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Numero do processo: 19515.002038/2010-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA CALCULADA COM BASE NA LEI 8.218/1991. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há espaço jurídico para a aplicação da multa prevista no art. 12, inciso III, da Lei 8.218/1991, que trata essencialmente sobre PIS e COFINS, quando se está tratando de contribuições previdenciárias, e respectivos deveres instrumentais, já que estas possuem legislação específica no que tange ao descumprimento de obrigação acessória.
Numero da decisão: 9202-007.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA CALCULADA COM BASE NA LEI 8.218/1991. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE. Não há espaço jurídico para a aplicação da multa prevista no art. 12, inciso III, da Lei 8.218/1991, que trata essencialmente sobre PIS e COFINS, quando se está tratando de contribuições previdenciárias, e respectivos deveres instrumentais, já que estas possuem legislação específica no que tange ao descumprimento de obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 38 /2 01 0- 25 Fl. 154DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional efls. 120/141, contra o acórdão nº 2402003.774, proferido na sessão do dia 18 de setembro de 2013 pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, que restou assim ementada: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA CALCULADA COM BASE NA LEI 8.218/1991. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE. Não há espaço jurídico para a aplicação da multa prevista no art. 12, inciso III, da Lei 8.218/1991, que trata essencialmente sobre PIS e COFINS, quando se está tratando de contribuições previdenciárias, e respectivos deveres instrumentais, já que estas possuem legislação específica no que tange ao descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Na origem, como relatado pela Câmara a quo: Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 11, parágrafos 3º e 4º, da Lei 8.218/1991 com redação da MP nº 2.158, de 24/08/2001, que consiste em a empresa deixar de atender a forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, nas competências 01/2005 a 12/2005. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 05/07), a empresa deixou de apresentar em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP em vigor na época. Os pedidos foram feitos mediante TIPF – Termo de Inicio de Procedimento Fiscal de 11/09/09 e reiterado através do Termo de Intimação, Reintimação para Apresentação de Fl. 155DF CARF MF Processo nº 19515.002038/201025 Acórdão n.º 9202007.575 CSRFT2 Fl. 155 3 Documentos de 12/03/10, 24/03/10, 16/04/10, 12/05/10,27/05/10 e 14/06/10. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 08) informa o valor da multa aplicada, sua fundamentação, números de dias de atraso, atualização da taxa de juros Selic, conforme dispõe a portaria conjunta PGFN/SRF n 10/2008 – DOU 17/11/2008. Intimada, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial efls. 120/141, requerendo a reforma do acórdão nº 2402003.774, requerendo que seja dado provimento ao presente Recurso Especial, para restabelecer o lançamento fiscal em razão da ausência de nulidade e de vício formal. Em relação ao tópico "nulidade em razão do erro da capitulação legal" apresenta como paradigmas os acórdãos n ºs 1401000.894 e 1802001.296, conforme ementas transcritas abaixo: Acórdão nº 1401000.894 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTOS. REGRA DO ART. 173 DO CTN. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4o, do CTN, quando ausentes dolo, fraude ou simulação. Somente a falta do pagamento antecipado, aplicarseia a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN, o que não foi o caso. Acórdão nº 1802001.296 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 DECISÃO RECORRIDA. REJEIÇÃO DE DILIGÊNCIA/PÉRICIA CONTÁBIL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR REJEITADA. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Fl. 156DF CARF MF 4 Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração da prova do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O sujeito passivo defendese dos fatos imputados e não da capitulação legal que pode, ou não, estar correta. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. CONFRONTAÇÃO DA DCTF E DA DIPJ. DIFERENÇAS DE IRPJ E DE CSLL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NO MÉRITO, MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Os débitos de tributos informados na DIPJ não configuram confissão de dívida. A DIPJ tem caráter meramente informativo de apuração de débitos. O instrumento, por excelência, de confissão de débitos de tributos federais é a DCTF. E, como Fl. 157DF CARF MF Processo nº 19515.002038/201025 Acórdão n.º 9202007.575 CSRFT2 Fl. 156 5 parte dos débitos dos tributos informados na DIPJ não foram pagos e nem confessados em DCTF, cabe ao fisco, mediante auto de infração, exigir essa diferença do principal, com respectivos juros de mora e multa de ofício. LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INFORMADAS NA DIPJ. DIFERENÇA DE COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. DIFERENÇA DE IMPOSTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No âmbito da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, no anocalendário que a receita bruta anual exceder a cem mil reais, particularmente as receitas de prestação de serviços submetemse ao coeficiente de presunção de trinta e dois cento, e não dezesseis por cento. Cabível a exigência pelo fisco, por auto de infração, da diferença de imposto, com juros de mora e multa de ofício, relativo à diferença de base de cálculo apurada a menor pelo sujeito passivo quanto às receitas de prestação de serviços informadas na DIPJ. No que diz respeito a natureza do vício, a apresenta como paradigmas os acórdãos nº. 240200.098 e 240202.632, que não foram analisados por terem sido prolatados pelo mesmo colegiado que atuou no presente feito, consoante o disposto no caput do art. 67 do RICARF (vigente a época Portaria MF n º 256/2008). Conforme despacho de efls. 142/144, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial para que seja rediscutido se o erro na capitulação legal da infração é causa ou não para declaração de nulidade do auto de infração . . Houve a intimação do Contribuinte via Edital, conforme documento de efls. 151. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, conheço do Recurso para apreciar se o erro na capitulação legal da infração é causa ou não para declaração de nulidade do auto de infração. Inicialmente destaco alguns pontos do voto proferido pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, no julgamento da Câmara a quo: (...) De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 05/07), a conduta infratora da Recorrente foi caracterizada em virtude do desatendimento do prazo para a apresentação de arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas, com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD) da Secretaria Fl. 158DF CARF MF 6 da Receita Previdenciária (SRP), infringindo a regra prevista no art. 11, §§ 3o e 4o da Lei 8.218/1991 (...) Como se pode ver na aludida regra do art. 11, §§ 3o e 4o da Lei 8.218/1991, esta estabelece os procedimentos para apresentação dos referidos arquivos digitais, nos padrões estabelecidos, respectivamente, nas versões 1.0.0.1 e 1.0.0.2 do Manad. (...) Entretanto, embora a fiscalização ter apurado que a Recorrente não exibiu os arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, com os padrões estabelecidos na regra do art. 11, §§ 3o e 4o, da Lei 8.218/1991, com a redação dada pela MP nº 2.15835/2001, a multa aplicada foi calculada com base no art. 12, inciso III e parágrafo único, dessa lei. (...) Ocorre que tal fundamento legal advém da edição da Medida Provisória nº 2.15835/01, que dispõe, essencialmente, sobre a “legislação das Contribuições para a Seguridade Social COFINS, para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e do Imposto sobre a Renda”. No meu entender, tal dispositivo é nitidamente voltado para fins de regulamentação do PIS e da COFINS (e seus deveres instrumentais), haja vista que leva em consideração, para fins de apuração da penalidade, a receita bruta da empresa, bem como “o anocalendário em que as operações foram realizadas”. Assim, não há qualquer razão em se aplicar a referida legislação quando se está tratando sobre contribuição previdenciária (e respectivos deveres instrumentais), tendo em vista que esta possui regra de incidência totalmente dissociada do PIS e da COFINS, além do fato de que, como dito acima, possui legislação específica. (Grifei). Entendo que tal decisão não merece reparos. Em relação ao tema nulidade, destaco o me posicionamento no acórdão 9202007.304,esclarecendo que no presente caso não houve o conhecimento do REsp da PGFN em relação a natureza do vício: No caso dos autos, a apurada análise do relatório fiscal, da forma como foi elaborado não convence acerca da real natureza da relação da prestação de serviços entre a recorrente e os professores ser uma efetiva relação de emprego. O fiscal deixou de observar aquilo o que disposto no art. 142 do CTN, não trazendo a lume prova suficiente que a meu ver justificasse a descaracterização da relação havida na contratação dos professores. Exemplo claro é o fato da caracterização da subordinação e não eventualidade terem sido aferidas diante de elementos alheios à forma de prestação de serviços entabulada. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 19515.002038/201025 Acórdão n.º 9202007.575 CSRFT2 Fl. 157 7 Adentrando propriamente na questão da análise do vício que ensejou a declaração de nulidade em relação a alguns itens do auto de infração, registro novamente que a compreensão e identificação da espécie desse vício (formal ou material) tem particular importância no âmbito do Direito Tributário, porque o Código Tributário Nacional prolonga o prazo de decadência para a constituição de crédito tributário que tenha sido cancelado por vício formal em sua constituição (CTN, art. 173, II). Os prazos de decadência tem a função de trazer segurança e estabilidade para as relações jurídicas, e é razoável admitir que o prolongamento desse prazo em favor do Fisco, em razão de erro por ele mesmo cometido, deve abranger vícios de menor gravidade. Com efeito, o sentido do CTN não é prolongar a decadência para todo o tipo de crédito tributário, mas apenas para aqueles que tenha sido anulados por ocorrência de "vício formal" em sua constituição. Nem sempre é tarefa fácil distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. O problema é que os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas, e isso às vezes cria linhas muito tênues de divisa entre o aspecto formal e o aspecto substancial das relações jurídicas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) Fl. 160DF CARF MF 8 No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal não pode estar relacionado aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, não pode referir se à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídico tributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídico tributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídico tributária. In casu, entretanto a formalização do auto de infração em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descritos no art. 142, caput, do CTN (aspecto material = identificação do fato gerador e determinação da matéria tributável, aspecto quantitativo = cálculo do montante do tributo devido e aspecto pessoal passivo = identificação do sujeito passivo) Nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 19515.002038/201025 Acórdão n.º 9202007.575 CSRFT2 Fl. 158 9 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Outrossim, no âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Ademais, não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ‑ CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. Como sabido, qualquer ato administrativo manter coerência entre os fatos/condutas descritos e seus fundamentos legais, conforme bem se depreende da lição de Di Pietro ao explicar que “o princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões”. Com efeito, não basta identificar a conduta objeto do ato, mas sim qualificar devidamente aquela conduta dentro da norma supostamente violada e apta a gerar a cobrança fiscal, inclusive sob pena de violação à legalidade. Por tudo o que se disse, não há como reconhecer aí a ocorrência de um vício formal. Nesse sentido, destaco o acórdão nº 9101 002.146, proferido pela 1ª Turma da CSRF: NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. Assim, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da PGFN, nos termos do despacho de admissibilidade e no mérito em negar provimento, mantendo inalterada a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 162DF CARF MF 10 Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13007.000315/2002-17
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 21/10/2002 a 31/10/2002
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO COM BASE EM PROVIMENTO JUDICIAL. ARTIGO 170-A.
Apesar de o disposto no 170-A do CTN, acrescentado pela Lei
Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente ser aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras do direito intertemporal, não se
homologa a compensação efetuada fora dos limites impostos em sentença judicial.
RENÚNCIA ADMINISTRATIVA.
Não se conhece da matéria concomitantemente discutida na via judicial.
Súmula n° 1 do Segundo Conselho de Contribuintes.
CONSECTÁRIOS LEGAIS: MULTA DE MORA.
Devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Artigo 61 da Lei n° 9.430/96.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA N°3, do 2º CC:
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.113
Decisão: ACORDAM os membros da 1º Câmara / 1º Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá Filho.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13007.000315/2002-17 Recurso n° 156.105 Voluntário Acórdão n° 2101-00.113 — 1' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria IP I Recorrente BRASKEM S/A Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I PI Período de apuração: 21/10/2002 a 31/10/2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO COM BASE EM PROVIMENTO JUDICIAL. ARTIGO 170-A. Apesar de o disposto no 170-A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente ser aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras do direito intertemporal, não se homologa a compensação efetuada fora dos limites impostos em sentença judicial. RENÚNCIA ADMINISTRATIVA. Não se conhece da matéria concomitantemente discutida na via judicial. Súmula n° 1 do Segundo Conselho de Contribuintes. CONSECTÁRIOS LEGAIS: MULTA DE MORA. Devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Artigo 61 da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA N°3, do r CC: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Recurso negado. -- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. o . Processo n°13007000315/2002-li S2-CIT1 - Acórdão n.° 2101-00.113 Fl. 527 ACORDAM os membros da P Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá Filho. CAIO MARCOS CÂNDIDO Presidente aii ....At\ç\-- 0Ns-Ni1 \t 0 LISBOA i :Rtff, te 1 I % s Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata-se de declaração de compensação para aproveitamento de créditos a título de IPI decorrente de aquisições isentas, alíquota zero e não tributadas, amparada no processo judicial n° 2000.71.00.018617-3/RS, relativos aos créditos de 21 a 31/11/2002 (cf. Declaração de Compensação e Créditos Decorrentes de Decisão Judicial de fls. 1 e 2), para compensação dos débitos do mesmo período, com vencimento em 08/11/2002, mesma data da declaração de compensação, relativo ao CNPJ n° 16.313.363/0009-74. Os processos distribuídos e analisados por este relator, e que constam da atual pauta de julgamentos, compreendem os seguintes períodos: DADOS DOS RV PROCESSO N° DADOS/CRÉDITOS DÉBITOS/COMPENSADOS TRIBUTO 156111 13007.000155/2003-89 01 A 30/04/2003 21 A 30/0412003 Mesma Espécie 156107 13007.000357/2002-40 21 A 30/11/2002 21 A 30/11/2002 Mesma Espécie 156106 13007.000354/2002-14 21 A 30/11/2002 21 A 30/11/2002 Mesma Espécie 156109 13007.000307/2002-62 21 A 30/09/2002 11 A 20/10/2002 Mesma Espécie 156104 13007.000123/2003-83 01 A 31/08/1999 01 A 1004/2003 Mesma Espécie 156110 13007.000137/2003-05 01 A 30'09/1999 11 A 20/04/2003 Mesma Espécie 156105 13007.000315/2002-17 21 A 31/10/2002 21 A 31/10/2002 Mesma Espécie 156112 13007.000138/2003-41 01 A 31/08/1999 II A 20/04/2003 Mesma Espécie 156108 13007.000386/2002-10 11 A20/12/2002 11 A20/12/2002 Mesma Espécie Adoto o relatório da DRJ-PORTO ALEGRE/RS (fls. 446/449), a seguir reproduzido: '3ç "A interessada manifesta sua inconformidade com o Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal em Porto Alegre/RS de fls. 61/2, que não reconheceu seu direito creditório e não e. ..' 2 \ .... Processo n°13007.000315/2002-17 S2-CITI - Acórdão n.° 2101-00.113 19. 528 homologou a compensação por ela declarada nas fls. 01/02, no valor de R$ 124.133,69. A decisão atacada fundamentou-se no fato de os créditos, oferecidos pela interessada para contrapor aos débitos serem decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado, em desacordo com os ares. 170-A do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar n" 104/01, 74 da Lei n" 9.430/96, alterado pelas Lei n" 10.637/02 e 37 da IN SRF n" 210/02; e, porque os mesmos créditos não estão por ela amparados visto ter reconhecido o direito apenas em relação aqueles apurados nos dez anos anteriores ao ajuizamento, tendo sido procedido seu estorno na escrita fiscal da interessada 26/32.), tudo nos termos do relatório de ação fiscal e despacho de fls. 37/55. Devidamente cientificada da decisão e intimada da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada, a interessada, no devido prazo e por meio de seus procuradores, expôs as razões de sua inconformidade às fls. 68/137, sintetizadas a seguir. Após breve descrição dos fatos, pugna inicialmente pela atribuição de efeito suspensivo à presente manifestação de inconformidade por força do art. 151 do CTN, ainda que a legislação vigente à época das compensações (art. 74 da Lei n" 9.430/96) assim não previsse, colacionando acórdãos do Tribunal Regional Federal da 4" Região e do Superior Tribunal de Justiça nesse sentido. Vem, ainda, reforçar sua tese com as regras de aplicação da lei no tempo estabelecidas na Lei de Introdução ao Código Civil, que diz se aplicarem subsidiariamente em matéria tributária, defendendo que deve ser aplicada a lei vigente no momento da interposição do recurso, citando jurisprudência do STJ nessa vereda. Assim, conclui, que a norma processual aplicável é a vigente quando da apresentação da inconformidade com a decisão administrativa prolatada, o que se deu já na vigência do § 11, do art. 74, da Lei C 9.430/96, acrescido pela Lei n°10.833/03. Preliminarmente alega da nulidade da decisão administrativa, nos termos da legislação que transcreve, dizendo que a carta cobrança foi endereçada à OPP Química S/A, quando ela Braskem S/A, por tê-la incorporado, é quem responde pelos tributos por aquela devidos até a data da incorporação, o que invalida de forma insanável aquele ato administrativo. A seguir diz que a Receita Federal, ao interpretar a sentença concessiva da segurança como tendo garantido seu direito ao aproveitamento dos créditos guerreados tão somente em relação àqueles anteriores à impetração do mandado de segurança, não tâ—tendo nenhum efeito quanto ao futuro, incorreu em erro tanto fático como jurídico. Erro fático por inexistir nos autos qualquer ç. negativa do direito em questão, dada à clareza, quer da sentença em reconhecê-lo quer do acórdão do TRF da 4" Região em (.....\confirmá-lo; e, jurídico, por tal interpretação contrariar a própria natureza do mandado de segurança cujo escopo é a .... 3 e Processo n° 13007.000315/2002-17 S2-CITI - Acórdão n.° 2101-00.113 Fl. 529 urgente proteção de direito legítimo do administrado, afastando do mundo jurídico o ato que lhe impede de exercê-lo momentaneamente e no futuro. Diz que, por fundar-se numa premissa falsa, a decisão está viciada de nulidade. Quanto aos efeitos do mandado de segurança e sua natureza traz a colação ensinamentos da doutrina e precedentes jurisprudenciais. Na seqüência, alega que a existência de decisão a seu favor transitada em julgado materialmente (sublinhado no original), impossibilita a cobrança do crédito tributário. Diz que a interessada teve garantido seu direito em todas as instâncias judiciais, e que a Fazenda Nacional, num último esforço, interpôs agravo regimental, recorrendo apenas parcialmente (grifado no original) da decisão monocrática do STF que não conheceu de seu recurso extraordinário. Refere que, no agravo, a Fazenda Nacional não atacou o mérito integral das decisões favoráveis à empresa, limitando-se a rediscutir o direito ao crédito na aquisição de insumos não-tributados (NT), a incidência de correção monetária e a definição da alíquota aplicável na apuração dos créditos objeto da lide. Em razão disso entende que o direito ao creditamento relativo aos insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero, já é matéria decidida, não sendo mais passível de reforma. Reforça seu entendimento através da exposição de ensinamentos doutrinários e em disposições legais sobre a coisa julgada. A seguir contesta a aplicação do art. 170-A do CTN, acrescido pela Lei Complementar n" 104/2001, afirmando que tal norma aplica-se exclusivamente às ações judiciais impetradas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigoro referido dispositivo, não atingindo o Mandado de Segurança por ela impetrado, por ser anterior. Diz que tal entendimento está de acordo com a jurisprudência do STJ, trazendo à colação julgados daquela corte. Obsta, igualmente, à incidência do art. 170-A do CTN, o fato de quando da sua edição, já existir decisão judicial cujo teor não pode ser modificado por norma superveniente. Frisa que entendimento contrário implica em outorgar eficácia retroativa a essa norma, em desacordo com o sistema jurídico pátrio que consagra o princípio da irretroatividade normativa, admitindo-a em hipóteses pontuais, como a das leis meramente interpretativas, não aplicável ao caso, socorrendo-se de excerto doutrinário nesse sentido. Alega, ainda, a impossibilidade da autoridade administrativa modificar a decisão judicial ou agregar comandos nela não contidos, já que inexiste na sentença previsão de aplicação do art. 170-A do CTN, transcrevendo disposições dos arts. 468 e 469 do Código de Processo Civil (CPC) e posicionamentos da g. - doutrina para fortalecer sua argumentação. Reproduz trechos do pedido do mandado e da sentença concessiva da segurança para demonstrar que o direito concedido foi o aproveitamento imediato dos créditos, dizendo ser clara, na sentença, a (...‘autorização para escriturar os créditos e utilizá-los para abater e..-' 4 Processo n° 13007.000315/2002-17 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.113 Fl. 530 débitos futuros. Afirma que somente o competente recurso à autoridade de superior grau hierárquico, no caso o TRF da 4" Região, poderia desconstitztir, reformar ou anular a decisão de 1" instância, poder este vedado à via administrativa, quer em obediência aos princípios da separação dos poderes e da inafastabilidade do controle judicial, quer pela ocorrência da preclusão consuma tiva. Discorre sobre a execução provisória da sentença que conceder o mandado, a qual não comporta recurso com efeito suspensivo, trazendo jurisprudência do STJ e doutrina sobre a matéria, e realça que a pretensão da Fazenda Nacional, em suspender a compensação imediata dos créditos, foi duplamente denegada nos recursos por ela interpostos. A seguir menciona e extrai excertos dos pareceres lavrados, a seu pedido, pelos professores Amido Alvim, Eduardo Arruda AM:ti, Ovídio Baptista e Roque Antônio Carrazza, que diz ratificarem seu entendimento sobre a matéria em discussão, reconhecendo a autorização para imediata compensação dos créditos, a não aplicação do art. 170-A do CTN ao Agravo Regimental por ela interposto, se insurgido in totum contra a decisão monocrática que negou seguimento ao seu Recurso Extraordinário. Daí em diante passa a explicitar os fundamentos jurídicos do direito ao aproveitamento dos créditos discutidos, bem como do seu amparo na doutrina. Diz que tal direito decorre do princípio constitucional da não-cumulatividade, que emerge do § 3" do art. 153 da Constituição Federal de 1988. Afirma que a não permissão do direito ao crédito decorrente da aquisição de insumos isentos, não-tributados ou tributados à aliquota zero, desnaturaria a exoneração tributária intentada pois na saída do produto tributado ao qual se incorporam, a exação incidiria sobre o valor dos ditos insumos, anulando-a. Reforça seu argumento de tal direito verter diretamente da CF/I 988, a disposição expressa do constituinte em vedar a possibilidade do creditamento em relação ao ICMS, tendo silenciado quanto ao IPI, e desta forma o permitindo, tacitamente. Ampara seus argumentos nas lições de diversos doutrinadores pátrios. Traz também à colação a posição do STF, onde, diz estar pacificada a jurisprudência do direito ao crédito em relação aos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, transcrevendo trechos de votos de alguns de seus ministros e mencionando vários arestos daquela corte. Diz que a tal orientação do pretório excelso deve submeter-se a SRF, por força do disposto no art. 1" do Decreto n°2.346, de 10 de outubro de 1997, cujo teor transcreve. Reforça que o precedente emanado do plenário da corte suprema tem sido aplicado em várias decisões monocráticas do próprio STF, e orientado a integralidade da jurisprudência do STJ e dos cinco TRF. Evoca também a introdução do art. 103-A, na Carta Constitucional que dispõe sobre a edição de súmula pelo STF sobre matéria constitucional cujo efeito vinculará os demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública, intentando que a decisão referida é potencialmente sumular. Faz menção ao art. 557 do CPC que autoriza as decisões 5 monocráticas denegando seguimento a recursos quanto à Processo n°13007.000315/200247 S2-CIT I Acórdão n.° 2101-00.113 11. 531 matérias em confronto com súmula ou jurisprudência dominante dos tribunais, dizendo que a orientação do STF é necessariamente (sublinhado no original) pelo direito ao aproveitamento dos créditos pleiteados, e que enquanto não sobrevier outra de igual hierarquia em sentido diverso, é juridicamente inexigível qualquer conduta à ela contrária, pelo que é ilegal e inconstitucional a pretensão do estorno dos créditos da impugnante. Quanto ao julgamento ocorrido no STF em 15 de fevereiro do corrente referido no despacho decisório, contrapõe que pende de decisão pelo Plenário a repercussão da mudança de entendimento sobre os processos já julgados, como também, no mesmo dia, o mesmo Plenário rejeitou Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, buscando modificar o precedente anterior que autorizou o crédito, padecendo de ilegalidade e inconstitucionalidade deixar de aplicar a orientação vigente até então naquela Corte ante a inexistência de decisão contrária transitada em julgado sobre a matéria, baseando-se em mera expectativa de mudança de entendimento. Pugna pelo expurgo da incidência da multa e juros de mora, reafirmando que todas as decisões proferidas no processo judicial, garantindo o seu direito ao aproveitamento aos créditos pleiteados, não foram objeto de reforma, encontrando-se em pleno vigor até a presente data. Assim, por estar amparada em provimento judicial, diz que não pode ser considerada em mora, reproduzindo dispositivos do Código Civil e excertos doutrinários a respeito desse instituto. Afirma que a sentença suspendeu a exigibilidade dos tributos na mesma medida em que reconheceu o direito aos créditos do IPL Reproduz o caput e ,sç 20 do art. 63 da Lei n" 9.430/96 que disciplina a matéria e colaciona jurisprudência administrativa e judicial, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e do 57'F. Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o despacho decisório e cancelar a carta de cobrança." O acórdão n° 10-14.452, prolatado pela 3" Turma da DREPOA, na sessão de 29 de novembro de 2007, é assim ementado: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração:21/10/2002 a 31/10/2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DENEGAÇÃO. Denegada a segurança quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de matérias-primas isentas, não-tributadas ou sujeitas à alíquota zero. posteriormente ao ajuizamento da ação, não há provimento judicial para sua utilização. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ TRÂNSITO EM JULGADO A compensação como forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo -.- gozem de certeza e liquidez. Em se tratando de créditos Processo n° 13007.00031512002-17 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.113 Fl. 532 • decorrentes de ação judicial, há necessidade do tránsito em julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. ACRÉSCIMOS MORA TORIOS. A exigência da multa de mora e dos juros moratórios decorre de expressa disposição legaL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornando-se nela definitiva. Solicitação Indeferida." Cientificada da decisão (ciência pessoal em 10/03/2008), conforme "COMUICAÇÃO SARAC/DRF/CCI N° 0231/2008 (fls. 464), é apresentado o recurso voluntário de fls. 468/514, em 08/04/2008, onde a recorrente reitera os argumentos suscitados anteriormente, que em síntese são os seguintes: a) alega que é um equívoco afirmar que o pedido (na esfera judicial) foi negado para o futuro; b) existência de decisão judicial favorável com trânsito em julgado materialmente, outorgando-lhe o direito ao crédito do IPI (RE n° 363.777); c) inaplicabilidade do art. 170-A do CTN, em razão da ação judicial ser • anterior à sua vigência; d) o direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos, não- tributados e com alíquota zero decorre do princípio da não- cumulatividade, conforme já decidido pelo E. STF; e) impossibilidade de exigência de multa de mora e juros de mora, tendo em vista que a recorrente pautou-se de acordo com a decisão judicial; f) multa isolada (auto de infração n° 11080.001649/2007-04) — ilegalidade da cobrança da multa isolada, em razão da retroatividade benigna (art. 106, do CTN); g) nesse sentido argumenta que o art. 63, da Lei n° 9.430/96 é explícito ao determinar que o contribuinte só incorrerá em mora 30 dias após eventual decisão que reforme a decisão que lhe favorece, o que, até o momento, não ocorreu e, provavelmente, não ocorrerá; h) que o acórdão recorrido foi omisso quanto ao Parecer da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional nos autos do processo n° 11080.007117/2006-91, no qual reconheceu expressamente, que a Recorrente teve reconhecido seu direito ao aproveitamento dos créditos em relação às operações futuras; i) que houve erro da Receita Federal ao afirmar que o pedido foi negado para o futuro, contrariando a própria natureza do mandado de segurança, "já que inexiste nos autos qualquer negativa ao dir o em questão 7 Processo n° 13007.000315/2002-17 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.113 Fl. 533 (manutenção e aproveitamento do crédito de IPI na aquisição de insumos sujeitos à aliquota zero), existindo, pelo contrário, EXPRESSA GARANTIA DO MESMO"; j) que há impossibilidade de cobrança do crédito em razão de existência de decisão favorável transitada em julgado "materialmente", vez que em momento algum a Fazenda Nacional ataca o direito ao creditamento de IPI na aquisição de matérias-primas isentas ou tributadas com aliquota zero de IPI, estando pendente de decisão no Agravo Regimental interposto, apenas quanto: (i) o direito ao creditamento na aquisição de insumos não-tributados (NT); (ii) correção monetária dos créditos abrangidos na ação e, (iii) a definição da aliquota aplicável na apuração dos créditos objeto do pleito; k) Reitera a inaplicabilidade do art. 170-A, do CTN, porquanto o referido dispositivo entrou em vigor em 10/01/2001, portanto posterior à impetração do Mandado de Segurança n° 2000.71.00.018617-3, de acordo inclusive com a jurisprudência do E. STJ (cita REsp n° 825.637/SP, rel. Min. Teori Albino Zavascki, ia Turma, julgado em 04.05.2006 — DJ 15.05.2006, p. 185); 1) Outro motivo para a inaplicabilidade do art. 170-A do CTN, é o fato da decisão judicial ser anterior ao citado artigo; m) Alega inexistência de previsão, na sentença, determinando a aplicação do art. 170-A do CTN, sendo vedado à autoridade administrativa modificar o "Decisztm" ou agregar comandos nele não contidos, por contrariar o art. 468, do CTN ("A sentença ... tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas"); n) Por outro lado, reitera que existe expressa determinação legal no sentido de que a sentença que concede a segurança pode ser executada provisoriamente, nos termos do art. 12, da Lei do Mandado de Segurança (Lei n° 1.533/51); o) Ainda não fossem suficientes os argumentos apresentados, os pareceres (a pedido da recorrente) formulados pelos professores Arruda Alvim, Eduardo Arruda Alvim, Ovídio Baptista e Roque Carrazza, os quais corroboram todas as alegações apresentadas; p) Alega ainda que o direito em questão, decorre diretamente da Constituição de 1988, "Isto porque o constituinte limitou-se a vedar esta possibilidade de creditamento relativamente ao ICMS, valendo dizer que, caso o Constituinte tivesse a intenção de vedar o creditamento em questão ao IPI teria simplesmente excepcionado o principio da não- cumulatividade, tal qual fez com o ICMS na situação idêntica, art. 155 par 2, II, 'a"; q) Que embora o STF tenha modificado seu entendimento anterior (por 9 votos a 1), quando ao creditamento do IPI no caso de insumos adquiridos CS\ 8 Processo n° 13007,000315/2002-17 S2-CIT1 • Acórdão n.° 2101-00.113 Fl. 534 com alíquota zero, isenção ou NT, todavia esta nova orientação ainda não transitou em julgado; r) Aduz ser impossível a exigência de multa de mora e de juros de mora, em razão da existência de decisão judicial favorável à recorrente. "Assim, a sentença favorável suspendeu a exigibilidade dos tributos na exata proporção em que reconheceu o direito ao crédito do imposto"; s) Alega ilegalidade da multa isolada no caso de compensação não homologada, já que o art. 18, da Lei n° 10.833/2003, que disciplinava a cobrança de multa isolada "nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal", foi alterado para prever a imposição da multa somente nos casos da prática das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Essa nova redação deve aplicada retroativamente por força do art. 106, II, "a" do CTN; t) Defende a redução da multa de oficio aos patamares recomendados pelos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, caso a mesma venha a ser mantida, vez que a penalidade imposta (75%) ser completamente desarrazoado. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto interposto dentro do trintidio legal e respeitados os demais requisitos estabelecidos. Trata-se de declaração de compensação para aproveitamento de créditos a titulo de IPI decorrente de aquisições isentas, aliquota zero e não tributadas, amparada no processo judicial n° 2000.71.00.018617-3/RS, impetrado em 06/07/2000, relativo ao período de apuração de 01/08/1999 a 31/08/1999. Os créditos a que se refere o presente processo são do período de apuração de 21 A 30/10/2002, compensados com o próprio IPI (código 1097) do mesmo período, com vencimento em 08/11/2002, mesma data da entrega da Declaração de Compensação de fis 1 e 2. "ÀInicialmente registre-se que a norma processual aplicável já garante o efeito suspensivo pretendido pela interessada, restando superada qualquer controvérsia quanto a tal -2 efeito ser atribuído à cobrança dos débitos que não foram homologados enquanto perdurar a discussão administrativa. O cerne da questão reside em saber se a sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.71.00.018617-3 tem o condão de autorizar a recorrente a aproveitar os valores de aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributado à alíquota e. ..- \9 \\\*'' Processo n°13007.000315/2002-17 S2-CITI Acórdão n.° 2I01-00.113 Fl. 535 zero de IPI, efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, sendo posteriormente ampliado para dez anos pelo TRF. O Juizo da 4 Vara Federal (TRF/4"-R) exarou em 23/10/2000 a v. sentença concedendo parcialmente a segurança requerida nos seguintes termos: "para o efeito de reconhecer às itnpetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou tributadas com abiquara zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo. O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UFIR, até 31/12/1995, e dai até o efetivo aproveitamento segundo o § 4", do art. 39, da L 9.250/1995". Assim sendo, e considerando que no caso presente trata-se de aproveitamento de insumos adquiridos posteriores ao ajuizamento do MS n° 2000.71.00.018617-3 (impetrado em 06/07/2000), a controvérsia maior fica por conta da aplicabilidade do artigo 170-A do Código Tributário Nacional, e se a contribuinte estava autorizada a compensar créditos futuros de IPI. De acordo com o voto condutor do acórdão da Apelação em Mandado de Segurança n° 2000.71.00.018617-3/RS, prolatado pelo colendo Tribunal Regional Federal da 4' Região, assim delimitou a extensão e os efeitos da v. sentença do Mandado de Segurança: Decadência: "Não se tendo noticia de que tenha havido a homologação expressa do crédito tributário, a autora poderá aproveitar os créditos de IPI dos dez anos anteriores à data do ajuizamento — julho de 2000." (grifado) Aplicação do art. 170-A do CTN: "Saliente-se, por outro lado, que a Lei n°9.779/99, em seu artigo 11, prevê a possibilidade de compensação dos créditos em questão com tributos e contribuições de diferentes espécies administrados pela SRF. Entretanto, tal dispositivo legal está condicionado à normas expendidas por essa Secretaria, o que foi levado a efeito pelas Instruções Normativos SRF n"s 033/99 e 021/97, nas quais se exige requerimento administrativo para a implementação de ressarcimento ou compensação de créditos de IPL Não vejo qualquer mácula nesse procedimento, porque o artigo em questão faz remissão aos artigos 73 e 74 da Lei n"9.430/96, que, como já se demonstrou, condiciona à anuência da administração tributária. Por sua vez, o art. 66 da Lei n° 8.383/91 autoriza a compensação com prestações subseqüentes ao pagamento indevido. Quando se alude a prestações vincendas, entenda-se como parcelas [o Processo n° 13007.000315/2002-17 S2-CIT1 • Acórdão n.° 2101-00.113 Fl. 536 posteriores aos créditos do IP!. Ressalto, outrossim, que o disposto no 170-A do Cl?'!, acrescentado pela Lei Complementar n°104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras do direito intertemporal" (negrito, não do original) Assim, o v. acórdão delimitou os créditos de 1PI da contribuinte, ora recorrente, ao período de dez anos anteriores à impetração do Mandado de Segurança (anteriores a julho de 2000), bem como determinou que o disposto no art. 170-A do CTN seja somente aplicável "a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo", ou seja, até 09/01/2001, a recorrente estava autorizada a compensar os créditos de 1PI, com o próprio IPI, vez que em 10/01/2001, foi publicada a Lei Complementar n° 104, acrescentando o referido dispositivo ao CTN. Logo, em obediência ao princípio da jurisdição una e supremacia judicial, a decisão do TRF da 4a Região é suficiente para que a aplicação do art. 170-A do Código Tributário Nacional seja de imediato, sob pena de a decisão administrativa ser conflitante. Aguardar-se o trânsito em julgado da sentença, para só depois efetivar a compensação seria no mínimo uma contradição, pois, o Mandado de Segurança produz seus efeitos com a prolação da sentença, já que qualquer recurso contra a mesma, nos termos do art. 50, LXIX da Constituição Federal c/c art. 12 da Lei n° 1.533/51, somente pode ser recebido com efeito devolutivo, ainda mais porque no caso, a sentença é anterior à Lei Complementar n°104, de 2001 (23/10/2000). Cabe ressaltar o entendimento que a jurisprudência tem dado à aplicabilidade do art. 170-A do crN no sentido de compreender a limitação da compensação prevista no art. 170-A sem aplicação retroativa, valendo apenas para as ações ajuizadas após a vigência da norma legal, e, no caso, a contribuinte ingressou na Justiça em 06/07/2000. Em situação semelhante esta colenda Segunda Câmara teve ocasião de decidir favoravelmente a contribuinte, conforme depreende-se da ementa do acórdão n° 202- 17.315-1, proferido nos autos do Processo n°11020.000297/2001-SI (RV n° 129.659), julgado na sessão de 24 de agosto de 2006, in verbis: "PIS. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. A sentença proferida em sede de Mandado de Segurança deve ser cumprida pela autoridade administrativa competente, independentemente do trânsito em julgado, consoante dispõe o parágrafo único do art. 12 da Lei n" 1.533/51 Recurso provido. D.O.U. de 08/05/2007, Seção I, pág. 51". Também no mesmo sentido, o Eg. Superior Tribunal de Justiça assim entendeu: "A compensação pode ser realizada independentemente do transito em julgado, pois á época da propositura da ação (2000), não estava em vigor a Lei Complementar 104/2001, que introduziu no Código Tributário o art. 170-A, segundo o qual " I I Processo e 13007.000315/2002-17 S2-CITI n Acórdão o.° 2101-00.113 Fl. 537 vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial". (Resp n" 876.663/SP, 1" Turma, 12/12/2006. DJU 08/02/2007, p302. Citam-se os precedentes: Resp n° 694.211/PR; AgRg no Resp n° 770.939/SP, com merecendo destaque, ainda as seguintes decisões: "AgRg no REsp 980305 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2007/0199331-5 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 15/05/2008 Data da Publicação/Fonte DJ 28.05.2008 p. 1 Ementa TRIBUTÁRIO - IRPJ - DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS - CORREÇÃO MONETÁRIA - VEDAÇÃO IMPOSTA PELO ARTIGO 4" DA LEI N. 9.249/95 - IMPOSSIBILIDADE - COMPENSAÇÃO - TRÁNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA - AÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DO ART. 170-A DO C- TEMPUS REGIT ACTUM. I. Impossível a aplicação retroativa da limitação imposta pelo art. 170-A do CTIV, de forma que sobre as ações postuladas em data anterior à sua vigência não incide a aplicação de aludido dispositivo legal. 2. Ação ordinária interposta em 28.10.1999, antes, portanto, da vigência da Lei Complementar n. 104/2001, que introduziu o art. 170-A no CTN. Assim, diante do principio tempus regit actum, esta limitação ao direito de compensação não pode ser aplicada in casu. 3. Somente os pagamentos indevidos posteriores à vigência do aludido art. 170-A do CT1V podem ser alcançados pela restrição por ele veiculada. 4. Manutenção da decisão que reconheceu o direito da empresa contribuinte à realização da compensação independentemente do trânsito em julgado da sentença, sem que tal determinação implique violação do art. 170-A do C77V, pois, à época da propositura da ação, era permitida a concessão de compensação de créditos tributários antes do trânsito em julgado da ação principaL Agravo regimental improvido." E ainda: "AgRg nos EREsp 611099 / SC AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGENCIA NO RECURSO ESPECIAL 2006/0041841-8 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA (1126) órgão Julgador SI - PRIMEIRA \‘‘ 12 Processo n° 13007.000315/2002-17 S2-CI TI • Acórdão n.° 2101-00.113 Fl. 538 SEÇÃO Data do Julgamento 27/02/2008 Data da Publicação/Fome DJ 17.03.2008 p. 1 Ementa TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PIS. COMPENSAÇÃO. ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE NAS HIPÓTESES EM QUE A AÇÃO FOI AJUIZADA EM DATA ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 104/2001. ORIENTAÇÃO FIRMADA NA PRIMEIRA SEÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA I 68/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento dos EREsp 488.992/MG, pacificou o entendimento no sentido da não- aplicação retroativa dos sucessivos regimes legais de compensação tributária. Na mesma ocasião, fixou-se a data da propositura da ação para se estabelecer o regime de compensação aplicável em cada caso. 2. Diante desse contexto, firmou-se a orientação desta Corte no sentido de que o art. 170-A do CTN, inserido pela Lei Complementar 104/2001, não é aplicável aos pedidos de compensação formulados antes da sua vigência. 3. Incidência da Súmula 168/STJ. 4. Agravo regimental desprovido." Impende ainda acrescentar que no caso em tela a União não logrou êxito em seu requerimento (nos autos do MS 2000.71.00.018617-3) para que fosse atribuído efeito suspensivo à apelação dada a impossibilidade de se efetuar a compensação de tributo antes do trânsito em julgado, tendo esse intento sido negado pelo TRF/4 aR, conforme certidão apresenta pela Recorrente, referente ao Recurso Extraordinário n° 363777 (STF): "Certifica, também, que a União Federal, mediante petição datada de 28/9/2001 (lis. 267/278), requereu seja atribuído efeito suspensivo à apelação, constando da mencionada petição, como razões, os seguintes itens: "(4 4) Da impossibilidade de se efetuar a compensação de tributos antes do trânsito em julgado (..)". O pedido foi indeferido por decisão exarado em 4/10/2001. Contra esta, a União (Fazenda Nacional) interpôs agravo regimental. Certifica, ademais, que, por acórdão publicado no Diário da Justiça da União de 10/04/2002, a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4" Região, à unanimidade, deu parcial provimento ao oficial, julgando prejudicado o agravo regimental (..)." Entretanto, no presente processo, a pretensão da Recorrente não está de acordo com os termos das ordens judiciais, de primeira instância, que concedeu a segurança para a utilização dos créditos de IPI, exclusivamente, "como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo" e do acórdão do TRF4, que, depois de concluir que "os eventuais créditos de !PI apurados pela autora somente poderão ser utilizados na compensação com débitos da mesma exação" deu provimento ao apelo para declarar "o direito ao creditamento do IPI" limitado ao lapso temporal de • (dez) anos \\, 13 \‘' Processo n°13007.000315/2002-17 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.113 Fl. 539 anteriores à impetração e, até 10/01/2001, quando entrou em vigor a Lei Complementar n° 104, de 2001, acrescentando-se o art. 170-A ao CTN. Assim sendo, apesar da razão da ação judicial e, inclusive o v. acórdão da AMS, os créditos, no entanto, são posteriores à publicação da Lei Complementar n° 104, de janeiro de 2001. Quanto à incidência de multa e juros moratórios, impende dizer que uma vez que a recorrente não obteve êxito na questão principal, melhor sorte não lhe assiste em relação à multa e juros de mora, aplicados em conformidade com o artigo 61 da Lei n°9.430/96 assim estabelece: "Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5" a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Logo, correta a decisão em relação aos acréscimos legais, vez que os mesmos encontram-se expressamente estabelecidos em lei. A multa de mora no capta do artigo 61 da Lei n°9.430/96 e os juros de mora com base na taxa SELIC no art. 13 da Lei n° 9.065, de 1995 c/c o art. 61, § 3" da Lei n° 9.430/96, de acordo com súmula n° 3 deste r Eg. Conselho de Contribuintes conforme ementa a seguir transcrita: "SÚMULA N'13, do 1 CC: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia — Selic para títulos federais." A multa de oficio, que vem prescrita no artigo 44 da lei n° 9.430/96 só será aplicável em caso de lançamento de oficio, ou seja, iniciada a ação fiscal sem que haja o pagamento do débito, devida a multa de oficio, vez que o presente processo refere-se a declaração de compensação, a qual não foi homologada e, em decorrência disso, foi emitido DARF para pagamento, com acréscimo da multa de mora, mas não a de oficio posto que de lançamento não se trata. Por fim, em relação à preliminar de nulidade suscitada pela recorrente, de que os débitos declarados não podem ser cobrados sem lançamento de oficio, uma vez que DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de divida, porque apresentada antes da vigência da MP 135/2003, depois convertida na Lei n 2 10.833/2003, acompanhei o voto do Conselheiro Antonio Zomer, por entender que foi garantido ao contribuinte o direito ao 14 Processo n° 13007.000315/2002-17 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.113 Fl. 540 contraditório e à ampla defesa, condições necessárias à validade do processo, nos seguintes termos: "...a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de dívida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n E 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa." (processos 13007.00008512003-69 e outros). Em face do exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, na parte conhecida dar-lhe provimento. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. 07 de maio de 2009 ÇSNI,TO I ""\ >1.0 I / 0 C0 LISBOA C ' DOSO IS Page 1 _0036900.PDF Page 1 _0037000.PDF Page 1 _0037100.PDF Page 1 _0037200.PDF Page 1 _0037300.PDF Page 1 _0037400.PDF Page 1 _0037500.PDF Page 1 _0037600.PDF Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1 _0038200.PDF Page 1
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Numero do processo: 13896.906725/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.992
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 67 25 /2 01 5- 11 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13896.906725/201511 Acórdão n.º 3201004.992 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.579, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13896.906725/201511 Acórdão n.º 3201004.992 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13896.906725/201511 Acórdão n.º 3201004.992 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.001456/2009-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-001.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
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Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 14 56 /2 00 9- 28 Fl. 123DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, anocalendário de 2005. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada: Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física no valor de R$ 40.612,86 O contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que a imobiliária informou rendimento de outra pessoa em seu CPF, conforme documentação anexa e pede o cancelamento do lançamento. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar o quanto alegado eis que a DIMOB evidenciava algo distinto do que ele sustentava. Em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte repisa os mesmos argumentos trazidos anteriormente e repete que se trata de equívoco e que não pode ser penalizada por isso. Junta documentos que evidenciam de forma inequívoca as suas argumentações, inclusive a DIMOB retificada, excluindo os valores dos alugueis mencionados do seu CPF. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos Aluguel pessoa física OA contribuinte alega que os rendimentos de aluguel em análise estavam equivocadamente registrados no seu CPF eis que nem sabia de que imóvel se tratava. Em outras palavras, contesta o lançamento alegando que a imobiliária informou rendimento de outra pessoa em seu CPF, conforme documentação anexa e pede o cancelamento do lançamento. Pela análise das informações apresentadas realmente verificamos que o Recorrente evidencia ter razão. Demonstra que de fato houve equivoco no preenchimento da DIMOB pela imobiliária e apresenta a documentação devidamente retificada, bem como contrato de aluguel referente ao imóvel em analise evidenciando que não era o locador e beneficiário de tais rendimentos. . Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13707.001456/200928 Acórdão n.º 2001001.204 S2C0T1 Fl. 3 3 material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 125DF CARF MF 4 Por tudo o quanto exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário exigido pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO recurso voluntário, conforme acima detalhado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000324/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB. EXIGÊNCIA DE MULTA.
O atraso na entrega da DIMOB pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN.
Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, por unanimidade de votos.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Ausentes momentaneamente os conselheiros Ângelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado) e Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB. EXIGÊNCIA DE MULTA. O atraso na entrega da DIMOB pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.000324/200748 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.729 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria DIMOB Obrigação Acessória Recorrente JOTAGE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB. EXIGÊNCIA DE MULTA. O atraso na entrega da DIMOB pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratando se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 03 24 /2 00 7- 48 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13984.000324/200748 Acórdão n.º 1201002.729 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Ausentes momentaneamente os conselheiros Ângelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado) e Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado). Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de Notificação de Lançamento nº 641609053049 (fl. 5) que exige o pagamento de multa, no montante de R$ 115.000,00, decorrente de atraso na entrega de Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário 2004. 2. O prazo final para a entrega da Dimob do anocalendário de 2004 teria se encerrado em 31/03/2005, enquanto ela foi de fato entregue em 28/02/2007 (conforme recibo de entrega, fl. 6). 3. Segundo consta na descrição dos fatos da Notificação de Lançamento (fl. 5), “a entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob fora do prazo enseja a aplicação de multa por R$ 5.000,00 por mês de atraso”. A aplicação da multa é fundamentada pelo artigo 16 da Lei nº 9.779/1999 e artigo 57 da MP nº 2.15835/2001. 4. Devidamente intimada da Notificação de Lançamento, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual apresenta, em síntese, as seguintes razões de defesa: (i) incabível a incidência de multa, vez que não era obrigatória a entrega da Dimob até o ano de 2005; e (ii) de acordo com as normas administrativas (inclusive a IN SRF nº 694/2006), a contribuinte estava dispensada de apresentar a Dimob por figurar como locadora de imóvel próprio. 5. Em sessão de 18 de setembro de 2009, a 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0717.575 (fls. 18/22), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DA DIMOB Havendo a. obrigatoriedade de apresentação da Declaração de Informação sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, e constatado o atraso na entrega, é devida a Multa aplicada: Impugnação Improcedente Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13984.000324/200748 Acórdão n.º 1201002.729 S1C2T1 Fl. 4 3 Crédito Tributário; Mantido”. 6. A DRJ/FNS julgou improcedente a impugnação sob os seguintes fundamentos: (i) o objeto social da contribuinte, estabelecido em contrato social, se enquadra no rol de pessoas jurídicas obrigadas a apresentar a DIMOB no anocalendário em questão; e (ii) a mudança ocorrida no artigo 1º da IN SRF 696/2006 não figura como termo inicial para tornar obrigatória à contribuinte a exigência da DIMOB, vez que ela já estava sujeita a apresentação de tal declaração. 7. Cientificada da decisão (AR de 01/10/2009, fl. 25), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 26/28) em 28/10/2009, e complementou sua defesa com os seguintes pontos: (i) a multa exigida com base na instrução normativa é confiscatória; (ii) a contribuinte não se enquadra no rol das pessoas jurídicas obrigadas a apresentação da declaração em razão de não ter realizado “operação de venda de unidades, compras ou intermediação e nem mesmo negociou comissão de aluguel”; (iii) a empresa apenas “recebeu aluguel de unidades (apartamentos) de sua propriedade”. Por fim, requereu o cancelamento da notificação em questão e, subsidiariamente, que seja revisado o valor da multa. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 8. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. I. Da Exigência da Multa por Atraso na Apresentação de Declaração 9. A exigência em questão foi instituída pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001, que, originalmente em seu artigo 57, assim estabeleceu: “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento”. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13984.000324/200748 Acórdão n.º 1201002.729 S1C2T1 Fl. 5 4 10. O dispositivo acima transcrito foi alterado pela Lei nº 12.873/2013 e recebeu a seguinte redação: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013)”. (grifos nossos) 11. O artigo 16 da Lei nº 9.779/1999, por sua vez, dispõe que a Secretaria da Receita Federal é competente para dispor “sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável”. 12. Com base nos dispositivos acima citados, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 304/2003, instituindo a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB). De acordo com a IN SRF 304, a DIMOB era de apresentação obrigatória paras as seguintes pessoas jurídicas: (i) construtoras ou incorporadoras, que comercializarem unidades imobiliárias por conta própria; e (ii) imobiliárias e administradoras de imóveis, que realizarem intermediação de compra e venda ou de aluguel de imóveis. 13. No mais, de acordo com o artigo 1º, §2º, da IN SRF 304, as citadas pessoas jurídicas tinham que: "I em relação à intermediação de compra e venda de imóveis, identificar as partes contratantes, o imóvel objeto da venda, bem assim informar a data e o valor total da operação e o valor da comissão percebida pela intermediação; II em relação à intermediação de aluguel de imóveis, identificar as partes contratantes e o imóvel locado, bem assim informar o valor do aluguel percebido pelo locador e o valor da comissão percebida pela intermediação." (grifos nossos) Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13984.000324/200748 Acórdão n.º 1201002.729 S1C2T1 Fl. 6 5 14. Logo, se a pessoa jurídica exercesse apenas atividade de locação de imóvel próprio estaria dispensada de apresentar a DIMOB. 15. A par dessas questões, sabemos que a IN SRF nº 304/2003 sofreu diversas alterações com as Instruções Normativas nº 316/2003, n° 576/2006 e 694/2006, conforme detalhado abaixo: 15.1. A IN SRF nº 316/2003 estabeleceu que a declaração deveria ser obrigatoriamente apresentada até o último dia útil do mês de março, em relação ao ano calendário imediatamente anterior, e que, excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2002, ela deveria ser apresentada até o último dia útil do mês de maio de 2003. 15.2. A IN SRF nº. 576/2005 estabeleceu que a DIMOB deveria ser obrigatoriamente apresentada pelas pessoas jurídicas e equiparadas: (i) que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; (ii) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; e/ou (iii) constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio de seus condôminos ou sócios. No mais, a declaração deveria ser entregue até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente ao que se refiram as suas informações. 15.3. A IN SRF nº 694/2006 manteve o prazo de entrega estabelecido pela IN SRF nº 576 e estabeleceu que a declaração é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: (i) que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; (ii) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; c) que realizarem sublocação de imóveis; e/ou (iii) constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. 16. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. I.1. Da Manutenção da Aplicação da Multa 17. Conforme apontado em relatório, a Recorrente alega que a multa seria incabível por estar desobrigada de apresentar a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) no anocalendário de 2004. 18. Afirma que não realizou operação de venda de unidades, compras, intermediação e/ou negociação de comissão de aluguel para que fosse enquadrada no rol de pessoas jurídicas obrigadas a apresentar a DIMOB. A Recorrente teria apenas recebido aluguel de apartamentos de sua propriedade. 19. A informação a cerca da atividade exercida pela Recorrente é relevante aqui para determinar se ela estava ou não obrigada a apresentar a DIMOB. 20. Segundo o contrato social da contribuinte (fls. 9/10), seu objeto é o seguinte: "A sociedade girará sob a denominação de JOTAGE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., terá por sede e foro a cidade de Lages, SC (...), e explorará o ramo de Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13984.000324/200748 Acórdão n.º 1201002.729 S1C2T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, loteamento de terrenos, construção de prédios para venda e desmembramento de terrenos". 21. Em que pese a Recorrente afirme exercer atividade divergente de seu objeto social, não foi capaz de juntar documentos que comprovem suas alegações. Não há lastro fiscal, contábil, contratos de aluguel, escrituras e/ou outro conjunto documental capaz de demonstrar que a contribuinte apenas figurou como locadora de imóveis próprios. 22. Diante da vaga afirmação sobre a atividade exercida pela Recorrente (receber alugueis de apartamentos de sua propriedade) e do objeto social descrito acima (item 20), considero que o sujeito passivo se enquadra no rol de pessoas jurídicas obrigadas a apresentar a DIMOB. 23. O artigo 1º da IN SRF nº 316/2003, dispositivo em vigor para o ano calendário de 2004 (revogado apenas em 01/12/2005 com a edição da IN SRF nº 576), relaciona claramente as pessoas jurídicas obrigadas a apresentar a DIMOB: “Art. 1º Instituir a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), cuja apresentação é obrigatória para as seguintes pessoas jurídicas: I construtoras ou incorporadoras, que comercializarem unidades imobiliárias por conta própria; e II imobiliárias e administradoras de imóveis, que realizarem intermediação de compra e venda ou de aluguel de imóveis”. 24. Do exposto, entendo que a ora Recorrente tem a obrigação de apresentar a DIMOB e a sua entrega em atraso enseja a aplicação de multa nos termos do artigo 57, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. I.2. Da Retroatividade Benigna 25. Apesar da multa ser devida, com base no princípio da retroatividade benigna da lei tributária, a alteração do dispositivo que a fundamenta (item 10) repercute na redução da sua exigência. 26. O princípio da retroatividade benigna consiste em aplicar uma lei, com penalidade menos severa que a prevista na norma vigente ao tempo da prática do contribuinte, quando tratarse de um ato não definitivamente julgado, conforme artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática 27. Logo, entendo que a multa é exigível, mas deve ter seu valor reduzido para R$ 1.500,00 por mêscalendário de atraso no cumprimento da referida obrigação acessória, Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13984.000324/200748 Acórdão n.º 1201002.729 S1C2T1 Fl. 8 7 conforme prevê a alínea "b" do inciso I do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, alterada pela Lei nº 12.873, de 2013: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) (...) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (grifos nossos) 28. Nesse mesmo sentido são as ementas abaixo transcritas, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB O atraso na entrega da DIMOB pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática”. (Processo nº 13407.000101/201030, Acórdão nº 1803002.588, 3ª Turma Especial / 1ª Seção, Sessão de 4 de março de 2015) (grifos nossos) “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DIMOB. MULTA POR ATRASO. EXTINÇÃO DA EMPRESA. PRAZO. A entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob, após o prazo regulamentar, enseja a aplicação de multa, nos termos da legislação de regência. No caso de extinção da empresa, o prazo para entrega da Dimob é até o último dia útil do mês subsequente à ocorrência do evento. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13984.000324/200748 Acórdão n.º 1201002.729 S1C2T1 Fl. 9 8 Lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática aplicase a ato ou fato não definitivamente julgado. Redução da multa em função da nova redação da legislação. (Processo nº 18186.001523/201098, Acórdão nº 1001000.031, 1ª Turma Extraordinária / 1ª Seção, Sessão de 27 de outubro de 2017) (grifos nossos) 29. Assim, a exigência do crédito tributário deve ser reduzida considerando o valor da multa de R$ 1.500,00 e não R$ 5.000,00 por mês em atraso, o que perfaz o montante total de R$ 34.500,00 (trinta e quatro mil e quinhentos reais) em razão dos 23 meses de atraso. I.3. Do Potencial Caráter Confiscatório da Multa 30. Por fim, no que se refere à alegação da Recorrente de que a multa possui natureza confiscatória, tal argumento caracteriza a arguição da inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte à penalidade aplicada e, a respeito, não cabe à Administração Pública afastar a legislação vigente. 31. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais tem esse poder. 32. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão 33. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para reduzir o valor da multa exigida para R$ 34.500,00 (trinta e quatro mil e quinhentos reais). É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 46DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721734/2015-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.729
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 73 4/ 20 15 -2 9 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 16682.721734/201529 Resolução nº 3201001.729 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 16682.721734/201529 Resolução nº 3201001.729 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.720939/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 07/10/2010 a 02/02/2012
CESSÃO DE NOME. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ENCOMENDANTE DIVERSO.
Apenas o fato de existirem negociações comerciais prévias à importação não é suficiente para a caracterização da cessão de nome na importação. Ausente demais comprovações, como a própria transferência prévia de recursos, não há como subsistir a imputação de penalidade.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR.
A solidariedade tributária estabelecida em lei pressupõe que a Fiscalização efetue a demonstração do fato e sua adequada subsunção à norma. Inexistente descrição de atos cometidos com excesso de poderes, ou mesmo o interesse jurídico comum, capazes de atrais a incidência das imposições legais, inviável a atribuição de responsabilidade tributária.
Numero da decisão: 3201-004.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Recurso Voluntários.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ENCOMENDANTE DIVERSO. Apenas o fato de existirem negociações comerciais prévias à importação não é suficiente para a caracterização da cessão de nome na importação. Ausente demais comprovações, como a própria transferência prévia de recursos, não há como subsistir a imputação de penalidade. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. A solidariedade tributária estabelecida em lei pressupõe que a Fiscalização efetue a demonstração do fato e sua adequada subsunção à norma. Inexistente descrição de atos cometidos com excesso de poderes, ou mesmo o interesse jurídico comum, capazes de atrais a incidência das imposições legais, inviável a atribuição de responsabilidade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Recurso Voluntários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 09 39 /2 01 3- 13 Fl. 17684DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 11047.611, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), que assim relatou o feito: Tratase de auto de infração por meio do qual é formalizada a exigência da multa de conversão da pena de perdimento, capitulada no § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, incluído pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, no montante de R$ 26.838,02. DA AUTUAÇÃO Apontam as autoridades fiscais, por meio do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que é parte integrante do auto de infração (fls. 11 a 196), que a pessoa jurídica Utilar Utilidades e Presentes Ltda EPP, doravante Utilar, representaria a verdadeira adquirente de mercadorias declaradas perante a RFB como importadas pela pessoa jurídica Prime Comercial Importadora e Exportadora por conta e ordem da pessoa jurídica Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda., doravante denominadas, respectivamente, Prime e Utilidad. Expõem, inicialmente as autoridades autuantes, que a Utilar faria parte de um grupo de empresas que, tendo números de inscrição distintos no CNPJ e quadros societários distintos, compartilhariam o nome fantasia “Mundo dos Filtros”. Por outro lado, expõem os autuantes sua convicção de que as pessoas jurídicas Prime e Utilidad apresentariam o mesmo quadro societário e estariam estabelecidas no mesmo endereço. Concluem, nessa linha, que, na prática, as duas seriam a mesma empresa. Ademais, a pessoa jurídica alegadamente qualificada como adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem não possuiriam capacidade econômicofinanceira para realizar as operações declaradas, tendo sido incapaz de demonstrar a origem dos recursos efetivamente empregados em tais transações. Destacam, outrossim, que a Utilidad fora anteriormente autuada por cessão de nome e documentos próprios, de modo a ocultar a participação de terceiros em operações de comércio exterior, nos termos do processo administrativo nº 10111.720547/2012 73. Informa que elementos de prova daquele processo seriam utilizados no presente, no intuito de esclarecer as situações de fato. Concluem, as autoridades fiscais, que as operações de importação declaradas como realizadas diretamente pelas Fl. 17685DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Acórdão n.º 3201004.917 S3C2T1 Fl. 17.685 3 pessoas jurídicas Prime e Utilidad, em que a Prime figurava como importadora por conta e ordem da Utilidad eram, na verdade, promovidas por conta e ordem ou encomenda de terceiros ocultos, dentre eles a Utilar e outras empresas ligadas ao “grupo” Mundo dos Filtros. As provas que respaldariam as conclusões do Fisco teriam sido apreendidas durante diligência fiscal empreendida nos estabelecimento das pessoas jurídicas Prime e Utilidad, inclusive em filial informal mantida na cidade do Rio de Janeiro (todas as empresas citadas estão sediadas em Brasília. No que concerne às empresas Prime e Utilidad, foram ainda obtidos dados relativos a movimentação bancária, por meio de RMF. Dentre os elementos de convicção, destacarseiam: 1. Da Caracterização da Utilar e do “grupo” Mundo dos Filtros O “grupo” Mundo dos Filtros seria, na realidade, um conjunto de cerca de trinta empresas distintas, com CNPJ próprios (na maior parte dos casos não relacionadas como matriz e filiais), que compartilhariam o mesmo nome fantasia. Além disso, detacam as autoridades fiscais que, em praticamente todos os quadros societários das empresas do “grupo”, haveria a presença de alguém da família “Mothe”, dentre eles o Sr. Edmar Mothe. A Utilar, faria parte desse “grupo” de empresas, tendo sido constituída em outubro de 2010, para atuação, conforme contrato social, no ramo de “comércio varejista especializado de aparelhos eletrodomésticos, filtros, saunas, artigos de piscina, equipamentos esportivos, produtos cerâmicos, presentes, artigos para decoração e utilidades para o lar em geral”. Destaca a autoridade fiscal que, embora atue como revendedora de mercadorias importadas, a Utilar jamais obtivera habilitação para importar mercadorias. A Utilar possuiria como sócios, desde sua constituição o Sr. Edmar Mothe Junior, qualificado como sócioadministrador, e a Sra. Maria Mendes Mothe, qualificada apenas como sócia. Além da Utilar, o Sr. Edmar Mothe Junior seria sócio administrador das empresas Filtrolar Filtros e Utilidades para o Lar Ltda., Multi Eletro Ldta – EPP e Universo dos Filtros, todas atuando sob o nome fantasia “Mundo dos Filtros”, e todas tendo tido anteriormente o Sr. Edmar Mothe (pai do Sr. Edmar Mothe Junior) como sócioadministrador. Aponta ainda a autoridade fiscal o fato de o Sr. Edmar Mothe e haver feito parte do quadro societário da Utilidad. Com efeito, por meio da 4a. alteração do contrato social da Utilidad, o SR. Edmar Mothe teria ingressado na sociedade como sócioadministrador da empresa no dia 03/08/2011, tendo porém deixado a empresa dois meses mais tarde, na quinta alteração contratual, datada 30/09/2011. O ingresso do Sr. Fl. 17686DF CARF MF 4 Edmar Mothe na sociedade propiciou o aporte de R$ 110.000,00 ao capital social. 2. Da Atuação da Utilidad como Interposta Pessoa em Operações de Importação (conclusões extraídas do processo administrativo fiscal nº 10111.720547/201273) Nos termos do processo administrativo fiscal nº 10111.720547/201273, a Utilidad fora autuada por cessão de nome com vistas a ocultação da participação de terceiros em operações de comércio exterior, as quais eram declaradas pela Prime como realizadas por conta e ordem da Utilidad. Tal conclusão fora extraída dos elementos a seguir destacados. Observa a autoridade fiscal que a Utilar fora citada naquele processo como real interessada e adquirente de fato dos bens importados de forma irregular. 2.1 Da Relação entre as Empresas Prime e Utilidad As empresas Utilidad e Prime compartilhariam o mesmo quadro societário e, conforme constatado em diligência fiscal, o mesmo endereço. Teria restado caracterizado que tratarseia de uma mesma empresa, artificialmente subdividida, de modo a atuar em dois níveis, uma como importadora e outra como adquirente de mercadoria importada por conta e ordem. A Utiliad seria uma empresa que atuaria na importação de bens para revenda. Ela figuraria como real adquirente de mercadorias importadas por sua conta e ordem. Por sua vez, a Prime seria o importador ostensivo encarregado de tais operações. Destaca a autoridade fiscal que, figurando como adquirente de mercadorias supostamente importadas por sua conta e ordem, caberia à Utilidad promover o aporte dos recursos empregados em tais operações. No entendo, a capacidade econômico financeira da empresa seria incompatível com o volume transacionado. No particular, registra o auditorfiscal que a Utilidad não lograra êxito nas duas tentativas de demonstrar à RFB capacidade econômicofinaceira superior àquela atribuída por ocasião de sua habilitação para operar no comércio exterior. Da mesma forma, a empresa fora incapaz de demonstrar origem lícita para os recursos empregados em operações de importação. 2.2 Constituição Societária e Origem dos Recursos da Utilidad Com relação à estrutura societária da pessoa jurídica Utilidad, aponta a autoridade que a sociedade foi constituída com a Razão Social de Tracker Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e seu quadro societário era formado pelos Srs. VINICIUS DA COSTA COELHO, CPF Nº 010.408.99110, DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA, CPF Nº 858.493.24100 e FELIPE DA COSTA COELHO, CPF Nº 717.690.48120, todos com participação idêntica no Capital Social da empresa, e cabendo a todos os sócios administrar a sociedade com os mesmos poderes. Fl. 17687DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Acórdão n.º 3201004.917 S3C2T1 Fl. 17.686 5 Após três alterações do contrato social, por meio das quais alterouse desde o quadro societário até a própria razão social (quando Tracker passou a denominarse Utilidad), em 3 de agosto de 2011, sobreveio a quarta alteração, quando saem do quadro societário os sócios Vinícius, Daniel e Felipe, e ingressam na sociedade a pessoa jurídica Prime Holding, de propriedade dos sócios que teriam se retirado da Utilidad, e o Sr. Edmar Mothé ligado a diversas empresas do “grupo” Mundo dos Filtros, apontadas como verdadeiras adquirente das operações sob análise. Nesta mesma alteração, há um significativo aumento no capital social: outrora de R$ 60.000,00, passa a ser de R$ 500.000,00. A responsabilidade pelo aporte de R$ 440.000,00 teria sido distribuída entre: a) o Sr. Edmar Mothé (R$ 110.000,00); b) os Srs. Altemir Rogério Marques e Anderson Rodrigo Marques, que ingressaram na 2ª alteração (R$ 78.750,00 cada um); e c) a pessoa jurídica Prime Holding (R$ 172.500,00). Em 30 de setembro de 2011, ou seja, menos de dois meses depois, o Sr. Edmar Mothé retirase da sociedade e cede suas cotas para demais os sócios, o que demonstraria que o seu ingresso teria como único objetivo o aporte de R$ 110.000,00 no capital social. Tanto a entrada quanto a saída do Sr. Edmar, só teriam sido comunicadas à RFB em 04/2012, após o início da ação fiscal. Destacase, ademais, que o ingresso da pessoa jurídica Prime Holding, que funciona no mesmo endereço da pessoa jurídica Prime (Comercial) e da própria Utilidad, não teria sido igualmente comunicado à RFB. Conclui o Fisco, noutro giro, que não teria sido demonstrada a origem lícita dos recursos empregados na integralização do Capital Social, pois todos os aportes teriam sido demonstrados por meio da exclusiva apresentação de cópia de depósito em espécie, alegadamente realizado pelos sócios. Ou seja, sem a demonstração da origem desses recursos. Com relação aos aportes alegadamente realizados pelos sócios Prime, Altemir e Anderson, teriam sido detectada uma discrepância entre os valores depositados e informados no contrato social. Ante a tais elementos, partindo do pressuposto de que os sócios não possuiriam patrimônio ou rendimentos declarados condizentes com os depósitos apresentados, foi solicitada a apresentação de elementos que demonstrassem a origem lícita dos recursos e, em resposta, teriam sido apresentadas declarações de imposto de renda e, no que diz respeito à Prime Holding, informado que o aumento do capital estaria baseado em transferência de seus sócios. Como prova da disponibilidade, foi apresentada cópia de extrato bancário, onde teriam sido destacados os seguintes lançamentos: 30/09/2011, depósito em dinheiro no valor R$ 50.000,00; Fl. 17688DF CARF MF 6 30/09/2011, TED Daniel Chicrala no valor R$ 30.000,00; 30/09/2011 transf Daniel Chicrala no valor R$ 5.000,00; 10/10/2011; TED Daniel Chicrala, no valor R$ 15.000,00; 11/10/2011, TED Vinicius da Costa, no valor R$ 50.000,00. Os demais lançamentos do extrato apresentado teriam sido rasurados. Após analisar os sistemas informatizados da RFB, teria restado constatado que o capital social da Prime seria de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) e que esta pessoa jurídica possuiria recursos para operar como empresa a partir do dia 30 de setembro de 2011 (dois mil e onze). Concluise, assim, que o depósito de R$ 165.000,00, datado de 31 de agosto de 2011 não se prestaria a demonstrar a declarada integralização de capital da pessoa jurídica Utilidad. Naquela data, a Prime não possuiria qualquer recurso e não poderia operar uma vez que sua integralização de recursos provenientes dos sócios só seria iniciada quase um mês depois. Na opinião do responsável pela ação fiscal, também não teria restado demonstrada a origem dos recursos alegadamente aportados pelos sócios pessoa física, pois as declarações apresentadas, desacompanhadas de documentos que as respaldassem, não teriam o condão de comprovar as informações prestadas pelos próprios sócios. 2.3 Dos Documentos Apreendidos nas Empresas Prime e Utilidad Diversos documentos apreendidos em diligências fiscais junto as empresas Prime e Utilidad revelam indícios de atuação fraudulenta orquestrada no comércio exterior. Dentre tais elementos, destacamse: a) Minutas de contratos celebrados entre as pessoas jurídicas Prime e Myra Import, também de propriedade do Sr. Edmar Mothe e entre Myra Import com a Utilidad. A primeira evidenciaria o compromisso de realizar importações para a cessionária Myra e a segunda, em sentido inverso, a atuação da Myra como cedente e da Utilidad como cessionária. b) Faturas proforma com valores distintos, listas de preços com menção expressa à “necessidade” de emissão de invoices subfaturadas. Confrontandose tais referenciais com as faturas efetivamente emitidas pelo exportador restara caracterizado, de fato, subfaturamento da ordem de 40%; c) Processos Internos (envelopes plásticos) identificados por um código interno, que, normalmente, conteriam: Capa de processo interno contendo número do CPP, descrição genérica dos produtos, nome do cliente e data de formalização do processo. Extrato da Declaração de Importação. Boletos bancários e comprovantes de pagamento de despesas de importação tais como: fundo da marinha mercante, despesas com serviço de despachante aduaneiro, comprovante de arrecadação do ICMS, despesas com armazenamento, desconsolidação e capatazia, entre outros. Fl. 17689DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Acórdão n.º 3201004.917 S3C2T1 Fl. 17.687 7 Faturas comerciais (Invoice), faturas proforma, conhecimento de transporte internacional, romaneio de carga (packing list), nota fiscal de entrada, nota fiscal de saída para simples remessa e contrato de câmbio. Demonstrativo de Despesa, consignando o cliente, código de processo CPP, nº da fatura, nº do conhecimento de carga, fornecedor estrangeiro, descrição genérica dos produtos, despesas tributárias e nãotributárias entre outros. Estimativa de Custos de Importação, consignando o cliente, NCM da mercadoria, descrição detalhada da mercadoria, despesas tributárias e operacionais e apuração total dos custos de importação. Cópias de emails diversos, contendo em sua maioria detalhes de negociação com clientes e fornecedores, entre outros. Partindo desse padrão de organização documental, a autoridade fiscal teria identificado verdadeiro cliente das respectivas operações de importação, no caso do presente processo, a Utilar e demais empresas do “grupo” Mundo dos Filtros. Em algumas operações, além da identificação do adquirente, seria possível verificar, que, em data próxima e anterior ao registro da DI, era elaborado um documento intitulado “Solicitação de Numerário”, de nome autoexplicativo, onde a importadora ostensiva (Prime) solicitaria a antecipação dos recursos empregados no registro da declaração de importação. 2.4 Análise da Contabilidade e Movimentação Bancária da Utilidad A ausência de recursos financeiros para fazer face aos dispêndios inerentes às operações da pessoa jurídica Utilidad teria sido identificada a partir da análise da contabilidade da autuada, revelando que a empresa, na realidade, atuava como interposta pessoa, ocultando terceiro, verdadeiro responsável pela operação. Confirase alguns dos indícios apurados pela fiscalização: a) “Estouro” da conta caixa, o que evidenciaria o aporte de recursos de terceiros, com origem não comprovada; b) Contabilização de estoques em valores diversos das operações de importação, de modo a “inflar” os custos e reduzir o valor dos tributos internos; c) “Estouro” do estoque, representado pela escrituração da venda de mercadorias que não se encontravam no estoque. d) Ocultação dos reais adquirentes, mediante a simulação de vendas sem nenhum ou com pouco valor agregado ou venda em data anterior ao registro da DI. e) Simulação do recebimento de duplicatas; f) Ausência de bens no ativo imobilizado; Fl. 17690DF CARF MF 8 g) Movimentações bancárias vultosas sem o devido registro contábil h) Simulação da disponibilidade de recursos que nunca teriam transitado pela conta caixa; O cotejamento entre contabilidade e extratos bancários revelou, ainda, o aporte de recursos de “clientes” nas contas bancárias da empresa Utilidad, através de descontos de duplicatas, depósitos, pagamento de títulos, transferência, etc. Tais recursos são imediatamente e integralmente repassados para a Prime para pagamentos de despesas com importação, revelando que tais “clientes”seriam os reais financiadores das operações declaradas como realizadas por conta e ordem da Utilidad. No que concerne ao “grupo” Mundo dos Filtros, foram identificadas as inúmeras transações. Na maioria das vezes, tais montantes seriam imediata e integralmente transferidos à Prime. Merecem destaque as seguintes transações: a) Folha 172 do Anexo B.4 – Entrada de recursos no montante de R$ 52.506,92 proveniente de seis transferências do grupo Mundo dos Filtros e saída no mesmo dia e valor para a empresa Prime, que registra estes créditos no CPP 134/10 (DI 11/06668091) conforme folha 8 do Anexo B.12 no dia 11/03/2011. Esta DI foi registrada no dia 12/04/2011, ou seja, um mês após o recebimentos dos valores dos reais adquirentes ocultos. b) Folhas 183 e 184 do Anexo B.4 – Entrada de recursos no montante de R$ 235.450,54 e 109.000,00 proveniente de 27 transferências do grupo Mundo dos Filtros e saída no mesmo dia e valor para a empresa Prime, que registra estes créditos no CPP 276/10 (DI 11/12365810, 11/12616235, 11/15254270, 11/1523621 2, 11/13600928 e 11/15383568) conforme folha 19 do Anexo B.12 no dia 25/03/2011. Estas DIs foram registradas em datas posteriores, ou seja, após o recebimentos dos valores dos reais adquirentes ocultos. c) Folha 29 do Anexo B.5 – Entrada de recursos no montante de R$ 226.334,44 proveniente de diversas transferências do grupo Mundo dos Filtros, somadas a uma transferência eletrônica no mesmo dia do Sr. Edmar Mothe, dono de empresas do grupo Mundo dos Filtros e saída no dia seguinte e no mesmo valor para a empresa Prime; Por outro lado, a análise dos extratos bancários revela, a existência de 43 transferências bancárias da Utilidad para a conta pessoal do Sr. Edmar Mothé (Banco Itaú Ag. 4454 CC 111115), entre os dias 25/07/2011 e 28/11/2011. Verificouse ainda que tais recursos seriam provenientes de vendas realizadas com o uso de documentos fiscais emitidos pela empresa Utilidad a supostos “clientes” (conforme Anexo “Documentos Comprobatórios – Outros – Transferências para Edmar Mothé”). Tal fato evidencia a íntima relação entre o Sr. Edmar Mothé e a Utilidad, embora, formalmente, ele só tenha figurado no quadro societário daquela pessoa jurídica por dois meses. Tais transferências demonstrariam, outrossim, que a empresa Utilidad emprestou e empresta sua estrutura fiscal, Fl. 17691DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Acórdão n.º 3201004.917 S3C2T1 Fl. 17.688 9 documental, contábil e bancária para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas transações por ela registrada. Abaixo, apresentamse exemplificativamente, algumas das transferências bancárias identificadas: Na linha 3 da tabela 6 identificase transferência no montante de R$ 111.150,00 (cento e onze mil e cento e cinqüenta reais) relacionado à Nota Fiscal nº 1170A, a qual se refere a uma venda da empresa Utilidad para um “cliente” no montante de R$ 223.300,00 (duzentos e vinte e três mil e trezentos reais). Ou seja, a empresa Utilidad repassou 50% (cinqüenta por cento) desta venda da Utilidad para Sr. Edmar Mothé. Na linha 6 da tabela 6 identificase transferência no mesmo valor, revelando a transferência integral da receita de venda feita por meio da Utilidad. Na linha 13 da tabela 6 identificase transferência no montante de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) relacionada à Nota Fiscal nº 1772, referente a uma venda da empresa Utilidad para um “cliente” no mesmo montante. Ou seja, a empresa Utilidad repassou a totalidade desta receita de venda da Utilidad para o Sr. Edmar Mothé. Na linha 32 da tabela 6 identificase transferência bancária no montante de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) relacionada à Nota Fiscal nº 1774, referente a uma venda da empresa Utilidad para um “cliente” no mesmo montante. Ou seja, novamente, a empresa Utilidad repassou a totalidade desta receita de venda da Utilidad para o Sr. Edmar Mothé. No particular, concluiu a fiscalização: “A tabela 6 acima relaciona ainda outras tantas transferências que demonstram que a relação do Sr. EDMAR MOTHÉ com a empresa ora fiscalizada é de uma pessoa responsável pelo financiamento das operações da empresa UTILIDAD, ditas como de sua própria importação nas Declarações de Importação registradas pela dupla PRIME COMERCIAL e UTILIDAD. Este financiador, Sr EDMAR MOTHÉ, é ou foi dono de empresas do grupo Mundo dos Filtros que ficam ocultas em todas as importações registradas pela UTILIDAD e que a fiscalização demonstra durante todo este Termo de Verificação Fiscal que são estas as empresas reais adquirentes ocultas de diversas importações registradas em nome da UTILIDAD.” 3. Da Auditoria Realizada sobre a Utilar 3.1 Análise dos Registros Contábeis e Cotejamento com Informações Extraídas da Auditoria Realizada sobre as Empresas Utilidad e Prime Os livros contábeis da pessoa jurídica Utilar, segundo a autoridade autuante, revelariam novas evidências da sua condição de real financiadora de parte das operações declaradas como realizadas pela pessoa jurídica Prime, por conta e ordem da pessoa jurídica Utilidad. Tais irregularidades teriam sido evidenciadas a partir da análise dos lançamentos Fl. 17692DF CARF MF 10 efetuados no Livro Diário nº 002, onde se verificariam lançamentos contábeis destinados a registrar as transferências de valores para a Utilidad, as quais seriam corroboradas pelos extratos bancários da Utilidad. O primeiro desses lançamentos aparece na folha nº 0035 do Livro Diário nº 002, registrado no dia 06 de maio de 2011, e apresenta uma transação a crédito da conta contábil de bancos, a qual reflete as movimentações da conta corrente que a empresa mantém no Banco do Brasil S/A, com o histórico descrito como “enviado em transferência”, e valor de R$ 50.000,00 (dez mil reais). No particular, a análise das contabilidades da Prime e Utilidad teria revelado que as entradas de recursos somariam os montantes de R$ 574.331,14, provenientes de 27 transferências do grupo Mundo dos Filtros, sendo que a participação da Utilar foi com o valor já citado, conforme identificado no extrato bancário. Observa a autoridade fiscal que a contrapartida do lançamento contábil foi feita contra a conta caixa, e não contra uma conta de fornecedores, o que seria esperado. E não há registro contábil de saída desse valor da conta caixa. Ou seja, a transferência não foi devidamente lançada na contabilidade pela Utilar. Segundo os autuantes, tal constatação corroboraria a tese de que a empresa aqui fiscalizada, a Utilar, agira intencionalmente para encobrir tal transação e manter oculta sua participação como financiadora das importações, pois de fato faria parte de um esquema existente para fraudar o Erário Público, através de operações de importação, bem como reflete a inidoneidade de sua contabilidade. Aponta o auditorfiscal a existência de diversos outros lançamentos de valores transferidos pela Utilar para a Utilidad como parte de um conjunto de transferências de empresas do Grupo Mundo dos Filtros, feitas no mesmo dia, cujas somas dos montantes eram também repassadas no mesmo dia para a importadora Prime, para financiar as importações, e não registrados na contabilidade da Utilar. Esses inúmeros lançamentos evidenciariam a entrada de recursos de “clientes” nas contas bancárias da empresa Utilidad, através de transferências bancárias, os quais seriam imediata e integralmente repassados para Prime para pagamentos de despesas com importação. Ou seja, esses “clientes”, empresas do grupo Mundo dos Filtros, e no caso específico, a Utilar, são os reais financiadores das operações declaradas como procedidas por conta e ordem da Utilidad. III.II Das Importações realizadas no Interesse do “Grupo” Mundo dos Filtros As seguintes declarações de importação foram apontadas como tendo sido realizadas por conta e ordem ou sob encomenda do “grupo” Mundo dos Filtros. As mercadorias importadas por intermédio de cada uma delas teriam sido integralmente vedidas a empresas do “grupo”, dentre elas a Utilar. Fl. 17693DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Acórdão n.º 3201004.917 S3C2T1 Fl. 17.689 11 A análise feita sobre as notas fiscais de venda emitidas pela empresa Utilidad, relativamente a todas as 17 DIs verificadas permitiria concluir que, em todos os casos, a integralidade das mercadorias importadas seria repassada a diversas empresas do “grupo” Mundo dos Filtros, dentre elas a Utilar. Pontua a autoridade fiscal, em alguns casos, a identificação de transferências de numerários por empresas ligadas ao “Mundo dos Filtros” antes do registro importação. Em outras operações, aponta o autuante a existência de documentos comprovando que previamente ao registro da DI a Utilidad já definira as empresas ligadas o Mundo dos Filtros como clientes para “aquisição” da mercadoria importadas. Registrase ainda que, nas operações fiscalizadas, regra geral, teria sido constatada exclusivamente uma pequena diferença no valor agregado (entre 3,4% e 13,7%). Há casos em que a agregação foi negativa. Em outros casos, teria sido identificada a prática de subfaturamento, a partir do cotejamento de duas versões da invoice apreendidas. Conclui a autoridade fiscal: “Esta situação, em conjunto com outros elementos constantes no Auto de Infração do processo nº 10111.720547/201273, bem como todos os argumentos anteriormente apresentados, formou a convicção de que a relação entre os reais adquirentes (empresas MUNDO DOS FILTROS, entre elas, a UTILAR) e a empresa UTILIDAD não é comercial, e sim uma relação que visa a ocultar os verdadeiros os verdadeiros responsáveis pela importação daqueles produtos, e que ficaram ocultos em todas as declarações e documentos apresentados à RFB no curso da fiscalização feita sobre a UTILIDAD e agora sobre a UTILAR. A ocultação do real adquirente visa a “blindar” os verdadeiros favorecidos pela fraude, uma vez que estas empresas, quando chamadas a cumprir com suas obrigações legais tributárias e até civis), não são alcançadas em virtude da ocultação. Finalmente, após discorrer apontar a legislação de regência, detalhando seu entendimento sobre as três modalidades de importação previstas, concluiu a autoridade fiscal que, em face de tais constatações, as mercadorias importadas sujeitarseiam à pena de perdimento, com fulcro no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976 e, dado que a maior parte das mercadorias, conforme declarado pela autuada, teria sido Fl. 17694DF CARF MF 12 revendida, caberia a aplicação da multa substitutiva prevista no § 3º do mesmo art. 23. 4. Da Responsabilidade Solidária Por tudo que foi exposto neste Termo, concluíram as autoridades fiscais que devem comparecer ao pólo passivo da obrigação tributária, na condição de responsáveis solidários, os sócios da autuada, além das pessoas jurídicas Utilidad e Prime, bem como sócios das respectivas empresas. Desse modo, devem responder pelo crédito lançado: a) Edmar Mothe Junior, sócioadministrador da empresa Utilar Utilidades e Presentes Ltda. EPP; b) Maria Mendes Mothe, sócia da empresa Utilar Utilidades e Presentes Ltda. EPP; c) Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda. d) Felipe Da Costa Coelho, sócioadministrador das empresas Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda. e Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda.; e) Prime Holding e Participações Empresariais Ltda.; f) Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda.; g) Vinicius da Costa Coelho, sócioadministrador da empresa Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda., e exsócio administrador da empresa Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda.; h) Daniel Chícrala Chaves De Oliveira, sócioadministrador da empresa Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e exsócio administrador da empresa Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda; i) O Sr. Edmar Mothe, ex sócioadministrador da empresa Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda. DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificadas as pessoas físicas e jurídicas que figuram no pólo passivo da obrigação tributária, comparecem ao processo para impugnar o lançamento exclusivamente a autuada Utilar e o responsável solidário Edmar Mothe. Os demais arrolados se abstiveram de qualquer manifestação. A seguir, analisamse os argumentos manejados pelas respectivas defesas. I. Utilar Regularmente cientificada em 03 de maio de 2003 (fl. 17.408), a Utilar apresentou, em 21 de maio de 2013 (fls. 17.489 e seguintes), impugnação na qual maneja, em síntese, as seguintes alegações: a) Alega que as operações de importação objeto de autuação teriam sido realizadas pela Prime, por conta e ordem da Utilidad, ressalvando, ainda, que apenas uma parcela das mercadorias importadas teria sido revendida à Utilar. Fl. 17695DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Acórdão n.º 3201004.917 S3C2T1 Fl. 17.690 13 b) Constaria dos autos a informação de que a Utilidad teria sido previamente autuada por práticas de irregularidades no comércio exterior, alegando que a ausência do teor integral do citado processo cercearia o pleno exercício de seu direito de defesa; c) Alega, sem detalhar, que a autuação abrangeria um conjunto de 11 operações de importação, sendo que algumas das provas carreadas diriam respeito a outras DIs. Aduz ausência de provas; c) Sustenta que os tributos incidentes teriam sido integralmente recolhidos; d) Destaca que as pessoas jurídicas que teriam adquirido mercadorias da Utilidad seriam autônomas entre si, sendo irrelevante o fato de algumas delas epresentarem sócios em comum ou com parentesco com o Sr. Edmar Mothe, idealizador da marca. Tais empresas seriam varejistas e não importadoras, apenas compartilhariam os mesmos fornecedores; e) Teria cabido ao Sr. Edmar Mothe realizar uma grande negociação para que diversas empresas da marca adquirissem conjuntamente mercadorias junto à Utilidad; f) Num primeiro momento os produtos comercializados apresentariam a marca Utilidad e, posteriormente, passouse a mesclar os mesmos produtos com outras marcas; g) Caberia à autoridade fiscal o ônus probandi, o que exigiria demonstrar o exato fluxo financeiro relativo a cada importação; h) Não se poderia apenar empresas que apenas teriam adquirido mercadorias junto a empresas nacionais regulares, em transações com nota fiscal e, mais relevante, à vista do comprovante de importação. Irregularidades eventualmente praticadas na importação não alcançariam a impugnante que seria adquirente de boa fé. Reitera que a impugnante não participaria das importações. Ressalva que não haveria lei que proibisse tal modelo de organização; i) Não se poderia falar em ocultação da Utilar, uma vez que a impugnante seria apenas um dos clientes da Utilidad, sendo que as mercadorias objeto das DI em questão teriam sido revendidas a diversas empresas e, ademais, a maior parte dos produtos ostentaria a marca da importadora. Tais transações decorreriam da livre organização da atividade empresarial e seriam lícitas; k) Defende que o Siscomex não admitiria a inclusão de informações relativas à revenda de mercadorias a elos posteriores da cadeia de importação o que tornaria impossível atender à expectativa fiscal; l) Destaca que todas as empresas envolvidas existiriam de fato; m) Por outro lado, defende que o perdimento da mercadoria constituiria penalidade tão severa, violadora do princípio Fl. 17696DF CARF MF 14 basilar do direito à propriedade que somente seria possível sua aplicação na hipótese de efetivo dano ao Erário. Alega que tal dano não teria ocorrido vez que os impostos teriam sido integralmente recolhidos; n) Por outro lado, destaca que no caso em tela estariam presentes os pressupostos que tornariam cabível a relevação da pena de perdimento, nos termos do art. 736 do Regulamento Aduaneiro; o) Alega tratarse de terceiro de boafé, não devendo ser penalizada por eventuais irregularidades praticadas na importação de bens posteriormente adquiridos, no mercado interno, à vista de documentação comprobatória de sua regularidade. Cita jurisprudência. p) Por fim requer que o lançamento seja julgado improcedente. II. Sr. Edmar Mothe Intimado por via postal em 09/05/2013, comparece o Sr. Edmar Mothe ao processo em 04/06/2013, apresentando as razões de defesa a seguir sintetizadas: a) Inicialmente, sustenta que tivera seu nome incluído como “responsável solidário”, nos termos do DL 37/66, artigo 96, I, combinado com os artigos 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional; b) Conforme a autuação, a autoridade entendera caracterizada a interposição fraudulenta da Utilidad, que desde a sua constituição teria se valido de recursos de terceiros, ocultando os reais adquirentes das mercadorias importadas; c) Sustenta, num primeiro plano, que jamais praticara atos de gestão durante o curto intervalo de tempo em que figurara no quadro societário da Utilidad; d) Os auditores fiscais teriam exorbitado sua competência e distorcido a realidade ao incluir o impugnante no rol de responsáveis solidários; e) Defende a nulidade do lançamento quando à sua pessoa, vez que estaria desligado do quadro de sócios da Utilidad, desde 29/09/2011, não tendo até a cientificação do lançamento, conhecimento de que haveria procedimento fiscal instaurando sobre aquelas pessoas jurídicas. f) Como não lhe fora dada ciência da instauração do procedimento, nem tampouco viabilizada sua manifestação, teria sido cerceado seu direito de defesa, que não se aplicaria somente à fase contenciosa. Nesse aspecto, cita decisão do Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 608.426, que assentaria que o direito de defesa deve ser exercido na fase de constituição do crédito tributário; g) No mérito, defende o descabimento da imputação de responsabilidade tributária à pessoa do impugnante; h) Constaria do auto de infração que fora sócio da Utilidad entre os meses de agosto e setembro de 2011. Todavia, lhe fora imputada responsabilidade sobre a totalidade das importações Fl. 17697DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Acórdão n.º 3201004.917 S3C2T1 Fl. 17.691 15 praticas entre 02 de setembro de 2009 e 02 de fevereiro de 2012. Assim, caso comprovado que tivesse agido com excesso de poderes, poderia ser responsabilizado, exclusivamente, pelas operações realizadas no período em que fora sócio daquela empresa; i) Argumenta que atua como empresário no comércio varejista detendo experiência de mais de 20 anos, notadamente filtros e outros produtos facilitadores do dia a dia das famílias. Em razão de a Utilidad haver conquistado espaço no mercado com a revenda de eletrodomésticos importados, as empresas por ele representadas passaram a adquirir esses bens daquela importadora; j) Da evolução natural de tal relacionamento surgira a oportunidade de fazer parte daquele empresa, decisão que fora repensada em curto espaço de tempo; l) Os produtos adquiridos da Utilidad pelas empresas que usam o nome fantasia “Mundo dos Filtros” corresponderiam a apenas uma parcela dos produtos revendidos por aquelas empresas; m) Seria absurdo defender que a Utilidad existiria apenas para ocultar as operações de dois ou três clientes, vez que aquela empresa possuiria clientes em diversas cidades do país; n) Não haveria irregularidades no relacionamento da impugnante com a Utilidad, nem tampouco seria a impugnante financiadora de suas operações. Destaca que os produtos adquiridos ostentariam a marca própria da Utilidad, não havendo razão para se suspeitar de ocultação de empresas e clientes; o) No que concerne à integralização do Capital Social da Utilidad, em razão de seu ingresso na sociedade, sustenta que tais valores seriam compatíveis com sua renda declarada à Receita Federal e defende que depósito bancário seria meio idôneo de provar o afirmado; p) No que tange à responsabilidade dos sócios, esta seria limitada ao valor integralizado das respectiva cotas, sendo todos os sócios responsáveis solidariamente pela integralização total do capital, enquanto não cumprida em sua totalidade. Nesse contexto, o acesso a bens pessoais dos sócios somente seria admissível caso comprovada a prática de atos realizados com excesso de poderes, que culminassem em ilícitos, fraudes ou irregularidades que lesassem terceiros; q) Não teria sido individualizada a conduta de cada sócio, que apenas teriam sido arrolados em razão de seus poderes teóricos. Defende, outrossim, que os sócios que não exercem atos irregulares, dos quais resultem transtornos para a empresa não responderão com seus bens, segundo entendimento que seria pacífico no STJ; Fl. 17698DF CARF MF 16 r) Na mesma linha, argumenta que a desconsideração da personalidade jurídica somente seria admissível quando for inconteste a prática de atos exercidos com excesso de poderes da parte dos sócios, sendo imperioso o benefício de ordem, que prevê primeiramente o esgotamento dos bens da sociedade. Acrescenta que tal instituto somente poderia ser aplicado pelo poder judiciário; s) No que tange a responsibilização constante do art. 135 do CTN, defende que tal responsabilidade não possuiria o condão de excluir o verdadeiro contribuinte, sendo meramente subsidiária e não por substituição. Sua caracterização exigiria a presença de elementos fáticos a apontar a prática de atos com excesso de poderes. No caso concreto, não haveria elementos que demonstrassem, de forma individualizada, a conduta ilícita dos sócios; t) Defende que a Utilidad possui características de sociedade de capital, posto que seu objeto não depende da personalidade dos sócios. Tal fato afastaria a aplicação do art. 134 do CTN. u) Defende que no direito tributário as normas devem ser interpretadas sempre da maneira mais favorável ao contribuinte, sendo que o que importa são das provas materiais, válidas e objetivas, e não simples suposições. As presunções de fato possuiriam pouco ou nenhum valor nesse campo. v) Por outro lado, sustenta que, para que se pretendesse atingir o patrimônio particular dos sócios com a finalidade de satisfação de obrigações tributárias pretensamente descumpridas pela Utilar, farseia imperioso exaurir primeiramente o patrimônio da sociedade. Somente posteriormente e em sede judicial poderiam ser apuradas as devidas responsabilidades dos sócios. w) Requer sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, ante a ausência de elementos que comprovem que tenha praticado atos de administração na Utilidad, com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do 135 do CTN. Colaciona jurisprudência. É o Relatório Após exame das defesas apresentadas pelos Contribuintes UTILAR e EDMAR MOTHE, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 07/10/2010 a 02/02/2012 CERCEAMENTO DE DEFESA. MANIFESTAÇÃO DURANTE A FASE PROCEDIMENTAL. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal o direito de defesa do contribuinte é exercido na fase do contencioso administrativo, que se inicia com a apresentação da impugnação. A ausência de participação do sujeito passivo durante a etapa procedimental, que visa à apuração e constituição do crédito tributário não caracteriza cerceamento de defesa. Fl. 17699DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Acórdão n.º 3201004.917 S3C2T1 Fl. 17.692 17 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/10/2010 a 02/02/2012 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. O dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. O dano ao Erário deve ser punido com a pena de perdimento dos bens ou, na impossibilidade de sua apreensão, deve ser convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE DE PERDIMENTO. INCOMPETÊNCIA. A competência para relevação da penalidade de perdimento prevista no Regulamento Aduaneiro, na hipótese em que restem configuradas os pressupostos estabelecidos, é privativa do Ministro da Fazenda. RESPONSABILIDADE DO INFRATOR. Devem responder solidariamente pela infração aqueles que tenham concorrido para sua prática ou dela tenham se beneficiado. SOLIDARIEDADE DOS SÓCIOS. LIMITES. EXCEÇÕES. Os sócios, ao constituírem a sociedade sob a forma limitada, limitam sua responsabilidade aos aportes que realizam para a formação do capital social. Porém, existem exceções a tal princípio geral, uma delas aplicável às relações de cunho jurídico tributária, relacionadas aos atos gerenciais praticados com excesso de mandato, violação da lei ou do contrato social. Em tais situações os sócios devem responder solidariamente pelo crédito lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimados, os Contribuintes UTILAR UTILIDADES E PRESENTES LTDA EPP e MARIA MENDES MOTHÉ (fls. 17.590 e seguintes) e EDMAR MOTHE (fls. 17.615 e seguintes) apresentaram Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Os autos foram inicialmente distribuídos ao Conselheiro Valcir Gassen, da 1ª TO da 3º Câmara desta 3º Seção de Julgamento. Nos termos da Resolução nº 3301000.274, Fl. 17700DF CARF MF 18 deliberou aquela Turma Julgadora pela remessa dos autos à minha relatoria em razão de conexão com o Processo nº 10111.720.547/201273 (Utilidad). Por conseguinte, os autos foram a mim redistribuídos para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário Os Recursos Voluntários são próprios e tempestivos, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre esclarecer que, ao presente processo integra o seguinte grupo de processos reunidos por conexão: PROCESSO PARTE 10111.720547/201273 UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA. 10111.721635/201373 MEGALAR ELETRO UTILIDADES LTDA. EPP 10111.720158/201418 FILTROS AGUA LIMPA EIRELI ME 10111.720939/201313 UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME 10111.720047/201312 NOVA DISTRIBUIDORA E LOGÍSTICA LTDA. E OUTROS 10111.721473/201373 MYRA PARTICIPACOES, GESTAO DE ATIVOS, IMPORTACAO, EXPORTACAO E COMERCIO LTDA 10111.721457/201381 UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME 10111.720831/201592 UNIVEX COMERCIO DE UTILIDADES PARA O LAR E PRESENTES LTDA EPP Tratamse de autuações em face da constatação fiscal de operações de importação fraudulenta, com a ocultação do real importador. A UTILIDAD (Processo Principal) é apresentada como importadora ostensiva e, as demais empresas, como sujeitos ocultados. Todos os processos acima, reunidos por conexão, estão sendo submetidos a julgamento conjunto por este colegiado. Feito tal esclarecimento, passa ao exame dos presentes autos. Fl. 17701DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Acórdão n.º 3201004.917 S3C2T1 Fl. 17.693 19 Estão sob julgamento exclusivamente os seguintes Recursos Voluntários 1. UTILAR UTILIDADES E PRESENTES LTDA EPP e MARIA MENDES MOTHÉ (fls. 17.590 e seguintes) 2. EDMAR MOTHE (fls. 17.615 e seguintes) Inexiste qualquer outro Recurso Voluntário nos autos. Assim, passase ao exame das razões recursais. Preliminarmente a Recorrente alega violação ao direito de ampla defesa e exercício do contraditório pelo fato de não lhe ter sido oportunizado o acesso ao Processo nº 10111.720547/201273 (Utilidad Processo principal), circunstância que impediria ou comprometeria a sua defesa. Com efeito, para fins de manutenção ou não do presente lançamento, apenas as provas acostadas nos presentes autos (ainda que oriundas de procedimento fiscalizatório diverso), podem ser levadas em consideração pelos julgadores. É a suficiência ou não das provas existentes que nortearão o julgamento. Em outras palavras, apenas o fato de não ter tido acesso aos autos do processo nº 10111.720547/201273 (Utilidad Processo principal), não é, por si só, suficiente para qualquer declaração de nulidade. E será no mérito que as provas existentes nos presentes autos serão examinadas, identificandose se estas são ou não aptas a fundamentar o lançamento combatido. Assim, afastase a preliminar aventada. Quanto ao mérito, deve merecer a mesma sorte daquele analisado nos autos do processo principal (10111.720547/201273 UTILIDAD), acima referenciado. A acusação fiscal fundamentase no fato de que, apesar das importações terem sido regularmente realizadas pelo Prime, com indicação que esta se dava por conta e ordem da Utilidad, existiria um terceiro envolvido ocultado da administração aduaneira. No caso, estaria se ocultando os clientes da Utilidad, como é o caso da empresa Recorrente, APL. Buscouse demonstrar que, anteriormente ao registro das DI pela empresa Prime, na condição de importadora por conta e ordem e tendo como importadora final, a autuada Utilidad., a própria Utilidad já tinha conhecimento do seu destinatário final. Além disso, indicouse proximidade de datas entre o registro da DI e da Nota Fiscal de venda ao varejista “ocultado”. É preciso destacar que a cessão de nome identificada nos presentes autos se deu de forma atípica. Como afirma a Fiscalização, esta ocorreu no "segundo nível". Quer dizer, havia um primeira nível consistente na importação pela Prime por conta e ordem da Utilidad (primeiro nível), sendo que, no entendimento fiscal, deveria constar como real importador o destinatário final das mercadorias, no caso, os clientes da Utilidad (segundo nível). De fato, cuidou a Fiscalização de demonstrar que a Utilidad, quando registrava as importações, já tinha provável conhecimento do consumidor final que adquiriria Fl. 17702DF CARF MF 20 tais itens no mercado interno. Nesse ponto, ressalto que a constatação de ocultação de nome ocorreu exclusivamente em razão desta prévia destinação, pois, como visto no Recurso de Ofício, a Fiscalização não logrou demonstrar a ocorrência de transferência indevida de recursos entre os envolvidos. Também relativamente à proximidade entre as datas de emissão das DI e Notas Fiscais de venda, não há nada que indique uma prévia encomenda, posto que os pedidos junto aos fabricantes estrangeiros ocorriam bem antes do registro da DI, estas emitidas apenas no momento de embarque das mercadorias no exterior, quando a Utilidad já poderia se comprometer comercialmente com os seus compradores. E mais, as importações eram realizadas via avião (e não via marítima), portanto, com curto prazo de transporte. A existência de operações comerciais pela destinatária das importações anteriores ao registro da importação não são, por si só, capazes de caracterizar irregularidade da operação antecedente. É certo que na importação realizada por conta e ordem só é possível informar o importador e o adquirente. Não existe qualquer ferramenta que permita a indicação de um terceiro envolvido nesta operação. Ou seja, se a Fiscalização não pôde desconsiderar a importação por conta e ordem realizada entre a Prime e a Utilidad, ou seja, não comprovou qualquer irregularidade nesta, não pode exigir a informação de uma terceira pessoa quando a legislação aduaneira não o faz. Notase que toda fundamentação da fiscalização se deu em cima da contabilidade da empresa, em nenhum momento perquiriu acerca da existência de um estoque físico de mercadorias. Desse modo, à exemplo do que se verifica relativamente à acusação de interposição fraudulenta, falhou a Fiscalização no seu ônus probatório. Ainda que existentes indícios de irregularidades nas empresas envolvidas e até mesmo nas operações, é preciso que a submissão dos fatos à norma seja feita de modo vinculado e coerente. É preciso ressaltar que a decisão ora proferida não tem o propósito de legitimar as operações de importação realizadas, tampouco a idoneidade das empresas envolvidas. O que se afirma é que o lançamento fiscal é carente de provas aptas a suportar a acusação realizada. Por fim, quanto à responsabilidade tributária solidária, também referenciando ao Processo nº 10111.720547/201273 (Utilidad Processo principal) No caso, tendo em vista o cancelamento da autuação por ausência de provas quanto ao cometimento dos ilícitos apontados, por mais razão deverá ser anulada a atribuição de uma responsabilidade que só se justificaria em razão do cometimento de ato ilícito. Ademais, vejase que no Relatório Fiscal limitouse à indicação dos dispositivos legais capazes de sustentar a solidariedade, contudo, sem indicar de forma precisa qual ato cometido pelo solidário seria apto para atrais a solidariedade, tampouco em qual inciso legal o ato seria enquadrado (por exemplo, se interesse comum ou se excesso de poderes pelo administrador) 7.4 – SOLIDARIEDADE NA APLICAÇÃO DA PENALIDADE: Fl. 17703DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Acórdão n.º 3201004.917 S3C2T1 Fl. 17.694 21 As empresas UTILIDAD e seus sócios e exsócios, PRIME COMERCIAL e seus sócios, devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas, nos termos do Artigo 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172/66. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Logo, mais uma vez se constata a fragilidade do lançamento fiscal, deixando novamente de proceder a subsunção do fato à norma. No caso, sequer indicou qual fato seria Fl. 17704DF CARF MF 22 capaz de atrair a incidência de qualquer norma impositiva de solidariedade, seja qual for a sua natureza Pelo exposto, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência fiscal. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 17705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.904980/2008-44
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
EQUÍVOCO DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DO DÉBITO OBJETO DO LANÇAMENTO.
Confirmada a inexistência do débito, o lançamento deve ser julgado improcedente e o crédito tributário exonerado.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMA. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE .
Aplicação da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
REMISSÃO. ART. 14 DA MP Nº 449/08 CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Para aplicação do benefício é necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos sejam alcançados pelo marco temporal do vencimento, Por outro lado, o CARF não têm competência para a análise da aplicação de remissões definidas em lei.
Numero da decisão: 1003-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 EQUÍVOCO DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DO DÉBITO OBJETO DO LANÇAMENTO. Confirmada a inexistência do débito, o lançamento deve ser julgado improcedente e o crédito tributário exonerado. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMA. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE . Aplicação da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". REMISSÃO. ART. 14 DA MP Nº 449/08 CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Para aplicação do benefício é necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos sejam alcançados pelo marco temporal do vencimento, Por outro lado, o CARF não têm competência para a análise da aplicação de remissões definidas em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 49 80 /2 00 8- 44 Fl. 54DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão de nº 0629.368, proferido pela lª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada. Fazendo um breve relatório, temse que a Recorrente efetuou compensação declarada por meio do PER/DCOMP n° 38540.29317.220604.1.3.045690 (fls. 0509), relativa à compensação do débito de CSLL devido com base no lucro presumido (código de receita 2372) do 1° trimestre/2004, no valor de R$ 3.164,24 de principal, acrescido de juros de mora, no total de R$ 3.234,80, com utilização do direito creditório de R$ 3.164,24 oriundo do pagamento indevido ou a maior de CSLL com base no lucro presumido efetuado em 30/04/2004 (R$ 7.252,96). A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 18/07/2008 (fl. 01), não homologou a compensação declarada em face da inexistência do direito creditório, haja vista o pagamento efetuado em 30/04/2004 estar alocado ao débito de CSLL com base no lucro presumido do 1° trimestre/2004. Irresignada, a Recorrente apresentou a tempestiva manifestação de inconformidade de fl. 10, arguindo que o PER/DCOMP n° 38540.29317.220604.1.3.04 5690 foi transmitido erroneamente, motivo pelo qual pede o seu cancelamento; que em 29/08/2005 apresentou DCTF retificadora para corrigir o valor do débito de CSLL do 1° trimestre/2004 para R$ 21.849,66, cuja parcela de R$ 12.266,16 foi paga por Darf, enquanto o saldo de R$ 9.583,50 foi parcelado nos autos do processo n° 10980.010142/200565. Por sua vez, a DRJ, ao apreciar a citada manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório pleiteado, no seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.904980/200844 Acórdão n.º 1003000.424 S1C0T3 Fl. 3 3 serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar não homologada a compensação declarada. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA A COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO NO PER/DCOMP. A manifestação de inconformidade deve voltarse contra a não homologação ou o não reconhecimento do crédito; as DRJ carecem de competência para cancelar cobrança administrativa de débitos confessados em PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente • Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 44/48, a Recorrente alegando, em síntese que: "Erroneamente, apurou, inicialmente, o crédito de R$ 3.164,24, relativo a CSLL (código 2372), a ser compensado, tendo transmitido a PER/DCOMP 38540.29317.220604.1.3.0405690, crédito este que não existia em seu favor. Em verdade existia débito a ser pago em favor dos cofre Tesouro Nacional. Por conta disso, em 29.08.2005 apresentou a recorrente DCTF com a apuração da quantia de R$ 21.849,66 a qual foi integralmente quitada na forma descrita na manifestação de inconformidade, materializandose pelos documentos e comprovantes de recolhimentos já acostados aos autos. Melhor explicando, a recorrente apurou o crédito de R$ 3.164,24, pediu sua compensação e posteriormente constatou que era inconsistente. Imediatamente buscando retificar o erro cometido, apresentou a DCTF em destaque apurando a quantia de R$ 21.849,66 cujo recolhimento foi feito ao Fisco. Ora, em homenagem aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público, eficiência, insculpidos no artigo 37 da Carta Magna, bem assim artigo 2° da Lei 9.784/1999 (Lei do Processo Administrativo), não parece correta, ao ver da recorrente, a manutenção da decisão objurgada nos moldes como apresentada. Notese, que a própria E. Turma Julgador, através do voto de lavra do Ilmo. Sr. Relator Ney Kazuo Kusakariba, ponderou que realmente não existiam quaisquer inconsistências relativamente aos débitos fiscais devidos pela recorrente, sugerindo, inclusive, fosse protocolado junto à Receita Federal pedido de cancelamento do débito cuja compensação foi indevidamente declarada, senão vejamos: "Tendo em vista que não atende aos interesses da Fazenda Pública a inscrição em divida ativa e subseqüente cobrança judicial de débito inconsistente, cabe contribuinte peticionar junto à DRF/Curitiba Fl. 56DF CARF MF 4 o cancelamento do débito cuja compensação foi indevidamente declarada no PER/DCOMP em análise",fls. 39.Vejase que a própria autoridade fiscal julgadora constatou que é inconsistente a cobrança do débito ora em debate, não tendo julgado procedente a manifestação de inconformidade ao argumento de que a declaração constitui confissão de divida e instrumento hábil à cobrança de débitos indevidamente compensados. Mas, no caso em apreço, sequer existem débitos, não havendo que se falar, por conta disso, em confissão de divida e exigibilidade das respectivas quantias. Além disso, não parece razoável, pelos princípios constitucionais e infraconstitucionais acima invocados, em especial o da razoabilidade e proporcionalidade, que se mantenha a decisão combatida, ao argumento de que tão somente através de protocolo específico junto à DRF/Curitiba é que se pode cancelar o débito em destaque, até para que não seja inscrito em divida ativa e cobrado judicial. Na própria manifestação de inconformidade de fl. 10, apresentada pela recorrente já consta pedido de seu cancelamento. Por que motivos, até reverência ao princípio da eficiência administrativa, já não se cancelou a PER/DCOMP em destaque, como inclusive foi pleiteado na peça em debate. (...) Não bastassem tais fatos que já dariam provimento ao presente recurso e tornariam inconsistente a cobrança da quantia em debate, cumpre registrar ainda, por oportuno, que a Lei 11.941/2009, em seu artigo 14, resultante da conversão da MP n° 449, de 03/12/2008, determinou a remissão dos débitos cuja importância não alcançasse R$ 10.000,00. (...) Dessa forma, considerando que o débito exigido pela autoridade fiscal do contribuinte ora recorrente não alcança o limite de R$ 10.000,00, importando na quantia de R$ 6.452,82, acrescidos dos encargos legais e multas de oficio, a remissão ao suposto débito se impõe, na medida em que é a determinação contida no dispositivo legal acima invocado É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Conforme consta no relatório, a discussão, objeto da presente demanda, versa sobre a não homologação, pela DRJ, da compensação declarada no PER/DCOMP n° 38540.29317.220604.1.3.045690 (fls. 0509) relativa à compensação do débito de R$ 3.164,24 de CSLL com base no lucro presumido (código de receita 2372) do 1° trimestre/2004, acrescido de R$ 70,56 de juros de mora em face da inexistência do direito creditório de R$ Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.904980/200844 Acórdão n.º 1003000.424 S1C0T3 Fl. 4 5 3.164,24 nele informado e oriundo de pagamento indevido ou a maior de CSLL com base no lucro presumido do próprio 1º trimestre/2004, em 30/04/2004 (R$ 7.252,96). Todavia, entendo que tal decisão merece reforma, posto que a própria DRJ. no acórdão de piso, reconheceu tratarse de equívoco cometido pela Recorrente e que o débito já encontrase extinto, pelo que se depreende de trecho a seguir transcrito: Considerando que a compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme disposto no art. 74, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, para homologação da compensação declarada nos autos é imprescindível a confirmação do direito creditório informado. No entanto, o direito creditório postulado nos autos se encontra corretamente alocado ao débito de R$ 21.849,66 de CSLL do 1º trimestre/2004 declarado na DCTF retificadora do 1º trimestre/2004, apresentada em 29/08/2005 (fls. 2728 e 3435), e não possui saldo disponível para compensação passível de ser reconhecido por esta DRJ. Verificase que, na realidade, a interessada cometeu equívoco no preenchimento do PER/DCOMP n° 38540.29317.220604.1.3.045690, posto haver informado como débito a ser compensado a parcela de R$ 3.164,24 da CSLL com base no lucro presumido do 1º trimestre/2004, cujo recolhimento, efetuado em 30/04/2004, por meio de Darf no valor de R$ 7.252,96, também indica como origem do direito creditório a ser utilizado, razão pela qual requer em sua manifestação de inconformidade o cancelamento dessa declaração de compensação. Apesar de não integrar o objeto da presente discussão, cabe destacar que, inobstante o débito de CSLL objeto do pedido de compensação em análise se encontre extinto por pagamento (fls. 3637) e por parcelamento (...), Essa cobrança é mera consequência da confissão do débito, que se operou pelo preenchimento do PER/DCOMP, e não há previsão para seu cancelamento pelas DRJ. (...) Assim, é certo que a Recorrente cometeu equívoco no preenchimento do PER/DCOMP n° 38540.29317.220604.1.3.045690, por ter informado como débito a ser compensado a parcela de R$ 3.164,24 da CSLL com base no lucro presumido do 1º trimestre/2004, cujo recolhimento, foi efetuado em 30/04/2004, por meio de Darf no valor de R$ 7.252,96. Ocorre que, inobstante o débito de CSLL objeto do pedido de compensação em análise encontrarse extinto por pagamento (fls. 3637) e por parcelamento, como o PER/DCOMP caracterizase como constituir confissão de divida e instrumento hábil e Fl. 58DF CARF MF 6 suficiente para a exigência dos débitos, a parcela do débito já quitado, cuja compensação não foi homologada pela DRF/Curitiba, tornouse exigível ante a dita declaração de compensação. Logo, o que se constata é que esse novo débito, gerado pela transmissão do referido PER/DCOMP, tratase de um débito fictício (em duplicidade), que, na verdade, não existe e surgiu apenas do envio equivocado da declaração de compensação. Portanto, ao transmitir o PER/DCOMP, informando esse mesmo débito já devidamente quitado via citada alocação, a Recorrente CRIOU, no sistema, novo débito para si no mesmo valor do anterior daquele já reconhecido como extinto pela DRJ no acórdão de piso. A questão é que esse suposto novo débito, criado a partir da transmissão do PER/COMP, não existe e não deve ser cobrado, por já estar extinto em homenagem ao princípio da verdade material. No tocante aos demais argumentos elencados pela Recorrente, no tocante à ofensa a princípios constitucionais, temse que é vedado ao CARF pronunciarse sobre questões com fulcro na CF/88. Esse entendimento está consolidado pela Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Por fim, alega a Recorrente a ocorrência de remissão do débito objeto da presente demanda por força do art. 14 da MP no 449/08, convertida na Lei no 11.941/09, in verbis: “Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há cinco anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00(dez mil reais)” Fica claro que, extraindose da letra da lei, somente houve remissão dos débitos vencidos há cinco anos ou mais em 31 de dezembro de 2007, ou seja, vencidos até 31 de dezembro de 2002. O débito objeto da presente análise teve seu marco temporal de vencimentos ocorridos em 30/04/2004, portanto, fato aqui em perlenga não se subsume ao disposto na lei. Outrossim, a matéria de remissão é atinente á cobrança e, portanto, não pode ser analisada em sede recurso administrativo, sendo da unidade da Receita Federal, que circunscriciona o contribuinte, a competência para análise de sua aplicação REMISSÃO. ART. 14 DA MP Nº 449/08 CONVERTIDA NA LEI No 11.941/2009. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL.Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449/08 era que os débitos em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Incabível cogitar em remissão tendo em vista o não atendimento de qualquer das condições.Para aplicação do benefício é necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos sejam alcançados pelo marco temporal do vencimento. As Turmas de Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.904980/200844 Acórdão n.º 1003000.424 S1C0T3 Fl. 5 7 Julgamento do CARF não têm competência para a análise da aplicação de remissões definidas em lei. (3001000.581, 20/11/2018) Assim sendo, reconheço que não há qualquer direito creditório no caso analisado, porém, também não existe o débito do 1° trimestre/2004, no valor principal de R$ 3.164,24 acrescido de juros de mora, no total de R$ 3.234,80. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para julgar improcedente lançamento. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 60DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907894/2016-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.901
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 89 4/ 20 16 -4 1 Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13896.907894/201641 Resolução nº 3201001.901 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13896.907894/201641 Resolução nº 3201001.901 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13896.907894/201641 Resolução nº 3201001.901 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13896.907894/201641 Resolução nº 3201001.901 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13896.907894/201641 Resolução nº 3201001.901 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13896.907894/201641 Resolução nº 3201001.901 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721721/2015-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.724
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 72 1/ 20 15 -5 0 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 16682.721721/201550 Resolução nº 3201001.724 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Voto Fl. 295DF CARF MF Processo nº 16682.721721/201550 Resolução nº 3201001.724 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 296DF CARF MF
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