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Numero do processo: 19515.002567/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004
ARGUIC¸A~O DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 2, não compete às instâncias administrativas apreciar e deliberar sobre vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de normas tributárias.
DIF-PAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAC¸A~O. MULTA REGULAMENTAR.
O atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF-Papel Imune) sujeita o contribuinte a imposic¸a~o da multa prevista no artigo 57 da MP 2.158-35/2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAC¸A~O.
Por forc¸a da ali´nea c, inciso II do art. 106 do CTN, ha´ que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorre^ncia do fato.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-006.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para aplicar a retroatividade benigna e afastar a multa por mês-calendário no atraso da DIF-Papel Imune e manter a multa por atraso a cada DIF-Papel Imune entregue em atraso, cabendo a Autoridade de Origem verificar os valores e a condição da empresa recorrente se é Pequena Empresa, Microempresa, EPP e outros, para a correta liquidação deste julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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De acordo com a Súmula CARF nº 2, não compete às instâncias administrativas apreciar e deliberar sobre vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de normas tributárias. DIFPAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. O atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune) sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para aplicar a retroatividade benigna e afastar a multa por mêscalendário no atraso da DIFPapel Imune e manter a multa por atraso a cada DIFPapel Imune entregue em atraso, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 67 /2 00 5- 61 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 19515.002567/200561 Acórdão n.º 3301006.377 S3C3T1 Fl. 126 2 cabendo a Autoridade de Origem verificar os valores e a condição da empresa recorrente se é Pequena Empresa, Microempresa, EPP e outros, para a correta liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 83 a 97) interposto pelo Contribuinte, em 27 de fevereiro de 2008, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1415.189 (fls. 70 a 74), de 21 de março de 2007, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Impugnação (fls. 22 a 34). Visando a elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de Auto de Infração, para exigência da multa regulamentar, lavrado em decorrência da constatação de atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune). O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, merecendo destaque o artigo 57 da MP 2.15835/2001, a IN SRF 71/2001 e a IN SIT 159/2002. Tempestivamente, o sujeito passivo impugnou o lançamento, argumentando, síntese, que este viola o princípio da legalidade e do caráter confiscatório da penalidade aplicada, conforme jurisprudência que cita. Assim, diante da decisão, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Fl. 126DF CARF MF Processo nº 19515.002567/200561 Acórdão n.º 3301006.377 S3C3T1 Fl. 127 3 O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1415.189 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A interposição do Recurso Voluntário visa reformar a decisão que ficou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não apresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos pela legislação, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista. Lançamento Procedente No recurso o Contribuinte reafirma o já exposto quando da Impugnação no que tange ao caráter confiscatório da multa aplicada. Cito trechos para ilustrar o seu entendimento (fls. 85 e seguintes): No voto do Douto Sr. Relator, parte integrante do acórdão ora objeto do inconformismo da Recorrente, alega que entende que a presente multa foi corretamente aplicada, não sendo o caso de substituila, nem de reduzila. Ademais, não levou em consideracã̧o o efeito confiscatório da multa, dessa forma feriu o art. 150, IV, da Constituicã̧o Federal, que dispõe sobre a vedação do uso de tributo para fins de confisco. Porquanto, sua tese foi sustentada no art. 58 da MP 2.15834, dispositivo flagrantemente confiscatório e inconstitucional. Nobres Julgadores é cedico̧ que, a multa administrativa é uma penalidade pecuniária que tem como finalidade compensar o dano causado pelo particular A administracã̧o com a prática da infracã̧o, contudo, se a multa fixada em valor excessivo, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida, certamente tem natureza confiscatória e o ato administrativo punitivo certamente torna se viciado por desvio de finalidade, impondose a sua anulaca̧õ. No caso "sub judice", está patente o desvio de finalidade, isto porque, já foi comprovado junto ao juizo "a quo", mediante juntada de documentos que a Recorrente tem em seu capital social o vaaor de R$ 50.000,00, ou seja, metade do valor da multa imposta, qual seja, R$ 25.000,00. Desta forma, Douto Julgador, percebese que o v. acórdão está amparado em teses frágeis, distorcendo o que a legislação realmente prescreve, caindo no mesmo equivoco da decisão de primeira instancia, quando deixa de se ater aos princípios constitucionais e As normas que esta prescreve, gerando farta confusão com argumentos contraditórios. Ademais, o não confisco tem amparo legal no art.5°, XXII, CF/88, o qual estabelece o "direito fundamental a propriedade", portanto, se irradia por todo o sistema jurídico. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 19515.002567/200561 Acórdão n.º 3301006.377 S3C3T1 Fl. 128 4 (...) No caso "sub judice", está patente o desvio de finalidade, isto porque, como se pode constatar (doc. em anexo) a ora impugnante é associação sem fins lucrativos, cuja única finalidade é a divulgacã̧o religiosa, tendo como único recurso financeiro o levantamento de fundos por meios lícitos, através de Doações, ofertas voluntárias, Convênios, etc., figura inferior à multa imposta. (...) III DO PEDIDO Diante de todas as razões expostas, requer: 1) Seja Julgado Totalmente PROCEDENTE o presente Recurso, por ser o referido acórdão em epígrafe totalmente arbitrário e ilegal, pois deixa de aplicar a lei ao caso concreto, ou seja, ao caso da Recorrente, devendo ser declarado O AUTO DE INGRAÇÃO NULO e, conseqüentemente, ser ARQUIVADO. 2) Na hipótese improvável de este não ser o entendimento deste nobre julgador, o que se admite apenas para argumentar, que seja aplicada a multa disposta no art. 507 do Decreto n° 4544/02, que aplica a pena de multa de R$ 31,65 (trinta e um reais e sessenta e cinco centavos) a cada falta do contribuinte na entrega dos documentos descritos no art. 368 do mesmo diploma legal. No que tange a discussão da multa ter caráter confiscatório e ofender o princípio de que tributo não pode ter efeito confiscatório, lembro que tal matéria, da constitucionalidade ou não, não está afeita a deliberação neste órgão administrativo. Neste sentido cito súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação a aplicação do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, já revogado pelo Decreto nº 7.212/2010, não procede as alegações do Contribuinte, visto que a administração fiscal aplicou a legislação pertinente ao fato ocorrido. Neste sentido cito trechos da decisão ora recorrida como razões para decidir: A Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune) foi instituída pela IN SRF 74/2001, alterada pelas IN SRF 101/2001 e 134/2002. Assim dispõem seus artigos 10 e 11: Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1°. Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (Redação dada pela IN SRF 134, de 08/02/2002) Parágrafo único (...) Fl. 128DF CARF MF Processo nº 19515.002567/200561 Acórdão n.º 3301006.377 S3C3T1 Fl. 129 5 Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória n°2.15834, de 27 de julho de 2001. (grifos acrescidos) Por sua vez, a multa aplicada está prevista no artigo 57 da MP 2.15834 (matriz legal do art. 505 do RIPI/2002): Art 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (grifos acrescidos) II (...) Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. E o artigo 16 da Lei n° 9.779/99 (matriz legal do art. 212 do RIPI/2002) prescreve: Art. 16. Compete a Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Em resumo: a SRF, por intermédio da IN SRF 74/2001, instituiu a obrigação acessória (DLFPapel Imune) relativa ao controle da imunidade que afeta o IPI e o IRPJ (tributos por ela administrados), estabelecendo os prazos para o cumprimento dessa obrigação e determinando que a não apresentação da declaração, nos prazos estipulados, enseja aplicação da penalidade prevista no art. 57 da MP 2.15834. É importante frisar, contrariando o entendimento da contribuinte, que a IN SRF 74/2001 não instituiu a penalidade aplicável para a hipótese do descumprimento dessa obrigação acessória (apresentação da DIFPapel Imune). Essa penalidade, aplicável a todas as hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias estabelecidas pela SRF, foi instituída pelo artigo 58 da MP 2.15834, que, por força do art. 2° da Emenda Constitucional n° 32/2001, encontrase em vigor até a presente data, com força de lei. Cumpre esclarecer, também, que a multa tomase aplicável ao constatarse entrega da DifPapel Imune após os Prazos estabelecidos no parágrafo único do artigo 11 da IN SRF 74/2001, e não após o prazo estabelecido em intimação fiscal para a apresentação da dita declaração. Ou seja, quando da intimação pela fiscalização, já estava caracterizada a entrega fora do prazo. Posteriormente, foi publicada a IN SRF 159/2002, que não revogou a IN SRF 74/2001, mas trouxe algumas a1teraç6es, merecendo transcrever seus artigos 1° e 2°: Art. 1° Aprovar o programa gerador da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune), versão 1.0, cuja apresentação é obrigatória para fabricantes, distribuidores, importadores, Fl. 129DF CARF MF Processo nº 19515.002567/200561 Acórdão n.º 3301006.377 S3C3T1 Fl. 130 6 empresas jornalísticas ou editoras e gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros. jornais e periódicos. (...) Art. 2°A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa juridica que operarem com papel destinado impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Ou seja, comprovado nos autos que a empresa apresentou as DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos no art. 11 da IN SRF 74/2001 (ou art. 3º da IN SRF 159/2002), apresentação a que estava obrigada por tratarse de empresa que efetua operações com papel imune, exigível a penalidade prevista no artigo 58 da MP 2.15834. Portanto, a imposição da multa no presente lançamento de oficio está em perfeita consonância com a legislação aplicável. Por questão de ordem pública, da retroatividade benigna, conheço, quanto ao mérito, a questão relacionada a multa ser aplicada mês a mês, conforme estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, ou, na aplicação da multa por trimestre, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 11.945/2009. A Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, assim prescreve: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; Fl. 130DF CARF MF Processo nº 19515.002567/200561 Acórdão n.º 3301006.377 S3C3T1 Fl. 131 7 II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Em relação a esta matéria de ordem pública, no que pertine a retroatividade benigna pela aplicação de valor único por declaração, cito trecho da ementa da decisão proferida no Acórdão nº 9303006.669, de 26 de junho de 2018, de relatoria do il. Conselheiro Rodrigo Costa Possas: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2000, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004 MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO. É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada “DIFPapel Imune”, prevista no art. 12 da IN/SRF no 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei no 9.779/99. Mas, por forca̧ da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaracã̧o não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP no 2.15835/2001. Já em decisão mais recente, de 21 de fevereiro de 2019, assim ficou a ementa do Acórdão nº 9303008.198, de voto de relatoria do il. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2004 VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPELIMUNE”. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 19515.002567/200561 Acórdão n.º 3301006.377 S3C3T1 Fl. 132 8 Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIFPapel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/2001 RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, de acordo com a Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, cabe a Autoridade de Origem verificar se a empresa é pequena, micro ou empresa individual optante pelo Sistema Simples, para apurar a redução da penalidade aplicada, visto a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN. Portanto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte, não conhecendo a preliminar de ilegalidade e inconstitucionalidade por força da Súmula CARF nº 2, e, no mérito, reconhecendo a retroatividade benigna, para afastar a multa por mêscalendário no atraso na entrega da DIFPapel Imune e manter a multa por atraso a cada DIFPapel Imune entregue em atraso, cabendo a Autoridade de Origem verificar os valores e a condição da empresa recorrente se é Pequena Empresa, Microempresa, EPP e outros, para a correta liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.900739/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, ano-calendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13629.900731/2013-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13629.900731/201344, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 90 07 39 /2 01 3- 19 Fl. 207DF CARF MF 2 Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1665.732 proferido pela Quarta Turma da DRJ/SPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: O presente processo trata da Declaração de Compensação – DCOMP – nº (...), transmitida eletronicamente, por meio da qual se pretende compensar débito(s) da Interessada com crédito originário de pagamento indevido ou maior que o devido (PGIM), no valor total de R$ 44.819,38 O crédito está consubstanciado em um recolhimento a título de estimativa de IRPJ, devida mensalmente,de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, código de receita nº 5993, período de apuração de 31/03/2011 e arrecadado em 29/04/2011. O despacho constatou a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por se tratar de pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Foi dada ciência do despacho em 13/08/2013 e apresentouse manifestação de inconformidade em 11/09/2013, nos seguintes termos em síntese: 1Tratase de compensação de débito de IRPJ e CSSL, pagos no período de janeiro de 2011 a maio de 2011, apurados pelo regime estimativa mensal, com base na Receita Bruta e Acréscimos, devidamente pagos, conforme relatório de pagamentos obtido junto ao ECAC (doc. 03) e informado nas DCTFs do período (doc. 04). 2 Em junho de 2012, levantou balancete de suspensão/redução, para verificar os recolhimentos existentes, suspendendo, a partir deste mês, os recolhimentos de IRPJ e CSLL. 3 Em 31 de dezembro de 2011, na apuração final do exercício, a empresa apresentou resultado fiscal negativo (doc. 05), ficando, assim, todos recolhimentos efetuados no período, compondo o saldo de base negativa de IRPJ e CSLL. 4 Em trabalho de revisão interna, foram detectadas divergências na Declaração de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica, enviada via internet em 30/06/2012. Esta declaração, ainda não retificada, não constitui óbice ao aproveitamento do crédito por se tratar de declaração meramente informativa. Há de se ressaltar que tais divergências não implicariam em alteração do resultado apresentado no exercício. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13629.900739/201319 Acórdão n.º 1401003.460 S1C4T1 Fl. 3 3 5 Diante do exposto nos itens 01 a 03, a Contribuinte efetuou em 2012, através de PERDCOMP, compensação dos valores recolhidos em 2011, com os mesmos tributos apurados em 2012 , utilizando, para isso, no preenchimento da ficha de tipo do crédito no pedido de restituição erroneamente a opção pagamento indevido ou maior e não a opção base de cálculo negativa de IRPJ e CSLL, nos termos do artigo da Lei nº 9.430/96 e Ato Declaratório SRF 03/00. ESTE É O RELATÓRIO VOTO O crédito oferecido à compensação com o(s) débito(s) compensado(s) foi valor relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, código de receita nº 5993. A razão para o indeferimento é a de que o pagamento estava alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição A alegação da Interessada é a de que teria levantado balancete de suspensão a partir de junho, não devendo mais estimativas a partir dessa data. Argúi que, ao enviar o PERDCOMP, solicitou o crédito na forma de pagamento indevido ou a maior que o devido e não saldo negativo, por equívoco. Importante notar, entretanto, que só cabe retificação do PER/DCOMP quando se tratar de corrigir meras inexatidões materiais de preenchimento ou de digitação, desde a IN SRF nº 600/2005 (art. 58), e em conformidade com o art. 78 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, DOU de 31.12.2008: “Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79.” (grifei) No mesmo sentido, vejase o que dispõe o art. 89, da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012: “Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90.” A expressão “inexatidões materiais” está no Decreto n.º 70.235/72: “Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser Fl. 209DF CARF MF 4 corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.” (grifei) Como se vê, as inexatidões materiais não se referem a alterações na essência do mérito do tema examinado, mas, sim, a erros de preenchimento (ou de digitação) que não a alteram. O erro no tipo de crédito não se enquadra em inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, em erro de direito, mais especificamente, em erro no critério jurídico, pois se trata de crédito de natureza diversa (saldo negativo do IRPJ ou CSLL e não pagamento a maior). Há que se destacar que se trata de mudança da natureza jurídica do crédito, e não apenas correção de um dado informado erradamente. Neste sentido, é de se ver que as informações prestadas no PER/DCOMP e os batimentos efetuados pelos sistemas da RFB são totalmente diferentes. Exemplificativamente, no PER/DCOMP do PGIM é informado, na descrição do crédito, somente o DARF que deu origem ao valor pleiteado. Diferentemente, no PER/DCOMP do Saldo Negativo são descritos todos os valores que deram origem ao crédito pleiteado, como as estimativas recolhidas, o IRRF (ou CSLL retida) com a informação das respectivas fontes pagadoras, etc., que serão verificados pelos sistemas da Receita Federal do Brasil RFB. Assim, a partir das alegações da Recorrente, ela deveria ter cancelado o PER/DCOMP em tela (PGIM) e transmitido outro PER/DCOMP (saldo negativo), visto que possuem direito creditório e batimentos de naturezas diferentes. Por óbvio, tais procedimentos deveriam ter sido adotados em tempo hábil. Logo, por todo o exposto VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da MANIFESTAÇÃO DE CONFORMIDADE. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.452, de 16/05/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13629.900731/2013 44, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.452): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Este processo contém a mesma matéria, o mesmo contribuinte e a mesma razão de pedir (crédito pleiteado em DCOMP, pagamento a maior) que já foi objeto de julgamento por esta Turma Ordinária, em outro processo, de forma que reproduzo Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13629.900739/201319 Acórdão n.º 1401003.460 S1C4T1 Fl. 4 5 aqui o inteiro teor do acórdão proferido, da lavra do Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto, que adoto como razão de decidir. Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. O presente processo trata da Declaração transmitida eletronicamente, por meio da qual se pretende compensar débito(s) da Interessada com crédito originário de pagamento indevido ou maior que o devido (PGIM). O crédito está consubstanciado em um recolhimento a título de estimativa de IRPJ, devida mensalmente, de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. O despacho constatou a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por se tratar de pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Foi dada ciência do despacho em 13/08/2013 e apresentouse manifestação de inconformidade em 11/09/2013, nos seguintes termos em síntese: 1Tratase de compensação de débito de IRPJ e CSSL, pagos no período de janeiro de 2011 a maio de 2011, apurados pelo regime estimativa mensal, com base na Receita Bruta e Acréscimos, devidamente pagos, conforme relatório de pagamentos obtido junto ao ECAC (doc. 03) e informado nas DCTFs do período (doc. 04). 2 Em junho de 2012, levantou balancete de suspensão/redução, para verificar os recolhimentos existentes, suspendendo, a partir deste mês, os recolhimentos de IRPJ e CSLL. 3 Em 31 de dezembro de 2011, na apuração final do exercício, a empresa apresentou resultado fiscal negativo (doc. 05), ficando, assim, todos os recolhimentos efetuados no período, compondo o saldo de base negativa de IRPJ e CSLL. 4 Em trabalho de revisão interna, foram detectadas divergências na Declaração de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica, enviada via internet em 30/06/2012. Esta declaração, ainda não retificada, não constitui óbice ao aproveitamento do crédito por se tratar de declaração meramente informativa. Há de se ressaltar que tais divergências não implicariam em alteração do resultado apresentado no exercício. 5 Diante do exposto nos itens 01 a 03, a Contribuinte efetuou em 2012, através de PERDCOMP, compensação dos valores recolhidos em 2011, com os mesmos tributos apurados em 2012 , utilizando, para isso, no preenchimento da ficha de tipo do crédito no pedido de Fl. 211DF CARF MF 6 restituição erroneamente a opção pagamento indevido ou maior e não a opção base de cálculo negativa de IRPJ e CSLL, nos termos do artigo da Lei nº 9.430/96 e Ato Declaratório SRF 03/00. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: Que teria cometido erro na apresentação do PER/DCOMP que trataria de saldo negativo e não de pagamento indevido, como fora originalmente solicitado; Que apresentou documentos que comprovariam a veracidade das suas alegações e a existência de crédito de igual valor ao solicitado, só que tratando de saldo negativo; Que a jurisprudência do CARF é pacífica em aceitar a possibilidade de demonstração da efetividade do crédito posteriormente à decisão que analisou o crédito. Ao fim solicita que sejam revistas as decisões anteriormente proferidas, sendo reconhecido o crédito e homologadas as compensações apresentadas. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de janeiro a junho de 2011. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13629.900739/201319 Acórdão n.º 1401003.460 S1C4T1 Fl. 5 7 Em sua DIPJ apresentou informações de que entre janeiro e junho/2011 apurou o IRPJ e CSLL com base na receita bruta, passando à apuração com base em balancetes de redução e suspensão apenas a partir de julho/2011. No final do exercício apurou prejuízo o que, por consequência, importou em inexistência de IRPJ e CSLL a pagar no exercício. Na mesma DIPJ, entretanto, sequer preencheu as fichas de apuração do IRPJ e CSLL devidos informando a existência de pagamentos por estimativa e os respectivos saldos negativos apurados. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pela apuração das estimativas entre janeiro e junho/2011, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ sem realizar a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano calendário 2011 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de IRPJ ou CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que Fl. 213DF CARF MF 8 efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201 002.106, de 16/03/2018) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de IRPJ e CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13629.900739/201319 Acórdão n.º 1401003.460 S1C4T1 Fl. 6 9 pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sem em razão da existência de saldos negativos de IRPJ e CSSL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do Fl. 215DF CARF MF 10 crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos montantes de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, formados a partir do Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13629.900739/201319 Acórdão n.º 1401003.460 S1C4T1 Fl. 7 11 recolhimento das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2012, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de IRPJ e CSLL relativos aos recolhimentos dos meses de janeiro a Fl. 217DF CARF MF 12 junho/2011, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação. Assim, demonstrase que, em verdade o acórdão tratou não apenas do PER/DCOMP relativo a este processo específico, mas sim de todos os PER/DCOMP relativos aos pagamentos por estimativa de IRPJ e CSLL, conforme listados no acórdão que se referem aos seguintes processos. [...](assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Conclusão É o Voto, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13629.900739/201319 Acórdão n.º 1401003.460 S1C4T1 Fl. 8 13 Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.002100/2006-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA), ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR.
A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do 1TR, sempre lembrando a relevância extra fiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal,
condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva
averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA,
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa de oficio e juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de oficio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-000.606
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento PARCIAL ao recurso, restabelecendo na DITR objeto do lançamento os 910,0 ha como Área de Utilização Limitada (Reserva Legal), mantendo as demais condições do lançamento, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: RUBENS MAURÍCIO CARVALHO
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10675,002100/2006-95 Recurso n° 343,091 Voluntário Acórdão n° 2102-00.606 — la Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2010 Matéria ITR Recorrente ANTÔNIO DE VASCONCELOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - 1TR Exercício: 2002 AREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA AREA NO CARTÓRIO DE. REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA), ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA AREA DE RESERVA LEGAL DA AREA TRIBUTÁVEL PELO 1TR. A averbação cartorária da Area de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do 1TR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das Areas protegidas ambientalmente, neste Ultimo caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental . Havendo tempestiva averbação da area do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA, A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de hem de preservação permanente, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de oficio e juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de oficio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, re e cendo na DITR objeto do lançamento os 910,0 ha como Area de Utilização Limit a (Rese a Legal), mantendo as demais condições do lançamento, nos termos do voto o Relator. Giovanni tes „f 04, Rub Mauricio Car alho — Relator Christian N Presidente EDITADO EM: 30/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Nirbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Mauricio Carvalho e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de o ficio. Os valores declarados, retificados de oficio e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2002 Declarado, fl. 96 Retificação de oficio Acórdão DRJ Área de Preservação Permanente 193,6 ha 0,0 ha 0,0 ha Área de Utilização Limitada 910,0 ha 0,0 ha 0,0 ha Valor da Terra Nua R$ 4.569.218,00 R$ 10.067.711,00 R$ 4.569.218,00 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de f.'s. 273 a 284 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte interessado foi emitido, em 11/08/2006, o auto de inflação/anexos de fls, 02 e 94/101, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$365.556,76, a titulo de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, do exercício de 2002, incluindo o valor da multa proporcional (75,0%) e dos juros legais calculados até 31/07/2006, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Douradinho" (IVIRF 2.457.980-7), com Area de 4.470,6 ha, localizado no município de Uberlândia — MG. A ação fiscal, autorizada através do Registro de Procedimento Fiscal — Revisão Interna n° 061.09.00-2006-00192-9 (LOCAL), de fls. 01, iniciou-se com a intimação feita ao contribuinte de Rs, 03, recepcionada em 12/05/2006 ( "AR" de fls,04), exigindo-se que fossem apresentados, no prazo de 20 dias, os seguintes documentos de prova: 2 Processo n" 10675.002100/2006-95 Admit n.° 2102-00.606 S2-C1T2 Fl 327 1° - matrícula do imóvel, atualizada até, pelo menos, 30 de setembro de 2002; 2° - cópia do ADA — Ato Declaratorio Ambiental, protocolado até 31 de março de 2003; 3° - relação das benfeitorias existentes na propriedade assim com a Area de cada uma delas; 4°- copias de notas fiscais relativas a produção vegetal e animal; 5° - copia das Declarações de Produtor Rural, entregues à Administração Tributária Estadual nos anos de 2001,2002 e 2003; 6' - no caso de cultura perene ainda improdutiva ou parcialmente produtiva, apresentar as notas fiscais de compra das mudas, em quantidade compatível com as Areas declaradas. 7° - Laudo Técnico de Avaliação, nos termos da NBR 8799 da ABNT, devidamente anotado no CREA, tendo como data de referência 1° de janeiro de 2002 Em atendimento, após solicitar por três vezes prorrogação do piazo, o requerente carreou aos autos a correspondência de fls, 08/13 e os documentos de fls. 14/89. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2002, a fiscalização resolveu reduzir a Area total do imóvel, passando de 4.490,7 ha para 4.470,6 ha e glosar as Areas declaradas de preservação permanente e utilização limitada, respectivamente de 193,6 ha e 910,0 ha, além de alterar o VTN declarado de R$4.569.218,00 para R$10.067.711,00. Desta forma, foi aumentada a Area tributada do imóvel, juntamente com a sua Area aproveitável, e o Grau de Utilização foi reduzido de 100,0% para 75,0%. Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributável — devido As glosas das áreas ambientais e o VTN arbitrado — bem corno a respectiva aliquota de cálculo, alterada de 0,30% para 1,60%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 96. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se descritos As fls. 94/95, 97/98 e 100/101. Da Impugnação Cientificado do lançamento, em 17/08/2006 ("AR" de fls. 103), o interessado protocolizou, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 127/130), em 18/09/2006 (carimbo de recepção As fls. 107) a impugnação de fls. 107/126. Apoiado nos documentos de fls. 131/211 e 214/266, dispõe sobre o seguinte, em síntese: • de inicio, faz breve relato do procedimento fiscal, do qual discorda; • discorre sobre a desnecessidade e a ilegalidade do ADA, para excluir da tributação as Areas florestais existentes, comprovadas por laudo técnico, sendo tal exigência mera obrigação acessória; essas Areas no podem ser consideradas aproveitáveis, devendo ser restabelecido o grau de utilização informado d 100%, corn aplicação da aliquota minima no cálculo do ITR/2001 (0,30 °A); 3 • disserta sobre a ilegalidade do S1PT, que não serve como prova para os valores apontados no lançamento de oficio, alega que a autoridade fiscal deveria demonstrar, através de provas inequívocas em quais pontos o sujeito passivo teria burlado a realidade e que agindo da maneira que agiu, o Autuante feriu o principio do contraditório e da ampla defesa; • alega que o fato de ser vedado o acesso aos dados do sistema ao contribuinte resulta em claro cerceamento de defesa, pois impede o salutar e necessário exercício do contraditório da parte; • discorda do VTN arbitrado pela autoridade fiscal, muito superior à realidade Mica, sem demonstrá-lo com provas inequívocas, pois os valores do SIP 7, instituído apenas em 2002, não se prestam para tanto; anexa laudo de avaliação corn o VTI\1 a ser acatado; • sobre o valor arbitrado não devem incidir multa e juros de mora, por estar o respectivo lançamento sob litígio e contestação; • transcreve acórdãos de decisões judiciais e administrativas, artigos da CF/88, da Lei n° 9.393/1996 e daMP 2.166-67/2001, para referendar seus argumentos; • Ao final, o contribuinte requer sejam anulados o auto de infração e o lançamento, ou então revistos, para acatar as Areas ambientais e o vrN pretendidos ou declarados, reformulando-se o crédito tributário, sem incidência dos indevidos juros e multa. E o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento,restabelecendo o V TN Declarado e mantendo as glosas das áreas isentas de Reserva legal e Preservação Permanente, considerando que o ADA intempestivo, impediria a reforma do lançamento nesses itens, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercicio. 2002 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE A órea de utilização limitada /reserva legal, para ser excluída do ITR, dent de estar averbada, à época do respectivo/ato gerador, margem da matricula do imóvel, deve ser reconhecida, juntamente com a tirea de preservação permanente, como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou ter o protocolo do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental - ADA. DO VALOR DA TERRA NUA- VTN Cabe ser restabelecido o VIN originariamente declarado, tendo em vista apresentação de Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preços da época do fato gerador do imposto. 4 Processo n° 10675.002100/2006-95 S2-C1T2 Fl 328 AcOrdilo n ° 2102-00„606 DA MULTA E JUROS DE MORA LANÇADOS, Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR, cabe juntamente com a multa e os juror aplicados aos demais tributos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 288 a 300, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, alegando em síntese que a intempestividade do ADA não pode ser óbice para o reconhecimento das áreas isentas pela comprovação prévia destas mesmas áreas e que a áreas estão sim averbadas em Cartório ou com utilização vedada por lei, recalculando-se o grau de utilização e aplicando a aliquota mais benéfica correspondente. Ainda, requer que seja cancelada a multa e juros aplicados por estarem sob litígio o débito, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o para julgamento de segunda instância administrativa. Éo REL ATÕRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBILIDADE 0 recurso apresentado atende aos requiisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, Assim sendo, dele conheço . Destacamos que remanesce em litígio apenas a questão das glosas das Areas de Preservação Permanente de 193,6 ha e de Utilização Limitada de 910,0 ha. Da análise da descrição dos fatos da autuação, fl. 94, verificamos que as motivações das glosas das areas isentas que culminaram no lançamento, foram a extemporaneidade na apresentação do ADA. para as area de preservação permanente e área de utilização limitada, já que a própria decisão anterior da DIU reconhece que está averbada a área de Reserva Legal, fl. 276: De fato, apesar de o requerente ter comprovado nos autos a averbação tempestiva da uma area de utilização limitada/reserva legal de 910,05 ha em 24104/1989, conforme atesta o Acórdão le 03-21.462, de 06 de julho de 2007, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasilia — DF, confirmou-se o não cumprimento da segunda exigência: de que as áreas ambientais do imóvel fossem reconhecidas como de interesse ambiental, por meio de Ato Declaratório Ambiental - ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado, ou que, ao menos, tivessem o protocolo de seu requerimento tempestivo. 5 Essa questão já foi objeto de julgamento recente nessa Turma, vg, o Acórdão no 2102-00.528, de 14 de abril de 2010, tendo como relator do voto o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos , cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizamo-lo como fundamento para nossa decisão, verbis: A controvérsia centr a-se na necessidade, ou não, da apresentação do ADA corno condição para fruição de redução no cálculo do ITR a pagar em áreas de preservação permanente e de reserva legal, bem como na necessidade de averbação cartorária dessa última. Inicialmente, deve-se ressaltar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil exige a apresentação do ADA tempestivo para todas as áreas de proteção ambiental (Leas de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN e cobertas por floresta nativa) e também exige a averbação A margem da matricula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis das áreas de reserva legal, de servidão flOrestal e ambiental e de RPPN, como condição para fruição de benesse no âmbito do IT R I . Aqui, centralizaremos a discussão sobre a apresentação do ADA para as áreas de preservação permanente e reserva legal, bem como a averbação cartorária para esta última, porém o debate se põe da mesma forma para a apresentação do ADA e para a averbação cartorária das demais Areas de interesse ambiental (áreas de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa)„ Especificamente, a area de preservação permanente é aquela coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo genie° de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas (art. 1 0, § 2°, II, do Código Florestal), incluindo aqui as florestas e demais formas de vegetação natural ao longo das margens dos rios e cursos d'aguas, ao redor de reservatórios naturais ou artificiais d'água, nas nascentes, no topo de monos, montes, montanhas e senas, nas restingas, nas bordas dos tabuleiros ou chapadas e em altitude superior a 1.800 metros (art. 2°, "a" a "h", do Código Florestal), Já a reserva legal é a area localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, A conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art, 1 0, § 20, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser afetados A reserva legal, nas diversas regiões do pais, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, § 80, do Código Florestal), Ainda, na legislação tributária ambiental se vê a utilização do termo "área de utilização limitada", que se refere as demais Areas de proteção ambiental, que não a Area de preservação permanente. Assim, as áreas de utilização limitada são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa. A necessidade, ou não, da apresentação do ADA para as áreas de preservação permanente e de reserva legal, bem corno a necessidade, ou não, da averbação cartorária desta última, como condição para fruição de redução do I'M é uma controvérsia tormentosa no âmbito da jurisdição administrativa e no seio judicial, com decisões ora exigindo os 1 Vide o site da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Perguntas e Respostas do ITR2009. Disponível em http://www.receita fazenda gov.brfPublico/itr/2009/PerguntasITR2009.pdf. 6 Processo n0 10675.002100/2006-95 S2-C1T2 AcOrdlio n.° 2102-00.606 Fl. 329 aspectos formais citados (ADA e averbação cartorária), ora afastando-os, em alguns momentos suprindo-os com laudos técnicos e outras provas, e até, na Area de reserva legal, nada exigindo, simplesmente utilizando, na redução do UR devido, os percentuais abstratos de Areas de reserva legal previstos no Código Florestal (Lei n°4.771165). Primeiramente, aprecia-se a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começa-se pelo REsp 1.125.632/PR (STJ, 2010), da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, no qual bá um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO, RECURSO ESPECIAL VIOLAÇÃO DO ART .535 DO CPC NÃO OCORRÊNCIA, ITR BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA AEA DE PRESERVACÁO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBACÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBA CÃO. 1, Não viola o art, 535 do CPC, tampouco nega a presta cão jurisdicional, a acórdão que adota fimdamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia 2. 0 art. 2° do Mike Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para Sua caracterização. Assim, há óbice leRa! à cia do tributo sobre limas de preserva cão permanente, sendo inexielvel a prévia comprovaciio da averbação destas na matricula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA qua!, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003),. 3. Ademais, a orienta cão das Turmas que inteeram a Primeira Seção desta Corte finnou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo stiletto a Ian comento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, Permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sent necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Diana Caimon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva 'evil a lezislação traz a obrikatoriedade de averbação na matricula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8", do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de 139-145, inclusive quanta aos emus suctembenciais, (grifou-se) 7 Acima se entendeu que seriam desnecessários a averbação cartorária ou o ADA para o reconhecimento da area de preservação permanente. Na jurisprudência do STJ transparece claramente a desnecessidade do ADA para fazer frente a qualquer beneficio no âmbito do ITR. De outra banda, exigiu-se a averbação da area de reserva legal na matricula do imóvel, como condição para fruição da redução do 'TR devido. . No caso do ADA, no leading case acima referido na ementa do voto do Ministro Benedito Gonçalves (REsp 665.123/PR, relatora a Ministra Eliana Ca'man), vê-se que se trata da exigência do ADA instituido pela Instrução Normativa SRF n° 67/97, não se fazendo menção à exigência do ADA trazida pelo art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, na redação dada pela Lei n° 10.165/2000, verbis: "A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória". 'Entretanto, deve-se anotar que o REsp 665,123/PR também utilizou como fundamento para rechaçar a necessidade do ADA o art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, na Wag -do dada pela MP 2.166/67-2001, assim vazado: § 7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa as divas de que tratain as alíneas 'a' e V' do inciso II, § I, deste artigo, não está sujeito à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sangães aplicáveis. Assim, considerando que o STJ apreciou a exigência do ADA instituída pela IN SRF n° 67/97, não se fazendo menção ao art. 17-0, § 1 0, da Lei no 6.938/81, tem-se fundada dúvida se essa jurisprudência tem higidez para ser aplicada para períodos posteriores a 2001, quando incidiu a regra da Lei n° 10.165/2000, já que o art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, acima, não afasta a apresentação do ADA, mas apenas assevera que o contribuinte pode declarar as areas de preservação permanente e de utilização limitada sem qualquer comprovação prévia, como sucede com qualquer declaração de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como o próprio HR. Porém, intimado o contribuinte a fazer a prova da existência das areas isentas, deve fazê-lo, sob pena de glosa, como ocorre com qualquer revisão de declaração, sendo certo que há um comando legal expresso no art. 17-0, § 1°, da Lei a' 6.938/81 que exige a utilização do ADA pata fruição de beneficio no âmbito do 1TR, sendo desarrazoado imaginar que a redação do art. 10, § 7°, da Lei n° 9 393/96, dada pela posterior. MP 2.166-67/2001 em face da Lei n° 10.165/2000, que versa sobre a natureza homologatória da informação das areas isentas, passível de comprovação a partir de intimação da autoridade fiscal, possa ter revogado o comando expresso da Lei n° 6.938/81. Entretanto, ainda no âmbito do STJ, a dúvida aumenta com a controvérsia referente averbação da reserva legal à margem da matricula do imóvel rural no cartório de registro de imóveis. A mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp n° 1.060.886/PR (STJ, 2010), na sessão de 1 0/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matricula do imóvel ou a averbação a destempo, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o ItEsp 1.125_632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do beneficio no âmbito do ITR, como antes aqui se viu, ressaltando que a decisão de dezembro de, 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, veja-se o excerto da ementa do Resp no 1 060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de 8 Processo n° 10675.002100/2006-95 Sl-C1T2 FL 330 Acórd5o n ° 2102-00.606 reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbagdo feita após a data de ocorrência do fato gerador, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apura cão do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei n" 4.771/1965. Reconhece-se o direito a subtração do limite mínimo de 20% da área do estabelecido pelo artigo 16 da Lei n°4.771/196.5, relativo à area de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averba cão, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratário, já havia a proteção legal sobre tal diva". Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do SD, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do 1TR até março de 2009, era oscilante nos pontos acima discutidos, ora exigindo a averbação da reserva legal e o ADA para as Areas de utilização limitada e preservação permanente, ora afastando-os (averbação e ADA), As vezes se contentando com laudos técnicos e outros documentos para comprovarem as Areas isentas, em votações com diversos votos vencidos ou decididas por voto de qualidade (votação em que há empate entre os Conselheiros e o voto do Presidente determina a tese vencedora), a demonstrar a vacilação jurisprudencial e a fundada controvérsia que cerca a matéria. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao exercício 2001, em que este Conselheiro compulsou as ementas de aproximadamente 300 julgados, em decisões prolatadas no ano de 2008, no site do CARF (http://www fazenda .gov.br): 1. área de reserva legal averbada no cartório de registro de imóveis, sem necessidade do ADA - Acórdão n° 301-34.779, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade; 2. exigência de averbação da Area de reserva legal somente a partir do Decreto n° 4.382/2002 (Regulamento do 1TR) — Acórdão n° 301-34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 3. área de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material — Acórdão n° 301-34475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão n" 302-39586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão n" 391-00031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de Area de preservação permanente); 4. área de reserva legal averbada no cartório de registro de imóveis e desnecessidade do ADA para comprovar a Area de preservação permanente Acórdão IV 303- 35543, sessão de 13/08/2008, por maioria; 5. falta do ADA, por si so, não afasta a redução do 1TR no tocante às áreas de preservação permanente e reserva legal; ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si so, também não afasta a benesse legal — Acórdão n° 303-35421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35734, sessão de 16/10/2008, pot maioria; 6. pela desnecessidade do ADA para comprovação das Areas de reserva legal e de preservação permanente — Acórdão n° 303-35546, sessão de 13/08/2008, por maioria; Acórdão n°303-35351, sessão de 20/05/2008, por maioria; 9 7_ comprovação das Areas de utilização limitada e de preservação permanente sem depender de ADA tempestivo - Acórdão n° 302-39391, sessão de 24/04/2008, por maioria; Acórdão n°303-35736, sessão de 16/10/2008, por maioria; 8. Areas de reserva legal e de preservação permanente competentemente averbadas e ADA extemporâneo reconhecidas para reduzir o ITR devido - Acórdão n° 301- 34686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão n° 301-34632, sessão de 10/08/2008, unânime (somente Area de reserva legal); Acórdão n° 303-35540, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade (decidiu-se pela exigência de averbação para a Area de reserva legal e ADA a qualquer tempo para a Area de preservação permanente - dissídio apenas no tocante à averbação da Area de reserva legal); 9. Area de reserva legal averbada extemporaneamente e area de preservação permanente reconhecida por laudo técnico - Acórdão n° 301-34788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA par a os exercícios posteriores a 2001); 10 exigência de ADA pata reconhecimento das Areas de preservação permanente e de reserva legal - Acórdão n° 301-34354, sessão de 26/03/2008, por maioria; Acórdão n° 302-40049, sessão de 10/12/2008, por voto de qualidade (somente Lea de reserva legal); Acórdão n° 302-39865, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 302- 39728, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 391-00001, sessão de 23/09/2008, unânime (ainda a averbação da reserva legal não sunre a ausência do ADA); 11. comprovação das Areas de utilização limitada (reserva legal) e de preservação permanente a depender de ADA e de averbação cartorária tempestivos Acórdão n° 302-39244, sessão de 29/01/2008, pox maioria; Acórdão n° 302-39866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n°303-35538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 303-35645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão 393-00083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima, separando as areas de reserva legal e de preservação permanente, tem-se: • Area de reserva legal - necessidade de averbação cartorária, sem ADA (precedentes da 1° e 3° Câmara do Terceiro Conselheiro de Contribuintes); averbação após a publicação do Decreto n° 4.382/2002 (1' Câmara); reconhecimento da Area por laudos técnicos (1°, 2", Câmaras e 3° E); desnecessidade de ADA (3° Camara); aceitação de ADA intempestivo (2° e 3° Câmaras); averbação cartorária e ADA intempestivos (1 e 3 ° Câmaras); averbação cartorária intempestiva (1° Camara); necessidade de ADA (1°, 2° e 1' TE); averbação e ADA tempestivos (2°, 3' e 3° TE); • Area de preservação permanente - Sem necessidade do ADA (precedente da 3° Câmara); ADA intempestivo (precedentes 1°, 2° e 3° Câmaras); comprovação com laudos (la Câmara) e necessidade de ADA tempestivo (1°, 2° e 1" TE). Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada, quer no tocante A averbação cartorária da Area de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras com reconhecimento da Area de reserva legal a partir de laudos técnicos), quer no tocante à exigência do ADA para comprovação das Areas de preservação permanente e de reserva legal, sendo certo que as posiçães mais formais, com exigência do ADA, para ambas as Areas, e com a averbação para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 11, acima), tudo a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer criticas à jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante As exigências do ADA e da averbação cartorária para reconhecimento dos beneficios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução 10 Em relação à Area de reserva legal, assim versa o art 10 9.393/96, verbis: 10, IT "a-, da Lei n° 11 Processo n° 10675.002100/2006-95 S2-C1T2 AcOrdlio n.° 2102-00.606 Fl 331 dessas controvérsias, a uma afastando a exigência do ADA a partir de legislação infialegal já superada pelo art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, na redação dada pela Lei n° 10.165/2000; a duas, pela controvérsia no tocante h averbação cartorária da reserva legal, corn a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva à posição pretérita. Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passa-se aqui a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente As Areas de reserva legal e de preservação permanente.. Da Area tributável para fins do ITR se excluem as Areas de preserva* permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1°, II, "a" a "f", da Lei n° 9.393196. Claramente vê-se que as Areas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sell= as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. 0 nó górdio é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma Area seja considerada de reserva legal ou de preservação permanente para fins de fruição da isenção no âmbito do ITR. Partindo do principio que o ITR incide sobre a área aproveitável da propriedade (Area tributável menos a Area de benfeitorias), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece-me claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas Areas de utilização limitada, ou seja, caso as áreas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastar-se-ia a isenção legal. De outra banda, existindo tais Areas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal. Entretanto, para a fruição da isenção, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias Areas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, para isenção do IRPF, não basta o contribuinte portar alguma das moléstias constantes no art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713/88, mas deve comprová-las mediante um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, na forma do art. 30 da Lei n° 9.250/95. Nessa mesma linha, o art, 4 0, V, da Lei n° 8,661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDTI pode ter um crédito de 50% do lRR.F incidente sobre as remessas para o exterior, a titulo de royalties, de assistência técnica ou cientifica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter urn contrato de transferência de tecnologia firmado corn uma empresa estrangeira, mas se deve averbá-lo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial - lNPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei n° 9.279/96), para fruição do beneficio legal. Agora, passa-se a verificar a existência de requisitos formais para fruição do beneficio no âmbito do ITR para as Leas de preservação permanente e reserva legal. All 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1" Para os efeitos de apuração do 1TR, considerar-se-ti. 1 - Onzissis; 11 - area tributável, a área total do imóvel, menos as áleas; a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4,77), de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a Area de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), pode ser excluida da Area tributável. JA no art. 16 da Lei n" 4.771/65 definem-se os percentuais de cobertura florestal a titulo de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regres do pals e determina que a Area de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no region() de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da Area. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do beneficio no âmbito do irR, já que a Lei n° 9.393/96 assevera a exclusão da Area de reserva legal, porem remetendo-a ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da Area de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da Area de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive ha norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei n° 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto n° 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 — MG, julgado pela Primeir a Turma em 31105/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS 16 E 44 DA LEI N" 4 771/65, MATRICULA DO IMO VEL. AVERBAÇÃO DE AREA DE RESERVA FLORESTALNECESSIDADE. I-A questão controvertida refere-se (I interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese .firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais .foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matricula do imóvel. II - "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de urna feliz e necessár ia consciência ecológica que vem tomando carpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS n" 18.301/MG, Rel. MM, JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005).. 12 Processo rr" 10675.002100/2006-95 S2-C1T2 Fl 332 Acórdão n.° 2102 -00..606 III - Inviável o afastamento da averbacfio preconizada pelos arti os 16 e 44 da Lei n° 4.771/65 Cádi o Florestal sob term de esva lamento do conteúdo da Lei. A averba do da reserva le al h margem da inscrição da matricula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteedo do nteio ambiente, previstas tanto no Mlle° Florestal coma na LeRislacão extravagante. IV - Recurso Especial provido. (grifou-se) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis n° 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo urna medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica.. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa especifica, parece desarrazoado deferir o beneficio tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei if 9.393/96 defere a exclusão da Area de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece-me que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima esta alicerçada no entendimento de que o 1TR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho 2 : Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinam-se mais ao setor da fiscalidade, Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tão-só a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma .figura impositiva„sendo apenas licito verificar. que, por vezes, uni predomina sobre o outro. No dizer de José Marcos Domingues Oliveira 3 (1999, p. 37) a "Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captaviio de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivas ou mais adequados ao interesse público, a promo cão do desenvolvimento regional ou setorial etc.", sendo certo que é do conhecimento geral que o 1TR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agraria e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei n° 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei n° 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei n° 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do 1TR no tocante à preservação das Areas de interesse ambiental, já que tais Areas não compõem as areas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário — Linguagem e Método. 2* ed.., São auto: Noeses, p, 241 3 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente:, aberta, afetação de receita. 2' ed. (rev, e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. orcionalidade, tipicidade 13 Apenas para se ter uma idéia da inelevancia do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682,983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do HR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado 4 , isso no pais que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes areas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária . De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: • imunidade da pequena gleba familiar; a favorecer a fixação do homem no campo; • progressividade das aliquotas, como se vê no anexo da Lei n° 9393196, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a aliquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; • tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; • exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (Areas de preservação permanente e de reserva legal; de inter esse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, deve-se privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do TR e, dentre esses, avulta a relevância das areas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da area de reserva legal 6 um importante requisito para a conservação da area protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do ITR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da area de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei n° 9393/96 para o mister Ora, o art. 10, § 1 0, II, "a", da Lei n°9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei if 4.771/65) da Area tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8°, exige que a area de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da area, com as exceções previstas no Código Florestal A averbação da area de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providencia que potencializa a extrafiscalidade do irR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insiste-se que afastar a necessidade de averbação da area de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro A essência do IIR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da Area de reserva legal vai ao encontro do aspecto ex.trafiscal do Ilk, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da Area de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo urna area de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao inicio da ação fiscal, não me parece razoável arrostar o beneficio tributário, quando se sabe que Areas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma Area averbada e comprovada em 4 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da intemet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no endereço: http://vnvw.receita.fazenda gov.hr/Publico/arre/2009/Analisemensaldez09.pdf. 14 Processo n' 10675 002100/2006-95 S2-C1T2 Aonrcliio n.° 2102-00.606 Fl 333 exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da area total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extiativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Agora, passa-se a apreciar a necessidade do ADA para fruição do beneficio tributário para as Areas de preservação permanente e utilização limitada (reserva legal e outras). Essa questão não oferece qualquer dúvida, já que o art. 17-0, § 1°, da Lei ri° 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do 1TR é obrigatória) é expresso quanto A exigência do ADA para fruição de beneficio no âmbito do 1TR, com vigência em relação aos exercícios posteriores a 2001, e não se compreende como o art. 10, § 7°, da Lei n° 9_393/96 (na redação dada pela MP n° 2.166-67/2001), que versa sobre aspectos hornologatórios da declaração das Areas de utilização limitada, poderia ter revogado tacitaniente o art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, como aqui se discutiu anteriormente. Mais uma vez, entretanto, como a Lei no 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da D1TR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das Areas de preservação permanente e de utilização limitada. Explanada a posição deste relator sobre as controvérsias referentes ao ADA para as áreas de utilização limitada (reserva legal e outras) e de preservação permanente e sobre a averbação cartorária da Area de rese rva legal, passa-se a apreciar o caso concreto aoui em discussão. Em relação a area de reserva legal, o contribuinte acostou na impugnação urn Termo de Responsabilidade de Preservação Permanente e Averbação da Reserva Legal, firmado em 29/08/2003, fl. 50, junto ao %ma, assumindo a responsabilidade sobre essa mesma Area de 910,0 ha. Assim, deve-se deferir a isenção no tocante a area de reserva legal. Contudo, nesse ADA não consta qualquer valor declarado corno Área de Preservação Permanente e considerando todo o exposto, onde concluímos que A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória, deve ser mantida a glosa ern relação a esta Area. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. Salientamos que urna vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. A base legal para a multa e juros aplicados esta indicada no anexo do auto de infração. Assim engana-se a impugnante ao reclamar da multa aplicada, pois ela é conseqüência pelo não recolhimento da contribuição, apurada em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. Resta, por fim, esclarecer o recorrente que no âmbito deste órgão julgador, não cabe mais discutir a respeito da aplicação da taxa SELIC como juros de mora nos créditos tributários, tendo em vista a edição da Súmula Carf no 04, a seguir transcrita, de aplicação obrigatória: SÚMULA CARF N°4 15 A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, reconduzindo na DITR, objeto do lançamento, os 910,0 ha corno Area de Utilização Limitada (Reserva Legal), mantendo as demais condições do lançamento. Rubi ammo Carvalho - Relator 16
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000618/2006-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Caracterizado o pagamento antecipado e não tendo sido suscitada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial do IRPF dá-se pela regra do § 4º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 2002-001.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DECADÊNCIA. Recorrente DOUGLAS PINTO DO NASCIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Caracterizado o pagamento antecipado e não tendo sido suscitada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial do IRPF dáse pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 18 /2 00 6- 13 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10907.000618/200613 Acórdão n.º 2002001.167 S2C0T2 Fl. 83 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da DRJ/CTA, que considerou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada (fls.51/58): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase nãoimpugnada a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. DESPESAS MEDICAS. GLOSAS. MANUTENÇÃO. À míngua de comprovação de relação de dependência de neta para fins de imposto de renda e de despesas médicas dedutíveis além das acatadas pela fiscalização, mantêmse as glosas correspondentes. Em face do sujeito passivo foi emitido o Auto de Infração de fls. 29/37, relativo aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, decorrente de procedimento de revisão de suas Declarações de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apontou as infrações de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício e deduções indevidas de dependentes, de despesas médicas e com instrução. A autuação exige do contribuinte imposto suplementar no montante de R$24.791,55, acompanhado da multa de ofício de 75% e dos juros e mora aplicáveis. Cientificado da exigência fiscal em 22/3/2006 (fl.37), o contribuinte impugnou parcialmente a exigência fiscal em 24/4/2006 (fls. 39/48). Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 21/11/2008 (fl. 61), o recorrente apresentou recurso voluntário em 5/12/2008 (fls. 62/79), em que suscita, com fundamento no artigo 150, §4º, do CTN, a decadência do crédito tributário relativo ao ano calendário 2000, visto que só foi cientificado da exigência em 22/3/2006. No mérito, no tocante ao anocalendário 2000, defende a dedutibilidade do neto como seu dependente, bem como das despesas a ele correspondentes. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10907.000618/200613 Acórdão n.º 2002001.167 S2C0T2 Fl. 84 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O recorrente suscita a decadência da exigência relativa ao anocalendário 2000, não contestando as infrações relativas aos anoscalendário 2001 e 2002. Cabe a este colegiado se pronunciar somente sobre as matérias contestadas. O IRPF é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de cinco anos contados do fato gerador, na hipótese da existência de pagamento parcial antecipado, e ausente o dolo, fraude ou a simulação na conduta do sujeito passivo, nos termos do § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesse sentido, o decidido no Recurso Especial (REsp) nº 973.733/SC, da relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, na sessão de 12/08/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10907.000618/200613 Acórdão n.º 2002001.167 S2C0T2 Fl. 85 4 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) O fato gerador do IRPF é anual, por meio do ajuste realizado no ano seguinte, considerandose ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário do recebimento dos rendimentos. O auto de infração objeto destes autos recai sobre os anoscalendário 2000, 2001 e 2002, sendo objeto do recurso o anocalendário 2000. Às fls. 14/15, consta a declaração de ajuste anual do anocalendário 2000, a qual consigna a existência de IRRF, que caracteriza pagamento parcial antecipado do imposto lançado. Nesse sentido, é o que dispõe a Súmula CARF nº123: Súmula CARF nº 123 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Dado que a ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo se deu em 22/3/2006 (fl.29), é de se reconhecer a decadência do crédito tributário relativo ao ano calendário 2000, visto que já havia transcorrido mais de cinco anos da data do fato gerador, segundo a contagem do § 4º do art. 150 do CTN. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência do crédito tributário relativo ao anocalendário 2000. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000611/2007-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2002
SALDO CREDOR - DESCABE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC
Por expressa disposição legal, o aproveitamento de saldo credor em pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Súmula CARF 125.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2002 SALDO CREDOR - DESCABE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Por expressa disposição legal, o aproveitamento de saldo credor em pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Súmula CARF 125. Recurso especial do contribuinte negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2002 SALDO CREDOR DESCABE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Por expressa disposição legal, o aproveitamento de saldo credor em pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Súmula CARF 125. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 06 11 /2 00 7- 34 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13005.000611/200734 Acórdão n.º 9303008.609 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 159/184), admitido pelo despacho de fls. 228/230, contra o Acórdão 3403001.898 (fls. 150/142), de 30/01/2013, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2002 RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS APURADA PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da contribuição ao PIS e da COFINS apuradas pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1º e §2º e 6º, §§1º e 2º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida nos artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/03. Recurso voluntário negado. Em resumo, postula o contribuinte que "seja reconhecido o direito à incidência da Selic aos créditos de ressarcimento e, por corolário lógico, seja reconhecido o direito creditório pleiteado, de modo a incidir a Taxa SELIC desde a data do protocolo do pedido até sua efetiva disponibilização/compensação". Sucessivamente, caso não acolhido aquele pedido, requer o reconhecimento da correção pela taxa SELIC da parte do crédito de PIS do 4º trimestre de 2002 que inicialmente foi glosada no processo 13897.000523/200310, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Em contrarrazões (fls. 223/246), pugna a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que foi admitido. Impende ressaltar que o presente processo referese a pedido de atualização pela taxa SELIC de ressarcimento de PIS nãocumulativo referente ao quarto trimestre de 2002, encartado nos autos do PA 13897.000523/200310. Isso porque naqueles autos, afirma a recorrente, limitouse a requerer os valores históricos do crédito que entende que fazia jus. Nestes autos vindica a correção monetária em relação aquele suposto crédito. Entendo que o pedido constante destes autos sequer devia ter sido processado porque a matéria objeto da presente lide referese à matéria vinculada no referido PA 13897.000523/200310. Contudo, como essa questão refoge à nossa competência, limitados estamos exclusivamente quanto ao presente objeto da lide, o qual resumese a definirmos se Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13005.000611/200734 Acórdão n.º 9303008.609 CSRFT3 Fl. 4 3 cabe ou não atualização monetária pela taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de saldo credor de PIS nãocumulativo. A matéria não é nova para esta E. Turma julgadora. E nosso entendimento majoritário está assentado no sentido de que há previsão legal expressa que impossibilita, no caso de PIS e COFINS nãocumulativa, a incidência de correção monetária e/ou juros de mora sobre eventual saldo credor. Transcrevo, a título de exemplo, a ementa do Acórdão 9303 007.138 (de 11/07/2018), relatado pelo i. Conselheiro Rodrigo Pôssas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃOCUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 15, c/c art. 13, da Lei nº 10.833/2003). Vejase o que dispõe a legislação, Lei 10.833/2003, sobre a quaestio: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Matéria, inclusive, que já se encontra sumulada. Vejase: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Dessarte, sem reparos ao aresto recorrido. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte, mas nego lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13005.000611/200734 Acórdão n.º 9303008.609 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660275/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/05/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/05/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 75 /2 01 2- 34 Fl. 73DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.262 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.660275/2012-34 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 74DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.262 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.660275/2012-34 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 75DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.262 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.660275/2012-34 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 76DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.262 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.660275/2012-34 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 77DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.262 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.660275/2012-34 Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 16692.720776/2014-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
REGIME CUMULATIVO. LEI N° 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÃO. RECEITAS DE INTERCONEXÃO DE REDES PAGAS A OUTRAS OPERADORAS. INCLUSÃO.
Os valores pagos pelas empresas de telecomunicações a outras operadoras de telefonia a título de interconexão de redes não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição, por integrarem o faturamento decorrente da prestação de serviço de telecomunicação.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
null
REGIME CUMULATIVO. LEI N° 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÃO. RECEITAS DE INTERCONEXÃO DE REDES PAGAS A OUTRAS OPERADORAS. INCLUSÃO.
Os valores pagos pelas empresas de telecomunicações a outras operadoras de telefonia a título de interconexão de redes não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição, por integrarem o faturamento decorrente da prestação de serviço de telecomunicação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-006.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Marco Antônio Marinho Nunes votaram pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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LEI N° 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÃO. RECEITAS DE INTERCONEXÃO DE REDES PAGAS A OUTRAS OPERADORAS. INCLUSÃO. Os valores pagos pelas empresas de telecomunicações a outras operadoras de telefonia a título de interconexão de redes não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição, por integrarem o faturamento decorrente da prestação de serviço de telecomunicação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME CUMULATIVO. LEI N° 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÃO. RECEITAS DE INTERCONEXÃO DE REDES PAGAS A OUTRAS OPERADORAS. INCLUSÃO. Os valores pagos pelas empresas de telecomunicações a outras operadoras de telefonia a título de interconexão de redes não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição, por integrarem o faturamento decorrente da prestação de serviço de telecomunicação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Marco Antônio Marinho Nunes votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 2. 72 07 76 /2 01 4- 42 Fl. 888DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.210 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16692.720776/2014-42 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Por meio do Despacho Decisório de folhas 358 a 365 foi denegada a restituição referente aos Pedidos Eletrônicos de Restituição – (PER), relacionados às f. 358 a 360. No Despacho Decisório, a autoridade administrativa recorrida revela que, nesses pedidos a empresa pleiteia a restituição de supostos pagamentos indevidos ou a maior decorrentes da indevida inclusão na base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituiriam receitas dela, conforme resposta à intimação SEMAC nº 58/2013 (f. 334 a 338). A autoridade recorrida fundamenta o seu Despacho Decisório sustentando que, do ponto de vista jurídico, os pagamentos da recorrente às outras operadoras pelo uso da rede de interconexão representa despesa daquela e portanto se presta a apuração de seu lucro, não havendo possibilidade de atribuir a receita a esta outra operadora: 7. Toda atividade de intermediação econômica pressupõe custos a serem repassados a outrem. O motivo é também bastante singelo: ninguém é capaz de fazer todas as coisas. Desde a antiguidade, os seres humanos se agregam em sociedade justamente para buscar em outrem tudo aquilo que por si só não conseguem produzir. O regime de produção é, então, inevitavelmente calcado na especialização do trabalho. 8. Portanto, pretender que todos os valores que correspondem a custos ou despesas necessárias ao auferimento da receita devem ser dela excluídos, significa pretender igualar receita a lucro. 9. Portanto, o critério que deve orientar a identificação de ser a receita própria ou não da pessoa jurídica não pode ser o puramente econômico. Como se viu, sob o prisma econômico, quase toda a receita é repassada a terceiros. O que sobra é justamente o lucro. Portanto, o critério é imprestável por acabar identificando lucro e receita, institutos que a própria Constituição fez questão de diferenciar (art. 195, I, “b” e “c”). 10. O aspecto a ser levado em conta é, essencialmente, o jurídico. No caso presente, a empresa ajusta sua vontade com a do seu cliente, para lhe oferecer certo serviço em troca da remuneração correspondente. Tal contrato possui apenas duas partes. O cliente não conhece e nem se relaciona com as cessionárias de redes eventualmente necessárias para completar a ligação. Na verdade, o cliente não tem qualquer ingerência sobre quem será a companhia que promoverá o complemento da ligação; havendo mais de uma capaz, a escolha cabe à própria consulente, de acordo com as suas conveniências. A consulente oferece a seu cliente um serviço completo, e não a intermediação negocial junto a terceiras operadoras. O fato de haver a necessidade prática de a consulente tomar serviços de terceiros, não transforma estes Fl. 889DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.210 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16692.720776/2014-42 em contratantes dos clientes da primeira. Ou seja, essa eventual segunda relação jurídica estabelece-se entre a empresa e terceiras operadoras, e não entre estas e o usuário. A empresa não é, sob o ponto de vista jurídico, mera depositária e repassadora dos recursos. 11. Trata-se de relações jurídicas absolutamente distintas. A cessionária da rede não tem qualquer responsabilidade contratual junto ao cliente do contribuinte, e vice- versa. Mesmo que o usuário deixe de pagar pelo serviço tomado, fica incólume o dever de o contribuinte honrar suas obrigações junto a quem lhe cedeu o uso da rede. Assim como falece à cessionária das instalações cujo uso foi cedido qualquer direito ou pretensão contra o usuário. 12. Não prospera, portanto, a tese do contribuinte. Ele pretende que justamente se identifique uma relação entre o usuário e a eventual cessionária da rede necessária para complemento da ligação, de modo que o valor pago pelo primeiro seja considerado também receita da segunda, e não apenas do contribuinte. [...] Neste sentido, ampara-se no Acórdão proferido pelo Carf sob o nº 3302-01.543, de 24/04/2012, que por sua vez cita conclusão da Solução de Consulta Cosit nº 06, de 31/03/2004, nos seguintes termos: os valores pagos pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres, a título de co-prestação de serviços, por serem considerados despesas das operadoras, não podem ser excluídos do faturamento (receita bruto) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins [...] Irresignada, em 24/05/2016, a contribuinte encaminhou a manifestação de inconformidade de f. 371 a 388, na qual alega em síntese o seguinte: No item intitulado “I. A TEMPESTIVIDADE”, alega que como tomou ciência do r. despacho decisório ora atacado em 25.4.2016 (segunda-feira), a contagem do prazo se iniciou em 26.4.2016 (terça-feira) e expirou em 25.5.2016 (quarta-feira). Portanto, a presente manifestação de inconformidade é tempestiva. No item intitulado “II. OS FATOS”, alega que por meio dos Pedidos de Restituição solicitou a restituição de créditos decorrentes do pagamento a maior de PIS/Cofins, em virtude da indevida inclusão na base de cálculo de tais contribuições de valores referentes a receitas de outras operadoras, relacionadas à interconexão de redes. Esclarece que, para a prestação dos serviços de telecomunicação a seus clientes, as prestadoras de serviços de telecomunicação, invariavelmente, têm que se valer da rede de outras prestadoras de telecomunicação, na forma da denominada "interconexão de rede", prevista no artigo 146, parágrafo único, da Lei n° 9.472/1997 e regulamentada pelo artigo 58 e seguintes do Regulamento dos Serviços de Telecomunicações, aprovado pela Resolução da Agência Nacional de Telecomunicações ("ANATEL") nº 73/1998 e pelo Regulamento Geral de Interconexão, aprovado pela Resolução ANATEL n° 410/2005; que, da mesma forma, caso os clientes da Requerente necessitem se comunicar e estejam fora do alcance da rede da Requerente, é necessário também se valer da rede de outras operadoras para a prestação do serviço de telecomunicação ("roaming"). Nesse caso, também há a Fl. 890DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.210 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16692.720776/2014-42 previsão de uso da rede de um terceiro, regulamentada pela Resolução ANATEL n° 438/2006; que em todos esses casos a disponibilização da rede de telecomunicação para a Requerente é compulsória, por imposição legal e regulatória; que, nos casos em que a prestação do serviço de telecomunicação por parte da Requerente envolve a cessão de meio de redes de um terceiro (doravante denominada genericamente de "interconexão de redes"), uma parte dos valores recebidos pela Requerente dos seus clientes será necessariamente transferida a esse terceiro, como forma de remuneração por esse uso da rede; que os valores recebidos pela Requerente dos usuários a título de interconexão de rede não podem integrar a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, uma vez que esses valores não configuram receita da Requerente, mas sim das outras operadores que cederam as suas redes. Ressalta que equivocadamente incluiu na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS os valores recebidos dos usuários a título de interconexão de rede, no período de 2007 a 2012, conforme apurado na planilha anexa (doc. 6), cujos totais são os seguintes: (...) Assevera que, não obstante, foi proferido o Despacho Decisório ora impugnado, que indeferiu o PER/DCOMP em questão, apenas e tão somente por entender que os valores transferidos pela Requerente a outras operadoras em razão da interconexão de redes corresponderiam a custos incorridos para a prestação do serviço e, portanto, não poderiam ser excluídos da base de cálculo das contribuições em questão. No item intitulado “III. OS MOTIVOS PARA O PROVIMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE” e subitem intitulado “III.1 A Hipótese de Incidência do PIS e da COFINS e as Receitas de Interconexão de Redes - A Distinção entre Receita e Meros Ingressos Patrimoniais”, alega que os valores recebidos pela Requerente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de "receita" auferida pela Requerente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil; que, do ponto de vista jurídico, para que possa ser qualificada como "receita", a entrada de recursos no patrimônio da pessoa jurídica não deve ser meramente transitória, mas sim em caráter definitivo, como que se integrando e aumentando o patrimônio da entidade; que, no caso dos valores recebidos pela Requerente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Requerente; que, do ponto de vista contábil, o Pronunciamento Técnico da Comissão de Pronunciamentos Contábeis ("CPC") nº 30, norma a que estão submetidas empresas como a Requerente, estabelece a definição de receita nos seguintes termos: "8. A receita inclui somente os ingressos brutos de benefícios econômicos recebidos e a receber pela entidade quando originários de suas próprias atividades. As quantias cobradas por conta de terceiros - tais como tributos sobre vendas, tributos sobre bens e serviços e tributos sobre valor adicionado - não são benefícios econômicos que fluam para a entidade e consequentemente não resultam em aumento do capital próprio. Da mesma forma, na relação de agência (entre operador ou principal e agente), os ingressos brutos de benefícios econômicos provenientes das operações efetuadas pelo agente, em nome do operador, não resultam em aumentos do capital próprio do agente, uma vez que sua receita corresponde tão somente à comissão combinada entre as partes." Revela que, de acordo com o Professor Eliseu Martins, na acepção contábil, segundo "a legislação que regula as demonstrações financeiras (Lei n° 6.404/76, Fl. 891DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.210 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16692.720776/2014-42 normas da CVM, Pronunciamentos do IBRACON e Pronunciamentos Técnicos do CPC), os valores recebidos pela prestadora de serviço e repassados a outra a título de interconexão (pela terminação da chamada), do ponto de vista da prestadora de serviço que os recebeu num primeiro momento, não podem ser classificados como receita". No subitem intitulado “III.2 As Receitas de Interconexão e o Repasse a Terceiros - A Não Incidência do Tributo e a Desnecessidade de Previsão Legal para Exclusão da Base de Cálculo”, destaca que, diferentemente do que se alega no r. despacho decisório, não há, no caso da interconexão de redes, uma duplicidade de relações jurídicas: uma primeira, entre a Requerente e o seu cliente, e uma segunda, entre a Requerente e outras operadoras de telecomunicação; que o que existe é uma única relação jurídica incindível relativa à prestação do serviço de telecomunicação, que, para ser executada, depende da intervenção de um terceiro - outra operadora - que deve necessariamente ceder os meios de rede para que a prestação de telecomunicação se aperfeiçoe; que, como o compartilhamento de redes e a interconexão decorrem de uma obrigação legal, não há propriamente uma subcontratação de um terceiro, por parte da Requerente, para execução de parte do serviço; que o cedente dos meios de rede é quem tem os ônus e os riscos do tráfego do sinal pelos meios de rede; que existe uma contrapartida por parte da Requerente, que é repassada ao cedente como remuneração por esse uso da rede; que o que há, na verdade, é a prestação compartilhada de um serviço de telecomunicação pelo qual a Requerente é responsável, mas que demanda a utilização da infraestrutura pertencente a um terceiro; que falta à cessão de meios de rede a voluntariedade inerente a um contrato de prestação de serviços de telecomunicação; que, com efeito, a interconexão de redes é uma obrigação compulsória, isto é, uma imposição legal e regulamentar do sistema brasileiro de telecomunicação, prevista no artigo 146 da Lei n° 9.532/1997; que não há, portanto, a celebração de um contrato entre as prestadoras para a prestação de serviço umas às outras; que o que se pactua são as condições de interconexão, na forma do artigo 40 e seguintes do Regulamento Geral da Interconexão; que ampara em precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e do Supremo Tribunal Federal. No item intitulado “III.3 A Dupla Tributação de Uma Única Prestação de Serviço - O Bis in Idem Tributário”, sustenta que a tributação pelo PIS/COFINS das receitas de interconexão de rede implica um bis in idem tributário, isto é, a dupla imposição dessas contribuições sobre um único fato gerador consubstanciado na receita oriunda da prestação do serviço de telecomunicação; que requer que a tributação pelo PIS/COFINS fique adstrita às receitas próprias auferidas por ela com a prestação do serviço, sem incidir sobre os valores repassados a terceiros pela interconexão de redes, com a restituição à Requerente da importância paga a título PIS/COFINS sobre estes últimos valores. No item intitulado “IV. CONCLUSÃO – PEDIDO”, reitera os argumentos apresentados e requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e o julgamento da procedência dos pedidos de restituição. A 4ª Turma da DRJ/FNS, acórdão nº 07-41.116, negou provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. CUSTOS. INDEDUTIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins é o total do valor cobrado pela prestação de serviços de telecomunicação. Não podem ser deduzidos os custos de utilização, pela prestadora do serviço, de rede de telecomunicações de terceiros. Fl. 892DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.210 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16692.720776/2014-42 Manifestação de Inconformidade Improcedente Em recurso voluntário, a empresa reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade e acrescenta requerimento de aplicação ao caso do precedente do STF, RE n° 574.706 RG. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. A Recorrente pleiteia o crédito de pagamento indevido decorrente da inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS de valores concernentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais entende que não constituem sua receita/faturamento. Fundamenta seu pleito, em síntese, nas seguintes razões: a) As receitas de interconexão de redes não são receitas auferidas pela Recorrente, integradas e apropriadas em caráter definitivo, representando acréscimo do seu patrimônio. Trata-se, na verdade, de valores que ingressam apenas de forma transitória pelo resultado da Recorrente, uma vez que há a imposição legal, regulatória e contábil de esses valores serem repassados aos terceiros que cedem suas redes à Recorrente para se viabilizar a prestação do serviço de comunicação. Trata-se, portanto, de mero ingresso. b) No caso de interconexão de redes não há propriamente a contratação de um serviço de outra operadora, com o estabelecimento de uma nova relação jurídica diversa daquela que originou a receita. Do ponto de vista jurídico, o que existe é uma única prestação do serviço, realizada pela Recorrente em conjunto com um terceiro, com o compartilhamento da receita. Há, portanto, não incidência do tributo e não propriamente isenção ou hipótese de exclusão da base de cálculo, que dependeriam de legislação específica. c) O recolhimento de PIS/COFINS sobre as receitas de interconexão de redes implica a dupla tributação de um mesmo fato gerador, com a ocorrência de bis in idem tributário. Isso porque o fato gerador é único e consiste na prestação do serviço, devendo ser tributados pelo PIS/COFINS apenas e tão somente aqueles valores que são gerados e permanecem com a Recorrente em remuneração pelo seu serviço e não aqueles que são repassados a terceiro para se remunerar a interconexão de redes. d) Deve ser aplicado ao caso, o RE n° 574.706: “o raciocínio que deve prevalecer no caso concreto, no tocante ao PIS e à COFINS, é aquele cristalizado no precedente da Suprema Corte, com relação ao ICMS, na medida em que o valor relativo à interconexão de redes é semelhante ao ICMS, de forma que se trata de um valor subjacente à prestação do serviço que será compulsoriamente dirigido à operadora que cedeu os meios de rede. Assim, não se trata de valor que será incorporado ao patrimônio da Recorrente, muito menos em caráter definitivo.” Fl. 893DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.210 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16692.720776/2014-42 A base de cálculo do PIS e da COFINS é disciplinada nos art. 2º e 3º da Lei n° 9.718/98, verbis: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) § 1º (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluem-se da receita bruta: I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II - as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III - (Revogado pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) IV - a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V - a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. O STF, no julgamento do RE nº 585.235, consolidou o entendimento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, conceito que deve ser entendido como a soma das receitas oriundas das atividades empresariais típicas, hipótese que se subsome ao caso em análise: receita de serviços de telecomunicações. O argumento de que as receitas de interconexão, como mero repasse realizado a terceiros, não comporiam o faturamento da TIM, já foi rechaçado pelo STJ, no julgamento do REsp n° 1.144.469 - PR (Tema 313), DJ 02/12/2016. Em tal precedente, a Corte consignou que integram o faturamento os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Confira-se: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO-APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa Fl. 894DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.210 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16692.720776/2014-42 regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001. Precedentes: (...). Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL Ressalte-se que o próprio STJ aplicou tal precedente vinculante à exata situação em discussão neste processo administrativo, no AgInt no REsp nº 1.734.244 – RJ, DJ 03/10/2018: RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. TELEFONIA. INCLUSÃO DE VALORES A SEREM REPASSADOS A TERCEIRAS EMPRESAS A TÍTULO DE SUBCONTRATAÇÃO (SERVIÇOS DE INTERCONEXÃO / ROAMING). TEMA JÁ JULGADO EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (RESP. N. 1.144.469 - PR). TEMA QUE DIFERE DAQUELE JULGADO PELO STF EM REPERCUSSÃO GERAL NO RE N. 574.706 RG / PR QUE DETERMINOU A EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS. AGRAVO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL. MULTA DO ART. 1.021, §4º, DO CPC/2015. 1. Não ocorreu a alegada violação ao art. 535, do CPC/1973 tendo em vista que a Corte de Origem fundamentou o decisum em argumentos suficientes, havendo expressa menção aos arts. 145 et seq., da Lei n. 9.472/97 (Lei Geral das Telecomunicações), a caracterizar o regime jurídico do roaming nacional e internacional, sendo desnecessária a menção aos demais dispositivos normativos invocados. 2. Nem a Corte de Origem e nem este Superior Tribunal de Justiça são obrigados a examinar argumentos e artigos de lei e normativos invocados pelas partes que não sejam capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador (v.g. art. 489, §1º, IV, do CPC/2015). 3. No caso concreto, a empresa concessionária de telefonia móvel visa assegurar o direito de não incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS os valores recebidos de seus clientes e que são, por obrigação legal, repassados a terceiras operadoras a título de roaming nacional e internacional. Afirma, em síntese, que na situação de roaming a remuneração recebida dos usuários é revertida para custear os gastos com a sub-contratação do uso da rede de outra operadora. Sustenta que tais valores, por isso, não são receita sua, mas de terceiros. 4. O caso concreto se amolda perfeitamente aos fundamentos determinantes do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.144.469 - PR (Tema 313). Isto por que o repetitivo não se restringe à análise da aplicação artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98, como entende a agravante, mas parte dessa análise (caso concreto) para afirmar a tese (regra de aplicação - ratio decidendi) de que "integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 5. Essa mesma ratio decidendi está presente em inúmeros precedentes deste Superior Tribunal de Justiça e também no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.141.065 - SC (Tema 279, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.12.2009), quando examinou a tributação pelas contribuições ao PIS e COFINS dos valores recebidos pelas empresas de trabalho temporário das empresas tomadoras de serviço destinados ao pagamento de salários e encargos trabalhistas dos respectivos trabalhadores. 6. A conhecida pretensão de se esquivar ao pagamento de tributos incidentes sobre a receita/faturamento mediante o artifício de se suprimir uma etapa econômica (tratar como faturamento de terceiro o que é faturamento próprio) já foi exaustivamente tratada e rechaçada por este Superior Tribunal de Justiça. (...) Fl. 895DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.210 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16692.720776/2014-42 A aplicação do REsp n° 1.144.469 – PR é obrigatória, nos termos do art. 62 do RICARF. Sendo assim, restam afastados os argumentos de não incidência de PIS e COFINS sobre as receitas de interconexão, independente dos argumentos tecidos pela Recorrente ao longo de seu recurso voluntário. No tocante à aplicação do RE n° 574.706, tem-se que as situações são díspares: o STF analisou o repasse de receitas tributárias, o que não se confunde com o repasse de receitas privadas ainda que decorrentes de imposição legal. O item 7 da decisão do STJ, AgInt no REsp nº 1.734.244, já citada acima, soluciona a controvérsia: 7. Entendimento que não sofreu qualquer derrogação pelo posterior julgamento do RE n. 574.706 RG / PR, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/03/2017 - construído pelo STF para a não inclusão dos débitos de ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, já que aqui não se está a falar nestes autos de valor correspondente a tributo arrecadado pela empresa para repasse ao Fisco, mas sim de valor pago pelo usuário à empresa de telefonia que esta usa para pagar o contrato que firmou com outra empresa de telefonia (subcontratação de serviços), ainda que ex lege. De ver que os temas são conexos, porém não são idênticos: o precedente do STF trata do repasse de receitas públicas/tributárias, o presente caso trata do repasse de receitas privadas/contratadas, ainda que ex lege. Com isso, o valor cobrado pelo serviço de telecomunicação pertence à Recorrente, mesmo que utilize a rede de terceiros por imposição legal. Saliente-se que não há dupla tributação sobre a mesma receita, mas duas receitas que não se confundem: a auferida pela Recorrente, que é decorrente da prestação do serviço de telecomunicação aos seus clientes; e a outra, auferida pela terceira empresa, paga pela TIM pela utilização da rede da outra. Logo, os valores pagos pelas empresas de telecomunicações a outras operadoras de telefonia a título de interconexão de redes não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS, por integrarem o faturamento decorrente da prestação de serviço de telecomunicação. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Fl. 896DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001855/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2007
RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE. ART. 37, §2º DO DECRETO Nº 70.235/72. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado o preenchimento de todos os requisitos previstos na legislação de regência, entre eles o cumprimento do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo art. 37, §2º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 9202-007.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, por intempestividade. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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INTEMPESTIVIDADE. ART. 37, §2º DO DECRETO Nº 70.235/72. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado o preenchimento de todos os requisitos previstos na legislação de regência, entre eles o cumprimento do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo art. 37, §2º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, por intempestividade. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 55 /2 01 0- 11 Fl. 306DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento para exigência de contribuições previdenciárias destinadas à Previdência Social, referente a contribuições da parte de SEGURADOS, a cargo da empresa, incidente sobre remunerações indiretas pagas aos segurados identificados pela fiscalização a partir dos registros contábeis da empresa. O lançamento (DEBCAD n° 37.223.7908) envolve verbas pagas a título de auxílio alimentação e assistência médica. Após o trâmite processual, a 3ª Turma Especial deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento relativo ao pagamento do auxílio alimentação por aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. O acórdão 280301.840, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAT. ALIMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA. INOBSERVÂNCIA DE DISPOSITIVO LEGAL. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. 1. No que se refere à discussão em relação aos alimentos fornecidos aos empregados da empresa, tratandose de verba in natura, deve ser excluído do lançamento este levantamento, tendo em vista que a matéria deixou de ser tributada, consoante disposições do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. 2. Em relação à verba “assistência médica”, sigo igual entendimento do julgar ao quo, porquanto o mais condizente com realidade fática. O contribuinte efetivamente não observou a regra prevista no art. 28, § 9º, alínea “q”, da Lei 8.212/91. 3. Sobre a suposta inconstitucionalidade da Taxa SELIC, é sabido que o assunto está condicionado somente às esferas judiciais, não podendo agentes da Administração Pública cuidar da matéria. Aliás, sobre o tema há que se observar a Súmula CARF nº 5: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Provido em Parte Intimado da decisão o Contribuinte apresentou recurso especial ao qual foi dado parcial seguimento nos termos do despacho de efls. 259/266 e 285/287. Com base no acórdão paradigma 2403001.123, a matéria admitida para rediscussão limitase a revisão da multa de mora imputada, tendo em vista a superveniência de multa mais benéfica prevista na MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/09. Em sede de contrarrazões, a Fazenda Nacional pugna pelo não conhecimento do recurso por ser patente a sua intempestividade. Como pedido subsidiário defende o não Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10865.001855/201011 Acórdão n.º 9202007.768 CSRFT2 Fl. 3 3 conhecimento do recurso também pelo fato da matéria não ter sido préquestionada e, no mérito, defende o seu não provimento. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme exposto no relatório, tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte o qual foi admitido apenas em relação a necessidade de revisão das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, haja vista as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo, fazendo incidir a regra da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN. Entretanto, embora o recurso tenha sido admitido parcialmente, como bem destacado na peça de contrarrazões, estamos diante de recurso intempestivo, haja vista que sua interposição se deu após o prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo art. 37, §2º do Decreto nº 70.235/72 e art. 68 do RICARF. Consta do 'Termo de Ciência por Decurso de Prazo', juntado às efls. 221, que o contribuinte foi considerado intimado do acórdão nº 280301.840 (INTIMAÇÃO 2404 / 2013) em 04/09/2013: Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 20/08/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 04/09/2013 Acórdão de Recurso Voluntário Intimação de Resultado de Julgamento DATA DE EMISSÃO : 05/09/2013 Aplicandose o prazo fixado pela legislação correspondente, temos que o termo final para interposição do recurso se deu em 19/09/2013. Entretanto, o Recurso Especial foi protocolizado na unidade de atendimento da 'DERAT/CAC PAULISTA' em 27/09/2013, conforme consta do carimbo aposto na primeira página da peça recursal (efls. 222). Vale destacar ainda certidão de efls. 255: PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10865.001855/201011 Fl. 308DF CARF MF 4 INTERESSADO: 61082004000584 MANUFATURA DE BRINQUEDOS ESTRELA S A TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA Em 01/10/2013 15:31:26 foi registrada a Solicitação de Juntada de Documentos ao processo citado acima. Essa solicitação envolve os documentos abaixo relacionados: l Recurso Especial Para a Solicitação de Juntada de Documentos descrita acima foi(ram) identificada(s) justificativas/observações conforme segue: Recurso Especial com os mesmos argumentos protocolado em 27/09/2013 no CAC PAULISTA, já juntado ao processo. A Solicitação de Juntada de Documentos teve os seguintes documentos aceitos: Nenhum documento foi aceito. E os seguintes documento não foram aceitos: l Recurso Especial Diante do exposto, atestada a intempestividade, deixo de conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 309DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.724065/2013-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CONHECIMENTO PARCIAL.
Em razão da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, quanto a uma das matérias suscitadas em sede recursal, não se vislumbra a existência de divergência jurisprudencial.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovando-se a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. DESCABIMENTO.
A própria discussão jurídica sobre a forma de contratação da intermediação de imóveis desnatura a imputação de que a conduta adotada pelo Recorrente deva ser considerada como uma fraude praticada com evidente intuito de simular a ocorrência do fato gerador tributário ou seu conhecimento pela Administração, motivo pelo qual a multa deve ser aplicada no patamar de 75%, sem qualificação.
Numero da decisão: 9202-007.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação da multa e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Miriam Denise Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CONHECIMENTO PARCIAL. Em razão da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, quanto a uma das matérias suscitadas em sede recursal, não se vislumbra a existência de divergência jurisprudencial. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovandose a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. DESCABIMENTO. A própria discussão jurídica sobre a forma de contratação da intermediação de imóveis desnatura a imputação de que a conduta adotada pelo Recorrente deva ser considerada como uma fraude praticada com evidente intuito de simular a ocorrência do fato gerador tributário ou seu conhecimento pela Administração, motivo pelo qual a multa deve ser aplicada no patamar de 75%, sem qualificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 65 /2 01 3- 38 Fl. 2262DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação da multa e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Miriam Denise Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Tratamse de Recursos Especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pela Responsável solidária contra o Acórdão n.º 2201003.330 proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 20 de setembro de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 1.821: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovandose a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Comprovandose a prestação de serviço por pessoa física, presumese ocorrido o fato gerador de contribuições previdenciárias, cabendo a exigência das contribuições correspondentes, a menos que o sujeito passivo consiga comprovar a inexistência de remuneração. Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 9202007.869 CSRFT2 Fl. 3 3 REGISTROS CONTÁBEIS TÍPICOS DE PAGAMENTO A PESSOAS FÍSICAS. FALTA DE ESCLARECIMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Havendo registros contábeis típicos de pagamentos a pessoas físicas pela prestação de serviços e não tendo a empresa apresentado os esclarecimentos necessários à investigação dos fatos geradores, tem o fisco a prerrogativa de apurar as contribuições correspondentes, cabendo ao contribuinte demonstrar a improcedência destas. DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. CABIMENTO. A discussão jurídica sobre a possibilidade de repasse aos clientes da obrigação de pagar a comissão pelo serviço prestado à empresa imobiliária afasta o intuito de fraude e sonegação fiscal, justificando a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS EM TERCEIROS PARA ESCLARECER FATOS RELACIONADOS À AÇÃO FISCAL. FALTA DE INTIMAÇÃO DA EMPRESA AUTUADA. VALIDADE DAS PROVAS. São válidas as provas produzidas em sede de diligências fiscais realizadas em terceiros, que tenham alguma relação com o fato Fl. 2264DF CARF MF 4 gerador dos tributos lançados, independentemente de ciência prévia da empresa autuada, desde de que o fisco, no relatório fiscal, esclareça a origem das referidas provas. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS RELEVANTES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos relevantes da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. Não está obrigado o julgador a enfrentar questões que não tenham o condão de interferir no destino da lide. SOLIDARIEDADE.GRUPO ECONÔMICO. A caracterização do Grupo Econômico de Fato gera a solidariedade passiva previdenciária para as empresas que o integra. (Art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991). GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle X subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. Com a finalidade de integrar a decisão recorrida, foram opostos embargos de declaração pelo Contribuinte que julgados deram ensejo ao Acórdão n.º 2201003.812, ementa abaixo transcrita, fls. 1.932: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. A fim de aplicar a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, a autoridade lançadora deve demonstrar os interesses em comum das empresas na situação que constitua o fato gerador da obrigação, ou a circunstância de fato que implique a responsabilização solidária. No que se refere ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 1.976 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 1.998 e seguintes, para rediscutir as seguintes matérias: a) aplicação da multa de ofício qualificada; b) limite dos embargos de declaração e c) responsabilidade solidária. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) deve ser anulado o Acórdão nº 2201003.812, vez que ultrapassou os limites dos Embargos de Declaração ao apreciar novamente a demanda; Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 9202007.869 CSRFT2 Fl. 4 5 b) o acórdão nº 2201003.330 indica que foi reconhecida a intempestividade do Recurso Voluntário da Brasil Brokers Participações S/A, mas mesmo assim foi apreciada a matéria e adotado integralmente o entendimento da DRJ sobre a responsabilidade de todas as empresas envolvidas no presente processo; c) para a rediscussão da matéria, a jurisprudência do CARF aponta que o instrumento recursal adequado, não é a via restrita dos embargos de declaração, mas sim o recurso especial; d) seguindo o entendimento dos paradigmas, o Acórdão nº 2201 003.812 deveria ter corrigido o erro relativo à tempestividade do Recurso Voluntário, mas, data venia, não deveria ter apreciado novamente a demanda; e) Na remota hipótese de não ser acolhido o item anterior, passaremos a demonstrar que a responsabilidade solidária da Brasil Brokers Participações S/A não deve ser excluída; f) Para a e. 1ª Turma não bastou o auditor mencionar que a responsabilidade decorria do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91, necessitava também que ele explicasse a situação de fato que implicasse a responsabilidade tributária; g) não há que se falar de falta de motivação no lançamento, já que a lei expressamente e objetivamente determina a solidariedade nos casos onde existe grupo econômico; h), não há que se falar de falta de motivação no lançamento, já que a lei expressamente e objetivamente determina a solidariedade nos casos onde existe grupo econômico; i) registrese que o afastamento do citado art. 30 corresponde à verdadeira declaração indireta de inconstitucionalidade, j) quanto à multa, conforme provam os documentos coligidos na ação fiscal e os relatos do TVF, aos quais nos reportamos, a fim de evitar tautologia, as partes praticaram diversos atos simulados, todos com o fim único de ludibriar o Fisco, para pagar menos tributo. A reiteração de atos demonstra a ação firme, consciente, abusiva e sistemática da contribuinte, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal, na busca do enriquecimento sem causa (resultado); k) a autuada e os sujeitos passivos praticaram atividade ilícita comprovada, detalhadamente descrita no termo de verificação fiscal, observada a partir da realização de diversos atos simulados, tudo visando reduzir a tributação federal, motivo pelo qual foi aplicada e devidamente justificada pela fiscalização a multa de 150%; l) como resultado da conduta dolosa, houve a diminuição do efetivo valor da obrigação tributária, com o consequente pagamento a menor dos tributos devidos, em evidente prejuízo ao erário; Fl. 2266DF CARF MF 6 m) a conduta sistemática demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo; n) deve ser mantida a qualificação da multa, vez que amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos. Devidamente intimada, a Brasil Brokers Participações S/A, suposta responsável solidária, apresentou Contrarrazões, fls. 2.049 e seguintes, alegando, em síntese: a) a impossibilidade de conhecimento do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional por ausência de similitude fática entre os julgados; b) nenhum dos paradigmas é minimamente apto a legitimar a propositura do Recurso Especial, eis que não tratam especificamente da possibilidade de reconhecimento de tempestividade recursal em sede de embargos de declaração, quando fato é que este erro acometia o acórdão que foi reformado nos autos do processo em epígrafe; c) quanto à responsabilidade solidária, também não deve ser conhecido o recurso, pois os paradigmas não guardam similitude fática com o presente caso, pois eles tratam da responsabilidade solidária quando há o reconhecimento do grupo econômico expressamente pelas próprias empresas que o compõem; d) no caso dos autos, além de haver controvérsia sobre o grupo econômico, é certo que a jurisprudência desta Corte Administrativa é pacífica para afastar a responsabilidade solidária quando a fiscalização não comprova a relação entre as partes e o grupo econômico, sendo que a recorrida era apenas detentora de parte de cotas da sociedade, não tendo qualquer ingerência na administração da sociedade; e) quanto aos embargos, perfeitamente adequada a oposição para que pudesse ser sanada a grave omissão acometida pelo Acórdão; f) sobre o grupo econômico, em momento algum o fiscal dispôs detalhadamente sobre o suposto controle societário existente entre a M. Garzon e a Recorrida, no sentido de haver interferência nos negócios; g) a jurisprudência do CARF é pacífica para afastar a responsabilidade solidária quando a fiscalização não comprova a relação entre as partes e o grupo econômico, sendo este o caso da Recorrida. Intimada, a MGE Intermediação Imobiliária LTDA, suposta responsável solidária, apresentou contrarrazões às fls. 2.124 e seguintes, aduzindo, em síntese: a) a Recorrida,, além de se insurgir com o lançamento constante do auto de infração, que se baseou em desconsideração da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 9202007.869 CSRFT2 Fl. 5 7 promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, também não concordou com a sua inclusão como sujeito passivo solidário dos créditos tributários em questão; b) a hipótese tratada no auto de infração se amolda exatamente aos termos do RECURSO ESPECIAL Nº 1.599.511 SP (2016∕01297158), TESE CONSIDERADA PARA OS FINS DO ART. 1.040 DO CPC∕2015, RECURSO REPETITIVO – TEMA Nº 938, cujo julgamento ocorreu em 24/08/2016, sendo publicado no DJe de 06/09/2016; c) ao adotar a inadequada interpretação de que os pagamentos das comissões/gratificações foram feitos pela Autuada – sem qualquer prova, bem como por sustentar a tese de que ditos pagamentos não podem ser suportados pelos Compradores das unidades imobiliárias, com amparo em superadas decisões judiciais de 1ª instância, a fiscalização também infringiu o art. 112 do CTN, que assegura a aplicação da norma mais favorável ao Contribuinte, mormente quando há decisão de caráter repetitivo expedida pelo STJ; d) a matéria de mérito discutida no presente auto de infração se trata de matéria de ordem pública, passível de conhecimento de oficio pelo Colegiado, já que a inexistência de análise de tais questões de ordem pública importaria em omissão – ainda que indireta do órgão julgador, mesmo que não tivessem sido arguidas anteriormente pela parte interessada; e) douta Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), se omitiu ao não observar matéria de ordem pública, em face da questão a ser apreciada que se refere à impossibilidade de incidência das contribuições previdenciárias sobre a base de cálculo consubstanciada em pagamentos de comissões aos corretores, efetuados pelos adquirentes das unidades imobiliárias, cuja legalidade foi declarada pelo STJ, no recurso especial repetitivo nº 1.599.511 – SP, concebido na forma do art. 1.040 do novo Código de Processo Civil (CPC); f) os acórdãos paradigmas, bem como as outras decisões apresentadas pela Recorrente, eméritos julgadores, são anteriores à decisão proferida no RECURSO ESPECIAL Nº 1.599.511 SP (2016∕01297158), tese considerada para os fins do art. 1.040 do CPC∕2015, recurso repetitivo – TEMA Nº 938, cujo julgamento ocorreu em 24/08/2016, sendo publicado no DJe de 06/09/2016 e que tratou exatamente da questão de mérito do presente lançamento, conforme já demonstrado nos itens anteriores; g) o intuito doloso é prérequisito para a aplicação da multa de 150%. Entretanto, no caso em análise não há dolo e não houve sequer tentativa de impedir o conhecimento dos atos praticados, dada a evidência como eles se externaram publicamente e na contabilidade, bem como foram dados ao direto conhecimento Fl. 2268DF CARF MF 8 da fiscalização, razão pela qual não há como se aplicar a multa agravada de 150%, conforme demonstrado à exaustão na impugnação e no recurso; h) a autoridade lançadora não conseguiu evidenciar o intuito de fraude por parte da empresa; i) na hipótese de serem ultrapassados os demais argumentos expendidos, a Recorrida espera que Vossas Senhorias DESQUALIFIQUEM A MULTA APLICADA e apliquem o comando emanado das decisões proferidas pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral, no sentido de que nenhuma multa pode ser aplicada em percentual superior ao tributo lançado. Quanto ao Recurso Especial interposto pela MGE Intermediação Imobiliária LTDA, fls. 2.098 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 2.159 e seguintes, para rediscutir a comissão paga pelos adquirentes aos corretores de imóveis (fato gerador da contribuição social previdenciária). Em seu recurso, aduz a MGE, em síntese, que: a) a ora Recorrente foi incluída indevidamente como sujeito passivo solidário das obrigações tributárias previdenciárias levantadas nos autos de infração, após um longo relato sobre a situação societária da empresa M GARZON EUGÊNIO; b) a hipótese tratada no auto de infração se amolda exatamente aos termos do RECURSO ESPECIAL Nº 1.599.511 SP (2016∕01297158), TESE CONSIDERADA PARA OS FINS DO ART. 1.040 DO CPC∕2015, RECURSO REPETITIVO – TEMA Nº 938, cujo julgamento ocorreu em 24/08/2016; c) como a lei deve respeitar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, por decorrência da aplicação cogente do princípio da segurança jurídica, não se afigura admissível que o administrado tenha seus direitos interpretados ao sabor de interpretações jurídicas variáveis no tempo, muitas vezes deflagradas por interesses arrecadatórios infundados, mas que são, em análise mais aprofundada, plenamente escusa; d) a questão de mérito discutida no presente auto de infração se trata de matéria de ordem pública, passível de conhecimento de oficio pelo Colegiado, já que a inexistência de análise de tais questões de ordem pública importaria em omissão – ainda que indireta do órgão julgador, mesmo que não tivessem sido arguidas anteriormente pela parte interessada; e) o Colendo STJ firmou entendimento em sede de recurso repetitivo, no Tema nº 938, com caráter vinculante a todas as esferas judiciais e principalmente administrativas no âmbito do CRPS, ao declarar a validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, o que torna o lançamento em questão totalmente improcedente; Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 9202007.869 CSRFT2 Fl. 6 9 f) ao contrário do que afirmou a fiscalização, a empresa autuada não é parte legítima para figurar no polo passivo da relação tributária, visto que as supostas contribuições previdenciárias devidas tiveram como base de cálculo fato gerador inexistente em face da Autuada; g) o Auditor Fiscal ao efetuar o lançamento se pautou em uma relação contratual de prestação de serviços inexistente, quando o correto seria considerar a relação contratual existente entre a empresa autuada e os corretores de imóveis, que é uma relação de corretagem juridicamente válida, conforme já demonstrado no item 2 desta impugnação, em que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), recentemente, se pronunciou sobre a legalidade da transferência do pagamento das comissões ao consumidor; h) a empresa autuada desenvolve contrato de parceria ou associação com corretores autônomos para fins de viabilizar a comercialização de imóveis cuja venda lhe teria sido autorizada pelas incorporadoras, enquanto a fiscalização defende existir, no vínculo entre a autuada e os corretores, as características da relação de trabalho; i) resta claro que, no presente caso, a empresa autuada pactuava a prestação de serviços de corretagem com as incorporadoras, lhe sendo devida a comissão pertinente o que, aliás, é perfeitamente inteligível dada à atividade preponderante prevista no seu contrato social, a intermediação na compra e venda de imóveis; j) esses corretores autônomos não tinham nenhuma relação de emprego ou de trabalho com a Autuada e eram remunerados diretamente pelos Compradores das unidades imobiliárias; k) compreendemos que não há existência de prova de relação de emprego entre a empresa autuada e os corretores colaboradores; l) ao contrário do que entendeu a fiscalização, entendemos que, sendo o ônus do pagamento das comissões dos compradores, afastase, em definitivo, qualquer imputação da Autuada como contratante e responsável pelos pagamentos aos serviços dos corretores. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 2.191 e seguintes, sustentando, em suma: a) o que se verificou com clareza, por meio do trabalho fiscal, foi que a imobiliária realiza a atividade de intermediação, por meio de corretores que atuam como longa manus, verdadeiros órgãos da sociedade na prestação de serviços realizando todos os atos materiais necessárias para concreção das alienações das unidades imobiliárias; b) resta estreme de dúvidas que a recorrente coordenava e controlava todo o trabalho dos corretores na intermediação das vendas das unidades. E o simples fato do pagamento ser Fl. 2270DF CARF MF 10 fracionado por imposição da imobiliária, digase, não tem o condão de tornar autônoma ou independente a relação entre imobiliária, corretores e demais membros da equipe de vendas; c) transferência do ônus do pagamento das comissões para os compradores não desqualifica sua relação pessoal e direta com o fato gerador, na condição de verdadeira tomadora dos serviços dos corretores; d) o pagamento indireto adotado pela recorrente como forma de remunerar seus corretores não desnatura sua sujeição passiva na relação jurídica tributária, bem como os elementos de prova trazidos aos autos demonstram cabalmente a subordinação e a coordenação existente na relação profissional entre imobiliária e corretor; e) em casos análogos ao que ora se analisa, nos quais se decidia se os serviços de corretagem prestados por corretores de seguro constituíam fato gerador da contribuição previdenciária, o Superior Tribunal de Justiça já teve oportunidade de se manifestar no sentido de que era devida tal contribuição sobre os valores pagos pelas seguradoras aos corretores; f) que seja negado provimento ao Recurso. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Recurso Especial MGE INTERMEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA LTDA (responsável solidária) Conforme narrado, a Recorrida busca rediscutir a comissão paga pelos adquirentes aos corretores de imóveis (fato gerador da contribuição social previdenciária). A respeito do tema, o acórdão recorrido assim dispôs: Dos fatos geradores relativos aos corretores/consultores imobiliários De acordo com o fisco, a autuada era contratada por construtoras/incorporadoras para efetuar as vendas de imóveis, geralmente na planta, e se utilizava de corretores para concretizar as operações de venda com os clientes. A prestação de serviço na venda das unidades imobiliárias foi considerada pelo fisco fato gerador de contribuições previdenciárias, pressupondose que os corretores prestavam serviço à imobiliária autuada e eram remunerados mediante pagamento de comissões. Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 9202007.869 CSRFT2 Fl. 7 11 A empresa, para se livrar tributação, advoga que o serviço prestado pelos corretores tinha como destinatários os compradores dos imóveis, que eram responsáveis pelo pagamento das comissões diretamente aos profissionais, inexistindo, portanto, vínculo entre a imobiliária e os corretores. No intuito de esclarecer essa questão, o fisco diligenciou junto às empresas construtoras/incorporadoras e clientes que transacionaram com a autuada e obteve a informação de que os corretores atuavam em nome da imobiliária, conforme se extrai de excerto do relatório fiscal: “34. Nesse sentido, em 11/04/2011, a empresa M Garzon Eugênio informou, em resposta à intimação do fisco, "que não possui contratos de prestação de serviços firmados com construtoras/incorporadoras, haja vista que são realizados de forma verbal" (anexo 01, fls, 11). 35. Diante dessa resposta, a auditoria fiscal julgou procedente checar referida informação por meio de diligências junto às construtoras/incorporadoras responsáveis pelos empreendimentos comercializados pela M Garzon Eugênio, obtendo das empresas contratantes, contrariamente às afirmações acima, contratos assinados com essa imobiliária. ... (...) "38.Segundo as diligências realizadas, a auditoria fiscal apurou que a situação de fato, mais uma vez, não corresponde com as alegações da Empresa, pois da análise por amostragem, dos adquirentes de imóveis diligenciados todos afirmaram que o imóvel foi adquirido por intermédio da Imobiliária M Garzon Eugênio; o corretor, autor da venda, não foi contratado por ele (comprador); o corretor apresentouse como representante da imobiliária M Garzon Eugênio, inclusive usando crachá da empresa com sua identificação pessoal.”. Diante desses dados, concluiu o fisco: “63. Ainda, como se não bastasse, os compradores de imóveis diligenciados pela auditoria fiscal, conforme consta dos respectivos Termos de Atendimento à Intimação, responderam que o corretor responsável pela venda do imóvel identificouse como representante da M Garzon Eugênio e que eles (adquirentes) não contrataram os serviços desses profissionais, ou seja, os corretores encontravamse nos stands de vendas instalados nos locais do empreendimento à disposição dos interessados. Os esclarecimentos prestados pelos compradores estão registrados no Termo de Atendimento à Intimação. (Anexo 11, fls. 7, 8, 44, 45, 68, 69, 98 e 99) 64. Outro documento de prova cabal do vínculo de prestação de serviço entre o corretor e a M Garzon Eugênio tratase do documento "Proposta de Compra Com Recibo de Sinal. Fl. 2272DF CARF MF 12 65. Referido documento inicia o processo de venda no âmbito da Empresa, identificando o proponente, o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento do sinal e outras condições inerentes ao contrato de promessa de compra e venda a ser firmado entre as partes, sendo que os signatários desse documento são o "proponente comprador" e o "corretor" que age em nome da M Garzon Eugênio na operação imobiliária. Os Anexos 11 e 11A trazem cópias das "Propostas de Compra Com Recibo de Sinal" referentes às operações imobiliárias efetivadas com os compradores diligenciados. Observese que os formulários utilizados na operação (Proposta de Compra e Recibo), emitidos pelo corretor responsável pela venda, contém a logomarca da Empresa da M Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda, empresa detentora de 50% (cinqüenta por cento) do capital da empresa fiscalizada. (Anexo 11, fls. 13, 21, 72 e Anexo 11 A, fls. 7) 66. Diante de todos esses fatos, respaldados em documentos que integram o presente Relatório, não há como negar o vínculo de prestação de serviço existente entre os corretores de imóveis que compõem as equipes de vendas e a M Garzon Eugênio, lembrando que a principal atividade que constitui o objeto social dessa Empresa é a prestação de serviços de intermediação imobiliária e como tal a Empresa não tem como se prescindir de uma equipe de corretores que leve adiante a sua atividade principal, ou seja, a venda de imóveis.”. Coletadas essas informações nos autos, já é possível expor o meu entendimento sobre a celeuma. Para mim, o principal argumento utilizado pela recorrente, de que os serviços eram destinados unicamente aos clientes, é a repetição de uma estratégia utilizada no afã de se livrar do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os serviços que lhes foram prestados pelos corretores. Não há como esconder que as construtoras/incorporadoras efetuavam contrato com a imobiliária para venda dos imóveis e esta o fazia mediante o trabalho de captação de clientes realizado pelos corretores. Sendo que estes atuavam como representantes da autuada, conforme demonstrado nos autos. As informações coletadas em sede de diligências fiscais realizadas juntos às construtoras/incorporadoras e aos clientes não deixam dúvida de que o pagamento da comissão efetuado pelos clientes diretamente aos corretores representava apenas uma forma de tentar esconder do fisco a ocorrência do fato gerador. Consigo fazer uma analogia deste caso com os representantes comerciais autônomos que vendem produtos para determinada empresa mediante o pagamento de comissão. Pergunto: se a comissão for paga aos representantes diretamente pelo comprador, esse fato afastará o vínculo de prestação de serviço entre este e a empresa que representa? É evidente que não. Foge à razoabilidade o argumento de que era a corretora que captava os clientes e os direcionava para corretores com os Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 9202007.869 CSRFT2 Fl. 8 13 quais não mantinham qualquer vínculo. Não consigo enxergar que transações imobiliárias possam ser efetuadas mediante pessoas que sequer tinham contrato escrito com a imobiliária. Também não se sustenta a afirmação de que uma empresa imobiliária possa manterse no mercado sem o concurso de corretores, profissionais cuja participação na intermediação de compra, venda, permuta e locação de imóveis é obrigatória, conforme previsto na Lei n. 6.530/1978 e no Decreto n. 81.871/1978. Assim, resta claro que o fato gerador da contribuição previdenciária, consistente na prestação de serviço remunerado por pessoa física sem vínculo de emprego, configurouse, posto que fartamente demonstrado que os corretores prestaram à autuada o serviço de intermediação na venda de imóveis mediante o pagamento de comissão. O artifício de firmar com os compradores dos imóveis acerto para pagamento das comissões diretamente aos corretores não tem o condão de afastar a responsabilidade da autuada, nos termos do art. 123 do CTN, segundo o qual, as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública para afastar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. Embora o pagamento tenha sido efetuado pelo comprador, a prestação de serviço de intermediação na venda dos imóveis foi feita no interesse da imobiliária, posto que essa é a sua principal atividade. Sem esquecer que os profissionais atuaram em nome da empresa recorrente. A jurisprudência colacionada pela recorrente diz respeito à impossibilidade de caracterização de corretores como empregados da imobiliária. Ocorre que no presente lançamento não houve a caracterização de vínculo empregatício, posto que os corretores foram tratados como trabalhadores autônomos. Assim, as decisões invocadas tratam de tema diverso daquele presente no processo sob julgamento. Já que falei em jurisprudência, devo trazer a colação precedente apresentado pelo Conselheiro Elias Freire, que com muita propriedade trouxe à baila entendimento sumulado do STJ em situação similar a que é posta à apreciação: Súmula n. 458: A contribuição previdenciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. Esse entendimento consagra a tese defendida no julgamento do AgRg no Ag 1186813 (2009/00863509 02/ 02/2010), no qual o relator Ministro Benedito Gonçalves assim argumentou: "De fato, muito embora a pessoa física também seja beneficiada pela atuação do corretor, não há como negar a prestação de efetivos serviços à seguradora, uma vez que o preenchimento de propostas/formulários, a realização de simulações, o cálculo dos Fl. 2274DF CARF MF 14 prêmios, entre outras atividades, seguem critérios estabelecidos exclusivamente pelas companhias. A propósito, é notório que os corretores participam de treinamentos institucionais promovidos pelas empresas, com vistas a incrementar argumentos de vendas e a atrair o maior número de consumidores para o mercado. Recebem, inclusive, premiações pelos resultados positivos de seu trabalho. Logo, não há como deixar de reconhecer que as seguradoras utilizam a prestação de serviço (intermediação) dos corretores, e dela diretamente se beneficiam, para conseguirem os seus objetivos sociais. As regras de experiência afastam o argumento das seguradoras de que os corretores atuam por conta e ordem dos segurados. Antes, ao contrário: os segurados não possuem qualquer controle ou ingerência sobre a retribuição devida aos corretores de seguros. Apenas lhes é informado o montante do prêmio a ser pago pelo eventual negócio jurídico a ser celebrado.” Esse entendimento nos deixa, sem dúvida, mais confortáveis para encaminhar pela procedência desse levantamento. Alinhome ao que foi decidido, inclusive, ao julgar outros processos da mesma empresa apliquei entendimento semelhante. Portanto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, por negarlhe provimento. 2. Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 2.1. Do conhecimento Cumpre destacar que o Despacho de Admissibilidade, fls. 2.011 deu seguimento ao Recurso em três matérias: a) aplicação da multa de ofício qualificada; b) limite dos embargos de declaração e c) responsabilidade solidária. A Brasil Brokers Participações S/A insurgiuse quanto ao conhecimento relativamente a duas matérias: limite dos embargos de declaração e responsabilidade solidária. Aduz a Recorrida a impossibilidade de conhecimento do Recurso Especial da Procuradoria, considerando a inexistência de similitude fática entre os julgados, pois nenhum dos paradigmas é minimamente apto a legitimar a propositura do Recurso Especial, eis que não tratam especificamente da possibilidade de reconhecimento de tempestividade recursal em sede de embargos de declaração, quando fato é que este erro acometia o acórdão que foi reformado nos autos do processo em epígrafe. Sobre o limite dos embargos, a fim de melhor analisar a divergência jurisprudencial, farei um cotejo entre os paradigmas e o acórdão recorrido, com se extrai do quadro abaixo: ACÓRDÃO RECORRIDO (EMBARGOS) PARADIGMAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 Paradigma 1 2302003.544 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 9202007.869 CSRFT2 Fl. 9 15 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. A fim de aplicar a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, a autoridade lançadora deve demonstrar os interesses em comum das empresas na situação que constitua o fato gerador da obrigação, ou a circunstância de fato que implique a responsabilização solidária. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Conforme já exposto, o Recurso Voluntário de fls. 1735/1760 apresentado pela RECORRENTE (Brasil Brokers) é idêntico, ipsis litteris, ao recurso apresentado por outra devedora solidária, a MGE INTERMEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA LTDA. (fls. 1763/1785). Inclusive, ambas as peças recursais foram elaboradas pelo mesmo patrono. Uma vez que os temas e matérias de defesa levantados em ambos os recursos são os mesmos, não enxergo qualquer prejuízo sofrido pela RECORRENTE, pois as razões recursais da MGE foram devidamente apreciadas pela Turma julgadora no acórdão nº 2201003.330. Assim, não há como negar que os argumentos da RECORRENTE foram apreciados em sede recursal, a despeito da alegação de intempestividade do seu Recurso Voluntário. Podem não ter sidos apreciados por meio do recurso ora analisado, mas evidentemente foram apreciados tendo sido as questões levantadas debatidas e julgadas, resultando no acórdão nº 2201003.330. Neste sentido, norteandose pela segurança jurídica, em respeito ao julgamento colegiado proferido anteriormente e para evitar possíveis decisões conflitantes, é de rigor replicar, no presente caso, as razões do julgamento realizado na sessão de 20/06/2016, pois, repisese, a matéria de defesa apreciada naquela ocasião é a mesma, ipsis litteris, do Recurso Voluntário ora analisado. Não se pode sustentar que a equivocada atribuição de intempestividade ao recurso da ora RECORRENTE tenha lhe causado qualquer prejuízo, uma vez que, caso não houvesse a imputação de extemporaneidade recursal, o julgamento estaria fadado ao mesmo resultado do acórdão nº 2201003.330, pois, como já exposto reiteradas vezes, as razões recursais foram objeto de apreciação da Turma julgadora por meio de recurso de outro devedor solidário. Portanto, entendo que os seguintes tópicos, extraídos do Recurso Voluntário da RECORRENTE, foram devidamente analisados e julgados no acórdão nº 2201003.330, o qual deu provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da qualificadora EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração opostos quando não constatados omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Ademais argumentos de irresignação contra o acórdão prolatado deve ser manejada pela via recursal adequada. Embargos de declaração rejeitados. Paradigma 2 3402002.585 Eis a ementa transcrita no recurso: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição do ato regularmente proferido. Fl. 2276DF CARF MF 16 da multa de ofício, devendo ser aplicadas a essas matérias o resultado do julgamento proferido naquela ocasião: Da Necessidade de Reforma da Decisão Recorrida; Da Autuação Quanto ao Mérito; Da Recente Alteração Legislativa Corroborando a Prática do Mercado; Decisões Prévias do CARF Favoráveis à Empresa Autuada; Da Ilegalidade do Arbitramento; Do Limite do Salário de Contribuição; e Da Multa de Ofício. Por outro lado, há apenas um tópico do recurso da RECORRENTE que não foi analisado por completo no acórdão anterior: é a questão relativa à sua responsabilidade solidária. Sobre o tema da sujeição passiva solidária, verifico que a autoridade lançadora detalhou no Relatório Fiscal, a partir do item 129, os motivos ensejadores da responsabilidade solidária. No item 171, apresenta síntese dos fatos narrados, cujos pontos destaco abaixo: (...). Da narrativa acima, concluise que a ora RECORRENTE (Brasil Brokers) foi incluída como responsável solidária apenas por ser sócia da empresa MGE. Ao contrário do que restou demonstrado em relação aos demais devedores solidários, a autoridade fiscal não se cuidou de comprovar o interesse comum da Brasil Brokers na situação que constituiu o fato gerador do tributo objeto do presente processo. (...). Sendo assim, caberia uma comprovação mais robusta da participação da RECORRENTE nos fatos que se desencadearam em relação à devedora principal e originaram o crédito tributário objeto do presente processo. (...). O Despacho de Admissibilidade, ao apreciar a quanto ao tópico mencionado, consignou entendimento no sentido de que existe divergência suscitada pela Procuradoria, pois os paradigmas tratam dos limites dos embargos no sentido de que não é cabível o seu acolhimento para rediscussão de questão já decidida no julgamento. A respeito do tema, o Acórdão de Recurso Voluntário n.º 2201003.330 assim dispôs: DOS COOBRIGADOS Dos responsáveis solidários M Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ 02.850.273/000150), Polis Desenvolvimento Imobiliário Ltda (CNPJ 08.627.579/000129), Eugênio Participações Ltda (CNPJ 03.332.644/000175), Ferfratt Marketing Estratégico Empresarial S/C Ltda (CNPJ 04.126.668/000130, MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ 14.256.922/000179), Brasil Brokers Participações S/A (CNPJ 08.613.550/000198), Marcos Fabrício Moraes Garzon, Arnaldo Frattini e Maurício Eugênio. Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 9202007.869 CSRFT2 Fl. 10 17 Pelo que se verifica nos autos somente duas empresas apresentaram Recurso voluntário: a empresa BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A., interpôs em 30/04/2015 Recurso Voluntário (fls.1735 a 1760). Sendo intempestivo o Recurso. a empresa. MGE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA, interpondo em 30/04/2015 Recurso Voluntário (fls. 1763 a 1785) contra a sua sujeição passiva solidária. Neste ponto adoto na integralmente o voto da 5ª Turma da DRJ/BSB, Fls.1638 a 1645: (...). Em 16/01/2012 a MGE arquivou na Junta Comercial do DF a segunda alteração contratual para admitir na sociedade a BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A, cuja entrada deu se a partir da transferência pelos atuais sócios da MGE, de parte das quotas de capital que cada um possui na empresa, os quais transferiram o total de 54.170.280 quotas, ao valor nominal de R$ 0,01 (um centavo), correspondendo a R$ 541.702,80, cujas quotas representam 60% (sessenta por cento) do capital social da MGE. Além do ingresso da nova empresa na sociedade, a alteração tratou também do aumento do capital social em R$ 1.600.000,00, subscrito e integralizado em moeda nacional pelos atuais sócios na proporção em que cada um participa da sociedade, conforme quadro abaixo: (...). Portanto, resta demonstrada a formação de grupo econômico e interesse comum de todos os responsáveis solidários citados no Relatório Fiscal na situação do fato gerador, devidamente fundamentado. Com a análise do acórdão recorrido em contraposição aos paradigmas colacionados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, observase, quanto ao Paradigma n.º 2302003.544, que ele não se presta a demonstrar a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, porque, no acórdão recorrido, ultrapassada a questão da tempestividade da peça do Coobrigado, o colegiado se manifestou sobre as argumentações da defesa apresentadas por este, as quais tinham pontos diferentes daqueles suscitados pelos demais autuados (por exemplo a questão da compra de ações, momento que passou a integrar o sociedade). De fato existiu uma omissão do acórdão embargado (que não tinha analisado o recurso da coobrigada) e essa foi corrigida pelos embargos. Assim, não houve extrapolação ou tentativa de reapreciar a matéria, afinal ela não havia sido analisada. Portanto, considerando as a situação fática do paradigma mencionado, observase a ausência de similitude fática, o que ocasiona a impossibilidade de identificação da divergência argüida. Quanto ao paradigma n.º 3402002.585, também não se presta à demonstração da divergência, pelas mesmas razões anteriormente expostas. Destacase que, para a constatação de divergência, nesse caso, seria necessário um acórdão paradigma que tivesse anulado um acórdão de embargos, em razão da constatação de sua extrapolação quando da integração do julgado. Fl. 2278DF CARF MF 18 Portanto, não conheço do recurso da Procuradoria da Fazenda quanto à matéria referente ao limite dos embargos de declaração. Não conhecido do recurso quanto à limitação dos embargos, fica prejudicada a apreciação da solidariedade, pois mantida a decisão recorrida. Diante dessas considerações, conheço parcialmente do recurso da Fazenda Nacional com relação à aplicação da multa. 2.2. Da multa aplicada Com relação à qualificação da multa aplicada, o meu entendimento vai ao encontro do entendimento adotado no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Não obstante seja patente que a conduta ensejadora da penalidade exacerbada, nos dizeres vigentes à época dos fatos, devesse ser a prática de ato com evidente intuito de fraude, assim entendida uma das condutas previstas nos artigo 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, entendo que a conduta praticada pelo contribuinte no presente caso não se amolda ao tipo sancionador imputado pela Autoridade Fiscal. Esse o ponto fulcral da divergência entre o meu entendimento e o esposado pelo eminente Relator. Consta do robusto voto do Conselheiro Carlos César Quadros Pierre: "A nossa conclusão quando apreciamos a discussão acerca da ocorrência do fato gerador foi no sentido de que o sujeito passivo utilizouse do artifício de impor ao comprador dos imóveis o pagamento em separado da parcela correspondente à comissão do corretor, no intuito de impedir que o fisco viesse a tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador. A bem da verdade a hipótese de incidência se concretizou quando houve a prestação de serviço do corretor para imobiliária, todavia, utilizandose do ardil de impor ao cliente o pagamento em separado da parcela do corretor, a autuada buscava esconder de seus demonstrativos contábeis o pagamento da comissão sobre a qual incidiriam as contribuições previdenciárias. Assim, no meu entender resta comprovada a conduta estampada no art. 71 da Lei n. 4.502/1964, sendo justificada imposição de multa qualificada." (destaquei) O entendimento do colegiado sobre o negócio jurídico praticado entre a Recorrente e seus clientes, foi, no sentido de que a intermediação dos imóveis realizada foi demandada pela Recorrente, ou seja, a prestação de serviços de corretagem se deu no interesse da Recorrente, e não do cliente, do comprador da unidade. Não obstante o resultado da decisão colegiada, não observo na conduta realizada pelo contribuinte que tal prática foi concebida como uma fraudulenta simulação, ou seja, como uma ação tendente e impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador ou de sua natureza. Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 9202007.869 CSRFT2 Fl. 11 19 Não vejo que a conduta seja uma ação simulada que vise a desnaturação do fato gerador e menos ainda que seja realizada no sentido de afastar o conhecimento da Administração Tributária de sua ocorrência. Inegável que existe no mundo da intermediação de imóveis a contratação pelo adquirente do profissional habilitado para o exercício dessa intermediação. Mister realçar que a contratação pelo adquirente do corretor de imóveis é mais comum do que se imagina. Diria até que, para imóveis usados, tal conduta é a mais corriqueira. Ora, sendo um negócio usualmente praticado no mercado imobiliário não se pode imputar a quem se socorre de tal prática a pecha da simulação, em que pese a decisão tomada no caso em concreto. Novamente elucido: a prática ocorrida no caso em apreço não poderia, e não foi, convalidada pelo Fisco. Porém, imputar a tal conduta o peso de uma simulação fraudulenta não me parece apropriado. A uma, porque houve o efetivo pagamento do cliente para o corretor. Tal constatação é importante para se faça uma distinção entre eventual vício no negócio jurídico da corretagem e outra, quanto aos efeitos tributários de tal negócio. É dizer: o que se firmou no julgamento em tela é que a corretagem foi empreendida no interesse, por encomenda, do Recorrente, o que, por todo o decido, imputa a este o dever tributário decorrente da contratação da pessoa física para a prestação pessoal de serviços. Outra coisa, diversa, é que a remuneração percebida pelo corretor tenha sido paga pelo devedor principal. Ou seja, não houve simulação quanto à remuneração paga, quanto à base de cálculo do tributo. Tanto assim o é que tal base de cálculo foi obtida por meio de arbitramento realizado pelo Fisco. Dito de maneira diversa: considerando que as partes firmaram um negócio jurídico válido, a intermediação de imóveis, não houve simulação dentro desse negócio jurídico, o que, de per si, afasta a conduta fraudulenta e simulada com vistas à ocultar a ocorrência do fato gerador ou sua natureza. Tal entendimento, que reconheço bastante difícil em razão da complexidade da definição do interesse de cada uma das partes no negócio jurídico denominado intermediação de imóveis, não passou ao largo do judiciário. Como sabido, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça, validou, sob o rito dos recursos repetitivos e por decisão unânime (REsp 1551951, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino), que a intermediação de imóveis seja suportada pelo consumidor, pelo adquirente do imóvel. Fl. 2280DF CARF MF 20 Excerto da notícia extraído do sítio oficial do Superior Tribunal é elucidativo: "STJ reconhece validade da corretagem de imóvel, mas declara taxa Sati abusiva A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por unanimidade, decidiu que é válida a cláusula contratual que transfere ao consumidor a obrigação de pagar comissão de corretagem na venda imóveis. Em julgamento realizado nesta quartafeira (24), o colegiado entendeu, entretanto, ser abusivo impor ao comprador o pagamento da taxa de Serviço de Assessoria Técnico Imobiliária (Sati). A taxa Sati é o valor cobrado pelas construtoras com base em 0,8% sobre o preço do imóvel novo adquirido pelo consumidor. A quantia é destinada aos advogados da construtora por terem redigido o contrato de compra e venda, além de corresponder a serviços correlatos do negócio." (sublinhados não constam da página da internet) Ora tal entendimento, que em nada desnatura a decisão tomada pelo colegiado, posto que não analisa os efeitos tributários de tal forma de contratação, demonstra que o negócio jurídico pode ser firmado no sentido pretendido pelo sujeito passivo quanto aos efeitos do custo da contratação e que tal análise sobre sua validade foi tão discutida que restou julgado no rito dos repetitivos pelo STJ. Assim, podemos entender que a própria discussão jurídica sobre a forma de contratação da intermediação de imóveis desnatura a imputação de que a conduta adotada pelo Recorrente deva ser considerada como uma fraude, praticada com evidente intuito de simular a ocorrência do fato gerador tributário ou seu conhecimento pela Administração. CONCLUSÃO Do exposto, voto por afastar a qualificadora sobre a multa de ofício, reduzindo o valor dessa para o percentual de 75%. Em razão do exposto, mantenho a decisão recorrida, e, portanto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 9202007.869 CSRFT2 Fl. 12 21 Fl. 2282DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.995659/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.163
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência em razão da apresentação de novos documentos quando da interposição do Recurso Voluntário, para que a autoridade de origem verifique a liquidez e certeza do crédito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 95 65 9/ 20 12 -7 5 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.995659/201275 Resolução nº 3402002.163 S3C4T2 Fl. 3 2 Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, requer seja reconhecida a integralidade do direito creditório e regularidade da compensação decorrente do recolhimento a maior a título de PIS/COFINS, com os mesmos argumento apresentados na peça de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.157, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.995663/201233. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.157): "2. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Como acima relatado, através do PER/DCOMP, pretende a Contribuinte compensar o débito discriminado com crédito de PIS/COFINS decorrente de recolhimento com DARF. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Argumenta a Recorrente que cometeu um equívoco ao preencher a DCTF e, não obstante o DACON ter demonstrado que não foi apurado o PIS/COFINS a ser recolhido, na DCTF foi informado o débito no mesmo período. Com isso, o recolhimento do PIS?COFINS foi efetuado com base no valor declarado no DACON, o qual foi retificado, apurandose valor diferente daquele que havia sido declarado anteriormente na DCTF. Argumenta, ainda, que não se pode negar a existência do crédito decorrente de pagamento a maior do PIS no montante de R$ 19.709,08, resultante da diferença entre o valor recolhido e aquele declarado no DACON do respectivo período. O Ilustre Julgador de origem não acatou o pedido da Contribuinte, considerando que, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.995659/201275 Resolução nº 3402002.163 S3C4T2 Fl. 4 3 homologar a compensação está correta, uma vez que deveria a Recorrente demonstrar e comprovar o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB, o que não ocorreu no presente caso. Ao que pese a DRJ ter analisado o pedido com base somente no DACON, o que justificaria a conclusão apontada, observo que, para comprovar a apuração do PIS/COFINS e a efetiva existência do crédito pretendido, a Recorrente trouxe aos autos, cópia dos seus Livros Diários e Razão do período em análise. E, considerando os documentos trazidos aos autos pela parte, entendo que há dúvida razoável acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do respectivo crédito, imperando a necessária busca pela verdade material para possibilitar a correta apreciação das provas e averiguação do direito invocado, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011. Com isso, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: Analise os documentos comprobatórios apresentados nos autos pela Recorrente, apurando a liquidez, certeza e exigibilidade do crédito pleiteado através do PER/DCOMP objeto deste processo; b) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários para realização da diligência; c) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; d) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analise os documentos comprobatórios apresentados nos autos pela Recorrente, apurando a liquidez, certeza e exigibilidade do crédito pleiteado através do PER/DCOMP objeto deste processo; b) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários para realização da diligência; Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.995659/201275 Resolução nº 3402002.163 S3C4T2 Fl. 5 4 c) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; d) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
