Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10314.727088/2014-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 06/10/2014
DANO AO ERÁRIO - PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA
PAPEL IMUNE - ALCANCE
A Imunidade Tributária de que trata o artigo 150, IV, alínea "d" da Constituição Federal, está vinculada à natureza do papel, ou seja, sua potencial utilização e também à aplicação do mesmo, ou seja sua real utilização. Não há imunidade se o papel não pode ser destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, e a imunidade deixa de existir no caso de aplicação diversa do que previsto neste dispositivo legal.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
O interesse comum indicado no artigo 124, I do CTN, que obriga solidariamente as pessoas, não decorre do interesse econômico no resultado, assim entendido o proveito da situação que constituí o fato gerador, mas sim da solidariedade jurídica, que decorre da realização conjunta da situação que constitui o fato gerador.
Súmula CARF nº 2:
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recursos voluntários e de ofício negados.
Numero da decisão: 3402-003.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários e de ofício.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 06/10/2014 DANO AO ERÁRIO - PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA PAPEL IMUNE - ALCANCE A Imunidade Tributária de que trata o artigo 150, IV, alínea "d" da Constituição Federal, está vinculada à natureza do papel, ou seja, sua potencial utilização e também à aplicação do mesmo, ou seja sua real utilização. Não há imunidade se o papel não pode ser destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, e a imunidade deixa de existir no caso de aplicação diversa do que previsto neste dispositivo legal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA O interesse comum indicado no artigo 124, I do CTN, que obriga solidariamente as pessoas, não decorre do interesse econômico no resultado, assim entendido o proveito da situação que constituí o fato gerador, mas sim da solidariedade jurídica, que decorre da realização conjunta da situação que constitui o fato gerador. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recursos voluntários e de ofício negados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10314.727088/2014-34
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5588752
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.011
nome_arquivo_s : Decisao_10314727088201434.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10314727088201434_5588752.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários e de ofício. Antônio Carlos Atulim - Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6374372
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418260090880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2109; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3.477 1 3.476 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.727088/201434 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3402003.011 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria DANO AO ERÁRIO PENA DE PERDIMENTO Recorrentes TBLV COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPEIS LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/10/2014 DANO AO ERÁRIO PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA PAPEL IMUNE ALCANCE A Imunidade Tributária de que trata o artigo 150, IV, alínea "d" da Constituição Federal, está vinculada à natureza do papel, ou seja, sua potencial utilização e também à aplicação do mesmo, ou seja sua real utilização. Não há imunidade se o papel não pode ser destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, e a imunidade deixa de existir no caso de aplicação diversa do que previsto neste dispositivo legal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA O interesse comum indicado no artigo 124, I do CTN, que obriga solidariamente as pessoas, não decorre do interesse econômico no resultado, assim entendido o proveito da situação que constituí o fato gerador, mas sim da solidariedade jurídica, que decorre da realização conjunta da situação que constitui o fato gerador. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recursos voluntários e de ofício negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários e de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 70 88 /2 01 4- 34 Fl. 3477DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.478 2 Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa TBLV COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPEIS LTDA., no valor de R$ 198.650.588,13 ( Cento e noventa e oito milhões, seiscentos e cinqüenta mil, quinhentos e oitenta e oito reais e treze centavos), com fundamentação legal no §3º do art. 23 do Decreto 1.455/73. Segundo Relatório Fiscal (fls. 8/177) que acompanha o Auto de Infração, a autuação é a conclusão da ação fiscal desenvolvida pela DELEX São Paulo, que no seu desenrolar apurou um esquema fraudulento de desvio de papel importado com imunidade, sancionável com a pena de perdimento nos termos do artigo 689, Inciso XI do Decreto 6.759/2009. Nestes autos foi aplicada a multa referente ao valor aduaneiro da mercadoria uma vez que a mercadoria sujeita a pena de perdimento não foi localizada, e no processo 10314.727087/201490 foi lavrado auto de infração para cobrar os impostos não pagos (II e IPI) e a multa de 150,00% prevista no art. 44, parágrafo primeiro da Lei 9.430/1996. O Relatório Fiscal anexo ao Auto de Infração, resume o esquema. A empresa TBLV (matriz e filial) importou papel ao abrigo da imunidade a que se refere o art. 150, VI, d, da Constituição Federal, "tendo se utilizado de fraude e simulação com fins especifico de desviar a finalidade constitucional do referido papel". A peça fiscal historia a constituição e alterações societárias da empresa. As atuais sócias da autuada são as empresas estrangeiras SUN INVEST LLC e ATLANTIC BUSINESS LLC, estando ambas situadas no estado americano de Delaware. Pontua a agente fiscal que este estado "é sabidamente utilizado por muitas empresas 'laranjas', por ser considerado um paraíso fiscal, onde não há tributação de não residentes e, também, por privilegiar o sigilo das informações quanto aos sócios". Na sequência, afirma que "estas estruturas de empresas criadas em paraísos fiscais e que são as sócias controladoras de empresas aqui no Brasil, são comuns em casos envolvendo blindagem patrimonial e lavagem de ativos. Concentrando seus recursos no exterior, não mantém patrimônio no país onde realmente atuam, evitando assim uma eventual execução fiscal." Fl. 3478DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.479 3 O Sr. Mauro Vinocur se apresentava como diretor comercial da autuada, conforme se constata do doc. 5. Em pesquisas aos sistemas da RFB foi identificado que aquele possui/possuiu participação societárias em várias empresas. Ressalta que em relação às empresas Editora Par do Brasil Ltda. e Gabigraf Participações Ltda. tinham como sócios Rubens e Roberto Matuoka, irmãos de Ieda Maria Matuoka, a qual consta como administradora das empresas TBLV e COMARK, as quais, acredita o Fisco, "tem todos os motivos para acreditar que o verdadeiro sócio seja Mauro Vinocur". O doc. 6 anexo, mostra duas procurações obtidas junto ao 13º Tabelião de Notas de SP, em que este outorga amplos poderes a Ieda Matuoka para, isoladamente representar as empresas Interpaper e Advalorem. O Fisco, mediante autorização judicial para compartilhamento (doc 9), teve acesso a documentos do MPF nos autos da ação judicial 001493031.2013.403.6181, concluindo que: O referido processo traz uma série de informações úteis a nossa fiscalização, uma vez que identifica um engenhoso esquema montado para desviar papel imune, tendo levado à quebra de sigilo bancário e sequestro de bens de diversas empresas e pessoas físicas ligadas ao esquema criminoso, dentre elas a empresa TBLV e a COMARK COBRANÇAS, a primeira objeto deste Auto de Infração e a segunda possuidora do mesmo quadro societário da TBLV e que participava de todo o esquema fraudulento que será detalhado ao longo deste Relatório. ...Além disso, durante a resposta dos bancos às quebras de sigilo bancários obtidas pela RFB, os Bancos Safra e Modal trouxeram elementos que demonstram cabalmente que Mauro Vinocur, em que pese não constar como sócio ou procurador das empresas fiscalizadas TBLV e COMARK, vem a ser o único controlador e real beneficiário das empresas offshore ATLANTIS BUSINESS LLC, SUN INVEST LLC e LA INVESTMENTS & ASSOCIATES, às quais constam oficialmente como sócias estrangeiras investidoras da TBLV e COMARK. Diante de tais evidência, concluiu a fiscalização que "não resta dúvida de que Mauro Vinocur é sócio oculto da TBLV, tendo se utilizado de empresas offshore para ocultar esta relação de propriedade". O esquema fraudulento funcionava nos termos da figura abaixo: Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.480 4 Segundo Relatório Fiscal o esquema era operacionalizado da seguinte forma: 1. Uma empresa importadora (Y) possuidora do RE para importar papel imune efetuava importações deste tipo de papel com imunidade dos impostos (imposto de importação e IPI vinculado à importação). No caso dos autos esta importadora era a TBLV, mas, posteriormente ela foi substituída por outras; 2. Após efetuar o desembaraço e nacionalização das mercadorias, estas normalmente eram enviadas para um armazém, com a emissão de Notas Fiscais de remessa para depósito; 3. A empresa importadora emitia Nota Fiscal de Venda do papel imune para uma empresa de fachada, possuidora do RE (noteira W), porém a mercadoria não ia efetivamente para esta empresa, continuava armazenada no depósito. Estas empresas não apresentam movimentação financeira ou quando apresentam não cobrem nem suas compras. Elas fazem parte do "esquema" e têm a função de ocultar a empresa importadora e de distribuir fraudulentamente a carga (papéis imunes) para o mercado nacional; 4. Empresas clientes (Z), que não dariam finalidade constitucional aos papéis, compravam tais materiais importados, diretamente através da empresa importadora (Y), mas recebiam a mercadoria com a Nota Fiscal de venda emitida por uma outra empresa de fachada (noteira X). Esta operação era tributada e a respectiva Nota Fiscal de venda ainda servia de crédito (indevido) para o ICMS, PIS e COFINS; 5. A mercadoria era enviada diretamente do armazém para o cliente final e aquele emitia uma Nota Fiscal de Retorno de Mercadoria de Armazém para a empresa importadora (Y); Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.481 5 6. O pagamento da venda da mercadoria não era feito à empresa de fachada (noteira X) emitente da Nota Fiscal de venda, mas diretamente à empresa importadora (Y) ou a empresa de cobrança por ela indicada, como a COMARK (C); 7. O dinheiro do pagamento recebido pela TBLV (Y) ou pela empresa de cobrança (C) não era contabilizado, tampouco declarado. Nenhum tributo era efetivamente recolhido. Este dinheiro, proveniente da atividade ilegal de venda de mercadoria descaminhada, era simplesmente ocultado das autoridades competentes (caixa 2); 8. O acerto contábil, visando justificar a baixa no estoque do papel vendido para o atacado era feito através da simulação da venda do papel imune às empresas de fachadas detentoras do RE (noteira W passo 3), que, em tese, dariam destinação constitucional a este papel. Estas empresas somente apresentam registros da "compra" dos papéis, mas não da sua "venda" ou, quando possuem “vendas”, estas são em valores muito inferiores aos valores de compra e também, são feitas com o destaque dos impostos. Ademais, não possuem movimentação financeira e capacidade econômica para as aquisições realizadas; 9. Uma pequena parcela dos papéis importados era faturada para gráficas que efetivamente dariam o destino constitucional aos papéis. O Sr. Adalberto Thomazini, consoante Termo de Declaração (doc. 33 fls. 556/567) foi sócio da Interpaper e um dos principais braços direitos do Sr. Mauro Vinocur nas operações tratadas neste Relatório. O GFRAU/DIFIS08 tomou o depoimento do mesmo, onde o depoente entrega todo o esquema aqui demonstrado, com a participação do Mauro, Ieda, Roberto Matuoka, Alexandre e de diversas empresas anteriormente citadas. Este depoimento é de fundamental importância para que se entenda a forma de operação do grupo. As empresas noteiras X e W, se sucediam no tempo com vida curta e apresentam quadro societário composto por interpostas pessoas. O esquema abaixo demonstra o fluxo de utilização de cada noteira X, as quais não poderiam ser utilizadas por muito tempo sem chamar a atenção. Em várias dessas empresa, o contator era o mesmo: Sr. Armando Antônio Nazzato. Durante a fase de fiscalização empreendida, a fiscalização se deparou com elementos que apontavam que o Sr. Mauro Vinocur seria o real beneficiário e único controlador do grupo e era ele quem controlava boa parte das empresas de fachada. No item 3.5 do Relatório Fiscal, a fiscalização demonstra, uma a uma, a relação destas empresas com a autuada, e que várias delas apesar do movimento milionário constante dos documentos fiscais, estavam inativas ou sequer apresentavam movimentação financeira no período ou irrisório. Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.482 6 No quadro abaixo, verificase a utilização das noteiras W ao longo do período fiscalizado (julho/2010 a dez/2012): Conforme mencionado, as empresas importadoras “Y” precisavam registrar contabilmente a venda das mercadorias importadas com imunidade, já que as vendas reais eram realizadas com a emissão das Notas Fiscais pelas empresas noteiras “X”. Desta forma, as empresas importadoras “Y” normalmente utilizavam o recurso de emitir Notas Fiscais de venda para as empresas noteiras “W”, que na verdade não chegavam a receber as mercadorias e não efetuavam o pagamento por estas vendas. Do total de 203 clientes, a fiscalização percebeu que 13 clientes foram responsáveis pela "aquisição" de 87,5%, conforme quadro abaixo: No item 3.7 do Relatório Fiscal a fiscalização conclui, em suma, que a grande maioria desses clientes não apresentava situação econômicofinanceira para adquirir as mercadorias; alguns deles, apesar de aparentemente possuir capacidade econômicofinanceira, adquiriram o papel e o desviaram de sua finalidade, com o conhecimento da TBLV e de Mauro Vinocur ou nem mesmo receberam estas mercadorias; assim como no caso das noteiras de fachada “X”, também as empresas de fachada “W” foram utilizadas de formas diferentes ao longo do tempo, com o controle ou não de Mauro Vinocur; várias empresas foram constituídas Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.483 7 ou tiveram alteração de sócios em datas muito próximas; existe uma semelhança do quadro societário de algumas empresas, sem que os sócios tenham capacidade econômicofinanceira suficiente; algumas empresas não apresentaram nenhuma movimentação financeira em instituições bancárias e, as que apresentaram alguma, estas foram incompatíveis com os valores transacionados; boa parte dos sócios destas empresas quando chegavam a apresentar Declaração de Imposto de renda pessoa física (DIRPF), declaravam rendimentos recebidos de pessoas físicas, e não das empresas das quais eram sócios; e praticamente todas as empresas não possuíam empregados registrados e seus sócios não faziam retiradas de prolabore, apesar dos valores elevados de suas supostas operações. Entre as fls. 608 a 724, a fiscalização analisa todas as empresas "noteiras W", inclusive com fotos, onde resta perfeitamente demonstrado que estamos diante de empresas de fachada. Já a utilização dos armazéns (item 3.6 do Relatório Fiscal), para os quais os papeis eram enviados após desembaraço, o esquema era o seguinte: O armazém A.G.I. Armazéns Gerais e Logística Integrada Ltda (CNPJ 03.393.445/000177) foi utilizado pela TBLV no período de dez/2011 a dez/2012, e está localizado em Diadema. As NFe emitidas pela AGI, de “RETORNO DE MERCADORIA DEPOSITADA EM DEPOSITO FECHADO OU ARMAZEM GERAL”, para a TBLV (doc 35 arquivo não paginável) permitiram à fiscalização confirmar todo o método da fraude e como era feito o trânsito das mercadorias. Em várias delas, o campo “Observações” continha detalhes referentes aos clientes para os quais estavam sendo entregues e os números das Notas Fiscais não foram emitidas pela TBLV, mas sim pelas empresas noteiras “X”, conforme relatado. Exemplo à fl. 600. O armazém ATN Logística Ltda. (CNPJ 68.913.482/000104) foi utilizado pela TBLV no período entre outubro/2010 a setembro/2011, e está localizado em Santo André. Esclarecedor para entender como o esquema funcionava, e confirmar o controle do Sr. Mauro Vinocur sobre todas as suas etapas, foi o depoimento de um dos sócios deste armazém, o Sr. Devanilson Sanches Parada e documentos entregues por este Armazém, ambos obtidos pelo GFRAU/DIFIS08, em face do MPFD nº 0811400.2013.0014900 (doc. 38 Declarações e documentos ATN), parcialmente reproduzido às fls. 603/605. Também neste depoimento foram citados os nomes de Roberto Matuoka, Ieda Matuoka e Adalberto Thomazzino, já referenciados. Por fim, o armazém Transportadora & Logísitca G.R.F. Ltda. (CNPJ 09.438.885/000180) foi utilizado no período de julho a agosto de 2010, o qual está localizado na Rod. Anhanguera, km. 37,5, bloco 12, Cajamar/SP. Salientou o Fisco que quando houve a Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.484 8 saída dos sócios originais, em 2012, ingressaram na sociedade José Benedito Adriano e Nélson Silva Costa, os quais são os sócios das empresas do grupo Roma, principal grupo das noteiras de fachada W, utilizadas pela autuada para dar ares de legalidade às suas vendas (item 3.7.1 a 3.7.3 do Relatório Fiscal). Informa a fiscalização que quando diligenciou no endereço da TBLV foram encontradas duas folhas de pagamento desse armazém, constituindose em mais um indício de que esse armazém também era controlado pela TBLV e Mauro Vinocur. No item 4 do Relatório Fiscal está descrita a ação fiscal. O Termo de Início do procedimento fiscal foi enviado via postal para o endereço constante no cadastro da RFB como sendo o domicílio fiscal do contribuinte. Como a fiscalização já tinha conhecimento de que outras intimações enviadas pela Difis08 retornaram com a informação "mudouse", na mesma data foi enviado, igualmente, o Termo de Início para o endereço da administradora da empresa, sra. Ieda Maria Mitiko Matuoka (doc 86). A intimação à sede da TBLV retornou com a informação "mudouse", porém a enviada à sra. Ieda Matuoka foi recebida em 21/03/2014. Esta pediu dilação do prazo para apresentação da documentação solicitada, tendo o Fisco deferido o prazo de 5 dias para documentos referente a registros fiscais obrigatórios (itens 1 a 10), e 30 dias para os demais itens. Informa a fiscalização que em 14/05/2014 a sra. Ieda solicitou prorrogação do prazo, ressaltando que em nenhum momento ela "procurou entrar em contato com esta fiscalização para explicar os motivos do não atendimento à intimação". Não atendida a intimação, foi a empresa intimada por edital (doc 95) afixado à dependência do CAC da Delex, tendo a intimação ficta ocorrido em 11/07/2014, sendo que até a lavratura do auto de infração "não houve nenhum contato ou resposta da TBLV. Assim, afirma a fiscalização, "todos os dados utilizados para esta fiscalização foram obtidos: nos sistemas da RFB e da NFe; na diligência realizada no endereço cadastrado da empresa; e de depoimentos tomados ". IMPORTAÇÕES DA TBLV Relata o Fisco: Através do sistema DW Corporativo – Visão Aduaneira, efetuamos o levantamento de todas as importações realizadas pela TBLV (matriz e filial) no período de Julho/2010 a Dezembro/2012. Esta pesquisa buscou não somente as DI em que a TBLV atuou como importador direto, mas também as em que constava como adquirente da DI. Foram encontradas 512 (quinhentas e doze) importações entre Julho/2010 e Dezembro/2011. Não foi encontrada nenhuma importação após 2011. Estas importações foram realizadas conforme abaixo: Como podemos notar, descontandose as admissões em entreposto, 98,7% em valores CIF R$, das importações da TBLV foram realizadas com Imunidade Tributária dos impostos. A partir de agora iremos analisar somente estas importações, pois, além de corresponderem a quase totalidade, estas foram as importações abrangidas por esta fiscalização. Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.485 9 Todas as importações realizadas pela TBLV foram de mercadorias classificadas no Capítulo 48 da NCM (Nomenclatura Comercial do Mercosul). Este é o capítulo destinado aos papéis. Ou seja, a TBLV apenas importava papel e, como declarava a grande maioria “imune” a tributação dos impostos, estes deveriam ter a destinação constitucional própria para este tipo de papel, que seria sua utilização em livros, jornais ou periódicos. Como é possível verificar nos Extratos das DI <100. Extratos de DI>, a descrição das mercadorias utilizada pela TBLV contém sempre: descrição idêntica a constante na tabela da NCM, seguida da gramatura e do tamanho do papel, contendo algumas vezes a marca. Conforme determina a legislação, para a entrada de mercadoria importada no estabelecimento do importador, é necessária a emissão de Nota Fiscal de Entrada por este importador. Assim, para cada DI a TBLV emitia uma NFe de Entrada <97. NFe Entrada TBLV>. E nestas últimas, referenciava a que DI estava vinculada (no campo Observações), o que nos permitiu efetuar a vinculação entre as DI e NFe de entrada <98.DI x NFe Entrada TBLV>. Foram extraídas do ReceitanetBx as NFe de entrada da TBLV, e obtidas as informações conforme a tabela apresentada abaixo. Apesar das NFe utilizarem descrições mais simples, facilitando o trabalho de consolidação de cada tipo de papel importado, eram utilizados, muitas vezes, códigos de mercadorias diferentes para as mesmas descrições. Desta forma, foi necessária a criação de coluna na tabela extraída do ReceitanetBx, denominada “Nosso Código”, que nos permitisse consolidar as mercadorias importadas e, posteriormente, comparar com as mercadorias descritas nas NF e de saída da TBLV. Abaixo segue um exemplo de parte da tabela das NFe de entrada, extraída do ReceitanetBx, contendo apenas algumas NFe do “CARTAO TP 230 GR 66X96”, em que é possível verificar a utilização de diferentes códigos de mercadoria. Algumas vezes, na descrição era adicionado o nome do armazém no qual seria depositado. Esta consolidação em códigos únicos (Nosso Código) foi feita para todos os tipos de papel importados, tendo sido acrescida a coluna na tabela extraída do ReceitanetBx <97.NFe Entrada TBLV>. Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.486 10 VENDAS FICTÍCIAS DA TBLV Relata a fiscalização: Conforme já detalhadamente descrito no Item 3 deste Relatório a TBLV se utilizou de um esquema montado pelo seu controlador oculto, o Sr. Mauro Vinocur, para desviar a finalidade constitucional do papel importado com essa finalidade e que, por isso, usufruía da imunidade tributária prevista na nossa Constituição. Uma das etapas deste esquema consistia em emitir NF de saída para as noteiras de fachada “W” ou notas fictícias para empresas que existiam de fato, mas que não recebiam estas mercadorias ou que efetuariam desvio da finalidade, com o conhecimento da TBLV. Estas empresas foram citadas, uma a uma, no item 3.7 deste Relatório. Apesar de praticamente todas estas empresas possuírem o Registro Especial, o que, teoricamente, isentaria a TBLV da responsabilidade pelo desvio da finalidade, conforme preceitua o §1º do art. 1º da Lei 11.945/2009, o fato de o esquema ter sido todo montado e controlado pela TBLV, na figura de seu sócio Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.487 11 oculto Mauro Vinocur, fez com que esta isenção perdesse o efeito, já que as operações efetuaramse através de um esquema fraudulento. Extraímos todas as NFe de Saída da TBLV, no período de Julho/2010 a Dezembro/2012. A partir da planilha obtida <34. NFe saída TBLV>, separamos as vendas tributadas das não tributadas. Isto nos permitiu chegar à proporção de aproximadamente 98,5% das vendas não tributadas, o que é compatível com a quantidade de importações imunes (98,7%): Trabalhamos apenas com as operações não tributadas e, nelas, procuramos identificar, a partir da descrição de cada uma das mercadorias, os códigos correspondentes. Mais uma vez aqui, a TBLV utilizavase de diversos códigos diferentes para mercadorias idênticas e, por esse motivo, a correlação foi realizada utilizandose os mesmos códigos por nós criados para as NFe de entrada (Nosso Código), a fim de facilitar a correlação entre as entradas e saídas das mercadorias. Na planilha das NFe de saída <34. NFe TBLV>, criamos, então, a coluna “Nosso Código”. ... Assim, fica claro que, ao não dar a destinação prevista na Constituição (regulamentada pelo Decreto 6.759/2009) são devidos os impostos incidentes na importação de mercadorias (Imposto de Importação e IPIvinculado à importação). Como já mencionado repetidas vezes neste Relatório, apesar de a TBLV destinar uma pequena parcela das suas importações para vendas a clientes existentes de fato e que dariam destinação constitucional ao papel, a grande maioria de suas vendas seriam feitas a clientes finais que não teriam direito a imunidade constitucional, com o conhecimento e orquestração da própria da TBLV. Desta forma, as importações realizadas para atenderem a estes últimos clientes deveriam ter sido realizadas com o pagamento dos impostos que, por isso, estão sendo cobrados através deste Auto de Infração. Considerou a fiscalização que "a TBVL era a responsável pelas importações das mercadorias que posteriormente seriam distribuídas fraudulentamente no mercado interno"; que "IEDA MARIA MATUOKA era a administradora legalmente designada pela TBLV e, alem disso, era de fato a diretora financeira de todo o grupo, que envolvia não só a TBLV, mas também outras empresas como a COMARK..."; que MAURO VINOCUR era o verdadeiro dono, gerente e gestor da empresa TBLV" e que "ARMANDO ANTÔNIO NASSATO era o principal contador do grupo", sendo que por meio deste "foram criadas diversas empresas de fachada, tanto as do pólo X quanto do pólo W". Em face de tal as pessoas físicas mencionadas, ante a conduta descrita, foram colocadas pelo Fisco no lançamento como responsáveis solidários. Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.488 12 Por fim, conclui o fisco: Conforme demonstrado nas análises anteriores, concluiuse que houve desvio de papel importado com imunidade prevista no art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal, e que tal desvio ocorreu de forma fraudulenta. Assim, lançamos os tributos que deixaram de ser recolhidos pela utilização indevida do benefício juntamente com os acréscimos legais, utilizandose de multa qualificada em virtude da fraude. Impugnado o lançamento pelo sujeito passivo e pelos responsáveis solidários, a 11ª Turma da DRJ/SPO, em 27/03/2015, manteve o lançamento, mas excluindo a responsabilidade solidária passiva de Armando Antonio Nazzato, do que recorreu de ofício (fls. 3.217/3.245). Não resignados com a r. decisão, o sujeito passivo e os responsáveis solidários recorreram da mesma. A empresa alega (fls. 3.377/3.394), em suma: a) a nulidade do lançamento em razão da insuficiência das provas coligidas aos autos para provar infração à legislação tributária e também pelo raciocínio presuntivo não respaldado por lei, bem como sustenta suas razoes na atividade plenamente vinculada da Administração Tributária, conforme art. 142 do CTN; b) alega inexistir prova de que os papeis eram inservíveis para a impressão de livros, jornais e periódicos; c) aduz que a fraude nas importações e a fraude nas operações internas são coisas distintas e não restaram provadas a contento; d) no mérito, diz que a imunidade constitucional é objetiva e incondicionada, sendo irrelevante para fins de aplicação da regra imunizante que o papel tenha sido efetivamente utilizado na confecção de livro, jornal ou periódico posto que entende que a imunidade constitucional afasta a incidência tributária; e) relata que vendeu papel com dimensões e composições próprias para a impressão de livros e periódicos, o que atenderia a norma constitucional; f) pugna ainda pela redução da penalidade, sob pena de ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. O recurso voluntário do Sr. Mauro Vinocur (fls. 3.319/3.342), responsável solidário, resumese nos seguintes termos: a) Argui nulidade do termo de sujeição passiva solidária considerando a ausência de provas eis que a autuação está embasada tãosomente em presunções bem como sustenta suas razoes na atividade plenamente vinculada da Administração Tributária, conforme art. 142 do CTN; b) Alega inexistir provas de sua participação na ocorrência do fato gerador ou de seu envolvimento ou vínculo gerencial ou societário com a TBLV nas ações indicadas pela fiscalização; Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.489 13 c) Aduz que o motivo do ato administrativo está viciado, posto que entende que a pretensão fiscal está apoiada apenas em presunções, e que o lançamento feriu o art. 142 do CTN quando não comprovou o envolvimento da recorrente na relação jurídica; d) Defende a inaplicabilidade dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN considerando que somente contribuintes podem ser considerados solidários com fulcro naquele primeiro dispositivo e que aquele último somente se aplicaria a diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica, o que, a seu sentir, não restou provado nos autos; e) Afirma que não é e jamais foi diretor, gerente ou representante da TBLV e nunca possuiu vínculo empregatício ou de outra espécie com a indicada sociedade, aduzindo que se tratava de funcionário da mesma exercendo cargo de diretor comercial. A responsável solidária Ieda Maria Mitiko Matuora alega (fls. 3.269/3.284) apresentou recurso com os seguintes argumentos: a) Argui nulidade do termo de sujeição passiva solidária considerando a ausência de provas eis que a autuação está embasada tãosomente em presunções bem como sustenta suas razoes na atividade plenamente vinculada da Administração Tributária, conforme art. 142 do CTN; b) Alega incabível a sua sujeição passiva solidária posto que não se beneficiou das transações da TBLV e nunca deteve o poder de administração de fato da sociedade, posto que seria mera funcionária contratada do departamento financeiro daquela; c) Sustenta que não participou da formação dos fatos geradores apontados, razão pela qual entende não ser partícipe da relação jurídicotributária; De fls. 3.438/3.474, contrarazões da Fazenda Nacional aos recursos voluntários pugnando que lhes sejam negado provimento in totum. É o extenso relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. RECURSOS VOLUNTÁRIOS Emerge do relatado que a pena de perdimento por dano ao erário, convertida em multa, foi motivada pelo desvio de finalidade dos produtos importados ao abrigo da imunidade sob o manto de um esquema mafioso. Tão criminoso que todo o trabalho fiscal, de extrema qualidade, foi feito exclusivamente com dados dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil (RFB), pois a empresa e seus prepostos nunca atenderam qualquer intimação do Fisco. Só por este fato já podemos verificar a máfé da empresa. Demais disso, a ação fiscal trouxe aos autos elementos trazidos de processo penal em trâmite na Justiça Federal com a Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.490 14 devida anuência do juiz para o compartilhamento com o Fisco do que nele consta. Também importe frisar que não se controverte a liquidez dos valores lançados. Analiso os recursos da empresa e dos responsáveis tributários em conjunto. De início é de ser rechaçada a pugnada nulidade. Chega ser risível, para dizer pouco, o argumento de que a exação em análise não se encontra lastreada em provas conclusivas da prática de fatos que constituem infração à legislação tributária. Alega a empresa que o lançamento foi baseado "em pressuposições e presunções" e não teria provado que os papeis por ela importados não seriam alcançados pela imunidade. Ora, mera tergiversação, pois a imputação fiscal não foi que os papeis não poderiam ser usados para a impressão de livros, jornais e periódicos, mas sim que, sob o abrigo de um esquema fraudulento, foram desviados do fim previsto na norma constitucional e vendidas para empresas sem o Registro Especial a que alude a Lei 11.945/2009. As provas coligidas aos autos, e devidamente articuladas pela agente fiscal, são robustas e diversas, como diligências, verificação de valores, depoimento de variadas pessoas, quebra de sigilo bancário, etc. Tão robusta que a recorrente sequer as contesta, restando a ela citações doutrinárias sem vinculação ao caso concreto. O fato é que a recorrente furtouse a participar do procedimento fiscal, maculando a boafé que deve orientar as relações Fiscocontribuinte. O auto de infração baseouse em um conjunto de informações que indicam a existência de um grupo econômico composto por inúmeras empresas que tinha a autuada na operação e planejamento das ações, e em sua órbita um conjunto de empresas sem capacidade econômica e operacional, destinadas somente a simular a compra e venda de papel imune. Portanto, não há qualquer vício no auto de infração a ensejar sua decretação de nulidade, não tendo sido, sob qualquer ângulo, violado o devido processo legal ou à ampla defesa, muito menos houve deficiência na motivação do lançamento. Quanto ao mérito, o STF, no AgrRE 434.826, já assentou que a imunidade vazada no art. 150, VI, d, da CF, não é absoluta, nem ilimitada. Dispõe a Lei 11.945, de 4 de junho de 2009, sobre o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. O disposto no §1º quando diz que faz prova da regularidade da sua destinação a comercialização a detentores do Registro Especial. Isso porque, por obviedade, tratase de uma presunção juris tantum, ou seja, admissível prova em contrário no sentido de demonstrar a Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.491 15 irregularidade da destinação do produto, que é a hipótese dos autos. Não se pode impor ao Registro Especial a qualidade de fazer prova absoluta mesmo diante de outros elementos de convicção que evidenciem o contrário. No caso em apreço, o esquema descoberto pela fiscalização seguiu a mesma linha de outras fraudes do papel imune, tratandose de uma sociedade importadora, ora recorrente, que efetuava importações de papel com imunidade de impostos e que, no mercado interno, vendia o produto diretamente a seus clientes/destinatários que não davam a finalidade constitucional do papel imune, mediante o acobertamento de sociedades de fachada instituídas exclusivamente para encobrir a importadorafiscalizada, como sobejamente demonstrado nos autos. Fartamente provado que após o desembaraço aduaneiro, as mercadorias eram encaminhadas para um armazém, com a emissão de notas fiscais de remessa para depósito. A importadora, por sua vez, emitida Nota Fiscal de Venda do papel imune para sociedade de fachada, possuidora do Registro Especial e denominada no trabalho fiscal de “Noteira W”. Todavia, a mercadoria objeto da suposta venda permanecia armazenada no depósito, sem nenhuma movimentação concreta. Essas noteiras W não apresentavam nenhuma movimentação financeira ou, quando muito, movimentação irrisória insuficiente para cobertura sequer de suas compras. De outro turno, havia as sociedades denominadas de “Noteiras X” que emitiam Nota Fiscal simulando negócio de venda de papel comercial com o cliente final do papel, originalmente importado como imune. Essas noteiras X se prestavam para romper a cadeia de imunidade dos papéis importados, pois promoviam as vendas já sem a imunidade tributária para clientes finais que não faziam jus à imunidade, seja porque não possuíam Registro Especial, seja porque para estes papéis adquiridos iriam dar uma destinação diferente da constitucional. Demais disso, as notas fiscais eram emitidas como se os tributos tivessem sido recolhidos, gerando créditos fiscais indevidos para ICMS, PIS e COFINS. Provado, igualmente, que a venda simulada para as Noteiras W, detentoras de registro especial, visava realizar o acerto contábil e justificar a baixa no estoque do papel. Essas Noteiras W apresentavam somente o registro de compras dos papéis, mas nunca de venda ou revenda destes, ou em algumas hipóteses registravam vendas em valores muito inferiores ao próprio valor de compra. Em verdade, não possuíam movimentação financeira e capacidade econômica para entabular os alegados negócios. Também, extraise do gráfico colado no relatório que elas se sucediam tempo, com o fim claro de dissimular o crime perpetrado. O mesmo se dava com as "noteiras X". Sendo que seus quadros societários eram compostos por interpostas pessoas. Nada disso foi infirmado no recurso. Informa a PFN em contrarazões, que o Ministério Público Federal (MPF) denunciou por lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica, 11 pessoas envolvidas com a importação fraudulenta de papel imune do grupo TBLV. De acordo com as investigações, o grupo era liderado por Mauro Vinocur, que junto com outras nove pessoas que participavam do esquema foram denunciadas também por constituir organização criminosa, segundo a Lei 12.850/2013, com pena prevista de três a oito anos de reclusão e multa. Foram denunciados também Ieda Maria Mitiko Matuoka, Roberto Yoshimitsu Matuoka, Armando Antonio Nazzato, Fernando Vinocur, Misael Martins de Souza, Alexandre Silva Costa, Tatiana Storniolo, Clayton Cirino Soares e Thalita Manhaes Molina. Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.492 16 Segundo o MPF, o grupo teria ocultado e dissimulado a origem, a movimentação e a propriedade de cerca de R$ 1,1 bilhão em recursos provenientes de crimes como contrabando e sonegação fiscal, entre 2009 e 2013. A fraude, ainda segundo o MPF, seria a maior nesse setor e envolvia empresas de fachada, notas fiscais falsas e “laranjas”. A denúncia foi ajuizada na 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, mas corre em sigilo de Justiça. Quanto aos armazéns, contundente é o depoimento do Sr. Devanilson Sanches Parada (doc. 38), sócio do armazém ATN LOGISTICA LTDA, que confirmou o controle de todas as Noteiras X pela TBLV, por meio do Sr. Mauro Vinocur. De outro turno, a alegação de que vendia papel com dimensões e composições próprias para a confecção de livro, jornal ou periódico é vazia porque o que se provou é que este papel teve sua finalidade, nos termos imunizante, desvirtuada pelo provado esquema criminoso. Também sem sentido a alegação da autuada que a imunidade não se trata de benefício, algo condicionável pelo legislador ou pelos agentes de arrecadação tributária, uma vez que o papel imune nos termos da Lei 11.945/2009 está sujeito ao registro das empresas que operam com ele na Receita Federal do Brasil, e nos termos da Lei no 12649/2012 e do Decreto 7882 terão condições como tipo de embalagem e rotulagem para que a imunidade seja reconhecida. Sobre a alegação de que a imunidade prevista na constituição também é objetiva, visto que não relaciona o papel destinado a impressão às pessoas que eventualmente interagem no negócio jurídico, correta, pois a condição da imunidade está na finalidade de sua aplicação na impressão de jornais, livros e periódicos. Contudo, no caso em análise, entendo que não houve o critério subjetivo alegado, uma vez que todas as empresas fictícias que participaram como compradoras de papel imune, possuíam o registro previsto na Lei n° 11.945/09. A perda da imunidade na verdade deveuse a um critério objetivo, que foi a comprovação de que o papel importado com imunidade foi aplicado fora de sua finalidade constitucional. Diante do exposto, claro está que não se deixou de reconhecer a imunidade devido ao tipo ou natureza das empresas que participaram das transações, e sim devido a natureza das transações que se deram com fraude e simulação conforme já mencionado. Desta forma a alegação de que a imunidade na constituição é objetiva, não serve para a situação em apreço. Entendo, portanto, que restou provado o desvio de finalidade do papel imune. Caberia ao contribuinte comprovar o atendimento da finalidade constitucional conferido ao papel imune, seja por imposição legal, seja por decorrência da regra do ônus probante por se tratar de beneficiário da norma, especialmente diante de conjunto probatório produzido pela Administração Tributária que demonstra esquema fraudulento. Todavia, ao contrário disso, os recorrentes quedaramse inertes, pois embora intimados pela fiscalização, após inúmeras tentativas, nada demonstraram e não colaboraram com o trabalho fiscal, evidenciando nitidamente sua desídia e seu caráter protelatório. Desse modo, não prospera argumentação das recorrentes. Por fim, quanto à pugnada natureza confiscatória da multa, ou a alegada ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sua análise dependeria de Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.493 17 enfrentarmos a constitucionalidade da Lei que a instituiu, o que é vedado a este Colegiado administrativo fazêlo como prescrito no enunciado da Súmula 2 do CARF, abaixo transcrito. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessarte, a majoração da multa foi correta pela ocorrência da inconteste fraude, desta forma, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, dobrando o percentual de 75 % a que se refere o inciso I daquele artigo, nos termos definido pelo legislador ordinário. Quanto à imputação de responsabilidade solidária imputada aos recorrentes Mauro Vinocur e Ieda Matuora, entendo correta. Consta do Relatório Fiscal que pesquisa na INTERNET (fls. 204/207) mostrou o Sr. Mauro Vinocur como diretor comercial da TBLV, embora não exista nenhum registro formal nos assentos estatutários desta ligação, nem mesmo como empregado. A Sra. Ieda Matuoka, todavia, apresentase como diretora financeira. Demais disso, a prova testemunhal ratifica a direção e controle por parte daqueles na TBLV e demais sociedades. Nesse sentido, existem provas de que o Sr. Mauro Vinocur participava do esquema fraudulento, seja na estruturação do mesmo, com a aquisição de empresas laranjas conforme depoimento do Sr. Élder Felizari da Editora Roma e do Sr. Devanilson do Armzém ATN, seja no dia a dia empresa, nas operações de importação e venda da mercadoria, como mostram os e mails encontrados na (autuada) direcionados a ele, motivo pelo qual entendemos inconsistentes as alegações de que o Sr. Mauro Vinocur não teria participado da fraude relatada neste auto de infração. O controle exercido por Mauro Vinocur sobre a TBLV e todo o esquema fraudulento restou também demonstrado por meio dos documentos anexados pela fiscalização (documento n. 13 – Cartões de Visita) que mostram Cartões de visita das empresas TBLV e Tryograf constando o nome de Mauro Vinocur como “Diretor” e cartões da Interparper contendo os dados de Roberto Matuoka. Esse elemento evidencia o poder de fato por ele exercido. De igual forma, há a demonstração de controle dessas vendas pelo Sr. Mauro Vinocur, não tendo os sócios das Noteiras W nenhuma participação. Depoimento de Helder Fazilari, sócio da Editora Roma, confirma isso relatando que toda a negociação era conduzida por Mauro Vinocur (doc. 40). Ressaltese, ainda, email da empresa DNB para Mauro Vinocur (mauro@tblvpapeis.com.br) e Ieda Matuoka (Ieda@tblvpapeis.com.br) anexando arquivos referentes à TBLV (doc. 16), bem como as cartas direcionada à TBLV, aos cuidados de Mauro Vinocur (doc. 17), demonstram com clareza a direção e controle gerencial que eles exerciam sobre a TBLV. A fiscalização logrou demonstrar ainda a grande proximidade da relação de Mauro Vincour com a família de Ieda Matuoka (família Matuoka), em que esta era irmã de seus dois exsócios e administradora constante no contrato social da TBLV e COMARK. Registrese que a Sra. Ieda Matuoka é quem assina a peça recursal pela empresa TBLV (fl. 3.394). Outrossim, as procurações perante o 13º Tabelionato de Notas de São Paulo retratam a outorga de amplos poderes de Mauro Vinocur a Ieda Maria Mautoka, para que esta represente, na qualidade de procuradora, a INTEPAPER INDUSTRIA DE PRODUTOS DE PAPEL LTDA e ADVALOREM FOMENTO LTDA (docs. 7 e 8). Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.494 18 Além da proximidade com a diretora financeira da autuada, outra informação que liga o Sr. Mauro Vinocur à TBLV (autuada), consta do processo judicial 0014930 31.2013.403.6181 da 6ª Vara Criminal, e referese a abertura de uma conta bancária da TBLV (autuada) no Banco Rural, onde na ficha cadastral para a abertura da conta, consta que o Sr. Mauro Vinocur é o único sócio da empresa Panamenha LA INVESTMENT & ASSOCIATES, que por sua vez é a controladora das empresas ATLANTIS BUSINESS LLC, SUN INVEST LLC sediadas em DELAWARE – EUA e sócias da autuada. Além disso, existem também informações referentes às quebras dos sigilos bancários das empresas TBLV e Comark que o Sr. Mauro Vinoucur é o único controlador e beneficiário das empresas offshore e LA INVESTMENTS & ASSOCIATES e ATLANTIS BUSINESS LLC, SUN INVEST LLC, às quais constam oficialmente como sócias estrangeiras investidoras da autuada. Esses são apenas alguns elementos ilustrativos do controle gerencial exercido pelos responsáveis solidários indicados pela fiscalização, bem como o interesse comum nas atividades desempenhadas pela TBLV e demais sociedades integrantes do grupo na comercialização do papel imune. Como predito, a fiscalização trouxe farto material probatório, com depoimentos, documentos, contratos sociais, entre outros, que demonstram a aparência de autonomia das sociedades envolvidas no grupo, o controle gerencial de fato, a coincidência de quadros societários e endereços. Portanto, em relação ao correto enquadramento legal, temos que perfeitamente cabível à situação em tela a indicação do art. 124, I, cumulado com o art. 135, III, do CTN, para fundamentar a sujeição passiva da representante legal e do sócio de fato da sociedade. Dispõem: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III. os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Da leitura desses dispositivos, podese extrair que quando duas ou mais pessoas estiverem ligadas por interesse comum ao fato gerador ou agirem com infração à lei, darseá a solidariedade legal, o que ficou evidenciado nos autos, seja pelo interesse comum dos sócios ocultos nos resultados do empreendimento, seja por infração às normas de importação (art. 95 do Decretolei 37/66). Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.495 19 Comprovouse, in casu, o que se denomina de “solidariedade de fato” em virtude do interesse comum que as pessoas arroladas têm nos fatos geradores apurados pela fiscalização. Vale lembrar que a sociedade autuada e seu sócio controlador de fato, Mauro Vinocur, juntamente com a representante legal e diretora financeira do grupo, Ieda Maria Mitiko Matuoka, infringiram as normas de importação e comercialização de papel imune, com participação ativa em todas as etapas da cadeia. A sra. Ieda, inclusive, chegou a se manifestar quando intimada do início da fiscalização em seu endereço residencial, solicitando prorrogação para atendimento do solicitado, antes de "sumir". Conhecida a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, cujo entendimento restringe a aplicação do art. 124, inciso I, do CTN, firmando que o interesse comum só ocorre se as empresas realizarem a mesma atividade (REsp 834.044). Exige, dessa forma, que o interesse comum reste demonstrado mediante um liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, com mera aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a atuação das empresas é complementar. Ou no caso em que ficar caracterizada confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, enfim, em todos os casos em que há abuso da forma entre as empresas integrantes do agrupamento. Pois bem, como relatado, é exatamente essa a situação retratada nos autos. Inferese das provas coligidas aos autos que as sociedades indicadas no trabalho fiscal exercem a mesma atividade de comercialização de papel imune, formando, portanto, um Grupo Econômico, posto que entre elas existe confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de sócios e administradores. Logo, estavam umbilicalmente ligadas com o escopo de montar o esquema de importação de papel sob o lastro da imunidade constitucional e todas gravitavam em torno da TBLV e seus gestores, Mauro Vinocur e Ieda Matuoka. Assim, como bem sintetizou a fiscalização, corroborada por elementos de prova contundentes, a atribuição dos atores no esquema, em breve síntese, era a seguinte: A TBLV era a responsável pelas importações das mercadorias que posteriormente seriam distribuídas fraudulentamente no mercado interno; IEDA MARIA MATUOKA era a administradora legalmente designada pela TBLV e, além disso, era de fato a diretora financeira de todo o grupo, que envolvia não só a TBLV, mas também outras empresas, como a COMARK, GILEADE, INTERPAPER e IPSL; MAURO VINOCUR era o verdadeiro dono, gerente e gestor da empresa TBLV. Como demonstrado pela fiscalização, os responsáveis tributários agiam por meio de testasdeferro ou laranjas (sócios formais e sociedades de fachada), sendo inquestionável portanto seu interesse na situação em tela. De fato, a ilicitude emerge especialmente da circunstância de, sob o comando gerencial e administrativo de Mauro Vinocur e Ieda Maria Mitiko Matuoka, serem constituídas de forma reiterada e efêmera sociedades de fachadas com sócios meramente formais, com o único objetivo de simular compras e vendas fictícias do suposto papel imune. Fl. 3495DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.727088/201434 Acórdão n.º 3402003.011 S3C4T2 Fl. 3.496 20 Impende mencionar que o STJ admite o chamamento do administrador à execução fiscal, com fulcro no art. 135, III, do CTN, sob a premissa de se tratar de uma responsabilidade por ato ilícito. Logo, há que se distinguir a responsabilidade da pessoa jurídica contribuinte decorrente de fato jurídico tributário propriamente dito (ato lícito – evento econômico: faturamento, lucro, circulação de riquezas, entre outros). De outro lado, a responsabilidade que emerge para os responsáveis tributários (de fato ou de direito) se dá em razão da ocorrência de uma infração à lei ou excesso de poderes (ato ilícito), conforme se depreende do artigo 135 do CTN. Configuram, portanto, obrigações autônomas em sua origem, mas dependentes entre si, posto que o pagamento extingue ambas. Portanto, perfeitamente cabível à situação em tela a indicação do art. 124, I, e do art. 135, III, do CTN para fundamentar a sujeição passiva dos sócios de fato da empresa. Assim, nesse tocante, patente a correção do enquadramento legal adotado pela fiscalização. RECURSO DE OFÍCIO Corroboro com o entendimento da r. decisão ao afastar a responsabilização solidária do Sr. Armando Antonio Nazzato ao fundamento de não haver prova suficiente a demonstrar fatos que liguem a sua pessoa física a atos gerenciais da empresa TBLV (autuada). Diante do exposto, nego provimento aos recursos voluntários e de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10921.000132/2010-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 10/01/2006 a 30/12/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.598
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 10/01/2006 a 30/12/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10921.000132/2010-83
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589643
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.598
nome_arquivo_s : Decisao_10921000132201083.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10921000132201083_5589643.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6377552
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418291548160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 206 1 205 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10921.000132/201083 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.598 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/01/2006 a 30/12/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 01 32 /2 01 0- 83 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000132/201083 Acórdão n.º 9303003.598 CSRF‐T3 Fl. 207 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3401002.441, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000132/201083 Acórdão n.º 9303003.598 CSRF‐T3 Fl. 208 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000132/201083 Acórdão n.º 9303003.598 CSRF‐T3 Fl. 209 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000132/201083 Acórdão n.º 9303003.598 CSRF‐T3 Fl. 210 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000132/201083 Acórdão n.º 9303003.598 CSRF‐T3 Fl. 211 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000132/201083 Acórdão n.º 9303003.598 CSRF‐T3 Fl. 212 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000132/201083 Acórdão n.º 9303003.598 CSRF‐T3 Fl. 213 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000132/201083 Acórdão n.º 9303003.598 CSRF‐T3 Fl. 214 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 12782.000011/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 19/09/2007 a 03/10/2007
BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS COM SOFTWARE INCORPORADO. EXCLUSÃO DO PREÇO DOS SOFTWARES. IMPOSSIBILIDADE.
Se os equipamentos eletrônicos (hardwares) foram importados com os respectivos softwares incorporados, o preço destes integram o valor aduaneiro dos respectivos equipamentos, ainda que os valores estejam destacado na fatura comercial.
SUBFATURAMENTO. COMPROVADA A DIFERENÇA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O EFETIVAMENTE PRATICADO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS DEVIDOS. POSSIBILIDADE.
Se comprovado que os preços das mercadorias consignados nas DI não correspondem aos preços reais praticados nas respectivas transações comerciais, resta caracterizado o subfaturamento e devida a cobrança dos tributos devidos sobre a parcela do preço subfaturada, correspondente à diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado.
DEMAIS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. APLICAÇÃO DAS MESMAS RAZÕES DE DECIDIR. POSSIBILIDADE.
As mesmas razões de decidir aplicam-se ao IPI, à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre as respectivas operações de importação.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 19/09/2007 a 03/10/2007
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE NO PREÇO. APLICAÇÃO SOBRE A TOTALIDADE OU DIFERENÇA TRIBUTO APURADA. POSSIBILIDADE.
Se comprova evidente intuito de fraude é legítima a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada sobre a totalidade ou diferença de tributos apurados em procedimento de fiscalização.
MULTA DE OFÍCIO E POR SUBFATURAMENTO. COMPROVADA A FRAUDE NO PREÇO. COBRANÇA CUMULATIVA. CABIMENTO.
Se comprovada fraude no preço, é devida a cobrança da multa por subfaturamento de 100 % (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação, cumulada com a multa de ofício qualificada.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOAS COM INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
1. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário.
2. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficiem respondem solidariamente pelo crédito tributário decorrente.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 19/09/2007 a 03/10/2007
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO COMPROVADA A INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
1. Se não houve impugnação da contribuinte, a competência do órgão julgador de primeiro grau passa a ser definida com base no domicílio tributário dos responsáveis solidários que apresentaram impugnação.
2. Se o domicílio fiscal dos impugnantes pertence à jurisdição da 8ª Região Fiscal, que integra circunscrição territorial da DRJ em São Paulo/SP, este órgão julgados tinha sim competência para julgamento do litígio.
AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa.
NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS REGULARMENTE CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não há cerceamento do direito de defesa, se após a conclusão do procedimento fiscal foi oportunizado e exercido adequadamente o direito de defesa por todos os sujeitos passivos solidários.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DADOS INTERNOS SUFICIENTES. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DESNECESSIDADE.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46).
PROVA EMPRESTADA. DIÁLOGOS DE ESCUTA TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE.
Não há impedimento legal para que a prova obtida licitamente por meio de quebra de sigilo telefônico e de dados, regularmente autorizada no âmbito do procedimento de investigação criminal, seja utilizada no processo administrativo fiscal, principalmente, se existe autorização judicial expressa para instrução do respectivo procedimento fiscal.
ESCUTA TELEFÔNICA. REPRODUÇÃO INTEGRAL DOS DIÁLOGOS. DESNECESSIDADE.
Somente os diálogos telefônicos regularmente interceptados por autorização judicial relevantes para a instrução probatória devem ser reproduzidos e coligidos aos autos do processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas pelas Recorrentes, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a nulidade do Auto de Infração em face da invalidade das provas colacionadas aos autos. Por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários, parcialmente vencidos os Conselheiros Walker Araújo, que excluía do polo passivo a empresa Cisco do Brasil Ltda. e o Sr. Carlos Roberto Carnevali, e Domingos de Sá, que, além destes, também excluía do polo passivo o Sr. Marcílio Palhares Lemos e afastava a incidência de juros de mora sobre as multas. Também parcialmente vencida a Conselheira Sarah Linhares, que afastava a incidência de juros de mora sobre as multas. A Conselheira Lenisa Prado se declarou impedida. Fez sustentação oral o Dr. Mário Franco - OAB 140.284/SP; o Dr. Paulo Sehn - OAB 108.361/SP; e o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante - AOB 19.135/CE.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12782.000011/2010-07
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5608104
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.224
nome_arquivo_s : Decisao_12782000011201007.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 12782000011201007_5608104.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas pelas Recorrentes, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a nulidade do Auto de Infração em face da invalidade das provas colacionadas aos autos. Por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários, parcialmente vencidos os Conselheiros Walker Araújo, que excluía do polo passivo a empresa Cisco do Brasil Ltda. e o Sr. Carlos Roberto Carnevali, e Domingos de Sá, que, além destes, também excluía do polo passivo o Sr. Marcílio Palhares Lemos e afastava a incidência de juros de mora sobre as multas. Também parcialmente vencida a Conselheira Sarah Linhares, que afastava a incidência de juros de mora sobre as multas. A Conselheira Lenisa Prado se declarou impedida. Fez sustentação oral o Dr. Mário Franco - OAB 140.284/SP; o Dr. Paulo Sehn - OAB 108.361/SP; e o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante - AOB 19.135/CE. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6433051
ano_sessao_s : 2016
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 19/09/2007 a 03/10/2007 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS COM SOFTWARE INCORPORADO. EXCLUSÃO DO PREÇO DOS SOFTWARES. IMPOSSIBILIDADE. Se os equipamentos eletrônicos (hardwares) foram importados com os respectivos softwares incorporados, o preço destes integram o valor aduaneiro dos respectivos equipamentos, ainda que os valores estejam destacado na fatura comercial. SUBFATURAMENTO. COMPROVADA A DIFERENÇA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O EFETIVAMENTE PRATICADO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS DEVIDOS. POSSIBILIDADE. Se comprovado que os preços das mercadorias consignados nas DI não correspondem aos preços reais praticados nas respectivas transações comerciais, resta caracterizado o subfaturamento e devida a cobrança dos tributos devidos sobre a parcela do preço subfaturada, correspondente à diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado. DEMAIS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. APLICAÇÃO DAS MESMAS RAZÕES DE DECIDIR. POSSIBILIDADE. As mesmas razões de decidir aplicam-se ao IPI, à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre as respectivas operações de importação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 19/09/2007 a 03/10/2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE NO PREÇO. APLICAÇÃO SOBRE A TOTALIDADE OU DIFERENÇA TRIBUTO APURADA. POSSIBILIDADE. Se comprova evidente intuito de fraude é legítima a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada sobre a totalidade ou diferença de tributos apurados em procedimento de fiscalização. MULTA DE OFÍCIO E POR SUBFATURAMENTO. COMPROVADA A FRAUDE NO PREÇO. COBRANÇA CUMULATIVA. CABIMENTO. Se comprovada fraude no preço, é devida a cobrança da multa por subfaturamento de 100 % (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação, cumulada com a multa de ofício qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOAS COM INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. 1. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. 2. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficiem respondem solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 19/09/2007 a 03/10/2007 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO COMPROVADA A INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Se não houve impugnação da contribuinte, a competência do órgão julgador de primeiro grau passa a ser definida com base no domicílio tributário dos responsáveis solidários que apresentaram impugnação. 2. Se o domicílio fiscal dos impugnantes pertence à jurisdição da 8ª Região Fiscal, que integra circunscrição territorial da DRJ em São Paulo/SP, este órgão julgados tinha sim competência para julgamento do litígio. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa. NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS REGULARMENTE CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não há cerceamento do direito de defesa, se após a conclusão do procedimento fiscal foi oportunizado e exercido adequadamente o direito de defesa por todos os sujeitos passivos solidários. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DADOS INTERNOS SUFICIENTES. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DESNECESSIDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). PROVA EMPRESTADA. DIÁLOGOS DE ESCUTA TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. Não há impedimento legal para que a prova obtida licitamente por meio de quebra de sigilo telefônico e de dados, regularmente autorizada no âmbito do procedimento de investigação criminal, seja utilizada no processo administrativo fiscal, principalmente, se existe autorização judicial expressa para instrução do respectivo procedimento fiscal. ESCUTA TELEFÔNICA. REPRODUÇÃO INTEGRAL DOS DIÁLOGOS. DESNECESSIDADE. Somente os diálogos telefônicos regularmente interceptados por autorização judicial relevantes para a instrução probatória devem ser reproduzidos e coligidos aos autos do processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418360754176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 87; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 7.995 1 7.994 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12782.000011/201007 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.224 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria II AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente TDC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/09/2007 a 03/10/2007 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS COM SOFTWARE INCORPORADO. EXCLUSÃO DO PREÇO DOS SOFTWARES. IMPOSSIBILIDADE. Se os equipamentos eletrônicos (hardwares) foram importados com os respectivos softwares incorporados, o preço destes integram o valor aduaneiro dos respectivos equipamentos, ainda que os valores estejam destacado na fatura comercial. SUBFATURAMENTO. COMPROVADA A DIFERENÇA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O EFETIVAMENTE PRATICADO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS DEVIDOS. POSSIBILIDADE. Se comprovado que os preços das mercadorias consignados nas DI não correspondem aos preços reais praticados nas respectivas transações comerciais, resta caracterizado o subfaturamento e devida a cobrança dos tributos devidos sobre a parcela do preço subfaturada, correspondente à diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado. DEMAIS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. APLICAÇÃO DAS MESMAS RAZÕES DE DECIDIR. POSSIBILIDADE. As mesmas razões de decidir aplicamse ao IPI, à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre as respectivas operações de importação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 19/09/2007 a 03/10/2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE NO PREÇO. APLICAÇÃO SOBRE A TOTALIDADE OU DIFERENÇA TRIBUTO APURADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 78 2. 00 00 11 /2 01 0- 07 Fl. 8245DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 Se comprova evidente intuito de fraude é legítima a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada sobre a totalidade ou diferença de tributos apurados em procedimento de fiscalização. MULTA DE OFÍCIO E POR SUBFATURAMENTO. COMPROVADA A FRAUDE NO PREÇO. COBRANÇA CUMULATIVA. CABIMENTO. Se comprovada fraude no preço, é devida a cobrança da multa por subfaturamento de 100 % (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação, cumulada com a multa de ofício qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOAS COM INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. 1. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. 2. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficiem respondem solidariamente pelo crédito tributário decorrente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 19/09/2007 a 03/10/2007 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO COMPROVADA A INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Se não houve impugnação da contribuinte, a competência do órgão julgador de primeiro grau passa a ser definida com base no domicílio tributário dos responsáveis solidários que apresentaram impugnação. 2. Se o domicílio fiscal dos impugnantes pertence à jurisdição da 8ª Região Fiscal, que integra circunscrição territorial da DRJ em São Paulo/SP, este órgão julgados tinha sim competência para julgamento do litígio. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa. NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS REGULARMENTE CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não há cerceamento do direito de defesa, se após a conclusão do procedimento fiscal foi oportunizado e exercido adequadamente o direito de defesa por todos os sujeitos passivos solidários. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DADOS INTERNOS SUFICIENTES. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DESNECESSIDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). Fl. 8246DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 7.996 3 PROVA EMPRESTADA. DIÁLOGOS DE ESCUTA TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. Não há impedimento legal para que a prova obtida licitamente por meio de quebra de sigilo telefônico e de dados, regularmente autorizada no âmbito do procedimento de investigação criminal, seja utilizada no processo administrativo fiscal, principalmente, se existe autorização judicial expressa para instrução do respectivo procedimento fiscal. ESCUTA TELEFÔNICA. REPRODUÇÃO INTEGRAL DOS DIÁLOGOS. DESNECESSIDADE. Somente os diálogos telefônicos regularmente interceptados por autorização judicial relevantes para a instrução probatória devem ser reproduzidos e coligidos aos autos do processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas pelas Recorrentes, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a nulidade do Auto de Infração em face da invalidade das provas colacionadas aos autos. Por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários, parcialmente vencidos os Conselheiros Walker Araújo, que excluía do polo passivo a empresa Cisco do Brasil Ltda. e o Sr. Carlos Roberto Carnevali, e Domingos de Sá, que, além destes, também excluía do polo passivo o Sr. Marcílio Palhares Lemos e afastava a incidência de juros de mora sobre as multas. Também parcialmente vencida a Conselheira Sarah Linhares, que afastava a incidência de juros de mora sobre as multas. A Conselheira Lenisa Prado se declarou impedida. Fez sustentação oral o Dr. Mário Franco OAB 140.284/SP; o Dr. Paulo Sehn OAB 108.361/SP; e o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante AOB 19.135/CE. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 2/21), em que formalizada a cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 828.457,65, compreendendo o somatório do Imposto sobre a Importação (II), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para Fl. 8247DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 o PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação, acrescidos de multa de ofício qualificada, juros de mora, e multa do controle administrativo das impostações por subfaturamento. De acordo com o item 2 do Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 22/298, as presentes autuações tiveram como objetivo a verificação do cumprimento das obrigações tributárias da pessoa jurídica importadora TDC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA., doravante denominada de importadora TDC, bem como dos reais beneficiários das operações de importação realizadas no período de setembro/2007 a outubro/2007, em especial, a apuração de subfaturamento no preço das mercadorias importadas formalmente em nome da autuada TDC, com a utilização de faturas comerciais ideologicamente falsas. Além da prática da infração de subfaturamento, a fiscalização informou que a importadora TDC e os reais beneficiários ainda havia praticado a infração de interposição fraudulenta nas operações de importação, que fora objeto de outras autuações não integrantes dos presentes autos. Nas conclusões que integram o citado Relatório (fls. 287/288), a fiscalização resumiu com os seguintes termos fatos ilícitos cometidos pelos autuados, in verbis: ● as importações realizadas em nome da TDC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA caracterizamse, como IMPORTAÇÕES COM OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR, DO SUJEITO PASSIVO E DO REAL RESPONSÁVEL PELAS OPERAÇÕES, MEDIANTE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, a medida que toda a operação comercial e logística era comandada pela MUDE LTDA, diretamente ou através da WHAT'S UP. A empresa TDC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA limitavase ao registro das declarações de importação, interpondose de modo fraudulento entre o real fabricante/exportador CISCO SYSTEMS INC. e o real adquirente, a MUDE LTDA; ● da análise da documentação anexa ao presente auto de infração, depreendese, INEQUIVOCAMENTE, que houve subfaturamento nas importações dos equipamentos da marca CISCO, os quais foram importados, sob aspecto formal, pela empresa TDC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA, utilizandose de ARTIFÍCIO DOLOSO, como já explicitado neste relatório, a fim de se obter REDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DOS IMPOSTOS/CONTRIBUIÇÕES incidentes sobre o Comércio Exterior; ● as Declarações de Importação eram informadas com documentos que não traduziam a realidade das operações comerciais; [...] (grifos dos originais) Nos trechos a seguir transcritos, extraídos do citado Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 167/168), a fiscalização descreveu com precisão o modus operandi do esquema de fraude no preço das mercadorias importadas, executado pelo denominado de “Grupo MUDE/CISCO”, formado pelos reais beneficiários das operações de importação e, no caso, com a utilização da interposta da importadora TDC: A estrutura de importação composta por empresas interpostas que simulavam operações mercantis permitia à MUDE, real Fl. 8248DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 7.997 5 adquirente, obter diversas vantagens tributárias, entre elas a redução dolosa da base de cálculo dos tributos aplicados sobre o comércio exterior mediante o chamado "SPLIT", "quebra" em português. No decorrer dos trabalhos, analisando a documentação referente a todas as empresas interpostas, foram “constatadas 2 (duas) formas de “SPLIT”, que serão identificados na planilha do ANEXO 4 e que descreveremos a seguir: O primeiro caso de “SPLIT CASO 1 ocorria na MUDE USA, empresa distribuidora do grupo nos Estados Unidos. Na distribuidora MUDE USA, o grupo separava o software (programa dos roteadores) do hardware (roteador) e vendia os mesmos separadamente para as exportadoras da organização. Esta separação ocorria apenas documentalmente e não fisicamente. Esta irregularidade fica patente na importação de roteadores CISCO para o Brasil. Sendo assim, mais adiante neste relatório, para demonstrar como a organização reduzia dolosamente do valor aduaneiro, mediante o chamado "SPLIT", utilizaremos inicialmente como exemplo os roteadores. Posteriormente, demonstraremos como a organização, utilizando o mesmo Modus Operandi, conseguia reduzir o valor aduaneiro também na importação de outros equipamentos. Nas faturas emitidas pela CISCO USA, cada modelo/equipamento aparecia com um “valor único” que representava o somatório de software e hardware. Posteriormente, na MUDE USA, emitiase ao exportador uma fatura que somente destacava a existência do hardware, e o “valor único” atribuído a este já!estaria reduzido em relação ao inicialmente destacado na fatura CISCO USA. Não mais aparecia o software e seu valor já estava ocultado. [...] No segundo caso de SPLIT CASO 2 , nas faturas emitidas pela CISCO USA, cada modelo/equipamento aparecia destacando, separadamente, os valores de software e hardware. A fraude já se iniciava na CISCO USA, e o valor que esta fatura atribuía ao hardware seria a base de cálculo quando do registro da declaração de importação, enquanto o valor do software seria ocultado no registro da mesma. [...]. Em suma, apesar de a fraude documental indicar uma separação entre software e hardware na MUDE USA e, após a importação, uma junção dos mesmos na MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, esta separação de fato nunca ocorreu. Fisicamente, o software acompanhava o hardware desde a fábrica da CISCO. Nos três casos de fraude, a ocultação documental dos softwares somente visava a redução da base de cálculo dos tributos aduaneiros. (grifos do original) Ainda no mencionado Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 31/47), a fiscalização esclareceu que a apuração dos ilícitos, cometidos pelo denominado “Grupo MUDE/CISCO”, fora feita com base, principalmente, nos documentos e arquivos magnéticos apreendidos no âmbito da chamada “Operação Persona”, bem como em laudo pericial Fl. 8249DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 elaborado pela Polícia Federal. No citado laudo, relatou o i. Perito que os equipamentos de telecomunicações (hardwares) objeto da presente autuação foram importados devidamente acompanhados dos respectivos softwares, embora esse fato não fosse declarado pela importadora à Administração aduaneira da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). De modo geral, o histórico da fraude, a logística utilizada e a dimensão dos valores envolvidos nos desvios apurados pela fiscalização foram descritas no citado Relatório Auditoria Fiscal (fls. 39/40), com os seguintes dizeres, ipsis litteris: O esquema fraudulento envolvia logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO SYSTEMS INC.(E.U.A), e foi constituído, a partir de uma sucessão de empresas exportadoras, importadoras, distribuidoras, empresas de assessoria comercial e de despacho aduaneiro, todas aparentemente distintas umas das outras. De fato, formavam organização sob comando único, conforme vínculos dos seus integrantes, interagindo em uma série de operações comerciais simuladas, que permitiam o abastecimento do mercado nacional de produtos da marca CISCO com redução indevida de impostos. O conjunto destas empresas importou, em valores declarados, mais de USD 370,000.000,00 (trezentos e setenta milhões de dólares americanos) nos últimos anos, sendo parte dessas importações realizadas pela empresa TDC. O grupo MUDE/CISCO montou uma estrutura de importação fraudulenta baseada na criação de empresas interpostas entre os extremos da cadeia logística (fabricante/real exportador e real importador/adquirente). Apesar de ser mais oneroso, optou se por criar o chamado "duplo grau de blindagem", ou seja, além da criação do importador e exportador interpostos, também foram criados distribuidores interpostos no Brasil (TECNOSUL e NACIONAL) e nos Estados Unidos (MUDE USA). Salientamos que a distribuidora no Brasil NACIONAL somente foi utilizada pela empresa ABC. Estas empresas, que movimentaram milhões de reais, normalmente tinham seus quadros societários compostos por empresas offshore (sediadas em paraísos fiscais) e/ou pessoas desprovidas de recursos econômicos "laranjas" como pedreiros, ambulantes, operadores de telemarketing, auxiliares de escritório, ferramenteiros, conforme será exposto mais adiante no presente auto. O modelo de interposição utilizado pelo grupo permitiu aos reais intervenientes (MUDE/CISCO BRASIL) atuarem, no comércio exterior à margem dos controles exercidos pela Receita Federal do Brasil RFB. Todas as nacionalizações foram declaradas ao Fisco como importações realizadas por conta própria (por conta da própria importadora, com recursos próprios e sem encomendante predeterminado), neste caso importadora TDC, quando na realidade eram operações por conta e ordem de terceiros. O real adquirente (MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA) permanecia oculto aos olhos do Fisco. (grifos dos originais) Fl. 8250DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 7.998 7 No caso, embora tenha sido noticiada inúmeras fraudes e irregularidades apuradas durante a referida Operação, mediante interposição fraudulenta de outras pessoas jurídicas importadoras, neste processo, as autuações limitaramse às operações de importação realizadas, no período de setembro de 2007 a outubro de 2007, em nome da importadora TDC. Em face dessas irregularidades, nas presentes autuações a importadora TDC foi arrolada no polo passivo na condição contribuinte, enquanto que, na condição de responsáveis solidários, foram incluídas (i) as pessoas jurídicas Mude Comércio e Serviços Ltda. e a Cisco do Brasil Ltda. e (ii) as pessoas físicas Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos, Moacyr Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio, José Roberto Pernomian Rodrigues, Luiz Scarpelli Filho, Pedro Luis Alves Costa, Reinaldo de Paiva Grillo e Carlos Roberto Carnevali. Em sede de impugnação, nos trechos extraídos do relatório encartado no acórdão, as razões de defesa, apresentadas pelos recorrentes1, foram resumidas com os seguintes dizeres, in verbis: Os interessados foram intimados nas datas constantes do despacho de fl. 5.743. No mesmo documento constam as datas de apresentação das impugnações. Destacase a não apresentação de impugnação por parte de TDC e a intempestividade da apresentada por Luiz Scarpelli Filho. Seguem os argumentos das impugnações apresentadas, em síntese. [...] III Carlos Roberto Carnevali alega (fls. 4.170 e ss.): 1. Não seria aplicável a responsabilidade solidária do art. 124, I do CTN. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. 2. Nunca foi contribuinte ou sócio de qualquer empresa autuada, ainda que oculto. E mesmo que sócio fosse, ad argumentandum tantum, não há qualquer prova de poderes de gerência ou administração que pudesse estabelecer sua responsabilidade nos termos do art. 135 do CTN. Cita Portaria PGFN 180/2010 e o Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 e aduz: “para um sócio ser responsabilizado nos termos do art. 135, inciso III, do CTN, é imprescindível que ele possua poder de gerência, ou seja, não basta a qualidade de sócio, o que evidentemente não ocorre no caso em questão” (fl. 4.185). Segundo a Portaria PGFN 180/2010, para responsabilizar pessoalmente o sócio, é necessária prova de que agiu com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto, ou dissolução irregular de pessoa jurídica. Requer, ainda, declaração fundamentada da autoridade competente. 3. Não possuía vínculos com a empresa MUDE além de laços de amizade. Alega que não era sócio oculto da empresa MUDE. Não estava no comando da empresa nem agiu com excesso de 1 Neste relatório, não serão reproduzidas as razões de defesa suscitadas nas impugnações pelas pessoas físicas e jurídicas que não apresentaram recurso. Fl. 8251DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 poderes ou infração à lei. Não se beneficiou das importações realizadas pela TDC. 4. Sua relação com Hélio Pedreira é puramente profissional e de amizade sendo incabíveis as insinuações feitas pela fiscalização de que ambos montaram um esquema de importações fraudulentas. 5. Contesta alegações sobre as operações da empresa União Digital, que segundo a fiscalização seria a antecessora da empresa MUDE nas importações de produtos CISCO. 6. A fiscalização baseou a responsabilidade em diálogos que não se referem ao impugnante. Alega que tais provas não comprovam a participação do impugnante na administração da empresa MUDE. A fiscalização valeuse de interpretações distorcidas e equivocadas e de fatos circunstanciais. 7. As planilhas que apresentam pagamentos a membros do grupo MUDE/JDTC apenas sugerem, mas não comprovam tais operações. 8. É incabível a responsabilização do impugnante pelo art. 124, I do CTN. Alega que as provas não demonstram o interesse comum do impugnante nos negócios da MUDE. Cita doutrina e jurisprudência. 9. A fiscalização também interpretou de maneira equivocada o diálogo entre o impugnante e a CISCO SYSTEM INC. 10. A fiscalização tenta vincular sua pessoa às atividades do grupo JDTC/MUDE através de indícios e interpretações tendenciosas. Alega que os documentos para contra prova em seu favor estão em poder da fiscalização. 11. As mensagens transcritas em páginas 1315 do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 3.4043.406) referemse a diretrizes fornecidas para atuação da empresa TORNADO e não da MUDE; 12. Na época das operações de importação autuadas, 2007, o impugnante não era mais responsável pela CISCO DO BRASIL. Alega que a partir de 2000 começou a se afastar do operacional da empresa CISCO DO BRASIL, sendo que a partir de 2002 assumiu a função de VicePresidente da CISCO para América Latina e México. Alega que a partir de 2007 quase que se afasta definitivamente da CISCO DO BRASIL. Alega que prestava à época consultoria a diversas empresas incluindo a MUDE. Alega que em função dessa atividade e do interesse de executivos da MUDE para que o impugnante ingressasse em seu Conselho de Administração, passou a receber documentos dessa empresa para análise de sua situação financeira. Alega que esta é a razão de ter sido encontrado organograma da empresa MUDE com seu nome no Conselho de Administração. 13. Segue afirmando o impugnante que não possui qualquer relação com a administração da empresa MUDE, apresentando mensagens sobre seu desligamento do grupo CISCO e de sua relação não profissional com os administradores da MUDE. Fl. 8252DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 7.999 9 14. Alega violação ao Princípio da Verdade Material. Afirma que a autuação baseouse em suposições. 15. Requer seja cancelada a sujeição passiva solidária. IV Mude Com. e Serviços alega (fls. 4.627 e ss.): 1. Preliminar. Houve violação aos princípios da impessoalidade, imparcialidade e da moralidade da Administração Pública, posto que a fiscalização promoveu diversas acusações sem verificar detida e imparcialmente o caso concreto. 2. Houve cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório, dada a enorme quantidade de acusações em volume de folhas e o prazo exíguo de trinta dias para se defender. 3. Deve ser declarada a nulidade do auto de infração, posto que é vedado à Administração Fiscal basearse exclusivamente em prova emprestada colhida no âmbito de procedimento criminal. 4. Inexiste relação entre as provas e o lançamento, pois muitos dos documentos obtidos e apreendidos não abrangem a totalidade, ou qualquer parte, do período objeto de autuação. Muitos documentos não possuem data de criação ou prova de autoria. 5. A autuação baseouse em suposições, deixando de verificar a verdade material, tanto que lavraram o auto de infração sem ao menos intimar a impugnante durante o procedimento para apresentar documentos e esclarecimentos. É vedada a utilização de prova emprestada no processo administrativo. 6. Outra causa de nulidade do procedimento está na ausência de todos os elementos de prova, posto que não foi juntada aos autos a transcrição integral de “emails” e conversas telefônicas, os quais foram manipulados, configurando evidente cerceamento ao direito de defesa. 7. Ainda em preliminar, a impugnante enumera uma série de contradições e equívocos contidos no Termo de Verificação Fiscal, os quais demonstrariam a insubsistência das alegações de “esquema de importação fraudulenta” e “subfaturamento”. Aponta “contradições” e “equívocos” no termo de verificação fiscal (fls. 4.6864.694). Conclui que a fiscalização não agiu com a imparcialidade, impessoalidade e moralidade exigidas pela lei. 8. Desmistifica as expressões “antecipação de pagamentos” e “comissão” utilizadas nas mensagens telemáticas e conversas telefônicas, no sentido de demonstrar que jamais poderiam indicar a ocorrência de qualquer tipo de fraude ou simulação. 9. As taxas de câmbio utilizadas pela fiscalização no dia do registro da DI se encontram em desacordo com aquelas fixadas Fl. 8253DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 10 pelo Banco Central, conforme tabela anexa (doc. 3), tornando viciado o lançamento. 10. Não houve individualização dos fatos geradores dos tributos e das multas, uma vez que inexiste qualquer cálculo de juros de forma individualizada ou as classificações fiscais que originaram as alíquotas aplicadas, sendo que os fatos geradores foram discriminados em planilha anexa ao Termo de Verificação Fiscal, ao revés do que determina o art. 10 do Dec. 70.235/1972. 11. Mérito. Alega que o fisco não compreendeu o modelo de negócios moderno e avançado praticado pela impugnante, equivocandose ao imputarlhe responsabilidade por todas as operações, quando seu único interesse era comprar e vender mercadorias. A fiscalização, ademais, ignorou que o fluxo de recursos para pagamento não tinha início na pessoa da impugnante, mas que advinha de seus clientes (integradores/revendedores) indicados pelo fabricante. Afirma que planilha anexa (doc. 4), bem como seus dados contábeis, que confrontam sua disponibilidade de recursos com as obrigações, não deixam dúvida sobre seu constante débito com relação aos fornecedores. Conclui, portanto, que não houve adiantamento de recursos e a rapidez no trânsito das mercadorias e aparente interdependência entre as empresas membros da cadeia produtiva são apenas decorrência da implantação do modelo de produção/distribuição baseado no “Just in Time”. Era financiada por seus fornecedores. 12. Ainda sobre seu modelo de negócios, apresenta parecer elaborado pelo professor Paulo de Barros Carvalho (doc. 5), que analisou o caso concreto, concluindo serem perfeitamente lícitas as atividades empresariais da impugnante, posto que não há: (a) conluio entre as partes; (b) divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado; e (c) intenção de lograr o Fisco. Tampouco há qualquer documento que evidencie exclusivo propósito de evitar a percussão tributária, configurando abuso de forma ou simulação. 13. A TDC nasceu de iniciativa de pessoas ligadas ao negócio da MUDE e da CISCO, que pretendiam instalar uma unidade produtiva no Brasil. Ronaldo Chiarelli e Odilon Sampaio uniramse. Iniciaram seu negócio com operações de importação para, com o lucro obtido, viabilizar a produção. O interesse e incentivo da MUDE e da CISCO é explicado por questões empresariais. A TDC não era uma empresa importadora “da impugnante”. O relacionamento próximo deriva tanto das relações pessoais quanto de interesses econômicos. 14. Não pode prevalecer a acusação de antecipação de recursos aos importadores. Não houve levantamento individualizado da movimentação de recursos. Não foi demonstrada antecipação de recursos (a contabilidade faz prova a seu favor, na medida em que inexistem ativos que pudessem ser atrelados à alegada antecipação de recursos). O impugnante não era o destinatário final dos produtos importados (não era encomendante nem adquirente). Fl. 8254DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.000 11 15. Inexiste subfaturamento, posto que a alegada separação em software e hardware para fins da suposta redução da base de cálculo dos tributos aduaneiros é uma falácia. O que efetivamente ocorria, em qualquer dos casos de split descritos, era a separação entre o softwarebase física (que até poderia seguir com o hardware) e o softwarepropriedade intelectual (licença de uso). Os softwares contidos em alguns hardwares importados não tinham qualquer valor comercial sem a devida licença. Como inexiste previsão legal para inclusão da licença de uso no valor aduaneiro, e como o software eventualmente contido nos produtos importados não tinha qualquer valor comercial sem sua licença de uso, conclui que o valor do software não deve ser incluído no valor aduaneiro. 16. No máximo, poderseia falar em subvaloração aduaneira, nos termos da Portaria MF nº 181/1989. Esta dispõe que o valor aduaneiro do suporte informático não abrange o custo ou valor do programa, desde que este custo ou valor conste destacadamente no documento de aquisição. Como tal portaria não prevê qualquer exceção nos casos de importação de semicondutores ou circuitos integrados, e que apenas o suporte informático deve compor o valor aduaneiro, então a impugnante não pode ser penalizada por seguir a norma, nos termos do parágrafo único do art. 100 do CTN. 17. O laudo pericial elaborado pela Polícia Federal não pode ser considerado porque: (i) não foi elaborado de forma imparcial; (ii) apresenta diversas inconsistências em seu conteúdo; (iii) não foram analisados todos os modelos de mercadorias das DI objeto de autuação. A fiscalização não pode utilizar indiscriminadamente laudos específicos produzidos mediante amostra de produto importado em sete Declarações de Importação para provar ilicitudes cometidas em todas as DI do presente processo. Não foram analisados produtos das DI da TDC. A utilização de laudo emprestado é mera presunção. 18. O lançamento deve ser cancelado por ofensa ao artigo 146 do CTN, pois as autoridades fiscais não podem rever o lançamento sem demonstrar a existência de erro de fato, já que tal prática configura evidente alteração de critério jurídico. As importações autuadas foram submetidas a despacho aduaneiro e desembaraçadas. Após a homologação dos lançamentos nas declarações de importação, a administração decidiu rever seu entendimento acerca da correta valoração aduaneira. 19. Quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, além de não constar a identificação da norma legal que serviu de fundamento para a atribuição de responsabilidade; o art. 124, inciso I, do CTN, somente se aplica aos próprios contribuintes, assim considerados aqueles que efetivamente praticam o verbo do critério material da hipótese de incidência tributária ou da multa. Como a impugnante não preencheu qualquer DI, não efetuou qualquer desembaraço aduaneiro, tampouco calculou os valores das operações, não se pode afirmar que possuía interesse jurídico na ocorrência do fato gerador. Ademais, o Fl. 8255DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 12 instituto da solidariedade é restrito à cobrança da obrigação principal, não alcançando as infrações. Não pode prevalecer, ainda, por ter a multa natureza administrativa, sendo a solidariedade exclusivamente tributária, nos termos do CTN. 20. Não cabe atribuir responsabilidade à impugnante haja vista a ausência de procedimento de fiscalização, devidamente lastreado em específico Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Cita Súmula CARF 29. 21. Para se aplicar a multa agravada de 150%, a fiscalização deveria provar a intenção dolosa por parte da impugnante de deixar de recolher os tributos, o que não pôde ser feito, haja vista a impossibilidade de se considerar dolosa uma conduta praticada exatamente nos termos da legislação (ADI nº 7/2002). 22. É indevida a cobrança concomitante da multa agravada de 150% e da multa de 100% sobre o suposto valor subfaturado (Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, artigo 88, parágrafo único), pois ambas as multas têm a mesma natureza e visam punir a mesma infração, não podendo ser aplicadas concomitantemente. 23. A sanção aplicada, por sua total desproporção (100% do valor supostamente subfaturado + 150% sobre os tributos) é claramente confiscatória e, portanto, contrária à CF/1988, não podendo ser mantida porque: (i) não houve redução do valor do tributo devido; (ii) inexistência de Dano ao Erário, pois todos os tributos supostamente sonegados estão sendo exigidos. 24. A título argumentativo, em prevalecendo a alegação de que a licença de uso de software deverá compor a base de cálculo dos tributos questionados, o auto de infração deverá levar em consideração, para apuração dos montantes devidos, o valor do IR/Fonte e da Cide pagos a maior. 25. Não pode prosperar a incidência de juros de mora sobre as multas lançadas no presente caso, os quais serão computados a partir do vencimento do crédito tributário apurado no auto de infração, porque: (i) os juros devem incidir apenas sobre a obrigação principal, sendo diversa a natureza da multa; (ii) não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa. 26. A utilização da taxa Selic para cobrança de juros moratórios é ilegal porque: (i) sua fixação visa a remuneração do investidor e não para ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento da obrigação; (ii) foi criada por Resolução do BACEN, o que ofende o princípio da legalidade; (iii) inexistindo previsão legal, devese aplicar aos juros a taxa de 1% ao mês, nos termos do art. 161, §1º, do CTN. 27. Requer o provimento da impugnação, com base seja em razão das preliminares, seja em razão do mérito, com a consequente desconstituição do crédito tributário e cancelamento do auto de infração. Fl. 8256DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.001 13 V – Marcílio Palhares Lemos2 e alega (fls. 4.995 e ss.): 1. Preliminarmente, a fiscalização não explicitou em qual inciso do art. 124 do CTN foi imputada a responsabilidade solidária do impugnante, violando assim o Princípio da Ampla defesa e do Contraditório. Cita doutrina sobre o tema. 2. As provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderiam ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da Constituição Federal, o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/1996 e a Resolução CNJ nº 59/2008. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. 3. Inexiste relação entre as provas e o lançamento, pois muitos dos documentos obtidos e apreendidos não abrangem a totalidade, ou qualquer parte, do período objeto de autuação. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 4. O auto de infração deve ser cancelado, posto que é vedado à Administração Fiscal basearse exclusivamente em prova emprestada colhida no âmbito de procedimento criminal. 5. Outra causa de nulidade do procedimento está na ausência de todos os elementos de prova, posto que não foi juntada aos autos a transcrição integral de emails e conversas telefônicas, os quais foram manipulados, configurando evidente cerceamento ao direito de defesa. Cita jurisprudência sobre o tema. 6. Não cabe atribuir responsabilidade ao impugnante haja vista a ausência de procedimento de fiscalização, devidamente lastreado em específico Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Cita Súmula CARF 29. 7. Não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante, pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência. 8. Não há provas de que o impugnante deixou de submeter à Aduana o valor do software, ou que esse valor representa, efetivamente, o alegado subfaturamento, já que sem licença de uso seu preço de mercado é igual a zero. 9. Quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, além de não constar a identificação da norma legal que serviu de fundamento para a atribuição de responsabilidade; o 124, inciso I, do CTN, somente se aplica aos próprios contribuintes, assim considerados aqueles que efetivamente praticam o verbo do critério material da hipótese de incidência tributária ou da 2 Por conterem os mesmos argumentos aduzidos por Marcício Palhares Lemos, neste relatório, não serão reproduzidas as razões de defesa de Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Moacyr Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio e José Roberto Pernomian Rodrigues. Por conseguinte, qualquer referência às razões de defesas apresentada por aquele, salvo menção em contrário, aplica se a estes últimos. Fl. 8257DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 14 multa. Como o impugnante não preencheu qualquer DI, não efetuou qualquer desembaraço aduaneiro, tampouco calculou os valores das operações, não se pode afirmar que possuía interesse jurídico na ocorrência do fato gerador. Ademais, o instituto da solidariedade é restrito à cobrança da obrigação principal, não alcançando as infrações. Não pode prevalecer, ainda, por ter a multa natureza administrativa, sendo a solidariedade exclusivamente tributária, nos termos do CTN. 10. Reitera todos os argumentos deduzidos pela MUDE em sua impugnação aos autos (fls. 5.038 e ss.). 11. Requer a insubsistência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, de modo a excluir seu nome do pólo passivo, ou, ainda, que acolha os argumentos desenvolvidos pela MUDE e ora reiterados, de forma a determinar o cancelamento do auto de infração. [...] XII – Cisco do Brasil Ltda. alega (fls. 5.362 e ss.): 1. A empresa utiliza um modelo de negócios que não foi compreendido pela fiscalização. Discorre sobre esse modelo. 2. Não participou das operações de importação e não tinha conhecimento de qualquer irregularidade, que estaria sendo cometida por seu então dirigente, Carlos Carnevali. 3. Para suportar a solidariedade, haveria de ter adiantado recursos para a aquisição das mercadorias importadas, bem como, haver declarado de maneira inexata o preço dos produtos transacionados, o que jamais ocorreu. 4. As provas produzidas na investigação criminal não poderiam ser utilizadas na esfera administrativa. Alega que não há identidade de partes. Cita doutrina e jurisprudência. 5. As interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. 6. Foi qualificada como comercial atacadista apenas para fins de inscrição no SISCOMEX, não tendo por objeto social tal atividade. 7. A CISCO SYSTEM INC iniciou investigação interna para apurar denúncia de que Carlos Roberto Carnevali tinha relação com a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Cita o Relatório IPEI BA 2008 006, que não concluiu pela vinculação. Alega que tal relatório não autoriza a fiscalização a alegar o conhecimento da CISCO SYSTEM INC do suposto esquema fraudulento. 8. Tece comentários sobre vários documentos, emails e conversas telefônicas do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 3.210 e ss.), alegando, em síntese, que se tratam de contatos comerciais normais dentro do modelo de negócios adotado pela impugnante. Fl. 8258DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.002 15 9. Tece comentários sobre interceptação telefônica de fl. 3.228, teleconferência entre Pedro Ripper, Presidente da CISCO DO BRASIL LTDA e outros funcionários da mesma empresa. Alega que os interlocutores mencionam que o split de software e hardware seria efetuado pela MUDE, o que não autoriza o fisco a concluir que a impugnante teria conhecimento da participação de outras empresas eventualmente interpostas na cadeia de exportação e importação. 10. Acerca da separação do valor relativo a software e hardware, a política da CISCO sempre foi a de que o software embutido no hardware deve ser tratado como hardware, de modo que o preço cobrado pela CSI na venda de seus produtos inclui o valor do software. Quanto às faturas tratadas pela fiscalização como comprovadoras do “split pelo segundo método”, tratam, na verdade, de faturas standard contendo o mero detalhamento do preço do hardware e do respectivo software ou outro subitem, sendo que em todas elas o preço total (hardware + software) é faturado pela CSI contra a MUDE US em único documento. Todos os documentos anexos ao auto de infração demonstram que, se faturamento em separado de hardware e software houve, este foi realizado pelos adquirentes de seus produtos nos EUA. 11. A escuta telefônica em questão, envolvendo o expresidente da impugnante, não prova que seria após e por causa dela que a CSI teria passado a faturar separadamente o hardware e o software vendidos à MUDE US, posto que: (i) jamais houve faturamento separado, apenas menção do valor do hardware e do software em itens e subitens específicos dentro de uma mesma fatura; (ii) todas as faturas emitidas pela CSI sempre tiveram por objeto operações internas de venda nos EUA; (iii) tal afirmação contradiz a própria acusação fiscal, que apura o faturamento pelo chamado “segundo método” desde janeiro de 2007. 12. Tece comentários sobre as conversas telefônicas transcritas nas fls. 3.229 e 3.230 do Termo de Sujeição Passiva Solidária, bem como email de fl. 3.231, que segundo a impugnante apenas demonstra o modelo de negócios adotado. 13. Tece comentários sobre o evento realizado pela MUDE nos EUA com representantes da CISCO SYSTEM INC. Alega que não tinha conhecimento da interposição fraudulenta de terceiros de que é acusada a MUDE. Alega que a citada reunião não prova que a separação entre hardware e software vinha efetivamente ocorrendo. Alega que a CISCO SYSTEM INC não realiza exportações e que, portanto, não define procedimentos a serem adotados na importação. 14. As linhas de crédito que a MUDE obtinha através de suas controladas nos EUA, FULFILL HOLDING e posteriormente MUDE USA, junto às instituições CISCO CAPITAL, GE COMERCIAL e CITIBANK, eram medidas comuns na relação entre a CISCO SYSTEM INC e seus parceiros. Alega que essa Fl. 8259DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 16 relação não prova que a CISCO SYSTEM INC ou a CISCO DO BRASIL LTDA tinham conhecimento de suposto esquema fraudulento nas importações. 15. As provas apresentadas no tópico “PESSOAS QUE EFETIVAMENTE DIRIGEM A EMPRESA”, fls. 3.251 e ss., demonstram apenas a relação comercial entre a impugnante e a MUDE, mas não o conhecimento da impugnante sobre fraudes cometidas pela MUDE. 16. Não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN relativo à responsabilidade solidária, pois para tal a empresa CISCO deveria ter relação com o fato que deu ensejo ao nascimento da relação jurídica cujo resultado é o pagamento do tributo. Alega que a CISCO não figurava no pólo passivo da relação tributária em questão. Cita doutrina e jurisprudência. 17. A multa aplicada correspondente ao valor subfaturado é de natureza administrativa e não tributária. Alega que isso afastaria a aplicação de qualquer um dos dispositivos do CTN, incluindo aí o art. 124, I. 18. O art. 95, V, do DecretoLei nº 37/1966, na qual a fiscalização embasa a acusação, também não pode ser aplicado à impugnante, uma vez que não se trata de adquirente dos produtos importados. Quanto ao inciso I, meramente transcrito, também não se aplica vez que não concorreu ou se beneficiou de qualquer conduta dos importadores tida por ilegal. Alega que a fiscalização deveria ter evidenciado mais do que um interesse meramente econômico nas vendas efetuadas pela MUDE para caracterizála como sujeito passivo solidário ao pagamento da penalidade em questão. 19. Requer o provimento de sua defesa e o cancelamento do termo de sujeição passiva solidária. XIII Luiz Scarpelli Filho, ciente em 1/6/2010, apresentou impugnação em 13/7/2010. A repartição de origem considerou a impugnação intempestiva, conforme despacho de fl. 5.743. Não se toma conhecimento de suas alegações (fls. 5.546 e ss.), portanto. (os negritos dos nomes dos impugnantes não constam dos originais) Em 15/3/2012, foi proferida a decisão primeira instância (fls. 5.749/5.852), em que, por unidade de votos, a impugnação de Luiz Scarpelli Filho não foi conhecida, em face de sua intempestividade, e as demais impugnações julgadas improcedentes, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, a seguir reproduzidos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/09/2007 a 03/10/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados, obtida originalmente para fins de investigação criminal. Não há impedimento para sua posterior utilização em processo administrativo fiscal. Fl. 8260DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.003 17 NULIDADES. São nulos somente os atos e termos lavrados por agente incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pode também ser cominado com nulidade o lançamento que contenha vícios formais relevantes à matéria deduzida na autuação. Referidas hipóteses não estão presentes nos autos. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação apresentada fora do prazo previsto no Decreto nº 70.235/1972 não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. SUJEITO PASSIVO. O importador é sujeito passivo, na condição de contribuinte, em relação aos tributos e contribuições incidentes na internação de mercadorias de origem estrangeira, independentemente do verdadeiro adquirente das mercadorias. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. A ocultação do real adquirente das mercadorias, caracterizando as operações de comércio exterior realizadas pela autuada, por conta e ordem de terceiros, sem atender às condições da legislação de regência, tipifica a figura da Interposição Fraudulenta. VALOR ADUANEIRO. EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS COM SOFTWARE INCORPORADO. No caso de equipamentos eletrônicos (hardwares) importados com os respectivos softwares já instalados, inexiste previsão legal para exclusão do valor aduaneiro do custo ou valor de softwares contidos em circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares, ainda que este valor ou custo encontrese destacado no documento de aquisição. SUBFATURAMENTO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas DI não correspondem à realidade das transações efetuadas, resta caracterizado o subfaturamento. São exigíveis os tributos aduaneiros, acrescidos da multa de ofício qualificada e dos juros de mora, bem assim a multa calculada sobre a diferença entre o valor real e o declarado. CUMULAÇÃO DE MULTAS. Não há que se falar na impossibilidade da cumulação das multas por subfaturamento (parágrafo único do art. 88 da MP 2.15835/ 2001) e de ofício (art. 44 da Lei 9.430/1996), posto que autorizada por expressa disposição legal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INFRAÇÕES. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos Fl. 8261DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 18 fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Embora devidamente cientificados da referida decisão, não apresentaram recurso voluntário, além da contribuinte TDC, os seguintes responsáveis solidários: Luiz Scarpelli Filho, Pedro Luis Alves Costa e Reinaldo de Paiva Grillo. Os demais responsáveis solidários, a seguir relacionados, e que apresentaram recurso voluntário, foram cientificados da referida decisão nas seguintes datas: Cisco do Brasil Ltda., em 30/3/2012 (fls. 5870 e 6952); Mude Comércio e Serviços Ltda., em 30/3/2012 (fl. 6940); Fernando Machado Grecco, em 30/3/2012 (fl. 6941); Marcelo Naoki Ikeda, em 30/3/2012 (fl. 6942); Marcílio Palhares Lemos, em 30/3/2012 (fl. 6943); Moacyr Álvaro Sampaio, em 30/3/2012 (fl. 6944); Hélio Benetti Pedreira, em 30/3/2012 (fl. 6945); Gustavo Henrique Castellari Procópio, em 29/3/2012 (fl. 6946); José Roberto Pernomian Rodrigues, em 30/3/2012 (fl. 6947) e Carlos Roberto Carnevali, em 30/3/2012 (fl. 6950). Os seguintes responsáveis solidários apresentaram recurso voluntário nas seguintes datas: Cisco do Brasil Ltda., em 2/5/2012 (fls. 7473 e ss); Mude Comércio e Serviços Ltda., em 27/4/2012 (fls. 6241 e ss); Fernando Machado Grecco, em 27/4/2012 (6033 e ss), Marcelo Naoki Ikeda, em 27/4/2012 (5872 e ss), Marcílio Palhares Lemos, em 27/4/2012 (6086 e ss), Moacyr Álvaro Sampaio, em 27/4/2012 (5927 e ss), Hélio Benetti Pedreira, em 27/4/2012 (6189 e ss), Gustavo Henrique Castellari Procópio, em 27/4/2012 (6135 e ss), José Roberto Pernomian Rodrigues, em 27/4/2012 (5982 e ss); e Carlos Roberto Carnevali, em 30/4/2012 (6682 e ss). Nos citados recursos voluntários, os recorrentes reafirmaram as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, com exceção do recorrente Carlos Roberto Carnevali e Cisco do Brasil Ltda.,, os demais alegaram a nulidade da decisão de primeiro grau, sob o argumento de que a DRJ competente para o julgamento das autuações lavradas contra os contribuintes da jurisdição da 5ª Região Fiscal, caso dos autuados que suscitaram esse citado vício nulidade, era a DRJ em Fortaleza e não a 2ª Turma da DRJ em São Paulo II, como ocorrera na decisão recorrida. Ainda em aditamento aos argumentos apresentados na fase impugnatória, os recorrentes Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio e Carlos Roberto Carnevali informaram que, em 17/2/2011, por meio da sentença proferida pelo MM. Juiz Federal da 4ª Vara Criminal Federal em São Paulo/SP, nos autos do Processo Criminal nº 000582749.2003.403.6181, foram absolvidos de todas as acusações constantes da denúncia, em razão de inexistência de provas da autoria delitiva. E, em face do teor da citada decisão judicial, pleitearam a aplicação, ao caso em tela, do que fora decidido na esfera criminal e, em consequência, pediram o cancelamento dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, uma vez que as provas utilizadas pela fiscalização, para fim de imputação de responsabilidade tributária solidária, foram as mesmas utilizadas no Juízo criminal. Por fim, alegaram que a independência entre as esferas cível, criminal e administrativa não era absoluta, mas relativa, pois, diferentemente da absolvição por motivo formal, a decisão criminal que negava autoria do crime imputado ao acusado teria o mesmo efeito nas demais esferas. Nesse sentido, para justificar esse argumento, citaram jurisprudência do STJ. Na Sessão de 29 de janeiro de 2014, previamente ao início do julgamento dos citados recursos, o patrono da responsável solidária Cisco do Brasil Ltda., exibiu uma cópia, Fl. 8262DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.004 19 com carimbo de recepção pela unidade da Receita Federal de origem, do recurso voluntário por ela apresentado. Na oportunidade, após exaustiva pesquisa, a referida peça recursal não foi localizada nos autos. Em face dessa circunstância, o processo foi excluída da pauta de julgamento, para que os autos retornassem a unidade da Receita Federal de origem, para fim de confirmação da entrega do referido recurso e, se confirmada a recepção do referido documento, que fosse juntado aos autos as respectivas peças. Por meio do Despacho de fls. 7608/7609, os autos foram enviados à unidade preparadora da Receita Federal, para atendimento da referida determinação. Em resposta, por meio Despacho de fl. 7636, foi informado que o recurso voluntário da responsável solidária Cisco do Brasil Ltda. encontravase colacionado aos autos no intervalo de fls. 7473 a 7595. Em seguida, os autos foram devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Em 10/11/2014, foram juntados aos autos o requerimento de fls. 7650/7678 e os documentos de fls. 7679/7908, apresentados pela recorrente MUDE, em que, após repisar os argumentos aduzidos no recurso voluntário de fls. 6241 e ss., requereu que os autos fossem remetidos à PGFN, para que, em homenagem ao contraditório e à ampla defesa, esta tivesse ciência e pudesse se manifestar sobre os documentos e as questões abordadas na referida petição. Em 24/9/2015, o recorrente Carlos Roberto Carnevali juntou aos autos a petição de fls. 7926/7928, em que requereu que fosse analisado, como fato novo, a prolação do acórdão pela Primeira Turma do TRF da 3ª Região, nos autos da Apelação Criminal nº 000582749.2003.4.03.618 (fls. 7929/7934), que manteve a sua absolvição na esfera penal, para fim de dar provimento ao seu recurso voluntário e cancelar o Termo de Sujeição Passiva. Enfim, em 6/10/2015, o recorrente Carlos Roberto Carnevali juntou aos autos a petição de fls. 7937/7938, na qual comunicou o trânsito em julgado da referida decisão da Primeira Turma do TRF da 3ª Região, com base no fato de que o Ministério Público havia desistido da interposição de recurso especial, nos termos da petição de fl. 7945. Enfim, 8/6/2016, por meio da petição de fls. 7998/8000, os sujeitos passivos solidários Hélio Benetti Pedreira e Gustavo Henrique Castellari Procópio informaram que a sentença absolutória lhes favoráveis, proferida no âmbito da referida ação criminal, fora confirmada pelo TRF da 3ª Região e transitou em julgado em 10/6/2015. Assim, devidamente demonstrado, no caso em apreço, a inocorrência do fato delituoso por meio do trânsito em julgado da decisão de absolvição, a ratio decidendi alcançada no âmbito da esfera penal atingia, instantaneamente, a esfera civil e administrativa. À vista dessas considerações, não havia dúvidas quanto ao fato de que nenhum ato praticado pelos peticionários fora considerado pelo Poder Judiciário ilícito, de modo que não era possível que eles fossem considerados responsáveis por qualquer infração à legislação tributária ou aduaneira, logo, por mais esse motivo, devia ser integralmente cancelado os respectivos Termos de Sujeição Passiva Salidária lavrados em face deles. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 8263DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 20 Os recursos apresentados são todos tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Da delimitação do procedimento fiscal em apreço. O motivo das autuações em apreço foi a constatação, por parte da fiscalização, de que autuada e os sujeitos passivos solidários, mediante fraude, simulação e conluio, concorreram para a prática das infrações caracterizadas como (i) interposição fraudulenta nas operações de importação e (ii) subfaturamento no preço dos equipamentos importados. Da delimitação da controvérsia. Os responsáveis solidários que recorreram da decisão de primeiro grau foram os seguintes: a) as pessoas jurídicas Cisco do Brasil Ltda. e Mude Comércio e Serviços Ltda., doravante denominadas, respectivamente, de CISCO DO BRASIL e MUDE; e b) as pessoas físicas Carlos Roberto Carnevali, Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos, Moacyr Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio e José Roberto Pernomian Rodrigues. A contribuinte e importadora TDC e as demais pessoas físicas, arroladas como responsáveis solidários, embora regularmente cientificadas da decisão de primeiro grau, não apresentaram recurso voluntário. Da leitura das robustas peças recursais colacionadas aos autos, verificase que há identidade ou similaridade em relação a maior parte das razões de defesa nelas aduzidas. Dessa forma, com vistas a conferir racionalidade, objetividade e evitar repetições desnecessárias, as razões de defesa idênticas ou semelhantes serão analisadas em conjunto, contudo, caso algumas delas estejam baseadas em argumentos distintos, se relevantes, serão destacados e abordados em separado. I DAS QUESTÕES PRELIMINARES Em preliminar, os recorrentes alegaram a nulidade (i) do acórdão recorrido, (ii) de parte das provas colacionadas aos autos pela fiscalização e (iii) dos autos de infração. I.1 Da Nulidade da Decisão de Primeira Instância Com exceção de Carlos Roberto Carnevali e de CISCO DO BRASIL, os demais recorrentes alegaram a nulidade da decisão de primeira instância, com base no argumento de que a 2ª Turma da DRJ em São Paulo II não tinha competência para o julgamento da lide. Segundo os recorrentes, a competência para o julgamento da matéria em questão era da DRJ Fortaleza, porque o domicílio fiscal da contribuinte e autuada TDC era o município de Salvador/BA, pertencente a 5ª Região Fiscal. Sem razão os recorrentes. A Portaria RFB 1.916/2010 (revogada pela Portaria RFB 1.006/2013), vigente na data em que proferida a decisão recorrida, disciplinava a competência, territorial (“circunscrição”) e por matéria, das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), relacionando as matérias de julgamento por Turma. No Anexo I da referida Portaria há a indicação da “localização” das DRJ, da “circunscrição territorial” e das “matérias”. Consta do referido Anexo que tanto a DRJ São Paulo quanto a DRJ Fortaleza possuem competência para o julgamento de matéria afeta à tributação no comércio exterior e penalidades decorrentes, em Fl. 8264DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.005 21 suas respectivas “circunscrições” (DRJ São Paulo, na 8a Região Fiscal, e DRJ Fortaleza, nas 1ª, 2ª, 3ª, 5ª e 6ª Regiões Fiscais). Contudo, equivocamse as recorrentes ao entender que a “circunscrição” indicada no Anexo I da Portaria é definida pelo domicílio tributário do sujeito passivo (ou de um deles, no caso o da contribuinte TDC), pois, sabidamente, a “circunscrição” é definida pelo local de lavratura do auto de infração, conforme entendimento firmado nos Pareceres Cosit nº 32, 12 de agosto de 2003; nº 27, 23 de outubro de 2002, e nº 29, de 18 de maio de 1999. Diferentemente da “circunscrição”, a “jurisdição” é nacional, conforme disposto no art. 2293 do Anexo da Portaria do MF 587/2010, que aprovou o Regimento Interno da RFB, vigente à época (revogada pela Portaria MF 203/2012). Dessa forma, como os questionados autos foram lavrados pela Equipe Especial de Fiscalização Aduaneira da Superintendência Regional da RFB na 8a Região Fiscal, a competência para o julgamento de primeiro grau era da DRJ São Paulo II, conforme, acertadamente, entendeu o Presidente da 7ª Turma da DRJ Fortaleza, ao declinar da competência de julgamento em favor da DRJ São Paulo II, por meio do Despacho de fl. 5745. Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão recorrida. I.2 Da Nulidade das Provas Colacionadas aos Autos Os recorrentes alegaram a nulidade das provas coligidas aos autos pela fiscalização, com base nos seguintes argumentos: a) impossibilidade de utilização de provas emprestadas, obtidas no âmbito de procedimento criminal, instaurado com finalidade exclusivamente penal; b) ausência de relação entre as provas e o lançamento; e c) falta de transcrição na íntegra das escutas telefônicas e dos arquivos telemáticos. Da impossibilidade de utilização da prova emprestada Os recorrentes alegaram que as provas obtidas no âmbito do Procedimento Criminal Diverso nº 2005.61.0092851, instaurado pela 4ª Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo, não poderiam ser juntadas aos autos nem utilizadas para embasar a exigência fiscal em tela, pois eram provas colhidas com finalidade exclusivamente penal, conforme determina o art. 5º, XII, da Constituição Federal, caracterizando crime a sua utilização sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei, conforme dispõe o art. 104 da Lei n° 9.296, de 1996. Diferentemente do alegado pelos recorrentes, o referido preceito legal não trata da utilização posterior das provas, regularmente, colhidas no âmbito do procedimento criminal, tampouco proíbe que tais provas sejam utilizadas para instrução de procedimentos distintos do penal, incluindo o procedimento administrativo fiscal, especialmente quando tais investigações foram realizadas com objetivo específico de apurar fraudes nas operações de importação realizadas pelo denominado “Grupo MUDE”. 3 “Art. 229. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: (...)” 4 "Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei." Fl. 8265DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 22 E o entendimento aqui esposado está em consonância com a firme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), que admite a utilização dos dados obtidos em interceptação de comunicações telefônicas e em escutas ambientais, judicialmente autorizadas para produção de prova em investigação criminal ou em instrução processual penal, em procedimento administrativo disciplinar, seja contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às quais foram colhidos, ou até contra outros servidores cujos supostos ilícitos teriam despontado à colheita das correspondentes provas, conforme explicitado no enunciado da ementa do julgamento da Questão de Ordem, suscitada no âmbito do Inquérito 2.4244/RJ, a seguir reproduzido: EMENTA: PROVA EMPRESTADA. Penal. Interceptação telefônica. Escuta ambiental. Autorização judicial e produção para fim de investigação criminal. Suspeita de delitos cometidos por autoridades e agentes públicos. Dados obtidos em inquérito policial. Uso em procedimento administrativo disciplinar, contra outros servidores, cujos eventuais ilícitos administrativos teriam despontado à colheita dessa prova. Admissibilidade. Resposta afirmativa a questão de ordem. Inteligência do art. 5º, inc. XII, da CF, e do art. 1º da Lei federal nº 9.296/96. Precedente. Voto vencido. Dados obtidos em interceptação de comunicações telefônicas e em escutas ambientais, judicialmente autorizadas para produção de prova em investigação criminal ou em instrução processual penal, podem ser usados em procedimento administrativo disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às quais foram colhidos, ou contra outros servidores cujos supostos ilícitos teriam despontado à colheita dessa prova. (STF. Inq 2424 QOQO, Rel. Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 20/06/2007) – grifos não originais Logo, por ter a mesma natureza e finalidade do procedimento administrativo disciplinar, induvisamente, tal entendimento também se aplica ao procedimento administrativo fiscal. Assim, desde que regularmente autorizadas, como foi no caso em tela, tais provas não só podem ser utilizadas no âmbito do processo administrativo fiscal lavrado contra as pessoas em relação às quais foram inicialmente colhidas, quanto em relação àquelas que, embora não integrando o rol inicial dos investigados, a posterior análise das referidas provas revelaram que elas também cometeram ou concorreram para a prática dos supostos ilícitos. Também no mesmo sentido, tem se manifestado a jurisprudência deste Conselho, conforme se observa no julgado recente da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção, cuja enunciado da ementa sobre a matéria, segue transcrito: ESCUTA TELEFÔNICA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. É válida a prova carreada aos autos decorrente de escuta telefônica se a coleta e o repasse à RFB das informações derivadas da escuta forem judicialmente autorizados.5 Dessa forma, se há nos autos expressa autorização judicial (fls. 307/310) para utilização das provas produzidas no âmbito citado Inquérito Policial e uma vez comprovada a participação de todos os recorrentes no citado esquema de fraude, consequetemente, não existe qualquer óbice na utilização das referidas provas no âmbito deste processo, para fim de 5 BRASIL. CARF. Acórdão nº 3403002.434, rel. Cons. Rosaldo Trevisan, j. 24 set 2013. Fl. 8266DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.006 23 comprovação das infrações tributárias e ao controle administrativo das importações, que foram imputadas pela fiscalização aos recorrentes. Com base nesse entendimento, também fica afasta a alegação de ilicitude das referidas provas, suscitada pela recorrente CISCO, em razão de não ter integrado a relação dos investigados no âmbito do citado inquérito policial. A recorrente CISCO alegou ainda que, na formação da prova, houve violação ao contraditório e ao direito de defesa, sob o argumento de que não lhe fora dada oportunidade de intervir ou participar do referido procedimento criminal. Sem razão a recorrente. Ora, se o referido procedimento criminal fora instaurado exclusivamente para apurar as possíveis condutas delitivas das pessoas físicas integrantes do “Grupo MUDE”, obviamente, não havia justificativa plausível para a recorrente CISCO interviesse ou participasse do citado procedimento, examinando ou questionando as provas colhidas. Além disso, por ser regido pelo princípio da inquisitoriedade, a fase do procedimento criminal, assim como a fase do procedimento fiscal, sabidamente, sabidamente, não é ainda o momento propício para o exercício do contraditório e do amplo direito de defesa. No caso, com a ciência da recorrente da conclusão do procedimento fiscal em apreço, o contraditório e o pleno exercício do direito de defesa foilhe assegurado e plenamente exercido, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos com as robustas peças defensivas. E nesta fase, cabia a recorrente contestar as provas colhidas no âmbito do citado procedimento criminal e coligidas aos presentes autos, o que foi feito oportuna e adequadamente pela recorrente CISCO. Por todas essas razões, fica demonstrada improcedência das alegações dos recorrentes de que as provas produzidas no âmbito do citado procedimento judicial não poderiam ser utilizadas neste processo. Da ausência da relação entre as provas apresentadas e os lançamentos. Alegaram os recorrente que a fiscalização, para desenvolver seu raciocínio e concluir que ocorrera a prática das alegadas fraudes, valeuse de interpretação das escutas telefônicas, dos emails interceptados e de documentos apreendidos, porém, tais documentos, sobretudo os emails e documentos apreendidos não abrangiam a totalidade, ou qualquer parte, do período objeto da autuação. Em consequência, mesmo que pudessem ser utilizados como prova da infração tributária, o que admitia apenas para argumentar, ainda assim tais documentos não poderiam gerar qualquer obrigação tributária nos períodos com os quais não tem qualquer contemporaneidade. Não assiste razão aos recorrentes. Não se deve confundir as provas colhidas no âmbito procedimento penal e que, parte delas, serviram de fundamento para as autuações, com aquelas outras provas destinadas a comprovação das fraudes reladas nos presentes autos, que foram atribuídas aos recorrentes. Estas referemse a todo o período da autuação e se destinam a comprovar o esquema de interposição fraudulenta relatado pela fiscalização, enquanto que as primeiras Fl. 8267DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 24 destinamse a comprovar a prática do subfaturamento no preço dos produtos importados no período objeto da autuação em questão. Não é demais relembrar que, embora tenha sido apuradas várias fraudes no curso da “Operação Persona” e dos correspondentes procedimentos fiscais levado a efeito contra os integrantes do “Grupo MUDE”, as autuações em apreço limitamse a dois tipos de irregularidades, a saber: interposição fraudulenta e subfaturamento nos preços dos produtos importados. Ademais, cabe ainda a ressaltar que as penalidades decorrentes da interposição fraudulenta não foram objeto das autuações em apreço. Portanto, as alegações suscitada pelos recorrentes cingemse apenas às primeiras modalidades de provas, isto é, aquelas destinadas a comprovar a existência do indigitado esquema de interposição fraudulento, que, conforme exposto no item “4.1.2 A EVOLUÇÃO DO ESQUEMA DE INTERPOSIÇÃO” (fls. 41/48) do citado Relatório de Auditoria Fiscal, funcionou de forma intensa durante mais seis anos, precisamente, desde anos de 2001 até o dia 16/10/2007, quando foi deflagrada a denominada “Operação Persona”. A fiscalização informou ainda que, no referido período, o esquema fraudulento foi alvo de diversas ações de fiscalização, que culminaram com a aplicação de pena de perdimento de mercadorias e outras autuações com vistas à cobrança de tributos descaminhados e à imposição de diversas penalidades pecuniárias. Porém, demonstrando total menosprezo para com o cumprimento das normas tributárias e do controle do comércio exterior, os mentores do esquema sempre reincidiam nas mesmas práticas fraudulentas, só que de forma mais sofisticada, evidenciando a intenção deliberada de esconder as novas práticas fraudulentas do conhecimento das autoridades responsáveis pelo controle aduaneiro, cambial, administrativo e tributário. Tais provas foram colacionadas aos autos, obviamente, com o objetivo de demonstrar a origem, o modus operandi e as pessoas intervenientes e mentoras/criadoras do imponente esquema de interposição fraudulenta, que, embora tenha se sofisticado durante todo período de cometimento das fraudes, a finalidade e o resultado obtido foram sempre o mesmo: fraudar o controle aduaneiros e reduzir o pagamento dos tributos incidentes na operação de importação. Nesse contexto, revelase normal que tais provas refiramse a todo o período da fraude e não apenas ao curtíssimo período das autuações em questão, que vai de 19/9/2007 a 3/10/2007, ou seja, menos de um mês. Logo, nestes autos, estáse tratando de um pequeníssimo período de funcionamento do esquema, mas, por demais relevante, porque ele evidencia o estágio mais sofisticado da logística operacional e procedimental de fraude levado a cabo por mais de 6 anos pelo “Grupo MUDE” e que, a cada investida da fiscalização aduaneira, continuava a praticar o mesmos delitos, só que de forma mais sofisticada. Cabe ainda ressaltar que as importações objeto das presentes autuações foram realizadas pela contribuinte e importadora TDC, constituída em 7/3/2007, a última das pessoas jurídicas constituídas pelo citado Grupo, para servir de interposta pessoa e de elo importante, com vistas à execução e implementação das fraudes relatadas pela fiscalização. Ratifica o asseverado e, certamente, não se trata de mera coincidência, que o fato de os dois sócios formais (“laranjas”) da citada empresa serem dois funcionários da autuada MUDE, real beneficiária e responsável pelas importações. Em relação à prática do subfaturamento que, deu origem as presentes autuações, as provas colacionadas aos autos são todas elas contemporâneas aos fatos geradores que resultaram nas autuações em apreço. Fl. 8268DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.007 25 Com efeito, da análise das cópias das faturas comerciais, dos extratos das Declarações de Importação (DI) e das notas fiscais de entrada e saída das mercadorias colacionadas aos autos (fls. 320/415), que integram o Anexo 3 do citado Relatório Fiscal, verificase que toda a documentação referese às operações de importação objeto das contestadas autuações. Além disso, em vez de alegar a insubsistência das provas coligidas aos autos pela fiscalização, os recorrentes limitaram em contestar a autoria e a data de alguns poucos documentos (emails, planilhas, memórias de cálculo, agenda etc.), apreendidos no curso da “Operação Persona”, sem, contudo, apresentar qualquer prova que corroborassem tais argumentos. Acontece que esses documentos serviram apenas de suporte para comprovação das fraudes grotescamente praticadas mediante a separação, apenas documental, dos equipamentos dos respectivos programas necessários para que eles tivessem alguma utilidade prática e o valor comercial de compra informado, conforme a seguir demonstrado. Assim, fica demonstrado que, ao contrário do que alegaram os recorrentes, as presentes autuações não foram fundamentadas em “simples suposições”, mas em provas cabais colhidas no âmbito da referida operação e outras tantas extraídas dos sistemas de dados da Receita Federal, especialmente do Siscomex. Ratifica o asseverado, o fato de as autuações terem sido feitas com base nas DI elaboradas pela própria autuada. Portanto, tratase de provas hábeis e idôneas, com vistas a comprovação da diferença de base de cálculo dos tributos lançados e do valor que serviu de base para o cálculo da multa por subfaturamento aplicada, principalmente, tendo em conta que, em relação a estas provas, não houve contestação por parte dos recorrentes. Com base nessas considerações, fica demonstrada a insubsistência do referido argumento. Da ausência de procedimento de fiscalização em face dos recorrentes Os recorrentes alegaram que na lavratura dos Termo de Sujeição Passiva Solidária, a fiscalização deveria ter realizado, no mínimo, algum procedimento de fiscalização prévio em face dos recorrentes, para obteção de informações e documentos relacionados ao fato jurídico infracional. Tal argumento não procede. A intimação prévia, com vista a prestar informações ou apresentar documentos somente se mostra imprescindível quando a fiscalização não possui os elementos necessários com vistas à instrução probatório do procedimento fiscal. Essa situação configurava no caso em tela, haja vista que as provas colhidas no âmbito da “Operação Persona”, complementadas com aquelas extraídas da base dados da Receita Federal, revelaram se suficientes para a configuração das infrações por interposição fraudulenta, declaração inexata e subfaturamento nos preços dos produtos importados, que motivaram as autuações em questão. Fl. 8269DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 26 Além disso, nos termos do art. 3º6 da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, a fiscalização tinha a obrigação de cientificar os responsáveis solidários dos correspondentes autos de infração, mas não do início do procedimento fiscal. Por todas essas razões, rejeitase o argumento em tela e a preliminar nulidade das provas coligidas aos autos. I.3 Da nulidade dos autos de infração Os recorrentes alegaram ainda nulidade dos autos de infração, com base nos argumentos a seguir analisados, em conjunto ou individualmente. Da falta de transcrição na íntegra das escutas telefônicas e arquivos telemáticos. Os recorrentes alegaram que as escutas telefônicas e os arquivos telemáticos utilizados para fundamentar e motivar os autos de infração não foram integralmente transcritos, seja no Relatório de Auditoria Fiscal, seja em qualquer dos documentos anexos ao citado Relatório, o que configurava cerceamento ao direito de defesa. Sem a razão os recorrentes, haja vista que as provas coligidas aos autos, ressaltase novamente, tem por objetivo comprovar a prática de duas infrações distintas, cometidas pelo denominado “Grupo MUDE”, a saber: a) a interposição fraudulenta nas operações de importação, incluindo os vínculos por interesse comum e a condição de real adquirente da recorrente MUDE; e b) a prática de subfaturamento nos preços dos produtos importados. No que tange a esta última infração, verificase que são exclusivamente documentais as provas colacionada aos autos (Anexo 3 fls. 320/416), tais como: planilhas, faturas comerciais (invoices), extratos de DI, notas fiscais de entrada e saída etc. Essa documentação foi apreendida no âmbito da “Operação Persona” ou extraídas do Siscomex ou outros sistemas de dados da administrados pela Receita Federal, conforme explicitado no item 11 do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 225 e ss), e resumido no trecho a seguir transcrito (fl. 231): "Curiosamente", já na planilha Embarque, encontrada na empresa Whats'up, datada de 05/09/2007, previamente podiase identificar toda a trajetória das mercadorias, desde a CISCO USA até a MUDE LTDA, com suas especificações técnicas, seus preços e percentuais cobrados pelos interpostos, a título de prestação de serviços. Na invoice emitida da MUDE USA para o exportador GSD vinha a identificação 1709T002004 no campo "Reference". Nas invoices emitidas da GSD para o importador TDC vinham as identificações 01T002, 01T003FFH e 01T004, como número da invoice. Com relação à quantidade, observamos 29 (vinte nove) unidades do roteador CISC018411TEM na planilha Embarques, na 6 "Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese docaput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento." Fl. 8270DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.008 27 planilha Numero de Série aqueles de valor unitário 208,8 e associados ao "Shipment Number" 01T002F , na invoice da CISCO USA n° 11157889, na invoice da MUDE USA n° 72534 aqueles de valor unitário 213,06 (208,8 + 2 % * 213,06), e na nota fiscal de saída nº 004650 da TECNOSUL para a MUDE LTDA. Observase que na Declaração de Importação e nas notas fiscais 000209/03 e 000211/01, respectivamente de entrada e saída da importadora TDC, temos 341 unidades para este roteador. A separação das 29 unidades dáse na saída da TECNOSUL para a MUDE LTDA, o que se observa na nota fiscal de saída n° 0004650, com a descrição "218831 188132 Ciscol841ltem" para as 29 unidades. O número 218831 refere se à coluna "Cód. Pedido" da planilha Embarque e o n° 188132 à coluna "Código" desta mesma planilha. No extrato da declaração de importação 07/12750376, na segunda primeira página, a empresa TDC: é identificada como "Importador e como Adquirente da Mercadoria", ocultando o verdadeiro adquirente. Em "dados complementares", página 2 (2 de 9), 01T002, 01TÜ03FITI e 01T0Ò4 são as identificações das faturas comerciais. Em síntese, a mercadoria saía da CISCO USA como se a MUDE USA fosse o verdadeiro adquirente. Nas faturas de emissão da MUDE USA e do exportador interposto GSD, a TDC já era evidenciada como adquirente. Na Declaração ;de Importação a TECNOSUL e a MUDE LTDA não eram identificadas, aparecendo a TDC como importador e adquirente. Na saída da TECNOSUL para a MUDE LTDA, as notas fiscais de saída da TDC e da TECNOSUL permitiam individualizar a mercadoria na planilha Embarque. A empresa MUDE LTDA, verdadeiro adquirente, que, em conjunto com a CISCO BRASIL, arquitetou toda a fraude, somente aparecia na nota fiscal de saída do distribuidor interposto no Brasil (TECNOSUL e NACIONAL no caso da importadora ABC). (grifos do original) Da leitura do texto transcrito, fica evidenciado que as escutas telefônicas não foram reproduzidas, na íntegra, no citado Termo de Auditoria Fiscal, porque não havia necessidade. Tais provas foram utilizadas apenas para reforçar a comprovação da mencionada fraude. Até porque os demais documentos apreendidos durante a referida operação (planilha de embarque, faturas comerciais, notas fiscais de entrada e saída etc.), juntamente com os dados das importações obtidos do Siscomex e demais sistema de dados da Receita Federal, foram suficientes para comprovar a prática reitera e intencional de subfaturar os preços dos equipamentos importados. Assim, fica demonstrado que o questionamento dos recorrentes aplicase apenas à comprovação da primeira infração, isto é, a interposição fraudulenta, em especial, o vínculo entre os responsáveis solidários e à contribuinte TDC. Nesse sentido, é pertinente ressaltar que os elementos probatórios destinados a comprovar o vinculo entre os recorrentes, assim como se dava a participação de cada deles no esquema de fraude em referência, encontramse mencionados e colacionados aos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 665 e ss., 883 e ss., 1086 e ss., 1247 e ss., 1613 e ss., 2.098 e ss., 2889 e ss., 3300 e ss. e 3392 e ss.). Nestes Termos, estão colacionados não só os Fl. 8271DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 28 documentos apreendidas durante a citada Operação, mas também farta transcrição das coversas telefônicas interceptadas e da correspondência eletrônicas (e.mails) contidas nos arquivos telemáticos apreendidos durante a “Operação Persona”. A título de exemplo, citase o Termo de Sujeição Passiva Solidária da recorrente MUDE, onde se verifica várias transcrições das citadas conversas e correspondências, o que pode ser confirmado nas seguintes folhas dos autos: 3313/3314, 3316/3325, 3329/3334 e 3345/3346. Da mesma forma, encontramse fartas transcrições nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária (TSPS) dos demais recorrentes pessoas físicas, dentre os quais, merece destaque as contidas no Termo do responsável solidário Marcílio Palhares Lemos (fls. 2100/2101, 2108, 2125/2217 e 2130/2137). O mesmo ocorreu com os demais TSPS, com um detalhe que precisa ser ressaltado: logo após tais transcrições, segue as provas documentais confirmando o que foi combinado nas mencionadas conversas e correspondências, o que ratifica que tais elementos probatórios representam apenas provas subsidiárias que, de forma congruente, corroboram e reforçam o teor das abundantes provas documentais colacionadas aos autos, com vistas à comprovação da infração por interposição fraudulenta, em especial, o vínculo dos sujeitos passivos solidários com a autuada TDC, empresa comprovadamente de fachada usada no esquema de fraude em referência com a função de realizar, formalmente, as operações de importação que deram origem às questionadas autuações e viabilizar prática do subfaturamento sem a participação direta da real importadora e solidária MUDE. Não se pode olvidar que este processo trata de matéria tributária e de infração ao controle administrativo das importações, consequentemente, as provas a ele carreadas devem ser apenas aquelas necessárias e suficientes para comprovar os fatos que motivaram as autuações em apreço. Assim, fica evidenciado que não revela plausível a pretensão dos recorrentes no sentido de que constassem dos autos as transcrições, na íntegra, de todas as conversas telefônicas interceptadas e de todas mensagens eletrônicas contidas nos arquivos telemáticos apreendidos no curso da “Operação Persona”. Na verdade, em vez de contestar as fartas conversas telefônicas e mensagens eletrônicas transcritas nos citados termos, os recorrentes limitaramse a questionar, de forma genérica, a ausência das transcrições que não foram carreadas aos autos pela fiscalização, sem especificar um motivo concreto nem apresentar qualquer prova adequada e idônea que justificasse tal questionamento. Dessa forma, tais documentos, complementados com a transcrição das conversas telefônicas, revelam a parte dissimulada do esquema de fraude em apreço implementado pelo “Grupo MUDE”, sob a orientação e o comando das pessoas físicas arroladas como sujeitos passivos solidárias, com evidente intuito de subfaturar os preços dos produtos importados. Ademais, estranhamente, os recorrentes nada disseram acerca dos documentos apreendidos em poder dos recorrentes, que revelam como eram simuladas às operações formais de importação por conta própria declaradas aos órgãos de controle de comércio exterior. Além disso, as robustas defesas apresentadas pelos recorrentes, nas duas oportunidades que compareceram aos autos, evidenciam que o contraditório foi exercido em consonância com o disposto na legislação e que os recorrentes tiveram pleno conhecimento dos fatos e do fundamento legal, consignados nas autuações. Fl. 8272DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.009 29 Com base nessas considerações, rejeitase todas as alegações de cerceamento de direito e afronta contraditório, suscitadas pelos recorrentes neste tópico. Dos vícios na determinação do valor aduaneiro e necessidade do arbitramento: alegação da recorrente MUDE. A recorrente MUDE alegou nulidade das autuações, por vício material, com base nos argumentos de que, na determinação do valor aduaneiro, como não existiam todas as faturas com os valores dos softwares, não fora utilizado o valor pelo qual os produtos foram exportados, o que exigia que a fiscalização procedesse o arbitramento com base nos critérios sequenciais estabelecidos no art. 88 da Medida Provisória 2.15835/2001. Sem razão a recorrente. Determina o referido preceito legal, que, no caso de comprovada fraude, sonegação ou conluio, a fiscalização somente utilizará os critérios de arbitramento, fixados nos incisos I e II do citado art. 88, se não for possível a apuração do preço efetivamente praticado na operação de importação. No caso em tela, encontrase sobejamente comprovada nos autos o cometimento de fraude, sonegação e conluio em todas as operações de importação realizadas pela importadora TDC, objeto das presentes autuações. Além disso, de acordo com o subitem 6.3 do citado Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 147 e ss.), com base nas faturas comerciais (invoices), emitidas pela própria fabricante CISCO SYSTEMS INC (real exportadora) e apreendidas na empresa WHAT'S Up7 (integrante do Grupo MUDE e considerada, de fato, como o setor de importação da recorrente MUDE), a fiscalização apurou o preço efetivamente praticado na importação de cada equipamento. Com efeito, esclareceu a fiscalização (fls. 225 e ss.), que, para fim de apuração dos preços efetivamente praticados nas respectivas transações comerciais, os documentos emitidos e as planilhas elaboradas pela MUDE/What's Up, para controle das importações (Anexo 3 fls. 320/416), foram separados por processo de importação, para cada um dos equipamentos para os quais fora detectada a prática de subfaturamento. As referidas planilhas contêm informações detalhadas sobre a identificação dos equipamentos (número de série, o pedido de compra, o part number, o código de controle do processo de importação e o número do Pallet de embarque do equipamento). E as faturas comerciais (invoices) emitidas pela fabricante CISCO SYSTEMS INC. para MUDE USA LLC, desta para a interposta 7 Eis o relato da fiscalização sobre a função desepenhada pela What's Up (fls. 111/112): "A MUDE LTDA, patrocinadora de todo o esquema fraudulento, tinha controle sobre todas as operações de importação do esquema, aí englobando o estabelecimento dos preços das mercadorias, a parte logística no exterior (transporte e armazenamento), o seguro internacional, o pagamento das importações, o controle sobre a chegada das mercadorias e o despacho aduaneiro (procedimento de nacionalização). Dado o grande volume comercializado, esse controle era imprescindível e demandava recursos humanos e materiais, integrantes de um grande aparato empresarial. Visando evitar a vinculação da Mude aos processos de importação, foi criada a WHAT'S UP, que tinha a incumbência de cuidar de toda a logística, funcionando verdadeiramente como "o setor de importação da Mude", como já demonstrado. Desta forma, a WHAT'S UP detinha todo o controle dos processos de importação em andamento (como o financeiro, o operacional e o logístico). Salientase, entretanto, que em relação à parte financeira, não era a WHAT'S UP quem disponibilizava os recursos para pagamento das importações, restringindose a realizar o acompanhamento dos pagamentos feitos, via DISTRIBUIDORAS INTERPOSTAS, às IMPORTADORAS INTERPOSTAS. Os recursos eram repassados, antecipadamente, pela empresa MUDE, verdadeira adquirente das mercadorias." Fl. 8273DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 30 exportadora (GSD) e, por fim, desta para a interposta importadora TDC. Tais faturas comprovam que os preços praticados, bem como os simulados (ideologicamente falsos), em toda a cadeia de efetiva comercialização dos equipamentos, assim como das operações de comercialização simuladas, com vistas à pratica do subfaturamento em comento. Para melhor compreensão do modus operandi do esquema de fraude em referência, transcrevese a seguir o elucidativo excerto extraído do citado Relatório de Auditoria Fiscal: Em todos os tipos de fraude, embora na empresa TDC somente tenhamos identificado o tipo de fraude n° 2, havia um tratamento específico para os softwares “ocultos”, visando,. dar.; aparência de legalidade às operações. Em declarações de importação distintas daquelas nas quais eram trazidos os hardwares correspondentes, os softwares eram importados em mídias (CD 's). Essas importações, além de justificarem o envio do valor referente aos softwares ao exterior, para que;a CISCO USA recebesse pela venda de seus produtos (hardware mais software), resultavam em menor tributação sobre o valor dos softwares, pois quando importados em mídias, e desvinculados dos equipamentos os tributos aduaneiros somente incidem sobre o valor ínfimo das mídias, desconsiderando o valor dos programas nelas gravados. Finalmente, na empresa MUDE (Brasil), apesar de fisicamente a separação nunca haver ocorrido, cada hardware, juntavase “fictamente” (apenas documentalmente) ao software, fechando assim o ciclo fraudulento, de interposição e subfaturamento, de encontro ao que preceitua a legislação, no Art. 81 do Decreto 6759/09. (grifos do original) Dessa forma, uma vez demonstrado que foi com base nos preços informados nas faturas comerciais emitidas pela CISCO SYSTEMS INC. (real exportadora), apreendidas no curso da “Operação Persona”, que a fiscalização glosou os preços ideologicamente falsos declarados nas DI. E na determinação do real valor aduaneiro foram utilizados os preços efetivamente praticados nas correspondentes operações de importação, extraídos das citadas faturas comerciais, com respaldo no disposto no caput do art. 88 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Assim, se na apuração da base de cálculo dos valores lançados nas autuações em questão, a fiscalização utilizou os preços reais dos equipamentos transacionados pela fabricante e real exportadora CISCO SYSTEMS INC., inequivocamente, resta ser dispensável a utilização dos critérios alternativos de arbitramento dos preços, previstos nos incisos I e II do citado art. 88, conforme alegado pela recorrente. Com base nessas razões, também fica evidenciada a improcedência da alegação da recorrente MUDE de que houve evidente ilegalidade nas autuações, posto que a fiscalização havia se baseado em meras presunções. Enfim, como não foram apresentadas contraprovas idôneas, que infirmassem a autoria das referidas planilhas e a inidoneidade das citadas faturas comerciais, mas alegações acerca da legitimidade do procedimento adotado nas correspondentes importações, não há como acatar as alegações suscitadas pela recorrente MUDE. Da mudança de critério de jurídico: alegação da recorrente Mude. A recorrente MUDE alegou nulidade das autuações, sob argumento de que houve mundança de critério jurídico, com ofensa ao artigo 146 do CTN, haja vista que, após Fl. 8274DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.010 31 desembaraço aduaneiro, inclusive no canal verde, ocorrera a homologação do lançamento, logo, a autoridade aduaneira não poderia rever seu entendimento acerca da correta valoração aduaneira dos produtos, aplicando novo posicionamento retroativo a situações já consolidadas, sem demonstrar qualquer erro de fato que pudesse autorizar a revisão. O art. 146 do CTN tem o seguinte teor, in verbis: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) Da simples leitura do comando legal em destaque, verificase que ele trata da mudança de “critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento”. Logo, para que haja a modificação do critério jurídico é condição necessário, porém não suficiente, que exista um prévio critério jurídico estabelecido pela autoridade administrativa no âmbito do denominado lançamento de ofício, definido nos termos do 142 do CTN, que se instrumentaliza por meio do auto de infração ou notificação de lançamento, nos termos dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de 7 de março de 1972 (PAF). No caso em tela, como não houve lançamento de ofício anteriormente às presentes autuações, obviamente, inexistia qualquer critério jurídico da autoridade administrativa a ser modificado, o que, por óbvio, é suficiente para demonstrar a insubsistência da alegação em apreço. Na verdade, noticiam os autos que o critério jurídico que havia anteriormente aos questinados lançamentos eram o do subfaturamento no preço das mercadorias declaradas nas DI apresentadas pela importadora aparente (de direito) TDC, com vistas a reduzir o pagamento dos tributos devidos na opeação. Além disso, as autuações em apreço foram decorrentes de procedimento de revisão aduaneira, realizado em conformidade com disposto no artigo 54, I, do Decretolei n° 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Com base no comando legal em destaque, inferese que a autoridade fiscal tem um prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da DI, para apurar a regularidade do pagamento dos tributos e a exatidão das informações prestadas pelo importador. E o procedimento de revisão aduaneira de que trata o referido preceito legal, sabidamene, está em perfeita consonância com disposto nos incisos I do art. 149 do CTN. Porém, ainda que não existisse tal previsão legal, certamente, o fato do sujeito passivo, no caso em tela, ter agido com dolo, fraude ou simulação constitui condição Fl. 8275DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 32 suficiente para a realização da revisão das respectivas DI, por expressa determinação do art. 149, VII, do CTN, a seguir transcrito: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; [...] (grifos não originais) Além disso, a recorrente confunde mudança critério jurídico com erro de direito, conceitos distintos, segundo a boa doutrina. Deveras, erro de direito decorre da ignorância da lei ou da sua inadequada interpretação. No primeiro caso, a autoridade lançadora se baseia em preceito legal inexistente, revogado ou incompatível com a situação de fato (erro de enquadramento legal). No segundo caso, ela interpreta erroneamente o preceito legal, extraindolhe um falso conhecimento (erro de fundamentação jurídica). Por sua vez, mudança de critéiro jurídico decorre de nova interpretação do preceito legal, atribuindolhe um outro significado idôneo, ou quando autoridade lançadora opta por uma outra alternativa legítima de aplicação do preceito legal. Nesse sentido, a doutrina de Hugo de Brito Machado8, exposta no fragmento de texto a seguir trasncrito: Não se trata da questão relativa ao erro. Mudança de critério jurídico não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito, embora a distinção, relativamente a este último, seja sutil. Há erro de direito quando o lançamento é feito ilegalmente, em virtude de ignorância ou errada compreensão da lei. O lançamento, vale dizer, a decisão da autoridade administrativa, situase, neste caso, fora da moldura ou quadro de interpretação que a Ciência do Direito oferece. Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado.(grifos do original). Com base nessas considerações, rejeitase o argumento em tela e a alegação de nulidade do auto infração. II DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 8 MACCHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 28. ed. São Pualo: Malheiros, 2007, p. 203. Fl. 8276DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.011 33 Inicialmente, é oportuno esclarecer que são distintos o motivo e a fundamentação legal da responsabilidade solidária passiva (i) da pessoa jurídica MUDE e (ii) da pessoa jurídica CISCO e das pessoas físicas. Também são distintas a fundamentação legal da sujeição passiva solidária referente a (i) diferença de tributos e consectários legais (juros moratórios e multa qualificada), e (ii) multa regulamentar por subfaturamento nos preços dos produtos importados. II.1 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA PELOS TRIBUTOS E CONSECTÁRIOS LEGAIS. No caso em tela, a sujeição passiva solidária por interesse comum, prevista no art. 124, I, do CTN, aplicase apenas em relação aos débitos decorrentes de tributos e consectários legais lançados, incluindo a multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). Por sua vez, a multa por subfaturamento tem fundamento fático e enquadramento legal distintos, portanto, não será aqui analisada, mas em tópico específico, a seguir. Em relação a esse tópico, os recorrentes alegaram, em preliminar, a nulidade dos respectivos TSPS e, no mérito, a insubsistência dos referidos TSPS. II.1.1 Das Preliminares de Nulidade dos TSPS. Em preliminar, os recorrentes alegaram a nulidade dos respectivos TSPS, com base nos argumentos distintos. Das alegações de nulidade do TSPS pelos recorrentes pessoas físicas e pela CISCO. Em relação à cobrança das diferenças de tributos e acréscimos legais (juros moratórios e multa de ofício qualificada), o fato que motivou a atribuição de sujeição passiva solidária a todos recorrentes pessoas físicas e a recorrente CISCO foi a existência de interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal, com fundamentação no art. 124, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] (grifos não originais) Os recorrentes pessoas físicas, exceto Carlos Roberto Carnevali, alegaram a nulidade dos respectivos TSPS, sob o argumento de que a fiscalização não havia indicado o fato e o fundamento legal que deram ensejo à sujeição passiva solidária pelos tributos e consectários legais, o que havia gerado prejuízo para elaboração das respectivas peças de defesa. Sem razão os recorrentes, pois, diferentemente do alegado, encontrase expressamente consignado, no citado Termo Auditoria Fiscal, integrante do auto de infração, o motivo da imputação da sujeição passiva solidária a todos os recorrentes, conforme explicitado no excerto a seguir transcrito (fls. 288/289): Fl. 8277DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 34 Portanto, estão solidariamente obrigados com o contribuinte (a empresa TDC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA), que procedeu, de fato, à importação por conta e ordem da empresa adquirente (MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA), pelos créditos tributários constituídos neste presente auto de infração e por terem interesse comum na situação constitutiva do fato gerador das obrigações tributárias, as seguintes pessoas físicas e pessoas jurídicas: [...] E além de citar o motivo da inclusão dos recorrentes no polo passivo dos referidos autos de infração (“interesse comum na situação constitutiva do fato gerador das obrigações tributárias”), no mesmo Relatório há expressa menção ao fundamento legal da imputação da solidariedade passiva aos recorrentes, com os seguintes dizeres (fl. 265): “Contribuintes e/ou responsáveis podem ser coobrigados, conforme preceitua o Art. 124 do CTN: [...]”. Além disso, nos respectivos TSPS, encontrase mencionado o inciso I do artigo 124 do CTN, o que demonstra que a fiscalização indicou o enquadramento legal da imputação e o motivo da atribuição da solidariedade aos recorrente. De outra parte, da leitura das robustas peças de defesa colacionadas aos autos verificase que os recorrentes não só compreenderam como se defenderam adequada e suficientemente da fundamentação jurídica consignada nas autuações em questão. A recorrente CISCO ainda alegou invalidade do TSPS, sob o argumento de que ele fora lavrado com base em provas obtidas por meio de interceptação telefônica, exclusivamente, destinada ao âmbito criminal, e sem que ela tivesse participado do contraditório e exercido o direito de defesa no âmbito citado processo. Essa alegação já foi anteriormente analisada e restou demonstrada a sua improcedência, portanto, dispensa qualquer comentário adicional a respeito. Por essas razões, rejeitase a presente alegação de nulidade dos respectivos TSPS. Das alegações de nulidade do TSPS pela recorrente MUDE. De acordo com subitem 14.1 do citado Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 263/274), além do interesse comum, motivo atribuído também aos demais recorrentes, exclusivamente à recorrente MUDE foi imputada ainda a solidariedade passiva pela condição de real adquirente das mercadorias de procedência estrangeira importadas pela importadora TDC, nos termos do art. 32, parágrafo único, “c”, do Decretolei 37/1966, a seguir transcrito: Art. 32 É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei n°2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (incluído pelo DecretoLei n°2.472, de 01/09/1988). [...] c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Medida Provisória n° 215835, de 24.8.2001) Fl. 8278DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.012 35 [...] (grifos não originais) Embora o preceito legal transcrito refirase apenas ao Imposto sobre a Importação (II), é pertinente ressaltar que há preceitos legais simétricos e de mesmo teor na legislação dos demais tributos (IPI vinculado à importação, Contribuição para o PIS/Pasep Importação e CofinsImportação), bem como na legislação de comércio exterior que trata das infrações e penalidades aduaneiras, os quais foram referenciados e transcritos no citado Termo de Auditoria Fiscal (fls. 273/276), tornando dispensável a menção ou citação dos mesmos. No seu recurso (fls. 6.272/6.273), em relação à solidariedade passiva por interesse comum, a recorrente MUDE alegou nulidade do TSPS, com base no argumento de que “após ler e reler o Termo de Sujeição Passiva, não foi possível localizar menção expressa de qual hipótese de solidariedade, dentre aquelas previstas no artigo 124 do CTN (interesse comum ou legal), a D. Fiscalização entendeu ser aplicada ao caso.” Essa alegação não procede, pois, de acordo Relatório de Auditoria Fiscal, a recorrente foi enquadrada nas duas modalidades de solidariedade passiva previstas no art. 124 do CTN, a saber: a solidariedade de fato (inciso I) e a solidariedade de direito (inciso II). E, no caso, somente esta última condição revelase de todo suficiente, para configurar a condição de sujeito passivo solidário da recorrente. Além disso, as razões de defesa, suscitadas na robusta peça recursal em análise, demonstram que a recorrente não só compreendeu como se defendeu adequadamente de ambas as acusações que lhe foram imputadas. Com base nessas considerações, rejeitase a presente alegação de nulidade do TSPS. II.1.2 Da Sujeição Passiva Solidária por Interesse Comum Na autuação em apreço, conforme já mencionado, aos recorrentes foi atribuída a sujeição passiva solidária por interesse comum, com fundamento no art. 124, I, do CTN. A sujeição passiva solidária por interesse comum tratase de assunto que tem suscitado forte dissenso no âmbito da jurisprudência e da doutrina do País, de onde é possível extrair duas correntes com posições opostas. A primeira corrente, defendida por parte relevante da doutrina e endossada por parte da jurisprudência administrativa e judicial, defende que somente há solidariedade por interesse comum se houver interesse jurídico (comum), consistente na realização do fato jurídico tributário pelo solidário (solidariedade entre contribuintes). No seio dessa corrente, há os que defendem uma forma híbrida solidariedade, com a seguinte característica: a uma parte da obrigação tributária determinado sujeito passivo solidário figuraria na condição de contribuinte e na parte restante ele figuraria como responsável, com se fosse possível dividir o fato jurídico em pedaços e imputar a determinado sujeito passivo a condição de contribuinte em relação a fatia do fato gerador por ele realizado e a condição de responsável em relação a outra parte do fato tributável realizada pelos demais solidários (solidariedade como contribuinte e solidariedade como responsável). Fl. 8279DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 36 A segunda corrente, capitaneada pelas autoridades fiscais, representantes da Fazenda Nacional, parte da jurisprudência e parte minoritária da doutrina, defende que há solidariedade passiva por interesse comum se houver interesse econômico (comum), que consiste no fato de o solidário ser beneficiário da operação que deu origem à tributação, ou seja, tenha tido algum proveito material ou econômico da transação ou negócio subjacente ao evento jurídico tributário. Passase a analisar, o entendimento das duas correntes. O entendimento apresentado pela primeira, esvazia por completo o conteúdo jurídico da norma em comento, tornandoa sem qualquer efeito jurídico, haja vista que, na condição de contribuinte, em face da indivisibilidade do fato jurídico tributário, todo contribuinte, necessariamente, é considerado sujeito passivo de o todo débito tributário. Ao passo que o entendimento esposado pela segunda, confere alcance demasiado amplo, de modo que poderia ser incluído no polo passivo da obrigação tributário pessoas sem, de fato, revelar interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da respectiva obrigação. O significado e alcance da referida norma, a meu sentir e com a devida vênia aos entendimentos distintos, pode ser extraído da expressão interesse comum, de conteúdo indeterminado, sem lhe atribuir qualquer qualificativo, que não seja aquele atribuído pelo próprio texto legal, ou seja, “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. E qual é a situação constitutiva do fato gerador? Nos termos do art. 116 do CTN, pode ser uma situação de fato ou uma situação jurídica, integrante de uma relação jurídica de direito privado, caracterizada pela nota da bilateralidade de fatos, ou de uma situação jurídica isolada, marcada pela nota da unilateralidade. Com base nessa premissa, podese inferir que o interesse comum de que trata o citado preceito legal vinculase ao fato gerador do tributo (o fato imediato). De outra parte, fica excluído da possibilidade de participar do polo passivo da obrigação tributária, na condição de sujeito passivo solidário, toda pessoa que não manifeste interesse direto e imediato pelo fato eleito como gerador da obrigação tributária, em comum com a pessoa eleita como contribuinte. Com base nesse critério, a expressão “interesse comum”, isoladamente, não representa dado satisfatório ou roteiro seguro para a identificação do nexo de solidariedade tributária passiva, porém, quando relacionada com o fato gerador da obrigação tributária do respectivo tributo, passa a existir elementos seguros para se verificar a existência ou não de interesse comum entre o contribuinte e os solidários pelo crédito tributário devido. Com a ressaltava de que, em relação a determinados tipos de tributos, especialmente, aqueles caracterizados pela bilateralidade, maior dificuldade existe para se identificar o interesse comum revelados pelas pessoas intervenientes. No entanto, anda neste caso, se a análise for baseada no fato jurídico tributário, é possível vislumbrar quem, de fato, tem interesse na situação constituinte do fato gerador da obrigação tributária principal. Em relação aos tributos que tem como materialidade uma situação jurídica, caracterizada pela unilateralidade, a exemplo dos tributos sobre a propriedade (IPTU, IPVA, ITR etc.), tal dificuldade revelase quase inexiste, pois, para esses tipos de impostos, as únicas pessoas que têm interesse comum no fato gerador são os coproprietários dos bens alvo da tributação. Portanto, uma vez comprovada a propriedade em comum, todos os copartícipes, passam integrar o polo passivo da respectiva obrigação tributária, na condição de sujeitos passivos solidários. Fl. 8280DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.013 37 De outra parte, há maior dificuldade, para a referida identificação, em relação aos tributos, cuja materialidade definida na Constituição Federal seja uma situação caracterizada pela bilateralidade factual. Nesta hipótese, o legislador ordinário tem a opção de eleger qualquer dos fatos da relação jurídica como fato gerador do tributo, como se dá com os impostos sobre transmissão da propriedade imobiliária e os impostos sobre a produção e circulação. Em relação a esses impostos, sabidamente, por força do disposto nos arts. 42 e 66 do CTN, o fato gerador da obrigação tributária pode ser qualquer dos fatos que compõem a operação ou negócio bilateral, como dispuser a lei específica de cada imposto. A título de exemplo, citase o ITBI, nos casos em que há dois ou mais compradores. O mesmo se aplica ao IPI, nos casos de dois ou mais forem os comerciantes vendedores, sendo pelo menos um deles o contribuinte. Outra dado relevante para o deslinde da controvérsia, consiste em saber se existe interesse comum nos casos de conluio, com vistas a realização de fraude tributária, especialmente, nos casos de fraude mediante simulação. Por óbvia, nestas hipóteses a verificação da existência do interesse comum não será analisado em relação o fato simulado, mas relativamente ao fato jurídico tributário dissimulado e se provado que houve benefício ou proveito comum com a prática deste último, certamente, todos os beneficiários diretos e imediatos serão arrolados como sujeito passivo solidário do contribuinte formal, ou seja, aquele que praticou o fato jurídico tributário em nome e em benefício de todos. A análise da inclusão de cada um dos sujeitos passivos solidários no polo passivo da autuação, em razão do interesse comum com a autuada TDC nos fatos jurídicos tributários objeto da autuação em apreço, será feita com base nesse entendimento. Das alegações comuns dos recorrentes. De modo geral, os recorrentes alegaram que não podiam prevalecer os correspondentes Termos de Sujeição Passiva Solidária, com base no argumento de que não tinham interesse jurídico na ocorrência do fato gerador, pois não haviam preenchido qualquer DI, não efetuaram qualquer desembaraço aduaneiro, tampouco calcularam os valores dos tributos devidos nas operações, que foram atividades praticadas pelos importadores. Para os recorrentes, a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN, somente se aplicava aos contribuintes (art. 121, parágrafo único, I, do CTN), “assim considerados aqueles que efetivamente praticaram o verbo do critério material da hipótese de incidência” e citaram como exemplo a copropriedade de imóvel urbano, com participação igual de dois condôminos, em que, por força do regime de solidariedade, previsto no referido preceito legal, cada um seria responsável por toda dívida tributária do imóvel. Sem razão os recorrentes. O entendimento esposado pelos recorrentes, além de não representar a melhor exegese do enunciado normativo veiculado no art. 124, I, do CTN, conforme anteriormente demonstrado, excluiria do polo passivo da obrigação tributária todas as pessoas que não se enquadrassem na condição de contribuinte, ainda que (i) se utilizassem da simulação e da fraude, com vistas a se eximir da condição de contribuinte, (ii) se beneficiassem de forma direta ou indireta dos ilícitos praticados e (iii) revelassem interesse no fato jurídico tributário, na mesma intensidade ou até mais do que o contribuinte que, formalmente, aparecesse e assumisse toda responsabilidade tributária. Fl. 8281DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 38 Há prevalecer esse entendimento, o que se admite apenas para argumentar, o conteúdo normativo veiculado no art. 124, I, do CTN não teria qualquer efeito e tornarseia letramorta. Em decorrência estaria estabelecido o melhor dos mundos para os fraudadores e demais pessoas que agem e atuam a margem da lei. E o País, certamente, transformarseia no paraíso dos fraudadores e simuladores, ante a inexistência de qualquer instrumento jurídico hábil a combater tais ilícitos contra Erário. Porém, como o direito não se presta como instrumento de incentivo ao ilícito, o entendimento que melhor confere significado e sentido ao disposto no art. 124, I, do CTN, é aquele que lhe atribui o efeito normativo de incorporar ao polo passivo da obrigação tributária todas as pessoas que demonstrem interesse comum na situação constituinte do fato gerador da obrigação tributária principal, ainda que, aparentemente, em face da simulação ou de outro meio fraudulento empregado, não tenham manifestado, de forma direta ou imediata, participação e interesse nos fatos fraudados ou simulados. Mas, uma vez retirado o véu que encobre as condutas fraudulentamente dissimuladas, emergem os fatos reais que foram ocultados, em relação aos quais, da mesma forma que o contribuinte aparente, ficam evidenciados o real interesse das pessoas ocultas no fato jurídicotributário dissimulado. No caso em tela, restou devidamente comprovado nos autos que os integrantes do “Grupo MUDE”, arrolados no polo passivo das autuações, agiram como uma sociedade de fato, com o evidente intuito de concretizar a fraude nos preços dos produtos importados, conjugada com a prática da interposição fraudulenta nas respectivas operações de importação. O caso hipotético de cometimento de ilícito tributário, por parte de pessoa jurídica ativa e operacional, que, comprovadamente, tenha ocultado ou registrado indevidamente negócios jurídicos realizados em parceria com terceiros (sócios ocultos), para fim de benefício comum, foi analisada pelo exconselheiro Marcus Vinicius Neder, com seguintes termos, in verbis: Nessa hipótese, não há falar em fictícia interposição de pessoas, mas em sociedade comum ou de fato, pois não é possível distinguir a sociedade de fato de seus integrantes (pessoas físicas e jurídicas). Diante dessas condições, é perfeitamente possível evidenciar solidariedade entre as pessoas que compõem a sociedade de fato, eis que, além do patrimônio comum amealhado em razão do ilícito, há interesse comum nos negócios jurídicos realizados em benefício dos envolvidos.9 (grifos não originais) No caso em tela, é evidente a participação de todos os responsáveis solidários nas operações de importação objeto das presentes autuações, formalmente, realizadas por conta da importadora interposta TDC, mas, de fato, realizadas por conta e ordem da recorrente MUDE. Com efeito, as provas coligidas aos autos confirmam a união informal e clandestina de esforços dos recorrentes, em que resultou caracterizado o evidente intuito de fraudar o pagamento dos tributos incidentes nas operações de importação e eximir de qualquer responsabilidade tributária os reais beneficiários e responsáveis pelas operações de importação, mediante interposição fraudulenta da autuada TDC. 9 NEDER, Marcos Vinicius. Solidariedade de direito e de fato reflexões acerca de seu conceito. FERRAGUT, Maria Rita; NEDER, Marcos Vinicius (Coord.). Responsabilidade tributária. 2007. São Paulo: Dialética, p. 46 Fl. 8282DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.014 39 Tratase, portanto, de ato antijurídico praticado sob a forma de coautoria, situação a que a doutrina civilista denomina de causalidade comum, que se caracteriza pela existência de um único fato causador (unicidade de causa) no caso, a dissimulação da condição de real importador da MUDE , mas com a participação de diversas pessoas (pluralidade de autores) no caso, a contribuinte MUDE e todos os responsáveis solidários integrantes do “Grupo MUDE”, incluindo seus sócios ostensivos e ocultos. O entendimento aqui esposado não discrepa daquele que foi apresentado pela Prof. Maria Rita Ferragut, em parecer colacionado aos autos pela recorrente MUDE, no sentido de que “na solidariedade fundada na fraude, é condição necessária para sua aplicação a prova de que o sujeito tenha concorrido para o ilícito.” E, no caso em tela, tal condição foi plenamente atendida, porque, conforme a seguir demonstrado, todos os sujeitos passivos solidários, não só concorreram para fraude, como dela tiraram proveito comum. Com base nesse entendimento, passase analisar as alegações comuns relevantes suscitadas pelos recorrentes sobre a inexistência de interesse comum entre eles e a autuada TDC. Os recorrente alegaram que a sujeição passiva solidária somente existia se comprovada existência de interesse jurídico entre as partes, ou seja, quando as mesmas pessoas concorressem para prática do mesmo fato jurídico tributário e, em decorrência, houvesse coincidência do dever jurídico entre eles. Os recorrentes referemse à forma de sujeição passiva solidária decorrente da condição de contribuinte (contribuinte formal), definida no art. 121, parágrafo único, I, do CTN. E o exemplo de sujeição passiva solidária relativa ao IPTU, caracterizada pela existência de copropriedade sobre o mesmo imóvel, ratifica o entendimento de que, neste caso, todos os coproprietários são solidários passivos por se enquadrarem na condição de contribuintes (formais). Essa hipótese é totalmente distinta do caso concreto objeto da presente autuação, em que as pessoas físicas e jurídica foram arroladas como sujeitos passivos solidários da contribuinte TDC, por terem concorrido, mediante conluio, para a prática dos referenciados atos fraudulentos. Assim, por revelarem interesse direto e imediato sobre tais fatos constitutivos da respectiva obrigação tributária, informalmente, todos eles são considerados contribuintes (contribuintes informais)10. No caso, a alegação de nulidade dos respectivos TSPS, por falta de prova que demonstrasse a antecipação de recursos por parte dos solidários, não procede, porque, com exceção da recorrente MUDE, esse não foi o motivo da integração dos solidários ao polo passivo das autuações. Esse foi motivo da inclusão da recorrente MUDE, conforme anteriormente demonstrado. O motivo da atribuição da sujeição passiva solidária aos demais recorrentes, citase novamente, foi a demonstração do interesse comum dos solidários nas operações constitutivas dos fatos geradores do crédito tributário objeto das presentes autuações. 10 Da analise das duas situações, fica evidenciado que a solidariedade passiva dos integrantes de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) a existência de interesse imediato e comum nos resultados dos fatos geradores constitutivos da obrigação tributária principal (contribuintes formais); ou b) a existência do interesse imediato e comum na fraude ou no conluio, com o objetivo de se eximir do pagamento de tributos (contribuintes informais). Fl. 8283DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 40 Os recorrente alegaram ainda que a referida sujeição tributária não era extensível à multa de ofício qualificada aplicada. Essa alegação também não procede, haja vista que a solidariedade definida no art. 124, I, do CTN referese a situação que constitutiva do fato gerador da obrigação principal, que, sabidamente, abrange o tributo e as multas de natureza tributária, conforme estabelecido no art. 113, § 1º, do CTN. Com base nessas conclusões, rejeitase todas as alegações comuns anteriormente explicitadas e passase a análise das razões da sujeição passiva solidária de cada recorrente, à luz dos fatos relatados pela fiscalização e dos elementos probatórios coligidos aos autos. Da sujeição passiva solidária da recorrente MUDE. Os fartos elementos coligidos aos autos demonstram que a responsável solidária MUDE foi a real adquirente das mercadorias importadas. Assim, de forma oculta, ela comandou todas as operações de importação, não só mediante o fornecimento dos recursos financeiros utilizados no custeio das operações, como também pela implementação de toda a logística operacional desde a exportação, por meio da MUDE USA e das empresas exportadoras interpostas por ela constituída nos Estados Unidos, até a nacionalização das mercadorias no Brasil, indiretamente realizada por intermédio das importadoras e distribuidoras interpostas, empresas de fachada, algumas também por ela criada (a exemplo da autuada TDC), com o único propósito de se manter oculta da fiscalização aduaneira. Além disso, ao não declarar a sua condição de real responsável pelas operações de importação, a recorrente MUDE não recolheu o IPI que era devido nas operações internas, pois, por meio de negócios jurídicos simulados e documentos eivados de falsidade ideológica, adquiria as mercadorias já internalizadas (nacionalizadas), burlando, de forma, indevida a condição de equiparação a estabelecimento industrial, que a tornaria contribuinte do imposto. Por essas razões, a recorrente, induvidosamente, revela interesse comum nos fatos jurídicos tributários objeto das autuações, portanto, deve ser mantida no polo passivo das autuações, conforme determinado no TSPS de fls. 3300 e ss. Da sujeição passiva solidária da CISCO. De acordo com o TSPS nº 001/2010 (fls. 3201 e ss.), a recorrente CISCO foi incluída no polo passivo da autuação, na condição de sujeito passivo solidário, por ter concebido e executado, por intermédio do seu então Presidente para a América Latina, Carlos Roberto Carnevali, juntamente com Helio Benetti Pedreira e demais sujeitos passivos solidários integrantes do “Grupo MUDE”, o referenciado esquema de importação fraudulenta. A recorrente CISCO, constituída em 8/8/1994, atuava como representante, no Pais, da empresa norteamericana CISCO SYSTEM INC. Em face dessa condição, segundo a fiscalização, seria de se esperar que esta empresa apresentasse um volume de importação de mercadorias compatível com a condição de líder mundial na área de tecnologia de informação. No entanto, grande parte das operações de comércio exterior realizada pela recorrente CISCO referiase a serviços e mercadorias para substituição de equipamentos em garantia. Em vez da recorrente, era a recorrente MUDE quem se encarregou de operacionalizar a importação da quase totalidade dos produtos e serviços da marca CISCO para o País, por intermédio da rede de interposição fraudulenta já mencionada, e segundo as Fl. 8284DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.015 41 condições previamente estabelecidas pela CISCO DO BRASIL. No período da autuação, a fiscalização apurou que: a) as principais mercadorias estrangeiras comercializadas pela MUDE (em torno de 90% do total) eram os produtos acabados, fabricados pela CISCO na Califórnia/USA, que não necessitavam de nenhuma industrialização para o consumo final, tais como: chaves (switches), roteadores, módulos para roteadores/switch, cabos e distribuidores; b) os clientes brasileiros interessados nos produtos da marca CISCO faziam contato inicialmente com a recorrente CISCO, que definia o preço e as condições do negócio, que eram repassadas à recorrente MUDE, que fazia o pedido diretamente a CISCO SYSTEM INC. (Califórnia/USA); c) nos registros e documentos oficiais, entretanto, a exportação não era realizada diretamente pela CISCO americana, nem a importação diretamente pela MUDE, mas pelas empresas importadoras interpostas, que tinham como sócios, pessoas físicas sem capacidade econômicofinanceira e, geralmenet, uma empresa offshore, situada em paraísos fiscais; e d) no exterior, a CISCO simulava a venda dos produtos, como se fosse uma operação interna nos Estados Unidos, para uma empresa do grupo MUDE, no caso a FULFILL HOLDING (Califórnia/USA), ou, em operações mais recentes, MUDE USA LCC (Miami/USA). Estas empresas, que representava mais um nível de blindagem, atuavam entre a CISCO SYSTEM INC. e as exportadoras do esquema (3TECH, LATAM, GSD, LOGCIS, SUPERKIT), constituídas pelo “Grupo JDTC/MUDE”, que revendiam os produtos, também em operações simuladas, para importadoras interpostas (BRASTEC, ABC, PRIME e WAYTEC). Com base nessas informações, corroboradas com documentos idôneos, a fiscalização chegou a conclusão que a recorrente MUDE atuava como verdadeiro setor de importação da recorrente CISCO, logo esta era a grande beneficiário do esquema de interposição fraudulenta criado para fugir aos controles fiscais e tributários nacionais. As provas colhidas no curso da “Operação Persona”, em especial, as transcrições dos diálogos telefônicos e das mensagens eletrônicas colacionadas ao citado TSPS, demonstram que era a CISCO quem definia o preço e as condições do negócios celebrados entre a MUDE e seus clientes finais. Nas mensagens, transcrições dos diálogos e planilhas eletrônicas, apreendidas na “Operação Persona”, colacionadas aos autos (fls. 3207 e ss.), comprovam que: a) havia estreita vinculação comercial entre a recorrente CISCO e a recorrente MUDE, b) a CISCO tinha pleno conhecimento do esquema de importação fraudulenta, planejado e executado pelo “Grupo MUDE” e, de forma próativa, contribuía para que ele fosse implementado; e c) os maiores ganhos era obtidos com a separação (split) 30% para hardware e 70% para software. Outro aspecto relevante para compreensão do forte vínculo entre a MUDE era a forma de financiamento das importações do “Grupo MUDE” e os agentes financeiros responsáveis pelo financiamento. Nesse sentido, as mensagens eletrônicas, os relatórios, atas de reunião, contratos financiamentos etc., coligidos aos autos (fls. 3241 e ss.), revelam que as operações da MUDE de aquisição de mercadorias perante à CISCO SYSTEM INC., baseavam se na obtenção de linhas de crédito perante os seguintes agentes financeiros americanos. Fl. 8285DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 42 CISCO CAPITAL, GE COMMERCIAL DISTRIBUTION FINANCE CORPORATION, e Banco CITIBANK. A empresa CISCO CAPITAL tratase de uma empresa financeira pertencente diretamente ao “Grupo CISCO”, e era a principal financiadora da MUDE. Em 2006, havia concedido a MUDE uma linha de crédito em torno de U$ 53 milhões. A GE COMMERCIAL, braço comercial financeiro do grupo GENERAL ELETRIC, teria concedido ao “Grupo MUDE” um crédito em torno de U$ 30 milhões, garantido, em parte, pelos estoques do grupo MUDE nos Estados Unidos. A concessão de créditos junto a estas instituições teria sempre o respaldo da própria CISCO SYSTEM INC., o que vincula, de forma significativa, a recorrente CISCO ao esquema de importação fraudulento do “Grupo MUDE”. Em suma, o financiamento das compras da MUDE perante a CISCO SYSTEM INC., era lastreado em créditos obtidos perante os agentes financeiros GE COMMERCIAL FINANCE, CITIBANK e à própria CISCO (através de sua subsidiária CISCO CAPITAL). E a obtenção ou aumento de crédito tinnha sempre o respaldo da própria CISCO SYSTEM INC. Há ainda nos autos, um ACORDO DE NÃO REVELAÇÃO (NON DISCLOSURE AGREEMENT) (fls. 3239/3241), celebrado entre a MUDE, representada pela seu Diretor Operações, com a matriz americana CISCO SYSTEMS INC., representada pelo seu Gerente do Programa de Auditoria, por meio do qual esta empresa comprometese a não revelar as informações confidenciais a qualquer terceiro que não fossem funcionários da CISCO e empreiteiros que tinham uma necessidade de ter acesso ao conhecimento e à informação confidencial exclusivamente para fins internos da CISCO. Cabe ainda consignar que, ao utilizar o referido esquema de importação fraudulenta na importação de seus produtos, a recorrente conseguiu abastecer o mercado nacional com produtos com preços abaixo dos de mercado, bem como reduzir a carga tributária que incidiria sobre si mesma, e ainda evitar o controle da fiscalização sobre os “Preços de Transferência e Tributação em Bases Universais”, a que estaria sujeita, caso realizasse as operações de importação por conta própria ou por conta e ordem de terceiro regularmente habilitado. Com base nessas informações, confirmadas por farta documentação colacionada aos autos, fica demonstrada a improcedência das alegações da recorrente CISCO de que não era beneficiara do esquema das operações de importação fraudulenta, realizadas pela recorrente MUDE, nem tinha conhecimento do esquema de importação fraudulenta e das empresas envolvidas. Também não merece guarida as alegações da recorrente CISCO no sentido de desqualificar as robustas provas regulamente colhidas e coligidas aos autos pela fiscalização, com autorização judicial. A recorrente ainda transcreve em seus recursos diversos trechos extraídos de diferentes relatórios elaborados pela fiscalização sobre o esquema de fraude em destaque, que, por estarem fora de contexto, não refletem as firmes conclusões a que chegou a fiscalização sobre a participação da recorrente no referido esquema de fraude. Em relação ao modelo negócio escolhido para a venda dos produtos da marca CISCO no Brasil e adotado nas suas operações com outros paises, a recorrente alegou que houve interpretação equivocada e tendenciosa por parte da fiscalização. Com devida vênia, diferentemente do alegado, a fiscalização não interpretou e tampouco questionou o suposto modelo de negócio da recorrente CISCO, mas o esquema de Fl. 8286DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.016 43 fraude nas importações dos referidos produtos destinadas ao Brasil. Portanto, sem relevância, para o deslinde da controvérsia essa alegação, por se tratar de fato estranho ao objeto das autuações. Diante dos fatos devidamente comprovados nos autos, também não se revela crível a alegação da recorrente de que ela atuava somente no suporte de prévenda (demonstração de produtos, apresentação de seminários, etc.) e no fornecimento de partes para reposição em virtude de garantia. Pois, diferentemente do alegado, a recorrente CISCO não só tinha pleno conhecimento das importações fraudulentas, como foi uma das criadoras do esquema fraudulento em referência e colaboradoras da operacionalização e funcionamento do referido esquema. Também foi muito bem recompensada financeiramente pelo esquema. Os seguintes fatos, relatados no TSPS e corroborados por documentos, ratificam essa conclusão: a) antes da existência da MUDE, relatou a fiscalização, que Carlos Roberto Carnevali e Hélio Benetti Pedreira, juntamente com a recorrente CISCO, na segunda metade dos anos de 1990 e início dos anos 2000 (até 2002), montaram uma pareceria estratégica com a UNIÃO DIGITAL”, empresa de Hélio Benetti Pedreira. Em pouco tempo, a UNIÃO DIGITAL se tornou a maior revendedora CISCO do País e da América Latina; b) a UNIÃO DIGITAL foi sucedida pela recorrente MUDE, no final do ano 2002, e continuou a atividade de revendedora do produtos da marca CISCO. Quando, além de Hélio Benetti Pedreira, os demais responsáveis solidários pessoas físicas passaram a integrar o “Grupo MUDE”, que se transformou na quarta maior distribuidora dos produtos da marca CISCO do mundo e a melhor distribuidora da América Latina, nos últimos 7 (sete) anos anteriores a deflagração da “Operação Persona”; c) as mensagens eletrônicas e os diálogos dos executivos e gerentes da CISCO, extraído das interceptações telefônicas, confirmam a participação ativa e efetiva da empresa no esquema de importação com interposição fraudulenta operacionalizado pelo “Grupo MUDE”; e d) o oferecimento das condições para separação, apenas documental, entre software e hardware, para eximir as importadoras interpostas do pagamento dos tributos incidentes na operação de importação, em relação ao valor do software (em torno de 70%) integrado aos equipamentos importados. Por todas essas considerações, fica demonstrado que, ao contrário do alegado, a recorrente CISCO tinha sim pleno conhecimento do citado esquema de fraude e, ao lado da recorrente MUDE e seus sócios aparentes e ocultos, inequivocamente, foi uma das grandes beneficiárias do esquema de fraude em comento, pois obtivera expressivos ganhos econômico financeiros com as importações subfaturadas e o domínio de fatia relevante do mercado nacional. Em face dessa condição, a dita recorrente revela interesse comum na situação que constituía o fatos geradores das obrigações tributária dos tributos lançados e multa lançados, nos termos do art. 124, I, do CTN, portanto, deve ser mantida no polo passivo das autuações, na forma estabelecida no respectivo TSPS. Da sujeição passiva solidária de Fernando Machado Grecco. Fl. 8287DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 44 De acordo com o TSPS nº 003/2010 (fls. 665 e ss.), o recorrente Fernando Machado Grecco era, no período da autuação, o seu sócio formal majoritário (75% do capital social). O restante do capital social pertencia, formalmente, a Hélio Benetti Pedreira (25%). Na data da autuação, ele era sócio, ou exsócio, de diversas empresas do “Grupo JDTC/MUDE”. No “Grupo JDTC”, holding controladora da MUDE, ele participava com 3,41% do capital social, segundo levantamento feito pela fiscalização. Na MUDE, segundo a fiscalização, o recorrente tinha destacada atuação. No período da autuação, ocupava o cargo de Diretor de Marketing e Produtos. Também atuou como procurador da offshore operacional do “Grupo MUDE”, CANSONS INVESTMENTS. Assumiu uma dívida com a offshore operacional NORDSTROM, sediada no Panamá, controlada pelo “Grupo JDTC”, para enviar recursos ao exterior de maneira disfarçada. A posição ocupada pelo recorrente nos cargos de gerência e de direção da MUDE permite inferir que ele tinha pleno conhecimento e colaborava, de forma ativa e efetiva, para a prática dos fatos fraudulentos praticados pelo “Grupo MUDE”. Os documentos apreendidos no curso da “Operação Persona” comprovam a sua participação ativa no esquema de fraude e o recebimento do “Grupo MUDE” de elevadas quantias em dinheiro, de forma direta ou indireta (via empresa ORPHEUS, por serviços não prestados), que confirmam que ele era um dos principais beneficiários dos resultados econômicofinanceiros angariados pelo esquema fraude em apreço. Há documentos acostados aos autos (fls. 683 e ss), que comprovam que o recorrente: a) recebeu vultosos depósitos nas contas bancárias da sua offshore particular BOYNTON (administrada, no Brasil, pela procuradora irmão do recorrente), localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, decorrentes de pagamento de proventos e lucros distribuídos, certamente, auferidos com as atividades irregulares praticadas pelo “Grupo MUDE”; b) em seguida, tais recursos financeiros foram remetidos de volta para o País, a título de integralização de capital social da empresa ECOSSISTEMA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (participação no capital social: 99% da offshore BOYNTON e 1% da irmã do recorrente); e, c) por fim, a referida empresa nacional utilizou tais recursos para aquisição de imóveis de valores elevados no País. Cabe ressaltar ainda que, após a deflagração da “Operação Persona”, o recorrente assumiu a propriedade da referida offshore, mediante retificações das suas declarações de IRPF (DIRPF). Esse procedimento ratifica o entendimento da fiscalização de que o recorrente era o controlador, de fato, da empresa ECOSSISTEMAS, e que os recursos financeiros introduzidos no País, para integralização de 99% do capital social da citada empresa, representavam parte dos recursos financeiros remetidos ao exterior pelo “Grupo MUDE” em favor da offshore do recorrente. Por todas essas razões, não subsiste qualquer dúvida da configuração do interesse comum do citado recorrente nos fatos jurídicos tributários objeto da autuação em questão, logo, deve ser mantido no polo passivo da autuação, conforme proposto no citado TSPS. Da sujeição passiva solidária de Marcelo Naoki Ikeda. Segundo o TSPS nº 010/2010 (fls. 883 e ss.), o recorrente Marcelo Naoki Ikeda tinha participação ativa no “Grupo JTDC/MUDE”. De acordo com os organogramas do grupo, apreendidos no âmbito da “Operação Persona”, ele ocupava a posição de Diretor Fl. 8288DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.017 45 Comercial da MUDE, posição que, certamente, propicioulhe pleno conhecimento e ampla coloração para implementação do esquema de fraude em destaque. Após a deflagração da referida operação, retificou suas DIRPF, para declarar que era proprietário da offshore CORDELL, por meio da qual recebia vultosas quantias depositadas pelas empresas offshores operacionais do “Grupo MUDE”, a título de pagamentos de proventos e distribuição de lucros, auferidos com as atividades irregulares praticadas pelo grupo. Alguns depósitos eram proveniente das pessoas jurídicas interpostas utilizadas pelo grupo MUDE. Os documentos apreendidos com os integrantes do “Grupo MUDE” comprovam a venda de 75% da MUDE pelo “Grupo JDTC”. Após essa venda, segundo levantamento da fiscalização, o recorrente, em conjunto com Fernando Machado Grecco e Luiz Scarpelli Filho (Grupo LIG), passaram a deter 75% e o “Grupo JDTC” 25% de participação na MUDE. Tais depósitos comprovam que o recorrente foi um dos beneficiários dos resultados financeiros obtidos das importações fraudulentos realizadas pelo “Grupo MUDE”. Por todos esses fatos, restou demonstrado o interesse comum do citado recorrente nos fatos jurídicos tributários objeto da autuação em apreço, logo, deve ser mantido no polo passivo das autuações, conforme proposto no correspondente TSPS. Da sujeição passiva solidária de Marcílio Palhares Lemos De acordo com o TSPS nº 005/2010 (fls. 2098 e ss.), na época da autuação, o recorrente Marcílio Palhares Lemos era sócio e possuía vínculo com as seguintes e empresas do Grupo JDTC/MUDE: PLCON (90%); CBFM (56%); MUDE (exadministrador) e PHASE2 (exadministrador). Ele é o contador, exadministrador da MUDE e, na época dos fatos, exercia o cargo de Diretor Financeiro da MUDE. Era o responsável pelo controle de todo o fluxo financeiro do esquema de importação realizado pelo “Grupo MUDE”, inclusive das empresas estrangeiras exportadoras e distribuidoras e das empresas offshores operacionais do “Grupo JDTC/MUDE”. Os documentos apreendidos no curso da “Operação Persona” comprovam que ele acompanhava e controlava todos os custos envolvidos nos processos de importação realizados pelas importadoras interpostas, bem como monitorava, em relação a cada operação de importação: o valor das compras e despesas internacionais, bem como os valores de importação (frete, seguro, armazenagem, capatazia, despesa com agentes, impostos aduaneiros, comissão da importadora interposta etc. Também participava da definição do preço de venda da importadora para a distribuidora e do preço de venda desta para a MUDE, o que comprova que a real importadora era a MUDE, e as operações de compra e venda realizadas entre as empresas eram simuladas para acobertar a real importadora. Ele também controlava as remessas de recursos financeiros, realizadas para a FULFILL HOLDING, que administrava por procuração, com amplos poderes de gestão, e para as offshores operacionais do “Grupo MUDE” NORDSTROM e RAYWELL. As remessas eram feitas de duas formas distintas: via “IMPORTAÇÃO” (sob a forma de pagamento de fornecedores) e via “CABO” (por meio de doleiro). Fl. 8289DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 46 Ele também era responsável pelo controle das contas correntes abertas em instituições financeiras do exterior, em nome da FULFILL HOLDING. Por estas contas eram pagos os fornecedores, dentre os quais a CISCO SYSTEM INC., bem como realizadas transferências para as offshores operacionais do grupo e offshores particulares dos sócios formais e informais do grupo. A partir de setembro de 2006, a FULFILL HOLDING foi substituída pela MUDE USA na função de distribuidora interposta nos Estados e de “adquirir” as mercadorias junto à CISCO SYSTEM INC. para “revendêlas” para os exportadores interpostos. As investigações demonstraram ainda que o recorrente era a pessoa responsável pelas transferências internacionais, através de ordens dadas a LEO CORADINI (funcionário do Banco MERRILL LYNCH), para pagamento de serviços prestados pelo escritório de advocacia panamenho ALEMAN, CORDERO, GALINDO & LEE ALCOGAL, especializado em direito financeiro. Ele participava do chamado grupo dos seis (G6), os chamados “sócios minoritários”, com uma participação de 1,5% cada (totalizando 6 x 1,5% = 9%) nos resultados da empresa MUDE. Por tudo isso, o recorrente revelase ser um dos principais participantes do esquema interposição fraudulento operacionalizado pelo “Grupo MUDE”. A sua participação nesse esquema de importação fraudulenta vai além do cargo de Diretor Financeiro da MUDE. De fato, ele era um dos sócios ocultos de um grupo ainda maior denominado JDTC, sendo a MUDE um dos seus investimentos no País. Assim, resta cabalmente provado que se beneficiou do esquema delituoso em referência e, em razão dessa condição, fica demonstrado o interesse comum do recorrente nos fatos jurídicos tributários objeto das autuações. Logo, deve ser mantido no polo passivo das autuações, conforme proposto no TSPS lavrado em seu nome. Da sujeição passiva solidária de Moacyr Álvaro Sampaio. De acordo com o TSPS nº 006/2010 (fls. 1613 e ss.), na época da autuação, o recorrente Moacyr Álvaro Sampaio era sócio de diversas empresas do grupo “Grupo JDTC/MUDE”. Na época dos fatos, na MUDE, ocupava o cargo de Chief Executive Officer (CEO), considerado o mais elevado cargo da empresa. Segundo apurou a fiscalização, ao lado de Hélio Benetti Pedreira e Carlos Carnevali, ele era um dos três sócios majoritário do “Grupo JDTC”, holding controladora da MUDE, com participação de 27,98% no capital social. Apesar de não constar formalmente do quadro societário da MUDE, documentos apreendidos comprovam que ele era um dos principais colabores do esquema fraudulento de importação em comento. Participava ainda do quadro societário da MUDE USA e de uma exportadora interposta, a “LOGCIS”. Após a deflagração da “Operação Persona”, também retificou, várias vezes, suas DIRPF, para reconhecer participação em várias empresas offshores, por meio das quais recebia distribuição disfarçada de lucros, provenientes dos negócios fraudulentos do “Grupo MUDE”. Ele utilizava de tais offshores, para envio de recursos ao exterior e posterior retorno ao País, em geral, sob a forma de investimentos estrangeiros, em empresas patrimoniais, administradas por procuradores, com amplos poderes gerenciais. Segundo a Fl. 8290DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.018 47 fiscalização, tais condutas caracterizavam, em tese, crimes de evasão de divisas e de “lavagem” dinheiro ou ocultação de bens, direitos ou valores, tipificados, respectivamente, nas Leis 7.492/1986 e 9.613/1998. Era o proprietário da offshore patrimonial APRIL HOLDINGS OVERSEAS, utilizada receber os depósitos dos lucros distribuídos disfarçadamente pelo grupo. O retorno desses recursos ao País se materializa por meio de remessas a empresas nacionais, vinculadas diretamente a a referida offshore, sob a forma de investimentos de empresas estrangeiras no País. Em geral, são empresas patrimoniais, como a MOMA, cuja única função era ocultar a origem dos recursos utilizados na construção do patrimônio pessoal de cada “sócio”. Assim, provado que ele conhecia, participava e se beneficiou do referenciado esquema fraudulento, resta configurado o interesse comum do recorrente nos fatos jurídicos tributários objeto da autuação, deve ser mantido no polo passivo, conforme proposto no respectivo TSPS. Da sujeição passiva solidária de José Roberto Pernomian Rodrigues. De acordo do TSPS nº 009/2010 (fls. 1247 e ss.), na data da autuação, o recorrente José Roberto Pernomian Rodrigues era sócio ou exsócio de diversas empresas do “Grupo JDTC/MUDE” e responsável por empresas estrangeiras. Ele ocupava o cargo de Diretor Operacional e de Finanças do “Grupo MUDE”. Ele foi um dos colabores e mentores do esquema de interposição fraudulenta e subfaturamento das importações dos produtos da marca CISCO. Entre os diretores grupo, era o mais atuante. Sua jurisdição se estende a outras empresas do grupo, além da MUDE. A apreensão de planilhas e de outros documentos no curso da “Operação Persona”, na sua residência e no seu escritório, comprovam que tinha o controle da estrutura e das movimentações financeiras da organização. Portanto, induvidosamente, ele tinha pleno conhecimento das operações do grupo no exterior e no Brasil e era um dos principais beneficiários do esquema de fraude em comento. Em razão dessa condição, fica demonstrado o interesse comum do recorrente nos fatos jurídicos tributários objeto da autuação, logo, deve ser mantido no polo passivo, conforme proposto no TSPS lavrado em seu nome. Da sujeição passiva solidária de Hélio Benetti Pedreira. Gustavo Henrique Castellari Procópio e Carlos Roberto Carnevali: alegações comuns. Os recorrentes Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio e Carlos Roberto Carnevali alegaram que, por meio da sentença proferida nos autos do Processo Criminal nº 000582749.2003.403.6181, que tramitou perante 4ª Vara Criminal Federal em São Paulo/SP (fls. 6760 e ss.), foram absolvidos dos crimes objeto da denúncia do MPF. Essa decisão foi mantida pelo citado acórdão, proferido pela Primeira Turma do TRF da 3ª Região, no julgamento da Apelação Criminal nº 000582749.2003.4.03.618, que transitou em julgado em 10/6/2015. Fl. 8291DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 48 De acordo com o dispositivo da referida Sentença, os referidos responsáveis solidários foram absolvidos da acusação dos delitos referentes ao uso de documentos ideologicamente falsos, com fulcro no art. 386, III, do CPP, e da prática dos demais crimes imputados na inicial, nos termos do art. 386, V, do CPP. E essa decisão foi integralmente confirmada no referido acórdão, prolatado pela Primeira Turma do TRF da 3ª Região. Em face da referida absolvição, os citados recorrentes pleitearam o cancelamento dos respectivos TSPS, sob o argumento de que a decisão prolatada na esfera criminal devia ser aplicada, ao caso em tela, uma vez que as provas utilizadas pela fiscalização, para lhes imputar responsabilidade tributária solidária, eram as mesmas utilizadas no Juízo criminal. Apenas os recorrentes Hélio Benetti Pedreira e Gustavo Henrique Castellari Procópio alegaram ainda que havia independência relativa entre as esferas civil, criminal e administrativa no caso de absolvição por motivo formal, ao passo que seria meramente relativa, quando a decisão criminal que negasse autoria do crime imputado ao acusado. Da sujeição passiva solidária de Carlos Roberto Carnevali. De acordo com o TSPS nº 011/2010 (fls. 3392 e ss.), na data da autuação, o recorrente Carlos Roberto Carnevali era sócio ou exsócio de empresa do “Grupo CISCO”. Ele foi incluído no polo passivo por ser responsável pelos negócios no “Grupo CISCO” no Brasil e sócio oculto do “Grupo JDTC/MUDE”. Neste grupo, ele fazia parte do Conselho de Administração11 e participava ativamente da gestão das empresas do grupo. No “Grupo CISCO”, segundo o seu currículo extraído do sitio da CISCO na internet, o recorrente fez parte do Conselho de Organização mundial de vendas, na área de estratégia e planejamento. Segundo o próprio recorrente, por seu excelente desempenho, a partir de 2004, passou a ser o responsável não apenas por todas as regiões da América Latina, como também pelas atividades do “Grupo Cisco” no México, América Central e Caribe. O ingresso do recorrente no “Grupo CISCO” aconteceu no ano de 1994, com a missão de assessorar a implantação da subsidiária brasileira do referido grupo, CISCO DO BRASIL LTDA., a primeira empresa do grupo em operação na América Latina. Nessa empresa, ele permaneceu até a deflagração da “Operação Persona”, em setembro de 2007, quando foi demitido do cargo de vicepresidente para a América Latina. Com tanto prestígio e influência perante o “Grupo CISCO”, não há explicação plausível, a não ser os enormes ganhos com a referida fraude, porque, durante mais treze anos, o recorrente não tenha implantado a fábrica de componentes da CISCO no País, conforme alegou em sua defesa e que foi um dos argumento apresentados na referida Sentença para isentálo da acusação de sócio oculto da MUDE. Essa alegação, sem suporte em qualquer documento idôneo, mas apenas em depoimentos do próprio recorrente, confirmado por pessoas integrantes do “Grupo MUDE”, contraria provas cabais coligidas aos autos, em especial, os diálogos extraídos das interceptações telefônicas que, em conjunto e de forma congruente com as demais provas colacionadas aos autos, demonstram que, em vez de defensor de instalação de fábrica no Brasil, na verdade, o recorrente fora um dos principais mentores e executores do esquema de fraude em questão, cumprindo a função de sustentáculo do esquema perante a real exportadora 11 Dcumento SP02IT1312 Email no qual HÉLIO P E D R E I R A resume uma série de diretrizes decididas pelo Conselho de Administração ("Board"), citando, inclusive, função específica para CARLOS ROBERTO CARNEVALI. Fl. 8292DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.019 49 CISCO SISTEMS INC., até a deflagração da “Operação Persona”, quando afastado do “Grupo CISCO”. Assim, não foi por mero acaso, que a partir do momento em que o esquema de importação fraudulento em referência foi debelado, com a prisão dos seus principais mentores e líderes, o recorrente foi, imediatamente, afastado do “Grupo CISCO”. Com base nas razões de decidir esposadas na referida decisão judicial, verificase que, em relação ao recorrente, foram apresentados, adicionalmente, os argumentos a seguir analisados. Em depoimento, o recorrente negara que nunca dirigiu a empresa COSELE, nem fora sócio de Hélio Benetti Pedreira na referida empresa, e que, apesar de haver trabalhado na referida empresa com ele, tal convívio fora interrompido por anos, sendo retomado somente em 1995 ou 1996, quando a mais de dois anos já era presidente da CISCO DO BRASIL LTDA., época em que a empresa UNIÃO DIGITAL, atual MUDE, vendia produtos para a empresa NEW PORT, adquirida pela CISCO; e que tal informação fora confirmada, em depoimento, por Hélio Benetti Pedreira. Tais fatos referemse a segunda metade dos anos de 1990 e início dos anos 2000 (até o final de 2002). E diferentemente do alegado pelo recorrente, a parceria entre ele e Hélio Benetti Pedreira, proprietário da empresa UNIÃO DIGITAL, que, na época se tornou a maior revendedora CISCO do País e da América Latina, não terminou com a desativação da referida empresa, em razão das elevadas autuações fiscais, realizada pela fiscalização do ICMS da SEFAZ/SP. Ao contrário do alegado, a partir do ano de 2002, com criação da empresa MUDE, que substituiu a empresa UNIÃO DIGITAL, a parceria entre o recorrente e Hélio Benetti Pedreira ganhou nova dimensão e se expandiu com a incorporação de novos sócios ao grupo, também relacionados como sujeitos passivos solidários, que deu origem a uma nova parceria, duradoura e muito lucrativa, entre o novo “Grupo JDTC/MUDE” e o “Grupo CISCO”, com vistas a implementação das operações de importação e distribuição dos produtos da marca CISCO no País. Em depoimento, o recorrente negou que era sócio oculto do “Grupo JDTC/MUDE” e que no diálogo com Moacyr Alvaro Sampaio buscava informações da MUDE, pois estava sendo sondado para participar da referida empresa, na medida em que estava em vias de ser demitido da CISCO, versão que fora confirmada pelos demais integrantes do “Grupo MUDE”. Além de não ter apresentado em qualquer elemento idôneo que comprovasse o que alegara, os documentos colacionados aos autos, apreendidos no curso da “Operação Persona” demonstram que ele (i) teve participação na venda de 75% do “Grupo MUDE”, conforme planilhas colacionadas ao citado TSPS, (ii) fez um aporte de capital para a JDTC Empreendimentos e Participações Ltda., mediante aplicação em um fundo da empresa americana STORM VENTURES, (iii) fez transferência de numerário para o fundo STORM VENTURES FUND II, LLC, por intermédio da sua offshore HARBORSIDE LTD., (iv) participou ativamente na gestão de novos projetos do grupo, (v) diversos documentos do “Grupo JDTC/MUDE foram encontrados na sua residência, que demonstram que, de forma oculta, ele integrava e participava do grupo. Fl. 8293DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 50 As mensagens eletrônicas apreendidas no âmbito da citada operação revelam a preocupação que os demais parceiros/sócios do grupo tinham no sentido de não mencionar o nome do recorrente como sócio do grupo, em razão dele exercer cargo de direção no “Grupo CISCO”. Ainda foram encontrados e apreendidos na residência do recorrente diversos documentos, que comprovam que ele era proprietário de várias empresas offshores em distintos paraísos fiscais (Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas etc.). De todas as empresas offshores, merece destaque especial a PULLMAN OVERSEAS CORP., por intermédio da qual o recorrente recebia os recursos financeiros originários das práticas de interposição fraudulentas do “Grupo JDTC/MUDE”, depositados por intermédio da offshore operacional do “Grupo JDTC/MUDE”, de doleiro e do sócio Hélio Benetti Pedreira, conforme documentos colacionados aos autos. Assim, cm cotejo com as provas documentais coligidas aos autos, entende este Relator que estas revelamse mais verossímeis e convincentes do que as simples provas testemunhais, confirmadas pelos próprios envolvidos no esquema de fraude e também acusados da prática dos mesmos ilícitos penais, que serviram de fundamento da referida decisão judicial. Especialmente, tendo em conta que na esfera cível são impedidos e suspeitos de atuar como testemunha, respectivamente, a pessoa que é parte na causa e a que tem interesse no litígio, conforme expressamente dispõem o inciso II do § 2º e o inciso do IV do § 3º do art. 40512 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao PAF. Assim, fica demonstrado que, ao contrário do que alegou o recorrente, as provas utilizadas no Juízo criminal, para motivar a sua absolvição, inequivocamente, não foram as mesmas colacionadas aos autos pela fiscalização, para lhe imputar a sujeição passiva solidária em questão. Aliás, tais provas testemunhais sequer constam dos autos. Além disso, por força do disposto no art. 93513 do Código Civil, o fundamento da referida decisão absolutória, não vincula a decisão a ser proferida nesta instância administrativa. Tal vinculação somente ocorre, nos casos de absolvição do acusado na esfera penal por inexistência do fato ou negativa de autoria, nos termos do artigo 386, I e IV, do CPP, respectivamente. No caso, o motivo da absolvição do recorrente foi (i) por não constituir o fato infração penal, em relação aos delitos de uso de documentos ideologicamente falsos, e (ii) por existir circunstância que excluía o crime ou isentava o réu de pena, em relação aos demais crimes imputados na inicial, condições absolutórias previstas, respectivamente, no art. 386, III e V, do CPP. 12 Art. 405 Podem depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas. (Alterado pela L005.9251973) [...] § 2º São impedidos: (Alterado pela L005.9251973) [...] II o que é parte na causa; [...] § 3º São suspeitos: (Alterado pela L005.9251973) [...] IV o que tiver interesse no litígio." 13 Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. Fl. 8294DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.020 51 Dada essa circunstância, este Relator entende que, por resultar em conclusão distinta, não se aplica ao caso em tela as razões de decidir consignadas na referida decisão judicial. Nos pressentes autos, os fatos apurados pela fiscalização, corroborados por provas adequadas, demonstram de forma irrefutável, que o recorrente, juntamente com Hélio Benetti Pedreira, foi um dos fundadores do esquema fraudulento e, durante todo o período da implementação da fraude, ele foi uma das pessoas chave na organização e execução do esquema fraudulento, ao promover a integração e colaboração entre o “Grupo CISCO” e o “Grupo JDTC/MUDE”. Ele foi ainda um dos grandes beneficiários do esquema, haja vista que, por intermédio de suas empresas offshores, recebeu vultosos recursos financeiros no exterior, provenientes dos resultados auferidos com os ilícitos aduaneiros e tributários cometido pelo “Grupo JDTC/MUDE”. Por todas essas razões, resta configurado o interesse comum do recorrente nos fatos jurídicos tributários objeto das autuações, portanto, deve ser mantido no polo passivo, conforme proposto no respectivo TSPS. Da sujeição passiva solidária de Hélio Benetti Pedreira De acordo com o TSPS nº 004/2010 (fls. 2889 e ss.), o recorrente Hélio Benetti Pedreira, na data autuação, era sócio, ou exsócio, de diversas empresas vinculadas ao “Grupo MUDE”. Ele participa do esquema de fraude, juntamente com Carlos Roberto Carnevali, desde seus primórdios. Inicialmente, por intermédio da empresa UNIÃO DIGITAL, e a partir do ano 2002, com a recorrente MUDE, inclusive, integrando o seu quadro societário, com 25% do capital social. Por essa razão, ele e Carlos Roberto Carnevali foram apontados pela fiscalização como os mentores e fundadores do esquema fraudulento em comento. Somente a partir da criação da MUDE, os demais sujeitos passivos solidários se integraram ao esquema fraudulento. Com base em planilhas apreendidas no curso da “Operação Persona”, a fiscalização apurou que, assim como Carlos Roberto Carnevali e Moacyr Álvaro Sampaio, ele era um dos sócios majoritários informal (oculto) do “Grupo JDTC”, com participação de 27,98% do capital social. Outros documentos (planilhas, mensagens, carta de autorização de crédito etc.) apreendidos no curso da referida operação comprovam que o recorrente tinha pleno conhecimento, praticava atos de gestão e se beneficiava do esquema de logística de importação e distribuição de produtos da marca CISCO. A título de exemplo citase, a planilha referente a distribuição de lucros da JDTC, no ano de 2007, em que o recorrente foi contemplado com a quantia de U$ 1.164.369,94, e distribuição de lucros da MUDE, no ano de 2006, contendo os valores distribuídos para cada um dos sócios, formais ou oculto, dentre eles o recorrente. Ainda foram encontrados e apreendidos no curso da citada operação documentos que comprovam que ele era proprietário de várias empresas offshores em distintos paraísos fiscais (Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas etc.), utilizadas para receber recursos financeiros do esquema no exterior e também participar do quadro societário de empresas patrimoniais no Brasil, com vista à ocultação do patrimônio pessoal do recorrente. Fl. 8295DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 52 Cabe ainda ressaltar que essas empresas, como outras offshores utilizadas pelo “Grupo JDTC/MUDE”, possuem em seu quadro diretivo interpostas pessoas (“laranjas”), vinculadas ao já referenciado escritório de advocacia ALEMAN, CORDERO, GALINDO & LEE (ALCOGAL), com sede no Panamá. Por intermédio dessas empresas offshores o recorrente recebia os recursos financeiros originários das práticas de interposição fraudulentas do “Grupo JDTC/MUDE”, depositados por intermédio da offshore operacional do “Grupo JDTC/MUDE”, de doleiro e do sócio Hélio Benetti Pedreira. Entretanto, apesar das referidas provas demonstrarem o contrário, na referida decisão judicial, que o absolveu do delito de descaminho, as razões apresentadas foram que nos autos do processo criminal (i) havia elementos que indicavam que o recorrente não participara da administração da MUDE e (ii) não havia comprovação de que o recorrente tivesse participado dos fatos ilícitos praticados pela MUDE. Segundo o MM. Juiz “a responsabilidade penal é subjetiva, não podendo haver condenação de quem quer que seja somente por figurar no contrato social de empresa.” Além disso, a decisão absolutória do recorrente foi fundamentada na versão explicitada no seu depoimento, confirmada por testemunhos dos próprios envolvidos no esquema de fraude e também acusados da prática dos mesmos ilícitos penais. Portanto, as provas utilizadas no Juízo criminal, para isentálo de culpa, não foram as mesmas colacionadas aos autos pela fiscalização, para lhe imputar a sujeição tributária solidária em questão. De outra parte, segundo a fiscalização, o recorrente não participava, formalmente, dos negócios do grupo, mas, de fato, ele era um dos principais mentores, executores e beneficiários da fraude em questão. Os fartos elementos de provas apreendidos no curso da “Operação Persona”, em especial as planilhas, os documentos bancários, as transcrições de interceptações telefônicas, extratos de aplicações financeiras no Brasil e no exterior etc., acima referenciados. Com base nessas informações, resta evidenciado que não se aplica ao caso em tela as razões de decidir consignadas na referida decisão judicial. Em decorrência, fica demonstrada a improcedência da alegação do recorrente de que, em face da citada absolvição no processo criminal, as pretensas provas colacionadas a estes autos não podiam ser utilizadas para imputarlhe solidariedade passiva em questão. Também não se aplica ao caso em tela, a alegação do recorrente de que, no caso em tela, não havia que se falar em independência das esferas cível, criminal e administrativa, uma vez que a sua absolvição foi por suposta negativa de autoria dos crimes que lhe foram imputados. Não procede a alegação do recorrente, porque a sua absolvição não foi por negativa de autoria, mas, (i) por não constituir o fato infração penal, nos termos do art. 386, III, do CPP, em relação aos delitos de uso de documentos ideologicamente falsos, e (ii) por existir circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena, na forma do art. 386, V, do CPP, conforme expressamente consignado no dispositivo da Sentença. E por esse motivo, por força do disposto no art. 935 do Código Civil, não há vinculação da instância administrativa ao que decidido na instância criminal. Tal vinculação Fl. 8296DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.021 53 somente ocorre, nos casos absolvição penal por inexistência do fato ou negativa de autoria, nos termos do artigo 386, I e IV, do CPP. Nesse sentido, tem se manifestado a jurisprudência do STF e do STJ, conforme se infere da leitura dos enunciados das ementas dos julgados, a seguir transcritos: DIREITO PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. MATÉRIA ELEITORAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INDEPENDÊNCIA DAS INSTÂNCIAS. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO E AÇÃO PENAL. IMPROVIMENTO. [...] 3. O tema envolve a relativa independência das instâncias (civil e criminal), não sendo matéria desconhecida no Direito brasileiro. De acordo com o sistema jurídico brasileiro, é possível que de um mesmo fato (aí incluída a conduta humana) possa decorrer efeitos jurídicos diversos, inclusive em setores distintos do universo jurídico. Logo, um comportamento pode ser, simultaneamente, considerado ilícito civil, penal e administrativo, mas também pode repercutir em apenas uma das instâncias, daí a relativa independência. [...] 5. Somente haveria impossibilidade de questionamento em outra instância caso o juízo criminal houvesse deliberado categoricamente a respeito da inexistência do fato ou acerca da negativa de autoria (ou participação), o que evidencia a relativa independência das instâncias (Código Civil, art. 935). [...] 8. Recurso ordinário improvido. (RHC 91110, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 05/08/2008, DJe 157 DIVULG 21082008 PUBLIC 22082008) ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA TAMBÉM TIPIFICADA COMO CRIME DE CONCUSSÃO. PRESCRIÇÃO. NÃOOCORRÊNCIA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO. DEMISSÃO. ESFERA CRIMINAL. ABSOLVIÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. INDEPENDÊNCIA DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. [...] 3. Tendo em vista a independência das instâncias administrativa e penal, a sentença criminal somente afastará a punição administrativa se reconhecer a nãoocorrência do fato ou a negativa de autoria, hipóteses inexistentes na espécie. Precedentes. Fl. 8297DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 54 4. Segurança denegada. (MS 9772/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 14/09/2005, DJ 26/10/2005, p. 73) RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO. INEXISTÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. DEMISSÃO. SENTENÇA PENAL ABSOLUTÓRIA. FALTA RESIDUAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO. SÚMULA 18/STF. PRESCRIÇÃO. TERMO A QUO. SÚMULA 07/STJ. PUBLICAÇÃO. ATO DEMISSÓRIO. [...] 3. Prevalece no direito brasileiro a regra da independência das instâncias penal, civil e disciplinar, ressalvadas algumas exceções, v.g, em que a decisão proferida no juízo penal fará coisa julgada na seara cível e administrativa. 4. Neste sentido, a responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria, nos termos do art. 126 da Lei n.º 8.112/90, exceto se verificada falta disciplinar residual, não englobada pela sentença penal absolutória. Inteligência da Súmula 18/STF. [...] 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido. (REsp 1199083/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/08/2010, DJe 08/09/2010) Ainda na tentativa justificar a sua alegação, o recorrente ainda cometeu um erro grosseiro, mas que não deixa de ser relevante. Tratase da transcrição do inciso V do artigo 386 do CPP, não com a sua redação, mas com a redação do inciso IV, vigente na época dos fatos14, conforme se observa nos textos a seguir transcritos: Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: I estar provada a inexistência do fato; II não haver prova da existência do fato; III não constituir o fato infração penal; IV não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal; V existir circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena (arts. 17, 18, 19,22e24, §1o, do Código Penal); VI não existir prova suficiente para a condenação. 14 A partir da vigência da Lei nº 11.690, de 2008, os incisos IV a VI passaram a ter a seguinte redação: "IV estar provado que o réu não concorreu para a infração penal;(Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) V – não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal;(Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23,26e§ 1º do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência;(Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)" Fl. 8298DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.022 55 [...] (grifos não originais) Da simples comparando as duas redações em destaque, verificase que a transcrição do inciso V, feita no recurso em apreço, corresponde a redação do inciso IV, portanto, comprovado o mencionado equívoco. Nos pressentes autos, os fatos apurados pela fiscalização, corroborados por provas adequadas, demonstram de forma irrefutável, que o recorrente, juntamente com Carlos Roberto Carnevali, foi um dos fundadores do esquema fraudulento e, durante todo o período da implementação da fraude, participou e colaborou e foi um dos beneficiários do esquema de fraude em referência, haja vista que, por intermédio de suas empresas offshores, recebeu vultosos recursos financeiros no exterior, provenientes dos resultados auferidos com os ilícitos aduaneiros e tributários cometido pela contribuinte MUDE. Por todas essas razões, resta configurado o interesse comum do recorrente nos fatos jurídicos tributários objeto da autuação, deve ser mantido no polo passivo, conforme proposto no respectivo TSPS. Da sujeição passiva solidária de Gustavo Henrique Castellari Procópio. De acordo com o TSPS nº 008/2010 (fls. 1086 e ss.), o recorrente Gustavo Henrique Castellari Procópio pertenceu ao “Grupo MUDE” desde o a sua constituição. Ele era o advogado da MUDE e procurador das empresas offshore operacionais pertencente ao grupo e chegou a ocupar o cargo de Gerente de Operações. Nessa condição, ele tinha interesse comum nos fatos jurídicos tributários objeto do lançamento em apreço. Ele atuava nas empresas do grupo, sempre por meio de procurações com plenos poderes de gestão. Seja na constituição de empresas envolvidas no esquema de importação fraudulento, seja na administração delas, os conhecimentos jurídicos do recorrente foram fundamentais para implementação e manutenção do esquema fraudulento em destaque. Ele atuava como sócio oculto da empresa MUDE. Segundo a fiscalização, cabia ao recorrente “realizar o controle dos aspectos jurídicos que envolviam todas as empresas do “Grupo JDTC/MUDE” no Brasil e no exterior. Esta atuação tem um alcance estendido também às empresas patrimoniais dos sócios ocultos da MUDE, em especial de MOACYR SAMPAIO. De acordo com os documentos apreendidos no curso da “Operação Persona”, o recorrente recebia participação nos resultados da MUDE, por intermédio da sua empresa CASTELLARI PROCÓPIO ADVOGADOS. Por sua vez, o motivo consignado na referida decisão judicial, para absolvêlo do delito de descaminho foi baseado no fato de que nos autos do processo criminal havia provas que indicavam que ele possivelmente tinha conhecimento do esquema, mas que não participava da direção da MUDE nem das importações fraudulentas. Segundo o MM. Juiz, apenas o conhecimento do esquema fraudulento, o qual não restou totalmente comprovado, não era suficiente para responsabilizálo criminalmente. Além disso, a absolvição do recorrente foi fundamentada na versão explicitada no seu depoimento, confirmada por testemunhos dos próprios envolvidos no esquema de fraude e também acusados da prática dos mesmos ilícitos penais. Fl. 8299DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 56 Portanto, as provas utilizadas no Juízo criminal, para isentálo de culpa, não foram as mesmas colacionadas aos autos pela fiscalização, para lhe imputar a sujeição tributária solidária em questão. Com base nos relatos da fiscalização, fica demonstrado que o recorrente, embora não participasse, formalmente, da direção do Grupo, de fato, ele participava diretamente dos seus negócios e era um dos principais mentores, executores e beneficiários da fraude em questão. Assim, resta evidenciado que não se aplica ao caso em tela as razões de decidir consignadas na referida Sentença. Em decorrência, fica demonstrada a improcedência da alegação do recorrente de que, em face da citada absolvição no processo criminal, as pretensas provas colacionadas a estes autos não podiam ser utilizadas para imputarlhe a solidariedade tributária passiva em questão. Também não se aplica ao caso em tela a alegação do recorrente de inexistência de independência das esferas cível, criminal e administrativa, posto que a sua absolvição fora por suposta negativa de autoria dos crimes que lhe foram imputados na denúncia do MPF. A uma, porque a sua absolvição não foi por negativa de autoria, mas, (i) por não constituir o fato infração penal, nos termos do art. 386, III, do CPP, em relação aos delitos de uso de documentos ideologicamente falsos, e (ii) por existir circunstância que excluía o crime ou isentava o réu de pena, na forma do art. 386, V, do CPP, conforme expressamente consignado no Dispositivo da Sentença (fls. 6.903 e ss.). A duas, porque encontrase consolidado na jurisprudência do STF e do STJ o entendimento de que somente nos casos em que há absolvição penal por inexistência do fato ou negativa de autoria, nos termos do artigo 386, I e IV, do CPP, é que, excepcionalmente, há vinculação das demais instância ao que decido no âmbito do processo criminal. Nesse sentido, confira o teor dos julgados anteriormente transcritos. A três, porque, na tentativa justificar a sua pretensão, o recorrente cometera o mesmo equívoco da troca da redação do inciso IV pela do inciso V do artigo 386 do CPP (fl. 6.144), anteriormente referenciada. Nos pressentes autos, os fatos apurados pela fiscalização, corroborados por provas adequadas, demonstram de forma irrefutável, que o recorrente conhecia, participou e colaborou e foi um dos beneficiários do esquema de fraude em referência, haja vista que, por intermédio de sua empresa de advocacia, recebeu recursos financeiros, provenientes dos resultados auferidos com os ilícitos aduaneiros e tributários cometido pela contribuinte MUDE. Com base nessas considerações, fica demonstrado o interesse comum do recorrente nos fatos jurídicos tributários objeto das autuações, logo deve ser mantido no polo passivo das autuações, conforme proposto no TSPS. II.2 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA RELATIVA À MULTA REGULAMENTAR POR SUBFATURAMENTO. A fundamentação legal da sujeição passiva solidária pela multa regulamentar por subfaturamento foi distinta para as pessoas físicas solidárias e a pessoa jurídica CISCO e para a pessoa jurídica solidária e recorrente MUDE. Para as pessoas físicas solidárias e para a pessoa jurídica CISCO, o enquadramento legal foi feito no inciso I, enquanto que a pessoa jurídica MUDE foi Fl. 8300DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.023 57 enquadrada nos incisos I e V, ambos do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcritos: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...] V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] (grifos não originais) Das alegações comuns de todos os recorrentes pessoas físicas e jurídicas. Em comum, a maior parte dos recorrentes alegou que a sujeição passiva solidária pela multa regulamentar por subfaturamento deveria ser afastada, sob o argumento de que a solidariedade passiva definida no art. 124 do CTN era (i) exclusivamente tributária, ou (ii) para as pessoas expressamente designadas por lei. Segundo os recorrentes, ainda que se interpretasse esse dispositivo de forma extensiva, para que a solidariedade também alcançasse as penalidades, o que admitiam apenas para argumentar, a solidariedade alcançaria apenas as infrações tributárias, o que resultaria na exclusão da multa regulamentar em apreço, por ter sido lavrada em concomitância com a multa qualificada. Não procedem tais argumentos. A uma, porque a fiscalização não enquadrou no art. 124 do CTN a sujeição passiva solidária dos recorrentes pela referida multa regulamentar. A duas, porque o enquadramento da sujeição passiva solidária em apreço foi feita no art. 95, I e V, do Decretolei 37/1966, que prevê, expressamente, a solidariedade passiva tanto para as multas regulamentares, quanto para as multas do controle administrativo das importações. E, no caso, a fiscalização fez corretamente o enquadramento legal da sujeição passiva solidária em questão no art. 674, I e V, do Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009), que reproduz os citados preceitos legais, conforme exposto no item 13 (fls. 240/241) e subitem 14.3 (275/276) do citado Termo Auditoria Fiscal, de onde se extrai os seguintes excertos, in verbis: Finalmente, as disposições normativas do artigo 95 do DL n° 37/66, prescrevem a responsabilidade conjunta tanto daqueles que de alguma forma concorrem para a prática da infração ou dele se beneficiam quanto, especialmente, do importador e do adquirente de mercadoria estrangeira importada por sua conta e ordem. Tais disposições são regulamentadas pelo artigo 674 do Regulamento Aduaneiro [de 2009], que reproduzimos: [...] Percebese que, no presente caso, houve coordenação entre, o real adquirente das mercadorias estrangeiras (MUDE), o Fl. 8301DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 58 beneficiário do esquema montado (CISCO) e o importador interposto (TDC), o que implica que respondam conjuntamente pelas infrações praticadas conforme o disposto no artigo 95, inciso V do DL n° 37/66. (os grifos sublinhados não são originais). Da leitura dos textos transcritos, verificase que a fiscalização enquadrou (i) no art. 95, I, a responsabilidade solidária de todas as pessoas físicas recorrentes, os denominados “principais dirigentes da organização CISCO/MUDE”, e a pessoa jurídica CISCO, por serem os beneficiários diretos e terem concorrido para a prática da infração, e (ii) no art. 95, V, as pessoas jurídicas MUDE e TDC, por serem, respectivamente, a real importadora e a importadora por conta e ordem. Nesse sentido, os fartos elementos probatórios coligidos aos autos, a seguir analisados individualmente, não deixam qualquer dúvida de que todos os sujeitos passivos solidários (pessoas físicas e pessoas jurídicas), de forma planejada e intencional, concorreram diretamente para a consecução do subfaturamento do preço dos produtos importados e também foram os grandes beneficiários dos tributos descaminhados, que representou, direta e imediatamente, grande prejuízo ao Erário. No caso, além do notório benefício direto obtido por todos os sujeitos passivos solidários (ora recorrentes), ainda se encontra devidamente comprovado nos autos que todos eles concorreram para a concretização das importações fraudulentas. Por essas razões, em relação à multa regulamentar por subfaturamento, todos os recorrents, pessoas físicas e jurídicas, devem ser mantidos no polo passivo das autuações, conforme determinado pela fiscalização. Das alegações da recorrente MUDE. A recorrente MUDE foi incluída no polo passivo das presentes autuações, enfatizase novamente, no só por ter revelado interesse comum na situação constituinte do fato gerador (condição prevista no art. 124, I, do CTN), mas também por ser a real adquirente das mercadorias importadas, conforme expressamente previsto: a) no art. 32, parágrafo único, “c”, do Decretolei 37/1966 (no caso Imposto sobre a Importação, por exemplo), em relação aos tributos e consectários legais; e b) no art. 95, V, do Decretolei 37/1966, em relação à multa do controle administrativo. Especificamente em relação a condição de real importadora, a recorrente MUDE alegou que o TSPS lavrado contra ela (fls. 6241 e ss.) não podia prevalecer, pois, no caso em tela, não estava configurada a importação por conta e ordem de terceiros, muito menos interposição fraudulenta, com base nos seguintes argumentos: a) não havia prova individualizada acerca das supostas antecipações de recursos; b) nunca antecipara recursos para financiar o distribuidor ou importador, havendo, no máximo, pagamento de faturas antes do vencimento; c) não era a destinatária final dos produtos importados, pois não era a encomendante nem adquirente das mercadorias importadas; e d) as acusações da fiscalização de que a recorrente controlava todas as empresas interpostas eram totalmente infundadas e advinham de uma falta de compreensão do seu modelo de negócio, baseado nos ditames e princípios do modelo Just in Time. Antes de analisar tais alegações, revelase de todo oportuno apresentar a logística das operações de importação realizadas pelas empresas integrantes do denominado “Grupo MUDE”e as colaboradoras, bem como a função que cada uma delas desempenhavam Fl. 8302DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.024 59 no referenciado esquema de importação. Para esse fim recorrese ao diagrama extraído do citado Relatório Fiscal (fl. 36), que segue transcrito: Onde: (A) = Fabricante (CISCO SYSTEM INC. EUA) (B) Distribuidores interpostos – USA (v.g., MUDE USA) (C) Exportadores interpostos – USA (v.g., 3 TECH, LATAM, LOGCIS, GSD etc.) (D) Importadores interpostos Brasil (v.g., TDC etc.) (E) Distribuidores interpostos Brasil (v.g., TECNOSUL) (F) Real adquirente e beneficiário oculto Brasil (“MUDE”) (G) Comprador no mercado interno: clientes do grupo “MUDE” A função de cada integrante do esquema de interposição fraudulenta foi descrita pela fiscalização, em detalhes, no citado Relatório de Auditoria Fiscal. A seguir transcrevese um pequeno fragmento (fls. 37/39)15: O esquema detalhado acima permitia ocultar o real adquirente das mercadorias importadas (elemento F) transacionadas junto ao fabricante :no exterior (elemento A). Ou seja, a negociação ocorria de fato entre A e F os quais definiam preços, condições de pagamento, tipos de mercadorias e quantidades. Porém, a operação visível de comércio exterior a declarada ao Fisco processavase de forma simulada entre o exportador 15 As letras mencionadas, referemse às pessoas jurídicas participantes do esquema discriminadas no diagrama e legenda de fls. 36/37. Fl. 8303DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 60 interposto nos E.U.A (elemento C) e o importador interposto no Brasil (elemento D). Esta operação não representava a verdadeira transação comercial. A CISCO BRASIL é o escritório comercial do fabricante americano no Brasil e controla todas as vendas dos produtos Cisco no mercado nacional, possuindo inclusive metas de vendas definidas pela matriz norteamericana. Ela negocia com seus clientes o valor dos produtos a serem adquiridos nos Estados Unidos, inclusive em relação a descontos concedidos, prazos de entrega, enfim, toda a parte comercial. Após o recebimento do pedido feito pelo comprador no mercado interno, a CISCO BRASIL indicava um revendedor de seus produtos (MUDE LTDA) que fazia o pedido junto a CISCO SYSTEM INC.(USA), repassando ao comprador no mercado interno todos os descontos que tinham sido anteriormente negociados com a CISCO BRASIL. O fabricante produzia os equipamentos com pleno conhecimento de que após a importação dos produtos, os mesmos seriam revendidos ao comprador no mercado interno no Brasil ("G"). A CISCO BRASIL não realizava as importações diretamente de sua matriz, mas "terceirizava" as operações através da MUDE LTDA. Esta, por sua vez, acionava o importador interposto para a realização das importações. A CISCO SYSTEMS INC. também; não vendia diretamente para o Brasil. Ela vendia a um distribuidor interposto ("B"), MUDE USA, que revendia a um exportador interposto ("C"), que por sua vez exportava para o Brasil. As operações de comércio exterior se processavam, então, entre as empresas interpostas "C" (LOGCIS, GSD utilizada pela TDC , LATAM, 3 TECH, ROMFORD) e "D" (TDC, no presente processo), sempre sob o controle e gerenciamento da MUDE LTDA. Toda a documentação aduaneira era emitida em nome do IMPORTADOR INTERPOSTO "D" (TDC), que nacionalizava as mercadorias como se fosse seu real adquirente. Para recolhimento dos tributos e para a liquidação do contrato de câmbio (remessa ao exterior para pagamento dos produtos), o REAL ADQUIRENTE "F" (MUDE LTDA) enviava os recursos à DISTRIBUIDORA INTERPOSTA "E" (TECNOSUL) que, por sua vez, os repassava à IMPORTADORA INTERPOSTA "D" (TDC). O repasse antecipado dos recursos era feito porque nem a IMPORTADORA INTERPOSTA nem a DISTRIBUIDORA INTERPOSTA, no Brasil, tinham capacidade econômico financeira para a realização das importações. Após a importação, em operações de compra e venda simuladas, a importadora interposta ("D") transferia as mercadorias para a distribuidora interposta ("E"), no caso a empresa TECNOSUL que, NO MESMO DIA, simulava uma venda para o real adquirente ("F"), MUDE LTDA, As mercadorias seguiam do local de desembaraço aduaneiro diretamente para o real adquirente ("F"), MUDE LTDA, ocorrendo no caminho apenas a troca de notas fiscais. Fl. 8304DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.025 61 A DISTRIBUIDORA INTERPOSTA tinha o papel de "blindar" o real adquirente de eventuais cobranças de tributos devidos nestas operações, como, por exemplo, o ICMS que seria devido ao Estado de São Paulo; em relação ao benefício concedido no local da importação (Bahia), quando utilizado indevidamente, como é o caso, bem como ser mais uma empresa entre o IMPORTADOR INTERPOSTO e o REAL ADQUIRENTE, tornando mais nebulosas suas relações e dificultando assim a atuação dos fiscos federal e estadual. Quanto ao fluxo financeiro, o IMPORTADOR INTERPOSTO ("D"), após receber, por meio do DISTRIBUIDOR INTERPOSTO ("E"), os recursos provenientes do REAL ADQUIRENTE ("F") remetia os mesmos ao EXPORTADOR INTERPOSTO ("C"), sob a égide de pagamento das importações realizadas. Tais recursos eram destinados, em última instância, ao DISTRIBUIDOR ESTRANGEIRO ("B") e ao FABRICANTE ("A"). Portanto, a real transação comercial ocorria entre a CISCO USA e o COMPRADOR FINAL NO BRASIL, sendo que a verdadeira responsável pelas operações de comércio exterior no Brasil é a empresa MUDE, que utilizou para as importações varias empresas interpostas, cujas operações foram executadas sob ordens, recursos financeiros e efetivo controle. Assim, todas às operações comerciais intermediárias destas empresas interpostas foram simuladas. Os recursos financeiros aplicados nas operações intermediárias citadas (pagamento das importações e compra pelo distribuidor)(originaramse do REAL ADQUIRENTE A MUDE LTDA; que, de fato, revendia as mercadorias no mercado interno, depois de importálas através do canal de importação fraudulento ilustrado no diagrama anterior. (grifos do original) Da leitura dos textos transcritos, inferese que o esquema fraudulento relatado envolvia dupla tentativa de esconder das autoridades brasileiras a real exportadora e fabricante, a multinacional estadunidense CISCO SISTEMS INC., e a real adquirente e importadora, MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., pois, interpostos entre os dois, havia uma distribuidora e exportadora nos Estados Unidos e uma importadora e distribuidora no Brasil. No caso em apreço, a distribuidora e exportadora interpostas, nos Estados eram a MUDE USA INC. e a GSD TECHNOLOGIES LLC. , respectivamente, enquanto que, no Brasil, a importadora e distribuidora interpostas eram, respectivamente, a TDC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA. E a TECNOSUL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ELETROELETRÔNICOS E DE INFORMÁTICA LTDA. Quanto ao fluxo financeiro, a importadora interposta (TDC), após receber, por meio do distribuidora interposta (TECNOSUL), os recursos provenientes do real adquirente e ora recorrente, MUDE, remetiaos, em dólar americano, ao exportador interposto (GSD), a título de pagamento das importações realizadas. Por fim, nos Estados Unidos, os valores, já em dólar americano, eram destinados ao distribuidor estrangeiro (MUDE USA) que, em última instância, repassavaos ao real importador e fabricante dos produtos, a CISCO Fl. 8305DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 62 SISTEMS INC., fechando o ciclo financeiro da real operação comercial celebrada entre a real exportadora e real importadora. O fluxo financeiro encontrase detalhado, passo a passo, no citado Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 100/111), corroborado por fartos documentos acostados aos autos (429/448 e 543/572), em especial, as planilhas eletrônicas que detalham toda a movimentação financeira. Tais planilhas foram apreendidos no curso da “Operação Persona”, nas sedes das empresas MUDE e WHAT’S UP e na residência do sujeito passivo solidário MARCÍLIO PALHARES LEMOS, que era quem, de fato, controlava todo fluxo financeiro do esquema, a partir da MUDE passando pelas importadoras, distribuidoras nacionais e estrangeiras, exportadoras, até a chegada dos recursos financeiros na real importadora CISCO SISTEMS INC. Com base na referida documentação, fica cabalmente demonstrado que, ao contrário do que alegou a recorrente, inequivocamente, os recursos financeiros utilizados no pagamento das correspondentes operações de importação tinham origem na MUDE e destino final a CISCO SISTEMS INC., com sede nos Estados Unidos. Além disso, os trechos das transcrições das comunicações telefônicas e mensagens telemáticas interceptadas, também apreendidas no curso da referida Operação, deixam claro que eram pagas comissões às empresas interpostas pelos serviços prestados à real adquirente (MUDE) e que os recursos foram fornecidos pela própria MUDE, conforme documentos de fls. 54, 59, 60, 77, 78, 79, 80, 81, 97 a 99. No caso, como a totalidade dos recursos financeiros foram fornecidos pela própria recorrente, consequentemente, ao contrário do que fora alegado, não tem qualquer relevância o fato de eles terem sido fornecidos antes ou após a emissão das notas fiscais e respectivas faturas. Na tentativa de se contrapor ao robusto acervo probatório coligido aos autos pela fiscalização, a recorrente MUDE apresentou, com a sua peça recursal, denominado “laudo pericial contábil”, com a conclusão de que “100% dos valores dos pagamentos foram efetuados após a data de emissão das notas fiscais dos fornecedores”. No caso, o que a recorrente denomina de “laudo de pericial contábil” tratase de Relatório de Análise de Pagamento a Fornecedores, elaborado pelo contador João Carlos Castilho Garcia, referente aos pagamentos realizados pela recorrente MUDE. Tais relatórios, além de não atender os requisitos mínimos estabelecidos para o “Laudo Pericial Contábil”, estabelecidos na Norma Brasileira de Contabilidade T 13.6, aprovada pela Resolução Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nº 1.041/2005, com base em dados genéricos, sem respaldo documental, apresenta conclusões sobre os pagamentos realizados pela recorrente MUDE. Dada essa circunstância, tais relatórios não têm o condão de infirmar o acervo documental coligidos aos autos pela fiscalização, principalmente. Em face das milhares transações financeiras realizadas, também não subsiste, por falta de razoabilidade, a alegação da recorrente de que era necessária a produção de prova individualizada para cada uma delas. No caso, a demonstração da origem, trajeto e destino final dos recursos financeiros utilizados nos processos de importação analisados pela fiscalização (fls. 100/111), a meu ver, são suficientes para demonstrar e comprovar o modus operandi do esquema de interposição fraudulenta em questão e que a recorrente, na condição de real importadora, foi a idealizadora e a principal beneficiário da fraude cometida, juntamente com a real exportadora, CISCO SISTEMS INC. Fl. 8306DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.026 63 A recorrente alegou ainda que adotava o modelo Just in Time e que a intensa e rápida interação entre os membros da cadeia produtiva, típica do citado modelo de negócio, não poderia ser confundida com falta de autonomia das empresas envolvidas, muito menos autorizava que fosse a ela atribuída a responsabilidade por todas as operações realizadas. É consabido que, em termos de logística de fornecemento de insumos para a produção industrial e mercadorias para comercialização, esse modelo de negócio notabilizase pela rapidez de entrega dos insumos ou mercadorias aos seus clientes, que operam com baixo nível de estoque e, por conseguinte, baixos custos de armazenagem e de inversão de capital de giro aplicado em estoques. Dessa forma, diante da demonstração cabal da existência do esquema de interposição fraudulenta em comento, exsurge irrelevante qual era o real modelo de negócio que, de fato, era praticado pela recorrente. De todo modo, o modelo de negócio Just in Time, que prima pela agilidade nas compras e rapidez na entrega dos produtos, com vista à redução ou eliminação de custos com estoques, ao contrário do alegado pela recorrente, confirma a tese da fiscalização no sentido de que a real exportadora era a fabricante CISCO SISTEMS INC. ou CISCO USA e a real adquirente e importadora era recorrente MUDE. Explicase! Ora, se uma das características do modelo Just in Time é a existência de único fornecedor e único comprador na cadeia de negócio e a consequente eliminação de intermediários, obviamente, não tem qualquer justifica a existência das diversas empresas (distribuidoras, exportadoras, importadoras etc.) que foram interpostas entre a real exportadora e a real compradora, a não ser para camuflar dos reais intervenientes no negócio e produção de documentos não representativos da realidade negocial subjacente, simulando uma operação de importação inexistente e, simultaneamente, dissimulando a real operação de exportação e importação praticada pela real exportadora CISCO SISTEMS INC. e a real importadora, a recorrente MUDE. Além disso, dentro de um modelo de compra e entrega rápida ao cliente e destinatário final, característica do modelo de negócio Just in Time, que a recorrente informou que utilizava, como justificar os procedimentos, adotados nos processos de importação em apreço, mediante o qual, logo após a compra dos equipamentos da CISCO USA, a distribuidora exclusiva desses produtos nos Estados Unidos para a recorrente, a empresa MUDE USA, fizesse a retirada do software dos equipamentos e realizasse duas vendas distintas para exportadores também distintos que, por sua vez, realizavam a venda e a exportação para o Brasil por canais e formas distintas. No que tange a suposta operação de retirada e separação do software dos equipamentos importados, supostamente realizada pela MUDE USA, já que a documentação colacionada aos autos, comprova que os equipamentos eram vendidos para a distribuidora MUDE USA com os softwares integrados, com a ressalva de que, apenas a partir de meados de 2007, bem próximo da deflagração da “Operação Persona”, foi que, somente na documentação de venda (invoices), emitida pela fabricante e real exportadora CISCO USA, vinha discriminado, separadamente, o valor do software e do hardware. Aliás, tal operação é confirmada pela recorrente CISCO, no trecho extraído do seu recurso (fl. 7543), que segue transcrito: Fl. 8307DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 64 Em relação à alegação específica acerca da separação do valor relativo a software e hardware, repitase que a política da Cisco sempre foi a de que o software embutido no hardware deve ser tratado como hardware, de modo que o preço cobrado pela CSI na venda dos seus produtos inclui o valor do software. Como já demonstrado nestes autos, todas as faturas da CSI classificadas pela d. fiscalização como comprovadoras do suposto split, tratam, na verdade, de faturas contendo o mero detalhamento do preço do hardware e do respectivo software ou outro subitem, sendo que, em todas elas, o preço total (hardware + software) é faturado pela CSI contra a Mude USA em um único documento. (grifos do original) Ora, se a própria fabricante (CISCO SISTEMS INC.) declara que o preço cobrado pelos equipamentos incluía o valor do software e que as faturas por ela emitidas continha o mero detalhamento do preço do hardware e do respectivo software, sem a existência de qualquer prova contrária, induvidosamente, deve prevalecer a verdade contida nos documentos colacionados aos autos e ratificada pela própria fabricante dos equipamentos. Além de se revelar inverossímil, tal alegação não veio acompanhada de qualquer documento que comprovasse que a distribuidora exclusiva MUDE USA tivesse realizado, previamente a venda dos equipamentos para as exportadoras integrantes do “Grupo MUDE”, a retirada dos softwares dos equipamentos, operação que, em razão da enorme quantidade de equipamentos, certamente, demandava um significativo aparato industrial, técnico, operacional e de pessoal que a recorrente não logrou comprovar que a citada distribuidora possuísse nos EUA. No que concerne à logística de exportação e importação, com base nos diagramas de fls. 163 e 165 do Relatório de Auditoria Fiscal, verificase que, no processo de interposição fraudulenta em comento, foram adotados procedimentos diferentes e utilizadas pessoas jurídicas distintas para a exportação e importação do software e do hardware (equipamento) para o Brasil. Com efeito, existia uma logística diferente na suposta exportação e importação do software. De fato, até meados de 2007, o procedimento de importação do software tinha a seguinte configuração (conforme diagrama de fl. 163), a saber: existia uma única exportadora, a SUPERKIT INTERNATIONAL INC., domiciliada nos EUA, e única importadora, a BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA., e não havia distribuidora no Brasil, de modo que a importadora revendia o software diretamente para a recorrente MUDE, sem a intermediação de distribuidora no Brasil. A partir de meados de 2007, embora as compras tanto do software quanto do hardware estivessem centralizadas numa única exportadora, a GSD TECHNOLOGIES LLC., domiciliada nos EUA, o procedimento de importação do software não foi alterado, conforme diagrama apresentado do citado Relatório Auditoria Fiscal (fl. 165), a seguir transcrito: Fl. 8308DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.027 65 Por sua vez, no que tange a importação dos equipamentos (hardwares), até meado de 2007, a logística de importação era realizada com a utilização de várias exportadoras, importadoras e distribuidoras. Assim, no que concerne ao hardware, havia dupla “blindagem” do real exportador (a CISCO USA), com a interposição de um distribuidor (a MUDE USA) e vários exportadores, assim como da real adquirente (a recorrente MUDE), com a interposição de vários importadores e vários distribuidores. A partir de meados de 2007, a única alteração foi a concentração das exportações numa única exportadora, a GSD TECHNOLOGIES LLC., conforme já mencionado. Com esse breve relato, fica corroborada a tese da fiscalização de que as operações formais declaradas pelas empresas integrantes do Grupo MUDE aos órgãos de controle do comércio exterior brasileiro não passava de mera e sofisticada simulação de uma operação de exportação e importação, que só existia formalmente nos documentos emitidos pelos intervenientes. Na realidade, o que existia e operava era um sofisticado e moderno negócio de compra e venda, denominado pela recorrente de Just in Time, realizado diretamente entre a CISCO USA, na condição real fornecedora e exportadora, e a recorrente MUDE, na condição de real compradora e importadora, mas que era dissimulada e, portanto, ocultada dos órgãos de controle de comércio exterior brasileiro. Fl. 8309DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 66 A participação de várias empresas interpostas entre a recorrente e a fabricante/real exportadora, por óbvio, contraria frontalmente com decantando modelo Just in Time, pois, como dito anteriormente, tal modelo prima pela agilidade nas compras e rapidez na entrega dos produtos, com vista à redução de estoques e dos custos decorrentes da sua administração e manutenção. Também inexistia a alegada autonomia das pessoas jurídicas participantes da citada interposição (distribuidoras nacionais e estrangeiras, exportadoras e importadoras), pois, embora houvesse autonomia formal, o conjunto probatório colacionado aos autos (a título de exemplo, citase os documentos de fls. 62/69) revela que, na realidade, participavam do quadro societário das mencionadas sociedade empresárias, invariavelmente, empresas sediadas em paraísos fiscais (offshore representadas/geridas por pessoas vinculadas ao “Grupo MUDE”), e/ou pessoas desprovidas de recursos econômicofinanceiros (denominadas de “laranjas”) ou funcionários da própria recorrente, conforme relatado pela fiscalização nos trechos extraídos do citado Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 40 e 41), a seguir transcritos: O grupo MUDE/CISCO montou uma estrutura de importação fraudulenta baseada na criação de empresas interpostas entre os extremos dá cadeia logística (fabricante/real exportador e real importador/adquirente). Apesar de ser mais oneroso, optou se por criar o chamado "duplo grau de blindagem", ou seja, além da criação do importador e exportador interpostos, também foram criados, distribuidores interpostosno Brasil (TECNOSUL e NACIONAL) e nos Estados Unidos (MUDE USA). Salientamos que a distribuidora no Brasil NACÍONAL somente foi utilizada pela empresa ABC. Estas empresas, que movimentaram milhões de reais, normalmente tinham seus quadros societários compostos por empresas offshore (sediadas em paraísos fiscais) e/ou pessoas desprovidas de recursos econômicos "laranjas" como pedreiros, ambulantes, operadores de telemarketing, auxiliares de escritório, ferramenteiros, conforme será exposto mais adiante no presente auto. (grifos do originial) Com base nessas considerações, fica demonstrada a insubsistência das aludidas alegações, por conseguinte, a recorrente MUDE deve ser mantida no polo passivo das autuações também na condição de real importadora, já que no tópico anterior ficou demonstrado que ela tinha interesse comum nas operações de importação objeto das autuações. III DAS QUESTÕES MÉRITO No mérito, a controvérsia cingese à prática de subfaturamento no preço dos produtos importados, que deu origem a cobrança (i) da diferença dos tributos calculados sobre o valor da diferença entre o preço real e preço subfaturado e (ii) da multa por prática de subfaturamento. III.1 Da Prática do Subfaturamento nos Preços dos Equipamentos Importados É oportuno novamente esclarecer que o objeto das autuações em apreço limitase à cobrança dos tributos incidentes na operação de importação e da multa regulamentar, em decorrência da prática de subfaturamento nos preços dos produtos importados por intermédio da importadora interposta TDC. Do subfaturamento nos preços segundo a fiscalização. Fl. 8310DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.028 67 No subitem 6.3 do citado Relatório de Auditória Fiscal (fls. 147 e ss.), a fiscalização descreve, de forma pormenorizada, o modus operandi do esquema de subfaturamento nos preços dos produtos importados em nome da autuada TDC, com base na documentação colacionada aos autos, apreendida nas empresas MUDE e WHAT'S UP. De acordo com a fiscalização, a mencionada fraude foi praticada com o claro objetivo de excluir da incidência dos tributos incidentes sobre a operação de importação (II, IPI, ICMS, Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação) o valor do software que integrava os equipamentos de informática importados da fabricante CISCO SISTEMS INC., com infração ao disposto no § 2º do art. 81 do Decreto n° 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que instituiu o Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009), que segue transcrito: Art. 81. O valor aduaneiro de suporte físico que contenha dados ou instruções para equipamento de processamento de dados será determinado considerando unicamente o custo ou valor do suporte propriamente dito (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 18, parágrafo 1, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 1994; e Decisão 4.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, aprovada em 12 de maio de 1995). § 1º Para efeitos do disposto no caput, o custo ou valor do suporte físico será obrigatoriamente destacado, no documento de sua aquisição, do custo ou valor dos dados ou instruções nele contidos. § 2º O suporte físico referido no caput não compreende circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares, ou bens que contenham esses circuitos ou dispositivos. § 3º Os dados ou instruções referidos no caput não compreendem as gravações de som, de cinema ou de vídeo. (grifos não originais) Da leitura do citado preceito normativo, inferese que o valor aduaneiro do software somente compõe o valor do aduaneiro do hardware (equipamento) se este contiver circuitos integrados, semicondutores ou dispositivos similares. No caso, inquestionavelmente, os equipamentos importados da fabricante CISCO SISTEMS INC., para uso em rede de computadores possuíam tais componentes eletrônicos, consequentemente, o software neles incorporados, necessariamente, deveriam integrar o valor aduaneiro do equipamento (o hardware). A contrário senso, em conformidade com o disposto no citado art. 81, o preço do software só não integra o valor aduaneiro do suporte físico (mercadoria) se cumprida, simultaneamente, duas condições: a) o custo ou valor do suporte físico, no documento de sua aquisição, encontrasse destacado do custo ou do valor dos dados ou instruções nele contidos; e b) o software não estivesse contido em circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares, ou bens que contenham tais circuitos, semicondutores ou dispositivos similares. Fl. 8311DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 68 Em relação às reais importações objeto das presentes autuações, comprovadamente, essas duas condições, não foram atendidas. Com efeito, os documentos colacionados aos autos pela fiscalização comprovam que os equipamentos de telecomunicações (hardwares), objeto das autuações em apreço, eram importados devidamente acompanhados dos respectivos softwares, mas essa informação era, intencional e frauduletamente, omitida nos documentos que instruíam os despachos aduaneiros de importação, assim como nas respectivas Declarações de Importação (DI), conforme relatou a fiscalização no trecho a seguir transcrito (fl. 168): Em suma, apesar de a fraude documental indicar uma separação entre software e hardware na MUDE USA e, após a importação, uma junção dos mesmos na MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, esta separação de fato nunca ocorreu. Fisicamente, o software acompanhava o hardware desde a fábrica da CISCO. Nos três casos de fraude, a ocultação documental dos softwares somente visava a redução da base de cálculo dos tributos aduaneiros. Aliás, tal fato é ratificado pela recorrente CISCO, parcialmente transcrito neste voto, e que pode ser lido na íntegra na correspondente peça recursal que se encontra colacionada aos autos (fls. 7473 e ss.). Dessa forma, mediante a ocultação dos valores dos softwares, a importadora interposta (TDC) reduziu, deliberada e fraudulentamente, a base de cálculo dos tributos incidentes sobre os bens importados. Segundo a fiscalização, até meados do ano de 2007, o Grupo MUDE teria operacionalizado a dita fraude da seguinte forma: os equipamentos saíam da fábrica da CISCO SISTEMS INC. com os devidos softwares já instalados. Em seguida, na empresa MUDE USA (distribuidora, nos EUA), apenas documentalmente e não fisicamente, era a feita a separação (split) entre o software e o hardware, que se processara de duas formas distintas. No primeiro caso de split, constavam das faturas emitidas pela CISCO SISTEMS INC. um valor único para cada equipamento, correspondente ao somatório dos valores de hardware e software, em conformidade com a operação real de venda dos equipamentos que, induvidosamente, continham todos softwares instalados. Em seguida, na MUDE USA, era emitida uma fatura à exportadora interposta, no caso a GSD, em que era discriminado e declarado o preço apenas hardware e, consequentemente, omitido o software. Neste caso, a fraude documental iniciavase na distribuidora MUDE USA. No segundo caso de split, a real exportadora CISCO SISTEMS INC. já emitia as faturas comerciais com a descrição e os preços do software e do hardware de cada modelo/equipamento destacados. Neste caso, a indicação e a preparação para a fraude documental já se iniciava na real exportadora CISCO SISTEMS INC. Em ambos os casos, apenas o valor do hardware era declarado na fatura comercial de exportação emitida pela exportadora GSD e, por decorrência, o único valor declarado nas correspondentes DI e utilizado na apuração da base de cálculo dos tributos incidentes sobre as respectivas operações de importação. Além disso, para justificar a presença dos softwares nos equipamentos vendidos ao consumidor final e legalizar a remessa das divisas e o pagamento da parcela do preço da venda dos equipamentos omitida na referida documentação de importação dos equipamentos, relatou a fiscalização que o Grupo MUDE simulava a importação dos softwares Fl. 8312DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.029 69 e, para ratificar a fraude do pagamento dos tributos aduaneiros, enviavaos incorporados a suporte físico do tipo CD, de sorte que tais tributos eram calculados e pagos apenas sobre o valor irrisório da mídia (CD), excluídos os elevados valores dos softwares da cobrança dos tributos incidentes na referida operação. Assim, com a simulação dessa operação, o Grupo MUDE justificava e legitimava o envio ao exterior do valor pago pelo software omitido apenas na documentação atinente à operação de importação dos equipamentos, permitindo assim que a CISCO SISTEMS INC. recebesse o valor integral da real operação de venda dos produtos importados (hardware mais software). No caso, a apuração dos preços efetivamente praticados na importação dos citados equipamentos foi feita com base nas invoices (faturas comerciais) emitidas pela própria empresa fabricante dos equipamentos importados, a CISCO SISTEMS INC., conforme relatado pela fiscalização nos excertos a seguir transcritos (fl. 150): Entretanto, quando da análise do material apreendido na empresa WHAT'S Up (Alvo SP54), não restou dúvida de que "o preço efetivamente praticado na importação" estava consignado na INVOICE emitida pela CISCO SYSTEMS INC. Para ilustrarmos a aplicação da legislação citada para o caso em tela, apresentaremos dois exemplos de importação com os próprios documentos arrecadados em meio magnético na sede da empresa WHAT'S UP BUSINESS. O primeiro exemplo abrange a importação de CD's contendo softwares e o segundo a importação de um Roteador contendo software. No primeiro exemplo, a importação de CD contendo os supostos softwares, informou a fiscalização o seguinte (fl. 157): Portanto, foram importadas 302 mídias (CD's), a um custo unitário de US$ 1,60, no valor total de US$ 483,20. Estas mídias contêm softwares com valores totais de US$ 241.904,94. Segundo o art. 81 do Regulamento Aduaneiro, como o suporte físico, no caso o CD, não compreende circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares, e tampouco é um bem que contenha esses circuitos e dispositivos, os tributos aplicados sobre o comércio exterior serão aplicados sobre o valor da mídia, ou seja, sobre US$ 483,20, e não sobre o valor do CD + software (US$ 483,20 + US$ 241.904,94). No segundo exemplo, importação de um Roteador contendo software, informou a fiscalização que (fl. 161): [...] foram importados 5 (cinco) roteadores CISC018411TEM, contendo o software S184IPBEM. Neste caso os tributos aplicados sobre o comércio exterior incidirão sobre o valor do hardware acrescido do valor do software, ou seja, sobre o valor total de US$ 3.372,50, pois, segundo o art. 81 do Regulamento Aduaneiro, como o roteador é um bem que contém circuitos integrados, o valor do software não pode ser excluído do valor aduaneiro. Fl. 8313DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 70 Cabe destacar, que com a inclusão do valor do software ao roteador do exemplo, o valor aduaneiro dos 5 (cinco) equipamentos foi praticamente multiplicado por três, ou seja, passaram de US$ 1.011,75 para US$ 3.372,50. Concomitantemente, o valor devido à União passaria de RS 825,14 para R$ 2.750,47. Assim como no imposto de importação, o valor aduaneiro também é base de cálculo para os demais tributos aplicados sobre o comércio exterior (IPI, ICMS, PIS, COFINS). Por conseguinte, uma redução dolosa do valor aduaneiro provocará uma redução direta de todos os tributos: II, IPI, ICMS, PIS, COFINS. Além da citada documentação, apreendida em poder dos integrantes do “Grupo MUDE” (fls. 320/416), também ratificam, de forma congruente, o modus operandi do subfaturamento em questão, com a participação e colaboração da CISCO, as transcrições das conversas telefônicas colacionadas aos autos, com a devida autorização judicial (fls. 301/310). A título de exemplo, merece destaque a conversa do próprio presidente da CISCO do Brasil Ltda., o Sr. PEDRO RIPPER, com seus subordinados, em que planejava, explicitamente, colaborar com a MUDE na implementação, com mais facilidade, dos mencionados splits e, dessa forma, aumentar as vendas e margens de lucro, em detrimento da indústria nacional e com grave lesão à Fazenda Nacional. Os trechos relevante de tais conversas encontrase transcrita no citado Relatório de Auditoria Fiscal (fl. 245). A estratégia fraudulenta em referência foi descrita pela fiscalização no trecho do citado Relatório Auditoria Fiscal (fl. 263), que segue transcrito: Passemos agora à análise dos valores praticados. Tendo como base a tabela anterior, bem como o que já foi exposto, observa se que, antes de 26/07/2007, data na qual houve escuta, telefônica, quando o Senhor Pedro Ripper, Presidente da CISCO BRASIL, falava acerca do novo procedimento que seria adotado nas importações de roteadores, criandose um novo part number para os softwares dos mesmos, a MUDE USA fazia a separação documental do software e do hardware na "cara dura". Nesta ocasião os roteadores modelo CISC01841rlTEM eram declarados com valores em torno de USD550.00 a USD720.00. De 22/08/2007 a 15/10/2007, quando foi colocado em prática o novo "modus operandi" já comentado, os valores declarados dos roteadores CISCO18411TEM foram drasticamente reduzidos, ficando em torno de USD165.00 a USD215.00, isto é, aproximadamente 30% dos valores anteriormente declarados. Como conseqüência do início da operação "PERSONA", em 16/10/2007, o grupo parou de operar. A partir de 27/11/2007, as importações dos roteadores CISCO 1841ITEM passaram a ser feitas por valores bem superiores, entre USD612.00 a USD670.00, e não mais foram utilizados os importadores interpostos WAYTEC, BRASTEC, TDC, ABC, PRIME e LIVON. Em suma, com a exclusão fraudulenta do valor do software, que representava em torno de 70% do preço total dos equipamentos, a economia tributária ilícita, proporcionada pela fraude em questão, representava 70% do somatório dos seguintes tributos devidos na operação de importação dos equipamentos: II, IPI, ICMS, Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 8314DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.030 71 Importação e CofinsImportação. Portanto, eram significativos os valores dos tributos descaminhados pelo “Grupo MUDE” com a fraude em questão. Por fim, com base nos dados explicitados na planilha de fls. 262/263, a fiscalização concluiu que: As fraudes somente ocorriam nas empresas importadoras interpostas. Estas, mesmo quando não havia subfaturamento, sempre se declaravam como importadores e adquirentes, garantindo a quebra da cadeia de IPI e evitando que a real adquirente, a MUDE no Brasil fosse equiparada a industrial Quando as importações ocorriam por empresas idôneas, importadores e adquirentes eram pessoas distintas; Os exportadores e importadores interpostos só aparecem atuando para o grupo; Logo após a deflagração da Operação Persona, a própria CISCO também assume a condição de exportador, e nas demais operações importador e adquirente são sempre pessoas distintas. Dessa forma, fica evidenciado que, além do subfaturamento, a operação de interposição fraudulenta ainda garantia a quebra da cadeia do IPI, pois evitava que a real adquirente e importadora, a recorrente MUDE, fosse equiparada a estabelecimento industrial. Das alegações de defesa da recorrente MUDE. A recorrente MUDE alegou que não houve o subfaturamento apontado pela fiscalização e que sequer houve subvaloração aduaneira, sob o argumento de que a licença de uso de software, que não se confundia com este, não integrava a base de cálculo dos tributos aduaneiros, consequentemente, as conclusões da fiscalização e da turma de julgamento de primeiro grau resultavam de uma visão equivocada do seu modelo de negócio, bem como da legislação que dispunha sobre a propriedade intelectual de softwares e da jurisprudência pacífica do STF sobre o tema. Inicialmente, é pertinente esclarecer que as alegações da recorrente estão baseadas na premissa de que os valores dos softwares necessários aos equipamentos importados, ainda que importados integrados aos equipamentos, não tinham valor comercial e que a diferença do valor aduaneiro objeto das presentes autuações correspondia ao valor da licença do uso do software que integrava a base de cálculo dos tributos incidentes sobre a operação de importação dos citados equipamentos. Por outro lado, em conformidade com que foi explicitado no tópico precedente, o objeto da autuação em apreço foi a real operação de importação dos equipamentos, com todos os softwares instalados e necessários ao funcionamento, que fora realizada em nome da interposta pessoa jurídica, a autuada TDC, e cabalmente comprovada com base nas informações técnicas de funcionamento e de comercialização dos equipamentos (fls. 168 e ss.), nos documentos coligidos aos autos (fls. 320/416) e nas transcrições das interceptações telefônicas (fls. 242/247) que, de modo congruente, também foi ratificada pelas conclusões exaradas no Laudo pericial elaborado pela Polícia Federal (fls. 311/319). Fl. 8315DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 72 No caso, convencido de que o hardware (o equipamento) foi, de fato, comercializado e importado com o software integrado, para fins tributários e de valoração aduaneira, entendese que, corretamente, o valor deste foi incluído na base de cálculo dos tributos incidentes sobre a operação de importação dos equipamentos, em conformidade com disposto na alínea “c” do subitem 8.1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT, denominado de Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), incorporado ao ordenamento interno pelo Decreto nº 1.355, de 1994, a seguir transcrito: Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: [...] c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar.” (grifos não originais) Portanto, diferentemente do alegado pela recorrente, há expressa disposição legal determinando a inclusão dos valores devidos a título de “direitos de licença” ou “licença de uso” no preço efetivamente pago ou a pagar, que integra o valor aduaneiro utilizado como base cálculo dos tributos incidentes na operação de importação. Com efeito, as alegações da recorrente aplicamse à importação de softwares em meio ou suporte físico que, no caso em tela, foi comprovadamente simulada, com nítido objetivo de justificar e legalizar a remessa das divisas para o exterior e, desse modo, complementar a parcela do preço dos equipamentos adquiridos da CISCO SISTEMS INC., conforme anteriormente demonstrado. Tais alegações seriam pertinentes se, efetivamente, tivesse havido a suposta importação do software, nos termos alegado pela recorrente, o que, comprovadamente, não ocorreu, pelas razões anteriormente declinadas. Ou se as autuações versassem sobre a cobrança do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e da Contribuição Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre os valores remetidos ao exterior em pagamento pela aquisição ou pela licença de direitos de comercialização de software. É oportuno ressaltar que, somente nos casos em que a comercialização do software é realizada por meio de suporte físico, separada do hardware, a questão atinente a forma de comercialização passa a ser relevantes para definir a cobrança do IRRF e da CIDE, bem como da incidência do ICMS, situação que não se vislumbra no caso em apreço. É pertinente ainda esclarecer que, no caso específico de importação de suportes físico de informática (ou “suporte informático”) contendo softwares, a Decisão nº 4.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, de 24 de setembro de 1984, deixou a critério das Partes contratantes a decisão de incluir ou não no valor aduaneiro o custo ou valor dos dados ou instruções (softwares), porém, desde que estes estivessem destacados do custo ou valor do suporte físico. Ainda para os efeitos da citada Decisão, o “suporte informático” não compreende os “circuitos integrados, os semicondutores e dispositivos similares ou os artigos que contenham tais circuitos ou dispositivos” e os “dados ou instruções” não incluem “as gravações de som, cinema ou vídeo”. Fl. 8316DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.031 73 Conforme já mencionado, o Brasil optou por utilizar unicamente o custo ou valor do suporte físico, desde que o seu custo ou valor constasse, no documento de aquisição, destacado do custo ou valor do programa (software), conforme estabelecido, inicialmente, no Decreto nº 2.498, de 13 de fevereiro de 1998, revogado pelo Decreto nº 4.543, de 2002 (RA/2002), e atualmente com a redação disposta no art. 81 do RA/2009, anteriormente transcrito. Entretanto, quando comercializado isolado em suporte físico de informática (disquete, CD etc.), para fins da legislação tributária, a classificação do software como softwaremercadoria (ou “software base física”, segundo a recorrente) ou softwareserviço (ou “software – propriedade intelectual”, segundo a recorrente) vai depender da forma de apresentação, produção e de comercialização do programa (bem imaterial). O software mercadoria ou “software de prateleira” é o programa de computador na modalidade de cópias múltiplas, produzido em escala e de maneira uniforme, colocado no mercado para aquisição por qualquer interessado. Por sua vez, o softwareserviço é o programa de computador na modalidade de cópia única, produzido sob encomenda e de maneira individualizada e comercializado para pessoa determinada. É oportuno ainda ressaltar que, nos termos do art. 1º da Lei n º 9.609, de 19 de fevereiro de 1998, programa de computador é definido como “a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza, de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, dispositivos, instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para fazêlos funcionar de modo e para fins determinados.” (grifos não originais). Portanto, induvidosamente, o software é um bem essencialmente imaterial que, apenas para fins tributário, recebe a denominação de softwaremercadoria ou software serviço, conforme a sua forma de apresentação, produção e de comercialização. Nesse sentido, o entendimento consolidado pelo C. STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 176.6233, cujo trecho relevante do enunciado da ementa segue transcrito: [...] III. Programa de computador ("software"): tratamento tributário: distinção necessária. Não tendo por objeto uma mercadoria, mas um bem incorpóreo, sobre as operações de "licenciamento ou cessão do direito de uso de programas de computador" "matéria exclusiva da lide", efetivamente não podem os Estados instituir ICMS: dessa impossibilidade, entretanto, não resulta que, de logo, se esteja também a subtrair do campo constitucional de incidência do ICMS a circulação de cópias ou exemplares dos programas de computador produzidos em série e comercializados no varejo como a do chamado "software de prateleira" (off the shelf) os quais, materializando o corpus mechanicum da criação intelectual do programa, constituem mercadorias postas no comércio. (RE 176626, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 10/11/1998, DJ 11 121998 PP00010 EMENT VOL0193502 PP00305 RTJ VOL 0016801 PP00305) Fl. 8317DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 74 No voto condutor do julgado, de forma lapidar, o Relator do voto condutor do citado julgado, o Ministro Sepúlveda Pertence, assim se manifestou sobre a matéria, in verbis: No caso dos programas de computador, há que se fazer certas distinções, a fim de atender às peculiaridades da questão. Com efeito, não se nega que o software seja fruto de uma produção intelectual do programador e que, por isso, optou o legislador pátrio por protegêlo como se protege o direito autoral. Todavia, o fato de ser o programa de computador protegido pela lei dos direitos autorais não implica o fato de não poder caracterizálo como mercadoria. Quem adquire um livro, por exemplo, não obstante possa ter o domínio sobre o objeto corpóreo que o mesmo representa, não adquire propriedade sobre a obra intelectual nela contida. Da mesma forma, o programa de computador: quem adquire o disquete contendo o programa, passa a ter o domínio sobre o disquete e não sobre a obra intelectual que ele contém. (grifos não originais) Assim, fica demonstrado que, quando comercializado em suporte físico informático (disquete, CD, DVD etc), para fins de incidência do IRRF e CIDE, é relevante a distinção entre softwaremercadoria e softwareserviço, haja vista que os referidos tributos incidem apenas sobre o primeiro tipo. De outro modo, para fins de incidência dos tributos sobre a operação de importação e, portanto, determinação do valor aduaneiro, na importação de programas de computador (software), seja na modalidade de cópia única (softwareserviço) ou na modalidade de cópias múltiplas (softwaremercadoria), será considerado unicamente o custo ou valor do suporte físico propriamente dito, desde que o custo ou o valor dos dados, programas ou aplicativos esteja destacado do custo ou valor do suporte físico no documento de aquisição. Da mesma forma, o entendimento externado no Parecer Cosit nº 22, de 16 de abril de 1999, cujo enunciado da ementa segue transcrito: PROGRAMA DE COMPUTADOR. VALOR ADUANEIRO. DETERMINAÇÃO. Na importação de programas de computador (software), seja na modalidade de cópia única ou na modalidade de cópias múltiplas, será considerado unicamente o custo ou valor do suporte físico propriamente dito na determinação do valor aduaneiro, desde que o custo ou o valor dos dados, programas ou aplicativos esteja destacado do custo ou valor do suporte físico no documento de aquisição. Esse tratamento não se aplica aos circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares, ou artigos que contenham esses circuitos ou dispositivos, nem às gravações de som, cinema ou vídeo. Dispositivos Legais: Art. 98 do CTN; art. 20 do Decreto nº 2.498/1998; Decisão nº 4.1 do Comitê de Valoração Aduaneira; art. 5º da IN SRF nº 16/1998. (grifos não originais) Dessa forma, fica esclarecido que a distinção entre softwaremercadoria e softwareserviço não tem qualquer relevância para fins de cobrança dos tributos incidentes Fl. 8318DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.032 75 sobre a operação de importação de mercadorias, conforme alegado pela recorrente. Neste caso, é relevante que, no documento de aquisição, o custo ou o valor dos dados, programas ou aplicativos esteja destacado do custo ou valor do suporte físico, e ainda que “dados ou instruções” não contenham “gravações de som, cinema ou vídeo”. Por outro lado, ressaltase mais uma vez, que quando o equipamento informático (hardware) é importado com o software integrado, para fins de valoração aduaneira, este sempre será considerado mercadoria e o seu custo ou valor se somará ao custo ou preço do hardware, compondo o valor aduaneiro do equipamento de processamento de dados importado, que compõe a base de cálculo dos tributos incidentes sobre a operação de importação. Em suma, tendo em conta que as presentes autuações referemse à cobrança de tributos incidentes na importação de equipamentos compostos de circuitos integrados (roteadores, telefones IP, switches, gateway etc), cujos softwares necessários ao seu funcionamento estavam devidamente incorporados, necessariamente, os valores do hardware e do software integravam o valor aduaneiro dos correspondentes equipamentos importados, o que está em perfeita consonância com o entendimento da fiscalização e do órgão de julgamento de primeiro grau. Com base nessas considerações, fica demonstrado que, ao contrário do que alegou a recorrente, não foi a fiscalização e a turma de julgamento de primeiro grau, mas ela própria quem não fez a melhor interpretação da legislação sobre a propriedade intelectual de softwares e da jurisprudência pacífica do STF. Em conseqüência, por terem sido apresentadas com a finalidade de comprovar a distinção entre softwaremercadoria e softwareserviço, não tem qualquer relevância probatória, para o deslinde da controvérsia em apreço, as notas fiscais coligidas aos autos pela recorrente na fase impugnatória, bem como as alegações de suposta existência em seu estoque de quantidade distintas de hardware e software, principalmente, tendo em conta que esta alegação não veio acompanhada das provas necessárias. No caso, a recorrente não esclareceu, com provas adequadas, porque a importação de cada equipamento era acompanhada, simultaneamente, da importação de igual quantidade de CD, contendo os supostos softwares dos respectivos equipamentos importados. E porque era declarado, nas respectivas DI, coincidentemente, valor igual a parcela do preço do software dos respectivos equipamentos que constava nas faturas emitidas pela real importadora CISCO SISTEMS INC., fraudulentamente, omitido nas faturas comerciais emitidas pela distribuidora interposta MUDE USA e mantido nas faturas emitidas pela exportadora interposta GSD e, por fim, era utilizada para instruir os despachos de importação realizados pela importadora interposta TDC. Além disso, em suas alegações de defesa, a recorrente contraria provas irrefutáveis colacionadas aos autos e, ao mesmo tempo, incorre em insuperáveis contradições. Por exemplo, alegou a recorrente que os “o software eventualmente contido nos produtos importados não tinha qualquer valor comercial sem sua licença de uso, razão pela qual não deve ser incluído no valor aduaneiro”. Nesse caso, se fosse verdade o alegado, o que se admite apenas para argumentar, como justificar a cobrança de 70% do valor do equipamento vendido pela CISCO SISTEMS INC. a distribuidora interposta MUDE USA? Há documentos nos autos, emitidos Fl. 8319DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 76 pela própria fabricante CISCO SISTEMS INC., inclusive de outras importações realizadas por pessoas estranhas ao Grupo MUDE, que confirmam que a importadora interposta TDC declarava na DI apenas 30% do valor real dos equipamentos. De fato, com base na planilha de fls. 262/263, que contém dados extraídos da documentação emitida pela própria fabricante CISCO SISTEMS INC., verificase que os roteadores modelo CISC01841lTEM eram declarados com valores em torno de USD 550.00 a USD 720.00. De 22/08/2007 a 15/10/2007, quando foi colocado em prática o novo modus operandi de split comentado anteriormente, os valores dos citados roteadores, declarados nas faturas comerciais e respectivas DI, foram drasticamente reduzidos para em torno de USD 165.00 a USD 215.00, ou seja, aproximadamente 30% dos valores anteriormente declarados. Dessa forma, como justificar a diferença omitida nos documentos de importação? Como foi efetuado o pagamento e a remessa de divisas da diferença omitida nos documentos de importação? A resposta não é outra: mediante a simulação de uma suposta importação de CD contendo o suposto software que já havia sido importado integrado ao equipamento na operação de importação anterior. Ainda na tentativa de justificar a suposta inexistência de valor comercial do software integrado aos equipamentos, no item 182 do recurso em apreço (fl. 6.295) a recorrente alegou o seguinte, in verbis: 182. Com efeito, a análise do dispositivo legal utilizado para justificar a autuação (artigo 81, § 2o, Decreto 6.759/2009) é claro ao estabelecer que o valor aduaneiro deve ser composto, no caso da importação de “circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares, ou bens que contenham esses circuitos ou dispositivos”, pelo suporte físico e pelos “dados ou instruções para equipamento de processamento de dados”. Em outras palavras, nesses casos, o valor aduaneiro será composto pelo hardware e pelo software nele instalado, somente, não havendo qualquer previsão para inclusão da licença de uso no valor aduaneiro, até porque a tributação pelos pagamentos efetuados a título dessa licença é regida pela legislação do imposto sobre a renda e, em alguns casos, da CIDE. E no item 185 (fl. 5.296), em conclusão, asseverou a recorrente, ipsis litteris: 185. Relevante entender que, ainda que alguns suportes físicos possuíssem certo programa instalado (tais como aqueles produtos em que a Polícia Federal identificou em seu laudo Anexo 2 do Auto de Infração), mesmo nesses casos não poderá haver a tributação pretendida, pois o aludido software não tem qualquer valor comercial (sua utilização sem a licença pode ser caracterizada como sendo crime contra a propriedade intelectual), não havendo base de cálculo a dar ensejo à tributação. Isso porque, não se pode negar, o valor efetivo do software é zero, sendo imputado ao licenciamento de seu uso o montante que se pretende tributar. (grifos do original) No primeiro item, a recorrente admitiu que o valor aduaneiro era “composto pelo hardware e pelo software nele instalado”, somente, não havendo qualquer previsão para inclusão da licença de uso no valor aduaneiro. Com esse argumento, a recorrente tentou justificar a operação de importação simulada do CD contendo o software, com a suposta existência de uma licença de utilização dos referidos softwares, sem contudo apresentar qualquer prova nesse sentido, ou seja, não trouxe aos autos o contrato da cessão de uso do Fl. 8320DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.033 77 software. Ademais, para que importar os CD com os tais softwares se a recorrente já tinha a licença para instálos nos equipamentos dos adquirentes? Logo, se existisse a suposta licença de uso dos softwares, o que se admite apenas para argumentar, consequentemente na importação dos CD contendo os mesmos softwares foi cometido o gravíssimo ilícito de falsidade ideológica, o que confirma a conclusão da fiscalização de que a importação do CD fora uma mera simulação. No segundo item, a recorrente admitiu que “ainda que alguns suportes físicos possuíssem certo programa instalado (tais como aqueles produtos em que a Polícia Federal identificou em seu laudo Anexo 2 do Auto de Infração), mesmo nesses casos não poderá haver a tributação pretendida, pois o aludido software não tem qualquer valor comercial”. É estranhíssimo que a recorrente tenha admitido apenas a existência dos softwares nos equipamentos periciados pela Polícia Federal. Além disso, se os equipamentos periciados pela Polícia Federal tinham os softwares porque foi feita a importação separada dos mesmos softwares e remetida ao exterior as divisas para o pagamento deles? Ademais, se tais softwares não tinham valor comercial, como justificar a importação do CD contendoos e declarando o mesmo valor do software que foi omitido apenas nos documentos de importação dos equipamentos? Em suma, para desconstituir as alegações da fraude que fora imputada pela fiscalização ao “Grupo MUDE”, a recorrente alegou que o valor omitido nos documentos de importação dos equipamentos era decorrente da licença de uso do software, que não se confundia com o próprio software, porém, não comprovou a existência de contrato da alegada licença e não justificou a exclusão, apenas documental, do valor do software dos equipamentos e a subsequente importação dos mesmos softwares em CD. Ademais, entrou em contradição insuperável quando alegou que os softwares não tinha valor comercial e, no entanto, remeteu ao exterior valor equivalente a quase 70% dos equipamentos importados a título de pagamento dos referidos softwares. Além disso, incorreu em grave equívoco quando asseverou que o preço da licença de uso do software não integrava o valor aduaneiro do bem importado, contrariando o que expressamente determina a alínea “c” do subitem 8.1 do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), anteriormente transcrita; com a ressalva de que, em relação ao Brasil, o valor da licença só não integra o valor aduaneiro se atendidas as condições estabelecidas no art. 81 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009), precedentemente transcrito, o que não ocorreu no caso em tela. Por essas razões rejeitase as alegações suscitadas pela recorrente MUDE, por considerálas infundadas e sem amparo em provas adequadas. III.2 Do Laudo Pericial da Polícia Federal como Meio de Prova Inicialmente, é pertinente esclarecer que, segundo a fiscalização, o Laudo Pericial nº 976/2008, elaborado pelo Setor TécnicoCientífico da Superintendência da Polícia Federal no Estado da Bahia (fls. 311/319), serviu apenas para ratificar o que os documentos apreendidos no âmbito da “Operação Persona” (fls. 550 e ss.) já indicavam: a) os equipamentos importados possuíam circuitos integrados; e b) os softwares necessários ao funcionamento encontravamse instalados. Fl. 8321DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 78 Portanto, diferentemente do que alegou a recorrente, o referido Laudo não representa a peça fundamental para fim de comprovação dos fatos objeto das autuações em apreço. De fato, tal Laudo consiste num elemento de prova importante, mas apenas subsidiário, para confirmar o esquema de fraude retratado a partir da documentação emitida pelas próprias empresas integrantes do Grupo MUDE, especialmente, (i) as informações técnicas sobre os roteadores e respectivos softwares; (ii) as planilhas de controle em meio magnético, faturas e notas fiscais emitidas pelas empresas do Grupo; e (iii) as transcrições das conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial. Alegou ainda a recorrente que o laudo não podia ser considerado porque: (i) não foi elaborado de forma imparcial; (ii) não foram analisados todos os modelos das mercadorias objeto das autuações, logo as conclusões do laudo não podia ser estendidas a todos os equipamentos importados; e (iii) não prestava como prova dos lançamentos, porque apresentava diversas inconsistências e contradições entre as premissas e conclusões. A alegação de parcialidade suscitada pela recorrente foi baseada no argumento de que o referido Laudo fora produzido pelos próprios acusadores, sem contudo apresentar qualquer prova que confirmasse tal suspeita. Ademais, não é o correto o entendimento da recorrente de que o laudo foi elaborado pelos próprios acusadores, pois, como de sabença, quem acusa é o Delegado de Polícia, que preside o inquérito, e não o Perito Técnico, que elabora o Laudo respaldado apenas em conhecimentos técnicocientíficos sobre a matéria. Por essas considerações, fica demonstrada a insubsistência da alegação. Com base o argumento de que não foram analisados todos os modelos dos equipamentos objeto das autuações, a recorrente alegou que não era possível a aplicação indiscriminada das conclusões do Laudo a todos os equipamentos importados. Essa alegação também não procede, haja vista que a finalidade do Laudo não era analisar todos os modelos e equipamentos importados, até porque os equipamentos importados pela autuada já que tinham sido desembaraçados e lhes entregues, assim como, muito provavelmente, já comercializados com terceiros. Com efeito, o objetivo da perícia em comento era produzir mais uma prova que reforçasse o já robusto acervo probatório obtido no âmbito da “Operação Persona” e colhidos nos sistemas internos de dados da Receita Federal. Ou seja, a finalidade da produção da prova pericial em questão era, por meio de amostragem, ratificar a comprovação de que os modelos dos equipamentos periciados, na maioria iguais ou semelhantes aos importados pela autuada TDC, eram compostos de circuitos integrados e que continham os softwares necessários ao seu funcionamento, o que foi efetivamente confirmado. Ademais, esse procedimento revestese da maior importância para o julgamento da lide, pois é com base num conjunto de provas consistes e congruentes que o julgador formará a sua convicção sobre a existência ou não da fraude relatada pela fiscalização. Aliás, não se pode olvidar que, normalmente, não existe um único indício ou prova cabal da existência de uma fraude dessa magnitude. Por essa razão, quanto maior for o conjunto de provas e indícios carreados aos autos, consequentemente, melhores condições terá o julgador para avaliar o cometimento ou não da prática ilícita, pois, como de conhecimento, o fraudador não produz prova da fraude cometida, ao contrário, age sempre de forma sorrateira, escondendo ou dissimulando os fatos ilícitos cometidos. Melhor sorte não assiste a alegação da recorrente de que o Laudo em tela não se prestava como prova dos lançamentos em questão, porque apresentava diversos vícios e inconsistências, bem como contradições entre as premissas e as conclusões. Fl. 8322DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.034 79 No caso, o que a recorrente denomina de vícios, inconsistências e contradições são os relatos dos peritos acerca dos procedimentos e das dificuldades encontradas para realização do trabalho, senão leia os itens 252 e 253 (fl. 6.318) a seguir transcritos: 252. Com efeito, antes mesmo de começarem os testes dos aparelho, os D. Peritos afirmam que "todos os equipamentos examinados possuem internamente software apropriado devidamente instalado em suas memórias, tornandoos aptos ao pronto funcionamento". 253. No entanto, posteriormente, afirmase que "não foi possível ligar os equipamentos 5 e 16" e "o item 15 é um módulo que só funciona quando acoplado e integrado a uma série de outros equipamentos, sendo assim, também não foi analisado quanto ao software nele instalado." A leitura dos textos transcritos deixa evidente que a recorrente confunde o momento da realização da perícia com o momento da redação do relatório. É induvidoso que a redação do relatório é realizada após a conclusão dos trabalhos periciais, portanto, é normal que, na redação deste, previamente a conclusão, o redator já faça alguma afirmação sobre as conclusões do trabalho realizado. Ademais, da leitura atenta do inteiro teor do relatório, em especial, das respostas aos quesitos apresentados, não é possível vislumbrar qualquer contradição ou inconsistência que possa macular a prova pericial em questão. Por todas essas razões, rejeitase todas alegações da recorrente sobre a imprestabilidade citado Laudo pericial. III.3 Da Utilização de Taxas de Câmbio Incorretas A recorrente alegou que as taxas de câmbio utilizadas pela fiscalização, no dia do registro das respectivas Declarações de Importação (DI), encontravamse em desacordo com aquelas fixadas pelo Banco Central, o que tornava o auto de infração ilíquido e incerto. Mais uma vez, a recorrente incorre em erro. As taxas de câmbio utilizadas para fins de conversão dos valores em moeda estrangeiras são aquelas determinadas em conformidade com o disposto parágrafo único do art. 1º da Portaria SRF nº 087, de 25 de Janeiro de 1999, a seguir transcrito: Art. 1º A taxa de câmbio utilizada para cálculo dos tributos incidentes na importação, de que trata o art. 1º da Portaria MF Nº 06, de 1999, será disponibilizada, diariamente, na tabela "Taxa de Conversão de Câmbio" do Sistema Integrado do Comércio Exterior SISCOMEX, pela Coordenação de Estatísticas EconômicoTributárias COEST da CoordenaçãoGeral de Estudos EconômicoTributários COGET. Parágrafo único. A taxa a que se refere este artigo terá por base a taxa de câmbio para venda da moeda estrangeira, divulgada pelo Sistema de Informações Banco Central SISBACEN, por meio da transação "PTAX800, opção 05 Cotações para Contabilidade", no fechamento do dia útil imediatamente anterior àquele em que houver sido disponibilizada no Fl. 8323DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 80 SISCOMEX, e será aplicada ao cálculo dos tributos relativos às declarações de importação registradas no dia subseqüente ao da disponibilização. (grifos não originais) A leitura do comando normativo em destaque, não deixa qualquer dúvida que a taxa de câmbio que deve ser utilizada para cálculo dos tributos incidentes na importação é aquela fixada para venda da moeda estrangeira, divulgada pelo Sistema de Informações Banco Central SISBACEN, no fechamento do dia útil imediatamente anterior àquele em que houver sido disponibilizada no SISCOMEX. Nos lançamentos em questão, a taxa de câmbio utilizada pela fiscalização foi a mesma utilizada pela importadora no registro das respectivas DI, portanto, em consonância com as normas vigentes. Portanto, insubsistente a alegação de falta de certeza e liquidez dos créditos lançados. III.4 Da Ausência de Individualização dos Fatos Geradores dos Tributos e das Multas A recorrente alegou que as autuações deveriam ser completamente canceladas, com base no argumento de que a fiscalização utilizara uma planilha para calcular a suposta parcela subfaturada, lançar os tributos e aplicar as multas, inexistindo qualquer cálculo de juros de forma individualizada ou as classificações fiscais que originaram as alíquotas aplicadas; os fatos geradores não foram detalhadamente descritos no auto de infração, mas discriminados em planilha anexa ao Termo de Verificação Fiscal, ao revés do que determinava o art. 10 do PAF. Não procede a alegação da recorrente. A planilha de fls. 417/425 contém, de forma consolidada, todas as informações necessárias a perfeita a identificação dos valores lançados e da apuração da base cálculo, com respectivas alíquotas ou percentual, de todos os tributos e multa exigidas nas questionadas autuações. O fato destas informações não estarem transcritas no corpo dos respectivos Autos de Infração, obviamente, em nada afeta a higidez do lançamento, haja vista que, indiretamente, a referida planilha integraos, por expressa remissão mencionada no corpo dos citados Autos de Infração. Portanto, consoante com o disposto no art. 10 do PAF. Pela mesma razão, a descrição pormenorizada dos fatos geradores no Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 23/299, obviamente, dispensa a sua reprodução no corpo da peça padronizada dos Autos de Infração em questão. No caso, a simples remissão na peça de autuação de que ele o integra, a meu ver, revelase suficiente, em benefício da racionalidade e da repetição desnecessária. Em relação a ausência dos códigos tarifários, também não tem subsistência a alegação da recorrente, uma vez que a fiscalização utilizou as mesmas classificações adotadas pela importadora nas respectivas DI, sem qualquer alteração. O que foi objeto de lançamento foi apenas a parcela do preço omitida nas respectivas DI, que foram expressamente mencionadas na referida planilha. No que tange à ausência do valor dos juros, é pertinente esclarecer que o citado artigo 10 do PAF não exige que tal valor deva constar do auto de infração, mas apenas o das penalidades aplicáveis. A razão é simples, o valor dos juros alterase todo mês, logo, o seu valor exato somente será conhecido na data do pagamento, o que o torna dispensável e justificável a sua menção no corpo do auto de infração. No entanto, no caso em tela houve a menção do valor dos juros moratórios, o que torna possível, indiretamente, o cálculo do percentual dos juros cobrados. Fl. 8324DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.035 81 Além disso, com base na leitura do extenso recurso (109 páginas) em comento, a recorrente demonstrou perfeito conhecimento dos fatos que lhe foram imputados e, por conseguinte, exerceu de forma plena o seu direito defesa. Por todos essas razões, rejeito as alegações suscitadas neste tópico. III.5 Da Multa Qualificada de 150% Alegou a recorrente a improcedência da multa agravada de 150%, sob o argumento de que a fiscalização não havia provado a intenção dolosa, o evidente intuito de fraude no pagamento dos tributos, uma vez que procedera exatamente nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF (ADI/SRF) nº 7, de 2002. Previamente, é oportuno esclarecer que o citado ADI dispõe sobre a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes nas importações efetuadas por conta e ordem de terceiros e fixa os requisitos para que a empresa comercial importadora atue como importadora por conta e ordem, nos termos a seguir transcritos: Art. 1º As disposições das Instruções Normativas nº 75, de 2001, e nº 98, de 2001, aplicamse somente às operações em que a pessoa jurídica comercial importadora empresa comercial importadora atue apenas como prestadora de serviços. Parágrafo único. A empresa comercial importadora atua como prestadora de serviços somente na hipótese em que ela não adquira a propriedade das mercadorias importadas. Art. 2º Para que se caracterize a aquisição, pela empresa comercial importadora, da propriedade das mercadorias importadas, é suficiente que ocorra uma das seguintes hipóteses em que a referida empresa: I conste como adquirente no contrato de câmbio; II conste como adquirente na fatura internacional (invoice); III emita nota fiscal de entrada ou de saída a título de compra ou venda; ou IV contabilize a entrada ou a saída da mercadoria importada como compra ou venda. Parágrafo único. Na hipótese de a empresa não ter escrituração comercial regular, o aferimento da condição prevista no inciso IV farseá com base na natureza da operação efetivada, constante de notas fiscais. No caso, é evidente que a recorrente descumpriu os incisos III e IV do art. 2º do citado ADI, pois, a documentação fiscal coligida emitida pela própria recorrente comprovam que ela (ii) emitiu nota fiscal de entrada e de saída a título de compra e de venda e (ii) também contabilizou a entrada e a saída da mercadoria importada como compra e venda, portanto, contrariamente ao alegado, a recorrente não se enquadra como importadora por ordem de terceiro, ao contrário, conforme anteriormente demonstrado, a recorrente atuou como a real adquirente e importadora dos equipamentos importados. Fl. 8325DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 82 Além disso, com essa alegação, a recorrente contrariou o que alegara no subitem III.4 do recurso em apreço (fls. 6.320/6.330), intitulado de “DA INEXISTÊNCIA DE IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM OU INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA”, anteriormente analisado, em que alegou, expressamente, que fosse na modalidade de importação por encomenda, fosse na modalidade de importação por conta e ordem, jamais seria a encomendante ou a adquirente. Para que não reste dúvida, transcrevese a seguir os itens 293 e 294 (fl. 6.329): 293. No entanto, tal entendimento não pode prevalecer, pois a prática descrita pela Fiscalização jamais configuraria importação por conta e ordem de terceiros. Nesse sentido, é expressa a previsão legal contida no artigo 11 da Lei n° 11.281, incluído pela Lei n° 11.452/2007, in verbis: "Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros" (g.n.) 294. Ademais, é de suma relevância mencionar que, seja na modalidade de importação por encomenda, seja na modalidade de importação por conta e ordem, jamais poderá ser entendido que a Recorrente seria a encomendante ou a adquirente, pois conforme contido no próprio Relatório de Auditoria Fiscal (vide item 4, em que fica clara a negociação entre a CISCO USA e Cliente da Recorrente, denominados naquele tópico do Termo como A e G), não é ela a destinatária final dos produtos importados, nem tampouco quem pactua a operação comercial que dá origem à demanda da solução CISCO. (os últimos grifos não constam do original) Assim, fica evidenciada mais uma contradição da recorrente, pois, em determinado trecho do recurso, ela asseverou que não era importadora por conta e ordem, porém, logo em seguida, afirmou o contrário, ou seja, que cumprira a legislação atinente à importação por conta e ordem. No que tange a alegação de que não houve comprovação da intenção dolosa ou evidente intuito de fraude no pagamento dos tributos, melhor sorte não ampara a recorrente, haja vista que, com base no vasto acervo probatório coligidos aos autos, foi demonstrado cabalmente que a recorrente, em conluio com a fabricante e real exportadora CISCO SISTEMS INC., comandou um sofisticado esquema de fraude com o nítido objetivo de excluir da base de cálculo do II, do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e do ICMS em torno de 70% do preço dos equipamentos importados em nome da interposta importadora, a autuada TDC. No caso, levando em conta o enquadramento tarifário dos equipamentos importados, com base na planilha de fls. 417/425, verificase que as alíquotas mínimas e máximas do II eram 12% e 20% e do IPI eram 10% e 15%, respectivamente, que somadas as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep de 1,65%, da Cofins de 7,6% e do ICMS de 7% , resulta nas alíquotas mínima de 38,25% e máxima de 51,25%. Em outras palavras, em relação às operações de importação objeto das autuações em questão, a real importadora, ora recorrente MUDE, em conluio com a multinacional americana, fabricante e real exportadora CISCO SISTEMS INC., com a participação da interposta importadora TDC, de forma ilegal e intencional, excluíram da base de cálculo dos referidos tributos em torno de 70% do valor aduaneiro dos equipamentos Fl. 8326DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.036 83 importados e, com essa fraude, economizaram ilicitamente em torno 70% dos tributos incidentes na operação de importação, que representa, em termos aproximados, um valor variável entre um mínimo de 38,25% e máximo de 51,25% dos preços dos equipamentos importados. Além disso, no item que trata da evolução do esquema de interposição fraudulenta em comento (fls. 41/48), a fiscalização informou que as operações de importação fraudulenta de produtos fabricados pela CISCO SISTEMS INC. iniciouse no ano de 2001. Em 30 de janeiro de 2003, na jurisdição da Delegacia da Receita Federal em Ilhéus/BA, foi deflagrada a primeira operação de fiscalização de combate à interposição fraudulenta envolvendo a importação de produtos da CISCO. Porém, em vez de cessar as importações fraudulentas, o “Grupo MUDE” ampliou e adotou procedimentos mais sofisticados de fraude, o que resultou na deflagração, em setembro de 2005, de uma segunda operação de fiscalização. Mais uma vez, o Grupo também não cessou as práticas fraudulentas, ao contrário, sofisticou ainda mais, porém mudou a central de operação do esquema para a cidade de São Paulo/SP e passou atuar na jurisdição da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo até a deflagração da operação “Persona” em 16/10/2007. Com base nesses dados e informações e tendo em conta que ficou demonstrado e comprovado nos tópicos anteriores que o esquema de interposição fraudulenta em destaque, com a participação e a coloração direta de uma multinacional estrangeira, atuou de forma renitente, menosprezou as ações de fiscalização realizadas contra o Grupo, causou um enorme evasão tributária, prejudicou a concorrência, causou grave lesão ao erário, dificultou a instalação de fábricas no País etc. Por todas essas razões, fica cabalmente evidenciado que a recorrente MUDE, a recorrente CISCO e as pessoas físicas vinculadas ao “Grupo MUDE” agiram de forma planejada, dolosa e com evidente intuito de fraude no pagamento dos tributos sobre as operações de importação, portanto, devida a cobrança da multa agravada em questão. III.5 Da Multa Sobre o Valor Subfaturado A recorrente pleiteou o cancelamento da multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e aquele efetivamente praticado na importação, prevista no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória 2.15835/2001, baseada em duas alegações: a) impossibilidade da cobrança concomitante com a multa de ofício agravada; e b) natureza confiscatória, dessarozada e desproporcional. Da concomitância com a multa qualificada de 150%. A recorrente alegou que a referida multa administrativa por subfaturamento no preço da mercadoria importada não podia ser aplicada concomitantemente com a multa agravado de 150% quando aquela resultasse apenas no pagamento a menor tributos, sem redução no envio de divisas para o exterior. Segundo a recorrente, no caso do subfaturamento com redução no pagamento de tributos e evasão de divisas, a infração por subfaturamento teria natureza de infração administrativa ao controle das importações. Enquanto que se o subfaturamento acarretasse apenas pagamento a menor de tributo, sem evasão divisas, a infração por subfaturamento teria natureza tributária e não poderia ser sancionado, concomitantemente, pela multa de 100%, Fl. 8327DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 84 prevista no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória 2.15835/2001, e pela multa de ofício agravada de 150%, prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/1996. A interpretação dada pela recorrente contraria o disposto no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcrito: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: [...] Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. (grifos não originais) O referido preceito legal expressamente prevê a aplicação da multa nele prevista cumulada com a cobrança da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, o que, evidentemente, inclui a multa de ofício normal de 75% e a qualificada de 150%. Além disso, a ocorrência ou não de evasão de divisas é irrelevante na tipificação da infração em comento. No caso, ao contrário do que alegou a recorrente, caracterizada a prática do subfaturamento no preço do produto importado, com ou sem evasão divisas, a multa prevista no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória 2.15835/2001 deve ser imposta. Cabe ainda ressaltar que, enquanto vigente o art. 16916, II, do Decreto 37/1966, o subfaturamento na importação integra o grupo das infrações administrativas ao controle das importações, atributo que não lhe foi atribuído na novel redação veiculada pelo no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória 2.15835/2001, que, em relação ao subfaturamento na importação, revogou tacitamente o inciso II do citado art. 169. Dessa forma, resta demonstrada a improcedência da alegação da recorrente, consequentemente, deve ser mantida a cobrança da multa em tela, haja vista que devidamente comprovado nos autos a prática do subfaturamento nos preços dos equipamentos importados e objeto das autuações em apreço. Da natureza confiscatória, dessarazoada e desproporcional da multa aplicada. A recorrente alegou que a multa aplicada contrariava a Constituição, pois afrontava os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. 16 "Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) [...] II subfaturar ou superfaturar o preço ou valor da mercadoria: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 100% (cem por cento) da diferença." Fl. 8328DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.037 85 A análise das questões suscitadas implica apreciação da constitucionalidade de norma legal vigente, matéria fora da competência deste Colegiado, conforme expressamente determinado no art. 26A17 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com redação dada Lei nº 11.941, de 2008. Tal vedação também foi reafirmada no art. 6218 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reafirmada na jurisprudência consolidada no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por essas razões, não se toma conhecimento dessas alegações. III.6 Da Necessidade de Aproveitamento dos Tributos Pagos na Remessa a Título de Licenciamento. A recorrente pleiteou que fosse descontado do valor do crédito tributário lançado o valor do IRRF e da CIDE pago a maior pelos importadores, sob o argumento de que, a fscalização deveria levar em consideração o valor do tributo que já foi pago na operação cujos efeitos foram desconsiderados, evitandose que seja tributada a operação considerada inexistente. A pretensão da recorrente não merece guarida, pois, além de ser matéria estranha aos autos, ela não comprovou realizações dos valores pagos indevidamente nem a titularidade do suposto direito creditório. 17 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 18 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". Fl. 8329DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A 86 III.7 Da Ilegalidade da Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício Qualificada e sobre a Multa Regulamentar por Subfaturamento. A recorrente alegou que, a partir do vencimento do prazo para recolhimento do crédito tributário apurado no auto de infração, a fiscalização computado juros de mora sobre a multa de ofício qualificada e a multa por subfaturamento no preço da mercadoria. Sem razão a recorrente. A cobrança dos juros moratórios sobre débito decorrente de tributos e contribuições encontrase prevista no art. 61, § 3º, enquanto que a cobrança do referido gravame sobre multa isolada encontrase estabelecida no parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal, a seguir transcritos: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não originais) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não originais) Tratase de preceitos legais constantes do mesmo diploma legal, o que demonstra que o legislador, deliberada e intencionalmente, conferiu tratamento distinto para ambas as situações, mas com o objetivo de conferir tratamento isonômico, ou seja, cobrança dos juros moratórios em ambas os casos. E a justificativa para esse tratamento isonômico está no fato de a multa de ofício incidir sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios. Assim, na data do pagamento, tal gravame, automaticamente, também integrará o valor da multa de ofício, calculada proporcionalmente ao valor do tributo devido. Dito de outra forma: não são os juros moratórios que incidem sobre a multa de ofício, mas a multa que incide sobre o crédito tributário acrescido de juros moratórios. Logo, no âmbito do lançamento de ofício, por força do disposto no art. 44 da Lei 9.430/1996, com as alterações posteriores, os juros moratórios sempre comporão o valor da multa ofício, qualificada ou não, cujo valor é calculado proporcionalmente ao “valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido”, acrescido do valor dos juros moratórios. Fl. 8330DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12782.000011/201007 Acórdão n.º 3302003.224 S3C3T2 Fl. 8.038 87 De toda sorte, independente da cobrança da multa ser feita de forma isolada ou proporcional ao valor do imposto, os juros moratórios sempre serão devidos. No primeiro caso, o valor dos juros é calculado de forma direta, mediante aplicação do percentual dos juros sobre o valor da multa aplicada, enquanto que no segundo caso, o valor dos juros é calculado de forma indireta, mediante aplicação do percentual da multa sobre o valor do tributo devido, acrescido da dos juros moratórios. No mesmo sentido, o entendimento explicitado no enunciado da ementa do julgado que segue transcrito: JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Não procede ao argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (CARF. 1ª Seção. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Ac. 140100.155, j. 28.01.2010, rel. Alexandre Antônio Allcmim Teixeira). Com base nessas considerações, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que não havia amparo legal, para a cobrança dos juros moratórios sobre o valor das referidas multas. IV DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários interpostos, para manter na íntegra a decisão de primeiro grau. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 8331DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722578/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. VALIDADE. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do art 23 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, revestindo-se de definitividade e irreformabilidade, em âmbito administrativo, o acórdão de primeiro grau exarado, considerando-se válida a intimação eletrônica efetuada através de caixa postal própria, vinculada a regime de Domicílio Eletrônico Tributário - DTE, cuja adesão realizou-se espontaneamente pelo contribuinte.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3401-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não conhecer do recurso voluntário ante sua intempestividade, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. Na seqüência, a turma julgadora, por maioria de votos e de ofício, excluiu a parcela lançada em duplicidade referente às contas 430312 (Receitas de promoções) e 430316 (Receitas de promoção e publicidade) quando comparadas com a conta "Recebimento de Bonificações em Dinheiro (ALLOWANCES)", vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que se limitavam à exclusão do que reconhecido em diligência, e o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao próprio conhecimento de ofício do vício. Fizeram sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Diana Piatti, OAB 241.582/SP, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Robson José Bayerl - Redator designado.
EDITADO EM: 25/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. VALIDADE. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do art 23 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, revestindo-se de definitividade e irreformabilidade, em âmbito administrativo, o acórdão de primeiro grau exarado, considerando-se válida a intimação eletrônica efetuada através de caixa postal própria, vinculada a regime de Domicílio Eletrônico Tributário - DTE, cuja adesão realizou-se espontaneamente pelo contribuinte. Recurso voluntário não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.722578/2013-13
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5593926
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.178
nome_arquivo_s : Decisao_10580722578201313.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580722578201313_5593926.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não conhecer do recurso voluntário ante sua intempestividade, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. Na seqüência, a turma julgadora, por maioria de votos e de ofício, excluiu a parcela lançada em duplicidade referente às contas 430312 (Receitas de promoções) e 430316 (Receitas de promoção e publicidade) quando comparadas com a conta "Recebimento de Bonificações em Dinheiro (ALLOWANCES)", vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que se limitavam à exclusão do que reconhecido em diligência, e o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao próprio conhecimento de ofício do vício. Fizeram sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Diana Piatti, OAB 241.582/SP, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Robson José Bayerl - Redator designado. EDITADO EM: 25/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6393961
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418392211456
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-05-25T23:50:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-05-25T23:50:01Z; Last-Modified: 2016-05-25T23:50:01Z; dcterms:modified: 2016-05-25T23:50:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:752371b0-1215-4891-bb3f-fd057d96d195; Last-Save-Date: 2016-05-25T23:50:01Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-05-25T23:50:01Z; meta:save-date: 2016-05-25T23:50:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-05-25T23:50:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-05-25T23:50:01Z; created: 2016-05-25T23:50:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2016-05-25T23:50:01Z; pdf:charsPerPage: 2624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-05-25T23:50:01Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722578/201313 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.178 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2016 Matéria PIS E COFINS Recorrente BOMPREÇO BAHIA SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. VALIDADE. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do art 23 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, revestindose de definitividade e irreformabilidade, em âmbito administrativo, o acórdão de primeiro grau exarado, considerandose válida a intimação eletrônica efetuada através de caixa postal própria, vinculada a regime de Domicílio Eletrônico Tributário DTE, cuja adesão realizouse espontaneamente pelo contribuinte. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não conhecer do recurso voluntário ante sua intempestividade, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. Na seqüência, a turma julgadora, por maioria de votos e de ofício, excluiu a parcela lançada em duplicidade referente às contas 430312 (Receitas de promoções) e 430316 (Receitas de promoção e publicidade) quando comparadas com a conta "Recebimento de Bonificações em Dinheiro (ALLOWANCES)", vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que se limitavam à exclusão do que reconhecido em diligência, e o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao próprio conhecimento de ofício do vício. Fizeram sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Diana Piatti, OAB 241.582/SP, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 78 /2 01 3- 13 Fl. 25604DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Robson José Bayerl Redator designado. EDITADO EM: 25/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo retorna a esta Câmara de Julgamento administrativo após ter sido encaminhada à unidade de jurisdição para atendimento de diligência solicitada por esta Turma. Para compor a apresentação do contraditório na sessão de hoje, reproduzo o relatório constante da Resolução n.º 3401.000.865 proferida em 12/11/2014, pela sua clareza e objetividade: O presente processo tem como objeto os Autos de Infração lavrado contra a contribuinte para a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativa aos períodos de apuração de abril a dezembro de 2008, por ter sido constatada a insuficiência de recolhimento das contribuições nos períodos verificados. As divergências encontradas se referem à composição da base de cálculo das contribuições, além de relativas à tomada de créditos sobre aquisições de bens e serviços: 1. Receitas indevidamente tributadas à alíquota zero: a contribuinte lançou alíquota zero para tributar receitas que não possuem caráter financeiro (e que portanto não gozam do benefício da alíquota zero), tais como receitas de Promoções, de Promoção e Publicidade, de Enxoval de Lojas, de Acordos de Não Devolução e Não Diferidas EITF. 2. Receitas não computadas na base de cálculo: grupo de contas registrado pela contribuinte como recuperação de custos e despesas (não compondo a base de cálculo das contribuições), embora tivessem natureza de receitas operacionais. Fl. 25605DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10580.722578/201313 Acórdão n.º 3401003.178 S3C4T1 Fl. 3 3 3. Créditos tomados sobre aquisição de bens e serviços sem amparo legal: foi constatada a tomada de créditos sobre despesas que não encontram amparo legal para tanto. A contribuinte ingressou com impugnação ao auto de infração. A R. 4ª Turma da Delegacia da Receita federal de Julgamento em Salvador, após apreciar a impugnação e demais atos e documentos que instruem o processo, concluíram por considerar procedente em parte da impugnação, e proferem a seguinte Ementa ao Acórdão n.º 1533.059, de 21/08/2013: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do auto de infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. INSTRUÇÃO NORMATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 VALORES RECEBIDOS A DIVERSOS TÍTULOS. INCIDÊNCIA A denominação dada a uma receita ou o tratamento contábil a ela dispensado não tem o condão de excluíla do campo de incidência da Cofins. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Não há que se falar em “insumos”, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, quando a contribuinte não produzir ou fabricar bens ou prestar serviços, sendo mera revendedora de mercadorias. CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETE. O crédito se restringe às despesas efetuadas nas operações de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. Não há previsão legal para apurar créditos relativos à armazenagem de mercadorias nos estoques da empresa, nem relativos ao frete entre seu centro de distribuição e suas lojas. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO A CRÉDITO. Na sistemática não cumulativa, podem ser descontados créditos em relação a aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Não há previsão Fl. 25606DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 legal para cálculo do crédito em relação a aluguel de veículos ou a locação de softwares. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE IMÓVEIS. DIREITO A CRÉDITO. A pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados na atividade da empresa. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente da sistemática de não cumulatividade da Cofins, os respectivos Dacon deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 VALORES RECEBIDOS A DIVERSOS TÍTULOS. INCIDÊNCIA A denominação dada a uma receita ou o tratamento contábil a ela dispensado não tem o condão de excluíla do campo de incidência da Contribuição para o PIS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Não há que se falar em “insumos”, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, quando a contribuinte não produzir ou fabricar bens ou prestar serviços, sendo mera revendedora de mercadorias. CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETE. O crédito se restringe às despesas efetuadas nas operações de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. Não há previsão legal para apurar créditos relativos à armazenagem de mercadorias nos estoques da empresa, nem relativos ao frete entre seu centro de distribuição e suas lojas. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO A CRÉDITO. Na sistemática não cumulativa, podem ser descontados créditos em relação a aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Não há previsão legal para cálculo do crédito em relação a aluguel de veículos ou a locação de softwares. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE IMÓVEIS. DIREITO A CRÉDITO. A pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados na atividade da empresa. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Fl. 25607DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10580.722578/201313 Acórdão n.º 3401003.178 S3C4T1 Fl. 4 5 Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente da sistemática de não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep, os respectivos Dacon deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, além de amparar se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual: 1 alega a tempestividade de seu recurso. E explica: A Recorrente tomou ciência da r. decisão de primeira instância apenas em 24/10/2013 (quintafeira), conforme se verifica das fls. 8598 dos autos. Patente, portanto, a tempestividade do presente recurso, já que o prazo de 30 (trinta) dias para sua interposição1 se encerra somente no dia 25/11/2013. Vale ressaltar que a intimação eletrônica da decisão de Ia instância constante às fls. 1003 dos autos é nula, uma vez que a Recorrente não autorizou que a Receita Federal utilizasse o Domicilio Tributário Eletrônico (DTE) para fins de intimação fiscal eletrônica. E a legislação é expressa no sentido ( de que o contribuinte deve autorizar o procedimento eletrônico de intimação2. A Recorrente somente se utilizou no DTE para fins de habilitação e operação no SISCOMEX, de maneira que sua intimação para todos os fins se deu apenas em 25/10/2013. 2 alega que houve excesso da autuação das receitas tributadas pela recorrente porque os valores de bonificação recebidos em dinheiro fizeram parte do total apurado para base de cálculo do PIS/COFINS e que haviam sido recolhidos pelo contribuinte nos meses fiscalizados. E o auto de infração faz exigência do PIS/COFINS sobre esses valores quando inclui no lançamento o total da conta "Receitas de Promoções" sem excluílos desse total. Estaria sendo cobrado valores de PIS e de COFINS pagos pela recorrente. Fl. 25608DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 3 a impossibilidade de incidência de PIS e COFINS sobre os descontos concedidos pelos fornecedores à recorrente, pois: (a) Os descontos não geram receitas pois são redutores de custo. que só haverá receita quando o patrimônio líquido da empresa efetivamente sofrer uma alteração positiva. (b) e acrescenta que os descontos não representam receita decorrente de contra prestação de serviços ( c) e acrescenta que os descontos não estão sujeitos a condição futura e incerta, pois são sempre definidos no momento da assinatura dos respectivos acordos comerciais e sempre com o objetivo de reduzir ao máximo o custo das mercadorias adquiridas (d) e alegam que ainda que fosse considerados receitas, esses descontos seriam receitas financeiras, sujeitos à alíquota de zero por cento para o PIS e a COFINS. Cita pronunciamentos do CPC, pensamentos de estudiosos e decisões do CARF (Acórdão 3402002.092, Relator Conselheiro João Carlos Cassuli Junior). 4 alega seu direito creditamento pelas despesas de armazenagem glosadas pela fiscalização, pois ele é previsto pela Lei para bens que serão objeto de comercialização; 5 alega seu direito creditamento pelas despesas de frete glosadas pela fiscalização, pois o frete se refere ao transporte das mercadorias para os estabelecimentos onde são postos a venda e vendidos, e portanto são parte da operação de venda; 6 alega seu direito creditamento pelas despesas de com locação de máquinas e equipamentos glosadas pela fiscalização. Mas afirmam que o acórdão de 1ª Instância apresentou novos fundamentos para manter a glosa com relação aos créditos referentes a veículos e a programas de computador, o que altera o critério jurídico do lançamento. além disso, veículo é espécie de máquina ou equipamento e que os softwares são indispensáveis aos equipamentos de informática e processamento de dados usados nas atividades da empresa 7 alega seu direito creditamento pelas despesas com (a) frete no transporte entre seus estabelecimentos; (b) material de embalagem, sacolas e bandejas usados para acondicionamento dos produtos; (c) despesas com limpeza e higiene; (d) despesas com serviços especializados de terceiros para manutenção e verificação de qualidade dos produtos. (e) despesas com medicina ocupacional e ginástica laboral e assemelhadas exigidas pela legislação, glosadas pela fiscalização, pois se qualificam como insumos para a atividade exercida pela recorrente 8 e alega a ausência de motivação no auto de infração e a impossibilidade de alteração de critério jurídico com relação aos créditos apurados com proporcionalidade, e aos referentes a computadores e os Fl. 25609DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10580.722578/201313 Acórdão n.º 3401003.178 S3C4T1 Fl. 5 7 créditos extemporâneos. E que as autoridades julgadoras não teriam competência para efetuar lançamento 9 repisam ainda a ilegitimidade da multa aplicada e seu carácter confiscatório e a ilegalidade da incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício É o relatório. Este processo entrou na pauta da sessão de 12 de novembro de 2014, ocasião em que o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para: RESOLUÇÃO 3401000.865 Ao consultar o processo encontro às fls. 25.283 a Intimação assinada em 28/08/2013 dirigida à contribuinte para ciência do Acórdão proferido pelos E. Julgadores de 1ª Instância. E às fls. 25.286 o Termo de ciência por decurso de prazo para a data de 12/09/2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 28/08/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 12/09/2013 E às fls. 25.287 o Termo de Abertura de documento informando que o contribuinte abriu os arquivos correspondentes à intimação em 24/10/2013: TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 24/10/2013 18:11h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento Contribuinte: 97.422.620/000150 BOMPRECO BAHIA SUPERMERCADOS LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 24/10/2013 A recorrente afirma a tempestividade de seu recurso voluntário e explica: A Recorrente tomou ciência da r. decisão de primeira instância apenas em 24/10/2013 (quintafeira), conforme se verifica das fls. 25.287 dos autos. Patente, portanto, a tempestividade do presente recurso, já que o prazo de 30 (trinta) dias para sua interposição1 se encerra somente no dia 25/11/2013. Fl. 25610DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Vale ressaltar que a intimação eletrônica da decisão de Ia instância constante às fls. 1003 dos autos é nula, uma vez que a Recorrente não autorizou que a Receita Federal utilizasse o Domicilio Tributário Eletrônico (DTE) para fins de intimação fiscal eletrônica. E a legislação é expressa no sentido ( de que o contribuinte deve autorizar o procedimento eletrônico de intimação. A Recorrente somente se utilizou no DTE para fins de habilitação e operação no SISCOMEX, de maneira que sua intimação para todos os fins se deu apenas em 25/10/2013. Tenho como indispensável deslindar preliminarmente se o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente ou não. Para tanto, será necessário verificar qual a data válida de ciência da intimação: ou 12/09/2013, ou 24/10/2013. A recorrente argumenta que a primeira data é nula porque não havia autorizado o procedimento eletrônico de intimação e que possuía DTE (DOMICILIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO) apenas para fins de habilitação e operação no Siscomex. Além desse aspecto, a recorrente afirma (item III.1 do Recurso) que o auto de infração exige Pis e Cofins sobre valores já incluídos pelo próprio contribuinte na base de cálculo dos meses em discussão. Ou seja, seria a exigência sobre valores que já incidiram essa contribuições e já foram pagas. Esses valores se refeririam a bonificações recebidas em dinheiro. Entendo que se comprovado esse fato, ele deve ser corrigido, independentemente de ser tempestivo ou não o recurso voluntário. Conflita com os princípios que orientam o direito processual administrativo, o direito tributário e os atos da administração pública exigir o que não seria devido. Portanto, proponho a conversão do julgamento em diligência: (a) para este processo ser encaminhado à unidade de gerenciamento nacional da funcionalidade DTE pela Receita Federal do Brasil, no caso a Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança, para (i) informar os dados do histórico de adesão ao DTE pela recorrente e (ii) informar se, em 2013, o DTE não apresentava nível de confiabilidade desejado e se a recorrente teria sido orientada a cancelar sua adesão ao DTE e efetivar uma nova adesão a uma nova versão do DTE. (b) para este processo ser encaminhado à unidade jurisdicionante para : b.1 – informar sobre os termos da adesão ao DTE, inclusive com a habilitação pelo contribuinte ao sistema Siscomex; e se ele concordou e expressou consentimento com a intimação geral por via eletrõnica;. b.2 – informar sobre o suposto excesso de autuação, conforme o item 2 do resumo das alegações da recorrente (item III.1 do Recurso), qual seja: 2 alega que houve excesso da autuação das receitas tributadas pela recorrente porque os valores de bonificação recebidos em dinheiro fizeram parte do total apurado para base de cálculo do PIS/COFINS e que haviam sido recolhidos pelo contribuinte nos Fl. 25611DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10580.722578/201313 Acórdão n.º 3401003.178 S3C4T1 Fl. 6 9 meses fiscalizados. E o auto de infração faz exigência do PIS/COFINS sobre esses valores quando inclui no lançamento o total da conta "Receitas de Promoções" sem excluílos desse total. Estaria sendo cobrado valores de PIS e de COFINS pagos pela recorrente. Antes do processo retornar ao CARF, que à recorrente seja dada ciência dessa decisão e das informações e providências decorrentes da diligência e seja aberto prazo de 30 dias para se manifestar em cada caso. Em resposta a esta demanda, a Coordenação Geral de Arrecadação da Secretaria da Receita Federal do Brasil informou que a contribuinte aderiu ao DTE em 26/06/2013. E que essa adesão implicou na sua ciência de que a caixa postal eletrônica passaria a ser considerada seu domicilio tributário eletrônico e que o prazo para ser considerada intimada seria o de 15 (quinze) dias contados da data em que a comunicação fosse registrada nessa caixa postal. Essa Coordenação esclareceu que essa adesão ao DTE não é vinculada à utilização de qualquer aplicativo ou serviço da RFB. Ademais, que a partir de 08/07/2013, o aplicativo de opção pelo DTE foi modernizado para tornar disponível novos serviços (por exemplo: além de receber mensagens na caixa postal, passar a receber também mensagens por meio de celulares cadastrados ou emails cadastrados). Para acessar essas novas opções, caso o desejassem (pois não era obrigatório), os usuários do DTE foram orientados a atualizar os dados cadastrais. A contribuinte optou por migrar para essa versão em 23/09/2013. Ela cadastrou emails e números de telefones celulares para passar a receber, por esses meios, alertas a respeito das mensagens enviadas à sua caixa postal. Ao final (fls. 8769), a Coordenação Geral sublinhou: "É importante frisar que, mesmo tendo ingressado no eCAC em data compatível com o atendimento de sua obrigação de realizar ciência das mensagens de atos oficiais relativos aos processos mencionados e praticar os atos de defesa pertinentes, o contribuinte passou ao largo da obrigação de realizar o acompanhamento das mensagens registradas na Caixa Postal Eletrônica assumida com a assinatura do DTE." A unidade administrativa de jurisdição tributário fiscal, em atendimento à demanda de diligência, reviu a parte do lançamento objeto da contestação da contribuinte, que afirmara que teria ocorrido excesso ao ter sido exigido as contribuições sociais sobre valores já devidamente recolhidos. A autoridade fiscal esclareceu que a contribuinte não havia informado durante a auditoria essa dupla tributação. Nessa revisão, ela constatou que a maioria dos valores que compuseram a rubrica "allowances" haviam sido contabilizados nas contas 430312 (receitas de promoções) e 430316 (receitas de promoções e publicidade), as quais, inicialmente tributadas pelo sujeito passivo como receitas financeiras portanto com alíquota zero, passaram a compor a base de cálculo das contribuições, sujeitas às alíquotas normais quando da lavratura do auto de infração. Apenas não reconheceu essa dupla tributação para valores constantes da rubrica "allowances" sem correspondências nas contas 430312 e 430316. Ao final, a autoridade fiscal refez os cálculos e compôs nova planilha para essa parte do lançamento. Fl. 25612DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 Cientificada dessas informações em resposta à demanda de diligência, a contribuinte contestou que parte da rubrica "allowances" devesse permanecer sob o lançamento fiscal e, para demonstrar sua posição, apresenta operações contábeis cujos valores estão sofrendo dupla tributação e cuja soma correspondem ao total não aceito pela autoridade fiscal em sua revisão. Com relação ao Domicílio Tributário Eletrônico, a contribuinte entende que a resposta da Receita Federal foi genérica, e passou ao largo de esclarecer que havia obrigação de adesão ao DTE para se operar no SISCOMEX e que a migração proposta pela Receita Federal visava superar falhas do sistema. Traz trecho da comunicação da RFB a respeito da a instauração dessa nova versão do DTE onde, em sua leitura, fica claro que os usuários da versão anterior deveriam atualizar seus dados, e, dessa forma, ingressar na nova versão. Ainda sobre esse tema, a contribuinte recorda que vinha sendo intimada pelos meios tradicionais, no caso: via postal, e considera que a mudança de regra no curso do processo configura uma situação de insegurança jurídica, violando o princípio da boa fé e da lealdade processual. Aponta que a Receita Federal silenciou a respeito do descumprimento da Portaria SRF n. 259/2006, que prevê que a administração informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Finalmente, a contribuinte aponta que somente em 2014 o sistema do DTE implementou controle que bloqueia todas as funcionalidades à disposição do usuário enquanto ele não tomar ciência da intimação pendente. Essa seria uma demonstração de que a sistemática apresentava falhas e que a RFB a reconheceu, tomando providências para superá las. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira SOBRE AS PRELIMINARES: Sobre a preliminar do excesso de autuação. A contribuinte alega que esses autos de infração exigem valores que já haviam sido submetidos a tributação. Estaria havendo uma dupla tributação. Em suas palavras, a título de exemplo, em sua contestação: Ocorre que antes de serem lançadas no grupo "Outras Receitas Operacionais", e serem submetidas à tributação do PIS e da COFINS, as bonificações recebidas em dinheiro são registradas na conta n° 430312 Receitas de Promoções. E essa é uma das contas que foi integralmente autuada pelo Fisco. De fato, a Recorrente exclui o total dessa conta do cálculo do PIS/COFINS, pois considera que os valores de descontos não estão sujeitos à tributação. Contudo, apesar da exclusão da conta n° 430312 Receita de Promoções da base de cálculo de PIS/COFINS, os valores de bonificações recebidos em dinheiro são tributados separadamente. Fl. 25613DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10580.722578/201313 Acórdão n.º 3401003.178 S3C4T1 Fl. 7 11 Para que não restem dúvidas de que as bonificações liquidadas em dinheiro foram tributadas, o total das receitas indicadas como "demais receitas" no DACON, em janeiro, por exemplo, foi de R$ 1.125.890,85. Com base nas Fichas 7B e 17B do DACON, a composição desse valor é a seguinte: FICHA 7B e 17B Base de Cálculo (R$) 4 41010 GANHO CUPONS/CARTÕES 15.213,64 430307 RECEITAS DE ALUGUÉIS 550.497,73 430310 RECEITAS DE RES SPERATA 56.954,70 430318 RECEITAS DE CONDOMINIO 87.978,20 430329 RECEITA GARANTIA EXTENDIDA 35.548,28 ( + ) BONIFICAÇÕES EM DINHEIRO 379.698,30 TOTAL DAS "DEMAIS RECEITAS" 1.125.890,85 20. O valor de R$ 379.698,30 (valor do exemplo do mês de janeiro referente às bonificações recebidas em dinheiro) está incluído no valor de R$ 1.125.890,85 (base de cálculo tributada pelo PIS e COFINS referente ao total das "demais receitas"). O mesmo racional aplicase para os meses de fevereiro e março, periodo objeto do auto de infração. Pela abertura da composição da base de cálculo do PIS e COFINS verificase que o valor de R$ 379.698,30 compõe a base de cálculo do PIS/COFINS. A Recorrente apresenta novamente as planilhas com abertura do cálculo de todos os meses autuados (janeiro a março de 2008), bem como as Fichas 7B e 17B do DACON, sendo assim possível identificar que, em todos os meses autuados, as bonificações em dinheiro fizeram parte do total apurado para base de cálculo do PIS/COFINS (doc. 02) . Os valores de bonificação recebidos em dinheiro e que foram integralmente tributados seriam os seguintes: mês valor da bonificação em dinheiro, pretendida pelo contribuinte abril 161.327,60 maio 96.967,14 junho 121.924,00 julho 110.657,20 agosto 0,00 setembro 358.587,87 outubro 94.607,78 novembro 110.908,49 dezembro 201.505,25 total 1.256.485,33 A autoridade fiscal, em resposta à diligência solicitada pelo CARF, reconheceu essa situação para parte dos valores apontados pela contribuinte em seu recurso. Para a parte não aceita, a autoridade fiscal explicou: Fl. 25614DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 "Como regra geral, foram recusados valores que ao serem confrontados com os registros contábeis das contas 430312 receitas de promoções e 430316 receitas de promoção e publicidade do ano calendário de 2008, não logramos êxito em identificálos, razão pela qual, eles foram inadmitidos, por que, de fato, não foram originários dessas contas ou, se foram representam valores contabilizados em outros períodos de apuração." mês valor admitido pela autoridade fiscal receitas de promoções código 430312 valor admitido pela autoridade fiscal receitas de promoção e publicidade código 430316 valor não admitido pela autoridade fiscal valor da bonificação em dinheiro, pretendida pelo contribuinte abril 139.327,60 22.000,00 0,00 161.327,60 maio 50.927,14 10.000,00 36.040,00 96.967,14 junho 119.924,00 2.000,00 0,00 121.924,00 julho 99.755,00 0,00 10.902,20 110.657,20 agosto 0,00 0,00 0,00 0,00 setembro 355.751,63 1.250,00 1.586,24 358.587,87 outubro 71.973,38 22.490,00 144,40 94.607,78 novembro 95.908,49 15.000,00 0,00 110.908,49 dezembro 155.248,71 46.256,54 0,00 201.505,25 total 1.088.815,95 118.996,54 48.672,84 1.256.485,33 A contribuinte contesta e traz, em sua manifestação, excertos dos lançamentos contábeis que demonstrariam que a parte não admitida pela autoridade fiscal também ensejam a dupla tributação alegada. Ao ler o relatório da autoridade fiscal, em sua resposta à diligência demandada pelo CARF, encontro as duas justificativas para os valores não admitidos, que seriam: · "valor não localizado no ano de 2008 nas contas de resultado indicadas na página 1 do documento apresentado em resposta à intimação, datado de 15/07/2015. As telas SAP apresentadas indicam que esse valor foi contabilizado em conta de resultado (receita de promoções) em [...] /2007 [ou 2006]." · "valor não localizado no ano de 2008 nas contas de resultado indicadas na página 1 do documento apresentado em resposta à intimação, datado de 15/07/2015. As telas SAP apresentadas indicam que esse valor foi contabilizado em [...] /2007 [ou 2006], indicando ter sido lançamento destinado a reclassificação contábil." Segundo o que pude depreender das informações disponíveis neste processo, entendo que a razão assiste à contribuinte. A parte admitida pela autoridade fiscal na diligência concorre para essa conclusão: houve dupla tributação. Na parte não admitida pela autoridade fiscal, também me parece que houve dupla tributação. Se os valores de bonificação foram lançados em conta de resultado (receitas de promoção) no ano anterior (2007), conforme afirma a autoridade fiscal em sua justificativa para não admitilos nesse ato de revisão, entendo que essa justificativa afirma que eles foram submetidos à tributação. Ou seja, incluílos na base da exigência fiscal de 2008 seria uma tributação em duplicidade com relação às operações de 2007. Ademais, tenho como imperativo submeter a este Colegiado, apesar da decisão deste Colegiado de considerar intempestivo o Recurso Voluntário, meu entendimento Fl. 25615DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10580.722578/201313 Acórdão n.º 3401003.178 S3C4T1 Fl. 8 13 de que, à luz do que dispõe o Código Tributário Nacional, a Lei n. 9.784, de 1999, c/c o Decreto n. 70.235/1972 e o Regimento Interno do CARF, devemos reconhecer positivamente que houve um erro na apuração e exigência dos tributos aqui em discussão, reconhecido em parte pela autoridade lançadora e em parte pelo Conselheiro relator. Há claramente a possibilidade de um indébito tributário, cobrar o pagamento do que não deve ser exigido por que não é devido. O indébito tributário é um instituto de justiça contemplado pela Lei. Por essas razões, e por medida de economicidade e razoabilidade, entendo que, como preliminar, se deve reconhecer de ofício o excesso de autuação e ser saneado por este Colegiado. Como já expus em outras ocasiões, o CARF cumpre missão constitucional (direito ao devido processo administrativo) e, para cumprila e atender os princípios que regem os atos administrativos, ele tem competência para decidir além da matéria contraditada nas matérias de ordem pública. No caso, agir para que a decisão definitiva deste processo afaste qualquer dúvida de que o excesso de autuação por duplicidade não pode ser computado para determinar o valor devido final de PIS e de COFINS. Sobre a preliminar de tempestividade A tempestividade é a outra matéria preliminar sobre a qual necessitamos nos debruçar e decidir. A contribuinte alega tempestividade. O Recurso Voluntário foi protocolado em 14/11/2013. Informa que ingressou com o recurso voluntário antes do prazo de 30 dias contados a partir de 25/10/2013, data quanto tomou conhecimento da intimação que estava na caixa postal eletrônica. E que não poderia ser considerada válida a data de 12/09/2013 como a da ciência por decurso de prazo, pois não havia autorizado o procedimento eletrônico de intimação, exceto para o SISCOMEX. A administração tributária informa que a contribuinte aderiu regularmente ao DTE, sem restrição de qualquer tipo para o seu uso para a RFB intimar ou se comunicar com a contribuinte. E que a contribuinte teve plena ciência disso, como se poderia ler no Termo de Opção assinado pelo usuário no momento da adesão ao DTE. Primeiramente, consigno que a contribuinte traz alegação de tempestividade. Entendo que este Colegiado detém competência para decidir a tempestividade. Essa matéria, como se apresenta neste processo, é matéria que exige apreciação e decisão, não sendo questão de fato, cuja decisão dependeria de observação direta de algo evidente que dispensaria análise. Não há dúvida de que a contribuinte havia aderido ao DTE antes da intimação aqui em discussão. Nem há dúvida de que a contribuinte somente acessou a intimação em 24/10/2013, após haver migrado para a nova versão do DTE. Faço notar, ademais, que a Receita Federal não contesta a afirmação da contribuinte que aderiu ao DTE para atender sua necessidade de se tornar usuária do sistema SISCOMEX. Também não há demonstração que a contribuinte tenha acessado o DTE ou outras mensagens postas no DTE, no período em comento. Fl. 25616DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 Apesar das informações que demonstram que a contribuinte ingressou com recurso voluntário após mais de 30 dias da data definida pelo sistema (12/09/2013) como a da ciência por decurso de prazo, exponho aos Srs Conselheiros entendimento de que devemos considerar tempestivo o recurso voluntário. Explicome. A meu ver, a prática da comunicação dos atos processuais se deve dar dentro de um quadro e de condições que concorram para a sua previsibilidade e para a confiança entre os atores e as partes do procedimento e do processo. É o que entendo dispõe, de forma basilar, o artigo 26 da Lei n. 9.784/1999. Não basta que haja, na legislação, fixação das alternativas de meios de comunicação dos atos processuais. É necessário que as pessoas que compõem essas relações processuais as compreendam e as tenham como opção efetiva. Essa compreensão e a atitude de se ter o DTE como uma opção efetiva não é instantânea, mas está sendo conquistada, tanto junto aos contribuintes, quanto entre os que o usam em nome da administração pública. Tenho como demonstração nesse sentido o fato de encontrar processos que a própria administração adota outro meio de intimação (por exemplo: via postal tradicional) que não o da via eletrônica. Pareceme razoável que a contribuinte, a despeito do que contém o Termo de opção do DTE, estivesse acreditando que continuaria sendo intimada neste processo como vinha sendo intimada até então, qual seja, por via postal em seu endereço não eletrônico. Pareceme evidente que não havia previsibilidade de que o endereçamento eletrônico seria uma opção efetiva para a administração tributária comunicar os seus atos neste processo administrativo. Além disso, não encontrei neste processo qualquer elemento que pudesse me conduzir à idéia que a perda do prazo teria sido, em alguma medida, deliberada, por parte da contribuinte. (por exemplo, se a contribuinte tivesse acessado o DTE e, apesar disso, não tivesse adentrada a mensagem ali pendente de sua ciência). Quero esclarecer que não estou negando a importância dos institutos dos aprazamentos e da fixação da qualidade da tempestividade no âmbito do processo administrativo; mas estou defendendo que a formalidade deve ceder a outros institutos e princípios, tais como quando concorrem para garantir a ampla defesa e o contraditório. É o que aprendo no que dispõe o § 3º do artigo 26 da Lei n. 9.784, de 1999. Com essas considerações, e sob o manto do princípio que é a alma do disposto neste citado § 3º, entendo que a data da ciência por decurso de prazo definida neste processo não deve ser considerada válida por que os elementos que compõe a descrição das condições que emolduraram esse ato processual não demonstraram que a contribuinte tinha como certo ser o DTE uma opção efetiva para este processo. Submeto este entendimento a este Colegiado, e proponho seja considerado tempestivo o recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Voto Vencedor Fl. 25617DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10580.722578/201313 Acórdão n.º 3401003.178 S3C4T1 Fl. 9 15 Conselheiro Robson José Bayerl, relator designado, Com as vênias de praxe, peço licença ao ilustre Relator para dele dissentir quanto à tempestividade do recurso voluntário manobrado. Como destacado no relatório, sustentou o contribuinte a nulidade da intimação eletrônica em razão de, segundo defende, não ter autorizado a RFB a utilizar o Domicílio Tributário Eletrônico – DTE para realização de intimações fiscais, mas tão somente para a finalidade de habilitação e operação no SISCOMEX, o que violaria os ditames do art. 23, § 5º do Decreto nº 70.235/72. Atendendo a diligência requerida por este colegiado, a Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança, através da Nota Codac/Cobra/Dipej nº 20, de 23/03/2015, informou que o contribuinte aderiu ao regime em 26/06/2013, às 17:18:40, espontaneamente, por meio de seu representante legal perante o cadastro CNPJ, com certificação digital, conforme extrato do sistema DTE. Acerca do regramento do DTE, conveniente as colocações do ato administrativo acima referido, verbis: “7. A opção ao DTE é realizada espontaneamente nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal (PAF), e não é vinculada à utilização de qualquer aplicativo ou serviço da RFB. Desde a opção, o contribuinte tem a consciência de que deve acessar a Caixa Postal Eletrônica dentro do prazo de 15 (quinze) dias para tomar ciência das suas comunicações oficiais, pois, de acordo com o inciso III do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, dentro desse prazo considerase feita a intimação. 8. Com a opção pelo DTE, o contribuinte e seus procuradores podem manter um acesso direto e remoto aos processos digitais, permitindo a antecipação da elaboração de peças processuais, impugnações e recursos no âmbito administrativo, bem como o acompanhamento permanente de todos os atos praticados nestes processos, sem a necessidade de deslocamento físico à RFB. (...) 14. É importante frisar que, mesmo tendo ingressado no e CAC em data compatível com o atendimento de sua obrigação de realizar a ciência das mensagens de atos oficiais relativos aos processos mencionados e praticar os atos de defesa pertinentes, o contribuinte passou ao largo da obrigação de realizar o acompanhamento das mensagens registradas na Caixa Postal Eletrônica assumida com a assinatura do DTE.” Fl. 25618DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 Relativamente ao instituto da intimação eletrônica, assim dispõe o art. 23 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes Fl. 25619DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10580.722578/201313 Acórdão n.º 3401003.178 S3C4T1 Fl. 10 17 do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...)” (destacado) No caso vertente, a ciência se verificou por decurso de prazo, nos termos do art. 23, § 2º, III, “a”, acima reproduzido, no dia 12/09/2013, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo, de fl. 25.286, começando a fluir, então, o prazo recursal, de tal maneira que, em 24/10/2013, quando efetivamente acessou sua caixa postal e consultou os documentos então disponibilizados, indigitado interregno temporal já havia se escoado, qualificandose como intempestiva qualquer peça desde então interposta. A alegação da defesa, de adesão restrita, diante dos documentos – extratos – coligidos pela Nota Codac/Cobra/Dipej nº 20/2015, mostrase completamente infundada, sem qualquer respaldo fático ou jurídico. Se o contribuinte supôs que sua adesão ao DTE se restringiria à habilitação e operação no SISCOMEX, ou mesmo que continuaria a ser intimado por via postal ou pessoal, assim agiu por sua conta e risco, sem qualquer suporte legal ou normativo, arcando com as conseqüências daí advindas, pois, como acentuado pela “nota” antes referenciada, descurou de sua obrigação, assumida com a adesão ao DTE, de realizar o acompanhamento das mensagens registradas em sua caixa postal eletrônica. Demais disso, o mesmo art. 23, § 3º, prevê que “os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência”, o que somente ratifica a ausência de justa causa para relevar o pretenso equívoco do contribuinte, pois poderia ser notificado para a prática de ato perante a RFB por qualquer dos meios de Fl. 25620DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 18 ciência previstos, sem observância de preferência de ordem, e ainda assim não se verificaria nulidade alguma nessa medida. Por derradeiro, com todo respeito ao nobre relator, divirjo do entendimento que deva se aplicar ao caso o regramento do art. 26 da Lei nº 9.784/99, porquanto seu emprego no âmbito contencioso administrativo não se justifica, salvo a título subsidiário, como estabelece o art. 69 do mesmo diploma, eis que, como dito alhures, o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 rege exaustivamente o tema, sendo despiciente o recurso a legislação supletiva. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, em face de sua intempestividade. Robson José Bayerl Fl. 25621DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12448.734651/2012-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos da resolução do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12448.734651/2012-79
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578992
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-000.531
nome_arquivo_s : Decisao_12448734651201279.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 12448734651201279_5578992.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos da resolução do relator. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6337597
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418400600064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1263; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 83 1 82 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.734651/201279 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.531 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 08 de março de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente RODOLPHO BARBIERI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos da resolução do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 34 65 1/ 20 12 -7 9 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 12448.734651/201279 Resolução nº 2402000.531 S2C4T2 Fl. 84 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2010 de R$ 15.316,68 para o montante de R$ 7.305,81 a pagar a título de imposto suplementar (fls. 6/12). O lançamento deuse face à constatação de omissão de rendimentos tributáveis indevidamente considerados como isentos por moléstia grave recebidos da Fundação Eletrobrás de Seguridade Social (ELETROS), no valor de R$ 111.421,06, bem como de omissão de rendimentos. recebidos da Clínica Gávea S/A no montante de R$ 1.109,32. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2, tendo concordado, contudo, com a existência de omissão no tocante aos rendimentos recebidos da Clínica Gávea.. A DRJ/RJ1 manteve a exigência julgamento datado de 26/8/2013 (fls. 30/34), havendo o contribuinte sido cientificado do resultado do julgamento somente em 31/3/2014. Entrementes, o contribuinte entregara, em 25/3/2014 (fls. 43/46), petição para ser juntada ao processo junto com "laudo de isenção de retenção de imposto de renda na fonte, reiterando, ao final, o pedido de devolução do valor retido no período pela Receita Federal. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 12448.734651/201279 Resolução nº 2402000.531 S2C4T2 Fl. 85 3 VOTO Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator De plano, cabe explicar que o contribuinte não formalizou entrega de recurso voluntário, assim denominado, após a ciência do acórdão de primeira instância, em 31/3/2014. Tampouco qualquer petição, manifestando inconformidade com o resultado daquele julgamento, foi protocolizada após a mencionada data. Não há, ainda, qualquer documento que ateste ter havido ciência do contribuinte ou seu procurador do resultado do aresto de primeiro grau, anteriormente à ciência comprovada pelo Aviso de Recebimento dos correios anexado aos autos à fl. 40, que se reporta, como referido, a 31/3/2014. No entanto, consta menção da existência de recurso voluntário interposto em 31/3/2014 no documento "Extrato de Processo", à fl. 48, menção essa repetida à fl. 50. Portanto, há registros no processo, de lavra da autoridade preparadora, à existência de recurso voluntário datado de 31/3/2014, porém esse documento não consta nos autos. Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem esclareça se há efetivamente, recurso voluntário interposto pelo contribuinte, e, sendo o caso, providencie sua juntada aos autos. Ronnie Soares Anderson. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720197/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há ilegalidade na IN SRF n° 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção.
MÉTODO MAIS FAVORÁVEL.
A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1402-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há ilegalidade na IN SRF n° 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16561.720197/2012-23
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577629
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-002.132
nome_arquivo_s : Decisao_16561720197201223.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
nome_arquivo_pdf_s : 16561720197201223_5577629.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
id : 6324497
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418401648640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 3.159 1 3.158 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720197/201223 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.132 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de março de 2016 Matéria IRPJ Recorrente BAYER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há ilegalidade na IN SRF n° 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 97 /2 01 2- 23 Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.160 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.161 3 Relatório BAYER S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 2824/2840, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, destinada à verificação do cumprimento obrigações tributárias decorrentes das regras de preços de transferência dos produtos importados no anocalendário de 2007, constatouse o seguinte: DOS FATOS Por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, entre outros documentos, arquivos magnéticos com os dados contábeis e fiscais relativos ao ano calendário de 2007 e memórias de cálculos que deram suporte aos valores ajustados pela contribuinte, haja vista que a fiscalizada realizou operações de importações diretas com pessoas vinculadas no exterior, no ano calendário em análise, estando sujeita, portanto, ao controle fiscal do preço de transferência, conforme determina a legislação tributária brasileira. Tendo sido constatadas divergências nos arquivos magnéticos apresentados, a contribuinte foi intimada a sanar essas divergências e a apresentar as memórias de cálculo, papéis de trabalho e a documentação utilizada como suporte para determinação do preço praticado e para a apuração do preçoparâmetro e valores de ajustes por ela calculados, em relação às operações de importação de pessoas vinculadas, conforme informado na DIPJ/2008 (anocalendário 2007). Entre os documentos entregues, constam arquivos digitais com as memórias de cálculo de preços de transferência gravados em CD, que consistiam em diversas planilhas em excel contendo a relação dos produtos importados com seus respectivos códigos, descrições, fornecedores, quantidade de consumo, método de cálculo utilizado, preço praticado, preçoparâmetro, ajuste unitário e ajuste total. Foi com base nessas planilhas que a fiscalização iniciou os procedimentos de fiscalização, especialmente quanto ao universo das operações e necessidade de documentos de suporte às informações prestadas. A contribuinte foi intimada a apresentar cópia simples das faturas comerciais que embasaram a apuração dos preçosparâmetro com a adoção do método PIC (Preços Independentes Comprados), a informar a quantidade e valor do estoque dos produtos selecionados, e apresentar cópia digitalizada do LALUR (Parte "B"), para os anoscalendário compreendidos entre 2007 e 2009. Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.162 4 DO DIREITO Nas importações efetivadas em 2007, sujeitas às regras de preços de transferência, a contribuinte adotou, além do método PIC, o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro). No entanto, da análise das memórias de cálculo apresentadas, a fiscalização verificou que a contribuinte se utilizou da sistemática prevista na IN SRF n° 32/2001, embora na época da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, já estivesse vigente a metodologia estabelecida pela IN SRF n° 243/2002. Destaca a fiscalização que a regulamentação trazida pela IN SRF n° 243/2002 veio detalhar a sistemática de apuração dos preços e margens fundamentadas no valor de revenda dos bens importados, conforme o exigido pela Lei. E que, em julgamento recente (25/08/2011), a Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, à unanimidade, deu integral provimento ao apelo fazendário para, nos autos do processo n° 2003.61.00.0061258, reconhecer que o cálculo da IN SRF n° 243/2002 previsto para o método PRL com margem de lucro de 60% (PRL60) coadunase com a redação do artigo 18, inciso II, da Lei n° 9.430/96. DO CÁLCULO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA PELA FISCALIZAÇÃO Do cálculo do preço praticado nas importações Foram extraídas do SISCOMEX todas as Declarações de Importação (Dls) registradas pela empresa no anocalendário de 2007 (Relatório Importação BAYER, doc. 1). A partir dessa planilha, a fiscalização elaborou o arquivo em ACESS lmportacoes.mdb que contém os dados de importações com cobertura cambial, que foi enviado à contribuinte para que fossem retificadas ou ratificadas as informações ali contidas e preenchidas as colunas referentes ao código identificador adotado para a mercadoria incorporada ao estoque imediatamente após a respectiva importação (código de estoque), se tratavase de importação de vinculada ou de país com tributação favorecida ou para o ativo imobilizado. Em resposta à Intimação, a contribuinte analisou as planilhas, ratificou as informações nelas contidas e preencheu a planilha com os códigos de identificação dos produtos. A partir desse arquivo a fiscalização gerou a planilha Importações (doc. 2). A fiscalização classificou todas as suas importações de vinculadas pelo código do produto e gerou uma planilha resumida (Demonstrativo das importações de vinculadas em 2007, doc. 3). A seguir, comparou esses resultados com as informações contidas nas planilhas de memórias de cálculo enviadas pela contribuinte. Nos casos de divergência, a fiscalização utilizou as informações do SISCOMEX, que haviam sido ratificadas pela contribuinte. A partir dos arquivos entregues pela contribuinte, a fiscalização elaborou a tabela Percentual El + Custo Total CIF + II Importações Vinculadas II (doc. 4). Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.163 5 Tendo em vista o elevado universo de importações de vinculadas, com inúmeros produtos cujos valores e quantidades são insignificantes em relação ao todo importado, foi feita uma seleção dos produtos a serem analisados detalhadamente com base no percentual de participação. Foram selecionados 45 produtos que correspondem a mais de 90% dos custos totais de importação no ano fiscalizado, acrescido de outros produtos descritos na Ficha 32 Operações com o Exterior Importações (Saídas de Divisas) da DIPJ/2008, nos quais o contribuinte apurou valores de ajuste nas suas memórias de cálculo. Não foi efetuado o cálculo para o produto Código 000000000099362184 VIVANZA 20MG (1 CPR, AG), que consta nas memórias de calculo apresentadas pela contribuinte, pois as importações foram efetuadas sem cobertura cambial, não sujeitas, portanto, às normas de preços de transferência. A fiscalização notou que, em seus cálculos do preço praticado nos produtos em que foi utilizado o método PIC, a contribuinte deduziu um valor a título de ajuste financeiro. Ocorre que a possibilidade de tal exclusão cingese à verificação da efetiva ocorrência de juros nas operações realizadas a prazo, conforme mencionado na Solução de Consulta COSIT n° 17, de 30/05/2008. No entanto, analisandose a documentação apresentada, não restou comprovado que a contribuinte tenha efetivamente incorrido em tais despesas financeiras. Assim, o custo total de importação de cada produto foi constituído a partir do valor FOB nos produtos em que foi utilizado o método PIC, acrescido dos valores de frete, seguro e Imposto de Importação nos produtos em que foi utilizado o método PRL, com eventuais conversões de unidades de medida. Para efeito do cálculo da média ponderada dos preços, a fiscalização computou também os valores e as quantidades dos estoques iniciais de cada produto (obtidos nas planilhas enviadas pela contribuinte), conforme determina o § 3o do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002, e assim obteve o preço praticado para cada item importado. O cálculo dos preços praticados pode ser visualizado na planilha "Demonstrativo de cálculo dos Preços Praticados" (doc. 5). Do cálculo do preçoparâmetro Do método PIC A contribuinte apresentou memórias de cálculo utilizando o método PIC para seis itens entre os selecionados. Intimada a apresentar as faturas que embasaram a apuração dos preços praticados, a contribuinte apresentou os documentos correspondentes. A fiscalização utilizou as informações constantes nas memórias de cálculo da contribuinte, nas quais constam operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, conforme o disposto no artigo 8° da IN SRF n° 243/2002. O detalhamento dos cálculos dos preçosparâmetro pelo método PIC é mostrado na planilha "Demonstrativo dos cálculos dos preços parâmetro pelo PIC" (doc. 6). Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.164 6 Do método PRL20 Conforme explicitado no § 9° do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002, o método PRL com margem de lucro de 20% (PRL20) deve ser aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos itens importados. A metodologia de cálculo do PRL20 só foi utilizada, portanto, nos casos em que houve simples revenda do mesmo bem importado. O detalhamento dos cálculos dos preçosparâmetro pelo método PRL20 é mostrado na planilha "Demonstrativo dos cálculos dos preços parâmetro pelo PRL 20" (doc. 7). Do método PRL60 Nos casos em que houve agregação de valor e que o produto final vendido não foi o mesmo produto importado, foi adotado o método PRL60 e o preçoparâmetro foi apurado seguindo a metodologia do § 11 do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. Nos casos em que determinado insumo importado é aplicado na produção de diversos bens finais, são gerados preçosparâmetro distintos para cada bem final produzido. Desta forma, foi apurado o preço médio ponderado, dividindose a somatória dos preçosparâmetro pela quantidade total de insumo importado utilizada na produção. O detalhamento dos cálculos dos preçosparâmetro pelo método PRL60 é mostrado na planilha "Demonstrativo dos cálculos dos preços parâmetro pelo PRL 60" (doc. 8). Do método PRL ponderado (PRL20/60) Nos casos de alguns produtos importados em que houve a revenda direta e também a utilização na produção de outro bem, a fiscalização obteve o preço parâmetro pela ponderação, de acordo com as quantidades utilizadas de insumo, entre os preçosparâmetro resultantes da aplicação das metodologias do método PRL com margem de 20% e de 60%. A planilha "Demonstrativo dos cálculos do preço parâmetro ponderado PRL 60 x PRL 20" (doc. 9) mostra, em detalhes, os cálculos do preçoparâmetro ponderado. Do cálculo dos ajustes O ajuste unitário para cada item importado é a diferença entre o preço praticado na importação e o preçoparâmetro encontrado pelos diferentes métodos adotados. O ajuste total calculado é o resultado da multiplicação do ajuste unitário pelo consumo, que é o obtido somandose a quantidade do estoque inicial com a quantidade importada e, desse resultado, subtraindose a quantidade do estoque final. Os cálculos de ajustes podem ser visualizados na planilha "Demonstrativo dos cálculos de ajustes (doc. 10). Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.165 7 Ressalta a fiscalização que, seguindo o estabelecido no artigo 38 da IN SRF n° 243/2002, que trata da margem de divergência, só foram feitos ajustes nos casos em que a diferença entre o preço praticado e o preçoparâmetro foi superior a 5%. E que, do ajuste total calculado para cada item, foram subtraídos os ajustes já efetuados pela contribuinte nos itens selecionados pela fiscalização, com base nas planilhas enviadas pela contribuinte. Na tabela de fls. 2837/2839 a fiscalização apresenta um resumo com o ajuste lançado, e nas planilhas anexas são demonstrados, detalhadamente, os cálculos dos ajustes a título de preço de transferência. Para o período analisado, foi constatada a necessidade de ajustes no valor de R$ 243.944.585,62, já deduzidas as adições que a contribuinte havia efetuado nas Fichas 09A e 17 da DIPJ 2008, em relação aos itens selecionados. DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2007: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Fundamento legal artigo 3° da Lei n° 9.249/95; artigos 241, 242, 244, 247 e 249, inciso I, do RIR/99; e artigo 18 da Lei n° 9.430/96, com as alterações introduzidas pelo artigo 2° da Lei n° 9.959/2000 Crédito Tributário (em reais) 41.879.027,57 31.409.270,68 20.696.615,43 Imposto Multa proporcional (75%) Juros de mora (cálculo até 12/2012) 93.984.913,68 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Fundamento legal artigo 2° da Lei n° 7.689/88, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.034/90; e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002 Crédito Tributário (em reais) 14.182.183,77 10.636.637,83 7.008.835,22 Contribuição Multa proporcional (75%) Juros de mora (cálculo até 12/2012) 31.827.656,82 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 12/2012 93.984.913,68 31.827.656,82 IRPJ CSLL 125.812.570,50 TOTAL Obs.: Houve compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) do período e de períodos anteriores (limite de 30%). DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 19/12/2012, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 17/01/2013, a impugnação de fls. 2864/2892, alegando, em síntese, o seguinte: DA APLICAÇÃO DO PRECEITO DE MELHOR MÉTODO AO CONTRIBUINTE: A NECESSIDADE DE REVISÃO / RECALCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELO MÉTODO PIC A impugnante discorda da aplicação do método PRL60 na forma da IN SRF n° 243/2002, em razão de seus vícios de legalidade e incongruências matemáticas. Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.166 8 Por essa razão, a impugnante procedeu ao cálculo do preçoparâmetro de insumos importados de acordo com a metodologia PRL60 prevista na IN SRF n° 32/2001, que refletia de forma mais fidedigna as regras da Lei n° 9.430/96. O segundo método mais favorável à impugnante, depois do PRL60 pela IN SRF n° 32/2001, seria o método PIC de acordo com IN SRF n° 243/2002, que gera um valor inferior ao lançado no Auto de Infração. A Receita Federal, quando da fiscalização das operações de aquisição de insumos praticadas pela impugnante, deveria ter verificado qual dos métodos previstos na Lei n° 9.430/96 (PRL, PIC ou CPL) apresentaria menor impacto à impugnante, dando cumprimento à norma legal que determina expressamente a aplicação do método mais favorável ao contribuinte (artigo 18, § 4o da Lei n° 9.430/96). Esse preceito de aplicação do melhor método é uma conseqüência lógica ao próprio objetivo primordial das regras de preços de transferência da Lei n° 9430/96: a de apurar o preçoparâmetro que reflita o valor justo da operação, equivalente aos valores de livre concorrência praticados pelo mercado. Justamente por se adequar ao fim previsto nas regras de preços de transferência, a lei não confere a "possibilidade" de se utilizar o método mais favorável, mas traz uma ordem de tom imperativo, instituidora de um direito do contribuinte, que deve ser observado pelas autoridades fiscais, seja no momento do lançamento tributário, seja quando de sua revisão no processo administrativo. Nesse sentido, confirase, às fls. 2869/2870, decisão do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, sobre a obrigatoriedade de a Receita Federal demonstrar que adotou o melhor possível ao contribuinte. Ainda que possa ser questionável a obrigatoriedade de a Receita Federal demonstrar, no momento da lavratura do Auto de Infração, que escolheu o método mais favorável ao contribuinte, é imperioso que assim o faça neste processo administrativo, com base na anexa documentação fornecida pela impugnante, até mesmo para se prestigiar o princípio da verdade material. Para tanto, a impugnante junta nesta impugnação diversas faturas comerciais com partes não vinculadas, em que foram utilizados preços semelhantes ao praticados nas importações com partes vinculadas em objeto (docs. 8 a 27). Tais documentos demonstram que os preços das operações em objeto neste Auto de Infração correspondem a valores de mercado (observam o princípio "arm's lenghP) e devem ser considerados para revisão do Auto de Infração pelo método PIC, em prestígio ao preceito do melhor método (artigo 18, § 4°, da Lei n° 9.430/96) e ao princípio da verdade material que se objetiva no processo administrativo. Pelo quadro de fl. 2871 (transcrição resumida do doc. 8), é fácil visualizar que o preçoparâmetro utilizado no Auto de Infração, segundo o método PRL60 da IN SRF n° 243/2002, não guarda qualquer equivalência com os preços praticados nas operações com partes não relacionadas ("preço PIC praticado"), o que evidencia a sua discrepância ao preceito legal das regras de preços de transferência de se apurar um valor equivalente aos preços de mercado. Segundo o referido quadro, de um ajuste de R$ 243.944.585,62, calculado pelo método PRL60 de acordo com IN SRF n° 243/2002, apenas R$ 38.804.645,47 Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.167 9 se sustentam caso confrontados com o método PIC, que deve ser considerado para a revisão do Auto de Infração. E esse ajuste remanescente de R$ 38.804.645,47 também não se sustenta caso sejam rigorosamente observados os ditames legais da Lei n° 9.430/96 e os critérios de cálculo da IN SRF n° 32/2001. DO MÉTODO PRL A IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA IN SRF N° 243/2002 COMO FUNDAMENTO LEGAL DO AUTO DE INFRAÇÃO O preçoparâmetro do método PRL na Lei n° 9.430/96 e na IN SRF n° 32/2001. O intuito do legislador com as alterações na Lei n° 9.430/96 trazidas pela Lei n° 9.959/2000 (que estabeleceu uma margem de lucro diferenciada de 60%, aplicável aos produtos importados destinados à produção de novo bem em território nacional, o chamado PRL60) era incentivar a produção local e a geração de valor no país. Dessa forma, quanto maior o valor agregado à produção local, menor seria a margem de lucro efetiva para o cálculo do preçoparâmetro. A primeira interpretação da RFB sobre a Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 9.959/2000, foi justamente alocar o fator "valor agregado no país" diretamente na fórmula do cálculo do preçoparâmetro, conforme estipulado na IN SRF n° 32/2001. Interpretação esta que se alinha perfeitamente ao contexto da alteração legislativa dada pela Lei n° 9.959/2000, pois o valor agregado ao país é fator expresso de dedução da margem de lucro. A distorção interpretativa dada pela IN SRF n° 243/2002. Paradoxo matemático: sempre haverá ajuste no PRL60 No entanto, por meio da IN SRF n° 243/2002, a RFB pretendeu dar nova interpretação à Lei n° 9430/96, para que a margem de lucro fosse calculada conforme "a participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido". Com a criação de um custo médio ponderado e uma média aritmética ponderada, a RFB simplesmente excluiu o uso direto do fator "valor agregado no país " da metodologia de cálculo do preçoparâmetro. Diversamente do que pretendida a Lei, portanto, o resultado dessa nova interpretação da RFB é a de sempre assegurar a existência de ajuste no cálculo do IRPJ e da CSLL para todas as operações cujas margens de lucro não sejam superiores a 150%. Pela mera leitura do artigo 12, § 11, da IN SRF n° 243/2002, percebese nitidamente a divergência entre os critérios de cálculos do PRL60 previsto na Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 9.959/2000, frente ao previsto na IN SRF n° 243/2002, quanto à forma e possibilidade de dedução integral do valor agregado no país. Embora possa parecer uma interpretação válida da Lei n° 9.430/96, o cálculo do preçoparâmetro do método PRL60 na IN SRF n° 243/2002 desconsidera totalmente o efeito direto do "valor agregado no país", em total dissonância à redação do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, bem como ao seu princípio essencial, de incentivar a produção local e geração de valor no país. A Receita Federal, por meio da IN SRF n° 243/2002, sob a pretensa justificativa de dar nova interpretação à Lei n° 9.430/96, inovou ao criar um modelo de cálculo matemático baseado em proporções, que objetiva evitar o uso direto do Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.168 10 fator "valor agregado no país" na metodologia do cálculo, de forma a garantir a aplicação de uma margem de lucro fixa de 60%. Tais diferenças introduzidas pela IN SRF n° 243/2002 são completamente opostas às disposições legais a qual pretendeu regulamentar, o que representa flagrante violação ao princípio da legalidade tributária (artigo 150, inciso I, da Constituição Federal), pois seu método de cálculo divergente gera à impugnante um abusivo ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, aumentando o valor dos referidos tributos sem lei que o estabeleça. Ademais, o disposto no artigo 97 do CTN dispõe que somente a lei pode fixar a alíquota e a base de cálculo do tributo, ou majorar sua cobrança. Equiparase à majoração do tributo a modificação de sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. A alteração no modo de cálculo do método PRL pela da IN SRF n° 243/2002, portanto, modifica o próprio critério de determinação da base de cálculo da incidência tributária, e, por este motivo, tal modificação jamais poderia ser introduzida por uma instrução normativa, que é norma secundária de direito tributário. AS SUCESSIVAS ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS: O RECONHECIMENTO TÁCITO DA FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL DA IN SRF N° 243/2002 O próprio Poder Executivo reconheceu que as regras previstas na IN SRF n° 243/2002 não encontram respaldo na Lei n° 9430/96, motivo pelo qual editou a Medida Provisória n° 478/2009, não convertida em lei, que pretendeu estabelecer a nova metodologia prevista na referida IN com a exclusão do valor agregado ao país. Esse reconhecimento da ilegalidade é expressamente mencionado no item 20.1 da exposição de motivos da referida MP 478/2009, in verbis: "20.1. Visando instituir, em dispositivo legal, essas medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa, propõese a alteração da redação do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com o intuito de reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado, garantindo maior eficácia aos controles de preços de transferência". Ora, se o próprio Poder Executivo reconhece expressamente que o critério de cálculo do PRL60, que desconsidera o valor agregado no país, foi instituído apenas por meio de Instrução Normativa, necessitando "instituir dispositivo legal" que lhe confira fundamento de validade, resta evidente que a IN SRF n° 243/2002 não deve ser utilizada como fundamento legal do Auto de Infração. Em 17/09/2012, foi promulgada a Lei n° 12.715/2012, alterando as regras de preços de transferências do artigo 18 da Lei n° 9.430/96. Dentre as inovações, esta nova lei substituiu os métodos PRL20 e PRL60, consolidandoos em um único método PRL, que se utiliza de margem de lucro arbitrada de acordo com os setores da economia. Desta feita, a exposição de motivos da Lei n° 12.715/2012 (objeto de conversão da Medida Provisória n° 563/2012) foi mais cautelosa, mas ainda assim confere indicativo de que anteriormente (quando da edição da IN SRF n° 243/2002) houve falta de experiência e que há excesso de Iitigiosidade Fiscocontribuinte. Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.169 11 Essa alteração foi o primeiro instrumento legal utilizado para formalizar em Lei o cálculo do preçoparâmetro de acordo com o custo médio ponderado e a média aritmética ponderada, anteriormente previstos somente na IN SRF n° 243/2002, o que demonstra a falta de fundamentação legal da referida IN e sua equivocada metodologia de cálculo. É auspicioso constatar ainda que a nova legislação se utiliza de margens de lucro inferiores a 60%, o que demonstra que a margem utilizada IN SRF n° 243/2002 estava em complemento descompasso com o regramento legal original. Diante o exposto, observase que o método de cálculo de preçoparâmetro do método PRL60 da IN SRF n° 243/2002 não encontrava fundamento de validade em lei. Tendo em vista que a Lei n° 12.715/2012 somente pode ser aplicada obrigatoriamente a partir do anocalendário de 2013, resta comprovada a ilegalidade da IN SRF n° 243/2002 para os períodos anteriores a 2013. Dessa forma, resta comprovado que a metodologia de cálculo da IN SRF n° 243/2002 não pode ser utilizada como fundamento legal às exigências fiscais contidas no Auto de Infração ora contestado, em atenção ao princípio da estrita legalidade tributária. DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF Inaplicabilidade da IN SRF n° 243/2002 quanto ao PRL60 Em recente decisão proferida na sessão de 10/04/2012, a Primeira Seção de Julgamento do CARF, proferiu o Acórdão n° 130200.915, no julgamento do Processo Administrativo n° 16561.000185/200711, reconhecendo a inaplicabilidade do método PRL60 estipulado pela IN SRF n° 243/2002 (doc. 29). Dessa forma, o entendimento aplicado pelo CARF na referida decisão deve ser estendido à impugnante, quando da análise das exigências fiscais do Auto de Infração ora impugnado, sobretudo quando se verifica que o precedente do CARF foi proferido a empresa farmacêutica concorrente da impugnante. A IN SRF n° 243/2002 padece do mesmo vício da IN SRF n° 38/96, já afastada pelo CARF. O CARF tem posição firmada no sentido de que uma Instrução Normativa não pode limitar ou extrapolar os limites estabelecidos em Lei. Em tentativa anterior, a Receita Federal procurou impedir que os contribuintes se utilizassem do método PRL na importação de insumos utilizados na fabricação de bens no país, na forma como definido pela Lei n° 9.430/96. No entanto, o CARF tem reiteradas decisões afastando a aplicação da IN SRF n° 38/96, cujo mesmo entendimento deve ser aplicado à IN SRF n° 243/2002. Ressaltese que a impugnante não almeja, neste processo, que seja declarada a ilegalidade ou inconstitucionalidade da IN SRF n° 243/2002, mas tão somente que seja reconhecida a impossibilidade de tal Instrução Normativa servir como base legal para a cobrança de supostas diferenças de IRPJ e CSLL, formalizadas no Auto de Infração ora impugnado, a exemplo das decisões do CARF. DAS PROVAS, DILIGÊNCIAS E JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS A impugnante protesta pela apresentação posterior de novos documentos, provas e alegações para perfeita elucidação dos fatos, destacando, entretanto, desde Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.170 12 já, a credibilidade dos argumentos e fatos já apresentados por resultar de seu conjunto a boafé e preocupação da impugnante em trazer todos os esclarecimentos necessários à demonstração da total improcedência do Auto de Infração. Em razão do princípio do preceito do melhor método e da busca da verdade material, os autos devem ser baixados em diligência, para que a exigência fiscal contida no Auto de Infração seja recalculada pelo método PIC, conforme a ampla documentação trazida a este processo pela impugnante, que comprova que o preço parâmetro utilizado pela Receita Federal está dissociado dos preços praticados no mercado e geram um abusivo e desproporcional ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da impugnante. Por fim caso se considere os atuais elementos técnicos não sejam suficientes para elucidar a questão, a impugnante, com fulcro no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, protesta pela realização de perícia técnico contábil acerca dos produtos e matérias primas importados, a fim de comprovar que seus cálculos de preços de transferência obedeceram exatamente ao disposto na Lei n° 9.430/96. DA CONCLUSÃO E DO PEDIDO Às fls. 2891/2892, a impugnante apresenta suas conclusões e pleiteia que (1) sejam baixado os autos em diligência para recálculo do Auto de Infração pelo método PIC, em cumprimento a obrigatoriedade legal de se aplicar o melhor método ao contribuinte; e (2) seja julgado improcedente o Auto de Infração lavrado, cancelandose integralmente as exigências fiscais nele contidas, em função da inaplicabilidade do método PRL60 previsto na IN SRF n° 243/2002.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 47.476 (fls. 3.0573.072) de 11/06/2013, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.MÉTODO PRL60. PREÇOS PARÂMETRO. ILEGALIDADE / INCONSTITUCIONALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização (nem aos órgãos julgadores). Indeferese, dessa forma, pedido de diligência para que a exigência fiscal seja recalculada por outro método. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 05/08/2013 (Termo de fl. 3.077) a interessada interpôs recurso voluntário em 30/08/2013 (fls. 3.0803.108) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.171 13 É o relatório. Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.172 14 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da utilização da Instrução Normativa n° 243/2002 Quanto às objeções apresentadas pela recorrente no tocante à regulamentação dada pela Instrução Normativa n° 243/2002 para a metodologia de cálculo dos preços parâmetros conforme o método Preço de Revenda menos Lucro com margem de 60%, ressalto que a improcedência dessas alegações é assente neste Colegiado, conforme se observa dos seguintes excertos extraídos do Acórdão n° 1402001.467, de relatoria do i.Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, proferido por esta 2ª Turma da Primeira Seção de Julgamento do CARF: [...] No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei n° 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação equivocada que se dá ao art. 18 da Lei n° 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Fl. 3172DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.173 15 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV ML 60% (PLV VA) PP = 500,00 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro em desacordo com a norma mesmo implicando em aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 ML 60% (PLV VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado o País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 300,00 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Fl. 3173DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.174 16 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 300,00 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei n° 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei n° 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: dos descontos incondicionais concedidos; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da "média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País" A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente "sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores". Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: "Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item "1" da nova alínea "d". Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser "calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País" Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na Fl. 3174DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.175 17 utilização da preposição "de" juntamente com o artigo "o" antes da expressão "valor agregado". Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de "do valor agregado" deveria se assumir que a lei quis dizer "o valor agregado". [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item "1" da nova alínea "d" do artigo 18, inciso II, da Lei n° 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição "de" juntamente com o artigo "o" antes da expressão "valor agregado". Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei n° 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão "do valor agregado" não se refere à palavra "deduzidos", presente no mesmo item "1" da alínea "d", mas sim à palavra "diminuídos", que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea "e", pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [... ] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL 0,6 x PL VA." (Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL.In: Tributos e Preços de Transferência. 3° vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195) Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão "do valor agregado" se refere ao termo "diminuídos" (inciso II), e não à palavra "deduzidos" (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal. Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: Fl. 3175DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.176 18 "1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção." ou "1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção." Aliás, a revogada IN SRF n° 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) §10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. §11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF n° 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão "do valor agregado" com a palavra "diminuídos", ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF n° 32/01 [PP = PLV ML 60% (PLV VA)] corresponde à "fórmula da Lei n° 9.430/96". Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei n° 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula "pronta e acabada" no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei n° 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN n° 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o Fl. 3176DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.177 19 valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI ML 60% (PBI) PP = 173,90 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, em ajuste maior. No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3a Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI N° 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n° 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRFn°243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n°. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n° 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN n° 243/2002, em 5/5/2011). Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal confirmou esse entendimento: Fl. 3177DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.178 20 TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJE DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS N°S. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF N°S. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRFn° 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF n° 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF n° 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei n° 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRFn° 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regra matriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF n° 243/2002, sem romper os contornos da regra matriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF n° 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF n° 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do Fl. 3178DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.179 21 lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRFn° 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF n° 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário n° 153.600 processo n° 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5a Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível n° 001738130.2003.4.03.6100/ SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRFn° 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a Região, em 1/9/2011.) A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF n° 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei n° 9.430/96 seria a correta e a única possível. Descabido, pois, os argumentos de defesa quanto a esse tópico. Da aplicação subsidiária do método PIC Por entender que a decisão recorrida bem analisou a matéria, adoto seus fundamentos como razão de decidir no presente, na forma a seguir apresentada. Alega a recorrente que, no caso dos itens avaliados pelo método PRL60 (com base na IN SRF n° 243/2002), haveria método de apuração disponível (PIC) que representa menor ajuste, o qual deveria ser considerado, em respeito ao § 4° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, in verbis: "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o Fl. 3179DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.180 22 valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) § 4° Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. (...)". Inicialmente, cumpre observar que, no caso em tela, a fiscalização manteve em seus cálculos, para os produtos em questão, o método adotado pela contribuinte no ano calendário de 2007 para o cálculo dos ajustes de preços de transferência na importação (método PRL60). De fato, pode a contribuinte, ao apurar os ajustes em sua DIPJ, optar pelo método que lhe for mais benéfico, nos termos do artigo 18, § 4°, da Lei n° 9.430/96. No entanto, a supracitada norma não impõe à fiscalização a apuração dos preços de transferência por mais de um método e a escolha do mais favorável ao contribuinte. Essa é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização, que pode aplicar apenas um método, face ao disposto no parágrafo único do artigo 40 da IN SRF n° 243/2002, in vertís: "Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com tase em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa" (grifei). Ademais, há que se observar que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte, nos termos do §1° do artigo 7° do Decreto 70.235/72 ("O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas"), e, uma vez afastada a espontaneidade, exceto nas hipóteses em que seja constatado erro de fato no preenchimento da DIPJ, os dados informados se tornam definitivos, não cabendo mais ao contribuinte rever as opções levadas a efeito na DIPJ apresentada, que, no caso em tela, foi pela aplicação do método PRL60. Nesse sentido, observese a Solução de Consulta Interna SCI Cosit n° 20/2009, que conclui o seguinte (destaques do original): Fl. 3180DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 1402002.132 S1C4T2 Fl. 3.181 23 "13.1 Após o início da ação fiscal, o contribuinte não se encontra em situação de espontaneidade para alterar opções por ele antes realizadas em declaração. Assim, vinculado a sua opção, ele deve se sujeitar à verificação da autoridade fiscal, nos termos da legislação. Apenas no caso de erro, devidamente comprovado, cate alteração de declarações regularmente entregues ao fisco. 13.2 A eleição de determinado método de apuração do valor de ajuste referente a preços de transferência demanda a manutenção da memória de cálculo do ajuste e dos documentos comprotatórios dos respectivos valores. Não sendo demonstrada a correção do ajuste declarado, cate à autoridade fiscal levantar o valor do ajuste nos termos da legislação que defere a ela prerrogativa de escolha do método. Não é possível que, nesse momento, o contribuinte realize a seu livre talante eleição de outro método de cálculo de preço parâmetro, e exija do Fisco a utilização desse segundo método escolhido. 13.3 Todo ato processual, ainda que em fase inquisitória, é fundamental ao desenvolvimento do processo administrativo ou judicial tributários, e para que o processo seja processo, as prerrogativas e os ônus processuais devem ser aplicados independentemente da vontade das partes, na medida em que seu objeto é indisponível ao particular e ao Fisco: constituição do crédito tributário, uma vez materializada a hipótese de incidência tributária". Descabida, pois, a argumentação da recorrente. Conclusão Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 3181DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.017834/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL.
1. Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral).
2. Os prazos fixados em meses ou em anos contam-se de data a data.
3. Se a extinção do crédito tributário, pelo pagamento, ocorreu em 20/12/2000, o termo final da contagem de 5 anos para a sua restituição ocorreu em 20/12/2005, quando o recorrente ainda tinha o direito de formular seu pedido perante a administração pública.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação do voto do relator, para determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciadas e julgadas as demais matérias de mérito suscitadas no recurso. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. 1. Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral). 2. Os prazos fixados em meses ou em anos contam-se de data a data. 3. Se a extinção do crédito tributário, pelo pagamento, ocorreu em 20/12/2000, o termo final da contagem de 5 anos para a sua restituição ocorreu em 20/12/2005, quando o recorrente ainda tinha o direito de formular seu pedido perante a administração pública. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10680.017834/2005-19
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5592709
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.290
nome_arquivo_s : Decisao_10680017834200519.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 10680017834200519_5592709.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação do voto do relator, para determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciadas e julgadas as demais matérias de mérito suscitadas no recurso. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
id : 6392717
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418410037248
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-05-24T13:40:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-05-24T13:40:27Z; Last-Modified: 2016-05-24T13:40:27Z; dcterms:modified: 2016-05-24T13:40:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:e3a6205a-f267-45ca-b00b-c99e9146f3a4; Last-Save-Date: 2016-05-24T13:40:27Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-05-24T13:40:27Z; meta:save-date: 2016-05-24T13:40:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-05-24T13:40:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-05-24T13:40:27Z; created: 2016-05-24T13:40:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2016-05-24T13:40:27Z; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-05-24T13:40:27Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.017834/200519 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.290 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2016 Matéria DECADÊNCIA. OUTROS. Recorrente PAULO ALVES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. 1. Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral). 2. Os prazos fixados em meses ou em anos contamse de data a data. 3. Se a extinção do crédito tributário, pelo pagamento, ocorreu em 20/12/2000, o termo final da contagem de 5 anos para a sua restituição ocorreu em 20/12/2005, quando o recorrente ainda tinha o direito de formular seu pedido perante a administração pública. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 78 34 /2 00 5- 19 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação do voto do relator, para determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciadas e julgadas as demais matérias de mérito suscitadas no recurso. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10680.017834/200519 Acórdão n.º 2402005.290 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Em 20/12/2005, o contribuinte protocolou pedido de restituição de IRPF (fls. 03 a 11), exercício 1996, anocalendário 1995, com base nos seguintes fatos e fundamentos: a) foi Procurador do Estado de Minas Gerais; b) em 1993, passou a vigorar o sistema de rateio dos honorários percebidos pelos Procuradores da Fazenda Estadual de MG, pelo qual passaram a ter participação igualitária no montante arrecadado em processos a título de verba honorária; c) havia uma controvérsia na Secretaria de Estado da Fazenda se deveria ou não ser efetuada a retenção do IR na fonte, não tendo o Estado feito as retenções à época; d) posteriormente, a Procuradoria Geral da Fazenda de MG concluiu, através de Parecer, pela obrigatoriedade da retenção e da responsabilidade da ProcuradoriaGeral da Fazenda Estadual como fonte pagadora dos honorários dos procuradores; e) a partir de janeiro de 1997, passou a repassar o valor devido a cada Procurador, com a respectiva retenção na fonte do imposto de renda; f) com relação aos valores não retidos anteriormente, o Estado foi reembolsado de tal quantia, parceladamente, através de dedução da parcela respectiva do repasse mensal ao rateio dos honorários; g) para fins de regularização, a fonte pagadora procedeu à apresentação das DIRFs complementares retificadoras em relação aos anosbase 1993, 1994 e 1995, tendo o contribuinte também retificado a DIRPF; h) foi surpreendido com a expedição de Auto de Infração, com a glosa do IRRF, sob a justificativa de que a DIRF retificadora foi indeferida; i) em 20/12/2000, o contribuinte, mesmo não reconhecendo a legalidade da dívida, recolheu DARF no valor principal de R$ 10.895,27 e valor total de R$ 24.208,19; j) a Procuradoria do Estado obteve decisão favorável transitada em julgado nos autos nº 2003.38.00.0083884, tendo sido validada a DIRF retificadora (fls. 100 a 103); k) alguns procuradores ingressaram judicialmente e obtiveram êxito, tendo a Receita Federal aceitado a retificação e a reconhecido (fls. 52 e 53); l) solicitou a restituição dos valores pagos, devidamente corrigidos. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A DRF/BHE indeferiu o pedido do contribuinte, em virtude dos efeitos da decadência, sob o argumento de que a contagem do prazo de 5 anos para o pedido de restituição do DARF recolhido teve início na data do pagamento (20/12/2000). Sendo assim, o direito de pleitear a restituição, contandose de data em data, estaria extinto em 20/12/2005, ao passo que o contribuinte deveria ter protocolado seu pedido até 19/12/2005 (fls. 76 a 78). Em 10/01/2014, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade fundamentada nas seguintes razões: m) em decorrência da existência de decisão transitada em julgado, em que a Justiça Federal validou a DIRFRetificadora, no sentido de reconhecer que houve a retenção do imposto de renda na fonte: n) a Receita Federal estaria obrigada a processar todas as DIRFs Retificadoras, não prevalecendo, assim, o fundamento da autuação fiscal lavrada; o) não se sustenta o fundamento de que o contribuinte não sofreu retenção na fonte, não podendo a Receita Federal desconsiderar a DIRF Retificadora; p) o pagamento realizado em 2000 mostrase indevido ante a declaração de que houve a retenção do Imposto de Renda na fonte; q) em relação à contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição: r) reconhece que o prazo de cinco anos deve ser contado da data da extinção do crédito tributário (pagamento), em 20/12/2000; s) o equívoco ocorreu em relação à contagem propriamente dita, não tendo sido observadas as regras elementares contidas no art. 210 do CTN, art. 5º do Decreto nº 70.235/1972 e art. 66 da Lei nº 9.784/1999 (Lei do Processo Administrativo Federal) t) o requerimento da restituição foi protocolado tempestivamente, em 20/12/2005, ainda que no último dia do prazo, pois excluise na contagem o dia de início e incluise o de vencimento (art. 210 CTN); u) para os prazos contados em meses ou anos, aplicase, de forma subsidiaria ao processo tributário administrativo fiscal, a regra do art. 66, § 3º, da Lei nº 9.784/99, que estabelece que neste caso contamse de data a data. Tal regra é análoga à contida no art. 132 do CC, que dispõe que os prazos de meses e anos expira no dia de igual número do de início. A 3ª Turma da DRJ/CGE não reconheceu o direito creditório do contribuinte, julgando a manifestação de inconformidade improcedente, em virtude dos efeitos da decadência, ao argumento de que: v) o direito de pleitear a restituição de IRPF extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contado da data do pagamento; w) o pagamento ocorreu no dia 20/12/2000; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10680.017834/200519 Acórdão n.º 2402005.290 S2C4T2 Fl. 4 5 x) a legislação menciona que o direito de pleitear a restituição extinguese no prazo de 5 anos, e não que o contribuinte tem o prazo de 5 anos para efetuar o pedido de restituição. Nesse sentindo, contado o prazo de data a data, a extinção do direito ocorreu em 20/12/2005; y) o contribuinte apresentou seu pedido em 20/12/2005, quando já estava extinto o direito de pedir a restituição. Notificado em 23/05/2014, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 11/06/2014, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da decadência Cuidase de pedido de restituição referente a IRPF, exercício 1996, ano calendário 1995, o qual foi recolhido em 20/12/2000, porém julgado improcedente diante da decadência. Segundo o art. 168, inc. I, do CTN, o prazo para a apresentação do pedido de restituição de tributo indevidamente pago é de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário. No que se refere aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o art. 3° da LC nº 118/2005 conferiu efeito interpretativo àquele dispositivo, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre com o pagamento. O art. 4° da mesma LC prescreveu a aplicação retroativa do citado preceito. Porém, tal matéria veio a ser objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em julgamento com repercussão geral. Reconheceuse a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118, pois, embora com alegado caráter interpretativo, inovou no mundo jurídico, devendo ser tida como lei nova. Consagrouse a tese de que o prazo de 5 anos, contado da data do pagamento, tem aplicação somente nas ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da lei, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Para as ações ajuizadas anteriormente, mantevese o entendimento consolidado no STJ, que vinha reiteradamente reconhecendo a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Vejase: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10680.017834/200519 Acórdão n.º 2402005.290 S2C4T2 Fl. 5 7 ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF RE nº 566621/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04082011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011). Como sabido, este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF com repercussão geral, conforme determina o art. 62A do seu Regimento Interno: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Neste caso, o contribuinte apresentou o seu pedido no dia 20/12/2005, ou seja, em data posterior a 9 de junho de 2005, aplicandose, portanto, o prazo de cinco anos a partir do pagamento. Logo, não há dúvida de que a resolução da controvérsia deve ter como premissa o prazo de cinco anos, contado a partir de 20/12/2000. Desta forma, resta solucionar o termo final do referido prazo. A regra geral de contagem dos prazos processuais tributários está disciplinada no artigo 210 do CTN e no artigo 5º do Decreto nº 70.235/1972, que estabelecem que os prazos fixados na legislação tributária fluem continuamente, excluindose o dia de início e incluindose o de vencimento. No âmbito do Processo Administrativo Federal, a contagem foi tratada nos artigos 66 e 67 da Lei nº 9.784/99, que assim dispõem: Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. § 1o Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal. § 2o Os prazos expressos em dias contamse de modo contínuo. § 3o Os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, temse como termo o último dia do mês. No mesmo sentido, o art. 132 do CC: Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computamse os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. § 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerarseá prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. § 2o Meado considerase, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. § 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. § 4o Os prazos fixados por hora contarseão de minuto a minuto. Pela leitura dos dispositivos, concluise que o caput dos artigos 66 da Lei nº 9.784/99 e 132 do Código Civil cuidam dos prazos estabelecidos em dias; já os respectivos parágrafos tratam dos prazos fixados em meses ou em anos. Nesta última hipótese, o prazo deve ser aferido de data a data, expirando no dia de igual número do de início. O prazo em discussão está fixado em anos, amoldandose, portanto, ao disposto no § 3º dos artigos 66 e 132 supra mencionados. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10680.017834/200519 Acórdão n.º 2402005.290 S2C4T2 Fl. 6 9 Partindose da premissa de que a extinção do crédito tributário, pelo pagamento, ocorreu em 20/12/2000, o termo final da contagem do prazo de 5 anos para a restituição ocorreu em 20/12/2005, quando o recorrente ainda tinha o direito de formular seu pedido perante a administração pública. Para evitar supressão de instância, os autos deverão retornar à DRJ, a fim de que sejam apreciadas e julgadas as demais matérias suscitadas no recurso. 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação, para determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciadas e julgadas as demais matérias de mérito suscitadas no recurso. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720016/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2010
INTEMPESTIVIDADE.
Demonstrado nos autos, à luz da regra de contagem dos prazos processuais que a impugnação foi intempestivamente apresentada, deixa-se de acolher a preliminar de tempestividade.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO
O artigo 23 da Lei nº 70.235/72, não traz previsão da possibilidade da intimação do advogado do autuado. Pretensão sem amparo.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, o Recurso Voluntário foi conhecido apenas em parte e, na parte conhecida, foi-lhe negado provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2010 INTEMPESTIVIDADE. Demonstrado nos autos, à luz da regra de contagem dos prazos processuais que a impugnação foi intempestivamente apresentada, deixa-se de acolher a preliminar de tempestividade. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O artigo 23 da Lei nº 70.235/72, não traz previsão da possibilidade da intimação do advogado do autuado. Pretensão sem amparo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11829.720016/2013-48
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5595898
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.201
nome_arquivo_s : Decisao_11829720016201348.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 11829720016201348_5595898.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, o Recurso Voluntário foi conhecido apenas em parte e, na parte conhecida, foi-lhe negado provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
id : 6401686
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418434154496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11829.720016/201348 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.201 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO MULTA Recorrente HIGH TECH IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2010 INTEMPESTIVIDADE. Demonstrado nos autos, à luz da regra de contagem dos prazos processuais que a impugnação foi intempestivamente apresentada, deixase de acolher a preliminar de tempestividade. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O artigo 23 da Lei nº 70.235/72, não traz previsão da possibilidade da intimação do advogado do autuado. Pretensão sem amparo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, o Recurso Voluntário foi conhecido apenas em parte e, na parte conhecida, foilhe negado provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 16 /2 01 3- 48 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO 2 EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança de R$ 120.000,00, decorrente da aplicação de multa capitulada no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007, por cessão de nome para terceiros para realização de operações de comércio exterior. Além da devedora principal, foram incluídos na lide, na qualidade de devedores solidários os Srs. Leandro Neme Montoro e Ricardo Neme Montoro, sócios da empresa HIGH TECH à época dos fatos, João Montoro de Paula e Neuza Maria Neme Montoro. Exceção feita ao devedor solidário Ricardo Neme Montoro, intimado em 03.10.2013 por meio de Aviso de Recebimento (fls.1.27311.274), os demais sujeitos passivo da relação processual foram intimados do Auto de Infração através do edital publicado no D.O.E em 30.09.2013 (fls.1.272) para efetuar o pagamento do débito ou apresentar impugnação dentro do prazo de 30 dias, contados do 16º dia da publicação do referido edital. Não houve apresentação de impugnação por parte dos devedores solidários. Por sua vez, a empresa HIGH TECH apresentou petição de fls. 1.3051.389 em 27.12.2013, alegando em síntese que (trecho extraído do relatório do acórdão de piso): Apresentou a petição na condição de responsável solidária, como emenda à impugnação ao auto de infração lavrado em desfavor da empresa SONABYTE ELETRÔNICA LTDA, uma vez que a impugnação já fora apresentada anteriormente. Explica que ao realizar o protocolo tempestivo da Impugnação ao Auto de Infração constante do Processo Administrativo Fiscal (PAF) n° 11829.720016/201348 restou consignado na referida peça impugnatória, equivocadamente, o número do PAF 11829.720015/201301 e do MPFF 0817700.20100019100. Tratase, em seu entendimento, de erro material, que foi detectado apenas porque esta Alfândega encaminhou ao contribuinte autuado a carta de cobrança GAC N° 130/2013. Tal cobrança demonstra que o erro material provocou o não conhecimento e julgamento da defesa apresentada que, provavelmente, está anexada à defesa apresentada no PAF n° 11829.720015/201301, para a DRJSão Paulo. Que, exceto pelos números do PAF e do MPF acima referidos, todos os demais elementos identificadores estão corretos (inclusive o número do CNPJ dos autuados, seus nomes e endereços, etc). E o teor da peça é, inequivocamente, dirigido a impugnar a imputação feita no PAF n° 11829.720016/201348. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 11829.720016/201348 Acórdão n.º 3302003.201 S3C3T2 Fl. 3 3 E por ser erro meramente material, é perfeitamente possível sua correção via emenda, uma vez que a defesa, em si, foi tempestivamente apresentada, nada obstando o seu pleno conhecimento. Analisando os argumentos apresentados pela Recorrente, houve por bem a 7ª Turma da DRJ/FOR, não conhecer da impugnação apresentada pela empresa HIGH TECH com base nos fundamentos sintetizados na ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2010 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo. Os devedores solidários João Montoro de Paulo, Leandro Neme Montoro e Ricardo Neme Montoro, foram intimados da decisão de piso através do Aviso de Recebimento carreados às fls. 1.415, 1.418 a 1.420. Já a devedora solidária Neuza Maria Neme Montoro e a empresa foram intimadas da decisão por edital publicado em 20.02.2015, iniciandose a contagem do recursal prazo após o 15º dia. Somente a empresa HIGH TECH interpôs recurso voluntário, protocolado em 15.01.2015, requerendo a decretação de nulidade do processo e, subsidiariamente o julgamento procedente do recurso para anular o lançamento fiscal. Em síntese apartada, as alegações da Recorrente podem ser resumidas da seguinte forma: a) Nulidade da intimação por edital e consequente tempestividade da impugnação apresentada; b) Cerceamento de Defesa por respectiva nulidade da intimação por edital; c) A obrigação de conhecer de matéria de ordem pública e julgar o lançamento ainda que fosse intempestiva a impugnação; d) A imputação generalista e indutiva de conduta típica: Lançamento com base em exemplos; e) A Decadência; f) A indevida e desmotivada prorrogação do MPF; g) A indevida desclassificação da contabilidade da HighTech; h) A improcedência do PAF em razão da negativa de vigência à Constituição e à lei federal; i) A improcedência do PAF ao qual foi submetido em razão da atipicidade da conduta da High Tech; j) A plena regularidade das importações apontadas pela Aduana; k) A origem de Recursos nos Descontos de Duplicatas; l) A Contabilidade da HighTech; m) A empresa High Tech; n) Nulidade dos lançamentos pela inobservância do inciso LIV, e §§ 2º e 3º, do artigo 5º da CF/1988, e do artigo 98, do CTN, e do artigo 1º, do Decreto nº 1.355/1994; o) Nulidade dos lançamentos pela inconstitucionalidade do artigo 88, da MP nº 2.15835/2001; p) Nulidade dos Lançamentos pela Vedação Expressa no AVAGATT ao arbitramento; q) Nulidade dos lançamentos pelo cerceamento de defesa em função da inobservância dos procedimentos de valoração estabelecidos pelo AVAGATT: Inobservância do artigo 5º, LV, da CF/1988, e dos artigos 2º e 68, da Lei nº 9.784/1999; e r) Nulidade dos lançamentos pela inobservância do próprio artigo 88, da MP nº 2.15835/2001 Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso voluntário interposto pela Recorrente questiona, dentre vários argumentos apresentados, a decisão da DRJ que não conheceu da impugnação por intempestiva, tornando a referida defesa inexistente e, assim, não se formando a lide. Inicialmente, resta consignar que a matéria envolvendo o erro material noticiado na petição de fls. 1.3051.389 não foi suscitada pela Recorrente em sede recursal, motivo pelo qual não será objeto de análise. No mais, impende analisar a preliminar de nulidade arguida pela Recorrente, a teor do que determina o §2º, do artigo 56, da Lei nº. 7574/20111. Em sede preliminar, a Recorrente alega nulidade da intimação por edital e afirma que a impugnação apresentada é tempestiva. Segundo a Recorrente, fora apresentado impugnação no dia 04.11.2013 (tendo a emendado no dia 17.12.2013 para corrigir erro material) mas o prazo final contado segundo a metodologia da intimação por edital ocorrido no dia 01.11.2013 (fl. 1.399), ocasionando a intempestividade da defesa. Alega, ainda, que a intimação por edital é nula, posto que o §1º, do artigo 23, do Decreto nº 70.235/72 c/c §4º, do artigo 26, da Lei nº 9.874/99, estabelece que só tem cabimento a citação por edital quando os meios anteriores restarem infrutíferos. Que a intimação por via postal foi improfícua porque a autoridade lançadora a enviou para endereço desatualizado quando já tinha sido informado o endereço atual, conforme demonstram os documentos carreados às fls. 908 e 1040. No mais, alega que existe uma procuração nomeando 09 procuradores para representála perante a Aduana, com poderes especiais para receber intimações e, que havia a possibilidade de intimação vista sistema, uma vez que a Recorrente estava cadastrada. Realmente a contagem de prazo consignada na decisão de piso equivocouse ao mencionar que o prazo final para apresentar impugnação seria o dia 1º de novembro de 2013, quando na verdade o correto seria o dia 15 de novembro de 2013, considerando que o início do prazo se deu no dia 16 de novembro de 2013. 1 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 11829.720016/201348 Acórdão n.º 3302003.201 S3C3T2 Fl. 4 5 Contudo, tal fato não é apto à invalidar a decisão de piso, tendo em vista que a Recorrente somente apresentou sua impugnação em 17.12.2013, fora do prazo de 30 (trinta) dias, por meio de petição denominada "emenda à impugnação a auto de infração, lavrado em desfavor da empresa Sonabyte Eletrônio Ltda". Aqui, vale lembrar que a matéria concernente ao erro material não foi objeto de recurso, impedindo a análise deste Colegiado sobre este tema. Desta forma, superada a questão do erro material, a defesa à ser considerada é aquela apresentada pela Recorrente em 17.12.2013, portanto intempestiva, posto que protocolada fora do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. No que tange ao pedido de decretação de nulidade da intimação por edital, posto que a autoridade lançadora enviou a correspondência para endereço desatualizado quando já tinha sido informado o endereço atual, melhor sorte não resta a Recorrente. De fato, há nos autos informações prestadas pela Recorrente aos auditores fiscais noticiando a alteração de endereço da empresa. Todavia, não há nenhum formulário comprovando que a Recorrente solicitou perante à Receita Federal do Brasil alteração de endereço. Ora, a simples informação prestada nos autos do processo administrativo, não é capaz de suprir a obrigação da empresa de formular o pedido de alteração de dados cadastrais diretamente na Receita Federal do Brasil, conforme previsto nos artigos 14 e 21, da IN RFB nº 1470, de 30 de maio de 20142. Deste modo, a intimação da empresa via postal foi encaminhada ao endereço que consta do cadastro da Receita Federal (fls.1.4161.417), qual seja, Avenida Heitor Penteado, nº 1.666, sala 02, Taquaral, CampinasSP, sendo devolvido pelo motivo registrado no AR, a saber: "mudouse". Aliás, o endereço anteriormente citado foi informado pela própria Recorrente na petição de fls.1.502.1504, protocolada em 22.04.2015, dando conta que o endereço utilizado pela autoridade fiscal para tentar intimar a contribuinte foi correto. 2 Art. 14. As solicitações de atos cadastrais no CNPJ são formalizadas: I pela remessa postal ou entrega direta do DBE ou Protocolo de Transmissão à unidade cadastradora de jurisdição do estabelecimento, acompanhado de: a) cópia autenticada do ato constitutivo, alterador ou extintivo da entidade, devidamente registrado no órgão competente, observada a tabela de documentos constante do Anexo VIII desta Instrução Normativa; Art. 22. A entidade está obrigada a atualizar no CNPJ qualquer alteração referente aos seus dados cadastrais até o último dia útil do mês subsequente ao de sua ocorrência. § 1º No caso de alteração sujeita a registro, o prazo a que se refere o caput é contado a partir da data do registro da alteração no órgão competente. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO 6 Portanto, não tendo localizado a Recorrente no endereço fornecido pela própria contribuinte, a intimação por edital realizada neste processo (fls.1.423) é medida totalmente legal e deve surtir seus efeitos. Em relação ao fato de que a intimação deveria ser realizada na pessoa do advogado, insta tecer que O art. 23, incisos I a III do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (na redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativo tributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado. Assim, correto o procedimento adotado pela fiscalização, inexistindo qualquer nulidade na intimação por edital realizada nestes autos. Por fim, considerando que não se instaurou a fase litigiosa e o recurso não ultrapassou a barreira de admissibilidade, posto que a defesa foi apresentada de forma intempestiva, resta prejudicada a análise das demais matérias suscitadas pela Recorrente, inclusive as de ordem pública. Com efeito, sendo a instauração do litígio, através da impugnação que atenda aos requisitos de admissibilidade, pressuposto para julgamento de processos administrativos fiscais, nas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ex vi dos artigos 14 e 25, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, não merece reparos a decisão de piso, visto que caracterizada a intempestividade da impugnação como escorreitamente demonstrado não competia ao colegiado a quo qualquer exame sobre a matéria dos autos, salvo quanto à apreciação da preliminar de tempestividade, a teor do art. 56, §2º, do Decreto nº 7.574, de 2011. Por todo o exposto, conheço do recurso em parte e, na parte conhecida nego lhe provimento. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000174/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15868.000174/2010-20
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5599217
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-000.688
nome_arquivo_s : Decisao_15868000174201020.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15868000174201020_5599217.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
dt_sessao_tdt : Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6413513
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418477146112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 6.467 1 6.466 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.000174/201020 Recurso nº Voluntário Resolução nº 32013.201.688 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de maio de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BASF S/A E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .0 00 17 4/ 20 10 -2 0 Fl. 6468DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15868.000174/201020 Resolução nº 32013.201.688 S3C2T1 Fl. 6.468 2 Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 416/423, lavrado em 03/09/2010, totalizando o crédito tributário de R$ 120.522.420,84. Segundo a descrição dos fatos de fls. 420/423 e os demonstrativos de fls. 424/429, a contribuinte (filial 0073 da Basf) deixou de recolher ou recolheu a menor o imposto por ter utilizado no abatimento de débitos, no período de dezembro/2004 a julho/2005, créditos presumidos de IPI indevidos, recebidos por transferência do estabelecimento filial 0023 (CNPJ n° 48.539.407/002303) da Basf e no período de outubro/2008 a março/2009, créditos presumidos de IPI indevidos, recebidos por transferência do estabelecimento filial 0033 (CNPJ n° 48.539.407/003303) da Basf. Em relação à primeira operação, transferência de créditos do estabelecimento filial Basf 0023, os autuantes elaboraram o "Termo de Constatação Fiscal de Infração à Legislação Tributária Federal relacionado à TRANSFERÊNCIA DE IMPOSTOS 1º PROJETO IPI BERTIN I", de fls. 446/519, na qual descrevem as seguintes irregularidades: 1. A empresa Bracol Holding Ltda escriturou em duplicidade em seu estabelecimento matriz, no primeiro decêndio de janeiro de 2003, créditos presumidos de IPI no valor de R$ 86.252.282,54, supostamente relativos ao período de outubro/2002 a fevereiro/2003; 2. Esse crédito presumido foi objeto de pedido de ressarcimento/compensação, e foi escriturado em duplicidade em janeiro de 2003; 3. O estabelecimento matriz da Bracol transferiu o crédito escriturado em duplicidade para sua filial CNPJ n° 01.597.168/003961, sendo R$ 69.500.000,00 em fevereiro/2003 e R$ 16.752.282,54 em março/2003 (total transferido de R$ 86.252.282,54); 4. A filial 0039 da Bracol não poderia receber créditos de IPI em transferência, pois se tratava de um estabelecimento com atividade de frigorífico, não contribuinte do IPI, que não possuía empregados e nem ativos para a fabricação de produtos; 5. Em março de 2003, logo após a transferência de crédito indevido para a filial 0039, as empresas Basf e Bracol simularam a compra e venda da referida filial da Bracol, que tinha seu domicílio dentro das instalações da Basf em Guaratinguetá, se transformando na filial da Basf CNPJ n° 48.539.407/002303; de fato o que ocorreu foi a venda do crédito presumido que foi transferido da Bracol para a Basf; 6. A filial Basf 0023 criada com a suposta compra da filial da Bracol, nunca teve funcionários nem movimentação de entradas e saídas; 7. A filial Basf 0023 foi encerrada após transferir todo o crédito, no valor de R$ 86.252.282,54, para a filial Basf 0073; 8. A filial Basf 0073 utilizou os créditos indevidos recebidos em transferência para abater débitos próprios de IPI, no período de outubro/2003 a julho/2005; 9. Os créditos utilizados indevidamente pela filial Basf 0073, no período de outubro/2003 a novembro/2004, no total de R$ Fl. 6469DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15868.000174/201020 Resolução nº 32013.201.688 S3C2T1 Fl. 6.469 3 57.305.800,55, para abater o IPI devido, não foram objeto de lançamento, porque o IPI está decaído; 10. O lançamento referiuse aos créditos utilizados indevidamente pela filial Basf 0073, no período de dezembro/2004 a julho/2005, no total de R$ 28.946.481,99, para abater o IPI devido, não alcançados pela decadência. Foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, em razão do conluio entre as empresas na simulação da compra do estabelecimento filial, que de fato representou a transferência ilegal de crédito presumido da Bracol para a Basf. Em relação à segunda operação, transferência de créditos do estabelecimento filial Basf 0033 para a filial 0073, utilizados no período de outubro/2008 a março/2009, no valor total de R$ 11.248.194,40, o crédito presumido de IPI escriturado pelo estabelecimento filial 0033 da Basf foi todo glosado, no total de R$ 123.000.000,00. Tal glosa foi efetuada mediante a lavratura de auto de infração na filial 0033 nos autos do processo n° 15868.000171/2010 96. Em razão da glosa, não havia créditos para serem transferidos para a filial em epígrafe. Como conseqüência, foi efetuado o lançamento para exigir o IPI devido e não recolhido em virtude da utilização na filial 0073 do crédito presumido no abatimento de débitos de IPI. Como parte do presente auto é decorrência direta do auto de infração lavrado na filial 0033, foram juntadas cópias integrais dos três volumes principais do processo administrativo n° 15868.000171/2010 96, os quais se encontram no Anexo I (contendo dois volumes). Entre os elementos juntados no Anexo I, destacamse a cópia do auto de infração lavrado na filial 0033 (fls. 297/306 do Anexo I) e cópia do "Termo de Constatação Fiscal de Infração à Legislação Tributária Federal relacionado à TRANSFERÊNCIA DE IMPOSTOS 2º PROJETO IPI ICMS BERTIN II" (fls. 324/413 do Anexo I). De acordo com o referido Termo de Constatação, que descreve todos os fatos ocorridos, o crédito foi glosado em decorrência das seguintes irregularidades constatadas: 1. A empresa Bracol Holding Ltda escriturou em duplicidade em seu estabelecimento matriz, créditos presumidos de IPI no valor de R$ 123.000.000,00, supostamente relativos ao ano de 2003; 2. Esse crédito presumido já havia sido objeto de pedido de ressarcimento/compensação, e foi escriturado novamente em janeiro de 2007; 3. Em abril de 2008, o estabelecimento matriz da Bracol transferiu todo o referido crédito presumido indevido para sua filial CNPJ n° 01.597.168/006049; 4. A filial 0060 da Bracol não poderia receber créditos de IPI em transferência, pois se tratava de um estabelecimento comercial, não contribuinte do IPI, que não possuía empregados; 5. Em julho de 2008, as empresas Basf e Bracol simularam a compra e venda da filial 0060 da Bracol supostamente localizada em Barueri, se transformando na filial da Basf CNPJ n° 48.539.407/003303; de fato o que ocorreu foi a venda do crédito presumido que foi transferido da Bracol para a Basf; 6. A filial Basf 0033 até meados de 2009 não possuía existência física e não possuía funcionários registrados; Fl. 6470DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15868.000174/201020 Resolução nº 32013.201.688 S3C2T1 Fl. 6.470 4 7. Somente em agosto de 2009, após ser transferida para Lins, é que a filial 0033 da Basf começou a operar; 8. O valor de crédito indevido de R$ 123.000.000,00 da filial Basf 0033 foi utilizado em: pedidos de ressarcimento; pedidos de compensação com débitos da Basf (matriz); abatimento, a partir de agosto/2009, de débitos de IPI da própria filial 0033; e transferidos para outras filiais da Basf para o abatimento de IPI devido, que é o caso do processo em tela. Também para essa segunda operação foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, em razão do conluio entre as empresas na simulação da compra do estabelecimento filial, que de fato representou a transferência ilegal de crédito presumido da Bracol para a Basf. O auto de infração foi lavrado contra o sujeito passivo, filial da Basf CNPJ 48.539.407/007392, em respeito ao princípio da autonomia dos estabelecimentos que rege o IPI. Além disso, os autuantes nomearam o estabelecimento matriz da Basf (CNPJ n° 48.539.407/000118) e filiais 0023 (CNPJ 48.539.407/002303) e 0033 (CNPJ n° 48.539.407/0033 03), e a empresa Bracol Holding Ltda (CNPJ n° 01.597.168/000199) como sujeitos passivos solidários. Os sujeitos passivos foram regularmente cientificados. Inconformada, a Basf protocolizou impugnação de fls. 597/654, em seu nome e em nome de sua filial 0073, questionando o lançamento em duas etapas. 1. Em relação aos créditos escriturados e utilizados no abatimento de débitos no período de dezembro/2004 a julho/2005, alega, em síntese, que: ocorreu a decadência do direito da Fazenda constituir o suposto crédito tributário referente aos períodos de apuração de dezembro/2004 a julho/2005, tendo em vista que já se passaram mais de 5 anos da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, parágrafo 4o , do CTN, pois a notificação do lançamento foi feita em 09/09/2010; não é admissível a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN, porque não ficou caracterizada qualquer atitude simulada pela impugnante; não houve simulação de compra e venda; todos os direitos transmitidos ou conferidos na operação foram devidamente transferidos para as respectivas pessoas jurídicas envolvidas; a operação foi devidamente registrada, teve seus direitos contábeis, fiscais e societários reconhecidos e teve ainda suporte em documentação hábil e idônea; o estabelecimento que veio a ser adquirido da Bracol pela Basf j á existia e funcionava dentro da planta da Basf em Guaratinguetá, quando da sua aquisição, com produção do produto "remotim"; a Basf alugou à Bertin (atual Bracol), parte de seu estabelecimento situado em Guaratinguetá para uso comercial/industrial; A Bracol produziu detergentes industriais no estabelecimento, os quais foram transferidos à Basf quando da assinatura do Contrato de Compra e Venda, a qual adquiriu o knowhow para a produção do produto denominado "remotim"; Fl. 6471DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15868.000174/201020 Resolução nº 32013.201.688 S3C2T1 Fl. 6.471 5 A alegação dos fiscais de que o estabelecimento adquirido não possuía funcionários registrados só pode ser imputado a um equívoco de registro da Bracol na época em que o estabelecimento a ela pertencia, tendo em vista que de fato, sempre houve funcionário da empresa designado para a produção do "remotim", o que poderá ser provado através de prova testemunhai, se necessário; com a aquisição do estabelecimento foram entregues à Basf a lista de clientes, o estoque de matériaprima, o knowhow para a produção do produto remotim, além dos créditos de IPI registrados no estabelecimento; a aquisição do estabelecimento com seus ativos, incluindo o know how do remotim, serviu para o propósito negociai maior de estreitamente da relação comercial entre a Basf e a Bracol; o Contrato de Compra e Venda faz clara menção ao pagamento do preço através do fornecimento de produtos pela Basf para a Bracol; toda a operação de aquisição do estabelecimento foi submetida ao CADE; formulou Consulta junto à Receita Federal que reconheceu o direito à utilização dos créditos da filial da Bracol adquirida; a solução de consulta vincula os atos da Administração; demonstrada a boafé da impugnante, incabível a aplicação da multa agravada, que só é devida em caso de comprovação indiscutível da prática de dolo, fraude ou simulação pelas partes; antes de ser celebrado o contrato de compra e venda, os créditos foram verificados e auditados pela empresa TREVISAN, a qual expressamente reconheceu a existência e validade dos créditos; a TREVISAN atestou que a Bracol transferiu ao estabelecimento adquirido créditos presumidos de IPI relativos ao período de outubro/2002 a fevereiro/2003, no valor de R$ 88.428.139,91; foi com base neste laudo que a impugnante utilizou os créditos; a fiscalização reconhece que a impugnante não tinha conhecimento da escrituração em duplicidade por parte da Bracol; com respaldo no laudo da TREVISAN, não pode ser penalizada por força de eventuais vícios ocorridos na apuração dos créditos, pois não é a sua geradora e seguiu estritamente o que constava do laudo que apurou os mesmos. 2. Em relação aos créditos escriturados e utilizados no abatimento de débitos no período de outubro/2008 a março/2009, alega, em síntese, que: a aquisição foi formalizada pelo Contrato de Compra e Venda de Estabelecimento Comercial em 26/05/2008, tornandose filial da impugnante com Inscrição Estadual e CNPJ; em 15/01/2009, transferiu o estabelecimento adquirido para sua sede atual em Lins; juntamente com a compra do estabelecimento foram celebrados o Contrato de Fornecimento, que prevê o fornecimento de produtos químicos para a Bracol por dois anos, o Contrato de Comodato, facultando à impugnante a utilização de imóvel pertencente ao Grupo Bertin por tempo indeterminado, e o Instrumento Particular de Cessão de Crédito e Outras Avencas, no qual a impugnante cedeu os direitos de crédito que possui perante a empresa Xinguleder Couros Ltda; a Bracol vendeu à impugnante estabelecimento comercial composto de bens incorpóreos, tais como o direito à não concorrência, clientela,.direito a receber espaço físico em comodato, créditos Fl. 6472DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15868.000174/201020 Resolução nº 32013.201.688 S3C2T1 Fl. 6.472 6 tributários, todos eles buscando o aviamento, ou seja, a capacidade do estabelecimento de apresentar lucros para a empresa, por meio de fomento e otimização de suas relações comerciais; antes de ser celebrado o contrato de compra e venda, os créditos foram verificados e auditados pela empresa BDO TREVISAN, a qual expressamente reconheceu a existência e validade dos créditos; nos termos da Cláusula VI do Contrato de Compra e Venda, o valor da aquisição da Filial incorporada foi no montante do ativo existente (os créditos ), o qual foi ajustado para ser pago mediante, R$ 70.000.000,00 em dinheiro, R$ 33.000.000,00 correspondente à cessão do direito creditório em face da Xinguleder Couros Ltda, e R$ 176.418.614,01 por meio de fornecimento de produtos; a operação de compra e venda foi submetida ao crivo do CADE, que não se opôs à sua realização; provase que existiu uma efetiva motivação econômica para a operação em questão, pelo aumento de 200% nas vendas para o Grupo Bertin; não houve simulação, já que inexistentes os requisitos do art. 167, parágrafo 1º , do Código Civil; segundo jurisprudência do CARF, para que se possa caracterizar a simulação, em atos jurídicos, é indispensável que os atos praticados não pudessem ser realizados, fosse por vedação legal ou pro qualquer outra razão; ao contrário do que afirma a fiscalização, a transferência de crédito foi feita para contribuinte que embora não seja industrial é equiparado a industrial, nos termos do art. 9º, III, do RIPI; a fiscalização reconhece às fls. 380/381 do Termo de Constatação que sendo uma operação real de venda de estabelecimento, é possível a transferência e utilização do crédito presumido de IPI; o estabelecimento, apesar de um atraso em razão de questões de segurança, está operando em Lins, como reconhece a própria fiscalização; o processo no CADE foi apresentado como indício de que não se trata de operação simulada, não tendo a pretensão de dar respaldo à operação tributária; a solução de consulta reconheceu o direito ao aproveitamento dos créditos; a fiscalização reconhece que a impugnante não tinha conhecimento dos pedidos de ressarcimento efetuados pela Bracol; tendo contratado os serviços da BDO TREVISAN, não pode ser penalizada por força de eventuais vícios ocorridos na apuração dos créditos, pois não é a sua geradora e seguiu estritamente o que constava do laudo que apurou os mesmos; se a própria fiscalização reconheceu expressamente que a impugnante não tinha conhecimento de que os créditos foram escriturados em duplicidade, não há que se falar em dolo, máfé e muito menos simulação dos créditos. Por fim, a Basf requereu que seja declarada a decadência para os períodos de dezembro/2004 a julho/2005, e no mérito, que seja julgada improcedente a autuação. Mantido o auto, que se reduza a multa aplicada. Também inconformada, a Bracol protocolizou impugnação de fls. 539/578, alegando, em síntese, que: Fl. 6473DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15868.000174/201020 Resolução nº 32013.201.688 S3C2T1 Fl. 6.473 7 1. Encontrase cerceada no direito de defesa porque da leitura das normas infringidas indicadas constatase que faltou a devida indicação da relação fato X norma; 2. Não há embasamento para a impugnante ter sido considerada sujeito passivo solidária, pois não é caso de aplicação do art. 124, inciso I, do CTN; a impugnante não é responsável pelo reclamado; o Fisco teria que demonstrar onde se beneficiou a impugnante em relação ao imposto que não teria sido pago pelo sujeito passivo contribuinte; 3. Esforçase o Fisco em provar que teria a impugnante duplicado um crédito que já havia recebido anteriormente; então, se não tinha direito ao valor glosado, porque para o Fisco o valor do crédito de IPI não o era, falecelhe competência para reclamar; não sendo crédito de IPI, o valor transferido com o estabelecimento ou, como quer o Fisco, no papel, outra natureza tinha que não de tributo; ou seja, se não imposto, se não IPI presumido, resta que a impugnante, a tal título nada transferiu, então restando, como conseqüência, não ter infringido a legislação fiscal invocada; 4. Se verdadeira a afirmação fiscal, a questão a ser resolvida será entre a Basf e a Bracol; não apresentou o Fisco qualquer acordo firmado entre as partes Bracol e Basf, no sentido de que aquela estivesse vendendo imposto; 5. Por mais de uma vez ofertou ao Fisco a origem do crédito que tinha lançado em sua escrita; deixou demonstrado que embora tenha feito o crédito, nunca chegou a utilizálo; o crédito é fruto de correção segundo a Selic, de seu crédito anterior recebido sem correção; 6. A Câmara Superior de Recursos Fiscais j á reconheceu o direito à correção dos créditos pela taxa Selic, em caso análogo ao dos autos; 7. Quanto à suposta simulação, os estabelecimentos existiam; não havia proibição de transferência; 8. O entendimento do fisco de que uma empresa não pode vender um estabelecimento qualquer deslocado da mesma empresa, contraria tudo o que se pratica, no regime democrático e capitalista, adotado no Brasil; 9. A multa agravada se apresenta incorreta, pois não houve simulação; resta evidente que tudo foi devidamente encontrado e registrado sem ocultação. Por fim espera ser declarado nulo o lançamento. Posteriormente, em 31/01/2011, a Basf S/A protocolou o requerimento de fl. 1191, no qual desiste parcialmente de sua impugnação, na parte relativa aos valores lançados do período de outubro/2008 a março/2009, mantendo a impugnação para o período de dezembro/2004 a julho/2005. Juntou ao requerimento cópia dos DARFs de recolhimento do imposto devido, acrescido de juros e multa (fls. 1492/1497)." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação. A decisão foi assim ementada: Fl. 6474DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15868.000174/201020 Resolução nº 32013.201.688 S3C2T1 Fl. 6.474 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2004 a 31/07/2005, 01/10/2008 a 31/03/2009 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. IPI. DECADÊNCIA. Nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, Ido CTN. CRÉDITO DE IPI. COMPROVAÇÃO. A escrituração e utilização de crédito de IPI dependem da demonstração do direito creditório através de documentação comprobatória. GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e por conseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, e utilizados para compensar débitos do imposto. SIMULAÇÃO. COMPRA E VENDA DE ESTABELECIMENTO. Caracterizase a simulação, quando os fatos não correspondem aos atos formalizados. Não há compra e venda de estabelecimento quando fica comprovado de que o estabelecimento nunca existiu de fato. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRANSFERÊNCIA PARA TERCEIROS. É vedada a transferência de créditos presumidos de IPI de uma pessoa jurídica para outra. CONSECTARJOS DO LANÇAMENTO. MULTA QUALIFICADA. Estando presentes os atos caracterizadores de fraude, dolo e simulação, tornase aplicável a multa qualificada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (fl. 6236 e ss) refuntando as alegações da Recorrente e justificando os motivos para a manutenção do lançamento. Ao analisar o processo esta Primeira Turma da Segunda Câmara identificou a ausência de intimação da decisão da primeira instância do sujeito passivo solidário Bracol. Resolveu a Turma converter o julgamento em diligência para ciência da Bracol. Cientificada da decisão da DRJ a Bracol interpôs tempestivamente recurso voluntário (fls. 6366 e ss), reiterando as alegações já suscitadas pela BASF. Fl. 6475DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15868.000174/201020 Resolução nº 32013.201.688 S3C2T1 Fl. 6.475 9 Ao proceder à nova análise do processo a Turma entendeu ser necessária para o prosseguimento do julgamento, a juntada aos autos do Processo Administrativo nº 15868.000328/201083. A Unidade Preparadora procedeu a diligência e juntou ao presente processo o Processo Administrativo nº 15868.000328/201083 e os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento. Em 25/03/2015 a Basf apresentou requerimento solicitado a abertura de prazo para vista dos autos às partes, por 30 dias, para manifestarse sobre os documentos juntados aos autos em cumprimento da diligência. (fl. 6450 Em 26/01/2016 a Basf Reiterou o pedido de vista aos autos. (fl. 6465) O conselheiro Relator original do Processo deixou este Conselho, cabendo a mim, em razão de novo sorteio, a Relatoria para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Antes de adentrar ao mérito é necessário analisar o requerimento da BASF para que seja concedido vista dos documentos juntados aos autos na diligência determinada pela Resolução nº 3201000.463. Analisando os motivos que determinaram a realização da diligência residem na alegação das Recorrentes que a Solução de Consulta SRF / 8ª RF / DISIT nº 195/2003 justificaria a utilização dos créditos que foram glosados pela Fiscalização, conforme pode ser verificado do trecho abaixo extraído do voto condutor da Resolução. A Basf alega que o auto de infração seria nulo, tendo em vista que a sua conduta estaria referendada pela Solução de Consulta SRF / 8ª RF / DISIT nº 195/2003. Por outro lado, a análise pormenorizada do TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL RELACIONADA À “TRANSFERÊNCIA DE IMPOSTOS – 1ª PROJETO IPI – BERTIN I” indica o motivo pelo qual a solução de consulta foi desconsiderada (fls. 518/519). Confirase: Também foi protocolizado o processo administrativo n° 15868.000328/201083 que contém representação para que, em nosso entender, seja declarada a nulidade absoluta (com efeitos extunc) da Fl. 6476DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15868.000174/201020 Resolução nº 32013.201.688 S3C2T1 Fl. 6.476 10 solução de consulta SRRF/8a RF/DISIT/ n° 195, de 13/10/2003, por demonstrarmos que a Administração foi induzida a erro, pelas informações inverídicas prestadas pela BASF (matriz) ao peticionar referida consulta, dentre outras constatações relatadas acima, por ter ocultado a real operação a ser realizada, qual seja, compra de créditos presumidos do IPI da empresa Bracol (matriz), porque os créditos presumidos do IPI foram escriturados em duplicidade, além de entendermos que no ordenamento jurídico brasileiro inexiste a figura de incorporação de filial, não cabendo a qualquer órgão do poder executivo criar essa figura. O resultado dessa representação foi o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Disit SRRF 8ª RF nº 01, em 20 de Janeiro de 2011, que declarou nula a solução de consulta informada pela Basf, com efeitos retroativos (fl. 1507 ou efl. 2848). A Chefe da Divisão de Tributação fundamentou a sua decisão no art. 15, inc. XI, da Instrução Normativa RFB nº 740, de 2007, entre outros. De acordo com esse dispositivo infralegal, a consulta não produz efeitos quando não descrever, completa e exatamente, a hipótese a que se referir, ou não contiver os elementos necessários à sua solução, salvo se a inexatidão ou omissão for escusável, a critério da autoridade julgadora. Para que este colegiado possa se manifestar conclusivamente acerca deste aspecto controvertido, concluiuse que seria imprescindível analisar mais a miúde o processo administrativo em que foi realizada a representação para que fosse declarada nula a Solução de Consulta SRF / 8ª RF / DISIT nº 195/2003. Diante do exposto, fazse necessária a conversão do presente julgamento em diligência para que a autoridade preparadora possa anexar ao presente o Processo Administrativo nº 15868.000328/201083. A turma na resolução decidiu pela relevância das informações sobre a Solução de Consulta e os motivos que levaram a decisão de seu cancelamento, determinando que o Processo Administrativo nº 15868.000328/201083, fosse juntado aos autos para serem apreciados no julgamento. Considerando que os documentos trazidos aos autos dizem respeito a matéria afeita a lide em julgamento, entendo que deva ser dado ciência às Recorrentes BASF e Bracol, bem como, a Procuradoria da Fazenda Nacional com o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para ciência da BASF, BRACOL e da Procuradoria da Fazenda Nacional, sobre os documentos trazidos aos autos (Processo Administrativo nº 15868.000328/201083) com prazo improrrogável para manifestação de 30 (trinta) dias. Fl. 6477DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15868.000174/201020 Resolução nº 32013.201.688 S3C2T1 Fl. 6.477 11 Winderley Morais Pereira Fl. 6478DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.009928/2004-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2003
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE, CÁLCULO. INCENTIVOS FISCAIS. PROAD1 PROV1N. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO . REGIME DE COMPETÊNCIA.
Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte às sociedades empresárias constitui receita da pessoa jurídica, e como tal devem ser escriturados pelo regime de competência para seu reconhecimento, ou seja, mensalmente à medida que for sendo usufruído o incentivo, mediante a dedução do ICMS a recolher. Recurso Negado
Numero da decisão: 9303-003.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE, CÁLCULO. INCENTIVOS FISCAIS. PROAD1 PROV1N. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO . REGIME DE COMPETÊNCIA. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte às sociedades empresárias constitui receita da pessoa jurídica, e como tal devem ser escriturados pelo regime de competência para seu reconhecimento, ou seja, mensalmente à medida que for sendo usufruído o incentivo, mediante a dedução do ICMS a recolher. Recurso Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10380.009928/2004-18
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5600093
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.878
nome_arquivo_s : Decisao_10380009928200418.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 10380009928200418_5600093.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6414203
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418493923328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.080 1 1.079 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.009928/200418 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.878 – 3ª Turma Sessão de 19 de maio de 2016 Matéria Auto de Infração PIS Subvenção de incentivos de ICMS Recorrente M DIAS BRANCO IND COM DE ALIMENTOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE, CÁLCULO. INCENTIVOS FISCAIS. PROAD1 PROV1N. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO . REGIME DE COMPETÊNCIA. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte às sociedades empresárias constitui receita da pessoa jurídica, e como tal devem ser escriturados pelo regime de competência para seu reconhecimento, ou seja, mensalmente à medida que for sendo usufruído o incentivo, mediante a dedução do ICMS a recolher. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Henrique Pinheiro Torres – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 99 28 /2 00 4- 18 Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo Sujeito Passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 20313 200, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/1999 a 30/09/1999 DECADÊNCIA PIS/PASEP Nos termos da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários do PIS/Pasep é a do § 40 do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1999 a 31/12/2003 NULIDADES CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OBSCURIDADE E DEFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS, INOCORRÊNCIA O auto de infração é claro em apontar que o lançamento decorre de divergências entre o valor devido e o informado em DCTF, especialmente quando os quadros demonstrativos auxiliares evidenciam as rubricas que formam a base de cálculo sobre a qual foi apurado o valor devido encontrado pelo Fisco. As "explicações" mais minudentes efetuadas apenas sobre três matérias não descaracterizam a ocorrência da infração que se originou no fato de não ter a autuada incluído na base de cálculo os valores de outras receitas operacionais. Além disso, ainda que de forma preventiva, a autuada se manifestou pela ilegalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, NULIDADE. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. SUPRESSÃO PELO ENQUADRAMÉNTO LEGAL CORRETO INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade o lançamento que, mesmo tendo se referido a dispositivo legal não aplicável à situação, acabou por invocar a outros, pertinentes, o que permitiu à autuada o pleno conhecimento das imputações que lhe foram feitas, tanto que pôde apresentar robusta peça recursal PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA DE OBJETO RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA PIS/PASEP REGIME CUMULATIVO ALARGAMENTO DA BASE. DE. CÁLCULO. SÚMULA N°1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. No caso, a autuada obteve decisão judicial com trânsito em julgado lhe garantindo o direito de submeter à incidência do Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10380.009928/200418 Acórdão n.º 9303003.878 CSRFT3 Fl. 1.081 3 PIS/Pasep cumulativo apenas as receitas oriundas da venda de mercadorias e de Serviços PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. PIS/PASEP REGIME CUMULATIVO ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. SÚMULA N° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. No caso, a autuada obteve decisão judicial com trânsito em julgado lhe garantindo o direito de excluir da base de cálculo a parcela do ICMSsubstituição tributária pago nas aquisições de trigo em grão e de farinha de trigo adquiridos do exterior ou de Estado não signatário do Procotolo. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA . BASE DE CÁLCULO RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS RECEITA BRUTA A diminuição de uma obrigação, originada pelo fortalecimento da moeda nacional, em detrimento da moeda estrangeira à qual está indexada tal passivo, deve ser registrada na contabilidade mediante o débito na conta das obrigações e, como contrapartida, o crédito em conta de receitas, não se admitindo que sejam creditadas contas de despesas ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/PASEP Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE, CÁLCULO. INCENTIVOS FISCAIS. PROAD1 PROV1N SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO . REGIME DE COMPETÊNCIA. Nos termos do Parecer Normativo CST n 112, de 1979, as subvenções para custeio e para investimento são contabilizadas a credito de receitas, operacionais e não operacionais, respectivamente. De se observai, ainda, o regime de competência para o reconhecimento de tais receitas, ou seja, mensalmente à medida que for sendo usufruído o incentivo, mediante a dedução do ICMS a recolhei. INCIDÊNCIA NÀO CUMULATIVA BASE DE CÁLCULO OUTRAS RECEITAS Conforme o artigo 1" da Lei n" 10637, de 2002, a contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil AUTO DE INFRAÇÃO RECOLH1MENTOS EFETUADOS APÓS O INICIO DA AUDITORIA FISCAL ESPONTANEIDADE Os recolhimentos efetuados pela autuada após o início dos trabalhos de fiscalização não tem o condão de modificar os valores constituídos pelo auto de infração, visto que perdida a espontaneidade, não obstante Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 devam ser considerados para fins de amortização do crédito tributário então constituído Recurso provido em parte Foram interpostos Embargos de Declaração pelo sujeito passivo, por alegada contradição no acórdão 20313.200, que resultaria numa obscuridade, que foram rejeitados (despacho às fls. 898 a 902). Em breve síntese do litígio, tratase de auto de infração lavrado para a constituição de crédito tributário do PIS/Pasep, na sua incidência cumulativa, relativo aos períodos de apuração de 31/01/1999 a 30/06/2002, e 31/08/2002 a 30/11/2002, e na sua incidência não cumulativa, relativo aos períodos de apuração de 31/12/2002 a 31/12/2003, em decorrência da não inclusão na base de cálculo da contribuição, (i) de parcelas do 1CMS Substituição Tributária; (ii) de variações monetárias ativas correspondentes a ganhos registrados por conta da diminuição de dívida indexada em moeda estrangeira; (iii) subvenções auferidas a título de incentivo fiscal dos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte (Provin e Proadi); e (iv) outras receitas. A turma julgadora a quo deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso em face da concomitância de objeto, relativamente ao item "001" do auto de infração, que se refere aos períodos de apuração de outubro de 1999 a novembro de 2002, a teor do enunciado da Súmula n.1 do Segundo Conselho de Contribuintes; (ii) por unanimidade de votos, reconheceuse a decadência dos lançamentos relativos aos períodos de apuração de janeiro de 1999 a setembro de 1999; (iii) por unanimidade de votos, afastouse as prejudiciais de nulidades do lançamento; (iv) quanto ao mérito, em relação aos períodos abrangidos pelo regime da não cumulatividade: (a) por unanimidade de votos, negouse provimento quanto à exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas de variações cambiais ativas, indevidamente consignadas em conta de despesas financeiras; (b) por maioria de votos, reconheceuse que as subvenções para investimento estão sujeitas à incidência da contribuição; (c) por maioria de votos, que o reconhecimento de tais receitas para fins da incidência, deveria se dar à medida dos recolhimentos do ICMS; (d) por unanimidade de votos, negouse provimento quanto à não incidência da contribuição sobre as "Outras Receitas"; e (e) por unanimidade de votos, negouse provimento quanto aos recolhimentos efetuados/ posteriormente ao início dos trabalhos de fiscalização. O sujeito passivo alega divergência jurisprudencial relativa às seguintes matérias: (i) nulidade em face de deficiência e obscuridade na descrição dos fatos, enquadramento legal e equívoco na apuração do tributo; (ii) (não) exclusão do ICMS Substituição Tributária; (iii) (não) exclusão de variações cambiais; (iv) não incidência do PIS/Pasep sobre subvenções públicas para investimentos; e (v) discrepâncias na apuração da contribuição. Foram colacionadas decisões paradigmas para as matérias elencadas nos itens (i) e (iv), consubstanciadas nos acórdãos CSRF/0104.473, 10194.676 e CSRF/0104.762, juntados por inteiro teor às fls. 986/1025. Relativamente às matérias (ii) (não) exclusão do ICMSSubstituição Tributária, (iii) (não) exclusão de variações cambiais e (v) discrepâncias na apuração da contribuição, não foi apresentada qualquer julgado divergente de outros colegiados do Conselho de Conselhos ou do CARF, de modo que não atenderam ao pressuposto do art. 67, caput do RICARF. O tema relacionado à (não) exclusão do ICMSSubstituição Tributária, especificamente, sequer foi Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10380.009928/200418 Acórdão n.º 9303003.878 CSRFT3 Fl. 1.082 5 conhecido pelo recurso voluntário, tendo em conta a opção pela via judicial, com aplicação da Súmula nº 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, de modo que encontra óbice, também, no parágrafo segundo do mesmo dispositivo regimental. Concernente à pretensa nulidade por obscuridade e deficiência na descrição dos fatos e erro no enquadramento legal, após examinar os arestos envolvidos concluí, no exame de admissibilidade, que não havia qualquer desinteligência entre eles, eis que os fatos tratados em ambos não são assemelhados. Dessa forma, o Recurso Especial do sujeito passivo foi admitido apenas parcialmente, no tocante ao momento de reconhecimento das receitas advindas das subvenções para investimento, para fins de incidência do PIS/Pasep, conforme despacho de admissibilidade às fls.1052 a 1056. Enquanto a decisão recorrida entendeu que a tributação da subvenção concedida pelo Estado do Ceará (Provin) deveria alcançar os “ganhos”, incidindo por ocasião do financiamento do ICMS, com o reconhecimento mensal, açambarcando o montante da subvenção utilizada na dedução/pagamento do ICMS devido, o acórdão paradigma, examinando a mesma vantagem fiscal (Provin – Ceará), entendeu que a caracterização da receita somente ocorreria quando da quitação do financiamento A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 1066 a 1069. É o relatório. Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES A matéria que se apresenta a debate, nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 1.052 a 1.056, cingese ao momento de reconhecimento das receitas advindas das subvenções para investimento, para fins de incidência do PIS/Pasep, por verificar que estão atendidos os requisitos de admissibilidade. Assim, como dito acima, a questão a ser apreciada no presente julgamento referese à incidência do PIS sobre os aportes recebidos pela Recorrente a título de subvenções públicas para investimento dos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte, oriundas, respectivamente, do PROVIN e PROADI, relativo aos períodos abrangidos pelo regime da não cumulatividade (31/12/2002 a 31/12/2003). Enquanto o acórdão recorrido manifestou o entendimento no sentido de que a tributação da subvenção concedida pelo governo estadual deveria alcançar os “ganhos”, incidindo por ocasião do financiamento do ICMS, de forma que o seu reconhecimento deveria ser mensal, abarcando o montante da subvenção utilizada na dedução/pagamento do ICMS devido, a recorrente alega que a caracterização da receita somente ocorreria quando da quitação do financiamento. Não foi objeto do recurso especial o enquadramento dos aportes oriundos dos incentivos fiscais do PROVIN e PROADI concedidos, respectivamente, pelos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte, como subvenção pública para investimento, mas sim a Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 6 incidência de PIS sobre essas subvenções públicas, por não integrar a receita bruta do contribuinte, seja nos termos da Lei nº 9.718/1998 ou da Lei nº10.687/2002. Já me manifestei acerca do tema, no voto condutor do Acórdão nº 9303 002.355, de 13 de agosto de 2013, cujos fundamentos adotados naquele julgamento reproduzo abaixo, e adoto como minhas razões de decidir no presente processo: Inicialmente, temse que o correto enquadramento contábil dos incentivos fiscais (subvenções) concedidos pelo Estado do Amazonas, destinados às sociedades empresárias industriais ou agroindustriais que lá se instalaram, deve ser feito como receitas não operacionais da pessoa jurídica, pelas razões seguintes. As subvenções governamentais são programas delineados, administrados e concedidos pelos governos (União, Estados, DF e Municípios) com o objetivo de incrementar operações, atrair investimentos para determinadas regiões pouco desenvolvidas e financiar a promoção de atividades de interesse público. Às empresas que se fixam em áreas carentes de desenvolvimento são concedidas reduções e isenções tributárias (subvenções) sobre suas operações, cuja concessão segue procedimento criterioso de aprovação da empresa interessada. Há outras modalidades de subsídios, tais como as subvenções governamentais para investimento em que a empresa beneficiária fica obrigada a reinvestir, sob determinadas condições, parte dos tributos desonerados de suas transações e a subvenção para custeio, também denominada de subvenção corrente para custeio ou subvenção operacional, esta modalidade de subvenção governamental é caracterizada pelo incentivo, em sua maioria de natureza tributária, concedido pelo poder público com o objetivo de incrementar a atividade operacional das empresas em decorrência de interesses do próprio governo. Dos conceitos acima, a conclusão acaciana a que se chega é que o incentivo fiscal dado pela Lei 2.826/2003, do Estado do Amazonas, é espécie de subvenção governamental. A classificação desse incentivo como subvenção governamental é encontrada, dentre outros, nos itens 6 e 41 do CPC nº 7. Como é de sabença de todos, a sigla CPC designa o Comitê de Pronunciamento Contábil, criado pela Resolução nº 1055/05 do Conselho Federal de Contabilidade, composto pelas seguintes entidades: ABRASCA; APIMEC NACIONAL; BOVESPA; Conselho Federal de Contabilidade; FIPECAFI; E IBRACON. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10380.009928/200418 Acórdão n.º 9303003.878 CSRFT3 Fl. 1.083 7 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. 41. Certos empreendimentos gozam de incentivos tributários de imposto sobre a renda na forma de isenção ou redução do referido tributo, consoante prazos e condições estabelecidos em legislação específica. Esses incentivos atendem ao conceito de subvenção governamental O CPC tem como objetivo "o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais". Releva ainda salientar que o CPC nº 07 foi aprovado, dentre outros, pela (o): CVM, deliberação CVM nº 555/08; CFC, Resolução CFC nº 1.143/08; Susep, Circular Susep nº 379/08 (anexo I). As subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita, a teor do item 42, abaixo transcrito: 42. O reconhecimento contábil dessa redução ou isenção tributária como subvenção para investimento é efetuado registrandose o imposto total no resultado como se devido fosse, em contrapartida à receita de subvenção equivalente, a serem demonstrados um deduzido do outro. A seu turno, o item 9 do CPC nº 07, dispõe ser irrelevante para o método de contabilização, a forma como a subvenção foi recebida, vejamos: 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. Nessa linha de raciocínio, vêse que os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelo Estado do Amazonas à sociedade empresária autuada constitui receita da pessoa jurídica, mais precisamente, receita não operacional, posto não ser fruto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado à atividade fim da sociedade empresária. Resta então determinar se tal receita pode ser alcançada pela incidência da Cofins. Vejamos: Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o §4 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas decorrentes da isenção ou concessão de créditos Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 8 do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Correto, portanto, o lançamento fiscal. Acontece, porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendo que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga ominis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos gerais às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes foram dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender efeitos de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 62. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 62 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta no artigo 62 suso transcrito, posto que a questão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 encontrase apascentada no Supremo Tribunal Federal, inclusive, fez parte de minuta de súmula vinculante, que não foi adiante por causa de outra decisão desse Tribunal, referindose à base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras. Neste caso, houve certa confusão sobre o conceito de faturamento e de receita, o que levou o STF a não sumular a matéria sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições, mas, de qualquer sorte, continua valendo a decisão no tocante à base de cálculo das contribuições incidentes sobre sociedades não financeiras ou seguradoras. Em outro giro, a PGFN por meio da Portaria nº 294/2010, autorizou seus procuradores a não mais recorrerem das decisões definitivas de tribunais superiores, como a do STF que reconheceu a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais. A edição dessa portaria corrobora o entendimento de se aplicar ao caso em exame a decisão plenária do STF sobre o indigitado alargamento da base de cálculo da Cofins.. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10380.009928/200418 Acórdão n.º 9303003.878 CSRFT3 Fl. 1.084 9 O Carf apascentou a jurisprudência no sentido de estender a decisão do STF sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições aos julgamentos administrativos. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins voltou a ser a receita bruta correspondente a faturamento, assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Por conseguinte, anteriormente à vigência dessa lei, as subvenções governamentais objeto destes autos não estavam incluídas na base de cálculo da Contribuição. Dessa forma, o entendimento acima exposto refletiria na incidência de PIS pela sistemática cumulativa, no qual a tributação dependia do caráter operacional da receita. Entretanto, na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei 10.637/2002, a contribuição incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Do enunciado legal, inferese que se considera como receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo do PIS, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, da qual podem ser excluídos os valores legalmente autorizados, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Posto isto, tendo em vista que a matéria que ainda resta a ser decidida nos autos referese à Contribuição para o PIS/Pasep pelo regime não cumulativo, e que as receitas operacionais e não operacionais encontramse incluídas na hipótese de incidência destes tributos, e que o valor dos aportes oriundos dos incentivos fiscais do PROVIN e PROADI são enquadrados como receita, mostrase correto o lançamento tributário. Também não procede as alegações da recorrente quanto ao erro no regime de reconhecimento para efeitos fiscais das subvenções públicas. Segundo seu entendimento, mesmo se os valores do PROVIN e PROADI fossem considerados integrantes da receita bruta da Recorrente, certamente o momento correto da sua contabilização, para efeitos fiscais, seria quando do prazo final para amortização de cada parcela do financiamento, nunca quando da concessão do financiamento. O reconhecimento dessas receitas de subvenções de ser feito quando da celebração dos contratos de mútuo, ou seja, pelo regime de competência. No presente caso, é no momento da contratação do mútuo, no qual a empresa já tem delineado o valor da subvenção a ser auferida quando de sua realização, é que deve ser reconhecida a receita correspondente. Evidente que se a empresa incorresse em mora, ou melhor, se não observasse as condições para o recebimento da subvenção, seria perfeitamente cabível o seu estorno e consequentemente a retirada da base de cálculo de incidência da contribuição. Não reportou a contribuinte, entretanto, nenhuma ocorrência nesse sentido, ou seja, obteve sim suas subvenções no montante integral. Deve ser observado, então, o regime de competência para o reconhecimento de tais receitas, ou seja, mensalmente, à medida que for sendo usufruído o incentivo, mediante a dedução do ICMS a recolher. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 10 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial do sujeito passivo. É como voto. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
