Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13707.003308/2008-67
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. LEGALIDADE. MEIOS DE PROVA. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. SÚMULA CARF Nº 12.
São tributáveis os rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e a seus dependentes, e por ele omitidos na declaração de ajuste anual.
Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar.
Mantém-se a autuação quando as alegações recursais não se prestam a infirmar os informes contidos na declaração emitida pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 2003-004.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Aug 19 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202306
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. LEGALIDADE. MEIOS DE PROVA. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. SÚMULA CARF Nº 12. São tributáveis os rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e a seus dependentes, e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Mantém-se a autuação quando as alegações recursais não se prestam a infirmar os informes contidos na declaração emitida pela fonte pagadora.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 13707.003308/2008-67
anomes_publicacao_s : 202308
conteudo_id_s : 6914805
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2003-004.778
nome_arquivo_s : Decisao_13707003308200867.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : WILDERSON BOTTO
nome_arquivo_pdf_s : 13707003308200867_6914805.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2023
id : 10041016
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Aug 19 09:03:21 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1774647572231618560
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-14T17:37:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-14T17:37:30Z; Last-Modified: 2023-08-14T17:37:30Z; dcterms:modified: 2023-08-14T17:37:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-14T17:37:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-14T17:37:30Z; meta:save-date: 2023-08-14T17:37:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-14T17:37:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-14T17:37:30Z; created: 2023-08-14T17:37:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-08-14T17:37:30Z; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-14T17:37:30Z | Conteúdo => S2-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13707.003308/2008-67 Recurso Voluntário Acórdão nº 2003-004.778 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 28 de junho de 2023 Recorrente ENOCH REZENDE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. LEGALIDADE. MEIOS DE PROVA. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. SÚMULA CARF Nº 12. São tributáveis os rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e a seus dependentes, e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Mantém-se a autuação quando as alegações recursais não se prestam a infirmar os informes contidos na declaração emitida pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 33 08 /2 00 8- 67 Fl. 34DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-004.778 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13707.003308/2008-67 Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 22/25): Trata-se de Notificação de Lançamento em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente do procedimento de revisão da sua Declaração de Ajuste Anual (DIRPF) do exercício 2005, referente à: a) Omissão de Rendimento do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício referente à Fonte Pagadora Rio de Janeiro Secretaria de Estado da Defesa Civil – CNPJ 28.176.998/0004-41, no montante de R$ 26.075,06. Na apuração do imposto devido foi compensado IRRF no montante de R$ 582,26; b) Compensação Indevida de Imposto de renda retido na Fonte referente à Fonte Pagadora Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro – CNPJ 03.066.219/0001-81, no montante de R$ 81,11. 2. Em decorrência deste lançamento, apurou-se Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar de R$ 5.365,58, multa de ofício de R$ 4.024,18 além de juros de mora de R$ 2.402,7 calculados até 29/08/2008. 2.1. A descrição dos fatos, o enquadramento legal e o cálculo do Imposto apurado encontram-se demonstrados às fls. 7 a 9. Da Impugnação 3. Cientificado do lançamento em 22/08/2008, conforme AR de fls. 19, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 2 e anexos em 19/09/2008, onde informa que “foi informado erradamente o CNPJ da Fonte Pagadora”. Anexa os rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica e o Comprovante de Rendimento do CNPJ 28.176.998/0004-41. 4. O presente processo foi encaminhado à DRJ/RJ I para julgamento, nos termos da Portaria RFB nº 04/2012 de 03 de janeiro de 2012, publicada no Diário Oficial de 04 de janeiro de 2012. É o Relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário em litígio, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. O lançamento é efetuado de ofício quando o contribuinte deixa de informar rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual, implicando redução do imposto a pagar ou restituição indevida. ARGUMENTOS NÃO COMPROVADOS. Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PARCELA NÃO CONTESTADA. Considera-se não impugnada parcela que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Cientificado da decisão em 17/04/2013 (fls. 30/31), o contribuinte, em 08/05/2013, interpôs recurso voluntário manuscrito (fls. 26), alegando que teve como única fonte pagadora no ano-calendário de 2004 o Corpo de Bombeiro Militar do Estado do Rio de Janeiro (CNPJ final 0004-41), e desconhece como fonte pagadora o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (CNPJ final 0001-81) ou qualquer rendimento de origem, pois se tratava de um seguro obrigatório. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 27/29. Fl. 35DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-004.778 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13707.003308/2008-67 É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da omissão de rendimentos em litígio: O litígio recai sobre a omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 26.075,06 com IRRF de R$ 582,26, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise acerca do processado, no sentido do afastamento da omissão de rendimentos apurada. Pois bem. Em que pese as alegações trazidas, do cotejo carreados aos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 22/25) e atendo-se às informações contidas no lançamento (fls. 5/10), não há como prosperar a pretensão recursal. Não se pode olvidar que na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação das irregularidades apontadas. Conclui-se, portanto, que a comprovação da inocorrência da omissão de rendimentos apurada, quando exigida e não demonstrada, autoriza o lançamento e a consequente tributação dos valores correspondentes. Assim, considerando que o Recorrente, nesta fase processual, não trouxe novas razões contundentes a modificar o julgado de piso – diga-se de passagem, sem trazer aos autos a documentação comprobatória hábil e consistente a justificar a alegada inocorrência da omissão de rendimentos, sendo certo que os informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora e por ele próprio acostados não deixa dúvida acerca da ocorrência do recebimento dos valores tidos por omitidos (fls. 11 e 28) – me convenço do acerto da decisão de piso, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos norteadores do voto condutor na decisão recorrida (fls. 23/23), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF: 8. Quanto à omissão de rendimentos referente à Fonte Pagadora Rio de Janeiro Secretaria de Estado da Defesa Civil, verifica-se que, em sua defesa, o contribuinte limita-se a alegar que houve erro na informação do CNPJ 03.066.219/0001-81 em sua DAA do exercício de 2005, anexando o comprovante de rendimentos referente Fl. 36DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-004.778 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13707.003308/2008-67 à Fonte Pagadora CNPJ 28.176.998/0004-41, objeto da glosa por omissão de rendimentos. 9. Ocorre que em análise ao Comprovante de Rendimentos Pagos – ano base 2004, referente à Fonte Pagadora CNPJ 28.176.998/0004-41, documento de fls. 11, observa- se que não só o CNPJ está em desacordo com as informações lançadas no campo Rendimentos Recebidas de Pessoa Jurídica da DAA do exercício de 2005. Ou seja, todos os valores declarados na DAA estão em desacordo com os valores informados no comprovante acima citado. 10. Desta forma, constata-se que o Impugnante não se interessou em esclarecer de onde extraiu os valores informados em sua DAA. No entanto, atente-se para o fato de que, apesar de não ter sido impugnada a matéria referente à compensação indevida de IRRF, durante a intimação foram apresentados comprovantes do IRRF do Rio Previdência do Estado, conforme descrição dos fatos de fls. 8. Portanto, entendo estar demonstrado a existência de mais de uma fonte pagadora. Glosa mantida. (...) 12. A Receita Federal do Brasil não pode aceitar alegações desprovidas de provas em respeito, ainda, ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal. 13. Portanto, frente aos documentos e informações apresentados, tanto pela fiscalização como pelo sujeito passivo, constata-se a correção do procedimento fiscal, motivo pelo qual considero improcedente a impugnação e mantenho o imposto suplementar exigido no montante de R$ 5.365,58. Portanto, considerando que o Recorrente não logrou em demonstrar a incorreção da autuação, não há como desconstituir a presunção de veracidade da DIRF, ante da ausência de provas de eventual erro ou inidoneidade das informações nela lançadas, levando-se em conta que o informe de rendimentos trazido atesta efetivamente os valores tidos por omitidos, pagos no decorrer do ano-calendário de 2004. Ademais, nesta mesma linha, a matéria já se encontra pacificada e sumulada neste CARF: Súmula nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Assim, lastreado nas informações emitidas pela fonte pagadora Corpo de bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro/Governo do Estado do Rio de Janeiro (fls. 11 e 28) e à mingua de comprovação em contrário, indene de dúvida acerca da ocorrência de omissão de rendimentos – em decorrência da ausência de declaração no ano-calendário de 2004 dos rendimentos recebidos, no valor de R$ 26.075,06 com IRRF de R$ 582,26 – correto é procedimento fiscal, tudo em sintonia com a legislação de regência, razão pela qual mantenho o lançamento e o crédito tributário apurado. Por fim, vale registrar que a autuação rege-se por expressa determinação legal, sendo portanto, a atividade fiscal, vinculada e obrigatória, na exata dicção do art. 142 do CTN, competindo ao Fisco revisar da declaração de ajuste anual, calcular a exigência e constituir o crédito tributário ou ajustar o imposto a restituir declarado, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 37DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-004.778 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13707.003308/2008-67 Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento remanescente e as alterações decorrentes realizadas na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 38DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13136.720749/2021-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019
LANÇAMENTO FISCAL. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL.
A existência de segurados que prestam serviço em condições especiais e prejudiciais à saúde ou à integridade física obriga a empresa ao recolhimento do adicional para financiamento do benefício da aposentadoria especial, nos termos do art. 57, § 6o, da Lei nº 8.213/91 c/c art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212/91.
ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. PRÉVIA INSPEÇÃO "IN LOCO". DESNECESSIDADE. A legislação tributária não impõe a verificação "in loco" para a constatação da efetiva exposição dos empregados aos agentes nocivos, como requisito necessário, indispensável e prévio à constituição do crédito tributário relativo ao adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial.
AGENTE NOCIVO RUÍDO ACIMA DO LIMITE LEGAL. INEFICÁCIA DE UTILIZAÇÃO DE EPI. EXIGIBILIDADE DO ADICIONAL DE CONTRIBUIÇÃO. As empresas que tenham empregados expostos ao agente nocivo ruído acima dos limites de tolerância não têm elidida, pelo fornecimento de EPI, a obrigação de recolhimento da Contribuição Social para o Financiamento da Aposentadoria Especial.
Hipótese em que se aplica entendimento esposado na Súmula 9 da Turma Nacional dos Juizados Especiais Federais e de julgado do pleno do STF no ARE 664335, sessão 09/12/2014, em sede de Repercussão Gera
Numero da decisão: 2301-010.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wesley Rocha, que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Wesley Rocha. Entretanto, dentro do prazo regimental, o Conselheiro declinou intenção de apresenta-la, que deve ser considerada como não formulada, nos termos do §7º, do art.63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(documento assinado digitalmente)
João Mauricio Vital Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Joao Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Aug 19 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202307
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 LANÇAMENTO FISCAL. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. A existência de segurados que prestam serviço em condições especiais e prejudiciais à saúde ou à integridade física obriga a empresa ao recolhimento do adicional para financiamento do benefício da aposentadoria especial, nos termos do art. 57, § 6o, da Lei nº 8.213/91 c/c art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212/91. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. PRÉVIA INSPEÇÃO "IN LOCO". DESNECESSIDADE. A legislação tributária não impõe a verificação "in loco" para a constatação da efetiva exposição dos empregados aos agentes nocivos, como requisito necessário, indispensável e prévio à constituição do crédito tributário relativo ao adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial. AGENTE NOCIVO RUÍDO ACIMA DO LIMITE LEGAL. INEFICÁCIA DE UTILIZAÇÃO DE EPI. EXIGIBILIDADE DO ADICIONAL DE CONTRIBUIÇÃO. As empresas que tenham empregados expostos ao agente nocivo ruído acima dos limites de tolerância não têm elidida, pelo fornecimento de EPI, a obrigação de recolhimento da Contribuição Social para o Financiamento da Aposentadoria Especial. Hipótese em que se aplica entendimento esposado na Súmula 9 da Turma Nacional dos Juizados Especiais Federais e de julgado do pleno do STF no ARE 664335, sessão 09/12/2014, em sede de Repercussão Gera
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 13136.720749/2021-16
anomes_publicacao_s : 202308
conteudo_id_s : 6911815
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2301-010.636
nome_arquivo_s : Decisao_13136720749202116.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 13136720749202116_6911815.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wesley Rocha, que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Wesley Rocha. Entretanto, dentro do prazo regimental, o Conselheiro declinou intenção de apresenta-la, que deve ser considerada como não formulada, nos termos do §7º, do art.63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Joao Mauricio Vital (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2023
id : 10036599
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Aug 19 09:03:17 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1774647572241055744
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-11T11:36:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-11T11:36:16Z; Last-Modified: 2023-08-11T11:36:16Z; dcterms:modified: 2023-08-11T11:36:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-11T11:36:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-11T11:36:16Z; meta:save-date: 2023-08-11T11:36:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-11T11:36:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-11T11:36:16Z; created: 2023-08-11T11:36:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2023-08-11T11:36:16Z; pdf:charsPerPage: 2204; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-11T11:36:16Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13136.720749/2021-16 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-010.636 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2023 Recorrente FCA FIAT CHRYSLER AUTOMÓVEIS BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 LANÇAMENTO FISCAL. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. A existência de segurados que prestam serviço em condições especiais e prejudiciais à saúde ou à integridade física obriga a empresa ao recolhimento do adicional para financiamento do benefício da aposentadoria especial, nos termos do art. 57, § 6o, da Lei nº 8.213/91 c/c art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212/91. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. PRÉVIA INSPEÇÃO "IN LOCO". DESNECESSIDADE. A legislação tributária não impõe a verificação "in loco" para a constatação da efetiva exposição dos empregados aos agentes nocivos, como requisito necessário, indispensável e prévio à constituição do crédito tributário relativo ao adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial. AGENTE NOCIVO RUÍDO ACIMA DO LIMITE LEGAL. INEFICÁCIA DE UTILIZAÇÃO DE EPI. EXIGIBILIDADE DO ADICIONAL DE CONTRIBUIÇÃO. As empresas que tenham empregados expostos ao agente nocivo “ruído” acima dos limites de tolerância não têm elidida, pelo fornecimento de EPI, a obrigação de recolhimento da Contribuição Social para o Financiamento da Aposentadoria Especial. Hipótese em que se aplica entendimento esposado na Súmula 9 da Turma Nacional dos Juizados Especiais Federais e de julgado do pleno do STF no ARE 664335, sessão 09/12/2014, em sede de Repercussão Gera Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wesley Rocha, que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Wesley Rocha. Entretanto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 6. 72 07 49 /2 02 1- 16 Fl. 3327DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 dentro do prazo regimental, o Conselheiro declinou intenção de apresenta-la, que deve ser considerada como não formulada, nos termos do §7º, do art.63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Joao Mauricio Vital (Presidente). Relatório Trata-se de crédito lançado contra o contribuinte identificado em epígrafe, compreendendo contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho/RAT com acréscimo de 6%, incidentes sobre a remuneração recebida por segurados empregados, que trabalham sob atividade de risco com direito à aposentadoria com 25 anos de trabalho (cobrança de adicional sobre a GILRAT para financiamento de aposentadoria especial). Relata a fiscalização, fls. 15/20, que no exame dos documentos apresentados foi constatado o exercício de atividade em condições prejudiciais à saúde, qual seja, a exposição dos segurados empregados ao agente físico ruído, de forma não eventual, acima dos limites de tolerância, em diversos setores da matriz e filiais 0031-71, 0033-33 e 0036-86. O contribuinte tem por objeto social a fabricação e a comercialização de automóveis, camionetas e utilitários. Destaca a fiscalização que o adicional para concessão de aposentadoria especial de 6%, será financiado com os recursos provenientes da contribuição que trata o art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove, seis pontos percentuais, a teor do art. 57, § 6º, da Lei nº 8.213, de 1991 que transcreve. Ressalta a decisão do STF no Recurso Extraordinário com Agravo – ARE nº 664.335/SC, com repercussão geral reconhecida, cujo tema era o fornecimento de Equipamento de Proteção Individual/EPI como fator de descaracterização do tempo de serviço especial, e especificamente em relação ao agente ruído acima dos limites legais de tolerância, a Corte decidiu que ainda que a empresa apresente declaração de eficácia do EPI no âmbito do PPP, é devida a aposentadoria especial. Transcreve as teses firmadas no referido julgado. Cita e transcreve o art. 293, § 2º, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, cujo teor está em conformidade com a decisão da Suprema Corte. Fl. 3328DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 Ressalta que, bem antes da decisão do STF, o tema já se encontrava sumulado no âmbito da Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais, com a edição da Súmula nº 09 que transcreve. Apurou-se o adicional de 6% para financiamento das aposentadorias especiais dos trabalhadores expostos ao agente físico ruído, de forma não eventual, acima do Limite de Tolerância de 85 decibéis previsto na legislação vigente, através do levantamento no Demonstrativo de Apuração “Adicional de GILRAT para Financiamento da Aposentadoria Especial 25 anos - Empresas em Geral”. As bases de cálculo foram apuradas nas folhas de pagamento, sendo utilizados os LTCAT e PPRA’s apresentados de 2017 a 2019 da matriz e filiais 0031-71, 0033-33 e 0036-86, conforme planilhas em anexo. No item 15 do relatório fiscal a fiscalização discrimina a base de cálculo total por competência e estabelecimento. Aplicou-se a multa de ofício de 75% de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Os fundamentos legais para os débitos apurados, além dos citados no Relatório Fiscal, estão relacionados nos anexos. Impugnação Após ciência da autuação em 06/07/2021, por meio de sua caixa postal eletrônica, fl. 3.159, o contribuinte apresenta defesa, fls. 3.167/3.194, alegando em síntese o que segue: Aduz a tempestividade da impugnação e informa que a matéria objeto da impugnação não foi submetida a apreciação judicial. Discorre sobre os fundamentos da autuação e sobre a aposentadoria especial, afirmando que o lançamento se deu com base em fundamento exclusivamente jurídico, pela aplicação equivocada do entendimento do STF no julgamento do Agravo em Recurso Extraordinário/ARE nº 664.335/SC, não se pautando na avaliação “in locu” das condições do ambiente de trabalho na empresa. Sustenta como razão para o cancelamento do auto de infração, a inconsistência das razões de decidir utilizadas pelo STF quando do julgamento do ARE nº 664.335/SC, discorrendo sobre o contexto em que proposta a respectiva ação judicial, as razões apresentadas pelo INSS para negar o computo do tempo especial com base no EPI eficaz, a inexistência de prova pericial para verificar a eficácia do EPI ou o dano que o segurado pudesse ter sofrido, a decisão da turma recursal dos juizados especiais com fulcro na Súmula nº 09 da TNU, as teses firmadas pelo STF quando do julgamento do caso, concentrando-se a impugnação a rebater a segunda tese firmado no referido julgado. Passa a discorrer e questionar as premissas que fundamentaram o voto do ministro relator Luiz Fux, dentre estas, de que utilizou textos produzidos por advogados da área previdenciária e não de profissional médico especialista, que o único texto científico do Ministério da Saúde contradiz a tese firmada da impossibilidade do uso do EPI prevenir as lesões provocadas pelo ruído, concluindo ser questionável a decisão do STF quanto à consistência técnica de suas conclusões. Impossibilidade de se estender as conclusões do ARE nº 664.335/SC à atividade econômica realizada pela Impugnante Ainda que se pudesse dar validade científica aos estudos apresentados no referido julgado, a fiscalização deveria ter investigado a aplicação destes estudos ao setor econômico da contribuinte, ou seus estabelecimentos, não podendo ser estendidas as conclusões do julgado Fl. 3329DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 que tratou de atividades de usinagem em uma indústria de aço para todo e qualquer setor da economia como fez a fiscalização. Exemplifica a inconsistência acima apontada com o estabelecimento CNPJ nº 16.701.716/0036-86, onde são fabricados os veículos da marca JEEP, considerada a planta industrial mais moderna do país, não podendo se equiparar os efeitos do ruído nesta planta que possui certificado Word Class Manufacturing de melhor prática em produção industrial com o caso de uma mina em que há explosivos e trânsito de veículos de carga, tampouco se equiparar montadoras distintas, pois podem adotar soluções diversas quanto ao ambiente de trabalho e controle de agentes nocivos. Cita divergência de entendimento no próprio julgamento do ARE 664.335 apresentada pelo ministro Teori e ainda decisão no ARE 1.220.854, que não conheceu de Recurso Extraordinário de contribuinte que questionava a cobrança do adicional de SAT/RAT ao fundamento de que a questão sobre a eficácia ou não dos EPIs oferecidos dependiam exclusivamente de prova. Argumenta que não houve verificação fática dos EPIs e sua eficácia, não podendo se afirmar pela imprestabilidade dos Equipamentos fornecidos na eliminação da nocividade do ruído no ambiente de trabalho da impugnante, concluindo que o fisco entendeu pela regularidade e eficácia dos EPI, pois não houve questionamento a respeito, ainda que solicitados e apresentados os documentos. Pleiteia ao menos que seja levado em consideração o contexto fático do julgado do STF em comento, afastando a aplicação desse entendimento como uma “norma geral e abstrata” para sua atividade econômica. A questão jurídica tratada pelo STF no ARE n. 664.335/SC e suas razões de decidir não possuem reflexos automáticos/autônomos no Direito Tributário Sustenta que o entendimento do STF no ARE 664.335 não tem aplicação direta no Direito Tributário, pois não criou hipótese de incidência da contribuição adicional ao SAT/RAT, ou seja, que o adicional deva ser recolhido para todos os empregados expostos ao ruído superior ao limite legal, mesmo que utilizado o EPI, acrescentando que não existe uma vinculação direta entre o reconhecimento de um direito previdenciário a determinado indivíduo e a incidência do adicional do SAT/RAT sobre sua remuneração, como forma de custeio da aposentadoria especial que pode vir a ser concedida no futuro. Extrai suas conclusões oriundas da sistemática de organização do custeio da Previdência Social na Constituição de 1988, explanando sobre as fontes de custeio, a Lei nº 8.212/91 e o plano de benefícios, sendo que estes não possuem uma relação sinalagmática com as fontes de custeio da Previdência Social, discorrendo sobre a origem legislativa do adicional para custeio da aposentadoria especial, com a redação dada pela Lei nº 9.732/98, a criação do FAP com a Lei nº 10.666/2003. Argumenta que inexiste correlação entre a fonte de custeio tributário-previdenciária e o objetivo do benefício previdenciário concedido, e sendo assim, não é o reconhecimento de um direito à aposentadoria pelo Judiciário que obriga o empregador ao recolhimento do SAT/RAT adicional, ou seja, a concessão de aposentadoria especial não é hipótese de incidência da contribuição em comento, sendo o dever de recolher o tributo fundado somente na solidariedade do custeio. Menciona que tese semelhante a adotada pelo fisco, no sentido de que a concessão de um benefício está vinculada a uma fonte de custeio, restou afastada no julgamento do RE nº 661.256 (Tema nº 503 da repercussão geral) em que se discutia a constitucionalidade da proibição da desaposentação, transcrevendo a ementa do julgado. Fl. 3330DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 Assevera que o reconhecimento de uma nova forma de obtenção da aposentadoria especial (exposição ao agente ruído, acima de 85 dB, mesmo que utilizado EPI eficaz) não autoriza, de imediato, a criação de uma nova forma de custeio, ou seja, não é porque com o julgamento do STF todo trabalhador sujeito a ruído superior ao citado limite legal faça agora jus à aposentadoria especial, que o respectivo empregador tenha que passar a recolher o adicional, pois o sistema de custeio previdenciário não é sinalagmático. Extrai excertos dos votos no ARE nº 664.335/SC. Frisa que o reconhecimento da aposentadoria especial não levaria diretamente à necessidade do pagamento de adicional do SAT/RAT, pois, conforme excertos do referido julgado, os benefícios de aposentadoria especial concedidos daí em diante poderiam ser financiados pelas fontes de custeio já existentes (o SAT/RAT já regularmente pago pelos contribuintes). Destaca que, com a Reforma da Previdência Social instituída pela emenda Constitucional 103/2019, até que seja editada lei complementar os segurados que trabalhem expostos aos agentes nocivos não mais possuem o direito de se aposentar antecipadamente, devendo preencher o requisito da idade mínima, demonstrando que a contribuição do art. 57, § 6º, da Lei nº 8.213/91, é incompatível com o texto constitucional vigente, na medida em que não há mais distinção entre quando o segurado “especial” e o “comum” poderão se aposentar. Conclui pela improcedência da cobrança na medida em que não há correlação entre os benefícios concedidos e a contribuição recolhida, como vinculou o auto de infração. Necessidade de que a exigência do adicional em relação ao ruído seja criada por meio de lei Discorre sobre as modificações introduzidas pela Lei nº 9.732/98, instituindo o adicional para o custeio da aposentadoria especial e os formulários para a análise da concessão do benefício pelo INSS, cujo entendimento era de afastamento dos efeitos do agente nocivo ruído quando o segurado utilizasse o EPI, e mesmo após o julgamento do ARE 664.335/SC pelo STF, o INSS continua a análise quantitativa em relação ao agente ruído, conforme Manual de aposentadoria especial publicado em 10/08/2018, e no formulário específico há previsão de sua eliminação por EPI eficaz, conforme reproduz do formulário. Cita o art. 293, § 2º, da IN 971/09, que prevê a não incidência do adicional do SAT/RAT devido pelas empresas quando o segurado fizesse uso de EPI que reduzisse seu grau de exposição ao agente nocivo, alegando que não havia cobrança do adicional do SAT/RAT sobre a remuneração dos segurados expostos ao agente ruído com a utilização de EPIs eficazes, sendo o ruído tratado como agente quantitativo, nunca como qualitativo. Sustenta que a RFB está cobrando um novo tributo com a intepretação que atribuiu ao precedente firmado pelo STF no ARE nº 664.335/SC, ressaltando o princípio da legalidade e excerto de voto do ministro Teori Zavascki, no referido julgado, alertando sobre a distinção entre a relação de natureza previdenciária que estava sendo julgada distinta da relação tributária Aduz que o STF já afirmou que a revogação de uma isenção equivale a majoração de tributo e deve se respeitar o princípio da anterioridade tributária, assim como a limitação ao poder de tributar, impondo-se no caso o respeito a legalidade tributária. Conclui ser nulo o auto de infração por não possuir fundamento normativo válido. Subsidiariamente: necessidade de que a exigência do adicional em relação ao ruído seja criada por Decreto. Afirma não desconhecer que o STF em matéria tributária-previdenciária vem permitindo que atos infralegais complementem a lei em sentido estrito e orientem a sua aplicação pela Administração, citando o julgamento da constitucionalidade do SAT (RE nº 343.446/SC), porém o auto de infração carece de substrato normativo que ampare a exigência, pois no caso, era mandatória a edição de lei para exigir o adicional na presente hipótese, o que não ocorreu, Fl. 3331DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 não sendo bastante a edição de um Decreto, tampouco havendo modificação no Regulamento da Previdência Social para que fossem incorporados os “conceitos” firmados pelo STF quando do julgamento do ARE nº 664.335 na legislação. Cita a alteração do § 1º do artigo 64 do RGPS e inclusão do § 1ºA neste dispositivo pelo Decreto nº 10.410/20, conforme transcreve, não existindo qualquer ressalva quanto ao agente nocivo ruído e não servindo para a cobrança da exigência. Ainda subsidiariamente: a aplicação do art. 146 do CTN e a impossibilidade da retroação do entendimento apresentado no ADI nº 02 de 2019 Transcreve o Ato Declaratório Interpretativo nº 2, editado em 18 de setembro de 2019, cuja finalidade, conforme Anexo V, da Portaria RFB nº 20 de 2021, é de “interpretar dispositivos da legislação tributária e aduaneira, inclusive correlata, e uniformizar entendimento”. Observa que, se foi necessária a edição de um ato administrativo para vincular e orientar a atividade do Fisco, é porque a possibilidade de exigência tributária não estava fundamentada, somente a partir deste momento podendo ser exigida a contribuição, ressalvando a necessidade de publicação de Lei em sentido estrito e concluindo pela impossibilidade de retroação dos efeitos do referido Ato para períodos anteriores a sua vigência. Destaca o princípio da irretroatividade da Lei e a segurança jurídica, e disposições do artigo 146 do Código Tributário Nacional/CTN que proíbe a exigência de tributo em relação a fatos geradores pretéritos à introdução/modificação de um critério jurídico pelo Fisco. Pleiteia que sejam canceladas as exigências referentes a período anterior ao ADI nº 2/2019, ou o cancelamento das penalidades aplicadas, nos termos do parágrafo único do art. 100 (Subentende-se que se refere ao artigo 100 do Código Tributário Nacional/CTN). Do Pedido Requer ao final o cancelamento do auto de infração e subsidiariamente o cancelamento parcial com base no exposto no último tópico A DRJ , na análise de toda a documentação e argumentação juntada aos autos , manifestou o seu entendimento no seguinte sentido: Da Matéria não impugnada Da análise da impugnação apresentada, verifica-se que a impugnante não contesta expressamente a lista de segurados empregados discriminados pela fiscalização como expostos ao agente nocivo ruído acima de 85 dB(A) e respectivas remunerações que compuseram a base de cálculo do lançamento, conforme discriminado nas planilhas de fls. 21/2.350. De igual forma, não há impugnação sobre o enquadramento do grau de risco, bem assim, a alíquota aplicável a título de contribuição adicional. Cumpre ressaltar que as matérias não expressamente questionadas não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, considerando-se matéria preclusa nos termos do artigo 17 do Decreto no 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. Da Subsunção do Fato à Norma No preâmbulo e em vários trechos da peça de defesa, a impugnante tenta desqualificar o trabalho fiscal sustentando que o lançamento se deu com base em fundamento Fl. 3332DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 exclusivamente jurídico, de direito, pela aplicação equivocada do entendimento do STF no julgamento do Agravo em Recurso Extraordinário/ARE nº 664.335/SC, não se pautando na avaliação “in locu” das condições do ambiente de trabalho na empresa. Acrescenta que o relatório fiscal não se baseou em questão fática, ou seja, sobre a utilização ou não de EPI pelos funcionários da impugnante, ou ainda sobre a ineficácia dos equipamentos fornecidos para neutralizar os efeitos do ruído acima de 85 dB nos trabalhadores, não sendo apontadas pela fiscalização irregularidades nos documentos apresentados, LTCAT e PPRA, do que se entende pela conformidade destes. Equivocou-se a impugnante, pois consta sim do relatório fiscal a descrição dos fatos geradores da exação com subsunção do fato à norma aplicável, conforme item 4 do relatório. A fiscalização agiu de acordo com a previsão contida no artigo 292 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e as destinadas a outras entidades ou fundos, administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Deve-se esclarecer que a fiscalização verificou a subsunção dos fatos (encontrados na análise dos documentos apresentados) às normas de tributação relativas à contribuição adicional para custeio de aposentadoria especial decorrente de exposição habitual e permanente dos segurados empregados aos agentes nocivos, considerando os valores de exposição extraídos da documentação apresentada. O fundamento legal da exação, artigo 57, § 6º da Lei nº 8.213/91, foi citado e transcrito no item 5 do relatório fiscal. Ou seja, na concretude dos fatos estabeleceu-se a imposição ora exigida, sendo a decisão do STF citada a corroborar a aplicação do artigo 293, § 2º da Instrução Normativa RB nº 971/2009. Mais adiante será tratado especificamente sobre os Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva, mas por ora deve-se deixar claro que não houve apenas e simplesmente aplicação de uma tese jurídica encampada pelo STF, mas sim subsunção dos fatos às normas aplicáveis como será visto no tópico seguinte. A impugnante argumenta que não houve nenhuma avaliação “in loco” pela fiscalização das condições do ambiente de trabalho na empresa. Entretanto, tais alegações não podem prosperar, visto que para a constatação da efetiva exposição dos empregados aos agentes nocivos é perfeitamente válida a análise dos documentos oficiais relativos aos riscos ocupacionais. Segundo Maria Helena Diniz, documento é um instrumento escrito que juridicamente faz fé daquilo que atesta, qualquer escrito que tenha relevância jurídica, sendo prova documental. Fl. 3333DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 Os documentos coligidos aos autos pela fiscalização e que dão sustento ao lançamento estão subscritos por profissionais com competência legal para emiti-los, pois a teor do artigo 162 da Consolidação das Leis do Trabalho/CLT, as empresas estão obrigadas a manter Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho/SESMT, com profissionais obrigatoriamente especialistas2 na área, habilitados para a prestação de informações sobre os riscos e as medidas preventivas adotadas no ambiente de trabalho, conforme disposto na Norma Regulamentadora NR-4 do Ministério do Trabalho e Emprego, aprovada pela Portaria MTB n° 3.214/78, que, além disto, determina, em seu item 4.17, que referidos Serviços Especializados devem ser registrados nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho. No âmbito da fiscalização das contribuições previdenciárias, não há que se falar em inspeção do local do trabalho, uma vez que a ação fiscal se desenvolve pela análise das demonstrações ambientais, conforme previsão contida na Instrução Normativa RFB nº 971 De acordo com o artigo 288 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, cabe à Fiscalização da RFB verificar a regularidade e conformidade das demonstrações ambientais, dos controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, em especial o embasamento para a declaração de informações em GFIP, com o objetivo de verificar a integridade das informações do banco de dados do CNIS, alimentado pela GFIP, bem como a regularidade do recolhimento da contribuição prevista no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91 e da contribuição adicional prevista no § 6º do art. 57 da Lei nº 8.213/91. A Lei nº 8.213/91 fez previsão para a demonstração da exposição a agentes nocivos para fins de concessão de aposentadoria especial. Em consonância, o Regulamento da Previdência Social/RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, estabeleceu os documentos base para fins de comprovação da exposição dos segurados aos agentes nocivos. A Instrução Normativa INSS/PRES nº 45/2010 fez previsão quanto aos documentos de demonstração das condições de trabalho com base nas demonstrações ambientais. Como se vê, todos os normativos acima consideram os documentos PPRA, LTCAT, PPP, e demais laudos e avaliações ambientais suficientes e apropriados para a verificação da exposição do trabalhador a agentes nocivos que ensejam a concessão da aposentadoria especial, não se exigindo o comparecimento de um perito in loco para tal demonstração. E exatamente com base nestes normativos a fiscalização exigiu, dentre outros documentos, os LTCAT/PPRA/PPP nos Termos de Intimação, fls. 3.109/3.139 (Termos de 01 a 09), durante o procedimento fiscal. O lançamento fiscal tomou por base os documentos fornecidos pela própria autuada e subscritos pelos profissionais da área de segurança e medicina do trabalho, inclusive com Anotação de Responsabilidade Técnica como se observa dos LTCAT juntados (fl. 2.619, 2.746, 2.875). Do exposto, a fiscalização no local de trabalho como aventado pela impugnante, não é pressuposto básico para o lançamento fiscal das contribuições para o custeio da aposentadoria especial, estando este lastreado nos documentos fornecidos pela própria Fl. 3334DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 fiscalizada e citados no item 3 do relatório fiscal e juntados como anexos a este (item VIII “Dos Anexos”). Da Contribuição para custeio da Aposentadoria Especial O direito a um ambiente de trabalho saudável é preceito constitucional insculpido no inciso XXII, do art 7°, da Constituição Federal, que garante aos trabalhadores o direito à redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. A exposição a agentes que prejudiquem a saúde ou a integridade física (agentes nocivos), desde que de forma permanente, não ocasional nem intermitente, dá direito, a determinadas categorias de segurados do Regime Geral de Previdência Social/RGPS, à aposentadoria após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de trabalho. Para financiar a referida aposentadoria especial foi instituído pela Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, o adicional à contribuição do Seguro de Acidentes do Trabalho/SAT, mediante alteração do § 6º, do artigo 57, da Lei nº 8.213/1991. O legislador ordinário remeteu ao Poder Executivo a adoção de normas atinentes aos riscos ambientais no trabalho, bem como a relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou a associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na redação à época dos fatos geradores aqui discutidos, tratou da aposentadoria especial assim prescrevendo O Anexo IV, a que se refere o art. 68 do Regulamento da Previdência Social/RPS aponta, no código 2.0.1, aposentadoria especial aos 25 anos de exposição do trabalhador ao agente ruído a níveis superiores a 85 decibéis. No tocante ao limite de exposição, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores aqui discutidos, este é de 85 decibéis, ou seja, a exposição à Níveis de Exposição Normalizados (NEN) superiores a 85 dB (A) gera o direito a aposentadoria especial aos 25 anos, conforme a autoridade fiscal registra em seu relatório (item 13). Do Caso Concreto De acordo com o relatório fiscal, a atividade econômica principal da empresa é a fabricação e a comercialização de automóveis, camionetas e utilitários. No presente caso, a fiscalização constatou nos LTCAT apresentados, fls. 2.391/2.875, a exposição ao agente físico ruído, de forma não eventual, acima dos limites de tolerância, em diversos setores da matriz e filiais 0031-71, 0033-33 e 0036-86, que ensejam a concessão do benefício da aposentadoria especial. Segundo a impugnante o lançamento se consubstancia em premissas equivocadas, com base no julgamento em sede de Repercussão Geral proferido pelo STF no ARE 664.335, Fl. 3335DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 considerando que não haveria EPI eficaz no caso de exposição ao ruído acima dos limites de tolerância. Em que pese todo o arrazoado para afastar o lançamento, os argumentos da defesa não se sustentam, primeiro porque a materialidade da infração restou demonstrada com base nos documentos entregues pela própria fiscalizada, e não com base em tese jurídica como aventado, e nem precisaria contar com o julgado do STF, uma vez que em seus Laudos Técnicos está expresso que não há proteção efetiva do trabalhador exposto ao agente nocivo ruído, tampouco com o uso dos EPI. Constata-se nos LTCAT juntados, a exposição de trabalhadores de forma habitual e permanente a níveis de pressão sonora acima de 85 dB(A), exemplificando com o LTCAT 2017, fl. 2.522. Sendo assim, afasta-se o argumento da defesa quanto ao lançamento com base em tese jurídica e com falta de comprovação da infração, sendo a nocividade decorrente de prejuízos presumidos a higidez física e mental dos trabalhadores expostos ao agente nocivo ruído acima dos limites de tolerância, motivo pelo qual a Lei fez previsão da aposentadoria precoce do trabalhador aos vinte e cinco anos de exposição ao risco. Além disto, deve-se ressaltar que o uso dos EPI deve seguir a hierarquia das normas de proteção, conforme previsto na normatização estabelecida no âmbito do Ministério do Trabalho. Os procedimentos que garantem o adequado controle do ambiente de trabalho estão insertos nas Normas Regulamentadoras veiculadas pela Portaria nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho, em consonância com o disposto no Título V da CLT “Da Segurança e da Medicina do Trabalho” cuja observância demonstra o cuidado da empresa para com o ambiente de trabalho em suas dependências. Conforme leciona Sebastião Geraldo de Oliveira, na questão relativa a saúde e segurança do trabalhador todas as normas são cogentes ou de ordem pública, não dispondo as partes de liberdade alguma para ignorar ou disciplinar de forma diversa os preceitos estabelecidos, a não ser para ampliar a proteção mínima estabelecida. A Norma Regulamentadora/NR nº 9 que trata do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, em especial em seu tem item 9.3.5, prescreve as medidas de controle que devem ser adotadas com o objetivo de eliminar, minimizar ou controlar os riscos no ambiente de trabalho. Ou seja, o uso tão somente de equipamentos de proteção individual não é garantia de proteção, devendo haver um conjunto de medidas para tal, conforme determina a Norma Regulamentadora NR-09, em seu item 9.3.5, que estabelece hierarquia de medidas de proteção, sendo o uso de EPI a última alternativa no rol de medidas. A mesma Norma Regulamentadora prevê que quando comprovada pelo empregador, a inviabilidade técnica da adoção de medida de proteção coletiva, ou o fato desta não se tornar suficiente ou se encontrar em fase de estudo, planejamento ou implantação, Fl. 3336DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 deverão ser adotadas outras medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho, e por último a utilização de equipamentos de proteção individual/ EPI. No presente caso, a fiscalizada expressamente reconhece que as medidas administrativas, organizacionais e coletivas não são suficientes, determinado a utilização de EPI durante todo tempo de permanência na área produtiva. Rememorando e transcrevendo: “não são suficientes para reduzir os níveis de pressão sonora aos parâmetros legais”. No âmbito da legislação de custeio previdenciário, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, trata da matéria relativa ao risco do ambiente de trabalho e cumprimento de obrigações acessórias nos arts. 288 a 296 e, no que diz respeito à contribuição e ao uso de EPI. Ocorre que de acordo com o disposto no § 2º do art. 293 da IN RFB nº 971, de 2009, a não incidência da contribuição adicional dar-se-á tão somente quando se tratar da adoção de medidas de proteção coletiva ou individual que efetivamente neutralizem ou reduzam o grau de exposição do trabalhador a níveis legais de tolerância, de forma que afaste a concessão da aposentadoria especial. Não é esse, contudo, o caso do uso de equipamento de proteção individual quando da exposição ao agente nocivo ruído (protetores auriculares), cuja adoção, ainda que elimine a insalubridade, não descaracteriza o tempo de serviço especial prestado, conforme já definido pela vetusta Súmula nº 9 da Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais/TNU, não afastando, dessa forma, a concessão da aposentadoria especial. Apesar de todas as críticas da impugnante ao julgado do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário com Agravo ARE nº 664.335/SC, este somente veio a corroborar o assunto tratado na Súmula nº 9 (Tema STF nº 555 – Fornecimento de Equipamento de Proteção Individual – EPI como fator de descaracterização do tempo de serviço especial) e decidiu especificamente quanto ao agente nocivo ruído, que, apesar de o uso de Equipamento de Proteção Individual reduzir a agressividade do ruído a um nível tolerável, até no mesmo patamar da normalidade, a potência do som em tais ambientes causa danos ao organismo que vão muito além daqueles relacionados à perda das funções auditivas. Conforme apontado pela fiscalização, o Supremo Tribunal Federal apreciou o assunto (tratado na Súmula nº 9), no Tema STF 555 – Fornecimento de Equipamento de Proteção Individual – EPI como fator de descaracterização do tempo de serviço especial e decidiu especificamente quanto ao agente nocivo ruído O referido julgamento, ocorrido sob a égide da sistemática da repercussão geral, sedimentou o entendimento de que, em se tratando de determinados fatores de nocividade, nem mesmo a comprovação de que foram fornecidos e usados EPIs, com redução do potencial de risco da atividade aos limites normativos de tolerância é capaz de neutralizar os efeitos nocivos à saúde do trabalhador a longo prazo. Diante da referida decisão com repercussão geral é forçoso que se reconheça que as empresas que tenham empregados expostos ao agente nocivo “ruído” acima dos limites de exposição não têm elidida pelo fornecimento de EPI a obrigação de recolhimento da Contribuição Social para o Financiamento da Aposentadoria Especial. Fl. 3337DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 E este fato foi verificado nos laudos técnicos (assinados por especialista da área e com Anotação de Responsabilidade Técnica/ART) apresentados pela impugnante. Além disto, nos PPP juntados por amostragem, constata-se exatamente a conduta usual das empresas para se eximir do recolhimento do adicional para custeio da aposentadoria especial, ao informar que o EPI é eficaz, conforme consta do item15.6 dos PPP, afirmação que no âmbito de julgamento pelo STF em sede de Repercussão Geral foi afastada. Exemplifico com o PPP de Arlindo Donizete da Silva, estabelecimento matriz, fls. 2.896/2.904: Desta forma, não verifico qualquer ilegalidade no procedimento fiscal, pois depreende-se, com base nos dispositivos legais acima transcritos (especialmente a Lei nº 8.213/1991, Regulamento da Previdência Social/RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 e Instrução Normativa RFB nº 971/2009) que há um pressuposto básico a ser considerado para a subsunção dos fatos à norma do § 6º, do artigo 57 da Lei nº 8.213, qual seja, se a atividade exercida pelo segurado permitir a concessão de aposentadoria especial, o adicional também será devido. Novamente transcrevo o § 6º, do artigo 57 da Lei nº 8.213/91 O §1º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social é claro ao estabelecer que ocorre o acréscimo da alíquota se a atividade ensejar a concessão de aposentadoria especial, além de a IN RFB nº 971/2009 estabelecer que não haveria a incidência da contribuição adicional, diante de medidas protetivas que neutralizassem ou reduzissem o grau de exposição do trabalhador a níveis legais de tolerância, de forma a afastar a concessão da aposentadoria especial, o que não ocorre no presente caso em relação ao agente nocivo ruído acima dos limites de tolerância. Trata-se de interpretação de todo o arcabouço que rege a legislação previdenciária, sendo a questão de fundo: o segurado empregado trabalhou exposto a Níveis de Exposição Normalizados/NEN superiores a 85 dB(A) que enseja a concessão da aposentadoria especial como prevê o artigo 57, § 6º da Lei nº 8.213/91, artigo 68, § 3º, artigo 202, § 1º e Anexo IV, todos do Regulamento da Previdência Social ? Se sim, os equipamentos de proteção individual/EPI irão afastar a futura concessão de aposentadoria especial? No caso do ruído, Não! Mesmo que o fornecimento dos protetores auriculares estivesse regular, em número suficiente para atenuar a quantidade de ruído, e ainda que os empregados tenham recebido treinamento para utilizarem os protetores auriculares e que esses tivessem Certificados de Aprovação, por várias razões esses EPI podem não ter proporcionado a esses trabalhadores a atenuação registrada nos respectivos documentos de especificação. Apenas para citar alguns exemplos dessas razões: os trabalhadores podem não tê-los utilizado em todo o período de exposição ao ruído; ainda que deles fazendo uso, os trabalhadores podem não tê-los colocado da forma correta; ou, mesmo dentro do seu prazo de validade, os protetores auriculares utilizados poderiam estar deteriorados pelo uso e manipulação. Portanto, o registro das atenuações proporcionadas pelos protetores auriculares é uma expectativa e não uma comprovação. Neste ponto, vale atentar os Laudos Técnicos a observação feita em relação aos EPI (abafador de ruído tipo concha, protetor auricular e auditivo), fl.2.394. Fl. 3338DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 A respeito do uso dos EPI no caso do agente nocivo ruído acima dos limites de exposição, veja-se o comentário a Súmula nº 09 da Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais feito por João Batista Lazzari, disponível na página eletrônica da Justiça Federal, Conselho de Justiça Federal. Sendo assim, no caso do agente ruído não há comprovação efetiva que os danos serão atenuados ou neutralizados, pois os efeitos da exposição acima dos níveis de tolerância são sentidos além do sistema auditivo, como já sedimentado na jurisprudência. Colaciono a respeito excertos de recente julgado do TRF da 3ª Região, que consolida o entendimento até agora explanado. A impugnante refuta o entendimento do STF no julgamento do ARE nº 664.335/SC. No tocante as duas primeiras questões, descabe a esta instância administrativa afastar decisões de ordem constitucional, máxime questão levada a Repercussão Geral e com trânsito em julgado em 06/03/2015. Ainda que a impugnante entenda que a conclusão do referido julgado - quanto a ineficácia do EPI no caso do agente nocivo ruído e consequente inafastabilidade da atividade especial - não se aplique às atividades econômicas de sua indústria, tal questão por ter sido submetida a Repercussão Geral por si só gera seus efeitos com eficácia erga omnes, uniformizando a interpretação constitucional a respeito. Lembrando que a disciplina da Repercussão Geral vem do artigo 102, § 3º da Constituição Federal Em suma, sendo o STF a instância máxima de decidir questões de ordem constitucional, nada há que se discutir neste tópico, levando-se em conta que descabe a esta instância administrativa afastar decisões de ordem constitucional. Quanto aos reflexos da decisão do Tema 555 de Repercussão Geral no âmbito do Direito tributário, como já dito anteriormente neste voto, referido julgado somente veio a consolidar e reforçar o entendimento esposado na Súmula nº 9 da TNU, quanto a ineficácia do EPI para afastar a condição de atividade especial, no caso do agente nocivo ruido. Os dispositivos legais para a exigência do adicional para custeio da aposentadoria especial já existiam bem antes da consolidação do Tema 555 no STF. O Recorrente alega também que o Tema 555, com repercussão geral, controle difuso e sem modulação dos efeitos, somente passou a valer em 2015. E apenas em 2019 foi que a Receita Federal passou a efetuar essa cobrança, em decorrência do Ato Declaratório RFB 02/2019. Diante disso, salienta o Recorrente que o contribuinte não pode ser prejudicado, sendo compelido a recolher uma contribuição “retroativa”, pois essa cobrança violaria em absoluto a segurança jurídica. Em relação ao quarto e quinto questionamento, ja foram declinados neste voto os dispositivos legais e normativos que regem a contribuição para o custeio da aposentadoria especial, quais sejam, artigo 57, § 6º da Lei nº 8.213/91, artigo 68, § 3º, artigo 202,§ 1º e Anexo IV, todos do Regulamento da Previdência Social, sendo infundado o argumento de necessidade de criação por Lei ou regulamentação por Decreto para a exigência do adicional para o custeio da aposentadoria especial, lembrando que Lei é norma geral e abstrata aplicável ao caso concreto. Fl. 3339DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 Por fim, a impugnante menciona o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 2, de 18 de setembro de 2019 (DOU de 23/09/2019, seção 1, página 47), cujo teor transcrevo: Segundo a impugnante “se foi necessária a edição de um ato administrativo para vincular e orientar a atividade do Fisco, é porque a possibilidade de exigência tributária não estava fundamentada”, e arremata “somente a partir deste momento que surge uma regra escrita dizendo que o adicional do SAT/RAT deve ser recolhido mesmo em casos como o presente” Cita o artigo 146 do Código Tributário Nacional, que proíbe a exigência de tributo em relação a fatos geradores pretéritos à introdução/modificação de um critério jurídico pelo Fisco, pleiteando .que sejam canceladas as exigências que se refiram ao período anterior à publicação do ADI nº 2 de 2019, ou, então, o cancelamento das penalidades aplicadas, nos termos do parágrafo único do art.100 do CTN. Não assiste razão à impugnante. Primeiro que não houve criação de tributo, tampouco qualquer mudança de critério jurídico, pois o que o referido ADI afirma é que devem ser afastadas as conclusões ao contrário do § 2º do art. 293 da Instrução Normativa RFBnº 971/2009 proferidas em sede de Soluções de Consulta. Ou seja, ratifica-se o teor do disposto no § 2º do art. 293 da referida Instrução Normativa, e só! Repise-se, o artigo 57, § 6º, da Lei nº 8.213/91, o § 1º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social já disciplinavam a exigência do tributo em relação aos segurados expostos a agentes nocivos que ensejam a concessão da aposentadoria especial. Em relação a imposição da penalidade, a impugnante requer seu afastamento com base no parágrafo único do artigo 100 do CTN. Deve-se esclarecer que a imposição da multa de ofício decorre da aplicação do disposto no artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, e artigo 44 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcritos, que determinam a imposição de penalidade quando do lançamento de ofício pela falta de recolhimento e falta de declaração ou declaração inexata do tributo devido: Conforme se verifica dos dispositivos acima, indicados no Demonstrativo do Débito, a multa foi aplicada de acordo com a Lei, não havendo qualquer norma complementar criando obrigações ou penalidades. Não há, portanto, como se afastar a multa decorrente de imposição legal. Assim, seja sob o aspecto da formalização do lançamento fiscal (indicação das razões de fato e de direito que embasam o lançamento), seja quanto à comprovação da exigibilidade da contribuição (adicional para custeio da aposentadoria especial em relação a trabalhadores submetidos a ruído em nível superior a 85 decibéis), o lançamento fiscal deve ser mantido. Ante a todo o exposto, vota a DRJ e julgá-la improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte segue sustentando o quanto alegado anteriormente, rogando seja afastado o credito tributário lançado. É o relatório do essencial. Fl. 3340DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 Voto Conselheira Fernanda Melo Leal, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Logo de início merece ser afirmado que as matérias não expressamente questionadas não foram nem serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, considerando-se matéria preclusa nos termos do artigo 17 do Decreto no 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. Pois bem. Entendo que equivocou-se a Recorrente em afirmar qualquer nulidade ou lacuna na presente autuação eis que consta do relatório fiscal a descrição dos fatos geradores da exação com subsunção do fato à norma aplicável, conforme item 4 do relatório. Ou seja, na concretude dos fatos estabeleceu-se a imposição ora exigida, sendo a decisão do STF citada a corroborar a aplicação do artigo 293, § 2º da Instrução Normativa RB nº 971/2009. A Lei nº 8.213/91 fez previsão para a demonstração da exposição a agentes nocivos para fins de concessão de aposentadoria especial. Em consonância, o Regulamento da Previdência Social/RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, estabeleceu os documentos base para fins de comprovação da exposição dos segurados aos agentes nocivos. Todos os normativos consideram os documentos PPRA, LTCAT, PPP, e demais laudos e avaliações ambientais suficientes e apropriados para a verificação da exposição do trabalhador a agentes nocivos que ensejam a concessão da aposentadoria especial, não se exigindo o comparecimento de um perito in loco para tal demonstração. No tocante ao limite de exposição, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores aqui discutidos, este é de 85 decibéis, ou seja, a exposição à Níveis de Exposição Normalizados (NEN) superiores a 85 dB (A) gera o direito a aposentadoria especial aos 25 anos, conforme a autoridade fiscal registra em seu relatório (item 13). No presente caso, a fiscalização constatou nos LTCAT apresentados, fls. 2.391/2.875, a exposição ao agente físico ruído, de forma não eventual, acima dos limites de tolerância, em diversos setores da matriz e filiais 0031-71, 0033-33 e 0036-86, que ensejam a concessão do benefício da aposentadoria especial. Em que pese todo o arrazoado para afastar o lançamento, os argumentos da defesa não se sustentam, primeiro porque a materialidade da infração restou demonstrada com base nos documentos entregues pela própria fiscalizada, e não com base em tese jurídica como aventado, e nem precisaria contar com o julgado do STF, uma vez que em seus Laudos Técnicos está expresso que não há proteção efetiva do trabalhador exposto ao agente nocivo ruído, tampouco com o uso dos EPI. Fl. 3341DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 Constata-se nos LTCAT juntados, a exposição de trabalhadores de forma habitual e permanente a níveis de pressão sonora acima de 85 dB(A), exemplificando com o LTCAT 2017, fl. 2.522. Ou seja, o uso tão somente de equipamentos de proteção individual não é garantia de proteção, devendo haver um conjunto de medidas para tal, conforme determina a Norma Regulamentadora NR-09, em seu item 9.3.5, que estabelece hierarquia de medidas de proteção, sendo o uso de EPI a última alternativa no rol de medidas. De acordo com o disposto no § 2º do art. 293 da IN RFB nº 971, de 2009, a não incidência da contribuição adicional dar-se-á tão somente quando se tratar da adoção de medidas de proteção coletiva ou individual que efetivamente neutralizem ou reduzam o grau de exposição do trabalhador a níveis legais de tolerância, de forma que afaste a concessão da aposentadoria especial. Não é esse, contudo, o caso do uso de equipamento de proteção individual quando da exposição ao agente nocivo ruído (protetores auriculares), cuja adoção, ainda que elimine a insalubridade, não descaracteriza o tempo de serviço especial prestado, conforme já definido pela vetusta Súmula nº 9 da Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais/TNU, não afastando, dessa forma, a concessão da aposentadoria especial. O Supremo sedimentou o entendimento de que, em se tratando de determinados fatores de nocividade, nem mesmo a comprovação de que foram fornecidos e usados EPIs, com redução do potencial de risco da atividade aos limites normativos de tolerância é capaz de neutralizar os efeitos nocivos à saúde do trabalhador a longo prazo. E este fato foi verificado nos laudos técnicos (assinados por especialista da área e com Anotação de Responsabilidade Técnica/ART) apresentados pela Recorrente. Neste ponto, vale uma breve reflexão sobre segurança jurídica x posicionamento do Supremo ao longo do tempo. Utilizo-me do racional e reflexão feita pelo professor mestre Sergio André Rocha. A defesa intransigente da segurança jurídica do contribuinte contra o potencial arbítrio estatal faz com que não haja muito espaço para se sustentar um dever moral do contribuinte de pagar tributos. O foco na legalidade juntamente com o almejado fechamento conceitual, não deixa brecha para que se cogite de deveres tributários que não tenham estrito fundamento jurídico-positivo. Ou seja, a tipicidade cerrada se mostra ao longo do tempo uma terra prometida inalcançável, que se enunciou sem qualquer preocupação em assegurá-la. Portanto, a defesa inconteste do fechamento e da determinação, desacompanhada de uma teoria da indeterminação, paradoxalmente foi um dos maiores inimigos da segurança jurídica que buscava assegurar. Desejou-se o inalcançável, sem pavimentar a estrada do possível. A realidade prova que, feliz ou infelizmente, os textos normativos tributários estão povoados de conceitos indeterminados. É inevitável que se reconheça certa indeterminação dos termos utilizados nos textos normativos. Fl. 3342DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 Portanto, podemos estabelecer como premissa que, por mais que se afirme que os textos normativos devem ser determinados, a indeterminação é, até certa medida, inevitável. Saliente-se que a indeterminação jamais foi fundamento para a declaração de inconstitucionalidade de um texto legal. A afirmação de que haveria um dever de fechamento conceitual não traz qualquer consequência concreta. Se a utilização de conceitos determinados é ou deve ser um dever do legislador, é certamente um dever cuja infração não atrai a imposição de qualquer sanção. A compreensão das origens da teoria da tipicidade cerrada e segurança jurídica inviolável é relevante, não só por descortinar suas deficiências, mas também por posicioná-la historicamente. Foi uma doutrina que embarcou no Estado Novo português e aportou no Brasil em plena ditadura militar. Ou seja, é uma teoria que nasceu e se desenvolveu nos marcos de regimes de exceção, sendo relevantíssimo o aprofundamento da análise da correlação entre a teoria e seu contexto histórico. Feitas estas considerações, merece aqui ponderar o questionamento do Recorrente no sentido de que haveria completa insegurança jurídica e ausência de razoabilidade em se cobrar a aposentadoria especial neste contexto. Aduz que o posicionamento do STF sobre o tema 555 foi consolidado apenas em 2015, e o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) nº 2 da Receita Federal foi consolidado tão somente em setembro de 2019. Assim, seria temerosa a cobrança fiscal em apreço, pois a contribuinte não teria como prever tal necessidade de recolhimento. Ouso discordar. Primeiramente porque, antes mesmo da consolidação do tema 555 do STF, já havia determinação legal sobre o tema, deixando claro os riscos envolvidos com a exposição aos ruídos. Em 2015, o STF consolidou o seu posicionamento, com repercussão geral, evidenciando a necessidade do pagamento da aposentadoria especial quando se apresentassem as circunstancias descritas nos autos (exposição ao ruído acima do limite estabelecido em norma). Ou seja, mais uma afirmativa da necessidade da provisão e pagamento da multi mencionada aposentadoria. Em 2019 a Receita Federal apenas formalizou o entendimento. Porém, tendo em vista que não houve qualquer modulação de efeitos na decisão do Supremo, e que , como refletido acima, a segurança jurídica atual deve ser vista de forma totalmente diferente daquela em que se originou (cerrada e absoluta), não há qualquer arbitrariedade na cobrança em análise. Além disto, nos PPP juntados por amostragem, constata-se exatamente a conduta usual das empresas para se eximir do recolhimento do adicional para custeio da aposentadoria especial, ao informar que o EPI é eficaz. Mesmo que o fornecimento dos protetores auriculares estivesse regular, em número suficiente para atenuar a quantidade de ruído, e ainda que os empregados tenham recebido treinamento para utilizarem os protetores auriculares e que esses tivessem Certificados de Aprovação, por várias razões esses EPI podem não ter proporcionado a esses trabalhadores a atenuação registrada nos respectivos documentos de especificação. Fl. 3343DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2301-010.636 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13136.720749/2021-16 Apenas para citar alguns exemplos dessas razões: os trabalhadores podem não tê-los utilizado em todo o período de exposição ao ruído; ainda que deles fazendo uso, os trabalhadores podem não tê-los colocado da forma correta; ou, mesmo dentro do seu prazo de validade, os protetores auriculares utilizados poderiam estar deteriorados pelo uso e manipulação. Portanto, o registro das atenuações proporcionadas pelos protetores auriculares é uma expectativa e não uma comprovação. Por fim, quanto à multa, a sua imposição decorre da aplicação do disposto no artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, e artigo 44 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcritos, que determinam a imposição de penalidade quando do lançamento de ofício pela falta de recolhimento e falta de declaração ou declaração inexata do tributo devido. De acordo com o Demonstrativo do Débito, a multa foi aplicada de acordo com a Lei, não havendo qualquer norma complementar criando obrigações ou penalidades. Não há, portanto, como se afastar a multa decorrente de determinação legal, Assim, baseando-se nas argumentações e documentações apresentadas ao longo dos autos do presente processo, entendo que deve ser NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 3344DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11684.721655/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2013
MULTA POR RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INAPLICABILIDADE. COSIT 02/2016.
A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Numero da decisão: 3301-012.818
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas no recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para anular o crédito tributário lançado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.810, de 29 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10711.728428/2013-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Júnior, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Juciléia de Souza Lima (Relatora).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Aug 19 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202306
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2013 MULTA POR RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INAPLICABILIDADE. COSIT 02/2016. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 11684.721655/2013-12
anomes_publicacao_s : 202308
conteudo_id_s : 6914817
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3301-012.818
nome_arquivo_s : Decisao_11684721655201312.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
nome_arquivo_pdf_s : 11684721655201312_6914817.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas no recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para anular o crédito tributário lançado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.810, de 29 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10711.728428/2013-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Júnior, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Juciléia de Souza Lima (Relatora).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2023
id : 10041040
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Aug 19 09:03:21 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1774647572271464448
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-16T20:57:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-16T20:57:04Z; Last-Modified: 2023-08-16T20:57:04Z; dcterms:modified: 2023-08-16T20:57:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-16T20:57:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-16T20:57:04Z; meta:save-date: 2023-08-16T20:57:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-16T20:57:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-16T20:57:04Z; created: 2023-08-16T20:57:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2023-08-16T20:57:04Z; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-16T20:57:04Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11684.721655/2013-12 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-012.818 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2023 Recorrente COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2013 MULTA POR RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INAPLICABILIDADE. COSIT 02/2016. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas no recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para anular o crédito tributário lançado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.810, de 29 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10711.728428/2013-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 72 16 55 /2 01 3- 12 Fl. 200DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-012.818 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.721655/2013-12 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Júnior, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Juciléia de Souza Lima (Relatora). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de auto de infração pela retificação de informações no SISCOMEX relativos à lavratura de auto de infração nos artigos 37,§ 2° e 107, IV “e” do Decreto-Lei n° 37/66 com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, e com a regulamentação da IN-SRF n° 28/94. Intimada da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente apresentou impugnação perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a qual considerou improcedente a defesa apresentada pela Recorrente. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário perante este Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais, em breve síntese, alegando que: i) Ilegitimidade passiva para responder pela infração; ii) Nulidade do acórdão por ausência de fundamentação legal; iii) Ausência de infração para aplicação da sanção; e iv) Requer a aplicação do instituto da denúncia espontânea. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: DA ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido. Ante a arguição de preliminares prejudiciais de mérito que, caso acolhidas, podem impedir o conhecimento das demais matérias aventadas no presente recurso, passo a apreciá-las. Fl. 201DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-012.818 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.721655/2013-12 DAS PRELIMINARES Da Concomitância É de conhecimento desta Relatora da tramitação do Agravo de Instrumento nº 0005763.26.2014.4.01.0000, vinculado ao processo principal nº 0065914.74.2013.4.01.3400 em trâmite perante a 22ª Vara Cível da Justiça Federal de Brasília/DF- da 1ª Região, proposta pela Centro Nacional de Navegação Transatlantica- CNNT. Primeiro, é incontroverso que a Recorrente pertence ao rol de associados da CNNT, a qual ingressou com a demanda coletiva- Ação Anulatória de lançamento de débito fiscal. Nessa situação, a associação, em ação plúrima, age em substituição processual para defesa de direito individual homogêneo- direito subjetivo individual aludido no inciso XXI do artigo 5º da Constituição Federal nos seguintes termos: “As entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente”. Entretanto, o fato de a Recorrente integrar a associação em comento, entendo que, por si só, não é passível de gerar concomitância entre a lide judicial e o objeto do presente processo administrativo dado que embora a lei processual confira às entidades de classe a faculdade de poderem representar os seus filiados na condição de substitutas processuais, no presente caso, a mera propositura da medida judicial não manifesta a sua concordância com a propositura daquela ação. Ainda, se no processo administrativo manifesta, expressamente, a Recorrente o seu interesse de agir- para socorrer a sua pretensão individual, tal manifestação consubstancia-se na melhor forma para optar pelo seu direito à continuidade da presente demanda e a afastar os possíveis efeitos de validade da medida judicial coletiva. Segundo, no que pese o presente caso tratar-se da eficácia subjetiva das sentenças proferidas nas ações propostas por entidade associativa, é mister registrar que, em sede de repercussão geral, o tema já foi objeto de análise no Supremo Tribunal Federal no RE 1.101.937/SP. A eficácia subjetiva das sentenças proferidas nas ações propostas por entidade associativa já foi objeto de análise, em sede de repetitivos, por mais de uma vez perante o STF, sendo que, a tese do Tema 499 já está superada- a qual entendeu por delimitar a eficácia subjetiva das ações coletivas aos limites territoriais de jurisdição do órgão julgador. Hoje, o STF ao decidir o RE 1.101.937/SP fixou o entendimento que a eficácia subjetiva das ações coletivas não se restringe aos limites da Fl. 202DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-012.818 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.721655/2013-12 competência territorial do órgão julgador, por isso, aqui torna-se indiferente, o foro da ação proposta pela Recorrente. Pois como é sabido, a associação postula a tutela de direitos individuais homogêneos (divisíveis, disponíveis, pertencentes a titulares determinados), daí, no tocante a extensão subjetiva da eficácia da sentença e respectiva coisa julgada, qualquer que seja o rótulo dado à ação pelo autor não é capaz de restringir-se aos limites da competência territorial do órgão julgador em observância ao decidido, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal no RE 1.101.937/SP (Tema 1075/STF). Por isso, voto por afastar a concomitância entre a lide judicial colacionada pela Recorrente e o objeto do presente processo administrativo. Da Ilegitimidade Passiva- Da impossibilidade de aplicar pena ao agente marítimo Alega a Recorrente que o julgador de piso deixou de examinar a preliminar de ilegitimidade passiva, todavia, não é o que se extrai do acórdão recorrido (e-fls. 317): No presente caso, não há que se falar em infrações continuadas, pois a imputação da penalidade levou em consideração cada informação prestada de forma intempestiva, portanto, configurando-se descumprimento de obrigações distintas por conhecimento de embarque. Dessa forma, a multa não é aplicada por veículo. No caso concreto, a autuada é parte legítima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que, na qualidade de AGENTE DE NAVEGAÇÃO, é a agência responsável pela prestação de informações prevista no art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto-lei nº 37/66. A ratificar o acórdão recorrido, alega a Recorrente que seria agente marítima e mera mandatária mercantil da armadora/transportadora, de forma que seria parte ilegítima para figurar no pólo passivo da digitada autuação. Todavia, ratifico o entendimento do julgador de piso, tomo como ponto de partida a análise da antiga Súmula nº 192/TFR1, cabendo esclarecer que, no presente caso não se discute responsabilidade do agente marítimo pelo Imposto de Importação, mas por infração pelo descumprimento de obrigação acessória autônoma, e ainda que assim fosse, tal Súmula restou superada por legislação superveniente que alterou a redação original do art. 32 do Decreto-lei nº 37/62, a qual passou a prever a responsabilidade do representante do transportador estrangeiro, redação esta dada pelo Decreto-lei nº 2.472/88, e, depois alterada pela Medida Provisória nº Fl. 203DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-012.818 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.721655/2013-12 2.158-35/2001, restando superada a Súmula em comento pela legislação superveniente. Para se verificar a autoria da infração cometida pelo descumprimento de prazo estabelecido pela Receita Federal, tipificada no art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei n° 37/66 com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, o que importa saber é quem tinha a obrigação de prestar a determinada informação sobre o veículo ou carga nele transportada. Tratando-se de obrigação prevista no art. 37 da IN SRF nº 28/94, ela deveria ser adimplida pelo “transportador”, que poderia sofrer as consequências de seu descumprimento, contudo, em se tratando de transportador estrangeiro, pode também o seu representante legal no País responder pela infração, nos termos do art. 95, I do Decreto-lei nº 37/66, eis que concorreu para a infração, pois é cadastrado perante à Unidade da RFB para execução dos atos de responsabilidade do transportador estrangeiro e é quem efetivamente registra os dados de embarque das mercadorias exigido pela IN SRF nº 28/94. Ademais, nos termos do art. 4º, da IN/SRF nº 800, de 28 de dezembro de 2007, as agências marítimas são as representantes da empresa de navegação estrangeira no país. Art. 4º- A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. §1º- Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. §2º- A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. §3º- Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º- As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. Por sua vez, o parágrafo único, inciso II, do art. 32, do Decreto-Lei nº 37/66 dispõe que é responsável solidário pelo imposto “o representante, no país, do transportador estrangeiro”. Art . 32. É responsável pelo imposto: I - o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II - o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário: (...) b) o representante, no País, do transportador estrangeiro. Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) (...) II - o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) Fl. 204DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-012.818 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.721655/2013-12 Portanto, não resta dúvida quanto à responsabilidade passiva da Recorrente, devendo ser rejeitada a presente preliminar de mérito. Da nulidade do acordão recorrido por ausência de fundamentação legal Alega a Recorrente que o “decisum” é manifestamente nulo por ausência de motivação do julgador, em razão de incorreta e genérica descrição dos fatos. Entretanto, no meu entendimento, não existem erros no tocante à descrição dos fatos capazes de trazer prejuízos ao exercício de defesa da Recorrente. Primeiramente, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, descrevendo claramente a infração imputada ao sujeito passivo- aqui Recorrente, arrolando todas as razões de fato e de direito que ensejaram a sua lavratura, atendendo fielmente as disposições do art. 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Por sua vez, o enquadramento legal da infração praticada pela Recorrente foi devidamente descrito: é o art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do art. 32 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Logo, não há motivo para declarar nulo o auto de infração recorrido. Neste ponto recursal, deve ser rejeitada preliminar arguida. DO MÉRITO Da Denúncia Espontânea- Súmula CARF nº 126 Também não há de prosperar o pleito quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea à infração, eis que tal benesse legal não se aplica em infrações decorrentes do descumprimento de prazo de obrigações acessórias conforme enunciado da Súmula CARF nº 126, abaixo transcrita, e, de observância obrigatória no âmbito deste julgamento: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à Fl. 205DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-012.818 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.721655/2013-12 administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Acórdãos Precedentes: 3102-001.988, de 22/08/2013; 3202-000.589, de 27/11/2012; 3402-001.821, de 27/06/2012; 3402-004.149, de 24/05/2017; 3801-004.834, de 27/01/2015; 3802- 000.570, de 05/07/2011; 3802-001.488, de 29/11/2012; 3802-001.643, de 28/02/2013; 3802-002.322, de 27/11/2013; 9303-003.551, de 26/04/2016; 9303-004.909, de 23/03/2017. A jurisprudência do CARF, portanto, está consolidada, conforme precedentes a seguir: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 23/09/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF N.º 126. Nos termos do enunciado da Súmula CARF n.º 126, com efeitos vinculantes para toda a Administração Tributária, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.” (Processo nº 10711.006071/2009-08; Acórdão nº 9303-010.200; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 10/03/2020). “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/05/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126. Em razão do disposto na súmula CARF nº 126, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (...)” (Processo nº 11968.000910/2009-27; Acórdão nº 3002- 001.091; Relatora Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; sessão de 10/03/2020) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FORA DO PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF N. 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (...)” (Processo nº Fl. 206DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-012.818 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.721655/2013-12 11128.000893/2009-10; Acórdão nº 3201-008.075; Relator Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles; sessão de 23/03/2021) Assim, maiores digressões sobre o tema são desnecessárias, razão pela qual nega-se provimento ao tópico recursal. Da infração, da aplicabilidade da multa e da COSIT 02/2016 A multa exigida deu-se em face da retificação de informações no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com fundamento nas normas abaixo descritas com suas alterações: DECRETO-LEI Nº 37/66 Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e Nos autos, é incontroverso que o lançamento decorreu de retificações de dados já prestados anteriormente, os quais encontram-se discriminadas na planilha de Conhecimentos Eletrônicos, tendo sido gerado pelo sistema Mercante um número de protocolo respectivo para cada pleito. Todavia, esclarece a Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 2, de 04/02/2016, que alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO- TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada Fl. 207DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-012.818 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.721655/2013-12 informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. Daí, a retificação das informações prestadas pela Recorrente não configura o tipo infracional prescrito na alínea "e" do inciso IV do Art. 107 do Decreto-Lei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo Art. 77 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e regulamentada pelo Art. 728, inciso IV, alínea "e" do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro). Sendo assim, em razão da atipicidade da conduta, é incabível a infração prescrita no art. 107, IV, “e” do DL 37/66, aplicável àquele que deixa de prestar informação sobre carga ou sobre as operações que execute, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, à empresa de transporte internacional ou ao agente de carga. Outrossim, a retificação das informações, não pode ser confundida com a determinação regulamentar, de ter deixado de prestar informações; esta sim, ensejadora da multa. Assim, voto por dar provimento ao tópico recursal para exonerar o crédito tributário exigido na presente autuação. Ante todo exposto, voto por rejeitar as preliminares arguidas no presente Recurso Voluntário, e, em seu mérito, dar-lhes provimento para anular o crédito tributário lançado. Fl. 208DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-012.818 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.721655/2013-12 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares arguidas no recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para anular o crédito tributário lançado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 209DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10925.900877/2017-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013
MERCADORIAS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO. COOPERADOS. REVENDA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição/recepção de mercadorias de cooperados para revenda, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e venda e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições.
FRETES. TRANSPORTE. PRODUTOS ACABADOS. PRODUÇÃO PRÓPRIA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra, somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e Cofins, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas.
FRETES. AQUISIÇÕES. MERCADORIAS/INSUMOS. DESONERAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com fretes na aquisição de mercadorias para revenda, bem como na aquisição de insumos empregados na produção dos bens destinados à venda, suportados pelo adquirente, integram, respectivamente, o custo da mercadoria vendida e da matéria-prima; assim, ainda que as aquisições tenham sido desoneradas das contribuições (alíquota zero, isenção ou suspensão), dão direito ao desconto de créditos da contribuição.
MATERIAL DE EMBALAGEM E ETIQUETAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridas com material de embalagem e etiquetas enquadram-se como insumos da produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de créditos.
INSUMOS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO DE COOPERADO. CRÉDITOS. ALÍQUOTA CHEIA. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição/recepção de mercadorias de insumos cooperados, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições.
FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos.
FRETES. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos.
FRETE. INSUMOS. AQUISIÇÃO. DESONERAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) tributados à alíquota 0 (zero), isentos ou com suspensão, utilizados na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerados da contribuição, dão direito ao desconto de créditos.
FRETES. BENS. AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com fretes para o envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados integram seus custos de venda e/ ou dos insumos; assim, dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
FRETE. AQUISIÇÃO. EMBALAGEM. NÃO ENQUADRADA COMO INSUMO. BENS DE CONSUMO E DE USO COMUM. CRÉDITOS. DESCONTOS IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com fretes na aquisição de embalagens não enquadradas como insumos, assim como a aquisição de bens de uso e de uso comum não dão direito ao desconto de créditos das contribuições.
FRETE. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com frete na venda dos produtos processados/industrializados dão direito ao desconto de créditos das contribuições, ainda que tenha sido efetuada com suspensão da contribuição.
FRETE. AQUISIÇÃO. LEITE IN NATURA. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
O frete na aquisição de leite in natura (insumo), utilizado como matéria-prima na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerada da contribuição, dá direito ao desconto de créditos.
SERVIÇOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos.
ROYALTIES. GENÉTICA ANIMAL. PAGAMENTO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com pagamento de royalties, para utilização na produção de animais (aves e suínos) de alto padrão genético, efetuado às pessoas jurídicas detentoras das tecnologias, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, dão direito ao desconto de créditos.
SERVIÇOS/DESPESAS. SAÚDE. DIVERSOS. CRÉDITOS. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas incorridas com planos de saúde, para os empregados, envolvendo, pagamento a hospitais, clínicas médicas, laboratórios, referentes a exames, consultas médicas, raios-X, ressonância, etc., não dão direito ao desconto de créditos da contribuição.
FRETES. MERCADORIA. REMESSA. ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas incorridas com fretes para remessa de mercadorias para armazenagem em depósitos de terceiros não dão direito ao desconto de créditos das contribuições.
ALOCAÇÃO. VALORES. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADO INTERNO. GLOSA DE CRÉDITO. REVERSÃO.
A alocação dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de encargos comuns (custos/despesas) deve ser feita de acordo com a vinculação das receitas: mercado interno tributadas; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo; assim, a glosa de crédito decorrente da alocação somente no mercado interno deve ser revertida.
REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE.
Súmula CARF nº 157:
O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo.
ESTORNO. CRÉDITO PRESUMIDO. 60% LEI Nº 12.350/2010. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE.
Com a vigência da Lei nº 12.350/2010, subsiste o direito ao crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sobre os insumos utilizados na produção dos produtos/mercadorias previstos no referido artigo 8º, excepcionados os produtos/mercadorias elencados no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; assim, a glosa dos créditos sobre os insumos utilizados nos produtos/mercadorias não elencados no referido artigo 55 deve ser revertida.
CRÉDITO PRESUMIDO DE 30%. ESTORNO. PRODUÇÃO DE RAÇÃO. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Inexistem provas nos autos de que a Fiscalização glosou créditos descontados de insumos utilizados na produção de ração destinada aos produtores integrados, ou seja, ao sistema de parceria; assim, não há que se falar em reversão de glosa.
CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 55, LEI Nº 12.350/2010. OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. GLOSA. POSSIBILIDADE.
Mantém-se a glosa do crédito presumido da agroindústria, instituído pelo art. 55 da Lei nº 12.350/2010, objeto de pedido de ressarcimento específico, pendente de decisão administrativa; o direito ao desconto será julgado no outro processo, ou seja, no processo em que foi pleiteado.
EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não procede a alegação de que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial.
INSUMOS IMPORTADOS. PEÇAS. REPOSIÇÃO/MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com a aquisição de peças e equipamentos utilizados na reposição e manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção dos bens destinados à venda enquadram-se na definição de insumos dada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos sobre tais custos/despesas.
APLICAÇÃO DO ÍNDICE DE RATEIO INFORMADO NO DACON RETIFICADOR. NÃO CONHECIMENTO.
Não compete às Turmas Julgadoras do CARF apreciar retificação de Dacon visando a inclusão e/ ou exclusão de custos específicos das bases de cálculo das contribuições, por parte das sociedades cooperativas de produção agroindustrial, bem como para inclusão de receitas decorrentes de operações com cooperados e muito menos do índice de rateio.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. CONHECIMENTO. VEDAÇÃO.
Súmula CARF nº 1:
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 3301-012.367
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário do contribuinte quanto: 1) aos fretes na transferência de insumos de produção; 2) aos serviços na fábrica de ração; 3) da necessária observância da aplicação do índice de rateio do Dacon retificador; e, 4) à atualização do ressarcimento pleiteado/deferido pela Taxa Selic; e, na parte conhecida: A) por unanimidade de voto, negar provimento, para manter a glosa dos créditos descontados sobre e/ou decorrentes de: 1) mercadorias adquiridas de cooperados para revenda; 2) aquisições de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singulares); 3) aquisições de produtos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010; 4) fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso e comum; 5) serviços de saúde; 6) crédito presumido de 30,0% - estorno de crédito em relação à produção da ração vendida com suspensão; 7) glosa do crédito presumido previsto no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; 8) exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de crédito diferido valor excluído mês; B) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para reverter a glosa dos créditos descontados sobre e/ou decorrentes de: 1) fretes nas aquisições de bens (insumos/mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, isenção, suspensão); 2) bens não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 3) material de embalagem e etiquetas; 4) fretes do sistema de parceria (integração) aves, suínos e rações (insumos); 5) fretes nas aquisições de cooperados; 6) fretes nas vendas de bens (mercadorias) com suspensão da contribuição; 7) fretes na aquisição de leite in natura (insumo); 8) custos/despesas incorridos com royalties referente à genética aplicada na suinocultura e avicultura; 9) bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 10) fretes nas operações com cooperados (fornecimento/recebimento de bens mercadorias e insumos); 11) fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 12) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 13) redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos. aves, milho, trigo e lenha (insumos); 14) estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60,0% em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, excepcionados os insumos utilizados na produção dos bens elencados do art. 55 desta mesma lei; e, 15) insumos importados (peças de reposição e manutenção das máquinas e equipamentos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda; e, C) por voto de qualidade, negar provimento, para manter a glosa dos créditos descontados sobre os fretes incorridos: 1) nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos; 2) nas transferências de mercadorias entre unidades; 3) nas remessas de mercadorias para armazenagem (entre armazéns e depósitos de terceiros). Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Lara Moura Franco Eduardo, Juciléia de Souza Lima e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso voluntário neste tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.361, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10925.900863/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo.
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Aug 19 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202303
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10925.900877/2017-81
anomes_publicacao_s : 202308
conteudo_id_s : 6910524
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3301-012.367
nome_arquivo_s : Decisao_10925900877201781.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
nome_arquivo_pdf_s : 10925900877201781_6910524.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário do contribuinte quanto: 1) aos fretes na transferência de insumos de produção; 2) aos serviços na fábrica de ração; 3) da necessária observância da aplicação do índice de rateio do Dacon retificador; e, 4) à atualização do ressarcimento pleiteado/deferido pela Taxa Selic; e, na parte conhecida: A) por unanimidade de voto, negar provimento, para manter a glosa dos créditos descontados sobre e/ou decorrentes de: 1) mercadorias adquiridas de cooperados para revenda; 2) aquisições de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singulares); 3) aquisições de produtos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010; 4) fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso e comum; 5) serviços de saúde; 6) crédito presumido de 30,0% - estorno de crédito em relação à produção da ração vendida com suspensão; 7) glosa do crédito presumido previsto no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; 8) exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de crédito diferido valor excluído mês; B) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para reverter a glosa dos créditos descontados sobre e/ou decorrentes de: 1) fretes nas aquisições de bens (insumos/mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, isenção, suspensão); 2) bens não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 3) material de embalagem e etiquetas; 4) fretes do sistema de parceria (integração) aves, suínos e rações (insumos); 5) fretes nas aquisições de cooperados; 6) fretes nas vendas de bens (mercadorias) com suspensão da contribuição; 7) fretes na aquisição de leite in natura (insumo); 8) custos/despesas incorridos com royalties referente à genética aplicada na suinocultura e avicultura; 9) bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 10) fretes nas operações com cooperados (fornecimento/recebimento de bens mercadorias e insumos); 11) fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 12) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 13) redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos. aves, milho, trigo e lenha (insumos); 14) estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60,0% em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, excepcionados os insumos utilizados na produção dos bens elencados do art. 55 desta mesma lei; e, 15) insumos importados (peças de reposição e manutenção das máquinas e equipamentos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda; e, C) por voto de qualidade, negar provimento, para manter a glosa dos créditos descontados sobre os fretes incorridos: 1) nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos; 2) nas transferências de mercadorias entre unidades; 3) nas remessas de mercadorias para armazenagem (entre armazéns e depósitos de terceiros). Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Lara Moura Franco Eduardo, Juciléia de Souza Lima e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso voluntário neste tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.361, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10925.900863/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
id : 10034372
ano_sessao_s : 2023
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 MERCADORIAS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO. COOPERADOS. REVENDA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição/recepção de mercadorias de cooperados para revenda, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e venda e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTOS ACABADOS. PRODUÇÃO PRÓPRIA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra, somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e Cofins, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. FRETES. AQUISIÇÕES. MERCADORIAS/INSUMOS. DESONERAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes na aquisição de mercadorias para revenda, bem como na aquisição de insumos empregados na produção dos bens destinados à venda, suportados pelo adquirente, integram, respectivamente, o custo da mercadoria vendida e da matéria-prima; assim, ainda que as aquisições tenham sido desoneradas das contribuições (alíquota zero, isenção ou suspensão), dão direito ao desconto de créditos da contribuição. MATERIAL DE EMBALAGEM E ETIQUETAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridas com material de embalagem e etiquetas enquadram-se como insumos da produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO DE COOPERADO. CRÉDITOS. ALÍQUOTA CHEIA. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição/recepção de mercadorias de insumos cooperados, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições. FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos. FRETE. INSUMOS. AQUISIÇÃO. DESONERAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) tributados à alíquota 0 (zero), isentos ou com suspensão, utilizados na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerados da contribuição, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. BENS. AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados integram seus custos de venda e/ ou dos insumos; assim, dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. FRETE. AQUISIÇÃO. EMBALAGEM. NÃO ENQUADRADA COMO INSUMO. BENS DE CONSUMO E DE USO COMUM. CRÉDITOS. DESCONTOS IMPOSSIBILIDADE. As despesas com fretes na aquisição de embalagens não enquadradas como insumos, assim como a aquisição de bens de uso e de uso comum não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. FRETE. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. As despesas com frete na venda dos produtos processados/industrializados dão direito ao desconto de créditos das contribuições, ainda que tenha sido efetuada com suspensão da contribuição. FRETE. AQUISIÇÃO. LEITE IN NATURA. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O frete na aquisição de leite in natura (insumo), utilizado como matéria-prima na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerada da contribuição, dá direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos. ROYALTIES. GENÉTICA ANIMAL. PAGAMENTO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pagamento de royalties, para utilização na produção de animais (aves e suínos) de alto padrão genético, efetuado às pessoas jurídicas detentoras das tecnologias, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS/DESPESAS. SAÚDE. DIVERSOS. CRÉDITOS. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com planos de saúde, para os empregados, envolvendo, pagamento a hospitais, clínicas médicas, laboratórios, referentes a exames, consultas médicas, raios-X, ressonância, etc., não dão direito ao desconto de créditos da contribuição. FRETES. MERCADORIA. REMESSA. ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com fretes para remessa de mercadorias para armazenagem em depósitos de terceiros não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. ALOCAÇÃO. VALORES. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADO INTERNO. GLOSA DE CRÉDITO. REVERSÃO. A alocação dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de encargos comuns (custos/despesas) deve ser feita de acordo com a vinculação das receitas: mercado interno tributadas; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo; assim, a glosa de crédito decorrente da alocação somente no mercado interno deve ser revertida. REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. ESTORNO. CRÉDITO PRESUMIDO. 60% LEI Nº 12.350/2010. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Com a vigência da Lei nº 12.350/2010, subsiste o direito ao crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sobre os insumos utilizados na produção dos produtos/mercadorias previstos no referido artigo 8º, excepcionados os produtos/mercadorias elencados no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; assim, a glosa dos créditos sobre os insumos utilizados nos produtos/mercadorias não elencados no referido artigo 55 deve ser revertida. CRÉDITO PRESUMIDO DE 30%. ESTORNO. PRODUÇÃO DE RAÇÃO. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistem provas nos autos de que a Fiscalização glosou créditos descontados de insumos utilizados na produção de ração destinada aos produtores integrados, ou seja, ao sistema de parceria; assim, não há que se falar em reversão de glosa. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 55, LEI Nº 12.350/2010. OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. GLOSA. POSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa do crédito presumido da agroindústria, instituído pelo art. 55 da Lei nº 12.350/2010, objeto de pedido de ressarcimento específico, pendente de decisão administrativa; o direito ao desconto será julgado no outro processo, ou seja, no processo em que foi pleiteado. EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não procede a alegação de que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial. INSUMOS IMPORTADOS. PEÇAS. REPOSIÇÃO/MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com a aquisição de peças e equipamentos utilizados na reposição e manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção dos bens destinados à venda enquadram-se na definição de insumos dada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos sobre tais custos/despesas. APLICAÇÃO DO ÍNDICE DE RATEIO INFORMADO NO DACON RETIFICADOR. NÃO CONHECIMENTO. Não compete às Turmas Julgadoras do CARF apreciar retificação de Dacon visando a inclusão e/ ou exclusão de custos específicos das bases de cálculo das contribuições, por parte das sociedades cooperativas de produção agroindustrial, bem como para inclusão de receitas decorrentes de operações com cooperados e muito menos do índice de rateio. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. CONHECIMENTO. VEDAÇÃO. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
atualizado_anexos_dt : Sat Aug 19 09:03:15 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1774647572289290240
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-11T14:38:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-11T14:38:54Z; Last-Modified: 2023-08-11T14:38:54Z; dcterms:modified: 2023-08-11T14:38:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-11T14:38:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-11T14:38:54Z; meta:save-date: 2023-08-11T14:38:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-11T14:38:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-11T14:38:54Z; created: 2023-08-11T14:38:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; Creation-Date: 2023-08-11T14:38:54Z; pdf:charsPerPage: 2616; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-11T14:38:54Z | Conteúdo => SS33--CC 33TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10925.900877/2017-81 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3301-012.367 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 21 de março de 2023 RReeccoorrrreennttee COOPERATIVA CENTRAL AURORA ALIMENTOS IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 MERCADORIAS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO. COOPERADOS. REVENDA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição/recepção de mercadorias de cooperados para revenda, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e venda e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTOS ACABADOS. PRODUÇÃO PRÓPRIA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra, somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e Cofins, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. FRETES. AQUISIÇÕES. MERCADORIAS/INSUMOS. DESONERAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes na aquisição de mercadorias para revenda, bem como na aquisição de insumos empregados na produção dos bens destinados à venda, suportados pelo adquirente, integram, respectivamente, o custo da mercadoria vendida e da matéria-prima; assim, ainda que as aquisições tenham sido desoneradas das contribuições (alíquota zero, isenção ou suspensão), dão direito ao desconto de créditos da contribuição. MATERIAL DE EMBALAGEM E ETIQUETAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridas com material de embalagem e etiquetas enquadram-se como insumos da produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de créditos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 08 77 /2 01 7- 81 Fl. 9387DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 INSUMOS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO DE COOPERADO. CRÉDITOS. ALÍQUOTA CHEIA. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição/recepção de mercadorias de insumos cooperados, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições. FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos. FRETE. INSUMOS. AQUISIÇÃO. DESONERAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) tributados à alíquota 0 (zero), isentos ou com suspensão, utilizados na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerados da contribuição, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. BENS. AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados integram seus custos de venda e/ ou dos insumos; assim, dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. FRETE. AQUISIÇÃO. EMBALAGEM. NÃO ENQUADRADA COMO INSUMO. BENS DE CONSUMO E DE USO COMUM. CRÉDITOS. DESCONTOS IMPOSSIBILIDADE. As despesas com fretes na aquisição de embalagens não enquadradas como insumos, assim como a aquisição de bens de uso e de uso comum não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. FRETE. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. As despesas com frete na venda dos produtos processados/industrializados dão direito ao desconto de créditos das contribuições, ainda que tenha sido efetuada com suspensão da contribuição. FRETE. AQUISIÇÃO. LEITE IN NATURA. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Fl. 9388DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 O frete na aquisição de leite in natura (insumo), utilizado como matéria-prima na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerada da contribuição, dá direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos. ROYALTIES. GENÉTICA ANIMAL. PAGAMENTO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pagamento de royalties, para utilização na produção de animais (aves e suínos) de alto padrão genético, efetuado às pessoas jurídicas detentoras das tecnologias, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS/DESPESAS. SAÚDE. DIVERSOS. CRÉDITOS. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com planos de saúde, para os empregados, envolvendo, pagamento a hospitais, clínicas médicas, laboratórios, referentes a exames, consultas médicas, raios-X, ressonância, etc., não dão direito ao desconto de créditos da contribuição. FRETES. MERCADORIA. REMESSA. ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com fretes para remessa de mercadorias para armazenagem em depósitos de terceiros não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. ALOCAÇÃO. VALORES. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADO INTERNO. GLOSA DE CRÉDITO. REVERSÃO. A alocação dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de encargos comuns (custos/despesas) deve ser feita de acordo com a vinculação das receitas: mercado interno tributadas; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo; assim, a glosa de crédito decorrente da alocação somente no mercado interno deve ser revertida. REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou Fl. 9389DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. ESTORNO. CRÉDITO PRESUMIDO. 60% LEI Nº 12.350/2010. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Com a vigência da Lei nº 12.350/2010, subsiste o direito ao crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sobre os insumos utilizados na produção dos produtos/mercadorias previstos no referido artigo 8º, excepcionados os produtos/mercadorias elencados no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; assim, a glosa dos créditos sobre os insumos utilizados nos produtos/mercadorias não elencados no referido artigo 55 deve ser revertida. CRÉDITO PRESUMIDO DE 30%. ESTORNO. PRODUÇÃO DE RAÇÃO. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistem provas nos autos de que a Fiscalização glosou créditos descontados de insumos utilizados na produção de ração destinada aos produtores integrados, ou seja, ao sistema de parceria; assim, não há que se falar em reversão de glosa. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 55, LEI Nº 12.350/2010. OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. GLOSA. POSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa do crédito presumido da agroindústria, instituído pelo art. 55 da Lei nº 12.350/2010, objeto de pedido de ressarcimento específico, pendente de decisão administrativa; o direito ao desconto será julgado no outro processo, ou seja, no processo em que foi pleiteado. EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não procede a alegação de que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial. INSUMOS IMPORTADOS. PEÇAS. REPOSIÇÃO/MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com a aquisição de peças e equipamentos utilizados na reposição e manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção dos bens destinados à venda enquadram-se na definição de insumos dada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos sobre tais custos/despesas. APLICAÇÃO DO ÍNDICE DE RATEIO INFORMADO NO DACON RETIFICADOR. NÃO CONHECIMENTO. Não compete às Turmas Julgadoras do CARF apreciar retificação de Dacon visando a inclusão e/ ou exclusão de custos específicos das bases de cálculo Fl. 9390DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 das contribuições, por parte das sociedades cooperativas de produção agroindustrial, bem como para inclusão de receitas decorrentes de operações com cooperados e muito menos do índice de rateio. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. CONHECIMENTO. VEDAÇÃO. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário do contribuinte quanto: 1) aos fretes na transferência de insumos de produção; 2) aos serviços na fábrica de ração; 3) da necessária observância da aplicação do índice de rateio do Dacon retificador; e, 4) à atualização do ressarcimento pleiteado/deferido pela Taxa Selic; e, na parte conhecida: A) por unanimidade de voto, negar provimento, para manter a glosa dos créditos descontados sobre e/ou decorrentes de: 1) mercadorias adquiridas de cooperados para revenda; 2) aquisições de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singulares); 3) aquisições de produtos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010; 4) fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso e comum; 5) serviços de saúde; 6) crédito presumido de 30,0% - estorno de crédito em relação à produção da ração vendida com suspensão; 7) glosa do crédito presumido previsto no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; 8) exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de “crédito diferido – valor excluído mês”; B) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para reverter a glosa dos créditos descontados sobre e/ou decorrentes de: 1) fretes nas aquisições de bens (insumos/mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, isenção, suspensão); 2) bens não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 3) material de embalagem e etiquetas; 4) fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e rações (insumos); 5) fretes nas aquisições de cooperados; 6) fretes nas vendas de bens (mercadorias) com suspensão da contribuição; 7) fretes na aquisição de leite in natura (insumo); 8) custos/despesas incorridos com royalties referente à genética aplicada na suinocultura e avicultura; 9) bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 10) fretes nas operações com cooperados (fornecimento/recebimento de bens – mercadorias e insumos); 11) fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 12) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 13) redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos. aves, milho, trigo e lenha (insumos); 14) estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60,0% em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, excepcionados os insumos utilizados na produção dos bens elencados do art. 55 desta mesma lei; e, 15) insumos importados (peças de reposição e manutenção das máquinas e equipamentos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda; e, C) por voto de qualidade, negar provimento, para manter a glosa dos créditos descontados sobre os fretes incorridos: 1) nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos; 2) nas transferências de mercadorias entre unidades; 3) nas remessas de mercadorias para armazenagem (entre armazéns e depósitos de terceiros). Fl. 9391DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Lara Moura Franco Eduardo, Juciléia de Souza Lima e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso voluntário neste tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.361, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10925.900863/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ em Curitiba/PR que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento (PER) transmitido pelo contribuinte. Intimado do despacho decisório, inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma para que seja revertida a glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização e deferido, na íntegra, o ressarcimento pleiteado, atualizado pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: Primeiramente, faz um resumo dos fatos e das glosas realizadas. Após, contesta, em longo e detalhado recurso, as glosas realizadas com base em fundamentos que serão analisados ao longo deste voto. Anexa aos autos relatórios e documentos fiscais com vistas a demonstrar os créditos da não cumulatividade que entende possuir. Requer, ao fim, o recálculo dos índices utilizados no rateio proporcional e pede a atualização dos créditos deferidos pela taxa Selic. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgou-a procedente em parte, nos termos do Acórdão, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. Conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n.º 5, de 2018, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos Fl. 9392DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. ESSENCIALIDADE. RELEVÂNCIA. O critério da essencialidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n.º 5/2018, requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; já o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. COOPERATIVAS. CRÉDITO. BENS PARA REVENDA. As cooperativas somente podem descontar créditos calculados em relação a bens para revenda adquiridos de não associados. CRÉDITOS. ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não gera direito ao crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. No âmbito do regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens, se esses forem adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país, se forem incorporadas ao ativo imobilizado e se estiverem associadas ao processo produtivo de bens destinados à venda. CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. Os créditos decorrentes de custos de edificações e benfeitorias em imóveis nas atividades da empresa devem ser calculados sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês. FRETES SOBRE COMPRAS. PRODUTOS SEM INCIDÊNCIA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas de fretes nas aquisições de produtos sem incidência do PIS/Pasep e da Cofins não geram direito ao crédito no regime não cumulativo, uma vez que não havendo a possibilidade de aproveitamento do crédito com a aquisição dos produtos transportados, também não o haverá para o gasto com o transporte. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de produtos acabados entre os estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de produtos em elaboração da mesma pessoa jurídica, por serem enquadrados como insumos, geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. FRETE NA AQUISIÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Cabe direito ao crédito sobre os valores dos fretes nas aquisições sujeitas ao crédito presumido, no mesmo percentual previsto para o crédito na respectiva aquisição. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A regra geral esculpida no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 autoriza que os créditos devidamente apurados sejam mantidos, mesmo após a venda com suspensão, isenção ou alíquota 0 (zero). Fl. 9393DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido apurado na forma do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 23 de julho de 2004, somente pode ser utilizado para dedução do valor do PIS/Pasep e da Cofins apurados no regime de apuração não cumulativa. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. A alíquota aplicável sobre os créditos de PIS/Pasep e de Cofins das agroindústrias, prevista no § 3º do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. LEI N.º 12.350/2010. A apropriação dos créditos presumidos de que trata o art. 55 da Lei n.º 12.350/2010 é vedada às pessoas jurídicas que efetuem a operação de venda de rações com suspensão das contribuições. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. CÁLCULO DO PERCENTUAL DE RATEIO. Não se confundindo com não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero, as receitas cuja exclusão da base de cálculo as cooperativas têm direito devem ser consideradas como receitas tributadas no cálculo do percentual de rateio para fins de segregação entre os créditos aproveitáveis por ressarcimento/compensação e os que somente podem ser descontados da contribuição apurada. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, requerendo a sua reforma, na parte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, e, consequentemente, o deferimento integral do ressarcimento pleiteado, acrescido da taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento. Em síntese, é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte atende aos requisitos do art. 67 do Anexo II do RICARF. Nesta fase recursal, recorrente impugnou várias matérias, desde a glosa de créditos básicos e presumidos ao rateio e alocação de créditos. As Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 que instituíram o regime não cumulativo para o PIS e a Cofins, respectivamente, vigentes à época dos fatos geradores dos PER em discussão, assim dispunham, quanto ao desconto de créditos dessas contribuições e seus aproveitamentos: -Lei nº 10.637/2002: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: Fl. 9394DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; (...) § 1 o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 7 o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não- cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8 o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7 o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 9395DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 § 9 o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) - Lei nº 10.833/2003: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi. (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor; (...) § 1 o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) § 7 o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não- cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 9396DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 § 8 o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7 o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9 o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1 o e 10 a 20 do art. 3 o desta Lei; III - nos §§ 3 o e 4 o do art. 6 o desta Lei; (...). Posteriormente, foram editadas as leis que instituíram o crédito presumido do PIS e da Cofins para a agroindústria, assim dispondo: -Lei nº 10.925/2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); I - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. Fl. 9397DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. IV - 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9º -A; V - 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9º-A. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência :1/10/2015) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (...) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (...). -Lei nº 12.058/2009: Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.04, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.80.00, Fl. 9398DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados nas posições 01.02 e 01.04 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 2 o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1 o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3 o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 5 o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 6 o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre-calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 5 o deste artigo poderá: I - efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II - solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 7 o O disposto no § 6 o aplica-se somente à parcela dos créditos presumidos determinada com base no resultado da aplicação sobre o valor da aquisição de bens classificados nas posições 01.02 (bovinos) e 01.04 (ovinos/caprinos) da NCM da relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 8 o O disposto neste artigo aplica-se também no caso de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3 o do art. 8 o da Lei n o 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I - ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II - ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1 o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: Fl. 9399DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 I - relativamente aos créditos apurados nos anos-calendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1 o de janeiro de 2010. § 2 o O disposto neste artigo aplica-se aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 37. A partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei, não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, às mercadorias ou produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1 da NCM. - Lei nº 12.350/2010: Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1 o O disposto nos incisos I a III do caput deste artigo aplica-se também às aquisições de pessoa jurídica. § 2 o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1 o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3 o O montante do crédito a que se referem os incisos I e II do caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 4 o O montante do crédito a que se referem o inciso III do caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação sobre o valor das mencionadas aquisições de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 9400DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 (...) § 6 o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 7 o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre-calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 6 o deste artigo poderá: I – efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II – solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Os dispositivos legais citados e transcritos elencam os custos/despesas que dão direito a descontar créditos das contribuições, estabelecem o sistema de cálculo, sua utilização e o aproveitamento do saldo credor trimestral. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em 22 de fevereiro de 2018, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito de recurso repetitivo, quais os custos/despesas que devem ser considerados insumos, nos termos do inc. II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citado e transcrito anteriormente. Consoante à decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a impossibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". No presente caso, o contribuinte é uma sociedade cooperativa central que tem como atividades econômicas, dentre outras: a) A industrialização de produtos alimentares derivados do abate de suínos e aves, inclusive os subprodutos; b) A industrialização de produtos alimentares derivados de frutas, hortaliças e leguminosas, inclusive os subprodutos; c) A industrialização de produtos derivados de leite, inclusive os subprodutos; d) A industrialização de produtos derivados de bovinos e/ou peixes, inclusive os subprodutos; e) A industrialização de produtos derivados de soja, inclusive os subprodutos; f) A fabricação de massas alimentícias, produtos de panificação, doces e gelatinas. g) A fabricação de rações, concentrados e demais insumos para alimentação animal; h) A exploração agropecuária de suínos e pintos de um dia; e, a comercialização no atacado e no varejo dos produtos fabricados por ela. Assim, com fundamento nos dispositivos legais citados e transcritos, no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e nas atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente, passemos à análise das matérias impugnadas nesta fase recursal. II.1 – Bens para revenda: II.1.1) Mercadorias adquiridas de cooperados Os atos cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados/cooperados, pessoas físicas e/ ou jurídicas, não constituem operação de mercado e, consequentemente, não implicam contrato de compra e venda de produtos, conforme art. 79 da Lei nº 5.764/71. Fl. 9401DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 No julgamento do REsp nº 1.141.667, sob a sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que não incide PIS e Cofins sobre os denominados “atos cooperativos típicos”, nos termos do art. 79 da Lei 5.764/71. Especificamente, em relação às sociedades cooperativas de produção agropecuária e industrial, a IN RFB nº 635/2006, art. 23, incisos I e II, reconheceu o direito de estas sociedades excluírem da base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive sob o regime não cumulativo, os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização dos produtos entregues à cooperativa. Essa exclusão foi mantida nas demais IN, conforme consta do art. 292 da IN RFB Nº 1.911/2019, literalmente: Art. 292. Sem prejuízo das exclusões aplicáveis a qualquer pessoa jurídica, de que tratam os arts. 27 e 28, bem como da especificada para as sociedades cooperativas no art. 291, as sociedades cooperativas de produção agropecuária poderão excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 5.764, de 1971, art. 79, parágrafo único; Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17): I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; (...). III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; (...) VII - os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da comercialização pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária. § 9º Considera-se custo agregado ao produto agropecuário de que trata o inciso VII do caput os dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima, mão-de-obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. Por sua vez, o § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, veda expressamente o desconto de créditos sobre aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Quanto à alegação de inconstitucionalidade do art. 23 da IN RFB nº 635/2006, atual art. 292 da IN RFB nº 1.911/2019, as Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para se manifestar sobre tal alegação. Aliás, trata-se de matéria sumulada nos termos da Súmula CARF nº 2 que assim dispõe: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 9402DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 Dessa forma, a glosa de créditos descontados sobre aquisições de cooperados, inclusive de cooperativas filiadas, deve ser mantida. II.1.2) Fretes relativos à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos e fretes nas aquisições de produtos (mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições Quanto aos fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, a Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos da Cofins não cumulativa, calculados sobre despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Este direito foi estendido para PIS, conforme disposto no art. 15, inciso IX, dessa mesma lei. Segundo o inciso IX do art. 3º daquela lei, as despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, quando o ônus for suportado pelo produtor/vendedor. Trata-se de hipótese restrita. Por isso, entendo que o valor do frete de produtos acabados entre estabelecimentos não dá direito a descontar créditos, pelos seguintes motivos: por não se enquadrar no disposto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003; por não se subsumir ao conceito de insumo, visto que se trata de produtos acabados; e, ainda por não se enquadrar no disposto no inciso IX do mesmo artigo, por ter ocorrido antes da operação de venda. Adicionalmente, com relação à possibilidade de aproveitamento de créditos sobre gastos com frete mercadorias entre estabelecimentos, de acordo com o Parecer Cosit nº 05 de 2018, esses gastos não podem ser considerados insumos. Nesse sentido, cabe referir os parágrafos 55 e 56, a seguir reproduzidos: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para o para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras (Grifei). Esse também é o entendimento do STJ no julgamento do AgRg nº REsp 1.386.141/AL e no AgInt no AgInt bi REsp nº 1.763.878/RS, Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 1º/03/2019. Dessa forma, como tais despesas não foram incorridas com fretes nas operações de venda, a glosa dos créditos deve ser mantida. Já em relação aos fretes nas aquisições de produtos (mercadorias) para revenda não sujeitos ao pagamento das contribuições, assiste razão à recorrente. A Fiscalização glosou os créditos descontados sobre os custos com fretes nas aquisições de mercadorias para revenda sob o fundamento de que tais custos Fl. 9403DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 não dão direito ao desconto de créditos pelo fato de as mercadorias adquiridas não terem sido oneradas pelas contribuições. O desconto de créditos das contribuições sobre os custos de mercadorias adquiridas para revenda está previsto no inciso I do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. O frete na compra de mercadorias para revenda, suportado pelo comprador, integra o custo da mercadoria vendida (CMV). O fato de a mercadoria adquirida não ter sofrida a tributação das contribuições para o PIS e Cofins, não impede o creditamento, uma vez o custo com o frete foi tributado. No presente caso, os fretes foram contratados com pessoas jurídicas e tributados pela contribuição para o PIS e para a Cofins; assim, a recorrente faz jus ao desconto dos créditos calculados sobre tais custos. Portanto, a glosa dos créditos descontados sobre os custos com fretes incorridos na compra de mercadorias para revenda, ainda que desoneradas da contribuição, deve ser revertida. II.1.3) Bens não compreendidos no período, objeto do PER em discussão A Fiscalização glosou crédito descontado sobre a aquisição do bem representado pela Nota Fiscal nº 51256. A recorrente defende a reversão da glosa do crédito descontado sobre a Nota Fiscal nº 51256, no valor de R$7.874,40 (BC), emitida em 28/09/2012, sob o argumento de que, a entrada ocorreu em 17/10/2012, quando, de fato, o crédito foi aproveitado. Do exame dos dados lançados na planilha “Relação de Glosas de Bens Não Compreendidos no Período de Apuração do Presente Pedido de Ressarcimento – Linha 1 –Aquisição de Bens para Revenda”, consta que a referida nota fiscal foi emitida em 28/09/2012 e a entrada da mercadoria ocorreu em 17/10/2012. Assim, levando em conta que o crédito descontado naquela nota fiscal não consta do valor do PER em discussão, a glosa deve ser revertida. II.2. Aquisição de bens e serviços utilizados como insumos II.2.1.a) Material de embalagem e etiquetas Segundo o Despacho nº 1404/2017 – Saort/DRF/JOA, os custos/despesas com material de embalagem e etiquetas cujos créditos foram glosados se referem aos seguinte produtos/mercadorias: filme stretch, fita cs 512 preta, película massa, tinta ink, tinta para carimbo, ad. jet-melt 3738Q, adesivo hot melt granulado para caixa de papelão ondulado, cola adesiva p/caixa de leite, fluido diluente p/tinta ink jet, fita adesiva transp. 50 x 100, fita ades.bca.st-101, fita adesiva transparente s/impressão, fita de arquear, big bag de rafia, pallet one-way, folha miolo bolha ondulado p/forração de caixas, cx. pap. tampa, cx. pap., cx. pap. fundo, cx. pap. ondulado, fundo pap., canton. pap., chapa papelão, bobina de polietileno p/cobertura de paletes, bobina pead lisa, sc pol. transp., saco papel kraft, leite em pó 25kg, entre outros. Levando-se em conta a documentação carreada aos autos, notas fiscais e laudo técnico, concluímos que os custos/despesas incorridos com esses materiais de embalagens são essenciais ao desenvolvimento da atividade econômica da recorrente. Fl. 9404DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 Assim, enquadram-se no conceito de insumos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre esse item deve ser revertida. II.2.2) Outras aquisições a) Aquisições de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singular) A recorrente alega que a glosa dos créditos sobre aquisições de cooperativas filiadas é ilegal, conforme demonstrado no tópico II.1.1, do Recurso Voluntário e por se tratar da mesma matéria, para evitar repetição, apresenta os mesmos argumentos em defesa do direito de descontar créditos sobre tais operações. Naquele tópico, defendeu o direito de descontar créditos sobre as aquisições das cooperativas filiadas nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nºs 10.637/2003 e 10.833/2003. Ao contrário do seu entendimento, embora as aquisições sejam das mesmas pessoas jurídicas, aquisição (recepção) de cooperativas filiadas, trata-se de operações de naturezas diferentes, cujo direito ao desconto de créditos das contribuições, embora previsto no mesmo art. 3º, estão em incisos diferentes; O inciso I aplica-se a operações comerciais, ou seja, aquisições de bens para revenda; já o inciso II aplica-se a operações industriais e de prestação de serviços. O tópico II.1.1, tratou exclusivamente de aquisição para revenda, sendo que a glosa foi mantida porque, ao contrário do entendimento da recorrente, nas operações de revenda, apenas as aquisições tributadas dão direito ao desconto de créditos. Nas aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, se tributadas, o direito ao crédito está previsto no inciso II do art. 3º, casso contrário, não há direito ao desconto. Contudo, posteriormente, a Lei nº 10.925/2005, art. 8, instituiu o crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, “para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física”. A recorrente defende o desconto dos créditos determinados às alíquotas cheias (1,65% e 7,60%), sobre as aquisições (recebimentos) das cooperativas filiadas, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 9405DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 Segundo o inciso II do art. 3º dessas leis, a recorrente não tem direito ao desconto de créditos sobre as aquisições das cooperativas filiadas por se tratar de operações desoneradas das contribuições. Mas, segundo o art. 8º, §§ e incisos, da Lei nº 10.925/2004, citados e transcritos anteriormente, se atendidos os requisitos estabelecidos neste artigo, faz jus ao desconto de créditos presumidos da agroindústria sobre tais operações. No presente caso, além de a recorrente ter pleiteado o desconto de créditos às alíquotas cheias, não apresentou demonstrativo do valor dos créditos presumidos determinados sobre as aquisições de cooperativas filiadas, acompanhado das respectivas memórias de cálculo, notas fiscais, livros fiscais, Razão e outros que achava necessário para provar o valor do ressarcimento de tais créditos. Assim, mantém-se a glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização. b) Aquisições de produtos vendidos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010. A recorrente reclama créditos descontados sobre aquisições de insumos utilizados na fabricação de ração destinada à alimentação animal (suínos e aves), vendida com suspensão das contribuições. De fato, trata-se de custos/despesas, no valor de R$13.253.679,67, cujos créditos descontados sobre esse valor, teve sua glosa mantida pela DRJ. No Recurso Voluntário, a recorrente alegou expressamente que a DRJ concordou integralmente com os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito de ela descontar créditos sobre os insumos utilizados na fabricação de ração, adquiridos com a suspensão das contribuições. Contudo, por equívoco deixou de reverter a glosa sobre o custo no valor de R$13.253.679,67. Ao contrário do seu entendimento, a DRJ não concordou com a tese esposada por ela. A negativa de reverter a glosa dos créditos descontados sobre as aquisições de insumos, no valor de R$13.253.679,67, vinculados à produção de ração, teve como o fundamento a suspensão das contribuições na aquisição dos insumos. Segundo o § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, a aquisição de insumos desonerados das contribuições (desonerada do pagamento das contribuições) não dá direito ao desconto de créditos. Conforme consta da decisão recorrida, se atendidos os requisitos para o benefício do crédito presumido da agroindústria, a recorrente poderia ter apurado tal crédito e o descontado do valor das contribuições devidas, nos termos da legislação vigente. A recorrente alega que a amostragem de notas fiscais constante do Anexo I, comprovaria que os insumos teriam sido tributados pelas contribuições às alíquotas cheias. No entanto, do exame daquele anexo, verificamos que nenhuma nota fiscal de aquisição foi anexada a ele. De fato, contém apenas informações sobre notas fiscais. Além disto, do exame das informações constantes dele, verificamos que, em parte delas, o produto adquirido não foi identificado; na parte em que foram identificados, os produtos não são insumos da produção de ração, dentre eles, Fl. 9406DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 constam a aquisição de elementos de filtros de ar, papelão ondulado, adesivo e junta de motor a diesel, etiquetas adesivas, etc., e, em outra parte, os bens identificados (farinha de carne e osso, farelo de trigo, farelo de soja, óleo degomado de soja, etc.) são comercializados com suspensão das contribuições, conforme art. 54, inciso I, da Lei nº 12.350/2010, o que geraria crédito presumido e não créditos básicos. Também, no Recurso Voluntário, a recorrente não apresentou demonstrativo de apuração dos créditos reclamados naquele valor e respectivas memórias de cálculo. A apresentação das notas fiscais e o demonstrativo de apuração dos créditos reclamados são imprescindíveis para a análise do direito da recorrente e da comprovação da certeza e liquidez do valor reclamado. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas, no valor de R$13.253.679,67 (base de cálculo), deve ser mantida. c) Fretes entre estabelecimentos c.1) Fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e raçoes (insumos) No sistema integrado de produção de animais para abate e processamento/ industrialização, a indústria frigorifica fornece os animais para os produtores rurais fazerem a criação/terminação. Todos os custos de produção dos animais, tais como dos animais para terminação, da ração e dos medicamentos veterinários, do transporte de entrega dos animais e das coletas para o abate são bancados pela indústria frigorífica, Os produtores rurais são responsáveis apenas pelos serviços de criação pelos quais são remunerados. No presente caso, a recorrente, fornece os pintinhos e leitões para a criação e engorda dos frangos e suínos pelos seus cooperados (pessoas físicas/jurídicas), arcando com os custos de transporte para entrega dos animais aos produtores, da ração para os animais e demais insumos, bem como de suas coletas para o abate. As aves e suínos constituem a matéria-prima básica da produção dos bens destinados à venda, produzidos pela recorrente. Os custos com fretes incorridos com o sistema integrado compõem o custo da matéria-prima. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre os fretes do sistema de parceria (integração) deve ser revertida. c.2) Fretes na transferência de insumos de produção A recorrente alegou no Recurso Voluntário que: Quanto a esses fretes a DRJ/CTA reconheceu que há o direito de crédito de PIS/Pasep de Cofins sobre os mesmos. No entanto, a despeito de ter reconhecido o crédito sobre a totalidade dos fretes vinculados a transferência de insumos de produção, ao fazer o cálculo do valor da glosa revertido, evidenciou uma base de créditos de apenas R$ 1.630.095,77, conforme se verifica no demonstrativo transcrito às fls. 10.891 dos autos. Ora, se a decisão a quo já reconheceu o direito de a recorrente descontar créditos das contribuições sobre fretes na transferência de insumos entre seus estabelecimentos, não há litígio, quanto a essa matéria, a ser decidido nesta fase recursal. Não cabe Recurso Voluntário contra decisão de Primeira Instância sobre matéria impugnada na manifestação de inconformidade e decidida favoravelmente ao contribuinte. O recurso voluntário somente é cabível sobre Fl. 9407DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 matérias cuja decisão a quo foi desfavorável. Se a decisão de primeira instância lhe foi favorável, não há litígio a ser decidido em segunda instância. O Decreto nº 70.235/72, assim dispõe quanto à equívocos nas decisões: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. (destaque não original) Por sua vez a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplinava a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), vigente na data em que o contribuinte foi intimado do acórdão recorrido, assim dispunha: Art. 27. O requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão ou do sujeito passivo, para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, será rejeitado por despacho irrecorrível do Presidente da Turma, quando não demonstrar, com precisão, a inexatidão ou o erro. Já a Portaria ME nº 340, de 08/10/2020, vigente e que revogou aquela, assim dispõe: Art. 39. Será proferido novo acórdão para a correção de inexatidões materiais devido a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, mediante requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão ou do sujeito passivo. § 1º O requerimento de que trata o caput será rejeitado, por despacho irrecorrível do Presidente da Turma, caso não seja demonstrado, com precisão, a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o Presidente da Turma entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o julgador relator ou, na impossibilidade deste, outro julgador designado. Assim, caberia ao contribuinte ter apresentado requerimento ao Presidente da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, solicitando a correção do valor da glosa revertida por ela. Assim, não conheceu dessa matéria. c.3) Fretes entre estabelecimentos para a transferência de produtos acabados A Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos da Cofins não cumulativa, calculados sobre despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Este direito foi estendido para PIS, conforme disposto no art. 15, inciso IX, dessa mesma lei. Segundo o inciso IX do art. 3º daquela lei, as despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, quando o ônus for suportado pelo produtor/vendedor. Trata-se de hipótese restrita. Por isso, entendo que o valor do frete de produtos acabados entre estabelecimentos não dá direito a descontar créditos, pelos seguintes motivos: por não se enquadrar no disposto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003; por não se subsumir ao conceito de insumo, visto que se trata de produtos acabados; e, ainda por não se enquadrar no disposto no inciso IX do mesmo artigo, por ter ocorrido antes da operação de venda. Fl. 9408DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 Adicionalmente, com relação à possibilidade de aproveitamento de créditos sobre gastos com frete mercadorias entre estabelecimentos, de acordo com o Parecer Cosit nº 05 de 2018, esses gastos não podem ser considerados insumos. Nesse sentido, cabe referir os parágrafos 55 e 56, a seguir reproduzidos: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para o para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras (Grifei). Esse também é o entendimento do STJ no julgamento do AgRg nº REsp 1.386.141/AL e no AgInt no AgInt bi REsp nº 1.763.878/RS, Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 1º/03/2019. Dessa forma, como tais despesas não foram incorridas com fretes nas operações de venda, a glosa dos créditos deve ser mantida. d) Fretes na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições, como à alíquota zero, isenção e suspensão; na aquisição de cooperado; e, sobre bens que não se enquadram como insumo: d.1) Fretes na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições, como à alíquota zero, isenção e suspensão O desconto de créditos das contribuições sobre os custos de insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda está previsto no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Os fretes incorridos na operação de compra de insumos, suportados pelo adquirente, integram o custo da matéria-prima adquirida. Assim, a parte da matéria-prima onerada pelas contribuições dá direito ao desconto de créditos. No presente caso, os fretes foram contratados com pessoas jurídicas e tributados pela contribuição para o PIS e para a Cofins. Dessa forma, a glosa dos créditos sobre custos dos fretes incorridos com a aquisição de insumos, ainda que desonerados das contribuições, deve ser revertida. d.2) Fretes sobre aquisições de cooperados Neste item, defendeu o direito de descontar créditos sobre fretes incorridos com na aquisição de bens de cooperados, sob o mesmo fundamento do item anterior (d.1). Assim, com o mesmo fundamento do item imediatamente anterior (6.6), a glosa dos créditos sobre tais fretes deve ser revertida. d.3) Fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso comum Fl. 9409DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 Segundo o inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, apenas os bens e serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados a venda e na prestação de serviços dão direito ao desconto de créditos das contribuições. A recorrente reconheceu que o fundamento da DRJ para manter a glosa sobre as despesas dos fretes, em discussão neste item, foi a falta de identificação dos bens transportados. Nos autos não há elementos que permitam identificá-los como insumos do processo de produção dos bens destinados à venda. No Recurso Voluntário, informou que a relação dos documentos que compõem a base de cálculo dos créditos glosados consta no Anexo V do presente recurso, que corresponde ao Anexo XVI da manifestação de inconformidade. No entanto, do exame do Anexo V, não há como identificar a natureza dos produtos transportados. Naquele anexo “Relação dos Conhecimentos de Transporte Relativos a Fretes sobre Aquisição de Materiais de Embalagem” constam: mês; CNPJ Unidade; Nº Doc.; CNPJ Transportador; Nome do Transportador, Nº NF Transportada; Cód. Mercadoria Transportada; CNPJ Cliente/Fornecedor; e Valor da Base de Cálculo PIS/Pasep e Confins. Já no Anexo XVI, do exame das notas fiscais, verificamos que em algumas não há identificação dos produtos em outras a descrição é genérica, em que constam: conforme NFs e/ ou diversos volumes; nas nota fiscais em que foram identificados, contam aquisição de peças, calçados e bolsas de couro, fitas e produtos químicos. Não há como saber onde foram utilizados, se processamento/industrialização, se na fábrica de ração ou outro departamento. Assim, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, deve ser mantida. e) Fretes sobre vendas com suspensão Trata-se de fretes sobre vendas de produtos (mercadorias) com suspensão das contribuições, tais como, ração, aves-matriz, bisteca, costela e lombo suínos resfriados/congelados, frangos resfriados/congelados, entre outros. O desconto de créditos das contribuições sobre fretes na operação de vendas está previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, em relação à Cofins, e no art. 15, inciso II, dessa mesma lei, quanto ao PIS. O fato de as despesas de fretes terem sido incorridos com o transporte de mercadorias vendidas com suspensão das contribuições não veda o direito do contribuinte descontar créditos. A condição para o desconto o suporte do frete pelo vendedor, a incidência das contribuições nos fretes pagos e comprovação da despesas mediante documento fiscal emitido pela pessoa jurídica prestadora do serviços. Assim, a glosa dos créditos sobre as despesas com fretes na operação de venda com suspensão das contribuições deve ser revertida. f) Fretes sobre aquisição de leite in natura, sem direito a crédito O frete na aquisição de leite in natura integra o custo da matéria-prima utilizada nos produtos processados/industrializados na unidade de produtos lácteos da recorrente. A aquisição do leite gera crédito presumido da agroindústria pelo fato de ter sido adquirido sem o pagamento das contribuições. No entanto, o custo do frete na sua aquisição integra o custo da matéria-prima utilizado no processamento do leite pasteurizado e na industrialização para produção de derivados, queijos, manteiga, iogurtes e outros produto, Fl. 9410DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 enquadrando-se como insumo nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Dessa forma, a glosa dos créditos sobre os custos/despesas com frete na aquisição de leite in natura deve ser revertida. g) Serviços na fábrica de ração A recorrente alegou no Recurso Voluntário que: “A DRJ/CTA deu integral provimento à Manifestação de Inconformidade, ou seja, reverteu as glosas perpetradas pela fiscalização. No entanto, ao efetuar o cálculo do valor do crédito revertido, incorreu em grave equívoco”. Ora, se a decisão a quo já reconheceu o direito de a recorrente descontar créditos das contribuições sobre os serviços na fábrica de ração, não há litígio, quanto a essa matéria, a ser decidido nesta fase recursal. Assim, com o mesmo fundamento do c.2, não conheço dessa matéria. Caberia ao contribuinte ter apresentado requerimento ao Presidente da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, solicitando a correção do valor da glosa revertida por ela. h) Serviços que não se agregam ao produto A recorrente defende o direito de descontar créditos sobre os seguintes gastos: 1) royalties - utilização genética na suinocultura e avicultura: e, 2) serviços de saúde As glosas, segundo consta do Recurso Voluntário, foram sobre os gastos incorridos com: “royalties-material genético”; e serviços de saúde; A recorrente tem como atividades econômicas, dentre aa suinocultura e a avicultura, produzindo e fornecendo para seus cooperados, pessoas físicas e jurídicas (cooperativas singulares) pintinhos de um dia e leitões para terminação no sistema integrado. Para estas atividade utilização matrizes de alto padrão genético. Pela utilização da genética avançada, paga royalties aos detentores das tecnologias de produção dos referidos animais para as empresas Agroceres PIC, Geneticporc, Embrapa e outras. As despesas incorridas com o pagamento de royalties para a produção das aves suínos, destinados ao abate e processamento/industrialização dos bens vendidos, são imprescindíveis ao desenvolvimento da atividade econômica da recorrente; assim, enquadram-se no conceito de insumos, dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Dessa forma, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF, adota-se, para os custos/despesas com serviços “Royalties - Material Genético Suíno”, o mesmo entendimento do STJ, naquele REsp, para reverter a glosa dos créditos apenas sobre esta rubrica. Já as despesas incorridas com saúde dos colaboradores (empregados) referentes a consultas médicas, gastos hospitalares, com clínicas e laboratórios não constituem insumos dos bens produzidos nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.211.170/PR, devendo ser mantida a glosa dos créditos. Assim, deve ser revertida a glosa apenas sobre os custos/despesas incorridos com royalties referente à genética aplicada na suinocultura e avicultura. Fl. 9411DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 i) Bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento A recorrente discordou da glosa de créditos sobre bens e serviços, no valor R$3.498.214,85 (base de cálculo), sob o argumento de que, no pedido de ressarcimento não foram incluídos créditos descontados sobre esse valor; embora os documentos fiscais tenham sido emitidos em julho, agosto e setembro de 2012, objeto do PER em discussão, o recebimento das mercadorias ocorreu no 4º trimestre de 2012; assim, os créditos foram descontados/aproveitados no 4º trimestre de 2012, quando foram escriturados. Do exame da manifestação de inconformidade, verificamos que a planilha elaborada pela Fiscalização e reproduzida no item II.2.2. “Outras incorreções em relação a créditos informados na Linha 02 – Bens utilizados como insumos e Linha 03 – Serviços utilizados como insumos (Item 2.3.2, p. 17-27), foram glosados créditos de período diverso do PER em discussão, calculados sobre o referido valor. Assim, levando em conta que os crédito descontados sobre aquele valor não constaram do valor do PER em discussão, a glosa deve ser revertida. II.3) Despesas de armazenagem de mercadorias e fretes na operação de venda: a) Fretes sobre transferência entre unidades Conforme consta do Recurso Voluntário, de fato, trata-se de fretes na transferência de produtos acabados entre as unidades da recorrente. O direito ao créditos sobre tais despesas já foi decidido nos itens I1.1.2 e II.2.2.c.3, Fretes entre estabelecimentos para a transferência de produtos acabados, deste voto. Assim, com o mesmo fundamento daqueles itens, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser mantida. b) Fretes sobre sistema de parceria (integração) O direito ao créditos sobre os custos/despesas com o sistema de parceria também já foi objeto deste voto, mais especificamente no item II.2.2.c.1, Fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e raçoes (insumos). Assim, com o mesmo fundamento daquele item, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser revertida. c) Fretes sobre operações de cooperados Neste item, defendeu o direito de descontar créditos sobre fretes incorridos com fornecimento e recebimento de bens a cooperados. Também, trata de matéria já decidida neste voto. Os fretes no fornecimento de bens para os cooperados constituem despesas na operação de venda e os fretes no recebimento (aquisição) de bens constituem custos dos bens utilizados como insumos e/ ou destinados à venda. O desconto de créditos sobre tais fretes está previsto nos incisos IX e II, respectivamente, do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre fretes no fornecimento de bens para cooperados deve ser revertida. d) Fretes sobre remessa de mercadoria para armazenagem Fl. 9412DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 A Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos das contribuições sobre despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Este direito foi estendido para PIS, conforme disposto no art. 15, inciso IX, dessa mesma lei. Segundo aquele dispositivo legal, o desconto de crédito é sobre as despesas com fretes na operação de venda e não sobre fretes para movimentação de mercadorias entre armazéns e depósitos de terceiros. Assim, tais despesas não se enquadram no referido inciso nem conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, devendo ser mantida a glosa dos créditos. e) Fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento Neste item, discordou da glosa dos créditos descontados sobre uma base de cálculo no valor de R$37.478,44, sob o argumento de que, embora os documentos fiscais refiram-se ao 3º trimestre de 2012, objeto do PER em discussão, as operações, de fato, ocorreram em no 4º trimestre desse mesmo ano, quando os créditos foram descontados/aproveitados. Do exame da manifestação de inconformidade, verificamos que a planilha elaborada pela Fiscalização e reproduzida no item II.3, “Glosa de Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda – Linha 07, Fichas 06-A e 16-A do Dacon – Documentos Relacionados no Anexo VII e VIII, do Relatório Fiscal”, foram glosados créditos de período diverso do PER em discussão, calculados sobre o referido valor. Assim, levando em conta que os crédito descontados sobre aquele valor não constaram do valor do PER em discussão, a glosa deve ser revertida. II.4. Créditos presumidos – atividades agroindustriais: a) Alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado A recorrente defende o direito de alocar os créditos presumidos na proporção das receitas tributadas, não tributadas no mercado interno e de exportação. Os §§ 7º a 9º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, dispõe sobre o rateio das receitas, no caso de o sujeito passivo, ter parte de suas receitas submetidas à tributação das contribuições pelo regime cumulativo e parte pelo regime não cumulativo, visando à a apuração dos créditos descontados. O disposto nesses dispositivos legais aplica-se também ao rateio proporcional das receitas nos casos em que parte das receitas são tributadas e parte desoneradas. A IN RFB nº 1.911/2019 que trata das contribuições para o PIS e Cofins, assim dispõe quanto à apuração de créditos, nos casos em que o sujeito tem parte das suas receitas tributadas e parte desoneradas: Art. 226. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação a apenas parte de suas receitas, o crédito deve ser calculado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas (Lei nº 10.637, de Fl. 9413DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 2002, art. 3º, § 7º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 7º; e Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 1º Para efeito do disposto neste artigo, a pessoa jurídica deve registrar, a cada mês, destacadamente para a modalidade de incidência referida no caput e para aquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, as parcelas: I - dos custos, das despesas e dos encargos de que tratam os arts. 171, 173 e 181, observado o disposto no art. 164; e II - do custo de aquisição dos bens e serviços de que trata o art. 171 adquiridos de pessoas físicas, observado o disposto nos arts. 504 a 530. § 2º Para efeito do disposto neste artigo, o valor a ser registrado deve ser determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º, incisos I e II; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, incisos I e II): I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns à relação percentual existente entre a receita bruta sujeita ao regime de apuração não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 3º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso I do § 2º, devem ser aplicados sobre o valor de aquisição de insumos, dos custos e das despesas, referentes ao mês de apuração, critérios de apropriação por rateio que confiram adequada distribuição entre os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração não cumulativa e os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração cumulativa. § 4º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso II do § 1º, a receita bruta total objeto do rateio proporcional corresponderá à soma das receitas de venda de bens e serviços auferidas pela pessoa jurídica nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º, § 1º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, § 1º). § 5º O método eleito pela pessoa jurídica, referido no § 2º, deve ser aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, tendo de ser o mesmo para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 9º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 9º). § 6º As disposições deste artigo aplicam-se independentemente de os créditos serem decorrentes de operações relativas ao mercado interno ou do pagamento das contribuições incidentes na importação (Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 7º O disposto neste artigo aplica-se também para apuração dos créditos vinculados às receitas de exportação e às receitas sujeitas a suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, e art. 6º, § 3º; e Lei nº 11.033, de 2004, art. 17). Ora, segundo o disposto nos §§ 4º e 7º, tendo o contribuinte optado pelo rateio proporcional das receitas para o cálculo dos créditos presumidos, como no presente caso, os créditos descontados sobre os custos vinculados às receitas devem ser alocados para os respectivos mercados aos quais estão vinculadas. Dessa forma, acolho o pedido da recorrente, reconhecendo seu direito de alocar os créditos presumidos de acordo com a vinculação das receitas: mercado Fl. 9414DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 interno; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo. b) Redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos, aves, milho trigo e lenha Neste item, defendeu o cálculo do crédito presumido da agroindústria sobre aquisição de suínos, leitões para terminação, aves para abate, milho, milho extrusado, lenha e carvão vegetal, insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, no percentual de 60,0 % das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e não no percentual de 35,0 % utilizado pela Fiscalização. O percentual da alíquota do cálculo do crédito presumido do PIS/Cofins agroindústria constitui matéria sumulada pelo CARF, nos termos da Súmula nº 157 que assim dispõe: Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. No presente caso, conforme já demonstrado anteriormente, o contribuinte tem como atividade econômica, dentre outras, a agroindústria, com frigoríficos de abate de animais (aves e suinos), processamento de carne, produção de alimentos destinados à alimentação humana e animal e rações destinada à alimentação animal. Assim, por força do disposto no art. 72, caput, do RICARF, aplica-se ao presente caso essa súmula, reconhecendo o direito de a recorrente apurar o crédito presumido no percentual de 60,0 % das alíquotas previstas no art. 2º, caput, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, de acordo com a mercadoria produzida. c) Estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60%, em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010 A Fiscalização glosou os créditos sob o fundamento de que, com a entrada em vigor do art. 57 da Lei nº 12.350/2010, a recorrente não podia mais se beneficiar do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 prevê o desconto de créditos presumidos da agroindústria sobre os bens referidos no inciso II do art. 3º, caput, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, adquirido de pessoa física ou recebido de cooperado pessoa física, calculados no percentual de 60,0% das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por sua vez, o art. 55 da Lei nº 12.350/2010 prevê que as pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03 (carne suína fresca/congelada), 0206.30.00 (miudezas de suínos frescas) 0206.4 (miudezas de suínos congeladas), 02.07 (carnes de miudezas de aves frescas, resfriadas e congeladas) e 0210.1 (carnes suínas) da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar créditos presumidos sobre o valor dos bens (insumos) classificados nas posições 10.01 a 10.08 (cereais), exceto dos códigos 1006.20 (arroz descascado) e 1006.30 (arroz semi/branqueado), 12.01 (soja), 23.04 e 23.06 (ambos tortas e outros resíduos sólidos da extração de gordura/óleo vegetal), Fl. 9415DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 01.03 (suínos vivos), 01.05 (aves vivas) da NCM, e o valor das preparações classificadas no código 2309.90 da NCM, utilizadas na alimentação de suínos e aves, adquirido de pessoa física ou recebido de cooperado pessoa física, bem como de pessoa jurídica. O art. 57 da Lei nº 12.350/2010 determinou que a partir de 1º/01/2011 não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 às mercadorias ou produtos classificados nos códigos 02.03 (carne suína frescas/congelada), 0206.30.00 (miudezas de suínos frescas), 0206.4 ((miudezas de suínos congeladas), 02.07 (carnes e miudezas de aves), 0210.1 (carne suína) e 2309.90 (outra preparações para animais) da NCM. Do exposto, concluímos que, para os insumos (custos/despesas) utilizados na produção dos bens exportados classificados/discriminados no parágrafo imediatamente anterior, não mais se aplica o disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ou seja, a pessoa jurídica não tem mais direito ao crédito presumido sobre os custos/despesas utilizados como insumos na produção daqueles bens (mercadorias). No entanto, smj, na produção dos demais bens previstos no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, excepcionados os expressamente elencados no art. 55 da Lei nº 12.350/2010, persiste o direito ao crédito presumido da agroindústria nos termos do art. 8º daquela lei. Assim, a glosa dos créditos descontados dos insumos utilizados na produção dos bens previstos no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, excepcionados os bens (mercadorias/produtos) elencados no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, deve ser revertida. d) Crédito presumido de 30% - estorno de crédito em relação à produção de ração vendida com suspensão A recorrente alegou que a Fiscalização efetuou a glosa não só da ração vendida para terceiros com a suspensão das contribuições, mas de toda a produção, inclusive, da utilizada para o sistema integração/parceria. A DRJ considerou correto o procedimento adotado pela Fiscalização, sob o argumento de que o estorno (glosa) de créditos restringiu-se aos custos/despesas vinculados à ração vendida, inexistindo glosa quanto à ração fornecida para os parceiros do sistema integração da produção de aves e suínos. A recorrente alegou em seu recurso que apenas as unidades 02 (Chapecó I) e 43 (Erechim) vendem uma pequena parcela da ração produzida por ela. Segundo o demonstrativo do cálculo presumido da agroindústria elaborado por ela, o total de ração produzida no mês de julho/2012 foi de 41.118,0 toneladas, sendo que 6,13 % foi vendida e 94,87 utilizado nas parcerias. Já no Anexo VII, contendo: “a) Relatório de Controle de Produção de Ração Destinada à Alimentação de Animais Vivos; e b) Relatório de Notas Fiscais de Vendas de Produtos Destinados à Alimentação de Animais Vivos Classificadas na NCM 2309.90”, juntado ao Recurso Voluntário, consta produção/movimentação de ração pelas duas unidades referidas, no total de 41.117,8 toneladas e vendas no valor total de R$35.705.147,76. No despacho/relatório de auditoria nº 1404/2017-Saort/DRF/JOA, parte integrante do Despacho Decisório, está demonstrado os valores dos custos/despesas cujos créditos foram estornados. Para o mês de julho/2012, foi Fl. 9416DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 estornado o valor de custos/despesas, vinculados à ração vendida para terceiros pelas duas Unidades, no total R$1.788.124,63. Ora, levando-se em conta a informação da própria recorrente de que a ração vendida representa 6,13 % do total da produção física, e, ainda, considerando que o valor total das vendas para terceiros, no mês de julho/2012 (R$1.788.124,63), representou 5,01% da venda total, concluímos com segurança que o estorno efetuado pela Fiscalização foi somente dos créditos vinculados à venda para terceiros, inexistindo prova de que houve estorno dos créditos vinculados a toda produção. Assim, não há que se falar em reversão da glosa de créditos descontados sobre custos/despesas vinculados à produção da ração utilizada nas parceiras. e) Glosa do crédito presumido previsto no art. 55 da Lei nº 12.350/2010, incorretamente solicitado através de pedido eletrônico A Fiscalização glosou o valor de R$2.440.636,19 relativo ao crédito presumido de que trata esse dispositivo legal, sob o argumento de que não haveria amparo legal para incluir esse valor no pedido eletrônico em discussão. A recorrente alegou que tal justificativa é descabida e não tem amparo legal, devendo ser revertida a glosa daquele valor. Do exame dos autos, verificamos que aquele valor foi objeto de outro processo administrativo de nº 13982.720070/2018-51. Em consulta realizada no e-Processo, verificamos que aquele processo, no qual a recorrente pleiteou o mesmo valor de R$2.440.636,19, encontra-se ainda pendente de decisão definitiva. Na data em que efetuamos a consulta, estava na equipe EQAUD4-PISCOFINS-EQAUD-DEVAT09-VR, na atividade Emitir Parecer/Despacho. Ora, esse mesmo pedido de ressarcimento não pode ser objeto de mais de um processo administrativo, sob risco de decisão favorável e/ ou parcialmente favorável ao contribuinte implicar na duplicidade do valor ressarcido. O direito ao ressarcimento ou não do valor de R$2.440.636,19 será decidido no PER, objeto do outro processo administrativo de nº 13982.720070/2018-51. Assim, a glosa no valor R$2.440.636,19 deve ser mantida. f) Exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de “crédito diferido – valor excluído mês” Neste item, a recorrente alegou que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do valor do crédito presumido da agroindústria para as cooperativas de produção agroindustrial. Na decisão recorrida, esta matéria foi bem analisada e fundamentada. Assim, como comungo dos mesmos fundamentos da decisão recorrida, de relatoria do julgador Marcelo Miranda Ribeiro da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, adoto, em relação essa matéria, a sua decisão, como fundamento do meu voto, literalmente: Pois bem, por primeiro é se observar que a fiscalização sabe que a limitação do crédito presumido do art. 9º da Lei n.º 11.051/2004 limita-se ao saldo a pagar de PIS e de Cofins, pois assim explicou no Despacho Decisório: Ainda em relação a utilização do crédito, o art. 9º da Lei n.º 11.051, de 29 de dezembro de 2004, esclarece que o valor do crédito presumido relativo aos bens Fl. 9417DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 recebidos de cooperados limitam-se ao saldo a pagar do PIS e da COFINS decorrentes das vendas de produtos dele derivados. Ademais, deve-se observar que o direito ao crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n.º 10.925/2004, calculado sobre insumos de bens recebidos de cooperados, limita-se ao valor devido de PIS/Pasep e de Cofins. Não há na norma nada que determine que, caso o valor do referido crédito calculado em determinado período de apuração supere o montante das contribuições a pagar, o valor excedente possa ser transposto para o período seguinte. Veja a norma: Art. 9º O direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, recebidos de cooperado, fica limitado para as operações de mercado interno, em cada período de apuração, ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em relação à receita bruta decorrente da venda de bens e de produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. (Vigência) (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 1º . O disposto neste artigo aplica-se também ao crédito presumido de que trata o art. 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. § 2º O disposto neste artigo não se aplica no caso de recebimento, por cooperativa, de leite in natura de cooperado. Além disso, é de se registrar que a contribuinte não demonstrou que outras exclusões, além das previstas no art. 15 da MP n.º 2.158-35/2001, foram feitas pela autoridade a quo. Igualmente, não demonstrou que a fiscalização incluiu no cálculo da limitação porventura existente créditos relativos às aquisições de não cooperados. Não comprovou, outrossim, qual valor teria remanescido de períodos de apuração anteriores que deveriam ser transpostos, se fosse possível, para os meses analisados neste processo. Deve-se registrar, também, que houve reapuração do crédito presumido em tela (art. 8° da Lei n.º 10.925/2004) com a aplicação do percentual de 35% (e não 60% como feito pela fiscalizada), tema que já foi acima discutido acima e que resultou num valor menor do crédito deferido à interessada. Portanto, correto o critério adotado pela Fiscalização quanto à utilização dos créditos para abater os débitos apurados mensalmente. Assim, mantenho a decisão a quo neste item, negando-lhe provimento. II.5) Insumos importados A Fiscalização glosou os créditos sobre insumos importados sob o argumento de que não se enquadram no inciso II do art. 3º Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. A recorrente alega que se trata de aquisição de peças importadas necessárias ao seu processo produtivo e, portanto, devem ser considerados insumos. Como prova, citou e apresentou o Anexo XXXII onde os bens estão discriminados. Do exame daquele anexo e das notas fiscais de importações (amostragem), verificamos que se trata da aquisição de peças e equipamentos para reposição e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados em suas plantas industriais, abrangendo as unidades frigorificas, de lácteos e de fábrica de ração. Os custos/despesas com peças e equipamentos para reposição e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção dos bens destinados à venda Fl. 9418DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 são imprescindíveis ao desenvolvimento das atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente. Assim, tais custos/despesas enquadram-se no conceito de insumos, para efeito de desconto de créditos das contribuições, dado pelo STJ na decisão do julgamen4o do REsp nº 1.221.170/PR, devendo ser revertida a glosa dos créditos. II.6) Da necessária observância da aplicação do índice de rateio informado no Dacon retificador A recorrente alegou que as exclusões da base de cálculo, próprias das sociedades cooperativas, previstas no art. 11 da IN SRF nº 635/2006, têm natureza de isenções; assim poderiam ser enquadradas no art. 17 da Lei nº 11.0333/2004, o que implicaria no direito de compensar os respectivos créditos, nos termos dos incisos I e II do art. 16 da Lei nº 11.116/2015. Alegou também que este foi o entendimento da RFB esposado na Consulta de nº 46/2012, feita por ela própria. Assim, retificou os Dacon para alterar os índices do rateio proporcional para alocar as exclusões das bases de cálculo realizadas nos termos do art. 11, incisos II e V, da IN SRF Nº 635/2006, visando garantir seu direito à compensação dos créditos vinculados aos custos previstos nesses incisos. A IN SRF nº 635/2006, então vigente, assim dispunha: Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I -exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II -exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; (...) IV -exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; V -dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; (...) Por sua vez, a Lei nº 11.033/2004, assim dispõe: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Já a Lei nº 11.116/2005, estabelece: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003,e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004,poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 9419DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Na Consulta nº 46/2012 apresentada pela recorrente, a SRRF09/Disit da RFB assim concluiu: (...) Diante do exposto, soluciona-se a consulta respondendo à interessada que os ajustes de base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins previstos no art. 11, II e V, da IN SRF nº 635, de 2006, não impedem a manutenção dos créditos porventura apurados na forma do art. 3ª, II da Lei n' 10.637, de 2002 e no art. 3' da Lei n' 10.833, de 2003, consoante previsto no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004. (grifos nossos) Da análise desses dispositivos legais, verificamos que o art. 11 da IN SRF nº 635/2006 trata de exclusões das bases de cálculo do PIS e da Cofins, por parte das cooperativas de produção agroindustrial, para a apuração do valor devido sobre o faturamento mensal; o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 trata de vendas desoneradas das contribuições cujos custos de aquisição para revenda e/ ou dos insumos utilizados na produção dos bens vendidos foram onerados, ou seja, sofreram a incidências das contribuições; e, finalmente, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 trata de créditos básicos previstos no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15 da Lei nº 10.865/2004. Quanto à solução na Consulta nº 46/2012, ao contrário do entendimento da recorrente, a SRRF09/Disit da RFB apenas reconheceu que os ajustes de base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins previstos no art. 11, II e V, da IN SRF nº 635, de 2006, não impedem a manutenção dos créditos porventura apurados na forma do art. 3ª, II da Lei n' 10.637, de 2002 e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, consoante previsto no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Portanto, não há que se falar em retificação de Dacon para incluir receitas decorrentes de operações com cooperados, seja na aquisição de bens para comercialização e/ ou de bens utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda. Assim, não conheço dessa matéria. III) Atualização monetária do crédito pela taxa Selic A recorrente carreou aos autos cópia do Mandado de Segurança Nº 5002894- 04.2018.4.04.7203/SC, apresentado contra o Delegado da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC no qual requereu, dentre outros pedidos, que a autoridade coatora compelida efetue o ressarcimento dos créditos do PIS e da Cofins atualizado pela taxa Selic depois de transcorrido o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do respectivo protocolo administrativo. Ora, a opção do contribuinte pela via judiciária para a discussão do seu direito ao ressarcimento do saldo credor das contribuições, atualizado monetariamente pela Selic, em discussão neste processo administrativo, implicou renúncia ao poder de recorrer administrativamente, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decreto-lei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Trata-se de matéria sumulada pelo CARF nos termos da Súmula Vinculante nº 01, literalmente: Súmula CARF nº 1 Fl. 9420DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, por força no disposto no art. 72, do RICARF, obrigatoriamente, aplica- se esta súmula ao presente caso, para não conhecer do Recurso Voluntário, quanto à atualização monetária do ressarcimento deferido. Em face do exposto, não conheço do recurso voluntário do contribuinte quanto: 1) fretes na transferência de insumos de produção; 2) serviços na fábrica de ração; 3) da necessária observância da aplicação do índice de rateio do Dacon retificador; e, 4) à atualização do ressarcimento pleiteado/deferido pela Taxa Selic; e, na parte conhecida, dou-lhe provimento parcial para reverter as glosas dos créditos descontados sobre e/ ou decorrentes de: 1) fretes nas aquisições de bens (insumos/mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, isenção, suspensão); 2) bens não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 3) material de embalagem e etiquetas; 4) fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e rações (insumos); 5) fretes nas aquisições de cooperados; 6) fretes nas vendas de bens (mercadorias) com suspensão da contribuição; 7) fretes na aquisição de leite in natura (insumo); 8) custos/despesas incorridos com royalties referentes à genética aplicada na suinocultura e avicultura; 9) bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 10) fretes nas operações com cooperados (fornecimento/recebimento de bens – mercadorias e insumos): 11) fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 12) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 13) redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos, aves, milho, trigo e lenha (insumos); 14) estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60,0% em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, excepcionados os insumos utilizados na produção dos bens elencados do art. 55 desta lei; e, 15) insumos importados (peças de reposição e manutenção das máquinas e equipamentos) utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial para reverter as glosas dos créditos descontados sobre e/ ou decorrentes de: 1) fretes nas aquisições de bens (insumos/mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, isenção, suspensão); 2) bens não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 3) material de embalagem e etiquetas; 4) fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e rações (insumos); 5) fretes nas aquisições de cooperados; 6) fretes nas vendas de bens (mercadorias) com suspensão da contribuição; 7) fretes Fl. 9421DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 3301-012.367 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900877/2017-81 na aquisição de leite in natura (insumo); 8) custos/despesas incorridos com royalties referentes à genética aplicada na suinocultura e avicultura; 9) bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 10) fretes nas operações com cooperados (fornecimento/recebimento de bens – mercadorias e insumos): 11) fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 12) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 13) redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos, aves, milho, trigo e lenha (insumos); 14) estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60,0% em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, excepcionados os insumos utilizados na produção dos bens elencados do art. 55 desta lei; e, 15) insumos importados (peças de reposição e manutenção das máquinas e equipamentos) utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 9422DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724139/2014-37
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2011
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, para eventual apuração de Imposto de Renda Pessoa Física - Suplementar, sobre o qual incidem Multa de Ofício e Juros de Mora.
NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF N. 33.
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento.
REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, ART. 57
Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada.
Numero da decisão: 2003-004.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Aug 19 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202306
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2011 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, para eventual apuração de Imposto de Renda Pessoa Física - Suplementar, sobre o qual incidem Multa de Ofício e Juros de Mora. NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF N. 33. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento. REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, ART. 57 Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10830.724139/2014-37
anomes_publicacao_s : 202308
conteudo_id_s : 6914739
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2003-004.783
nome_arquivo_s : Decisao_10830724139201437.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10830724139201437_6914739.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2023
id : 10040785
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Aug 19 09:03:20 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1774647572298727424
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-11T13:23:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-11T13:23:22Z; Last-Modified: 2023-08-11T13:23:22Z; dcterms:modified: 2023-08-11T13:23:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-11T13:23:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-11T13:23:22Z; meta:save-date: 2023-08-11T13:23:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-11T13:23:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-11T13:23:22Z; created: 2023-08-11T13:23:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-08-11T13:23:22Z; pdf:charsPerPage: 2007; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-11T13:23:22Z | Conteúdo => S2-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10830.724139/2014-37 Recurso Voluntário Acórdão nº 2003-004.783 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 28 de junho de 2023 Recorrente SANDRA HELENA LEHN Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2011 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, para eventual apuração de Imposto de Renda Pessoa Física - Suplementar, sobre o qual incidem Multa de Ofício e Juros de Mora. NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF N. 33. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento. REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, ART. 57 Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 41 39 /2 01 4- 37 Fl. 85DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-004.783 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.724139/2014-37 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 42 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 31 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 05 e ss.), lavrada pela constatação de Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício. Por retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 06, em 07/07/2014, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do ano- calendário 2011, onde foi constatada a omissão de rendimentos recebidos por seu dependente, pagos pela Barros & Barros Esquadrias Metálicas Ltda., no valor de R$ 16.945,06. Cientificada do lançamento em 14/07/2014 (fl. 26), a contribuinte apresentou, em 05/08/2014, a impugnação de fls. 02 e 03, alegando em suma, que: 1 - os rendimentos foram recebidos por seu filho; 2 - solicitou a retificação do lançamento, via SRL, que foi acolhida quanto ao pedido de exclusão de seu filho como dependente; 3 - entretanto, não foram retirados os rendimentos de seu filho de sua DIRPF; 4 - procedeu à entrega da DIRPF em nome de seu filho, mesmo sem obrigação legal, apenas para ratificar que os rendimentos tributáveis não são seus. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE. Não tendo oferecido à tributação rendimentos tributáveis auferidos por dependente devidamente relacionado em sua declaração, é correta a sua inclusão pela fiscalização. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/08/2015 (e-fls. 39), o sujeito passivo interpôs, em 22/09/2015 (e-fls. 42), Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que a omissão de rendimentos de dependente é improcedente, repisando os argumentos impugnatórios e afastando intenção de dolo ou dissimulação. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Ricardo Chiavegatto De Lima - Relator(a) Fl. 86DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-004.783 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.724139/2014-37 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício no valor de R$16.945,06. Não são apresentados quesitos preliminares no Recurso voluntário. Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Voto ... Observa-se, dos argumentos apresentados, que a recorrente não nega o fato de seu dependente ter auferido rendimentos do trabalho da fonte pagadora informada na notificação. Em formulário próprio, a impugnante solicitou a retificação do lançamento, pedindo a exclusão de seu filho como dependente. Sobre o tema, impende ressaltar que a contribuinte não era obrigada a declarar dependentes. Desse modo, a autuada poderia ter optado por não incluir Michel Xavier de Barros como dependente na Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do exercício 2012, caso tivesse entendido que isso não seria vantajoso, eis que, no ano-calendário correspondente, o dependente auferiu renda própria. No entanto, escolheu incluí-lo como dependente em sua declaração e beneficiar-se da respectiva dedução da base de cálculo do imposto. Só que, feito isso, deveria ter declarado também todos os rendimentos do dependente, os quais deveriam ter sido somados aos da declarante, no cômputo da base de cálculo do imposto correspondente ao exercício. Vejamos o que esclarece a pergunta 319 do Perguntas e Respostas IRPF 2012, a seguir reproduzida: 319 — Quem pode ser dependente de acordo com a legislação tributária? Podem ser dependentes, para efeito do imposto de renda: 1 - companheiro(a) com quem o contribuinte tenha filho ou viva há mais de 5 anos, ou cônjuge; 2 - filho(a) ou enteado(a), até 21 anos de idade, ou, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; 3 - filho(a) ou enteado(a), se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, até 24 anos de idade; (...) Atenção: O fato de os dependentes receberem no ano-calendário rendimentos tributáveis ou não, não descaracteriza essa condição, desde que os rendimentos sejam informados pelo declarante de acordo com a sua natureza. (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35; Lei n º 11.119, de 2005, art. 1 º ; RIR/1999, art. 77, § 1 º ; IN SRF n º 15, de 2001, art. 38) (g.n.) Sendo assim, não se consubstancia erro na DIRPF, apenas o exercício da faculdade de inclusão de dependente nos termos previstos na legislação em vigência. Tendo em vista que os rendimentos do dependente não foram declarados pela contribuinte, deu-se a omissão de rendimentos, apurada pela fiscalização. Fl. 87DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-004.783 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.724139/2014-37 Ao contrário do que afirma a impugnante, a SRL foi deferida parcialmente (fl. 04) apenas para permitir a compensação da Contribuição à Previdência Oficial deduzida pelo dependente. Em momento algum a fiscalização retificou o lançamento para excluir o dependente de sua declaração de ajuste. (ora grifado) Ocorre que a retificação de declaração a pedido do contribuinte, quando importa em redução ou exclusão de tributo, só pode ser admitida uma vez comprovado ter havido erro na declaração e antes de o contribuinte ter sido notificado do lançamento. Vejamos o que prescreve o artigo 147 da Lei n.º 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. [...] (g.n.) Assim também já entendeu o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF: Acórdão nº 2801-003.763, de 08/10/2014 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DIRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTO DE DEPENDENTE. Na declaração de ajuste anual do contribuinte devem ser declarados todos os seus rendimentos tributáveis, bem como e de seus dependentes, voluntariamente incluídos nessa condição. ALTERAÇÃO DA DECLARAÇÃO. CTN. A alteração da declaração, por iniciativa do próprio declarante, para exclusão de dependente, com a finalidade de reduzir o tributo devido, só seria possível antes de iniciado o procedimento de ofício tendente a verificar a omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Negado. Acórdão nº 2802-002.876, de 13/05/2014 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. LANÇAMENTO. VINCULAÇÃO À LEI. RAZÕES DE ORDEM PESSOAL. INCLUSÃO DE DEPENDENTE. OPÇÃO. RETIFICAÇÃO VEDADA APÓS O LANÇAMENTO. O lançamento é vinculado à lei. Desta forma, as peculiaridades relatadas para a custear as despesas de dependente e a omissão não intencional desses rendimentos não autorizam a retificação pleiteada na Declaração de Ajuste Anual. Após a notificação do lançamento é vedado retificar a Declaração de Ajuste Anual. A inclusão da mãe como dependente é uma opção do contribuinte, que não se confunde com erro, e implica computar seus rendimentos na base de cálculo do declarante. Tendo em vista que, na hipótese, não restou caracterizada a ocorrência de erro, mas sim, do exercício da faculdade de inclusão do dependente em sua declaração de ajuste anual e considerando que a contribuinte já havia sido notificada do lançamento na data do pedido de retificação da declaração, seu pleito não pode prosperar. O fato do dependente informar os rendimentos em declaração própria, não pode resultar em exclusão na relação de dependência, vez que a mesma, por ter sido apresentada após a ciência da notificação de lançamento, não se caracteriza como opção por restar desprovida de espontaneidade. Isto posto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. ... Fl. 88DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-004.783 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.724139/2014-37 Reforce-se que para afastar os equívocos alegados, a apresentação do cristalino enunciado da Sumula CARF n. 33, abaixo apresentado: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). E por fim, no Direito Tributário, via de regra, a responsabilidade por infrações à legislação fiscal é de ordem objetiva, pois independe da vontade do agente ou responsável, e desnecessária a prova contundente pelo Fisco para seu afastamento. Nesse sentido, cite-se o Código Tributário Nacional, que ao tratar da responsabilidade por infrações, determina em seu artigo 136: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (...) Verifica-se portanto que, apreciados e afastados todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, não há motivo para retificação da Decisão a quo devidamente proferida. Dispositivo Isso posto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 89DF CARF MF Original http://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf
score : 1.0
Numero do processo: 15954.720022/2013-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. INTERNAÇÃO. CASA GERIÁTRICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA MOTIVAR A DEDUTIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual do imposto de renda os pagamentos realizados a título de despesas médicas efetuadas pelo contribuinte e seus dependentes se restar comprovado que os pagamentos efetuados atendem os requisitos legais para dedutibilidade dos valores pagos.
A despesa de internação em clínica geriátrica e/ou instituição de longa permanência para idosos, só poderá ser deduzida se o referido estabelecimento for qualificado como hospital ou se enquadrar como estabelecimento hospitalar.
Mantém a glosa da despesa declarada quando desatendidos os requisitos legais a motivar a respectiva dedução.
JUROS DE MORA À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do art. 161, § 1º, do CTN, artigo 13 da Lei nº 9.065/95, art. 61 da Lei nº.9.430/96 e Súmulas nº 4 e 108 do CARF.
MULTA DE OFÍCIO PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição.
PAF. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei tributária.
Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
Numero da decisão: 2003-004.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Aug 19 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202306
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. INTERNAÇÃO. CASA GERIÁTRICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA MOTIVAR A DEDUTIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual do imposto de renda os pagamentos realizados a título de despesas médicas efetuadas pelo contribuinte e seus dependentes se restar comprovado que os pagamentos efetuados atendem os requisitos legais para dedutibilidade dos valores pagos. A despesa de internação em clínica geriátrica e/ou instituição de longa permanência para idosos, só poderá ser deduzida se o referido estabelecimento for qualificado como hospital ou se enquadrar como estabelecimento hospitalar. Mantém a glosa da despesa declarada quando desatendidos os requisitos legais a motivar a respectiva dedução. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do art. 161, § 1º, do CTN, artigo 13 da Lei nº 9.065/95, art. 61 da Lei nº.9.430/96 e Súmulas nº 4 e 108 do CARF. MULTA DE OFÍCIO PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. PAF. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei tributária. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 15954.720022/2013-11
anomes_publicacao_s : 202308
conteudo_id_s : 6914925
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2003-004.736
nome_arquivo_s : Decisao_15954720022201311.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : WILDERSON BOTTO
nome_arquivo_pdf_s : 15954720022201311_6914925.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
id : 10042192
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Aug 19 09:03:23 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1774647572300824576
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-14T16:55:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-14T16:55:57Z; Last-Modified: 2023-08-14T16:55:57Z; dcterms:modified: 2023-08-14T16:55:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-14T16:55:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-14T16:55:57Z; meta:save-date: 2023-08-14T16:55:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-14T16:55:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-14T16:55:57Z; created: 2023-08-14T16:55:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2023-08-14T16:55:57Z; pdf:charsPerPage: 2148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-14T16:55:57Z | Conteúdo => S2-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15954.720022/2013-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 2003-004.736 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 27 de junho de 2023 Recorrente BOAVENTURA TEODORO DE LIMA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. INTERNAÇÃO. CASA GERIÁTRICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA MOTIVAR A DEDUTIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual do imposto de renda os pagamentos realizados a título de despesas médicas efetuadas pelo contribuinte e seus dependentes se restar comprovado que os pagamentos efetuados atendem os requisitos legais para dedutibilidade dos valores pagos. A despesa de internação em clínica geriátrica e/ou instituição de longa permanência para idosos, só poderá ser deduzida se o referido estabelecimento for qualificado como hospital ou se enquadrar como estabelecimento hospitalar. Mantém a glosa da despesa declarada quando desatendidos os requisitos legais a motivar a respectiva dedução. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do art. 161, § 1º, do CTN, artigo 13 da Lei nº 9.065/95, art. 61 da Lei nº.9.430/96 e Súmulas nº 4 e 108 do CARF. MULTA DE OFÍCIO PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. PAF. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei tributária. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 72 00 22 /2 01 3- 11 Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-004.736 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15954.720022/2013-11 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo excertos do relatório da decisão ora recorrida (fls. 74/84): Mediante Notificação de Lançamento (fls. 28 a 33), cientificado ao contribuinte em 26/02/13 (fl. 71), exige-se o recolhimento do imposto de renda suplementar no valor de R$ 7.596,88 de principal, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até 28/02/13. A notificação foi realizada em virtude de glosa do valor de R$ 27.625,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para a sua dedução, (...). O notificado interpôs impugnação tempestiva (fls. 2 a 23), em 22/03/13, alegando, em resumo, que: 1) As despesas declaradas pelo contribuinte (R$ 27.625,00) refeririam-se efetivamente a despesas médicas e odontológicas despendidas para si e seus dependentes. Dedução de Despesas Médicas: 2) Com relação às despesas médicas e odontológicas, o impugnante já teria entregue os comprovantes de pagamento à fiscalização, razão pela qual tem direito à dedução das despesas declaradas e comprovadas, e seria indevida a glosa. Apresenta novamente os documentos comprobatórios que julga suficientes para comprovar essas despesas. Cita legislação e jurisprudência do CARF. 3) Os valores das despesas declaradas seriam compatíveis com os recebimentos do impugnante. Não haveria nenhum gasto elevado incompatível com a sua condição financeira. 4) Sempre que solicitado, o impugnante teria respondido à fiscalização, fornecendo de imediato todos os elementos de que dispunha, demonstrando, de forma clara, a sua boa- fé. 5) A exigência de cheque para a comprovação das despesas médicas seria necessária somente no caso de não ser possível a prova por documento que preencha os requisitos do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR. Todos os recibos e documentos apresentados cumpririam os requisitos determinados no RIR. Em não aceitando os Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-004.736 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15954.720022/2013-11 documentos apresentados, a fiscalização estaria presumindo, arbitrariamente, a inidoneidade dos mesmos, o que exigiria prova que a fiscalização não apresentou. 6) A notificação de lançamento estaria baseada em mera presunção, pela fiscalização, da falsidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, sem as provas da ocorrência do fato gerador notificado. Dedução à Instituição de Longa Permanência para Idosos 7) Anexa as notas fiscais eletrônicas dos pagamentos, no valor de R$ 18.925,00, realizadas à Instituição de Longa Permanência de Idosos Santa Mônica Ltda, que cumpriria rigorosos requisitos para o seu funcionamento, estipulados pela RDC/ANVISA nº 283, de 26 de setembro de 2005, legislação específica, com a disposição de diversos profissionais da área da saúde, caracterizando-se como um estabelecimento hospitalar, o que respaldaria a dedução pleiteada, com amparo legal disposto pelo § 4º do art. 80 do Decreto nº 3.000/99. 8) Caso não seja entendido da forma como impugnado, requer que o julgamento seja convertido em diligência, para avaliação da Instituição de Longa Permanência para Idosos Santa Mônica Ltda., para constatação de que cumpre os requisitos para ser considerada como hospital ou clínica médica geriátrica. 9) Pelo conceito constitucional de renda, entendido como acréscimo patrimonial, restaria comprovado que os valores mencionados no auto de infração devem ser considerados como valores dedutíveis, sob pena de infringência a esse conceito de renda. Da Taxa de Juros Selic: 10) Os juros seriam devidos à razão de 1% ao mês, conforme determinação expressa nos termos do § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional. 11) A taxa de juros (encargos) a que os contribuintes são submetidos em caso de inadimplência, precisa estar quantificada em lei, como parte da rigorosa descrição dos elementos constitutivos do fato tributário. 12) Permitir que a taxa de juros seja fixada pelo ente tributante significaria desrespeito ao inciso I do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88) e ao princípio da segurança jurídica. Da Multa Confiscatória: 13) A multa aplicada na notificação de lançamento (75%) ofenderia aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (inciso LIV do art. 5º da CF/88) e da proibição do confisco (inciso IV do art. 150 da CF/88). 14) Forçoso seria o cancelamento da multa imposta. Apenas para fins de argumentação, tendo em vista o caráter confiscatório da multa imposta, esta deveria, no mínimo, ser reduzida ao patamar de 20%, em conformidade com o § 2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Da Não incidência de Juros sobre a Multa de Ofício: 15) Se, por definição, os juros remuneram o credor por ficar privado do uso de seu capital, eles deveriam incidir somente sobre o que não foi passado aos cofres públicos, que diz respeito tão somente à obrigação principal. 16) O próprio art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que “o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora”. 17) A multa lançada diria respeito a uma penalidade aplicada ao devedor que nada tem a ver com o capital do qual o credor foi privado de utilizar, esse sim passível de incidência de juros. 18) Não existiria previsão legal para a incidência dos juros sobre a multa, o que contraria o disposto no inciso V do art. 97 do CTN, bem como o disposto no inciso II do art. 5º da CF/88. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes. Do Pedido: Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-004.736 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15954.720022/2013-11 19) Requer seja acolhida a sua impugnação, julgando improcedente o lançamento tributário, a inaplicabilidade da taxa SELIC, o caráter confiscatório da multa aplicada de 75%, devendo a mesma, se julgada devida, ser redimensionada para 20% e, quando do julgamento, seja o patrono do impugnante devidamente intimado para que possa sustentar oralmente as suas razões, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do inciso LV do art. 5º da CF/88. É o relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2011 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe, em sede de instância administrativa, a discussão acerca da onerosidade, ilegalidade e inconstitucionalidade das penalidades objetivamente definidas em lei. JUROS DE MORA. SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Restabelecem-se as deduções pleiteadas no limite das despesas médicas comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Cientificado da decisão, em 28/07/2015 (fls. 87), o contribuinte, por procurador habilitado interpôs, via postal, em 07/08/2015, recurso voluntário (fls. 89/97), reportando-se e repisando as alegações da peça impugnatória, pugnando pelo reconhecimento do direito à dedução dos pagamentos realizados com a instituição de Longa Permanência de Idosos Santa Mônica Ltda., cuja dedução atende aos requisitos previstos na legislação de regência. Insurge-se também contra a aplicação dos juros à taxa SELIC, da natureza confiscatória da multa de ofício de 75%, calhando sua redução ao patamar de 20%, e da não incidência de juros sobre a aludida multa aplicada. Cita jurisprudência do CARF neste sentido. Requer, ao final, a improcedência do lançamento fiscal, tendo em vista sua insubsistência como medida de legalidade. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 98/100. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-004.736 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15954.720022/2013-11 Mérito Da glosa mantida sobre a despesa médica declarada: O litígio recai sobre a glosa da despesa médica paga à Instituição de Longa Permanência para Idosos Santa Mônica Ltda., no valor de R$ 18.925,00, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do todo processado, no sentido do acatamento da aludida despesa declarada. A fiscalização, por seu turno, não acatou a despesa declarada, tendo em vista que o estabelecimento geriátrico não se enquadra como prestadora de serviços da área de saúde, passível de dedução, nos termos da legislação vigente. Pois bem. Em que as alegações recursas, do cotejo dos documentos carreados aos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 104/108) e atendo-se às informações contidas no lançamento fiscal (fls. 21/24), não há como prosperar a pretensão recursal. E, considerando que o Recorrente, nesta fase recursal, não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso – diga-se de passagem, limitando-se basicamente em repisar as alegações da peça impugnatória – me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos lançados no voto condutor proferido (fls. 80/82), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF: 2) Do Pedido de Diligência: O impugnante defende a realização de diligência para avaliação da Instituição de Longa Permanência para Idosos Santa Mônica Ltda., a fim de constatar que ela cumpriria os requisitos para ser considerada como hospital ou clínica médica geriátrica. O caput do art. 18 do Decreto 70.235/72 estabelece regra básica da diligência no processo administrativo fiscal: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifei e sublinhei) A realização de diligência ou perícia tem por fim oferecer esclarecimento em torno de questão não elucidada pela análise documental ou dependente de conhecimentos técnicos específicos. Por outro lado, não se presta para transferir ao julgador o ônus da produção de provas que poderiam ser prestadas pelo impugnante desde já, simultaneamente à apresentação de documentos. Pela documentação apresentada, resta claro que a Instituição de Longa Permanência para Idosos Santa Mônica Ltda., em que pese ser obrigada a uma série de obrigações legais pela própria natureza de sua atividade, não é qualificada como hospital e sim como uma “Casa de Repouso e de Recuperação e Congêneres”, conforme consta nas notas fiscais eletrônicas de prestação de serviços da instituição (fls. 45 a 55), constando ainda no campo “Discriminação dos Serviços” como “ATIVIDADES DE ASSISTÊNCIA À UTENTE IZAURA PEREIRA LIMA (CPF 306.078.338-15 / RG: 5.449.580-SSP/SP) EM RESIDÊNCIA COLETIVA” e, portanto, não é qualificada como um hospital. Portanto, defendo que o pedido de diligência é desnecessário e proponho indeferi-lo. Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-004.736 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15954.720022/2013-11 3) Do Mérito: (...) a) Dedução a Instituição de Longa Permanência para Idosos (R$ 18.925,00): O § 4º do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR/99), acima transcrito, determina expressamente que somente as despesas de internação para tratamento geriátrico em hospital são passíveis de dedução. Como já detalhado no item “2” acima (“Do Pedido de Diligência”), a Instituição de Longa Permanência para Idosos Santa Mônica Ltda., em que pese ser obrigada a uma série de obrigações legais em virtude da natureza de sua atividade, não é qualificada como hospital. A legislação, igualmente, não faz nenhuma alusão a possibilidade da instituição ser “equiparável” à hospital, de forma que não é possível aceitar as deduções das despesas incorridas pelo impugnante com a dependente Izaura Pereira de Lima na Instituição de Longa Permanência para Idosos Santa Mônica, porque não estão de acordo com a determinação legal contida expressamente no §4º do art. 80 do RIR/99. Portanto, deve ser mantida a glosa no valor de R$ 18.925,00. De fato. Aplicando aqui a legislação de regência, deve-se ter em mente que despesas de internação em estabelecimento que preste serviços que possam eventualmente ser considerados necessários em tratamentos médicos, somente serão dedutíveis a título de hospitalização, se o referido estabelecimento se enquadrar nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde e tiver a licença de funcionamento aprovada pelas autoridades competentes (municipais, estaduais ou federais). Ademais, e como fundamentado na decisão recorrida, a Instituição de Longa Permanência para Idosos Santa Mônica Ltda. – que, diga-se de passagem, refere-se a condomínio de terceira idade, trata-se de “Casa de Repouso e de Recuperação e Congêneres”, conforme consta nas notas fiscais eletrônicas de prestação de serviços da instituição (fls. 45 a 55), constando ainda no campo “Discriminação dos Serviços” como “ATIVIDADES DE ASSISTÊNCIA A UTENTE IZAURA PEREIRA LIMA (CPF 306.078.338-15 / RG: 5.449.580- SSP/SP) EM RESIDÊNCIA COLETIVA” – não está enquadrada como estabelecimento hospitalar, ao teor das informações contidas nas notas fiscais eletrônicas de serviços/NFS-e por ela emitidas. Não obstante, alia-se ao fato de que, em consulta ao CNPJ no site da RFB (servicos.receita.fazenda.gov.br), o referido estabelecimento geriátrico com nome fantasia “Sweet Care - Carinho e Cuidados para a Terceira Idade”, encontrando-se sobremaneira registrada com o código e descrição da natureza jurídica “230-5 Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (de Natureza Empresária”, confirmando assim sua natureza não hospitalar. Destarte, ancorado na legislação de regência (art. 80, § 4º do RIR/99), não restaram atendidos os requisitos para dedutibilidade dos valores declarados, razão pela qual mantenho a glosa operada, por falta de previsão legal a motivar a respectiva dedução. Quanto aos encargos legais aplicados, no que tange à incidência de juros de mora sobre o crédito tributário, cabe ressaltar que a matéria já se encontra pacificada neste CARF, culminando com a edição das Súmulas nº 4 e 108: Súmula nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-004.736 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15954.720022/2013-11 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Já em relação à aplicação da multa de ofício, vale salientar que sua incidência à base de 75% decorre de expressa previsão legal (art. 44, I da Lei nº 9.430/96), não podendo ser reduzida e nem dispensada, cabendo a fiscalização aplicá-la, sob pena de violação do dever funcional, por força do art. 142 do CTN. No que se refere a suposta natureza confiscatória dos encargos legais aplicados, inclusive violando princípios constitucionais conforme aventado, nada a prover. Como é sabido, este CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, cuja matéria, aliás, também já se encontra sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Portanto, escorreita e legal é a conduta fiscal no particular. Por fim, vale relembrar que o lançamento rege-se por expressa determinação legal, sendo portanto, a atividade fiscal, vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN, competindo ao Fisco realizar a revisão da declaração de ajuste, calcular a exigência e constituir o crédito tributário ou ajustar o imposto a restituir declarado, sob pena de responsabilidade funcional. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento remanescente em litígio e as alterações decorrentes realizadas na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 110DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13819.721769/2013-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2011
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. FALTA DE REQUISITOS.
É dedutível da base de cálculo do imposto de renda o valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, no valor definido na justiça efetivamente pago pelo contribuinte. Falta de comprovação da efetividade do pagamento dos valores a título de pensão judicial. Pagamentos realizados por pessoa jurídica.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. SUMULA CARF Nº 2.
A notificação de lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigida nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em nulidade. Arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não são apreciadas pelas Autoridades Administrativas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. INSUFICIÊNCIA.
A pretensão ao direito há de ser comprovada claramente de forma documental. O ônus da prova incumbe ao autor e impõe-se ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As impugnações e recursos administrativos devem trazer os elementos de prova pertinentes para solidificar as alegações do interessado.
REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, ART. 57
Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada.
Numero da decisão: 2003-004.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Aug 19 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202306
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2011 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. FALTA DE REQUISITOS. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda o valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, no valor definido na justiça efetivamente pago pelo contribuinte. Falta de comprovação da efetividade do pagamento dos valores a título de pensão judicial. Pagamentos realizados por pessoa jurídica. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. SUMULA CARF Nº 2. A notificação de lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigida nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em nulidade. Arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não são apreciadas pelas Autoridades Administrativas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A pretensão ao direito há de ser comprovada claramente de forma documental. O ônus da prova incumbe ao autor e impõe-se ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As impugnações e recursos administrativos devem trazer os elementos de prova pertinentes para solidificar as alegações do interessado. REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, ART. 57 Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 13819.721769/2013-15
anomes_publicacao_s : 202308
conteudo_id_s : 6914836
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2003-004.830
nome_arquivo_s : Decisao_13819721769201315.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 13819721769201315_6914836.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2023
id : 10041328
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Aug 19 09:03:21 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1774647572309213184
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-11T14:10:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-11T14:10:01Z; Last-Modified: 2023-08-11T14:10:01Z; dcterms:modified: 2023-08-11T14:10:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-11T14:10:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-11T14:10:01Z; meta:save-date: 2023-08-11T14:10:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-11T14:10:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-11T14:10:01Z; created: 2023-08-11T14:10:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2023-08-11T14:10:01Z; pdf:charsPerPage: 2313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-11T14:10:01Z | Conteúdo => S2-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13819.721769/2013-15 Recurso Voluntário Acórdão nº 2003-004.830 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 29 de junho de 2023 Recorrente HONORIO CAVICCHIOLI LUCATTO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2011 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. FALTA DE REQUISITOS. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda o valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, no valor definido na justiça efetivamente pago pelo contribuinte. Falta de comprovação da efetividade do pagamento dos valores a título de pensão judicial. Pagamentos realizados por pessoa jurídica. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. SUMULA CARF Nº 2. A notificação de lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigida nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em nulidade. Arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não são apreciadas pelas Autoridades Administrativas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A pretensão ao direito há de ser comprovada claramente de forma documental. O ônus da prova incumbe ao autor e impõe-se ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As impugnações e recursos administrativos devem trazer os elementos de prova pertinentes para solidificar as alegações do interessado. REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, ART. 57 Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 17 69 /2 01 3- 15 Fl. 181DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-004.830 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.721769/2013-15 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 169 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 160 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 11 e ss.), lavrada pela constatação de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Por retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 11 a 15), referente ao exercício 2011, ano- calendário 2010. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício) 9.381,81 Multa de Ofício (passível de redução) 7.036,35 Juros de Mora (calculado até 31/05/2013) 1.782,54 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 0,00 Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros e Mora (calculado até 31/05/2013) 0,00 Total do Crédito Tributário 18.200,70 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública– glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2011, ano- calendário 2010. Valor: R$ 61.200,00. Motivo da glosa: Não foram considerados os pagamentos efetuados pela empresa Waytech e Eng. e Comércio Ltda., nem os documentos sem identificação ou com gastos com livros transportes, cursos outros, por falta de previsão legal. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 02/06, em 28/06/2013, acompanhada de documentos, alegando que o valor refere-se a pagamento efetuado a título de pensão alimentícia, em decorrência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. Afirma que é sócio da pessoa jurídica – empresa Waytech e Eng. e Comércio Ltda., que tem direito a retirada de pró-labore, tributados e pagos, assim como ainda existe uma distribuição de lucros, tudo comprovado com os documentos anexados. Alega que ficou surpreso com a notificação por não reconhecer o seu vínculo com a empresa. Ressalta que fez os depósito saindo da conta da empresa e entrando direto na conta dos alimentandos. Fl. 182DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-004.830 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.721769/2013-15 Acrescenta que não se conforma com tal cerceamento de defesa, pois entende ter feito a uma dedução legalmente prevista. Discorda da glosa. Requer o cancelamento da presente notificação. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou escritura pública. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. Cientificado da decisão de primeira instância em 12/11/2014 (e-fls. 167), o sujeito passivo interpôs, em 08/12/2014 (e-fls. 168), Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que os pagamentos de pensão alimentícia estão comprovados nos autos com argumentos repisados da impugnação; que o acordo judicial está comprovado nos autos; que foram descumpridos Princípios Constitucionais e a Lei Tributária. Protesta pela juntada futura de novos documentos. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Ricardo Chiavegatto De Lima - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$61.200,00. O contribuinte manifesta-se preliminarmente no sentido de ofensa a Pincípios Constitucionais. Aponte-se de antemão arguições de ofensa a princípios de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não são apreciadas pelas Autoridades Administrativas de qualquer instância, pois as mesmas não tem competência para examinar a legitimidade de normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo acha-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da validade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo deste Poder. Destaque-se aqui a Súmula CARF nº 2, bastante elucidativa sobre tal questão: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 183DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-004.830 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.721769/2013-15 E diante da violação da legislação tributária pátria, e da validade desta, não há que se furtar a autoridade fiscal de, constatada a infração, proceder à lavratura do auto de infração, com a aplicação da multa e dos juros cabíveis, sob pena de responsabilidade funcional, em atendimento ao que dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Prosseguindo para a apreciação meritória, o embasamento legal para as deduções legais, a serem devidamente comprovadas para seu usufruto, encontra-se no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, em seu artigo 73, e no artigo 78 do mesmo Decreto, onde verifica-se o regramento acerca da dedução a título de pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou por escritura pública, inclusive a prestação de alimentos provisionais Art 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Famiia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n° 9.250, de 1995, art. 4°, incis o II). § 1° A partir do mês em que se iniciar esse pagamento ê vedada a dedução, relativa ao mesmo benefciário, do valor correspondente a dependente. § 2° O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subsequentes. § 3° Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4° Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas medicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei n° 9.250, de 1995, art. 8°, § 3 o ). § 5° As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa medica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei n° 9250, de 1995, art. 8 o , § 3 o ). Na espécie, aponta a Auditoria como fulcro do lançamento da glosa de pensão alimentícia: O contribuinte apresentou diversos documentos a fim de comprovar os pagamentos a titulo de Pensão Alimentícia. Contudo, constatamos que diversos pagamentos foram efetuados pela empresa WAYTECH ENG a E COMÉRCIO LTDA. Os demais documentos não foram identificados e outros não são passíveis de dedução uma vez que gastos com livros, transporte, cursos outros não tem previsão legal. Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Voto ... Trata-se de lançamento referente à infração de dedução indevida de pensão alimentícia. Inicialmente, quanto ao cerceamento de defesa alegado pelo contribuinte, é de se ressaltar que, para ser deduzidos os valores pagos a titulo de pensão alimentícia, esses Fl. 184DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-004.830 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.721769/2013-15 devem ser devidamente comprovados e obedecer ao que dispõe a legislação abaixo transcrita. No presente caso, o contribuinte foi devidamente cientificado da glosa efetuada tendo oportunidade para apresentar sua impugnação bem como os documentos, que serão abaixo analisados, não havendo, pois, que se falar em cerceamento de defesa. Vejamos o que dispõe o inciso II do artigo 4º da Lei n.º 9.250 de 26/12/1995 e o artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999: Art. 4 - Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II - as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). A legislação do Imposto de Renda é bem clara ao permitir somente a dedução das importâncias efetivamente pagas a título de pensão em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública. O contribuinte anexa aos autos documentos judiciais da separação consensual, bem como sua conversão em divórcio, Petição inicial em ação de alimentos, aditamento e Instrumento particular de ajuste para adimplemento de obrigação judicial. No entanto, não traz aos autos a homologação judicial do acordo sobre a prestação de alimentos. Somente o valor estipulado em juízo ou por escritura pública está sujeito à dedução na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. Não existindo nos autos decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, determinando o ônus do pagamento da pensão pelo contribuinte, é de se manter a glosa. Para serem deduzidos na declaração de ajuste anual os valores pagos a titulo de pensão alimentícia ou a título de despesas médicas e de instrução de alimentando, deve ser comprovado o ônus do pagamento pelo contribuinte bem como que tais pagamentos são decorrentes de decisão judicial. É de se ressaltar, ainda, que os pagamentos realizados por meio de pessoa jurídica a titulo de pensão alimentícia ainda que o contribuinte seja sócio da pessoa jurídica não comprova o ônus do contribuinte do pagamento da pensão. A legislação tributária só permite deduzir os valores de pensão efetivamente pagos pelo contribuinte, para isso, é necessário que os valores sejam desembolsados pelo contribuinte e não por pessoa jurídica, ainda que seja sócio e receba pro-labore. Conforme legislação acima transcrita, as importâncias pagas a título de pensão podem ser deduzidas da base de cálculo sujeita a incidência mensal do imposto de renda. Assim, para que sejam deduzidos os valores pagos é necessário que os valores tenham sido pagos por rendimentos que integraram a base de cálculo sujeita a incidência mensal do imposto de renda na declaração de ajuste do contribuinte. No presente caso, não restou comprovada tal situação. Nos termos do Art. 15 do Decreto 70.235/72 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), a impugnação formalizada deverá estar instruída com os documentos em que se fundamentar. Ainda no mesmo decreto, mais especificamente no art. 16, está disposto que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, com as provas que possuir. Fl. 185DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-004.830 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.721769/2013-15 Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. ... Referencia a DRJ que o impugnante poderia ter apresentado a sentença judicial ou acordo homologado judicialmente pelo Poder Judiciário para que fosse possível conhecer os exatos termos do estabelecimento da pensão alimentícia judicial. Pois tal ausência de provas é fática. Embora existam documentos judiciais anexados aos autos (e-fls. 51/84), a ausência de provas é patente. Até se constata, em Termo de Audiência juntado (e-fls. 61/), prolação de uma sentença, mas a mesma não esclarece, por exemplo, o valor da pensão. O direito há de ser comprovado documentalmente. O art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, que determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova necessários. Por fim, ainda deve ser anotado que não merece guarida o pleito genérico voltado ao protesto por produção de todas as provas admitidas em direito, em momento ainda posterior à apreciação da peça recursal, apresentado nesta, por estar sendo formulado sem qualquer fundamentação consistente e em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto no supracitado art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/1972. Verifica-se portanto que, apreciados e afastados todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, não há motivo para retificação da Decisão a quo devidamente proferida. Dispositivo Isso posto, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 186DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 36266.008521/2006-35
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 13/05/2005
GFIP . CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO DA MULTA.
Foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pela
fiscalização previdenciária. A recorrente não apresentou as GFIP
no prazo estabelecido.
Entretanto há que se considerar que houve a correção da falta no
prazo de defesa.
A infração deve ser mantida, mas com relevação da multa nos
termos da Decisão-Notificação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 205-01.033
Decisão: ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e no mérito negado provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Aug 19 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200809
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/05/2005 GFIP . CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO DA MULTA. Foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pela fiscalização previdenciária. A recorrente não apresentou as GFIP no prazo estabelecido. Entretanto há que se considerar que houve a correção da falta no prazo de defesa. A infração deve ser mantida, mas com relevação da multa nos termos da Decisão-Notificação. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Quinta Câmara
numero_processo_s : 36266.008521/2006-35
conteudo_id_s : 6910901
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 205-01.033
nome_arquivo_s : Decisao_36266008521200635.pdf
nome_relator_s : MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 36266008521200635_6910901.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e no mérito negado provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha
dt_sessao_tdt : Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
id : 10035490
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Sat Aug 19 09:03:16 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1774647572330184704
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T20:07:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T20:07:02Z; Last-Modified: 2009-08-06T20:07:02Z; dcterms:modified: 2009-08-06T20:07:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T20:07:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T20:07:02Z; meta:save-date: 2009-08-06T20:07:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T20:07:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T20:07:02Z; created: 2009-08-06T20:07:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-06T20:07:02Z; pdf:charsPerPage: 936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T20:07:02Z | Conteúdo => CCO7JCO5 Fls. 133 --,03f**41‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA 41S(S. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - QUINTA CÂMARA Processo n0 36266.008521/2006-35 Recurso n° 144.505 Voluntário Matéria Auto de Infração: GFIP. Fatos Geradores Acórdão n° 205-01.033 Sessão de 03 de setembro de 2008 ?O • • Recorrente ASSOCIAÇÃO NOVA GERAÇÃO 0" Recorrida DRP - SÃO PAULO NORTE / SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/05/2005 GFIP . CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO DA MULTA. Foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pela fiscalização previdenciária. A recorrente não apresentou as GFIP no prazo estabelecido. Entretanto há que se considerar que houve a correção da falta no prazo de defesa. A infração deve ser mantida, mas com relevação da multa nos termos da Decisão-Notificação. Recurso Voluntário Negado. es...5,00 •dri ct,:\ °01. ot ts;e:CP 01 giiP 041:., O .4 C) • Wilt ei k IO t, O ass ti". 10 00 ti‘ AVistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n°36266.008521/2006-35 CCOVCOS Acórdão n. 205-01.033 Fls. 134 ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e no • mérito negado provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Auséncia justificada da Conselheira Renata Souza Rocha. JÚLIO P 4iilv I r lEIRA GOMES Presiden 0.111r7,váratath ,ÓS VIEIRA Relator O° toc, omo tafolG 07-Cof o 4: ;`,' 50' PY £4e? yire‘ . 1‘..‘ japINJON Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi e Adriana Sato. Processo n° 36266.008521/2006-35 CCO2JCO5 Acórdão n. 205-01.033 Fls. 135 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5 0 da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. . Segundo a fiscalização previdenciária, a autuada não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 2003 a maio de 2004, fls. 06 a 08. A autuada solicitou a relevação da multa, na forma da fl. 26. A unidade da Receita Previdenciária emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 122 a 125, mantendo a autuação, com relevação da multa aplicada. Não concordando com a decisão emitida pelo órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, fls. 128. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega que a autuação é improcedente. A unidade descentralizada da Receita Previdenciária apresenta suas contra- razões às fls. 130 e 131, pugnando pela manutenção da decisão de primeira instância. É o Relatório. t›<et;""" ct;' cy„. e o ,,, k ..f -fc( o 4 ;-, 0i2"1-t. Celf e'S 00 ler te .20 • (2-Cfr 3 Processo n°36266.008521(2006-35 r C inta Cte 5rna. - 1-cFE/ tR05: - etis o ofaL; .e. CC°- Acórdão n.° 205-01.033 COPA Z GC) fls. 2/a5136 Voto P°915Ateanter.Asilrtc,P ., .S7c--24h Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 129, pressuposto superado, passo ao exame das questões de mérito. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2° do C'IN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § I° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2 0 A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3" A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tribUtos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pela fiscalização previdenciária. A recorrente não apresentou as GFIP no prazo estabelecido, antes da ação fiscal. Entretanto há que se considerar que houve a correção da falta no prazo de defesa, conforme decisão de primeira instância. Quanto ao cabimento da relevação da multa teço a seguinte análise. A relevação prevista no art. 291, § 1° do RPS necessita dos seguintes requisitos: a. Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; b. Primariedade do infrator; • • c. Correção da falta; tïjr I 4 Processo n°36266.008521/2006-35 CCO2/CO5 Acórdão n.' 205-01.033 Fts 137 • d. Sem ocorrência de circunstância agravante. Art.29I. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. g I° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma cin:unstiincia agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1° do RPS, quais sejam: piimariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de oficio, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verifica-se que houve a correção' da falta, não há informação da ocorrência de agravantes, tampouco de que o infrator não é primário, tendo sido apresentada impugnação ao auto no prazo de defesa. Pelo exposto a infração deve ser mantida, mas com relevação da multa nos termos da Decisão-Notificação. O valor da multa já foi "zerado" no sistema, conforme tela juntada à fl. 127, portanto não será cobrado nenhum valor da autuada em relação ao presente auto de infração. Não pode ser excluída a primariedade do infrator, pois a infração existiu, prova disso é que a empresa reconheceu a falta e inclusive a corrigiu após o inicio da ação fiscal e antes da decisão de primeira instância. CONCLUSÃO: Voto por CONHECER do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. - Sala das Sessões, em 03 de setembro de 2008 40'dr e et*" i nrrírn• OS's. rIEIRA 0154) kPO tt• , Relator e5NT 0,4, gb o 0- r ' t% \e. egsvs'o .0 (4" 5 Page 1 _0025300.PDF Page 1 _0025400.PDF Page 1 _0025500.PDF Page 1 _0025600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 36624.009674/2005-01
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1995 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula
Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da
Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao
lançamento por homologação, que é o caso das contribuições
previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o
pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 205-01.081
Decisão: ACORDAM os Membros da quinta câmara do segundo conselho de
contribuintes, Por unanimidade de voto acatada a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Ausência justificada da Conselheira Renata Souza
Rocha.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Aug 19 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200809
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1995 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Quinta Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 36624.009674/2005-01
anomes_publicacao_s : 200809
conteudo_id_s : 6912161
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 205-01.081
nome_arquivo_s : 20501081_151239_36624009674200501_006.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 36624009674200501_6912161.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por unanimidade de voto acatada a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
id : 4841273
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Sat Aug 19 09:03:26 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1774647572340670464
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T20:07:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T20:07:29Z; Last-Modified: 2009-08-06T20:07:29Z; dcterms:modified: 2009-08-06T20:07:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T20:07:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T20:07:29Z; meta:save-date: 2009-08-06T20:07:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T20:07:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T20:07:29Z; created: 2009-08-06T20:07:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-06T20:07:29Z; pdf:charsPerPage: 1007; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T20:07:29Z | Conteúdo => . . CCO2/CO5 • Fls. 1.684 . 44 , MINISTÉRIO DA FAZENDA u1/45-4: •a• 10,---•:\ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -4Yt-;" i'• QUINTA CÂMARA Processo re 36624.009674/2005-01 Recurso n° 151.239 Voluntário Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento • Acórdão e 205-01.081 Sessão de 04 de setembro de 2008 Recorrente COMERCIAL QUINTELLA COMÉRCIO E ESPORTAÇÃO S/A Recorrida DRP SÃO PAULO - OESTE/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1995 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 31 2 ..Z-- :CO. n - 7 0 IL.-).1._ dia °0-kreS - Processo e 36624.009674/2005-01 CCO2/COS - Acórdão n.• 205-01.081 Fls. 1.685 ACORDAM os Membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por unanimidade de voto acatada a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto clie relator(a). Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha. 11 \4 li 1til i . 1 1 \ JULIO t • 1 IRA GOMES Presidente Áljalan e • LIEGE LACROIX THOMASI Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. coN,-,_ _ -. . .- 6i-Z.—L..11. , 2 O / Oq rç 2 . Processo n• 36624.009674/2005-01 CCO2/035 Acórdão n. • 205-01.081 ns. 1.686 Relatório Trata a notificação lavrada em 24/06/2005, cuja ciência se deu através de Aviso de Recebimento em 25/06/2005, precedida de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF emitido em 05/01/2005, com ciência pelo sujeito passivo em 12/01/2005, de contribuições previdenciárias relativas a parte da empresa, a parte dos segurados, aos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos terceiros, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados nas competências de 01/1995 a 12/1998. O relatório fiscal de fls. 420/429, diz que o levantamento foi efetuado por aferição indireta, devido a falta de apresentação de documentos solicitados e que se trata de revisão de procedimentos fiscais, amparado na legislação vigente e devidamente descrita no mesmo. Após impugnação, Decisão-Notificação de fls. 537/543, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que o período constante da notificação já tinha sido objeto de fiscalização anterior, o que extinguiu o credito tributário; b) que o crédito foi atingido pela decadência do CTN. Requer a insubsistência do crédito lançado. A DRP apresentou as contra-razões. É o relatório. - . C. - ; . •:),1C—c4P"- C.Orsir2 o srci--.1.1 • -4-40- rinns flc j. 3 Processo n° 36624.009674/2005-01 CCO2/CO5 Acórdão n. 205-01.081 Fls. 1.687 Voto Conselheira LIEGE LACROIX THOMASI, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares Refere-se o crédito tributário a diferenças apuradas em refiscalização nas competências de 01/1995 a 12/1998, sendo a NFLD datada de 24/06/2005 e MPF com ciência em 12/01/2005. Há de se destacar que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12106/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n°1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, 54°, 173 e 174 do C77V. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146. III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 56 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91. que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: r t_, 2 é 09 , ; 4 1 *IV ;*; Processo n° 36624.009674/2005-01 CCO2/CO5 Acórdão n.• 205-01.081 As. 1.688 • Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. I03-A da Constituição Federal e altera a Lei te 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na . imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como procederá sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. g IR O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Portanto, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4°, uma vez que comprovadamente a recorrente procedeu a recolhimentos previdenciários parciais, relativos ao crédito lançado nesta notificação, no período de 01/1995 a 12/1998: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a - -ocone4a de dolo, fraude ou simulação. 1 5 :r,"‘? • , ire:> Processo n° 36624.009674/2005-01 CCOVCO5 Acôrdâo n! 205-01.081 Fls. 1.689• Do Mérito Em vista do instituto da decadência quanto aos valores lançados, na notificação, o exame do mérito resta prejudicado. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso Sala das Sessões, em 04 de setembro de 2008 elleadea, • LIEGE LACROIX THOMASI Relatora al O Q9__ 6 Page 1 _0064000.PDF Page 1 _0064100.PDF Page 1 _0064200.PDF Page 1 _0064300.PDF Page 1 _0064400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000286/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
COTEJAMENTO DIRF x GFIP: AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo insuficiência de esclarecimentos e de comprovação documental bastante e suficiente para justificar as diferenças apuradas em cotejamento de declarações fornecidas pelo próprio contribuinte, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil pode inscrever de oficio a importância que reputar devida, cabendo i empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
PROVAS. AUSÊNCIA.
A simples alegação desacompanhada de provas que a respaldem não meio hábil a desconstituir o lançamento regularmente' constituído
Numero da decisão: 2301-010.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo dos documentos apresentados intempestivamente, e por negar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Wesley Rocha que conheceu dos documentos.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maurício Dalri Timm do Valle - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Joao Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO DALRI TIMM DO VALLE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Aug 19 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202307
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 COTEJAMENTO DIRF x GFIP: AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo insuficiência de esclarecimentos e de comprovação documental bastante e suficiente para justificar as diferenças apuradas em cotejamento de declarações fornecidas pelo próprio contribuinte, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil pode inscrever de oficio a importância que reputar devida, cabendo i empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. PROVAS. AUSÊNCIA. A simples alegação desacompanhada de provas que a respaldem não meio hábil a desconstituir o lançamento regularmente' constituído
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 11052.000286/2010-14
anomes_publicacao_s : 202308
conteudo_id_s : 6916042
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2301-010.630
nome_arquivo_s : Decisao_11052000286201014.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : MAURICIO DALRI TIMM DO VALLE
nome_arquivo_pdf_s : 11052000286201014_6916042.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo dos documentos apresentados intempestivamente, e por negar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Wesley Rocha que conheceu dos documentos. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Joao Mauricio Vital (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2023
id : 10044149
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Aug 19 09:03:24 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1774647572350107648
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-13T22:05:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-13T22:05:38Z; Last-Modified: 2023-08-13T22:05:38Z; dcterms:modified: 2023-08-13T22:05:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-13T22:05:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-13T22:05:38Z; meta:save-date: 2023-08-13T22:05:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-13T22:05:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-13T22:05:38Z; created: 2023-08-13T22:05:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2023-08-13T22:05:38Z; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-13T22:05:38Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11052.000286/2010-14 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-010.630 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2023 Recorrente LIGHT SERVICOS DE ELETRICIDADE S A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 COTEJAMENTO DIRF x GFIP: AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo insuficiência de esclarecimentos e de comprovação documental bastante e suficiente para justificar as diferenças apuradas em cotejamento de declarações fornecidas pelo próprio contribuinte, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil pode inscrever de oficio a importância que reputar devida, cabendo i empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. PROVAS. AUSÊNCIA. A simples alegação desacompanhada de provas que a respaldem não meio hábil a desconstituir o lançamento regularmente' constituído Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo dos documentos apresentados intempestivamente, e por negar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Wesley Rocha que conheceu dos documentos. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Joao Mauricio Vital (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 02 86 /2 01 0- 14 Fl. 7302DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 Trata-se de recurso voluntário (fls. 307-331) em que o recorrente sustenta, em síntese: a) A decisão recorrida desconsiderou indevidamente os elementos de prova anexos à impugnação administrativa. Isso porque, ao contrário do que afirmou o relator, tem-se que a mídia eletrônica apresentada contém planilhas, demonstrativos e documentos que comprovam as suas alegações; b) A contribuinte não teve a necessária oportunidade de justificar todos os débitos que constam da autuação antes da lavratura do AI; c) As rubricas sobre incluídas na autuação não se incluem na base de cálculo das contribuições cobradas: a. O abono de férias não pode ser tributado pelo IRPF (art. 1º da IN nº 936/2009). O Ato Declaratório da PGFN nº 06/2006 autoriza a desistência da PGFN nas ações judiciais em que se discuta a não incidência de IR sobre o adicional de um terço previsto pelo art. 7º, XVII, da CF, quando agregado a pagamento de férias (simples ou proporcionais), vencidas e não gozadas, convertidas em pecúnia, em razão de rescisão do contrato de trabalho. O fiscal jamais poderia ter oferecido a tributação o valor concernente ao Abono de férias, pois o mesmo apesar de tributável pela legislação previdenciária, não é para a legislação do Imposto de renda, motivo pelo qual o fiscal encontrou a diferença e considerou a mesma como base de cálculo para incidência da contribuição previdenciária; b. O auxílio-creche, auxílio-babá ou reembolso relativo a despesas contraídas pelas trabalhadoras para a guarda dos filhos, como substitutivo da obrigação patronal de manter creches, não devem sofrer incidência da contribuição previdenciária quando pagos em obediência à legislação correspondente, ou seja, desde que devidamente comprovadas e observado o limite de idade de 6 anos, bem como não integrarão o salário para qualquer efeito, inclusive férias e 13° salário; c. O auxílio-doença pago pela contribuinte é extensível a todos os seus empregados, de tal forma que atende aos requisitos do art. 28, § 9º, “n”, da Lei nº 8.212/91, descabendo a incidência de contribuições previdenciárias sobre esses valores; d. A contribuinte tem por pratica, após agendamento das férias de seus funcionários, efetuar o pagamento das mesmas em média com 04 (quatro) dias de antecedência. O que acaba ocorrendo, que para fins de imposto de renda considera-se a data do efetivo pagamento, data em que o funcionário, ainda está em atividade. Sendo assim, na DIRF consta a data do efetivo pagamento enquanto que na GFIP Fl. 7303DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 consta a data da saída do funcionário, o que em alguns casos acaba por ocorrer o pagamento em um mês e a saída no mês seguinte. Por essa razão, o fiscal considerou a diferença; e. Sobre o adiantamento de proventos de INSS, quando o funcionário entra de licença médica e com a demora na liberação do benefício pelo INSS, a Impugnante não deixa que o funcionário fique sem receber nada, ainda mais estando doente. A ora Impugnante paga ao funcionário licenciado e depois se compensa; f. Os valores de PLR foram pagos conforme a legislação vigente e, portanto, também não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias (inclusive aqueles pagos na folha de rescisão); g. Sobre alguns valores de rescisão, As divergências nessa situação decorrem do funcionário ser desligado no final do mês e a empresa como tem pela legislação vigente 10 dias para efetuar o pagamento, o mês vira. Ficando considerado para fins legais na GFIP a data desligamento (competência) e na DIRF é lançada a competência de pagamento da rescisão; h. As divergências referentes aos casos de contribuintes individuais decorrem do fato de que informações correspondentes foram incluídas em GFIP de acordo com os recibos apresentados pelo prestador de serviço, enquanto que os dados foram incluídos em DIRFs pelas datas dos efetivos pagamentos. Dessa forma, para alguns contribuintes individuais foram informados pagamentos em GFIP em determinada competência e em DIRF em competências seguintes. O agente fiscal altera o método de confronto entre DIRF e GFIP, porque para alguns contribuintes individuais ele considera tão somente o valor da GFIP de janeiro de 2006, esquecendo-se da regra da competência a ponto de ignorar os valores declarados na GFIP de dezembro de 2005, sem contar também trabalhou com somatório da GFIP de janeiro de 2006 quando o correto deveria ter sido considerado os valores por contribuintes individuais, exatamente como na planilha anexa à impugnação; e Ao final, formula pedidos nos termos da fl. 494. A presente questão diz respeito ao Auto de Infração – AI/DEBCAD nº 37.005.965-4 (fls. 2-184) que constitui crédito tributário de Contribuições Previdenciárias, em face de Light Serviços de Eletricidade S.A. (CNPJ nº 60.444.437/0001-46), referente a fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 12/2006. A autuação alcançou o montante de R$ 25.361,39 (vinte e cinco mil trezentos e sessenta e um reais e trinta e nove centavos). A notificação do contribuinte aconteceu em 14/07/2010 (fl. 2). Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento, menciona o Relatório Fiscal (fls. 158-163): Fl. 7304DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 4. O sujeito passivo, identificado em epígrafe, está sendo notificado, em decorrência da prerrogativa da Receita Federal do Brasil de arrecadar e fiscalizar contribuições devidas as Outras Entidades e Fundos (OEF), as quais se aplicam as regras gerais da contribuição previdenciária, porquanto comuns à base de cálculo, privilégios e garantias conferidos por lei as espécies tributárias, a recolher as contribuições de OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS, destinadas ao INCRA- Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e ao SEBRAE- Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. 5. Deixamos de levantar os créditos relativos ao FNDE- Fundo Nacional de Educação, SENAI- Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e SESI- Serviço Social da Industria, devido a empresa, durante a ação fiscal, ter comprovado manter convênio com estas Entidades, para todos os estabelecimentos e no período fiscalizado, recolhendo suas contribuições diretamente em formulário próprios. 6. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, que lhes prestaram serviços, na forma do artigo 33, par. 1 ° da Lei 8.212, de 24/07/1991, a saber: [...] 7. As bases de cálculo relativas ao débito apurado, correspondente ao período fiscalizado acima citado, foram ARBITRADAS com base nas diferenças de remuneração de empregados, obtidas através do batimento efetuado entre a Folha de Pagamento/GFIP x DIRF — Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — Ano Calendário 2006, na forma do disposto no Art. 33 §§ 3 ° e 6°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com os art. 233 § único, do Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999 e normatizado no artigo 447, itens I e II da Instrução Normativa IN-RFB-971, de 13/11/2009, publicada no DOU de 17/11/2009, conforme abaixo: [...] 8. O contribuinte apresentou, durante a ação fiscal, arquivos digitais contendo as informações relativas As folhas de pagamento e à contabilidade da empresa, nas competências de 01/2006 a 12/2006, de acordo com o formato previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais- MANAD - da SRP aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP N° 12, de 20/06/2006. Tais arquivos foram validados mediante o confronto com as Folhas de Pagamento impressas e com os Livros Diário e Razão, regularmente escriturados e formalizados, apresentados no curso da ação fiscal. 9. Foram emitidos os Termos de solicitação de documentos citados no item 2, necessários ao cumprimento da fiscalização e, durante o decorrer da ação fiscal, foram examinados os seguintes documentos que serviram de base para identificar diferenças na remuneração dos segurados, entre Folha de Pagamento/GFIP x DIRF no período de 01/2006 a 12/2006: 9.1- GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — obtidas dos relatórios do Sistema Informatizado da Receita Federal — GFIP Web; 9.2 - D1RF — Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — Ano Calendário 2006, obtida do Sistema Informatizado da Receita Federal — SIEF Web. 10. Os arquivos digitais elencados nos itens 8 e 9 acima foram devidamente importados para o sistema AUDIG — Auditoria Digital, para análise geral dos dados. A tabela de batimento Folha x GFIP x DIRF, gerada no AUDIG, apresentou, inicialmente, uma grande divergência entre os valores declarados nas DIRF em relação aos declarados nas GFIPs (idênticos aos valores de folha), da ordem de R$ 28.000.000,00 para todo o ano de 2006, conforme já sinalizado pela área de planejamento da ação fiscal. Fl. 7305DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 11. O atendimento aos esclarecimentos, solicitados através do Termo de Intimação Fiscal n° 03, propiciou uma substancial redução dos valores divergentes. Da planilha inicial foram deduzidos todos os valores pagos aos segurados, nos quais havia incidência de Imposto de Renda, mas não incidência das contribuições previdenciárias (Participação de Lucros e Resultados, indenizações, abonos aprovados em acordos coletivos, adiantamentos de gratificação de férias, etc.). A tabela inicial, após as deduções mencionadas, originou a planilha 1, anexa ao relatório, onde são apresentadas as diferenças finais, para as quais não cabiam outras deduções. 12. O batimento entre as remunerações dos empregados lançadas nas folhas de pagamento e os valores declarados nas GFIPs, bem como o batimento GFIPxGPS, não apresentaram divergências. Portanto, as diferenças encontradas (DIRF-GFIP), não foram declaradas em GFIP, nem recolhidas em GPS, dando origem ao crédito previdenciário. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 214-237) alegando que: a) A contribuinte não teve a necessária oportunidade de justificar todos os débitos que constam da autuação antes da lavratura do AI; b) As rubricas sobre incluídas na autuação não se incluem na base de cálculo das contribuições cobradas: a. O abono de férias não pode ser tributado pelo IRPF (art. 1º da IN nº 936/2009). O Ato Declaratório da PGFN nº 06/2006 autoriza a desistência da PGFN nas ações judiciais em que se discuta a não incidência de IR sobre o adicional de um terço previsto pelo art. 7º, XVII, da CF, quando agregado a pagamento de férias (simples ou proporcionais), vencidas e não gozadas, convertidas em pecúnia, em razão de rescisão do contrato de trabalho. O fiscal jamais poderia ter oferecido a tributação o valor concernente ao Abono de férias, pois o mesmo apesar de tributável pela legislação previdenciária, não é para a legislação do Imposto de renda, motivo pelo qual o fiscal encontrou a diferença e considerou a mesma como base de cálculo para incidência da contribuição previdenciária; b. O auxílio-creche, auxílio-babá ou reembolso relativo a despesas contraídas pelas trabalhadoras para a guarda dos filhos, como substitutivo da obrigação patronal de manter creches, não devem sofrer incidência da contribuição previdenciária quando pagos em obediência à legislação correspondente, ou seja, desde que devidamente comprovadas e observado o limite de idade de 6 anos, bem como não integrarão o salário para qualquer efeito, inclusive férias e 13° salário; c. O auxílio-doença pago pela contribuinte é extensível a todos os seus empregados, de tal forma que atende aos requisitos do art. 28, § 9º, “n”, da Lei nº 8.212/91, descabendo a incidência de contribuições previdenciárias sobre esses valores; Fl. 7306DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 d. A contribuinte tem por pratica, após agendamento das férias de seus funcionários, efetuar o pagamento das mesmas em média com 04 (quatro) dias de antecedência. O que acaba ocorrendo, que para fins de imposto de renda considera-se a data do efetivo pagamento, data em que o funcionário, ainda está em atividade. Sendo assim, na DIRF consta a data do efetivo pagamento enquanto que na GFIP consta a data da saída do funcionário, o que em alguns casos acaba por ocorrer o pagamento em um mês e a saída no mês seguinte. Por essa razão, o fiscal considerou a diferença; e. Sobre o adiantamento de proventos de INSS, quando o funcionário entra de licença médica e com a demora na liberação do benefício pelo INSS, a Impugnante não deixa que o funcionário fique sem receber nada, ainda mais estando doente. A ora Impugnante paga ao funcionário licenciado e depois se compensa; f. Os valores de PLR foram pagos conforme a legislação vigente e, portanto, também não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias (inclusive aqueles pagos na folha de rescisão); g. Sobre alguns valores de rescisão, As divergências nessa situação decorrem do funcionário ser desligado no final do mês e a empresa como tem pela legislação vigente 10 dias para efetuar o pagamento, o mês vira. Ficando considerado para fins legais na GFIP a data desligamento (competência) e na DIRF é lançada a competência de pagamento da rescisão; h. As divergências referentes aos casos de contribuintes individuais decorrem do fato de que informações correspondentes foram incluídas em GFIP de acordo com os recibos apresentados pelo prestador de serviço, enquanto que os dados foram incluídos em DIRFs pelas datas dos efetivos pagamentos. Dessa forma, para alguns contribuintes individuais foram informados pagamentos em GFIP em determinada competência e em DIRF em competências seguintes. O agente fiscal altera o método de confronto entre DIRF e GFIP, porque para alguns contribuintes individuais ele considera tão somente o valor da GFIP de janeiro de 2006, esquecendo-se da regra da competência a ponto de ignorar os valores declarados na GFIP de dezembro de 2005, sem contar também trabalhou com somatório da GFIP de janeiro de 2006 quando o correto deveria ter sido considerado os valores por contribuintes individuais, exatamente como na planilha anexa à impugnação; e i. Entende-se cabível a realização de perícia, pugnando-se pela intimação para a formulação de quesitos e pela nomeação do perito indicado à fl. 236. Ao final, formulou pedidos nos termos da fl. 236. Fl. 7307DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ (DRJ), por meio do Acórdão nº 12-42.046, de 03 de novembro de 2011 (fls. 457-464), negou provimento à impugnação, mantendo a exigência fiscal integralmente, conforme o entendimento resumido na seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 COTEJAMENTO DIRF x GFIP: AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo insuficiência de esclarecimentos e de comprovação documental bastante e suficiente para justificar as diferenças apuradas em cotejamento de declarações fornecidas pelo próprio contribuinte, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil pode inscrever de oficio a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. PROVAS. AUSÊNCIA. A simples alegação desacompanhada de provas que a respaldem não meio hábil a desconstituir o lançamento regularmente' constituído. DILIGÊNCIA FISCAL. DESCABIMENTO Descabe a determinação de diligencia para examinar documentos que poderiam e deveriam ter sido acostados aos autos quando da impugnação, no caso, documentos contábeis e fiscais que dessem suporte às alegações, declarações e planilhas elaboradas pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Maurício Dalri Timm do Valle, Relator. Conhecimento A intimação do Acórdão se deu em 29 de fevereiro de 2012 (fls. 305 e 306), e o protocolo do recurso voluntário ocorreu em 29 de março de 2013 (fls. 307-331). A contagem do prazo deve ser realizada nos termos do art. 5º do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972. O recurso, portanto, é tempestivo, e dele conheço integralmente. Em que pese tenha o Ministro André Mendonça, no âmbito do RE nº 1.072.485/PR, determinado a suspensão de todos os processos potencialmente atingidos pela modulação dos efeitos do julgamento definitivo dos citados autos com repercussão geral reconhecida (Tema 945 do STF - natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas ou gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal), verifica-se que não é o caso dos presentes autos. Isso porque, como restou detalhadamente descrito pelo relatório fiscal, as contribuições cobradas são aquelas referentes destinadas a terceiros, e não aquelas da parte patronal. Mérito Preliminarmente Fl. 7308DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 1. Dos documentos apresentados em fase recursal. A recorrente apresentou inúmeros documentos comprobatórios que não haviam sido juntados aos autos quando de sua impugnação administrativa, como cópias de folhas de pagamento do período fiscalizado, guias de pagamento da previdência social (GPS), entre outros. Como apontado pela decisão recorrida, a juntada de documentos pelo sujeito passivo no processo administrativo fiscal deve estar concentrada no momento de sua impugnação, de acordo com o art. 16 , III, do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; O § 4º do mesmo dispositivo prevê as condições específicas em que os documentos e provas poderão ser apresentados excepcionalmente em fase recursal: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Veja-se que nenhuma das circunstâncias elencadas nas alíneas se verificam no presente caso. Além disso, os elementos juntados aos autos extemporaneamente estavam desde o início disponíveis à contribuinte, sendo plenamente possível a sua apresentação com a impugnação. Como se não bastasse, não se tratam de elementos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas ao processo, destinando-se apenas a corroborar as alegações feitas pela recorrente desde a impugnação. Veja-se que se trata de pessoa jurídica de direito privado, obrigada à manutenção de regular contabilidade e guarda adequada de todos os documentos correspondentes, descabendo aqui o conhecimento dos documentos apresentados intempestivamente. Dessa forma, a análise probatória deve se restringir aos elementos que foram anexados aos autos com a impugnação. 2. Do cerceamento de direito de defesa. Entende a recorrente que teriam ocorrido ofensas ao seu direito de defesa em dois momentos distintos: i) Não lhe teria sido dada a devida oportunidade de justificar todos os débitos que constam da autuação antes da lavratura do AI e ii) A decisão recorrida deixou de analisar os documentos que haviam sido juntados com a impugnação administrativa, os quais seriam suficientes a comprovar as alegações nela contidas. No que tange à primeira questão, assim se manifestou a DRJ: Fl. 7309DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 18. Preliminarmente, impende ressaltar que, para apuração da diferença final (base de cálculo) objeto do presente auto de infração, foram consideradas todas as justificativas plausíveis e viáveis prestadas pela impugnante, tanto que, obviamente, os esclarecimentos pertinentes propiciaram uma substancial redução dos valores divergentes primeiramente obtidos. 19. Face tais razões de fato apresentadas pelo contribuinte e comprovação e, não apenas alegações, foram deduzidos todos os valores pagos e declarados em DIRF para os quais realmente não havia incidência das contribuições previdenciárias, tais como, participação nos lucros e resultados-PLR, indenizações, abonos aprovados em acordos coletivos, adiantamentos de gratificação de férias, dentre outros. 20. Após esgotadas as explicações condizentes prestadas pela ora impugnante, a fiscalização, em exame da documentação apresentada, confirmou configurarem, os valores remanescentes, em remuneração tributável. 21. É de suma importância observar-se que, para apuração de tais diferenças, não obstante terem sido, as mesmas, obtidas por arbitramento (cotejamento folha de pagamento/GFIP versus DIRF), foram verificados os seguintes documentos, dentre outros, solicitados através do TIPF recebido em 22/10/2009 (cópia de fl.69) e Termos de Intimação posteriormente recebidos, respectivamente, em 10/03/2010 e 04/05/2010 (cópia de fls. 71 e 72/74), Estatuto Social, Acordo Coletivo, Atas de Reunido do Conselho de Administração, Recibos de Pagamentos a Autônomos —RPA, Livros Diário e Razão e Plano de Contas, Arquivos em meio Digital contendo informações relativas aos lançamentos contábeis e folhas de pagamento, DIRF, DIPJ e Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social-GFIP. 22. Recapitulando, temos que, do cotejamento entre Folha de Pgto/GFIP versus DIRF, num primeiro momento, foi apurada uma diferença que veio a ser reduzida, após a pertinente depuração, face documentação apresentada e a correlata produção de provas acima mencionadas e, como não condizente o que demais apresentado em justificativa, o restante do montante inicialmente apurado, caracterizado por diferença final, como não comprovado, foi tomado para base de cálculo. 23. Após as deduções cabíveis mencionadas, chegou-se As diferenças remanescentes ou finais, para as quais não cabiam deduções, sendo a planilha 1 (fls.163/199 e 202/205) relativa As diferenças finais apuradas para os segurados empregados. 24. Cumpre destacar que os valores lançados em Folha de Pagamento não divergem daqueles declarados em GFIP e que, do batimento GFIP x' GPS não resultaram diferenças, dai, a divergência encontrada pelo cotejamento DIRF x GFIP não se achar declarada em GFIP, nem recolhida em GPS. 25. Portanto, consoante legislação aplicável, a apuração da base de cálculo, via aferição indireta, e o conseqüente lançamento das contribuições sociais previdenciárias e para outras entidades e fundos devidas, encontra-se acorde com a determinação legal. [...] 28. E de conhecimento público que, uma vez a legislação aplicável prescrever lançamento em títulos próprios na contabilidade, impender, portanto, A impugnante, identificar, para comprovação do que alega, mesmo que por amostragem, os lançamentos contábeis (cópias de folhas de Livros Diário e/ou Razão) de tais valores, implementando provas da natureza aventada por ela nos demonstrativos acostados (CD de fl. 319 do processo MP correlato, comprot n° 11052.000284/2010-25) e narrativas subsidiárias, objetivando trazer A luz sinais de veracidade para o que alega a respeito dos mesmos, caracterizando que estes, entendidos pela fiscalização como base de cálculo e tomados para constituição do crédito, na realidade, se referem a verbas não passíveis de incidência de contribuição previdenciária. Fl. 7310DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 28.1. Compulsando os autos, constata-se que a impugnante não faz prova de tais verbas, levantadas pela fiscalização, terem sido lançadas em títulos próprios e ignoradas pelo auditor fiscal como tal, limita-se, tão somente, a alegar que as mesmas se referem a rubricas favoráveis A sua argumentação, equivocadamente tomadas para base de cálculo, em relação as quais não haveria incidência de contribuição social previdenciária e para outras entidades e fundos. 29. A respeito de na fase de levantamento não ter sido a impugnante instada a prestar novos esclarecimentos e apresentar mais documentos, além daqueles anteriormente fornecidos, tal fato se deve a que, uma vez oportunizada chance de, conforme TIPF e Termos de Intimação lavrados, a mesma produzir provas para justificar a diferença obtida pelo cotejamento inicial, a autuada somente logrou êxito em comprovar parte das diferenças que, diligentemente aceitas pela fiscalização, acabaram deduzidas conforme Relatório Fiscal (fls.156/162). Tem-se que a fiscalização não incorreu em cerceamento de direito de defesa tão somente por supostamente ter deixado de intimar a contribuinte para novas justificativas quanto às divergências observadas. Percebe-se que houve intimação para que fossem apresentados documentos e esclarecimentos, o que efetivamente foi atendido pela contribuinte. No entanto, mesmo após o atendimento das intimações, foram observadas diferenças de valores declarados em GFIP e em DIRFs, as quais vieram a constituir a base de cálculo do lançamento. Note-se que é apenas com a impugnação administrativa que se instaura a fase contenciosa do processo fiscal (art. 14 do Decreto nº 70.235/72), na qual é imperativa a observância do contraditório de da ampla-defesa. É este o momento processualmente adequado para que o contribuinte apresente todas as suas alegações e documentos voltados a contrapor as constatações fiscais. Havendo regularidade da intimação quanto à lavratura do Auto de Infração, acompanhada de todos os documentos que embasaram o lançamento e com a descrição detalhada dos fatos por meio dos seus relatórios anexos, além da abertura do prazo legal para a apresentação de impugnação, não há que se falar no cerceamento de direito de defesa alegado. O segundo item se refere a suposta falta de análise adequada dos documentos apresentados com a impugnação por parte da DRJ. Isso porque o referido órgão julgador teria concluído que tais elementos não seriam suficientes para respaldar as razões da contribuinte. Em primeiro lugar, é necessário pontuar que a análise das provas confunde-se com o mérito da questão e, portanto, será analisada nos itens seguintes. De outro lado, verifica-se que a DRJ não deixou de examinar os elementos apresentados, fazendo referência inclusive aos demonstrativos e planilhas contidas no CD anexo à impugnação dos autos conexos nº 11052.000284/2010-25. Ou seja, o órgão julgador apenas se manifestou desfavoravelmente à recorrente em análise aos documentos dos autos, e a mera discordância em relação a tal constatação não implica que houve alguma forma de cerceamento de direito de defesa. 2. Do mérito. Entende a contribuinte que as diferenças identificadas pela fiscalização entre os valores declarados em GFIP e aqueles constantes de DIRFs decorrem de valores sobre os quais não devem incidir as contribuições previdenciárias cobradas (auxílio creche, auxilio doença, abono de férias, etc). Além disso, indicou que as informações em GFIP teriam sido incluídas de Fl. 7311DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 acordo com recibos e documentos específicos, enquanto aquelas constantes das DIRFs estariam conforme as datas dos efetivos pagamentos de verbas. Sobre as referidas questões, assim se manifestou a DRJ: 26. À vista dos elementos constitutivos da impugnação, é visivelmente notório que o alcance argumentativo da peça defensiva não atinge o patamar da comprovação, ou seja, revela-se incapaz na produção de provas imprescindíveis e cabais em suporte ao que- é apontado. 26.1 Ao contrário, a defesa restringe-se ao terreno da mera alegação, cujo único arrimo identificável nos autos não passa de demonstrativos (mídia anexa), de onde consta patente a ausência de sustentação, pois, tais demonstrativos, por si sós, são incapazes para implementação de provas. 27. Não resta a menor dúvida, conforme mesmo a impugnante reconhece, que a autoridade fiscal, por força da comprovação produzida através dos documentos pertinentes analisados, veio a reduzir substancialmente o montante de diferença originalmente apontada como fruto do cotejamento DIRF versus GFIP. 27.1 Escapa A defendente, no entanto, produzir provas no sentido de tomar verossímil que a diferença remanescente, tomada para base de cálculo pela fiscalização, se refira a verba não passível de incidência de contribuição previdenciária. 28. E de conhecimento público que, uma vez a legislação aplicável prescrever lançamento em títulos próprios na contabilidade, impender, portanto, A impugnante, identificar, para comprovação do que alega, mesmo que por amostragem, os lançamentos contábeis (cópias de folhas de Livros Diário e/ou Razão) de tais valores, implementando provas da natureza aventada por ela nos demonstrativos acostados (CD de fl. 319 do processo MP correlato, comprot n° 11052.000284/2010-25) e narrativas subsidiárias, objetivando trazer A luz sinais de veracidade para o que alega a respeito dos mesmos, caracterizando que estes, entendidos pela fiscalização como base de cálculo e tomados para constituição do crédito, na realidade, se referem a verbas não passíveis de incidência de contribuição previdenciária. 28.1. Compulsando os autos, constata-se que a impugnante não faz prova de tais verbas, levantadas pela fiscalização, terem sido lançadas em títulos próprios e ignoradas pelo auditor fiscal como tal, limita-se, tão somente, a alegar que as mesmas se referem a rubricas favoráveis A sua argumentação, equivocadamente tomadas para base de cálculo, em relação as quais não haveria incidência de contribuição social previdencidria e para outras entidades e fundos. 29. A respeito de na fase de levantamento não ter sido a impugnante instada a prestar novos esclarecimentos e apresentar mais documentos, além daqueles anteriormente fornecidos, tal fato se deve a que, uma vez oportunizada chance de, conforme TIPF e Termos de Intimação lavrados, a mesma produzir provas para justificar a diferença obtida pelo cotejamento inicial, a autuada somente logrou êxito em comprovar parte das diferenças que, diligentemente aceitas pela fiscalização, acabaram deduzidas conforme Relatório Fiscal (fls.156/162). 29.1 Uma vez esgotada a capacidade de comprovação da documentação bastante apresentada, restou A fiscalização a lavratura do presente auto, tanto que, na peça defensiva, o que temos acostados aos autos são demonstrativos (mídia anexa) que não comprovam o que pretendem como verdadeiro e, uma narrativa argumentativa construída, tão somente, por meras alegações irrevestidas de provas ou razões de fato. 30. E de se frisar, ademais, que verbas, tais como, Participação nos Lucros e Resultados-PLR, adiantamentos de gratificação de férias, abonos aprovados em acordos Fl. 7312DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 coletivos e indenizações, que a impugnante, inadvertidamente, alega não terem sido deduzidas, constam explicitadas, no relatório fiscal, A fl. 159, item 11, não terem sido objeto de lançamento, exatamente porque, quando da acurada análise da documentação e esclarecimentos prestados pela impugnante, terem sido justificadas, restando, quanto As demais, por falta de comprovação e previsão legal, a constituição do crédito. 31. Em relação A rubrica adiantamento proventos INSS, cabe à impugnante implementar provas em relação ao que afirma , comprovando tais ocorrências através de documentação hábil, inclusive apontando os respectivos lançamentos contábeis e, não apenas, alegar pura e simplesmente. 32. Em suma, em nenhum momento comprova, a impugnante, serem, os valores lançados, fruto de equivocada incidência, conforme contesta. Permanecendo não implementada a invalidação pretendida pela impugnante, cabendo, única e exclusivamente, mesma, o ônus da prova em contrário, para fazer crer como realidade fática o que ora, nos autos, apresenta-se, simplesmente, sob o manto da alegação. 33. Finalmente, cabe ressaltar que as planilhas denominadas "FICHAS FINANCEIRAS", além de, por si sós, não comprovarem a natureza das verbas pagas, referem-se a folhas mensais de pagamento, as quais, informa, a fiscalização, não se relacionarem com o presente levantamento, bem como, as planilhas intituladas "NATUREZA DAS RUBRICAS" apenas registrarem uma atribuição dada aos valores contestados, porém, tal intitulação, por si só, nada comprova. De fato, verifica-se que a documentação apresentada com a impugnação não é suficiente para demonstrar o equívoco da fiscalização alegado pela contribuinte. Isso porque, além de não ter sido apresentada a regular contabilidade que comprovasse o pagamento das verbas nas datas indicadas, com correspondente recolhimento relativo aos valores tributáveis por contribuições previdenciárias dos segurados, também não foi adequadamente demonstrado que o lançamento teria incluído parcelas que não sofreriam a incidência do tributo - ainda mais quando considerado que o próprio relatório fiscal informa que tais parcelas, quando efetivamente comprovadas, foram excluídas do lançamento. Assim, tendo em vista que a recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório, bem como que as alegações de mérito são essencialmente as mesmas constantes da impugnação administrativa, adoto os argumentos da DRJ como razões de decidir nos termos do art. 57, § 3º, do RICARF e afasto os fundamentos do recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle Fl. 7313DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-010.630 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.000286/2010-14 Fl. 7314DF CARF MF Original
score : 1.0
