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Numero do processo: 11516.002226/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI nº 9.718/1998. A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei nº 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF.
COFINS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto socAssunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
ial. Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
Numero da decisão: 3301-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI nº 9.718/1998. A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei nº 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. COFINS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto socAssunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins ial. Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 22 26 /2 00 7- 36 Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 11 2 Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de pedido de habilitação de crédito reconhecido em ação judicial, seguido da apresentação de DCOMP destinadas à compensação de parte daquele crédito com débitos da Recorrente. Na ação judicial, buscouse o reconhecimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS trazida pela Lei n° 9.718/1998, com o fim de ver afastadas da incidência desta contribuição social as receitas financeiras que obtinha com suas atividades estatutárias. No provimento judicial, houve a declaração da inconstitucionalidade da referida majoração, o que se deu com base no expurgo do parágrafo 1°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC pela não homologação das compensações, em virtude da constatação da inexistência do crédito informado. Como relata a autoridade fiscal, a decisão judicial, ao reconhecer a inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998, o fez sem prejuízo da validade do caput do referido artigo e dos demais dispositivos da Lei n° 9.718/1998. Assim, a partir de 01/02/1999, a tributação a título de COFINS deveria ser efetuada sobre a receita bruta ou faturamento da empresa, compreendendo os valores obtidos na venda de mercadorias, na venda de mercadorias e serviços e na venda de serviços, não se considerando as receitas de natureza diversa da atividade da empresa. Nestes termos, como a contribuinte exerce as atividades de crédito, financiamento e investimento atividades estas próprias de uma empresa financeira , sua receita para fins de incidência da COFINS incluiria as receitas financeiras, o que tornaria inexistente o crédito pleiteado no presente processo, posto que composto de valores que teriam sido indevidamente recolhidos em face da inclusão, na base de cálculo da contribuição, das receitas financeiras. Irresignada com a não homologação de suas compensações, a Recorrente interpôs manifestação de inconformidade, na qual afirmou que o despacho decisório da DRF/Florianópolis "reformou" o decidido no acórdão da esfera judicial. A Recorrente entende que a autoridade fiscal, ao trazer à baila as definições de receita bruta pautadas no artigo 184 da Lei n° 6.404/1976 e na Circular n° 1.237/1987 do Banco Central do Brasil, afrontou a decisão do Tribunal Regional Federal, que já havia Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 12 3 decidido qual o conceito de receita bruta a ser utilizado. Alega que enquanto a decisão judicial estabelece que "o conceito de receita bruta ou faturamento deve ser entendido como o que decorrer da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços ou venda de serviços. Receitas de naturezas diversas não podem integrar a base de cálculo da contribuição em comento", a autoridade fiscal afirma que "as receitas oriundas do exercício da sua atividade, incluise, por consequência, as receitas financeiras", o que evidenciaria que a DRF/Florianópolis estaria pretendendo reformar o decisum judicial. Segue afirmando que entre a decisão de primeira instância e a decisão do TRF esta prolatada em face da remessa oficial , só houve modificação em relação ao reconhecimento da prescrição das parcelas recolhidas anteriormente a 28/08/2001 (pelo acatamento da aplicação, in casu, do artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005), tendo sido integralmente mantida a decisão no que se refere à base de cálculo da COFINS. Defende que com o expurgo do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/1998 pelo Poder Judiciário, restou afastada a aplicação da Lei n° 9.718/1998 para a cobrança da COFINS, com a consequente determinação da aplicação da legislação anterior, a Lei Complementar n° 70/1991, ato legal este que expressamente comanda que as instituições financeiras não estão sujeitas àquela contribuição. Por fim, alega que a autoridade fiscal teria cometido mais um equívoco ao eleger a receita operacional como fato gerador da COFINS, já que o direito positivo não traria tal comando, o que representaria um fato gerador para a COFINS não previsto em lei. A 4ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 0717.365, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PAR 1° DO ART. 3° DA LEI N° 9.718/1998. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/1998, não prejudica a aplicação do caput do referido artigo e dos demais dispositivos da Lei n° 9.718/1998. Assim, a partir de 01/02/1999, a tributação a título de COFINS deve ser efetuada sobre a receita bruta ou faturamento da empresa, compreendendo os valores obtidos na venda de mercadorias, na venda de mercadorias e serviços e na venda de serviços, não se considerando as receitas de natureza diversa da atividade da empresa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Credit6rio Não Reconhecido. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 13 4 Em seu recurso voluntário, alega, em síntese: · que a interpretação dada pela decisão recorrida à sentença transitada em julgado agride o vernáculo; · que a sentença definiu que a legislação aplicável ao caso é aquela anterior à Lei nº 9.718/98, qual seja, a Lei Complementar n° 70/91; já o acórdão recorrido pretende a aplicação da Lei nº 9.718/98, apenas alterandolhe o significado das palavras; e que pretender que receita de natureza diversa da venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou serviços seja fato gerador da COFINS é uma violação evidente da coisa julgada. Suas alegações são nestes termos: Logo, não caberia qualquer interpretação para buscar sustentar que, ao invés de determinar a aplicação da legislação anterior à Lei nº 9.718/98, qual seja, a Lei Complementar nº 70/91, como foi expressamente determinado, tal decisão teria determinado a aplicação dos dispositivos da Lei 9.718/98 que não foram julgados inconstitucionais, para fins de tributação da COFINS. Ainda que inexista na legislação anterior (Lei Complementar nº 70/91) previsão para a composição da base de cálculo da COFINS para as instituições financeiras, isso não afasta a aplicação da tal norma. Ou seja, quando a decisão determinou a aplicação da legislação anterior, pretendeu exatamente aplicar a norma que previa a não incidência da COFINS sobre as receitas financeiras auferidas pela Recorrente. · Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com a homologação das compensações efetuadas. Em sessão realizada em 25/10/2012, o feito foi convertido em diligência, para que fosse esclarecida a natureza das receitas financeiras que compunham o crédito pretendido pela contribuinte, bem como fosse esclarecido se ela exercia atividades de factoring e se as receitas auferidas se constituíam na diferença entre o valor de aquisição e o valor de face dos títulos/direitos adquiridos pela interessada. Cumprida a diligência requerida, foi expedida a Informação Fiscal nº 16/2013, constante às fls. 1.074/1.077. Cumpri elencar alguns pontos imprescindíveis para o deslinde da controvérsia deste processo: 1 A questão a ser dirimida nesta lide, portanto, diz respeito ao exato alcance do Acórdão, transitado em julgado em 04/06/2007, proferido pelo TRF/4ª Região, quando da remessa ex officio dos autos do Mandado de Segurança nº 2006.72.00.0094854/ SC. Ressalte se que o cumprimento da decisão judicial em si não é a razão deste litígio, a divergência encontrase quanto à interpretação do comando proferido naquela decisão. 2 A Recorrente buscou a compensação das importâncias recolhidas a título de COFINS sobre sua receita financeira, como ela própria informou; 3 Seu objeto social, conforme o estatuto juntado às efl. 15, é: Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 14 5 Art. 03. Constitui objeto da Sociedade, a prática de todas as operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à atividade de Crédito, Financiamento e Investimento, de acordo com as disposições legais e regulamentares vigentes. 4 Atuou a Recorrente como instituição financeira de 1990 a 28/07/2010. Por se tratar de instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e, com foco de atuação em crédito pessoal, sua receita de juros é contabilizada como receita operacional, como ficou provado pela diligência; 5 A Informação Fiscal n. 16/2013, de efls 1074 citada acima, informa que foi devidamente comprovado nos autos que a Recorrente não realiza operações de factoring. Sua natureza jurídica era, pois, de instituição financeira, não de empresa de factoring, cuja natureza é reconhecidamente mercantil. Informa ainda que a DIPJs contidas no sistema identificam uma sociedade de crédito, financiamento e investimento cujas receitas advêm de empréstimos, financiamentos, aplicações financeiras e, a partir de 2005, também da prestação de serviços. A escrituração contábil espelha essa realidade. No balanço de dezembro/05, a conta de Ativo 1.6.1.20.00 ("empréstimos") indica que a grande maioria dos recursos da empresa estava aplicada na concessão de empréstimos pessoais, algumas vezes garantidos por veículos. Em suma: · Para o Fisco, o cumprimento da decisão judicial implica reconhecer que foi tutelada apenas a inconstitucionalidade do §1° do art. 3º, por ampliar o conceito de faturamento, considerando integralmente legal o caput do referido artigo e os demais dispositivos da Lei n° 9.718/98. Com isso, as receitas financeiras decorrentes da receita operacional, são tributadas pela COFINS, assim o recolhimento da COFINS sobre essa receita não poderia ser objeto de compensação, apesar de não se tratar de Receita de Venda de Mercadoria ou Prestação de Serviços. · Já para a Recorrente, o conteúdo da coisa julgada no MS 2006.72.00.0094854 é: o fato gerador da COFINS é aquele que decorrer da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços ou da venda de serviços, insurgese, portanto, contra a equiparação de faturamento à receita operacional. E mais, entende que a Lei nº 9.718/98 foi afastada pela decisão judicial, devendo ser aplicada por consequência a Lei Complementar n° 70/91. Em sua ótica, então, houve ofensa à coisa julgada praticada pela autoridade fiscal. Por fim, em 25 de julho de 2013, o feito foi novamente convertido em diligência pela Resolução n. 3202000.127, da 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, para determinar o sobrestamento do feito até a decisão do RE 609.096/RS, submetido à sistemática da repercussão geral. É o relatório. Voto Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 15 6 Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, nos autos desta ação fiscal, é possível elencar os seguintes elementos principais em discussão: a) Qual a extensão da coisa julgada decorrente da decisão no MS 2006.72.00.0094854; b) A base de cálculo da COFINS equivaleria à receita bruta das vendas de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza? Estão excluídas as receitas operacionais ou as decorrentes do seu objeto social, as receitas financeiras? c) A decisão do mandamus afastou a aplicabilidade total da Lei nº 9.718/98, determinando a aplicação da Lei Complementar nº 70/91? DELIMITAÇÃO DO OBJETO DO MANDADO DE SEGURANÇA 2006.72.00.0094854, transitado em julgado em 04.06.2007 O pedido da Recorrente na sua petição do mandado de segurança é o seguinte: Requer, ao final, a concessão da segurança pleiteada para que, reconhecida a total inexigibilidade das modificações trazidas pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade impetrada se abstenha de praticar quaisquer atos com escopo de impedir a impetrante compensar integralmente os seus créditos líquidos e certos, devidamente corrigidos, decorrentes do recolhimento indevido e a maior, da COFINS, em razão da inconstitucional exigência contida no §1º do art. 3º, da Lei 9.718/98, com os débitos de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal. A medida liminar do mandado de segurança nº 2006.72.00.0094854 foi concedida em nos seguintes termos: Ante o exposto, julgando extinto o processo com julgamento de mérito (art. 269, I do Código de Processo Civil), CONCEDO A SEGURANÇA PARA, declarando incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 3°, §1° da Lei n° 9.718/98, DETERMINAR A DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL que se abstenha de efetuar qualquer medida constritiva no sentido da cobrança da COFINS com base no art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98, incidindo a legislação anterior. Por sua vez, o acórdão prescreveu: Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 16 7 COFINS. PRESCRIÇÃO. LC N° 118/2005. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. O disposto no artigo 30 da LC n. 118/2005 se aplica tão somente às ações ajuizadas a partir de 09 de junho de 2005, já que não pode ser considerado interpretativo, mas, ao contrário, vai de encontro à construção jurisprudencial pacífica sobre o tema da prescrição havida até a publicação desse normativo. Tendo a ação sido ajuizada em 28 de agosto de 2006, posteriormente à entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005, restam prescritas as parcelas anteriores a 28 de agosto de 2001. O Supremo Tribunal Federal entendeu que o §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718, alterando as Leis Complementares nº 07 e 70, ampliou a base de cálculo da contribuição criando nova fonte de custeio da seguridade, o que somente pode ser feito por meio de lei complementar, nos termos do parágrafo 4° do artigo 195 do texto constitucional. O conceito de receita bruta ou faturamento deve ser entendido como o que decorrer da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços ou da venda de serviços. Receitas de naturezas diversas não podem integrar a base de cálculo da contribuição em comento. Não se diga que a edição da emenda constitucional n° 20 convalidou a Lei n° 9.718/98. Isso porque tratase de lei com vício de origem, ao contrário do que ocorre com as normas anteriores ao novo diploma constitucional que são por ele recepcionados. Entendo que o mandado de segurança afastou apenas as modificações trazidas pelo §1°, do artigo 3°, da Lei 9.718/98. Com isso não é possível abarcar no comando da norma individual e concreta do mandado de segurança a inconstitucionalidade de outros artigos ou da Lei nº 9.718/98 como um todo. A sentença, ao consignar a expressão "incidindo a legislação anterior" no dispositivo, referese à validade da Lei nº 9.718/98 antes da inclusão do §1º ao art. 3º, já considerar que a expressão referese à aplicação da LC 70/91 tornaria inócuo o comando judicial. Por conseguinte, ao afastar a aplicação do dispositivo considerado inconstitucional, ou seja, o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, restaram incólumes as disposições do caput e do §2º do mesmo artigo, o que autoriza o entendimento de que a base de cálculo da COFINS é a receita operacional bruta, ou seja, estariam aí inclusas as receitas auferidas relativas às atividadesfim da contribuinte, o que importaria na inclusão das receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras. A despeito r. decisão no mandado de segurança, é de se sustentar, que a discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 17 8 para fins de incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF, sobre o que se discorrerá a seguir. BASE DE CÁLCULO DA COFINS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Consoante à dicção do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo das contribuições de COFINS é o faturamento, equivalente à receita bruta, que corresponde à receita decorrente das atividades típicas, próprias da pessoa jurídica em cada ramo de atividade econômica", não se limitando à venda de mercadorias e prestação de serviços. A noção de faturamento está intrinsecamente relacionada ao resultado financeiro decorrente do exercício das atividades principais das empresas, ou seja, aquelas vinculadas ao seu objeto e que se referem, em regra, à maior parcela da entrada de valores da pessoa jurídica, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva e também aos que regem a seguridade social, como da universalidade, solidariedade e equidade na forma de participação do custeio. Assim, no caso em comento, tendo em vista que as receitas financeiras resultam de operações desenvolvidas pela Recorrente no desempenho de sua atividade empresarial típica, de rigor a incidência da COFINS sobre tais receitas financeiras. A declaração de inconstitucionalidade do §1° do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo pleno do STF no RE 357.950, RE 390.840, RE 358.273 e RE 346.0841 não implica que as receitas financeiras, bem como as rendas de operações de crédito com empréstimos e financiamentos, não estejam sujeitas à COFINS, devendo essas serem tributadas quando compreendidas no conceito de faturamento. Confirase o teor dos precedentes: CONSTITUCIONAL. LEGISLAÇÃO APLICADA APÓS O RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO SUPREMO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS AUFERIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. 1 “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 18 9 MATÉRIA ESPECÍFICA NÃO PREQUESTIONADA. DECISÃO DE RECONSIDERAÇÃO QUE ALTERA O CONTEÚDO DECISÓRIO E CONTRARIA AS RAZÕES DE DECIDIR DA DECISÃO RECONSIDERADA. REABERTURA DE PRAZO PARA RECORRER. AGRAVO IMPROVIDO. I O STF não tem competência para determinar, de imediato, a aplicação de eventual comando legal em substituição de lei ou ato normativo considerado inconstitucional. II A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Ausência de prequestionamento da primeira matéria, que impossibilita a análise do recurso quanto ao ponto. III Alteração da parte dispositiva de decisão, de forma a contrair ou exceder os fundamentos mantidos na decisão modificada, não configura mera correção de erro de fato, mas caracteriza nova decisão, a justificar a reabertura do prazo para recurso. IV Agravo regimental improvido. RE 582.258 AgR AgR / MG, DJ 14/05/2010. TRIBUTÁRIO. PIS. PREVIDÊNCIA PRIVADA E SEGUROS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITAS DECORRENTES DE ATIVIDADES TÍPICAS. 1. O faturamento das impetrantes se compõem de todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, englobando suas receitas financeiras, não se limitando às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços. 2. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, o “conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais." (RE 371.258 AgR, Relator Ministro CEZAR PELUSO). 3. Apelação e remessa oficial a que se dá provimento para denegar a segurança. (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, AMS 0035023 74.2007.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 03/10/2013, eDJF3 Judicial 1 DATA: 10/10/2013). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO LEGAL. ARTIGO 557, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO A APELAÇÃO E À REMESSA OFICIAL. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS: EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS TENDO COMO BASE DE CÁLCULO AS "RECEITAS FINANCEIRAS". CABIMENTO. CONCEITO DE Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 19 10 FATURAMENTO (RECEITA BRUTA OPERACIONAL). AGRAVO LEGAL IMPROVIDO. 1. A declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não aproveita as instituições financeiras, pois recolhem as contribuições para o PIS e COFINS com supedâneo nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo que permaneceram incólumes perante o STF tendo por base de cálculo a receita bruta operacional, assim entendido o resultado de suas atividades empresariais típicas. 2. Mesmo após a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo ocorrida em recursos extraordinários (REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084) que afastaram as receitas "não operacionais" do âmbito do faturamento, obviamente que sobejaram no entendimento da Suprema Corte, quanto a composição do faturamento, as demais realidades econômicas qualificadas como ingressos próprios da atividade empresária, que no caso das instituições financeiras e seguradoras obviamente açambarcam as receitas financeiras; convém recordar que o STF declarou que as entidades financeiras são prestadoras de serviços (ADIN nº 2.591, Plenário, Rel. Min. Eros Grau, DJ de 04.05.2007); se efetivamente o são, resta evidente que os ingressos derivados da intermediação e aplicação de recursos são receitas operacionais (financeiras) que integram o faturamento singular das entidades e instituições financeiras (e seguradoras) e, portanto, base de cálculo de PIS/COFINS, restando salutar a recordação de que segundo o entendimento do STF, a receita bruta e o faturamento são termos equivalentes para fins jurídicos, sem embargo de haver distinções técnicas entre as referidas espécies apenas na seara contábil (por exemplo, ARE 643823 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 05/02/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe053 DIVULG 19032013 PUBLIC 20032013). Rememorese também que ainda para o STF o conceito constitucional de faturamento, inscrito no art. 195, I, da Constituição, equivale a receita bruta advinda tanto da venda de mercadorias quanto da prestação de serviços (por exemplo, RE 396514 AgRAgRsegundo, Relator (a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 20/11/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe241 DIVULG 07122012 PUBLIC 1012 2012 RDDT n. 210, 2013, p. 194202) e sendo as instituições financeiras sociedades empresárias dedicadas a esse segundo segmento econômico, a receita da prestação dos serviços (exceto as "não operacionais") a que se dedica compõem o faturamento, 3. Para as instituições financeiras e seguradoras, a chamada receita financeira é da essência de suas finalidades e atividades como sociedades empresárias, é consequência das operações próprias de seus objetivos sociais. Nesse cenário econômico, repitase, as receitas financeiras compõem as receitas das atividades típicas dessa espécie empresarial, que evidentemente ostenta capacidade contributiva e deve, portanto, contribuir à vista da solidariedade a quem alude o caput do art. 195 da Constituição. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 20 11 4. Agravo legal improvido. (TRF 3ª Região, SEXTA TURMA, APELREEX 0011124 18.2005.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO, julgado em 26/09/2013, eDJF3 Judicial 1 DATA: 04/10/2013). DIREITO PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INOMINADO. ART. 557 DO CPC. PIS/COFINS. LEIS 9.718/98, 10.637/2002 E 10.833/2003. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA. RECURSO DESPROVIDO. (...) 3. Os artigos 8º, inciso I, da Lei 10.637/02, e 10, inciso I, da Lei 10.833/03, afastam, expressamente, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado da sistemática da não cumulatividade, sujeitandoa a legislação vigente anteriormente, enquanto permanecerem em tal regime. 4. O conceito de faturamento, por sua vez, mesmo sem a majoração do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, não exclui as receitas decorrentes de operações típicas da atividade empresarial, como as oriundas da locação de bens imóveis e as receitas financeiras, no caso de instituições desta natureza ou equiparadas, conforme jurisprudência consolidada. (...) (TRF 3ª Região, TERCEIRA TURMA, AI 0026003 16.2013.4.03.0000, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS MUTA, julgado em 17/07/2014, eDJF3 Judicial 1 DATA: 22/07/2014). Quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Pleno do STF (RE 357.950, RE 390.840, RE 358.273 e RE 346.084), em relação à base de cálculo da COFINS, no que pertine às instituições financeiras, temse o seguinte: No julgamento do RE 390.840/MG, concluise do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que se considera receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Por sua vez, no votovista do Ministro Cezar Peluso, depreendese que faturamento ou receita bruta é o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo das contribuições. Concluiu o Ministro em seu voto: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”... Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 21 12 Quanto ao caput do art. 3º, julgo constitucional, para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. O Ministro Peluso, em esclarecimentos, enfatizou: Quando me referi ao conceito construído, sobretudo, no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. Da análise desses precedentes do STF, observase que restou, portanto, assentado que faturamento é o produto das atividades típicas, ou seja, os ingressos que decorram do objeto social da empresa. Ademais, o alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmouse a jurisprudência consolidada pelo STF nos leading cases: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 22 13 mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.... Restou pacificado que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não afastou a tributação sobre as receitas oriundas do exercício das atividades empresarias típicas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Salientase, porém, que a incidência de PIS e COFINS, especificamente, sobre as receitas financeiras das instituições financeiras está sendo julgada no RE 609.096/RS, no qual foi reconhecida a repercussão geral do tema, o que implica reconhecer que a matéria não foi objeto dos julgamentos dos RE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG e, consequentemente, ainda não foi decidida pela Suprema Corte. Apesar de o STF ter posicionamento assentado no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, não o tem sobre a delimitação do que seriam “receitas financeiras” de instituições financeiras (como a Recorrente), e se comporiam a base de cálculo das contribuições. O tema, como dito, está presente no RE nº 609.096/RS, de reconhecida repercussão geral (Tema 372). Porquanto, resta ilógico entenderse que o segundo tema resta abarcado por decisão proferida em relação ao primeiro. Nesse sentido, a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03/06/2014). Em vista disso, afasto a alegação da Recorrente de que a receita tributável pela COFINS seria a receita bruta advinda exclusivamente da venda de mercadorias e/ou prestação de serviço. Portanto, as receitas decorrentes das atividades do setor financeiro estão sujeitas à incidência das contribuições da COFINS, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.002226/200736 Acórdão n.º 3301003.016 S3C3T1 Fl. 23 14 mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, considerado inconstitucional pelo STF e incidentalmente pelo referido Mandado de Segurança. CONCLUSÃO De acordo com o objeto social da Recorrente, as receitas financeiras constituemse como receitas operacionais, as quais se enquadram no conceito de faturamento para fins de cálculo da COFINS, portanto, deve ser mantida a decisão administrativa de primeira instância em sua integralidade, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para não homologar as compensações efetuadas, objeto desse processo. Sala de Sessões, em 23 de junho de 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 12326.002045/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave deve ser comprovada a natureza dos proventos (se aposentadoria e/ou pensão por morte, por exemplo) e a sua condição de saúde atestada por laudo médico oficial. No presente caso, ante a comprovação de todos os requisitos, deve ser anulado o lançamento do crédito tributário suplementar.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave deve ser comprovada a natureza dos proventos (se aposentadoria e/ou pensão por morte, por exemplo) e a sua condição de saúde atestada por laudo médico oficial. No presente caso, ante a comprovação de todos os requisitos, deve ser anulado o lançamento do crédito tributário suplementar. Recurso Voluntário Provido.
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave deve ser comprovada a natureza dos proventos (se aposentadoria e/ou pensão por morte, por exemplo) e a sua condição de saúde atestada por laudo médico oficial. No presente caso, ante a comprovação de todos os requisitos, deve ser anulado o lançamento do crédito tributário suplementar. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 20 45 /2 01 0- 13 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 12326.002045/201013 Acórdão n.º 2401004.426 S2C4T1 Fl. 101 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1340.463 (fls. 62/67), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ2), que julgou improcedente a impugnação (fl. 03) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que a interessada é portadora de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A notificação de lançamento nº. 2007/607450871895114 de fls. 06/09, exigiu do contribuinte, em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos, o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 17.589,00 decorrente do procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl.07) a fiscalização informa o lançamento de R$ 76.148,84 correspondente à Omissão de Rendimentos Recebidos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, nos seguintes termos: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 Em sede de impugnação, o contribuinte, alegou, em síntese: a) Que foi entregue o IRPF em 27/04/2007, com saldo a pagar de R$ 3.459,959 (em 8 prestações de R$ 432,49). b) Que foi feita uma retificadora devido isenção por moléstia grave para usufruir deste benefício, não aceito pela SRF, portanto não houve omissão de rendimento. O resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento SRL foi deferido parcialmente, conforme acostado à fl. 52. Intimado do acórdão da DRJ/RJ2 em 31/01/2014 (A.R. fl. 72), que julgou improcedente a sua impugnação, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 78/82) em 25/02/2014, onde alega: a) Foi considerado indevidamente como não recolhido o imposto de renda apurado em sua declaração de 2007, ano base 2006, apresentada em 27/02/2007, cujo total a pagar totalizava R$ 3.459,95, a ser pagos em 08 parcelas de R$ 432,49, cujos os pagamentos foram apresentados aos agentes administrativos, bem como em sua defesa anterior. (Doc 1) b) A desconsideração dos efetivos pagamentos retira do Recorrente seu direito de defesa e, assim sendo, não pode proceder, pois provavelmente conduziu o julgador de primeira instância ao erro. c) Anexa ao recurso a comprovação do pagamento das 08 parcelas por ele recolhidas, conforme planilha demonstrativa dos valores declarados e recolhidos em anexo (Doc 04/08) É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 12326.002045/201013 Acórdão n.º 2401004.426 S2C4T1 Fl. 102 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, inciso XIV, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, a qual trata de isenção por moléstia grave e moléstia profissional, assim dispõe: Art.6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira,hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. O artigo 30 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 dispõe: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Ainda, a Instrução normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, normatizou o disposto no art. 6°, XIV da Lei n° 7.713, de 1988, e alterações posteriores , assim esclarecendo: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 6 (...) §1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo Pericial. Importante destacar que o fundamento dos rendimentos considerados omitidos se deu ante a não comprovação, por meio de documentos, que atestassem que tais rendimentos fossem proventos de aposentadoria ou pensão. Como podese depreender dos diplomas legais acima citados, há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um diz respeito à natureza dos valores recebidos, os quais devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro, se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Foi trazido ao processo laudo médico assinado por médico perito (fl. 21/24) a fim de comprovar a moléstia grave, sendo suprida a exigência legal de o laudo ser emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Já no que se refere aos documentos trazidos em sede de impugnação para comprovar à natureza dos valores recebidos, foi reconhecido ser o contribuinte aposentado do Instituto Nacional do Seguro Social, auferindo rendimentos de complementação de aposentadoria da Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros no anocalendário em tela (fls. 28/39). A DRJ/RJ2, portanto, decidiu no sentido de não reconhecer a isenção do contribuinte por moléstia grave, eis que ausente uma das condições cumulativas, qual seja, a natureza dos rendimentos. Pois bem. Entendo comprovado o requisito exigido na notificação de lançamento de fls. 06/09, atestando a existência de moléstia grave desde período anterior ao do anocalendário objeto de lançamento (2006), devendo ser afastado o lançamento de crédito tributário suplementar. No que se refere aos pagamentos das Darfs trazidas aos autos como prova, poderá o contribuinte pleitear a compensação destes valores pelo sistema PER/DCOMP, junto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, desde que observado o prazo decadencial e que estes sejam de fato pagamentos indevidos ou a maior. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 12326.002045/201013 Acórdão n.º 2401004.426 S2C4T1 Fl. 103 7 CONCLUSÃO Ante, o exposto, voto por CONHECER E DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001288/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2102-000.108
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do Recurso, na forma do artigo 62A,
caput e §1º do Anexo II do RICARF.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 15586.001288/200839 Resolução nº 2102000.108 S2C1T2 Fl. 382 2 Relatório Contra ANTONIO JOSE MONTI foi lavrado Auto de Infração, fls. 288/292, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2003, exercício 2004, no valor total de R$2.877.757,95, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/07/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 217/287, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.298/312, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/BSB nº 0340.923, de 10/12/2010, fls. 319/329. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 03/03/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 333, o contribuinte apresentou, em 01/04/2011, recurso voluntário, fls. 356/367, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Da ilegalidade de presumirse depósito bancário como renda – A lei não ampara e jamais amparou a tributação pura e simples dos depósitos bancários. Para que o depósito bancário se transforme em renda tributável, é necessário que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida. Dos rendimentos constantes da declaração – Desconsideração ilegal e abusiva dos rendimentos, inclusive os derivados da atividade rural – Uma parcela dos recursos constantes das contas do contribuinte é proveniente do valor de R$200.000,00 em espécie, como faz prova a declaração de IRPF. Outra fonte originária de recursos foi a venda da Fazenda Nova Vitória, no valor de R$300.000,00, também informada na DIRPF. Foram tributados empréstimos bancários, nos valores de R$ 127.000,00, R$ 23.000,00 e R$ 23.400,00, recebidos em 05/08, 14/05 e 26/06, respectivamente, conforme demonstram os extratos bancários. A autoridade fiscal desconsiderou por completo todos os rendimentos da atividade rural e não levou em consideração os empréstimos efetuados a pessoas físicas pelo contribuinte, mediante percepção de 1% a 1,5%. Da circulação/recirculação de valores entre as contas correntes do recorrente – Na forma dos extratos enviados ao Fisco, resta evidenciado que os valores em questão transitaram entre as contascorrentes do recorrente, ou seja, não houve entrada de novos recursos e sim a "recirculação" do dinheiro entre as contas, tudo na forma das análises numéricas constantes da impugnação. Da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário do recorrente Na julgamento do RE n° 389.808PR, ocorrido no dia 15/12/2010, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da quebra indiscriminada do sigilo fiscal, sem autorização judicial. É o Relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 15586.001288/200839 Resolução nº 2102000.108 S2C1T2 Fl. 383 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o Fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria, pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o Fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 15586.001288/200839 Resolução nº 2102000.108 S2C1T2 Fl. 384 4 repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No presente caso, o contribuinte questiona a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, sendo relevante observar que os extratos bancários que deram causa ao lançamento foram obtidos mediante a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), fls. 47, 155, 179, 201 e 208. Assim, devese sobrestar o julgamento do recurso voluntário, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Ante o exposto, voto no sentido de sobrestar o julgamento do recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Numero do processo: 10283.005993/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2007
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Após a vigência do art. 4º da LC nº 118/2005 o prazo prescricional para apresentar pedido de restituição é de cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido.
COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DO VALOR DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para exclusão do ICMS incidente sobre as vendas da base de cálculo da Cofins. O ICMS compõe a receita ou o faturamento para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PAF. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS. IMPUGNAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Nos termos dos art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação ou a manifestação de inconformidade delimitam o momento processual para apresentação dos elementos de prova. Não é possível a permissão de produção posterior de provas para situações em tese.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-003.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário em relação ao transcurso do prazo de prescrição do pedido de restituição. Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação à possibilidade de exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Vencidos os Conselheiros Marcelo, Maria Eduarda, Semíramis e Valcir. Por unanimidade de votos, em negar provimento quanto a possibilidade de posterior apresentação de provas. Conselheiros Marcelo e Maria Eduarda acompanharam pelas conclusões.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira (suplente), Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2007 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Após a vigência do art. 4º da LC nº 118/2005 o prazo prescricional para apresentar pedido de restituição é de cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DO VALOR DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para exclusão do ICMS incidente sobre as vendas da base de cálculo da Cofins. O ICMS compõe a receita ou o faturamento para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PAF. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS. IMPUGNAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Nos termos dos art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação ou a manifestação de inconformidade delimitam o momento processual para apresentação dos elementos de prova. Não é possível a permissão de produção posterior de provas para situações em tese. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRESCRIÇÃO. Após a vigência do art. 4º da LC nº 118/2005 o prazo prescricional para apresentar pedido de restituição é de cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DO VALOR DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para exclusão do ICMS incidente sobre as vendas da base de cálculo da Cofins. O ICMS compõe a receita ou o faturamento para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PAF. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS. IMPUGNAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Nos termos dos art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação ou a manifestação de inconformidade delimitam o momento processual para apresentação dos elementos de prova. Não é possível a permissão de produção posterior de provas para situações em tese. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 59 93 /2 00 7- 15 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10283.005993/200715 Acórdão n.º 3301003.004 S3C3T1 Fl. 633 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário em relação ao transcurso do prazo de prescrição do pedido de restituição. Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação à possibilidade de exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Vencidos os Conselheiros Marcelo, Maria Eduarda, Semíramis e Valcir. Por unanimidade de votos, em negar provimento quanto a possibilidade de posterior apresentação de provas. Conselheiros Marcelo e Maria Eduarda acompanharam pelas conclusões. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira (suplente), Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10283.005993/200715 Acórdão n.º 3301003.004 S3C3T1 Fl. 634 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborada pela decisão recorrida, abaixo transcrito: O contribuinte acima identificado solicitou restituição de parte da Cofins referente ao período compreendido entre abril de 2002 e março de 2007, no valor total de R$ 17.733.838,67, manifestando entendimento de que a contribuição não poderia incidir sobre o ICMS, uma vez que o mesmo não constitui receita própria da empresa. Apresentou também as declarações de compensação eletrônicas relacionadas na fl. 210, através das quais utilizou o crédito requerido. 2. A DRF Manaus indeferiu o pleito e considerou não homologadas as compensações (fls. 209/220) sob a alegação de que inexiste previsão legal para a exclusão pretendida, ressaltando ainda haver ocorrido a decadência do direito relativos aos PA’s 04/2002 a 09/2002, uma vez que o presente pedido foi protocolizado somente em outubro de 2007. Alertou ainda, quanto à alegação de ilegalidade de artigos de leis, que tal apreciação escapa à competência da autoridade administrativa, sendo matéria reservada ao poder judiciário. 3. Conforme despacho de fl. 304, a Unidade detectou que havia deixado de relacionar algumas declarações de compensação apresentadas anteriormente ao despacho decisório inicial, sendo necessária sua apreciação. Dessa forma, foi expedido Parecer e Despacho Decisório complementares (fls. 317/327) através dos quais as referidas Dcomp foram consideradas não homologadas. 4. Novamente, conforme despacho de fl. 340, foi detectada a não apreciação de novas Dcomp, sendo expedido outros Parecer e Despacho Decisório complementares (fls. 359/370) através dos quais as Dcomp citadas também foram consideradas não homologadas. 5. Cientificada dos Despachos Decisórios em 18.12.2008 (AR fl. 341), em 26.02.2009 (AR fl. 426) e em 01.04.2009 (AR. fl. 370 –v.), a interessada apresentou, tempestivamente, manifestações de inconformidade nas quais, em síntese: a) Defende o direito à restituição relativamente a todo o período requerido, manifestandose no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o direito à repetição prescreve somente após o decurso de prazo de dez anos contados do pagamento; b) Argumenta que “durante a vigência da Lei n° 9.718/98 ou das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, que instituíram a nãocumulatividade da Contribuição ao PIS e da Cofins, a incidência desses tributos, antes limitada ao conceitoespécie ‘faturamento’ e hoje com alcance estendido ao conceitogênero ‘receita’ da pessoa jurídica, sequer tangencia receitas de outra pessoa que não o sujeito passivo, como ocorre no caso da parcela do ICMS destacada nas notas fiscais de vendas de mercadorias, por força impeditiva de disposições expressas e princípios constitucionais, ainda valores transitem por sua contabilidade”; c) Afirma que “nem sempre o ingresso de capitais ou recursos financeiros na sociedade representa a entrada de receitas, mormente quando apartadas da aquisição do direito patrimonial sobre eles, como ocorre no caso do ICMS incidente Fl. 635DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10283.005993/200715 Acórdão n.º 3301003.004 S3C3T1 Fl. 635 4 sobre a venda de mercadorias, cujo ônus econômico é repassado ao consumidor final e que encontra no citado contribuinte de direito apenas um agente arrecadador, o qual não sente reflexo algum em seu patrimônio”; d) “Ora, diante da extensa conceituação de receita acima disposta, surge claro que o ICMS destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da Contribuição ao PIS, seja de seu critério material, seja de seu critério subjetivo, como se queira. Ou seja, a requerente não pode suportar a incidência de Contribuição ao PIS sobre valores que apenas transitam por seus cofres em direção aos cofres públicos!” 5. Solicita, ao final, que seja dado integral provimento à manifestação de inconformidade, com o deferimento do pedido de restituição dos valores pagos indevidamente a título de Cofins, acrescido de juros com base na variação da Taxa Selic desde a data do pagamento, bem como a homologação das compensações efetivadas e a possibilidade de juntada de novas provas. Ao julgar referidas manifestações de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/Belém proferiu o Acórdão nº 0115.306, de 06/10/2009, o qual possui a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2002 a 31/03/2007 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. O prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior ou indevidamente a título de tributos e contribuições, inclusive aqueles submetidos à sistemática do lançamento por homologação, é de cinco anos contados da data do efetivo pagamento. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pelas contribuições PIS e Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 PROVA. O contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 636DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10283.005993/200715 Acórdão n.º 3301003.004 S3C3T1 Fl. 636 5 Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual apresenta basicamente os mesmos argumentos tecidos em suas manifestações de inconformidade. Em 25/04/2012, por meio do Despacho de efl. 585, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento determinou o sobrestamento do presente processo com fundamento no art. 62A do então Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações das Portarias MF 446/2009 e 586/2010, considerando que a matéria em julgamento, exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins era objeto do recurso extraordinário nº RE 574.706 com repercussão geral reconhecida pelo STF. Posteriormente, em março/2016, o presente processo foi sorteado a esse relator, para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10283.005993/200715 Acórdão n.º 3301003.004 S3C3T1 Fl. 637 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atendem aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme relatado o julgamento deste processo estava sobrestado em função do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Porém, o atual Regimento Interno do CARF não prevê mais a figura do sobrestamento por dependência de julgamento de recurso extraordinário pendente de julgamento com repercussão geral reconhecida. Portanto não existe mais razão para a permanência do processo no referido sobrestamento. Prazo prescricional para pedir restituição Essa questão já está decidida de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Quando o contribuinte apresentou o pedido de restituição, em 04/10/2007, já estava em vigor a LC nº 118/2005 que estabelece o prazo de 5 anos contados do pagamento indevido, para os pedidos protocolizados a partir de 09/06/2005, independente da data do fato gerador. Assim, foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621 sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10283.005993/200715 Acórdão n.º 3301003.004 S3C3T1 Fl. 638 7 Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, para os pedidos de restituição apresentados após 09/06/2005, a contagem do prazo prescricional se dá em cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido, por força da aplicação do art. 4º da LC nº 118/2005. Portanto não há qualquer reparo a ser efetuado nas decisões recorridas que decidiram pela prescrição do direito de pedir restituição em relação aos pagamentos efetuados antes de 04/10/2002. Exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins O suposto direito creditório alegado pelo contribuinte está amparado somente na questão da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. Segundo o recorrente seriam inconstitucionais os dispositivos das Leis nº 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003 por incluírem na base de cálculo do PIS e da Cofins o ICMS incidente nas operações de venda. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10283.005993/200715 Acórdão n.º 3301003.004 S3C3T1 Fl. 639 8 Como ele teria efetuado seus pagamentos com esta inclusão, e sendo certo o seu entendimento, estaria sobrando créditos que pretende ver compensados com os débitos apresentados em DCOMP. Em seu recurso o recorrente apresenta excertos doutrinários sobre conceito de receitas e defende que o ICMS é uma receita pública dos Estados que só transita pela contabilidade dos contribuintes, sendo certo que não compõe nem o faturamento e nem receita que seriam o permissivo constitucional do art. 195 da CF para incidência das contribuições ao PIS e a Cofins. Apresenta trechos do voto proferido pelo Ministro do STF, Marco Aurélio Mello, quando do julgamento do RE 240.7852/MG, o qual avaliza o seu entendimento. Esta matéria está em análise pelo STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADC nº 18, e ainda não foi julgada por aquele tribunal. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Da mesma forma assim ocorre com o PIS e a Cofins nãocumulativa. Junto ao Superior Tribunal de Justiça esta matéria já encontrava se pacificada nos termos das súmulas 68 e 94, abaixo transcritas: Súmula 68: A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do pis. Súmula 94: A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. Por fim, entendo que o ICMS integra o faturamento, que é o fato gerador do PIS e da Cofins, não havendo qualquer contrariedade à Constituição Federal, uma vez que ela mesma determina que o ICMS integra a sua própria base de cálculo. Veja como está disposto no art. 155 da CF: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: XII cabe à lei complementar: i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço.(grifei) Fl. 640DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10283.005993/200715 Acórdão n.º 3301003.004 S3C3T1 Fl. 640 9 Ainda que assim não fosse, reconhecer este direito ao contribuinte implicaria afastar a aplicação de lei tributária, por inconstitucionalidade, o que não é permitido aos julgadores desta instância administrativa. Nestes termos, citase a súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Possibilidade de produção de prova após a impugnação O contribuinte teve indeferido pela decisão recorrida o seu pedido de apresentação posterior de provas. A negativa teve como fundamento os art. 15 e 16, inc. III, § 4º do Decreto nº 70.235/72. O recorrente discorda afirmando que o próprio art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 apresenta uma exceção à regra, aceitando a produção de provas nos casos de impossibilidade de sua apresentação anterior por motivo de força maior, em relação a fatos supervenientes ou para contrapor fatos posteriormente trazido aos autos. Tudo isso em nome do princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal. Não tem razão o recorrente. Não existe possibilidade de se autorizar previamente a produção posterior de provas. Não tem como prever antecipadamente, somente em tese, a ocorrência de força maior. Naturalmente que o dispositivo legal acima citado, que prevê a possibilidade de produção posterior de prova, irá proteger o contribuinte, ocorrendo a necessidade processual concreta e demonstrada a ocorrência de força maior ou fatos supervenientes. Porém a delimitação legal para a apresentação de provas está prevista nos art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, os quais prevêem que as provas devem ser apresentadas no momento da Manifestação de Inconformidade ou da Impugnação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 641DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10580.734085/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE -RENDIMENTOS ISENTOS - MOLÉSTIA GRAVE - MILITAR TRANSFERIDO PARA RESERVA REMUNERADA
Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 40 85 /2 01 1- 64 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.734085/201164 Acórdão n.º 2401004.349 S2C4T1 Fl. 81 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1146.869 (fls. 56/61), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC), que julgou improcedente a impugnação (fls. 02/06) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. RESERVA REMUNERADA. INADMISSIBILIDADE. O reconhecimento da isenção prevista no RIR/99, art. 39, XXXIII (portadores de moléstia grave), requer o cumprimento de dois requisitos: rendimento ter natureza de aposentadoria, reforma ou pensão e comprovação, por meio de laudo médico oficial, da existência de doença mencionada na lei. Por ausência de amparo legal, referida isenção não se estende aos proventos oriundos de reserva remunerada, ainda que o militar seja portador de moléstia grave. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Notificação de Lançamento nº. 2010/288505842208022 de fls. 08/12 apurou do contribuinte, a redução do saldo do imposto a restituir de R$ 22.935,37 para R$ 3.251,09. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 11) a fiscalização informa os rendimentos indevidamente considerados como isentos por Moléstia Grave devido a Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado, nos seguintes termos: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que é portador de moléstia grave, detectada em janeiro de 2008, fazendo jus à isenção tributária, nos termos do artigo 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88, que, expressamente preveem os casos de rendimentos isentos e não tributáveis. Alegou, ainda, que o laudo anexado confirma os fatos por si narrados, tendo sido apresentando a sua única fonte pagadora, o Exército Brasileiro, o qual passou a reconhecer a isenção, deixando de reter o tributo em seus pagamentos subsequentes. Informou que ao tomar conhecimento desse direito à isenção desde o diagnóstico, o recorrente retificou sua Declaração de Ajuste Anual – DIRPF referente ao ano calendário de 2008, bem como entregou a DIRPF referente ao anocalendário de 2010, lançando os rendimentos tributados na fonte pagadora, como deveriam ser considerados: isentos. Apresentou julgados a fim de confirmar que reserva e reforma são sinônimos de aposentadoria para os efeitos legais de isenção tributária, diferentemente da interpretação dada pelo fisco. Intimado do acórdão da DRJ/REC em 29/07/2014 (A.R. fl. 64), que julgou improcedente a sua impugnação, o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 66/70) em 28/10/2014, onde alega: a) Que era militar da reserva remunerada – situação de fato e de direito de aposentadoria para efeito da isenção pleiteada, como definido pelo CARF em súmula vinculante, desde junho de 2007, quando em janeiro de 2008 foi diagnosticada sua moléstia grave. b) Que os fatos declarados – estar na reserva remunerada e ter moléstia grave devidamente declarada em laudo – são suficientes para o gozo da isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria e foram devidamente comprovados documentalmente. c) Que, conforme julgamentos do Carf, reserva e reforma são sinônimos de aposentadoria para os efeitos legais de isenção tributária. d) Requer seja acolhido o seu recurso, a fim de reconhecer o direito à isenção e recalculado o tributo devido nos anos – calendário de 2008 e 2009 para lançar os valores antes considerados tributáveis como isentos e Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.734085/201164 Acórdão n.º 2401004.349 S2C4T1 Fl. 82 5 devolvidos com a devida correção os valores retidos e/ou pagos nesses anoscalendário, inclusive 13° salário. e) Da moléstia grave: alega estar devidamente comprovado ser portador de moléstia grave, por meio de laudo médico pericial (apresentado em sede de impugnação). É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Como relatado acima, a Notificação de Lançamento nº. 2010/288505842208022 de fls. 08/12 originase da GLOSA de deduções rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, conforme sua DIRPF (fls. 21/24). Em sede de impugnação o contribuinte informa que retificou sua Declaração de Ajuste Anual – DIRPF referente ao anocalendário de 2008, bem como entregou a DIRPF referente ao anocalendário de 2010, lançando os rendimentos tributados na fonte pagadora, como deveriam ser considerados: isentos. Já em sede de recurso voluntário (fls. 66/70) o recorrente direciona todas as razões da peça recursal, para defender a sua condição de militar da reserva remunerada, bem como ao fato de ser portador de moléstia grave – demência e, assim, que faria jus a isenção do imposto de renda incidente sobre os seus rendimentos (que alega serem proventos de reserva remunerada – o que, para o contribuinte, seria sinônimo de aposentadoria). Nos termos do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Acerca do reconhecimento das doenças relacionadas nos incisos acima, foi editada a Lei nº. 9.250/95, que assim dispôs no seu artigo 30: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.734085/201164 Acórdão n.º 2401004.349 S2C4T1 Fl. 83 7 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifamos) § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Primeiramente, para que possamos adentrar na análise do gozo ou não da isenção, necessário se faz verificar a natureza dos rendimentos recebidos pelo recorrente que, como dito, declarou como “RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA PELO TITULAR” os seguintes valores (DIRPF fl. 31): Declarou, ainda, o recebimento de valores a título de “RENDIMENTOS ISENTOS E NÃOTRIBUTÁVEIS – “Pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço”, no montante de R$ 134.303,40, conforme DIRPF à fl. 32. Assim, façamos o seguinte corte processual: a) A Notificação de Lançamento originase na glosa de deduções declaradas pelo recorrente. Estas glosas foram contestadas? Sim b) Comprovando o recorrente que faz jus a isenção do imposto de renda sobre os valores recebidos a título de “pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave”, há repercussão ao presente lançamento? Sim. Assim, se verificado que o recorrente percebe valores a título de “proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave”, conforme alegado pelo próprio e acaso se entenda que este é portador de moléstia que implique na isenção prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº. 7.713/88, já reproduzidos, este lançamento deixará de subsistir, posto que a base de cálculo para o lançamento de imposto complementar é justamente o montante declarado pelo contribuinte em sua DIRPF como “rendimento tributável”. Ocorre que, no presente caso, partimos da análise da DIRPF (fls. 31/32) e nela está inserida a informação, pelo próprio recorrente, de que recebeu rendimentos tributáveis das pessoas jurídicas COMANDO DO EXÉRCITO (CNPJ nº. 00.394.452/053304). A questão que se apresenta no caso em tela é se o contribuinte, ainda que comprovado que seja portador de moléstia grave, reúne as condições impostas pela legislação Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 para fazer jus à isenção pleiteada, se referido benefício fiscal se estende aos proventos oriundos de reserva remunerada. Tal matéria, vejase, está sumulada por este r. Conselho, ante a edição da Súmula CARF nº. 43: "Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda". Destaco que para a comprovação da sua condição de portador de moléstia grave, o Sr. Clovis Tadeu Nunes trouxe ao processo administrativo o seguinte documento: Laudo Médico (fl. 17) datado de 16/08/2011, apresentado em sede de impugnação. Assim, ante as provas apresentadas, entendo aplicável ao recorrente a isenção por ser portador de Demência, nos termos dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº. 7.713/88 acima. Portanto, os rendimentos isentos são os proventos de aposentadoria e pensão por morte, bem como de reservaremunerada, sendo que no presente caso, equiparase a natureza dos rendimentos recebidos pelo Sr. Clovis Tadeu a título de militar da reserva remunerada à aposentadoria. Isto posto, ante as razões apresentadas a fim de contestar as glosas realizadas pela autoridade fiscal que ensejaram o presente lançamento, bem como a aplicação da Súmula CARF nº. 43 acima reproduzida, entendo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário do contribuinte e, portanto, anulada a notificação de lançamento nº. 2010/288505842208022, que alterou o valor do imposto de renda a restituir do ora recorrente. CONCLUSÃO Ante, o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000147/2003-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 1998
NORMAS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL REQUISITOS.
Nos termos do art. 67 do RICARF, é requisito indispensável do recurso especial a comprovação da divergência interpretativa entre colegiados distintos acerca de fatos ao menos assemelhados. Não se assemelham situações em que, de um lado, a mercadoria a ser exportada é a mesma importada, flagrante, pois, a fungibilidade entre elas e, de outro, tem-se a necessidade de importar matéria prima a ser processada para o surgimento do produto a ser exportado, ainda que ambas, recorrida e paradigma, cuidem do regime especial de drawback na modalidade suspensão.
Numero da decisão: 9303-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Designado para redigir o acórdão.
EDITADO EM: 26/10/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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RECURSO ESPECIAL REQUISITOS. Nos termos do art. 67 do RICARF, é requisito indispensável do recurso especial a comprovação da divergência interpretativa entre colegiados distintos acerca de fatos ao menos assemelhados. Não se assemelham situações em que, de um lado, a mercadoria a ser exportada é a mesma importada, flagrante, pois, a fungibilidade entre elas e, de outro, temse a necessidade de importar matéria prima a ser processada para o surgimento do produto a ser exportado, ainda que ambas, recorrida e paradigma, cuidem do regime especial de drawback na modalidade suspensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Designado para redigir o acórdão. EDITADO EM: 26/10/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 01 47 /2 00 3- 78 Fl. 909DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/10/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) Relatório Designoume o Presidente da CSRF para a redação do acórdão relativo à decisão que, por unanimidade, não conheceu do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, visto que o Relator, Conselheiro Rodrigo Miranda, renunciou ao mandato sem o ter apresentado à Secretaria. Em seu cumprimento, procurarei ser o mais fiel possível às posições defendidas pelo dr. Rodrigo ao longo dos quase quatro anos em que tive o privilégio de sua companhia no colegiado revisor. Tratase de recurso especial admitido apenas parcialmente consoante despacho de fls. assim redigido: Assim, proponho que o Recurso Especial deva ser admitido apenas em relação à segunda matéria suscitada – no que respeita à prevalência do Princípio da Equivalência e o compromisso de exportar, uma vez que restam atendidos os requisitos de admissibilidade de que trata o art. 67 do Anexo II da Portaria MF no 256, de 22/06/2009 – RICARF, em razão de existir identidade entre as matérias, tendo sido proferidas decisões pela própria CSRF distintas dando entendimento divergente à questão. No tocante à primeira matéria quanto ao erro no enquadramento legal e nulidade do auto de infração, não há qualquer divergência entre o julgado, não restando, pois, atendida a condição de admissibilidade ao art. 67 do mesmo RICARF. Proponho, portanto, que não seja admitido o Recurso Especial para essa matéria. Este despacho foi confirmado em reexame de admissibilidade promovido, na forma regimental, pelo Presidente da CSRF, de modo que o recurso apenas subiu com respeito à possibilidade de comprovar o cumprimento do compromisso de exportar firmado pelo correspondente Ato Concessório mediante a apresentação de Registros de Exportação de datas anteriores às importações que deveriam originar os produtos a serem exportados na forma compromissada. Para comprovação da divergência jurisprudencial, a recorrente apresentou paradigma assim ementado: Assunto: Regime Aduaneiro. Ano Calendário:199Drawback Suspensão. A essencialidade para fruição do Regime Aduaneiro Especial de Drawback está no compromisso de exportar e, uma vez cumprido tal compromisso, faz jus o contribuinte ao direito de não pagar os tributos incidentes na importação dos insumos com benefício fiscal. Fungibilidade. A fungibilidade dos insumos importados permite a substituição por similar do gênero, quantidade e qualidade, não descaracterizando a exportação objeto do compromisso do importador, no regime de Drawback, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/10/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10209.000147/200378 Acórdão n.º 9303003.281 CSRFT3 Fl. 11 3 No processo paradigmático, cuidavase de importação e exportação de álcool etílico mesmo produto, portanto e a recorrente pretendeu que exportações ocorridas antes das importações listadas no ato concessório, devidamente comprovadas, servissem para comprovar o cumprimento do regime, dada a expressa fungibilidade entre o que se importou e o que se exportou. No caso objeto da decisão recorrida, tratase de importação de determinadas matérias primas que são empregadas na produção de caulim a ser exportado, produtos distintos, pois. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Cumpro a seguir a difícil missão de reconstruir o voto do dr. Rodrigo, em função do qual o colegiado, por unanimidade, não conheceu do recurso do contribuinte. A missão é especialmente ingrata, pois bem conhecida a posição daquele ex conselheiro quanto à possibilidade de substituição da mercadoria importada por outra semelhante em qualidade e quantidade de modo a rejeitar o que se tem chamado de "princípio da vinculação física", aliás na exata linha da decisão apresentada como paradigmática. E essa dificuldade só se acentua pelo fato de a decisão ter sido tomada por unanimidade, isto é, que os demais conselheiros representantes dos contribuintes, também concordes em rejeitar o tal princípio, tenham acompanhado o n. relator na proposta de não conhecer do recurso especial. E ela avulta ainda mais quando se observa que mesmo nas contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional não há o pedido para que não se conhecesse do recurso apresentado. Elas enfrentam apenas o mérito e visam exatamente ao reconhecimento da necessidade da vinculação física. Nesses termos, a única circunstância que se pode extrair dos autos que diferencia a situação recorrida daquela objeto da decisão apresentada como paradigmática é que lá os produtos importados e exportados são exatamente os mesmos, não havendo qualquer operação de industrialização no mercado interno prévia à exportação que seja condição para o regime especial concedido. Com efeito, a empresa beneficiada com o regime especial se comprometia a exportar álcool, após a importação desse mesmo produto, álcool. E esse mesmo produto, importado e exportado, era igualmente produzido internamente pela beneficiária. No caso ora submetido ao colegiado superior, ao contrário, e na linha "normal" do regime especial de drawback, obtémse uma autorização para importar certas matérias primas não produzidas internamente pela beneficiária de modo a tornar possível a produção e posterior exportação de outro produto. Especificamente, importava a recorrente dois produtos químicos utilizados na produção de caulim. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/10/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Em nenhum dos relatórios das decisões precedentes pude ver atestado que o beneficiário do regime houvesse, de fato, conseguido comprovar ter exportado a quantidade compromissada no ato concessório objeto da fiscalização, para o que outras importações daqueles produtos químicos haveriam de ter sido realizadas, uma vez que o total supostamente exportado em muito superava aquele possível com as importações comprovadas. Aliás, quando questionado especificamente sobre esse ponto, ainda em primeiro grau administrativo, limitouse o contribuinte a dizer que não estava postulando a vinculação de produtos importados ao abrigo de outro ato concessório. Destarte, não havendo produção interna nem importação de produto equivalente em qualidade e quantidade que pudesse suprir a quantidade faltante, entendeu o colegiado não haver a necessária semelhança entre a situação dos autos e a do paradigma, negando, assim, admissibilidade ao recurso ofertado. E esse é o acórdão que me coube redigir. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 912DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/10/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 11610.001779/00-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992
Ementa:
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso especial, para considerar decaídos os créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no mês de julho/1990.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Demes Brito- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso especial, para considerar decaídos os créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no mês de julho/1990. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Demes Brito- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
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TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso especial, para considerar decaídos os créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no mês de julho/1990. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 17 79 /0 0- 10 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez. Relatório Tratase de Resolução, matéria posta a esta Câmara Superior, referente a solicitação de restituição/compensação da Contribuição para o Fundo de Investimento Social —F1NSOCIAL protocolado em 11/08/2000, recolhidos de acordo com os artigos 90, da Lei n° 7.689, de 15/12/88, 70, da Lei 7.787, de 30/06/89 e 1°, da Lei n° 8.147, de 28/12/90, atinentes aos períodos de apuração de julho de 1990 a março de 1992 (pagamentos efetuados de 01/08/1990 a 20/04/92 – cf. fls 16/22). A solicitação da requerente baseiase no fato de terem sido consideradas inconstitucionais as alterações na alíquota do FINSOCIAL. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo SP, se manifestou pela improcedência do pleito através de Despacho Decisório (fls. 49 a 51) indeferindo o pedido do contribuinte, com base no prazo fixado nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, e no Ato Declaratório SRF n° 096, de 26/11/99, por ausência de respaldo legal, considerando, assim, extinto o direito do contribuinte de pleitear a restituição ou compensação do crédito. Em sua defesa, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (fls. 62 a 78) alegando que o CTN, no seu art.165, impõe a Administração Pública o dever de restituição de tributo pago indevidamente, estando a decisão da DRF revestida de ilegalidade e imoralidade. A Câmara a quo deu parcial provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: FINSOCIAL O prazo decadencial de cinco anos para pedir a restituição dos pagamentos de Finsocial iniciase a partir da edição da MP 1110, de 30/08/1995, devendo ser reformada a decisão monocrática para,considerando a não decadência do direito de fazer esse pleito, para examinar a questão de mérito, além de se certificar se o contribuinte reveste a forma jurídica que o habilita a pleitear tal restituição. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 227/233, contestando o prazo decadencial para a restituição de Finsocial. O recurso foi admitido pelo presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, às fls. 238. O sujeito passivo, intimado do Acórdão nº 30237.411 (fls. 239), de 23 de março de 2006, se insurge (fls. 267/269) contra a intimação porque se referiu tão somente à decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sem mencionar a admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional e sem lhe abrir prazo para apresentar contrarrazões. Alega cerceamento do direito de defesa e pede a anulação da Intimação nº 3490/06 às fls. 239. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 11610.001779/0010 Acórdão n.º 9303003.455 CSRFT3 Fl. 329 3 Contudo, a 3º Turma do CSRF decidiu por meio da Resolução nº 9303000.005, determinou a intimação nos termos do art. 69 do atual RICARF Anexo II, mas tão somente para os efeitos e oferecimento de contrarazões, reabrindo o prazo de quinze dias ao sujeito passivo, para que, se quiser, as ofereça, pois já é precluso o prazo para interposição de recurso especial pelo sujeito passivo, visto que do acórdão per se, ao sujeito passivo já foi dada ciência quando da primeira intimação (fls. 241, 239 na numeração anterior citada pelo sujeito passivo em sua petição). É o relatório. Voto Demes Brito Relator O recurso é tempestivo, delo conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingesse à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. O Colegiado recorrido entendeu que o termo inicial para restituição do Finsocial objeto destes autos seria da edição da Medida Provisória 1.110/95. A seu turno, a Fazenda Nacional em seu Recurso Especial defende que o dies a quo seria a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento, em atenção ao disposto no art. 168, I, do CTN. De outro lado, em contrarrazões, o sujeito passivo pede o desprovimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional por seus próprios fundamentos. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado se refere a valores que teriam sido recolhidos entre julho de 1990 a março de 1992, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 11/08/2000. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Quanto a matéria de fundo, algumas turmas julgadoras pronunciavamse no sentido de que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo nesta Câmara Superior, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar retro mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO 4 Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Fl. 331DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 11610.001779/0010 Acórdão n.º 9303003.455 CSRFT3 Fl. 330 5 Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005. Com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. Com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF. Por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar suas decisões. Por outra banda, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame temse que os créditos pleiteados, na data em que protocolado o pedido de repetição de indébito (11/08/2000), encontravamse alcançados pela prescrição apenas os créditos relativos a fatos geradores ocorridos no mês de julho de 1990. Os indébitos referentes a fatos geradores ocorridos em períodos de apuração compreendidos a partir de daquele mês (março de 1992) não estavam prescritos. Com base nesses fundamentos, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, quanto aos períodos não abrangidos pela prescrição, fica condicionada analise da unidade preparadora para fins de liquidação deste julgado. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 332DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO 6 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 11543.005707/2002-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. DECURSO DO PRAZO QUINQUENTAL. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Havendo decisão judicial transitada em julgado que reconheça o direito de compensar débitos próprios com créditos de terceiros, o pedido de compensação regularmente formalizado deve ser apreciado em cinco anos a contar da data do seu protocolo, não podendo ser considerada como compensação não declarada. Decorrido o prazo quinquenal, é de se reconhecer a homologação tácita por força do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430 de 1996.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. REGIME APLICÁVEL.
Em regra, o regime jurídico aplicável aos pedidos de compensação é aquele vigente à época em que os mesmos são formalizados. Excepcionalmente, quando há decisão transitada em julgado em sentido diverso, deve-se prestigiar o instituto da coisa julgada, afastando-se o regime jurídico em vigor. Embora o instituto da coisa julgada não seja absoluto, a sua relativização deve ser parcimoniosa sob pena de fomentar insegurança jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA.
Não é vedado ao contribuinte invocar princípios constitucionais na esfera administrativa, desde que não o faça com o intuito de afastar norma tributária sob alegação de inconstitucionalidade. Da mesma forma, a doutrina e a jurisprudência são mecanismos lícitos que o contribuinte pode empregar para justificar a sua pretensão.
Numero da decisão: 3402-002.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Jorge Freire apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o advogado Pietro Lemos Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim (presidente da turma), Jorge Lock Freire (presidente-substituto), Carlos Augusto Daniel Neto (vice-presidente), Valdete Marinheiro, Waldir Navarro, Maria Aparecida, Thais de Laurentiis e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. DECURSO DO PRAZO QUINQUENTAL. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Havendo decisão judicial transitada em julgado que reconheça o direito de compensar débitos próprios com créditos de terceiros, o pedido de compensação regularmente formalizado deve ser apreciado em cinco anos a contar da data do seu protocolo, não podendo ser considerada como compensação não declarada. Decorrido o prazo quinquenal, é de se reconhecer a homologação tácita por força do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430 de 1996. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. REGIME APLICÁVEL. Em regra, o regime jurídico aplicável aos pedidos de compensação é aquele vigente à época em que os mesmos são formalizados. Excepcionalmente, quando há decisão transitada em julgado em sentido diverso, deve-se prestigiar o instituto da coisa julgada, afastando-se o regime jurídico em vigor. Embora o instituto da coisa julgada não seja absoluto, a sua relativização deve ser parcimoniosa sob pena de fomentar insegurança jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. Não é vedado ao contribuinte invocar princípios constitucionais na esfera administrativa, desde que não o faça com o intuito de afastar norma tributária sob alegação de inconstitucionalidade. Da mesma forma, a doutrina e a jurisprudência são mecanismos lícitos que o contribuinte pode empregar para justificar a sua pretensão.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. DECURSO DO PRAZO QUINQUENTAL. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Havendo decisão judicial transitada em julgado que reconheça o direito de compensar débitos próprios com créditos de terceiros, o pedido de compensação regularmente formalizado deve ser apreciado em cinco anos a contar da data do seu protocolo, não podendo ser considerada como compensação não declarada. Decorrido o prazo quinquenal, é de se reconhecer a homologação tácita por força do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430 de 1996. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. REGIME APLICÁVEL. Em regra, o regime jurídico aplicável aos pedidos de compensação é aquele vigente à época em que os mesmos são formalizados. Excepcionalmente, quando há decisão transitada em julgado em sentido diverso, devese prestigiar o instituto da coisa julgada, afastandose o regime jurídico em vigor. Embora o instituto da coisa julgada não seja absoluto, a sua relativização deve ser parcimoniosa sob pena de fomentar insegurança jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. Não é vedado ao contribuinte invocar princípios constitucionais na esfera administrativa, desde que não o faça com o intuito de afastar norma tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 57 07 /2 00 2- 61 Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 2 sob alegação de inconstitucionalidade. Da mesma forma, a doutrina e a jurisprudência são mecanismos lícitos que o contribuinte pode empregar para justificar a sua pretensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Jorge Freire apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o advogado Pietro Lemos Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944. Antônio Carlos Atulim Presidente. Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim (presidente da turma), Jorge Lock Freire (presidentesubstituto), Carlos Augusto Daniel Neto (vicepresidente), Valdete Marinheiro, Waldir Navarro, Maria Aparecida, Thais de Laurentiis e Diego Diniz Ribeiro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 162/196 – numeração eletrônica – “n.e.”) contra o Acórdão DRJ/JFA nº 0922.345 de 29/01/09 constante de fls. 141/159 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG que, por maioria de votos, houve por bem em julgar improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, para o fim de manter o r. Despacho decisório (fls. 33/39) da DRF de Nova Iguaçu – RJ, que, por sua vez, deixou de homologar o Pedido de Compensação (fls. 2) protocolizado em 13/12/02, através da qual a ora Recorrente pretendia compensar supostos créditos contra a Fazenda Pública objeto de ações judiciais (MS nº 98.00166580 e MS nº 2001.51100010250) propostas pela sociedade Nitriflex S/A Indústria e Comércio (CNPJ nº 42.147496/000170) perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, com débitos no valor de R$4.000.000,00 com vencimento em 13/12/2002. O r. Despacho decisório (fls. 53/56) da DRF de Nova Iguaçu SC deixou de homologar o Pedido de Compensação, aos fundamentos explicitados nos seguintes termos: “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIAS • Ausência de Requisitos Essenciais do Crédito. O crédito oferecido pelo contribuinte que não preenche os requisitos estabelecidos na legislação tributária, não se presta a ser utilizado em compensação tributária. • Crédito Não Habilitado. O crédito proveniente de sentença judicial transitada em julgado somente pode ser utilizado para compensar débitos tributários se o for previamente habilitado junto à Secretaria da Receita Federal. • Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional. O entendimento jurídico da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre determinada matéria manifestado em parecer serve como orientação da Secretaria da Receita Federal em seus despachos decisórios. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3402002.959 S3C4T2 Fl. 11 3 • Impossibilidade de Compensação Débito de um Contribuinte com Crédito de Terceiro. A partir dia 29/08/2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66 convertida na Lei n° 10.637/02, a vedação a compensação tributária de débito de um contribuinte com crédito de terceiro que antes somente era prevista em norma infralegal, IN/SRF n° 4112000, foi positivada no Direito Tributário Brasileiro.” Cientificada do Despacho Decisório em 17/07/2008, o contribuinte apresentou em 12/08/2008 sua Manifestação de Inconformidade (fls.50/100 – n.e.), cujos fundamentos, por bem resumidos pela da DRJ/FOR, reproduzo abaixo: ... requer o processamento da presente com efeito suspensivo, de forma a manter suspensa a exigibilidade do crédito tributário... Nos termos do art. 150, §4° do Código Tributário Nacional, o direito do Fisco homologar o pagamento promovido pelo contribuinte decai em cinco anos. Com supedâneo no aludido dispositivo, foi editada a Lei n° 10.833/03, que acrescentou o § 5, no art. 74, da Lei n° 9.430/96, estabelecendo expressamente a regra no sentido de que: Art. 74(..): §5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5(cinco) anos, contado da data da entrega da declaração.’ Esse prazo, no entanto, não foi observado, haja vista que a empresa apenas foi intimada do indeferimento de seu pleito em 1710712008, ou seja, após cinco anos do protocolo do pedido de rechaçada deve ser reformada, de modo a reconhecer a homologação tácita da compensação. De tal modo, a decisão ora rechaçada deve ser reformada, de modo a reconhecer a homologação tácita da compensação realizada e, por conseqüência, a extinção do crédito tributário objeto do abatimento. O MS 98.00166580 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da INISRF 41100 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.0010250 para se alcançar tal desiderato... Em 1210912003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2º Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação então limitadora do direito à plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e aris. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. Por fim, foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.0056758 visando a desconstituição da coisa julgada produzida no MS 98.00166580. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2º Região, foram interpostos pela Nitriflex recursos pendentes de análise, e não foi Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 4 concedida tutela de urgência para suspender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos.’ Desta forma, entende o interessado que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n° 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da não cumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250, para impedir que a IN SRF ri 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.00166580. A reclamante se utilizou do princípio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. (...) No que tange à ação rescisória a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida" e prossegue em sua defesa: (...) A reclamante, conclui, se referindo ao caput do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que não há em seu texto ‘a restrição pretendida ..., no sentido de que apenas seria permitida a utilização de créditos próprios no encontro de contas.’ . E afirma que da leitura do artigo observase a menção a débitos próprios e que a restrição a créditos próprios somente foi expressa na quando da edição da Lei n° 11.051, de 2004. E mais, a transferência de crédito da Nitriflex para a reclamante se deu através de instrumento particular de cessão, registrado em cartório público, pertencendo, portanto à Fertilizantes Heringer Ltda e não a terceiros. Cita em sua defesa o artigo 286 do Código Civil que permite a cessão de créditos e traz ao processo ementas de julgados do Superior Tribunal de Justiça que corroboram sua tese. A manifestação de inconformidade cita o art. 165 do Código Tributário Nacional, avaliando que os créditos passíveis de compensação devem decorrer dos caso ali enumerados e que a análise do presente processo administrativo ‘evidencia que o crédito é oriundo de pagamento indevido realizado a título de tributo, tal como reconhecido em decisão judicial transitada em julgado.’ (...) Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3402002.959 S3C4T2 Fl. 12 5 Pede a reforma da decisão com o reconhecimento da homologação tácita ou a homologação das compensações, o deferimento do pedido de restituição formulado e a extinção dos créditos tributários compensados.” Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de inconformidade apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, proferiu o Acórdão de nº. 0922.345 de 29/01/09 constante de fls. 141/159, ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. 1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 2. As compensações declaradas a partir de 1 2 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002 PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1. Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da não cumulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3. A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Compensação não Homologada” Em apertada síntese, a DRJ/JFA entendeu, preliminarmente e por maioria de votos, que não houvera a homologação tácita da compensação ante ao fato de que os créditos seriam de terceiros, o que impede a conversão dos pedidos de compensação pendentes em declaração de compensação. No mérito entendeu, essencialmente, que como o pedido de compensação foi protocolizado após a vigência do art. 74, da Lei n° 9.430/96 com a redação que lhe fora dada pela Medida Provisória n° 66/2002, não seria mais permitida à compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, asseverando, ainda, que a coisa julgada obtida pela cedente dos créditos não seria imponível após a alteração das normas que não foram objeto da correspondente ação judicial. Ciente em 22/04/2009 do Acórdão da DRJ/JFA (AR de fls. 161 – n.e.), e não se conformando com o julgamento improcedente de sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou, em 21/05/2009 seu Recurso Voluntário a este Conselho, acostados às fls. 162/196 – n.e., no qual contesta os fundamentos exarados pela decisão recorrida, mediante a contraposição dos mesmos argumentos já apresentados na sua defesa inicial, os quais, por Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 6 questão de brevidade e celeridade, não serão novamente transcritos e a eles reportase esse relato. Para esclarecer a Colenda Turma de Julgamento acerca dos litígios judiciais mencionados anteriormente, foi o julgamento convertido em diligência para a obtenção das cópias da referida ação rescisória proposta contra a decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.00166580, bem como das decisões que tenham sido prolatadas na referida demanda, assim como de informação do efetivo estágio em que a mesma se encontra. Em atendimento ao item 1 da Diligência requerida pelo CARF, a autoridade preparadora juntou aos autos cópia das principais peças processuais e decisões proferidas na ação rescisória nº 2003.02.01.0056758 encaminhadas pela Procuradoria Regional da Fazenda Nacional – PRFN/RJ 2ª Região através do Ofício nº 32, de 15/06/2015 onde também esclarece “que em razão da procedência da Reclamação nº 9.790 ajuizada pela parte perante o E. STF todas as decisões proferidas na referida rescisória foram cassadas em razão da incompetência do E. TRF/2ª Região para processar e julgar a referida rescisória. Já houve o trânsito em julgado e os autos judiciais encontramse arquivados.”, conforme documentos de fls. 741 a 1025. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/1972, razão pela qual deve ser conhecido. As questões ventiladas pelo presente Recurso Voluntário consistem nas discussões se: (i) houve homologação tácita em razão do decurso do prazo de cinco anos entre a data da formalização das declarações de compensação e a data da ciência do despacho decisório que não homologou os referidos pedidos; e se (ii) o regime de compensação aplicável ao pedido de compensação era aquele que estava em vigor quando da homologação do direito creditório da Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, suportado por decisão judicial transitada em julgado (MS 98.00166580), ou aquele que foi introduzido com a edição da Medida Provisória nº 66 de 2002, convertida na lei 10.637/02. Questão absolutamente idêntica, versando inclusive sobre créditos oriundos das mesma Nitriflex S.A., reconhecidos pelo mencionado mandamus, foi decidida no Acórdão do CARF de No.3201001.277, de relatoria do Conselheiro Daniel Mariz Gudiño. O acerto daquele acórdão será a vereda seguida neste voto. O pedido de compensação que originou o presente litígio foi formalizado em 13/12/2002, ao passo que a ciência do despacho decisório ocorreu somente em 17/07/2008. Sendo certo que a homologação expressa do pedido de compensação deve ocorrer no prazo máximo de cinco anos a contar da entrega do pedido de compensação, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430 de 1996, temse a homologação tácita. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3402002.959 S3C4T2 Fl. 13 7 Por outro lado, a decisão recorrida consigna que o prazo para a homologação tácita não se inicia quando o pedido de compensação tem por objeto uma das hipóteses legais de compensação não declarada, como é o caso da compensação com créditos de terceiro. Essa consideração da instância a quo é pertinente e torna essencial a análise do segundo desdobramento da discussão, qual seja, o regime de compensação aplicável quando da formalização do pedido de compensação pela Recorrente. Isso porque, dependendo do caso, a discussão da homologação tácita será relevante ou não. Segundo a Recorrente, o regime de compensação aplicável ao pedido por ela formulado é aquele previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional, nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430 de 1996, em sua redação original, e na Instrução Normativa nº 21 de 1997, que não vedavam a compensação com créditos de terceiro. Isso porque esse era o direito vigente quando a Nitriflex S.A. Indústria e Comércio obteve a homologação do seu direito creditório e esse foi o regime garantido pela decisão transitada em julgado em favor dela. Assim, qualquer interpretação divergente desta que ora se apresenta importaria na violação da coisa julgada material, do direito adquirido, do princípio da irretroatividade da lei tributária, entre outras garantias fundamentais previstas nos arts. 5º e 150 da Constituição Federal. De outro lado, o colegiado da instância a quo entendeu que somente são beneficiados com a decisão transitada em julgado os pedidos de compensação formulados até a data em que teve início a vigência da Medida Provisória nº 66 de 2002, ou seja, até 29/08/2002. Isso porque, em matéria de compensação, aplicase a legislação vigente ao tempo em que o pedido/declaração é formalizado. Logo, como o pedido de compensação da Recorrente foi formalizado posteriormente à vigência da Medida Provisória nº 66 de 2002, mais tarde convertida na Lei nº 10.637 de 2002, a decisão judicial da Nitriflex S.A. Indústria e Comércio não seria aplicável por estar calcada em uma realidade jurídica já inexistente. Embora o assunto seja assaz polêmico e a motivação da decisão recorrida esteja muito bem desenvolvida, é atentatória à lógica jurídica a conclusão de que a coisa julgada somente se aplicaria às compensações formalizadas até 29/08/2002. Isso porque, uma vez reconhecido judicialmente o direito de transferir a terceiros o crédito de IPI apurado, essa decisão deve ser observada pelas autoridades fiscais até que haja o decurso do prazo para o pleito de restituição/compensação do crédito. Qualquer entendimento diverso do que se expõe aqui implicaria na limitação injustificada do direito protegido pela coisa julgada e impingiria à Recorrente a absurda obrigação de obter uma coisa julgada para cada norma nova que versasse sobre a compensação, independentemente de o direito creditório da Nitriflex S.A Indústria e Comércio ter sido homologado administrativamente e reconhecido judicialmente. Com efeito, se é verdade que a norma aplicável aos casos de compensação é aquela vigente à época em que foram os pedidos foram formalizados, não é menos verdade que as circunstâncias do caso concreto criam uma exceção a essa regra, sob pena de fragilizar o instituto da coisa julgada. Embora a coisa julgada não seja uma garantia constitucional absoluta, a sua flexibilização deve ser parcimoniosa. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 8 No caso concreto, a decisão judicial transitada em julgado, que autorizou a transferência de créditos a terceiros, deve prevalecer sobre a nova legislação que vedou essa mesma transferência de créditos. Convém ainda chamar a atenção para o fato de que o tema dos efeitos da coisa julgada sobre lei superveniente já foi objeto da análise de vários tribunais brasileiros, dentre os quais se destaca o acórdão do Recurso Especial nº 1.118.893/MG, assim ementado: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3402002.959 S3C4T2 Fl. 14 9 tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (REsp 1118893/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/03/2011, DJe 06/04/2011) (grifos nossos) Em decorrência desse precedente judicial, proferido sob o regime de recursos repetitivos de que trata o art. 543C do Código de Processo Civil, há vários julgados do CARF no mesmo sentido, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a saber: LIMITES DA COISA JULGADA – Tendo o Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, reconhecido, na espécie, a efetiva ofensa à coisa julgada, nas hipóteses em que a decisão obtida pelo contribuinte reconhece a inconstitucionalidade incidenter tantum da exigência da CSLL originalmente, pelas disposições da Lei 7689/88 , sejalhe exigida, agora, com a simples referência à existência de diplomas normativos posteriores que rege a matéria, deve os conselheiros desta Corte, reproduzir tal entendimento no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do disposto no art. 62A do Regimento. (Acórdão nº 9101001.369, Rel. Cons. Valmir Sandri, Sessão de 05/06/2012) No caso concreto, a Lei nº 10.637, de 2002, na acepção que interessa ao presente julgado, sequer versou sobre a instituição de tributo, e sim sobre uma das formas extintivas do crédito tributário, qual seja, a compensação tributária. Na prática, a nova lei apenas alterou a redação dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, esta sim uma lei que alterou o instituto da compensação em sua essência. Não é demais lembrar que, até então, as compensações de tributos federais somente poderiam ocorrer entre mesmas espécies, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991. Por isso, com muito mais razão, a coisa julgada que ampara o direito de a Nitriflex S.A. Indústria e Comércio transferir créditos para a Recorrente deve prevalecer sobre as alterações promovidas pela Lei nº 10.637, de 2002. Cumpre observar que, como bem ressaltado nas decisões administrativas ora transcritas, a decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.118.893/MG deve ser reproduzida pelos membros deste colegiado a teor do que dispõe o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Registrese, por oportuno, que no caso concreto, e com a extinção da ação rescisória que havia sido proposta pela Procuradoria da Fazenda Nacional, há uma dupla proteção da coisa julgada, afinal, há duas decisões com trânsito em julgado: uma proferida no Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 10 Mandado de Segurança nº 98.00166580, que reconheceu o direito creditório da Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, e outra proferida no Mandado de Segurança nº 2001.51.100010250, que lhe autorizou transferir créditos a terceiros, tendo em vista que o direito creditório foi reconhecido quando não havia na legislação vedação para tanto. Por essas razões, fazse imperiosa a análise da homologação tácita. Considerando que a motivação adotada no presente julgado alinhase com a posição defendida pela Recorrente, qual seja, a de que a Medida Provisória nº 66, de 2002, e normas subseqüentes, não poderiam alterar o direito garantido por decisão judicial transitada em julgado, afastase, de plano, a premissa básica que sustenta o despacho decisório e o acórdão recorrido, vale dizer, a impossibilidade de se contar prazo para pleitear a restituição/compensação de um crédito vedado pela legislação. Nesse sentido, é inexorável a conclusão de que os pedidos de compensação protocolizados antes de 17/07/2003 (cinco anos antes do despacho decisório) foram homologados tacitamente por força do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, e do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430 de 1996. Em sua decisão, a instância a quo fez consignar que os princípios constitucionais invocados pela Recorrente, bem como a doutrina e os precedentes jurisprudenciais citados na sua manifestação de inconformidade não seriam aplicáveis, a uma porque ao julgador de 1ª instância administrativa não compete tratar da inconstitucionalidade da legislação tributária, a duas porque tanto a doutrina quanto a jurisprudência não têm eficácia normativa. Não obstante a decisão recorrida tenha uma medida de razão, é imperioso registrar que a invocação dos princípios constitucionais, por parte da Recorrente, não teve por objetivo afastar norma positivada, até porque não se pleiteou in casu a declaração de inconstitucionalidade de normas infraconstitucionais. Desse modo, não merece reprimenda a argumentação da Recorrente. Tratase da mera exposição de um raciocínio que tem por finalidade auxiliar o julgador na formação da sua convicção. Nesse caso em particular, a intenção da Recorrente foi demonstrar que normas vigentes podem ser afastadas pontualmente em razão de circunstâncias especiais, como é o caso da coisa julgada, do direito adquirido e do ato jurídico perfeito. Da mesma forma, a doutrina e a jurisprudência colacionadas nos autos do processo são mecanismos lícitos que a Recorrente pode lançar mão para dar conforto ao julgador quanto à pretensão recursal. É evidente que o julgador não está vinculado a esses subsídios pelo fato de não serem dotados de eficácia normativa. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, e em razão de circunstâncias especiais, devese dar provimento ao recurso voluntário, exonerandose o crédito tributário até a medida em que os créditos apurados pela empresa Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, entre 03/93 e 07/98, forem suficientes para compensar os débitos da Recorrente. Retornem os autos à delegacia de origem para processar a compensação segundo os critérios acima definidos. É como voto. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3402002.959 S3C4T2 Fl. 15 11 Carlos Augusto Daniel Neto Relator Declaração de Voto A questão controvertida nos autos, em síntese, é a seguinte: o regime de compensação aplicável ao pedido de compensação era aquele que estava em vigor quando do trânsito em julgado que reconheceu direito creditório da Nitriflex S.A. Indústria e Comércio (MS 98.00166580), cessionária, ou aquele que foi introduzido com a edição da Medida Provisória nº 66 de 2002, convertida na lei 10.637/02, já vigente quando do envio da PERDCOMP de fl. 02. O digno relator entende que o regime da compensação seria aquele vigente quando do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito aos créditos de IPI e a possibilidade de sua cessão a terceiro (IN SRF 21/97). De outro turno, inconteste que a PERCOMP foi enviada em 13/12/2002 (fl. 02), quando já vigia a nova redação do art. 74 da Lei 9.430, dada pela Lei 10.637/2002, objeto de conversão da MP nº 66/2002, publicada em 29/08/2002. Neste ponto, com a devida vênia, minha divergência de fundo com o i. relator. Ora, uma questão é o título judicial, outra a norma legal, strictu sensu, que conforma as compensações acerca dos tributos administrados pela Receita Federal. E o limite entre uma e outra é a vigência da lei que rege a possibilidade e legalidade de eventuais créditos a serem compensados pelos contribuintes com seus débitos. Portanto, a discussão não tem por objeto a validade do crédito, mas sim se quando da efetivação da compensação, no caso em 13/12/2002, a lei vigente à época permitia fossem utilizada créditos de terceiros, seja de que forma tenha sido obtidos. Já quando da análise inicial do pedido, o órgão local pediu a manifestação da PFN acerca do tema, quando esta manifestouse nos seguintes termos: ... Logo, se ao tempo do mandado de segurança inexistia lei expressa sobre o tema, fato que levou o Poder Judiciário a afastar a restrição veiculada por norma infralegal, tendo a decisão judicial transitado em julgado, hoje a ordem jurídica neste aspecto sofreu total reformulação, pelo que cessam os efeitos daquela decisão a partir da vigência do novo regramento jurídico. Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre a qual a coisa julgada se operou. No mesmo sentido, a conclusão do Parecer PGFN/CDA/1.499, de 2005, quando assevera que o novo regime de compensação instituído pela Lei 10.637/2002 "não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa". E com este entendimento pactuo. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 12 Portanto, quando do envio da PERDCOM só seriam passíveis de compensação créditos próprios, desta forma restando vedada a compensação de créditos de terceiros, como no caso vertente. Em assim sendo, o pleito versado no doc de fl. 02, de PERDCOMP não se trata, pelo que resta prejudicada o argumento de compensação tácita. Em face do exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 4/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Numero do processo: 19515.005604/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento ou o Termo de Responsabilidade tributária, descabe a alegação de nulidade.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
SALDO DE IRPJ A PAGAR. DEDUÇÃO DE IRRF GLOSADA PELA FISCALIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DAS RETENÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA SOFRIDAS NO EXTERIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO.
A dedução do imposto de renda pago no exterior sobre lucros disponibilizados em nome de empresa brasileira detentora de participação societária condiciona-se ao regular oferecimento destes lucros à tributação no Brasil, bem como à comprovação da regular incidência do imposto de renda no exterior. Nesse contexto, apesar de erros de preenchimento em campos da DIPJ 2005, quando as condições constantes do Art. 26 da Lei n.° 9.249/95 foram comprovadas através de diligência, a alegação de erro apontada pelo contribuinte deve ser aceita.
COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ COM ALEGADOS SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ APURADOS EM ANOS-CALENDÁRIO ANTERIORES. ENCONTROS DE CONTAS SUPOSTAMENTE REALIZADOS EM 2004. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCOMP. DESCABIMENTO DA CONSIDERAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E NO AJUSTE ANUAL.
As compensações realizadas a partir de 01/10/2002 restam condicionadas à ¡ regular apresentação da Declaração de Compensação - DCOMP. Destarte, se o contribuinte alega que empreendeu diversas compensações no curso do ano-calendário de 2004, mas não entregou regularmente as competentes DCOMP, resta descabido considerá-las, vez que descumprido requisito indispensável legalmente estatuído.
REGRAS SOBRE COMPENSAÇÃO
A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito.
ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF nº 105.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (SÚMULA CARF nº 105).
Numero da decisão: 1401-001.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL para exonerar da autuação o valor de R$ 1.709.169,47 (IR RETIDO NO EXTERIOR), conforme resultado de diligência; bem assim cancelar as multas isoladas de 2004, com base na Súmula.
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(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento ou o Termo de Responsabilidade tributária, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 SALDO DE IRPJ A PAGAR. DEDUÇÃO DE IRRF GLOSADA PELA FISCALIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DAS RETENÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA SOFRIDAS NO EXTERIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. A dedução do imposto de renda pago no exterior sobre lucros disponibilizados em nome de empresa brasileira detentora de participação societária condicionase ao regular oferecimento destes lucros à tributação no Brasil, bem como à comprovação da regular incidência do imposto de renda no exterior. Nesse contexto, apesar de erros de preenchimento em campos da DIPJ 2005, quando as condições constantes do Art. 26 da Lei n.° 9.249/95 foram comprovadas através de diligência, a alegação de erro apontada pelo contribuinte deve ser aceita. COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ COM ALEGADOS SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ APURADOS EM ANOSCALENDÁRIO ANTERIORES. ENCONTROS DE CONTAS SUPOSTAMENTE REALIZADOS EM 2004. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCOMP. DESCABIMENTO DA CONSIDERAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E NO AJUSTE ANUAL. As compensações realizadas a partir de 01/10/2002 restam condicionadas à ¡ regular apresentação da Declaração de Compensação DCOMP. Destarte, se o contribuinte alega que empreendeu diversas compensações no curso do anocalendário de 2004, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 04 /2 00 8- 36 Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 68 2 mas não entregou regularmente as competentes DCOMP, resta descabido considerá las, vez que descumprido requisito indispensável legalmente estatuído. REGRAS SOBRE COMPENSAÇÃO A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF nº 105. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (SÚMULA CARF nº 105). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL para exonerar da autuação o valor de R$ 1.709.169,47 (IR RETIDO NO EXTERIOR), conforme resultado de diligência; bem assim cancelar as multas isoladas de 2004, com base na Súmula. . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo I. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo à glosa de dedução de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF inserta na respectiva DIPJ, reduzindo tal importe aos valores efetivamente comprovados, bem como de multa isolada sobre a falta de recolhimento das estimativas de IRPJ no curso do anocalendário de 2004. No lançamento em foco foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ R$ 9.578.992,73 JUROS DE MORA R$ 4.689.874,84 MULTA PROPORCIONAL R$ 7.184.244,54 MULTA ISOLADA R$ 4.789.496,38 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 26.242.608,49 2. Nos termos expostos nos Termos de Verificação Fiscal (fls. 108/111 e 115/117), o lançamento em foco decorreu dos seguintes fatos apurados no curso do procedimento fiscal: 2.1. O contribuinte em comento foi intimado a apresentar os comprovantes de pagamento do IRPJ no valor de R$ 129.287.997,78 (cento e vinte e nove milhões, duzentos e oitenta e sete mil, novecentos e noventa e sete Reais e setenta e oito centavos), constante da Ficha 12A, Linha 10 do anocalendário de 2004. Em resposta, foram apresentados DARF totalizando a importância de R$ 121.091.743,42 (cento e vinte e um milhões, noventa e mil, setecentos e quarenta e três Reais e quarenta e dois centavos). Ademais, também foram apresentados alguns comprovantes de retenções na fonte sobre aplicações financeiras e dividendos recebidos do exterior, nos valores de R$ 8.741.881,75 (oito milhões, setecentos e quarenta e um mil, oitocentos e oitenta e um Reais e setenta e cinco centavos) e R$ 1.319.864,71 (um milhão, trezentos e dezenove mil, oitocentos e sessenta e quatro Reais e setenta e um centavos), alegando que sobre os dividendos da Molson Inc. situada no Canadá, foram entregues apenas as cópias dos contratos de fechamento de câmbio, pois ainda não localizaram os informes emitidos pela fonte. 2.2. Em decorrência da situação exposta no parágrafo precedente, a fiscalização intimou a empresa a apresentar os comprovantes de retenção do IRRF da empresa Molson Coors, relembrando que é condição para compensação o cumprimento dos requisitos estabelecidos no artigo 26 da Lei n°. 9.249/95 e no artigo 14 da Instrução Normativa SRF n°. 213, de 07/10/2002. 2.3. O contribuinte não apresentou a comprovação das aventadas retenções na fonte da empresa Molson Coors, e, desta feita, as mesmas não foram consideradas. Ademais, com base nos comprovantes de retenção apresentados pela empresa, a fiscalização empreendeu a competente pesquisa Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 70 4 nos sistemas informatizados da Receita Federal, sendo recalculado o imposto de renda retido sobre aplicações financeiras, conforme demonstrativo exposto às fls. 112. Destarte, o resultado deste trabalho residiu no lançamento de ofício das compensações efetuadas relativas ao IRPJ devido em face da ausência de comprovação integral das retenções na fonte. 2.4. A fiscalização apurou, ainda, que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento das antecipações mensais de IRPJ, apuradas com base em balanços / balancetes elaborados para fins de suspensão ou redução, tendo em vista a compensação a maior de IRRF sobre aplicações financeiras. Entretanto, conforme mencionado no parágrafo precedente, as referidas retenções foram insuficientes para fazer face aos dispêndios em foco, ensejando o lançamento da multa isolada incidente sobre as antecipações mensais de IRPJ inadimplidas. 3. Em decorrência de todo o acima exposto, foi lavrado, em 17/05/2006, o seguinte auto de infração relativo ao IRPJ e à multa isolada mencionada no item 2.4 supra: 3.1 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, com fundamento nos arts. 213, inciso III, e 943, §2°, ambos do RIR/99; art. 14 da Instrução Normativa SRF n°. 213, de 2002; art. 55 da Lei n°. 7.450/85; arts. 11, §3° e 26, §2°, ambos da Lei n°. 9.249/95; arts. 2o, §4°, 15 e 16, §2°, todos da Lei n°. 9.430/96; arts. 142, parágrafo único, 147, §2° e 149, inciso II, todos do CTN; 3.2. Multa Isolada pela Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada, com fundamento nos arts. 222 e 843, ambos do RIR/99, c/c art. 44, §1°, inciso IV, da Lei n°. 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n°. 351/07, c/c art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN; arts. 142, parágrafo único, 147, §2° e 149, inciso II, todos do CTN. DA IMPUGNAÇÃO 4. Cientificado do auto de infração em 18/09/2008 (fls. 124), o contribuinte apresentou, em 17/10/2008, a impugnação de fls. 161/172, aduzindo, em síntese, que: 4.1. Na DIPJ relativa ao períodobase de 2004, a Impugnante teria informado que compensou parte do IRPJ devido por estimativa com (i) créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras e (ii) créditos de imposto retido sobre dividendos a ela pagos por empresa residente no exterior, no valor total de R$ 10.061.746,46 (dez milhões, sessenta e um mil, setecentos e quarenta e seis Reais e quarenta e seis centavos). Ademais, durante o procedimento de fiscalização a Defendente teria esclarecido que grande parte dos referidos créditos teria origem em períodos anteriores, com a apresentação dos respectivos comprovantes. 4.2. A partir dos demonstrativos anexos ao auto de infração, verificase que a fiscalização entendeu que o crédito oriundo de períodos anteriores já teria sido integralmente utilizado pela Impugnante na quitação do IRPJ devido em 2003, no importe de R$ 2.070.164,91 (dois milhões, setenta mil, cento e sessenta e quatro Reais e noventa e um centavos). Além disso, a fiscalização também desconsiderou o crédito decorrente de pagamentos efetuados no exterior, vez que não teria sido devidamente comprovado, em razão dos comprovantes de pagamento nãoatenderem aos requisitos estabelecidos pela Lei n°. 9.249, de 26/12/95. 4.3. Entretanto, o crédito de IRPJ utilizado pela Impugnante em 2004 seria facilmente comprovado pela documentação anexa à defesa, nos termos abaixo explicitados. 4.3.1. Em 17/07/2002, a Impugnante teria incorporado a Hocabra S/A. Na apuração de encerramento do IRPJ desta empresa incorporada, teria sido apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 3.409.749,08 (três milhões, quatrocentos e nove mil, setecentos e quarenta e nove Reais e oito centavos). Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 71 5 4.3.2. Computado o saldo negativo de IRPJ mencionado acima, a Defendente teria apurado, no encerramento do anocalendário de 2002, saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 4.991.555,91 (quatro milhões, novecentos e noventa e um mil, quinhentos e cinqüenta e cinco Reais e noventa e um centavos). Ressaltase que, no curso do anocalendário de 2002, a Impugnante teria percebido dividendos da empresa Molson Inc, com sede no Canadá, no valor de CAD 778.587,80, equivalente a R$ 3.971.089,20 (três milhões, novecentos e setenta e um mil, oitenta e nove Reais e vinte centavos), com retenção de IRF no Canadá à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), no montante de R$ 992.772,30 (novecentos e noventa e dois mil, setecentos e setenta e dois Reais e trinta centavos). 4.3.2.1. Frisase que a maior parte da receita correspondente aos dividendos percebidos do exterior, mencionados no parágrafo anterior, teria sido reconhecida no anocalendário de 2002. Contudo, o IRF sobre ela incidente teria sido, por equívoco da Impugnante, integralmente informado na DIPJ 2004, quando reconhecida a parcela restante da receita, no importe de R$ 992.772,30 (novecentos e noventa e dois mil, setecentos e setenta e dois Reais e trinta centavos). Não obstante, em razão de a legislação tributária dispor que o IRF deve ser apropriado ao períodobase em que a receita é tributada, a Defendente teria reconhecido, no anocalendário de 2002, apenas parcela do IRF incidente sobre os dividendos recebidos da Molson proporcionais à receita lá reconhecida (R$ 744.579,23 setecentos e quarenta e quatro mil, quinhentos e setenta e nove Reais e vinte e três centavos), com o competente estorno desse valor no períodobase de 2003. 4.3.3. Considerando a retificação relembrada acima, a Impugnante teria apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003 no importe de R$ 665.217,42 (seiscentos e sessenta e cinco mil, duzentos e dezessete Reais e quarenta e dois centavos) que, somado ao saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, devidamente atualizado para o encerramento do ano de 2003, totalizou a importância de R$ 6.712.986,55 (seis milhões, setecentos e doze mil, novecentos e oitenta e seis Reais e cinqüenta e cinco centavos). 4.3.4. Em 2004, a Defendente teria utilizado parte do crédito existente em 31/12/2003, atualizado até 31/12/2004, para quitar o IRPJ daquele períodobase, como segue: 2004 NESLIP IRF DE 2004 IR EXTERIOR IRPJ COMPENSADO DIFERENÇA A COMPENSAR Jan/2004 62.811,33 592.151,19 429.986,16 (224.976,36) Fev/2004 0,00 0,00 0,00 0,00 Mar/2004 103.497,47 0,00 8.007.523,78 7.679.049,95 Abr/2004 0,00 592.072,53 592.072,53 0,00 Mai/2004 18.892,63 0,00 0,00 (18.892,63) Jun/2004 0,00 0,00 0,00 (18.892,63) Jul/2004 0,00 524.945,75 673.073,59 129.235,21 Ago/2004 109.776,42 0,00 0,00 (109.776,42) Set/2004 108.046,44 0,00 0,00 (217.822,86) Out/2004 53.419,14 0,00 77.701,60 ,(193.540,40) Nov/2004 0,00 0,00 0,00 (193.540,40) Dez/2004 26.310,30 0,00 281.388,80 61.538,10 TOTAL 482.753,73 1.709,169,47 10.061.746,46 ■ 2004 NESLIP CRÉDITOS DÉBITOS SALDO IRF retido por HSBC em 2004 código 3426 (ficha 53 da DIPJ) 207.640,92 207.640,92 IRF retido por ING Bank N.V. em 2004 código 3426 (ficha 43 da DIPJ) 174.023,73 381.664,65 IRF retido por Banco Alfa em 2004 código 3426 (ficha 43 da DIPJ) 101.089,08 482.753,73 Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 72 6 Imposto de renda pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganho de capital 1.709.169,47 2.191.923,20 2004 NESLIP CRÉDITOS DÉBITOS SALDO IRPJ estimado efetivamente pago 121.111.203,31 123.303.126,51 IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) 6.963.380,95 130.266.507,46 IRPJ apurado em 31.12.2004 (ficha 12A da DIPJ) 131.153.489,88 (886.982,42) Insuficiência de recolhimento IRPJ 886.982,42 4.3.4.1. Deste modo, entende a Defendente que, após as compensações efetuadas, teria sido apurada a insuficiência de recolhimento de IRPJ no valor de R$ 886.982,42 (oitocentos e oitenta e seis mil, novecentos e oitenta e dois Reais e quarenta e dois centavos). Ademais, a Impugnante concorda que esta importância é efetivamente devida e aduz que efetuou a competente quitação no prazo legal da impugnação por intermédio da DCOMP eletrônica acostada aos autos (fls. 475/480). 4.4. No tocante ao imposto pago no exterior, a Defendente frisa que o mesmo referirseia ao recebimento de dividendos pagos pela Molson, sociedade com sede no Canadá, sendo apresentados os seguintes elementos de prova: documentos comprobatórios das retenções emitidos pelo fisco canadense (Canada Customs and Revenue Agency), no formulário NR4 Statements of Amounts Paid or Credit to Nonresidents of Canada", devidamente reconhecidos pelo Consulado da embaixada Brasileira em Toronto e traduzido para o português (doe. 6 fls. 436/467). Adicionalmente, a Defendente acosta aos autos opinião legal emitida pelo escritório de advocacia canadense David Ward, Phillips & Vineberg LLP, atestando que o formulário NR4 seria o documento adequado, de acordo com a legislação canadense, para comprovar a retenção do imposto sobre rendimentos pagos a nãoresidentes (doc. 7fls. 464/473). 4.5. As multa isoladas aplicadas não mereceriam prosperar, vez que as estimativas de IRPJ em comento teriam sido regularmente quitadas. Entretanto, mesmo que se considerasse que tais antecipações obrigatórias não teriam sido adimplidas oportunamente, entende o Defendente que a fiscalização não poderia impor conjuntamente a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre os valores pagos e a multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) incidente sobre a mesma importância, vez que tal conduta caracteriza bis in idem. Ressaltase que a exigência da multa isolada em testilha só seria cabível quando há o recolhimento do IRPJ apurado no encerramento do períodobase, mas não o da antecipação do IRPJ devida por estimativa, conforme reconheceriam a Câmara Superior de Recursos Fiscais e o Primeiro Conselho de Contribuintes nos acórdãos transcritos na peça defensiva. 4.5.1. Ademais, a imposição de multa isolada na hipótese de nãocumprimento de obrigação principal ofenderia a norma veiculada no art. 97, inciso V, combinado com o art. 113, ambos do CTN, que somente autoriza a cobrança de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória, conforme já reconheceu o Primeiro Conselho de Contribuintes nos arestos relembrados na impugnação. De resto, o lançamento da multa isolada não obedeceu à regra contida no art. 9o do Decreto n°. 70.235/72, que determina que as multas isoladas aplicadas em razão de insuficiência de antecipações de IRPJ e CSL devem ser lançadas em auto de infração específico, o que acarretaria a nulidade da presente autuação, na esteira do entendimento exarado no Acórdão 101 94.355. 4.6. O pedido é pelo cancelamento da parte litigiosa da autuação, sendo pleiteado, em caráter subsidiário, a exclusão das multas isoladas lançadas. A DRJ MANTEVE em PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 73 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. As hipóteses de nulidade são as arroladas no artigo 59, do Decreto n°. 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, especialmente quando o contribuinte demonstra entender perfeitamente a autuação, não se vislumbrando qualquer óbice ao regular exercício 'do direito de defesa. SALDO DE IRPJ A PAGAR. DEDUÇÃO DE IRRF GLOSADA PELA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DAS RETENÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA SUPOSTAMENTE SOFRIDAS NO EXTERIOR. A dedução do imposto de renda pago no exterior sobre lucros disponibilizados em nome de empresa brasileira detentora de participação societária condicionase ao regular oferecimento destes lucros à tributação no Brasil, bem como à comprovação da regular incidência do imposto de renda no exterior. COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ COM ALEGADOS SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ APURADOS EM ANOSCALENDÁRIO ANTERIORES. ENCONTROS DE CONTAS SUPOSTAMENTE REALIZADOS EM 2004. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCOMP. DESCABIMENTO DA CONSIDERAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E NO AJUSTE ANUAL. As compensações realizadas a partir de 01/10/2002 restam condicionadas à ¡ regular apresentação da Declaração de Compensação DCOMP. Destarte, se o contribuinte alega que empreendeu diversas compensações no curso do anocalendário de 2004, mas não entregou regularmente as competentes DCOMP, resta descabido considerá las, vez que descumprido requisito indispensável legalmente estatuído. RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS DE IRPJ DEDUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO NA APURAÇÃO DO SALDO DO IRPJ A PAGAR. COMPROVAÇÃO DE VALORES PAGOS DESONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. RECALCULO DO SALDO DO IRPJ A PAGAR. Evidenciado que o contribuinte recolheu estimativas de IRPJ em patamar superior ao considerado pela fiscalização, é imperiosa a retificação da autuação, com a competente dedução da integralidade das importâncias recolhidas. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. PENALIDADES. APLICAÇÃO CUMULATIVA. INOCORRÊNCIA. Inexiste aplicação cumulativa de penalidades quando lançada multa isolada decorrente de falta de pagamento do imposto por estimativa e multa de ofício incidente sobre a ausência de recolhimento do imposto apurado no ajuste anual, já que se tratam de infrações distintas. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e acrescentando em complemento: que no julgamento de um lançamento fiscal, a autoridade julgadora deve restringir a sua análise aos fatos e fundamentos constantes do auto de infração; não pode ela decidir pela procedência da autuação com base em fatos e fundamentos que não foram antes invocados pela fiscalização. Faltalhe competência para agravar, modificar ou aperfeiçoar o lançamento. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 74 8 Sendo assim, considerando que o auto de infração foi lavrado, exclusivamente, por não ter a Recorrente comprovado os créditos (i) resultantes de IRF recolhido sobre suas aplicações financeiras e (ii) de IR pago no exterior, não poderia a autoridade julgadora, uma vez comprovada a existência de tais créditos, ter decidido pela manutenção da autuação em razão de uma suposta não apresentação de outros documentos (e.g. DCOMP) e/ou comprovação do atendimento de outros requisitos (e.g. oferecimento à tributação, no Brasil, dos rendimentos tributados no exterior), que não foram suscitados pela fiscalização. Em relação ao não preenchimento das fichas que indicariam o tipo de participação societária afirma o percentual de participação na Molson era abaixo de 7%, portanto, menor do que 10%, e assim, a participação no exterior na Molson não se enquadraria como controlada, nem coligada e muito menos filial ou sucursal e que o método de avaliação pela empresa Molson era o método do “custo de aquisição” e não pelo método da equivalência patrimonial. A esse mesmo respeito ainda acrescenta: “De acordo com declaração emitida pela CIBC Mellon Trust Company (agente custodiante das ações da MOLSON), em 20.09.2002 (DOC. 01), a RECORRENTE adquiriu 7.785.858 ações representativas do capital social da MOLSON (Class A Shares). Em 23.04.2004, a RECORRENTE alienou uma parcela desse investimento, o tendo liquidado definitivamente em 12.07.2004. Ao comparar (a) a participação detida pela RECORRENTE e (b) o capital social da MOLSON no período correspondente (conforme divulgado nos Relatórios Anuais de 2003 e 2004 DOC. 02 e DOC. 03), podese constatar que o investimento da RECORRENTE não chegou a representar nem mesmo 7% do capital da empresa investida. A decisão de piso não atentou para esse fato, tendo em vista que a maior parte dos dispositivos legais por ela citados trata especificamente da tributação de lucros auferidos por filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. Por outro lado, reconhece que, na Linha 6 da Ficha 9A de sua DIPJ 2005, deveria ter sido informado o valor dos dividendos recebidos da MOLSON, o que, por um equívoco, deixou de ser feito; esse equivoco, contudo, não teve qualquer efeito relevante, razão pela qual rejeita a conclusão a que chegou a decisão de piso no item 5.5(ii), segundo a qual o nãopreenchimento da referida linha teria implicado na não inclusão do valor dos dividendos no cômputo de seu lucro real e na conseqüente perda do direito ao creditamento do respectivo imposto pago no exterior. E nesse contexto continua a Recorrente tentado esclarecer essa questão, alegando que cometeu um equívoco de preencher o oferecimento à tributação dessa participação societária no exterior na ficha errada. Ao invés de preencher a Linha 6 da Ficha 94, preencheu a linha 26 da Ficha 6A (Resultado positivo em participações societárias), no valor de R$ 7.461.968,43. A inclusão dos valores referentes aos dividendos pagos pela MOLSON (R$ 7.461.968,43) na Linha 26 da Ficha 6A (Demonstração de Resultado) da DIPJ 2005 e a não exclusão desses mesmos valores na Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real) evidencia que tais rendimentos foram oferecidos à tributação, uma vez que, por um lado, foram os mesmos considerados na apuração do lucro líquido, e, por outro, não foram excluídos na apuração do lucro real Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 75 9 Em relação à assertiva da DRJ que considerou que não havia informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela Molson, a Recorrente traz documentação que supostamente resolveria essa questão: quanto à falta de informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela MOLSON apontada pela DRJ, a RECORRENTE informa, para não haver dúvida com relação à quantificação em Reais do crédito do imposto de renda pago no Canadá, que os dividendos em questão foram pagos à RECORRENTE nas datas de 25.07.2002 (DOC. 05), 22.10.2002 (DOC. 06), 22.01.2003 (DOC. 07), 03.04.2003 (DOC. 08), 08.07.2003 (DOC. 09), 22.10.2003 (DOC. 10), 06.01.2004 (DOC. 11), 14.04.2004 (DOC. 12), 16.07.2004 (DOC. 13) e 27.10.2004 (DOC. 14), conforme evidenciado nos respectivos contratos de câmbio. O processo foi baixado em diligência. através da Resolução nº 1401000.164, de 08/08/12, desta Turma. O Relatório Fiscal delimitado pela Resolução veio com resultado favorável à Recorrente e foi encaminhado para ciência do interessado sem que o mesmo tenha apresentado manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 76 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade Alega, em síntese, que a lavratura dos autos de infração implicou cerceamento do direito de defesa, vez que houve inovação do lançamento. É que a decisão de primeira instância teria suscitado razões de decidir que extrapolaram as que fundamentaram o auto de infração. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Examinadose o Auto de Infração, não se constata nenhum vício de forma, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto n° 70.235, de 1972. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. Outrossim, também não houve inovação por parte da DRJ, matéria a ser enfrentada junto com as razões de mérito a seguir. Assim, rejeito as preliminar de nulidade suscitada. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 77 11 MÉRITO Tratase de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo à glosa parcial da dedução inserta na DIPJ 2005 do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, reduzindo tal importe aos valores efetivamente comprovados, bem como de multa isolada sobre a falta de recolhimento das estimativas de IRPJ no curso do anocalendário de 2004. No caso concreto, a Recorrente indicou na DIPJ 2005 (Ficha 12A Linha 12), a compensação de imposto pago no exterior no valor de R$ 1.865.492,10. Já em sua impugnação, conforme apontado pela DRJ, alegou a tal título um valor um pouco diferente: R$ 1.709.169,47, conforme se demonstra através da tabela abaixo cujos dados foram extraídos de sua defesa: IRPJ EXTINTO NO CURSO DO ANOCALENDÁRIO DE 2004 IRRF Aplicações Financeiras no Brasil R$482.753,73 Imposto de renda pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganho de capital R$ 1.709.169,47 IRPJ estimado efetivamente pago R$ 121.111.203,31 IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) R$ 6.963.380,95 Total IRPJ extinto no curso do anocalendário 2004 R$ 130.266.507,46 IRPJ DEVIDO EM FACE DO ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO DE 2004 IRPJ apurado em 31.12.2004 (ficha 12A da DIPJ) R$ 131.153.489,88 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO IRPJ Insuficiência de recolhimento IRPJ (quitado mediante DCOMP) R$ 886.982,42 A fiscalização, por sua vez fez as seguintes glosas: FISCALIZAÇÃO IMPUGNANTE Imposto de renda pago no exterior R$ 0,00 R$ 1.709.169,47 IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) R$ 0,00 R$ 6.963.380,95 IRPJ estimado efetivamente pago R$ 121.091.743,42 R$ 121.111.203,31 No caso, a DRJ já deu provimento parcial ao recurso, em relação ao IRPJ estimado efetivamente pago, considerando como o correto o valor indicado pelo contribuinte de R$ 121.111.203,31. A controvérsia, então, cingese a dois pontos abaixo: Imposto de renda pago no exterior R$ 0,00 R$ 1.709.169,47 IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) R$ 0,00 R$ 6.963.380,95 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 78 12 O primeiro motivo da lide, então, gira em torno da comprovação de alegados impostos de renda pagos/retidos no exterior em face de dividendos supostamente recebidos da empresa Molson Inc., que foram deduzidos na DIPJ 2005 e glosados pelo fiscal. Imposto de Renda pago no exterior – compensação Segue abaixo a legislação ligada ao contexto em referência: Art. 1º. Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário, em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º. Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (...) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. c) na hipótese de contratação de operações de mútuo, se a mutuante, coligada ou controlada, possuir lucros ou reservas de lucros;(Incluída pela Lei no 9.959, de 2000) d) na hipótese de adiantamento de recursos, efetuado pela coligada ou controlada, por conta de venda futura, cuja liquidação, pela remessa do bem ou serviço vendido, ocorra em prazo superior ao ciclo de produção do bem ou serviço. (Incluída pela Lei no 9.959, de 2000) § 2º. Para efeito do disposto na alínea b do parágrafo anterior, considerase: creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior”.(grifei) Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 79 13 O regime de tributação em bases universais foi concebido com o escopo de corrigir as desigualdades entre contribuintes semelhantes que o anterior sistema de tributação territorial gerava, não alcançando pela tributação os lucros auferidos no exterior por coligadas, controladas, filiais ou coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Nesse passo, para implementar tal regime veio a tona o art. 25 da Lei nº 9.249/95, in verbis: Lei n° 9.249/95 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 80 14 I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Isso que dizer que antes da publicação da Lei nº 9.249/95, os resultados auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil poderiam ser excluídos da apuração da base de cálculo do imposto de renda e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro – CSLL. O artigo 25 da Lei 9.249/95 mudou completamente esse estado de coisas, ao determinar o cômputo, na apuração do lucro real, dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por pessoa jurídica em qualquer operação praticada no exterior. O art. 1° da Lei n°. 9.532, de 10/12/1997 veio aclarar a vagueza trazida pelo termo muito genérico na figura do que seriam “lucros realizados” do art. 25 da Lei 9.249/95, ou seja, deixou mais claro o momento efetivo do reconhecimento destes lucros no Brasil. Editouse depois a Medida Provisória n°. 2.15835, de 24/08/2001, que permanece em vigor em face da norma veiculada no art. 2° da Emenda Constitucional n°. 32, de 11/09/2001. No caso regulouse novamente o momento de efetiva tributação no Brasil dos lucros auferidos por empresas coligadas e controladas por empresa brasileira no exterior, criando a partir de 2002, a chamada “distribuição ficta”: Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 81 15 Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor." Nesse mesmo contexto, o art. 26 da Lei n°. 9.249/95, que é o preceptivo mais ligado ao caso concreto, permite a compensação do imposto incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital tributados no Brasil, nos seguintes termos: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. Lei nº 9.43096: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II Omissis § 1º Omissis. § 2º Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: I com relação aos lucros, deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do caput deste artigo; II fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. (...) Os dispositivos legais acima foram consolidados no art. 395 do RIR/99: Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 82 16 Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei n 9.249, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 15). (...) §2° Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais em que for devido o imposto (Lei n 9.249, de 1995, art. 26, §22). (...) §4° Para efeito da compensação do imposto referido neste artigo, com relação aos lucros, a pessoa jurídica deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do §10 do art. 394 (Lei n° 9.430, de 1996, art. 16, §2º inciso I) §5° Fica dispensada da obrigação de que trata o §2 deste artigo a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 16, §2S, inciso II). (...) Como se vê, o ordenamento jurídico permite, sim, a compensação do imposto incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior com o imposto de renda apurado no Brasil. Ora, se a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, por meio da nova sistemática legal de tributação (princípio da universalidade) deve consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária, para fins de tributação no Brasil, nada mais coerente do que permitir a compensação do tributo pago sobre o montante já tributado no exterior. Porém, condiciona esta compensação a vários requisitos que devem ser obedecidos de forma cumulativa. Isso quer dizer que o descumprimento apenas de um dos requisitos já é suficiente para que tal compensação seja obstaculizada. Eis abaixo as condições exigidas por Lei: O oferecimento daqueles rendimentos, lucros e ganhos de capital auferidos no exterior à tributação no regime do lucro real (art. 26, caput da Lei nº 9.249/95). efetiva apuração do lucro em país estrangeiro (art. 16, inciso II, § 2º da Lei nº 9.430/96). Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (§2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95). Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 83 17 No caso concreto, como já se colocou retro, a Recorrente indicou na DIPJ 2005 (Ficha 12A Linha 12), a compensação de imposto pago no exterior no valor de R$ 1.865.492,10. Já em sua impugnação, conforme apontado pela DRJ, alegou a tal título um valor um pouco diferente: R$ 1.709.169,47, tendo a fiscalização glosado referido valor. A DRJ negou provimento em primeiro lugar porque o primeiro requisito (oferecimento daqueles rendimentos, lucros e ganhos de capital auferidos no exterior à tributação no regime do lucro real) não se teria realizado com sucesso. Se é permitido abater o imposto pago no exterior, a base de cálculo que gerou esse pagamento de imposto também deve compor a base total de ajustes no cálculo do IRPJ no Brasil em uma clara semelhança com o que acontece com as antecipações do IRPJ na forma de retenção e o ajuste final do imposto. É uma condição justa e lógica, mas sobretudo é uma condição legal que deve ser respeitada e, segundo a DRJ, não o foi. Sem sombra de dúvidas tal informação deveria constar nas Linhas 05 e 06 da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real (LR) da DIPJ 2005 (fls.207), mas encontramse zeradas, não tendo sido infirmada pela Recorrente. Vejamos como são claras as instruções do Manual de preenchimento das DIPJ a esse respeito: Linha 09A/05 Lucros Disponibilizados no Exterior Indicar, nesta linha, os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil no curso do anocalendário (Lei n 9.532, de 1997, art. 1°, § 1º; Lei n9.959, de 27 de janeiro de 2000, art. 3º; MP nº 1.99115, de 2000, art. 35 e reedições; MP ns 2.15834, de 2001, art. 74). Em caso de apuração trimestral do imposto, tais lucros devem ser informados na coluna relativa ao 42 trimestre. Linha 09A/06 Exterior Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior Indicar, nesta linha, os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, os quais devem ser considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem (IN SRF n 213, de 07 de outubro de 2002, art. 1º, § 7º). Nesse ponto, em seu Recurso a Recorrente alega que houve inovação do fiscal. Nada mais equivocado. Em primeiro lugar, porque se existem várias condições para o aproveitamento de uma determinada prerrogativa e cada uma delas é independente da outra, basta para o autuante apontar uma dessas condições que não foi cumprida para dar azo ao lançamento. Isso não quer dizer que o contribuinte bastaria provar a satisfação dessa em fase recursal para se isentar de provar as demais condições. E foi isso que aconteceu. Se o contribuinte, em uma prejudicial, não consegue nem provar que pagou IR no exterior, não haveria porque o fiscal avançar e perquirir a respeito do oferecimento à tributação do rendimento que deu origem àquele recolhimento. De toda sorte, o fiscal ainda descreveu todas as condições que eram necessárias para o atendimento, inclusive o oferecimento à tributação. Eis os Termos de Constatação Fiscal: Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 84 18 O contribuinte acima identificado foi intimado em 13 de maio de 2008, para apresentar no prazo de 05 (cinco) dias úteis, os comprovantes de pagamentos do IRPJ no valor de R$ 129.287.997,78, constante da ficha 12 A, linha 10 do ano calendário de 2004. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal apresentou os DARFS dos pagamentos totalizado à importância de R$ 121.091.743,42 e comprovantes de retenções na fonte sobre aplicações financeiras e dividendos recebidos do exterior, nos valores de R$ 8.741.881,75 e R$ 1.319.864,71, alegando que sobre os dividendos recebidos da Molson Inc. situada no Canadá, estavam entregando cópia dos contratos de fechamento de cambio, pois ainda não localizaram os informes emitidos pela fonte. Diante deste fato, lavramos o Termo de Intimação, Constatação e Reintimacão Fiscal em 08 de julho de 2008, intimando o contribuinte para no prazo Máximo de 05 (cinco) dias úteis, para apresentar os comprovantes de retenção do IR fonte da empresa Molson Coors, sendo condição para compensação o disposto no artigo 26 da Lei n. 9.249/95 e artigo 14 da IN SRF 213 de 07/10/2002. "(...) Cabe salientar que os valores retidos referentes aos dividendos recebidos da Molson não foram considerados, pois não foram atendidos os requisitos estabelecidos pela Lei nº 9.249/05. (...) Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido, o imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real (artigo 231, inciso III do RIR/99; artigo 2o, § 4o da Lei n° 9.430, de 1996). O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (artigo 943, parágrafo 2° do RIR/99; art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985). A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (artigo 26, § 2o da Lei n° 9.249/95; artigos 15, 16, § 2o da Lei n° 9.430/96). Outrossim, nem mesmo as informações básicas necessárias para aferir a existência de participação societária no exterior foram preenchidas deixando o quadro geral mais nebuloso ainda. É que no caso dos contribuintes possuírem participação societária no exterior, deveria ter sido preenchida especificamente as Fichas 43 Participações no Exterior e 44 Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração e isso definitivamente não aconteceu (fls. 09/82). Outrossim, conforme apontado também pela DRJ, “restou prejudicada a identificação do método de avaliação do investimento em comento, pois não restou evidenciado se a Molson Inc é controlada ou coligada da Impugnante, e sequer se o referido investimento é relevante.” Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 85 19 Porém, contra esse ponto a Recorrente em fase recursal traz informações esclarecedoras. No caso alegou que por ter um percentual de participação na Molson da ordem de 7%, portanto, menor do que 10%, e assim, a participação no exterior na Molson não se enquadraria como controlada, nem coligada e muito menos filial ou sucursal e que o método de avaliação pela empresa Molson era o método do “custo de aquisição” e não pelo método da equivalência patrimonial: E nesse contexto continua a Recorrente tentado esclarecer essa questão, alegando que cometeu um equívoco de preencher o oferecimento à tributação dessa participação societária no exterior na ficha errada. Ao invés de preencher a Linha 6 da Ficha 94, preencheu a linha 26 da Ficha 6A (Resultado positivo em participações societárias), no valor de R$ 7.461.968,43: 5.18. Por outro lado, a RECORRENTE reconhece que, na Linha 6 da Ficha 9A de sua DIPJ 2005, deveria ter sido informado o valor dos dividendos recebidos da MOLSON, o que, por um equívoco, deixou de ser feito; esse equivoco, contudo, não teve qualquer efeito relevante, razão pela qual a RECORRENTE categoricamente rejeita a conclusão a que chegou a DECISÃO no item 5.5(ii), acima, segundo a qual o nãopreenchimento da referida linha teria implicado na não inclusão do valor dos dividendos no cômputo de seu lucro real e na conseqüente perda do direito ao creditamento do respectivo imposto pago no exterior. 5.19. Com efeito, a inclusão dos valores referentes aos dividendos pagos pela MOLSON na Linha 26 da Ficha 6A (Demonstração de Resultado) da DIPJ 2005 e a nãoexclusão desses mesmos valores na Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real) evidencia que tais rendimentos foram oferecidos à tributação, uma vez que, por um lado, foram os mesmos considerados na apuração do lucro líquido da RECORRENTE, e, por outro, não foram excluídos na apuração do lucro real, conforme se demonstrará a seguir. (...) 5.21. Como se vê, na Linha 26 da Ficha 6A devem ser declarados, dentre outros valores, os lucros e dividendos de participações societárias avaliadas pelo custo de aquisição, exatamente como era o caso dos investimentos da RECORRENTE na MOLSON. 5.22. Em cumprimento ao disposto acima, a RECORRENTE declarou, na Linha 26 da Ficha 6A de sua DIPJ 2005, os dividendos recebidos da MOLSON no anocalendário 2004, no valor de R$ 7.461.968,43 (DOC. 05 da IMPUGNAÇÃO). Conforme demonstram os lançamentos contábeis efetuados no livro razão da RECORRENTE (conta 423200. Receita de Dividendos DOC. 04) , o valor em questão é composto exclusivamente pelo valor bruto dos dividendos pagos pela MOLSON em 2004 (i.e., valor líquido acrescidos do imposto de renda recolhido no Canadá). Por conseguinte, os dividendos em questão foram efetivamente incluídos na apuração do lucro líquido da RECORRENTE. Em relação à assertiva da DRJ que considerou que não havia informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela Molson, a Recorrente traz documentação que supostamente resolveria essa questão: 5.32. Por fim, quanto à falta de informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela MOLSON , a RECORRENTE informa, para não haver dúvida com relação à quantificação em Reais do crédito do imposto de renda Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 86 20 pago no Canadá, que os dividendos em questão foram pagos à RECORRENTE nas datas de 25.07.2002 (DOC. 05), 22.10.2002 (DOC. 06), 22.01.2003 (DOC. 07), 03.04.2003 (DOC. 08), 08.07.2003 (DOC. 09), 22.10.2003 (DOC. 10), 06.01.2004 (DOC. 11), 14.04.2004 (DOC. 12), 16.07.2004 (DOC. 13) e 27.10.2004 (DOC. 14), conforme evidenciado nos respectivos contratos de câmbio. Dessa forma, em função do reforço das provas de defesa e do respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, o feito foi baixado em diligência para que a fiscalização investigasse melhor e esclarecesse a veracidade da assertiva de que a Recorrente se equivocara no preenchimento da linha 06 da Ficha 9 A, declarando na Linha 26 da Ficha 6A de sua DIPJ 2005, os dividendos recebidos da MOLSON no anocalendário 2004, no valor de R$ 7.461.968,43 (DOC. 05 da IMPUGNAÇÃO), bem assim Investigasse isso em consonância com os lançamentos contábeis efetuados no livro razão da RECORRENTE (conta 423200. Receita de Dividendos DOC. 04). Eis abaixo a conclusão do relatório de diligência fiscal: (...) 22. Analisando os documentos apresentados em atendimentos às intimações expedidas no decorrer desta diligência e aos demais documentos constantes do processo sob exame com relação aos dividendos pagos pela Molson, sociedade com sede no Canadá, tais como documentos juntados ao recurso interposto fls. 561 a 789 do processo: documentos comprobatórios das retenções emitidos pelo fisco canadense (Canada Customs and Revenue Agency), no formulário NR4 Statements of Amounts Paid or Credit to Nonresidents of Canada", devidamente reconhecidos pelo Consulado da embaixada Brasileira em Toronto e traduzido para o português (doc. 6 fls. 436/467), ilustrada com a opinião legal emitida pelo escritório de advocacia canadense David Ward, Phillips & Vineberg LLP, atestando que o formulário NR4 seria o documento adequado, de acordo com a legislação canadense, para comprovar a retenção do imposto sobre rendimentos pagos a não residentes (doc. 7 fls.464/473), juntamente com os contratos de câmbio que mostram as datas destes recebimentos em 2004 , quais sejam: 06.01.2004 (DOC. 11), 14.04.2004 (DOC. 12), 16.07.2004 (DOC. 13) e 27.10.2004 (DOC. 14) fls. 778 a 789, podese verificar que no decorrer de 2 004 houve o recebimento de valor bruto de US$ 2.566.558,85 (R$ 7.462.230,11) , e retenção de US$ 641.639,71 (R$ 1.865.557,53), conforme a seguir sintetizado na planilha por mim elaborada: US$ US$ R$ CONTRA TO US$ CALCULO DO CALCULO CALCULO DO R$ CAMBIO VALOR VALOR DO R$ VALOR VALOR CALCULO DA 2004 LÍQUIDO BRUTO IRFONTE LÍQUIDO BRUTO IRFONTE 06/01/04 622 . 443,44 829. 924,59 207.481,15 1.776.453,58 2 .368 .604,77 592.151,19 14/04/04 613.546,66 818.062,21 204.515,55 1.776.217,58 2 .368.290,11 592.072,53 16/07/04 524.770,83 699. 694,44 174.923,61 1.574.837,26 2.099.783,01 524.945,75 27/10/04 164.158,21 218 . 877,61 54 . 719,40 469.164,16 625 . 552,21 156.388,05 TOTAL 1.924.919,14 2.566.558,85 641.639,71 5.596.672,58 7.462.230,11 1.865.557,53 Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 87 21 23. Cumpre observar que o valor glosado pela fiscalização e ora sob exame é o valor de R$ 1.709.169,47, relativamente ao IRFONTE constante dos documentos denominados pela empresa de "DOC 11", "DOC 12" e "DOC 13" fls. 778 a 787; 24. Ao haver a inclusão dos valores referentes aos dividendos pagos pela MOLSON (R$ 7.461.968,43) na Linha 26 da Ficha 6A (Demonstração de Resultado) da DIPJ 2005 e a não exclusão desses mesmos valores na Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real) verificase que tais rendimentos foram oferecidos à tributação, uma vez que, por um lado, foram os mesmos considerados na apuração do lucro líquido, e, por outro, não foram excluídos na apuração do lucro real. CONCLUSÕES FINAIS Primeiramente esclareço que a glosa de R$ 6.963.380,90 não fez parte da análise desta diligência, pois a mesma limitouse ao exame da matéria constante da solicitação de fls.832. A conta contábil 423200 RECEITA DE DIVIDENDOS, extraída do RAZÃO digital AC 2004, relativa aos dividendos pagos pela MOLSON, onde se encontra registrada a contabilização da receita de R$ 7.461.968,43, foi planilhada e seguirá anexa ao presente. Considerando que as argumentações e provas documentais juntadas pelo contribuinte em decorrência desta diligência, bem como os demais documentos anteriormente juntados ao presente processo administrativo, entendemos que apesar de erros de preenchimento em campos da DIPJ 2005, as condições constantes do Art. 26 da Lei n.° 9.249/95 foram comprovadas e a alegação do contribuinte deve ser aceita, ficando demonstrado que os dividendos pagos pela MOLSON no anocalendário 2004, no valor de R$ 7.461.968,43 (que foi declarado na Linha 26 da Ficha 6A de sua DIPJ 2005) foi considerado na apuração do lucro real e desta forma, o valor compensado relativo ao imposto pago no exterior de R$ 1.709.169,47 , glosado na autuação, deve ser desprezado na apuração de novo cálculo do crédito tributário devido após diligência desta fiscalização, conforme quadro abaixo: MANTIDO POR DRJ (R$) EXONERADO NA DILIGÊNCIA (R$) MANTIDO (R$) após DILIGÊNCIA IRPJ 8.672.550,42 1.709.169,47 6.963.380,95 Portanto, uma vez provado em diligência que as condições constantes do Art. 26 da Lei n.° 9.249/95 foram satisfeitas, DOU provimento a este item da autuação. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 88 22 IRPJ estimado quitado com saldo negativo em 31.12.2003 A Recorrente alega em defesa que teria utilizado os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 2003 para quitar as estimativas mensais de IRPJ devidas no curso do anocalendário de 2004. Nesse sentido, a fiscalização fez também a glosa abaixo: FISCALIZAÇÃO IMPUGNANTE IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) R$ 0,00 R$ 6.963.380,95 Ou seja, a fiscalização entendeu que os referidos saldos que suportariam essas compensações já teriam sido integralmente utilizados pela Recorrente na quitação do IR devido de 2002. A Recorrente em sua defesa, por sua vez, contesta a assertiva acima alegando que se trata de um erro de informação no saldo negativo de uma empresa sua que foi incorporada e que precisaria ser aproveitado. Afora esse fato da insuficiência de saldo constatado pelo Fiscal, há uma prejudicial relevante que por si só joga uma pá de cal no pleito da Recorrente. É o que se passa a demonstrar. Com é sabido a compensação tributária tem rito próprio e precisa ser aferida a liquidez e certeza dos créditos. Não consta do processo que a recorrente tenha tomado as providências legais para fazer esse mister antes de iniciado o procedimento de ofício. Se diz que compensou, então, deveria ter apresentado Declaração de Compensação no caso de débitos apurados em DIPJ a partir de 2002 a fim de efetivar as compensações com o novo regime de compensações atualmente em vigor, não cabendo mais a mera demonstração de compensação na contabilidade, pois essa sistemática não é mais vigente, tendo sido revogada tacitamente. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, em seu art. 49, instituiu a declaração de compensação (Dcomp) e deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para estabelecer que, a partir de 1º de outubro de 2002 (art. 68), a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação e será “efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 89 23 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (grifei) Como se vê, a declaração de compensação é uma prerrogativa da recorrente e que não foi utilizada, não cabendo ao fiscal fazêlo de ofício. Não se olvide, ainda, que, no lançamento dito por homologação, a compensação apresenta três pressupostos indispensáveis: Primeiramente, o contribuinte deve possuir um crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública; em segundo lugar, a compensação há de ser escriturada, de sorte que reste cristalizada sua ocorrência; e, por fim, o Fisco somente poderá homologar tal ato do contribuinte se tomar conhecimento de sua atividade, ou em outras palavras, incumbe ao contribuinte comunicar ao Fisco a atividade por ele levada a efeito, de forma que reste exteriorizada sua pretensão, possibilitando a fiscalização de seu procedimento. Sendo assim, não estando comprovada nos autos, por meio de documentação adequada, a alegada compensação, não pode ser esta aceita como argumento de defesa, como aliás é pacífica a jurisprudência: “COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO. Não é cabível a alegação de compensação sem comprovação do procedimento e como defesa em auto de infração. Recurso negado.” Acórdão 20176411 Da mesma forma, contrapondose ao entendimento do autuado, a jurisprudência do CARF impõe óbice à efetivação da compensação, mesmo se tratando de tributos da mesma espécie, quando esta for efetuada a partir de outubro de 2002 e não instrumentalizada através de Dcomp: ACÓRDÃO 20180287 – Data da Sessão: 22/05/2007 COFINS. CRÉDITOS DE IPI. COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. IMPOSSIBILIDADE. A compensação entre créditos e débitos de tributos de diferentes espécies era efetuada, anteriormente à criação da Declaração de Compensação, à vista de pedido do sujeito passivo e, após, por meio da apresentação de Declaração de Compensação. Estando fora desses limites, a compensação escritural não tem efeito de extinção dos créditos tributários. ACÓRDÃO 20178161 – Data da Sessão: 26/01/2005 NORMAS PROCESSUAIS. PIS. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO. DESNECESSIDADE DE PEDIDO. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. Anteriormente à criação da declaração de compensação, a compensação entre tributos da mesma espécie e destinação constitucional (PIS com PIS) era efetuada pelo próprio sujeito passivo, em sua escrituração, no âmbito do lançamento por homologação. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 90 24 Não consta no processo que tenha sido encaminhada à RFB, conforme consulta efetuada pela DRJ nos Sistemas de Informática da SRFB, a citada declaração relativa à compensação do IRPJ do AC de 2004 com o saldo negativo de períodos anteriores (2002 e 2003). Conforme colocado pela DRJ a esse mesmo respeito: Frisese que a única DCOMP localizada nos sistemas da RFB com crédito referente a saldo negativo de IRPJ reside na Declaração de Compensação acostada aos autos pelo próprio contribuinte (fls. 475 a 480 e 488), entregue para quitar as parcelas incontroversas da presente autuação. Como se viu, o contribuinte fez a suposta compensação à margem de todos os instrumentos declaratórios existentes, inclusive à margem também da contabilidade. Resta apenas o rastro da sua intenção, em função de um saldo que ficou disponível nem ao menos coincidente em sua inteireza com o valor a ser compensado. Isso quer dizer que na prática não houve compensação alguma. Não se pode então é admitir que se “reserve” um saldo qualquer de crédito, sem registro algum seja contábil, seja fiscal, e se fique no aguardo de uma autuação ou fiscalização para então se alegar que determinado débito foi coberto por uma suposta compensação. Aceitar tal situação é dar um verdadeiro “cheque em branco” para o contribuinte se utilizar de um mesmo crédito para inúmeras situações, pois controle algum há. O bom registro do crédito,no caso concreto, não diz nada e não vem o caso, pois esse seria em tese o interesse de qualquer contribuinte dentro da lógica mencionada nesse voto, eis porque se rejeita também o pedido de diligência a esse respeito. O bom registro e documentação da compensação é que é o relevante, e é o que convém à Receita se preocupar. E esse registro não houve. Outrossim, cai também por terra o seu argumento de que a decisão de piso inovou ao aventar a necessidade da existência da Dcomp, uma vez que foi a Recorrente que traz como argumento de defesa que fez a compensação com supostos créditos de saldos negativos de anos anteriores. Logo, ela tem que provar antes de tudo a formalização da compensação para daí, só depois, provar a existência de saldo. De outra banda, o fiscal também não cometeu nenhum desacerto. Ora, se existem várias condições para o aproveitamento de uma determinada prerrogativa e cada uma delas é independente da outra, basta para o autuante apontar uma dessas condições que não foi cumprida para dar azo ao lançamento. Isso não quer dizer que o contribuinte bastaria provar a satisfação de uma em fase recursal para se isentar de provar as demais condições, se acaso existirem. Portanto, mantenho esse item da autuação. MULTA ISOLADA – ESTIMATIVAS NÃO PAGAS Da aplicabilidade da Súmula CARF nº 105 A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 91 25 Ressalvo o meu entendimento que sempre foi pela manutenção das multas isoladas, porém o modifico em função de regramento vinculante superveniente (Súmula CARF n; 105), que possui o seguinte teor: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Porém, cabe salientar que a asserção contida na súmula só é válido para os anoscalendários anteriores a 2007, pois com fundamento em dispositivo legal (no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) que foi posteriormente modificado pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, bem assim que haja imposto devido e não apuração de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, como também é o caso. Como o caso que se cuida referese ao anocalendário de 2004, há, portanto, que se aplicar a súmula ao caso concreto. Portanto, cancelo as multas isoladas sobre as estimativas não pagas. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso: I) para exonerar da autuação o valor de R$ 1.709.169,47, conforme resultado de diligência; e II) Cancelar as multas isoladas por estimativas não pagas no anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10830.720119/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 01/11/2001, 31/08/2005
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE. PRAZO. CINCO ANOS. LEI COMPLEMENTAR 118/2005.
O prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, para os pedidos apresentados após 09/06/2005, data de decurso da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS.
Por ausência de previsão legal, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS, descabendo a sua exclusão.
Numero da decisão: 3401-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira e Waltamir Barreiros, quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROBSON JOSE BAYERL - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso De Almeida. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 123 1 122 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720119/200768 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.164 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria COFINS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente SUPERMERCADO SERV BEM HORTOLANDIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/11/2001, 31/08/2005 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE. PRAZO. CINCO ANOS. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, para os pedidos apresentados após 09/06/2005, data de decurso da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Por ausência de previsão legal, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS, descabendo a sua exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira e Waltamir Barreiros, quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 19 /2 00 7- 68 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 ROSALDO TREVISAN Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso De Almeida. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Discutese nesses autos Pedido de Restituição / Declaração de Compensação de valores recolhidos a maior ou indevidamente a titulo de COFINS, no montante de R$ 24.108,06, para o período de novembro/2001 a agosto/2005, com fundamento na exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Na decisão de fls. 65 e seguintes, o Serviço de Orientação e Análise Tributária ("SEORT") da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP não homologou a compensação pretendida, com base em 3 (três) fundamentos, como se verifica da ementa do julgado, abaixo transcrita: "Assunto: COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Período de apuração: CRÉDITO — NOVEMBRO DE 2001 A AGOSTO DE 2005. DÉBITO — NOVEMBRO DE 2005 A MARÇO DE 2006. Ementa: COFINS. BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO DA PARCELA RELATIVA AO ICMS. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, entendendose esta como a totalidade das receitas obtidas, independentemente do tipo de atividade desenvolvida. Incluso neste conceito o valor do ICMS. Somente as parcelas legalmente autorizadas é que podem ser excluídas da base de cálculo desta contribuição federal, não estando enquadrada nessa situação a parcela relativa ao ICMS. Entendimento consoante às atuais e inequívocas jurisprudências administrativa e judicial. ILEGITIMIDADE. Tem direito de pleitear restituição/compensação o sujeito passivo que efetivamente suporta o ônus econômico da exação, ou quem esteja autorizado expressamente por aquele. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS". Importante ainda relatar que, nessa decisão, em decorrência do procedimento adotado pelo contribuinte, a SEORT fixou duas premissas para a análise do pleito: (i) apenas Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 124 3 parte das compensações apresentadas pelo contribuinte poderiam ser conhecidas e apreciadas; e (ii) deveriam ser consideradas como data de protocolo das declarações os dias 16/02/2007 e 27/07/2007. A seguir, os motivos de tal entendimento: "6.2. Todas as declarações de compensação apresentadas eletronicamente, vide fls. 1/5 e 27/39, foram geradas mediante uso indevido do programa gerador de pedidos eletrônicos de restituição/ressarcimento e declarações de compensação (PGD). Pretendeu a pessoa jurídica interessada utilizar o crédito a que entende fazer jus (como já destacado, supostos pagamentos a maior da Cofins em virtude da inclusão do valor do ICMS em sua base de cálculo) mediante a criação de um pagamento fictício, que totalizaria todas as diferenças reclamadas (entre os períodos de apuração de novembro de 2001 a agosto de 2005). Completamente equivocado o procedimento adotado, sem nenhum respaldo junto às normas legais e infralegais que regem a matéria, mormente a IN SRF n° 600/05. Uma simples leitura deste ato administrativo e das instruções de preenchimento do PGD é suficiente para que se chegue à conclusão de que somente em casos de pagamentos indevidos ou a maior efetivamente recolhidos, ou seja, reais, é que se pode utilizar o módulo "pagamento indevido ou a maior" do PGD, e sempre um documento, no caso uma declaração de compensação, por Dart reclamado. Obviamente, deveria a contribuinte ter utilizado os formulários de que trata o art. 76 da citada IN, formalizando processo administrativo (posteriormente poderia apresentar declarações de compensação eletronicamente, consignando como origem do crédito o processo formalizado), como feito por alguns outros sujeitos passivos, que embarcaram na mesma tese creditória aqui utilizada (como se verá adiante, atualmente descabida, por diversos motivos) mediante a apresentação de pedidos de restituição, ao contrario da interessada, que preferiu apresentar declarações de compensação; e 6.3. Considerando o esposado no subitem precedente, as cinco declarações de compensação apresentadas eletronicamente, fls. 1/5 e 28/39, serão consideradas como não declaradas, haja vista, como discorrido, a impropriedade na utiliza PGD. Assim, consideramse corretamente formuladas e aptas a produzir os efeitos que lhe são próprios as declarações de compensação apresentadas às fls. 2 (a de fl. 43 é idêntica), data de protocolização 16/02/2007, fl. 6, e 44/47, data de protocolização 27/07/2007, fl. 40, sendo, dessa forma, as que serão alvo da presente análise. Ressaltese que essas abrangem todos os débitos objeto das compensações consideradas não declaradas". Contra essa decisão, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 75 e seguintes, na qual alegou: a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS; a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários até a decisão definitiva na esfera administrativa; a extinção dos créditos tributários pela compensação tributária; e que o prazo para pleitear a restituição seria de 10 (dez) anos e não de 5 (cinco), como restou decidido pela SEORT. Ao final, pediu o deferimento de todas as compensações apresentadas. Nesse ponto, importante observar que, apesar de o contribuinte ter pedido o deferimento de todas as compensações apresentadas, não trouxe nenhum motivo para que as Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 demais compensações fossem consideradas. Além disso, quanto ao prazo para pleitear a restituição, limitou sua exposição à defesa do prazo de 10 (dez) anos, não fazendo qualquer oposição às datas de protocolo fixadas pela SEORT. Com isso, percebese que o contencioso se instaurou, segundo as premissas acima mencionadas fixadas pela SEORT. Na sessão de 28/01/2008, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP) decidiu, por unanimidade de votos, não reconhecer o direito creditório em litígio e não homologar a compensação com manutenção integral dos débitos, conforme decisão de fls. 95 e seguintes, cuja ementa transcrevo a seguir. "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/11/2001 a 31/08/2005 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. ICMS. BASE DE CALCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. Compensação não Homologada". A terceira limitação à restituição/compensação apontada pela SEORT, quanto à legitimidade da contribuinte para realização do pedido, foi superada pela Delegacia, nos termos a seguir: "No que tange à questão da legitimidade para pedir a repetição de indébitos referentes a PIS e Cofins, ao contrário do que entendeu o despacho da DRF, essas contribuições não são tributos que comportem, por sua natureza, transferência jurídica do respectivo encargo financeiro". Após ser cientificado dessa decisão em 04/04/2008, conforme AR de fls. 105, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/04/2008 (fls. 106), no qual renovou os argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade. O recurso voluntário foi distribuído à 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, porém, seu julgamento foi sobrestado, por força do artigo 62A, parágrafo 1º, do então vigente Regimento Interno1, pois duas das três matérias a serem decididas, inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da PIS e da COFINS e prazo para restituição de tributos, estavam pendentes de decisão nos Tribunais Superiores. Segundo o relator, "tendo em vista a existência de liminar em Ação Direta de Constitucionalidade que determina o sobrestamento dos julgamentos que versem sobre a aplicação do art. 3º, parágrafo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98 bem como, a inexistência de trânsito em julgado do RE nº 566.621, com repercussão geral, mencionado acima, voto pelo SOBRESTAMENTO do 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesm matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 125 5 feito até que seja proferida decisão definitiva das matérias abordadas pelo presente processo administrativo fiscal". A outra matéria trazida se refere à suspensão da exigibilidade do crédito tributário e foi tratada pelo relator da seguinte forma: "Encontrase pacífico na jurisprudência judicial e administrativa que a interposição de recurso administrativo tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário conforme a redação do art. 151, III, do Código Tributário Nacional: (...) Desta forma, recebidos os apelos apresentados pela ora Recorrente, encontram se os débitos objetos do presente processo, por força de lei, com sua exigibilidade suspensa". Com a revogação do dispositivo que previa o sobrestamento de feitos pela Portaria MF 343/2015, que aprovou o Regimento atualmente em vigor, após nova distribuição para minha relatoria, ocorrida na sessão do dia 17/03/2016, coloco o processo em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Em seu recurso, a Recorrente pede o reconhecimento da extinção dos créditos tributários pela compensação tributária, defendendo que o prazo para pleitear a restituição seria de 10 (dez) anos e não de 5 (cinco) e que seria inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Ainda, argumenta que os créditos tributários deveriam ficar com exigibilidade suspensa até a decisão final administrativa. Quanto a suspensão da exigibilidade, a questão já havia sido apreciada de forma favorável à Recorrente na decisão recorrida, nos seguintes termos: "cabe dizer que o requerimento da impugnante acerca da suspensão da exigibilidade dos débitos de sua responsabilidade — que são objeto do presente pleito compensatório — é desnecessário, já que tal efeito decorre de expressa disposição legal, independentemente de manifestação desta instância administrativa". De qualquer maneira, para que não restem dúvidas, corroboro o já exposto na Resolução nº 3803000.133, exarada nesses autos, no sentido de reconhecer que "recebidos os apelos apresentados pela ora Recorrente, encontramse os débitos objetos do presente Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 processo, por força de lei, com sua exigibilidade suspensa", em conformidade com o artigo 151, inciso III, do CTN2 e com o artigo 74, parágrafo 11º, da Lei nº 9.430/19963. No que se refere ao prazo para pleitear a restituição, a decisão recorrida entendeu aplicável o prazo de 5 (cinco) anos, com base no artigo 168, inciso I, do CTN4, e artigo 3º da Lei Complementar nº 118/20055. De outro lado, a Recorrente defende a aplicação de um prazo de 10 (dez) anos, pela soma do prazo de homologação previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN6, com o prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN, pois, na sua visão, "só após o transcurso de tal evento (05 anos para homologação expressa ou tácita) é que devese entender extinto o crédito tributário, e assim, a partir desta extinção dada à devida homologação, iniciase contagem do prazo prescricional para o contribuinte exigir a sua restituição". Como mencionado na Resolução exarada nesses autos, a questão já foi decidida no Recurso Extraordinário 566.621, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. Essa decisão, que transitou em julgado no dia 17/11/2012, foi assim ementada: "DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei 2 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; 3 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 4 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; 5 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 126 7 nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido".(grifos nossos) (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO) Como se verifica, o entendimento firmado pelo STF é que a aplicação de um prazo reduzido e novo só poderia ocorrer após o decurso da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, apenas para as ações propostas após 09/06/2005, sob pena de ofensa ao princípio da segurança jurídica, corolário da proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça, pois a referida Lei não tem caráter interpretativo, tendo, na realidade, inovado no ordenamento jurídico. Assim, no presente caso, levandose em consideração que os pedidos de restituição/compensação foram apresentados em 16/02/2007 e 27/07/2007, portanto, após o início de vigência da Lei Complementar nº 118/2005, é aplicável o prazo de 5 (cinco) anos, não sendo passíveis de restituição os valores pagos antes de 16/02/2002, informados na declaração apresentada em 16/02/2007, e antes de 27/02/2002, informados na declaração de compensação apresentada em 27/07/2007. O último ponto a ser analisado diz respeito à inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da COFINS. Na decisão recorrida, entendeuse pela possibilidade de incluir esse imposto estadual, pelas seguintes razões: "Com efeito, a Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, determinou que a base de cálculo do PIS e da Cofins seria o faturamento, correspondente à Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 receita bruta da pessoa jurídica, entendida esta como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada. No § 2° do art. 2° desse diploma legal, ficou estabelecido que se excluiriam da base de cálculo das citadas contribuições o IPI e o ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. De igual modo, também nas Leis nº 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, que instituíram a sistemática da nãocumulatividade na apuração do PIS e da Cofins, a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada. Observese que ao permitir a exclusão apenas do ICMSSubstituição, a legislação deixa claro, contrario sensu, que o ICMS devido pela interessada compõe a base de cálculo da Cofins". Além disso, a decisão recorrida informa ter conhecimento do Recurso Extraordinário n° 240.7852, no bojo do qual se debatia a matéria no e. Supremo Tribunal Federal, entretanto, rejeita qualquer influência de tal decisão no julgamento, pois, aos seus olhos, (i) "como a votação não foi encerrada, ainda não há decisão"; (ii) "não sendo a contribuinte parte no citado RE, mesmo se houvesse decisão, ela não poderia ser fundamento para o pedido de restituição que ora se aprecia"; e (iii) "quando o STF fixa entendimento pela inconstitucionalidade via controle difuso, os servidores da administração devem reorientar suas atuações somente após a publicação da Resolução do Senado Federal a que se refere o art. 52, inciso X, da Constituição Federal, nos termos do art. 1, § 2°, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997". A Recorrente, por sua vez, alega que "a Lei 9.718/98 foi clara ao estabelecer em seu a art. 3°, parágrafo 2º, inciso I, que o faturamento é a receita bruta, e que da receita bruta se excluem para fins de base de calculo da COFINS, o imposto de Circulação de Mercadorias e sobre prestações de Serviços de Transportes Interestadual e Intermunicipal e de Comunicaçao ICMS". O motivo apontado na Resolução exarada nesses autos para o sobrestamento do julgamento foi a existência de liminar na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 18, determinando o sobrestamento dos julgamentos que versassem sobre a aplicação do art. 3º, parágrafo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. Abaixo, coloco ementa da decisão que deferiu a medida cautelar em referência: "EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal".(ADC 18 MC, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2008) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 127 9 Impende destacar que, nos termos do artigo 21, parágrafo único, da Lei nº 9.868/19997, a medida cautelar era válida pelo prazo de 180 dias, a contar da data de publicação da ata de julgamento, sob pena de perda de sua eficácia. Ocorreu que essa medida cautelar ainda foi prorrogada por 3 (três) vezes, sendo a última delas deferida por decisão publicada em 18/06/2010, sem que tivesse ocorrido o julgamento de mérito até o momento. Dessa maneira, verificase que a cautelar perdeu eficácia, pelo menos, desde o final de dezembro de 2010. Além disso, a medida cautelar deferida excluiu expressamente os processos em andamento no STF. Com isso, importante mencionar que o Plenário do STF já decidiu a questão de forma favorável aos contribuintes, por maioria de votos, em sede de controle difuso. Isso ocorreu no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, que foi assim ementado: "TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento". (RE 240785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2014) Conforme se verifica no sítio eletrônico do STF, essa decisão transitou em julgado no dia 23/02/2015, tornandose, portanto, definitiva. Há ainda no STF o RE nº 574.706, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia, em que houve o reconhecimento da repercussão geral, mas ainda não foi julgado. Em suma, no STF, a questão da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é ou foi objeto, pelo menos, de três processos: (i) Recurso Extraordinário nº 240.785, já julgado definitivamente em sede de controle difuso pelo Plenário, que entendeu pela exclusão do ICMS da base de cálculo; (ii) ADC nº 18, pendente de julgamento da questão em sede de controle abstrato; e (iii) Recurso Extraordinário nº 574.706, em que foi reconhecida a repercussão geral e também está pendente de julgamento e deverá ser julgado em conjunto com a ADC nº 18, tendo em vista o deferimento de pedido nesse sentido em 01/08/2013 pela relatora. A respeito da base de cálculo do PIS e da COFINS, a Lei nº 9.718/1998 dispõe que: 7 Art. 21. O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo. Parágrafo único. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo o Tribunal proceder ao julgamento da ação no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de perda de sua eficácia. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 "Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Ias vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; [redação anterior à Lei nº 12.973/2014] I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimento pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita bruta; IV as receitas de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; e VI a receita reconhecida pela construção, recuperação, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos". Portanto, a base de cálculo da PIS e da COFINS será calculada pelo faturamento da pessoa jurídica, que compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598/1977, in verbis: "Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 128 11 § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)" No mesmo sentido, as Leis que instituíram a PIS e a COFINS nãocumulativa (Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003) determinam que a base de cálculo desses tributos é o "total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". É de se notar que a redação vigente à época do pedido de restituição excluía expressamente da base de cálculo, no artigo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/1999, o IPI e o ICMS da substituição tributária. Nesse quadro normativo, a decisão recorrida entendeu que "ao permitir a exclusão apenas do ICMSSubstituição, a legislação deixa claro, contrario sensu, que o ICMS devido pela interessada compõe a base de cálculo da Cofins". Contudo, pareceme que a melhor forma de enfrentar a questão não é a partir da análise do que foi expressamente excluído ou não pela legislação, mas sim a partir do conceito de faturamento, à luz do ordenamento jurídico como um todo, nele incluindose o conceito constitucional de faturamento, previsto no artigo 195, inciso I, da Carta da República, como fez o Ministro Marco Aurélio, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785: "As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. Por isso mesmo, esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição, na redação primitiva da Carta, sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa, emprestando, assim, ao vocábulo “salários”, o sentido técnicojurídico, ou seja, de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128.5192/DF. Jamais imaginouse ter a referência à folha de salários como a apanhar, por exemplo, os acessórios, os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional, revelador da incidência sobre o faturamento. Este decorre, em si, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por tal motivo, o que percebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrá lo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 Federação. No caso dos autos, muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte, terseá, a prevalecer o que decidido, a incidência da Cofins sobre o ICMS, ou seja, a incidência de contribuição sobre imposto, quando a própria Lei Complementar nº 70/91, fiel à dicção constitucional, afastou a possibilidade de incluirse, na base de incidência da Cofins, o valor devido a título de IPI. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti, em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71.758: “se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” RTJ 66/165. Conforme salientado pela melhor doutrina, “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que, conforme visto, é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. A contrário sensu, qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional mostrese fiel, no emprego de institutos, de expressões e de vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. Por isso mesmo, o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que, para mim, surge simplesmente pedagógica, com sentido didático, a revelar que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias". (grifos nossos) É importante destacar que, ao entender pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS nesse julgado, o STF não declarou a inconstitucionalidade de nenhum dispositivo legal, pelo contrário, a partir do conceito constitucional de faturamento (artigo 195, inciso I, da Carta da República), deu aos dispositivos infraconstitucionais a interpretação que lhe parece mais adequada, reafirmando, assim a própria constitucionalidade de tais dispositivos. Nesse sentido, oportuno citar trecho do acórdão em questão: (...) O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES Senhora Presidente, na verdade, lembrome que participei desse intenso debate, mas nunca tive dúvida de que, tal como a questão se colocara época, o tema era, sim, constitucional. Na verdade, a minha divergência com o Ministro Cezar Peluso e os que o seguiram dizia respeito à compreensão do conceito no contexto geral e dos precedentes, inclusive, que se desenvolveram a partir da própria ADC n° 1. Entendo até que estamos diante daquilo que a doutrina e a teoria do direito chama de garantia de perfil institucional. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 129 13 Claro que podemos ter um debate, dependendo da singularidade, de perfil infraconstitucional. Mas, no caso específico, o que está em jogo é o próprio conceito. Porque podemos estar a discutir conceito de faturamento, conceito de propriedade, conceito de casamento ou de renda, e neste caso é evidente que a discussão se põe como discussão constitucional. Tanto é que temos tantos debates irrelevantes na alçada do Superior Tribunal de Justiça sobre o mesmo tema. Por quê? Claro que podemos ter detalhamentos outros, ou má ou boa aplicação da lei, mas, aqui, a indagação que se faz é sobre a substância do próprio conceito: se o legislador teria, ou não, extrapolado ao regular um determinado instituto. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Ministro, Vossa Excelência me permite? O artigo 2°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 não versa a inclusão ou a exclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. O SENHOR MINISTRO SEPULVEDA PERTENCE Sim, é uma interpretação a contrario. Mas para mim o problema é irrelevante, porque não é preciso declarar a inconstitucionalidade da lei para dizermos que a inclusão do ICMS na sua própria base de cálculo é inconstitucional. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Exatamente". (grifos nossos) Dessa maneira, a aplicação do entendimento pela exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, no presente caso, não é limitado pela Súmula CARF nº 02, que afirma "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", pois não se está aqui declarando a inconstitucionalidade de nenhuma lei, mas simplesmente extraindo do texto da Lei nº 9.718/1998 a norma que parece mais adequada. Por outro lado, ainda que se entenda de forma diversa, no sentido de que, para se reconhecer a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS e da COFINS, devese necessariamente declarar a inconstitucionalidade de dispositivo da lei federal, seja o artigo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/1999, vigente até a edição da Lei nº 12.973/2014, seja o § 5º do DecretoLei no 1.598/1977, da mesma forma é possível a aplicação do entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785 nas decisões proferidas por esse colegiado, com fundamento no artigo 62, caput, § 1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF em vigor8, levandose em conta que a decisão foi proferida pelo Plenário do STF e já é definitiva. Por fim, impende notar também que o reconhecimento do direito creditório fundado na exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS não encontra óbice nas 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 normas regulamentares expedidas pela RFB para tratar de compensação, como o artigo 41, § 3º, inciso I, e, da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que prevê: "Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: (...) e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: 1. tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2. tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3. tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou 4. seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal;" Isso pelo mesmo motivo já exposto acima: não se trata de declaração de inconstitucionalidade de nenhuma Lei. Além disso, ainda que fosse, no caso concreto, a regulamentação vigente à época do pedido de restituição/compensação não previa tal tipo de limitação, como se verifica do artigo 26, da Instrução Normativa SRF nº 600/20059. 9 Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o débito apurado no momento do registro da DI; II o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; III o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela SRF; IV o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; V o débito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional com crédito de terceiro; VI o débito e o crédito que não se refiram aos tributos e contribuições administrados pela SRF; VII o saldo a restituir apurado na DIRPF; VIII o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 130 15 Ante o exposto, concluo que: (i) o ICMS não deve compor a base de cálculo da COFINS, de modo que os pagamentos realizados pela Recorrente considerando tais parcelas na base de cálculo da COFINS são "pagamentos indevidos" passíveis de restituição/compensação; (ii) é aplicável o prazo de 5 (cinco) anos, não sendo passíveis de restituição os valores pagos antes de 16/02/2002, informados na declaração apresentada em 16/02/2007, e antes de 27/02/2002, informados na declaração de compensação apresentada em 27/07/2007. Dessa maneira, considerando as conclusões acima e que o quantum de crédito não chegou a ser apreciado no decorrer do processo, proponho a conversão do julgamento em diligência à unidade administrativa de jurisdição, para que se verifique e quantifique o valor a ser restituído/compensado, excluindo os valores atingidos pela prescrição. É como voto. AUGUSTO FIEL JORGE ' OLIVEIRA Relator IX o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional reconhecido por decisão judicial que ainda não tenha transitado em julgado; X o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; XI o valor informado pelo sujeito passivo em Declaração de Compensação apresentada à SRF, a título de crédito para com a Fazenda Nacional, que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente da SRF, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e XII outras hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Manifesto, por meio do presente, divergência em relação ao posicionamento externado pelo relator no que se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, destacando que a Lei que regula a matéria (no regime cumulativo, que é o tratado nos autos) é a de nº 9.718/1998, que dispõe em seus artigos 2º e 3º: "Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Ias vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; [redação anterior à Lei nº 12.973/2014] I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimento pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita bruta; IV as receitas de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; e VI a receita reconhecida pela construção, recuperação, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos". (grifos nossos) Os textos normativos apresentam a base de cálculo no artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, a partir do conceito de faturamento do artigo 1º. E no § 2ª do artigo 3º são relacionadas as exclusões, entre as quais não se encontra menção ao ICMS pago (apesar de haver menção expressa de exclusão do ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário na redação vigente à época dos fatos geradores). Assim, por ausência de previsão legal, descabe a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. E nenhuma decisão judicial de Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 131 17 caráter não definitivo, e fora das hipóteses estabelecidas no art. 26A do Decreto no 70.235/1972, ou no artigo 62 do Regimento Interno deste CARF, pode contrapor tal carência de previsão legal. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, em relação a tal matéria. ROSALDO TREVISAN Redator Designado Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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