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Numero do processo: 11080.100205/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3401-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Ronaldo Souza Dias, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Ronaldo Souza Dias, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Ronaldo Souza Dias, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Relatório Trata-se de pedido de compensação de débitos com créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior, no qual o crédito foi considerado prescrito pelo decurso do prazo de cinco anos do fato gerador. Por bem sintetizar o objeto da lide em discussão, reproduzo o Relatório da decisão de primeira instância (destaques nossos). “O presente processo de restituição/compensação, conforme parecer e Despacho Decisório de fls. 82 a 85, resultou em Dcomps não homologadas e Dcomps consideradas não declaradas. Após intimado, o interessado apresentou Recurso Hierárquico para as Dcomps consideradas não declaradas e Manifestação de Inconformidade para as declarações não homologadas. Foram abertos processos de representação para controle/cobrança dos débitos cujas Dcomps foram consideradas não declaradas e remessa à Superintendência para análise do respectivo recurso hierárquico. Aqui trataremos apenas do exame da Manifestação de Inconformidade contra a parte da decisão contida no Despacho Decisório que não homologou as RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .1 00 20 5/ 20 05 -8 1 Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.282 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.100205/2005-81 compensações, pois considerou que o direito a pleitear os respectivos créditos já estava atingido pela decadência. A recorrente pleiteia a aplicação de um prazo prescricional total de dez anos (cinco anos do fato gerador mais cinco anos da homologação tácita) para o seu direito à compensação de créditos oriundos do pagamento indevido de multa, fundamenta sua opinião transcrevendo jurisprudência do STJ. Ressalta que o Despacho Decisório não teria oposto "qualquer resistência" ao crédito apontado pela Recorrente, o que permitiria concluir que teria sido aceita a sua legitimidade. Afirma que o crédito utilizado na extinção dos débitos indicados no pedido de compensação decorre dos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido, além dos juros e correção monetária. Neste sentido, conclui pela inexigibilidade da multa, voltando a citar e transcrever doutrina e jurisprudência do STJ. Ao final requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade, nos efeitos suspensivo e devolutivo, na forma do artigo 74 da lei 9.430/96 e 151 do Código Tributário Nacional, para que seja reformado o Despacho Decisório em questão e homologadas suas compensações efetuadas”. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem considerar improcedente a manifestação de inconformidade, afastando o entendimento utilizado pela impugnante relativo à aplicação de denúncia espontânea e considerando prescritos os pedidos de restituição por ser de cinco anos da extinção da exigência do tributo pelo pagamento o prazo para solicitar restituição. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre - RS (DRJ/Porto Alegre) foi materializada no Acórdão n o 10-24.449 – 2ª Turma da DRJ/POA (doc. fls. 178 a 181) 1 , assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2001 Ementa: SOLICITAÇÃO DE RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - Nos termos do art.168 do Código Tributário Nacional e da IN SRF n° 96, de 26/11/1999, o prazo para solicitar restituição é de 5 (cinco) anos da extinção da exigência do tributo pelo pagamento, sendo corroborado pelo art.3° da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Regularmente cientificada em 14/04/2010 pelo recebimento da Intimação DRF/SEORT/RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO n o 836/2010, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre - RS, como se observa no Aviso de Recebimento - AR (doc. fls. 185), e não resignada com a decisão desfavorável em primeira instância, a Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário (doc. fls. 186 a 191) em 07/05/2010, como se extrai do carimbo de recebimento aposto à primeira folha da peça recursal. Por meio do apelo, a empresa contesta a decisão de primeira instância, basicamente repisando os argumentos já outrora apresentados por ocasião da Manifestação de Inconformidade. Alega assim, em síntese, que: a) não se trata de prazo decadencial, como equivocadamente teria consignado a decisão administrativa, mas sim prescricional, conforme literal dispositivo do CTN, e, tratando-se de créditos oriundos de tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, o cômputo do prazo 1 Todas as referências a folhas dos autos pautar-se-ão na numeração estabelecida no processo digital, em razão de este processo administrativo ter sido materializado na forma eletrônica. Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.282 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.100205/2005-81 prescricional deve considerar as peculiaridades desta modalidade de lançamento, não sendo possível fazer a simples contagem de cinco anos; e b) “como o prazo prescricional para o pedido de restituição e ou para a Ação de Repetição de Indébito só começa a correr a partir da extinção do crédito tributário, e este, quanto aos tributos sujeitos a homologação, se dá apenas com a verificação desta pela autoridade administrativa, o prazo só pode começar a fluir depois do ato homologatório, como vem decidindo sem discrepância os Tribunais”, de forma que “o pedido de restituição foi tempestivamente aviado pelo contribuinte, motivo pelo qual devem ser examinados em sua plenitude”. Apoiando-se razões apostas em seu Recurso Voluntário, a recorrente requer o recebimento e o provimento do presente, “a fim de reformar a decisão recorrida com base em qualquer dos fundamentos deduzidos acima, para fins de reformar a decisão recorrida por ser medida que demonstrará a realização da JUSTIÇA FISCAL!”. A lide foi objeto de apreciação por este Conselho e, por meio da Resolução n o 3001-000.028 (doc. fls. 213 a 221), de 22 de fevereiro de 2018, achou por bem o colegiado converter o julgamento em diligência à unidade de origem, “para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada”. Encaminhado o feito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre - RS (DRF/Porto Alegre) cumpriu a demanda e prestou as informações requeridas por meio do Despacho n o 0.134/2020/EQREC3-GCRED-10ªRF (doc. fls. 247 e 250) Concluiu a autoridade fiscal que o pagamento discutido foi realizado em data posterior à confissão da respectiva dívida. Intimada, a recorrente se manifestou no prazo estabelecido na Intimação, alegando que “considera incompleto o relatório de diligência, pois permanece obscura a principal questão litigiosa, qual seja, o fato do pagamento ter sido anterior a apresentação da respectiva DCTF”. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Admissibilidade do recurso O Recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele se pode tomar conhecimento. Não arguição de preliminares. Análise do mérito O litígio em tela versa sobre o inconformismo do contribuinte em face de Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório requerido em 35 pedidos de restituição e, consequentemente, não homologou compensações requeridas em outras 35 solicitações de compensação, todos juntados às fls. 002 a 070. Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3401-002.282 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.100205/2005-81 O crédito solicitado, em montante de R$ 1.840,43, decorre de recolhimento de multa de mora exigida indevidamente, segundo a recorrente, por afrontar o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com base nesses créditos, pretendia a contribuinte compensar débitos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) em mesmo montante (PA 30/10/2002; vencimento 14/11/2002, nos seguintes termos: A análise dos pedidos foi efetuada pela autoridade competente para o reconhecimento do crédito, a qual, por meio do Despacho Decisório de fls. 247 a 250, indeferiu os pedidos de restituição por entender estarem prescritos, considerando ainda não declaradas parte das compensações declaradas por inobservância das normas para sua formulação, nos seguintes termos (fls. 116 e ss. – destaques nossos): “2. A compensação de débitos próprios está prevista na Instrução Normativa n° 460, de 18 de outubro de 2004, que disciplina a compensação efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação, gerada a partir do programa PER/DCOMP, ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação do formulário Declaração de Compensação. Abaixo transcrevemos o art. 26, da referida Instrução Normativa: (...) 3. Todavia, no caso em análise, referente as DCOMPS - declaração de compensação de fls. 04, 37, 40,43, 46, 55, 61, 64 e 67, elas serão considerada não declaradas tendo em vista a requerente não ter observado o art. 31, da IN acima citada abaixo reproduzido: Fl. 268DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3401-002.282 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.100205/2005-81 (...) 4. Já as DCOMPs de de fls. 01, 07, 10, 13, 16, 19, 22, 25, 28, 31, 34, 49, 52, e 58, não seriam acolhidas em razão do disposto no art. 165 e 168 do Código tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), verbis: (...) 5. Portanto, vê-se que o direito à restituição/compensação está disciplinado nos supratranscritos dispositivos legais, sendo que este último artigo estabelece o prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da extinção do crédito tributário para que o contribuinte exerça o seu direito de pleitear a repetição do indébito. Expirado esse prazo, extingue-se, de pronto, o direito à compensação. Tendo a requerente protocolado a declaração de compensação em 27.01.2005, e os pagamentos efetuados nos anos-calendário de 1995 a 2000, a compensação seria descabida uma vez que a contagem do prazo para que ocorra a prescrição na hipótese de pagamento a maior/indevido, começa a contar a partir do pagamento. 6. Os débitos referentes as DCOMPs consideradas não declaradas estão devidamente informados em DCTF. 7. Ante o exposto, proponho seja INDEFERIDO o direito creditório em favor da requerente, no valor de R$ 784,68, nos termos do art. 165, inciso I, do Código Tributário Nacional (Lei n°. 5.172/66), pagamentos a maior/indevidos às fls. . 01, 07, 10, 13, 16, 19, 22, 25, 28, 31, 34, 49, 52, e 58 não sendo homologada a compensação dos débitos informados nestas DCOMPs e, CONSIDERADA NÃO DECLARADAS às DCOMPs, no montante de R$ 1.055,75, anexadas às fls. 04, 37, 40, 43, 46, 55, 61, 64 e 67, referente aos pagamentos indevidos efetuados nos anos- calendário de 2001, 2002 e 2003, tendo em vista a não utilização do formulário correto”. A decisão administrativa foi mantida pelo colegiado de piso, chegando aquele colegiado ao entendimento de que, nos termos do art. 168 do CTN, o prazo para solicitar restituição seria de cinco anos da extinção da exigência do tributo pelo pagamento e que o instituto da denúncia espontânea excluiria tão-somente a responsabilidade por infrações, afastando as penalidades que seriam aplicáveis ao contribuinte infrator que se denunciou espontaneamente, mas da análise dos DARF's anexados ao presente processo ficaria evidente que a multa que deu origem aos créditos pleiteados seria de natureza moratória, não se aplicando o referido instituto (fls. 179 e ss. – destaques nossos): “Pela leitura conjunta do inciso I do art. 156 com o § Io do art. 150, do Código Tributário Nacional, depreende-se que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, o mesmo se aplicando aos tributos sujeitos às demais modalidades de lançamento, considera-se como data da extinção do crédito tributário a data em que efetuado o pagamento: (...) Desta forma, nos termos do art. 168, I, do CTN, o direito de pleitear restituição/compensação de créditos contra o Fisco extingue-se após o transcurso do prazo de 5 anos, contados a partir da data de efetivação do suposto indébito, posição adotada no Parecer PGFN/CAT 678, de 28 de maio de 1999, que revogou o entendimento esposado no Parecer Cosit 58/1998. O referido ato emanado do órgão responsável pela representação judicial da Fazenda Nacional foi corroborado pelo Parecer PGFN/CAT/1538/99, de 28 de setembro de 1999, versando sobre o prazo para pleitear compensação/restituição de indébitos perante à Fazenda, cujo trecho conclusivo, atinente à presente lide, abaixo transcrevo: (...) Fl. 269DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3401-002.282 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.100205/2005-81 Deve, também, ser afastado o argumento de que o Despacho Decisório não teria oposto "qualquer resistência" ao crédito apontado, pois a decisão é bastante clara ao determinar que o direito a pleitear os referidos créditos já estava atingido pela decadência. Porquanto negado preliminarmente o pedido com o fundamento jurídico da prescrição, fica prejudicada a análise dos demais aspectos fáticos do litígio, restando, portanto, descabidas as alegações sobre a eventual ocorrência de denúncia espontânea na origem dos créditos pleiteados pelo interessado. Neste ponto, cabe também observar que o instituto da denúncia espontânea exclui, tão-somente, a responsabilidade por infrações, o que significa que afasta as penalidades que seriam aplicáveis ao contribuinte infrator, mas que se denunciou espontaneamente. Contudo, pela análise dos DARF's anexados ao presente processo, junto aos respectivos pedidos de restituição, fica evidente que a multa que deu origem aos créditos pleiteados é de natureza moratória, desta forma não assiste razão à alegada hipótese de denúncia espontânea. A multa de mora não tem a natureza jurídica da sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabendo, por isso, a alegação da ocorrência de denúncia espontânea conforme defende o interessado”. A recorrente tem defendido que seria indevida a multa de mora pois o recolhimento do tributo devido que reconhece ter recolhido em atraso teria sido feito anteriormente à transmissão da DCTF. Associando-se os pedidos de restituição às compensações declaradas, tem-se o que segue: Fl. 270DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3401-002.282 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.100205/2005-81 Nesses termos, o que se chega da lide à apreciação desta colenda Turma nessa fase recursal é: (1) a prescrição dos Pedidos de Restituição formulados; e (2) a ocorrência de denúncia espontânea para afastar a cobrança de multa moratória. Quanto à ocorrência da prescrição dos pedidos de restituição formulados, a razão está com a recorrente. A questão do prazo quinquenal ou decenal para se pleitear restituição/compensação de indébito tributário, em tributos sujeitos a lançamento por homologação, já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal - STF por meio do RE n o 566.621/RS, julgado em sede de repercussão geral. Para o STF, o prazo prescricional para restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, cujos pedidos tenham sido protocolizados antes da vigência da Lei Complementar n o 118/2005, estão sujeitos ao prazo de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador. Vale lembrar que as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2 o do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este Conselho adotou o entendimento acima e editou, em sessão plenária de 09/12/2003, a Súmula CARF n o 91, a qual se tornou vinculante em 07/06/2018, com o seguinte teor: “Súmula CARF n o 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador”. Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 3401-002.282 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.100205/2005-81 No caso vertente, os pedidos foram formalizados em 27/01/2005, anteriormente portanto a 09/06/2005, e referem-se a pagamentos de multa moratória supostamente indevidos ocorridos entre 30/01/1996 a 29/03/2004, como se extrai da tabela aposta linhas acima. Aplicando-se então o decidido pelo STF no RE n o 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE n o 561.9087/RS, e a Súmula CARF n o 91, tem-se que estariam alcançados pela prescrição os pagamentos cujos fatos geradores ocorreram antes de 27/01/1995. Assim, tendo a interessada protocolizado seu pedido de restituição em 27/01/2005, os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, por terem sido alcançados pela prescrição, o que não ocorreu in casu com nenhum dos recolhimentos efetuados, como assevera a recorrente. Nesses termos, não há óbices para que se dê sequencia à analise do mérito. No que ser refere à denúncia espontânea, contudo, no meu entender os esclarecimentos trazidos pelo relatório de diligência ainda não permitem concluir pela ocorrência ou não da denúncia espontânea. Explico. Nos termos do parágrafo único do art. 138 do CTN, não ocorre a denúncia espontânea quando iniciado qualquer procedimento ou medida de fiscalização: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (grifei). Ainda em relação à matéria, a aplicação da denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN, na extinção de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, já foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o rito dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n o 13.105, de 16/03/2015, por meio do REsp n o 1.149.022/SP 2 . 2 REsp n o 1.149.022/SP “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base Fl. 272DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 da Resolução n.º 3401-002.282 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.100205/2005-81 No recurso, aquele Tribunal Superior decidiu que não se aplica o instituto da denúncia espontânea aos débitos declarados pelo contribuinte nas respectivas DCTF e liquidados depois das datas de seus vencimentos, mas a denúncia espontânea ocorreria quando o contribuinte retifica a declaração efetuada antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, noticiando a existência de diferença a maior, quitando-a concomitantemente. A matéria já havia sido sumulada pelo próprio STJ, Súmula n o 360, publicada no DJe de 8/9/2008, verbis (novamente grifei): "Sumula STJ n o 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." Tem-se nos julgados, então, duas situações distintas, a saber: (1) o contribuinte declara parcialmente o débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) e efetua o respectivo pagamento integral; depois, antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, retifica a declaração efetuada noticiando a existência de diferença a maior, quitando-a concomitantemente – situação à qual se aplica o instituto da denúncia espontânea com a consequente exclusão da multa moratória; e (2) o contribuinte declara tributo sujeito a lançamento por homologação e efetua o correspondente pagamento, à vista ou parceladamente, fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco – hipótese na qual não se caracteriza a denúncia espontânea (Sumula STJ n o 360). Como visto, a aplicação do REsp n o 1.149.022/SP pressupõe, nas duas hipóteses nas quais trata da aplicação do instituto da denúncia espontânea, a existência da declaração prévia do tributo sujeito a lançamento por homologação e seu correspondente pagamento. No caso concreto, tem-se que os pagamentos efetuados pela recorrente com o recolhimento da multa de mora, os quais, segundo a empresa, dariam origem ao crédito por ela utilizados nos pedidos de compensação, foram efetuados em datas posteriores àquela de seu vencimento, também como se extrai da tabela acima. Como relatado, este Conselho achou por bem consultar a autoridade fiscal para verificar se a competência informada como débito teria sido previamente declarada pelo contribuinte e, em relatório consubstanciado, entendeu a DRF/Porto Alegre que não há que se falar em denúncia espontânea com a consequente exclusão da multa moratória, já que os débitos 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010)."(grifei) Fl. 273DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 da Resolução n.º 3401-002.282 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.100205/2005-81 compensados haviam sido confessados em DCTF antes da apresentação das declarações de compensação objeto do presente processo (fls. 247 e ss. – destaques nossos): “5. Em relação às DCTF, pode-se observar, conforme demonstrado às fls. 224 a 236, que a pessoa jurídica acima referida apresentou à Receita Federal do Brasil duas DCTF referentes ao período de apuração outubro de 2002, sendo a primeira retificada pela segunda. Na primeira DCTF (nº 0000.100.2003.31357512), recepcionada pela RFB em 14/02/2003, a requerente declarou para a competência outubro/2002, com vencimento em 14/11/2002, o débito de COFINS (cód. Rec. 2172) no valor total de R$ 19.310,52. A este débito, vinculou somente um pagamento abatendo R$ 2.896,58 do débito declarado para a competência, restando o saldo a pagar no valor de R$ 16.413,94. 6. Já na DCTF retificadora (nº 0000.100.2005.22081804), recepcionada em 17/03/2005, foi mantido o mesmo valor anteriormente declarado para o débito de COFINS da competência outubro/2002. No entanto, ao valor de R$ 16.413,94, antes declarado como saldo a pagar, foram vinculadas diversas compensações; entre elas as constantes do presente processo (indicado de forma errônea como sendo o de nº 11080.100207/2005-70), no valor compensado de R$ 1.840,43. 7. Como se pode ver, o débito compensado nas 23 compensações foi declarado em sua totalidade na primeira DCTF, entregue em 14/02/2003. A única diferença entre as DCTF original e retificadora, no que concerne ao débito de COFINS da competência outubro/2002, reside no fato de que na segunda foram vinculadas ao débito as compensações inexistentes na primeira. No entanto, o débito estava declarado em sua totalidade desde 14/02/2003, data anterior à da entrega das declarações de compensação. 8. Considerando-se, então, que que os R$ 16.413,94 declarados na primeira DCTF, em 14/02/2003, como saldo a pagar, só foram compensados em 27/01/2005, ou seja, não houve pagamento integral do débito em concomitância com a entrega da DCTF, não há que se falar em denúncia espontânea com a consequente exclusão da multa moratória para esta parcela do débito de COFINS da competência outubro/2002. Deve, desta forma, incidir tanto o juros de mora (que não foi abordado na discussão administrativa), quanto a multa de mora, sobre o principal do débito compensado em cada declaração de compensação”. Não obstante, observa-se que a autoridade fiscal debruçou-se sobre a transmissão das DCTF vinculadas aos pagamentos dos débitos compensados por meio dos pedidos de compensação constantes dos autos, também efetuados em atraso, mas silenciou acerca dos pagamentos em atraso efetuados por meio de DARF, com o recolhimento de multa de mora que serviram de origem para o crédito que a recorrente entende ter. Nesse sentido, não há nos autos informações acerca da existência de declaração prévia do contribuinte em relação aos débitos por ele recolhidos e, tampouco, notícia de existência de procedimento de fiscalização prévio, de sorte que não se pode aferir a subsunção do caso ao art. 138 transcrito linhas acima. Diante do exposto, entendo que deva o presente processo ser novamente objeto de solicitação de diligência, para permitir que seja aferida a ocorrência da denúncia espontânea sustentada pela recorrente. No meu entender, há de se confrontar o que consta dos autos com os sistemas da Receita Federal do Brasil, para comprovação dos recolhimentos efetuados por DARF acostados, além da verificação: (1) da existência prévia de débito confessado em Declaração efetuada pelo contribuinte em relação às competências informadas, informando ainda os dados correspondentes às declarações original e retificadora, se houver; e (2) da existência de procedimento administrativo ou medida de fiscalização instaurada previamente aos recolhimentos. Fl. 274DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 da Resolução n.º 3401-002.282 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.100205/2005-81 É como voto. Conclusões Diante do exposto, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto n o 70.235, de 1972, proponho a realização de diligência para que a Unidade de Origem (DRF/Porto Alegre) consulte seus sistemas de controle para proceder às verificações mencionadas no voto, manifestando-se ainda acerca da liquidez e certeza do crédito vinculado aos pedidos de restituição e dapossibilidade de homologação das compensações a eles vinculadas. Também, se assim desejar, intime o sujeito passivo para apresentar outros elementos ou informações para atestar a veracidade das informações prestadas e evidenciar a existência do direito creditório que entende fazer jus, utilizado na compensação dos débitos tributários declarados no PER/DCOMP. Desta forma, devem os presentes autos retornar à DRF/Porto Alegre, para atendimento da diligência determinada. Outrossim, findada esta, deverá a autoridade competente elaborar relatório conclusivo sobre os fatos dela advindos, elaborando ao fim relatório consubstanciado de suas constatações e manifestando-se objetivamente sobre a existência ou não do vindicado direito creditório. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, se assim desejar, manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este Colegiado, para prosseguimento do feito. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10640.900677/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3202-000.036
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Jose Luiz Novo Rossari Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Mara Cristina Sifuentes, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, e Antônio Spolador Júnior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora MG, a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos do Acórdão nº 0919.303, proferido em 14 de maio de 2008. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: O interessado transmitiu em 04/08/2003, PERDCOMP de fls. 01 a 07, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS/Pasep, relativo ao período de apuração 12/2002; A DRFJuiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. O contribuinte foi cientificado em 30/11/2007 (fl. 13 e 14); Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Processo nº 10640.900677/200661 Resolução n.º 3202000.036 S3C2T2 Fl. 106 2 A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fl. 16), na qual alega que apresentou DIPJ e DCTF retificando o débito do período de apuração em questão. No voto condutor do acórdão recorrido a DRJ afirma que, em síntese: A empresa apresentou retificadoras da DIPJ e da DCTF em 13/12/2007, portanto em data posterior à ciência da não homologação da compensação. Assim, temos que quando da transmissão e da análise da PERDCOMP o crédito não existia, já que o pagamento estava alocado ao débito declarado pelo contribuinte. Portanto a compensação foi não homologada corretamente. Ressaltese que a empresa pode utilizar o crédito apurado a partir da retificação da DCTF em outro PERDCOMP respeitado o prazo previsto no artigo 168 do CTN. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório. A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde, em síntese, traz as seguintes alegações e pedidos: Em primeiro lugar há de se considerar que o douto Relator do Acórdão ora contestado, por ocasião de seu voto, reconheceu a boa fé e o direito à compensação pela RECORRENTE ao fazer a seguinte ressalva: "Ressaltese que a empresa pode utilizar o crédito apurado a partir da retificação da DCTF em outro PER/DCOMP respeitado o prazo previsto no artigo 168 do CTN." Pela citação acima, bem como pela simples leitura do Acórdão; verificarseá que não há dúvida quanto ao recolhimento a maior pela RECORRENTE da importância que se busca haver através da compensação. Também não há dúvidas quanto à legalidade de tal procedimento. Tão somente houve um erro formal, de preenchimento de declaração, também já sanado através das declarações retificadoras. Tão notório é o direito da RECORRENTE que, inicialmente, sequer pretendeu apresentar o presente recurso. Tendo sido notificada do referido Acórdão, procurou seguir orientação do voto do Relator tendo elaborado uma nova PER/DCOMP para transmitila em 11 de junho do corrente ano. Não obstante foi surpreendida pela mensagem de ERRO IMPEDITIVO DA GRAVAÇÃO DO DOCUMENTO em razão do crédito pleiteado já ter ultrapassado cinco anos da data da transmissão pretendida para a nova PER/DCOMP. Todavia, não é justo que a RECORRENTE seja penalizada pela morosidade da Receita Federal ao demorar quatro anos e quatro meses para analisar eletronicamente o pedido de compensação apresentado em 04 de agosto de 2003 pela empresa, sendo que a mesma só foi cientificada de provável inconsistência em tal pedido em 30 de novembro de 2007, conforme consta do próprio Relatório do Acórdão. [...] Outra relevante questão que se levanta, é a improcedência da premissa que norteou a decisão contra a qual se recorre. O Relator, em seu voto, afirmou que enquanto não retificada a DCTF "o crédito não existia". "Data máxima vênia", a RECORRENTE não pode concordar com essa afirmação. [...] Do texto acima, emanado da própria Receita Federal, percebese que a DCTF retificadora substitui integralmente a declaração original, servindo para declarar novos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Processo nº 10640.900677/200661 Resolução n.º 3202000.036 S3C2T2 Fl. 107 3 débitos, aumentar ou reduzir tributos. Portanto, a partir do momento em que foi apresentada a DCTF retificadora, os valores nela informados substituíram os anteriormente informados desde a data da ocorrência do fato gerador. Por conseqüência, ainda que por ocasião do Despacho decisório eletrônico não se reconhecesse o crédito da RECORRENTE, quando do julgamento da manifestação da inconformidade, cabia a Turma de Julgamento da Delegacia de Julgamento da Receita Federal, reconhecêlo como existente desde a sua ocorrência, ou seja, 15 de janeiro de 2003, quando o pagamento a maior ocorreu. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Em síntese a recorrente alega possuir os créditos tributários que seriam utilizados para quitar seus débitos declarados em DCTF com pedido de compensação. Entretanto somente apresentou a existência destes créditos após a DRF ter feito a análise da PERDCOMP e concluído que os créditos não existiam. Apesar de uma possível alegação de que poderia já estar preclusa a possibilidade de apresentação de novas provas, pela leitura do Decreto nº 70235/72, art. 18, pelo princípio do formalismo mitigado, da economia processual, e pela busca da verdade material estas provas devem ser analisadas. Também esta análise evitará por certo demandas desnecessárias ao poder judiciário. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Processo nº 10640.900677/200661 Resolução n.º 3202000.036 S3C2T2 Fl. 108 4 Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja analisada a retificação da DCTF efetuada pelo contribuinte, e se o mesmo tem direito aos créditos alegados e a possibilidade de compensação com seus débitos. Em seguida, retornem os autos para julgamento. Mara Cristina Sifuentes Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES
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Numero do processo: 10314.005006/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 05/04/2008
AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
A agência de navegação (agência marítima) deve prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, como transportador, e está sujeita à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-lei nº 37/66, em caso de descumprimento quanto à forma e o prazo estabelecido. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. INTENÇÃO DO AGENTE E EFEITOS DO ATO. IRRELEVÂNCIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
Nos termos do art. 95 do Decreto-lei nº 37/66, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTARIA.
Considera-se atendida a obrigação acessória de informar Conhecimento Eletrônico, quando seus dados básicos e pelo menos um de seus itens de carga tiverem sido tempestivamente registrados no sistema.
A informação tempestiva, porém incorreta de NCM não configura a prática da infração prevista no art. 107, IV, e, do DL nº 37/66.
MULTA REGULAMENTAR. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3402-008.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Cynthia Elena de Campos (relatora) que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Silvio Rennan do Nascimento Almeida. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) na reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
(assinado digitalmente)
Silvio Rennan do Nascimento Almeida Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luis Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: Cynthia Elena de Campos
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LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação (agência marítima) deve prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, como transportador, e está sujeita à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/66, em caso de descumprimento quanto à forma e o prazo estabelecido. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. INTENÇÃO DO AGENTE E EFEITOS DO ATO. IRRELEVÂNCIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Nos termos do art. 95 do Decreto-lei nº 37/66, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTARIA. Considera-se atendida a obrigação acessória de informar Conhecimento Eletrônico, quando seus dados básicos e pelo menos um de seus itens de carga tiverem sido tempestivamente registrados no sistema. A informação tempestiva, porém incorreta de NCM não configura a prática da infração prevista no art. 107, IV, “e”, do DL nº 37/66. MULTA REGULAMENTAR. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Cynthia Elena de Campos (relatora) que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Silvio Rennan do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 50 06 /2 00 9- 30 Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 Nascimento Almeida. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) na reunião anterior. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. (assinado digitalmente) Silvio Rennan do Nascimento Almeida – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luis Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 08-36.850, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito constituído, conforme Ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/04/2008 NORMA PUNITIVA EM PLENO VIGOR. AFASTAMENTO DA PENALIDADE EM RAZÃO DE SUPOSTA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. VEDAÇÃO. A atuação do julgador administrativo é vinculada aos ditames legais, sendo-lhe vedado afastar a aplicação de norma punitiva em pleno vigor a pretexto de ofensa da penalidade imposta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/04/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA. IRREGULARIDADE NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 Data do fato gerador: 05/04/2008 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA EM DESACORDO COM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. DATA DO FATO GERADOR DA INFRACÃO. No caso da prestação de informação sobre carga incompatível com a mercadoria transportada e com a documentação que a acobertava, considera-se ocorrido o fato gerador da infração na data em que essa informação for registrada no sistema de controle. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA EM DESACORDO COM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. MULTA. Não se considera atendida a obrigação de prestar informação sobre a carga transportada quando for fornecido dado incompatível com a mercadoria e com a documentação que a acobertava, ficando o responsável sujeito à multa prevista pelo descumprimento desse dever, independente de sua intenção ou da mensuração do dano efetivo causado ao controle aduaneiro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem reproduzir os fatos, transcrevo o relatório da decisão proferida pela DRJ: Trata-se de Auto de Infração referente à multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação referente ao transporte internacional de carga, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal, constante no art. 107, IV, “e”, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. O lançamento totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização e foi contestado pelo sujeito passivo. Da Autuação Consta na descrição dos fatos do Auto de Infração que a multa aplicada foi decorrente da prestação de informações sobre a carga transportada em desacordo com o exigido na legislação regente, conforme trecho reproduzido a seguir (fl. 9): Análise realizada sobre os documentos apresentados no ato do despacho aduaneiro, foi possível verificar que a autuada informou NCM diversa da constante do conhecimento de carga. Nessa toada, o não cumprimento correto da exigência, acarreta na aplicação da multa capitulada pelo art. 107, inc. IV, alínea "e", do Decreto -lei n ° 37/66, com nova redação dada pela Lei n° 10.833/03 [...] O relatório fiscal informa que a obrigação inadimplida foi disciplinada pela Instrução Normativa (IN) RFB nº 800/2007, de 27 de dezembro de 2007 (editada com fundamento legal no art. 37 do DL 37/1966 c/r dada pela Lei nº 10.833/2003), que “Dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. A autoridade autuante destacou a importância da obrigação em foco, no sentido de proporcionar maior controle, sobretudo de forma preventiva, das operações de Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 comércio exterior, e agilizar o despacho aduaneiro, e discorreu sobre a responsabilidade da empresa autuada pela irregularidade apurada. De acordo com o relatado pela fiscalização, a autuada não cumpriu corretamente a obrigação estabelecida na referida Instrução Normativa, pois deixou de prestar, dentro do prazo estabelecido, informação exigida acerca da mercadoria transportada, constante na documentação que a acobertava. Assim, a autoridade lançadora considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 29/05/2009 e, em 29/6/2009, apresentou impugnação (fls. 59-83) na qual aduz os seguintes argumentos. a) Ilegitimidade passiva. A impugnante não é parte legítima para figurar no pólo passivo do lançamento, uma vez que atuou apenas como agência de navegação marítima, que não se equipara a transportador ou agente de carga, nem pode ser considerada como representante destes para fins de responsabilização por eventuais erros por eles cometidos. Para reforçar sua tese, a defesa cita doutrina e decisões dos tribunais superiores (STF, ex-TFR, STJ), relativas às funções e à responsabilidade por indenização e tributária do agente marítimo. b) Inaplicabilidade da IN RFB nº 800/2007. A referida norma passou a produzir efeitos a partir de 31/03/2008, nos termos de seu art. 52, sendo que o conhecimento de transporte (Bill of Lading – B/L) referente à carga objeto do lançamento foi formalizado em 13/03/2008, quando sequer era obrigatório o registro do código na NCM das mercadorias transportadas no sistema Mercante. c) A informação que deu ensejo ao lançamento foi registrada com base nos dados constantes no correspondente B/L. A identificação do código na NCM das mercadorias transportadas é de responsabilidade do exportador, sendo que os dados registrados pela impugnante estão de acordo com os indicados no conhecimento de transporte. d) Ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. A multa combatida deve ser afastada em atendimento aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que são de observância obrigatória no âmbito do processo administrativo federal, consoante art. 2º da Lei nº 9.784/1999, eis que a penalidade aplicada é excessivamente gravosa em relação ao possível dano causado pela suposta infração. Ao final a impugnante requer, preliminarmente, a nulidade do auto de infração e, sucessivamente, que o mesmo seja julgado improcedente. A Contribuinte recebeu a Intimação pela via eletrônica em data de 12/09/2016 (Termo de Abertura de Documento de e-fls. 131), apresentando o Recurso Voluntário em 06/10/2016 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de e-fls. 173), com pedido de provimento para reforma do acórdão e julgamento pela improcedência do lançamento. Em síntese, a Recorrente apresentou os seguintes argumentos: i) Impossibilidade de aplicação de penalidade ao agente marítimo; Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 ii) Atipicidade da conduta apenada; iii) Inaplicabilidade da IN 800/07; iv) Responsabilidade do consignatário pela informação quanto à NCM; v) Ofensa aos Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade. Art. 2º da Lei nº 9.784/99. Através do despacho de fls. 174 o processo foi encaminhado para sorteio e julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Objeto do litígio Trata-se de auto de infração lavrado por descumprimento do disposto no art. 107, inc. IV, alínea "e" do Decreto-lei nº 37/66, com a seguinte redação: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. O lançamento teve por objeto a Declaração de Importação (DI) n° 08/0773322-3, registrada em 27/05/2008 (e-fls. 25-37), referente ao Conhecimento Eletrônico nº 150805046460349, parametrizada pelo sistema informatizado no canal amarelo de conferência aduaneira, sendo constatado que a autuada informou no Siscomex Carga o Código NCM diverso do constante do CE-Mercante. Com relação à mercadoria declarada, a Fiscalização informou que, após realização dos procedimentos de verificação documental e física, constatou que estava de acordo com a documentação apresentada. A mercadoria foi transportada do porto de origem para o Brasil pela empresa estrangeira "CMA - CGM Compagnie Maritine", representada pela agência de navegação "CMA-CGM do Brasil Agência Marítima Ltda", responsável pela alimentação das informações no Sistema Mercante. Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 Consta na Declaração de Importação nº 08/0773322-3 duas adições relacionadas à Licença de Importação nº 08/10677148-5 e ao Manifesto nº 08/01659655, ambas informando o Código NCM 9401.71.00 (assentos estofados, com armação de metal). No Conhecimento de Embarque nº SZ1408848 (e-fls. 39 e 41), emitido em 13/03/2008, igualmente consta o Código NCM 9401.71.00. Todavia, nos dados do item do contêiner ECMU9916434 (e-fls. 43), referente ao CE-Mercante 150805046460349, incluído em 05/04/2008, consta o Código NCM 9503.00.00 (triciclos, patinetes, carros de pedais e outros brinquedos). Em resposta ao questionamento da Fiscalização, a agência marítima informou às fls. 47, que a transmissão foi efetuada no sistema Siscomex Carga de acordo com os dados mencionados no conhecimento marítimo, sendo que não foi apresentado pedido de retificação. A Impugnação interposta contra o lançamento não foi acatada pela DRJ de origem, em síntese, por considerar a Colenda Turma Julgadora que a autuada é responsável pelas infrações apuradas pela fiscalização, bem como o código da NCM informado à Receita Federal não foi o constante no documento original que acobertava a carga, motivo pelo qual deve ser mantido o lançamento. Apresentado recurso voluntário, passo à análise dos argumentos da defesa: 3. Preliminarmente. Da alegada impossibilidade de aplicação de penalidade ao agente marítimo Alega a Recorrente que não é parte legítima para figurar no polo passivo do lançamento, uma vez que atuou apenas como agência de navegação marítima, e não se equipara ao transportador ou agente de carga, nem pode ser considerada como representante destes para fins de responsabilização por eventuais erros por eles cometidos. Alega ainda que, sendo mera mandatária do transportador no momento do registro das informações junto ao SISCOMEX, não é possível sua responsabilização por eventuais erros cometidos pelo Transportador, tampouco a ele se equipara para fins de responsabilidade tributária para os efeitos do Decreto-Lei nº 37/66. Sem razão à defesa. Entre as atividades constantes como objeto social da Recorrente, está a representação de companhias marítimas e agenciamento marítimo. A IN SRF nº 800/2007 equipara ao transportador à agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira. Vejamos: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. Art. 13. A informação do CE compreende os dados básicos e os correspondentes itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV, e deverá ser prestada pela empresa de navegação que emitiu o manifesto ou por agência de navegação que a represente. A Recorrente é representante autorizada no Sistema Mercante, não havendo dúvida nos autos sob sua responsabilidade quanto às informações incluídas no Siscomex Carga na forma e no prazo estabelecido legalmente. Destaco, ainda, que o Decreto-Lei nº 37/66 assim prevê: Art . 32 - É responsável pelo imposto: I - o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; Parágrafo único. É responsável solidário: II - o representante, no País, do transportador estrangeiro. Art.95 - Respondem pela infração: I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Com relação à legitimidade passiva da agência marítima, colaciono as seguintes decisões administrativas: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/09/2011 MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966, sendo cabível para a vinculação do manifesto fora do prazo estabelecido nos termos do artigo 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/07. MULTA ADUANEIRA POR ATRASO EM PRESTAR INFORMAÇÕES. AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO. A agência de navegação (agência marítima) deve prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, como transportador, e está sujeita à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/66, em caso de descumprimento. Nos termos do art. 95 do mesmo diploma legal, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. (Acórdão nº 3402-008.223 – PAF nº 11128.721992/2011-53 – Conselheiro Relator Rodrigo Mineiro Fernandes) Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/02/2006, 21/02/2006, 24/02/2005, 14/03/2006, 16/03/2006, 28/03/2006, 29/03/2006, 26/04/2006, 31/05/2006, 26/06/2006 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. (Acórdão nº 9303-010.292 – PAF nº 10916.000257/2010-82 – Conselheira Relatora Tatiana Midori Migiyama) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/08/2010 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETO- LEI Nº 37/66. O registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria objeto de exportação, fora do prazo previsto na legislação de regência, tipifica a infração prevista na alínea “e” do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente. (Acórdão nº 3301-008.505 - PAF nº 11128.007046/2009- 86 – Conselheira Relatora Liziane Angelotti Meira) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 29/08/2006 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, em relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. CABIMENTO. Verificado o excesso de mercadoria a granel, que ultrapasse a margem de 5%, através de Conferência Final de Manifesto, em confronto entre os dados do manifesto e os dados registrados na descarga da mercadoria, nos termos dos arts. 589 e 590 do Decreto n° 4543/2002, é devida a multa regulamentar prevista no art. l07, inciso IV, “a” do Decreto-Lei n° 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 3301-002.945 – PAF nº 11050.002248/2006- 30 – Conselheira Relatora Semíramis de Oliveira Duro) Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 Por sua vez, com relação ao argumento de incidência da Súmula 192 do extinto TRF, como observado pela Ilustre Conselheira Liziane Angelotti Meira em seu r. voto que conduziu o v. Acórdão nº 3301-004.003, “o entendimento constante dessa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, "há muito se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do Decreto-Lei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do Decreto-Lei nº 37/1966, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação.” Dessa forma, como representante do transportador estrangeiro e, ao prestar informação errônea no Siscomex Carga, a Recorrente cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, motivo pelo qual afasto o argumento quanto à ausência de responsabilidade. 4. Do mérito 4.1. Da alegada atipicidade da conduta apenada Alega a Recorrente que não pode ser penalizada por uma conduta que não está tipificada, uma vez que a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei n° 37/66, somente se aplica a condutas omissivas, referentes aos casos em que o administrado “deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada”. Alega ainda que, tendo sido as informações prestadas no SISCOMEX no prazo e na forma exigidos pela Secretaria da Receita Federal, não pode a Recorrente ser penalizada com uma multa que se aplica apenas em caso de omissões, ainda que um código NCM tenha sido registrado com erro. Pede pela aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional. Sem razão à defesa. Ocorre que a IN SRF nº 800/2007 assim dispõe: Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I - a informação do manifesto eletrônico; II - a vinculação do manifesto eletrônico a escala; III - a informação dos conhecimentos eletrônicos; IV - a informação da desconsolidação; e V - a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga. § 1º A informação da carga não será exigida no caso de embarcação arribada, exceto se houver carga ou descarga no porto. § 2º Não serão informadas as mercadorias transportadas no veículo e não sujeitas a conhecimento de carga, como sobressalentes e provisões de bordo. § 3º A carga cujo destino constante do CE seja porto nacional e que permaneça a bordo e retorne ao País em outra embarcação ou viagem, com ou sem transbordo ou baldeação em porto estrangeiro, deverá ser informada, na saída, em manifesto PAS, e no retorno, em manifesto LCI, com indicação de baldeação ou transbordo, quando for o caso. Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 § 4º A mercadoria somente será considerada manifestada, para efeitos legais, quando a carga tiver sido informada nos termos do caput e demais disposições desta Instrução Normativa, observados, ainda, outras normas estabelecidas na legislação específica. (sem destaque no texto original) Art. 13. A informação do CE compreende os dados básicos e os correspondentes itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV, e deverá ser prestada pela empresa de navegação que emitiu o manifesto ou por agência de navegação que a represente. (sem destaque no texto original) Anexo IV Dados do Item de Carga de cada CE Conjunto de informações que caracterizam a identificação de cada item de carga do CE informado, conforme seu tipo, que pode ser identificado pelo fato de a carga apresentar-se unitizada (conteinerizada), solta, a granel ou tratar-se de veículo não acondicionado em contêiner. Características dos campos informados: a) a relação de códigos NCM devem ser válidos e informados em campo de 4 (quatro) dígitos (posição) ou opcionalmente 8 (oito) dígitos (código do subitem completo), com um limite de informação de 1 (um) até 191 (cento e noventa e um) códigos, para cada item; (...) Para todos os itens de carga devem ser informados: a) peso bruto da carga em quilogramas, sem a tara no caso de item contêiner; b) relação de NCM conforme tabela constante no sistema. (sem destaques no texto original) Neste caso, ao que pese a informação ter sido prestada no prazo estabelecido pela IN SRF nº 800/2007, a Recorrente não o fez na forma prevista, tendo em vista que forneceu dado incompatível com a mercadoria e com a documentação que a acobertava, não sendo, portanto, considerada atendida a obrigação, como dispõe o art. 10, § 4º do mesmo Diploma Legal. Ademais, conforme esclarecimentos prestados pela Recorrente às fls. 47 dos autos, não houve sequer o pedido de retificação dos dados informados no Siscomex Carga. Com isso, considerando que as informações devem ser prestadas no Sistema Mercante na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal e, uma vez que a NCM indicada estava com código totalmente diverso daquele constante do Conhecimento de Transporte e Declaração de Importação, além da ausência de correção pela representante do transportador marítimo, resta incidente a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei n° 37/66, motivo pelo qual deve ser integralmente mantida a autuação. 4.2. Da alegada inaplicabilidade da IN RFB 800/2007 Alega a Recorrente que a IN RFB nº 800/2007 passou a produzir efeitos a partir de 31/03/2008 (art. 52), sendo que o conhecimento de transporte (Bill of Lading – B/L), referente à carga objeto do lançamento, foi formalizado em 13/03/2008, quando sequer era obrigatório o registro do código na NCM das mercadorias transportadas no Sistema Mercante. Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 Igualmente não assiste razão à defesa. No caso da prestação de informação sobre carga incompatível com a mercadoria transportada e com a documentação que a acobertava, considera-se ocorrido o fato gerador da infração na data em que essa informação for registrada no sistema de controle. Considerando que a IN SRF nº 800/2007 passou a produzir efeitos a partir de 31/03/2008 e, uma vez que a inclusão do Código NCM 9503.00.00 no Sistema Mercante ocorreu em 05/04/2008, não há dúvidas de que a imposição da multa em referência ocorreu sob a vigência da Instrução Normativa em referência, não havendo que se falar em sua inaplicabilidade no presente caso. Por tais razões, afasto o argumento da defesa neste ponto. 4.3. Da alegada responsabilidade do consignatário pela informação quanto à NCM Alega a Recorrente que a identificação do código NCM das mercadorias transportadas é de responsabilidade do exportador, sendo que os dados registrados estão de acordo com os indicados no conhecimento de transporte. Sem razão. Como já mencionado neste voto, tanto nas duas adições da Declaração de Importação nº 08/0773322-3, quanto no Conhecimento de Embarque (BL), consta o Código NCM 9401.71.00 (assentos estofados, com armação de metal), sendo que a Fiscalização esclareceu que a mercadoria vistoriada correspondia às informações apresentadas. Todavia, no Siscomex Carga foi informado o Código NCM 9503.00.00 (triciclos, patinetes, carros de pedais e outros brinque). Ou seja, não cabe o argumento de que o Código informado no sistema estava de acordo com as mercadorias transportadas e indicado no Conhecimento de Transporte. Portanto, afasto a alegação da defesa igualmente neste ponto. 4.4. Da alegada ofensa aos Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade Alega a Recorrente que a multa combatida deve ser afastada em atendimento aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que são de observância obrigatória no âmbito do processo administrativo federal, consoante art. 2º da Lei nº 9.784/1999, eis que a penalidade aplicada é excessivamente gravosa em relação ao possível dano causado pela suposta infração. Alega ainda que não se está diante de fraude, má-fé ou mesmo tentativa de burlar ou causar qualquer embaraço à fiscalização, uma vez que todos os registros foram realizados antes da atracação da embarcação e de qualquer outro procedimento, ocorrendo mero equívoco na indicação do Código NCM, sem prejuízo à Fiscalização. Igualmente sem razão à defesa. Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 Observo que, através da legislação aduaneira, são implementadas políticas governamentais para controle sobre atividades voltadas ao comércio exterior na defesa dos interesses internos, resultando em imprescindível preservação do interesse público. Com relação à obrigação em análise, cumpre destacar a relevância de que as informações sejam prestadas observando a forma e nos prazos previsto em lei, possibilitando o exato e imprescindível controle aduaneiro. Destaco que o Sistema Mercante é o instrumento que fornece o suporte informatizado para tal controle, pelo qual é efetuado o cálculo do valor do AFRMM de cada conhecimento de embarque, com o registro do valor apurado na base de dados. O Sistema Mercante é integrado com o módulo de controle de carga aquaviário do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. E, como já mencionado neste voto, as informações prestadas sobre a carga transportada devem atentar às regras da IN/SRF nº 800/2007. Por sua vez, a responsabilidade objetiva é prevista pelo Decreto-Lei nº 37/66, que assim dispõe: Art. 94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. § 1º - O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por tais razões, não há qualquer ofensa aos Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade. Ademais, igualmente devem ser rejeitados tais argumentos por incidência da Súmula CARF nº 2, que assim prevê: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser mantida a autuação. 5. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 Voto Vencedor Conselheiro Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Redator Designado. No mérito, divergi da ilustre Relatora acompanhado da maioria do Colegiado, pelo que passo a explicar. Em síntese, entendeu a Relatora pela possibilidade de aplicação da pena prevista no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/66, em virtude da informação incorreta do código NCM da mercadoria importada, como se retira de trecho do voto vencido: “Neste caso, ao que pese a informação ter sido prestada no prazo estabelecido pela IN SRF nº 800/2007, a Recorrente não o fez na forma prevista, tendo em vista que forneceu dado incompatível com a mercadoria e com a documentação que a acobertava, não sendo, portanto, considerada atendida a obrigação, como dispõe o art. 10, § 4º do mesmo Diploma Legal.” Como se nota, as informações exigidas pela IN SRF nº 800/2007 foram prestadas no prazo e na forma previstas, existindo unicamente divergência no código NCM da mercadoria importada. Nesse contexto, entendo que inexiste subsunção do fato à norma. A forma e o prazo foram plenamente atendidos pelo contribuinte no momento da prestação das informações, vejamos: “Art. 1º O controle aduaneiro de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga nos portos, bem como de entrega de carga pelo depositário, serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa e serão processados mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes na forma e prazos estabelecidos nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: [...] Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: [...] III - a informação dos conhecimentos eletrônicos; [...] § 4º As informações sobre as cargas transportadas somente serão consideradas prestadas quando registradas no Sistema Mercante conforme disposto nesta Instrução Normativa. [...] Art. 13. A informação do CE compreende os dados básicos e os correspondentes itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV, e deverá ser prestada pelo transportador. Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 § 1o O CE somente será considerado informado quando seus dados básicos e pelo menos um de seus itens de carga tiverem sido registrados no sistema. [...] Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)” Ora, sendo os prazos do art. 22 atendidos, tendo sido a informação prestada na forma estabelecida na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, não há que se falar em autuação decorrente de descumprimento de prazo e forma, nos termos do art. 107, IV, “e”, do DL nº 37/66. O Código NCM informado pelo interveniente no momento da importação, ainda que incorreto, não pode ser admitido como uma violação à forma estabelecida, mas sim ao conteúdo. Desta feita, ainda que seja possível verificar a existência de violação ao controle aduaneiro decorrente de informação incorreta, não ocorreu, no caso concreto, a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/66, tendo em vista o atendimento à forma e prazos previstos na Instrução Normativa. Este Conselho já decidiu neste sentido no Acórdão nº 3301-009.042: Acórdão nº 3301-009.042 Sessão de 22 de outubro de 2020 Relator: Marco Antônio Marinho Nunes ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. NÂO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. LEGITIMIDADE PASSIVA. Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=52946#1416018 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=52946#1416018 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=52946#1416019 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=52946#1416019 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=52946#1416021 Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-008.544 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.005006/2009-30 A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTARIA. Considera-se atendida a obrigação acessória de informar Conhecimento Eletrônico, quando seus dados básicos e pelo menos um de seus itens de carga tiverem sido tempestivamente registrados no sistema. [...] Tendo em conla que autuação fundou-se apenas no alerta gerado por ocasião do registro da DI, é óbvio que referido alerta atesta que houve a informação de NCM no CE- Mercante. E, embora referido alerta também indique que ao menos uma das NCMs do CE não estava ali contida dentre as NCMs informadas, essa omissão ou divergência de NCM apurada não é suficiente para a caracterização da infração em comento. Em obediência ao art. 13, §1°, da Instrução Normativa em destaque, o lançamento somente se justificaria se nenhum item de carga, e respectiva NCM, (ivesse sido registrado no sistema, o que, no entanto, não representa a presente situação, por ser lógico concluir que o próprio alerta gerado pelo sistema descaracterizou a ocorrência da infração, ao atestar que houve a informação de NCM no CE-Mercante. Portanto, não é legitima a autuação, uma vez que, para efeitos legais, o registro de ao menos um item de carga permite que se considere o CE informado, o que descaracteriza a infração apurada pela Fiscalização. Enfim, no caso concreto, resta incontroverso que a obrigação de prestar a informação concernente à "relação de NCM", mesmo incompleta, foi efetivamente cumprida pela Recorrente, não podendo prosperar o lançamento fiscal. Pelo exposto, inexistindo subsunção do fato à norma, restando provada a prestação da informação no prazo e na forma estabelecidos na IN RFB nº 800/2007, deve ser cancelada a autuação, motivo pelo qual VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10120.010633/2007-06
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa::
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA DE EFETIVO DESEMBOLSO.
São dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do direito de família, sempre em decorrência de decisão judicial ou constituído mediante escritura pública, nos termos do artigo 1.124A do Código de Processo Civil.
Ausente nos autos, a prova de efetivo desembolso dos valores correspondentes à pensão alimentícia, é de manter-se a glosa respectiva.Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-001.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:23/1/2013
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 Ementa:: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA DE EFETIVO DESEMBOLSO. São dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do direito de família, sempre em decorrência de decisão judicial ou constituído mediante escritura pública, nos termos do artigo 1.124A do Código de Processo Civil. Ausente nos autos, a prova de efetivo desembolso dos valores correspondentes à pensão alimentícia, é de manter-se a glosa respectiva.Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM:23/1/2013 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
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DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA DE EFETIVO DESEMBOLSO. São dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do direito de família, sempre em decorrência de decisão judicial ou constituído mediante escritura pública, nos termos do artigo 1.124A do Código de Processo Civil. Ausente nos autos, a prova de efetivo desembolso dos valores correspondentes à pensão alimentícia, é de manterse a glosa respectiva.Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 06 33 /2 00 7- 06 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM:23/1/2013 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.74/77) interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília(DF), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a apuração de Deduções Indevidas a Titulo de Pensão Alimentícia. A Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília(DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0327.863, de 12 de outubro de 2008, que se encontra às fls. 66/69, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Mantémse a glosa efetuada, quando os valores deduzidos na declaração de rendimentos a título de pensão alimentícia não são comprovados por documentação hábil e idônea. Lançamento Procedente A ciência de tal julgado se deu por via postal em 15/12/2008, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 73). À vista da decisão, foi protocolizado, em 02/01/2009, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls.74/77, no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, ratifica as alegações apresentadas em primeira Instância, e ainda : 1. Argumenta que a decisão da 3ª turma, foi no sentido de que a glosa foi em função da ausência das copias da sentença ou acordo judicial homologado pela justiça ; 2. Para atender à decisão da 3ª a turma, junta aos autos: o copia da sentença judicial prolatada em data de 17/02/1997, na qual homologou por sentença, o acordo realizado para pagamento de pensão alimentícia judicial em favor de MARIA AUGUSTA DE ARTIAGA BARROS; o copia da sentença que homologou o acordo realizado para pagamento de pensão alimentícia judicial, em favor de IZABEL CRISTINA DE MIRANDA CACCIARI, prolatada em 15/12/1998, na qual homologou por sentença o acordo Fl. 90DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10120.010633/200706 Acórdão n.º 2802001.734 S2TE02 Fl. 597 3 realizado entre as partes, determinando o desconto em seus vencimentos, na importância de 30% do valores recebidos. o oficio enviado à sua fonte pagadora, manifestando sobre o desconto, bem como os percentuais definidos; 3. Assevera os valores deduzidos em sua declaração de rendimentos, foram o real valor do desconto sofrido em seus rendimentos, e informado por sua fonte pagadora, não tendo ocorrido em todo este período, nenhuma interrupção de pagamentos e ou bloqueios. Conforme comprovantes de rendimentos, já carreados aos autos. Apresenta os documentos de fls.78/ 81. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite , Relatora O recurso de fls.74/77 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fls. 73 protocolo de recepção aposto à fl. 74. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. A lide gira em torno da glosa de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia valor de R$69.684,20. No que se refere à Pensão Alimentícia, cabe prelecionar que a legislação dispõe que somente são dedutíveis da base de cálculo, na" Declaração de Ajuste Anual, as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia, inclusive prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei 9.250/95, arts. 4º, II, e 8°, II, "f'; Regulamento de Imposto de Renda, Decreto 3000/99, art. 78). Compulsando Os autos, verificase que não foi acostado aos autos o comprovante de rendimentos, com a especificação dos valores pagos relativos a pensão judicial e nem oficio, mencionado no recurso, que foi enviado à fonte pagadora, do contribuinte manifestando sobre o desconto, como os percentuais definidos . Tãosomente foi juntado o seguinte: o acordo homologado que dá conta de estipulação de pensão (Maria Augusta de Artiaga Barros) no percentual de 30% de seus vencimentos de aposentadoria, depois de deduzidos os encargos legais e compulsórios, incluindose ainda assistência médica hospitalar do plano de saúde dos funcionários do Banco do Brasil(17.02.97) fls. 78/79 o Sentença homologando seu Divorcio com IZABEL CRISTINA DE MIRANDA; (15.12.98) – fls. 84 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 o Requerimento encaminhado ao Juiz de Direito da 1ª Vara de Família da comarca de Goiás, solicitando a retificação de ofício encaminhado a chefia do Departamento de Pessoal do Banco do Brasil. (06.08.1997) fls. 85 Com efeito, somente o pagamento efetuado por determinação judicial, ou constituída através de escritura pública, nos termos do artigo 1.124A do Código de Processo Civil, com a redação dada pela Lei nº 11.127, de 2008, está apto a ser deduzido dos rendimentos tributáveis declarados. Seria facultado ao contribuinte a produção de outras provas complementares, como extratos bancários, que, em conjunto com os documentos apresentados, poderia demonstrar a efetiva transferência dos valores, mas não exibe o contribuinte quaisquer outros documentos. Assim, cm face do que determina a legislação tributária, supracitada, não houve a comprovação hábil e idônea da dedução pleiteada Assim, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora . Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13052.000295/2003-10
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (proc jud de outro CNPJ) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fático-probatório trazido aos autos.
AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN.
Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração.
Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
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Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
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DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 02 95 /2 00 3- 10 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 302 a 310) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 288 a 295) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. O lançamento consubstanciado no auto de infração eletrônico de fls. 21 a 31 diz respeito a crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do tributo no anocalendário de 1998, detectada em auditoria interna de DCTF. Tal falta de recolhimento seria decorrente de declaração inexata, pois o processo judicial que teria dado azo a crédito compensável, processo nº 98.00082174, se referia a outro CNPJ (“proc jud de outro CNPJ”), conforme fls. 25 a 27. Não haveria, assim, crédito vinculado ao contribuinte. A Colenda 4ª Turma da DRJ de Salvador – BA inicialmente manteve o lançamento, ao fundamento de que, como a decisão proferida na ação ordinária proposta pelo contribuinte ainda não havia transitado em julgado, a compensação não poderia ter sido realizada, devendo ser mantida a exigência formalizada no auto de infração (fls. 122). A Colenda Turma a quo, no entanto, considerou o lançamento insubsistente, uma vez que o motivo da lavratura do auto de infração, qual seja, o processo judicial que fez surgir o crédito compensável ser de outro CNPJ, não era correto. Isso porque se constatou, notadamente através das fls. 104 a 105 dos autos, que a contribuinte era autora na ação judicial e, por conseqüência, titular dos créditos. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regido pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. O prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Porém, a incidência da regra supõe hipótese típica de lançamento por homologação; aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se não houver antecipação de pagamento do tributo, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar como termo a quo para fluência do prazo decadencial aquele do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, como in casu. MOTIVAÇÃO. O lançamento não há de ser mantido caso a motivação que o ensejou esteja equivocada. Todavia, nestes Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000295/200310 Acórdão n.º 9303001.690 CSRFT3 Fl. 128 3 casos, não se pode afirmar que o crédito tributário lançado é indevido. Apenas a motivação o é. Recurso provido. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, com base em acórdão paradigma, que o lançamento deve ser mantido, porquanto o principal fundamento da autuação estava perfeitamente caracterizado e demonstrado, qual seja o relativo à inexistência de recolhimentos dos créditos lançados, não havendo que se falar em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, cujas manifestações demonstraram compreender com inteireza os fundamentos da autuação. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 321 a 322. Contrarrazões às fls. 327 a 332, em que se apontou, em síntese, que o recurso especial não merece ser conhecido em razão da ausência de divergência jurisprudencial. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No que tange ao mérito, o v. acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Com efeito, a Ilustre relatora do v. acórdão recorrido, Conselheira Nayra Bastos Manatta, foi certeira ao apontar que o fundamento do lançamento, (“proc jud de outro CNPJ”), não se mostrou verdadeiro, notadamente em face do conteúdo trazido aos autos. Nesse sentido, pedese vênia para transcrever trecho do voto condutor, verbis: (...) O lançamento foi efetuado sob a acusação de "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata. Processo Judicial de outro CNPJ". Todos os argumentos trazidos pela recorrente na fase impugnatória objetivavam comprovar que existência de ação judicial interposta pela empresa que a autorizou a realizar compensações, tendo sido exatamente este o procedimento efetuado pela recorrente, razão pela qual não houve falta de pagamento ou declaração inexata. Comprova, ainda que o argumento do lançamento de que o número de processo judicial de outro CNPJ (Processo n° 98.00082174), informado na DCTF está incorreto já que a Barry Callebaut Brasil S. A, conforme Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 consta da Ata da Assembléia Geral Extraordinária (cópia, fls. 63/64), é a nova denominação da Chadler Industrial da Bahia S.A.. Tal assertiva é aceita, inclusive pela decisão recorrida que se manifesta nos seguintes termos: Quanto ao suposto "Processo Judicial de outro CNPJ", discriminado no campo "ocorrência" do auto de infração (Anexo I), cabe observar que assiste razão à contribuinte uma vez que, conforme ficou comprovado mediante Ata da Assembléia Geral Extraordinária (cópia, fls. 36/37), e tendo em vista consulta feita ao sistema da Secretaria da Receita Federal "CNPJ' (fls. 104/105), a Barry Callebaut Brasil S.A é a nova razão social da Chadler Industrial da Bahia S.A., cuja filial, que tem como CNPJ o n° 33.163.908/000256, ingressou como litisconsorte no Processo Judicial n° 98.0008217 4 (aditamento fls. 49/51), o que se parte da premissa de que a empresa Barry Callebaut Brasil S.A figura efetivamente como parte autora na referida ação judicial. Todavia a decisão de primeira instância manteve o lançamento sob o seguinte argumento, qual seja: a contribuinte não poderia ter efetuado a compensação antes do trânsito em julgado da referida ação judicial, bem como por inexistência dos créditos indicados na compensação em virtude de a contribuinte haver aplicado o critério da semestralidade na apuração da base de cálculo do PIS a ser restituído/compensado. Entretanto, não foi este o motivo do lançamento, mas sim a não comprovação da vinculação dos créditos com os débitos, em virtude da não comprovação do processo judicial informado em DCTF (outro CNPJ). O processo judicial restou comprovado e a participação da empresa nele, também. Caso a contribuinte tivesse realizado a compensação indevidamente a motivação do lançamento haveria de ser outra que não a de processo judicial de outro CNPJ. Nesta hipótese o lançamento deveria ter sido feito com ou sem a exigibilidade suspensa, caso confirmada a antecipação de tutela, ou sob o argumento de compensação indevida, caso não se confirmasse a antecipação de tutela, já que o crédito usado para compensar débitos certos e líquidos pendente ainda de confirmação judicial, o que os torna carente da certeza e liquidez. Assim sendo, em virtude da motivação equivocada do lançamento, consideroo indevido, nos termos em que foi formulado. Entretanto deve ser deixado claro que aqui não se está a considerar como correta a compensação efetuada, nem indevido o crédito tributário lançado. (grifos e destaques nossos) Demais disso, como bem apontado no v. acórdão recorrido, não cabia à DRJ modificar a fundamentação do lançamento a fim de legitimálo, aduzindo que a compensação só poderia ser realizada após o trânsito em julgado. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000295/200310 Acórdão n.º 9303001.690 CSRFT3 Fl. 129 5 Referida modificação significa alterar de maneira patente um dos critérios jurídicos do lançamento, em completa dissonância com o artigo 146 do Código Tributário Nacional e em descompasso com a doutrina e jurisprudência pátria. Deveras, os antigos Conselhos de Contribuintes, por diversas vezes, se manifestaram nesse sentido em situações análogas à presente. Dentre vários julgados, destacamse os seguintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento. (CSRF/0104.535 – Relator Candido Rodrigues Neuber DOU 09.06.2003) IRPJ/IRF A mudança dos fundamentos legais que embasaram a exigência caracteriza inovação e aperfeiçoamento do lançamento, requerendo a lavratura de novo auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, e ao Òrgão julgador não foi dado esse poder. Recurso negado. (CSRF/0104.490 – Relator Verinaldo Henrique da Silva DOU 14.04.2003) (grifos nossos) Correta, assim, a r. decisão recorrida ao determinar o cancelamento da autuação. Assim, por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13807.005079/2005-44
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2001
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF
Cabe a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF, nos termos da legislação de regência.
PAGAMENTO DOS TRIBUTOS. MULTA POR ATRASO. DCTF. POSSIBILIDADE.
O pagamento dos tributos declarados nas DCTF apresentadas em atraso não exclui a multa que é aplicada pela inobservância do prazo determinado na legislação.
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE.
O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração pelo descumprimento de obrigação acessória tipificada como entrega da declaração fora do prazo estipulado na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.425
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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MINISTÉRIO DA FAZENDAi ,+. ..,::.-• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13807.005079/2005-44 Recurso n° 142.801 Voluntário Acórdão n° 3102-00.425 — 1' Câmara / 2" Turma Ordinária1 Sessão de 19 de junho de 2009 Matéria DCTF Recorrente VALMIR BATOSSO S/C LTDA. Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Cabe a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF, nos termos da legislação de regência. PAGAMENTO DOS TRIBUTOS. MULTA POR ATRASO. DCTF. POSSIBILIDADE. O pagamento dos tributos declarados nas DCTF apresentadas em atraso não exclui a multa que é aplicada pela inobservância do prazo determinado na legislação. DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração pelo descumprimento de obrigação acessória tipificada como entrega da declaração fora do prazo estipulado na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P câmara / 2' turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 1 012/0-VV---. L NA T JANO DAMORIM 1 P - 'cles e, í1-eli»:4 4----- 1 n iLt # 1 um ROSA Relator II o Processo n° 13807.005079/2005-44 S3 -C1T2 Acórdão n.° 3102-00.425 Fl. 52 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Por meio do Auto de Infração de fl. 12, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 1.888,77, a titulo de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, referente ao 1", 2", 3° e 4" trimestre do ano calendário de 2001. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, áç 3" e 160 da Lei n" 5.172/1966 (CTN); artigo 4" combinado com o artigo 2" da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2" e 5" da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5" do DL 2124/84 e artigo 7" da MP n o 16/01 convertida na Lei n" 10.426/2002. Cumpre consignar que conforme citado no Item 6 do Auto de Infração ora impugnado, O lançamento efetuado por meio do auto de infração emitido em 10 de junho de 2005, com vencimento em 2 de agosto de 2005 — fl. 02 - foi cancelado conforme Atos Declaratórios Executivos n° 105, de 25 de agosto de 2005, n° 106 e n° 107, de 30 de agosto de 2005, do Delegado da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo, publicados na Seção I, do Diário Oficial da União de 2 de setembro de 2005. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de .1 1(s). 01 e 11, na qual alega, em síntese, o seguinte: -que a empresa estava dispensada da entrega da DCTF, uma vez que tem valores mensais de impostos inferiores a R$ 10.000,00; -que a DCTF foi entregue de forma espontânea; -que todos os impostos declarados foram recolhidos nos prazos previstos em lei; -que o valor da multa ó exceSsiY0. Assim R I 11 Ju lgamento a Delegacia da Kecetta Fed eral de ulgamento sintetizou sua decisão na ementa compondente. 2 Processo n° 13807.005079/2005-44 53-C IT2 Acórdão n.° 3102-00.425 Fl. 53 Ano-calendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória - apresentação de declarações (DCTF) - fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. É o Relatório. Voto Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. A reclamante repisa, agora em sede de recurso voluntário, os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação. Não há qualquer reparo a fazer na decisão a quo. A imposição de que aqui se trata tem origem no próprio Código Tributário Nacional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § I' A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2" A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A ocorrência que deu origem ao crédito tributário contestado está perfeitamente enquadrada nos parágrafos segundo e terceiro acima transcritos. Trata-se de uma obrigação de caráter acessório, que tem por objeto a prestação de informações no interesse da arrecadação tributária federal e que, não tendo sido observada, no tocante ao prazo definido para sua apresentação, deu origem à obrigação principal correspondente à penalidade aplicada. A base legal para a imposição da multa, a partir do ano-calendário de 2002, é a Medida Provisória n. ° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei ri.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A aplicação desse dispositivo à fatos anteriores enquadra-se no conceito da alardeada retroatividade benigna, pois a obrigação acessória sub examine e a multa decorrente da inobservância de sua apresentação no prazo previsto já dispunham de base legal. 3 Processo n° 13807.005079/2005-44 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.425 Fl. 54 Decreto-lei ri' 1.968/82, com alteração introduzida pelo Decreto-lei n° 2.065/83. § 2Q Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma ORTN para cada grupo de 5 (cinco) informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. § 32 Se o formulário padronizado (§ 1') for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 (dez) ORTN ao mês-calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. § 4' Apresentado o formulário, ou a informação, fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento "ex officio", ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado as multas serão reduzidas à metade." Decreto-lei n°2.124/83. Art. 5'. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. (.) § 3°. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 3°e 4° do art. 11 do Decreto-lei n°1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.065, de 26 de outubro de 1983." Lei n°9779, de 19 de janeiro de 1999. Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Havendo previsão legal para imposição, não há como afastá-la. A responsabilidade tributária é objetiva, independe da intenção do agente, conforme preceitua o Código Tributário Nacional. , Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No que diz respeito aos problemas decorrente da interpretação da legislação no que concerne à dispensa de apresentação da Declaração, creio que o voto condutor da decisão recorrida foi bastante consistente ao abordar o assunto. 4 Processo n° 13807.005079/2005-44 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.425 Fl. 55 No tocante à obrigatoriedade de entrega da DCTF, nos termos das IN(s) SRF n° 126 de 30/10/1998 e 255 de 11/12/2002, estavam dispensadas da apresentação da DCTF no ano calendário em questão: I - as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; II - as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III - as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, não-operacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 42 da Instrução Normativa SRF n2 28, de 05 de março de 1998; IV - os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. Como se vê os citados dispositivos legais são claros quando impõe o limite de R$ 10.000,00 apenas para as pessoas jurídicas imunes e isentas que em nenhum momento se confundem com empresas tributadas pelo lucro Real, Presumido ou Simplificado (SIMPLES). Pois bem. Conforme resultado de consulta ao Sistema CNPJ, fl. 25, verifica-se que a requerente não se enquadra em nenhuma das hipóteses acima relacionadas. A recorrente alega ter efetuado o pagamento integral dos tributos declarados em atraso. Neste ponto, há que se observar que a multa por atraso na apresentação da DCTF não se confunde com a que é devida pela falta de pagamento ou pagamento fora do prazo dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Cada uma das duas infrações e correspondentes penalidades tem previsão legal específica e são absolutamente dissociadas e independentes. Houvesse o contribuinte deixado de pagar os impostos e contribuições no prazo legal, e lhe seria cobrado, além da penalidade de que aqui se cuida, também a que é devida pelo pagamento fora do prazo ou pela falta de pagamento. E assim que determinam as leis. Também não socorre ao contribuinte o excludente da denúncia espontânea. Afora as considerações de cunho jurídico que, com muita freqüência, tem recebido toda a atenção dos tribunais administrativos, não vejo como a ação do contribuinte antes do procedimento fiscal possa corrigir uma ocorrência infracional tipificada como atraso. A espontaneidade não tem o condão de desfazer a inobservância do prazo. Se a infração é por entregar um documento fora do prazo, uma vez que a data determina na legislação não foi observada, a apresentação espontânea do documento não pode mais desconstituir o fato. A ação não altera o quadro. O atraso persiste e para ele há previsão legal de multa. Entregar o documento espontaneamente, mas, ainda assim, em atraso é exatamente fazê-lo a destempo, como fez o contribuinte, cometendo assim a infração por entrega em atraso. 5 Processo n° 13807.005079/2005-44 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.425 Fl. 56 Parece-me incontroverso que o instituto da espontaneidade não aproveita aos casos de infrações tipificadas como atraso na entrega de declarações, quaisquer que sejam. Contudo, não será demais examinar a questão a partir de uma visão sistêmica do todo. Assim manifestou-se o STJ a respeito do assunto. "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DECLARAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO INFRAÇÃO FORMAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. I. A entrega da declaração do Imposto de Renda fora do prazo previsto na lei constitui infração formal, não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. II. Ademais, "a par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada uni". (REsp n° 243.241-RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 21.08.2000). III. Embargos de divergência rejeitados. Ant o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Saa da- Sessões, em 19 de junho de 2009. ( il ly .1iPi , ULO ROSA 6
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Numero do processo: 13886.000763/99-33
Data da sessão: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Sun Nov 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: FINSOCIAL. Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Prescrição do direito de Restituição/Compensação. Dies a quo. Edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário. Medida Provisória n° 1.110 de 30.08.1995. Duplo Grau de Jurisdição.
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - DUPLO GRAU - ANÁLISE DE MÉRITO - os processos administrativos fiscais de pedido reconhecimento do direito creditório, cujo litígio instaurou-se apenas quanto ao prazo para interposição do pleito, ou seja, a unidade de origem da Receita Federal não apreciou o mérito, afastada essa preliminar, os autos devem retornar àquela origem para essa análise, podendo o contribuinte apresentar outra manifestação de inconformidade à DRJ, no prazo de 30 dias da ciência, caso discorde da nova decisão.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.461
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Prevaleceu o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para interpor o pedido de restituição do Finsocial iniciou-se em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória n° 1.110 de 30/08/1995. Em face da proposição de três teses distintas, na primeira votação ficaram vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, que davam provimento integral ao recurso, sob o entendimento que esse prazo tem como marco final a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/1999. Em segunda votação foram vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Valmir Sandri, para os quais esse prazo é de 10 (anos), contados da ocorrência de cada fato gerador (tese dos "cinco + cinco"), e davam provimento parcial ao recurso. Os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, vencidos na primeira votação, acompanharam a tese vencedora. 2) Pelo voto de qualidade, foi determinado o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal (DRF) de origem, para enfrentamento do mérito, podendo o Contribuinte, se discordar da nova decisão, interpor manifestação de inconformidade dirigida à DRJ, vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marciel Eder Costa, Anelise Daudt Prieto e Valmir Sandri que determinavam o retorno dos autos à DRJ. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Numero do processo: 11128.006217/2002-83
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 07/10/1999
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO.
Merecem ser conhecidos, porém não providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que não existe contradição no acórdão embargado. A contradição que pode dar base aos embargos é aquela entre a ementa e o dispositivo do voto que embasa a decisão final. A contradição entre as fundamentações do voto vencido e do voto vencedor não dá margem a embargos declaratórios.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3102-000.233
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento e negar provimento aos embargos, nos termos do voto do Relator. Presente no julgamento a Advogada Karen Aparecida Cruz, OAB/SP 252644.
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 07/10/1999 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. Merecem ser conhecidos, porém não providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que não existe contradição no acórdão embargado. A contradição que pode dar base aos embargos é aquela entre a ementa e o dispositivo do voto que embasa a decisão final. A contradição entre as fundamentações do voto vencido e do voto vencedor não dá margem a embargos declaratórios. Embargos Rejeitados.
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 07/10/1999 EMBARGOS DECLARATORIOS. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. Merecem ser conhecidos, porém não providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que não existe contradição no acórdão embargado. A contradição que pode dar base aos embargos é aquela entre a ementa e o dispositivo do voto que embasa a decisão final. A contradição entre as fundamentações do voto vencido e do voto vencedor não dá margem a embargos declaratórios. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento e negar provimento aos embargos, nos termos do voto do Relator. Presente no julgamento a Advogada Karen Aparecida Cruz, OAB/SP 252644. RCIALEN rrikmJANO DAMORIA - Presidente 1 CORINTHO OLIVEIRA ACHADO - Relator , 'Li v EDITADO EM: 08/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim, Corintho Oliveira Machad , Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sen Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da ig Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Mar ndes Armando. 1 Processo n° 11128.006217/2002-83 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.233 Fl. 296 Relatório Reporto-me ao relato de fls. 258 e seguintes, por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, e adotado quando do julgamento por este Colegiado, que culminou na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação -II Data do fato gerador: 07/10/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARBOFURAN E LIGNOSSULFONA TO. A preparação inseticida intermediária constituída de Meti! Carbamato de 2,3 - Di-Hidro - 2,2 — Dimetil — 7 - Benzofiíranila (Carbofuran) e Lignossulfonato, que tem nome comercial FURADAN DB, classifica-se no código NCM 3808.10.29. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O texto da decisão ficou assim consignado:ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, relator e Beatriz Veríssimo de Sena que davam provimento. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Em 13/10/2008, foram opostos embargos declaratórios, fls. 289 e seguintes, tempestivos, pela FMC DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, alegando contradições no voto vencedor. A primeira, refere-se ao fato de que, diversamente do alegado pelo Relator, o Lignossulfonato, apresenta as funções contempladas nos itens e 'g' da Nota de Capítulo 29; a segunda, diz respeito à alegação de que o Carbofuran constitui um composto químico definido, que, porém não se apresenta isoladamente, foi classificado como preparação intermediária. À fl. 294, despacho da insigne Presidente desta Câmara, encaminhando os/ embargos a este Relator. É o Relatório. 2 Processo n° 11128.006217/2002-83 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.233 Fl. 297 Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passa-se de plano ao mérito dos embargos declaratórios, que consiste em saber-se se, de fato, houve as contradições supra apontadas. A primeira, refere-se ao fato de que, diversamente do alegado pelo Relator, o Lignossulfonato, apresenta as funções contempladas nos itens 'f' e 'g' da Nota de Capítulo 29, e para alicerçar seu entendimento, junta voto de outro processo, onde o Lignossulfonato é entendido de forma diversa por aquele Relator. Ora, a contradição a ensejar os embargos declaratórios é aquela entre a fundamentação e o dispositivo, e não contradição entre a fundamentação de um voto e a fundamentação de outro voto. Para melhor explicitar a inexistência de contradição quanto ao assunto, reproduzo o quanto disse a respeito no voto vencedor: Esclarece o LABANA que, na Lista de Ingredientes Inertes Usados nas Formulações de Defensivos Agrícolas, do Ministério da Agricultura (Anexo I, fls.54) e na Referência Bibliográfica (ANEXO II, fls.de fls.55 a 57), os derivados de Lignina, como os lignossulfonatos, são swfactantes aniônicos, são considerados agentes dispersantes, são aditivos, que são adicionados nas preparações de produtos agroquímicos para facilitar a dispersão ou suspensão dos ingredientes ativos nas formulações dos tipos: pó molhável, concentrado emulsionável, etc. A Informação Técnica esclarece também que nos processos de obtenção do Carbofuran, encontrados nas Referências Bibliográficas (ANEXO III, de fls. 58 a 62), não é citada a necessidade da presença de dispersantes. Portanto, o Lignossulfonato não se trata de impureza do processo de fabricação e altera as características fisico-químicas do Carbofuran, facilitando a sua dispersão em meio aquoso (ver quadro comparativo, às fls. 51). Assim, resumidamente, o Lignossulfonato não se trata de uma impureza do processo de fabricação, mas de um aditivo que se encontra agregado ao ingrediente ativo, com a finalidade de facilitar o processo de formulação do inseticida pronto para uso. (.) As Notas Explicativo do Sistema Harmonizado do Capítulo 29 esclarecem que: "CONSIDERAÇÕES GERAIS 3 Processo n° 11128.006217/2002-83 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.233 Fl. 298 O Capítulo 29, em princípio, inclui apenas os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, ressalvadas as disposições da Nota 1 do Capítulo. A) Compostos de constituição química definida (Nota 1 do Capítulo) Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iánica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo. Os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente contendo substâncias que foram acrescentadas deliberadamente durante ou após a sua fabricação (incluída a purificação) estão excluídos do presente Capítulo. (..) Estes compostos podem conter impurezas (Nota 1 a). (..) O termo "impurezas" aplica-se exclusivamente às substâncias cuja presença no composto químico distinto resulta, exclusiva e diretamente, do processo de fabricação (incluída a purificação). Essas substâncias podem provir de qualquer dos elementos que intervêm no curso da fabricação, e que são essencialmente os seguintes: a) matérias iniciais não convertidas, b) impurezas contidas nas matérias iniciais, c) reagentes utilizados no processo de fabricação (incluída a purificação) d) subprodutos. No entanto, convém referir que essas substâncias não são sempre consideradas "impurezas" autorizadas pela Nota 1 a). Quando essas substâncias são deliberadamente deixadas no produto para torná-lo particularmente apto para usos específicos de preferência a sua aplicação geral, não são consideradas impurezas admissíveis. (.)" [sublinhados acrescidos] A segunda contradição diz respeito à alegação de que o Carbofuran constitui um composto químico definido, que, porém não se apresenta isoladamente, e foi classificado como preparação intermediária, e volta a discutir a função do lignossulfonato, que defende ser ingrediente inerte. Mais uma vez não há como acolher a alegação de contradição. O voto vencedor foi claro ao definir a função do lignossulfonato na mercadoria importada, inclusive respaldado in casu não só nos laudos do processo, mas também em Informação da COANA, fls. 249 e seguintes, a pedido expresso desta Câmara, mediante Resolução: 4 Processo n° 11128.006217/2002-83 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.233 Fl. 299 Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e pelo I. Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto da ampla maioria, firmou entendimento em contrário, no que tange à classificação fiscal da mercadoria importada, estribado, basicamente, nas conclusões ofertadas pelo LÁBANA, referendadas pelo órgão julgador de primeira instância e em manifestação da COANA, que é o órgão do Ministério da Fazenda competente para tal assunto. (.) Face ao acima exposto e sob a ótica das normas/conceitos estabelecidos pela NCM e esclarecimentos das NESH, conclui-se que: I) a mercadoria em tela trata-se de Carbofuran, um composto de constituição química definida, porém não se apresenta isoladamente, pois contém Lignossulfonato, não considerado impureza do processo de fabricação; 2) o Lignossulfonato, adicionado ao Carbofuran, não apresenta nenhuma das funções contempladas nos itens f e g da Nota 1 do Capitulo 29; e, 3) o Lignossulfonato, um swfactante aniânico, é adicionado ao Carbofuran com a finalidade de facilitar a sua dispersão ou suspensão nas preparações, destinadas às formulações dos tipos: pó molhável, concentrado emulsionável, entre outros, de inseticidas pronto para uso.. Portanto, não apresentando o produto em tela características que atendam as exigências requeridas pelas Notas do Capítulo 29, não pode ai ser classificado. (..) Caracterizada a mercadoria em tela como sendo uma PREPARAÇÃO INTERMEDIÁRIA ou PRÉ-MISTURA, de uso exclusivo na indústria com propriedade inseticida, que necessita somente de adição de adjuvantes e/ou aditivos, para obtenção do produto final, deve a mercadoria ser classificada na posição 3808, que compreende os" INSETICIDAS, RODENTICIDAS, FUNGICIDAS, HERBICIDAS, INIBIDORES DE GERMINAÇÃO E REGULADORES DE CRESCIMENTO PARA PLANTAS, DESINFETANTES E PRODUTOS SEMELHANTES, APRESENTADOS EM QUAISQUER FORMAS OU EMBALAGENS PARA VENDA A RETALHO OU COMO PREPARAÇÕES OU AINDA SOB A FORMA DE ARTIGOS, TAIS COMO FITAS, MECHAS E VELAS SULFURADAS E PAPEL MATA-MOSCAS". São classificados nessa posição os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, que sejam inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de igerminação e reguladores de crescimento para plantas, • desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas 5 Processo n° 11128.006217/2002-83 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.233 Fl. 300 ou embalagens previstas na posição 38.08, por força do item 2 da Nota 1.a) do Capítulo 38. No entanto, referida posição não compreende somente aqueles produtos apresentados em embalagens para venda a retalho ou uma forma tal que não suscite quaisquer dúvidas quando ao destino para venda a retalho. A Nota 2 da posição 3808 das NESH esclarece que devem ser também classificadas nessa posição, os produtos: "2) Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentem (compreendendo os líquidos, as soluções e o pó a granel). (..) Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam de ser misturados para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso." Desta forma, mostra-se correta a classificação adotada pela fiscalização na posição 3808, no código 3808.10.29, que ,, abrange os Outros Inseticidas. Ante o exposto, co 9 ( os embargos, e NEGO-LHES PROVIMENTO.i CORINTHO OL 1 4I • MACHADO 6
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720138/2006-85
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS. INCIDÊNCIA
Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, bem como dos juros moratórios calculados pela Taxa SELIC.
AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO.
Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR.
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração.
EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO.
A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observando-se os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindo-se que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO.
O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 2202-002.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado pela recorrente. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso em maior extensão.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, bem como dos juros moratórios calculados pela Taxa SELIC. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO. A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observando-se os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindo-se que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado pela recorrente. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso em maior extensão. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui qualquer vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo atacou todos os argumentos da impugnação, ainda que de forma indireta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 EXCLUSÃO DAS ÁREAS PROTEGIDAS AMBIENTALMENTE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir da área total tributável para fins de ITR as áreas de preservação permanente, de reserva legal e demais áreas protegidas ambientalmente, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 01 38 /2 00 6- 85 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 229 2 que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO. A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observandose os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindose que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, bem como dos juros moratórios calculados pela Taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela recorrente. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso em maior extensão. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 230 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 3, integrada pelos demonstrativos de fls. 4 e 5, pela qual se exige a importância de R$702.000,30, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Suplementar, exercício 2004, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Nova Fronteira, cadastrado na Receita Federal sob no 2.341.5410, localizado no município de Aripuana/MT. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 2 e 3, segundo a qual, pelo confronto entre a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR e a documentação apresentada pela contribuinte, constatouse: · Área de utilização limitada: foi apresentada comprovação de averbação de reserva legal em Cartório de Registro de Imóveis, em data anterior a do fato gerador do ITR, para 50% da área total do imóvel. Entretanto, não houve comprovação de solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolizado junto ao IBAMA, até seis meses do término do prazo para entrega da DITR, procedendose a glosa integral da área declarada. · Área objeto de Exploração Extrativa: não foi apresentado o Plano de Manejo Florestal Sustentado nem a autorização para sua exploração . · Valor da Terra Nua: o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural apresentado foi desconsiderado por não atender ao preconizado no item 9.2.3.5 da NBR/ABNT N° 14653 3 que estabelece no mínimo 5 dados de mercado efetivamente utilizados. Foram utilizadas apenas 4 amostras e, na maioria, opiniões caracterizando o grau de fundamentação I, de acordo com o disposto no item 9.2.3.1 da indigitada norma. Dessa forma, o VTN foi arbitrado com base no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação da contribuinte de fls. 13 a 39, instruída com os documentos de fls. 40 a 45, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0413.825 (fls. 71 a 82), de 14/03/2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2004 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 231 4 PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A exclusão das áreas declaradas como preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), e/ ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR a que se referir. VALOR DA TERRA NUA. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Não comprovada a efetiva exploração extrativa, com observância dos índices de rendimento e da legislação ambiental, nem a aprovação do plano e cumprimento do cronograma de exploração por manejo sustentado de floresta, deve ser tida como procedente a glosa da área declarada a esse título. JUROS DE MORA. DA MULTA LANÇADA. É cabível a cobrança de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e da multa de ofício por expressa previsão legal. DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 06/05/2008 (vide AR de fl. 86), a contribuinte apresentou, em 03/06/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 87 a 105, no qual, após breve relato dos fatos, expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. PRELIMINARMENTE (fl. 91) 1.1. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, pois a decisão guerreada não teria analisado a documentação apresentada quanto à alegação de que não teria sido feito o levantamento de preços para composição do Sistema de Preços de Terras, relativo ao Estado de Mato Grosso, conforme determinado em lei. 1.2. Afirma que tampouco foi analisado o requerimento relativo ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, apresentado em relação a 50% da área do imóvel, que se encontra averbada, “apesar do quantitativo correto ser no percentual de 80%.” 2. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL – fls. 91 a 96) Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 232 5 2.1. Após discorrer sobre as características e definição da reserva legal, a contribuinte afirma que a manutenção dessa área é obrigatória em cada propriedade rural, num percentual mínimo que varia de acordo com a região, sendo no presente caso de, no mínimo, 80% de toda a propriedade. 2.2. Sustenta que se não houver supressão da floresta ou de vegetação nativas existentes no imóvel, não há que se exigir a delimitação e averbação no registro de imóveis da reserva legal, uma vez que toda a propriedade estará automaticamente intacta. Em outras palavras, apenas para haver a supressão é que se faz necessária a autorização do órgão florestal e, então sim, nesse momento, promovese a delimitação da reserva legal. 2.3. No seu entender, a lei que determina a averbação da reserva legal na matrícula com o fim único de dar publicidade e especificar (especializar) a reserva legal, demarcandoa e gravando o imóvel com esse ônus, para que futuros adquirentes do imóvel rural saibam exatamente onde está ela localizada. Por outro lado, nas áreas de preservação permanente não é necessária a averbação, já que a própria lei define claramente onde se localizam tais áreas. 2.4. Alega, ainda, que, de acordo com a Lei Estadual Complementar no 38, de 1995 (Código Ambiental do Estado de Mato Grosso), foi instituída a Licença Ambiental Única – LAU para autorizar a localização, implantação e operação das atividades de desmatamento, exploração florestal e projetos agropecuários no estado, sendo obrigatória a existência de reserva legal mínima de 35%, nas áreas de cerrado, e de 80%, nas áreas de florestas. 2.5. Posteriormente, a Lei Estadual Complementar no 232, de 2005, alterou o Código Estadual do Meio Ambiente e ratificou os percentuais mínimos de reserva legal anteriormente definidos. 2.6. Conclui, assim, que está comprovado que desde o ano de 1995 a contribuinte estava proibida de explorar 80% de sua propriedade, o que foi devidamente observado e respeitado. 2.7. A recorrente alega que a obrigatoriedade da averbação da Reserva Legal no registro de imóveis instituída pela Lei no 7.8031, de 1989, é ineficaz por si só, uma vez que não houve a regulamentação pelo Poder Executivo no prazo de noventa dias, a partir de sua publicação, conforme previsto em seu art. 2o. 2.8. Por fim, afirma que a reserva legal existe e está comprovada pelo Laudo Técnico e imagem de satélite juntados aos autos, devendo ser considerado o percentual de 80%, embora tenha sido anteriormente averbado e protocolado o requerimento do ADA de apenas 50%. 3. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA (fls. 96 a 99) 3.1. A recorrente afirma que, como já informado na defesa em primeira instância, foi anexado requerimento do ADA, protocolado no IBAMA em 07/11/2000, em que foram informadas as áreas de 12.499,4ha, correspondente a 50% da área total do imóvel, como de reserva legal, e 2.922,8ha, como de preservação permanente, sendo que a área de reserva legal correta seria de 80% da área total, ou seja 19.999,0ha. 1 A recorrente indicou o número da lei incorreto (Lei nº 7.806, de 1989) e foi corrigido (Lei nº 7.803, de 1989). Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 233 6 3.2. Transcreve, ainda, decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça que teria concluído pela desnecessária apresentação do ADA para fins de isenção do ITR. Aduz que existem dezenas de precedentes administrativos já apontados no sentido de que a apresentação do requerimento do ADA pode ser substituído pela averbação na matrícula ou pela própria declaração produzida pelo contribuinte, desde que não tenha sido produzida prova em contrário ou pela apresentação de laudo técnico e outras provas documentais trazidas aos autos. Cita orientação contida em parecer da Consultoria Geral da República, aprovado pelo Presidente da República no sentido de que as decisões reiteradas proferidas pelo Conselho de Contribuintes tem cunho de efetividade para a Administração a quem de todo vincula. 4. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (fl. 99) 4.1. A contribuinte alega que, apesar de não ter sido declarada, existe 2.922,8 ha de área de preservação permanente, conforme Laudo de Identificação e Constatação ora juntado, na imagem satélite, onde demonstra a sua identificação as margens dos diversos cursos d'água, e no ADA apresentado. 5. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO (fls. 99 a 102) 5.1. A recorrente defende que o laudo apresentado atende as disposições das Normas Brasileira Registradoras – NBR no 8799/85 e a mais recente NBR no 14.653/2004, contendo as justificativas da metodologia, precisão utilizada e pesquisas de valores, elaborado de acordo com as peculiaridades da região e do imóvel, enquadrandose no Grau de Fundamentação II. 5.2. Reportase aos itens 1.2 e 1.3 da NBR no 8.799/85, que prescrevem a aplicação da referida norma na avaliação de imóveis rurais e que a competência é exclusiva dos profissionais legalmente habilitados pelos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. 5.3. Alega que tais normas são gerais, devendose observar, contudo, as peculiaridades de cada região, salientando que nas regiões Centro Oeste, Norte e Nordeste a maioria dos municípios possuem apenas Prefeituras Municipais, não havendo corretores, o que dificulta a obtenção de informações sobre ofertas de imóveis ou transações realizadas, agravandose a situação quando se trata de dados do ano de 2003, conforme requerido no presente caso. 5.4. Afirma que, de acordo com o item 10.12, da NBR 14.653, é possível determinar o Valor da Terra Nua do imóvel avaliado, utilizando as informações colhidas pelo profissional que elaborou o referido laudo, face às condições negativas inerentes a região e que não foram encontradas mais informações compatíveis referentes a ofertas e negócios realizados no período determinado no Termo da Intimação Fiscal. Reportase, ainda, ao item 9.1.1 da NBR 14.6533, segundo a qual o laudo deve atender a peculiaridade e situação do imóvel que estiver sendo vistoriado e avaliado, assim como ao item 9.1.2 da mesma norma e ao item 8.1.2 da NBR 14.6531 para concluir que “é facultado ao engenheiro de avaliações o emprego de outro procedimento, desde que devidamente justificado”. 5.5. Ao final, alega que o Conselho de Contribuintes já julgou casos análogos em que teria sido decidido que o laudo técnico não necessita atender rigorosamente o requisitos Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 234 7 estabelecido nas NBR, desde que contenha elementos suficientes que caracterizam o imóvel, já que a lei não estabeleceu a forma do laudo técnico tendo determinando apenas sua emissão por entidades de reconhecida capacitação técnica ou por profissional devidamente habilitado. 6. VALOR DO VTN ATRIBUÍDO PELO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS DA RECEITA FEDERAL (fls. 102 e 103) 6.1. A contribuinte sustenta que as provas acostadas não podem ser afastadas porque a Secretaria da Receita Federal não teria feito qualquer levantamento de preços para o Estado de Mato Grosso, ferindo o disposto no art. 2o da Lei 9.784, de 1999, que estabelece para a Administração Pública a obediência, dentre outros, aos princípios da legalidade, moralidade, razoabilidade, segurança jurídica e eficiência. Cita doutrina para corroborar sua defesa. 7. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA (fl. 103) 7.1. A contribuinte afirma que foi juntado aos autos as matrículas onde foram averbadas o Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta Manejada, de área de 4.996,6ha, o qual só é expedido após a aprovação do projeto pelo IBAMA. 8. Ao final, a contribuinte requer o reconhecimento da insubsistência do Auto de Infração, considerandose que (fls. 104 e 105): a) a área de Utilização Limitada (Reserva Legal) existe no total de 80% (oitenta por cento) da área total da propriedade, equivalente a 19.999,0 ha, que encontrase em sua grande parte averbada na matrícula e está identificada e constatada no Laudo Técnico apresentado. Também foi apresentado o requerimento do ADA e mesmo sendo declarado no mesmo a área de reserva no quantitativo de 50% da área total, quando o correto seria 80%, pelo simples protocolo solicita e autoriza uma vistoria do IBAMA, que em fazendo a vistoria retratara a Receita Federal a existência de 80% de área de reserva e as áreas de preservação permanente. b) deverá ser retificado o cadastro incluindo a área existente no imóvel classificada como Preservação Permanente, conforme comprovada pelo Laudo e imagem satélite no total de 2.922,8 ha cuja providencia poderia ter sido levada a efeito pelo Sr. Auditor Fiscal já na análise da documentação; c) o laudo atende as exigências da NBR 146533 com relação à avaliação do valor da terra nua, face as peculiaridades devidamente justificadas no mesmo, portanto deverá ser acatado; d) em não aceitando o valor do VTNm contido no laudo, deverá então, acolher o valor da terra nua declarado, vez que a Receita Federal não dispõe de tabela de preço elaborada com atendimento da legislação reguladora que lhe autorize impugnar o valor declarado pelo contribuinte, motivando a inexistência de valor a ser contestado; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 235 8 e) a área de 4.999,6 ha, deverá ser acatada como de exploração Extrativa ou, em não aceitando, que seja acolhida a área de 2.284,1 ha, face o contido no laudo. f) Seja reconhecido a não obrigatoriedade de apresentação do requerimento referente o Ato Declaratório Ambiental – ADA. g) reconhecer a ilegalidade da inclusão de acréscimos penais e moratórios no lançamento. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 04, inicialmente distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 03/02/2010. DA DILIGÊNCIA Em sessão de 17/06/2010, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Sessão Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução no 220200.077 (fls. 118 a 121), cujo voto reproduzo a seguir: O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De acordo com a fiscalização, o VTN foi arbitrado com base no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pois o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural apresentado pela contribuinte não atendia às normas prevista na NBR/ABNT No 146533. Por sua vez, a recorrente afirma que o laudo apresentado atende as disposições contidas na NBR no 8799/85 e a mais recente NBR no 14.653/2004, contendo as justificativas da metodologia, precisão utilizada e pesquisas de valores, elaborado de acordo com as peculiaridades da região e do imóvel, enquadrandose no Grau de Fundamentação II. Compulsandose os autos, não foi localizado nenhum laudo. Além disso, consta à fl. 12 despacho da autoridade lançadora no qual se informa que “O restante da documentação que embasou esse procedimento fiscal encontrase no Processo no 10183.72017/200631 de Notificação do Lançamento do ITR 2003.” Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: 1. Anexe a documentação que embasou esse procedimento fiscal que teria sido juntado no Processo no 10183.72017/200631 de Notificação do Lançamento do ITR 2003; 2. Antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, intime a contribuinte a anexar cópia do laudo técnico que segundo ela teria sido apresentado à fiscalização e cientifiquea dos documentos mencionados no item 1 para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 236 9 Ressaltese que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. Conforme despacho da autoridade preparadora de 05/10/2011 (fl. 223), a contribuinte foi intimada, por meio da Intimação no 508/11SECAT/DRFCUIABÁ/MT, de 05/07/2011, a anexar cópia do Laudo Técnico anteriormente apresentado à fiscalização e a se manifestar, se assim o desejasse, quanto aos documentos de fls. 12 a 81 do processo no 10183.72017/200631, acostados aos autos em atendimento à Resolução do CARF. Em resposta (fl. 150), a contribuinte informou que o laudo original foi entregue, em 23/06/2006, por ocasião da resposta à intimação fiscal relativa ao ITR dos exercícios 2003, 2004 e 2005, conforme comprovado pela cópia protocolizada que anexa, assim como requereu a juntada da imagem de satélite comprovando a existência da reserva legal e da área de preservação permanente. O presente processo retornou de diligência, veio digitalizado até à fl. 2272. 2 Processo digital. O processo físico foi numerado até a fl. 186 (fl. 212 da digitalização). Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 237 10 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Cerceamento do direito de defesa Preliminarmente, a contribuinte alega que seu direito de defesa foi cerceado, uma vez que a decisão guerreada não teria analisado a documentação apresentada quanto à alegação de que não teria sido feito o levantamento de preços para composição do Sistema de Preços de Terras, relativo ao Estado de Mato Grosso, conforme determinado em lei. Aduz que tampouco foi analisado o requerimento relativo ao Ato Declaratório Ambiental – ADA apresentado em relação a 50% da área do imóvel. Inicialmente, importa transcrever o trecho do voto condutor do acórdão de primeiro grau que trata do valor da terra nua (fl. 78): 26. Com relação ao Valor da Terra Nua VTN, cabe ressaltar que o procedimento utilizado pela fiscalização para apuração do Valor da Terra Nua, VTN, com base nos valores constantes em sistema da Secretaria da Receita Federal, encontra amparo no art. 14 da Lei n.°9.393/1996, já transcrito. O valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. O VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT, conforme consulta de fls. 71, e referese ao VTN médio das declarações processadas no exercício em questão. Cabendo ressaltar, ainda, que essa determinação não implica que a SRF não possa utilizar outros levantamentos de que dispuser. 27. A determinação para alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR constou do art. 3 o da Portaria n° 447 de 28/03/2002. 28. As tabelas de valores indicados no SIPT servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente são utilizados pela fiscalização se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização enviou uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. 29. O VTN considerado no lançamento pode ser revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CREA, e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, através da explicitação dos métodos Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 238 11 avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. A título de referência, para justificar as avaliações, poderão ser apresentados anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenham divulgado aqueles valores e que levem à convicção do valor da terra nua na data do fato gerador. 30. Com essas considerações, verificase que, para a alteração do valor considerado como base de cálculo do ITR com base no SIPT é indispensável a apresentação de um laudo de avaliação que detalhe completamente o imóvel e todas as suas possíveis benfeitorias e/ou melhoramentos, comprovando que o VTN efetivo é menor do que o ora tributado. (grifos nossos) Embora a decisão recorrida não tenha feito referência expressa a documentação anexada pelo contribuinte quanto a ausência de levantamento de preços pelo Estado do Mato Grosso, pelos fundamentos expostos, inferese que a questão foi apreciada, ainda que de forma indireta, uma vez que o julgador a quo deixa claro que foi utilizado o VTN médio das declarações processadas no exercício em questão e que o fisco pode utilizar os levantamentos que dispuser para fins de arbitramento do VTN. No que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, não obstante o contribuinte tenha mencionado em sua impugnação que o teria anexado, o mesmo não foi localizado nos autos. Ressaltese que o lançamento originouse, em parte, da falta de apresentação do ADA, conforme consignado na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fl. 2). Da mesma forma, o relator a quo afirmou que “foi apresentado ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal” (fl 81). Logo, não se pode dizer que houve omissão por parte da decisão recorrida visto que o ADA não se encontra anexado no processo. Concluise, assim, que a decisão de primeira instância está em verdadeira consonância com o disposto no art. 31 do Decreto no 70.235, de 1972, não existindo qualquer vício apto a acarretar sua nulidade. A simples contrariedade da recorrente com a motivação esposada no acórdão guerreado, não constitui qualquer vício material capaz de incorrer em sua plena desconsideração, até porque o livre convencimento do julgador administrativo encontrase resguardado pelo art. 29, do Decreto no 70.235, de 1972. Nestes termos, não houve o alegado cerceamento do direito de defesa. 2 Exclusão das áreas não tributadas Podem ser excluídas da área tributável, para fins de apuração do ITR, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada previstas no art.10, § 1o, inciso II, alíneas “a” a “f”, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, assim como as áreas de reserva particular do patrimônio natural (art. 21 da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, c/c art. 104, parágrafo único, da Lei no 8.171, de 17 de janeiro de 1991). Para gozar dessa isenção, além de comprovar a existência dessas áreas ambientalmente protegidas, deve o contribuinte cumprir os requisitos formais que a lei assim determinar, bem como observar as condições de uso impostas pelas leis ambientais. Caso contrário, afastase o benefício fiscal sobre tais áreas, eis que não foram observados os pressupostos legais para sua exclusão da área tributável. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 239 12 No caso dos autos, a fiscalização glosou a área de utilização limitada, pois, apesar de ter sido comprovada a averbação da reserva legal em Cartório de Registro de Imóveis, em data anterior à do fato gerador do ITR, para 50% da área total do imóvel, não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental – ADA protocolizado tempestivamente junto ao IBAMA. 2.1 RESERVA LEGAL A contribuinte alega, em síntese, que: (a) a reserva legal, no caso da região em que se encontra o imóvel, é de, no mínimo, 80% de toda a propriedade, de acordo com a legislação de regência e que se não houver supressão da floresta ou de vegetação nativas existentes no imóvel, não há que se exigir a delimitação e averbação no registro de imóveis da reserva legal; (b) a averbação da reserva legal na matrícula tem o fim único de dar publicidade e especificar (especializar) a reserva legal, demarcandoa e gravando o imóvel com esse ônus, para que futuros adquirentes do imóvel rural saibam exatamente onde está ela localizada; (c) a obrigatoriedade da averbação da Reserva Legal no registro de imóveis instituída pela Lei no 7.803, de 1989, é ineficaz por si só, uma vez que não houve a regulamentação pelo Poder Executivo conforme previsto em seu art. 2o; (d) a existência da reserva legal está comprovada pelo Laudo Técnico e imagem satélite juntados aos autos. De se analisar a questão. Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o, inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o, §2o, inciso III): Art. 1o[...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 240 13 flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a área de reserva legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8o, do Código Florestal). Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 241 14 Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o, caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. Por fim, cabe lembrar que no caso de posse, o Código Florestal permite que a reserva legal seja assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, no qual esteja consignado, no mínimo, sua localização e características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (art. 16, §10). Vale mencionar, também, o art. 12, §1o Decreto no 4.382, de 19 de setembro de 2002, que consolidou toda a legislação do ITR, assim dispondo quanto à averbação da reserva legal (grifei): Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 242 15 Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n°2.16667, de 2001). §1o Para efeito da legislação do 1TR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. §2o Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (Lei no 4.771, de 1965, art.16, §10, acrescentado pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001, art. 1o). No caso dos autos, além de ter sido averbado apenas 50% da área total do imóvel, fato este inconteste, a contribuinte não apresentou o ADA correspondente a exclusão pretendida (80%), condição indispensável para o gozo da isenção, como se demonstrará a seguir. 2.2 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE A contribuinte pugna pelo reconhecimento da área de preservação permanente de 2.922,8ha que, apesar de não ter sido declarada, estaria comprovada pelo Laudo de Identificação e Constatação juntado aos autos, no qual se identificam às margens dos diversos cursos d'água e pelo ADA apresentado. Tratase de pedido de retificação da declaração e como tal deve ser analisado. Convém recordar que o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei no 9.393, de 1996). É sabido também que, iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda da espontaneidade, nos termos do art. 7o do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. Considerase área de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação situadas nas regiões definidas no art. 2o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), assim como aquelas florestas e demais formas de vegetação natural previstas no art. 3o da mesma lei, para as quais exista ato do Poder Público declarandoas como de preservação permanente. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 243 16 As áreas de preservação permanentes descritas no art. 2o do Código Florestal podem ser comprovadas por meio de Laudo de Constatação (ou Vistoria), elaborado por profissional habilitado. As vistorias, perícias, avaliações e arbitramentos relativos a imóveis rurais são atividades de competência dos engenheiros agrônomos e florestais, que devem ser objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART para sua plena validade (Arts. 7o e 13 da Lei no 5.194, de 24 de dezembro de 1966, c/c o disposto na Resolução no 345, de 27 de junho de 1990, e na Resolução no 218, de 29 de junho de 1973, ambas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA). De acordo com a Resolução CONFEA no 345, de 1990, que dispõe sobre as atividades de Engenharia de Avaliações e Perícias de Engenharia, a vistoria consiste na “constatação de um fato, mediante o exame circunstanciado e descrição minuciosa dos elementos que o constituem” e o laudo “é a peça na qual o perito, profissional habitado, relata o que observou e dá as suas conclusões ou avalia o valor de coisas ou direitos, fundamentadamente”(art. 1o, alíneas “a” e “e”). Na elaboração dos Laudos Técnicos, os profissionais devem observar, ainda, os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, que regem a matéria (no caso da avaliação dos imóveis rurais, a NBR 146533). A partir dos requisitos previstos na NBR 146533 podese inferir que, no caso de Laudos de Constatação, cujo objetivo seja comprovar a existência das áreas de preservação permanente, a atividade de vistoria deve observar, principalmente, os aspectos físicos e condicionantes legais do imóvel na caracterização das terras, ou seja, não basta indicar apenas a extensão da área de preservação permanente, deve descrever e quantificar objetivamente as áreas de acordo com a classificação estabelecida no Código Florestal. No caso dos autos, para comprovar as áreas de preservação permanente, a contribuinte apresentou o “Laudo Técnico Discriminação e Constatação” (fls. 153 a 175), elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fl. 182), segundo o qual as áreas preservação permanente totalizam 2.715,0ha (fl. 170). Observase, entretanto, que o valor foi informado de forma global sem que houvesse a decomposição das áreas de acordo com a classificação prevista no art. 2o do Código Florestal, razão pela qual não serve para o fim a que se propõe. Ainda que fosse comprovada a existência material da área de preservação permanente, não consta dos autos o ADA correspondente e, portanto, como adiante se demonstrará, não poderia o contribuinte usufruir do benefício da isenção. Destarte, negase o pedido de retificação da declaração feito pela contribuinte. 2.3 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA A recorrente defende que a apresentação do ADA não é necessária para fins de isenção do ITR, reportandose à decisão do Superior Tribunal de Justiça e a precedentes administrativos. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 244 17 Por expressa determinação legal, a partir do exercício 2001, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória para fins de exclusão das áreas de proteção ambiental, nos termos do §1o do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000: §1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, o §7o do art. 10 da Lei no 9.393, de 1996, incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 24 de agosto de 2001, não revogou tacitamente o parágrafo acima transcrito, versando, no meu entender, sobre os aspectos homologatórios da declaração das áreas de preservação permanente e de reserva legal e sob regime de servidão florestal ou ambiental. De se ver. Assim, dispõe o dispositivo legal em discussão (art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De acordo com o caput do artigo acima transcrito, o ITR é tributo lançado por homologação, cabendo ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Assim, o §7o, ao dispensar a prévia comprovação das áreas referidas nas alíneas “a” e “d” do inciso II do mesmo artigo, não está eximindo o contribuinte de comprová las, mas tão somente da apresentação dos documentos comprobatórios junto com a referida declaração. O contribuinte continua obrigado a comprovar as áreas de proteção ambiental referenciadas nas alíneas “a” e “d” do inciso II para fins de gozo da isenção, nos termos da legislação vigente, quando da averiguação da veracidade das informações declaradas. Tal entendimento está de acordo com a essência do lançamento por homologação. Muito embora alguns entendam que a“[...]declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo [...]”mencionada no art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996, seja a DITR, declaração em que se apura o imposto devido, existe outra interpretação nesse caso. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, órgão federal executor das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente (art.6, inciso IV, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981), atribuiu ao ADA caráter de “declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 245 18 utilização limitada para fins de apuração do ITR”, conforme disposto no art. 1o da Portaria IBAMA no 162, de 18 de dezembro de 1997. Segundo o art. 2o, e §§, da referida portaria, o ADA é um documento de responsabilidade do IBAMA na sua impressão, expedição e controle que“será preenchido pelo interessado, onde o conteúdo das declarações será de inteira responsabilidade do declarante” cabendo àquele órgão, “ao receber as informações contidas no ADA, efetuará as avaliações e conferência, encaminhandoo à Receita Federal”. Assim, sendo o IBAMA órgão fiscalizador e responsável pelo reconhecimento das áreas de proteção ambiental, por meio da emissão do ADA, a “declaração para fim de isenção do ITR” relativa às áreas isentas é a declaração feita pelo contribuinte ao órgão ambiental a partir da qual é emitido o ADA, a qual “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. Nesse sentido, já existia orientação do IBAMA de que, por ocasião do recebimento do formulário do ADA, não cabia quaisquer tipos de exigências comprobatórias das declarações nele contidas ou solicitação de procedimento complementar, documento, mapa ou ação de seu declarante, ficando a avaliação e conferência para momento posterior (art. 4o da Portaria IBAMA no 152, de 10 de novembro de 1998). Cabe lembrar que o ADA emitido a partir das informações prestadas pelo declarante será objeto de homologação posterior por parte do IBAMA, que lavrará de ofício novo ADA, sempre que verificar inexatidão das informações nele contidas, nos termos do disposto no art. 17O, §5o, da Lei no 6.938, de 1981: § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei no 10.165, de 27.12.2000) Diante do que acima se expôs, forçoso concluir que, a partir do exercício 2001, é necessária a apresentação do ADA para que o contribuinte possa excluir da área tributável as áreas de proteção ambiental. Quanto aos precedentes mencionados pela recorrente, cumpre lembrar que esses não têm caráter vinculante, valendo apenas entre as partes, ainda que existam decisões reiteradas sobre o assunto. Somente quando a questão em discussão estiver sumulada, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009), é que o Conselheiro está obrigado a adotar o entendimento sumular. A Súmula no 41 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em vigor desde 22/12/2009, dispondo que “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício”, aplicase tão somente aos fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, enquanto que o presente lançamento referese ao exercício 2002. No caso dos autos, embora a contribuinte afirme que foi anexado requerimento do ADA, protocolado no IBAMA em 07/11/2000, no qual foram informadas as Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 246 19 áreas de 12.499,4ha, como de reserva legal, e de 2.922,8ha, como de preservação permanente, o referido documento não foi localizado. Como já mencionado no item 1 deste voto, a glosa da área de utilização limitada (reserva legal) originouse, em parte, da falta de apresentação do ADA (vide Descrição dos Fatos e Enquadramento legal à fl. 2), assim como o relator a quo também mencionou em sua decisão que “não foi apresentado ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal” (fl 81). Assim, não havendo a contribuinte apresentado cópia do ADA relativo às áreas de preservação permanente e de reserva legal que pretende excluir, deixou de cumprir requisito fundamental para a consideração de tais áreas no cômputo da apuração do imposto devido. 3 Exploração Extrativa A contribuinte alega que foi averbado Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta Manejada, de área de 4.996,6ha, o qual só é expedido após a aprovação do projeto pelo IBAMA. Compulsandose os autos, verificase que a contribuinte declarou 4.997,8ha como área utilizada com exploração extrativa, sendo oportuno transcrever o art. 10 da Lei no 9.393, de 1996, na parte em que trata sobre o tema: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. §1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: [...] c)sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; [...] §3o Os índices a que se referem as alíneas “b” e “c” do inciso V do §1o serão fixados, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola, pela Secretaria da Receita Federal, que dispensará da sua aplicação os imóveis com área inferior a: a) 1.000 ha, se localizados em municípios compreendidos na Amazônia Ocidental ou no Pantanal matogrossense e sulmato grossense; b) 500 ha, se localizados em municípios compreendidos no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 247 20 c) 200 ha, se localizados em qualquer outro município [...]. §4o Para os fins do inciso V do §1o, o contribuinte poderá valer se dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento ou parceria. §5o Na hipótese de que trata a alínea “c”do inciso V do §1o, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. [...] Como se percebe, a área de exploração extrativa deverá ser informada levandose em conta os índices de rendimentos fixados por produto, podendose considerar a “área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte.” Não havendo nos autos prova da produção efetiva, cabia à contribuinte apresentar o plano de manejo sustentado, acompanhado do cronograma de que o mesmo estava sendo cumprido para que pudesse considerar integralmente a área declarada como de exploração extrativa, o que não ocorreu. Embora a contribuinte sustente que foi averbado Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta Manejada, não foi localizado nos autos a matrícula do imóvel corroborando a alegação da defesa. Ainda que fosse comprovada a averbação do referido termo, tal fato poderia evidenciar a existência do plano de manejo, porém não atesta que o mesmo estivesse sendo cumprido. Logo, nos termos da lei, não foi atendida a condição para que pudesse ser considerada integralmente a área declarada como de exploração extrativa, razão pela qual mantém a glosa efetuada pela fiscalização. 4 Valor da terra nua A fiscalização arbitrou o valor da terra nua, uma vez que a contribuinte, regularmente intimada, apresentou Laudo Técnico que, no seu entender, não atendia as normas prescritas pela ABNT. O arbitramento foi feito utilizando o VTN/ha médio informado nas DITR, correspondente a R$140,63/há (fl. 70), e a área total tributável de 24.996,8ha (fl. 04), resultando no valor de R$3.515.581,24 (fl. 04). Em sua defesa, a recorrente alega, em síntese, que Laudo Técnico apresentado (fls. 153 a 175) atende a todos os requisitos impostos pela legislação para fins de comprovação do valor da terra nua declarado. Inicialmente, importa transcrever o art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autorizou a Receita Federal, no caso de falta de entrega de declaração ou de subavaliação, a arbitrar o valor da terra nua (VTN) com base em sistema por ela instituído: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 248 21 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, cabe trazer a colação o art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, com a redação vigente à época da edição da Lei no 9.393, de 1996: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. [...] Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 249 22 agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. Entendo que a utilização dos valores constantes do SIPT são válidos para fins de arbitramento do VTN, sempre que o contribuinte não apresente laudo técnico capaz de comprovar o valor por ele declarado e desde que os dados que alimentaram o sistemas atendam aos requisitos exigidos pela legislação, como, por exemplo, o VTN médio por hectare por aptidão agrícola, apurado nas avaliações realizada pelas Secretarias Estaduais de Agricultura, em que os preços de terras são determinados levandose em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas etc. Ressaltese, entretanto, que o fato de para um determinado município não existirem informações dos órgãos estaduais ou municipais que permitam estimar o VTN/médio por hectare por aptidão agrícola, não autoriza o fisco a utilizar o VTN médio informado nas DITR do mesmo município. Isto porque o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Dessa forma, sem que se entre no mérito do laudo apresentado, uma vez que o arbitramento foi feito utilizandose o VTN médio declarado pelos contribuinte do mesmo município (fl. 70), valor este que não encontra amparo na legislação, há que se restabelecer o valor originalmente declarado. 5 Multa de ofício e juros de mora Quanto à argüição da legalidade dos “acréscimos penais e moratórios no lançamento”, depreendese que a contribuinte insurge contra os acréscimos legais, assim entendidos a multa de ofício e os juros de mora. Em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de tributo, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar a multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de Dezembro de 1996, não podendo deixar de aplicá la ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. Da mesma forma, todo atraso no pagamento do credito tributário enseja a cobrança de juros de mora, independente do motivo ou de quem tenha dado causa, conforme determinação expressa contida no art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. O texto legal acima, determinou a cobrança de juros de mora à taxa de 1% ao mês, sobre o crédito pago após o vencimento, caso a lei não disponha de modo diverso. No Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10183.720138/200685 Acórdão n.º 2202002.001 S2C2T2 Fl. 250 23 presente lançamento está se exigindo a título de juros de mora a Taxa Selic sobre os valores pagos em atraso, prevista, de forma literal, no artigo 13 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995 e no § 3o do art. 61 da Lei no 9.430/1996. Ademais, esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula no 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em, em vigor desde 22/12/2009: Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destarte, legítima a incidência de multa de ofício e juros de mora sobre o imposto mantido. 6 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar suscitada pela recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer o VTN declarado. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
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Numero do processo: 11080.900102/2008-66
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Não comprovada a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, não é cabível a compensação com débitos próprios, nos termos da legislação aplicável - art. 170 do CTN e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.774
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, não é cabível a compensação com débitos próprios, nos termos da legislação aplicável art. 170 do CTN e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 01 02 /2 00 8- 66 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.900102/200866 Acórdão n.º 3801001.774 S3TE01 Fl. 82 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB Porto Alegre relativo à supostos direitos creditórios de Contribuição para a Cofins , em virtude de exame de declaração de compensação, número 23340.61521.111203.1.3.046002, transmitida em 11/12/2003, nos quais não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando genericamente que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis (alíquota de 0,65%) e Cofins (alíquota de 3%) conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 3º, §º, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direito creditório pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Fl. 83DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: · Que resta evidente que o período compreendido entre a resolução n° 49 de 09 de outubro de 1995, que suspendeu a execução dos DecretosLei citados, e a promulgação da Lei n° 9.715 de 25 de novembro de 1998, restou configurado um período de vacatio legis. · Que no período compreendido entre outubro de 1995 e outubro de 1998, não há que se falar em contribuição para o PIS. Não existia regramento legal a incidir sobre os recolhimentos, tendo o contribuinte recolhido tributo indevidamente no período supracitado, em discordância com o Princípio Constitucional da Legalidade. REQUER: 1. O provimento ao presente Recurso Voluntário, com a conseqüente reforma da decisão, nos termos anteriormente expostos; 2. O reconhecido o direito líquido e certo da contribuinte de compensar a importância recolhida indevidamente; 3. Seja reconhecido o direito creditório da mesma e para que seja homologada a compensação objeto do presente; É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.900102/200866 Acórdão n.º 3801001.774 S3TE01 Fl. 83 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Trata o presente caso de PER/DCOMP apresentada em 11/12/2003, na qual é informado como origem do crédito um pagamento a maior de PIS/Pasep ou Cofins, compensado com débito da própria contribuição. Tal pretensão foi indeferida pela DRF/Porto Alegre, uma vez que não foi confirmada a existência do crédito informado. Em seu recurso, a Recorrente defende seu direito de compensar débitos com valores recolhidos, supostamente indevidos, em razão do que dispõe o art. 3º, §2º, III, da Lei nº 9.718, de 19981 ou por entender que no período compreendido entre outubro de 1995 e outubro de 1998 não existia regramento legal permitindo a incidência de Pis/Pasep e Cofins. Com relação à sua pretensão, não resta dúvida que a legislação autoriza a compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) com créditos originados de pagamento indevido ou a maior. No entanto, o crédito contra a Fazenda Nacional deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), caso contrário, não há como homologar a compensação declarada. Na situação em concreto, a interessada postula a compensação de débito próprio com um crédito juridicamente inexistente, ou seja, esse possível crédito não goza de liquidez e certeza. Não é demais lembrar que o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do direito compete ao autor ( art. 333 do Código de processo Civil). Importa registrar que, ao contrário do alegado, não consta dos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu suposto crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. A postulante, ao apresentar a manifestação de inconformidade, tinha a obrigação de carrear aos autos os elementos comprobatórios de sua pretensão, conforme dispõe o art. 333, do Código de Processo Civil (CPC) e o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1 Art. 3°. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) §2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º excluemse da receita bruta: (..) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 1972, no entanto, limitouse a alegar ser detentora de crédito em razão de pagamentos feitos indevidamente, invocando doutrina e jurisprudência acerca de seu suposto direito creditório. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda. (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 86DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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