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Numero do processo: 10880.690954/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe.
PROVAS. PRECLUSÃO.
Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.044
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SAO PAULO METRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admitese a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 09 54 /2 00 9- 32 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.690954/200932 Acórdão n.º 3302005.044 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de PIS/PASEP não cumulativo. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico emitido pela unidade de origem, a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito. Ciente desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade alegando em síntese: Apurou e recolheu PIS/PASEP não cumulativo incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas; Desta forma, faz jus ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias; Retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo de PIS/PASEP não cumulativo; Requer a homologação da compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 1632.928. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade e apresenta diversos documentos com vistas a comprovar o direito pleiteado. Ao final requer que não sendo possível a análise da documentação apresentada, que seja a mesma remetida à instância de origem, para que sobre ela se pronuncie a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.037, de Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.690954/200932 Acórdão n.º 3302005.044 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690947/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.037): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preclusão probatória Argui o recorrente que apurou e recolheu o PIS/PASEP nãocumulativo de 10/2004 incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas, fazendo jus, portanto ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias. Ressalta ainda em favor de sua tese que retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo do PIS/PASEP não cumulativo. Ocorre que ao apresentar a Manifestação de Inconformidade, momento processual que instaura a lide administrativa, não comprovou perante o órgão a quo com documentos hábeis e idôneos o recebimento dos referidos juros e variações monetárias ativas e, tampouco que os mesmos compuseram a base de cálculo do tributo, ensejando, por conseguinte pagamento a maior. Quando da apresentação do recurso voluntário acosta documentos não apresentados quando da manifestação de inconformidade. Nesse sentido cabem os seguintes esclarecimentos. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.690954/200932 Acórdão n.º 3302005.044 S3C3T2 Fl. 5 4 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito)(grifei). Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observase que a norma acima destacada é clara ao estabelecer o momento processual a serem carreadas as provas aos autos, pelo contribuinte, a fim de subsidiar o julgador com os elementos probatórios que possibilitem a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme é assegurado pelo 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, como já demonstrado, o contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos pleiteados. Quanto ao ato de provar pondera 2Fabiana: Mediante a atividade probatória compõese a prova, entendida como fato jurídico em sentido amplo, que é o relato em linguagem competente de evento supostamente acontecido no passado, para que, mediante a decisão do julgador, constituase o fato jurídico em sentido estrito, desencadeando os correspondentes efeitos. (...) Iso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.(grifei). Nesse mister, os documentos apresentados somente em sede recursal, visando comprovar os aludidos créditos não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que sequer demonstra o recorrente estar abrigado em uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, acima já reproduzidos. Na linha acima expendida revelase incabível devolver os autos à instância a quo para a análise dos documentos apresentados, já que deixaram de ser oportunamente apresentados à referida instância. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Tomé, Fabiana Del Padre, A prova no Direito Tributário, São Paulo:Noeses, 2005, págs:177/178. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.690954/200932 Acórdão n.º 3302005.044 S3C3T2 Fl. 6 5 Tendo em vista que em votação, a maioria dos conselheiros acolheu apenas a conclusão desta relatora, seguem abaixo reproduzidos, conforme determina o artigo 63, § 8º do Anexo II do RICARF, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Por entender aplicável ao presente caso a norma prevista na letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 que, diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite a juntada posterior de documentos, os demais Conselheiros decidiram afastar a preclusão aplicada pela i. Relatora. Isto porque, diferentemente do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação por inexistência do crédito, a matéria concernente a comprovação da origem dos créditos apurados pela Recorrente somente foi trazida aos autos quando do proferimento da decisão combatida, oportunizando, assim, a Recorrente contrapor os fatos novos com a juntada de documentos que entendese necessário para tanto. Por este motivo, restou decidido pelos demais Conselheiros afastar a preclusão e admitir a análise dos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Pois bem. Em sede recursal a Recorrente trouxe as seguintes alegações de mérito: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo Capital indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente sob o argumento de que competia a ela apresentar documentos contábeis e fiscais que comprovassem o recolhimento a maior do tributo cuja homologação de compensação for requerida mas esta não os apresentou. (...) Nestas condições, em que a exigência do crédito tributário deve se pautar pelo princípio da verdade material, com base no mesmo princípio dever apurado o crédito reclamado pela Recorrente, razão pela qual a ela deve ser reconhecido o direito de trazer aos autos do presente processo, mesmo em sede de Recurso Voluntário, os documentos fiscais e contábeis que demonstram a sua existência, para seja homologada a compensação por ela realizada. Juntamente com suas razões recursais a Recorrente carreou aos autos os seguintes documentos para comprovar seu pretenso direito: (i) PER/DCOMP; (ii) Comprovantes de arrecadação; e (iii) planilhas e livros diário geral. Entretanto, constatase que no recurso interposto pela Recorrente não há uma linha argumentativa demonstrando a composição/origem do crédito perseguido pelo contribuinte, limitando, suas alegações, apenas em relação ao direito de juntar documentos em sede recursal. Ora, caberia a Recorrente explicitar, ainda que de forma concisa, a composição/origem do crédito e, apontar quais documentos dão suporte às suas alegações, nada neste sentido foi realizado pela Recorrente. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.690954/200932 Acórdão n.º 3302005.044 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressaltase que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Deste modo, tornase imprestável os documentos juntados pela Recorrente para o fim de comprovar o direito ao crédito, motivo pelo qual os demais Conselheiros acompanharam a i. ilustre Relatora pelas conclusões. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000450/2007-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade do lançamento, quando o ato foi lavrado por autoridade competente e sem que se verifique cerceamento de direito de defesa, que sequer foi alegado pelo Contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação da questão relativa aos juros Selic. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NULIDADE. Não há que se falar em nulidade do lançamento, quando o ato foi lavrado por autoridade competente e sem que se verifique cerceamento de direito de defesa, que sequer foi alegado pelo Contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação da questão relativa aos juros Selic. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 349 1 348 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14479.000450/200775 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.626 – 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PAF NULIDADE NATUREZA DO VÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONDOMÍNIO EDIFÍCIO VERSAILLES LOUVRE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NULIDADE. Não há que se falar em nulidade do lançamento, quando o ato foi lavrado por autoridade competente e sem que se verifique cerceamento de direito de defesa, que sequer foi alegado pelo Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação da questão relativa aos juros Selic. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 04 50 /2 00 7- 75 Fl. 349DF CARF MF 2 O presente processo trata do Debcad 37.014.7863, lavrado em razão da falta de apresentação de todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Previdência Social, na forma legalmente estabelecida, bem como por deixar de apresentar os esclarecimentos necessários à Fiscalização. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 11/12, o condomínio não apresentou os dados cadastrais completos de todos os seus representantes legais, no período abrangido pela ação fiscal (janeiro de 1997 a dezembro de 2006). Em sessão plenária de 27/10/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803001.126 (fls. 230 a 232), assim ementado: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/10/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela Fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173. inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela decadência os fatos anteriores à 11/2001. RELATÓRIO FISCAL INSUFICIENTE. PROVIMENTO RECURSAL. Nos termos do art. 142 do CTN, o relatório fiscal deve especificar o fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. Deve ser considerado improcedente o débito lavrado sem a devida descrição dos fatos geradores envolvidos. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)." O processo foi recebido na PGFN em 31/01/2012 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 234) e, em 01/02/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 236 a 241 (Relação de Movimentação de fls. 235). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir os seguintes pontos: inexistência de nulidade no lançamento; se nulidade houve, tratase de vício formal e não material. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 14479.000450/200775 Acórdão n.º 9202006.626 CSRFT2 Fl. 350 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 286/2012, de 18/05/2012 (fls. 274). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: conforme os arts. 59 c/c 60 do Decreto n.° 70.235, de 1972, aplicáveis à hipótese, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese dos autos, o voto condutor do acórdão guerreado decidiu por anular o auto de infração em virtude da falta de descrição minuciosa do fato; diante do que dispõem os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, depreendese como necessária para a validade do lançamento a descrição do fato de uma forma tal que não resulte em prejuízo à ampla defesa do contribuinte; não há a exigência de que seja apresentada descrição minuciosa e pormenorizada das circunstâncias fáticas; no caso em tela, a imputação é de que a autuada não apresentou dados cadastrais completos dos representantes legais do condomínio que, mesmo intimado, não apresentou os documentos relacionados a essa contratação; a autuada compreendeu claramente o conteúdo do auto de lançamento, tendo sustentado que "a autuação não pode prosperar na medida em que a impugnante de fato apresentou todas as informações relativas aos seus representantes legais de forma completa e na maneira especificada em seus regulamentos" (fls. 18); não houve, pois, prejuízo à ampla defesa; violação haveria, por exemplo, se a fiscalização não apontasse as remunerações pagas de forma dissimulada, impedindo que o contribuinte conhecesse cada uma delas e, portanto, os elementos indispensáveis para a compreensão da controvérsia; de tudo, vêse que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972; o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado, por meio do qual insurge se contra o procedimento de apuração adotado pela fiscalização, dentre outros argumentos. a jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; caso, porém, seja mantida a nulidade, esta deve ser caracterizada como formal e não material; Fl. 351DF CARF MF 4 não se pode negar, contudo, a distinção entre o fato que levou ao lançamento e a descrição desse mesmo fato pelo agente do Fisco; o primeiro, o fato em si, materialmente considerado, é o motivo do lançamento, "é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato. É, pois, a situação do mundo empírico que deve ser tomada em conta para a prática do ato"3 o segundo, a descrição do motivo pelo agente, é o relato, em documento próprio, dos motivos que culminaram na autuação; motivo e motivação, a despeito de estarem intimamente ligados, têm naturezas diametralmente opostas: um (o motivo) tem natureza material, enquanto o outro (motivação) natureza formal; nesse passo, em se verificando que o motivo alegado não existe, ou que, à luz da legislação, não gera os efeitos pretendidos, terseá vício de ordem material; por outro lado, em se constatando deficiência na descrição dos fatos pelo fiscal, de modo a prejudicar a defesa do contribuinte ou a dificultar a adequada compreensão do ocorrido, terseá vício de ordem formal; Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para afastar a nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, declarar a ocorrência de vício formal. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente (fls. 278). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de Auto de Infração Debcad 37.014.7863 lavrado em razão de o condomínio não ter apresentado os dados cadastrais completos de todos os seus representantes legais no período abrangido pela ação fiscal (janeiro de 1997 a dezembro de 2006), conforme o Relatório Fiscal de fls. 11/12. No acórdão recorrido foi declarada a nulidade do lançamento por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pelo restabelecimento do lançamento, alegando a inexistência de vício, uma vez que não teria havido prejuízo à defesa. Alternativamente, pede que seja considerado que o vício seria formal. Com efeito, a declaração de nulidade do lançamento por vício material, por parte do acórdão recorrido, foi levada a cabo sem que fosse fornecida qualquer fundamentação relativa às duas situações que, conforme o art. 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, dão causa a nulidade: decisão proferida por autoridade incompetente e/ou cerceamento de direito de defesa. Ademais, no Recurso Voluntário o Contribuinte limitouse a suscitar duas matérias, decadência e ilegalidade da aplicação de juros Selic, sem qualquer alusão às questões afetas à autuação, em si, protestando ao final pela anulação do Auto de Infração. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 14479.000450/200775 Acórdão n.º 9202006.626 CSRFT2 Fl. 351 5 Nesse contexto, assiste razão à Fazenda Nacional, uma vez que não se vislumbra o vício material apontado no acórdão recorrido, tampouco houve, por parte do Contribuinte, qualquer manifestação no sentido de cerceamento de direito de defesa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, entendo pela inexistência de vício no lançamento, portanto doulhe provimento, determinando o retorno dos autos ao Colegiado a quo, para análise do argumento referente à aplicação de juros Selic ao crédito tributário apurado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720689/2010-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008
PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-006.648
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008 PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 89 /2 01 0- 42 Fl. 500DF CARF MF 2 Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração, AI 37.201.9188, referente a contribuições sociais devidas à Seguridade Social correspondentes às diferenças patronais (EMPRESA e GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, pagas em desacordo com a legislação. Após o trâmite processual, a 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária manteve em parte o lançamento. O Colegiado a quo determinou o recálculo da multa aplicada com base no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. O acórdão 2302003.128 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 9202006.648 CSRFT2 Fl. 500 3 Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Em sede de Recurso Especial, a Fazenda Nacional, juntado os paradigmas necessários, traz para debate a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas. Requer seja dado total provimento ao recurso, para que seja esposada a tese de que a multa mais benéfica deve ser verificada a partir da comparação entre: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Intimado o Contribuinte não apresentou contrarrazões. Em tempo, a PGFN por meio do Memorando nº 1.437/2016/PGFN/GAB/PFNBA (fls. 474) comunica a existência de decisão judicial que em caráter provisório determinou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários discutidos nos PAF's: 10580.720690/201077, 10580.720688/201066, 10580.720691/201011 e 10580.720689/201042. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O Recurso ora discutido preenche os requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Em que pese o objetivo do recurso seja a discussão dos critérios utilizados pelo acórdão para aplicação da retroatividade benigna de norma, haja vista as alterações promovidas pela MP 449/08 em dispositivos da Lei nº 8.212/91, há nos autos fato relevante que deve ser considerado. Fl. 502DF CARF MF 4 Conforme descrito no relatório há em favor do contribuinte decisão judicial determinando a suspensão da exigibilidade do crédito ora discutido. Nos termos da decisão liminar proferida na ação anulatória nº 187487.2016.4.01.3300 e juntada às fls. 481 é possível compreender a abrangência da discussão. Vejamos: E concluiu o i. Julgador quanto ao pedido: Com essas informações podese afirmar que a ação judicial possui o mesmo objeto deste processo administrativo, aplicandose ao caso o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 o qual prevê que a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir os termos da relação tributária importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10580.720689/201042 Acórdão n.º 9202006.648 CSRFT2 Fl. 501 5 Esse mandamento já foi internalizado por este Conselho por meio da Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O Professor Marcos Vinícius Neder e a Conselheira Maria Teresa Martinez López, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (Editora Dialética. São Paulo 2010, p. 299) explicam que a súmula reflete o fundamento de que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no artigo 5º, inciso XXXV, da Carta Política de 1988. A todo rigor, inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Diante do exposto, caracterizada a concomitância, dou provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito nos termos em que foi lançado. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 504DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.722011/2008-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 20 11 /2 00 8- 80 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 9202006.373 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 9202006.373 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 9202006.373 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 9202006.373 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 9202006.373 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 9202006.373 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 9202006.373 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720180/2014-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS.
O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações.
A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado.
Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos.
A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso.
A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros.
Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados.
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE.
A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas.
Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida.
MULTA QUALIFICADA.
Não se pode admitir a qualificação da multa de ofício, quando a autuação apenas repete os mesmos fundamentos utilizados para a lavratura das infrações principais. Para se aplicar a qualificação da pena, deve restar comprovado e devidamente enquadrada nos autos a conduta de cada uma das partes envolvidas na lide tributária em uma das hipóteses previstas nos respectivos dispositivos legais que tratam do assunto.
Quando a fiscalização não comprova e não enquadra precisamente a prática do ato em uma das hipóteses específicas previstas em lei, deve ser afastada a qualificação da multa.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL.
A solução do litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando houver fatos ou argumentos idênticos.
Numero da decisão: 1402-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em , rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à amortização dos ágios indicados nos itens 3.2; 3.5 e 4.4 do Termo de Verificação e reduzir a multa ao percentual de 75% em relação à exigência referente aos ágios indicados nos itens 3.3; 3.4 e 4.1. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar integralmente as exigências referentes aos ágios indicados nos itens 3.2; 3.3; 3.4; 3.5; 4.1; 4.2; 4.3 e 4.4 do Termo de Verificação. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida. MULTA QUALIFICADA. Não se pode admitir a qualificação da multa de ofício, quando a autuação apenas repete os mesmos fundamentos utilizados para a lavratura das infrações principais. Para se aplicar a qualificação da pena, deve restar comprovado e devidamente enquadrada nos autos a conduta de cada uma das partes envolvidas na lide tributária em uma das hipóteses previstas nos respectivos dispositivos legais que tratam do assunto. Quando a fiscalização não comprova e não enquadra precisamente a prática do ato em uma das hipóteses específicas previstas em lei, deve ser afastada a qualificação da multa. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. A solução do litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando houver fatos ou argumentos idênticos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em , rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à amortização dos ágios indicados nos itens 3.2; 3.5 e 4.4 do Termo de Verificação e reduzir a multa ao percentual de 75% em relação à exigência referente aos ágios indicados nos itens 3.3; 3.4 e 4.1. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar integralmente as exigências referentes aos ágios indicados nos itens 3.2; 3.3; 3.4; 3.5; 4.1; 4.2; 4.3 e 4.4 do Termo de Verificação. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 80 /2 01 4- 38 Fl. 3810DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.811 2 através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida. MULTA QUALIFICADA. Não se pode admitir a qualificação da multa de ofício, quando a autuação apenas repete os mesmos fundamentos utilizados para a lavratura das infrações principais. Para se aplicar a qualificação da pena, deve restar comprovado e devidamente enquadrada nos autos a conduta de cada uma das partes envolvidas na lide tributária em uma das hipóteses previstas nos respectivos dispositivos legais que tratam do assunto. Quando a fiscalização não comprova e não enquadra precisamente a prática do ato em uma das hipóteses específicas previstas em lei, deve ser afastada a qualificação da multa. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. A solução do litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando houver fatos ou argumentos idênticos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em , rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à amortização dos ágios indicados nos itens 3.2; 3.5 e 4.4 do Termo de Verificação e reduzir a multa ao percentual de 75% em relação à exigência referente aos ágios indicados nos itens 3.3; 3.4 e 4.1. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar integralmente as exigências referentes aos ágios indicados nos itens 3.2; 3.3; 3.4; 3.5; 4.1; 4.2; 4.3 e 4.4 do Termo de Verificação. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. Fl. 3811DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.812 3 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Fl. 3812DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.813 4 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou totalmente procedente o Auto de Infração. Foram lavrados Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, com multa de ofício agravada (150%), exigindo um crédito tributário de R$ 1.582.509.038,43, consolidado na data da lavratura dos autos, em razão de o Recorrente ter, a partir do anocalendário de 2008, excluído do Lucro Líquido e da Base de Cálculo da CSLL, ágios gerados por diversas reorganizações societárias ocorridas até o ano de 2005, levadas a cabo pelos controladores da Claro S/A (anteriormente denominada BCP S/A). Segundo o TVF, a impugnação e o v. acórdão da DRJ, o grupo América Móvil adquiriu ao longo do tempo diversas operadoras de telefonia, que já se encontravam inseridas em estruturas societárias formadas por seus investidores originários, como o grupo Algar, nos casos da TESS e ATL, com quem o grupo América Móvil (por meio da Telecom América Ltda situada nas Bermudas e AM Latin América LLC situada em Delaware) veio a se relacionar para adquirir as respectivas participações societárias. De acordo com o TVF de fls. 1631 a 1717, os ágios foram contabilizados nas empresas ATL – Algar Telecom Leste S/A e na TESS S/A, incorporadas pelo contribuinte em 31/12/2005. Essas duas empresas começaram a ser adquiridas pelo grupo América Móvil (detentor da marca Claro no Brasil) em 2001 mediante operações societárias e devido a impedimentos regulatórios adquiriu o controle das operacionais em 2004. As operações societárias e a aquisição das operacionais TESS e ATL podem ser descritos de forma resumida em três momentos: 1º momento Operações realizadas em 1999 pelo Grupo Algar, pelo grupo Willians Internacional e pelas empresas SBC Internacional Brazil Holding Ltda e Telmex Wirelws Brazil LLC, antes da entrada da América Móvil (Telecom Américas) no Brasil. (itens 3.1, 3.3 e 3.4 do TVF). Aqui foram realizados aumentos de capital nas empresas JOHI e SÂNDALO pela Algar Telecom S.A. (anteriormente denominada Lightel), com ações da ATL, registrando ágio com base na lucratividade futura da ATL. Tais operações tiveram por objetivo a alienação de parte das ações da ATL, que eram de propriedade da ALgar para o grupo Williams Internacional. E também aumentos de capital nas empresas Sândalo e ATL Participações pela empresa SBCI Participações (controlada indiretamente pelas epmresas SBC Internacional Brazil Holding Ltda e Telmex Wireles Brazil LLC), registrando ágio com base na lucratividade futura da ATL, conforme atestado em laudo formalizado por empresa independente, KPMG. 2º momento Operações realizadas entre 2001 e 2003, quando o grupo América Móvil ingressa no Brasil com intenção de investir na ATL e TESS. Fl. 3813DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.814 5 Nesse momento, contudo, segundo a legislação de telecomunicações e impedimentos da ANATEL o grupo não poderia adquirir o controle (direto ou indireto) das empresas, mas necessitava disponibilizar recursos para garantir o desenvolvimento econômico das empresas operacionais, que segundo a Recorrente demandavam alto investimento, como todas as demais empresas do setor. Nesse momento, algumas das operações realizadas registraram ágio com base na expectativa de rentabilidade futura da ATL e da TESS (itens 3.2, 3.5, 4.1, 4.2, 4.3 e 4.4 do TVF). 3º momento Operações realizadas entre 2003 e 2004, quando o grupo América Móvil foi autorizado a assumir o controle indireto da ATL e da TESS. (passa o controle do Grupo Algar e Telia para o Grupo América Móvil). Nesse momento, segundo a Recorrente, o grupo decidiu enxugar a estrutura societária adquirida (que constava com mais de 10 holdings e 7 empresas operacionais, dentre elas a ATL e a TESS), para fins de governança coorporativa, desburocratização de investimentos, redução de custos e aumento de sinergias. Assim as holdings investidoras foram incorporadas pelas empresas operacionais investidas que, como conseqüência, passaram a reconhecer em suas contabilidades os ágios registrados em momento anterior. Em seguida, foi criada uma única nova holding, para facilitar o controle e os investimentos pela América Móvil (Telecom América) e a partir daí as empresas operacionais foram concentradas em uma única empresa, com maior representatividade no mercado nacional, a CLARO, ora Recorrente. A partir dessas operações a Recorrente passa a amortizar o ágio, e tal amortização passa a ser passível de dedução para fins de IRPJ e CSLL. Fl. 3814DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.815 6 Fl. 3815DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.816 7 Após a narração dos fatos acima, podemos resumir que os pontos principais da acusação estão pautados na impossibilidade de amortização de ágio, devido ao entendimento da fiscalização de que os reais adquirentes são empresas situadas no exterior e que por isso não ocorreu a confusão patrimonial, requisito necessário e previsto no artigo 386 do RIR/99, bem como que as empresas denominadas veículo não tinham propósito negocial e motivação extrafiscal para sua criação. Para o item 3.1 e parte do item 3.3 a fiscalização incluiu também a acusação de ágio gerado internamente, por empreses interdependentes, do mesmo grupo. Fl. 3816DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.817 8 Importante salientar que, apenas em relação às operações de ágio da SÂNDALO (item 3.3 fl. 49 do TVF), a acusação além de se fundamentar em ágio interno, também aponta falta de substrato econômico, devido à Nota Promissória no valor de R$ 268.963.927,33 nunca ter sido paga e sim ter sido extinta por meio de confusão patrimonial, quando da incorporação pela SBCI Participações em 31/12/2003 (pertencente ao grupo Telecom Americas desde 24/08/2001 – p. 59 do TVF). Isto é, segundo a Fiscalização, a devedora (SBCI Brasil Participações Ltda.) da Nota Promissória incorporou a credora (Algar Administradora de Sistemas Ópticos Ltda) e o referido título de crédito passou a fazer parte do ativo da SBCI Participações, sem ter sido liquidada. Em relação ao restante das aquisições de participações societárias com pagamentos feitos por meio de aumento de capital, AFACs ou Notas Promissárias e cheques, a Fiscalização não contesta o pagamento do ágio. Resumidamente, consta no TVF além das acusações principais, acusação de ausência de pagamento para uma das operações de ágio (item 3.3), ágio interno para os itens 3.1 e 3.3 e para o restante dos itens que se referem a glosa dos ágios, devido à utilização de empresas veículo sem motivação extratributária, com falta de propósito negocial, ausência de substância e inexistência de confusão patrimonial, devido as verdadeiras adquirentes estarem situadas no exterior. Também de forma resumida, a Recorrente, por sua vez, alega em sua impugnação o seguinte: A interessada apresentou impugnação, alegando que o grupo América Móvil adquiriu ao longo do tempo diversas operadoras de telefonia, que já se encontravam inseridas em estruturas societárias formadas por seus investidores originários, como o grupo Algar, nos casos da TESS e ATL, com quem o Grupo América Móvil veio a se relacionar para adquirir as respectivas participações societárias. Alega que em algumas aquisições os vendedores estabeleceram como condição do negócio a aquisição das holdings ligadas às operadoras, como é o caso da Sândalo Participações S.A. (“SÂNDALO”) e JOHI Representações Ltda. (“JOHI”) (do lado da ATL) e da TEL Participações S.A. (“TEL PARTICIPAÇÕES”), IPÊ Participações S.A. (“IPÊ”), Eriline S.A. (“ERILINE”) e Tel Investimentos Ltda. (“TEL INVESTIMENTOS”) (do lado da TESS). Nesse contexto, as diversas reorganizações societárias seriam decorrência da estrutura societária existente e da quantidade de empresas vendedoras envolvidas. Muitas das holdings utilizadas sequer foram criadas pela CLARO, que, assim que a legislação e a regulação do setor permitiram, procurou enxugar e simplificar a estrutura existente, com o objetivo de consolidar nacionalmente sua marca, racionalizar os custos envolvidos com a manutenção de diversas sociedades, incrementar sinergias e otimizar a prestação do serviço e principalmente o atendimento aos usuários. Não nega que o objetivo do grupo América Móvil fosse, em última instância, adquirir as empresas ATL e TESS, por se tratar de empresas operadoras de telefonia móvel, com atuação em áreas estratégicas do mercado brasileiro. Porém diz que a negociação acabou por envolver toda a cadeia de sociedades que integrava a estrutura societária daquelas empresas, “como uma condição para a conclusão do negócio”. Quer dizer, o processo de Fl. 3817DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.818 9 aquisição das empresas ATL e TESS implicava inexoravelmente na aquisição das holdings que detinham as participações nas referidas empresas. Diante da necessidade dessas operadoras de vultosos recursos para desenvolver suas atividades de um lado, e da proibição regulatória de a recorrente exercer controle, mesmo indireto, sobre elas, o caminho concebido para se permitir a capitalização da TESS sem que fosse caracterizada alteração de seu controle acionário, foi a celebração de contratos de adiantamento para futuro aumento do capital social (“AFACs”) da TESS pela TELECOM AMÉRICAS BRASIL LTDA.TAB. Esta sociedade era uma holding que foi constituída no Brasil pelo grupo América Móvil com o objetivo de controlar os investimentos da Telecom Américas Ltd. (TAL) no País, tendo os recursos aportados via AFAC na TESS sido objeto de prévio aporte no capital da (Telefonica América Ltda.) TAL na TAB (Telefônica América Brasil) via capital direto. Isto é, a TELECOM AMÉRICAS LTD., CNPJ nº 05.628.218/000109 (do grupo América Móvel), sociedade organizada e existente de acordo com as Leis das Bermudas, durante os anos de 2001 a 2004 enviava recursos à TELECOM AMÉRICAS BRASIL LTDA. TAB, a título de aumento de capital, e esta, imediatamente repassava a quase totalidade para a TESS S.A. como adiantamento para futuro aumento de capital AFAC. (Docs. 27 e 27A a 27I 28 e 28A a 28D 29 e 29A a 29F Doc.30 – TVF p. 80) Em relação à ATL Algar Telecom Leste, afirma que o processo de aquisição se deu, em linhas gerais, de forma bastante similar ao processo da TESS, que ao final do anocalendário de 2000, depois de diversas operações realizadas nos anos de 1999 e 2000, encontravase com seu capital social distribuído entre as empresas Algar Telecom Participações (ATL Participações), controlada pela Algar; Sândalo (controlada pela SBC Internationals, Inc.); JOHI e Williams International ATL Limited. Durante os anos de 2001 e 2004, as empresas holdings JOHI e SÂNDALO receberam recursos da América Móvil, via capital direto, para que pudessem investir na ATL. Da mesma forma que com a TESS, foram utilizados AFACs que foram capitalizados quando autorizado pela ANATEL que o controle indireto da ATL fosse exercido pela Telecom Americas Ltda (o que ocorreu, em ambos os casos, em novembro de 2003). A partir de então, procedeuse a uma série de cisões e incorporações para simplificar a estrutura societária do grupo, estabelecendo a Claro Participações como holding do grupo Telecom Américas Ltd. situada no Brasil. Diante disso, a Recorrente entende demonstrado que os ágios decorreram das circunstâncias dos negócios celebrados entre o grupo América Móvil e as empresas vendedoras (ATL e TESS), quando foi verificada uma expectativa de rentabilidade futura da ATL e da TESS, que justificava o pagamento de ágio na aquisição da participação societária; que não houve qualquer vantagem fiscal obtida com a reestruturação implementada no grupo Claro que não adviria de uma operação de incorporação direta, a qual somente não ocorreu por razões de caráter societário, regulatório e pelas circunstâncias comerciais das negociações; que nas aquisições da BCP, Americel, Telet e BSE não foi registrado ágio e por fim, houve a incorporação de empresas que possuíam prejuízos fiscais, a ATL, TESS, TELET, BSE, Stemar e Americel. Tenta demonstrar que não é verdade a acusação fiscal de que a Recorrente só queria obter vantagem fiscal, eis que não teria efetuado as reorganizações societárias da forma que fez, já que, ao incorporar as empresas operacionais houve outras perdas de cunho econômico/fiscal, como por exemplo, abrir mão de marcas já Fl. 3818DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.819 10 consolidadas no mercado e não poder aproveitar dos vultosos prejuízos fiscais acumulados por tais empresas (aproximadamente R$ 350 milhões) que poderiam ter sido aproveitados caso a operação tivesse ocorrido da forma sugerida pelo Agente Fiscal. (vide doc. 17 da impugnação). Ademais, alega que antes da Lei 12.973/2014 não existia vedação legal para o aproveitamento fiscal do ágio interno; que não houve planejamento abusivo; que não cabe o agravamento da multa de ofício. Ato contínuo, a DRJ julgou a impugnação totalmente improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 IRPJ/CSLL AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. SIMULAÇÃO A prática de atos simulados para obtenção de vantagem tributária ofendem os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da isonomia tributária e devem ser desconsiderados para fins tributários. IRPJ/CSLL MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO É cabível o agravamento da multa de ofício quando os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem identificar o intuito doloso do contribuinte de reduzir ou evitar o pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica. Em seguida, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões da peça impugnatória e acrescentando a postulação de nulidade da decisão recorrida por inovação no fundamento da autuação contrariando os artigos 145 e 146 do CTN. De todas as alegações relativas à inovação do critério jurídico do v. acórdão da DRJ, a única que verifiquei foi a relativa ao Laudo da KPMG para verificar a rentabilidade futura. (Doc. 18 da impugnação). A D. Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, clamando pela manutenção integral do Auto de Infração. Segue a lista com os ágios apontados pela Fiscalização: Fl. 3819DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.820 11 Cumpre ressaltar que conforme Autos de Infração, o prejuízo fiscal foi compensado, reduzindo o crédito lançado de ofício. É o relatório. Fl. 3820DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.821 12 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, foi interposto por signatário com poderes de representação, está corretamente endereçado, não contraria Súmula deste E. Tribunal, versa sobre matéria de competência para julgamento desta C. Turma Ordinária e preenche todos os demais requisitos legais, motivo pelo qual deve ser admitido. Preliminares: Do pedido de suplente para compor o quorum de julgamento da sessão e garantir a paridade: A Recorrente juntou aos autos petição de fl. 3809 solicitando um suplente para o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, que se declarou impedido de julgar o recurso interposto nos autos do processo em epígrafe. Tal alegação não deve ser acolhida, eis que na sessão constava mais Conselheiros do que o previsto no Regimento deste E. Tribunal como quorum mínimo para que se tenha julgamento. Sendo assim, afasta o requerimento da Recorrente feito na petição de f. 3809 e passo a julgar o Recurso Voluntário. Da alegação feita pela Recorrente de que o v. acórdão recorrido inovou o lançamento: Ao analisar o v. acórdão recorrido, com exceção do fundamento da DRJ de que o laudo elaborado pela KPMG para comprovar a expectativa de rentabilidade futura não seria da época das operações que geraram o ágio para o item 3.3 do TVF, não verifiquei nenhuma outra possível inovação no lançamento do julgado "a quo". O v. acórdão analisou todas as alegações postas na impugnação e no Termo de Verificação Fiscal e acrescentou o fato de que o laudo da KPMG foi produzido posteriormente, em 2005 (fl. 47), sendo que as operações ocorreram antes, em sua a maioria em 2001. Vejamos a parte do acórdão que fundamentou a não aceitação do laudo pela DRJ: O contribuinte não apresentou prova de que o ágio desembolsado em 09/04/2001 foi pago sob a perspectiva da Fl. 3821DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.822 13 rentabilidade futura da TESS S.A. O laudo firmado pela KPMG data de 23/12/2005 e foi elaborado com o intuito de identificar que parcela dos ágios gerados nesse ano poderão ser justificadas pela rentabilidade futura da Empresa, permitindo à Administração da TESS fundamentar a dedução dos ágios, partindo da situação financeira da TESS em 31/12/2004 e projetando a rentabilidade até 2014. Apesar da constatação dos julgadores "a quo" de que o laudo não teria sido produzido exatamente na época do desembolso do ágio, tal fato não foi abordado no Termo de Verificação Fiscal e nos Autos de Infração.. Ou seja, de fato não foi contestada pela Fiscalização no momento da lavratura dos Autos de Infração a elaboração do laudo em momento posterior ao desembolso do ágio/pagamento. Entretanto, a Recorrente quando ofereceu a impugnação produziu argumentos de defesa e juntou o laudo aos autos, no intuito de fundamentar sua alegação de que tinha respeitado todos os requisitos previstos em lei para amortização do ágio, neste ponto, mais precisamente, a expectativa de rentabilidade futura, que não foi questionada pela fiscalização. Sendo assim, frente ao histórico fático acima narrado, entendo que não ocorreu inovação no lançamento quando da prolação do v. acórdão recorrido. O que ocorreu, na realidade, foi a manifestação/motivação dos julgadores em relação a uma alegação feita pela Recorrente em sua impugnação. Ou seja, de fato no TVF não foi abordado qualquer assunto em relação ao laudo; mas o v. acórdão comentou sobre o laudo para fundamentar as razões de decidir dos Julgadores da DRJ em relação a uma alegação e prova trazidas aos autos pela Recorrente em sua impugnação. Esta motivação/fundamentação dos Julgadores para desconsiderar o laudo, foi pautada no sentido de que o estudo foi feito em momento posterior ao desembolso do ágio. Assim, não verifico que o v. acórdão inovou o lançamento, o que ocorreu, na realidade, foi a resposta a uma alegação e à uma prova juntada em sede de impugnação da Recorrente, sob pena de cerceamento ao direito da contribuinte e nulidade do julgado "a quo". Em relação às alegações de que ocorreu inovação do lançamento quanto aos pontos de que o ágio foi gerado internamente, que a real adquirente da TESS e ATL era o grupo América Móvel e que as operações societárias realizadas pela Recorrente visaram contornar o tratamento fiscal do ágio (possibilitar a amortização do ágio), entendo que não merecerem ser providas, eis que todos estes pontos foram abordados na acusação fiscal. Da alegação da Recorrente de que o argumento utilizado pela DRJ no v. acórdão recorrido sobre o laudo não ser contemporâneo ao desembolso do ágio não poder ser reconhecido por esta C. Turma do E. CARF/MF: Fl. 3822DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.823 14 Como dito acima, o TVF de fato não apresentou qualquer fundamentação sobre o laudo de expectativa de rentabilidade futura ser produzido posteriormente ao desembolso do ágio. A acusação não abordou este ponto. A discussão em relação ao laudo veio aos autos trazida pela Recorrente em sede de impugnação, apenas para corroborar com a fundamentação de que tinha cumprido todos os requisitos para gozar do benefício da amortização do ágio. Tal fato, a meu ver, demonstra a boafé da Recorrente, o intuito de demonstrar a legalidade das operações praticadas e a intenção de corroborar com a fiscalização na apuração da legitimidade do crédito ora em discussão, não sendo jurídico que este argumento seja utilizado como único fundamento para manter o lançamento de ofício. Assim, entendo que o requerimento da Recorrente para desconsiderar o fundamento do v. acórdão de que o laudo apresentado era extemporâneo deve ser provido, eis que não foi albergado pela acusação fiscal. Passo a análise do mérito: A Fiscalização constatou e registrou no TVF as formas de operações societárias que segundo a acusação propiciaram o aproveitamento do ágio de forma indevida. O resumo da acusação e da interpretação do Fiscal em relação aos fatos ocorridos pode ser visto nas fls. 10/28 do TVF, onde foram narrados exemplos hipotéticos de operações que foram contestadas; ou melhor dizendo; não foram aceitas. Basicamente, neste resumo da acusação a fiscalização aponta a criação de empresas holdings, sem propósito negocial, apenas para possibilitar a incorporação das empresas veículo (também holdings, onde estão registrados os ágios) pelas empresas operacionais brasileiras, possibilitando assim amortizar o ágio. Ou seja, as empresas situadas no exterior, remetiam recursos para a empresa holding inicial brasileira (empresa veículo), que em seguida remete os recursos a titulo de AFAC (adiantamento para futuro aumento de capital) para a empresa operacional (ATL e TESS), gerando o ágio na empresa holding inicial. Em seguida é criada uma outra empresa holding que passa a controlar a holding inicial que está com o ágio. Ato contínuo, a empresa controlada operacional incorpora a primeira empresa holding controladora com o ágio (incorporação reversa). Face esta interpretação, a fiscalização afirma que as reais adquirentes são as empresas situadas no exterior e que por isso não ocorreu a confusão patrimonial exigida no artigo 386 do RIR/99. Fl. 3823DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.824 15 A Fiscalização também descreve hipoteticamente operações societárias com ágio, que ocorreram antes do grupo América Móvel ingressar no capital da ATL e TESS (fls. 16/20), que são muito parecidas com a acima narrada e também envolvem pagamentos por meio de notas promissórias e cheques. Em seguida, às fls. 21/28 a fiscalização começa a descrever os casos concretos dos ágios que foram adquiridos pela Recorrente quando da incorporação das empresas ATL Telecom Leste S.A. e TESS. À partir da fl. 29 do TVF, o agente autuante começa a descrever as operações de aquisição da ATL Telecom Leste S.A. (item 3, com inicio às fls.29 do TVF) e da TESS S.A. (item 4 com início nas fls. 68 do TVF). Sendo assim, passo a analisar os ágios criados antes da operação de aquisição da ATL (itens 3.1, 3.3 e 3.4 do TVF), que posteriormente foram carreados para a Recorrente, juntamente com os ágios gerados nas operações de aquisição da ATL pelo Grupo América Móvel (pela Telecom América), em seguida pela Recorrente, com a conseqüente amortização. Vejamos o ágio na JOHI decorrente de aumento de capital com ações da ATL Algar Telecom Leste S.A, do item 3.1 do TVF: Ágio da JOHI decorrente de aumento de capital com ações da ATL Algar Telecom Leste S.A.. A JOHI Representações foi criada em 1999, tendo como sócias duas pessoas físicas, na qualidade de contadores, com capital de R$ 1.000,00. Em 23 de março de 1999, os dois sócios pessoas físicas transferiram todas as suas quotas para a pessoa jurídica Lightel S/A Tecnologia de Informação e para a pessoa física Aristeu da Silva Grillo, ficando do capital de R$ 1.000,00, apenas 1 quota para Aristeu e 999 quotas para Lightel. Aqui é necessário destacar que a Lightel S.A. era acionista, com 70% das ações ordinárias e preferenciais da empresa ATL Algar Telecom Leste S.A., juntamente com as empresas SKTI e LLC, que detinham 30% das ações ordinárias e 10% das ações preferenciais, Willians Internacional Telecom Ltda e membros do Conselho de Administração com 20% das ações preferenciais. Ou seja, a Lightel tinha aproximadamente 100% de participação na JOHI e 70% das ações ordinárias na ATL Algar. Em 23/03/1999, mesma data da constituição da JOHI, a Lightel subscreve um aumento de capital na JOHI, integralizando 500.850.000 quotas a R$ 1,00, com 4.971.050 ações da ATL Algar Telecom Leste S/A (posteriormente a denominação foi alterada para ATL Telecom Lesta S.A.), sendo 899.523 ações ordinárias e 4.071.527 ações preferenciais. Fl. 3824DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.825 16 A JOHI Representação passou a ter o capital dividido entre a Lightel (99% das quotas) e a pessoa física Aristeu da Silva Grillo (1% das quotas). A JOHI Representações ficou com 19% de ações ordinárias e 43% de ações preferenciais da ATL Algar Telecom. Decorrente dessa subscrição, a JOHI Representações Ltda, segundo informações da Fiscalizada (Claro), contabilizou um ágio de R$ R$ 324.057.272,88, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, suportado por um laudo de avaliação da ATL, elaborado em dezembro de 2005 pela KPMG, com data base de 31/12/1999 (Doc. 34). Desse montante, também conforme a Fiscalizada, apenas o valor de R$ 279.320.721,14 foi utilizado para fins fiscais (fls. 32/33 do TVF). Conforme constatado pela fiscalização, em tal operação foi atribuído um valor acima do patrimonial para as ações da ATL utilizadas no aumento de capital da JOHI. Resumidamente, a operação pode ser assim descrita: a JOHI emitiu e entregou 500.850.000 quotas à Lightel e recebeu 4.971.050 ações da ATL. Ao contabilizar o investimento, a JOHI lançou R$ 500.850.000 na conta Capital, tendo como contrapartidas os valores de R$ 221.529.278,83 e R$ 279.320.721,17, lançados em seu ativo, como Investimento e Ágio, respectivamente. Assim, podese afirmar que a Lightel recebeu R$ 500.850.000,00 pelas 4.971.050 ações da ATL, cujo custo foi de R$ 221.529.278,83. Cada ação da ATL foi avaliada em R$ 100,75 (R$ 500.850.000,00/4.971.050). O custo unitário foi de R$ 44,5639 (R$ 632.940.796,66/14.203.000). Ao receber as ações da ATL Algar Telecom Leste S.A. por um valor superior ao PL contábil desta, a JOHI registrou um ágio consoante o artigo 385, do RIR/99. Assim, a composição societária da ATL Algar Telecom ficou da seguinte forma: A Lightel ficou com 51% da ações ordinárias e 35% das ações preferenciais, SKTC e LLC com 30% das ordinárias e 10% das preferenciais, Willians Internacional Telecom Ltda com 20% das preferenciais, a JOHI Representações Ltda (empresa da Willinas Internacional Telecom Ltda) e o Conselho de Administração com 19% das ordinárias e 35% das preferenciais e o capital da ATL ficou em R$ 568.120.000,00. Em 26 de março de 1999, Lightel e Aristeu se retiram do quadro societário da JOHI, transferindo suas quotas à Williams International ATL Limited e à Williams International Telecom Limited, sociedades organizadas sob as leis de Cayman Islands (Doc. 07). Aristeu transferiu sua única quota, a R$ 1,00, para Williams International Telecom Limited e a Lightel transferiu suas 500.850.999 quotas para Williams International ATL Limited, mediante quitação da dívida que a Lightel tinha com ela, no valor de R$ Fl. 3825DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.826 17 435.875.000,00, mais um pagamento em dinheiro de R$ 26.152.500,00, totalizando R$ 462.027.500,00. Assim, face aos fatos acima narrados, acompanho o entendimento da fiscalização em relação a este tópico, eis que se trata de ágio interno. Vejamos. A Lightel, detentora de 99,9% do capital da JOHI, efetua uma reavaliação econômica do seu investimento na ATL e utilizase desse resultado para aumentar o capital da JOHI mediante a entrega de ações da ATL. Tratase, evidentemente de ágio gerado internamente, eis que a Lightel, “alienante” das ações da ATL, comandava também a “adquirente” de tais ações (JOHI). Ademais, conforme salientou a fiscalização, “a transferência das quotas da JOHI, para as Williams, foi feita com um ágio interno embutido no valor das mesmas, gerado por uma reavaliação efetuada pela Lightel nas ações da ATL Algar Telecom Leste S/A. de sua propriedade” (p. 34 do TVF). Ou seja, o ágio foi gerado internamente entre as empresas brasileiras Lightel e ATL, e depois foi criada a empresa veículo JOHI, para que o ágio que pertenceria as Williams pudesse ser futuramente amortizado. Nesta esteira, como muito bem apontado pela fiscalização, o ágio em tela não pode ser validado como passível de aproveitamento tributário no Brasil, pois o que realmente ocorreu foi uma alienação de parte das ações da ATL, que era de propriedade da Lightel, com a geração de ágio interno nesta operação, para as Williams sediadas no exterior . A introdução da Empresa Veículo JOHI acabou por internalizar o ágio, uma vez que, ele pertencia às reais adquirentes (Williams) , sediadas no exterior . Além disso, a transferência das quotas da JOHI, para as Williams, foi feita com um ágio interno embutido no valor das mesmas, gerado por uma reavaliação efetuada pela Lightel nas ações da ATL Algar Telecom Leste S/A. de sua propriedade. A JOHI passou a ter a seguinte composição societária: Williams Internacional ATL Ltda com 500.850.999 quotas e a Williams Internacional Telecom Ltda com 1 quota. Na seqüência a Lightel S.A. Tecnologia da Informação, conforme AGE realizada em 07/06/1999, altera a sua denominação social para Algar Telecom S.A. (Doc. 05F) Assim, tendo em vista os acontecimentos fáticos acima narrados, entendo que este ágio do item 3.1 do TVF não pode ser amortizado, eis que conforme muito bem apontado pela fiscalização foi gerado internamente, contrariando a legislação e a jurisprudência deste E, Tribunal. Importante ressaltar que não estou mantendo a glosa deste item apenas por ser ágio interno, mas também devido à constatação da fiscalização de que as participações societárias não foram transferidas a valor de mercado. Fl. 3826DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.827 18 O ágio interno, recebido em reorganização societária procedida exclusivamente entre partes do mesmo grupo empresarial, sem alteração de controle ou influência de elementos externos, decorrente de variações de valores escriturais, só poderia ser amortizado na apuração do Lucro Real, quando devidamente demonstrado que ocorrera dentro das condições de mercado como se efetuadas com terceiro alheio à cadeia societária (arm's length), assim como o efetivo e palpável sacrifício econômico na aquisição procedida. Assim, quanto à alegação de que inexistia previsão legal para a glosa do ágio interno e que tal vedação só veio com o advento da Lei 12.973/14, também entendo que não deve prosperar, eis que o ágio interno gerado no presente caso não respeitou as condições de mercado, fato este que nunca foi permitido na legislação tributária, inclusive pela Lei 9.532/97. Ou seja, entendo que apenas o fato de ser ágio interno não basta para manter a acusação. Porém, com a constatação de que as transferências das participações societárias não tinham valor de mercado, sendo que as partes do mesmo grupo embutiram valores que bem entenderam, deve ser mantido este item 3.1 do TVF. Ágio da JOHI relativo ao AFAC para a ATL item 3.2 do TVF. Em 27/03/2000 a JOHI Representações aumentou seu capital de R$ 500.851.000,00 para R$ 760.936.000,00, subscrito pela quotista Williams International ATL Limited (99,99% do capital), a qual remeteu U$ 150.000.000,00, que, convertido, atingiu o montante de R$ 260.085.000,00. Nessa mesma data a JOHI fez o aporte de R$ 259.096.500,00 na ATL a título AFAC. Em 24/08/2001 a AM Latin América Ltd, (Grupo América Móvil) adquiriu a JOHI Holdco (nova denominação da Williams ATL, controladora da JOHI) e totalidade das ações de emissão da JOHI. Em 13/06/2002 a Telecom Américas Ltd. ingressou na JOHI, subscrevendo 82.299.000 cotas a R$ 1,00, passando o capital para R$ 843.277.565,00, sendo 760.978.565 cotas da JOHI Holdco e 82.299.000 da Telecom Américas. No período de 13/06/2002 a 15/07/2004, a Telecom Américas Ltd. efetuou sucessivos aumentos de capital na JOHI, que imediatamente realizava investimentos na ATL por meio de AFACs. O investimento total na JOHI foi de R$ 1.683.548.129,00 e o total dos investimentos da JOHI na ATL, realizados por meio de AFACs, foi de R$ 1.681,140,429,56. Com os aumentos de capital, a Telecom Americas Ltd passou a deter ascendência absoluta sobre a JOHI, como se pode ver do seguinte trecho do TVF (p. 44). Em 30/09/2004, depois que a ANATEL aprovou a transferência do controle da ATL, a JOHI exerceu a opção de capitalizar os AFACs de R$ 1.681.140.600,00. Nessa operação foi registrado o ágio de R$ 814.559.582,00, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da ATL. Posteriormente, o ágio foi alterado para R$ 903.231.375,58. Fl. 3827DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.828 19 Com efeito, cumpre relembrar que desde 2001, conforme item 20 das notas Explicativas às Demonstrações Financeiras, publicadas pela ATL Algar Telecom Leste S/A, relativas ao anocalendário de 2001, a AM Latin America Ltd., empresa do Grupo América Movil, adquiriu da Williams Communications, LLC e Williams International Telecom Limited (as duas últimas em conjunto referidas como “Williams”) a totalidade das quotas de emissão da JOHI Holdco Ltd. (“JOHI Holdco”) e JOHI Representações Ltda.(“JOHI”) (vide TVF p. 39/41). JOHI Holdco e JOHI Representações Ltda., em conjunto detinham 65,6% das ações preferenciais e 19% das ações ordinárias de emissão da ATL, totalizando 50% do capital desta (p. 39 do TVF). Em 13 de junho de 2002, a empresa TELECOM AMÉRICAS LTD. Sociedade organizada e existente de acordo com as Leis das Bermudas, ingressa na sociedade JOHI subscrevendo 82.299.000 quotas a R$ 1,00, passando o capital para R$ 843.277.565,00. A composição do capital da JOHI passa a ser (p. 41 do TVF). Para este item 3.2 do TVF, não existe acusação específica, sendo assim entendo que a autuação deve ser pautada na acusação genérica de que os reais adquirentes são as empresas situadas no exterior e por isso não ocorreu a confusão patrimonial, bem como que as empresas veículo não tinham propósito negocial (inexistência de motivação extratributária planejamento tributário abusivo). Frisese que, no presente item, em momento algum se questionou o real emprego de recursos nas aquisições que formaram o ágio (no sentido de ser uma despesa artificial), sua fundamentação econômica (expectativa de rentabilidade futura, seu montante, a qualidade dos laudos de avaliação e seu registro) ou mesmo a independência das partes que celebraram as operações que geraram a despesa. Apenas um elemento daqueles acima elencados foi questionado pela Fiscalização, qual seja, a absorção patrimonial entre as empresas que transacionaram, vez que Fl. 3828DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.829 20 através de planejamento tributário abusivo, sem motivação extratributária, teria se mascarado os reais investidores, pela utilização de empresas veículo no Brasil. Ou seja, para a Autoridade Fiscal, a confusão patrimonial entre as empresas nacionais do Grupo não bastou para o aproveitamento do ágio. Conforme os fatos narrados acima, todos os ágios foram gerados por aportes/aumento de capital remetidos por empresas situadas no exterior (Williams e Telecom América Ltda) que eram independentes da empresa nacional ATL. Somente depois de autorizado pela ANATEL o controle da ATL, em 2004, é que foram capitalizados os AFACs e posteriormente a empresa ATL incorpora a JOHI Representações. Desta forma, apesar de a acusação deste item não tratar deste assunto entendo importante registrar que o ágio foi gerado por partes independentes, não sendo ágio interno. A própria fiscalização afasta a interpretação de ágio interno quando aponta que as reais adquirentes são empresas situadas no exterior e que por isso não teria ocorrido a confusão patrimonial prevista no artigo 386 do RIR/99. Neste sentido, a situação fática dos autos e a acusação principal de que na operação ora em análise foi utilizada empresa veículo sem propósito negocial e que as verdadeiras empresas adquirentes eram as empresas estrangeiras, inexistindo confusão patrimonial, se parece muito com a operação já analisada por esta C. Turma, no v. acórdão 1402002.373, cuja ementa colaciono abaixo para ilustrar meu entendimento em relação ao presente lançamento de ofício (caso Kimberly Clark). Cumpre ressaltar que no julgado citado para fundamentar meu voto, foi considerado como válida a confusão patrimonial entre as empresas nacionais (de fato, a situação fática ocorrida aqui no processo em epígrafe e a do v. acórdão citado são praticamente análogas): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva dedução pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e Fl. 3829DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.830 21 promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. No v. acórdão do caso análogo acima apontado, após a definição do que seriam as empresas veículo das demais, restou o entendimento de que é plenamente lícito o financiamento estrangeiro no Brasil por controladoras sediadas no exterior, por meio de empresas holdings, as quais são freqüentemente utilizadas por grandes grupos internacionais ao se estabelecerem no país. Para deixar mais claro, vejamos parte da fundamentação do voto vencedor onde foi analisado este ponto. Em relação a grandes grupos estrangeiros, é extremamente natural se organizarem por meio de tais figuras, principalmente Fl. 3830DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.831 22 em outros países. Nos primeiros contatos com o novo mercado, é plenamente compreensível a escolha por não criar uma nova estrutura complexa, ou mesmo uma filial, que espelharia, ainda que parcialmente, por razões de políticas internas e compliance, a organização e a configuração institucional de sua matriz, representando, inclusive, um acréscimo injustificável de custos nesse momento inicial. [...] Voltando à conclusão primordial da ocultação da reais detentoras do ágio (as controladoras estrangeiras do grupo), podese, agora, concluir que a desconsideração de todas essas empresas holdings (o que, na prática, promoveu a Fiscalização) deuse por fundamentos alicerçados em presunções e condenações dirigidas às figuras e aos negócios societários celebrados. Não pode haver e muito menos prevalecer a criação de uma nova obrigação quanto à forma com que as empresas estrangeiras adentram o país para participar do mercado brasileiro. E uma vez aqui fixadas, seja através de holding, filiais ou promovendo jointventures, deve ser dado o mesmo tratamento fiscal às empresas aqui constituídas e operantes, não podendo simplesmente desconsiderar suas personalidades com base em mera constatação de que são geridas e financiadas por grupos estrangeiros. [...] Posto isso, a caracterização das holdings como cascas vazias, desprovidas de personalidade, não se sustenta, vez que plenamente justificável a sua criação, desempenhando sua natural e esperada função durante anos, dentro de estrutura empresarial que permitiu um modelo de operação de investimento estrangeiro que perdurou por mais de uma década, superandose, nesse ponto, a constatação de ausência de motivação extratributária e as alegações de simulação e fraude. [...] Se válida essa lógica, toda empresa sediada no Brasil que promoveu uma aquisição, a qual se valeu anteriormente de financiamento de controladora ou coligada estrangeira, não seria titular de suas despesas, bastando apenas o Fisco regredir o necessário no tempo, até encontrar o patrocínio estrangeiro. E uma vez demonstrado que as empresas holdings, brasileiras, estavam regularmente constituídas, dentro de seus propósitos, essas, naturalmente, revestiramse de investidoras quando do dispêndio para uma aquisição societária, devidamente registrando essa sua despesa, inclusive a parcela percebida como ágio, não podendo também manterse a glosa sob a alegação da falta de absorção patrimonial entre investida e investidora. Fl. 3831DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.832 23 [...] No que tange ao presente caso, deve ser acrescentado que, entre a primeira operação que gerou o ágio e seu aproveitamento, passaramse 12 (doze) anos, outro elemento este que, contundentemente, opõese à alegação que toda a engenharia societária foi engendrada com o evidente intuito de "criar" despesas. Nesse exato sentido, esta mesma C. 2ª Turma Ordinária, no Acórdão nº 1402.001.409, de votação unânime, com relatoria do I. Cons. Presidente Leonardo de Andrade Couto, publicado em 13/08/2013, julgando caso muito semelhante ao presente, entendeu pela possibilidade do gozo do ágio gerado em operações que utilizaram empresas veículo, apontando o I. Relator para o lapso temporal que demandou a execução da suposta engenharia tributária. Confirase a ementa e trechos de tal julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A reorganização empresarial, sob amparo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. (...) O primeiro aspecto digno de nota é o lapso temporal de sete (7) anos entre a criação da empresa e a incorporação pela controlada. Na prevalência da tese do planejamento fiscal orquestrado terseia quase uma exercício de futurologia. Ademais, não vislumbrei nas circunstâncias mencionadas pelo Fisco nenhuma razão legal que impedisse a incorporação em momento anterior. Assim, perguntase: é razoável a montagem de uma estrutura de planejamento em que o benefício tributário almejado só ocorrerá muito tempo depois, em situação empresarial possivelmente diversa e absolutamente imprevisível? (...) Mesmo que se admita a expressão “empresa veículo” aplicável ao caso, o foco da análise não pode ser a prática em si, como Fl. 3832DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.833 24 decorrência da desconfiança que a expressão suscita, mas as justificativas para fazêlo. Nesse ponto, entendo que as razões apresentadas pela defesa guardam coerência com o conteúdo dos autos e merecem guarida. (...) O precedente desta C. Turma se amolda perfeitamente ao caso dos autos, seja quanto ao objeto da autuação, quanto a fundamentação utilizada pela fiscalização para justificar a glosa do ágio, seja quanto à similaridade das circunstâncias negociais e econômicas que levaram ao surgimento dos ágios. Assim como ocorreu no processo do acórdão acima mencionado, no auto de infração em epígrafe, as operações duraram por um longo período, de 2000 a 2004, tinham objetivos empresariais e econômicos claros e bem definidos (aquisição da ATL), ocorreu o pagamento da aquisição societária e posteriormente a transferência do controle acionário, as partes que transacionaram eram independentes e também ocorreu a confusão patrimonial entre as empresas nacionais e estrangeiras (lembrando que o ponto relativo ao ágio gerado internamente não faz parte da acusação deste item 3.2). Sendo assim, seguindo o entendimento formado por esta C. Turma, por uma questão de lógica voto por cancelar este item ora em analise. Ademais, caso os fundamentos acima não sejam suficientes para afastar a acusação em relação a este item em discussão, outro ponto importante a ser ressaltado e que restou comprovado nos autos de forma diversa ao entendimento da fiscalização é que a criação das empresas veículo tinham propósito negocial e extratributário, cujos principais motivos eram: 1 foram criadas para não contrariar regulamentação do mercado de Telecomunicação e de Licitação; 2 aguardar a autorização do controle pela ANATEL; 3 cumprir clausula contratual que determinou a aquisição das holdings em conjunto com as empresas operacionais; 4 organização e otimização de gastos para facilitar a administração do grupo. Ou seja, a Recorrente foi obrigada a se organizar desta maneira, devido a proibição prevista na legislação brasileira, por razoes regulatórias, em especial em atendimento à Lei Geral de Telecomunicações (artigo 202), aos Decretos 2.056/96 (art. 39) e 2.617/98 (art. 1), e aos dispositivos da Resolução 101/99 da ANATEL, bem como ao Contrato de Concessão no que diz respeito à participação de acionista estrangeiros no controle direto de empresas brasileiras do setor de telecomunicações. Tanto foi assim, que a autorização do controle da empresa adquirida só foi concedida em 2004, já quase no final das operações de aquisição da ATL, não deixando dúvida de que existiam motivos extrafiscais para criação das empresas veículos. Sendo assim, entendo que por coerência deve ser aplicado o mesmo entendimento desta C. Turma que analisou processo com matéria extremamente parecida (processo administrativo 16561.720032/201502), onde restou decidido ser licito a criação de empresa veículo para não contrariar legislação de cunho regulatório e societário. Vejamos a ementa exarada no v. acórdão de numero 1402002.489: Fl. 3833DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.834 25 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. EMPRESA VEÍCULO. MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA COMPROVADA. LEGITIMIDADE. Uma vez comprovada devidamente a motivação extratributária das operações societárias realizadas pelo sujeito passivo, cujo objetivo seja a amortização do ágio, havendo economia tributária que se revela como mera consequência e não um fim em si mesma, correta a dedução do ágio, ainda que por meio de empresa veículo, se a legislação de cunho regulatório e societário impuser tal formalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AFASTAMENTO. O prazo decadencial só se inicia após a ocorrência do fato gerador, sendo irrelevante a data da contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Deste modo, o prazo decadencial será pautado ou pela disposição do artigo 173, inciso I, do CTN ou do artigo 150, § 4º do mesmo diploma, porém, nunca pelo momento da reorganização societária, que não representa reflexo fiscal algum, num primeiro momento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. A solução do litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando houver fatos ou argumentos idênticos. Este entendimento registrado no v. acórdão acima não é apenas desta C. Turma e pode ser visto em decisões proferidas por outras C. Turmas deste E. CARF/MF, como por exemplo na ementa abaixo colacionada, exarada no processo administrativo nº 16561.720036/201400. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. PRESENÇA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE. Fl. 3834DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.835 26 Não é ilícita a conduta do investidor que adquire diretamente o investimento, com pagamento de ágio, e, a seguir, promove aumento de capital em outra empresa, integralizandoo com os investimentos previamente adquiridos, inclusive o ágio. Não se pode qualificar como ilícita a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária. Essa conclusão fica especialmente reforçada na situação em comento, em que a operação "direta", que permitiria o aproveitamento fiscal do ágio sem qualquer questionamento, encontrava intransponíveis óbices societários (CVM) e regulatórios (ANEEL). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ÁGIO. DATA DA FORMAÇÃO. EFEITOS FISCAIS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. As operações societárias que ensejaram a formação do ágio e seu registro contábil ocorreram em 2006 e 2007. Não obstante, seus efeitos tributários ocorreram ao longo dos anos subsequentes, sempre no momento em que a contribuinte promoveu a amortização e consequente redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. O lançamento se deu diante do entendimento do Fisco de que tais reduções seriam indedutíveis e, portanto, deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo daqueles tributos. A contagem do quinquênio decadencial se dá a partir do fato gerador do tributo exigido pelo Fisco. Diante disso, descabe cogitar da ocorrência de decadência. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O motivo para a lavratura de um auto de infração é a constituição de crédito tributário, diante da constatação de infração à legislação. Desde que a infração se encontra minuciosamente descrita, acompanhada da respectiva fundamentação legal, não se há de reconhecer nulidade no lançamento. A adequação, ou não, da base legal à infração descrita é matéria de mérito, incapaz de suscitar nulidade. Fl. 3835DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.836 27 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2010 CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. DEDUTIBILIDADE. Não restando evidenciado que as despesas com amortização de ágio seriam inexistentes ou que, por outra via, teriam reduzido indevidamente o lucro líquido do exercício por desatendimento à legislação comercial/contábil, não existe norma que determine sua indedutibilidade para fins de apuração da CSLL. As bases de cálculo da CSLL e do IRPJ são distintas, descabendo invocar dispositivos exclusivamente aplicáveis ao segundo para a glosa de despesas da primeira. Assim, da leitura das ementas acima colacionadas, se pode extrair que tanto esta C. Turma, como outras deste E. CARF/MF, entenderam que os contribuintes tem liberdade para se organizarem como bem entenderem, desde que não contrariem a legislação vigente. Transportando tal entendimento para o presente caso, somandose ao fato de que no setor de Telecomunicações a utilização de empresas holdings não é apenas prática corriqueira de mercado, mas que também decorre da exigência legal do próprio setor; restou comprovado nos autos que a Recorrente tinha motivos extrafiscais e negociais para se organizar utilizando a empresa veículo e depois amortizar o ágio. Sendo assim, tratase de argumento descabido considerar que as empresas constituídas no Brasil por investidor estrangeiro não poderiam se beneficiar da dedutibilidade do ágio, simplesmente porque, inexistindo tal holding brasileira, encontrarseia o investidor situado no exterior que, justamente por não apurar lucro real, não poderia se aproveitar do benefício. Minha linha de raciocínio não poderia ser diferente a meu ver, eis que assim como a Constituição Federal de 1988, a legislação ordinária, em especial a regulamentação do IRPJ e da CSLL, não traz qualquer distinção quanto a empresas de capital nacional ou estrangeiro, para fins das regras de amortização do ágio. Frente a tais argumentos, entendo ser inaceitável a diferenciação feita pela fiscalização ao lavrar os AIs, eis que acabou por contrariar o princípio da igualdade previsto no artigo 5º da CF/88 e o princípio da estrita legalidade, pois inexiste qualquer dispositivo legal que impeça empresa brasileira de capital estrangeiro ao aproveitamento do ágio decorrente de operações de incorporação. E mais, caso esta conclusão fiscal fosse acatada, nenhum investidor estrangeiro teria igualdade de condições com o brasileiro, o que desrespeitaria o princípio do livre exercício da atividade econômica e prejudicaria o investimento estrangeiro no Brasil. Ademais, como visto na narrativa dos fatos acima descritos, apesar de a América Móvel ter fornecido os recursos necessários para a realização dos investimentos, fato é que as operações em questão foram realizadas por empresas brasileiras, regularmente Fl. 3836DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.837 28 constituídas, onde existiu confusão patrimonial, o que no entender desta C. Turma, conforme ementa do v. acórdão 1402002.373 acima indicado, possibilita a amortização do ágio glosado neste item 3.2, no importe de R$ 903.231.375,97. Sendo assim, como a acusação relativa a este item 3.2 é exclusivamente de utilização de empresas veículo com ausência de propósito negocial e de falta de confusão patrimonial, sem qualquer argumentação em relação ao pagamento do ágio e, tendo em vista, que as operações tratadas nos autos foram complexas, com objetivos econômicos e comerciais claros, resultando na aquisição da empresa operacional ATL pela América Móvel situada no exterior, entendo que a exigência deste crédito no AI deve ser cancelada. Do ágio na Sândalo Participações S/A decorrente do aumento de capital com ações da ATL Algar Telecom Leste S.A. e com notas promissórias. (item 3.3 do TVF): Em relação ao primeiro ágio de R$ 6.488.000,00, relativo à operação abaixo descrita, vejamos: A Sândalo foi constituída em 18/06/1999, tendo como sócios a Algar S/A Empreendimentos e Participações, Dílson Dalpiaz Dias, Geraldo Batista Caetano e Cícero Domingos Penha (estes com menos de 1% do capital). Em 18/12/1999 foi aprovado um aumento de capital da Sândalo em R$ 44.668.000,00, subscrito e integralizado pela Algar Telecom S/A (ex Lightel) através da conferência ao seu capital social de 2.556.539 ações preferenciais de emissão da ATL, com ágio de R$ 6.488.000,00. (docs. 9 A e 9B do TVF). A subscrição foi feita com 2.556.539 ações preferenciais nominativas da Algar Telecom Leste S.A. ATL, de propriedade da Algar Telecom S.A.(ex Lightel). Decorrente dessa subscrição de capital, surgiu um ágio no valor de R$ 6.487.574,93, sobre o qual passamos a discorrer: A Algar Telecom S.A.(exLightel) entregou para a Sândalo 2.556.439 ações PN da ATL, no valor total de R$ 44.667.000,00, ou seja, entregou ações, a título de subscrição de capital, ao valor unitário de R$ 17,4717. O valor patrimonial unitário da ATL, nessa data, era de R$ 14,9340, a seguir demonstrado: PL da ATL / nº de ações = R$ 212.108.000,00 / 14.203.000 = R$ 14,9340 Portanto, foi atribuído um valor às ações da ATL acima do seu valor patrimonial. R$ 17,4717 – R$ 14,9340 = R$ 2,5377 x 2.556.439 ações = R$ 6.487.574,93 A Sândalo, por sua vez, ao receber as ações da ATL por um valor superior ao patrimonial, registrou no seu patrimônio líquido um valor de R$ 44.667.000,00, tendo como Fl. 3837DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.838 29 contrapartida no seu ativo o valor de R$ 38.179.425,07 e um ágio de R$ 6.487.574,93, em consonância com o artigo 385 do RIR/99. Segundo a fiscalização, esse ágio foi gerado internamente, sem terceiros independentes, em uma reavaliação efetuada pela Algar Telecom nas ações da Algar Telecom Leste S/A. ATL, de sua propriedade. (fl. 59 do TVF). A Algar S/A Empreendimentos e Participações, detentora de mais de 99% do capital da Sândalo, efetuou uma avaliação econômica do seu investimento na ATL e utilizou esse resultado para aumentar o capital da Sândalo, mediante a entrega de ações da ATL. Isto é: o aumento de capital da Sândalo foi realizado sem que houvesse um desembolso financeiro pela subscrição do investimento. Logo, não houve nenhum custo que justificou a contabilização do ágio. Tratase de pura e simples reavaliação de ativos do grupo Algar. De fato, da narrativa das operações acima descritas, não ocorreu o desembolso financeiro ou o substrato econômico, bem como a relação entre partes interdependentes, requisitos que segundo a legislação e a jurisprudência deste E. Tribunal são necessários para que se possa amortizar o ágio. Sendo assim, entendo que em relação a esta parte da glosa (R$ 6.487.574,93) a autuação deve ser mantida. Vejamos o restante das operações. Na mesma data de 18/12/1999 (da operação acima apontada), foi aprovado novo aumento de capital da Sândalo, de R$ 31.816.200,00, integralizado pela Algar Administradora de Sistemas Ópticos Ltda. com a entrega de ações de emissão da ATL, sem geração de ágio. Em seguida (29/12/1999), foi aprovado novo aumento de capital da Sândalo, que foi integralmente subscrito pela SBCI Brasil Participações Ltda. (SBCI Participações pertencente ao grupo Telecom Américas constituída em 02/12/1999) e integralizado, no montante de R$ 591.723.238,50, mediante a entrega à Sândalo de duas notas promissórias nos valores de R$ 322.759.311,17 e R$ 268.963.927,33, vencíveis em 10/01/2000 e 28/03/2000. Nessa operação foi contabilizado um ágio de R$ 558.738.118,50, do qual foi deduzido para fins fiscais o valor de R$ 390.380.130,85. Em 30/12/1999, foi reduzido o capital social da Sândalo mediante a restituição das respectivas ações detidas pelas empresas Algar S/A Empreendimentos e Participações; Algar Telecom S/A e Algar Administradora de Sistemas Ópticos Ltda., passando a SBCI Brasil Participações (do grupo Telecom Américas) a ser única acionista da Sândalo. A NP de R$ 322.759.311,17 foi utilizada para o pagamento do grupo Algar pela sua saída do quadro societário da Sândalo. O ágio glosado em relação a essa nota promissória foi de R$ 284.579.871,17, porque o autuante considerou que os reais adquirentes das ações da Algar Telecom Leste S/A ATL, teriam sido a SBC International Brasil Holding (Ilhas Cayman) e a Telmex Wireless Brasil LLC (Delaware). Fl. 3838DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.839 30 A SBCI Brasil Participações e a Sândalo Participações serviram apenas como canais de trânsito, pois, à época da entrega das notas promissórias (29/12/1999) a SBCI Participações teria um capital de apenas R$ 1.000,00. No ágio de R$ 284.579.871,17 está embutido o ágio (interno) de R$ 6.487.574,93, gerado no aumento de capital, de R$ 1.000,00 para 44.668.000,00, realizado em 18/12/1999 pela Algar Telecom, conforme acima tratado. A NP de R$ 268.963.927,33 foi endossada para a Algar Administradora de Sistemas Ópticos Ltda. e se extinguiu por confusão patrimonial com a sua incorporação pela SBCI Participações em 31/12/2003 (pertencente ao grupo Telecom Américas desde 24/08/2001), em uma operação em que a devedora incorporou a credora da NP. A referida nota promissória passou a fazer parte do ativo da SBCI Participações sem ter sido liquidada. O ágio glosado em relação a essa nota promissória foi de R$ 105.800.259,68. Observase que o aumento de capital da Sândalo em R$ 591.723.238,50 oportunizou a contabilização de um ágio de R$ 558.738.118,50. Segundo a fiscalização, no que diz respeito especificamente ao ágio de R$ 284.579.871,17, referente à NP de R$ 322.759.311,17, o real adquirente da participação da Algar na Sândalo (e consequentemente na ATL) foram as empresas estrangeiras SBC International Brasil Holding (Ilhas Cayman) e a Telmex Wireless Brasil LLC (Delaware), que forneceram os recursos à SBCI Participações para liquidação da referida NP, conforme se constata do TVF (p. 55): Fl. 3839DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.840 31 Conforme se verifica da narrativa dos fatos acima, a fiscalização glosou o ágio em epígrafe, por entender que não ocorreu a confusão patrimonial e que as empresas Sândalo e SBCI Brasil Participações Ltda eram empresas veículo sem propósito negocial, eis que considerou os reais adquirentes a SBC Iternacitional Brasil Holding (Ilhas Cayman) e a Telmex Wireless Brasil LLC (Delaware) (artigo 386 do RIR/99). No presente caso, a aquisição se deu integralmente com recursos aportados por SBC International Brasil Holding (Ilhas Cayman) e a Telmex Wireless Brasil LLC (Delaware) – aumento de capital realizado em 11/01/2000, de R$ 1.000,00 para R$ 629.976.404,00, que seriam utilizados para quitar as NPs, vencíveis em 10/01/2000 e 28/03/2000. Como afirmado acima, apenas a NP de R$ 322.759.311,17 foi efetivamente paga e o real adquirente foi a SBC Internacional Braisl Holding e Telmex Wireless Brasil LLC, por meio da SBC Brasil Participações, como demonstrado (todas empresas do grupo Telecom Américas). Pois bem. Fl. 3840DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.841 32 Em relação a este ágio de R$ 284.579.871,17 gerado pela Nota Promissória de R$ 322.759.311,17, entendo que a acusação não deve prevalecer (lembrando que o ágio de R$ 6.487.574,93, gerado no aumento de capital, de R$ 1.000,00 para 44.668.000,00, realizado em 18/12/1999 pela Algar Telecom da primeira operação, está embutido nesta operação ora em análise). Esta operação relativa à nota promissória de R$ 322.759.311,17 ocorreu entre empresas que não pertenciam ao mesmo grupo, ou seja, o grupo Algar e o grupo Telecom Américas. A própria fiscalização confirma este fato de independência entre as empresas que transacionaram, quando aponta que os reais adquirentes eram as empresas estrangeiras e que por isso não teria ocorrido a confusão patrimonial para amortizar o ágio. Ademais, restou comprovado nos autos que ocorreu o efetivo pagamento da participação por meio da nota promissória acima citada, operação esta que gerou o ágio ora em análise. Corroborando com os argumentos acima, as empresas que foram consideradas veículo pela fiscalização já existiam antes das operações ocorrerem ou foram criadas para que as empresas estrangeiras pudessem adquirir as ações/quotas da empresa situada no Brasil, devido à proibição da legislação de Telecomunicação e de Licitação (Lei Geral de Telecomunicações, Resolução da ANATEL, dentre outras que não permitiam o controle pelas empresas estrangeiras). Assim, entendo que para o ágio de R$ 284.579.871,17 relativo à nota promissória de R$ 322.759.311,17 este pode ser amortizado, devendo esta parte do lançamento ser cancelada. Cumpre ressaltar que em relação à glosa do ágio desta nota promissória, a acusação tratou apenas do ponto de que as reais adquirentes eram as empresas estrangeiras e que por isso não ocorreu a confusão patrimonial. A autuação para este ágio não tratou de ágio interno ou de falta de pagamento/dispêndio econômico. Assim, para este ágio da NP de R$ 322.759.311,17 o entendimento desta C. Turma proferido no v. acórdão 1402002.373 citado no item anterior, onde entendeuse que a criação da empresa veículo para atender a legislação e viabilizar a operação não contraria a regulamentação que concede o benefício da amortização do ágio, também deve ser aplicado para esta glosa. (Processo 16561.720073/201418, v. acórdão 1402002.373, desta C. 4 Câmara/ 2 Turma Ordinária). Segue a ementa para afastar qualquer dúvida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a Fl. 3841DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.842 33 partir da sua efetiva dedução pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Fl. 3842DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.843 34 Ou seja, apenas a caracterização pela fiscalização das empresas Sândalo e SBCI Participações como veículo sem propósito negocial, por entender que os reais adquirentes são empresas estrangeiras, não me parece um argumento robusto a ponto de impedir a amortização do ágio. Existia um impedimento legal para que as empresas estrangeiras adquirissem diretamente a participação societária (legislação de Telecomunicações e de Licitações/Concessões). E quanto à falta de confusão patrimonial alegada pela fiscalização, também entendo que não merece prosperar, eis que conforme acima narrado, ocorreu a confusão patrimonial entre as empresas situadas no Brasil e a aquisição da participação societária pela Telecom América. Sendo assim, como ocorreu o pagamento por meio de nota promissória, confusão patrimonial entre as empresas nacionais e posteriormente nas estrangeiras, relação entre partes independentes e justificativa plausível para a criação das empresas veículo, entendo que o ágio pode sim ser amortizado, devendo esta parte da acusação fiscal relativa à glosa de montante de R$ 278.092.296,17 = R$ 284.579.871,17 (ágio NP R$ 322. 759.311,17) R$ 6.487.574,93 (ágio gerado internamente na operação de aumento de capital, de R$ 1.000,00 para 44.668.000,00, realizado em 18/12/1999 pela Algar Telecom da primeira operação), deve ser cancelada. Em relação ao ágio de R$ 105.800.259,68 gerado com base na Nota Promissória de R$ 268.963.927,33, segundo a fiscalização não ocorreu o efetivo pagamento, eis que o título de crédito não foi liquidado devido a confusão patrimonial com a incorporação em 31/12/2003 da empresa Algar Administrado de Sistemas Ópticos Ltda pela SBCI Participações (esta pertencente ao grupo Telecom Américas desde 24/08/2001) (fl. 59 do TVF). De fato, esta segunda NP de R$ 268.963.927,33 sequer foi efetivamente paga pois foi endossada para a Algar Administradora de Sistemas Opticos Ltda, que se extinguiu por meio de confusão patrimonial quando se deu sua incorporação pela SBCI Participações em 31/12/2003. Isto é, a devedora do título incorporou a credora. Assim, em relação à glosa deste ágio de R$ 105.800.259,68, entendo que a razão se encontra com a fiscalização. Vejam D. Conselheiros, conforme narrado acima, a nota promissória não foi liquidada, sendo que após a incorporação o título passou a fazer parte do ativo da SBCI Participações. Ou seja, não ocorreu o pagamento da participação societária que gerou o ágio glosado, um dos requisitos necessários, previstos em lei, para amortizálo. Assim, como restou comprovado nos autos que não ocorreu o pagamento relativo à aquisição da participação societária, que é um dos requisitos para a amortização do ágio, em relação à glosa de R$ 105.800.259,68, relativa à NP de R$ 268.963.927,33, entendo que a razão se encontra com a fiscalização. Desta forma, para afastar qualquer dúvida, mantenho a autuação para o ágio de R$ 6.487.574,93, cancelo para o ágio no importe de R$ 278.092.296,17 referente à NP R$ 322.759.311,17 e mantenho para o ágio de R$ 105.800.259,68 relativo à NP de R$ 268.963.927,33. Fl. 3843DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.844 35 Do ágio da SBCI Participações descrito no TVF como ágio da ATL Participações S.A. (exAlgar Telecom Participações S.A.) decorrente do aumento de capital com notas promissórias (item 3.4 do TVF) Em 30/11/1999 foi constituída a Algar Telecom Participações S.A. (ATL Participações), tendo como sócios a Algar S/A Empreendimentos e Participações, Dílson Dalpiaz Dias, Geraldo Batista Caetano e Cícero Domingos Penha. Em 18/12/1999 foi aprovado um aumento de capital da Algar Telecom Participações com a emissão de novas ações, que foram subscritas e integralizadas pela Algar Telecom S/A (anteriormente Lightel) com a conferência de 2.414.511 ações ordinárias de emissão da ATL. Logo em seguida, em 29/12/1999, foi deliberado novo aumento de capital da Algar Telecom Participações, através da emissão de 1.810.883 novas ações (ordinárias e preferenciais) ao preço de R$ 228.621.936,70, subscritas pela SBCI Participações e integralizadas mediante a entrega de nota promissória nesse valor. Essa operação resultou em um ágio de R$ 196.982.436.70, do qual foi utilizado o valor de R$ 112.561.401,56. Em 30/12/1999 foi deliberado o resgate de parte das ações ordinárias classe A detidas pela empresa Algar S.A. Empreendimentos e Participações e a redução do capital mediante a restituição de suas respectivas ações. A nota promissória foi utilizada para o pagamento da Algar Telecom S.A., que se retirou da sociedade. Para o autuante, a exemplo do que ocorreu com a Sândalo, a Algar Telecom S.A. (Lightel) alienou parte das ações que detinha na ATL – Algar Telecom Leste para a SBCI Brasil Participações Ltda, utilizandose da ATL Participações S/A (ex Algar Telecom Participações S/A) como canal de trânsito. A SBCI Participações também teria sido um canal de trânsito, pois o recurso para ela pagar a nota promissória veio de fora do Brasil, ou seja, da SBC International Brasil Holding (Ilhas Cayman) e da Telmex Wireless Brasil LLC (Delaware), que foram os reais adquirentes das ações da ATL. Nos termos expostos à p. 62 do TVF: Fl. 3844DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.845 36 Frisese que, em 27/11/2003, a SBC International Brasil Holding(Ilhas Cayman) e a AM Latin Americas, LLC (anteriormente denominada Telmex Wireless Brasil LLC), transferem suas quotas para a Telecom Américas Ltd., conforme 7ª alteração contratual da SBCI Brasil Ltda., controladora da SBCI Brasil Participações Ltda. (Docs. 16 L e M) Em 26/10/2004, com a incorporação da SBCI Brasil Ltda. pela sua controlada SBCI Brasil Participações Ltda., a Claro Telecom Participações S.A.(holding constituída para abrigar os investimentos mexicanos no Brasil, em 27/09/2004) passa a ser a única quotista da SBCI Brasil Participações Ltda. (Docs. 11A e 11B). Em 27/10/2004, a SBCI foi totalmente cindida e incorporada por suas controladas, dentre elas, a ATL PARTICIPAÇÕES S.A.(exAlgar Telecom Participações S.A.). (Docs. 11C e 11D) Foi uma cisão seguida de incorporação, isto é, na cisão da SBCI separaramse as parcelas que se referiam a cada uma das suas controladas, Sândalo e ATL Participações S.A., CNPJ nº 03.535.120/000181. De um lado ficou parcela cindida da SBCI controlando Sândalo e do outro, a parcela cindida da SBCI controlando ATL Participações. Fl. 3845DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.846 37 ATL Participações incorpora a parte cindida da SBCI, fazendo com que o ágio, originalmente surgido em decorrência da subscrição de capital com notas promissórias, fosse canalizado para a própria ATL Participações. Como já mencionado, este ágio foi aproveitado tributariamente no futuro. Dois dias depois (29/10/2004), a ATL Participações foi incorporada pela sua controlada ATL – Algar Telecom Leste (ATL–TELECOM LESTE S.A.) e esta, foi incorporada em dezembro de 2005 pela Claro S/A., CNPJ nº 40.432.544/000147, a qual começou, a partir de meados de 2008, aproveitálo tributariamente. Como visto, de acordo com os fatos acima narrados, a situação que motivou a glosa deste ágio foi a mesma da Sândalo, analisada no item acima. Ou seja, foram dois pontos que levaram a fiscalização a glosar o ágio: 1 que os reais adquirentes são as empresas SBC International Brasil Honding (Ilhas Cayman) e a Telemex Wireless Brasil LLC (Delaware) inexistindo confusão patrimonial e 2 que as empresas veículo não tinham propósito negocial. Seguindo minha linha de raciocínio acima, entendo que nesta parte a fiscalização também não deve prosperar. Como dito acima, a criação das empresas veículo se deram devido: 1 a limites impostos pela legislação nacional das Telecomunicações, 2: era uma operação com capital estrangeiro complexa e de longa duração, 3 com conteúdo econômico e objetivos empresarias claros e por fim, 4 sem a constatação de ilícitos tributários. Quanto à alegação de falta de confusão patrimonial, também entendo que não deve prosperar. Como visto na narrativa dos fatos e das aquisições acima, ocorreu sim a confusão patrimonial entre empresas independentes, situadas no Brasil. Sendo assim, como a fiscalização se pautou apenas nestes dois pontos e não existe qualquer acusação em relação à falta de pagamento e ágio gerado internamente, entendo que, em respeito ao entendimento já exarado por esta C. Turma, a glosa relativa à amortização de ágio no importe de R$ 112.561.401,56 deve ser cancelada. Do ágio da Sândalo decorrente da capitalização dos AFACs na ATL Algar Telecom Leste S.A. (item 3.5 do TVF): Conforme AGE de 31/03/2000, a Sândalo aumentou seu capital social em R$ 260.084.942,88, através da emissão de 8.107.386 novas ações, passando o mesmo de R$ 76.484.200,00 para R$ 336.569.142,88. (Docs. 10E e 10J) O aumento de capital foi subscrito e integralizado pela SBC International Brazil Holding Ltd. e Telmex Wireless Brazil, LLC, e a composição societária da Sândalo passa a ser a seguinte: Fl. 3846DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.847 38 1 SBCI Participações Ltda 1.260.000 ações ordinárias e 340.000 ações preferenciais no valor de R$ 76.484.200,00. 2 SBC International Brazil Holding Ltd., com 2.702.462 ações ordinárias e 1.351.231 ações preferenciais no valor de R$ 130.042.471,44. 3 Telmex Wireless Brazil, LLC, com 1.351.231 e 2.702.462 ações preferenciais no valor de R$ 130.042.471,44. Somandose a participação das três empresas teremos o valor de R$ 336.569.142,88. Nesta mesma data (31/03/2000) a SBC International Brazil Holding Ltd. e a Telmex Wireless Brazil, LLC saem do quadro societário da Sândalo, tendo em vista que elas subscrevem aumento de capital na SBCI Brasil Participações Ltda. com as 8.107.386 ações da própria Sândalo. (Docs. 10L e 10L.1) Ainda no mês de março de 2000, a Sândalo faz o aporte de R$ 259.100.418,41 na Algar Telecom Leste S/A.ATL, a título de Adiantamento para Futuro Aumento de CapitalAFAC. (Docs. 10G e 10H e 10H.1) Conforme AGE de 27/03/2001, a Sândalo aumenta o seu capital em R$ 635.017.320,00, passando o mesmo de R$ 336.569.142,88 para R$ 971.586.462,88, através da emissão de 6.225.600 ações preferenciais, totalmente subscritas e integralizadas pela Telecom Américas Ltda. (Doc. 10F) O aumento foi feito em moeda corrente remetidos do exterior, conforme contrato de câmbio 01/011277. Em 29/03/2001, a Sândalo celebra um novo contrato de adiantamento para futuro aumento do capital social da Algar Telecom Leste S/A. ATL, no valor de R$ 632.613.419,01. (Doc. 10 I) Em 30/09/2004, a Sândalo exerceu a opção de capitalizar os AFACs no valor total de R$ 891.710.080,00, subscrevendo e integralizando 22.292.752 ações da Algar Telecom Leste S/A. ATL. (Doc.17) Em função dessa operação, gerouse um ágio de R$ 394.204.367,00 cujo fundamento foi o de expectativa por rentabilidade futura, suportado por um laudo de avaliação da ATL, elaborado em dezembro de 2005, pela KPMG, com data base de 31/12/2004. (Doc. 35) Ao revisar o valor do ágio, a fiscalizada concluiu que o valor correto foi de R$ 479.091.708,44, conforme demonstrado por ela nos documentos 04, página 13 e documento 4A, página 24. O ágio em tela foi aproveitado tributariamente, no futuro, pela Fiscalizada uma vez que, a SBCI (controladora da Sândalo) foi cindida em duas, em 27/10/2004, sendo que uma das partes (referente à Sândalo), juntamente com o ágio, foi incorporada pela própria Sândalo (incorporação reversa). (Docs. 11C e 11D) Fl. 3847DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.848 39 Dois dias depois (29/10/2004), a Sândalo foi incorporada pela sua controlada Algar Telecom Leste S/A. ATL e esta, foi incorporada em dezembro de 2005 pela Claro S/A., CNPJ nº 40.432.544/000147 (Fiscalizada), a qual começou, a partir de meados de 2008, aproveitálo tributariamente. (Docs. 36 e 37) Para esta operação acima narrada, a fiscalização glosou o ágio por entender que os reais adquirentes também eram empresas situadas no exterior, no caso a Telecom Américas Ltda, e que não haveria necessidade de se criar as empresas veículo para receber os aportes da empresa estrangeira e posteriormente os remeter a título de AFACs para a empresa ATL. (falta de propósito negocial). Após a narrativa das operações societárias acima, entendo que a glosa deste ágio de R$ 479.091.708,44 não deve prevalecer. A operação é complexa e durou anos, ocorreu entre partes independentes, com o efetivo pagamento. Quanto à acusação principal de que as empresas veículo não seriam necessárias, eis que a verdadeira adquirente era a empresa situada no exterior (posteriormente ficou só a empresa Telecom América Ltda), não me parece suficiente para impedir a amortização do ágio. Como dito nos itens acima, principalmente no item 3.2, existia um impeditivo legal para que a empresa estrangeira adquirente controlasse a empresa adquirida no Brasil. Existiam limitações da legislação de Telecomunicações e de Concessões, que impediam a participação de acionista estrangeiros no controle direto de empresas brasileiras do setor de telecomunicações. Sendo assim, conforme o item 3.2 acima, e para manter meu raciocínio, entendo que deve se aplicar ao presente caso o disposto nos v. acórdãos exarados por esta C. Turma anteriormente citados, cujas as ementas colaciono abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva dedução pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. Fl. 3848DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.849 40 O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. No mesmo sentido, segue ementa de outro caso que tratava de acusação muito semelhante e que ilustra de maneira ampla tal entendimento. (Acórdão nº 1201.001.267, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria do I. Conselheiro Marcelo Cuba Neto, publicado em 18/02/2016): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 Fl. 3849DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.850 41 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (...) Pois bem, desde logo devese deixar claro que a fiscalização em momento algum alega que o ágio nasceu de uma operação realizada entre empresas que fazem parte do mesmo grupo econômico. Ao contrário, pelo que se vê no TVF o ágio decorreu de uma transação entre partes independentes e em pé de igualdade (arm's length transaction). Resumindo, não se trata aqui de “ágio interno”. São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial, e; (ii) emprego de empresa veículo. (...) Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. (...) No mesmo sentido, após ter sido constatado nos autos que existia motivação extrafiscal e econômica para a criação da empresa veículo, entendo que por coerência deve ser aplicado o entendimento desta C. Turma que analisou processo com matéria extremamente Fl. 3850DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.851 42 parecida (processo administrativo 16561.720032/201502), onde restou decidido ser licito a criação de empresa veículo para não contrariar legislação de cunho regulatório e societário. Vejamos a ementa exarada no v. acórdão de numero 1402002.489: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. EMPRESA VEÍCULO. MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA COMPROVADA. LEGITIMIDADE. Uma vez comprovada devidamente a motivação extratributária das operações societárias realizadas pelo sujeito passivo, cujo objetivo seja a amortização do ágio, havendo economia tributária que se revela como mera consequência e não um fim em si mesma, correta a dedução do ágio, ainda que por meio de empresa veículo, se a legislação de cunho regulatório e societário impuser tal formalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AFASTAMENTO. O prazo decadencial só se inicia após a ocorrência do fato gerador, sendo irrelevante a data da contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Deste modo, o prazo decadencial será pautado ou pela disposição do artigo 173, inciso I, do CTN ou do artigo 150, § 4º do mesmo diploma, porém, nunca pelo momento da reorganização societária, que não representa reflexo fiscal algum, num primeiro momento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. A solução do litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando houver fatos ou argumentos idênticos. Como para no presente caso não restou dúvida de que a existiam impedimentos suficientes para a criação da empresa veículo, dentre eles: 1 as empresas foram criadas para não contrariar regulamentação do mercado de Telecomunicação e de Licitação; 2 aguardar a autorização do controle pela ANATEL; 3 cumprir clausula contratual que determinou a aquisição das holdings em conjunto com as empresas operacionais; 4 organização e otimização de gastos para facilitar a administração do grupo, entendo que a acusação de da fiscalização de falta de propósito negocial e extrafiscal deve ser afastada. Não resta dúvida nos autos que a Recorrente foi obrigada a se organizar desta maneira, devido a proibição prevista na legislação brasileira, por razoes regulatórias, em especial em atendimento à Lei Geral de Telecomunicações (artigo 202), aos Decretos 2.056/96 Fl. 3851DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.852 43 (art. 39) e 2.617/98 (art. 1), e aos dispositivos da Resolução 101/99 da ANATEL, bem como ao Contrato de Concessão no que diz respeito à participação de acionista estrangeiros no controle direto de empresas brasileiras do setor de telecomunicações. Tanto foi assim, que a autorização do controle da empresa adquirida só foi concedida em 2004, já quase no final das operações de aquisição da ATL, não deixando dúvida de que existiam motivos extrafiscais para criação das empresas veículos. Por fim, importante ressaltar neste item que em relação à acusação de falta de confusão patrimonial, esta C. Turma já se posicionou no sentido de que mesmo quando o capital tiver origem no exterior, a confusão patrimonial existente entre empresas nacionais é suficiente para possibilitar a amortização do ágio, conforme v. acórdão 1402002.373 citado nos itens acima. Sendo assim, voto no sentido de cancelar a glosa deste ágio no importe de R$ 479.091.708,44. DOS ÁGIOS CARREADOS PARA A TESS (item 4): Do ágio da IPÊ Participações decorrente do aumento de capital com notas promissórias (item 4.1) A IPÊ PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ nº 04.244.420/000174, foi constituída em 12/12/2000, tendo como sócios a Algar S/A Empreendimentos e Participações, CNPJ nº 17.835.026/000152, Dilson Dalpiaz Dias, Geraldo Batista Caetano e Cícero Domingos Penha, com capital social de R$ 1.000,00, composto por 1.000 ações ordinárias, sendo: Algar S/A Empreendimentos e Participações 997 ações e outras 3 pessoas físicas 3 ações (Docs. 21 e 21A). Em 28/02/2001, a IPÊ recebeu da Algar Telecom 81.014.111 ações de emissão da TESS, avaliadas em R$ 50.639.112,00, como aumento de capital. Na sequência, em novo aumento de capital, a Algar Telecom conferiu ao capital social da IPÊ 82.320.932 ações ordinárias e 337.675.597 ações preferenciais de emissão da TESS que eram de sua propriedade. Em 09/04/2001, foi aumentado o capital social da TAB (holding nacional do grupo Telecom Americas Ltd, a partir de 03/04/2001 vide DRJ p.44), no montante de R$ 345.906,057,00 (em dinheiro), subscrito e integralizado pela Telecom Americas Ltd. Nessa mesma data, a Telecom Américas do Brasil Ltda. ingressou como acionista da IPÊ, subscrevendo 501.010.640 ações ordinárias “B”, no valor de R$ 534.436.398,60, integralizadas por meio de um cheque de R$ 344.592.609,30 e uma nota promissória de US$ 87.805.434,00, correspondente a R$ 189.843.789,30, emitida pela Telecom Americas Ltd. em favor da TAB, que foi endossada para a IPÊ (o capital social da IPÊ passou para R$ 628.330.220,00). Fl. 3852DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.853 44 O valor de R$ 313.165.110,00 foi destinado para capitalização e o montante remanescente de R$ 220.271.288,60 (posteriormente o valor foi retificado para R$ 221.271.288,60) à formação da conta reserva de ágio para futura capitalização. Ato contínuo, foi reduzido o capital social da IPÊ para R$ 314.165.110,00, mediante resgate de ações com a utilização do saldo de reservas, retirandose da sociedade a Algar Empreendimentos, que recebeu em pagamento parte em dinheiro e a nota promissória de US$ 87.805.434,00, totalizando o valor de R$ 534.436.398,60. Segundo a fiscalização, o que ocorreu na prática foi que, mediante operação conhecida como casasepara, o grupo Algar alienou a IPÊ, sociedade cujo único ativo eram ações da TESS, ao grupo Telecom Americas, por intermédio da TAB. Ou seja, a Algar Telecom S.A.(exLightel) alienou parte das ações que ela detinha na TESS S.A. para a Telecom Américas Ltd., utilizando a Ipê Participações S.A. e a Telecom Américas Brasil Ltda.TAB como canais de trânsito. Segundo a fiscalização, o real adquirente das ações da TESS, conforme os fatos narrados acima, foi efetivamente a Telecom Américas Ltd. e não a empresaveículo TAB, eis que os recursos utilizados para a referida aquisição saíram da Telecom Américas Ltd para a TAB no mesmo dia em que esta adquire as ações da IPÊ. Desta forma, o agente fiscal entendeu que a TAB foi mero veículo da aquisição, que inequivocamente envolvia a Telecom Américas Ltd. no pólo comprador e o grupo Algar no pólo vendedor. Por conseqüência, a acusação entendeu que as operações societárias que levaram ao ágio contabilizado na TAB e em seguida para a Claro S/A (28/10/2004 – cisão da TAB com a transferência do investimento para a própria IPÊ – 29/10/2004 – incorporação da IPÊ pela TESS – 31/12/2005 incorporação da TESS pela Claro S/A) não autorizam que a Claro proceda à sua amortização. Assim, de acordo com os fatos acima indicados, a fiscalização glosou o ágio por entender que foram utilizadas empresas veículo sem propósito negocial, sendo que o real adquirente era a empresa estrangeira Telecom Américas Ltda, inexistindo assim a confusão patrimonial, requisito necessário para o benefício da amortização do ágio previsto no artigo 386 do RIR/99 (Lei 7º e 8º da Lei nº 9.532/97). A operação e a acusação ora em análise não diferenciam das outras anteriormente citadas, sendo assim entendo que os fundamentos acima apontados devem ser aplicados a este item também. A operação é complexa, de longa duração, tem sim finalidade econômica, negocial e objetivos claros, com partes independentes, o que contraria qualquer interpretação de que o ágio foi gerado internamente. O ponto alegado pela D. Procuradoria de que o capital/recursos investidos pela empresa estrangeira Telecom América Ltda na TAB terem ocorrido no mesmo dia em que esta ultima (TAB) adquire as ações da IPÊ não desqualifica o fato de as empresas nacionais existirem antes e depois da operação em que houve o investimento estrangeiro. Fl. 3853DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.854 45 Lembrando que a empresa IPÊ já existia antes das operações de aquisição das operacionais e a empresa TAB foi criada devido à vedação do controle acionário por empresas estrangeiras existente na legislação de Telecomunicações. Também restou claro nos autos que existiu pagamento, fato inclusive que não foi contestado pela fiscalização. Assim, o ponto abordado pela fiscalização de a empresa compradora estar situada no exterior entendo que não descaracteriza a confusão patrimonial que ocorreu entre as empresas nacionais onde foi gerado o ágio, eis que a holding situada aqui no Brasil representa a empresa estrangeira (é como se fosse um braço situado aqui no Brasil). A empresa estrangeira só veio a controlar as empresas nacionais após a autorização da ANATEL, em 13 de novembro de 2003, pelo Ato número 40.535 (doc. 11). Neste sentido, restou comprovado nos autos que a constituição das empresas veículo se deu por impeditivo legal e estratégia empresarial, não foi apenas devido à impossibilidade de empresas estrangeiras controlarem empresas de telecomunicação no Brasil. A própria Recorrente alega que existiam outros impeditivos, tais como a legislação para concorrer em licitação, obrigações previstas no contrato onde se exigiu que as empresas Holdings também fossem adquiridas juntamente com as operacionais. O próprio procedimento de autorização da ANATEL para controle direto das empresas nacionais demorou anos, impedindo que a empresa estrangeira participasse de licitação e por tal motivo, decidiuse usar as empresas nacionais, que foram chamadas de empresas veículo pela fiscalização. A alegação da D. Procuradoria de que a aquisição das ações detidas pelo grupo Algar por intermédio da IPÊ não outorgaria à Telecom Américas Ltda. o controle da concessionária1 e que por isso não existia óbice regulatório à aquisição direta do investimento pela Telecom Américas Ltda., sendo assim desnecessário o uso das empresas veículo TAB e IPÊ para tal aquisição, não me parece suficiente para desconstituir o propósito negocial para a criação das holdings. Como dito pela Recorrente, existiam motivos mercadológicos, financeiros, organizacionais, além de contratuais e regras impostas pela ANATEL, bem como para poder concorrer em licitação. Existia todo um planejamento empresarial para aquisição de grande parte do mercado de Telecomunicação nacional, até mesmo relacionadas a questões de concorrência de mercado. Ou seja, além de a operação ser complexa, com objetivos econômicos e empresariais claros, existia propósito para utilização das empresas nacionais TAB e IPÊ. 1 Segundo a D. Procuradoria a vedação legal se referia apenas à aquisição do controle de concessionária por pessoa jurídica estrangeira, com a maioria das ações com direito a voto (ações ordinárias). Ou seja o artigo 1 da Lei 2.678/98 exige o controle seja exercido por pessoas naturais ou jurídicas nacionais por meio de ações ordinárias com direito a voto. Fl. 3854DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.855 46 A IPÊ já existia antes das operações e ambas empresas (IPÊ e TAB) duraram anos, não se caracterizando como meras empresas de fachada ou de gaveta. Existia uma finalidade comercial e empresarial extratributária para a constituição das mesmas. Ademais, para afastar qualquer dúvida em relação à possibilidade da amortização do ágio, como muito bem apontado na ementa do v. acórdão nº 1201.001.267, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (...) Pois bem, desde logo devese deixar claro que a fiscalização em momento algum alega que o ágio nasceu de uma operação realizada entre empresas que fazem parte do mesmo grupo econômico. Ao contrário, pelo que se vê no TVF o ágio decorreu de uma transação entre partes independentes e em pé de igualdade (arm's length transaction). Resumindo, não se trata aqui de “ágio interno”. São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial, e; (ii) emprego de empresa veículo. (...) Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". Fl. 3855DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.856 47 No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. (...) Sendo assim, o entendimento consagrado no v. acórdão 1402002.373, desta C. 2ª Turma Ordinária deve ser aplicado aqui para este item 4.1 do TVF. Quanto ao fundamento da DRJ, seguido pela D. Procuradoria, utilizado para motivar a manutenção dos créditos glosados neste item 4.1, de que o laudo da KPMG (doc. 18 da impugnação e fl.47 do acórdão da DRJ) não foi elaborado no momento em que ocorreu o dispêndio financeiro, entendo que não deve prevalecer conforme argumentos já explanados na preliminar descrita acima neste voto, bem como, para este item a fiscalização sequer argumentou qualquer ponto ou acusação sobre laudo, não podendo agora em sede de Recurso Voluntário se alterar os fundamentos da autuação. Desta forma, entendo que a glosa do ágio no importe de R$ 120.681.404,99 deste item 4.1 também deve ser cancelada. Do ágio registrado na TESS S.A. com origem no acervo da Tel Participações S.A.. (item 4.2 do TVF) A Tel Participações tinha como acionistas a Telia Overseas e a Telia AB. Em 28/02/2001 a Eriline foi cindida parcial e desproporcionalmente, com a versão das parcelas cindidas para a IPÊ (empresa constituída pela Algar) e para a Tel Participações. O Acervo líquido vertido para a Tel Participações foi de 39.798.085 ações preferenciais de emissão da TESS, avaliadas em R$ 24.876.403,00, tendo sido, por consequência, aprovado o aumento de capital da Tel Participações, mediante a emissão de 24.876.403 ações ordinárias, pelo valor de R$ 24.876.403,00, subscritas exclusivamente pela Riseling e integralizadas justamente com o acervo cindido da Eriline (nesta operação foi registrado um ágio de R$ 669.469,23). Na sequência, a Tel Investimentos foi cindida parcialmente com a versão da parcela cindida para a Tel Participações, constituindose de 409.324.676 ações preferenciais de emissão da TESS, avaliadas em R$ 255.854.666,00, conforme laudo de cisão. Em razão disso, foi aprovado o aumento do capital da Tel Participações em 255.854.666 ações ordinárias, no valor total de R$ 255.854.666,00, sendo 121.908.994 da acionista Telia AB e 133.945.672 da Telia AB Overseas, equivalentes às cotas detidas por esses acionistas na Tel Investimentos (nesta operação a Tel Participação registrou um ágio de R$ 6.885.517,79). Em seguida (ainda em 28/02/2001), foi aprovado um novo aumento de capital na Tel Participações mediante a emissão de 370.000.975 ações ordinárias, ao valor de Fl. 3856DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.857 48 R$ 370.000.975,00, subscritas e integralizadas por Telia AB (222.000.000 ações com esse número de ações preferenciais de emissão da TESS) e Telia AB Overseas (148.000.975 ações, também, com esse número de ações preferenciais de emissão da TESS) (nesta operação a Tel Participações registrou um ágio de R$ 144.950.219,49). Em consequência dessas operações, a Tel registrou um ágio de R$ 138.726.191,00, alterandoo depois para R$ 153.505.206,50. As operações foram assim ilustradas na decisão de piso: Em decorrência dessas operações, a Tel Participações teve um aumento total de seu capital de R$ 650.732.044,00, subscrito e integralizado por Riseling, Telia AB e Telia AB Overseas mediante a conferência direta e indireta de 819.123.736 ações preferenciais de emissão da TESS. Como consequência, a Tel Participações registrou um ágio de R$ 138.726.191,00, depois alterado para R$ 153.505.206,50, valor que foi utilizado para fins fiscais. Em 01/03/2001, a Riseling, que possuía investimentos na Tel Participações e na Eriline, foi cindida, sendo a parcela referente ao investimento na Tel Participações vertida para a própria Tel Participações e a parcela referente ao investimento na Eriline vertida para a própria Eriline. Fl. 3857DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.858 49 Por fim, em 01/03/2001 o grupo Telecom Américas adquiriu as ações de emissão da Tel Participações. Apesar de não constar expressamente no TVF, da leitura das operações narradas acima, constatase que neste tópico o ágio foi gerado internamente, por meio de operações societárias entre empresas interdependentes/do mesmo grupo e em momento anterior à aquisição pela empresa compradora Mexicana, América Móvel S.A. (ágio interno). O ágio foi gerado somente entre as empresas do grupo Telia (Telia Overseas e Telia AB). Apenas em 01/03/2001 é que o grupo Telecom Américas adquiriu as ações de emissão da TEL participações (conforme p. 14 do anexo 1 à peça impugnatória – fls 1.843 os autos). Sendo assim, o ágio aqui tratado foi gerado em operações que envolveram somente empresas do mesmo grupo econômico. Assim como o ágio foi gerado internamente, deveria ter sido demonstrado que ocorreu dentro de condições de mercado, como se efetuado entre pessoas/terceiros alheios à cadeia societária (arm's length), assim como o efetivo e palpável sacrifício econômico na aquisição procedida, o que provavelmente não ocorreu no presente caso (fato que a fiscalização não abordou no TVF e não comprovou). Posteriormente, o ágio foi transferido para a Telecom América (em 01/03/2001) em outra operação com partes independentes. Entretanto, para este item 4.2 a acusação se deu com base no entendimento genérico da fiscalização de que as empresas veículo não tinham propósito negocial e que a real adquirente era a empresa situada no exterior, inexistindo confusão patrimonial. Desta forma, apesar de entender que este ágio foi criado antes das operações de aquisição da empresa TESS e gerado internamente, por meio de empresas dependentes e interligadas pelo mesmo grupo, bem como sem a comprovação de que ocorreu dentro de condições de mercado, como a acusação não tratou desta matéria não resta alternativa senão aplicar o entendimento dos itens anteriores. Fl. 3858DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.859 50 Para este item, a acusação de que as empresas veículo não tinham propósito negocial não se enquadra perfeitamente. As empresas que poderiam ser consideradas veículo para este item já existiam antes e continuaram a existir depois das operações de aquisição da TESS. Ademais, também não se adequa ao caso a alegação de que as reais adquirentes são empresas situadas no exterior, eis que como visto, o ágio deste tópico foi gerado no Brasil, com empresas nacionais e com confusão patrimonial comprovada. Nesta esteira, entendo que também faltou a fiscalização apontar e comprovar que o ágio aqui tratado foi gerado fora das condições de mercado, que inexistiu dispêndio econômico/falta de pagamento, fatos que não se desincumbiu de fazer. A simples acusação de que foram utilizadas empresas veículo, sem propósito negocial, não está prevista na legislação e precisam ser comprovados e fundamentados nos autos o abuso, a intenção de reduzir o imposto e ausência de intenção extratributária. Desta forma, entendo que a glosa do ágio de R$ 153.505.206,50 do item 4.2 do TVF, gerado nas três operações anteriores à aquisição da participação da TESS pela Telecom América deve ser cancelado. Do ágio na Tel Investimentos Ltda. originado do aumento de capital com ações da TESS S.A. (item 4.3) Em 28/02/2001, a Tel Investimentos Ltda., CNPJ nº 02.432.366/000165, aumentou seu capital mediante a emissão de 75.480.000 e 50.320.490 novas quotas totalmente subscritas e integralizadas por suas quotistas, Telia AB e Telia Overseas AB. Doc. 38 O aumento de capital se deu com 75.480.000 e 50.320.490 ações ordinárias que as mesmas detinham na TESS, nos valores de R$ 75.480.000,00 e R$ 50.320.490,00, respectivamente. Decorrente desse aumento de capital, a Tel Investimentos Ltda. registrou um ágio fiscal de R$ 49.283.136,72, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, conforme demonstrativo elaborado pela Fiscalizada. Doc. 04página 11 Ao receber as ações da TESS S.A. por um valor superior ao seu valor patrimonial, Tel Investimentos Ltda. registrou um ágio de R$ 49.283.136,72, decorrente da aplicação do artigo nº 385 do RIR/99. Valor patrimonial das ações da TESS = R$ 0,6082 (R$ 1.095.448.696,67/1.801.003.000) Valor atribuído às ações aportadas = R$ 1,00 (R$ 125.800.490,00/125.800.490) R$ 1,00 – R$ 0,6082 = R$ 0,3918 x 125.800.490 = ágio de R$ 49.283.136,72 Fl. 3859DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.860 51 Em 03/04/2001, as empresas Telia AB e Telia Overseas AB se retiram da sociedade e transferem suas quotas para Tel Holdings International, LLC e José Roberto Camargo Ópice. Em 14/06/2002, José Roberto Camargo Ópice transfere sua única quota para a Telecom Américas Brasil – TAB. Em 27/09/2004, a Tel Holdings International, LLC foi incorporada pela Telecom Américas Investimentos Ltd. Em 30/09/2004, a TAB transfere sua única quota para a Claro Telecom Participações S.A. e se retira da sociedade. Em 26/10/2004, a Telecom Américas Investiments Ltd. transfere as suas ações da Tel Investimentos para a Claro Telecom Participações S.A. Esta passa a ser a nova sócia da Tel Investimentos Ltda. Doc. 45 Em 28/10/2004, a Tel Investimentos Ltda. foi incorporada pela Eriline Celular S.A., CNPJ nº 01.658.519/000124. Docs. 38A e 38B Em 29/10/2004, a Tess S.A. incorporou a Eriline Celular S.A. Docs. 32 e 32A Em 31/12/2005, a Tess S.A. foi incorporada pela Claro S.A., na época denominada BCP S.A. Doc. 33 A partir de meados de 2008, a Claro S.A. começou a amortizar o ágio em questão. Para este item, a fiscalização utiliza a mesma acusação principal dos demais itens do TVF, de que a real adquirente é empresa situada no exterior e que por isso não teria ocorrido a confusão patrimonial. A D. Procuradoria, em sua contrarrazão ao Recurso Voluntário, complementa a acusação alegando que o ágio foi gerado internamente, o que no meu entender, contraria a própria autuação. Se a fundamentação principal do TVF é no sentido de que a real adquirente é empresa situada no exterior e por isso não teria ocorrido a confusão patrimonial; como pode o ágio ora glosado ser gerado internamente, por empresas interligadas ao mesmo grupo? Com a devida vênia, me parece contraditória a alegação da D. Procuradoria de ágio gerado internamente. Ao analisar o TVF, constatei que a fiscalização se pautou apenas na acusação de que a real adquirente era empresa situada no exterior e que por isso não existiu confusão patrimonial, bem como de que não existiria propósito para a criação das empresas veículo nacionais. Assim, da análise do TVF, entendo que a alegação da D. Procuradoria não pode ser acatada, eis que estaríamos extrapolando os fundamentos da acusação e, ai sim, inovando o lançamento. Fl. 3860DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.861 52 Sendo assim, face aos argumentos acima, para o presente item devemos apenas nos ater aos dois pontos da acusação que são: 1 empresas veículo sem propósito negocial e 2 a falta de confusão patrimonial devido a real adquirente estar situada no exterior. Nesta linha, para manter a lógica do meu raciocínio, entendo que devem ser aplicados os mesmos fundamentos anteriormente aplicados, que foram pautados nos julgados acima indicados, sendo um deles proferido recentemente por esta C. Turma e o outro pela C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, cujas ementas colaciono abaixo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva dedução pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, Fl. 3861DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.862 53 dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. No mesmo sentido, segue ementa de outro caso que tratava de acusação muito semelhante e que ilustra de maneira ampla tal entendimento (Acórdão nº 1201.001.267, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria do I. Conselheiro Marcelo Cuba Neto, publicado em 18/02/2016): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (...) Pois bem, desde logo devese deixar claro que a fiscalização em momento algum alega que o ágio nasceu de uma operação realizada entre empresas que fazem parte do mesmo grupo econômico. Ao contrário, pelo que se vê no TVF o ágio decorreu de uma transação entre partes independentes e em pé de igualdade (arm's length transaction). Resumindo, não se trata aqui de “ágio interno”. São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial, e; (ii) emprego de empresa veículo. Fl. 3862DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.863 54 (...) Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. (...) Vejam D. Conselheiros, que como os fundamentos da autuação são apenas os dois acima apontados, não resta dúvida de que este item do TVF deve ser cancelado. A própria fiscalização ao autuar aponta a existência de operação entre empresas independentes, quando alega que os reais adquirentes são as empresas situadas no exterior e que por isso não teria ocorrido confusão patrimonial. Não existe qualquer argumento de falta de pagamento do ágio e mesmo que se considerasse que esta operação acima narrada teria gerado ágio interno, não restou comprovado nos autos que ocorreu fora das condições de mercado (arm´s length) e que não teve o efetivo e palpável sacrifício econômico na aquisição procedida. E, por fim, conforme acima fundamentado, as empresas veículo tinham sim propósito negocial, e foram criadas com objetivos econômicos e empresarias claros, em decorrência de operações complexas e duradouras. Acrescentase a estes fatos o impeditivo legal existente na legislação de Telecomunicações e de Licitação que exigiam o controle de empresa brasileira. Desta forma, voto por cancelar a glosa do ágio de R$ 49.283.136,72 deste item 4.3 do TVF. Fl. 3863DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.864 55 Do ágio na TAB decorrente da capitalização dos AFACs na TESS (item 4.4) Para este tópico, a fiscalização apenas descreve o histórico das operações societárias e explica como o ágio surgiu, mas não imputa nenhuma infração à legislação tributária. Sendo assim, para o presente caso, entendo que deve ser aplicada a infração genérica do TVF, qual seja, a criação de empresas veículo sem propósito negocial e a de que o real adquirente é a empresa estrangeira, inexistindo a confusão patrimonial. Assim, este tópico se enquadra na terceira hipótese dos exemplos iniciais do TVF, às fls. 5/8, abaixo colacionado. TESS S.A. A TESS foi constituída em 15/08/1997, observando a composição originária do consórcio vencedor da Licitação n.º 001/96SFO/MC para a exploração do Serviço Móvel Celular – SMC, Banda ‘B’, Área 2, nos termos que segue: ACIONISTA AÇÕES ORDINÁRIAS Eriline Celular S/A (“Eriline”) 12% Primav 39% Telia Overseas AB (“Telia”) 49% Em março de 1998 foi firmado o Contrato de Concessão da Tess S.A. e em 06/04/1998, a composição acionária da Companhia sofreu alteração em decorrência de aumento capital subscrito, em parte, por acionista já pertencente ao quadro social (Eriline) e, em parte, por novos acionistas. Em consequência desta operação, a nova estrutura acionária da TESS passou a ser a seguinte: ACIONISTA AÇÕES ORDINÁRIAS Eriline Celular S/A 31,00975% Primav Construções e Comércio Ltda. 00,00051% Telia Overseas AB 00,00064% Tel Investimentos Ltda. 48,99936% Lightel S/A – Tecnologia da Informação 19,98974% O INGRESSO DO GRUPO AMÉRICA MÓVIL NO QUADRO ACIONÁRIO DA TESS Com efeito, em 14/02/2001, foi apresentada à ANATEL, para prévia aprovação, reestruturação societária por meio da qual o Grupo Fl. 3864DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.865 56 América Móvil adquiriu (a) a totalidade das ações ordinárias de emissão da TESS detidas pela Algar Telecom S/A (“Algar”, anteriormente denominada Lightel) e (b) a totalidade das ações preferenciais detidas pelos demais acionistas da Companhia. Antes dessa operação, capital social da TESS encontravase assim distribuído: ACIONISTA AÇÕES ORDINÁRIAS AÇÕES PREFERENCIAIS Algar 19,9% 31,78% Telia Overseas 8,38% 12,33% Telia AB 12,57% 18,49% Tel Investimentos 43,95% 34,09% Eriline 15,19% 3,31% Após a aprovação pela ANATEL da reorganização societária submetida, pretendiase que o capital social da TESS estivesse distribuído da seguinte forma: ACIONISTA AÇÕES ORDINÁRIAS AÇÕES PREFERENCIAIS Ipê Participações S/A (“Ipê”) 19,9% 31,78% Telia Overseas Telia AB Tel Investimentos 64,91% Eriline 15,19% Tel Participações S/A (“Tel Participações”) 68,22% só tem preferenciais. A ANATEL condicionou a aprovação da referida operação societária a uma série de restrições aos acionistas da Companhia cujo objetivo principal era a manutenção das condições originárias da licitação n.º 001/96SFC/MC, permanecendo o controle societário da TESS detido, de forma conjunta, pelos grupos Telia e Eriline. Para tanto a ANATEL determinou que: (a) a Telecom Américas se comprometesse a não adquirir ações ordinárias que implicassem na redução da participação dos grupos Telia e Eriline a valores inferiores a 50% (cinquenta por cento) + 1 (uma) ação no capital social da TESS; (b) deveria ser mantida a supremacia dos grupos Telia e Eriline no Conselho de Administração; (c) a Ipê não participasse do controle da TESS enquanto as operadoras em questão fossem regidas pela regulamentação do SMC. Uma vez que observadas todas estas condições a ANATEL entendeu que não haveria modificação do grupo de controle. HISTÓRICO DOS INVESTIMENTOS DO GRUPO AMÉRICA MÓVIL NA TESS Fl. 3865DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.866 57 Em 27/03/2002, a Telecom Americas Ltd. iniciou seus investimentos na TESS através da capitalização da empresa Telecom Americas Brasil (TAB). Todos os aumentos de capital realizados na TAB podem ser verificados nas AGEs já enviadas. Resumindo os valores, a TAB recebeu os investimentos nas datas e valores abaixo, e fez o aporte na TESS através de AFACs. 27/03/2002 R$ 544.497.439,44 17/06/2002 R$ 53.542.000,00 28/06/2002 R$ 192.136.662,00 28/06/2002 R$ 187.381.638,00 29/07/2002 R$ 77.076.236,00 29/07/2002 R$ 272.721.140,00 29/07/2002 R$ 99.222.625,00 29/07/2002 R$ 69.080.000,00 29/07/2002 R$ 300.812.000,00 29/07/2002 R$ 13.188.000,00 16/05/2003 R$ 65.560.000,00 15/03/2004 R$ 119.051.700,00 30/03/2004 R$ 26.260.200,00 R$ 2.020.529.640,44 Da análise das datas e valores acima podemos concluir que a Telecom Americas Ltd. iniciou seus investimentos na Tess em 27/03/2002, tendo finalizado apenas em 30/03/2004. Cópias das fls. 26/27 do TVF: As reorganizações societárias realizadas pelos controladores da Claro S.A. em relação à TESS S.A. são semelhantes àquelas realizadas em relação à ATL Telecom Leste S.A., alterandose apenas as empresas veículo. A entrada do capital mexicano na TESS, a exemplo da ATL, também foi efetuada com empresas veículo. São três as empresas veículo que continham ágios fiscais em seus acervos, em 28/10/2004, imediatamente antes das incorporações das mesmas pela própria TESS S.A.: Ipê Participações S.A., Tel Participações S.A. e Telecom Américas Brasil Ltda., além da Eriline Celular S.A. Fl. 3866DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.867 58 Em 28/10/2004, a TELECOM AMÉRICAS BRASIL LTDA.TAB foi totalmente cindida, sendo parte do seu patrimônio incorporado pela CLARO TELECOM PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ nº 07.043.628/0001 13 e parte pela Ipê Participações S.A. Na parte incorporada pela Ipê Participações S.A. se encontravam os ágios. Doc. 31 Vale lembrar que, em 27/09/2004, ou seja, um mês antes das incorporações, pela TESS S.A., das empresas veículo e a Eriline, que ocorreriam em 29/10/2004, foi constituída a Holding CLARO TELECOM PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ nº 07.043.628/000113., tendo como acionistas : Telecom Américas Ltda.(Bermudas), com 99% e AM Latin America LLC,(Delaware), com 1%. O capital inicial foi de R$ 1.000,00. Doc. 50 Não nos esqueçamos que, em 26/10/2004, por meio de aumento de capital, todas as empresas do grupo, incluindo as empresas veículo foram levadas ao abrigo da CLARO TELECOM PARTICIPAÇÕES S.A.. O aumento de capital com as ações e quotas dessas empresas foi de R$ 2.190.546.971,00. Doc. 51 O v. acórdão recorrido, seguido pela D. Procuradoria, entendeu que o ágio em epígrafe, deste item 4.4, foi gerado internamente, entre empresas do mesmo grupo. Vejamos a alegação da D. Procuradoria: Ora, é evidente que a capitalização dos AFACs se deu intragrupo. A investidora (formal) TAB era controlada pela Telecom Américas Ltd, e a investida TESS, desde 27/09/2004, era igualmente controlada (indiretamente) pela mesma Telecom Américas Ltd. O ágio contabilizado nessa ocasião é evidentemente um ágio intragrupo, pago, em última instância, pela Telecom Américas Ltd a ela mesma. Entretanto, não foi esta a acusação apontada no TVF. Na realidade, para este item, o TVF sequer indica a infração. Assim, entendo que com base nas indicações genéricas apontadas sobre a aquisição da empresa TESS pela América Móvel (Telecom América Ltda) de fls. 5/8 e 26/27, onde estão contidas as operações com a TAB, devem ser analisadas em conjunto com este item 4.4 como sendo os fundamentos da fiscalização para a glosa deste ágio. Novamente, como pode se observar dos trechos acima colacionados e da explicação da sequência das operações indicadas no item 4.4, a acusação se pautou apenas na questão relativa à criação de empresas veículo, sem propósito negocial e na falta de confusão patrimonial devido à real adquirente estar situada no exterior. Fl. 3867DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.868 59 Assim, face meus votos relativos aos itens acima e para manter coerência com meu raciocínio, entendo que a jurisprudência apontada nos outros itens deve ser aplicada para este tópico. Vejamos. Não existe qualquer indício de falta de pagamento do ágio. A própria fiscalização alega que a real adquirente é empresa estrangeira situada no exterior, o que nos leva a constatar que as operações ocorreram entre partes independentes. Existia impeditivo legal na legislação de Telecomunicações e de Licitação para que a adquirente estrangeira controlasse as empresas operacionais brasileiras. As operações eram complexas, duraram anos, tinham objetivos comerciais e empresariais claros, pautados na melhor forma de aquisição da empresa TESS. Existiu a confusão patrimonial entre as empresas brasileiras e posteriormente, após a liberação do controle direto da Telecom pela ANATEL em 2004, também foram incorporadas pela empresa Recorrente, que é pertencente ao grupo da América Móvel, caracterizando, a meu ver, em confusão patrimonial. O ágio jamais poderia ser utilizado pela empresa estrangeira, sendo certo que sua amortização só é prevista em território nacional; e foi o que ocorreu, sendo que a empresa adquirente apenas exerceu seu direto de gozar o benefício de amortização do ágio previsto na legislação nacional. Desta forma, a simples acusação de que ao ágio não poderia ser amortizado devido à utilização de empresas veículo sem propósito negocial e extrafiscal não me parece suficiente para manter a autuação. No mesmo sentido, entendo que a confusão patrimonial ocorreu, conforme prevista na legislação. A fiscalização desconsiderou as empresas veículo e por isso entendeu que não teria ocorrido a confusão patrimonial. Entretanto, como entendo que as acusações em relação às empresas veículo não devem prosperar, pois para o presente caso sua criação tinha propósito negocial, a argumentação da fiscalização de que não ocorreu confusão patrimonial também deve ser desprovida, eis que restou caracterizada nos autos a confusão patrimonial entre as empresas nacionais. Desta forma, voto por cancelar a glosa do ágio no importe de R$ 1.003.653.960,33, relativa a este item 4.4 do TVF. Da interpretação de planejamento tributário e os fundamentos para qualificação da multa (item 5 do TVF) Fl. 3868DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.869 60 Da mesma forma que nas acusações dos itens relativos à glosa do ágio, a fiscalização entendeu que a criação de novas holdings veículos, sem propósito negocial, com a intenção exclusiva de propiciar a amortização do ágio que pertenceria a empresas sediadas no exterior caracterizaria planejamento tributário abusivo e fraude à lei tributária e por isso, qualificou a multa. Esta fundamentação relativa à qualificação da multa foi genérica e serviu para todos os itens do TVF. A Recorrente alega que as operações societárias ocorreram desta maneira, eis que existia um impeditivo legal para que empresas estrangeiras exercessem o controle de empresas de telecomunicação no Brasil. Afirma que o contrato firmado entre as partes para aquisição das empresas operacionais TESS e ATL exigia que fossem incluídas as empresas holdings. Aduz que as incorporações se deram desta maneira para facilitar o controle, otimizar custos, desburocratizar investimento, uniformização dos negócios e organização/administração do grupo, bem como que devido ao substrato econômico das empresas operadoras incorporadoras ser maior e mais duradouro, preferiu incorporar as holdings, não havendo razão para realizar as operações de outra forma. Alega que se fosse para obter apenas vantagem fiscal, como alega a Fiscalização, teria organizado de outra forma as operações, já que ao realizar da forma que fez ocorreram outras perdas de cunho econômico fiscal, como abrir mão da marca consolidada e o não aproveitamento dos prejuízos fiscais acumulados por tais empresas (aproximadamente R$ 350 milhões doc. 17 da impugnação). Passo a analisar a qualificação da multa. No presente caso, analisando as operações como um todo, na maior parte não existiu alegação de falta de pagamento do ágio. O ágio efetivamente existiu e ocorreu na maioria das operações entre partes não relacionadas. Existiu efetivamente uma compra de participação societária e uma aquisição das empresas operadoras nacionais. Todas as operações foram devidamente registradas e contabilizadas conforme determina a legislação, respeitando inclusive normas do setor de Telecomunicações e da ANATEL. As operações têm propósito negocial e econômico, bem como foram registradas nos órgãos competentes e tornadas públicas através de demonstrações financeiras publicadas em jornais de grande circulação. As empresas existiram de fato e duraram anos, assim como a operação durou anos. Os fundamentos para qualificação da multa repetem os dois argumentos principais do TVF ja exaustivamente comentados neste voto. Frente a tais fatos, não verifiquei a comprovação de fraude ou dolo, conforme apontado pela fiscalização nos termos do artigo 71, 72 e 73 da Lei 4.502/62. Fl. 3869DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.870 61 Este entendimento também pode ser visto no v. acórdão 1201001.470 da 2ª Câmara, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Seção de Julgamento deste E. CARF/MF, ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 ACÓRDÃO DRJ. COMPOSIÇÃO DA TURMA INCOMPLETA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A Portaria 341/11 que estabelece que somente quando presente a maioria dos membros da Turma, poderá haver deliberação, bem como, que o Delegado da DRJ pode designar julgador ad hoc para participar de sessão específica em Turma de julgamento, visando garantir o quorum mínimo de 03 julgadores que uma vez alcançado, possibilita o julgamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. A multa deve ser reduzida ao percentual de 75% por não haver nos autos comprovação cabal das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Ademais, corroborando com o entendimento acima, segue a ementa do v. acórdão 1302.001.950 de Relatoria do Conselheiro Luis Tadeu Matosinho, de 09.08.2016. Fl. 3870DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.871 62 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Simples observação feita no acórdão recorrido a respeito de uma suposta dedução em duplicidade das despesas com ágio, não implica em alteração dos fundamentos do lançamento, vez que formulada como razão meramente adicional às conclusões que referendaram à autuação fiscal. ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. Os atos de reorganização societária registrados pela recorrente ainda que formalmente regulares, se não configuram uma efetiva aquisição de participação societária, mas mera permuta de ativos entre controladora e controlada, sendo correta a glosa dos valores amortizados como ágio efetuada pelo Fisco. ÁGIO. COMPLEMENTARIDADE DAS LEGISLAÇÕES COMERCIAIS E FISCAIS. EFEITOS. Os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio é fato econômico cujos efeitos fiscais foram regulados pela lei tributária, com substrato nos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO CONTÁBIL. A ausência de um efetivo dispêndio (sacrifício patrimonial) por parte da investidora pela aquisição de participações em operações com empresas controladas revelam a falta de substância econômica das operações o que impede o seu registro e reconhecimento contábil, pois não há efetiva modificação da situação patrimonial. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio pela empresa (investidora) que teria adquirido o investimento com ágio, por meio de interposta pessoa jurídica, para a pessoa jurídica (investida) que o amortizar, é indevida a amortização do ágio. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUÇÃO EM EXCESSO. GLOSA. Fl. 3871DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.872 63 Não tendo sido reconhecida a legitimidade do ágio apurado, há que se ter como correta a recomposição do saldo do patrimônio líquido, com a exclusão da reserva especial de ágio para fins de cálculo do JCP, impondose a glosa do valor deduzido em excesso. DA MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. O não reconhecimento pelo Fisco do ágio gerado em operações realizadas dentro do mesmo grupo econômico, com a consequente glosa de sua amortização, não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada, quando os atos praticados revelam interpretação equivocada por parte do contribuinte quanto à legislação de regência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Ambos julgados acima foram no sentido de que se não está devidamente comprovada a fraude ou o dolo, a multa qualificada deve ser reduzida. A redução da multa qualificada nos acórdãos acima indicados se deu devido ao entendimento de que não existia prova robusta da fraude e do dolo, bem como que o contribuinte interpretou a norma de forma equivocada, sendo que a jurisprudência administrativa da época reconhecia como válidas as operações que geraram o ágio. No caso ora em julgamento entendo que a jurisprudência acima qualificada se amolda perfeitamente, eis que as operações ocorreram antes de 2005, seguiram a legislação nacional, não restou comprovada a fraude e o dolo da contribuinte, sendo que a fiscalização deveria comprovar os atos ilícitos ou simulados nos termos do Código Civil e Direito Comercial. Sendo assim, a mera repetição dos fundamentos para a glosa do ágio não pode motivar a qualificação da multa. A fiscalização neste caso tem o dever de comprovar a fraude ou o dolo para praticar irregularidade tributária, o que não restou comprovado nos autos, eis que as operações tinham propósito negocial. Desta forma, reduzo a multa qualificada de 150% para 75 %. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. Fl. 3872DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.873 64 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 3873DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.874 65 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Redator Designado Com o devido respeito, ouso divergir do voto exarado pelo Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves unicamente em relação ao provimento em maior extensão que deu ao recurso voluntário manejado pela recorrente e relacionado às exigências de ágio contidas no TVF, itens 3.3, 3.4 e 4.1 (neste caso apenas em relação ao mérito, acompanhandoo no afastamento da qualificação da multa) e integralmente no pertinente aos tópicos 4.2 e 4.3, do Termo de Verificação Fiscal. Para melhor fixação, vejase cada um dos itens do TVF: Ø Item 3.3 do TVF ÁGIO NA SÂNDALO DECORRENTE AUMENTO DE CAPITAL COM AÇÕES DA ATL ALGAR TELECOM LESTE S/A. E COM NOTAS PROMISSÓRIAS Conforme acusação fiscal, estes foram os valores glosados a título de ágio (TVF – fls. 1680/1689): Minha divergência com o voto do I. Relator concentrase unicamente no que tange aos valores delineados na segunda planilha (R$ 284.579.871,17), posto que, nos demais, com ele concordei por ocasião do julgamento. Concentrome, pois, neste ponto. As razões para cancelamento dos lançamentos foram assim externadas pelo I. Relator: Fl. 3874DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.875 66 “Em relação a este ágio de R$ 284.579.871,17 gerado pela Nota Promissória de R$ 322.759.311,17, entendo que a acusação não deve prevalecer (lembrando que o ágio de R$ 6.487.574,93, gerado no aumento de capital, de R$ 1.000,00 para 44.668.000,00, realizado em 18/12/1999 pela Algar Telecom da primeira operação, está embutido nesta operação ora em análise). Esta operação relativa à nota promissória de R$ 322.759.311,17 ocorreu entre empresas que não pertenciam ao mesmo grupo, ou seja, o grupo Algar e o grupo Telecom Américas. A própria fiscalização confirma este fato de independência entre as empresas que transacionaram, quando aponta que os reais adquirentes eram as empresas estrangeiras e que por isso não teria ocorrido a confusão patrimonial para amortizar o ágio. Ademais, restou comprovado nos autos que ocorreu o efetivo pagamento da participação por meio da nota promissória acima citada, operação esta que gerou o ágio ora em análise. Corroborando com os argumentos acima, as empresas que foram consideradas veículo pela fiscalização já existiam antes das operações ocorrerem ou foram criadas para que as empresas estrangeiras pudessem adquirir as ações/quotas da empresa situada no Brasil, devido à proibição da legislação de Telecomunicação e de Licitação (Lei Geral de Telecomunicações, Resolução da ANATEL, dentre outras que não permitiam o controle pelas empresas estrangeiras). Assim, entendo que para o ágio de R$ 284.579.871,17 relativo à nota promissória de R$ 322.759.311,17 este pode ser amortizado, devendo esta parte do lançamento ser cancelada”. Data vênia, faço uma leitura diferente dos fatos. Preliminarmente, há algumas premissas que entendo devam ser destacadas, por relevantes. Uma delas, a de que não há de se confundir o direito à contabilização do ágio com as condições para sua amortização em termos fiscais. Em dizer mais explícito,regra geral, o ágio deverá ser ativado e utilizado como custo somente no momento da alienação do investimento,quando e se ocorrido este evento (os dispositivos a seguir transcritos são do RIR/1999): Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. Fl. 3875DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.876 67 Situação só excetuada quando presentes os seguintes preceitos: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Nesse sentido, investimentos realizados e adquiridos com ágio devem, por princípio e a princípio, compor, sempre e sempre, o ativo das empresas (supondose que por tempo indeterminado), posto que, em última análise, não se está diante de inversões em circulante ou disponibilidades mas em legítimo bem perene, destinado – presumese a alavancar a atividade da investidora. Fl. 3876DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.877 68 A situação foi excepcionada a partir de 1.997, por força da vigência da Lei nº 9.532 que definiu: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; Fl. 3877DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.878 69 II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Com isso, a fotografia é a seguinte: haverá possibilidade de amortização do ágio mensalmente à razão de 1/60 quando presentes no mínimo e sem prejuízo de outros, os seguintes requisitos indispensáveis: i) a operação ser realizada entre partes independentes; ii) haver efetivo pagamento; iii) não se utilizar empresas de fachada; iv) haver confusão patrimonial entre investida e investidor. A propósito, os conceitos expendidos pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto quando ainda nesta Turma (Ac. nº 1402001.460) são absolutamente pertinentes (negritos acrescidos): “... o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento necessários (o efetivo pagamento do custo de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas, seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura),nãopossuio condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, o ágio deverá c ompor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e incisoIII), ainda que de forma reversa (art. 386,§6º,II)”. Fl. 3878DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.879 70 No caso concreto, como bem relatado pela Autoridade Fiscal, depois de várias engenharias societárias, foi aprovado aumento de capital da Sândalo, integralmente subscrito pela SBCI Brasil Participações Ltda. (SBCI Participações grupo Telecom Américas constituída em 02/12/1999) e integralizado, no montante de R$ 591.723.238,50, mediante a entrega à Sândalo de duas notas promissórias nos valores de R$ 322.759.311,17 e R$ 268.963.927,33, vencíveis em 10/01/2000 e 28/03/2000. Nessa operação foi contabilizado um ágio de R$ 558.738.118,50, do qual foi deduzido para fins fiscais o valor de R$ 390.380.130,85. Sequencialmente, em 30/12/1999, foi reduzido o capital social da Sândalo mediante a restituição das respectivas ações detidas pelas empresas Algar S/A Empreendimentos e Participações; Algar Telecom S/A e Algar Administradora de Sistemas Ópticos Ltda. Assim, a SBCI Brasil Participações (grupo Telecom Américas) passou a ser a única acionista da Sândalo. E, finalmente, a NP de R$ 322.759.311,17 foi utilizada para o pagamento do grupo Algar pela sua saída do quadro societário da Sândalo, restando, deste modo, o ágio glosado em relação à essa nota promissória – R$ 284.579.871,17, posto que os reais adquirentes das ações da Algar Telecom Leste S/A foram a SBC International Brasil Holding (Ilhas Cayman) e a Telmex Wireless Brasil LLC (Delaware). Em síntese, como bem alinhavado pela PGFN em suas contrarrazões de fls., o que houve foi que, “mediante operação conhecida como casasepara, o grupo Algar alienou a Sândalo, sociedade detentora de ações da ATL, ao grupo Telecom Americas, por intermédio da SBCI. Ou, como disse o autuante: “Isto significa dizer que os reais adquirentes das ações da Algar Telecom Leste S/A. ATL foram a SBC International Brasil Holding(Ilhas Cayman) e a Telmex Wireless Brasil LLC (Delaware). A SBCI Brasil Participações Ltda. e a Sândalo Participações S.A. serviram apenas de canais de trânsito, haja vista que, à época (29/12/1999) da entrega das notas promissórias de aproximadamente R$ 600 milhões, pela SBCI Participações, ela tinha um capital apenas de R$ 1.000,00”. “Nesse desenho”, ainda segundo a Procuradoria Fazendária, “fácil conceber que o real adquirente das ações da Sândalo (ATL), nos termos expostos nas considerações gerais acima, foram as sociedades estrangeiras que forneceram os recursos que apenas transitaram pela SBCI Brasil Participações, mero veículo da aquisição. Com isso, temse que as operações societárias que levaram, por fim, o ágio contabilizado na SBCI Brasil Participações para a Claro S/A não autorizam que a Claro proceda à sua amortização”. Como visto antes, o artigo 386 do diploma regulamentar do IR exige que, para fins de dedutibilidade do ágio, haja encontro dos valores do investidor e investido em um mesmo patrimônio, digase, passe a existir um patrimônio de forma una e indissociável, a chamada “confusão patrimonial”. Nesse patamar, o ágio gerado será dedutível. Ora, isto só faz sentido se a adquirente efetivamente tenha suportado (regular, oficial e comprovadamente) o ônus da mais valia do investimento. E, repisese, suportado no terreno das coisas reais e essenciais, não apenas na forma. Se a situação estampada for diferente desta, o ágio, embora possa ser “ágio” sob o aspecto formal, [a despesa] não será dedutível. Fl. 3879DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.880 71 Obviamente nesta restrição encontramse os procedimentos em que utilizadas “interpostas pessoas”, popularmente “empresasveículos” ou “de prateleira”. Nos autos, exsurge explicitamente que as reais adquirentes da participação da Algar na Sândalo (e consequentemente na ATL) foram as empresas estrangeiras SBC International Brasil Holding (Ilhas Cayman) e a Telmex Wireless Brasil LLC (Delaware), que forneceram os recursos à SBCI Participações para liquidação da referida NP, conforme se constata do TVF (fls. 1685). Assim, inequívoca a presença de empresas veículos que permitiram a operação (feitas, reportese, com recursos integralmente entregues pela SBC International Brasil Holding (Ilhas Cayman) e a Telmex Wireless Brasil LLC (Delaware), na forma dos aumentos de capital realizados em 11/01/2000, de R$ 1.000,00 para R$ 629.976.404,00, pretensamente programados para quitar as NPs, vencíveis em 10/01/200 e 28/03/2000). Ou seja, um painel de artificialidade cujo objetivo – abstraindo conceituações de cunho societário, mas restringindo seus efeitos à ótica tributária – foi o de permitir que um “ágio” assim gerado (indevidamente sob o ponto de vista fiscal) pudesse compor os resultados futuros da recorrente, reduzindo drasticamente as bases imponíveis de IRPJ e de CSLL. Também não me sensibiliza a argumentação da recorrente de que a estrutura engendrada para realizar a operação tenha decorrido de eventuais restrições legais para que empresas estrangeiras detivessem o controle das concessões ou autorizações de serviços de telefonia. Muito a propósito as ponderações da PGFN refutam com propriedade tais arguições, pelo que as adoto subsidiariamente como razões de decidir: “Tal vedação vinha consignada no Decreto 2.617/98, nos seguintes termos: Art 1º As concessões, permissões e autorizações para exploração de serviços de telecomunicações de interesse coletivo poderão ser outorgadas ou expedidas somente a empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no País, em que a maioria das cotas ou ações com direito a voto pertença a pessoas naturais residentes no Brasil ou a empresas constituídas sob as leis brasileiras e com sede e administração no País. Percebese que vedação legal se referia apenas à aquisição do controle das concessionárias por pessoa jurídica estrangeira (a concessão só será concedida a empresa cuja maioria das ações com direito a voto – ordinárias – pertençam a pessoas naturais ou jurídicas brasileiras). Neste diapasão, cumpre observar que aquisição da participação da Sândalo em tela se deu em 29/12/1999, sendo que em 31/12/1999 a Sândalo não estava nem perto de obter o controle da ATL, conforme se vê da composição societária desta à p. 64 do TVF: Das 4.734.334 ações ON de emissão da ATL, Sândalo Participações e JOHI (adquirida posteriormente pelo Grupo America Móvil e Telecom Americas, como visto nos itens e) e f) acima), passaram a deter apenas 2.319.823, ou seja, menos que 50%. Fl. 3880DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.881 72 Vêse, portanto, que a aquisição das ações da ATL detidas pelo grupo Algar por intermédio da Sândalo não outorgaria à SBCI o controle da concessionária. Não existia, portanto, óbice regulatório à aquisição direta do investimento pelas pessoas jurídicas estrangeiras que forneceram os recursos à SBCI Participações. Em outras palavras, não era necessário o uso da empresa veículo. A constituição e uso da empresa veículo, à toda evidência, se prestou apenas para possibilitar sua futura incorporação para fins de amortização de ágio, sem que o real adquirente do investimento fosse objeto da confusão patrimonial entre investidor e investida prevista na legislação (arts. 385 e 386 do RIR/99)”. Ademais, o tema já foi objeto de pronunciamento pela E. CSRF em caso semelhante (alegação do contribuinte de que havia vedação legal para aquisição,por paqrte de empresa estrangeira, do controle acionário de sociedade sujeita à fiscalização de Agência Reguladora), assim ementada (Ac. 9101002.187, sessão de 20 de janeiro de 2016, Relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo): TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida. Excertos do voto condutor estampam o cenário com clareza solar: “A utilização de uma pessoa jurídica interposta (Leicester Comercial S.A) para transferência do ágio, que veio a ser adquirida pela investida (CELPE), mas que não era a investidora original (investidora de fato, a que pagou o ágio), implica no desatendimento dos aspectos pessoal e material e, conseqüentemente, na descaracterização da aplicação dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que resulta na impossibilidade da amortização do ágio. A amortização do ágio seria devida apenas se a empresa investida (CELPE) tivesse incorporado a investidora original (investidora strico sensu), pois somente essa se enquadra nos aspectos pessoal e material. Pouco importa Fl. 3881DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.882 73 terem havido motivos de ordem societária, técnica ou mercadológica que impediam a CELPE de incorporar a real investidora: são as situações que devem se moldar à lei, para fins de aplicação da norma, e não a lei que tem que se moldar às situações, o que implicaria em substituir a coercitividade da regra pela conveniência dos regrados”. Por fim, não se olvide o direito que os contribuintes têm de estruturaremse empresarialmente da forma que melhor lhes aprouver, porém esta liberdade de cunho constitucional não pode ser motivo para criação de engenharias societárias que visem, estritamente sob o ângulo fiscal, criar artifícios que, ainda que formalmente corretos, visem obter vantagens que a lei não permite. Ou seja, eventual direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Na lição consagrada de Marco Aurélio Greco, in “Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 198/208”, encontramos: “... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer “planejamento” é admissível? Minha resposta é negativa. (pág. 190.) (...) Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. Esta conclusão resulta da conjugação dos vários princípios acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do fenômeno tributário que não deve mais ser visto como simplesagressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado ao princípio da solidariedade social. (pág. 208). Em suma, não há dúvida de que o contribuinte tem o direito, encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico”. Concluindo, como o ágio foi efetivamente suportado por empresas estrangeiras e obviamente não poderiam ter aproveitamento fiscal no Brasil, é possível entender que o que levou à estruturação da operação nos moldes em que feita teria sido, de fato, tentar permitir à recorrente (sediada no país) utilizarse das despesas geradas com a amortização do ágio indevidamente aproveitado. Fl. 3882DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.883 74 Entretanto, não me parece que todos estes fatos narrados, ensejadores da autuação e improvimento do recurso voluntário nesta parte, sejam suficientes, per si, para qualificar a multa, elevandoa ao patamar de 150%, mais ainda quando o Fisco apenas repete os mesmos fundamentos utilizados para a lavratura das infrações principais. Para se aplicar a qualificação da pena, deve restar comprovado e devidamente enquadrada nos autos a conduta de cada uma das partes envolvidas na lide tributária em uma das hipóteses previstas nos respectivos dispositivos legais que tratam do assunto. Em suma, quando a fiscalização não comprova e não enquadra precisamente a prática do ato em uma das hipóteses específicas previstas em lei, deve ser afastada a qualificação da multa, isto porque, como bem pontuado no Acórdão nº 1402002.373, desta C. 4 Câmara/ 2 Turma Ordinária, “acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados”. Pelas razões expostas e o que mais consta dos autos, VOTO, neste item 3.3, no sentido DAR PROVIMENTO PARCIAL para MANTER a acusação fiscal em relação à matéria de mérito e AFASTAR a qualificação da multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. Em suma, mantémse a glosa no valor de R$ 284.579.871,17, com aplicação de multa de ofício de 75%. Ø Item 3.4 do TVF ÁGIO NA ATL PARTICIPAÇÕES S.A.(exAlgar Telecom Participações) DECORRENTE DO AUMENTO DE CAPITAL COM NOTAS PROMISSÓRIAS Segundo o TVF (fls. 1692), o ágio descrito neste item está assim formulado: Conforme se vê pelo próprio voto do I. Relator, “a situação que motivou a glosa deste ágio foi a mesma da Sândalo, analisada no item acima”, ou seja, repetemse os pontos principais pelos quais entendo que a glosa foi corretamente efetuada pelo Fisco, a saber: i) os reais adquirentes são as empresas SBC International Brasil Honding (Ilhas Cayman) e a Telemex Wireless Brasil LLC (Delaware); ii) inexistiu confusão patrimonial; e, iii) houve a utilização de empresas veículos. Com isso, as alegações da recorrente, da mesma forma que no item precedente, resultam frágeis e sem condição de rebater o trabalho fiscal, pelo que, adotando os argumentos antes aduzidos em relação ao item 3.3 do TVF (que deixo de transcrever neste ato a fim de evitar repetições desnecessárias) voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tópico 3.4 do TVF, no importe de R$ 112.561.401,56. Fl. 3883DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.884 75 Todavia, assim como no item precedente, a qualificação da multa não se sustenta, posto que, como dito antes, quando a fiscalização não comprova e não enquadra precisamente a prática do ato em uma das hipóteses específicas previstas em lei, deve ser afastada a qualificação da multa, isto porque, como bem pontuado no Acórdão nº 1402 002.373, desta C. 4 Câmara/ 2 Turma Ordinária, “acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados”. Pelas razões expostas e o que mais consta dos autos, VOTO, neste item 3.4, no sentido DAR PROVIMENTO PARCIAL para MANTER a acusação fiscal em relação à matéria de mérito e AFASTAR a qualificação da multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. Em suma, mantémse a glosa no valor de R$ 112.561.401,56, com aplicação de multa de ofício de 75%. Ø Item 4.1 do TVF ÁGIO NA IPÊ PARTICIPAÇÕES S.A. DECORRENTE DE AUMENTO DE CAPITAL COM NOTAS PROMISSÓRIAS Com os devidos ajustes ao caso concreto, repetemse aqui as mesmas situações antes analisadas. Segundo o TVF (fls. 1698/1702), as operações foram assim alinhavadas: Ø Constituição da IPÊ PARTICIPAÇÕES S.A., em 12/12/2000, com capital de R$ 1.000,00, sendo acionistas Algar S/A Empreendimentos e Participações (R$ 997,00) e Dilson Dalpiaz Dias, Geraldo Batista Caetano e Cícero Domingos Penha com participação de R$ 1,00 cada um deles; Ø Em 28/02/2001, a IPÊ recebeu da Algar Telecom 81.014.111 ações de emissão da TESS, avaliadas em R$ 50.639.112,00, como aumento de capital; Ø Na sequência, em novo aumento de capital, a Algar Telecom conferiu ao capital social da IPÊ 82.320.932 ações ordinárias e 337.675.597 ações preferenciais de emissão da TESS que eram de sua propriedade; Ø Em 09/04/2001, aumento do capital social da TAB (holding nacional do grupo Telecom Americas Ltd. no montante de R$ 345.906,057,00 (em dinheiro), subscrito e integralizado pela Telecom Americas Ltd; Ø Nessa mesma data, a Telecom Américas do Brasil Ltda. ingressou como acionista da IPÊ, subscrevendo 501.010.640 ações ordinárias “B”, no valor de R$ 534.436.398,60, integralizadas por meio de um cheque de R$ 344.592.609,30 e uma nota promissória de US$ 87.805.434,00, correspondente a R$ 189.843.789,30, emitida pela Telecom Americas Ltd. em favor da TAB, que foi endossada para a IPÊ; Fl. 3884DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.885 76 Ø Assim, o capital social da IPÊ passou para R$ 628.330.220,00. O valor de R$ 313.165.110,00 foi destinado para capitalização e o montante remanescente de R$ 220.271.288,60 (posteriormente o valor foi retificado para R$ 221.271.288,60) à formação da conta reserva de ágio para futura capitalização. Ato contínuo, foi reduzido o capital social da IPÊ para R$ 314.165.110,00, mediante resgate de ações com a utilização do saldo de reservas, retirandose da sociedade a Algar Empreendimentos, que recebeu em pagamento parte em dinheiro e a nota promissória de US$ 87.805.434,00, totalizando o valor de R$ 534.436.398,60. Em suma, na prática, surgiu – novamente – uma operação casasepara, com o grupo Algar alienando a IPÊ, sociedade cujo único ativo eram ações da TESS, ao grupo Telecom Americas, por intermédio da TAB. Na linhagem sucessória, Algar Telecom S.A.(exLightel) aliena parte das ações que ela detinha na TESS S.A. para a Telecom Américas Ltd., utilizando a Ipê Participações S.A. e a Telecom Américas Brasil Ltda.TAB como canais de trânsito. Nesse contexto fica claro que as operações de aumento de capital da IPÊ, com o ato contínuo de redução do seu capital social, serviram para encobrir a operação real, que foi a alienação das ações da TESS S.A., detidas pela Algar, para a Telecom Américas Ltd. (por intermédio da sua subsidiária brasileira – a TAB). O ingresso da Telecom Americas do Brasil Ltda. como acionista da IPÊ, subscrevendo ações no montante de R$ 534.436.398,60, simplesmente oportunizou o pagamento da aquisição das ações da TESS à Algar Empreendimentos, tendo em vista o ato contínuo de redução do capital e a retirada da sociedade da Algar, que recebeu como pagamento o mesmo valor do aumento de capital. Em síntese, a efetiva e verdadeira adquirente das ações da TESS foi a Telecom Américas Ltd.(não a empresaveículo TAB). E por um motivo singelo: os recursos (em última análise, o ponto mais relevante de uma operação, posto que sem eles – recursos – não há nem venda nem compra) saíram da Telecom Américas Ltd. para a TAB no mesmo dia em que esta adquire as ações da IPÊ. Em dizer claro, a TAB não tinha condições de realizar o adimplemento do investimento que foi, verdadeiramente, assumido e resgatado pela Telecom Américas Ltd. E quem, nesta ordem de fatores é a TAB? Nada mais que a “empresa veículo” inserida no rol operacional das transações única e exclusivamente para permitir a transferência do ágio! Ágio que, inequivocamente, surgiria no negócio realizado entre a vendedora (Grupo Algar) e a VERDADEIRA compradora, no caso, a sociedade estrangeira Telecom Américas Ltd. Ora, como o ágio não pode ser utilizado por empresa localizada fora do Brasil, criouse todo um mecanismo – altamente complexo – que levou, por vias transversas, a que a recorrente, no final de toda a engenharia montada, viesse a dele (ágio) se aproveitar, beneficiandose de expressivo ganho tributário o qual, inclusive e Fl. 3885DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.886 77 sem nenhuma sombra de dúvidas, deve ter sido levado em consideração quando dos estudos para aquisição e preço final do investimento. Como já antes dito neste voto, nada impede que empresas se estabeleçam e promovam suas atividades da melhor forma que entenderem viável, nem que empresas estrangeiras adquiriam – com ágio – sociedades nacionais. Este é ponto que interessa somente às partes. Todavia, como igualmente já manifestei alhures, uma coisa é o ágio surgido na operação. Outra, BEM DIFERENTE, é a possibilidade de seu aproveitamento em contraposição às bases imponíveis de tributos nascidos com fundamento no lucro (IRPJ e CSLL). Neste caso, compulsoriamente, só são admitidas deduções se todos os requisitos legais restarem cumpridos, o que não vejo neste caso. De outra banda, a respeito dos repetidos argumentos de que a legislação brasileira não permite a aquisição acionária de sociedades da área de telecomunicações por entidades estrangeiras, o que justificaria a operação arquitetada, embora críveis neste ponto, não podem levar ao absurdo de que, utilizandose de empresas veículos criemse todos os artifícios formais que levem, ao final, a que a recorrente usufrua de um ágio que, de direito e efetivamente, foi assumido pela real adquirente, empresa não nacional Telecom Américas Ltd. Cenário bem observado e retratado pela decisão recorrida, cujo excerto do voto condutor (fls. 3430/3431), aqui adoto subsidiariamente, pela pertinência: “Em face de a legislação de telecomunicações não permitir que empresas estrangeiras possuam o controle direto de empresas brasileiras detentoras de concessão, permissão ou autorização para a exploração dos serviços de telecomunicações, que somente pode ser concedida àquelas constituídas sob as leis locais, com sede e administração no País (art. 86 da Lei nº 9.472, de 1997, e art. 1º do Decreto nº 2.617, de 1998), o controle da TESS S.A. não poderia ser exercido diretamente pela Telecom Américas Ltd., por ter esta empresa sede no exterior. Diante dessas normas, restou à Telecom Américas Ltd. constituir uma subsidiária no Brasil para efetuar seus investimentos no País (mais uma, pois já havia sido constituída a SBCI Participações, em 02/12/1999), atendendo, dessa forma, a legislação brasileira que exige que a concessão, permissão ou autorização para a exploração dos serviços de telecomunicações seja concedida apenas às empresas constituídas sob as leis brasileiras. Embora, sob a perspectiva da lei brasileira o esse procedimento de constituição da subsidiária da Telecom Américas Ltd. no Brasil não constituir nenhuma irregularidade, as operações seguintes é que trazem em seu bojo artificialidades que demonstram que se visou, de forma abusiva, a economia no pagamento de tributos. Primeiro, pelo não pagamento do ganho de capital por parte dos alienantes e, segundo, criando condições jurídicas para o futuro aproveitamento fiscal do ágio pelos adquirentes, onde a IPÊ entra como empresa veículo que serviu para transferir o ágio pago inicialmente até a Claro S. A., via cisão da TAB, com a versão do investimento para a IPÊ, incorporação da IPÊ pela TESS (28/10/2004) e incorporação da TESS pela Claro S. A. (31/12/2005), conforme acima demonstrado. Fl. 3886DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.887 78 Abstraindose as operações de aumento de capital da IPÊ e o ato contínuo de redução de seu capital, com a saída da Algar da sociedade, percebese que houve efetivamente uma operação de compra e venda entre terceiros independentes (Algar e Telecom) e dispêndio econômico com pagamento de sobrepreço pelas ações da TESS S.A. Ocorre que, caso Telecom Américas do Brasil Ltda. adquirisse diretamente as ações da TESS S.A. detidas pela Algar, o ágio decorrente desse investimento somente poderia ser utilizado na apuração do ganho de capital numa eventual alienação do investimento (art. 391 do RIR/99), porque a incorporação da TESS S.A. pela Telecom Américas do Brasil Ltda., ou desta pela TESS S.A. (condição para o aproveitamento do ágio, conforme art. 386, III, do RIR/99), ficaria inviabilizada em face da proibição de empresas estrangeiras possuírem o controle direto das operadoras de telecomunicações no Brasil. Além disso, a operação de compra direta implicaria para a parte vendedora (a Algar) a apuração do ganho de capital decorrente da alienação do investimento detido na TESS S.A., situação que evidentemente impactaria no preço final do negócio. Desse modo, a constituição da IPÊ serviu como justificativa jurídica que oportunizaria a não tributação do ganho de capital e a dedutibilidade futura do ágio, pois, caso a operação se desse de forma direta, teria que ser efetuada a apuração do ganho de capital e não seria possível a dedutibilidade do ágio, porquanto, ou se cairia na proibição de empresa estrangeira deter o controle direto das empresas operacionais de telecomunicações, ou, por outro lado, o ágio teria que permanecer no ativo da TAB e somente seria passível de dedutibilidade quando da alienação do investimento, o que, por razões óbvias, não ocorreria (não era intenção do grupo Telecom Américas de se desfazer posteriormente dos investimentos realizados no Brasil)”. (negritos acrescidos). De outro giro, como já se repetiu nos tópicos 3.3 e 3.4, acusações genéricas de fraude, conluio ou sonegação não podem ser aceitas para exasperar a penalidade ao patamar de 150%, mais ainda quando o Fisco apenas repete os mesmos fundamentos utilizados para a lavratura das infrações principais. Para se aplicar a qualificação da pena, deve restar comprovado e devidamente enquadrada nos autos a conduta de cada uma das partes envolvidas na lide tributária em uma das hipóteses previstas nos respectivos dispositivos legais que tratam do assunto. Em suma, quando a fiscalização não comprova e não enquadra precisamente a prática do ato em uma das hipóteses específicas previstas em lei, deve ser afastada a qualificação da multa, isto porque, como bem pontuado no Acórdão nº 1402002.373, desta C. 4 Câmara/ 2 Turma Ordinária, “acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados”. Pelas razões expostas e o que mais consta dos autos, VOTO, neste item 4.1, no sentido DAR PROVIMENTO PARCIAL para MANTER a acusação fiscal em relação à matéria de mérito e AFASTAR a qualificação da multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. Fl. 3887DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.888 79 Em suma, mantémse a glosa no valor de R$ 120.681.404,99, com aplicação de multa de ofício de 75%. Ø Item 4.2 do TVF ÁGIO REGISTRADO NA TESS S.A. COM ORIGEM NO ACERVO DA TEL PARTICIPAÇÕES S.A Mediante as seguintes operações sequenciais, a Tel Participações S/A registrou um ágio de R$ 138.726.191,00, alterandoo depois para R$ 153.505.206,50. No caso, os autos mostram que o ágio gerado decorreu exclusivamente de operações envolvendo empresas do mesmo grupo econômico, o que não é admitido nem pelas normas contábeis (CPC – Orientação Técnica CPC 02/2008)2 CFC (Resolução nº 1.110)3 e nem pela CVM (OFÍCIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP Nº 01/2007), como abaixo reproduzo (destaques acrescidos): 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. 2 “É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum)”. 3 RESOLUÇÃO CFC Nº 1.110/2007 Item 120 O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. Fl. 3888DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.889 80 Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Dizendo de outro modo, ainda que formalmente corretas as operações societárias (protocolo, justificação, etc.), o ágio nascido deste procedimento não se reveste dos requisitos que lhe dariam substância a ensejar a dedução da despesa surgida, via amortização. Ou seja, só manter aparência de regularidade não é suficiente para o reconhecimento do ágio surgido em uma determinada operação. Muito mais que isso, o que se exige é o atendimento a vários requisitos, dentre os quais, efetivo pagamento, realização entre partes independentes, etc. Como bem pontuado pela decisão de piso (fls. 3433): “Não foi o art. 22 da Lei 12.973, de 2014, que inaugurou esse entendimento. A não inclusão do benefício fiscal de amortização do ágio gerado em participações societárias entre partes dependentes apenas serviu para explicitar, no campo tributário, uma regra consensual da ciência contábil, considerando um contexto de adaptação derivado da adoção de normas internacionais de contabilidade. O ágio aqui tratado foi gerado pelo mesmo grupo econômico, mediante jogo de transferência de ações de uma controlada para outra, portanto, desde a sua origem, não dedutível”. (destacado). Adicionalmente, registrese que o laudo que buscou amparar a operação foi elaborado somente em 23/12/2015 para projetar rentabilidade para 2014. Ou seja, estáse diante de um fato sui generis: projetar “o passado”. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho a glosa de ágio presente no item 4.2 do TVF no valor de R$ 153.505.206,50. Ø Item 4.3 do TVF ÁGIO NA TEL INVESTIMENTOS LTDA. ORIGINADO DO AUMENTO DE CAPITAL COM AÇÕES DA TESS S.A. A operação que culminou com a glosa do ágio tratada neste item – R$ 49.283.136,72 – encontrase desenhada da seguinte forma, conforme TVF (fls. 1707/1708): “Em 28/02/2001, a Tel Investimentos Ltda., CNPJ nº 02.432.366/000165, aumentou seu capital mediante a emissão a emissão de 75.480.000 e 50.320.490 novas quotas totalmente subscritas e integralizadas por suas quotistas, Telia AB e Telia Overseas AB. Fl. 3889DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.890 81 O aumento de capital se deu com 75.480.000 e 50.320.490 ações ordinárias que as mesmas detinham na TESS, nos valores de R$ 75.480.000,00 e R$ 50.320.490,00, respectivamente. Decorrente desse aumento de capital, a Tel Investimentos Ltda. registrou um ágio fiscal de R$ 49.283.136,72, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, conforme demonstrativo a seguir, elaborado pela Fiscalizada: Ao receber as ações da TESS S.A. por um valor superior ao seu valor patrimonial, Tel Investimentos Ltda. registrou um de ágio de R$ 49.283.136,72 , decorrente da aplicação do artigo nº 385 do RIR/99. Em 03/04/2001, as empresas Telia AB e Telia Overseas AB se retiram da sociedade e transferem suas quotas para Tel Holdings International, LLC e José Roberto Camargo Ópice. Em 14/06/2002, José Roberto Camargo Ópice transfere sua única quota para a Telecom Américas Brasil – TAB. Em 27/09/2004, a Tel Holdings International, LLC foi incorporada pela Telecom Américas Investiments Ltd. Em 30/09/2004, a TAB transfere sua única quota para a Claro Telecom Participações S.A. e se retira da sociedade. Em 26/10/2004, a Telecom Américas Investiments Ltd. transfere as suas ações da Tel Investimentos para a Claro Telecom Participações S.A. Esta passa a ser a nova sócia da Tel Investimentos Ltda. Em 28/10/2004, a Tel Investimentos Ltda. foi incorporada pela Eriline Celular S.A., CNPJ nº 01.658.519/000124. Em 29/10/2004, a Tess S.A. incorporou a Eriline Celular S.A. Em 31/12/2005, a Tess S.A. foi incorporada pela Claro S.A., na época denominada BCP S.A. A partir de meados de 2008, a Claro S.A. começou a amortizar o ágio em questão”. Para concluir a acusação: “Constatase diante do exposto, que o ágio gerado na Tel Investimentos Ltda., em função da equivalência patrimonial em relação à TESS, tem a mesma característica daquela já apontadas em subtópicos anteriores, ou seja, o real adquirente está situado no exterior”. Tratase, pois, de matéria já enfrentada neste voto (aquisição, com ágio, realizada por sociedade estrangeira), pelo que despiciendo a ela voltar. Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.891 82 Adicionalmente, não posso deixar de destacar que, embora a D. PGFN4 e a decisão recorrida5 tenham se referido explicitamente a “ágio gerado em operações internas de empresas do mesmo grupo”, fato é que o TVF cuidou apenas de citar a aquisição por não residente6 como fato motivador da glosa da amortização. De qualquer, esta constatação em nada modifica a conclusão, ou seja, o ágio foi suportado pela legítima adquirente, empresa situada no exterior e, nessa linha, inexistiu a obrigatória “confusão patrimonial”. Consequentemente, não há ágio a amortizar, pelo que a glosa feita pelo Fisco é procedente e deve ser mantida. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e ratificar os lançamentos presentes neste tópico do TVF (item 4.3), mantendo a glosa da amortização de ágio no valor de R$ 49.283.136,72. Em síntese final e para que não haja dúvidas no entendimento e cumprimento do acórdão, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário em relação às infrações identificadas nos itens 3.3, 3.4 e 4.1 do TVF, afastando 4 Percebese aqui a mesma situação do ágio gerado nas operações que envolveram a Tel Participações, pois o aumento de capital envolveu somente empresas do mesmo grupo econômico. Tratase, a toda evidência, de mera reavaliação dos investimentos que Telia AB e Telia Overseas detinham na TESS. 5 Percebese aqui a mesma situação do ágio gerado nas operações que envolveram a Tel Participações, pois o aumento de capital envolveu somente empresas do mesmo grupo econômico. As referidas operações podem até ter cumprido com as formalidades legais, mas o ágio traz, desde a origem, o vício de ter sido gerado pelo mesmo grupo econômico. Portanto, por ter sido gerado em operações entre pessoas jurídicas ligadas e interdependentes, não atende desde a sua origem aos requisitos de dedutibilidade constantes das normas contábeis e legais. 6 “Constatase diante do exposto, que o ágio gerado na Tel Investimentos Ltda., em função da equivalência patrimonial em relação à TESS, tem a mesma característica daquela já apontadas em subtópicos anteriores, ou seja, o real adquirente está situado no exterior”. Fl. 3891DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201438 Acórdão n.º 1402002.740 S1C4T2 Fl. 3.892 83 a qualificação da multa de ofício e MANTER INTEGRALMENTE os lançamentos identificados nos itens 4.2 e 4.3 do TVF. É como voto. Brasília (DF), em 19 de setembro de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 3892DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.902598/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.902598/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.241 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente INSTITUTO DE RADIOLOGIA DE PRESIDENTE PRUDENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 25 98 /2 00 9- 51 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10835.902598/200951 Acórdão n.º 1401002.241 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10835.902598/200951 Acórdão n.º 1401002.241 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10835.902598/200951 Acórdão n.º 1401002.241 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10835.902598/200951 Acórdão n.º 1401002.241 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10835.902598/200951 Acórdão n.º 1401002.241 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10835.902598/200951 Acórdão n.º 1401002.241 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10835.902598/200951 Acórdão n.º 1401002.241 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.722385/2014-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1301-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
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O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 23 85 /2 01 4- 35 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.722385/201435 Acórdão n.º 1301002.786 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório ZENGLEIN & CIA LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada para julgar procedente a multa aplicada. Em decorrência de atraso verificado na entrega da DCTF, foi expedida Notificação de Lançamento contra a Interessada, com vistas à cobrança da multa prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004). Cientificada da exigência, a Interessada apresentou impugnação em pleiteando o cancelamento da multa, sob o argumento de que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. Em julgamento, a 15ª Turma da DRJ/RJ1, considerou improcedente a Impugnação e prolatou o acórdão, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos apresentados em sede de impugnação, e atendose aos seguintes pontos principais: Da medida extrema aplicada, com violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; Da desproporcionalidade da multa aplicada; Da redução da multa para R$500,00. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.722385/201435 Acórdão n.º 1301002.786 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.776, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 11065.721975/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.776): A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BDB e intimada ao recolhimento do débito em 12/06/2015, (ciência abertura de documento), e apresentou em 09/07/2015, recurso voluntário e demais documentos. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O presente caso trata de auto de infração e notificação de lançamento de multa por atraso na apresentação de DCTF. A base legal da aplicação desta multa consta do art. 7º da Lei 10.426/02, conforme segue: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Primeiramente, ressaltese que não se discute aqui a entrega em atraso, fato que efetivamente ocorreu. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.722385/201435 Acórdão n.º 1301002.786 S1C3T1 Fl. 5 4 A Recorrente argumenta, tãosomente, que a multa aplicada seria desproporcional e não razoável, o que violaria princípios constitucionais. Ora, verifico que a norma legal acima citada e em pleno vigor foi aplicada corretamente. Houve um atraso na entrega de uma declaração, o descumprimento de uma obrigação acessória, que ensejou a aplicação da multa. O cálculo foi realizado nos moldes legais, contandose os meses de atraso e aplicandose o percentual sobre a base de cálculo que é o montante de tributos e contribuições informados na DCTF. Com relação à aplicação da multa mínima, conforme o próprio nome diz é penalidade a ser dada nos casos em que o resultado da conta acima não alcança os R$500,00, ou seja, nesses casos, o contribuinte que entregar em atraso pagará pelo menos R$500,00, não é o caso do recorrente. O mesmo se aplica na outra ponta, ainda que o atraso se dê em mais de 10 meses, a multa máxima a ser aplicada será de 20%, não podendo ultrapassando este montante. No que tange aos argumentos trazidos relativos à ofensa aos princípios constitucionais de proporcionalidade, razoabilidade e outros, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Dessa forma, de se manter o lançamento efetuado. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto CONHECER do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000074/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/03/2007
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recuso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 00 74 /2 01 0- 54 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 16095.000074/201054 Acórdão n.º 3302005.301 S3C3T2 Fl. 266 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recuso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório Tratase de auto de infração para constituição de crédito tributário de IPI, relativo aos períodos de dezembro/2006 a março de 2007, decorrentes de aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, imunes e não tributadas, conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (efl. 139 a 142). Às efls. 121, consta informação que a recorrente ajuizou MS nº 2001.61.00.0110650, tendo como objeto o reconhecimento judicial sobre as entradas de MP, PI e ME adquiridos com alíquota zero ou isentos e, ainda, dos produtos consumidos no processo de industrialização, bem como dos produtos destinados ao ativo permanente. Em impugnação, alegou que a vedação ao creditamento de IPI nas aquisições de insumos isentos, alíquota zero ou nãotributados fere o princípio constitucional a não cumulatividade do IPI, citou doutrina e jurisprudência, afirmou que é irrelevante a destinação da mercadoria, sendo devido o crédito vinculado a saídas imunes ou tributadas à alíquota zero, alegou o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, pugnando pela sua redução e a ilegalidade dos juros de mora à taxa Selic Apreciando a defesa da empresa, a Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/03/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, além de não obstaculizar a formalização do lançamento, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, da questão de mérito submetida ao Poder Judiciário. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 16095.000074/201054 Acórdão n.º 3302005.301 S3C3T2 Fl. 267 3 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá la, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É lícita a exigência do encargo com base na variação da taxa SELIC. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, destacase que as alegações a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer desta alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 621 d Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 16095.000074/201054 Acórdão n.º 3302005.301 S3C3T2 Fl. 268 4 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mérito, o fundamento da autuação foi a escrituração indevida de créditos de IPI sobre aquisição de insumos tributados à alíquota zero, imunes e não tributadas. Ocorre que a recorrente ajuizou o Mandado de Segurança sob o nº 2001.61.00.0110650, tendo como objeto o reconhecimento judicial sobre as entradas de MP, PI e ME adquiridos com alíquota zero ou isentos e, ainda, dos produtos consumidos no processo de industrialização, bem como dos produtos destinados ao ativo permanente, segundo informações contidas no processo 10875.002415/200171, de acompanhamento da ação judicial pelo Setor de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF/Guarulhos. Em consulta processual ao site do Tribunal Regional da 3º Região, obtémse a seguinte decisão proferida: APELAÇÃO CÍVEL Nº 001106569.2001.4.03.6100/SP 2001.61.00.0110650/SP EMENTA TRIBUTÁRIO IPI INSUMOS NÃO TRIBUTADOS, ISENTOS OU COM ALÍQUOTAZERO PRODUTO FINAL TRIBUTADO COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS ADMNISTRADOS PELA SRF IMPOSSIBILIDADE. A Suprema Corte, mudando seu anterior entendimento sobre a matéria, decidiu pela inexistência de direito a crédito relativo à aquisição de produtos nãotributados, isentos ou tributados com alíquota zero. Prejudicada a questão da atualização monetária. Incabível o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de bens para compor o ativo fixo. Apelação da União Federal e remessa oficial, tida por ocorrida, providas. Apelação da impetrante prejudicada. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar provimento à apelação da União Federal e à remessa oficial, tida por ocorrida, e julgar prejudicada a apelação da impetrante, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 18 de fevereiro de 2010. NERY JÚNIOR Desembargador Federal Relator Fl. 268DF CARF MF Processo nº 16095.000074/201054 Acórdão n.º 3302005.301 S3C3T2 Fl. 269 5 Constatase, assim, a existência de concomitância em relação à alegação de possibilidade de creditamento de IPI sobre as aquisições de insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero e, portanto, deixase de apreciar o recurso nesta parte. É o que dispõe o Decreto nº 7.574/2011, consolidando as normas do Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 87: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No mesmo sentido, o art. 78, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 e a Súmula CARF nº 1: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso, aplicase o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, que assim concluiu: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Fl. 269DF CARF MF Processo nº 16095.000074/201054 Acórdão n.º 3302005.301 S3C3T2 Fl. 270 6 b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; Fl. 270DF CARF MF Processo nº 16095.000074/201054 Acórdão n.º 3302005.301 S3C3T2 Fl. 271 7 j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto nº 70.235, de 1972; l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB nº 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996. Destarte, deixase de conhecer as alegações relativas à matéria objeto da ação judicial e declarase formalmente a definitividade do lançamento no âmbito administrativo, cabendo à unidade administrativa de origem a verificação do atual andamento processual e os efeitos de novas decisões sobre a matéria em questão. Concernente à alegação da necessidade de se manter o creditamento em relação às saídas desoneradas, dela não se conhece, em razão de o lançamento ter sido fundamentado, exclusivamente, na impossibilidade de aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, imunes ou não tributados, não tendo sido alegado qualquer argumento quanto à tributação dos produtos aos quais a recorrente deu saída. Relativamente à alegação da natureza confiscatória da multa aplicada, reitera se a impossibilidade de conhecimento por este Conselho de argüições de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2 e que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% decorre da falta de recolhimento do tributo devido, conforme as disposições do artigo 80 da Lei nº 4.502/642, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1423 do CTN. 2 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16095.000074/201054 Acórdão n.º 3302005.301 S3C3T2 Fl. 272 8 . Sobre a legitimidade da taxa Selic como juros moratórios, previstos no artigo 61, §3º4 da Lei nº 9.430, de 1996, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa Selic como juros moratórios é legítima. 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 272DF CARF MF Processo nº 16095.000074/201054 Acórdão n.º 3302005.301 S3C3T2 Fl. 273 9 Diante do exposto, voto para conhecer, em parte, do recuso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 273DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.003465/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO.
As despesas com "serviços de movimentação interna, ou seja, dentro da própria empresa", de "materiais, produtos em elaboração e produtos acabados", dão direito a crédito no conceito de serviços utilizados como insumo no processo produtivo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03).
CRÉDITOS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS ADQUIRIDOS ANTES DE 01/05/2005. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
De acordo com a Súmula CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Desse modo, inviável o afastamento da vedação constante no art. 31 da Lei 10.865, de 30/04/2004, sendo legítima a glosa de créditos sobre encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004.
RATEIO PROPORCIONAL DE DESPESAS VINCULADAS À EXPORTAÇÃO.
Cumpre ao Contribuinte demonstrar eventual equívoco no cálculo do rateio, quando o lançamento se baseia nos dados por ele mesmo informados.
SOBRESTAMENTO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Não há disposição normativa que autorize o sobrestamento de Recursos em razão de julgados pendentes no Supremo Tribunal Federal, sendo certo, ainda, inexistir qualquer determinação judicial nesse sentido.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PROVA.
É incabível a realização de diligência quando inexistente dúvidas acerca do trabalho fiscal e das provas anexadas aos autos.
Numero da decisão: 3201-003.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com "serviços de movimentação interna, ou seja, dentro da própria empresa", de "materiais, produtos em elaboração e produtos acabados", dão direito a crédito no conceito de serviços utilizados como insumo no processo produtivo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03). CRÉDITOS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS ADQUIRIDOS ANTES DE 01/05/2005. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. De acordo com a Súmula CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Desse modo, inviável o afastamento da vedação constante no art. 31 da Lei 10.865, de 30/04/2004, sendo legítima a glosa de créditos sobre encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004. RATEIO PROPORCIONAL DE DESPESAS VINCULADAS À EXPORTAÇÃO. Cumpre ao Contribuinte demonstrar eventual equívoco no cálculo do rateio, quando o lançamento se baseia nos dados por ele mesmo informados. SOBRESTAMENTO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Não há disposição normativa que autorize o sobrestamento de Recursos em razão de julgados pendentes no Supremo Tribunal Federal, sendo certo, ainda, inexistir qualquer determinação judicial nesse sentido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 34 65 /2 00 6- 11 Fl. 2497DF CARF MF 2 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PROVA. É incabível a realização de diligência quando inexistente dúvidas acerca do trabalho fiscal e das provas anexadas aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1268.755, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento e declaração de compensação envolvendo crédito relativo à COFINS exportação apurada no regime não cumulativo, no período de 01/01/2005 a 31/03/2005, no montante de R$ 1.425.000,00. A Delegacia de origem proferiu o Despacho Decisório de fls. 2256/2275, reconhecendo parcialmente o direito creditório no valor de R$ 745.087,93 e homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. A autoridade fiscal registra, em síntese, que: a) Após a realização de testes de auditoria, sem identificação de distorções relevante ou vícios na documentação apresentada pelo sujeito passivo, opinamos pela manutenção do direito de crédito em relação aos seguintes itens: aquisição de bens para revenda, de bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos referentes a mão de obra de terceiros PJ, energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios, devolução de vendas e importações; b) Dentre as Notas Fiscais selecionadas relativas a serviços de transporte, constatamos que parte dos serviços referemse a “serviços de movimentação interna, ou seja, dentro da própria empresa”, conforme destacado no corpo das notas fiscais. A empresa TNT LOGISTICS LTDA era responsável por todos os serviços de Movimentação Interna da MABE, conforme Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 13804.003465/200611 Acórdão n.º 3201003.307 S3C2T1 Fl. 2.498 3 informação do contribuinte. Ressaltamos que não foi possível individualizar os tipos de produtos que foram transportados pela TNT; c) Tanto os serviços de transporte de movimentação interna (dentro da empresa) ou a transferência para outro estabelecimento ainda que da mesma empresa, não geram direito a crédito. Elaboramos a planilha de glosa dos créditos referentes a este serviço e anexamos no presente processo, conforme documento denominado “Planilha TNT”; d) Quando da realização dos nossos testes de auditoria nos encargos de depreciação do sujeito passivo, identificamos que o mesmo teve como prática usual tomar créditos de PIS e COFINS (ano base 2005) sobre encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004 (conforme Planilha de Depreciação). Tais encargos não geram direito a crédito de PIS e COFINS e foram glosados, conforme demonstramos na “Planilha Glosa de Depreciação”, tendo sido considerado como data de aquisição dos bens a data da emissão da Nota Fiscal e não a data de movimentação dos bens; e) O sujeito passivo, intimado, não apresentou a documentação pertinente para justificar os créditos lançados na DACON como crédito presumido sobre estoque de abertura, alegando não possuir controle contábil de estoque que trouxesse essa posição. Desta forma, opinamos pela impossibilidade de conceder o benefício do referido crédito; f) O sujeito passivo considerou como Receita de Exportação as Receitas decorrentes das emissões de notas fiscais das mercadorias destinadas à exportação, independentemente da sua efetiva exportação ou data de embarque. Os percentuais de exportação apresentados pelo sujeito passivo constam da planilha “Rateio de Exportação”; g) Consideramos como Receita de Exportação o efetivo embarque da mercadoria, conforme demonstrado na planilha “Novo Rateio de Exportação”; h) Após as análises feitas pela fiscalização foi apurado o crédito no montante de R$ 745.087,93. Devidamente cientificada em 09/08/2011 (fl. 2282), a contribuinte apresentou, em 08/09/2011, a Manifestação de Inconformidade anexada às fls. 2283/2308, na qual alegou, em síntese, que: a) Conforme se infere do art. 3o da Lei 10.637/2002, inciso II e IX e 10.833/2003 duas são as possibilidades de créditos de Cofins e PIS relativo a fretes: frete nas operações de venda e, apesar de não constar explicita, frete pago a pessoa jurídica domiciliada no país para o transporte de insumos necessários para a produção dos bens destinados a venda. Esta última situação foi abordada na Solução de Consulta 210/2009 pela 8a RF; Fl. 2499DF CARF MF 4 b) Os produtos transportados internamente não foram sequer individualizados pelo agente fiscal. O fato é que devem ser considerados os créditos sob análise, pois oriundos de serviços de transporte de produtos necessários à produção das mercadorias destinadas à venda, tendo em vista que tais despesas compõem o custo do produto final; c) A jurisprudência do CARF tem entendido que o conceito de insumo para fins de PIS e Cofins não se restringe à matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, mas abrange todas as atividades que compõem o custo do produto vendido; d) Assim, independente do material transportado internamente, os gastos com frete interno configuramse como insumo; e) A glosa de crédito oriundo de despesas com encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004 revelase ilegal, haja vista que a Lei 10.833/03 e 10.637/02 não condiciona o aproveitamento desse crédito a limite temporal; f) O art. 31 da Lei 10.865/2004, publicada posteriormente às Leis 10.833/03 e 10.637/02 não tem o condão de restringir os créditos em questão, porque a restrição padece de ilegalidade e inconstitucionalidade; g) Pelo princípio da igualdade ou isonomia tributária, a lei não pode discriminar contribuintes que se encontrem em situação jurídica equivalente; h) O art. 31 da Lei 10.865/2004 também acabou por incorrer em ofensa ao direito adquirido, à regra da irretroatividade da lei tributária e ao princípio da segurança jurídica; i) O agente fiscal intimou a impugnante uma única vez para apresentar documentação hábil a justificar os créditos presumidos sobre estoque de abertura e diante da dificuldade, naquele primeiro momento em localizar tais documentos, efetuou a glosa dos créditos; j) Para que a glosa seja levada a efeito, é imprescindível que haja prova clara e evidente que esses créditos não existem, o que não se verifica no caso; k) Todos os dados constantes do DACON referente ao ano calendário de 2005, a título de PIS e Cofins exportação referem se às exportações efetivamente realizadas pela impugnante; l) Por meio da decisão, não é permitida à impugnante conhecer, com o grau de detalhe necessário, as exatas divergências apuradas pela fiscalização em relação às exportações, o que inviabiliza seu pleno direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa; m) O vício material insanável impede a manutenção da glosa de créditos oriundos de receitas de exportação; n) Cita jurisprudência do CARF e do STJ em relação ao conceito de insumos; Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 13804.003465/200611 Acórdão n.º 3201003.307 S3C2T1 Fl. 2.499 5 o) Protesta por todos os meios de prova admitidos, em homenagem ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, em especial a juntada de novos documentos relacionados aos créditos indevidamente glosados; p) Requer seja acolhida a manifestação de inconformidade a fim de reformar a decisão para deferir o pedido de ressarcimento e homologar a compensação, cancelandose eventual débito fiscal reclamado. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido, sem o que não pode ser homologada a compensação efetuada. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada no prazo do recurso, precluindose o direito de o recorrente fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Fl. 2501DF CARF MF 6 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, postulando pelo reconhecimento dos créditos oriundos de (i) despesas com frete interno; (ii) encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004; (iii) crédito presumido sobre o estoque de abertura; assim como postula pelo (iv) ajuste no rateio de despesas relativos às receita de exportação. Por fim, ainda requer (v) o sobrestamento do presente Recurso Voluntário até a decisão definitiva do STF quanto à constitucionalidade do art. 31 da Lei nº 10.865/2004, ou, ainda (vi) que o feito seja baixado em diligência para maior detalhamento das glosas realizadas. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de Despacho Decisório proferido em sede de procedimento de verificação / auditoria acerca da tomada de créditos no regime não cumulativo da COFINS, no qual cerca de metade dos créditos apropriados foi glosada pela Fiscalização. Para adequado julgamento do feito, passo ao exame de cada um dos tópicos de recurso apresentados. (i) despesas com frete interno Dentre a análise dos "Serviços Utilizados como Insumos", especificamente no exame "Do Serviço de Transporte/Aquisição de serviço de Transporte", houve por bem a Fiscalização indeferir o direito ao crédito sobre os "serviços de movimentação interna, ou seja, dentro da própria empresa". Conforme consta do Despacho Decisório, esta movimentação interna compreende "os serviços de movimentação de materiais, produtos em elaboração e produtos acabados", não tendo sido feita a individualização pela Fiscalização. Assim se resume a glosa fiscal: Assim, tratase de movimentação interna, conforme descrição no “corpo” das Notas Fiscais, mas ressaltamos que não foi possível individualizar os tipos de produtos que foram transportados pela TNT. (...) Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 13804.003465/200611 Acórdão n.º 3201003.307 S3C2T1 Fl. 2.500 7 No entanto, não podem ser descontadas como créditos, do PIS/PASEP e COFINS não cumulativos, as despesas com frete, realizadas por empresa comercial, referentes ao transporte interno de mercadorias entre depósito e lojas. (Dispositivos legais: Artigo 3º, incisos I e II, da Lei 10.637/2002; artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.833/2003; artigo 66, inciso I, “b2”, e § 5º, inciso II, da IN SRF nº 247/2002; artigo 8º, inciso I, “b2”, § 4º, inciso II e § 9º, inciso I da IN SRF nº 404/2004; artigo 2º do ADI SRF nº 4/2007; e Solução de Consulta DISIT 8 nº 344, de 05/10/2009). (fls. 2263/2264) (sem destaques no original) O Acórdão recorrido manteve a glosa dos créditos ao entendimento de que "as despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda." Ou seja, a autoridade lançadora entendeu que as operações de frete realizadas pela Recorrente (movimentação interna) não podem ser entendidas como "frete na operação de venda" (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03). Já o acórdão recorrido acrescentou que tais operações também não se enquadram no conceito de insumos, tal como "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03). A Recorrente, em seu Recurso, defende a tese de que tais serviços chamados de frete de movimentação interna são enquadrados no conceito de insumos essenciais à sua atividade. A matéria em exame já foi objeto de decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais desse CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Fl. 2503DF CARF MF 8 (...) Recurso Especial da Contribuinte provido. (Acórdão 9303004.318, 3ª Turma CSRF, de 15 de setembro de 2016, Redatora designada Érika Costa Camargos Autran) Esta Turma Julgadora também já se posicionou nesse mesmo sentido, acatando o posicionamento da CSRF: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. O custo referente ao frete pago pelo transporte de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa integra a base de cálculo para o crédito previsto para a COFINS não cumulativos, sendo possível o seu creditamento. (...) (Acórdão 3201003.210, 1ª Turma Ordinária, 2ª Câmara, 3ª Seção, de 25 de outubro de 2017, Relator Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) Assim, por entender que a movimentação de produtos (insumos, bens em elaboração e produtos acabados) entre setores produtivos distintos de um mesmo fabricante, até a sua disposição final para venda, ou seja, até o estabelecimento comercial, está intrinsecamente ligada ao processo produtivo, não vejo como negar direito a tais créditos. Não há como se conceber, dentro de um complexo industrial tal como os hoje existentes, que todas as etapas de fabricação e montagens de bens ocorram dentro de um mesmo espaço físico ou, até mesmo, dentre de um mesmo estabelecimento. Há, por exemplo, industrias que produzem suas próprias chapas de metal num estabelecimento distinto daquele onde esta chapa será recortada ou moldada para utilização no produto final. E isso se dá por diversos fatores, tais como a conveniência geográfica de instalação de tais estabelecimentos ou mesmo fatores negociais, econômicos ou gerenciais, como a opção de um industrial por adquirir determinado fornecedor e passar a produzir, por sua conta, a matéria prima anteriormente adquirida de terceiros. Ou seja, é irrazoável se admitir que, enquanto a mercadoria era adquirida de terceiro, o frete entre o estabelecimento que produzia a matéria prima e o estabelecimento industrial adquirente era considerado custo integrante da produção, e deixa de sêlo no momento em que, por exemplo, aquele fornecedor se incorpora ao estabelecimento outrora adquirente. E digo isso não para passar ao largo das disposições legais que descrevem os custos da produção de dão direito ao crédito no regime não cumulativo (incisos do art. 3º da Fl. 2504DF CARF MF Processo nº 13804.003465/200611 Acórdão n.º 3201003.307 S3C2T1 Fl. 2.501 9 Lei nº 10.833/03, mas sim por interpretar, de forma lógica e jamais de forma literal os incisos II e IX do referido dispositivo: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A mim me parece, de forma clara, que o inciso IX, ao afirmar, textualmente, que, nos casos dos incisos I e II, ou seja, nos casos de serviços utilizados como insumos, aqueles decorrentes de fretes na operação de venda darão direito ao crédito, não o fez de modo o limitar o crédito sobre serviços de frete, mas, sim, de esclarecer que, inclusive o frente da operação de venda, dará direito ao crédito. Por óbvio, o que fez o legislador, por meio do inciso IX, foi clarear que o custo de produção (pressuposto a partir do qual se desenvolveu o conceito de insumo), abrange todos aqueles custos incorridos diretamente no processo produtivo, até a entrega ao consumidor. Ou seja, deixa claro que o encerramento do processo produtivo se dá com a entrega, atradição do bem produzido ao seu consumidor. Nesse sentido, oportuno transcrever o conceito de custo de produção extraído do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99): Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I – o custo de aquisição de matérias primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; Assim, não há como se conceber que, por exemplo, o transporte da chapa de metal ao setor de corte ou moldagem, a sua posterior remessa ao setor de montagem, do bem em produção ao setor de pintura, do bem acabado ao setor de embalagem e, posteriormente, ao seu centro de distribuição, onde o produto estará pronto ao consumo final, não estejam inseridos no conceito global de processo produtivo, tal como utilizado pela legislação. Pelo exposto, voto no sentido de reconhecer o direito ao crédito sobre "serviços de movimentação interna, ou seja, dentro da própria empresa", tal como descrito pelo Despacho Decisório, "os serviços de movimentação de materiais, produtos em elaboração Fl. 2505DF CARF MF 10 e produtos acabados", por enquadrálos no conceito de serviços utilizados como insumo no processo produtivo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03). (ii) encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004 A glosa em questão foi assim descrita pelo Despacho Decisório: Quando da realização dos nossos testes de auditoria, nos encargos de depreciação do sujeito passivo, identificamos que o mesmo teve como prática usual tomar créditos de PIS/PASEP e COFINS (ano base 2005) sobre encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004 (Vide documento denominado Planilha de Depreciação). Tais encargos não geram direito a crédito de PIS/PASEP COFINS e foram glosados, conforme demonstramos na planilha de cálculo denominada “Planilha Glosa de Depreciação” que anexamos ao presente Processo. Importante: Nesta consideramos como data de aquisição dos bens a data da emissão da Nota Fiscal e não a data de movimentação dos bens. (fl. 2267) Em seu Recurso, a Contribuinte apresenta razões atinentes à violação a normas constitucionais para ver resguardado seu direito à manutenção de tais créditos: Nesse aspecto, utilizo como razão de decidir o exposto no acórdão recorrido: Cumpre esclarecer, contudo, que tais questões não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois ao julgador é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional. Tal limitação decorre da disposição expressa do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), que determina que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 13804.003465/200611 Acórdão n.º 3201003.307 S3C2T1 Fl. 2.502 11 bem como do princípio da legalidade, pelo qual devem se pautar todos os atos da Administração Pública. Portanto, não existe outro procedimento possível à autoridade fiscalizadora senão glosar os créditos apurados pelo contribuinte em desconformidade com a legislação aplicável, não cabendo à autoridade julgadora administrativa avaliar a constitucionalidade de tais dispositivos. Acrescento, ainda nesta seara, a redação da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, nesse aspecto, voto por negar provimento ao pleito de manutenção de créditos apropriados sobre encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004, por expressa disposição legal. (iii) crédito presumido sobre o estoque de abertura É também objeto da lide o direito ao crédito presumido da COFINS sobre o Estoque de Abertura, assim definido pelo Despacho Decisório: O sujeito passivo declarou e/ou consignou na DACON dos 1º trimestre/2005 – na Ficha de Apuração dos Créditos da Contribuição da COFINS Ficha 12 (linha 19), “Crédito Presumido relativo a Estoque de Abertura”, durante o período 01/2005 à 03/2005, totalizaram a quantia de R$ 109.899,71 conforme abaixo descrito: (...) Para apurar a veracidade deste crédito Intimamos o sujeito passivo: 1 – Para que apresentasse a composição dos estoques existentes quando da modificação do regime – de cumulativo para não – cumulativo; 2 – Para que apresentasse a base de cálculo do crédito presumido sobre estoque de abertura que suportou os valores lançados na DACON, e sua memória de cálculo para apropriação. 3 – Para que apresentasse, a composição detalhada do Saldo do Estoque de Abertura, com os valores das respectivas aquisições e dados dos Fornecedores (CNPJ, Nome, UF). Findo o prazo da Intimação o sujeito passivo não apresentou a documentação pertinente para justificar os créditos lançados na DACON como crédito presumido sobre estoque de abertura, alegando não possuir controle contábil de estoque que trouxesse essa posição. Relatou ainda que, por ter realizado migração de Fl. 2507DF CARF MF 12 software contábil no período, suas informações ficaram prejudicadas. Diante do acima exposto, Intimamos o sujeito passivo para que elaborasse documento firmando essa impossibilidade de compor a base de cálculo dos créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre estoque de abertura. Em resposta, o mesmo elaborou o documento Intimado (Declaração) que anexamos ao presente Processo, denominado “Resposta – Estoque de Abertura”. Desta forma, opinamos pela impossibilidade de conceder o benefício do referido crédito. (fls. 2269/2270) Nesse aspecto, denotase que a matéria controvertida não é de direito, mas, sim, atinente à comprovação documental do direito postulado. E nesse sentido se fundamentou o acórdão recorrido: Assim, a natureza da relação processual própria dos processos de compensação atribui ao sujeito passivo o ônus de provar o crédito que pleiteia, não cabendo à autoridade administrativa suprir o encargo que é da pleiteante. No caso em exame, a fim de verificar a autenticidade dos valores informados no DACON, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar a composição dos estoques existentes quando da modificação do regime – de cumulativo para nãocumulativo, a base de cálculo do crédito presumido sobre estoque de abertura e sua memória de cálculo e também a composição detalhada do Saldo do Estoque de Abertura, com os valores das respectivas aquisições e dados dos Fornecedores. A interessada não apresentou os elementos requisitados e declarou em fl. 2185 não ser possível detalhar o saldo de estoque de abertura do ano de 2005 com a apresentação dos valores das respectivas aquisições e dados dos fornecedores. Embora alegue em sua defesa ter havido dificuldade, em um primeiro momento, de localizar os documentos solicitados, também por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade nada foi acrescentado aos autos com a finalidade de comprovar os valores informados no DACON. Assim, diante da impossibilidade de comprovação dos créditos presumidos sobre o estoque de abertura nos valores pretendidos, deve ser mantida a glosa efetuada. Devo acrescentar, ao exposto, que tampouco em sede de Recurso Voluntário a Recorrente apresentou qualquer meio de prova tendente à comprovação do direito postulado. Outrossim, requer seja determinada a realização de "diligência a fim de que seja verificado pela Repartição de Origem, junto aos documentos já apresentados pela Recorrente e os constantes do sistema da Recorrente e da Receita Federal, a correção dos valores de abertura do estoque". Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 13804.003465/200611 Acórdão n.º 3201003.307 S3C2T1 Fl. 2.503 13 Com a devida vênia ao requerimento formulado, tenho que o pleito da Recorrente é inócuo. Com efeito, o trabalho fiscal foi realizado com zelo e se apresenta bastante fundamentado, conforme se depreende do Despacho Decisório elaborado. Assim, tenho que a análise dos "documentos já apresentados pela Recorrente e os constantes do sistema da Recorrente e da Receita Federal" já foi levada a efeito pela Fiscalização, sendo certo que a Recorrente não logrou apresentar qualquer prova em contrário, seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em seu Recurso Voluntário. Observo que não se trata aqui de negar a aplicação do Princípio da Verdade Material, tampouco está a se falar em preclusão. É de conhecimento a veemente defesa que venho apresentando do mencionado Princípio da Verdade Material e da necessidade de se afastar a aplicação simplória da preclusão processual em sede de contencioso administrativo. Em meu entendimento, tais salvaguardas visam à proteção do princípio da legalidade estrita, segundo o qual o tributo só pode ser exigido com base em lei, devendose afastar qualquer tentativa de tributação pautada em erro ou presunção. Não obstante, é certo que a busca da verdade material deve estar pautada em, ao menos, indícios de provas acerca do direito defendido, e não em mera argumentação. E, na hipótese dos autos, tenho que a Recorrente não se desincumbiu desse ônus, sendo certo que foi instada a tanto desde o procedimento fiscalizatório e deveria, caso existente, ter apresentado tais provas ainda que em sede de Recurso Voluntário, visando a justificar a realização da diligência requerida. Pelo exposto, nego provimento ao pedido de realização de diligência e, conseqüentemente, mantenho a glosa dos créditos apropriados sobre o estoque presumido de abertura, uma vez que inexistente qualquer indício probatório acerca de sua existência e/ou mensuração. (iv) ajuste no rateio de despesas relativos às receita de exportação Nesse tópico recursal a questão a ser debatida é, também exclusivamente de fato. Veja o exposto no Despacho Decisório: A2 – DACON X SISTEMA SISCOMEX Com vistas a validar a receita de exportação informada, comparamos os dados da DACON com os valores que extraímos do Sistema DW – Siscomex Exportação da Receita Federal. Inicialmente identificamos expressivas divergências entre os dados mencionados. Intimado, o sujeito passivo esclareceu que os dados do Sistema DW continham apenas os dados das exportações embarcadas em 2.005. Assim, concluímos que o sujeito passivo considerou como Receita de Exportação as Receitas decorrentes das emissões de notas fiscais das mercadorias destinadas à exportação, Fl. 2509DF CARF MF 14 independentemente da sua efetiva exportação ou data de embarque. A3 – DA RECONSTITUIÇAO DAS RECEITAS DE EXPORTAÇAO O sujeito passivo utilizou o método da proporcionalidade das Receitas de Exportações para apurar os créditos sujeitos a ressarcimento. Assim os respectivos pedidos de ressarcimento efetuados foram baseados nos percentuais de exportação apresentados pelo sujeito passivo, conforme sumarizamos na planilha que denominamos “Rateio de Exportação”. Ocorre que consideramos como Receita de Exportação o efetivo embarque da mercadoria. Assim, reconstituímos a planilha anteriormente mencionada, conforme a planilha denominada “Novo Rateio de Exportação”. (fls. 2271/2272) Em seu recurso a Recorrente defende que tal divergência decorre apenas de um aspecto temporal, sendo que parte das exportações consideradas no momento do cálculo do rateio ocorreu em prazo superior ao considerado pela Fiscalização. Ou seja, afirma que, para fins de rateio, considerou a data em que incorridas as despesas vinculadas às exportações, e não a data em que estas exportações efetivamente ocorreram. Ocorre que aqui, mais uma vez, como ressaltado pelo Acórdão recorrido, "Caberia ao contribuinte, portanto, apresentar seus argumentos de defesa e elementos de prova capazes de sustentar os valores mensais informados no DACON a título de receita de exportação, o que, contudo, não foi providenciado." Assim, pelos mesmo fundamentos já expostos no tópico precedente, também nego provimento ao Recurso quanto ao critério de rateio utilizado pela Fiscalização. (v) sobrestamento do presente Recurso Voluntário até a decisão definitiva do STF quanto à constitucionalidade do art. 31 da Lei nº 10.865/2004 Não há disposição normativa que autorize o sobrestamento de Recursos em razão de julgados pendentes no Supremo Tribunal Federal, sendo certo, ainda, inexistir qualquer determinação judicial nesse sentido. (vi) que o feito seja baixado em diligência para maior detalhamento das glosas realizadas. Consoante razões já expressas no presente voto, de forma individualizada para cada um dos grupos de glosas controvertidos, nego o pedido de realização de diligência. Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 13804.003465/200611 Acórdão n.º 3201003.307 S3C2T1 Fl. 2.504 15 Por todo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO apenas para acatar o direito ao crédito sobre os serviços de movimentação interna, utilizados como insumo no processo produtivo Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 2511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690280/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/12/2007
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação.
CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA.
Considera-se confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.
Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente não-homologação das compensações pleiteadas.
Numero da decisão: 3302-005.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 14/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/12/2007 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA. Considera-se confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente não-homologação das compensações pleiteadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. José Renato Pereira de Deus - Relator. EDITADO EM: 14/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/12/2007 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 02 80 /2 00 9- 76 Fl. 133DF CARF MF 2 EDITADO EM: 14/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ/SP1, que manteve a não homologação do DCOMP, apresentada pela contribuinte recorrente, tendo em vista a constatação de não existência do crédito alegado. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: "1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP n°35149.22964.141008.1.3.040915) em 14/10/08, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo As fls. 6/10. Nesta declaração, pretende o Contribuinte guitar os débitos declarados As fls. 9, no valor total de R$ 218.298,71, com supostos créditos (R$ 293.213,42) decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF de 20/12/2007, no valor de R$ 810.654,95 (código de receita: 5856). 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório de fls. 1, no qual pronunciouse pela não homologação da compensação declarada diante da inexistência do crédito do Contribuinte. 3. Cientificado em 05/11/09 (fls. 5) da solução dada A declaração de compensação apresentada, o Contribuinte, por seu representante legal, interpôs, tempestivamente conforme fls. 91, a Manifestação de Inconformidade de fls. 11/14, em 07/12/09, com a juntada de documentos de fls. 15/90 (documento do Representante; Procurações; Alteração e Consolidação de Contrato Social do Contribuinte e de empresa representante; cópias da PER/DCOMP e do Despacho Decisório; planilhas demonstrativas; cópia da DCTF retificadora), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. De acordo com o principio da verdade material que rege o procedimento administrativo, a Administração deve buscar o que é realmente a verdade, não ficando adstrita apenas As provas e aos documentos apresentados pelas partes no de processo administrativo. 3.2. A Autoridade Fiscal, ao decidir pela nãohomologação do direito creditório da Requerente, fundamentou de forma singela o DespachoDecisório, deixando de se aprofundar sobre a questão da inexistência desse direito. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.690280/200976 Acórdão n.º 3302005.192 S3C3T2 Fl. 3 3 3.3. Também, o despacho decisório deve ser reformado em razão do crédito compensado (COF1NS) ser liquido e certo, conforme se depreende da leitura da DCTF retificadora, enviada em 04/12/09 para correção de erro de fato, e demais demonstrativos anexados A Manifestação de Inconformidade. 3.4. Nesses termos, requer o cancelamento do despacho decisório e a homologação da compensação e a consequente extinção do crédito tributário." O Acórdão 1629.808, da 13ª Turma da DRJ/SP1, Sessão de 23 de fevereiro de 2011, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, recebendo a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/12/2007 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Fl. 135DF CARF MF 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há indicação de questões preliminares, razão pela qual passase diretamente ao mérito. I Do Crédito do Contribuinte Sustenta, invocando o princípio da verdade material, que os créditos lançados no DCOMP, estariam demonstrado nos documentos acostados aos autos. Segundo seu entendimento, a correção de informações apresentadas em DCTF, digase, após o recebimento da intimação do despacho decisório que não reconheceu o direito pleiteado, observese: "Sendo assim, a correção das informações anteriormente dispostas na DCTF, que são decorrentes de erros no preenchimento, que resultaram num indevido indeferimento da compensação pretendida, traduzemse como a maneira mais adequada de coroar o principio da verdade material, e refletir a realidade dos fatos, como forma evidenciar a existência dos créditos declarados e, negar provimento a Manifestação fundamentada na correção das informações, caracterizase como afronta a um dos princípios que norteiam o processo administrativo federal." No que tange a possibilidade de se realizar a retificação da DCTF, temos que tal fato é permitido pelas normas tributárias que disciplinam o assunto, destacando os dispositivos trazidos pela IN RFB nº 1.110/2010, donde destacamos o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.690280/200976 Acórdão n.º 3302005.192 S3C3T2 Fl. 4 5 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] (grifos não originais) Assim, conforme podemos observar, tanto a Administração Tributária, neste caso de ofício, quanto o próprio contribuinte podem retificar os valores informados na DCTF, desde que seguidos os parâmetros estabelecidos na norma mencionada. Pois bem. No que tange à possibilidade de compensação espontânea realizada diretamente pelo contribuinte, temos que há a necessidade de se promover tal procedimento, obedecendose o disposto no art. 170, do CTN, bem como o que esta disciplinado pelo art. 74, da Lei nº 9.430/96. Observemos os dispositivos indicados: Art. 170 CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 137DF CARF MF 6 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 74, Lei nº 9.430/76 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas no incisos I a III do art. 165 do CTN. Vale lembrar ainda que por se tratar de pedido de compensação de créditos por parte do próprio contribuinte, a este cabe a prova de seu direito, nos exatos termos do que disciplina o art. 373 do Código de Processo Civil: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) No caso em tela, mesmo entendendo a possibilidade de retificação da DCTF após o recebimento da notificação do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação, não foram trazidos aos autos os documentos que comprovariam as informações apresentadas na DCTF retificadora. Conforme se verifica dos autos do processo, a contribuinte recorrente teve a oportunidade de juntar tais documentos e não o fez. Não há que se falar em ferimento ao direito ao contraditório e à ampla defesa, vez que, foram garantidos à contribuinte recorrente, como o fez, a oportunidade de se manifestar por meio de peças de defesa para a comprovação de seu direito, momento em que poderia requerer a juntada de todos os documentos que entenderia pertinentes a comprovação de suas alegações. Certo está que, em que pese a possibilidade de carrear aos autos os documentos que lhe garantiriam o direito à compensação, não o fez, bastouse a fazer alegações genéricas, tentando imputar a falta de apresentação de documentos ao fisco, o que, como demonstrado pela legislação acima mencionada, não se faz aceitável. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.690280/200976 Acórdão n.º 3302005.192 S3C3T2 Fl. 5 7 Dessa forma, a falta de apresentação de documentos que comprovariam o erro na confecção da DCTF, alegado pela recorrente, fato esse que embasaria a confecção da retificadora, não pode ser considerada a compensação pleiteada. II Conclusão Por todo o exposto, voto por reconhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto, negarlhe provimento, mantendose em sua totalidade a decisão de piso. É como voto. Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 139DF CARF MF
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