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Numero do processo: 10980.000322/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. COISA JULGADA PARCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Diante do trânsito em julgado de parte do objeto de ação judicial, não pode a autoridade fiscal lançar o contribuinte que fruir dessa decisão a pretexto de evitar a decadência, por não se tratar a coisa julgada de condição de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, mas sim de sua extinção. As autoridades administrativas devem obediência aos provimentos judiciais cujos efeitos estão albergados pela eficácia da coisa julgada.
Numero da decisão: 3402-003.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. COISA JULGADA PARCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Diante do trânsito em julgado de parte do objeto de ação judicial, não pode a autoridade fiscal lançar o contribuinte que fruir dessa decisão a pretexto de evitar a decadência, por não se tratar a coisa julgada de condição de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, mas sim de sua extinção. As autoridades administrativas devem obediência aos provimentos judiciais cujos efeitos estão albergados pela eficácia da coisa julgada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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COISA JULGADA PARCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Diante do trânsito em julgado de parte do objeto de ação judicial, não pode a autoridade fiscal lançar o contribuinte que fruir dessa decisão a pretexto de evitar a decadência, por não se tratar a coisa julgada de condição de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, mas sim de sua extinção. As autoridades administrativas devem obediência aos provimentos judiciais cujos efeitos estão albergados pela eficácia da coisa julgada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 03 22 /2 00 6- 10 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a pessoa jurídica acima identificada, para evitar a decadência do IPI referente a períodos de apuração compreendidos entre 2001 e 2005. Em apertada síntese, o Contribuinte obteve provimento judicial no TRF4 autorizando a tomada de créditos decorrentes de entradas de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Desse decisão houve Recurso Extraordinário da Fazenda Pública acerca dos créditos de produtos não tributados e com alíquota zero, não devolvendo àquele tribunal superior a questão dos insumos isentos, de sorte que essa matéria transitou em julgado em 07/04/2002. Todavia, em 02/05/2012 transitou em julgado o processo no STF, com provimento a favor da Fazenda, negando direito de crédito nos insumos não tributados e com alíquota zero, vindo a ajuizar em seguida a Ação Rescisória n 000756109.2012.404.0000/PR, visando desconstituir a parte transitada em julgado relativa aos insumos isentos. O Contribuinte alega em sua impugnação que o lançamento realizado foi feito contra coisa julgada definitivamente constituída, e que não se tratava de caso de suspensão de exigibilidade para fins de realização do lançamento apenas para prevenção da decadência. A impugnação foi julgada improcedente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 20012005 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual repisou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.000322/200610 Acórdão n.º 3402003.141 S3C4T2 Fl. 3 3 O cerne da questão diz respeito à possibilidade do Fiscal lavrar auto de infração em razão do creditamento autorizado por decisão judicial transitada em julgado, haja vista que até a presente data não houve trânsito em julgado da Ação Rescisória n 0007561 09.2012.404.0000/PR, conforme se verifica no site do TRF4, estando pendente de apreciação no STF: A discussão sobre a tempestividade ou não da Ação Rescisória, ajuizada apenas após o término definitivo da análise de todos os pontos da demanda, mas direcionada à parcela que transitara em julgado após a decisão de 2ª instância, é matéria que está fora de análise desse colegiado. Por outro lado, a inexistência de trânsito em julgado da Rescisória evidencia que a eficácia de coisa julgada material permanece hígida em relação ao direito do contribuinte de tomar créditos de insumos isentos, o que foi feito pelo mesmo. Verifiquese que o Recorrente foi notificado do auto de infração no dia 12/02/06, enquanto o trânsito em julgado da questão relativa ao crédito de insumos isentos se deu em 07/04/2002. Ao lançar o tributo, justificou o auditorfiscal nos seguintes termos: É LAVRADO 0 PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO PARA EVITAR A DECADÊNCIA. O CRÉDITO TRIBUTÁRIO SE ENCONTRA COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA, NOS TERMOS DO ARTIGO 151 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, APROVADO PELO DECRETO N° 5.172/66 E ALTERAÇÕES POSTERIORES” É dizer, entendeu que o trânsito em julgado de parte do objeto total da lide se equipararia a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, para autorizar o lançamento com finalidade de prevenção da decadência, previsto no art.63 da lei 9430, verbis: Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Ora, a coisa julgada não é causa de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, mas causa de sua extinção, nos termos do art.156, X do CTN, de modo que não poderia o Fiscal autuálo por conta da obediência do Recorrente ao provimento judicial cuja eficácia estabilizante lhe é reconhecida e garantida constitucionalmente, a despeito do resto da matéria restar controversa e discutida em outras instâncias superiores. Na decisão recorrida, a DRJ se manifestou nos seguintes termos: Assim, não caberá no presente processo qualquer discussão acerca do mérito do lançamento, posto que tal matéria encontrase sob análise do Poder Judiciário. Após o trânsito em julgado da decisão judicial, o lançamento será cancelado na parte em que se oponha à mesma. A erronia da posição esposada pela instância administrativa anterior é evidente: em sua fundamentação, entende que a eficácia da decisão judicial transitada em julgado deveria ficar suspensa até que sobrevenha eventual trânsito em julgado da Ação Rescisória ajuizada contra ela, o que não faz o menor sentido jurídico. Desde 07/04/2002 o Recorrente tem direito de tomar o crédito de insumos isentos garantido por coisa julgada, e isso lhe dá pleno e definitivo direito independente do ajuizamento da Ação Rescisória quase 10 anos depois. Quisesse a Fazenda Nacional obstar essa estabilização do provimento favorável ao contribuinte, deveria ter abrangido essa matéria em seu Recurso Extraordinário, o que não fez. Portanto, em síntese, tratase de autuação realizada contra contribuinte cuja conduta autuada encontra proteção em coisa julgada válida e eficaz, o que inviabiliza absolutamente a pretensão fiscal, devendo a mesma ser rechaçada inteiramente. Em caso de um eventual e futuro provimento definitivo na Ação Rescisória, caberá à Fazenda Nacional glosar os créditos tomados que estejam dentro do prazo decadencial de 5 anos da data do trânsito em julgado, mas enquanto não houver tal desfecho, deve integral obediência aos provimentos definitivos do Judiciário. Ante o exposto, dou provimento integral ao Recurso Voluntário para anular o Auto de Infração. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.000322/200610 Acórdão n.º 3402003.141 S3C4T2 Fl. 4 5 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002492/2003-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2003
MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A aplicação de multa qualificada é matéria de ordem pública, por pressupor a demonstração do evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3301-002.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados pela Fazenda Nacional, para suprir a omissão no que tange à apreciação de ofício de matéria de ordem pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2003 MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A aplicação de multa qualificada é matéria de ordem pública, por pressupor a demonstração do evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Embargos acolhidos.
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A aplicação de multa qualificada é matéria de ordem pública, por pressupor a demonstração do evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados pela Fazenda Nacional, para suprir a omissão no que tange à apreciação de ofício de matéria de ordem pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 24 92 /2 00 3- 79 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002492/200379 Acórdão n.º 3301002.923 S3C3T1 Fl. 11 2 Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a Embargada, pelo qual se exigiu o recolhimento de R$ 953.576,78 de COFINS, R$ 34.686,02 e R$ 1.430.365,16 de multa de ofício de 150%, devido ao indeferimento do pedido de restituição/compensação objeto do processo administrativo fiscal nº 10907.001984/200266, referente ao período de apuração de 04/2003 a 07/2003. Tendo em vista que a TCP tomou ciência do indeferimento do pedido de restituição/compensação em 24/03/2003 e que apresentou Declaração de Compensação em 12/09/2003 e 24/09/2003, a autoridade entendeu estar configurado evidente intuito de fraude, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicando a multa de 150%. A DRJ manteve a integralidade da exigência fiscal. Em seu recurso voluntário, a TCP formulou pedido para que o auto de infração concernente à cobrança dos créditos fiscais relativos à COFINS fosse extinto por flagrante ilegalidade ou, no mínimo, suspenso até a decisão final do processo administrativo do Pedido de Restituição. Em cumprimento à diligência solicitada através da Resolução 20000.443, a Autoridade Fiscal relatou o trânsito em julgado da decisão que negou provimento ao pedido de restituição. Em sessão transcorrida em 29 de janeiro de 2015, a Primeira Turma da Terceira Câmara, desta Terceira Seção do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário da TCP, para excluir do lançamento a aplicação da multa de 150%, nos termos do acórdão nº 3301002.557, relatada pela Conselheira Mônica Elisa de Lima, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2003 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COFINS. PEDIDO ORIGINÁRIO DO CRÉDITO INDEFERIDO. COMPENSAÇÃO IMPROCEDENTE. DECORRÊNCIA. Atestada, em decisão administrativa irrecorrível, a inexistência do crédito, não subsiste a compensação solicitada por ausência de pagamento indevido ou a maior. MULTA DE 150%. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. DOLO NÃO DEMONSTRADO. Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. (Grifei) A Fazenda Nacional alega que houve omissão do r. acórdão, ao não dispor expressamente sobre os pressupostos que permitiram a análise de mérito da aplicação da multa de 150%, uma vez que não houve questionamento da multa no recurso voluntário da Embargada. Para a Fazenda Nacional, não se trata de matéria de ordem pública, sendo assim, se a TCP não questionou expressamente o percentual da multa, estaria a questão preclusa e, portanto, o julgamento foi extra petita. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002492/200379 Acórdão n.º 3301002.923 S3C3T1 Fl. 12 3 Por isso, requer sejam conhecidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, a fim de sanar o vício acima apontado e prequestionar a matéria que não foi objeto de análise expressa no acórdão embargado. É o relatório. Voto A questão central destes Embargos é a possibilidade ou não de manifestação de mérito do julgador sobre a multa qualificada, quando não expressamente postulado o inconformismo pelo contribuinte e a justificativa para tanto. À luz do Decreto nº 70.235/1972 (art. 16, II e 17), que rege o processo administrativo fiscal, em se tratando de recurso voluntário, cumpre aos julgadores apreciar as matérias expressamente recorridas. A despeito disso, é pacífico o entendimento que é dever do colegiado apreciar de ofício as matérias de ordem pública, ou seja, ainda que não tenham sido contestadas, bem como corrigir os erros materiais que, porventura, agravarem incorretamente a exigência fiscal. As questões de ordem pública são aquelas que condicionam a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa. Por isso, não precluem e podem, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passíveis de reconhecimento de ofício pelo julgador, nos termos do art. 303, II e III do CPC/73 e, 342, II e III do CPC/2015. A rigor, a aplicação de penalidades tributárias são matérias de ordem pública, pois, o Estado não pode punir indevidamente os administrados, por imperativo do art. 37, caput, da CF/88 e art. 2º, parágrafo único, I, VI e IX da Lei nº 9.784/99. A aplicação de penalidade, sendo matéria de ordem pública, integra a lide de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo julgador, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão. O CARF já se manifestou nesse sentido, vejase: MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DA MULTA DE PENALIDADE. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. As matérias de ordem pública podem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenha sido objeto do recurso voluntário. Isso se aplica à exigência de penalidades, dentre elas a multa de oficio isolada por falta de recolhimento do tributo por estimativa, que foi lançada em concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no anocalendário. Embargos conhecidos e rejeitados. Acórdão nº 1402000.246, julg. 04/08/2010. Nos casos de comprovado intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada a multa de oficio de 150%. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002492/200379 Acórdão n.º 3301002.923 S3C3T1 Fl. 13 4 A lição de Paulo de Barros Carvalho esclarece o papel da aplicação da multa qualificada: É a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação de penalidade em decorrência de dolo, fraude ou simulação na prática do ato jurídico tributário. É aplicada quando a Administração Pública demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Para caracterizar a multa agravada, é necessário, outrossim, a existência de fato doloso, fraudulento ou simulado, devidamente provado, para se produzir a correta subsunção do fato infracional à norma autorizadora do agravamento da penalidade. (Direito Tributário, Linguagem e Método. 6. Ed. São Paulo: Noeses, 2015, p. 894). Grifei. No caso em comento, a compensação não foi homologada pela autoridade fiscal, sem, contudo, que se tenha provado qualquer falsidade, prática de sonegação, conluio ou fraude, inaplicável por isso a multa de 150%, sendo remansosa a jurisprudência do CARF sobre o tema, a exemplo da recente decisão da CSRF, de 01/03/2016, Acórdão nº 9101002.261: MULTA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS NÃO TRIBUTÁRIOS E DE TERCEIRO. AUSÊNCIA DE FRAUDE. Para a aplicação da multa de 150%, necessária a demonstração de que o contribuinte procedeu com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Não configura fraude, por si só, a mera apresentação de declaração portando elementos inexatos, objetivando a utilização de crédito de terceiro e/ou que não se refira a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a fim de compensar débitos próprios regularmente confessados. MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA DE 75.% RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante da previsão legal para a aplicação de multas isoladas apenas para a hipótese de falsidade e no percentual de 150%, incabível a desqualificação da multa pela DRJ para a exigência de multa isolada de 75% em face das compensações não homologadas realizadas pelo contribuinte. E ainda, o julgado da Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9202003.764: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2009 MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, decorre do tipo (lei) e é imposta com culpa ou dolo, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade Fl. 385DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002492/200379 Acórdão n.º 3301002.923 S3C3T1 Fl. 14 5 livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação. (...) Acórdão nº 9202003.764, julg. 16/02/2016. O acórdão embargado fundamentou o reconhecimento de ausência da tipicidade, conforme se observa no excerto: Para além de mera opinião, a Autoridade Lançadora não apresentou qualquer prova ou indício consistente de que o Sujeito Passivo agira com dolo, fraude ou simulação, procedimentos esses cuja verificação da existência é um ônus do Fisco. Este Conselho é pacífico no entendimento de que a fraude não se presume; devendo, pelo contrário, ser comprovada pelo Agente Público que a alega. (...) Com as específicas adaptações de contexto, igual entendimento emerge da Súmula CARF nº 14, segundo a qual: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Portanto, configurada está a omissão quanto à fundamentação do reconhecimento da matéria de ordem pública no acórdão: desqualificação da multa de 150%. Todavia, não há qualquer alteração do resultado do julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os embargos interpostos, para suprir a omissão do voto condutor no que tange à apreciação de ofício de matéria de ordem pública, e ratificar o acórdão 3301002.555, de 29/01/2015, sem efeitos infringentes. Sala de Sessões, em 26 de abril de 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 386DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 12448.734739/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 47 39 /2 01 1- 18 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.724402/201304, em face do acórdão nº 1262.570, julgado pela 18ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento do anocalendário de 2009, tendo sido apurada compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 7.631,26 cuja fonte pagadora foi a Creações Opção Ltda. O crédito tributário lançado foi de R$ 10.312,88 e o enquadramento legal consta na respectiva Notificação. A contribuinte contesta o lançamento por meio da impugnação de fls. 02 e 03, alegando, em síntese, que como não sabia o código de recolhimento do imposto de renda na fonte, teria recolhido com o código 0190, trazendo ao processo o total de R$ 6.310,30 a título de carnêleão. Pede que o Fisco verifique no sistema a diferença que falta para se chegar à importância glosada R$ 7.631,26. Pede o cancelamento da notificação. Importa frisar que a SRL foi deferida parcialmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação, assim constando o voto do julgador relator: Primeiramente deve ser esclarecido que o presente lançamento trata exclusivamente de compensação indevida de imposto de renda na fonte no valor de R$ 7.631,26 em face da fonte pagadora Creações Opção Ltda. A contribuinte em sua DAA de fls. 16 a 22 declarou o montante de R$ 39.507,54 a título de carnêleão e o Fisco não alterou qualquer valor deste item na declaração de ajuste anual da autuada. A interessada trouxe ao processo os DARF’s de fls. 14 e 15 no total de R$ 6.310,30 sob o argumento de que os teria recolhido como imposto de renda retido na fonte pela Creações Opção Ltda. Entretanto, diante do valor de R$ 39.507,54 declarado como carnêleão e a parcela de recolhimento de apenas R$ 6.310,30 trazida aos autos pela impugnante, não há nenhum sentido em se cogitar que este recolhimento diria respeito à diferença de Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.734739/201118 Acórdão n.º 2202003.306 S2C2T2 Fl. 79 3 imposto de renda retido na fonte glosado pela fiscalização no valor de 7.631,26 em face da fonte pagadora Creações Opção Ltda Portanto, agiu corretamente a fiscalização ao apurar a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 7.631,26, pois a DIRF da fonte pagadora demonstrou ter ocorrido uma retenção na fonte de R$ 7.719,61 e não R$ 15.350,87 declarado pela contribuinte. Destarte, com base em todo o exposto supra, voto pela IMPROCEDÊNCIA da Impugnação em tela. Inconformada com a improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 38/39, onde são reiterados parcialmente os argumentos lançados na impugnação, bem como são anexados documentos às fls. 40/71. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, em relação aos documentos juntados às fls. 49/57, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado, entendo que estes devem ser recebidos como prova nesta instância recursal. A recorrente sustenta que, diante do não recolhimento de IRRF sobre aluguéis por parte dos locatário, passou a ela mesmo a recolher os impostos, argumentando também que, ao invés de recolher o IRRF, por DARF, sob o código 0211, recolheu sob código 0190. Em fl. 39 a contribuinte apresenta uma tabela, no intuito de demonstrar que o imposto de renda foi recolhido, porém, com código 0190 (carnêleão), vejamos: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Conforme apresenta a contribuinte, de agosto a dezembro de 2009 o IRRF foi recolhido pela locadora (Creações Opção Ltda.), o que é demonstrado também pelos DARFs recolhidas, sob código 3208, que se localizam às fls.48/50. Além disso, há o informe de rendimentos de fl. 51. Todavia, de janeiro a julho de 2009, a contribuinte sustenta que realizou recolhimento de IRRF porém sob o código 0190. Este código se refere a "IRPF Carnê Leão". O código de recolhimento correto, também não é o 0211, conforme refere a contribuinte, sendo, em verdade, o 3208: "aluguéis e royalties pagos à pessoa física". Os DARF´s juntados pela contribuinte às fls. 14 e 15 possuem código de recolhimento 0190, estando inclusive parcialmente ilegível o DARF de março de 2009. Em síntese a contribuinte pretende que o valor recolhido por DARF sob código 0190 seja considerado como se recolhido pelo código 3208. A contribuinte deveria neste caso ter realizado um Redarf (retificação de DARF), porém, não consta nos autos tal requerimento. A contribuinte possui outras rendas que recebe e, em razão destas, recolhe imposto de renda sob carnê leão, tendo a contribuinte recolhido R$ 39.507,54 a título de IRFF sob a sistemática de carnê leão (DIRPF, de fl. 31). Portanto, concluo que para fazer prova do direito da contribuinte, somente se fossem apresentados por ela comprovantes que realizou recolhimento naquele exercício fiscal, além dos R$ 39.507,54, do valor glosado (R$ 7.631,26). Assim, sem a juntada aos autos dos comprovantes de recolhimento de DARF's em valor de R$ 47.138,80 (R$ 39.507,54 + R$ 7.631,26), entendo que deve ser mantida a glosa. Diante disso, não tendo a recorrente demonstrado o seu direito, através de documentação hábil e idônea, ônus que lhe incumbia, não vislumbramse razões para prover o recurso voluntário interposto pela contribuinte, razão pela qual, entendo que não carece de reparos a decisão da DRJ de origem. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.734739/201118 Acórdão n.º 2202003.306 S2C2T2 Fl. 80 5 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 10715.006827/2009-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 68 27 /2 00 9- 71 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006827/200971 Acórdão n.º 9303003.780 CSRFT3 Fl. 287 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.355, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006827/200971 Acórdão n.º 9303003.780 CSRFT3 Fl. 288 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 288DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006827/200971 Acórdão n.º 9303003.780 CSRFT3 Fl. 289 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006827/200971 Acórdão n.º 9303003.780 CSRFT3 Fl. 290 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006827/200971 Acórdão n.º 9303003.780 CSRFT3 Fl. 291 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006827/200971 Acórdão n.º 9303003.780 CSRFT3 Fl. 292 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 292DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006827/200971 Acórdão n.º 9303003.780 CSRFT3 Fl. 293 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006827/200971 Acórdão n.º 9303003.780 CSRFT3 Fl. 294 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 294DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10166.725205/2013-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU RESERVA REMUNERADA. CÂNCER EM REMISSÃO. TERMO INICIAL PARA A CARACTERIZAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE.
Para fins de aplicação da norma isentiva relativa aos proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, percebidos por portador de moléstia grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada (Súmula CARF 43), considera-se termo inicial do câncer a sua primeira manifestação.
IMPOSTO DEVIDO. PAGAMENTO. ESPONTANEIDADE.
Configura denúncia espontânea o pagamento do imposto devido, antes do início do procedimento fiscal, quando evidente sua relação com a infração objeto da notificação de lançamento.
Numero da decisão: 2301-004.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencida a relatora, que não reconhecia a isenção requerida, a qual foi reconhecida a partir de 31/03/2010. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Junior.
João Bellini Júnior- Presidente e redator designado.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Andrea Brose Adolfo (suplente), Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Ivacir Júlio de Souza, Nathália Correia Pompeu (suplente), e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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CÂNCER EM REMISSÃO. TERMO INICIAL PARA A CARACTERIZAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE. Para fins de aplicação da norma isentiva relativa aos proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, percebidos por portador de moléstia grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada (Súmula CARF 43), considerase termo inicial do câncer a sua primeira manifestação. IMPOSTO DEVIDO. PAGAMENTO. ESPONTANEIDADE. Configura denúncia espontânea o pagamento do imposto devido, antes do início do procedimento fiscal, quando evidente sua relação com a infração objeto da notificação de lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencida a relatora, que não reconhecia a isenção requerida, a qual foi reconhecida a partir de 31/03/2010. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Junior. João Bellini Júnior Presidente e redator designado. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Andrea Brose Adolfo (suplente), Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 52 05 /2 01 3- 95 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Reis, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Ivacir Júlio de Souza, Nathália Correia Pompeu (suplente), e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário, f. 112124, interposto em 19/03/2014, contra o Acórdão nº 0828.470, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, f. 91100, cientificado ao contribuinte em 19/03/2014, conforme extrato do processo à f. 128, que julgou improcedente a impugnação à Notificação de Lançamento n° 2011/790584584081417, f. 59. A exigência decorre de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2011, no valor de R$ 9.862,58, com acréscimo de multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão de terem sido omitidos rendimentos no montante de R$ 337.006,90. O impugnante insurgiuse contra o lançamento com o argumento de ser portador de doença grave prevista no inc. XIV, art. 6°, da Lei 7.713, de 1988, desde 27/10/1997, ser militar transferido para a reserva remunerada desde 31/03/2010 e isento do imposto de renda desde 14/09/2012, data de sua reforma, razão pela qual, segundo orientação obtida na Receita Federal, retificou a declaração de ajuste, com a finalidade de reaver o imposto que incidiu sobre seus rendimentos. Argumentou também que a isenção seria aplicável aos rendimentos recebidos tanto antes quanto depois de sua reforma. No recurso apresentado, o contribuinte repisa os fatos e a legislação que rege a matéria, afirma que, anteriormente à retificação da declaração de ajuste, os rendimentos foram declarados e o imposto apurado na declaração de ajuste original foi recolhido, e por isso o lançamento de ofício consiste em bis in idem. Por outro lado, reconhece que faz jus à isenção apenas quanto aos rendimentos de reserva remunerada ou reforma. Por fim, pede que se anule o lançamento e se declare extinto o crédito tributário. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10166.725205/201395 Acórdão n.º 2301004.504 S2C3T1 Fl. 142 3 Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A decisão recorrida considerou improcedente a impugnação, por considerar que, para o exercício 2011, não houve atendimento das condições necessárias para a isenção pretendida. A questão é tratada na Súmula CARF n° 43 (Portaria MF n° 383 DOU de 14/07/2010), abaixo transcrita: Súmula CARF n ° 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Nos autos está comprovado que o contribuinte foi transferido para a reserva remunerada a partir de 30/03/2010, documento de f. 2425. Entretanto, como se expõe a seguir, a doença que daria causa à isenção foi diagnosticada posteriormente ao anocalendário 2010, razão pela qual os rendimentos auferidos nesse período não são abrangidos pela isenção pretendida. O documento expedido pelo serviço médico do Exército, trazido com a finalidade de comprovar a moléstia grave, é o parecer técnico de f. 30, que reproduz informações do relatório médico e ata de inspeção de saúde que o antecedem. O parecer técnico é datado de 04/12/2012, e também foi trazido documento denominado “Nota nº 134 – Ssec Sect/SIP/EM”, que concede isenção de imposto de renda ao contribuinte a partir de 14/09/2012, f 34. Consta do referido parecer o seguinte diagnóstico, f. 30: “C182 Neoplasia maligna do cólon ascendente (...) ausência adquirida de outras partes do tubo digestivo (Colectomia transversa em 1997 (...)” E do relatório médico, f. 28: “Paciente com diagnóstico de adenocarcinoma de cólon transverso em 1997, realizou ressecção cirúrgica no mesmo ano, Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 com diagnóstico histopatológico de adenocarcinoma bem diferenciado (...) Em 2012 foi evidenciada outra lesão em ceco (...) com diagnóstico histopatológico de adenocarcinoma moderadamente diferenciado (...) Foi realizada avaliação genética da última peça cirúrgica (cólon direito), sendo identificadas alterações em genes de reparo do DNA (...), o que predispõe o paciente a formação de alterações neoplásicas do cólon. (...)” Dos trechos transcritos, é de se concluir que o acometimento de 1997 foi submetido a tratamento bem sucedido, que curou o paciente, até que posteriormente, já em 2012, foi detectada outra lesão, consequencia da predisposição genética mencionada no relatório médico. Esta nova ocorrência é a que deu causa à reforma do contribuinte e à cessação da retenção do imposto pela fonte pagadora, a partir de 14/09/2012. Devese notar a existência de um atestado médico particular à f. 29, que não se confunde com o laudo médico do serviço médico do poder público, necessário para comprovar a moléstia, conforme sumulado por este Conselho: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por essas razões, os rendimentos do anocalendário 2010, de que aqui se trata, ainda que decorrentes de reserva remunerada ou reforma, não são abrangidos pela isenção pretendida. Resta analisar as afirmações de que os rendimentos foram declarados e que o imposto apurado na declaração de ajuste foi pago, razão pela qual a exigência combatida constituiria bis in idem. Da narrativa do contribuinte, concluise que a notificação de lançamento decorreu da declaração retificadora que apresentou, a qual reduziu a zero os rendimentos anteriormente declarados, mas que o imposto apurado na declaração original foi recolhido tempestivamente. Nestas circunstâncias, pelo menos parte do imposto exigido foi recolhido espontaneamente, antes do lançamento ou mesmo do início de qualquer procedimento de ofício, o que afasta a incidência da penalidade sobre o valor efetivamente recolhido, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10166.725205/201395 Acórdão n.º 2301004.504 S2C3T1 Fl. 143 5 Nesse sentido, dentre outros, o Acórdão n° 2801003.130, de 18/07/2013, da 1ª Turma Especial, da Segunda Seção de Julgamento: IMPOSTO DEVIDO. PAGAMENTO. ESPONTANEIDADE. O pagamento do imposto devido, acrescido dos juros de mora, realizado antes do início do procedimento fiscal e no exato valor apurado pela fiscalização, quando é evidente sua relação com a infração objeto da notificação de lançamento, configura denúncia espontânea, afastando a imposição da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Com base no exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, cancelando a exigência da multa de oficio de 75%, incidente sobre os recolhimentos espontâneos do imposto do exercício 2011. Compete à unidade da Receita Federal, sob cuja circunscrição se encontre o contribuinte, alocar os pagamentos das quotas do imposto do exercício 2011 recolhidas espontaneamente, excluída a exigência da multa de ofício a elas correspondente, e prosseguir na cobrança da exigência remanescente. Luciana de Souza Espíndola Reis Voto Vencedor Conselheiro João Bellini No que pese as argutas considerações de minha colega, ouso divergir, data maxima venia, tão somente quanto ao termo inicial em que foi evidenciada patologia que dá direito à isenção reclamada pelo contendor. Ocorre que a eminente relatora entendeu que o episódio de câncer, do qual se tem notícia em 1997, foi tido como curado, e que em 2012 houve nova doença. Penso não ser essa a mais correta interpretação. Ocorre que se o câncer (adenocarcinoma de cólon) tivesse sido curado, não haveria novo quadro do mesmo tumor (adenocarcinoma de cólon) em 2012, desta vez com nítida progressão: em 1997, o adenocarcinoma era bem diferenciado; em 2012, moderadamente diferenciado. Nesses casos, não se fala em cura, mas em remissão, segundo definição do Glossário Temático Controle de Câncer do Ministério da Saúde (http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/glossario_tematico_controle_cancer.pdf): Câncer em remissão, masc. Diminuição ou desaparecimento de sinais ou sintomas de um câncer, comumente após a realização do tratamento proposto. Notas: i) Na remissão parcial, somente alguns sinais e sintomas do câncer desaparecem. ii) Na remissão completa, todos os sinais e sintomas do câncer desaparecem, embora alguma lesão ainda possa permanecer no organismo, e o paciente não possa ser Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 considerado curado. iii) Em casos raros, a remissão pode ser espontânea, sem que se tenha realizado qualquer tratamento. iv) Também denominado doença em remissão. Assim, entendo que, no caso concreto, o termo inicial do adenacarcinoma é 1997. Considerando que não há dúvidas de que o recorrente é portador de moléstia grave para fins da isenção do IRPF, e que foi transferido para a reserva remunerada a partir de 30/03/2010, é a partir desta data que passou a ter direito à isenção do IRPF. Voto, assim, pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reconhecer o direito à isenção do IRPF a partir de 30/03/2010. João Bellini Júnior – Redator designado Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 11052.000418/2010-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
CONHECIMENTO. PRESSUPOSTOS.
Não deve ser conhecido recurso especial quando o paradigma validamente apresentado não guardar similitude fática com a matéria discutida no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-002.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez. A Conselheira Cristiane Silva Costa apresentará Declaração de Votos.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
(Assinado digitalmente)
EDITADO EM: 23/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ (Vice-Presidente), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CONHECIMENTO. PRESSUPOSTOS. Não deve ser conhecido recurso especial quando o paradigma validamente apresentado não guardar similitude fática com a matéria discutida no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez. A Conselheira Cristiane Silva Costa apresentará Declaração de Votos. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ (VicePresidente), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 04 18 /2 01 0- 16 Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.134 2 GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada). Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo a parte inicial da decisão recorrida: Tratase o presente processo de Autos de Infração referentes ao IRPJ e CSLL lavrados em decorrência da não adição do valor de R$ 5.572.476.959,94 ao lucro líquido do período de 2008, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Segundo o Termo de Constatação (proc. fls. 272 a 286), “parte integrante e inseparável” dos Autos de Infração, a contribuinte efetuou o aporte de recursos à PETROS (Fundação Petrobrás de Seguridade Social), entidade fechada de previdência complementar, que administra o Plano Petros do Sistema Petrobrás. O procedimento fiscal “avaliou a decisão da Petrobrás, sob a ótica de interesse fiscal, classificandoa como mera liberalidade, uma dedução não compulsória, implicando, portanto, na indedutibilidade da referida despesa, vez que não atenderia, entre outros, aos requisitos previstos na legislação, em especial, o inciso V do art. 13 da Lei nº 9.249/95”. Ainda em sua fundamentação, a autoridade fazendária acrescentou que “apenas para exercício de raciocínio, convém ressaltar que, mesmo que as despesas ora glosadas como não compulsórias fossem ‘necessárias’, como quer a Empresa, estariam sujeitas ao LIMITE de 20% conforme art. 11, parágrafos 2º e 3º, da Lei 9.532/97. Ou seja, o valor mínimo, a título de adição ao Lucro Real, de R$ 5.088.057.869,28 (cinco bilhões oitenta e oito milhões cinquenta e sete mil oitocentos e sessenta e nove reais e vinte e oito centavos) não foi observado pela empresa”. Entendeu o auditorfiscal que as despesas operacionais da interessada devem estar relacionadas às atividades constantes de seu objeto social. E, no que tange às convenções particulares, estas “não têm o poder de alterar a legislação tributária, para determinar a legalidade de deduções, na apuração da base de cálculo de tributo, que não são permitidas por lei, de modo que o pactuado entre a Petrobrás e a Petros e os valores repassados pela primeira à segunda não podem ser deduzidos da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por falta de previsão legal para tal”. Asseverou o Fisco que “a Petros é uma entidade multipatrocinada que administra planos para diferentes patrocinadores e instituidores de todo o Brasil. A Fundação foi inicialmente criada para administrar o fundo de pensão dos funcionários do Sistema Petrobrás. O primeiro plano efetivamente criado para atender esse grupo foi o Plano PETROS. Contudo, consoante, o disposto no item b.1 da Cláusula Primeira do Acordo de Participações [rectius Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.135 3 Obrigações] Recíprocas, firmado em 31/05/2006, entre a PETROS, a Petrobrás e demais patrocinadoras, ‘a utilização de novas tábuas biométricas, mais aderentes à massa de participantes e assistidos (inclusive pensionistas), revelou um incremento obrigacional do plano Petros com o grupo de participantes admitidos pela Petrobrás antes da instituição do Plano Petros do Sistema Petrobrás (denominado Grupo PRÉ 1970) superior ao aporte realizado pela Petrobrás, a esse título, em 31/12/2001’”. Constou ainda que, pelos termos do acordo firmado, “a Petrobrás pagará as dívidas da Petros referentes ao Grupo Pré70, à correção das pensões e à implantação do FAT/FC” (índices de reajuste e correção), efetuando o “saneamento estrutural do Plano Petros, de forma que não há relação alguma com o desenvolvimento das atividades empresariais da Petrobrás e, assim sendo, esses valores (PRÉ70) NÃO podem ser considerados como uma despesa operacional, como fez a Petrobrás”. A autoridade lançadora concluiu que “a Petrobrás realizou aporte financeiro à Petros, no valor de R$ 5.572.476.959,94 (cinco bilhões quinhentos e setenta e dois milhões quatrocentos e setenta e seis mil novecentos e cinquenta e nove reais e noventa e quatro centavos), a fim de que tal verba fosse repassada aos ex empregados e aos dependentes de exempregados. Portanto, tratase de um incentivo financeiro com o objetivo de beneficiar aos assistidos, e não aos empregados da Petrobrás. Esse valor provisionado, a Petrobrás computou no resultado do anocalendário de 2008, como despesas operacionais, o que não procede, haja vista que se trata de mera liberalidade, um incentivo pecuniário, uma dedução não compulsória”. Ainda asseverou que, mesmo que toda a despesa fosse operacional, o valor deveria, obrigatoriamente, estar adicionado ao Lucro Real (Lei nº 9.532/97). Em 03/09/2010, a Petrobrás apresentou Impugnação (proc. fls. 318 a 455). De início, esclareceu que o Plano Petros foi fechado para ingresso de novos participantes, em 09/08/2002, e, a partir dessa data, começou a estudar alternativas para adequar o seu modelo de previdência complementar à lei. Em 31/05/2006, a Petrobrás, em conjunto com outras empresas, firmou o Acordo de Obrigações Recíprocas — ACORDO — AOR com a Petros e com as entidades representativas dos empregados da categoria “com o objetivo de repactuar o Regulamento do Plano Petros e equacionar diversas questões a ele atinentes”. Apenas em fevereiro de 2007, quando 73% do total de participantes e assistidos ratificaram a Repactuação, é que foi possível o lançamento do Plano Petros 2. Frisou que tal repactuação acarretou na alteração do Regulamento do Plano Petros, sendo este aprovado pelo Departamento de Análise Técnica (Órgão público federal regulador e fiscalizador, vinculado ao Ministério Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.136 4 da Previdência Social), por meio da Portaria nº 2.123/2008, publicada no DOU em 24/11/2008. Segundo relatou a contribuinte, a Justiça Estadual Fluminense, em 25/08/2008, nos autos da Ação Civil Pública (nº 2001.001.0966640), homologou o Termo de Transação do Acordo de Obrigações Recíprocas — AOR. A Impugnante afirmou que, em 23/10/2008, foi assinado o Termo de Compromisso Financeiro, que propiciou o aporte de R$ 5,7 bilhões, pelas patrocinadoras — todas do Sistema Petrobrás, não havendo quaisquer outras empresas nesse rol, para o Plano Petros. Tal montante foi então registrado na conta contábil “outras despesas operacionais”, sob o entendimento de que são despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. Alegou que, ao classificar a despesa como operacional, observou todos os requisitos previstos na legislação do IRPJ, quais sejam: registro contábil da despesa como “despesa operacional”, e não como “custo operacional”, ausência de liberalidade na feitura da despesa, e necessidade da mesma. A interessada entendeu que inexistiu liberalidade por “absoluta ausência de espontaneidade e de gratuidade ao aporte realizado”, uma vez que “as despesas foram assumidas pela Impugnante em decorrência da pressão exercida pela categoria dos petroleiros, por meio de seus representantes, e de contingências trabalhistas, que exigiam, dentre outras reivindicações, o ingresso dos empregados novos no Plano Petros”. Tal pressão se deu inclusive por meio da propositura da Ação Civil Pública mencionada, que desencadeou a celebração de Termo de Transação, homologado em juízo. Argumentou ainda que a Lei Complementar nº 109/01 impõe que os planos de previdência complementar sejam solventes, líquidos e que possuam equilíbrio econômicofinanceiro e atuarial, o que seria mais um motivo para afastar a suposta liberalidade. Além disso, o mesmo diploma normativo exige que seja oferecido plano de previdência complementar a todos os empregados, e que, como já mencionado, os empregados contratados a partir de 2002 não possuíam plano de previdência complementar. Ainda quanto à ausência de liberalidade, a Postulante alegou que, caso mantidas as regras existentes antes da realização do ACORDO — AOR, haveria risco de, no futuro, ser gerado déficit e, consequentemente, ser instada a arcar com valores consideráveis para assegurar os benefícios constantes do Plano, fato que impactaria sua capacidade de produzir riqueza. Atinente à necessidade da despesa para a atividade da empresa e manutenção da respectiva fonte produtora, relatou que os empregados contratados após o fechamento do Plano Petros, em 09/08/2002, o equivalente a 40% quando da Repactuação do Plano Petros, exigiam um Plano de Previdência Complementar, criandose um risco concreto de paralisações e greves. Desta Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.137 5 forma, concluiu que a assunção das despesas não correspondeu a ato gratuito, liberal e sem qualquer proveito para a Impugnante. Em suas razões, a Postulante repisou o argumento de que as verbas assumidas em decorrência do Acordo — AOR e repassadas ao Plano Petros não correspondem a contribuições para plano de previdência complementar. Em menção ao Parecer elaborado pelo exMinistro Edson Vidigal, e acostado a estes autos às fls. 398 a 424, a Postulante asseverou que as despesas assumidas não se caracterizam como contribuição a plano de previdência complementar, mas sim direito adquirido, resultante de transação recíproca e vantajosa, homologada judicialmente. Portanto, despesa necessária passível de dedução. No que se refere à aplicação do art. 11, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.532/97, cumulado com o art. 13, V, da Lei nº 9.249/95, que estipulam o limite de 20% para a dedução de despesa operacional relativa à contribuição para plano de previdência complementar, a interessada, de início, afirmou que o aporte não possui natureza de contribuição a plano de previdência e, se assim fosse, os participantes do Plano Petros teriam sido instados a realizar despesas proporcionalmente às suas contribuições, de conformidade com o art. 21 da Lei Complementar nº 109/01. Por derradeiro, mencionou a decisão administrativa exarada pela 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro, em 20/07/2009, nos autos do proc. nº 12897.000088/200948. Nesses autos, a lide versa sobre a dedutibilidade dos pagamentos realizados aos ex empregados a título de incentivo à adesão para a repactuação do Plano Petros. Decidiuse que o pagamento efetuado era operacional, por ser necessário, normal ou usual e, portanto, dedutível na determinação do lucro real, sendo considerado despesa paga ou incorrida para a realização das transações ou operações exigidas pelas atividades da Petrobrás. Entendeu a Postulante que a operação discutida no processo supracitado está intimamente vinculada à que se discute nestes autos, na medida em que ambas foram realizadas no intuito de reestruturar o Plano Petros, sendo as respectivas obrigações assumidas no mesmo Acordo — AOR. A 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro exarou Acórdão em 28/10/2010 (proc. fls. 458 a 468), por meio do qual, por maioria de votos, deu parcial provimento à Impugnação apresentada, reduzindo a exigência de IRPJ e CSLL. O voto vencido, sucintamente, reputa a despesa como operacional, rejeitando a glosa efetuada. Entendeu a autoridade julgadora que a despesa em questão é normal e necessária à atividade da interessada, “porquanto o seu pagamento teve o objetivo único de incentivar uma repactuação que equacionou questões previdenciárias, visou impedir o surgimento de déficit Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.138 6 do plano de previdência e preveniu riscos de greves e de demandas judiciais que lhe seriam prejudiciais”. Quanto à limitação estabelecida no art. 13, V, da Lei nº 9.249/95 c/c art. 11, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.532/97, escusouse de comentários, sob o argumento de que o “tema foi levantado no Auto de Infração ‘apenas a título de exercício de raciocínio’”, conforme enfatizou o autuante. Entendeu que o Auto de Infração é um documento que deve conter estritamente a descrição precisa do fato que contraria a legislação tributária e os demais requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Além disso, relatou que a despesa incorrida não se reveste das características de contribuição para plano de previdência complementar (periodicidade, proporcionalidade e paralelismo). Dessa forma, a dedução da despesa não estaria sujeita a limite. Segundo o voto vencedor, dois foram os motivos que levaram a fiscalização a glosar a dedução efetuada atinente ao valor repassado à Fundação Petros: “i) por não se tratar de uma despesa operacional, mas sim de uma liberalidade, já que não era necessária nem usual para as atividades desenvolvidas pela interessada, com base no artigo 299 do RIR/99; e ii) por exceder ao limite de 20% do total da remuneração dos empregados e dirigentes, com base no artigo 13, inciso V, da Lei nº 9.249/95, combinado com o artigo 11, parágrafos 2º e 3º, da Lei nº 9.532/97”. A Turma entendeu que o montante repassado referese a “pagamento destinado a custear plano de benefício complementar assemelhado aos da previdência social, instituído em favor dos empregados da interessada, independentemente da discussão sobre a sua necessidade, a despesa tem sua dedutibilidade sujeita à regra estabelecida no parágrafo 2º do artigo 11 da Lei nº 9.532/97”. Em conclusão, entendeu acertada a glosa do montante que excedeu o limite de 20%, “independentemente da época em que os beneficiários do plano foram empregados da empresa, até porque o principal benefício é usufruído após a aposentadoria”. Cientificada em 16/11/2010, a Postulante interpôs Recurso Voluntário, em 26/11/2010 (proc. fls. 475 a 505). Em suas razões, se valeu dos mesmos argumentos esposados quando da Impugnação, quais sejam: a despesa é dedutível, posto tratarse de despesa operacional necessária à manutenção da atividade e da fonte produtora; não enquadramento como contribuição para plano de previdência complementar; não aplicação do limite de 20%, previsto no art. 11, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.532/97, e o conteúdo da decisão administrativa proferida nos autos do proc. nº 12897.000088/200948. Complementou sua manifestação, ao asseverar que a contribuição para plano de previdência fechada destinase ao pagamento de benefício previdenciário, objetivo jamais perseguido com a assunção das despesas decorrentes do Acordo AOR. Além disso, a Petrobrás é integrante da Administração Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.139 7 Pública indireta, e sua participação no custeio dos planos de benefícios está limitada ao valor da contribuição vertida pelo participante, conforme dispõe o próprio texto constitucional (art. 202, § 3º). Por não se tratar de contribuição para plano de previdência e, portanto, não possuir as características da proporcionalidade, do paralelismo e da periodicidade, nada obsta a dedução da despesa em questionamento. As razões de Recurso de Ofício e Contrarrazões ao Recurso Voluntário foram apresentadas em 25/04/2011, em peça única (proc. fls. 534 a 555). De início, a Fazenda Nacional afirmou que o aporte realizado não pode ser caracterizado como despesa operacional, uma vez que, conforme dispõe o próprio Acordo — AOR, o repasse financeiro realizado teve a finalidade de prover os recursos financeiros necessários para a execução dos pagamentos que venham a ser feitos aos partícipes assistidos vinculados ao Plano Petros, ou seja, exempregados e pensionistas. Asseverou que a Fundação Petros é pessoa jurídica de direito privado, com autonomia administrativa e financeira. Destarte, “qualquer processo de renegociação do Plano Petros de previdência complementar que tivesse como objetivo o equilíbrio financeiro e a sustentabilidade do mesmo, por óbvio, seria uma necessidade e um interesse da própria Petros, e não da Petrobrás, pelo menos não diretamente. O fato de a Petrobrás ter realizado o aporte de recursos necessários para o adimplemento de obrigações pela Petros não transforma o valor repassado em despesa operacional da Autuada. A Petrobrás assim o fez por entender ser esta a melhor opção, dadas as circunstâncias em que se encontravam as negociações para saneamento do Plano, apesar de não constituir sua obrigação.” Argumentou que, para que o gasto operacional fosse considerado dedutível seria necessário a sua ocorrência, a sua necessidade e utilidade para a manutenção da atividade da empresa e, além disso, que fosse normal e usual ou relacionado com a atividade explorada. Por fim, o gasto deveria ser adequadamente comprovado. Dessa forma, entendeu que a repactuação do plano de previdência em nada se relaciona com o objeto social da Petrobrás, qual seja, a pesquisa, lavra, refinação, processamento, comércio e transporte de petróleo, de seus derivados, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos. Questionou o motivo do déficit no fundo de previdência e, com fundamento na Lei Complementar 108/2001, afirmou que “este aporte integral e sem contrapartida não consistia, sequer, obrigação da autuada enquanto Patrocinadora da Petros” e, desta forma, não há que se falar em despesa operacional e necessária às atividades da empresa. Colacionou o art. 29 da Resolução MPS/CGPC nº 26/2008, que veda o equacionamento integral do resultado deficitário do plano de previdência sujeito ao regramento da Lei Complementar 108/01. Desta feita, mais uma vez frisou que o Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.140 8 aporte realizado consiste em despesa assumida voluntariamente pela Petrobrás, caso contrário sequer poderia ter sido realizado. Ainda quanto à espontaneidade do aporte realizado, a Fazenda Nacional asseverou que este foi efetuado em razão de um acordo homologado judicialmente, não havendo qualquer outro fundamento passível de lastrear o entendimento da empresa quanto a sua compulsoriedade. “Meras conjecturas, como receio de greve, receio de posterior responsabilização, entre outros, não possuem o condão de desnaturar o fato de que a Petrobrás, por livre e espontânea vontade, celebrou o Acordo AOR onde ficou instituído o repasse em comento”. Trouxe à baila ainda o argumento de que, caso o aporte fosse deduzido da apuração do lucro líquido, por constituir verba estranha ao objeto social da empresa, estarseia diante de dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei, conduta vedada pelo art. 111 do Código Tributário Nacional. Em caráter subsidiário, a PFN alegou a aplicação do limite de dedução de 20% previsto no art. 11, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.532/97 c/c art. 13, V, da Lei nº 9.249/95. Entendeu que os benefícios a serem custeados pela Petrobrás constituem benefícios assemelhados aos da previdência social, uma vez que o repasse teve como escopo exatamente custear o pagamento de benefícios pela Petros. Segundo os preceitos normativos retro citados, só são indedutíveis as contribuições não compulsórias, exceto benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica. Ocorre que o repasse feito pela empresa teve a finalidade de prover os recursos financeiros necessários para a execução dos pagamentos que venham a ser feitos aos partícipes assistidos vinculados ao Plano Petros, ou seja, exempregados e pensionistas, portanto, tal previsão legal não se amolda ao caso em tela. Destarte, “a permissão de dedutibilidade de contribuição destinada a custear benefícios complementares assemelhados aos da previdência social se refere somente às contribuições feitas em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica, devendo, para estes, ser observada inclusive a limitação de 20%”. Por derradeiro, no tocante à decisão pela DRJ proferida nos autos do proc. nº 12897.000088/200948, favorável ao contribuinte, a Fazenda Nacional esclareceu que tal decisão já foi reformada pelo CARF, por meio do Acórdão nº 1102 000.355, que deu provimento ao Recurso de Ofício interposto. Justificou a não juntada aos autos do conteúdo de tal decisão devido à sua não formalização até aquele momento. Apreciando os recursos de ofício e voluntário, o Colegiado da 1ª TO da 1ª C. da 1ª seção do CARF, proferiu o Acórdão n. 1101000.797, em 11/09/2012, no sentido de, por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade do lançamento, por voto de qualidade, foi rejeitada a arguição de nulidade da decisão de la instância; por voto de qualidade, foi negado provimento ao Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.141 9 recurso voluntário, e por voto de qualidade, foi DADO PROVIMENTO ao recurso de oficio, sendo a seguinte a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE TIPIFICAÇÃO CERRADA. CERCEAMENTO DE DEFESA. 0 Auto de Infração, que constitui espécie de lançamento tributário, deve ser elaborado de forma certa não podendo constar disposições legais contraditórias ou em colisão sob hipótese de se caracterizar cerceamento de defesa e consequente nulidade do lançamento efetuado. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO REALIZADO POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. A decisão da DRJ que contraria a fundamentação legal que embasou o lançamento e, no entanto, mantém o crédito tributário contra o mesmo sujeito passivo, caracterizase como verdadeira mudança de critério jurídico, em afronta ao disposto no art. 146 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPESAS OPERACIONAIS DEDUTÍVEIS. São consideradas dedutiveis para efeito de determinação do lucro tributável, as despesas operacionais efetivamente suportadas pela pessoa jurídica, caracterizandose como necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. 0 decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável ao Auto de Infração reflexo em face da relação de causa e efeito entre eles existente. Consta da fundamentação do voto vencedor (destaque do original): Quanto a esta questão (dedutibilidade ou indedutibilidade do pagamento), entendo que a fiscalização está com a razão, pelos motivos que apresentou e que foram bem encampados pela PFN. Resumidamente, os argumentos são os seguintes: 1) o equilíbrio do plano é de interesse direto da Petros, e não da Petrobrás; 2) a repactuação do plano de previdência em nada se relaciona com o objeto social da Petrobrás, qual seja, a pesquisa, lavra, refinação, processamento, comércio e transporte de petróleo, de Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.142 10 seus derivados, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos; 3) o aporte, sem contrapartida, não é obrigação da Petrobrás, mas mera liberalidade, assumida voluntariamente; 4) conjecturas de temor de greve não tornam o aporte obrigatório e nem necessário às atividades da empresa; 5) a contribuição decorreu de acordo firmado voluntariamente; 6) a contribuição foi voluntária, e não se trata de aporte para plano de previdência de empregados. Assim, o pagamento é indedutível, quer por não ter sido um gasto necessário para as finalidades da empresa (art. 299 do RIR/1999), quer por ter sido uma contribuição voluntária destinada a beneficiar exempregados (inciso V do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995). Ou seja, as duas normas que vedam a dedução de tal dispêndio (tal como apontado pela fiscalização). Uma, porque tratase de um gasto não necessário para as atividades da empresa, e a outra porque veda objetivamente a dedução de contribuições voluntárias para beneficiar ex empregados. Inconformada, o contribuinte apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese: I – da impossibilidade de alteração do critério jurídico; II – da relevação da vedação à mudança de critério jurídico, por ausência de prejuízo à defesa; e III da dedutibilidade das despesas com o Plano Petros; O recurso foi parcialmente admitido pelo presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, com relação apenas ao item III acima (“da dedutibilidade das despesas com o Plano Petros”). Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Quando da análise de admissibilidade o recurso especial foi conhecido em parte, i.e., das três matérias recorridas somente uma foi conhecida, conforme consta do relatório acima. Contudo, no decorrer das discussões no plenário da 1ª T. da CSRF sobre sua admissibilidade, quando do aprofundamento das discussões, onde outros pontos de vista e outras considerações foram postas, tive que rever minha posição. Isto porque, embora tenha sido o autor do despacho que deu parcial seguimento ao recurso, tive que considerar como procedentes as razões trazidas à baila durante a discussão sobre a admissibilidade do recurso, conforme segue. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.143 11 Primeiramente deve ser alertado que entre os três paradigmas apresentados pelo recorrente para a matéria admitida “da dedutibilidade das despesas com o Plano Petros“, somente os dois primeiros foram objeto de análise (Ac. 10196.956 e 110100.357). Isto porque somente dois paradigmas podem ser apresentados por matéria recorrida. E, caso sejam apresentados mais de dois, os outros restantes não são considerados. Assim, embora o contribuinte tenha trazido três acórdãos (embora um, o terceiro, tenha sido citado no outro, o segundo), somente os dois primeiros, na ordem que foram apresentados devem ser analisados, em termos de similitude fática e legislação tributária controversa. Isto conforme RICARF Anexo II (regimento vigente, Portaria MF 343/2015) preconiza no § 7º do seu art. 67: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. (Destacouse). De lembrar que tal dispositivo também constava do art. 67, § 6º, RICARF Anexo II anterior (Portaria MF 256/2009). Assim, mesmo considerando que o contribuinte tenha apresentado mais um paradigma (o terceiro), regimentalmente só devem ser considerados para efeito de análise os dois primeiros. A segunda consideração diz respeito à impossibilidade de se aceitar como paradigma, para o presente processo, o Ac. 110100.357. Isto porque o ref. Acórdão foi proferido pela 1ª Turma da Câmara da 1ª Seção, ou seja, a mesma Turma que proferiu o ac. Recorrido (n. 1101000.797) e, conforme expressamente dispõe o caput art. 67 do RICARF ANEXO II, reproduzido acima, só é permitido como paradigma acórdão de “outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. Assim, o único paradigma passível de análise é o Ac. 10196.956. Isto posto, voltemos ao acórdão recorrido. Sobre o acórdão recorrido, vejase que, conforme foi lembrado pelo Colegiado, a acusação fiscal é de despesa indedutível por entender tratarse de mera liberalidade (conforme se pode verificar nos autos às efl. 393 e seguintes). Compulsando mais os autos, verificase que por ocasião da apresentação do trabalho, a Fiscalização destacou: “O presente procedimento fiscal avaliou a decisão da Petrobrás, sob a ótica de interesse fiscal, classificandoa como mera liberalidade, uma dedução não compulsória, implicando, portanto, na indedutibilidade da referida despesa, vez que não atenderia entre outros aos requisitos previstos na legislação, em especial o inciso V do art. 13 da Lei n° 9.249/95". Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.144 12 Seguindo esta linha acusatória a Fiscalização descreveu todo o procedimento fiscal, todas as respostas às intimações, e, voltando novamente o teor dos autos, pela Tabela Despesas Não Compulsórias – Tabela AI, a Fiscalização somoiu as três despesas sob a rubrica AOR (que se referem ao Acordo de Obrigações Recíprocas, celebrado entre a Petrobrás e outras empresas, com a Petros, sob a modalidade de Pré70, PATFC e Pensões). Esses valores somados totalizam R$ 5.572.476.959,94 e expressamente informam na planilha que este é o valor do auto de infração. Podese concluir, portanto que a motivação para a Fiscalização foi de despesa não necessária, porque as despesas não guardariam relação com o objeto social da Petrobrás; porque a homologação judicial de um acordo não tem o condão de tornar dedutível despesa considerada desnecessária à manutenção da fonte produtora; e que, na verdade a Petrobrás fez um aporte de capital na Petros, por liberalidade, para viabilizar o plano de seguridade social. Na sequência, quando do julgamento, a DRJ entendeu que o montante repassado referese a "pagamento destinado a custear plano de beneficio complementar assemelhado aos da previdência social, instituído em favor dos empregados da interessada, independentemente da discussão sobre a sua necessidade, a despesa tem sua dedutibilidade sujeita a regra estabelecida no parágrafo 2° do artigo 11 da Lei n° 9.532/97", o que resultou em provimento parcial (dando dedutibilidade, mas pela aplicação do limite previsto no art. 11 da Lei n. 9.532/1997), em consequências foram interpostos recursos de ofício e voluntário. O Contribuinte defendeuse no recurso voluntário sustentando que houve uma Ação Civil Pública promovida pela FUP e categoria dos petroleiros e que essa ação mobilizou que se firmasse o tal Acordo de Obrigações Recíprocas – AOR entre a Petrobrás, outras financiadoras, com a Petros. Toda a linha de defesa da recorrente fala sobre o contexto desse acordo. Porém a decisão recorrida não concordou com este argumento e nem foi na linha da DRJ, pois adotou o entendimento da Fiscalização. A relatora do voto vencido caminhava para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, porque entendeu que o lançamento foi feito com duas acusações alternativas. No entanto, o voto vencedor foi no sentido de afastar a nulidade e se alinhar com as razões do lançamento, dando provimento ao recurso de ofício e negando provimento ao voluntário. Assim, o que se tem no presente processo é uma acusação fiscal de despesas não compulsórias e desnecessárias; uma defesa defendendo a despesa como compulsória e expressamente afirmando que não se trata de uma contribuição para Plano de Previdência complementar, e uma decisão recorrida que segue a linha da acusação fiscal (liberalidade, desnecessidade da despesa dos pagamentos a beneficiar exempregados). Por outro lado, o primeiro e único paradigma válido apresentado Ac. nº 10196.056, já demonstra, na própria ementa, que a situação fática nele discutida não é a mesma da tratada no recorrido. Isto porque, no paradigma, se tratou, efetivamente, de despesa destinada a custear benefícios de previdência de empregados da empresa: “Ac. nº 10196.056 Ementa: GLOSA DE DESPESAS — CONTRIBUIÇÕES COM PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA As contribuições destinadas a custear seguros e planos de saúde e benefícios complementares aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica, são encargos dedutíveis.” Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.145 13 Nesta linha, nas discussões em plenário foi salientado que no paradigma a autuação foi por glosa de despesa com previdência privada e o lançamento nesta parte foi feito porque o contribuinte não apresentou a lista dos reais beneficiários dos gastos com a previdência privada (na parte comprovada não houve glosa). O contribuinte alegou que essas despesas seriam dedutíveis e as comprovou na impugnação, ao que a Turma do CARF referendou: de acordo com o art. 13, inciso V, da Lei 9.249/95, que as contribuições destinadas a custear seguros e planos de saúde e benefícios complementares aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica, são encargos dedutíveis e entendeu que os documentos acostados eram suficientes para demonstrar a despesa (o que a decisão recorrida de 1ª instância não havia admitido). Ou seja, naquele caso discutiuse quais documentos seriam adequados para comprovar as despesas dedutíveis com programa de previdência dos empregados (também não havia exempregados relacionados aos pagamentos). Em outras palavras, a discussão no paradigma gira em torno da existência efetiva ou não das despesas (comprovação documental – matéria fática), e não alcance do art. V do art. 13 da Lei nº 9.249/1995, da adequação legal ao art. 299 do RIR/1999 (ou seu correspondente no RIR/1994 – art. 242, vigente à época dos fatos geradores daquele processo), ou o ou ainda do artigo 11 da Lei n° 9.532/97. Assim restou entendido que enquanto a matéria da discórdia no recorrido é justamente a extensão do alcance do art. V do art. 13 da Lei nº 9.249/1995 e da adequação dessas despesas ao art. 299 do RIR/1999 ou ao art. 11da Lei n° 9.532/97, aos pagamentos relacionados à previdência de exempregados no âmbito de um acordo decorrente de uma Ação Civil Pública, a matéria tratada no paradigma é bem outra (mera questão de prova, i.e., se houve ou não efetivamente a despesa alegada pelo contribuinte). O que leva à conclusão inevitável de que, em que pese parte da legislação citada em ambos os acórdãos ter sido a mesma (art. V do art. 13 da Lei nº 9.249/1995), as premissas fáticas do acórdão recorrido e do paradigma aceitável, suscetíveis de ensejar a divergência jurisprudencial, não são as mesmas. Há que se concordar que os argumentos acima, trazidos à baila na sessão, são incontornáveis e, por conseguinte, não vejo como reconhecer a divergência necessária a embasar o especial. Assim, revejo meu posicionamento anterior e voto pelo não conhecimento do recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Declaração de Voto Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.146 14 (Seguem as declarações de voto apresentadas ao Relator, para compor o Acórdão, no prazo regimental). Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relativamente ao Acórdão nº 10196.056, apontado como paradigma, fazse necessário o seu exame, para fins de verificação da possibilidade da configuração de dissídio jurisprudencial. Confirase a parte dispositiva do mencionado acórdão: "ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: 1) restabelecer a dedutibilidade, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSL, das despesas com previdência privada dos diretores e; 2) restabelecer a dedutibilidade, na apuração da base de cálculo da CSL, das despesas de aluguéis com diretores, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." Do resultado do julgamento, verificase que a lide tratava apenas da dedutibilidade da previdência privada dos diretores, não alcançando os exempregados ou empregados (não houve lançamento relativo aos empregados, a autoridade fiscal acatou o que foi apresentado por aquela empresa durante a fiscalização). Não se discutia, naquele julgado, quanto a extensão do inciso V do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, a exempregados. "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; (...)" Sejam os seguintes trechos do voto condutor do Acórdão nº 10196.056, que podem esclarecer ainda mais o que era objeto de julgamento naquela sessão: "Em 31 de outubro a fiscalização intimou a empresa a comprovar os reais beneficiários dos seguintes gastos com previdência privada, pagos à CCF Seguros S/A, anexando as respectivas apólices completas: (...) Nessa mesma data a empresa foi intimada a comprovar os reais beneficiários dos gastos com previdência privada, pagos à CCF Seguros S/A, anexando as respectivas apólices completas, relativos ao valor de R$232.122,30, contabilizados na conta 3.4513.0001. A empresa anexou a listagem dos empregados, beneficiários dos gastos que compõem o valor de R$232.122,30. A fiscalização glosou apenas a importância de R$ 244.334,91, para a qual nada foi juntado, acatando a despesa de R$232.122,30. De acordo com o art. 13 , inciso V, da Lei 9.249/95, as contribuições destinadas a custear seguros e planos de saúde e benefícios complementares aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica, são encargos dedutíveis. Com a impugnação a empresa juntou cópia do contrato firmado com a CCF, de adesão ao Plano de Previdência Privada, cuja cláusula Primeira define como participantes as pessoas que mantenham com a Instituidora vínculo empregatício ou de administração. A decisão de primeira instância julgou insuficiente o contrato anexado, por estar desacompanhado de qualquer relação emitida pela CCF Brasil Seguros S.A. em que constassem os nomes dos membros da Diretoria (Presidência Geral) e dos empregados ou Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.000418/201016 Acórdão n.º 9101002.246 CSRFT1 Fl. 1.147 15 qualquer outro documento que comprovasse serem eles os beneficiários do plano de previdência, bem como os valores a titulo de previdência privada, com vistas à aferição dos limites impostos pelo dispositivo legal retro mencionado. Esse não me parece ser motivo suficientemente forte para glosar as despesas. Vejase que também para os gastos com a previdência privada dos empregados não foi juntado nenhum documento, emitido pela CCF, que comprovasse quem eram os beneficiários (há uma relação às fls. 212/213 produzida pela empresa). Mesmo assim, a fiscalização não os glosou. Por outro lado, o inciso V do art. 13 da Lei 9.249/95 não impõe qualquer limite para a dedutibilidade, bastando que sejam contribuições destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica. Estando as despesas documentalmente provadas, tendo sido, inclusive, indicado pelo auditor fiscal o respectivo documento de pagamento, e constando dos autos o contrato firmado com a CCF, de adesão ao Plano de Previdência Privada instituído em favor dos empregados e dirigentes da recorrente, entendo deva ser restabelecida a dedutibilidade da despesas." Da leitura dos mencionados trechos, verificase que o que estava em discussão era a comprovação das despesas, a fiscalização glosou os gastos com previdência por ausência de documentos, o contribuinte apresenta alguns na impugnação, a decisão de primeira instância não os admitiu como suficientes e a decisão de segunda instância (acórdão indicado como paradigma) considerou os documentos apresentados como hábeis para provar as despesas. Portanto, naquela assentada, apenas se discutiu quais documentos seriam suficientes, ou não, para comprovar as despesas com previdência. Não houve cognição, ainda que mínima, sobre o inciso V do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, muito menos se debateu sobre o alcance deste dispositivo a exempregados. E mais, não houve qualquer apreciação sobre a necessidade ou a desnecessidade da despesa, nos termos do art. 299 do RIR99, que foi a principal discussão do acórdão recorrido. E nem se diga que existe dificuldade para se encontrar paradigma a respeito de (des)necessidade de despesa, pois é tema amplamente debatido no âmbito deste Conselho. Do exposto, verificase que o Acórdão nº 10196.056, não se presta para caracterizar divergência de interpretação da legislação tributária com o acórdão recorrido, requisito imprescindível para o conhecimento do recurso especial. Assim, voto por negar conhecimento ao recurso especial. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10880.997044/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 97 04 4/ 20 11 -0 1 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.997044/201101 Resolução nº 1301000.346 S1C3T1 Fl. 427 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende compensar SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, relativo ao ano calendário de 2006, com débito de sua titularidade. Sirvome de fragmentos do Relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever os fatos e as razões trazidas pela requerente em sede de Manifestação de Inconformidade. [...] Por intermédio do despacho decisório de fl. 02, foi parcialmente reconhecido direito creditório a favor da contribuinte, no valor de R$ 22.754.582,09 e, por conseguinte, homologada parcialmente as compensações declaradas (até) o limite do valor reconhecido, em razão dos seguintes fundamentos: a) em relação ao imposto de renda pago no exterior, não foi comprovado que a empresa tenha apurado imposto devido no período (fl. 6); b) parcela correspondente ao IRRF e/ou a receita correspondente ao valor retido não foi comprovada ou oferecida à tributação (fls. 07/08); e c) parcela de pagamento, correspondente ao período de apuração 31/05/2006, não foi confirmada (fls. 08/09). Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 29/42, na qual alega, em síntese: Alegou o cerceamento do direito defesa da manifestante na exclusão do crédito referente a imposto de renda pago no exterior, pela simples indicação de que “não apurou imposto no período”, e segue afirmando que, no presente caso, este Fisco sequer indicou claramente o elemento fático que embasou o não reconhecimento dos pagamentos de imposto de renda no exterior para fins de composição do saldo negativo de 1RPJ, limitandose a informar que a Manifestante "não apurou imposto devido no período", não havendo qualquer nexo causal entre este fato e a suposta não existência do crédito da Manifestante relativo ao imposto de renda pago no exterior. Conclui sua argumentação, neste ponto, requerendo seja reconhecido o vício de motivação contido no despacho decisório por ora combatido a fim de cancelálo, em virtude da patente nulidade que ele acarreta, bem como pelo manifesto prejuízo ao exercício do direito de defesa da Manifestante. Com base no CTN, art. 43, §§ 1º e 2º, afirma a expressa possibilidade de tributação pelo imposto de renda no Brasil, de todo e qualquer acréscimo patrimonial com causa geradora no exterior, seja por trabalho lá desenvolvido, seja por capital lá aplicado, ou ainda outro provento de qualquer natureza adquirido fora do território nacional. Logo, o auferimento de rendas, por exemplo, decorrentes da prestação de serviços no Brasil cujo resultado tenha sido verificado no exterior (ou seja, por empresas sediadas no Brasil) encontrase sujeito à tributação pelo imposto de renda aqui no país. É este, pois, o exato cenário das operações de exportação de serviços que originaram o crédito de imposto de renda retido por fonte estrangeira, no importe de R$ 23.250.818,51, declarado pela Manifestante para compor o saldo negativo de IRPJ apresentado para as compensações aqui pretendidas. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.997044/201101 Resolução nº 1301000.346 S1C3T1 Fl. 428 3 Em comprovação a suas afirmações, traz aos autos contratos de prestação de serviço firmados pela Manifestante com as empresas localizadas nos citados países, notas de débito que confirmam o faturamento destas operações bem como notas fiscais de faturamento e contratos de câmbio (documentos 10 a 55). Solicita pedido de dilação de prazo para a apresentação dos documentos indicados no ANEXO citado como o status "a localizar" haja vista que a Manifestante permanece imbuída na tentativa de localizar os demais documentos probatórios. Em relação a glosa de IRRF alega que tais retenções foram de fato realizadas pelas respectivas fontes pagadoras, não podendo ser a Manifestante responsabilizada por eventual não recolhimento das importâncias devidas a este Fisco, conforme restará demonstrado. Nesta linha, pois, temse certo que os artigos 717 e 722 do Regulamento do Imposto de Renda dispõem acerca da responsabilidade pela retenção do imposto e a obrigação de seu recolhimento. Requer que seja deferido prazo adicional para a juntada de todos os informes de rendimento com vistas a confirmar o quanto se alega. Prosseguindose na demonstração da existência integral dos créditos que compuseram o saldo negativo de IRPJ apurado no ano de 2006, é necessário confirmar o pagamento de imposto de renda retido na fonte no importe de R$ 104.285,59 (fonte pagadora CNPJ: 33.479.023/000180) relativo a resultado positivo em operação de swap, tendo em vista que tal resultado positivo foi efetivamente oferecido à tributação. Ora, certo é que este montante foi oferecido à tributação do IRPJ (conforme será adiante demonstrado) e, ainda que admitida a hipótese de não pagamento de IRPJ sobre estes rendimentos — o que se admite apenas para fins de argumentação — ainda assim não seria o caso de não reconhecimento dos créditos do IRFonte, mas sim de cobrança, em apartado, do montante de IRPJ entendido pela Receita como supostamente sonegado. Por fim, a Manifestante vem demonstrar o pagamento de dois DARF's, integrantes do saldo negativo de IRPJ do ano de 2006, relativos ao período de apuração31/05/2006 e que totalizam o montante de R$ 418.957,50 (sendo um DARF de R$ 207.827,56, documento 56, e um DARF de R$ 347.542,49, documento 57). Isto porque, em virtude da impossibilidade sistêmica de apresentação de DCTF retificadora de Maio de 2006, conforme é possível constatar do erro sistêmico documentalmente demonstrado (documento 58), não foi possível indicar tais recolhimentos como integrantes do saldo negativo de IRPJ do ano de 2006, gerando divergência entre a declaração e o PER/DCOMP. No entanto, é certo que os DARF's foram devidamente pagos, conforme resta comprovado pelas guias de recolhimento anexas a estes autos. Desta forma, demonstrado o Direito à restituição integral do saldo negativo de IRPJ apontado pela Manifestante nos PER/DCOMPs em discussão, requerse, desde já, seja retificada de oficio a DCTF referente ao mês de Maio de 2006 a fim de vincular os pagamentos efetuados pela Manifestante para fins de composição desse saldo negativo. ... A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 14 48.900, de 27 de fevereiro de 2014, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.997044/201101 Resolução nº 1301000.346 S1C3T1 Fl. 429 4 O referido julgado restou assim ementado: IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no ano calendário. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte desenvolver plenamente sua defesa. Às fls. 366/372, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 1º de junho de 2015, por meio do qual a contribuinte sustenta ter direito ao crédito do imposto pago no exterior e ao correspondente ao imposto de renda retido na fonte. É o Relatório. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.997044/201101 Resolução nº 1301000.346 S1C3T1 Fl. 430 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende compensar SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, relativo ao ano calendário de 2006, com débito de sua titularidade. Extraio do Despacho Decisório de fls. 02, as seguintes informações: i) o montante do SALDO NEGATIVO DE IRPJ indicado para compensação foi de R$ 46.627.123,12; ii) as parcelas que compuseram o crédito somaram exatamente o montante R$ 46.627.123,12; iii) o crédito de R$ 46.627.123,12 decorreu das seguintes rubricas: IR EXTERIOR..........................................................................................R$ 23.250.818,51 RETENÇÕES NA FONTE.........................................................................R$ 9.828.744,81 PAGAMENTOS........................................................................................R$ 13.547.559,80 iv) das parcelas acima indicadas, foram confirmados os seguintes montantes: IR EXTERIOR..........................................................................................R$ 0,00 RETENÇÕES NA FONTE.......................................................................R$ 9.625.979,79 PAGAMENTOS........................................................................................R$ 13.128.602,30 A Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, como já visto, foi considerada IMPROCEDENTE. Afirma a Recorrente que, "quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, comprovou cabalmente que os valores declarados como recolhidos a título de IR sobre a Renda Variável foram devidamente pagos e oferecidos à tributação". Alega também que, "quando apresentou a sua Manifestação de Inconformidade, colacionou aos autos as (sic) DARFS (Docs. 55 a 57 da Manifestação de Inconformidade) que comprovam o recolhimento dos valores, não restando quaisquer dúvidas quanto à liquidez e certeza dos créditos declarados". Encontramse anexados às fls. 326 e 327 dos autos os documentos de arrecadação referenciados na ANÁLISE DAS PARCELAS DE CRÉDITO (fls. 09), tidos como informados e não localizados, de modo que, por entender necessária a complementação de informações, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade de origem emita pronunciamento acerca dos referidos documentos, especialmente quanto à confirmação dos recolhimentos. “documento assinado digitalmente” Fl. 430DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.997044/201101 Resolução nº 1301000.346 S1C3T1 Fl. 431 6 Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 431DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 16327.720154/2014-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009, 2010
PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS. NATUREZA SALARIAL. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. PRECEDENTE.
No julgamento do processo administrativo nº 16327.720152/2014-93, relativo a este mesmo contribuinte, aos mesmos planos de opções de compra de ações pelos empregados, mediante o Acórdão nº 2202-003.367, esta Turma fixou o entendimento que as vantagens econômicas oferecidas aos empregados na aquisição de lotes de ações da empresa, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuram-se ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando natureza remuneratória.
Decidiu-se ainda que o fato gerador ocorre (aspecto temporal), na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito de compra em relação às ações que lhe foram outorgadas. Não há como atribuir ganho se não demonstrado o efetivo exercício do direito sobre as ações.
E, por fim, que a base de cálculo é uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. O ganho patrimonial, no caso, há que ser apurado na data do exercício das opções e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários.
FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA ISOLADA. LEGALIDADE. BASE DE CÁLCULO. IMPROCEDÊNCIA
A falta de retenção/recolhimento do IRRF a título de antecipação incidente sobre pagamentos efetuados, quando o imposto deve ser retido e antecipado pela pessoa jurídica, fonte pagadora do rendimento, enseja sanção no percentual de 75%, na forma do artigo 9º da Lei 10.426, de 2002 que aponta para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Entretanto, sendo declarada a improcedência do lançamento, em face de vício na indicação da base de cálculo eleita, a multa, que lhe é proporcional, não pode subsistir.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento por vício material, vencida a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada) que cancelou por vício formal. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Junia Roberta Gouveia Sampaio votaram pelas conclusões. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio apresentará declaração de voto.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, a advogada Maria Isabel Tostes da Costa Bueno, OAB/SP nº 115.127.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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NATUREZA SALARIAL. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. PRECEDENTE. No julgamento do processo administrativo nº 16327.720152/201493, relativo a este mesmo contribuinte, aos mesmos planos de opções de compra de ações pelos empregados, mediante o Acórdão nº 2202003.367, esta Turma fixou o entendimento que as vantagens econômicas oferecidas aos empregados na aquisição de lotes de ações da empresa, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando natureza remuneratória. Decidiuse ainda que o fato gerador ocorre (aspecto temporal), na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito de compra em relação às ações que lhe foram outorgadas. Não há como atribuir ganho se não demonstrado o efetivo exercício do direito sobre as ações. E, por fim, que a base de cálculo é uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. O ganho patrimonial, no caso, há que ser apurado na data do exercício das opções e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA ISOLADA. LEGALIDADE. BASE DE CÁLCULO. IMPROCEDÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 54 /2 01 4- 82 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 829 2 A falta de retenção/recolhimento do IRRF a título de antecipação incidente sobre pagamentos efetuados, quando o imposto deve ser retido e antecipado pela pessoa jurídica, fonte pagadora do rendimento, enseja sanção no percentual de 75%, na forma do artigo 9º da Lei 10.426, de 2002 que aponta para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Entretanto, sendo declarada a improcedência do lançamento, em face de vício na indicação da base de cálculo eleita, a multa, que lhe é proporcional, não pode subsistir. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento por vício material, vencida a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada) que cancelou por vício formal. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Junia Roberta Gouveia Sampaio votaram pelas conclusões. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio apresentará declaração de voto. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, a advogada Maria Isabel Tostes da Costa Bueno, OAB/SP nº 115.127. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fl. 295) tocante a multa regulamentar em decorrência de falta de retenção na fonte do Imposto sobre a Renda incidente sobre as remunerações pagas aos empregados e administradores a título de stock options , conforme o Termo de Verificação Fiscal que consta das folhas 238 e seguintes. O valor do crédito tributário lançado foi de R$ 45.841.320,61, na data de 27/02/2014. Para delinear a construção do lançamento, mencionamos e transcrevemos a seguir partes do Termo de Verificação Fiscal: 1. Em AGE de 20 de setembro de 2007 da BM&F S/A foi aprovado o plano de opções de compra de ações de sua emissão (Plano), com o propósito de conferir direitos de Fl. 829DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 830 3 aquisição sobre um número de ações, a título de reconhecimento e retenção dos funcionários da BM&F S/A e, posteriormente, da BM&FBOVESPA (Companhia), após 8 de maio de 2008, até o limite de 3% (três por cento) das ações do capital da Companhia. 2. Para apuração do valor justo das opções concedidas, a Companhia considerou o modelo binominal. Esse modelo apresenta resultados equivalentes aos do modelo Black&Scholes para opções européias simples, possuindo a vantagem de incorporar, conjuntamente, as características de exercício antecipado e de pagamento de dividendos associados à opção em questão. 3. Como resultado, a BM&FBovespa reconheceu despesas relativas às duas outorgas desse plano, em contrapartida de reservas de capital no patrimônio líquido. A BM&FBovespa considerou nos cálculos um percentual estimado de turnover de 5%, ou seja, a quantidade estimada de opções que não atingirá o vesting, em razão de colaboradores que optarem por deixar a BM&FBovespa ou que sejam desligados sem a aquisição do direito. 4. Conforme fixado na AGE de 08 de maio de 2008, o preço de exercício das opções de compra será a média do preço de fechamento dos últimos 20 pregões anteriores á data de sua concessão (01/03/2009) que, neste caso, abrangerá o período de 29 de janeiro a 27 de fevereiro de 2009. 5. O prêmio a ser pago na aquisição das Opções será zero e o exercício da Opção poderá ser realizado após o vencimento de cada carência, limitado ao prazo máximo de 7 anos a partir da primeira carência, ou seja, 31/12/2016. O preço do exercício será pago à vista pelo Beneficiário. 6. Com essas características, em suma, concluiu a auditoria fiscal que: 6.1. o Plano possui natureza salarial, constituindose em remuneração para o trabalho e pelo trabalho; 6.2. a possibilidade de ganhar com o exercício das opções de compra de ações é contrato sujeito a condições suspensivas. As outorgas de opções somente reputamse perfeitas e acabadas na data em que, após o implemento das condições suspensivas, ocorre o exercício dessas opções de compra. A data da ocorrência do fato gerador do IRRF incidente sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do exercício das opções pelo beneficiário (fl. 277). 6.3. a tributação ocorre sobre a parcela assumida como despesa pela empresa, que se traduz no valor que o beneficiário deixou de pagar pela opção de compra quando da sua outorga, o qual é mensurável pelo valor justo da opção de compra (fl. 277). Nas planilhas apresentadas à fiscalização obtevese os seguintes valores justos das opções (...) BVMF 2009 R$ 2,93. Assim, a base de cálculo do IRRF é obtida multiplicandose a quantidade de opções de compra exercidas pelos beneficiários pelo seu valor justo. 7. Sobre a base de cálculo acima descrita, aplicouse a multa prevista no artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002. Explicou que, individualmente e por mês de pagamento, foi calculado o imposto de renda na fonte que deveria ter sido retido sobre o valor calculado pela metodologia acima explicada, à alíquota de 27,5% e, então, sobre o valor do imposto foi aplicada a multa de 75% (fl. 278). Elaborouse uma planilha na qual estão relacionados, de forma individualizada, os beneficiários, o Plano, a data do exercício, a quantidade de opções Fl. 830DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 831 4 exercidas, o valor justo, a base de cálculo, o IRF não retido, a multa aplicada e o motivo do exercício (fl. 282 e seguintes). Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação à primeira instância (fl. 334). Diz que foram adotados critérios diversos em outras autuações envolvendo o mesmo contribuinte e o mesmo Plano. Se o outro lançamento foi mantido integralmente pela DRJ, este, por lógica, deverá ser cancelado. O Plano de opção de compra de ações não tem caráter retributivo, não representando remuneração pelo trabalho prestado. Inexiste previsão legal para a exigência de multa isolada no presente caso. Tanto o fato gerador do IRF não se verifica na hipótese em comento, quanto a base de cálculo utilizada pela fiscalização não guarda nenhuma relação com a suposta cobrança que se pretende fazer. A impugnação foi analisada pela 14ª Turma da DRJ/SPO, que, em resumo, assim dispôs: 1 Decadência ao contrário do que entende a Impugnante, não se aplica ao presente caso o disposto no artigo 150, parágrafo 4º do CTN, mas sim o disposto no artigo 173, inciso I deste mesmo diploma legal. Portanto, tendo ocorrido a ciência do Auto de Infração em 28/02/2014, constatase que não há qualquer competência fulminada pela decadência, uma vez que a competência mais antiga objeto de lançamento aqui é 02/2009, sendo que a decadência para lançar esta competência somente ocorreria em 01/01/2015. 2 o Auto de Infração, integrante do processo nº 16327.720124/201482 encontrase revestido das formalidades legais, gozando de liquidez e certeza, tendo sido formulado de modo que a Autuada tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo, para que pudesse exercer seu direito à ampla defesa, observados os princípios da motivação e da legalidade dos atos administrativos. Em relação à autuação integrante do processo nº 16327.721268/201288, que abrange o período de 12/2007 a 12/2008, a situação fática encontrada pela Fiscalização, bem como os documentos e informações apresentadas pelo Contribuinte, estão sendo lá tratados, em consonância com as normas reguladoras dos processos administrativofiscais. 3 sujeitase à multa isolada, prevista no inc. I, do “caput” do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a fonte pagadora obrigada a reter imposto, no caso de falta de retenção do imposto incidente sobre rendimentos tributáveis pagos. 4 o fato gerador do Imposto de Renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial em contraprestação pela atividade exercida. Desta forma, demonstrado que os pagamentos efetuados aos empregados e administradores da Impugnante, sob a forma de outorga de opções de compra de ações, constituem remuneração, correto o procedimento do AuditorFiscal ao lavrar o presente lançamento. 5 não assiste razão à Impugnante, quando aduz que a base de cálculo eleita é imprópria de que o momento indicado como sendo o da ocorrência do fato gerador está equivocado. No momento da outorga existe apenas uma expectativa de direito, direito este que só se perfaz com o cumprimento das condições contratadas. Somente com o exercício é que a aquisição das ações reputase perfeita e acabada. Não merece reparo o procedimento fiscal explicitado no Termo de Verificação Fiscal, cabendo ressaltar que os valores justos das opções foram fornecidos pela Companhia: “Assim, a base de cálculo das contribuições Fl. 831DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 832 5 previdenciárias é calculada multiplicandose a quantidade de opções de compra exercidas pelos beneficiários pelo seu valor justo.” 6 a legislação autoriza a cobrança de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, considerando a taxa Selic. Deuse então o julgamento de 1ª instância para considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado dessa decisão em 04 de setembro de 2014, conforme AR na folha 589, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 03 de outubro de 2014, com protocolo na folha 591. Em sede de recurso, assim, resumidamente, apresenta as razões de sua inconformidade: a) o mesmo Agente Fiscal, ao efetuar autuação relativa ao período de 2007/2008, concluiu que o Plano teria natureza remuneratória e que o fato gerador do IR/fonte teria ocorrido ao término do prazo de carência estipulado, independentemente do exercício das opções, e que a base de cálculo seria composta pela multiplicação do número de opções concedidas pela diferença entre o valor de mercado da ação naquele dia e o preço do exercício. Existe incerteza, discricionariedade e estão sendo "criados tributos", como demonstra com a comparação com outras autuações da Receita Federal (quadro fl. 599). b) a Fiscalização considerou os "Planos" de outorga de opções de compra de ações para subsidiar a autuação. A DRJ não conseguiu demonstrar que houve o exame dos contratos, individualmente. É descabida a desconsideração dos Planos, aprovados pela AGE, para a partir daí se exigir o IR/fonte, uma vez que estes não criam, por si sós, qualquer vínculo entre as partes. É preciso levar em consideração as especificidades de cada contrato firmado. c) Mesmo que se tome o fato gerador como efetivamente ocorrido no exercício das opções de compra, com relação às opções exercidas até 27/02/2009, ocorreu a decadência, contado o prazo na forma do artigo 150, § 4º do CTN. Cita decisões do STJ e da CSRF. REQUER o acolhimento da preliminar de ausência de fundamentação e de motivação da autuação lavrada. d) Fala do processo nº 16327.720152/201493 onde lhe foram exigidas contribuições previdenciárias, com base nos mesmos planos de opções de compra de ações. Entende que as opções não têm caráter retributivo pelo trabalho. e) trata do artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, para defender que não existe previsão legal para a exigência de multa isolada, neste caso. f) especificamente, diz que não incide IR/fonte quando da opção ou do exercício do direito de compra das ações pelos participantes do Plano. Somente após a alienação do ativo que lhe é concedido/vendido é que poderá ser gerado um acréscimo patrimonial ao seu titular g) Fala nas características de um contrato mercantil, em risco para o beneficiário; nas características da contraprestação pelo trabalho: retributividade e habitualidade. Estes contratos seriam então mercantis. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 833 6 h) Entende que a base de cálculo eleita pela Fiscalização é imprópria e que o fato gerador escolhido é incompatível. Enfim conclui que o lançamento fiscal está maculado pela inocorrência/incompatibilidade do fato gerador do imposto e não pode prosperar. PEDE o provimento do recurso para que seja cancelado o auto de infração e extinto o crédito tributário nele consubstanciado. Os autos foram encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para análise e manifestação. A Fazenda Nacional apresenta contrarazões na folha 786 e seguintes. Vejamos, em resumo: a) Diz que não existe qualquer nulidade no procedimento fiscal, citando o Decreto nº 70.235, de 1972; tendo o contribuinte, na hipótese dos autos, exercido o seu direito de defesa sem qualquer percalço, o procedimento de lançamento não se mostra eivado de nenhuma mácula que imponha a sua anulação ou que inviabilize a análise do mérito da pretensão recursal. b) Diante da imprescindibilidade do lançamento de ofício da multa, por disposição do art. 149, inc. VI c/c art. 173, inc. I do CTN, o prazo para lançamento da multa é de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, independente da sistemática aplicada ao tributo lançado por homologação. c) diferencia stock options mercantis de employee stock options. Diz que no caso as stock options para empregados e diretores não são outorgadas aos beneficiários em contrapartida do recebimento de um prêmio, como no caso das stock options mercantis, mas em contrapartida ao trabalho que tais beneficiários prestam e prestarão para a companhia. d) diz que a própria recorrente trata seu Plano como "relevante componente de sua política de remuneração para diretores, administradores e empregados de alto nível". e) analisa os Planos da recorrente, a partir do Estatuto e AGE. Conclui que a concessão das opções de ação possui um caráter discricionário e retributivo, vinculado ao desempenho do profissional da empresa. Como previsto nos planos e programas, a performance do executivo e o alcance de metas eram determinantes na eleição dos beneficiários e na atribuição do número de ações em cada contrato. Não há dúvidas, portanto, de que as Stock Options eram ofertadas como retribuição pela prestação de serviço. f) destaca que as opções não eram objeto de compra e venda entre a companhia e os executivos beneficiários, sendolhes graciosamente outorgadas, o que também atua para afastar o caráter mercantil. Aliás, as opções eram outorgadas como troca pelo trabalho a ser prestado pelos beneficiários à companhia. g) Diz que a única interpretação possível à remissão feita ao art. 44 da Lei 9.430/96 é a de que o legislador pretendeu que, como critério quantitativo da hipótese de incidência, fossem aplicados os percentuais de 75% e 150%, previstos inicialmente nos incisos I e II do art. 44, e, posteriormente, no inciso I do art. 44 e no § 1º. O legislador jamais buscou, por meio da remissão ao art. 44 da Lei 9.430/96, que a multa a ser aplicada em caso de falta de retenção ou recolhimento fosse a multa de ofício vinculada prevista na mencionada lei, mas sim que a multa específica prevista no art. 9º da Lei nº 10.426/2002 fosse aplicada nos percentuais da Lei nº 9.430/96, quais sejam, 75% ou 150%. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 834 7 h) Ao contrário do que faz crer o recorrente não se está, no presente auto de infração, tributando a mera possibilidade de ser vir a adquirir ações com deságio, mas o fato concreto da outorga de stock options. Não se perca de vista que a aquisição de direitos sobre uma opção constitui uma vantagem econômica concreta, pois a stock option é um bem por si só, que acresce ao patrimônio dos beneficiários. DEFENDE a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. O recorrente, primeiramente, diz que o Auditor Fiscal deveria ter analisado cada um dos contratos individuais, para demonstrar suas características, e delas partir para a autuação, não podendo fazêlo o Auditor Fiscal a partir da análise geral das disposições estatutárias e de Assembléia Geral. Entendo que caberia ao fiscalizado apontar, então, qual contrato não seguiu o Plano geral e porque não se enquadra nas descrições da autuação. Existe algum contrato, especificamente, cujas características não seguiram as diretivas e por isso excepcionaria as "regras gerais" consideradas e expostas pela fiscalização para considerar as stock options como de natureza retributiva pelo trabalho e portanto passíveis de tributação? Pareceme que essa alegação do recurso, e que já foi refutada na impugnação, apenas busca inviabilizar as conclusões da auditoria, sem demonstrar fundamento para tal. Diz ainda que não existe uma legislação específica para a tributação de stock options e que a Fiscalização busca "criar um novo tributo", inclusive apontando aspectos diferentes para a hipótese de incidência, em autuações sucessivas. Entendo que essa "preliminar" se confunde com o mérito, ou seja, com a análise dos elementos que compõem a hipótese de incidência tributária e lá será devidamente analisada. Presentes os requisitos do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e constatandose que o contribuinte conhece profundamente a matéria fática e legal e exerceu com lógica e dentro dos prazos previstos o seu direito, em extensas manifestações, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. Rejeito essas preliminares, portanto. MÉRITO 1. MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO. CABIMENTO. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 835 8 Em relação ao cabimento da aplicação da multa isolada de 75% sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido pela fonte pagadora no momento do pagamento de vantagens remuneratórias a seus empregados, pessoas físicas, mantenho o entendimento que externei no Voto Vencedor do Acórdão nº 2801003.780 1ª Turma Especial, em 04 de novembro de 2014. Vejamos: A redação original do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, trazia o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê leão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (grifei/destaquei) Assim, para um rendimento sujeito à antecipação mensal do imposto, quando não devidamente antecipado, aplicavase a multa de 75%, ainda que no ajuste anual não fosse apurado tributo a pagar. Ou seja, a finalidade da multa não era penalizar aquele que deixava de recolher o tributo devido no ajuste anual, mas sancionar aquele que não cumpriu a obrigação acessória de Fl. 835DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 836 9 antecipar do tributo devido, na forma da lei. Mencionavase especificamente o "carnê leão" e a pessoa física, sem falar na obrigação da fonte pagadora em reter e antecipar o tributo devido sobre os pagamentos efetuados. A sanção para a fonte pagadora que deixasse de antecipar o imposto que deveria ser retido veio com a Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, artigo 9º: Art.9o. Sujeitase às multa de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição,no caso de falta de retenção ou recolhimento,após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(grifei/destaquei) Ou seja, quando a fonte pagadora deixasse de cumprir a obrigação legalmente estabelecida, estaria sujeita, então, à multa de 75% (inciso I), duplicada quando se constatassem as hipóteses previstas no inciso II (150%). Naquele cenário, então, foi emitido o Parecer Cosit nº 1, de 24 de setembro de 2002, no intuito de esclarecer e estabelecer sobre/os limites da responsabilidade para a fonte pagadora e para o contribuinte beneficiário dos rendimentos, concentrando se especialmente na exigibilidade do imposto e não da multa. Dizia o documento que tal responsabilidade da fonte pagadora extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última sujeitaa à exigência do imposto correspondente, em geral acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito: “... IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” (...) Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem Fl. 836DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 837 10 arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. ... Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, ... (sublinhei) Posteriormente, em 2007, houve nova alteração legislativa, que obviamente não esteve considerada no Parecer Cosit, que data de 2002. Vejamos: Redação dada ao artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007)(grifei/destaquei) Entendo que tal alteração pouco de substancial trouxe, o que alterou foi a remissão aos dispositivos do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que também fora alterada, na mesma ocasião. Assim, a multa duplicada que era prevista no inciso II, passou a ser estabelecida no § 1º, e excluiuse a expressão "sem o acréscimo de multa moratória". Ainda, no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a Lei nº 11.488, de 2007 incluiu novo inciso II, com a seguinte redação: II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Vejamos, a Lei de 2007 primeiro criou a multa no percentual de 50%, que não existia originalmente, segundo excluiu aquela referência ao "carnê leão", referindose agora somente ao artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988, que fala de rendimentos recebidos por pessoas físicas, pagos por outras pessoas físicas ou fontes situadas no exterior. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 838 11 Então, quando uma pessoa física recebe rendimentos de outra pessoa física ou de fontes situadas no exterior, não havendo obrigatoriedade portanto de "retenção na fonte", ela deve antecipar, ao longo do período de apuração, ou seja, no decorrer do ano calendário, o imposto devido e, caso não o faça, apurada a infração e ainda não findo o período de apuração, sujeitase à multa de 50%. A multa, nesse caso, que era de 75%, passou a ser de 50%. E ai sim, aplicarseia a situação de "retroatividade benigna" que foi tratada no Voto do Conselheiro Relator. Contudo, observo que aqui nestes autos não se fala da pessoa física, mas da pessoa jurídica que ao efetuar pagamento de rendimentos sujeitos à antecipação do imposto na forma de retenção pela fonte pagadora, não o fez. A redação dada ao artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, diz que "Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996" , ou seja, a multa no percentual de 75%. E quando essa multa foi alterada ou revogada? Não foi, permanece em vigor. Assim, pareceme que ficou criada uma graduação de penalidades, pela Lei nº 11.488, de 2007, que alterou tanto o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996 quanto o artigo 9º da Lei 10.426, de 2002. Quando é a própria pessoa física beneficiária dos rendimentos que, obrigada a efetuar o recolhimento a título de antecipação mensal, deixa de fazêlo, aplicase uma multa de 50%, na forma do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. Já quando o imposto deve ser retido e antecipado pela pessoa jurídica, fonte pagadora do rendimento, a sanção é de 75%, na forma do artigo 9º da Lei 10.426, de 2002 que aponta para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Por essas razões, modestamente discordo do seguinte entendimento, que fundamentou o Voto do ilustre Relator: A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN.(sublinhei) A multa prevista no inciso II, era a de 150%, quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que passou a ser disciplinada pelo § 1º. No inciso II, então, incluiuse a multa de 50%, que aplicase ao próprio beneficiário do rendimento pessoa física (alínea a)) ou a pessoa jurídica sujeita ao lucro real (alínea b)), e o artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, passou a determinar aplicação da multa de 75%, prevista no inciso I, do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para a pessoa jurídica que não efetuasse a retenção e o recolhimento do imposto na fonte, a título de antecipação. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 839 12 Quanto às considerações do Parecer Cosit nº 1, de 2002, mais uma vez destaco que não levaram em conta as alterações que foram promovidas somente em 2007. Segundo, grifo que a partir dele a jurisprudência deste CARF fixouse no sentido de não admitir a aplicação de penalidades cumulativas, para a pessoa física que deixasse de promover a antecipação do imposto devido e ainda tivesse imposto a pagar no ajuste anual, apurado em procedimento de ofício. Concluo, portanto, ser cabível e legal a aplicação da multa de 75% sobre o valor do imposto que deixa de ser retido por fonte pagadora, pessoa jurídica, ao pagar benefícios de natureza salarial a pessoas físicas que lhe prestaram serviços, com base na legislação (artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002), corretamente indicada pela Autoridade Fiscal. 2. STOCK OPTIONS. NATUREZA. ASPECTOS DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Este Conselho já vem tratando há tempos da questão da tributação das stock options, representadas por planos de outorga de opções de compra de ações a preços pré fixados, pelas companhias, a seus próprios empregados, diretores e administradores. No julgamento do processo administrativo nº 16327.720152/201493, que se referia aos mesmos planos de outorga de opções de compra de ações por este mesmo contribuinte, onde estavam sendolhe exigidas contribuições previdenciárias, esta Colenda Turma julgadora, no mês de maio de 2016, acompanhou o Voto do relator que fixou o seguinte, no Acórdão nº 2202003.367: Entendo que devam ser analisados, para resolver a questão aqui em caso, três pontos: I a natureza do plano de opção para compra de ações (stock options), se salarial, como defende a Fiscalização, ou se mercantil, como defende o Recorrente; II quando ocorre o fato gerador (aspecto temporal da hipótese de incidência) e III qual é a base de cálculo do tributo (aspecto quantitativo da hipótese de incidência). As conclusões, pelas razões lá declinadas, foram que : I PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. NATUREZA. Este CARF já se deparou com diversos casos de stock options, chegando à conclusão, a partir da análise e condições dos Planos, que se desvirtua a concepção original, inclusive aquela prevista na Lei das Sociedades por Ações, para criar uma forma de retribuir alguns empregados/dirigentes 'especiais', atraindoos e mantendoos com a possibilidade de um plus ou ganho adicional decorrente e relacionado ao seu trabalho e sua fidelidade para com a companhia e ausente o risco típico do negócio mercantil. Portanto, correta a tributação das stock options, neste caso, como uma forma de remuneração/retribuição pelo trabalho, sujeitandose à retenção do imposto de renda pela fonte pagadora. II QUANDO OCORRE O FATO GERADOR (ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA). Só há o efetivo pagamento, com natureza salarial, se de fato o beneficiário exercer sua a opção de compra que lhe foi outorgada. Assim, o correto momento de ocorrência Fl. 839DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 840 13 do fato gerador é definido como sendo a data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, para a incidência da tributação é necessário o efetivo exercício da opção pelo beneficiário, verificadose que as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputamse perfeitas e acabadas na data em que, após o implemento das condições suspensivas, ocorre o exercício dessas opções de compra. III QUAL É A BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO (ASPECTO QUANTITATIVO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA). A data do fato gerador corresponde à data em que houve o exercício das opções a que se refere e a Base de Cálculo é, exatamente, a diferença entre o valor pago para Aquisição das Ações, previsto nos contratos, e o Valor de Mercado das Ações na data da liquidação financeira, ou seja, do exercício da opção de compra. Explicase: a base de cálculo (aspecto quantitativo) é o ganho patrimonial, e, portanto, deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. Neste lançamento aqui em debate, definiu o Auditor Fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal (fl. 276) que: ... as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputam se perfeitas e acabadas na data em que, após o implemento das condições suspensivas, ocorre o exercício dessas opções de compra. ... a tributação ocorre sobre a parcela assumida como despesa pela empresa, que se traduz no valor que o beneficiário deixou de pagar pela opção de compra quando da sua outorga, o qual é mensurável pelo valor justo da opção de compra.(destaques originais) Mais adiante, em seu Termo, explicou a Autoridade Fiscal que a própria Companhia forneceu o "valor justo" das opções que foram outorgadas, que estava registrada em sua contabilidade. Então, multiplicando esse "valor justo" de cada ação pela quantidade de ações compradas, na data do exercício da opção de compra, chegou à base de cálculo do imposto de renda que deveria ser retido. Aplicou a alíquota de 27,5% para obter o valor do tributo e, sobre este, o percentual de 75% para chegar à multa exigida. Essa base de cálculo definida, entretanto, não se coaduna com a descrição que fez o Auditor Fiscal para definir o momento de ocorrência do fato gerador. Vejamos que o fato gerador, sujeito a condição suspensiva, só ocorre quando do efetivo exercício da opção pelo beneficiário, conforme se tratou no item anterior. Mas chegou à conclusão que a base de cálculo seria o valor justo da ação, no momento da outorga, ou seja, o valor que o beneficiário teria deixado de pagar para adquirir aquela ação, caso fosse comprála em mercado, quando a companhia lhe incluiu no Plano de compra de ações e ele adquiriu o direito, sob condição suspensiva, de comprála a determinado preço, no futuro. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 841 14 Mas qual seria esse preço de aquisição, préfixado, caso verificadas as condições suspensivas? O Termo de Verificação Fiscal não o menciona ao tratar da base de cálculo. Não seria a ele que se deveria fazer referência? É possível obtêlo, pois conforme se descreve e fora fixado na AGE de 08 de maio de 2008, "o preço de exercício das opções de compra será a média do preço de fechamento dos últimos 20 pregões anteriores à data de sua concessão (01/03/2009) que, neste caso, abrangerá o período de 29 de janeiro a 27 de fevereiro de 2009". Porque a "vantagem" de natureza salarial obtida pelo beneficiário do Plano e subsidiada pela companhia, pelo todo que vimos sustentando desde a análise dos autos do processo administrativo nº 16327.720152/201493, se verifica pela diferença entre o valor da ação na data do exercício (valor do bem em mercado sob condições normais) e aquele valor (préfixado e favorecido) que o beneficiário vai pagar à companhia dona das ações. Essa é, efetivamente, a medida da "vantagem" auferida. Naquele dia, do exercício, ele está ganhando a diferença entre o valor de mercado da ação e o valor pelo qual a está comprando porque, se vendêla imediatamente (e ele tem essa disponibilidade) será esse o valor acrescido a seu patrimônio. Vejamos jurisprudência deste CARF, no Acórdão 2302003.536, com o qual concordo perfeitamente: EMENTA STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. VANTAGENS OBTIDAS NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As vantagens econômicas oferecidas aos empregados da empresa na aquisição de lotes de ações próprias, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando, portanto, natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito do lançamento, porque as vantagens econômicas oferecidas aos empregados na aquisição de lotes de ações da empresa, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição – base de cálculo das contribuições previdenciárias.(grifei) VOTO Nos planos em realce, o beneficiário se investe no direito de adquirir ações da Empresa, em condições vantajosas em relação Fl. 841DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 842 15 à oferta de mercado. O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários. (...) O beneficiário tem ao seu dispor a faculdade de exercer ou não tal direito de aquisição. O exercício da faculdade de efetuar a “Contribuição para Aquisição dos Lotes Incorporados” dáse por mero aviso à empresa, acompanhado do pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição” correspondente ao Lote Incorporado a que se refere. O ganho patrimonial, portanto, há que ser apurado nesse momento histórico e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário.(sublinhei) Com efeito. Se um investidor qualquer fosse ao mercado de valores mobiliários ou mercado de balcão adquirir ações da Companhia, iria pagar um preço de “x” Reais por ação. Por outro lado, o beneficiário do plano adquire na mesma data a mesma ação por um preço ‘y’ Reais, inferior ao preço de mercado. O ganho patrimonial “GP” desse Beneficiário corresponderá, logicamente, à diferença entre o valor “x” de mercado e o valor “y” de aquisição, multiplicada pelo número de ações adquiridas “n”. GP = (x – y) * n. Tal montante “GP” representa exatamente a importância que o empregado Beneficiário deixou de desfalcar o seu patrimônio inercial para a aquisição do mesmo quantitativo de ações no mercado de valores mobiliários. No caso presente, de acordo com o Relatório Fiscal, a data do fato gerador corresponde à data em que houve o exercício das opções, o qual se deu pelo pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição” correspondente ao Lote Incorporado a que se refere e a Base de Cálculo é, exatamente, a diferença entre o valor das “Contribuições para Aquisição das Ações” previstos nos contratos e o Valor de Mercado das Ações na data da liquidação financeira das referidas “Contribuições para Aquisição das Ações”.(sublinhei) As vantagens motivadoras do exercício do direito de ação são apuradas e apreciadas nesse exato momento histórico, pois é aqui que o empregado investidor irá vislumbrar se será vantajosa ou não a aquisição dos lotes de ações que lhe foram destinados. De outro canto, até que se efetive o pleno exercício do direito de opção, inexiste risco para o empregado, pois este tem a plena consciência das vantagens que está auferindo com a opção de Fl. 842DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 843 16 compra, e pode se decidir, sem qualquer consequência, se exercita ou não o direito de opção em foco. A álea do negócio tem início, tão somente, a contar de então. Também no Voto do Acórdão nº 2301003.597, registrou o relator qual fora o critério empregado naquele lançamento que lá se analisava: Embora essa transação se apresente, à primeira vista, como negócio jurídico típico de relação comercial, o Fisco, todavia, entende que a oferta da empresa de opção de compra de ações aos seus funcionários, constituise em forma de remuneração indireta que visa incentivar e estimular a produtividade. Segundo a ótica do fisco a diferença apurada entre o valor das ações emitidas por meio do “stock options” e o seu valor real de mercado no dia em que foi exercida a opção é considerada parcela passível de contribuição previdenciária, já que se trata de remuneração diferida, a ser percebida no futuro, ou seja, no momento em que os papéis forem vendidos pelos empregados. (sublinhei) CONCLUSÃO. No caso, a análise efetiva do Plano de opções de compra de ações (stock options) oferecido a determinados empregados/dirigentes consubstancia efetiva vantagem patrimonial em razão do trabalho desenvolvido para a companhia e, portanto, ostentando natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário, sujeito ao imposto de renda. O fato gerador ocorre (aspecto temporal), conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. A base de cálculo (aspecto quantitativo) é o ganho patrimonial, e, portanto, há que ser apurado nesse momento histórico e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. Neste lançamento, verificase, conforme TVF, que foi empregada como base de cálculo do valor do tributo e, consequentemente, com reflexo direto no valor da multa aplicada, "a parcela assumida como despesa pela empresa, que se traduz no valor que o beneficiário deixou de pagar pela opção de compra quando da sua outorga, o qual é mensurável pelo valor justo da opção de compra". Ora, se houve equívoco na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como, por exemplo, a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: Fl. 843DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720154/201482 Acórdão n.º 2202003.436 S2C2T2 Fl. 844 17 "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Em face dessas conclusões, desnecessário que se analise mais profundamente questões recursais relativas à nulidade da autuação e mesmo decadência de fatos geradores ocorridos anteriormente a 28/02/2009, como propôs o recorrente, lembrando do disposto no § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em conclusão, rejeito as preliminares argüidas e, no mérito, VOTO por dar provimento ao recurso. Considerando o disposto no Acórdão, registro que a apresentação de declaração de voto é uma faculdade do Conselheiro e, não sendo apresentada no prazo de 15 dias (art. 63, §§ 6º e 7º, do RICARF), o voto é formalizado sem a apresentação da mesma. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 844DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001901/2002-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não demonstrada os pressupostos que ensejam a oposição de embargos, devem os mesmo serem rejeitados.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-003.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antonio Carlos Gonçalves, OAB/DF nº 33.766
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Não demonstrada os pressupostos que ensejam a oposição de embargos, devem os mesmo serem rejeitados. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antonio Carlos Gonçalves, OAB/DF nº 33.766 Antonio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 19 01 /2 00 2- 78 Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração (fls. 1028/1031) opostos em tempo hábil pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 310100.675, de 07/11/2011. Os declaratórios foram admitidos, consoante despacho de fls. 1046/1048, pelo Dr. Henrique Pinheiro Torres em 17/09/2015. A embargante alegou ter sido o aresto omisso quanto à violação aos artigos 82 e 147 do RIPI/98, e quanto à violação aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, e, por fim, omisso quanto à alegação de cerceamento à ampla defesa. É relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Cediço que o objeto dos embargos tem como fulcro permitir que a decisão seja a mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. Contudo, espantame como vem sendo usada no CARF de forma promíscua para suspender a exigibilidade de crédito indevidamente compensado, nos termos do julgado. Quanto à alegação de que o conceito de matéria prima deve ser analisado com base no art. 87 do RIPI/98, é inegável. Porém, o que quer a embargante é fazer valer seu entendimento que "a conceituação genérica adotada na ciência econômica no sentido de que devem ser considerados matérias primas e produtos intermediários todos os insumos que participam no processo industrial de forma genérica". A decisão recorrida deixou patente o entendimento de que somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em acordo com o que dispõe o PN CST 65/79 e o próprio art. 147 do RIPI/1998. Isso, obter dictum foi asseverado no acórdão embargado. Em verdade, por via inadequada, quer a embargante rediscutir o mérito do aresto afrontado. No que pertine à alegação de cerceamento ao seu direito de defesa, totalmente despropositado. A um, porque não tal alegação expressamente articulada na peça recursal; e, a dois, só falarse em preterição a direito de defesa quando o que alega, e isso é seu ônus, mostrar como e em que medida houve tal cerceamento. A defesa, extensa e técnica, deixa patente que não houve o mínimo prejuízo à defesa da embargante. Por fim, quanto à alega omissão quanto aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, igualmente mera tergiversação. Mais uma vez quer a recorrente rediscutir o mérito em recurso impróprio. Alega que não é razoável e nem proporcional que ela não possa ser ressarcida de determinados insumos que entende fazerem parte de seu processo produtivo. Essa questão de mérito foi enfrentada, pelo que seu argumento tem natureza de infringência, a qual falece aos declaratórios. Demais disso, é firme jurisprudência do STJ no sentido de que o julgado não tem que enfrentar um a um dos argumentos de defesa, se em seu bojo a motivação é suficiente e inteligível para definir o direito controverso. Transcrevo um precedente ilustrativo dessa posição: Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11543.001901/200278 Acórdão n.º 3402003.123 S3C4T2 Fl. 1.053 3 Destacase, ainda, que, tendo encontrado motivação suficiente para fundar a decisão, não fica o órgão julgador obrigado a responder, um a um, todos os questionamentos suscitados pelas partes, mormente se notório seu caráter de infringência do julgado. (1a. Turma, AgRg no AREsp 12.346/RO, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 26.08.2011.) (sublinhei) Com esses fundamentos, não demonstrados os pressuposto regimentais que os ensejam, voto no sentido rejeitar os embargos. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010587/2005-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/05/2004,30/06/2004
DIFERENÇAS. VALORES DECLARADOS. VALORES DEVIDOS
As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados e/ ou pagos e os efetivamente devidos apurados com base no faturamento mensal estão sujeitas a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais.
CIDE-COMBUSTÍVEIS. DEDUÇÃO DA COFINS.
A CIDE paga sobre diesel importado pode ser deduzida da Cofins incidente sobre a sua venda no mercado interno, até o limite legalmente estabelecido, nas operações efetuadas no mesmo período de competência, inexistindo amparo para o aproveitamento do saldo devedor da CIDE apurado no mês com deduções futuras.
EQUÍVOCOS NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NOTAS FISCAIS. COMPROVAÇÃO
Comprovado equívoco na apuração de parcela do crédito tributário lançado e exigido, retifica-se o valor da parcela calculada equivocadamente.
TRANSIÇÃO TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO
Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando devam ser reconhecidas de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário.
DILIGÊNCIA
Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da diligência solicitada, rejeita-se o pedido da recorrente.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3301-000.774
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência, não conhecer da matéria preclusa e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Moraes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/05/2004,30/06/2004 DIFERENÇAS. VALORES DECLARADOS. VALORES DEVIDOS As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados e/ ou pagos e os efetivamente devidos apurados com base no faturamento mensal estão sujeitas a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais. CIDE-COMBUSTÍVEIS. DEDUÇÃO DA COFINS. A CIDE paga sobre diesel importado pode ser deduzida da Cofins incidente sobre a sua venda no mercado interno, até o limite legalmente estabelecido, nas operações efetuadas no mesmo período de competência, inexistindo amparo para o aproveitamento do saldo devedor da CIDE apurado no mês com deduções futuras. EQUÍVOCOS NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NOTAS FISCAIS. COMPROVAÇÃO Comprovado equívoco na apuração de parcela do crédito tributário lançado e exigido, retifica-se o valor da parcela calculada equivocadamente. TRANSIÇÃO TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando devam ser reconhecidas de ofício. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. DILIGÊNCIA Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da diligência solicitada, rejeita-se o pedido da recorrente. Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
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