Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13808.000280/00-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS.
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo havido decisão, no acórdão de que se pretende recorrer, sobre a matéria objeto do recurso, ainda que ela tenha sido enfrentada no suposto paradigma, descabe o enfrentamento pelo colegiado superior.
Numero da decisão: 9303-001.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que declaravam a nulidade do Acórdão recorrido, em razão de haver sido proferido por autoridade incompetente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Júlio César Alves Ramos, Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo havido decisão, no acórdão de que se pretende recorrer, sobre a matéria objeto do recurso, ainda que ela tenha sido enfrentada no suposto paradigma, descabe o enfrentamento pelo colegiado superior.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13808.000280/00-59
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5585398
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-001.820
nome_arquivo_s : Decisao_138080002800059.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 138080002800059_5585398.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que declaravam a nulidade do Acórdão recorrido, em razão de haver sido proferido por autoridade incompetente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Júlio César Alves Ramos, Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
id : 6362160
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423587905536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2378; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 407 1 406 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13808.000280/0059 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303001.820 – 3ª Turma Sessão de 01 de fevereiro de 2012 Matéria IPI Isenção Fiscal e classificação de mercadoria competência para julgamento. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TS SHARA TECNOLOGIA DE SISTEMAS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo havido decisão, no acórdão de que se pretende recorrer, sobre a matéria objeto do recurso, ainda que ela tenha sido enfrentada no suposto paradigma, descabe o enfrentamento pelo colegiado superior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que declaravam a nulidade do Acórdão recorrido, em razão de haver sido proferido por autoridade incompetente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Júlio César Alves Ramos, Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 02 80 /0 0- 59 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 408 2 Relatório Cuidase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 320 a 329) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 305 a 317) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Por bem descrever a controvérsia, adoto parte do relatório apresentado no v. acórdão recorrido, verbis: “Contra o contribuinte ora recorrente foi lavrado o Auto de Infração de fls. 142 a 145, por meio do qual foi formalizada a constituição do crédito tributário, inclusive acréscimos legais, no valor de R$ 77.967,32, decorrente de recolhimento tido a menor do IPI devido no período de 10 de junho de 1997 a 30 de novembro de 1998, cujo enquadramento legal se deu de acordo com os artigos 55, I ,"b" e II, "c"; 107, II c/c 15,16 e 17, 62; 112, IV e 59; todos do RIPI aprovado pelo Decreto n° 87.981/1982. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.03 a 04 a interessada teria dado saída, de seu estabelecimento industrial, do produto denominado "Estabilizadores" ou "Reguladores Automáticos", com classificação fiscal na TIPI na posição 8504.40.9999 e/ou 8504.40.90, com isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados, de acordo com a MP n° 1328 de 29/02/1996 e Portaria Conjunta n° 414 de 25/11/1998 do MCT/MF (fs.05 v.). Também, conforme referido Termo, faria jus a interessada a isenção do IPI para os produtos denominados de "estabilizadores" de sua fabricação, através da Portaria Interministerial n° 173, de 23/05/1997, para os modelos que arrola e, em 25/11/1998, através da Portaria Interministerial n° 414 de 25/11/1998, além dos modelos relacionados na aludida Portaria de n° 173, foram ainda confirmados como isentos outros tantos, cujos modelos se faz constar à fl. 5 v. Dessa forma lhe foi exigido o Imposto sobre Produtos Industrializados, incidente nas saídas de estabilizadores de seu estabelecimento industrial, no período compreendido entre a data da publicação da Portaria Ministerial n° 173 que se dera em 26/05/1997, até o dia anterior da publicação da Portaria n°414, em 26/11/1998, para os produtos cujos modelos passaram a ser isentos somente a partir desta data. Ainda, entendeu a fiscalização que os "estabilizadores" ou "reguladores automáticos" não amparados pela Portaria n° 173 de 23/05/1997, teriam como classificação fiscal na TIPI as posições 9032.89.11 — "estabilizadores eletrônicos" e 9032.89.19 — "Outros estabilizadores" cujas alíquotas seriam respectivamente 15% e 5%, ao invés daquelas utilizadas pelo Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 409 3 contribuinte nas posições 8504.40.9999 (isento de IPI pela MP n° 1328 de 29/02/1996) e 8504.40.90 (Isento do IPI conforme Portaria Conjunta n° 414 de 25/11/1998). Inconformada com a exigência, a autuada apresentou a impugnação de fls. 151 a 163 requerendo o cancelamento do Auto de Infração. Suas razões de mérito, essencialmente, foram: a) os bens de informática industrializados pela interessada são isentos, posto que produzidos de acordo com os requisitos legais exigidos para fruição do beneficio, os quais foram ratificados mediante Portaria Interministerial dos Ministros da Ciência e Tecnologia e o do Estado da Fazenda; b) o Decreto n° 792/1993, que regulamentou a isenção do IPI para os bens de informática e automação, instituída pela Lei n° 8.248, vinculou a fruição dos benefícios instituídos na referida lei à publicação da Portaria Conjunta, procedimento este não previsto na aludida lei, contrariandoa portanto. A DRF de Julgamento em São Paulo, através da Decisão 001.834, de 31/05/2001, fls. 216 a 229, julgou procedente o lançamento tributário, decisão que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998 Ementa: FRUIÇÃO DE BENEFICIO FISCAL A habilitação para fruição de incentivo fiscal sujeitarse á à comprovação das condições exigidas na legislação e à publicação prévia do ato concessivo. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO IPI Procedimento em que se exige tributo decorrente de classificação fiscal diferente da praticada pelo impugnante. Confirmada a classificação adotada pelo fisco. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 10/06/1997 a 30/11/1998 Ementa: JUROS DE MORA TAXA SELIC A atividade de lançamento tributário é vinculada à lei e, portanto, obrigatória, não sendo lícito à autoridade administrativa, estando a lei em vigor, apreciar aspectos concernentes à sua constitucionalidade ou não, tarefa esta reservada ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 410 4 Os principais argumentos adotados pela DRJ para manter o lançamento podem ser assim resumidos: a) para usufruir da isenção a interessada deveria observar as disposições do Decreto 792, de 1993, que regulamentou a Lei 8.248, de 1991, que, dentre outras, estabelece que a relação de bens que farão jus ao benefício serão definidas pelo Poder Executivo, mediante portaria conjunta do MCT e MINIFAZ (art. 6º do Decreto 792/93); b) a portaria conjunta exigida para fruição do benefício não é uma simples convalidação do pedido de isenção, sendo que somente a partir de sua publicação é dada a concessão do beneficio à empresa e aos bens nela nominados; c) os produtos objeto da autuação tratamse de estabilizadores automáticos destinados ao controle da amplitude da tensão fornecida a um equipamento, a partir da energia fornecida pela concessionária de energia elétrica. Serve para alimentação simultânea de microcomputador, impressora, modem e outros; d) a classificação pretendida pela requerente, para os referidos produtos, no código 8504.40.9999, não é adequada, posto que estes não representam um conversor estático de tensão, mas sim um regulador automático de voltagem eletrônico (ou estabilizador de tensão), os quais estão compreendidos na posição 9032, conforme as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), mais precisamente, nota 6 do capítulo 90, e item II das notas da posição 9032; e) de acordo com as regras de classificação, os bens industrializados pela interessada classificamse no código 9032.89.0102, sujeitos à alíquota de 15%. Não conformada com a decisão de primeira instância a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 247 a 265, reafirmando os mesmos argumentos apresentados na impugnação. O recurso foi encaminhado ao Segundo Conselho de Contribuintes, que, ao constatar que a autuação envolvia classificação fiscal de mercadorias, declinou competência ao então Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos da Resolução nº 20200.738, fls. 299 a 302. O recurso foi julgado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes. A ementa do v. acórdão recorrido tem o seguinte teor (Acórdão 30333.453, de 16/08/2006, fls. 305 a 317): IPI/ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ATENDIMENTO ÀS CONDIÇÕES EXIGIDAS NA LEGISLAÇÃO. ATO CONCESSIVO POSTERIOR RATIFICADOR DO BENEFÍCIO. CLASSIFICAÇÃO CORRETA NA TIPI. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Improcedência da autuação ante a verificação do direito a isenção do IPI dos produtos fabricados pela recorrente. Recurso voluntário provido. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 411 5 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o mencionado recurso especial, apontando divergência em relação ao Acórdão 30237.449 (cópia de inteiro teor às fls. 330 a 351), que possui a seguinte ementa, na parte de interesse: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Os critérios de classificação fiscal de mercadorias/produtos estão regulados pelas Regras Gerais de Interpretação (RUI) e Regras Gerais Complementares (RGC) da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias e, subsidiariamente, pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias — NESH do Conselho de Cooperação Aduaneira (DL n° 1.154/71 c/c arts. 16 e 17 do RIPI/82). Os produtos denominados "estabilizadores eletrônicos" tratam se de "reguladores de voltagem eletrônicos" e não de "conversores estáticos — outros", classificandose no código tarifário 9032.89.11 da TIPI. Aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1, combinada com os textos da posição 8481 e com as notas explicativas à posição 9032. O Procurador finaliza ser recurso defendendo a legalidade da exigência da multa de ofício e dos juros de mora calculados com base na taxa Selic. O recurso especial foi admitido por meio do Despacho nº 292/2007, fls. 353/355. Contrarazões vieram às fls. 365 a 387. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Necessário examinar se o recurso da Fazenda atende aos requisitos para sua admissibilidade, notadamente a suscitada divergência jurisprudencial. A contribuinte alegou, nas contrarrazões apresentadas, que as situações fático/jurídicas postas em julgamento, no acórdão recorrido e no paradigma, são distintas, o que impediria comprovarse a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda. Inicialmente, importante esclarecer que tanto a decisão recorrida quanto o paradigma apresentado tratam dos mesmos produtos (estabilizadores de tensão) e do mesmo contribuinte (TS Shara), diferindo, apenas, em relação aos períodos de ocorrência dos fatos geradores. Importante também observar que as situações jurídicas apreciadas pelos arestos confrontados são idênticas, pois envolvem: a) discussão acerca do direito à isenção do IPI dos produtos industrializados pela interessada (estabilizadores), com amparo na Lei 8.248/91 e Decreto 792/93; b) classificação fiscal dos estabilizadores. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 412 6 Vejamos como as Câmaras decidiram as questões, com o objetivo de verificar se houve, ou não, divergência. No acórdão recorrido, apesar da menção, ambígua, da classificação fiscal na ementa, não houve decisão acerca da classificação fiscal das mercadorias (estabilizadores de tensão). Isso, por ter a Câmara entendido que a correta classificação fiscal tornouse irrelevante em face do reconhecimento da isenção do IPI. Transcrevese, a seguir, trechos do voto recorrido, para verificar o entendimento adotado pela Câmara (fls. 316/317): “Portanto, o cerne da questão consiste em saber se o referido Decreto teria vinculado a fruição dos benefícios contidos na Lei n. 8.248/91 à publicação da indigitada Portaria Interministerial Conjunta do Ministério da Ciência e Tecnologia MCT e do Ministério da Fazenda — MINIFAZ. Não se deve admitir que o beneficio da isenção seja assim restringido, uma vez que o texto legal não respalda tal posicionamento. (...) Temos, ainda, por irrelevante eventuais discussões a cerca da correição ou não da classificação fiscal dos produtos objeto da autuação em escopo, uma vez que a Portaria 414 de 25/11/98 assegurou o direito a desoneração de "todos os modelos de estabilizadores eletrônicos passíveis de industrialização e comercialização pela empresa.” (grifos acrescidos) Assim, constatase que a Terceira Câmara não decidiu sobre a classificação fiscal dos estabilizadores industrializados pela empresa, por considerála irrelevante. A decisão centrouse na análise do direito à isenção prevista na Lei 8.248, de 1991, e regulamentada pelo Decreto 792/1993, tendo a Câmara reconhecido o direito ao benefício. Por outro lado, o acórdão paradigma decidiu, tãosomente, sobre a classificação fiscal dos indigitados estabilizadores, acatando como correto o código adotado pelo Fisco. No tocante à isenção dos estabilizadores ao amparo da Lei 8.248/91 (matéria abordada no recurso voluntário e relatada, fls. 333/347), a Câmara não se pronunciou, por entender ser matéria da competência do então Segundo Conselho de Contribuintes. Vide excerto do voto em comento (fls. 348/351): “Conforme pode ser verificado pelo relato dos fatos ocorridos, o presente litígio versa sobre várias matérias, algumas das quais são da competência deste Colegiado, enquanto que outras não. (...) Pelo exposto, rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, ratificando as razões que fundamentaram o Acórdão combatido, nego provimento ao recurso voluntário interposto, quanto à classificação de mercadorias. Quanto às demais matérias, voto por declinar a competência de julgamento em favor do E. Segundo Conselho de Contribuintes.” (grifos acrescidos) Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 413 7 Confrontando as duas decisões, entendo restar comprovada a divergência. No acórdão recorrido a Câmara decidiu acerca do direito à isenção do IPI sobre os estabilizadores industrializados pela interessada, e, ao reconhecer o direito ao benefício, entendeu irrelevante decidir sobre a classificação. Ao contrário, no acórdão paradigma a Câmara decidiu acerca da classificação dos estabilizadores, e não decidiu acerca da isenção, por julgar ser matéria de competência do então Segundo Conselho de Contribuintes. Dessa forma, presentes os requisitos de admissibilidade, notadamente a comprovada divergência jurisprudencial, entendo que o recurso especial da Fazenda merece ser conhecido. Como mencionado, existem duas questões envolvidas no litígio: a classificação fiscal dos estabilizadores de tensão industrializados pela interessada e o direito à isenção para esses produtos, segundo a Lei 8.248, de 1991, e disposições regulamentares. Antes porém de adentrar ao mérito, suscito questão preliminar de nulidade da decisão recorrida, pelas razões seguintes: Como é de todos sabido, antes da unificação dos Conselhos de Contribuintes, a competência para decidir sobre isenção do IPI pertencia ao então Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 8º, inciso I, do então Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF 55, de 1998: Art. 8 º Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos de ofício e voluntários de decisões de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: I Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados, exceto o IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IPI incidente sobre produtos saídos da Zona Franca de Manaus ou a ela destinados; (...) Parágrafo único. Na competência de que trata este artigo, incluem se os recursos voluntários pertinentes a: (...) III – reconhecimento do direito à isenção ou imunidade tributária. De outro lado, voltando aos autos, observase que em que pese haver questão relativa a classificação de mercadorias, que era de competência do então Terceiro Conselho o cerne do litígio centrase na discussão sobre o reconhecimento, ou não, da isenção. Tanto assim que, ao reconhecêla, a Câmara recorrida entendeu ser irrelevante a correta definição da classificação fiscal. Isso porque, a lei e os atos regulamentadores da isenção não se fixam na classificação fiscal, mas na identificação do fabricante e na descrição dos produtos que são abrangidos pela dita isenção, mediante identificação dos modelos. Veja se, por exemplo, as Portarias Interministeriais publicadas para a interessada, que, em seus anexos, relacionam os produtos beneficiados por modelo (e não por classificação fiscal fls. 206 a 209). Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 414 8 Portanto, não está diante de autuação do IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadoria, o que seria, indubitavelmente, de competência do então Terceiro Conselho, mas sim, de exigência do IPI decorrente de utilização indevida do benefício da isenção, em operação no mercado interno (não se trata de IPI vinculado), e sem envolver a Zona Franca de Manaus. A classificação das mercadorias (no caso, dos estabilizadores) é fundamental diante do não reconhecimento da isenção, para correta determinação da alíquota aplicável, alíquota necessária à apuração do imposto devido nas saídas promovidas sem destaque do imposto. Prova disso é que tanto a posição defendida pela contribuinte para a classificação dos estabilizadores, quanto a defendida pelo Fisco, eram, ambas, posições tributadas com alíquotas positivas pela TIPI1, a saber: 8504.40.90 – alíquota 10%; 9032.89.11 – alíquota 15%, respectivamente. No entanto, a contribuinte deu saída aos ditos estabilizadores sem tributálos, por entender estarem alcançados pela isenção instituída pela Lei 8.248, de 1991 (bens de informática e automação). Daí ser a isenção, utilizada indevidamente pela empresa, segundo interpretação do Fisco, o motivo da autuação. Com essas considerações, entendo que a Câmara recorrida decidiu sobre matéria que, à época, não era de sua competência, devendo ser declarada a nulidade da decisão, em razão de haver sido proferida por autoridade incompetente (artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235, de 19722 PAF). Diante do exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão nº 30333.453, de 16 de agosto de 2006, nulidade que alcançará a mencionada decisão bem como todos os atos posteriores. Henrique Pinheiro Torres 1 TIPI – Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovada pelo Decreto 2092, de 10/12/1996. 2 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Voto Vencedor Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.000280/0059 Acórdão n.º 9303001.820 CSRFT3 Fl. 415 9 Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF (despacho de fl. 406), incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a redatora designada para o voto vencedor, Conselheira Nanci Gama, deixou o colegiado antes da formalização do acórdão. Como indicado, nele o colegiado entendeu inservível o acórdão apresentado como paradigma para demonstrar a divergência de entendimentos, não conhecendo, assim, do recurso. E o motivo para tanto encontrase bem apresentado, a meu ver, pelo dr. Henrique em seu voto: o acórdão recorrido não enfrentou a matéria atinente à classificação fiscal do produto, entendendo cabível, de qualquer modo a isenção; já o acórdão apontado como divergente adentra exatamente esse aspecto e conclui incabível a isenção por erro na classificação fiscal. Ora, sendo assim, pareceunos, faltou ao recurso especial exatamente o requisito do prequestionamento da matéria, não podendo a CSRF, em oposição ao entendimento do "paradigma", enfrentar matéria não discutida na decisão recorrida. Assim o é porque, pelo menos é o que penso, não é este colegiado uma terceira instância a quem caiba meramente revisar a decisão recorrida à semelhança do que fazem as turmas julgadoras com respeito à decisão de primeiro grau administrativo. Ao contrário, e como tem sido reiteradamente apontado, este colegiado destinase a dirimir divergências de entendimentos entre colegiados distintos, o que requer, como mínimo, que a matéria tenha sido enfrentada em ambas as decisões confrontadas. Com essas considerações, decidiu o colegiado não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720078/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2012
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE.
A IN SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2012
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 1301-002.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Relator), José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que davam integral provimento ao recurso com base no pressuposto de ilegalidade da IN 243/02. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães Presidente
(assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2012 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A IN SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2012 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16561.720078/2014-32
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5601481
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-002.045
nome_arquivo_s : Decisao_16561720078201432.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16561720078201432_5601481.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Relator), José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que davam integral provimento ao recurso com base no pressuposto de ilegalidade da IN 243/02. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6416079
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423605731328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 532 1 531 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720078/201432 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.045 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de junho de 2016 Matéria IRPJ: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA Recorrente SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2012 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A IN SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Relator), José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que davam integral provimento ao recurso com base no pressuposto de ilegalidade da IN 243/02. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 78 /2 01 4- 32 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 533 2 (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães – Presidente (assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, que, por unanimidade/maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário lançado de ofício. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Tratase de autuações relativas ao IRPJ e CSLL lavradas em decorrência da apuração de preço de transferência em desacordo com a legislação de regência entre 01/01/2011 e 31/12/2011 (fls. 02 a 04). 2. Assevera a autoridade administrativa responsável pela lavratura que: a) No curso do procedimento fiscal constatouse que a fiscalizada, através da DIPJ 2012, Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral, em ADIÇÕES linha 09. Ajustes Decorr. Métodos – Preços de Transferências (documento anexo nº 1), declarou o valor de R$ 7.743.834,36, quando deveria ter sido declarado o valor de R$ 84.917.673,09. Por conta dessa diferença não declarada de R$ 77.173.838,73, foram lavradas em seu desfavor autuações para cobrança dos tributos IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício e juros de mora; b) Após examinar documentação de suporte e memória de cálculo apresentada pelo sujeito passivo para justificar o ajuste declarado (importação de bens), a fiscalização questionou o descumprimento da metodologia do art. 12, § 11, da IN/SRF nº 243/2002 (PRL60, produtos 125693, 20690, 21357, 40603 e 43507); c) Em resposta ao questionamento referido, a fiscalizada alegou que havia deixado de observar os comandos infralegais aplicáveis em razão de sua incompatibilidade com a norma legal de regência (art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 9.959/00), não obstante também apresentou Fl. 533DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 534 3 memória de cálculo (anexo nº 3) nos termos da metodologia fixada na IN/SRF nº 243/02 para o PRL60; e d) A fiscalização examinou todas essas planilhas contidas no anexo de nº 3 e concluiu que estão em conformidade com a IN/SRF nº 243/02. 3. Como conseqüência dos fatos narrados e tendo em vista a IN/SRF 243/2002, o AuditorFiscal que presidiu o procedimento fiscal em comento, em conformidade com o exposto e considerando os valores de IRPJ e CSLL não recolhidos, constituiu, em 28/08/2014, crédito tributário (fl.267 a 280) nos seguintes termos: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA Imposto 19.293.459,68 Juros 4.258.066,55 Multa 14.470.094,76 Valor do Crédito Apurado 38.021.620,99 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Contribuição 6.945.645,49 Juros 1.532.903,96 Multa 5.209.234,12 Valor do Crédito Apurado 13.687.783,57 TOTAL Crédito tributário do processo em R$ 51.709.404,56 4. Como enquadramento legal invocou os seguintes dispositivos: Art. 6º, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430/96; Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90; art. 3º da Lei nº 9.249/95; Arts. 241, 242, 244, 247 e 249, inciso I, do RIR/99; Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08; e Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07; e Art. 6, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.430/96. Impugnação aos Autos de Infração 5. Cientificada a empresa na mesma data da lavratura, esta protocolou, em 26/09/2014, impugnação (fls. 286 a 326), em síntese, alegando a ilegalidade da Fl. 534DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 535 4 IN/SRF nº 243/02, destacando que tal normativa teria excluído do cálculo pertinente elementos que o Legislador expressamente inseriu como obrigatórios, a saber, o valor agregado (criando assim dois tipos de método PRL). 6. Para sustentar suas contrarazões a contribuinte traz longo arrazoado sobre a lei aplicável e sua incompatibilidade com a normativa do Fisco, bem como invoca parecer da consultoria Deloitte, julgados administrativos e decisões judiciais a título de precedente. 7. Destaca que a metodologia da IN/SRF nº 243/02 tanto é ilegal que duas medidas provisórias foram editadas para tentar incluir seus critérios no texto da Lei nº 9.430/96. 8. Assevera que as autuações lavradas não merecem prosperar, pois a metodologia de cálculo do PRL60 adotada segue os estritos termos do art. 18, II , da Lei nº 9.430/96. 9. Afirma ainda a impossibilidade de aplicação de juros moratórios sobre multa de ofício. 10. Com base na argumentação anteriormente resumida, pede a impugnante sejam cancelados os Autos de Infração e reconhecidos como válidos os cálculos originais pelo PRL 60%, bem como requer o reconhecimento da ilegitimidade da IN/SRF nº 243/02 e de sua afronta ao princípio da estrita legalidade tributária. 11. Não acolhidos os pedidos alinhados, pede o afastamento dos juros de mora sobre multa de ofício, por manifesta ilegalidade. A 1ª Turma da DRJ/CTA, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão para julgar improcedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2011 MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº. 243/2002. À esfera administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Ademais, é certo que a normatização do denominado método “PRL60”, empreendida no art. 12 da IN SRF nº. 243/2002, se mostra em consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei nº. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2º da Lei nº. 9.959/2000. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 536 5 A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/CTA e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexos em 26/05/2015 (fl. 473), através do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, e apresentou em 24/06/2015, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 475 496. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. A recorrente é empresa brasileira pertencente ao Grupo Syngenta que, dentre outras atividades que compõem seu objeto social, desenvolve, produz e comercializa defensivos agrícolas e sementes de alta tecnologia, dentre outros produtos. Para a consecução de seu objeto social, realiza operações de importação de insumos para aplicação no seu processo produtivo, bem como de produtos destinados à revenda direta. No contexto dessas importações, no anocalendário de 2011, importou insumos necessários à industrialização de seus produtos no Brasil e destinados à revenda. Como as transações foram realizadas com partes vinculadas no exterior, a fim de atender às regras de preços de transferência, efetuou os cálculos com base na Lei 9.430/96. Nesse sentido, o preço parâmetro, para fins de determinação dos limites de dedutibilidade dos valores das importações na apuração do IRPJ e da CSLL, foi apurado com base no Método do Preço de Revenda menos Lucro ("PRL"). A margem de lucro aplicada para os insumos destinados à industrialização foi a de 60% ("PRL60") sobre o preço de revenda líquido e a margem de lucro aplicada para as demais hipóteses foi a de 20% ("PRL20") sobre o preço de revenda. Ocorre que, no entender das autoridades autuantes, o Recorrente não teria efetuados seus ajustes conforme os parâmetros enunciados na Instrução Normativa ("IN") 243/02. Nesse sentido, e conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal ("TVF"), os cálculos dos preços parâmetros estariam incorretos, pois não teriam sido consideradas as quantidades de estoques iniciais nos seus cálculos do PRL20 e 60. Como conseqüência das constatações verificadas na ação fiscal, foi lavrado Auto de Infração exigindo a tributação devida em decorrência das supostas irregularidades, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Irresignada com a referida autuação, a recorrente interpôs recurso a este colegiado onde aduz os seguintes pontos: Fl. 536DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 537 6 O ponto central destes autos (não obstante a existência de discussões subsidiárias) pareceme ser a discussão sobre a legalidade dos ditames contidos na IN 243 vis àvis os comandos da Lei 9.430/96. Essa matéria, como se sabe, é tema de relevantes debates neste Conselho, envolvendo em seu cenário, exatamente, a discussão em torno da legalidade das disposições contidas na referida IN, em face das disposições contidas na Lei. O método PRL60 foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei nº 9.959/2000, que deu nova redação ao inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996. No inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, o legislador ordinário definiu o método PRL60 como sendo a média aritmética dos preços de revenda dos bens, diminuídos dos descontos incondicionais, dos tributos incidentes sobre as vendas, das comissões pagas e da margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço líquido de venda subtraído o valor agregado no País, que pode ser sintetizado na seguinte fórmula matemática: Preço Parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) Onde: PLV = preço líquido de venda (preço de revenda do bem importado, diminuído dos descontos incondicionais, dos tributos incidentes sobre as vendas e das comissões pagas) ML 60% = margem de lucro de 60% VA = valor agregado no País Na fórmula construída a partir do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000 (e anteriormente admitida pela própria Receita Federal do Brasil na revogada Instrução Normativa nº 32/2001), a margem de lucro corresponde a 60% do preço líquido de venda subtraído o valor agregado no País. O legislador ordinário estabeleceu uma margem de lucro altíssima (60% – inatingível, em operações regulares de mercado, pela maioria das empresas brasileiras que importam, produzem e revendem no mercado interno), mas, por outro lado, autorizou a subtração do valor agregado no País para efeito de determinação da margem de lucro. Todavia, o critério jurídico estabelecido pelo Poder Legislativo para apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 não foi observado pelo Poder Executivo na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, que revogou a Instrução Normativa nº 32/2001. Aliás, a simples comparação entre o texto da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, e o texto da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, já comprova a diferença de metodologia de cálculo. Com efeito, o artigo 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 criou novo critério para apuração do Preço de Transferência pelo método PRL60, incluindo na fórmula (1º) o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e (2º) a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro, e (3º) excluindo o valor agregado no Fl. 537DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 538 7 País e a margem de lucro de 60%, anteriormente calculada sobre o preço líquido de venda subtraído o valor agregado no País. Contudo, nos termos do inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, (i) não havia previsão legal para excluir o valor agregado no País no cálculo do preço parâmetro (o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para fins de cálculo da margem de lucro correspondente a 60%); e (ii) também não havia qualquer menção ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Assim, a exclusão do valor agregado no País e da margem de lucro de 60%, anteriormente calculada sobre o preço líquido de venda subtraído o valor agregado no País; e a inclusão do percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e da participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro acabaram por alterar, substancialmente, os critérios jurídicos de cálculo previstos no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000. E não é só isso. Além de a Instrução Normativa SRF nº 243/2002 ter inovado no plano normativo, criando fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 sem qualquer fundamento legal, a sua aplicação implica apuração de preço parâmetro inferior ao que seria apurado caso fosse observado o disposto no inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000. A apuração de preço parâmetro inferior ao que seria apurado caso fosse observado o disposto no inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, implica, por sua vez, (i) apuração de ajuste a título de Preço de Transferência em situação na qual não haveria ajuste caso fosse observada a fórmula prevista em Lei; ou, então, (ii) apuração de ajuste a título de Preço de Transferência em valor superior ao que seria apurado caso fosse observada a fórmula da Lei. E a apuração de ajuste em situação na qual não haveria ajuste caso observada a fórmula da Lei ou, então, a apuração de ajuste em valor superior ao que seria apurado caso fosse observada a fórmula da Lei representam (em ambas as hipóteses) majoração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL por meio da aplicação de disposições contidas, única e exclusivamente, no texto de Instrução Normativa, o que é absolutamente vedado pelo inciso II e pelo §1º do artigo 97 do CTN. Dessa forma, a ilegalidade do artigo 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 está configurada por 2 (dois) fundamentos jurídicos: (i) instituição, pelo Poder Executivo, de metodologia (fórmula) de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL60 absolutamente diversa daquela concebida pelo Poder Legislativo (artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000); e (ii) majoração (indevida) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL mediante aplicação de critérios de apuração previstos, única e exclusivamente, no texto de uma Instrução Normativa, afrontando o disposto no artigo 97 do Código Tributário Nacional. Superveniente alteração da legislação ordinária e observância da anterioridade Fl. 538DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 539 8 A Medida Provisória nº 563/2012 foi convertida na Lei nº 12.715/2012, alterando o artigo 18 da Lei nº 9.430/1996 e, com isso, introduzindo (no texto da Lei) o critério de proporcionalização da participação do valor dos bens importados no custo total do bem vendido e de participação do valor dos bens importados no preço de venda do bem, tal como até então previsto somente no texto da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Ora, se foi necessária a alteração da legislação ordinária no curso do ano de 2012 para passar a dispor sobre os critérios de proporcionalização da participação do valor dos bens importados no custo total do bem vendido e de participação do valor dos bens importados no preço de venda do bem, é porque o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, com a redação da Lei nº 9.959/2000, não compreendia tais variáveis na metodologia de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60, escancarando a ilegalidade do artigo 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Como se isso não fosse suficiente, o artigo 48 da Lei nº 12.715/2012, que introduziu alterações na legislação de Preço de Transferência, especificamente quanto à fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL, entrou em vigor somente a partir de 1º/01/2013, observandose, assim, o princípio da anterioridade em matéria tributária. A determinação da observância do princípio da anterioridade é o reconhecimento do Poder Legislativo da alteração da regra de apuração do preço parâmetro pelo método PRL e, principalmente, da majoração da carga tributária, não prosperando, desse modo, o argumento que tem sido sustentado de que a “fórmula” da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 representaria uma possível interpretação do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, pois, se assim fosse, a alteração da legislação ordinária no curso do ano de 2012 não estaria sujeita à observância do princípio da anterioridade em matéria tributária. Portanto, não há dúvida quanto à ilegalidade da fórmula prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 para apuração do preço parâmetro pelo método PRL60, pois ao ser veiculada pelo Poder Executivo não encontrava fundamento de validade no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000 (tanto isso é verdade que foi necessária a publicação da Lei nº 12.715/2012 para incorporar os critérios previstos até então somente no texto da Instrução Normativa, inclusive com observância da anterioridade). Outras questões relacionadas à formula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL 60% introduzida pelo artigo 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 Nos julgamentos administrativos envolvendo a matéria, temos notado a existência de críticas em relação à fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 prevista no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, sob o argumento (não jurídico) de que supostamente não seria a mais “adequada” para a apuração do preço parâmetro do bem importado, o que inviabilizaria o controle dos preços de transferência. E aqueles que criticam a fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 prevista no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000 (e anteriormente regulamentada pela IN 32/2001), tentam defender a legalidade do artigo 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, também aduzindo que teria introduzido critério de cálculo mais razoável com a finalidade da legislação de preço de transferência. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 540 9 Entretanto, discordando ou não da fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 prevista no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, o que deve ser ponderado é que o Poder Legislativo, por questão de política fiscal (e não meramente arrecadatória), instituiu, por meio de Lei Ordinária, uma fórmula matemática que, no seu entender, evita a transferência de lucros entre empresas vinculadas, devendo, portanto, ser observada. Dessa forma, a simples discordância quanto à fórmula prevista no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, para apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 não é fato suficiente para legitimar a aplicação da fórmula de cálculo prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Por outro lado, e como já salientado, pela fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL 60% prevista no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, o valor agregado no País ao bem importado reflete na apuração da margem de lucro de 60% e, também, no valor do ajuste tributável, de modo que, a rigor, quanto maior o valor agregado no País, menor será o ajuste a título de preço de transferência. Nesse aspecto, a fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 prevista no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, podia até mesmo ser considerada uma motivação para as empresas brasileiras aumentarem os valores agregados no País, gerando novos empregos e riquezas. E os valores agregados no País estão sujeitos à incidência de diversos tributos, por exemplo, ICMS, IPI, ISS, PIS, COFINS etc. Já a fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 prevista no artigo 12 da IN SRF nº 243/2002, ao excluir o valor agregado no País no cálculo do preço parâmetro, a rigor, representava um desestímulo à produção local. Ainda que se argumente que a vontade do legislador ordinário ao estabelecer a fórmula prevista no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, não tenha sido o estímulo da produção local, da mesma forma, não é razoável admitir que ele tivesse autorizado a edição de regras de preço de transferência que incentivassem a importação e revenda direta em detrimento da produção nacional e da agregação de valores no País, tal como se verifica na fórmula prevista no artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Isso porque, a aplicação de uma margem mais elevada no PRL60 (produção) quando comparada com o PRL20 (revenda) levaria o contribuinte a organizar as suas atividades empresariais para que não houvesse produção no território brasileiro, mas apenas atividades de importação e revenda. Como forma de evitar o desestímulo à produção local, na fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 prevista no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, foi autorizada a subtração do valor agregado no País para fins de cálculo da margem de lucro correspondente a 60%, o que não foi observado na fórmula da IN SRF nº 243/2002. No mais, a fórmula do PRL60 prevista na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 proporciona tributação mais gravosa para os contribuintes que buscam praticar preço não sujeito a ajuste a título de preço de transferência. Os cálculos têm demonstrado que a cada vez que o contribuinte busca se aproximar do preço parâmetro, calculado de acordo com a fórmula do PRL60 prevista na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, existe uma diminuição do percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 541 10 E diminuindo o percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido ocorre uma nova redução no preço parâmetro e, por conseguinte, apuração de ajuste a título de preço de transferência (é o denominado “efeito circular” da fórmula da Instrução Normativa SRF nº 243/2002). Nesse aspecto, o contribuinte só se “salva” do ajuste a título de preço de transferência se conseguir praticar margem de lucro bruto de 60% sobre o custo total do bem produzido, o que, data vênia, em operações regulares de mercado, é praticamente impossível. Portanto, e por qualquer ângulo que se avalie a questão, não pode ser admitida a aplicação da fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Nesse sentido, corroborando o entendimento acima esposado, trago à colação o entendimento adotado pela Ilustre Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, no acórdão nº 130200.915, de 10/04/2012, a qual não só nos brinda com convincentes argumentos doutrinários, mas, principalmente, constrói uma análise quantitativa que, a meu ver, demonstra com clareza cristalina a impossibilidade da aplicação da IN 243, pelo menos não antes da atualização legislativa que só veio a ocorrer muitos anos depois (em 2012). 5 – O cálculo disposto na Instrução Normativa SRF 243/02 para cômputo do método de Preço de Revenda menos Lucro (PRL) 60% PRL60 não está em conformidade com o disposto na Lei 9.430/06, alterada pela 9.959/00. O artigo 18 da Lei 9.430/96, com a alteração pela Lei 9.959/00, assim estabelece: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor Fl. 541DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 542 11 agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000)” Há, na Lei, algumas dúvidas relacionadas ao PRL. A Lei não esclarece adequadamente o que é o valor agregado no País, como ele deve ser calculado e como deve ser diminuído para apuração do preço de transferência. Diante dessas dúvidas, foram propostas duas diferentes interpretações normativas, a IN SRF 32/01, publicada em março de 2001 contemporaneamente à validade da Lei, e a IN SRF 243/02, publicada apenas em novembro de 2002. Nessa medida, a validade e legalidade de cada uma das interpretações depende de verificar primeiramente se tal interpretação transgride o limite normativo para aplicação das margens fixas de lucro dispostas no artigo 18 da Lei, tanto com relação ao texto quanto ao contexto. Se alguma interpretação transgride tal limite, ela deve ser afastada de plano. A IN SRF 32/01 sinalizou aos contribuintes uma interpretação possível da Lei. Art. 12. A determinação do custo de bens, (...) poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) (...). ......................................................................................................... b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. ........................................................................................................ § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre �as vendas e das comissões e corretagens pagas . II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Traduzindo a IN em fórmula temse: Fórmula 1 – IN SRF 32/01 PP IN SRF 32/01 = PLV 60% x (PLV VAB), onde PP é o preço parâmetro Fl. 542DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 543 12 PLV é o preço médio de venda menos os descontos incondicionais, impostos e contribuições sobre vendas, comissões e corretagens pagas e VAB é o valor agregado no Brasil. A IN SRF 32/01 não esclareceu qual seria o conceito de valor agregado no Brasil e assim também não fez a Lei. É possível definir o valor agregado no Brasil como a diferença entre o preço de revenda líquido e a parcela desse preço atribuível ao produto importado, ou seja, VAB = PLV – PLVi. O conceito econômico e até tributário de valor agregado é medido em termos de preço de mercado, o que no caso do produto industrializado já inclui custo e margem. Historicamente, a Teoria Econômica buscou explicar o valor dos bens em virtude de seus custos. Assim, um bem que custasse mais proporcionalmente teria um preço maior e as margens de lucro de todos os produtos tenderiam a ser equivalentes. Verificouse contudo que o bem não teria sempre o valor proporcional ao custo. Independentemente do custo de cada produtor, por exemplo, o feijão ou o arroz serão vendidos por preço semelhante. Muitas vezes, inclusive, as empresas podem vender produtos até com prejuízos, ou seja, por um preço inferior ao custo médio de produção, porque, em termos marginais, o preço supera o custo marginal e a produção e a venda adicionais diluem os custos fixos e interessam à empresa. Na prática, ainda, fatores como tecnologia e risco, dentre outros, afetam e diferenciam as margens praticadas de produto a produto. O valor do bem, então, passa a ser definido pelo equilíbrio entre a oferta e demanda pelo bem e esse equilíbrio encontrase em virtude do preço de venda pelo qual o produtor e o comerciante ou consumidor estão ambos dispostos a produzir, vender e comprar determinada quantidade de produto. As preferências do consumidor, em virtude da utilidade ou do bemestar que o bem lhe traz, e a vontade do produtor de produzir e vender uma unidade adicional do bem, pelo seu custo marginal de produção ou ponto que maximiza sua renda, influirão na vontade de comprar ou vender uma quantidade adicional de bem a determinado preço. O valor do bem, em si, é definido unicamente pelo preço, que equilibra essa oferta e demanda, e o preço inclui custo mais margem, mas tal margem não é proporcional ao custo. Em um mercado oligopolista ou monopolista, o produtor poderá alterar a quantidade que deseja ofertar para equilibrar suas contas em um ponto em que vende menos, a um preço mais alto. O preço em si, contudo, nunca é definido unicamente pelo produtor, mas sim pelo equilíbrio entre a oferta e a demanda de mercado. E o preço não tem identidade ou relação direta com o custo médio de produção do estoque vendido. Tanto assim que o ICMS e o IPI, por exemplo, são tributos que incidem sobre preço de venda do bem, equivalente a custo mais margem, sendo que a tributação é não cumulativa, visando tributar, a cada fase de industrialização e comercialização, o valor agregado adicional daquela fase apenas, sendo ele a margem (e não o custo). Ao todo, o ICMS e IPI incidirão sobre o total do preço do produto final, que, substituições tributárias à parte, é o valor agregado ao produto somado de todas as fases de extração, industrialização e comercialização. Assim, valor agregado no país, para fins de preço de transferência, significa custo mais margem. Até posso aceitar, caso o bem venha a ser vendido com margem negativa e prejuízo, que o “valor” agregado no país seria no mínimo o custo no país incorrido com a compra dos insumos, mas não posso aceitar que há uma identidade Fl. 543DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 544 13 necessária entre custo e valor agregado, pois, tanto para fins tributários quanto econômicos, essa identidade não existe. A IN SRF 32/01 assim corrigiu uma única letra da Lei para ajustar a concordância verbal da Lei, que se referiu à margem de 60%, dizendo que ela seria calculada sobre o preço de revenda “deduzidos os descontos, comissões, tributos e do valor agregado”. A IN SRF 32/01 considerou que a margem de 60% será calculada sobre o preço de revenda “deduzidos os descontos, comissões, tributos e o valor agregado no país.” Tal IN SRF 32/01 respeitou no mais o que seria a melhor técnica normativa da Lei. Entendeu assim que, como a dedução do valor agregado no Brasil consta na alínea d, 1, da Lei, ele deve ser excluído da base sobre a qual se apura a margem de 60% e não propriamente como mais um item a ser deduzido do preço líquido de revenda em si. A IN 32/01 não definiu o conceito de valor agregado. Por outro lado, quando o “valor agregado” no Brasil for equivalente ao mínimo, ou seja, for equivalente ao custo agregado no Brasil, o preço parâmetro encontrado por essa Fórmula 1 da IN 32/01 para a importação de partes ligadas no exterior será, conservadoramente, o menor preço possível, de tal sorte que o ajuste de adição de preço de transferência será o máximo possível. Essa é uma interpretação possível da Lei. Já a IN SRF 243/02 propôs nova interpretação. A nova IN presumiu um conceito de valor agregado no Brasil, que inclui, além do custo de aquisição, uma margem de lucro. Já que o valor agregado já contém sua própria margem, ele também foi excluído na apuração da margem de 60% sobre o custo do bem importado de parte relacionada. Art. 12. A determinação do custo de bens, (...) poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), (...) ......................................................................................................... b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção ......................................................................................................... § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, Fl. 544DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 545 14 apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Traduzindo a IN SRF 243/02 em fórmula temse: Fórmula 2 – IN SRF 243/02 PP IN 243/02 = PLV x Ci/Ct x (160%), onde PLV é o preço líquido de venda, Ci é o custo do insumo importado e Ct é o custo médio total do bem produzido. Assim, admitimos, por exemplo, uma empresa que tenha um custo total de produção de 100, tendo 50 de custo agregado no Brasil e 50 importado de partes relacionadas no exterior. 50% (50/100) do preço de revenda do bem industrializado seria considerado, pela fórmula da IN 243/02, como o valor agregado no Brasil. Admitindo que o preço de revenda fosse de 200, 50% de 200, ou seja, 100 seria o valor agregado no Brasil. A fórmula manda subtrair, do preço total de revenda de 200, o valor agregado no Brasil, que ela mesma define, pela proporcionalidade 50/100, como 100. Os outros 100 seriam o preço de revenda dos produtos importados, dos quais se abateria a margem de 60% para encontrar o preço parâmetro de 40, visando comparar esse preço com o custo dos bens importados de parte relacionada de 50 para fins de cálculo da adição de “preço de transferência”. Notese que a IN parte da proporção entre o custo nacional sobre o total, no exemplo 50%, e aplica essa proporção sobre o preço de revenda do bem, extraindo dele tanto o custo adicionado no Brasil como uma margem, presumidamente proporcional. No caso, o preço de revenda foi de 200 e o custo total de 100. A margem foi de 100%. A IN 243/02 presume que essa margem aplicase tanto ao custo alocado no Brasil quanto ao custo do bem importado, uniformemente, por uma regra de proporcionalidade. Esse valor agregado no país, determinou a IN SRF 243/02, deve ser retirado do preço de revenda líquido e, sobre a parcela residual desse preço, deve ser aplicada a margem de 60% para encontrar o preço parâmetro a comparar com o custo do bem importado. Voltando à fórmula, podemos considerar que a IN SRF 243/02 tentou dar uma interpretação possível da Lei ao assim determinar: Fórmula 3 – Interpretação Possível da Lei PP = PLV – VAB – 60% (PLVVAB). Fl. 545DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 546 15 Onde: PP é preço parâmetro, PLV é o preço líquido de venda, VAB é o valor agregado no Brasil. A fórmula acima capitulada, entendo, seria uma interpretação plausível da Lei. Ao assim fazer, a IN SRF 243/02 entendeu que a Lei, ao falar em “diminuído e deduzido do valor agregado” no país, estava, na realidade, desejando que o preço de revenda fosse diminuído do valor agregado no Brasil, que inclui custo mais margem, pari passu com outras deduções de comissões, tributos, descontos, para então se aplicar, apenas sobre o valor residual, a margem fixa de 60%. Por outro lado, a IN SRF 243/02 foi mais além do que a interpretação possível da Lei autorizaria. Por ela a Receita presumiu um critério para definir o “valor agregado” no país (VAB), para fins de preço de transferência. Esse critério segue o preço de revenda líquido (PLV), alocado proporcionalmente ao custo agregado no país (ctci) sobre o custo total (ct). Fórmula 4 – Presunção de valor agregado no país trazida pela IN SRF 243/02 Comprovo, por demonstração matemática, o postulado de que a IN SRF 243/02 presumiu o valor agregado da seguinte maneira: VAB =PLV x (ctci)/ct Substituindo tal conceito na Fórmula 3, temse que PP IN SRF 243/02 = PLV – [PLV x (ctci)/ct] – 60% x {PLV – [PLV x (ct ci)/ct]} = {PLV – [PLV x (ctci)/ct]} x (160%) = PLV x [1 – (ctci)/ct] x (160%) = PLV x (ct – ct + ci)/ct x (1 60%) = PLV x ci/ct x (1 60%) (= fórmula da IN) Contudo, a fórmula definida pela IN SRF 243/02 para calcular o valor agregado no Brasil não está na Lei. Enquanto a Lei manda retirar, do preço líquido de revenda e da margem de 60%, o valor agregado no Brasil, que inclui sim o custo mais margem justa econômica do valor agregado no Brasil, a IN SRF 243/02 interpreta o conceito de valor agregado no Brasil, dizendo que ele é determinado pela alocação proporcional do preço de revenda ao custo nacional. Para mim, está claro que o valor agregado a um remédio pelo componente ativo importado é muito maior do que o valor agregado no Brasil pelo conservante ou pela cápsula. É no componente ativo que está toda a tecnologia e utilidade do remédio, além do risco inerente a sua fabricação e venda, bem como o investimento para criar tal tecnologia, que exige um retorno diferenciado do componente face à cápsula ou ao conservante. Se a atividade de adicionar o conservante ou cápsula fossem terceirizadas, claramente seriam remuneradas a taxas menores do que o princípio ativo que envolve tecnologia, risco e investimento diferenciados, além de serem efetivamente o ingrediente procurado pelo consumidor final, sem o qual o produto não tem qualquer valia. No caso de um avião, por exemplo, o valor agregado do computador de bordo ou do motor é maior do que o valor agregado do parafuso ou da pintura. Assim também em um carro o valor agregado do motor é proporcionalmente mais alto do que o valor agregado da roda. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 547 16 A proporcionalização do preço face ao custo, criada pela IN SRF 243/02, desconsidera essa observação empírica essencial e presume que o valor agregado de todos os insumos no produto final é igual. É uma presunção simples de “valor agregado no país”, feita pela IN SRF 243/02, sem autorização legal e sem base comprobatória. Mais ainda, tal presunção de proporcionalidade acaba estabelecendo que a empresa deve cobrar, sobre o total de seus custos, a margem de 150% para que ao fim tenha uma margem bruta de 60% do preço de revenda. Isso porque, se o custo é igual a 100 e o preço é igual a 250, a margem sobre o preço é de 60% e sobre o custo é de 150%. Tal margem passou, em virtude da fórmula da IN SRF 243/02, a ser aplicável tanto aos custos de bens importados de partes relacionadas e paraísos fiscais quanto aos demais custos, inclusive os nacionais. Ocorre que, pela Lei, a margem de 60% é aplicável apenas aos custos importados de partes relacionadas (ou de paraísos fiscais)! Qualquer margem praticada inferior a essa margem de 60% sobre preço total, ou 150% sobre custos totais, gerará ajuste de preço de transferência, se adotada a fórmula da IN SRF 243/02. Comparemos assim, com base em alguns exemplos, os efeitos práticos da IN SRF 32/01 e da IN SRF 243/02. Tabela 2 Exemplo 1 Custo de outros itens não sujeitos a preço de transferência equivale a 30% dos custos totais. Preço de Revenda Líquido 100 125 133,33 200 250 300 Margem de Lucro Praticada 0% 20% 25% 50% 60% 71% Custo Total 100 100 100 100 100 100 Custo não sujeito a PT 30 30 30 30 30 30 Custo sujeito a PT 70 70 70 70 70 70 Preço Parâmetro: IN 32/01 58 68 71 98 118 158 IN 243/02 28 35 37 56 70 98 Ajuste de Preço de Transferência IN 32/01 12 2 IN 243/02 42 35 33 14 * quando valor agregado é mínimo, ou seja, equivale a custo marginal dos insumos. Duas observações dos cálculos evoluídos na tabela acima são, em minha visão, muito importantes para a conclusão desta matéria. A IN SRF 243/02 apenas deixa de produzir ajuste de preço de transferência se a margem agregada a todo o custo de produção, incluindo custo nacional, for equivalente a 150%, ou seja, se a margem aplicada ao preço de revenda integral for 60%. Já a IN SRF 32/01 produz sim efeitos de preço de transferência. No exemplo, a IN 32/01 gera ajuste de preço de transferência, quando a margem de lucro praticada é inferior a 25% e o índice de Fl. 547DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 548 17 nacionalização da produção é inferior a 30% (ou ainda a relação entre os custos não sujeitos a preço de transferência e os custos totais é inferior a 30%). Cabe assim, avaliar ambas as interpretações, a da IN SRF 32/01 e da IN SRF 243/02. A IN SRF 32/01 trouxe uma interpretação da Lei que alterou apenas uma letra, trocou “do valor agregado” por “o valor agregado” e gerou efeito de controle no preço de transferência se a empresa tiver um baixo índice de nacionalização de sua produção, por exemplo, abaixo de 30%, e/ou uma margem de lucro realmente baixa sobre o preço de revenda total, por exemplo, abaixo de 25%. Parece uma interpretação razoável, que visa controlar o preço de transferência dos insumos importados de parte relacionada quando eles representam uma grande parte dos custos de produção, a margens de lucro mais razoáveis visàvis o mercado, sendo essa interpretação ainda alinhada aos interesses nacionais de fomentar a indústria e a nacionalização da produção. Quanto mais alto o índice de nacionalização da produção, menor será o controle de preço de transferência feito por essa interpretação da regra, ou seja, na hipótese da empresa que importa um parafuso (que custa por hipótese 5) para fabricar um avião (que custa por hipótese 100), ela não estará sujeita a preço de transferência por essa interpretação da IN SRF 32/01. Faz, contudo, sentido a interpretação, pois, quanto mais alto o valor dos custos não sujeitos ao controle de preço de transferência nos custos totais, menos os custos sujeitos ao preço de transferência influem no preço total do bem e mais as forças de mercado definirão a margem efetiva da empresa. Vale ainda lembrar que os preços de importação estão sujeitos a controle indireto de superfaturamento ou subfaturamento alfandegário. Então, um caso em que o preço de importação vai muito além do preço de mercado, sem nenhuma razão tecnológica, gerará certamente atenção de alfândega e poderá ser questionada por outras formas que não o preço de transferência. Já pela interpretação da IN SRF 243/02, se a empresa importou um parafuso e fabricou um avião, o preço inteiro do avião deve acabar com a margem de 60% embutida sobre o preço de revenda, para que não haja ajuste de preço de transferência no parafuso. Claramente, o exemplo é caricaturado, propositadamente, para demonstrar o cúmulo do absurdo que a IN SRF 243/02 poderia gerar. De qualquer maneira, o mesmo é válido, por exemplo, para um exemplo em que a empresa importa o motor e vende o carro. As margens praticadas no mercado de automóveis não são de 150% sobre todos os custos e a fábrica que nada importa certamente praticará margens menores do que essa. Em todo o caso, a fábrica que precisar importar somente o motor terá segundo a IN SRF 243/02, que praticar a margem artificial de 150% sobre todos os custos, inclusive os nacionais, para não ter ajuste de preço de transferência sobre o motor. Poderia não se tratar de um avião, ou de um carro, mas sim de um produto de uma commodity, cujos preços de revenda são pautados essencialmente pela demanda de mercado. A empresa terá que cobrar margem de 150% sobre todos os seus custos para atingir a regra de preço de transferência, independentemente de todos os outros insumos serem nacionais. Mais ainda, essas empresas competirão com outras que não usam tal insumo e ficarão com margem fora de mercado ou terão, de outra sorte, um custo tributário superior, com a mesma capacidade contributiva. Ambas competindo no mesmo mercado de atuação com a mesma margem de lucro, uma pagará mais imposto que a outra, o que ferirá isonomia. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 549 18 Exemplo de como a IN SRF 243/02 exige que a margem mínima praticada sobre os custos totais seja de 150% para que a empresa e assim cria condições artificiais de tributação e competição. O preço de mercado do produto industrializado é de 100, igual para a empresa A e para a empresa B. Os custos de produção de A são de 50 e de B são de 75. Empresa A importa 50% de seu custo do exterior de partes relacionadas, equivalendo a 25, e B não importa nada de partes relacionadas ou paraísos fiscais. A não tem acesso às informações de B quanto a margem de lucro ou composição dos custos de produção, logo, não consegue utilizar o Método dos Preços Independentes Comparados. Temos portanto a seguinte situação. B tem margem de lucro sobre custos totais de 33,33% (Preço de 100 – Custo de 75, que equivale a 25, sobre o custo de 75). B pagará 34% de IRPJ e CSLL sobre seu lucro de 25 (preço de 100 menos custos de 75), desprezando outros custos, e não terá que fazer qualquer ajuste à base de cálculo relativamente a preço de transferência. A possui margem de lucro de 100% dos seus custos de produção (Preço de 100 – Custo de 50, que equivale a 50, sobre o custo de 50), bem superior ao concorrente B. Por outro lado, A terá um ajuste sim de preço de transferência, segundo a IN SRF 243/02. A terá que calcular o Preço Líquido de Venda do bem Importado, PLVi, equivalente ao Preço de 100, vezes o custo de 25 do bem importado sobre o custo de 50 total, ou seja, PLVi = 100 x 25/50 = 50. Desse valor, A terá que tirar a margem de lucro de 60%, ou seja, terá que tirar 30 (50 x 60%), chegando a um preço parâmetro de 20. Esse preço parâmetro, A terá que comparar ao custo do bem importado de 25 e terá que adicionar o excesso de custo de 5 ao cálculo do IRPJ e da CSLL. Ao final, A terá um lucro efetivo de 50, 100% do valor de seus custos totais de produção, mas terá que pagar 34% de IRPJ e CSLL sobre 55 ao fisco brasileiro, ou seja, terá uma alíquota efetiva de tributação sobre o seu lucro equivalente a (34% x 55) / 50 = 37,4%. A, que opera com partes relacionadas, termina com mais lucro e com uma alíquota de tributação superior a B, empresa independente. Ainda que A, deparandose com a situação supra, resolvesse passar a importar de sua parte relacionada o bem por 20, ao invés de 25, reduzindo seu custo total para de 50 para 45, continuaria tendo ajuste de preços de transferência, senão vejamos. A no exemplo A´ terá que calcular Preço Líquido de Venda do bem Importado, PLVi, equivalente ao Preço de 100, vezes o custo de 20 do bem importado sobre o custo de 45 total, ou seja, PLVi = 100 x 20/45 = 44,44. Desse valor, A´ terá que tirar a margem de lucro de 60%, ou seja, terá que tirar 26,66 (44,44 x 60%), chegando a um preço parâmetro de 17,77. Esse preço Fl. 549DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 550 19 parâmetro, A´ terá que comparar ao custo do bem importado de 20 e terá que adicionar o excesso de custo de 2,33 ao cálculo do IRPJ e da CSLL. Ao final, A´ terá um lucro efetivo de 55 (Preço de 100 – Custo de 45), bem superior a seu concorrente (Lucro de 25), mas terá que pagar 34% de 57,33 ao fisco brasileiro. A alíquota efetiva de tributação de A´ será de 34% x 57,33 / 55, ou seja, 35,44%. A comparação do exemplo A com o exemplo A´ permite demonstrar que a empresa procurou reduzir o seu custo do insumo importado para atingir a margem de 60% da IN SRF 243/02, porém, não conseguiu. Aumentou sua base de cálculo de IRPJ e CSLL no Brasil de 55 no exemplo A para 57,33 no exemplo A´, mas ainda não satisfez a sede do leão e foi penalizada: continuou pagando, proporcionalmente ao seu lucro, mais tributos do que seu concorrente. Imaginando que A´ prosseguisse em sua busca por tentar reduzir o preço praticado com partes independentes para evitar ajuste de preço de transferência no Brasil, verificase que a única margem de equilíbrio para A que lhe evitaria ajuste de preço de transferência, na ótica da IN SRF 243/02, seria de 150% sobre seus custos totais de produção. Os custos totais de A' teriam que ser equivalentes a 40, sendo 15 importados do exterior de parte relacionada e 25 agregados no Brasil, para que sua margem fosse de 60 (60/40 = 150%) e ela atingisse o equilíbrio de preço de transferência segundo IN SRF 243/02. Então, o custo do produto importado teria que ser de 15, para não haver qualquer ajuste. Vejamos: Preço (PLV) Importado (Ci) Brasil (Cn) PLVi=PLV x Ci/(Cn+Ci) VAB=PLV PLVi VAB/Cn = 1 + M M=1 + M1 Adição = Ajuste TP [(VAB+Adição) / Cn] 1= Margem meta IN SRF 243/02 A 100 25,00 25,00 50,00 50,00 2,00 100,00% 5,00 120,00% A' 100 20,00 25,00 44,44 55,56 2,22 122,22% 2,22 131,11% A'' 100 17,77 25,00 41,55 58,45 2,34 133,81% 1,15 138,41% A''' 100 15,00 25,00 37,50 62,50 2,50 150,00% 0,00 150,00% VAB = Valor agregado no Brasil M = Margem Verificase que, no exemplo A, a margem de lucro da empresa sobre seus custos totais é de 100%. A IN SRF 243/02 exige, pelo seu cálculo, uma adição de preço de transferência e acaba resultando em uma margem tributada no Brasil sobre o custo adicionado no Brasil, artificialmente, de 120%. No exemplo A´, a margem de lucro da empresa sobre custos é de 122,22%, a IN exige adição ao lucro real e a margem tributada no Brasil sobre os custos adicionados aqui passa a ser artificialmente de 131,11%. Assim por diante, até que no último exemplo a empresa reduz os custos com as partes relacionadas jogandoos avassaladoramente para baixo: os custos caem de 25 para 15. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 551 20 Como decorrência, se o mercado continuar aceitando o produto da empresa pelo preço de 100, sem intempéries, a empresa finalmente terá conseguido fabricar a margem efetiva desejada pela IN de 150% e tributará ela mesma. Partirá de um ajuste de 5, no exemplo A, reduzirá o custo do bem importado em 10, o dobro de seu ajuste original de preço de transferência. Se a empresa em questão precisar, por questões de concorrência, praticar os preços de mercado implicando em uma margem de lucro total efetiva inferior a 150%, pela fórmula da IN SRF 243/02, como já demonstramos, necessariamente apurará diferença de custos a adicionar no cálculo do imposto de renda e da contribuição social. Vendendo produtos ao mesmo preço de mercado da empresa B, até com uma margem de lucro original superior a seus concorrentes B, a empresa A, que não conseguir atingir a margem dogmática de 150%, terá ainda que pagar mais imposto de renda e contribuição social do que seus concorrentes, não apenas em valor nominal, mas também em percentual do lucro. (Por Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Preços de Transferência, Método de Preço de Revenda Líquido: Texto e Contexto). A IN SRF 243/02 – não a Lei certamente desestimula que a empresa crie plantas industriais no Brasil e estimula que as crie no Chile, Argentina, Uruguai para exportar para o Brasil. Se a empresa industrializa no Brasil e agrega custo no Brasil de apenas 5%, tem que praticar margem de 60% sobre todo preço do produto inteiro, é o que diz a IN SRF 243/02. No extremo oposto, se uma empresa fabrica todo um avião no Brasil e importa apenas o parafuso também tem que aplicar 60% sobre todo o preço de revenda. Já se fizer essa industrialização na Argentina ou Chile, a empresa brasileira poderá adquirir e revender o bem praticando a margem de 20%. Notese ainda que o método de preço de revenda líquido foi transformado, pela IN SRF 243/02, em um método de “custo mais lucro”. Isso porque a fórmula da IN manda extrair do preço de revenda o custo do Brasil mais uma margem que, no caso do equilíbrio, para não dar efeito de preço de transferência, deve ser de 150% sobre o custo ou 60% sobre o preço, como já comprovado pelos exemplos numéricos acima. Em outras palavras, um custo agregado no Brasil tem que ter uma margem agregada de 150%, para que não haja ajuste de preço de transferência no bem importado. Fórmula 5 – Exigência mínima de margem sobre o custo nacional trazida pela IN SRF 243/02, para definir o valor agregado no Brasil, sem suporte legal. Recuperando a fórmula 3, uma interpretação possível da Lei seria: PP = PLV – VAB – 60% (PLVVAB) A metodologia disposta pela IN SRF 243/02, como vimos na fórmula 4, presume o VAB por um critério de proporcionalidade e ao assim fazer exige, no equilíbrio, à revelia do que dispõe a Lei, a margem de 60% do preço para o produto nacional (ou 150% do custo nacional para o produto nacional). Condição de Equilíbrio da IN SRF 243/02, para que PP ≥ Ci; VAB ≥ Custo nacional x (1+150%). Essa condição não está na Lei! Fl. 551DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 552 21 Ocorre que a Lei, ao tratar dos insumos adquiridos de partes independentes (no exterior), dispõe o método de custo de produção mais lucro CPL, exigindo margem de 20%, não 150%! Assim, se uma empresa estrangeira situada no Chile, por exemplo, adquire bens do Chile (ou outros países) de parte independente e os industrializa, ela pode agregar uma margem de 20% e revender esses produtos para a parte relacionada no Brasil. A Lei assim o determina. Pela IN SRF 243/02, se tal empresa trouxer tal atividade do Chile para o Brasil e passar a comprar os insumos de partes não relacionadas no próprio país (ou no exterior), ao vender tais produtos para outras partes não relacionadas no país, ao invés de agregar margem de 20%, teria que passar a agregar margem de 150%! Não me parece em absoluto ser essa uma interpretação razoável da Lei, dada a tamanha contradição que gera. O produto e o insumo brasileiros estão, na cadeia de produção, pela IN SRF 243/02, sem amparo legal, sendo preteridos em relação aos insumos e produtos estrangeiros! Nessa medida, em minha visão, a redação da IN SRF 243/02 vai além da Lei para trazer um conceito de valor agregado no país que não consta da Lei. A IN SRF 243/02 substitui o valor agregado justo de cada bem por uma alocação de preço presumidamente proporcional ao custo. Tratase de uma presunção simples, não suportada por qualquer prova e não autorizada por Lei. Por essa presunção ilegal, a IN SRF 243/02 passa a exigir a aplicação da margem de 150% sobre o custo total (ou 60% do preço de revenda líquido total), incluindo o custo nacional e estrangeiro, para que não resulte em ajuste de preço de transferência. A Lei, por sua vez, manda retirar, no cálculo do preço de transferência, o valor agregado no país, sem autorizar a presunção ou arbitramento desse valor, pela proporcionalização, muito menos manda aplicar a mais valia de 150% ao custo nacional, para apurar o valor agregado! Além de não guardar correspondência no texto da Lei, a metodologia da IN SRF 243/02 não guarda correspondência com o contexto, objetivo ou espírito da Lei. A Lei visa proteger o lucro das empresas brasileiras, protegendo a arrecadação federal. A IN SRF 243/02 desestimula a geração de lucro no país, em prejuízo da arrecadação federal, na medida em que estimula a produção no exterior, em detrimento da produção brasileira. O artigo 18 da Lei, consoante seu caput, exige margens fixas a serem aplicadas ao produto adquirido de partes ligadas no exterior. O método PRL – 60% expressamente exclui da aplicação dessa margem fixa o valor agregado no país. A IN SRF 243/02 exige margem fixa de 150% do custo (ou 60% do preço) inclusive sobre custos adquiridos no Brasil de partes independentes, alocados à produção. Não me parece que a IN SRF 243/02 seja, portanto, uma interpretação razoável no contexto da Lei. Nem se diga que há outros métodos de preço de transferência que a empresa poderia adotar para fundamentar seu custo de importação, sem adotar a margem de 60% sobre todo o preço de revenda. Como já dito, a Lei não manda aplicar essa margem de 60% no cálculo do valor agregado no Brasil. Quem o faz, sem autorização legal, é a IN SRF 243/02. No mais, que sejam infinitos os métodos de preço de transferência estabelecidos na Lei, nenhum pode ser insubordinado ao escopo da Lei, segundo caput, que é controlar, unicamente, a margem de lucro dos produtos importados de parte relacionada. A margem de lucro fixa deve ser aplicada apenas aos preços e aos custos dos produtos importados de partes relacionadas ou de paraísos fiscais, consoante o caput do artigo 18 da Lei 9.430/96. Segundo o texto desse caput: os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, Fl. 552DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 553 22 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos. Ora, fica claro que o objetivo do artigo 18 é definir o preço máximo de compra de bens importados, entre outros, a partir do preço de revenda líquido desse produto menos margem estabelecida em Lei. O caput do artigo não trata de dispor sobre o valor máximo do custo agregado no país ou sobre a margem a ser praticada para estabelecer o valor agregado desses custos nacionais. Interpretado à luz desse caput, o inciso II do artigo 18 simplesmente diz que, do preço de revenda do produto acabado, serão excluídos descontos, tributos, comissões e o valor agregado no Brasil (custo mais margem), sem que ele possa ser arbitrado ou presumido, como fez a IN SRF 243/02. Amparando esse entendimento, a Exposição de Motivos da Lei assim adverte: "As normas contidas nos arts. 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização, experimentado pelas economias contemporâneas. No caso especifico, em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE, são propostas normas que possibilitam o controle dos denominados "Preços de Transferência", de forma a evitar a prática lesiva aos interesses nacionais, de transferências de resultados para o exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior". Logo, a Lei, em seu intuito, texto ou contexto, jamais autorizou presumir preço ou arbitrar margem para os custos adquiridos no país ou de partes não relacionadas. O pecado da IN SRF 243/02 foi definir, como margem mínima aplicável ao valor agregado no Brasil e a outros insumos não sujeitos ao preço de transferência, o montante de 150% dos custos (ou 60% dos preços). A IN 243/02 estabeleceu uma presunção simples do conceito de “valor agregado no país”, que não consta da Lei e por isso não pode ser aceita. Nesse ponto, acredito que vale a pena tecer algumas observações adicionais sobre dois Acórdãos deste Conselho que vêm sendo citados comumente sobre a matéria. Primeiramente, no Acórdão 10194.888, a respeitada então Conselheira Sandra Faroni julgou, com relação a fatos ocorridos antes da vigência do método PRL–60%, um caso no qual a empresa aplicou o método PRL–20% para calcular o preço de revenda de produto industrializado. Visando comparar tal preço com o insumo importado, a empresa expurgou, dele, um valor equivalente à proporção do custo nacional sobre o custo total. A Conselheira decidiu que a contribuinte podia adotar o PRL–20% para calcular o preço parâmetro do insumo importado, pois entendeu que revenda é um conceito aplicável, também, a produtos importados para produção, por decorrência da própria evolução do texto legal. Por outro lado, a autoridade fiscal, ao invés de aprofundar seu estudo para ver se a empresa aplicou ou não corretamente o método, simplesmente considerou que o método PRL–20% não seria aplicável a produtos industrializados, o que não poderia prosperar. Verdade que a Conselheira então entendeu que, a seu ver “a única forma possível de determinar o preço de revenda de qualquer insumo é aplicando, sobre o preço de venda do produto final, a mesma proporção que o custo do insumo representa no custo total do produto”. Assim, a conselheira deu provimento ao recurso voluntário. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 554 23 Com toda vênia à respeitada julgadora, a proporcionalidade não é a única forma de calcular valor agregado no país. O computador de bordo não tem o mesmo valor agregado do parafuso no avião, o motor não tem o mesmo valor agregado da roda no carro ou no avião, e também o princípio ativo do remédio não tem o mesmo valor do conservante. É possível determinar margens diferenciadas para cada componente, tendo em vista sua relevância na utilidade transferida ao consumidor final do produto, em virtude do investimento e da tecnologia envolvidos, dos riscos da atividade, dos patamares de lucro de atividades semelhantes, caso fossem terceirizadas em parte, enfim, há outras formas de aferir o valor agregado justo de mercado de cada componente do produto. Assim, a proporcionalidade não é a única forma de calcular valor agregado. Em verdade, é uma forma presumida de calcular valor agregado que só tem validade se disposta em Lei, portanto. A Medida Provisória 563/12, aplicável obrigatoriamente a partir de 2013, assim o fez. A Lei 9.430/96, em sua redação dada pela Lei 9.959/00, não trouxe o critério da proporcionalidade em seu texto. Vale observar, contudo, que tal decisão do Conselho aplicouse face à Lei 9.430/96 na sua redação original, antes mesmo da Lei 9.959/00, que não trazia o método PRL–60% e não mandava excluir, do preço de revenda, o “valor agregado no país”. Assim, não se pode aplicar tal julgamento a Lei posterior e diferente em seu teor da Lei que então foi submetida a análise. A própria exConselheira, em parecer, afirma que “o voto foi proferido num contexto em que não havia previsão legal para tratar diferentemente situações em que não havia agregação de valores no País e situações em que o produto sofria agregação de valores antes de ser revendido”. A própria exConselheira, nesse novel parecer, tratando da Lei 9.959/00, que trouxe o PRL–60%, afirma que “o legislador não se limitou a definir nova margem de lucro para os casos de aplicação do bem em outro produto. Ao contrário, definiu, na lei, como seria feita a segregação dos valores agregados no País. Com isso, restringiu o campo de atuação da Instrução Normativa (...) Portanto, não é possível concluir, sem maior aprofundamento, que o voto condutor do julgado mencionado se presta para atestar a legalidade da IN 243. Para aferila, é necessário dissecar o novo texto legal para dele extrair a limitação do campo de atuação da instrução normativa.” Continua Sandra Faroni esclarecendo, a respeito do novo texto legal que “poderseia alegar que o texto legal contém um erro de gramática, e que, onde está escrito “e do valor agregado no País” devese ler “e o valor agregado no País” (com supressão da preposição).” Esse entendimento convalida a interpretação da IN SRF 32/01 como uma interpretação possível (Fórmula 1 deste voto). Para a ex Conselheira “como se vê, a formulação matemática da metodologia estabelecida no parágrafo 11 do artigo 12 da IN 243/02 não se coaduna com a formulação matemática de nenhuma das interpretações possíveis da nova redação da Lei.” “A IN 243/2002 estaria em perfeita consonância com a lei se esta”, a Lei, “tivesse se limitado a alterar a margem de lucro. Nesse caso, a margem de atuação da IN (...) não estaria pré limitada, e o critério de proporcionalização com o custo seria lógico, compatível e racional. Contudo, tendo a lei disposto expressamente como seria tratado o valor agregado”, ou seja, excluir o valor agregado no país do preço líquido de revenda para apurar o preço líquido de venda do insumo importado, “limitou o campo de atuação do legislador infralegal. O critério estabelecido na IN 243/02, não obstante lógico, restou sem respaldo legal”. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 555 24 Conclui a exConselheira que “o critério utilizado pela IN não se coaduna com nenhuma das interpretações possíveis da lei. (...) Na vigência da Lei 9.430/96 com a redação alterada pela Lei 9.979/00 não há fundamento legal para a adoção da proporcionalidade tal como instituída pela IN 243/02 (...) Possivelmente, entendendo que a correção feita pela nova norma legal (Lei 9.959/00) não atingiu seu fim, o legislador infralegal tentou aperfeiçoala e, sem qualquer alteração legal que o justificasse, revogou o ato normativo que a disciplinava (IN 32/01) e editou novo ato (IN 243/02) criando novo critério, esse em desconformidade com a lei. A nova IN não previa a dedução do valor agregado (como a lei), mas a proporcionalização do preço de revenda. Consciente da ausência de base legal para o critério instituído pela IN 243/02, o Poder Executivo tentou nova correção, editando a Medida Provisória 478/09 (...) Prosseguindo na sua trajetória de tentativas, erros e acertos na busca do aperfeiçoamento da legislação, o Poder Executivo editou recentemente a Medida Provisória 563, de 2012. (...) O fundamento legal para adoção da proporcionalidade nos moldes da metodologia prevista na IN 243/02 passou a existir com a Medida Provisória 564/12.” Recentemente, no Acórdão 110200.610, o Conselheiro relator Leonardo de Andrade Couto decidiu que a IN SRF 243/02 é legal, pois traz uma interpretação mais favorável da Lei do que resultaria sua aplicação literal. Para chegar a essa conclusão, o julgador entendeu que o valor agregado no Brasil coincide com o custo agregado no Brasil. Entendeu assim o Conselheiro que a Lei determina aplicar a seguinte fórmula para cálculo do preço de transferência: Fórmula 6 – Acórdão 110200.610 (consoante Exemplo 4 do referido Voto) PP = [PLV x (160%)] – CAB, onde PP equivale a preço parâmetro; PLV ao preço de revenda líquido de descontos, tributos, comissões; CAB equivale ao custo agregado no Brasil. Tal entendimento substitui o termo “valor agregado no país”, disposto na Lei, por “custo agregado no país”. Conforme pontuei ao longo deste voto, os dois termos têm conceitos econômicos e tributários distintos. Ao se adotar a legislação tributária pátria, “valor agregado” não se confunde com “custo agregado”. A fórmula encontrada pelo respeitado Conselheiro acaba resultando, ainda, quando aplicada na prática, em hipóteses em que a empresa brasileira importa um determinado bem e ainda tem que receber, da empresa estrangeira, um troco, uma receita, para que não tenha ajuste de preço de transferência. Verificase isso pelos exemplos abaixo, em que comparamos a metodologia da IN SRF 243/02 (Fórmula 2), com a metodologia proposta pelo respeitado Conselheiro (Fórmula 6). Tabela 2 – Exemplos numéricos de preço parâmetro e ajuste de preço de transferência. Exemplo Descrição 1 2 3 4 5 6 Custos Partes Relacionadas Importado 62,50 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 Custos Outros 37,50 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 556 25 Custo Total 100 100 100 100 100 100 Margem Efetiva Praticada 0% 15% 30% 46% 60% 75% Preço de Revenda Líquido 100 118 143 185 250 400 Preço Parâmetro nas seg. Hipóteses 1. IN 243/02 = PP = 40% x PRL x (1 – custo Brasil)/custo total; (Nota 2) 25 24 29 37 50 80 2. PP = PRL 60% PRL Valor Agregado no Brasil; (Nota 1) (23) (3) 7 24 50 110 Ajuste de PT por Hipótese Hipótese 1 – IN SRF 243/02 38 26 21 13 Hipótese 2 – Interpretação da Lei dada pelo Acórdão 110200.610 85 53 43 26 Zona do absurdo em que o preço parâmetro acaba sendo credor, ou seja, além de importar a empresa brasileira tem que receber recursos para não ter ajuste de preço de transferência. Nota 1 = Valor Agregado no Brasil foi tomado como o Custo Agregado no Brasil Nota 2 = Valor Agregado no Brasil é presumido pela IN, sem base legal, como o PRL/ct x custo Brasil. Quando as margens da empresa estão acima de 60% do preço total, claramente a IN SRF 243/02 não resulta em ajuste de preço de transferência, assim também a fórmula proposta pelo Conselheiro. Por outro lado, quando a margem aplicada sobre o custo total é inferior a 150%, 60% do preço total, a fórmula do Conselheiro chega facilmente a preços parâmetro de importação credores, ou seja, além de praticar preço zero na importação, a empresa brasileira teria que receber recursos líquidos do exportador estrangeiro para estar em conformidade com a regra de preço de transferência consoante tal interpretação. Assim, não se pode conceber tal entendimento da Lei que, além de alterar seu conteúdo (trocar valor agregado por custo agregado), resulta nesse tipo de preço parâmetro negativo e absurdo. Em resumo, em minha visão, efetivamente a IN SRF 32/01 traz uma interpretação possível da Lei (conforme a Fórmula 1). Essa interpretação suprime, do texto da Lei, apenas uma letra “d”. Uma outra interpretação possível da Lei seria subtrair, do preço e da apuração da margem de 60%, o valor agregado no país, pelo seu valor justo econômico (Fórmula 3). A IN SRF 243/02 (Fórmula 2), contudo, a pretexto de tentar aplicar essa segunda interpretação, foi além e acabou incorrendo em duas ilegalidades básicas. Primeiramente, a IN SRF 243/02 presumiu que o valor agregado no país é proporcional ao custo agregado no Brasil (Fórmula 4), sem base econômica, fática ou legal. Em segundo lugar, a IN SRF 243/02, ao assim fazer, exigiu, implicitamente, como condição para que não haja ajuste de preço de transferência, que o valor agregado no Brasil seja definido o mínimo como custo mais 50% (Tabela 1 e 2 e Fórmula 5). Essa condição necessária para o equilíbrio do preço de transferência também não consta da Lei e, em verdade, quando a Lei tratou do método de custo mais lucro exigiu a margem de 20% e não 150%. Em minha opinião, a IN SRF 243/02 é portanto ilegal e deve ser afastada. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 557 26 Na ausência de outro critério estabelecido em Lei, para que o valor agregado no país possa ser excluído do preço de revenda e da margem de 60%, ele deve ser definido com base em custos e margens justas econômicas, por conceitos “arm's length”. O pronunciamento específico da Lei, acerca da presunção trazida na IN SRF 243/02, é tão necessário que a Medida Provisória 563/12 estabeleceu em seu texto o procedimento de proporcionalidade para cálculo do preço de revenda e do valor agregado no Brasil. Tal Medida vale, facultativamente, para o ano de 2012 e, obrigatoriamente, para 2013, apenas. No ano de 2002, inexistia base legal que suportasse a metodologia da IN 243/02. Assim, na ausência de outra melhor metodologia que se conforme com a Lei, acredito na legalidade da IN SRF 32/01 cuja aplicação deve ser mantida e os ajustes de preço de transferência computados pela autoridade fiscal devem ser cancelados e/ou reduzidos. (...). Tal entendimento não se restringe à esfera administrativa. Nesse sentido, a relação entre a mudança da metodologia para o cálculo do PRL e as bases de cálculo de IRPJ e CSLL é bem abordada em voto proferido pelo Desembargador Márcio Moraes1, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região: (...) ao abordar o Método de Preço de Revenda Menos Lucro PRL, a Instrução Normativa nº 243/2002 desbordou de sua função precípua, tal seja, regulamentar o comando contido no art. 18 da Lei nº 9.430/1996, de sorte a propiciar o seu fiel cumprimento. (...) Ademais, citada Instrução Normativa consagra, no § 11do art. 12, metodologia para o cálculo do preço parâmetro, a qual não é versada Lei nº 9.430/1996.1 Nesse diapasão atentese que, a teor da Lei, a aplicação do coeficiente de 60% dáse sobre a média dos preços do bem produzido, enquanto, à vista da instrução normativa, aludida alíquota recai sobre a participação do bem importado no preço de revenda da mercadoria fabricada. Bem é de se ver que tal alteração guarda potencialidade à majoração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, em especial naquelas situações em que resta agregado maior valor ao produto no Brasil. É dizer: anteriormente, o PRL era definido após a dedução da margem de lucro, cujo cálculo considerava o valor da venda do produto no mercado interno, ao contrário do que, hodiernamente, sucede, em que se leva em conta o contributo da mercadoria estrangeira ao custo total do bem. Nesse sentido, voto no sentido de dar provimento ao recurso, por entender ilegal a IN 243/02. Acaso vencido na tese da ilegalidade da Instrução Normativa 243/02, passo a analisar o outro argumentos trazidos pela interessada em sua peça recursal, qual seja, o da impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa lançada de ofício. 1 Tribunal Regional Federal da 3 Região, 3 Turma. Apelação Cível n 003404852.2007.4.03.6100/SP, voto de 25 de agosto de 2010. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 558 27 DO JUROS SOBRE A MULTA Alega a recorrente que não se pode aplicar os juros moratórios sobre a multa lançada de ofício, por falta de expressa previsão legal. Penso que assiste razão à recorrente, se não vejamos! A obrigação tributária tida como principal, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo, nos termos do art. 113, § 1°, do CTN. Como ocorre com qualquer dívida de valor, o não adimplemento da obrigação no prazo fixado implica incidência de multa e juros, em razão da mora. Na esfera federal, o débito será acrescido de multa moratória, calculada à taxa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, a teor do estabelecido no art. 61, caput, e § 2º, da Lei nº 9.430/96. Os juros serão equivalentes à Taxa SELIC, consoante determinação do § 3º do art. 61, que remete ao § 3º do art. 5º, ambos da Lei nº 9.430/96. Na hipótese, porém, de lançamento de ofício, a multa incidirá à razão de 75%, na forma prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Tal sanção ocorre quando o contribuinte não declara o seu débito, fato este que obrigará o Fisco a apurar de ofício o crédito tributário respectivo. O inciso I do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 prescreve que a multa decorrente de lançamento de ofício será exigida conjuntamente com o tributo, quando não houver sido anteriormente pago. A análise da legalidade dessa cobrança passa antes pela fixação do conceito de norma jurídica. Em linhas gerais, norma jurídica é um juízo hipotéticocondicional. Dada a ocorrência do fato “x”, a prestação deverá ser “y”, consoante lição de Paulo de Barros Carvalho. É preciso, ainda, fixar os conceitos de juro e multa. Segundo Maria Helena Diniz: “JURO. 1. Direito bancário. Rendimento de capital empregado. 2. Direito civil. a) Taxa percentual que incide sobre um valor ou quantia em dinheiro; b) pagamento que decorre da utilização do capital alheio, constituindo, portanto, fruto civil.” “MULTA CONVENCIONAL. Direito civil. Cláusula contratual que estipula uma pena pecuniária a ser paga pelo contratante que não venha a cumprir, no todo ou em parte, uma obrigação ou que atrase o seu adimplemento.” A ilustre tratadista identifica ainda as seguintes ocorrências de juros: “JUROS COMPENSATÓRIOS. Direito civil. Aqueles que decorrem de uma utilização consentida do capital alheio, pois estão, em regra, preestabelecidos no Fl. 558DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 559 28 título constitutivo da obrigação, no qual os contratantes fixam os limites de seu proveito, enquanto durar o negócio jurídico, ficando, portanto, fora do âmbito da inexecução. (...).” “JUROS MORATÓRIOS. Direito civil. Consistem na indenização pelo retardamento da execução da dívida.” Os conceitos de multa e juro, mencionados acima, se aplicam integralmente ao Direito Tributário, observandose apenas o fato de a obrigação fiscal ser ex lege, daí a fixação dos mesmos decorrer da lei, não podendo ser objeto de convenção entre as partes. Leciona Luiz Antonio Scavone Junior que: “Os juros compensatórios são devidos em razão da utilização do capital pelo devedor (...). Espelham a paga pela utilização do capital alheio. Portanto, ao contrário do que ocorre com os juros moratórios, é afastada a idéia de culpa do devedor (...).” Do exposto, estamos que, no campo tributário, há espaço somente para a incidência de juros de natureza moratória. Afinal, o Estado, no exercício de competência tributária, não empresta dinheiro ao contribuinte, não havendo, portanto, como cobrarlhe juros compensatórios. Visto isso, em linhas gerais, é possível afirmar que, em se tratando de dívida, os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Não é por outra razão que não existe limite temporal para a incidência de juros. Vale dizer, enquanto a obrigação não for cumprida, os juros serão computados. O mesmo já não ocorre com a multa, porquanto sua natureza, à evidência, é diversa. Sua incidência não se presta para repor ou indenizar o capital alheio, mas para punir a inexecução da obrigação. O termo “punir” deve ser entendido no sentido de conferir eficácia à norma primária, isto é, a fixação de multa adverte o devedor de que a inexecução da obrigação sofrerá encargos, tornando o cumprimento tardio mais oneroso. Os juros sim possuem natureza essencialmente indenizatória, tanto que, ao contrário da multa, incidem no tempo, justamente para espelhar o prejuízo do credor com a privação do seu capital. No entanto, não procede a incidência de juros sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Neste sentido, a lição de Maria Helena Diniz é conclusiva: “Os juros são o rendimento do capital, (...), visto que constituem o preço do uso do capital alheio, em razão da privação deste pelo dono, voluntária ou involuntariamente. (...).” Fl. 559DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 560 29 Melhor explicando: o capital do contribuinte, que deveria ter sido transferido aos cofres públicos, não o foi; este é o único pressuposto da cobrança dos juros, como forma de remunerar a indisponibilidade daquele capital a quem teve frustrada a previsão de recebêlo. Fora desta hipótese, qualquer incidência de juros mostrase abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato (reposição de “capital”). É preciso ter consciência de que os juros não existem por si só; decorrem, antes de tudo, de uma obrigação principal. O mesmo ocorre com a multa, que só surgirá se existir uma obrigação anterior não quitada no prazo legal. Logo, os juros não podem incidir sobre a multa, na medida em que a mesma não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o devedor. Enfim, a multa está prevista no conseqüente da norma secundária, cujo objetivo é atribuir eficácia ao cumprimento da obrigação estabelecida na norma primária. A se admitir a incidência de juros sobre multa (ambos previstos em norma secundária), estarseia desvirtuando por completo a natureza e a própria finalidade da norma secundária (que não se volta para si mesma, mas sim para a norma primária). A norma secundária não foi feita para onerar obrigação prevista em outra norma secundária. Vale dizer: o pressuposto fático da incidência da norma secundária será sempre uma situação decorrente de uma norma primária, e nunca uma situação decorrente de uma norma também secundária! Para que os juros pudessem incidir sobre a multa, esta teria, necessariamente, por razão de lógica, que estar prevista em obrigação estabelecida em norma primária. Ocorre, contudo, que a multa não tem como ser prevista em norma primária, pois seus efeitos, consoante demonstrado linhas acima, não integram a materialidade da obrigação prevista naquela norma. Mesmo pensamento tem Hugo de Brito Machado: “O que caracteriza a sanção é a presença do ilícito na hipótese de incidência da norma que a institui. E a finalidade da sanção é atribuir eficácia à norma jurídica, (...).” Esta linha de pensamento não resta prejudicada pelo disposto no artigo 113, § 3º, do CTN, quando dispõe que a penalidade pecuniária convertese em obrigação principal, quando decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Inicialmente, tal “conversão” só tem efeito de celeridade quanto à arrecadação, ou seja, justificase para viabilizar a constituição e a execução do crédito originário de multa juntamente com o crédito tributário. A meu ver, se não existisse a disposição do § 3º do art. 113 do CTN, não seria possível cobrar o débito relativo à multa pelo descumprimento de obrigação acessória no Fl. 560DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 561 30 mesmo processo que se está exigindo dívida de natureza tributária, isso porque, nos termos do art. 3º do CTN, tributo não constitui sanção de ato ilícito. A inobservância de obrigação acessória configura ato ilícito, punida, entre outras formas, com multa pecuniária, o que lhe afasta a natureza de tributo, daí a necessidade de equiparação à obrigação principal, quanto ao seu procedimento de cobrança. E mais, sendo a obrigação acessória autônoma em relação à obrigação principal, não seria possível admitir a reunião, num único processo, de dois créditos com origens distintas. Ademais, tal “conversão” não afeta o caráter secundário da norma de sanção (estipuladora de multa), uma vez que seu pressuposto de incidência – mesmo na hipótese do artigo 113, § 3º, CTN – continua sendo o descumprimento de uma obrigação prevista em norma primária. Portanto, aquele dispositivo não prejudica em absolutamente nada a linha de argumentação ora sugerida, no sentido de não admitir a incidência de juros moratórios sobre o valor da multa de ofício: (i) quer pelo fato desta não possuir natureza de “capital” (passível de gerar rendimentos, tais como juros....) (ii) quer pelo fato de estar prevista em norma secundária e não primária. Enfim, não é possível admitir a incidência de uma norma secundária (a que trata dos juros) sobre outra norma secundária (a que estipula os juros), porque, em ambas, o pressuposto fático de subsunção encontrase em norma primária, inexistente na hipótese. Paralelamente a estas considerações, cumpre também ressaltar que não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa, ora denunciada. O § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determina que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. À evidência, a expressão “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora ...”, que inaugura o dispositivo supra transcrito, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento. Basta ver que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430 está assim redigido: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (...), não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (...)”. Resta evidente que o “débito” a que se refere a lei é composto apenas pelo valor do principal, isto é, do tributo vencido e não pago. Posteriormente ao vencimento é que são lançados os acréscimos de multa e juros. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 562 31 Falta, portanto, lei que autorize a União a incluir a multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos, violando, assim, o princípio da legalidade. Assim, nesse item, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Assim, diante de todo o acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de exonerar o crédito tributário lançado. Sala de sessões, 08 de junho de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. · Da alegação de ilegalidade da IN SRF 243/2002. As alegações da recorrente buscam demonstrar a ilegalidade do método PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF 243/2002, quando comparado com as disposições da Lei nº 9.430/1996. Sustenta a interessada que o normativo teria alterado profundamente a regra veiculada por lei, majorando desta forma a base tributável pelo IRPJ. A metodologia de cálculo conhecida como PRL (preço de revenda menos lucro) foi instituída pelo art. 18 da Lei nº 9.430/1996, posteriormente alterada pela Lei nº 9.959/2000. Eis o teor do dispositivo legal, em sua redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] II Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: Fl. 562DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 563 32 a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de:(Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;(Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses.(Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...] §6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A matéria foi disciplinada pelo art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, com o teor a seguir transcrito. Art. 12.A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. [...] § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 564 33 I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. O argumento, como se vê, pode ser apreciado sob duas vertentes. A primeira deve examinar a alegada ilegalidade, ou seja, se o normativo teria introduzido interpretação incompatível com o texto legal, inovando a matéria e extrapolando a competência do órgão regulamentador. A seguir, devese examinar se a interpretação esposada pelo normativo em questão teria efetivamente majorado a base de cálculo do imposto. Ambas as questões têm sido debatidas no âmbito do CARF. Em particular, este colegiado já teve oportunidade de discutir em minúcias esta matéria em várias ocasiões, não sendo demais relembrar o alentado e nunca pouco elogiado voto do ilustre Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator do Acórdão nº 1302001.164, de 10/09/2013, do qual peço vênia para transcrever os excertos a seguir, adotandoos, desde já, como razões de decidir. Podese concluir, inicialmente, que o dispositivo impõe como limite para a dedutibilidade de custos, despesas e encargos incorridos em operações de importação (como é o caso vertente) o preço determinado pelo método PRL 60. Até este ponto, não há muitos questionamentos. O problema surge ao se examinar a composição do preço determinado pelo método PRL 60. Isto porque a redação da alínea “d” dada pela Lei nº 9.959/2000 propicia duas interpretações para a composição deste preço. Assim, o preço determinado pelo método PRL60 será a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e da margem de lucro de sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 565 34 Insta ressalvar que não há qualquer dúvida quanto ao fato de que o preço dado pelo método PRL60 é dado pela média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e da margem de lucro de sessenta por cento. A questão que surge diz respeito à base sobre a qual deverá ser calculada esta margem. Assim, há duas possíveis interpretações dadas pelo dispositivo. De tal forma esta margem de sessenta por cento deverá ser calculada: a) sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (do preço) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (inserção e grifos meus) b) sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores. A primeira hipótese é a mais óbvia e é a que deriva inicialmente da leitura do dispositivo. Isto porque há quatro alíneas, sendo óbvio que cada uma delas fornece uma rubrica a ser diminuída da média aritmética dos preços de revenda dos bens e direitos. Neste sentido, a margem de 60% seria aplicada sobre o preço líquido de revenda (deduzido dos valores referidos nas alíneas “a”, “b” e “c”) e sobre o preço do valor agregado no País. A expressão preço do há de ser entendida como oculta na expressão, ou então devese imediatamente reconhecer erro gramatical do texto legal. Isto porque, caso não esteja tal expressão oculta, a redação deveria ser e “sobre o preço de revenda... e (sobre) o valor agregado no País”. Mas, ao se analisar o conteúdo da expressão “preço do valor agregado” há de se concluir, finalmente, pelo erro do texto legal, já que ela, além de complicar desnecessariamente uma expressão simples (“valor agregado”), em nada altera seu conteúdo. [...] A segunda interpretação que pode ser dada ao dispositivo legal em análise (inciso II, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000) parte do pressuposto de que a expressão contida na alínea “d” do inciso II, e do valor agregado no País, complementa a expressão “diminuídos”, que está no corpo do inciso II. Assim, a margem de lucro de 60% seria calculada tão somente sobre o preço líquido de revenda e o preço parâmetro haveria implícita uma quinta alínea, “e”, que conteria um valor (o valor agregado no País) a ser diminuído da média aritmética dos preços de revenda dos bens e direitos. De acordo com esta expressão, o preceito legal estaria afirmando que o preço dado pelo método PRL60 seria definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos de 5 rubricas: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores; e) do valor agregado no país. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 566 35 Ressaltese que a “primeira interpretação”, acima referida, é aquela adotada inicialmente pela Instrução Normativa nº 32/2001, e que a “segunda interpretação” é aquela veiculada pela Instrução Normativa nº 243/2002, adotada pelo Fisco no lançamento e questionada pela ora recorrente. No Acórdão mencionado, o douto Conselheiro investiga em profundidade aspectos matemáticos e econômicos, em busca da melhor interpretação, e conclui que nenhuma das duas ciências lhe propicia fundamentos mais sólidos para decidir por um ou outro caminho. Retorna, então, à análise gramatical e semântica, nos seguintes termos: A interpretação gramatical do dispositivo nos inclina para aquela fornecida pela IN SRF nº 243/02. Isto porque, como já antecipado acima, a adoção da interpretação feita pela IN SRF nº 32/01 conduz à ausência de concordância entre a expressão “calculada sobre o preço de revenda... e do valor agregado no País”. Para se admitila, há que se entender como oculta a expressão (do preço), conforme a seguir: “calculada sobre o preço de revenda... e (do preço) do valor agregado no País”. Mas ao subentender oculta tal expressão, ingressamos noutro problema: a falta de sentido técnico da expressão “preço do valor agregado”, posto que a expressão “preço” é complementada por substantivos concretos. Há preço da carne, do pão, de um sofá, mas não se fala em preço “de valor agregado”. Assim, para concebêla, somente vislumbrandose erro gramatical do legislador. Esta primeira interpretação (feita pela IN SRF nº32/01) também conduz a outro impasse. Isto porque, ao se admitila, temse que se sanear uma impropriedade matemática trazida. É que a expressão “diminuídos”, constante do caput do art. 18, ao estar somente relacionada à expressão “da margem de lucro de sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda ...” e ao não estar relacionada à expressão “do valor agregado no País”, suscita a dúvida relativamente à qual operação matemática estaria relacionando o “preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores” ao “valor agregado no País”. A IN SRF nº 32/01 solucionou tal dúvida, deduzindo tratarse de uma subtração. Então, a margem de 60% seria aplicada à resultante da subtração entre “preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores” e ao “valor agregado no País”. Mas esta foi, sem dúvida, uma solução interpretativa, pois nada a este respeito é dado pelo dispositivo, adotada esta interpretação. Mas poderia cogitar, porque não uma adição? A interpretação feita pela IN SRF nº 243/02, ao optar por entender que a expressão “diminuídos” referese tanto à expressão “da margem de lucro de sessenta por cento...” quanto à expressão “do valor agregado no país” soluciona ambas as questões acima levantadas, não havendo, então, dúvidas quanto à sua correta construção. O método em análise, segundo o caput do art. 18, denominase “Método do Preço de Revenda Menos Lucro – PRL”. Assim, é de se imaginar que partiria do preço de revenda e dele subtrairia o lucro, para então chegarse ao preço máximo que permita dedutibilidade. Mas faço uma ressalva. Sabendose que o que delimita a variação na dedutibilidade acaba sendo um percentual de margem de lucro, é fácil notarse que a consideração, no cálculo, do valor agregado no país, reduz o campo de incerteza de uma fórmula destinada a este cálculo. A IN SRF nº 243/02 considera, na apuração do preçoparâmetro, a subtração do valor agregado no país do preço líquido de revenda e da margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço líquido de revenda. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 567 36 Já a IN SRF nº 32/01 considera, na apuração do preçoparâmetro, a subtração somente da margem de lucro de 60%, mas, todavia, calculada sobre o preço líquido de revenda subtraído do valor agregado no país. Mas o resultado da expressão “preço líquido de revenda” subtraído “do valor agregado no país” é o equivalente ao valor do insumo importado. Ocorre que, de fato, não há muito sentido em se calcular uma margem de lucro sobre o valor do insumo importado. Isto porque, depreendese do caput do art. 18 que o método quer que uma margem de lucro seja deduzida do preço de revenda. Mas, de fato, não faz sentido que esta margem incida sobre o valor do insumo importado, e não, como deveria, sobre o preço líquido de revenda. Assim, também pelo viés semântico, vêse que a melhor interpretação dada ao art. 18 é aquela pela qual a expressão “diminuídos” relacionase tanto à expressão “da margem de lucro de...” quanto da expressão “ e do valor agregado no País”, conforme adotou a IN SRF nº 243/02. Comungo da análise acima transcrita e das conclusões, adotandoas também aqui como razões de decidir. Com efeito, entendo demonstrada a existência de duas possíveis linhas interpretativas do texto legal, a primeira adotada pela IN SRF 32/2001 e a segunda aquela da IN SRF 243/2002. De fato, houve uma mudança na interpretação adotada pela Administração Tributária, mas ambas as interpretações são possíveis e, pelas razões expostas, a segunda é preferível à primeira, seja por considerações de ordem gramatical, semântica ou mesmo finalísticas. Considero, assim, que a IN 243/2002 não introduziu critérios incompatíveis com a norma legal e, destarte, não exorbitou a competência do Poder Executivo. Ressalto, ainda, que a proporcionalização de que trata o § 11 do art. 12 da IN 243/2002 tem por finalidade corrigir as distorções criadas pelas inúmeras relações entre valor do insumo e valor do preço de revenda ou, em outras palavras, permite isolar o insumo importado de outros insumos que possam comparecer no produto final. Sua aplicação leva, em qualquer caso, a valores de preço parâmetro superiores (e, portanto, a ajuste menor, mais favorável ao contribuinte) do que aqueles que seriam obtidos sem esse recurso (proporcionalização). Também esse ponto foi objeto de demonstração matemática no Acórdão nº 1302001.164, confirmado por simulações empíricas levadas a efeito por este Conselheiro. Considero desnecessária a transcrição daquela extensa análise matemática nesse sentido. Os cálculos trazidos pela recorrente, com os quais busca provar que a IN 243/2002 levaria a majoração ilegal de tributos, foram feitos em comparação com a metodologia da IN 32/2001, a qual não mais estava em vigor por ocasião dos fatos aqui discutidos. Observo, finalmente, que não se nega a polêmica que cerca a matéria. Tanto é assim que, na data deste julgamento, ambos os acórdãos aqui mencionados e transcritos (Acórdão nº 1302001.164, de 10/09/2013, mencionado por este Conselheiro, e Acórdão nº 130200.915, de 10/04/2012, mencionado pelo ilustre Relator) se encontram pendentes de julgamento de recurso especial na CSRF, o que demonstra que o assunto se encontra longe de pacificado. Com estes fundamentos, a decisão do Colegiado foi no sentido de rejeitar a alegação de ilegalidade da IN 243/2002. · Da incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. A recorrente protesta contra a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 568 37 A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões por vezes divergentes. A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), os quais transcrevo para maior clareza: Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Lei nº 5.172/1966 (CTN): Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. Essa discussão já foi travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o assunto, excerto do voto condutor do acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, da lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Desde já, adoto seus fundamentos também aqui como razões de decidir (grifo consta do original). Fl. 568DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 569 38 Consoante relatado, a matéria ora posta à apreciação deste Colegiado se circunscreve à questão atinente a incidência de juros de mora, à taxa SELIC, sobre a multa de oficio proporcional aplicada. O art. 139 do CTN determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do CTN, por sua vez, determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente. Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Observese que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer. A obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido, incluindose o tributo, a multa ou penalidade pecuniária. Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. Frisese, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não tem o condão de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal. Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é decorrente da observância de obrigação acessória. Não pagar tributo é o descumprimento de uma obrigação principal, constituindo parte desta. O fato de o dispositivo legal atribuir, à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a natureza de obrigação principal, não significa que toda e qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória. Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 570 39 Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Adicionalmente, especificamente quanto ao art. 43 da Lei n° 9.430/96, invocado pelo Contribuinte em sua defesa, destaquese que esse dispõe sobre a hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", razão pela qual não disciplina a aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com o tributo. Ao final, por maioria de votos, a Câmara Superior decidiu conforme ementa abaixo: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) A matéria retornou à discussão na Câmara Superior em março de 2010, sendo prolatado o acórdão assim ementado, confirmando o entendimento aqui exposto: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Pelas mesmas razões, também quanto a esta matéria, a decisão do Colegiado foi por negar provimento ao recurso voluntário. · Conclusão. Por todo o exposto, em conclusão, a decisão do Colegiado foi no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 570DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720078/201432 Acórdão n.º 1301002.045 S1C3T1 Fl. 571 40 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assina do digitalmente em 22/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 13706.006384/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. DISCUSSÃO EM 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. MÉRITO.
A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evita-se o desenvolvimento arbitrário do processo. Mas o Código de Processo Civil até prevê que, após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por justa causa (art. 223).
Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade do ato (no caso nulidade da decisão de primeira instância que, não apreciando o mérito, cerceou a defesa do contribuinte) a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato.
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado José Thomaz Nabuco, OAB/RJ nº 145.539.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. DISCUSSÃO EM 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. MÉRITO. A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evita-se o desenvolvimento arbitrário do processo. Mas o Código de Processo Civil até prevê que, após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por justa causa (art. 223). Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade do ato (no caso nulidade da decisão de primeira instância que, não apreciando o mérito, cerceou a defesa do contribuinte) a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato. DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13706.006384/2008-34
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5609172
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.471
nome_arquivo_s : Decisao_13706006384200834.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 13706006384200834_5609172.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado José Thomaz Nabuco, OAB/RJ nº 145.539.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6437318
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423643480064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2537; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 134 1 133 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.006384/200834 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.471 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente GILDA PACHECO DE PAIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. DISCUSSÃO EM 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. MÉRITO. A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. Mas o Código de Processo Civil até prevê que, após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por “justa causa” (art. 223). Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade do ato (no caso nulidade da decisão de primeira instância que, não apreciando o mérito, cerceou a defesa do contribuinte) a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato. DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 63 84 /2 00 8- 34 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.006384/200834 Acórdão n.º 2202003.471 S2C2T2 Fl. 135 2 Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado José Thomaz Nabuco, OAB/RJ nº 145.539. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 70), complementandoo ao final: Tratase de Notificação de Lançamento (fis. 08/10) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004 (fis. 50/52), onde se constatou a dedução indevida de despesas médicas no valor total de R$ 22.901,60. Após a revisão da declaração, foi apurado o imposto suplementar de R$ 3.636,30 em detrimento do imposto a restituir de R$ 2.661,64 declarado pela contribuinte, o que resultou no crédito tributário de R$ 8.526,39 já acrescido de multa de ofício e juros de mora. Cientificada da exigência, por via postal, em 18/07/2008 (fis. 62/63), a interessada apresentou impugnação em 20/08/2008 (fis. 01/07), por intermédio de seu procurador (fis. 11/12), com os argumentos a seguir sintetizados. a) Preliminarmente, suscita a tempestividade da impugnação alegando que a contagem dos 30 dias de prazo ficou imprecisa e prejudicada devido à greve dos Correios deflagrada em 01/07/2008 e finalizada em 21/07/2008, conforme documento juntado à defesa (fls. 13/16). Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.006384/200834 Acórdão n.º 2202003.471 S2C2T2 Fl. 136 3 b) Expõe que declarou todas as despesas médicas corretamente , indicando o nome dos beneficiários e suas inscrições no CPF. Entende, portanto, que o fundamento da falta de beneficiário apontado na presente Notificação é inexato e fictício. c) Alega que não apresentou à autoridade fiscal o comprovante do plano de saúde do Hospital Silvestre relativo a abril de 2003 porque o mesmo estava extraviado. Indica, contudo, ajuntada de declaração do referido hospital atestando o pagamento do mês faltante. d) Defende que não há falta de previsão legal para as deduções de despesas com psicólogos e planos de saúde. Ao Julgar a Impugnação apresentada pela contribuinte, a 6ª Turma da DRJ I no Rio de Janeiro/RJ assim dispôs, em resumo: Da análise dos autos observase que a Notificação de Lançamento foi lavrada em 08/07/2008 (fls. 08), postada em 16/07/2008 (fls. 62) e recebida em 18/07/2008 na Rua Gilberto Cardoso 270/803, conforme Aviso de Recebimento dos Correios (fls. 63). Verificase que, conforme determina o art. 23, II, do Decreto 70.235/72, o documento foi enviado corretamente para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (fls. 57/59), ou seja, para o endereço por ele fornecido à administração tributária para fins cadastrais, nos termos do § 4o deste mesmo artigo. Isso posto, concluise que a ciência do lançamento foi realizada corretamente, sendo válida, portanto, para a contagem do prazo de impugnação. Ocorre que, de acordo com o art. 15 do Decreto 70.235/72, o prazo para a apresentação de defesa é de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação, da exigência, ou seja, da data de recebimento da notificação. (...) Com base no acima exposto, concluise que, uma vez que a ciência da notificação se deu por via postal em 18/07/2008, a contagem do prazo para defesa teve início em 21/07/2008, devido ao fim de semana, e expirou 30 dias depois, em 19/08/2008. Assim, como a apresentação da impugnação ocorreu somente em 20/08/2008, conforme carimbo da RFB e autenticação mecânica do CAC Ipanema (fls. 01), não resta dúvida sobre a intempestividade da mesma. Notese que essas informações estão devidamente registradas no Extrato do Processo constante dos autos (fls. 56). Destacou ainda aquele Julgador que a greve dos Correios suscitada em nada influenciou o prazo para impugnação. Concluiu pela intempestividade da impugnação, sem análise de mérito. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.006384/200834 Acórdão n.º 2202003.471 S2C2T2 Fl. 137 4 Cientificada dessa decisão em 18/02/2011 (AR na folha 73), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/03/2011 (com protocolo na folha 80). Em sede de recurso, preliminarmente, trata da tempestividade, esclarecendo que 18/02/2011 foi uma sextafeira. Ataca a decisão recorrida quanto à questão da tempestividade de sua impugnação. Diz que houve omissão por não ter sido tratada a questão suscitada de que teria comparecido à Receita Federal, para verificar a data limite para apresentação de sua impugnação, haja vista que houvera uma greve dos Correios, e não sabia precisar o dia da ciência. Nesse comparecimento, fora prestada uma informação de que "na intranet da receita federal constava que a data de vencimento do prazo para impugnar seria dia 21/08/2008, conforme se vê da informação do cac". PEDIU que seu recurso fosse provido para determinar a tempestividade da impugnação e o retorno à DRJ para análise de mérito. O recurso foi tratado no Acórdão 2202001.731 2ª Câmara/2ª TO, de 18 de abril de 2012, onde decidiuse que: A falta de apreciação de argumento e documentos juntados à impugnação, caracteriza cerceamento do direito de defesa e dá causa a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à instância a quo para que seja proferida nova decisão. Assim sendo, a 20ª Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro/RJ proferiu nova decisão, em 11 de setembro de 2013. Mais uma vez, considerou intempestiva a impugnação, dessa feita esclarecendo que: ... concluise que, uma vez que a ciência da Notificação se deu por via postal em 18/07/2008, a contagem do prazo para defesa teve início em 21/07/2008, devido ao fim de semana, e expirou 30 dias depois, em 19/08/2008. Assim, como a apresentação da impugnação ocorreu somente em 20/08/2008, conforme carimbo da RFB e autenticação mecânica do CAC Ipanema (fls. 03), não resta dúvida sobre a intempestividade da mesma. Cumpre ressaltar que a greve dos Correios em nada influenciou o prazo para impugnação do presente lançamento, uma vez que foi deflagrada em 01/07/2008 e terminou em 19/07/2008... (...) Quanto à data de vencimento de 21/08/2008 constante da consulta juntada à impugnação (fls. 22), devese esclarecer à contribuinte que se trata de um prazo calculado automaticamente pelo sistema de Conta Corrente da RFB e utilizado para fins de pagamento ou parcelamento do crédito tributário. Tal prazo corresponde a 45 dias da data da lavratura da Notificação e não coincide necessariamente com os 30 dias da ciência da Notificação previstos no art. 56 do Decreto 7.574/11, não podendo ser considerado, portanto, como termo final para a apresentação de impugnação, como defende a interessada.(sublinhei) Decidindose pela intempestividade da impugnação, mais uma vez, não houve análise de mérito. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.006384/200834 Acórdão n.º 2202003.471 S2C2T2 Fl. 138 5 Cientificada dessa segunda decisão em 07/02/2014 9AR na folha 123, a contribuinte apresenta novo recurso voluntário em 27/02/2014, com protocolo na folha 111. Em sede de recurso, faz sua narrativa dos fatos e diz que tratou de inserir uma longa preliminar de tempestividade, não acatada. Diz que "em resumo, não tendo certeza do dia do recebimento da intimação, em função da instabilidade gerada pela greve dos Correios ... tratou de ir pessoalmente ao CAC da Receita Federal, ..., onde foi informado pelo Auditor Fiscal (nome), que na intranet da Receita Federal constava que a data de vencimento do prazo para impugnar seria dia 21/08/2008." Baseado nessa informação, apresentou sua impugnação no dia 20/08/2008. Não se convenceu da explicação dada pela Turma Julgadora recorrida, sendo o prazo por ela mencionado uma "patente ilegalidade" e de todo inconsistente. PEDE que seja reconhecida sua impugnação como tempestiva e determinado o retorno dos autos à DRJ para que analise o mérito da questão. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é aquela existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (arquivo .pdf). PRELIMINAR A primeira questão a ser tratada é a preliminar de tempestividade ou intempestividade da impugnação. Na folha 59 consta a imagem do Aviso de Recebimento da Notificação de Lançamento em discussão. A data assinalada é 18 de julho de 2008. Quem firmou o recebimento foi “Geraldo Alves” e, pelo endereço, é possível verificar que se trata de um edifício. Ou seja, o aviso de recebimento não foi firmado diretamente pela interessada ou seu representante legal. Não deixo de conhecer que a Súmula CARF nº 9 diz o seguinte: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. É válida a ciência, sem dúvida, porém a alegação da contribuinte é que ela não sabia, exatamente, a data em que a correspondência havia sido entregue. Isso porque houvera uma greve dos Correios, conforme se comprova com os documentos de folhas 18 e seguintes, deflagrada no dia 01/07/2008 e suspensa no dia 18/07/2008. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.006384/200834 Acórdão n.º 2202003.471 S2C2T2 Fl. 139 6 A DRJ disse que a greve não atrapalhou a entrega da impugnação pela contribuinte, porque quando começou a correr seu prazo legal de trinta dias a greve já estava suspensa e mesmo assim, a impugnação poderia ser entregue pessoalmente. Mas não é aí que está o problema, e sim no dia em que se consideraria cientificada, para fins da contagem do prazo. Entendo que seja razoável considerar que com a greve acumularamse correspondências e que os Correios, em virtude disso, tenham demorado a informar na consulta eletrônica o acompanhamento dos Avisos de Recebimento, até a regularização das atividades. Vejase a consulta a que me refiro na folha 67. Não podendo precisar a data em que foi entregue a correspondência em seu endereço, a contribuinte, comprovadamente, compareceu na Receita Federal, conforme documento de folha 22 (data de 05/08/2008), como vem alegando desde a Impugnação. Naquele momento, em 05/08/2008, nem mesmo a Receita Federal sabia a data precisa da entrega da correspondência, devido aos fatos acima narrados. Prova disso é que em seu sistema informatizado constava um prazo de vencimento da multa calculado em trinta dias contados a partir do décimo quinto dia posterior à emissão da Notificação, sem saber a efetiva data da entrega, que só poderia ser alimentada com a informação pelos Correios ou o retorno do AR ao remetente. Explico.Vejamos (fl. 67) que “data da emissão” foi 07/07/2008. Décimo quinto dia posterior deuse, então, em 22/07/2008. Estimase a data da ciência em 22/07/2008 e iniciase a contagem a partir de 23/07/2008, findando o prazo de trinta dias em 21/08/2008. Por isso constou da consulta de folha 22 a “data de vencimento” 21/08/2008. Repito, esse prazo, dessa forma, é calculado eletronicamente e tratase de uma estimativa, que não leva em conta, por exemplo, ausência de expediente normal na repartição na data de início ou fim do prazo. Quando o AR retorna ao remetente ou quando fica disponível a informação da efetiva data de entrega, o sistema é alimentado e o prazo é alterado. Vejamos que na folha 67 já consta “data da entrega – informação da ECT” – 18/07/2008. Aí podese, efetivamente, proceder a contagem na forma correta, como especificado pela DRJ (fl. 71): ... uma vez que a ciência da notificação se deu por via postal em 18/07/2008, a contagem do prazo para defesa teve início em 21/07/2008, devido ao fim de semana, e expirou 30 dias depois, em 19/08/2008. Assim, como a apresentação da impugnação ocorreu somente em 20/08/2008, conforme carimbo da RFB e autenticação mecânica do CAC Ipanema (fls. 01), não resta dúvida sobre a intempestividade da mesma. Essa explicação de que na falta de retorno do AR ao remetente tomase por base que prazo razoável para que a mesma ocorra de quinze dias após a emissão, encontrase registrada no despacho de folha 109, pela Equipe de preparo, quando houve problema de retorno do AR, também em relação à ciência do segundo Acórdão proferido pela DRJ, nestes autos. Refirome a isso apenas exemplificativamente, já que não se discute a tempestividade da manifestação do contribuinte em sede recursal. É apenas ilustrativo da tese que aqui se levanta. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.006384/200834 Acórdão n.º 2202003.471 S2C2T2 Fl. 140 7 Pois bem, vejase que de fato, com o documento da folha 22, gerouse dúvida no contribuinte e que se impugnação foi apresentada apenas um dia após o prazo legal conforme acima exposto pela DRJ. Ademais, vejamos o que disse o Julgador de 1ª instância, em sua segunda manifestação pela intempestividade da impugnação (fl. 103): Quanto à data de vencimento de 21/08/2008 constante da consulta juntada à impugnação (fls. 22), devese esclarecer à contribuinte que se trata de um prazo calculado automaticamente pelo sistema de Conta Corrente da RFB e utilizado para fins de pagamento ou parcelamento do crédito tributário. Tal prazo corresponde a 45 dias da data da lavratura da Notificação e não coincide necessariamente com os 30 dias da ciência da Notificação previstos no art. 56 do Decreto 7.574/11, não podendo ser considerado, portanto, como termo final para a apresentação de impugnação, como defende a interessada Mas a contribuinte não tem obrigação de saber disso e alega, com razoabilidade, que foi induzida a erro por informação prestada pela Unidade da Receita Federal, repito, conforme documento de folha 22, inclusive indicando o local, a data e o nome do servidor que lhe passou a informação (fl. 117). Análise legal das normas pertinentes à contagem de prazo está perfeita, conforme feito pela DRJ, mas não é possível fechar os olhos para a situação fática específica destes autos: Notificação entregue para terceira pessoa no dia final de greve dos Correios acúmulo de correspondências, razoavelmente inferido demora na informação, pela ECT, sobre a específica data de ciência comparecimento à Receita Federal, dentro do prazo legal para impugnação para obter esclarecimentos informação eletrônica confusa para o contribuinte e falta de esclarecimento correto, baseada em informação que, na realidade, refere se a outro aspecto. Segundo Hely Lopes Meirelles: Ademais, dentre os princípios que regem o processo administrativo está o do informalismo procedimental. "O princípio do informalismo dispensa ritos sacramentais e formas rígidas para o processo administrativo, principalmente para os atos a cargo do particular. (...) Garrido Falla lembra, com oportunidade, que este princípio é de ser aplicado com espírito de benignidade e sempre em benefício do administrado, para que por defeito de forma não se rejeitem atos de defesa e recursos malqualificados."(MEIRELLES, Hely Lopes."Direito Administrativo Brasileiro", 32ª edição, atualizada por Eurico de Andrade Azevedo, Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle Filho São Paulo: Malheiros, 2006, pág. 687 E se não bastarem esses argumentos, lembremonos do princípio da verdade material, já que além da questão preliminar, a contribuinte trata do mérito com a anexação de documentos de folha 26 e seguintes, e da ampla defesa, homenageados no curso do processo administrativo de exigência fiscal. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.006384/200834 Acórdão n.º 2202003.471 S2C2T2 Fl. 141 8 Repito, não é que se vai deixar de observar o PAF e analisar todas as impugnações e recursos intempestivos, mesmo quando o contribuinte apresentar documentos após o prazo para se manifestar, uma vez que o magistério de Humberto Theodoro Junior traz que todos os atos processuais são preclusivos. Portanto, decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar o ato. Opera, para o que se manteve inerte, aquele fenômeno que se denomina preclusão processual, que, nesse caso, vem a ser a perda da faculdade ou direito processual, que se extingue pelo não exercício em tempo útil. A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. Rio de Janeiro, Forense : 2004, p. 229/230) Mas o Código de Processo Civil até prevê que, após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por “justa causa” (art. 223). Para o Código, “reputase justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário” (art. 223, § 1º). MÉRITO Mais ainda, observo que conforme Notificação de Lançamento, o único motivo da glosa em relação aos recibos fornecidos por Stella Maria Van Weerelt foi "sem indicação do beneficiário" (fl. 13). Mas nos recibos de folhas 26 a 36 consta a indicação de "recebi de Gilda Pacheco de Paiva a importância de ....". E, não se apontando outra deficiência no recibo, vale citar a Solução de Consulta Interna (SCI) da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 23, de 30 de agosto de 2013: Solução de Consulta Interna nº 23 Cosit Data 30 de agosto de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.(sublinhei) Assim, em relação a esses recibos mencionados, existe a presunção de legalidade, além do princípio da verdade material acima citado. Esses recibos representam quase a totalidade da despesa glosada, importando em R$ 22.700,00. A outra despesa glosada referese a Hospital Silvestre Garantia de Saúde e referese a plano de saúde. Eram pagas prestações mensais de R$ 201,60 aumentadas para R$ 220,29. O Auditor Fiscal, diante de uma despesa anual declarada de R$ 2.531,34, glosou Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13706.006384/200834 Acórdão n.º 2202003.471 S2C2T2 Fl. 142 9 apenas R$ 201,60 (Notificação, fl. 13), ou seja, o correspondente a uma prestação, pelo motivo "faltam comprovantes". Entretanto, na folha 53 a contribuinte apresenta um demonstrativo de pagamentos emitido pelo Plano, dando conta de que todas as prestações mensais naquele ano de 2003 foram pagas, no total de R$ 2.535,95. Para que não se alegue julgamento além do pedido, destaco que a contribuinte pede que seu recurso seja provido para que se determine o retorno à DRJ para julgamento do mérito. Observo, entretanto, que a análise documental feita acima é simples e clara e que o § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, diz que quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade do ato (no caso nulidade da decisão de primeira instância que, não apreciando o mérito, cerceou a defesa do contribuinte) a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato. Observase, assim, a eficiência, a economicidade, a celeridade e o respeito ao contribuinte. Dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso para considerar improcedentes as glosas efetuadas no valor de R$ 22.901,60, no exercício de 2004, e cancelar a Notificação de Lançamento de folhas 11 a 14. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000529/2001-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 1997, 1998, 1999
BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. AJUSTES.
Na forma do art. 8º, § 1º, letra c do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas devem ser acrescidos os royalties e direitos de licença, pagos direta ou indiretamente, desde que como condição de venda das mercadorias e a elas relacionados.
Numero da decisão: 9303-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. As Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello votaram pelas conclusões.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 23/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 1997, 1998, 1999 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. AJUSTES. Na forma do art. 8º, § 1º, letra c do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas devem ser acrescidos os royalties e direitos de licença, pagos direta ou indiretamente, desde que como condição de venda das mercadorias e a elas relacionados.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.000529/2001-70
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578776
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.466
nome_arquivo_s : Decisao_16327000529200170.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 16327000529200170_5578776.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. As Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello votaram pelas conclusões. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6334715
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423649771520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1894; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2.477 1 2.476 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.000529/200170 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.466 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Matéria VALOR ADUANEIRO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WARNER MUSIC BRASIL LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 1997, 1998, 1999 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. AJUSTES. Na forma do art. 8º, § 1º, letra c do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas devem ser acrescidos os royalties e direitos de licença, pagos direta ou indiretamente, desde que como condição de venda das mercadorias e a elas relacionados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. As Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello votaram pelas conclusões. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 29 /2 00 1- 70 Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: A fiscalização lavrou autos de infração para constituição de ofício de créditos relativos ao imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados e respectivos juros de mora e multas, em face da infração "outros ajustes obrigatórios não efetuados''. No relatório fiscal, às fls. 1803/1820, a autoridade fiscal oferece os motivos que ensejaram a presente autuação e, em síntese apertada, esclarece que a interessada, ao declarar os valores aduaneiros dos bens importados, deixou de incluir os valores pagos a título de royalties remetidos às empresas sediadas no exterior, denominadas Licenciante/Licenciadora. Tais royalties se referem a direito artístico (ou direito fonomecânico) de cada CD. Sendo assim, foi lavrado o auto de infração para exigir a diferença de tributos relativa aos valores pagos a título de royalties que deixaram de ser considerados para a determinação do valor aduaneiro dos bens em tela. A obrigatoriedade, segundo a autoridade autuante, da inclusão dos valores acima mencionados na base de cálculo do II decorre do disposto no artigo 8°, parágrafo 1 (c) do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 promulgado pelo Decreto n° 1.355/94. Tempestiva impugnação centrouse, quanto ao mérito, na necessária distinção entre direitos conexos aos direitos autorais, em que, entende, constituemse os direitos fonomecânicos objeto dos contratos, e royalties. Para a então impugnante, essa distinção seria fundamental porque o Acordo de Valoração Aduaneira não preveria a obrigatoriedade de inclusão dos primeiros no valor da operação, apenas dos segundos. A segunda matéria versada na impugnação fora a bitributação que, no entender da impugnante, resultaria da manutenção do lançamento, uma vez que também tributadas essas parcelas pelo IR. O lançamento foi mantido pela DRJ, que rejeitou a tese da bitributação considerando que os valores aqui discutidos não são a base de cálculo do IR, mas apenas uma parcela dela, não se configurando, portanto, a igualdade entre bases de cálculo de tributos distintos. Quanto à obrigatoriedade da inclusão das parcelas, sem enfrentar a distinção aventada na impugnação, valeuse da Solução Consultiva 4.7 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, que prevê: "ROYALTIES e direitos de licença segundo o Artigo 8.1 c) do Acordo Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16327.000529/200170 Acórdão n.º 9303003.466 CSRFT3 Fl. 2.478 3 Um acordo é concluído entre uma gravadora de discos R e o artista A, ambos estabelecidos no país de exportação X. Em conformidade com esse acordo, A deve receber um pagamento a título de royalty relativamente a cada disco vendido no varejo como remuneração da cessão dos direitos de reprodução, comercialização e distribuição de A em nível internacional. R conclui subseqüentemente um acordo de venda e distribuição com o importador I, mediante o qual se compromete a fornecer lhe discos que reproduzem uma apresentação do artista A, para revenda no país de importação. Nos termos desse acordo, R renuncia aos direitos de comercialização e distribuição em favor de I, de quem exige, em troca, um pagamento de royalty de 10 % sobre o preço de venda a varejo relativo a cada disco adquirido e importado no país de importação. I paga os 10 % a R. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O pagamento do royalty constitui uma condição de venda posto que I deve pagar essa quantia como uma conseqüência do contrato de distribuição e venda concluído com R. A fim de proteger seus interesses comerciais, R não teria vendido seus discos a I se este não tivesse aceito essa cláusula. O pagamento relacionase com as mercadorias objeto de valoração, uma vez que é efetuado em razão do direito de comercializar e distribuir as mercadorias importadas em particular e o montante do royalty varia em função do preço de venda efetivo de um determinado disco. O fato de R ser obrigado a pagar, em troca, um royalty a A, em decorrência das vendas mundiais das apresentações deste, não tem qualquer relação com o contrato entre R e I. Este efetua o pagamento diretamente ao vendedor, não sendo do seu interesse o modo como R aloca as suas receitas brutas. O pagamento do royalty de 10 % deve então ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar." (grifei) Entendendo ser essa a mesma situação dos autos, manteve o lançamento. O recurso voluntário repete o argumento acerca da bitributação e aponta a omissão da decisão de primeiro grau quanto ao exame da distinção entre royalties e direitos conexos aos direitos autorais. Mas, ao invés de pedir a nulidade daquela decisão por cerceamento do direito de defesa, limitase a pugnar sua reversão, com os mesmos argumentos que resultam daquela distinção. O recurso foi julgado pela Primeira Turma da Primeira Câmara dessa Terceira Seção, em 20 de maio de 2009, e a ele foi dado provimento com base no voto vencedor, da lavra do conselheiro Luiz Roberto Domingo, cuja íntegra é: Quanto à preliminar de bitributação, ressalto que cabe razão ao contribuinte de que transitada em julgado a decisão no sentido de que os royalties deverão fazer parte integrante do preço de Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 importação, terá a contribuinte direito à restituição do que fora pago a título de IRRF pelas remessas, pois se couber a tributação do II e IPI não caberá a tributação da fonte. Contudo tal compensação não pode ser concedida de forma condicional devendo ao termo deste litígio ser requerido pela via própria da restituição. Quanto ao mérito, entendo que todo o direito tributário tem como substrato de incidência as relações jurídicas de direito privado que se estabelecem. São tais relações que revelam a materialidade utilizada pela hipótese de incidência da norma tributária. Nessa linha, a inclusão de royalties no valor aduaneiro da mercadoria importada dependerá das circunstâncias em que se efetivou o negócio jurídico de direito privado. Senão vejamos. A inclusão ou não dos royalties no preço de mercadorias trouxe diversas discussões uma vez que não se tinha um exata interpretação dos enunciados previstos no artigo 8, "c", do ACORDO SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DO ARTIGO VII DO ACORDO GERAL SOBRE TARIFAS E COMÉRCIO 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira): "1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração que o comprador deve pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar;" Para tanto vieram os atos emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, integrados no sistema de direito positivo brasileiro por meio da IN SRF n° 17, de 16/02/98, os quais esclarecem diversos casos sobre Valoração Aduaneira. Na aplicação dessas notas explicativas, a decisão de primeira instância consigna que: "Fazse mister observar o que dispõe a opinião consultiva 4.7 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (divulgada por meio da Instrução Normativa SRF nº 17/1998): (...) Pois bem, no caso do exemplo acima a pessoa R é ao mesmo tempo cessionário e cedente dos direitos autorais dos discos que exporta para pessoa I, do país de importação. Ocorre que o presente caso não comporta esse estrutura de negócio jurídico de direito privado. Verificase que as pessoas envolvidas na exportação são duas: uma que realizou a exportação do disco e outra que licenciou o direito e que detém o direito autoral para exploração em nome do autor. Representa, este último o autor em seus interesses acerca da Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16327.000529/200170 Acórdão n.º 9303003.466 CSRFT3 Fl. 2.479 5 obra, cuja industrialização e exportação não foram feitos por essa pessoa. No caso, os contratos e documentos de importação demonstram que o cedente dos direitos de exploração de autor foram feitos pela empresa dos Estados Unidos, enquanto a exportadora dos discos foram feitas por empresa sediada na Alemanha. Desta forma, o caso em apreço não cumpre os requisitos da opinião consultiva 4.7, uma vez que naquela hipótese a pessoa do exportador e a pessoa do licenciante se confundem. Já no caso da Opinião Consultiva 4.2, cuja descrição comporta uma desvinculação entre a pessoa do exportador e a pessoa do licenciante, entendo ser diretamente aplicável ao caso: "opinião consultiva 4.2 ROYALTIES e direitos de licença segundo o Artigo 8.1 c) do Acordo Um importador adquire de um fabricante discos fonográficos que contêm obra musical. Segundo as leis do país de importação, o importador, quando revende os discos, deve pagar um royalty de 3% do preço de venda a uma terceira parte, o autor da composição musical, detentor do direito autoral. Nenhuma parte do royalty reverte direta ou indiretamente ao fabricante, nem se lhe transfere como conseqüência de uma obrigação derivada do contrato de venda. O royalty deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar? O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O royalty não deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar na determinação do valor aduaneiro; o pagamento do royalty não constitui uma condição da venda para exportação das mercadorias importadas, mas decorre de uma obrigação legal do importador de pagar ao possuidor do direito autoral, quando os discos forem vendidos no país de importação." Assim sendo, não se comprova pelos documentos acostados nos autos que o pagamento dos royalties A empresa licenciante sediada nos Estados Unidos não importa em condição de venda da importação dos discos da Alemanha. Em suma, a razão para afastarse a aplicação da solução 4.7 foi que a exportadora no exterior seria distinta da licenciadora. Registro que tal argumento não integrou nem a impugnação nem o recurso voluntário apresentados. A Fazenda Nacional valese do permissivo contido no Regimento Interno vigente à época da prolação da decisão inciso I do art. 7° e art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007 e que foi recepcionado pelos regimentos que lhe seguiram no caso de decisões prolatadas sob sua vigência, mesmo que a figura do próprio recurso não mais exista. Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 Segundo o recurso, a decisão, não unânime, contrariou o já citado art. 8º, § 1º, letra c do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio. Em contrarrazões, pede a autuada a manutenção do decidido com base no voto vencedor, dada a distinção entre importador e licenciante ali enfatizada. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso especial foi bem admitido porquanto satisfeitas as condições a ele relacionadas: a decisão foi proferida na vigência da Portaria MF 147/2007, foi nãounânime e o recurso aponta com objetividade a legislação supostamente contrariada. Dele conheço, portanto. Começo seu exame pela reiteração da surpresa que acometeu este relator ao ver o fundamento da decisão recorrida, uma vez que não há em qualquer das peças de defesa anteriores impugnação e recurso voluntário menção ao fato de a exportadora no exterior e o licenciante serem empresas distintas. Também por esse motivo, é certo, silente a decisão de primeiro grau. De se supor, pois, que a discussão tenha surgido em decorrência de sustentação oral ou de algum pedido de vistas. Entendo que sua completa ausência na peça de defesa inaugural determinaria a impossibilidade de apreciação em grau de recurso ainda que nele incluído e muito mais se, como no caso, nem mesmo no recurso isso fora aduzido. Tarde, porém, para retomar tal discussão, especialmente porquanto também ela está ausente do recurso especial apresentado, que se limita a pedir a reversão do julgado, na medida em que a vinculação entre as empresas, detectada no voto vencido, bastaria para configurar o necessário beneficiamento indireto previsto no AVA. Aceito, então, como dados que: a) a exportadora é empresa distinta da licenciadora; b) há entre elas e entre a licenciadora e a importadora no Brasil relação societária. Isso posto, adiro, na íntegra aos termos do voto vencido na decisão ora recorrida, que peço vênia para transcrever na sequência, para dar provimento ao recurso da Fazenda. Disse o dr. Fregonazzi, após afastar as preliminares de nulidade do lançamento reapresentadas no recurso: (...) MÉRITO No mérito, falece razão à recorrente. Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16327.000529/200170 Acórdão n.º 9303003.466 CSRFT3 Fl. 2.480 7 O argumento basilar consiste na afirmação que direitos autorais não se inserem no conceito de royalty ou licença. Mister tecer algumas considerações acerca do Acordo de Valoração Aduaneira. (...) Assentado que o Acordo de Valoração Aduaneira vige para todos os efeitos, e que compete à autoridade aduaneira apurar a base de cálculo do imposto de importação, que vem a ser justamente o valor aduaneiro, deve ser verificado se os royalties e direitos de licença integram a base de cálculo do imposto de importação. O Acordo de Valoração Aduaneira, que integra o anexo ao Acordo Constitutivo da Organização Mundial do Comércio, promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994, dispõe que o primeiro método de determinação do valor aduaneiro, base de cálculo do imposto sobre a importação, é o valor de transação, definido em seu artigo 1 como o preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, ajustado segundo as disposições do artigo 8 do acordo, in verbis: "Artigo 1 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; 3. Os acréscimos ao preço efetivamente pago ou a pagar, previstos neste Artigo, serão baseados exclusivamente em dados objetivos e quantificáveis. 4. Na determinação do valor aduaneiro, nenhum acréscimo será feito ao preço efetivamente pago ou a pagar, se não estiver previsto neste Artigo." Do texto supratranscrito, verificase que royalties e direitos de licença devem ser acrescidos ao preço efetivamente pago ou a Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 pagar pelas mercadorias importadas quando satisfizerem duas condições: que sejam relacionados às mercadorias importadas e (grifei), que o importador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda das mesmas. (grifei) No caso em tela, buscase determinar, portanto, se os royalties pagos pela interessada atendem aos requisitos do artigo 8. 1 (c) do Acordo de Valoração Aduaneira. Os royalties em questão são decorrentes da importação de dispositivos de gravação sonora, gravados, do tipo "compact discs", conhecidos também como CD, por meio das DI relacionadas no subitem "h.1", cujas datas, de registro e desembaraço, constam no item "h.2" do auto de infração As fls. 1806. De acordo com os Contratos de Câmbio das Remessas de Direitos Artísticos relacionados às fls. 361, que tiveram origem na venda de CD importados e fabricados no Brasil, nos anos 1997, 1998 e o primeiro semestre de 1999, fls. 362 a 400, infere se que as empresas no exterior receberam os direitos fonomecânicos ou direitos artísticos, admitidos pelo contribuinte como direitos autorais. As empresas que receberam direitos autorais foram WALDEN MUSIC INC (fls. 365) e WEA INTERNATIONAL INC (fls. 368). Em sua defesa a recorrente alega que os direitos autorais, e não royalties, não constituem condição de venda para a exportação das mercadorias importadas, mas apenas uma obrigação legal do importador de pagar ao possuidor do direito artístico no exterior, um percentual sobre os discos importados e efetivamente vendidos no Brasil. Conforme se verá, para os efeitos do Acordo de Valoração Aduaneira, direitos autorais encontramse abrangidos pelo conceito de royalties e direitos de licença. Por ter deixado de acrescentar aos preços efetivamente pagos pelos bens importados, os valores proporcionais à saída dos CD, para o Território Licenciado (Brasil), e que foram efetivamente remetidos à Licenciadora/Licenciante, detentoras de licenças com direitos de licenciar direitos e de fabricar e vender matrizes de dispositivos sonoros gravados, bem como de vender produtos oriundos dessas mesmas matrizes, gravadas nos Estados Unidos, matrizes e produtos do tipo "compact disc" (CD), com os quais o contribuinte firmou Contratos de Licença, exclusivos, para vender e/ou fabricar e vender aqueles "compact disc" que integram a denominação existente naqueles Contratos de Licença de "Catálogos Licenciados", dentro do Território licenciado", concluiu a fiscalização que está previsto no contrato, já na própria importação, os royalties, como parte do preço de importação. Em primeiro lugar, a teor do disposto no artigo 98 do CTN, transcrito alhures, determina que os tratados e convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16327.000529/200170 Acórdão n.º 9303003.466 CSRFT3 Fl. 2.481 9 Portanto, deve ser buscado, no bojo do Acordo de Valoração Aduaneira AVA, qual o alcance da expressão "royalties e direitos de licença", que não são e nem serão, necessariamente, biunívocos aos conceitos de royalties de outras normas legais internas ou externas. Nesse ponto, registrese que no anexo I do AVA, Notas Interpretativas, Nota ao artigo 8.°, Parágrafo 1 (c), define a questão, ao estabelecer que os royalties e direitos de licença poderão incluir, entre outros, os direitos de autor, verbis: Parágrafo I (c) 1.Os royalties e direitos de licença referidos no parágrafo 1 (c) do artigo 8 poderão incluir, entre outros, pagamentos relativos a patentes, marcas registradas e direitos de autor. No entanto, na determinação do valor aduaneiro, os ônus relativos ao direito de reproduzir as mercadorias importadas no país de importação não serão acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas. 2.Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação, das mercadorias importadas. Portanto, tem razão a autoridade autuante ao considerar os direitos de autor, direitos artísticos e fonomecânicos, como royalties e direitos de licença para os efeitos do Acordo de Valoração Aduaneira. Apenas a título de informação, e para corroborar o entendimento exarado ao longo deste voto, observese o que dispõe a opinião consultiva 4.7 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (divulgada por meio da Instrução Normativa SRF n º 17/1998): "ROYALTIES e direitos de licença segundo o Artigo 8.1 c) do Acordo Um acordo é concluído entre uma gravadora de discos R e o artista A, ambos estabelecidos no país de exportação X Em conformidade com esse acordo, A deve receber um pagamento a título de royalty relativamente a cada disco vendido no varejo como remuneração da cessão dos direitos de reprodução, comercialização e distribuição de A em nível internacional. R conclui subseqüentemente um acordo de venda e distribuição com o importador I, mediante o qual se compromete a fornecer lhe discos que reproduzem uma apresentação do artista A, para revenda no país de importação. Nos termos desse acordo, R renuncia aos direitos de comercialização e distribuição em favor de I, de quem exige, em troca, um pagamento de royalty de 10 % sobre o preço de venda a varejo relativo a cada disco adquirido e importado no país de importação. I paga os 10 % a R. Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O pagamento do royalty constitui uma condição de venda posto que I deve pagar essa quantia como uma conseqüência do contrato de distribuição e venda concluído com R. A fim de proteger seus interesses comerciais, R não teria vendido seus discos a I se este não tivesse aceito essa cláusula. O pagamento relacionase com as mercadorias objeto de valoração, uma vez que é efetuado em razão do direito de comercializar e distribuir as mercadorias importadas em particular e o montante do royalty varia em função do preço de venda efetivo de um determinado disco. O fato de R ser obrigado a pagar, em troca, um royalty a A, em decorrência das vendas mundiais das apresentações deste, não tem qualquer relação com o contrato entre R e I. Este efetua o pagamento diretamente ao vendedor, não sendo do seu interesse o modo como R aloca as suas receitas brutas. O pagamento do royalty de 10 % deve então ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar." (grifei) Verificase, portanto, que sob o ponto de vista do Acordo de Valoração Aduaneira, os royalties e direitos de licença englobam, sim, os direitos autorais. Assim, tal como na referida opinião consultiva citada, os royalties devem ser acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar. Outrossim, convém ressaltar que todas as vezes em que o pagamento do royalty pelo comprador está relacionado com as mercadorias objeto de valoração e constitui uma condição de venda dessas mercadorias, o royalty deve ser acrescido ao valor aduaneiro. Ressaltese, inclusive, que é irrelevante se o royalty for pago a outra pessoa que não o exportador no exterior. Reprisese, duas são as condições, as quais estão presentes no caso subjudice: o royalty deve consistir em uma condição de venda das mercadorias — isto pode ser comprovado pois no contrato de fls. 1897 e seguintes, especialmente a combinação das cláusulas 13, 14, (a) e (b), 15 e 18 (b), consta que o importador deve pagar os referidos royalties. Ainda que os royalties não sejam pagos ao exportador e não estejam incluídos no preço pago ou a pagar, pois os royalties podem ser pagos indiretamente; o royalty deve estar relacionado com as mercadorias importadas — quanto a esta segunda condição, basta analisar que sobre as mercadorias importadas há um pagamento a título de royalty. Ainda, as licenciadoras possuem quotas do capital social da importadora, ora recorrente, sendo então sócias. Permitome anotar o vínculo, que não necessariamente tem o condão de influir no preço pago ou a pagar, apenas para considerar que as detentoras dos royalties firmaram contrato de licença (fls. 1897 e 1929) com a importadora, vinculada, que deverá pagar Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16327.000529/200170 Acórdão n.º 9303003.466 CSRFT3 Fl. 2.482 11 royalties em razão do vínculo contratual sobre as mercadorias importadas. Na verdade, fabricante, exportador e importador, embora em países distintos (Alemanha, EUA e Brasil), são vinculados, havendo uma rede de interesses expressos em diversas cláusulas contratuais acostadas aos autos que permitome considerar como suficientes para definir que os royalties dizem respeito às mercadorias importadas e constituem condição de venda. Por essa razão, inclusive, é que a importadora está autorizada pela licenciadora a adquirir as unidades de outro país, no caso a Alemanha, pois a licenciadora pode fabricar os discos fonográficos (compact disc cd) em outros países. Isso está expressamente previsto no contrato de licença, doc.02, acostado aos autos às fls. 1898, cláusula de ouro que permite que a licenciadora fabrique os "compact disc" em outro país, direta ou indiretamente, e os venda para o Brasil, verbis: A. A Licenciadora tem o direito de licenciar o direito de vender e/ou de fabricar e vender em países que não sejam os Estados Unidos da América, discos fonográficos contendo desempenhos sonoros incluídos sobre ou em dispositivos de gravação, tais como matrizes de metal e/ou fitas gravadoras matrizes (aqui chamadas "matrizes') dentro dos catálogos licenciados, conforme esse termo é adiante definido. A licenciadora faz prever no referido contrato que os referidos discos poderão ser importados pela licenciada desde que, é claro, pague os royalties. Vejase o disposto na Cláusula 18, alínea "h" do referido contrato, As fls. 1922, verbis: (b) Fica expressamente entendido e concordado que discos serão fabricados ou importados pela licenciada em quantidades consistentes com a demanda antecipada para os mesmos durante o prazo deste contrato e de acordo com as práticas comerciais comuns da licenciada, de modo a não resultar em excesso de formação de estoque imediatamente antes da expiração do prazo deste contrato. Ou seja, a licenciadora informa que poderá produzir em outros países, ato contínuo uma empresa sua coligada (WARNER MUSIC MANUFACTURING EUROPE GMBh) fabrica a mercadoria na Alemanha e vende para a importadora brasileira, tudo decorrente de obrigação contratual, expressa em contrato firmado entre a WALDEN MUSIC INC. e a WEA DISCOS LTDA, que veio a se tornar a WARNER MUSIC BRASIL LTDA, importadora e recorrente. Como fecho de ouro a atar toda a operação, a licenciadora tem participação acionária majoritária consoante contrato social da licenciada. Ressalto que o royalty deve ser pago pelo importador DIRETA OU INDIRETAMENTE, ou seja, pode ser pago a terceira pessoa que não o exportador ou fabricante. Ora, se isto não é obrigação contratual, se isto não constitui condição de venda, então é o que? É evidente que cuidase de Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 obrigação contratual, que os royalties constituem condição de venda das mercadorias importadas e a elas estão irremediavelmente associados. Na verdade, causa espécie que a licenciadora, mediante o contrato de licença supracitado, procure não deixar transparecer que a fabricação na Alemanha e a conseqüente importação pela licenciada são totalmente controladas pelas disposições contratuais, evitando cuidadosamente mencionar que as importações realizadas pela importadora licenciada somente podiam ocorrer nos exatos termos estabelecidos no mencionado contrato. Tais estratagemas não resistem a uma análise acurada do contrato, em vista dos fatos narrados e demais atos processuais. Tratase de um esquema triangular cuidadosamente articulado que permite evitar a inclusão dos royalties no valor aduaneiro, base de cálculo do imposto de importação. O pagamento desses royalties decorre de obrigação contratual, é condição de venda, deve ser incluído na base de cálculo do imposto de importação. Vejase a Opinião Consultiva 4.1, colada abaixo, que define a questão: OPINIÃO CONSULTIVA 4.1 ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8, PARÁGRAFO 1 (c) DO ACORDO 1. Quando uma máquina, fabricada segundo um processo patenteado, for vendida para exportação para o país de importação por um preço que não compreende o direito da patente, que o importador, segundo as instruções do vendedor, deva pagar a um terceiro, titular da patente, o royalty deve ser adicionado ao preço pago ou a pagar com base no disposto no Artigo 8, parágrafo 1 (c) do Acordo? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira expressou a seguinte opinião: O royalty deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar, de conformidade com o disposto no Artigo 8, parágrafo 1 (c), posto que o pagamento do royalty pelo comprador está relacionado com as mercadorias objeto de valoração e constitui uma condição de venda dessas mercadorias. (grifei) Quanto à Opinião Consultiva 4.2 (IN SRF n.° 17/98), trazida a lume na Sessão de Julgamento desta 1ª Câmara em fevereiro deste ano, releva considerar que diz respeito a obrigação legal, decorrente de lei, "segundo as leis do país de importação", e não diz respeito a obrigação contratual, estando o caso hipotético ali tratado completamente desvinculado de qualquer condição de venda (obrigação contratual), verbis: OPINIÃO CONSULTIVA 4.2 ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8, PARÁGRAFO 1 (c) DO ACORDO Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16327.000529/200170 Acórdão n.º 9303003.466 CSRFT3 Fl. 2.483 13 1. Um importador adquire de um fabricante discos fonográficos que contêm obra musical. Segundo as leis do país de importação, o importador, quando revende os discos, deve pagar um royalty de 3% do preço de venda a uma terceira parte, o autor da composição musical, detentor do direito autoral. Nenhuma parte do royalty reverte direta ou indiretamente ao fabricante, nem se lhe transfere como conseqüência de uma obrigação derivada do contrato de venda. O royalty deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar ?(grifei) 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O royalty não deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar na determinação do valor aduaneiro; o pagamento do royalty não constitui uma condição da venda para exportação das mercadorias importadas, mas decorre de uma obrigação legal do importador de pagar ao possuidor do direito autoral, quando os discos forem vendidos no país de importação. (grifei) Ou seja, não decorre de uma condição de venda, mas decorre de uma obrigação legal a hipótese descrita na Opinião Consultiva 4.2, que jamais poderia ser aplicada ao caso em tela. Com essas abalizadas considerações, que adoto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000031/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Embargos declaratórios que se acolhe para suprir a omissão apontada.
Numero da decisão: 3201-002.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Embargos declaratórios que se acolhe para suprir a omissão apontada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15521.000031/2008-14
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5588264
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.123
nome_arquivo_s : Decisao_15521000031200814.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 15521000031200814_5588264.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6372983
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423655014400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 811 1 810 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.000031/200814 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201002.123 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria CIDE ROYALTIES Embargante TOYO SETAL DO BRASIL ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Embargos declaratórios que se acolhe para suprir a omissão apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos pelo Sujeito Passivo, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão nº 320101.895, que foi assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 00 31 /2 00 8- 14 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15521.000031/200814 Acórdão n.º 3201002.123 S3C2T1 Fl. 812 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PAGAMENTO A DOMICILIADO NO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. INCIDÊNCIA. A partir de 1 o de janeiro de 2002, estão sujeitos ao pagamento da Cide os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a beneficiário residente ou domiciliado no exterior devidos pela remuneração de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. A contribuinte foi cientificada desta decisão em 13/05/2015, tendo apresentado, tempestivamente, os embargos de declaração em 15/05/2015. Contra a embargante foi lavrado Auto de Infração referente à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE incidente sobre remessas de valores para o exterior, decorrentes de contrato de prestação de serviços. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento decidiu, por unanimidade do votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto ao principal e à multa de ofício, e, pelo voto de qualidade, manter a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. Apresentou a contribuinte embargos a esta decisão, que foram parcialmente admitidos em despacho firmado pelo Presidente desta Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto A embargante sustenta a ocorrência de omissão no Acórdão embargado, posto este, ao afastar a aplicação do artigo 100, parágrafo único, combinado com os incisos I e II, do Código Tributário Nacional em relação ao REDARF, não tratou do afastamento devido a recorrente ter adotado postura em consonância com o requerido pelo Ato Declaratório Normativo n° 1, de 5.1.2000. Constatada a omissão do julgado, iniciase a análise da questão não enfrentada pelo acórdão embargado. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15521.000031/200814 Acórdão n.º 3201002.123 S3C2T1 Fl. 813 3 Assim dispunha o dispositivo citado pela embargante, qual seja o Ato Declaratório Normativo n° 1, de 5.1.2000: [...] I As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitamse à tributação de acordo com o art. 685, inciso II, alínea "a", do Decreto No 3.000, de 1999. Este ato administrativo foi revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 5, de 16/06/2014: Art. 1º O tratamento tributário a ser dispensado aos rendimentos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por fonte situada no Brasil a pessoa física ou jurídica residente no exterior pela prestação de serviços técnicos e de assistência técnica, com ou sem transferência de tecnologia, com base em acordo ou convenção para evitar a dupla tributação da renda celebrado pelo Brasil será aquele previsto no respectivo Acordo ou Convenção: I no artigo que trata de royalties, quando o respectivo protocolo contiver previsão de que os serviços técnicos e de assistência técnica recebam igual tratamento, na hipótese em que o Acordo ou a Convenção autorize a tributação no Brasil; II no artigo que trata de profissões independentes ou de serviços profissionais ou pessoais independentes, nos casos da prestação de serviços técnicos e de assistência técnica relacionados com a qualificação técnica de uma pessoa ou grupo de pessoas, na hipótese em que o Acordo ou a Convenção autorize a tributação no Brasil, ressalvado o disposto no inciso I; ou III no artigo que trata de lucros das empresas, ressalvado o disposto nos incisos I e II. Pois bem, em análise ao arguido, verificase que o citado Ato Declaratório Normativo n° 1, de 5.1.2000, em nenhum momento valida o procedimento da recorrente de não tributar pela CIDE os valores pagos a título de royalties, decorrentes de contratos de prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa. Desta forma, constatado que a legislação tributária citada pela recorrente não valida seus procedimento, impossível aplicar o previsto no artigo 100, parágrafo único, do CTN. Pelo exposto, acolho em parte aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 813DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15521.000031/200814 Acórdão n.º 3201002.123 S3C2T1 Fl. 814 4 Fl. 814DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10916.720029/2012-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 03/01/2008 a 08/06/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.597
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 03/01/2008 a 08/06/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10916.720029/2012-94
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589642
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.597
nome_arquivo_s : Decisao_10916720029201294.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10916720029201294_5589642.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6377550
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423658160128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 173 1 172 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10916.720029/201294 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.597 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/01/2008 a 08/06/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 91 6. 72 00 29 /2 01 2- 94 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 9303003.597 CSRF‐T3 Fl. 174 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.264, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 9303003.597 CSRF‐T3 Fl. 175 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 9303003.597 CSRF‐T3 Fl. 176 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 9303003.597 CSRF‐T3 Fl. 177 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 9303003.597 CSRF‐T3 Fl. 178 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 9303003.597 CSRF‐T3 Fl. 179 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 9303003.597 CSRF‐T3 Fl. 180 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 9303003.597 CSRF‐T3 Fl. 181 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726647/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS.
Atestado, por documentos bancários, recibos e demonstrativos de lavra da administradora de imóveis, que os rendimentos tidos por omitidos correspondem a despesas de condomínio de exclusivo encargo do locador, não prospera a infração imputada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. Atestado, por documentos bancários, recibos e demonstrativos de lavra da administradora de imóveis, que os rendimentos tidos por omitidos correspondem a despesas de condomínio de exclusivo encargo do locador, não prospera a infração imputada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12448.726647/2011-56
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5592711
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.309
nome_arquivo_s : Decisao_12448726647201156.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 12448726647201156_5592711.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6392721
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423662354432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 101 1 100 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.726647/201156 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente HELENA FAVERET BELTRAO CAVALCANTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. Atestado, por documentos bancários, recibos e demonstrativos de lavra da administradora de imóveis, que os rendimentos tidos por omitidos correspondem a despesas de condomínio de exclusivo encargo do locador, não prospera a infração imputada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 66 47 /2 01 1- 56 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2009 de R$ 1.573,87 para o montante de R$ 549,88 (fls. 5/8), face à apuração de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física no valor de R$ 4.087,23. A contribuinte, em sua impugnação (fls. 2/3), afirmou que não houve omissão de rendimentos, pois o montante apurado pela fiscalização diz respeito à diferença entre os valores de condomínios pagos pelo impugnante e reembolsados pelos inquilinos. Destacou, ainda, que essa divergência não está incluída no Relatório de Imposto de Renda anual elaborado pela administradora, todavia posteriormente a responsável pela locação demonstra em Declaração de Pagamentos e Recebimentos de condomínios (anobase 2009) que R$ 4.875,54 correspondem à diferença de condomínios. A instância de primeiro grau manteve a exigência (fls. 29/31), sob o entendimento, em síntese, de que a declaração trazida na impugnação não suportava, com segurança, a versão dos fatos conforme alegada pela recorrente. O recurso voluntário foi interposto em 19/9/2013 (fl. 37/89), repisando as razões da impugnação e juntando novos documentos. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 12448.726647/201156 Acórdão n.º 2402005.309 S2C4T2 Fl. 102 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Reza o art. 49 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/99): Art.49.São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 3º,Lei nº 4.506, de 1964, art. 21, eLei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º): Iaforamento, locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento, direito de uso ou passagem de terrenos, seus acrescidos e benfeitorias, inclusive construções de qualquer natureza; (...) §1ºConstitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cedido gratuitamente, ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial UrbanoIPTU correspondente ao anocalendário da declaração, ressalvado o disposto noinciso IX do art. 39(Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, inciso VI). §2ºSerão incluídos no valor recebido a título de aluguel os juros de mora, multas por rescisão de contrato de locação, e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento, inclusive atualização monetária. Art.50.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): Io valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Art.51.É obrigatória a emissão de recibo ou documento equivalente no recebimento de rendimentos da locação de bens móveis ou imóveis (Lei nº8.846, de 21 de janeiro de 1994, art. 1ºe §1º). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Parágrafo único.O Ministro de Estado da Fazenda estabelecerá, para os efeitos deste artigo, os documentos equivalentes ao recibo, podendo dispensálos quando os considerar desnecessários (Lei nº 8.846, de 1994, art. 1º, §2º). Assim, o locador pode deduzir as despesas de condomínio que tenham sido de seu exclusivo encargo, quando do preenchimento da Ficha "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior pelo Titular". A DRJ/RJ1 não aceitou a planilha de fl. 9, bem como as declarações efetuadas pela Imobiliária Zirtaeb Ltda. 33.012.014/000184 (fls. 10/11), como aptas a comprovar que parte das despesas de condomínio dos imóveis alugados, no valor de R$ 4.087,23, foram suportadas pela recorrente, dado que não foram ressarcidos pelos locatários. Não obstante, em sede de recurso voluntário, a contribuinte acostou aos autos "Demonstrativo de Receitas e Despesas Mensais" de lavra da mencionada administradora (fls. 41/52), bem como comprovantes bancários e recibos (fls. 53/89), que demonstram, suficientemente, a assunção dos encargos de condomínio por parte da notificada sem o respectivo ressarcimento dos inquilinos, em conformidade com o informado na DIRPF/2010. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005952/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007
CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO.
Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98.
Não obstante, haja vista que a legislação vigente traz ainda que não se configuraria a descaracterização do contrato como predeterminado quando o percentual de reajustes dos preços de seu contrato de fornecimento não ultrapassar o aumento de seus custos de produção, é de se considerar, para fins de manutenção à sistemática cumulativa, parecer emitido por empresa especializada, desde que contemple elementos e extensivas referências ao critério adotado para a referida demonstração.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007
CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO.
Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98.
Não obstante, haja vista que a legislação vigente traz ainda que não se configuraria a descaracterização do contrato como predeterminado quando o percentual de reajustes dos preços de seu contrato de fornecimento não ultrapassar o aumento de seus custos de produção, é de se considerar, para fins de manutenção à sistemática cumulativa, parecer emitido por empresa especializada, desde que contemple elementos e extensivas referências ao critério adotado para a referida demonstração.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Ronseburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. Não obstante, haja vista que a legislação vigente traz ainda que não se configuraria a descaracterização do contrato como predeterminado quando o percentual de reajustes dos preços de seu contrato de fornecimento não ultrapassar o aumento de seus custos de produção, é de se considerar, para fins de manutenção à sistemática cumulativa, parecer emitido por empresa especializada, desde que contemple elementos e extensivas referências ao critério adotado para a referida demonstração. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. Não obstante, haja vista que a legislação vigente traz ainda que não se configuraria a descaracterização do contrato como predeterminado quando o percentual de reajustes dos preços de seu contrato de fornecimento não ultrapassar o aumento de seus custos de produção, é de se considerar, para fins de manutenção à sistemática cumulativa, parecer emitido por empresa especializada, desde que contemple elementos e extensivas referências ao critério adotado para a referida demonstração. Recurso Especial do Procurador Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10183.005952/2009-19
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5606326
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jul 02 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.467
nome_arquivo_s : Decisao_10183005952200919.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10183005952200919_5606326.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Ronseburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6429179
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423665500160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2421; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 656 655 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.005952/200919 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.467 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Matéria PIS/PASEP E COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITAMARATI NORTE S/A AGRO PECUÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. Não obstante, haja vista que a legislação vigente traz ainda que não se configuraria a descaracterização do contrato como predeterminado quando o percentual de reajustes dos preços de seu contrato de fornecimento não ultrapassar o aumento de seus custos de produção, é de se considerar, para fins de manutenção à sistemática cumulativa, parecer emitido por empresa especializada, desde que contemple elementos e extensivas referências ao critério adotado para a referida demonstração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 59 52 /2 00 9- 19 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 657 preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. Não obstante, haja vista que a legislação vigente traz ainda que não se configuraria a descaracterização do contrato como predeterminado quando o percentual de reajustes dos preços de seu contrato de fornecimento não ultrapassar o aumento de seus custos de produção, é de se considerar, para fins de manutenção à sistemática cumulativa, parecer emitido por empresa especializada, desde que contemple elementos e extensivas referências ao critério adotado para a referida demonstração. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Ronseburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 883.416, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONSULTA. VINCULAÇÃO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CONTRIBUINTE. EFEITOS. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 658 O processo de consulta é um procedimento administrativo que pretende esclarecer os contribuintes acerca da interpretação das leis e que gera consequência para ambas as partes, Fisco e contribuinte. No que se refere à administração pública, indiscutível o caráter vinculante da resposta à consulta formulada pelo contribuinte, uma vez que nesta oportunidade a autoridade administrativa esclarece ao administrado exatamente qual é seu entendimento sobre aquela determinada norma. Por sua vez, esclarecida a dúvida de interpretação, o contribuinte não poderá mais utilizar em seu favor a boafé da interpretação divergente e, menos ainda, suscitar a aplicação do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN para se eximir do pagamento de penalidades no caso de ser autuado agindo de forma diversa daquela indicada na resposta à consulta. Registrase, contudo, que se for autuado, o contribuinte poderá se defender da infração que lhe foi impingida, sendolhe garantido o acesso ao rito do processo administrativo fiscal, em obediência ao Decretolei nº 70.235/76 e aos princípios da ampla defesa, contraditório e direito de petição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 659 CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 660 Recurso Voluntário Provido.” Para melhor compreensão dos pontos apreciados naquele julgamento, importante trazer breve histórico do ocorrido: · Na origem, foi lavrado auto de infração em 28 de julho de 2009, exigindo o crédito tributário referente as contribuições ao PIS e a Cofins, no montante de R$ 21.233.862,79, compreendendo tributo, multa e juros, pois entendeu a fiscalização que o sujeito passivo havia apurado e recolhido incorretamente o PIS e a COFINS na sistemática cumulativa; · Irresignado, o sujeito passivo impugnou os lançamentos, afirmando que: ü Tem por atividade a geração, comercialização e transmissão de energia hidroelétrica no Estado do Mato Grosso, sendo toda a produção destinada a Centrais Elétricas Matogrossenses S.A. – CEMAT; ü Os preços estariam sujeitos a simples atualização monetária; ü Frente às condições contratuais a que está submetida, obrigase a adotar o regime cumulativo, pois o contrato em comento foi assinado antes de 31 de outubro de 2003, possui prazo superior a um ano e tem por objeto o fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado; ü A previsão de reajuste vinculado ao IGPM assegura apenas a recomposição monetária e, por isso, não afasta o conceito de preço predeterminado. · A 2ª Turma da DRJ/CGE, ao apreciar a impugnação, considerou improcedente as alegações do sujeito passivo, entendendo que se deve adotar a apuração nãocumulativa das contribuições a partir do reajuste de preços em percentual superior ao da variação dos custos de produção, ou quando, na fórmula do reajuste, seja considerado o aumento da carga tributária decorrente da adoção da nova sistemática; · No recurso, a Interessada esclareceu, entre outros, que “a certeza da Recorrente quanto à correção do seu procedimento encontra fundamento na posição majoritária dos nossos Tribunais, nos termos da IN SRF 658/2006 e na orientação divulgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica Aneel, autarquia vinculada ao Ministério das Minas e Energia, que, por intermédio da Nota Técnica n. 224/2006 SSF/ANEEL, deixa claro que a utilização do IGPM como índice de reajuste não descaracteriza o caráter de preço predeterminado dos contratos de longo prazo”; · Esclareceu haver apresentado consulta, mas, posteriormente houve divergência de entendimento, da qual não se tomou conhecimento, e Fl. 660DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 661 que, “Discordando desse equivocado entendimento, e diante da clareza da IN SRF 658, da Nota Técnica n. 224/2006 SSF/ANEEL e do entendimento dos nossos Tribunais, a Recorrente permaneceu adotando o regime cumulativo, dispondose, por consequência, a rediscutir a matéria.” Insatisfeita com a decisão exarada pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, em apertada síntese, que: ü O reajuste estipulado no contrato não descaracteriza o preço predeterminado apenas se for equivalente ao custo da produção ou se utilizar índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do art. 27 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995; ü Por outro lado, se o reajuste não refletir a variação dos custos e insumos, a consequência será a tributação pela regra geral, ou seja, sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não estará mais caracterizado o preço predeterminado. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do despacho de fls. 585/588 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3º Seção desse Conselho em exercício à época que, entre outros, após análise, confirmou comprovada a divergência jurisprudencial, observando que o acórdão recorrido decidiu que o comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei n° 11.196/2005 não possui o condão de excluir a aplicação do IGPM como índice de correção monetária, não descaracterizando a condição de preço predeterminado do contrato e, por sua vez, os acórdãos paradigmas apresentam entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria. O sujeito passivo, então, apresentou contrarrazões de fls. 595 a 606, requerendo a negativa de provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda, reafirmando suas alegações com menções a jurisprudências de tribunais. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O que concordo com a análise feita através do Despacho de fls. 950955 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3º Seção deste Conselho em exercício à época, eis que evidente a divergência jurisprudencial do acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas que, em síntese, trazem em sua fundamentação que a utilização de índices gerais de preço e índices setoriais e cambiais, não se enquadra nas regras do art. 109 da Lei n° 11.196/05, e tampouco nas disposições do art. 3°, § Fl. 661DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 662 3º, da IN SRF n° 658, de 2006, desvirtuando totalmente o caráter predeterminado do preço praticado. As contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo devem ser consideradas, pois tempestivo. Após discorrer sobre a admissibilidade do Recurso Especial, passo a analisar o cerne da lide trazida em recurso especial, qual seja, se reajuste estipulado no contrato descaracteriza o preço predeterminado, nos termos do inciso art. 27, § 1º, inciso II, da Lei n° 9.069/95, pois, conforme alega a Fazenda, caso não reflita a variação dos custos e insumos, o sujeito passivo deveria observar a sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, pois não restará mais caracterizado o preço predeterminado. Para melhor elucidar pontos específicos desse processo, importante lembrar que a decisão da DRJ reconheceu que a simples utilização do IGPM não descaracteriza o conceito de preço predeterminado, conforme se verifica no voto constante de seu acórdão (Grifos meus): “[..] Como se pode perceber, não é o simples reajuste dos preços e tampouco a utilização desse ou daquele índice que descaracteriza a figura do preço predeterminado. A descaracterização ocorre se o reajuste se der em percentuais superiores ao aumento do custo de produção ou do custo dos insumos, no período. Diante desse quadro normativo, cabia à impugnante demonstrar, mediante a exibição de planilhas de custos e da escrituração contábil, que os reajustes dos preços da energia elétrica e da respectiva transmissão ficaram aquém dos custos. Entretanto, assim não procedeu. [...]” A DRJ desconsiderou a alegação da fiscalização de que a utilização do IGPM para fins de reajuste de preço descaracteriza automaticamente o contrato como predeterminado, trazendo que tal motivação não seria adequada, impondo que a descaracterização somente ocorre se o reajuste se der em percentuais superiores ao aumento do custo de produção ou do custo dos insumos. O que, por conseguinte, imputou ao sujeito passivo o ônus de se provar que não estava enquadrado nas circunstâncias que entendia necessárias à manutenção do regime não cumulativo das contribuições – descaracterizando, assim, com a ausência de demonstração do cálculo, o contrato como predeterminado. E sem ao menos dar oportunidade, com essa novidade, ao sujeito passivo para se produzir provas contra suas alegações. Por consequência, o sujeito passivo, ao apreciar a decisão da DRJ, acostou aos autos a demonstração de cálculo mencionada pela Delegacia quando da Fl. 662DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 663 interposição de seu recurso voluntário. Demonstração essa que confirma, segundo o sujeito passivo, que o percentual de reajustes dos preços de seu contrato de fornecimento não ultrapassava o aumento de seus custos de produção (Parecer emitido pela empresa Baker Tilly Brasil – fls. 455/482 que havia sido elaborado à época da consulta formulada perante a SRF – que foi superada por outra – o qual alega o sujeito passivo que não foi cientificado). Assim, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção desse Conselho ao analisar o recurso voluntário, também entendeu, tal como a DRJ, que a simples utilização do IGPM como índice de reajuste não é fator determinante para a descaracterização do preço predeterminado, conforme consignado na ementa do acórdão 3302001.659 ora recorrido (Grifos meus): “IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM.” Este Colegiado ainda trouxe que na legislação não há impedimento à utilização do IGPM como índice para reajuste de preços e que a fiscalização não comprovou que o índice adotado era superior ao valor referente aos custo de produção, tal como exposto na ementa transcrita nessa parte (Grifos meus): “CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes.” Ventilada breve descrição dos fatos, necessária para a evolução do entendimento, passo a discorrer sobre o cerne da questão. Trago, preliminarmente, para aclarar, o art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei 10.833/03, in verbis: (...) Fl. 663DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 664 Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Pela leitura desse dispositivo, temse que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Não obstante não tenha tido à época previsão legal até o advento da Lei 11.196/05 dispondo que o reajuste nos contratos firmados implica a alteração do regime tributário, havia sido publicada a Instrução Normativa determinando a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, conforme se lê nos arts. 1º e 2º da IN SRF 468/2004, in verbis (Grifos meus): “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Assevera a autoridade fazendária, assim, através do art. 2º, § 2º, da IN SRF 468/04, ao conceituar o termo "preço determinado", que a existência de cláusula de reajuste descaracteriza o contrato como sendo predeterminado, alterando, consequentemente, a situação da pessoa jurídica da sistemática cumulativa para a não cumulativa das contribuições. Logo, é de se mencionar que a referida Instrução Normativa havia extrapolado seu poder regulamentar, haja vista que tratou o reajuste de preço necessário à sua equalização ao poder da moeda como revisão do preço contratado, conferindo o aumento das alíquotas do PIS de 0,65% para 1,65% e da COFINS de 3% para 7,6% com a alteração da aplicação da sistemática cumulativa para a sistemática não cumulativa. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 665 No entanto, vêse que, em respeito ao Princípio da Legalidade, somente poderia ocorrer aumento de alíquota tributária por meio de lei, sendo incabível a observância de ato infra legal para este intuito. A IN SRF 468/04, que limitou a acepção do termo "preço predeterminado" restringiu o alcance da norma legal o art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei 10.833/03, incorrendo em evidente ilegalidade. Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei 11.196/05 – que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” O que, em respeito à norma legal, que naquele momento dispôs sobre o reajuste de preço para o caso em questão e de forma retroativa – vez que explicitou que o art. 109 da Lei 11.196/05 deve ser aplicado desde 1º de novembro de 2003, passo, forçosamente, a apreciar também a IN SRF 468/04 e a IN SRF 658/06 – não entrando no mérito da discussão acerca da produção dos efeitos retroativos estabelecidos no parágrafo único do art. 109 da Lei. Sendo assim, em melhor análise da IN SRF 468/04, ainda que tenha sido editada à época sem previsão legal de “reajuste de preços”, entendo que o que se está propondo com essa norma é desbordar confusão no ordenamento jurídico – vez que a natureza do evento de reajuste de preço é diferente do evento de revisão de preço. Eis que o reajuste contratual tem a finalidade de se “corrigir monetariamente” o preço já contratado/negociado para se manter o equilíbrio econômico financeiro do contrato – equalizando o preço já estipulado com o poder da moeda. Ou seja, o reajuste não tem o condão de alterar o preço já contratado/negociado, mas sim, de apenas, em virtude de perdas inflacionárias, adequálo à realidade econômica. Enquanto que a revisão do preço, com a definição pela continuidade de determinado serviço e em vista de circunstâncias extraordinárias, p.e. motivos concorrenciais, tem a finalidade de se estipular uma nova equação econômica para se firmar um novo preço junto ao contratado. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 666 O que, de fato, alteraria o preço do serviço. É de se trazer também que o reajuste usualmente ocorre anualmente e no final do exercício, pois deve considerar os impactos inflacionários do ano corrente, diferentemente da revisão de preço, que poderá ocorrer pelas circunstâncias extraordinárias que influenciam as partes e o mercado (p.e., oferta e demanda). Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. O que passo, a desconsiderar aquela Instrução Normativa IN SRF 468/04 para o caso em apreço, em respeito à natureza dos eventos jurídicos – reajuste e revisão de preços – já que traz que o mero “reajuste” implicaria a alteração do preço antes firmado, confluindo da mudança da sistemática das contribuições. Quanto à IN SRF 658/06, publicada posteriormente à Lei 11.196/05 e que revogou a IN 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis (Grifos meus): “Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois Fl. 666DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 667 de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições.” É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF 658/06, especificamente em seu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Vêse que houve citação expressa nos dispositivos da IN SRF 658/06, Lei 11.196/05 e art. 27 da Lei 9.069/95, in verbis (Grifos meus): “Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 10 de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do índice de Preços ao Consumido, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: (...) II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; (...)” O que, por conseguinte, poderseia entender que somente poderão ser considerados como contratos predeterminados aqueles que forem corrigidos com base no custo de produção ou no IPCr, por expressa limitação legal. No entanto, data vênia, não compartilho desse singelo entendimento, o que passo a discorrer as minhas argumentações para tal sentimento. Retornando ao caso vertente, vêse que a cláusula 11 do contrato de prestação de serviço ora discutido traz (Grifos meus): Fls. 337/339 – Vol. II: “TÍTULO VI DOS PREÇOS, DO FATURAMENTO, DO PAGAMENTO E DA GARANTIA CLÁUSULA 10. DOS PREÇOS DO SUPRIMENTO DE ENERGIA E DO TRANSPORTE. A CEMAT pagará à ITAMARATI pela ENERGIA por esta entregue, e/ou pela ENERGIA por esta disponibilizada e deixada de receber pela Fl. 667DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 668 CEMAT (nas hipóteses estabelecidas nos Parágrafos Primeiro e Terceiro da Cláusula 5ª, supra, observado o disposto nos itens (a), (b), (c) e (d) do Parágrafo Quarto da Cláusula 5ª, supra), os preços de suprimento e transporte de ENERGIA fixados nos Parágrafos desta Cláusula. PARÁGRAFO PRIMEIRO: O preço justo e acordado entre as partes para o suprimento da INERGIA é de R$ 106,33 (cento e seis reais e trinta e três centavos) por megawatt.hora na data base de 01 de abril de 2003, para o VOLUME ESTIPULADO. PARÁGRAFO SEGUNDO: O preço justo e acordado entre as parte para o transporte da ENERGIA, efetuado através do SISTEMA DE TRANSMISSÃO, a ser pago pela CEMAT à ITAMARATI é de R$ 14,16 (quatorze reais e dezesseis centavos) por megawatt.hora na data base de 01 de abril de 2003, para o VOLUME ESTIPULADO. PARÁGRAFO TERCEIRO: A revisão do preço de suprimento de ENERGIA, quando previsto neste Contrato, acarretará concomitantemente a revisão no preço de transporte de ENERGIA, adotandose o mesmo critério, percentuais e datas de revisão para os preços de suprimento e transporte. CLÁUSULA 11. DO REAJUSTE DOS PREÇOS DE SUPRIMENTO E TRANSPORTE DA ENERGIA. Os preços do suprimento e transporte de ENERGIA, mencionados respectivamente nos Parágrafos Primeiro e Segundo da Cláusula 10 supra, serão atualizados, automaticamente, a cada doze meses, no dia 01 de abril de cada ano, a partir de 01 de abril de 2004, inclusive, pela variação acumulada do índice Geral de Preços de Mercado — IGPM, apurado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, correspondente aos doze meses (1° de abril a 31 de março, inclusive) anteriores a cada atualização. PARÁGRAFO PRIMEIRO: Ocorrendo extinção ou falta de divulgação do IGPM, as partes adotarão o índice que venha a substituílo, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. Na hipótese de a Fundação Getúlio Vargas não divulgar índice substitutivo do IGPM, será adotado índice divulgado por instituição de renome, que reflita a real inflação e a perda do poder aquisitivo da moeda nacional, no período considerado. PARÁGRAFO SEGUNDO: Caso seja permitida por LEI a periodicidade de reajustes de preços inferior a 01 (um) ano, as partes acordam que terá aplicação ao Contrato a menor periodicidade de reajuste permitida em LEI, desde que tal reajuste seja efetivamente Fl. 668DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 669 repassado pela CEMAT às suas tarifas de fornecimento, o qual, no entanto, nunca será inferior à periodicidade mensal de reajuste.” Com a cláusula 11, temse claro que o reajuste ora aventado não teve como pretensão a alteração do preço prédeterminado do contrato, mas apenas a atualização desse preço já estipulado com a utilização do Índice Geral de Preços de Mercado – IGPM – oficial. A correção monetária de per si por sua natureza mantém o preço predefinido equalizandoo somente com o poder da moeda – o que, a meu sentir, nem precisaria de previsão legal para se fazer tal reajuste – necessário à manutenção de vários negócios jurídicos. Sendo assim, a cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Cabe lembrar que a Lei 8.666/93 – que dispõe sobre as licitações e contratos firmados pela Administração Pública, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação (Grifos meus): "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" Fl. 669DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 670 Com efeito, notase que o reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato – por decorrência de um novo preço. Tanto é assim, que não tem o condão de provocar alteração contratual, conforme demonstrado no art. 65, § 8º do art. 65 da Lei de Licitações (Grifos meus): "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." Em vista do exposto, o mero reajuste de preço, em respeito ao poder da moeda, não altera o contrato já firmado, tampouco há que se falar em mudança do preço acordado. Ou seja, a mera atualização do preço, por decorrência da desvalorização da moeda, não poderia descaracterizar o contrato com preço predeterminado. Continuando, é de se recordar ainda que os dispositivos da Lei 11.196/05 e da própria IN SRF 658/05, transcritos anteriormente, traz que não se descaracteriza o contrato como predeterminado quando o reajuste de preços considerar percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do art. 27 da Lei 9.069/95 (que citou o índice IPCr.) Quanto ao índice de atualização, a Lei 11.196/05 e a IN SRF 658/05 até o momento faz menção ao art. 27 da Lei 9.065/95 que, por sua vez, traz que somente poderão ser considerados como contratos predeterminados quando reajustados pelo IPCr. Mas o índice foi extinto. O que resta a pergunta: como aplicar um índice já extinto? É de se trazer que o IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM – índice utilizado pelo sujeito passivo. E, não obstante ter sido também substituído pelo IGPM, importante trazer o que diz o art. 8º da Lei 10.192/01 (Grifos): Fl. 670DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 671 “Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo.” Nos termos do art. 8º, § 1º, da Lei 10.192/01 descrito acima, pode se considerar, para fins de reajuste, o índice previsto contratualmente para esse fim – já que havia sido extinto o IPCr. O que, considerando a cláusula 11 do contrato firmado pelo sujeito passivo, impossível não observar que o reajuste do preço com a aplicação do índice IGPM teve o nítido fim de se atualizar o preço acordado/negociado. Eis a recordação da cláusula: “CLÁUSULA 11. DO REAJUSTE DOS PREÇOS DE SUPRIMENTO E TRANSPORTE DA ENERGIA. Os preços do suprimento e transporte de ENERGIA, mencionados respectivamente nos Parágrafos Primeiro e Segundo da Cláusula 10 supra, serão atualizados, automaticamente, a cada doze meses, no dia 01 de abril de cada ano, a partir de 01 de abril de 2004, inclusive, pela variação acumulada do índice Geral de Preços de Mercado — IGPM, apurado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, correspondente aos doze meses (1° de abril a 31 de março, inclusive) anteriores a cada atualização.” Ademais, notase que, considerando que o IPCr havia sido extinto pelo art. 8º da Lei 10.192/01 e, em respeito as partes da relação jurídica e ao próprio § 2º daquele artigo, o sujeito passivo ainda trouxe em seu contrato cláusula estabelecendo que “Ocorrendo extinção ou falta de divulgação do IGPM, as partes adotarão o índice que venha a substituílo, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. Na hipótese de a Fundação Getúlio Vargas não divulgar índice substitutivo do IGPM, será adotado índice divulgado por instituição de renome, que reflita a real inflação e a perda do poder aquisitivo da moeda nacional, no período considerado”. Independentemente dessas argumentações que, a meu sentir, já confortariam o sujeito passivo, há que se observar também os dizeres do art. 2º da Lei 10.192/01: Lei nº 10.192/01 “Art. 2º É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos Fl. 671DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 672 de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. (...)” Destarte, tendo em vista que o IGPM é um Índice Geral de Preços do Mercado e uma das versões do Índice Geral de Preços – IGP, medido pela Fundação Getúlio Vargas e tem como finalidade registrar a inflação de preços, forçoso se afirmar que a utilização desse índice seria aplicável para se alterar o preço contratado/negociado, e não para se atualizar o preço estipulado em contrato. Seria tão danoso tal entendimento de que não se poderia utilizar o IGPM como índice para a atualização do preço no contrato ora firmado que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel traz em seu site que o reajuste para a atualização monetária dos contratos deve considerar o IGPM. Cabe elucidar que a Aneel foi instituída pela Lei 9.427/96, tendo por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. E, dentre as suas atribuições, consta a gestão dos contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público, bem como atuar para se zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do setor de energia elétrica. Dessa feita, compete a Aneel zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando as práticas de mercado, além de gerir os contratos de concessão de energia elétrica – o que, para tanto, poderá regular o índice a ser utilizado para se atualizar tais contratos. O que efetivamente faz e fez no presente caso ao expor a possibilidade de se utilizar o IGPM como índice de atualização monetária do preço. Frisese esse entendimento a decisão emanada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184 – o que peço licença para transcrever a ementa: “Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 673 CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 674 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Nessa seara, proveitoso trazer também ementa do julgado pelo STJ quando apreciou o REsp 1089998/RJ RECURSO ESPECIAL 2008/02056082 (Grifos meus): “Ementa TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) Fl. 674DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 675 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "Prosseguindose no julgamento, após o votovista do Sr. Ministro Castro Meira, acompanhando o Sr. Ministro Humberto Martins, a Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Cesar Asfor Rocha e Castro Meira (votovista) votaram com o Sr. Ministro Relator.” E, ademais, ainda que se ignore todas as argumentações postas suportando a possibilidade de o IGPM ser utilizado para fins de atualização do preço, vêse que a legislação vigente traz ainda que não se configuraria a descaracterização do contrato como prédeterminado quando o percentual de reajustes dos preços de seu contrato de fornecimento não ultrapassar o aumento de seus custos de produção, o que, a meu ver, resta transparente no Parecer emitido pela empresa Baker Tilly Brasil – fls. 455/482. Tal parecer traz elementos e extensivas referências ao critério adotado para a demonstração, concluindo o que segue (Grifos meus): Fl. 675DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 676 “Considerando exclusivamente os critérios utilizados para os nossos trabalhos de análise e levantamento, verificamos que as variações dos custos de produção (abril de 2003 a março de 2007) foram superiores aos percentuais de reajustes aplicados (abril de 2004 a abril de 2007). Diante disso e do demonstrado no Anexo II do presente relatório, o previsto pela IN 658/2006, comentado inicialmente, é atendido em sua plenitude no que diz respeito ao requisito dos custos de produção, em seu conjunto, terem que ser superiores aos reajustes de preços para os contratos celebrados anteriormente à 31 de outubro de 2003. Todavia, julgamos importante ressaltar que, em função da falta de clareza da IN 658/2006, comentada anteriormente, a SRF pode adotar outros critérios para a apuração da variação dos custos de produção, entretanto, entendemos que o critério utilizado no presente trabalho seja o mais apropriado em virtude da adoção da mesma metodologia de cálculo aplicada ao índice previsto contratualmente (IGPM) para a atualização/reajustamento dos preços praticados.” Tal parecer não foi suportado por outro, tampouco provocado pela autoridade fazendária com apresentação de novo documento contrapondo elementos e critérios utilizados pela empresa Baker Tilly Brasil. Ante todo o exposto, entendo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Registrese, para efeito de cumprimento do disposto no art. 63, § 8º, do RICARF, que a maioria do colegiado entendeu que a utilização de índice de preço, seja ele o IGPM, seja qualquer outro, não descaracteriza, per si, a condição de preço predeterminado do contrato. Mas tampouco a garante. E isso porque nada há, a priori, que diga que o IGPM cumpre, ou não, o critério exigido pela Lei, isto é, refletir a variação ponderada dos custos dos insumos empregados. É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Nesses termos, entendeu o colegiado, por sua maioria, que vale, dentre os critérios, aquele que for maior. Assim, sempre que estiver comprovado nos autos que a variação dos custos superaria a variação definida pelo índice de reajuste especificado no contrato, ou seja, que o reajuste efetivamente praticado foi inferior ao Fl. 676DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 9303003.467 CSRFT3 Fl. 677 que resultaria da adoção do outro critério legalmente autorizado, não se descaracterizaria a condição de preço predeterminado do contrato para efeito de tributação. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Fl. 677DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725251/2014-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
JUNTADA DE DOCUMENTO NO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARÁTER SANCIONATÓRIO. INEXISTÊNCIA. APLICABILIDADE PARA O LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS CAUSAS E DOS BENEFICIÁRIOS. APLICAÇÃO DA REGRA LEGAL.
1. A norma do art. 674 do RIR/1999 não tem caráter sancionatório. Trata-se, sim, da incidência do próprio tributo, enquanto prestação pecuniária compulsória instituída em lei, não constitutiva de sanção de ato ilícito.
2. A citada norma obriga o sujeito passivo a comprovar a operação que resultou no pagamento efetuado e o seu respectivo beneficiário, independentemente da forma de apuração do imposto da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado.
3. A falta de comprovação das causas dos pagamentos e dos seus beneficiários viabiliza a aplicação da regra legal.
UTILIZAÇÃO DO IRRF APURADO NA APURAÇÃO DO IMPOSTO NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 80. INAPLICABILIDADE.
1. Sujeito passivo que sofreu a imposição em tela em função de ser, presumivelmente, a fonte pagadora dos rendimentos, obrigada, portanto, à retenção do IR na fonte.
2. Trata-se de sujeito passivo do tributo na condição de responsável tributário (inc. II do parágrafo único do art. 121 do CTN).
3. A Súmula determina que a pessoa jurídica titular da renda ou proventos (sujeito passivo na condição de contribuinte) poderá deduzir do valor do IRPJ o valor do IRRF cuja retenção comprove ter efetivamente sofrido.
4. Essa dedução está condicionada ao cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. INEXISTÊNCIA.
1. Em razão da falta de identificação do beneficiário do rendimento, o Fisco se vê impedido de alcançá-lo de forma direta, impondo-se a tributação na pessoa da fonte pagadora.
2. Nas hipóteses do § 1º do art. 674 do RIR/1999, ainda pode persistir dúvida sobre a natureza do rendimento vinculado ao referido pagamento, sendo justificável a tributação na fonte, na forma determinada pela legislação.
JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento (CTN, arts. 161, 139 e 113, § 1º)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 JUNTADA DE DOCUMENTO NO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARÁTER SANCIONATÓRIO. INEXISTÊNCIA. APLICABILIDADE PARA O LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS CAUSAS E DOS BENEFICIÁRIOS. APLICAÇÃO DA REGRA LEGAL. 1. A norma do art. 674 do RIR/1999 não tem caráter sancionatório. Trata-se, sim, da incidência do próprio tributo, enquanto prestação pecuniária compulsória instituída em lei, não constitutiva de sanção de ato ilícito. 2. A citada norma obriga o sujeito passivo a comprovar a operação que resultou no pagamento efetuado e o seu respectivo beneficiário, independentemente da forma de apuração do imposto da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado. 3. A falta de comprovação das causas dos pagamentos e dos seus beneficiários viabiliza a aplicação da regra legal. UTILIZAÇÃO DO IRRF APURADO NA APURAÇÃO DO IMPOSTO NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 80. INAPLICABILIDADE. 1. Sujeito passivo que sofreu a imposição em tela em função de ser, presumivelmente, a fonte pagadora dos rendimentos, obrigada, portanto, à retenção do IR na fonte. 2. Trata-se de sujeito passivo do tributo na condição de responsável tributário (inc. II do parágrafo único do art. 121 do CTN). 3. A Súmula determina que a pessoa jurídica titular da renda ou proventos (sujeito passivo na condição de contribuinte) poderá deduzir do valor do IRPJ o valor do IRRF cuja retenção comprove ter efetivamente sofrido. 4. Essa dedução está condicionada ao cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. INEXISTÊNCIA. 1. Em razão da falta de identificação do beneficiário do rendimento, o Fisco se vê impedido de alcançá-lo de forma direta, impondo-se a tributação na pessoa da fonte pagadora. 2. Nas hipóteses do § 1º do art. 674 do RIR/1999, ainda pode persistir dúvida sobre a natureza do rendimento vinculado ao referido pagamento, sendo justificável a tributação na fonte, na forma determinada pela legislação. JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento (CTN, arts. 161, 139 e 113, § 1º) Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10166.725251/2014-75
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5588293
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.178
nome_arquivo_s : Decisao_10166725251201475.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 10166725251201475_5588293.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6374110
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423675985920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.725251/201475 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.178 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Recorrente AFINIDADE CONSULTORIA COMERCIAL LTDA Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011, 2012 JUNTADA DE DOCUMENTO NO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARÁTER SANCIONATÓRIO. INEXISTÊNCIA. APLICABILIDADE PARA O LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS CAUSAS E DOS BENEFICIÁRIOS. APLICAÇÃO DA REGRA LEGAL. 1. A norma do art. 674 do RIR/1999 não tem caráter sancionatório. Tratase, sim, da incidência do próprio tributo, enquanto prestação pecuniária compulsória instituída em lei, não constitutiva de sanção de ato ilícito. 2. A citada norma obriga o sujeito passivo a comprovar a operação que resultou no pagamento efetuado e o seu respectivo beneficiário, independentemente da forma de apuração do imposto da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado. 3. A falta de comprovação das causas dos pagamentos e dos seus beneficiários viabiliza a aplicação da regra legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 52 51 /2 01 4- 75 Fl. 3500DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 UTILIZAÇÃO DO IRRF APURADO NA APURAÇÃO DO IMPOSTO NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 80. INAPLICABILIDADE. 1. Sujeito passivo que sofreu a imposição em tela em função de ser, presumivelmente, a fonte pagadora dos rendimentos, obrigada, portanto, à retenção do IR na fonte. 2. Tratase de sujeito passivo do tributo na condição de responsável tributário (inc. II do parágrafo único do art. 121 do CTN). 3. A Súmula determina que a pessoa jurídica titular da renda ou proventos (sujeito passivo na condição de contribuinte) poderá deduzir do valor do IRPJ o valor do IRRF cuja retenção comprove ter efetivamente sofrido. 4. Essa dedução está condicionada ao cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. INEXISTÊNCIA. 1. Em razão da falta de identificação do beneficiário do rendimento, o Fisco se vê impedido de alcançálo de forma direta, impondose a tributação na pessoa da fonte pagadora. 2. Nas hipóteses do § 1º do art. 674 do RIR/1999, ainda pode persistir dúvida sobre a natureza do rendimento vinculado ao referido pagamento, sendo justificável a tributação na fonte, na forma determinada pela legislação. JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento (CTN, arts. 161, 139 e 113, § 1º) Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 3501DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10166.725251/201475 Acórdão n.º 2402005.178 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da DRJ/SDR, cuja ementa e resultado são os seguintes: PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IRRF. Incide IRRF exclusivamente na fonte sobre pagamento efetuado por pessoa jurídica sem causa ou a beneficiário não identificado Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, foi parcialmente mantido o lançamento fiscal relativo ao IRRF correspondente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2010, 2011 e 2012, para exigência de imposto no valor de R$ 12.158.278,17, acrescido de multa de ofício e juros de mora, cuja constituição decorreu dos seguintes fatos e fundamentos: a) falta de recolhimento do IRRF incidente sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, nos termos do art. 674 do RIR/1999; b) os pagamentos teriam sido contabilizados como devolução ou concessão de mútuo a pessoas jurídicas do mesmo grupo empresarial; c) o contribuinte realizou pagamentos, conforme demonstrado em sua escrituração contábil, entretanto não comprovou a efetiva realização dessas operações, ou seja, não comprovou a causa e os respectivos beneficiários desses pagamentos; d) não teria sido comprovada a efetiva realização dos empréstimos e beneficiários dos pagamentos por meio de documentação hábil e idônea, a exemplo de extratos bancários demonstrando a transferência de recursos, documentos fiscais e outros. e) não houve qualquer comprovação, através de documentação hábil e idônea, da efetiva realização das operações de empréstimo e mútuo e o efetivo pagamento dos valores constantes dos anexos I a III, do TIF 03, bem como quais seriam efetivamente os beneficiários dessas transferências de recursos. A decisão da DRJ se sustenta basicamente nas seguintes premissas: f) a interpretação de que a tributação é uma penalidade visa a restringir a aplicação da lei tributária sem que haja a correspondente base legal. Tratase, portanto, de matéria reservada ao Poder Judiciário, que não pode ser apreciada na via administrativa; Fl. 3502DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 g) o § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/1995 traz em si a obrigação de o sujeito passivo comprovar a operação que resultou no pagamento efetuado, independentemente da forma de apuração do imposto da pessoa jurídica, pelo lucro real, presumido ou arbitrado; h) o motivo do lançamento fiscal foi a falta de atendimento à intimação para apresentação de documentos bancários que comprovassem a efetividade destas operações. Tal exigência é justificável, tanto em razão dos montantes transferidos quanto por se tratar de documentos e escrituração contábil de empresas do mesmo grupo econômico; i) os extratos bancários comprovam a efetividade de duas das operações de mútuo objeto da autuação; j) mantémse o lançamento fiscal, pois fundado em pagamentos sem causa a beneficiários não identificados ou de operação não comprovada; k) não cabe reconhecer em favor da impugnante qualquer crédito relativo ao IRRF lançado, pois tratase de imposto devido exclusivamente na fonte, nos termos do art. 674 do RIR/1999. A Súmula CARF nº 80, invocada pela impugnante para fundamentar seu pleito, condiciona a dedução do IRRF na apuração do IRPJ devido ao cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do IRPJ, o que não ocorreu nas operações objeto do lançamento fiscal, até porque a impugnante alega se tratar de operações de mútuo. Inexiste, também, qualquer violação à Súmula CARF nº 12, pois esta somente é aplicável a rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, não a rendimentos sujeitos à tributação exclusivamente na fonte; l) quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, além de previstos no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, tratase de matéria atinente à execução do crédito tributário, fase em que não se admite recurso às Delegacias de Julgamento. A contribuinte foi intimada da decisão em 26/01/2015 e interpôs recurso voluntário em 25/02/2015. Nas suas razões, sustenta o seguinte: m) embora tenha sido formalizado indevidamente o crédito destes autos, resta evidente o zelo da empresa no cumprimento de suas obrigações fiscais; n) a questão controvertida é eminentemente técnica: cotejo entre a contabilidade da empresa, os documentos apresentados, as operações financeiras vinculadas e a subsunção ou não dos fatos à regra do art. 674 do RIR/99; o) a infração prevista no art. 674 do RIR/99 é admitida apenas quando não se possa de outra maneira tributar o fato econômico; p) o art. 674 do RIR/99 oculta a vedada utilização de tributo para sancionar conduta ilícita, o que implica infringência ao desenho constitucional da exação tributária e a concepção expressa do art. 3º do CTN; q) a veiculação da sanção ostenta níveis antijurídicos; Fl. 3503DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10166.725251/201475 Acórdão n.º 2402005.178 S2C4T2 Fl. 4 5 r) inexiste a alegada ausência de comprovação das causas dos pagamentos; s) como foram apresentados os livros contábeis identificando todos os mútuos, os tomadores dos empréstimos, bem como os respectivos retornos; apresentados os contratos e elucidações quanto ao grupo de empresas de mesma composição societária; e até entregue laudo contábil evidenciando a conciliação das contas contábeis; confiava na comprovação da regularidade das operações; t) cumpria um requisito importante para a comprovação da operação de mútuo: a disponibilidade de recursos para emprestar, em receitas devidamente escrituradas, conforme documentação denominada "Origem dos Recursos"; u) também havia contabilização do recebimento do recurso na empresa tomadora, lançado com a identificação da mesma causa: empréstimo; v) houve completa comprovação, a não ser que a contabilidade não faça mais prova a favor do contribuinte, ou que os contratos e recibos não sirvam aos menos para identificar o beneficiário do empréstimo; w) trouxe documentação contemplando e identificando cada operação de mútuo, vinculado a cada pagamento tributado indevidamente, conforme doc. 3; x) pede vênia para juntar o anexo "RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES SOBRE AS ANÁLISES DAS CONTAS CAIXA E MÚTUOS"; y) os extratos bancários não trazem os nomes dos beneficiários de cheques ou transferências, mas os recibos e a contabilidade preenchem essa lacuna; z) a prova juntada para os dois pagamentos admitidos pela DRJ é a mesma para os demais; aa) conforme TVF, a identificação dos pagamentos tributáveis foi feita com base no Livro Razão. Ocorre que, além dos lançamentos a débito (que registraram a "ida" do recurso emprestado), há inúmeros e compatíveis lançamentos a crédito (que contabilizam o recebimento de "volta" do recurso), sendo estes últimos inexplicavelmente desconsiderados pela auditoria fiscal; bb) como se verifica pelo conjunto de provas (extratos bancários atrelados aos lançamentos contábeis que também identificam os destinatários dos recursos), a identificação dos beneficiários dos rendimentos é irrecusável; cc) se a operação de mútuo for desqualificada como tal, passandose a lidar com receita ou rendimento tributável do recebedor do recurso, a hipótese não é de lançamento pelo art. 674 do RIR/99; Fl. 3504DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 6 dd) o § 1º do art. 674 do RIR/99 não é aplicável ao lucro presumido; ee) em sendo admitida a tributação, o imposto assim constituído deve compor a apuração do período, vez que, se essa tributação se dá na fonte de forma exclusiva, é mister reconhecerse o crédito relativo ao imposto na composição do saldo de tributo pago; ff) houve erro na identificação da sujeição passiva; gg) os juros não podem incidir sobre a multa de ofício. Com base nessas razões, a recorrente pede que seja declarada a insubsistência da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 3505DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10166.725251/201475 Acórdão n.º 2402005.178 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da juntada de documento no recurso Não deve ser deferida a juntada extemporânea do "RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES SOBRE AS ANÁLISES DAS CONTAS CAIXA E MÚTUOS". De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. A par disso, não se trata de documento referente a fato ou direito superveniente, tampouco destinado a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, de forma que não se toma conhecimento do aludido relatório. 3 Da alegada infringência constitucional Segundo a recorrente, o art. 674 do RIR/99 oculta a vedada utilização de tributo para sancionar conduta ilícita, o que implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária e à concepção expressa do art. 3º do CTN. Como sabido, contudo, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Por outro lado, a norma do art. 674 não tem caráter sancionatório. Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 8 Tratase, sim, de técnica de arrecadação do imposto de renda, o que se depreende da leitura do caput do aludido dispositivo, segundo o qual está sujeito à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou sua causa. O Capítulo IV do Título I do Livro III do Regulamento normatiza a tributação do imposto de renda na fonte de rendimentos diversos, nas hipóteses que especifica. Dito de outra forma, cuidase da incidência do próprio imposto, isto é, da imposição de prestação pecuniária compulsória instituída em lei, não constitutiva de sanção de ato ilícito. 4 O pagamento sem causa e o lucro presumido Segundo a recorrente, o § 1º do art. 674 do RIR/99 não é aplicável ao lucro presumido. Todavia, a citada norma obriga o sujeito passivo a comprovar a operação que resultou no pagamento efetuado, independentemente da forma de apuração do imposto da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado. Esta constatação é reforçada pelo fato de que, segundo a norma, os pagamentos podem estar contabilizados ou não. É sabido, ademais, que os parágrafos expressam aspectos complementares à norma enunciada no caput e as exceções à regra por ele estabelecida (alínea "c" do inc. III do art. 11 da LC nº 95/98, que dispõe sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis). No caso, o § 1º do art. 674, apenas complementando e se sujeitando ao próprio caput, explicitou que a incidência exclusivamente na fonte também é aplicável quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Vale transcrever o dispositivo: Art.674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1ºA incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º). Interpretação a contrario sensu, a par de não ser muito lógica e de não estar em consonância com o princípio da isonomia (pois implicaria tratamento diferenciado para optantes pelo lucro presumido), não está em consonância com a finalidade almejada pelo legislador, tampouco com o sistema de presunção estabelecido na norma em comento. Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10166.725251/201475 Acórdão n.º 2402005.178 S2C4T2 Fl. 6 9 5 Da comprovação das causas Segundo a autuação (vide fl. 3082), "o contribuinte realizou pagamentos, conforme demonstrado em sua escrituração, entretanto não comprovou a efetiva realização dessas operações, ou seja, não comprovou a causa e os respectivos beneficiários desses pagamentos". Mais ainda, descreveu que "a comprovação das operações questionadas no TIF 03 deve se basear em documentação hábil e idônea, como, por exemplo, extratos bancários demonstrando a transferência de recursos, documentos fiscais e outros". A DRJ manteve a autuação, ao argumento de que fundada "em pagamentos sem causa a beneficiários não identificados ou de operação não comprovada". A recorrente controverte afirmando que "inexiste a alegada ausência de comprovação das causas dos pagamentos". O art. 674 do RIR/99 e seu § 1º estabelecem, para o sujeito passivo, o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos realizados, assim como as suas causas subjacentes. Em não havendo comprovação, tais pagamentos são tributados exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Entre outras razões, a norma se justifica porque tais pagamentos poderiam ser atinentes a prólabore, prestação de serviços, entre outros, que estariam sujeitos à retenção do IR na fonte e até mesmo à incidência de contribuições previdenciárias. Ademais, em razão da falta de identificação do beneficiário do rendimento, o Fisco se vê impedido de alcançálo de forma direta, impondose a tributação na pessoa da fonte pagadora. Nas hipóteses do § 1º, ainda pode persistir dúvida sobre a natureza do rendimento, sendo justificável a tributação. A falta de comprovação, portanto, permite a aplicação da presunção legal sob comento, para viabilizar a incidência do IRRF. No caso dos autos, verificase às fls. 3071 e seguintes que a recorrente realizou centenas de pagamentos nos anoscalendário objeto da fiscalização (2010, 2011 e 2012), pagamentos estes de quantias extremamente expressivas e que eram realizados com notável habitualidade. De setembro de 2010 a dezembro de 2010, por exemplo, o TVF relata 46 saídas de recursos; de janeiro de 2011 a dezembro de 2011, mais 103 saídas; e no ano de 2012, mais 112. Alguns pagamentos ultrapassaram a cifra de um milhão de reais, a exemplo daqueles realizados em 11/10/2010, 16/11/2010, 30/09/2012 e 30/11/2012. Nesse contexto, é totalmente justificável a exigência de sua comprovação mediante documentos bancários, os quais poderiam historiar, de forma indubitável, os seus reais beneficiários. Essa conclusão se reforça pelo fato de que várias saídas transitaram em conta bancária, de forma que era plenamente possível fazerse a comprovação exigida pela legislação. Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 10 A contabilidade, é sabido, deve estar lastreada em documentos hábeis e idôneos. Verbi gratia, o art. 1.179 do CC preceitua que o empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva. Igual intelecção se encontra estampada nas Normas Brasileiras de Contabilidade, segundo as quais os lançamentos contábeis devem ser realizados à vista de documentação hábil que lhes sirva de comprovação, a qual, inclusive, deve estar revestida das características intrínsecas e extrínsecas essenciais definidas na legislação e na técnica contábil. Embora a recorrente se arvore em sua contabilidade, afirmando que ela faria prova a seu favor, a inexistência dos documentos bancários (estes sim hábeis e idôneos para fazer a comprovação da identificação dos beneficiários dos pagamentos, mormente em função da sua habitualidade, dos seus elevadores valores e do fato de que transitaram também em conta), milita em seu desfavor. E não se trata de desclassificar a contabilidade da recorrente. Tratase, sim, de valoração da prova, a qual, no caso, deveria ter sido feita com base em documentos bancários, demonstrando as transferências e os beneficiários dos recursos, assim como outros documentos comprobatórios de fidedignidade inquestionável. De toda forma, a recorrente nem mesmo trouxe aos autos os contratos de mútuos referidos às fls. 3059 e seguintes do TVF. Logo, não houve comprovação sobre as causas dos pagamentos e nem mesmo dos seus beneficiários, o que viabiliza a aplicação da regra legal retro mencionada. 6 Da composição do imposto na apuração do período Citando a Súmula CARF nº 80, a recorrente defende a tese de que, em sendo admitida a tributação, o imposto assim constituído deve compor a apuração do período, vez que, se essa tributação se dá na fonte de forma exclusiva, é mister reconhecerse o crédito relativo ao imposto na composição do saldo de tributo pago. Para elucidar esse ponto, eis o inteiro teor da Súmula: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A recorrente equivocouse ao interpretar o enunciado sumular. Ela sofreu a imposição em tela em função de ser, presumivelmente, a fonte pagadora dos rendimentos, obrigada, portanto, à retenção do IR na fonte. Ela é sujeito passivo do tributo na condição de responsável (inc. II do parágrafo único do art. 121 do CTN), também denominado de sujeito passivo indireto. Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10166.725251/201475 Acórdão n.º 2402005.178 S2C4T2 Fl. 7 11 Já a Súmula determina que a pessoa jurídica titular da renda ou proventos (sujeito passivo na condição de contribuinte/sujeito passivo direto) poderá deduzir do valor do IRPJ o valor do IRRF cuja retenção comprove ter efetivamente sofrido. De conformidade com o aludido verbete, ainda, essa dedução está condicionada ao cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Da leitura dos precedentes que deram origem à Súmula, a outra conclusão não se chega (Acórdão nº 120200.459, de 25/01/2011 Acórdão nº 110300.268, de 03/08/2010 Acórdão nº 180200.495, de 05/07/2010 Acórdão nº 110300.194, de 18/05/2010 Acórdão nº 10517.403, de 04/02/2009 Acórdão nº 10196.819, de 28/06/2008). Logo, não tem razão a recorrente. 7 Da sujeição passiva tributária A recorrente defende que houve erro na identificação da sujeição passiva, vez que, caso o entendimento seja de que a titularidade do crédito do imposto pago não seja dela, a responsabilidade tributária retorna ao recebedor do pagamento. Cita, a título de argumentação, a Súmula CARF nº 12, que abaixo se reproduz: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. A par de tudo o que já foi dito acerca da correta incidência do art. 674 do RIR/99 e seu § 1º ao caso vertente, vale frisar que, em razão da falta de identificação do beneficiário do rendimento, o Fisco se vê impedido de alcançálo de forma direta, impondose a tributação na pessoa da fonte pagadora. Nas hipóteses do § 1º, ainda pode persistir dúvida sobre a natureza do rendimento vinculado ao referido pagamento, sendo justificável a tributação na fonte, na forma determinada pela legislação. Por outro lado, observase que o enunciado sumular acima não se aplica ao caso in concreto. Enquanto que o suporte fático do presente lançamento é o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, o suporte fático da Súmula é a omissão de rendimentos por parte da pessoa física, que, nessa toada, poderá sofrer lançamento de IRPF com base nessa última acusação. Mais ainda, um dos pressupostos básicos de aplicação da Súmula é exatamente a correta identificação da pessoa titular dos rendimentos e da sua natureza (dos rendimentos). Equivocouse, pois, a recorrente. 8 Da incidência de juros sobre a multa de ofício A recorrente defende que os juros não podem incidir sobre a multa de ofício. Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 12 Segundo o art. 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Logo, a incidência dos juros se dá sobre o crédito, fazendose necessário extrair o sentido e o alcance da referida expressão. O próprio Código permite essa intelecção, pois em seu art. 139 preleciona que o crédito tributário decorre da obrigação principal, ao passo que no § 1º do art. 113 preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Logo, sendo o crédito decorrente da obrigação principal, a qual também tem por objeto a penalidade pecuniária, e não apenas o tributo propriamente dito, é induvidoso que os juros também incidem sobre a multa de ofício. Essa interpretação, a par de sistemática, é igualmente lógica, na medida em que, a partir de um determinado momento, o contribuinte também está em mora quanto ao pagamento da sanção pecuniária, não se vislumbrando o porquê de não sofrer a incidência dos encargos moratórios sobre a referida rubrica. Pela pertinência, cumpre transcrever os dispositivos legais, na ordem suscitada neste voto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (destacouse) Não é por acaso que as Súmulas CARF nºs 4 e 5 aludem à incidência dos juros sobre débitos tributários e crédito tributário, respectivamente, como se pode ver abaixo: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (destacouse) Destarte, os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10166.725251/201475 Acórdão n.º 2402005.178 S2C4T2 Fl. 8 13 Deve apenas ser observado que a data de vencimento da multa não coincide necessariamente com a data de vencimento do tributo. 9 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000550/2006-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
IRPF. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN.
Havendo nos autos existência de pagamento - ainda que parcial - do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerando-se o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-003.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 IRPF. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN. Havendo nos autos existência de pagamento - ainda que parcial - do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerando-se o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13851.000550/2006-53
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5595402
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.974
nome_arquivo_s : Decisao_13851000550200653.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 13851000550200653_5595402.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6400727
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423684374528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13851.000550/200653 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.974 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Fazenda Nacional Interessado Ricardo Martins Pereira ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 IRPF. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN. Havendo nos autos existência de pagamento ainda que parcial do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerandose o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 05 50 /2 00 6- 53 Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração por meio do qual exigese o Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física haja vista a constatação de 1) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, 2) omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, e 3) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Aplicouse multa qualificada de 150% por estar caracterizado, em tese, o evidente intuito de fraude, pois o contribuinte inseriu elementos inexatos em sua declaração, reduzindo a base de cálculo de IRPF, multa majorada em 225% pela ausência de atendimento a parte das intimações realizadas pelo Fisco. O contribuinte apresentou impugnação alegando como principais pontos de defesa: não observância do direito à ampla defesa, haja vista o curto prazo concedido para o levantamento e apresentação das provas, decadência do crédito lançado anterior a maio de 2001, ilegalidade da conduta dos fiscais na operação de busca e apreensão, ilegalidade do lançamento pela adoção de presunção, equívocos na apuração dos valores. Segundo o contribuinte a movimentação financeira realizada em sua conta, assim como as operações com cartões de crédito, estavam relacionadas com as atividades da empresa Systech Equipamentos Ltda. Insurgiuse contra a multa qualificada e contra aplicação dos juros Selic. A DRJ julgou procedente em parte o lançamento excluindo da base de cálculo tributável parte dos valores que entendeu terem tido a origem comprovada e afastando a multa agravada de 225%. Foi apresentado extenso Recurso Voluntário por meio do qual o contribuinte reitera suas argumentações de defesa e pleiteia, subsidiariamente, sejam desconsiderados em relação aos depósito considerados como de origem não comprovada "os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00". A Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara, por maioria de votos, tendo em vista a desqualificação da multa de oficio, acolheu a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2000. O acórdão de nº 220200163 recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 NORMA PROCESSUAL RECURSO DE OFÍCIO LIMITE Por se tratar de norma de natureza processual, o limite para interposição de recurso de oficio estabelecido por norma mais recente aplicase às situações pendentes.. DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202003.974 CSRFT2 Fl. 3 3 tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 40 do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00 No caso de pessoa fisica, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerandose o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula I° CC n° 14) Argüição de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido. Contribuinte apresentou dois recursos de embargos de declaração os quais alegaram omissão no julgado. Ambos foram rejeitados. As partes apresentaram Recursos Especiais de Divergências. Após exame de admissibilidade, foi negando seguimento ao recurso do Contribuinte. O Recuso da Fazenda foi admitido apenas no que tange a divergência acerca da decadência do ano calendário 2000, haja vista a tese adotada no sentido de que a aplicação do art. 150, §4º CTN independe da comprovação do pagamento do tributo. Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Contra a inadmissão do Recurso do contribuinte esclarecemos: 1) foram apresentados "Embargos Declaratórios/Embargos Inominados" os quais em "Despacho em Requerimento" (fls. 1.360) não foram conhecidos pela Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção por absoluta falta de previsão regimental. 2) Foi ajuizado mandado de segurança contra a decisão que negou seguimento ao recurso, o qual foi extinto sem análise do mérito em razão do indeferimento do petição inicial. 3) Contribuinte interpôs neste processo administrativo, em março de 2016, "Reclamação Administrativa", endereçado ao Presidente do Conselho. Petição ainda não apreciada. Contrarrazões ao Recurso Especial apresentada pelo contribuinte reforçando toda sua tese de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Breves considerações sobre a inadmissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte: Conforme exposto no Relatório, o Recurso de Divergência interposto pelo Contribuinte NÃO FOI ADMITIDO. Por isso as considerações tecidas a seguir são feitas apenas em respeito ao contribuinte e não compõem as razões de decidir do voto que seguirá adiante. Contra a decisão que não conheceu do recurso interposto, por ausência de cumprimento de requisitos formais, o contribuinte: 1) apresentou "Embargos Declaratórios/Embargos Inominados" os quais em "Despacho em Requerimento" (fls. 1.360) não foram conhecidos pela Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção por absoluta falta de previsão regimental; 2) ajuizou mandado de segurança contra a decisão que negou seguimento ao recurso, o qual foi extinto sem análise do mérito em razão do indeferimento do petição inicial; 3) interpôs neste processo administrativo, em março de 2016, "Reclamação Administrativa", endereçado ao Presidente do Conselho. Sob o argumento de não ter havido manifestação do Presidente sobre esse último documento, e considerando a distribuição do processo a esta Conselheira, o Contribuinte apresentou petição, ainda pendente de análise de juntada, suscitando "questão de ordem". O requerimento do contribuinte possui o seguinte sentido: Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202003.974 CSRFT2 Fl. 4 5 Postas essas breves considerações, e sucinto relato do ocorrido, é que o contribuinte ora peticionário, aproveitando para reiterar todas as razões ventiladas na citada “RECLAMAÇÃO ADMINISTRATIVA” (fls. 2.174/2.201), vem apresentar a presente “Questão de Ordem” nela fundada, para PUGNAR que a ínclita relatora submeta a referida “QUESTÃO DE ORDEM” (o citado “Reclamo”) para a pertinente deliberação do colegiado sobre o conteúdo da citada “Reclamação”, sobretudo considerando tratarse de questão evidentemente preliminar e prejudicial ao próprio conhecimento e julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, ainda mais, face a relevância da argumentação jurídica invocada, uma vez que fundada em manifesto (ou potencial) desrespeito á autoridade vinculante do Supremo Tribunal Federal. A citada "Reclamação", fundada no direito constitucional de petição, possui como objeto a discussão da 'inconstitucionalidade' do caráter definitivo e singular da decisão proferida no reexame de admissibilidade do Recurso Especial. O Reclamante baseia sua argumentação em decisão do STF que supostamente teria efeito vinculante. A decisão é a proferida na Representação nº 1299 / GO, julgada pelo STF em 21.08.1986, com a seguinte ementa: Em favor de qualquer de seus membros, 'utsinguli', não podem os tribunais declinar de competência que a Constituição neles investiu, enquanto órgãos colegiados. Sobretudo, não podem, por meio de norma regimental, emprestar o atributo de decisão definitiva aos despachos dos seus membros. Representação julgada procedente para declarar inconstitucional o § 2º do art. 364 do RI do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Portanto, questionase por meio da "Reclamação" a constitucionalidade do art. 71, §3º do RICARF (na redação da Portaria MF nº 256/09, hoje art. 71, §2º): Art. 71. O despacho que rejeitar, total ou parcialmente, a admissibilidade do recurso especial será submetido à apreciação do Presidente da CSRF. § 1° O Presidente da CSRF poderá designar conselheiro da CSRF para se pronunciar sobre a admissibilidade do recurso especial interposto. § 2° Na hipótese de o Presidente da CSRF entender presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso especial terá a tramitação prevista nos art. 69 e 70, dependendo do caso. § 3° Será definitivo o despacho do Presidente da CSRF que negar ou der seguimento ao recurso especial. Argumenta que a competência para o reexame da decisão monocrática que nega seguimento ao Recurso Especial interposto pelas partes deve ser do órgão colegiado, sob pena de ferir o princípio do Juiz Natural. Destaca que até mesmo nos regimentos internos do STF e STJ há previsão de recurso contra decisões proferidas monocraticamente. Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Ao final requer que esse Colegiado acolhendo o Recuso de Embargos Inominados de fls. 1954/1979 como se Agravo fosse realize o reexame de admissibilidade do seu Recurso Especial. Em que pese entender os argumentos do Contribuinte devo concordar com as argumentações já expostas no "Despacho em Requerimento do Contribuinte", haja vista que como Conselheiros investidos em função pública temos uma atuação vinculada e limitada pelos regimentos e normas dos respectivos órgãos. Foi esclarecido pelo referido despacho: O processo administrativofiscal federal é regido pelo Decreto 70.235, de 1972, cujo art. 37, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, estabelece que o julgamento no CARF farseá conforme dispuser o Regimento Interno. Não havendo lacuna nessa legislação específica, não cabe aplicar dispositivos subsidiários do CPC ou da Lei nº 9.784, de 1999, indicados pelo Contribuinte. Observase que os Despachos atacados foram proferidos na vigência do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, que no art. 71, do Anexo II, estabelecia assim como o atual RICARF estabelece no artigo de mesmo número que o despacho que nega seguimento ao recurso especial deve ser submetido à apreciação do Presidente da CSRF. Desta feita, o Despacho de Exame de Admissibilidade que negou seguimento ao recurso especial seria ineficaz sem o Despacho de Reexame pelo Presidente da CSRF. Portanto, quer se trate de recurso da Fazenda Nacional ou do Contribuinte, quando esse Reexame é exigido pelo RICARF, não faz sentido promoverse a ciência ao recorrente de Despacho de Exame, enquanto este ainda não houver sido reexaminado pelo Presidente da CSRF. Pelas mesmas razões, não procede a alegação de que haveria prejuízo ao recorrente. Por sua vez, o atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 assim como o anterior, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009 , estabelece no art. 64 do Anexo II, que os recursos contra decisões dos Colegiados do CARF são o Recurso Especial e os Embargos, bem como prescreve que das decisões do CARF não cabe pedido de reconsideração. Nem mesmo a recentíssima alteração promovida no art. 71 pela Portaria MF nº 152/2016 nos traria essa opção, pois apesar de substituir o reexame de admissibilidade pelo Recurso de Agravo, a competência de sua apreciação permanece sendo do Presidente deste Conselho, não havendo previsão para a apreciação de decisão que negar seguimento a recurso especial pelo Colegiado. Diante disto, deixo de me manifestar sobre o mérito da Reclamação Administrativa apresentada pelo Contribuinte. Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202003.974 CSRFT2 Fl. 5 7 DO OBJETO DO PRESENTE JULGAMENTO do Recurso Especial da Fazenda: Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda com base na divergência interpretativa entre acórdão recorrido e paradigma em relação a aplicação da norma decadencial. Para o Recorrente o acórdão contrariou a adequada análise dos dispositivos constantes do art. 150, §4º e art. 173, I, ambos do CTN, tendo em vista que, nas hipóteses de ausência ou de erro no recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado. A Câmara a quo entendeu irrelevante a circunstância de não ter havido pagamento do tributo, para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN, enquanto o acórdão paradigma entendeu que tal fato conduz a aplicação do art. 173, I do CTN. O acórdão recorrido fundamentou a aplicação do art. 150, §4º do CTN em razão da natureza do lançamento do imposto em questão, pois no entendimento do ilustre Relator o que se homologa é o procedimento (e não pagamento). Assim, mesmo sem entrar no mérito da existência ou não do recolhimento antecipado do imposto é possível concluir em razão do entendimento do julgado que tal questão de fato não interferiria no resultado proferido pelo Colegiado. Sobre o tema adoto a corrente para a qual nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação aplicase a regra do art. 150, §4º desde que tenha havido o pagamento, ainda que parcial, do imposto, afinal nestes casos o que se homologa é exatamente o pagamento. Para ilustrar cito posição da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 8 partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Tal entendimento foi recentemente ratificado pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula nº 555, a qual dispõe: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para melhor compreensão da súmula, vale citar parte de alguns dos votos preferidos pelos Ministros nos acórdãos paradigmas que lhe deram origem: "[...] o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito [...]" (AgRg no Ag 1407622 PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/09/2011, DJe 26/09/2011) "[...] o STJ firmou orientação de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não há o pagamento antecipado, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é aquele estabelecido no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. [...]" (AgRg no AREsp 246013 SE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/03/2013, DJe 14/03/2013) "[...] De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 150, § 4°, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento parcial antecipado, sem que se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. À luz do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, inexistindo declaração prévia do débito. [...]" (AgRg no AREsp 252942 PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/06/2013, DJe 12/06/2013) "[...] em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, no caso em que não ocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o poderdever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...]" (AgRg no REsp 1074191 MG, Rel. Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202003.974 CSRFT2 Fl. 6 9 Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/03/2010, DJe 16/03/2010) No presente caso, entretanto, houve sim a declaração com pagamento do imposto, embora parcial, fato destacado pelo Contribuinte em suas contrarrazões, esclarecendo inclusive que os valores pagos foram considerados pela fiscalização, que procedeu ao abatimento desses quando da feitura do lançamento, conforme se comprova nas fls. 140 (ano 2000), 142 (ano 2001) e 144 (ano 2002). Logo, diante da existência de pagamento ainda que parcial do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerandose o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro de 2000. Tendo a contribuinte sido notificada do lançamento em 15/05/2006, devese reconhecer a decadência do lançamento relativo ao ano de 2000. Diante do exposto nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendo a decadência do ano calendário 2000 com base no art. 150, §4º do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do imposto. Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
