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Numero do processo: 10880.901092/2006-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO - CSLL.
Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.
Numero da decisão: 1401-001.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para estender ao presente processo efeitos decorrentes do provimento parcial ao recurso voluntário do processo nº 11610.016635/2002-37, homologando-se as compensações até o montante do valor deferido.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO - CSLL. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para estender ao presente processo efeitos decorrentes do provimento parcial ao recurso voluntário do processo nº 11610.016635/2002-37, homologando-se as compensações até o montante do valor deferido. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO CSLL. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para estender ao presente processo efeitos decorrentes do provimento parcial ao recurso voluntário do processo nº 11610.016635/200237, homologandose as compensações até o montante do valor deferido. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 10 92 /2 00 6- 36 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.901092/200636 Acórdão n.º 1401001.427 S1C4T1 Fl. 3 2 Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 194195: Em 30/05/2003, a contribuinte transmitiu DCOMP (fls.01/04), objetivando o aproveitamento de saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2002, no valor de R$ 1.244.759,73, para compensação de débitos diversos. Em 16/05/2008, a Diort/Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 13/19) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP. A não homologação das compensações deuse pelos motivos expostos a seguir: • As estimativas devidas de CSLL não foram declaradas em DCTF; • Não houve comprovação da existência do saldo negativo de CSLL para o período em questão. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 09/06/2008 (fl. 102verso) e dela recorreu a esta DRJ em 17/06/2008 (fls. 104/125). As alegações da impugnante são resumidas a seguir. • A estimativa do PA de 08/2002 foi compensada com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 (processo n° 11610.016635/200237); • Na verdade houve erro no preenchimento da DIPJ em que a estimativa devida de do PA de 07/2002 era zero e não R$ 1.244.759,73, portanto, referido montante estaria disponível para a compensação da estimativa de 08/2002; • Não poderia a autoridade fiscal indeferir a homologação das DCOMP com base em processo ainda em fase de apreciação na instância superior • De acordo com o art.74 da Lei n° 9.430/96, os créditos pleiteados estão extintos sob condição resolutória ou suspensos até o término do processo; • A apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário (art.74 da Lei n° 9.430/96); • Aplicase a suspensão da exigibilidade ao débito cobrado de R$ 1.244.759,73 da carta de cobrança n° 3.189; Fl. 439DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.901092/200636 Acórdão n.º 1401001.427 S1C4T1 Fl. 4 3 • O presente processo deveria ter sido apensado ao processo de n° 11610.016635/200237 (saldo negativo do anocalendário de 2001) para serem julgados simultaneamente, evitandose decisões conflitantes; • A análise do presente processo deverá estar suspensa até a análise final do processo de n° 11610.016635/200237. A 7ª Turma da DRJ São Paulo I, por unanimidade, não homologou as compensações, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 193): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCROLÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO CSLL. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Compensação não Homologada Cientificada do Acórdão em 08/09/2009 (fls. 200), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 201221 em 07/10/2009, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase de manifestação de inconformidade e enfatizando a conexão e a prejudicialidade existente em relação ao processo nº 11610.016635/200237. Informo que o aludido processo nº 11610.016635/200237 foi julgado por este colegiado, nesta mesma sessão. É o relatório. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.901092/200636 Acórdão n.º 1401001.427 S1C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Conforme relatado, o litígio do presente processo decorre da glosa de compensação da estimativa de CSLL referente ao período de apuração 08/2002, com a utilização de saldo negativo objeto do processo administrativo n° 11610.016635/200237. Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão de piso, fls. 196: A interessada alega em sua manifestação de inconformidade que a estimativa do PA de 08/2002 foi compensada com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 (processo n°11610.016635/200237). Afirma, também, erro no preenchimento da DIPJ em que a estimativa devida do PA de 07/2002 seria zero e não R$ 1.244.759,73, portanto, referido montante estaria disponível para a compensação da estimativa de 08/2002. A interessada nada apresentou para comprovar os mencionados erros cometidos na DIPJ com documentação comprobatória (escrituração) e a devida retificação da mencionada declaração para refletir a veracidade fática. Dessa forma, a manifestante não logrou êxito em comprovar a existência, liquidez e certeza do crédito utilizado para a compensação das estimativas mensais do anocalendário de 2002. Para qualquer reconhecimento de direito creditório, a requerente deverá fazer prova inequívoca da existência e veracidade do direito creditório (art.I70 do CTN) sem a qual nada pode ser retificado e deferido de oficio pela autoridade fiscal. […] Em tendo sido indevidas as deduções das estimativas da CSLL com o saldo negativo do processo administrativo de n° 11610.016635/200237, por falta de liquidez e certeza, conclui se pela manutenção da glosa efetuada pela autoridade fiscal do saldo negativo apurado nestes autos. Também conforme relatado, o aludido processo nº 11610.016635/200237 foi julgado por este colegiado, nesta mesma data. Por unanimidade de votos, este colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, para: a) estender ao processo nº 11610.016635/200237 eventuais efeitos decorrentes do provimento parcial ao recurso voluntário do processo nº 10880.006861/0089 (estimativas referentes aos PA 04/2000 e 10/2000); b) reconhecer um valor adicional a título de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2000, no montante de R$ 12.431,64 (retenções de IRRF); Fl. 441DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.901092/200636 Acórdão n.º 1401001.427 S1C4T1 Fl. 6 5 c) reconhecer um valor adicional a título de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2001, no montante de R$ 6.946,13 (retenções de IRRF); d) homologar os pedidos de compensação constantes do presente processo, até o limite dos créditos ora reconhecidos (conforme itens a, b e c). Diante da conexão existente existente entre o citado processo nº 11610.016635/200237 e o presente processo, considero que também se deve dar provimento parcial ao presente recurso voluntário Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, para estender ao presente processo eventuais efeitos decorrentes do provimento parcial ao recurso voluntário do processo nº 11610.016635/200237. As compensações pleiteadas no presente processo devem ser homologadas até o montante do valor deferido. Deve a unidade de origem tomar as precauções devidas a fim de evitar a cobrança em duplicidade do valor relativo à parcela das estimativas do mês 08/2002, cuja compensação não tenha sido homologada no processo nº 11610.016635/200237 (v. Parecer PGFN/CAT nº 88/2014). (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 442DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002133/2003-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
PRINCÍPIOS ATIVOS IMPORTADOS. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. Não se aplica, no período autuado, o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) para efeito de determinação do preço de transferência de princípios ativos importados utilizados na produção de medicamentos para consumo final, por configurar produção de um outro bem. Correta a aplicação, pela fiscalização, do método PIC (Preços Independentes Comparados), em estrito cumprimento à legislação vigente.
Numero da decisão: 1401-000.065
Decisão: CORDAM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da
Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero (Relator), Silvia Bessa Ribeiro Biar e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima.
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 PRINCÍPIOS ATIVOS IMPORTADOS. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. Não se aplica, no período autuado, o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) para efeito de determinação do preço de transferência de princípios ativos importados utilizados na produção de medicamentos para consumo final, por configurar produção de um outro bem. Correta a aplicação, pela fiscalização, do método PIC (Preços Independentes Comparados), em estrito cumprimento à legislação vigente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.002133/200329 Recurso nº 160.526 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 140100.065 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2009 Matéria IRPJ e outro Recorrentes NOVARTIS BIOCIÊNCIAS S.A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PRINCÍPIOS ATIVOS IMPORTADOS. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. Não se aplica, no período autuado, o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) para efeito de determinação do preço de transferência de princípios ativos importados utilizados na produção de medicamentos para consumo final, por configurar produção de um outro bem. Correta a aplicação, pela fiscalização, do método PIC (Preços Independentes Comparados), em estrito cumprimento à legislação vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero (Relator), Silvia Bessa Ribeiro Biar e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima. (assinado digitalmente) Ivete Malaquias Pessoa Monteiro – Presidente (assinado digitalmente) Hugo Correia Sotero Relator (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Redatora designada ad hoc Fl. 809DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcos Vinicius Neder de Lima, Hugo Correia Sotero, Albertina Silva Santos de Lima, Marcos Shigueo Takata, Silvia Bessa Ribeiro Biar, Valmar Fonseca de Menezes e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Relatório Em decorrência de procedimento de fiscalização instaurada para fins de aferir a correção da fixação dos preços de transferência relativos a mercadorias e insumos adquiridos pela Recorrente a empresas vinculadas sediadas no exterior, quedou formalizado lançamento de ofício constitutivo de crédito tributário no valor de R$ 17.721.367,36, atinente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Indicou a autoridade lançadora duas situações: (i) produtos importados para revenda – o preço das mercadorias adquiridas pela Recorrente a empresas vinculadas no exterior, exceto quanto ao produto Antrazina Tec, foi fixado em montante superior ao preço parâmetro obtido pelo método “Preço de Revenda Menos Lucro – PRL”, de modo que o excesso de custo deveria ser levado à tributação (art. 18, § 7º, da Lei nº. 9.430/96); e, (ii) matérias primas importadas – a Recorrente utilizou, para fixação do custo de aquisição de mercadorias importadas a empresas vinculadas no exterior o método “Preço de Revenda Menos Lucro – PRL”, o que, para os produtos indicados, era proibida pelo art. 4º, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº. 38/1997. Considerando irregular o procedimento de apuração dos custos de aquisição das mercadorias e insumos indicados, procedeu a autoridade lançadora à retificação de tais custos, lançando o excesso como receita tributável pelo IRPJ e CSSL. Notificada do lançamento, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 435/442), arguindo: a) poderiam ser definidos os preços de transferência das mercadorias e insumos elencados no lançamento por qualquer dos métodos estabelecidos pelo art. 18 da Lei nº. 9.430/96; b) a Instrução Normativa SRF nº. 38/1997 impôs restrições inexistentes na legislação de regência, sendo ilegal; c) a prova cabal da ilegalidade da IN nº. 38/1997 foi a autorização expressa de utilização do método “Preço de Revenda Menos Lucro – PRL” a hipóteses semelhantes pela Instrução Normativa SRF nº. 243/2002, editada com idêntica base normativa; d) a autoridade lançadora, ao utilizar o método “Preços Independentes Comparados – PIC” fez comparações indevidas, posto que os princípios ativos comercializados no mercado asiático “não passam de meras cópias de fórmulas desenvolvidas pelas tradicionais indústrias farmacêuticas americanas, suíças e alemãs”; e, e) ilegalidade da utilização da Taxa Selic como critério de correção do crédito tributário. Quanto à imputação referente às mercadorias importadas para revenda, na teceu a Recorrente qualquer impugnação, declarando a Delegacia de Julgamento, em face da ausência de constituição de lide administrativa, consolidado o lançamento quanto ao tópico. A impugnação foi rechaçada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo por decisão assim ementada: Fl. 810DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 3 3 “NORMAS JURÍDICAS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. NORMAS ADMINISTRATIVAS. VALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. MEDICAMENTOS IMPORTADOS PRONTOS PARA REVENDA. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. Na determinação do preço de transferência de medicamentos importados prontos para revenda é possível a utilização do método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), sendo necessária, no entanto, a utilização dos procedimentos previstos na legislação pertinente ao tema. PRINCÍPIOS ATIVOS IMPORTADOS. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. Não se aplica, no período autuado, o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) para efeito de determinação do preço de transferência de princípios ativos importados utilizados na produção de medicamentos para consumo final, por configurar produção de um outro bem. Correta a aplicação, pela fiscalização, do método PIC (Preço s Independentes Comparados), em estrito cumprimento à legislação vigente. MÉTODO PIC. SIMILARIDADE. Os fatores a serem considerados, para fins de similaridade aplicada à preços de transferência, são: natureza, função, substituição mútua e equivalência de especificações. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo previsão legal sua cobrança com base na taxa SELIC, sendo que à esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas.” Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 486499, reproduzindo as alegações de impugnação. É o relatório. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 4 4 Voto Vencido Conselheiro Hugo Correia Soterio, Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. A questão sob exame se resume à validade do procedimento de apuração, pela Recorrente, dos custos de aquisição de insumos a empresas vinculadas sediadas no exterior, procedimento este realizado como base no método “Preço de Revenda Menos Lucro – PRL”, tido pela autoridade lançadora e pela Delegacia de Julgamento como inadequado, face a disposição encartada no art. 4º, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº. 38/1997. Cumpre, prefacialmente, esclarecer que, ao contrário do que afirma a decisão impugnada, a discussão instaurada pela Recorrente não se destina à aferição da constitucionalidade ou inconstitucionalidade da aludida IN SRF nº. 38/1997. Suscitou a Recorrente, na impugnação e no recurso voluntário, a incompatibilidade da citada Instrução Normativa com a disciplina traçada pela Lei nº. 9.430/96, tratandose, portanto, de questão de legalidade. À autoridade administrativa cabe interpretar e aplicar a lei, devendo, nesse processo, afastar a aplicação de regras sublegais que eventualmente trasbordem os limites fixados pela lei. Nesse sentido, é competente este Conselho para emitir juízo acerca da compatibilidade da Instrução Normativa SRF nº. 38/1997 com a Lei nº. 9.430/96 (art. 18). Assim já procedeu este Conselho em situações similares: “As Instruções Normativas SRF nºs. 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº. 9.363, de 13/12/96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às Contribuições PIS/PASEP e à COFINS (IN SRF nº. 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, adquiridos de cooperativas, não geram direito ao crédito presumido (IN SRF nº. 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante lei ou medida provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” (Acórdão nº. 20172754, 1ª. Câmara, rel. Conselheiro Serafim Fernandes Corrêa). No mesmo sentido: “PREÇO DE TRANSFERÊNCIA – PRL – INCLUSÃO DE CUSTOS COM FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NA APURAÇÃO DO CUSTO – A inclusão dos custos com frete, seguro e imposto de importação na composição Fl. 812DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 5 5 do custo não é faculdade do contribuinte importador que incorre em referidos gastos, mas obrigações decorrente do art. 18, parágrafo 6º da Lei nº 9.430/96. A IN nº 38/97 não possui o condão de afastar a obrigação disposta no art. 18, parágrafo 6º da Lei nº 9.430/96, pois com ela deve ser lida sistematicamente. Recurso de ofício e recurso voluntário negados.” (Acórdão nº. 10517077, 5ª. Câmara, rel. Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira) Feita essa ponderação, passo a analisar o caso sob o pálio da regra insculpida no art. 18 da Lei nº. 9.430/96, que tem a seguinte redação: “Art.18.Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I–Método dos Preços Independentes ComparadosPIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II–Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a)dos descontos incondicionais concedidos; b)dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c)das comissões e corretagens pagas; d)de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d)da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1.sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2.vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III–Método do Custo de Produção mais LucroCPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 6 6 §1º. As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. §2º. Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. §3º. Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. §4º. Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. §5º. Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. §6º. Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. §7º. A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. §8º. A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração,ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. §9º. O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente.” O artigo 18 da Lei nº. 9.430/96 estabelece, com minúcias, o procedimento de apuração do preço de aquisição de mercadorias e insumos a empresas vinculadas sediadas no exterior, determinando a utilização dos métodos “Preços Independentes Comparados–PIC”, “Preço de Revenda menos Lucro–PRL” e “Método do Custo de Produção mais Lucro–CPL”, constando do caput do mencionado preceito normativo que a definição do preço será definida por qualquer dos critérios. Não há no art. 18 da Lei nº. 9.430/96 proibição de ser utilizado, na aquisição de insumos, o método “Preço de Revenda menos Lucro–PRL”, sendo expresso o § 4º ao determinar que “na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente”. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 7 7 Inexistindo proibição de utilização, na hipótese descrita, do método “Preço de Revenda menos Lucro–PRL”, ou imposição de utilização de qualquer dos outros critérios, constatase que a Instrução Normativa nº. 38/1997 inovou o ordenamento jurídico nesse tópico. Sob a perspectiva da legalidade estrita, não há como se considerar a Instrução Normativa SRF nº. 38/1997 (ato infralegal), como instrumento hábil a introduzir inovações no ordenamento jurídico; todas as disposições postas na aludida Instrução Normativa devem reproduzir aquelas que expressa ou implicitamente estejam contidas na Lei Federal nº. 9.430/96. O princípio da legalidade constitui garantia inafastável dos contribuintes, garantia esta haurida de preceitos constitucionais expressos (art. 5º, II, e 150, I): “O princípio da legalidade, outrossim, é a forma de preservação da segurança. Ainda que a lei não represente a vontade do povo, e por isto não se possa afirmar que o tributo é consentido por ter sido instituído em lei, ainda assim, temse que o ser instituído em lei garante maior grau de segurança nas relações jurídicas.” (Hugo de Brito Machado. Princípios Jurídicos da Tributação na Constituição de 1988. 3ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 1994, págs. 17 e 18). “Prosseguindo, ensina Alberto Xavier que a noção de Estado de Direito reverte um duplo sentido, material e formal: o conteúdo material do Estado de Direito está na afirmação de que a finalidade essencial do Estado consiste na realização da justiça, concebida, sobretudo, com uma rigorosa delimitação da livre esfera dos cidadãos, de modo a prevenir o arbítrio do poder, com maior expressão à segurança jurídica; o conteúdo formal do Estado de Direito envolve a idéia de que, na realização dos seus fins, o Estado deve exclusivamente utilizar formas jurídicas, de que sobressai a lei formal.” (Américo Masset Lacombe. Princípios Constitucionais Tributários. Malheiros, São Paulo, 1996, pág. 42). Somente em razão de lei – no sentido material e formal – podem ser instituídos direitos e deveres aos contribuintes; mera Instrução Normativa, por não se subsumir ao conceito de lei formal, não pode inovar nas relações tributárias. Os decretos, regulamentos ou instruções expedidas pela Administração Tributária, por expressa determinação constitucional (art. 84, IV, da Carta de 1988), servem exclusivamente a possibilitar a fiel execução das leis, não lhes sendo dada a prerrogativa de inovar o ordenamento jurídico. Não é outra a orientação do Excelso Supremo Tribunal Federal, quando assim se expressou: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INCENTIVOS FISCAIS: CRÉDITOPRÊMIO: SUSPENSÃO MEDIANTE PORTARIA. DELEGAÇÃO INCONSTITUCIONAL. D.L. 491, de 1969, arts. 1o e 5o; DL 1.724, de 1979, art. 1o; D.L. 1.894, de 1981, art. 3o, Fl. 815DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 8 8 inc. I. C.F./1967. I – É inconstitucional o art. 1o do DL 1.724, de 7.12.79, bem assim o inc. I do art. 3o do DL 1.894, de 16.12.81, que autorizaram o Ministro de Estado da Fazenda a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou restringir os estímulos fiscais concedidos pelos artigos 1o e 5o do DL nº. 491, de 05.3.69. Caso em que se tem delegação proibida: CF/67, art. 6o. Ademais, matérias reservadas à lei não podem ser revogadas por ato normativo secundário. II – R.E. conhecido, porém não provido (letra b).” (RE 186.623/RS, Tribunal Pleno, rel. Min. Carlos Velloso, por maioria, DJU de12.04.2002, p. 66). De bom alvitre transcrever parcela do voto do eminente Ministro Carlos Velloso: “Senhor Presidente, continuo entendendo que não poderia uma Portaria Ministerial revogar incentivos fiscais concedidos por um decretolei, assim por ato normativo primário, ao argumento que recebera o Ministro de Estado delegação, mediante outro decretolei, para assim proceder. É que não poderia a lei, já que o decretolei tinha força de lei, delegar ao Ministro de Estado poderes para extinguir um incentivo fiscal concedido por um decretolei, assim pela lei. A Constituição pretérita expressamente proibia a qualquer dos poderes delegar atribuições (CF/67, art. 6o).” Afastada a aplicação da regra do art. 4º, § 1º, da IN SRF nº. 38/1997, o preço de aquisição dos insumos pela Recorrente poderia ser calculado por qualquer dos critérios estabelecidos pelo art. 18 da Lei nº. 9.430/96, inclusive pelo método “Preço de Revenda menos Lucro–PRL”, como feito originalmente e desconsiderado pela fiscalização. Mais que isso, pelo disposto no § 4º do mencionado art. 18, quando utilizado mais de um critério, deverá prevalecer aquele que redundar no maior preço apurado, que, no caso, consoante se infere dos autos, foi o “Preço de Revenda menos Lucro–PRL”. Com estas considerações, conheço do recurso voluntário para darlhe provimento, reformando a decisão pronunciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento para declarar a legalidade da apuração do preço de aquisição dos insumos com base no método “Preço de Revenda menos Lucro–PRL”. Sala das Sessões DF, em 18 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Hugo Correia Sotero Fl. 816DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 9 9 Voto Vencedor Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, Redatora designada ad hoc. Por meio do despacho de fls. 531 fui designada redatora ad hoc, em razão do Conselheiro designado para redigir o voto vencedor não mais compor o colegiado. A matéria objeto do recurso voluntário diz respeito à utilização do PRL (preço de revenda menos lucro) para fixação do custo de aquisição de matérias primas importadas indicadas (princípios ativos e outras matérias primas) de pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, consideradas vinculadas, com a finalidade de produção de outros bens pela própria importadora. A fiscalização considerou indevida a utilização do PRL, e efetuou ajustes com base no PIC (preços independentes comparados). A Turma Julgadora excluiu do lançamento o valor do ajuste do princípio ativo Dabon, de R$ 2.699.652,93 referente a importações efetuadas no anocalendário de 1998 e de R$ 1.020.015,65 correspondente a importações efetuadas no anocalendário de 1997 com ajuste no anocalendário de 1998, e recorreu de ofício a este Conselho. Verificase que para uma das infrações (produtos importados para revenda PRL) não houve questionamento por parte da recorrente. O presente voto referese apenas ao julgamento do recurso voluntário. Os argumentos da recorrente, em apertada síntese, são: a) a aplicação do método PRL não é vedada pela Lei 9.430/96, não havendo como infirmar que a IN 38/97 ultrapassou fronteiras traçadas pela Lei; b) a título de argumentação, mesmo que se considerasse legal a restrição imposta pelo § 1º do art. 4º da IN SRF 38/97, no caso, esta não se aplicaria aos produtos da recorrente que motivaram a emissão do auto de infração, tendo em vista que os bens fiscalizados não são bens diferentes daqueles importados, mas sim os próprios bens meramente beneficiados e embalados; c) deve ser acatado o método PRL utilizado pela recorrente, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes. d) discussão sobre a aplicação da taxa selic como juros de mora. O voto do ilustre relator, apresenta o seguinte entendimento: O artigo 18 da Lei nº. 9.430/96 estabelece, com minúcias, o procedimento de apuração do preço de aquisição de mercadorias e insumos a empresas vinculadas sediadas no exterior, determinando a utilização dos métodos “Preços Independentes Comparados–PIC”, “Preço de Revenda menos Lucro–PRL” e “Método do Custo de Produção mais Lucro– Fl. 817DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 10 10 CPL”, constando do caput do mencionado preceito normativo que a definição do preço será definida por qualquer dos critérios. Não há no art. 18 da Lei nº. 9.430/96 proibição de ser utilizado, na aquisição de insumos, o método “Preço de Revenda menos Lucro–PRL”, sendo expresso o § 4º ao determinar que “na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente”. Inexistindo proibição de utilização, na hipótese descrita, do método “Preço de Revenda menos Lucro–PRL”, ou imposição de utilização de qualquer dos outros critérios, constatase que a Instrução Normativa nº. 38/1997 inovou o ordenamento jurídico nesse tópico. Sob a perspectiva da legalidade estrita, não há como se considerar a Instrução Normativa SRF nº. 38/1997 (ato infralegal), como instrumento hábil a introduzir inovações no ordenamento jurídico; todas as disposições postas na aludida Instrução Normativa devem reproduzir aquelas que expressa ou implicitamente estejam contidas na Lei Federal nº. 9.430/96. (...) Afastada a aplicação da regra do art. 4º, § 1º, da IN SRF nº. 38/1997, o preço de aquisição dos insumos pela Recorrente poderia ser calculado por qualquer dos critérios estabelecidos pelo art. 18 da Lei nº. 9.430/96, inclusive pelo método “Preço de Revenda menos Lucro–PRL”, como feito originalmente e desconsiderado pela fiscalização. Mais que isso, pelo disposto no § 4º do mencionado art. 18, quando utilizado mais de um critério, deverá prevalecer aquele que redundar no maior preço apurado, que, no caso, consoante se infere dos autos, foi o “Preço de Revenda menos Lucro–PRL”. Com estas considerações, conheço do recurso voluntário para darlhe provimento, reformando a decisão pronunciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento para declarar a legalidade da apuração do preço de aquisição dos insumos com base no método “Preço de Revenda menos Lucro–PRL”. Transcrevo da decisão de primeira instância, trecho que trata dessa matéria: 52. 0 legislador brasileiro, ao conceituar o método PRL, admitiu apenas a dedução dos custos inerentes à revenda do bem (descontos incondicionais e tributos incidentes sobre as vendas), bem como uma margem de lucro de 20%. 53. Como se vê, não é feita nenhuma referencia acerca da agregação de valor ao bem revendido. Na verdade, falta previsão legal para utilização do Método do Preço de Revenda Menos Lucro PRL, para a revenda de bens importados Fl. 818DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 11 11 submetidos a processo de industrialização (agregação de valor). 54. A Impugnante argumenta que IN SRF n° 38/1997 jamais poderia instituir a vedação absoluta à utilização do método PRL, nos casos dos produtos farmacêuticos, eis que, os princípios ativos importados, são dosados, isto é, repartidos uniformemente em quantidades usadas para fins terapêuticos, sem, contudo, serem alterados em sua essência. 55. 0 ponto crucial da questão reside na interpretação da expressão "produção de outro bem, serviço ou direito", constante do artigo 40, § 1º, da IN SRF n° 38/1997. Inexistindo na própria norma de regência, interpretação expressa acerca do significado e abrangência da expressão em comento, recorrese à regra legal de interpretação imposta pelo Código Tributário pátrio. Verbis: "Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capitulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia;" 56. No presente caso é possível, e até mesmo mandatória, a utilização dos conceitos expressos na legislação do IPI (a mais apropriada para se desvendar os conceitos que envolvem os processos produtivos industriais), por força do inciso I do art. 108 da Lei n°. 5.172/1966 (CTN). 57. 0 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/82 (aprovado pelo Decreto n° 87.981/1982) e RIPI/98 (Decreto n° 2.637/1998), em seus artigos 3º e 4°, respectivamente, com fundamento na Lei n° 4.502/1964 e no artigo 46 do CTN, rezam que caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); ou a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento). 58. No caso sob exame, à luz dos Regulamentos do IPI, os produtos produzidos pela Impugnante constituem bem diverso da matéria prima que lhes deu origem, eis que em sua formulação são adicionados excipientes e até mesmo outros princípios ativos que conferem, de forma inconteste, Fl. 819DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 12 12 característica diversa à matéria prima importada. Os produtos obtidos após essas operações são, portanto, outros produtos, ainda que conservem em seu núcleo os respectivos princípios ativos. 59. No tocante a autorização de utilização do método PRL, na hipótese de bens importados aplicados à produção, constante do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002, cumpre esclarecer que a citada autorização decorre do disposto no artigo 2° da Lei n° 9.959/2000 que deu nova redação ao artigo 18 da Lei n° 9.430/1996, acrescentando a opção de utilização do método PRL para bens importados aplicados à produção, a saber: "Art. 2° A alínea "d" do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (...) Art. 12. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de I° de janeiro de 2000". (g.n) 60. Assim, em face do exposto, não se vislumbra no presente caso qualquer ilegalidade na redação da IN SRF n° 38/1997. (...) Em relação a essa matéria, nada há a ser acrescentado aos fundamentos da Turma Julgadora, acima transcritos. Quanto à discussão sobre os juros de mora, aplicase a súmula nº 4 do CARF, a seguir reproduzida: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Fl. 820DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 140100.065 S1C4T1 Fl. 13 13 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por IVETE MALAQUI AS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HUGO CORREIA SOTERO
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Numero do processo: 12448.734719/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
O direito à dedução de despesas médicas está condicionado ao atendimento de todos os requisitos previstos no art. 8º da Lei nº 9.250/95 c.c. art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, com comprovação da efetividade dos serviços prestados pelo profissional de saúde e do respectivo pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Vencidos o relator e os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho e Carlos Alexandre Tortato, que davam provimento ao recurso voluntario, de maneira a restabelecer a dedução das despesas comprovadas no montante de R$ 5.767,20 (cinco mil, setecentos e sessenta e sete reais e vinte centavos), nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto vencedor.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito à dedução de despesas médicas está condicionado ao atendimento de todos os requisitos previstos no art. 8º da Lei nº 9.250/95 c.c. art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, com comprovação da efetividade dos serviços prestados pelo profissional de saúde e do respectivo pagamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 47 19 /2 01 1- 39 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Vencidos o relator e os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho e Carlos Alexandre Tortato, que davam provimento ao recurso voluntario, de maneira a restabelecer a dedução das despesas comprovadas no montante de R$ 5.767,20 (cinco mil, setecentos e sessenta e sete reais e vinte centavos), nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto vencedor. André Luis Marsico Lombardi Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.734719/201139 Acórdão n.º 2401004.250 S2C4T1 Fl. 65 3 Relatório CELIA LIMA DE ARAUJO, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1251.591/2012, às fls. 42/46, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de glosas de deduções indevidas de despesas médicas por falta de comprovação e/ou previsão legal, em relação ao exercício 2010, conforme peça inaugural do feito, às fls. 05/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 12/09/2011, nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. A contribuinte apresentou impugnação questionando apenas a glosa da despesa com a Leblontop Academia de Ginástica, concordando com as demais glosas, assim o julgador de primeira instância analisou exclusivamente a parcela impugnada. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à fl. 55, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, suscita que quando da apresentação da impugnação parcial foi esquecido de juntar a declaração médica recomendando a prática de hidroterapia. Pugna pelo reexame da matéria suscitada na impugnação, tendo em vista ter juntado em fase recursal a declaração do médico reumatologista, o qual comprova a necessidade da hidroterapia que fora glosada pelo auditor. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, e no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 4 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas suportadas no exercício objeto do lançamento. Uma vez intimada a comproválas, a recorrente apresentou os documentos que tinha em mãos, não tendo, porém, a fiscalização admitido a documentação e/ou justificativas apresentadas, procedendo as glosas objeto do presente lançamento. Em sua defesa inaugural, a contribuinte acostou aos autos nota fiscal da academia Lebontop, a pretexto de comprovar a dedutibilidade da referida despesa, uma vez se referir à sessões de fisioterapia. A autoridade julgadora de primeira instância, entendeu por bem manter a integralidade da notificação fiscal, em síntese, sob o seguinte fundamento: "[...] de acordo com a legislação que rege a matéria, não há qualquer previsão que possibilite o pagamento de academia de ginástica (CNAE 9313100 atividades de condicionamento físico) como se fosse hospital ou clínica. O que está especificado na legislação é que poderão ser deduzidos pagamentos efetuados a fisioterapeutas, o que não é o caso. [...]" Ainda irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são dedutíveis na declaração as despesas previstas na legislação do imposto de renda, desde que sejam comprovadas por documentação hábil e idônea, conforme documentos em anexo, impondo seja decretada a improcedência do feito, juntando declaração médica informando a necessidade do tratamento hidroterápico. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;” “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Fl. 67DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.734719/201139 Acórdão n.º 2401004.250 S2C4T1 Fl. 66 5 Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, a abrangência dos serviços de fisioterapia, deverão ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Na hipótese dos autos, a querela se resume em definir se os valores pagos pela contribuinte a academia de ginástica referemse a serviços específicos de fisioterapia ou de exercícios físicos normais. Com o fito de rechaçar a pretensão fiscal, trouxe à colação desde a ocasião da impugnação, nota fiscal informando o pagamento como de sessão de hidroterapia, além de anexar em sede recursal a declaração médica requisitando o tratamento hidroterápico. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 6 Não obstante as razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito da contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. De início, cabe ressaltar que o lançamento encontrase escorado em pura e simples presunção da autoridade lançadora, sem qualquer comprovação da imputação fiscal, o que por si só, no entendimento deste Conselheiro, já é capaz de rechaçar a exigência fiscal. O fiscal em nenhum momento contestou ou apontou a inidoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte, sequer trouxe argumentos que convalidasse sua presunção, ele apenas achou por bem desconsiderar o recibo apresentado sem verificar as informações ali contidas. Nesse aspecto, tenho o entendimento de que, a princípio, não são dedutíveis os gastos com academia de ginástica, porém in casu apesar do recibo ter como emitente uma academia, o referido gasto referese a serviços de hidroterapia, ou seja, serviço prestado por profissional de fisioterapia, podendo esse ser dedutível na declaração. No entanto, aprofundando ainda mais nos documentos trazidos à colação pela contribuinte, conjugada com suas razões de defesa, melhor sorte não está reservada ao fisco. Do exame do documento (declaração médica) colacionado aos autos junto ao recurso voluntário, à fl. 58, fica claro a necessidade do tratamento continuo de hidroterapia (fisioterapia), conforme requisitado pelo médico responsável pelo tratamento da contribuinte. Vale salientar que hidroterapia, também conhecida como fisioterapia aquática ou aquaterapia, é uma atividade terapêutica que consiste na realização de exercícios dentro de uma piscina com água em torno dos 34º, ou seja, é uma forma de fisioterapia. Ao observar com mais profundidade o recibo (nota fiscal) colacionado aos autos, não resta dúvidas quanto ao serviço prestado a recorrente, qual seja, cento e vinte sessões de hidroterapia (fisioterapia aquática) realizadas no ano de 2009. Ainda debruçado sobre o documento mencionado, substância o entendimento deste Julgador, o fato da assinatura constante no recibo (nota fiscal) ser da Dra. Kásia Medeiros Silva, fisioterapeuta inscrita no CREFITO n° 26.226F, corroborando neste caso como sendo dedutíveis esta despesa, uma vez paga e prestada por profissional de fisioterapia. Com efeito, pela documentação acostada aos autos, entendo estarem presentes os requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95 para a dedução das despesas comprovadas pela contribuinte. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, parcialmente em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, de maneira a restabelecer a dedução das despesas comprovadas no montante de R$ 5.767,20 (cinco mil, setecentos e sessenta e sete reais e vinte centavos), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.734719/201139 Acórdão n.º 2401004.250 S2C4T1 Fl. 67 7 Voto Vencedor Conselheiro Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado DA DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS O Recorrente requer o reexame da matéria suscitada na impugnação, tendo em vista ter juntado em fase recursal a declaração do médico reumatologista, o qual comprovaria a necessidade da hidroterapia, cujas despesas foram glosadas pela Administração Tributária. A matéria atinente à dedução das despesas médicas da base de cálculo do Imposto de Renda houvese por confiada à Lei nº 9.250/95, cujo art. 8º estabelece que podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda devido no anocalendário pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, estando restritas tais deduções, todavia, aos pagamentos efetuados pelo Contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitandose aos pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, sendo certo que tais deduções não se aplicam às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 8 educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) 1. R$ 2.480,66 (dois mil, quatrocentos e oitenta reais e sessenta e seis centavos) para o anocalendário de 2007; (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) 2. R$ 2.592,29 (dois mil, quinhentos e noventa e dois reais e vinte e nove centavos) para o anocalendário de 2008; (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) 3. R$ 2.708,94 (dois mil, setecentos e oito reais e noventa e quatro centavos) para o anocalendário de 2009; (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) 4. R$ 2.830,84 (dois mil, oitocentos e trinta reais e oitenta e quatro centavos) a partir do anocalendário de 2010; (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) 5. (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007) c) à quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) 1. R$ 1.584,60 (mil, quinhentos e oitenta e quatro reais e sessenta centavos) para o anocalendário de 2007; (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) 2. R$ 1.655,88 (mil, seiscentos e cinquenta e cinco reais e oitenta e oito centavos) para o anocalendário de 2008; (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) 3. R$ 1.730,40 (mil, setecentos e trinta reais e quarenta centavos) para o anocalendário de 2009; (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) 4. R$ 1.808,28 (mil, oitocentos e oito reais e vinte e oito centavos) a partir do anocalendário de 2010; (Redação dada pela Lei nº 11.482/2007) d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727/2008) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.734719/201139 Acórdão n.º 2401004.250 S2C4T1 Fl. 68 9 g) às despesas escrituradas no Livro Caixa, previstas nos incisos I a III do art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, no caso de trabalho nãoassalariado, inclusive dos leiloeiros e dos titulares de serviços notariais e de registro. §1º A quantia correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, representada pela soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, não integrará a soma de que trata o inciso I. §2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. §3o As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) No mesmo sentido, assim também dispõe o art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda. Regulamento do Imposto de Renda Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 10 Capítulo III DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Seção I Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.734719/201139 Acórdão n.º 2401004.250 S2C4T1 Fl. 69 11 pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Dessarte, para que sejam acatadas as deduções com despesas médicas mostra se necessário que o evento contemple, cumulativamente, os seguintes requisitos: · O direito à dedução abrange os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; · A dedução restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; · A dedução limitase aos pagamentos que tenham sido especificados e devidamente comprovados; · Nos documentos emitidos tem que constar a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem recebeu os pagamentos, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No caso dos autos, compulsando as provas acostadas pelo Recorrente, especialmente o recibo a fl. 11, assim como a declaração a fl. 58, constatamos que tais documentos não atendem aos requisitos previstos no art. 8º da Lei nº 9.250/95: A uma, porque não há comprovação de que o pagamento a que se refere o recibo a fl. 11 tenha tido como beneficiário determinado médico, dentista, psicólogo, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, ou hospital, haja vista ter sido emitido pela Academia de Ginástica Leblontop, obviamente, pelo uso de suas instalações, sendo certo que não há na Legislação Tributária qualquer previsão de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda das despesas efetuadas com academia de ginástica (que não se confunde com hospital e clínica médica), ainda que os exercícios nela praticados tenha decorrido de recomendação médica. A duas, porque a declaração do reumatologista, a fl. 58, apenas revela a recomendação de exercícios hidroterápicos à Recorrente, não possuindo o condão de comprovar que o pagamento a que se refere o recibo a fl. 11 tenha tido como beneficiário determinado médico, dentista, psicólogo, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, ou hospital. A três, porque não há qualquer comprovação de efetivo pagamento da despesa a que se refere o recibo a fl. 11, como assim exige o inciso III do §2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 c.c. art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 12 Regulamento do Imposto de Renda Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844/43, art. 11, § 3º). Alertese que nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a coligir aos autos uma Declaração que não supre as exigências da Lei. Por tais razões, pugnamos pela manutenção da glosa das despesas médicas. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Numero do processo: 19515.001534/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Incabível embargos de declaração quando no acórdão embargado inexiste contradição a ser sanada.
Numero da decisão: 1301-002.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: Relator José Eduardo Dornelas Souza
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MULTA ISOLADA Embargante VALMAR FONSECA DE MENEZES Interessado NACIONAL MERCANTIL COMPUTADORES E SUPRIMENTOS DE INFORMÁTICA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando no acórdão embargado inexiste contradição a ser sanada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, e José Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 34 /2 01 0- 61 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 2 Tratase de embargos de declaração opostos pelo Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, em face do Acórdão nº 1301001.680, de 25 de setembro de 2014, proferido por este Colegiado que, por maioria de votos, decidiu DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. Referido julgado restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PRELIMINARES. ARGÜIÇÃO GENÉRICA. REJEIÇÃO. A simples argumentação genérica da contribuinte, em seu Recurso Voluntário, sobre possíveis ofensas aos princípios da legalidade, da oficialidade, da informalidade, da busca pela verdade material e da razoabilidade não são aptas a inquinar de inválida qualquer providência fiscal. A eventual inobservância das específicas normas de regência devem ser objetivamente indicadas e comprovadas, sem o que, por certo, apresentamse como meros argumentos retóricos. LANÇAMENTO FISCAL. OBSERVÂNCIA AO ART. 142 DO CTN. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. DÉBITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO EM DIPJ. FALTA DE REGISTRO NA DCTF. REGULARIDADE DO LANÇAMENTO. Sendo apurado débito pela contribuinte em sua DIPJ, não havendo o competente registro na DCTF, regular se mostra o lançamento promovidos pelas autoridades fiscalizadoras. MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.(GRIFEI) Fl. 434DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.001534/201061 Acórdão n.º 1301002.090 S1C3T1 Fl. 434 3 Consta dos autos que na data de 26/05/2015, o embargante tomou ciência do acórdão recorrido quando o assinou digitalmente, na qualidade de Presidente de Turma, entendendo, nessa mesma data, opor os presentes embargos de declaração, suscitando haver contradição entre sua declaração de voto e a ementa do acórdão embargado, acima em negrito. Sustenta o embargante que a ementa do acórdão em destaque se encontra em contradição com a declaração de voto do Conselheiro, que foi lavrada no sentido de não admitir a exoneração da multa para períodos anteriores a 2007. Mediante sorteio, o processo foi redistribuído a este Conselheiro para análise de admissibilidade dos embargos, nos termos da Portaria CARF nº 34/2015, art. 5º, inciso II, alínea “b”. Às fl. 430432 encontrase o Despacho de Admissibilidade de Embargos, mediante o qual o Sr. Presidente desta 1ª Turma Ordinária concordou com a proposta formulada no sentido de que os embargos fossem admitidos e submetidos à apreciação do Colegiado. É o relatório Voto Conselheiro Relator José Eduardo Dornelas Souza Os Embargos de declaração foram opostos, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos. Deles conheço. A Embargante alega que a ementa do acórdão embargado se encontra em contradição com a declaração de voto do Conselheiro, que foi lavrada no sentido de não admitir a exoneração da multa para períodos anteriores a 2007. Analisando a decisão embargada, não vejo qualquer contradição a ser sanada. Com efeito, apesar do Embargante sustentar haver uma declaração de voto no julgamento, analisando a decisão embargada, vejo que não há qualquer declaração de voto deste Conselheiro, muito menos anotação no resultado da decisão do Colegiado atestando que este Conselheiro se comprometeu a fazer esta declaração. Indo inclusive mais além, não há qualquer registro na Ata da sessão deste julgamento sobre seu desejo de declarar o voto. Considerando que é na referida Ata que se registra os fatos ocorridos durante as deliberações do Colegiado, concluo que não há declaração de voto, neste julgamento. Para melhor entendimento, transcrevo trecho da ementa mencionada pelo Embargante: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no Fl. 435DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 4 ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Em seqüência, colaciono trechos do voto, que menciona os fundamentos de direito do voto condutor sobre a inaplicabilidade da multa isolada: Em face desses entendimentos, entendo, também no presente caso, incabível a exigência de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas, sobretudo em se tratando de lançamento formalizado após o encerramento do respectivo ano calendário, razão porque, em relação a este específico item, entendo assistir razão à recorrente Não bastasse isso, relevante observar que, no presente caso, verificase a imputação de incidência concomitante das apontadas multas isoladas e a respectiva multa de ofício, o que, conforme o pacífico entendimento deste Conselho, não se pode manter. Nesse sentido, destacase o seguinte precedente: Número do Processo: 19515.008031/200801 Contribuinte; DALLURE DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE HIGIENE LTDA Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTÁRIO Data da Sessão: 30/07/2014 Relator(a): FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Nº Acórdão: 1402001.742 (...) Ementa Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005 ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA. Salvo nos casos de que trata o artigo 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.001534/201061 Acórdão n.º 1301002.090 S1C3T1 Fl. 435 5 Assim, tendo em conta os trechos supragrifados, e considerando inexistir declaração de voto do Conselheiro Embargante, não há qualquer contradição do acórdão embargado a ser sanada, vez que ementa e a fundamentação da decisão refletem a fundamentação do votocondutor, que entendeu incabível a exigência de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas, sobretudo em se tratando de lançamento formalizado após o encerramento do respectivo anocalendário. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento aos embargos, uma vez ausente qualquer contradição. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 437DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 12963.000285/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DEFICIÊNCIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) possibilita ao contribuinte certificar-se da autenticidade do termo de início de fiscalização, mediante acesso ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Também gera efeitos jurídicos, para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea (art. 138, CTN). Todavia, eventuais omissões ou vícios em sua emissão não acarreta a automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa.
ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE DE O FISCO REQUISITAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO CONTRIBUINTE DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRECEDENTES DO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE REPERCUSSÃO GERAL.
Consoante consagrado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP, com repercussão geral, pelo plenário do STF, ocorrido em 24/02/2016, afigura-se constitucional o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permite aos Fiscos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, requisitar informações bancárias do contribuinte diretamente às instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS PAGOS POR PESSOAS FÍSICAS. ERRONÊA IDENTIFICAÇÃO DA FONTE PAGADORA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Os rendimentos de aluguéis devidos por pessoas físicas, ainda que arrecadados por empresa administradora de imóveis, submetem-se ao recolhimento mensal do carnê-leão e devem ser lançados na Declaração de Ajuste Anual como tendo sido recebidos de pessoas físicas. Entretanto, o equívoco de identificar a fonte pagadora como sendo pessoa jurídica não autoriza a fiscalização a desconsiderar os valores oferecidos à tributação.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações.
Numero da decisão: 2301-004.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, (a) negar provimento ao recurso de ofício, e quanto ao recurso voluntário (b) rejeitar as preliminares (de nulidade e de transferência de sigilo bancário por requisição direta do fisco às instituições financeiras) e, em relação ao mérito (c) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário a fim de que: (c.1) no item relativo à omissão de rendimentos relativos a aluguéis recebidos de pessoas físicas, seja excluído da base de cálculo o montante de R$ 62.294,28 e (c.2) seja cancelada a multa isolada por falta de recolhimento de carnê-leão; e (c.3) no item relativo à omissão de rendimentos em razão da existência de depósitos bancários sem origem comprovada, seja excluído da base de cálculo o montante de R$605.563,59 (R$22.240,00; R$367,14 e R$582.956,45). Fez sustentação oral a Dra. Denise Campos Fischer, OAB/DF 31.306.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Amílcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: Relator
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DEFICIÊNCIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) possibilita ao contribuinte certificarse da autenticidade do termo de início de fiscalização, mediante acesso ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Também gera efeitos jurídicos, para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea (art. 138, CTN). Todavia, eventuais omissões ou vícios em sua emissão não acarreta a automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE DE O FISCO REQUISITAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO CONTRIBUINTE DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRECEDENTES DO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE REPERCUSSÃO GERAL. Consoante consagrado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP, com repercussão geral, pelo plenário do STF, ocorrido em 24/02/2016, afigurase constitucional o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permite aos Fiscos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, requisitar informações bancárias do contribuinte diretamente às instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS PAGOS POR PESSOAS FÍSICAS. ERRONÊA IDENTIFICAÇÃO DA FONTE PAGADORA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 02 85 /2 00 7- 64 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Os rendimentos de aluguéis devidos por pessoas físicas, ainda que arrecadados por empresa administradora de imóveis, submetemse ao recolhimento mensal do carnêleão e devem ser lançados na Declaração de Ajuste Anual como tendo sido recebidos de pessoas físicas. Entretanto, o equívoco de identificar a fonte pagadora como sendo pessoa jurídica não autoriza a fiscalização a desconsiderar os valores oferecidos à tributação. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, (a) negar provimento ao recurso de ofício, e quanto ao recurso voluntário (b) rejeitar as preliminares (de nulidade e de transferência de sigilo bancário por requisição direta do fisco às instituições financeiras) e, em relação ao mérito (c) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário a fim de que: (c.1) no item relativo à omissão de rendimentos relativos a aluguéis recebidos de pessoas físicas, seja excluído da base de cálculo o montante de R$ 62.294,28 e (c.2) seja cancelada a multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão; e (c.3) no item relativo à omissão de rendimentos em razão da existência de depósitos bancários sem origem comprovada, seja excluído da base de cálculo o montante de R$605.563,59 (R$22.240,00; R$367,14 e R$582.956,45). Fez sustentação oral a Dra. Denise Campos Fischer, OAB/DF 31.306. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Amílcar Barca Teixeira Junior. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12963.000285/200764 Acórdão n.º 2301004.770 S2C3T1 Fl. 380 3 Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A partir de procedimento fiscal instaurado em face do ora Recorrente, o qual incluiu a emissão de requisições a instituições financeiras para prestações de informações sobre movimentações bancárias, a fiscalização vinculada à Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas/MS lavrou auto de infração para exigir o recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). A acusação fiscal, descrita no Termo de Verificação Fiscal (fls. 230245), restringese ao anocalendário 2002 e tem por base as seguintes infrações: (a) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas; (b) omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96; e (c) multa isolada por falta de recolhimento de antecipação de IRPF sobre os rendimentos omitidos no item (a), a título de “carnêleão”. Em consequência, a composição do débito fiscal, na data da lavratura, ocorrida em 05/11/2007, era a seguinte: principal (IRPF) ........................................................ R$ 1.194.655,86 multa de ofício (75%) ............................................... R$ 895.991,89 juros de mora ............................................................ R$ 831.573,22 multa isolada (falta de recolhimento de carnêleão) .. R$ 9.803,04 TOTAL ...................................................................... R$ 2.938.024,01 A ciência da autuação pelo Recorrente ocorreu em 08/11/2007 (fls. 246). Inconformado com o lançamento de ofício, o Recorrente apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG, por seu turno, julgoua parcialmente procedente a fim de: (i) rejeitar as preliminares arguidas; (ii) indeferir a perícia requerida; e (iii) no mérito, excluir do valor tributável a parcela de R$ 2.736.906,58, resultante da confrontação entre os saldos de aplicações financeiras constantes dos extratos bancários (R$ 10.277.425,74) e da declaração anual de imposto de renda (R$ 7.540.519,16), por não se coadunar com o quanto prescrito pelo art. 42 do Lei nº 9.430/96 (fls. 317327). Houve interposição de recurso de ofício, em virtude de o crédito tributário exonerado (principal e multa) haver superado o limite de alçada de R$ 1.000.00,00. Ainda inconformado, o Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF contra o acórdão de primeira instância, defendendo: (i) a nulidade da autuação em razão de vícios na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal; (ii) a incerteza do crédito tributário lançado, por inexistir comprovação efetiva da percepção da renda; (iii) o fato de alguns depósitos bancários terem origem em operações que não denotam renda (transferência entre contas do mesmo titular, depósito em dinheiro feito pelo próprio Recorrente, devolução de capital social); (iv) a inexistência de omissão de rendimentos de aluguéis, uma vez que os Fl. 381DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 valores lançados seriam relativos a período de apuração diverso, ou teriam sido recebidos da empresa contratada para cuidar da administração das locações, ou dependem de perícia nas contas bancárias. Em 21/11/2012, com base no art. 62A, §1º, Anexo II do antigo RICARF, os membros do CARF resolveram sobrestar o julgamento do referido recurso voluntário até decisão final, pelo Supremo Tribunal Federal, da questão envolvendo a transferência compulsória, pela instituição financeira diretamente ao Fisco, do sigilo bancário do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 22/04/2008 e o recurso voluntário foi interposto em 07/05/2008. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Da Transferência de Sigilo Bancário por Requisição Direta do Fisco às Instituições Financeiras De início, deve ser analisada a possibilidade de o Fisco federal solicitar informações sobre a movimentação bancárias de correntistas diretamente às instituições financeiras, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e nos demais diplomas regulamentares. A decisão proferida em 24/02/2016 pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP (com repercussão geral), põe uma pá de cal sobre a discussão e afirma ser constitucional tal possibilidade, nos seguintes termos: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12963.000285/200764 Acórdão n.º 2301004.770 S2C3T1 Fl. 381 5 Desse modo, é possível afirmar que as requisições feitas pela fiscalização diretamente às instituições financeiras, a respeito da movimentação bancária do Recorrente durante o período fiscalizado, possuem respaldo constitucional e servem de subsídio para a formalização da exigência constante do auto de infração. Da Nulidade do Lançamento em Razão de Vício no MPF A Recorrente alega vício nas emissões e no cumprimento de prazos constantes dos Mandado de Procedimento Fiscal – MPF a afetar a validade do lançamento de ofício. Sem razão, no entanto, o Recorrente, por duas razões. Primeiro, porque a questão já foi abordada e respondida, com significativa fundamentação de fatos (emissão das devidas prorrogações do MPF) e de direito, na decisão de primeira instância: O defendedor aborda, sob a égide do principio da legalidade e com amparo no que dispõem as Portarias SRF n. 3.007/2001 e 6.087/2005, o fato de estar o procedimento fiscal desabrigado do necessário Mandado de Procedimento Fiscal MPF, no concernente ao lapso temporal de 06 de dezembro de 2006 a 8 de novembro de 2007, esta última data correspondendo à ciência do lançamento (AR de fl. 224), o que coloca em xeque a sua validade, porquanto os seus atos preparatórios não observaram as formalidades exigidas na legislação aplicável. A citada Portaria SRF n. 6.087/2005, vigente quando da emissão do MPF de fl. 1 (hoje, a matéria encontrase sedimentada na Portaria RFB n. 4.066/2007), em relação à prorrogação de prazo, expunha em seu art. 13, caput e § 1°: "Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior, poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para o procedimento de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1°. A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante. cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7°, inciso VIII" Notase no MPF, à fl. 1, o registro do código do procedimento fiscal (22060981), mediante o qual o contribuinte obtém na Internet (sítio da Receita Federal) acesso ao acompanhamento das informações atinentes às prorrogações havidas; no caso, constam cinco (extrato de fl. 293): “MPF prorrogado até: 04 de junho de 2007 MPF prorrogado até: 29 de junho de 2007 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 MPF prorrogado até: 28 de agosto de 2007 MPF prorrogado até: 27 de outubro de 2007 MPF prorrogado até: 26 de dezembro de 2007” Verificase que todo o período envolvendo o procedimento fiscal encontravase acobertado pelo instrumento em foco e suas prorrogações, de acordo com o ordenamento destacado para a espécie. Em assim sendo, a pretensa nulidade do lançamento revela descomedimento factual, já que se observou o pleno cumprimento das formalidades requeridas para o mister. Segundo, porque o MPF é instrumento que assegura maior transparência às relações entre o Fisco e os contribuintes, ao tornar disponível a consulta no sítio da Secretaria da Receita Federal das fiscalizações iniciadas. Com isso, o contribuinte sob fiscalização tem condições de se certificar da autenticidade do termo de início lavrado. Também há efeitos jurídicos que deverão ser considerados. A ciência do MPF registra o início da fiscalização, afastando a possibilidade de o contribuinte beneficiarse dos efeitos da denúncia espontânea, presente no art. 138 do CTN. A espontaneidade, no entanto, é readquirida pelo contribuinte após o transcurso de certo prazo, contado do vencimento do MPF que não for renovado. Por outro lado, eventuais omissões ou incorreções afligindo o MPF não contaminam automaticamente a autuação, pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN. Há a necessidade de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa. Esse é o atual posicionamento da jurisprudência dominante no CARF: PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. Acórdão nº 9303003.876, de 19/05/2016 MPF NULIDADE. Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF. Acórdão nº 9101002.132, de 26/02/2015 Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12963.000285/200764 Acórdão n.º 2301004.770 S2C3T1 Fl. 382 7 Da Omissão de Rendimentos Correspondentes a Aluguéis Recebidos de Pessoas Físicas A fiscalização aduz que o Recorrente teria deixado de tributar – antecipadamente, como carnêleão, e definitivamente, na Declaração de Ajuste Anual – os valores relativos a rendimentos de aluguéis de imóveis pagos por pessoas físicas. Além do IRPF, multa de ofício de 75% e juros de mora, também foi lançada multa isolada em virtude da falta de recolhimento da antecipação (carnêleão) durante o anocalendário. A infração foi descrita no Termo de Verificação Fiscal da seguinte forma (fls. 233): Também foi objeto de constatação pela fiscalização, a omissão dos rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, que não foram informados em tabela com detalhamento mensal na declaração de ajuste anual do exercício de 2003, mas que foram devidamente reconhecidos pelo sujeito passivo através do expediente apresentado à fiscalização em 25/05/07. (Fls. 136 a 142) Por isto estamos procedendo ao lançamento de ofício do imposto de renda anual devido sobre os citados rendimentos de aluguéis, bem como ao lançamento da multa isolada sobre o carnêleão não recolhido mensalmente, cuja base de cálculo demonstramos no ANEXO 2 deste Termo. O expediente apresentado pelo Recorrente à fiscalização às fls. 136142 (fls. 155161 do processo eletrônico) referese a um documento intitulado “Informe de Rendimentos”, expedido pela empresa Mattos Consultoria de Imóveis Ltda., em favor de Orpheu José da Costa, ora Recorrente. O período de abrangência desse informe é de 01/01/2002 a 30/04/2002. Contém pagamentos realizados por pessoas jurídicas e pessoas físicas em favor do Recorrente. Os aluguéis pagos por pessoas jurídicas não foram objeto de questionamento pela fiscalização, uma vez que teriam sido devidamente tributados na Declaração de Ajuste Anual (rendimento bruto diminuído das comissões). Entretanto, os aluguéis pagos por pessoas físicas foram considerados omitidos (rendimento bruto diminuído das comissões), no montante de R$ 77.548,79. O Recorrente, por seu turno, alega que o valor tributável correto seria R$ 62.294,28, o qual teria sido devidamente reconhecido na Declaração de Ajuste Anual como rendimento recebido da empresa Mattos Consultoria de Imóveis Ltda., conforme fls. 6, abaixo: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Pois bem. A decisão de primeira instância, contudo, manteve integralmente o lançamento tanto do imposto quanto da multa isolada, porque não seria adequado identificar o rendimento como tendo sido recebido de pessoa jurídica (Mattos Consultoria de Imóveis Ltda.), mas sim das pessoas físicas locatórias. O seguinte trecho, extraído do acórdão recorrido, ilustra esse ponto (fls. 324 – os grifos são nossos): Incontestável repousa o fato de que o contribuinte não fez constar em sua DIRPF/2003, à fl. 5, os rendimentos tributáveis percebidos de pessoas físicas, embora os tenha recebido, conforme os dados extraídos pela Fiscalização do "Informe de Rendimentos", às fls. 136/142. Por seu turno, a alegação de que esses rendimentos estariam englobados naqueles declarados como percebidos de Mattos Consultoria de Imóveis S/C Ltda, em sua DIRPF/2003, no valor de R$ 62.294,28, não ilide a omissão apontada. Por certo, reconhecese que a citada administradora agiu como preposta do contribuinte, na qualidade de locador, perante os locatários, sendo, em face disso, intermediária para a cobrança/percepção dos aluguéis, mas isso não transmuda as fontes pagadoras dos rendimentos em debate. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12963.000285/200764 Acórdão n.º 2301004.770 S2C3T1 Fl. 383 9 Efetivamente, tais rendimentos deveriam ter sido reconhecidos na Declaração Anual de Ajuste como tendo sido pagos por pessoas físicas, na mesma linha de entendimento seguida pela DRJ/Juiz de Fora. Mas isso não autoriza ignorar o rendimento tributado na declaração, no montante de R$ 62.294,28. Consequentemente, o valor tributável no auto de infração a título de omissão de rendimentos com aluguéis recebidos de pessoas físicas deverá ser de R$ 15.254,51, por corresponder à diferença entre o valor constante do documento emitido pela empresa responsável pela administração dos contratos de locação, conforme identificado pela fiscalização (R$ 77.548,79) e o valor tributado pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual (R$ 62.294,28). Da Multa Isolada por Falta de Recolhimento de CarnêLeão Quanto ao lançamento da multa isolada, por falta de recolhimento da antecipação mensal do carnêleão, eu tomo conhecimento da matéria, por haver contestação genérica na parte de requerimentos do recurso voluntário (item 6), às fls. 268. Na época dos fatos (anocalendário 2002), o art. 44 da Lei nº 9.430/96 possuía a seguinte redação (os grifos são nossos): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; A redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 passou por diversas modificações, em virtude das disputas que assolaram a aplicação do dispositivo. Diante da redação da época, a jurisprudência administrativa consolidouse no sentido da inexigibilidade da multa isolada, por possuir a mesma base de cálculo da multa proporcional, caracterizando, dessa forma, dupla incidência de penalidade em relação ao mesmo fato. Vale citar os seguintes precedentes: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado. Acórdão nº 9202003.552, de 28/01/2015 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Recurso especial negado. Acórdão nº 9202003.163, de 06/05/2014 Por esse motivo, voto por cancelar a exigência da multa isolada. Da Presunção Legal de Omissão de Rendimentos em Razão de Depósitos Bancários sem Origem Comprovada O Recorrente também se insurge contra a presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, transcrito a seguir, afirmando ser necessário à validade do procedimento que a fiscalização aprofunde as investigações, a fim de estabelecer o nexo causal entre os valores depositados e as manifestações concretas de consumo de renda: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 388DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12963.000285/200764 Acórdão n.º 2301004.770 S2C3T1 Fl. 384 11 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Este CARF já foi instado a se manifestar inúmeras vezes sobre essa presunção legal. Muitas dessas manifestações tornaramse súmulas, cujo teor daquelas importantes para o deslinde do presente caso transcrevemos agora: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a Fl. 389DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Pois bem. A fiscalização observou exemplarmente todos esses enunciados, não havendo qualquer mácula que, previamente ao exame do mérito, pudesse afetar a validade do lançamento de ofício. Quanto ao mérito propriamente dito, a decisão de primeira instância entendeu que o Recorrente somente obteve êxito em comprovar a origem dos depósitos bancários no item abaixo, mantendo o lançamento de ofício para os demais (os grifos são nossos): 3 — R$ 43.900,01, em 27/06/2002, RS 2.064.079,99, em 27/06/2002, e R$ 628.926,58, em 02/07/2002, na rubrica “Resgate de Fundo". A apuração desses valores, conforme descreveu a Fiscalização, à fl. 210, resultou de haver a consideração das "aplicações financeiras declaradas — DIRPF Exercício 2003 — Declaração de Bens e Direitos — Linha 68” (fl. 9), na monta de R$ 7.540.519,16, em detrimento do "Saldo Total das Aplicações Financeiras conforme os Extratos" (fls. 190/193), de R$ 10.277.425,74; logo, a parcela de valores dessas aplicações correspondente a R$ 2.736.906,58 (R$ 10.277.425,74 — R$ 7.540,519,16) foi caracterizada como não comprovada. Infere este relator que a motivação da autoridade lançadora não se coaduna com o que prevê o indigitado art. 42 da Lei n. 9.430/1996, porquanto os extratos de fls. 190/193 são comprovantes hábeis e idôneos para o fim proposto. Na matéria em debate, os registros constantes da declaração de bens operam apenas com caráter informativo não se sobrepondo a extratos emitidos por instituição financeira, cuja inidoneidade sequer foi perscrutada pela autoridade lançadora. Salientese que as aplicações constantes daqueles extratos se deram em datas entre os anoscalendário de 1998 e 2000, não havendo que se estabelecer, em face da decadência, qualquer demanda fiscal acerca de suas origens. Em assim sendo, devem ser excluídas da tributação as importâncias colimadas, no total indicado de R$ 2.736.906,58. Realmente, com razão a decisão de primeira instância. A presunção relativa de omissão de rendimentos, outorgada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, constitui uma exceção no ordenamento jurídico. Caracterizase como instrumento hábil e eficaz contra a sonegação fiscal perpetrada pelo beneficiário que percebe renda tributável por um meio singular, o qual tem destinatário certo (o depositário), deixa vestígios (os extratos bancários), está inserido no cotidiano das pessoas e constitui a principal forma de liquidação de obrigações envolvendo valores relevantes. Nesse contexto, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 possui espectro limitado de aplicação e abrange tãosomente os depósitos realizados em contas bancárias do contribuinte cuja origem ele não conseguiu comprovar, de forma idônea. Fora desse contexto, compete à Fl. 390DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12963.000285/200764 Acórdão n.º 2301004.770 S2C3T1 Fl. 385 13 fiscalização aprofundar suas investigações e reunir provas que atestem a omissão de rendimentos. No ponto analisado pela decisão de primeira instância, vale enfatizar o conteúdo do parágrafo 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que determina a análise individualizada dos depósitos, excluídos aqueles decorrentes de transferência interbancária pelo mesmo titular: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Destarte, o recurso de ofício merece ser rejeitado. Quanto aos demais créditos bancários, objeto de recurso voluntário pelo Recorrente, a respectiva origem é analisada no quadro a seguir: Data Valor Justificativa apresentada pelo Recorrente Julgamento pela DRJ Julgamento pelo Conselheiro Relator 21/03/2002 R$ 22.240,00 tratase de transferência entre contas bancárias do mesmo titular (DOCD) lançamento mantido Embora reconheça a origem do depósito como oriundo da mesma titularidade (DOCD), DRJ manteve o lançamento porque “tributouse a diferença apurada entre transferências naquele mês de fundo de aplicação financeira, no valor de R$ 1.377.760,00 (fl. 112), e de depósitos na conta corrente do Banco Real, extratos de fls. 22/23 (R$ 1.100.000,00, em 01/03, e R$ 300.000,00, em 21/03/2002)” vide Nota (1) lançamento cancelado A aplicação da presunção relativa contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 é limitada à determinação da origem dos recursos depositados em conta bancária do contribuinte, e não pode ser alargada pela fiscalização para outras hipóteses. O fato de a origem do crédito bancário restar comprovada (DOCD: transferência de recursos entre contas do mesmo titular) afasta a presunção relativa, nos termos do art. 42, §3º da Lei nº 9.430/96 Vide Nota (2) 14/05/2002 R$ 367,14 tratase de transferência entre contas bancárias do mesmo titular (DOCD) lançamento mantido Embora reconheça a origem do depósito como oriundo da mesma titularidade (DOCD), DRJ manteve o lançamento pelas mesmas razões acima. vide Nota (3) lançamento cancelado A aplicação da presunção relativa contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 é limitada à determinação da origem dos recursos depositados em conta bancária do contribuinte, e não pode ser alargada pela fiscalização para outras hipóteses. O fato de a origem do crédito bancário restar comprovada (DOCD: transferência de recursos entre contas do mesmo Fl. 391DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 titular) afasta maiores a presunção relativa, nos termos do art. 42, §3º da Lei nº 9.430/96 03/09/2002 R$ 206.474,02 tratase de depósito em dinheiro realizado pelo próprio Recorrente, com recursos que já possuía em casa lançamento mantido embora a versão do fato alegado pelo Recorrente seja de ocorrência possível, há elementos nos autos que negam tal conclusão, como os altos valores envolvidos e do perfil das transações realizadas durante o ano calendário. vide Nota (4) lançamento mantido realmente, embora a hipótese alegada pelo Recorrente seja de realização possível, ela parece pouco crível. Além da fundamentação já exposta pela DRJ, acrescentese, ainda, um detalhe: o depósito em dinheiro de R$ 206.474 e dois centavos. Seriam, ao menos, 2.064 notas (se todas forem notas de R$ 100) e duas moedas de um centavo! 05/09/2002 R$ 582.956,45 tratase de depósito relativo à redução de capital social (liquidação) da empresa Pocauto – Poços de Caldas Automóveis Ltda., conforme histórico constante na declaração anual de ajuste lançamento mantido o Recorrente não apresentou provas da realização da transferência bancária nem da operação subjacente (venda de ativos?) vide Nota (5) lançamento cancelado considero que as provas colacionadas aos autos são suficientes para afastar a presunção relativa de omissão de rendimentos por depósito bancário de origem não comprovada. A origem do depósito encontrase provada: (a) pela descrição contida na Declaração Anual de Ajuste (fls. 10) “QUOTAS DE CAPITAL DE POCAUTOPOCOS DE CALDAS AUTOMOVEIS LTDA, CUJA ATIVIDADE FOI ENCERRADA EM 30/08/2002, COM PREJUIZO DE R$ 3.417.043,55, CUJO SALDO REVERTEU EM BENEFICIO DO TITULAR NO VALOR DE R$ 582.956,45, CONFORME RECIBO DE DEPOSITO DE 05/09/2002. –BRASIL” (b) pelo Distrato Social (fls. 311312); (c) pelas folhas do Livro Diário da empresa (fls. 349360), especialmente fls. 358. Nota 1: acórdão de 1ª instância, fls. 323: “1 R$ 22.240,00, em 21/03/2002, sob o histórico "DOCD", alegando o interessado corresponder a documento de ordem de crédito no qual são transferidos valores de uma conta corrente para outra conta corrente de instituições bancárias distintas, porém tendo o mesmo titular. Por certo, a motivação exposta justificaria a origem do depósito em foco, contudo, em face do descrito no termo de verificação fiscal, à fl. 210, é de se aclarar que, no caso, tributouse a diferença apurada entre transferências naquele mês de fundo de aplicação financeira, no valor de R$ 1.377.760,00 (fl. 112), e de depósitos na conta corrente do Banco Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12963.000285/200764 Acórdão n.º 2301004.770 S2C3T1 Fl. 386 15 Real, extratos de fls. 22/23 (R$ 1.100.000,00, em 01/03, e R$ 300.000,00, em 21/03/2002). Em assim sendo, restou pendente a importância discutida, para a qual não se deu a necessária comprovação de sua origem”. Nota 2: O DOC – Documento de Crédito é uma ordem de transferência de fundos interbancária por conta ou a favor de pessoas físicas ou jurídicas, clientes de instituições financeiras ou de instituições de pagamento, e somente pode ser remetido e recebido pelos bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial, caixas econômicas e instituições de pagamento autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Quando se tratar de transferência entre mesma titularidade devese fazer uso do DOC D (em virtude da isenção de CPMF), conforme Circular BCB nº 3224/2004. Nota 3: acórdão de 1ª instância, fls. 323: “2 R$ 367,14, em 14/05/2002, também sob o histórico "DOCD", com a mesma justificativa do numeral anterior, sendo que, na espécie, não se detecta nos autos ou informa o impugnante qual foi a conta/aplicação de origem da referida transferência, no propósito de comprovála”. Nota 4: acórdão de 1ª instância, fls. 323: “4 — R$ 206.474,02, em 03/09/2002, “Depósito", para o qual aduz o sujeito passivo que se refere a depósito em dinheiro realizado, já que possuía dinheiro em caixa, conforme fez constar na DIRPF/2003 (fl. 9). Embora haja permissivo para o contribuinte declarar dinheiro em espécie, no rol de bens e direitos da declaração de ajuste anual, isso não significa que esteja esclarecida a origem de valor depositado em setembro/2002, advindo de 31/12/2001 (R$ 980.000.00), mormente quando o saldo dessa rubrica, em 31/12/2002, é superior (1.046.000,00). Ademais, a expectativa mediana, em face dos valores envolvidos e, até mesmo, do perfil das operações financeiras trilhadas pelo interessado no decorrer do anocalendário em estudo, não ampararia tal alegação. Destarte, resta firmar a compreensão de que não se deu a devida comprovação da origem do aludido depósito”. Nota 5: acórdão de 1ª instância, fls. 323/324: “5 R$ 582.956,45, em 05/09/2002. "Depósito", quando aduziu o interessado sua decorrência do encerramento da empresa PocautoPoços de Caldas Automóveis Ltda, com prejuízo de aproximadamente R$ 3.500.000,00, de acordo com o que fez consignar na DIRPF/2003, à fl. 9, no que ainda é alicerçado pelo distrato da pessoa jurídica (fls. 288/289). Constatase que o valor em tela está presente na declaração de bens e direitos, contendo o descrito histórico; por outro lado, deixou o impugnante de trazer aos autos prova da operação que, efetivamente, proporcionoulhe receber o aludido valor, o nome de quem lhe efetuou esse pagamento e a título de quê (Venda de ativos? Quais? Como?). Dessa forma, não há corno acolher o reclamo em discussão”. Por esses motivos, o recurso voluntário interposto pelo Recorrente deve ser parcialmente provido, para excluir os seguintes valores da base de cálculo do IRPF: R$ 22.240,00; R$ 367,14 e R$ 582.956,45. Conclusão Por todo o exposto, voto por (a) negar provimento ao recurso de ofício, e quanto ao recurso voluntário (b) rejeitar as preliminares (de nulidade e de transferência de sigilo bancário por requisição direta do fisco às instituições financeiras) e, em relação ao mérito (c) dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de que: (c.1) no item relativo à omissão de rendimentos relativos a aluguéis recebidos de pessoas físicas, seja excluído da base de cálculo o montante de R$ 62.294,28; e (c.2) seja cancelada a multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão; e (c.3) no item relativo à omissão de rendimentos em razão da existência de depósitos bancários sem origem comprovada, seja excluído da base de cálculo o montante de R$ 605.563,59 (R$ 22.240,00; R$ 367,14 e R$ 582.956,45). Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 394DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13709.000071/00-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 202-00.914
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que negou provimento ao recurso.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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Numero do processo: 16327.720387/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011
AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO.
As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam - pelas atividades exercidas - como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins.
AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO.
As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam - pelas atividades exercidas - como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins.
RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO NO CUMPRIMENTO DO SEU OBJETO SOCIAL. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS.
As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras, sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005.
RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS QUE DEVEM SER INCLUÍDAS DA BASE DO PIS E DA COFINS.
As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da aplicação financeira dos recursos disponíveis, que não se constituem na própria realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras para serem incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, entretanto sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005.
AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE REPASSES. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE
É devido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base em despesas de repasses efetuados por entidades oficiais às agências de fomento, por serem, nos termos das leis de regência, insumos para a prestação dos serviços no cumprimento do seu objeto social.
Numero da decisão: 3401-003.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento parcial, nos seguintes termos: 1) quanto à forma de apuração cumulativa, por unanimidade, negar provimento; 2) quanto à exclusão do lançamento das receitas de aplicações financeiras, por unanimidade, dar provimento, votaram pelas conclusões os Conselheiros Augusto Fiel Jorge dOliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso e Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Robson José Bayerl, cabendo ao Relator consignar as razões da ilustrada maioria, in casu, que tais receitas compõem a base de cálculo, no entanto, no período autuado estava a alíquota reduzida a zero, por força do Decreto n.º 5.442/2005; e 3) quanto à caracterização como insumo do repasses oriundos do BNDES e FINAME, por maioria, deu-se provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam - pelas atividades exercidas - como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins. AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam - pelas atividades exercidas - como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO NO CUMPRIMENTO DO SEU OBJETO SOCIAL. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras, sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS QUE DEVEM SER INCLUÍDAS DA BASE DO PIS E DA COFINS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da aplicação financeira dos recursos disponíveis, que não se constituem na própria realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras para serem incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, entretanto sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE REPASSES. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE É devido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base em despesas de repasses efetuados por entidades oficiais às agências de fomento, por serem, nos termos das leis de regência, insumos para a prestação dos serviços no cumprimento do seu objeto social.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento parcial, nos seguintes termos: 1) quanto à forma de apuração cumulativa, por unanimidade, negar provimento; 2) quanto à exclusão do lançamento das receitas de aplicações financeiras, por unanimidade, dar provimento, votaram pelas conclusões os Conselheiros Augusto Fiel Jorge dOliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso e Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Robson José Bayerl, cabendo ao Relator consignar as razões da ilustrada maioria, in casu, que tais receitas compõem a base de cálculo, no entanto, no período autuado estava a alíquota reduzida a zero, por força do Decreto n.º 5.442/2005; e 3) quanto à caracterização como insumo do repasses oriundos do BNDES e FINAME, por maioria, deu-se provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-03-24T13:02:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-03-24T13:02:02Z; Last-Modified: 2016-03-24T13:02:02Z; dcterms:modified: 2016-03-24T13:02:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:099889e2-ed21-4664-8f91-04eace3097eb; Last-Save-Date: 2016-03-24T13:02:02Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-03-24T13:02:02Z; meta:save-date: 2016-03-24T13:02:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-03-24T13:02:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-03-24T13:02:02Z; created: 2016-03-24T13:02:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2016-03-24T13:02:02Z; pdf:charsPerPage: 2395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-03-24T13:02:02Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720387/201485 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.028 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria COFINS Recorrente DESENVOLVE SP AGÊNCIA DE FOMENTO DO ESTADO DE SÃO PAULO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 Ementa: AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam pelas atividades exercidas como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO NO CUMPRIMENTO DO SEU OBJETO SOCIAL. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras, sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS QUE DEVEM SER INCLUÍDAS DA BASE DO PIS E DA COFINS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da aplicação financeira dos recursos disponíveis, que não se constituem na própria realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras para serem incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, entretanto sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE REPASSES. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É devido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base em despesas de repasses efetuados por entidades oficiais às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 87 /2 01 4- 85 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 agências de fomento, por serem, nos termos das leis de regência, insumos para a prestação dos serviços no cumprimento do seu objeto social. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam pelas atividades exercidas como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins. AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam pelas atividades exercidas como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO NO CUMPRIMENTO DO SEU OBJETO SOCIAL. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras, sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS QUE DEVEM SER INCLUÍDAS DA BASE DO PIS E DA COFINS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da aplicação financeira dos recursos disponíveis, que não se constituem na própria realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras para serem incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, entretanto sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE REPASSES. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE É devido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base em despesas de repasses efetuados por entidades oficiais às agências de fomento, por serem, nos termos das leis de regência, insumos para a prestação dos serviços no cumprimento do seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento parcial, nos seguintes termos: 1) quanto à forma de apuração cumulativa, por unanimidade, negar provimento; 2) quanto à exclusão do lançamento das receitas de aplicações financeiras, por unanimidade, dar provimento, votaram pelas conclusões os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso e Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Robson José Bayerl, cabendo ao Relator consignar as razões da ilustrada maioria, in casu, que tais receitas compõem a base de cálculo, no entanto, no período autuado estava a alíquota reduzida a zero, por força do Decreto n.º 5.442/2005; e 3) quanto à caracterização como insumo do repasses oriundos do BNDES e FINAME, por maioria, deuse provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16327.720387/201485 Acórdão n.º 3401003.028 S3C4T1 Fl. 3 3 Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo cuida de autos de infração que constituem e exigem PIS (código receita 6656) e COFINS (código receita 5477) para o período de apuração de maio de 2009 a dezembro de 2011. A autoridade fiscal tem como base o entendimento de que, segundo resumo do relator da decisão de 1ª instância: " as agências de fomento não se enquadram exatamente no conceito de "instituição financeira", porquanto não podem captar recursos junto ao público; fazer redesconto; ter conta reservada no BACEN; contratar depósitos interfinanceiros, como depositante ou depositária; além de não poder ter participação societária em outras instituições financeiras. E conclui que, comparandose as agências de fomento com bancos de desenvolvimento e investimento, observamse relevantes diferenças entre as estruturas de captação de recursos e as possibilidades de operações, as quais constituem óbices à equiparação." A partir desse entendimento, a autoridade fiscal concluiu que a contribuinte não se enquadra como instituição financeira para fins de apuração do PIS e da COFINS, e que ela se submete ao regime não cumulativo e deve recolher as contribuições nos mesmos termos das demais pessoas jurídicas. Além disso, a autoridade fiscal encontrou as seguintes irregularidades: 1. Exclusão das contas n° 71400000000003 RENDAS DE APLICAÇÕES INTERFINANCEIRAS e n° 71400000000000 RENDAS COM TVM das bases de cálculo das contribuições, sob alegação de tratarse de receitas sujeitas à alíquota zero (art. 1°, § 3°, inc. I da Lei n° 10.637/2002 e art. 1°,§ 3°, inc. I da Lei n° 10.833/2003). 2. Creditamento de valores referentes às despesas de repasse BNDES/FINAME, contabilizados na conta n° 81200000000005, com base no art. 3°, inc. II da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inc. II da Lei n° 10.833/2003. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 A contribuinte defende visão oposta, pois ela afirma que deve calcular e recolher as referidas contribuições nos mesmos moldes das "instituições financeiras" (regime cumulativo, com alíquotas de 0,65%, para o Pis e 4%, para a Cofins). Em sua impugnação, ela traz as razões por que as autuações não devem prosperar, em resumo escrito pelo julgador de 1ª instância, que reproduzo pela sua clareza e objetividade: Cientificada da autuação em 22/05/2014, a Autuada apresenta, em 20/06/2014, as suas razões de discordância, abaixo sintetizadas: 1) PRELIMINARES A Impugnante suscita as seguintes razões de nulidade que, no seu entender, estariam a viciar o lançamento impugnado: a) Nulidade formal: devido à existência de erro nos cálculos de apuração dos tributos devidos. b) Nulidade por abuso de discricionariedade: o procedimento fiscal extrapolou as disposições legais sobre a matéria; além disso, quando a literalidade da lei não é suficiente à solução de conflitos, a interpretação deve favorecer sempre a parte que não pode legislar em sua defesa, qual seja, o contribuinte. Tais fatos não foram sopesados no trabalho fiscal, tornando nula a autuação. c) Nulidade pelo afastamento do princípio da verdade material: a regra não é autuar por presunção. Caso se constate alguma irregularidade quanto à formação do aspecto quantitativo do tributo, deve o agente fiscal vislumbrar essa irregularidade, e não apresentar planilha contendo erro crasso, detectado pelo contribuinte após horas de revisão daquilo que deveria ser perfeito, impecável. Pela falta de cumprimento dos ditames do art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, o auto de infração deve ser anulado. d) Nulidade por Cerceamento de Defesa: A Impugnante não teve garantida a plena possibilidade de defesa, diante dos cálculos errôneos, com fundamentação no mínimo inadequada, já que a fiscalização prendeuse à literalidade da lei (que apenas deixou de listar expressamente as Agências de Fomento), sem atentar para seus fundamentos lógicos. 2) MÉRITO As autuações partem do pressuposto de que as Agências de Fomento não são instituições financeiras, ainda que não possam funcionar sem a devida autorização do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil que, por sua vez, têm justamente o poder exclusivo de emitir normas sobre o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional. Aduz a autoridade fiscal que as Agências de Fomento não foram listadas, nos §§ 6°, 8° e 9° da Lei n° 8.212/1991, entre as pessoas jurídicas sujeitas ao regime cumulativo. Todavia, como poderiam ser listadas, se o principal dispositivo caracterizador das Agências de Fomento foi editado em 7 de agosto de 1996, logo, posterior à edição da Lei n° 8.212/91? As Agências de Fomento foram criadas para reduzir a participação do Estado na atividade financeira bancária, mas não para deixar as Unidades da Federação sem agentes financeiros que viabilizassem o investimento em projetos fomentadores da economia local. Tanto assim que a Resolução n.º 2.828/2001, baixada pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil, em seu art. 8° dispunha que às Agências de Fomento aplicarseiam as mesmas condições e limites operacionais estabelecidos para o funcionamento de Instituições Financeiras na Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e na legislação e regulamentação posteriores relativas ao Sistema Financeiro Nacional. Com amparo nos dispositivos legais existentes à época de sua constituição, a Autuada de boa fé e dentro e dos melhores princípios de hermenêutica apurou e recolheu o Pis e a Cofins pelo regime cumulativo, como as demais Fl. 551DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16327.720387/201485 Acórdão n.º 3401003.028 S3C4T1 Fl. 4 5 instituições financeiras. Tanto essa era melhor interpretação que a Lei n° 12.715/2012 (art. 70), sanando suposta omissão legislativa, equiparou expressamente as Agências de Fomento aos bancos de desenvolvimento, para fins de incidência de tributos federais. Além disso, as Leis n° 10.833/2003 e 10.637/2002, ao excepcionarem da aplicação do regime não cumulativo, pretenderam incluir todos os órgãos pertencentes à categoria de Instituições Financeiras uma vez que, embora não escrito expressamente no parágrafo 1° do art. 22 da Lei n° 8.212/199, consubstanciavase na mens legis inserir todas as Instituições Financeiras. A Administração Tributária poderia ter esclarecido os contribuintes quanto à aplicação do regime cumulativo desde o início e não o fez; vindo agora penalizar aqueles que de boafé interpretaram a lei de forma lógica e autêntica. Na esteira do entendimento exposto pela fiscalização as Agências de Fomento ficaram submetidas ao regime não cumulativo até a vigência da Lei n° 12.715/2012 e, posteriormente, ao regime cumulativo, sem que houvesse qualquer mudança fática em seu funcionamento. Conforme definido pelo art. 17 da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964 consideramse Instituições Financeiras as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Uma vez que as atividades desenvolvidas pelas Agências de Fomento se enquadram nesse conceito, é de se concluir que as mesmas se equiparam a Instituições Financeiras. Não por acaso a Lei Complementar n° 105/2001 inseriu o inc. XIII em seu artigo 1° para considerar como instituição financeira "outras sociedades que, em razão da natureza de suas operações, assim venham a ser consideradas pelo Conselho Monetário Nacional". 3) DO PEDIDO SUBSIDIÁRIO Caso se considere que a interpretação da Administração está correta, a Impugnante terá o direito de excluir créditos oriundos da aquisição de insumos, custos e despesas da base de cálculo das contribuições para o Pis e da Cofins, nos termos dos art. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, em particular os gastos com repasses ao BNDES/FINAME. Além disso, por força do Decreto 5.164/2004, os contribuintes submetidos ao regime da não cumulatividade tiveram as alíquotas do Pis e da Cofins, incidentes sobre receitas financeiras, reduzidas a zero (exceto as receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e de operações de hedge). De forma que, na apuração de eventual débito oriundo do regime não cumulativo a autoridade fiscal deveria desconsiderar tais receitas e não impor a diferença de alíquota. 4) DO PEDIDO Por fim pede a nulidade da autuação ante as preliminares apontadas e o cerceamento de defesa. Ultrapassadas as preliminares, requer a insubsistência dos autos de infração em face das razões de mérito expostas ou, subsidiariamente, sejam excluídos das bases de cálculo das contribuições valores concernentes a créditos admitidos por lei e, ainda, sejam tributadas a alíquota zero as receitas financeiras, conforme preconiza o Decreto 5.164/2004. Protesta, ainda, provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Os julgadores de 1ª instância demonstraram que, ao contrário do pretendido pela contribuinte, o Mandado de Segurança Coletivo n.º 3924404.2010.4.01.3400 não produz os efeitos de beneficiála neste processo administrativo, pois ela alcança somente os associados domiciliados no Distrito Federal, o que não é o caso da contribuinte. Além disso, ao apreciarem as contestações da contribuinte, eles não acolheram as preliminares de (a) nulidade formal do lançamento, em razão da existência de erros na planilha de apuração da Contribuição social devida, e que, em respeito aos princípios da tipicidade fechada e da legalidade, o aplicador das normas tributárias não pode se valer de presunções para apurar quaisquer dos elementos da norma matriz de incidência tributária, principalmente o quantitativo (alíquota e base de cálculo), sob pena de ofensa ao princípio da verdade material, (b) teria havido abuso de discricionariedade por parte da fiscalização, pois deve agir em conformidade com o disposto na lei, nunca além dela, situação não observada nos autos, (c ) cerceamento do direito de defesa. Para afastar essas preliminares, eles argumentaram que: (1) "os requisitos inerentes ao contraditório e à ampla defesa foram observados com a ciência integral do Auto de Infração, lavrado por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode deduzir a defesa que ora se analisa. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto n° 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento"; (2) "a atividade da autoridade fiscal é vinculada e obrigatória, nos termos dos artigos 141 e 142 do CTN, de sorte que por meio do lançamento de ofício, concretizado pelo auto de infração, a autoridade fiscal exerce seu poder/dever de exigência do crédito tributário, constituindo o título de crédito passível de cobrança por meio de execução fiscal", e que "o processo administrativo fiscal garante à Autuada o exercício do contraditório e da ampla defesa", e, portanto, "no caso, não há que se falar em abuso de discricionariedade, mas tão somente na existência de interpretações divergentes entre a Autuada e a Administração Tributária"; e (3) a contribuinte teve irrestrito acesso ao que instruiu os autos e demonstrou pleno conhecimento dos termos da fiscalização e das razões da autuação, não se constatando empecilho à sua defesa e à produção de provas, superando os erros de cálculos cometidos. No mérito, os julgadores a quo afastaram a alegação da reclamante de que, pela atividade que desenvolve, possui características de instituições financeiras, as quais foram excluídas do regime da nãocumulatividade da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. Afirmaram que as agências de fomento não se incluem entre aquelas pessoas jurídicas elencadas em numerus clausus no § 1° do art. 22 da Lei n.° 8.212, de 1991, e, portanto, não foram excluídas do regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Ademais, eles consideraram que (i) as receitas escrituradas nas contas n° 71400000000003 RENDAS DE APLICAÇÕES INTERFINANCEIRAS e n° 71500000000000 RENDAS COM TVM decorrem da própria atividade operacional da contribuinte, e que elas não se qualificam como receitas financeiras e, assim, sujeitamse à tributação pelo Pis e pela Cofins; (ii) as despesas de repasse, não se enquadram na categoria de insumos (os valores representado pelas Despesas com Repasses pagas ao BNDES/FINAME, constantes do grupo COSIF 81200000000005, cujo aproveitamento dos créditos foi glosado pela fiscalização) e não há na legislação tributária hipótese específica de crédito em relação a tais despesas, devese considerar correta a glosa efetuada pela fiscalização. Eles reconhecem que houve erros na apuração dos valores devidos, e, após as correções que saneiam os erros de cálculo das planilhas, consideram a impugnação procedente em parte. O Acórdão n. 0261.306, proferido em 27/10/2014 pela respeitável 1ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte ficou assim ementado: Acórdão 3261.306 1a Turma da DRJ/BHE Fl. 553DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16327.720387/201485 Acórdão n.º 3401003.028 S3C4T1 Fl. 5 7 Sessão d » 27 de outubro de 2014 Processo 16327.720387/201485 Interessado DESENVOLVE SP AGÊNCIA DE FOMENTO DO ESTADO DE SÃO PAULO S.A CNPJ/CPF 10.663.610/000129 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam pelas atividades exercidas como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS. IMPOSSIBILIDADE. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da realização de seu objeto social, não se qualificam como receitas financeiras, sendo a elas inaplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE REPASSES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É indevido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base em despesas de repasses efetuados por entidades oficiais às agências de fomento, por falta de previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam pelas atividades exercidas como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS. IMPOSSIBILIDADE. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da realização de seu objeto social, não se qualificam como receitas financeiras, sendo a elas inaplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE REPASSES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE É indevido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base em despesas de repasses efetuados por entidades oficiais às agências de fomento, por falta de previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Havendo nos documentos que compõe a autuação informações claras e precisas acerca do fato tributário apurado, não há que se falar em obscuridade e cerceamento de direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. ERROS ARITMÉTICOS NA APURAÇÃO DO TRIBUTO. As causas de nulidade do lançamento estão previstas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; demais Irregularidades, incorreções e omissões não importarão nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto n° 70.235, de 1972. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 1a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Irresignada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio do qual apresentou as razões por que roga pela reforma da decisão recorrida, em resumo: · que a contribuinte tem objeto social e atividades que a enquadram na hipótese que faze merecer o tratamento tributário negado pela autoridade fiscal. A respeito ela explica: A Recorrente é pessoa jurídica de direito privado tendo como objeto social, conforme seu Estatuto Social, "a promoção do desenvolvimento econômico do Estado de São PauJ podendo, para tanto, conceber e implantar ações de fomento s diferentes modalidades a que alude a Resolução n° 2.828, de 30 de março de 2001, do Conselho Monetário Nacional, ou outras que venham a substituíla ou alterála, e demais normas que regulam as Agências de Fomento, incluindo o financiamento de capital fixo e de giro, associados a processos produtivos no Estado de São Paulo e a administração dos Fundos Especiais de Financiamento e Investimento do Estado de São Paulo. Também estão englobadas no objeto social da Agência: i) a prestação de garantias, observada a regulamentação em vigor; ii) a prestação de serviços de consultoria e de agente financeiro; e iii) a prestação de serviços como administradora de fundos de desenvolvimento, observado o disposto no art. 35 da Lei Complementar Federal n^ 101, de 4 de maio de 2000." · Não deve ser mantida a penalidade por que a lei complementar (o art. 112 do CTN, caput e incisos) define que não se deve aplicar a penalidade, ou aplicar a mais favorável, quando não há previsão na lei ou há dúvidas a respeito da capitulação dos fatos, inclusive quando há boa fé da contribuinte. Sua argumentação foi: Mas, ainda que não fosse Instituição Financeira, a multa não deveria ser aplicada, devendo ser observado a boafé que rege as relações tributárias, pois, a própria fiscalização afirma que "...por falta de previsão legal." Ora, se é por falta de previsão legal, então estamos diante de um fato para o qual não há regulação legal específica. E, no presente caso, sem sombra de dúvidas, devese aplicar o artigo 112 do CTN, sendo que as questões envolvendo a supremacia de Leis Complementares serão enfrentadas à frente; entretanto, necessário se faz a transcrição do artigo neste momento, senão vejamos (....) · não se pode dar o mesmo tratamento tributário as financeiras advindas de seu objeto social e às receitas financeiras advindas da aplicação de seus recursos disponíveis que realiza em bancos e instituições comerciais Ainda que se considere na busca da aplicação legal o objeto social da Recorrente e, reconheçase que as receitas financeiras advindas das consecução do seu objetivo social sejam insumos para fins tributários do PIS e da COFINS, o mesmo não se poderia dizer, em qualquer hipótese, das receitas financeiras auferidas a partir da aplicação de seus recursos disponíveis em títulos e valores mobiliários de outras instituições comerciais, porque o mesmo conjunto legal que permite, equivocadamente ao nosso ver, a primeira interpretação, por forçosa consequência exige a segunda. · devem ser considerados insumos, para fins de apuração do PIS e da COFINS, os recursos obtidos junto ao BNDES repassados a terceiros, estranhos ao seu capital social, para cumprir seu objeto social e sua atividade de fomento de atividades produtivas. Suas argumentações a respeito são: Fl. 555DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16327.720387/201485 Acórdão n.º 3401003.028 S3C4T1 Fl. 6 9 E mais, se as receitas financeiras advindas da consecução de seu objetivo social são insumos para fins tributários (nas quais aplicase o capital da Recorrente), o que dizer en, quando esta, no seu papel de fomento, utilizase de recursos do BNDES, na modalidade de agente repassador, para consecução idêntica? Ora, se seu próprio capital e suas receitas são insumos, como pôde a Receita Federal deixar de reconhecer que, com mais propriedade, ainda, são também insumos os recursos obtidos do BNDES e repassados para fomentar atividades produtivas de terceiros estranhos à formação do capital da Recorrente? · há decisões do CARF que reconhecem que as agências de fomento devem receber tratamento oposto ao estabelecido pela autoridade fiscal neste processo. Invoca o principio da isonomia, para que os semelhantes recebam tratamento igual. Acórdãos paradigmas que serão ventilados demonstram que a tributação à alíquota zero e a não cumulatividade devem prevalecer e, se o entendimento for diferente neste caso, estaremos ferindo frontalmente princípio insculpido em nossa Lei Maior, o sacrossanto princípio da isonomia. Senão vejamos · A receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do § 1 º do art. 3º da Lei 9.718/1998: A declaração de inconstitucionalidade do § 1º. Do art. 35. Da Lei n9 9718/98 já foi declarada em repercussão geral. Portanto a ampliação da base do faturamento está fora de questão. E desta forma não pairam dúvidas que os acórdãos e decisões paradigmas se aplicam à Recorrente. · Com relação aos demais tópicos, também razão nenhuma assiste aquela Delegacia de Julgamento, uma vez que se a Recorrente não se caracteriza como Instituição Financeira, embora sendo componente do Sistema Financeiro, não deveria se submeter à fiscalização de órgãos financeiros e nem ter julgamentos em Delegacias Especializadas em Instituições Financeiras, ora pois. Ao final, pediu: 1. a reforma completa da decisão recorrida para que se estabeleça o que se pediu tanto o quanto já havia sido pedido no recurso inicial à Receita Federal. 2. o afastamento das multas, pois uma vez que inexiste previsão legal, presente está que não houve máfé, devendo prevalecer o princípio da boafé que rege a relação tributária, além da aplicação e princípio esculpido no artigo 112 do Código Tributário Nacional. 3. Se ainda, a decisão se der apenas parcialmente em favor da Recorrente, requerse o afastamento das receitas financeiras totais à alíquota zero dando o direito à Recorrente de excluir da base de cálculo de receita financeira o PIS e COFINS, nos moldes dos acórdãos paradigmas, direito esse já reconhecido pelo CARF, pela Receita Federal do Paraná, pela Justiça Federal de Manaus. 4. o reconhecimento de que os recursos advindos do BNDES entregues à Recorrente para a consecução de seu objeto social e que por ela foram integralmente repassados à terceiros estranhos ao seu capital social, sejam considerados insumos para fins fiscais. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Sobre a classificação das agências de fomento como instituição financeira singular e seu enquadramento no regime não cumulativo do PIS e da COFINS: Este é um ponto central dessa lide: a agencia de fomento poder ser considerada instituição financeira merecedora de ser excluída do regime não cumulativo. A contribuinte, para defender seu entendimento, alega seu objeto social e suas atividades, e invoca decisões proferidas no CARF. Nessa matéria, após ler e refletir a respeito da legislação, argumentos e informações que constam do processo, chego a entendimento divergente da proposta pela contribuinte. A meu ver, apesar de as agências de fomento integrarem o Sistema Financeiro Nacional, considerando as atividades por elas exercidas, elas não se equiparam a instituições financeiras excluídas do regime não cumulativo, nos termos da legislação citada e vigente no período apurado nos autos de infração. Concordo com a autoridade administrativa e com os julgadores de 1º piso que as agências de fomento se diferenciam das demais instituições financeiras pelo fato de terem objeto social mais restrito que as das demais instituições financeiras, que as agencias de fomento se dedicam apenas à concessão de financiamento de capital fixo e de giro. E que, segundo o Banco Central, essas entidades têm status de instituição financeira, mas não podem captar recursos junto ao público, recorrer ao redesconto, ter conta de reserva no próprio Banco Central, contratar depósitos interfinanceiros na qualidade de depositante ou de depositária e nem ter participação societária em outras instituições financeiras (Resolução CMN 2.828, de 2001). E também, é incontornável que o § 1º do artigo 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, lista exaustivamente as pessoas jurídicas tratadas pelo §§ 6, 8 e 9 do artigo 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, por sua vez, beneficiadas pelo regime cumulativo definido pelo artigo 8º da Lei n. 10.637, de 2002, e artigo 10 da Lei n. 10.833, de 2003, e que nesta lista não consta ou faz parte as agências de fomento. Ou seja, elas não foram beneficiadas pelo regime cumulativo. Portanto, a agências de fomento são entidades singulares integrantes do sistema financeiro e submetidas ao regime não cumulativo. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16327.720387/201485 Acórdão n.º 3401003.028 S3C4T1 Fl. 7 11 Sobre a alegação de que não deveria ser mantida a penalidade por que a lei complementar (o art. 112 do CTN, caput e incisos) define que não se deve aplicar a penalidade, ou aplicar a mais favorável, quando não há previsão na lei ou há dúvidas a respeito da capitulação dos fatos, inclusive quando há boa fé da contribuinte. A penalidade em discussão é a multa de ofício prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n. 9.430, de 1996, e incluída nos autos de infração. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A contribuinte alega sua boa fé e que à situação deverseia aplicar o artigo 112 do CTN, por que a autoridade lançadora afirmou que não "havia previsão legal", e não se pode penalizar o que não tem regulação legal específica. A alegação da contribuinte não me convence. A divergência de entendimento a respeito da agencia de fomento se enquadrar ou não nas hipóteses de regime cumulativo, ou a divergência a respeito da definição de receitas para compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, não correspondem, em minha visão, às situações tratadas pelo artigo 112 do CTN. A "falta de previsão legal" citada pela autoridade lançadora e recordada pela recorrente se refere ao fato que a contribuinte pretende ser beneficiária de tratamento tributário e fiscal, mas que as leis citadas não prevêem que a agencia de fomento possam merecer esse tratamento. E a esse respeito a autoridade lançadora não teve dúvidas. A multa de ofício se justificou pela constatação que a contribuinte não recolheu o valor total dos tributos devidos, fato que se subsume ao previsto no texto da Lei para a exigência da multa de ofício. Não há dúvidas sobre a capitulação legal desse fato, nem quanto à sua natureza, ou à sua autoria, a sua imputabilidade à contribuinte, ou à sua aplicação ao caso. A alegação de boa fé também não pode prosperar. A multa em questão, na alíquota aplicada, não cogita a respeito da intenção do devedor do tributo. A inteligência do artigo 138 do CTN é a que rege a situação, não havendo base em lei para a multa de ofício não incidir, ou ser excluída. Sobre a alegação de que não se pode dar o mesmo tratamento tributário as financeiras advindas de seu objeto social e às receitas financeiras advindas da aplicação de seus recursos disponíveis que realiza em bancos e instituições comerciais A autoridade fiscal estabelece as razões para os lançamentos a partir da constatação de que a contribuinte não inclui na base de cálculo dessas contribuições as receitas Fl. 558DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 referentes às contas: n°714000000003 RENDAS DE APLICAÇÕES INTERFINANCEIRAS e n° 7150000000000 RENDAS COM TVM Consoante o que informa em seu termo, para a autoridade lançadora: 1) Ao apurar a Base de Cálculo dos Tributos, a fiscalizada excluiu as contas n°71400000003 RENDAS DE APLICAÇÕES INTERFINANCEIRAS e n° 7150000000000 RENDAS COM TVM, alegando se tratar de receitas sujeitas à alíquota 0 (zero), com base nos art. 1o, §3°, inciso I da Lei 10.637/02 e art. Io, §3°, Inciso I da Lei 10.833/03, regulamentadas pelo art. Io do Decreto n° 5.442/05. ' 2) Ao contabilizar os créditos de PIS/PASEP e COFINS a serem abatidos dos tributos apurados, a Fiscalizada considerou como insumo, as despesas de repasse BNDES/FINAME contabilizados na conta n° 81200000000005, com base no art. 3o, inciso II da Lei 10.637/02 e art. 3o, inciso II da Lei n. 10.833/03.. Em suma, as exclusões e os créditos utilizados pela Desenvolve SP, que geraram as divergências acima, não encontram respaldo com a legislação vigente à época, conforme será demonstrado nos itens E RECEITAS FINANCEIRAS NAS AGÊNCIAS DE FOMENTO E SUA TRIBUTAÇÃO e F DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE REFERENTE À DESPESA DE REPASSES (...) E R E C E I T A S F I N A N C E I R A S N A S A G Ê N C I A S D E F O M E N T O E S U A T R I B U T A Ç Ã O A Fiscalizada, ao se submeter à sistemática nãocumulativa de cálculo dessas contribuições, tributou as receitas oriundas de aplicações financeiras utilizando a alíquota reduzida a zero, alegando se enquadrar no art. Io, §3°, inciso I da Lei 10.637/02 e art. 1º, §3°, Inciso I da Lei 10.833/03, ambos regulamentados pelo art. Io do Decreto nº 5.442/05/ conforme consta no Demonstrativo de Apuração do PIS/PASEP e COFINS apresentado em resposta ao Termo de Intimação n° 03. (Arquivo: PIS_COFINS NÃOCUMULATIVO.xIxs) A Resolução n° 2.828, de 30 de março de 2001 do Conselho Monetário Nacional, dispõe sobre a constituição e o funcionamento de agências de fomento, in verbis: Art. 10 Estabelecer que dependem de autorização do Banco Central do Brasil a constituição e o funcionamento de agências de fomento sob controle acionário de Unidade da Federação, cujo objeto social é financiar capital fixo e de giro associado a projetos na Unidade da Federação onde tenham sede. ( . . . ) ' i Art. 3o As agências de fomento podem realizar, na Unidade da Federação onde tenham sede, as seguintes operações e atividades, observada a regulamentação aplicável em cada caso: I financiamento de capitais fixo e de giro associado a projetos; II prestação de garantias em operações compatíveis com o objeto social descrito no art. I o ; III prestação de serviços de consultoria e de agente financeiro; IV prestação de serviços de administrador de fundos de desenvolvimento, observado o disposto no art. 35 da Lei Complementar n° 101, de 4 de maio de 2000; V aplicação de disponibilidades decaixa em títulos públicos federais, inclusive por meio de operações compromissadas de que trata a Resolução n° 3.339, de ■ 26 de janeiro de 2006; VI cessão de créditos; VII aquisição, direta ou indireta, inclusive por meio de fundos de investimento, Fl. 559DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16327.720387/201485 Acórdão n.º 3401003.028 S3C4T1 Fl. 8 13 de créditos oriundos de operações compatíveis com o objeto social descrito no art. 1°; VIII participação acionária, direta ou indireta, no País, em instituições não financeiras, observadas as seguintes condições: IX swap para proteção de posições próprias; X operações de crédito rural; XI financiamento para o desenvolvimento de empreendimentos de natureza profissional, comercial ou industrial, de pequeno porte, inclusive a pessoas físicas; XII operações específicas de câmbio autorizadas pelo tBanco Central do Brasil; i XIII operações de arrendamento mercantil financeiro: O artigo 2o do Estatuto Social da Desenvolve SP descreve o seu objeto social: ARTIGO 2 o Constitui o objeto da Agência a promoção do desenvolvimento econômico no Estado de São Paulo, podendo, para tanto, conceber e implantar ações de fomento sob as diferentes modalidades a que alude a Resolução n° 2.828, de 30 de março de 2001, do Conselho Monetário Nacional, ou outras que venham a substituíla ou alterála, e demais normas que regulam as Agências de Fomento, incluindo o financiamento de capital fixo e de giro associados a projetos produtivos no Estado de São Paulo e a administração dos Fundos Especiais de Financiamento e Investimento do Estado de São Paulo. Parágrafo primeiro Também estão englobadas no objeto social da Agência: I . a prestação de garantias, observada a regulamentação em vigor; . II. a prestação de serviços de consultoria e de agente financeiro; e III. a prestação de serviços como administradora de fundos de desenvolvimento, observado o disposto no art. 35 da Lei Complementar Federal n° 101, de 4 de maio de 2000. Parágrafo segundo É expressamente proibida a realização pela Agência: I. de qualquer operação de crédito ao Estado de São. Paulo, ou a ■quaisquer entidades controladas^ direta ou indiretamente pela Administração Pública estadual; II. a prestação de garantia ao Estado de São Paulo, aos Municípios ou a quaisquer entidades controladas direta ou indiretamente pela Administração Pública estadual ou municipal; III. de recebimento de repasses do Tesouro do Estado de São Paulo para cobertura de despesas de pessoal ou de custeio. Parágrafo terceiro A concessão de operações de créditos com os Municípios ou quaisquer entidades controladas direta ou indiretamente pela Administração Pública Municipal, fica condicionada à outorga de garantias, na forma estabelecida pela Agência. Desta forma o faturamento das agências de fomento é o somatório das receitas operacionais típicas da pessoa jurídica, em face da natureza de sua atividade fim, desenvolvida nos termos do seu objeto social, e assim o sendo, está sujeito à incidência das contribuições em causa. O relevante para as leis que dispõem sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica, conforme excertos extraídos das normas em questão: PIS/PASEP: (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar,constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da Fl. 560DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da Cofins e do PIS/Pasep. Desse modo, a Receita considerada como Financeira pela Desenvolve SP deve ser considerada como resultado operacional, pois é atividade empresarial definida em seu objetivo social, não sendo considerada, portanto, sujeita a incidência da alíquota zero prevista no Decreto n°5.442/05. A contribuinte reclama que as receitas financeiras auferidas a partir da aplicação de seus recursos disponíveis em títulos e valores mobiliários de outras instituições comerciais merecem a alíquota zero em conformidade com o Decreto n.5.442, de 2005, e devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. (a) as receitas registradas nessas contas são provenientes de atividade central da contribuinte e elas não foram excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998; (b) que a contribuinte é uma instituição financeira e apenas presta serviços que abarcam os denominados serviços bancários e as denominadas intermediações financeiras de modo que as receitas de prestação de serviços abrangeria as receitas dos serviços bancário, por exemplo, pela cobrança de tarifas, e também as receitas advindas das operações bancárias cita o Parecer PGFN CAT n. 2.773/2007; ( c) e que as ações judiciais ingressadas pelo contribuinte não decidem em contrário a esse entendimento. Além disso, a contribuinte entende que as receitas de intermediação financeira estariam abarcadas pela tentativa de alargamento da base de cálculo dessas contribuições através do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718 de 1998, e que foi considerado inconstitucional pelo STF. Analisemos, portanto, as alegações da contribuinte e o entendimento da autoridade fiscal, sobre essa matéria. Primeiramente, a alegação de que a decretação judicial de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, beneficia a contribuinte nesta matéria: De fato, à mais Alta Corte continuam sendo encaminhados pedidos para os Ministros profiram decisões para esclarecer o alcance daquela declaração de inconstitucionalidade e esclarecer o que compõe a base de cálculo dessas contribuições, e pedidos para que eles profiram novas decisões sobre esses tópicos para situações ou fatos aparentemente por ela não alcançados. Este é o caso, a meu ver, do RE 609.096/RS, que aguarda apreciação pelos Ministros e se refere à definição de quais são as receitas auferidas por instituições financeiras que devem sofrer a incidência dessas contribuições. Após ler e analisar várias decisões proferidas pelo STF, e as transcrições de alguns dos diálogos entre os Ministros nesses julgamentos, se referindo à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, e sobre a definição da base de cálculo do PIS e da COFINS, tais como, por exemplo, na ADCon n. 011/DF, RE 390.8405/MG, RE 346.084/PR, RE 150.755, e outros, tenho o entendimento e convicção que o STF considerou inconstitucional aquele § acima citado no que ele pretendia ampliar o conceito de receita bruta para alcançar a totalidade das receitas ganhas pelo contribuinte por exemplo: juntando as Fl. 561DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16327.720387/201485 Acórdão n.º 3401003.028 S3C4T1 Fl. 9 15 receitas operacionais e as não operacionais ; e que para os Ministros haveria uma sinonímia entre receita bruta e faturamento. E que o alargamento da base de cálculo implicaria em nela incluir as demais receitas que não são decorrentes das atividades empresariais, das suas atividades operacionais correntes, e que isso não seria admissível na forma como foi feito, por isso sua invalidação pelo STF. Como exemplo, eles citam as receitas de alugueis, royalties, rendimentos de aplicações financeiras, ingressos financeiros, juros e outras, que não seriam derivadas das atividades típicas da pessoa jurídica, mas seriam receitas eventuais, que não corresponderiam ao seu negócio ou objeto social. Senhores Conselheiros, deixo de reproduzir os trechos dos diálogos dos Ministros do STF e das decisões por ele proferidas a que me refiro, por saber serem eles de vosso pleno conhecimento, e também para não estender este voto para além do necessário. Mas, não se pode ter dúvida que, até o momento, para as instituições financeiras, as receitas de intermediação financeira não foram positiva e inequivocamente excluídas do campo de incidência do PIS e da COFINS pelas Mais Elevadas Cortes. E repito, concorre para essa certeza o fato de termos o RE 609.096/RS aguardando oportunidade para proporcionar essa esperada pacificação de entendimento. Portanto, não pode prosperar a afirmação da recorrente que a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, definiu que as receitas de intermediação financeira auferidas pelas instituições financeiras estariam excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Por isso concluo que as receitas financeiras advindas das atividades do cumprimento de seu objeto social devem compor a base de cálculo dessas contribuições sociais. Entretanto, em minha opinião, os valores obtidos pela contribuinte em aplicações financeiras (ex.: fundos de investimentos, títulos de renda fixa, títulos de valores mobiliário, etc) não podem ser considerados como resultantes de suas atividades típicas, pois se constituem pelo aproveitamento de eventual recurso disponível, e não o retorno de sua atividade operacional, como é caso das receitas de intermediação financeira. Por isso, acreditei que, no caso em discussão, as receitas provenientes de aplicações financeiras mereceriam o tratamento tributário (alíquota zero) dado pelo Decreto n.º 5.442/2005 e também deveriam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ocorre que registro neste voto que a maioria dos Conselheiros, neste julgamento, decidiu considerar que as receitas financeiras em discussão devem, sim, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, mas que, no caso sob exame, elas merecem o tratamento tributário previsto no Decreto n. 5.442/2005, qual seja, a alíquota zero. Sendo essa a decisão do Colegiado, essa é a razão sintetizada na Ementa deste Acórdão. Sobre serem considerados insumos, para fins de apuração do PIS e da COFINS, os recursos obtidos junto ao BNDES repassados a terceiros, estranhos ao seu capital social, para cumprir seu objeto social e sua atividade de fomento de atividades produtivas. A contribuinte, em resumo, apresenta a seguinte argumentação a esse respeito: Fl. 562DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 Os julgadores de 1º piso concluíram que as despesas de repasses pagas ao BNDES/FINAME, constantes do grupo COSIF n. 812000000005, que haviam sido glosadas pela autoridade fiscal, não teria direito a crédito por não se enquadrarem no conceito de insumos e não existir na legislação hipótese específica em relação a tais créditos. Nessa matéria, pareceme que a razão assiste á recorrente. As Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto ou serviço vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Como prelecionou o I. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no voto do Acórdão n.º 3202001.285 (processo n. 10983.720583/201359), tratando de matéria idêntica, posição que adoto para o julgamento em curso: "a captação de valores monetários para posterior empréstimo, a juros favorecidos, aos mutuários da recorrente, na impossibilidade de os empréstimos serem realizados apenas com recursos próprios, a nosso sentir qualificase perfeitamente como insumo utilizado na prestação dos serviços que a recorrente realiza. Afinal, tais serviços (a obtenção desses recursos) são tomados para tornar possível a prestação dos serviços realizados pela recorrente (a concessão dos empréstimos aos mutuários)." Por isso, proponho a este Colegiado seja reconhecido o direito de crédito referente ás despesas de repasses aqui tratadas. Conclusão: Fl. 563DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16327.720387/201485 Acórdão n.º 3401003.028 S3C4T1 Fl. 10 17 Ante o exposto, tendo em vista a votação obtida para cada tema tratado neste julgamento, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para determinar à unidade de jurisdição o recálculo dos valores devidos computando: · a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores obtidos em aplicações financeiras pela razão deles merecerem o tratamento previsto no Decreto n. 5.442/2005; · o direito de crédito referente às despesas de obrigações por empréstimos e repasses, que haviam sido glosados pela autoridade fiscal. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 564DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 16682.720777/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO. DIREITO ADQUIRIDO. DECRETO-LEI Nº 1.572/77. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA TÍTULO DE UTILIDADE PÚBLICA. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte - entidade beneficente de assistência social - que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório. Mais a mais, não sendo a entidade reconhecida como de Utilidade Pública, anteriormente ao Decreto-Lei nº 1.572/77, não há se falar em direito adquirido.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO. DIREITO ADQUIRIDO. DECRETOLEI Nº 1.572/77. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA TÍTULO DE UTILIDADE PÚBLICA. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório. Mais a mais, não sendo a entidade reconhecida como de Utilidade Pública, anteriormente ao DecretoLei nº 1.572/77, não há se falar em direito adquirido. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 77 /2 01 2- 44 Fl. 3337DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 3338DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16682.720777/201244 Acórdão n.º 2401004.395 S2C4T1 Fl. 597 3 Relatório ASSOCIAÇÃO SOCIEDADE BRASILEIRA DE INSTRUÇÃO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0735.014/2014, às fls. 1.171/1.176, que julgou procedentes os lançamentos fiscais, emitidos em 26/11/2012, referentes às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2008 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal, às efls. 1.423/1.470, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: 1) AIOP nº 37.385.4960 Referente às contribuições previdenciárias a cargo de segurados empregados e de segurados contribuintes individuais, incidente sobre as remunerações registradas na folha de pagamento e não declaradas em GFIP; 2) AIOP nº 37.385.4978 Referente às contribuições previdenciárias a cargo de segurados contribuintes individuais, cujas remunerações foram escrituradas na contabilidade mas não foram informadas em folha de pagamento, tampouco declaradas em GFIP; 3) AIOP nº 37.385.4986 Referente às contribuições previdenciárias a cargo de segurados contribuintes individuais, incidente sobre as remunerações declaradas em DIRF, mas não localizadas na contabilidade e na folha de pagamento, tampouco foram declaradas em GFIP; 4) AIOP nº 37.374.9678 Referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidente sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, e que foram declaradas em GFIP com código FPAS 639 destinado a entidades beneficentes de assistência social; 5) AIOP nº 37.374.9686 Referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, cujas remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais foram registradas em folha de pagamento, mas que não foram declaradas em GFIP; 6) AIOP nº 37.374.9694 Referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidente sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais declaradas em DIRF, mas que não foram localizadas na contabilidade e na folha de pagamento, tampouco foram declaradas em GFIP; 7) AIOP nº 37.374.9708 Referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, cujas remunerações pagas aos contribuintes individuais foram escrituradas na contabilidade mas que não foram informadas em folha de pagamento, tampouco declaradas em GFIP; 8) AIOP nº 37.385.4994 Referente às contribuições a cargo da empresa, devidas a outras entidades e fundos, incidente sobre os valores pagos aos segurados empregados, registradas na folha de pagamento mas que não declaradas em GFIP. Fl. 3339DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 9) AIOP nº 37.385.5001 Referente às contribuições a cargo da empresa, devidas a outras entidades e fundos, incidente sobre os valores pagos aos segurados empregados, e que foram declaradas em GFIP com código FPAS 639 destinado a entidades beneficentes de assistência social; 10) AIOA nº 37.374.9660 Auto de Infração Código 68 – Multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicada nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s, equivocadamente, com código FPAS 639; De conformidade com o Relatório Fiscal, da análise das GFIP’s apresentadas pela contribuinte, inobstante constar parte as informações das remunerações dos trabalhadores que lhe prestaram serviços, a empresa prestou informação incompatível com a realidade, declarandose isenta das contribuições previdenciárias ora lançadas. Com mais especificidade, a contribuinte ao promover o recolhimento das contribuições previdenciárias informava em GFIP o código FPAS 639, relativo de entidades filantrópicas que fazem jus ao benefício da isenção da cota patronal, enquanto o correto seria o código FPAS 574, pertinente a estabelecimento de ensino, uma vez não observados, cumulativamente, os requisitos inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, sobretudo por nunca ter requerido a isenção junto à Previdência ou RFB, além de não comprovar ter sido declarada de Utilidade Pública Federal, anteriormente à dezembro de 2007, não se prestando para o fim pretendido pela entidade somente ser detentora do CEBAS. Inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 3.251/3.282, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla a imunidade e/ou isenção, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Insurgese contra a pretensão fiscal, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da pretensa isenção da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente sendo detentora do CEBAS desde 1971, ininterruptamente, em virtude dos pedidos de renovação efetivados, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Em defesa de sua pretensão, assevera que a isenção da contribuinte fora reconhecida pela própria Justiça Federal, 6ª Vara de Execuções Fiscais do Rio de Janeiro (processo nº 2003.51.01.5007053), consoante decisão transcrita na peça recursal. Sustenta que a entidade, com mais de 110 anos de serviços prestados ao ensino no Brasil, não objetiva obtenção de lucro, não distribui lucros nem assegura quaisquer vantagens aos seus sócios, não remunera seus diretores, aplica no país integralmente as suas rendas, no atendimento de suas finalidade, bem como é reconhecida de utilidade pública, desde 1905, com base no Decreto nº 1.339, razão pela qual faz jus à imunidade pretendida. Contrapõese à exigência fiscal, aduzindo para tanto que possui direito adquirido em relação à sua condição de entidade imune, uma vez ser detentora do Título de Utilidade Pública Federal e ter sido reconhecida como de caráter filantrópico em data anterior à Fl. 3340DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16682.720777/201244 Acórdão n.º 2401004.395 S2C4T1 Fl. 598 5 edição do Decretolei nº 1.522/77, razão pela qual não se pode exigir da recorrente pedido de isenção formalizado perante as autoridades fazendárias e/ou previdenciárias. Defende que a Medida Provisória nº 446/2008 assegurou a todas as entidades beneficentes a isenção dos tributos em referência, independentemente de decisão exarada pelo CNAS, sobretudo por ter contemplado que os pedidos de renovação do CEBAS foram automaticamente deferidos. Contrapõese à multa aplicada, por considerála confiscatória e abusiva, sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do crédito em questão. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 3341DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face da contribuinte foram lavrados Autos de Infração acima elencados em virtude da constatação do descumprimento das obrigações acessórias e principal, no decorrer do período de 01/2008 a 12/2008, exigindo contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como multa em razão de informação equivocada prestada em GFIP's. Mais precisamente, a contribuinte ao promover o recolhimento das contribuições previdenciárias informava em GFIP o código FPAS 639, relativo de entidades filantrópicas que fazem jus ao benefício da isenção da cota patronal, enquanto o correto seria o código FPAS 574, pertinente a estabelecimento de ensino, uma vez não observados, cumulativamente, os requisitos inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, sobretudo por nunca ter requerido a isenção junto à Previdência ou RFB, além de não comprovar ter sido declarada de Utilidade Pública Federal, anteriormente à dezembro de 2007, não se prestando para o fim pretendido pela entidade somente ser detentora do CEBAS. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve integralmente a exigência fiscal, aduzindo para tanto a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente sendo detentora do CEBAS desde 1971, ininterruptamente, em virtude dos pedidos de renovação efetivados, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que a isenção da contribuinte fora reconhecida pela própria Justiça Federal, 6ª Vara de Execuções Fiscais do Rio de Janeiro (processo nº 2003.51.01.5007053), consoante decisão transcrita na peça recursal. Repisa que a entidade, com mais de 110 anos de serviços prestados ao ensino no Brasil, não objetiva obtenção de lucro, não distribui lucros nem assegura quaisquer vantagens aos seus sócios, não remunera seus diretores, aplica no país integralmente as suas rendas, no atendimento de suas finalidade, bem como é reconhecida de utilidade pública, desde 1905, com base no Decreto nº 1.339, razão pela qual faz jus à imunidade pretendida. Contrapõese à exigência fiscal, aduzindo para tanto que possui direito adquirido em relação à sua condição de entidade imune, uma vez ser detentora do Título de Utilidade Pública Federal e ter sido reconhecida como de caráter filantrópico em data anterior à edição do Decretolei nº 1.522/77, razão pela qual não se pode exigir da recorrente pedido de isenção formalizado perante as autoridades fazendárias e/ou previdenciárias. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos se fixa em analisar se a recorrente, de fato e de direito, se caracteriza como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, na forma que pretende fazer crer. Fl. 3342DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16682.720777/201244 Acórdão n.º 2401004.395 S2C4T1 Fl. 599 7 Isto porque, uma vez demonstrado que a entidade observa todos os requisitos necessários para concessão e manutenção da isenção em epígrafe, o presente lançamento somente poderia ser efetivado na hipótese de emissão de Ato Cancelatório específico, objetivando afastar o benefício fiscal sob análise. De outra banda, constatandose que a recorrente não faz jus à isenção que ora tratamos, não há se falar em vinculação do lançamento a qualquer outro procedimento especial, sendo perfeitamente viável a exigência tributária desconsiderando o autoenquadramento da autuada. Como se observa, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender que possui imunidade da cota patronal. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 3343DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Decisão recorrida, a contribuinte, desde o primeiro momento, vem sustentando fazer jus à imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, em observância ao disposto no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente ao seu § 1°, o qual contempla o direito adquirido de aludido benefício fiscal, desobrigando o seu requerimento. Igualmente, sustenta ser detentora do CEBAS desde 1971, bem como de Título de Utilidade Pública Federal, desde 1905, com base no Decreto nº 1.339, fazendo jus, portanto, ao direito adquirido. Neste sentido, defende que nunca perdera a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, razão pela qual o presente lançamento estaria condicionado à emissão de Ato Cancelatório contemplando o eventual descumprimento dos requisitos de referido benefício legal, o que não se vislumbra no caso dos autos, impondo seja decretada a improcedência do feito. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida encontrase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. A propósito matéria, contemplando caso idêntico ao presente, com mesmos fatos e pedidos, inclusive da mesma contribuinte, a Egrégia 2º Turma da 3º Câmara da 2ª SJ do CARF, já se manifestou com muita profundidade, consoante se positiva do Acórdão n° 2302 003.065 exarado pelo ilustre Conselheiro André Luis Marsico Lombardi (atual Presidente desta Colenda Turma), nos autos do processo administrativo n° 12259.000609/200800, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: "[...] Entidade Beneficente. Alega a recorrente que foi reconhecida, já em 1905, como entidade de utilidade pública e detentora de certificado de fins filantrópicos concedido desde 1971 pelo Conselho Nacional de Serviço Social. Ainda que a declaração de utilidade pública de 1905 tenha sido emitida em nome da “Academia de Commercio do Rio de Janeiro”, e a despeito de a Academia de Comércio do Rio de Janeiro ser apenas órgão integrante da Sociedade Brasileira de Instrução e, portanto, não ter personalidade jurídica, a Sociedade Brasileira de Educação deve ser reconhecida como de utilidade pública. Ademais, a concessão de Certificados de Entidades de Fins Fl. 3344DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16682.720777/201244 Acórdão n.º 2401004.395 S2C4T1 Fl. 600 9 Filantrópicos, primeiramente pelo Conselho Nacional do Serviço Social (1971, 1973 e 1975) e, posteriormente, pelo Conselho Nacional de Assistência Social (1997), sempre tiveram como pressuposto necessário o título de utilidade pública. Cita decisões anteriores da própria Previdência Social que dariam abrigo às teses sustentadas. Também aduziu em seu recurso que nada tinha a requerer, pois já gozava do benefício da isenção tendo direito adquirido, conforme § 3° do art. 30 do Decreto n° 612/92 (Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social). Outrossim, afirma que a renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos para o período posterior a 1997 foi negada pelo CNAS, mas estaria pendente de análise o pedido de reconsideração da entidade. Em todos estes argumentos, referese a recorrente à imunidade relativa às contribuições previdenciárias, que foi estabelecida pelo art. 195, § 7 , da Constituição Federal: [...] Notese que o dispositivo constitucional ressalva em seu final que devem ser atendidas as exigências estabelecidas em lei. Partindo de tal pressuposto, passamos a analisar os argumentos da recorrente relacionados à imunidade/isenção. Em primeiro lugar e o mais importante de tudo, conforme destacado no Relatório Fiscal às fls. 110: “a Sociedade Brasileira de Instrução jamais fez jus ao benefício da Isenção da Quota Patronal”.De toda sorte, enfrentaremos cada argumento para se confirmar a veracidade das informações prestadas no Relatório Fiscal. Alegou a recorrente que foi reconhecida, já em 1905, como entidade de utilidade pública e detentora de certificado de fins filantrópicos concedido desde 1971 pelo Conselho Nacional de Serviço Social. Acrescenta que, a despeito de a Academia de Comércio do Rio de Janeiro ser apenas órgão integrante da Sociedade Brasileira de Instrução e, portanto, não ter personalidade jurídica, a Sociedade Brasileira de Educação deve ser reconhecida como de utilidade pública, ainda que a declaração de utilidade pública de 1905 tenha sido emitida em nome da “Academia de Commercio do Rio de Janeiro”.Ademais, a concessão de Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos, primeiramente pelo Conselho Nacional do Serviço Social (1971, 1973 e 1975) e, posteriormente pelo Conselho Nacional de Assistência Social (1997), sempre tiveram como pressuposto necessário o título de utilidade pública. Cita decisões anteriores da própria Previdência Social que dariam abrigo às teses sustentadas.O fato de a SBI possuir Decretos de Utilidade, Pública Estadual ou Municipal não foi desconsiderado, como quer a recorrente. Ocorre que, diante da falta do reconhecimento de sua utilidade pública pelo ente federal, sua existência tornouse irrelevante, pois, de qualquer forma, não estariam preenchidos todos os requisitos legais para o gozo da isenção. O inciso I, do art. 55, da Lei 8.212/91, exigia o reconhecimento como de utilidade pública federal e, cumulativamente, o reconhecimento com de utilidade pública estadual ou municipal. Segundo alega o contribuinte, a "Academia de Commercio do Rio de Janeiro", não seria pessoa Fl. 3345DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 jurídica, mas nome de fantasia e órgão mantido pela SBI, desde sua criação, conforme documentação anexa à defesa, que teria sido lida de maneira desconexa conforme contrarazões atacadas. Afirma ainda que "(...) A pessoa jurídica era a SBI (sempre foi) e o nome do colégio era 'Academia de Comércio' (...)", tanto que, o Regimento da Academia teria sido votado em Assembléia da SBI, com o que, busca a recorrente corroborar o entendimento de que a "Academia de Commercio" não teria vida independente. Finalmente, afirma que a própria Previdência (IAPC e INPS) teria aceitado recolhimentos da SBI como Academia de Comércio e viceversa. Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o próprio regimento interno da Academia de Comércio aponta que foi esta foi fundada em 1902 pela Sociedade Brasileira de Instrução e que foi “devidamente constituída e registrada na forma da lei” (fls. 656 na numeração manual e 1319 na numeração digital). Ora, se foi constituída e registrada na forma da lei, tratase de outra pessoa jurídica, ainda que um de seus fundadores tenha sido a Sociedade Brasileira de Instrução. Se não foi, o próprio regimento interno ostenta informação incorreta. Ademais, o Decreto 1.339/1905, que declara a Academia de Comércio de utilidade pública, sequer menciona a Sociedade Brasileira de Instrução. Ainda que tenham história parcialmente comum, já que a Academia de Comércio foi fundada pela Sociedade Brasileira de Instrução, é fato que a Academia de Comércio e a Sociedade Brasileira de Instrução não se confundem.Com efeito,além do que consta dos autos, no site http://www.ucam.edu.br/index.php/apresentacao (acesso em 07/03/2014), verificase que “a Academia de Comércio, que de início desenvolve também o ensino superior de comércio, transformase, nos anos 50, na Escola Técnica de Comércio Candido Mendes, dedicada exclusivamente ao ensino médio” (vide ainda fls. 1.427 do processo digital). Não se sabe qual foi o objeto social inicial da Sociedade Brasileira de Ensino, pois a recorrente não apresentou os respectivos documentos, mas, do que consta nos autos, concluise que as instituições não se confundem em momento algum. Assim, parece natural que tenha havido a utilização do nome" Academia de Comércio" em documentos do antigo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários — IAPC (fls. 709/712 na numeração manual e 1.431/1.436 na numeração digital), pois a Academia de Comércio efetivamente existia, tanto que, como afirmado, depois tornase a Escola Técnica de Comércio Cândido Mendes. Não se vislumbra, dos elementos de convicção carreados aos autos pela recorrente, que os recolhimentos da Academia tenham sido aproveitados pela SBI ou viceversa, como sugerido no recurso. Mas ainda que a Academia de Comércio fosse uma repartição, superintendência, órgão, filial, estabelecimento ou departamento, tal fato não modifica a conseqüência lógica e jurídica, pois o reconhecimento da utilidade pública da parte não aproveita ao todo. Assim, se o reconhecimento da utilidade pública federal foi do órgão, há vício na origem, pois o reconhecimento da utilidade pública deve ser da pessoa jurídica e não de órgão que a integra. Diferente é a situação do reconhecimento da utilidade pública referise ao todo (pessoa jurídica), de maneira a afetar cada uma de suas partes (repartição, superintendência, órgão, filial, estabelecimento ou departamento). O sistema legal brasileiro repele a idéia de Fl. 3346DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16682.720777/201244 Acórdão n.º 2401004.395 S2C4T1 Fl. 601 11 direito ou obrigação sem sujeito. Com efeito, já se posicionou a Consultoria Jurídica do então Ministério da Previdência Social, no Parecer MPAS/CJN 509/1996 (DOU de 29/02/1996) que “os requisitos estabelecidos para a concessão da isenção patronal são exigidos à pessoa jurídica e não aos seus departamentos, que unidos a integram”. A situação da recorrente já foi devidamente apreciada pelo então Conselho de Recursos da Previdência Social, quando do julgamento da NFLD n 31.070.8591 (fls. 1.634 e seguintes), oportunidade em que restou consignado que a Sociedade Brasileira de Instrução “jamais atendeu aos quesitos mínimos para o benefício previsto na Lei n°3.577/59 em face da inexistência de Título de Utilidade Pública”, que “jamais, em qualquer época, gozou do benefício da isenção”, e que “o título de utilidade pública em nome da Academia de Commercio do Rio de Janeiro não pode ser aproveitado em nome da notificada, em que pese o seu argumento de que a Academia é apenas uma parte da Sociedade de Instrução, sendo mantida por esta”. Notese que, desde a Lei 3.577 de 04/07/1959, já havia a obrigatoriedade da empresa possuir títulos de Entidade de Fins Filantrópicos e de Utilidade Pública cumulativamente para gozar de isenção de taxa de contribuição de previdência aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões. Nesta época a impugnante só possuía o Decreto que reconhecia a Academia de Comércio do Rio de Janeiro como instituição de Utilidade Pública, vale dizer, também não possuía o título de entidade de fins filantrópicos. A Lei 3.577/59 foi posteriormente revogada pelo DecretoLei 1.572/77, que manteve nas mesmas condições a instituição que tivesse sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal, até a data da publicação deste DecretoLei, fosse portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e que estivesse isenta daquela contribuição. Abrindo ainda, prazo para que fosse regularizada a situação do certificado de filantropia, bem como o reconhecimento de Utilidade Pública Federal. Situações estas nas quais a recorrente, mais uma vez, não se enquadrou, sendo de se consignar que apenas em 31/03/1971 obteve o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos emitido pelo Conselho Nacional de Serviço Social. Assim, não prospera a alegação de que nada tinha a requerer quanto à isenção, pois já gozava do benefício da isenção, tendo direito adquirido, conforme §3 do art. 30 do Decreto n 612/92 (Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social). Ademais, em 05/05/1997 foi negado o pedido de renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, tendo a SBI então, solicitado a reconsideração da decisão que negou a referida renovação. Portanto, nem mesmo perante o Conselho Nacional de Assistência Social parece haver regularidade por parte da entidade. Mas não bastassem as irregularidades apontadas (CNAS e utilidade pública federal –incisos I e II do artigo 55 da Lei n° 8.212/91), como já reconhecido pelo CRPS, a recorrente nunca constou nos cadastros do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS como entidade isenta de contribuições previdenciárias e, destarte, não requereu a “isenção” (§1 do art. Fl. 3347DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 55 da Lei n° 8.212/91) e tampouco apresentava, anualmente, ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades como determinava a Lei n 8.212/91 (art. 55, V). Note se que, como vem destacando o STJ e o STF, não há direito adquirido a regime jurídicofiscal, motivo pelo qual as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7 do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei n 8.212/91: [...]" É exatamente o que se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja mantida a procedência do feito. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos e multa aplicada, encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 3348DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16682.720777/201244 Acórdão n.º 2401004.395 S2C4T1 Fl. 602 13 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantidos os lançamentos, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Fl. 3349DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 14 Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a integralidade dos lançamentos fiscais, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 3350DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729388/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS E APRESENTAÇÃO DOS COMPROVANTES EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO.
Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a apresentação de documentos legítimos, deve ser restabelecido integralmente o valor pleiteado a título de dedução de despesas médicas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencido na votação os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Mirian Denise Xavier Lazarini.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS E APRESENTAÇÃO DOS COMPROVANTES EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a apresentação de documentos legítimos, deve ser restabelecido integralmente o valor pleiteado a título de dedução de despesas médicas. Recurso Voluntário Provido.
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COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS E APRESENTAÇÃO DOS COMPROVANTES EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a apresentação de documentos legítimos, deve ser restabelecido integralmente o valor pleiteado a título de dedução de despesas médicas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 93 88 /2 01 3- 21 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencido na votação os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Mirian Denise Xavier Lazarini. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11080.729388/201321 Acórdão n.º 2401004.379 S2C4T1 Fl. 155 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1653.002 (fls. 117/121), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que julgou procedente em parte a impugnação (fls. 02/04) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a glosa da dedução de incentivo, por não ter sido expressamente contestada. GLOSA DAS DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Há que se restabelecer os valores informados a título de despesas com instrução de dependente, conforme documentação apresentada pelo contribuinte. GLOSA DA DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Há que se restabelecer parcialmente o valor pleiteado a título de dedução de despesas médicas, conforme documentação apresentada pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Notificação de Lançamento nº. 2010/839006337920426 (fls. 06/12) exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 16.278,64 relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2009, exercício 2010. Foram apuradas, por meio do referido lançamento, as seguintes infrações: a) Dedução indevida com despesas de Instrução no valor de R$ 2.708,94; b) Dedução Indevida de despesas médicas no valor total de R$ 25.784,92; c) Dedução Indevida de incentivo no valor de R$ 100,00 Para demonstrar a efetividade das deduções, o contribuinte argumentou em sua peça impugnatória: a) Que as despesas com instrução referemse a sua filha Giordanna Conte Indursky, universitária menor de 21 anos, apresentando aos autos os Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 documentos que comprovam pagamentos efetuados à PUC – Rio Grande do Sul, no anocalendário 2009. b) Que as despesas médicas foram efetuadas em seu próprio benefício, apresentando os comprovantes, relativos ao anocalendário 2009. c) Que quanto à glosa da dedução de incentivo, houve a concordância expressa do contribuinte, tendo havido, portanto, a transferência do crédito tributário correspondente à parte não impugnada (R$ 100,00) para o processo n° 11080.729450/201384 Para a DRJ/SP1, a impugnação foi considerada procedente em parte, eis que restabeleceu os valores informados a título de instrução com dependente, e restabeleceu parcialmente o valor pleiteado a título de dedução de despesas médicas, conforme documentação apresentada pelo contribuinte. A glosa da dedução de incentivo considerouse não impugnada, pois não foi expressamente contestada. Intimado do acórdão da DRJ (SP1) em 04/12/2013 (A.R. fl. 125), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 129/130) em 26/12/2013, no qual constam novos documentos e os seguintes argumentos: a) Declaração assinada pelo Dr. Theobaldo Oliveira Thoma, datada de 11/12/2013, nela constando o nome completo do Dr. Theobaldo, sua especialidade, número do Cremers, endereço atualizado e telefone. b) Cópia de todos os recibos expedidos pela Clínica Thomaz Ltda e cópia de todo o teor da intimação c) Que o motivo pelo qual não pode ser feito o uso do plano de saúde – SENER Saúde, Sindicato dos assalariados, Ativos, aposentados, e Pensionistas nas empresas geradoras de energia elétrica do Estado do Rio Grande do Sul, para pagar seu tratamento psicoterápico, é por nenhum plano de saúde no Brasil cobrir esse tipo de despesa. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11080.729388/201321 Acórdão n.º 2401004.379 S2C4T1 Fl. 156 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A dedução de despesas médicas tem previsão na Lei nº 8.383 de 1991, art. 11, §1º, consolidado no RIR/94, art. 85, § 1º b e c, bem assim na Lei nº 9.250 de 1995, art. 8º, II, consolidado no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) – Decreto 3.000 de 26 de março de 1999 art.80, que assim dispõe: Art. 80 – Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n° 9.250/95, art. 8°, II, alínea “a”). (...) II Restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes. III Limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no cadastro geral de contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. A DRJ (SP1) reconheceu os documentos apresentados pelo contribuinte a fim de comprovar a realização das despesas médicas, exceto as notas fiscais de folhas 43 a 46 emitidas pela Clínica Thomaz Ltda, por considerar que nelas não foi esclarecido que a clínica possui alguma especialidade médica que pode ser considerada dedutível. Pois bem. O contribuinte, para a comprovação da efetiva prestação dos serviços, apresentou, em seu Recurso Voluntário, declaração assinada pelo Dr. Theobaldo Oliveira Thomaz, nos seguintes termos: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Assim, restou esclarecida a dúvida trazida pela DRJ/SPO quanto à especialidade médica e tipo de serviço prestado pela clínica, informações estas, necessárias à comprovação das despesas médicas pleiteadas. Nesse contexto, diante do documento apresentado (Fl. 139) por profissional devidamente credenciado, não restam dúvidas quanto à prova da efetividade dos serviços prestados, uma vez que o contribuinte supriu, em momento oportuno, a vagueza das notas fiscais apresentadas anteriormente. Por fim, entendo estar comprovada a despesa incorrida pelo contribuinte, eis que apresentada em tempo hábil, em sede de Recurso Voluntário, e por ser prova efetiva da ocorrência do serviço médico prestado. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721123/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA.
A decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o pagamento parcial antecipado.
IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO.
Não podem ser escriturados créditos relativos a matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, inclusive quando se trate de produtos alcançados por imunidade objetiva.Aplicação da Súmula CARF n. 20.
Numero da decisão: 3201-002.111
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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DECADÊNCIA. A decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o pagamento parcial antecipado. IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. Não podem ser escriturados créditos relativos a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, inclusive quando se trate de produtos alcançados por imunidade objetiva.Aplicação da Súmula CARF n. 20. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza– Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 23 /2 01 3- 19 Fl. 11620DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de crédito tributário de IPI, multa e consectários legais. Para bem elucidar os fatos, transcrevemse relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Em julgamento o auto de infração de fls. 10.994/11.002, lavrado para exigência do IPI no valor de R$ 487.286,86, da multa de ofício [75%] da ordem de R$365.465,14 e dos juros de mora de R$ 229.992,22 [calculados até 09/2013], perfazendo o montante exigido R$ 1.082.744,22. Decorreu a autuação da constatação de recolhimento a menor de IPI lançado, em virtude da utilização de créditos básicos indevidos (créditos relativos a aquisições de insumos empregados na fabricação de lubrificantes, produtos nãotributados na TIPI). A fiscalização entendeu que os óleos lubrificantes fabricados pela autuada não são abrangidos pela imunidade constitucional conferida aos derivados de petróleo pelo artigo 155, § 3º, da Constituição Federal de 1988, e que a notação NT [não tributado], segundo consta da TIPI, decorreria de outras razões que não a mencionada imunidade. O relato da infração pelo Auditor no Termo de Verificação Fiscal de fls. 10.959/10.990, parte integrante do Auto de Infração, pode ser assim resumido: o procedimento fiscal foi iniciado para verificação da apuração dos créditos do IPI pelo estabelecimento detentor do crédito 33.069.766/000343 relativos ao período compreendido entre abril e dezembro/2008 utilizados pela matriz para compensação de débitos através de PER/DCOMPs transmitidos para tal fim; dos documentos apresentados no curso da ação fiscal constatouse que em 29/09/2009 o referido estabelecimento foi incorporado pela Ipiranga Produtos de Petróleo – IPP, estabelecimento inscrito no CNPJ sob o número 33.337.122/014187, razão pela qual a inclusão do ilícito tributário a que se refere a presente verificação será formalizada no instrumento legal de exigência tributária contra o referido estabelecimento filial da IPP, conforme indicado pelo sujeito passivo no Protocolo e Justificação de Incorporação da CBPI [fls.83/221]; depois de historiar todo o procedimento de auditoria realizado e de tratar da responsabilidade por sucessão, passa a tratar da decadência, para concluir que, em face da inexistência de pagamento antecipado em nenhum período de apuração [o contribuinte informou ter apurado saldo credor em Fl. 11621DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721123/201319 Acórdão n.º 3201002.111 S3C2T1 Fl. 94 3 todo o período sob fiscalização], acompanhando a jurisprudência do STJ e do CARF, a contagem do prazo decadencial iniciase em 01/01/2009 e se encerra em 31/12/2013 [cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, regra geral estampada no art. 173, I, do CTN]; cuidouse, na sequência, da análise dos créditos básicos, decorrentes da aquisição de matériasprimas, tendo sido constatado que “o fiscalizado aproveitou créditos de IPI relativos a aquisições para comercialização e relativos a insumos utilizados em produtos classificados na TIPI como tributado e não tributado NT” “justificando o creditamento de IPI sobre insumos adquiridos, classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como nãotributados (NT) esclareceu [o contribuinte] "que os produtos que industrializa [óleos lubrificantes] classificados na TIPI como não tributados, têm esta classificação em razão de serem produtos sujeitos à imunidade objetiva, seja por força de eventuais exportações, seja nos exatos termos do art. 155, §3°, da CF/88", e que a legislação aplicada foram "osartigos: 11, da Lei n° 9.779/99, 195 do RIPI, do IN 33/99, bem como as Soluções de Consulta emitidas pela própria RFB [a 248/2000]” destacouse ainda, na Informação Fiscal, item atinente às glosas decorrentes da aquisição de MP aplicadas em produtos NT: i) as regras gerais para apropriação de créditos do IPI; ii) os fundamentos jurídicos utilizados pelo fiscalizado para o creditamento do IPI [art. 155, §3º, da CF/88; art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 195 do RIPI/2002; art. 4º da IN 33/99; Soluções de Consultas Diversas, inclusive a DISIT/SRRF/7ª RF nº 248/2000]; iii) a impossibilidade de se caracterizar como imune objetivo o produto do fiscalizado [os óleos lubrificantes produzidos pela empresa sucedida não podem ser considerados derivados de petróleo para fins de imunidade constitucional por não se enquadrarem no conceito estabelecido no art. 18, §3º, do RIPI/2002 segundo o qual só se consideram derivados de petróleo as substâncias que decorrem do refino direto do petróleo, afastando, portanto, aquelas obtidas em fases subseqüentes, como os óleos lubrificantes obtidos a partir da adição de aditivos químicos ao óleo base] e, daí, a inaplicabilidade da Solução de Consulta nº 248/00 aos produtos saídos do fiscalizado com a notação NT iv) a publicação do ADI nº 5/2006 em 17/04/2006 [que afasta os produtos com a notação NT e os amparados por imunidade – exceto em razão da destinação à exportação – do disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99], afasta, a partir daí, a aplicação da Solução de Consulta 248/2000 [caso se entenda que a mesma ampara o direito de crédito], por força do §12 do art. 48 da Lei Nº 9.430/96]; v) o Mandado de Segurança Coletivo Preventivo impetrado pelo SINDICOM, onde foi requerida a concessão de liminar determinando a imediata suspensão da eficácia do ADI SRF Nº 05/2006, teve a segurança denegada em 26/07/2011, decisão contra a qual foi interposto agravo regimental julgado prejudicado por perda de objeto em razão de sentença de primeira instância, tendo sido apresentada, em 22/09/2011, pelo Fl. 11622DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Sindicom, a apelação pertinente, a qual, até 11/09/2012, não havia sido julgada. Assim, os efeitos do ADI SRF 05/2006 estão plenamente eficazes; partiuse, assim, a seguir, para a Apuração do Fator de Proporcionalidade [em razão do uso de insumos tanto em produtos tributados, garantidores do direito de crédito, quanto em produtos não tributados, que não possibilitam o creditamento do IPI pago na aquisição de insumos] a ser utilizado para determinação da Glosa dos Créditos Indevidos [itens 102/108], resultando na planilha resumo reproduzida no item 113, indicativa dos créditos glosados e mantidos no período de 04/2008 a 12/2008; e prossegue no item 119: “tudo acima exposto, e confrontados os créditos e débitos escriturados ajustados com os débitos aqui apurados, resultou no"Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal", onde se constatou a inexistência de saldo credor para os períodos compreendidos entre abril e dezembro/2008, conforme pode ser visto a seguir”: [...] como resultado da constatação das infrações apontadas, foram apurados os créditos tributários indicados no auto de infração, devendo os PER/DCOMP ser integralmente indeferidos e não homologados. Em 27/09/2013 o contribuinte foi cientificado pessoalmente do referido Termo de Verificação Fiscal [fl. 10.990] e do auto de Infração e seus anexos [fl. 10.995]. Contra o lançamento o contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 11.316/11.347, na qual, em síntese: 1inicialmente, sintetiza os fatos que originaram o presente litígio, nos seguintes termos: 1.1 industrializa e comercializa combustíveis e derivados de petróleo, como óleos lubrificantes, imunes por força do art. 153, §3º, da CRFB/88; 1.2 em virtude da resposta favorável obtida através da decisão nº SRRF/7ª RF/DISIT 248/2000 em consulta formulada através do processo nº 13710.001070/9970, lançou em sua escrita fiscal créditos do IPI originados da aquisição de insumos tributados aplicados inclusive na industrialização de combustíveis, cuja saída é imune; 1.3 concluiu a fiscalização que houve a utilização de crédito indevido de IPI decorrente da aquisição de insumos utilizados no processo produtivo de óleos lubrificantes, com o que, após a reconstituição da escrita fiscal após a glosa de créditos, exsurgiu saldo devedor do imposto no período; 1.4 o cálculo dos valores objeto de glosa tomou por base a “proporcionalidade entre o total da base de cálculo (valor contábil) dos produtos saídos no período e aquela (valor contábil) sujeita a tributação pelo IPI”, segundo alega a Fiscalização, em razão de não ter sido disponibilizada pelo contribuinte a discriminação dos insumos aplicados em produtos tributados e nãotributados (NT); 2 sintetiza as razões da improcedência do auto de infração, nos seguintes pontos: i) é inconteste que a produção de óleo combustível da Impugnante é abrangida pela imunidade do art. 155, §3º da Constituição Federal; Fl. 11623DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721123/201319 Acórdão n.º 3201002.111 S3C2T1 Fl. 95 5 ii) os valores referentes aos fatos geradores ocorridos em abril, maio, junho, julho e agosto de 2008, não deveriam ter sido glosados, uma vez que se encontraram em período abrangido pela decadência, por força do disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, não se aplicando, no caso, o art. 173, I, uma vez que a ausência de pagamento de IPI ocorre, não por inadimplência do contribuinte, mas, justamente, pelo fato de que suas operações de industrialização do IPI são imunes. 3 na sequência passa a discorrer sobre a decadência de parte dos valores abrangidos pelo auto de infração entre o período abril a agosto/2008, uma vez que a ciência do AI ocorreu em 27/09/2013, portanto, mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, §4º, do CTN; 4argumenta que a aplicação do art. 150, §4º, só é excetuada em caso de dolo, fraude ou simulação, o que não ocorre no presente caso, não se justificando, portanto, o deslocamento da contagem decadencial para o art. 173, I, do CTN indicada pela Fiscalização; 5traz as razões de mérito sintetizadas nos seguintes pontos: 5.1 – da inequívoca classificação dos óleos lubrificantes produzidos pela impugnante como derivados de petróleo e da consequente fruição à imunidade constitucional; * Se apenas os óleos lubrificantes básicos fossem imunes, estaríamos diante de um verdadeiro privilégio odioso, na medida em que a PETROBRÁS é a única empresa que os comercializa; * Por sua vez, a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto nº. 4.542/2002, inclui os óleos lubrificantes “sem aditivos” (2710.19.31) e “com aditivos” (2710.19.32) dentro da classificação do item 2710.1 que assim dispõe: “Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios”. * Como se vê, a definição apresentada pela autoridade fiscal para “óleo lubrificante” não encontra amparo sequer na TIPI, a qual exige apenas que os mesmos tenham 70% ou mais de óleos de petróleo em sua composição, não fazendo distinção entre o óleo lubrificante obtido imediatamente após o refino (sem aditivos) ou em etapas subsequentes (com aditivos); * Para que não restem dúvidas, os óleos lubrificantes produzidos pela Impugnante são compostos com mais de 70% de óleos de petróleo, conforme também comprovam as mencionadas Fichas de Informação de Segurança do Produto Químico de alguns dos produtos da Impugnante (Doc. 05); * O Relatório Técnico (Doc. 06) expedido em 26.04.2013, pelo Instituto Nacional de Tecnologia, assinado por profissional habilitado e elaborado após procedimento de ensaio químico de decomposição do óleo lubrificante fabricado pela Impugnante, atesta que “a compilação dos resultados aqui apresentados fornece os elementos suficientes que apontam para a seguinte Fl. 11624DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 conclusão”: os óleos lubrificantes são derivados de petróleo, com mais de 70% em peso de óleos de petróleo; * Não é verdade que os produtos em questão não são objeto de pagamento do IPI por serem objeto de não incidência em sentido estrito. O fenômeno em questão é a imunidade. Descaracterizála seria reconhecer a isenção ou alíquota zero, sem comprometer o direito ao crédito, o que acarreta o acolhimento da compensação pretendida; * restando comprovado que os produtos industrializados pela Impugnante são efetivamente derivados de petróleo, não podem as autoridades fiscais recusar o seu caráter imune, nos termos do art. 155, §3º, da CRFB/1988 e, com isso, negar a compensação dos créditos de IPI decorrentes da entrada de insumos tributários. 5.2 da existência de consulta fiscal favorável à impugnante e da proteção à confiança legítima do contribuinte; * a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248, de 17/10/2000, entendeu pela viabilidade do aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados, com base no art. 11 da Lei nº. 9.779/99, ainda que a saída dos produtos fosse imune, permitindo a sua compensação ou ressarcimento; * na petição inicial da consulta, a Impugnada informou que a consulta referiase às saídas por ela praticadas de lubrificantes, produtos derivados de petróleo, e a Solução de Consulta, que analisa a questão a partir da premissa fática de que a consulente comercializa lubrificantes, foi pela viabilidade do aproveitamento dos créditos, nos seguintes termos: “19. Portanto, a consulente encontrase contemplada pela possibilidade do creditamento em apreço.” * em nenhum momento, a ora Impugnante foi citada da revogação da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248/2000, logo, a mudança repentina e injustificada do entendimento fazendário violou frontalmente a segurança jurídica das relações entre Estado e Contribuinte, notadamente em sua dimensão subjetiva que é o Princípio da Proteção da Confiança Legítima; * restando comprovado que os produtos industrializados pela Impugnante são efetivamente derivados de petróleo, não podem as autoridades fiscais recusar o seu caráter imune e, com isso, negar a compensação dos créditos de IPI decorrentes da entrada de insumos tributários, nos termos da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248, de 17/10/2000; 5.3 da interpretação restritiva aplicada pelas autoridades fazendárias; * a Instrução Normativa SRF nº 33/99, em seu art. 4º, menciona expressamente que inclusive os produtos imunes teriam direito ao aproveitamento dos créditos do IPI; * o entendimento firmado no art. 4º, da Instrução Normativa SRF nº. 33/1999, foi integralmente absorvido pelo § 2°, do art. 195, do Decreto n°. 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento do IPI –, que permite expressamente o aproveitamento dos créditos decorrentes de insumos tributados aplicados em produtos imunes; a restrição ao aproveitamento de créditos oriundos da aquisição de insumos tributados aos produtos imunes, destinados exclusivamente à Fl. 11625DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721123/201319 Acórdão n.º 3201002.111 S3C2T1 Fl. 96 7 exportação, amesquinha também o princípio da não cumulatividade deste imposto; * um ato infralegal, como o ADI nº. 05/2006, jamais poderá se sobrepor a uma disposição expressa de uma norma hierarquicamente superior, a exemplo do Decreto n°. 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento do IPI; * Ato Declaratório Interpretativo nº. 5, de 17/04/2006, poderia escolher uma das interpretações possíveis dentre aquelas oferecidas pelas normas hierarquicamente superiores, mas não inovar no ordenamento jurídico, criando uma distinção artificiosa entre saídas imunes destinadas à exportação e saídas imunes voltadas para o mercado interno; * não pode a Receita Federal do Brasil, com esteio num duvidoso ato declaratório interpretativo, negar o direito a créditos de IPI decorrentes de insumos tributados aplicados a produtos imunes, quando a Constituição da República, a Lei nº. 9.779/99 e o Regulamento de IPI permitem o seu aproveitamento; 5.4 da notação de não tributados (NT) aplicada aos produtos da impugnante; * Os combustíveis e lubrificantes derivados do petróleo, como aqueles fabricados pela Impugnante e conceituados como produtos industrializados, são produtos imunes ao IPI, de acordo com o art. 155, § 3º, da CF, e disciplinado pelo art. 18, do Decreto nº. 4.544/2002 (Regulamento do IPI à época); * embora todas as hipóteses de não incidência em sentido estrito sejam classificadas como NT pela TIPI, nem todo produto NT corresponde a uma hipótese de não incidência em sentido estrito. É o caso das imunidades, por exemplo; * É inconteste, pois, que os óleos lubrificantes produzidos pela Impugnante não recebem a denominação NT pelo mesmo motivo do primeiro item da tabela exemplificativa, vez que os mesmos são resultantes de operação que modifica a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo11, sendo a Impugnante, notoriamente, companhia industrial contribuinte de IPI, condição essa reconhecida pela própria fiscalização ao afirmar que os óleos lubrificantes sofrem a incorporação de aditivos em etapas posteriores da cadeia produtiva; * A vedação ao aproveitamento de créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados em produtos classificados na TIPI como NT é cabível tão somente nos casos de não incidência em sentido estrito, onde, por óbvio, não há processo de industrialização; 5.5 da inaplicabilidade da súmula 20 do CARF; * nenhum dos precedentes que embasou a Súmula 20 do CARF não decorre de hipóteses de imunidade ou isenção, mas tão somente de não incidência em sentido estrito, sendo totalmente inaplicável ao presente caso; * em que pese o fato de a Súmula 20 do CARF ter efeitos vinculantes, é inconcebível sua aplicação ao caso em tela. Frisese que nem mesmo as Fl. 11626DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 súmulas vinculantes, aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, podem ser aplicadas a situações distintas de seus precedentes; * mesmo a pretexto de garantir a estabilidade da jurisprudência, não se pode aplicar uma mesma súmula à hipótese diferente daquela que lhe deu causa, mas apenas à hipótese idêntica; * A função de uma súmula é examinar a questão sobre a interpretação ou aplicação de uma lei, não impedindo o reconhecimento de circunstâncias uma consulta em sentido contrário no caso concreto; * ainda que assim não fosse, a aplicação da súmula ao presente caso, evolveria a alteração do critério jurídico adotado pela administração, pois ao vedar o aproveitamento de créditos do imposto quando a saída é imune, só poderia ser aplicado em relação aos fatos geradores ocorridos após a revogação da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248/2000, mediante intimação do contribuinte, que jamais ocorreu; 5.6 das decisões favoráveis proferidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (DRJ/JFA); * Tal posicionamento foi, inclusive, aceito pela própria Delegacia da Receita Federal, nos recentes julgamentos dos processos nº 12897.000444/200923, 12897.000226/200999 e 12897.000058/201075, em que figurava no pólo passivo a Impugnante, posicionandose pelo reconhecimento da imunidade de seus produtos e pela manutenção dos efeitos da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº 248/2000; * Tratamse das decisões irrecorríveis da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (DRJ/JFA), nos acórdãos nº 0937.697, 0937.698 e 0937.699 (Doc. 08), que demonstraram a acertada posição de proteger o contribuinte cujos atos se respaldaram em ato administrativo que lhe assegurou o direito de creditamento, qual seja a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº 248/2000; * Por último, a DRJ/JFA, nos referidos acórdãos, posicionouse ainda no sentido de reconhecer a imunidade dos derivados de petróleo, ainda que os mesmos possuam a notação NT (não tributados) na TIPI; 6 pede, ao final, o cancelamento do auto de infração, considerando, em sede de preliminar, sua decadência parcial e, na análise de mérito, a sua total improcedência, uma vez que a Impugnante tem o direito de aproveitar os créditos do IPI decorrentes de insumos tributados aplicados na industrialização de produtos imunes, notadamente derivados de petróleo. Em síntese, é o relatório. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 I IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. LUBRIFICANTES. Fl. 11627DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721123/201319 Acórdão n.º 3201002.111 S3C2T1 Fl. 97 9 São imunes da incidência do IPI os derivados de petróleo, assim entendidos os produtos decorrentes da transformação do petróleo por meio do conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação. Tais produtos, dentre os quais os óleos lubrificantes derivados de petróleo classificados nos códigos 2710.1931 e 2710.1932, possuem a notação de não tributados (NT) na TIPI em vigor, aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002. II SOLUÇÃO DE CONSULTA. MUDANÇA DE ORIENTAÇÃO. ADI SRF Nº 05/2006. Se após a resposta da consulta a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá os fatos geradores que ocorram após a ciência ao consulente ou após a publicação do ato pela imprensa oficial, ocorrida em 18/04/2006. III CREDITAMENTO DO IPI. SAÍDAS IMUNES. AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO IMPROCEDENTE. Com a denegação da segurança [pedido julgado improcedente] restou mantida a aplicação do ADI SRF nº 05/2006, que afasta o direito de crédito nas saídas de produtos imunes, resultando, portanto, na procedência da glosa dos referidos créditos, a partir da publicação do referido ato, em 04/2006, e, conseqüentemente, da exigência do IPI consignado no auto de infração. IV LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza, em espécie, o respectivo pagamento parcial antecipado. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reitera os argumentos de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora: O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, decorre a autuação da apuração de saldos devedores no período entre abril e dezembro/2008 após a reconstituição da escrita fiscal, em decorrência da glosa de créditos considerados indevidos, derivados de insumos tributados utilizados em produtos com notação “NT” na TIPI. Fl. 11628DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 Anteriormente à discussão preliminar, a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativamente aos meses de abril a agosto/2008 e, quanto a esse específico ponto, observese que a decisão recorrida não foi unânime, divergindose sobre a regra de decadência a ser aplicada, isto é, a do art.150, §4º ou a do art. 173, I do CTN. Com efeito, a controvérsia pode se resumir à existência ou não de recolhimento em espécie do IPI do período de apuração. No voto vencedor entendeuse que somente haveria homologação, por conseguinte, a aplicabilidade do §4º do art.150 do CTN, quando houvesse pagamento em espécie; caso contrário, a decadência seria estabelecida na regra construída no texto do inciso I do art.173. O voto vencido entendeu pela aplicação da regra do art. 150, §4º, considerandose a natureza de tributo sujeito por homologação, bem como a sistemática própria de apuração do IPI. Nesse último sentido, entendeuse que com fulcro no CTN, o Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002) definiria, no art. 124 e seu parágrafo único, o que seria pagamento dentro da sistemática específica de tal imposto Assim, na sistemática da nãocumulatividade, confrontamse débitos e créditos registrados na escrita fiscal no período mensal, implementandose o pagamento antecipado pela modalidade prevista no inciso III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002, ou determinandose o montante do saldo devedor do imposto a ser, mediante DARF, recolhido pelo sujeito passivo aos cofres públicos, nos termos do inciso I do aludido artigo. É de se observar que, de acordo com a vasta jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o argumento da necessidade de existência de pagamento para que se aplique a regra do art. 150, §4º, do CTN, vai no sentido de que a homologação visa ao pagamento de sorte que sendo este inexistente, não havendo o que se homologar, partese para a regra do art.173, I do mesmo diploma. Nesse contexto, a estrutura a estrutura própria do IPI de nãocumulatividade, de créditos escriturais, não pode ser considerada pagamento, para efeitos de aplicação da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, devendo ser aplicada aquela do art.173, I . Com relação aos períodos remanescentes, os créditos glosados referem se a insumos utilizados na fabricação de óleos lubrificantes acabados, derivados de petróleo, apresentados na TIPI com a notação NT, que seriam imunes por força do art. 155, §3º, da CF. Essa matéria foi apreciada por esse Turma de Julgamento, e naquela ocasião entendeuse que referidos produtos são acobertados pela imunidade veiculada artigo 155, XII, §3º do Texto Constitucional, que assim dispõe: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] Fl. 11629DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721123/201319 Acórdão n.º 3201002.111 S3C2T1 Fl. 98 11 § 3º À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A Lei n° 9.478, de 06.08.1997, que dispõe sobre a política energética .nacional, as atividades relativas ao monopólio do petróleo, define em seu art. 6°, III, como derivados do petróleo, os produtos decorrentes da transformação do petróleo: Art. 6° Para os fins desta Lei e de sua regulamentação, ficam estabelecidas as seguintes definições: I Petróleo: todo e qualquer hidrocarboneto líquido em seu estado natural, a exemplo do óleo cru e condensado; II Gás Natural ou Gás: todo hidrocarboneto que permaneça em estado gasoso nas condições atmosféricas normais, extraído diretamente a partir de reservatórios petrolíferos ou gaseíferos, incluindo gases úmidos, secos, residuais e gases raros; III Derivados de Petróleo: produtos decorrentes da transformação do petróleo; IV Derivados Básicos: principais derivados de petróleo, referidos no art. 177 da Constituição Federal, a serem classificados pela Agência Nacional do Petróleo; V Refino ou Refinação: conjunto de processos destinados a transformar o petróleo em derivados de petróleo; Ademais, a Portaria ANP N° 129/1999, que "Estabelece o Regulamento Técnico ANP n° 04/99, que especifica os óleos lubrificantes básicos de origem nacional ou importado para comercialização em território nacional", em seu item 3 do Anexo I estabelece: "3. Conceito Básico/Aplicação. Os óleos lubrificantes básicos especificados no presente Regulamento são óleos lubrificantes obtidos do refino de determinados tipos de petróleo. A principal função de um óleo lubrificante é a redução do atrito e do desgaste entre superfícies metálicas ou plásticas que se movem uma contra a outra. Somente em algumas aplicações menos severas é possível utilizar o óleo lubrificante básico sem aditivos. Normalmente, são adicionados ao óleo lubrificante básico diversos tipos de aditivos químicos de modo a atender aos Fl. 11630DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 requisitos necessários às diferentes aplicações a que se destina. As características contempladas por esta especificação são aquelas de maior importância para a caracterização do óleo básico. A leitura conjunta dos dispositivos referidos levam ao entendimento de que não seriam apenas alcançados pela imunidade os produtos em que a atividade de industrialização é exercida diretamente do petróleo, de forma “direta” e “imediata”, pois esses termos não são expressos e nem subentendidos da legislação de regência.Não há no direito positivo qualquer dispositivo que trace a distinção não sendo possível, portanto, amesquinhar o direito à imunidade em questão. Por óbvio que não se pode dar extensão à expressão “derivados de petróleo” de tal envergadura, que incluísse quaisquer produtos que possuem elementos derivados do petróleo em sua composição, como o caso das matérias plásticas; como já se manifestou o Supremo Tribunal Federal no AI 199516 AgR / BA, na ocasião entendeu, inclusive, que os lubrificantes estão subsumidos à categoria, como se depreende da transcrição da ementa: EMENTA: Agravo regimental. A imunidade prevista no artigo 155, § 3º, da Constituição diz respeito às operações relativas a energia elétrica, combustíveis líquidos e gasosos, lubrificantes e minerais, o que não ocorre no caso, em que as operações sobre sacos de matéria plástica, pela única circunstância de o polietileno ser derivado do petróleo e elemento para a fabricação deles, não são, evidentemente, operações referentes a combustível líquido como é o petróleo. Agravo a que se nega provimento Superada essa premissa, outras questões são postas para a solução da controvérsia, originadas da possibilidade da tomada de créditos no caso de produtos imunes, pois a Lei n° 9.779/99 ,em seu art. 11, trata do direito ao creditamento do IPI para o produto isento ou tributado à alíquota zero: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda." A Recorrente defende a tese de que o art. 11 da Lei n° 9.779/99 deve ser interpretado de forma extensiva, para abranger produtos imunes, pois o critério relevante seria a desoneração do IPI na operação, independentemente pela forma que se dê isenção, alíquota zero, não incidência e imunidade Nesse contexto, a Instrução Normativa SRF n° 33/99 estabeleceu que: Fl. 11631DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721123/201319 Acórdão n.º 3201002.111 S3C2T1 Fl. 99 13 Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IP I decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. O Decreto n° 4.544/02, o RIPI vigente à época, em seu art. 195 §2° definiu de forma expressa a abrangência aos produtos imunes: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3°, inciso II, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 49). § 1o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2o (Lei n° 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n° 9.779, de 1999, art. 11). § 2o O saldo credor de que trata o § 1°, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n° 9.779, de 1999, art. 11). Posteriormente, veio o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05/06, que estabeleceu que a única possibilidade de tomada de créditos no caso de produtos imunes, seria quando esta fosse decorrente de operações de exportação: Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Fl. 11632DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior É de se observar que quanto a esse específico ponto, a Recorrente possuía ao seu favor , solução em processo de consulta, que lhe reconhecia o direito aos créditos, que, contudo, com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05/06, em sentido contrário, foi revogado. Outra questão posta é sobre a existência de mandado de segurança coletivo 2007.34.00.03110118 impetrado pelo Sindicato Nacional de Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), do qual a Recorrente é afiliada, que, contudo, não lhe socorre, pois, embora não transitada em julgado, segundo consta dos autos, em sede de decisão de segunda instância, foi julgado improcedente o pedido. Assim, chegase à questão da apreciação do direito creditório relativo a produtos imunes, sujeitos à notação “NT”, na Tabela do IPI. E nesse ponto, a questão acaba por esbarrar na Súmula CARF nº 20 que estabelece que não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, não se fazendo quaisquer ressalvas quanto aos produtos imunes, e que é de aplicação obrigatória, nos termos regimentais. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (assinado digitalmente) Fl. 11633DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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