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Numero do processo: 10925.000983/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2007
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 30.
Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão da Seguridade Social.
VALOR FIXO DA MULTA.
A multa imposta pela autoridade fiscal foi aplicada em valor fixo e indivisível, sendo irrelevante, portanto, que parte da falta apontada tenha sido cometida em período supostamente atingido pela decadência. A correção e/ou decadência de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente. No mesmo sentido, sua exclusão, atenuação e/ou relevação só seria possível se toda a falta fosse corrigida dentro do prazo legal, o que não ocorreu. Por conseguinte, havendo fatos geradores posteriores ao prazo decadencial e/ou perdurando a falta mesmo que parcialmente, deve ser mantida a multa em sua integralidade.
Numero da decisão: 2401-009.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 30. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão da Seguridade Social. VALOR FIXO DA MULTA. A multa imposta pela autoridade fiscal foi aplicada em valor fixo e indivisível, sendo irrelevante, portanto, que parte da falta apontada tenha sido cometida em período supostamente atingido pela decadência. A correção e/ou decadência de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente. No mesmo sentido, sua exclusão, atenuação e/ou relevação só seria possível se toda a falta fosse corrigida dentro do prazo legal, o que não ocorreu. Por conseguinte, havendo fatos geradores posteriores ao prazo decadencial e/ou perdurando a falta mesmo que parcialmente, deve ser mantida a multa em sua integralidade.
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INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 30. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão da Seguridade Social. VALOR FIXO DA MULTA. A multa imposta pela autoridade fiscal foi aplicada em valor fixo e indivisível, sendo irrelevante, portanto, que parte da falta apontada tenha sido cometida em período supostamente atingido pela decadência. A correção e/ou decadência de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente. No mesmo sentido, sua exclusão, atenuação e/ou relevação só seria possível se toda a falta fosse corrigida dentro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 09 83 /2 00 8- 71 Fl. 1039DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.780 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000983/2008-71 do prazo legal, o que não ocorreu. Por conseguinte, havendo fatos geradores posteriores ao prazo decadencial e/ou perdurando a falta mesmo que parcialmente, deve ser mantida a multa em sua integralidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (e-fls. 1019 e ss). Pois bem. Trata-se de Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) DEBCAD n° 37.129.211-5, lavrado contra o sujeito passivo, uma vez que deixou de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, conforme consta no Relatório Fiscal, às fls.19 e Anexo I de fls. 21-445, pelo que foi aplicada a multa no valor de R$ 1.254,89. Tempestivamente, o sujeito passivo apresentou impugnação de fls. 518-526, alegando, em síntese, o que segue: 1. Alega que a autoridade fiscal, a despeito de ter intimado a apresentar, esclarecer e informar sobre inúmeros documentos relacionados no TIAF e TIAD, limitou-se a examinar a escrituração contábil e, a partir deste exame, sem confrontar os documentos fiscais com a escrita contábil, constatou infrações à legislação previdenciária. 2. Diz que a autoridade selecionou várias contas contábeis e a partir de seus registros extraiu valores lançados a título de carga e descarga, despesas de vigilância, despesas de reuniões e assembleias, material de conservação, fretes sobre vendas e transferências, aquisição de suínos, previdência privada, dentre outras. 3. Cita que nos serviços de fretes, relacionados no Anexo I do auto de infração, sob a rubrica "Fretes s/ compras e transferências" e "Fretes s/ vendas e fretes s/compras", constata que as contratações foram principalmente as empresas COTRACAN, COTRAMOL e UNIMED e que, quando não se tratam de fretes prestados por COTRACAN e COTRAMOL a autoridade fiscal sequer declinou quem seriam os beneficiários dos valores, sem indicação de ser o prestador dos serviços pessoa física ou jurídica. Fl. 1040DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.780 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000983/2008-71 4. Fala que no Anexo I, sob a rubrica DESCARGAS, a partir de janeiro de 2004, a autoridade fiscal deixou de identificar os beneficiários, se pessoa física ou jurídica. 5. Alega que, a despeito de ter a autoridade fiscal intimado a apresentar inúmeros documentos, limitou-se a examinar a escrituração contábil e que em relação aos levantamentos a título de "FRETES S/COMPRAS E TRANSFERÊNCIAS" e "FRETES SNENDAS E FRETES S/COMPRAS" e "CARGA E DESCARGA", na maior parte não há a identificação do prestador dos serviços, como se verifica no Anexo I. 6. Considera que tal procedimento não preenche os requisitos de certeza e liquidez, caracterizando-se em cerceamento do direito de defesa, notadamente na falta de identificação individualizada de cada um dos segurados ou prestador de serviços, impedindo de averiguar se se trata de tomador pessoa física ou jurídica e se também houve ou não recolhimento ainda que parcial da contribuição previdenciária, o que acarreta a nulidade, citando o art. 661 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, que fala sobre a necessidade de clareza que deve ter o relatório fiscal, bem como jurisprudência. 7. Cita que não procede a alegação de que deixou de preparar a folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas, posto que, tendo a autoridade observado em sua escrita fiscal infrações à legislação previdenciária, todos os dados foram extraídos de sua contabilidade e, portanto, foram preparadas as folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas. 8. Assim, entende que como todo e qualquer registro constante do auto de infração foi extraído do registro contábil, é certo que foram preparadas as folhas de pagamentos. 9. Por fim requer o conhecimento da impugnação, a suspensão da exigibilidade nos termos do art. 151, III, CTN, e a improcedência do lançamento fiscal. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão de e-fls. 1018 e ss, cujo dispositivo considerou a impugnação improcedente, com a manutenção do crédito tributário exigido. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM OS PADRÕES DA LEGISLAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de preparar folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. NULIDADE AUSENTE. Não é causa de nulidade o lançamento feito com base na escrita contábil do sujeito passivo, quando este expressamente atesta a impossibilidade de atender ao pedido da autoridade fiscal para individualizar os fatos geradores. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPUGNAÇÃO. Impugnado o lançamento tributário, nos termos e requisitos estabelecidos pelas leis do processo tributário administrativo, o crédito permanece com sua exigibilidade suspensa enquanto não esgotadas as vias recursais. Impugnação Improcedente Fl. 1041DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.780 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000983/2008-71 Crédito Tributário Mantido O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada, interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 1026 e ss), repisando os argumentos tecidos em sua impugnação. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário interposto. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar de cerceamento do direito de defesa. Preliminarmente, o recorrente alega que o lançamento seria nulo, ao argumento de incerteza e liquidez, caracterizado em cerceamento do direito de defesa, notadamente na falta de identificação individualizada de cada um dos segurados ou prestador de serviços nos levantamentos “FRETES S/COMPRAS E TRANSFERÊNCIAS” e “FRETES S/VENDAS E FRETES S/COMPRAS” e “CARGA E DESCARGA”, impedindo de averiguar se se trata de tomador pessoa física ou jurídica e se também houve ou não recolhimento, ainda que parcial, da contribuição previdenciária, o que acarretaria sua nulidade. Contudo, entendo que não assiste razão ao recorrente, estando hígida a exigência em epígrafe, não havendo que se falar em nulidade do lançamento consubstanciado nos levantamentos “FRETES S/COMPRAS E TRANSFERÊNCIAS” e “FRETES S/VENDAS E FRETES S/COMPRAS” e “CARGA E DESCARGA”. Pois bem. A começar, é certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de ofício, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a observância da legislação de regência, a fim de constatar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do CTN). A não observância da legislação que rege o lançamento fiscal ou a falta de seus requisitos, tem como consequência a nulidade do ato administrativo, sob pena de perpetuar indevidamente cerceamento do direito de defesa. Conforme muito bem pontuado pela decisão recorrida, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento conforme as informações colhidas na contabilidade da empresa e que, para afastar ou pairar qualquer dúvida sobre o seu procedimento, solicitou informações visando a individualização dos segurados, porém não atendida, tal como expressamente declarou. Ou seja, a ausência de individualização se deu por culpa exclusiva da empresa, não podendo se valer de tal subterfúgio, a cujo evento deu causa, para se eximir de sua responsabilidade tributária. E, ainda, consta Declaração fornecida pela empresa (fls. 20), na qual informa que não foi possível proceder a identificação dos segurados autônomos e cooperados que prestaram serviços à Cooperativa Rio do Peixe, conforme relação apresentada pela autoridade fiscal no. Fl. 1042DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.780 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000983/2008-71 arquivo digital. A declaração de fls. 20, firmada pela empresa, por si só, mostra que ela não dispunha de meios para individualizar os segurados que lhe prestaram serviços e, não pode, com sua omissão, pretender afastar sua responsabilidade tributária. O Anexo I, integrante do Auto de Infração, apresenta os lançamentos contábeis apontados pela autoridade lançadora como fatos geradores e, desta forma, obrigada está a empresa a elaborar folhas de pagamentos com todos os segurados. Entendo, pois, que o lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislação. Pelo conjunto de documentos pertencentes ao processo e de tabelas contendo a compilação dos dados, é possível compreender perfeitamente todos os motivos, bem como identificar todos os fundamentos legais que a amparam. O lançamento foi realizado de acordo com o que dispôs a lei sobre a matéria, de modo que, se há incompatibilidade e incoerência, estas estão estabelecidas legalmente e devem ser obedecidas pela autoridade administrativa, não podendo por ela ser afastada. A auditoria esclareceu os procedimentos utilizados, baseando-se em documentos fornecidos pela própria interessada, a partir dos quais foi caracterizada a ocorrência dos fatos geradores, de forma clara e precisa, permitindo ao interessado verificar os valores lançados e, se for o caso, contestá-los fundamentadamente. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Por fim, destaco que cabe ao contribuinte o ônus de enfrentar a acusação fiscal, devidamente motivada, apresentando os argumentos pelos quais entende que o presente lançamento tributário merece ser declarado improcedente, não sendo o caso de decretar a nulidade do auto de infração, eis que preenchidos os requisitos do art. 142 do CTN. Assim, rejeito a preliminar levantada pelo recorrente. 3. Mérito. Conforme narrado, trata-se de Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) DEBCAD n° 37.129.211-5, lavrado contra o sujeito passivo, uma vez que deixou de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, conforme consta no Relatório Fiscal, às fls.19 e Anexo I de fls. 21-445, pelo que foi aplicada a multa no valor de R$ 1.254,89. Pois bem. Não são raras as oportunidades nas quais os processos de obrigações previdenciárias acessórias que, mesmo decorrentes de um mesmo procedimento fiscal, tramitam separadamente dos processos de obrigações principais. Deve-se verificar, em todo caso, se ditas obrigações acessórias guardam relação de dependência com a exigência tributária, ou seja, Fl. 1043DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.780 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000983/2008-71 quando o desfecho de seu julgamento deve acompanhar o que restou decidido nos processos de obrigações principais. Existem situações nas quais os autos de infração por descumprimento de obrigações acessórias não têm relação alguma com a obrigação tributária principal e podem ser julgados separadamente. Exemplo disso é a obrigação de preparar folha de pagamento, Código de Fundamentação Legal – CFL nº 30, que tem como fundamento o inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/1991 c/c inciso I do caput e § 9º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social. Como forma de ilustrar essa afirmação, convém reproduzir o inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/1991 e o inciso IV do § 9º do Regulamento da Previdência Social: Lei nº 8.212/1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I - preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; [...] Regulamento da Previdência Social Art. 225. [...] [...] § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: [...] IV - destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e De acordo com o inciso IV do Regulamento da Previdência Social, a folha de pagamento deve destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração. Assim, mesmo que o auto de infração relacionado à folha de pagamento seja aplicado em conjunto com lançamento de salário indireto (auxílio alimentação, vale transporte, participação nos lucros ou resultados, dentre outros), o fato de se decidir pelo afastamento da obrigação principal, via de regra 1 , não interfere na acessória, pois as parcelas correspondentes a salários indiretos devem constar da folha de pagamento, ainda que sejam consideradas como não integrantes do salário de contribuição. Há ainda infrações cuja vinculação às obrigações principais vai depender do caso concreto. Exemplo disso é a de CFL nº 78, que consiste em “apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, com incorreções ou omissões, prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela MP nº 449/2008”. Nessa hipótese, haverá vinculação entre obrigação acessória e principal em se tratando de omissão de informações que tenham relação com fatos geradores, base de cálculo e valores devidos de contribuição previdenciária. 1 OBS: Uma exceção a essa regra é se a lavratura do AI – FLD 30 deu-se em função de caracterização de vínculo de emprego de Pejotização. Ou seja, nesse caso, o julgamento do AI 30 estará atrelado ao julgamento da Obrigação Principal de caracterização de vínculo. Vale ressaltar que se for caso de caracterização de vínculo de emprego de Contribuinte Individual, o AI 30 não estaria vinculado, pois a empresa é obrigada a elaborar folha de pagamento de CI com todas as rubricas integrantes e não integrantes do salário de contribuição, já que o CI, assim como o empregado, é segurado obrigatório da previdência social Fl. 1044DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-009.780 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000983/2008-71 No caso em questão, o lançamento discutido no presente processo, a meu ver, não se relaciona diretamente com os lançamentos consubstanciados nos DEBCAD’s originados no contexto da mesma ação fiscal e que dizem respeito às obrigações principais. Isso porque, encontra-se em discussão no presente processo, a obrigação de a empresa preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão da Seguridade Social. A propósito, não se constata, nos julgados que discutem as obrigações principais, a informação de que a empresa teria elaborado, corretamente, folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão da Seguridade Social. E não tendo o contribuinte comprovado a observância da obrigação acessória que se discute no presente processo, não há como reparar a decisão de piso. Ademais, a multa para esse tipo de infração é aplicada em valor fixo, não dependendo do número de ocorrências verificadas; assim, uma só infração constatada em período não decadente ou permanecente, é suficiente para justificar a aplicação da penalidade. Por conseguinte, havendo fatos geradores posteriores ao prazo decadencial e/ou perdurando a falta mesmo que parcialmente, deve ser mantida a multa em sua integralidade. Para além do exposto, a multa aplicada já levou em consideração o patamar mínimo de R$ 1.254,89, consoante o disposto no art. 283, inciso I, “a" do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 12/05/1999, reajustado pelo inciso V do artigo 8° da Portaria MPS/MF n° 77, de 11/03/2007. Em outras palavras, no caso dos autos, quanto à obrigação acessória em comento, entendo que não demonstrou o recorrente, de modo objetivo, fato impeditivo, modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. Conforme bem destacado pela decisão recorrida, de fato, como indicado pela autoridade lançadora, os dados que levaram a lavratura fiscal foram colhidos na contabilidade, porém, a empresa deixou de preparar as folhas de pagamentos dos segurados, conforme apontado nas contas contábeis pela autoridade fiscal. Tal fato é incontroverso, tanto que manifestado expressamente pela empresa que não teria como identificar os segurados que lhe prestaram os serviços, consoante declaração firmada de fls. 20. Já em relação à sua pretensão de aplicação de legislação mais benéfica no cálculo da multa devida, destaque-se que a aplicação da nova sistemática de cálculo das multas, nos termos da Lei n° 11.941/2009, que introduziu o inciso I do artigo 32-A, da Lei 8.212/91, e que envolve retroatividade benigna, conforme art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), não se aplica no presente caso, pois a autuação não diz respeito a informações incorretas ou omitidas em GFIP. A propósito, cabe esclarecer que o presente auto de infração foi lavrado face à infringência ao art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, inciso I, § 9, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999, uma vez que deixou de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. Fl. 1045DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-009.780 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000983/2008-71 Percebe-se, pois, que o citado art. 32, inciso I, da Lei n. 8.212/91, não sofreu alterações com o advento da Lei n° 11.941/2009, mantendo, na verdade, sua redação original, não sendo possível invocar o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN). Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância que, a meu ver, examinou com proficuidade a questão posta. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 1046DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10935.904624/2018-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. RETIFICAÇÃO.
O Pedido de Ressarcimento somente poderá ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador.
PROVAS. INSUFICIÊNCIA.
A mera arguição de direito, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, não é suficiente para demonstrar a ocorrência dos fatos alegados.
Numero da decisão: 3201-008.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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RETIFICAÇÃO. O Pedido de Ressarcimento somente poderá ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera arguição de direito, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, não é suficiente para demonstrar a ocorrência dos fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório Trata o presente processo do pedido eletrônico de ressarcimento relativo ao crédito de PIS não cumulativo, vinculado às receitas do Mercado Interno não Tributado, bem como da(s) Declaração(ões) Eletrônicas de Compensação - Dcomp, vinculada(s) ao mencionado PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 24 /2 01 8- 48 Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.757 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904624/2018-48 Após analisar o pleito da interessada (PER e Dcomp vinculadas), a Delegacia da Receita Federal do Brasil emitiu o Despacho Decisório Eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento e, por consequência, não homologou a(s) Dcomp vinculada(s). Consoante se verifica no demonstrativo anexo ao despacho decisório contestado, denominado “PER/DCOMP Despacho Decisório – Análise do Crédito”, o direito creditório não foi reconhecido em razão de terem sido encontradas inconsistências entre os valores (mensais) de créditos (vinculados às receitas do Mercado Interno não Tributado) informados no PER acima mencionado e os valores destes mesmos créditos e/ou saldos de créditos informados nos Dacon/EFD-Contribuições dos respectivos períodos (meses). Dizendo em outras palavras, não houve reconhecimento do crédito porque os sistemas eletrônicos da Receita Federal identificaram que a própria contribuinte, conforme os Dacon/EFD-Contribuições do trimestre, não informou créditos e/ou saldos de créditos (vinculados às receitas do Mercado Interno não Tributado) que estivessem disponíveis para atendimento do pedido de ressarcimento. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório e apresentou, manifestação de inconformidade, onde inicialmente, faz um breve relato dos fatos, destacando que as empresas transportadoras de cargas tributadas pelo Lucro Real, além dos descontos de créditos (nas contribuições não cumulativas ) que são comuns aos outros tipos de atividades, pode realizar descontos relativamente a serviços de transporte em regime de subcontratação das pessoas jurídicas (não optantes pelo Simples Nacional) e relativamente a crédito presumido quando subcontratarem serviço de transporte de carga prestado por pessoa física, transportador autônomo ou por pessoa jurídica transportadora optante pelo Simples Nacional, bem como créditos das despesas de combustíveis e lubrificantes e peças de reposição para veículos utilizados diretamente no transporte. Lembra, também, que a legislação permite a manutenção dos créditos relativos às aquisições, custos e despesas vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não-incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e COFINS. Ademais, diz que, após realizar revisão tributária das contribuições do trimestre em análise, constatou divergência nas declarações acessórias a elas relacionadas (EFD- Contribuições, Dacon e PER/Dcomp). Nesse sentido, relata que entregou, de forma intempestiva, a retificação das EFD-Contribuições e dos Dacon (relativos aos meses do trimestre) e, também, que tentou realizar a retificação do PER tratado no presente processo. Quanto a este último, informa que não conseguiu realizar a retificação, uma vez que o validador do sistema PER/Dcomp não permitiu a transmissão do documento, com retorno da seguinte mensagem "O PER/DCOMP QUE SE PRETENDE RETIFICAR JÁ FOI OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA.”. No mérito, discursa, sobre o direito ao crédito (solicitado no PER) frente a legislação de regência da matéria. Relata que tem como atividade principal a prestação de serviços de transporte internacional de cargas e que, nesta condição, possui direito à manutenção do crédito auferido quando da aquisição de insumos e da contratação de serviços, conforme as disposições contidas no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Acrescenta que as receitas relativas a referida atividade (transporte internacional de cargas) são isentas das contribuições (PIS e Cofins), consoante o disposto no §1º, art. 14 da Medida Provisória nº 2158 – 35, de 2001. Na sequência, argumenta que como as glosas de créditos foram efetivadas com base em informações equivocadas, constantes do requerimento de compensação, elas podem ser corrigidas, ainda que posteriormente à ciência do despacho decisório. Alega que, no presente caso, o lançamento não constitui o crédito, apenas o declara, uma vez que trata-se de ato jurídico declaratório. Nessa direção, sustenta que as informações podem ser corrigidas, para o fim de Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.757 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904624/2018-48 refletir com exatidão o fato jurídico tributário. Argumenta, também, que a interpretação sistêmica do instituto da compensação em conjunto com o art. 32 do Decreto 70.235, de 1972, leva à conclusão de que a Administração tem o dever de buscar a verdade material, ainda que de ofício; que a autoridade fiscal, antes da emissão do despacho decisório e em respeito ao princípio da moralidade (constante do art. 37 da Constituição Federal), deveria ter concedido a oportunidade de correção das informações; que a vedação da retificação enseja o locupletamento do erário público em razão de erro sanável; e que, para sanear o procedimento, a administração deveria anular o ato administrativo determinando análise do creditamento com base na planilha retificadora apresentada em conjunto com a manifestação. Ademais, para a defesa de sua tese, a interessada colaciona extensa jurisprudência do TRF 4ª Região. Diante do exposto, pede o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de anular a decisão contestada e reconhecer o direito ao crédito, conforme a planilha retificadora. Subsidiariamente, pede o conhecimento da manifestação, bem como a realização de novo julgamento, com provimento do pedido e consequente homologação da compensação realizada, uma vez que realizou a retificação da planilha demonstrativa dos créditos. E, adicionalmente, pede a juntada da planilha retificadora. Em conjunto com a manifestação, a interessada apresenta, entre outros elementos, cópia das retificações dos Dacon e das EFD-Contribuições, bem como cópia da PER/Dcomp preenchida e que não pode ser entregue. Observe-se que, procedeu a juntada de expediente, por meio do qual informa a entrega de novas retificações relativas aos EFD-Contribuições (dos meses tratados no presente processo). Importa ainda consignar que o presente processo (assim como outros 15 processos da interessada) é objeto do Mandado de Segurança nº 5000345-62.2020.4.04.7005/PR, para o qual foi concedida liminar com determinação para julgamento da manifestação de inconformidade no prazo de 60 dias, para afastar a realização da compensação de ofício dos créditos tributários, cuja exigibilidade esteja suspensa, e para observar a incidência da Taxa SELIC na hipótese de o ressarcimento dos créditos ocorrerem a partir do 361º (tricentésimo sexagésimo primeiro) dia após o protocolo. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Regularmente cientificado apresenta recurso voluntário, em síntese: - a retificação foi efetuada antes do despacho decisório; - trouxe junto à manifestação os documentos EFD retificadoras, e retificação do pedido de ressarcimento; - ofensa ao devido processo legal; - ausência de análise das Dacons retificadas; - ausência de análise das EFD retificadas. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.757 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904624/2018-48 Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Inicialmente no Mandado de Segurança nº 5000345-62.2020.4.04.7005/PR houve a decisão com liminar: Ante o exposto, concedo a tutela de urgência liminar pleiteada para determinar que o impetrado, no prazo de 60 (sessenta) dias (TRF4 5014993-86.2015.404.0000, Primeira Turma, Relator JORGE ANTÔNIO MAURIQUE), analise e decida os pedidos de ressarcimento relacionados na inicial, abstendo-se de realizar a compensação de ofício dos créditos tributários, cuja exigibilidade esteja suspensa, e observando a incidência da Taxa SELIC como índice de atualização dos créditos na hipótese de ultimação dos respectivos ressarcimentos a partir do 361º (tricentésimo sexagésimo primeiro) dia após o protocolo. O pedido inicial, que consta na peça judicial, é, dentre outros para: a.i) determine, desde já, que na hipótese de decisão administrativa favorável, proceda o efetivo ressarcimento dos créditos deferidos, corrigidos monetariamente pela Taxa Selic, desde a data do protocolo dos pedidos até a data da sua efetiva disponibilização ou compensação, determinado à autoridade coatora que se abstenha de proceder à compensação/retenção de ofício dos créditos, os quais venham a ser reconhecidos, com débitos da Impetrante, cuja exigibilidade esteja suspensa nos exatos termos que determina o art. 151 do CTN. Como o pedido em análise nesse processo é de ressarcimento, e a decisão, em liminar, foi para abster-se de realizar a compensação de ofício, entendo que não há prejudicialidade por concomitância. O presente recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Consoante se verifica no relatório acima, o pleito não foi reconhecido porque os sistemas eletrônicos da Receita Federal identificaram que a própria contribuinte, conforme os Dacon/EFD-Contribuições do trimestre, não informou créditos e/ou saldos de créditos (vinculados às receitas do Mercado Interno não Tributado) que estivessem disponíveis para atendimento do pedido de ressarcimento. O PER/Dcomp inicial foi transmitido com pedido de ressarcimento de créditos PIS/Pasep constantes do PER mas não informados no Dacon. A RFB encaminhou termo de intimação com prazo de 45 dias para que a recorrente sanasse as irregularidades apontadas: A recorrente registrou a PER/Dcomp retificadora com valor de ressarcimento maior que o inicialmente solicitado. Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.757 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904624/2018-48 A retificadora foi transmitida muito além do prazo de 45 dias concedido para regularização. O Despacho Decisório foi emitido antes do recebimento das retificadoras, indeferindo o pedido de ressarcimento, com cobrança do débito, e acréscimo de multa e juros. Como foi demonstrado a retificação do PER/Dcomp foi transmitida após o despacho decisório, diferente do que faz crer a recorrente. A empresa teve prazo mais que suficiente para efetuar a retificação antes do despacho decisório. E só o transmitiu após, o que configura a falta de cuidado com o cumprimento de suas obrigações acessórias. Por isso ao tentar transmitir o PER/Dcomp recebeu a mensagem do sistema: ("O PER/DCOMP QUE SE PRETENDE RETIFICAR JÁ FOI OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA.”)., conforme previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.700, de 2017, vigente na época dos fatos. Conforme analisado no acórdão de piso a interessada procedeu a entrega de Dacons retificadores (relativos aos três meses do trimestre), mas referidos documentos apresentaram os mesmos problemas contidos nos documentos originais, ou seja, não informaram créditos e/ou saldos de créditos vinculados às receitas do Mercado Interno não Tributado disponíveis para atendimento do pedido de ressarcimento. Quanto a análise das declarações retificadoras é de se conhecer que só é possível a compensação com crédito líquido e certo, o que não foi demonstrado pela recorrente, que apenas apresentou EFD retificadoras e retificação do pedido de ressarcimento, sem juntar os documentos que deram suporte às retificações efetuadas nas declarações. A recorrente, tanto em manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, resume-se a mostrar sua contrariedade com a não análise das declarações, sem especificar quais os créditos que teria direito, e provar a sua existência. Nesse sentido deve-se lembrar que o direito alegado deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, sendo que o ônus da prova é do contribuinte, sendo que compete ou cabe à pessoa que alega o fato constitutivo, impeditivo ou modificativo do direito, estando conforme o artigo 16, III, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, (conforme previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, com as modificações da Lei 10.833/2003), e do artigo 333, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...)Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito nego-lhe provimento. Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.757 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904624/2018-48 (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10920.912188/2009-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 12 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1002-000.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do Processo Administrativo Fiscal nº 10920.906522/2008-54.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Marcelo Jose Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Rafael Zedral.
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do Processo Administrativo Fiscal nº 10920.906522/2008-54. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Marcelo Jose Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Rafael Zedral. Relatório De início, reproduz-se integralmente o relatório produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (“DRJ/POA”), presente às fls. 51/52 do e-processo: A manifestação de inconformidade foi apresentada pelo contribuinte em 13/11/09 contra o despacho decisório da DRF em Joinvile-SC (DRF/JOI) que não homologou o PER/DCOMP conforme a tabela abaixo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 12 18 8/ 20 09 -5 9 Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1002-000.138 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.912188/2009-59 O despacho decisório da DRF/JOI foi emitido em 07/10/09 (fl. 08) com ciência do contribuinte em 20/10/09 (fl. 09). O despacho decisório assinalou não haver mais saldo negativo disponível para compensação no ano-calendário 2005, com base nas informações do contribuinte transmitidas no PER/DCOMP e na DIPJ. O contribuinte alegou que teria havido um erro material no preenchimento do PER/DCOMP. Não teriam sido informados corretamente todos os valores das parcelas que compõe o crédito. Os valores corretos seriam os indicados na planilha abaixo: O contribuinte requer que seja homologada a sua compensação. A DRF/JOI confirmou a tempestividade da manifestação de inconformidade. Em sessão de 31/10/2014, a DRJ/POA julgou improcedente a Manifestação de inconformidade do contribuinte, o qual, irresignado, apresentou o presente Recurso Voluntário, ora em análise. É o relatório. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, entendo que o Recurso Voluntário não se encontra em condições de julgamento, conforme se explica a seguir. Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1002-000.138 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.912188/2009-59 Como se viu pelo breve relato acima apresentado, discute-se no presente processo um suposto crédito tributário, cuja origem decorre de saldo negativo de CSLL referente ao ano- calendário de 2005. Vejamos o que levou a DRJ/POA a não reconhecer o alegado credito tributários (fls. 52 do e-processo): O contribuinte cometeu erro material no preenchimento de seu PER/DCOMP, ao informar apenas o valor que pleiteava para a compensação ao invés de informar todas as parcelas que compunham o crédito pleiteado. Utilizando o sistema de informações da RFB, realizei as seguintes verificações: 1) O valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP (R$ 5.690,09 – fl. 4) é o mesmo informado desde a primeira DIPJ/2006 (ano-calendário 2005) transmitida pelo contribuinte em 29/06/06 (fl. 37). 2) Os DARF de pagamentos foram devidamente alocados aos respectivos créditos tributários de estimativas mensais de CSLL do ano-calendário de 2005. Porém, a compensação de R$ 23.533,14 formalizada pelo PER/DCOMP nº 14156.16258.310305.1.3.03.2631 e correspondente à uma parte da estimativa mensal de CSLL do mês de fevereiro/2005, não foi homologada, de acordo com o Acórdão nº 10-52.504, proferido na mesma sessão de julgamento do presente processo, pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/POA. Tendo em vista o acima exposto, a apuração da CSLL a pagar ou do saldo negativo, partindo da CSLL devida informada pelo contribuinte em sua DIPJ/2006 (anocalendário 2005 – fl. 37), é a seguinte: Como se pode constatar, o contribuinte possui uma CSLL a pagar e não um saldo negativo no ano-calendário de 2005, pois a compensação de parte da estimativa de CSLL de fevereiro/2005 (PER/DCOMP nº 14156.16258.310305.1.3.032631), no valor de R$ 23.533,14, não foi homologada. Perceba-se que a DRJ/POA chegou a conclusão de que o contribuinte teria um saldo de CSLL a pagar e não um saldo negativo no ano-calendário de 2005, por causa de uma decisão proferida em um outro processo administrativo (PAF nº 10920.906522/2008-54), o qual, todavia, não possui decisão definitiva. Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1002-000.138 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.912188/2009-59 É importante destacar, aliás, que o mencionado processo nº 10920.906522/2008- 54 se encontra sob relatoria deste mesmo Conselheiro, o qual resolveu determinar a realização de diligência para apurar a origem do crédito ali alegado. Salvo melhor juízo, não se pode tomar como certa a compensações de ofício de base negativa de CSLL efetuada no processo nº 10920.906522/2008-54, para presumir uma compensação a maior nestes autos, enquanto não ocorrer decisão administrativa definitiva naquele processo. Por todo o exposto, resolvo determinar o sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do Processo Administrativo Fiscal nº 10920.906522/2008-54. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000022/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 255 1 254 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13052.000022/200529 Recurso nº Embargos Resolução nº 3201000.835 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2017 Assunto PIS Recorrente DRF EM SANTA CRUZ DO SUL/RS Recorrida CURTUME AIMORE S A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Consoante acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário, é o relatório do feito: Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP (formulário instituído pela IN SRF no 379. de 2003) relativo ao quarto trimestre de 2004, conforme 11. 01, depois retificado pelo documento de fl. 12. Foram juntadas ao processo cópias de atas, de documento de procuração e de identificação. A seguir foram anexados documentos fiscais, tendo a Fiscalização realizado verificação acerca da correção dos ressarcimentos pleiteados e produzido o Termo de Verificação Fiscal de fls. 33/38, donde se mostra relevante extrair: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 52 .0 00 02 2/ 20 05 -2 9 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Resolução nº 3201000.835 S3C2T1 Fl. 256 2 Durante a fiscalização foi constatado que na apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS a empresa não incluiu a receita proveniente da cessão de créditos do ICMS a terceiros. (fl. 33) (...) Há que se observar que o art. 3° da Lei n° 10.637/2002, bem, como os incisos do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, definem as despesas e custos em relação aos quais é permitido o cálculo de créditos de PIS. E somente sobre aqueles itens expressamente relacionados cabe apurar créditos, não havendo margem para outras despesas. Outro ponto a destacar é que o termo "insumo", empregado no inciso II referese a bens e serviços empregados como tal na fabricação dos produtos do estabelecimento. E a definição de insumo encontrase lia legislação do imposto sobre Produtos industrializados, restringindose a matériasprimas, produtos intermediários e embalagens aplicados no produto, além de serviços de industrialização sob encomenda. (...) Tal demonstrativo revela que os valores lançados na linha 13 se compõem de despesas tais como: manutenção de máquinas e equipamentos; serviços de terceiros RI; comissões; compra de material de consumo; laboratórios; assistência médica; embarques; programa vale transporte; manutenção informática; e fretes e carretos. Exceto as despesas com fretes, todas as demais, no trimestre em questão, não encontram amparo legal para a constituição de créditos a descontar dos débitos mensais de PIS. (fl. 35) Com base naquele Termo esta anexado à fl. 40 o Despacho Decisório DRF/SCS. de 04/11/2005, onde o Sr. Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul (RS) revê de oficio o despacho que autorizou a compensação e/ou o pagamento prévio do ressarcimento solicitado, reconhecendo o direito ao ressarcimento e/ou compensação de créditos no valor de R$ 35.949,69, negando o direito ao valor restante no montante de R$ 14.319,24. Intimou a contribuinte a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados e esclareceu a possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. A contribuinte foi cientificada em 18/11/2005. conforme cópia de AR de fl. 42. tendo sido anexadas Declarações de Compensação, extratos e demonstrativos que confirmam a realização de compensações (ti s. 43/81). Não conformada com a decisão administrativa, apresenta a contribuinte, através de procuradores, em 15/12/2005 — fls. 83/109 — sua manifestação contrária, onde aponta. Em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • é uma pessoa jurídica que se dedica A industrialização de couros e peles, destinando parte de seus produtos para o exterior; • com base na MPs n°66, posteriormente convertida na Lei n° 10.637, de 2002. passou a calcular a contribuição para o PIS sobre a sistemática nãocumulativa, aplicando a alíquota de 1,65%; • nos termos do art. 1° daquela lei, considerou seu faturamento, tendo deduzido os créditos Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Resolução nº 3201000.835 S3C2T1 Fl. 257 3 listados no art. 3° daquela norma; • em relação ao quarto trimestre de 2004, ao realizar tal encontro de contas apurou crédito da contribuição a seu favor, tendo protocolizado pedido de compensação/ressarcimento perante a RFB. Posteriormente protocolou pedido complementar: • a empresa, ao ser submetida ao processo fiscalizatório, teve valores glosados conforme constam do Parecer Fiscal. Lista os valores recusados; • a autoridade fiscal menciona que o valor do beneficio fiscal negado é de R$ 14.319.24, sendo que o valor objeto de discussão 6, na verdade, a soma dos valores glosados. Conforme mencionados; • apresenta sua manifestação de inconformidade, onde demonstra a ilegalidade do ato administrativo. DO DIREITO DA NATUREZA JURÍDICA DA TRANSFERÊNCIA DE ICMS • traça arrazoado acerca da natureza jurídica da transferência do ICMS. apontando legislação e concluindo que: a) a transferência de ICMS é uma faculdade que a lei prevê para que o contribuinte exportador possa utilizar seus créditos fiscais acumulados, pois os produtos exportados não sofrem incidência de dito tributo nas saídas; b) os créditos excedentes de ICMS acumulados em vista das aquisições/entradas tributadas de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários podem ser transferidos para outros estabelecimentos no Estado, nos termos da legislação vigente. DO ENTENDIMENTO DA AUTORIDADE FISCAL • conforme o Parecer exarado pela autoridade fiscal, deveria haver incidência de PIS e de COFINS sobre os valores correspondentes as transferências de ICMS efetuadas pela empresa; • conforme o parecer, a transferência de ICMS foi enquadrada como unia suposta receita, razão pela qual deveria integrar a base de cálculo da contribuição. No entanto. tal entendimento está destituído de qualquer alicerce jurídico ou contábil, pois em hipóteses alguma a transferência de IC.M.Spode ser entendida como 'receita'. DAS RECEITAS QUE COMPÕEM A BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/COFINS • fala sobre o conceito de receita bruta. registrando as Leis n's 9.718, de 1998. 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e concluindo que a hipótese de incidência material do PIS e da COFINS continuou a ser o total da receita bruta da empresa. havendo alteração apenas no que se refere à possibilidade de dedução das aquisições efetuadas, observada a implantação da sistemática da nãocumulatividade; • não houve qualquer mudança na amplitude das receitas submetidas incidência do PIS e da COFINS. não havendo como se considerar que o valor das transferências de ICMS efetuadas em favor de terceiros possam ser considerados como receitas tributáveis. DA IMPOSSIBILIDADE DE CONSIDERAR A TRANSFERÊNCIA DE ICMS COMO RECEITA TRIBUTÁVEL PELAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS • as empresas exportadoras acumulam créditos de ICMS, os quais sempre foram transferidos para terceiros, sem que, ate o momento, fossem suscitadas quaisquer dúvidas relativamente a uma suposta natureza jurídica de receita, que há total ausência das Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Resolução nº 3201000.835 S3C2T1 Fl. 258 4 características elementares para tanto; • discorre acerca do conceito de receita e sua aplicação ao caso, entendendo que uma operação só poderá ser caracterizada como Receita, se, uma vez ocorrida, houver alteração na situação patrimonial da empresa; • traça arrazoado acerca da forma de registro contábil quando ocorre a transferência dos créditos excedentes de ICMS; • a transferência de ICMS não pode ser considerada como uma receita tributável, ainda que tal operação, mesmo se forçosamente equiparada a urna alienação, não será uma forma de capitalização da empresa, posto que com tal operação aquela não obtém qualquer resultado, havendo modificação tão somente de sua situação de liquidez, não havendo mudança na situação patrimonial; • registra decisão do Poder Judiciário, concluindo não haver qualquer sustentação para se pretender considerar como receita, para fins de incidência do PIS e da CORNS, dos valores dos créditos excedentes de ICMS transferidos/cedidos para outras pessoas jurídicas. DO DIREITO À INCLUSÃO DOS VALORES PAGOS A TERCEIROS COMO CRÉDITO NA APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA 0 PIS E COFINS • fala sobre o principio da nãocumulatividade tributária. dizendo ser necessário analisarse a forma de implantação do sistema nãocumulativo no tocante às contribuições ao PIS e à COFINS, no sentido de demonstrar que a autoridade fiscal está ilegalmente afastando a possibilidade de aproveitamento integral dos valores suportados pela empresa nas etapas posteriores. DA IMPLANTAÇÃO DO PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE QUANTO ÀS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS • refere à teoria do imposto sobre valor agregado, o método adotado para o seu cálculo no caso do PIS e da COFINS, e transcreve parte de exposição de motivos; • discorre sobre o conceito do que sejam insumos, dizendo que dentro daquele, no seu caso, se poderiam incluir as matérias primas, o material de embalagem e produtos intermediários empregados diretamente no processo produtivo. Elenca uma série de elementos que entende possam ser enquadrados como insumos; • o entendimento da autoridade fiscal é no sentido de restringir a utilização dos créditos, admitindo somente aqueles consumidos no processo produtivo. Com isso, as contribuições que, conforme dispositivo constitucional e legal expressos, deveriam ser efetivamente nãocumulativas, tornamse cumulativas e oneram substancialmente o preço final das mercadorias; • aponta entendimentos doutrinários e da jurisprudência administrativa; • como não admitir que os significativos custos relativos aos serviços prestados empresa, especialmente em relação ás comissões pagas a empresas de representação comercial, publicidade, vigilância, limpeza, combustíveis, manutenção da frota, não sejam considerados custos necessários à sua atividade? Em relação ás comissões, essas são contabilmente registradas como despesas diretas com vendas; • as receitas obtidas pelos prestadores de tais serviços e vendedores de mercadorias são devidamente tributadas pelo PIS e COFINS, razão pela qual, caso não venham a ser consideradas como dedutíveis da base de cálculo das mesmas, inequivocamente haveria a cumulatividade tributária, proibida pela CF e pela lei; • o entendimento da autoridade fiscal vai de encontro à própria disposição Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Resolução nº 3201000.835 S3C2T1 Fl. 259 5 constitucional que inseriu o principio da nãocumulatividade das contribuições sociais , desconsiderando, também, que sequer o legislador federal poderia deixar de observar a norma contida no art. 195, § 12, da CF, cuja eficácia é plena para aqueles setores específicos da economia, definidos por lei, em relação aos quais a não cumulatividade deverá ser urna regra que atinja os fins para os quais foi instituída. DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC • ressalta que a partir de 1º /01/1996, era cabível a incidência de juros equivalentes à taxa SEL1C na compensação ou restituição de tributos, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n°9.250, de 1995; • urna vez que está pleiteando o ressarcimento de valores de contribuição, apenas poderá ser aplicada , em relação a tais valores, a variação da taxa SELIC ocorrida entre o mês do pedido até a efetiva restituição; • registra precedentes da CSRF quanto ao direito à atualização; • não pode ficar a mercê dos efeitos negativos do transcurso do tempo. Sendo plenamente legitimo atualizar pela taxa SELIC os créditos indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, desde a apuração até o efetivo ressarcimento. DO PEDIDO • requer e espera que sua impugnação seja julgada procedente, corn vistas a ser deferido o ressarcimento da contribuição para o PIS objeto da glosa fiscal, no valor de R$ 23.612.33, acrescido de taxa SELIC; • pede deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos que compõem as fls. 110/124. O processo foi encaminhado à DRJ/Porto Alegre (RS), sendo que aquele Órgão produziu a informação de fl. 126 e remeteu o feito a esta DRJ. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ASSERTIVAS. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. A apreciação de alegações que se refiram à existência de inconstitucionalidades ou ilegalidades, essas contidas em leis ou atos. está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS. RESSARCIMENTO. GLOSA BENEFÍCIO FISCAL. ICMS. COMERCIALIZAÇÃO. Mostrase indevido o ressarcimento de suposto montante credor de PIS, se na base de cálculo daquela contribuição não foram incluídos valores resultantes da comercialização de beneficio fiscal. PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CALCULO. APURAÇÃO. Do valor da contribuição apurada segundo o regime da nãocumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Resolução nº 3201000.835 S3C2T1 Fl. 260 6 Para fins de apuração de créditos no regime da nãocumulatividade, somente serão considerados insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS objeto de ressarcimento. Solicitação Indeferida O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário acerca da inclusão do crédito de cessão dos créditos de ICMS na base de cálculo da contribuição e a correção de seu crédito pela SELIC. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. Em sessão de julgamento ocorrida em 21 de março de 2012, esse Turma Julgadora, à unanimidade, deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. CRÉDITO. Deve ser reconhecido o direito da recorrente à correção monetária do seu crédito pelos índices da SELIC, conforme consta de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista no artigo 543C do CPC. Após o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, qual seja, a Delegacia da Receita Federal de Santa Crus do Sul / RS, esta opôs Embargos de Declaração aduzindo omissão acerca da glosa de despesas apontadas, para as quais a contribuinte descontou créditos na apuração da base de cálculo da Contribuição. Os referidos Embargos foram admitidos por despacho de fls. 253/254 e a mim distribuídos por sorteio, vez que o Relator original do feito não mais compõe este colegiado. É o Relatório. Conforme relatado, a omissão a ser saneada foi apontada pela Delegacia da Receita Federal de Santa Cruz do Sul que aduziu "o r. Acórdão não se manifestou expressamente sobre a glosa de diversas despesas, conforme indicado no item do 19 do Parecer n.º 24 – DRF/SCS/SAORT, DE 17/11/2014 (fls. 246248), no valor de R$ 16.004,27." As glosas indicadas no mencionado item 19 do Parecer Fiscal são: _ 4153.8 Manut. Máquinas e Equipamentos; _ 4158.0 Serviços de terceiros – PJ; Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Resolução nº 3201000.835 S3C2T1 Fl. 261 7 _ 4201.8 – Comissões; _ 15562556 Compra Material Consumo; _ 4133.6 Programa Alim. Trabalhador; _ 4145.2 Combustíveis veículos; _ 4154.3 Manutenção veículos; _ 4163.4 – Laboratórios; _ 4261.4 Serviços Terceiros PJ; _ 4132.4 Assistência Médica; _ 4202.0 Despesas c/ embarques; _ 4150.6 4151.8 4152.0 – 4155.5; _ 4134.8 Programa vale transporte; _ 4250.0 – Informática; _ 4203.1 Fretes e carretos. Com efeito, o acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário deixou de se manifestar acerca das referidas glosas, pelo que, deve ser sanado o vício apontado. Pois bem. De acordo com o Relatório Fiscal da autuação, as glosas em exame tiveram o seguinte fundamento: O contribuinte entrega um demonstrativo de cálculo em que discrimina vários itens referentes a despesas diversas lançadas nessa linha (fls. 14 a 17). Tal demonstrativo revela que os valores lançados na linha 13 se compõem de despesas tais como: manutenção de máquinas e equipamentos; serviços de terceiros PJ; comissões; compra de material de consumo; programa alimentação do trabalhador; combustíveis de veículos; manutenção de veículos; laboratórios; assistência medica; embarques; programa vale transporte; manutenção informática; e fretes e carretos. Exceto as despesas com fretes, todas as demais, no trimestre em questão, não encontram amparo legal para a constituição de créditos a descontar dos débitos mensais de PIS. Na versão do programa DACON para o trimestre em questão, visando atender a alterações legais, houve a introdução de linha especifica para as despesas de armazenagem e frete na venda, bem como a eliminação da linha especifica referente is despesas com empréstimos e financiamentos junto a pessoas jurídicas domiciliadas no Pais. A eliminação desta linha se deveu is alterações introduzidas pela Lei n° 10.865/2004, que não mais permitiu a constituição de créditos de PIS e COFINS em relação a tais despesas a partir de 01/08/200 Portanto, em seu manual, o programa orienta unicamente o lançamento, na linha 13, despesas com empréstimos e financiamentos ocorridas até 31/07/2004 (reserva técnica). Dessa forma, para o trimestre ora objeto de análise, Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Resolução nº 3201000.835 S3C2T1 Fl. 262 8 há que se glosar integralmente os valores lançados pelo contribuinte na linha 13. Em item especifico é considerada essa glosa para efeitos de recalculo dos créditos a que o contribuinte faz jus. (fl. 42 eprocesso) O Contribuinte questionou as glosas efetuadas em sede de Impugnação ao lançamento, obtendo o seguinte resultado no julgamento de primeira instância realizado pela DRJ: Acerca das glosas de pretendidos créditos relativos a valores referentes A despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos no regime da nãocumulatividade do PIS, cabe referir que existe vedação legal para o creditamento. Quanto ao PIS, a possibilidade de descontar créditos se encontra prevista no art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, que assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 20 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: 1 bens adquiridos para revenda, exceto em relação its mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3° do art. 1° desta Lei; e b) no § 1° do art. 2° desta Lei. II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou .fabricação de bens ou produtos destinados a venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) Muito embora basicamente uma legislação referente à COFINS, a Lei n° 10.833. de 2003, faz referência ao PIS (arts. 3° e 15, inciso II), assim dispondo: (omissis) No que tange ao PIS, o conceito de insumos encontrase expresso na IN SRF n° 247, de 2002, com alterações da IN SRF n° 358, de 2003, nos seguintes termos: (omissis) Fundado em tal legislação, é possível afirmar estar ali disposto o conceito de insumos que se deve utilizar para caracterizar quais dos gastos relacionados pelo contribuinte poderão ser objeto de créditos para desconto da aludida contribuição. Conforme se verifica, nem todo custo, despesa ou encargo que concorra para a obtenção do faturamento mensal (base de cálculo do PIS) poderá ser considerado crédito a deduzir, pois a admissibilidade de aproveitamento dos créditos há de estar apoiada, indubitavelmente, nos custos, despesas e Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Resolução nº 3201000.835 S3C2T1 Fl. 263 9 encargos expressamente classificados nos incisos do art. 30 da Lei n° 10.637, de 2002, antes transcrito. O exame dos dispositivos legais apontados permite concluir, ainda, que as despesas glosadas referentes a manutenção de máquinas e equipamentos, serviços de terceiros PI, comissões, compra de material de consumo, laboratórios, assistência médica, embarques, programa vale transporte e manutenção informática não podem ser caracterizadas como gastos com insumos aplicados ou consumidos diretamente na produção/fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, razão pela qual não há como se admitir a apuração de créditos sobre esses dispêndios, considerandose correto o procedimento fiscal. Resta ainda configurar que nos termos do art. 7° da Portaria MF n° 58. de 2006, os atos normativos da RFB devem ser obrigatoriamente observados pelos integrantes das turmas de julgamento das DRJ (0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n" 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso ein atos normativos). Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte discorre longamente acerca da legislação do PIS e da COFINS no regime da não cumulativdade, defendendo, em síntese, que todos aqueles custos suportados pela empresa durante seu processo produtivo sobre os quais houve a incidência da contribuição devem ser admitidos para fins de apuração de créditos. Com efeito, é firme o posicionamento deste Conselho no sentido de que insumo, para fins de reconhecimento do direito ao crédito na apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, é tudo aquilo que é empregado no processo produtivo da empresa. A exemplo, vide recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na industria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS.PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Resolução nº 3201000.835 S3C2T1 Fl. 264 10 créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.REP Provido em Parte e REC Provido em Parte (Acórdão nº9303003.478, Processo nº 10925.720686/201222, Sessão de 25/02/2016, 3ª Turma CSRF, Rel. HENRIQUE PINHEIRO TORRES) (sem destaques no original) Destarte, verificase a impertinência dos fundamentos utilizados pela Fiscalização para efetuar a glosa integral das despesas apropriadas pelo contribuinte sob a superficial justificativa de que a legislação apenas autoriza a dedução dos custos expressamente elencados. Notase nas alíneas de despesas listadas pela Fiscalização, itens que, indubitavelmente, garantem o direito ao crédito pelo Contribuinte, tais como "Manut. Máquinas e Equipamentos" e "Fretes e carretos". Lado outro, existem, também, itens cujo direito ao crédito não é permitido pela legislação, uma vez que se referem a custos administrativos gerais do contribuinte, não vinculados ao processo produtivo, tais como "Programa Alim. Trabalhador" e "Assistência Médica". Por fim, existem diversos itens cuja composição não resta clara pela análise dos documentos existentes nos autos. A exemplo, cito "Serviços de terceiros – PJ", "Compra Material Consumo" e "Manutenção veículos". Pelo exposto, tenho que, para a correta apreciação do tema sobre o qual o acórdão embargado efetivamente restou omisso, se faz necessária a realização de diligência para que sejam devidamente esclarecidos os itens sobre os quais a Fiscalização efetuou a glosa de créditos. Assim, voto no sentido de CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora intime o Contribuinte a, no prazo mínimo de 30(trinta) dias, fornecer, relativamente aos itens destacados "no item do 19 do Parecer n.º 24 – DRF/SCS/SAORT, DE 17/11/2014 (fls. 246248), no valor de R$ 16.004,27", a descrição Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Resolução nº 3201000.835 S3C2T1 Fl. 265 11 acerca da natureza dos itens contabilizados nas referidas linhas de despesa, esclarecendo se estes são ou não utilizados no se processo produtivo. A Autoridade Preparadora poderá, ainda, solicitar demais informações e documentos que entenda necessários para o esclarecimento ora solicitado, devendo, ao final, apresentar parecer fundamentado quanto às glosas efetuadas, indicando se cada uma das despesas integra ou não o processo produtivo do contribuinte, justificando. Após, deverá ser concedido prazo de 30 (trinta) dias para que o contribuinte se manifeste, retornando os autos para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 265DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720281/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Glauco Heleno Rubick, OAB/SC nº 6.315.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Glauco Heleno Rubick, OAB/SC nº 6.315. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 28 1/ 20 10 -6 5 Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 451 2 Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, referente ao 4º trimestre de 2007, no valor de R$ 256.071,07. Encontramse apensados aos autos os seguintes processos de ressarcimento, juntamente com o Auto de Infração nº. 13971.001090/201181: Processo Per/Dcomp Trimestre Valor Crédito 13971.720287/201032 18901.51878.310709.1.1.113181 3º trim./2004 72.719,76 13971.720271/201020 05109.52561.310709.1.1.118103 4º trim./2004 120.671,31 13971.720251/201059 05312.85360.310709.1.1.118757 1º trim./2005 182.423,00 13971.720259/201015 09240.41630.310709.1.1.117482 2º trim./2005 157.131,85 13971.720285/201043 15066.07406.310709.1.1.114708 3º trim ./2005 173.995,70 13971.720274/201063 35019.26043.310709.1.1.119447 4º trim./2005 173.140,26 13971.720254/201092 26782.06724.310809.1.1.115972 1º trim./2006 121.477,61 13971.720261/201094 18152.93312.310809.1.1.110800 2º trim./2006 138.685,85 13971.720288/201087 20540.35574.310809.1.1.116160 3º trim./2006 153.214,20 13971.720277/201005 35412.49910.310809.1.1.117085 4º trim./2006 196.166,63 13971.720255/201037 27715.73383.310809.1.1.110152 1º trim./2007 203.309,48 13971.720263/201083 19931.52092.310809.1.1.110004 2º trim./2007 236.968,06 13971.720268/201014 18616.88502.310809.1.1.111492 3º trim./2007 222.473,78 13971.720281/201065 29596.50652.310809.1.1.112255 4º trim./2007 256.071,07 13971.720257/201026 06749.49858.310809.1.1.110992 1º trim./2008 263.898,20 13971.720266/201017 40797.82866.310809.1.1.118455 2º trim./2008 279.065,71 13971.720269/201051 17439.13285.310809.1.1.110227 3º trim./2008 298.796,31 13971.720282/201018 15221.94620.310809.1.1.111700 4º trim./2008 286.648,88 A análise fiscal relativa ao período em questão (3º. trimestre de 2004 até o 4º. trimestre de 2008), se encontra descrita nos Relatórios de Auditoria Fiscal (fls. 135/258 do processo 13971.001090/201181 AI), referentes à análise dos pedidos de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período compreendido entre o 3º. trimestre de 2004 ao 4º. trimestre de 2008. A ação fiscal resultou em despachos decisórios que indeferiram os pedidos de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins referentes ao período compreendido entre 01/07/2004 e 31/12/2008, bem como no Auto de Infração AI nº. 13971.001090/201181, sendo que cada PER foi tratado em um processo, totalizando 36 processos administrativos apensados ao referido AI, os quais foram objeto de manifestação de inconformidade por parte da contribuinte. Em decorrência da análise fiscal, procederamse às glosas sobre os valores das seguintes aquisições, conforme as fichas e linhas do Dacon, conjugado com as diferentes versões do demonstrativo vigentes ao longo do tempo: Glosa nº. 1 – Falta de Comprovação, com fundamento no art. 65 da IN RFB n° 900 de 30/12/2008, relativa aos créditos e às exclusões da base de cálculo para os quais não houve apresentação de demonstrativo e/ou para os quais Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 452 3 os valores demonstrados eram inferiores aos declarados em Dacon. Ocorreram as glosas nas seguintes linhas do Dacon: Aquisições de Bens para Revenda, em vista da não apresentação de demonstrativo para o ano de 2004 e do valor a menor no demonstrativo em 10/2005; Aquisições de Bens utilizados como Insumos, em virtude da não apresentação de demonstrativo para o ano 2005 e do valor a menor no demonstrativo em 04 e 08/2007; Despesas de Energia Elétrica, vinculadas à receita não tributada; Fretes na operação de Venda, em virtude da não apresentação de demonstrativo dos anos de 2004 e 2005; Fretes nas Aquisições de Bens para Revenda e utilizados como Insumos, relativa à diferença entre os valores constantes do demonstrativo apresentado pela empresa (arquivo fretes intimação 5.xls) e os valores lançados no Dacon; Crédito Presumido na Atividade Agroindustrial, em vista de não ter sido entregue demonstrativo do ano de 2004 e diferenças entre o Dacon e os demonstrativos apresentados no ano de 2005. Glosa nº. 1. – Falta de Comprovação Exclusões da Base de Cálculo: Vendas Tributadas com Alíquota Zero: foram objeto de exclusão em todos os períodos analisados, variando apenas o modo de informálas no Dacon. A falta de comprovação ocorreu no ano de 2004 (08/2004 a 12/2004), para o qual não houve entrega do demonstrativo. Exclusões especificas das cooperativas de produção agropecuária (“Outras Exclusões”), foram consideradas ao longo do período objeto da análise. Foram efetuadas glosas por falta de comprovação relativamente a dois tipos de exclusões específicas a cooperativas de produção agropecuária: Valores repassados aos associados, por falta do demonstrativo no período 08/2004 a 12/2004, 02/2005 a 07/2005, 10/2005 a 12/2005, 02/2006, 01/2007, 07/2007 a 09/2007, 11/2007 a 01/2008, 11/2008 a 12/2008; e Custos Agregados, especificamente em relação a despesas de energia elétrica (12/2004, 10/2005, 02/2006, 08/2006, 07/2008 a 11/2008) e de fretes correspondentes às entregas de produtos recebidos de cooperados (08/2004 a 10/2006). Glosa nº. 2 – Falta de comprovação na escrituração fiscal, fundamentada no art. 65 da IN RFB nº. 900/2008: relativa aos casos em que a informação deficiente nos demonstrativos impediu a correlação do item do demonstrativo com a escrituração fiscal. A glosa por este motivo atinge registros em várias linhas do Dacon, conforme relacionado no item 69 do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 453 4 Glosa nº. 3 – Aquisições de Associados: em relação às aquisições de bens para revenda e às aquisições de bens utilizados como insumos, onde foram identificadas situações em que as aquisições foram feitas junto a associados da cooperativa (produtores rurais pessoa física ou jurídica). Esta análise foi feita a partir do confronto entre esses dois demonstrativos de créditos e a relação de associados, apresentada pela contribuinte no arquivo texto "RFB491Associados.txt". A operação é vedada para fins de crédito, de acordo com o art. 23, incisos I e II, da Instrução Normativa SRF nº. 635/2006. O item 76 do TVF especifica a geração do demonstrativo de glosa. Glosa nº.4 – Aquisições de Pessoa Física. Glosa nº.5 – Crédito Presumido em Vendas, as quais alcançam tanto os créditos presumidos quanto as exclusões relativas a valores repassados a associados. Glosa nº.6 – Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP). Glosa nº.7 – Glosa sobre aquisições do Ativo Imobilizado, relativa a: a) aquisições anteriores a 01/05/2004 (vedação conforme art. 1º. da IN SRF nº. 457); b) diferença entre o valor do crédito tomado (campo "valor original" do demonstrativo de glosa) e o valor da aquisição (campo "valor total" do demonstrativo de glosa) identificada no documento fiscal do demonstrativo entregue. Glosa nº.8 – Exclusão Indevida: Participante não associado, conforme identificado por meio da análise do cadastro de associados (RFB491Associados.txt), em desacordo com o art. 11 da IN SRF nº. 635/2006. Glosa nº. 9 – Exclusão Indevida: Vendas tributadas com alíquota zero, cuja relação, bem como as razões, se encontramse discriminados nos itens 109 e 110 do TVF. Glosa nº.10 – Exclusão Indevida: custos agregados vinculados a compras de nãoassociados, relativos a produtos recebidos de terceiros não cooperados. Foi considerada para esse efeito a relação de cooperados apresentada pela contribuinte (arquivo texto "RFB491Associados.txt"), na qual consta a data de inclusão e de saída do cooperado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A contribuinte se manifesta quanto às glosas de todo período, conforme consta dos autos do processo 13971.720287/201032 (fls. 165/213) apensado aos demais processos. Em sede de preliminar, em síntese, a contribuinte alega a nulidade do ato fiscal, em razão das glosas realizadas por “falta de comprovação”, onde alega que o art. 65 da IN RFB nº. 900/2008, suscitado pela autoridade fiscal, não autoriza a glosa fictícia, ou seja, a glosa integral dos valores não comprovados ou inferiores/diferentes dos declarados em Dacon e demonstrativos. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 454 5 Ainda segundo a contribuinte, nos termos do art. 40 da Lei nº. 8.784/99, quando da apreciação de determinado pedido for necessária a apresentação de documentos, a inércia do interessado implicará tãosomente no arquivamento do processo. Alega que a autoridade fiscal determinou que apresentasse arquivos digitais complementares nos leiautes previstos no item 4.10 do ADE Cofins nº. 25/2010, quando da elaboração dos documentos fiscais vigia a ADE Cofins nº. 15/2001, que estabelecia outra forma de leiaute, razão pela qual não pode o fisco desconsiderar os dados apresentados, considerar os arquivos inconsistentes, e gerar a apuração da insuficiência do recolhimento. Ainda, que problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais não poderiam servir de fundamento à glosa dos valores tidos por não comprovados, especialmente porque dispõe de escrita fiscal e contábil e todo os documentos físicos para a verificação dos créditos ou exclusões. Suscita, em suma, a falta de aprofundamento da auditoria fiscal, o que teria violado o princípio da verdade real. 2. Do Mérito do Relatório de Auditoria Fiscal, onde requer a realização de perícia ou diligência para a verificação efetiva dos créditos e exclusões da base de cálculo através de outros documentos e novos arquivos, sobretudo pela análise da escrita fiscal e contábil dos documentos fiscais da contribuinte, ente eles os arquivos digitais e demais documentos que instruem a manifestação. Segundo a contribuinte, as glosas realizadas pela autoridade fiscal foram levadas a efeito tão somente porque os dados necessários para a sua aferição não foram confrontados adequada e corretamente. Assim, encaminha mídias que seguem anexas, conforme relacionadas na manifestação, onde, segundo a manifestante, são apresentados novos elementos que comprovam a insubsistência do auto de infração, conforme se descreve abaixo, em breve síntese. 2.1.Das Glosas por falta de comprovação: 2.1.1.Dos créditos pleiteados: a)Aquisições de Bens para Revenda: (glosas em virtude da não apresentação de demonstrativo em 2004 e valor a menor em 10/2005) traz arquivos contendo novos relatórios demonstrativos para os anos de 2004/2005, com as informações completas que não haviam sido apresentadas à autoridade fiscal; e que foram corrigidas parcialmente as informações relativas a 10/2005. b)Aquisições de Bens utilizados como Insumos: (glosas pela não apresentação de demonstrativo para 2004 e valor a menor em 04 e 08/2007) os novos relatórios contêm as informações que não haviam sido apresentadas à autoridade fiscal para o ano de 2004 e as informações corretas relativas ao período de 04/2007 e 08/2007. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 455 6 c)Despesas de Energia Elétrica: reconhece a glosa levada a efeito nesta linha já que os demonstrativos, de fato, apresentam valores inferiores aos constantes do Dacon. d)Fretes nas operações de Venda: (não entregou demonstrativo de 2004 e 2005) os novos relatórios contém os esclarecimentos sobre as glosas e as informações que não haviam sido apresentadas ao fisco relativamente aos anos de 2004 e 2005. e)Fretes nas aquisições de Bens para Revenda e utilizados como insumos: (glosa é a diferença entre os valores do Dacon e os do demonstrativo) explica a contribuinte que a diferença apontada se refere a fretes em transferências de mercadorias, os quais foram excluídos dos arquivos apresentados relativos aos fretes nas aquisições de bens para revenda; que foram gerados novos arquivos que demonstram e comprovam os valores de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos informados no Dacon e os demonstrativos referentes aos fretes em transferência de mercadorias; que os valores contidos no Dacon decorrem dos valores de fretes em transferência de mercadorias e dos valores de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos; e que os custos com fretes em transferência de mercadorias integram o conceito de insumo, nos termos do art. 3º. II, das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. f)Crédito presumido na Atividade Agroindustrial: (não entregue demonstrativo 2004 e valores não comprovados em relação 2005) foram gerados novos relatórios demonstrativos para os anos de 2004 e 2005, com informações que não haviam sido apresentadas ao fisco, comprovandose os créditos tal qual informados no Dacon. 3.1.2. Das exclusões da base de cálculo: a) Vendas Tributadas com Alíquota Zero: (glosadas no ano de 2004 pela não entrega do demonstrativo) foram gerados arquivos contendo novos relatórios demonstrativos para o ano de 2004, os quais compõem a linha do Dacon com as informações faltantes. Acrescenta que, supridas as informações relativas ao ano de 2004, fica demonstrado que, neste período, de fato, foram realizadas as vendas informadas no Dacon, porém, em valores um pouco menores aos nela informados. b) Exclusões específicas das cooperativas agropecuárias (“Outras exclusões”): foram gerados novos arquivos contendo novos relatórios demonstrativos os quais, relativamente ao ano de 2004, compõem a linha do Dacon com as informações faltantes; esses novos relatórios possuem informações suficientes para corrigir as informações relativas ao período de 02/2005 a 06/2005, 07/2005, 10/2005 a 12/2005, 02/2006, 07/2007 a 09/2007, 11/2007 a 01/2008, 11/2008 a 12/2008; em relação aos custos agregados (energia elétrica), onde os demonstrativos apresentam valores inferiores aos constantes do Dacon, devem prevalecer estes valores; em relação aos custos agregados (fretes nas aquisições) que foram gerados novos arquivos com os demonstrativos referentes aos fretes em transferência de mercadorias; que os valores contidos no Dacon decorrem dos valores de Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 456 7 fretes em transferência de mercadorias e dos valores de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos; e que os custos com fretes em transferência de mercadorias integram o conceito de insumo, nos termos do art. 3º. II, das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. 2.2. Glosa nº. 02 – Falta de comprovação na escrituração fiscal: em relação às glosas relativas a informações deficientes, onde não foi possível confrontar os dados constates dos demonstrativos e daqueles inseridos na escrituração fiscal, a contribuinte remete aos arquivos ora apresentados para alegar que foram corrigidas as deficiências apontadas no relatório fiscal. 2.3. Glosa nº 03 – Aquisições de associados (glosa pelas aquisições do associado ocorridas entre o inicio e o fim do vinculo associativo): onde alega que foram gerados novos relatórios, nos quais não constam quaisquer aquisições de bens utilizados como insumos feitas junto a associados da cooperativa; e que foi gerado novo relatório de associados, o qual demonstra quais pessoas, de fato, ostentavam a condição de associados à época das aquisições de bens para revenda e bens utilizados como insumos, já que o relatório anterior apresentava alguns equívocos, indicando como associados pessoas que não o eram. 2.4. Glosa nº. 04 – Aquisições de pessoa física: foram gerados novos relatórios nos quais não constam aquisições de bens utilizados como insumos feitas junto a pessoas físicas. 2.5. Glosa nº. 5 – Crédito Presumido em Vendas: os novos relatórios gerados demonstram que não houve tomada de créditos relativos às notas de vendas, mas, tãosomente, em notas de compras. 2.6. Glosa nº. 06 – Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública: verificou que incluiu na base de cálculo do crédito o total da fatura da concessionária de energia elétrica, nela inclusos o valor da COSIP, de modo que assiste razão ao fisco. 2.7. Glosa nº. 07 – Crédito Imobilizado (aquisições anteriores a 05/2004 e valor inferior ao do crédito): foram gerados relatórios contendo novos arquivos, através dos quais se detalha com mais precisão as informações das notas fiscais de aquisição desses bens, bem como corrige e compõe as informações anteriormente prestadas ao fisco. 2.8. Glosa nº. 08 – Exclusão Indevida Participante não associado: foram emitidos novos relatórios, onde são identificados os associados da manifestante à época de cada operação – inclusive com a indicação do seu capital dentro do capital social da cooperativa – bem como demonstram que as exclusões se devem aos valores repassados e às vendas feitas a associados, não tendo sido consideradas operações semelhantes realizadas com terceiros. 2.9. Glosa nº. 09 Exclusão indevida Vendas tributadas com alíquota zero: foi gerado novo arquivo com relatório demonstrativo, o qual compõe a Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 457 8 respectiva linha do Dacon com notas fiscais conciliadas com o relatório de auditoria fiscal. Ressalta que a glosa do leite in natura se afigurou indevida, em vista de que, embora não se trate de operação não tributada, a incidência é suspensa, nos termos do que estabelece o art. 9º. da Lei nº. 10.925, com a redação dada pela Lei nº. 11.051/2004, bem como da IN 636/2006, art. 2º., e, na seqüência, pela IN 660, art. 2º., inciso II. 2.10. Glosa nº.10 – Exclusão Indevida Custos agregados vinculados a compras de nãoassociados: reconhece que o demonstrativo apresentado foi elaborado com base de dados que, posteriormente, verificouse contemplar, por equívoco, o total das operações. Ressalta, entretanto, que a glosa operouse parcialmente em duplicidade (linha do Dacon “24. Outras Exclusões”), porque a autoridade fiscal teria utilizado dois critérios para a apuração da glosa: Glosa dos “Custos Agregados” pelo critério do rateio proporcional (entradas de sócios e não sócios), e glosa de “Fretes” e “Embalagens”, pelo montante não comprovado com relatórios apresentados. Segundo a contribuinte, considerando que na composição dos “Custos Agregados” incluemse também os custos com “fretes e embalagens”, estes valores não poderiam integrar a base de cálculo para apurar glosa na proporção de compras de sócios/não sócios. Aponta que este fato ocorreu em todos os meses, de agosto de 2004 a dezembro de 2008, gerando um montante de R$ 7.339.900,88 de glosas em duplicidade, pelos quais apresenta alguns resumos das referidas glosas como exemplo. Por fim, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a documental e digital inclusa, a realização de prova pericial, cujo assistente técnico e quesitos a manifestante indica, ou, sucessivamente, da diligencia, sem prejuízo das demais que se fizerem necessárias. DILIGÊNCIA O processo Processo 13971.001090/201181, processo do Auto de Infração apensado ao presente, foi baixado em diligência para que a unidade de origem verificasse os créditos e as exclusões da base de calculo da Contribuição ao PIS e da Cofins de período de apuração entre 01/07/2004 e 31/12/2008, conforme os novos arquivos anexados aos autos pela contribuinte, salientando possíveis alterações nos valores glosados, objeto dos despachos decisórios. A referida diligência atinge o presente processo, posto que o lançamento das contribuições naquele processo (AI nº. 13971.001090/201181) é decorrente das glosas dos créditos verificados no mesmo procedimento fiscal. Conforme Informação Fiscal resultante da diligência (fls. 645/ss dos autos do Processo 13971.001090/201181 – AI), em síntese, a autoridade fiscal ressalta que, em momento algum deixou de analisar arquivos digitais por estarem em desacordo com o leiaute previsto pelo ADE Cofins nº. 25/2010 ou com qualquer outro leiaute oficial, tendo flexibilizado a apresentação das informações em arquivos digitais. A autoridade fiscalizadora remete aos Fl. 457DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 458 9 diversos termos de intimação em que autorizou a flexibilização de leiaute livre, e explica que, após, exaustivamente oportunizar à contribuinte que saneasse as informações apresentadas, tornandoas possíveis de serem analisadas, ainda houve apresentação deficiente. Especificamente em relação à “falta de comprovação” das operações/aquisições, cujos valores constavam apenas da memória de cálculo apresentadas, a qual não detalha cada uma das operações realizadas, a glosa incidiu sobre operações para as quais a contribuinte não apresentou qualquer demonstrativo. Atendendo ao que foi solicitado pela diligência fiscal, a autoridade fiscalizadora analisou todos os novos arquivos apresentados. Em decorrência, entendeu que cabem alterações em parte dos valores glosados e, conseqüentemente, nos valores objeto dos despachos decisórios dos pedidos de ressarcimento, bem como nos valores do presente Auto de Infração. Para a maior parte dos casos que haviam sido objeto da glosa por falta de comprovação, foram aceitos os novos demonstrativos como comprobatórios dos valores levados ao Dacon. Como regra geral, para os casos em que não havia ocorrido glosa por falta de comprovação, salvo algumas exceções, não foram levados em consideração os novos demonstrativos. Quando os valores contidos nos novos demonstrativos são maiores que os do Dacon, fica mantido o crédito integral do Dacon; quando menores, é glosada a diferença. Os novos demonstrativos geraram efeitos nas seguintes glosas por “falta de comprovação”, linha a linha do Dacon: Aquisições de Bens para Revenda: foram considerados os valores totais das operações do arquivo “Linha_01_Bens_Para_Revenda.xlsx”, sendo considerados os valores totais das operações nele relacionadas, sendo corrigida a falta de comprovação (item 37 do TVF) das competências 08 e 12/2004 e 10/2005; são mantidas, porém com valores reduzidos, as glosas das competências 09,10 e 11/2004. Aquisições de Bens utilizados como insumos: conforme os arquivos apresentados, restou corrigida a glosa por “falta de comprovação” (tabela item 38 do TVF) das competências 08 a 09 e 12/2004 e 08/2007; são mantidas, porém com valores reduzidos, as glosas das competências 11/2004 e 04/2007. Despesas de Energia Elétrica: mantida integralmente, permanecendo válida a tabela contida no item 40 dos relatórios fiscais; Fretes na Operação de Venda: conforme os arquivos apresentados, fica corrigida a glosa por “falta de comprovação” (tabela item 41 do TVF) das competências 09/2004, 01, 04, e 06 a 08/2005; são mantidas, porém com seus valores reduzidos, as glosas das competências 08 e 10 a 12/2004, 02, 03, 05 e 09 a 12/2005. Fretes nas Aquisições de Bens para Revenda e utilizados como insumos (fretes em transferência): explica o fisco que os valores aos quais a Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 459 10 manifestante se refere como relativos às aquisições de fretes em transferência encontravamse originalmente incluídas na base de cálculo dos créditos do Dacon, os quais foram excluídos pelo próprio contribuinte através de um novo demonstrativo, quando da intimação fiscal para demonstrar as respectivas operações, (arquivo fretes intimação 5.xlx, apresentado em 03/02/2011. Reafirma o fisco que, ao excluir da base de cálculo de seus créditos durante o procedimento fiscal, a contribuinte optou por excluílas dos demonstrativos, dando azo à glosa por falta de comprovação, para fins de glosa. Assim, embora a contribuinte ora afirme se tratarem de “fretes em transferência” mantémse a glosa, posto que, de qualquer forma, não há previsão legal para o aporte de créditos em relação a estas aquisições. Crédito Presumido na Atividade Agroindustrial (glosa por falta de comprovação, conforme tabela do item 46 do TVF) – considerando o novo demonstrativo, restou corrigida a falta de comprovação das competências 02 a 04, 06 e 07/2005; ficam mantidas, porém, com valores reduzidos, as glosas das competências 08 a 12/2004, 05 e 10 a 12/2005. Exclusões da Base de Cálculo – Vendas Tributadas com Alíquota Zero: considerando os novos demonstrativos para o anos de 2004, correspondentes aos meses para os quais havia sido feita a glosa por falta de comprovação (conforme tabela do item 51 dos relatórios fiscais); são mantidas, porém, com seus valores reduzidos, as glosas das competências 08 a 12/2004. Exclusões da Base de Cálculo – Exclusões especificas das cooperativas agropecuárias (“outras exclusões”) – Valor repassado aos associados (glosas constantes da tabela do item 57 do TVF): considerandose os novos demonstrativos, restou corrigida a falta de comprovação das competências 02 a 04, 06 e 07/2005, 07 a 09, 11 e 12/2007, 01 e 11/2008; ficam mantidas as glosas das competências das demais competências. Exclusões da Base de Cálculo – Exclusões específicas das cooperativas agropecuárias (“Outras Exclusões”) – Custos Agregados (Energia Elétrica): Glosa não contestada. Exclusões da Base de Cálculo – Exclusões específicas das cooperativas agropecuárias (“Outras Exclusões”) – Custos Agregados (Fretes nas Aquisições): a glosa foi integralmente mantida, pois seu fundamento e valoração são idênticos aos da glosa por falta de comprovação dos créditos decorrentes de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos (itens 35 a 43 da informação fiscal) Quanto à Glosa nº. 2 – Falta de comprovação na escrituração fiscal – para os casos em que a informação deficiente impediu a correlação do item do demonstrativo com a escrituração fiscal. A IF explica que foram confrontados os registros alcançados pela glosa (registros identificados na coluna ´FE`) com a nova escrituração fiscal apresentada (arquivos digitais do ADE 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.3.10, contidos no CD 03). Segundo o fisco, alguns dos novos demonstrativos Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 460 11 excluem algumas das operações que haviam sido alcançadas pelas glosas ‘FE’, de modo que, no item 62 da informação fiscal, são trazidos exemplos deste procedimento. Reconsiderou as glosas em relação aos registros que foram localizados no confronto com os novos arquivos correspondentes à escrituração fiscal (CD 03), considerando os campos para vinculação: filial, nota fiscal, item da nota fiscal, data, código do item e participante. Para os registros (operações) para os quais essa vinculação não foi possível, foi mantida a glosa. Glosa nº. 3 – Aquisições de associados: considerou o fisco o novo relatório de associados (arquivos RFB491_Associados.txt), e foram reavaliados os registros dos demonstrativos de glosas de Aquisições de bens para Revenda e de Aquisições de bens utilizados como insumos em que a glosa ‘AS’ havia sido aplicada. Nos casos em que o participante não consta da nova tabela, ou quando consta em períodos diversos da emissão das notas fiscais, a glosa foi cancelada; já para os casos em que o participante consta da nova tabela, mas não consta a data de inicio e fim de associação, ou quando consta apenas a data de início anterior às operações sem constar dados sobre o fim da associação, a glosa foi mantida. Glosa nº. 4 – Aquisições de pessoa física: os novos relatórios gerados excluem as aquisições antes contidas nos demonstrativos apresentados ao fisco, os quais compunham os valores declarados em Dacon. A glosa é mantida integralmente. Glosa nº. 5 – Crédito Presumido em vendas de mercadorias adquiridas de terceiros (revenda) e exclusões da base de cálculo de valores repassados a (não) associados: em relação às aquisições de insumos agroindustriais, foi cancelada a glosa, o que não produziu efeitos de redução efetiva nos valores das glosas, posto que só houve aproveitamento de crédito presumido pelo contribuinte até 12/2005. Glosa nº. 6 – Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública: glosa não contestada e mantida pelo fisco, conforme a tabela contida no item 91 do TVF. Glosa nº. 7 – Glosa sobre aquisições do Ativo Imobilizado: em vista dos novos demonstrativos apresentados, foram reconsideradas as glosas correspondentes a diversos bens, conforme planilha elaborada no item 85 da IF. Restaram mantidas as glosas em relação aos demais bens, em razão de que não houve a comprovação necessária sobre o valor da aquisição e/ou sobre a data da aquisição dos referidos bens, bem como em relação a registros não correspondentes às glosas efetuadas, constantes dos novos demonstrativos. Glosa nº. 8 – Exclusão indevida Participante não associado (glosa relacionada às exclusões dos valores repassados aos associados e às vendas a associados que não eram associados no dia do registro da operação): Verificados os novos relatórios apresentados, nenhuma das glosas resta alterada. Na quase totalidade dos registros, o participante ou não constava da tabela de associados ou constava com data de ingresso posterior. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 461 12 Glosa nº. 9 – Exclusão indevida – Vendas tributadas com aliquota zero: em razão de falta de fundamentação legal para aplicação de alíquota zero nas operações atingidas, conforme identificadas no relatório de glosas (item 111 do TVF). Houve reconsideração das glosas em relação às vendas dos produtos Leite Cru Resfriado Tipo C e Leite in Natura, ambos com código NCM 0401.20.90, posto que, apesar de não estar sujeito à aliquota zero, estava com a incidência das contribuições suspensa, com fundamento no art. 9º. da Lei nº. 11.051/2004. Glosa nº. 10 – Exclusão indevida custos agregados vinculados a compras de nãoassociados: a glosa é reconsiderada em parte, tendo o fisco excluído dos custos agregados, para fins de cálculo da glosa, os valores correspondentes às glosas efetuadas por falta de comprovação (nos custos agregados à energia elétrica ou aos fretes nas aquisições) ou por falta de comprovação com a escrituração fiscal (os custos agregados relativos aos fretes nas aquisições ou aos custos de embalagem). Desta forma, a diferença entre o valor total original e o valor da presente revisão resulta em R$ 5.473.906,08, e não no valor de R$ 7.339.900,88, ao qual chegou o sujeito passivo em sua manifestação. MANIFESTAÇÃO DA MANIFESTANTE (fls. 737/ss do Processo nº. 10371.001090/201181 – AI) Parcialmente inconformada com a reavaliação fiscal na apuração de seus créditos e débitos, a contribuinte alega que as informações e dados apresentados oportunamente contêm todas as informações necessárias e aptas a comprovar a existência de crédito ressarcível, bem como a inexistência de débito fiscal. Inicialmente, faz alusões às justificativas prestadas pelo fisco na Informação Fiscal que precedeu à diligência, no sentido de reiterar que as glosas realizadas foram levadas a efeito tão somente porque os dados necessários para a sua aferição não foram confrontados adequada e corretamente, e que todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos sempre estiveram à disposição do agente fiscalizador. Segue em sua defesa alegando sobre a incorreção das conclusões contidas na informação fiscal, e traz um resumo do método utilizado pela empresa na verificação de seus dados, na busca de comprovar a existência dos registros tidos como inexistentes nos arquivos finais de movimento entregues (4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.3.10). Remete aos softwares para realizar o trabalho do confronto de informações e sobre os parâmetros de pesquisa utizados e traz explicações detalhadas sobre a utilização dos arquivos, os leiautes dos mesmos, a relação entre estes, os critérios de pesquisa, os registros individualizados e agrupados, as confrontações entre os valores, a descrição dos cabeçalhos, dentre outros. Segundo a contribuinte, foram colhidos diversos exemplos da conciliação efetuada, demonstrando em forma de figura a localização dos itens glosados com sua respectiva informação no Arquivo Fiscal (4.3.2, 4.3.4 e 4.3.10, conforme o caso), os quais se encontram descritos no Anexo I da Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 462 13 manifestação. Reitera que a localização das informações é possível independentemente do programa utilizado na leitura dos dados e que se afiguram, na quase totalidade, incorretas as conclusões materializadas na informação fiscal. Especificamente em relação às glosas, traz as seguintes alegações, em breve síntese: Glosa nº. 01 – Falta de Comprovação – Fretes na aquisição de “Bens para Revenda” e utilizados como insumos, a contribuinte não acrescenta novos argumentos, argumensta apenas glosa que os fretes se referiam, de fato, a fretes na transferência, tanto que foram excluídos da nova memória de cálculo apresentada; e que para todos os casos de glosas por falta de comprovação, reconhece a legitimidade, conforme a nova memória de cálculo apresentada. Glosa nº. 02 – Falta de Comprovação na Escrituração Fiscal: Sob este item, alega que o fisco considerou, a teor da justificativa apresentada no item 62, fls. 21, a nova escrituração fiscal apresentada (arquivos digitais 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, contidos no CD 03), mas a confrontação que fez partiu das operações que já haviam sido alcançadas pela glosa antiga, utilizando as composições antigas. Aduz que os novos relatórios/arquivos digitais apresentados, de fato, não fazem menção aos produtos inicialmente glosados pelo fisco; o intuito é de corrigir algumas distorções contidas nas informações apresentadas à época pela contribuinte, atendendose ao princípio da verdade material. Reitera, ainda, que foi determinado pela autoridade julgadora (DRJ) para que realizasse a análise dos novos arquivos apresentados pela contribuinte e não dos anteriores. Em síntese, alega que a grande maioria dos itens está comprovada na escrita fiscal da contribuinte que, em relação às glosas relacionadas às aquisições de bens para revenda, de bens utilizados como insumos, de fretes nas vendas, de fretes na aquisição e custos agregados, e de crédito presumido na agroindústria e repasse a associados, que efetuou a confrontação entre o relatório de glosas e os arquivos digitais de sua escrita fiscal, gerando um relatório de conciliação (em mídia anexa – CD 01 – “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, pasta “Conciliação FE x Escrita Fiscal”, conforme os respectivos relatórios), pelo que alega comprovar que há informação e comprovação na Escrita Fiscal (EF). Quanto às “Exclusões – vendas com alíquota zero”, alega que forneceu a fisco as informações pertinentes, inclusive com o leiaute especificado na IN 025/2010, estando integralmente contidas nos arquivos 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, a teor do que resta comprovado no relatório de conciliação, cuja mídia segue anexa (CD 01: “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, Pasta: Conciliação FE x Escrita Fiscal, Pasta: “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008, em formato txt, gerados por mês). Constam exemplos no Anexo I, letra “E”, acostados à presente manifestação, para os Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 463 14 anos de 2005 a 2008, comprovando, por amostragem, segundo a manifestante, a localização dos produtos que a autoridade fiscal afirma não ter encontrado. Glosa nº. 03 – Aquisições de associados: deixa de impugnar, posto que a autoridade fiscal aceitou o novo demonstrativo, tendo sido reavaliadas as glosas, onde foram mantidas apenas 18 glosas das 294 realizadas sobre aquisições de bens para revenda. Glosa nº. 04 – Aquisições de Pessoas Físicas: alega que apresentou novo relatório para corrigir informação equivocada prestada quando do preenchimento da linha do Dacon, posto que a base da informação não estaria correta. Apela para o princípio da verdade material, para que não seja admitida a manutenção da glosas a este título. Glosa nº. 05 – Crédito Presumido em Vendas: deixa de impugnar, posto que a glosa foi cancelada. Glosa nº.06 – Contribuição para Custeio da Iluminação Pública: foi mantida e não contestada. Glosa nº. 07 – Aquisições do Ativo Imobilizado: deixa de impugnar, posto que os novos relatórios apresentados corrigiram as informações anteriormente apresentadas, o que veio a comprovar a insubsistência da glosa, conforme o quadro colacionado às fls. 26/27 da IF. Glosa nº 08 – Exclusão Indevida – Participante não associado: alega que a autoridade fiscal utilizouse do relatório antigo para proceder à confrontação das informações, sendo que os relatórios emitidos pela contribuinte (relativos ao período de 2004 a 2008) apresentam os dados de forma correta e que confere com as vendas e repasses. Glosa nº. 09 – Exclusão Indevida – Vendas Tributadas com Alíquota Zero: alega que, conforme a tabela contida no item 122, fl. 39, da IF, a autoridade fiscal levou em consideração também a “falta de comprovação” da operação apontada como geradora do direito à exclusão da base de cálculo na escrita fiscal (FE), limitandose a deduzir apenas as operações que tiveram por objeto o leite cru resfriado tipo C e o leite in natura. Sustenta que as operações de vendas não sujeitas à alíquota zero já haviam sido excluídas dos arquivos fiscais encaminhados pela contribuinte. A prova, segundo a contribuinte, pode ser colhida do relatório de conciliação, cujo arquivo respectivo segue anexo em mídia (CD 01“Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14, Pasta Conciliação FE x Escrita Fiscal, Subpasta “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008 em formato txt, gerados por mês. Glosa nº. 10 – Exclusão Indevida – Custos Agregados vinculados à compras de nãoassociados: deixa de impugnar, uma vez que foi admitida pela autoridade fiscal a existência de glosa parcialmente em duplicidade, tendo sido gerado novo demonstrativo de glosas. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 464 15 Por fim, reitera que são improcedentes as glosas fiscais nos pontos indicados na manifestação, que restam insubsistentes os demonstrativos de acompanhamento de créditos e as conclusões fiscais, e que há necessidade de produção de provas, notadamente perícia e diligência, as quais se justificam pelas mesmas razões já apontadas nas manifestações de inconformidade e nas impugnações aos autos de infração apresentadas pela contribuinte. Pede deferimento. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0735.289 de 30/07/2014, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos validados/autenticados e demais esclarecimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento de primeira instância não considerou direito creditório, após o processo ter sido baixado em diligência, como relatado acima; para que a unidade de origem verificasse os créditos e as exclusões da base de calculo da Contribuição ao PIS e da Cofins de período de apuração entre 01/07/2004 e 31/12/2008, conforme os novos arquivos anexados aos autos pela contribuinte, salientando possíveis alterações nos valores glosados, objeto dos despachos decisórios e do auto de infração. Concluindo o seguinte: Diante do que foi exposto, manifestome pela procedência parcial da manifestação de inconformidade. Para fins de retificação dos processos de ressarcimento apensados, bem como para o Auto de Infração, devem prevalecer os novos cálculos efetuados, conforme a Informação Fiscal de fls. 645/732 dos autos do Processo 13971.001090/201181: os valores das glosas fiscais revistos passam a ser aqueles das tabelas dos itens 128, 129 e 132 da Informação Fiscal (fls. 687/693 dos autos do Processo 13971.001090/201181); Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 465 16 os valores dos créditos ressarcíveis remanescentes (após as glosas fiscais revistas e a utilização em descontos) constam da tabela do item 171, “b”, da IF (fl. 731 dos autos do Processo nº. 13971.001090/201181); Conforme item 155 da IF (fl. 715 dos autos do Processo nº. 13971.001090/201181), não resta saldo de crédito passível de ressarcimento de Cofins nãocumulativa, referente ao 1º. trimestre de 2005. Registrese que a decisão a quo observa: Dos Limites do Litígio: Conforme os termos da impugnação da contribuinte e da manifestação após a diligência fiscal, em vista da revisão parcial de valores glosados e de parte do lançamento fiscal, temse como matéria não impugnada no presente processo: Glosa nº. 03 – Aquisições de associados: deixa de impugnar, posto que a autoridade fiscal aceitou o novo demonstrativo, tendo sido reavaliadas as glosas, onde foram mantidas apenas 18 glosas das 294 realizadas sobre aquisições de bens para revenda. Glosa nº. 05 – Crédito Presumido em Vendas: deixa de impugnar, posto que a glosa foi cancelada; Glosa nº.06 – Contribuição para Custeio da Iluminação Pública: foi mantida e não impugnada; Glosa nº. 07 – Aquisições do Ativo Imobilizado: deixa de impugnar, posto que os novos relatórios apresentados corrigiram as informações anteriormente apresentadas, conforme o quadro colacionado às fls. 26/27 da IF; Glosa nº. 10 – Exclusão Indevida – Custos Agregados vinculados a compras de nãoassociados: deixa de impugnar, uma vez que foi admitida pela autoridade fiscal a existência de glosa parcialmente em duplicidade, tendo sido gerado novo demonstrativo de glosas. Desta forma, a análise que se fará neste voto se restringirá à matéria que permaneceu impugnada pela contribuinte após a Informação Fiscal. Então, concluise que restam as glosas 01, 02, 04, 08 e 09. Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde basicamente repisa os argumentos anteriormente apresentados quanto às preliminares e rebate com relação às glosas 02, 08 e 09, portanto não argumentando sobre as glosas 01 e 04. Aduz que com a diligência, a autoridade fiscal concluiu no item 171 e donde se colhe que remanesce a inexistência de crédito ressarcível, logo, existência de débito fiscal, na medida que a reanálise considerou correta a grande maioria das glosas que levou a efeito, mas insiste numa complementar DILIGÊNCIA, tendo em vista: Fl. 465DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 466 17 E, diversamente do que aponta a autoridade fiscal, não seria necessária, nessa hipótese, a análise de todas as operações realizadas pela contribuinte no período analisado (2004 a 2008), mas, a rigor, apenas daquelas em que, em tese, não lhe tenha sido possível a visualização dos arquivos contendo as informações ou, cujo próprio arquivo apresentasse incompatibilidade com o leiaute padrão adotado pelo fisco. ....... Consoante já apontando, a autoridade julgadora competente determinou que o presente processo fosse baixado em diligência, a fim de que, com base nos arquivos digitais que instruíram as impugnações e a manifestação de inconformidade oportunamente apresentadas pela contribuinte, fosse procedida nova verificação dos créditos e das exclusões da base de cálculo para o período 01/07/2004 a 31/12/2008. Concluída a análise pela autoridade fiscal, constatase, porém, que em alguns casos a determinação não foi atendida com rigor, pois as glosas mantidas foram baseadas nas informações dos arquivos enviados por ocasião do procedimento fiscal, desconsiderandose, assim, os últimos arquivos anexados ao processo, conforme será bem demonstrado a seguir. Ainda que se parta do mesmo pressuposto, porém a teor do que se infere do arquivo "Conciliação FE x Escrita Fiscal" elaborado, constante da mídia que segue anexa , foi possível localizar todos os itens glosados, salvo algumas raras exceções de não localização. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, referente ao 4º trimestre de 2007, no valor de R$ 256.071,07. Registrese que os processos foram apensados, tendo em vista a Portaria RFB n° 354, de 11/03/2016, art. 3°, inc. III, § 1°, I, cuja portaria dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 466DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 467 18 A análise fiscal relativa ao período em questão (3º. trimestre de 2004 até o 4º. trimestre de 2008), se encontra descrita nos Relatórios de Auditoria Fiscal (fls. 135/258 do processo 13971.001090/201181 AI), referentes à análise dos pedidos de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período compreendido entre o 3º trimestre de 2004 ao 4º trimestre de 2008. O Auto de Infração referese à insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, dos períodos de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2008, sendo decorrente de glosas fiscais aplicadas aos créditos e às exclusões no cálculo das contribuições informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon do período em referência. A ação fiscal resultou em despachos decisórios que indeferiram os pedidos de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins referentes ao período compreendido entre 01/07/2004 e 31/12/2008, bem como no Auto de Infração AI nº. 13971.001090/201181, sendo que cada PER foi tratado em um processo, totalizando 36 processos administrativos apensados ao referido AI. A constatação da infração deuse durante a análise fiscal dos processos de análise de pedidos de ressarcimento PER, conforme relacionados no item 3 do Termo de Verificação da Infração (fl. 105). Da análise do direito creditório foram elaborados os Relatórios de Auditoria Fiscal, nos quais constam discriminadas as diversas glosas, as quais implicaram em insuficiências nos descontos de créditos informados no Dacon e, por conseqüência, na apuração dos débitos constantes do presente Auto de Infração. A apuração das insuficiências apontadas nas competências 01/2006 a 03/2007 e 05/2007 a 12/2008 encontramse demonstradas nos itens 07 a 80 do Termo de Verificação da Infração (TVI). Esclareçase, portanto, que houve apensação de todos os processos (PER) que dizem respeito às glosas efetuadas no período de abrangência. A ação fiscal resultou ainda em despachos decisórios que indeferiram os pedidos de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins referentes ao período compreendido entre 01/07/2004 e 31/12/2008, sendo para cada PER (períodos distintos) foi tratado em um processo, totalizando 36 processos administrativos apensados ao presente, os quais serão, portanto, analisados conjuntamente a este, haja vista a clara conexão entre eles e o Auto de Infração, logo o que for decidido neste será estendido aos demais, guardadas as peculiaridades para cada PER e período abrangido. Quanto às preliminares apresentadas no recurso voluntário, tais questões serão abordadas com maiores detalhes quando do julgamento do feito. Não obstante a diligência anterior, demandada pela decisão de piso, para proceder a análise à vista dos novos documentos, entendo, smj, que o processo deve ser convertido de novo em diligência (complementar), em nome do princípio da verdade material, apesar da fiscalização já ter informado que tudo já foi confrontado à vista da documentação apta, mas seria prudente uma apreciação dos argumentos da Recorrente, nas glosas 2 (item 3.1), 8 (item 3.2), 09 (item 3.3) todos do recurso voluntário, bem como os anexos ora apresentados (ler aos meus pares em sessão, sobre essas ponderações do recurso voluntário), assim como os memoriais juntados aos autos e razões lá expostas. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 468 19 Então, como a Recorrente reitera, que foi determinado pela autoridade julgadora (DRJ) para que realizasse a análise dos novos arquivos apresentados pela mesma e não dos anteriores arquivos e insiste em que ainda existem várias inconsistências, no tocante às exclusões da base de cálculo pela falta de comprovação, aduz que não consegue a fiscalização fazer a vinculação, cruzamento dos dados por ele, informados; sugiro, portanto, que os processos sejam convertidos em diligência, para que a fiscalização, aprecie; tendo em vista, inclusive documentos anexados e os motivos expostos para: Glosa nº 2 Sob este item, alega que o fisco considerou, a teor da justificativa apresentada no item 62, fls. 21, a nova escrituração fiscal apresentada (arquivos digitais 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, contidos no CD 03), mas a confrontação que fez partiu das operações que já haviam sido alcançadas pela glosa antiga, utilizando as composições antigas. Aduz que os novos relatórios/arquivos digitais apresentados, de fato, não fazem menção aos produtos inicialmente glosados pelo fisco; o intuito é de corrigir algumas distorções contidas nas informações apresentadas à época pela contribuinte, atendendose ao princípio da verdade material. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar pontualmente a omissão quanto à análise das operações/composições. Providência (RFB): Evidenciar que a análise do confronto das informações dos demonstrativos apresentados realizouse segundo a nova escrituração apresentada Reitera, ainda, que foi determinado pela autoridade julgadora (DRJ) para que realizasse a análise dos novos arquivos apresentados pela contribuinte e não dos anteriores. Em síntese, alega que a grande maioria dos itens está comprovada na escrita fiscal da contribuinte que, em relação às glosas relacionadas às aquisições de bens para revenda, de bens utilizados como insumos, de fretes nas vendas, de fretes na aquisição e custos agregados, e de crédito presumido na agroindústria e repasse a associados, que efetuou a confrontação entre o relatório de glosas e os arquivos digitais de sua escrita fiscal, gerando um relatório de conciliação (em mídia anexa – CD 01 – “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, pasta “Conciliação FE x Escrita Fiscal”, conforme os respectivos relatórios), pelo que alega comprovar que há informação e comprovação na Escrita Fiscal (EF). Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar quais itens estão comprovados na escrita fiscal Quanto às “Exclusões – vendas com alíquota zero”, alega que forneceu a fisco as informações pertinentes, inclusive com o leiaute especificado na IN 025/2010, estando integralmente contidas nos arquivos 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, a teor do que resta comprovado no relatório de conciliação, cuja mídia segue anexa (CD 01: “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, Pasta: Conciliação FE x Escrita Fiscal, Pasta: “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008, em formato txt, gerados por mês). Constam exemplos no Anexo I, letra “E”, acostados à presente manifestação, para os anos de 2005 a 2008, comprovando, por amostragem, segundo a manifestante, a localização dos produtos que a autoridade fiscal afirma não ter encontrado. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar (relatório?) a localização dos produtos (todos) que a autoridade fiscal afirma não ter encontrado. Glosa nº 08 – Exclusão Indevida – Participante não associado: alega que a autoridade fiscal utilizouse do relatório antigo para proceder à confrontação das informações, Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 469 20 sendo que os relatórios emitidos pela contribuinte (relativos ao período de 2004 a 2008) apresentam os dados de forma correta e que confere com as vendas e repasses. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar pontualmente (relatório?) as inconsistências na confrontação entre os relatórios novo x antigo. Providência (RFB): Evidenciar que a análise do confronto das informações dos demonstrativos apresentados realizouse segundo o novo relatório apresentado. Glosa nº 09 – Exclusão Indevida – Vendas Tributadas com Alíquota Zero: alega que, conforme a tabela contida no item 122, fl. 39, da IF, a autoridade fiscal levou em consideração também a “falta de comprovação” da operação apontada como geradora do direito à exclusão da base de cálculo na escrita fiscal (FE), limitandose a deduzir apenas as operações que tiveram por objeto o leite cru resfriado tipo C e o leite in natura. Sustenta que as operações de vendas não sujeitas à alíquota zero já haviam sido excluídas dos arquivos fiscais encaminhados pela contribuinte. A prova, segundo a contribuinte, pode ser colhida do relatório de conciliação, cujo arquivo respectivo segue anexo em mídia (CD 01“Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14, Pasta Conciliação FE x Escrita Fiscal, Subpasta “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008 em formato txt, gerados por mes. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar pontualmente (relatório?) todas as inconsistências na confrontação realizada pela fiscalização. Em sendo assim, ante todo o exposto voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem, atenda ao solicitado acima e: analise os dados apresentados em meios/arquivos magnéticos no presente processo, inclusive na fase recursal, manifestandose sobre a permanência ou não das inconsistências apontadas (em relação às glosas remanescentes); permanecendo as inconsistências, relacionar as que considera impeditivas do ressarcimento pleiteado, bem como intimar o Recorrente para sanálas, no prazo de trinta dias, se assim o entender; após essa intimação, ainda que permaneçam as inconsistências, elabore relatório fiscal sintético e conclusivo e por fim, dar ciência do resultado da diligência para a Recorrente, se manifestar, dandolhe prazo de 30 dias, prorrogável pelo mesmo prazo, num único período. Ressaltese, por fim, que esta diligência é uma demanda para os AI da Cofins, PIS, e os 36 processos de PER, que foram apensados, no período a ser analisado de 07/2004 a 31/12/2008. Por fim, devem os autos retornar a esta Turma do CARF para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13971.720281/201065 Resolução nº 3201000.744 S3C2T1 Fl. 470 21 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 470DF CARF MF
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Numero do processo: 10070.002840/2003-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 70 .0 02 84 0/ 20 03 -9 8 Fl. 14265DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.266 2 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário (fls. 1359/1369 sétimo volume) interposto face v. acórdão da DRJ que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade (fls.1322/1325) da Recorrente, oferecida face r. Despacho Decisório de 29/09/2008 (fl. 344) que não reconheceu o pedido de compensação apresentado em 02/10/2003, com fundamento no Parecer Conclusivo 396/2008 (fls. 333/344). O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos próprios com crédito de R$ 1.721.534,36, por meio da Declaração de Compensação de fls. 2 a 4, protocolada em 2/10/2003. O crédito pleiteado corresponde aos saldos negativos de IRPJ do anocalendário de 2002, nos valores de R$ 1.661,60 e R$ 1.719.872,76, das empresas IBM Systems Ltda e IBM Business Consulting Services S/C Ltda, respectivamente, e incorporadas pelo sujeito passivo em janeiro de 2003. Ao contrário do r. Despacho Decisório que nada reconheceu, o v. acórdão recorrido que julgou a manifestação de inconformidade, reconheceu parcialmente o crédito de saldo negativo para a IBM Business Consulting Services no importe de R$ 1.005.802,03 e o saldo negativo para a IBM Systems no montante de R$ 1.661,60, fazendo jus ao total de crédito de R$ 1.007.463,63. No mais, para evitar repetições, utilizo o bem elaborado relatório da Resolução 1102.000.296 (fls.1426/1432), proferida pelo E. CARF/MF. O despacho decisório de fls. 355 a 366, emitido em 29/9/2008, e cientificado no mesmo dia (fl. 367), não homologou as compensações. O relatório do acórdão de primeira instância assim descreveu os fundamentos dessa decisão (fl. 1.369): Em 29.09.2008, foi emitido Despacho Decisório n° 396/2008, pela DeratRJ (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA), indeferindo o pleito, com base no Parecer Conclusivo n° 396/2008 (fls. 333/344). Segundo consta do Parecer Conclusivo, o indeferimento teve os seguintes motivos: • O valor de R$ 1.661,60 de imposto retido na fonte (IRRF) que gerou o saldo negativo pleiteado pela IBM Systems (DIPJ à fl. 244), é menor do que o valor indicado na DIRF (DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE) que é de R$ 3.492,49 (fl. 267); • A IBM Business Consulting Services deduziu na DIPJ, a título de IRRF, R$ 1.719.872,76 na apuração do imposto anual a pagar e R$ 720.154,78 na apuração da estimativa de dezembro, totalizando R$ Fl. 14266DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.267 3 2.440.027,54 (fls. 250/251), porém, a DIRF (fl. 268) indica um total de IRRF de apenas R$ 2.049.933,20; • Embora a DIRF ateste que os rendimentos de aplicações financeiras (código 3426) totalizaram R$ 5.171.434,72 (fl. 268), a IBM Business Consulting Services só informou R$ 1.601.080,36 na ficha de demonstração do resultado da DIPJ (fl. 245); e • Pelo exposto, o crédito pleiteado foi negado integralmente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 402 a 444), acompanhada dos documentos de fls. 445 a 1.350, acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fl. 1.370): a) O carimbo aposto na Declaração de Compensação de fl. 01, do Protocolo Formador de Processos, com data de 02.10.2003, não tem validade para determinar a data da entrega da declaração porque não contém a identificação do servidor responsável, assim sendo, deve prevalecer a data em que o representante do interessado assinou a declaração de compensação (19.09.2003) o que torna a compensação tacitamente homologada pelo decurso do prazo de 5 anos, já que a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 29.09.2008; b) O valor de R$ 2.440.027,71 de IRRF deduzido na DIPJ, relativo às 116 fontes pagadoras relacionadas na sua ficha 43 (fls. 202/216), é aqui relacionado e comprovado com a juntada à presente de todas as notas fiscais de serviços prestados, nas quais constam os valores retidos (docs. 001 a 862); c) Apresenta, também, para comprovar o montante acima, as fichas de conciliação contábil das contas do IRRF; d) Ao menos parcialmente, deveria ter sido reconhecido o crédito das retenções correspondentes às fontes pagadoras para as quais a própria DeratRJ identificou os mesmos valores indicados na DIPJ e na DIRF, cujo montante atinge R$ 1.312.681,14, conforme relação aqui demonstrada; e) Para os casos em que não havia DIRF suportando os valores constantes da DIPJ, junta os comprovantes emitidos por 3 fontes pagadoras, totalizando retenções de R$ 29.232,53 (docs. 865 a 867); f) Para os casos em que os valores das DIRF divergiam da DIPJ, junta, com as correspondentes explicações, os comprovantes emitidos por 10 fontes pagadoras, totalizando R$ 283.328,07 (docs. 868 a 877); ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente, reconhecendo um crédito de R$ 1.007.463,63 , em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 1.368 a 1.372): Fl. 14267DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.268 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovadas as retenções de imposto na fonte que originaram o saldo negativo pleiteado, deve se reconhecer o crédito, exceto na parte correspondente às retenções sobre os rendimentos que não foram oferecidos à tributação. Compensação Homologada em Parte Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) não se admitiu o argumento de homologação tácita, pois o contribuinte deixou de comprovar que não entregou a declaração na data do carimbo nela aposto; b) reconheceuse o saldo negativo de R$ 1.661,60 da empresa IBM Systems, pois se comprovou que o total da retenção foi maior do que aquele aproveitado no cálculo do imposto; c) considerouse comprovado o IRRF de R$ 2.440.027,54 abatido na DIPJ da empresa IBM Business Consulting Services, de acordo com as DIRFs da matriz e de uma das filiais da empresa. Além disso, os rendimentos de prestação de serviço (código 1708) quantificados nessas duas DIRFs somavam valor inferior ao que foi oferecido à tributação na DIPJ; d) a IBM Business Consulting Services só levou para a demonstração do resultado da DIPJ (fl. 267) R$ 1.601.080,36 dos R$ 5.171.434,72 de rendimentos de aplicações financeiras (código 3426) revelados pela DIRF (fl. 290), que correspondem à retenção de IRRF de R$ 1.034.286,74. Assim, dessa rubrica, excluiuse o valor de R$ 714.070,73, relativo à retenção de IRRF correspondente ao rendimento não oferecido à tributação (R$ 3.570.354,36); e) Excluindose R$ 714.070,73 do saldo negativo pleiteado de R$ 1.719.872,76, resulta no saldo negativo de R$ 1.005.802,03 para a IBM Business Consulting Services. Com a adição do saldo negativo da IBM Systems de R$ 1.661,60, o contribuinte faz jus ao crédito total de R$ 1.007.463,63. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 18/2/2011 (fl. 1.406), o contribuinte apresentou, em 21/3/2011, o recurso voluntário de fls. 1.408 a 1.418, acompanhado dos documentos de fls. 1.419 a 1.420, onde afirma que: a) juntou à Manifestação de Inconformidade cópia da ficha de conciliação da conta 131.0002 IRRF s/ aplicação financeira, com a composição do saldo de R$ 1.034.286,48, documento ignorado pela decisão recorrida; Fl. 14268DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.269 5 b) de acordo com o MAJUR2003, o valor informado na linha “06A/24 — Outras Receitas Financeiras” é apenas residual, sendo que as variações cambiais ativas devem ser informadas na Linha 06A/20; c) a autoridade fiscal poderia ter feito um trabalho mais aprofundado, pois já possuía arquivos eletrônicos do período de 01/01/2002 a 31/12/2002 contendo os lançamentos contábeis, saldos mensais, dentre outras informações, obtidos na fiscalização do processo nº 18471.002042/200789; d) o valor de R$ 1.601.080,36, constante da linha 24 da Ficha 06A da DIPJ 2003, é composto por R$ 861.435,88 relativo aos rendimentos auferidos com aplicação em CDB, R$ 606.087,84 oriundos de aplicação financeira em export notes, R$ 23.570,26 de descontos recebidos, e R$ 109.986,38 de juros recebidos, conforme tabelas apresentadas no recurso; e) considerando que um dos investimentos mantidos junto ao Banco Real era uma aplicação em export notes, sujeito à variação cambial, essa foi classificada na DIPJ na linha 20 quando ativa (R$ 4.959.550 00), ou na linha 32, quando passiva (R$ 1.384.400,00); f) a soma dos valores alocados nas linhas 20, 24 e 32 da Ficha 06A e relativas à fonte pagadora Banco Real totalizam R$ 5.042.673,72, valor que é diferente daquele que tanto o Parecer Consultivo como a decisão ora recorrida teriam validado como o que gerou o IRRF no valor de R$ 1.034.286,74. Ocorre que o documento que indica esse valor foi retificado em 24 de agosto de 2004. Apesar de a retificação posterior ao encerramento do exercício ter validade muito limitada, o mesmo não ocorre com os registros contábeis que fazem prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados. Ao final, requer seja reconhecida a existência efetiva do IRRF a compensar no montante de R$ 1.034.286,74, em razão da comprovação de sua contabilização, assim como da contabilização das receitas que o geraram, especialmente diante da homologação tácita da escrituração contábil relativa ao anocalendário de 2002. Este processo foi a mim distribuído no sorteio de maio de 2014, numerado digitalmente até a fl. 1.425. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. A Resolução foi decidida pelo Colegiado nos seguintes termos: Na declaração de compensação sob análise, o contribuinte indicou como crédito saldos negativos de IRPJ do anocalendário de 2002 apurados por duas empresas por ele incorporadas, nos valores de R$ 1.661,60 e R$ 1.719.872,76. Após o indeferimento total do pedido pela autoridade fiscal, a decisão recorrida reconheceu integralmente o primeiro saldo negativo e parcialmente o valor de R$ 1.005.802,03 do segundo, permanecendo Fl. 14269DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.270 6 em discussão o direito creditório no montante de R$ 714.070,73 (R$ 1.719.872,76 R$ 1.005.802,03). O indeferimento se deu nas retenções de aplicações financeiras de renda fixa (código 3426). Isso porque o Banco ABN Amro Real S.A. informou, em DIRF, ter pago rendimentos de R$ 5.171.434,72 com IRRF de R$ 1.034.286,74 (fl. 290 e 310). Contudo, o contribuinte somente informou, no campos de outras aplicações financeiras da DIPJ (linha 24 da ficha 6A – fl. 267), o valor de R$ 1.601.080,36. A partir dessas informações, a decisão recorrida reconheceu a tributação de receita até o montante declarado em DIPJ, e admitiu a retenção na fonte na mesma proporção (R$ 320.216,01 de R$ 1.034.286,74). Dessa forma, permanece em discussão apenas se o rendimento de aplicações financeiras de R$ 3.570.354,36 (R$ 5.171.434,72 R$ 1.601.080,36) foi oferecido à tributação. No voluntário, o recorrente esclarece que as informações da linha 24 da ficha 6A (“Outras Receitas Financeiras”) são apenas residuais, e que o próprio MAJUR 2003 determina a declaração das variações cambiais em outras linhas. Assim, informa que as suas aplicações financeiras em export notes estavam sujeitas à variação cambial, que foi declarada na DIPJ na linha 20, quando ativa (R$ 4.959.550,00), ou na linha 32, quando passiva (R$ 1.384.400,00). Esses valores estão discriminados nas planilhas de fl. 1.416. De fato, na DIPJ (fl. 267), foram informadas variações cambiais ativas de R$ 10.465.893,02 (linha 20) e passivas de R$ 11.930.386,43 (linha 32), que, em tese, comportam os valores indicados pelo contribuinte. Assim, somandose os valores indicados pelo recorrente, que estariam contidos nas linhas 20, 24 e 32 da Ficha 06A da DIPJ, chegase a R$ 5.176.230,36 (R$ 1.601.080,36 + R$ 4.959.550,00 R$ 1.384.400,00), suficientes para acobertar os R$ 5.171.434,72 informados pelo Banco ABN Amro Real. Já a ficha contábil da conta 131.002 – IRRF s/ Aplicação Financeira (fl. 1.336) demonstra a apropriação de todo o IRRF de R$ 1.034.286,74. Desse modo, as planilhas e informações do recurso voluntário demonstram que todos os rendimentos relativos às retenções de código 3426 foram tributados e informados na DIPJ, o que permitiria o reconhecimento de todo o direito creditório ainda em discussão. Contudo, é necessário que essas informações sejam analisadas e confirmadas pela autoridade fiscal, não sendo possível se admitir o direito sem a contradita das provas pela parte contrária. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: a) dê ciência desta resolução ao contribuinte; Fl. 14270DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.271 7 b) intime o contribuinte a apresentar a contabilidade da empresa IBM Business Consulting Services S/C Ltda, relativa aos fatos em discussão, concedendo o prazo mínimo de 30 (trinta) dias para isso; c) verifique se os rendimentos de aplicações financeiras pagos pelo Banco ABN Amro Real nos valores de R$ 1.601.080,36 (conforme tabelas de fls. 1.414 a 1.416), R$ 4.959.550,00 (variações cambiais ativas – tabela de fl. 1.416) e R$ 1.384.400,00 (variações cambiais passivas – tabela de fl. 1.416) foram contabilizados; d) verifique se as retenções na fonte de fl. 1.336 foram contabilizadas e se possuem relação com os rendimentos do item “c”; e) verifique se os valores dos itens “c” e “d” foram levados ao resultado do ano de 2002, e opine se, de fato, compõem os valores das linhas 20, 24 e 32 da ficha 06A da DIPJ; f) elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando o total de IRRF código 3426 ainda não reconhecido neste processo, que deve compor o saldo negativo de IRPJ do ano de 2002; g) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. A resposta da diligência (fls. 13520/13522) após apresentação de documentos pela Recorrente foi a seguinte: [...] 6.O CARF através da Resolução n° 1102000.296 – 1 Câmara/2 Turma Ord. de 25/11/2014 (fls. 1427/1433) converteu o julgamento em diligência, para: a) dê ciência desta resolução ao contribuinte; b) intime o contribuinte a apresentar a contabilidade da empresa IBM Business Consulting Services S/C Ltda, relativa aos fatos em discussão, concedendo o prazo mínimo de 30 (trinta) dias para isso; c) verifique se os rendimentos de aplicações financeiras pagos pelo Banco ABN Amro Real nos valores de R$ 1.601.080,36 (conforme tabelas de fls. 1.414 a 1.416), R$ 4.959.550,00 (variações cambiais ativas – tabela de fl. 1.416) e R$ 1.384.400,00 (variações cambiais passivas – tabela de fl. 1.416) foram contabilizados; d) verifique se as retenções na fonte de fl. 1.336 foram contabilizadas e se possuem relação com os rendimentos do item “c”; e) verifique se os valores dos itens “c” e “d” foram levados ao resultado do ano de 2002, e opine se, de fato, compõem os valores das linhas 20, 24 e 32 da ficha 06A da DIPJ; Fl. 14271DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.272 8 f) elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando o total de IRRF código 3426 ainda não reconhecido neste processo, que deve compor o saldo negativo de IRPJ do ano de 2002; g) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. 7.Logo, após a Intimação n° 123/2015 (fl. 1438), e resposta do contribuinte (fls. 1443 e 1463) pedindo prorrogações do prazo, e complementação posterior, vamonos à análise desse indébito: 7.1Os itens a e b foram cumpridos com a Intimação 123/2015. Mas, o contribuinte não apresentou nenhuma manifestação ou explicação da documentação apresentada. Temos o exemplo das fls. 1472/12656 donde não se sabe do que se trata, pois não é folha do razão ou balancete ou diário. Também não apresenta o número do livro diário, o termo de abertura e termo de encerramento e o mais importante, não existe o registro na Junta Comercial do Estado. Logo, a documentação apresentada não é válida. Quando do item g, o contribuinte terá a oportunidade de apresentar o registro da Junta Comercial do Estado originário da empresa, assim como os termos de abertura e encerramento do livro diário. 7.2Continuando, caso existir o registro do livro, nas fls. 12659/12684 temos a resposta ao item “c”, ou seja, a contabilização dos rendimentos, juros, variação cambial ativa e passiva e demonstrada também nas fls. 13061/13066. 7.3No item “d”, o IRRF código 1708, da fl. 1336 (que apresenta o somatório mensalmente) e que está discriminado nas fls. 13067/13068, mas os maiores valores não estão contabilizados na conta 131.0001 como podemos verificar das fls. 13105 em diante. Somente 40% dos valores da fl. 1336 foram contabilizados. Exemplo: no mês de janeiro não encontrase os valores de 5.909,39; 16.963,91; 9.667,31; 28.678,20 e 21.251,48. No mês de maio não encontrase os valores de 8.440,69; 9.146,96; 8.142,65; 12.172,99; 12.603,96 e 10.404,16. No mês de Julho não encontramos os valores de 4.174,88; 8.345,60; 3.741,60; 7.350,00; 5.451,70; 6.300,00; 5.058,71; 14.357,14 e 20.570,32. E assim sucessivamente. Não possuem relação com o item c, pois são IRRF de códigos diferentes: 3426 de aplicações financeiras e 1708 de faturas mensais. 7.4Afirmativo para o item “e”, pois conforme demonstrado às fls. 1415/1418 e 13061/13066 os rendimentos aplicações financeiras com a variação cambial ativa e passiva estão embutidos na DIPJ Ficha 06A linhas 20, 24 e 32. E, as retenções de código 1708 que conforme a DIRF (fl.290) apresenta o rendimento no valor de 68.204.171,94 (receita prestação serviços) está compatível com a receita prestação de serviços da DIPJ, linha 08 em 106.172.650,21. 7.5 O valor de 714.070,73 é o que ainda não foi reconhecido e que está em discussão. É fundamental a apresentação pela empresa da comprovação do registro do livro diário na Junta Comercial do Estado, sem o qual não haverá a contradita das provas, conforme o CARF determinou. Assim sendo, a resposta do contribuinte ao item Fl. 14272DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.273 9 “b” (apresentação da escrituração contábil) ficou prejudicado, assim como ao item “d” (escrituração da retenção na fonte). Logo, conforme a determinação do CARF não foi cumprida, tanto pela não apresentação da contabilidade (não existe o registro do livro diário) como da não contabilização das retenções (mesmo a empresa apresentando a comprovação do registro) não se pode reconhecer este valor em discussão. Em seguida após ter sido intimada da resposta da diligência, a Recorrente apresentou manifestação descordando do resultado da diligência e juntou mais documentos de fls. 13549/14259, que são os Livros Diários de forma organizada, com termo de abertura, termo de encerramento e com Registro no Segundo Cartório Oficial de Registro de Títulos e Documentos, entretanto sem o registro na Junta Comercial do Estado, visando solucionar com o apontado no item 7.1 da resposta da diligência de fls.13520/13522. É o relatório. Fl. 14273DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.274 10 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar: Em relação a preliminar de que ocorreu a homologação tácita alegada pela Recorrente, entendo que tal pleito não deve ser acolhido. Apesar dos argumentos construídos pelo Recorrente, a pretendida homologação tácita da compensação não ocorreu, eis que restou comprovado nos autos que a declaração de compensação de fl. 01 foi apresentada na data que consta o carimbo nela aposto, ou seja dia 02.10.2003. Sendo assim, apesar de a Recorrente alegar a invalidade do carimbo, ela não afirmou que tivesse apresentado aquela declaração em data anterior ao dia 02.10.2003, sendo que apenas se limitou a dizer que deveria prevalecer a data em que seu representante assinou a declaração. Tal afirmação da Recorrente só poderia ser validade com a apresentação de sua via protocolada, o que não ocorreu nos autos. Ademais, como muito bem apontado pelo v. acórdão recorrido e só para evitar confusão,[...] as perdcomp de fls. 22127 e 981122 não chegaram a ser transmitidas pelo interessado, o que se confirma pela ausência de número e pelas cópias das, telas do programa de fls. 22 e 98. Sendo assim, voto por rejeitar a preliminar de que teria ocorrido homologação tácita dos pedidos de reconhecimento dos créditos e as respectivas compensações. Mérito. Em relação ao mérito, o valor que restou para ser analisado em sede de Recurso Voluntário é de R$ 714.070,73 oriundo do saldo negativo pleiteado de R$ 1.719.872,76 da IBM Business Consulting Services, o qual só foi reconhecido pelo v. acórdão recorrido que julgou a manifestação de inconformidade o valor de R$ 1.005.802,03. (Importante ressaltar que o valor de R$ 1.661,60 relativo ao saldo negativo da IBM Systems, foi também foi reconhecido Fl. 14274DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.275 11 pelo v. acórdão recorrido, perfazendo um total de crédito reconhecido na decisão "a quo" de R$ 1.007.463,63). O valor de R$ 714.070,73 que restou a ser analisado por esta C. Turma Ordinária, foi devido ao ajuste feito pela DRJ no v. acórdão recorrido, entre o valor escriturado na DIPJ pela IBM Business Consulting Services a título de resultado (fl.245) de R$ 1.601.080,36 e os R$ 5.171.434,72 indicados a título de rendimentos de aplicações financeiras (código 3426) na DIRF (fl. 268), que correspondem à retenção de IRRF de R$ 1.034.286,74. Assim, deve ser desconsiderado abatimento de IRRF de R$ 714.070,73, que corresponde ao rendimento não oferecido à tributação, por força do artigo 231 do RIR/99, conforme abaixo demonstrado: Este valor de R$ 714.070,73, segundo a resposta da diligência (fls. 13520/13522) não foi reconhecido devido ao fato de a Recorre não ter juntado aos autos o Livro Diário com o registro na Junta Comercial do Estado, sem o qual não comprovaria a escrituração contábil e a escrituração da retenção na fonte, deixando assim de apresentar a contabilidade e por conseqüência a contabilização das retenções, itens solicitados pelo Colegiado na Resolução de numero 1102.000.296. De acordo com meu entendimento, para o presente caso, deixar de reconhecer a contabilidade (e sua respectiva comprovação) pelo fato de seus livros não estarem registrados na Junta Comercial do Estado, seria sobrepor o excesso de burocracia e formalidade, sobre o princípio da verdade material. Ademias, após ter sido noticiada da diligência, a Recorrente apresentou o Livro Diário de forma organizada, com o registro de inicio, o de encerramento e o respectivo registro no Segundo Cartório Oficial de Registros de Títulos e Documentos, o que no meu entender, afastaria a barreira indicada pela Autoridade Fiscal que respondeu a diligência de que não serviriam como prova o Livro Diário sem o registro na Junta Comercial do Estado. Sendo assim, voto por converter novamente o julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal elabore novo Relatório de Diligência analisando o Livro Diário juntado pela Recorrente as fls. 13546/14259 e confirme se realmente foi apresentada a escrituração contábil (item "b" da resposta da diligência fls. 13520/13522) e, por conseqüência restou comprovada a regular escrituração da retenção na fonte (item "d" da resposta da diligência fls. 13520/13522). Sendo assim, a diligência proposta tratase de verificar: Fl. 14275DF CARF MF Processo nº 10070.002840/200398 Resolução nº 1402000.689 S1C4T2 Fl. 14.276 12 1 a contabilidade da empresa IBM Business Consulting Services S/C Ltda (item "b" da resposta a diligência de fls. 13520/13522); 2 se estão contabilizados os rendimentos de aplicações financeiras pagos pelo Banco ABN Amro Real nos valores de R$ 1.601.080,36 (conforme tabelas de fls. 1.414 a 1.416), R$ 4.959.550,00 (variações cambiais ativas – tabela de fl. 1.416) e R$ 1.384.400,00 (variações cambiais passivas – tabela de fl. 1.416). (item "c" da resposta da diligência de fls. 13520/13522); 3 verificar se as retenções na fonte da fl. 1336 foram contabilizadas e se possuem relação com os rendimentos do item “c”; (item "d" do resposta da diligência fls. 13530/13522); Com a juntada do Livro Diário com a chancela do Segundo Cartório de Registro e Documentos, entendo que agora é possível que a Autoridade Fiscal Local analise tais pontos e confirme se o valor de R$ 714.070,73 relativo a diferença entre a DIPJ e as DIRFs foi ou não oferecido a tributação. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 14276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906612/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS SUJEITOS AO REGIME MONOFÁSICO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE
Os produtos que estão submetidos ao regime monofásico, mas adquiridos para serem reintroduzidos no processo produtivo, utilizados como insumos na fabricação de produtos a serem colocados à venda ou na prestação de serviços, são passíveis de apuração de créditos na sistemática não cumulativa das contribuições.
EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção do produto durante o transporte, pallets e cantoneiras, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, embalagens utilizadas para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições.
FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
A transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos da mesma empresa, apesar de ser após a fabricação do produto em si, integra o custo do processo produtivo do produto, passível de apuração de créditos por representar insumo da produção, conforme inciso II do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002.
Numero da decisão: 3301-010.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem para transporte e tambores de suco, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, que negava provimento ao recurso voluntário neste tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.627, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10380.906609/2012-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente), Juciléia de Souza Lima, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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INSUMOS SUJEITOS AO REGIME MONOFÁSICO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE Os produtos que estão submetidos ao regime monofásico, mas adquiridos para serem reintroduzidos no processo produtivo, utilizados como insumos na fabricação de produtos a serem colocados à venda ou na prestação de serviços, são passíveis de apuração de créditos na sistemática não cumulativa das contribuições. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção do produto durante o transporte, pallets e cantoneiras, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, embalagens utilizadas para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. A transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos da mesma empresa, apesar de ser após a fabricação do produto em si, integra o custo do processo produtivo do produto, passível de apuração de créditos por representar insumo da produção, conforme inciso II do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem para transporte e tambores de suco, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, que negava provimento ao recurso voluntário neste tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 66 12 /2 01 2- 86 Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 decidido no Acórdão nº 3301-010.627, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10380.906609/2012-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente), Juciléia de Souza Lima, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de PER/DCOMP transmitida para compensação de créditos da PIS não cumulativa apurados sobre despesas de insumos vinculadas às receitas não tributadas e auferidas no mercado interno, nos termos do art. 17 da Lei n. 11.033/2004. Para análise dos créditos pleiteados o PER/DCOMP recebeu tratamento manual, na qual a fiscalização realizou a apuração dos créditos e do processo produtivo da contribuinte. Nos termos da informação fiscal, a empresa produzia e vendia frutas “in natura”, tanto para o mercado interno como para o exterior. No mercado interno, as receitas de vendas das frutas (capítulo 8 da TIPI) estão sujeitas à alíquota zero da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins, conforme art. 28, III da Lei nº 10.865/2004. Para a apuração dos insumos, a fiscalização utilizou como fundamento na Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e realizou as glosas sobre pallets e cantoneiras utilizados como materiais de embalagem no transporte dos produtos, sustentando que somente dão direito ao crédito da Cofins as aquisições de embalagens que acondicionam diretamente os produtos. A fiscalização também realizou a glosa dos combustíveis e lubrificantes adquiridos de revendedores, mas não porque não são insumos, mas sim, porque estes produtos não são tributados quando comercializados pelo revendedor, já que sujeita à incidência monofásica no revendedor. Assim, por não ser tributado na compra, aplicou o disposto no art. 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.637/2002 para vedar o crédito. A fiscalização detectou diferenças nas despesas de depreciação na comparação realizada entre o DACON e a escrituração contábil (conta 3131.0006), realizando a glosa da diferença encontrada para refletir o montante escriturado na contabilidade. Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 A fiscalização também glosou créditos sobre fretes nas transferências de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, por não se enquadrar no artigo 3º, IX, e artigo 15, II, da Lei n. 10.833/2003, mantendo crédito apenas sobre o frete relacionado com operações de venda. Com as glosas realizadas, a fiscalização reconheceu apenas parte do crédito pleiteado. Com base na informação fiscal, o despacho decisório homologou parcialmente a compensação, sem saldo remanescente para o ressarcimento. Notificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade objetivando reverter as glosas, mas não se manifestou sobre a glosa realizada sobre as despesas de depreciação do ativo. A manifestação foi julgada improcedente pela Turma da DRJ. Apesar de tratar os insumos à luz do REsp n. 1.221.170/PR e Parecer Normativo Cosit n. 05/2018, sustentou que o material de embalagem utilizado no transporte não pode ser considerado insumo, pois aplicado pós processo produtivo, na fase comercial do produto acabado. Assim, não é qualquer despesa que será considerada insumo, mas tão somente aquelas relacionadas com bens e serviços que sejam essenciais e relevantes para o processo produtivo ou na prestação de serviços. Quanto aos combustíveis e lubrificantes, utilizou a Solução de Consulta Cosit nº 496/2017 para sustentar que não existe vedação legal para o crédito de produtos com a incidência monofásica, desde que os produtos sejam utilizados como insumos no processo produtivo. Assim, apesar de reconhecer a possibilidade de creditamento sobre essas aquisições, mesmo sem tributação no posto de gasolina, tendo em vista que houve a incidência concentrada na refinaria, manteve as glosas, mas desta vez pelo argumento de falta de comprovação sobre qual equipamento do processo produtivo esses combustíveis foram utilizados. Também foram mantidas as glosas dos créditos apurados sobre fretes de produtos entre estabelecimentos, por apenas ser possível quando o frete for na operação de venda, conforme artigo 3º, IX e artigo 15, II, da Lei n. 10.833/2003. As despesas de frete para transferência de produtos entre estabelecimentos não dão direito à crédito. Notificada da r. decisão a contribuinte interpôs recurso voluntário para devolver a matéria, conforme síntese abaixo: Em PRELIMINAR, argumenta inovação de fundamento para manutenção da glosa sobre combustíveis e lubrificantes; - Sustenta que na informação fiscal, bem como no despacho decisório, o fundamento para a glosa de créditos sobre as aquisições de Combustíveis e Lubrificantes ocorreram em razão da vedação legal, nos termos do inciso II, §2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002; - Por sua vez, a DRJ, ao apreciar a matéria, utilizou fundamentação jurídica totalmente diversa da Decisão de origem, mantendo as glosas de combustíveis e lubrificantes a Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 necessariamente de comprovar, nos autos, que os produtos teriam sido utilizados no processo produtivo; - Assim, a DRJ, apesar de reconhecer a possibilidade de creditamento nas aquisições de produtos com alíquota zero ou sem incidência de contribuição nas entradas, pois submetidas ao regime monofásico, lubrificantes e combustíveis, manteve a decisão da Fiscalização por suposta “falta de provas no processo” - Ressalta que, apesar de ser ônus do contribuinte a comprovação de que os lubrificantes e combustíveis foram utilizados em máquinas e equipamentos da produção, no curso da Fiscalização essa comprovação não foi solicitada à Recorrente, realizando-se a glosa por uma questão puramente de direito, restando caracterizando o cerceamento do direito de defesa; - Na Informação Fiscal, que fundamentou o Despacho Decisório, consta como causa do indeferimento somente a interpretação por parte da decisão singular na existência de vedação legal de ressarcimento sobre aquisições de produtos de incidência monofásica; - Diante da inovação na fundamentação para manutenção da glosa, requer a nulidade da decisão da DRJ/CTA, por cerceamento do direito defesa da Recorrente; - Subsidiariamente requer conversão dos autos em diligência para que a Fiscalização solicite à Recorrente todos os documentos que demonstrem a utilização dos lubrificantes e combustíveis nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, em observância ao princípio da verdade material. No MÉRITO, trata do conceito de insumos e do entendimento do STJ proferido no Recurso Especial nº 1.221.170/PR e Parecer Normativo Cosit nº 05/2018 para tratar dos critérios de relevância e essencialidade dos insumos pra o processo produtivo; - Sustenta que a configuração de um gasto como insumo depende da análise do ramo da atividade do contribuinte, a pertinência do item no processo produtivo, a essencialidade do insumo no processo e a possibilidade de emprego direto ou indireto na produção ou serviço; - Afirma que a mercadoria produzida, transportada e acondicionada pela Recorrente é sensível ao meio externo, devendo esta atender as normas de higiene, limpeza e segurança estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); - Os pallets e cantoneiras são embalagens para o acondicionamento da mercadoria no transporte, obedecendo-se as regras de higiene, limpeza e conservação dos produtos, estabelecidos pela Anvisa e o MAPA; - A utilização das embalagens para transportes é uma exigência legal, tendo em vista o que dispõe Instrução Normativa Conjunta da Anvisa e MAPA, INC n. 02/2018, que veio disciplinar e regular os procedimentos de aplicação de rastreabilidade de transportes; - Esses insumos se enquadram no critério b, b.1 e b.2 do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, qual seja: “(...) b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 processo de produção, seja: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2)”por imposição legal”.(...)”; - Os produtos da Recorrente não podem ter qualquer contato com o chão, ou qualquer impacto, tudo para evitar a contaminação ou lesão à fruta, o que o tornaria inconsumível ou fora do padrão de qualidade exigido pelas autoridades sanitárias; - Há pertinência da solicitação dos créditos referentes aos pallets, cantoneiras ou qualquer outra embalagem para transporte, uma vez que a embalagem para transporte é relevante e essencial à atividade produtiva da Recorrente; - Quanto ao frete de produtos entre estabelecimentos, sustenta a possibilidade do crédito como insumo, diante da pertinência ao processo produtivo para o escoamento de sua produção para suas filiais em vários pontos do País - Os fretes de produtos entre estabelecimentos tornam viável a produção e a comercialização do produto, representando um encargo de emprego indireto no processo produtivo, pois se trata de um serviço do qual a produção depende para o escoamento da produção e para a comercialização; - Requer correção monetária dos créditos objeto do pedido de ressarcimento; - Cita decisão do STJ que trata da oposição por parte do Fisco no reconhecimento do crédito pleiteado, impedindo que contribuinte utilize o referido crédito, sendo legítima a atualização monetária do crédito pleiteado, caso contrário estará caracterizado o enriquecimento sem causa do Fisco. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos da legislação. Cinge a controvérsia na análise de créditos de Cofins apurados sobre despesas de insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no mercado interno e tributados por alíquota zero. Conforme relato acima, quase a totalidade dos créditos pleiteados foram reconhecidos, restringindo-se a fiscalização em realizar apenas duas glosas: 1 – material de embalagem utilizados para o transporte das frutas, como pallets e cantoneiras; 2 – combustíveis e lubrificantes adquiridos de postos de gasolina; 3 – frete de produtos entre estabelecimentos. Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 Preliminarmente, deve-se analisar a glosa número 2, tendo em vista o requerimento de nulidade formulado pela Recorrente. A Recorrente argumenta inovação realizada pela d. DRJ ao julgar sua manifestação de inconformidade. Isso porque o fundamento jurídico para a glosa presente no despacho decisório foi tão somente o artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.637/2002, que veda a apuração de crédito sobre a aquisição de bens ou serviços não sujeitos à contribuição. Por sua vez, continua a Recorrente, a d. DRJ inovou os fundamentos da glosa. Apesar de reconhecer a possibilidade de créditos de combustíveis e lubrificantes adquiridos de posto de gasolina, mesmo sem tributação já que houve incidência monofásica no produtor, os nobres julgadores mantiveram a glosa por outros argumentos, quais sejam, falta de demonstração de que os produtos foram utilizados no processo produtivo. Assiste razão à Recorrente e a inovação operada pela d. DRJ representa grave ofensa ao direito de defesa e contraditório, já que em nenhum momento a fiscalização solicitou essa demonstração, realizando a glosa por argumentos estritamente de direito: vedação legal para apuração de crédito sobre aquisições não sujeitas à incidência das contribuições. Em nenhum momento foi franqueada ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos para fins de demonstrar a vinculação dos combustíveis ao processo produtivo. Isso nem mesmo foi cogitado pela fiscalização, satisfazendo-se com uma fundamentação puramente jurídica. A fiscalização afirmou que os combustíveis e lubrificantes estão sujeitos ao regime de incidência monofásica das contribuições. Com isso, quando o posto de gasolina revende o combustível, na operação não há incidência das contribuições, visto que a tributação ficou concentrada no produtor. Como a Recorrente adquiriu os combustíveis e lubrificantes no posto de gasolina, tais produtos estavam com alíquota zero, aplicando-se a vedação para o crédito prevista no artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.637/2002. O argumento é bem sucinto, sem maiores detalhes sobre se o produto é insumo ou não, vejamos: Também foram glosados os créditos referentes a despesas com combustíveis e lubrificantes adquiridos de revendedores (postos de gasolina). Tais produtos são sujeitos à incidência monofásica no produtor, não havendo a incidência de contribuição na sua revenda. De acordo com o inciso II, §2º do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, o direito ao crédito está condicionado à incidência de PIS na aquisição. Os créditos glosados referentes à aquisição de combustíveis e lubrificantes foram evidenciados na Planilha II, representando R$ 888,30 (oitocentos e oitenta e oito reais e trinta centavos). Na análise da manifestação de inconformidade, a d. DRJ trouxe à lume a Solução de Consulta Cosit nº 496/2017 para sustentar a possibilidade de crédito na aquisição de insumos submetidos ao regime monofásico, mesmo que adquirido do revendedor (sem tributação). Isso porque há tributação na cadeia produtiva, embora no regime monofásico, e vedar o aproveitamento de crédito se o produto for utilizado como insumo representa ofensa à não cumulatividade: Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 51. Deveras, caso a pessoa jurídica adquira, para utilização como insumo ou para incorporação ao seu ativo imobilizado, o bem sujeito à cobrança concentrada das contribuições de atacadista ou varejista (geralmente contemplados por alíquota zero) haveria alguma possibilidade de aplicação da vedação de desconto de créditos em comento, dada a desoneração do elo comercial imediatamente anterior. Todavia, não se pode olvidar que a sistemática de cobrança concentrada das contribuições não promove desoneração das contribuições na cadeia econômica total dos produtos contemplados, mas apenas concentra a tributação que seria aplicada em toda a cadeia em um elo escolhido (exatamente por isso as alíquotas da concentração tributária geralmente são superiores às alíquotas modais). Assim, na hipótese em análise, conquanto ocorra o incidente de a etapa imediatamente anterior ser contemplada por alíquota zero das contribuições, deve prevalecer a possibilidade de apuração de créditos em relação aos bens adquiridos (não se aplicando a vedação em lume), sob pena de onerar duplamente a cadeia econômica dos produtos contemplados pela concentração tributária (por meio da imposição de alíquotas majoradas em um determinado elo e por meio da vedação de desconto de créditos). Assim, como no caso dos veículos acima relatado, não se pode dizer que combustíveis e lubrificantes não estejam sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ainda que essas contribuições não incidam na aquisição de combustíveis e lubrificantes pelo interessado. Existe, sim, a incidência em etapa anterior a essa operação. Portanto, despesas com combustíveis e lubrificantes, comprovadamente utilizados na condição de insumos, observadas as demais prescrições legais, geram direito a crédito dessas contribuições. Nota-se, assim, que a d. DRJ afastou a vedação para o crédito prevista no artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.637/2002, desde que sejam insumos. Essa vedação foi o único fundamento do Despacho Decisório. Em flagrante inovação jurídica, a d. DRJ manteve a glosa sob o argumento de que a contribuinte não demonstrou que os combustíveis e lubrificantes foram utilizados no processo produtivo, isto é, em quais etapas ou quais equipamentos foram utilizados. Desta forma, o direito aos créditos da não-cumulatividade, utilizados para desconto da contribuição devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislação, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. Ou seja, a simples aquisição de combustíveis e lubrificantes não gera direito ao creditamento. O contribuinte tem que comprovar a sua utilização em máquinas e/ou equipamentos de produção, para serem considerados insumos. Exige-se, portanto, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório; documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Essa inovação, como dito, ofende o contraditório e ampla defesa. Todavia, entendo não ser o caso de nulidade, na medida em que a decisão de mérito no presente julgamento será favorável à contribuinte neste ponto, aplicando-se o disposto no artigo 59, § 3º do Decreto n. 70.235/1972. Entendo que o motivo da glosa, qual seja, a vedação para o crédito prevista no artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.637/2002, já foi revertida pela d. DRJ, não se sustentando os demais argumentos sobre falta de comprovação. Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 Estou de acordo com o disposto na Solução de Consulta Cosit nº 496/2017. A vedação de apuração de créditos para as compras submetidas ao regime monofásico são aplicáveis para os bens adquiridos para revenda. Quando os produtos submetidos ao regime monofásico são adquiridos para serem utilizados no processo produtivo como insumos, é possível a apuração do crédito no regime da não cumulatividade da contribuição. Os créditos das contribuições são apurados sobre as compras, sua base de cálculo, e não sobre o tributo que incidiu na fase anterior. Assim, se o fornecedor for submetido ao SIMPLES NACIONAL ou lucro presumido, apura-se crédito sobre as compras pelas alíquotas da não cumulatividade (9,25% somadas), mesmo que a compra tenha sido submetida a outra carga tributária. Quando o produto adquirido para ser utilizado no processo produtivo for sujeito ao regime monofásico, com a incidência concentrada na indústria, o raciocínio é o mesmo, ainda que o insumo tenha sido adquirido do varejista (no caso, posto de gasolina), quando já não há mais tributação. Isso porque a incidência monofásica onerou o produto que será utilizado como insumo, realizando-se a reintrodução do combustível no processo produtivo. O racional da incidência monofásica, conforme reconhecido pela solução de consulta mencionada e pela r. decisão da DRJ, é construído para a incidência concentrada na indústria sobre os produtos acabados. Esses produtos não sofrerão novas industrializações, passando de comerciante em comerciante sem novas incidências das contribuições. No momento que esse produto sujeito ao regime monofásico é adquirido por um industrial, utilizando esse produto como insumo de seu processo produtivo, reintroduzindo-o no processo industrial, deve-se permitir a apuração do crédito na sistemática não cumulativa das contribuições, sob pena de cumulatividade. Exemplo desse racional é extraído, por exemplo, da incidência monofásica sobre a venda de auto peças, nos termos do artigo 3º da Lei n. 10.485/2003. Caso o produto seja vendido para uma indústria, aplica-se as alíquotas do regime não cumulativo; caso o produto seja vendido para comerciante (atacadista, varejista) ou mesmo direito para o consumidor, aplica-se o regime monofásico. Com isso, reverto a glosa de crédito sobre combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo ou prestação de serviços. CONCEITO DE INSUMOS O conceito de insumos adotado pela fiscalização, como dito, estava alinhado com a IN SRF n. 404/2004 e 247/2002, vinculando-se à concepção de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem e prestação de serviços utilizados na produção, devendo-se integrar ao produto final ou ser utilizado diretamente no produto produzido. Assim, neste ponto, as glosas efetuadas foram levadas a efeito em decorrência de uma questão jurídica: a adoção pela fiscalização de um conceito de insumos mais restrito, inspirado na legislação do IPI, assim entendido como a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto ou serviço, desde que os mesmos não estejam incluídos no ativo imobilizado da empresa. Este conceito, no entanto, resta superado pela jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento, em sede de recursos repetitivos, do REsp nº 1.221.170/PR, que Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 julgou como ilegais as Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004 ao firmar a seguinte tese: “O conceito de insumo deve ser aferido a luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte” (grifei): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (grifei) Da leitura do voto da lavra da Ministra Regina Helena Costa, extrai-se que sua decisão se fundamenta em decisões da Câmara Superior da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, destacando que o contexto da essencialidade ou relevância de uma despesa deve sempre ser analisada em relação à imprescindibilidade para a atividade produtiva (leia-se produção de bens) ou para a prestação de serviços, para que possa ser considerado insumo: Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. (...) Assim, pretende sejam considerados insumos, para efeito de creditamento no regime de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS ao qual se sujeitam, os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual - EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões) (fls. 25/29e). Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. (grifei) Assim, quando a ementa, ou a tese fixada no recurso repetitivo, afirma que o critério da essencialidade ou relevância de determinado gasto para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, deve-se vincular o termo “atividade econômica” para a atividade produtiva e prestação de serviços (própria Ministra Regina Helena Costa menciona este quesito em suas razões de decidir). Caso contrário, qualquer despesa que seja essencial para o desenvolvimento da atividade econômica (genericamente falando), como despesas para o setor administrativo ou comercial, por exemplo, seriam considerados insumos, transmutando novamente o conceito e levando a discussão para o conceito de despesa operacional (necessária) aplicada ao IRPJ. O Ministro Mauro Campbell Marques, acrescenta um critério que denomina de “teste de subtração”, assim entendido como uma despesa relacionada com a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, devendo ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo produtivo ou que viabilizem o processo produtivo, de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto. Aliás, entendo que entre meu voto e o voto da Min. Regina Helena há apenas uma incongruência entre signos e significados, pois dentro do critério da relevância (defendido pela Min. Regina Helena) compreendo estar (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Já dentro do critério da essencialidade está (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Por fim, no critério da pertinência está (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Para o somatório das três situações dei o signo de "pertinência e essencialidade", que agora a Min. Regina Helena batizou de "essencialidade e relevância", mas o conteúdo é idêntico, de modo que não vejo prejuízo algum em denominarmos pela tríade "pertinência, essencialidade e relevância", a abarcar as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos. (grifos do original) Trata-se o insumo, portanto, de um gasto incorrido para a aquisição de um bem ou de um serviço essencial ou relevante para a produção ou para a prestação de serviço, não se incluindo aí uma essencialidade para o comércio ou para a administração da empresa. Veja que são despesas “na” produção /prestação de serviços, o que afasta também a consideração como insumo quaisquer outras despesas ou encargos incorridos, como publicidade, representante comercial, comissão de vendas e que tais, já que esta despesa não é incorrida NA produção ou NA prestação de um serviço. Ou se produz um serviço ou se produz um produto, assim é possível verificar quais foram os insumos desta produção. Este é o teor do quanto previsto no artigo 3º, II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ao estabelecer que os créditos serão apurados sobre bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3º (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes Após o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR a RFB publicou o Parecer Normativo nº 05/2018 para consolidar alguns pontos do conceito de insumo fixado pelo entendimento jurisprudencial. Com isso, em razão das glosas terem sido efetivadas por questões de direito, o presente julgamento também será pautado por questões jurídicas, sobre o conceito de insumos fixado pelo STJ, bem como na análise dos argumentos e Parecer Normativo RFB n. 05/2018. DA GLOSA SOBRE MATERIAL DE EMBALAGEM PARA TRANSPORTE – pallets, cantoneiras e tambores de suco. Conforme se extrai da informação fiscal, a glosa sobre os materiais de embalagem de transporte foram realizadas com base no conceito de insumo fixado pela IN SRF n. 247/2002: Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 A empresa produzia e vendia frutas “in natura”, tanto para o mercado interno como para o exterior. [...] É importante ressaltar que além de as receitas de exportação serem isentas de PIS e COFINS, a partir de 01/05/2004 as receitas de vendas de frutas (capítulo 8 da TIPI), no mercado interno, estão sujeitas à alíquota zero de PIS e COFINS, conforme art. 28, inciso III da Lei nº 10.865/2004. [...] Conforme art. 3º da Lei nº 10.637/2002, c/c o §5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, somente dão direito ao crédito de PIS as embalagens que acondicionam diretamente os produtos. As embalagens que se destinam apenas ao transporte de produtos não geram direito ao crédito de PIS. [...] Também foi feita a glosa com a aquisição de tambores de suco (capacidade de 200L e de ferro), que também não se enquadram como embalagem de acondicionamento. Como os pallets, cantoneiras e tambores de suco destinam-se ao transporte das caixas de frutas e outros produtos, não se enquadrando no conceito de embalagem de acondicionamento, efetuamos glosas no valor de R$ 10.784,85 (dez mil, setecentos e oitenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos) [...] Por sua vez, a d. DRJ, fundando-se no conceito de insumos consolidado no REsp n. 1.221.170/PR e Parecer Normativo RFB n. 05/2018, manteve as glosas sob o argumento de que o material de embalagem para transporte não é essencial ou relevante para o processo produtivo, na medida em que é aplicado para o transporte do produto acabado nas operações de venda, ou seja, após o fim do processo produtivo: Portanto, os materiais de embalagem utilizados no transporte de produtos acabados não se enquadram na definição de insumos elaborada pelo STJ, ainda que importantes para a atividade desenvolvida pela manifestante, uma vez que não integram o processo de produção. São, outrossim, utilizados em fase posterior ao processo produtivo, quando da comercialização do produto acabado, constituindo-se em despesa operacional. No caso em apreciação, os pallets (ou estrados), as cantoneiras e os demais produtos têm como finalidade a acomodação das caixas que contém as frutas frescas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação da mercadoria em, por exemplo, empilhadeiras, assim como o carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os destinatários finais. Logo, tais acessórios somente se agregam aos produtos depois de encerrado o ciclo produtivo, ocasião em que as frutas já se encontram devidamente embaladas. (grifei) Em sede de defesa, a Recorrente sustenta que os pallets e cantoneiras são embalagens para o acondicionamento da mercadoria no transporte, e os tambores de suco acondicionam o próprio produto, obedecendo-se as regras de higiene, limpeza e conservação dos produtos, estabelecidos pela Anvisa e o MAPA. Sustenta que a utilização das embalagens para transportes é uma exigência legal, tendo em vista o que dispõe Instrução Normativa Conjunta da Anvisa e MAPA, INC n. 02/2018, que veio disciplinar e regular os procedimentos de aplicação de rastreabilidade de transportes, satisfazendo os requisitos da essencialidade ou relevância do insumo para o processo produtivo, inclusive diante da imposição legal por normas da ANVISA para manuseio, transporte e proteção destes produtos. Trata-se, a meu ver, de despesas essenciais para a manutenção da qualidade do produto, em que pese não integre fisicamente o produto produzido e tenha sido adicionado para acondicionamento para transporte após o processo produtivo. Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 Em que pese posterior à produção do produto em si, já que os produtos estão acabados, ainda está ligado ao processo produtivo, na medida em que ainda está no âmbito interno da indústria, representando uma despesa que será adicionada ao custo de produção, configurando insumo. Com isso, não há como negar a natureza de insumos para tais dispêndios. Portanto, a aquisição destes produtos são custos relacionados ao seu processo produtivo, essenciais para o desenvolvimento desta atividade e transporte de sua produção. Com isso, é possível a apuração de créditos de PIS e COFINS sobre tais gastos, nos termos do artigo 3º, II das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Reverte-se as glosas com embalagens para transporte e tambores de suco. DA GLOSA SOBRE MATERIAL SOBRE O FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS A fiscalização também glosou créditos sobre fretes nas transferências de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, por não se enquadrar no artigo 3º, IX e artigo 15, II, da Lei n. 10.833/2003, mantendo crédito apenas sobre o frete relacionado com operações de venda. A d. DRJ endossou o entendimento, apenas acrescentando que seria possível apurar créditos sobre frete no transporte de insumos, por compor o custo de aquisição dos produtos. No entanto, como o caso é de frete de produtos entre estabelecimentos, sem vinculação com operações de venda para terceiros, manteve a glosa por não se enquadrar no artigo 3º, IX e artigo 15, II, da Lei n. 10.833/2003. A Recorrente argumenta que o frete entre estabelecimento representa um encargo indireto ao seu processo produtivo, sendo essencial para o escoamento da produção para suas filiais e a viabilização de futuras operações de venda, representando insumo do processo produtivo. Entendo que as glosas devem ser revertidas. Em que pese posterior à produção do produto em si, já que os produtos estão acabados, ainda está ligado ao processo produtivo, na medida em que ainda está no âmbito interno da indústria, representando uma despesa que será adicionada ao custo de produção, configurando insumo. Esse entendimento já foi manifestado pela Câmara Superior nos acórdãos 9303- 009.736, 9303-009.734, 9303-009.982, conforme ementa abaixo: Acórdão 9303-009.736. Relator Rodrigo da Costa Pôssas. Publicação 11/12/2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 CUSTOS/DESPESAS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS, EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, FERRAMENTAS E MATERIAIS. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. LIMPEZA E INSPEÇÃO SANITÁRIA CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes entre estabelecimentos para transporte de produtos acabados, com embalagens para transporte dos produtos acabados, com ferramentas e materiais utilizados nas máquinas e equipamentos de produção/fabricação e com limpeza e inspeção sanitária enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 decisão para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. É de se reconhecer, portanto, o direito à apuração dos créditos das contribuições sobre as despesas incorridas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Ainda, informo a existência de um entendimento diverso, no sentido de que o crédito é possível, mas como um frete das operações de venda, representando serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, em que pese ainda não tenha uma venda relacionada, permitindo o crédito nos termos do art. 3º, IX, Lei n. 10.833/2003, como se vê dos acórdãos 9303-010.123, 9303-010.147. De todo modo, seja pelo inciso II ou pelo inciso IX, há possibilidade de crédito de frete de produtos acabados entre estabelecimentos ou para depósitos e armazéns. Desta forma, reverto as glosas de frete de produtos acabados para outro estabelecimento. Correção Monetária A Recorrente requer a correção monetária de seus créditos diante da oposição ilegítima do FISCO em reconhecer os créditos, devendo-se aplicar os precedentes do STJ no trato da matéria. Não merecem prosperar os argumentos. Já concedi correção monetária de créditos da não cumulatividade de PIS e COFINS quando objeto de pedido de ressarcimento, a exemplo do acórdão n. 3301-010.096. No entanto, para que seja possível a correção monetária, deve-se estar diante de um pedido de ressarcimento de créditos. No caso, ao PER foi vinculada uma declaração de compensação, compensando-se os créditos pleiteados para extinção de débitos administrados pela RFB. Não há que se falar em oposição ilegítima nesses casos. Isso porque a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156, II, CTN, a exemplo do pagamento, extinguindo o débito declarado na compensação por meio de um encontro de contas entre créditos e débitos recíprocos, nos termos do artigo 170, CTN. Justamente por isso, a declaração de compensação representa um pagamento antecipado, sujeito à ulterior homologação da administração tributária, nos termos do artigo 74 da Lei n. 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 2 o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Com isso, no caso de declaração de compensação, não há como afirmar oposição ilegítima do FISCO para o reconhecimento dos créditos, na medida em que os créditos já foram utilizados como moeda para pagamento dos débitos confessados na compensação. Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-010.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906612/2012-86 É no momento da declaração de compensação que o encontro de contas entre créditos e débitos é aferido, extinguindo-se antecipadamente o crédito tributário (débito) confessado. Eventual não homologação da compensação, assim, não representa oposição ilegítima. Não merece provimento este ponto do recurso. Diante de todo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem para transporte e tambores de suco, dos fretes de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem para transporte e tambores de suco, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. E dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722212/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2010
MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS ORIUNDOS DE PENSÃO. COMPROVAÇÃO
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado ou recebimento da pensão, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária
Numero da decisão: 2301-009.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
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RENDIMENTOS ORIUNDOS DE PENSÃO. COMPROVAÇÃO A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado ou recebimento da pensão, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 22 12 /2 01 2- 54 Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.494 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.722212/2012-54 Relatório A contribuinte retro identificada impugna o lançamento formalizado pela Notificação de fls.23/27 lavrada pela DRF/Brasília/DF em 27/02/2012, decorrente da revisão efetuada pela autoridade lançadora em sua Declaração de Ajuste Anual IRPF/2010, cópia apensada às fls.29/34, que apurou “omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas”, no valor de R$ 42.902,88, resultando, em conseqüência, a apuração de imposto de renda suplementar (código 2904), no valor de R$ 11.798,29, acrescido de multa de ofício (passível de redução), no valor de R$ 8.848,71, e de juros de mora, no valor de R$ 2.314,82, calculados até fevereiro de 2012. Conforme expresso no item “descrição dos fatos e enquadramento legal” da Notificação contestada, a autoridade fiscal assim justificou o procedimento adotado: Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas – Aluguéis e Outros. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 42.902,88, informados na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) pela(s) administradora(s) ou em outros documentos. TOTAL RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS INFORMADOS: R$ 42.902,88 TOTAL RENDIMENTOS RECEBIDOS PESSOAS FÍSICAS DECLARADOS: R$ 0,00 Foi apurada omissão de rendimentos recebido a título de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 42.902,88. Em sua peça impugnatória de fls.03, instruída com os elementos de fls.04/20, a contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em síntese, que “sou portadora de doença desmielinizante (esclerose múltipla) e recebo pensão de meu pai, determinada por meio de Decisão Judicial”, e que está apresentando novamente os documentos solicitados na intimação fiscal “para comprovação do recebimento dos rendimentos de pensão. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou o seu entendimento no sentido de que: => a contribuinte, em sua defesa, argumenta que os rendimentos apontados pelo Fisco são “rendimentos isentos e não-tributáveis” visto que são proventos de pensão alimentícia judicial recebidos por portadora de moléstia grave. Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.494 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.722212/2012-54 De acordo com o artigo 39, inciso XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, que tem como matriz legal o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88 c/c os artigo 47 da Lei nº 8.541/1992 e artigo 1º da Lei nº 11.052/2004, não entrarão no cômputo do rendimento bruto “os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação e síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”. Este mesmo artigo 39, no inciso XXXI, que tem como matriz legal o artigo 6º, inciso XXI, da Lei nº 7.713/88 c/c os artigo 47 da Lei nº 8.541/1992 e artigo 1º da Lei nº 11.052/2004, dispõe que não entrarão no cômputo do rendimento bruto “os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão”. E, em seu parágrafo 4º, determina que “para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle”. E, em seu parágrafo 6º, estabelece que “as isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão”. Pelos dispositivos legais transcritos, para a contribuinte, no presente caso, ter direito à isenção em comento são necessárias duas condições concomitantes. A primeira é que os rendimentos em apreço sejam oriundos de pensão e a segunda é que ela seja portadora de uma das doenças previstas no texto legal. Segundo dispõe o Acordo de Alimentos, cópia apensada às fls.05/09, firmado por Mozart Foschete da Silva e sua filha, ora impugnante, Júnia Ângelo Foschete, submetido ao Juízo da Primeira Vara de Família da Circunscrição Especial Judiciária de Brasília/DF, “o pai, com a aceitação da filha, espontaneamente, solicita seja instituída pensão alimentícia, no valor percentual mensal de 17,5% (dezessete e meio por cento) sobre a integralidade dos proventos que recebe como servidor público aposentado da Câmara de Deputados, a ser descontada em folha de pagamento (cópia do contracheque anexa), Os valores decorrentes deverão ser depositados em favor da requerente na Caixa Econômica Federal (CEF), Agência 160-0, Operação 013, Conta nº ...”. Conforme sentença proferida em 16/08/2004 pelo MM. Juiz de Direito Substituto da Primeira Vara de Família da Circunscrição Especial Judiciária de Brasília/DF, cópia apensada a fls.11, “homologo, por sentença, para que produza seus jurídicos e legais efeitos, o acordo celebrado pelas partes Mozart Foschete da Silva e Júnia Ângelo Foschete, na Ação de Alimentos, determinando que se cumpra fielmente o que nele ficou estabelecido”. Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.494 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.722212/2012-54 O “Informe de Rendimentos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” anexado a fls.04, emitido pela Câmara dos Deputados, referente ao ano-calendário de 2009, registra Mozart Foschete da Silva como fonte pagadora e Júnia Ângelo Foschete como beneficiária de “rendimentos de pensão alimentícia”, no montante de R$ 42.902,88. Comprovada, portanto, a primeira condição anteriormente citada. Quanto à segunda condição, em que pese a argumentação desenvolvida pela impugnante em sua peça contestatória, o fato é que não se encontra entre os documentos apensados ao presente processo nenhum “laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”, exigência contida no parágrafo 4º do artigo 39 do RIR/1999 vigente, supra transcrito. Vale ressaltar que a concessão de isenção sempre decorre de lei, conforme as disposições estampadas nos artigos 176 a 179 do Código Tributário Nacional (CTN: Lei 5.172/1966), sem se olvidar que, a teor do disposto no artigo 111, inciso II, deste mesmo diploma legal “interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção”. Vale registrar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio da COSIT (Coordenação-Geral de Tributação), emitiu a Solução de Consulta Interna (SCI) nº 11 de 28/06/2012, cuja conclusão, depois de reiterar esclarecimentos e orientações de SCI anteriores, foi a seguinte: Considero, portanto, que a condição de ser portadora de moléstia grave não restou comprovada pela notificada na forma exigida pela legislação tributária vigente, devendo ser recusada sua pretensão de classificar como “rendimentos isentos e não-tributáveis” os rendimentos de “pensão alimentícia judicial” por ela recebidos no ano-calendário de 2009. Em face de todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte sustenta é portador de moléstia grave comprovadamente, e que todos os documentos juntados atestam a sua condição. Junta o laudo médico oficial comprovando a sua condição desde 2003. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.494 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.722212/2012-54 Mérito - Moléstia grave Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. No caso em tela, verifica-se que o contribuinte apresenta documentação comprovando ser portadora de moléstia grave. Juntou, em sede de Recurso, laudo oficial assinado por profissional devidamente habilitado. Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.494 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.722212/2012-54 De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, busca-se a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisá-lo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Soma-se ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolver-se em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Acrescente-se também a ponderação do princípio constitucional da razoabilidade. Na vida em sociedade, o modo de agir com razão, ou mesmo, ser razoável nas decisões cotidianas é benéfico para inibir a opressão aos mais fracos. Não sendo diferente, a Constituição acolhe a razoabilidade como princípio a ser perseguido. Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.494 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.722212/2012-54 Entendo, com base no quanto acima citado, que restou comprovado que a contribuinte era portadora da moléstia grave desde 2003. Veja-se, inclusive, a Súmula CARF, que apregoa de forma muito obvia : Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios Assim, haja vista o cumprimento dos requisitos legais claros e específicos, entendo que deve ser DADO provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12965.001526/2008-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, não podendo a autoridade julgadora dela conhecer, salvo nos casos expressamente previstos em lei.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Somente mantém-se no lançamento fiscal a omissão de rendimentos que, de forma inequívoca nos autos, restar comprovada tratar-se de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, não oferecidos à tributação.
Numero da decisão: 2001-004.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, não podendo a autoridade julgadora dela conhecer, salvo nos casos expressamente previstos em lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Somente mantém-se no lançamento fiscal a omissão de rendimentos que, de forma inequívoca nos autos, restar comprovada tratar-se de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, não oferecidos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto e Marcelo Rocha Paura. Relatório Do Lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 5. 00 15 26 /2 00 8- 53 Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-004.409 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001526/2008-53 Trata o presente de Notificação de Lançamento (e-fls. 6/9), lavrada em 25/08/2008, em desfavor do recorrente acima citado, no qual a autoridade fiscal, durante procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual – DAA, relativa ao exercício de 2007, formalizou o lançamento suplementar de ofício contendo a infração de omissão de rendimentos de aluguel recebidos de pessoas jurídicas, no valor de R$ 24.000,00. Da Impugnação O interessado apresentou a impugnação (e-fls. 2), alegando, em síntese, os seguintes argumentos, extraídos do relatório do julgamento anterior: Cientificado da notificação, o contribuinte, através de seu representante (fls. 43/44), apresentou a impugnação de fl. 42, instruída pelos elementos de fls. 45 a 68, alegando que o valor tido por omitido é decorrente de aluguel de imóvel, constante de inventário, e que, de fato, não fora informado na DIRPF. Contudo, consoante descrito no “Documento de Inventário”, na partilha, coube ao impugnante apenas 56% do imóvel. “Desta forma, solicita que seja refeito o cálculo do Imposto de Renda de pessoa física suplementar considerando o valor de 56% dos aluguéis recebidos, e cancelamento ou redução da multa de ofício.” Do Julgamento em Primeira Instância No Acórdão nº 09-35.830 (e-fls. 78/80), os membros da 4ª Turma de Julgamento, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), por unanimidade de votos, decidiram pela improcedência da impugnação, e, do voto da relatora a quo, podemos destacar o seguinte: ... Inicialmente, há que se notar que o contribuinte não nega a percepção de rendimentos decorrentes de aluguel, argumentando, contudo, que, do montante omitido, caberia a ele apenas 56%. A fim de corroborar as alegações da peça de defesa, o impugnante trouxe os documentos de fls. 55 a 63, referentes ao inventário de Cesira Cavallari Chiavegatti, e o contrato de locação de fls. 64 a 68, relativo aos aluguéis apontados na notificação. Dos documentos do inventário, em especial do “Plano de Partilha” de fls. 58 a 63, vislumbra-se a intenção dos herdeiros, dentre os quais figura o contribuinte, sobre a partilha dos bens deixados por Cesira Cavallari Chiavegatti, incluindo-se aí o bem locado a Fábio André dos Santos Malheiros – ME (item II – fl. 60). Contudo, não foram colacionados aos autos quaisquer documentos comprobatórios de que tal plano de partilha, datado de 25/10/1991, teria sido homologado judicialmente, ressaltando-se ainda que da data do documento até o ano fiscalizado (AC2006), podem ter ocorrido alterações nos termos ali pactuados. O contrato de locação de fls. 64 a 68 também não socorre o defendente, pois, além de ser um documento particular, com validade apenas entre os signatários, não faz qualquer menção ao rateio dos valores de aluguel ali acordados nos percentuais alegados na defesa. Vale ressaltar, ainda, que, a teor do disposto nos arts. 15 e 16, inc. III, e §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, com a redação conferida pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93 e pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97, compete ao sujeito passivo instruir a impugnação com Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-004.409 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001526/2008-53 os documentos em que se apoiar, bem assim mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas documentais que possuir. Por todo o exposto, tendo em vista que o impugnante não logrou êxito em invalidar as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora (fl. 77), as quais lhe atribuem a totalidade dos rendimentos, nada há a reparar no feito fiscal. No mais, quanto ao cancelamento da penalidade, resta elucidar ao contribuinte que quando da revisão de declaração resulta imposto de renda, cabe à autoridade fiscal aplicar a multa de ofício em decorrência de lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa, tendo como fundamento o art. 44, I, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/07, que determina: ... Relativamente à redução da penalidade, também solicitada na defesa, esclareça- se que na fase atual do processo cabem aquelas previstas nos arts. 962 e 963, II, do RIR/99, a saber: ... Do Recurso Voluntário Inconformado com o resultado do julgamento de 1ª instância e amparado pelo contido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, o interessado interpôs o recurso tempestivo (e-fls. 86/88), alegando, em síntese, o que segue: ... A decisão, no que toca à imposição de sanções sobre a totalidade dos alugueis recebidos, não se sustenta. Vejamos. Em primeiro lugar, a decisão deixou de observar que o imóvel objeto do contrato de locação (doc. 1 — certidão de matrícula) jamais foi 100% do recorrente. O recorrente era titular, antes da venda do referido prédio, de 25% daquele imóvel, sendo que os outros 75% cabiam, respectivamente, à sua mãe (Cesira Cavallari Chiavegatti), quando em. vida, e aos herdeiros do irmão do requerente. Com o falecimento de sua mãe e tendo o recorrente assumido o encargo de inventariante (doc. 2 — fls. 26 do processo n°. 000.91- 830919-9, que tramitou na 9°. Vara da Família de São Paulo), os herdeiros convencionaram que o recorrente herdaria 6% a mais do que eles no imóvel locado, de modo a equilibrar os quinhões. O plano de partilha (doc. 3) foi corrigido diversas vezes, a pedido do Partidor judicial, porém foi definitivamente apresentado em 13.10.2010 (note-se, quando o prédio objeto da locação já havia sido vendido) e a partilha foi homologada em 15.02.2011, com trânsito em julgado em 10.03.2011 (doc. 4). Assim, por força de decisão judicial transitada em julgado, o recorrente considera provado que dispunha de apenas 56% dos direitos sobre o imóvel em questão. O segundo fundamento também não sustenta a decisão. Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-004.409 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001526/2008-53 Primeiro porque o contrato de locação, conquanto celebrado na forma de instrumento particular, tem validade jurídica e foi assinado pelo recorrente (Gian Carlos Chiavegatti) enquanto inventariante e quem administra a herança (art. 1991 do Código Civil). Demais disso, o fato de que o contrato de locação se deu pela via particular não impede que a prova dos direitos nele deduzidos seja realizada por outro meio, nos termos do art. 221, parágrafo único, do Código Civil: "a prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de caráter legal". E não há dúvida de que a Receita Federal, ao receber a declaração de rendimentos da Sra. Luciana Augusta Chiavegatti (CPF n° 091.016.798-21) e o imposto incidente sobre 44% dos alugueis pagos por Fabio André dos Santos Malheiros ME, passou a ter como incontroverso o fato de que o recorrente não recebia a totalidade dos alugueis em questão. Caso ainda apresente dúvida disso, o que se admite para argumentar, então o recorrente pede ofício disse eg. Conselho à -Receita Federal, ordenando que anexe ao presente auto a declaração de rendimentos de Luciana Augusta Chiavegatti (CPF n° 091.016.798- 21) no mesmo período aqui discutido; como se verá, restará fora de dúvida o argumento de que a- Receita Federal conhecia o fato de que o recorrente nunca recebeu 100% dos alugueis pagos por Fabio ME. Admitir a manutenção da decisão recorrida será, portanto, manifesto -e inaceitável "bis in idem", já que 44% do imposto exigido pela decisão recorrida já foi recolhido aos cofres públicos pela Sra. Luciana Augusta Chiavegatti (CPF: 091.016.798-21). ... É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Rocha Paura, Relator. Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Da Matéria Não Impugnada Inicialmente registramos que constou do julgamento anterior (e-fls. 79) a informação de que o interessado não se insurgiu, desde o início da lide, contra a omissão de rendimentos de aluguel recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 13.440,00, como segue: Inicialmente, há que se notar que o contribuinte não nega a percepção de rendimentos decorrentes de aluguel, argumentando, contudo, que, do montante omitido, caberia a ele apenas 56%.... Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-004.409 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001526/2008-53 Vê-se que o contribuinte não apresentou, em sede impugnatória, motivos de fato ou direito contra aquela infração do lançamento, condição esta imprescindível para a instauração da lide administrativa, conforme dispõe o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: ... III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... Por seu turno, o artigo 17 do mesmo diploma legal é no sentido de que será considerada não impugnada a matéria que não tenha sido objeto de contestação quando da apresentação da peça impugnatória: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Acrescentamos que o art. 141 do Código de Processo Civil, norma de aplicação supletiva e subsidiária ao processo administrativo, estabelece que julgadores devem decidir nos limites da lide, sendo-lhes defeso conhecer de questões cuja lei exige iniciativa do litigante, in verbis: Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Pelo exposto, entendo que esta lide administrativa encontra-se restrita a reanálise da omissão de rendimentos de aluguel recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 10.560,00. Da Matéria em Julgamento A matéria constante na presente autuação devolvida a este Conselho para reanálise por meio de Recurso Voluntário é a omissão de rendimentos recebidos de Fábio André dos Santos – ME, CNPJ nº 07.016.774/0001-50, no valor de R$ 10.560,00. Do Mérito Da Omissão de Rendimentos Como visto o interessado foi autuado pela omissão de rendimentos de aluguel oriundos da fonte pagadora acima citada. Em sua defesa, relata que o imóvel objeto da dos rendimentos de aluguel jamais foi 100% de sua propriedade. Afirma ser titular de apenas 56% dos direitos do imóvel, após a partilha de bens homologada no processo judicial nº 000.91-830919-9. O julgamento de piso não acatou a argumentação de defesa (e-fls. 79) por entender que o contribuinte não comprovou a homologação judicial da partilha do bem em questão e porque seu contrato de locação não fazia qualquer menção a rateio de rendimentos, como segue: Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-004.409 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001526/2008-53 ... Dos documentos do inventário, em especial do “Plano de Partilha” de fls. 58 a 63, vislumbra-se a intenção dos herdeiros, dentre os quais figura o contribuinte, sobre a partilha dos bens deixados por Cesira Cavallari Chiavegatti, incluindo-se aí o bem locado a Fábio André dos Santos Malheiros – ME (item II – fl. 60). Contudo, não foram colacionados aos autos quaisquer documentos comprobatórios de que tal plano de partilha, datado de 25/10/1991, teria sido homologado judicialmente, ressaltando- se ainda que da data do documento até o ano fiscalizado (AC2006), podem ter ocorrido alterações nos termos ali pactuados. O contrato de locação de fls. 64 a 68 também não socorre o defendente, pois, além de ser um documento particular, com validade apenas entre os signatários, não faz qualquer menção ao rateio dos valores de aluguel ali acordados nos percentuais alegados na defesa. ... Com sua peça recursal o recorrente colacionou: i) registro do imóvel (e-fls. 89/98), matriculado sob o nº 15.796, no 7º Cartório de Registro de Imóveis em São Paulo; ii) petição inicial (e-fls. 99), do processo judicial de inventário nº 000.91-830919-9, da 9ª Vara de Família e Sucessões de São Paulo; iii) plano de partilha consolidado (e-fls. 101/107); e iv) sentença judicial (e-fls. 108/110) homologatória da partilha amigável. Da análise de toda a documentação acostada, entendo que o interessado logrou êxito em comprovar que é titular da fração de 56% dos direitos do imóvel gerador dos rendimentos de aluguel tidos como omitidos nesta notificação de lançamento. Desta forma, do montante omitido (R$ 24.000,00) o interessado concorda e comprova que apenas auferiu 56% (R$ 13.440,00) a título de rendimentos de aluguel. Conclusão Assim, voto pela exclusão do valor de R$ 10.560,00 da base de cálculo desta notificação de lançamento. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, DOU-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-004.409 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001526/2008-53 Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.900728/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.210
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB verifique se, à luz dos documentos apresentados, e superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, remanesce o direito de crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 00 72 8/ 20 10 -8 1 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.900728/201081 Resolução nº 3401001.210 S3C4T1 Fl. 51 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que não homologou a compensação de débitos tributários referentes a contribuições cumulativas. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório. O contribuinte informou como origem do suposto direito creditório DARF referente ao pagamento de contribuição cumulativa em razão de entender ter havido pagamento a maior decorrente da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições sociais sob égide da Lei Federal 9.718/198 e tal valor ser considerado indevido. A DRF Curitiba, não homologou a compensação requerida, pois o DARF discriminado na DCOMP não fora localizado. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e interpôs, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1 0, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 4575531, em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos conforme lhe faculta o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 Que o Auditor da Receita Federal do Brasil, em Despacho Decisório, não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte, em razão de não ter encontrado o crédito informado; Que a razão de não ter sido encontrado o crédito do contribuinte, utilizado na presente compensação, está no fato de que este se encontrava vinculado a um débito indevido (em razão da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo), não restando assim saldo credor disponível. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão da DRJ/CTA, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em síntese, por entender ser aplicável o disposto no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 até sua revogação pela Lei nº 11.941/09, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, somente atingindo as partes envolvidas. Do Recurso Voluntário Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes. Preliminarmente, alega a nulidade do Acordão com base no artigo 59, inciso II, do Decreto Federal 70.235/72, pois alega que a DRJ, sob o fundamento de falta de competência para apreciar a constitucionalidade de lei, teria deixado de analisar todos os argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade negando vigência, assim, à regulamentação do artigo, do citado Decreto, motivo pelo qual deve ser declarada sua nulidade. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.900728/201081 Resolução nº 3401001.210 S3C4T1 Fl. 52 3 Quanto ao mérito, afirma que: O STF, no julgamento do RE 585.235, sob a sistemática da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei Federal 9.718/1998, e que este entendimento deve ser seguido por este Colegiado em razão do disposto no art. 62A do RICARF. Quanto ao direito creditório em si, afirma ser devido, conforme os documentos que traz como provas. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.196, de 24 de outubro de 2017, proferida no julgamento do processo 10980.900714/201067, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.1961: "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às Contribuições para o PIS e a COFINS cumulativas, de que trata a Lei nº 9.718/98. A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por haver considerado nas bases de cálculo das contribuições sociais cumulativas, parcelas indevidas, em razão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Dcomp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Pois bem, entendo verossimilhantes as alegações e plausível o direito vindicado, quanto à possíveis efeitos da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista o julgamento do 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado na Resolução paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.900728/201081 Resolução nº 3401001.210 S3C4T1 Fl. 53 4 RE 585.235/MG, submetido a repercussão geral, do art. 543B, do CPC/1973, determinandose que a base de cálculo das contribuições sociais cumulativas seja o faturamento da empresa, assim considerado como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). Já quanto aos fatos, insurgese a recorrente contra o fundamento da decisão recorrida de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; apresentando inícios de provas materiais, por meio de planilhas e cópias de razões analíticos. No Processo Administrativo Fiscal PAF, regido pelo Decreto n° 70.235/1972, art. 16, §4º “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: [...] c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF relativamente ao §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não provado e inexistente o direito à repetição de indébito. Diante destas razões, posteriormente trazidas aos autos, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Do exposto, entendo presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, não havendo de se falar em preclusão de apresentação de prova documental nesse momento processual de recurso voluntário. Por outro lado, ainda que inícios de provas materiais, as planilhas e as cópias de razões analíticos, por si sós, não são suficientes à quantificação e comprovação do direito creditório pleiteado. Ressaltese, deve o contribuinte conservar seus livros comerciais e fiscais obrigatórios e respectivos comprovantes dos lançamentos enquanto durar as controvérsias sobre questões por esses documentos comprováveis, tendo em vista a obrigação de guarda até que ocorra a prescrição dos créditos tributários, nos termos do artigo 195, do CTN. Com essas considerações, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.900728/201081 Resolução nº 3401001.210 S3C4T1 Fl. 54 5 sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 60DF CARF MF
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