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Numero do processo: 10680.926675/2016-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/06/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.398
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 75 /2 01 6- 06 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926675/201606 Acórdão n.º 3401006.398 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.926675/201606 Acórdão n.º 3401006.398 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926650/2016-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/06/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.379
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/06/2012 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 50 /2 01 6- 02 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926650/201602 Acórdão n.º 3401006.379 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.926650/201602 Acórdão n.º 3401006.379 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004831/2003-07
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: COFINS REFIS
COFINS - TRIBUTO DEVIDO - INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO DO MÉRITO - PARCELAMENTO NÃO COMPROVADO.
É de ser mantido o auto de infração de valor confessado pelo contribuinte. A simples alegação, em sede de defesa, de inclusão em parcelamento sem a devida comprovação deste fato, não é suficiente para suspender a exigibilidade do tributo ou cancelar o auto de infração. Situação que piora com a constatação, nos registros da Receita Federal, de que o valor não se encontra parcelado.
REFIS - INCOMPETÊNCIA DE MATÉRIA - PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO
A questão referente à inclusão de débitos no REFIS deve 'ser discutida no processo administrativo próprio. A matéria referente à anistia de tributos não é de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.167
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : COFINS REFIS COFINS - TRIBUTO DEVIDO - INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO DO MÉRITO - PARCELAMENTO NÃO COMPROVADO. É de ser mantido o auto de infração de valor confessado pelo contribuinte. A simples alegação, em sede de defesa, de inclusão em parcelamento sem a devida comprovação deste fato, não é suficiente para suspender a exigibilidade do tributo ou cancelar o auto de infração. Situação que piora com a constatação, nos registros da Receita Federal, de que o valor não se encontra parcelado. REFIS - INCOMPETÊNCIA DE MATÉRIA - PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO A questão referente à inclusão de débitos no REFIS deve 'ser discutida no processo administrativo próprio. A matéria referente à anistia de tributos não é de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Recurso Voluntário Negado.
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''. g ,'''. '' '''. p,:•-;''''.: - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10120.004831/2003-07 Recurso n° 140.118 Voluntário Acórdão n° 2102-00.167 — l a Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2009 Matéria COFINS - Refis Recorrente Transportadora Zero Grau Ltda Recorrida DRJ-Brasilia/DF Assunto: COFINS REFIS COFINS - TRIBUTO DEVIDO - INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO DO MÉRITO - PARCELAMENTO NÃO COMPROVADO. É de ser mantido o auto de infração de valor confessado pelo contribuinte. A simples alegação, em sede de defesa, de inclusão em parcelamento sem a devida comprovação deste fato, não é suficiente para suspender a exigibilidade do tributo ou cancelar o auto de infração. Situação que piora com a constatação, nos registros da Receita Federal, de que o valor não se encontra parcelado. REFIS - INCOMPETÊNCIA DE MATÉRIA - PROCESSO 1 ADMINISTRATIVO PRÓPRIO A questão referente à inclusão de débitos no REFIS deve ' ser discutida no processo administrativo próprio. A matéria referente à anistia de tributos não é de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os membros da 1' câmara / 2" turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, pdr unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. -..3.elct" 0/14jectLa....., 11/ ' ii • 0, , : ,, SEF MARIA COELHO MARQUES - Presi)-nte 9 '' ' c ii FABIOLA CAS .4 O KERAMIDAS . — Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco. Ausentes os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes i Relatório Trata-se de auto de infração eletrônico (fl.25/30) lavrado para o fim de constituir débito de Cofins referente ao primeiro trimestre de 1998. Para sua lavratura foi analisada a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do período e os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo sido constatado que o valor declarado como devido e pago não encontrava-se extinto pelo pagamento. Inconformada com a autuação, a Recorrente interpôs impugnação às fls. 01/03, na qual informa que optou pelo REFIS, onde foram incluídos todos os débitos vencidos e declarados junto à SRF e INSS até 29/02/2000. Neste sentido, como os débitos cobrados no presente auto de infração foram devidamente declarados e se referem a meses anteriores a FEV/00, estão com sua exigibilidade suspensa posto que incluídos no REFIS, razão pela qual solicita a desconsideração do presente auto de infração. Às fls. 56/57, consta manifestação da chefe da SACAT — Seção de Controle e Acompanhamento Tributário — em que esta esclarece que o débito em análise não se encontra parcelado no REFIS, a despeito da Recorrente estar incluída no REFIS, pois os valores não foram constituídos à parte pela Recorrente e foram declarados em DCTF como inexistentes, pois que a Recorrente declarou que os débitos haviam sido quitados por meio de guias Darf de recolhimento. Após analisar as razões da Recorrente e os esclarecimento da Delegacia da Receita Federal, a Quarta Turma de Julgamento de Brasília/DF, proferiu o acórdão n° 03- 20.097 — fls. 58/61, por meio do qual manteve o auto de infração nos termos lançados, verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998 DCTF - Falta de pagamento - REFIS. Constatado nos autos, mediante procedimento fiscal, que o pagamento vinculado ao débito de Cofins informado na DCTF, não foi incluso no Refis, é de se manter a exigência fiscal cobrada no auto de infração. Lançamento Procedente." Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 70/75, por intermédio do qual defende o cancelamento do auto de infração e a inclusão dos valores no Refis em razão de os mesmos estarem incluídos em DCTF e DIPJ. Pugna pela análise da DIPJ, argumentando que se analisada juntamente com a DCTF solucionaria a questão, ou seja, a declaração dos valores ao Fisco e declara que a Recorrente não pode ser responsabilizada ou prejudicada pela desconsideração de sua declarações pelo Fisco Federal. É o relatório .;ts 2 Processo n° 10120.004831/2003-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.167 Fl. 90 Voto Conselheira, FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se verifica dos termos relatados, a questão cinge-se a análise dos termos do Programa Refis. A Recorrente entende que seus débitos estão incluídos no programa simplesmente por terem sido declarados em DCTF e DIPJ e a fiscalização concluiu que esta declaração não é suficiente porque o débito foi declarado como quitado, vinculado ao pagamento via Darf. Logo, somente seria incluído no parcelamento se tivesse sido declarado à parte pela Recorrente, desta vez como estando em aberto, não recolhido. De fato, para serem constituídos, os débitos devem ser declarados como tal, ou seja, como sendo devidos. Sem mencionar que a discussão acerca do quantim parcelado no REFIS deve ser realizada no âmbito próprio, no processo administrativo referente ao parcelamento, e este tribunal não é competente para proceder a esta análise. A este tribunal compete analisar a existência do débito e, uma vez que a Recorrente utiliza em sua defesa a própria confissão do débito, não resta dúvida quanto ao fato de que existe. A alegação de que em outros casos o Sistema Refis procedeu ao procedimento inverso, ou seja, à consolidação de valores declarados como pagos, gerando débitos em duplicidade, apesar de verdadeiro, não pode ser utilizada como defesa, pois estas são situações diversas da presente, nas quais a Receita Federal agiu erronêamente. Nestes casos, por terem sido constituídos em duplicidade, os valores deverão ser excluídos da conta corrente do contribuinte. Todavia, a questão refere-se à outros processos e não interferem no caso em apreço. Cito, por analisar devidamente a legislação pertinente à questão, a d. decisão administrativa de primeira instância, a saber: "Em face dos argumentos de defesa da empresa autuada, antes de encaminhar o presente processo a esta DRJ/Brasilia, a autoridade preparadora, com base na Nota Corat/Cofis/Cosit n° 32, de 2002, fls. 56 e 57, fez análise da documentação apresentada pela impugnante e constatou o seguinte, verbis: "Embora haja processo de parcelamento no Refis em nome da interessada, os débitos de que trata o presente processo (Cofins dos períodos de apuração 07 e 12/1998) não fazem parte dos débitos consolidados no referido programa, conforme telas do Sistema Refis onde constam os débitos de Cofins incluídos naquele parcelamento especial, fls. 54/55. Registre-se que o Programa de Recuperação Fiscal - REFIS, instituído pela Lei n° 9.964, de 10/04/2000, destinava-se a promover a regularização de créditos da União, decorrentes de débitos de pessoas jurídicas, relativos a tributos e contribuições, administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF e pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. E a opção pelo 449 3 programa Refls sujeitava a pessoa jurídica optante à confissão irrevogável e irretratável dos débitos nele incluídos (artigo 3 0, inciso 1 da Lei n° 9.964/00). A argumentação da impugnante no sentido de que os valores de Cotins dos períodos de apuração 07 e 12/1998, exigidos pelo citado Auto de Infração em referência, são inclusos no Refis não procede, até porque tais débitos não foram informados pela empresa na Declaração Refis (conforme tela de consulta à Declaração Refls às fls. 54), condição fundamental para que os débitos fossem incluídos no Refls, de acordo com o art. 2. 0 da IN SRF n.° 43, de 25/04/2000, veja texto parcial a seguir, que instituiu a Declaração Refis: "Art I ° Fica instituída a Declaração Refis, a ser apresentada pelas pessoas jurídicas optantes pelo Programa de Recuperação Fiscal de que trata a Lei n° 9.964, de 10 de abril de 2000, bem assim aprovado seu programa gerador. (-) Art. 2°A Declaração Refis será apresentada, até 30 de junho de 2000, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica ou a ela equiparada, na forma da legislação pertinente, que efetuou a opção, com a finalidade de: I - confessar débitos com vencimento até 29 de fevereiro de 2000, não declarados ou não confessados à Secretaria da Receita Federal - SRF, total ou parcialmente; "Cabe lembrar que o prazo fixado pelo art. 2. 0 acima transcrito foi prorrogado para 31/08/2000 pelo art .1. 0 do Decreto n.° 3.530, de 30/06/2000, e, posteriormente, estendido para 12/02/2001 pelo art. 2.°, § 1.°, e art.3.°, parágrafo único, ambos do Decreto n.° 3.712, de 27/12/2000. Também o Decreto n.° 3.342, de 25/01/2000, vigente à época da formalização pelo contribuinte do termo de opção (e posteriormente revogado pelo Decreto 3.431, de 24/04/2000, que manteve o mesmo entendimento), estabelecia em seu art.4.°, §3. 0, a obrigatoriedade de informar esses débitos: "Art. 4°(..) § 3 0 Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados pela pessoa jurídica, de forma irretratável e irrevogável, no prazo de sessenta dias, contado da data da formalização da opção, nas condições estabelecidas pelo Comitê Gestor. Dessa forma, se o contribuinte não confessou os débitos que possuía, nos termos da legislação pertinente, tais débitos, quando desvendados pelo Fisco, neste caso através de procedimento de auditoria interna em DCTF, deviam ser, como foram, objeto de lançamento de oficio, e não de inclusão no Refis, ainda que o seus vencimentos se dessem antes de 29/02/2000. Cumpre ressaltar que, apesar de o contribuinte ter informado os débitos em tela na DCTF, informou também na mesma 4 Processo n° 10120.00483112003-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.167 Fl. 91 declaração pagamentos via DARF (que não foram localizados pelos sistemas da SRF) vinculados a esses débitos, não confessando existir débitos a pagar. Esses valores não foram nem poderiam ter sido incluídos automaticamente no Refis, pois encontravam-se em situação não-contemplada, posto que a declaração na DCTF de que aos respectivos valores dos débitos de Cofins informados haviam pagamentos vinculados, já efetuados via DARF, conforme dados ali consignados (fls. 27, 28 e 41), não encerrava confissão de dívida, configurando, sim, a impossibilidade de a empresa vir a ser cobrada por aqueles valores, razão pela qual caberia à contribuinte promover a inclusão desses débitos no Refis, nos prazos já mencionados, por meio da Declaração Refis. Observe-se, ainda, que, como medida visando incluir os débitos no Refis, o contribuinte poderia ter apresentado, no momento adequado, DCTF retzficadora, para excluir a informação do pagamento da Cofins dos meses em referência, porém não o fez". (destaquei) Ante o exposto, concordo com os termos da decisão de primeira instância administrativa que entendeu não estarem os débitos incluídos no programa REFIS, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão por seus próprios e jurídicos damentos. /, FA : OLA CASS 4 KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900830/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
Numero da decisão: 3301-006.295
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório O presente processo trata de pedido de compensação transmitido eletronicamente com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. Após análise eletrônica, foi emitido Despacho Decisório, onde consta que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP correspondente, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 08 30 /2 01 4- 56 Fl. 60DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.295 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.900830/2014-56 Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade onde argumenta, essencialmente, o que se segue: - que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; - que a autoridade administrativa quedou-se inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; - que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; - que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; - que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; - que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; - que a autoridade administrativa limitou-se a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; - que a única conclusão que se chega é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entregue o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF; - que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; - que a autoridade administrativa furtou-se em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; - que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; - que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; - em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; - que o crédito é legítimo, porque o valor efetivamente pago é maior do que o valor correto do débito apurado pela empresa; Fl. 61DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.295 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.900830/2014-56 - o contribuinte, ao calcular o débito, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente do seu faturamento, mas também receitas que não a deveriam compor; - não providenciou a devida retificação da DCTF, para que ela apresentasse os valores efetivamente devidos; - que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; - há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pede-se que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. Por seu turno, a DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, concluindo que não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que argumenta que o Despacho Decisório não foi motivado, pois não esclareceu o motivo da não homologação. Assim, é nulo, pois violou o princípio da motivação. Além disto, a nulidade do Despacho Decisório decorre também do fato de a ausência de motivação impedir o exercício do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-293. 325, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 13888.901749/2014-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006. 293): O recurso voluntário preenche os requisitos legais e deve ser conhecido. No recurso voluntário, a recorrente alega apenas que o Despacho Decisório não foi motivado, pois não teria informado o motivo pelo qual a compensação não foi homologada. E, uma vez que não foi motivado, seria nulo (art. 50 da Lei nº 9.784/99). Não trouxe aos autos documentos para comprovar a higidez do direito creditório. O Despacho Decisório (fl. 81) informa que o valor do suposto crédito está integralmente vinculado a um débito, pelo que não pode ser utilizado para compensação. Não obstante seu laconismo, entendo que o ato não é nulo. Foi devidamente motivado (art. 50 da Lei nº 9.784/99), pois indica os elementos fático (vinculação do valor a outro débito) e jurídico (artigos 165 e 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96) em que se baseou. Fl. 62DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.295 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.900830/2014-56 A recorrente, todavia, não cumpriu sua parte, isto é, fazer prova do direito que alega deter (inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil). Não apresentou documento ou mesmo informação acerca da origem do crédito. Desta forma, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901024/2008-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/01/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE.
Revela-se intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Da contagem, exclui-se o dia do recebimento, inclui-se o do término e prorroga-se quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido.
Numero da decisão: 3001-000.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche..
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/01/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. Revela-se intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Da contagem, exclui-se o dia do recebimento, inclui-se o do término e prorroga-se quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido.
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RETIFICAÇÃO. Recorrente PRINT DAMF FORMULÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. Revelase intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Da contagem, excluise o dia do recebimento, incluise o do término e prorrogase quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 24 /2 00 8- 11 Fl. 125DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP n° 29294.90738.210906.1.7.041013 (fls. 01/05), transmitida, em 21/09/2006, sob o fundamento de pagamento indevido ou a maior de IPI, com o intuito de compensar débito de R$1.318,57, relativo ao SIMPLES, com vencimento em 09/06/2004. O documento original foi transmitido em 29/06/2004, registrado sob o n° 30264.25791.090604.1.3.049668. A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório com o indeferimento total do crédito requerido e, consequentemente, a nãohomologação da compensação declarada. Relata o Acórdão recorrido que a empresa ofereceu Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, quanto segue (fls. 62/63), verbis. 1) que preencheu incorretamente o PER/DCOMP, versão da época (2.2), que era um procedimento recente, aceitava qualquer informação inconsistente, induzindo, então, sem alertas ou pendências, a introdução de um importante e vital elemento para a compensação, que era a descrição da origem do crédito; 2) que os créditos solicitados eram, de fato, do PIS, apurados em razão da inconstitucionalidade dos Decretoslei n°5 2.445 e 2.449, ambos de 1989; 3) em extensa argumentação, o direito ao crédito do PIS solicitado; e, 4) que está demonstrada a razão para que ocorresse um erro involuntário, dividido entre o órgão arrecadador, Receita Federal, e o contribuinte. Este, por meio de sócio gerente, requer seja dado o provimento ao presente recurso, de forma que seja cancelado o débito fiscal reclamado e, após o exame do processo apresentado seja permitida uma nova declaração de compensação, com o aceite de multa e de juros de mora até a data. Os argumentos da recorrente foram rejeitados pelo Acórdão recorrido (fls. 63/64), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 61), verbis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2004 DCOMP. RETIFICAÇAO. A retificação de Declaração de Compensação somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e desde que o pedido ouadeclaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do 'envio do documento retificador. COMPENSAÇÃO. INDISPONIBILIDADE DE CRÉDITOS. Comprovado nos autos que O direito creditório indicado pela interessada para compensar os débitos objeto da DCOMP em análise não fora reconhecido, cabe a não homologação das compensações sob exame. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10735.901024/200811 Acórdão n.º 3001000.836 S3C0T1 Fl. 3 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Através da Intimação/SEORT/DRF/NIU Nº 24/2011 (fls. 65), foi a empresa notificada do teor do Acórdão recorrido, por AR recebido em 25 de janeiro de 2011 (fls. 66), e ingressou com petição denominada de IMPUGNAÇÃO, datada de 25 de março de 2011 (fls. 67/106), protocolada perante a Receita Federal em 07 de abril de 2011 (fls. 67), reiterando sua Manifestação de Inconformidade; levantou preliminar porém para reiterar que o sistema do PERDCOMP é novo e complicado, mas que é exemplar cumpridora de suas obrigações tributáras, e "solicita que sejam confrontados os atos da Fazenda Nacional 9DOS FATOS acima), bem como a legislação abaixo que os contradizem, de forma que a justiça tributária possa prevalecer, favorecendo a quem de direito"; e, finalmente, transcreveu inúmeros dispositivos da constituição, de leis, decretos, instruções normativas, jurisprudência (fls. 71/104), e concluiu (fls. 106), verbis. À vista de todo o exposto, demonstrada a razão para que ocorresse um erro involuntário, dividido entre o órgão arrecadador, Receita Federal e o contribuinte, este, através de seu sócio gerente, requer que seja dado provimento ao presente Recurso, de forma que seja cancelado o débito fiscal reclamado e, após o exame dos processos apresentado seja permitida uma nova COMPENSAÇÃO, com o aceite da inclusão de Multa e Juros até a data. (SIC). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Como acima relatado, a empresa foi formalmente notificada do teor do Acórdão recorrido, por AR, em 25 de janeiro de 2011 (fls. 66), e somente ingressou com petição denominada de IMPUGNAÇÃO, datada de 25 de março de 2011 (fls. 67/106), mas que foi protocolada perante a Receita Federal em 07 de abril de 2011 (fls. 67). Portanto, não se toma conhecimento do apelo do contribuinte por ter sido formalizado a destempo. Com efeito, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, é de 30 dias o prazo para interposição do Recurso voluntário contra decisão de DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a contar da ciência da decisão . Reza a norma. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência. A regra geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal federal é estabelecida pelo art. 5º do mencionado Decreto nº 70;235/72, verbis. Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Fl. 127DF CARF MF 4 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Assim, comprovada a intempestividade do Recurso, dele não tomo conhecimento, mantendose, assim, o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.003972/2005-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 3003-000.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
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DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata-se do Despacho Decisório SEORT nº 13884.175/2010 emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São José dos Campos que reconheceu em parte o direito creditório e, por conseqüência, homologou até o limite reconhecido as declarações de compensação a ele atrelado. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 39 72 /2 00 5- 12 Fl. 894DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.261 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.003972/2005-12 A decisão foi baseada em procedimento de auditoria de créditos da apuração não cumulativa das contribuições para o contribuição para o Programa de Integração Social e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, cujos resultados estão relatados em Termo de Verificação Fiscal. Nele a fiscalização informa que realizou seleção de três rubricas para verificação por amostragem e que, analisados os documentos apresentados, achou conformes as rubricas de despesa com energia elétrica e de despesas de contraprestação de arrendamento mercantil. No que respeita à rubrica referente a bens utilizados como insumo, a contribuinte foi intimada a justificar os créditos uma vez que o insumo utilizado esta sujeito à alíquota zero de PIS/COFINS conforme artigo 6º do Decreto, nº 5.171/04. Prossegue a autoridade: 13. Em resposta, fl. 346, o contribuinte informou que "Nas aquisições dos insumos, de alguns fornecedores no período referenciado, houve o lançamento de credito do PIS e da Cofins devido a não aplicação do Decreto 5171/04, conforme se comprova pelos documentos fiscais emitidos onde não houve a informação da aplicação de alíquota zero de Pis/Cofins destacada nas notas fiscais. Destarte, como se verifica em relação aos fornecimentos em questão a Eleb creditou-se de Pis e Cofins, visto que arcou com os mesmos quando da composição do preço, faturado, em consonância com a regra geral estabelecida nas leis ns 10.833/03 e 10.637/02”. 14. Mas, tendo em vista que a maior parte da receita de venda de produtos do contribuinte nos meses de junho, julho, agosto e setembro de 2005 é composta de receita isentas, não alcançadas pela incidência da contribuição, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero conforme informação na DACON, ficha 07/13 e ficha 13/13, fls., 45, 50, 71,73, 75, 85, 87, 89, 347, assim os insumos utilizados na fabricação destes produtos não geram direito a credito de acordo com artigo 3º da lei nº 10.637/02 e 10.833/03. 15. Assim, os valores dos créditos correspondentes a estas compras devem ser glosados, conforme demonstrativo abaixo Períodos Valor do PIS Valor da COFINS Total da Glosa Julho/05 R$ 2.227,35 R$ 10.260,23 R$12.487,58 Agosto/05 R$ 1.536,14 R$ 7.075,68 R$ 8.611,82 Setembro/05 R$ 1.703,70 R$ 7.847,57 R$ 9.551,27 Por conta de tais verificações, foi o crédito reconhecido parcialmente. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Autoridade Fiscal pautou-se, equivocadamente, em presunções na análise da situação fática que ensejou o direito ao crédito da contribuição ao PIS e a COFINS, relativos aos insumos adquiridos no período já citado, declarado no pedido de compensação em análise, uma vez que deixou de verificar as razões que conduziram à não aplicação da alíquota zero destes tributos, prevista nos artigos 28, inciso V, da Lei n° 10865/04 e do 6°, do Decreto 5.171/04, ou seja, tão somente presumiu sua aplicação sem considerar e/ou buscar averiguar as peculiaridades do caso concreto. ... A premissa utilizada pela Autoridade Fiscal, data maxima venia, encontra-se totalmente equivocada, porquanto tendo sido a receita dos insumos adquiridos regularmente tributada pela contribuição ao PIS e à COFINS, pois não foi aplicada a alíquota zero prevista no Decreto n° 5.171/04, a vedação do artigo 3°, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, relativa às saídas não sujeitas ao pagamento dos tributos em pauta não se aplica ao caso concreto. Fl. 895DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.261 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.003972/2005-12 Os insumos que geraram o crédito em questão foram adquiridos pela Recorrente para industrialização/montagem de peças vendidas para a indústria aeronáutica, situação esta que, segundo o entendimento da Autoridade Fiscal, estaria enquadrada na regra dos artigos 28, inciso V, da Lei n° 10.865/04 e 6°, do Decreto 5.171/04 transcritos abaixo com a redação vigente à época dos fatos: "Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno, de: (..) IV aeronaves, classificadas na posição 88.02 da TIPI, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e montagem das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; (Redação dada pela Lei n° 10.925, de 2004) (Vigência)" "Art. 6 Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda no mercado interno de aeronaves, classificadas na posição 88.02 da NCM, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e montagem das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos." No entanto, os insumos adquiridos pela Recorrente não tiveram a receita de sua saída beneficiada com a redução a zero das alíquotas da contribuição ao PIS e da COFINS, da forma como preconizava os dispositivos legais transcritos acima, como já restou devidamente comprovado nestes autos por meio da competente documentação fiscal apresentada, mas foram regulamente tributados, nos moldes das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, o que, pela regra geral da não cumulatividade, autoriza o aproveitamento do crédito presumido correlato. O direito ao crédito da contribuição ao PIS e da COFINS, como regra geral, nasce com a aquisição, em cada mês, de bens e serviços que, na fase anterior da cadeia de produção ou de comercialização, sujeitaram-se às mesmas contribuições e cuja receita da venda ou da revenda esteja sujeita à sistemática não cumulativa. Tais insumos foram utilizados pela Recorrente em processos de industrialização por encomenda de peças utilizadas pela indústria aeronáutica, situação para a qual a Receita Federal do Brasil já, inclusive, manifestou entendimento no sentido da interpretação adotada pelo contribuinte, qual seja a não aplicabilidade da redução a zero da alíquota da contribuição ao PIS e da COFINS, no período de junho/2005 a setembro/2005 (...). Nesta linha, diante das manifestações da própria da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal, que jurisdiciona a Recorrente, a legislação que reduziu a zero a aliquota da contribuição ao PIS e da COFINS, não se aplicava às operações praticadas, o que ensejou a apuração dos créditos glosados pela r. decisão recorrida, de modo que a citada vedação contida no artigo 3°, §2°, inciso II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, não se subsume ao caso concreto. ... Diante desse contexto, com amparo nas manifestações reiteradas da Receita Federal do Brasil que configuram normas complementares da legislação tributária, nos termos do artigo 100, inciso III, do Código Tributário Nacional, tem-se que a situação fática incorrida pela Recorrente, com a utilização dos insumos em questão, não enseja a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS à alíquota zero no período apontado, o que torna possível a apuração e o aproveitamento dos créditos declarados no pedido de compensação em análise, que, de rigor, devem ser reconhecidos integralmente. Fl. 896DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.261 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.003972/2005-12 Neste ponto, combate-se outra assertiva utilizada pela Autoridade Fiscal no Termo de Verificação Fiscal que serviu de fundamento legal para a r. decisão guerreada e que não pode ser utilizado para a validação de pedido de créditos tributários, trata-se da generalização da natureza das receitas auferidas pela Recorrente, como se a totalidade destas fosse oriunda da venda de produtos para o Mercado Interno. Esta generalização é nítida ao se verificar a superficialidade na análise das informações prestadas pela Recorrente por meio da imprecisão constante na conclusão contida no item 14 do Termo de Verificação Fiscal à fl. 350, cujo teor novamente transcrevese: "14. Mas, tendo em vista que a maior parte da receita de venda de produtos do contribuinte nos meses de junho, julho, agosto e setembro de 2005 é composta de receitas isentas, não alcançadas pela incidência da contribuição, com suspensão ou sujeitas à aliquota zero, conforme informação na DACON, ficha 07/13 e ficha 13/13, fls. 45, 59, 71, 73, 75, 85, 87, 89, 347, assim os insumos utilizados na fabricação destes produtos não geram direito a credito de acordo com artigo 3° da lei es 10.637/02 e 10.833/03" (grifos nossos) Na verdade, como está comprovado pelas DACON's de junho (fls. 45 e 59) julho (fl. 71 e 85), agosto (fl. 73 e 87) e setembro de 2005 (fl. 75 e 89), aproximadamente 20% (vinte por cento), em média, das receitas da Recorrente são originadas da venda de produtos ao exterior, com direito a crédito da contribuição ao PIS/PASEP, nos termos dos artigos 5°, §1°, da Lei n° 10.637/02 e 6°, §1° da Lei n° 10.833/03. Ou seja, não pode a Autoridade Fiscal tão somente presumir determinada situação, sem ter analisado os fatos que ensejaram o direito credit6rio que se pleiteia o reconhecimento, tão somente em razão do encerramento do prazo prescricional para homologação da compensação declarada, cuja apresentação deu-se em 09/11/2005 e a decisão, somente foi proferida após mais de 4 (quatro) anos. Ora, independentemente do transcurso de extenso lapso temporal, o que o contribuinte espera da Receita Federal do Brasil é a análise precisa dos fatos, dos dados e dos documentos apresentados, bem como das diversas informações fiscais que se encontram sob o seu poder, no intuito de ver satisfeito o principio da eficiência que rege a Administração Pública, nos termos do artigo 37, da Constituição Federal. De suma importância salientar, ainda que a Autoridade Fiscal tenha intimado a Recorrente para comprovar a validade os créditos sob os quais pairavam dúvidas, — o que, diga-se, conduziu ao reconhecimento de relevante parte do pleito formulado — não foi plenamente satisfeito o principio da verdade material, pois a r. decisão guerreada foi proferida com fundamento em presunção, o que não se pode admitir no processo administrativo tributário. A Recorrente, sempre que intimada, cumpriu com o seu dever de colaboração com a Fiscalização, mas como não foi indagada a apresentar as justificativas, acompanhadas da competente documentação comprobatória do crédito pleiteado, que entendesse cabíveis para fazer frente ao suposto descompasso de informações detectado pela Receita Federal do Brasil, a Autoridade Fiscal chamou para si a responsabilidade integral pela persecução probatória da existência/validade do crédito declarado no pedido de compensação analisado. No presente caso, não se trata de situação de inexistência do crédito declarado, mas sim de supostos equivoco na interpretação dos fatos e das provas acostadas aos autos que culminou com a presunção de determinada situação, que, por certo, não pode se sobrepor a real apuração contábil/fiscal da Recorrente. A contribuinte passa, então, a discorrer sobre o princípio da verdade material, tópico que conclui requerendo: a determinação de baixa dos autos para realização de diligências/análises nas declarações consideradas pela Autoridade Fiscal e igualmente na documentação apresentada nos autos, com o objetivo de se constatar que a presunção consignada na r. decisão guerreada não pode subsidiar a glosa de parte de seu pedido de compensação de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, relativo aos insumos utilizados na Fl. 897DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.261 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.003972/2005-12 industrialização de peças para aeronaves, em homenagem ao principio da verdade material. Continuando sua argumentação, a interessada diz que: Ultrapassados os pontos abordados, caso remanesça qualquer controvérsia quanto à não aplicabilidade da alíquota zero da contribuição ao PIS e da COFINS, como pretende fazer crer a Autoridade Fiscal local, o direito da Recorrente ao aproveitamento dos créditos cuja homologação se pleiteia estaria, inequivocamente, respaldo pelo artigo 17, da Lei nº 11.033/04. O referido artigo 17 é expresso ao dispor acerca da possibilidade de aproveitamento dos "créditos vinculados a essas operações", ou seja, no caso do insumos utilizados na produção dos produtos colocados à venda nas condições elencadas pela Lei, não paira dúvida de que os valores despendidos em sua aquisição estão estritamente vinculados à operação de saída e, portanto, passíveis de gerarem o direito ao crédito presumido. Dessa forma, se esta C. DRJ manter o entendimento da Autoridade Fiscal local pela aplicabilidade da alíquota zero prevista nos artigos n°s 28, inciso V, da Lei n° 10.865/04 e 6°, do Decreto 5.171/04, o que não se espera —, a Recorrente teria o direito ao reconhecimento integral dos créditos contribuição ao PIS e da COFINS declarados, oriundos da apuração com fundamento no artigo 17, da Lei n° 11.033/04, que instituiu norma que rege o aproveitamento de créditos presumidos considerando tão somente a saída das mercadorias (venda) quando a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS estiver suspensa, se der à alíquota 0 (zero), for isenta ou, ainda, não incidir na operação por força de lei. No mais, tem-se, ainda, que, no caso de não reconhecimento dos créditos declarados, a Recorrente possui o direito à restituição dos valores pagos indevidamente a titulo de contribuição ao PIS e da COFINS, em razão da tributação equivocada de operação que seria sujeita à aliquota zero, cujo indébito correlato se encontra devidamente detalhado e comprovado nestes autos e deverá ser atestado/validado por esta C. DRJ. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto ao mérito do seu direito creditório. É o Relatório. Fl. 898DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.261 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.003972/2005-12 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. As glosas que restaram controversas no presente processo cingem-se aos créditos consignados pela contribuinte em seu Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, na rubrica Bens Utilizados como Insumo. Segundo consta do Termo de Verificação que serviu de fundamento para o ato que reconheceu em parte o crédito utilizado pela contribuinte em suas declarações de compensação, a glosa decorreria do disposto no §2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, conforme a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004. Transcrevo os artigos da Lei 10.833/2003, que repetem basicamente o que dispõe a Lei 10.637/2002, que tratam do creditamento de PIS e Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Segundo a fiscalização os insumos utilizados na fabricação dos produto vendidos pela recorrente estão sujeitos a alíquota zero de PIS/COFINS, conforme artigo 6º do Decreto, nº 5.171/04, in verbis: Art.6 o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda no mercado interno de aeronaves, classificadas na posição 88.02 da NCM, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matérias-primas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e montagem das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos. Assim, concluiu a fiscalização que o contribuinte adquire insumos com alíquota zero e pretende creditar-se do valor da aquisição dos mesmos, o que seria vedado pois esses insumos não estão sujeitos ao pagamento da contribuição. Fl. 899DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.261 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.003972/2005-12 A recorrente sustenta que, apesar do que preconizava os dispositivos legais transcritos acima, a receita dos insumos adquiridos foi regularmente tributada pela contribuição ao PIS e à COFINS, pois não foi aplicada a alíquota zero prevista no Decreto n° 5.171/04. Alega que tais insumos foram utilizados pela Recorrente em processos de industrialização por encomenda de peças utilizadas pela indústria aeronáutica, às quais não seria aplicável a redução a zero da alíquota da contribuição ao PIS e da COFINS, no período de junho/2005 a setembro/2005, conforme entendimento manifestado pela Receita Federal do Brasil. E, caso remanesça qualquer controvérsia quanto à não aplicabilidade da alíquota zero da contribuição ao PIS e da COFINS, pleiteia o aproveitamento dos créditos com respaldo no artigo 17, da Lei nº 11.033/04. A decisão recorrida, por sua vez, assim se manifestou: A contribuinte alega situação excepcionante consistente no fato de que alguns de seus fornecedores teriam tributado suas aquisições fazendo incidir alíquotas diferentes de zero, em contradição com a sistemática desenhada no Decreto nº 5.171, de 2004. De pronto, a sistemática de apuração de créditos aplicável às contribuições sociais sujeitas à não cumulatividade não se apega ao desconto entre o pago na operação anterior e o devido na operação seguinte, modelo adotado para a apuração do ICMS e do IPI. Diferentemente, no caso das contribuições, a apuração de créditos decorre da aplicação da alíquota própria sobre as aquisições do período cuja legislação permita a apuração de crédito, independentemente do quanto devido na operação anterior. Quer isso dizer que tenha ou não acontecido a incidência sobre os insumos quando de sua aquisição ou ainda, tenha a tributação ocorrido corretamente ou não, os créditos da não cumulatividade decorrem da autorização legal para apuração e utilização. No caso, em princípio, a contribuinte não poderia apurar créditos a partir dos insumos que adquiriu, conforme definido pela legislação acima transcrita. Nesse contexto, mesmo que se admitisse o pagamento de tributos indevidamente embutidos nos insumos que, pela legislação, estariam sujeitos à alíquota zero, a contribuinte não poderia invocar um pretenso crédito na apuração da contribuição devida. De toda a forma, ao contrário do que pretende a interessada, os documentos fiscais apresentados à fiscalização durante o procedimento de auditoria dos créditos são incapazes de sustentar a sua tese. Primeiro, porque alguns deles trazem aposto carimbo indicando que, nos termos do Decreto 5.171, de 2004, as contribuições incidiram à alíquota zero. Nesse caso, explicita-se a impossibilidade de apuração de créditos. Segundo, porque os documentos fiscais que não trazem tal carimbo nada mais comprovam do que a realização da operação que, por determinação da legislação tributária, estaria submetida à alíquota zero, com os mesmos efeitos da primeira situação. A exceção alegada pela contribuinte não é provada pela simples ausência do citado carimbo, na linha de raciocínio de que a ausência de evidência não é evidência da ausência. A prova buscada pela contribuinte haveria de ser reforçada por outros documentos fiscais e contábeis. Por outro lado, embora fosse o momento processual por excelência para fazêlo, nada foi trazido por ocasião da Manifestação de Inconformidade que pudesse demonstrar a exceção que, alegada pela interessada, pudesse levar à admissão de seus créditos. Aqui é importante frisar que, no âmbito das operações de compensação, a prova de que os créditos utilizados para a extinção dos débitos confessados cabe à contribuinte. Com efeito, ao indicar em sua declaração de compensação que dispunha de crédito oponível à Fazenda para extinguir seus débitos, a contribuinte assume a Fl. 900DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.261 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.003972/2005-12 responsabilidade por demonstrar que aquele crédito existe. Em contraste com os casos de lançamento de ofício, em que o ônus principal da prova é da autoridade fiscal, nos casos de compensação essa obrigação se transfere para a contribuinte que materializa a extinção de débitos pela via da compensação. Primeiramente, entendo que não assiste razão à recorrente quanto ao ônus da prova. Nos pedidos de ressarcimento/compensação, o ônus de provar a certeza e liquidez do valor pleiteado/compensado é do reclamante, neste caso, do contribuinte. As normas legais, a Lei nº 13.105/2015 (novo CPC), art. 373, inciso I, e a Lei nº 9.784/1999, art. 36, preveem que cabe ao interessado provar os fatos que alega. No mérito, verifico que no caso dos insumos utilizados na fabricação dos produtos vendidos pela recorrente sujeitos a alíquota zero de PIS/COFINS, conforme artigo 6º do Decreto, nº 5.171/04, não há direito a crédito, por expressa vedação legal, pois, consoante o art. 3o , §2º, II das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 10.865/04, dispõem expressamente que não dará direito a crédito, o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Desta forma, quanto aos insumos utilizados na fabricação dos produtos elencados no artigo 6º do Decreto, nº 5.171/04, a contribuinte não poderá se creditar, para fins de apuração do PIS e da Cofins não-cumulativa, dos custos de aquisição dos referidos insumos. Em relação às alegações da recorrente de que não seria aplicável, no caso, a redução a zero da alíquota da contribuição ao PIS e da COFINS com base nos dispositivos legais citados, a recorrente não se desincumbiu de comprová-las. Pelo contrário, os documentos fiscais apresentados à fiscalização durante o procedimento de auditoria dos créditos e acostados aos autos são incapazes de sustentar a sua tese. Quanto ao mencionado art. 17 da Lei n° 11.033/04, oportuna sua transcrição: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Conforme se verifica, tal regra aplica-se aos casos de vendas desoneradas das contribuições, porém, em cuja aquisição haja sido pago PIS e Cofins, o que não é o caso da recorrente. Quanto ao pedido de diligência da requerente, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Fl. 901DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-000.261 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.003972/2005-12 Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Assim, por não restar comprovado que os insumos utilizados na fabricação dos produtos vendidos pela recorrente não se enquadravam no disposto na legislação tributária que prevê a redução a zero da alíquota da contribuição ao PIS e da COFINS, sendo tributados pela contribuição, bem como pela falta de liquidez e certeza quanto ao crédito pleiteado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se a glosa em relação a matéria. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.901714/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para: a) a Unidade Preparadora intimar a contribuinte a elaborar relatório em 90 dias, prorrogável por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referentes ao seu processo produtivo; b) a Autoridade Fiscal se manifestar sobre o relatório da contribuinte e laudos técnicos, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018; c) a Unidade Preparadora dar ciência à contribuinte sobre a manifestação fiscal para, querendo, manifestar-se no prazo de 30 dias; e d) após a adoção das ações anteriores, a Unidade Preparadora devolver os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para: a) a Unidade Preparadora intimar a contribuinte a elaborar relatório em 90 dias, prorrogável por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referentes ao seu processo produtivo; b) a Autoridade Fiscal se manifestar sobre o relatório da contribuinte e laudos técnicos, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018; c) a Unidade Preparadora dar ciência à contribuinte sobre a manifestação fiscal para, querendo, manifestar-se no prazo de 30 dias; e d) após a adoção das ações anteriores, a Unidade Preparadora devolver os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para: a) a Unidade Preparadora intimar a contribuinte a elaborar relatório em 90 dias, prorrogável por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referentes ao seu processo produtivo; b) a Autoridade Fiscal se manifestar sobre o relatório da contribuinte e laudos técnicos, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018; c) a Unidade Preparadora dar ciência à contribuinte sobre a manifestação fiscal para, querendo, manifestarse no prazo de 30 dias; e d) após a adoção das ações anteriores, a Unidade Preparadora devolver os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por expor adequadamente os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância, ao qual farei as necessárias complementações. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .9 01 71 4/ 20 12 -1 9 Fl. 3150DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.151 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra indeferimento de Pedido de Ressarcimento cumulado com Declarações de Compensação (PER/DCOMP) cujos créditos são relativos à Cofins não cumulativa, vinculados a receitas obtidas no mercado externo. No Despacho Decisório, assinado digitalmente em 21/09/2016, o AuditorFiscal relata como se desenvolveram os trabalhos do procedimento fiscal; informa que durante a diligência fiscal o contribuinte original, VOTORANTIM METAIS S.A, foi incorporado pela COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMÍNIO; que paralelamente às informações prestadas pelo contribuinte foram baixados arquivos de notas fiscais eletrônicas (Sped NFe), Sped Contábil e SpedContribuições junto ao servidor “ReceitanetBX”, e também foram usados como fontes de informações o portal da Nota Fiscal Eletrônica e DWAduaneiro. Comenta que na atividade do contribuinte, de metalurgia, os principais produtos comercializados no ano 2011, considerandose o volume das vendas informadas, foram níquel eletrolítico, matte de níquel, cobalto e ácido sulfúrico, e as principais etapas da produção são a lavra (extração do minério nas minas), o beneficiamento (do minério concentrado para obtenção do matte de níquel) e a fundição (produção do níquel eletrolítico), enquanto os principais insumos utilizados, considerandose o volume dos custos de aquisição informados, foram minério de níquel sulfetado, óleo combustível, coque de petróleo, níquel concentrado e amônia anidra. No tópico FUNDAMENTAÇÃO LEGAL trata das regras dos créditos do regime nãocumulativo do PIS e Cofins à luz das Leis nºs 10.637, de 2002, 10.833, de 2003, alteradas pelas Leis nºs 11.033, de 2004, e 11.116, de 2005 (transcreve os arts. 17 e 16 destas duas últimas), e interpreta: 16. Diante do exposto, concluise que as únicas hipóteses legais de utilização do saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS na compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB ou no ressarcimento desses créditos relacionamse às seguintes situações: Créditos vinculados a receitas decorrentes de operações de exportação de mercadorias para o exterior, nos termos do art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.637/02, e do art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.833/03; Saldo credor acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário nos termos do art. 16, inciso II, da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, em razão do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que assegura a manutenção de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativos e para o COFINS. 17. Poderão, ainda, ser objeto de compensação os créditos decorrentes de aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833/03, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1° de abril de 2005. Cabe ressaltar que os créditos decorrentes de aquisições de embalagens para revenda não são passíveis de ressarcimento, a legislação permite apenas sua utilização na compensação com outros tributos. 18. Regra geral posta pela legislação é de que os créditos do PIS/Pasep e da COFINS somente podem ser utilizados para dedução de débitos da mesma contribuição, apenas sendo permitido a compensação e o ressarcimento em casos excepcionais. Fl. 3151DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.152 3 19. A legislação que permite o ressarcimento e a compensação dos créditos de PIS/Pasep e COFINS, apurados na forma do art. 3° das Leis 10.637/02 e 10.833/03, prevê uma ordem para a utilização de tais créditos. 20. Dispõem as leis no art. 5º, § 1°, incisos I e II da Lei 10.637/02 e art. 6°, § 1°, incisos I e II da lei 10.833/03, respectivamente, que o crédito apurado na forma do art. 3° dessas leis, poderá ser aproveitado, devendo sua utilização ocorrer na seguinte ordem: 1° dedução de débitos da mesma contribuição; 2° compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 21. Por fim, o § 2° do art. 5° da Lei 10.637/02 e o § 2° do art. 6° da Lei 10.833/03 dispõem, como última forma de utilização dos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, o ressarcimento em espécie. 22. A Lei ainda determinou que fosse observada a legislação específica da matéria. Em consonância à lei, a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, posteriormente, a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, dispõem sobre o Ressarcimento, Restituição e Compensação de tributos administrados pela RFB. 23. Importante consignar que as regras que versam sobre o crédito do PIS/Pasep e da COFINS não cumulativos, pela natureza exoneratória, representam uma exceção à regra geral de tributação, devendo ser interpretadas de modo literal, restritamente, porquanto compreendem um incentivo fiscal ou benefício fiscal implementado pelo Estado. Esse princípio está expressamente inserido na Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172/66, em seus artigos 111 e 176. Continua com o tópico ANÁLISE DOS CRÉDITOS, onde considera: 27. (...) verificouse que o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos de determinadas rubricas do DACON, itens cuja natureza está relacionada a rubrica diversa. Como exemplo, temos o caso da linha Serviços Utilizados como Insumos, em que o contribuinte incluiu itens que se referem a Frete na Operação de Venda, Aluguéis de Máquinas e Equipamentos, Despesas de Energia Elétrica, que têm suas linhas próprias de apuração. Tal procedimento ocasionou maior dificuldade na aplicação dos procedimentos de auditoria fiscal. Entretanto, quando puderam ser identificados corretamente, créditos erroneamente alocados foram considerados validados, em atenção aos princípios da economia processual e verdade material. 28. A partir da consolidação das informações declaradas mensalmente nos DACON, verificase que os créditos pleiteados para o ano de 2011 tiveram por base as seguintes rubricas: Bens para revenda Bens utilizados como insumos Serviços utilizados como insumos Despesas de Energia Elétrica Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de PJ Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de PJ Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Sobre bens do Ativo Imobilizado (com base nos encargos de depreciação) Fl. 3152DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.153 4 Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias Devoluções de Vendas Ajustes Positivos e Negativos de Crédito (...) 30. A análise dos créditos para cada uma das rubricas acima teve por base os memoriais de cálculo apresentados pelo contribuinte para o ano de 2011, contidos nas planilhas eletrônicas em arquivo Excel, anexo à fl. 1.091, doravante referidas como planilhas apresentadas pelo contribuinte. As informações contidas nas planilhas foram ainda cruzadas e verificadas com informações trazidas dos sistemas da RFB e dos portais da NFe, dentre outros. 31. Consignese que a rubrica “Bens para revenda” é a única que contem itens adquiridos no mercado externo, estando seus valores, portanto, inseridos nas fichas 06B/16B do DACON. Já as demais rubricas apresentam valores somente nas fichas 06A/16A do DACON. 32. Como resultado da análise de cada uma das rubricas, quando houve glosa, foram elaborados novos arquivos Excel, separandose em diferentes planilhas os itens validados dos que foram glosados. Nos casos em que a rubrica teve itens que foram validados parcialmente, uma terceira planilha contendoos foi montada para facilitar a compreensão. Assim, os novos arquivos em Excel, anexos às fls. 1.951 a 1.956, contêm as seguintes planilhas: Resumo Créditos: tabela com resumo mensal das bases de cálculo dos itens pleiteados e itens validados. Pleiteados: planilha com todos os itens originais apresentados pelo contribuinte e extraídos das planilhas apresentadas pelo contribuinte. Validados: contém os itens que foram validados na análise de auditoria. Valid Parc: contem itens cujos valores foram validados parcialmente (para alguns casos). Glosados: planilha com itens que tiveram seus valores totalmente glosados, segundo a razão apresentada na coluna “Motivo da Glosa”. Em seguida cuida das glosas que resultaram no indeferimento, tudo conforme os tópicos a seguir do Despacho Decisório. Bens Para Revenda (linha 01): glosados os valores relativos a importações em períodos posteriores (anos de 2012 e 2013). Bens Utilizados como Insumos (linha 02): glosa subdividida em três tipos: bens e serviços que reflitam indiretamente na fabricação do produto final, por considerar a fiscalização que somente geram créditos as “aquisições de insumos aplicados ou consumidos em razão de ação diretamente exercida sobre o bem fabricado ou produzido destinado à venda, sejam matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagens ou outros insumos que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda das propriedades físicas ou químicas”. A fiscalização explicou, mencionando o art. 66 da IN SRF nº 247, de 2002, o art. 8º da IN SRF nº 404, de 2004, Fl. 3153DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.154 5 e as Soluções de Consulta nºs 415, da SRRF08/Disit, de 23 de novembro de 2009 e 36 – SRRF07/Disit, de 24 de março de 2010, : 46. No caso da empresa contribuinte em questão, anteriormente ao beneficiamento e fabricação do produto final, existe a etapa que compreende a detonação das minas, a extração do minério (insumo) e seu transporte até os estabelecimentos da empresa. Assim, anteriormente à etapa de industrialização, há a fase obtenção do insumo. 47. Os bens e serviços, adquiridos para essa fase de obtenção do minério, não se configuram como insumos, conforme o conceito acima explicado, mas se tratam de despesas indiretas, utilizadas para obtenção de seu principal insumo, o minério, e dessa forma, não podem gerar direito a crédito. (...) 49. Pelo exposto, valores constantes das planilhas apresentadas pelo contribuinte e referentes a itens como explosivos, pneus, partes e peças de veículos e máquinas utilizados nas minas foram glosados do cálculo dos créditos; partes e peças de manutenção que, ainda que integrem máquinas/equipamentos usados no processo produtivo, não se desgastam ou danificam em razão de ação diretamente exercida sobre o bem em fabricação/produção. Explicou, mencionando a Solução de Consulta nº 76 – Cosit, de 23 de março de 2015: 51. Assim, fica claro que numa máquina/equipamento existem algumas partes/peças que sofrem ação direta sobre o produto em fabricação, se desgastando em razão desta ação; já as outras se desgastam simplesmente com o passar do tempo, em função do próprio funcionamento da máquina. Daí porque, aquelas primeiras, quando adquiridas para reposição, são consideradas como insumo segundo o conceito acima e geram direito a crédito, e estas últimas, a contrario sensu, não. 52. Dentre os itens glosados nesse sentido encontramos rotores, rolamentos, motores, placas, parafusos, porcas, arruelas, abraçadeiras, barras de cobre, etc. aquisições de bens não sujeitos ao pagamento do PIS/Pasep e da COFINS, como óleo diesel (monofásico), gás GLP (monofásico) e minério Mirabela (drawback), em face do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Serviços Utilizados como Insumos (Linha 03): depois de reapresentada pelo contribuinte a planilha desta rubrica, com classificação por tipo de serviços, a fiscalização glosou “itens relativos a serviços de limpeza, de consultoria, de análise, aluguel de veículos, dentre outros, por não haver previsão legal expressa e não se enquadrarem no conceito de insumo.” O AuditorFiscal informa o seguinte: 59. Verificase que parte dos itens presentes nas planilhas de serviços utilizados como insumos, foram indevidamente incluídos nessa rubrica, pois na realidade tratamse de aquisições que se relacionam a fretes sobre vendas, aluguéis de máquinas/equipamentos, despesas com energia elétrica, etc., dificultando muito a análise. Entretanto, embora alocados erroneamente, tais itens, quando efetivamente possível, foram validados dentro da própria rubrica Serviços Utilizados como Insumos, considerando o princípio da economia processual e verdade material. Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.155 6 (...) 62. Os valores relativos a frete de venda e a frete de compra foram aceitos, tendo em vista que, embora somente não haja previsão expressa para o crédito relativo a “frete na operação de venda”, na compra de bens, o frete, quando pago pelo adquirente, consoante a boa técnica contábil, integra o custo de aquisição desses bens, o que está consagrado no art. 289, § 1º, do RIR/1999 (“o custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte”). Assim, poderá o valor do frete compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS/Pasep e da COFINS não cumulativos, uma vez que o frete integra o custo de aquisição das mercadorias. 63. Já os itens relativos aos serviços que foram identificados pelo contribuinte como fretes de entrada, de transferência e internos, foram considerados pela fiscalização como fretes intercompany, para os quais não há previsão legal para direito a crédito, conforme explicado nos parágrafos 86 a 92 adiante. 64. Outros itens glosados referemse a serviços de manutenção, conserto ou reparo, que não sejam aplicados em máquinas/equipamentos diretamente utilizados na produção de bens destinados a venda. Por exemplo, valores relativos a manutenção de máquinas utilizadas nas minas, retroescavadeiras, smartmine, equipamentos de perfuração e veículos usados no transporte do minério até os estabelecimentos industriais, também foram glosados por ser relacionarem a fase de obtenção do insumo, como explicado nos parágrafos 46 a 48. 65. Os itens relativos a alugueis de máquinas/equipamentos, indevidamente alocados na rubrica em comento, foram alguns validados totalmente, enquanto outros apenas parcialmente, tendo em vista que, para estes, foi glosada a parte dos valores constantes das notas fiscais apresentadas e que se referiam a serviços de mãodeobra. Note que a legislação nos incisos IV dos art. 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 permite obter crédito de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, não havendo previsão legal para aluguel com mãodeobra. Despesas com Energia Elétrica (Linha 04): glosados valores que não se referem a energia elétrica, “e sim a outros serviços, como manutenção nas linhas e outros itens não minimamente identificados, não podendo gerar direito a crédito por falta de previsão legal”, a outros itens, “em razão dos valores pleiteados para base de cálculo dos créditos serem superiores aos valores nas notas ficais/faturas apresentadas pelo contribuinte (fls. 1.358 a 1.451 e fls. 1.595 a 1.602). Inclusive alguns itens pleiteados incluíam indevidamente em sua base de cálculo o valor do ICMS substituição tributária, o qual foi subtraído dos valores respectivos, por não integrarem o custo de aquisição.” Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica (Linha 05): glosa integral, porque “Após intimação, o Interessado apresentou planilha contendo apenas um item, referente ao mês março/2011, para demonstrar os valores desta rubrica, não havendo nela qualquer menção a qual seria o imóvel e o locador, ou seja, ausentes as informações básicas para possibilitar a verificação do direito ao crédito”. A fiscalização empregou aqui o art. 76 da IN RFB nº 1.300, de 2012, considerando não ter sido comprovado o direito creditório. Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.156 7 Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de PJ (linha 06): glosa parcial, parte “tendo em vista que parte dos valores constantes das notas fiscais apresentadas não se referem a aluguel de máquinas ou equipamentos, mas são pagamentos relativos à mãodeobra fornecida ao contribuinte”; parte relativa a aluguéis de veículos, tratores e caminhões (estes dois classificados como veículos pela fiscalização haja vista o art. 2º, III, da Lei nº 9.729, de 1979), “posto que não há previsão legal para apuração de crédito sobre tais itens, de acordo com a Solução de Consulta nº 1 – Cosit, de 2 de janeiro de 2014”; e ainda “outros itens que não continham informações básicas sobre o equipamento locado ou não continham nem o fornecedor nem o documento fiscal, ou este não foi apresentado.”. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Linha 07): glosa integral, porque “alguns itens constantes das planilhas apresentadas pelo contribuinte se referem simplesmente a serviços de transporte para descarte de escórias e cinzas”, enquanto outros não tiveram apresentadas pelo contribuinte a nota fiscal ou se referem a itens duplicados, que já constavam da planilha de Serviços Utilizados como Insumos. A fiscalização observa que muitos itens que deveriam constar nessa rubrica foram indevidamente alocados pelo contribuinte na planilha de Serviços Utilizados como Insumos e lá já foram devidamente analisados, conforme descrito nos itens 62 e 63. Sobre Bens do Ativo Imobilizado com base nos encargos de Depreciação (Linha 09) e Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias (Linha 11): glosa integral, por falta de detalhamento. O AuditorFiscal afirma: 98. O contribuinte foi intimado em 13/04/2016, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal e Intimação Fiscal, em seus itens 9 e 11, a apresentar as planilhas com o detalhamento do memorial de cálculo para as duas rubricas em questão, contendo itens como: Mês em que o valor foi apropriado; Nome e CNPJ do fornecedor; Número e data de emissão da nota fiscal; Descrição ou serviço do bem adquirido; Valor da depreciação ou amortização mensal considerada; Identificação se o bem é utilizado no processo produtivo ou nas demais atividades Endereço do imóvel onde foi feita a benfeitoria Identificar se o imóvel é próprio ou de terceiros 99. Entretanto, após ainda deferida prorrogação de prazo para atendimento, nas planilhas apresentadas pelo contribuinte em resposta não consta a maioria das informações acima solicitadas. 100. Observese que o contribuinte foi intimado a reapresentar as planilhas corretamente, sendo que apenas se fez solicitar prorrogações de prazo, informando ter dificuldade em apresentação das informações para a totalidade dos itens, tudo conforme consta do Termo de Indeferimento de Pedido, de fls. 1.580 e 1.581. Devoluções de Vendas (Linha 12): todos os créditos desta rubrica foram reconhecidos. Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.157 8 Ajustes Positivos de Créditos (Linha 22): glosa integral, porque os itens alocados sob a rubrica em questão se referem a créditos extemporâneos que o contribuinte deixou de apurar em períodos anteriores (anos 2005 a 2010) e tais créditos “somente podem ser pleiteados desde que obedeçam ao prazo prescricional de 5 (cinco) anos e seja efetuado por meio de DACON retificador no período correto”. Sobre a necessidade da retificação, menciona a Solução de Consulta nº 87 – SRRF09/Disit, de 25 de março de 2009. Ao final a fiscalização informa que s valores de receita de vendas apurados pelo contribuinte estão condizentes com nos DACON mensais e na DIPJ do referido ano calendário e com os valores de PIS/Pasep e COFINS devidos; a proporcionalidade entre os tipos de receita (tributada no mercado interno, não tributada e de exportação) foi verificada, validandose os rateios proporcionais utilizados pelo contribuinte para vinculação dos créditos; não há saldo inicial de crédito de períodos anteriores, a ser considerado para o cálculo do mês de janeiro de 2011, conforme verificado nas análises dos pedidos de ressarcimento do 4º trimestre de 2010, realizadas nos processos administrativos de nº 10665.901720/201276 (para o PIS/Pasep) e de nº 10665.901721/201211 (para a COFINS). Na Manifestação de Inconformidade, tempestiva (fl. 2815), a contribuinte, apesar de requerer a “reforma integral” da decisão recorrida, não trata das glosas relativas aos seguintes itens: Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica (Linha 05), Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de PJ (linha 06), Devoluções de Vendas (Linha 12) e Ajustes Positivos de Créditos (Linha 22). Depois de sintetizar os fatos do Despacho Decisório, contesta as demais rubricas alegando basicamente o que segue. 03. DO ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS GLOSADOS PELA DECISÃO IMPUGNADA: afirma que o Auditor Fiscal “deve verificar item a item elencado em cada nota fiscal, e não simplesmente analisar a nota fiscal como um todo, uma vez que esta conduta simplificada do fiscal representou, para a Impugnante, a glosa de produtos que certamente lhe assegurariam o registro do crédito e que sequer foram analisados.” Referese, a titulo exemplificativo, às Notas Fiscais nºs 19.183 e 46.813, emitidas respectivamente pelos fornecedores LIEBHEER Brasil Guindastes e Hidrau Torque Indústria e Comércio, e a aquisições constantes delas (“garfo LIEBHEER 4007” e TORCA 4K0367 CATERPI”), e alega que os demais itens desses dois documentos fiscais não foram analisados pela fiscalização, finalizando esse tópico assim: Demonstrada de forma exemplificativa o erro no cálculo dos créditos glosados (planilha completa doc. 04), a decisão recorrida deve ser reformada a fim de reduzir o valor da glosa ao item específico que foi glosado dentro de cada nota fiscal, reconhecendo a legitimidade do crédito dos demais itens que não foram objeto de glosa por parte do fiscal. 04. DA NÃO CUMULATIVIDADE DA COFINS: trata do regime não cumulativo do PIS e Cofins, se referindo à legislação constitucional e infraconstitucional e ainda às Instruções Normativas SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004 e Solução de Consulta sobre a definição de insumo. Afirma que a legislação das duas Contribuições adotou o denominado método indireto subtrativo apropriação de créditos sobre determinados custos e despesas (inputs – insumos), com aplicação da mesma alíquota sobre as receitas auferidas (outputs), menciona doutrina de Marco Aurélio Greco e defende que “a interpretação autêntica da legislação de regência do PIS e da COFINS tem de privilegiar o entendimento segundo o qual há o aproveitamento de créditos das aludidas contribuições sobre todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita”. Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.158 9 05. DO CONCEITO DE INSUMOS NA LEGISLAÇÃO DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS: continua a tratar dos créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins e, interpretando o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, com apoio da jurisprudência do CARF e do STJ que menciona afasta a legislação do IPI e a interpretação restritiva dada pela Receita Federal dada das IN SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, defendendo que na definição de insumo devem ser computadas todas as despesas essenciais ao funcionamento ou manutenção do fator de produção. 06. DOS CRÉDITOS DOS PRODUTOS IMPORTADOS PARA REVENDA: alega que, apesar de os produtos terem ingressados no território brasileiro em 2012 e 2013, dão direito a crédito porque fez o adiantamento ao vendedor no exterior. Considera que a expressão “adquiridos no mês”, constante do inc. I do parágrafo 1º do art. 3º da Lei n° 10.833, de 2003, não é tão clara, mas a dúvida foi esclarecida nas Perguntas Frequentes da EFDContribuições, da qual transcreve a Pergunta 61, e finaliza este tópico assim: Logo, a própria Receita Federal estabelece que cabe ao contribuinte definir o momento da aquisição, sendo certo que é determinante que tenha ocorrido o pagamento pela mercadoria adquirida, exatamente como se tem no presente caso, quando a Impugnante pagou antecipadamente pela aquisição dos produtos importados. Destarte, é de rigor o reconhecimento dos créditos glosados indevidamente pela decisão ora recorrida. 07.1. DOS CRÉDITOS DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – Do Processo Industrial Integrado da Impugnante: no subtópico 07.1 a contribuinte trata, inicialmente, do seu processo industrial, com destaque para a etapa da obtenção do insumo (fase anterior à industrialização e que compreende a detonação das minas, a extração do minério e seu transporte até o estabelecimento industrial). Argui que deve ser permitido “o aproveitamento destes créditos, tendo em vista que o processo produtivo da Impugnante é integrado, composto por diversas etapas, iniciandose com a extração do minério, seu beneficiamento, e só então é remetido e aplicado na planta produtora de níquel”, que é “indevida a segregação realizada pela fiscalização” e que “os bens e serviços relativos à exploração das minas compõem e são indispensáveis à atividade industrial da Impugnante.” Explica: Nesta primeira etapa de produção estão compreendidos os bens e serviços utilizados a partir do desmonte da rocha, inclusive a movimentação do minério do local da extração ate a unidade de beneficiamento. Neste diapasão, são consumidos uma série de produtos, como broca, haste, manto (correia transportadora), chapa de desgaste, óleo diesel, tela de peneira, filtro, bola de moinho, amido, amina/soda cáustica, dentre outros, consumidos na lavra, na movimentação do material e no beneficiamento, além do material de reposição, faróis, lanternas, engates, etc, utilizados em veículos como os das fotos abaixo: (...) Como a Impugnante terá o minério se não tiver caminhões ou esteiras para levar o minério da jazida até a fábrica? Como estes caminhões rodarão sem os pneus? (...) Da mesma forma, como a Impugnante pode obter o minério se não dinamitar a rocha bruta para obter pedaços menores a fim de leválos ate a fabrica? Fl. 3158DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.159 10 Feita a breve explanação, a Impugnante passara a demonstrar a necessidade de utilização dos bens cujos créditos de PIS foram glosados no seu processo produtivo, eis que se trata de processo industrial integrado, e sem estes o contribuinte não teria como realizar a sua atividade econômica principal, qual seja, a venda de níquel. Os explosivos são essenciais para promover a extração do minério da rocha e possibilitar o seu manuseio e utilização. Da mesma forma, as partes e pecas (pneus, rolamentos, faróis, lanternas, limpadores de Párabrisa, engates, etc.), que são utilizadas e consumidas nos caminhões fora de estrada, que realizam a movimentação da rocha ate a área de estocagem e o seu transporte ate a planta de beneficiamento. A própria Receita Federal, na Solução de Consulta no 39 SRRF/6a RF/Disit, de 22 de abril de 2009, confirma o entendimento de que os bens empregados na exploração de minério conferem o direito ao credito de PIS e COFINS, in verbis: (...) Desta forma, tratandose de processo integrado, os bens e serviços utilizados na extração do minério, que vai do desmonte da rocha ate a fase de estocagem, inclusive a movimentação do minério do local da extração ate o beneficiamento, devem conceder o direito ao crédito (...). Importante destacar que, caso a Impugnante adquirisse o minério de um terceiro, com ou sem beneficiamento, faria jus ao credito do bem adquirido e do frete, eis que haveria compra e transporte a partir de seu vendedor, sem qualquer oposição da autoridade fazendária. O fato da Impugnante ter o processo de produção integrado, realizando todas as atividades essenciais dentro de uma mesma pessoa jurídica ou dentro de um mesmo CNPJ não e fundamento econômico ou jurídico para decidir que os itens utilizados/consumidos na etapa de extração mineral não asseguraria o direito ao credito. Assim sendo, deve ser reformado o r. despacho ora recorrido, a fim de que todos os bens e serviços utilizados como insumos na etapa que tem inicio com o desmonte da rocha ou remoção de estéril ate a fase de estocagem, inclusive a movimentação do minério do local da extração ate o beneficiamento ou estocagem, tenha o direito ao credito de PIS reconhecido. Em seguida, no restante do subtópico 07.1, cuida de per si dos diversos insumos dessa etapa da mineração. 07.2 Dos créditos relativos ao frete interno: considerando que “os fretes internos de transferência do níquel da unidade industrial da Impugnante em Niquelândia/GO para a sua unidade no bairro de São Miguel Paulista em São Paulo/SP, foram glosados pelo simples fato de não haver previsão legal para a transferência interna de insumos”, defende o crédito relativo a essa espécie de fretes. Argui “tal transporte está inserido no processo produtivo integrado da Impugnante e para que seja transformado no produto final comercializado pela Impugnante precisa ser transportado de uma unidade da Impugnante para outra que detém as técnicas e aparelhagens competentes para o seu refinamento.” Reportase ao Laudo nº 20130322, de autoria do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 07, do qual menciona a fl. 7), “onde se verifica que o carbonato de níquel é produzido a partir do minério laterítico de níquel na unidade industrial da Impugnante em Niquelândia/GO, e que referido carbonato é transportado para a unidade de São Miguel Paulista em São Paulo/SP, onde o cobalto residual é separado do níquel, por um processo denominado extração de solventes. Após esta extração as soluções ricas em Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.160 11 níquel e em cobalto são purificadas e enviadas às células eletrolíticas, onde catodos de níquel e de cobalto metálico são obtidos, verificase pois, que se trata de várias etapas de um mesmo processo produtivo.” Conclui, então, que “sem o transporte do níquel da unidade de Niquelândia/GO para a unidade de São Miguel Paulista em São Paulo/SP, todo o processo de industrialização deste minério não seria possível, visto que cada uma das unidades tem suas funções específicas, com aparelhos e técnicos especializados, conforme didaticamente listado” na citada fl. 9. Considera que é tão comum a atividade de transporte de produtos internamente, como se dá com o níquel, que o CARF reconhece a possibilidade de creditamento do PIS e da COFINS nos casos em que haja o transporte de insumos, ainda que tal transporte seja entre estabelecimentos da mesma empresa, mencionando os Acórdãos nºs 3401002.075 (no qual fui designado relator para a matéria ora em debate, quando atuava no CARF) e 330100.424. Também menciona Parecer de Marco Aurélio Greco, que classifica os serviços de transporte como insumo para fins de crédito de PIS e COFINS, e finaliza o tópico afirmando ser “patente a necessidade de reforma do despacho que glosou os créditos de COFINS referente ao frete de transferência do níquel, principal insumo da Impugnante”. 07.3 Dos créditos relativos ao frete na aquisição de produtos (frete de compra): observa que o AuditorFiscal admite créditos em frete de compra, mas considera que ele não adotou um posicionamento linear porque validou os de alguns materiais e glosou outros, como se vê na Tabela de Serviços Insumos 2011 (exemplifica com a aquisição de “amônia anidra PA”, reproduzindo parte da referida Tabela, com destaques). Indo além dessa inconsistência apontada, defende que, mesmo quando os produtos transportados não ensejem o direito ao crédito, o frete relacionado a tais produtos é passível de creditamento. Para o contribuinte, é o que acontece com o frete do transporte de gasolina e óleo diesel quando destinados à revenda, por exemplo, em que o CARF já reconheceu por diversas vezes que ainda que o adquirente comerciante intermediário não possa ter direito ao crédito referente ao combustível que será revendido, o valor do frete dará direito ao crédito (menciona o Acórdão nº 3402 002.896). Apresenta a tabela Apresenta tabela com Notas Fiscais, materiais e bases de cálculos dos créditos cuja glosa defende seja revertida (fls. 2703/2704), visando demonstrar que “os produtos como coque da caldeira, amônia anidra PA, coque petróleo a granel, carbonato de níquel, ácido sulfúrico e o sulfeto sódico, por exemplo, são insumos adquiridos e têm o frete suportado pela Impugnante.” Reportase à fl. 7 do Laudo n° 131008 do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc 08), às fls. 6 e 7 do Parecer Técnico n° 100608 do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 09) e fls. 9 do Laudo n° 20130322 do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 07), e trata dos seguintes insumos empregados no seu processo produtivo: coque da caldeira e o coque petróleo a granel, utilizados para a secagem e a redução do minério; Fl. 3160DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.161 12 amônia anidra PA, sulfeto sódico e ácido sulfúrico, que “também são insumos essenciais ao processo produtivo da Impugnante, uma vez que utilizados nos processos de lixiviação, decantação e tratamento de água”; e carbonato de níquel, “utilizado no processo produtivo do níquel metálico, e consoante detalhado no item referente ao direito ao crédito do frete interno, sendo o principal insumo adquirido pela Impugnante.” 07.4 Dos créditos relativos ao transporte e descarte e movimentações diversas: na linha do quanto exposto nos dois tópicos anteriores, de que o frete de compra ou de entrada e de transferência dão direito ao crédito, argui que o próprio serviço de transporte para o descarte de cinzas e transportes de diversos insumos também dão o direito ao crédito, por fazerem efetivamente parte do processo produtivo da Impugnante. Apresenta tabela com Notas Fiscais, materiais e bases de cálculos dos créditos cuja glosa defende seja revertida e se reporta às fls. 46 a 49 do Laudo 2014 07 155 VM Ni do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 10), informando que “as empilhadeiras, pás carregadeiras e caminhões, por exemplo, são utilizadas para movimentar os minérios pelo setor produtivo da Impugnante” e concluindo: Verificase, portanto, que o serviço de transporte de materiais, seja para manter o próprio fluxo dos minérios inerentes à atividade da Impugnante, seja para descarte, é estritamente necessário e considerase verdadeiramente como insumo do processo produtivo. 07.5 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de óleo diesel e gás GLP: levando em conta que a fiscalização glosou óleo diesel e gás “sob o pretenso fundamento de que tais produtos foram adquiridos com alíquota zero” (o Despacho Decisório informa que esses dois produtos são submetidos à incidência monofásica e menciona o inc. II do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), o contribuinte defende o crédito se baseando no art. 3º, II, das mesmas Leis. Transcreve este dispositivo e argumenta: Note que o dispositivo acima não condicionou o direito ao crédito a que tais itens tivessem seu recolhimento realizado no método regular de apuração das contribuições. Tratase de regra específica, que afasta a norma geral aplicável às demais hipóteses, qual seja, a vedação ao crédito quando a operação decorrente da venda não sofra incidência das contribuições. Tal interpretação é mandatória visto que, quando da publicação das Leis n+s 10.637/2002 e 10.833/2003 instituidoras da sistemática não cumulativa para o PIS e a COFINS, as contribuições incidentes sobre as receitas de venda desses produtos já era calculada adotandose o método monofásico. Com efeito, a Lei nº 9.990, publicada em 21 de julho de 2000, instituiu a cobrança concentrada nos produtos e importadores das contribuições incidentes na cadeia de comercialização de derivados de petróleo. Ao longo dos anos, as alíquotas sofreram diversas alterações, sendo sempre mantida a metodologia de apuração e pagamento. Atualmente, o art. 4+ da Lei n+ 9.718/98, tem a seguinte redação, dada pela Lei n+ 10.865/2004, in verbis: (...) Neste contexto e considerando que a lei não contempla palavras inúteis, forçoso o entendimento de que combustíveis derivados de petróleo consumidos no processo produtivo de bens destinados à venda asseguram o direito ao crédito das contribuições, ainda que sua apuração ocorra de forma concentrada. Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.162 13 Menciona as SC nº 89, de 30 de abri de 2012, e 351, de 28 de setembro de 2007, esta última interpretando que na hipótese de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica para revenda é vedado o desconto de créditos, e afirma: Depreendese que outra é a situação da Impugnante. A Impugnante não adquire óleo diesel e gás GLP para revenda, e desta forma, no presente caso, equivocado o entendimento da fiscalização e não é possível a adoção do entendimento consubstanciado na solução de consulta acima transcrita, bem como as decisões do CARF que negam o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos para distribuidoras e revendedores. Ao contrário, restou demonstrado que o combustível e o GLP são consumidos no processo produtivo desenvolvido pela Impugnante e desta forma, o direito ao crédito das contribuições lhe é assegurado, na forma do item II, do art. 3o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Acrescese o fato de que a cadeia de revenda dos derivados de petróleo é tributada, ainda que a tributação seja concentrada no produtor ou importador. É expresso na legislação que o distribuidor de óleo diesel e gás GLP não pagam PIS e COFINS nãocumulativos na saída de seu estabelecimento, assim como não lhes é dado o crédito da operação de entrada. Entretanto, o fato desta etapa estar sujeita à alíquota zero da COFINS não significa que o valor incidente na primeira etapa da cadeia tenha sido extinto. O crédito pode sim ser aproveitado pelas etapas posteriores quando o produto não for destinado à revenda, isto é, quando o óleo diesel ou o gás GLP for utilizado como insumo em determinado processo produtivo, como se verifica no caso concreto. A Impugnante adquire três tipos de óleo diesel, quais sejam, “B”, “ZINS” e “ZINSS”, que tem destinações semelhantes. O óleo diesel tipo B é utilizado para abastecimento dos caminhões que levam o minério das minas para os depósitos de cada estabelecimento. Sem este tipo de veículo, que carrega grande quantidade de minério da mina até o depósito a atividade econômica da Impugnante restaria inviabilizada. As fotos abaixo indicam a utilização de veículos na unidade de Niquelândia: (...) A relação das notas abaixo é exemplificativa do óleo diesel adquirido para utilização nos caminhões que levam o minério das minas para os depósitos de cada unidade: (...) Os óleos diesel dos tipos ZINS e ZINSS também são utilizados no abastecimento de escavadeiras, tratores, pás carregadeiras, mas principalmente para abastecimento de geradores elétricos na unidade de Niquelândia, quando há falta de energia elétrica. Para confirmar o uso do óleo diesel tipo ZINS nos geradores elétricos, se reporta à página 10 do Laudo “20150513 VM Ni PIS_COFINS 2010”', de autoria do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doe 11), e finaliza: Portanto, sem a utilização deste tipo de óleo diesel a atividade da Impugnante seria essencialmente prejudicada, seja porque não poderia fazer a lavra do minério sua movimentação e transporte até os seus estabelecimentos, seja porque tal insumo é necessário para alimentação dos fornos em caso de desabastecimento de energia elétrica. Fl. 3162DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.163 14 07.6 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de óleo combustível 2A: defende o crédito das Contribuições na aquisição do óleo combustível 2A sob o regime de drawback, afirmando: A leitura da IN RFB n° 845/2001 veda expressamente o destaque do valor do IPI suspenso, mas não tem qualquer vedação expressa para o aproveitamento do crédito da COFINS suspensa. O fato de haver suspensão de COFINS em determinado elo da cadeia do produto não significa que a sua cadeia não seja tributada, razão pela qual é legítimo o aproveitamento do crédito de COFINS na referida situação. Não só pelas razões acima, no caso concreto, verificouse que, não obstante a afirmativa constante da Nota Fiscal, houve incidência e recolhimento das contribuições, conforme se verifica do quadro abaixo: (...) Fornecimentos ocorridos em datas próximas foram faturados com valores distintos (a primeira Nota Fiscal não teve destaque de PIS e COFINS) , exatamente pelo equívoco do fornecedor que a desconsiderou a suspensão das contribuições (doc. 20), assegurada consoante Ato Concessório do Drawback (doc. 21). Uma vez, identificado o equívoco, a Impugnante registrou os créditos correspondentes, em estrita observância à sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS. Como pode ser verificado nas páginas 19 e 38 a 40 do Parecer Técnico n° 100608 do Departamento de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 09), o óleo combustível 2A é utilizado no processo produtivo de duas formas distintas: (i) como combustível para proporcionar a atmosfera necessária para realização do processo químico de redução controlado, que é realizado a altas temperaturas (1000+ C na região da chama), por meio da combustão parcial deste produto, não havendo contato direto com o minério (quando parcela dos gases gerados pela queima do óleo entram em contato com o minério); e (ii) participar do processo de secagem do minério, entrando em contato direto com o minério os gases gerados pela queima do óleo 2A. Continua tratando da utilização do óleo 2A, e conclui dizendo que esse insumo é essencial na fabricação do carbonato de níquel, razão pela qual tem direito ao crédito da Contribuição. 07.7 Do direito ao crédito (...) sobre insumos essenciais ao processo de industrialização do minério de níquel: afirma que a planilha “Bens Insumos – 1º Trim 2011” indica uma série de bens cujo creditamento foi indeferido pelo fiscal em razão deste ter considerado que tais itens não tem contato direto com o minério durante o processo de industrialização, mas diversos produtos tem sim um contato direto, “seja moendo as pedras e o substrato contendo o minério inicialmente trazido pelos caminhões até as esteiras das plantas industriais, a partir de onde o minério passa por todo um processo de purificação e concentração.” 07.7.1 Do direito ao crédito (...) sobre a arruelas e porcas Metso Mineral: referindose à fl. 35 do Parecer Técnico n° 20130321 do Departamento de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 06), onde se encontra a descrição do britador com mandíbulas (mandíbula MetsoMineral), defende o direito ao crédito, argumentando: Em que pese o fato de tais bens não terem contato direto com o minério, se desgastam em virtude de sua utilização no suporte e fixação do britador de mandíbulas (mandíbulas MetsoMineral), equipamento utilizado na britagem e moenda do minério de níquel, essencial para a atividade em questão. Fl. 3163DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.164 15 (...) Portanto, sem a arruela e a porca de fixação do britador de mandíbula não seria possível fixar este equipamento utilizado no processo de britagem e moenda do minério, razão pela qual estes bens, apesar de seu diminuto tamanho, devem ser considerados essenciais no processo de industrialização da Impugnante. 07.7.2 Do direito ao crédito (...) sobre Elemento Milani/DES 538/3B8261 8891, Elemento Outokumpu 2 e Elemento 1130 MM pyromet/des. MSF2002 027: a contribuinte defende o crédito das Contribuições decorrentes das aquisições desses 3 produtos, afirmando: O Elemento Milani/DES 538/3B82618891 é utilizado no forno Flash para refrigerar os tijolos refratários, evitando maiores desgastes e, portanto, aumentando a vida útil dos refratários do forno, como pode ser verificado em fls. 38/39 do Parecer Técnico n° 20130321 do Departamento de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 06), a seguir transcrito: (...) O Elemento Outokumpu 2 também é utilizado no forno Flash para refrigerar os tijolos refratários, evitando maiores desgastes e, portanto, aumentando a vida útil dos refratários do forno, como pode ser verificado em fls. 48 do Parecer Técnico n° 20150228 do Departamento de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 12), a seguir transcrito: (...) Embora os bens em questão não se confundam com os tijolos refratários dos fornos, a sua utilização aumenta a vida útil do bem em questão, permitindo a sua utilização por mais tempo. O emprego destes itens de otimização faz com que a Impugnante tenha que trocar os tijolos refratários com menor frequência, reduzindo sua despesa com a aquisição dos referidos tijolos e, consequentemente, favorecendo a União Federal porque precisa conceder um crédito menor de COFINS nãocumulativa. 07.7.3 Do direito ao crédito (...) sobre as telas metálicas de aço utilizadas para estabilizar as galerias: explica que “utiliza as referidas telas nas galerias das minas de níquel, onde são fixadas com ganchos de aço, com o intuito de dar estabilidade para as referidas galerias, impedindo o eventual desmoronamento de pedaços de rochas nos caminhões, escavadeiras e trabalhadores, além de reduzir a deformação das galerias e permitir a regular exploração da mina, como pode ser verificado em fls. 35 do Parecer Técnico n° 20130321 do Departamento de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 06),” que transcreve. Conclui este subtópico infirmando: É necessário indicar que este produto não é utilizado na industrialização propriamente dita, ainda que o fiscal tenha glosado o direito ao crédito juntamente com outros produtos vinculados à industrialização, mas sim utilizado nas minas para dar estabilidade nas galerias e impedir a queda de resíduos sobre os caminhos utilizados por escavadeiras, tratores e caminhões, além dos próprios mineradores. Assim, como produto essencial para a exploração segura das minas de níquel, deve ser concedido o direito ao crédito de COFINS relativa à sua aquisição. 07.7.4 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de chapa de aço inox AISI 316L de 4MM. 1183X960MM: referindose à Nota Fiscal nº 12.694 (computada Fl. 3164DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.165 16 na planilha “Bens Insumos – 2011”, itens Glosados, linha 561, data de 09/02/2011, valor R$ 98.930,79), explica que referida chapa é utilizada no processo industrial da Impugnante de duas formas: “para a formação da catodo de partida (placa fina de níquel) descrito na página 69 do Parecer Técnico nº 20150228 (doc. 12)”, e, com diferentes espessuras, “na recuperação de vasos, reatores e outros equipamentos de produção da Impugnante, como indicado em fls. 81 do Parecer Técnico n° 20150228” (doc. 12). 07.7.5 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de dispersante OU REF. 3DT190 NALCO: informa que o dispersante é usado “em seu processo produtivo para evitar a formação de crostas nas caldeiras para geração de vapor”, se reportando à fl. 7, coluna finalidade, do Parecer Técnico 100608 (Doc. 9), que transcreve. 07.7.6 Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição de tijolo e concreto refratários: referindose aos tijolos refratários adquiridos da Indústrias Brasileiras de Artigos Refratários IBAR Ltda. e da Togni S.A. Materiais Refratários, alega que os tijolos e concreto refratários entram em contato físico direto com o minério dentro dos fornos da Impugnante e por isso jamais o AuditorFiscal poderia ter considerado que tais bens não são insumos. Transcreve parte do Parecer Técnico n° 100608 (fl. 44 desse documento). 07.7.7 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de eixos: informa que “tais eixos são adquiridos pela Impugnante para compor seus equipamentos rotativos, que se desgastam ao longo do tempo devido à abrasão e/ou corrosão em virtude do seu contato direto com os minérios manipulados nos equipamentos”, citando a fl. 80 do Parecer Técnico nº 20150228, que transcreve, e defende o direito ao crédito afirmando também o seguinte: Ainda, caso a Impugnante não adquirisse mais tais eixos, diversas máquinas como centrifugas, sopradores, roletes de correias transportadoras, mencionados no Laudo Técnico, parariam de funcionar, podendo ocasionar em uma falha em todo sistema produtivo da Impugnante. 07.7.8 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição dos rolamentos: explica que “Os rolamentos são componentes mecânicos utilizados em todos os equipamentos rotativos da Impugnante, desde equipamentos de grandes dimensões (por exemplo: britadores, resfriadores rotativos, fornos de redução para acionamento dos raspadores) até equipamentos pequenos, como as milhares de motobombas” e argui que são essenciais para compor os diversos equipamentos. Relaciona diversos equipamentos, nas unidades de São Miguel Paulista e Niquelândia, menciona a figura 81, à fl. 74 do Parecer Técnico nº 201550228 (correia transportadora suportada em roletes inclinados, fixados pelos eixos referidos no item 07.7.7), e ao final defende sejam os rolamentos considerados insumos para fins do PIS e Cofins, “por estarem serem utilizados em praticamente todo o processo produtivo da Impugnante e por estarem, muitas vezes em contato direto com o produto final, ou ainda são utilizados para transportar o produto final”. 07.7.9 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição do concreto isolante: defende o crédito na aquisição do concreto isolante considerando que “é essencial para as atividades da Impugnante na medida em que é utilizado para manutenção da Bica no forno Flash, para recuperar o níquel contido nos restos de matte solidificados no interior das panelas de vazamento e bicas, estes são acondicionados no forno elétrico, conforme se verifica em fls. 49 do Parecer Técnico nº 20150228” (doc. 12). Comparao aos tijolos e concretos refratários, por ser “um elemento essencial para manutenção dos fornos”. Fl. 3165DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.166 17 07.7.10 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de barras de cobre: explica que “as barras de cobre que são utilizados para condução elétrica de altíssima intensidade de corrente a partir do transformador de baixa voltagem até as cubas eletrolíticas”, observa que a energia elétrica é um importante insumo essencial na obtenção do produto final, menciona a fl. 72 do Parecer Técnico nº 20150228 e conclui a defesa do direito ao crédito em questão afirmando: Em outras palavras, como as barras de cobre são utilizadas para condução elétrica de altíssima intensidade de corrente a partir de transformadores de baixa voltagem até cubas eletrolíticas, que transformarão o níquel eletrolítico, verificase que estas barras estão em contato direto com o principal insumo da Impugnante, e consoante mencionado acima, sofrem desgastes por estar em contato constante com soluções ácidas como os eletrólitos. 07.7.11 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição do Enxer Envirotech AU160421 e do Enxer Envirotech AU160501: referese às fls. 5 a 7 do Parecer Técnico nº 20151031 (doc. 13), e informa que “referidos materiais são utilizados no revestimento da voluta de bomba”, sendo necessários “para revestir os equipamentos metálicos, posto que o ácido sulfúrico é extremamente corrosivo”. Explica que “o ácido sulfúrico era um dos subprodutos da produção de matte de níquel, em Fortaleza de Minas, decorrente da oxidação parcial do concentrado sulfetado e produzindo também dióxido de enxofre (SO2 gasoso) que é matéria prima para produção de ácido sulfúrico”, e que “O caráter corrosivo do ácido resulta na necessidade de troca dos componentes das bombas, em particular da voluta”. 07.7.12 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição dos 'big bags': relaciona quatro Notas Fiscais de fornecedores big bags, exemplificadamente, e defende o direito ao crédito sobre tal insumo afirmando que entram em contado físico direto com o minério dentro dos fornos, citando a fl. 102 do Parecer Técnico 201520228 e considerando, ainda, que “não só estão em contato direto com o produto comercializado pela Impugnante, como também são uma das principais formas de embalagem utilizada para poder comercializar tais produtos”. Cita os Acórdãos nºs 3402003.150 e 3301 002.167, do CARF, que reconhecem, respectivamente, os créditos da Cofins e PIS sobre big bags, e conclui: Portanto, não há qualquer tipo de dúvida a respeito da essencialidade das “big bags”, que entram em contato físico com o minério dentro dos fornos, sendo desgastados pelo seu contato contínuo, bem como pelo fato de que é o material que embala o produto final da Impugnante, fatores suficientes para justificar o aproveitamento dos créditos de COFINS nãocumulatividade no caso concreto, devendo ser reformada a decisão ora recorrida. 07.7.13 Do direito ao crédito (...) sobre o valor da transmissão de energia elétrica: defende o crédito sobre a transmissão de energia elétrica, argumentando: Ainda que o valor pago pela Impugnante a título de transmissão de energia utilização de redes de energia elétrica de terceiros não seja um insumo que esteja em contato direto com a produção, é inegável que sem a utilização da rede os estabelecimentos da Impugnante não teriam como receber a energia. Desta forma, não obstante a segregação da cobrança, tais valores integram o custo da energia e como tal devem ser considerados para fins de creditamento das contribuições. (...) A 3a Seção de Julgamento do CARF já decidiu pelo direito ao crédito de PIS e COFINS até mesmo sobre os tributos pagos (TUSD e CUSD) incidente sobre a aquisição de energia elétrica no mercado livre, pois o creditamento deve abranger todo o custo da aquisição da energia elétrica consumida pelo estabelecimento deve abranger todo o custo da aquisição da energia elétrica consumida pelo estabelecimento... Fl. 3166DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.167 18 Cita o Acórdão nº 3401003.096, do CARF, e doutrina de Marco Aurélio Greco (docs. 14 e 15, respectivamente) e reitera que sem o pagamento pela utilização das redes de transmissão a Impugnante não teria acesso à energia contratada no mercado livre, além do que, caso tivesse comprado a energia da concessionária local, o valor da transmissão estaria incluído no valor final da conta de energia e não haveria qualquer tipo de questionamento. 07.7.14 Do direito ao crédito (...)sobre o valor da aquisição de energia elétrica: defende que o valor do ICMSST deve ser incluído na apuração da base de cálculo do crédito da Contribuição porque integra o total do valor pago pela Impugnante na aquisição de energia elétrica. Menciona a Solução de Consulta n° 60/2012, da SRRF da 4ª Região Fiscal, e argumenta que os contribuintes substituídos não recolhem mais qualquer valor referente ao ICMS sobre as mercadorias e serviços, visto que tudo já foi revertido para os cofres públicos desde a primeira etapa da circulação econômica, de mo que o ICMSST recolhido antecipadamente pelo substituto tornase parte do custo de aquisição, tal como expressamente afirmou o Min. Nelson Jobim no julgamento da Ações Diretas de Inconstitucionalidade nºs 2.675 e 2.777 (ainda em apreciação no Supremo Tribunal Federal). Considera que o entendimento do Despacho Decisório é manifestamente ilegal, por interpretar equivocadamente as normas que regem aquisição de bens para revenda, já que não há nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de /2003, qualquer restrição que embase essa limitação, veiculada pela Instrução Normativa RFB nº 594/2005. Além disso, na medida em que a não autorização de inserir o ICMSST na base do crédito permite a incidência sobre valores referentes ao custo da empresa, os quais decorrem exclusivamente de uma receita estatal antecipada, argui que há instituição de uma contribuição social sem fundamento constitucional e sem previsão legal, o que justifica fortemente a reforma da decisão impugnada. 07.7.15 Do direito ao crédito (...) sobre o valor da aquisição de adaptadores: explica que os adaptadores são utilizados como parte das conexões entre dois componentes a serem juntados, servindo de posicionamento de uma sobre a maior ou para conexões entre partes com terminais de dimensões diferentes, e que a glosa se deu como se suas aquisições não fossem necessárias ao processo produtivo, defendendo que o crédito em questão deve ser admitido. 07.7.16 Do direito ao crédito (...) sobre o valor da aquisição de água mineral: referindose à glosa pela aquisição correspondente à Nota Fiscal nº 367, do fornecedor Italbot Ancoragens e Escoramentos Ltda, valor R$ 31.211,97, e considerando que o AuditorFiscal glosou o crédito correspondente por não considerar o insumo utilizado no processo produtivo, afirma que a água é um item essencial para a produção do vapor d’água, como se verifica na fl. 29 do Parecer Técnico 20150228, que transcreve. 07.7.17 Do direito ao crédito de COFINS sobre o valor da aquisição de barras de aço inox AISI: informa que adquiriu barras de aço inox AISI3 da Krominox Aços e Metais Ltda (nota fiscal 13.091) e da Carbinox Indústria e Comércio Ltda (nota fiscal 54.231), bem como barras de aço inox AISI316 redondo da Krominox Aços e Metais Ltda (nota fiscal 12.855), utilizadas na manutenção de equipamentos da Impugnante, mediante o derretimento do aço para consertos de chapas, barras e outros equipamentos. Menciona a fl. 81 do Parecer Técnico 20150228, e argui que deve ser admitido o crédito do insumo em questão tendo em vista ser essencial para o processo produtivo. 07.7.18 Do direito ao crédito (...)sobre o valor da aquisição de válvulas: arrola diversos tipos de válvulas, diz da utilização delas em equipamentos industriais Fl. 3167DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.168 19 para controle de vazão e para abertura e fechamento do fluxo de material, como pode ser verificado na fl. 19 do Anexo II do Parecer Técnico 20150228, e ao final deste subitem argui: Verificase com facilidade que as válvulas são elemento de conexão entre as diversas tubulações da área industrial da Impugnante, muitas vezes com contato direto com os produtos finais ou semiacabados, razão pela qual é injustificada a glosa ora guerreada. 07.7.19 Do direito ao crédito (...) sobre o valor da aquisição de vedantes: referindose à aquisição de vedação CJ;SANDVIK/8, informa que o elemento vedante em questão é utilizado para dar estanqueidade, principalmente em bombas, junto aos eixos com rolamentos, destaca sua importância para o processo produtivo e por isso entende deva ser concedido o crédito. 07.7.20 Do direito ao crédito (...) sobre o valor da aquisição de graxas: defendo o direito sobre aquisição de graxas um lubrificante de máquinas e equipamentos do processo industrial , porque são insumos dentro do processo produtivo industrial. 07.7.21 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição do fosfato de amônia monobásico: referindose 9 (nove; as duas primeiras estão repetidas na planilha) Notas Fiscais (NF) do fornecedor FERTIGRAN FERTILIZANTES VALE DO RIO e considerando que o AuditorFiscal glosou os créditos pela aquisição do fosfato de amônia monobásico ora porque a entrada não foi tributada, ora porque não era insumo (na planilha “Bens Insumos – 2011”, as coluna K e L, “Motivo da Glosa” e “Observações”, informam em nove dessas das NF referidas “Aquisição sem pagamento de PIS/Cofins” e “NFe base de calculo zero”, enquanto em duas, “Não é insumo”, sem observações), defendo o crédito alegando: em relação às NF com ausência de tributação, que “à época da ocorrência dos fatos geradores, não era obrigatória a informação a respeito do pagamento do PIS e da COFINS no preenchimento do arquivo .XML da nota fiscal eletrônica”; em relação às demais, há contradição do AuditorFiscal, pois ele próprio “entendeu que o fosfato de amônia é tributado, na medida em que somente glosou as Notas Fiscais nºs 15169 e 14663 sob o argumento de que não seria insumo no processo produtivo da Impugnante”. Também trata do emprego do produto, mencionando a fl. 45 do Parecer Técnico nº 100608 e afirmando que é empregado para extração do níquel e cobalto metálicos, sendo fundamental para geração do composto final do níquel. Explica: E sendo produto fundamental para a geração do composto final do níquel, é patente sua caracterização como insumo. Além disso, o fosfato de amônia ao reagir quimicamente para purificar a solução do níquel, além de estar em contato direto com o produto final da Impugnante, sofre perdas de suas propriedades físicas e químicas. Em outras palavras, seja pelo fato de estar em contato direto com o produto final da Impugnante, seja pelo fato de que quando utilizado reage com outros elementos, perdendo propriedades físicas e químicas, verificase que o fosfato de amônia monobásico é insumo essencial que dá direito ao crédito... 07.7.22 Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição do calcário para caldeira e do calcário para caldeira a coque: de modo semelhante a parte do subitem 07.7.21, levando em conta que o AuditorFiscal considerou o calcário adquirido sem pagamento de PIS e Cofins (na planilha “Bens Insumos – 2011”, a L, “Observações”, Fl. 3168DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.169 20 informa “NFe base de calculo zero”), a contribuinte alega que à época não era obrigatória a informação a respeito do pagamento do PIS e da COFINS na NFe. Observa que conforme a NF nº 43921, emitida em 29/04/2016 pela ARAGUAIA MINERAÇÃO E INDÚSTRIA LTDA (doc. 16), o calcário sofre a incidência das duas Contribuições, considerando que sua emissão anos depois do período do presente processo não a invalida como prova, eis que não houve qualquer alteração na legislação da tributação do calcário para caldeiras de 2011 para 2016. Uma vez superada a questão atinente à tributação do calcário para caldeira e do calcário para caldeira a coque, para demonstrar a essencialidade desses dois produtos informa que ambos servem para reduzir as emissões de dióxido de enxofre (SO2), esclarecendo e argumentando, em prol do reconhecimento do crédito: Isto porque, com a alimentação da pedra calcária no leito da caldeira, ou da caldeira a coque, é alcançada uma alta taxa de retenção de enxofre com uma baixa relação molar calcário/enxofre. A caldeira, ou a caldeira a coque, por sua vez, são utilizadas para geração de vapor. Este vapor é utilizado no aquecimento do óleo combustível A2, nas torres de lama, nas torres de precipitação do carbonato e na geração de energia elétrica. (...) Além de todo exposto, é exigência da legislação ambiental que quando da utilização das caldeiras ou das caldeiras a coque, a Impugnante utilize o calcário para diminuição do percentual de enxofre posteriormente eliminado. E é entendimento do CARF de que produtos ou materiais adquiridos para o cumprimento de legislação ambiental, sanitária, ou do Poder Publico, em geral, são considerados insumo (cita o Acórdão n° 9303002.218, cuja ementa, reconhece o crédito do PIS não cumulativo sobre “indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida”). 07.7.23 Do direito ao crédito de COFINS sobre os demais insumos cujo crédito de COFINS foi glosado pela Receita Federal: contesta as demais glosas, afirmando: Considerando que o fiscal glosou o crédito de COFINS de uma quantidade muito grande de insumos, sendo que estes muitas vezes tem valores diminutos, inferiores a R$ 10,00 (dez reais), como braçadeiras que podem ser utilizadas nos veículos ou nas instalações da Impugnante, e que a descrição pormenorizada da utilização de tais itens já está descrita nos laudos do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Metais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo apresentados nos demais itens, a Impugnante remete a descrição de necessidade de todos os demais itens ao quanto descrito nos laudos em questão como razões de sua Manifestação de Inconformidade, requerendo desde já a reforma do despacho decisório em relação a todos eles, a fim de que seja autorizado o creditamento de COFINS nos montantes glosados pela Receita Federal. 07.8 Do direito ao crédito de COFINS sobre a depreciação de bens do ativo e amortização de edificações e benfeitorias: depois de comentar o procedimento fiscal e relembrar que foram solicitadas informações sobre os bens do ativo imobilizado, se refere ao britador fornecido pela Jaraguá Equipamentos Industriais Ltda e utilizado para a moagem do minério em pedaços menores, como pode ser verificado, segundo afirma, na fl. 82 do Parecer Técnico n° 20150228 , ao ciclone – “fornecido pela Indústria e Comércio de Ferro Oliveira Ltda., que é utilizado na separação do minério fracionado após a sua passagem pelos britadores, como pode ser verificado em fls. 16 Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.170 21 do Parecer Técnico n° 20150228” , ao moinho e ao corpo moedor – também com vida útil superior a um ano e têm contato direto com o minério, como indicado em fls. 45 do Parecer Técnico n° 20150228 – e às correias transportadoras – “equipamentos caros e instalados de forma definitiva no estabelecimento da Impugnante, fornecidas pela Correias Mercúrio S/A Indústria e Comércio, que são utilizados para o transporte de minério, como pode ser visto na definição extraída do sitio na internet do fornecedor em referência” , e afirma ao final deste tópico: Pelo porte e características deste equipamento, não há dúvidas de que está registrado no ativo imobilizado da Impugnante, razão pela qual justificase o aproveitamento dos créditos de COFINS sobre a sua depreciação. Considerando o número de bens envolvidos, a Impugnante protesta pela juntada de posteriores informações e laudos periciais a respeito dos bens de seu ativo imobilizado que geraram o direito ao crédito glosado pelo despacho decisório ora recorrido. 08 DAS PROVAS: requer sejam intimados alguns fornecedores e protesta pela juntada de provas, como segue: Em relação à comprovação do pagamento de COFINS nas aquisições de calcário para caldeira, calcário para caldeira a coque, fosfato de amônia monobásico e manta filtro Larox, a Impugnante requerer que as empresas fornecedoras sejam intimadas para comprovar o recolhimento da COFINS nas vendas para a Impugnante, considerando cada uma das notas fiscais por elas emitidas. (i)fornecedor de calcário para caldeira e calcário para caldeira a coque:Araguaia Mineração e Indústria Ltda., CNPJ 05.691.237/000260; (ii)fornecedor de fosfato de amônia monobásico: Fertigran Fertilizantes Vale do Rio Grande Ltda., CNPJ 53.400.818/001300; e (iii)fornecedor de manta filtro Larox: Inbra Têxtil Indústria e Comércio de Tecidos Técnicos Ltda. CNPJ 04.729.192/000122. Protesta a Impugnante pela posterior juntada de novos laudos periciais, bem como de informações e documentos complementares, haja vista que o prazo de 30 (trinta) dias para apresentar Manifestação de Inconformidade é extremamente exíguo face aos inúmeros elementos probatórios e informações envolvidas neste feito, inclusive em razão da necessidade de rechaçar novas premissas (falaciosas) adotadas pelo r. Despacho Decisório ora recorrido. DO PEDIDO: requer a reforma integral do Despacho Decisório, para deferir o Pedido de Ressarcimento e homologar as compensações objeto das DCOMP em questão, que enumera, “de forma a extinguir os débitos tributários compensados definitivamente, a teor do inciso II do art. 156 do CTN.” Foi apensado ao presente o processo nº 16692.721273/201656, por ser relativo a Auto de Infração de multa isolada por compensação não homologada vinculado aos PER/DCOMP aqui em litígio (ver fls. 2815 e 2818). É o relatório. Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, a A DRJ decidiu, por maioria de votos, julgála procedente em parte, nos termos do voto do Relator, registrando o Acórdão nº 1157.925 2ª Turma da DRJ/REC, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 Fl. 3170DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.171 22 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS RECONHECIDOS. OBRIGATORIEDADE DE DEDUÇÃO DOS DÉBITOS ANTES DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. SALDOS DEVEDORES REMANESCENTES. RESSARCIMENTO INDEFERIDO. 1. Os créditos apurados no sistema da não cumulatividade do PIS e Cofins devem ser utilizados, inicialmente, na dedução dos débitos de cada uma dessas duas Contribuições, sendo lançados de ofício os saldos credores remanescentes não declarados em DCTF nem pagos. 2. Reconhecidos créditos adicionais da Contribuição em sede Manifestação de Inconformidade, que no entanto são inferiores aos saldos devedores lançados de ofício, seus valores são utilizados para reduzir o lançamento, em vez de ressarcido. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. IN SRF 404, DE 2004. Nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404, para fins da não cumulatividade do PIS e Cofins são insumos a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. MATERIAIS E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. DESGASTE OU ALTERAÇÃO COM O PASSAR DO TEMPO E USO DOS EQUIPAMENTOS. INADMISSIBILIDADE DO CRÉDITO. Ferramentas, materiais e peças de reposição, como arruelas, porcas, telas metálicas de aço utilizadas para estabilizar galerias de minas, eixos, rolamentos, adaptadores, barras de aço, válvulas e vedantes, por se desgastarem com o passar do tempo, em função do uso e funcionamento dos equipamentos, mas não da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, não dão direito aos créditos de PIS e Cofins cumulativos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AUSÊNCIA DE CONTATO DIRETO COM O PRODUTO INDUSTRIALIZADO. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Na produção de níquel e cobalto, por deixarem de entrar em contato direto com produto final industrializado ou não restar comprovado o consumo ou o desgaste do insumo em função desse contato, não geram crédito de PIS e Cofins não cumulativos bens como Elemento Milani/DES 538/3B82618891, Elemento Outokumpu 2 e Elemento 1130 MM pyromet/des. MSF2002027, dispersante, tijolo e concreto refratários, concreto isolante, barras de cobre, Enxer Envirotech AU160421 e Enxer Envirotech AU160501. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPROVAÇÃO DE CONTATO DIRETO COM O PRODUTO INDUSTRIALIZADO. CRÉDITO RECONHECIDO. Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.172 23 Na produção de níquel e cobalto, por restar comprovado o consumo ou desgaste com produto final industrializado, gera créditos de PIS e Cofins não cumulativos o insumo chapa de aço inox AISI 316L de 4mm. 1183x960mm. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ADIANTAMENTO PARA COMPRA. IMPORTAÇÃO EM PERÍODO POSTERIOR AO DO PERÍODO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Na hipótese de adiantamento visando à aquisição de insumo cuja importação somente ocorre em período posterior ao do pedido de ressarcimento, não se admite os créditos de PIS e Cofins não cumulativos porque ainda não caracterizada a aquisição da mercadoria. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRODUÇÃO DE NÍQUEL. ETAPAS ANTERIORES À INDUSTRIALIZAÇÃO. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Na produção de níquel, os bens utilizados nas etapas de detonação de minas, extração de minério e transporte ao estabelecimento industrial, por serem anteriores à industrialização, não dão direito a créditos do PIS e Cofins não cumulativos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. DESCARTES. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Despesas com fretes entre estabelecimentos industriais da mesma pessoa jurídica, bem como para descartes, não geram créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda nem se referirem à operação de venda (aplicação da Solução Cosit 26, de 2014). INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETE NA AQUISIÇÃO DE BEM QUE NÃO DÁ DIREITO A CRÉDITO. INCORPORAÇÃO AO CUSTO DO BEM. CRÉDITO APARTADO NÃO ADMITIDO. O valor do frete na aquisição de bem não caracterizado como insumo para fins da não cumulatividade do PIS e Cofins não dá direito a crédito porque o custo do transporte se incorpora ao do bem transportado, de modo que somente quando permitido o crédito em relação ao insumo adquirido é que se admite o mesmo em relação ao valor do seu frete. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ÓLEO DIESEL E GLP. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Óleo diesel e GLP adquiridos com alíquota zero do PIS e Cofins, apesar de submetidos na etapa anterior de fabricação ou importação à alíquota monofásica, não dão direito a crédito do PIS e Cofins em face do art. 3º, § 2°, II, das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Fl. 3172DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.173 24 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FOSFATO DE AMÔNIA MONOBÁSICO. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. A aquisição do insumo fosfato de amônia monobásico, classificado no código NCM 3105.40.00 e submetido à alíquota zero do PIS e Cofins por força do art. 1º, I, da Lei nº 10.925, de 2004, não dá direito a créditos do PIS e Cofins em face do art. 3º, § 2°, II, das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMBUSTÍVEL. AQUISIÇÃO COM SUSPENSÃO EM FACE DE REGIME DE DRAWBACK. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Em consonância com o art. 3º, § 2°, II, das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, combustível comprado no mercado interno com suspensão, porque o adquirente é beneficiário do regime de drawback, não dá direito a crédito do PIS e Cofins por ter sido adquirido sem pagamento das Contribuições. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. GRAXAS. NÃO CLASSIFICAÇÃO COMO LUBRIFICANTES. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Graxa não se classifica como lubrificantes, pelo que os gastos respectivos não geram direito a créditos do PIS e Cofins não cumulativos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. MATTE DE NÍQUEL. BIG BAG. EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Big bags, utilizados como embalagem de apresentação do matte de níquel, por acompanhar o produto vendido e não retornar ao industrial que também o comercializa, constitui insumo e gera créditos do PIS e Cofins não cumulativos. NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSUMIDOR SUBSTITUÍDO. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. O ICMS Substituição Tributária, pago pelo adquirente de energia elétrica, substituído, à concessionária, substituta, não gera créditos de PIS e Cofins não cumulativos porque não integrou a receita bruta da concessionária (entendimento que se extrai do inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002, consoante a Solução de Consulta Cosit nº 99050, de 2017). NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM TRANSMISSÃO/ DISTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Cabível o creditamento, no âmbito da nãocumulatividade da contribuição, sobre dispêndios relativos à aquisição de energia elétrica, compreendida bem móvel consumível, perante pessoas jurídicas domiciliadas no País, sendo descabido o creditamento em relação a dispêndios com sua transmissão/distribuição, especialmente quando realizadas por intermédio de redes próprias da consumidora. Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.174 25 NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE DEDUÇÃO DOS DÉBITOS ANTES. Os créditos apurados no sistema da nãocumulatividade do PIS e Cofins devem ser utilizados, inicialmente, na dedução dos débitos de cada uma dessas duas Contribuições no próprio período de apuração, sendo autorizado o ressarcimento e a compensação apenas na hipótese de saldo credor remanescente no encerramento de cada trimestre calendário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO GENÉRICA. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA. Tratandose de supostos erros cometidos pela fiscalização, o ônus de apontálos com clareza é do contribuinte, pelo que não se acolhe a alegação genérica, desacompanhada de provas, como a de que o trabalho fiscal teria deixado de analisar item por item documentos fiscais. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. Tratandose de ressarcimento ou restituição o ônus de provar a existência do direito creditório é do contribuinte, pelo que se mantém indeferimento parcial contra o qual o contribuinte alega direito que em tese lhe protege, mas não o comprova por apontar de forma genérica que insumos manteriam contato com produto final industrializado ou apenas referenciar documento sem a necessária análise do seu teor. PRODUÇÃO DE PROVAS DEPOIS DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA PARA O ATRASO. PRECLUSÃO. INTIMAÇÃO DE FORNECEDORES VISANDO À PRODUÇÃO DE PROVAS A CARGO DO IMPUGNANTE. DESARRAZOABILIDADE. Em consonância com os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 não se admite a apresentação tardia de laudos periciais, tampouco a intimação de fornecedores do contribuinte visando à produção de provas que cabia a ele apresentar junto com a Manifestação de Inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada diante do resultado do julgamento, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual traz suas contestações estruturadas da seguinte forma: I. DA TEMPESTIVIDADE II. DA SÍNTESE DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA Fl. 3174DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.175 26 III – PRELIMINAR: DA NULIDADE DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO. A REFERÊNCIA A QUESTÕES QUE NÃO ERAM OBJETO DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE TÓPICOS DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IV. DO ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS GLOSADOS. V. DO MÉRITO: A NÃOCUMULATIVIDADE DA COFINS VI. DO CONCEITO DE INSUMOS NA LEGISLAÇÃO DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS VII. DOS CRÉDITOS DOS PRODUTOS IMPORTADOS PARA REVENDA VIII. DOS CRÉDITOS DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS VIII.1 – Do Processo Industrial Integrado da Recorrente VIII.1.1 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de pneus utilizados em equipamentos e veículos de mineração VIII.1.2 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de molas de suspensão utilizados nas áreas de mineração VIII.1.3 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de peças de trator utilizados nas áreas de mineração VIII.1.4 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de mangueiras para equipamentos e veículos utilizados nas áreas de mineração e de transporte de insumos VIII.1.5 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de árvore Volvo 1111325 VIII.1.6 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de lâminas VIII.1.7 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de filtros e óleos para motores de equipamentos e caminhões VIII.1.8 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de garfo LIEBHERR/40007 VIII.1.9 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de outras peças e equipamentos VIII.1.10 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de explosivos e de dinamite orica e respectivos detonadores utilizados na mineração VIII.1.11 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de cordoalha de aço com 7 fios VIII.1.12 – Dos insumos utilizados na perfuração de furos para extração de minério VIII.1.13 – Do direito ao crédito de COFINS na locação de máquinas e equipamentos utilizados na atividade extrativa VIII.1.14 – Do direito ao crédito de COFINS na aquisição de joystick para controle remoto de veículos de mineração em áreas de risco para pessoas VIII.2 Dos créditos relativos ao frete interno VIII.3 Dos créditos relativos ao frete na aquisição de produtos (frete de compra) VIII.4 Dos créditos relativos ao transporte e descarte e movimentações diversas Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.176 27 XIII.5 – Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição de óleo diesel e gás GLP XIII.6 – Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição de óleo combustível 2A adquirido sob o regime de drawback VIII.7 – Do direito ao crédito de COFINS sobre insumos essenciais ao processo de industrialização do minério de níquel VIII.7.1 – Do direito ao crédito de COFINS sobre a arruelas e porcas – Metso Mineral VIII.7.2 – Do direito ao crédito de COFINS sobre Elemento Milani/DES 538/3B8 2618891, Elemento Outokumpu 2 e Elemento 1130 MM pyromet/des. MSF2002 027 VIII.7.2.1 – Do direito ao crédito de COFINS sobre o “elemento 1130 mm pyromet’” VIII.7.3 – Do direito ao crédito de COFINS sobre as telas metálicas de aço utilizadas para estabilizar as galerias VIII.7.4 – Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição de dispersante QU REF. 3DT190 NALCO VIII.7.5 – Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição de tijolo e concreto refratários VIII.7.6 – Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição de eixos VIII.7.7 Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição dos rolamentos VIII.7.8 – Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição do concreto isolante VIII.7.9 – Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição de barras de cobre VIII.7.10 – Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição dos Enxertos VIII.7.11 – Do direito ao crédito de COFINS sobre o valor da transmissão de energia elétrica VIII.7.12 Do direito ao crédito de COFINS sobre o ICMSST na aquisição de energia elétrica VIII.7.13 Do direito ao crédito de COFINS sobre o valor da aquisição de adaptadores VIII.7.14 Do direito ao crédito de COFINS sobre o valor da aquisição de água mineral VIII.7.15 Do direito ao crédito de COFINS sobre o valor da aquisição de barras de aço inox AISI VIII.7.16 Do direito ao crédito de COFINS sobre o valor da aquisição de válvulas VIII.7.17 Do direito ao crédito de COFINS sobre o valor da aquisição de vedantes VIII.7.18 Do direito ao crédito de COFINS sobre o valor da aquisição de graxas VIII.7.19 – Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição do fosfato de amônia monobásico Fl. 3176DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.177 28 VIII.7.20 Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição do calcário para caldeira e do calcário para caldeira a coque VIII.8 Do direito ao crédito de COFINS sobre a depreciação de bens do ativo e amortização de edificações e benfeitorias IX – DA UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS RECONHECIDOS X DO PEDIDO É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais pressuposto de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Conversão do Julgamento em Diligência. Novamente estamos diante da "queda de braço" entre o Fisco e o contribuinte no que diz respeito ao conceito de insumos, os quais representam maioria das glosas efetuadas pela Fiscalização nestes autos. Sobre este assunto, já tivemos a oportunidade de nos debruçar em outros casos, notadamente após o advento do julgamento do REsp 1.221.170PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Aqui estamos diante de situação em que a fiscalização e a DRJ pautaramse nas sobreditas INs consideradas ilegais pelo STJ, sobrevindo, então, nova orientação vinculante no âmbito da RFB, consubstanciada no Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Assunto: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.178 29 para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. A atividade desenvolvida pela Recorrente encontrase na área de metalurgia, cujo processo produtivo se estende desde a lavra (extração do minério nas minas), o beneficiamento (do minério concentrado para obtenção do matte de níquel) e a fundição (produção do níquel eletrolítico), o que, em tese, pode envolver que a maioria das despesas incorridas e ora pleiteadas sejam de fato insumos. Portanto, é imperiosa a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente, nos moldes delineados pela RFB no Parecer Normativo nº 5, de 17 de dezembro de 2018. É sabido que em processos de ressarcimento/compensação, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do contribuinte. Por outro lado, consta nos autos que a empresa apresentou diversos documentos referentes a sua tomada de crédito, que foram utilizados para a elaboração das planilhas de glosas construídas pela Fiscalização. Indubitavelmente, o contexto no anocalendário de 2011 difere totalmente do contexto atual, pós julgamento do Recurso Especial e edição do Parecer Normativo da RFB, o que justifica a conversão do julgamento em diligência, para verificação do processo produtivo da empresa em cotejo com as despesas glosadas, para aferir a essencialidade e relevância das mesmas à atividade da empresa. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para: a) a Unidade Preparadora intimar a contribuinte a elaborar relatório em 90 dias, prorrogável por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referentes ao seu processo produtivo; b) a Autoridade Fiscal se manifestar sobre o relatório da contribuinte e laudos técnicos, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018; Fl. 3178DF CARF MF Processo nº 10665.901714/201219 Resolução nº 3301001.140 S3C3T1 Fl. 3.179 30 c) a Unidade Preparadora dar ciência à contribuinte sobre a manifestação fiscal para, querendo, manifestarse no prazo de 30 dias; e d) após a adoção das ações anteriores, a Unidade Preparadora devolver os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 3179DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.723022/2017-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Apenas podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas do contribuinte e/ou dependentes que preencham os requisitos previstos na legislação de regência e estejam devidamente comprovadas com documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 2002-001.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor parcial de R$ 5.785,36, referente ao plano de saúde.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2014 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Apenas podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas do contribuinte e/ou dependentes que preencham os requisitos previstos na legislação de regência e estejam devidamente comprovadas com documentos hábeis e idôneos.
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DESPESAS MÉDICAS. Apenas podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas do contribuinte e/ou dependentes que preencham os requisitos previstos na legislação de regência e estejam devidamente comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor parcial de R$ 5.785,36, referente ao plano de saúde. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fl. 24) contra decisão de primeira instância (fls. 19/21), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: A notificação de fls. 6/10 informou ao contribuinte, já qualificado nos autos, que o IRPF a restituir apurado na Declaração de Ajuste AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 30 22 /2 01 7- 73 Fl. 77DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.243 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.723022/2017-73 Anual(DAA)/2015, em face de análise realizada, fora reduzido de R$ 7.032,09 para R$ 3.850,14. Contribuiu para a modificação a constatação da dedução indevida de despesas médicas na monta de R$ 11.570,72, narrando-se à fl. 8: "Glosa das despesas médicas referentes ao Clube dos Subtenentes e Sargentos do Exército, CNPJ 60.419.959/0001-98, por falta de amparo legal". O notificado ofereceu a impugnação de fls. 4/5. Para amparo de sua alegação, o interessado colacionou o documento de fl. 12. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, solicitando a juntada de nova declaração de pagamentos para análise. Em 13 de dezembro de 2018 (fls. 32/34), o julgamento foi convertido em diligência para que a Unidade da RFB de origem anexasse aos autos, cópia da DIRPF objeto da autuação, e caso a cônjuge não tenha sido informada como dependente nessa declaração, a Unidade Preparadora deve intimar o recorrente a apresentar declaração do plano de saúde, consignando o valor discriminado por beneficiário. O que foi feito às fls. 36/73. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 27/02/2018 (fl. 23); Recurso Voluntário protocolado em 07/03/2018 (fl. 24), assinado pelo próprio contribuinte. Pois bem, responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFR, que restou glosado as despesas médicas referentes ao Clube dos Subtenentes e Sargentos do Exército, por falta de amparo legal. A r. decisão revisanda, manteve a acusação fiscal, julgando improcedente a impugnação. Em julgamento primeiro, resolve-se baixar os autos em diligência e, em resposta, a DRF de origem juntou aos autos a DIRPF (fls. 36/44), bem como intimou o contribuinte (fl. 45) a apresentar declaração do plano de saúde discriminando o valor pago por beneficiário. Intimado em 21/01/2019 (fl. 46), o contribuinte juntou às fls. 47/49, as declarações do Clube dos Subtenentes e Sargentos do II Exército referente ao plano de saúde CRUSAM Cruzeiro do Sul Serviços de Assistência Médica Ltda. Fl. 78DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.243 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.723022/2017-73 Compulsando os autos, verifica-se que a Sra. Maria Augusta Calasans Correa, esposa do recorrente, não consta como dependente em sua DAA (fl. 37). Analisando os documentos acostados, encontramos: - Na fl. 48, “Declaração” do Clube dos Subtenentes e Sargentos do Exército, que assim diz: “Declaramos para fins de IMPOSTO DE RENDA, que o Sr. CARLOS DA SILVA CORREA,( ...) efetuou o pagamento das despesas médicas no valor de R$ 5.785,36 (...) ao Seguro Saúde com a CRUSAM- CRUZEIRO DO SUL SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA (...)”. - Na fl. 49, “Declaração” do Clube dos Subtenentes e Sargentos do Exército: “Declaramos para fins de IMPOSTO DE RENDA, que a Sra. MARIA AUGUSTA CALASANS CORREA,( ...) efetuou o pagamento das despesas médicas no valor de R$ 5.785,36 (...) ao Seguro Saúde com a CRUSAM-CRUZEIRO DO SUL SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA (...)”. Tendo em vista as declarações anexadas e não comprovada a condição de dependente da esposa, razão assiste em parte ao recorrente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dá-se provimento parcial ao recurso para excluir da glosa, o valor de R$ 5.785,36, referente ao plano de saúde. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16007.000310/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2006
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO.
O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei.
Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada.
Numero da decisão: 2401-006.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16007.000313/2010-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16007.000313/2010-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16007.000313/2010-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 7. 00 03 10 /2 01 0- 84 Fl. 214DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.450 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000310/2010-84 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.440, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16007.000313/2010-18, paradigma deste julgamento. “Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo - SP (DRJ/SPO) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por não restar comprovada a liquidez e certeza do crédito informado em declaração de compensação, não homologando as compensações vinculadas. O presente processo trata do pedido de compensação declarado em PER/DCOMP e devidamente transmitida, que utilizou os créditos de IRRF código 3280 - IRRF - Serviços pessoais prestados por associados de cooperativas de trabalho, para a compensação de débito de IRRF 0588 - Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. Foi emitido o Despacho Decisório DRF/SJR/SP reconhecendo parcialmente o direito creditório referente ao IRRF, apenas referente ao IRRF código 3280 - IRRF - Serviços pessoais prestados por associados de cooperativas de trabalho, e homologada a compensação declarada na DCOMP apresentada originalmente, até o limite do direito creditório reconhecido. O Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e, inconformado com a decisão proferida, tempestivamente, apresentou sua Manifestação de Inconformidade instruída com os documentos constantes dos autos. O Processo foi encaminhado para 4ª Turma da DRJ/SPO que decidiu por unanimidade pelo INDEFERIMENTO da Manifestação de Inconformidade. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ/SPO, e inconformado com a decisão prolatada, tempestivamente, interpôs seu Recurso Voluntário onde, em síntese, aduz que: 1. O Fisco não reconheceu parte dos créditos pleiteados pelo simples fato das fontes pagadoras não terem declarado as retenções corretamente; 2. Na documentação fornecida constam as retenções glosadas, identificando as fontes pagadoras e individualizando as faturas que amparam a declaração de compensação apresentada; 3. Os comprovantes de rendimentos obtidos de algumas fontes pagadoras provam que elas se equivocaram na identificação correta dos códigos das retenções ou na identificação do Contribuinte como beneficiário, ou ainda, declararam parcialmente os valores; Fl. 215DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.450 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000310/2010-84 4. Efetivamente houve retenção do imposto e que, a rigor, o simples destaque do imposto nas notas fiscais já demonstra a certeza das retenções; 5. O Contribuinte não tem como exigir os documentos das fontes pagadoras, pois lhe falta poder de polícia, portanto cabe ao Fisco o ônus de provar a ausência dos créditos glosados, quer em homenagem ao Princípio Constitucional da Ampla Defesa ou para evitar enriquecimento sem causa da União. Finaliza seu Recurso requerendo seu provimento para que seja reconhecido o direito creditório referente à parcela de crédito glosada. É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.440, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16007.000313/2010-18, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.440, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.440 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A Recorrente se insurge contra a homologação parcial da compensação por ela efetuada, aduzindo que algumas tomadoras de serviços apresentaram código equivocado do IRRF, quando deveriam ter apresentado o código 3280 (Remuneração sobe Serviços Prestados por Associação de Cooperativa de Trabalho), ou mesmo deixando de identificar a contribuinte como beneficiária, ou ainda declarando valores parcialmente. Afirma que é isento do IRPJ quando da prática de atos cooperados e que a compensação das retenções com o Código Receita 1708 são aplicáveis apenas às demais pessoas jurídicas tendo em vista a isenção a que tem direito. Segundo a autoridade fiscal, verificou-se que os demais créditos informados na PER/DCOMP não relacionados ao código 3280, não foram reconhecidos pelo fato das referidas fontes pagadoras não terem declarado o interessado como beneficiário total ou parcialmente, ou ainda, não terem declarado os rendimentos e a retenção no código 3280, mas, em códigos diversos conforme pesquisas ao sistema DIRF. Fl. 216DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.450 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000310/2010-84 O Código Tributário Nacional estabelece a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, II), cujo procedimento ocorre entre créditos líquidos e certos, com débitos vencidos e vincendos do sujeito passivo (art. 170), através de estipulação legal e que se encontra disciplinado através da Lei nº 9.430/96. No tocante à possibilidade de compensação de IRRF por cooperativas de trabalho, cabe destacar que o art. 64 da Lei nº 8.981/95 deu nova redação ao art. 45 da Lei nº 8.541/92, nos seguintes termos: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) A IN RFB nº 900/2008 estabelecia a forma como o IRRF incidente sobre pagamento de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada, poderia ser utilizado, durante o ano-calendário da retenção, na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos cooperados ou associados, conforme destaque a seguir transcrito: Art. 41. O crédito do IRRF incidente sobre pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada poderá ser por ela utilizado, durante o ano-calendário da retenção, na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos cooperados ou associados. § 1º O crédito mencionado no caput que, ao longo do ano-calendário da retenção, não tiver sido utilizado na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados aos cooperados ou associados poderá ser objeto de pedido de restituição após o encerramento do referido ano-calendário, bem como ser utilizado na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB. § 2º A compensação de que trata o caput e o § 1º será efetuada pela cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada na forma prevista no § 1º do art. 34. Notoriamente, é indubitável a possibilidade de compensação direta entre o IRRF pelos tomadores de serviços e o IRRF quando dos pagamentos (repasses) aos associados das cooperativas de trabalho, como a Recorrente. Destaque-se que a Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, dispõe o seguinte: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 217DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.450 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000310/2010-84 Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. No entanto, dentro das atividades da contribuinte, há a prática de outros atos que não os eminentemente os cooperativos, tais como pagamentos efetuados por contratos com preço pré-determinado ou por outros serviços. Vejamos o que preceitua a Lei nº 9.656/98: Art. 1º Submetem-se às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotando-se, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.177- 44, de 2001) I - Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.177- 44, de 2001) O Superior Tribunal de Justiça já definiu que as operações realizadas diretamente (e não através de seus cooperados) com terceiros não associados, embora indiretamente se busque a consecução do objeto social da cooperativa, consubstanciam atos não-cooperativos. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. UNIMED. CONCEITO DE ATO COOPERATIVO TÍPICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME DO ART. 543-C, DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/08. 1. A jurisprudência deste STJ já se firmou no sentido de que é legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, sendo que por faturamento deve ser compreendido o conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF. Precedentes: REsp 635.986/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 25.9.2008; REsp 1081747 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, 15.10.2009. 2. O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados e o fornecimento de serviços a terceiros não associados inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser tributados normalmente. Precedentes: REsp 635.986/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006; REsp 1096776/PB, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2010; AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009; AgRg no AgRg no REsp 1033732/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 1.12.2008; EDcl nos EDcl no REsp 875.388/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29.10.2008. 3. O tema referente à tributação pelo IRPJ dos atos praticados pela cooperativa com terceiros não associados já foi objeto de julgamento em sede de recurso especial representativo da controvérsia REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009. Fl. 218DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.450 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000310/2010-84 4. No referido julgamento, embora se estivesse apreciando a hipótese específica voltada ao Imposto de Renda e não às contribuições ao PIS e COFINS, nas razões de decidir restou firmado o pressuposto de que "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos não-cooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. Desse modo, definido que se tratam de atos não-cooperativos, não há que se falar em isenção do IRPJ, da CSLL e das contribuições ao PIS e COFINS por aplicação do art. 79, da Lei n. 5.764/71. 6. Observar que nos recursos representativos da controvérsia REsp. n. 1.141.667/RS e REsp. n. 1.164.716/MG, pendentes de julgamento, e RE 598.085-RJ o que se discute não é o conceito de ato cooperativo típico (tema já abordado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009), mas sim o confronto da isenção para o ato cooperativo típico previsto no art. 79, da Lei n. 5.764/71 com o estabelecido pelo art. 15, da Medida Provisória n. 2.158-35, que restringiu as exclusões da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS somente a determinados valores ali especificados. 7. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 786.612/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2013, DJe 24/10/2013) Conforme bem ressaltado pela decisão de piso e verificado no bojo do processo administrativo, “não foi, outrossim, confirmado qualquer tipo de erro por parte da fonte pagadora, o que poderia ter sido provado pela empresa com a juntada de documentos de sua escrituração, como notas fiscais, livro Razão e Diário, e, ainda, elementos caracterizadores de ato cooperado, lembrando que o ônus da prova no processo que trata de compensação é do contribuinte (art. 170 do CTN, art. 333 do CPC e art. 16 do PAF).” Assim, a compensação realizada pela contribuinte não está abrangida pelo art. 64 da Lei nº 8.981/1995, modificado pelo art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, tendo em vista que não restou comprovado que se trata de importâncias creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. Com efeito, in casu, não há subsunção do fato à norma do art. 45 da Lei 8.541/92, posto que não se enquadra exclusivamente como atividade cooperada dado o exercício de atividades diversas que não se confundem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos. Destaque-se ainda que as retenções foram realizadas com código da receita 1708 - Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica e 0916 – Prêmios e Sorteios em Geral, Títulos de Capitalização, Prêmios de Proprietários e Criadores de Cavalos de Corrida e Prêmios em Bens e Serviços, sendo que a Recorrente não comprovou se tratar de retenção com o código 3280 - Remuneração sobe Serviços Prestados por Associação de Cooperativa de Trabalho. Dessa forma, a compensação pleiteada pelo contribuinte no presente caso só é aplicável para os casos em que a retenção do Imposto de Renda ocorrer sobre serviços pessoais prestados pelos cooperados. Como não há relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que Fl. 219DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.450 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000310/2010-84 ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992. Destarte, não há previsão legal que ampare as compensações declaradas. Assim, as retenções sofridas somente poderiam ser utilizadas na dedução do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ao final do período de apuração, cabendo ainda ao contribuinte a restituição do indébito, respeitadas as regras pertinentes a ela pertinentes. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO..” Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.002715/2003-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
DÉBITO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA NA ESCRITURAÇÃO.
Não comprovadas, na escrituração, a compensação alegada e a existência do crédito, confirma-se o lançamento de ofício por ausência de pagamento do débito declarado em DCTF.
Numero da decisão: 1001-001.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DÉBITO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA NA ESCRITURAÇÃO. Não comprovadas, na escrituração, a compensação alegada e a existência do crédito, confirmase o lançamento de ofício por ausência de pagamento do débito declarado em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 27 15 /2 00 3- 12 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10875.002715/200312 Acórdão n.º 1001001.306 S1C0T1 Fl. 313 2 Relatório O presente processo trata de Auto de Infração lavrado em 17/06/2003 (fls. 101 a 116). O auto teve por objeto Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF declarado e não recolhido, e multa de ofício sobre recolhimentos em atraso de IRRF, devidos no anocalendário de 1998. Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que resume o pleito (fls. 186 a 193): Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, lavrado em 17/06/2003 (fls. 23) e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 11/07/2003 (fls. 117), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 23.725,01, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude de: (i) não localização dos pagamentos vinculados a débitos declarados para períodos de junho a dezembro de 1998, ensejando exigência do valor do imposto acrescido de multa de ofício e juros de mora e (ii) pagamentos para débitos de maio e agosto/1998 efetuados após vencimento sem multa de mora, ensejando exigência de multa de ofício isolada. Em oposição à exigência fiscal, foi protocolizada em 07/08/2003 a impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/115, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De início, relaciona, às fls. 02, recolhimentos efetuados para os débitos autuados. Relativamente aos débitos dos períodos 0111/98 e 0112/98 de código 0561, valor de R$ 2.410,00, assevera terem sido compensados com IRPJ saldo negativo de exercícios anteriores e argumenta erro na DCTF ao vinculálos a pagamento ao invés de compensação. Para os débitos dos períodos 0105/98 e 0108/98, para os quais exigida multa isolada, alega que foram informados erroneamente na 1ª semana ao invés da 2ª semana como consta no campo Período de apuração do DARF. Em análise prévia das alegações do impugnante, a autoridade preparadora promoveu alocação de pagamentos (fls. 120) e revisou de ofício a exigência para excluir, do valor principal lançado (R$ 7.698,21), a parcela de R$ 2.878,21 (fls. 122), conforme demonstrativos e despacho de fls. 119/124, remanescendo para julgamento os débitos a seguir resumidos: PA Cód. Venc. Valor declarado Valor autuado Excluído em revisão ofício Remanes. p/ julgamento 0106/98 3208 10/06/98 49,50 49,50 49,50 0,00 0107/98 3208 08/07/98 49,50 49,50 49,50 0,00 0108/98 3208 05/08/98 49,50 49,50 49,50 0,00 Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10875.002715/200312 Acórdão n.º 1001001.306 S1C0T1 Fl. 314 3 0109/98 3208 10/09/98 49,50 49,50 49,50 0,00 0210/98 0561 15/10/98 2.410,00 2.410,00 2.410,00 0,00 0111/98 0561 11/11/98 2.410,00 2.410,00 0,00 2.410,00 0112/98 0561 09/12/98 2.410,00 2.410,00 0,00 2.410,00 0111/98 3208 11/11/98 49,50 49,50 49,50 0,00 0112/98 3208 09/12/98 49,50 49,50 49,50 0,00 0410/98 1708 28/10/98 32,78 32,78 32,78 0,00 0307/98 1708 22/07/98 138,43 138,43 138,43 0,00 Também remanesceu para julgamento a multa isolada de R$ 3.615,00. Cientificado do resultado da revisão de ofício em 17/06/2008 (fls. 124/125), o interessado protocolizou, em 14/08/2008, petição de fls. 126/127, que denominou de manifestação de inconformidade, reiterando que os débitos de R$ 2.410,00 dos períodos de 0111/98 e 0112/98 deveriam ser vinculados a compensação e não a pagamento. Instrui sua manifestação com demonstrativo de cálculo de juros s/ créditos [IRPJ de 1994 a 1997 e CSLL de 1994 e 1996] compensáveis em 1998 (fls. 129/132), declaração do anocalendário 1994 (fls. 133/149) e DCTF do 4° trimestre/98 (fls. 150/164). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, no Acórdão às fls. 186 a 193 do presente processo (Acórdão 0526.421, de 12/08/2009), julgou o lançamento procedente em parte. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Subsiste a exigência se o contribuinte não logra provar a existência do alegado crédito e a efetivação, na escrituração, da compensação, mormente se esta envolve tributos de espécies diferentes e não observa a forma prevista na legislação. DÉBITO DECLARADO. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. PAGAMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. MULTA ISOLADA. Presentes indícios de equívoco no preenchimento da DCTF quanto à semana de ocorrência do fato gerador, resta fragilizada a imputação de atraso no recolhimento e a conseqüente exigência de multa isolada por falta de recolhimento de multa de mora. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10875.002715/200312 Acórdão n.º 1001001.306 S1C0T1 Fl. 315 4 No voto, ponderouse que a apresentação apenas de demonstrativo com indicação dos créditos que teriam sido utilizados, e de cópia da DIRPJ, não constituíam prova do crédito e da compensação em 1998. Que, para se admitir o alegado erro no preenchimento da DCTF, o contribuinte deveria ter apresentado prova de seu crédito e da efetivação da compensação em sua escrituração. Além disso, que à época dos fatos (1998) vigia o art. 66 da lei nº 8.383/91, que autorizava a compensação entre tributos da mesma espécie, independente de pedido administrativo, nos termos das IN SRF 21/97 e 73/97. Que, porém, em sua DCTF a empresa vinculou também créditos de saldo negativo de CSLL. Que ainda que o crédito fosse demonstrado, a compensação da CSLL com o IRRF, admitida a partir da Lei nº 9.430/96 (art. 74), regulada no Decreto nº 2.138/97 (art. 1º), na forma estabelecida pela IN SRF nº 21/97, exigia prévio pedido administrativo. Assim, concluiu pela procedência do lançamento do IRRF, código 0561, dos períodos 0111/98 e 0112/98, cada um no valor de R$ 2.410,00, por ausência de pagamento. A decisão considerou ainda, sobre a penalidade aplicável, que o art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003 limitou a aplicação do art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Daí que, em face do princípio da retroatividade benigna (art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN), no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003), desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no caput desse artigo. Que, por isso, exoneravase a multa de ofício proporcional aplicada, sem prejuízo da cobrança de multa e juros de mora. Quanto à multa de ofício isolada, no valor de R$ 3.615,00, decorrente dos débitos declarados, sob código 0561, para os PA 0105/98 (vencimento em 06/05/1998) e 01 08/98 (vencimento 05/08/98), ambos no valor de R$ 2.410,00, para os quais foram efetuados recolhimentos em atraso sem multa de mora, a decisão consideroua indevida porque havia indícios de que de fato houvera erro no preenchimento da DCTF quanto à semana correspondente à data do fato gerador. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/09/2009 (Aviso de Recebimento à fl. 208), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/09/2009 (recurso às fls. 213 a 222, carimbo aposto na primeira folha). Nele repete a alegação da impugnação de que errou na elaboração da DCTF. Que os valores de IRRF lançados, com vencimento em novembro e dezembro de 1998, foram compensados com saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 1994. Anexa a DCTF na qual foram declarados os débitos em questão (4º trimestre de 1998 – 268 a 296), a DIPJ do anocalendário de 1994 (250 a 266), um demonstrativo da atualização dos créditos de 1994 a 1998 (267), e DARF referentes às estimativas de IRPJ e CSLL de dezembro 1994 (297 e 298). Quanto à impossibilidade da compensação de crédito de CSLL sem pedido prévio, conforme Lei nº 9.430/1996, Decreto nº 2.138/1997 e IN SRF nº 21/1997, alega que o CTN, em seu art. 170, autoriza a compensação de créditos tributários com débitos de qualquer Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10875.002715/200312 Acórdão n.º 1001001.306 S1C0T1 Fl. 316 5 natureza, bastando que sejam líquidos e certos. Que a lei, decreto e IN citados não poderiam restringilo. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório, remanescem em litígio os débitos de IRRF, código 0561, dos períodos 0111/98 e 0112/98, cada um no valor de R$ 2.410,00. O contribuinte alega que foram compensados com saldo negativo de IRPJ e CSLL do ano de 1994. A decisão de primeira instância argumentou que demonstrativo com indicação dos créditos oriundos de 1994 e cópia da DIRPJ não constituíam prova da existência do crédito e nem de sua utilização em dezembro de 1998 para compensação dos débitos. Que, para se admitir o alegado erro no preenchimento da DCTF, o contribuinte deveria ter apresentado prova de seu crédito e da efetivação da compensação em sua escrituração. Nesse tópico, é irretocável a decisão recorrida. A declaração do contribuinte em DCTF é confissão de dívida que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Para se comprovar o alegado erro no preenchimento da declaração, seria imprescindível a demonstração, na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, de que os débitos em questão foram quitados através de compensação com os créditos alegados. Além disso, seria necessária a comprovação, na escrituração, do crédito indicado. No processo, porém, constam apenas a DIPJ do anocalendário de 1994 e cópia dos DARF que quitaram as estimativas de dezembro de cada tributo (IRPJ e CSLL). Conforme art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil – CPC (Lei nº 13.105/2015), que reproduz o art. 333, I, do antigo CPC, ao autor incumbe o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito. E de acordo com o art. 967 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/2018 (Decreto nº 9.580/2018), que reproduz o art. 923 do antigo RIR/1999, a escrituração mantida em observância às disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Assim, não comprovado nos autos o alegado erro na DCTF, nem a existência de direito creditório líquido e certo passível de compensação, não há o que ser reconsiderado, nessa matéria, na decisão dada pela autoridade administrativa. Cabe observar que ainda que houvesse comprovação, na escrituração do contribuinte, da efetivação da compensação dos débitos de IRRF de novembro e dezembro de Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10875.002715/200312 Acórdão n.º 1001001.306 S1C0T1 Fl. 317 6 1998 com crédito de saldo negativo de IRPJ e CSLL, bem como a comprovação do crédito informado, tal compensação não seria possível em relação à CSLL. Também nesse item está correta a decisão recorrida quando esclarece que, à época da compensação (1998), o art. 66 da lei nº 8.383/91 autorizava a compensação, independente de pedido administrativo, apenas entre tributos da mesma espécie, nos termos das IN SRF 21/97 e 73/97. Porém, a compensação entre tributos de espécies diferentes (no caso, CSLL com IRRF) exigia prévio pedido administrativo, conforme art. 74 da Lei nº 9.430/96, regulado no Decreto nº 2.138/97 (art. 1º, parágrafo 1º), na forma estabelecida pela IN SRF nº 21/97. Abaixo, a redação original do art. 74, vigente à época: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Determinou o art.1º, parágrafo 1º, do Decreto nº 2.138/97: Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. O contribuinte argumenta que o CTN, em seu art. 170, autoriza a compensação de créditos tributários com débitos de qualquer natureza, bastando que sejam líquidos e certos, e que os outros dispositivos legais que o restringem e regulamentam, exigindo pedido para compensação de tributos de diferentes espécies, são irregulares. Equivocase a empresa. O próprio art. 170 prevê, já em seu caput, a regulamentação do direito na forma da lei e, por sua autorização, conforme legislação infralegal: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10875.002715/200312 Acórdão n.º 1001001.306 S1C0T1 Fl. 318 7 Correta, portanto, a decisão de primeira instância, quando conclui que mesmo que o crédito e a compensação fossem comprovados, não se homologaria a compensação do saldo negativo de CSLL de 1994 com os débitos de 1998. Conclusão Concluise que, por ausência de comprovação, na escrituração da empresa, da alegada compensação, bem como da existência do crédito pleiteado, confirmase o lançamento de ofício por ausência de pagamento do débito declarado em DCTF. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 318DF CARF MF
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