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Numero do processo: 13707.002688/2001-46
Data da sessão: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
ILL - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA - DECADÊNCIA.
O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades anônimas, se dá em 19.11.1996, data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-000.222
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Unidade Local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. , encido o conselheiro Carlos Alberto
Freitas Barreto que dava provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allagi
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ARRENDAMENTO MERCANTIL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 ILL - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA - DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades anônimas, se dá em 19.11.1996, data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Unidade Local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. , encido o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento ao re urso. 4 dr; CARLOS ALBERT1 1 "FITAS B r ETO — Presidente GONÇALO BO LLAGE — Relator EDITADO EM: b SE 1 009 i Processo n° 13707.002688/2001-46 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.0222 Fl. 301 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gustavo Lian Haddad (convocado), Julio Cesar Vieira Gomes, Damião Cordeiro de Moraes (convocado), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Á Segunda Cámara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário n° 148.187, interposto pelo contribuinte Ponto Frio Leasing S.A. Arrendamento Mercantil, proferiu o acórdão n° 102-47.875, que se encontra às fls. 170-174, cuja ementa é a seguinte: ILL — RESTITUIÇÃO — PRAZO PARÁ PLEITEAR O INDÉBITO — DECADÊNCIA — O prazo decadencial aplicável às sociedades anônimas para restituição do ILL é de cinco anos a contar da data da publicação da Resolução 82 do Senado Federal de 18.11.1996. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO — Afastada a decadência cabe o enfrentamento do mérito em primeira instância, em obediência ao Decreto n° 70.235/72. Decadência afastada. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro líquido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, relativamente a pagamentos efetivados entre 30/04/1990 e 31/03/1993, cujo pedido fora protocolizado em 14/11/2001, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para o enfrentamento das demais questões de mérito. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração às fls. 176-179, os quais restaram rejeitadas por intermédio do Despacho n° 102-0.352/2007 (fls. 180-182). Na seqüência, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência às fls. 185-196, acompanhado dos documentos de fls. 197-222, onde defendeu, em apertada síntese, que: a) O acórdão recorrido acolheu o entendimento de que o prazo de 5 anos para pleitear a restituição/compensação dos valores indevidamente pagOs por sociedade anônima a título de ILL tem como termo inicial a data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82/96, ou seja, o dia 18/11/1996; b) Por sua vez, a 2' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 302-35.782, assentou o posicionamento de que o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco' anos, contados da data da extinção do crédito tributário (artigo 168, inciso I,8, 1 1 Processo n° 13707.002688/2001-46 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.0222 Fl. 302 do CTN), ocorrido com o pagamento do tributo, sendo que o reconhecimento da inconstitucionalidade da exação (naquele caso, a edição da Medida Provisória n° 1.110/95) não significaria determinação para restituição ou compensação tributária, mas, apenas, ordem de não constituição do crédito tributário;I I c) Merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma; d) O termo inicial do prazo para a apresentação do pedido de restituição de tributos indevidos é a data da extinção do crédito tributário; e) A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal ou a Resolução do Senado Federal ou a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal não tornaram o tributo indevido. Ele já o era antes disso; f) Os contribuintes que não ajuizaram ações com o objetivo de alcançar ordem judicial declarando a inconstitucionalidade da lei tributária devem suportar o ônus da inércia; 1 g) O entendimento da Fazenda Nacional encontra-se consubstanciado no AD SRF n° 96, de 26/11/1999; 1 h) Extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe ao sujeito passivo requerer a sua restituição no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, nos termos dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, independentemente de a suposta ilegitimidade da cobrança do tributo ser ou não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal ou pela Administração Pública. Admitido o recurso por meio do Despacho n° 406 (fls. 225-226), o contribuinte foi cientificado e, devidamente representado, apresentou contra-razões às fls. 230- 250, acompanhadas dos documentos de fls. 251-290, onde defendeu, inicialmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso, na medida em que o acórdão paradigma trata de matéria diferente daquela discutida no julgado recorrido. Quanto ao mérito, pugnou, fundamentalmente, pela manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. # 3 ,.., Processo n° 13707.002688/2001-46 CSRF'-T2 Acórdão n.° 9202-00.0222 Fl. 303 Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Sob minha ótica, a preliminar de não conhecimento do recurso suscitado pelo contribuinte em sede de contra-razões não merece prosperar. O artigo 7°, inciso II e o artigo 15, § 2°, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, dispunham que: Art. 70• Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial contra: (.) II — decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. (.) sç 2°. Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. Tais dispositivos, portanto, exigiam, como requisito de admissibilidade do recurso especial, a demonstração fundamentada de divergência jurisprudencial com relação à interpretação da legislação tributária. No caso em apreço, embora os tributos envolvidos no acórdão paradigma e na decisão recorrida sejam distintos, a questão julgada é idêntica, qual seja, o marco inicial da decadência para pedidos de restituição de indébito, na hipótese em que o tributo foi declarado inconstitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal — STF. Enquanto no julgamento proferido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes (acórdão n° 302-35.782) se concluiu que "O direito de pleitear a restituição extingue-se com o r4- r (1, 4 Processo n° 13707.002688/2001-46 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.0222 Fl. 304 decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional). ", no acórdão recorrido a decisão foi no sentido de que "O prazo decadencial aplicável às sociedades anônimas para restituição do ILL é de cinco anos a contar da data da publicação da Resolução 82 do Senado Federal de 18.11.1996." Segundo penso, está claramente comprovada a divergência jurisprudencial que autoriza o conhecimento do recurso especial em tela. Ultrapassada essa questão, reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do ILL, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para o enfrentamento das demais questões de mérito. A insurgência da Fazenda Nacional cinge-se à questão da decadência, sendo que os pagamentos do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido foram efetuados pela interessada entre 30/04/1990 e 31/03/1993, enquanto o protocolo do pedido de restituição ocorreu em 14 de novembro de 2001. O imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro liquido — ILL, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, era tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, pois cabia ao contribuinte verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular e recolher o tributo devido, independentemente de qualquer iniciativa da autoridade administrativa, que apenas homologaria, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A regra geral relativa ao prazo decadencial para pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação resulta da interpretação dos artigos 150, § 40, 165, inciso I e 168, inciso I, todos do Código Tributário Nacional - CTN, os quais estão assim dispostos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida Pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. I Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ,¢' 4° do art. 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou g maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou 5 1 Processo n° 13707.002688/2001-46 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.0222 Fl. 305 1 1 da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. Da conjugação desses dispositivos legais conclui-se que, como regra, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. Ocorre, que para algumas hipóteses excepcionais, a jurisprudência, inclusive advinda da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem admitido um novo início de prazo decadencial, que não se confunde com o fato gerador da obrigação tributária. Tal posicionamento tem fundamento, principalmente, nos princípios constitucionais da legalidade, da moralidade e da proibição do enriquecimento sem causa. Dentre as exceções consignadas pela jurisprudência, relevante destacar a declaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal — STF, a expedição de Resolução do Senado Federal, prevista no artigo 52, inciso X, da Carta Fundamental ou, ainda, o reconhecimento, por parte do poder tributante, de que uma exigência tributária é indevida. Pelo entendimento prevalente no âmbito do Conselho de Contribuintes, a data em que ocorrer alguma dessas situações representa o dies a quo do prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição de tributo indevidamente recolhido. Com o objetivo de ilustrar essa afirmação, trago à colação as ementas dos seguintes acórdãos proferidos por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF-ILL. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL - A contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição / compensação de tributo pago, iindevidamente, por declarado inconstitucional pelo Supremo i I iTribunal Federal, inicia-se na data do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ou a publicação da Resolução do Senado Federal, caso a declaração de inconstitucionalidade tenha-se dado em controle difuso de constitucionalidade, ou, ainda, na data da publicação de ato administrativo que estenda os efeitos da inconstitucionalidade a outros beneficiários. Recurso especial negado. (CSRF, Quarta Turma, Acórdão CSRF/04-00.205, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 14/03/2006) DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial 6 1 Processo n° 13707.002688/2001-46 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.0222 Fl. 306 do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Recurso especial provido. (CSRF, Quarta Turma, Acórdão CSRF/04-00.047, Relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08/05/2005) A restituição pretendida pela empresa está relacionada ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, nos seguintes termos: Art. 35. O sócio-quotista, o acionista ou titular de empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 8% (oito por cento), calculada com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período base. No julgamento do Recurso Extraordinário n° 172.058-1/SC, o Egrégio Supremo Tribunal Federal — STF reconheceu a inconstitucionalidade dO artigo 35 da Lei n° 7.713/88, especificamente no que se refere à expressão "o acionista". Para conferir efeito erga omnes à decisão do STF, suspendendo a execução artigo 35 da Lei n° 7.713/88, no que diz respeito à expressão "o acionista", o Senado Federal fez publicar a Resolução n° 82, em 19/11/1996. Assim, restou reconhecida a inconstitucionalidade da exigência do ILL para as sociedades por ações, tal qual a interessada. Perfilhando o posicionamento dominante no âmbito deste Colegiado e diante do fato de que a recorrente é sociedade por ações, entendo que o dia 19/11/96 — data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82 — marca o inicio do prazo decadencial para a busca da devolução dos valores recolhidos a título de imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido para as sociedades por ações. Considerando que o pedido de restituição da interessada foi efetuado em 14/11/2001 (fls. 01), há que se concluir que a decadência não atingiu o direito creditório pleiteado. Segundo penso, o acórdão recorrido deve ser confirmado. Destaco, ainda, que o artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, não justifica a aplicação retroativa do artigo 3 0 da Lei Complementar n° 118/2005, pois tal norma, gevidentemente, não tem caráter interpretativo. 7 I Processo n° 13707.002688/2001-46 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.0222 Fl. 307 Tenho como aplicável ao caso o princípio constitucional da irretroatividade das leis, previsto no artigo 150, inciso III, alínea "a", da Carta da República. O artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005 só pode ser aplicado para fatos ocorridos a partir de 09/06/2005, o que não é o caso dos autos. O próprio STJ, quando apreciou a questão, concluiu que "(.) 4. A Seção de Direito Público, no julgamento dos EREsp n. 327.043/DF, em 27.4.2005, afastou a aplicação do art. 3° da LC n. 118/2005 às ações ajuizadas até o término da vacatio legis de 120 dias." (Primeira Seção, EREsp n° 489.703/MG, Relator Ministro João Otávio de Noronha, DJU de 10/10/2005, p. 211). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, ressaltando que os autos devem retornar à repartição de origem para apreciação das demais razões de mérito. ,01110/5 k Gonçalo Bonet Alla • e - Relator 8
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Numero do processo: 13808.002653/96-87
Data da sessão: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1995 a31/12/1995
FAZENDA NACIONAL. PROCURADOR. INTIMAÇÃO. DATA.
0 prazo de recurso especial para o Procurador da Fazenda
Nacional inicia-se da vista oficial do acórdão.
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE.
Não caracterizada a divergência cm face de o acórdão recorrido
ter decidido questão diversa daquela enfrentada pelo acórdão
paradigma, não se toma conhecimento do recurso pela falta de
pressuposto objetivo.
TAXA SELIC.
O § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/1995 combinado com a Portaria
n° 38, de 27/02/97, respaldam a atualização pela taxa Selic a
partir do momento em que é apresentado o pedido de
ressarcimento dos créditos tributários.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/02-02.739
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso especial quanto ao tema referente à relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao
recurso quanto á. atualização pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques (Relatora), Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro
Torres, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno GurjAo Barreto. Declarou-se impedido de participar do julgamento Conselheiro José Carlos Passuello
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1995 a31/12/1995 FAZENDA NACIONAL. PROCURADOR. INTIMAÇÃO. DATA. 0 prazo de recurso especial para o Procurador da Fazenda Nacional inicia-se da vista oficial do acórdão. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Não caracterizada a divergência cm face de o acórdão recorrido ter decidido questão diversa daquela enfrentada pelo acórdão paradigma, não se toma conhecimento do recurso pela falta de pressuposto objetivo. TAXA SELIC. O § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/1995 combinado com a Portaria n° 38, de 27/02/97, respaldam a atualização pela taxa Selic a partir do momento em que é apresentado o pedido de ressarcimento dos créditos tributários. Recurso Especial do Procurador Negado
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1995 a31/12/1995 FAZENDA NACIONAL. PROCURADOR. INTIMAÇÃO. DATA. 0 prazo de recurso especial para o Procurador da Fazenda Nacional inicia-se da vista oficial do acórdão. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Não caracterizada a divergência cm face de o acórdão recorrido ter decidido questão diversa daquela enfrentada pelo acórdão paradigma, não se toma conhecimento do recurso pela falta de pressuposto objetivo. TAXA SELIC. O § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/1995 combinado com a Portaria n° 38, de 27/02/97, respaldam a atualização pela taxa Sclic a partir do momento em que é apresentado o pedido de ressarcimento dos créditos tributários. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, cm não conhecer do recurso especial quanto ao tema referente à relação percentual entre a receita dc exportação e a receita operacional bruta e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto á. atualização pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques (Relatora), Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno GurjAo Barreto. Declarou-se impedido de participar do julgamento Conselheiro José Carlos Passuello. IC(;) .I sefa aria Coelho Marques - Relator Antpi - Presidente Gilen o - Redator-Designado EDITADO EM: 25/02/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Manoel Antônio Gadelha Dias. Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjdo Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martinez Lopez, Antonio Bezerra Neto, Leonardo Siade Manzan e Henrique Pinheiro "forres. Relatório Trata-se de recurso apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional com base nos incisos I e II do art. 32 do Regimento Interno (fls. 176 a 186), admitido pelo despacho de fls. 195 a 198, apresentado contra o Acórdão IV 202-14.866 (fls. 157 a 174), da 2" Câmara do 2" Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso voluntário do interessado, relativamente à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI das vendas efetuadas a comerciais exportadoras, A inclusão das exportações de produtos não tributados na receita de exportação e à incidência de juros Selic sobre o crédito concedido. Segundo a recorrente, o direito de crédito presumido não se aplicaria aos estabelecimentos não considerados industriais pelo Regulamento do IPI (inciso II) Ademais (inciso I), não haveria possibilidade legal para a correção dos créditos com base na taxa Selic, criada apenas para os casos de restituição de tributos, hipótese diversa do ressarcimento de créditos. Citou ementas de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça. Nas contra-razões (fls. 205 a 227), após destacar o "Iráns'ito em julgado" do acórdão, relativamente As vendas para empresas comerciais-exportadoras, sustentou o interessado que o recurso especial teria sido apresentado intempestivamente, por ser inaceitável Procuradoria haver sido intimada somente em 6 de maio de 2005, A vista da expedição do termo de intimação de 4 de novembro de 2003. Citou ementas de acórdãos do Supremo Tribunal Federal e de outros tribunais, setutndo os quais a entrega do processo ao setor administrativo mediante carga ao procurador no caso. Procurador da Republica, Procurador de Justiça, Procurador do Trabalho etc. con Ii guraria intimação direta. Quanto ao mérito, alegou que não haveria fundamento legal no pedido Ihrmulado, uma vez que o acórdão recorrido teria determinado a inclusão dos produtos NT na receita de exportação ern razão de não terem sido incluidos na receita operacional bruta. Segundo o interessado, destacou o acórdão que "não se está aqui reconhecendo (Unfit() ao cr&lito presumido pertinente às aquisições de insumos utilizados na fitbricaçõo de 2 Process() n" 13808.002653/96-87 Acórao n." 02-02.739 CSIZ171•02 1 , 1s. 295 produtos ncio-tributados destinados ao exterior", mas apenas estabelecendo a forma de apuração do índice a ser aplicado à base de cálculo. Não obstante, o recurso do Procurador tratou a matéria como se referente ao direito de crédito decorrente da exportação de produtos NT. No tocante a. Selic, citou acórdãos judiciais que reconheceram o direito de correção monetária dos créditos de IPI. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, Relatora Preliminarmente, a interessada alegou a intempestividade do recurso, por considerar que o prazo correria da data da entrada do processo na repartição. Entretanto, o Regimento da Camara Superior de Recursos Fiscais, art. 79. determina que o prazo é contado da vista oficial do processo. Portanto, os recursos foram apresentados tempestivamente. Segundo a recorrente, o direito de crédito presumido não se aplicaria aos estabelecimentos não considerados industriais pelo Regulamento do IPI. Cabe razão ao interessado em relação a esta parte do recurso, uma vez que o acórdão recorrido considerou procedente o recurso voluntário, relativamente à inclusão na receita de exportação, para o fim de apuração do índice a ser aplicado A. base de calculo do incentivo, das receitas de exportação de produtos NT, em razão de as receitas de vendas de produtos NT terem sido incluidas na receita operacional bruta. Conforme destacado no Acórdão recorrido, não se reconheceu o direito inclusão na base de cálculo dos insumos empregados em produtos NT exportados, mas admitiu-se a inclusão dos valores de vendas ao exterior de produtos NT na receita de exportação, uma vez que a Fiscalização incluiu os valores de vendas de produtos NT na receita bruta operacional. Portanto, a matéria decidida no acórdão recorrido não foi objeto do recurso de divergência apresentado, que se referiu a hipótese inexistente nos autos, o que, no âmbito de recurso de divergência, é insanável. Ademais, ainda que assim não fosse, a Recorrente não teria demonstrado seu interesse recursal, conforme se verá a seguir. 0 método adotado pelo acórdão recorrido não é o ideal, uma vez que a relação entre receita de exportação e receita operacional bruta visa apurar a parcela dos insumos empregada em produtos exportados. 3 Sc os insumos empregados em produtos NT não foram incluídos na base de cálculo do incentivo, não há razão lógica para os valores de vendas de produtos NT sejam incluídos na proporção. Considerando que seria inadmissível a não inclusão dos valores na receita de exportação de forma concomitante à inclusão das vendas de produtos NT na receita bruta operacional, por implicar ainda maior distorção na apuração dos valores, o método correto seria e exclusão dos valores de exportação de produtos NT da receita de exportação e dos valores de vendas (mercado interno e exportação) de produtos NT da receita operacional bruta. A inclusão dos valores de vendas de produtos NT na receita de exportação e na receita operacional bruta resulta na distorção da proporção, contra o contribuinte ou a seu favor. dependendo do caso, a não ser que a proporção entre as exportações de produtos NT e as suas vendas seja equivalente à de produtos tributados. Assim, o interesse recursal poderia inexistir ou caber ao Procurador ou ao contribuinte, o que, como se disse anteriormente, não foi esclarecido nos autos. Passo à análise do recurso do Procurador com base no inciso 1 (contrariedade Tratando-se da Selic, deve-se notar que tanto o art. 66 da Lei n' 8.383, de 1991, quanto o art. 74 da Lei n" 9.430, de 1996, referem-se à possibilidade de compensação, relativamente a tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior. A possibilidade de compensação relativa aos valores objeto de ressarcimento de 11'1 no foi inicialmente aventada na Portaria MF n" 38, de 1997, conforme demonstra a reproduç ão do seu art. e: "Art. 4' O crédito presunikio será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação C0177 O IPI devido nas vencias para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mé.s. a cpte se referir o crédito. § 1 Na hipótese da apuração centralizada, o crédito presumido, apurado pelo estabelecimento matriz, que não Jbr por ele utilizado, pockrá ser transferido para qualquer outro estabelecimento dct empresa para eleito de compensação com o IPI devido nas operações de mercado interno. 2' A ircnisferéncict de crédito presumido de que trata o parágrafb anterior será efetuada através de nota fiscal, militia pelo estabelecimento matriz, exclusivamente para essa finalidade. .3" No caso de impossibilidade cie utilizctção crédito presumido na prina cio ca/Jilt ou do § 1°, o contribuinte poderá solicitor, à Secretaria da Receita Federal, o seu ressarchnento em 1770eda correu/e. .0 4 O pedido de ressarcimento será apresentado por trimestre- calendário, COO fbrmulário próprio, estabelecido pela Secretaria da Receito Federal. § 5Q 0 ressarcimento CM moeda corrente, na hipótese de apuração centralizada, será efetuado cio estabelecimento matriz. 0)- 4 A vista do exposto, voto dar provimento parcial ao recurso do Procurador para afastar a aplicação de juros Selic. 146.601)--a. .))460(/ osefa Maria Coelho Marques Voto Vencedor Conselheiro Gileno Gurjao Barreto, Redator-Designado Sem maiores prolixidades, quanto à aplicação da taxa Selic, adoto o entendimento de que essa deve ser deferida a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Isso porque a Lei n° 9.250/95 estabeleceu a possibilidade de atualização monetúria das compensações e/ou restituições pela taxa Selic, conforme disposto no art. 39: "Art. 39. A compensação de que tratct o art. 66 da Lei n" 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser eletuada corn o recolhimento de imporláncia correspondente a imposto, taxa, contribuição Jc1era1 ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqiientes. § 1° (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4" A partir de 1° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes et taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIG para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Adicionalmente, a Portaria n° 38, de 27/02/97, que "dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996", estabeleceu, em seus arts. 5° e 8°, que: "Art. 5 0 - A empresa comercial exportadora que, no prazo de 180 ( cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigado ao pagamento da contribuição para o P1S/PASEP e da COFINS relativamente aos produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor equivalente ao do crédito presumido alribuido à empresa produtora vendedora. (..) Art. 80_ Os valores a que se referem o caput e o parágrafo 1° do art. 5", quando não forem pagos no prazo previsto no parágrafo 2° do mesmo artigo, serão acrescidos, com base no art. 61 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, de 6 Processo IV 13808.002653/96-87 Acórd5o n.' 02 -02.739 Fls. 296 ,ss' 6 2 Constitui requisito para a frukcio do crédito presumido a inexistência de débito relacionado con, tributos ou contribuicaes federais de responsabilidade da empresa." Da mesma forma que ocorria corn os demais créditos de IPI, o crédito presumido deveria ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie, conforme já previsto no art. 4 da Lei n." 9.363, de 1996: "Art. 42 Ent caso de comprovada impossibilidade de utilizacao cio crédito presumido em i compensacao do hnpo.sto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nav operacaes de vencia no mercado interno, fiar-se-á o ressarcimento cm moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na firma § 22 cio art. 22, o ressarcimento em ',toed(' corrente será efelucido ao estabelecimento matril cia pessoa jurídica." Alias, o termo "ressarcimento" sempre foi utilizado pela legislação com complemento "em espécie" ou "em moeda", não havendo que se falar em outra modalidade de ressarcimento. "Ressarcimento em espécie", portanto, é urna solução especifica, adotada no âmbito da legislação do IPI. A não ser pelo fato de o devedor ser o fisco, não há outras semelhanças com a restituição. Menos semelhanças ainda há entre os ressarcimentos decorrentes de incentivos fiscais, em que há urna renúncia fiscal, sendo incorreta a afirmação de que ressarcimento seria especie, em relação à qual a restituição seria gênero. Voltando a questão da compensação, a IN SRF IV 21, de 1997, em seu art. 3. III, previu a possibilidade de compensação dos créditos objetos de pedidos de ressarcimento em espécie do IPI. Foi o primeiro ato da Secretaria da Receita Federal a prever a modalidade de "ressarcimento, sob a forma de compensação", hipótese não expressamente prevista cm lei antes da publicação da Lei IV 9.779, de 1999, que tratou apenas de créditos básicos. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4c), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituidos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei n' 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. A data prevista para o inicio da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Portanto, não existe previsão legal para a incidência dos juros, no caso dos autos. Processo n" 13808.002653/96-87 Acórao n." 02 -02.739 CSR Fls. 297 multa de mora e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC -, para thulos jederais, acinnulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da emissão do noto .fiscal de venda dos produtos, pela empresa produtora vendedora, até o Ultimo dia do mês anterior ao do pagamento e de unt por cent° no mês do pagamento.'' Ulna vez que a legislação trata da possibilidade de atualização em casos de compensação ou restituição e a contribuinte deu entrada em pedido de ressarcimento, meu entendimento, também adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais através do Acórdão CSRF/02-0.708, é o de que o ressarcimento é urna espécie do gênero restituição. Desta forma, não restam dúvidas quanto A. possibilidade de utilização da taxa Selic a partir da data em que é feito o pedido de ressarcimento, apenas não sendo cabível a atualização pela Selic a partir do período de apuração do crédito presumido, como pretendido pela contribuinte. como voto. 7
score : 1.0
Numero do processo: 19647.012188/2005-84
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa: LANÇAMENTO - APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP APÓS
INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - ESPONTANEIDADE - A
apresentação de PER/DCOMP em que se pleiteia a compensação de créditos com débitos relacionados com a infração, após o início do procedimento fiscal, não caracteriza a espontaneidade.
LANÇAMENTO - DIPJ - CONFISSÃO DE DÍVIDA - DCTF - O fato da
contribuinte ter declarado a receita bruta na DIPJ não caracteriza a espontaneidade, uma vez que essa declaração não é instrumento de confissão de dívida. Igualmente, a retificação de DCTF com inclusão de parte dos valores lançados em auto de infração, após o início do procedimento fiscal, também não caracteriza a espontaneidade.
APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL -
APRECIAÇÃO - As PER/DCOMPs apresentadas após o início do
procedimento fiscal e as retificadoras apresentadas após a ciência dos autos não podem ser apreciadas neste processo e seguem rito próprio estabelecido na legislação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - Aplica-se o decidido em relação à exigência
principal às contribuições decorrentes de tributação reflexa, em razão da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1103-000.008
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
provimento ao recurso, nos termos relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: LANÇAMENTO - APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - ESPONTANEIDADE - A apresentação de PER/DCOMP em que se pleiteia a compensação de créditos com débitos relacionados com a infração, após o início do procedimento fiscal, não caracteriza a espontaneidade. LANÇAMENTO - DIPJ - CONFISSÃO DE DÍVIDA - DCTF - O fato da contribuinte ter declarado a receita bruta na DIPJ não caracteriza a espontaneidade, uma vez que essa declaração não é instrumento de confissão de dívida. Igualmente, a retificação de DCTF com inclusão de parte dos valores lançados em auto de infração, após o início do procedimento fiscal, também não caracteriza a espontaneidade. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL - APRECIAÇÃO - As PER/DCOMPs apresentadas após o início do procedimento fiscal e as retificadoras apresentadas após a ciência dos autos não podem ser apreciadas neste processo e seguem rito próprio estabelecido na legislação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - Aplica-se o decidido em relação à exigência principal às contribuições decorrentes de tributação reflexa, em razão da estreita relação de causa e efeito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Acórdão nº 1103-00.008; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-09-29T13:11:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Acórdão nº 1103-00.008; xmpMM:DocumentID: uuid:79680db0-6c65-446e-a6cf-c4c179b2ba66; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Acórdão nº 1103-00.008; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-09-29T13:11:12Z; created: 2016-09-29T13:11:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2016-09-29T13:11:12Z; pdf:charsPerPage: 1513; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-09-29T13:11:12Z | Conteúdo => SI-ClT! FI. I Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 19647.012188/2005-84 155.416 Voluntário 1103-00.008 - la Câmara lIa Turma Ordinária 30 de julho de 2009 IRPJ - Ex(s): 2004 PLASTSPUMA PERNAMBUCO IND E COM LTDA 4u TURMA/DRJ-RECIFE/PE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: LANÇAMENTO - APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - ESPONTANEIDADE - A apresentação de PER/DCOMP em que se pleiteia a compensação de ,créditos com débitos relacionados com a infração, após o início do procedimento fiscal, não caracteriza a espontaneidade. \ LANÇAMENTO - DIPJ - CONFISSÃO DE DÍVIDA - DCTF - O fato da contribuinte ter declarado a receita bruta na DIPJ não caracteriza a espontaneidade, uma vez que essa declaração não é instrumento de confissão de dívida. Igualmente, a retificação de DCTF com inclusão de parte dos valores lançados em auto de infração, após o início do procedimento fiscal, também não caracteriza a espontaneidade. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL - APRECIAÇÃO - As PER/DCOMPs apresentadas após o início do 0 0 ° procedimento fiscal e as retificadoras apresentadas após a ciência dos autos não podem ser apreciádas neste processo e seguem rito próprio estabelecido na legislação.' TRIBUTAÇÃO REFLEXA - Aplica-se o decidido em relação à exigência principal às contribuições decorrentes de tributação reflexa, em razão da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso, nos tennos relatório e voto que integram o presente julgado. o ~ .J() .. MARCO~~IUS NEDER DE LIMA - Presidente ALBERTfNAS~~1 DE LIMA - Relatora EDITADO EM:,19 IffR ~-D1n . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima (Presidente), Hugo Correia Sotero (Vice-Presidente), Albertina Silva Santos de Lima (Relatora), Marcos Shigeo Takata, Márcia Miranda Gomes Clementino e Eric Moraes de Castro e Silva. Relatório Trata-se de lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, do ano-calendário de 2003, relativos à infração de receita de atividade informada em DIPJ ou escriturada nos livros Registro de apuração do ICMS e omitida pelo sujeito passivo na apuração dos débitos declarados em DCTF. O total dos débitos declarados em DCTF foi zero. A contribuinte foi intimada a explicar a diferença, tendo a mesma solicitado prorrogação de prazo, mas não atendeu ao que lhe foi solicitado. Os tributos foram apurados com base nos valores de receita bruta infonnados em DIPJ (fls. 41/75), exceto com relação aos períodos de apuração de fevereiro, março, abril e agosto de 2003, que se basearam nos valores de venda registrados nos livros de Registro e apuração do ICMS (fls. 76/123), conforme demonstrativos de fls. 17/24. Na impugnação, a contribuinte alega que efetuou compensação por meio de PERlDCOMPs, cujo crédito refere-se a ressarcimento de créditos do IPI e que a diferença entre o valor lançado e o valor compensado representa o saldo efetivamente devido, o qual o reconhece e solicita parcelamento em 60 meses. O lançamento foi considerado procedente pela Turma Julgadora, tendo proferido as seguintes ementas: DIFERENÇAS APURADAS DE OFÍCIO. MATÉRIA NA~O CONTESTADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. A falta de impugnação expressa, pela autuada, autoriza ter-se a matéria tributada como incontroversa, resultando na confirmação da veracidade dos fatos apurados pela autoridade fiscal, devendo ser mantidos os respectivos lançamentos. PER/DCOMP TRANSMITIDA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Iniciado o procedimento de oficio perde a contribuinte a espontaneidade não podendo compensar unicamente os valores originais dos impostos e contribuições lançados, posto que o procedimento de oficio enseja simultaneamente a lavratura da 2 Processo nO 19647. 0121 88/2005-84 Acórdão n.o 1103-00.008 multa proporcional (75%). além dos juros moratórios previstos na legislação em vigor. COMPENSAÇÃO. ANALISE DE MÉRITO. No tocante à compensação. não cab"f a esta Delegacia de Julgamento efetuar qualquer análise de mérito, sem que antes se pronuncie a Delegacia de origem. sob pena de se alijar da contribuinte o direito de ter o seu pleito analisado pela mesma. DCTF RETIFICADORAS APRESENTADAS APÓS INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. São inválidas as DCTF retificadoras apresentadas após o início do procedimento .fiscal. posto que já se encontra excluída a espontaneidade da contribuinte. SOLICITAÇÃO DE PARCELAMENTO. O parcelamento deve ser formulado mediante procedimento próprio estabelecido nas normas legais especificas e requerido na unidade da Secretaria da Receita Federal - SRF com jurisdição no domicílio .fiscal da contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS; CSLL; COFINS. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem. o do principal em virtude da Íntima relação de causa e efeito. SI-ClT! Fl.2 A Tunna Julgadora levou em conta que a contribuinte não apresentou contestações quanto aos fatos apurados e nem quanto ao direito. Pelo contrário, ao declarar que são débitos da empresa os valores originais dos impostos e das contribuições que discrimina, com a afinnativa de que tais débitos estão em confonnidade com os demonstrativos consolidados do crédito tributário, textualmente concordou com os valores originais apurados no procedimento fiscal. Concluiu que somente após a lavratura dos autos, a contribuinte procedeu ao pedido de ressarcimento e à entrega da Declaração de Compensação, confonne os extratos dos PER/DCOMPs apresentados, de fls. 183 a 195 e 196/199. Tendo em vista que algumas dessas PER/DCOMPs mencionavam ser retificadoras de PER/DCOMP já apresentadas, trouxe aos autos as PER/DCOMP retificadas, no intuito de se verificar se tais foram apresentadas antes do início do procedimento fiscal. Conclui que todas as PER/DCOMPs retificadas foram apresentadas após o início do procedimento fiscal. Ressalta que inclusive a primeira PER/DCOMPapresentada foi transmitida após a contribuinte ter sido intimada a esclarecer as divergências entre os valores infonnados nas DrpJ e os declarados em DCTF. Consignou que tendo a contribuinte concordado com o fato relativo às diferenças apontadas pela fiscalização e tendo procedido ao pedido de ressarcimento e à entrega da Declaração de Compensação após o início do procedimento fiscal, quando excluída a espontaneidade e tendo sido as retitlcadoras transmitidas após a lavratura do auto de infração, não poderia a contribuinte compensar unicamente os valores origipais dos impostos e contribuições lançados, posto que o procedimento de oficio enseja simultaneamente o lançamento da multa proporcional d,e 75% além dos juros moratórios. 3 Acrescenta que, contudo, tendo as Declarações de Compensação abrangido a compensação de alguns valores originais dos impostos e contribuições lançados, subentende-se que a contribuinte não acatou o lançamento da multa de oficio e da cobrança de juros, apesar de não ter apresentado contestação textual. Concluiu que iniciado o procedimento de oficio perde o contribuinte a espontaneidade e que os lançamentos estão em conformidade com a legislação. Também reputou como devidos os valores lançados, uma vez que as DIPJ não têm natureza de confissão de dívida. Quanto ao parcelamento requerido em relaç~o aos valores discriminados nas fls. 138/139, argumentou a Turma Julgadora que tal pedido deve ser fonnulado mediante procedimento próprio estabelecido pela SRF, sendo essa matéria incontroversa. A ciência da decisão da Turma Julgadora foi dada em 21.11.2006 e o recurso foi apresentado em 06.12.2006. Argumenta que nos autos de infração, a autoridade fiscal não levou em conta, para efeito de compensação, de qualquer crédito originário de IPI. Diz que apresentou sua peça impugnatória em que demonstraria o valor dos créditos tributários e que na mesma oportunidade reconheceu também a existência de saldo devedor, após verificação apurada de sua documentação contábil e fiscal, providenciando as devidas retificações das DCTFs e PER/DCOMPs. Para os débitos efetivamente apurados, argumenta que solicitou espontaneamente o parcelamento, e quando da promulgação da MP 303, de 30.06.2006, aderiu imediatamente àquele parcelamento especial, demonstrando assim, a sua disposição em solucionar os referidos valores. Após a verificação posterior de seus documentos contábeis e fiscais, veio tomar conhecimento da existência de débito, tendo então iniciado e mantido os pagamentos das parcelas estipuladas pela MP 303. Discorda da Turma Julgadora quanto a desconsiderar os créditos fiscais demonstrados em PER/DCOMP e confirmados pelas DCTF, pela razão de terem sido apresentados em data posterior ao auto de infração. Entende que trata-se de usurpação ao direito do contribuinte, porque a existência do auto de infração sem considerar estes créditos, somente baseados na alegação da posterioridade das informações devidas à Receita Federal, acarretaria perda desse direito, e que esse entendimento não encontra legitimidade em nenhum artigo da CF, do CTN e do Regulamento do Imposto de Renda. Também argumenta: A autoridade fiscal alega de maneira equivocada, que como a PERJDCOMP e a DCTF, tem a natureza jurídica de confissão de dívida, o auto de infração seria cabível. A afirmação não contém o selo da legalidade, por isso é infundada, já que não existe nenhuma DCTF ou PERJDCOMP, informando os valores constantes do auto de infração que tomou por base as DlP J, que não tem natureza de confissão de dívida . .Também há de se ressaltar, que a hipótese levantada pela autoridade fiscal, da Secretaria da Receita Federal em não homologar as PERJDCOMP, desconsiderou um legítimo direito do contribuinte, sendo portanto, inconstitucional e discriminatória. Até porque a autoridade fiscal, não foi segura em suas informações, que em todos os momentos ressaltou que 4 '. Processo n° 19647,0 12188/2005-84 Acórdão n,O 1103-00.008 não cabe a Delegacia de Julgamento analisar o mérito das compensações solicitadas, sob pena de alegar o direito do contribuinte, Diante de todo o exposto, e da documentação comprobatória que jaz parte do processo que ora se Recorre vem solicitar deste Egrégio Conselho, a apreciação e julgamento pelo bom e saudável direito do contribuinte É o relatório. SI-ClT! FI. 3 5 Voto Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA. o recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, do ano-calendário de 2003, relativos à infração de receita de atividade infonnada em DIPJ ou escriturada nos livros Registro de apuração do ICMS, e omitida pelo sujeito passivo na apuração dos débitos declarados em DCTF. 09.08.2005. o Termo de início de fiscalização foi cientificado ao contribuinte em Em 16.09.2005, pelo Termo de Intimação Fiscal de fl. 1, a contribuinte foi intimada a explicar as diferenças entre os valores declarados nas DCTF do ano-calendário de 2093 e os valores de receita bruta declarados em DIPJ. Em 27.09.2005, o sujeito passivo esclareceu que as diferenças decorrem de compensação de saldos anteriores do exercício do IPI e soliciou prazo adicional de 15 dias para apresentação dos documentos comprobatórios dos créditos utilizados. Em 29.11.2005 foi encerrada a ação fiscal onde está consignado que foi implicitamente concedido o prazo adicional e que não foram apresentados quaisquer esclarecimentos. Concluiu a fiscalização que o sujeito passivo omitiu receitas pois o total dos débitos declarados em DCTF foi zero. Os tributos foram apurados com base nos valores da receita bruta informados em DIPJ exceto para os meses de fevereiro a abril e agosto de 2003, cuja apuração se deu com base nos livros de Registro de Apuração do ICMS, maiores que os valores declarados em DIPJ, conforme demonstrativos de fls. 17/24. Na impugnação, a contribuinte alega que efetuou compensação por meio de PER/DCOMP, cujo crédito refere-se a ressarcimento de créditos do IPI e que a diferença entre o valor lançado e o valor compensado representa o saldo efetivamente devido, o qual o reconhece e solicitou parcelamento em 60 meses. A Turma Julgadora concluiu que os PER/DCOMP foram apresentados após o ImclO do procedimento fiscal, que na DCOMP somente foram declarados alguns valores originais de IRPJ e contribuições, não tendo sido incluída a multa de oficio. Manteve o lançamento. Também consignou que o parcelamento deve ser formulado mediante procedimento próprio estabelecido pela SRF, sendo essa matéria incontroversa. Declarou a procedência dos lançamentos efetuados mediante este processo e determinou, em conseqüência da apresentação das PER/DCOMP vinculados aos débitos lançados e do pedido de parcelamento inadequadamente formulado, o retomo dos autos à DRF/Recife para prosseguimento ao processo, com a efetivação da análise do mérito da compensação e orientação à contribuinte para a correta efetivação do pedido de parcelamento. No recurso, a contribuinte discorda da Turma Julgadora quanto a desconsiderar os créditos fiscais demonstrados em PER/DCOMP e confirmados pela~ DCTF, 6 ~.,. Processo nO 19647.012188/2005-84 Acórdão n.o 1103-00.008 SI-ClT! FI. 4 ;- pela razão de terem sido apresentados em data posterior ao auto de infração. Entende que trata- se de usurpação ao direito do contribuinte, porque a existência do auto de infração sem considerar estes créditos, somente baseados na alegação da posterioridade das infonnações devidas à Receita Federal, acarretaria perda desse direito, e que esse entendimento não encontra legitimidade em nenhum artigo da CF, do CTN e do Regulamento do Imposto de Renda. Deve-se ressaltar que a contribuinte não discorda dos valores originais dos tributos apurados nos autos, porque alega para parte do crédito tributário que apresentou PER/DCOMPs, e para outra parte, que parcelou o crédito tributário. Como nos PER/DCOMPs apresentados a parte do débito que foi infonnada não foi acrescida de multa de oficio e de juros de mora, depreende-se que a contribuinte não concorda com os mesmos. Assiste razão à Tunna Julgadora. A apresentação da DCOMP após iniciado o procedimento fiscal, não tem o condão de tomar insubsistente o lançamento, conseqüentemente, são devidos os valores originais dos tributos, os juros de mora e também a multa de oficio lançados. Se nos tennos do art. 138, S único do CTN, nem mesmo nos casos em que o sujeito passivo paga o valor do tributo acrescido de juros de mora, se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, tampouco pode ser considerado procedimento espontâneo, a apresentação de PER/DCOMPs após o início da ação fiscal. o fato da contribuinte ter declarado a receita bruta na DIPJ também não caracteriza a espontaneidade, uma vez que essa declaração não é instrumento de confissão de dívida. Igualmente, a retificação de DCTF com inclusão de parte dos valores lançados em auto de infração, após o início do procedimento fiscal, também não caracteriza a espontaneidade. Portanto, o lançamento é procedente. As PER/DCOMPs (as originais foram apresentadas após o lmqo da ação fiscal e as retificadoras, após a ciência dos autos) não estão em apreciação neste processo, e seguem rito próprio estabelecido na legislação. Quanto aos débitos que teriam sido parcelados, sea contribuinte efetivamente parcelou parte dos débitos consubstanciados nos autos de infração, obedecendo ao rito processual próprio, deve comprová-lo à autoridade administrativa responsável pelo controle e cobrança do crédito tributário. A autoridade administrativa deve adotar as providências necessanas para ,controle e cobrança do crédito tributário, levando em conta que foram apresentados PER/DCOMPs, cujos débitos referem-se a valores originais do IRPJ e contribuições de parte do crédito tributário lançado nos autos. Aplica-se o decidido em relação à eXlgencia principal às contribuições decorrentes de tributação reflexa, em razão da estreita relação de causa e efeito. Do exposto, oriento meu voto para NEGAR provimento ao recurso. ALBERTINASILrN"ios DE lMA-Relatora 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001199/2003-84
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO -
DECADÊNCIA - CSLL - SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA -
APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN - A Contribuição
social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em
conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição
Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo
Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade
de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na
observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da
Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo
decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário
Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art.
150, § 4°.
Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e improvido.
Numero da decisão: CSRF/01-05.815
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiro. Mário Sérgio Fernandes Barroso e Luciano de Oliveira Valença que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: José Carlos Passuello
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - CSLL - SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA - APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN - A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4°. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos te s do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiro. Má ;o Sérgio Fernandes Barroso e Luciano de Oliveira Valença que deram provimento ao rec so. iii .,11è TON, PRAGA Presidente Processo n° 10665.001199/2003-84 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.815 Fls. 2 r/ c JOSÉ roi-c- ARL S PASSUELLO Relator Formalizado em: Sç 2P,09 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Luciano de Oliveira Valença, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Clóvis Alves, Marcos Vinicius Neder de Lima, Hugo Correa Sotero (Substituto Convocado), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Karem Jureidini Dias e Valmir Sandri (Substituto Convocado). 2 Processo n° 10665.001199/2003-84 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.815 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com arrimo no art. 50, I, do RI, contra a decisão da 8 Câmara, que acolheu preliminar de decadência relativa ao IRPJ e à CSLL no período correspondente ao 1° e 2° trimestres de 1999, na forma do Acórdão n° 108-08.627, assim sumariado: Número do Recurso: 139895 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 10665.001199/2003-84 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: TRPJ E OUTRO Recorrente: SYD TRANSPORTES LTDA. Recorrida/Interessado: 22 TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Data da Sessão: 07/12/2005 01:00:00 Relator: Margil Mourão Gil Nunes Decisão: Acórdão 108-08627 Resultado: DPPU — DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência suscitada pelo Relator quanto ao 10 e 2° trimestres de 1998, vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e José Carlos Teixeira da Fonseca que não acolhiam a decadência da CSL e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir as exigências do 1° e 2° trimestres de 1999 e a multa de oficio do que restou remanescente. Declarou- se impedido de votar o Conselheiro José Henrique Longo. Inteiro Teor do Acórdão Ej AC 108-08627— 139895.pdf Ementa: IRPJ — DECADÊNCIA — Considerando que o imposto de renda pessoa jurídica é lançamento do tipo por homologação, o prazo para o fisco efetuar lançamento é de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, sob pena de decadência nos termos do art. 150, § 4°, do CTN.(...)LANÇAMENTO DECORRENTE — CSLL — Aplica-se ao decorrente aquilo julgado ao principal devido à estreita relação de causa e efeito.Preliminar acolhida.Recurso parcialmente provido. O especial atacou a desoneração da CSLL e teve seguimento por força do Despacho n° 108-130/2006 (fls. 861 e 862), mediante o reconhecimento de afronta à lei n° 9.212/91. O especial invoca a incompetência dos Conselhos para afastar a aplica ":" de lei sob o fundamento de afronta ao CTN, tendo o acórdão afrontado o art. 77 da Lei n° 4 .434 96, o art. 22-A do RICC e usurpado a competência do STF, causando prejuízo des ecissário e 3 Processo n° 10665.001199/2003-84 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.815 Fls. 4 irreparável à Fazenda Nacional e coloca em tópico a compatibilidade entre o CTN e a Lei n° 8.212/91. A decisão recorrida aplicou o prazo de cinco nos ao IRPJ e ampliou a decisão ao processo da CSLL, decorrente. São relevantes as seguintes datas e informações: Ciência à empresa do lançamento: 11.08.2003, representada pelo Termo de Recusa de Recebimento de Documento (fls. 753 e 754); Fatos Geradores: 10 e 2° trimestres de 1998 (fls. 832); Data da entrega da DIPJ/99: 17.07.2001 - declaração retificadora; Forma de tributação: Lucro arbitrado (fls. 645); Tributo: CSLL. Assim se apresenta o processo para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator O recurso foi adequadamente acolhido e deve ser apreciado. O recurso especial restringiu-se ao ataque do acolhimento da preliminar de decadência relativa à CSLL. A questão se prende à competência desta Turma e ao prazo decadencial relativo à CSLL, como já discutidos inúmeras vezes neste foro. A primeira questão a apreciar diz respeito às datas envolvidas no processo. Na forma da declaração de rendimentos do exercício de 1999, que se refere ao ano-calendário de 1998, indica (fls. 645) a forma de tributação com base no lucro real com opção anual. Porém, a fiscalização usando das atribuições atribuídas pela lei houv- or vem desqualificar a opção e lavrou auto de infração exigindo o IRPJ e CSLL na In s ali • ade de lucro arbitrado, situação que foi confirmada pela câmara recorrida e não houve re , urso especial do contribuinte, o que torna definitiva tal decisão nesse aspecto. 4 Processo n° 10665.001199/2003-84 CS RF/T01 • Acórdão n.° CS RF/01-05.815 Fls. 5 A partir do arbitramento o fato gerador passa a ser considerado na freqüência trimestral e o instituto da decadência tem seu prazo iniciado em cada um dos trimestres, quando se completa cada um dos fatos geradores. É assente nesse Colegiado que a os tributos submetidos à homologação se aproveitam do instituto da decadência ao prazo de cinco anos contados da data em que se completa o fato gerador. Em recente decisão desta Turma, no recurso n° 108-139950, oriundo também da Oitava Câmara, como Relator, proferi na sessão de 27.03.2007 o voto condutor do Acórdão CSRF/01-05.651, pela negativa de provimento a outro recurso da Fazenda Nacional em idêntica matéria, sob ementa: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA — CSLL — SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA — APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTIV: A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4°. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e improviclo." Naquela ocasião fundamentei minha convicção pela adoção do prazo de cinco anos na contagem da homologação ou, pela via indireta, da decadência nos argumentos adiante perfilhados. Quanto à conclusão que a utilização do artigo 150 do CTN, por seu elemento temporal trazido no § 40, parametrando a decadência, teria correspondido à declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, parece-me não corresponder à realidade estampada na decisão recorrida. Tanto que não consta qualquer referência, na decisã.o recorrida à qualquer eventual inconstitucionalidade, apenas se encontra estampada a aplicação do artigo 150 do CTN diante da natureza do lançamento, submetido que é à homologação e por citações ao Acórdão 108-06.992. Trago, porém menção ao assunto já tratado em ocasiões anteriores, como no recurso n° 107-137766 em que o assunto é tratado de forma diferente e onde consta textualmente: "Com se vê, é o próprio Supremo Tribunal Federal a manifestar-se no sentido de que o prazo decadencial da contribuição em tela é de 5 (cinco) anos, e a seguir-lhe os passos não está esta Câmara decretando a inconstitucionalidade de lei alguma, o que, aliás, reclamar• manifestaçã o expressa, o que seria um absurdo. Afinal, somenteLa Egrégia Corte tem competência para tanto. É antes de tudo um questão escolar." 5 Processo n° 10665.001199/2003-84 CS RF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.815 Fls. 6 É essa a percepção que tenho da questão e deixo de expender maiores considerações porquanto não terei melhores palavras que o Ilustre Relator do voto condutor da decisão recorrida naquele processo — Dr. Carlos Alberto Gonçalves Nunes teve. Comungo com sua opinião e a adoto literalmente. Quanto à repetida afirmativa de que os Tribunais vem afirmando a constitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, reiterada no recurso, não vejo sua correspondência com a realidade, uma vez que caminha providência legal, impulsionada pelo Superior Tribunal de Justiça, no sentido diametralmente oposto na busca da declaração de sua inconstitucionalidade. Tramita no STJ o REsp n° 616348-MG em que é Relator o Ministro Teori Albino Zavascki e que já foi julgado na sessão de 14 de dezembro de 2004. A ementa é clara, pelo acolhimento da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, estando assim formulada: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO AÇÃO DECLARA TÓRIA. IMPRESCRITIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL PARA O LANÇAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. 1. Não há, em nosso direito, qualquer disposição normativa assegurando a imprescritibilidade da ação declaratória. A doutrina processual clássica é que assentou o entendimento, baseada em que (a) a prescrição tem como pressuposto necessário a existência de um estado de fato contrário e lesivo ao direito e em que (b) tal pressuposto é inexistente e incompatível com a ação declaratória, cuja natureza é eminentemente preventiva. Entende-se, assim, que a ação declaratória (a) não está sujeita a prazo prescricional quando seu objeto for, simplesmente, juízo de certeza sobre a relação jurídica, quando ainda não transgredido o direito; todavia, (b) não há interesse jurídico em obter tutela declaratória quando, ocorrida a desconformidade entre estado de fato e estado de direito, já se encontra prescrita a ação destinada a obter a correspondente tutela reparatória. 2. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe á lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 3. Instauração do incidente de inconstitucionalidade perante a tg, Especial (CF, art. 97; arts. 480-482; RISTJ, ART. 200)." ItT T‘ 1 6 : Processo n° 10665.001199/2003-84 CS RF/T01 Acórdão ri.° CS R F/01-05.815 Fls. 7 O fecho da ementa indica ter s-ido instaurado incidente de inconstitucionalidade, na forma do artigo 97 da Constituição Federal, que tem como redação: "Art. 97. Somente pelo voto da ;maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial podercTo os tribunais •declarar a inconstitucionalidade de lei ou ata normativo do Poder Público." Assim regula o CPC: "CAPITULO IIDA DECLARAÇÃ-0 IDE INCOIVS7-77-LTGIONALIDADE Art. 480. Argüida a inconstitucionalidade de lei OLÁ de ato normativo do poder público, o relator, ouvido o Ministério Público, submeterá a questão à turma ou câmara, a que tocar o conhecimento do processo. Art. 481. Se a alegação for rejeitada, prosseguirá o julgamento; se for acolhida, será lavrado o acórdão, a _PI-, de ser submetida a questão ao tribunal pleno. Parágrafo único. Os órgà'os fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão. (Incluído p.ela Lei n° 9.756, de 17.12.1998) Art. 482. Remetida a cópia do acórdão a todos os juizes, o presidente do tribunal designará a sessão de julgarnerzto_ § I° O Ministério Público e as pessoas jurídieczs de direito público responsáveis pela edição do ato questionado, se assim o requererem, poderão manifestar-se no incidente de irzconstitucionalidade, observados os prazos e condições fixados 110 Regirnerzto Interno do Tribunal. (Incluído pela Lei n°9.868, de 10. 1 . 1999) § 2° Os titulares do direito de propositura referidos no art. 103 da Constituição poderão manifestar-se, por- escrito, sobre a questão constitucional objeto de apreciação pelo órgão especial ou pelo Pleno do Tribunal, no prazo fixado em Regárzerzto, sela do-lhes assegurado o direito de apresentar memoriais ou de pedir a juntada de documentos. (Incluído pela Lei n°9.868, de 10.. 11. 1 999) 3° O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá admitir-, por despacho irrecorrível, a manifestação de outros 4r5rgã as ou entidades. (Incluído pela Lei n° 9.868, de 10.11.1999) Como se observa de Certidão, a argüição j á foi instada, nos termo • "CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo e epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu decisão: 7 • Processo n° 10665.001199/2003-84 C S RF/TO 1 • Acórdão n.° CSRF/01-05.815 Fls. 8 A Turma, por unanimidade, acolheu a argüição de inconstitucionalidade, determinando a instauração do incidente perante a Corte Especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Denise Arruda e Luiz Fux votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausentes, ocasionalmente, os Srs. Ministros José Delgado e Francisco Falcão. Brasília, 14 de dezembro de 2004." O Ministério Público já se manifestou pelo Parecer do Dr. Benedito Izidro da Silva, Subprocurador-Geral da República, no referido REsp n° 1613481MG, pelo cabimento do incidente com a declaração da inconstitucionalidade formal do art. 45 da Lei Ordinária n° 8.212/91, adotando nas conclusões o seguinte teor, reproduzido abaixo: "Utilizando-se a hermenêutica constitucional, a solução da antinomia jurídica configurada entre o C7'N e a lei ordinária da previdência social deve ocorrer pelo critério da hierarquia, que faz prevalecer a norma cuja a Constituição Federal de 1988 situou em grau hierárquico superior; in casu, o Código Tributário Nacional que foi recepcionado pela ordem constitucional como lei complementar. Conclui-se, destarte, por meio das diversas conclusões parciais que se concatenam, no seguinte sentido: I) a contribuição social como tributo deve observância as normas gerais de Direito Tributário; 2) A decadência como norma geral deve ser veiculada pelo instrumento normativo da lei complementar por expressa previsão constitucional (art. 146, III, b da CF) e a mesma se submete as contribuições sociais; 3) reconhecido o status de lei complementar do CT1V quando dispõe de normas gerais em matéria de legislação tributária, 4) disposição expressa no CTN fixando o prazo qüinqüenal; 5) lei ordinária adotando prazo diverso; 6) prazo determinado que não elide seu conteúdo de norma geral; 7) regras de hermenêutica constitucional, critério da hierarquia das normas e princípio do paralelismo das normas; 8) inconstitucionalidade da lei ordinária que adentra competência reservada à lei complementar em matéria de direito tributário. No sentido da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, a Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4" Região também se pronunciou no AI n° 200070010041785 — 2/PR em julgamento proferido na data de 22 agosto de 2001. Pelo exposto, opina o Ministério Público Federal por seu representante, o Subprocurador-Geral da República infra-assinado, pelo cabimento do incidente com a declaração da inconstitucionalidade formal do art. 45 da Lei ordinária nr 8.212/9" Consultando o andamento do processo, é obtida a seguinte informa ão no banco de dados do STJ: "07/12/2005 — 18:00 — RESULTADO DO JULGAMENTO PARCIAL: APÓS O VOTO DO SR. MINISTRO RELATOR, ACOLHENDO O 8 Processo n° 10665.001199/2003-84 CSRF7T01 Acórdão n.° CS RF/01-05.815 Fls. 9 INCIDENTE PARA DECLARAR A INCOIVSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI IV° 8_212 IDE 1991, NO QUE FOI ACOMPANHADO PELOS VOTOS WS SRS. .15/1:11MISTROS A7'/TO- ATO DE PÁ!) UA RIBEIRO, FRANCISCO P_EC.,1_1VRA MARTINS E HUMBERTO GOMES DE BARROS, 1c2)EI3PIU VISTA_ O SR,. MINISTRO CÉSAR ASFOR. AGUARDAM OS SRS. MIIVIST'ROS ARI PARGENDLER, JOSÉ DELGADOS FE.RIVAM2 0 GONÇALVES, FELIX FISCHER, ALDIR PASSARINHO' ..TI_W_I012, GILSON DIPP, ELLAIVA CALMO1V, PAULO GALLOTTI, _F.R.4_1VCISCO FALCÃO, LAUR_ITA VAZ, LUIZ FUX E EDSON VIDIGAL (P'RESTIDENTE). E mais, no presente caso, não é necessária a audiência do STF, porquanto a Corte Especial do STJ tên-i competência constitucional para manifestar-se sobre a inconstitucionalidade formal do artigo 45 da Lei 8 _212/91. Como se observa facilmente, o assunto caminha firme para a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8_21 2/91, em cuja situação restará sem qualquer mácula jurisprudencial ou doutrinária a aplicação do artigo 150 do CTN, sendo o prazo decadencial inquestionável aquele do seu § 4°- Restaria apenas apreciar a c ondição tributária da contribuição social, o que já foi feito pelo STF, no RE 146733-9/SP, q-u_e contém_ na sua ementa: "Recurso Extraordinário rz° 146733-9 Scio Paulo Recorrente: União Federal Recorrida: Viação _Arasse,- s/a EMENTA: Contribuição Social sobre o lucro das pessoas jurídicas. Lei 7689/88. - Não é inconstitucional a instituição dcz contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, cuja natureza é tributária. Constitucionalidade dos ar-tigos I, 2° e 3 0 da Lei 7689/88. Refutação dos diferentes ar-gurnentos corn que se pretende sustentar a inconstitucionalidacle desses dispositivos legais. - Ao determinar, porém, o ar-tigo 8° da Lei 7689/88 que a contribuição em causa já seria devida a partir do lzic,-o apurado no período-base a ser encerrado em 31 de clezerrzbro de 1988, violou ele o princípio da irretroatividade contido no az-tig-o 150, HZ, 'a, da Constituição Federal, que proíbe que a lei que institui tributo tenha, corno fato gerador deste,fato ocorrido antes do início dcz vigência dela. Recurso extraordinário conhecido com base na letra 'b' do inciso III do artigo 102 da Constituiçí-zo Federal, mas a que se nega provimento porque o mandado de segurczrzçct foi concedido para impedir cobrança das parcelas da contribuição social cujo fato gerador ser a o lucro apurado no perfoclo—base que se encerrou em 31 de dez= bro de 1988. Declaração de irzconstitucionalidade cio artigo 8 • Lei 7689/88. len Dl, 1683, de 06.11_ 1992 9 Processo n° 10665.001199/2003-84 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.815 Fls. 10 Presidente Min. Sydney Sanches Relator Min Moreira Alves Presentes também os Senhores Ministros Néri da Silveira, Octavio Gallotti, Sepúlveda Pertence, Marco Aurélio, limar Gaivão e Francisco Rezek. Ausentes, justificadamente, os Senhores Ministros Carlos Velloso, Celso de Mello e Paulo Brossard." Não persistindo dúvidas quanto a tal natureza tributária, reafirmada na ementa do Resp n° 161348/MG, a decisão recorrida se conforma com a mais atual jurisprudência dos Tribunais Superiores, não merecendo qualquer reparo ou aditamento. Pelos argumentos e conclusões trazidas nas decisões judiciais acima e em conformidade com a jurisprudência dominante nesta 1' Turma, estampada por exemplo na ementa abaixo transcrita, entendo ser aplicável o artigo 150, do CTN, conseqüentemente adotando o elemento temporal trazido em seu parágrafo 4°, entendendo ser de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, o prazo decadencial aplicável à contribuição social sobre o lucro: Número do Recurso: 103-131387 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10920.000406/2001-53 Tipo do Recurso: RECURSO DO PROCURADOR Matéria: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado(a): TUPY S.A. Data da Sessão: 29/11/2004 09:30:00 Relator(a): Carlos Alberto Gonçalves Nunes Acórdão: CSRF/01-05.137 Decisão: NPM - NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima, Antonio de Freitas Dutra, Cândido Rodrigues Neuber, José Ribamar Barros Penha, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. Fizeram sustentação oral o Senhor Procurador da Fazenda Nacional Dr. Sérgio de Moura e o advogado da recorrente Dr. Breno Ladeira Kingma Orlando, OAB/RJ n° 120882. Ementa: CSLL - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - 1) A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que tem a natureza de tributo, antes do advento da Lei n° 8.383, de 30/12/91, a exemplo do Imposto de Renda, estava sujeita a lançamento por declaração, operando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade seria antecipada para o dia se inte à data da notificação de qualquer medida p par tória indispensável ao lançamento ou da entrega da decl ração de 10 Processo n° 10665.001199/2003-84 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.815 Fls. 11 rendimentos (CTN., art. 173 e seu par. ún., c/c o art. 711 e §§ do RIR/80. A partir do ano-calendário de 1 992, exercício de 1993, por força das inovações da referida lei, o contribuinte passou a ter a obrigação de pagar o imposto e a contribuição, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendo-lhe então verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houvesse tributo a ser pago. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado poderia ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN., art. 150).2) CSLL — As contribuições de seguridade social, dada sua natureza tributária, estão sujeitas ao prazo decadencial estabelecido no Código Tributário Nacional, lei complementar competente para, nos termos do artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, dispor sobre a decadência tributária. 3) Tendo sido o lançamento de oficio efetuado, em 05/04/2001, após a fluência do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador referente ao ano- calendário de 1995, ocorrido em 3 1/12/1995, operou-se a caducidade do direito de a Fazenda Nacional lançar a contribuição. Ainda, ressalvo por oportuno que a CSLL é alcançada pela homologação, sendo que o que se discute nos autos é apenas o prazo decadencial. Assim, diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacio . - no mérito, negar-lhe provimento. Sala da :o.- ;,:es, em - 4 de abril de 2008. JOS CARLOS PASSUELLO 11
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Numero do processo: 10675.001184/00-47
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ.
TAXA SELIC. Não há previsão legal para atualização dos valores ressarcidos a título de crédito presumido de IPI pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-000.548
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI do valor das aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, que negavam provimento total, e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento apenas quanto às aquisições de pessoas físicas. Designada para redigir o voto vencedor, na parte relativa às aquisições de pessoas físicas, a Conselheira Maria Teresa Martínez López; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial quanto à incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito a ressarcir. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. TAXA SELIC. Não há previsão legal para atualização dos valores ressarcidos a título de crédito presumido de IPI pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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Interessado FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. TAXA SELIC. Não há previsão legal para atualização dos valores ressarcidos a título de crédito presumido de IPI pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI do valor das aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, que negavam provimento total, e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento apenas quanto às aquisições de pessoas físicas. Designada para redigir o voto vencedor, na parte relativa às aquisições de pessoas físicas, a Conselheira Maria Teresa Martínez López; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial quanto à incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito a ressarcir. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Maria Teresa Martínez López Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo (fls. 488/504) contra decisão do acórdão nº 20179228, da Primeira Câmara do Segundo Conselho, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se configura a denúncia espontânea para efeito de aplicação da multa sobre os valores dos débitos objetos de compensação não homologada, em face de não haver pagamento do tributo devido, nem dos juros de mora. 1PI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS E REVENDIDOS NO MERCADO INTERNO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. COMBUSTÍVEIS. PRODUTOS QUÍMICOS. VARIAÇÕES CAMBIAIS. A relação entre receita de exportação e receita operacional bruta tem o claro objetivo, na apuração do crédito presumido, de fornecer o percentual dos insumos adquiridos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001184/0047 Acórdão n.º 930300.548 CSRFT3 Fl. 607 3 pela empresa que são empregados em produtos exportados, de forma que não pode incluir, sob pena de distorcer a apuração, receitas de produtos adquiridos e revendidos no mercado interno. Somente é admissível a inclusão, na base de cálculo do incentivo, de valores relativos a aquisições de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários. As variações cambiais não compõem a receita operacional bruta e a receita de exportação, para efeito de apuração do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno.. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. Inexiste previsão legal para incidência de juros sobre os valores ressarcidos. Recurso provido em parte. O Sujeito Passivo insurgese contra os seguintes pontos do arresto: a) A exclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI dos custos com gás para empilhadeira, produtos químicos para tratamento de efluentes, óleo combustível e lenha para caldeira e insumos adquiridos de pessoa física e cooperativa; b) As multas aplicadas aos débitos compensados; e c) A falta de aplicação da taxa Selic ao montante do valor ressarcido. O recurso especial teve seguimento apenas quanto a aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas e quanto a correção monetária do crédito presumido do IPI, nos termos do despacho nº 201026/07 de fls. 589/593. Não houve contrarrazões por parte da Fazenda Pública. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Insumos Adquiridos de não Contribuintes do PIS e da Cofins. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 O crédito presumido do IPI como ressarcimento de PIS e Cofins nas exportações foi instituído pela MP nº 948, de 23/05/95, que após reedições foi convertida na Lei nº 9.363, de 16/12/96, que determina: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º. O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo.” (negritos acrescentados). Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.363/96, a base de cálculo do crédito presumido é igual ao valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conceituados segundo a legislação do IPI, multiplicado pelo percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor (industrial) exportador. O valor do crédito presumido, então, será o equivalente a 5,37% da base de cálculo, tendo este fator sido obtido a partir da soma de 2% de Cofins mais 0,65% de PIS, com incidência dupla e bis in idem (2 x 2,65% + 2,65% x 2,65 = 5,37%). Como deixa claro o art. 1º da Lei nº 9.363/96, acima transcrito, o benefício foi instituído como ressarcimento de PIS e Cofins incidentes nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Somente nas situações em que há incidência das duas contribuições sobre as aquisições de insumos é que cabe aplicar o benefício. Neste sentido é que o § 2º do art. 2º da IN SRF nº 23, de 13/03/97, já dispunha que o incentivo “será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS”. Referida IN não inovou com relação à Lei nº 9.363/96. Apenas explicitou a melhor interpretação do texto da Lei, cujo caput art. 2º deve ser lido em conjunto com o caput do art. 1º que lhe antecede. O mencionado art. 2º, ao estabelecer que a base de cálculo do incentivo será determinada sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, está a determinar que somente os insumos sobre os quais há incidência de PIS e Cofins podem ser incluídos no cálculo do crédito presumido. A expressão “incidentes”, empregada pelo legislador no texto do art. 1º da Lei nº 9.363/96, referese evidentemente à incidência jurídica. Dizse que a norma jurídica tributária enquanto hipótese incide (daí a expressão hipótese de incidência), recai sobre o fato gerador econômico em concreto, juridicizandoo (tornandoo fato jurídico tributário) e determinando a conduta prescrita como conseqüência jurídica, consistente no pagamento do Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001184/0047 Acórdão n.º 930300.548 CSRFT3 Fl. 608 5 tributo. Esta a fenomenologia da incidência tributária, que não difere da incidência nos outros ramos do Direito. Pontes de Miranda, acerca da incidência jurídica, já lecionava que “Todo o efeito tem de ser efeito após a incidência e o conceito de incidência exige lei e fato. Toda eficácia jurídica é eficácia do fato jurídico; portanto da lei e do fato e não da lei ou fato.”1 Também tratando do mesmo tema e reportandose à expressão fato gerador empregada no CTN ora para se referir à hipótese de incidência apenas prevista, ora ao fato jurídico tributário já realizado , Alfredo Augusto Becker leciona: “Incidência do tributo: quando o Direito Tributário usa esta expressão, ela significa incidência da regra jurídica sobre sua hipótese de incidência realizada (“fato gerador”), juridicizando a, e a conseqüente irradiação, pela hipótese de incidência juridicizada, da eficácia jurídica: a relação jurídica tributária e seu conteúdo jurídico: direito (do Estado) à prestação (cujo objeto é o tributo) e o correlativo dever (do sujeito passivo: o contribuinte) de prestála; pretensão e correlativa obrigação; coação e correlativa sujeição.”2 A incidência jurídica não deve ser confundida com qualquer outra, especialmente a econômica ou a financeira. Em sua obra, Becker faz distinção entre incidência econômica e incidência jurídica do tributo. De acordo com o autor, a terminologia e os conceitos econômicos são válidos exclusivamente no plano econômico da Ciência das Finanças Públicas e da Política Fiscal. Por outro lado, a terminologia jurídica e os conceitos jurídicos são válidos exclusivamente no plano jurídico do Direito Positivo. O tributo é o objeto da prestação jurídicotributária e a pessoa que satisfaz a prestação sofre, no plano econômico, um ônus que poderá ser reflexo, no todo ou em parte, de incidências econômicas anteriores, segundo as condições de fato que regem o fenômeno da repercussão econômica do tributo. Na trajetória dessa repercussão, haverá uma pessoa que ficará impossibilitada de repercutir o ônus sobre outra ou haverá muitas pessoas que estarão impossibilitadas de repercutir a totalidade do ônus, suportando, definitivamente, cada uma delas, uma parcela do ônus econômico tributário. Esta parcela, suportada definitivamente, é a incidência econômica do tributo, que não deve ser confundida com a incidência jurídica, assim como a pessoa que a suporta, o chamado “contribuinte de fato”, não deve ser confundido com o contribuinte de direito. Somente a incidência jurídica do tributo implica no nascimento da obrigação tributária, que surge no momento imediato à realização da hipótese de incidência e estabelece a relação jurídicotributária que vincula o sujeito passivo ao sujeito ativo. Deste modo somente cabe cogitar de incidência jurídica do tributo no caso em que o sujeito passivo, pessoa que a norma jurídica localiza no pólo negativo da relação jurídica tributária, é o contribuinte de jure. Nas demais situações, mesmo que haja incidência ou repercussão econômica do tributo, com a presença de contribuinte de fato, descabe afirmar que houve incidência jurídica. 1 Apud Roberto Wagner Lima Nogueira, in Fundamentos do dever de tributar, Belo Horizonte, Del Rey, 2003, p. 1. 2 Alfredo Augusto Becker, in Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo, Lejus, 1998, p. 83/84. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 No caso do crédito presumido não se deve confundir eventual incidência econômica do PIS e da Cofins sobre os insumos adquiridos, com incidência jurídica, esta a única que importa para saber se o ressarcimento deve acontecer ou não. Observase que no incentivo em tela o crédito é presumido porque o seu valor é estimado a partir do percentual de 5,37%, aplicado sobre a base de cálculo definida. A presunção não diz respeito à incidência jurídica das duas contribuições sobre as aquisições dos insumos, mas ao valor do benefício. O valor é que é presumido, e não a incidência de PIS e Cofins, que precisa ser certa para só assim ensejar o direito ao benefício. Destarte, quando inexistir a incidência jurídica do PIS e da Cofins sobre as aquisições de insumos, como nas situações em que os fornecedores são pessoas físicas ou pessoas jurídicas não contribuintes das contribuições, o crédito presumido não é devido. A referendar a interpretação aqui adotada e os termos do art. 2º, § 2º, da IN SRF nº 23/97 segundo o qual o crédito presumido será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à contribuição PIS/Pasep e Cofins cabe transcrever excertos do Parecer PGFN/CAT nº 3.092/2002, que informa: “18. Ora, se o produtor/exportador pudesse incluir na base de cálculo do crédito presumido o valor de todo e qualquer insumo, mesmo não sendo o fornecedor contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS, ao argumento de que teria, de qualquer modo, havido a incidência dos tributos em algum momento da cadeia produtiva, o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, restaria sem sentido. 19. Ou seja, qualquer insumo, e não apenas aquele sujeito à ‘incidência’ do PIS/PASEP e da COFINS, poderia ser incluído na base de cálculo do crédito presumido, pois sempre se poderia alegar a incidência dos tributos em algum momento da cadeia produtiva. 20. Para que seja possível atribuir um sentido lógico à expressão utilizada pelo legislador (‘ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições’), podese apenas concluir que a lei se referiu, exclusivamente, aos insumos adquiridos de fornecedores que pagaram o PIS/PASEP e a COFINS, ou seja, oneraram os insumos com o repasse desses tributos. 21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não ‘incidiram’ sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições "incidentes" sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. (...) 23. Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor/exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício do crédito presumido. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001184/0047 Acórdão n.º 930300.548 CSRFT3 Fl. 609 7 24. Prova inequívoca de que o legislador condicionou a fruição do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo é depreendida da leitura do artigo 5º da Lei nº 9.363, de 1996, in verbis: ‘Art. 5º A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1º, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente’. 25. Ou seja, o tributo pago pelo fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido, que for restituído ou compensado mediante crédito, será abatido do crédito presumido respectivo. 26. Como o crédito presumido é um ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, pagos pelo fornecedor do insumo, o legislador determina, ao produtor/exportador, que estorne, do crédito presumido, o valor já restituído. 27. O art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que apenas os tributos ‘incidentes’ sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu fornecedor) podem ser ressarcidos. Conforme o art. 5º, caso estes tributos já tenham sido restituídos ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abatidos do crédito presumido. 28. Esta interpretação lógica é confirmada por todos os demais dispositivos da Lei nº 9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebese que o legislador previu formas de controle administrativo do crédito presumido, estipulando ao seu beneficiário uma série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo não fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Como exemplo, reproduzse o art. 3º da multicitada Lei nº 9.363, de 1996: ‘Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador’ 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, quando o produtor/exportador adquire insumo de pessoa física, que não é obrigada a emitir nota fiscal e nem paga o PIS/PASEP e a COFINS? Por outro lado, como aferir o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, que não estão obrigados a manter escrituração contábil? 30. Toda a Lei nº 9.363, de 1996, está direcionada, única e exclusivamente, à hipótese de concessão do crédito presumido quando o fornecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte do Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 PIS/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições milita sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, o ressarcimento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COFINS. 31. Em suma, a Lei nº 9.363, de 1996, criou um sistema de concessão e controle do crédito presumido de IPI, cuja premissa é que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do incentivo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS (...) 37. Da mesma forma, não procede o entendimento de que a alíquota de 5,37% sobre o valor dos insumos adquiridos significaria que o legislador teria previsto a oneração média dos insumos, considerando toda a cadeia produtiva, e que, ao prever essa oneração média, o legislador teria incluído, no cálculo do crédito presumido, os insumos adquiridos aos fornecedores que não pagaram o PIS/PASEP e a COFINS. 38. A alíquota de 5,37% foi determinada tomando por média da cadeia de produção nacional duas fases de comercialização anteriores ao fornecimento ao produtor/exportador, sem margem de agregação, exceto a das próprias contribuições, que à época somavam 2,65% em cada fase. Assim, considerando uma hipotética venda, da primeira para a segunda fase no valor de 100 unidades monetárias (u.m.) teríamos a seguinte incidência acumulada: 1) 100 u.m. x 1,0265 > 102,65 u.m.; 2) 102,65 u.m. x 1,0265 > 105,37 u.m.; 3) valor total das contribuições nas duas fases (105,37 u.m. 100 u.m.) > 5,37 u.m., o que, em percentual, dá os exatos 5,37% estabelecido na lei. 39. Lógico está que tal cálculo somente considerou operações entre contribuintes das ditas contribuições, não sendo possível se vislumbrar, dentro desse raciocínio lógicomatemático, a consideração de participação de nãocontribuintes na cadeia de produção/comercialização. 40. Outro argumento apresentado é no sentido de que, no sistema anterior, o incentivo seria condicionado à prova de que o fornecedor pagou o tributo, o que não ocorreria com a Lei nº 9.363, de 1996. Assim, como essa disposição não consta da referida Lei, estaria demonstrado que o novo sistema não condicionou a concessão do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor de insumo. 41. Ocorre que a alteração legislativa nada prova em favor dessa tese. Não é cabível dizer que, em vista da revogação de uma obrigação acessória (prova do pagamento de tributos pelo fornecedor), o incentivo não estaria condicionado ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor de insumos. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001184/0047 Acórdão n.º 930300.548 CSRFT3 Fl. 610 9 42. Da revogação do antigo sistema é possível inferir apenas que o beneficiário do crédito presumido não precisará mais provar que o fornecedor do insumo pagou as referidas contribuições. Mas isso não quer dizer que o crédito presumido surge mesmo quando o fornecedor não pagou tais tributos. Uma coisa em nada tem a ver com a outra. 43. Inclusive, tal argumento cai diante do sistema de concessão e controle do crédito presumido fixado pela Lei nº 9.363, de 1996, fundamentado inteiramente na proposição de que o fornecedor do insumo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. 44. E a forma encontrada pelo legislador para conceder um crédito ‘presumido’ que reflita a média das ‘incidências’ do PIS/PASEP e da COFINS sobre os insumos que compõem o produto exportado, sem que o incentivo acarrete o enriquecimento sem causa do beneficiário foi, claramente, condicionar o aproveitamento do crédito ao pagamento das contribuições pelo fornecedor. (...) 46.Em face do exposto, impõese a seguinte conclusão: o crédito presumido, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, somente será concedido ao produtor/exportador que adquirir insumos de fornecedores que efetivamente pagarem as contribuições instituídas pelas Leis Complementares nº 7 e nº 8, de 1970, e nº 70, de 1991.” Como conclusão, entendo que as aquisições de insumos a pessoas físicas não dão direito ao crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96. Também assim as aquisições a cooperativas, quando realizadas até 30/10/99. É que a partir de 01/11/99 cessou a isenção ampla da Cofins e do PIS Faturamento sobre os atos cooperativos. Nos termos do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, e do Ato Declaratório SRF nº 88, de 17/11/99, a partir de 01/11/99 as duas Contribuições passaram a incidir sobre a receita bruta das cooperativas, com exclusões específicas na base de cálculo. No caso em questão, os insumos foram adquiridos no ano de 2000, o que me permite concluir que neste esse período havia incidência das exações, sendo devida a inclusão destes custos na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Incidência da taxa Selic no valor do ressarcimento de IPI A questão da possibilidade de incidência da taxa SELIC no ressarcimento de IPI passa necessariamente pela diferenciação dos institutos do ressarcimento da restituição. A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva. É certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição. Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. A Taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos – na forma de Taxa Selic, vale dizer, de juros – sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4º), é claro que o dispositivo referese aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei no 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. Neste sentido devese dizer que o art. 39, § 4º, da Lei no 9.250/95, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na Taxa Selic. Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na Taxa Selic. Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento. Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Portanto, não existe previsão legal para a incidência dos juros ao caso de ressarcimento de créditos de IPI. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001184/0047 Acórdão n.º 930300.548 CSRFT3 Fl. 611 11 Ex positis, dou provimento parcial ao recurso, para admitir a inclusão dos valores das aquisições de insumos de cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Conselheira Maria Teresa Martínez López, Redatora Designada Ouso divergir do i. Conselheiro relator. Designada, no entanto, para fazer o voto vencedor apenas quanto ao direito do produtorexportador ao crédito presumido de IPI, sobre insumos adquiridos de não contribuintes, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PASEP e COFINS. A controvérsia limitase à incidência do art. 1º da Lei n° 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtorexportador houver incidência dessas contribuições sociais. Seguem transcrições: IN SRF n° 23/97: Art. 2º (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. IN SRF n° 103/97: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Art. 2° as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Muito embora o assunto já se encontre pacificado no âmbito desta Eg. Câmara Superior, pertinentes são as conclusões do respeitável doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira em trabalho divulgado em 2000, quando o assunto era ainda polêmico.3 Para melhor clareza, peço vênia para reproduzir as suas conclusões como se minhas fossem: VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a 3 Em 20/06/200, sob o título: Crédito presumido de ipi para ressarcimento de PIS e COFINS direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001184/0047 Acórdão n.º 930300.548 CSRFT3 Fl. 612 13 incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas). Na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício. Da posição atual do STJ Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Por fim, noticiase que a matéria, conforme jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, já se encontra pacificada 4. O Tribunal vem, repetidamente, entendido que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (RESP 993164, Min. Luiz Fux). O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) 4 Matérias Julgadas pelo STJ no Regime do art. 543C e Resolução STJ nº 08/08 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001184/0047 Acórdão n.º 930300.548 CSRFT3 Fl. 613 15 Verificase, assim, que a decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em caráter de definitividade, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Atendidos a todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtorexportador ao crédito presumido de IPI, sobre insumos adquiridos de não contribuintes, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PASEP e COFINS. Maria Teresa Martínez López Fl. 15DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 36624.011656/2006-61
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2003
Ementa:
PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE. DESCUMPRIMENTO. MULTA. APLICABILDIADE.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária.
Constitui infração deixar de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições, quantias descontadas, contribuições da empresa e totais recolhidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato e André Luís Mársico Lombardi.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2003 Ementa: PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE. DESCUMPRIMENTO. MULTA. APLICABILDIADE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. Constitui infração deixar de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições, quantias descontadas, contribuições da empresa e totais recolhidos. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2003 Ementa: PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE. DESCUMPRIMENTO. MULTA. APLICABILDIADE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. Constitui infração deixar de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições, quantias descontadas, contribuições da empresa e totais recolhidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 16 56 /2 00 6- 61 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 260 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 261 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por GRASS ROOTS BRASIL SERVIÇOS DE PERFORMANCE LTDA. (atual denominação da BITTIME INCENTIVOS E DATABASE MARKETING LTDA.) contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOI). Segundo esta, foi procedente o lançamento de crédito tributário decorrente de multa por falta de registrar mensalmente em títulos próprios na contabilidade da citada pessoa jurídica acerca de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. 2. O Auto de Infração (fls.4), relativo ao fato gerador da obrigação tributária em questão, foi constituído, no final de 2006, em decorrência da constatação, pelos auditores do Fisco, de infração ao artigo 32, inciso II, da Lei nº. 8.212, de 1991, combinado com o artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 1999. Conforme preceituam tais dispositivos, configurase infração: “deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições das empresas e os totais recolhidos”. Com base nisso, a empresa foi autuada e recebeu sanção de multa pecuniária no valor de R$ 11.569,42, referente ao período de apuração entre 01/05/2002 e 31/08/2003. 3. Diante disso, a empresa autuada ofereceu impugnação (ff. 29 e ss). Sustentou que o relatório fiscal foi obscuro e omisso, bem como não houve indicação de motivação. Dessa maneira, alegou que houve cerceamento de sua defesa, o que ensejaria a nulidade da autuação. Por outro lado, também solicitou o apensamento da impugnação à defesa da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº. 37.014.4201, cujo mérito era pendente de julgamento à época. 4. A 14ª Turma da DRJ/SPOI, em resposta, verificou que o referido relatório fiscal realmente não “deixou suficientemente claro os elementos que comprovam a verificação da infração”. Segundo o despacho, “não consta a identificação dos livros onde foi constatada a omissão de registro de fatos geradores nem quais os fatos geradores omitidos e seus respectivos valores”. Também se observou a ausência de Termo de Verificação de Antecedentes. Assim, ordenouse a elaboração de novo relatório fiscal da infração saneador de citados defeitos. 5. Esse pedido foi prontamente atendido por meio de conversão do referido processo em diligência (fls.65/74) para sanear os defeitos apontados pela impugnante e reconhecidos pelo fisco. Ainda, mantevese o lançamento de crédito tributário pelo supracitado descumprimento de obrigação acessória. 6. Em resposta, a GRASS ROOTS BRASIL SERVIÇOS DE PERFORMANCE LTDA. apresentou manifestação (ff. 76 e ss) complementar tempestiva contra as conclusões do relatório fiscal reelaborado e corrigido. Em síntese, a empresa sustentou que: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 262 4 (i) houve alteração de sua denominação social para GRASS ROOTS DO BRASIL SERVIÇOS DE PERFORMANCE LTDA; (ii) embora o Auditor fiscal "tenha agora complementado o auto de infração com a indicação de base legal e a motivação efetiva da cobrança promovida", fls. 73, discorda em relação à multa com fundamento nas razões já expostas em sua impugnação e recurso apresentados nos autos relativos à obrigação principal, a NFLD 37.014.4201, e, em suma, reitera que não foi a patrocinadora das premiações, que os beneficiários não eram seus empregados, que a referida NFLD exige contribuição previdenciária sobre valores de premiação concedidos em alguns meses a terceiros não vinculados; (iii) ganhos eventuais não estão sujeitos a tais contribuições previdenciárias, e, assim, o referido auto que é consequência daquela Notificação também deve ser cancelado; (iv) diante do fato da Recorrente ter recorrido da decisão que julgou a NFLD procedente (obrigação principal), é necessário o apensamento de ambos os processos. 7. No retorno do processo à sua apreciação, a 14ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI entendeu, por unanimidade, procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Fundamentouse, para tanto, no fato de que, por meio da análise da NFLD 34.014.420 1, julgada procedente em 2007 por aquela Turma, a recorrente “criou uma forma remuneratória indireta e não recolheu as contribuições sociais respectivas, nem contabilizou da forma devida, devendo ser mantida a autuação (objeto deste processo) referente a obrigação acessória, da mesma forma que mantido o lançamento da obrigação principal, apreciada na NFLD” (f.220). 8. Quanto ao pedido no sentido do apensamento dos dois processos, o presente e o referente à obrigação principal (NFLD), a Turma alegou a inviabilidade, haja vista que ambos se encontravam em fases administrativas distintas. 9. Não conformada com a decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário. Em seu pedido, além de ter solicitado o cancelamento da multa, reafirmou a necessidade de apensamento dos processos, reiterando desta vez que ambos – à época, em 19/5/2009 – encontravamse na mesma fase, qual seja apreciação de recurso voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 10. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. Eis o relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 263 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O recurso foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, razão pela qual, passo a analisálo. DA IMPOSSIBILIDADE DE APENSAMENTO 2. No pedido veiculado no presente Recurso Voluntário, encontrase a solicitação de apensamento deste processo com aquele (Processo nº. 36624.013291/200618) em que se julga a validade de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD 34.014.420 1, sobre a qual (obrigação principal) se funda a existência do Auto de Infração (obrigação acessória) objeto deste processo. 3. Embora à época da interposição do recurso fosse possível tal apensamento, hoje não é: o recurso voluntário em que se discute a obrigação principal foi conhecido e provido parcialmente, apenas no tocante à multa decorrente do não pagamento dos tributos aferidos na referida NFLD. 4. A Notificação a qual a recorrente se refere já foi julgada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em 24 de agosto de 2011. A seguir transcrevo a ementa do Acórdão nº. 2301002.317 da obrigação principal, julgado pela 1ª Turma, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento: AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE REGISTRO DA MOVIMENTAÇÃO REAL DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. SALÁRIO INDIRETO. PROGRAMAS DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DEVIDA. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta quando, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, invertendose a ônus da prova para o contribuinte. As verbas pagas através de cartão premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a omissão dos valores correspondentes aos benefícios pagos aos segurados empregados. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o Fl. 263DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 264 6 disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. 5. Diante disso, o requerimento da recorrente quanto à apensação dos processos em função de conexão entre os fatos, não perdura, pois perdeuse o seu objeto no decorrer da tramitação dos autos. 6. Ao analisar a peça recursal, percebese que a recorrente reitera os argumentos levantados na defesa da obrigação principal. 7. Quais sejam a indevida utilização do instituto da aferição indireta, por falta de embasamento legal na Notificação Fiscal do Lançamento de Débito (NFLD) e que os pagamentos feitos por intermédio de cartão de premiação não se enquadram no conceito de salário de contribuição, por serem pagamentos não habituais. 8. Dessa forma, passo a análise desses dois pontos. DA AFERIÇÃO INDIRETA 9. Consta nos autos informação que o débito foi aferido indiretamente, pois “não foi possível identificar a quem e quanto individualmente tais valores foram pagos, nem o tipo de cartão, já que a empresa não apresentou a relação nominal dos beneficiários”. 10. A esse respeito a legislação previdenciária prevê a hipótese do uso de aferição indireta sempre que houver a recusa na apresentação de documentos, ou quando a apresentação se der de forma deficiente e se no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento for constatado que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, nos termos do artigo 33, parágrafos 3º e 6º, da Lei 8.212/91, in verbis: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas “d” e “e” do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...). Fl. 264DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 265 7 § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (g.n.) 11. No mesmo sentido, foi o acórdão prolatado na 1ª Turma, da 4ª Câmara, deste Conselho, que restou ementado nos seguintes termos: “PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (1ª Turma, 4ª Câmara, CARF, Recurso 251.960, Processo n.º 11474.000055/200744, Acórdão 240100619, Relator Marcelo Freitas de Souza Costa)” 12. Assim, diante da jurisprudência apresentada tanto no âmbito da esfera judicial quanto no CARF, mantenho os termos da autuação, por não identificar irregularidade quanto ao procedimento adotado, pois o auditor agiu de acordo com o previsto na legislação de regência. DA NATUREZA JURÍDICA DO PAGAMENTO DE PRÊMIO 13. A decisão do colegiado a quo considerou o prêmio pago pela empresa como integrante do salário de contribuição e a empresa, por sua vez, apresentou peça recursal, na qual argumenta que tais valores, ao seu juízo, não integram o salário de contribuição, pois os prêmios não são pagos de forma habitual e não possuem qualquer caráter remuneratório, somente caráter de incentivo para melhor qualidade da prestação de serviços e assim os prêmios não podem sofrer incidência de contribuições previdenciárias. 14. In casu, é necessário identificar o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que é delimitado no art. 195, I, alínea “a” da Constituição Federal de 1988, o Fl. 265DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 266 8 qual estabelece que, além da “folha de salários”, compõemse de todas as parcelas devidas aos empregados em decorrência da prestação de serviço, os “demais rendimentos do trabalho” também integram o campo de incidência das contribuições. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vinculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) 15. A legislação que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, a Lei nº. 8.212/91 no art. 28, por sua vez prevê que se entende por salário de contribuição, sobre o qual incidirá a contribuição social, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; 16. Assim, partindo da premissa conduzida pela Carta Magna e pela legislação de regência previdenciária, podese vislumbrar que o pagamento de prêmio aos empregados está inserido no conceito de salário de contribuição, uma vez que não deixa de ser uma quantia paga em decorrência do trabalho do funcionário. 17. Insta mencionar que ao se olhar para o que preleciona a doutrina trabalhista verificase que esta não diverge da afirmativa supra, pois ao analisar a natureza jurídica do pagamento de prêmio constatase que é nessa direção o ensinamento de Amauri Mascaro Nascimento, ao afirmar em sua obra “Manual do Salário”, Editora LTr, p. 334 que: “prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os Prêmios Caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos”. 18. No mesmo sentido, cumpre mencionar julgados do Superior Tribunal de Justiça, que reconhecem o caráter remuneratório do pagamento do prêmio, considerando irrelevante o fato de se tratar de parcela paga por ato de liberalidade do empregador. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 267 9 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. "PRÊMIODESEMPENHO". CARÁTER REMUNERATÓRIO. NEGATIVA DE VIGÊNCIA DO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. 1. Cuidase de recurso especial interposto pela Companhia Vale do Rio Doce contra acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região que negou provimento ao apelo autoral ao concluir que a Lei n. 5.890/73 é taxativa e impõe a incidência de contribuição previdenciária sobre qualquer parcela paga ao empregado. A recorrente aponta negativa de vigência dos arts. 535, II, do CPC, 76 da Lei n. 3.807/60, 173 do Decreto n. 60501/67, 223 do Decreto n. 72771/73 e 457 da CLT, além de divergência jurisprudencial. Em suas razões, sustenta, em síntese, que: a) embora devidamente suscitado no recurso integrativo, não houve pronunciamento acerca do conceito de remuneração e saláriodecontribuição previsto nos Decretos n. 60.501/67 e 72.771/73 e na CLT; b) as parcelas recebidas pelos empregados a título de "prêmiodesempenho" foram pagas eventualmente sem nenhuma contraprestação, logo não se enquadram no conceito de saláriode contribuição. 2. Se o Tribunal de origem adota entendimento diverso do pretendido pela parte analisando a questão sob o prisma que julga pertinente à lide de forma motivada e fundamentada, não há violação do art. 535, II, do CPC. 3. A legislação vigente à época dos débitos em discussão (08/1973 a 02/1974), Lei n. 3.807/60, art. 76, bem como o entendimento do egrégio STF, assinalado na Súmula n. 241, reconhecia que as parcelas recebidas pelo empregado, pagas a qualquer título, integravam o saláriode contribuição. 4. Na espécie, diante das circunstâncias fáticas apresentadas em juízo destacou o Tribunal de Origem: "O caso é que o "bônus" ou "prêmio desempenho" tem caráter remuneratório, sendo irrelevante, o fato de se tratar de parcela paga por ato de liberalidade do empregador." (fl. 120). 5. Recurso especial nãoprovido. (REsp 910.214/ES, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 293) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DAS EMPRESAS EM GERAL. LEI 7.787/89. INCIDÊNCIA SOBRE PARCELA DENOMINADA 'PRÊMIO PRODUÇÃO'. CARÁTER REMUNERATÓRIO. 1. O lançamento de contribuição previdenciária patronal, relativa aos meses de julho, agosto e setembro do ano de 1990 regese pela Lei 7.787/89, vigente à época do fato gerador (CTN, art. 144). 2. Dispondo, o art. 3º da Lei 7.787/89, que a base de cálculo da exação é "o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados" e, considerandose que o "prêmio produção", no caso concreto, consistiu em "gratificação destinada à recuperação do serviço telefônico prejudicado por movimento paredista Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 268 10 deflagrado pelo Sindicato dos empregados" (fl. 167), de caráter nitidamente remuneratório, resta evidente a incidência da contribuição previdenciária patronal. 3. Recurso especial interposto pelo INSS provido e recurso da Brasil Telecom S/A prejudicado. (REsp 565375/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/08/2006, DJ 31/08/2006, p. 199) 19. Sobre a matéria, é necessário observar que esse Conselho já proferiu diversos acórdãos na mesma linha decisória do STJ, conforme ementas transcritas a seguir: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº. 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte (2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, Processo nº. 14041.000407/200740, Acórdão nº. 240101.795, data da sessão 14/04/2011, Relatora: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) SUCESSÃO Ocorre sucessão de fato toda vez que uma empresa é absorvida por outra, sem solução de continuidade, devendose levar em consideração, principalmente, os elementos que integram a atividade empresarial, quais sejam: ramo do negócio, ponto, clientela, móveis, máquinas, organização e empregados. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 269 11 PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido (2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF, Processo nº. 10510.003261/200760, Acórdão nº. 230200.779, data da sessão 02/12/2010, Relatora: Liege Lacroix Thomasi) 20. Dessa forma, não assiste razão à recorrente em seus argumentos, tendo em vista que tanto a jurisprudência desse Conselho quanto a doutrina trabalhista e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consideram que incide contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de prêmio de incentivo ao trabalhador. 21. Assim, seguindo os ensinamentos supra mencionados, entendo que a empresa contabilizou o pagamento de tais verbas em contas impróprias, pois não se tratam de “MATERIAIS/PRODUTOS PROMOCIONAIS” como considerou a recorrente, e sim de verba remuneratória. 22. Dessa forma mantenho a autuação nos termos lavrados pelo auditor fiscal, mantendo inclusive a multa relativa ao descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa descumprido a premissa do art. 32, II da Lei 8.212/91 que prevê a obrigação de o contribuinte “lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos”. CONCLUSÃO 23. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, para considerar salário de contribuição as verbas pagas aos empregados segurados a título de prêmio e manter a multa por descumprimento de obrigação acessória, mantendo o lançamento nos termos alinhavados pela fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos – Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36624.011656/200661 Acórdão n.º 2803001.958 S2TE03 Fl. 270 12 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 14474.000330/2007-18
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/10/2007
DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. BIS IN IDEM. CARACTERIZAÇÃO.
A autuação fiscal pela recusa de prestar informações e esclarecimentos que possibilitem a melhor compreensão dos fatos constatados pela fiscalização não se aplica à infração pela falta de apresentação de livros e documentos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-003.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira e Ronaldo de Lima Macedo que negavam provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/10/2007 DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. BIS IN IDEM. CARACTERIZAÇÃO. A autuação fiscal pela recusa de prestar informações e esclarecimentos que possibilitem a melhor compreensão dos fatos constatados pela fiscalização não se aplica à infração pela falta de apresentação de livros e documentos. Recurso Voluntário Provido
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BIS IN IDEM. CARACTERIZAÇÃO. A autuação fiscal pela recusa de prestar informações e esclarecimentos que possibilitem a melhor compreensão dos fatos constatados pela fiscalização não se aplica à infração pela falta de apresentação de livros e documentos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira e Ronaldo de Lima Macedo que negavam provimento. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 03 30 /2 00 7- 18 Fl. 894DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal pelo fato de a recorrente ter deixado de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A autuada não apresentou os documentos que sustentam lançamentos contábeis. Segue transcrição de trecho do relatório fiscal: Durante a análise da contabilidade, foram encontrados lançamentos genéricos de despesas com valores expressivos (entre R$ 9.185,30 e R$ 1.213.454,52). Como os históricos desses lançamentos não definem a destinação desses valores nem a origem das despesas, restou necessária a análise da documentação contábil que sustenta esses lançamentos, pois poderia se tratar de criação de despesas inexistentes para acobertar o pagamento de prólabore. Solicitada a apresentação da documentação comprobatória desses lançamentos contábeis no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD datado de 14/09/2007, o contribuinte não apresentou nenhum documento nem elemento comprobatório dos lançamentos relacionados. O art. 32, III, da Lei nº 8.212/91 prevê a obrigação de a empresa prestar todas as informações contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Não tendo sido apresentados os documentos solicitados, cabe autuação nos termos deste Auto de Infração. Com base no art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, as contribuições sociais decorrentes desses lançamentos contábeis foram constituídas na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n 0 37.129.1100, com emissão também de Representação Fiscal para Fins Penais. Segue transcrição de trechos da ementa do acórdão recorrido: AUTO DE INFRAÇÃO. INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. Constitui infração deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da fiscalização, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lançamento Procedente ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Fl. 895DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14474.000330/200718 Acórdão n.º 2402003.032 S2C4T2 Fl. 895 3 a) embora tenha cumprido todas as exigências, não houve manifestação sobre o Requerimento de Restituição da Retenção, protocolado sob o n° 35.186.000412/2060688, tendo sido iniciada fiscalização sem a apreciação do pedido de restituição, implicando em desrespeito ao contribuinte, pois um tratamento imparcial ensejaria a análise simultânea do pedido de restituição formulado pela empresa e procrastinado por vinte um meses e dezessete dias; b) a fiscalização não afirmou que qualquer documento relacionado no TIAF de 22/06/07 não tenha sido apresentado; c) estando desobrigada de apresentar escrituração contábil em razão da opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido (IN MPS/SRP n° 03/05, art. 60, § 6°, III), não pode ser autuada por obrigações acessórias para as quais está legalmente dispensada, estando eivada de vício insanável a presente autuação; d) mesmo desobrigada de efetuar a escrituração, a empresa reclassificou os lançamentos indevidos para que a contabilidade retrate a real situação de todos os fatos ocorridos. Para corroborar a correção, juntamse cópias dos contratos, dos Livros Diário e Razão corrigidos e dos recibos de entrega de declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Pessoa Física. Esse reordenamento contábil corrige a falta (equívocos de lançamento que resultaram na suposição de a a~jentos de prólabore ao sócio João H. Mottin), sendo cabível a relevação total da multa; e) em relação à omissão de remuneração dos empregados e do contribuinte individual Deoadato Evangelista de Macedo na GFIP, a falha está totalmente sanada; e 3.1. Postulando pela produção de toda e qualquer prova que vier a ser julgada imprescindível, inclusive, se for necessário, a apresentação dos originais para conferência e validação das cópias não autenticadas carreadas aos autos, requer, preliminarmente, a nulidade do lançamento e, no mérito, a improcedência do lançamento e a relevação da multa. Após diligência, a fiscalização informou que a documentação apresentada não é suficiente para a correção total da falta. Intimada, a empresa alegou em síntese: a) toda a documentação que respalda a reclassificação correta dos lançamentos de despesas foi apresentada, e elidindo de vez a última dúvida fiscal, junta cópia do extrato bancário onde figura os valores líquidos recebidos pela empresa; e b) evidenciase a reclassificação com exemplos da contabilização retificada. É o Relatório. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Compulsando as peças dos autos, desde a capa da autuação, constato que ao mesmo tempo que a fiscalização enquadra a autuação na infração “não prestar esclarecimentos de interesse da fiscalização” – Fundamento Legal: 35, descreve a conduta praticada in casus como deixar de apresentar documentos contábeis. Como se sabe, são dois fatos distintos para os quais há regras específicas para a autuação. Ainda que o valor da multa seja o mesmo, são infrações distintas. A obrigação de prestar esclarecimentos se presta como complemento da obrigação de apresentar documentos. Os esclarecimentos facilitam o exame e as conclusões sobre os documentos comerciais e fiscais obrigatórios que devem ser mantidos em arquivos da empresa. Lançamentos contábeis sem os correspondentes documentos que os originaram nada representam. Nesse sentido, esses documentos fazem parte da escrituração e a falta de apresentação em nada se diferencia da ausência de livros contábeis e, portanto, não se equipara à falta de esclarecimentos que podem ser por escrito através de planilhas e relatórios ou mesmo verbais. Essa inconsistência entre o fato verificado e o enquadramento pode gerar duas autuações distintas para fatos com mesmo enquadramento. Segue transcrição da infração específica quando documentos de interesse da fiscalização não são apresentados: Lei n° 8.212/91 Art. 33. (...) §3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Entendo que os fatos apresentados pela fiscalização se subsumem com a infração capitulada no artigo 33, §3° da Lei n° 8.212/91 e não com a prevista no artigo 32, inciso III da mesma lei. Nesse caso, de fato, não foram cumpridos corretamente todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 897DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14474.000330/200718 Acórdão n.º 2402003.032 S2C4T2 Fl. 896 5 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 898DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10620.001235/2002-45
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.170
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido.
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Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros • oberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes • a Silva, Ryc., do Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram pro /mento. 4 40-- _ 4 RLOS ALBE e REIT7AS B 'jè," ETO - Presidente 0 1S el • II MARCOS CA DIDO — " e ator r 1 EDITADO EM: 18 SEI 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n° 302-37.123, exarado na sessão de julgamento de 10 de novembro de 2005, por entender que tal decisão violou dispositivo de lei. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso I do art. 50 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época da interposição do recurso. Hodiemamente, a Portaria MF n° 259, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão que unificou os antigos Conselhos de Contribuintes e a CSRF, não mais prevê tal recurso, no entanto, transitoriamente estabeleceu, em seu art. 4 0, regra que acolhe os recursos especiais interpostos com base no dispositivo supracitado, desde que a sessão de julgamento em que tenha sido exarado o acórdão recorrido seja anterior a 1° de julho de 2009, o que se deu no caso presente. Recurso da Fazenda Nacional às fls. 97/106. Despacho em que se admite o recurso às fls. 107/111. O contribuinte apresentou contra-razões às fls. 115/132. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo n° 10620.001235/2002-45 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.170 • ,. y r Fl. 2 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial tempestivo. Decisão não unânime. Sessão de Julgamento ocorrida antes de 1° de julho de 2009. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a imputada contrariedade à dispositivo legal. A r Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: ITR - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ÁREA DE RESERVA LEGAL A falta de averbaç'ão da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, devendo-se acatar a área comprovada em laudo técnico. A Fazenda Nacional afirma em seu recurso que o julgado incorreu em contrariedade ao disposto alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989. Tais dispositivos analisados conjuntamente impõem segundo análise da Fazenda Nacional a averbação da reserva legal como condição essencial para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Pelo excerto da ementa reproduzido restou demonstrada que a Câmara recorrida considerou que a falta da averbação ou sua realização a destempo satisfaria tal condição, o que configura em sede de análise de admissibilidade, a contrariedade imputada. Presentes os pressupostos, há que ser admitido o Recurso Especial. No mérito, o lançamento combatido trata do ITR que teve fulcro na glosa da área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, por não ter sido cumprida a exigência de averbação no Registro de Imóveis anteriormente à ocorrência do fato gerador, o que infringiria a condição estabelecida no Código Florestal Brasileiro (Lei n° 4.771, de 1965), com redação do § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 1989. Em relação à esta matéria, a 3' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar-se por outros meios de prova, independendo da averbação tempestiva de tal área à margem da matricula do imóvel rural no Registro de Imóveis competente. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de 3 cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n°9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: § 2° A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. 4 Processo n° 10620.001235/2002-45 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.170 Fl. 3 Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinaçã o nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbaçã o determinada pelo §2" do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n°4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista que a averbação imposta em lei para constituição da reserva legal só foi realizada posteriormente à ocorrência do fato gerador, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto. s- a .11 aio arcos Candido - Relato - 410 6
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Numero do processo: 11543.004504/2004-10
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA Em caso de fraude, dolo ou simulação, a norma de
contagem do prazo decadencial desloca para a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, contando-se o qüinqüênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazê-lo.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULARIDADES
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria.
MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO Não é imotivado o ato administrativo arrimado em um procedimento fiscal regularmente instaurado com vista a identificar a situação fiscal do contribuinte na forma da legislação em vigor.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO E APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105 E DA LEI Nº. 10.174, AMBAS DE 2001 Não
é nulo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei
Complementar nº 105 e a Lei nº. 10.174, ambas de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas. (precedentes do STJ)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores
depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
DEPÓSITOS BANCÁRIOS MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS INTERPOSTA PESSOAS Quando restar demonstrado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiros, evidenciando interposição de pessoas, a determinação dos rendimentos ou
receitas será efetuada em relação aos terceiros, na condição de efetivos titulares da conta de depósito ou de investimento.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Não compete à autoridade
administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário.
MULTA QUALIFICADA INTERPOSIÇÃO DE PESSOA Nos casos de
interposição de pessoa, consistente na utilização de contas bancárias de terceiros para movimentar valores que pertenciam ao recorrente, está correta a aplicação do disposto no art. 44, inc. II, devendo ser mantida a multa qualificada.
Numero da decisão: 3301-000.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, afastar a preliminar de irretroatividade, vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Por unanimidade, rejeitar as demais preliminares. No mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULARIDADES O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO Não é imotivado o ato administrativo arrimado em um procedimento fiscal regularmente instaurado com vista a identificar a situação fiscal do contribuinte na forma da legislação em vigor. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO E APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105 E DA LEI Nº. 10.174, AMBAS DE 2001 Não é nulo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei Complementar nº 105 e a Lei nº. 10.174, ambas de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas. (precedentes do STJ) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 45 04 /2 00 4- 10 Fl. 2348DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS INTERPOSTA PESSOAS Quando restar demonstrado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiros, evidenciando interposição de pessoas, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação aos terceiros, na condição de efetivos titulares da conta de depósito ou de investimento. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. MULTA QUALIFICADA INTERPOSIÇÃO DE PESSOA Nos casos de interposição de pessoa, consistente na utilização de contas bancárias de terceiros para movimentar valores que pertenciam ao recorrente, está correta a aplicação do disposto no art. 44, inc. II, devendo ser mantida a multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, afastar a preliminar de irretroatividade, vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Por unanimidade, rejeitar as demais preliminares. No mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Presidente em exercício. Assinatura digital Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 20/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Rubens Maurício Carvalho (Suplente convocado), Núbia Matos Moura, Eduardo Tadeu Farah, Alexandre Naoki Nishioka, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em Exercício), Silvana Mancini Karam, Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Edmilson Firme Simão Junior recorre a este conselho contra a decisão proferida pela 1a Turma da DRJ – Rio De Janeiro II, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 2125 a 2242. Tratase de exigência de IRPF com valor total de R$ 1.374.336,63, já incluídos a multa de 150% e os acréscimos legais cabíveis. Fl. 2349DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11543.004504/200410 Acórdão n.º 3301000.136 S3C3T1 Fl. 3 3 A infração apurada pela fiscalização foi omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não comprovada. A presente ação fiscal foi instaurada em decorrência de fatos constatados por ocasião do procedimento fiscal no contribuinte Jacy Brandão Leite – CPF 049.599.30772, detalhados no Termo de Verificação de Infração fls. 1804 a 1976, do qual se extrai, resumidamente: Ação Fiscal sobre Jacy Brandão Leite No ano de 2001, o contribuinte Jacy Brandão Leite foi incluído em programa de fiscalização, em razão de se ter constatado que o mesmo era titular de direito de contas bancárias cuja movimentação financeira atingiu o montante de R$ 3.310.721,14, durante o ano calendário 1998, ao passo que declarou isento do imposto de renda do respectivo exercício. O fiscalizado interpôs Mandado de Segurança e em razão de liminar concedida a ação fiscal foi interrompida. Em 07/03/2003, após o trânsito em julgado de sentença de mérito que denegou a segurança pleiteada, foi iniciado novo procedimento fiscal com a ciência do Termo de ReIntimação Fiscal às fls. 10/12. As informações sobre a movimentação financeira de Jacy Brandão Leite foram inicialmente obtidas a partir do processo judicial nº 2001.50.01.0072172, decorrente de inquérito policial instaurado na Polícia Federal paralelamente à interrupção do primeiro procedimento fiscal. Respaldada pela decisão da Juíza Federal da 2ª Vara da Seção Judiciária do Espírito Santo, que deferiu a extensão do afastamento do sigilo bancário à Receita Federal, a fiscalização obteve acesso aos autos do processo judicial e dele extraiu cópias de cheques, depósitos, transferências eletrônicas e DOC encaminhados pelo Banco Bradesco àquele Juízo. Tendo em vista a não apresentação dos extratos bancários pelo contribuinte, solicitou a fiscalização a emissão de Requisição de Movimentação Financeira – RMF (fls. 56/58), nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.274/2001. Foram então emitidas RMF ao Banco Rural S/A, Banco do Brasil S/A, Unibanco – União de Bancos Brasileiros S/A e ao Banco Bradesco S/A (fls. 59/70). A fiscalização efetuou diligências de “circularização” com o objetivo de identificar a movimentação bancária na contacorrente nº 574511, agência 04146 do Banco Bradesco, já que esta conta concentrava a quase totalidade da movimentação financeira do ano de 1998. Apesar de Jacy Brandão Leite figurar como titular, a citada contacorrente fora aberta, por procuração, pelo contribuinte José Augusto Simão que detinha, ainda, autorização para movimentála juntamente com o seu irmão, Edmilson Firme Simão Júnior. A partir dos resultados obtidos, a fiscalização considerou existir indícios de que o titular de fato da contacorrente era o contribuinte José Augusto Simão em conjunto com Edmilson Firme Simão Junior, sendo o fiscalizado interposta pessoa daquele. Em 10/08/2004, Jacy Brandão Leite se pronunciou mediante Ofício às fls. 996/1018 assumindo a titularidade da contacorrente auditada e informou que os recursos nela creditados provêm em sua grande parte de serviço de intermediação de compra e venda de Fl. 2350DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 bovinos que prestava ao interessado e ao Sr. José Augusto Simão e também de sua atuação no segmento financeiro. Diante dos elementos colhidos nas diligências de “circularização” que indicavam fortes indícios de que Jacy Brandão Leite não era titular da aludida conta bancária, foi encerrado o procedimento fiscal sobre esse contribuinte. Ação Fiscal sobre Edmilson Firme Simão Junior A ação fiscal teve início com a ciência, em 12/12/2003, do Termo de Início de Fiscalização (fls. 429/433). Na mesma data foi iniciado procedimento fiscal em nome de José Augusto Simão, tendo em vista que as provas até então obtidas o apontavam como sendo cotitular de fato da aludida conta. Em 29/10/2004 foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 0093/2004 (fls. 1335/1341). No referido termo foram apresentados os fatos que levaram a fiscalização a apontar o interessado como titular de fato da conta bancária nº 57451 do Banco Bradesco, em conjunto com José Augusto Simão, e Jacy Brandão Leite como sendo interposta pessoa. O interessado não atendeu à intimação do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 0093/2004 e suscitou nulidade do procedimento administrativo em foco. A partir das diligências de “circularização” efetuadas nos procedimentos fiscais em nome de Jacy Brandão Leite e José Augusto Simão a fiscalização constatou que: i Edmilson Firme Simão Junior esteve direta ou indiretamente envolvido em diversas operações de compra de bovinos destinados a fazendas de sua propriedade, em condomínio com José Augusto Simão e demais irmãos, com o pagamento feito aos vendedores através de cheques ou DOC da referida conta 574511; ii em vários cheques e DOC destinados aos pagamentos de bovinos constava assinatura de Edmilson Firme Simão Junior; iii Edmilson Firme Simão Junior e José Augusto Simão, utilizaram a referida contacorrente para movimentar recursos da factoring A.C.S. Fomento Mercantil Ltda., da qual eram os verdadeiros titulares, sob a interposta pessoa de Marcio Geraldo Mônico. Cientificado do auto de infração (fl. 1997), o autuado interpôs Impugnação (fls. 2009/2072), sustentando, em síntese: a) irregularidade no procedimento fiscal, pois o mesmo foi prorrogado sem autorização da autoridade competente e a revelia do contribuinte; b) o prazo estabelecido para conclusão do Mandado de Procedimento Fiscal não foi cumprido e não houve ato legal de prorrogação, vez que os mandados complementares emitidos não foram assinados pelo Delegado da Receita Federal; c) falta de motivação específica para a prorrogação dos trabalhos fiscalizatórios; Fl. 2351DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11543.004504/200410 Acórdão n.º 3301000.136 S3C3T1 Fl. 4 5 d) não houve qualquer enunciação de motivos que justificasse o prosseguimento da Ação Fiscal, o que feriria os incisos VII e VIII, do artigo 2º da Lei de Processo Administrativo Federal (Lei nº 9.784/1999); e) decadência de todos os fatos jurídicos tributários (fatos geradores) ocorridos durante o período objeto da fiscalização, mesmo aplicando a regra do artigo 173, inciso I do CTN, o presente lançamento estaria fulminado pela decadência, uma vez que o termo a quo seria o dia 1º de janeiro de 1999, tendo como dies ad quem o dia 31 dezembro de 2003; f) os responsáveis pela ação fiscal presumiram equivocadamente que uma das contas do contribuinte Jacy Brandão Leite pertencia de fato ao impugnante, pois, a acusação que pende contra o impugnante é a de que ocultou a sua identidade em contrato celebrado com terceiro utilizandose de interposta pessoa existente de fato e de direito e que, portanto, houve interposição fictícia ou fraudulenta de pessoa (ilícita); g) flagrante bis in idem, vez que a materialidade ora tributada (auferir renda no ano calendário 1998) foi objeto de investida fiscal já encerrada que resultou na constituição de um crédito tributário em nome de Jacy Brandão Leite, conforme se pode extrair do Anexo I deste processo, que hoje está sendo amortizado mediante parcelamento; h) durante o procedimento fiscal foram utilizados documentos e informações colhidos de outro processo administrativo. Por ter sido emprestada de processo do qual não participou as provas são ilícitas; i) violação do direito ao sigilo bancário e o direito à intimidade no momento em que intimou várias pessoas físicas e jurídicas a prestar esclarecimentos; j) o embaraço à fiscalização que teria motivado a solicitação de expedição de RMF em 17/02/2004 não aconteceu, vez que o impugnante havia entregado à fiscalização, em 10/02/2004, diversas informações e documentos; k) a utilização pela SRF das informações sigilosas da CPMF para constituição de crédito de outras contribuições e impostos só foi possível a partir da vigência do art. 1º da Lei nº 10.174/2001, em 09/01/2001, sendo vedada a retroatividade; l) caberia aos auditores provar que os depósitos bancários representaram renda auferida para que pudesse tributálos na forma da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos. Cita ementas do Conselho de Contribuintes; m) não foi auferida renda que justificasse a incidência de imposto. Os recursos tributados não se incorporaram ao patrimônio do impugnante pelo simples fato de não ser o titular da conta corrente 574511 do Banco Bradesco, e, que os referidos recursos apenas passaram transitoriamente pela contacorrente, sendo, em sua grande parte, oriundos de operações de intermediações, que foram efetivamente escrituradas em livro caixa e cujos tributos foram devidamente recolhidos; n) indevida a imposição da multa no percentual de 150%, pois não teria sido comprovado o dolo ou intuito de fraude. A fraude não pode ser presumida, devendo estar devidamente comprovada nos autos. Fl. 2352DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 A 1ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas transcritas: Ementa: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). NULIDADES DECORRENTES DO MPF. O MPF constituise em instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. No caso, sequer se confirmou a irregularidade alegada relativamente ao MPF. LANÇAMENTO BASEADO EM PROVA EMPRESTADA, ORIUNDA DE OUTRO PROCEDIMENTO FISCAL. Em se tratando de procedimento fiscal, não cabe suscitar violação do contraditório para invalidar provas emprestadas que valem, igualmente, como as provas originais. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. É incabível falarse em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERTENCENTES A TERCEIROS. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. Cientificado da decisão de primeira instância (fls.2119/2120), Edmilson Firme Simão Junior interpôs Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah Fl. 2353DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11543.004504/200410 Acórdão n.º 3301000.136 S3C3T1 Fl. 5 7 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 1998. Antes de se entrar no mérito da questão, insta enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pelo contribuinte. Decadência Em relação à decadência, importante observar o disposto no § 4º do art. 150 e inciso I do art. 173, do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) O Imposto de Renda configurase tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do caput do art. 150 do CTN. Contudo, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (§ 4º do art. 150 do CTN) há um deslocamento da norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do mesmo diploma, contandose o qüinqüênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazêlo. Assim, tendo em vista a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (como será tratado adiante) para o anocalendário 1998 o prazo decadencial começou a fluir em 01/01/2000 sendo seu término em 31/12/2004. Como a ciência ocorreu em 20/12/2004, o lançamento não havia sido atingido pela decadência. Ilegalidade do Auto de Infração Fl. 2354DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Em relação às ilegalidades mencionadas pelo recorrente, qual seja, que houve vícios na formação da exigência fiscal, falta de motivação do ato administrativo e irregularidade na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, entendo, pois, que razão não lhe assiste. Pelo que se verifica dos autos é incabível qualquer argüição de irregularidade formal na formalização da exigência. A autoridade lançadora constituiu o crédito em estrita obediência à legislação mencionada. As peças produzidas pela fiscalização, bem como o auto de infração e seus anexos, estão devidamente elaborados, devidamente fundamentados e com as descrições necessárias, possibilitando uma perfeita compreensão dos fatos ali relatados. Quanto à falta de motivação do ato administrativo suscitado pelo recorrente, deve ser esclarecido que o ato administrativo foi motivado e arrimado em um procedimento fiscal regularmente instaurado com vista a identificar a situação fiscal do contribuinte na forma da legislação em vigor. Aliás, com base nas informações extraídas dos sistemas informatizados da SRF, identificouse, na forma jungida pelo principio da impessoalidade, movimentação bancária superior a real capacidade do contribuinte Jacy Brandão Leite e, por meio de investigações, circunscrita ao princípio da legalidade, identificouse relação pessoal e direta do recorrente com o fato gerador em questão. As normas que regem a constituição do crédito tributário advêm do superior interesse público de que se reveste a arrecadação tributária, fato que o torna indisponível. O Juiz Federal Zuudi Sakakihara (in “Código Tributário Nacional Comentado” coordenação de Vladimir Passos de Freitas Ed. Revista dos Tribunais, 1999, p. 561) coloca bem a questão: Além de vinculada, essa atuação administrativa é obrigatória em duplo sentido. Em primeiro lugar, porque a arrecadação do tributo revestese de interesse público e, por isso, é indisponível, fato que, por sua vez, confere obrigatoriedade à atuação da administração. Isso quer dizer que, não tendo a Administração o poder de dispor do direito ao tributo que surge para o Estado em razão da ocorrência do fato gerador, terá de obrigatoriamente promover a sua execução forçada, caso não haja o pagamento voluntário pelo sujeito passivo. Em segundo lugar, porque a execução forçada não poderá ser promovida sem o título executivo, que é materialmente constituído pelo lançamento, como já se viu. Por a todo exposto, verificase que o ato administrativo encontrase devidamente motivado. No que tange as supostas irregularidades na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, cumpre esclarecer que o MPF por ser um ato infralegal não pode conceder, ampliar, restringir ou retirar competência atribuída por lei ao AuditorFiscal da Receita Federal de realizar ação fiscal e efetuar o respectivo lançamento, como determinado pelo art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 2355DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11543.004504/200410 Acórdão n.º 3301000.136 S3C3T1 Fl. 6 9 identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funciona. A Portaria SRF n° 3.007/2001, com as modificações produzidas pela Portaria SRF nº 1.238/2002 e pela Portaria SRF nº 1.468/2003, em nenhum momento restringe ou retira competência atribuída por lei ao AFRF para fiscalizar e efetuar o respectivo lançamento, até porque isso só seria possível mediante lei. As normas citadas cuidam tão somente de oferecer segurança ao contribuinte ao possibilitarlhe a confirmação “via internet” da ação fiscal, da sua extensão e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária por determinação desta. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento que tem como objetivo, além do acima exposto, permitir o gerenciamento da ação fiscal pela Administração Fazendária, sem, contudo, se sobrepor às disposições de lei que regem a competência da autoridade fiscal e o processo administrativo fiscal. Todo o raciocínio acima encontra amplo respaldo na jurisprudência administrativa, conforme Acórdãos prolatados pelo Conselho de Contribuintes a seguir transcritos: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – IRREGULARIDADES – NÃO CONTAMINAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 107 07280). Ademais, pelo que se extrai do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF à fl. 01 (verso), obtida através da consulta ao site da Receita Federal na Internet, as prorrogações foram registradas eletronicamente até o término da ação fiscal com a lavratura do auto de Infração em 15/12/2004, na forma prevista pela Portaria SRF n° 3.007/2001. Dessarte, não houve irregularidade na formação da exigência. Quebra do Sigilo Bancário e Aplicação Retroativa da Lei Complementar nº 105/2001 e da Lei nº. 10.174/2001 O recorrente alega, ainda, ilegalidade na quebra do sigilo bancário, além da utilização indevida da Lei n° 9.311/1996, na constituição do crédito tributário. Novamente, a preliminar suscitada pelo contribuinte deve ser refutada, senão vejamos: A Lei nº 9.311/1996 proibia à utilização das informações recebidas, relativa ao recolhimento da CPMF, para constituição do crédito tributário, justamente porque, caso contrário, estarseia autorizando, por via transversa, o acesso do fisco a informações bancárias Fl. 2356DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 sem que houvesse lei complementar regulando a matéria. Assim dispunha o art. 11da Lei nº 9.311/1996: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § lº No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2º As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. (grifei) No entanto, com a edição da Lei Complementar nº 105/2001, ao dispor sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinou: Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; (...) Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5º As informações a que se refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Fl. 2357DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11543.004504/200410 Acórdão n.º 3301000.136 S3C3T1 Fl. 7 11 Assim, a norma que vedava a utilização dos dados da CPMF para a constituição de outros créditos tributários perdeu a razão de sua existência, motivo pelo qual a restrição foi abolida pela Lei nº 10.174/2001. Dessa forma, o art. 11 passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 1o O art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art.11(...) § 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1.996, e alterações posteriores." (NR) (grifei). § 3oA. (VETADO) (...) Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. A Lei Complementar n° 105/2001 flexibilizou a regra de acesso às informações bancárias, não sendo necessária autorização judicial para autoridade fiscal. Contudo, esse acesso não constitui quebra de sigilo, visto que, as informações obtidas permanecem protegidas, pois a Lei Complementar estabeleceu novo critério de apuração e fiscalização, ampliando o poder de investigação das autoridades administrativas. Ressaltese, ainda, que ao lançamento aplicase a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas, nos termos do art. 144, §1º, do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Corroborando, o Superior Tribunal de Justiça, antes mesmo da edição da LC nº 105, de 2001, entendia possível o acesso aos dados protegidos por sigilo bancário. Vejase a seguinte ementa: É certo que a proteção ao sigilo bancário constitui espécie do direito à intimidade consagrado no art. 5º, X, da Constituição, Fl. 2358DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 direito esse que revela uma das garantias do indivíduo contra o arbítrio do Estado. Todavia, não consubstancia ele direito absoluto, cedendo passo quando presentes circunstâncias que denotem a existência de um interesse público superior. Sua relatividade, no entanto, deve guardar contornos na própria lei, sob pena de se abrir caminho para o descumprimento da garantia à intimidade constitucionalmente assegurada. [STJ – Corte Especial – AgReg do IP n.º 187/DF – Rel. Min. Sávio de Figueiredo Teixeira – Diário de Justiça, Seção I, 16/09/96] Concluise, portanto, que havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos. Acresçase, ainda, que se encontra presente aos autos todos os elementos para a utilização da RMF Requisição de Movimentação Financeira, razão pela qual a ausência de embaraço à fiscalização, suscitada pelo recorrente, não pode ser oposta, pois a emissão se deu em decorrência da não apresentação dos extratos bancários pelo contribuinte, no prazo determinado pela fiscalização. Portanto, legal a requisição das informações bancárias às instituições financeiras. Assim, não houve qualquer ilegalidade no afastamento do sigilo bancário. Prova Emprestada Insurge novamente o recorrente contra a utilização de prova emprestada de Inquérito Policial e de Procedimento Fiscal, asseverando que, “não pode haver violação do direito ao sigilo bancário e a intimidade do contribuinte”. Compulsandose os autos, observo que todo o procedimento efetuado pela autoridade fiscal encontrase amparado pelo principio da legalidade expresso na forma do art. 37 da Constituição Federal. Por outro lado, nada obsta a utilização de prova obtida em processo conexo. Para a legitimidade da prova originada de outro processo é necessário que tenha sido validamente produzida no processo de origem, bem como seja submetida ao crivo do contraditório no processo onde se busca os efeitos da mesma. Aliás, a capacidade tributária ativa permite a utilização de informações e aproveitamento de atos de fiscalização associado a contribuinte que tenham ligação direta com o fato gerador da obrigação principal. Frisese, por oportuno, que para o Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, é necessário que guarde pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. A Corte Superior de Justiça também se posicionou a respeito desse tema, como se vê em parte do seguinte aresto: A doutrina e a jurisprudência se posicionam de forma favorável à prova emprestada, não havendo que suscitar qualquer nulidade (...). Constatado o exercício do contraditório e da ampla defesa" (STJ, Terceira Turma, MS 9850/DF, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, DJ 09/05/2005). Fl. 2359DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11543.004504/200410 Acórdão n.º 3301000.136 S3C3T1 Fl. 8 13 Pelos fundamentos expostos, entendo que não houve qualquer ilegalidade em relação à prova produzida nos autos, sobretudo por ter sido conferida ao recorrente o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Mérito Lançamento com Base em Depósitos Bancários Sustenta o recorrente que o depósito bancário, por si só, não configura fato gerador do imposto, sendo imprescindível a comprovação de sua utilização como renda consumida, de forma a evidenciar sinais exteriores de receita. Afirma, ainda, que a fiscalização considerou como renda verbas que, transitoriamente, passaram pela conta corrente do contribuinte Jacy Brandão Leite, aviltando, dessa forma, o principio da segurança jurídica, isonomia e capacidade contributiva. De início, há de se tecer um breve histórico da legislação sobre a tributação de depósitos bancários, para que se possa aclarar o entendimento que o recorrente demonstra sobre esta forma de tributação. O ato legal que primeiramente autorizou a utilização de depósitos bancários injustificados para arbitramento de omissão de rendimentos foi a Lei nº. 8.021, de 12 de abril de 1990, que assim dispõe em seu art. 6º e parágrafos: Art. 6. º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5. º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) O texto legal, portanto, permitiu o arbitramento dos rendimentos omitidos, utilizandose depósitos bancários injustificados, desde que demonstrados sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível. Percebese claramente que na vigência da Lei nº. 8.021/1990, o fato que permitia presumir a renda omitida eram os sinais exteriores de riqueza, e não os depósitos bancários injustificados, mero instrumento de arbitramento. Porém, a partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº. 8.021/1990. Com a edição da Lei n° 9.430/1996 (alteração introduzida pelo art. 4° da Lei nº. 9.481/1997) foi possível à tributação com base em depósitos bancários, contudo, não havia a necessidade de se demonstrar sinais exteriores de riqueza. É o que prevê o art. 42 de Lei n° 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 2360DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Como se depreende da leitura do dispositivo legal supra, o legislador estabeleceu a partir da edição da Lei n° 9.430/1996, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, os valores tornamse sujeitos à tributação, por presunção legal de omissão de rendimentos. O contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável, invertendo, portanto, o ônus da prova, característica das presunções relativas, que admite prova em contrário. A utilização da figura jurídica da presunção legal para fins de encontrar a renda omitida, está em perfeita consonância com os dispositivos legais constante na legislação pátria. Apegome essencialmente ao fato de que, a presunção constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou o recorrente. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, na forma do artigo 43 do CTN: Art. 43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001); Com efeito, diferentemente do que faz crer o recorrente, o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, não sendo necessária a comprovação, por parte do Fisco, de que os valores depositados representaram acréscimo em seu patrimônio. Portanto, não comprovada a origem dos depósitos levantados pelo Fisco, os mesmos foram presumidos como rendimentos auferidos pelo autuado no anocalendário em apreço. Esse entendimento encontrase assentado na Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante à ementa destacada: DEPÓSITO BANCÁRIO – OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.(Data da Sessão: 12/06/2006 CSRF/0400.259) Em outra passagem, alega o suplicante que houve fragrante bi Fl. 2361DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11543.004504/200410 Acórdão n.º 3301000.136 S3C3T1 Fl. 9 15 tributação de hipotéticos fatos gerados ocorridos no ano calendário 1998 e que a fiscalização considerou como renda, verbas que, transitoriamente, passaram pela conta corrente do contribuinte. Sobre a alegação de que vários depósitos foram duplamente tributados, bem como diversas verbas passaram transitoriamente pela conta do recorrente, como o suplicante não aponta individualmente quais seriam esses valores, não há como excluílos. Ressaltese que meras alegações, desacompanhadas de provas, não podem ser contrapostas aos levantamentos efetuados pelo Fisco. Dessarte, o ônus da prova recai sobre aquele cujo benefício se aproveita. Origem dos Recursos Depositados na ContaCorrente em Nome de Jacy Brandão Leite Aduz o recorrente que o Sr. Jacy Brandão Leite é de fato e de direito o efetivo titular da movimentação bancária do Bradesco c/c n° 57451, agência n° 04146. Assevera, ainda, que são indevidas presunções por parte do Fisco quando desconsiderou negócios jurídicos válidos. Pois bem, observo, inicialmente, que para chegar à conclusão de quem seria o efetivo titular dos depósitos/créditos bancários, a fiscalização apoiouse na existência de uma série de fatos e elementos, conforme se extrai do Termo de Verificação de Infração, a saber: O contribuinte Edmilson Firme Simão Junior movimentava a conta corrente 574511 em foco, assinando cheques e DOC’S conforme comprovam as cópias destes documentos bancários arrolados... (fl. 1968) O contribuinte Edmilson Firme Simão Junior possuía cartão de autógrafos junto à agência bancária (fl.1203), em razão de poderes para movimentar contas bancárias que lhe foram outorgados mediante instrumento de procuração (fls. 1207/8), por Jacy Brandão Leite, que por seu turno, apesar de figurar como titular de direito cada conta, estava impedido de fazer saques por não possuir cartão de autógrafos, conforme informado pelo Bradesco em oficio de 28/09/2004 (fl.1201), em resposta a RMF n° 0720100 2004 000245 8 (fl.1201); O extrato de movimentação da conta 574511 em pauta, no Anexo II, possui um total de 994 lançamentos de “cheque”, “cheque compensado” e “transferência de fundos DOC”. E tivemos a oportunidade de analisar, uma a uma, um total de 920 cópias de cheques e DOCs desta conta, obtidas com autorização judicial no processo nº 2001.50.01.0072172, conforme já mencionado anteriormente, sendo que em 797 delas encontramos a assinatura de José Augusto Simão e em 148 encontramos a assinatura de Edmilson Firme Simão Junior. Assim, não encontramos um único cheque ou DOC ou outro documento bancário qualquer, sacando fundos desta conta, que contivesse a assinatura de Jacy Brandão Leite, no meio desta amostra, representando Fl. 2362DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 93% do total de documentos bancários deste tipo. (fl. 1969) (grifei) Do exposto, verificase que o real detentor dos recursos movimentados é o recorrente, que detém capacidade contributiva compatível com as movimentações efetuadas. Assim, a utilização de terceira pessoa nas transações, visou, basicamente, ocultarse da relação obrigacional tributária, razão pela qual o lançamento deve ser efetuado em nome do real detentor dos recursos, na forma do §5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996: § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Assim, nas situações em que se comprove ser a conta corrente movimentada por terceiro e não aquele cujo nome aparece como titular, se está diante da possibilidade de tributar o terceiro, na condição de interposta pessoa. Assim, correto o procedimento fiscal que atribuiu ao autuado a movimentação financeira da titularidade do Sr. Jacy Brandão Leite. Ofensa a Princípios Constitucionais O contribuinte alega que a autoridade autuante deixou de observar alguns princípios constitucionais na formação da exigência. A alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal é matéria que não pode ser apreciada no âmbito deste processo administrativo. Somente o Judiciário é competente para julgála, nos termos da Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Assim, tais argumentos não devem ser apreciados por este julgador administrativo. Esse entendimento é pacifico no 1O. Conselho de Contribuintes, conforme Súmula nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Multa Aplicada O contribuinte discorda da aplicação da multa de 150% sobre o imposto apurado, argumentando que não foi comprovado o dolo e tampouco interposição de pessoa, razão pela qual teria o Fisco presumido a ocorrência de fraude. A qualificação da multa se deu em razão do disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, que preceitua, in verbis: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 2363DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11543.004504/200410 Acórdão n.º 3301000.136 S3C3T1 Fl. 10 17 II – de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez o art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, dispõe: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A autoridade fiscal qualificou a exigência, pois entendeu que o recorrente agiu com o evidente intuito de fraude. Concluiu a fiscalização que “restou claramente demonstrada utilização de interposta pessoa. Indubitavelmente, ao efetuar movimentação bancária em nome de terceiro, o contribuinte teve o propósito deliberado de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda.” (fl. 1973) (...) “o fato é que o contribuinte omitiu, em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário de 1998, exercício 1999 – DIRPF 99, receitas tributária, caracterizadas por valores creditados em conta corrente mantida em nome de ‘laranja’, deixando de recolher o imposto.” (fl. 1974) Relativamente ao dolo convém trazer à baila as conclusões de Alberto Xavier no seu livro “Do lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário”, Editora Forense: Ensina Galvão Teles – com a clareza que é de seu timbre – que ‘dolo, na acepção com que lhe dá a linguagem dos juristas, é a intenção de provocar um evento ou resultado contrário ao Direito. O agente prevê e quer o resultado ilícito; este representase no espírito do sujeito que o elege como fim, e para ele dirige a sua vontade através de uma conduta ativa ou passiva’ (Dos Contratos em Geral, 2a ed., 1962, pág. 45). Não pode falarse em fraude à lei sem que exista dolo e não pode falarse em dolo onde não ocorra uma especial direção subjetiva da consciência e vontade do agente que possa caracterizarse como ‘intenção fraudulenta’.” Fl. 2364DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 Da análise das peças processuais, não há dúvidas que o recorrente movimentou recursos próprios utilizando a conta corrente de outrem, ocultando, o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. Tenho para mim, que a fiscalização ao adotar o procedimento de auditoria, circularizar informações, carrear provas, levantar os valores aplicados por interposta pessoa e vinculálos ao autuado exauriu os meios de prova. Portanto, o conjunto probatório carreado aos autos autoriza o convencimento da prática de interposta pessoa no momento em que o recorrente, utilizando conta bancária de terceiro, movimenta seus recursos, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador configurando. Nessa conformidade, deve ser mantida a multa qualificada. Ante o exposto, VOTO por REJEITAR as preliminares e no mérito NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 2365DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0421.14317.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDUARDO TADEU FARAH em 20/11/2013 17:20:00. Documento autenticado digitalmente por EDUARDO TADEU FARAH em 20/11/2013. Documento assinado digitalmente por: EDUARDO TADEU FARAH em 20/11/2013 e MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA em 20/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 21/04/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP21.0421.14317.EIPU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: AFEE0388EACB9FE97FBAC96D5DC4037DB3A5C61D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11543.004504/2004-10. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10840.002287/2001-63
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992
ILL - SOCIEDADE LIMITADA - DECADÊNCIA - PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DO INDÉDITO.
-Nos casos de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como nas hipóteses em que a própria Administração edita ato reconhecendo a inexigibilidade do tributo recolhido, é a contar da publicação desses eventos jurídicos que começa a fluir o prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição.
- Publicada em 25 de julho de 1997 a Instrução Normativa SRF, n.º 63, por meio da qual a Administração reconheceu que não era devido crédito tributário exigido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1998, o prazo que o contribuinte tem para pedir a restituição estende-se até 24 de julho de 2002.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/04-00.948
Decisão: ACORDAM os membros da quarta turma da câmara superior de recursos fiscais Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para apreciar as demais questões relacionados ao pleito. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1990, 1991, 1992 ILL - SOCIEDADE LIMITADA - DECADÊNCIA - PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DO INDÉDITO. -Nos casos de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como nas hipóteses em que a própria Administração edita ato reconhecendo a inexigibilidade do tributo recolhido, é a contar da publicação desses eventos jurídicos que começa a fluir o prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição. - Publicada em 25 de julho de 1997 a Instrução Normativa SRF, n.º 63, por meio da qual a Administração reconheceu que não era devido crédito tributário exigido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1998, o prazo que o contribuinte tem para pedir a restituição estende-se até 24 de julho de 2002. Recurso Especial do Procurador Negado
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