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Numero do processo: 15504.732656/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto.
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Diferença contribuição declarada em GFIP. Recorrente MINAS GOIÁS TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 32 65 6/ 20 13 -1 4 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.732656/201314 Resolução nº 2401000.463 S2C4T1 Fl. 391 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0647.282 (fls. 342/353): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. ART.173 DO CTN. OMISSÃO. CONDUTA DOLOSA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando presente dolo, fraude ou simulação. IMPUGNAÇÃO. PONTOS DE DISCORDÂNCIA. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A participação nos lucros ou resultados só pode ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias quando paga pela empresa em conformidade com a lei específica que disciplina a matéria. 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 66/74, que o processo administrativo é composto por 4 (quatro) auto de infração (AI), abrangendo as competências 01 a 12/2008, inclusive décimo terceiro, nesses termos: i) AI nº 37.391.2692, relativo às contribuições previdenciárias patronais previstas nos incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incidentes sobre remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos, além da contribuição incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; ii) AI nº 37.412.0358, referente às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e Fl. 391DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.732656/201314 Resolução nº 2401000.463 S2C4T1 Fl. 392 3 contribuintes individuais, incidentes sobre o seu salário de contribuição (não descontadas); iii) AI nº 37.412.0366, referente às contribuições devidas a terceiros, incidentes sobre remunerações de segurados empregados (FPAS 612) e transportadores autônomos (FPAS 620); e iv) AI nº 37.412.0374, relativo à retenção do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, no percentual de 11% (onze por cento), por parte da empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra. 2.1 A fiscalização descreve que os fatos geradores e bases de cálculo foram apurados mediante exame da contabilidade, da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), em confronto com os dados da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e da Guia da Previdência Social (GPS). 2.2 Registra a parte final do relatório fiscal que a autoridade lançadora procedeu à formalização de representação fiscal para fins penais, em razão de as situações identificadas durante o procedimento fiscal configurarem, em tese, crimes contra a seguridade social e ordem tributária. 3. Cientificado pessoalmente das autuações, em 19/12/2013, às fls. 3, 22, 32 e 45, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal (fls. 227/244). 3.1 Da leitura da peça de defesa, é oportuno salientar que o sujeito passivo deixou de contestar a contribuição previdenciária exigida sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho (incluído no AI nº 37.391.2692) e sobre os valores retidos sobre notas fiscais na prestação de serviço mediante cessão de mão de obra (AI nº 37.412.0374). 4. Intimada por via postal, em 15/7/2014, da decisão de primeira instância, conforme fls. 356/358, a recorrente apresentou recurso voluntário em 4/8/2014 (fls. 360/382). 5. Na peça recursal, como preliminar de mérito, sustenta a decadência dos lançamentos fiscais, pelo fato de as contribuições previdenciárias e contribuições destinadas a terceiros serem tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicandose o prazo previsto no § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 5.1 Ressalta a recorrente que o colegiado de primeira instância considerou comprovada a ocorrência do dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo, o que traria como consequência o deslocamento do termo inicial do prazo decadencial para o inciso I do art. 173 do CTN. 5.2 Entretanto, pondera que tal conclusão é equivocada, na medida em que discute exatamente a natureza jurídica das verbas enumeradas pela fiscalização, defendendo a sua natureza indenizatória como justificativa para a não inclusão na base de cálculo tributária. É o relatório, no que interessa. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.732656/201314 Resolução nº 2401000.463 S2C4T1 Fl. 393 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator 6. Cuidase de crédito tributário referente ao período de 01 a 13/2008, constituído mediante lançamento de ofício em 19/12/2013. 7. No âmbito do lançamento de ofício relativo a tributos por homologação, o pagamento parcial antecipado atrai a aplicação da regra decadencial de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, salvo se comprovado o cometimento de dolo, fraude ou simulação. 8. Ao compulsar os autos, verifico que a fiscalização afirma expressamente que procedeu ao confronto entre valores pagos e os declarados, significando que o lançamento fiscal compreende, em tese, parcela de crédito tributário suplementar. Para melhor compreensão, reproduzo o correspondente trecho do relatório fiscal: 11. Observados os termos da legislação vigente temse que as GFIP que serviram de base para o confronto entre os valores pagos e os declarados e a exatidão de valores e dados declarados foram as entregues em data anterior a do início da ação fiscal. 9. Essa linha de raciocínio é corroborada pelo fato de as planilhas elaboradas pela autoridade fiscal, relativamente às remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais não declaradas em GFIP, indicarem que parte da remuneração, para diferentes segurados e distintas competências, foi declarada em GFIP (fls. 75/134). 10. Por sua vez, a decisão de piso invocou a inocorrência da decadência, respaldando o seu ponto de vista no fato de a autoridade fiscal qualificar a omissão dos recolhimentos de contribuições previdenciárias como prática de crimes (fls. 347/348). 10.1 No entanto, uma vez contestada no apelo recursal a conclusão do órgão "a quo", a matéria deverá ser apreciada pelo Colegiado "ad quem" quando do julgamento do recurso voluntário. 11. Nesse cenário, com o propósito de avaliar questão prejudicial ao exame do mérito, consistente na eventual extinção do crédito tributário apurado pela fiscalização em decorrência da decadência, acredito imprescindível averiguar melhor a existência de pagamentos antecipados, por competência, considerando individualmente as contribuições devidas pelo sujeito passivo. 12. Dessa feita, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com a finalidade de o Fisco, com base nas GFIPs entregues e nas GPS pagas antes do início do procedimento fiscal, em 3/1/2013 (fls. 145/146), manifestese quanto à existência de pagamento parcial relativamente às seguintes exigências fiscais, por competência: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.732656/201314 Resolução nº 2401000.463 S2C4T1 Fl. 394 5 i) da empresa, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados (art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991); ii) da empresa, destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultantes dos riscos ambientais do trabalho (art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991); iii) da empresa, incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais (art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212, de 1991); iv) do segurado empregado, incidente sobre o seu salário de contribuição (art. 20 e art. 28, inciso I, c/c art. 30, inciso I, alínea "a", todas da Lei nº 8.212, de 1991); v) do segurado contribuinte individual, incidente sobre o seu salário de contribuição (art. 21 e art. 28, inciso III, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 4º da Lei nº 10.666, de 8 de maio de 2003); vi) da empresa, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a terceiros (FPAS 612); e vii) da empresa, incidente sobre a remuneração dos transportadores autônomos, destinadas a terceiros (FPAS 620). 13. Após a resposta do órgão da RFB, deverá ser oportunizado o contraditório à recorrente, com posterior retorno dos autos para julgamento deste Colegiado. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 394DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001449/2005-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Verificado que constava no campo "Procedimento Fiscal" as verificações obrigatórias dos tributos e contribuições administrados pela SRF não há que se falar na nulidade do procedimento face à ausência de menção expressa ao tributo que deu origem a autuação.
BI TRIBUTAÇÃO - NÃO OCORRÊNCIA - No caso de exigência do mesmo tributo relativo ao mesmo ano-calendário, que trata de infrações distintas, não há o que se cogitar na ocorrência de bi tributação.
CSLL - DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO - Se das verificações obrigatórias for constatada infração a dispositivos da legislação tributária, proceder-se-á ao lançamento de oficio para exigir as diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos no seu devido tempo.
NOTAS FISCAIS - COMPROVAÇÃO - POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO - Tendo a Contribuinte comprovado efetivamente o pagamento de determinadas notas fiscais e sua efetiva tributação no ano seguinte, deve ser considerado no quantum exigido o tributo postergado.
REGIME DE APURAÇÃO - As pessoas jurídicas que optarem pela tributação com no lucro presumido, estão autorizadas a adotar o regime de caixa (IN/SRF n. 104/98) desde que obedeçam a certas regras e o façam para todos os tributos. É necessário que o contribuinte indique no Livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponde cada recebimento, ou, no caso de mantiver escrituração contábil, controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento.
JUROS TAXA SELIC - Súmula CARF n° 4 - "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais".
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 1301-000.278
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito,: (i) compensar a contribuição resultante da postergação do pagamento da CSLL, conforme descrito na informação fiscal de fls. 1129, decorrentes da notas fiscais listadas no demonstrativo de fls. 1.125/1.126, tributadas no ano-calendário de 2004 e, (ii) compensar a contribuição recolhida a maior, decorrente da utilização pela contribuinte do regime de caixa nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 1993. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Vicente Lisboa Capella - OAB/SC n° 16200.
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Verificado que constava no campo "Procedimento Fiscal" as verificações obrigatórias dos tributos e contribuições administrados pela SRF não há que se falar na nulidade do procedimento face à ausência de menção expressa ao tributo que deu origem a autuação. BI TRIBUTAÇÃO - NÃO OCORRÊNCIA - No caso de exigência do mesmo tributo relativo ao mesmo ano-calendário, que trata de infrações distintas, não há o que se cogitar na ocorrência de bi tributação. CSLL - DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO - Se das verificações obrigatórias for constatada infração a dispositivos da legislação tributária, proceder-se-á ao lançamento de oficio para exigir as diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos no seu devido tempo. NOTAS FISCAIS - COMPROVAÇÃO - POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO - Tendo a Contribuinte comprovado efetivamente o pagamento de determinadas notas fiscais e sua efetiva tributação no ano seguinte, deve ser considerado no quantum exigido o tributo postergado. REGIME DE APURAÇÃO - As pessoas jurídicas que optarem pela tributação com no lucro presumido, estão autorizadas a adotar o regime de caixa (IN/SRF n. 104/98) desde que obedeçam a certas regras e o façam para todos os tributos. É necessário que o contribuinte indique no Livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponde cada recebimento, ou, no caso de mantiver escrituração contábil, controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. JUROS TAXA SELIC - Súmula CARF n° 4 - "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Recurso Voluntário Provido em parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito,: (i) compensar a contribuição resultante da postergação do pagamento da CSLL, conforme descrito na informação fiscal de fls. 1129, decorrentes da notas fiscais listadas no demonstrativo de fls. 1.125/1.126, tributadas no ano-calendário de 2004 e, (ii) compensar a contribuição recolhida a maior, decorrente da utilização pela contribuinte do regime de caixa nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 1993. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Vicente Lisboa Capella - OAB/SC n° 16200.
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Verificado que constava no campo "Procedimento Fiscal" as verificações obrigatórias dos tributos e contribuições administrados pela SRF não há que se falar na nulidade do procedimento face à ausência de menção expressa ao tributo que deu origem a autuação. BI TRIBUTAÇÃO - NÃO OCORRÊNCIA - No caso de exigência do mesmo tributo relativo ao mesmo ano-calendário, que trata de infrações distintas, não há o que se cogitar na ocorrência de bi tributação. CSLL - DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO - Se das verificações obrigatórias for constatada infração a dispositivos da legislação tributária, proceder-se-á ao lançamento de oficio para exigir as diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos no seu devido tempo. NOTAS FISCAIS - COMPROVAÇÃO - POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO - Tendo a Contribuinte comprovado efetivamente o pagamento de determinadas notas fiscais e sua efetiva tributação no ano seguinte, deve ser considerado no quantum exigido o tributo postergado. REGIME DE APURAÇÃO - As pessoas jurídicas que optarem pela tributação com no lucro presumido, estão autorizadas a adotar o regime de caixa (IN/SRF n. 104/98) desde que obedeçam a certas regras e o façam para todos os tributos. É necessário que o contribuinte indique no Livro Caixa, tin registro individual, a nota fiscal a que corresponde cada recebimento, ou, no caso de mantiver escrituração contábil, controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. JUROS TAXA SELIC - Súmula CARF n° 4 - "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito,: (i) compensar a contribuição resultante da postergação do pagamento da CSLL, conforme descrito na informação fiscal de fls. 1129, decorrentes da notas fiscais listadas no demonstrativo de fls. 1.125/1.126, tributadas no ano-calendário de 2004 e, (ii) compensar a contribuição recolhida a maior, decorrente da utilização pela contribuinte do regime de caixa nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 1993. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Vicente Lisboa Capella - OAB/SC n° 16200. I, Ital.. C.4 LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente - RI — Relator EDITADO EM: 26 ABR 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Thiago D'iwila Melo Femandes, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo a° 11516.001449/2005-14 SI-C3T/ Acórdão nf 1301-00.278 Fl. 2 Relatório COAM INDÚSTRIA GRÁFICA LTDA., já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis - SC, que, por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento efetuado, mantendo a exigência da CSLL sobre diferenças dos valores declarados e os valores escriturados pela Contribuinte. De acordo com a Autoridade Administrativa, a autuação é decorrente de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias no qual a fiscalização constatou divergências entre os valores declarados em sua DCTF e os valores escriturados pela Contribuinte em seu livro de apuração de ICMS. Dessa forma foi lavrado Auto de Infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL, às fls. 144/148) no valor de R$ 62.807,16, referente ao ano- calendário 2003, já com os acréscimos legais. A integra do relatório do presente processo consta às fls. 691/697, relatado na sessão realizada em 16.10.2008, oportunidade em que esta Câmara, através da Resolução n° 101-02.678, resolveu converter o julgamento em diligência, por se tratar de processo decorrente do mesmo procedimento do Processo administrativo n° 11516.001445/2005-36, para que a autoridade administrativa intimasse a contribuinte a demonstrar e comprovar documentalmente o que se segue: (i) quais a notas fiscais que foram emitidas no ano-calendário de 2003 e efetivamente oferecidas à tributação no ano-calendário de 2004; 00 a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente, em datas e valores; Requereu a Câmara que a autoridade fiscal, de posse dos documentos e informações prestados pela contribuinte, verificasse o acerto do procedimento por ela adotado, procedendo às considerações que entender necessárias para o bom deslinde da questão e que esclarecesse, se fosse o caso, a razão de não ter considerado no somatório da omissão de receita, os valores informados a maior pela contribuinte nos meses de junho, julho, outubro de novembro de 2003. Para cumprimento do solicitado, foi emitido o MPF-Diligência 0920100- 2009-00614. A contribuinte disponibilizou então os seguintes documentos: - cópia do livro razão, conta "clientes"; - planilha resumo com listagem de notas fiscais de pagamento (fls. 1082/1108); - cópia do livro saídas, ela trimestre de 2003; - cópia de extratos bancários; 3 - francesinhas com descrição de títulos recebidos por via bancária; - cópia do livro razão auxiliar, conta "clientes" - documentos bancários para demonstrar 4 (quatro) transferências entre as empresa Milano e a contribuinte, que, segundo a autoridade compuseram os totais dos valores considerados como depósitos bancários não justificados (fls. 1109/1124). Em conclusão, informa a autoridade administrativa que a contribuinte comprovou efetivamente o pagamento, e a respectiva tributação, em 2004, relativamente ao mês de dezembro de 2003, ressaltando que as notas emitidas em outubro e novembro não foram analisadas por não terem sido objeto de lançamento tributário. Aduz que relativamente aos valores informados a maior pela empresa, ao comparar os livros de saída e as declarações, nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 2003, não forneciam embasamento mínimo para a adoção da tributação pelo regime de caixa, regime este que pode ser adotado desde que a empresa contabilize em escrituração auxiliar cada um dos recebimentos, individualizados por clientes, o que não era o caso, pois tais livros somente foram confeccionados posteriormente à conclusão da fiscalização o que impossibilita a determinação da data do real recebimento dos valores registrados no livro de saída da contribuinte. Instada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a contribuinte sustenta em sua manifestação (fls. 761/771) que foram desconsiderados os valores infonnados a maior no Livro de Apuração de ICMS, em comparação com o informado em DCTF, aduzindo que a fundamentação para a impossibilidade de se determinar a data do real recebimento dos valores registrados no livro de saídas não constou no Auto de Infração e que, apesar do regime de caixa ter sido expressamente informado no curso da fiscalização, não houve intimação para apresentação do livro auxiliar para aprofundamento da matéria. Aduz ainda que a apresentação dos livros auxiliares e respectiva documentação demonstram claramente a escrituração na contabilidade e controle, pelo regime de caixa, das notas fiscais emitidas em 2003, que foram todas lançadas no livro de saidas utilizado como parâmetro para o lançamento de oficio e recebidas no curso de 2004. Acrescenta que, o fato de a fiscalização ter aceitado o regime de caixa para o mês de dezembro de 2003 importa em reconhecer este regime de tributação para o ano todo, o que afasta a apuração dos tributos sobre as notas fiscais emitidas em 2003. Sustenta que os tributos apurados e recolhidos por ela, com base no montante de receitas maiores do que aquelas informadas no Livro de Apuração de ICMS devem ser considerados pagamentos a maior sujeitos ao ajustes na constituição de créditos fiscais de • oficio, baseando-se nos arts. 66 da Lei n° 8.383/94, 74 da Lei 9.430/96 e Decreto n° 2.138/97. Desta forma, requer seja efetuado de oficio o abatimento dos valores recolhidos a maior com os créditos fiscais constantes no presente lançamento. Requer ao final: sejam aceitas as demonstrações de recebimento e tributação das notas fiscais emitidas em 2003 e recebidas em 2004, devidamente escrituradas em sua contabilidade, em razão do reconhecimento do regime de caixa para o mês de dezembro/2003, o que obriga estender este regime para o ano todo, ocasionando o ajuste da base de cálculo das diferenças de rendimentos levantadas no presente auto de infração, excluindo-se os valores das faturas registradas no livro de saldas de ICMS de 2003, recebidos em 2004; 4 Processo n° 11516.001449/2005-14 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.278 Fl. 3 (ii) Alternativamente, caso o regime de caixa não seja aceito, a declaração de que houve a postergação no pagamento dos tributos, em função do reconhecimento das receitas decorrentes das faturas de 2003 ter ocorrido somente em 2004, quando do recebimento; (iii) sejam considerados os recolhimentos a maior na apuração das diferenças entre o informado em Livro de Apuração de ICMS e em DCTF, na medida em que a fiscalização elegeu, como base de cálculo dos tributos, os valores constantes na escrituração contábil e lançamento no Livro de Saída de ICMS; É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, trata-se o presente de recurso voluntário contra decisão proferida pela 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis - SC, que, por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento efetuado, mantendo a exigência da CSLL sobre diferenças dos valores declarados e os valores escriturados pela Contribuinte nos livros fiscais. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos às fls. 1381140, vê se que o lançamento é decorrente de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual a fiscalização constatou divergências entre os valores declarados e os valores escriturados pela Contribuinte no Livro de Registro de ICMS. Alega a Contribuinte em sua defesa em síntese que: (i) deve ser anulado o auto de infração por ausência de mandado de procedimento fiscal válido; (ii) caso seja mantido o presente lançamento ocorrerá a bi tributação uma vez que o crédito aqui discutido é objeto do Processo Administrativo n° 11516.001445/2005-36; (iH) que a fiscalização desconsiderou o regime de apuração adotado pela empresa a partir de 2003, assim como documentos acostados aos autos; (iv) não deve ser aplicada à taxa SELIC. Como se vê, trata-se de exigência decorrente do item 02 do Processo Administrativo acima citado (PA n. 11516.001445/2005-36), julgado nesta assentada por esta Colenda Turma, o qual foi mantido parcialmente, subsumindo-se, portanto este processo a decisão lá prolatada, ante da Intima relação de causa e efeito que os une. Entretanto, tendo a Recorrente apresentado neste processo argumentos outros, procederei à análise dos mesmos no intuito de afastar eventuais argumentos de cerceamento do direito a ampla defesa. Quanto a preliminar de nulidade do auto de infração suscitada pela Contribuinte em sua defesa, pelo fato de não encontrar-se expressamente grifado a matéria objeto de fiscalização, entendo que a mesma não tem como prosperar. Isto porque, a existência do termo "verificações obrigatórias" no Mandado de Procedimento Fiscal, legitima o auditor fiscal a examinar e, se for o caso, lançar os tributos e contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil que entender devido nos últimos cinco anos. Sendo assim, a fiscalização não extrapolou os limites previstos no Mandado de Procedimento Fiscal ao lavrar o auto de infração a título de CSLL referente ao ano- calendário 2003, pois conforme se verifica no referido MPF de fls. 01, consta expressamente o termo "verificações obrigatórias: correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução deste Procedimento Fiscal". Nesse sentido é a jurisprudência do Conselho de Contribuintes a exemplo das ementas a seguir transcritas: "VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.As verificações obrigatórias alcançam períodos de apuração relativos aos últimos cincos anos anteriores à emissão do MPF e o período de execução do procedimento, alcançando outros tributos e contribuições não expressamente mencionados no MPF, quando as infrações são apuradas a partir dos mesmos meios de prova." (Acórdão n° 108-09489, Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 08/11/2007, Relatora Karem Jureidini Dias) "PAF — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — VERIFICAÇÕES PRELIMINARES — Não há que se falar em nulidade do lançamento pela extrapolação aos limites contidos no MPF, tendo em vista que a autuação se deu dentro dos limites das verificações obrigatórias constantes daquele Mandado." (Acórdão n° Acórdão 101-96335, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 13/09/2007, Relator Paulo Roberto Cortez) Ademais, cumpre observar que da simples leitura do disposto no art. 15, da Portaria n° 28/2002 - transcrito pela própria Contribuinte em sua defesa -, pode-se concluir que a fiscalização, ao contrário do que alega a Recorrente, independentemente da apresentação das DCTF s pela empresa, pode e deve confrontar as informações prestadas com base na contabilidade da empresa, não havendo, portanto, qualquer irregularidade neste procedimento. Da mesma forma, não há que se falar de que o lançamento padece de ilegalidade insanável em razão da incompetência do agente fiscal para fiscalizar a base de cálculo da CSLL no ano calendário 2003, nos termos dos arts. 2 e 10, da Portaria n° 3.007/01, uma vez verificado que todo o processo administrativo seguiu aos tramites legais. Quanto à alegação de bi tributação da contribuição social apresentada pela Contribuinte em sua defesa, verifica-se que não existe vínculo entre a exigência consubstanciada neste processo com o Processo Administrativo n° 11516.001445/2005-36. Isto porque apesar de estar sendo exigido a contribuição social neste e naquele processo relativo ao mesmo ano-calendário, é de se observar que as matérias que originaram as exigências são autônomas, isto é, no processo acima citado (PAF n° 11516.001445/2005-36), a incidência da CSLL se deu sobre a omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários não justificados, integralização de capital não comprovada e saldo credor de caixa, ao passo que neste processo, a incidência, como já relatado, se deu em razão Processo n° 11516.001449/2005-14 SI-C3 TI Acórdão n.° 1301-00.278 Fl. 4 das diferenças entre as declarações (DCTF's e DIPJ) apresentadas pela contribuinte a SRF e o Livro de Registro de Apuração de ICMS, restando, portando, claro que não se está tributando (exigindo) em duplicidade a presente exigência. Sendo assim, por restar claro que os processos cuidam de infrações distintas, não há o que se cogitar na ocorrência de bi tributação no presente processo. Dessa forma, colocada as questões acima e não restando argumentos outros daqueles suscitados no processo principal (PA n. 11516.001445/2005-36) para afastar a presente exigência, transcrevo abaixo aquela decisão no que for pertinente a presente matéria, vejamos: "...De fato, como bem observado pela r. decisão recorrida, a adoção do Regime de Caixa por pessoa jurídica optante pelo lucro presumido que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, só é possível quanto for adotado controle dos recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal correspondente ao recebimento, o que não foi procedida pela contribuinte até o momento do lançamento das exigências ora questionada, embora tenha sido intimada a apresentar os livros exigidos pela legislação (Livros Caixa ou Diário e Razão), para fazer prova de que as cumpria. Dessa forma, correto o procedimento adotado pela fiscalização em apurar o tributo exigido com base no regime de competência, não merecendo, portanto, qualquer reforma a r. decisão recorrida que manteve o referido regime adotado pela fiscalização para apurar o tributo devido. Entretanto, em vista a vista da diligência determinada por este E. Conselho, em que a autoridade fiscal verificou que a Recorrente comprovou efetivamente o pagamento e a respectiva tributação em 2004, de uma série de notas fiscais listadas no demonstrativo de fls. 1.125/1.126, relativamente ao mês de dezembro de 2003, razão porque entendo que merece reforma neste ponto a r. decisão recorrida no sentido de compensar o imposto resultante da postergação do pagamento do IRPJ, conforme descrito na informação fiscal de fls. 1129. Quanto ao fato de a fiscalização não ter levado em consideração os valores oferecidos à tributação a maior nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 1993, em comparação com o informado pela contribuinte e o apurado pela fiscalização com base no Livro de saída, entendo também merece aqui uma pequena reforma na r. decisão recorrida, no sentido de compensar o imposto eventualmente recolhido a maior, se for o caso, com base na diferença entre receita oferecida a tributação pela contribuinte e a apurada pelo fisco. Isto porque, mantida a tributação com base no regime de competência em detrimento do regime de caixa adotado pela contribuinte, tais ajustes se tomam necessários para compensar o descompasso existente entre os dois regimes (faturamento x ingesso dos recursos no caixa). Quanto aos argumentos suscitados pela contribuinte a respeito da Taxa Selic, destaca-se que, conforme súmula CARF n° 2, não cabe a este órgão administrativo fazer qualquer análise de constitucionalidade ou legalidade de normas inseridas legalmente no ordenamento jurídico pátrio, competência esta exclusiva do Poder Judiciário, razão pela qual entendo que não há que ser afastada a referida Taxa. 7 Ressalte-se que esta matéria já foi inclusive sumulada, nos seguintes termos: "Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." Logo, não há como prosperar o inconformismo da Recorrente quanto a presente exigência." A vista do acima exposto e por tratar-se a presente exigência decorrente do processo administrativo acima citado, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) compensar a contribuição resultante da postergação do pagamento da CSLL, conforme descrito na informação fiscal de fls. 1129, decorrentes da notas fiscais listadas no demonstrativo de fls. 1.125/1.126 e tributadas no ano-calendário de 2004 e, (ii) compensar a contribuição efetivamente recolhida a maior, decorrente da utilização pela contribuinte do regime de caixa nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 1993, em confronto com o regime de competência. É como voto. ! • DRI - Relato'.
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Numero do processo: 10660.720583/2012-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
A multa isolada de 150% somente é cabível quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na declaração, de verbas que integram a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, sem qualquer justificativa para que sejam consideradas como créditos passíveis de restituição.
Recurso Especial do Procurador provido em parte
Numero da decisão: 9202-003.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre as horas extras. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 29/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. A multa isolada de 150% somente é cabível quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na declaração, de verbas que integram a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, sem qualquer justificativa para que sejam consideradas como créditos passíveis de restituição. Recurso Especial do Procurador provido em parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre as horas extras. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1916; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.847 1 1.846 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10660.720583/201211 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.778 – 2ª Turma Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria Compensação multa isolada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICÍPIO DE CARMO DE MINAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. A multa isolada de 150% somente é cabível quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na declaração, de verbas que integram a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, sem qualquer justificativa para que sejam consideradas como créditos passíveis de restituição. Recurso Especial do Procurador provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre as horas extras. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 29/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 05 83 /2 01 2- 11 Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) em que são exigidas Contribuições Previdenciárias decorrentes de glosas de compensações e multa isolada no percentual de 150%, atinente às compensações indevidas efetuadas com falsidade na declaração. Os valores glosados são relativos às Contribuições Previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos detentores de cargos eletivos, no período de 01/1998 a 09/2004, sobre contribuições incidentes sobre verbas indenizatórias a título de 1/3 de férias e horas extras, e diferença de alíquota do GILRAT, conforme informado em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) nas competências 10/2009 e 08/2010. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 17 em diante, quanto às verbas relativas aos detentores de cargos eletivos, o Contribuinte teria deixado de observar o disposto no art. 3º da IN MPS/SRP nº 15/2006, que determina a prescrição em cinco anos contados do pagamento, de sorte que a compensação teria sido indevida nas competências 09/2009 a 02/2010. No que tange às verbas indenizatórias, de acordo com o disposto no § 9º do art.28 da Lei 8.212/1991, as horas extras e o abono constitucional sobre as férias integrariam a base de cálculo da contribuição previdenciária. Relativamente à alíquota GILRAT, esta teria sido fixada primeiro no Anexo V do Decreto 3.048/1999, conforme determinado no art. 202, e depois alterada a partir de 01/06/2007 pelo Decreto 6.042/2007. Impugnado o lançamento, a DRJ em Juiz de Fora/MG manteve a autuação, embora considerando incabível a multa relativa às verbas relativas aos detentores de cargos eletivos (fls. 1.728 a 1.737). "No caso as compensações glosadas, por indevidas, dizem respeito aos recolhimentos promovidos pelo sujeito passivo sobre dispositivo normativo declarado inconstitucional (contribuição dos agentes políticos na vigência da Lei nº 9.506/1997) bem como em verbas entendidas como não sujeitas à incidência de contribuição previdenciária por ter natureza indenizatória e por fim em diferença da alíquota de custeio do GILRAT. Em situações análogas, daí a formulação da diligência, pedindo a separação dos valores decorrentes da remuneração dos detentores de cargos eletivos, tenho como firmado posição quanto à inaplicabilidade da multa isolada de 150%, considerando que existiu, efetivamente, o recolhimento indevido tendo por fato gerador as remunerações dos agentes políticos, prevista na então vigente alínea ‘h’ do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.506/1997 e que vigorou entre fevereiro de 1998 até parte de setembro/2004. A legitimidade do crédito afasta o elemento específico de falsidade na declaração. Depreendese que, em essência, a compensação é Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10660.720583/201211 Acórdão n.º 9202003.778 CSRFT2 Fl. 1.848 3 justificada, pecando em seus fundamentos, qual seja, no caso, não observou o prazo legal para pleiteála. Em outras palavras, mesmo legítimo o crédito do sujeito passivo, comprovado ficou que a compensação foi formulada em momento inoportuno, fato que recomenda a sua glosa, mas não a multa isolada. Assim, concluo, que neste particular o lançamento da glosa acrescida dos respectivos efeitos legais é adequado e suficiente, e, indevida a imputação da multa isolada, em razão da inexistência do elemento caracterizador, ou seja “a falsidade”. Todavia, diversamente, encaminho o voto pela manutenção da multa isolada quando são compensadas sem respaldo judicial em processo movido pelo sujeito passivo, contribuições sobre verbas elencadas na lei previdenciária como de incidência, a exemplo de horas extras, 1/3 de férias, gratificações. (...) Na impossibilidade de separação dos valores, conforme pedido formulado na diligência e diante dos fatos apurados nos autos, concluo pela regularidade da imputação da multa isolada de 150%, abrangendo todo o lançamento, porque falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade. Um crédito oriundo de um pagamento tido como indevido por tese jurídica não é líquido e certo." Em sessão plenária de 17/07/2014, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2402004.202, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PARA EFETUAR COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O parcelamento não é causa extintiva do crédito tributário, assim não pode ser tomado como causa suspensiva da prescrição do direito de compensar tributo pago indevidamente. COMPENSAÇÃO.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.É possível a compensação de créditos oriundos do pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas creditadas aos empregados à título de 1/3 de férias, já que o STJ já decidiu, em sede de representativo de controvérsia, pela não incidência de contribuições sobre tais verbas. RESP nº 1.230.957. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP. Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS ACIDENTES DE TRABALHO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. MUNICÍPIOS. A alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é definida em função da atividade preponderante do sujeito passivo. O anexo V do Decreto 3048/1991 estabelece a alíquota SAT de 2% para toda a administração pública. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja reconhecido o direito de compensação dos recolhimentos sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, bem como afastada a multa isolada." O processo foi encaminhado à PGFN em 16/09/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.823). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 31/10/2014, o que foi feito em 14/10/2014 (fls. 1.824 a 1.830), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 1.831. O Recurso Especial visa rediscutir a aplicação da multa isolada prevista no § 10, do artigo 89, da Lei nº 8.212, de 1991. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de Admissibilidade nº 2400902, de 20/11/2014 (fls. 1.833 a 1.835). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: a aplicação da penalidade em questão está prevista no art. 89, §10, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996: Lei nº 8.212, de 1991 "Art. 89 (...) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)." Lei nº 9.430, de 1996 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10660.720583/201211 Acórdão n.º 9202003.778 CSRFT2 Fl. 1.849 5 declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" (Destaque nosso) a análise desses dispositivos deixa claro que, na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150%; nesse sentido, segue a jurisprudência administrativa: Acórdão nº 2302002.380 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/08/2011 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostrase correta a aplicação do disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Grifos nossos) no caso, o contribuinte compensou créditos que, dada a sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza e, nessa perspectiva, constatase que a compensação se fundamenta em declaração falsa, ante a inexistência de seus pressupostos legais; uma vez verificada a falsidade, temse configurada a hipótese de incidência prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que, repitase, não exige dolo do agente; ora, se não há nenhuma dúvida de que as GFIP’s entregues pelo Município veicularam informações sabidamente falsas, não há que se falar em redução da penalidade; ressaltese que o Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte: "Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades". (Grifos nossos) assim, ao afastar a multa isolada diante da ausência de dolo do agente, o julgado recorrido terminou por criar hipótese de redução de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade (cita doutrina de Alexandre de Moraes). Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do Recurso Especial, restabelecendose a multa qualificada. Cientificado em 27/01/2015 (AR de fls. 1.839), o Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 11/02/2015, as Contrarrazões de fls. 1.840 a 1.843, em que pede a manutenção do acórdão recorrido e aduz que o entendimento mais recente acerca da matéria não se coaduna com o posicionamento da Fazenda Nacional, indicando o Acórdão nº 2302002.332, cuja ementa colaciona: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/10/2010 MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. ELEMENTO CONSTITUTIVO DO TIPO OBJETIVO DA INFRAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. Sendo a comprovação da falsidade da declaração um elemento constitutivo do tipo objetivo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91, o auto de infração tem que vir instruído, necessariamente, com os elementos de convicção que conduziram o auditor fiscal a inferir a presença do dolo na conduta infracional, até porque o exame da legalidade e legitimidade da autuação pelos órgãos judicantes administrativos depende da análise de tais meios de prova para sindicar a efetiva falsidade da declaração, os quais não são supríveis pela mera presunção de veracidade inerente ao ato administrativo. Recurso Voluntário Provido" Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de glosas de compensação referentes a várias rubricas, aplicandose também a multa isolada de 150% por falsidade na declaração. No acórdão recorrido, admitiuse a compensação apenas da verba relativa ao adicional de 1/3 constitucional de férias, mantendose as demais glosas. Ademais, afastouse a multa de 150%. Confirase: "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja reconhecido o direito de compensação dos recolhimentos sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, bem como afastada a multa isolada." Em seu recurso, a Fazenda Nacional suscita unicamente a exoneração da multa de 150%, sem atacar especificamente a revisão da glosa referente ao adicional de 1/3 Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10660.720583/201211 Acórdão n.º 9202003.778 CSRFT2 Fl. 1.850 7 constitucional de férias, portanto não há mais que se discutir acerca da exoneração da multa correspondente a esta verba. A penalidade ora tratada está prevista na Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009, que assim dispõe: "Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (...) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado." O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Destarte, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou de qualquer uma das figuras penais descritas no §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracteriza a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual teria sido a situação que ensejou a glosa das compensações. Com estas considerações, verificase que, relativamente às glosas de compensação mantidas no acórdão recorrido, cuja multa é objeto do Recurso Especial, o relatório fiscal de fls. 17 a 20 assim fundamenta a aplicação da penalidade: subsídios dos detentores de cargos eletivos teria ocorrido a prescrição dos créditos; verbas de horas extras integrariam a base de cálculo das Contribuições; e diferença de alíquota do Gilrat falta de embasamento legal, pois a alíquota correta seria efetivamente de 2%; Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 Ressaltese que a autuação não foi fundamentada na falta de comprovação da existência dos valores indevidamente compensados. Nesse passo, quanto aos subsídios dos detentores de cargos eletivos, a simples ocorrência de prescrição impede a utilização dos créditos, porém não é suficiente para aplicação da penalidade, atribuindose o caráter de falsidade na declaração. Aliás, foi esse o entendimento da DRJ, sendo que a manutenção integral do lançamento deveuse ao fato de o Contribuinte não apresentar relatório discriminando as verbas, que fora solicitado por meio de diligência. Confirase o voto do acórdão de Primeira Instância: "Em situações análogas, daí a formulação da diligência, pedindo a separação dos valores decorrentes da remuneração dos detentores de cargos eletivos, tenho como firmado posição quanto à inaplicabilidade da multa isolada de 150%, considerando que existiu, efetivamente, o recolhimento indevido tendo por fato gerador as remunerações dos agentes políticos, prevista na então vigente alínea ‘h’ do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.506/1997 e que vigorou entre fevereiro de 1998 até parte de setembro/2004. A legitimidade do crédito afasta o elemento específico de falsidade na declaração. Depreendese que, em essência, a compensação é justificada, pecando em seus fundamentos, qual seja, no caso, não observou o prazo legal para pleiteála. Em outras palavras, mesmo legítimo o crédito do sujeito passivo, comprovado ficou que a compensação foi formulada em momento inoportuno, fato que recomenda a sua glosa, mas não a multa isolada. Assim, concluo, que neste particular o lançamento da glosa acrescida dos respectivos efeitos legais é adequado e suficiente, e, indevida a imputação da multa isolada, em razão da inexistência do elemento caracterizador, ou seja “a falsidade”. (...) Na impossibilidade de separação dos valores, conforme pedido formulado na diligência e diante dos fatos apurados nos autos, concluo pela regularidade da imputação da multa isolada de 150%, abrangendo todo o lançamento, porque falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade. Um crédito oriundo de um pagamento tido como indevido por tese jurídica não é líquido e certo." Relativamente à diferença de alíquota do Gilrat, no entender desta Conselheira tratase de mero erro na interpretação da legislação, o que levou o Contribuinte a entender que seria cabível uma alíquota menor que a devida. Assim, tal lapso autoriza a glosa da compensação, porém não é suficiente para a aplicação da multa de 150%. Finalmente, no que tange às verbas de horas extras, não há como justificar a inclusão das respectivas Contribuições na declaração como passíveis de restituição, eis que se trata de verbas que, conforme previsto expressamente na legislação, integram a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Nesse passo, o Contribuinte não apresentou qualquer justificativa plausível para considerar ditas Contribuições como indevidas. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10660.720583/201211 Acórdão n.º 9202003.778 CSRFT2 Fl. 1.851 9 Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer a multa isolada de 150% sobre as compensações referentes às verbas de horas extras. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 13817.000237/2003-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3201-002.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Andréa Maia, OAB/BA nº 18435.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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A (sucessora por incorporação da POLIBUTENO S A IND. QUÍMICA Interessado BRASKEM S. A (sucessora por incorporação da POLIBUTENO S A IND. QUÍMICA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Andréa Maia, OAB/BA nº 18435. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 00 02 37 /2 00 3- 99 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório BRASKEM S. A (sucessora por incorporação da POLIBUTENO S A IND. QUÍMICA, pessoa jurídica de direito privado, opõe Embargos de Declaração, com fulcro nos artigos 64 e 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em face de suposta omissão constante do Acórdão nº 3802004.062, da sessão de 24/02/2015,cuja ementa abaixo reproduzo: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 FINSOCIAL. Ação Judicial. Requisitos. Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente cumprir as exigências fixadas nas normas da Receita Federal que disciplinam a matéria, dentre os quais está o pedido ao órgão preparador. Recurso Voluntário a que se nega provimento. A 2a Turma Especial da 2a Câmara da 3a Seção decidiu, por unanimidade, em afastar a preliminar e negar provimento ao recurso voluntário. Cientificada da referida decisão, o sujeito passivo, tempestivamente, interpôs embargos de declaração. Em síntese, a Braskem sustenta que existem omissões, relativamente a ausência de pronunciamento sobre a inaplicabilidade da Súmula 405 do STF e sobre a alegação de que a análise realizada pela Receita Federal do BrasilRFB e a homologação expressa não decorreram da liminar nem da sentença proferidas na ação declaratória n° 96.00395497, bem como da ausência de pronunciamento sobre argumentos relacionados ao atendimento, pela recorrente, dos requisitos previstos na IN 21/1997. Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão da Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, à época. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13817.000237/200399 Acórdão n.º 3201002.010 S3C2T1 Fl. 693 3 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Braskem argumenta que existem omissões, relativamente a ausência de pronunciamento sobre a inaplicabilidade da Súmula 405 do STF e sobre a alegação de que a análise realizada pela Receita Federal do BrasilRFB e a homologação expressa não decorreram da liminar nem da sentença proferidas na ação declaratória n° 96.00395497, bem como da ausência de pronunciamento sobre argumentos relacionados ao atendimento, pela recorrente, dos requisitos previstos na IN 21/1997. Versa o presente de auto de infração eletrônico para exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), nos meses de janeiro a dezembro de 1998, acrescida de multa de ofício e juros de mora. A decisão de primeira instância excluiu a multa de 75%, por conta da retroatividade benigna. A exigência fiscal decorreu de auditoria eletrônica de DCTF na qual se concluíra que a autuada não teria logrado êxito em demonstrar a regularidade das compensações informadas. Segundo consignado, o processo judicial que autorizaria a compensação teria sido ajuizado por contribuinte com CNPJ distinto do declarante. Por sua vez, esclareceu, o sujeito passivo, que as compensações que geraram a exigência litigiosa foram realizadas com base em autorização judicial obtida no processo 96.000395497, ajuizado por sua matriz. Com efeito, não posso de deixar de reproduzir meu voto, abaixo transcrito: O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de auto de infração eletrônico para exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS,nos meses de JANEIRO a DEZEMBRO de 1998, acrescida de multa de ofício e juros de mora. Como relatado a decisão de primeira instância já excluiu a multa de 75%, por conta da retroatividade benigna, passando para a multa de mora de 20% . A exigência fiscal decorre de auditoria eletrônica de DCTF, tendo em vista a não demonstração da regularidade das compensações em litígio. Pois, o processo judicial informado que autorizaria a compensação teria sido ajuizado por contribuinte com CNPJ distinto do declarante. Esclarece, a recorrente, que as compensações que geraram a exigência litigiosa foram realizadas com base em autorização judicial obtida no processo 96.000395497, ajuizado por sua matriz. Antes de adentrar em questão de preliminar, bem como do mérito, elenco os fatos, para entendimento no julgamento. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 QUANDO DO AUTO DE INFRAÇÃO, RECORRENTE CRÊ QUE JÁ SE ENCONTRAVAM DÉBITOS EXTINTOS PELA COMPENSAÇÃO POR SUA CONTA, NOS TERMOS DO ART. 66 DA LEI 8.383/91. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO A MAIOR DO EXTINTO FINSOCIAL, CUJO INDÉBITO FORA RECONHECIDO PELO PODER JUDICIAL, NA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO N° 9300043501,DA QUAL A UNIÃO FORA CONDENADA AREPETIR OS VALORES DE FINSOCIAL RECOLHIDOS A ALÍQUOTA DE 0,5%(SET /89 A ABRIL/92). AÇÃO FOI JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE(DOC 4 DA IMPUG); ∙ A EMPRESA RENUNCIA À EXECUÇÃO DO INDÉBITO RECONHECIDO ATRAVÉS DE PRECATÓRIO, LIMITANDO A BUSCAR O REEMBOLSO DASDESPESAS PROCESSUAIS E PAGAMENTO DE HONORÁRIOS (9300043501; PROPÕE A AÇÃO ORDINÁRIA DE N° 96.00395497PARA ASSEGURAR DIREITO À COMPENSAÇÃO. A MESMA FOI DISTRIBUÍDA POR DEPENDÊNCIA AO JUÍZO ONDE TRAMITAVA A ANTERIOR; ∙ O TRF DA 3ª REGIÃO EXTINGUIU O PROCESSO SEM ANÁLISE DO MÉRITO, POR ENTENDER QUE INEXISTIA INTERESSE DE AGIR NA PROPOSITURA DA DEMANDA. ARGUMENTA A RECORRENTE, O COMANDO JUDICIAL EMANADO DOS AUTOS DA AÇÃO REPETITÓRIA JÁ SERIA TÍTULO HÁBIL,NÃO APENAS À RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO, MAS TAMBÉM PARA COMPENSAÇÃO COM BASE NA LEI DE N° 8.383/91; ∙ AO TRANSMITIR DCTF DO PERÍODO, INFORMOU EQUIVOCADAMENTE (ALEGA A RECORRENTE) QUE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO SE ENCONTRAVA SUSPENSO POR FORÇA DA LIMINAR NA AÇÃO ORDINÁRIA 96.00395497, QUANDO INFORMA QUE O CORRETO ERA COMPENSAÇÃO SEM DARF; · LOGO, LEVOU A FISCALIZAÇÃO AUTUAR, PARA PREVENIR DECADÊNCIA. COMO FOI EXTINTA A REFERIDA AÇÃO SEM EXAME DE MÉRITO; · DRJ MENCIONA QUE A HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DE PROCEDIMENTO COMPENSATÓRIO LEVADO A EFEITO PELA FISCALIZAÇÃO (TERMO DE ENCERRAMENTO 98001784 ) PERDERA A EFICÁCIA, POR CONTA DA EXTINÇÃO DA AÇÃO ORDINÁRIA; · ASSIM COMO A RECORRENTE DEIXOU DE ADOTAR PROVIDÊNCIA FORMAL PRÉVIA Á UTILIZAÇÃO NA ESCRITA FISCAL DOS CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE, OU SEJA, PEDIDO ACOMPANHADO DE CÓPIA DO INTEIRO TEOR JUDICIAL , COM FUNDAMENTO DO ART. 17 DA IN 21/97; Fl. 695DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13817.000237/200399 Acórdão n.º 3201002.010 S3C2T1 Fl. 694 5 ∙ RESSALTA QUE A FISCALIZAÇÃO ANALISOU AS COMPENSAÇÃO SEM ALERTAR PARA A RESSALVA MATERIAL OU FORMAL DO ENCONTRO DE CONTAS (JAN/97 A OUT/98); ∙ ALEGA O SEU DIREITO LÍQUIDO E CERTO E QUE SE BASEOU NO ART. 66 DA LEI 8.383/91; ∙ REFERÊNCIA, PELA RECORRENTE’ AO ACÓRDÃO 20176835 NO SENTIDO DA NÃO NECESSIDADE DE PEDIDO FORMAL DE COMPENSAÇÃO, DESDE QUE EFETIVADA À VISTA DA DOCUMENTAÇÃO QUE CONFIRA LEGITIMIDADE A TAIS CRÉDITOS QUE LHE ASSEGURE CERTEZA E LIQUIDEZ. Relatados os fatos, passemos à preliminar. Preliminar Inicialmente, antes da análise de mérito, não há que se falar na homologação de compensações, pois com a reforma da AO de n° 96.00395497 (extinto processo sem análise de mérito), tornamse sem efeito os atos praticados com base judicial. Temse que a reforma da liminar concedida, seja em antecipação de tutela, seja mandado de segurança ou qualquer outro provimento judicial provisório faz com que todos os atos praticados com base em tal determinação percam os seus efeitos, nos termos da Súmula 405 do STF: DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA PELA SENTENÇA, OU NO JULGAMENTO DO AGRAVO, DELA INTERPOSTO, FICA SEM EFEITO A LIMINAR CONCEDIDA, RETROAGINDO OS EFEITOS DA DECISÃO CONTRÁRIA. Pois bem, a verificação fiscal com fins de quantificar os créditos relativos à compensação determinada pela liminar no processo 96.00395497, só se poderia falar em homologação se o processo em questão alcançasse o trânsito em julgado, o que não ocorreu; também não se poderia falar que as considerações que levaram o Judiciário a concluir pela extinção do processo sem julgamento de mérito ratificariam a compensação. Logo, rejeitase a homologação expressa da compensação em litígio. Mérito A questão reside em verificar se a recorrente estaria autorizada a promover a compensação dos créditos oriundos do processo nº 93.00043501, independentemente da adoção de qualquer tipo de providência, em nível administrativo. O art. 66 da Lei nº 8.383/1991 dispõe: (época das compensações) Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e Fl. 696DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente.(Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)(Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Então, no presente, os créditos em foco (decorrentes de pagamentos efetuados a título de contribuição para o Finsocial em alíquotas superiores a 0,5%), originaramse em decisão judicial e, como tal, só poderiam ser compensados mediante petição formalizada pela recorrente, bem como cumprir as exigências fixadas nas normas da Receita Federal que disciplinam a matéria. O que não aconteceu. A Instrução Normativa nº 21, de 1997, vigente à época dos fatos, determinava: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação, rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamentos de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (...) §6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. Observase que o, tanto a IN SRF no 21/97 (art. 17), como a IN SRF no 210/2002 (art. 37, §§ 2o a 4o), que revogou a anterior, art. 50 da IN SRF no 460/2004, art. 50, §2º da IN SRF 600/05, dentre outras atualizações, prevêem de forma expressa a restituição/compensação dos créditos aos interessados, desde que tenham sido cumpridos os requisitos ali discriminados, dentre os quais está o pedido ao órgão preparador, a comprovação da desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13817.000237/200399 Acórdão n.º 3201002.010 S3C2T1 Fl. 695 7 Portanto, a procura da via administrativa é opção do autor vencedor da ação judicial – que pode executar judicialmente o título e implica, para esse fim, a obrigatoriedade do cumprimento das condições que essa via administrativa exige. Assim sendo, não restou comprovado o pedido que tem por fundamento indébitos tributários de Finsocial que teriam sido reconhecidos em processo judicial, na referida ação de indébito, pela ausência de atendimento às exigências, via administrativa, que é a forma de controle pela Receita Federal e daí, a não homologação da compensação em foco. Não há reforma no julgamento de primeira instância que está por bem fundamentado. Conclusão Por todo o exposto, afasto preliminar e nego provimento ao recurso voluntário. Em sendo assim, apresentou o Sujeito Passivo embargos a esta decisão, alegando omissão quanto à inadequação da Súmula n° 405 do STF à hipótese dos autos; bem como (omissão) ausência de pronunciamento sobre os argumentos relacionados ao atendimento da IN SRF n° 21/1997. Vide trechos específicos das matérias questionadas: Preliminar Inicialmente, antes da análise de mérito, não há que se falar na homologação de compensações, pois com a reforma da AO de n° 96.00395497 (extinto processo sem análise de mérito), tornamse sem efeito os atos praticados com base judicial. Temse que a reforma da liminar concedida, seja em antecipação de tutela, seja mandado de segurança ou qualquer outro provimento judicial provisório faz com que todos os atos praticados com base em tal determinação percam os seus efeitos, nos termos da Súmula 405 do STF: ......... A Instrução Normativa nº 21, de 1997, vigente à época dos fatos, determinava: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação, rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamentos de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (...) Fl. 698DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 §6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. Observase que o, tanto a IN SRF no 21/97 (art. 17), como a IN SRF no 210/2002 (art. 37, §§ 2o a 4o), que revogou a anterior, art. 50 da IN SRF no 460/2004, art. 50, §2º da IN SRF 600/05, dentre outras atualizações, prevêem de forma expressa a restituição/compensação dos créditos aos interessados, desde que tenham sido cumpridos os requisitos ali discriminados, dentre os quais está o pedido ao órgão preparador, a comprovação da desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. Portanto, a procura da via administrativa é opção do autor vencedor da ação judicial – que pode executar judicialmente o título e implica, para esse fim, a obrigatoriedade do cumprimento das condições que essa via administrativa exige. Percebese que o voto foi no sentido de que a embargante não tinha título judicial (extinto processo sem análise de mérito), tampouco não preenchia os condicionantes administrativos, hábeis, ao direito à compensação. Com a devida vênia, não há que se falar em omissão ou omissões no referido acórdão, fundado que está em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide, não obstante ter sido de forma sucinta. Se a embargante não se conforma com aludido entendimento, tem a seu dispor a possibilidade de interpor recurso especial, como faculta o artigo 67 do anexo II do Regimento do CARF. Feitas as considerações supra, voto no sentido de conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração opostos pela Brasken, tendo em vista que ambas as matérias foram tratadas no acórdão. Destarte, não se acolhem os embargos de declaração, por omissão a que alude a embargante, quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Da conclusão Diante do exposto, voto para que seja conhecido e rejeitado o recurso formulado pela embargante. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 699DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13817.000237/200399 Acórdão n.º 3201002.010 S3C2T1 Fl. 696 9 Declaração de voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Da análise das razões de Embargos de Declaração formuladas pela Embargante, tenho que estes devem ser acolhidos, uma vez tratarse de questão relativa à adoção de premissa fática equivocada pelos julgadores. Como bem relatado pela i. Conselheira Relatora, "a Braskem sustenta que existem omissões, relativamente a ausência de pronunciamento sobre a inaplicabilidade da Súmula 405 do STF". De acordo com o respeitável entendimento proferido no voto vencedor, a omissão indicada pela Embargante não existiria, uma vez que a matéria em questão foi analisada no seguinte trecho do acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário: Preliminar Inicialmente, antes da análise de mérito, não há que se falar na homologação de compensações, pois com a reforma da AO de n° 96.00395497 (extinto processo sem análise de mérito), tornamse sem efeito os atos praticados com base judicial. Temse que a reforma da liminar concedida, seja em antecipação de tutela, seja mandado de segurança ou qualquer outro provimento judicial provisório faz com que todos os atos praticados com base em tal determinação percam os seus efeitos, nos termos da Súmula 405 do STF: DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA PELA SENTENÇA, OU NO JULGAMENTO DO AGRAVO, DELA INTERPOSTO, FICA SEM EFEITO A LIMINAR CONCEDIDA, RETROAGINDO OS EFEITOS DA DECISÃO CONTRÁRIA. Pois bem, a verificação fiscal com fins de quantificar os créditos relativos à compensação determinada pela liminar no processo 96.00395497, só se poderia falar em homologação se o processo em questão alcançasse o trânsito em julgado, o que não ocorreu; também não se poderia falar que as considerações que levaram o Judiciário a concluir pela extinção do processo sem julgamento de mérito ratificariam a compensação. Logo, rejeitase a homologação expressa da compensação em litígio. Com efeito, vislumbro que, a despeito de ser inexistente a omissão aventada pela Embargante em suas razões, uma vez que houve, claramente, a opção pela aplicação da Súmula 405 do STF, entendendo ter ocorrido a adoção de premissa fática equivocada pelos julgadores. O equívoco observado diz respeito aos efeitos de decisão judicial que julga extinto processo sem julgamento de mérito ou com julgamento de mérito. Tal equívoco advém ainda da decisão de primeira instância administrativa: Fl. 700DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 Como é cediço, a reforma da liminar concedida em antecipação de tutela, mandado de segurança ou qualquer outro provimento judicial provisório faz com que todos os atos praticados com base em tal determinação percam os efeitos. Nesse aspecto, sábia é a Súmula 405 do STF. Pois bem. A questão crucial, portanto, seria definir se, no caso concreto, a diretriz contida na referida Súmula 405 do STF é ou não aplicável à situação concreta examinada nos autos. Para tanto, é preciso distinguir, em termos conceituais, os efeitos das decisões judiciais no que diz respeito à extinção do processo com ou sem julgamento de mérito. Para efeitos didáticos, lêse primeiramente a definição do Código de Processo Civil quanto à resolução de mérito: Art. 269. Haverá resolução de mérito: I quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor; II quando o réu reconhecer a procedência do pedido; III quando as partes transigirem; IV quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição; V quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. Notase que em todas as situações descritas pelo legislador ocorre o reconhecimento acerca da existência ou não de um direito controvertido. O processo encerrase com uma manifestação judicial de valor. Já na ausência de resolução do mérito, não é feita qualquer preciação aerca da existência ou não do direito controvertido. Tratase de uma decisão de natureza essencialmente processual. Encerrase apenas o processo, mas sequer se adentra à discussão acerca do direito controvertido. Vejase a definição do Código de Processo Civil: Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: I quando o juiz indeferir a petição inicial; Il quando ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III quando, por não promover os atos e diligências que Ihe competir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; IV quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; Vl quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; Fl. 701DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13817.000237/200399 Acórdão n.º 3201002.010 S3C2T1 Fl. 697 11 Vll pela convenção de arbitragem; Vlll quando o autor desistir da ação; IX quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal; X quando ocorrer confusão entre autor e réu; XI nos demais casos prescritos neste Código. Feita tal distinção conceitual, passase à análise fática do caso concreto. A Embargante ajuizou Ação Ordinária nº 96.00395497 requerendo o reconhecimento do seu direito à compensação de crédito tributário reconhecido na Ação de Repetição de Indébito nº 93.00043501. Frisese, no momento da propositura da ação, é certo, a Embargante já possuía o seu direito creditório devidamente reconhecido nos autos da Ação de Repetição de Indébito nº 93.00043501. Em sede da Ação Ordinária nº 96.00395497 foi inicialmente concedida antecipação dos efeitos da tutela autorizado a ora Embargante à "compensar os valores recolhidos à título de FINSOCIAL (...) com as parcelas vincendas das contribuições da Contribuição Social sobre o faturamento COFINS". Essa decisão foi confirmada por sentença. Posteriormente, já em sede de Recurso de Apelação, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região houve por bem julgar extinto o processo, sem julgamento do mérito, nos termos do art. 267, inciso VI do Código de Processo Civil (supra) por entender que a Embargante não teria interesse processual, uma vez que o direito à compensação pretendido lhe era assegurado por lei, sendo desnecessária a intervenção judicial. Em termos práticos, o que ocorreu com a extinção do processo sem resolução de mérito foi a anulação das decisões anteriormente proferidas. Não houve exame acerca da procedência ou não do pedido, não houve vencedor ou vencido. Restaurouse o status quo existente antes mesmo da propositura da ação. Situação bem diferente é aquela analisada pela Súmula 405 do STF, que diz respeito à decisões de mérito, decisões que, necessariamente, trazem juízo de valor acerca do objeto da ação (procedência ou não do pedido). Nessa situação de exame de mérito, revogar uma decisão que reconhecera a existência de um direito é o mesmo que reconhecer a não existência desse direito. Essa não é, efetivamente, a situação dos autos. Assim, diferentemente do que me parece ter restado compreendido pelas decisões anteriores, a revogação da decisão judicial que autorizara a compensação por decisão extintiva sem julgamento de mérito não se converte no indeferimento do direito à compensação. Como não houve decisão judicial de mérito, não há falar em reconhecimento ou negativa do direito à compensação. Ou seja, com a extinção do processo sem julgamento do mérito, a Embargante retornou à situação em que (i) possuia uma decisão judicial que lhe reconhecera a existência de um crédito tributário (Ação de Repetição de Indébito nº 93.00043501), e em que Fl. 702DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 (ii) existia lei que lhe autorizava efetuar a compensação de tais créditos por via administrativa (Lei nº 8.383/91). Todo o pedido de compensação realizado pela Embargante deve ser analisado à luz da legislação vigente à época (Lei nº 8.383/91), sendo irrelevante e desnecessário abordar qualquer aspecto relativo às decisões judiciais proferida na Ação Ordinária nº 96.00395497, extinta sem resolução de mérito. Feitas as considerações supra, voto no sentido de conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Embargante, para a correção de premissa fática equivocada na qual se baseou a decisão embargada, de modo a se excluir qualquer menção à aplicação da Súmula 405 do STF, visto que inaplicável à espécie. (assinado digitalmente) TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Fl. 703DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000363/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
PIS E COFINS. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA, PELA DESTILARIA, DE ÁLCOOL CARBURANTE. INCIDÊNCIA CUMULATIVA, NO PERÍODO FISCALIZADO, EM RAZÃO DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO LEGAL. ADEQUAÇÃO DO LANÇAMENTO AO MONTANTE APURADO PELA FISCALIZAÇÃO APÓS A DILIGÊNCIA
A evolução da legislação relativa à incidência do PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes da venda de álcool carburante evidenciam que as contribuições, no ano de 2004, deveriam ser calculadas sob a sistemática da cumulatividade. Correta a Fiscalização nesse sentido.
Tendo em vista a existência de valores recolhidos, porém sob a sistemática de apuração equivocada, o valor lançado deve ser adequado ao montante apurado pela Fiscalização após a diligência determinada por este E. CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.405
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir o crédito tributário conforme os cálculos realizados pela Fiscalização em resposta à diligência.
Nome do relator: maria do Socorro ferreira Agiar Redator ad hoc
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 PIS E COFINS. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA, PELA DESTILARIA, DE ÁLCOOL CARBURANTE. INCIDÊNCIA CUMULATIVA, NO PERÍODO FISCALIZADO, EM RAZÃO DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO LEGAL. ADEQUAÇÃO DO LANÇAMENTO AO MONTANTE APURADO PELA FISCALIZAÇÃO APÓS A DILIGÊNCIA A evolução da legislação relativa à incidência do PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes da venda de álcool carburante evidenciam que as contribuições, no ano de 2004, deveriam ser calculadas sob a sistemática da cumulatividade. Correta a Fiscalização nesse sentido. Tendo em vista a existência de valores recolhidos, porém sob a sistemática de apuração equivocada, o valor lançado deve ser adequado ao montante apurado pela Fiscalização após a diligência determinada por este E. CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir o crédito tributário conforme os cálculos realizados pela Fiscalização em resposta à diligência. Ricardo Paulo Rosa - Presidente Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redator ad hoc Fl. 513DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 15956.000363/2008-99 Acórdão n.º 3102-002.405 S3-C1T2 Fl. 514 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Adoto, em razão de retratar a realidade dos autos, o relatório utilizado pela D. Delegacia de origem no julgamento da Impugnação, ocasião em que o lançamento foi considerado procedente: “A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 03/11) e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 12/20), períodos de apuração de janeiro a junho de 2004, exigindo-se-lhe crédito tributário no valor total de R$1.829.782,67 (fl. 01). O enquadramento legal encontra-se às fls. 08, 11, 17 e 20. De acordo com relato fiscal, a interessada deixou de recolher a Cofins e o PIS incidente sobre o faturamento decorrente da venda de álcool para fins carburantes, que estavam submetidos à sistemática da cumulatividade. Cientificada do lançamento, em 19/11/2008 (fls. 04 e 13), a autuada apresentou, em 17/12//2008 (fl. 86), por seus procuradores, Gustavo Sampaio Vilhena e Cláudio S. Ricca Della Torre, conforme instrumento de fl. 94, impugnação ao lançamento (fls. 86/93), requerendo, em síntese, considerar não procedente o auto de infração. Em suas razões de pedir alegou que: a) A empresa cumpriu a legislação então vigente que foi alterada somente em 1º de agosto de 2004, pela Lei n° 10.865, art. 27 e 37, que deram nova redação ao art. 1º, § 3º, IV, da Lei n° 10.637/02 e da Lei n° 10.833/03, para excluir as receitas de venda de álcool carburante da sistemática não cumulativa das contribuições para a Cofins e para o PIS; b) A própria RFB assim entendeu em diversas soluções de consultas publicadas no DOU, em datas que cita; c) A alteração pela RFB da interpretação dos critérios jurídicos da incidência da contribuição (ADI SRF n° 01, de 13 de janeiro de 2005, que expressa o entendimento de que as receitas das vendas de álcool carburante das usinas e destilarias sempre estiveram sujeitas ao regime cumulativo das contribuições para a Cofins e para o PIS), deve respeitar o art. 146 do CTN, sendo aplicável a partir dos fatos geradores posteriores à sua introdução; Fl. 514DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 15956.000363/2008-99 Acórdão n.º 3102-002.405 S3-C1T2 Fl. 515 3 d) A fiscalização deixou de verificar os pagamentos das contribuições pela sistemática não cumulativa, que deveriam ser considerados para amortizar os valores devidos pela sistemática cumulativa, não podendo lançar os acréscimos legais sobre referidas parcelas; e) Igualmente, deixou de considerar os valores declarados pela sistemática não cumulativa, com valores amplamente superiores aos agora constituídos.” Concluído o relatório, a Delegacia de origem decidiu pela manutenção do crédito tributário, por entender, (i) com base na legislação de regência, que as receitas de venda de álcool carburante, no período autuado, estavam inseridas, por expressa determinação legal, no sistema cumulativo de apuração do PIS e da COFINS; (ii) que as Soluções de Consulta citadas pela Contribuinte não vinculavam a Delegacia, pois envolviam outras empresas; e (iii) que, quanto ao argumento contido na Impugnação, de que deveriam ser levados em consideração os valores recolhidos pela recorrente no regime não-cumulativo, “encontra-se à fl. 26, petição encaminhada ao órgão pela fiscalizada informando de sua impossibilidade de determinar as parcelas recolhidas correspondentes tributação do álcool carburante”, razão pela qual não haveria como determinar-se a compensação dos valores. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2004 ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTE A receita auferida pela pessoa jurídica produtora de álcool para fins carburantes não está sujeita à incidência não cumulativa da Cofins, desde 1° de fevereiro de 2004 (inicio da vigência da Lei n° 10.833, de 2003). NÃO CUMULATIVIDADE. A pessoa jurídica deve, como regra, apurar a Cofins não cumulativa em relação ao total das receitas auferidas, exceto em relação àquelas que estejam expressamente excepcionadas desta sistemática pela legislação de regência, como é o caso especifico da receita decorrente da venda de álcool para fins carburantes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2004 ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTE A receita auferida pela pessoa jurídica produtora de álcool para fins carburantes não está sujeita à incidência não cumulativa do PIS/Pasep, desde 10 de dezembro de 2002 (inicio da vigência da Lei n° 10.637, de 2002). NÃO CUMULATIVIDADE. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 15956.000363/2008-99 Acórdão n.º 3102-002.405 S3-C1T2 Fl. 516 4 A pessoa jurídica deve, como regra, apurar o PIS não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas, exceto em relação àquelas que estejam expressamente excepcionadas desta sistemática pela legislação de regência, como é o caso especifico da receita decorrente da venda de álcool para fins carburantes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário : 2004 COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES. As alegações desacompanhadas de provas que as corroborem devem ser desconsideradas no julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a interessada apresentou Recurso Voluntário tempestivo (intimação em 15/06/2010 e protocolo em 15/07/2010), no qual repisa os argumentos apresentados em impugnação, requerendo a declaração de nulidade do lançamento, argumentos que podem ser resumidos a dois pontos básicos: (i) nulidade em razão de as referidas contribuições, à época dos fatos geradores, estarem submetidas ao regime não-cumulativo de apuração; (ii) nulidade em razão de a Fiscalização ter desconsiderado o que foi recolhido por ela no regime não- cumulativo, caso se entenda que as contribuições devessem ser recolhidas tendo por base as alíquotas da cumulatividade. Distribuído o feito a esta C. Turma Julgadora, foi o processo submetido a julgamento na assentada de 20/03/2012, ocasião em que essa Turma concluiu que, de fato, as receitas decorrentes da venda de álcool carburante estavam excluídas da não-cumulatividade, no período abrangido pela Fiscalização, por expressa determinação legal. Porém, essa C. Turma determinou diligência para que “observando as alegações do contribuinte que realizou o recolhimento sob a sistemática cumulativa, bem como as DACON’s apresentadas no presente recurso, converte-se o presente em diligência, para que os autos retornem a unidade de origem e seja apurado o montante recolhido de PIS e Cofins no período.” Em razão da diligência, a Fiscalização intimou a recorrente e, após a entrega de documentos, apurou as diferenças relativas ao PIS e a COFINS nos montantes de R$ 68.161,96 e R$ 307.480,42, reduzindo o lançamento de R$ 771.758,06 para R$ 375.642,38 (com relação ao crédito principal, excluídos juros e multa). O demonstrativo de apuração encontra-se às fls. 06/08 da Informação Fiscal. Intimada, a recorrente apresentou Resposta à conclusão da diligência, discordando do resultado apresentado pela Fiscalização, por entender que, como afirmado pela própria Fiscalização, “que não se pode exigir do contribuinte valores do PIS e da COFINS já declarados, sob pena de, se assim fizer, incorrer na previsão de enriquecimento sem causa da União, sendo de todo imperioso a correção dos valores lançados para que se ajustem às diferenças declaradas pela recorrente”. Em decorrência do retorno do processo ao CARF, e do Ilmo. Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho não mais integrar essa Turma Julgadora, os autos foram a mim distribuídos, e agora submetidos novamente a julgamento. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 15956.000363/2008-99 Acórdão n.º 3102-002.405 S3-C1T2 Fl. 517 5 É o relatório. Passo a votar. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 512, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, incumbiu-me o Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de redigir o presente acórdão. Ressalte-se que a relatora original disponibilizou à secretaria da Primeira Câmara o relatório e a ementa acima transcritos, bem como o voto, que será aqui igualmente aproveitado. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Dessa forma, adoto o voto entregue pela relatora original, Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, vazado nos seguintes termos: Conforme visto, a controvérsia travada nos autos cinge-se à definição de dois pontos básicos: primeiramente, deve-se definir o regime de apuração a que estava submetida a recorrente, à época dos fatos geradores (janeiro a junho de 2004) no que diz respeito ao PIS e à COFINS, quanto às receitas decorrentes da comercialização de álcool para fins carburantes. Enquanto a Fiscalização afirma que a recorrente deveria ter apurado e recolhido as contribuições pela sistemática cumulativa, a recorrente afirma que, no período, estava submetida à não-cumulatividade. Em um segundo momento, deve-se considerar se a apuração feita pela Fiscalização, em razão do recolhimento de valores sob a sistemática errada (se for o caso), estão corretos, tendo em vista a alegação da recorrente, em resposta à conclusão da diligência, de que não podem ser exigidos valores “declarados” a tempo e modo corretos. Ainda que essa C. Turma tenha chegado à conclusão, na assentada de 20/03/2012, de que a recorrente estava submetida à cumulatividade no período dos fatos geradores, essa Relatora sentiu a necessidade de analisar a legislação de regência, quanto à cadeia de produção e comercialização de combustíveis de uma forma geral, para definição da questão. Em 30/08/02 sobreveio a MP nº. 66/02, posteriormente convertida na Lei nº. 10.637/02, que alterou a sistemática de apuração do PIS de cumulativa para não- cumulativa, para todas as Pessoas Jurídicas sujeitas ao recolhimento do Imposto de Renda pela sistemática do Lucro Real, majorando ainda sua alíquota de 0,65% para 1,65%. Apesar do aumento da alíquota, o surgimento da não-cumulatividade para o PIS significou a possibilidade de o Contribuinte abater determinados créditos dos débitos fiscais referentes ao montante a ser recolhido a título da contribuição, créditos estes correspondentes a bens e serviços considerados insumos, despesas e custos, todos determinados pelo art. 3º da referida lei. Em 31/10/03, com o advento da MP nº. 135/03 (posteriormente convertida na Lei nº. 10.833/03), a mesma sistemática de apuração não-cumulativa criada para o PIS foi determinada para a COFINS, que teve sua alíquota majorada de 3% para 7,6%, sendo que o art. 3º da Lei nº. 10.833/03 possui redação semelhante a do artigo 3º da Lei nº. 10.637/02, acima transcrito, permitindo, portanto, o abatimento dos mesmos créditos do montante a ser pago a título desta contribuição. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 15956.000363/2008-99 Acórdão n.º 3102-002.405 S3-C1T2 Fl. 518 6 Importante frisar que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 determinavam que todas as receitas submetidas à incidência monofásica ou à substituição tributária sujeitavam-se ao regime cumulativo de apuração (redação original do inc. IV, § 3º do art. 1º): Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) IV - de venda dos produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e nº 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição. Importante frisar que os produtos de que trata a Lei nº 9.990/2000 são: gasolina (exceto gasolina de aviação); óleo diesel; gás liquefeito de petróleo e; álcool para fins carburantes. Portanto, em um primeiro momento, as receitas decorrentes da venda de álcool para fins carburantes estava expressamente excluídas da não-cumulatividade. Posteriormente, com a edição da Lei nº 10.865/04, que alterou as Leis 10.637/02 e 10.833/03, foram incluídas no regime não-cumulativo várias receitas, tendo sido mantida a exceção para as receitas decorrentes de álcool para fins carburantes: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) IV – de venda de álcool para fins carburantes.” (Redação dada pela Lei n.º 10.865/04) Percebe-se, portanto, pela redação do inciso IV, determinada pela Lei nº 10.865/04, que várias receitas foram incluídas na não-cumulatividade, enquanto o legislador optou por manter as receitas decorrentes da venda de álcool carburante na sistemática cumulativa. Assim, apenas em um terceiro momento, mais precisamente com o advento da Lei nº 11.727/08, é que as receitas decorrentes da venda de álcool para fins carburantes foram incluídas no regime não-cumulativo, conforme pode ser visto da redação do mencionado inciso IV do art. 1º da Lei 10.833/03: Fl. 518DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 15956.000363/2008-99 Acórdão n.º 3102-002.405 S3-C1T2 Fl. 519 7 Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) IV - de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) Portanto, foi apenas com o advento da Lei nº 11.727/08 que as receitas decorrentes do álcool para fins carburantes passaram a integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS apuradas sob o regime da não-cumulatividade. Tendo em vista que os fatos geradores fiscalizados dizem respeito ao período compreendido entre janeiro e junho de 2004, muito antes do advento da Lei nº 11.727/08, reputo correta a Fiscalização ao considerar que a recorrente, no referido período, deveria ter classificado tais receitas como se cumultivas fossem, pois expressamente excluídas da possibilidade de gerarem débitos compensáveis com os créditos previstos em lei. Superada tal questão, cumpre decidir que há razão no argumento da recorrente, apresentado após a diligência que resultou na redução do lançamento em praticamente cinqüenta por cento do valor originalmente exigido, de que a cobrança não poderia prosperar em razão dela ter declarado os respectivos valores. Ora, como muito bem lembrou a Fiscalização no relatório da diligência, o que importa, para apuração dos valores ainda devidos pela empresa, não são os valores “declarados” no regime de apuração não-cumulativo, mas sim os valores efetivamente recolhidos, após o abatimentos dos créditos relativos a custos, insumos e despesas apurados à época pela recorrente. Veja, nesse sentido, que andou bem a Fiscalização durante a diligência determinada por esse E. CARF, tendo considerado, verbis: “12. Quando se debruça sobre os cálculos da contribuinte, verifica-se que a empresa, de forma simplória, aplicou a alíquota de 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS sobre as receitas totais do mercado interno (não apenas sobre as receitas de álcool carburante) do período e comparou com os valores cobrados no auto de infração, que foram apurados mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% e 3% sobre as receitas de álcool carburante. Dessa forma, encontrou valores pelo sistema não-cumulativo bem superiores aos do sistema cumulativo. 13. A contribuinte demonstra desconhecer completamente as legislações relativas às sistemáticas não-cumulativas e cumulativas do PIS e da COFINS. Mesmo que tivesse aplicado as alíquotas de 1,65% e 7,6% sobre as receitas de álcool carburante e comparado com os valores lançados no auto de Fl. 519DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art1§3iv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art1§3iv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/413.htm#art19 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/413.htm#art19 Processo nº 15956.000363/2008-99 Acórdão n.º 3102-002.405 S3-C1T2 Fl. 520 8 infração, ainda assim a Viralcool estaria efetuando apuração incorreta dos valores PIS e COFINS pela sistemática não- cumulativa, pois só utilizou valores de receitas, esquecendo-se de que as legislações do PIS não-cumulativo e da COFINS não- cumulativa preceituam que, na apuração dos valores das contribuições devidas de cada período, deve-se efetuar o desconto de créditos sobre os valores dos custos, despesas e encargos previstos na legislação. Além disso, deve-se ter em conta que a legislação possibilita aos contribuintes, na apuração do valor mensal devido, o aproveitamento de eventuais saldos credores obtidos em períodos de apuração anteriores. 14. É importante, também, informar que a alegação da contribuinte de que foram lançados no auto de infração valores de contribuições apurados sobre receitas de álcool para outros fins é totalmente improcedente. Basta efetuar uma simples verificação nos dados das receitas presentes no demonstrativo de apuração do Fisco de fls. 11 para se concluir que correspondem exatamente às receitas de álcool carburante fornecidas pela própria empresa nos demonstrativos de fls. 262/263 e que também podem ser checados nos balancetes da contribuinte inseridos às fls. 264/269, ou ainda às fls. 110 e 112 do presente processo. Ou seja, o lançamento fiscal foi efetuado corretamente, tendo sido apuradas as contribuições de COFINS e PIS lançadas no auto de infração mediante a aplicação dos percentuais de 3% e 0,65% sobre as receitas de álcool carburante. 15. Passemos então à apuração dos valores não-cumulativos de PIS e COFINS correspondentes ao álcool carburante que foram indevidamente pagos pela contribuinte no período objeto do auto de infração.” Importante frisar que, às fls. 03 de 08, o relatório de fiscalização colaciona tabela elaborada em razão da diligência, contendo os valores declarados e recolhidos/compensados para o período, sendo que, às fls. 05 de 08, traz nova tabela contendo inconsistência verificadas entre os valores declarados em DCTF e os valores constantes das DACONs entregues pela própria empresa. Tais fatos, somados à impugnação genérica e desprovida de qualquer comprovação documental apresentada pela contribuinte após a diligência, demonstram o acerto com que a Fiscalização realizou a diligência, nos termos da determinação contida na Resolução proferida por esse E. CARF. Com base nesses fundamentos a relatora original julgou parcialmente procedente o recurso voluntário, sendo acompanhada pela unanimidade do Colegiado, e esse é o acórdão que me coube redigir. Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 520DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 15956.000363/2008-99 Acórdão n.º 3102-002.405 S3-C1T2 Fl. 521 9 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000027/2006-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Havendo pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 9101-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e negado provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Prazo. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IGUATEMI EMPRESA DE SHOPPING CENTERS S. A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Havendo pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e negado provimento. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 27 /2 00 6- 81 Fl. 3706DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000027/200681 Acórdão n.º 9101002.154 CSRFT1 Fl. 3.671 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em 31/08/2011 (efls. 3291/3299), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 130200.056, de 27/08/2009, por meio do qual foi dado provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de reconhecer a decadência referente ao IRPJ/CSLL (FG 2000) e PIS/COFINS (FG até outubro de 2001), e também excluir a glosa referente às despesas com aeronave. O Acórdão nº 130200.056 contém a ementa e a parte dispositiva que estão descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. Não tendo sido identificada ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também não havendo omissão do contribuinte que impedisse que o fisco pudesse ter conhecimento da ocorrência dos fatos geradores dos tributos objeto de lançamento, aplicase o prazo previsto no art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM ARRENDAMENTO MERCANTIL DE AERONAVE. Demonstrado pelo contribuinte por indícios congruentes a necessidade da despesa, cabe ao fisco aprofundar a investigação para demonstração da falta do atributo e conseqüente glosa da despesa. Fl. 3707DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000027/200681 Acórdão n.º 9101002.154 CSRFT1 Fl. 3.672 3 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao CARF afastar Lei vigente, válida e eficaz no sistema jurídico. CONTRATOS DE MÚTUO INTERNACIONAL NA MOEDA REAL. EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS PELA CONTROLADORA SITUADA NO BRASIL PARA A CONTROLADA SITUADA NO EXTERIOR. CONTRATOS NÃO REGISTRADOS NO BACEN. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DA LEGISLAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA VIGENTE NA DATA DA APROPRIAÇÃO DOS RENDIMENTOS. No caso de mútuo celebrado na moeda Real com pessoa jurídica vinculada situada no exterior cuja contabilidade é registrada em Dólar, em operação não registrada no BACEN, a mutuante, domiciliada no Brasil, deverá reconhecer, como receita financeira correspondente à operação, no mínimo, o valor dos juros e o ganho com variação cambial (pois, para o Fisco o contrato in casu considerase efetuado na moeda Dólar), tudo consoante a legislação dos preços de transferência, a qual tem por escopo, em suma, que nas operações internacionais entre pessoas jurídicas vinculadas seja observado o principio arm's length, vale dizer, que essas operações reflitam o preço do mercado internacional, praticado pelas empresas independentes (Lei 9.430/96, art. 22, 1°). CONTRATOS DE MÚTUO INTERNACIONAL. EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS PELA CONTROLADA SITUADA NO EXTERIOR PARA A CONTROLADORA SITUADA NO BRASIL. CONTRATOS REGISTRADOS NO BACEN. EXISTÊNCIA DE LUCROS ACUMULADOS NO BALANÇO DA CONTROLADA E NÃO DISPONIBILIZADOS. GLOSA DOS JUROS E GLOSA DA VARIAÇÃO CAMBIAL. Na hipótese de contratação de operações de mútuo pela controladora no Brasil, junto a mutuante coligada ou controlada no exterior que possuir lucros ou reservas de lucros não distribuídos, não serão dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido os juros, relativos a esses empréstimos, pagos ou creditados a empresa controlada ou coligada domiciliada no exterior, incidentes sobre valor equivalente aos lucros não disponibilizados. Além disso, não serão dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL as perdas com variação cambial, por desnecessidade da despesa (Lei n° 9.352, art. 1º, § 1º , "c" e § 3º, com redação dada pela Lei 9.959/2000, art. 3º, e RIR/99, arts. 299 e 300). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência referente ao IRPJ e CSLL (FG 2000) e PIS e Cofins (FG até outubro de 2001), dar provimento ao recurso voluntário para excluir a glosa referente às despesas com aeronave. Fl. 3708DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000027/200681 Acórdão n.º 9101002.154 CSRFT1 Fl. 3.673 4 Vale registrar que a contribuinte apresentou embargos de declaração contra a decisão acima referida. O julgamento desses embargos deuse pelo Acórdão nº 1302001.146, de 06/08/2013, que sanou vício de omissão, sem, contudo, produzir efeitos infringentes em relação à decisão anterior. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à definição do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: expôs o acórdão recorrido, como matéria preliminar, que, ante o fato dos tributos constituídos serem sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, independentemente da existência de pagamento antecipado; ao declarar a decadência do direito ao lançamento da Fazenda Pública, com apoio na aplicação do disposto no art. 150, § 4°, do CTN, independentemente da existência de pagamento antecipado, o acórdão recorrido colide frontalmente com a jurisprudência consolidada no âmbito desse Conselho e do Superior Tribunal de Justiça, notadamente no que tange a aplicabilidade do art. 173, I, do CTN, nas hipóteses em que, embora o tributo esteja sujeito à sistemática do lançamento por homologação, não há qualquer pagamento antecipado por parte do sujeito passivo; para satisfazer a exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, invocamos alguns precedentes que, para as hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo, atestam a incidência do prazo previsto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; passamos a transcrever as ementas dos acórdãos nºs CSRF/0203331 e 202 18684 como paradigmas (cópias das ementas em anexo): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1994 a 31/08/1995, 01/11/1995 a 29/02/1996, 01/08/1998 a 31/05/1999, 01/08/1999 a 31/03/2000, 01/07/2000 a 30/09/2000. [...] PIS PRAZO DECADENCIAL Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, havendo pagamentos, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4º, do CTN, de modo que o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Não havendo pagamentos, configurase a Fl. 3709DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000027/200681 Acórdão n.º 9101002.154 CSRFT1 Fl. 3.674 5 situação em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, com a decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. (Precedentes do STJ REsp nº 58.9185/RJ, REsp nº 199560/SP). [...] enquanto o acórdão recorrido entende que quanto aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente se aplica o artigo 150, § 4°, do CTN, os acórdãos paradigmas advogam que, a depender da existência de pagamento antecipado, deve ser aplicado ou o art. 150, § 4° do CTN, ou o art. 173, I, também do CTN; no caso em apreço, não houve pagamento antecipado de tributo pelo contribuinte quanto aos créditos de IRPJ e outros tributos. Destarte, como a ciência do auto de infração ocorreu em 01/11/2006, e o prazo decadencial para os fatos geradores mais remotos iniciouse em 01/01/2002, tendo seu termo final em 01/01/2007, é descabido, portanto, cogitar de decadência no presente processo. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN (efls. 3309/3312), o Presidente da 3ª Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 214, de 16/11/2011, admitiu o recurso especial fazendo as seguintes considerações sobre a divergência suscitada: [...] Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegou se a conclusões distintas. Segundo se depreende do voto do relator do acórdão recorrido , a contagem do prazo de decadência se dá pela aplicação do art. 150, § 4° do CTN, sendo indiferente a ausência ou não de recolhimento antecipado do tributo. Em sentido inverso é o entendimento dos acórdãos paradigmas, qual seja, em se tratando de lançamento de oficio, e não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial é contado pela regra estabelecida no art. 173, inciso I do CTN. Em 29/05/2012, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN (efls 3403), e em 12/06/2012 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso (efls. 3409/3416), com os argumentos descritos a seguir: o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não merece ser provido, devendo ser mantido incólume o acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no que tange ao reconhecimento da decadência do IRPJ e da CSLL referentes ao anobase de 2000; as alegações expostas no recurso especial não condizem com a realidade, motivo pelo qual esta E. CSRF deverá negar o seu provimento; Fl. 3710DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000027/200681 Acórdão n.º 9101002.154 CSRFT1 Fl. 3.675 6 conforme se pode observar da ficha 12A da DIPJ, referente ao ano base de 2000 (doc. anexo), constatase que ao longo do anocalendário em tela a contribuinte efetuou pagamentos por estimativas no valor de R$ 353.345,83; no referido anobase, a contribuinte também recolheu estimativas de CSLL, conforme comprovam, de forma ilustrativa, algumas guias de pagamento abaixo relacionadas (docs. anexos); os argumentos trazidos pela recorrente, no sentido de que não houve pagamento antecipado não estão de acordo com as provas trazidas pela recorrida, que revelam a existência de pagamentos do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2000; restando comprovado pela recorrida o pagamento antecipado do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2000, é evidente que o acórdão recorrido deve ser mantido incólume, restando mantido o reconhecimento da decadência referente aos tributos em questão, nos termos do artigo 150, parágrafo 4°, do CTN e, conseqüentemente, negado provimento ao recurso especial da PGFN. É o relatório. Fl. 3711DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000027/200681 Acórdão n.º 9101002.154 CSRFT1 Fl. 3.676 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. As autuações fiscais decorreram da constatação de várias infrações que estão assim indicadas no auto de infração de IRPJ: 001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS 002 GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS 003 REAVALIAÇÃO DE BENS INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS 004 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES 005 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL 006 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL EXTERIOR 007 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS 008 ADIÇÕES PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NÃO ADIÇÃO PARCELA JUROS RECEBIDOS MÚTUO C/ PF/PJ RESIDENTE OU DOMICILIADA EM PAIS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA O lançamento reflexo da CSLL seguiu os mesmos itens do IRPJ. Já o lançamento a título de PIS e COFINS foi realizado apenas para o item "008" acima. A apuração de IRPJ/CSLL se deu pelo regime do lucro real anual, enquanto que as contribuições PIS/COFINS foram apuradas sobre bases de cálculo mensais (receita bruta mensal). A ciência dos autos de infração ocorreu em 13/11/2006. O litígio que remanesceu para essa fase de recurso especial diz respeito à decadência, abrangendo especificamente o fato gerador de IRPJ/CSLL do anocalendário 2000 Fl. 3712DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000027/200681 Acórdão n.º 9101002.154 CSRFT1 Fl. 3.677 8 (ocorrido em 31/12/2000), e o fato gerador de PIS/COFINS do mês de dezembro/2000 (também ocorrido em 31/12/2000). Quanto à decadência, o entendimento manifestado na decisão de segunda instância administrativa aderiu à interpretação de que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN depende da presença ou ausência de pagamento (ainda que parcial), o que teria sido desconsiderado pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 3713DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000027/200681 Acórdão n.º 9101002.154 CSRFT1 Fl. 3.678 9 De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido reconheceu a decadência para o fato gerador de IRPJ/CSLL do anocalendário 2000 (ocorrido em 31/12/2000), e para o fato gerador de PIS/COFINS do mês de dezembro/2000 (também ocorrido em 31/12/2000). O texto da ementa da decisão recorrida não explicita completamente o fundamento para o reconhecimento da decadência. Nesse sentido, é importante transcrever o conteúdo do voto que orientou a referida decisão: Inicio pela análise da alegação de decadência. O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 1/11/2006 . O contribuinte entregou regularmente a declaração de imposto de renda e as declarações de contribuições e tributos federais. Não se cogitou no lançamento em aplicação de multa de oficio qualificada, tendo sido aplicada em relação a todos os fatos geradores a multa de oficio de 75%. Não se demonstrando omissão do contribuinte, havendo condição de conhecimento pelo fisco da ocorrência dos fatos geradores e não tendo sido aplicada a multa qualificada, a jurisprudência deste conselho tem se inclinado à aplicação do artigo 150 parágrafo 4° do CTN, ou seja, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e não se tendo demonstrado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e não tendo servido de base para a aplicação da penalidade os artigos 71 a 73 da lei 4502/64, deve se aplicar a regra de decadência do citado artigo e não a prevista no artigo a 173 do mesmo CTN. Seria diferente se, mesmo não tendo sido aplicada a multa qualificada, ficasse demonstrado omissões por parte do contribuinte que impedissem ou dificultassem ao fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo fisco. Não havendo aplicação da multa qualificada e não se demonstrando omissões do contribuinte que impedissem o fisco de ter conhecimento da ocorrência do fato gerador não vejo como aplicar o artigo 173 ao caso. Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000027/200681 Acórdão n.º 9101002.154 CSRFT1 Fl. 3.679 10 No caso concreto o fisco identificou bases de cálculo diversas das declaradas pelo contribuinte, o que o levou a pagar valores diferentes dos apurados pela autoridade fiscal. Isso, em meu ponto de vista, leva ao lançamento de oficio da diferença e este deve ser feito no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, reconheço a decadência em relação ao lançamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2000 (inclusive) e também, em relação ao Pis e da Cofins , para fatos geradores ocorridos até outubro de 2001. (grifos acrescidos) O voto que orientou a decisão recorrida informa expressamente que o contribuinte entregou regularmente as declarações de contribuições e tributos federais (DCTF); que o fisco identificou bases de cálculo diversas das declaradas pelo contribuinte; e que o contribuinte pagou valores diferentes dos apurados pela autoridade fiscal. Compulsando os autos, constatase ainda que o lançamento ocorreu apenas sobre as infrações apuradas. Ou seja, não houve lançamento sobre as bases de cálculo positivas de IRPJ/CSLL apuradas pelo próprio contribuinte, e nem sobre as receitas que já haviam sido por ele reconhecidas (PIS/COFINS), indicando claramente que esses tributos ou estavam pagos, ou pelo menos tinha sido declarados/confessados em DCTF. Do contrário, a autoridade fiscal teria realizado lançamento também sobre essas bases de cálculo. A conclusão é de que a contribuinte havia pago ou pelo menos confessado em DCTF os tributos em questão, o que implica na contagem da decadência pela regra do art. 150, §4º, do CTN, conforme o referido entendimento pacificado pelo STJ. Em reforço disso, a contribuinte trouxe em suas contrarrazões comprovantes de recolhimento de estimativas de IRPJ/CSLL para o ano de 2000. Registro, finalmente, que o Despacho da Delegacia de origem, às efls. 3327, informa que em relação aos débitos de PIS, incidentes sobre receitas financeiras, independente do decidido pelo Acórdão CARF, o crédito tributário foi extinto pela decisão judicial transitada em julgado nos termos do RE 490746, que afastou a aplicação do conceito de "faturamento" definido pelo art. 3° da Lei 9.718/1998. Assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000027/200681 Acórdão n.º 9101002.154 CSRFT1 Fl. 3.680 11 Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 10945.721386/2012-22
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 30/04/2009
MPF/ AUSÊNCIA DE NULIDADE
Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativo-gerencial, que não afeta o ato de lançamento lavrado posterior ao final do prazo de encerramento de fiscalização. Tanto que o MPF não tem o condão de interromper a decadência, como faz a ciência da NFLD que consubstancia o ato de lançamento do crédito tributário.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO
A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais.
Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores constantes em folhas de pagamento, correta a autuação.
Numero da decisão: 2803-003.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Oseas Coimbra Junior. Vencido o Conselheiro Gustavo Vettorato.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo
Relatora ad hoc na data da formalização.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator ad hoc na data da formalização.
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, FABIO PALLARETTI CALCINI, OSEAS COIMBRA JUNIOR (Redator), GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 30/04/2009 MPF/ AUSÊNCIA DE NULIDADE Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativo-gerencial, que não afeta o ato de lançamento lavrado posterior ao final do prazo de encerramento de fiscalização. Tanto que o MPF não tem o condão de interromper a decadência, como faz a ciência da NFLD que consubstancia o ato de lançamento do crédito tributário. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores constantes em folhas de pagamento, correta a autuação.
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Tanto que o MPF não tem o condão de interromper a decadência, como faz a ciência da NFLD que consubstancia o ato de lançamento do crédito tributário. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores constantes em folhas de pagamento, correta a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Oseas Coimbra Junior. Vencido o Conselheiro Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 13 86 /2 01 2- 22 Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização. HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, FABIO PALLARETTI CALCINI, OSEAS COIMBRA JUNIOR (Redator), GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10945.721386/201222 Acórdão n.º 2803003.872 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ, que manteve o crédito tributário oriundo de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos pela contribuinte a seus funcionários, apurados com base na folha de pagamentos, nos períodos de 03 a 04 de 2009. A ciência do auto de infração inaugural foi em 08.11.2012. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: nulidade do lançamento por irregularidades no MPF, não identificou a natureza das verbas pagas e que foram objeto de lançamento, que tais diferenças seriam oriundas de pagamentos de verbas de natureza não remuneratória, decadência pelo art. 150, §4º, do CTN, . Esse é o relatório. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto às alegações de irregularidade do MPF, entendo que o mesmo não vincula o lançamento, como remansosa jurisprudência do CARFMF, tratandose de procedimento meramente instrumental, sendo apenas o Auto de Infração instrumento indispensável para o lançamento presente. Ademais, é entendimento de ampla maioria dos julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, seguindo a orientação dos antigos Conselhos de Contribuintes, de que o Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativogerencial, que não afeta o lançamento de ofício. Isso porque o lançamento de ofício é o ato administrativo vinculado para constituição do crédito tributário, baseado na competência do agente, objeto/conteúdo, forma, finalidade e motivo, conforme determinado pela lei tributária de natureza ordinária, que não pode ser afastado por ato infralegal, que não lhe atribui tais efeitos. Tudo isso em observância ao artigos 100, 142, 145 e 149 do CTN. (Precedente: Acórdão n. 20219.208, de 03.06.2008, 2º CC/MF). Tanto que o MPF não tem o condão de interromper a decadência, como faz a ciência do Auto de Infração que consubstancia o ato de lançamento do crédito tributário. Ressaltase o fato que os atos do processo administrativo tributário federal, somente serão nulos no caso estabelecidos no art. 59, do Decreto n. 70235/1972 (com força de lei ordinária). Ou seja, a nulidade somente seria decretada nos caso que os atos e termos fossem lavrados por pessoa incompetente, ou despachos e decisões que preterissem a defesa ou apresentassem outra nulidade material. No caso, não houve qualquer preterição de defesa pelo MPF. Defesa que foi oportunizada, bem como em face da constituição do crédito. Logo, as alegações de nulidade em razão de irregularidades do MPF não merecem acolhimento. III Chamase atenção ao fato de que no lançamento apenas informa que havia diferenças entre o declarado em GFIP com as folhas de pagamento, contudo sequer apresenta um simples cálculo aritmético apontando o valor da GFIP e o total da folha de pagamentos. Ou seja, também deixou de analisar qual seria a verdadeira natureza de tais verbas Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10945.721386/201222 Acórdão n.º 2803003.872 S2TE03 Fl. 4 5 que seriam a origem da diferença. Isso foi anotado pela parte, restando apenas a fazer várias alegações sobre as naturezas de cada uma as rubricas. Entendo que a decisão a quo e a autoridade lançadora equivocaramse pois, nem no relatório fiscal nem em outros documentos dos autos, não há indicação das efetivas diferenças de dados. Inclusive, não informa devidamente quais foram as bases de confrontação entre o informado pelo contribuinte em GFIP e os supostos reais fatos geradores. E a razão está na própria preterição ao direito de defesa da Recorrente. Conforme o que dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/2010, o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Isso inclui o ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/172). O lançamento objeto da decisão recorrida deve preenche os requisitos da legalidade impostos pelo art. 142, do CTN, bem como da legislação ordinária, em especial o art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991 e Decreto n. 70.235/1971. Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988) “sendo, o lançamento, o ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, identificase o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplicase a penalidade cabível, nos termos da redação do art. 142 do CTN, certo é que do documento que formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos estes elementos, fazendose necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente” (PAUSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 3ª ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2001, p. 706 ). Observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec. 70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. ratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que alta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Dessa forma, está claro que com meras alegações circunstanciais, e com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente. IV Isso posto, meu voto é para CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, CONCEDENDO TOTAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10945.721386/201222 Acórdão n.º 2803003.872 S2TE03 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato dos conselheiros responsáveis pelos votos vencido e vencedor não mais integrarem o colegiado, fui designado AD HOC para redigir o voto vencedor. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Senhor Presidente, possuo entendimento diverso do que expressado pelo e. Relator. O relatório de Lançamentos e Relatório Fiscal, informam que se trata de diferenças apuradas entre o que declarado em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e o que apresentado na folha de pagamento, cujos valores não foram impugnados, restando assim incontroversos. As rubricas se referem a parte devida pelos segurados e estão devidamente descriminadas no auto lavrado. As fontes declaradas – GFIP e Folha de pagamento, são de exclusiva elaboração da empresa autuada, não havendo assim que se falar em falta de clareza no lançamento, pois as fontes dos mesmos estão devidamente delineadas e, repisase, elaboradas pelo próprio contribuinte, que não impugnou objetivamente os valores apurados. Assim sendo, não há reparo a ser efetivado na r. decisão, que deve ser mantida em sua inteireza. Conclusão: Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722396/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES.
O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio em operações societárias levadas a efeito apenas dentro do mesmo grupo econômico, sem alteração do controle das sociedades envolvidas, e sem comprovação de efetivo ônus para a adquirente da participação societária, constitui prova da artificialidade e da falta de fundamento econômico do ágio, tornando inválida a sua posterior amortização.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. PROVISÃO PARA AJUSTE DO VALOR DO ÁGIO. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. SUPOSTO ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. INEXISTÊNCIA.
Os fatos foram adequadamente descritos no trabalho fiscal, de sorte a demonstrar que o que não é admitido pela legislação é o registro do ágio interno sem substância econômica e a sua repercussão nas bases de cálculo dos tributos sobre o lucro, e o enquadramento legal se encontra em consonância com os fatos descritos. A exclusão extra-contábil foi apenas o meio pelo qual se materializou, no caso, a indevida repercussão tributária das amortizações do ágio inexistente, portanto, correto o lançamento ao glosá-las.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se de despesas apenas formalmente reveladas por força de registros contábeis e de atos formalmente perfeitos, mas que não se revestem de qualquer materialidade, nem de sentido econômico, inadmissível a repercussão tributária dessas despesas artificialmente geradas na formação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE.
Nos casos em que comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, deve ser aplicada a multa de ofício de 150%.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE.
A remuneração ou não do capital próprio é uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, e somente mediante deliberação societária específica acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) é que estes passam a existir no mundo jurídico. A sua dedutibilidade como despesa, para fins fiscais, nos termos da lei, deve observar os limites relativos ao patrimônio líquido e ao período de apuração do lucro real em que se reconhece a própria despesa, não sendo possível deduzir juros sobre o capital próprio calculados com base em patrimônio líquido de períodos anteriores.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. VALORES ATÉ R$ 5.000,00. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL.
As perdas no recebimento de créditos sem garantia, de valor igual ou inferior a cinco mil reais, submetem-se, nos termos da lei, ao limite temporal mínimo de seis meses para que possam ser deduzidas como despesas.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESA NECESSÁRIA. REGRAMENTO ESPECÍFICO.
O regramento legal específico, relativo à dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos, não pode ser afastado sob a alegação de suposto enquadramento dessas perdas no conceito geral de necessidade das despesas.
POSTERGAÇÃO. ALEGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A simples alegação em tese da ocorrência da postergação não é suficiente para desconstituir o lançamento. A postergação do pagamento de imposto, alegada como matéria de defesa, deve vir acompanhada da prova de sua ocorrência.
MULTA ISOLADA SOBRE ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO PADRÃO. LIMITAÇÃO TEMPORAL. LIMITAÇÃO AO VALOR DO TRIBUTO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. LEGITIMIDADE.
As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Não há coincidência de motivação entre as penalidades, sendo distintas tanto as suas causas, quanto os seus fundamentos legais, e, ainda, regra geral, as suas bases de cálculo. Apenas circunstancialmente os valores das bases de cálculo podem coincidir, o que não significa que sejam a mesma penalidade, ou que se esteja penalizando duplamente a mesma infração. A lei não impõe restrição temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só poderia ser feita no ano em curso, nem tampouco restrição quantitativa, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor do tributo devido ao final do ano calendário, antes ao contrário, expressamente prevê a sua aplicação mesmo quando a base de cálculo apurada ao final do ano seja negativa. É legítimo o lançamento da multa isolada sobre as estimativas que não tenham sido recolhidas a tempo próprio.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.
É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
Numero da decisão: 1201-001.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. E, por maioria de votos, acordam em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos: (i) o Conselheiro João Figueiredo, que lhe dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa de ofício e a exigência da multa isolada; (ii) o Conselheiro Luis Fabiano, que lhe dava parcial provimento para afastar: a glosa da despesa com amortização do ágio e a respectiva qualificação da multa de ofício; a glosa da despesa com JCP; a exigência da multa isolada, e; a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. E, por maioria de votos, acordam em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos: (i) o Conselheiro João Figueiredo, que lhe dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa de ofício e a exigência da multa isolada; (ii) o Conselheiro Luis Fabiano, que lhe dava parcial provimento para afastar: a glosa da despesa com amortização do ágio e a respectiva qualificação da multa de ofício; a glosa da despesa com JCP; a exigência da multa isolada, e; a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio em operações societárias levadas a efeito apenas dentro do mesmo grupo econômico, sem alteração do controle das sociedades envolvidas, e sem comprovação de efetivo ônus para a adquirente da participação societária, constitui prova da artificialidade e da falta de fundamento econômico do ágio, tornando inválida a sua posterior amortização. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. PROVISÃO PARA AJUSTE DO VALOR DO ÁGIO. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. SUPOSTO ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. INEXISTÊNCIA. Os fatos foram adequadamente descritos no trabalho fiscal, de sorte a demonstrar que o que não é admitido pela legislação é o registro do ágio interno sem substância econômica e a sua repercussão nas bases de cálculo dos tributos sobre o lucro, e o enquadramento legal se encontra em consonância com os fatos descritos. A exclusão extra-contábil foi apenas o meio pelo qual se materializou, no caso, a indevida repercussão tributária das amortizações do ágio inexistente, portanto, correto o lançamento ao glosá-las. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se de despesas apenas formalmente reveladas por força de registros contábeis e de atos formalmente perfeitos, mas que não se revestem de qualquer materialidade, nem de sentido econômico, inadmissível a repercussão tributária dessas despesas artificialmente geradas na formação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. Nos casos em que comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, deve ser aplicada a multa de ofício de 150%. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A remuneração ou não do capital próprio é uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, e somente mediante deliberação societária específica acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) é que estes passam a existir no mundo jurídico. A sua dedutibilidade como despesa, para fins fiscais, nos termos da lei, deve observar os limites relativos ao patrimônio líquido e ao período de apuração do lucro real em que se reconhece a própria despesa, não sendo possível deduzir juros sobre o capital próprio calculados com base em patrimônio líquido de períodos anteriores. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. VALORES ATÉ R$ 5.000,00. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. As perdas no recebimento de créditos sem garantia, de valor igual ou inferior a cinco mil reais, submetem-se, nos termos da lei, ao limite temporal mínimo de seis meses para que possam ser deduzidas como despesas. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESA NECESSÁRIA. REGRAMENTO ESPECÍFICO. O regramento legal específico, relativo à dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos, não pode ser afastado sob a alegação de suposto enquadramento dessas perdas no conceito geral de necessidade das despesas. POSTERGAÇÃO. ALEGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação em tese da ocorrência da postergação não é suficiente para desconstituir o lançamento. A postergação do pagamento de imposto, alegada como matéria de defesa, deve vir acompanhada da prova de sua ocorrência. MULTA ISOLADA SOBRE ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO PADRÃO. LIMITAÇÃO TEMPORAL. LIMITAÇÃO AO VALOR DO TRIBUTO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. LEGITIMIDADE. As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Não há coincidência de motivação entre as penalidades, sendo distintas tanto as suas causas, quanto os seus fundamentos legais, e, ainda, regra geral, as suas bases de cálculo. Apenas circunstancialmente os valores das bases de cálculo podem coincidir, o que não significa que sejam a mesma penalidade, ou que se esteja penalizando duplamente a mesma infração. A lei não impõe restrição temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só poderia ser feita no ano em curso, nem tampouco restrição quantitativa, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor do tributo devido ao final do ano calendário, antes ao contrário, expressamente prevê a sua aplicação mesmo quando a base de cálculo apurada ao final do ano seja negativa. É legítimo o lançamento da multa isolada sobre as estimativas que não tenham sido recolhidas a tempo próprio. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
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Recorrentes NATURA COSMETICOS S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE DA DECISÃO. INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. O julgador administrativo não está obrigado a se manifestar, uma a uma, sobre todas as alegações trazidas pelo Recorrente. Não é nula a decisão que tenha analisado todos os pontos controvertidos, e da qual conste fundamentação adequada e suficiente para respaldar a conclusão nela exposta. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Demonstrado nos autos que os fatos que deram origem à tributação estão perfeitamente descritos no trabalho fiscal, e que o contribuinte, por sua vez, defendeuse plenamente, demonstrando saber exatamente as razões de autuação, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, volta se apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 23 96 /2 01 3- 68 Fl. 3272DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 3 2 representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Afastase a imputação de responsabilidade às pessoas cuja participação nos atos ilícitos não restou comprovada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio em operações societárias levadas a efeito apenas dentro do mesmo grupo econômico, sem alteração do controle das sociedades envolvidas, e sem comprovação de efetivo ônus para a adquirente da participação societária, constitui prova da artificialidade e da falta de fundamento econômico do ágio, tornando inválida a sua posterior amortização. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. PROVISÃO PARA AJUSTE DO VALOR DO ÁGIO. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. SUPOSTO ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. INEXISTÊNCIA. Os fatos foram adequadamente descritos no trabalho fiscal, de sorte a demonstrar que o que não é admitido pela legislação é o registro do ágio interno sem substância econômica e a sua repercussão nas bases de cálculo dos tributos sobre o lucro, e o enquadramento legal se encontra em consonância com os fatos descritos. A exclusão extracontábil foi apenas o meio pelo qual se materializou, no caso, a indevida repercussão tributária das amortizações do ágio inexistente, portanto, correto o lançamento ao glosálas. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose de despesas apenas formalmente reveladas por força de registros contábeis e de atos formalmente perfeitos, mas que não se revestem de qualquer materialidade, nem de sentido econômico, inadmissível a repercussão tributária dessas despesas artificialmente geradas na formação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. Nos casos em que comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, deve ser aplicada a multa de ofício de 150%. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A remuneração ou não do capital próprio é uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, e somente mediante deliberação societária específica acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) é que estes passam a existir no mundo jurídico. A sua dedutibilidade como despesa, para fins fiscais, nos termos da lei, deve observar os limites relativos ao Fl. 3273DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 4 3 patrimônio líquido e ao período de apuração do lucro real em que se reconhece a própria despesa, não sendo possível deduzir juros sobre o capital próprio calculados com base em patrimônio líquido de períodos anteriores. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. VALORES ATÉ R$ 5.000,00. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. As perdas no recebimento de créditos sem garantia, de valor igual ou inferior a cinco mil reais, submetemse, nos termos da lei, ao limite temporal mínimo de seis meses para que possam ser deduzidas como despesas. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESA NECESSÁRIA. REGRAMENTO ESPECÍFICO. O regramento legal específico, relativo à dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos, não pode ser afastado sob a alegação de suposto enquadramento dessas perdas no conceito geral de necessidade das despesas. POSTERGAÇÃO. ALEGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação em tese da ocorrência da postergação não é suficiente para desconstituir o lançamento. A postergação do pagamento de imposto, alegada como matéria de defesa, deve vir acompanhada da prova de sua ocorrência. MULTA ISOLADA SOBRE ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO PADRÃO. LIMITAÇÃO TEMPORAL. LIMITAÇÃO AO VALOR DO TRIBUTO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. LEGITIMIDADE. As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Não há coincidência de motivação entre as penalidades, sendo distintas tanto as suas causas, quanto os seus fundamentos legais, e, ainda, regra geral, as suas bases de cálculo. Apenas circunstancialmente os valores das bases de cálculo podem coincidir, o que não significa que sejam a mesma penalidade, ou que se esteja penalizando duplamente a mesma infração. A lei não impõe restrição temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só poderia ser feita no ano em curso, nem tampouco restrição quantitativa, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor do tributo devido ao final do ano calendário, antes ao contrário, expressamente prevê a sua aplicação mesmo quando a base de cálculo apurada ao final do ano seja negativa. É legítimo o lançamento da multa isolada sobre as estimativas que não tenham sido recolhidas a tempo próprio. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3274DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 5 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. E, por maioria de votos, acordam em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos: (i) o Conselheiro João Figueiredo, que lhe dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa de ofício e a exigência da multa isolada; (ii) o Conselheiro Luis Fabiano, que lhe dava parcial provimento para afastar: a glosa da despesa com amortização do ágio e a respectiva qualificação da multa de ofício; a glosa da despesa com JCP; a exigência da multa isolada, e; a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos por NATURA COSMETICOS S/A e pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 (Rio de Janeiro), contra acórdão de sua própria lavra, por meio do qual foi mantido o lançamento fiscal, mas afastada a sujeição passiva solidária das pessoas físicas apontadas pelo fisco como responsáveis tributários. O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo do auto de infração, com ciência em 30/11/2012, referente ao anocalendário de 2008, através do qual é exigido Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$ 120.705.568,25, multa isolada no valor de R$ 60.352.784,14, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 43.454.004,58, e multa isolada no valor de R$ 21.727.002,29. Os tributos estão acrescidos da multa de ofício qualificada de 150 % e juros de mora. O lançamento decorre da constatação de três infrações: 1) Irregularidades referentes à amortização indevida de ágio interno nos anos calendário de 2008 e 2009. De acordo com o Termo de Ação Fiscal, já houve o lançamento desta mesma infração, para cobrança dos créditos tributários devidos relativo aos anoscalendário de 2004 a 2007, consubstanciado no processo administrativo de nº 16561.000059/200929. Como trata da mesma matéria fática, transcrevo partes do Relatório elaborado pelo ilustre julgador Mauro Sérgio Scarabel: a. Em 27 de dezembro de 2000, a Natura Empreendimentos S.A. (CNPJ nº 00.231.819/000160) tornouse subsidiária integral da Natura Participações S.A. Fl. 3275DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 6 5 (CNPJ nº 02.356.283/000134), que incorporou as ações daquela, avaliadas economicamente, segundo um potencial de lucratividade futura (metodologia de fluxo de caixa futuro descontado), de forma que passou a figurar no ativo da Natura Participações S.A., no final de 2000, um ágio de R$ 1.019.041.518,79; b. Na data da incorporação das ações, os cinco sócios detentores de 100% do capital votante da Natura Participações S/A detinham também 96,53% do capital votante da Natura Empreendimentos S/A, sendo que o ágio originado daquela avaliação foi, do ponto de vista econômico, um ágio gerado por meio de uma transação dos acionistas com eles próprios; c. Na Natura Participações, o lançamento contábil da operação de incorporação das ações, realizado em 31/12/2000, foi a débito de uma conta de investimentos (R$ 58.166.481,21), referente ao patrimônio líquido da Natura Empreendimentos, a débito de uma conta de ágio (R$ 1.019.041.518,79) e a crédito de capital social (R$ 1.077.208.000,00) que saltou de R$ 10.000,00 para R$ 1.077.218.000,00, não ocorrendo qualquer saída de caixa (pagamento) nessa operação da qual se originou o ágio das ações incorporadas; d. Em 29 de março de 2004, a fiscalizada Natura Cosméticos S.A. incorporou sucessivamente a Natura Empreendimentos S.A. e a Natura Participações S.A., passando a amortizar tributariamente o ágio gerado internamente ao grupo Natura, sendo que, para esta operação, o ágio foi avaliado e reconhecido contabilmente por R$ 1.028.040.605,94 diferentemente daquele momento inicial em que o ágio fora avaliado por R$ 1.019.041.518,79; e. Antes da incorporação de suas ações pela Natura Cosméticos S.A., a Natura Participações S/A, em 31/01/2004, constituiu uma provisão de valor igual ao do ágio de R$ 1.028.040.605,94, para preservação do fluxo de dividendos futuros, contabilizada a débito de uma despesa não operacional, o que contribuiu com a quase totalidade do prejuízo contábil apresentado pela empresa naquele período; a Natura Participações S/A adicionou essa provisão nas apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, demonstradas na DIPJ (evento especial) entregue em 2004 em razão da sua incorporação pela Natura Cosméticos S/A. f. Assim, a Natura Cosméticos S/A incorporou o ágio (conta devedora) e a provisão (conta credora), ambos de igual montante, que estavam contabilizados na Natura Participações S/A, sendo que no correspondente documento de protocolo e justificação de incorporação mencionava que o ágio gerado internamente seria amortizado, o que efetivamente sucedeu já no anocalendário de 2004; g. O ágio interno, sem a validação de terceiros independentes, já foi condenado pela CVM, mediante o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14 de fevereiro de 2007 e, nos termos do Pronunciamento Técnico CPC04 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis e da Resolução nº 1.110/07, do Conselho Federal de Contabilidade, o ágio gerado internamente com base em rentabilidade futura não se qualifica como um ativo. Neste sentido, também já opinou o Prof. Eliseu Martins, em artigo apresentado e publicado em congresso realizado em 2004 na USP; h. Ainda que a fiscalizada tenha afirmado ter adotado as Instruções CVM nº 319/99 e CVM nº 349/2001, o tratamento contábil determinado pela autarquia nos casos de ágio interno é de que ele seja totalmente baixado do ativo da incorporadora, não por uma prerrogativa da empresa – que poderia julgar que o ativo fiscal diferido não apresentaria os pressupostos para ser reconhecido, caso em que poderia realizar um provisionamento integralmente redutor do ágio –, mas Fl. 3276DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 7 6 porque a CVM não admite o reconhecimento de ágio interno, como expressamente consignado no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007; Assim, a partir de março de 2004, a Natura Cosmético inicia a amortização do ágio gerado internamente: a despesa de amortização do ágio é neutralizada pela receita de reversão da provisão para preservação do fluxo de dividendos, mas essa reversão (receita) é excluída no Lalur, de forma que, ao final, temse que a despesa de amortização é integralmente deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Para os anoscalendário de 2008 e 2009, os valores deduzidos são de R$ 146.862.943,68 e R$ 318.203.038,74, respectivamente. Para esta infração, a multa de ofício foi qualificada para 150%, pois não caberia à autuada alegar desconhecimento ou prática de erro escusável, estando perfeitamente consciente da ilegalidade do ágio interno e não pago. Tanto é assim que baixou em sua totalidade no anocalendário de 2009 antes da abertura de seu capital social. Adiciona o auditor fiscal que não poderia a autuada registrar o ágio interno (e provisão) na conta do ativo diferido, já que sua função é registrar as aplicações de recursos em despesas que irão contribuir para a formação do resultado de mais de um exercício social. Como o ágio não foi pago, não se trata de aplicação de recursos, fazendo uso indevido do ativo diferido. Assim, os atos praticados pelo Grupo Natura, mesmo que revestidos das formalidades necessárias, foram realizados com claro abuso de direito, nos termos do artigo 187 do Código Civil/2002, na medida que tiveram por objetivo exclusivo a redução da carga tributária. 2) Juros sobre o Capital Próprio. Foi constatada a falta de adição às bases de cálculo do IRPJ e CSLL do excesso de despesas incorridas com juros sobre o capital próprio, no valor total de R$ 16.673.027,37. Este valor foi excluído no LALUR na determinação do lucro real do anocalendário de 2009, mas se refere aos Juros sobre o Capital Próprio relativo ao anocalendário de 2007, desrespeitando o regime de competência. 3) Perdas em operação de crédito Foi verificada a exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL do valor de R$ 1.083.263,26, no anocalendário de 2009, referente a perdas em operações de créditos inferiores a R$ 5.000,00, mas com vencimento inferior a 6 meses, desrespeitando o artigo 9º da Lei nº 9.430/96. termos do artigo 57 da Lei nº 8.981/95 e artigo 340 do RIR/99. 4) Multa isolada por Insuficiência de Recolhimento de IRPJ e CSLL. Como conseqüência das deduções indevidas das despesas de amortização de ágio, dos juros sobre o capital próprio e das perdas em operações de créditos, ocorreu, nos períodos de apuração dos anoscalendário de 2008 e 2009, a insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo estimadas apuradas com base em balanço ou balancete de suspensão, dando ensejo ao lançamento das multas isoladas, com base no artigo 44, inciso II “b” da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007. 5) Responsáveis solidários Fl. 3277DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 8 7 O crédito tributário apurado, relativo às deduções indevidas das despesas de amortização com ágio, foi lavrado com multa de ofício qualificada, em função da caracterização de fraude, na tentativa da fiscalizada obter, mês a mês, redução de sua carga tributária através de amortizações de despesas inexistentes a partir do ágio inexistente (interno e não pago), gerado no grupo Natura. Assim, com base no artigo 135 do CTN, foram responsabilizados o Diretor Presidente e os membros do Conselho de Administração da Natura Cosméticos, à época dos fatos geradores (2008 e 2009), pois, em decorrência dos cargos que ocupavam, essas pessoas possuíam relevantes poderes administrativos (e decisórios) sobre atos praticados em nome da empresa, incluído o artifício doloso para redução dos tributos devidos através da amortização de despesas inexistentes. Assim, foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária para os seguintes: A autuada foi cientificada do auto de infração em 30/08/2013, conforme AR de fls. 1676. Os responsáveis solidários tiveram ciência conforme tabela a seguir: (...) A autuada apresentou impugnação em 27/09/2013, fls. 1701/1872, com as seguintes alegações: I – Das preliminares. I.1 – Da impossibilidade de tributação de receita de reversão de provisão indedutível, já tributada anteriormente. a fiscalização constatou que houve a exclusão no LALUR mês a mês, totalizando R$ 12.238.578,64 e R$ 318.203.038,74, nos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente, a título de reversão da provisão para preservação de dividendos. conforme se depreende do TVF, o lançamento relativo à amortização do ágio está fundamentado na impossibilidade da exclusão da reversão de provisão anteriormente constituída sobre o ágio, a qual, todavia, já havia sido anteriormente oferecida à tributação quando da sua constituição, com a adição na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o que ocasiona a tributação em duplicidade. por este motivo, o lançamento deve ser cancelado. I.2 – Da preclusão da possibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio amortizado pela impugnante. Fl. 3278DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 9 8 alega que o Fisco não pode mais questionar a legalidade e eficácia tributária dos atos societários de incorporação de ações que culminaram com o surgimento do ágio em 27/12/2000, pois já teria ocorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos em 26/08/2013, data da ciência do lançamento, por força do artigo 150, §4º do CTN. ainda que seja considerada a incorporação da Natura Empreendimentos e da Natura Participações, ocorrida em 05/03/2004, o prazo decadencial já teria se esgotado. ainda que aplicável o artigo 173, inciso I do CTN, também teria ocorrido a decadência do direito para o lançamento. traz doutrina e jurisprudência com este entendimento. I.3 – Do erro material no cálculo dos juros de mora relativos às supostas infrações do períodobase de 2008. (... obs: omitido, posto que não renovado no recurso) II . Do direito II.1 – Reorganização societária do Grupo Natura. descreve as operações societárias que culminaram com a amortização do ágio a partir de 2004, mas que foi gerado em 27/12/2000, afirmando que buscou atingir o propósito negocial e cumpriu todos os requisitos legais e necessários para que fizesse jus ao aproveitamento fiscal da dedução do ágio. os acionistas controladores do Grupo Natura tiveram a intenção de perpetuar o negócio admitindo sócio estratégico ou pulverizando a participação societária por meio do mercado de capitais. a perspectiva histórica evidencia que as holding Natura Empreendimentos e da Natura Participações existiam como sociedades efetivas e com suficientes razões empresariais muito antes do processo de incorporações de ações, fato que demonstra que as operações não foram engendradas para o aproveitamento do ágio pela autuada. afirma que houve interesse real de se concentrar e segregar controladores e minoritários gestores em um única holding, a fim de acomodar interesses e solucionar conflitos, simplificandose também a estrutura societária então existente, pois através da incorporação de ações, foi preservada a segunda holding (Natura Empreendimentos), objetivando a captação de recursos e busca de parceiros estratégicos para viabilizar os projetos do grupo Natura. em absoluta coerência com o projeto maior de abertura de capital do Grupo Natura, e após mais de 3 (três) anos da operação de incorporação de ações, em 2004 decidiuse com segurança que as ações a serem colocadas no mercado de capitais seria da autuada (Natura Comésticos), e não da Natura Empreendimentos, fato que levou à incorporação reversa. em decorrência das incorporações reversas, a autuada passou a ter em seu ativo diferido o ágio antes existente no investimento da Natura Participações, passando a amortizálo de acordo com seu fundamento econômico atestado no laudo de avaliação. Fl. 3279DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 10 9 as operações não foram invalidadas pela fiscalização, que deixou de acolher a dedutibilidade do ágio sob o fundamento, exclusivamente, da impossibilidade de se amortizar despesas decorrentes de ágio gerado dentro do Grupo. a fiscalização, de forma indireta, questionou o propósito negocial, pois teria afirmado que o único objetivo seria a redução da carga tributária. não foi questionada a legitimidade empresarial e negocial da operação de incorporação de ações em si, mas sim o critério de avaliação utilizado para as ações da Natura Empreendimentos, quando da sua incorporação. mesmo adotando o entendimento do prof. Marco Aurélio Grecco, ou até mesmo o professor Luis Eduardo Schoueri, concluise que os atos foram válidos em conformidade com a lei e doutrina, sendo correta a apuração do IRPJ e CSLL. ainda que sob o enfoque contábil, societário ou tributário, o procedimento adotado pela autuada está correto e legítimo, passando a discorrer sobre cada ciência. é equivocado o entendimento do auditor fiscal de que o ágio só seria válido se gerado com pagamento e entre partes independentes. por meio da conferência de bens em integralização de capital, no caso, as ações da Natura Empreendimentos, houve a aquisição de uma participação societária sem a existência de “pagamento” (como ocorre com a permuta), ou seja, a Natura Participações adquiriu ações da Natura Empreendimentos, sendo que o custo de aquisição seria o valor do capital aumentado e subscrito, devendo o custo ser desmembrado em valor de investimento pela equivalência patrimonial e ágio. não existe previsão legal sobre a necessidade de pagamento para que a operação seja válida, sendo legítimo o ágio amortizado. na incorporação de ações, embora haja efetiva aquisição, não há “pagamento” em sentido estrito, considerado como “saída de caixa” ou desembolso em dinheiro, ocorrendo a entrega das ações da incorporada e temse como contraprestação o recebimento de ações da incorporadora. o valor das ações incorporadas corresponde ao valor das ações da incorporadora que serão recebidas pelos titulares das ações incorporadas, desde que tal valor esteja suportado por laudo de avaliação, conforme se depreende dos §§ 1º e 3º do artigo 252 da Lei das S.A. o laudo elaborado à época justifica o valor das ações, sendo confirmado em laudo elaborado recentemente. a existência de partes relacionadas não altera a natureza jurídica das operações realizadas, sendo de fato um pressuposto para ocorrência das operações, já que o objetivo era a reestruturação para diminuição das complexidades societárias para fins de realizar a abertura de capital. o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, citado no TVF, não encontra amparo legal, e é posterior à reorganização societária do Grupo Natura, bem como ao surgimento do ágio, o que fere o princípio da segurança jurídica, motivo pelo qual deve ser afastado. Fl. 3280DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 11 10 o fiscal glosou a dedutibilidade do ágio interno por entender que não haveria razões para justificar o valor econômico adotado quando da incorporação de ações pela Natura Participações, decorrente do processo de incorporação de ações. a incorporação de ações está prevista no artigo 252 da Lei das S.A., que prevê a avaliação das mesmas como elemento necessário e indispensável, realizada por 3 (três) peritos ou empresa especializada, com indicação do critério de avaliação, sendo a escolha baseada em aspectos econômicos, fato este que afasta a alegação da fiscalização de que o processo poderia se dar com o valor patrimonial das ações. não há na legislação societária nenhum dispositivo infralegal que condicione o valor de ações, objeto de processo de incorporação, à existência de uma “negociação de compra e venda entre partes independentes e não relacionadas”. restando comprovado a adequação do critério de avaliação das ações, todos os efeitos societários e tributários hão de ser considerados em sua plenitude. aduz que a aplicação dos artigos 324 e 325 do RIR/99, que tratam de dedutibilidade de amortização, deve ser de forma limitada, já que existe regramento específico de amortização de ágio, disposto no artigo 386, inciso III, §2º do RIR/99, que não condiciona como requisito para dedutibilidade a existência de capital aplicado. ainda assim, o capital aplicado se revela ser exatamente o valor das novas ações da sociedade incorporada que foram entregues aos antigos titulares das ações incorporadas, atendendo a regra geral. há lançamentos de ganho de capital, o que demonstra o reconhecimento por autoridade fiscais de que a incorporação de ações é uma forma válida de aquisição na legislação tributária, e com substrato econômico. conclui que o procedimento adotado está em total conformidade com normas de Direito Contábil Societário e Direito Contábil Fiscal/Tributário. a validade do ágio interno já foi reconhecida na recente jurisprudência do CARF, citando trechos do voto, ratificando o entendimento de que (1) pagamento não é condição necessária para o registro do ágio; (2) pode ocorrer ágio na aquisição de ações do mesmo grupo econômico; (3) fundamento econômico em reestruturações internas; (4) autos de infração violam a Lei Tributária; (5) legitimidade da operação, com ausência de dolo e (5) reconhecimento do ágio interno mesmo no campo do planejamento tributário. cabe isonomia com tratamento fiscal do deságio gerado em operações societárias dentro do mesmo grupo, que é tributado no entendimento da Administração e jurisprudência administrativa. não acata entendimento da fiscalização quanto ao provisionamento integral do valor do ágio para preservar o fluxo de dividendos futuros, pois este procedimento pode se dar por motivações de ordem exclusivamente societárias, bem como que a CVM exige apenas um valor mínimo para constituição da provisão (66% do valor do ágio), não estipulando qualquer valor máximo, a qual pode corresponder 100% do valor. afirma que a “provisão para preservação da capacidade patrimonial de distribuição de dividendos futuros” não pode prejudicar os efeitos tributários da amortização do ágio, como quer fazer crer a fiscalização. Fl. 3281DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 12 11 além disso, os efeitos finais da “provisão para preservação da capacidade patrimonial de distribuição de dividendos futuros” estão expressamente assegurados pela própria legislação tributária, rechaçando a pretensão da fiscalização em utilizar a “provisão para preservação da capacidade patrimonial de distribuição de dividendos futuros” para desqualificar os efeitos tributários inerentes ao ágio. não existe previsão legal para adição, na base de cálculo da CSLL, da despesa com amortização de ágio, com base no artigo 57 da Lei nº 8.981/95. o artigo 2º, e §1º da Lei nº 7.689/88, enumera taxativamente os ajustes aplicáveis à base de cálculo da CSLL, não elencando hipótese de adição do valor correspondente à amortização do ágio. II.2 – Da inexistência de fraude / inaplicabilidade da multa agravada. a fundamentação do agravamento do multa de ofício seria que a autuada “estava perfeitamente consciente da ilegalidade do ágio interno e não pago”. tal alegação não merece prosperar já que faltou provas diretas, e não presuntivas, de que as operações societárias foram feitas com evidente intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária. para que fique caracterizado o dolo é necessário que se comprove que houve esta intenção, não bastando meras ilações pessoais neste sentido. as operações praticadas atenderam a todos os requisitos legalmente exigidos, sejam contábeis, societários ou fiscais, com propósito negocial e devidamente registradas nos órgão competentes. na autuação anterior, em razão dos mesmos fundamentos, o CARF houve por bem reduzir a multa de ofício para 75%, sob o entendimento de que mero descumprimento da norma não é fundamento para se caracterizar a fraude, ainda mais considerando que a operação em comento não foi simulada. a autuada não omitiu dados, informações ou procedimentos visando impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, condições necessárias para caracterizar a fraude. possui pareceres de renomados juristas para analisar a reestruturação societária, comprovando a prudência, cautela e boafé, afastando uma possível alegação de fraude. não ocorreu abuso de direito, pois os atos praticados tiveram um propósito negocial, e a reorganização societária foi idealizada e implementada em estrita conformidade com a legislação vigente para o alcance dos objetivos pretendidos pelas partes contratantes. requer que o lançamento seja cancelado. II. 3 – Juros sobre o Capital Próprio – Ausência de Limitação Temporal Prevista em Lei e necessidade de Respeito ao Princípio da Legalidade. conforme pode se depreender da análise do artigo 347 do RIR/99 e da IN SRF nº 11/96, o legislador não estabeleceu um limite temporal para o pagamento de JCP aos titulares, sócios ou acionistas das pessoas jurídicas. Fl. 3282DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 13 12 a obrigação contratual de pagar ou creditar os JCP é decisão dos sócios ou administradores, e não se extingue pelo fato de não ter sido exercida esta vontade. é lícito estabelecer o pagamento ou o crédito de JCP desde que atendidos os limites e condições legais aplicáveis à época da decisão. não há qualquer impedimento legal à dedutibilidade dos juros deliberados, registrados, pagos ou creditados em períodos posteriores àquele ao qual o pagamento se refere. ao impor limite temporal, houve afronta ao princípio da legalidade, nos termos do artigo 97 do CTN. Cita Acórdão do CARF ratificando o entendimento que não há na lei limite temporal para pagamento/crédito do JCP. a lei vinculou a dedutibilidade ao momento em que os juros são efetivamente pagos ou creditados, não ocorrendo ofensa ao regime de competência. agiu em consonância com o artigo 29 da IN SRF nº 11/96, pois não existe outra interpretação a ser dada, sob pena de extrapolar os limites impostos pela Lei nº 9.249/95 e Lei nº 9.430/96, ferindo o princípio da legalidade. restou claro que é perfeitamente legal o pagamento de JCP retroativo a partir da deliberação de sua distribuição, sendo possível considerálos como despesas financeiras incorridas e dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e CSLL, motivo pelo qual os lançamentos devem ser cancelados. II.4 – Da dedutibilidade das Perdas no Recebimento de Créditos. requer a nulidade por erro de capitulação legal e por ausência de documento que embasou o lançamento relativo às perdas com recebimento de créditos. o fiscal fez referência à planilha apresentada pela autuada, mas [não]* a anexou aos autos, fato que, por si só, torna o lançamento nulo por ausência de documento que lhe deu suporte. *[corrigido por este relator] houve erro na capitulação legal, já que a autuação deveria ser em função de mera antecipação de despesa plenamente dedutível na legislação. é fato que, no período base de 2010, esses mesmos créditos já poderiam ser deduzidos, razão pela qual se aplicaria o disposto no §2º do artigo 273 do RIR/99. uma vez que, ao tributar no período base subseqüente as perdas que foram deduzidas antecipadamente em 2009, a impugnante poderia apenas ter infringido o §2º do artigo 273 do RIR/99, sendo devido, quando muito, juros e multa de mora sobre o valor postergado. quanto ao mérito, é inevitável que a autuada reconheça essas perdas como despesas operacionais, sendo obrigada a parametrizar seus sistemas para que as dívidas de montantes inferiores a R$ 12,00 fossem reconhecidos automaticamente como perdas, que, na essência, são despesas operacionais plenamente dedutíveis, nos termos do artigo 299 do RIR/99. a cobrança destes valores ínfimos envolve despesas sabida ou presumidamente superiores aos valores dos seus próprios créditos objeto da insolvência, sendo operacional e necessário à atividade e respectiva manutenção de Fl. 3283DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 14 13 sua fonte produtora o reconhecimento direto de tais créditos como despesas necessárias inerentes às características da sua operação. caso não seja este o entendimento, ressalta que estas mesmas perdas deduzidas no período de julho a dezembro de 2009, poderiam ser deduzidas a partir de janeiro de 2010, o que significa que o mesmo montante da glosa acabou sendo oferecido à tributação em momento posterior, o que caracteriza exigência de tributo em duplicidade. a regra do artigo 273, §2º do RIR/99 é objetiva: havendo lucro tributável no exercício subseqüente, presumese que as perdas deduzidas antecipadamente foram efetivamente oferecidas à tributação. restando caracterizada a mera postergação do IRPJ e CSLL, requer que seja cancelada a exigência do principal, reduzindo ainda a multa de oficio de 75% para 20%, com aplicação dos juros de mora com base na taxa SELIC, calculados a partir de 01/01/2010. II. 5 – Da impossibilidade de cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa. a autuada contesta a cobrança da multa isolada após o encerramento do ano calendário, quando o lançamento deveria se ater à cobrança do tributo. somente pode ser exigida, caso o Fisco verifique a falta de recolhimentos dos tributos, ou recolhimento insuficiente, com base em estimativas mensais, antes do término do anobase. além disso, ocorre a duplicidade da cobrança com a cumulação da multa isolada com multa de ofício, que incidem sobre os mesmos valores supostamente devidos de IRPJ e CSLL. recentemente a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, nos autos do processo nº 10120.006956/200614, asseverando a impossibilidade de cumulação de multa de ofício e multa isolada. as multas incidem sobre um fato gerador, não sendo hipóteses distintas de obrigação pecuniária. assim, caso mantidos os lançamentos, que sejam canceladas as multas isoladas diante da impossibilidade de concomitância com as multa de ofício. II. 6 – Da ilegalidade a cobrança de juros sobre a multa de ofício. contesta a cobrança dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, pois o artigo 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos encargos legais, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, que limita a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício afronta o princípio da legalidade. cita jurisprudência administrativa. Os responsáveis tributários também apresentaram impugnação, em 27/09/2013, com as seguintes alegações: Fl. 3284DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 15 14 1) Das razões expostas pela Natura Cosméticos S/A em sua Impugnação. a cobrança decorrente da glosa da amortização do ágio é indevida em razão: (1) da legalidade das operações societárias praticadas; (2) de ser a operação de incorporação de ações uma “espécie” de aquisição de bens; (3) da desnecessidade do pagamento em dinheiro para que seja reconhecido o ágio; (4) da validade do ágio (interno) para o direito societário/fiscal; (5) da inexistência de normas, à época dos fatos, que vedassem o registro do ágio decorrente de transações entre empresas do mesmo grupo e (6) da ausência da prática de atos fraudulentos. requer que a impugnação apresentada pela autuada seja parte integrante da defesa apresentada, ratificando e reiterando as alegações nela apresentadas. 2 – Da caracterização da sujeição passiva pela fiscalização. a fiscalização atribuiu a responsabilidade tributária solidária com aplicação do artigo 135 do CTN, uma vez que seriam membros do Conselho de Administração da Natura, e, no caso do Sr. Alessandro Giuseppe Carlucci, Diretor Presidente da Natura, no período em que foi deduzida a despesa com amortização do ágio (2008 e 2009). não ocorreram atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social e estatutos, o que impede a aplicação do artigo 135 do CTN. 3. Da ausência de Poderes de Gestão do Conselho de Administração (alegação apresentada pelos Srs. Antonio Luiz da Cunha Seabra, Guilherme Peirão Leal, Pedro Luiz Barreiros Passos, José Guimarães Monforte, Edson Vaz Musa, Luiz Ernesto Gemignani e Júlio Moura Neto) a aplicação do artigo 135 do CTN é condicionada à verificação da efetiva existência de poderes de gerência/direção sobre a empresa, fato que não ocorre com os membros do Conselho de Administração, conforme doutrina e o artigo 142, inciso I da Lei nº 6.404/76, cuja competência é de fixar a orientação geral dos negócios da empresa. o dispositivo legal denota a idéia de que o órgão se presta a viabilizar, instruir e aconselhar os negócios da empresa, e não a executálos, o que impede a aplicação do artigo 135 do CTN, pois este se dirige àqueles que detêm o efetivo poder de gestão. 4. Da ausência de dolo e fraude: inaplicabilidade do artigo 135 do CTN. para que fique caracterizado o dolo, elemento essencial à tipificação da fraude, é necessário que se comprove esta intenção, não bastando meras ilações pessoais, ao alegar o evidente “intuito de fraude” em razão da função que era exercida na empresa nos anos 2008 e 2009. a justificativa para atribuir a responsabilidade solidária decorre da “mera discordância” em relação aos atos praticados pela autuada, fato que não pode ser transformado, sem apresentação de provas, em inequívoca existência de dolo e fraude. a decisão acerca da realização das operações societárias, que deram origem ao ágio, se amparou em pareceres favoráveis, razão pela qual não é possível afirmar que teriam sido praticados atos com intuito de se burlar ou fraudar a lei. Fl. 3285DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 16 15 o gestor foi diligente na condução dos negócios, nos termos do artigo 153 da Lei nº 6.404/76, amparandose em pareceres técnicos sobre o tema, o que demonstra prudência, cautela e boafé, inclusive tendo as Demonstrações Financeiras relativas aos anos de 2008 e 2009 auditadas e aprovadas sem ressalva por auditores independentes. a gestão da autuada não praticou condutas ilícitas como realização de operações proibidas, deixando de registrálas ou declarálas, sequer utilizando documentos calçados ou paralelos, pessoas inexistentes ou “laranjas”, e de documentos falsos e inidôneos. as questões que rodeiam o caso são controversas, por ser tratar de ágio interno em 2004, com julgados administrativos favoráveis proferidos em 2003, sendo razoável concluir que a conduta dos responsáveis solidários não pode ter pecha de dolosa e fraudulenta, ainda mais por encontrar respaldo em pareceres técnicos sobre o assunto. 5 – Da não identificação de atos praticados com excesso de poderes ou infração de Lei, Contrato Social ou Estatutos. o agente fiscal deixou de identificar e comprovar quais teriam sido os atos praticados pelos impugnantes com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, mas somente utilizando o termo genérico “relevantes poderes administrativos (e decisórios)”. os atos societários praticados revestiamse de plena regularidade formal, legal e publicidade, se amparando na legislação em regência. o ágio interno é válido para fins fiscais, conforme jurisprudência administrativa, o que demonstra a regularidade do procedimento adotado pela autuada, e inexistência de ato praticados contrários à lei. no processo de auto de infração da autuada, pelos mesmos motivos, dos anoscalendário de 2004 a 2007, o próprio CARF afastou a aplicação da multa de ofício qualificada, na medida em que não foram identificados indícios de fraude nas operações. é requisito fundamental para aplicação do artigo 135 do CTN a descrição do fato concreto de forma detalhada, acompanhado de prova inequívoca, conforme doutrina e jurisprudência administrativa. o procedimento da autoridade fiscal dá ensejo à dúvida quanto ao efetivo exercício de poderes executórios pelos impugnantes, sendo aplicável o artigo 112 do CTN, cabendo a interpretação mais favorável ao acusado. a mera ausência de pagamento, em função da amortização do ágio, não caracteriza infração à lei e não configura responsabilidade do sócio pela dívida tributária, conforme doutrina e jurisprudência. 6 – “Ad argumentandum” – Nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária. a autoridade fiscal adotou critério temporal inadequado para aferição da suposta ilicitude da conduta, que seria o cargo que os impugnantes ocupavam à época dos fatos geradores (2008 e 2009), enquanto que o correto seria consignar expressamente o cargo exercido no ano de 2004, início da amortização do ágio. Fl. 3286DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 17 16 considerando que os impugnantes não exerciam qualquer cargo em 2004, ou que a autoridade fiscal não especificou o efetivo cargo exercido pelos impugnantes em 2004, o Termo de Sujeição Passiva Solidária está maculado por vício de forma, pois contém informação que não reflete a realidade. especificamente quanto aos impugnantes Srs. José Guimarães Monforte, Edson Vaz Musa, Luiz Ernesto Gemignani e Júlio Moura Neto e Alessandro Giuseppe Carlucci, frisese que, quando ocorreu a incorporação das ações da Natura Empreendimentos pela Natura Participações, em 27/12/2000, ensejando o registro contábil do ágio discutido nos autos, os responsabilizados sequer exerciam qualquer função executiva na autuada. pelos motivos acima, o Termo de Sujeição Passiva Solidário deve ser anulados por vício de forma.” Ao apreciar as razões de defesa dos impugnantes, a DRJ proferiu o acórdão no 1265.773, que possui a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA O prazo decadencial só é aplicável para o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, mas não para verificar atos pretéritos cujos efeitos tributários repercutem nos anos seguintes. ÁGIO INTERNO FORMADO POR INCORPORAÇÃO DE AÇÕES DE OUTRA EMPRESA DO MESMO GRUPO. INCORPORAÇÃO PATRIMONIAL ÀS AVESSAS. EMPRESA CONTROLADA INCORPORANDO A EMPRESA CONTROLADORA. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Na operação de incorporação às avessas, na qual a controlada incorpora a sua controladora, a amortização do ágio interno registrado na contabilidade desta, decorrente de anterior incorporação de ações de outra empresa do mesmo grupo econômico e que é absorvido pela controlada, não será dedutível para fins fiscais, por faltar os pressupostos contábeis para qualificar tal valor como ágio. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOBSERVÂNCIA. GLOSA. A observância do regime de competência é condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido. Assim sendo, é vedada a dedução como despesa, na apuração da base de cálculo do IRPJ, desses juros calculados sobre o patrimônio líquido da empresa relativos a períodos anteriores. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. LIMITE TEMPORAL. GLOSA. As perdas no recebimento de créditos sem garantia submetemse a limites temporais mínimos de vencimento da dívida, de seis meses para valor até cinco mil reais, por operação, devendo ser glosadas as despesas com crédito cujo vencimento seja anterior a esses limites. FATO GERADOR. DATA DE VENCIMENTO. Fl. 3287DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 18 17 O saldo do imposto a pagar apurado em 31 de dezembro será acrescido de juros calculados à taxa SELIC a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Mantémse a multa de ofício qualificada no percentual de 150%, quando o procedimento fiscal evidenciou que o contribuinte agiu com intuito de fraude desde o início da operação de incorporação de ações, tendo pleno conhecimento de que sem o pagamento do ágio não haveria a possibilidade de dedutibilidade da amortização para fins de apuração do IRPJ e CSLL. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO É o cabível o lançamento para cobrança de multa isolada de ofício pela falta de recolhimento das estimativas devidas de IRPJ e CSLL, após o encerramento do anocalendário, obrigatório para aqueles que declaram optando pelo lucro real, juntamente com a multa de ofício, incidente sobre o tributo devido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. PREVISÃO LEGAL. PROCEDÊNCIA. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente para apuração do IRPJ. Logo, é procedente a adição na base de cálculo da CSLL da despesa com amortização de ágio. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008, 2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CONDUTA DO DIRETOR E MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DO ARTIGO 135 DO CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Na falta de comprovação, por parte do Fisco, de qualquer conduta do Diretor Presidente ou dos Membros do Conselho de Administração, de forma a originar os ilícitos constatados na autuação, descabe a eles a atribuição de responsável solidário.” Em síntese, conforme dito, a decisão recorrida manteve integralmente o lançamento, contudo, afastou a responsabilidade tributária de todos os imputados. Por Fl. 3288DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 19 18 representar a desoneração, com relação a estes, de tributos e multas em valor superior ao limite de alçada, recorreu de ofício ao CARF. O contribuinte, por sua vez, em sede de recurso voluntário, acrescenta novos argumentos de defesa e reitera os anteriormente apresentados, requerendo o cancelamento integral dos lançamentos efetuados, ou subsidiariamente, a exoneração da CSLL relativa à amortização do ágio, a exoneração da multa qualificada, a exoneração da multa isolada, e a exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Com relação aos acréscimos feitos no recurso, temos: (i) nulidade do acórdão da DRJ por utilização indevida de informações contidas em outro processo administrativo da mesma contribuinte ausência de decisão final administrativa acerca da questão cerceamento do direito de defesa; (ii) omissão no acórdão da DRJ com relação aos argumentos desenvolvidos na impugnação relativos à existência de "propósito negocial" nas operações societárias, tampouco em nenhum momento contestados expressamente pela fiscalização; (iii) com relação às perdas no recebimento de créditos, nulidade do acórdão da DRJ por ausência de apreciação da prova apresentada e por falta de manifestação quanto ao alegado erro de capitulação legal. A PFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, requerendo seja negado provimento in totum ao recurso voluntário interposto. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Ambos os recursos (voluntário e de ofício) preenchem os requisitos de admissibilidade, e devem ser conhecidos. Sua análise será feita no decorrer do voto a seguir, ao se abordar os respectivos pontos abaixo detalhados. 1. Amortização do ágio Com relação ao assunto, a recorrente traz as seguintes preliminares: a) impossibilidade de tributação de receita de reversão de provisão indedutível, já tributada anteriormente; b) preclusão da possibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio amortizado pela impugnante; Fl. 3289DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 20 19 c) nulidade do acórdão da DRJ por utilização indevida de informações contidas em outro processo administrativo da mesma contribuinte, ainda pendente de decisão final administrativa, caracterizando falta de motivação e cerceamento do direito de defesa; d) nulidade do acórdão da DRJ por falta de apreciação de todos os argumentos apresentados em sede de impugnação. Com relação ao item ‘a’ acima, concordo com o que afirmou a autoridade julgadora a quo: a questão é de mérito, e não de preliminar, logo, será tratada adiante. Com relação aos itens ‘c’ e ‘d’ acima, não procedem os reclamos da contribuinte acerca de suposto cerceamento do direito de defesa, e consequente nulidade da decisão recorrida. É o entendimento dominante no CARF de que o julgador administrativo não está obrigado a responder a todos os argumentos levantados pelos recorrentes, mas sim a examinar todas as questões suscitadas (pontos controvertidos), bem como a fundamentar a sua decisão. Neste sentido, os seguintes precedentes: Acórdão 10195.644, relator Mário Junqueira Franco Júnior, sessão de 26/07/2006, e Acórdão 10708.591, relator Natanael Martins, sessão de 25/05/2006: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — IMPROCEDÊNCIA— O julgador administrativo não se vincula ao dever de responder, um a um, o feixe de argumentos postos pelo peticionário, desde que já tenha encontrado motivo suficiente para fundamentar a sua decisão sobre as matérias em litígio. Acórdão 10196.917, relatora Sandra Faroni, sessão de 18/09/2008: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a se manifestar sobre todas as alegações do Recorrente, nem quanto a todos os fundamentos indicados por ele, ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). Acórdão 10321.255, relator João Bellini Júnior, sessão de 11/06/2003: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ANÁLISE DAS QUESTÕES LITIGIOSAS 1. Não é necessário às instâncias julgadoras responder a todos os argumentos das insurgentes, mas sim a todas as questões trazidas à balha, ou seja, a todos os pontos controvertidos. 2. Não é nula nem caracteriza cerceamento do direito de defesa a decisão com fundamentação sucinta, mas a que carece de devida motivação, essencial ao processo democrático. Preliminar rejeitada. Este é também o entendimento assente no Superior Tribunal de Justiça, consoante o seguinte precedente, a título ilustrativo: Fl. 3290DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 21 20 TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL – VIOLAÇÃO DO ART 535, II, DO CPC – NÃOOCORRÊNCIA (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (REsp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). E, no caso, a decisão recorrida fundamentou adequadamente a sua decisão, no que toca a todos os pontos controvertidos, não havendo qualquer motivo para decretar sua nulidade. O fato de terse valido de fundamentos constantes de voto(s) proferido(s) em julgamento(s) de outro processo da contribuinte em nada interfere neste raciocínio, independente de o referido processo ter sido decidido de forma definitiva ou não. Por fim, com relação ao item ‘b’ acima (preclusão da possibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio amortizado pela impugnante), tenho posição firmada pela improcedência do argumento. Não há dúvidas de que o fisco possui a prerrogativa de examinar fatos passados, mesmo que muito distantes no tempo, desde que deles extraia e atribua repercussão tributária apenas aos exercícios ainda não atingidos pela decadência. Neste sentido alinhamse tanto o art. 195 do CTN, quanto o art. 37 da Lei no 9.430/96, ao expressamente determinarem a guarda, pelo contribuinte, de todos os documentos relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros “até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios”. Em comentário ao § 3º do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, que tem por base legal o art. 37 da Lei no 9.430/96, seus autores ilustram com o seguinte exemplo a aplicabilidade do dispositivo em questão: “1 – GUARDA DE COMPROVANTES PRAZO – Esse dispositivo não representa uma “nova regra de decadência”, como a primeira vista aparenta. A compensação de prejuízo fiscal é um bom exemplo para ilustrar a sua aplicação. Deveras, a compensação de prejuízo fiscal, com a atual limitação de 30% do lucro real ajustado, pode levar, por exemplo, mais de 10 anos para esgotar o saldo do prejuízo apurado num exercício. Se essa compensação findarse no décimo ano, a empresa deve fazer a comprovação da existência desse prejuízo no momento de sua compensação (décimo ano), apresentando a documentação de 10 anos atrás para comprovar a geração pretérita do prejuízo. Contando do décimo ano (ano em que se operou a compensação), o Fisco tem cinco anos para fiscalizar esse fato, agindo portanto no período ainda não atingido pela decadência. Se não for comprovada a existência do prejuízo compensado, haverá a glosa dessa compensação. Todavia, o resultado do períodobase em que se originou o prejuízo (10 anos atrás) não pode ser atingido pela fiscalização, pois está protegido pela decadência.” 1 Neste mesmo sentido, a jurisprudência do CARF a seguir transcrita: 1 Ferreira, Antonio Airton. Regulamento do imposto de renda 1999 anotado e comentado: atualizado até 30 de abril de 2009/Antonio Airton Ferreira, Luiz Martins Valero, Marcos Shigeo Takata, Juliana M. O. Ono, Victor Hugo Isoldi de Mello Castanho e Marcos Vinícius Neder de Lima.12ª ed. São Paulo: FISCOsoft, 2009, pg. 264. Fl. 3291DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 22 21 Acórdão 1102000.657, sessão de 31 de janeiro de 2012, relator Leonardo de Andrade Couto: “DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, quando têm impacto tributário em exercícios não atingidos pela caducidade. No caso, a restrição decadencial voltase à impossibilidade do lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato.” Acórdão 1402001.278, sessão de 4 de dezembro de 2012, relator Leonardo de Andrade Couto “DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento.” Acórdão 1102000.875, sessão de 12 de junho de 2013, relator João Otávio Oppermann Thomé: “DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato.” Acórdão 1102001.006, sessão de 11 de fevereiro de 2014, relator Ricardo Marozzi Gregorio: “AMORTIZAÇÃO DE ÁGIOS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de ofício dos tributos sujeitos à sistemática dos chamados “lançamentos por homologação”, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador desses tributos. Na hipótese de amortização de ágios, uma nova contagem inicia na data de encerramento de cada período de apuração em que houve a referida amortização e não na data da formação dos ágios.” Claro está, portanto, que os fatos escriturados, cujos efeitos jurídicos se projetam para o futuro, podem ser objeto de verificação e análise, por parte do fisco, a qualquer tempo, independente da época que os fatos foram produzidos, pois a limitação decorrente do transcurso do prazo decadencial atinge tão somente o lançamento relativo à repercussão tributária daquele fatos, e não os próprios fatos em si. O mero registro contábil do ágio, no ativo diferido, em decorrência de uma operação societária de incorporação, fusão ou cisão, não constitui fato gerador de nenhum tributo federal. A contagem do prazo decadencial, nos termos do CTN, tem como norte o Fl. 3292DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 23 22 direito do Fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento, o qual surge com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que será constituída. No caso, com a dedução, das bases de cálculo submetidas à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, dos valores relativos à amortização daquele ágio. Afastadas as preliminares, passo ao mérito. A recorrente reafirma e desenvolve no recurso seus argumentos de defesa no tocante ao seguinte, em síntese: (i) existência de efetivo propósito negocial nas operações praticadas; (ii) distinção entre ciência contábil, Direito Contábil Societário, e Direito Contábil Fiscal, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL; (iii) procedimentos adotados, e atos praticados, em total conformidade com a lei e a doutrina; (iv) possibilidade de aquisição dentro do mesmo grupo econômico a valor de mercado (ágio interno), mesmo que sem pagamento; (v) correta constituição da “Provisão para Preservação da Capacidade Patrimonial de Distribuição de Dividendos Futuros”; (vi) impossibilidade de tributação de receita de reversão de provisão indedutível, já tributada anteriormente (apresentada pela recorrente como preliminar); (vii) inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio; (viii) inexistência de dolo, fraude, ou abuso de direito. A matéria em litígio, em linhas gerais, não é nova neste Conselho, nem tampouco para este relator (ressalvadas algumas peculiaridades relativas aos argumentos apresentados, cuja análise detalhada adiante se fará). O CARF tem sistematicamente rechaçado as operações envolvendo a amortização de ágio artificialmente gerado em operações ocorridas apenas dentro de um grupo societário sob controle comum, tais como o descrito pela fiscalização, em alguns casos sob o fundamento da prática de simulação ou, em outros, do abuso de direito. Confirase, neste sentido, as ementas dos seguintes julgados, transcritas apenas em suas partes relevantes: Acórdão nº 10196.724, sessão de 28 de maio de 2008, relatora Sandra Maria Faroni: “ATOS SIMULADOS. PRESCRIÇÃO PARA SUA DESCONST1TUIÇÃO. No campo do direito tributário, sem prejuízo da anulabilidade (que opera no plano da validade), a simulação nocente tem outro efeito, que se dá plano da eficácia: os atos simulados não têm eficácia contra o fisco, que não necessita, portanto, demandar judicialmente sua anulação. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES.. SIMULAÇÃO. A reorganização societária, para ser legitima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A caracterização dos atos como simulados, e não reais, autoriza a glosa da amortização do ágio contabilziado. MULTA QUALIFICADA A simulação justifica a aplicação da multa qualificada.” Acórdão nº 10517.219, sessão de 17 de setembro de 2008, relator Marcos Rodrigues de Mello: Fl. 3293DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 24 23 “ÁGIO NA INCORPORAÇÃO Não demonstrado o pagamento de ágio, não há de se falar em aproveitamento do mesmo pela incorporadora.” Acórdão nº 1301000.058, sessão de 13 de maio de 2009, relator Wilson Fernandes Guimarães: “DESPESA DE ÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE — Não há que se falar em despesas de ágio na situação em que os montantes correspondentes decorrem de expectativas de rentabilidade daquele que se beneficiou da redução do lucro tributável.” Acórdão no 1103000.501, sessão de 30 de junho de 2011, relator Cons. José Sérgio Gomes: “CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito.” Acórdão nº 120200753, sessão de 12 de abril de 2012, relatora Viviane Vidal Wagner: “DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. OPERAÇÃO INTERNA. SIMULAÇÃO. GLOSA. A criação de ágio por meio de reorganização societária entre empresas do mesmo grupo econômico, pautada em fortes indícios, além de prova direta da ocorrência de simulação revelase artificial e não gera direito à dedução das respectivas despesas de amortização. MULTA QUALIFICADA. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.” Acórdão nº 1402001.278, sessão de 4 de dezembro de 2012, relator Leonardo de Andrade Couto: “DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 3294DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 25 24 Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.” Acórdão nº 1402001.335, sessão de 6 de março de 2013, relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva: “ÁGIO. DEDUÇÃO. REQUISITOS FORMAIS APARENTEMENTE PREENCHIDOS. NECESSIDADE DE AVALIAR A MATERIALIDADE DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO ÁGIO. O ágio se caracteriza pela diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição (art. 20, II, do DL 1.598, de 1.977). A transferência de ações da empresa investidora para a empresa investida e posterior incorporação desta pela primeira, sem que a incorporadora nada tenha desembolsado, não materializa pagamento a maior, que é elemento essencial à caracterização do ágio. Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio, isto é, um desembolso por quem adquire. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde quem se beneficia nada desembolsou, quer seja em espécie quer seja em bens representativos de valor econômico. No caso concreto, quer nas empresas incorporadas, quer na empresa incorporadora, não houve pagamento pela aquisição. Assim, descaracterizada a materialidade do ágio.” Acórdão nº 1102001.182, sessão de 27 de agosto de 2014, relator José Evande Carvalho Araujo: “ÁGIO DECORRENTE DE REAVALIAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A VALOR DE MERCADO. INDEDUTIBILIDADE. Não é dedutível o ágio decorrente de incorporação de ações reavaliadas a valor de mercado, por ter sido criado dentro do próprio grupo econômico, sem a ocorrência de efetivo desembolso nem tendo como contrapartida a apuração de ganho de capital.” Nos precedentes acima citados, encontramse referências aos diversos elementos que denotam a artificialidade do ágio gerado internamente, ressalvadas, naturalmente, as peculiaridades de cada caso concreto, posto que nem todos se fazem presentes em todos os casos: ausência de efetivo significado econômico, ausência de alteração do controle das sociedades envolvidas, ausência de pagamento ou de efetivo dispêndio, ausência de geração de ganho de capital em contrapartida, utilização de sociedade de curta duração como “empresa veículo” para a criação do ágio. Em linha com esta expressiva e dominante corrente de pensamento, cumpre revisitar, ainda que de forma sucinta, a sequência de operações societárias praticadas, no caso concreto. Fl. 3295DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 26 25 Em 27 de dezembro de 2000, a Natura Empreendimentos S.A. tornouse subsidiária integral da Natura Participações S.A., quando esta incorporou as ações daquela. Naquele momento, a Natura Empreendimentos e a Natura Participações tinham a seguinte composição societária: Na operação de incorporação de ações, as ações da Natura Empreendimentos foram avaliadas economicamente, a valor de mercado, segundo um potencial de lucratividade futura (metodologia de fluxo de caixa futuro descontado), o que gerou um ágio. De acordo com os lançamentos realizados em 31/12/2000 pela Natura Participações, para um valor de R$ 58.166.481,21 registrados a débito de conta de investimentos, houve o concomitante registro do valor de R$ 1.019.041.518,79 a débito de conta de ágio. Em 29 de março de 2004, a Natura Cosméticos S.A.incorporou, sucessivamente, e de forma reversa. as suas controladoras direta (Natura Empreendimentos) e indireta (Natura Participações). Pouco antes destas operações de incorporação reversa, em 31 de janeiro de 2004, a Natura Participações constituíra uma provisão para preservação do fluxo de dividendos futuros, de igual valor ao ágio nela registrado. A contrapartida desta provisão foi feita a débito de uma despesa não operacional. Referida despesa contribuiu com a quase totalidade do prejuízo contábil apresentado pela Natura Participações naquele período, contudo, a despesa foi por ela adicionada nas apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Em decorrência das operações de incorporação reversa, a Natura Cosméticos incorporou o ágio (conta devedora) e a provisão para preservação do fluxo de dividendos futuros (conta credora), ambos expressos pelo mesmo valor de R$ 1.028.040.605,94, pelo qual estavam contabilizados na Natura Participações, consoante reconhecido em novo laudo elaborado para o evento. Fl. 3296DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 27 26 A partir da operação de incorporação, a Natura Cosméticos deu início à amortização do ágio. De se observar que o presente processo trata da amortização do ágio nos anos de 2008 e 2009. A glosa da amortização do ágio nos anos de 2004 a 2007 foi tratada no âmbito do processo 16561.000059/200929, do qual, aliás, é uma das ementas acima transcritas. Pelo quanto se extrai dos fatos acima sucintamente expostos, percebese claramente que o caso se enquadra em todas as circunstâncias que dão ensejo à mencionada jurisprudência (exceto a utilização de sociedade de curta duração – “empresa veículo” – inexistente, no caso). Todas as empresas envolvidas nas operações pertenciam ao mesmo grupo econômico. Não há qualquer alteração de controle societário em decorrência das operações praticadas. Na data da incorporação das ações da Natura Empreendimentos (27/12/2000), os cinco sócios detentores de 100% do capital votante da Natura Participações detinham também 96,53% do capital votante da Natura Empreendimentos. Não houve efetivo ônus para o adquirente. Ora, não se questiona o fato de que não obrigatoriamente há de existir o pagamento em espécie, sendo cediço que a aquisição pode se dar por diversas formas. Contudo, para que o ágio adquira sentido econômico, há de ser demonstrado ter havido, na operação de aquisição da participação societária, um efetivo ônus para o adquirente, quer seja este em espécie, quer seja em bens representativos de valor econômico. E isto, no caso, não resta demonstrado. As operações levadas a efeito, portanto, se deram sem a participação de terceiros que pudessem vir a conferir sentido econômico ao ágio. Tampouco houve qualquer demonstração de que, por exemplo, embora inexistente a participação de terceiras partes independentes, o reconhecimento do ágio, na outra ponta da operação, tivesse dado ensejo a algum ganho de capital oferecido à tributação (é que, neste caso, segundo uma corrente de pensamento defendida em alguns precedentes do CARF, a tributação do ganho de capital, numa ponta, daria sentido econômico ao ágio, na outra, permitindo a sua amortização). De todo o exposto, sobressai que o verdadeiro “sentido econômico” do ágio é tão somente a sua amortização com o propósito de redução das bases de cálculo tributáveis do IRPJ e da CSLL. Neste contexto, o fato de todos os atos praticados, em cada etapa, estarem em conformidade com a lei e as formalidades exigidas, não é suficiente e nem relevante para fins de permitir tal redução indevida do lucro líquido. A recorrente defende a existência de efetivas razões empresariais e propósitos negociais inseridos em todos os atos praticados, tanto quando da incorporação de ações da Natura Empreendimentos pela Natura Participações, bem assim quando das incorporações reversas de ambas pela Natura Cosméticos, sempre girando em torno da redução e/ou adequação da estrutura societária, concentração e/ou otimização das atividades da empresa, redução de custos operacionais e de administração, etc. Fl. 3297DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 28 27 Neste aspecto, há que se dizer que a autoridade fiscal não questionou, efetivamente, o propósito negocial das operações, quanto a essas finalidades declaradas pelo grupo Natura. E, de fato, nem precisaria, pois não há dúvidas de que o grupo pode se organizar como melhor entender. A questão não é o propósito negocial das incorporações em si, mas sim a falta de propósito e fundamento econômico para respaldar a geração, e posterior aproveitamento como despesa, de um ágio interno sem qualquer materialidade. Aliás, neste sentido, registrese que qualquer eventual “redução de custos operacionais e de administração” que tal reorganização societária pudesse (ou possa) ter ensejado dificilmente faria frente ao enorme aumento dos custos, provocado pela amortização do ágio ficto. Esta descomunal despesa de mais de um bilhão de reais só não constitui um verdadeiro problema para a empresa justamente porque é absolutamente irreal. É uma “despesa” que só gera benefícios (redução dos tributos devidos), mas que nenhum impacto real negativo opera sobre a empresa. Ademais, conforme bem ressaltou a fiscalização, as razões empresariais e negociais identificadas pela recorrente no documento “Justificação e Protocolo de Incorporação de Ações da Natura Empreendimentos S.A. pela Natura Participações S.A.” poderiam todas ser implementadas sem que houvesse a necessidade de reavaliação das ações da Natura Empreendimentos, verbis: “84. Abertura de capital, obtenção de financiamentos junto ao BNDES e concentração de ações não justificam a incorporação das ações pelo seu valor econômico da qual se origine um ágio artificial (inexistente), criado internamente ao grupo. Todos esses objetivos poderiam (e, no caso, deveriam) ser obtidos por meio de uma incorporação das ações pelo seu valor patrimonial.” Não apenas o CARF, mas também a CVM – Comissão de Valores Mobiliários, e a própria doutrina contábil, condenam o ágio interno. Antes que se alegue não poder a autuação fiscal buscar amparo em normas societárias e contábeis, registrese que a base de cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro é o resultado da interseção de três feixes de normas: ciência contábil, lei societária e lei fiscal. Tomandose o IRPJ como exemplo, temos que a lei tributária determina que a sua base imponível (lucro real) tem como ponto de partida o lucro líquido, o qual, por sua vez, deve ser apurado com observância das leis comerciais e, em especial, da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações), consoante expressamente dispõe os artigos 7o, § 4º, e 67, inciso XI, do DecretoLei no 1.598/77. E a lei societária (Lei das S/A, já referida), por sua vez, determina expressamente que a companhia observe, em sua escrituração mercantil, os princípios de contabilidade geralmente aceitos, fazendo, ainda, no seu art. 177, diversas outras referências a conceitos diretamente relacionados à ciência contábil, tais como “métodos ou critérios contábeis” e “regime de competência”, entre outros. Determina ainda a lei societária que as companhias abertas observem as normas expedidas pela CVM. Neste cenário, temse que, se a Contabilidade não aceita um determinado registro, no caso, um ágio na aquisição de um ativo, esse valor também será, em princípio, rejeitado pela lei comercial e pela lei tributária, na medida em que ele trará reflexos na Fl. 3298DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 29 28 apuração do lucro líquido da pessoa jurídica. Isto somente não seria verdade se houvesse expressa determinação em contrário, por parte da lei tributária, o que, no caso, inocorre. Para que não restem dúvidas do repúdio que a ciência contábil e a própria CVM demonstram com relação a este tipo de operação artificial, citese os seguintes atos, alguns dos quais foram referidos e comentados pela própria fiscalização: Deliberação CVM nº 29/86, que trata do Princípio do Custo como Base de Valor; Resolução nº 750/93, do Conselho Federal de Contabilidade, que trata do Princípio do Registro pelo Valor Original; artigo do Professor Eliseu Martins, publicado em congresso realizado em 2004 na USP, expressando que o ágio decorre de processo de compra e venda de ativos somente quando estiverem envolvidas partes independentes e não relacionadas, não sendo passível de reconhecimento contábil o ágio gerado internamente; OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, que enfaticamente condena o ágio gerado em operações internas, afirmando inexistir geração de riqueza em transação consigo mesmo, e concluindo que “essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade”. Resolução do Conselho Federal de Contabilidade – CFC nº 1.110/2007, que destaca o fato de o ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente ser vedado pelas normas nacionais e internacionais, e que, portanto, “qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado”; Resolução CFC nº 1.139, de 21.11.2008, que aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 19.8, que expressamente afirma que o “ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo”; OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2013, que reafirma a vedação ao registro do ágio interno, em razão de que “não há no caso terceiros independentes, interessados em praticar uma operação sem favorecimentos, validando o ágio.” O fato de algumas dessas normas ou manifestações serem posteriores aos eventos ocorridos não retira o seu caráter interpretativo, pois a base legal efetiva em que se amparam já se encontrava vigente à época. De fato, para que fosse possível a legislação tributária convalidar algo que a própria contabilidade rejeita, entendese que teria de haver expressa previsão legal neste sentido, o que não se verifica. Fl. 3299DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 30 29 A alusão da recorrente aos artigos 7o e 8o da Lei nº 9.532/97 não a socorre, pois não há como extrair dos seus comandos qualquer interpretação no sentido de que ali estaria albergado o “ágio interno” de que aqui se fala, mormente tendose em conta o caráter manifestamente antielisivo contido nos referidos artigos, estampado na própria exposição de motivos ao art. 8° da Medida Provisória nº 1.602/97 (origem daqueles mencionados artigos), na qual o legislador expõe as suas preocupações com alguns “planejamentos tributários” engendrados exclusivamente para gerar ganhos de natureza tributária. Confirase: “O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” É com relação aos casos reais, de efetivo ágio pago, portanto, que o legislador instituiu nova disciplina relativa à sua amortização, com isto derrogando parcialmente algumas normas contidas no Decretolei nº 1.598, de 1977, a respeito. Aliás, registrese que o regramento contido na Lei nº 9.532/97 especifica a forma pela qual devem ser feitos — quando da absorção do patrimônio de uma pessoa jurídica por outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão — os registros contábeis dos valores antes considerados como ágio ou deságio. Todos os lançamentos referidos na lei dizem respeito tão somente à escrituração comercial da pessoa jurídica, sendo que as amortizações dos ágios assim registrados (contabilmente) passam a ter, a partir do evento que determinou a extinção da participação societária, efeitos fiscais. Assim, somente uma interpretação muito distorcida poderia levar ao entendimento de que, no bojo dos referidos artigos, estaria prevista a possibilidade de registro e aproveitamento do ágio interno aqui discutido. A lei trata de lançamentos contábeis, e a própria contabilidade repudia o ágio interno. Por todo o quanto exposto, o fato de a Lei n° 12.973/14 ter feito expressa menção ao ágio interno (“goodwill decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes”) não pode ser tomado, como quer a recorrente, e com a devida vênia dos que entendem em contrário, como algo a corroborar a afirmação de que “a legislação tributária anterior à edição de tal norma acolhia a presença do ágio interno para fins de amortização do ágio”. A recorrente alega, ainda, em seu favor, a correção da constituição da “Provisão para Preservação da Capacidade Patrimonial de Distribuição de Dividendos Futuros”, e a impossibilidade de tributação da receita de reversão desta provisão indedutível, por já ter sido tributada anteriormente. Fl. 3300DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 31 30 Conforme relatado, a Natura Participações havia registrado, em 31 de janeiro de 2004, antes de sua incorporação pela Natura Cosméticos, a provisão acima mencionada, no valor de R$ 1.028.040.605,94, idêntico ao montante do ágio. A recorrente afirma que a constituição desta provisão obedeceu aos “estritos termos das instruções CVM nos. 319/99 e 349/01, tendo em vista o iminente processo de incorporação da Companhia visàvis uma possível abertura de capital da provável incorporadora Natura Cosméticos S.A.” E que as referidas instruções estipulam tão somente um valor mínimo pelo qual ela deve ser constituída (66% do valor do ágio, correspondente à diferença entre o valor do ágio – 100% e o benefício fiscal dele decorrente – IRPJ 25% e CSLL 9%, totalizando 34%), admitindo e até incentivando, a CVM, que a provisão seja feita em valor superior, como o foi no presente caso (100% do valor do ágio). A autoridade fiscal, por outro lado, registrou que não se poderia considerar que tal provisão tivesse sido feita nos termos das citadas instruções da CVM, em face do que a própria CVM disse a respeito. Confirase: “43. O próprio OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2013 em seu item 4 que trata da combinação de negócios entre entidades sob controle comum, já transcrito no parágrafo 34, menciona que a provisão determinada nas referidas Instruções se aplica no caso de ágio gerado entre terceiros independentes: (...) A CVM no passado, na 1a geração de operações de "incorporação reversa" ou "incorporação às avessas", com ágio validado por terceiros independentes, chegou a disciplinar a questão no âmbito das companhias abertas, com vistas a evitar que acionistas não controladores fossem prejudicados em dividendos a que fariam jus. Assim foi com a obrigatoriedade de constituição da provisão para integridade patrimonial, criada pela Instrução CVM n. 319/99, modificada pela Instrução CVM n. 349/01. (...)” 52. Como se vê, a Natura Participações não poderia reconhecer o ágio interno. Afinal, o custo como base de valor há muito já era a prática contábil vigente (Deliberação CVM n° 29/1986, que referendou o pronunciamento do Ibracon sobre a Estrutura Conceituai Básica da Contabilidade, ao tratar do "Princípio do Custo como Base de Valor"). O provisionamento integral, que, no caso da Natura Participações, tratase de baixa do ágio, só corrobora a inaceitabilidade do ágio gerado internamente, ainda que a Natura tenha justificado o provisionamento alegando que desejava preservar o fluxo de dividendos futuros, em atendimento às Instruções CVM n° 319/99 e CVM n° 349/01. De fato, resguardouse o fluxo de dividendos, mas contra uma despesa de amortização de um "ativo fictício". É uma situação que não guarda semelhança com a outra, de provisionamento integral pelas Instruções CVM n° 319/99 e CVM n° 349/01, pela qual se procura preservar o fluxo de dividendos contra uma amortização de um ágio legítimo; a provisão, no caso do ágio interno, é uma baixa que resguarda o fluxo de dividendos contra a amortização de um intangível que não deve existir contabilmente. 53. Em nenhum julgado da CVM relacionado ao ágio gerado internamente, a autarquia justifica a necessidade de baixa com base nas Instruções CVM n° 319/99 e CVM n° 349/01. Mesmo porque, conforme já mencionado no parágrafo 43, as Fl. 3301DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 32 31 instruções são direcionadas às operações entre terceiros independentes. Nos casos de ágio interno, a determinação para baixálo encontra respaldo em atos normativos que o vedam. Aquelas duas instruções admitem o provisionamento parcial ou integral do valor do ágio pela companhia; nestes, não se dá qualquer prerrogativa à empresa que possua ágio interno: ela deve baixálo por não ser o ágio interno aceitável nem contábil nem societariamente.” Pelo quanto já exposto no presente voto, resta claro que o argumento da recorrente, de que a provisão constituída teria obedecido aos “estritos termos das instruções CVM nos. 319/99 e 349/01” é manifestamente frágil e insustentável. Mas as questões afetas à referida provisão encerram ainda mais um argumento, o qual, conforme dito, havia sido apresentado pela recorrente como preliminar: o da impossibilidade de tributação da receita de reversão desta provisão indedutível, por já ter sido tributada anteriormente. Para bem compreender o argumento, que encerraria em si, em última análise, uma alegação de erro no enquadramento legal e na descrição dos fatos, por parte da fiscalização, transcrevo o quanto expôs a recorrente, a respeito, no recurso: “Nos itens 59 a 66 do TVF, o Sr. Agente Fiscal discorre sobre o procedimento adotado pela Recorrente em relação ao registro e à amortização do ágio para fins contábeis e fiscais, focando principalmente na mudança de critério entre os períodosbase de 2008 e 2009. Conforme constatado no item 62, no períodobase de 2008 a Recorrente lançou no LALUR exclusões, mês a mês o valor de R$ 12.238.578,64, sendo que essas exclusões apenas coincidiam com o mesmo valor do encargo anual de amortização do ágio. Mas, notese: essas exclusões visavam apenas evitar nova tributação dos montantes que já haviam sido tributados em decorrência da constituição da provisão para preservação do fluxo de dividendos, nos termos da Instrução CVM 319/99, com a redação dada pela Instrução CVM 349/01. Com o advento da Lei n° 11.638/07 iniciouse o processo de convergência das normas contábeis brasileiras e internacionais, e, na esteira destas alterações, a partir do ano de 2009 o ágio fundamentado em rentabilidade futura (“goodwill”), deixou de ser amortizado segundo as novas práticas contábeis societárias. Contudo, na esteira da referida lei, foi editada a Lei n° 11.941/09, que instituiu o Regime Tributário de Transição RTT, cujo art. 17, I e II determinavam que, na ocorrência de disposições da lei tributária que conduzam a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes daqueles determinados pela Lei n° 6.404/76, com as alterações da Lei n° 11.638/07, a pessoa jurídica deveria realizar ajustes que reverteriam o efeito da utilização de métodos e critérios contábeis diferentes daqueles da legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Portanto, de acordo com os critérios estabelecidos pela Lei n° 11.941/09, para fins de atendimento à norma tributária, a Recorrente deveria continuar amortizando o ágio exclusivamente para fins fiscais. Foi neste sentido, inclusive, a resposta dada pela Recorrente ao Sr. Agente Fiscal para esclarecer as razões da manutenção do ágio em seu ativo para o períodobase de 2009 (item 65 do TVF): in verbis: “Como a partir de 2009 a regra contábil não permitia mais a amortização do ágio, este foi amortizado apenas para efeitos fiscais (regime temporário de transição – RTT permanecendo as rubricas congeladas...) Fl. 3302DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 33 32 Em seguida, o Sr. Agente Fiscal reconheceu, no item 66 do TVF, que de fato se tratavam de exclusões relativas às reversões de provisão para preservação do fluxo de dividendos, passandose a tributar, pelo que se infere do referido item, justamente as reversões de provisão, in verbis: "66. De fato, mês a mês, a fiscalizada excluiu valores no LALUR 2009 (Doc. LALUR 2009) que somados totalizam R$ 318.203.038,74. As exclusões foram feitas com a descrição reversão da provisão para preservação de dividendos. Na essência, mesmo com a mudança de critério os efeitos tributários são idênticos ao do anocalendário 2008. Ou seja, no anocalendário 2009 a fiscalizada reduziu mensalmente a base de cálculo do IRPJ e CSLL através da amortização total do ágio remanescente." (g.n.) Ora, ao assim proceder, o Sr. Agente Fiscal efetuou a glosa de meras exclusões decorrrentes de reversões de provisão, ou seja, provisões já tributadas e que não podem ser tributadas novamente! Este entendimento é reforçado pelo item 002 "EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS", que integra a parte da "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL" do Auto de Infração, cf. fls 1.633 do presente processo, referente a ambos os períodosbase de 2008 e 2009. Tanto é assim que a própria DRJ, na tentativa de afastar os argumentos da Recorrente, reconhece que o procedimento adotado pela fiscalização na autuação fiscal ora combatida implicou na tributação da reversão da provisão. Contudo, na tentativa de "salvar o lançamento fiscal", decidiu por manter os autos de infração por entender que o lançamento referente à reversão da provisão não teria sido tributado anteriormente e a exclusão desses valores acabam por reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Isso fica claro nos seguintes trechos do acórdão recorrido: "Dito isto, destaco que a adição ao lucro líquido do valor da provisão não pode ser considerado como oferecimento de receita à tributação, como alega a autuada e, sua defesa. Este procedimento visa anular os efeitos tributários do registro de uma despesa contábil quando da constituição da provisão. Assim, a alegação de que existiria duplicidade na tributação não procede (...) Daí a fiscalização concluir ser indevida a exclusão da reversão da provisão, fato que concordo totalmente, pois este procedimento tem como resultado a redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, motivo pelo qual não acato as alegações de defesa. " (fls. 2.807 g.n.) Ou seja, é evidente que todo o lançamento relativo à amortização do ágio, conforme se depreende do auto de infração, de seu TVF e foi confirmado pela própria DRJ, está fundamentado na impossibilidade da exclusão da reversão de provisão anteriormente constituída sobre o ágio, a qual, todavia, ao contrário do que foi defendido pelo julgador, já havia sido anteriormente oferecida à tributação pela Recorrente, quando da sua constituição.” A seguir, transcreve a recorrente diversos precedentes do CARF, no sentido de ser cabível a exclusão (via Lalur), das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de lançamentos relativos à reversão de provisões efetuadas em exercícios anteriores, que não tiveram efeitos fiscais por ocasião de sua constituição, e da necessidade de cancelamento do lançamento fiscal no qual tenha ocorrido “erro de enquadramento” ou “erro na descrição dos fatos”. Fl. 3303DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 34 33 Especificamente, há três precedentes, todos da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção, em que, no mérito, por unanimidade de votos, aquele colegiado reconheceu a necessidade de cancelamento da exigência, sendo que a matéria em discussão, e o erro cometido pelo agente fiscal, seriam exatamente os mesmos aqui citados. Uma vez que os acórdãos 1402001.461 e 1402001.521 expressamente mencionam o anterior acórdão 1402001.357, do qual também a recorrente extraiu as transcrições que fez no recurso, transcrevese a seguir a ementa deste último, assim como trechos do voto proferido pelo conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (incorretamente identificado pela recorrente, bem como por um dos precedentes citados, como sendo o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto): Ementa: IRPJ/CSLL GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. É inválida a amortização do ágio artificial. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, devese cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida foi a contabilização de despesas indedutíveis, o crédito tributário deve ser cancelado. Voto: Equivocada, pois, a interpretação da Fiscalização quanto a relação entre a reversão da provisão sobre realização de ágio (“receita”) e a despesa de amortização de ágio contabilizadas. Tais lançamentos não possuem qualquer relação. Muito menos o efeito de anulação recíproca, ainda que matemática. (...) Considerandose que a contabilização da provisão não gerou efeitos fiscais no momento de sua constituição, quando de sua reversão também não o poderia. Essa reversão é realizada com lançamentos a crédito de conta de resultado, os quais resultam, por consequência, um aumento do lucro real e da base de cálculo de CSLL. Logo, o procedimento de exclusão, via Lalur, dos valores contabilizados como receita, era o único caminho que o contribuinte poderia ter seguido a fim de manter a neutralidade da constituição provisão e de sua reversão. (...) Conforme se observa, a exclusão do Lalur neutraliza a reversão da provisão para realização de ágio. Assim, o que de fato diminuiu a base de cálculo do IRPJ e CSLL foram as despesas com amortização de ágio, e não as exclusões realizadas no Lalur. Desse modo, incorreta a conclusão final da autoridade fiscal de que a exclusão realizada no Lalur caracteriza a infração. Concluo assim, no mérito, a exigência fiscal deve ser cancelada.” Fl. 3304DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 35 34 Com a devida vênia e respeito que merecem todos os julgadores naqueles referidos casos, e com a ressalva de não conhecer em profundidade os detalhes dos respectivos casos, senão pelos próprios acórdãos citados, não vejo como o entendimento ali exposto poderia ser reproduzido, ou aplicado, ao caso dos autos. Em primeiro lugar, não se há de discordar da jurisprudência que confirma a possibilidade da exclusão (via Lalur), das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de lançamentos relativos à reversão de provisões efetuadas em exercícios anteriores, que não tiveram efeitos fiscais por ocasião de sua constituição. Contudo, não se pode olvidar que os pressupostos para que uma tal exclusão seja possível são dois: em primeiro lugar, deve ter havido o reconhecimento de uma receita contábil (contrapartida do débito feito contra a provisão de saldo credor), e que esta receita (a reversão da provisão) não seja tributável; em segundo, o pressuposto para que esta receita (a reversão da provisão) não seja tributável é justamente o fato de que, quando da constituição da provisão, a correspondente despesa contábil gerada tenha sido adicionada; Com relação ao segundo pressuposto, digase que, em que pesem todas as divergências entre fisco e contribuinte com relação à correção ou não da constituição da provisão em si, o pressuposto foi demonstrado. Efetivamente, a Natura Participações adicionou, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, o valor da provisão constituída, por considerála indedutível (segundo o expresso reconhecimento da fiscalização a este respeito). Há que se dizer que a adição ao lucro líquido, neste caso, por via dos ajustes na parte A do Lalur, representa tão somente a anulação do efeito fiscal que seria gerado pela constituição daquela provisão indedutível (pois sua contrapartida é uma despesa). Devese frisar que nem todos os ajustes feitos na parte A do Lalur ensejam um correspondente registro na parte B deste mesmo livro. Apenas alguns valores adicionados ou excluídos na Parte A é que devem ser objeto de controle na Parte B do Lalur, para respectiva exclusão ou adição posterior. Não é o caso da provisão indedutível em comento. O que garante a possibilidade de futura exclusão, neste caso, não é o registro na Parte B do referido livro, mas sim o fato de ter havido o registro contábil de uma receita (pela reversão de uma provisão contábil), e esta receita não ser tributável. E isto, no caso, ao menos com relação ao ano de 2009, definitivamente não aconteceu. Não houve qualquer registro de receita contra a qual a referida exclusão faria frente, com vistas a neutralizar o efeito fiscal. Houve tão somente a exclusão, via Lalur. Aliás, tampouco houve o registro contábil de qualquer despesa com amortização de ágio em 2009. Nestes termos, caberia a pergunta: como faria o auditor fiscal o lançamento, se não haveria, neste caso, uma “irregularidade relativa à contabilização de despesas indedutíveis” a respeito da qual poderia exigir a adição não feita pelo contribuinte? A dar guarida ao equivocado entendimento defendido pela recorrente, a fiscalização ficaria simplesmente inerte, sem ter o que fazer. Ora, mas se é evidente que o Fl. 3305DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 36 35 único “lançamento” existente é o do ajuste extrafiscal, de exclusão do lucro líquido, do valor que corresponde exatamente ao montante da amortização do ágio interno, imaterial e sem qualquer fundamento econômico, que jamais deveria ter sido objeto de qualquer reconhecimento contábil ou fiscal, então não há dúvidas de que a exclusão do lucro líquido, no caso, foi apenas o meio utilizado para viabilizar a indevida dedução das bases de cálculo tributáveis. Neste sentido, transcrevo a seguir excertos do Termo de Verificação Fiscal (TVF), para que se afastem quaisquer dúvidas acerca de um alegado equívoco na descrição dos fatos. Conforme se verá, os fatos foram adequadamente descritos, tendo a recorrente os compreendido muito bem, tanto que deles se defendeu com diversos e inteligentes argumentos, não havendo dúvidas de que o que a fiscalização, assim como este relator, não admitem, é a amortização do ágio gerado internamente. “57. Conforme consta nos processos apresentados pela fiscalizada (parágrafo 25), já foram lavrados autos de infração IRPJ e CSLL com a glosa dos valores das despesas de ágio amortizadas entre os anos calendários 2004 e 2007 no valor total de R$ 562.974.617,44. Aqui serão tratadas as despesas amortizadas tributariamente nos anos calendários 2008 no valor de R$ 146.862.943,68 e 2009 no valor de R$ 318.203.038,74. 58. No ano calendário 2008 a Natura Cosméticos amortizou tributariamente parte do ágio gerado internamente no valor total de R$ 146.862.943,68. Contabilmente, na apuração da receita líquida, a despesa de amortização do ágio foi neutralizada pela receita de reversão da provisão para preservação do fluxo de dividendos; essa reversão (receita) foi excluída no LALUR 2008, de forma que, ao final, temse que a despesa de amortização é integralmente deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 59. Conforme informado nos parágrafos 21 a 23, antes da sua incorporação pela fiscalizada, a Natura Participações havia registrado em seu ativo o ágio decorrente da avaliação econômica das ações da Natura Empreendimentos e a provisão para preservação do fluxo de dividendos. Após a incorporação, a Natura Cosméticos passou a contabilizálos no seu ativo da seguinte forma (Doc Resposta ao Termo de Intimação 06): 60. A fim de preservar o fluxo de dividendos dos acionistas não controladores, a fiscalizada revertia a provisão à medida que amortizava o seu ágio interno. Conforme arquivos contábeis transmitidos ao SPED CONTÁBIL, a contabilização em todos os meses do ano calendário 2008 é idêntica, por isso ela é demonstrada apenas para um dos meses: Fl. 3306DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 37 36 61. Cabe notar que a conta de resultado n° 331423, "Amortização de ágio", foi utilizada para registrar tanto a amortização do ágio (a débito) quanto para registrar a reversão da provisão para manutenção da capacidade de pagamento de dividendos (a crédito), de forma que a diferença entre ambas não causou impacto sobre a receita líquida. No ano 2008, a conta n° 331423, de amortização de ágio, foi debitada no montante total de R$ 146.862.948,00 e creditada (reversão da provisão para manutenção do fluxo de dividendos) no mesmo valor. 62. Observase que no LALUR 2008 (Doc Resposta aos Termos de Intimação Fiscal 04 e 05 arquivo "2 LALUR 2008 PARTE I.pdf") a fiscalizada lançou nas exclusões, mês a mês, o valor de R$ 12.238.578,64 (1/84 do valor do ágio). Essa pequena diferença mensal de R$ 0,36 não será relevante para as abordagens feitas nesse Termo. Assim, no ano calendário 2008 a fiscalizada excluiu, via LALUR, o total de R$ 146.862.943,68. Essas exclusões igualamse à despesa anual de amortização do ágio. 63. A fiscalizada optou por não declarar na DIPJ ano calendário 2008 as despesas de amortização do ágio nem as reversões da provisão para preservar o fluxo de dividendos, diferentemente de como as registrou em sua contabilidade, na qual optou por reconhecêlas. Tanto um procedimento quanto o outro resultam no mesmo lucro líquido que serve de base para a apuração do IRPJ e da CSLL, pois a despesa de amortização e a reversão da provisão são idênticas e se anulam algebricamente. Assim, informadas ou não as duas contas, a exclusão da reversão da provisão no LALUR causa, ao final, uma redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL provocada pela despesa de amortização do ágio interno. 64. No ano calendário 2009, o remanescente do ágio no valor total de R$ 318.203.038,74 foi totalmente amortizado tributariamente, entretanto, o valor do ativo, acompanhado da conta redutora, permaneceu no balanço da fiscalizada, conforme arquivos transmitidos ao SPED CONTÁBIL: 65. Intimada a esclarecer o motivo da manutenção do ativo, a fiscalizada respondeu (Doc Resposta ao Termo de Intimação 06) que: "... Como a partir de jan/2009 a regra contábil não permitia mais a amortização do ágio, este foi amortizado apenas para efeitos fiscais (regime temporário de transição RTT) permanecendo as rubricas congeladas..." (grifo nosso) 66. De fato, mês a mês a fiscalizada excluiu valores no LALUR 2009 (Doc LALUR 2009) que somados totalizam R$ 318.203.038,74. As exclusões foram feitas com a descrição reversão da provisão para preservação do fluxo de dividendos. Na essência, mesmo com a mudança de critério, os efeitos tributários são idênticos ao do ano calendário 2008. Ou seja, no ano calendário 2009 a fiscalizada reduziu, mensalmente, a base de cálculo do IRPJ e CSLL através da amortização total do ágio remanescente. (...) 70. As exclusões nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL dos valores amortizados tributariamente nos anos calendários 2008 e 2009, foram feitas nas Fl. 3307DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 38 37 respectivas DIPJ, através da linha 68/69 "outras exclusões" da ficha 09 A Demonstrativo do Lucro Real e linha 53 "outras exclusões" da ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Docs DIPJ 2008 e 2009 Natura Cosméticos), conforme informou a fiscalizada ao ser intimada a compor a linha outras exclusões dos referidos anos calendários (Docs arquivo anexo à resposta ao Termo de início de ação fiscal e Resposta aos Termos de Intimação Fiscal 04 e 05). (...) 88. Como reiteradamente mencionado, o ágio interno, por ser inexistente, não atende aos pressupostos contábeis, societários e fiscais para seu reconhecimento como ativo. Apenas a baixa contábil do ágio gerado artificialmente não afasta o fato de que, em essência, com a exclusão no LALUR da reversão da provisão para preservação do fluxo futuro de dividendos, houve, sim uma redução imprópria da base de cálculo do IRPJ e da CSLL que provoca o mesmo efeito que a dedutibilidade da despesa de amortização do ágio interno. Tratase, pois, de uma redução tributária causada por uma despesa de amortização que é inexistente. (...) 94. Diante de tudo que foi exposto, fazse necessário realizar o presente lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL, decorrente da glosa das despesas de amortização de ágio gerado internamente nos anos calendários 2008 (R$ 146.862.943,68) e 2009 (R$ 318.203.038,74), por serem indedutíveis ("inexistentes") na determinação do lucro real e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma dos artigos 247 e 250, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999) e artigo 57 da Lei n° 8.981, de 1995.” Com a devida vênia, tendose em conta o quanto exposto pela fiscalização nos excertos acima transcritos, seria até leviano invocar um suposto erro de enquadramento legal ou de descrição dos fatos para cancelar integralmente um lançamento assim constituído. Mencionáramos antes o ano de 2009, em que já não haveria mais o registro contábil nem das despesas de amortização do ágio, nem das receitas de reversão da “Provisão para Preservação da Capacidade Patrimonial de Distribuição de Dividendos Futuros”. Mas restaria o ano de 2008, em que havia o registro contábil de ambas, pelo que alguém poderia, talvez, entender então que, para este ano, o erro da fiscalização estaria configurado. Mais uma vez, com a devida vênia, não é possível dar guarida a tal entendimento. Em primeiro lugar, vejase que a recorrente contabilizava tanto a despesa quanto a receita contra uma única conta contábil (331423, vide parágrafo 61 do TVF acima), a qual apresentava, portanto, saldo zero! Neste contexto, difícil exigirse a adição de uma despesa indedutível, se contabilmente a despesa, pelo confuso (ou talvez genioso) método de contabilização adotado pelo contribuinte, sequer sensibiliza o resultado contábil. Tanto que, o próprio contribuinte, ao preencher a sua DIPJ relativa ao ano de 2008, não declarou nem as despesas de amortização do ágio e nem as reversões da provisão. Tão somente excluiu, nas linhas relativas a “outras exclusões” da DIPJ, os valores que, conforme já aqui mencionado, correspondem exatamente às indevidas amortizações do ágio que jamais poderia ter sido reconhecido. Fl. 3308DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 39 38 Portanto, sem qualquer procedência o argumento de que o auditor fiscal teria incorrido em erro ao glosar a exclusão indevida. A exclusão extracontábil foi apenas o meio pelo qual se materializou, no caso, a indevida repercussão tributária das amortizações do ágio inexistente. Igualmente sem procedência o argumento de que estaria havendo dupla tributação, em face de já ter sido adicionada a despesa quando da constituição da provisão. Pois, conforme dito, aquela adição não representou o oferecimento à tributação de coisa alguma, e sim tão somente a anulação do indevido efeito fiscal que adviria do registro daquela despesa, se não tivesse sido lá adicionada. Portanto, por todo o exposto, deve ser mantido o lançamento com relação a este item da autuação. No que toca ao reflexo de CSLL, sem procedência o argumento de que inexistiria previsão legal para a adição, na sua base de cálculo, da despesa com a amortização de ágio. É que, no caso, não se trata aqui da mera indedutibilidade dessas despesas em face de legislação material específica apenas para o imposto de renda. Tratase, isto sim, do registro indevido de despesas inexistentes, imateriais, e que afetaram também, a apuração da base de cálculo daquela contribuição. Seja afetando de modo indevido o lucro líquido contábil, que é também o ponto de partida para a apuração da sua base de cálculo, seja pelo meio utilizado pelo contribuinte, de zerar o efeito contábil provocado, mas promover a redução da base de cálculo por meio de exclusão extracontábil. Tratandose de despesas artificialmente geradas, sem qualquer materialidade nem sentido econômico, as quais sequer seriam passíveis de registro contábil, inadmissível a repercussão tributária das mesmas na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Aliás, é esta mesma circunstância, de não se tratar de uma despesa efetiva, contudo meramente indedutível em face das leis tributárias, e sim de uma despesa imaterial, artificialmente fabricada, que me conduzem a concluir pela correção da aplicação da multa qualificada ao caso. O intuito de fraude, previsto na lei para a qualificação da multa de ofício, possui um amplo conceito no qual se inserem as condutas dolosas tipificadas como sonegação, fraude ou conluio, conforme previsto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Para a constatação da ocorrência de dolo, tanto em sua acepção penal, quanto aqui, como elemento subjetivo do tipo qualificado tributário, diz a mais balizada doutrina que é necessário verificar se havia, por parte do agente, a consciência (conhecimento do agente das circunstâncias caracterizadoras do ilícito) e a vontade para a prática da conduta (positiva ou omissiva) contrária ao ordenamento. Em outras palavras, é preciso demonstrar que o agente previu e quis o resultado ilícito. Por todo o quanto exposto no presente voto, resta evidente que a contribuinte agiu de modo consciente e doloso, com vistas a reduzir o montante dos tributos devidos sobre o lucro, por meio da geração de um ágio artificial cuja amortização viria a reduzir a base imponível destes tributos, situação esta que se enquadra, assim como o fisco a enquadrou, no quanto disposto no art. 72 da Lei nº 4.502/64, abaixo transcrito: Fl. 3309DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 40 39 “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” De fato, não se trata, no caso, de uma mera dedução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, fruto de algum erro de fato ou de incorreta interpretação da legislação tributária. A dar guarida ao entendimento defendido pela recorrente, bastaria periodicamente efetuar operações semelhantes, intragrupo e sem quaisquer ônus ou custos reais, para nunca mais ter de pagar qualquer tributo sobre os lucros da sua atividade. É tão absurda esta proposição, que não se pode, a meu ver, dar guarida a entendimentos no sentido de que a recorrente teria incorrido em erro de proibição, ou interpretação equivocada da lei, em qualquer caso como forma de afastar a qualificação da multa aplicada. Com relação aos lançamentos decorrentes do ágio interno, portanto, devese negar provimento ao recurso voluntário. 2. Juros sobre o Capital Próprio (JCP) A fiscalização glosou a exclusão de uma parte dos Juros sobre o Capital Próprio (JCP) pagos ou creditados, por se referirem a juros calculados sobre o patrimônio líquido de ano anterior: “130. Com relação ao valor de R$ 57.464.917,67, ele foi registrado na contabilidade no final do ano calendário 2008 a débito de lucros acumulados (n° 22300) e a crédito em diversas contas do passivo exigível representativas de direitos dos sócios (Doc ...). O pagamento do referido valor foi autorizado pelo Conselho de Administração em reunião realizada em 18/02/2009 (Doc ...) e ratificada pela Assembléia Geral Ordinária em 23/03/2009 (Doc ...). Conforme planilha de cálculo apresentada pela fiscalizada (Doc ...), o valor se refere a juros calculados sobre o patrimônio líquido de agosto à dezembro de 2007 (R$ 16.673.027,37) e de janeiro à dezembro de 2008 (R$ 40.791.890,30). 131. Já em relação ao valor de R$ 25.028.116,12, o registro se deu na contabilidade no final do mês de julho de 2009 a débito de lucros acumulados (n° 22300) e a crédito em diversas contas do passivo exigível representativas de direitos dos sócios (Doc ...). O pagamento do referido valor foi autorizado pelo Conselho de Administração em reunião realizada em 19/07/2009 (Doc ...) e ratificada pela Assembléia Geral Ordinária em 06/04/2010 (Doc ...). Conforme demonstrado pela fiscalizada (Doc ...), o valor se refere a juros calculados sobre o patrimônio liquido de janeiro a julho de 2009. 132. Para melhor análise segue abaixo resumo dos fatos ora narrados: Fl. 3310DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 41 40 (...)” A fiscalização concluiu que os itens 2 e 3 acima atenderam às normas contábeis, societárias, e fiscais, sobre as quais discorreu no relatório. Contudo, glosou a exclusão do valor referido no item 1 por entender que a fiscalizada “deixou de exercer seu direito em momento oportuno (ano calendário 2007), infringiu o princípio contábil da competência”. A recorrente se defende, argumentando, em síntese, que: (i) não há na lei qualquer limite temporal para o pagamento de JCP; (ii) o período de competência dos JCP é aquele em que há deliberação para o seu pagamento ou crédito, portanto, foi observado, no caso, o regime de competência; (iii) a obrigação contratual de pagar ou creditar os JCP, em um determinado anocalendário, é decisão dos sócios ou administradores, e não se extingue pelo simples fato de não se ter exercido esta vontade; (iv) é lícito o pagamento ou crédito de JCP desde que atendidos os limites e condições legais aplicáveis à época da decisão. A matéria está regulada no art. 9o da Lei nº 9.249/95, abaixo transcrito apenas na parte que interessa à discussão: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º.” Dos argumentos manejados pela defesa, há que se concordar que não houve, no caso, efetivamente, desrespeito ao regime de competência para o reconhecimento da despesa. O pagamento (ou não) de JCP representa uma opção, conferida pelo legislador, aos contribuintes pessoas jurídicas. Só há sentido falarse em despesa incorrida a partir do momento em que há deliberação para que ocorra o seu pagamento. Para a legislação Fl. 3311DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 42 41 societária, contudo, os JCP sequer são considerados despesa, mas sim uma forma de destinação do resultado. Neste sentido, por exemplo, dispunha a Deliberação CVM n° 207, de 13 de dezembro de 1996 (com vigência até 31/08/2012): “I Os juros pagos ou creditados pelas companhias abertas, a título de remuneração do capital próprio, na forma do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, devem ser contabilizados diretamente à conta de Lucros Acumulados, sem afetar o resultado do exercício. VIII Caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados ou recebidos/auferidos como despesa ou receita financeira, deverá proceder à reversão desses valores, nos registros mercantis, de forma a que o lucro líquido ou o prejuízo do exercício seja apurado nos termos desta Deliberação.” Já a Deliberação CVM n° 683, de 30 de agosto de 2012, aprovou a Interpretação Técnica ICPC 08(R1) do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que assim dispôs: “10. Os juros sobre o capital próprio – JCP são instituto criado pela legislação tributária, incorporado ao ordenamento societário brasileiro por força da Lei 9.249/95. É prática usual das sociedades distribuiremnos aos seus acionistas e imputaremnos ao dividendo obrigatório, nos termos da legislação vigente. 11. Assim, o tratamento contábil dado aos JCP deve, por analogia, seguir o tratamento dado ao dividendo obrigatório. O valor de tributo retido na fonte que a companhia, por obrigação da legislação tributária, deva reter e recolher não pode ser considerado quando se imputam os JCP ao dividendo obrigatório.” Portanto, o reconhecimento como despesa é reconhecido tão somente pela regra fiscal contida no art. 9o da Lei nº 9.249/95, cujo caput trata justamente da sua dedutibilidade para fins de apuração do lucro real, ali fixando o limite para esta dedutibilidade. A lei fiscal, portanto, confere aos JCP o tratamento de uma despesa financeira. Assim, entendo que, quando a lei permite que se deduza, para efeitos da apuração do lucro real, os JCP calculados pela aplicação pro rata dia da taxa TJLP, sobre os valores das contas do patrimônio líquido, só pode estarse referindo ao patrimônio líquido e ao período de apuração do lucro real em que se reconhece a própria despesa, e a nenhum outro. Em outras palavras, a despesa só pode ser calculada nos limites do exercício em que contabilizada, não sendo possível apurarse o montante da despesa incorrida com base em períodos anteriores. Fl. 3312DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 43 42 É essa a opinião de Hiromi Higuchi2: “Alguns tributaristas entendem que os juros sobre o capital próprio são dedutíveis na determinação do lucro real, ainda que não contabilizados no período base correspondente, desde que escriturados como exclusão no LALUR e sejam contabilizados no períodobase seguinte como ajuste de exercício anterior. Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento. (...) Algumas empresas chegam ao exagero de efetuar os lançamentos contábeis de juros sobre o capital próprio, a título de ajustes de exercícios anteriores, após dois ou três anos da data de apuração dos resultados, seguida de retificação das declarações de rendimentos. Neste caso está provada a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o capital próprio.” No mesmo sentido é o magistério de Edmar Oliveira Andrade Filho3, para quem o fato de as demonstrações contábeis de períodos anteriores já terem sido aprovadas pelos acionistas, sem que tenha havido a deliberação acerca do pagamento de JCP, configura a renúncia à faculdade prevista em lei. Confirase: “Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem essa deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que o sujeito passivo deverá observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente. (...) Se em determinando exercício social passado não foram pagos ou creditados juros sobre o capital e se demonstrações contábeis já tiverem sido aprovadas pelos acionistas, é lícito inferir que eles deliberaram pelo não pagamento ou crédito dos juros. Se as pessoas que detinham competência para deliberar sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia, e considerando que demonstrações contábeis, depois de aprovadas pelos sócios ou acionistas, são consideradas “ato jurídico perfeito”, impõese a conclusão de que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação. Portanto, lógica e juridicamente, não há como imputar a exercícios passados os efeitos de deliberação societária (sujeita a uma disciplina jurídica específica) tomada no presente. Essa imputação só poderá ocorrer 2 HIGUCHI, Hiromi. Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática. 38ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2013. pp. 127128. 3 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Imposto de Renda das Empresas. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. p. 458 Fl. 3313DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 44 43 se o Balanço vier a ser retificado por determinação dos sócios ou acionistas, mas tal retificação só poderia ser juridicamente justificada se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação.” Portanto, correto o procedimento fiscal, ao não permitir que fosse deduzida a despesa de JCP calculada com base na aplicação da taxa TJLP sobre o patrimônio líquido de período anterior ao da apuração do lucro real no qual se reconhece a própria despesa. No mesmo sentido que o presente voto, os seguintes precedentes: Acórdão nº 1301001.118, sessão de 5 de dezembro de 2012, relator Wilson Fernandes Guimarães: “DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado.” Acórdão nº 1102000.934, sessão de 8 de outubro de 2013, relator José Evande Carvalho Araujo: “JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) é optativo, e, nos termos da lei, eles só passam a existir no mundo jurídico com o pagamento ou o crédito individualizado ao titular, sócios ou acionistas. Somente nesse momento podem ser considerados como despesa incorrida, devendose realizar seu cálculo em função do patrimônio e lucros do exercício em que surgiram. Não é possível se apurar o montante de despesa incorrida com base em períodos anteriores a sua existência.” Com relação aos lançamentos decorrentes da glosa dos JCP, portanto, deve se negar provimento ao recurso voluntário. 3. Perdas no recebimento de créditos Consta no relatório fiscal acerca desta infração: “140. Assim, a fiscalizada foi intimada nos seguintes termos (Doc item 4 do Termo de intimaçãoFiscal 04): Com relação à planilha entregue a esta fiscalização compondo as perdas efetivas contabilizadas no ano calendário 2009 no valor total de R$ 67.126.138,08, justificar o motivo pelo qual 232.975 operações no valor total de R$ 1.083.263,26 com vencimentos entre 01/07/2009 e 31/12/2009 foram baixadas como perdas, uma vez que o artigo 9o da Lei 9.430/96 Fl. 3314DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 45 44 permite somente o registro das perdas de créditos em operações vencidas a mais de 6 meses. 141. Em Sua resposta (Doc Resposta aos Termos de Intimação Fiscal 04 e 05), a fiscalizada informou que: "Vale justificar que, as 232.975 operações no valor de R$ 1.083.263,26, com vencimentos entre 01/07/2009 e 31/12/2009, foram baixados como perda, pois o sistema legado é parametrizado para lançar automaticamente em perdas qualquer saldo remanescente de pagamento menor ou igual a R$ 12,00." (...)” A fiscalização, então, glosou a despesa com perdas no recebimento de créditos no referido valor de R$ 1.083.263,26. No recurso, a recorrente aduz, em síntese, o seguinte: (i) nulidade da decisão recorrida por ausência de apreciação da prova apresentada e por falta de manifestação quanto ao alegado erro de capitulação legal; (ii) nulidade do lançamento por erro de capitulação legal e por ausência de documento que embasou; (iii) as dívidas de montantes inferiores a R$ 12,00 são, na essência, despesas operacionais plenamente dedutíveis, nos termos do artigo 299 do RIR/99; (iv) , esses mesmos créditos já poderiam ser deduzidos no período base de 2010, pelo que, quando muito, caracterizada a mera postergação do IRPJ e CSLL, nos termos do art. 273 do RIR/99. A prova apresentada, que não teria sido analisada pela DRJ é o ‘doc.23’ da impugnação, que seria justamente a planilha que a fiscalização utilizou para embasar o lançamento, mas não anexou aos autos, o que seria causa de nulidade do próprio lançamento: “...a Recorrente, de boafé, juntou aos autos a referida planilha por amostragem, a fim de provar que praticamente a totalidade dos valores baixados como perda eram inferiores a R$ 100,00, o que não justificava sua cobrança por qualquer meio uma vez que os custos para isso seriam maiores do que a própria perda (Doc. 23 anexado à Impugnação)” Ora, a referida “planilha por amostragem” (fls. 23372338) apenas confirma que os valores nela constantes são de fato muito inferiores ao limite de R$ 5.000,00 previsto no artigo 9º, § 1º, II, ‘a’, da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento;” Assim, se a “planilha por amostragem” trazida pela própria recorrente apenas corrobora o quanto afirmado tanto pela recorrente, quanto pela fiscalização, ou seja, que os Fl. 3315DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 46 45 créditos são inferiores a R$ 5.000,00, não se verifica qualquer nulidade no acórdão recorrido, que assim manifestouse sobre a questão (grifei): “Primeiramente, afasto a alegação de nulidade do lançamento, pois este decorre de documentos apresentados pela própria autuada. Constato, ainda, que não houve contestação do valor glosado de R$ 1.083.263,26 durante a ação fiscal e sequer na impugnação. Além disso, verifico que a lide se limita à matéria de direito, pois se questiona a possibilidade de deduzir as bases de cálculo do IRPJ e CSLL com perdas em operações de crédito vencidas há menos de 6 meses, e não de matéria de fato. Logo, não acarreta nulidade do lançamento a anexação de planilha contendo parte destas operações.” Pelos motivos expostos, afastase todas as alegações de nulidade (do lançamento e/ou da decisão recorrida) vinculadas à planilha na qual se embasou o lançamento. Tampouco prosperam as alegações de nulidade do lançamento e/ou da decisão recorrida com relação a um suposto erro no enquadramento legal, posto que a fiscalização fez expressa referência ao dispositivo legal antes transcrito, e tampouco omitiuse a DRJ em analisar o argumento apresentado. Diante de norma específica regulando a matéria, não há como aplicar, como pleiteia a recorrente, tão somente o dispositivo legal atinente ao conceito de despesas necessárias (art. 299 do RIR/99), afastandose a norma do art. 9o da Lei nº 9.430/96. A manifestação da DRJ também é neste mesmo sentido. Ademais, a alegação de que os custos para cobrança seriam maiores do que a própria perda não possui nenhuma pertinência, posto que, nos termos da própria Lei nº 9.430/96, para créditos como os que foram glosados sequer há a necessidade de se instituir qualquer meio de cobrança para que sejam considerados dedutíveis. Basta demonstrar que estão vencidos há mais de seis meses. Com relação à alegação de postergação, é entendimento assente no âmbito do CARF que não basta, a quem aproveita o argumento, apenas alegar a postergação, esta tem de ser provada. E a postergação a ser provada, a que se referem tanto a norma legal citada pela recorrente (art. 273 do RIR/99, cuja base legal é o DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º), quanto o Parecer Normativo do CoordenadorGeral do Sistema de Tributação – COSIT nº 2 de 28.08.1996, é a postergação do pagamento de imposto. Cediço que são as inexatidões quanto ao período de apuração na escrituração de receita, custo ou despesa, que podem dar ensejo à postergação do pagamento de imposto. Mas não basta apenas demonstrar que determinada receita, cujo registro foi indevidamente postergado, já foi contabilizada no período seguinte, ou que determinada despesa, cujo registro foi indevidamente antecipado, já poderia ser deduzida no período seguinte. È necessário demonstrar que o imposto devido sobre a receita indevidamente postergada, ou sobre a despesa indevidamente antecipada, foi efetivamente pago no período seguinte (ou seja, que o imposto pago no período seguinte teria sido menor, no exato montante em que deixou de ser pago no período em que houve o indevido registro da despesa, ou em que deixou de ser feito o registro da receita). Neste sentido, os seguintes precedentes do CARF: Fl. 3316DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 47 46 Acórdão nº 10323.308, sessão de 6 de dezembro de 2007, relator conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe: “GLOSA DE CUSTOS SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUES POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO – PROVA A subavaliação de estoques tem por efeito acarretar o diferimento da tributação do lucro para o exercício seguinte, e, em conseqüência, a postergação do pagamento do imposto, devendo, contudo, sua ocorrência ser provada pela recorrente.” (grifei) Acórdão nº CSRF/0104.872, sessão de 16 de fevereiro de 2004, relator conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior: “LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS — POSSIBILIDADE DE EFEITOS DE POSTERGAÇÃO — COBRANÇA EM DUPLICIDADE — IMPOSSIBILIDADE — Restando provado que, até a data da autuação, deixou o contribuinte de compensar prejuízos fiscais observando o limite de 30% do lucro líquido ajustado, em razão do saldo dos mesmos ter se esgotado ou diminuído por compensação anterior integral e indevida, o lançamento de ofício deve considerar os efeitos da postergação de pagamento de tributos, pois não se pode exigir tributos em duplicidade. Não sendo este Conselho autoridade lançadora, competente para promover a constituição de crédito tributário, cancelase a autuação.” (grifo do original) Acórdão nº 10323.627, sessão de 13 de novembro de 2008, relator conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe: “POSTERGAÇÃO — ALEGAÇÃO — FALTA DE COMPROVAÇÃO A simples alegação em tese da ocorrência da postergação não é suficiente para desconstituir o lançamento. A postergação, alegada como matéria de defesa deve vir acompanhada da prova de sua ocorrência.” (grifei) Acórdão nº 1102000.865, sessão de 7 de maio de 2013, relator conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho: “POSTERGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Reconhecese os efeitos da postergação tributária em relação aos períodos subseqüentes à ocorrência do fato gerador lançado nos quais o Contribuinte faz prova do recolhimento do tributo postergado.” (grifei) Acórdão nº 1102001.257, sessão de 26 de novembro de 2014, relator conselheiro José Evande Carvalho Araujo: “COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ACIMA DO LIMITE DE 30%. POSTERGAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA DEFESA. A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente Súmula CARF nº 36. Fl. 3317DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 48 47 Hipótese em que o contribuinte não comprovou que pagou IRPJ em período posterior em decorrência da falta de saldo de prejuízos a compensar, sendo seu o ônus dessa prova, no temos do verbete sumular.” (grifei) E as alegações da recorrente, no caso concreto, são somente no sentido de que as perdas em questão (despesas) já poderiam ser abatidas do resultado no período subsequente. Conforme dito, isto não é prova de ocorrência de postergação de pagamento de imposto. Assim, não há como acatar os argumentos da defesa. Com relação aos lançamentos decorrentes da glosa das perdas no recebimento de créditos, portanto, devese negar provimento ao recurso voluntário. 4. Multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas Em decorrência das infrações lançadas, já acima analisadas, a fiscalização procedeu ao recálculo das estimativas de IRPJ e CSLL devidas, e, sobre as diferenças encontradas, lançou a multa isolada de 50%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. A defesa sustenta haver duplicidade de multas (bis in idem) com a aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de ofício sobre os mesmos fatos, e, ademais, afirma que, com a apuração do tributo ao final do exercício, desaparece a base imponível da multa isolada, cabendo tão somente a multa de ofício. A este respeito já firmei convicção em diversas outros precedentes. Não me seduzem nem sensibilizam as diversas teses que encontraram abrigo no seio do CARF, defendendo, por uma ou outra razão, a insubsistência parcial ou total das referidas multas, quando, na verdade, há expressa disposição legal prevendo a sua aplicação. A multa isolada aplicada tem o seu fundamento legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que possui a seguinte redação (grifos acrescidos): “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 3318DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 49 48 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...)” Cediço que a regra de apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real, consoante o art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, é de períodos de apuração trimestrais. A apuração anual é uma alternativa oferecida pela Lei nº 9.430, de 1996, a qual, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação de diferentes percentuais sobre a receita bruta auferida mensalmente, conforme a atividade econômica praticada. Exercida a opção por esta forma de apuração, com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já recolhido excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. De se observar que a opção por esta forma de apuração, uma vez exercida, é de caráter irretratável para aquele ano calendário. Da leitura do dispositivo acima transcrito, sobressai que a exigência da multa isolada decorre exatamente da falta de recolhimento das estimativas a que se obriga a pessoa jurídica que, por vontade própria, opta pela apuração anual do imposto, e, ainda, que tal exigência não guarda nenhuma consonância com o quantum apurado ao final do ano calendário, caso contrário não faria sentido a parte final da alínea b do inciso II do caput (“...ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica”). É preciso ficar claro que o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, posteriormente, se demonstrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas se revelarem, ao final do período de apuração, indevidas, é completamente irrelevante, e não pode servir de fundamento ao afastamento da incidência da norma legal no caso concreto. Aliás, pela própria natureza da sistemática, o normal é que os recolhimentos Fl. 3319DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 50 49 mensais se materializem a menor ou a maior que o devido, dando azo, respectivamente, ao saldo de imposto a pagar ou ao saldo de imposto a ser restituído ou compensado. A conclusão que se impõe, portanto, é que as estimativas mensais devidas constituem obrigação autônoma, pois surgem antes mesmo da ocorrência do fato gerador do tributo, que se dá apenas em 31 de dezembro. Tampouco se constata existir, no dispositivo legal que prevê a discutida penalidade, limitação temporal para o seu lançamento, no sentido de que sua aplicação só poderia ser feita no decorrer do ano em curso. Pelo contrário, a expressa previsão legal de que o lançamento seja feito mesmo quando apurado resultado fiscal negativo ao final do período de apuração claramente sinaliza para o fato de que a multa isolada pode ser lançada após o encerramento do respectivo ano calendário. Com relação à alegação de que estaria a pessoa jurídica sendo duplamente penalizada por uma única suposta infração, e que, portanto, não poderia haver concomitância da multa isolada com a multa de ofício, cumpre observar que, conforme restou acima exposto, as motivações que dão azo à aplicação de uma e de outra penalidade são completamente distintas, sendo também distintos os seus fundamentos legais (a multa isolada tem por base legal o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e a multa de ofício tem por base legal o art. 44, inciso I, e §§ 1o e 2o da Lei nº 9.430/96). Além disto, observo serem também distintas as suas bases de cálculo, pois, enquanto a base de cálculo da multa isolada é o valor das estimativas mensalmente devidas, e não recolhidas a tempo próprio, a base de cálculo da multa de oficio é o valor do tributo devido ao final do ano calendário e porventura não recolhido. As estimativas, ordinariamente, são calculadas com base na aplicação de percentuais sobre a receita bruta da pessoa jurídica. Já o IRPJ e a CSLL devidos ao final do ano são calculados com base no lucro líquido contábil ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas na legislação. Assim, apenas em circunstâncias muito específicas haverá coincidência de valores entre a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo da multa de ofício. A circunstância de isto eventualmente vir a ocorrer, de qualquer sorte, não autoriza a conclusão de que estaria havendo dupla apenação por uma mesma infração, posto que a motivação e o fundamento legal que amparam cada uma das penalidades impostas permanecem sendo distintos. Ademais, ainda que se admitisse que, no caso, uma única infração estivesse sendo submetida a duas penalidades distintas, não se vislumbraria, neste fato, qualquer irregularidade ou motivo para cancelamento de uma delas, em prol da outra. Vale dizer, não possui aplicabilidade, no Direito Tributário, o denominado princípio da consunção, existente no Direito Penal, argumento este que também tem sido frequentemente invocado para justificar o cancelamento da multa isolada aplicada. De fato, são inúmeros os casos na legislação tributária em que uma única infração pode gerar diversas penalidades. Cito apenas um exemplo, para ilustrar o ponto: a exposição à venda de cigarro estrangeiro sem selo de controle acarreta ao infrator a cobrança do imposto sobre produtos industrializados que deixou de ser pago, acrescido da multa de 150%, além da pena de perdimento da mercadoria, e de multa igual ao valor comercial da Fl. 3320DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 51 50 mercadoria. Neste caso, poderseia dizer que estão sendo impostas três penalidades sobre uma única infração. Vejamos como um caso destes é julgado pela 3a Seção do CARF: “CIGARROS NACIONAIS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO, ENCONTRADOS EM SITUAÇÃO IRREGULAR NO PAÍS. Nos termos do artigo 494 do Decreto n°4.544, de 26 de janeiro de 2002 — RIPI/2002, "será exigido do proprietário do produto encontrado na situação inegular descrita nos arts. 277 e 284, o imposto que deixou de ser pago, aplicandoselhe, independentemente de outras sanções cabíveis, a multa de cento e cinqüenta por cento de seu valor (Lei n° 4.502, de 1964, art. 80, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 45, inciso II)." CIGARROS ESTRANGEIROS ENCONTRADOS SEM SELO DE CONTROLE A venda ou a exposição à venda de cigarros estrangeiros sem o selo de controle sujeita a mercadoria à pena de perdimento e o proprietário da mesma à penalidade prevista no art. 33 do Decretolei n° 1.593, de 1977, com a redação dada pelo art. 52 da Lei n° 10.637, de 29 de agosto de 2002, qual seja, multa igual ao valor comercial da mercadoria, não inferior a RS 1.000,00 (mil reais). NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.” (Acórdão 30236.775, sessão de 13 de abril de 2005, relatora Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto) Rejeitase com isto os argumentos no sentido da impossibilidade de concomitância de multas sobre uma mesma infração (bis in idem) e/ou da aplicabilidade do princípio da consunção ao caso. Tampouco podem ser acatados em sede de julgamento administrativo, quando aventados, os argumentos acerca da abusividade ou confiscatoriedade da penalidade imposta, ou de afronta a outros princípios, como os da razoabilidade e proporcionalidade, pois cediço que o julgador administrativo é mero aplicador da lei ao caso concreto, e dela não se pode afastar, com base em suposta violação a princípios de ordem constitucional. Tal entendimento hoje encontrase estampado tanto na Súmula CARF nº 2, quanto no art. 62 do atual Regimento Interno do CARF, ambos de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado. Com base no acima exposto, entendo legítimo o lançamento da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL que não tenham sido recolhidas a tempo próprio. Nada obstante todo o quanto acima exposto, não se pode deixar de mencionar que o CARF, em 08/12/2014, editou a Súmula 105, cujo teor é o seguinte: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Nestes termos, sendo a súmula de observação obrigatória por parte dos conselheiros, haveria que se reconhecer a improcedência da exigência das multas isoladas que porventura tivessem sido lançadas com fundamento no dispositivo legal expressamente citado no verbete (art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/1996). Fl. 3321DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 52 51 Ressalto, contudo, que o dispositivo legal ali citado foi expressamente revogado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, a qual conferiu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A Lei nº 11.488/2007 não apenas reduziu o percentual da multa (de 75% para 50%) como também alterou a sua hipótese de incidência: a multa deixou de ser exigida sobre o “valor do tributo ou diferença de tributo” — expressão que em grande medida foi relevante (ao menos até antes da Lei nº 11.488/2007) para assentar a jurisprudência do CARF favorável à tese da concomitância — para passar a ser exigida sobre “o valor do pagamento mensal devido”. Ao analisarmos ainda os precedentes que deram origem à referida súmula, editada em dezembro de 2014, vemos que todos (7, ao total) são acórdãos que analisaram a aplicação da multa isolada em anos anteriores à edição da Lei nº 11.488/2007 (mais precisamente, são casos em que se analisou a aplicação da multa isolada sobre estimativas relativas a anos entre 1998 e 2003). Este fato, aliado à expressa menção, na súmula, ao dispositivo legal que então amparava, nos autos de infração lavrados, a exigência da multa isolada, e ao fato de que tal dispositivo encontrase hoje revogado, me conduzem à conclusão de que a Súmula CARF 105 não se presta a amparar a exoneração da exigência das multas isoladas lançadas após a citada alteração legislativa. Tendose em conta que a Lei nº 11.488/2007 foi fruto de conversão da Medida Provisória 351/2007, entendo, portanto, que permanecem hígidas as multas cujos fatos geradores ocorram a partir de 22 de janeiro de 2007, data da publicação da referida Medida Provisória. No caso concreto, portanto, sendo as multas isoladas relativas aos fatos geradores ocorridos nos anos de 2008 e 2009, não tem aplicação ao caso a referida súmula. Com relação às multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, portanto, devese negar provimento ao recurso voluntário. 5. Juros de mora sobre a multa de ofício Subsidiariamente, pleiteia a recorrente o afastamento dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, haja vista a inexistência de previsão legal autorizando a sua cobrança. Argumenta que o art. 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos encargos legais, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, que, por sua vez, limita a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. A matéria não é nova, e a jurisprudência do CARF temse posicionado consistentemente de modo contrário à alegação recursal. Assim também ocorria na 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção, da qual participei até a sua formal extinção pela Portaria MF no 343, de 9 de junho de 2015. Exponho a seguir a versão sintética da análise tantas vezes reproduzida em julgados proferidos no âmbito daquele colegiado. Fl. 3322DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 53 52 A previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN, que possui a seguinte redação: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......)” A acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que, após o lançamento de ofício efetuado, a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Afinal, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Pela própria localização do referido artigo no CTN, inserido em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário, e numa seção que trata do pagamento, não se vislumbra amparo ao entendimento que visa a reduzir o alcance da palavra crédito, como se o artigo estivesse se referindo exclusivamente ao tributo, e não ao crédito tributário. Os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração, momento a partir do qual, se não paga a multa, passa o contribuinte a encontrarse em mora. Conforme dispôs o próprio CTN, somente a lei pode dispor em sentido diverso, eventualmente cogitando da não aplicação de juros sobre alguma parcela do crédito tributário. Historicamente, o DecretoLei nº 1.736/1979 já previa a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos seguintes termos: Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Fl. 3323DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 54 53 Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) O parágrafo único do art. 2º acima transcrito expressamente ressalvava a não incidência de juros apenas sobre a multa de mora, mas não sobre a multa de oficio, prescrevendo o seu caput a incidência de juros sobre o “valor originário” dos “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional”. O art. 3o, por sua vez, referia todas as parcelas do débito que não se consideram incluídas no “valor originário” do débito, não se encontrando ali também a previsão para a exclusão, deste valor, da multa de ofício. Houve, contudo, de fato, períodos em que, apesar da previsão geral de incidência de juros de mora contida no CTN, a lei expressamente restringiu os juros de mora apenas aos tributos e contribuições atualizados monetariamente, o que implicou, portanto, na sua não incidência, naqueles períodos, sobre a multa de ofício. Por exemplo, houve a Lei nº 7.738/89, cujo art. 23 possuía a seguinte redação: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Contudo, já com a Lei nº 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre “os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, juros estes que eram então calculados com base na TRD, confirase: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e Sem estender a análise histórica de modo a contemplar todos os diplomas legais que trataram do assunto, o que se verifica é que, sempre que o legislador visou a restringir o alcance dos juros a apenas parte (ou partes) do crédito tributário, o fez de modo expresso, ou usando a expressão “tributos e contribuições” para referir que somente estes se sujeitariam aos juros de mora, ou então mencionando expressamente todas as parcelas do crédito tributário (débito para com a Fazenda Nacional) que não deveriam sofrer a incidência daqueles juros. Fl. 3324DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 55 54 No caso dos autos, há que se levar em consideração o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Rogando vênia à corrente desta Corte que se tem manifestado em sentido oposto, consoante julgados colacionados pela Recorrente, entendo que a expressão “decorrentes de tributos e contribuições” deva ser interpretada de modo a incluir a multa de ofício, e não a excluíla. Os débitos para com a Fazenda Nacional podem ser de diversas naturezas, não apenas tributária. Assim, tenho que a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” visa a apenas ressaltar a natureza tributária dos débitos a que se refere o dispositivo em questão, em contraste com a mais abrangente expressão “débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, anteriormente empregada pela legislação de regência. Ademais, cumpre destacar ainda que o entendimento aqui exposto coaduna se com o que se vem consolidando no STJ, conforme se pode verificar na ementa abaixo transcrita: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Relator Min. Benedito Gonçalves, DJe: 10/12/2012: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” Com estas considerações, entendo cabível a incidência de juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, os quais, nos termos da legislação de regência, são atualmente calculados com base na taxa Selic. 6. Responsáveis solidários Fl. 3325DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 56 55 A responsabilidade solidária das pessoas físicas (Diretor Presidente e Membros do Conselho de Administração) pelo crédito tributário foi imputada pela fiscalização exclusivamente em decorrência das infrações relativas à amortização do ágio. Confirase o teor da acusação: “149. No presente caso, foi lançada a multa qualificada (capítulo 2.5), em função da caracterização de fraude, na tentativa da fiscalizada de obter, mês a mês, redução de sua carga tributária através de amortizações de despesas inexistentes a partir do ágio inexistente (interno e não pago) gerado no grupo Natura. 150. Assim, sem prejuízo das conseqüências atinentes à esfera penal, impõese a responsabilização do Diretor Presidente e dos membros do Conselho de Administração da Natura Cosméticos, à época dos fatos geradores (2008 e 2009). Em decorrência dos cargos que ocupavam, essas pessoas possuíam relevantes poderes administrativos (e decisórios) sobre atos praticados em nome da empresa, incluído o artifício doloso, demonstrado por esta fiscalização, para redução dos tributos devidos através da amortização de despesas inexistentes.” A DRJ, conforme relatado, afastou a responsabilidade de todas as pessoas físicas imputadas, em síntese, pelos fundamentos a seguir: “(...) Se faz necessário a comprovação de conduta do agente enquanto pessoa física, com a ocorrência do fato gerador em razão desta ação, desta vontade pessoal em contribuir para o ilícito tributário. Fazer parte do Conselho Administrativo ou ser o Diretor Presidente, por si só, não é motivo para que os mesmos sejam responsabilizados para o pagamento dos tributos lançados. (...) Para aplicação do artigo 135 do CTN, tem haver a prova que o agente cometeu o ilícito com dolo, e se quisesse, poderia ter agido de forma diferente. No presente caso, a infração foi amortização não permitida de ágio tendo como origem ato praticado em 2000. Não houve a indicação do autuante dos atos que os cidadãos teriam praticados em 2000, ou em 2008 e 2009, que demonstrassem claramente o dolo, a vontade, para atingir o resultado pretendido, ou seja, a redução dos tributos com a amortização indevida do ágio interno. Logo, meu voto é por excluir do pólo passivo todos os responsabilizados solidariamente, a saber, (...)” Entendo que a decisão recorrida está correta. Em que pese o fato gerador dos tributos lançados de ofício, relativo às infrações apenas com a multa qualificada, tenham ocorrido em 2008 e 2009, a infração está umbilicalmente ligada, conforme exposto no presente voto, aos atos praticados no ano de 2000, os quais deram origem ao indevido surgimento de um “ágio”, que jamais deveria ter sido reconhecido. O ágio em questão, portanto, padecia de um vício de origem, e é isto que macula a sua posterior amortização. Efetivamente, não há nenhuma demonstração, pelo fisco, da participação direta das pessoas às quais foi imputada responsabilidade, nos atos que deram ensejo ao surgimento do ágio. Ademais, o referido ágio já vinha sendo amortizado há mais tempo, quando tais pessoas provavelmente ainda nem ocupavam os cargos com “relevantes poderes Fl. 3326DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.722396/201368 Acórdão n.º 1201001.245 S1C2T1 Fl. 57 56 administrativos e decisórios” a que se refere o fisco, portanto, também por aí sequer se vislumbra que tenham participado diretamente de qualquer ato doloso específico com vistas a cometer a fraude em questão. De fato, simplesmente fazer parte do Conselho Administrativo ou ser o Diretor Presidente, por si só, não constitui motivo para ser responsabilizado, nos termos do art. 135 do CTN, pelo pagamento dos tributos lançados. Deve ser negado, portanto, provimento ao recurso de ofício interposto. 7. Conclusão Pelo exposto, nego provimento aos recursos de ofício e voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 3327DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10814.011634/2009-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/07/2009, 16/09/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE.
Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 16 34 /2 00 9- 13 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 291), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1650.049, proferido em primeira instância pela 23ª Turma da DRJ em São Paulo I (SP), que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Os presentes Autos de Infração, fls. 03/29, foram lavrados contra a contribuinte em epígrafe, formalizando o crédito tributário no valor de R$ 41.265,73, com a exigência do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado, Pis/Pasep, CofinsImportação e Juros de Mora, calculados até 30/09/2009, conforme o fato a seguir descrito. A contribuinte impetrou Mandado de Segurança (nº 2009.61.19.0061137 1 ª Vara Federal de Guarulhos / SP, para promover o desembaraço das mercadorias sem o pagamento dos tributos referidos, por entender que estariam sob o manto da imunidade tributária (art. 150, VI, ‘c’CF). e teve seu pedido de liminar deferido para os bens descritos na inicial amparados pelas Licenças de Importação listadas, bem como as proforma invoice. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10814.011634/200913 Acórdão n.º 3802004.140 S3TE02 Fl. 293 3 O desembaraço das mercadorias processadas pelas declarações de importação abaixo relacionadas ocorreu em cumprimento a decisão judicial, conforme liminar de fls. 118/121, de 05/06/2009, e, a fim de prevenir a decadência, foi determinada a lavratura dos presentes Autos de Infração, cujas exigibilidades dos tributos estão suspensas. As seguintes DI,s (...). Cientificada dos referidos autos, em 20/10/09, fls.04/12/20/29, a contribuinte protocolizou Impugnação, fls. 125/136, em 17/11/09. É o Relatório. Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 20/07/2009 a 16/09/2009. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Liminar concedida em Mandado de Segurança, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula nº 1 Portaria CARF nº 52, de 2010). Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. JUROS DE MORA Exigibilidade Suspensa. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula nº 5, Portaria CARF nº 52, de 2010). Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta de medida liminar deferida em mandado de segurança; (iii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 291), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta de medida liminar deferida em mandado de segurança; (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (iv) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos, junto a impugnação, haver sido feita a juntada da petição inicial do writ, bem como cópia da conclusão da Justiça Federal no Processo nº 2009.61.19.0061137, impetrado perante a 1ª Vara Civil da Justiça Federal em Guarulhos São Paulo, que se encontram anexados ao processo às fls. 207 e seguintes do processo digital, que permite tal constatação. Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo, que já elucida a matéria: "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10814.011634/200913 Acórdão n.º 3802004.140 S3TE02 Fl. 294 5 entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artifo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." No mesmo diapasão, no Relatório da Decisão da DRJ às fls. 256/260, fica consignado que (grifouse): "(...) Esta julgadora entende que estamos, no processo sob exame, diante da figura da concomitância. Cabe relembrar o seu fundamento de sua ocorrência entre os processos administrativos e judicial. O direito brasileiro consagra, expressamente, o Princípio da Unidade de Jurisdição, onde “A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito." Esse princípio ou Sistema de Jurisdição Única, é aquele, segundo o qual a função jurisdicional é monopólio do Poder Judiciário, de cuja apreciação não pode ser excluída qualquer lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5°, inciso XXXV, da Constituição de 1988). (...) Assim, em face de pedido formulado em ação judicial, visando não acatar a exigência fiscal, não se lhe dará seguimento à impugnação, em homenagem ao referido princípio, sem que isso implique ofensa ao direito de defesa do contribuinte. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (ii e iii) do Recurso Voluntário, relativo ao pleito da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela e da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a eles. ii) Da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela A Recorrente alega em seu recurso serem inaplicáveis os juros de mora em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida em face de liminar em mandado de segurança. Não assiste razão a recorrente. Não obstante o acima asseverado, cabenos analisar a aplicabilidade dos juros de mora, matéria não submetida ao crivo do Poder Judiciário na referida ação mandamental, porquanto esta teve caráter preventivo e, assim, quando da sua propositura, ainda não haviam sido formalizados os presentes lançamentos tributários. A exigência dos juros de mora está conforme as normas legais vigentes e qualquer esforço tendente a afastar sua aplicação, por entendêla inconstitucional, somente poderá advir de demanda pleiteada judicialmente, pois este órgão julgador é incompetente para apreciar questões que se referem à inconstitucionalidade de normas legais legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Esse entendimento já foi pacificado e foi nesse sentido que foi editada a Súmula nº 5, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), publicada no DOU de 22.12.2009, que assim expressa: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.19.0061137, impetrado perante a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária da Justiça Federal em Guarulhos (SP), para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Ressaltase que foi proferida sentença que concedeu a segurança pleiteada pela Recorrente,nos autos do Mandado de Segurança nº 000611309.2009.403.6119. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10814.011634/200913 Acórdão n.º 3802004.140 S3TE02 Fl. 295 7 Pois bem. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737, de 1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830, de 1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 19515.720370/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE ENFRENTAMENTO DO MÉRITO, NOS TERMOS IMPUGNADOS. ANULAÇÃO.
Cabe a anulação da decisão de primeira instância quando não enfrentadas questões de mérito suscitadas na impugnação, a fim de se evitar a supressão de grau na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1201-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão de primeiro grau, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE ENFRENTAMENTO DO MÉRITO, NOS TERMOS IMPUGNADOS. ANULAÇÃO. Cabe a anulação da decisão de primeira instância quando não enfrentadas questões de mérito suscitadas na impugnação, a fim de se evitar a supressão de grau na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão de primeiro grau, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 70 /2 01 3- 18 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720370/201318 Acórdão n.º 1201001.219 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados contra a interessada em razão de compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário de 2008. Os fatos e fundamentos da autuação constam do Termo de Verificação Fiscal e foram assim sintetizados pela decisão ora recorrida: Na Declaração apresentada o contribuinte procedeu à compensação de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores com a base de cálculo da CSLL apurada no período, sendo que, conforme as DIPJ apresentadas, não existiam saldos remanescentes para compensação; Verificouse que o contribuinte não possuía saldo de Base de Cálculo Negativa da CSLL de períodos base anteriores, para utilizar na compensação com a base de Cálculo da CSLL devida no período, tendo desta forma procedido ao cálculo e declaração da CSLL devida anualmente e por estimativa a menor, sendo que esta diferença foi objeto de lançamento de ofício da insuficiência de recolhimento da contribuição e da multa isolada pela falta de recolhimento da contribuição sobre a base de cálculo/estimada. Cientificada do feito em 22/02/2013 (fl.254), apresenta, em 23/03/2013, impugnação, de fls. 258/269, arguindo, em síntese, o seguinte: a) Nos termos dos artigos 150, §4°, o direito de verificar a correção do saldo negativo de CSLL apurado no ano de 1999 decaiu em 31.12.2004; b) Não há dúvidas, portanto, de que não é possível a revisão do saldo negativo apurado em anocalendário 1999, já atingido pela decadência, mesmo que essa revisão seja apenas para atingir o ano de 2008; c) Os cálculos elaborados pela CESP naquele período concluíram que o montante total do seu saldo negativo de base de cálculo da CSLL em 1999 era realmente de R$ 2.071.272.000,00, sendo que, para a Requerente, foi transferido o montante de R$ 344.866.754,52 (16,65% do total), conforme apontado no Protocolo de Cisão da CESP (vide doc. n° 6) e nas Demonstrações Financeiras Padronizadas de 1998, publicadas pela própria CESP na CVM (vide doc. n° 8); d) A Requerente acredita tratarse de mero erro formal do valor constante da base de dados das Autoridades Fiscais, ao indicar incorretamente o valor de R$ 327.208.009,94 como saldo Fl. 528DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720370/201318 Acórdão n.º 1201001.219 S1C2T1 Fl. 4 3 negativo de base de cálculo de CSLL da CESP no período da cisão parcial daquela sociedade; e) É inconteste que as Autoridades Administrativas têm o poder/dever de reconhecer, de ofício, os erros de fato incorridos, seja em seu próprio sistema, ou pelos contribuintes no preenchimento de seus documentos fiscais (no caso, a CESP), sobretudo diante das informações e documentos trazidos aos autos pela Requerente; f) Protestando por todos os meios de prova admitidos para demonstrar a total improcedência da exigência fiscal que lhe é formulada, inclusive pela posterior e oportuna juntada de documentos. Em 23 de outubro de 2013, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo decidiu, por unanimidade, pela improcedência da impugnação, com a manutenção integral do crédito lançado. Inconformada com a decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, no qual basicamente reproduz os argumentos da impugnação, acrescidos da tese de que a decisão de 1a instância seria nula, por não ter compreendido de forma correta os fatos que ensejaram a tributação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Tendo em vista os argumentos trazidos pela defesa, faremos a análise tópica dos pontos levantados na peça recursal. 1. Das Preliminares a) Nulidade da decisão de primeira instância ante a não compreensão correta dos fatos Aduz a Recorrente que a decisão de primeira instância seria nula por não compreender adequadamente os fatos, pois teria confundido o saldo negativo da autuada com aquele da CESP, de quem recebera a quota parte de 16,65%, por força de cisão parcial. Dessa forma, o saldo negativo seria de R$ 344.866.754,52 e não de R$ 327.208.009,94. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720370/201318 Acórdão n.º 1201001.219 S1C2T1 Fl. 5 4 Pois bem. O tema das nulidades possui regramento específico na seara do processo administrativo tributário, nos termos do que estabelecem os artigos 10 e 59 do Decreto n. 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifamos) De se notar que o rol de situações que ensejam a nulidade encontrase expressamente definido pelo ordenamento. Como não há questionamento sobre a competência da decisão exarada pela Delegacia de Julgamento nem tampouco alegação sobre cerceamento do direito de defesa, entendo que não há de se falar em nulidade, posto que eventuais erros na compreensão da matéria fática poderão ser sanados neste Conselho, sem qualquer prejuízo para a Recorrente. Afasto, portanto, por ausência de previsão legal, este argumento de nulidade da decisão recorrida. b) Nulidade da decisão de primeira instância, que considerou não impugnada a matéria de mérito e promoveu a cobrança antecipada de parte do montante Neste tópico, a interessada clama pela impossibilidade de cobrança antecipada de parte do crédito exigido, tendo em vista que a decisão de primeira instância entendeu que houve matéria não impugnada, nos seguintes termos: A diferença, objeto de lançamento de ofício, da insuficiência de recolhimento da contribuição e da multa isolada pela falta de Fl. 530DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720370/201318 Acórdão n.º 1201001.219 S1C2T1 Fl. 6 5 recolhimento da contribuição sobre a base de cálculo/estimada não foi objeto de contestação específica, sendo, portanto, mantida na totalidade, não cabendo mais contestação em recurso. Diz a Recorrente que defendeu, na impugnação, todos os pontos de mérito relativos à questão debatida e não apenas a decadência do direito de o Fisco considerar saldos negativos originados em 1999 para autuar valores indevidamente compensados somente em 2008. Com efeito, a leitura da peça impugnatória nos leva a concluir que houve sim manifestação quanto ao mérito, o que pode ser facilmente percebido a partir do seguinte excerto, retirado das conclusões finais: 33. Diante de todo o exposto acima, a Requerente, preliminarmente, tem como certa a nulidade do presente AIIM, uma vez que não é possível a revisão do saldo negativo apurado no ano calendário 1999, já atingido pela decadência, mesmo que essa revisão seja apenas para atingir o ano de 2008, conforme amplamente confirmado pela jurisprudência administrativa. 34. Por outro lado, no que diz respeito ao mérito, restou (i) documentalmente comprovado o lastro do valor Indicado pela Requerente como saldo negativo de base de cálculo de CSL no ano calendário de 1999, não havendo que se falar em recolhimento a menor da CSL no ano de 2008, bem como (ii) amplamente demonstrado que o mero erro de fato no valor indicado no sistema das Autoridades Fiscais referente ao ano calendário de 1999 não pode dar margem à cobrança de um débito, sob pena da forma prevalecer sobre o conteúdo 35. Diante do exposto, a Requerente requer seja dado Integral Provimento à presente Impugnação, para que, em preliminar, seja reconhecida a decadência do direito das Autoridades Fiscais revisarem o saldo negativo de base de cálculo de CSL apurado pela Requerente no ano calendário 1999 e, no mérito, seja reconhecido que não houve recolhimento a menor da CSL referente ao ano de 2008, tendo em vista a suficiência do saldo negativo de base de cálculo de CSL apurado pela Requerente em períodos anteriores, canceladose a exigência consubstanciada no AIIM em questão, para que o presente processo administrativo seja remetido ao arquivo, em conformidade com os fundamentos de fato e de direito expostos nesta defesa. (grifos no original) A partir do trecho acima, entendo que assiste razão à Recorrente, no sentido de que a decisão de primeiro grau deva apreciar e decidir sobre o mérito da autuação, nos termos do que foi defendido, sob pena de supressão de instância no julgamento. Verificase que houve questionamento de mérito, acompanhado do pedido de provimento integral da impugnação, o que inclui, por óbvio, a questão relativa à multa isolada. Nesse sentido a inteligência do artigo 31 do Decreto n. 70.235/72: Fl. 531DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720370/201318 Acórdão n.º 1201001.219 S1C2T1 Fl. 7 6 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (grifamos) Ante o exposto, CONHEÇO uma das preliminares suscitadas no Recurso e voto por ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja prolatada nova decisão, com a apreciação do mérito, nos termos impugnados pela interessada. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 532DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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