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6644692 #
Numero do processo: 15374.001064/99-14
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, que, para serem dedutíveis do Lucro Real, deve a contribuinte demonstrar sua efetividade e comprovação por documentos hábeis
Numero da decisão: 9101-000.544
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho

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ementa_s : IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, que, para serem dedutíveis do Lucro Real, deve a contribuinte demonstrar sua efetividade e comprovação por documentos hábeis

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6497686 #
Numero do processo: 10855.720958/2013-46
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO DE OFÍCIO. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Prova pericial que confirma a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Lançamento improcedente. Impossibilidade de lançamento fiscal por presunção.
Numero da decisão: 3201-002.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Tatiana Josefovicz Belisário, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, e Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: Tatiana Josefovicz Belisário

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     2 Em virtude do MPF nº 0811000.2012.00632­5,  foi desenvolvido  procedimento  fiscal  no  contribuinte  supra  referido,  tendente  a  verificar  a  legitimidade  do  IPI  –Imposto  sobre  produtos  industrializados,  relativo  ao  período  de  apuração  do  2º  a  4º  trimestre do ano­calendário de 2008.  A  autoridade  fiscal  solicitou  informações  e  documentos  da  interessada  por  meio  de  intimação  validamente  feita,  todas  satisfeitas pela interessada, segundo o Relatório Fiscal.  Em 02/04/2013 fls. 332/344 e 351/352, a autoridade fiscal lavrou  o  competente  auto  de  Infração,  através  do  qual  se  exige  da  interessada  o  valor  de  R$  15.172.172,26,  a  título  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  juros  de  mora  e  multa  por  infração, em virtude de entender que a interessada utilizou­se de  errônea  classificação  fiscal,  conforme  descrito  no  Auto  de  Infração.  Após  tomar  ciência  do  auto  de  infração,  em  02/04/2013,  a  interessada, em 02/05/2013, apresentou  impugnação às  fls. 357  a  436,  apresentando  suas  razões  de  defesa  nos  seguintes  argumentos:  a)  Que  o  aerogerador  é  um  único  produto,  devendo  ser  classificado e tributado como tal;  b) Que não houve, de igual modo, pesquisa e avaliação profunda  do funcionamento dos aerogeradores e da dependência de cada  um  de  seus  componentes  entre  si,  para  exercer  uma  única  função: a geração de energia elétrica a partir do movimento dos  ventos;  c)  Que  a  identificação  da  matéria  tributável  foi  precária,  calcada em presunções equivocadas e arbitramentos indevidos;  d) Que o trabalho fiscal viola o artigo 142 do Código Tributário  Nacional –CTN;  e)  Que  utilizou  classificação  fiscal  inexistente  para  tributar  diversos equipamentos;  f) Que exigiu em duplicidade o suposto IPI devido calculando o  imposto tanto sobre “notas filhas”, quanto sobre a “nota mãe”;  g) Calculou o IPI por presunção (arbitramento);  h)  Aplicou  alíquotas maiores  para  alguns  produtos,  como,  por  exemplo,  aqueles  classificados  nas  NCM´s  39235000  e  84879000;  i)  Que  a  utilização  de  NCM  inexistente  fere  o  princípio  da  motivação;  j)  Que  a  fiscalização  divergiu  de  entendimento  proferido  pelo  Ministério  da  Ciência  e  Tecnologia,  o  qual  foi  objeto  de  orientação às Secretarias de Fazenda de Estadosmembros, junto  ao CONFAZ;  Fl. 881DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.720958/2013­46  Acórdão n.º 3201­002.248  S3­C2T1  Fl. 881          3 k) Que a Multa Isolada não pode vir a ser exigida, posto que o  IPI supostamente não lançado foi coberto por créditos apurados  no regime da não­cumulatividade;  l)  Que  não  há  base  legal  para  a  exigência  de  juros  de  mora  sobre a multa de ofício;  À fl. 418, a Impugnante solicita realização de prova pericial por  entender  indispensável  para  a  correta  classificação  fiscal,  espancando a  dúvida  sobre  se as  partes  e peças  constituem ou  não um sistema único e indissociável dos aerogeradores.  Deferida  a  perícia,  vieram  aos  autos  as  respostas  aos  quesitos  formulados e a manifestação da Interessada sobre o resultado da  mesma, estando devidamente instruído os autos.  Assim, em face da resposta apresentada pela perícia realizada em diligência  fiscal,  a DRJ concluiu  estar correta  a  classificação  fiscal  adotada pelo  contribuinte,  julgando  procedente a impugnação e anulando o lançamento, em acórdão assim ementado:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  CLASSIFICAÇÃO FISCAL ­ AEROGERADOR  O  Aerogerador,  constituído  de  uma  combinação  de  máquinas,  que  conjuntamente  desempenham  função  específica,  deve  receber  classificação  fiscal  na  posição  8502.31.00,  correspondente  a  esta  função,  independentemente  de  como  tais  máquinas sejam transportadas.  LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO – IRREGULARIDADE.  A  falta  de  aprofundamento  nas  circunstâncias  e  elementos  veritativos  da  hipótese  de  incidência,  revela  falha  no  elemento  nuclear constitutivo da relação jurídico­tributária, desatendendo  o preceito do art. 142, do CTN.  Impugnação Procedente  Crédito Tributário Exonerado  Os autos subiram em Recurso de Ofício e distribuídos à minha relatoria.  Em  primeira  análise,  fez­se  necessária  a  conversão  do  feito  em  diligência  para  que  fosse  sanada  falha  na  digitalização  do  processo,  mais  especificamente  do  laudo  pericial no qual se fundamentou a decisão objeto de análise.  Saneado o feito, mediante a  juntada de nova cópia do Laudo Pericial às fls.  760 e seguintes, retornou o feito para julgamento.  É o relatório.    Fl. 882DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     4 Voto             Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário   O  presente  Recurso  de  Ofício  preenche  os  requisitos  legais  e  dele  tomo  conhecimento.  O  presente Auto  de  Infração  decorre  de  procedimento  fiscal  que  "teve  por  objetivo  apurar  a  legitimidade  do  Tributo  IPI  –  Imposto  Sobre  Produtos  Industrializados,  relativo ao período de apuração do 2º a 4º trimestre do ano­calendário de 2008, nas entradas  e saídas de produtos fabricados no estabelecimento industrial do contribuinte".  Esclarece que o contribuinte "tem por atividade econômica a  fabricação de  geradores de corrente contínua e alternada, peças e acessórios, CNAE: 2710­4­01."  Na ação fiscal constatou­se que "que nas saídas de produtos classificados no  código CFOP 6117, constavam como sendo isento de IPI e com código da classificação fiscal  NCM “zerado”."  Em face da constatação, intimou­se o contribuinte a:  4)­  Informar  BASE  LEGAL  utilizada  para  emissão  de  notas  fiscais com Isenção de IPI, nas vendas de mercadoria adquirida  ou recebida de terceiros, originada de encomenda para entrega  futura (CFOP 6117) e   5)­ Reclassificar código NCM e acrescentar alíquota de IPI, de  acordo  com  a  TIPI,  aprovada  pelo  Decreto  nº  6.006/2006  vigente no período de abril a dezembro de 2008.  Em contribuinte, então, esclareceu que as saídas sob o CFOP 6117 referiam­ se  à  venda  de  produto  para  entrega  futura  correspondente  à  venda  de  aerogerador  eólico  de  classificação  fiscal NCM 8502.31.00. Ainda esclareceu que em virtude das características de  tal  bem,  notadamente  de  seu  tamanho,  a  saída  se  dava  de  forma  parcial.  Ou  seja,  não  sai  montado da industria. A montagem apenas ocorre no local de sua instalação.  Para  melhor  ilustrar,  esclareço  que  o  referido  NCM  8502.31.00  tem  a  seguinte descrição:  8502.31.00  ­ Máquinas,  aparelhos  e materiais  elétricos,  e  suas  partes;  aparelhos  de  gravação  ou  de  reprodução  de  som,  aparelhos de gravação ou de  reprodução de  imagens  e de  som  em televisão, e suas partes e acessórios ­ Grupos eletrogêneos e  conversores  rotativos  elétricos  ­  Outros  grupos  eletrogêneos:  ­  De energia eólica  Posteriormente, a Fiscalização solicitou novas informações:  Intimado a informar se nos produtos abaixo relacionado, contém  GERADOR  INSTALADO  e  qual  a  sua  participação  em  percentual (%) no preço de Vendas:  a)­ Aerogerador E48­1 completo – 800 KW transmissão;  b)­ Segmentos – E48 – acabado;  Fl. 883DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.720958/2013­46  Acórdão n.º 3201­002.248  S3­C2T1  Fl. 882          5 c)­ Rotor Completo E48;  d)­ Máquina E48­1 completo (Produção).  A contribuinte esclareceu que "gerador instalado" é um dos itens que integra  um "aerogerador" e que, precisamente, pertence à parte denominada nacele. Ainda esclareceu  do que se trata cada um dos itens apresentados pela fiscalização e como se dá a montagem de  um aerogerador completo.  Em face de tais informações, a Fiscalização entendeu que cada um dos itens  integrantes do aerogerador deveria ser classificado em NCM próprio, afastando a classificação  única adotada pelo contribuinte:  De  acordo  com  a Nota  Explicativa  da NESH  (85.02  –  Grupos  Eletrogêneos  e  Conversores  Rotativos,  Elétricos),  abaixo  reproduzido,  e  os  esclarecimentos  acima  apresentados,  entendemos que a Classificação Fiscal correta para os Produtos  Fabricados  e  Vendidos  (CFOP  6116)  pela  empresa,  deveriam  ser os seguintes:  a)­ Aerogerador E48­1 completo – 800 KM transmissão: NCM  código 8502.31.00 (De energia eólica) – alíquota 0% (zero) para  o conjunto Gerador / Rotor; e NCM código 8503.00.90 (Outros –  Partes  reconhecíveis  como  exclusiva  ou  principalmente  destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502) – alíquota  10%  (dez),  para  os  demais  elementos  (fundação,  torre,  segmentos de aço, pás etc);  b)­ Segmentos E48 – acabado: NCM código 8503.00.90 (Outros  –  Partes  reconhecíveis  como  exclusiva  ou  principalmente  destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502) – alíquota  10% (dez);  c)­ Rotor  completo E48: NCM  código 8502.31.00  (De  energia  eólica) – alíquota 0% (zero);  d)­  Máquina  E­48  completo  (produção)  ou  Nacele:  NCM  código 8502.31.00 (De energia eólica) – alíquota 0% (zero).  Concluindo,  a  Fiscalização  entendeu  que  "se  trata  de  partes  reconhecíveis  como  exclusiva  ou  principalmente  destinada  à  máquina  da  posição  8502.31.00,  e  não  na  posição  NCM  código  8502.31.00,  como  constam  nas  notas  fiscais  emitidas."  Ou  seja,  a  Fiscalização  afastou  a  classificação  do  conjunto  e  exigiu  a  classificação  individualizada  de  cada um dos seus componentes.  Em sua impugnação, o contribuinte defendeu que não se pode classificar cada  peça  de  forma  individualizada,  uma  vez  que,  nas  hipóteses  analisadas,  elas  se  destinavam  a  formação de um conjunto único e, por essa razão, a classificação NCM atendeu ao bem final  (aerogerador) entregue pela Contribuinte ao seu cliente.   Ou  seja,  a  Contribuinte,  nas  hipótese  examinadas,  não  entregou  partes  ou  peças  a  serem,  por  exemplo,  utilizadas  como  reposição  /  substituição.  A  venda  foi  do  aerogerador que, por razões técnicas, não pode sair montado do industrial.  Fl. 884DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     6 Logo, o trabalho fiscal acabou por ser fundado em presunção, uma vez que a  Fiscalização sequer buscou examinar todos os esclarecimentos e documentos apresentados pela  contribuinte  que  comprovavam  que  as  vendas  realizadas  referiam­se  a  um  aerogerador  completo, instalado em local determinado pelo cliente. Acabou por presumir que, em verdade,  houve a venda de peças avulsas.   Tal fato viola o art. 142 do CTN:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.   Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  A  DRJ,  em  exame  dos  argumentos,  entendeu  prudente  determinar  a  realização  de  perícia  técnica  para  que  se  esclarecesse  se  a  venda  se  dava  num  conjunto  obrigatório ou por meio de partes e peças diversas.  Assim, o Laudo Pericial que foi novamente anexado aos autos por solicitação  desta Turma Julgadora (fls. 760 e seguintes), do qual extraio os seguintes trechos:  Em  análise  das  respostas  apresentadas  aos  diversos  quesitos  formulados,  pode­se concluir que, efetivamente, todas as peças cuja saída foi promovida pela Contribuinte  se destinam à composição de um aerogerador e que a ausência de qualquer uma delas é capaz  de comprometer o seu adequado funcionamento.  Em  face  de  tais  esclarecimentos,  portanto,  é  que  a  DRJ  acabou  por  reconhecer o pleito do contribuinte, cancelando a exigência fiscal.  Nota­se que acórdão proferido pela DRJ houve por bem cancelar a exigência  fiscal  sob  dois  fundamentos:  (i)  a  dúvida  acerca  da  classificação  fiscal  da  mercadoria  importada  foi  sanada  por  prova  pericial  elaborada  a  pedido  da  própria  Receita  Federal  do  Brasil,  que chancelou a conduta do  contribuinte  e  (ii)  houve  falha no  lançamento  fiscal,  que  presumiu a ocorrência de fato gerador sem a sua devida verificação, incorrendo em violação ao  art. 142 CTN.  Entendo que  a matéria  foi  analisada  com  propriedade  pela DRJ  e,  por  essa  razão, adiro integralmente aos seus termos:  Compulsando  os  autos,  verifico  que  a  Interessada  é  uma  empresa  industrial  de  fabricação  de  geradores  de  corrente  contínua e alternada, peças e acessórios, CNAE: 2710­ 4­01.  Segundo seu site ­ www.wobben.com.br, “A Wobben Windpower  Ind.  e  Com.  Ltda.  é  a  primeira  fabricante  de  aerogeradores  (turbinas eólicas) de grande porte da América do Sul. Foi criada  para  produzir  componentes  e  aerogeradores  para  o  mercado  interno e exportação, além de projetar, instalar, operar e prestar  serviços de assistência técnica para usinas eólicas. É subsidiária  da Enercon GmbH, líder mundial em tecnologia eólica de ponta  e um dos líderes do mercado eólico mundial.”  Fl. 885DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.720958/2013­46  Acórdão n.º 3201­002.248  S3­C2T1  Fl. 883          7 Segundo  a  fl.  325,  “O  "sistema  eólico"  ou  aerogerador  é  composto  por  uma  fundação,  torre  metálica,  pás,  nacele  e  transformador  de  grandes  proporções.  considerando­se  a  dificuldade  de  transporte  decorrente  da  dimensão  dos  equipamentos,  o  envio  de  materiais,  partes  e  peças  para  montagem  dos  aerogeradores  acontece  através  de  remessas  parciais, diretamente ao local do projeto, ou seja, ao cliente.  Assim sendo, a operação fiscal que melhor satisfaz esta condição  é  a  venda  para  entrega  futura  (CFOP  6922),  cuja  base  legal  encontra­se definida pelo Art. 127 e seguintes do ICMS/SP:”  A autoridade fiscal entendeu, à fl. 329, que: “De acordo com a  Nota  Explicativa  da  NESH  (85.02  –  Grupos  Eletrogêneos  e  Conversores  Rotativos,  Elétricos),  abaixo  reproduzido,  e  os  esclarecimentos  acima  apresentados,  entendemos  que  a  Classificação  Fiscal  correta  para  os  Produtos  Fabricados  e  Vendidos (CFOP 6116) pela empresa, deveriam ser os seguintes:  a)­Aerogerador  E48­1  completo  –  800  KM  transmissão:  NCM  código 8502.31.00 (De energia eólica) – alíquota 0% (zero) para  o conjunto Gerador / Rotor; e NCM código 8503.00.90 (Outros – Partes  reconhecíveis  como  exclusiva  ou  principalmente  destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502) – alíquota  10%  (dez),  para  os  demais  elementos  (fundação,  torre,  segmentos de aço, pás etc); b)­ Segmentos E48 – acabado: NCM  código  8503.00.90  (Outros  –  Partes  reconhecíveis  como  exclusiva  ou  principalmente  destinadas  às  máquinas  das  posições  8501  ou  8502)  –  alíquota  10%  (dez);  c)­  Rotor  completo  E48:  NCM  código  8502.31.00  (De  energia  eólica)  –  alíquota  0%  (zero);  d)­ Máquina E­48  completo  (produção) ou  Nacele: NCM código 8502.31.00  (De energia  eólica) –alíquota  0% (zero).”  Assim, após confecção do Anexo I que detalha o trabalho fiscal,  lavrou­se  Auto  de  Infração  sob  a  motivação  de  erro  de  classificação fiscal.  O Anexo II trás a recomposição da escrita fiscal.  A Nota 4 da Secção XVI assim disciplina:  “4.  Quando  uma  máquina  ou  combinação  de  máquinas  seja constituída de elementos distintos  (mesmo separados  ou  ligados  entre  si  por  condutos,  dispositivos  de  transmissão,  cabos  elétricos  ou  outros  dispositivos),  de  forma  a  desempenhar  conjuntamente  uma  função  bem  determinada,  compreendida  em  uma  das  posições  do  Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classifica­se na  posição  correspondente  à  função  que  desempenha.”  (grifou­se)  Não  resta  dúvida  para  este  julgador,  que  o  Aerogerador,  constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente  desempenham  função  específica,  deva  receber  a  classificação  fiscal correspondente a esta função, independentemente de como  tais máquinas sejam transportadas.  Fl. 886DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     8 Não importa se transportadas de uma única vez, ainda que isso  seja  praticamente  impossível,  à  vista  que,  um  Aerogerador,  é  composto  de  fundação  (base),  torre  de  aproximadamente  70  metros e pesar algumas dezenas de toneladas.  O fato de serem transportadas, separadamente, por notas fiscais  de simples remessa, não descaracteriza as orientações emanadas  para fins de classificação fiscal.  De certo, o esclarecimento de que o componente faz parte de um  “Sistema  Eólico”  ou  “combinação  de  máquinas”  no  próprio  documento de simples remessa é medida salutar e preventiva.  Estas  são  as  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  da  posição 85.02.  85.02 ­ Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos.  I.­  GRUPOS  ELETROGÊNEOS  A  expressão  “grupos  eletrogêneos”  aplica­se  à  combinação  de  um  gerador  elétrico  com  uma  máquina  motriz,  que  não  seja  um  motor  elétrico  (turbina  hidráulica,  turbina  a  vapor,  roda  eólica,  máquina  a  vapor, motor de ignição por centelha (faísca), motor diesel, etc.).  Quando a máquina motriz e o gerador formam um só corpo ou  quando, separados mas apresentados ao mesmo tempo, as duas  máquinas  são  concebidas  para  formar  um  só  corpo  ou  ser  montadas  em  uma  base  comum  (ver  as  Considerações  Gerais  desta  Seção),  o  conjunto  classifica­se  na  presente  posição.  (grifou­se)  Os grupos eletrogêneos para soldadura só se classificam aqui se  apresentados  isoladamente,  desprovidos  das  suas  cabeças  ou  pinças  de  soldadura;  caso  contrário,  classificam­se na  posição  85.15.  II.­  CONVERSORES  ROTATIVOS  ELÉTRICOS  As  máquinas  deste  tipo  consistem  essencialmente  em  associação  de  um  gerador  elétrico  e  de  uma máquina motriz  de  motor  elétrico,  que  podem  ser  montados  de  modo  solidário  em  uma  base,  armação  ou  suporte  comum  (grupos  conversores),  ou  simplesmente  ligados  por  meio  de  dispositivos  apropriados;  estas  máquinas  são  utilizadas  para  transformar  a  natureza  da  corrente (conversão de corrente alternada em corrente contínua  ou  vice­versa)  ou  para  modificar  algumas  características  da  corrente,  tais  como  potência,  freqüência  ou  fase  da  corrente  alternada (por exemplo, levar a freqüência de 50 a 200 ciclos ou  transformar  uma  corrente  monofásica  em  trifásica).  Algumas  destas  máquinas  denominam­se,  às  vezes,  transformadores  rotativos.  PARTES  Ressalvadas  as  disposições  gerais  relativas  à  classificação das partes (ver as Considerações Gerais da Seção)  as  partes  das  máquinas  da  presente  posição  classificam­se  na  posição 85.03.  Fl. 887DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.720958/2013­46  Acórdão n.º 3201­002.248  S3­C2T1  Fl. 884          9 Assim,  para  estes  não  há  outra  classificação  a  adotar  senão  a  8502.31.00, tributados a alíquota zero.  As regras de interpretação são, tão somente, aquelas contidas na  TIPI  –Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados.  Isso não afasta, em tese, a tributação das saídas de partes, peças  e  componentes  do  “sistema  eólico”,  quando  tais  saídas  estiverem  desassociadas  do  “conjunto”,  do  “grupo  eletrogêneo”.  Por  óbvio,  dependerá  da  classificação  fiscal  e  previsão de alíquota na TIPI.  Mas, para alguns destes, Segundo a Solução de Consulta nº 50 – SRRF08/Diana, de 31 de Julho de 2013, da própria Interessada,  adotar­se­á a  classificação  fiscal  ­  posição 8504.40.90 e não a  pretendida pela autoridade fiscal.  Aliás, conforme noticiado pela Impugnante em suas respostas às  intimações,  à  data  do  procedimento  fiscal  e  do  lançamento  tributário,  tal  matéria,  classificação  fiscal  do  componente  E­ Module,  estava  pendente  de  apreciação  administrativa  e,  portanto, insuscetível de procedimento fiscal, nos termos do Art.  89 do Decreto nº 7574. de 29 de Setembro de 2011.  A  Impugnante  asseverou  por  diversas  vezes  que  os  Aerogeradores, embora composto por um conjunto de sistemas e  máquinas, são comercializados como único produto  tributado à  alíquota zero.  E segue a Impugnante, à fl. 360.  “Nesse  contexto,  a  fiscalização  segregou,  baseando­se  exclusivamente em documentos fiscais (não realizando qualquer  verificação  in  loco,  ou  outra  avaliação  pormenorizada  do  produto  comercializado  pela  impugnante),  as  partes,  peças  e  componentes dos referidos aerogeradores para tributar pelo IPI  cada um desses materiais como se independentes fossem.”  Fl. 888DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     10 A  Impugnante  alega,  ainda,  que  não  está  devidamente  identificada  a  “matéria  tributável,  calcado  em  presunções  equivocadas e arbitramentos indevidos, em flagrante afronta ao  Art. 142 do Código Tributário Nacional”.  Ora, ao selecionar os produtos mencionados nas notas fiscais de  simples  remessa  e  tributando­os,  simplesmente,  a  autoridade  fiscal deixou de analisar se tais produtos foram industrializados  pela  Impugnante,  bem  como,  no  caso  de  tê­los  adquiridos  de  terceiros,  se  há  situação  de  equiparação  a  estabelecimento  industrial,  fora  dos  quais,  não  se  pode  falar  em  incidência  de  IPI.  Analisando o Anexo I do Relatório Fiscal, verifica­se que exigiu­ se IPI da Impugnante sobre os seguintes produtos: tinta, funil de  PVC, anel de vedação, arruela, parafuso, borracha para vedar,  adesivo, selante, cimento, escada, dentre outros.  A  falta  de  aprofundamento  nas  circunstâncias  e  elementos  veritativos  da  hipótese  de  incidência,  revela  falha  no  elemento  nuclear constitutivo da relação jurídico tributária, desatendendo  o preceito do art. 142, do CTN, como lembrou a Impugnante.  Não é crível que a Impugnante fabrique um rol  tão diversos de  produtos,  cuja  saída  pudesse  ser  onerada  pelo  IPI.  Se  não  é  estabelecimento  industrial  ou  equiparada  a  industrial  em  relação a estes produtos remetidos, separadamente, pelas notas  de simples remessa não há que se falar em incidência do IPI.  Assim,  como  esta  circunstância  material  não  foi  devidamente  esclarecida  nos  autos,  não  há  como  afirmar,  categoricamente,  que realizou­se a hipótese de incidência.  Nos  itens  70  a  75  de  sua  impugnação,  fl.  383,  alegando  ferimento  à  ampla  defesa  e  motivação  do  ato  administrativo,  comprova a utilização no trabalho fiscal de NCM´s inexistentes.  Os  itens  81  a  84  da  Impugnação,  demonstram  a  cobrança  em  duplicidade do IPI em algumas notas fiscais e os itens 95 a 105,  classificações fiscais inadequadas no trabalho fiscal.  Assim, verifica­se, ainda, a falta de perquirição sobre as saídas  dos  produtos  submetidos  a  lançamento  de  ofício,  objeto  das  notas fiscais de simples remessa.  Somente  teria  sentido o  lançamento  tributário  se  as  saídas  dos  produtos  lançados  estivessem  desassociadas  de  uma  venda  de  um  grupo  eletrogêneo,  o  que  impõe  observar  se  a  Impugnante  preencheria,  para  tais  produtos,  o  conceito  de  estabelecimento  industrial ou equiparado a industrial.  A ausência destes cuidados e o exigência indiscriminada de IPI  dos  produtos  constantes  das  notas  fiscais  de  simples  remessa,  traz o trabalho fiscal para o campo das presunções.  Ademais, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido encontra respaldo  na jurisprudência deste CARF, como o julgado que cito a exemplo:  Ementa(s)Assunto: Imposto sobre a Importação ­ II  Fl. 889DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.720958/2013­46  Acórdão n.º 3201­002.248  S3­C2T1  Fl. 885          11 Data  do  fato  gerador:  19/08/1997,  17/09/1997,  29/10/1997,  17/12/1997, 12/01/1998  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  EXTRUSORA  DE  TUBOS  PVC.  TEC 8477.20.10  As combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas  a  funcionar  em conjunto e  constituindo um corpo único, bem  como  as  máquinas  concebidas  para  executar  duas  ou  mais  funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam­ se  de  acordo  com  a  função  principal  que  caracterize  o  conjunto,  tal qual  reconhecido em  laudo  técnico da  linha para  extrusão  de  tubos  PVC,  cujos  puxadores  e  bacias  de  resfriamento  desempenham  funções  complementares  à  extrusão  (função  principal),  devendo  ser  classificados,  na  posição  TEC  8477.20.10,  conforme  Nota  3  da  Seção  XVI,  das  Notas  Explicativas do Sistema Harmonizado.  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  TRANSPORTADOR  PARA  ALIMENTAÇÃO  AUTOMÁTICA  COM  CARREGADOR  E  DESCARREGADOR. TEC 8428.20.90  Quando  uma  máquina  ou  combinação  de  máquinas  seja  constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados  entre  si  por  condutos,  dispositivos  de  transmissão,  cabos  elétricos  ou  outros  dispositivos),  de  forma  a  desempenhar  conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em  uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto  classifica­se  na  posição  correspondente  à  função  que  desempenha,  tal  qual  reconhecido  em  laudo  técnico  do  transportador para alimentação automática, cujos carregador e  descarregador  desempenham  a  função  determinada  de  “transportador para alimentação automática”, classificando­se,  portanto, na posição TEC 8428.20.90  CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MÁQUINA DE RECICLAGEM DE  MATERIAIS TERMOPLÁSTICOS. TEC 8477.59.90  Correta  a  classificação  adotada  pela  Recorrente  na  posição  8477.59.90, já que a máquina importada reaproveita o material  para  reintroduzi­lo  à  linha  de  produção,  atendendo  às  características da reciclagem.  CLASSIFICAÇÃO FISCAL MÁQUINAS DE EMBALAGEM DE  TUBOS  OU  BARRAS  DE  METAL.8428.40.20A  classificação  adotada  pela  Recorrente  é  perfeitamente  aplicável,  pois,  nada  impede que  embale  tanto  tubos de PVC quanto  tubos de metal,  conforme  demonstrado  pelos  ensaios  do  INT,  sendo  mais  adequada a classificação adotada pela Recorrente.  DESCRIÇÃO  FÍSICA.  CONCESSÃO  DE  BENEFÍCIO  DE  EX  TARIFÁRIA.  MISTURADORES.Correto  o  benefício  tarifário  pretendido por tratar­se de aparelho misturador que aglomera o  material,  inicialmente  em  pó,  transformando­o  numa  mistura  homogênea  com  grânulos.  Correta  portanto  a  descrição  feita  Fl. 890DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     12 pela  Recorrente,  o  que  possibilita  o  benefício  da  ex  tarifária  pretendida.  Recurso Provido  (Processo  10831.006690/99­95;  Sessão  de  23/07/2013;  Relator  LUIZ  ROBERTO  DOMINGO,  Acórdão  nº  3101­001.431,  decisão unânime)  Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício para  manter a exclusão do crédito tributário, nos termos do acórdão recorrido.  É como voto.    Tatiana Josefovicz Belisário  ­ Relatora                                Fl. 891DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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Numero do processo: 13839.001482/2005-27
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004 LANÇAMENTOS DISTINTOS PARA CADA TRIBUTO. REUNIÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO EM UM MESMO PROCESSO, NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste causa de nulidade quando, em cumprimento do art. 90 do Decreto n° 70,235/1972, o Fisco lavra autos de infração distintos para cada um dos tributos integrantes do SIMPLES e reúne todas as exigências em um mesmo processo administrativo fiscal, dado que os meios de prova são os mesmos, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL» IRREGULARIDADES, NULIDADE, INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que eventuais irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento, especialmente quando, corno no caso concreto, as alegadas irregularidades não se verificaram, SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO, INOCORRÊNCIA. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial - art, 6' da Lei Complementar n° 105, de 2001. Inaplicável ao caso o inciso XII do art. 5' da Constituição Federal/1988. OMISSÃO DE RECEITAS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, PROCEDÊNCIA Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, MULTA DE OFÍCIO, INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF n° 2. TAXA SELIC, A partir de 1' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadirnplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARP. n° 4. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.340
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri que dava provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio ao percentual de 75%
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Waldir Viega Rocha

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:01:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:01:14Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:01:17Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:01:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3abbad53-c36b-4258-90d2-6c1603816b32; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:01:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:01:17Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:01:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:01:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:01:14Z; created: 2010-12-21T10:01:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2010-12-21T10:01:14Z; pdf:charsPerPage: 1970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:01:14Z | Conteúdo => SI-C3T1 F I 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13839.001482/2005-27 Recurso n° 168.045 Voluntário Acórdão n° 1301-00.340 — 3" Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 08 de julho de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente BONDANÇA CASA E CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida 48 TURMA/DRJ CAMPINA/SP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004 LANÇAMENTOS DISTINTOS PARA CADA TRIBUTO. REUNIÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO EM UM MESMO PROCESSO, NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste causa de nulidade quando, em cumprimento do art. 90 do Decreto n° 70,235/1972, o Fisco lavra autos de infração distintos para cada um dos tributos integrantes do SIMPLES e reúne todas as exigências em um mesmo processo administrativo fiscal, dado que os meios de prova são os mesmos, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL» IRREGULARIDADES, NULIDADE, INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que eventuais irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento, especialmente quando, corno no caso concreto, as alegadas irregularidades não se verificaram, SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO, INOCORRÊNCIA. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial - art, 6' da Lei Complementar n° 105, de 2001. Inaplicável ao caso o inciso XII do art. 5' da Constituição Federal/1988. OMISSÃO DE RECEITAS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, PROCEDÊNCIA Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, MULTA DE OFÍCIO, INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF n° 2, TAXA SELIC, A partir de 1' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadirnplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARP. n° 4. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri que dava provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio ao percentual de 75%. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VEIGARDCHA Relator EDITADO EM: 12 NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto, Relatório BONDANÇA CASA E CONSTRUÇÃO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 05-20.668, de 07/01/2008, da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, recorre voluntariamente a este Colegiada, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 19/07/2005, para constituição de crédito tributário referente aos tributos integrantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, quais sejam, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (fl. 558), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) (fl. 567), Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) 576), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fl. 585) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) (ft, 594), acrescidos de multa de oficio de 112,5%, além de juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 1344.466,66, tudo relativo ao ano-calendário 2003, conforme demonstrativo consolidado de fl. 06. As infrações apuradas pelo Fisco, discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 559/561) e no Termo de Constatação Fiscal (fls. 602/605), são, em apertada síntese: (i) omissão de receitas, apurada com base em depósitos bancários cuja origem a contribuinte, devidamente intimada, não logrou comprovar; e (ii) insuficiência de 2 Processo n° 1.38.39 001482/2005-27 SI-C311 Acórdão ri " 1301-00340 Fl 2 recolhimento, por variação do percentual aplicável ao SIMPLES, decorrente da omissão de receitas apurada, Referido Termo de Constatação Fiscal traz, ainda, descrição detalhada dos procedimentos do Fisco, que tiveram inicio a partir de discrepâncias entre os valores informados à Administração Tributária por empresas administradoras de cartões de crédito e foram aprofundados na forma ali narrada, até resultar na autuação ora discutida. Do relatório do processo por ocasião do julgamento em primeira instância extraio o seguinte excerto: 5. Em conseqüência da apuração de omissão de receitas, por depósitos bancários não escriturados, a receita bruta da fiscalizada extrapolou os limites relativos à empresa de pequeno porte (EPP), razão pela qual foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), conforme Ato Declaratório Executivo n" 27, de 31/08/2005, expedido pela DRF/Jundiaí. 6. Contra essa exclusão, da qual foi cientificada em 09/11/2005, conforme AR de fis, 684, a contribuinte, por seu procurador legalmente habilitado, interpôs, em 23/11/2005, manifestação de inconformidade de fis, 685, apresentando, como contrapartida dos fatos elencados, cópia reprográfiea da PJ-Simplificada 2004- SIMPLES, comprovando o faturamento anual de R$555.975,12, demonstrado mês a mês, valor esse que se contém dentro do limite legal permitido para as empresas de pequeno porte, como condição para permanecer no sistema simplificado de pagamento de impostos e contribuições. 7. O processo de exclusão do sistema recebeu o n° 13839.001484/2005-16 e foi juntado, por anexação, ao citado feito de if 13839.001482/2005-27, para julgamento conjunto, abrangendo a questão da omissão de receitas e exclusão do Simples. 8, No processo agora dito principal, de omissão de receitas, a contribuinte foi cientificada do lançamento em 21/07/2005, conforme assinatura aposta no auto de infração (fis, 558) do imposto de renda pessoa jurídica, assim como nos demais feitos (fis. 567, 576, 585 e 594), além do Termo de Encenamento de Ação Fiscal (fis, 598). 9. A autuada interpôs, em 19/08/2005, por sua representante legal, impugnação de fis. 608/613, com as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 9.1 — faz um breve retrospecto da autuação fiscal e informa que, mesmo ciente de que goza do beneplácito legal do sigilo bancário, a empresa forneceu à fiscalização, além de seus livros empresariais, controles de contas, notas fiscais, alguns extratos bancários de contas nas quais foram movimentadas quantias oriundas de transações comerciais sujeitas à tributação; 9,2 — foi surpreendida com o recebimento do auto de infração, decorrente de incorreta quebra de sigilo bancário, sem autorização judicial, resultando em indevida e ilegal exação sobre transações financeiras não tributáveis; 93 — sendo contribuinte do Simples, a empresa vem promovendo os recolhimentos de tributos e contribuições, aplicando as alíquotas previstas na legislação sobre a receita bruta mensal auferida; 9.4 — a fiscalização, sem autorização dos titulares da empresa e por meio de contatos diretos com instituições financeiras, teve acesso a valores objeto de financiamentos — e não provenientes de operações tributáveis -, promovendo a tributação sobre créditos não oriundos das atividades empresariais; 9.5 — destaca, novamente, que as contas correntes nas quais foram movimentadas as transações comerciais da empresa, tiveram os seus extratos fornecidos à fiscalização, sendo certo que as demais, embora no nome da impugnante, não contêm valores da atividade empresarial; 9,6 — essas contas destinavam-se a abrigar empréstimos e financiamentos concedidos por instituições financeiras, visando construção de sede própria, havendo movimentação de recursos entre elas; 9.7 — informa que não teve conhecimento da instalação de qualquer procedimento judicial específico, desencadeado pela fiscalização, para ter acesso às contas bancárias da empresa, enfatizando que a quebra de sigilo bancário foi ilegal, de modo a nulificar os procedimentos fiscalizatórios; 9,8 — transcreve jurisprudência, para corroborar sua tese de defesa, e requer, ao final, seja julgado improcedente o auto de infração, cancelando-se o lançamento e o débito fiscal respectivo, com observação das formalidades legais, A 4a Turma da DR1 em Campinas/ SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 05-20.668, de 07/01/2008 (fls. 709/718), considerou procedente o lançamento, bem assim a exclusão da empresa do SIMPLES, com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Data do fato gerador 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30111/2003, 31/12/2003 OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A Lei n."9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações" OMISSÃO DE RECEITA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada a omissão de receita, segue-se a lavratura de auto de infração que trará a exigência dos tributos compreendidos no SIMPLES e não recolhidos, em . função do necessário realinhamento das correspondentes aliquotas (à conta da omissão de receita), mais a exigência daquelas mesmas espécies tributárias incidentes sobre a omissão de receita identificada (excedente à declarada), Ciente da decisão de primeira instância em 10/03/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 725, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/03/2008 conforme carimbo de recepção à folha 726. No recurso interposto (fls. 728/754), traz os argumentos a seguir sintetizados: 4 Processo n° 13839 001482/2005-27 S1-C3T1 Acórdão o " 1301-00340 Fl 3 > A decisão de primeira instância seria nula, preterindo o direito de defesa da contribuinte, ao não abordar todas as razões de defesa invocadas na impugnação, especialmente no que toca à "tributação de valores que não constituem 'acréscimo patrimonial', não sujeito à tributação pelo fisco". > Haveria ofensa ao art, 9° do Decreto n° 70.235/1972, por ter sido a exigência do crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS formalizada em único auto de infração. Pela ótica da recorrente, tal procedimento implicaria a nulidade do procedimento, por cerceamento ao seu direito de defesa. > Argui irregularidades no MPF, o qual teria sido extinto após o decurso do prazo de 120 dias, sem sua renovação. Aduz que o MPF se teria iniciado em 15/09/2004, dando-se a ciência do lançamento em 21/07/2005, muito após o prazo limite de 120 dias, que teria expirado em 15/01/2005. Afirma, então, a nulidade de pleno direito da autuação. > Reitera os argumentos anteriormente aduzidos, acerca da inconstitucionalidade da quebra de seu sigilo bancário sem ordem judicial. Sustenta que a aplicação do poder outorgado à autoridade tributária mediante a Lei Complementar n° 105/2001, regulamentada pelo Decreto n° :3,274/2001, implicaria ofensa ao art. 5 0, inciso XII, da Constituição Federal em vigor, e que o sigilo bancário somente poderia ser quebrado sob ordem judicial. Colaciona jurisprudência que entende favorável à sua tese. > Insiste em que os lançamentos tributários com base em depósitos bancários seriam ilegais. Invoca o conceito de renda como acréscimo de valor patrimonial, riqueza nova, e conclui que isto não ocorre com a mera movimentação financeira. Transcreve a Súmula n" 182 do extinto TFR e jurisprudência administrativa e judicial que entende favoráveis. Discorda do acórdão recorrido e afirma que "não se trata de uma presunção legal, já que compete com exclusividade ao fisco a comprovação da efetiva renda obtida pela contribuinte (art. 142 do CTIV)" > Requer a realização de "perícia económico-financeira para se aquilatar corretamente o acréscimo patrimonial auferido pelo contribuinte", para o que nomeia seu perito contábil. > Insurge-se contra as multas aplicadas, no percentual de 112,5%, as quais qualifica como absurdas e que podem induzir à violação ao principio do não-confisco (art. 150, IV, da CF/88). Busca estabelecer a diferença entre declarar uma norma inconstitucional (o que seria reservado ao Poder Judiciário) e reputá-la inconstitucional sem o declarar, apenas afastando sua incidência (o que seria possível ao órgão administrativo). Pede, então, o cancelamento do auto de infração ou, quando muito, sejam as multas baixadas para o limite permitido pelo STF. > Questiona a aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, por ilegal e inconstitucional, pelos motivos que expõe, e pede o cancelamento do auto de infração. É o Relatório. 5 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. Passo, então, a apreciar as preliminares suscitadas pela interessada. Afirma a recorrente que a decisão de primeira instância seria nula, preterindo seu direito de defesa, ao não abordar todas as razões de defesa invocadas na impugnação, especialmente no que toca à "tributação de valores que não constituem 'acréscimo patrimonial', não sujeito à tributação pelo fisco". Não lhe assiste razão. A matéria foi abordada em primeira instância, quando restou demonstrado o entendimento da turma julgadora no sentido de que, em se tratando de presunção legal, o ônus da prova restaria invertido, ou seja, que caberia à interessada demonstrar que os valores movimentados em suas contas-correntes não corresponderiam a receitas tributáveis mas sim, como afirma, a "valores que não constituem acréscimo patrimonial". Esclarecedores, nesse sentido, os parágrafos 58 e 59, abaixo transcritos: 58 Ressalte-se, ainda, que a única argumentação da autuada, em sua defesa, não foi acompanhada de qualquer documento probatório 59 Com efeito, a alegação de que as contas-correntes, cujos extratos não foram por ela fornecidos à fiscalização, comportariam apenas lançamentos de empréstimos e financiamentos, não foi acompanhada de qualquer contrato ou mesmo de declaração de instituição financeira comprovando essa característica das aludidas contas- correntes. Não vislumbro, assim, o cerceamento do direito de defesa alegado pela recorrente. A seguir, sustenta a recorrente que haveria ofensa ao art. 9 0 do Decreto ri° 70.235/1972, por ter sido a exigência do crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS, COHNS e INSS formalizada em único auto de infração. Por sua ótica, tal procedimento implicaria a nulidade do procedimento, por cerceamento ao seu direito de defesa. Eis o mencionado art. 90 e seu § 1', com a redação vigente à época do lançamento: Art. 9"A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícita-(Redação dada pela Lei n" 8.748, de 1993) § 1" Quando, na apuração dos . fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo 6 Processo n° 13839 001482/2005-27 Acórdão n ° 1301-00340 S1-C3T1 Fl 4 sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e auto de infração. (Redação dada pela Lei n" 8,748, de 1993) Como se vê, os argumentos carecem de sustentação. A recorrente confunde o conceito de auto de infração com o de processo administrativo. Em se tratando o SIMPLES de um sistema simplificado de pagamento, e não de um tributo, os créditos tributários decorrentes das infrações verificadas devem ser constituídos para cada um dos tributos que integram aquele sistema, a saber, IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS, em autos de infração distintos, conforme dispõe o capta do art. 9'. E assim foi feito, vide os autos de infração respectivamente às fis, 558, 567, 576, 585 e 594. No entanto, desde que os créditos tributários foram apurados em um mesmo procedimento de fiscalização, comprovados mediante os mesmos elementos de prova, as exigências foram reunidas em um só processo administrativo, contendo todos os autos de infração, exatamente como dispõe o parágrafo primeiro do dispositivo legal acima transcrito„ Demonstrada a correção do procedimento do Fisco, rejeito também esta argüição de nulidade do lançamento. A próxima inesignação da interessada é sobre alegadas irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal, o qual teria sido extinto após o decurso do prazo de 120 dias, sem sua renovação. Aduz que o MPF se teria iniciado em 15/09/2004, dando-se a ciência do lançamento em 21/07/2005, muito após o prazo limite de 120 dias, que teria expirado em 15/01/2005. Afirma, então, a nulidade de pleno direito da autuação. Mais uma vez não lhe assiste razão„ O MPF foi prorrogado, sempre antes de seu vencimento, em 13/01/2005, 14/03/2005, 1.3/05/2005 e 12/07/2005, conforme demonstrativos de emissão e prorrogação de MPF às fls. 02, 03, 04 e 05. Neste último consta, inclusive, a ciência do representante legal da empresa em 21/07/2005, mesma data da conclusão dos trabalhos de fiscalização e lavratura dos autos de infração, quando se encontrava em pleno vigor a última prorrogação de prazo levada a efeito. Ressalto, ainda, que as prorrogações foram feitas por meio de registro eletrônico, disponível à interessada na internet, a teor dos artigos 12, inciso I, e 13, § 1°, da Portaria SRF n°3007/2001, então vigente: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade:. 1- cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de MPF-E; Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. (Redação dada pela Portaria SRF n2 1.468, de 06/10/2003) § 12 A prorrogação de que trata o caput far-se-á por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos ternos do art. 72, inciso VIII. (Redação dada pela Portaria SRF n2 1.468, de 06/10/2003) 1 8 1 1 Ademais, ainda que irregularidade houvesse (o que não é o caso, admitido aqui tão somente a título de hipótese argumentativa), isso não seria causa de nulidade do lançamento. A matéria tem sido discutida no âmbito dos extintos Conselhos de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais, e, particularmente, neste colegiado. As decisões, de forma reiterada, apontam que o MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Os acórdãos cujas ementas transcrevo a seguir bem ilustram essa linha de entendimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, MPF NULIDADE Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo e em consonância com a legislação vigente, O MPF é mero instrumento de controle da atividade de .fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de ?nodo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento.. (Acórdão CSRF/02-02. 543, de 22/01/2007) NULIDADES, AUSÊNCIA DE MPF - A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Acórdão CSRF/02-02,898, de 28/01/2008, Relator Cons. Antônio Carlos Audio?, Na mesma linha o acórdão CSRF/02-02. 899, de mesma data) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - MPF - O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento, (Acórdão 105-15.706, de 24/05/2006, Relator Cons. José Carlos Passuelo). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF O lançamento de oficio está vinculado à Lei. Assim, torna-se imperativo concluir que o MPF', ainda que regulado por Decreto do Chefe do Executivo, não se constitui em elemento indispensável para dar validade ao lançamento tributário. Portanto, não há como declarar nulidade, quer material quer .formal, de lançamento tributário que atende aos requisitos do Art., 142 do Crédito Tributário Nacional (CTN),.formalizado por autoridade legalmente competente e nos termos do Decreto nu 70.235/72 (PAF). Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não no âmbito do processo de exigência tributária (Acórdão 107-09.036, de 24/05/2007, Relator Cons. Luiz Martins Valero). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - IRREGULARIDADES. NÃO CONTAMINAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFICIO - O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Processo o' 13839 001482/2005-27 S1-C3T1 Acórdão ri 1301-00.340 Fl Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria, (Acórdão 202- 15 .834, de 19/10/2004. Na mesma linha o Acórdão 202-15, 833).. Acerca da competência para o lançamento, é de se destacar a Lei n." 2.354/1954, art. 7"; o Decreto-Lei n° 2,225/1985; e a Lei n" 10.593/2002, artigos 5° e 6 0, com as modificações legislativas supervenientes. Não se há de admitir, pois, que atos infralegais, a exemplo de Portarias, possam reduzir ou limitar a competência deferida por lei aos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. Por duplo fundamento, assim, rejeito a argüição de nulidade do lançamento por irregularidades, não verificadas, quanto à prorrogação do MPF. Na sequência, a interessada reitera os argumentos anteriormente aduzidos, acerca da inconstitucionalidade da quebra de seu sigilo bancário sem ordem judicial. Sustenta que a aplicação do poder outorgado à autoridade tributária mediante a Lei Complementar n° 105/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.274/2001, implicaria ofensa ao art. 5", inciso XII, da Constituição Federal em vigor, e que o sigilo bancário somente poderia ser quebrado sob ordem judicial. A Turma Julgadora, em primeira instância, não lhe deu razão, afastando s preliminar suscitada. Também assim o faço. Quanto à necessidade de autorização judicial para acesso às informações bancárias, é de se examinar as disposições dos arts. 1' e 6" da Lei Complementar n" 105/2001, a seguir transcritos (grifos não constam do original) Art. 1" As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, [ .1 § 3" Não constitui violação do dever de sigilo: [.1 VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2", 3", 4", 5", 60, 7" e 9" desta Lei Complementar.. I Art. 6" As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e das Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. 9 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária, Corno facilmente se observa, a Lei autoriza o acesso das autoridades tributárias diretamente aos registros das instituições financeiras, sem que haja violação do dever de sigilo, desde que haja procedimento fiscal em curso, e que os exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. A regulamentação do art. 6 0, ou seja, a perfeita delimitação das condições a que a lei se refere, foi feita pelo Poder Executivo mediante o Decreto n" 3.724/2001. Não há que se falar, portanto, em reserva de jurisdição. Aliás, mesmo para aqueles que entendem que o sigilo bancário pode ser compreendido como espécie do direito à intimidade, em um sentido amplo, protegido pelo inciso X do art. 5° da Constituição Federal de 1988 (o que não é pacifico), há que se notar que o texto constitucional, neste caso, é silente quanto à necessidade ou não de prévia autorização judicial. Quando quis, o legislador constitucional fez constar explicitamente a competência exclusiva do Poder Judiciário para determinadas matérias, corno, por exemplo, a busca domiciliar, prevista no inciso XI, a interceptação telefônica (inciso XII) e a decretação de prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de flagrância (inciso LXI, todos do art, 5'). Eis o texto do dispositivo constitucional invocado pela recorrente: Ari, 5" Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer. natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes, r.1 XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; O segredo das correspondências desde longa data tem reclamado proteção, praticamente ao mesmo tempo da criação de um serviço postal. A facilidade de comunicação surgida para os particulares trouxe fundados receios da divulgação e da utilização indevida das informações. O surgimento de novas formas de comunicação, como o telégrafo e o telefone, fez com que a proteção fosse ampliada, com os mesmos fundamentos. A Constituição anterior (1967) estabelecia que "é inviolável o sigilo de correspondência e das comunicações telegráficas e telefônicas". O constituinte de 1988 inovou, ao introduzir a palavra "dados". A propósito, cabe transcrever o comentário de Bastos e Martins l em 1989, ainda no calor do surgimento do novo texto constitucional: De logo . faz-se mister tecer criticas à impropriedade desta linguagem. A se tomar muito ao pé da letra, todas as comunicações seriam invioláveis, uma vez que versam sempre BASTOS, Celso Ribeiro, e MARTINS, Yves Gandra da Silva. Comentários à Constituição do Brasil. vol. 2, São Paulo, Editora Saraiva, 1989, pág. 73 Áç. 10 Processo n u 13839 001482/2005-27 S1-C31-1 Acórdão n ° 1301-00340 Fl, 6 sobre dados.. Mas pela inserção da palavra no inciso vê-se que não se trata propriamente do objeto da comunicação, mas sim de uma modalidade tecnológica recente que consiste na possibilidade das empresas, sobretudo „financeiras, fazerem uso de satélites artificiais para comunicação de dados contábeis. Em que pese a existência de opiniões em contrário, a melhor interpretação é a de que a proteção de que trata esse inciso recai sobre as comunicações, em suas diversas modalidades, e não sobre os dados ou informações que estão sendo comunicados. Assim também pensa Ferraz ,Tr 2 .: "Obviamente, o que se regula é comunicação por correspondência e telegrafia, comunicação de dados e telefonia". Quanto às informações contidas nessa comunicação, sua proteção se dará pela legislação constitucional ou mesmo infraconstitucional específica, conforme seu conteúdo. Assim, se a comunicação versar sobre aspectos íntimos das pessoas, estarão sob o manto da proteção à intimidade (inciso X do art. 5"). Se foram informações sobre movimentação bancária, será aplicável a legislação que rege essa matéria. O que a Constituição veda é que um terceiro, que nada tem a ver com a relação comunicativa, entre na transmissão (por qualquer de seus modos) e acesse indevidamente os dados transmitidos. Se, por hipótese, um magistrado, em situação prevista legalmente, determina o acesso do fisco à movimentação financeira de um determinado contribuinte, não se há de cogitar da interceptação das ordens de pagamento feitas eletronicamente, emitidas pelo titular da conta. Deve, entretanto, o banco repassar ao fisco as informações armazenadas em sua base de dados. Não cabe falar, aqui, em sigilo de dados. Em reforço dessa linha interpretativa, de que apenas o ato comunicacional está protegido pelo inciso XII, Ferraz Jr. 3 lembra que o texto constitucional estabelece essa vedação em caráter absoluto, com ressalva apenas quanto às comunicações telefônicas. E o faz em face de sua volatilidade. Nas comunicações por correspondência, telegráfica e de dados, na , presença do interesse público, é possível a reconstituição das informações transmitidas e a obtenção de provas com base nos vestígios materiais da comunicação: a carta guardada, o telegrama, as informações armazenadas em um computador. Ao contrário, o conteúdo das conversas telefônicas se perderia por completo, se não fosse a permissão, nos casos especificados, de suas gravações, comumente denominadas "grampos telefônicos", Pelo exposto, resta demonstrada a inaplicabilidade do inciso XII do art. 5' da Constituição Federal de 1988 ao sigilo bancário. Observe-se, ademais, que o acesso do fisco às informações bancárias é, em última análise, um mero teste de veracidade e consistência das informações já anteriormente oferecidas à administração tributária, O dever original de informar sobre suas operações sujeitas ou não à incidência tributária é do contribuinte, antes mesmo de iniciado qualquer procedimento fiscal. Assim, o acesso a tais informações não deve ser encarado como quebra de sigilo ou prerrogativa excepcional, e sim como forma de se aferir a veracidade das informações que originariamente deveriam ter sido prestadas pelo próprio sujeito passivo da obrigação tributária. 2 FERRAZ Jr, Tércio Sampaio. Sigilo Fiscal e Bancário In: PIZOLIO, Reinaldo, e GAVAIDÃO Jr , Jayr Viégas (Coordenadores), Sigilo Fiscal e Bancário. São Paulo, Quariier Latin, 2005, pág, 25, 3 FERRAZ Jr., Tércio Sampaio Obra citada, pág. 27 11 12 Em se tratando de pessoas físicas, as informações já deveriam constar de suas declarações anuais de rendimentos, quer se trate de rendimentos auferidos, tributáveis ou não, quer se trate de informações sobre variações patrimoniais tais como aquisição e/ou alienação de bens, saldos de contas bancárias e de aplicações financeiras, entre outras, Se for o caso de pessoas jurídicas, com muito mais razão as infor mações já deveriam estar disponíveis ao fisco, em face da obrigação de escriturar detalhadamente todas as suas operações (inclusive bancárias/financeiras) e de comprovar sua escrituração com documentação hábil e idônea. No caso em tela, ressalte-se, a movimentação financeira objeto de autuação não se encontrava adequadamente escriturada no livro Caixa nem suportada por documentos hábeis e idôneos, como seria obrigação da recorrente, a teor do disposto na alínea "a" do § 1" do art, 7' da Lei IV 9317/1996 (grifos não constam do original): Art. 70 A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano- calendário subseqüente ao da ocorrência dos fritos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts„3° e 4 0 . I° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano- calendário,- c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores,. Adicionalmente, devem ser observadas as disposições do art. 145, § 1 0, da Constituição Federal vigente: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: - impostos; II - taxas, . ..; III - contribuição de melhoria, .., § 1" - Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. O capta do artigo traz a competência para a instituição dos tributos, fonte de recursos para o Estado. Seu parágrafo primeiro delimita parâmetros para a exigência tributária, no que é conhecido na doutrina como o princípio da capacidade contributiva, embora o Processo n° 13839 001482/2005-27 Acórdão n ° 1301-00.340 S1-C3T1 El 7 constituinte tenha preferido a expressão capacidade econômica. Não obstante o fato de que o texto constitucional se refere aos impostos, não são poucos os autores que estendem sua aplicação às demais espécies tributárias, Esse conceito está subordinado à idéia de justiça distributiva, busca fazer com que cada um pague de acordo com sua riqueza, e encontra raízes no vetusto preceito do direito romano de que a justiça consiste em dar a cada um o que é seu (sutim cuique tribuere). Ao estabelecer esse parâmetro para a exigência tributária, o constituinte se preocupou com a efetividade de sua aplicação. Para que esse dispositivo constitucional não viesse a se tornar letra morta, à administração tributária foi facultado, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Quando o art. 145 da Constituição Federal faculta (ou, em se tratando de um poder-dever, ordena) à administração a identificação do patrimônio, rendimentos e atividades econômicas dos contribuintes, nada mais faz do que reforçar o princípio da igualdade, permitindo a tributação em paridade de condições daqueles que se encontram em situação econômica semelhante. Nesse diapasão devem ser compreendidos os artigos 195 e 197 do Código Tributário Nacional: Art., 195, Para os efeitos da legálação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único, Os livros obrigatórios de escrituração comercial e .fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservadas até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. I-, Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros.' 1 - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de oficio; ii - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III - as empresas de administração de bens; IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais, V os inventariantes; VI - os síndicos, comissários e liquidatários;-,,.fç 13 VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, oficio, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo única A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, oficio, .função, ministério, atividade ou profissão. Afasto, assim, as alegações da recorrente quanto à necessidade de ordem judicial para o afastamento de seu sigilo bancário. O próximo argumento da interessada é de que os lançamentos tributários com base em depósitos bancários seriam ilegais. Invoca o conceito de renda como acréscimo de valor patrimonial, riqueza nova, e conclui que isto não ocorre com a mera movimentação financeira. Transcreve a Súmula n° 182 do extinto TER e jurisprudência administrativa e judicial que entende favoráveis. Discorda do acórdão recorrido e afirma que "não se trata de uma presunção legal, já que compete com exclusividade ao fisco a comprovação da efetiva renda obtida pela contribuinte (art. 142 do CTN)". Constato que a acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 42, Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição ,financeira, em relação aos quais o titular, pessoa . fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica,. f Trata-se, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação 14 Processo n° 13839 001482/2005-27 Acórdão n. 1301-00.340 Fi 8 hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em suas contas-correntes, Para as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, situação da interessada, a obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista no art. 7', § l°, da Lei n° 9..317/1996, já transcrito alhures neste voto. Ao descumprir essa obrigação, a recorrente queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por sua conta-corrente. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Também não é demais registrar que a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, bem assim a jurisprudência administrativa colacionada pela recorrente, se referem à legislação pretérita, anterior à vigência da Lei n° 9.4.30/1996, e se encontram superadas. No que toca ao requerimento de realização de "perícia econômico-financeira para se aquilatar corretamente o acréscimo patrimonial auferido pelo contribuinte", deve ser recusado por desnecessário à solução da lide. A aplicação da presunção legal acima descrita faz prescindível a demonstração de quaisquer acréscimos patrimoniais. A prova a ser produzida nos autos pela interessada seria de natureza documental, capaz de afastar a presunção legal, ou seja, a comprovação individualizada acerca da origem dos valores creditados nas contas- correntes da recorrente. Conforme visto em diversas oportunidades anteriormente, tal prova não foi carreada aos autos, descabendo o deferimento de perícia para tanto. Acrescento que a aferição do crédito tributário é prerrogativa do Fisco, e não de algum perito contábil, Se o contribuinte considera que há erros nos valores exigidos, cabe- lhe impugnar a exigência de forma específica, apontando, fundamentando e comprovando o que, por sua ótica, seria ou não devido. A recorrente insurge-se, ainda, contra as multas aplicadas, no percentual de 112,5%, as quais qualifica como absurdas e que poderiam induzir à violação ao princípio do não-confisco (art. 150, IV, da CF/88). Busca estabelecer a diferença entre declarar uma norma inconstitucional (o que seria reservado ao Poder Judiciário) e reputá-la inconstitucional sem o declarar, apenas afastando sua incidência (o que seria possível ao órgão administrativo). Pede, então, o cancelamento do auto de infração ou, quando muito, sejam as multas baixadas para o limite permitido pelo STF. Assim reza o dispositivo constitucional invocado pela recorrente (grifo não consta do original): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [.1 IV- utilizar tributo com efeito de confisco; 15 [ Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3 0 da Lei n° Si 72/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art.. 3" Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a súmula n° 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais4 , pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF n" 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A recorrente questiona também a aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, por ilegal e inconstitucional, pelos motivos que expõe, e pede o cancelamento do auto de infração. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula n° 4, a seguir reproduzidas: Súmula CARF n" 4: A partir de 1" de abril de 1995, as .juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administradas pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Por amor à clareza, trago à colação às disposições do art. 161, § 1 0, do CTN (grifos não constam do original): Art. 161, O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de furos de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária, § 1" Se a lei não dispuser de moda diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.. Ocorre que a Lei n° 9A30/1996, em seu artigo 61, § 3 0, conjugado com o art. 5 0, § 3 0, veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SEL1C sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): Anexo III da Portaria CARF tf 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009 5 Anexo III da Podaria CARF n° 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009 16 Processo n" 13839 001482/2005-27 S1-C3T1 Acórdão n,° 1301-00.340 F1 9 Art. .5" O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1", será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. [ § 3" As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada inensahnente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mê,s subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [,1 Art, 61 . Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos .fatos geradores ocorrerem a partir de 1" de .janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 1 § 3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5", a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, Não acolho, pois, o pedido de desconsideração dos valores decorrentes da aplicação da taxa SEL,IC, menos ainda quanto ao cancelamento dos autos de infração. Finalmente, constato que no recurso voluntário ora apreciado não foram aduzidas razões específicas contra a exclusão da recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), mediante Ato Declaratório Executivo n° 27, de .31/08/2005, expedido pela DRF/Jundiaí (fl. 678). Em assim sendo, sobre essa matéria o litígio deixou de existir com a decisão de primeira instância, e não compete a este colegiado qualquer pronunciamento a respeito, o que apenas é reforçado pelo fato de que foi mantido o lançamento por omissão de receitas, fazendo com que o limite de receita bruta para permanência no SIMPLES tenha sido, efetivamente, ultrapassado no ano-calendário 2003, com efeitos para o ano-calendário subsequente. Em conclusão, voto por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. WALDIR VEIGA Rd A - Relator 17

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Numero do processo: 11128.008258/98-01
Data da sessão: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2000
Ementa: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA A exigência da diferença de alíquota está condicionada à ocorrência de lapso, por parte do contribuinte, ao classificar a mercadoria, bem como à correção da reclassificação efetuada pelo fisco. É cabível a aplicação da multa do art. 526, II, do RA, quando o produto não está corretamente descrito na GI (ADN-COSIT nº 12/97). RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO
Numero da decisão: 302-34.273
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida pela recorrente. No mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cuco Antunes, Luis Antonio Flora, Hélio Fernando Rodrigues Silva e Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, que o proviam integralmente.
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo

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Numero do processo: 19515.000737/2005-73
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Para a comprovação da origem dos depósitos efetivados em contas bancárias, não basta que o contribuinte aponte rendimentos e empréstimos informados na Declaração de Ajuste Anual, sendo necessária a apresentação de documentação que faça a vinculação entre os referidos rendimentos e os depósitos investigados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU DE SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA CORRESPONDENTES. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula nº 26, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-002.548
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NÚBIA MATOS MOURA

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Para a comprovação da origem dos depósitos efetivados em contas bancárias, não basta que o contribuinte aponte rendimentos e empréstimos informados na Declaração de Ajuste Anual, sendo necessária a apresentação de documentação que faça a vinculação entre os referidos rendimentos e os depósitos investigados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU DE SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA CORRESPONDENTES. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula nº 26, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Negado.

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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.10205.6O9V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000737/2005­73  Acórdão n.º 2102­002.548  S2­C1T2  Fl. 527          2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR  provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente.  Assinado digitalmente  NÚBIA MATOS MOURA – Relatora.    EDITADO EM: 20/05/2013    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Carlos  André  Rodrigues  Pereira  Lima,  José  Raimundo  Tosta  Santos,  Núbia  Matos  Moura,  Roberta  de  Azeredo  Ferreira  Pagetti  e  Rubens  Maurício  Carvalho.  Ausente,  justificadamente,  a  Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.      Relatório  Contra FLAVIO GUEDES DE ALCANTARA foi lavrado Auto de Infração,  fls.  398/406,  para  formalização  de  exigência  de  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  (IRPF),  relativa  aos  anos­calendário  2000  e  2001,  exercícios  2001  e  2002,  no  valor  total  de  R$ 1.489.504,69,  incluindo  multa  de  ofício  e  juros  de  mora,  estes  últimos  calculados  até  28/02/2005.  As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração  e  no  Termo  de Verificação  Fiscal,  fls.  391/397,  foram  omissão  de  rendimentos  recebidos  a  título  de  resgate  de  previdência  privada,  dedução  indevida  de  dependentes  e  omissão  de  rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada.  Inconformado  com  a  exigência,  o  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls. 416/431,  e  a  autoridade  julgadora  de primeira  instância  julgou  procedente  o  lançamento,  conforme  Acórdão  DRJ/BEL  nº  01­12.214,  de  13/10/2008,  fls.  478/491.  A  impugnação  restringiu­se  à  infração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários,  sendo o crédito tributário não impugnado transferido para o processo 16020.000041/2009­44,  conforme extrato, fls. 495.  Fl. 535DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.10205.6O9V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000737/2005­73  Acórdão n.º 2102­002.548  S2­C1T2  Fl. 528          3 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 20/03/2009,  Aviso  de  Recebimento  (AR),  fls.  498,  o  contribuinte  apresentou,  em  17/04/2009,  recurso  voluntário, fls. 501/521, no qual traz as alegações a seguir resumidas:  ­ que o acórdão recorrido decidiu na contramão dos precedentes.  ­  que  o  recorrente  comprovou  efetivamente  a  origem  dos  recurso  através  de  documentos apresentados durante o procedimento fiscal, tais como: Declarações de  Ajuste  Anual,  anos­calendário  2000  e  2001,  comprovantes  de  rendimentos,  referentes  lucros  distribuídos  e  juros  sobre  o  capital  próprio,  instrumentos  particulares  de  contrato  de  mútuo  em  dinheiro  e  escritura  de  venda  e  compra  de  imóvel.  ­ que os recebimentos não são depositados na data do pagamento e em outros casos  até mesmo os valores podem não coincidir, uma vez que pela sua própria natureza os  títulos de créditos circulam.  ­  que  a  alegação  de  que  os  valores  e  datas  não  coincidem  com  a  informada  nas  demonstrações apresentadas é inaceitável, posto que os depósitos muitas vezes são  feitos em datas diferentes daquelas que foram acordadas.  ­ que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de  renda e que não há que se falar na procedência do lançamento, posto que não restou  comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que representa a omissão de  rendimentos.  É o Relatório.  Fl. 536DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.10205.6O9V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000737/2005­73  Acórdão n.º 2102­002.548  S2­C1T2  Fl. 529          4   Voto             Conselheira Núbia Matos Moura, relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Dele conheço.  Como  já  dito  no  relatório, muito  embora  o  lançamento  tenha  imputado  ao  contribuinte  as  infrações  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  a  título  de  resgate  de  previdência privada, dedução indevida de dependentes e omissão de rendimentos caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  tem­se  que  a  lide  restringe­se  tão­ somente à última infração aqui mencionada, posto que o crédito tributário decorrente das duas  outras infrações foi transferido para outro processo.  Pois  muito  bem.  O  lançamento  da  infração  em  debate  foi  realizado  sob  a  égide do  art.  42 da Lei  nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  com as  alterações posteriores  introduzidas pelos arts. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997 e 58 da Lei nº 10.637, de  30 de dezembro de 2002, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos.  De  acordo  com  o  referido  dispositivo  legal  considera­se  omissão  de  rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou  de  investimento mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  pessoa  física,  regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.  A própria lei definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada,  caracterizam  omissão  de  rendimentos. Quando  a  origem  dos  depósitos  não  é  justificada,  tal  circunstância permite inferir ter havido a aquisição de renda omitida à tributação.  Ou seja, verificada a ocorrência de depósitos bancários, cuja origem não foi  devidamente  comprovada  pelo  contribuinte,  é  certa  também  a  ocorrência  de  omissão  de  rendimentos  à  tributação.  A  legislação  não  faz  nenhuma  outra  exigência  para  que  reste  caracterizada  a  omissão  de  rendimentos. Não  é  necessário,  portanto,  que  a  autoridade  fiscal  demonstre  a  existência  de  acréscimo  patrimonial  ou  de  sinais  exteriores  de  riqueza,  como  entende o recorrente.  Aliás, tal entendimento já foi pacificado neste Colegiado, conforme se infere  da Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita:  Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)  Logo,  não  pode  prevalecer  a  alegação  do  recorrente  de  que  a  decisão  recorrida  esteja na  contramão dos precedentes,  sendo  importante destacar que as  ementas de  acórdãos trazidas pela defesa na impugnação e também no recurso referem­se a julgados, cujo  crédito tributário é decorrente de fatos geradores ocorridos antes do advento da Lei 9.430, de  1996 e que, portanto, não se aplicam ao presente caso.  Fl. 537DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.10205.6O9V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000737/2005­73  Acórdão n.º 2102­002.548  S2­C1T2  Fl. 530          5 No  que  concerne  a  origem  dos  recursos  movimentados  em  suas  contas  bancárias,  o  contribuinte  entende  que  a  comprovação  da  origem  foi  demonstrada,  durante  o  procedimento  fiscal, momento em que apresentou suas Declarações de Ajuste Anual  (DAA),  anos­calendário  2000  e  2001,  comprovantes  de  rendimentos,  referentes  lucros  distribuídos  e  juros  sobre  o  capital  próprio,  instrumentos  particulares  de  contrato  de mútuo  em  dinheiro  e  escritura de venda e compra de imóvel.  Ocorre que tais documentos, muito embora, sejam adequados para comprovar  o  recebimento  de  rendimentos,  não  se  prestam  para  comprovar  a  vinculação,  por  ventura  existente,  entre  os  depósitos  bancários  efetivados  nas  contas  bancárias  do  contribuinte  e  os  rendimentos indicados pelo recorrente.  No  caso  dos  rendimentos  de  lucros  distribuídos  e  de  juros  sobre  o  capital  próprio vê­se que os  comprovantes  apresentados pelo  contribuinte,  fls.  235, 237, 266, 267 e  268, são insuficientes para demonstrar a origem dos depósitos investigados, posto que não há  correlação de datas e valores entre os créditos e os lucros distribuídos e os juros sobre o capital  próprio.  Para  prevalecer  a  tese  defendida  pelo  contribuinte  a  demonstração  deveria  ser  feita  mediante a apresentação da escrituração contábil­fiscal das correspondentes pessoas jurídicas,  de forma que restassem evidenciadas as transferências entre as contas bancárias do contribuinte  e das pessoas jurídicas.  A  mesma  situação  se  verifica  quanto  aos  empréstimos.  O  contribuinte  justifica uma enorme quantia dos depósitos havidos em suas contas bancárias na existência de  dois empréstimos tomados da pessoa jurídica Guedes de Alcântara Comércio e Indústria Ltda,  da qual é sócio, em 31/12/1999 e 31/12/2000, nos valores de R$ 170.000,00 e R$ 150.000,00,  respectivamente, conforme contratos, fls. 251/252 e 264/265.  Em  razão  de  tais  contratos  existiria  uma  espécie  de  conta  corrente  entre  o  recorrente  e  a  referida pessoa  jurídica,  com  infinitas operações,  com  remessas de valores do  contribuinte para  a pessoa  jurídica e vice e versa, que  justificariam os depósitos havidos nas  contas bancárias do contribuinte.  Para comprovar os fatos alegados o contribuinte limitou­se a trazer cópia dos  contratos  de  mútuos  que  são  assinados  apenas  pelo  recorrente,  ora  como  pessoa  física,  ora  como representante da pessoa  jurídica e  também planilhas,  fls. 239/250 e 253/263, nas quais  constam  relacionados  os  débitos  e  os  créditos  ocorridos  em  razão  dos  referidos  contratos  de  mútuo.  Nenhum  outro  documento  foi  apresentado.  Ou  seja,  a  transferência  dos  valores  envolvidos nos contratos de mútuo não foram comprovadas, seja mediante a apresentação dos  livros  contábeis,  seja  mediante  os  extratos  bancários  da  pessoa  jurídica  que  concedeu  o  empréstimo. Logo, mais uma vez, tem­se que os documentos apresentados pelo recorrente são  insuficientes para justificar a origem dos depósitos efetivados em suas contas bancárias.  Quanto à venda do imóvel, o contribuinte trouxe aos autos cópia de Escritura  de Venda e Compra, lavrada em 04/10/2001, na qual está consignado que o imóvel foi alienado  pela quantia de R$ 300.000,00, sendo recebido R$ 204.000,00 no ato da lavratura da escritura e  os R$ 96.000,00, representada por 12 notas promissórias, de R$ 8.000,00, vencendo a primeira  em 17/11/2001.  Ocorre que não há nos extratos bancários do recorrente créditos nas datas e  nos  valores  especificados  na  escritura,  ao  que  o  contribuinte  esclarece  que  os  valores  foram  recebidos  de  forma diversa,  indicando onze  depósitos  ocorridos  no  período  de  01/10/2001  a  18/12/2001, que perfazem o somatório de R$ 178.667,60, quantia  inferior aquela  indicada na  Fl. 538DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.10205.6O9V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000737/2005­73  Acórdão n.º 2102­002.548  S2­C1T2  Fl. 531          6 escritura pública como já recebida em 04/10/2001. E mais, o contribuinte não trouxe nenhum  documento  que  vinculasse  ao  menos  um  dos  depósitos  à  venda  do  imóvel,  de  sorte  que  mencionada  operação  não  se  presta  a  justificar  a  origem  de  depósitos  efetivados  nas  contas  bancárias do contribuinte.  É  importante que se diga que para a comprovação da origem dos depósitos  efetivados  em  contas  bancárias,  não  basta  que  o  contribuinte  aponte  rendimentos  e  empréstimos  informados  em  suas  Declarações  de  Ajuste  Anual,  sendo  necessária  a  apresentação  de  documentação  que  faça  a  vinculação  entre  os  referidos  rendimentos  e  os  depósitos  investigados. Sem  tal demonstração não há como considerar  comprovada a origem  dos créditos havidos nas contas bancárias sob exame.  Nesse ponto, vale repisar que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu  uma  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  que  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  creditados em sua conta de depósito ou de investimento.  Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a  imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos, sendo certo que não é  lícito obrigar ao Fisco substituir o contribuinte no fornecimento de prova que a este competia  em decorrência da apuração de omissão de  renda por presunção  legal, pois, como já exposto  anteriormente, esta presunção tem o poder de inverter o ônus da prova.  No  presente  caso,  os  documentos  e  esclarecimentos  prestados  pelo  contribuinte  não  foram  suficientes  para  comprovar  a  origem  dos  créditos  investigados,  de  modo que  deve­se manter  a  infração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada  nos  termos  em  que  consubstanciada  no  Auto  de  Infração.  Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura ­ Relatora                                Fl. 539DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.10205.6O9V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por NUBIA MATOS MOURA em 27/05/2013 15:11:41. Documento autenticado digitalmente por NUBIA MATOS MOURA em 27/05/2013. Documento assinado digitalmente por: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 27/06/2013 e NUBIA MATOS MOURA em 27/05/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0919.10205.6O9V Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 021C7A706E4F80971DC2FDC4FEC3C257BE27C18E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.000737/2005-73. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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7624356 #
Numero do processo: 10711.004511/2001-27
Data da sessão: Wed Oct 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 17/09/1999, 07/10/1999, 17/01/2000, 03/05/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. 0 recurso especial previsto no artigo 5º, I do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes, tem por pressuposto decisão não unânime que contrarie a lei ou a evidência de prova, cabendo à Procuradoria da Fazenda Nacional demonstrar, fundamentadamente, a ocorrência das circunstâncias autorizadoras para que a o recurso possa ser admitido na via estreita da instância especial. Não pode ser conhecido recurso especial que não esclarece a prova frontalmente contrariada pelo acórdão recorrido e, especialmente, quando isto não ocorre, eis que os fatos sequer serviram de premissa para a conclusão que chegou o acórdão recorrido Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-000.262
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto da Relatora
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Nanci Gama

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E EXP. LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 17/09/1999, 07/10/1999, 17/01/2000, 03/05/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. 0 recurso especial previsto no artigo 5 0, I do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes, tem por pressuposto decisão não unânime que contrarie a lei ou a evidência de prova, cabendo à Procuradoria da Fazenda Nacional demonstrar, fundamentadamente, a ocorrência das circunstâncias autorizadoras para que a o recurso possa ser admitido na via estreita da instância especial. Não pode ser conhecido recurso especial que não esclarece a prova frontalmente contrariada pelo acórdão recorrido e, especialmente, quando isto não ocorre, eis que os fatos sequer serviram de premissa para a conclusão que chegou o acórdão recorrido Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto da Relatora. EDITADO EM: 10/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez López, Leonardo Siade Manzan, Luis Marcelo Guerra de Castro e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face de acórdão n° 303-33.327 da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA COM ELEMENTOS SUFICIENTES 44 SUA IDENTIFICAÇÃO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 526, INCISO II, DO REGULAMENTO ADUANEIRO (DECRETO 91.030, DE 05/03/1985). Verificado haver ocorrido apenas "imprecisa" descrição da mercadoria, a qual não torna inválida a Guia de Importação/ LI que acoberta a importação, tem-se como descaracterizada a infração prevista pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n". 91.030, de 05/03/1985. Ato Declaratório Cosit n". 12, de 21/01/1997. Recurso voluntário provido. Sustenta a Fazenda Nacional que a Terceira Câmara do Conselho de Contribuintes contrariou a evidencia das provas ao proferir esta decisão, desconsiderando o laudo pericial que consta nos autos, e que atesta que o produto analisado não se encontra refletido na descrição efetuada pela importadora na LI, eis que não descreve todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado pelo contribuinte, conforme o Ato Deelaratório (Normativo) n° 12/1997 da COSIT. Assim, requer que seja confirmada a decisão de P instância, considerando procedente em parte o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 1 à 5, complementado pelo Auto de Infração de fls. 165 a 169. A Recorrida não apresentou contra-razões ao Recurso Especial. o Relatório. 2 Processo n°10711.004511/2001-27 Acórdão n.° 9303-00.262 CSRF-T3 Fl. 342 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora 0 recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Cabe, no entanto, antes de ser apreciada as razões pela qual a Recorrente pede a reforma da decisão recorrida, verificar se o seu Recurso pode ser admitido por contrariedade à evidência das provas dos autos. A decisão recorrida ostenta a seguinte ementa: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA COM ELEMENTOS SUFICIENTES À SUA IDENTIFICA CÃO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 526, INCISO II, DO REGULAMENTO ADUANEIRO (DECRETO 91.030, DE 05/03/1985). Verificado haver ocorrido apenas "imprecisa" descrição da mercadoria, a qual não torna inválida a Guia de Importação/ LI que acoberta a importação, tem-se como descaracterizada a infração prevista pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 91.030, de 05/03/1985, Ato Declaratório Cosit n". 12, de 21/01/1997. Recurso voluntário provido. Cabe aqui registrar que a reclassificação das mercadorias importadas pela fiscalização não acarretou lançamento de diferença de imposto de importação (II) e imposto sobre produtos industrializados (IPI), em razão das aliquotas de referidos impostos serem iguais, seja na classificação adotada pelo contribuinte, seja em razão da reclassificação fiscal procedida pela fiscalização. Logo, o crédito fiscal em questão se traduz na aplicação da multa prevista no artigo 526, inciso II, do RA, o qual foi cancelado pela decisão ora recorrida, por entender que a classificação fiscal errônea pelo contribuinte da mercadoria por ele importada, não autoriza a aplicação de multa que tem como fato punível a importação desacompanhada de guia de importação ou documento equivalente, especialmente quando a mercadoria importada contou com Licença de Importação. Veja-se que o fato do laudo técnico sustentar que a classificação adotada pelo contribuinte não era a correta é irrelevante, eis que a fundamentação da decisão recorrida não ignora referida incorreção, somente afasta a aplicação da multa por entender que referida incorreção na classificação do produto não a legitima. Logo, não há como admitir o recurso especial em exame, eis que, a meu ver, inequívoca a impertinência da alegada contrariedade à evidência das provas sustentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Por fim, não é demais esclarecer que também foi apontada pela decisão recorrida, como fundamento para o cancelamento da multa imposta ao contribuinte, o Ato Declaratório (Normativo) n° 12/97, segundo o qual "não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque de "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante." Ante o exposto, voto por não conhecer o recurso especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. a éLGam 4

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7409115 #
Numero do processo: 13702.000964/2004-24
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DE DCTF, SANÇÃO. APLICÁVEL POR LEI. A multa pelo atraso na entrega da DCTF é devida nos termos do artigo 7 0 da Lei 10,426/02. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. NÃO APLICÁVEL A DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da DCTF atrasada, espontaneamente, não afasta a multa, apenas a reduz em 50%. O artigo 138 do CTN aplica-se apenas a infrações diretamente ligadas ao tributo devido, não se estendendo à multa devida pelo atraso na entrega da declaração. A entrega da DCTF no prazo regular é obrigação legal, conhecida desde a origem, razão pela qual não se afasta a responsabilidade da contribuinte, culpada do descumprimento da obrigação. Precedentes do STJ e da CSRF. REMISSÃO. COMPETÊNCIA LEGAL, A remissão de que trata o artigo 172 do CTN só pode ser aplicada mediante Lei que estabeleça as condições para a dispensa do pagamento do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.229
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LAVÍNIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA

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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DE DCTF, SANÇÃO. APLICÁVEL POR LEI. A multa pelo atraso na entrega da DCTF é devida nos termos do artigo 7 0 da Lei 10,426/02. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. NÃO APLICÁVEL A DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da DCTF atrasada, espontaneamente, não afasta a multa, apenas a reduz em 50%. O artigo 138 do CTN aplica-se apenas a infrações diretamente ligadas ao tributo devido, não se estendendo à multa devida pelo atraso na entrega da declaração. A entrega da DCTF no prazo regular é obrigação legal, conhecida desde a origem, razão pela qual não se afasta a responsabilidade da contribuinte, culpada do descumprimento da obrigação. Precedentes do STJ e da CSRF. REMISSÃO. COMPETÊNCIA LEGAL, A remissão de que trata o artigo 172 do CTN só pode ser aplicada mediante Lei que estabeleça as condições para a dispensa do pagamento do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado.

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Processo n" 13702.000964/2004-24 Recurso n" 142.980 Voluntário Acórdão n" 1302-00.229 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2010 Matéria DCTF Recorrente TREVO ASSESSORIA CONTÁBIL LTDA. Recorrida DR.J/RIO DE JANEIRO/RJ ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DE DCTF, SANÇÃO. APLICÁVEL POR LEI. A multa pelo atraso na entrega da DCTF é devida nos termos do artigo 7 0 da Lei 10,426/02. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. NÃO APLICÁVEL A DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da DCTF atrasada, espontaneamente, não afasta a multa, apenas a reduz em 50%. O artigo 138 do CTN aplica-se apenas a infrações diretamente ligadas ao tributo devido, não se estendendo à multa devida pelo atraso na entrega da declaração. A entrega da DCTF no prazo regular é obrigação legal, conhecida desde a origem, razão pela qual não se afasta a responsabilidade da contribuinte, culpada do descumprimento da obrigação. Precedentes do STJ e da CSRF. REMISSÃO. COMPETÊNCIA LEGAL, A remissão de que trata o artigo 172 do CTN só pode ser aplicada mediante Lei que estabeleça as condições para a dispensa do pagamento do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, '.---1/4-----.2 MARCOS RODRIGUES DE. MELLO - Presidente i , MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora EDITADO E 2 AGO 2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello, Relatório A interessada atrasou a entrega da DCTF dos trimestres de 1999, 2000 e 2001, entregando-as em 2002. As declarações de 2002 entregou-as atrasadas em 2002 e 2003 e as declarações de 2003 entregou atrasadas em 2003 e 2004. Por isso, em 2004 a autoridade fiscal lançou de oficio as multas pelo atraso nas entregadas das DCTV Em sua impugnação, a contribuinte alega denúncia espontânea do cumprimento em atraso da entrega da DCTF, a hiposuficiência da parte, dada dificuldade financeira e concorrencial que sofre em sua cidade. Pede ainda a aplicação do artigo 172, I, III e V do Código Tributário Nacional para que seja dada a remissão integral do débito. Em sua decisão a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) do Rio de Janeiro esclarece que a multa é devida exclusivamente pelo atraso da DOTE, que é uma obrigação exigida na Lei 10A26/02 à qual autoridade administrativa está vinculada, devendo cumprir a Lei,. Identificado o atraso, nos termos do artigo 142 do CTN, é devido o lançamento da multa. A denúncia espontânea não se aplica a obrigações acessórias de cunho formal, como a DCTF, aplica-se apenas ao descumprimento de obrigações vinculadas ao pagamento do tributo devido. Ciente da decisão, a interessada vem em seu recurso requerendo a aplicação do instituto da denúncia espontânea e do artigo 172 do CTN para afastar a incidência da multa pelo atraso na entrega da DCTF. Protesta pela injustiça do lançamento, que só se deu em 2004, de fatos ocorridos em 2002 e 2003. É o relatório, 2 Processo ri' 13702 000964/2004-24 SI-C3T2 Acórdão n." 1302-00.229 Fl. 2 Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira A Lei 10A26/02 determina que, havendo atraso na entrega da DCTF, esse atraso culminará na incidência de multa e esclarece o valor da multa aplicável. A entrega espontânea da DCTF atrasada não remedia o atraso, apenas o confirma. Confirmado o atraso no cumprimento da obrigação acessória, a Lei prevê determinado valor mínimo de multa a pagar pelo atraso na entrega da DCTF. Para além dele, se a contribuinte antecipou-se ao fisco e apresentou a DCTF voluntariamente, porém em atraso, a multa fica reduzida em 50%. Esse procedimento de cálculo já foi aplicado nos lançamentos de fls. 7 e seguintes. Não há, no mais, como afastar a sanção disposta em Lei, já que a atividade da administração pública está a ela vinculada. Não há como aplicar ao caso o artigo 172 do Código Tributário Nacional (CTN), porque na verdade a remissão de crédito tributário só pode ser feita por Lei. Só à Lei cabe impor ou retirar e remir tributos e sanções. À autoridade fiscal cabe aplicar a Lei e exigir a multa devida pelo atraso na entrega da DCTF de todos os contribuintes que incorrerem nessa situação, nos termos do artigo 142 do CTN, sendo nesse ponto irreprimível o lançamento fiscal combatido. Não se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. A DCTF enquadra-se no artigo 113 do Código Tributário Nacional como uma obrigação acessória autônoma de fazer uma declaração e entregar à autoridade fiscal no prazo regular, obrigação essa que é exigida nos termos da legislação tributária em vigor. A obrigação de entregar a DCTF é desvinculada do ato de pagar o tributo, O atraso na entrega da declaração omite informação relevante à autoridade fiscal acerca dos tributos devidos pela contribuinte e atrasa a consumação do crédito tributário, por isso, gera prejuízo à autoridade fiscal. Nessa medida, o atraso é punido com a aplicação de multa bem disposta à época pelo artigo 7 ° da Lei 10.246/02. É meu entendimento que o artigo 138 do CTN aplica-se apenas à denúncia espontânea de infração ligada ao pagamento do tributo ou aos procedimentos acessórios diretamente ligados a esse pagamento. Não se aplica ao atraso na entrega da DCTF, que é obrigação acessória que visa facilitar a ação fiscal, integralmente independente do pagamento do tributo. Os fatos delineadores da obrigação de entregar a DCTF são integralmente conhecidos porque são objeto de definição em lei e instrução normativa. A contribuinte não pode alegar o desconhecimento da Lei. Nessa linha, a obrigação de entregar a DCTF no prazo regular é e sempre foi conhecida tanto pela contribuinte como pela autoridade fiscal. Em minha visão, a inteligência do artigo 138 do CTN exige ainda que a infração da legislação tributária seja decorrente de fato não anteriormente conhecido. Nessa situação, ficaria afastada a culpa e a responsabilidade da contribuinte quando ela, tomando conhecimento do fato, denuncia a infração à autoridade e efetua os recolhimentos devidos, 3 Nessa linha, o artigo 138 do CTN é inaplicável a uma obrigação integralmente conhecida e determinada a priori na legislação, que não depende de qualquer outra matéria de fato. Aliás, esse meu entendimento está em linha com o precedente do ST1, conforme demonstra Acórdão em Recurso Especial da Fazenda Nacional n " 246.963/PR, DIU- e 05/06/00, e com a jurisprudência desta Corte, bem representada pelas citações abaixo. 3" Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 303- 35 213 em 23.04 2008 DCTF Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TR1BUTÁ- RIOS FEDERAIS bcrp ; MULTA POR ATRASO : i" • -.•• • • NA ENTREGA. DENÚNCIA .ESPONTÁNEA, ART. 138 CTN IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CABIMENTO.. A -entrega da DCTFfora do prazo fixado em lei enseja a aplicação de multa correspondente. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea pretendida, se refere à obrigação principal. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, de acordo com o rtigo 138 do crw Precedentes do STI e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Decis-ao.- Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, que deu provimento parcial para manter tão somente a imputação relativa ao quarto trimestre de 2001. ANEL ISE DAUDT PRIETO - Presidente da Câmara, Publicado no DOU em: 16 09 2008 Relato,: BAHR NETO Recorrente: CAMACHO & CAMACHO ASSESSORIA CONTÁBIL S/C LTDA, Recorrida.- DRI-R10 DE JANEIRO/RJ Cite-se ainda referido precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. "DCTF- DENÚNCIA ESPONTÂNEA . É devida a multa pela omissão na entrega da DCTF As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do falo gerador do tributo, não estão alcançadas pelo artigo 138 do CTIV". (Acórdão CSRF/02- 0996). Afastada a hipótese de denúncia espontânea, a Lei é implacável e define que, havendo atraso na entrega da DCTF, será devida a multa de oficio. A multa tem caráter punitivo e os valores pelos quais é cobrada, de forma escalonada, levando em conta o porte da movimentação fiscal da contribuinte, garantem equilíbrio com a situação econômico-financeira • 4 Processo n° 1.3702.000964/2004-24 Si-C3T2 Acórdão n " 1302-00229 Fl 3 da empresa, razão pela qual em meu entendimento a multa observa o principia da equidade e capacidade cantributiva. A contribuinte alega que é injusto cobrar em 2004 uma multa de fatos pretéritos, ocorridos em 2002 e 200.3, porém, noto que, de acordo com o artigo 17.3 do Código Tributário Nacional, a autoridade fiscal tem 5 (cinco) anos contados da data do encerramento do exercício fiscal para lançar de oficio as multas exigidas nos termos da Lei 10.426/02. Então, em tese, a autoridade fiscal poderia lançar as multas pelo atraso na entrega das DCTF efetivamente entregues em 2002, por exemplo, até final de 2007. Nesses termos, nego provimento ao recurso voluntário,. 7 - " LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA - Relatara 5

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Numero do processo: 13706.002132/2001-60
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: RESTITUIÇÃO: O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras feitas por pessoa jurídica submetida ao lucro real deve compor a apuração do resultado e não podem ser objeto de compensação, mas sim o saldo negativo de IRPJ porventura, apurado no período base, Para que seja deferido o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ, oriundo de imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, "mister" se faz comprovar na escrituração o lançamento das respectivas receitas financeiras,
Numero da decisão: 1402-000.191
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira

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Albertina Silva an s de Lima - residente L Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira- Relator EDITADO EM: O 3 A C) ei 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio José Praga de Souza, Maria Antonieta Lynch de Moraes, Frederico Augusto Gomes de Alencar ,Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relatório IJW EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNP,' N° 29.521.689/0001-81, já qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 6" Turma da DRI em RIO DE JANEIRO RH, contida no acórdão ri' 12-12.816 de 19 de Dezembro de 2006, que manteve o Despacho Decisório da DERAT Rio de Janeiro.. Adoto o relatório da DRI. "Trata o presente processo do pedido de restituição de fls. 07 e 273 e das Declarações de Compensação de fls. 01, 02, 03, 04, 05, 06, 274, 296 e 305, protocolizadas como pedidos de compensação, convertidos em DCOMP por . fbrça do yç 4" do art. 74 da Lei n" 9.430/96, no valor total de R$ 117.779,20, cujo reconhecimento requereu, referente a retenções do imposto de renda na .fonte sobre aplicações financeiras efetuadas nos anos- calendário de 1997, 1998, 1999 e 2000 2. O pedido em tela foi analisado pela Divisão de Orientação e análise Tributária - Diort da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária Derat-Rio de Janeiro -.RJO, recebendo o Parecer Conclusivo Diort/Derat-RJO n" 115/2006, que se encontro acostado a estes autos às 1/5.. 416/420, veiculando, em essência, as seguintes considerações, 2.1- o que, na realidade, o contribuinte . faz jus é a restituição/compensação relacionada com o saldo credor do IRPJ/CSLL (Saldo negativo), apurado no encerramento do período, e não diretamente com o IRPJ, pago por antecipação com base nas estimativas mensais ou com o IRRF sobre aplicações financeiras 2.2- na apuração do imposto a pagar, no encerramento do período de apuração, deduz-se entre outros, os recolhimentos feitos a título de estimativa mensais e 1RRF sobre aplicações financeiras com o valor do imposto anual apurado no encerramento do período base e declarado na DIPJ Restando saldo credor (Saldo negativo), configura-se a hipótese do crédito ser restituído/compensado, após análise criterioso de sua consistência; 2,3- no ano-calendário de 1997, exercício de 1998, em análise da .DIPJ/1998, constata-se que a Interessada não declarou a titulo de 1RRF nenhum valor (fletia 08 item 15), fls. 322/325, tendo declarado o valor de R$ 2.752,26 a título de imposto de renda mensal por estimativa e o mesmo valor como saldo credor do IRPI; 2.4- em análise dos extratos da consulta ao Sistema IRF- Benqficiário de /Is, 360/369, referentes ao ano-calendário de 1997, verifica-se que o valor do IRRF informado pelas fontes pagadoras é de R$ 24 218,10, valor este não informado DIPJ/1998 (fls. 325/326); \,1Á 2.5- referentemente aos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000, exercícios de 1999, 2000 e 2001, constata-se pelos extratos parciais de fls. .334/336; 342/343 e 355/356 (renumeradas), que a Interessada não „fez constar nenhum valor a título de saldo credor (Saldo negativo) do IRPJ, 2 Processo o° 13706.002132/2001-60 S1-C4T2 Acóraio o ' 1402-00,191 Fl. 2 2..6- a falta de informação dos valores a título de saldo credor (saldo negativo) do IRPJ nas D1PJ dos exercícios retro, autoriza o não reconhecimento do direito pleiteado, por inexistência do crédito solicitado, ou seja, o direito pleiteado não se reveste de liquidez e certeza, atributos indispensáveis para o reconhecimento do direito creditório pleiteado; 2..7- proposta pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 117,779,20, referente aos saldos credores (saldos negativos) dos anos-calendário de 1997, 1998, 1999 e 2000 e pela não homologação das declarações de compensações de fls, 01, 02, 03, 04, 05, 06, 272, 294 e 303. 3. Com base no referido parecer conclusivo, a autoridade máxima da Diort/Derat-RIO, proferiu, em 27/07/2006, o Despacho Decisório de fi. 421, o qual se traduz no indeferimento da solicitação da Interessada e, por conseqüência, no não reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Interessada, no valor de R$ 117,779,20 e na não homologação das compensações declaradas, de/is. 01, 02, 03, 04, 05, 06, 274, 296 e 305. 4. Tendo sido dado ciência à Interessada do indeferimento citado, em 28/07/2006 (AR de .11 434), .foi apresentada, em 28/08/2006, a manifestação de inconformidade de .fis. 436/440, com as razões de defesa a seguir sintetizadas, que: 4,.1- a negativa de homologação da compensação é inteiramente improcedente em face de erro por ela cometido ao preencher sua declaração não podendo ser impeditivo do seu direito, como quer fazer crer a autoridade administrativa. Isso seria sobrepor a forma sobre o conteúdo em nítida inversão da busca da realidade dos .fatos; 4.2- ao examinar o pedido em tela a autoridade administrativa reconheceu a existência de saldo credor do imposto de renda da pessoa jurídica de R$ (2.752,26) e que houve retenção na fonte no montante de R$ 24.218,10, ou seja, tinha UM saldo credor de IRPJ devidamente declarado e uma retenção na fonte que, embora não declarada, foi devidamente confirmada pela autoridade; 4..3- do exame das considerações acima fica cristalino que pagou imposto a maior do que o devido, o que, nos termos do art. 16.5, do CTN, deve ser lhe restituído, in totum, pois o citado artigo não faz menção a ser ao imposto declarado ou não. Ele refere-se aos termos "cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido", Exatamente como no presente caso; 4.4- a administração fazendá ria apurou que houve /1/(1pagamento a maior, via retenção na fonte e, sendo assim, nos termos da legislação vigente, tem o dever de retifica/- de oficio a declaração, apurando-se o verdadeiro resultado, independentemente do erro praticado pelo contribuinte; 3 4,5- não pode o fisco se negar a reconhecer a veracidade dos fatos, por entender que a . forma utilizada não teria sido a mais correta, O fato é que houve pagamento de imposto a maior, como ficou claramente reconhecido; 4.6- esses argumentos servem tanto para o ano-calendário de 1997 como para os outros anos-calendário, cujos créditos foram descartados pela mesma imprópria razão, ou seja, malgrado a apuração do erro cometido, que pode e deve ser revisto de oficio pelo fisco, conforma determina a lei. A compensação do imposto recolhido a maior, foi negada por razões de ordem puramente formais e que poderiam ter sido corrigido de oficio, 4.7- não é a Interessada que .faz a retenção, tampouco o recolhimento, e a única coisa que pode supor é que tenha havido erro por parte da fonte pagadora quando da retenção. Mesmo assim, isso não altera o fato de que o imposto . foi recolhido a mais e está nos cofre públicos sem fato gerador que lhe dê origem; 4.8- o presente pedido de compensação e/ou restituição já não mais envolve questão de prova, pois os créditos .foram reconhecidos como verdadeiros pela autoridade administrativa.. De qualquer sorte, a Interessada junta cópia de seus livros onde constam os lançamentos contábeis referentes ao imposto retido na fonte, objeto do pedido de compensação e/ou restituição, para eliminar qualquer.. dúvida; 4,9- caso o fisco não acolha como boas as informações prestadas, bem como os documentos anexados, protesta por perícia ou diligência contábil na .forma do art. 16, IV, do Decreto n" 70,235/72, para comprovação dos .fatos, indicando o seu perito e formulando 05 quesitos; 4,10 por todo exposto, confia no deferimento da compensação pleiteada." A 6' Turma da DRJ no Rio de Janeiro RJ-I analisou a Manifestação de Inconformidade e manteve a decisão recorrida, tendo o voto do relator se manifestado com os argumentos que podem ser resumidos na ementa abaixo transcrita, "ASSUNTO, NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano-calendário: 1,997, 1.998, 1999, 2.000. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA A autoridade . julgadora de primeira instância deve indeferir a realização de diligências ou perícias quando prescindíveis ou impraticáveis, RESTITUIÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ A restituição do saldo negativo do IRPJ condiciona-se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação dos itens que compõem a respectiva apuração. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO, 4 Processo n" 13706 002132/2001-60 SI-C4T2 Acó ydào n " 1402-00,191 Fl 3 Restando não comprovado o pretenso direito creditário da interessada para com o fisco não há que se falar em homologação de compensações por ela efetuadas." Inconformada a empresa apresentou recurso voluntário de fls. 502/507, onde argumenta em síntese o seguinte. A decisão recorrida não deu a devida atenção ao fato demonstrado e comprovado de que a recorrente cometeu lapso no preenchimento de suas declarações de rendimentos, deixando de consignar as retenções na fonte. Afirma que devem ser retificadas de oficio conforme artigo 147 § 2° do CTN. Cita doutrina de Hugo de Brita Machado sobre o dever de retificação por parte da autoridade administrativa, Diz que não pode o fisco se negar a reconhecer a veracidade dos fatos de que houve pagamento de imposto a maior. Não foi da recorrente a obrigação de reter a imposto mas sim a fonte pagadora onde caberia ao fisco diligenciar. Diz que procedeu na forma do artigo 74 da Lei 9.430/96 que rege a compensação com as alterações introduzidas pelas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e 11.051/2004. Cita decisão da 7' RF em processo de consulta e conclui pedindo o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relatar O recurso é tempestivo dele conheço. Transcrevamos a legislação: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial cio tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ,sç 4"do artigo 162, nos seguintes casos:. I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido,'" De acordo com a legislação supra não resta dúvida de que o contribuinte tem o direito à restituição de valores de tributos recolhidos a maior ou indevidos em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Qual então seria esse fato gerado no caso tratado nos autos? A percepção de renda com a aplicação financeira onde houve a retenção? Obviamente que não pois de acordo com o artigo 2 0 da Lei 9.430/96, o 1RRF no caso de pessoa jurídica submetida à tributação pelo lucro real compõe o resultado no final do período de apuração, quer trimestral ou anual. Assim não há o que falar em restituição de IRRF ou compensação de tal tributo senão na apuração do resultado de cada período de apuração, O que é compensável ou restituivel na realidade é o saldo negativo de IRPJ. Analisando os autos verifica-se que a empresa argumenta erro no preenchimento da DIN, ora se isso realmente ocorrera deveria ela retificar suas declarações, mas isso não seria ainda o bastante para ter direito à restituição pois é inadmissível a consideração de [RIU. na apuração do resultado se o rendimento da aplicação financeira não foi considerado na apuração do resultado* Cabe ressaltar que a obrigação de escriturar e apurar o resultado é da empresa e não do fisco bem como a retificação de declarações. Cabe ao fisco sim fazer auditoria contábil fiscal, tanto para verificar se os tributos foram recolhidos de acordo com a legislação bem como se determinado direito, como de compensação pode ser deferido ou no caso de compensação feita pelo sujeito passivo se realmente tinha tal direito. Havendo dúvida quanto a certeza e a liquidez do crédito a compensação não pode ser homologada por vedação expressa contida no artigo 170 do CTN* Concluindo conheço do recurso e no mérito NEGO-LHE provimento. 7-- 77( Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira 6 a Seção 4n Cãmara MINISTÉRIO DA FAZENDA Fls CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF CARF I" SEÇÃO DE JULGAMENTO/4' CÂMARA Processo n° : 13706,0021.32/2001-60 Interessado(a) : IJW EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, TERMO DE JUNTADA 1 a Seção/4a Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1402-00 191, (fls ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / Chefe da Secretaria

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Numero do processo: 18471.001574/2004-56
Data da sessão: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APURAÇÃO. A apuração de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto deve ser feita mediante confronto mensal entre as fontes e as aplicações de recursos. Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-000.638
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA

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APURAÇÃO. • A apuração de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto deve ser feita mediante confronto mensal entre as fontes e as aplicações de recursos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os embr. do C e e 'ado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos term s do vo e do • elato . Franc . - co As .is de Oliveira Júnior — Presidente If)°(Aãfedro au ereira llarbcits - Relator EDITADO EM: 21 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Janaína Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório - CRISTINA HUTHMACHER SOARES MOTTA interpôs recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 11/17. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 61.233,68, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 150.605,81. A infração que ensejou o lançamento e que está detalhadamente descrita no Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 08/10 foi o acréscimo patrimonial a descoberto, nos anos-calendário de 1998, 1999, 2000 e 2001. Na impugnação de fls. 22/28 a Contribuinte alegou, em síntese, que dois dos créditos feitos em sua conta corrente, nos valores de R$ 31.026,05 e R$ 30.926,74, foram depositados pr empresa da qual a Contribuinte era diretora e se destinavam a cobrir despesas da pessoa jurídica e solicita a realização de diligência para que se apure este fato; que teria ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 16/11/1999; que o lançamento seria nulo, pois teria havido mudança de critérios jurídicos adotados em relação ao mesmo sujeito passivo; que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa, pela falta de individualização dos créditos bancários e pela ausência de prévia intimação a respeito do fluxo patrimonial; que a variação patrimonial deve ser apurada mensalmente e não de fauna anualizada; que as deduções das DIRPF não poderiam ser consideradas como dispêndio na apuração do fluxo patrimonial; que os valores da restituição do IRRF dos anos de 1999 e 2000 não poderiam ser considerados como dispêndio; que o Fisco teria confundido a tributação com base em acréscimo patrimonial com a tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada; que teriam sido tributados indevidamente depósitos com valores individuais inferiores a R$ 12.000,00 e que não totalizam R$ 80.000,00 no ano; que não foram cotejados os depósitos com os rendimentos declarados; que depósitos bancários caracterizados como empréstimos seriam isentos; que dos US$ 22.000,00 considerados como aplicações no ano de 2001, US$ 5.000,00 foram furtados. A Delegacia de Julgamento - DRJ julgou procedente em parte o lançamento para manter a exigência apenas com relação ao ano-calendário de 2001, reduzindo, ainda, a base de cálculo de R$ 103.169,01 para 37.719,05. Segundo o voto condutor do acórdão recorrido, excluindo-se da apuração do acréscimo patrimonial o valor da movimentação financeira não comprovada, o que foi considerado como critério não válido na apuração do acréscimo patrimonial, ainda assim restaria um acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 37.719,05 que decorreria exclusivamente da diferença entre os dólares cuja propriedade foi confessada pela Contribuinte e os rendimentos de R$ R$ 13.142,80 considerados como comprovados. O voto condutor (vencedor) ponderou, ainda, que o fato de o acréscimo patrimonial ter sido apurado anualmente (este foi um dos fundamentos do voto vencido para considerar o lançamento improcedente) não causaria prejuízo à Contribuinte e, portanto, não seria motivo para a invalidação do lançamento. A Contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 18/12/2007 (fls. 58v) e, em 16/01/2008, interpôs o recurso de fls. 60/62, que ora se examina e 2 Processo n° 18471.001574/2004-56 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.638 Fl. 2 no qual reitera as alegações da impugnação quanto ao furto dos dólares e a necessidade de levantamento anual do acréscimo patrimonial a descoberto. É o relatório. • 3 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa — Relator Como se vê, cuida-se de lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto. Chama a atenção, de imediato, o fato de a apuração ter sido feita de forma anualizada, conforme planilha de fls. 08. Já é entendimento consolidado neste Conselho que, na determinação dos rendimentos omitidos com base em acréscimo patrimonial não justificado, o cotejo entre origens e aplicações de recursos deve ser feito mensalmente, conforme se extrai do art. 2° da Lei n° 7.713/88, in verbis: Art. 2° O imposto sobre a renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Com efeito, ao determinar que o imposto é devido mensalmente à medida em que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos, a lei impõe que, no caso de omissão de rendimentos apurada com base em acréscimo patrimonial a descoberto, o cotejo entre os dispêndios e os recursos deve se realizado a cada mês. É que, em se tratando de fluxo de caixa, conforme o período considerado, pode-se chegar a resultados distintos. Conseqüentemente, o único critério válido é aquele que garante a apuração da base tributável confoime prescreve a legislação: mensalmente. Não é sem razão, aliás, que o art. 55, XIII do RIR/99, ao prever a tributação do acréscimo patrimonial a descoberto, ressaltou que este deve ser apurado mensalmente, senão vejamos: Art. 55. São também tributáveis (Lei n" 4.502, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3', § 4", e Lei n" 9.430, de 1996, arts. 24, § 2", inciso IV, e 70, § 3', inciso I): XIII — as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa fisica, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não- tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (destaquei) É' esse o entendimento reiterado deste Conselho. Como exemplos, veja-se os seguintes julgados da quarta câmara do antigo Conselho de Contribuintes: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO - APURAÇÃO MENSAL - O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a 4 Processo n 0 18471.001574/2004-56 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.638 Fl. 3 determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. (Ac. 104-22573, de 17/09/2007- relator Nelson Mallmann) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - APURAÇÃO - A apuração de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto deve ser feita mediante confronto, mensalmente, entre as fontes e as aplicações de recursos, não devendo prevalecer a apuração feita com base em valores anualizados.(Ac. 104-23.041, de 05/03/2008, relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa). Resta claro que no caso sob exame a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto foi feita com base em critério não albergado pela lei e, portanto, não pode prosperar a exigência do imposto calculado sobre essa base. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. (RPirLI\PDa. -1.— oC11/) Pereira a:rbois161 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA "Y,g,`n CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2 CAMARA/2 a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 18471.001574/2004-56 Recurso n°: 165.508 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2201-00.638 - .- Brasília/DF, 2 1 J ii N 29i"ON, rs, LLkJ EVEL1NE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração - Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional

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Numero do processo: 18471.000886/2003-61
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO - CSLL Fato gerador: 31/12/1997 DECADÊNCIA - CSLL - INAPLICABILIDADE DO PRAZO DE 10 (DEZ) ANOS PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É inaplicável o prazo de 10 (dez) anos, como lapso temporal da decadência da CSLL, previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Por força da Súmula Vinculante n° 8 do STF e também considerando que a CSLL é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para o lançamento é de 5 (cinco) anos, conforme estabelecido no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1803-000.330
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, acolheram a preliminar de decadência, vencido o Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Luciano Inocêncio do Santos

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É inaplicável o prazo de 10 (dez) anos, como lapso temporal da decadência da CSLL, previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Por força da Súmula Vinculante n° 8 do STF e também considerando que a CSLL é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para o lançamento é de 5 (cinco) anos, conforme estabelecido no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, acolheram a preliminar de decadência, vencido o Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ED ITADO_EM 17 DEZ 20-10 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Benicio Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos e Silvana Rescigno Guerra Barreto. Processo n° 18471.000886/2003-61 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.330 Fl, 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ que manteve integralmente o Auto de Infração lavrado em 29/04/2003, fls. 18/21, contra a empresa qualificada nos autos deste PAF, correspondente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL para exigência de crédito tributário no valor de R$ 120.267,27, referente ao fato gerador ocorrido em 31/12/1997, bem como a conseqüente exigência decorrente da imposição de multa de oficio e demais acréscimos moratórios totalizando a exigência global tributária em RS 332.466,83 (trezentos e trinta e dois mil, quatrocentos e sessenta e seis reais e oitenta e três centavos). Na descrição dos fatos do auto de infração (fls.19), foi apontada as seguinte infração: "001 — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES Foi constatado que o contribuinte no Exercício de 1998, Ano- Calendário de 1997, no ano, compensou o valor do saldo da "Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores" sem respeitar o limite máximo de 30% (trinta por cento), deixando de fazer, em conseqüência a correta apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido" (CSLL)." Intimada do auto de infração em 29/04/2003, a recorrente apresentou impugnação às fls. 31/34, acompanhada dos documentos de fls. 35/53, na qual alegou a decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário, visto que transcorridos mais de cinco anos da entrega da declaração de rendimentos, nos termos do art. 173, I, do CTN. Os membros da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ, ao examinarem as razões apresentadas, julgaram procedente o lançamento por entenderem que o prazo decadencial relativo à Contribuição Social é aquele regulamentado pelo inciso I, do art. 45, da lei n.° 8.212/1991, ou seja, dez anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, conforme se verifica pela transcrição da ementa abaixo: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/1997 Ementa: DECADÊNCIA O direito de a fazenda pública constituir o crédito referente à Contribuição Social sobre o lucro líquido extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (inciso I, artigo 45, da Lei n°. 8.212/1991) MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. 2 irsk3< Processo n° 18471.000886/2003-61 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.330 Fl. 3 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA ACIMA DO LIMITE DE 30%. A ausência de contestação, por parte da interessada, de matéria objeto de lançamento de oficio, consolida administrativamente o crédito tributário decorrente." Inconformada com a decisão acima, da qual teve ciência em 08/12/2006 (fls. 65), a interessada, apresentou Recurso Voluntário protocolizado em 03/01/2007 (fls. 66/73), apresentado os seguintes argumentos em ataque ao deeisum: • Inconstitucionalidade do artigo 45, da lei n.° 8.212/91 no que diz respeito ao prazo decadencial do direito da Fazenda de constituir em 10 (dez) anos da ocorrência do fato gerador, eis que, em razão da hierarquia das leis, apenas lei complementar poderá estabelecer parâmetros às disciplinas gerais, tal como é o Código Tributário Nacional, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com o status de Lei Complementar; e • Com o advento da Lei n.° 8.383/91, a CSLL se tornou um tributo sujeito à lançamento por homologação, com prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150, § 4° do CTN. Por fim, finaliza, a recorrente, o seu arrazoado, requerendo que seja dado provimento ao recurso para declarar a decadência do direito da Fazenda em constituir o mencionado crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos essenciais à sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Cumpre, de plano enfrentar a preliminar de decadência suscitada no recurso sob exame, que sustenta a inaplicabilidade do prazo 10 (dez) anos para constituição do crédito tributário relativo à CSLL, ao contrário da decisão a quo proferida pela DRJ, que se fundamentou no art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que assim dispõe (in verbis): "Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; (omissis) " É cediço que, por vezes, este colegiado em reiteradas decisões já vinha afastando a aplicação do aduzido dispositivo, este entendimento foi corroborado pela decisão proferida pelo Plenário do STF, ao julgar o RE 560.626/RS (relator Ministro Gilmar Mendes) Luciano Inoêêncio Uos Santos Processo n° 18471.000886/2003-61 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.330 Fl. 4 que declarou a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, por violação do art. 146, III, b, da CF/88, culminando na edição da Súmula Vinculante n° 8, assim redigida (in verbis): "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do decreto-lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." (Grifamos) A Sumula Vinculante foi introduzida em nosso ordenamento pela Emenda Constitucional (EC) n° 45/2004, e por força do mandamento constitucional preconizada no art. 103-A da CF/1988, os efeitos da sua observância obrigam não só o Poder Judiciário, como também à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Desta forma, sendo o CARF um órgão da administração pública, não há como um de seus colegiados refutar a sua aplicação, sob pena de descumprimento do referido mandamento constitucional. Portanto, por tratar o caso vertente de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, qual seja a CSLL, aplica-se-lhe o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, previsto no § 40 do art. 150 do CTN, o qual, "in casu", já foi fulminado pela decadência. Diante do exposto, acolho a preliminar de decadência para afastar a exigência tratada nos presentes autos, razão pela, ual DOU PROVIMENTO ao recurso. E como voto. r`V MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 18471.000886/2003-61 Acórdão n° : 1803-00330 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, / /2040 Ve-cce-ctscu-2' Maristela de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [J com Embargos de Declaração.

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