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Numero do processo: 10907.000430/2001-61
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/11/2000
Não se conhece do recurso, quando não ficar demonstrada a divergência jurisprudencial, nos termos do RICARF.
Recurso Especial da Fazenda Nacional não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer o recurso especial, por não ter sido demonstrada divergência. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente.Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/11/2000 Não se conhece do recurso, quando não ficar demonstrada a divergência jurisprudencial, nos termos do RICARF. Recurso Especial da Fazenda Nacional não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer o recurso especial, por não ter sido demonstrada divergência. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente.Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 289 1 288 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10907.000430/200161 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.150 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2012 Matéria Imposto sobre a Importação Multa. Recorrente Fazenda Nacional. Interessado BPAR10 LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/11/2000 Não se conhece do recurso, quando não ficar demonstrada a divergência jurisprudencial, nos termos do RICARF. Recurso Especial da Fazenda Nacional não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer o recurso especial, por não ter sido demonstrada divergência. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente.Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 04 30 /2 00 1- 61 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Relatório Adotaremos o relatório do AFRFB relator na DRJ, com as alterações necessárias. Tratase de Recurso Especial Interposto tempestivamente pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional contra Acórdão proferido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso Voluntário, sob a seguinte ementa, após os embargos de declaração: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/11/2000 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL – DISCREPÂNCIA ENTRE AS DESCRIÇÕES DO PRODUTO CONSTANTE DA DI E OBJETO DE LAUDO TÉCNICO. Partindo da premissa que ambos os produtos se classificam na mesma posição tarifária e que fazem jus às mesmas alíquotas, não existe qualquer dano à Fazenda. Divergência irrelevante não caracteriza importação ao desamparo da GI. Incabível, portanto, a multa do art. 526, II do RA/85. EMBARGOS ACOLHIDOS EM PARTE. O presente processo trata de penalidade prescrita no art. 526, inciso II, do Decreto nº 91.030/85, relativa ao controle administrativo das importações. No caso em tela, a Interessada submeteu a despacho de importação, por meio da Declaração de Importação (DI) nº 00/11127753, de 20/11/2000, mercadoria declarada como sendo tubos de aço (adições 002 e 003), classificandoa no código NCM 7304.31.90. Nada obstante, em face das conclusões apresentadas em laudo técnico subsidiário da conferência física do bem, foi a referida Declaração objeto de retificação, para modificação da descrição da mercadoria e adoção do código tarifário indicado pelo Fisco (NCM 7304.21.10). Em julgamento realizado em 19 de setembro de 2006, este Colegiado, seguindo as conclusões da Relatora, concordou que existia uma pequena diferença entre o código tarifário usado pela Interessada e aquele adotado pelo Fisco em sua descrição, contudo, para ambos os códigos, as alíquotas do II e do IPI eram as mesmas. Código NCM Descrição Fiscalização 7304.2 Tubos para revestimento de peços, de suprimento ou produção, e tubos de perfuração, dos tipos utilizados na extração de petróleo ou de gás. 7304.21 Tubos de perfuração 7304.21.10 De aço não ligado Fl. 356DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10907.000430/200161 Acórdão n.º 9303002.150 CSRFT3 Fl. 290 3 Interessada 7304.3 Outros, de seção circular, de ferro ou de aços não ligados. 7304.31 Estirados ou laminados a frio 7304.31.90 Outros. Nesse esteio, a Câmara decidiu não considerar que a diferença entre a mercadoria descrita pela Interessada e aquela identificada pelo laudo técnico fosse de tão grande relevância que justificasse a total desconsideração da DI e, portanto, a aplicação da penalidade multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro. A ementa ficou assim redigida: “COMÉRCIO EXTERIOR. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA RELATIVA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Sendo o produto descrito na DI/LI o mesmo efetivamente importado, havendo divergência apenas quanto à sua classificação fiscal, não há que se aplicar a multa capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985. RECURSO PROVIDO” Nada obstante, considerando que a ementa do Acórdão trata de equívoco na classificação fiscal do produto e não na descrição do produto, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração alegando contradição no julgado. O Recurso Voluntário foi provido por unanimidade de votos A PGFN interpôs Recurso Voluntário, alegando que houve a descrição errônea, logo é cabível a multa administrativa. Em contrarrazões a recorrida alega que não houve prejuízo, vez que foi aceito prontamente a classificação fiscal proposta pela autoridade aduaneira e que a descrição permitiu o exato enquadramento tarifário, em que pese haver uma pequena alteração na posição da classificação. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Não há como se admitir o recurso de divergência interposto pela Fazenda Nacional pelos motivos expostos a seguir. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 Eis o acórdão recorrido: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/11/2000 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL – DISCREPÂNCIA ENTRE AS DESCRIÇÕES DO PRODUTO CONSTANTE DA DI E OBJETO DE LAUDO TÉCNICO. Partindo da premissa que ambos os produtos se classificam na mesma posição tarifária e que fazem jus às mesmas alíquotas, não existe qualquer dano à Fazenda. Divergência irrelevante não caracteriza importação ao desamparo da GI. Incabível, portanto, a multa do art. 526, II do RA/85. EMBARGOS ACOLHIDOS EM PARTE. Apresenta, a Procuradora, como paradigmas, para comprovar a divergência, os Acórdãos n° 30133.363, referente ao Recurso 133.217, fis. 204/216, oriundo da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, e o de n° CSRF/03 04.569, fis. 217/224, que transcrevo as ementas, respectivamente: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/08/2001 Ementa: MULTA DO ART. 526, II DO RA. Quando o produto importado não foi corretamente descrito com todos os elementos necessários à sua classificação fiscal, o importador fica sujeito ao recolhimento da multa prevista no art. 526, II do RA/85, por falta de Guia de Importação ou documento equivalente (LI). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO" CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA — MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES — LICENÇA DE IMPORTAÇÃO — ADN/COSIT N° 12/97 Comprovado que o produto não foi corretamente descrito nos documentos de importação, não contendo todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, configurase infração administrativa ao controle das importações, incidindo a penalidade capitulada no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro (RA/85). Recurso especial provido No acórdão recorrido decidiuse que como houve a descrição que permitiu o correto enquadramento tarifário, não há que se falar em descrição errônea e aplicase o ADN Cosit nº 12/97 e não há como prosperar a multa administrativa. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10907.000430/200161 Acórdão n.º 9303002.150 CSRFT3 Fl. 291 5 Nos paradigmas, sempre se decidiu pela aplicação da multa administrativa por ter feito o importador a classificação errônea que ao permitiu o correto enquadramento. Também aplicouse o ADN Cosit. Assim, o acórdão recorrido e os paradigmas aplicam o ADN Cosit nº 12/97 e tratam dos mesmos fatos. Se descreveu de modo a se permitir a correta classificação aplicase a multa, caso contrário, não se aplica. Não conheço do recurso, por falta de divergência, nos termos do RICARF. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 359DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000852/2007-46
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DA RETENÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. CANCELAMENTO DA GLOSA DO IRRF.
Comprovada a retenção do imposto de renda com documentação hábil e idônea, deve-se cancelar a glosa do IRRF efetuada pela fiscalização.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa de IRRF de R$ 488,55.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 22/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DA RETENÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. CANCELAMENTO DA GLOSA DO IRRF. Comprovada a retenção do imposto de renda com documentação hábil e idônea, deve-se cancelar a glosa do IRRF efetuada pela fiscalização. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa de IRRF de R$ 488,55. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente. EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho.
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CANCELAMENTO DA GLOSA DO IRRF. Comprovada a retenção do imposto de renda com documentação hábil e idônea, devese cancelar a glosa do IRRF efetuada pela fiscalização. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa de IRRF de R$ 488,55. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 08 52 /2 00 7- 46 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório A partir da revisão da declaração de ajuste anual do anocalendário 2004 apresentada pelo contribuinte em destaque, a fiscalização imputoulhe as seguintes infrações: § omissão de rendimentos recebidos da empresa Gate Express, CNPJ nº 00.188.837/000106; § glosas de IRRF das fontes pagadoras Gate Express, CNPJ nº 00.188.837/000297, no valor de R$ 896,36, e Transeich Assessoria e Transporte Ltda, no valor de R$ 488,55. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0716.883, de 08 de julho de 2009. A decisão acima cancelou a omissão de rendimentos e a glosa de IRRF provinda da fonte pagadora Gate Express, porém manteve a glosa de IRRF oriunda da Transeich Assessoria e Transportes Ltda, pois nos autos não constou a comprovação desse IRfonte glosado. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 20/08/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 03/09/2008. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que o IRRF glosado foi oriundo do pagamento de férias não gozadas, no momento de rescisão contratual, rendimentos que sequer seriam tributáveis, devendo ser restabelecido o IRRF de R$ 488,55, retido pela Transeich Assessoria e Transporte Ltda, com pagamento da restituição de R$ 318,10. Juntou cópia do Termo de Rescisão com o IRRF sobre férias de R$ 488,55 (fl. 51). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 20/08/2009, quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 03/09/2009, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 21/09/2009, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Restou absolutamente comprovado o IRRF pela empresa Transeich Assessoria e Transporte Ltda, em pagamento ao fiscalizado (fl. 51), devendo ser cancelada a glosa de IRRF no valor de R$ 488,55. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.000852/200746 Acórdão n.º 2102002.297 S2C1T2 Fl. 55 3 Assim, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa de IRRF de R$ 488,55. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15540.000169/2008-95
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/03/2000
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. LIQUIDANTE EXTRAJUDICIAL. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DA APRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE POSSE. PROVA SUFICIENTE A JUSTIFICAR O DESCUMPRIMENTO DA ORDEM. O liquidante extrajudicial é obrigado a atender aos termos das intimações solicitadas pelo auditor em sede de ação fiscal. Uma vez que deixando de apresentar os documentos trouxe aos autos prova suficiente a corroborar as alegações de que não os possuía, tendo inclusive sido necessária a impetração de ação de busca e apreensão na tentativa de obtê-los, resta demonstrada a impossibilidade do cumprimento da ordem.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2000 a 30/03/2000 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. LIQUIDANTE EXTRAJUDICIAL. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DA APRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE POSSE. PROVA SUFICIENTE A JUSTIFICAR O DESCUMPRIMENTO DA ORDEM. O liquidante extrajudicial é obrigado a atender aos termos das intimações solicitadas pelo auditor em sede de ação fiscal. Uma vez que deixando de apresentar os documentos trouxe aos autos prova suficiente a corroborar as alegações de que não os possuía, tendo inclusive sido necessária a impetração de ação de busca e apreensão na tentativa de obtê-los, resta demonstrada a impossibilidade do cumprimento da ordem. Recurso Voluntário Provido.
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NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. LIQUIDANTE EXTRAJUDICIAL. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DA APRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE POSSE. PROVA SUFICIENTE A JUSTIFICAR O DESCUMPRIMENTO DA ORDEM. O liquidante extrajudicial é obrigado a atender aos termos das intimações solicitadas pelo auditor em sede de ação fiscal. Uma vez que deixando de apresentar os documentos trouxe aos autos prova suficiente a corroborar as alegações de que não os possuía, tendo inclusive sido necessária a impetração de ação de busca e apreensão na tentativa de obtêlos, resta demonstrada a impossibilidade do cumprimento da ordem. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 01 69 /2 00 8- 95 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15540.000169/200895 Acórdão n.º 2401002.578 S2C4T1 Fl. 85 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MICHEL EDUARDO CHACHAA, irresignado com o acórdão de fls. 60, que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.174.4806, por meio do qual foi aplicada multa por ter o recorrente, na qualidade de liquidante extrajudicial da empresa Aliança Metropolitana RJ Cooperativa de Trabalho Médico, deixado de apresentar documentação solicitada pela fiscalização por meio de TIAD, qual sejam, Livros Razão, Livros Diários e folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais. A ciência do contribuinte acerca do lançamento foi efetivada em 03/06/2008 (fls. 01). Em seu recurso sustenta que os documentos requeridos não foram apresentados por estarem de posse de outra pessoa, no caso o Sr. Reginaldo Ferreira Lima, depositário de toda a documentação da empresa, contra o qual fora, inclusive, impetrada ação judicial de busca e apreensão de documentos, na qual fora deferida medida liminar para este fim, cuja execução restou infrutífera, sobretudo em decorrência da juntada àquele processo de declaração do mesmo atestando estar de posse dos documentos contábeis da empresa sob liquidação. Acresce que nula é a exação sob análise, ao menos em face do ora recorrente, não havendo como prosperar a pretensão da autoridade fiscal, quer pela falta de justa causa para a instauração da ação fiscal originária, quer, sobretudo, pela absoluta ausência de possibilidade do signatário de apresentar documentos fiscais que comprovada e confessadamente encontramse em poder de terceiro. Por fim, aponta ser equivocado o entendimento do v. acórdão de primeira instância, ao concluir que com a concessão da liminar, cujo cumprimento resultou na não localização dos documentos, tendo em vista que este informou que tais documentos haviam sido entregues aos sócios da empresa, não teve o condão de elidir a presunção da posse dos mesmos em favor do recorrente, que deveria ter a obrigação de apresentálos. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO O recorrente argumenta a impossibilidade de cumprimento da solicitação da fiscalização para a apresentação de documentos. E justificou tal afirmação pelo fato de que não detinha a posse dos mesmos, já que estes estavam em poder do antigo liquidante da empresa Aliança Metropolitana RJ Cooperativa de Trabalho Médico. A demonstração de que tais documentos estavam com o antigo liquidante e a impossibilidade da apresentação foram objeto de esclarecimento ao fiscal autuante ainda em sede de ação fiscal, quando em resposta ao TIAD, apresentou requerimento justificando a impossibilidade de apresentação de todos os documentos que lhe foram requeridos, dentre eles aqueles não apresentados. Ademais, juntou aos autos Ação Judicial impetrada em desfavor do antigo liquidante, com pedido de busca e apreensão de documentos que estavam sob seu poder. Assim foram listados os documentos sobre os quais se requereu a busca e apreensão; 1. Livro Diário — exercício de 2002 até dezembro de 2006; 2. Livro Razão — exercício de 2002 até dezembro de 2006; 3. Balancetes exercício de 2002 até dezembro de 2006; 4. Extratos bancários desde a data de inicio do processo de liquidação ordinária; 5. Extratos de aplicações bancárias dos últimos 6 meses; 6. Demonstrações Contábeis, do exercício de 2002 até dezembro de 2006; 7. Livros de Atas de Reuniões de Diretoria e de Assembléias; 8. Contrato/Estatuto Social e suas alterações (Certidão atualizada da Junta Comercial ou Cartório); Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15540.000169/200895 Acórdão n.º 2401002.578 S2C4T1 Fl. 86 5 9. Rol dos processos administrativos e judiciais individualizadas, com posição atualizada, relacionados com as áreas trabalhista, civil e tributária, informando a situação atual quanto aos valores reclamados e perspectivas , de êxito (subdividida• em "Remota", "Possível" e "Provável"), anexando parecer de consultor jurídico externo, se houver, sendo informado se as mesmas foram registradas contabilmente; 10.Re1ação de todos os contratos e/ou convênios de prestação de serviço e de fornecimento de materiais existentes, excetuados os firmados com a rede credenciada/referenciada; 1 1.Copia de todas as procurações ern vigor; 12.Composição do saldo das contas ativas, juntamente com a documentação de suporte; 13.Relação de passivos que não tenham sido registrados contabilmente; 14. Inventário dos bens móveis (máquinas, .equipamentos, móveis, utensílios, veículos etc.); 15. Relação de todos os imóveis de propriedade da ex operadora acompanhada das certidões atualizadas (emitidas há no máximo 60 dias) dos respectivos Cartórios de Registros de Imóveis; 16.Rol de credores, caso este tenha sido elaborado; e 17.Lista detalhada de eventuais pagamentos que tenham realizado. E diante das alegações insertas na petição inicial, fora concedida a ordem liminar de busca e apreensão, cuja execução restou infrutífera pois no endereço indicado o oficial de justiça não encontrou qualquer dos documentos que se determinou fossem apreendidos. Na certidão atestando o cumprimento da liminar certificou o oficial que de acordo com informações do antigo liquidante, este teria entregue os documentos aos sócios da empresa. E calcado neste assertiva do réu na ação o v. acórdão recorrido achou por bem entender que, no mínimo, haveria que se presumir que os documentos solicitados no TIAD estavam de posse do recorrente, que quedouse inerte no dever de sua apresentação. Em que pesem tais argumentos, não compartilho do mesmo entendimento. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Ora, há de se privilegiar, a meu ver, a justificativa apresentada pelo recorrente atual liquidante da empresa pessoa que sempre diligenciou no sentido de tomar a posse de tais documentos. Posse esta resistida por parte do antigo liquidante, que ao negar a sua entrega a quem lhe tomou as vezes, fora necessária a impetração de ação judicial de busca e apreensão. Na inicial foi juntada declaração do antigo liquidante que estava na posse da documentação, bem como diversas notificações para que este viesse a entregar os documentos, as quais não foram atendidas. A mera alegação de que os documentos foram entregues aos sócios, devendo ser tomada como verdadeira, a ponto de fundamentar a aplicação da multa pela não apresentação de documentos, a meu ver, não é dotada de verossimilhança e razoabilidade suficientes a elidir as alegações do recorrente. Toda a ação para a busca dos documentos foi tomada antes mesmo do início da ação fiscal, o que, de certo modo, ao que tudo indica, tais documentos, pelo menos até a data de impetração da ação não estavam de posse do recorrente, de modo que a sua justificativa pela impossibilidade de apresentação deve ser acatada, pois veio acompanhada de prova suficiente das alegações recursais. Não vejo como manter a conclusão do v. acórdão recorrido, que em contrapartida com as provas das alegações do recorrente trazidas aos autos, achou por bem manter o lançamento diante da simples alegação do réu da ação que os devolveu aos sócios da empresa. Esclareço aqui que também entendo que o recorrente é de fato o responsável pela apresentação da documentação requerida à fiscalização. Todavia, por entender como verossimilhantes e razoáveis as suas alegações para justificar o descumprimento da ordem, sobretudo por estarem acompanhadas de prova documental neste sentido, as razões postas pelo v. acórdão recorrido para a manutenção do lançamento não merecem prosperar. Ante todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002091/2004-11
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS
OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC.
Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas.
Não há como aplicar a taxa de juros SELIC ao ressarcimento do crédito presumido de IPI sob fundamento da analogia, porque não se trata de uma mera situação esquecida pelo legislador; ao contrário, de um instituto próprio com motivos, finalidades e regras específicas.
O Princípio da Legalidade proíbe no âmbito da Administração Pública a aplicação isolada de princípios, isto é, sem a existência de regra específica disciplinadora da matéria.
Recursos especiais do Contribuinte. e do Procurador providos.
Numero da decisão: CSRF/02-03.418
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, quanto a matéria "incidência de juros à taxa SELIC sobre ressarcimento". Vencidos
os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso; 2) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial do contribuinte, quanto à matéria "aquisições de pessoas físicas". Vencidos os Conselheiros Josefa
Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim, Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negaram provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. Não há como aplicar a taxa de juros SELIC ao ressarcimento do crédito presumido de IPI sob fundamento da analogia, porque não se trata de uma mera situação esquecida pelo legislador; ao contrário, de um instituto próprio com motivos, finalidades e regras específicas. O Princípio da Legalidade proíbe no âmbito da Administração Pública a aplicação isolada de princípios, isto é, sem a existência de regra específica disciplinadora da matéria. Recursos especiais do Contribuinte. e do Procurador providos.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, quanto a matéria "incidência de juros à taxa SELIC sobre ressarcimento". Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso; 2) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial do contribuinte, quanto à matéria "aquisições de pessoas físicas". Vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim, Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negaram provimento ao recurso.
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'.I, ,', ,L ./.1 ," ". f~, Processo nO Recurso nO Matéria Acórdão nO Sessão de Recorrentes • r'1.830 CSRFfT02 Fls. I 1'LZ Ó){.~ MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA 10930.002091/2004-11 203-132.954 Especial do Procurador e do Contribuinte RESSARCIMENTO DE IPI 02-03.418 O1 de setembro de 2008 FAZENDA NACIONAL e COMPANHIA CACIQUE DE CAFÉ SOLÚVEL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas fisicas. Não há como aplicar a taxa de juros SELIC ao ressarcimento do crédito presumido de IPI sob fundamento da analogia, porque não se trata de uma mera situação esquecida pelo legislador; ao contrário, de um instituto próprio com motivos, finalidades e regras específicas. O Princípio da Legalidade proíbe no âmbito da Administração Pública a aplicação isolada de princípios, isto é, sem a existência de regra específica disciplinadora da matéria. " Recursos especiais do Contribuinte. e do Procurador providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: .1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, quanto a matéria "incidência de juros à taxa SELIC sobre ressarcimento". Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso; 2) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial do contribuinte, quanto à matéria "aquisições de pessoas fisicas". Vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim, Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negaram provimento ao recurso. Documento de "145 pelo cód~'90de , . PH: L()NDRINA DRF Processo n. 10930.002091/2004-11 Acórdão n,. 02-03,418 . JULIO E VIEIRA GOMES Relator \ FORMA~IZADO EM: FI. 831 CSRFrr02 Fls. 2 1q; • • Participaram do presente julgamento, os conselheiros: Antonio Praga (presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice-presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez López, Antonio Carlos Atulim, Gileno GUljão Barreto, Julio Cesar Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Júnior (substituto convocado). Relatório Trata-se de recursos especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda, fls. 688, e pelo sujeito passivo, fls. 719, contra o Acórdão às fls. 678; no qual, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário para a atualização pela SELIC dos valores de ressarcimento, maioria de votos, e negou-se o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas fisicas, voto de qualidade, respectivamente.' . Os recursos foram baseados no artigo 32, incisos I e lI, do então vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes; aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16/03/98. Alegam a Procuradoria da Fazenda que não há previsão legal para a atualização pela taxa SELIC do ressarcimento e o sujeito passivo que na Lei n° 9.363/96 há previsão para se reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo dos insumos mesmo quando não sejam tributados na última etapa. Por meio dos despachos às fls. 696 e 774 deu~se seguimento aos recursos especiais para devolução à esta Câmara Superior das matérias suscitadas pelas recorrentes. Cientificados do acórdão recorrido, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, a Procuradoria da Fazenda e o sujeito passivo apresentaram contra-razões. É o Relatório. Documento oe 145 págin<lU;) cont1rmado peio códiGO 00 lcca!ízaçéio EP17.0419. , . PI{ LONDRINA DRF Processon° 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02-03.418 Voto FI. 832 • Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS INTRODUÇÃO: A controvérsia restringe-se à limitação da incidência do art. 10 da Lei nO 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF nO 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF nO 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o beneficio do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível quando nas aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtor-exportador houver incidência dessas co.ntribuições sociais. Seguem transcrições: IN SRF nO 23/97: Art. 2° (...) B ]O O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2° da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em. relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas âs contribuições PIS/PASEP e COFINS. IN SRF nO 103/97: Art. 2° as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. ..' Ao comparar as diversas abordagens e os entendimentos delas resultantes, l naturalmente, constatei uma tendência: procura-se atribuir ao método de interpretação empregado a responsabilidade pela conclusão acerca:da matéria; como se a solução do impasse dependesse da esc.olha de um método ou outro. E, assim sendo, pela interpretação literal não se reconheceria o direito ao crédito presumido; ao passo que a interpretação teleológica, histórica ou sistemática conduziria o julgador à conclusão oposta. Manifesto o respeito a todos que se enveredaram por esse caminho, mas não me parece ser essa a sistemática mais apropriada para se enfrentar o problema. Lembra o respeitado jurista e professor de Direito Constitucional Luís Roberto Barroso que os métodos clássicos de interpretação remontam ao magistério de Savigny, em sua obra "Sistema" de 1840, e continua sobre o emprego desses métodos na atualidadel: 1 BARROSO, Luís Roberto: "Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 5' edição. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 125/127. Doullnc,nln de 145 pele código de confírolatiü , , . PRLONDRfNA DRF Processo nO 10930.00209112004-11 Acórdão n.o 02-03.418 ~'Há consenso entre a generalidade dos autores de que a interpretação, a despeito da pluralidade de elementos que devem ser tomados em consideração, é una. Nenhum método deve ser ~bsolutizado: os diferentes meios empregados ajudam-se uns aos outros, combinando-se e controlando-se reciprocamente. A interpretação se faz a partir do texto da norma (interpretação gramatical), de sua conexão (interpretação sistemática), de sua finalidade (interpretação teleológica) e de seu processo de criação (interpretação histórica) ( ..)" FL 833 CSRFrr02 Fls. 4 ~ • • Da aplicação dos diferentes métodos a uma dada especze concreta podem ocorrer duas possibilidades: (a) ou todos eles conduzem a um mesmo resultado; (b) ou apontam eles para resultados divergentes. Na primeira hipótese, o caso será facilmente resolvido, pela incidência da solução única resultante da convergência dos diferentes métodos. Tratar-se-á de um caso fácil. " Embora a regra seja o emprego conjunto de todos os métodos, excepcionalmente, a lei obriga o intérprete a se limitar ao método gramatical. Nesse caso, deve-se investigar apenas o conteúdo semântico da norma a ser interpretada e dele se extrair o comando a ser aplicado ao caso concreto. Assim é a regra estabelecida pelo artigo 111 do Código Tributário Nacional-CTN, verbis: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; ". 111 - dispensa do eymprimento:'d,e. obrigações tributárias acessórias. , ..' É oportuno, aqui, nessa fa:s~i.ntrodutória, examinar se o dispositivo acima se aplica ao crédito presumido sob análise. '. '., As hipóteses a que se refere o artigo 111 do CTN são de natureza excepcional, conforme extensa doutrina nesse sentido; não podendo, portanto, a regra alcançar situações outras que não às legalmente previstas, mesmo que possuam algum efeito em comum. A própria Constituição Federal distinguiu o crédito presumido dos demais beneficios que implicam renúncia fiscal. Assim, não me resta dúvida de que as normas que disponham sobre o beneficio em questão possam ser interpretadas com emprego conjunto de todos os métodos possívei~: Art. 150. ( ..) ~ 6. oQualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especíjica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. sem prejuízo do disposto no art. 155, ~ 2. ~XII, g. (...) .PR I,ONI)IUNA I)RF Processo n° 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02-03.418 FI. 834 CSRFrr02 Fls. 5 '1-tI6 • E, mesmo não houvesse a distinção, forte corrente entende que a regra restritiva veda apenas o emprego da analogia para se ampliar o alcance das normas instituidoras dos beneficios nela previstos, não proibindo outros métodos de interpretação em conjunto' com o gramatical. Nesse sentido: "...deve-se entender,por exemplo, o disposto no artigo 111 do Código Tributário Nacional. o qual estabelece que se interpretará literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorgade isenção.Dele resulta somenteumaproibição à analogia. e não uma impossibilidade de interpretação mais ,2 . ampla' . Essa sucinta exposição visa anunciar a abordagem com que a questão sob exame será enfrentada: serão empregados todos os métodos de interpretação, contudo, sempre a partir do gramatical. As normas serão interpretadas sem alargar seu alcance ou estreitá-lo, apenas constatando o existente. Nesse sentido Karl Lareni ao formular um conceito para a interpretação gramatical: "ela consiste na compreensão do sentido possível das palavras, servindo esse sentido como limite da própria interpretação"; e Luís Roberto Barroso ao tecer seus valiosos comentários: "A interpretação gramatical é o momento inicial do processo interpretativo. O texto da lei forma o substrato de que se deve partir e em que deve repousar o intérprete." Feitas essas considerações, passo a decidir a matéria. REGRA-MATRIZ: o primeiro dos dispositivos da .lei trata de instituir o beneficio fiscal, motivá- 10 e delimitar seus contornos. No entanto, sua leitura não é suficiente para que se extraia a norma aplicável ao caso sob exame, isto é, somente com o emprego da interpretação gramatical o intérprete não encontra respostas quanto à inclusão.' ou não na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores correspondentes às aquisições de pessoas fisicas e cooperativas de produção. . A expressão "incidentes sobre as respectivas aquisições" comporta ao menos duas interpretações: a) Somente as aqUlslçoes de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem diretamente pelo produtor-exportador e sobre as quais incidam PIS/PASEP e COFINS integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI; ou b) Havendo incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, em quaisquer das etapas da cadeia produtiva, os valores. correspondentes integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI. 2 ALMEIDA JUNIOR, Fernando Osório. "Interpretação conforme a Constitucional e Direito Tributário". São Paulo: Dialética, 2002, p. 74. 3 LARENZ, Karl: "Metodologia da Ciência do Direitol,. Tradução de José Lamego. 3" edição. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, p. 453/454. pêlo PRLONDRINA DRF' Processo n° 10930.00209112004-11 Acórdão n.o 02-03.418 f1835 CSRFrro2 Fls. 6 :}l1+ • • De fato, não há um único conteúdo semântico a ser extraído da interpretação gramatical. Especialmente porque a expressão "incidentes" se refere às aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem sem, contudo, identificar o responsável por essas aquisições. Sendo estep ponto controvertido para o deslinde da questão sob exame, faz-se necessário o emprego dos demais métodos de interpretação, conforme já sinalizamos na parte introdutória. Seguem transcrições: Lei nO9.363/96: Art. 1°A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nOs7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no. processo produtivo. ANTECEDENTES - INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA: A Medida Provisória n° 674, de 25/10/1994 manteve em suas sucessivas reedições regra diferente para o beneficio fiscal. O artigo 1° delimitava o crédito, sempre ressarcido em pecúnia, às aquisições realizadas pelo exportador. De fato, as operações anteriores eram irrelevantes para a sistemática da época. Após a obtenção da parcela de insumos utilizados nos produtos destinados à exportação, conforme regra estabelecida no artigo 2°, incidia o percentual de 2,65%, resultando'do cálculo as contribuições sociais que oneraram o produtor-exportador (2,00% de COFINS e 0,65% de PIS). Também reforça essa conclusão a regra do artigo 5° da MP. Para rec~ber <> ,.ressarcimento deveria o produtor-exportador comprovar o recolhimento pelo seu fornecedor imediato das contribuições sociais, verbis: MP nO674/94: (Àrt. 10 Fica instituído a favor "do produtor exportador de mercadorias nacionais, crédito fiscal, mediante ressarcimento em moeda corrente, destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais de que tratam as Leis Complementares nOs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, que incidirem sobre; o valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo. Art. 3" O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 2,65% sobre a base de cálculo definida no art. 20. Art. 5° O beneficio ora instituído é condicionado à apresentação, pelo exportador, das guias correspondentes ao recolhimento, pelo seu fornecedor imediato, das contribuições devidas nos termos das Leis Complementares nOs 7 e 8, de 1970, e 70, de 1991. ' Portanto, da comparação com a regra anterior (interpretação histórica) resulta, ainda que se atendo ao prymeiro dos dispositivos da lei vigente, a seguinte conclusão: con~:;~).tadc endereço 3utenbcaqãn '"l(.} t Processo nO 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02.03.418 FL 836 CSRFrr02 Fls. 7 1Cj~ ~. • houve uma evolução do beneficio fiscal; entre outras alterações, não mais se limitou a lei às aquisições pelo próprio produtor-exportador. BASE DE CÁLCULO: Prosseguindo a análise do texto, constata-se no artigo 2° o método de aferição da parcela de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) empregada nos produtos exportados: , Lei nO 9.363/96: Art. 1°(...) incidentes sobre. as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. para utilização no processo produtivo. Art.2QA base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de 'embalagem referidos no artigo anterior, do percentual :correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. MP nO 674/94: Art. 2° A base de cálculo do crédito fiscal será determinada mediante a aplicação sobre o valor total das aquisições de matérias-primas produtos intermediários e material de embalagem referidos no Q,:t.1~do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do exportador. Nisso, não houve alteração da r.egra anterior revogada. Ambas se referem às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem especificados em seus respectivos. artigos primeiros . Sobre a expressão "referidos", que vem sendo objeto de divergências, somente identifico uma possibilidade de análise semântica. É regra gramatical de concordância nominal que após uma seqüência de substantivos, uns no masculino e outros no feminino, o verbo seja flexionado no masculino plural. Daí, certamente, não poderia a expressão se referir às aquisições, mas aos insumos. Caso se referisse às aquisições, a expressão correta seria "referidas" . Segue transcrição de trecho da gramática DICMAXI Michaelis Intranet - Dicionário Eletrônico Português: 2. Adjetivo posposto Com o adjetivo posposto há dois tipos de concordância: a) o adjetivo concorda com o substantivo mais próximo: Ele comprou uma camisa e um blazer branco. Ele comprou um blazer e uma camisa branca. Fernanda é uma mulher de porte e beleza extraordinária. Fernanda é uma mulher de beleza eporte Docurnenlo de .145{)$.nlna(s} conflrrnadc p!,k código de j0Cdl'iZd~Ção EF'F,()4 r< nCí dncurnento, PR LONDRINA DRF Processo n° 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02-03.418 extraordinário. b) o adjetivo vai para o plural, prevalecendo o masculino se os gêneros forem diferentes: Ele comprou uma camisa e um blazer brancos. Ele comprou um blazer e uma camisa brancos. Fernanda é uma mulher de porte e beleza extraordinários. Fernanda é uma mulher de beleza e porte extraordinários. FI. 837 CSRFrr02 Fls, 8 '1QQ • • Apesar de firmar posição, não vejo relevância nesse ponto da discussão. Cada um dos dispositivos legais, artigos 1° e 2°, possuem objetos e finalidades distintas. O artigo 1° apresenta o beneficio e descreve sua regra-matriz para gozo; enquanto o artigo 2° se limita a determinar como ele deve ser calculado. Nada impede que as aquisições em etapas anteriores da cadeia produtiva tenham relevância para o reconhecimento do direito; porém, no cálculo do beneficio sejam consideradas apenas as aquisições pelo produtor-exportador, portanto restringindo-se à última etapa . Como se constata, seguiu-se a mesma técnica de instituição de tributos. Primeiro a descrição da hipótese de incidência (regra-matriz) e após a expressão quantitativa ou material (base de cálculo). No caso, não cabe interpretação sistemática para se extrair da conjugação dos dispositivos a regra aplicável sobre a questão analisada. E há uma explicacão para que não sejam trazidos para a base de cálculo do beneficio os valores correspondentes às aquisicões anteriores, o que se mantém inalterado desde a MP nO 674, em 25/10/1994. O produtor-exportador, que é o beneficiário, somente possui em seu poder as notas fiscais de aquisicão dos insumos quando é o adquirente. Na produção dos insumos adquiridos, seu fornecedor pode os ter processado desde a matéria- prima em estado natural de sua propriedade, como apenas ter agregado algum beneficiamento antes da venda ao produtor-exportador. Para o produtor-exportador, posicionado na última etapa, não se poderia atribuir qualquer obrigacão quanto às etapas anteriores, mesmo porque delas não participou. ' Caso o legislador atribuísse'ao"produtor-exportador o ônus da prova sobre as operações anteriores, provavelmente, a lei perecia de efetividade. Ele não obteria dos demais fornecedores da cadeia produtiva os documentos necessários e o beneficio não lhe seria conferido, não se alcançado a finalidade da lei - estímulo às empresas industriais que destinem seus produtos à: exportação, melhorando nossa balança comercial. Assim, não consigo vislumbrar outra base que não a última operação, mesmo que a lei tenha reconhecido que o crédito tem por finalidade desonerar o produto exportado das contribuições sociais que incidiram em toda a cadeia produtiva. Concluo, que a opção legislativa se deu por impossibilidade fática. Daí a parte final do artigo 3°: Art.3!l.para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. ]!l.,tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Lembro de uma experiência análoga quanto a essa característica no âmbito das contribuições:previdenciárias. Até que fosse extinta, vigeu até 20/11/98 a responsabilidade solidária do contratante de serviços por cessão de mão de obra sobre a remuneração dos Documento de 14b pelo códí;JO de Fode ser consultado no .RIí<IJ. Con~;ulle a p,;gína de no , PR LONI)RINA DRF Processo n° 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02-03.418 I:J.838 CSRFrr02 Fls. 9 @ ~ • • segurados empregados. A responsabilidade pela obrigação tributária era do contratante, ao menos que ele comprovasse que o contratado recolheu as contribuições previdenciárias sobre a mão de obra cedida. Como havia alguma subjetividade em se considerar o serviço sujeito ou não a essa sistemática de responsabilidade solidária, o contratante, ao considerar que não, deixava de tomar as providências para elidir sua responsabilidade solidária e, conseqüentemente, a fiscalização, sem antes verificar se a obrigação já havia sido adimplida pelo contratado, constituía o crédito tributário correspondente sobre o contratante. Como o contratado não tinha qualquer obrigação de fornecer ao contratante os documentos que comprovassem o recolhimento das contribuicões previdenciárias e elidissem a responsabilidade solidária permanecia inerte. O que não raras vezes configurava o "bis in idem": cobravam-se do contratante contribuições previdenciárias já recolhidas pelo contratado. Segue transcrição do texto legal: Lei nO8.212/91: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de .trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.1997) ~ 3° A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços ~xecutados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo incluído pela Lei n° 9.032, de 28.4.1995). Essa breve síntese de um paradigni'a teve apenas a finalidade de noticiar a dificuldade de se atribuir ao particular o ônus de obter documentos ou informações de terceiros. Obrigação ainda mais agravada quando esse terceiro está distante, como é o caso daqueles que participam do início da cadeia produtiva em relação ao produtor-exportador. Por tudo, portanto, entendo que o fato de se empregar como base de cálculo os insumos adquiridos na última etapa é insuficiente para se concluir que essa escolha do legislador implica afirmar que somente quando incidirem PIS/PASEP e COFINS na última etapa se reconhecerá o -direito do produtor-exportador, como impuseram os atos normativos guerreados. Reafirmo nessa oportunidade que o direito não se confunde com a sua expressão material. PERCENTUAL DE INCIDÊNCIA - RECONHECIMENTO DAS ETAPAS ANTERIORES: Antes da análise dos demais artigos da lei, ainda há o parágrafo 10, pertinente à nossa análise. Também houve alteração quanto ao percentual incidente para apuração do crédito. Na exposição de motivos está claro que na nova sistemática instituída através da MP na 948, de 23/03/95 não só a última operação é relevante. Acontece que diante da inviabilidade prática de se identificarem todos os valores de PIS/PASEP e COFINS que oneraram o produto exportado, chegou-se, com apelo à razoabilidade, às duas últimas etapas; daí o percentual de DUCU01cntn de~ pele c6diqo de ser consuH;)do no CO!lsul:te a página de no PR LONDRINA.DRF Processo n° 10930.00209112004-11 Acórdão n.o 02-03.418 FI. 839 CSRFff02 Fls. 10 ~~1_ (1w.. • • 5,37% (2,65 + 2,65 + 2,65*2,65). Nada obstaria que fossem consideradas três etapas ou mais; porém, o problema para o legisla(lor era que, sendo qual fosse a escolha, não se chegaria ao valor preciso do crédito, pois que ele é presumido e, portanto, seu cálculo aferido. Procurou então, como bem' indicou na exposicão de motivos, uma opcão que conferisse objetividade, independentemente da realidade fática, e fosse razoável. Assim, recaiu sobre as duas últimas etapas o cálculo do beneficio. O texto é claro quanto ao reconhecimento de todas as etapas anteriores e que a escolha das duas últimas para afericão do percentual se deu apenas por apelo ao Princípio da Razoabilidade, verbis: "Sendo as contribuições da COFINS e PIS/PASEP incidentes em ,cascata, sobre todas as etapas do processo produtivo, parece mais razoável que a desoneração corresponda não apenas à última etapa do processo produtivo, mas sim às duas etapas antecedentes, o que revela que a alíquota a ser aplicada deve ser elevada para 5,37% .. ". Lei nO 9.363/96: , Art. 2° (..) ,J]fl.Ocrédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. MP nO 674/94: :j Ârt. 3° O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 2,65% sobre a base de cálculo definida no art. r. , '. Importante destacar a segurança juÍidica que confere a louvável escolha feita pelo legislador. Não exercesse 'ele mesmo a discricionariedade para cálculo do crédito presumido, preferindo confiá-la ao administrador no cas9 concreto, o valor do beneficio seria aferido com subjetividades e desproporcionalidades, algumas vezes excessivas outras mitigadas, mas sempre oscilantes ao sabor dos ventos . Ao limitar o cálculo do crédito (enfatiza-se mais uma vez que nessa parte da abordagem se está analisando apenas a quantificação do crédito e não o reconhecimento do direito) às duas últimas etapas, de fato se criou uma presuncão absoluta, juris et de jure. Isto porque, da mesma forma que se procurou facilitar o cálculo do crédito presumido, também ficou vedado ao beneficiário buscar demonstrar que suportou maior ônus. O percentual foi fixado em 5,37%, correspondente a duas etapas, independentemente da dimensão real da cadeia produtiva. RESTITUIÇÕES E COMPENSAÇÕES DE PIS/PASEP ou COFINS: PREVALÊNCIA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO No último dos dispositivos da lei obriga-se o produtor-exportador a estornar seus créditos correspondentes aos valores já restituídos ao fornecedor ou por ele compensados. Segue transcrição: Art.5fl.A eventual ,restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. ]fl., bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. .•.. PR L,ONI)fUNA I) lU' Processo nO 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02-03.418 FI. k40 CSRFrr02 Fls. 11 ~Q2 (Jbv • • É importante aqui se identificar qual seria a origem desse eventual crédito do fornecedor apontado no dispositivo. Entendo que possa decorrer de qualquer outro direito relativo a PIS/PASEP ou COFINS já existente ou que venha a ser criado, exceto do crédito presumido instituído pela lei sob comento. Isto porque o artigo 10o atribuiu exclusivamente ao produtor-exportador: "A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados". Como se sabe, qualquer espécie de renúncia fiscal somente pode ser concedida ao beneficiário através de lei, nos termos do artigo 150, ~6° da Constituição Federal: "Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições. só poderá ser concedido mediante lei específica. federal. estadual ou municipal. que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. sem prejuízo do disposto no art. 155, i 2~ XIL g.". E, decisivamente, não foi a Lei n° 9.363/96 que reconheceu algum direito ao fornecedor. Também não se diga que o direito do fornecedor decorra de liberalidade do produtor-exportador, como vem sendo justificado por alguns. Não há autorização legislativa nesse sentido e qualquer convenção entre as partes desvirtuaria a finalidade do beneficio, além de dificultar ao fisco a verificação do cumprimento das condições necessárias para seu gozo. Como, por exemplo, as previstas no artigo 11 da Instrução Normativa SRF nO 23, de 13/03/1997: a apresentação pelo produtor-exportador de demonstrativo com várias informações necessárias para que o fisco examine a correção dos cálculos realizados na apuração do crédito presumido, principalmente sobre as exportações. Acontece que o fornecedor somente dispõe de informação sobre as vendas efetuadas, nada conhecendo sobre as exportações por parte do adquirente. Portanto, esse eventual direito do fornecedor apenas poderia ser comprovado através de outro processo, com as informações de que dispõe. Acrescenta-se, ainda, que o artigo 4° deixa claro que somente na impossibilidade de utilização do crédito através de compensação é que cabe a restituição: Em caso de comprovada impossibilidade de utilizaça~. do .crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, peto produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, far-se-á o ressarcimento em moeda corrente. Ora, se para o produtor-exportador a restituição somente é cabível excepcionalmente, não seria ao fornecedor que essa modalidade de utilização do crédito poderia, ordinariamente, ser conferida. O que se pode concluir do artigo 5° é que o crédito presumido a que tem direito o produtor-exportador é preterido por qualquer outro que também se refira a PIS/PASEP ou COFINS. Um crédito relativo a essas contribuições sociais a que tenha direito o fornecedor prevalece sobre o crédito presumido do produtor-exportador. Dessa preterição do crédito presumido, conforme o artigo 5°, implica o estorno pelo produtor-exportador do valor corresponde ao direito do fornecedor.' Não vejo também como dispositivo incompatível com a atual regra-matriz do crédito presumido. O fornecedor é o contribuinte de PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre sua receita bruta decorrente das aquisições pelo produtor-exportador. É possível que, em razão de algum beneficio fiscal, as contribuiCÕes sociais recolhidas sejam restituídas ao fornecedor. Neste caso, já tendo sido repassados os tributos ao produtor-exportador, compôs a base de cálculo do crédito presumido. O reconhecimento do direito à restitui cão ao fornecedor simultaneamente com o ressarcimento ao produtor-exportador implicaria dupla renúncia fiscal sobre às mesmas contribuições sociais, daí a preteri cão do último em favor do primeiro. A solução encontrada pelo legislador foi através do estorno dos valores restituídos ou Docurnell'i o 1.(~,b pelo c6díqo <'.(,nljiTnad,) dicHeJment(~, PO{jE ser c0nsuH8do no .041S.13407.RJl<J. Consulte (l p,lgin2 de iUí,uJUcuçác 110 ~ PR lJ)NDR fNA DRF Processo n° 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02.03.418 FL 841 CSRFrr02 Fls. 12 SO~ • compensados, reduzindo o crédito presumido calculado, conforme a parte final: "A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. ]0, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente". Na sistemática instituída pela MP nO674/94, há expressões em seu artigo 5°, 92° que corroboram com essa conclusão: "A eventual restituição das importâncias recolhidas em pagamento deis contribuições que serviram à comprovação prevista neste artigo implica a imediata devolução, por parte do exportador beneficiário do crédito, do valor correspondente à restituição ou compensação ". Como se sabe, o produtor~exportador era obrigado a comprovar o recolhimento das contribuições pelo fornecedor. As duas expressões destacadas no texto, sutilmente, trazem uma idéia de distância entre a origem do direito do fornecedor e o crédito presumido do produtor-exportador. DA INCIDÊNCIA EM ETAPAS ANTERIORES Uma vez reconhecido que resulta de toda a cadeia produtiva, o crédito presumido persiste mesmo quando não incidam PIS/PASEP e COFINS na última etapa; mas, desde que tenham incidido em etapas anteriores. Este é o último dos requisitos para se reconhecer o direito do interessado. Refletindo sobre essa possibilidade, inclino-me a afirmar que somente o mais primitivo dos homens acreditaria que o alimento por ele consumido é produto tão somente: da terra, da chuva, da semente e do lavor. Não é essa a realidade. De fato, mesmo ao produtor rural pessoa física, que mais próximo está do estado natural das coisas, é repassado o ônus fiscal relativo às contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta na venda de equipamentos, ferramentas, fertilizantes, ve~tu~o etc. Com rara percepção, no mesmo. sentido se manifestou a Eminente Ministra Eliana Calmon: "mesmo quando O' produtor-exportador adquire matéria-prima ou insumo agrícola diretamente do produtor ~ural pessoa jisica, paga, embutido no preço dessas mercadorias o tributo (PIS/COFINS) indiretam,ente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquinários, adubos, etc" adqUiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo ... " (RE n° 529.758 - Se). Sem as ferramentas do arado e a fertilização da terra não seria possível a produção no campo. Ressalta-se que mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício. Melhor explicando, mesmo que somente tenha havido incidência sobre o chapéu de palha que protege o homem do campo do Solou dos calçados que o protegem do solo árido, ainda assim, ao produtor-exportador será reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI. JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Por fim, noticia~se que a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, consolidada em suas duas turmas de direito público, reconhece o direito do interessado. Df)cunento tje 1"',S pelo códioo (ic .......~ , PR L,ONIJRINA I)RF Processo nO 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02-03,418 RECURSO ESPECIAL NU529.758 - SC (2003/0072619-9) RELATORA: MINISTRA ELIANA CALMON ' RECORRENTE: CHAPECÓ COMPANHIA INDUSTRIAL DE ALIMENTOS !IDVOGADO : RÚBIO EDUARDO GEISSMANN E OUTROS , RECORRIDO: FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: ARTUR ALVES DA MOTA E OUTROS Depois de todas essas avaliações, concluí da seguinte maneira: 1j o produtor-exportador adquire como insumo, por exemplo;' .tecidos, linhas, agulhas, botões, etc, e em todas essas aquisições é ele contribuinte de fato da PIS/COFINS, paga pelo vendedor que, no preço, já embutiu a PIS/COFINS paga pelos seus insumos. Na hipótese, a lei permite o ressarcimento sobre o preço final da aquisição, o que leva a também deduzir as antecedentes incidências da PIS/COFINS; 2j mesmo quando oprodutor-exportador adquire matéria-prima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa fisica, paga, embutido. no preço dessas mercadorias o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferraTIJentas, maquinários, adubos, etc., adquiridos no mercado e empregqdo.~.'10 respectivo processo produtivo. Parece-me, portanto, .que razã.o assiste aos que entendem ter a instrução normativa aqui questionada extrapolado o conteúdo da lei. . ' .\ J' Assim, verifica-se que a Instrução Normativa 23/97 pretendeu resgatar da MP 674/94 aquilo que não mais veio a ser desejado politicamente pelo legislador. Por todas essas razões, dou parcial. provimento ao recurso especial. É o voto. Seguem ementas de votos dos demais Eminentes Ministros: RECURSO ESPECIAL N° 719.433 - CE (2005/0012921 -9) RELATOR: MINISTRO HUMBERTO MARTINS RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : RAQUEL TERESA MARTINS PERUCH BORGES EOUTRO(S) RECORRIDO: J RECAMONDE E COMPANHIA LTDA FI. 842 CSRFfI'02 Fls. 13 ?"úV Documento de 1<15Dágína(s) confirmado digita!rnente. pelo códiGO de !Dca!izaç(ío LPi7.0419.134ü7.RjKU . .... - de no https:!íc8v.receita, f32€noB.gov ,brjeCi\C!pubHco!bgin.B~H}X no iinal deste uocurnento. 13 • 1'R, I.ONDRIN/\ I)RJ; Processo nO 10930.002091/2004-11 Acórdão n." 02-03.418 AD VOGADO: MANUELA SANTANA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTARIO - CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS - INEXISTÊNCIA DE 'OMISSÃO NO JULGADO A QUO - ART. J oDA LEI N. 9.363/96 - RESTRIÇÃO PELA IN 23/97 DA SECRETARA DA RECEITA FEDERAL - ILEGALIDADE. ' I J. A co.ntro.vérsia restringe-se à limitação. da incidência do. art. r da Lei n. 9.363/96, impo.stapelo. art. 2~ f 20 da IN 23/97, da Secretaria da Receita Federal, que determina que o.beneficio. do. 'crédito.presumido. do. IPI, para ressarcimento. de PIS/PASEP e COFINS, so.mente será cabível em relação. às aquisições de pesso.a jurídicas. 2. Inexistente a alegada vio.lação.do. art. 535 do. CPC, po.is a prestação. jurisdicio.nal fo.i dada na medida da pretensão. deduzida, co.nfo.rmese depreende da análise do.julgado. a quo.. 3. Ora, uma no.rma subalterna, qual seja, instrução. no.rmativa, não. tem a faculdade de limitar o. alcance de um texto. de lei. A jurisprudência do.STJ po.sicio.na-se no.sentido. da ilegalidade do. art. 2°, fr da IN 23/97. Recurso. especial impro.vido.. • I. O apelo. especial da Fazenda Nacio.nal prende-se à alegativa de que a utilização. do. incentivo.fiscal do.art. J °da Lei 9.363/96 deve o.bservar as limitações impo.stas pela IN - SRF 23/97, tese r,echaçada pelo. acórdão. reco.rrido., que nego.u pro.vimento. à apelação. mo.vidapelo. órgão.fazendário.. FI. 843 CSRFrr02 Fls. 14 I '""-',, . Documento de '145 pácj!lw(sí c(,níimwàc {iiqfü'.lmente pelo c6àípo de loco!ízàção E;Plf,ú4l9,13407Y<JKU, no endereço autenticação no • , PR tJ}NDRJNAD,RJ: Processo n. 10930.00209112004-11 Acórdão n.• 02-03.418 f'l.844 CSRFrr02 Fls. 15 • 2. Contudo. o inconformismo não merece acolhida. na medida em que o entendimento aplicado pelo julgado atacado está em sintonia com a jurisprudência deste Superior Tribunal de 'Justiça. segundo a qual, não havendo a Lei 9.363/96 feito distinção entre fornecedores, de insumos pessoas fisicas (não contribuintes do PIS/PASEP) e fornecedores pessoas juridicas. não poderia tê-lo feito a IN - SRF 23/97, que é de todo ilegal e descaracteriza ofavor fiscal em tela. Nesse sentido ojulgado: De acordo com o disposto no art. 1°da Lei 9.363/96, o beneficio fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS. é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter 'havido a incidência do PIS/COFINS. o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI" (REsp n° 576857/RS, ReI. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 3. O crédito presumido previsto na Lei n° 9.363/96 não representa receita nova. E uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados, no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores d;j"PIS e COFINS. cumulativamente, os quais devem ser devolvido.~.ao industrial-.exportador. 4. Precedentes: Resp 6:27. 94Í1CE. DJ 07/03/2007, ReI. Min. João Otávio de Noronha; Resp 641. 789/CE, DJ 04/12/2006. Rei. Min. Denise Arruda; Resp 617.733/CE. DJ 24/08/2006. ReI. Min. Teori Albino Zavascki; REsp n° 576857/RS, ReI. Min. Francisco Falcão. DJ de 19/12/2005; Resp 813.280,lSC, DJ 02/05/2006. de minha relataria; Resp 529. 758/SC, DJ 20/02/2006. ReI. Min. Eliana Calmon; Resp 586.392/RN, DJ 06/12/2004, Rei. Min. Eliana Calmon . .5. Recurso especial não-provido. Atendidos a todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtor-exportador ao crédito presumido de IPI, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PASEP e COFINS. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC NO RESSARCIMENTO i ' A divergência apontada é quanto à de previsão legal ou não para o ressarcimento atualizado pela taxa SELIC do crédito presumido de IPI previsto na Lei nO 9.363/96. É necessária a sua autorização legislativa em face do princípio da legalidade. Documento pelo codigo .~.:i~, • J>Ft 1,ONDI:.tINADRI' Processo nO 10930,002091/2004-11 Acórdãon,o 02.03.418 DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE I'L 845 CSRFiT02 Fls. 16 82_'1-_ fh....- • Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever' aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei' autoriza ou determina, como bem explica o Professor Diogo de Figueiredo Moreira Neto4: ' ".,,0 princípio atua como uma reserva legal absoluta, à qual está adstrito todo o Estado, por quaisquer de seus entes, órgãos e agentes, mesmo delegados, de só agir quando exista uma lei que a isso o determine, ". " o Princípio da Legalidade tem previsão no artigo 37, "caput" da Constituição Federal: ,Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ~o seguinte: (,,) Portanto, somente poderia ser reconhecido o direito à incidência da taxa SELIC sobre o crédito presumido a ser re~sarcido caso existisse no ordenamento jurídico norma nesse sentido. Como se demonstrará a seguir, não há previsão legal para sua aplicação ao ressarcimento, mas tão somente à resti~i,ção e compensação. DA RESTITUIÇÃO E DO RESSARCIMENTO É nítida a diferença entre restituição e ressarcimento sem, conforme defendido por alguns, constituir uma relação de gênero e espécie. Em relação às restituições e compensações, desde a Lei n° 8.383, de 30/12/91 há previsão legal para a aplicação de taxa de juros em favor dos contribuintes, antes a UFIR e após, a SELIC. Seguem transcrições: Código Tributário Nacional: Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituicão vence juros não capitalizáveis. a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. Lei nº 9.069, de 29/06/95: 4 MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Curso de Direito Administrativo: Parte Introdutória, Parte Geral e Parte Especial. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2005, 148 edição, página 82. pelo de 145 pál)'na(si ccnfirnv;dc de locahzacho EF17.0419.1 F'ode ser Consulte a ••• PR 'L,C)NDRJN./\ DRF Processo nO 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02-03.418 Art. 58. O inciso 111do art. 1Óe o art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: ., 'Art. 66. Nos casos de pagamento. indl!~ido ou a maior de 'iributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, emulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no ,~ecolhimento de importância correspondente a período 'subseqüente. r;'1,846 CSRF!f02 Fls. I? ?>O~ • 9 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. Lei nQ 9.250/95: 'Art. 39. (...) 9 4" A partir de 1" de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Quanto ao ressarcimento' de valore~ correspondentes aos créditos de IPI, não há qualquer regra específica nesse sentido, nem mesmo o Parecer AGU nº 01/96 a ele se aplica. Defende-se que, no entanto, caberia a analogia como necessária para se atender aos princípios da isonomia e do enriquecimento sem causa. Sobre o qual passo a discorrer. Todas as normas acima transcritas autorizam a incidência de taxa de juros, atualmente a SELIC, para as restituições e compensações que decorram de pagamentos indevidos ou maior que o devido., O que nos obriga a comparar os dois institutos a fim de se decidir quanto à aplicação da analogia. o Código Tributário Nacional dedicou à matéria a Seção III "Pagamento Indevido" do Capítulo IV "Extinção do Crédito Tributário", nos seguintes termos, a partir dos quais podemos extrair um sentido para a expressão "indevido": Pagamento Indevido Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto. à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no 9 4" do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de' tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. ou ) no endv,'i;C PR L,ONI)RLNA DI<.F Processo n° 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02.03.418 da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de: qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. , . Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: F'l. 847 CSRF!T02 Fls. 18gO] • !-nas hipótese dos incisos 1 e II do artigo 165, da data da 'extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nO118, de 1005) 11 - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se .tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Na restituição houve um pagamento indevido pelo contribuinte; enquanto no ressarcimento, devido, mas que lhe será ressarcido em razão da sistemática adotada pelo beneficio fiscal. .Cabe destacar também o momento em que se processa um e outro. É indébito o valor indevidamente a disposição do fisco, De acordo com as regras do Código Tributário Nacional, somente após o consenso entre sujeitos ativo e passivo é que eventual pagamento se toma indevido; enquanto ainda em discussão, presume-se devido. Daí a necessidade, sob pena de enriquecimento sem causa, dos acrésci~os legais. E através dos juros que o fisco promove verdadeira reparação ao contribuinte de seu prejuízo. Desde o pagamento indevido o fisco se encontra em mora perante o contribuinte. Não há esse mesmo efeito quando se trata de ressarcimento correspondente ao crédito de IPI. O legislador não acrescentou ao valor principal os juros e nem poderia, não há mora do sujeito ativo perante o passivo. São distintos os fatos que originam um e outro. Na restituição, a origem é o pagamento indevido pelo contribuinte; no ressarcimento' previsto na Lei nO 9.363/96, o saldo credor de IPI não possível de compensação. Nesse passo, não há como aplicar a taxa de juros SELIC ao ressarcimento do crédito de IPI sob fundamento da analogia, porque não se trata de uma mera situação esquecida pelo legislador; ao contrário, de um instituto' próprio com motivos, finalidades e regras específicas. .DA APLICAÇÃO ISOLADA DE PRINCÍPIOS É possível que processos relativos ao ressarcimento do crédito presumido de IPI tramitem por Um período superior ao desejado por todos. Não se ignora que a demora na tramitação do processo até seu julgamento definitivo implique alguma desvalorização em razão de índices inflacionários, porém a incidência de juros não se presta para correção do problema. Como já explicado anteriormente, não há mora quanto ao 'valor a ser ressarcido, mas, em alguns casos, na tramitação do processo. A primeira s~ corrige através dos juros de mora e a Documento de '145 pelo c60ifjo de Pode ser Con:;u!to a de no hrtps: f!cav.rece ~ta.f'8Z\':; nán,90\1 ,br!eCI\CjpubHc()/b9~n,£ispx f){) linal deste Documento. I g ." • FI. 848 Processo nO 10930.002091/2004-11 Acórdão n.o 02-03.418 CSRFrr02 Fls. 19 .g~ • segunda, através do instrumento próprio para provocação da decisão administrativa. Um não substitui o outro . .Oportuno também apontar o cuidado que deve ser dispensado à aplicação isolada de princípios. As normas jurídicas se dividem em regras e princípios. Na consagrada obra sobre o tema; o Professor Humberto Ávilas cita as considerações de Karl Larenz: "os princípios seriam pensamentos diretivos de uma regulação jurídica existente ou possivel, mas que não são regras suscetiveis de aplicação. na medida que lhes falta o caráter formal de proposições jurídicas, isto é, a conexao entre a hipótese de incidência em uma consequência jurídica. Dai que os princípios indicariam somente a direção em que está situada a regra a ser encontrada, como que determinando um primeiro passo ... " Sem a existência de dispositivos legais com suas regras específicas, a aplicação isolada de princípios traria grande insegurança às relações jurídicas. Em razão de seu conteúdo subjetivo, atuaria o princípio como instrumento de legitimidade de prejulgamentos equivocados do administrador, não raras vezes contrários às regras jurídicas existentes. Por essa razão, desposo do conceito acima atribuído aos princípios para afastar a aplicação da isonomia e do enriquecimento sem causa. Ressalta-se, ainda, que o próprio Princípio da Legalidade proíbe no âmbito da Administração I>ública a aplicação de princípios sem a correspondente existência de regra específica disciplinadora da matéria. Em razão do exposto, voto pelo provimento do recurso especial interposto pelo sujeito passivo para reconhecer o direito do ,produtor-exportador ao crédito presumido de IPI, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PASEP e COFINS e pelo provimento do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para afastar do ressarcimento a atualização pela taxa SELIC. EIRA.GOMES S AVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição à aplicação dos princípios jurídicos. MalheÍros Editores: São Paulo, 3a edição, página 27. . Documento de Hb l'K,'!Oc6díqo de Fj0d~;.~ser c,cnsult;~d0 no i:~nder(;';co Con3uhe a pf.qJina de:.: 3ufent~LBçüCno deste âo(.urnento. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019
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Numero do processo: 11020.005087/2007-74
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2006 a 30/06/2007, 01/10/2007 a 31/10/2007
MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
A multa de oficio básica de 75% é majorada para 112,5%, em face de circunstância agravante, ou para 150%, em face de circunstância qualificadora.
Recurso Voluntário Negado
O erro de classificação fiscal dos produtos tributados pelo IPI leva ao lançamento de oficio das diferenças correspondentes, bem assim dos juros de mora e multa de oficio.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS.
Os coquetéis cuja composição não apresenta vinho nem destilado, os coquetéis cuja composição apresenta destilado, os coquetéis cuja composição apresenta vinho, mas não apresenta destilado, e as aguardentes compostas, fabricados pelo impugnante, classificam-se no código 2208.90.00 da TIPI.
GLOSAS DE CRÉDITOS INDEVIDOS. CRÉDITOS EM DESACORDO COM A LEI E COM A DECISÃO JUDICIAL PROVISÓRIA FAVORÁVEL AO ESTABELECIMENTO.
São indevidos os créditos do IPI escriturados em desacordo com a legislação desse imposto e sem amparo na decisão judicial provisória favorável ao estabelecimento.
CRÉDITO DO IPI. PRODUTOS ADMITIDOS.
Os gastos com produtos tributados pelo IPI, que não revestem a condição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, não geram crédito do citado imposto, ainda que tais produtos sejam consumidos pelo estabelecimento industrial, no processo produtivo.
ROUBO DE PRODUTOS, APÓS A SAÍDA DO ESTABELECIMENTO.
Carece de amparo legal o estorno, mediante crédito, promovido pelo contribuinte, de débitos do IPI, gerados por saídas tributadas de produtos que foram posteriormente roubados.
IPI LANÇADO A MAIOR. CRÉDITO EXCEDENTE.
O IPI lançado na nota fiscal, além do que é devido, na aquisição de matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem, empregados na industrialização, não dá direito a crédito, na parte excedente.
CRÉDITOS POR DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS.
Descabe o direito de crédito do IPI nas devoluções de produtos, no caso de inobservância dos requisitos de escrituração previstos nas normas de regência.
INFRAÇÕES RELACIONADAS AO SELO DE CONTROLE. FALTA OU EXCESSO NO ESTOQUE.
Apuradas diferenças no estoque do selo de controle, caracterizam-se, nas quantidades correspondentes: a falta, como saída de produtos selados sem emissão de nota fiscal; o excesso, como saída de produtos sem aplicação do selo. Nas referidas hipóteses, é cobrado o IPI sobre as diferenças apuradas, sem prejuízo das sanções e outros encargos exigíveis.
Numero da decisão: 3302-001.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto..
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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É descabida a alegação de nulidade do lançamento, quando não se verificam quaisquer das hipóteses que invalidam o referido ato. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Deve ser indeferida a solicitação de perícia, formulada sem a observância dos requisitos legais e que, na essência, é desnecessária ao deslinde da questão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2006 a 30/06/2007, 01/10/2007 a 31/10/2007 BEBIDAS. ENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. A falta de informações sobre as características de fabricação e os pregos de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente, implica o enquadramento de oficio, sendo devida a diferença do IPI, acrescida dos encargos legais. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O erro de classificação fiscal dos produtos tributados pelo IPI leva ao lançamento de oficio das diferenças correspondentes, bem assim dos juros de mora e multa de oficio. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Os coquetéis cuja composição não apresenta vinho nem destilado, os coquetéis cuja composição apresenta destilado, os coquetéis cuja composição apresenta vinho, mas não apresenta destilado, e as aguardentes compostas, fabricados pelo impugnante, classificamse no código 2208.90.00 da TIPI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 50 87 /2 00 7- 74 Fl. 3133DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 GLOSAS DE CRÉDITOS INDEVIDOS. CRÉDITOS EM DESACORDO COM A LEI E COM A DECISÃO JUDICIAL PROVISÓRIA FAVORÁVEL AO ESTABELECIMENTO. São indevidos os créditos do IPI escriturados em desacordo com a legislação desse imposto e sem amparo na decisão judicial provisória favorável ao estabelecimento. CRÉDITO DO IPI. PRODUTOS ADMITIDOS. Os gastos com produtos tributados pelo IPI, que não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, não geram crédito do citado imposto, ainda que tais produtos sejam consumidos pelo estabelecimento industrial, no processo produtivo. ROUBO DE PRODUTOS, APÓS A SAÍDA DO ESTABELECIMENTO. Carece de amparo legal o estorno, mediante crédito, promovido pelo contribuinte, de débitos do IPI, gerados por saídas tributadas de produtos que foram posteriormente roubados. IPI LANÇADO A MAIOR. CRÉDITO EXCEDENTE. O IPI lançado na nota fiscal, além do que é devido, na aquisição de matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem, empregados na industrialização, não dá direito a crédito, na parte excedente. CRÉDITOS POR DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS. Descabe o direito de crédito do IPI nas devoluções de produtos, no caso de inobservância dos requisitos de escrituração previstos nas normas de regência. INFRAÇÕES RELACIONADAS AO SELO DE CONTROLE. FALTA OU EXCESSO NO ESTOQUE. Apuradas diferenças no estoque do selo de controle, caracterizamse, nas quantidades correspondentes: a falta, como saída de produtos selados sem emissão de nota fiscal; o excesso, como saída de produtos sem aplicação do selo. Nas referidas hipóteses, é cobrado o IPI sobre as diferenças apuradas, sem prejuízo das sanções e outros encargos exigíveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2006 a 30/06/2007, 01/10/2007 a 31/10/2007 MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio básica de 75% é majorada para 112,5%, em face de circunstância agravante, ou para 150%, em face de circunstância qualificadora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fl. 3134DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.133 3 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 2647 a 2682) apresentado em 28 de julho de 2009 contra o Acórdão no 1019.291, de 06 de maio de 2009, da 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 2622 a 2635), cientificado em 23 de junho de 2009, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de junho de 2003 a abril de 2004, junho de 2005 a junho de 2007 e outubro de 2007, considerou o lançamento procedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2007 ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. É descabida a alegação de nulidade do lançamento, quando não se verificam quaisquer das hipóteses que invalidam o referido ato. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Deve ser indeferida a solicitação de perícia, formulada sem a observância dos requisitos legais e que, na essência, é desnecessária ao deslinde da questão. BEBIDAS. ENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. A falta de informações sobre as características de fabricação e os pregos de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente, implica o enquadramento de oficio, sendo devida a diferença do IPI, acrescida dos encargos legais. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O erro de classificação fiscal dos produtos tributados pelo IPI leva ao lançamento de oficio das diferenças correspondentes, bem assim dos juros de mora e multa de oficio. Fl. 3135DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Os coquetéis cuja composição não apresenta vinho nem destilado, os coquetéis cuja composição apresenta destilado, os coquetéis cuja composição apresenta vinho, mas não apresenta destilado, e as aguardentes compostas, fabricados pelo impugnante, classificamse no código 2208.90.00 da TIPI. GLOSAS DE CRÉDITOS INDEVIDOS. CRÉDITOS EM DESACORDO COM A LEI E COM A DECISÃO JUDICIAL PROVISÓRIA FAVORÁVEL AO ESTABELECIMENTO. São indevidos os créditos do IPI escriturados em desacordo com a legislação desse imposto e sem amparo na decisão judicial provisória favorável ao estabelecimento. CRÉDITO DO IPI. PRODUTOS ADMITIDOS. Os gastos com produtos tributados pelo IPI, que não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, não geram crédito do citado imposto, ainda que tais produtos sejam consumidos pelo estabelecimento industrial, no processo produtivo. ROUBO DE PRODUTOS, APÓS A SAÍDA DO ESTABELECIMENTO. Carece de amparo legal o estorno, mediante crédito, promovido pelo contribuinte, de débitos do IPI, gerados por saídas tributadas de produtos que foram posteriormente roubados. IPI LANÇADO A MAIOR. CRÉDITO EXCEDENTE. O IPI lançado na nota fiscal, além do que é devido, na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem, empregados na industrialização, não dá direito a crédito, na parte excedente. CRÉDITOS POR DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS. Descabe o direito de crédito do IPI nas devoluções de produtos, no caso de inobservância dos requisitos de escrituração previstos nas normas de regência. INFRAÇÕES RELACIONADAS AO SELO DE CONTROLE. FALTA OU EXCESSO NO ESTOQUE. Apuradas diferenças no estoque do selo de controle, caracterizamse, nas quantidades correspondentes: a falta, como saída de produtos selados sem emissão de nota fiscal; o excesso, como saída de produtos sem aplicação do selo. Nas referidas hipóteses, é cobrado o IPI sobre as diferenças apuradas, sem prejuízo das sanções e outros encargos exigíveis. MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio básica de 75% é majorada para 112,5%, em face de circunstância agravante, ou para 150%, em face de circunstância qualificadora. Fl. 3136DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.134 5 Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 18 de dezembro de 2007 de acordo com o temo de fls. 68 a 85. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por Auditor Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL), por três motivos: lançamento a menor do IPI, nas saídas de bebidas que foram posteriormente enquadradas de oficio no regime de tributação por unidade de produto; falta de recolhimento do IPI, decorrente da utilização de créditos indevidos do referido imposto; e prática de infrações relativas ao selo de controle a que estão sujeitas algumas bebidas. A exigência formalizada, no valor total geral de R$ 3.354.047,28, vem discriminada a seguir: I IPI, no valor de R$ 3.603,08, acrescido de juros de mora, da multa de oficio de 75% e da multa regulamentar, no valor de R$ 152.825,41, totalizando R$ 159.161,06, na data do lançamento, conforme Auto de Infração das fls. 16 a 18 (vol. I), pela prática das seguintes irregularidades, com os respectivos enquadramentos: a) saída de produtos sem selo de controle excesso no estoque falta de recolhimento do imposto bebidas [arts. 24, II, 34, II, 122, 123, I, "n", e II, "c", 127, 139, 143, 149, 150, 199, 200, IV, 202, V, 223, 224, 239, II, e 240 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002; Atos Declaratórios Executivos RFB n. 37, de 30 de agosto de 2007, e 50, de 23 de novembro de 2007; Instrução Normativa SRF 73, de 31 de agosto de 2001, e Instrução Normativa SRF n. 504, de 3 de fevereiro de 2005]; b) produto sem selo bebidas venda ou exposição à venda de produto sem selo de controle (art. 499, I, do RIPI, de 2002); c) selo empregado indevidamente bebidas (arts. 259, II, e 499, III, do RIPI, de 2002; ADEs RFB n. 37 e 50/2007; IN SRF n. 73, de 2001, e IN SRF n. 504, de 2005); e d) saída de produtos sem selo de controle excesso no estoque bebidas (arts. 239, II, 240 e 499, I, do RIPI, de 2002; ADEs RFB n. 37 e 50/2007; IN SRF n. 73, de 2001, e IN SRF 504, de 2005); II IPI, no valor de R$ 1.401.716,97, acrescido de juros de mora e da multa de oficio de 75%, 112,5% ou de 150%, conforme o caso, totalizando, na data do lançamento, R$ 3.194.886,22, conforme Auto de Infração das fls. 23 a 34 (vol. I) pela prática das seguintes irregularidades, com os respectivos enquadramentos, além da intimação para estorno de crédito do IPI, no valor de R$ 22,01: Fl. 3137DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 a) créditos indevidos bebidas e cigarros crédito indevido por devolução ou retorno de produto (arts. 34, II, 122, 127, 130, 139, 167, 169, II, 172, 199, 200, IV, e 202, V, do RIPI, de 2002); b) créditos indevidos bebidas e cigarros demais casos (arts. 34, II, 122, 127, 130, 139, 164, I, 166, 199, 200, IV, 202, V, e 266 do RIPI de 2002; Parecer Normativo CST n 65, de 1979; Acórdão no julgamento da Apelação em Mandado de Segurança (AMS) no. 2003.71.07.0012070/RS); c) IPI não lançado bebidas da Lei n. 7.798, de 10 de julho de 1989 saída de produto sem emissão de nota fiscal falta de selo de controle no estoque, apurada em auditoria de estoque de selo (arts. 24, II, 34, II, 122, 123, I, "n", e II, "c", 127, 139, §§ e 140, 143, 149, 150, 199, 200, IV, 202, V, 223, 224, 239, II, e 240 do RIPI, de 2002; ADEs RFB n. 37 e 50/2007; IN SRF n. 73, de 2001, e IN SRF n2 504, de 2005); d) IPI não lançado bebidas da Lei n. 7.798, de 1989 saída de produtos sem lançamento ou com insuficiência de lançamento do imposto (arts. 24, II, 34, II, 122, 123, I, "b", e II, "c", 127, 130, 139, §§l e 2, 140, 143, 149, 150, 199, 200, IV, 202, V, do RIPI, de 2002; ADEs RFB n. 37 e 50/2007). Nas fls. 64 a 67 (vol. I), constam os demonstrativos de reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento e dos saldos da escrita fiscal antes da reconstituição. A descrição dos fatos se encontra no Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 68 a 85 (vol. I), adiante resumido. A ação fiscal teve inicio em 25 de janeiro de 2005, conforme Termo de Inicio de Fiscalização das fls. 428 a 432 (vol. III), com ciência ao interessado em 10 de março de 2005, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl.444 (vol. III). Enquadramento de oficio de bebidas A fiscalização constatou que o estabelecimento industrializou e comercializou bebidas das posições 2204 (vinhos de uvas frescas, incluídos os vinhos enriquecidos com álcool; mostos de uvas, excluídos os da posição 20.09), 2205 (vermutes e outros vinhos de uvas frescas aromatizados por plantas ou substâncias aromáticas) e 2208 [álcool etílico não desnaturado, com um teor alcoólico, em volume, inferior a 80% vol; aguardentes, licores e outras bebidas espirituosas (alcoólicas)] da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), aprovada pelo Decreto n. 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e alterações posteriores. A fabricação e o comércio dos produtos referidos no item precedente ocorreu, todavia, sem que o estabelecimento houvesse solicitado o enquadramento, nas classes de valores do IPI, por ato do titular da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), dos produtos respectivos, relacionados nas fls. 68 a 70 (vol. I), contrariando o disposto no §1º do art. 150 do Decreto n. 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, o que foi feito de oficio, com base no § 1º do mesmo art. 150. Fl. 3138DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.135 7 Para fins de enquadramento de ofício das bebidas produzidas pelo interessado, a fiscalização expediu o Memorando n. 041/2007/DRF/CXL/Sefis, de 6 de agosto de 2007, da fl. 412 (vol. III), acompanhado da planilha das fls. 413 a 417 (vol. III), e o Memorando n. 054/2007/DRF/CXL/Sefis, de 2 de outubro de 2007, da fl. 419, acompanhado da planilha das fls. 420 a 422 (vol. III), elaborados com base nos elementos apresentados pelo contribuinte, segundo consta nas fls. 811 a 958 (vol. V), os quais revelaram a composição dos produtos, os registros correspondentes no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), rótulos e contrarrótulos, e também com base nos arquivos magnéticos fornecidos pelo estabelecimento, dos quais foram extraídos os pregos médios ponderados, calculados a partir dos pregos unitários, em função da quantidade dos produtos, que seriam objeto de enquadramento. A fiscalização apurou que o interessado apresentou, em relação a algumas das bebidas, informações falsas e registros no MAPA com adulteração, com o objetivo de conduzir a classificação fiscal dos coquetéis na posição 2206, cuja alíquota do IPI é inferior àquela definida para a posição 2208, além do que os produtos da posição 2206 não estão sujeitos ao selo de controle, ao contrário do que acontece com os da posição 2208. Em razão dos memorandos referidos no item precedente, foram emitidos o Ato Declaratório Executivo (ADE) RFB n. 37, de 30 de agosto de 2007, publicado nas páginas 18 e 19 do Diário Oficial da Unido (DOU) de 3 de setembro de 2007, e o Ato Declaratório Executivo RFB 50, de 23 de novembro de 2007, publicado na página 33 do DOU de 26 de novembro de 2007, pelos quais foi feito o enquadramento de oficio das bebidas em questão. Os referidos atos se acham reproduzidos nas fls. 425 a 427 (vol. III) deste processo. As diferenças entre os valores das classes em que o contribuinte enquadrou os seus produtos e os valores correspondentes às classes do enquadramento efetuado de ofício pelos ADEs SRF n. 37 e 50, de 2007, no período que vai de 12 de junho de 2003 a 31 de outubro de 2007, ensejaram a exigência correspondente, conforme "Demonstrativo do IPI não lançado enquadramento de oficio diferença de classes", das fls. 86 a 189 (vol. I). Glosas de créditos Além disso, a fiscalização apurou que, em 22 de janeiro de 2003, o interessado impetrou o Mandado de Segurança (MS) n. 2003.71.07.0012070, contra o Delegado da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, perante a 1ª Vara Federal da mesma cidade, pleiteando o reconhecimento de créditos do IPI, nas aquisições de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI), inclusive energia elétrica consumida no processo industrial, e material de embalagem (ME), isentos, não tributados (NT) ou sujeitos à alíquota zero do citado imposto, itens esses empregados na fabricação de produtos tributados, com a aplicação da média das alíquotas incidentes nas operações tributadas na saída, em relação às operações Fl. 3139DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 presentes e futuras, o que, do ponto de vista do impetrante, segue os critérios de proporcionalidade e razoabilidade, tudo conforme consta nas fls. 455 a 506 (vol. III). Os créditos assim reivindicados, segundo petição inicial correspondente, deveriam ser atualizados pela taxa Selic, desde a impetração. O pedido formulado no referido MS foi julgado improcedente, em 8 de abril de 2003, pela Sentença de fls. 59/2003, reproduzida nas fls. 477 a 482 (vol. III), contra a qual o impetrante apelou ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, obtendo parcial êxito, em 25 de maio de 2004, na Apelação em Mandado de Segurança (AMS) 2003.71.07.001207 0/RS, conforme consta nas fls. 484 a 497 (vol. III), no sentido do reconhecimento do direito de crédito do IPI, nas aquisições de matériasprimas, insumos e embalagens isentos ou sujeitos à alíquota zero, restando descabido o crédito do IPI, nas aquisições de energia elétrica e de produtos nãotributados. Interpostos Embargos de Declaração na AMS 2003.71.07.0012070/RS, por ambas as partes, os mesmos foram acolhidos, em parte, para fins de prequestionamento e para afastar a pretensão de crédito pela diferença de alíquotas, entre os produtos e os correspondentes insumos. Pelo que se verifica nas fls. 504 e 505 (vol. III), foram admitidos pelo TRF da 4ª Região os recursos extraordinários interpostos por ambas as partes, os quais ainda tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), sob n. 479852, não tendo sido admitido o recurso especial do contribuinte, dirigido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme consta nas fls. 502 e 503 (vol. III). À vista disso, a fiscalização concluiu que os créditos escriturados com base nas aquisições de MP, PI e ME isentos ou tributados a alíquota zero estão provisoriamente reconhecidos e respaldados por acórdão da 2ª Turma do TRF da 4ª Região, motivo pelo qual se impunha intimar o contribuinte a apresentar a memória de cálculo e os documentos fiscais que ensejaram a apuração de crédito do IPI, o que foi feito pelos Termos de Intimação Fiscal das fls. 451, 512 a 514 (vol. III), 697 (vol. IV), 1024 e 1159 (vol. VI). As respostas aos termos de intimação referidos no item precedente, pelos documentos das fls. 604 a 640 (vol. IV), 700 a 711 (vol. IV), 1038 a 1056 (vol. VI) e 1162 a 1164 (vol. VI), permitiram que a fiscalização elaborasse o "Demonstrativo dos créditos judiciais apurados pela fiscalização", no período de junho de 2003 a outubro de 2007, das fls. 190 a 199 (vol. I) e 202 a 209 (vol. II), demonstrativo cujo confronto com os valores apurados pelo contribuinte resultou na glosa dos créditos especificados na planilha das fls. 210 e 211 (vol. II), computada na posterior reconstituição da escrita fiscal, segundo consta nas fls. 64 e 65 (vol. I), visto que houve apuração de créditos do IPI em desacordo com a decisão judicial de segunda instância antes referida, pelos motivos que seguem, adiante justificados: a) aquisições de produtos que não se enquadram nos conceitos de MP, PI ou ME [hidróxido de sódio, utilizado na limpeza de garrafas usadas, gás liquefeito de petróleo (GLP), formulários Fl. 3140DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.136 9 contínuos de notas fiscais e recipientes para acondicionamento de GLP]; b) devolução de produtos; c) aquisição de energia elétrica, item cujo creditamento foi julgado incabível pelo voto divergente vencedor, no julgamento da AMS n 2003.71.07.0012070/RS; d) aquisição de insumo tributado pelo IPI a alíquota de 5%; e) aquisição de produto fora do campo de incidência do IPI, por se tratar de revenda (caso fosse tributada, o seria com alíquota diferente de 0%); f) aquisição de produto sem lançamento do IPI na nota fiscal, por erro do fornecedor, que deveria ter tributado o produto com alíquota diferente de 0%; g) aquisição de produto sujeito a suspensão obrigatória do IPI (art. 43 do RIPI, de 2002, referente a bebidas acondicionadas em recipientes com capacidade superior ao limite máximo para venda a varejo); h) aquisição de produto de pessoa física; i) aquisição de produto de fornecedor optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), inclusive Simples Nacional; j) documentos apresentados em duplicidade; k) documento referente a parcelamento de fatura de energia elétrica; e 1) aquisição de vasilhame usado. A fiscalização esclarece que, na verificação dos créditos, não foi admitida a atualização pela taxa Selic, já que o contribuinte escriturou os créditos nos meses das respectivas aquisições, antes mesmo de ser proferida a decisão do TRF da 4ª Região. Também esclarece o autor do procedimento fiscal que, no rol das operações em relação às quais foi constatado que o contribuinte aproveitou créditos em situações não amparadas pela decisão judicial que lhe favorece, algumas denotam a intenção de se apropriar de valores na escrita fiscal em pleno desacordo com a legislação tributária e com o acórdão do TRF da 4ª Região, a saber: a) aquisição de energia elétrica, item julgado incabível pela decisão do TRF; b) devolução de produtos fabricados pelo estabelecimento; c) parcelamento de fatura de energia elétrica; e d) aquisições tributadas pelo IPI, devidamente lançado nas correspondentes notas fiscais. As situações referidas no item precedente ensejaram a imposição da multa majorada de 150%, por infração qualificada (fraude Fl. 3141DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 art. 481 do RIPI, de 2002), sobre o IPI decorrente das glosas de créditos, o que não aconteceu em outros casos, nos quais se admitiu a ocorrência de erro, dado que as notas fiscais não apresentam lançamento do IPI, infração punível com a multa básica de 75%, a saber: a) não incidência do imposto; b) suspensão do IPI; e c) aquisição de produtos de fornecedores optantes pelo Simples ou pelo Simples Nacional. No Processo n. 11020.005089/200763, foi efetuado o lançamento de oficio, para prevenir a decadência, do IPI decorrente da glosa de créditos amparados pela decisão judicial no julgamento da AMS nº 2003.71.07.0012070/RS. Além das glosas de créditos escriturados em desacordo com a decisão judicial, a fiscalização verificou a emissão da Nota Fiscal de Entrada n. 303, em 10 de setembro de 2003, reproduzida na fl. 1338 (vol. VII), com o propósito de estornar o IPI lançado nas Notas Fiscais de Saída e 263 a 273, no valor total de R$ 3.704,04, o que não foi admitido. As notas de saída mencionadas se referem a produtos que foram roubados após a saída do estabelecimento interessado, conforme Ocorrência Policial n. 153322/2003/398, copiada nas fls. 1089 a 1096 (vol. VI). A fiscalização citou os Pareceres Normativos CST n. 25/70 e 209/71 e transcreveu a ementa dos Acórdãos n. 20306.828, de 17 de outubro de 2000, e 20308.260, de 19 de junho de 2002, para fundamentar a glosa. Na sequência, o autor do procedimento fiscal também constatou a escrituração de créditos indevidos, no valor total de R$ 11.930,55, nas aquisições de produtos de fornecedores optantes pelo Simples, com lançamento indevido do imposto, conforme notas fiscais de aquisição reproduzidas nas fls. 1339 a 1349 (vol. VII), em face do disposto no art. 166 do RIPI, de 2002. A fiscalização também citou e transcreveu a ementa dos Acórdãos 20175.532, 20175.533 e 20175.534, de 12 de novembro de 2001, para fundamentar essa glosa. Além disso, foi glosado crédito indevido do IPI, no valor de R$ 26,60, na aquisição do produto Kalyclean C 250, que é um detergente alcalino, à base de hidróxido de sódio, utilizado em limpeza de garrafas, garrafões e lavagem de tanques, conforme Nota Fiscal n. 061058, de 27 de junho de 2003, reproduzida na fl. 1353 (vol. VII), produto que não se enquadra nos conceitos de MP, PI ou ME, em face do disposto no art. 164, I, do RIPI, de 2002, e no Parecer Normativo CST n. 65/79. Outra glosa de crédito indevido, no valor de R$ 144,00, se deveu ao IPI lançado a maior na Nota Fiscal n.'' 14627, emitida em 30 de maio de 2003 e reproduzida na fl. 1354 (vol. VII), no tocante ao item 3 da referida nota (15011 açúcar), ao qual corresponde IPI de R$ 72,00 (5%), e não R$ 216,00 (15%), que foi a importância lançada na nota e escriturada pelo interessado, embora tenha emitido a "Comunicação de irregularidade em documento fiscal", reproduzida na fl. 1355 (vol. VII), ao seu fornecedor. A fiscalização citou o Parecer Normativo CST n 739/71 e o art. 62 da Lei if' 4.502, de 30 de novembro de 1964, para fundamentar a glosa em comento. Fl. 3142DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.137 11 Adiante, foi constatada a escrituração de créditos indevidos, no valor total de R$ 3.395,29, relativos a devoluções de vendas ou retorno de produtos, nos casos das notas fiscais relacionadas no demonstrativo do item 57 do Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 68 a 85 (vol. I), tendo em vista a inobservância das regras estabelecidas nos arts. 169, 172 e 388 do RIPI, de 2002, o que justificou a glosa. Erro de classificação fiscal Pelo Termo de Inicio de Fiscalização, das fls. 428 a 432 (vol. III), o sujeito passivo foi intimado a elaborar e apresentar uma tabela, com informações das bebidas por ele fabricadas e/ou comercializadas, sendo que, pelo Termo de Intimação Fiscal, das fls. 433 a 443 (vol. III), foram solicitados diversos arquivos magnéticos, de interesse fiscal. Em resposta, o interessado elaborou a tabela da fl. 446 (vol. III), além de entregar arquivos magnéticos, que foram validados pela fiscalização. A análise dos arquivos magnéticos revelou a existência de outras bebidas comercializadas pelo estabelecimento, que não constavam da tabela da fl. 446. Conforme Termo de Intimação das fls. 512 a 514 (vol. III), o interessado foi intimado a apresentar as características das bebidas que produz, no que diz respeito composição, fermentação, destilação, teor alcoólico, Kualitá adicionado, tipo de recipiente utilizado no envasamento e prego unitário de venda, além de ter sido requisitada cópia dos registros dos produtos e dos rótulos e contrarrótulos, tendo sido recebidos, em resposta, os documentos das fls. 517 a 599 (vol. III) e 602 e 603 (vol. IV). Depois de analisar a documentação referida nos itens precedentes, a fiscalização constatou divergências de informações na composição de algumas bebidas, notadamente nos coquetéis, pela indicação, nos rótulos, da presença de fermentado de maçã e/ou suco de maçã ou suco de frutas na composição dessas bebidas, sendo que o exame dos arquivos magnéticos contendo o rol de notas fiscais de aquisição de produtos pelo estabelecimento fiscalizado não revelou a compra dos insumos citados (fermentado de maçã e/ou suco de maçã ou suco de frutas). Diante desse fato, a fiscalização concluiu pela necessidade de retirar amostras dos produtos elaborados pelo interessado, para submetêlas à análise laboratorial, providência que restou frustrada, tendo em vista que, em atendimento à intimação especifica, o estabelecimento informou, na fl. 652 (vol. IV), que estava fabricando exclusivamente as seguintes bebidas: "Coquetel de vinho branco e fermentado de maçã" e "Coquetel de vinho tinto, fermentado de maçã e catuaba", ambos da marca Kualitá. Todavia, a fiscalização apurou que o interessado continuou a fabricar e comercializar os coquetéis relacionados nas fls. 75 e 76 (vol. I), cuja retirada de amostras e posterior análise se impunha e não pôde ser realizada, em face da afirmação do interessado, no sentido de que não mais fabricaria tais produtos. Fl. 3143DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 A par disso, o contribuinte foi intimado a apresentar as notas fiscais de aquisição dos insumos "produto hidratado de maçã" ,"suco de maça" e "fermentado de maçã", conforme item 4 do Termo de Intimação Fiscal da fl. 651 (vol. IV), tendo respondido, na fl. 652 (vol. IV), que as notas de aquisição dizem respeito a "vinhos que possuem ingrediente com sabor de maçã e que "o produto hidratado de maça está descrito nas notas de entrada como extrato". Tal resposta levou a fiscalização a diligenciar nos fornecedores de vinho para o estabelecimento interessado, segundo consta nas fls. 653 a 690 (vol. IV), tendo sido apurado que não é adicionado ingrediente com sabor de maçã aos vinhos fornecidos para Multidrink Indústria de Bebidas Ltda. Também foi feita a circularização de outros fornecedores, conforme documentos das fls. 2503 a 2577 (vol. XIII). Em 7 de fevereiro de 2006, o sujeito passivo foi novamente intimado a apresentar as características das bebidas da sua fabricação, no tocante ã composição, fermentação, destilação, teor alcoólico, açúcar adicionado, tipo de recipiente utilizado no envasamento, o prego unitário de venda, registros dos produtos, rótulos e contrarrótulos, conforme Termo de Reintimação Fiscal das fls. 712 a 718 (vol. IV), ocasião em que o representante legal do estabelecimento foi alertado pela fiscalização, sobre o resultado das diligências nos seus fornecedores, apurando que não é adicionado ingrediente com sabor de maçã aos vinhos que lhe são fornecidos. Em resposta, o interessado apresentou a documentação das fls. 733 a 789 (vol. IV), inovando quanto a alguns aspectos da composição dos produtos, conforme segue: a) o vinho com suco de maçã, cujos ingredientes com sabor de maçã seriam adicionados pelos fornecedores, foi substituído por vinho com macerado de maçã, produzido no estabelecimento; b) o produto hidratado com sabor de maçã (extrato, segundo o contribuinte) foi substituído por produto hidratado adicionado de macerado de maçã, produzido no estabelecimento; c) em alguns casos, ao álcool etílico hidratado, também foi adicionado o macerado de maçã, produzido no estabelecimento (6o caso do produto código 3317); e d) as maçãs são adquiridas de produção familiar, sendo que as aquisições não podem ser comprovadas, pois não existem notas fiscais de entrada desse insumo. Embora dispondo de novos esclarecimentos, a fiscalização não pôde correlacionar a composição das bebidas com os respectivos registros dos produtos no MAPA, motivo pelo qual o contribuinte foi intimado a reapresentar toda a documentação, conforme Termo de Intimação Fiscal das fls. 796 a 799 (vol. IV) e 801 a 804 (vol. V), ocasião em que foi solicitada a indicação do número do registro do produto e da espécie de bebida, para fins de classificação fiscal. A intimação foi atendida, com a apresentação dos documentos das fls. 811 a 958 (vol. V), que ensejaram as seguintes conclusões da fiscalização: a) produtos distintos apresentam o mesmo número de registro: é o caso da Bebida Alcoólica Mista da marca Kualytá e da Bebida Fl. 3144DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.138 13 Alcoólica Mista (Limão) da marca Kualytá, cujo número de registro é RS 10595 000295; b) produtos distintos apresentam o mesmo número de registro, porém um dos registros apresenta indícios de adulteração (impressão da marca do produto apresenta elementos gráficos diferentes): é o caso da Aguardente Composta com Anis da marca Kualytá e da Aguardente Composta com Anis da marca Kualytayme, cujo número de registro é RS 10595 000279; e c) registros apresentam indícios de adulteração (impressão do número do registro e/ou da descrição do produto e/ou da marca apresenta elementos gráficos diferentes): é o caso dos registros de números RS 10595 000147 (Multidrink Coquetel de Fermentado de Maça e Vodka), RS 10595 000201 (Kualytá Coquetel de Fermentado de Maçã, Aguardente de Cana, Gengibre e Maçã), RS 10595 007503 (Kualytá Coquetel de Fermentado de Maçã com Amendoim), RS 10595 007504 (Kualytá Coquetel de Fermentado de Coco com Suco de Maçã), RS 10595 007506 (Kualytá Coquetel de Fermentado de Pêssego com Suco de Maçã), RS 10595 007509 (Kualytá Coquetel de Fermentado de Maçã com Chocolate) e RS 05321 000441 (Kualytá Coquetel de Vinho Tinto e Fermentado de Maçã). A par das irregularidades descritas no item precedente, a fiscalização expediu o Oficio rt9 942/2007/DRF/CXL/Gabinete, reproduzido na fl. 963 (vol. V), solicitando cópias dos registros dos produtos e informações acerca dos produtos pendentes de registro. Conforme resposta nas fls. 965 a 999 (vol. V) e 1002 a 1015 (vol. VI), o MAPA apresentou as cópias requeridas e apontou a existência de produtos pendentes de registro, informações que foram consolidadas na tabela da fl. 76 (vol. I). Na sequência, a fiscalização expediu o Oficio II 2.379/2007/DRF/CXL/ Gabinete, reproduzido nas fls. 1020 e 1021 (vol. VI), indagando a Superintendência Federal da Agricultura no Estado do Rio Grande do Sul sobre os motivos da pendência de registro de alguns produtos fabricados pelo interessado, com resposta nas fls. 1022 e 1023 (vol. VI), no sentido de que o interessado, Multidrink Indústria de Bebidas Ltda., não havia, até aquele momento, suprido as deficiências, perante o MAPA, em face da legislação especifica, no tocante ã composição dos produtos e suas rotulagens, razão pela qual os registros não foram e não podem ser concedidos. A essa altura da auditoria, a fiscalização concluiu, com base nos arquivos magnéticos das notas fiscais de aquisição apresentados pelo contribuinte, que foram por ele adquiridos os seguintes insumos: ácido fosfórico, ácido cítrico anidro, ácido metatartárico (Metacremor 40), açúcar, aguardente de cana, álcool etílico hidratado, aromas diversos, corante extratos diversos, ervas, leite de coco, leite em pó, extrato de carvalho, massa filtrante, pasta de amendoim tipo C, Thixogum S IRX Fl. 3145DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 14 55405 (mistura de gomas goma acácia e goma xantana) e vinho comum. A vista do exposto nos itens precedentes, a fiscalização também concluiu o que segue: a) ausência de fermentado de maçã ou suco de frutas na composição dos coquetéis, b) adulteração dos registros emitidos pelo órgão competente do MAPA. Com base nesses elementos, a fiscalização efetuou a classificação fiscal dos produtos, agrupados conforme segue. Coquetéis cuja composição não apresenta vinho nem destilado É o caso dos produtos Multidrink Coquetel de Fermentado de Maçã e Vodka, Kualytá Coquetel de Fermentado de Maçã com Amendoim, Kualytá Coquetel de Fermentado de Coco com Suco de Maçã, Kualytá Coquetel de Fermentado de Pêssego com Suco de Maçã e Kualytá Coquetel de Fermentado de Maçã com Chocolate, que tiveram o registro adulterado, suas composições descritas nos rótulos estão em desacordo com os insumos empregados na fabricação e sobre os quais existe prestação de informações conflituosas pelo contribuinte, que adotou a classe de tributação "E". Esses produtos foram classificados pela fiscalização no código 2208.90.00 da TIPI, pelos motivos expostos na fl. 77 (vol. I). Coquetéis cuja composição apresenta destilado É o caso dos produtos Kualytá Coquetel de Fermentado de Maçã, Aguardente de Cana, Gengibre e Maçã (código 3312) e Kualytá Coquetel de Fermentado de Maçã, Aguardente de Cana, Gengibre (código 3316), ambos com registro adulterado, composição descrita nos rótulos em desacordo com os insumos empregados na fabricação e prestação de informações conflituosas pelo contribuinte, que os enquadrou na classe de tributação "E". Além disso, também é o caso do produto Kualytá Bebida Alcoólica Mista Limão (código 3323), cujo registro não corresponde ao produto, o que leva à inexistência de registro, além de prestação de informações conflituosas pelo contribuinte, que o enquadrou na classe de tributação "E". Por fim, também é o caso do produto Kualytá Bebida Alcoólica Mista Limão (código 3324), cujo registro não corresponde ao produto, o que leva à inexistência de registro também para esse produto, que foi enquadrado pelo contribuinte na classe de tributação "H". Esses quatro produtos foram classificados pela fiscalização, no código 2208.90.00 da TIPI, pelos motivos expostos na fl. 78 (vol. I). Coquetéis cuja composição apresenta vinho, mas não apresenta destilado É o caso dos produtos Kualytá Coquetel de Vinho Branco e Fermentado de Maçã (códigos 3301, 3303, 3311 e 3313), Kualytá Coquetel de Vinho Tinto, Fermentado de Maçã e Catuaba (códigos 3304, 3305, 3314 e 3315), cuja composição Fl. 3146DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.139 15 descrita nos rótulos está em desacordo com os insumos empregados na fabricação e em relação aos quais o contribuinte prestou informações conflituosas, tendo enquadrado os produtos na classe de tributação "E". Também é o caso dos produtos Kualytá Coquetel de Vinho Tinto e Fermentado de Maçã (códigos 3308, 3318 e 3325), produtos com registro adulterado e cuja composição descrita nos rótulos está em desacordo com os insumos empregados na fabricação, além de terem sido prestadas informações conflituosas pelo contribuinte, que enquadrou os produtos na classe de tributação "E". Tais produtos foram classificados, pela fiscalização, no código 2208.90.00 da TIPI, pelos motivos expostos nas fls. 78verso e 79 (vol. I). Aguardentes compostas É o caso dos produtos Starkof (Aguardente Composta código 1006) e Kualytayme (Aguardente Composta código 1010), os quais, com base nas informações prestadas pelo interessado, não são aguardentes de cana, mas uma mistura de aguardente de cana com substancias de origem vegetal ou animal, como definido no art. 84 do Decreto n. 2.314, de 4 de setembro de 1997, com as alterações dos Decretos n. 3.510, de 16 de junho de 2000, 4.851, de 2 de outubro de 2003, e 5.305, de 13 de dezembro de 2004. A vista disso, a fiscalização classificou esses produtos no código 2208.90.00 da TIPI, pelos motivos expostos na fl. 79verso (vol. I), acrescentando que o Registro ng RS 10595 000279, referente ao produto código 1010, foi adulterado. Majoração da multa O autor do procedimento fiscal consigna que ocorreu, no caso, a circunstância agravante, de que trata o inciso V do art. 476 do RIPI, de 2002 (qualquer circunstancia que demonstre a existência de artificio doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas consequências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária), o que leva A majoração da multa de oficio de 75%, pelo incremento de metade do percentual, resultando em multa de 112,5%. A circunstância agravante se materializou, no caso, pelo fato de o interessado ter apresentado, com o intuito de mascarar o erro de classificação fiscal dos coquetéis e de induzir a classificação deles para a posição 2206.00.90: registros adulterados de produtos; rótulos de produtos cuja composição está em desacordo com os insumos empregados na industrialização dos coquetéis e com a indicação de número de registros falsos; e informações inexatas ou mesmo incompletas em relação à composição dessas bebidas. A fiscalização acrescenta que, com o seu relato e com todos os elementos de prova trazidos aos autos, inclusive a tentativa frustrada da apreensão dos coquetéis para fins de análise laboratorial, não resta dúvida de que o estabelecimento fiscalizado usou de todos os artifícios para tentar driblar a fiscalização na condução do procedimento, o que ensejou a necessidade de diversas circularizações. A Fl. 3147DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 16 fiscalização ainda registra que, embora o estabelecimento tenha inicialmente adotado a classificação fiscal 2205.10.00, período em que não aplicava o selo de controle nos coquetéis, a saída dos produtos sempre foi tributada na classe "E", exceto em nove itens de notas fiscais de saída da bebida Kualytá Bebida Alcoólica Mista Limão, tributados na classe "H". Por tais razões, foi imposta a multa majorada em relação à infração que corresponde ao lançamento das diferenças entre os valores das classes que o contribuinte adotou (E ou H) e aquela divulgada pelos ADEs RFB n 37, de 2007, e 50, de 2007 (classe L), em relação As saídas dos coquetéis, o que também se aplica A Bebida Alcoólica Mista Limão, por ser a mesma espécie de bebida. Infrações em relação ao selo de controle Para fins de apuração das penalidades e da incidência do IPI, em relação às infrações às normas de regência do selo de controle, a fiscalização elaborou o demonstrativo Reconstituição do livro Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle, das fls. 212 a 234 (vol. II), e o demonstrativo de Saídas dos Selos de Controle e Apuração de Penalidades Relativas ao Selo de Controle, das fls. 235 a 399 (vol. II) e 402 a 411 (vol. III). Em primeiro lugar, foi apurado o emprego indevido do selo do tipo "aguardente" nos produtos descritos como "Aguardente Starkof Fdo C/12 Unid.", "Aguardente Starkof Pet Fdo C/12 Un" e "Aguardente Kualitayme Pet Fdo C/12 Un", produtos nos quais deveriam ter sido aplicados selos do tipo "bebida alcoólica", em face da classificação dos citados produtos no código 2208.90.00 da TIPI, infração tipificada no art. 499, III, do RIPI de 2002, autorizando a exigência do IPI e acréscimos correspondentes, além da multa igual ao valor comercial dos produtos, não inferior a R$ 1.000,00. Em segundo lugar, foi apurada a venda dos produtos relacionados nas fls. 80 e 80verso (vol. I), classificados no código 2208.90.00, sem o selo de controle do tipo "bebida alcoólica", infração enquadrada no art. 499, I, do RIPI de 2009, punida com multa correspondente ao valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00. Em terceiro lugar, foram apuradas diferenças no estoque de selos, mediante auditoria especifica, iniciada com o Termo de Constatação do Estoque Físico, da fl. 1066 (vol. VI). Do exame do livro Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle, reproduzido nas fls. 1254 a 1331 (vol. VII), foram constatadas as seguintes irregularidades: a) em parte dos registros, a quantidade de selos lançada na coluna 8 (saída nota fiscal quantidade) não corresponde à quantidade de produtos saídos do estabelecimento, segundo os documentos fiscais; b) erro no cálculo do saldo de alguns registros; c) registros lançados em desacordo com as normas de escrituração (lançamentos registrando as saídas de notas fiscais emitidas em mês inteiro); Fl. 3148DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.140 17 d) ausência de cronologia em alguns registros; e) outras saídas lançadas na coluna 9 (saída outras), sem documentação hábil; e f) lançamento de entrada de selo por devolução de produtos do estabelecimento, cuja efetiva entrada o estabelecimento não consegue comprovar. Tais irregularidades levaram à reconstituição do citado livro Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle, com base nas notas fiscais de saída emitidas pelo interessado e com base no Sistema Selecom (fornecimento e devolução de selos), conforme relatório das fls. 1.332 a 1.337 (vol. VII). Em face das irregularidades mencionadas no item precedente, a fiscalização reconstituiu o livro Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle. Foi expedido o Termo de Intimação Fiscal das fls. 1067 a 1086 (vol. VI), tendo havido manifestação do interessado, nas fls. 1114 a 1127 (vol. VI), confirmando as irregularidades. Na reconstituição do livro Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle, não foram consideradas as notas fiscais de devolução, já que o interessado não conseguiu comprovar a efetiva entrada dos produtos no estabelecimento, porquanto, além de não possuir os conhecimentos de transporte referentes As devoluções, o interessado não escritura o livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, nem o controle alternativo de que trata o art. 388 do RIPI, de 2002, segundo afirmado na fl. 1134 (vol. VI). A auditoria no estoque físico dos selos existentes no estabelecimento, frente aos saldos do livro Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle, permitiu constatar excesso no estoque físico, segundo demonstrativo na fl. 81 (vol. I), e insuficiência no estoque, de acordo com o demonstrativo das fls. 81 e 82 (vol. I), irregularidades que foram enquadradas no art. 239 do RIPI, de 2002, segundo o qual, apuradas diferenças no estoque do selo, caracterizamse, nas quantidades correspondentes, a falta, como saída de produtos selados, sem emissão de nota fiscal, e o excesso, como saída de produtos sem aplicação do selo. Tais situações, segundo o art. 240 do mesmo regulamento, levam à cobrança do IPI sobre as diferenças apuradas, sem prejuízo das sanções e outros encargos exigíveis. No caso concreto, existem vários produtos para cada um dos três tipos/cores de selo de controle (aguardente azul, aguardente laranja e bebidas alcoólicas cinza). Para cada tipo/cor de selo de controle, os pregos de cada produto são distintos e, portanto, para efeito de cálculo do imposto devido é usado o preço mais elevado, com base no parágrafo único do art. 240 do RIPI, de 2002, tendo sido considerados os pregos no período de 10 de junho de 2003 a 31 Fl. 3149DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 18 de outubro de 2007, para os selos do tipo aguardente, e nos períodos de 11 de junho de 2003 a 1 de julho de 2005, no caso da insuficiência de selos do tipo bebidas alcoólicas cinza, e de 2 de julho de 2005 a 31 de outubro de 2007, no caso do excesso de selos do tipo bebidas alcoólicas cinza. Os demonstrativos de apuração do IPI, nessas situações, se encontram na fl. 82 (vol. I). A fiscalização ressalta que a ausência de selo de controle no produto importa reputálo como não identificado com o produto descrito no documento fiscal, em face do disposto no art. 253 do RIPI, de 2002. Além disso, como o excesso de selos de controle no estoque físico implica a saída de produtos sem a aposição de selos de controle e considerando que venda é espécie de saída, tornase cabível a imposição da multa de que trata o art. 499, I, do RIPI, de 2002, pela venda de produtos sem o selo, correspondente ao valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00. Representação fiscal Foi formalizada representação fiscal para fins penais, objeto do Processo n. 11020.005088/200719, cujo volume I se encontra apensado ao volume I do presente. Impugnação Cientificado da autuação em 21 de dezembro de 2007, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 2618 (vol. XIV), o interessado impugnou tempestivamente a exigência, em 22 de janeiro de 2008, pelo arrazoado das fls. 2579 a 2613 (vol. XIII), firmado por seu procurador, credenciado pelos documentos das fls. 2614 e 2615 (vol. XIII). As razões de defesa vêm sintetizadas na sequência. Alegações de nulidade Inicialmente, o impugnante alerta que foi autuado com base na glosa de créditos do IPI, segundo consta nas fls. 210 e 211 (vol. II), créditos que foram apurados em relação a MP, PI e ME, isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero pelo IPI, empregados na fabricação de produtos tributados pelo mesmo imposto, e utilização de energia elétrica no processo produtivo. Tais créditos estão sendo reivindicados em mandado de segurança impetrado pelo impugnante, em tramitação na Justiça Federal da 4ª Regido. Diz que a fiscalização, contrariando o devido processo legal, autuou o impugnante por fatos que não foram ainda decididos pelo Poder Judiciário, motivo pelo qual o auto de infração seria nulo. Outro motivo de invalidade da autuação, segue a defesa, é que, embora reconheça a presunção de legalidade dos atos administrativos, isso não autoriza a falta de respeito às garantias do contraditório e da ampla defesa, na realização de diligências fiscais. Argumenta que a autoridade fiscal se reporta à documentação das fls. 653 a 690 (vol. IV), referente à diligência nos Fl. 3150DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.141 19 fornecedores de vinho, em que foram coletados documentos indicando a ausência de ingrediente de sabor maçã, nos vinhos adquiridos pelo impugnante, para servir de matériaprima para seus produtos, diligência essa que aconteceu à revelia do impugnante, que sobre ela não pôde manifestarse, gerando nulidade, pela coleta ilegal de provas. Além disso, a fiscalização prosseguiu nas diligências, que resultaram nos documentos das fls. 2503 a 2577 (vol. XIII), também sem respeitar os princípios constitucionais antes referidos. Afirma que a ausência do ingrediente de sabor maçã só poderia ser apurada mediante perícia, o que não ocorreu. Outras diligências foram efetuadas, segundo consta nas fls. 963 (vol. V), 1020, 1021, 1022 e 1023 (vol. VI), sem que o impugnante fosse intimado para acompanhar tais atos, ou para se manifestar sobre os documentos obtidos, o que é inadmissível. Glosas de créditos Quanto aos argumentos de defesa que serão relatados a seguir, o interessado diz que não agiu fraudulentamente, para reduzir o montante do IPI devido, ressalvando que o aproveitamento dos créditos se deu mediante indicação da assessoria tributária responsável pelo ajuizamento do MS n 2003.71.07.0012070, restando indevidas as multas de 75% e de 150% sobre o imposto apurado de oficio. Diz o impugnante que fabrica bebidas alcoólicas, para o que adquire insumos, vasilhames e matériasprimas, algumas isentas, nãotributadas ou tributadas a alíquota zero pelo IPI, situações em que entende ter direito a crédito presumido desse imposto, em nome do principio constitucional da não cumulatividade, sobre o qual discorre em dezessete das trinta e cinco laudas da impugnação, citando e transcrevendo doutrina e jurisprudência. No tocante as glosas de créditos de itens que não se enquadram nos conceitos de MP, PI e ME, que é o caso de hidróxido de sódio, utilizado na limpeza, GLP, formulários contínuos de notas fiscais e recipientes para acondicionamento de GLP, o interessado afirma que as glosas são improcedentes, porque os referidos itens efetivamente integram o processo produtivo do estabelecimento. Sobre a glosa de créditos na aquisição de vasilhames usados, o impugnante alega erro de fato, sem que tenha havido máfé ou excesso. Com respeito à glosa no valor de R$ 3.704,04, referente a crédito no estorno de notas fiscais por roubo, afirma a defesa que ocorreu a saída do produto correspondente, mas, por não ter ocorrido o recebimento desse produto pelo destinatário, em face do roubo, não teria ocorrido o fato gerador do IPI, justificando o crédito e invalidando a glosa. No tocante à glosa do IPI lançado a maior nas notas de aquisição, o impugnante afirma que adquiriu matériaprima do Fl. 3151DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 20 fornecedor Rossi e Boscatto Indústria Vinícola Ltda., tendo escriturado o crédito do IPI calculado pela aplicação da alíquota de 15%, após o que foi comunicado a respeito do erro de classificação fiscal do referido insumo, sem que houvesse manifestação acerca da alíquota, o que configura erro de fato e, diante da boafé, torna inviável a imposição da multa sobre o IPI que deixou de ser recolhido, pela escrituração de crédito a maior. Em relação à glosa no valor de R$ 3.395,29, de créditos relativos a devoluções de vendas e a retorno de produtos, a defesa alega que não possui o livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, mas escritura o livro Registro de Inventário, que é anual, além de possuir as notas de devolução dos produtos correspondentes. Acrescenta que não apresentou conhecimentos de transporte, dada a inexistência desses documentos, porque o transporte não foi efetuado por terceiros, mas sim por meios próprios, tendo sido apresentadas as notas fiscais de entrada. Por tais razões, considera a glosa insubsistente. Erro de classificação fiscal Quanto ao erro de classificação fiscal dos coquetéis, o impugnante defende o enquadramento na tributação especifica que adotou e diz que a fiscalização não prova a imputação de inexistência de fermentado de maçã, suco de maçã ou suco de frutas, tendose louvado exclusivamente nos arquivos magnéticos referentes às entradas de insumos no estabelecimento. Afirma a defesa que as maçãs eram obtidas, no caso concreto, de produção familiar, bastando uma visita aos pomares, para ser verificada a procedência dessa assertiva, sendo que tal produto era fornecido a titulo gratuito, sem a emissão de nota fiscal de compra. Repete a alegação de que a diligência nos fornecedores, tendente a esclarecer o assunto, feita sem a participação do impugnante, é procedimento inválido, como dito anteriormente em preliminar. Diz ainda que a pendência de registro de seus produtos não altera a composição dos mesmos e tampouco é tipificada como infração. Entende que deveria ter sido realizado exame laboratorial dos produtos, para esclarecer a presença, ou não, dos insumos referidos. A falta de exame laboratorial, prossegue a defesa, também impede a classificação fiscal no código 2208 da TIPI, dos coquetéis cuja composição não apresenta vinho nem destilado (Multidrink Coquetel de Fermentado de Maçã e Vodka; Kualitá Coquetel de Fermentado de Maçã com Amendoim; Kualitá Coquetel de Fermentado de Coco com Suco de Maçã; Kualitá Coquetel de Fermentado de Pêssego com Suco de Maçã; Kualitá Coquetel de Fermentado de Maçã corn Chocolate), porque tais coquetéis contêm fermentado de maçã em suas composições. Sobre os coquetéis cuja composição apresenta destilado (Kualytá 3312, Kualytá 3316, Kualytá 3323 e Kualytá 3324), diz o interessado que o AuditorFiscal deixou de considerar que tais Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.142 21 produtos apresentam fermentado de maçã, o que justifica o enquadramento na posição 2206, adotada pelo estabelecimento, e não na 2208, adotada pela fiscalização, novamente protestando a defesa pela falta de exame laboratorial dos produtos, o que invalidaria a glosa. Segundo a defesa, a fiscalização se equivoca ao dizer que alguns coquetéis apresentam vinho, mas não apresentam destilado, o que não é verdade, pois apresentam álcool, que é um destilado. Além disso, quanto aos mesmos produtos, a fiscalização também afirma que não apresentam o percentual mínimo de 70% de vinho de mesa, fato que torna a imputação imprecisa e inconsistente, inclusive pela falta de exame laboratorial dos produtos, causando a nulidade do auto de infração, outra vez proclamada pelo impugnante. Quanto às aguardentes compostas denominadas Starkof e Kualitayme, a defesa afirma que tais produtos não são mistura de aguardente de cana com substâncias de origem vegetal ou animal, mas sim aguardentes de cana, classificadas no código 2208.40.00, restando indevida a diferença de IPI e a correspondente multa. Majoração da multa O impugnante afirma que sempre tratou de prestar os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, motivo pelo qual discorda da imputação de que teria agravado as consequências da infração que lhe é imputada e da imputação de que teria retardado o conhecimento desses fatos pela autoridade fiscal. Acrescenta que não adulterou os registros dos produtos e tampouco agiu dolosamente no sentido de obstaculizar a fiscalização. Diz a defesa que, se houve demora no atendimento das intimações, isso se deveu ao "modus operandi" da fiscalização, que solicitava informações e documentos mediante intimações fracionadas, sendo que, após o fornecimento das respostas, novas solicitações eram efetuadas. Penalidades em relação ao selo de controle Com respeito ao alegado uso indevido do selo do tipo "aguardente", quando deveria ter sido empregado o selo do tipo "bebida alcoólica", nos produtos Aguardente Starkof, Aguardente Starkof Pet e Aguardente Kualytayme Pet, classificados pelo contribuinte no código 2208.40.00 (aguardente) e pela fiscalização no código 2208.90.00 (outras bebidas espirituosas), a defesa alega a correção do seu procedimento o que, se não for confirmado, se deve à boafé, tendo ocorrido erro de fato, o que torna indevida a diferença de IPI e a multa de que trata o art. 499, III, do RIPI, de 2002. Sobre a venda de produtos Kualytá Coquetel de Vinho Branco, diversos códigos, sem o selo de controle, o interessado alega que a imputação careceria de suporte, visto que o exame das notas fiscais correspondentes revela que os produtos foram selados, de acordo com a classificação fiscal na posição 2206, enquadrados Fl. 3153DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 22 na letra "E", sem que tenha havido qualquer apreensão de produto sem o respectivo selo de controle, para confirmar a imputação. Quanto às diferenças no estoque de selos, o impugnante afirma o que segue. Com relação aos casos decorrentes da devolução de produtos, a defesa diz que, segundo afirmado anteriormente, o transporte dos produtos devolvidos se deu por meios próprios, o que explica a falta de apresentação de conhecimentos de transporte. Em seguida, a defesa tenta explicar as diferenças no estoque de selos, caso a caso, principalmente, pela utilização de códigos errados de produtos, nas notas fiscais, sugerindo também a contagem manual das notas fiscais para apurar a correta quantidade de selos aplicados. Afirma que as inconsistências decorreram de erros de fato, sem intuito doloso. Demais alegações Adiante, o interessado contesta a representação fiscal para fins penais, dizendo que se trata de ato ilegal e contrário A jurisprudência pacifica do Supremo Tribunal Federal. Além disso, a defesa solicita a realização de exame laboratorial nas bebidas objeto de reclassificação fiscal, bem assim a feitura de perícia contábil nas notas fiscais relativas às glosas e às diferenças no estoque de selos, indicando, para acompanhar tais procedimentos, seus assistentes técnicos. Por último, o impugnante pede a improcedência dos lançamentos de oficio. Esclareçase que o IPI excluído pela utilização dos créditos amparados pela decisão judicial foi objeto de lançamento, sem multa de oficio e com suspensão da exigibilidade, no Processo n. 11020.005089/200763. No recurso, a Interessada discorreu sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI, concluindo o seguinte: a) a Constituição não prevê exceções ao direito de credito quanto ao IPI. A exceção é quanto ao ICMS. Nenhuma lei ou decreto pode condicionar, reduzir ou eliminar o direito de "creditarse" pelo IPI relativo a operações anteriores, mesmo sendo isenta, alíquota zero ou não tributada; b) o principio da nãocumulatividade objetiva minimizar o impacto tributário sobre o preço dos produtos industrializados, impedindo a oneração do custo de vida da população, em consonância com os princípios diretivos da atividade econômica; c) a nãocumulatividade do IPI tem raiz constitucional e não se sujeita a nenhuma restrição, inclusive em operações desoneradas do tributo, permitindo direito ao respectivo credito presumido. A formulação constitucional é ampla e irrestrita: toda operação tributável gera credito; Fl. 3154DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.143 23 d) o STF consagrou o direito a crédito presumido do IPI em aquisições de insumos com isenção, nãoincidência ou alíquota zero, na sistemática da CF/88, mantendo orientação firmada na vigência da CF/67, na órbita do antigo ICM; e) a nãocumulatividade do IPI se traduz em direito de compensação (abatimento); f) é razoável considerar a alíquota aplicável ao produto final para apurar o valor que o insumo (desonerado do IPI) representa proporcionalmente na sua elaboração daquele produto, mediante a adoção de princípios contábeis; g) o não aproveitamento dos créditos presumidos do IPI, na aquisição de matériaprima ou materiais nãotributados, com alíquota zero ou isentos, para saída de produtos com IPI, afronta o principio da nãocumulatividade, pois ao recolher sobre o produto em sua venda, o IPI acaba incidindo sobre o valor total do produto, quando deveria incidir somente sobre o valor agregado pela industrialização; h) a isenção, a alíquota zero ou a nãoincidência na operação anterior não pode ser entendida como obstáculo do direito ao crédito do IPI na operação subsequente tributada, sob pena de se eliminar a natureza da nãocumulatividade deste imposto (art. 153, § 3º, II, CF/88 e 49 do CTN); i) o não aproveitamento do credito presumido na aquisição do produto tornaria ineficaz a nãotributação, pois ao incidir sobre o valor total do produto industrializado, o imposto incidiria também sobre sua parte não tributada. A seguir, tratou dos estornos de créditos por roubo, do IPI lançamento a maior nas notas de aquisição, dos créditos de devoluções de vendas, do erro na classificação fiscal, da majoração da multa, das penalidades em relação ao selo de controle, das diferenças no estoque de selos de controle, da representação fiscal para fins penais e da prova pericial. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em seu recurso, a Interessada não apresentou argumentos que pudessem afastar os sólidos fundamentos do acórdão de primeira instância. Dessa forma, valendose do disposto no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, as matérias que foram objeto do recurso são analisadas da maneira mais sucinta possível. Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 24 Em relação à primeira alegação de nulidade, descabe razão à Interessada, uma vez que o presente auto de infração tratou exatamente dos créditos que não encontravam resguardo em decisão judicial. Conforme esclarecido no relatório, os créditos que tinham amparo em decisão judicial não definitiva foram objeto de lançamento com suspensão de exigibilidade em outro processo. Esclareçase, por fim, que o Supremo Tribunal Federal, no RE n. 479.852/RS, decidiu contrariamente à Interessada, tendo a decisão transitada em julgado em 24 de fevereiro de 2012. No tocante à segunda alegação de nulidade, tem razão a Primeira Instância ao considerar que a Fiscalização teve que adotar o método da chamada circularização de informações por exclusiva falta de cooperação da Interessada em fornecer as que lhe foram solicitadas. Não há, ademais, que se falar em contraditório na fase oficiosa – anterior à impugnação de lançamento – do procedimento de apuração do crédito tributário. Nesse contexto, produzidas as provas a que a Fiscalização teve acesso, o ônus de afastar tais provas caberia integralmente à Interessada, nos termos do Decreto n. 70.235, de 1972. Descabe, ainda, a realização das perícias propostas pela Interessada, uma vez que, conforme demonstrado pela Primeira Instância, os pedidos não satisfizeram aos requisitos formais e matérias previstas em lei. Ademais, a auditoria de estoque foi realizada pela Fiscalização, não havendo razão para nova verificação. Antes de se adentrar ao mérito, esclareçase aplicaremse ao presente caso as seguintes súmulas do Carf (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF no 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Súmula CARF no 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 3156DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.144 25 Além disso, aplicamse os seguintes dispositivos do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2° O sobrestamento de que trata o § 1° será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ainda é preciso esclarecer o que segue, antes da análise específica dos créditos. A Primeira Instância considerou que, nos termos do Parecer Normativo CST n. 65, de 1979, o produto intermediário que gera direito a crédito de IPI, quando não se incorpore ao produto fabricado, deve desgastarse em contato com ele no processo de fabricação e não de forma incidental. Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 26 IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.145 27 In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Se, de um lado, tal entendimento, de aplicação obrigatória pelo Carf, nos termos do art. 62A de seu Regimento Interno (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009), afasta a condição de contato físico direto com o produto fabricado, de outro, estabelece de forma clara que o insumo deva sofrer desgaste de forma imediata e integral durante o processo de fabricação. Como consequência, o acórdão afastou a possibilidade de creditamento de qualquer insumo que seja utilizado em maquinário no parque industrial, como partes e peças de equipamentos e combustíveis neles empregados, que não sofrem desgaste ou que o sofram de forma mediata. Há, ainda, precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. AÇÃO DE EMPRESA FABRICANTE DE AÇO PARA CREDITARSE DO IMPOSTO RELATIVO AOS MATERIAIS REFRATÁRIOS QUE REVESTEM OS FORNOS ELÉTRICOS, ONDE É FABRICADO O PRODUTO FINAL. Interpretação que concilia o Decretolei n. 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n. 70.162/72, com a Lei 4.503/64 e com o art. 21, paragrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Posteriormente, o STF decidiu no RE 93.768/MG, de que foi relator o Ministro Cordeiro Guerra, que os fornos em si e as demais máquinas utilizadas na produção não geram direito de crédito, diferentemente dos refratários: IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. TIJOLOS REFRATÁRIOS. PRODUÇÃO DE AÇO. ART49 DO CTN. O desgaste natural do forno ou das máquinas não se sujeita à incidência do IPI, dedutível do imposto de renda, pelo que não pode ser deduzido do IPI a ser pago. RE não conhecido. (RE 93768 / MG) Constou o seguinte do voto do ministro Relator: Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 28 Como observa o acórdão recorrido o ilustre relator Carlos Mário Veloso, há, no processamento da ação, refratários que se consomem, e nesse caso a dedução se impõe, e refratários que integram o meio de produção, que se não consomem, apenas se desgastam e devem ser substituídos. Portanto, podese concluir que que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. Com essas considerações, passase ao exame do direito de crédito em cada caso. Os produtos considerados não abrangidos pela ação judicial são detergente, GLP, formulários fiscais e recipientes de GLP que integrariam o processo produtivo. Entretanto, tais produtos ou não integram o processo produtivo ou não são aplicados especificamente na produção. Vejase que o GLP é imune constitucionalmente ao IPI, à vista do disposto no art. 155, § 3º, da Constituição Federal, hipótese que sequer se enquadra na de produto NT. Ainda que a Interessada assim entendesse, a ação judicial não lhe reconheceu tal direito. Quanto aos produtos roubados, o fato gerador ocorreu com a sua saída do estabelecimento. A legislação não condiciona que o fato gerador se aperfeiçoe com a entrega ao destinatário, muito embora se pudesse discutir ter ou não ocorrido a tradição. Certamente se o transporte fosse efetuado por conta do destinatário, não se haveria que se cogitar da não ocorrência da tradição. Ademais, sob o ponto de vista formal, o Regulamento do IPI não prevê o creditamento nessa hipótese, devendose levar em conta que as hipóteses de estorno de crédito ou de novo creditamento são taxativamente enumeradas no Regulamento. Não há dúvida, portanto, de que, sob o ponto de vista formal, o creditamento é indevido. Poderseia cogitar da possibilidade de pedido de restituição, mas não é o caso dos autos. Portanto, é plenamente aplicável ao caso o Parecer CST n. 25, de 1970. Quanto aos optantes pelo Simples, conforme já esclarecido nos autos, o Regulamento veda o aproveitamento dos créditos. Esclareçase que as disposições regulamentares são de aplicação obrigatória pelo Carf, à vista da disposição já citada do art. 62 do Ricarf. Quanto ao IPI lançado a maior (aplicação de alíquota superior à prevista na Tipi), nesse caso, sim, somente poderia ser objeto de pedido de restituição – desde que atendidas às condições do art. 166 do CTN –, uma vez que não é crédito legítimo, mas, na realidade, imposto recolhido a maior do que o devido. Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.146 29 Em relação às devoluções e retornos, o Regulamento especificamente prevê a necessidade do livro de registro de estoque ou de controle equivalente, não servindo para tanto o livro de inventário. Como se disse anteriormente, as disposições regulamentares – previstas em decreto – não podem ser afastadas pelo Carf. Ademais, a falta do controle de estoque não implica a perda do crédito, uma vez que, providenciando a sua escrituração, o contribuinte poderá aproveitar os créditos em relação às saídas posteriores que originarem débito. No tocante à qualificação da multa em função do uso indevido de créditos, tal fato ocorreu por que o crédito estaria claramente em desacordo com a legislação e em descordo com o acórdão do TRF da 4ª Região (devolução de produtos fabricados pela estabelecimento, aquisições tributadas pelo IPI, devidamente lançado nas correspondentes notas fiscais, energia elétrica, parcelamento da fatura de energia elétrica). A situação é bastante definida de a Interessada requerer um determinado direito na ação judicial e, pelo fato de entender possuir tal direito, ainda que à vista de ele lhe ser negado, insistir no seu exercício. Tal situação não implica simplesmente a assunção dos riscos de ser fiscalizada e sofrer um auto de infração com imposição de multa simples, pois revela que a Interessada tinha o prévio conhecimento da vedação legal ao aproveitamento de tais créditos (razão pela qual apresentou a ação judicial) e, assim, agiu de forma a evitar o pagamento do imposto que sabia ser devido segundo a legislação em vigor. Considerando a análise efetuada pela Primeira Instância a respeito da matéria, abaixo reproduzida, não há como acatar as alegações da Interessada; Depois de analisar a documentação referida nos itens precedentes, a fiscalização constatou divergências de informações na composição de algumas bebidas, notadamente nos coquetéis, pela indicação, nos rótulos, da presença de fermentado de maçã e/ou suco de maçã ou suco de frutas na composição dessas bebidas, sendo que o exame dos arquivos magnéticos contendo o rol de notas fiscais de aquisição de produtos pelo estabelecimento fiscalizado não revelou a compra dos insumos citados (fermentado de maçã e/ou suco de maçã ou suco de frutas). Diante desse fato, a fiscalização concluiu pela necessidade de retirar amostras dos produtos elaborados pelo interessado, para submetelas à análise laboratorial, providência que restou frustrada, tendo em vista que, em atendimento A intimação especifica, o estabelecimento informou, na fl. 652 (vol. IV), que estava fabricando exclusivamente as seguintes bebidas: "Coquetel de vinho branco e fermentado de maçã" e "Coquetel de vinho tinto, fermentado de maçã e catuaba", ambos da marca Kualytd. Todavia, a fiscalização apurou que o interessado continuou a fabricar e comercializar os coquetéis relacionados nas fls. 75 e 76 (vol. I), cuja retirada de amostras e posterior análise se impunha e não Ode ser realizada, em face da afirmação do interessado, no sentido de que não mais fabricaria tais produtos. Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 30 A par disso, o contribuinte foi intimado a apresentar as notas fiscais de aquisição dos insumos "produto hidratado de maçã" ,"suco de maça" e "fermentado de maçã", conforme item 4 do Termo de Intimação Fiscal da fl. 651 (vol. IV), tendo respondido, na fl. 652 (vol. IV), que as notas de aquisição dizem respeito a "vinhos que possuem ingrediente com sabor de wive' e que "o produto hidratado de maça está descrito nas notas de entrada como extrato". Tal resposta levou a fiscalização a diligenciar nos fornecedores de vinho para o estabelecimento interessado, segundo consta nas fls. 653 a 690 (vol. IV), tendo sido apurado que não é adicionado ingrediente com sabor de maçã aos vinhos fornecidos para Multidrink Indústria de Bebidas Ltda. Também foi feita a circularização de outros fornecedores, conforme documentos das fls. 2503 a 2577 (vol. XIII). Conforme esclarecido no relatório fiscal, a resposta da Interessada à intimação que se seguiu inovou em relação às informações sobre a composição de alguns produtos, mas a Fiscalização não conseguiu correlacionar a composição com os registros dos produtos. Tudo isso desencadeou o processo de classificação de ofício. Outra questão importante é que as alegações da Interessada não conduzem a uma solução do litígio. Como ressaltado pela Primeira Instância, uma diligência com os fornecedores de maçã seria inócua, uma vez que daí não decorre a comprovação de toda a compensação das bebidas. A falta de registro é grave, pois a forma de apuração do imposto diverge da dos produtos que não têm enquadramento. Em relação aos coquetéis sem vinho nem destilado, a Interessada alegou que, na realidade, conteriam fermentado de maçã. Nesse caso, a conclusão sobre a composição dos produtos foi efetuada com base em várias informações coletadas pela Fiscalização, que concluiu pela ausência de fermentado de maçã ou suco de frutas e pela adulteração dos registros emitidos pelo órgão competente do MAPA. Vejase que, eventualmente, a prova da aquisição de maçãs não demonstraria que seriam elas empregadas nesses produtos especificamente, considerando todo o restante das provas apresentadas pela Fiscalização. Portanto, não restando provadas as alegações da Interessada, há que se manter a autuação. No tocante aos coquetéis com destilados, a Interessada também afirmou que apresentariam fermentados de maçã, enquanto que a Primeira Instância corretamente concluiu que “as bebidas em questão ficam excluídas da abrangência da posição 2206, visto que não são outras bebidas fermentadas, nem mistura de bebidas fermentadas e tampouco mistura de bebidas fermentadas com bebidas não alcoólicas.” Assim, o fato de conterem destilado impossibilita a classificação fiscal pretendida pela Interessada. Em relação aos vinhos sem destilado, a Interessada alegou que apresentariam álcool, que seria um destilado. Entretanto, não leva em conta a Interessada que as regras de classificação deixam claro que as bebidas alcoólicas destiladas (aguardentes, licores etc.) distinguemse perfeitamente do álcool etílico, propriamente dito. Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.005087/200774 Acórdão n.º 3302001.961 S3C3T2 Fl. 3.147 31 Vale dizer, somente as bebidas com destilado, assim consideradas as bebidas alcoólicas destiladas, como aguardentes e licores, é que poderiam classificarse na posição pretendida. Em relação às aguardentes compostas, ficou demonstrado que não se trata de aguardentes puras, mas, sim, de misturas com substâncias de origem animal ou vegetal, restando não comprovada a alegação da Interessada de que se trataria apenas de aguardente de cana. Em relação à majoração da multa, os autos comprovam as situações descritas pela Fiscalização como de embaraço e agravantes. Não se pode admitir que a apresentação de registros adulterados, rótulos de produtos em desacordo com os insumos, informações inexatas e incompletas tenham ocorrido pelo modo como a Fiscalização efetuava as intimações. Pelo contrário, é normal que as intimações sejam efetuadas de modo complementar, de forma a se requerer novos esclarecimentos sobre esclarecimentos incompletos ou questionáveis apresentados em resposta à intimações anteriores. Quanto ao emprego indevido de selo, além das razões já anteriormente expostas, cabe esclarecer que a ação com boafé não afasta a exigência do imposto nem a aplicação da multa de ofício, conforme esclarecido pela Primeira Instância. Em relação às vendas sem selo, o fato foi “confirmado pela fiscalizada, As fls. 1145 a 1146, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal anexado às fls. 1143 a 1144”, não se havendo que admitir suas alegações quanto à inexistência de apreensão de produtos sem o selo. No tocante às diferenças apuradas, novamente devese ressaltar que foi efetuada auditoria. Nesse contexto, a falta de conhecimento de transporte, que comprovaria ao menos o transporte da mercadoria, compromete ainda mais a situação da Interessada. A explicação fornecida de que o transporte seria realizado pela própria Interessada poderia justificar a falta dos documentos, mas não pode ser considerada prova para afastar a apuração efetuada pela Fiscalização. Da mesma forma, não se imputa à Interessada o “intuito doloso”, mas o fato de haver ou não erro não interfere no resultado da apuração, que, segundo disposições regulamentares, implica presunção de saídas desacompanhadas da emissão de nota fiscal. À vista de todo o exposto e do mais que consta dos autos, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 32 Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13888.001480/99-71
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: FINSOCIAL PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA - O termo a quo para o contribuinte requerer a restituição dos valores recolhidos é a data da publicação da Medida Provisória n.s 1.110/95, findando-se 05 (cinco) anos após. Precedentes do Segundo Conselho de Contribuintes. Afastada a decadência do prazo para pleitear a restituição requerida, e para determinar o retorno do processo à DRJ de origem para apreciar o mérito do pedido no tocante aos demais aspectos concernentes ao processo de restituição/compensação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.021
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando que deu provimento ao recurso.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO
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ementa_s : FINSOCIAL PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA - O termo a quo para o contribuinte requerer a restituição dos valores recolhidos é a data da publicação da Medida Provisória n.s 1.110/95, findando-se 05 (cinco) anos após. Precedentes do Segundo Conselho de Contribuintes. Afastada a decadência do prazo para pleitear a restituição requerida, e para determinar o retorno do processo à DRJ de origem para apreciar o mérito do pedido no tocante aos demais aspectos concernentes ao processo de restituição/compensação. Recurso especial negado.
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Numero do processo: 14041.000365/2007-47
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 28/02/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PROGRAMA DE INCENTIVO - PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO - GRATIFICAÇÃO - REMUNERAÇÃO - INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o Salário-de-Contribuição.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Ivacir Júlio de Souza.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 28/02/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PROGRAMA DE INCENTIVO - PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO - GRATIFICAÇÃO - REMUNERAÇÃO - INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o Salário-de-Contribuição. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 28/02/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PROGRAMA DE INCENTIVO PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO GRATIFICAÇÃO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o SaláriodeContribuição. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 03 65 /2 00 7- 47 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Ivacir Júlio de Souza. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 142 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0324.082 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 108 a 118, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.091.7650, no montante de R$ 83.610,18. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 19 a 26, o crédito previdenciário, lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta, referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social correspondentes às contribuições sociais devidas pela empresa e não recolhidas, relativas à parte patronal e às contribuições dos segurados não descontadas pela empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a seu serviço, por meio de cartões eletrônicos de premiação, sem oferecer tais remunerações à tributação. Os valores apurados destinamse à Seguridade Social e correspondem a: • contribuição da empresa; • financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT • contribuições devidas pelos segurados e não descontadas pela empresa. • Outras Entidades e Fundos —Terceiros: SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. O Relatório Fiscal, às fls. 19 a 26, mostra que constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas os valores de prêmios pagos pela empresa notificada aos seus empregados por meio de cartões de premiação, administrados pela empresa INCENTIVE HOUSE S.A. Observa ainda o Relatório Fiscal, às fls. 19 a 26, que: 6. 0 sistema de premiação através dos cartões eletrônicos foi implementado pela notificada em parceria com a empresa INCENTIVE HOUSE S.A., inscrita no CNPJ/MF sob o n°. 00.416.126/000141. 0 modus operandi desses pagamentos ocorreu basicamente, mediante a disponibilização pela INCENTIVE HOUSE S.A., de cartões de premiações a segurados que prestaram serviços a NET CONTROL GERENCIAMENTO DE REDES LTDA. e contemplados no mês, para utilização na rede de terminais eletrônicos das instituições bancarias e comerciais conveniados, com os valores definidos pela notificada, sem trânsito pela Folha de Pagamento e, consequentemente, sem incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 7. De posse da relação dos valores definidos pela notificada, a INCENTIVE HOUSE S.A. emite as correspondentes notas fiscais de serviço contra a NET CONTROL GERENCIAMENTO DE REDES LTDA, no valor total da premiação do período, discriminando no campo apropriado que o pagamento se refere a "programa de estimulo ao aumento de produtividade", acrescido de despesa de prestação de serviços que corresponde a uma aliquota de 4% (quatro por cento) sobre o valor creditado. 8. Não obstante a tentativa das partes em caracterizar "premiação por produtividade" como sendo uma "prestação de serviço", conforme consta da documentação apresentada, a Auditoriafiscal concluiu que essa forma de pagamento adotada pela notificada consiste em premiar os segurados por meio de crédito em cartões eletrônicos, visando receber destes ou, após recebido aumento de produtividade. Tratase, portanto, de remuneração paga pelos serviços prestados por pessoas físicas e, segundo a legislação previdenciária, a natureza desse pagamento integra a base de cálculo das contribuições sociais. 9. As parcelas não integrantes do saláriodecontribuição, isto é, as exceções regra geral, foram arroladas exaustivamente no § 9° do artigo 28 da Lei 8.212 de 24 de Julho de 1991, não figurando entre elas pagamento de prêmios ou similares capaz de legitimar o procedimento da empresa fiscalizada. Em relação à apuração do crédito previdenciário, a AuditoriaFiscal informa que: 11. Entretanto, há que se destacar que a empresa fiscalizada, devidamente intimada, deixou de apresentar à fiscalização o contrato original de prestação de serviços firmado com a empresa INCENTIVE HOUSE S.A., bem como a relação nominal discriminando os valores das remunerações pagas a titulo de prêmios e/ou bonificações, por segurado e por competência, vinculados As notas fiscais/faturas emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE S.A., o que ensejou a emissão do Auto de Infração n°. 37.091.7685. 12.Em relação ao contrato firmado com a empresa INCENTIVE HOUSE S.A., a empresa fiscalizada apresentou somente o aditamento contratual assinado em 13/10/2004 em que cita em seu texto a utilização de sistemas de premiação celebrado no contrato original assinado em 17/03/2004. Tal aditivo encontra se anexo ao presente relatório (Folhas 42 a 43 ). 13.Da análise da escrituração contábil, conforme cópias do Livro Diário em anexo (Folhas 29 a 35 ), constatouse que a empresa fiscalizada efetuou o registro das notas fiscais emitidas pela INCENTIVE HOUSE S.A. nas seguintes contas: • 510.201.09.002 — Serviços Prestados — PJ (Nesta conta foi registrada a nota fiscal n°. 100054) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 143 5 • 510.301.01.001 — Eventos e Festividades (Nesta conta foram registradas as notas fiscais n°. 105923, 112233 e 112234. A nota fiscal n°. 11832 que consta no registro do Livro Diário, corresponde à nota fiscal n°. 112233). 14.Considerando que as premiações pagas (por intermédio dos cartões eletrônicos) aos segurados que prestaram serviços ao sujeito passivo são considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias e, considerando que não houve apresentação da relação dos respectivos segurados beneficiados, o crédito previdenciário foi lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta. Para tal aferição, foram considerados como saláriodecontribuição, os valores constantes das notas fiscais de serviços, emitidas pela INCENTIVE HOUSE S.A., abatidos os valores das "comissões de serviços" (4% sobre o valor creditado), confrontados com os registros contábeis. (...) 19 .Há que se destacar, ainda, que os fatos geradores em questão não foram incluídos pela empresa nas Folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Pelo descumprimento dessas obrigações acessórias, foram respectivamente emitidos, nesta ação fiscal, os Autos de Infração n° 37.091.7669 e 37.091.770 7. 20. Nesse contexto, as remunerações aferidas indiretamente, foram determinadas pela fiscalização com base nas notas fiscais de serviços emitidas pela INCENTIVE HOUSE S.A. e representam os fatos geradores desta NFLD, devidamente discriminados no "Relatório de Lançamentos RL", em anexo. 21. 0 valor do crédito previdenciário apurado corresponde, assim, em cada competência, ao montante das contribuições sociais arbitradas. As parcelas consideradas na apuração do crédito foram totalizadas e consignadas no relatório "Discriminativo Analítico de Débito — DAD", em anexo. 22.Para organizar o trabalho de auditoria, as contribuições sociais e suas respectivas bases de cálculos foram catalogadas no Levantamento com código "PND — Premiação paga e não declarada na Folha de pagamento e na GFIP". O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 05, é de 10/2004 a 02/2005. A recorrente teve ciência da NFLD no dia 27.06.2007, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 89 a 98, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, fls. 108 a 118: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 inexistência de justificativa para a aferição indireta: que as informações fiscais e contábeis em poder da impugnante referente ao contrato de prestação de serviços com a empresa Incentive House S.A foram entregues a fiscalização e que referido contrato não tinha o objeto de pagamento de salário ou remuneração a nenhuma pessoa fisica, e sim, referiase a programa de marketing, cujo objeto era o aumento de produtividade e a divulgação da marca da impugnante. 0 que se vê é a indução pela fiscalização, sem nenhum indicio de prova, de que detém a impugnante informações que deveriam ser fornecidas à fiscalização para fins de tributação. violação ao art. 37 da Lei de custeio da previdência social, pois não indica com clareza o fato gerador da contribuição, não existindo nos autos base material Mica que dê suporte a notificação. Ilegalidade do art. 599 da IN/SRP n o 3 de 2005. que o pagamento de prêmios a empregados não integra o fato gerador de contribuição social, consoante item 7, alínea "e", § 9 0, art. 28 da Lei 8.212/91. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 108 a 118, conforme Ementa do Acórdão nº 0324.082 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28i02/2005 NFLD: 37.091.7650 Os atos administrativos gozam de presunção de legalidade e veracidade, sendo que a conseqüência dessa presunção é a inversão do ônus da prova, a defendente, apenas ao alegar, não elide tal presunção. Verificada a ocorrência do fato gerador através dos registros contábeis, bem como das notas fiscais emitidas e não disponibilizada a relação dos empregados que tiveram direito ao referido pagamento pelo contribuinte, está a fiscalização obrigada ao lançamento do crédito previdenciário nos termos do Art. 33, §3°, Lei n. 8.212/91. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 122 a 131, onde alega, em apertada síntese: (i) Da ausência de fundamentação. A decisão ora recorrida viola frontalmente diversas disposições da Lei Federal n°. 9.784, de 1999, por manifesta ausência de fundamentação, além de não considerar e examinar as razões de defesa devidamente apresentadas. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 144 7 Na impugnação foram apresentadas alegações de fato e de direito, suficientemente capazes de elidir a atuação fiscal, porém, ignoradas pela autoridade julgadora, ao elaborar sucinto relato e manifestar a intenção de punir a recorrente, sem examinar as alegações de defesa apresentadas (ii) Da improcedência da autuação Todas as informações fiscais e contábeis de responsabilidade e em poder da recorrente referente ao contrato de prestação de serviços relacionado com a empresa Incentive House S.A., foram devidamente entregues a fiscalização, a saber: termo assinado com a INCENTIVE HOUSE S.A. de prestação de serviços e as respectivas notas fiscais. (iii) Da violação do art. 37 da lei de custeio da seguridade social 0 procedimento fiscal ora recorrido fere o artigo 37 da Lei n° 8.212, de 1991 — "Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento" — pois, não indica com clareza e precisão o fato gerador da contribuição. Após, a Recorrente atravessa petição requerendo a aplicação da multa mais benéfica pela consideração da Lei 11.941/2009. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 133. É o Relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 133. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES (a) Inconstitucionalidades. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 145 9 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (b) Da regularidade do lançamento fiscal. Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 19 a 26, o crédito previdenciário, lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta, referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social correspondentes às contribuições sociais devidas pela empresa e não recolhidas, relativas à parte patronal e às contribuições dos segurados não descontadas pela empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a seu serviço, por meio de cartões eletrônicos de premiação, sem oferecer tais remunerações à tributação. Os valores apurados destinamse à Seguridade Social e correspondem a: • contribuição da empresa; • financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 • contribuições devidas pelos segurados e não descontadas pela empresa. • Outras Entidades e Fundos —Terceiros: SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. O Relatório Fiscal, às fls. 19 a 26, mostra que constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas os valores de prêmios pagos pela empresa notificada aos seus empregados por meio de cartões de premiação, administrados pela empresa INCENTIVE HOUSE S.A. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.091.7650 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.091.7650) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 146 11 lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAF Termo de Início da Ação Fiscal j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal k. REFISC Relatório Fiscal Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Analisandose a NFLD nº 37.091.7650, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO (i) Da ausência de fundamentação. A decisão ora recorrida viola frontalmente diversas disposições da Lei Federal n°. 9.784, de 1999, por manifesta ausência de fundamentação, além de não considerar e examinar as razões de defesa devidamente apresentadas. Na impugnação foram apresentadas alegações de fato e de direito, suficientemente capazes de elidir a atuação fiscal, porém, ignoradas pela autoridade julgadora, ao elaborar sucinto relato e manifestar a intenção de punir a recorrente, sem examinar as alegações de defesa apresentadas Analisemos. Em relação à fundamentação legal, este item já foi analisado no tópico (b). Em relação ao outro ponto em que a decisão de primeira instância não teria analisado todos os argumentos aduzidos em sede de Impugnação, não dou provimento a tal argumento porque a decisão de primeira instância abordou as principais questões deduzidas pela Impugnante. Ademais, o Recorrente não apontou expressamente quais pontos da Impugnação não foram apreciados pela decisão da instância “a quo”, fato este que reforça o não provimento ao alegado pelo Recorrente. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. (iii) Da violação do art. 37 da lei de custeio da seguridade social 0 procedimento fiscal ora recorrido fere o artigo 37 da Lei n° 8.212, de 1991 — "Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 147 13 lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento" — pois, não indica com clareza e precisão o fato gerador da contribuição. Analisemos. Este item já foi analisado nos tópicos (a) e (b). Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. (ii) Da improcedência da autuação Todas as informações fiscais e contábeis de responsabilidade e em poder da recorrente referente ao contrato de prestação de serviços relacionado com a empresa Incentive House S.A., foram devidamente entregues a fiscalização, a saber: termo assinado com a INCENTIVE HOUSE S.A. de prestação de serviços e as respectivas notas fiscais. Analisemos. Em relação ao Mérito, a argumentação central da Recorrente foi no sentido de descabimento de incidência de contribuição social previdenciária em relação às operações decorrentes dos cartões de Premiação administrados pela empresa INCENTIVE HOUSE S.A. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 19 a 26, o crédito previdenciário, lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta, referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social correspondentes às contribuições sociais devidas pela empresa e não recolhidas, relativas à parte patronal e às contribuições dos segurados não descontadas pela empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a seu serviço, por meio de cartões eletrônicos de premiação, administrados pela empresa INCENTIVE HOUSE S.A,.sem oferecer tais remunerações à tributação. Observa ainda o Relatório Fiscal, às fls. 19 a 26, que: 6. 0 sistema de premiação através dos cartões eletrônicos foi implementado pela notificada em parceria com a empresa INCENTIVE HOUSE S.A., inscrita no CNPJ/MF sob o n°. 00.416.126/000141. 0 modus operandi desses pagamentos ocorreu basicamente, mediante a disponibilização pela INCENTIVE HOUSE S.A., de cartões de premiações a segurados que prestaram serviços a NET CONTROL GERENCIAMENTO DE REDES LTDA. e contemplados no mês, para utilização na rede de terminais eletrônicos das instituições bancarias e comerciais conveniados, com os valores definidos pela notificada, sem trânsito pela Folha de Pagamento e, consequentemente, sem incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 7. De posse da relação dos valores definidos pela notificada, a INCENTIVE HOUSE S.A. emite as correspondentes notas fiscais de serviço contra a NET CONTROL GERENCIAMENTO DE REDES LTDA, no valor total da premiação do período, discriminando no campo apropriado que o pagamento se refere a "programa de estimulo ao aumento de produtividade", acrescido de despesa de prestação de serviços que corresponde a uma aliquota de 4% (quatro por cento) sobre o valor creditado. 8. Não obstante a tentativa das partes em caracterizar "premiação por produtividade" como sendo uma "prestação de serviço", conforme consta da documentação apresentada, a Auditoriafiscal concluiu que essa forma de pagamento adotada pela notificada consiste em premiar os segurados por meio de crédito em cartões eletrônicos, visando receber destes ou, após recebido aumento de produtividade. Tratase, portanto, de remuneração paga pelos serviços prestados por pessoas físicas e, segundo a legislação previdenciária, a natureza desse pagamento integra a base de cálculo das contribuições sociais. 9. As parcelas não integrantes do saláriodecontribuição, isto é, as exceções regra geral, foram arroladas exaustivamente no § 9° do artigo 28 da Lei 8.212 de 24 de Julho de 1991, não figurando entre elas pagamento de prêmios ou similares capaz de legitimar o procedimento da empresa fiscalizada. Passemos a análise do Mérito em relação à incidência de contribuição social previdenciária sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação administrados pela empresa INCENTIVE HOUSE S.A. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracterizase pelo seu aspecto condicional, pois uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. De início, devese destacar o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 148 15 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva. Ocorre que, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não constando do referido dispositivo legal as verbas pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela Recorrente. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados na forma de prêmios (gratificação ajustada), teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do artigo 28, § 9º, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, em observância ao disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN. É cediço que este tema da incidência da contribuição social previdenciária sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados por meio de cartões de premiação é matéria pacificada no âmbito desta Colenda Câmara no sentido de procedência dos lançamentos efetuados pela Auditoria Fiscal, como se infere a seguir dos seguintes julgados: Recurso 259.082– Voluntário Acórdão 240300.221– 4ª Câmara 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2010 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, no caso, anotase que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. PREVIDENCIÁRIO REMUNERAÇÃO CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Recurso 146.668– Voluntário Acórdão 240100.294 – 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 149 17 Sessão de 3 de junho de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias PAGAMENTO DE VERBAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A TÍTULO DE PRODUTIVIDADE. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A teor do disposto no art. 28, I, da Lei 8.212/91, integram o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária as verbas pagas a segurados empregados e diretores por intermédio da empresa Incentive House LTDA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO Não cabe ao Conselho de Contribuintes a análise de inconstitucionalidade. Matéria sumulada. RECURSO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso de ofício cujo valor do crédito tributário exonerado em primeira instância, não alcança o valor legalmente estipulado para a sua interposição. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. Recurso 151.960– Voluntário Acórdão 240100.619– 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Recurso 153.149– Voluntário Acórdão 240200.028– 4ª Câmara 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de julho de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS DE INCENTIVO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Recurso 158.879 – Voluntário Acórdão: 240300.001 – 4ª Câmara 3ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2010 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PRÊMIO INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Valores pagos aos segurados empregados, em decorrência do cumprimento de metas ou estimulo pelos resultados obtidos. ainda que efetivados na forma de utilidades (vales ou cupons), constitui prêmio, parcela indiscutivelmente de natureza salarial, integrando, em conseqüência, a remuneração e, por extensão, o saláriodecontribuição da Previdência Social. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 150 19 MULTA DE MORA Devido à nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91 dada pela Lei 11.941/2009, a multa de mora deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica para o contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Anotase no mesmo sentido a jurisprudência administrativa do Conselho de Recursos da Previdência Social e do 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.” (Sexta Câmara do Segundo Conselho – Recurso nº 141822, Acórdão nº 20600286, Sessão de 11/12/2007) “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – PRÊMIOS – SAT – SESC – SENAC – SEBRAE – INCRA – SELIC. Os prêmios ou bonificações vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, de acordo com art. 28, I, da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 05 de maio de 1999. [...]” (4ª Câmara do CRPS, Acórdão nº 3153/2004) A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ nº 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 "9. A Consolidação das Leis do Trabalho, ao tratar da remuneração do empregado, estabeleceu que: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1 0 Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (grifo nosso) 10. Portanto, como o salário é elemento remuneratório do trabalho e se determinada parcela remuneratória se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser excluída da base de cálculo da contribuição. 11. Em face deste conceito, algumas considerações se fazem necessárias sobre a natureza jurídica dos valores pagos a título de Prêmios. Segundo o Professor AMAURI MASCARO NASCIMENTO: A CONCEITO E FUNDAMENTO. Não estão previstos em nossa lei, mas são encontrados como forma de pagamento de empregados. Prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência etc. Não pode ser forma única de pagamento. A natureza jurídica salarial do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra, a sua produção. Daí se falar, também, em salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resulta, deve ser pago. B DIFERENÇA DE OUTRAS FIGURAS. O prêmio não se confunde com a participação nos lucros, uma vez que sua causa não é a percepção de lucros pela empresa, mas o cumprimento, pelo empregado, de uma condição preestabelecida (ex.: uma determinada produção). Nem com a gratificação do, cujos causas dependem mais de fatos ou acontecimentos objetivos e externos à vontade do empregado, enquanto o prêmio está diretamente ligado ao esforço, ao rendimento do empregado. Também não é confundível com comissões, porque estas têm por base um negócio fechado através do empregado, enquanto o prêmio tem como causa um aumento de produção ou de eficiência. Em outras palavras, as comissões pendem para o setor comercial, e os prêmios, para o setor industrial. C CLASSIFICAÇÃO. Há diversas modalidades de prêmios criadas pelas necessidades do processo de produção. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 151 21 São mais difundidos os prêmios de produção, instituídos para que o empregado se anime a produzir mais e pagos sempre que o trabalhador, individual ou coletivamente, atingir um limite ixado pelo empregador; o prêmio de assiduidade, pago ao empregado que não falta ao serviço mais que o número de dias por mês que a empresa determinar; e o prêmio de zelo, pago ao empregado que não danifica os bens da empresa, em especial ao motorista da empresa de ônibus que não der causa a colisão do veículo durante o mês. Diante da natureza jurídica salarial os prêmios: a) integram a remuneraçãobase para recolhimento do depósitos do Fundo de Garantia do tempo de Serviço, de contribuições previdenciárias, cálculo de indenização, 13° salário, repouso remunerado, férias etc.; b)n ao podem ser suprimidos unilateralmente; c) não podem ser absorvidos pelo salário, salvo concordância do empregado e desde que não o prejudique; d) se não verificada a condição que os causa, não são exigíveis pelo empregado; e) obedecem ao critério de médias, para o cômputo da remuneração; fi por serem aleatórios, como a participação nos lucros e as gratificações de balanço, não podem ser admitidos como forma única de salário, pressupondo sempre a existência, ao seu lado, de um salário fixo, garantido e invariável para a subsistência do trabalhador. (in Iniciação ao Direito do Trabalho, 24ª ed., LTr, SP, 1998, Págs. 343/344) (grifo nosso) 12. Também neste sentido as seguintes decisões do Tribunal Superior do Trabalho: A parcela bonificação por assiduidade/produtividade constitui salário para todos os efeitos legais. Seu caráter condicional não lhe altera natureza jurídica de salário. (TST. RR 189.047/95. 2' Turma. Relator Ministro JOSÉ LUCL4NO DE CASTILHO. DJ 22.11.96) (grifo nosso) Sem prejuízo da terminologia usada, 'bonificação', o fato é que referida verba tem natureza premial e, como tal, identificase como salário, de vez que originouse do contrato de trabalho e sempre foi paga como retribuição e incentivo, respectivamente à produção e assiduidade do reclamante ao serviço, no curso da semana. Desde que determinada verba seja ajustada de forma expressa ou tácita, presentes nesta última hipótese a habitualidade, a periodicidade e a uniformidade de seu pagamento, e objetive remunerar o empregado pelo trabalho executado, sua natureza salarial manifestase plena. (TST. ERR 192.120/95.7. SDI1. Relator Ministro MILTON DE MOURA FRANÇA. DJ 1.8.97) (grifo nosso) 13. Do exposto, podemos concluir que a prestação paga por uma empresa em favor de seus empregados a título de Prêmios, mesmo que subordinada ao implemento de uma condição, tem natureza salarial. Ressaltese que para caracterizar o Prêmio como salário é necessário que primeiro, seja uma remuneração do trabalho executado, e segundo, seja pago ao empregado ou grupo de empregados Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 que cumprir a condição estipulada. Dessa forma, uma vez presentes tais requisitos, os Prêmios terão natureza salarial e, por conseguinte, integrarão o saláriodecontribuição.” (grifo nosso) Registrese, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência nos trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Em relação à habitualidade, esta não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, semestral, etc., mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tratandose de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1º, da CLT, in verbis: “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também, as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” (grifamos) Ademais, o pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores e aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.”. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: “Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199)” “Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 152 23 Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603)” Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos segurados por meio de cartões de premiação, administrados pela empresa INCENTIVE HOUSE S.devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” (grifamos) Neste sentido, tendo a Recorrente concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. Assim, escorreita a decisão Recorrida devendo nesse sentido ser mantida a NFLD, uma vez que a Recorrente não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000365/200747 Acórdão n.º 2403001.754 S2C4T3 Fl. 153 25 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10925.002193/2003-16
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.164
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e
Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. I I Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2, Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 2 - - , i i •,f &no/ ,-e CAR . \ L :a RTO FREITA*, BARRETO — Presidente n íi -'l ( ,I 4I1 I 1 'Ir JUL o ' V.AR IEIRA GOMES — Redator-Designado EDITADO EM: 28 ET 200,1 1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. 1 1 ,, 1 ,1 , , , 2 1 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 3 Relatório FISCHER FRAD3URGO AGRÍCOLA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, em relação ao exercício de 1999, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Monte Cano", localizado no município de Monte Carlo-SC, cadastrado na Receita Federal sob n° 0.422.446-9, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/04, e demais documentos que instilem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1 a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão n° 8.093/2005, às fls. 51/59, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 35 Câmara, em 26/04/2007, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 303-34.277, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). A teor do artigo 10, §7" da Lei n." 9.393/96, modificado pela Medida Provisória n°. 2.166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II, ALÍNEA "A", DA LEI N° 9.393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS AS ÁREAS DE RESERVA LEGAL." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fis. 112/121, com arrimo no artigo 5°, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos da legislação de regência, especialmente o artigo 10, § 4°, inciso I, da IN SRF n° 43/1997, que disciplinou a Lei n° 9.393/1996, com redação do artigo 1°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 67/1997 e, bem assim, o artigo 144 do CTN, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a contrariedade à lei argüida. Sustenta que a Lei n° 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei n° 7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matricula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. 3 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 4 Contrapõe-se ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que Áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo ,16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei n° 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, à fatos geradores ocorridos anteriormente à esse ato, em observância ao disposto no artigo', 144, do Código Tributário Nacional, com vistas à assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente a averbação em comento, impõe-se à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da 3a Câmara do 3° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso, uma vez tempestivo e por tratar-se de decisão não unânime, além da existência do pré-questionamento da matéria, conforme Despacho n° 414/2007, às fls. 123/124. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contra-razões, às fls. 138/146, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. 4 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 5 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 3a Câmara do 3° Conselho a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos no artigo 10, § 4°, inciso I, da IN SRF n° 43/1997, que disciplinou a Lei n° 9.393/1996, com redação do artigo 1°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 67/1997 e, bem assim, o artigo 144 do CTN. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural. Consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária especifica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1°, inciso II, e parágrafo 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3° da Medida Provisória n° 2.166/2001, nos seguintes termos: "Art. 10. A apuração e o paRamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condicães estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homoloRa cão posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-a: 1- VI7V, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a)construções, instalações e benfeitorias; b)culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; II Q}kol - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: 5 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 6 a) de preservação permanente e de reserva letal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecolózico para a protecão dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órRão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior. # 7°A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, 1°, deste arti2o, não está sujeita à prévia compro vacão por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo paramento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001)" (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo a gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destina-se a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Trata-se, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte e sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis — CRI, icomo condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada a proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando- se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do rrR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as ¡criou, ck, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de 6 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 7 uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do C'FN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6° do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta- se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurando-lhe o beneficio fiscal se comprovada a observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforça-lhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal, é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito'. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório, ou ainda a não requisição atempada do ADA, condição leal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerá-la como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e Misabel Derzi, Comentários de atualização da 1P Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. 7 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 8 lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no principio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas n's 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária especifica não condiciona a isenção em comento à averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência dO fato gerador do tributo, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua piópria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por iodas a pretensão fiscal, senão vejamos: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I — os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [...1 Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra "Comentários ao Código Tributário Nacional", volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: "Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as intruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos." Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: "Vinculacti o absoluta dos atos normativos à lei. "... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico- formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está Cf" diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as 8 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 9 leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, 1, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciar-se-á de ilegalidade..." (STF, Plenário, AGRÁD1 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)" (DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência" — 5° edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 3° Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo e exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regu . ‘ a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIA 1 PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. i a i ‘ tia • '• Rycardo He Magalhães de Oliveira — Relator Ki e 9 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 10 Voto Vencedor Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Designado Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do arti o 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos 111 autos, interessa-nos o 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. 1§ 1. sç 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, lou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro 10 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 11 no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15a ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) (.) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado 11 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 12 pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n° 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da i sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista' o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. 12 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 13 A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinaçã o nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf L. 8.629/93, art. 10, 110,sem que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. 13 Processo n° 10925.002193/2003-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.164 Fl. 14 I Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. Em razão do expos õ, - atendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor correspondente à reserva • II ão averbada à época do fato gerador. ! i' 4 Julio Cesar Vieir., C» 'e 's — Redator-Designado , , 14
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Numero do processo: 10825.900488/2006-21
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
Ementa:
DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL.
A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do FISCO. Havendo erro na apuração do valor devido, a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo qüinqüenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto em relação ao Fisco quanto do contribuinte para que possam retificar o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido o prazo de cinco anos, não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o quantum devido, objetivando compensar valor recolhido a maior com outros débitos.
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. A DCTF é meio instrumento pelo qual o contribuinte confessa débito em favor do fisco. O débito uma vez confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta. Em assim sendo, não pode o sujeito passivo compensar tributo atual com valor proveniente de tributo pago a maior, no passado, sem antes retificar a DCTF.
Numero da decisão: 1402-001.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 Ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do FISCO. Havendo erro na apuração do valor devido, a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo qüinqüenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto em relação ao Fisco quanto do contribuinte para que possam retificar o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido o prazo de cinco anos, não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o quantum devido, objetivando compensar valor recolhido a maior com outros débitos. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. A DCTF é meio instrumento pelo qual o contribuinte confessa débito em favor do fisco. O débito uma vez confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta. Em assim sendo, não pode o sujeito passivo compensar tributo atual com valor proveniente de tributo pago a maior, no passado, sem antes retificar a DCTF.
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INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do FISCO. Havendo erro na apuração do valor devido, a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo qüinqüenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto em relação ao Fisco quanto do contribuinte para que possam retificar o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido o prazo de cinco anos, não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o quantum devido, objetivando compensar valor recolhido a maior com outros débitos. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. A DCTF é meio instrumento pelo qual o contribuinte confessa débito em favor do fisco. O débito uma vez confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta. Em assim sendo, não pode o sujeito passivo compensar tributo atual com valor proveniente de tributo pago a maior, no passado, sem antes retificar a DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 04 88 /2 00 6- 21 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.900488/200621 Acórdão n.º 1402001.159 S1C4T2 Fl. 759 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.900488/200621 Acórdão n.º 1402001.159 S1C4T2 Fl. 760 3 Relatório Laboratório Bauru de Patologia Clínica S/C recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/10, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (Cofins) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fls. 11/14, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.16/17, na qual alega, em síntese, que o despacho decisório não homologou a compensação declarada em razão das declarações (DIPJ e DCTF) originais apresentadas, utilizarem integralmente o valor recolhido para quitação de débitos. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo as respectivas declarações retificadoras e os pagamentos de impostos indevidos ou maiores, que resultou no crédito utilizado nas compensações. Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade e a improcedência da cobrança dos valores compensados.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 14 21.613 (fls. 104107) de 25/11/2008, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte sob o argumento de que o reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido, o que, no presente caso, não teria ocorrido, entendimento representado em sua ementa, a seguir transcrita. “RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 16/03/2009 (A.R. de fl. 110), a interessada interpôs recurso voluntário em 14/04/2009 (fls. 111115) onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.900488/200621 Acórdão n.º 1402001.159 S1C4T2 Fl. 761 4 Em sessão anterior, quando o processo foi examinado por este Colegiado, converteuse o julgamento em diligência para que viessem aos autos os seguintes elementos: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP etc). No decorrer da diligência levada a efeito pela autoridade fiscal, a empresa juntou documentos e planilhas, dentro os quais cito os que seguem: (I) cópias de PER/COMPs transmitidas em 2003; (II) planilha com demonstrativo de imposto a pagar no 4º trimestre de 1998 e do imposto a recuperar a partir do Segundo Trimestre de 1999; (III) comprovante de entrega da DIPJ retificadora do anocalendário de 1998, transmitida em 21052008; (IV) planilha com demonstrativo com imposto apurado com base de cálculo de 8%, em confronto com a base de cálculo de 32%, nos anos calendário de 2003, 2004 e 2005; (V) cópia do auto de infração datado de 18032008, exigindo crédito tributário com base na alíquota de 32%; (VI) cópia do contrato social e alterações subsequentes; (VII) planilha e quadro resumo do faturamento obtido pela empresa, no ano de 1998, indicando as fontes pagadoras, o montante em cada trimestres e as retenções de imposto de renda na fonte. (VIII) Livro razão referente ao anocalendário de 1998. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.900488/200621 Acórdão n.º 1402001.159 S1C4T2 Fl. 762 5 De posse das informações fornecidas pela parte interessada a autoridade fiscal elaborou o termo de verificação datado de 17012012, destacando os seguintes pontos: a) que o alegado direito creditório da recorrente referese à diferença pelo de ter recolhido tributos considerando base de cálculo de 32%, quando o correto, segundo seu entendimento, seria 8%; b) que esta diferença resultante entre 1998 e 2003 gerou mais de 180 PER/COMP; c) que para o ano de 1998, a interessada entregou a DIPJ original nº 0301264–07 em 27/09/1999, retificandoa em 21/05/2008 pela declaração nº 127461804. Em relação à DCTF, não houve entrega de declaração retificadora, ficando declarados os seguintes valores: d) que de acordo com a DIPJ original e a DIPJ retificadora, para os últimos dois trimestres de 1998 temse o seguinte quadro comparativo: Intimada dos levantamentos feitos pela autoridade fiscal, a recorrente manifestouse destacando os seguintes pontos: a) que dos demonstrativos apurados no exaustivo trabalho da autoridade fiscal notouse algumas divergências entre a receita declarada e a receita informada em DIRF. Igualmente, percebeuse pequenas divergências entre as retenções que foram utilizadas em compensações; Fl. 762DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.900488/200621 Acórdão n.º 1402001.159 S1C4T2 Fl. 763 6 b) relativamente às divergências de receitas e retenções declaradas, esclarece a recorrente que a contabilização da receita era feita pela nota fiscal e o aproveitamento da retenção na fonte pelo recebimento; c) por outro lado, esclarece a recorrente que valor constante das notas fiscais emitidas nem sempre correspondiam ao pagamento, pois existiam glosas, ainda que indevidas, pelos tomadores dos serviços; d) que os valores sem DIRF, mas representativos, são do SUS e do SEPREM, ambos órgãos públicos a quem a recorrente solicitou os devidos comprovantes, sendo que a SEPREM o forneceu e o SUS informou que tais informações somente podiam ser obtidas por meio de diligências em Brasília, pois a verba para a saúde tem origem no Ministério da Saúde que repassa para os Estados e Municípios. e) destaca, ainda, que o processo documental do SUS é diferente, pois não existe nota fiscal de serviço, mas sim relatórios que são auditados, para os quais são emitidos ofícios com estimativa de pagamento. Neste sentido a recorrente apresenta exemplos. f) Junto com a manifestação em relação ao levantamento feito pela autoridade fiscal a contribuinte juntou documentos separados por anos (1998, 1999 e 2000). g) para cada ano e para cada empresa que apresentou problemas de falta ou de divergência de valores a contribuinte elaborou planilha contendo: 1. o ano da ocorrência; 2. o nome da empresa – fonte pagadora; 3. o nº atribuído a esta empresa que irá identificálo no razão; 4. o nº do CNPJ da fonte pagadora; 5. o Banco onde eram creditados os rendimentos; 6. o faturamento líquido e a retenção em cada mês. A planilha acima referida foi instruída com cópias de notas fiscais onde por vezes constam anotadas as glosas, novo cálculo de retenções, valor líquido pago, data de pagamento e extrato onde se encontra registrado o crédito e, por vezes, o nome do pagador. É o relatório. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.900488/200621 Acórdão n.º 1402001.159 S1C4T2 Fl. 764 7 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Antes de adentrar ao mérito faço questão de registrar o excelente trabalho de confecção de planilhas elaboradas tanto pela fiscalização quanto pela contribuinte. O atuar de uma facilitou no trabalho da outra e ambas propiciaram melhor esclarecimento aos fatos. Do retorno da diligência, levando em consideração o objeto social da recorrente, os tomadores dos serviços e demais dados existentes nos autos, já analisados quando da conversão do processo em diligência, resultei convencido de que, à luz do que foi decidido no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil, que nos termos do artigo 62A, do Regimento Interno, deve ser observado por este colegiado, a base de cálculo aplicável ao caso concreto efetivamente era de 8%. Deixo de transcrever os fundamentos constantes do REsp nº 1.116.399/BA porque já o fiz quando da resolução que converteu o processo em diligência. Entretanto, a questão fulcral para o deslinde do presente processo não está relacionada à base de cálculo e tampouco ao montante dos valores retidos na fonte. Quando examinei o processo pela primeira vez o fiz partindo da premissa de que a contribuinte, quando formulou os pedidos de compensação, havia retificado as DCTF relativas ao período em análise (referentes aos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000). Tendo por norte esta premissa entendi que as DCTF entregues eram documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não havia o que se falar em decadência. Apesar dos fundamentos acima, como as DCTF retificadoras não se encontravam nos autos, converti o julgamento em diligência solicitando que viessem aos autos ditos documentos. Se retificada a DCTF antes da extinção do direito da recorrente, ao meu sentir, em análise preliminar, não haveria como negar a compensação ora analisada. Ocorre que as DCTF correspondentes ao terceiro e quarto trimestre de 1998 não foram retificadas, nem mesmo após o decurso do prazo de cinco anos, caso verificado em relação às DCTF de cada um dos trimestres de 1999 e 2000. Assim, a premissa inicialmente considerada quando da conversão do processo em diligência, com a informação vinda aos autos, mostrouse inexistente. Com efeito, nos termos do artigo 147 e seguintes do Código Tributário Nacional, o lançamento pode se dar por declaração, homologação ou de ofício. No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de identificar a matéria tributável, Fl. 764DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.900488/200621 Acórdão n.º 1402001.159 S1C4T2 Fl. 765 8 apurar o quanto devido e realizar o pagamento, cabendo à autoridade administrativa homologar a atividade praticada pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício. Quando o sujeito passivo, no lançamento por homologação, identifica a matéria tributável, apura a base de cálculo e calcula o valor do tributo devido, informandoo à Administração Tributária por meio de DCTF, temse a constituição de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor que reconhece devido ao sujeito ativo. Por outro lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício, apura o valor do imposto devido e notificao ao sujeito passivo, tem o credor o prazo de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição. Depreendese da leitura do artigo 149, parágrafo único, do CTN, que esse lapso temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo, nos lançamentos por homologação, comete erros na constituição do crédito. Assim, caso constitua crédito tributário considerando base de cálculo além da devida, serlheá assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. O prazo qüinqüenal é aplicável tanto em favor do Fisco quanto do contribuinte para retificarem o lançamento, nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo, não é lícito ao fisco fazer exigência em face do contribuinte e, tampouco, pode este retificar DCTF para diminuir o valor anteriormente constituído. Nesse sentido, temse que o contribuinte constitui crédito em favor do Fisco ao entregar a DCTF, podendo retificála no prazo de 5 (cinco) anos. Decorrido tal prazo, extinguese o direito da parte em retificar a DCTF. Por fim, para que não se diga que o Colegiado tangenciou sobre ponto relevante em relação ao qual deveria se manifestar, deixo consignado que o fato de o sujeito passivo ter entregue pedido de compensação dentro do período de cinco anos não altera o resultado do julgamento. A compensação pressupõe um crédito do devedor para com o credor. Assim, no momento em que o sujeito passivo não retificou sua DCTF, dentro do período de 5 (cinco) anos, não fez aflorar o direito creditório pretendido que, mediante compensação, poderia ser utilizado para pagamento de outro tributo. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso por reconhecer a impossibilidade de retificação da DCTF após decorridos 5 (cinco) anos de sua entrega. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.900488/200621 Acórdão n.º 1402001.159 S1C4T2 Fl. 766 9 Fl. 766DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13888.002414/2007-61
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2001 a 28/02/2007
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, salvo se ficar caracterizada uma das hipóteses do §4º do art. 16, o que não ocorreu nos autos.
DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submete-se à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerando-se, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. INFRAÇÕES RELATIVAS A GFIP.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições lançadas devido aos fatos geradores até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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PREV OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA GFIP Recorrente MOEMPIRA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 28/02/2007 DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se ficar caracterizada uma das hipóteses do §4º do art. 16, o que não ocorreu nos autos. DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. INFRAÇÕES RELATIVAS A GFIP. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 24 14 /2 00 7- 61 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições lançadas devido aos fatos geradores até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002414/200761 Acórdão n.º 2301002.989 S2C3T1 Fl. 517 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 29/05/2007, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 08, deixado de informar mensalmente, por intermédio das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse, nas competências 08/01 a 02/07, tendo resultado na aplicação de multa de R$ 220.202,70. Após tomar ciência postal da autuação em 01/06/2007, fls. 16, a recorrente apresentou impugnação, fls. 18, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 5ª Turma da DRJ/Brasília, no Acórdão de fls. 63/68, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 12/02/2008, fls. 69. O recurso voluntário, apresentado em 06/03/2008, fls. 71/75, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia insistindo que ocaso suscita da relevação de penalidade prevista no art. 291 do Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS). Requer produção de provas para demonstrar que a multa merece ser relevada. É o relatório. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002414/200761 Acórdão n.º 2301002.989 S2C3T1 Fl. 518 5 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada Fl. 421DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002414/200761 Acórdão n.º 2301002.989 S2C3T1 Fl. 519 7 pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 422DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002414/200761 Acórdão n.º 2301002.989 S2C3T1 Fl. 520 9 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies Fl. 425DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002414/200761 Acórdão n.º 2301002.989 S2C3T1 Fl. 521 11 a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Tratamos de lançamos de ofício motivado por descumprimento de obrigação acessória, o que, segundo nosso entendimento anteriormente apresentado, levanos a aplicar a regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, observando que tal situação não está abrangida pelo conteúdo do Resp 973.733SC. O lançamento foi cientificado em 01/06/2007, assim, o fisco tinha até 11/2001 para efetuar o lançamento. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 Do pedido de produção de provas A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se ficar caracterizada algumas das hipóteses do §4º do art. 16, o que não foi demonstrado pela recorrente. O pedido para produção de provas é, portanto, negado. Negativa genérica. Ônus da prova. A recorrente faz negativa genérica dos motivos que levaram à autuação, sem apresentar prova de suas alegações. Porém, o ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária, afastando desse modo, a infração e sua conseqüente penalidade conforme art. 16, II, do Decreto n. 70.235/72, c/c o art. 333, II do CPC. Nesse sentido, é apropriada a conclusão de Fabiana Del Padre Tomé(A prova no Direito Tributário, 2008, p. 234): “Em processo tributário,(...) se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas”. E não basta apenas juntar um documento ou um conjunto de documento, ainda que volumoso. È preciso estabelecer uma relação entre os documentos e o fato que se pretende provar. Mais uma vez nos valemos das lições de Fabiana Del Padre Tomé(A prova no Direito Tributário, 2008, p. 179): “Isso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. È preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.” Assim, provar por meio de documentos não se encerra na apresentação destes, mas exige que estes sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A simples juntada de documentos não produz prova, ou seja, não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar. Sem que a recorrente tenha se desincumbido do ônus de provar os fatos modificativos ou extintivos que alega, não há como acatar seus argumentos. Não nos autos documentos que demonstrem que a infração foi sanada até a data de decisão de primeira instância, o que impede considerarmos o pleito de relevação da multa. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002414/200761 Acórdão n.º 2301002.989 S2C3T1 Fl. 522 13 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Fl. 428DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002414/200761 Acórdão n.º 2301002.989 S2C3T1 Fl. 523 15 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002414/200761 Acórdão n.º 2301002.989 S2C3T1 Fl. 524 17 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Fl. 432DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que: · A penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, deve ser mantida, mas limitada a 20%; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. É de ser observado que a fiscalização considerou duas infrações na apuração das multas aplicáveis: atraso e GFIP não apresentada ou apresentada em desacordo com a legislação. No entanto, conforme acima explanado, cada uma das infrações deve ter sua penalidade analisada quanto à retroatividade benéfica: · A penalidade aplicável à infração relativa ao atraso, a multa de mora, deve ser mantida em todas as competências, mas limitada a 20%; · A penalidade aplicável à infração relativa à GFIP, nas competências em que estiver presente no lançamento, deve ser comparada com a penalidade do art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo a que for mais favorável ao contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) afastar os fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive, por conta da decadência; (b) determinar a comparação da penalidade aplicada com a penalidade do art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo a que for mais favorável ao contribuinte. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002414/200761 Acórdão n.º 2301002.989 S2C3T1 Fl. 525 19 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA
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