondem a parcela significativa do que foi tomado como parâmetro na auditoria, o que a meu ver tem o condão de afastar a glosa. Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 40 39 Item 15 Conta 33105100 Materiais P/Eventos E Comemorações glosa de R$2.603.325,78 Nesse item entendo que a glosa também deve ser mantida pelos próprios fundamentos da decisão de piso, in verbis: Apesar de intimada a esclarecer e a apresentar, entre outras coisas, os documentos que demonstrem e detalhem a natureza dos serviços prestados, incluindo contratos e prestações de contas, a fiscalizada juntou aos autos apenas dois comprovantes de pagamento nos valores de R$ 94.694,84 e R$ 89.000,00. Diante das alegações da interessada de que anexou documentos correspondentes aos lançamentos nos valores de R$ 573.924,82, R$ 120.686,00 e R$ 109.473,07, pesquisamos os autos e nada localizamos, nem nas respostas ao TIF 10 nem tampouco nos anexos à Impugnação. Não ficou confirmada a finalidade dos gastos de forma a demonstrar a sua necessidade para a empresa. Vêse, portanto, que o atendimento por parte da Votorantim foi parcial e insuficiente para comprovar a dedutibilidade das despesas na conta em questão. PPR Participação nos Lucros (adição de R$ 54.648.883,05) A decisão recorrida considerou indedutíveis os valores pagos sob a rubrica de PPR. Alegou, para tanto, que: Com base nos trechos acima transcritos, podese chegar às seguintes conclusões principais: (i) O acordo data de 20/12/2011, ou seja, não é capaz de ser cumprido pelo evidente desconhecimento de seus requisitos e critérios ao longo de quase todo o período a que se refere o ano de 2011; (ii) O acordo não atendeu a vários requisitos previstos na legislação de participação nos resultados, tais como: assinaturas, representação sindical, registro etc.; e (iii) O acordo não possui regras claras e objetivas, e seus anexos não demonstram como deve ser calculado o valor para cada empregado ou como cada conceito dado se converte em valor. Repetimos o entendimento da interessada no sentido de que "...quer a título de PPR, quer a título de salário, poderá a Impugnante deduzir as correspondentes importâncias na apuração do lucro real". Não é o caso. Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 41 40 Como exaustivamente demonstrado no TVFPrevidenciário, os critérios de avaliação dos funcionários e sua conexão com os valores pagos de PPR não foram elucidados, fato agravado pelas várias irregularidades observadas na formalização do acordo. Assim, não se encontra demonstrado o pacto entre as partes (empregador e empregado) que desse causa à obrigação da empresa de efetuar pagamentos, ainda que fosse a título de salário ou gratificação. Se, ao contrário, estivesse evidenciada a negociação entre empresa e empregados, contendo metas claras e definidas e demonstrados os valores e a razão de pagamento aos empregados, a dedução da despesa estaria assegurada, em virtude de ser necessária à manutenção da fonte produtora, guardando o PPR característica de gratificação previamente ajustada entre as partes. Entretanto, no caso em exame, a falta de atendimento à legislação de regência (Lei nº 10.101, de 2000), que resultou na absoluta falta de esclarecimentos quanto à quantificação dos valores pagos a título de PPR a seus empregados, e ainda a falta de nexo entre o programa e os correspondentes pagamentos, impedem de aplicar o entendimento preconizado pela contribuinte. [...] Dessa forma, não tendo sido demonstrada a razão e a composição dos valores pagos a título de PPR, não há que se reputar tais despesas como necessárias e usuais à manutenção da fonte produtora, sendo sua dedução para fins de apuração do lucro tributável incompatível com o artigo 299 do RIR/99. Como se nota, a DRJ manteve o entendimento segundo o qual os valores pagos pela Recorrente a título de PPR deveriam ter sido adicionados ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo, tendo em vista o descumprimento de alguns dos requisitos da Lei no 10.101/00. O silogismo, então, empregado pelas autoridades fiscais foi o seguinte: uma vez verificado, em outro processo administrativo, que os pagamentos realizados não atenderiam aos requisitos previstos na lei que regulamenta a PLR, estes pagamentos não seriam passíveis de dedução fiscal. Não concordo, porém, com esse racional. Ainda que o pagamento feito a título de PLR não tenha cumprido com a totalidade dos requisitos legais o que se admite aqui por suposição , o único efeito seria a perda da isenção dos encargos previdenciários e trabalhistas. Isso porque resta incontroverso que os valores em questão foram pagos aos funcionários empregados da Recorrente no contexto de uma relação de trabalho. Tais valores Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 42 41 transitaram em folha de pagamento e, do ponto de vista fiscal, estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda na pessoa física mediante aplicação da tabela progressiva. Tratase, do ponto de vista técnico, de montantes integrantes daquilo que a doutrina denomina de "verbas remuneratórias", cuja dedutibilidade para a fonte pagadora é inerente a natureza do dispêndio. Tanto é assim que há disposição expressa de que as gratificações pagas aos empregados (e uma vez desqualificada a natureza de PLR, é inconteste seu enquadramento como gratificação) constituem despesas operacionais dedutíveis. Em outras palavras, independentemente do reconhecimento dos valores deduzidos a título de PLR nos moldes da referida lei, as verbas pagas aos empregados continuam dedutíveis como despesa de natureza salarial. É, portanto, equivocada a assertiva de que a PLR geraria dois benefícios: um de caráter previdenciário e outro fiscal, de dedutibilidade. Pelo contrário, o que a Lei 10.101/00 trouxe, na verdade, é um único "benefício", qual seja, a isenção das contribuições previdenciárias a este tipo de pagamento, mas sem prejuízo da dedutibilidade. O reconhecimento, portanto, de que referidos pagamentos não respeitaram rigorosamente as regras das participações nos lucros ou resultados tem como única conseqüência a não aplicação da isenção dos encargos sociais, mas daí a afirmar que tais pagamentos passam a ser de cunho liberal entendo existir uma enorme distância. Ora, tratandose de valores contratualmente ajustados, pagos em benefício de funcionários e cuja origem é a própria relação de trabalho o que, digase, a fiscalização nunca questionou , não há como negarlhes o seu caráter remuneratório e, dessa forma, assegurar sua dedutibilidade. Nesse sentido já se posicionou o CARF, conforme atestam os seguintes julgados: PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEDUTIBILIDADE COM FULCRO NOS ART. 299 E 462 DO RIR/99. As parcelas pagas aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, decorrentes de acordos coletivos de trabalho, que atendem ao disposto no art. 462 do RIR/99, podem ser deduzidas na apuração do IRPJ e CSSL, pois, enquadramse como despesas necessárias à luz do art. 299 do RIR/99, à medida que são relevantes para formação do resultado da empresa. Irrelevante, portanto, o atendimento aos requisitos específicos da Lei 10.101/2000. (Acórdão 1402 001.135. Sessão de 08 de agosto de 2012). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEDUTIBILIDADE. Para serem dedutíveis as despesas da pessoas jurídicas a título de pagamento de participação nos lucros ou resultados é despiciendo saber se houve ou não o Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 43 42 cumprimento de normas técnicas relacionadas ao processo de instituição do PLR, pois o § 3º art. 299 do RIR/99 acolhe como dedutível as gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. (Acórdão 1401000.944. Sessão de 06 de março de 2013). A propósito, em sessão de 13 de setembro de 2017, a Câmara Superior de Recursos Fiscais caminhou nesse mesma trilha ao afastar a indedutibilidade do PLR em situação semelhante a presente, merecendo destaque o seguinte trecho do voto condutor (Acórdão 9101003.082): A realidade é que, além da regra do citado artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda, a legislação fiscal traz diversas outras normas impedindo a dedutibilidade de algumas despesas, limitando o seu valor, condicionandoas a certos requisitos ou atribuindolhe tratamento específico. De todo modo, quer parecer que o limite principal, que submete essas previsões a um juízo de razoabilidade e proporcionalidade, seria o próprio conceito de renda tributável. Nesse sentido, seja como gratificações – como colocado subsidiariamente pela recorrida –, seja como participação nos lucros e resultados, entendo que as despesas incorridas pela contribuinte assumem as características necessárias à sua dedutibilidade, não as perdendo simplesmente em função de uma participação de um representante do sindicato ou discussão quanto à forma de eleição do representante dos empregados no comitê executivo do PLR/2002. Com essa mesma orientaçãoo, vejase trechos do acórdão n. 1102000.847, de relatoria da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa: [...] PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. AUSÊNCIA DA REPRESENTAÇÃO SINDICAL NA NEGOCIAÇÃO. CONSEQÜÊNCIAS. Existindo acordo formal entre empregador e empregados fixando as regras para pagamento da remuneração, a ausência da representação sindical na negociação não é suficiente para impedir a dedutibilidade da despesa, para efeitos de apuração do lucro real. (...) Ao final, diz a autoridade lançadora, que os critérios de cálculo e pagamento da PLR competência 2004 teriam sido definidos em Acordo firmado, em 02/12/2004, entre a instituição financeira e comissão de empregados, sem a participação da entidade sindical que representa os interesses dos funcionários. Ou seja, nenhum outro vício foi afirmado no pagamento das participações glosadas. Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 44 43 Assim, tratandose de valores contratualmente ajustados entre empregador e empregados, sem qualquer evidência de liberalidade, não há como negarlhes o caráter de remuneração e, dessa forma, assegurar sua dedução na apuração do lucro real, ainda que não atendidos todos os requisitos para sua caracterização como participação nos lucros ou resultados.” (grifouse) Por essas razões, acordase com a decisão recorrida, votandose no sentido de sua manutenção, que teve relatoria do então ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto e vale a transcrição por refletir toda a divergência em julgamento e o posicionamento que também se adota: [...] O PLR passa a ser considerado uma remuneração e com toda as consequê̈ncias do âmbito trabalhista disso, pois ele não é incorporado aos salários, não incidindo assim em direitos trabalhistas como 13º, férias e aposentadoria. Portanto, pelas premissas postas no parágrafo anterior, despiciendo averiguar se houve ou não descumprimento das normas técnicas em questão, ou seja, desnecessário aferir se houve efetivamente a participação de um representante sindical nas negociações, como forma de legitimar o acordo, se houve anuência dos trabalhadores etc. Claro está que a consequência jurídica do descumprimento dessas normas técnicas se exaure no âmbito trabalhista. E não poderia ser diferente, justamente porque a norma do art. 299 do RIR/99 acolheria perfeitamente o resultado encontrado pela aplicação da Lei º 10.101/00 , que seria dotála de outra natureza, ou seja como um remuneração normal. Ora, a regra geral do art. 299 do RIR/99, especificamente o seu parágrafo 3º está em perfeita sintonia com essa conclusão: “§ 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.”. Daí porque afirmei alhures que não divisava qualquer tipo de antinomia na aplicação das normas jurídicas em relevo no caso concreto. A uma perfeita compatibilidade entre as norma. Feitas essas considerações, e na linha desses precedentes jurisprudenciais, afasto a adição fiscal dos valores pagos na rubrica de PLR, considerando tais montantes dedutíveis para fins de apuração do Lucro Real e base de cálculo da CSLL. Conclusão Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO e DOU PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para: (i) afastar a glosa remanescente, de R$ 211.895.021,59, da conta de custos no33101226 Fretes MI entre filiais/unidades; Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 45 44 (ii) afastar a glosa de R$ 9.401.612,85 relativa à conta no 33112045 Contribuições a Associações ND; (iii) afastar a glosa remanescente, de R$ 9.104.034,38, da conta no 33107010 Serviços Assistência e Consultoria Empresarial; (iv) afastar a glosa de R$2.739.966,45 referente à conta no 33116070 Despesas Legais e Judiciais; e (v) afastar a adição (R$ 54.648.883,05) dos valores de PPR, considerando os montantes pagos a este título dedutíveis. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 46 45 Voto Vencedor Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, redator designado. A mim coube redigir o voto que representa a divergência parcial vencedora no julgamento deste processo. Trata a divergência de dedutibilidade de parcelas pagas a empregados a título de PPR ou PRL (programa de participação nos lucros resultados) das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL quando não atendidos os critérios da Lei 10.101/2000, instituidora deste benefício fiscal. Discutese se o não cumprimento dos requisitos da Lei 10.101/2000 produz como efeito apenas a perda de isenção de encargos previdenciários e trabalhistas ou se também importa em adição do PPR/PRL na apuração do IRPJ e da CSLL. Entendo que, no anocalendário em análise, os gastos com PPR/PRL que não atendessem os critérios da Lei 10.101/2000 estavam sujeitos a serem readicionados às bases de cálculo do IRPJ. Quanto à CSLL, não eram aproveitáveis por não estarem amparados por este dispositivo legal. Em primeiro lugar, porque a Lei 10.101/2000 ressalva muito claramente que os PPR/PRL pagos só poderiam ser aproveitados para reduzir o Lucro Real e, mesmo assim, se cumpridos os requisitos nela previstos, como se observa a seguir: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. Concluise, a partir da leitura do dispositivo acima, que (i) os valores pagos a título de PPR/PLR não podem ser deduzidos da base de cálculo da CSLL, por não estar amparados pelo texto da norma, e, no caso dos autos, (ii) não podem igualmente ser aproveitados para o IRPJ, por terem sido descumpridos os requisitos legais de concessão do benefício. Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 47 46 Devese ressaltar ainda que participações nos lucros pagas a empregados não eram reputadas formalmente despesas, ao menos em vista do Decretolei 1.598/77. Em vez disso, eram excluídas do lucro líquido, isto é, depois de apurado o resultado, desde que atendidos ainda os critérios estabelecidos em lei2. Com a Lei 10.101/2000, surgiu a faculdade de se deduzir da base do IRPJ uma nova modalidade de participação nos lucros de empregados, a PPR/PLR, sendo esta a aplicada à Recorrente. No Decreto 3.000/99 (RIR/99), tal modalidade apareceu como inciso III do art. 4623, reproduzindo texto da MP 1.76955/1999, depois convertida na Lei 10.101/2000. Há, portanto, uma diferença fundamental em se discutir se um gasto é ou não uma despesa necessária ou se, não sendo tecnicamente uma despesa, existe para ele uma previsão legal específica autorizando a sua exclusão do lucro líquido. Se o gasto não é uma despesa, segundo a visão fiscal da contabilidade, e não existe previsão legal específica para a sua dedutibilidade extracontábil via LALUR ou FACS, não cabe aplicarlhe interpretação extensiva de modo a admitir a sua exclusão do lucro líquido. Finalmente, a natureza jurídica da dedução do PPR/PLR, segundo se depreende por uma interpretação sistemática dos dispositivos legais no caso em análise, é de benefício fiscal, e não de parcela redutora necessária no cálculo do acréscimo patrimonial. Do contrário a lei o teria classificado como despesa. E, sendo um benefício fiscal, a sua aplicação depende ainda de interpretação literal conforme exegese do art. 111 do CTN. Não tendo sido atendidos os termos da lei 10.101/2000 e não havendo previsão de extensão de tal benefício fiscal para a apuração da CSLL, não há como admitir o aproveitamento de tais parcelas no cálculo dos tributos em análise, não merecendo reparos, portanto, a interpretação aplicada pela autoridade autuante. Assim sendo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário na forma do proposto pelo i. relator com a ressalva de manter, contudo, a tributação do IRPJ e da CSLL sobre as parcelas pagas a título de PRL/PPR, pelas razões aqui expostas. 2 Art 58 Podem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica: I atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; II asseguradas a debêntures de sua emissão. 3 Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58): I asseguradas a debêntures de sua emissão; II atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; III atribuídas aos trabalhadores da empresa, nos termos da Medida Provisória nº 1.76955, de 1999 (art. 359). Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 10314.722600/201618 Acórdão n.º 1201002.685 S1C2T1 Fl. 48 47 É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Fl. 2969DF CARF MF
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