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Numero do processo: 13864.000276/2006-73
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
DEPENDENTES. TERMO DE GUARDA.
A existência de Termo de Guarda Judicial, relativo ao ano-calendário correspondente, é condição indispensável para que o menor pobre seja considerado dependente na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte.
DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE.
A apresentação de declaração retificadora, após iniciado o procedimento fiscal, não se considera denúncia espontânea, mormente se o Termo de Início de Fiscalização foi devidamente prorrogado dentro do prazo de validade de 60 dias.
MULTA QUALIFICADA.
Aplica-se a multa qualificada quando restar comprovado nos autos que o contribuinte utilizou-se de despesas fictícias para diminuição do valor do imposto de renda apurado na Declaração de Ajuste Anual.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-000.266
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Giovanni Christian Nunes Campos que reduziam a multa de oficio de 150% para 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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TERMO DE GUARDA. A existência de Termo de Guarda Judicial, relativo ao ano-calendário correspondente, é condição indispensável para que o menor pobre seja considerado dependente na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. A apresentação de declaração retificadora, após iniciado o procedimento fiscal, não se considera denúncia espontânea, mormente se o Termo de Início de Fiscalização foi devidamente prorrogado dentro do prazo de validade de 60 dias. MULTA QUALIFICADA. Aplica-se a multa qualificada quando restar comprovado nos autos que o contribuinte utilizou-se de despesas fictícias para diminuição do valor do 1 imposto de renda apurado na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Voluntário Negado I I , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os" 1 1 I 1 Processo tf 13864.000276/2006-73 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.266 Fl. 210 Conselheiros Roberta de Azeredo " erreira agetti e Giovanni Christian Nunes Campos que reduziam a multa de oficio de 1 O% par. 750 GIOV á NI CHRIS 14 ; AMPOS Presis ente 'ità 1\11:113 A MATOS • URA Relatora FORMALIZADO EM: 25 SET 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. • Relatório BENEDITO RAIMUNDO BENTO, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau, prolatada pelos Membros da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP II, mediante Acórdão DRJ/SPOII n° 17-17.630, de 14/03/2007, fls. 156/170, recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário, fls. 178/183. Mediante Auto de Infração, fls. 130/136, formalizou-se exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), no valor total de R$34.049,52, incluindo multa de oficio, nos percentuais de 75% e 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2006. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos, tls. 122/129, foram dedução indevida de dependentes, dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de despesas com instrução. Importa destacar trechos do referido Termo de Verificação, nos quais a autoridade fiscal narra fatos apurados durante o procedimento fiscal, nos quais se pautou para aplicar a multa de oficio, na sua forma qualificada, sobre parte das infrações de dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de despesas com instrução: A ação fiscal originou-se de trabalho de malha fiscal, por meio do qual se tomou conhecimento de que um grande número de • contribuintes apresentava valores de dedução da base de cálculo do IRPF geralmente vultosos e sem lastro legal, acarretando a Representação DRF/SJC/Safis, posteriormente encaminhada ao Ministério Público Federal,. 42't • 2 Processo n° 13864.000276/2006-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.266 Fl. 211 Todos os equipamentos e documentos apreendidos no endereço residencial e comercial do contador foram enviados à Delegacia da Receita Federal em São José dos Campos, para análise fiscal, sendo, para isso, designados peritos com a finalidade de se obter e realizar cópias dos discos rígidos dos microcomputadores apreendidos, com posterior retorno do resultado dos trabalhos à Delegacia da Polícia Federal,. O material resultante da perícia foi colocado à disposição da Delegacia da Receita Federal e, .findos os trabalhos preliminares, em 08/05/2006, foi enviado ao contribuinte o Mandado de Procedimento Fiscal 0812000-2006-00081-3 e o Termo de Início de Fiscalização, intimando-o a apresentar os comprovantes de despesas médicas, despesas com instrução e dependentes declarados. Quanto às despesas com instrução, considerando que os recibos emitidos pelo Colégio Liderança S/C Ltda (fls. 103, 109 e 113) se referiam ao menor AlLsson Matheus Bento Campos, cuja relação de dependência com o contribuinte não foi comprovada, tais comprovantes não foram aceitos. Desse modo, foram glosadas as mencionadas despesas (R$475,00 — ano-calendário 2002; R$ 1.998,00 — ano-calendário 2003), com aplicação da multa de 75% sobre o imposto apurado; Relativamente às despesas declaradas como pagas às prestadoras SAMAS Assessoria Empresarial S/C Ltda ME (R$1.700,00 — ano-calendário 2001; R$5.700,00 — ano- calendário 2002) e Fundação Valeparabaína de Ensino - UNI VAP (R$5.900,00 — ano-calendário 2001; R$2.000,00 — ano- calendário 2003) não houve comprovação do pagamento; Intimadas com o intuito de atestar a veracidade das deduções, a SAMAS, CNPJ n" 00.660.680/0001-70, informou que a empresa somente prestou serviços a pessoas jurídicas, que sua última nota fiscal foi emitida em 08/01/2001 e que, desde então, está sem movimento e inativa (fls.. 31). Já a Fundação Valeparabaína de Ensino (UNIVAP), CNPJ n" 60.191.244/0001-20, afirmou que o contribuinte não constava do rol de alunos da instituição no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2004 (fls. 34); Em decorrência do exposto, concluiu-se que não ocorreu a prestação de serviços para o contribuinte no período sob ação fiscal, razão pela qual foram glosadas as despesas concernentes a SAMAS (R$1.700,00 — ano-calendário 2001; R$3.521,00 — ano-calendário 2002) e UNI VAP (R$5.100,00 — ano-calendário 2001; R$1.998,00 — ano-calendário 2003), com aplicação da multa de oficio de 150%; Com referência às despesas médicas, não foram apresentados comprovantes relativos aos profissionais Maria do Carmo Garcia (R$3.600,00 — ano-calendário 2001); Giselle Mazzeo Martins (R$2.600,00 — ano-calendário 2001); Helena M H Muraora (R$485,00 — ano-calendário 2002), Carlos Humberto F Banys (R$200,00 — ano-calendário 2002) e às empresas Pro Odonto (R$10.800,00 — ano-calendário 2001; R$3.200,00 — ano- PO 3 Processo n° 13864.000276/2006-73 S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00.266 Fl. 212 calendário 2002); CEDDA (R$9.500,00 — ano-calendário 2002) e Hospital Alvorada (R$12.630,00 — ano-calendário 2003); • Intimadas a confirmar os serviços prestados, as pessoas jurídicas Pro Odonto, CEDDA e Hospital Alvorada negaram a existência de qualquer relação de serviço com o contribuinte, tendo sido glosadas as correspondentes despesas e lançada a multa de oficio qualificada de 150% em razão da constatação do evidente intuito defraude; Foram também glosados os valores relativos aos profissionais Carlos Humberto F Banys e Helena M H Muraora (R$485,00 — ano-calendário 2002), incluídos indevidamente na Declaração de Ajuste do ano-calendário de 2002; Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 141/145, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SPOII n° 17-17.630, de 14/03/2007, fls. 156/170: 4.1.Procedeu, em 21/09/2006, à retificação de suas declarações de ajuste do imposto de renda dos anos-calendário 2001 a 2003, anteriormente à lavratura do presente Auto de Infração, do qual foi cientificado, via postal, em 18/12/2006; 4.2.Por meio das referidas declarações retificadoras promoveu a regularização de todos os itens que porventura pudessem estar erroneamente inclusos em suas declarações originais, excluindo as deduções com dependentes e respectivos gastos com instrução e as deduções indevidas de despesas médicas; 4.3. Observe-se ainda que os valores apontados pelo contribuinte diferem dos apresentados pela fiscalização, pois o Auditor Fiscal desconsiderou os documentos juntados aos autos em 10/11/2006, que comprovam as relações de dependência e os gastos com instrução do contribuinte, maculando, portanto, a veracidade da base de cálculo apresentada nos Demonstrativos de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Física, relativos aos anos-calendário 2001, 2002 e 2003; 4.4. Tais alegações se referem à glosa do dependente Alisson Matheus Bento Campo, bem como seus respectivos gastos escolares, os quais foram devidamente demonstrados. O Auditor Fiscal desconsiderou o menor como dependente em razão da não apresentação de documentos que comprovassem a relação de dependência, fato este que não é verdade, uma vez que poderia ter oficiado à Justiça Estadual para confirmar tal situação; 4.5.0 contribuinte procedeu à juntada de documentos que atestavam a relação de dependência, não tendo sido possível apresentar cópia da sentença da Ação de Guarda Judicial do menor em questão, uma vez que o Poder Judiciário não se manifestou acerca do pedido de desarquivamento do processo n" 1.064/99, conforme já comprovado por meio do documento 04, outrora apresentado a estes autos em 10/11/2006. Em razão deste fato, requer a posterior juntada de tal documentação, que, por via reflexa, tornará insubsistente a glosa das despesas 144 4 Processo n° 13864.000276/2006-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.266 Fl. 213 relativas ao menor supramencionado, e das respectivas despesas com instrução; 4.6. Com relação à multa de oficio agravada, considerando que o contribuinte efetuou o pagamento do imposto devido muito antes que se procedesse ao lançamento por meio do vertente Auto, não há que se falar em dolo, não havendo qualquer embasamento para o seu lançamento; 4.7.Nesse diapasão, não há qualquer elemento acostado aos autos que comprove o intuito de fraude por parte do contribuinte, que enseje a aplicação da multa agravada. Traz à colação ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes, afirmando a necessidade de se comprovar minuciosamente o intuito de fraude no momento em que é aplicada a multa agravada; 4.8.A mera presunção acerca do intuito de fraude não se faz bastante para legitimar a aplicação de multa agravada a pagamento de imposto devido; 4.9.Diante do exposto, requer: a) que seja julgado improcedente o auto . de 4-ação, declarando-se sua nulidade e cancelando o seu respectivo registro equivocadamente lançado; b) a produção de todos os meios de prova admitidos no processo administrativo, notadamente, de novos documentos e outros que se fizerem necessários; c) seja concedido prazo para apresentação posterior de documento judicial que comprove a relação de dependência do menor Alisson Matheus Bento Campos. A DRJ São Paulo/SP II julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento e os fundamentos da decisão recorrida estão consubstanciados nas seguintes ementas: JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o contribuinte apresentá-la em outro momento, a menos que demonstre motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente, ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO (PARTE) E DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideram-se não impugnadas as partes do lançamento não expressamente contestadas pelo contribuinte, consolidando-se administrativamente o respectivo crédito tributário apurado. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Para provar a condição de dependente para .fins de dedução cio IRPF necessário se faz apresentar documentos que comprovem inequivocamente esta condição. DEDUÇÃO. DESPESA DE INSTRUÇÃO COM DEPENDENTE. Procede a glosa da despesa de instrução de dependente, quando não comprovada a relação de dependência. 5 Processo tf 13864.000276/2006-73 S2-C1T2 Acórdão ti.° 2102-00.266 Fl. 214 MULTA QUALIFICADA. Urna vez comprovado nos autos que o contribuinte tentou valer-se de despesas médicas e de instrução fictícias para diminuição do valor do imposto de renda apurado na declaração de ajuste, cabe a majoração da multa de oficio para o percentual de 150%. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 12/06/2007, Aviso de Recebimento — AR, fls. 177, o contribuinte apresentou, em 22/06/2007, Recurso Voluntário, fls. 178/183, no qual reproduz e reforça as alegações e argumentos da impugnação, acrescentando solicitação para que se oficie o Fórum Estadual da Comarca de São José dos Campos, para obtenção de cópia da decisão judicial, que comprove a relação de dependência do menor Alisson Matheus Bento Campos. Ao apreciar o referido recurso a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte deferiu o pedido de diligência, formulado pelo contribuinte, nos termos da Resolução n°102-02.448, de 07/08/2008, fls. 196/202. Atendendo ao pedido de diligência, a autoridade administrativa juntou aos autos, fls. 204/208, dentre as quais se encontra Termo Definitivo de Guarda e Responsabilidade do menor Alisson Matheus Bento Campos. É o Relatório. Voto Conselheira NUBIA MATOS MOURA O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Do dependente Alisson Matheus Bento Campos Em suas Declarações de Ajuste Anual — DAA, referente aos anos-calendário de 2001 a 2003, o contribuinte pleiteou deduções, de dependente e de despesas com instrução, relativamente ao seu neto Alisson Matheus Bento Campos e em razão da não-apresentação do competente Termo de Guarda Judicial do referido menor, tais deduções foram consideradas indevidas. Afirma, o contribuinte, em seu recurso, que durante o procedimento fiscal apresentou cópia de Guia de Recolhimento, relativa a solicitação de desarquivamento de processo de guarda do menor e que, em razão da morosidade do Poder Judiciário, até a data da apresentação do recurso tal processo não estava disponível para vista. Nessa conformidade, para atender pedido de diligência formulado pelo contribuinte, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, de sorte que se encontra acostado aos autos Termo Definitivo de Guarda e Responsabilidade do menor Alisson Matheus Bento Campos, fls. 207. 41° 6 Processo n° 13864.000276/2006-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.266 Fl. 215 Contudo, do exame do referido Termo, verifica-se que a guarda do menor Alisson Matheus Bento Campos somente foi conferida ao contribuinte em 04/09/2008, data bastante posterior aos anos-calendário 2001 a 2003, nos quais o contribuinte pleiteou a dedução de dependente e de despesas com instrução relativas ao menor. Desta forma, permanecem inalteradas as infrações de deduções indevidas de dependente e de despesas com instrução, relacionadas ao menor Alisson Matheus Bento Campos, nos termos em que consubstanciadas no Auto de Infração. Da argüição de denúncia espontânea e das declarações retificadoras Em seu recurso o contribuinte traz a tese de denúncia espontânea. Esclarece que apresentou Declarações de Ajuste Anual — DAA retificadoras, de modo que parte das infrações apontadas no Auto de Infração, relativamente às deduções indevidas de despesas com instrução e despesas médicas, já haviam sido devidamente corrigidas e que, inclusive, já procedeu ao pagamento do imposto correspondente às retificações. Segundo o estabelecido no art. 54, e seu parágrafo único, da Instrução Normativa n° 15, de 6 de fevereiro de 2001, a apresentação de declaração retificadora independe de autorização da autoridade administrativa, tendo a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindo-a integralmente. Entretanto, o Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, estabelece em seu art. 7° e parágrafo 10 que: Art. 7° - O procedimento fiscal tem início com.. I — o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; § I° - O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2 — Para os efeitos do disposto no § 1", os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (grifei,.) No presente caso, o contribuinte foi cientificado do lançamento em 18/12/2006, Aviso de Recebimento — AR, fls. 139, e solicitou a retificação de suas Declarações de Ajuste Anual, exercícios 2002 a 2004, anos-calendário 2001 a 2003, em 21/09/2006, recibos, fls. 77/79. Contudo; o procedimento fiscal iniciou-se em 23/06/2006, décimo quinto dia da afixação do Edital, fls. 47, mediante o qual o contribuinte foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização, fls. 44. 7 Processo n° 13864.000276/2006-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.266 Fl. 216 Ao Termo de Início sucederam-se os seguintes atos: Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 002, fls. 58/59, ciência em 22/08/2006, AR, fls. 60; Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 003, fls. 64/65, ciência em 28/08/2006, AR, fls. 69; Termo de Reintimação Fiscal, fls. 71/72, ciência em 23/10/2006, AR, fls. 73; e Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, fls. 114, ciência em 28/11/2006, AR, fls. 115. Conclui-se, portanto, que o contribuinte esteve com sua espontaneidade excluída no período compreendido entre a data da ciência do Termo de Início de Fiscalização, 23/06/2006, e a data do ciência do Auto de Infração, 18/12/2006, dado que o Termo de Início foi sucessivamente prorrogado, mediante ciência ao contribuinte dos Termos acima mencionados. Frise-se que, o prazo de 60 (sessenta), a que se refere o § 2° do art. 7° acima transcrito, foi rigorosamente respeitado pela autoridade fiscal. Desta forma, tem-se que na data da apresentação das DAA retificadoras, a espontaneidade do interessado estava excluída, de modo que correto foi o procedimento da autoridade fiscal quando exigiu de oficio as infrações de dedução indevida de despesas com instrução e despesas médicas, as quais o contribuinte já havia admitido nas DAA retificadoras. Da qualificação da multa O recorrente insurge-se contra a aplicação da multa qualificada. Assim, para o exame da questão transcreve-se a seguir o art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação vigente à época do lançamento, e os artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964: Lei n° 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei n°4.502, de 1964 Art.71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (41P 8 Processo tf 13864.000276/2006-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.266 Fl. 217 II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art.72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art.73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se percebe, nos casos de lançamento de oficio, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso 1 do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito doloso a qual acarreta a aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II. O conceito de dolo encontra-se no inciso I do art. 18 do Decreto-lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, que dispõe ser o crime doloso aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. A doutrina decompõe, ainda, o dolo em dois elementos: o cognitivo, que é o conhecimento do agente do ato ilícito; e o volitivo, que é a vontade de atingir determinado resultado ou em assumir o risco de produzi-lo. No presente caso, a autoridade lançadora aplicou a multa de ofício, na sua forma qualificada, na glosa de despesas médicas e despesas com instrução. O contribuinte havia pleiteado em sua DAA original dedução de despesas médicas e despesas com instrução, indicando como beneficiários dos pagamentos pessoas jurídicas, que, intimadas, negaram que houvessem prestado qualquer tipo de serviço para o recorrente. Tal fato constitui prova suficiente de que o contribuinte utilizou-se de despesas médicas e de instrução sabidamente fictícias com o único objetivo de diminuir o valor do imposto de renda apurado em suas Declarações de Ajuste Anual. O resultado das diligências junto às pessoas jurídicas que negaram ter prestado serviços ao contribuinte não é indício e sim prova robusta do ilícito cometido pelo contribuinte. Assim, considerando que a multa qualificada é prevista pela legislação de regência e uma vez apurados todos os pressupostos para sua aplicação correto foi o seu lançamento. Conclusão Ante o ex ã./ VOTO por negar provimento ao recurso. Nld • A OS MOURA, Relatora • 9
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Numero do processo: 13888.001391/99-42
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Jurídica
Ano-calendário: 1995
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por
intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado
após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de
primeira instância, nos termos do . art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1402-000.087
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Pelá
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instancia, nos termos do . art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Alber na Silva Sai Lima - Presidente Varlos Pela - Relator EDITADO EM: .12 NOV 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Carmen Ferreira Saraiva, Carlos Peld, Antonio Bezerra Neto, Marcos Shigueo Takata e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Corn a finalidade de privilegiar o principio da celeridade processual adoto o relatório proferido pela la Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirao Preto - SP: "Trata o presente de autos de infração concernentes ao imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ (fls. 01/07), lavrado em razão de realização insztficiente de lucro inflacionário acumulado no ano-calendário 1995, bem como à contribuição social sabre o lucro liquido — CSLL (fls. 14/17), lavrado para redução do valor da contribuição a ser compensada/restituida, em conseqüência de compensação a maior do saldo de base de cálculo negativa de períodos base ante, iores ao ano-calendário 1995 Com os respectivos enquadramentos legais nos corpos dos autos de infração, atinge o crédito tributário ora exigido o valor de R$ 543 310,06, a titulo de IRPJ, já incluidos multa de oficio de 75% e juros de mora co/calados até 31/12/1999 Cientificada em 04/01/2000, se insurgiu a contribuinte contra a autuação, por intermédio da impugnação de fls. 87/95 - apresentada em 03/02/2000 -, na qual se alega, em síntese, que houve erro no preenchimento da DIPJ/92, pois deveria ter sido deduzido do valor indicado na conta de reserva de saldo de cortegão monetária ('diferença IPC/BTNF), para efeito de tributação, a diferença apurada a conta especial de correção monetária em contrapartida à conta de investimento em empresa coligada ou controlada, nos termos do item 7,2 da Instrução Normativa SRF n" 125/1991 (montante correspondente empresa investida — Usina Santa Helena), Acrescenta que tal erro não pode gerar exigência ivlativa ao IRPJ e tampouco retificação da base de cálculo da CSLL, requerendo prova pericial de natureza contábil, pelo que indica perito e formula quesitos . Em 31/03/2000 a interessada requereu a juntada aos autos de parecer' elaborado por Arthur Andersen Consultoria Fiscal- Financeira S/C Ltda, (lls. 154/159) sobre a exchtsão do saldo IPC/BTNF da empresa investida — Usina Santa Helena, respondendo aos quesitos anteriormente formidados. Por intermédio do Despacho DRERPO/IT/008/2001, de 20/12/2001 (lis.161/162), ,foi proposta diligência para que a interessada fornecesse esclarecimento quanto ao "nexo de causalidade existente entre a alegação formulada e a suposta improcedência da contribuição social sabre o lucro liquido, lançada em razão de inexistência de base de cálculo negativa de períodos anteriores suficiente para a compensação declarada", bent como para apresentagdo dos documentos conuibeis que embasaram o parecer acima citado, Realizada a diligência, sobreveio Informação Fiscal de .fls 471/472, no qual esclarece o autor do procedimento que não foram apresentados pela interessada elementos suficientes pata 2 Processo n" 13888.001391/99-42 S1-C4T2 Acórdão n" 1402-00.087 Fl 2 demonstração da base de cálculo negativa da CSLL do período de 1992 a 1995. Aduz que a contribuinte, em resposta intimação, admite a irregularidade em comento ao afirmar que "a empresa está providenciando a regularização do saldo da base negativa da CSLL, o qual não gerará nenhum imposto adicional". No que concerne à realização a menor do lucro inflacionário, informa o autor do feito que da análise do parecer remetido pela Arthur Andersen e pelos argumentos expendidos na impugnação não resta claro se foram ou não considerados os efeitos fiscais da conta especial de correção monetária (diferença IPC/BTNF), na parcela correspondente aos investimentos avaliados pela equivalência patrimonial, nos termos da IN SRF 125/91, cuja exclusão da tributação prevista não se aplica its demais contas de investimentos, conto pretende a impugnante, pelo que reflita o pedido de insubsistência do auto de infração. Cientificada a interessada, esta reitera its .fis 480/481 os argumentos anteriormente expendidos, devidamente respaldados pelo parecer elaborado pela Arthur Andersen.. Por outro lado, quanta a CSLI„ reconhece a glosa procedida pela autuação, ajustando seus procedimentos e apurações aos termos do lançamento realizado pelo fisco " Ao analisar a Impugnação do Recorrente, a 1" Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirao Preto - SP, decidiu por JULGAR PROCEDENTE O LANÇAMENTO, sendo que o acórdão restou assim ementado: "Assunto. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ .Ano-calendário: 199.5 ERRO DE PREENCHIMENTO DA DIPJ. PROVA. Ausente a prova de eira no preenchimento da declaração de rendimentos que alimentou os sistenzas de controle de dados da SRF, os quais embasarant o lançamento, mantém-se a autuação. Lançamento Procedente" Inconformada coin a decisão acima, o Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 499 a 505), alegando, em sintese que: i) a diferença de saldo de correção monetária conta IPC/BTNF 90 — cujo valor e de R$ 5.212329311,07 foi tributada no âmbito da empresa investida (Santa Helena), fato esse incontroverso nos autos; ii) o saldo da correção monetária de IPC/BTNF da Usina Santa Helena gerou efeitos fiscais em sua acionista, ora Recorrente, detentora de 80,81% de seu capital, conforme determina a IN 125/91; e iii) o reconhecimento contábil desse valor, tributado na empresa investida, não pode ser novamente tributada no âmbito da empresa investidora, sob pena de perpetração de bis in idem, vedado por nosso ordenamento jurídico. E. o relatório. 3 Voto Conselheiro Carlos Pela, Relator O contribuinte tornou ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento no dia 18 de dezembro de 2006 (fls. 499). Ocorre que o Recurso Voluntário foi protocolado em 18 de janeiro de 2007_ (fls. 500). Verifica-se, no entanto, que o contribuinte não atendeu as exigências contidas nos artigos 33, 5' e 42 do Decreto 70.235/72: Art. 33 — Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes c't ciência da decisão Art, 5" as.prazos serão continuos, excluindo-se na sua contagem o dia do inicio e incluindo-se o do vencimento . Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, Art. 42, São definitivas as decisões: II - de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; Logo, como o trigésimo dia contado a partir de 18 de dezembro de 2006 caiu em 17 de janeiro de 2007, o Recurso Voluntário é intempestivo e assim torna-se definitiva a decisão de primeira instância. Nestes termos, não conheço do recurso, face a sua intempestividade. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001067/95-26
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ...#1 CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10855.001067/95-26 Recurso n° 303-128.825 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.031 — 2 Turma Sessão de 17 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMERCIAL CONSTRUTORA GUITTE LTDA. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1994 BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. i 4 'W CARLOS LB ' '' 01 ' ITAS B ' RRF,TO — Presidente ,JULIO CIAR x GOMES Relator ill .),00,,if4, I . EDITADO EM: 1 a se 2009 ‘s,, ; , 1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que deve prosperar o entendimento consubstanciado nos acórdãos paradigmas que reconhecem a aplicação do artigo 10, §40, inciso I da instrução Normativa SRF n° 43/97. Também que em nenhuma das sucessivas instruções normativas que foram posteriormente editadas tal obrigação fora dispensada e nem mesmo após a Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/2001 que acrescentou o parágrafo 7° no artigo 10 da Lei n° 9.393/66: Artigo 10 (.) §7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, §1 0 deste artigo não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem 1),n prejuízo de outras sanções aplicáveis. E ainda que: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; e) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. 2 Processo n° 10855.001067/95-26 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.031 Fl. 2 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Verifico que foram atendidos os pressupostos para admissibilidade do recurso; portanto, passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. A divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. .1 (.) 11 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: 3 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIAT, e a distribuição das áreas, à situação existente em 1 0 de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) ,¢ 3° São áreas de utilização limitada: § 40 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II n - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (-) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratOrio junto ao Ibama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR11998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: 4 Processo n° 10855.001067/95-26 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.031 Fl. 3 IV - sancionai., promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: •• • V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §40 do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, imo IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ••• § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (.) À.; § 6. 0 Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: ••• , IV - a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o MAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. ... Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda N; cio .i) n I i \,, 4 i.vo Julio C i. -ira Gomes - Relator 1 6 I
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Numero do processo: 10825.002869/2005-61
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2000
Denuncia Espontânea.
Nos termos do art. 138 do CTN. Comprovado o recolhimento do tributo acrescido de juros de mora antes de qualquer procedimento administrativo.
Numero da decisão: 3102-001.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator
EDITADO EM: 20/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Winderley Morais Pereira, Leonardo Mussi e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator EDITADO EM: 20/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Winderley Morais Pereira, Leonardo Mussi e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
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Nos termos do art. 138 do CTN. Comprovado o recolhimento do tributo acrescido de juros de mora antes de qualquer procedimento administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Relator EDITADO EM: 20/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Winderley Morais Pereira, Leonardo Mussi e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 28 69 /2 00 5- 61 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 2 Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1418.467 da 5ª Turma da DRJ/RPO, que julgou parcialmente procedente o lançamento. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 13/09/2005, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para exigir da autuada o recolhimento da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), na importância de R$ 81.095,06, em face de recolhimentos a destempo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), código de receita n° 2172, apurada nos meses de fevereiro a setembro de 2000, sem o pagamento do acréscimo moratório devido, no caso a multa de mora. Regularmente cientificada a autuada ingressou com a impugnação de fls. 01/09, acompanhada dos documentos de fls. 10/39, por meio da qual fustiga a exigência argumentando, em síntese, que o pagamento espontâneo do tributo antes de qualquer procedimento fiscal afasta a imposição da penalidade, ai incluída a multa de mora, conforme estatuído no artigo 138 do Código Tributário Nacional e segundo entendimentos doutrinários e jurisprudenciais. Ao final, requereu a improcedência da exigência. Após analisar a impugnação, decidiu a 45ª Turma da DRJ/RPO, pela procedência parcial do lançamento, consoante se depreende da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2000 AUDITORIA INTERNA NA DCTF. COFINS. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. O recolhimento de tributo a destempo deve se fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora, segundo ordenamento jurídico vigente. O instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora quando o fato gerador do tributo encontrase regularmente consignado nos livros comerciais e fiscais da contribuinte, ou então, quando a hipótese de incidência do tributo esteja retratada em documentos fiscais ou de compra e venda no caso de se tratar de microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas de escrituração, sendo irrelevante questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10825.002869/200561 Acórdão n.º 3102001.650 S3C1T2 Fl. 3 3 Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CTN, art. 106, II, “c”). A decisão recorrida afastou os argumentos relativos a denúncia espontânea, entretanto em atenção a nova redação do art. 44, inciso I da lei nº 9.430/1996, aplicou a retroatividade benigna nos termos do art. 106, inciso II do CTN. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário, reiterando os argumentos da impugnação, alegando em síntese que: a) Recolheu intempestivamente a COFINS relativa ao período de 02 a 09 de 2000, desacompanhada da multa de mora, porém antes de qualquer procedimento para exigência da exação; b) Nos termos do art. 138 do CTN a recorrente não deverá ser responsabilizada pela multa de mora, já que promoveu o pagamento do tributo; É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado o cerne da presente análise, restringese sobre a aplicação da denúncia espontânea ao caso em tela, portanto antes de entrar no mérito da questão é oportuno relacionar alguns atos praticados pela administração e outros pelo contribuinte, observando suas respectivas datas. O auto de infração (fls.25) foi lavrado em 13/09/2005, sob o argumento de que a contribuinte informou em sua DCTF pagamentos da COFINS em atraso, sem o pagamento da multa de mora. Consultando os demonstrativos de pagamento que lastrearam a ação fiscal, constatase que os mesmos foram efetuados após os vencimentos, no entanto acrescido de juros, entretanto nos mesmos demonstrativos resta consignado que o valor pago a menor é justamente o valor da multa de mora. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 4 O Código Tributário Nacional disciplina no art. 1381 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Sobre denúncia espontânea a doutrina nas palavras de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López assim leciona: O termo jurídico “denúncia” é conceituado como dar notícia, avisar, relatar quanto aos fatos ou tornar público fato ou direito, ou, ainda, ofensa a direito. Em suma, é dar o conhecimento ao Fisco de que o procedimento adotado pelo contribuinte está em desacordo com as normas em vigor. O artigo 138 do CTN exige que o contribuinte inadimplente reconheça, espontaneamente, a sua situação de irregularidade fiscal. Ou seja, aquele que realizar a autodenúncia estará, dependendo do caso, excluído da aplicação da multa. Na verdade, o ato formal de denúncia introduz norma individual e concreta em nosso ordenamento jurídico, em cujo antecedente se descreve a ocorrência de dois acontecimentos prévios ao início ao procedimento fiscal. O primeiro referese à própria comunicação ao Fisco da infração e o segundo, ao relato da realização do pagamento integral do tributo objeto da denúncia. Para que nasça o direito do denunciante à exclusão da penalidade, a comunicação da infração deverá ser completa, pessoal e voluntária. 2 No presente caso poderia se discutir se aos débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento, podese aplicar a denúncia espontânea, sob o argumento de que para débitos descritos em DCTF não se faz necessário lançamento de ofício, devendo o débito ser encaminhado diretamente a PGFN para inscrição em dívida ativa. Sobre o tema existem diversos posicionamentos neste Conselho como também no próprio STJ, o qual consolidou seu entendimento através da Súmula nº. 360, que assim define: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Acontece que, no caso dos autos o débito não estava inicialmente declarado em DCTF, o que só veio ocorrer quando das DCTF retificadores realizadas em 2004(fls 36), basta analisar o próprio auto de infração, no qual o mesmo descrimina que o lançamento tem como ano calendário 2000, entretanto é realizado com base nas DCTF retificadoras apresentadas em 2004. 1 Código Tributário Nacional Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 2 NEDER, Marcos Vinicius. Processo Administrativo Fiscal comentado. Marcos Vinícius Neder, Maria Teresa Martinez López. 3 ed. São Paulo: Dialética, 2010. p. 171. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10825.002869/200561 Acórdão n.º 3102001.650 S3C1T2 Fl. 4 5 Ressaltese que o pagamento da COFINS foi realizado antes da retificadora, consoante se depreende dos demonstrativos de pagamentos (fls. 27/35), assim não há como não admitir a hipótese de denúncia espontânea no caso dos autos. Diante do exposto conheço do recurso voluntário para darlhe provimento, afastando a multa de mora. Sala de sessões 24 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 6 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Numero do processo: 10580.005534/2007-87
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias.
Período do fato Gerador: 01/01/1997 a 31/12/1997.
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DIRIGENTE
PÚBLICO. APLICAÇÃO DE MULTA.
RETROATIVIDADE DE LEGISLAÇÃO MAIS
BENÉFICA. LEI Nº 11.941/09.
As multas aplicadas por infrações administrativas
tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da
legislação mais benéfica, ante a revogação, pela Lei nº
11.941/09, de dispositivo da Lei 8.212/91 que atribuía
responsabilidade pessoal do agente público.
Em razão do caráter mais benéfico ao contribuinte é
plenamente cabível, a teor do disposto no art. 106, II, c,
do CTN, que o dirigente não mais responda
pessoalmente pela multa aplicada.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerad
Numero da decisão: 2301-000.683
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES
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Período do fato Gerador: 01/01/1997 a 31/12/1997. Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DIRIGENTE PÚBLICO. APLICAÇÃO DE MULTA. RETROATIVIDADE DE LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 11.941/09. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica, ante a revogação, pela Lei nº 11.941/09, de dispositivo da Lei 8.212/91 que atribuía responsabilidade pessoal do agente público. Em razão do caráter mais benéfico ao contribuinte é plenamente cabível, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN, que o dirigente não mais responda pessoalmente pela multa aplicada. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.005534/200787 Acórdão n.º 230100.683 S2C3T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) JULIO CESAR VIEIRA GOMES Presidente (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima Dos Santos (Suplente), Damião Cordeiro de Moraes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por DÉBORA PATRÍCIA FERNANDES SILVA PRADO contra decisão de primeira instância que julgou procedente o auto de infração lavrado em razão de o contribuinte ter deixado “de exibir as Folhas de Pagamento do Segurados, RAIS, as Notas de Empenho e Respectivos Processos de Pagamento ref. ao ano de 1997, conforme solicitado em TIAD.”. 2. O contribuinte, por sua vez, impugnou tempestivamente a autuação nos termos da petição acostada às fls.13/15. 3. Em seguida, foi emitida informação fiscal requerendo a conversão do julgamento em diligência para a confirmação de que a recorrente efetivamente exercia o cargo de Presidenta da Câmara Municipal no período da emissão do TIAD e o porquê da autuação do dirigente máximo. Cumprida diligência, foi aberto prazo para defesa, no entanto, a recorrente não se manifestou. 4. A decisão de primeira instância restou assim ementada: “PREVIDENCIÁRIO. DIRIGENTE MÁXIMO DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. O dirigente de órgão público responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos da legislação previdenciária, conforme art. 41, da Lei 8.212/91. O Presidente da Câmara Municipal é o dirigente máximo do Poder Legislativo Municipal e não havendo delegação expressa de atribuições aos demais agentes Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.005534/200787 Acórdão n.º 230100.683 S2C3T1 Fl. 3 3 públicos, resta à Previdência Social imputálo como responsável pela infração cometida. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. Constitui infração a não exibição de livros ou documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Lançamento Procedente.” 5. Em suas razões recursais, a recorrente aduz, em síntese, os seguintes argumentos: a) preliminarmente, alega que a notificação padece de nulidade tendo em vista cerceamento de defesa resultante do não recebimento do aviso de recebimento (AR) já que se encontrava internada; b) no mérito, defende o afastamento da responsabilidade pessoal vez que “para a caracterização da tipificação da conduta descrita nos dispositivos legais invocados pelo autuante seria necessário caracterizarse o consentimento, a culpa ou qualquer modalidade de dolo do autuado na espécie (...).”. 6. Por fim, o fisco não apresentou suas contrarazões e os autos foram prontamente encaminhados a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso, tendo em vista que é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade. PRELIMINAR 2. O fisco lavrou o auto de infração na pessoa da dirigente da Câmara Municipal de Cotegipe, conforme determinava à época da autuação o art. 41 da Lei 8.212/91 “o Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.005534/200787 Acórdão n.º 230100.683 S2C3T1 Fl. 4 4 dirigente de órgão ou entidade da administração Federal, Estadual, do Distrito Federal ou Municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração...”. 3. A recorrente defende em sua defesa o afastamento da responsabilidade pessoal vez que “para a caracterização da tipificação da conduta descrita nos dispositivos legais invocados pelo autuante seria necessário caracterizarse o consentimento, a culpa ou qualquer modalidade de dolo do autuado na espécie (...).”. 4. Sobre a questão, recentemente, o art. 65 da Medida Provisória n.º 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, revogou expressamente o citado art. 41, de maneira que o dirigente não mais responde pessoalmente pela multa aplicada, restando saber, no entanto, se a Medida Provisória retroage para efeito de beneficiar o autuado. 5. Nesse sentido, há que se aplicar ao caso o disposto no art. 106, inciso II, alíneas ‘a’ e ‘b’, do Código Tributário Nacional CTN, uma vez que a lei nova aplicase ao ato pretérito ainda não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração. APLICAÇÃO RETROATIVA DE LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. 6. É bem verdade que a irretroatividade da lei é a regra geral predominantemente aplicada no nosso direito. Assim, as normas jurídicas devem sempre ser voltadas para a regência de atos futuros, com vistas a determinar o mínimo de segurança jurídica nas relações entre a comunidade, até porque tratase de um dos postulados sobre o qual se assenta o ordenamento jurídico. 7. Nesse diapasão é que o art. 5º, inciso XXXVI, da CF/88, bem asseverou que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. 8. No campo do direito penal, a Constituição Federal estabeleceu em seu art. 5º, XL a retroatividade da lei benigna, in verbis: “Art. 5º ... XL A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.” 9. Este princípio constitucional também tem plena aplicação no campo tributário, tanto que o art. 106 do Código Tributário Nacional como exceção ao princípio geral da irretroatividade das normas jurídicas dispôs em seu art. 106: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.005534/200787 Acórdão n.º 230100.683 S2C3T1 Fl. 5 5 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 10. E não tenho dúvida alguma que a expressão “não definitivamente julgado” contida no dispositivo legal deve ser interpretada de maneira a não distinguir fases processuais no âmbito administrativo, visto que o litígio, embora com decisão de primeira instância desfavorável ao contribuinte, ainda não transitou em julgado. Tanto é assim que estamos a julgar recurso voluntário por ele manejado. 11. Aliás, mesmo que a demanda já tivesse transitado em julgado na esfera administrativa, o contribuinte teria direito à aplicação da norma mais benigna no Judiciário. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nas palavras do Ministro José Delgado (AI 648.445 – SC) “Impõese compreender a expressão “não definitivamente julgado”, numa interpretação gramatical, como algo ainda capaz de sofrer alteração por meio de outra decisão. Tal não se restringe à esfera administrativa porque a lei não disse que se tratava de ato julgado administrativamente. Correta, então, a observância do princípio de hermenêutica de que onde o legislador não fez distinção, não é lícito ao intérprete distinguir.” 12. Assim, embora a conduta adotada pelo autuado continue sendo motivo para a lavratura de auto de infração, a responsabilidade não cabe mais ao dirigente da municipalidade. 13. Este entendimento encontra respaldo na pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ que, chamado a se pronunciar sobre matéria previdenciária, firmou posição no sentido de que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica: “TRIBUTÁRIO. MULTA. APLICAÇÃO RETROATIVA DE LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. 1. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução. 2. Embora o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido no período de 04/94 a 11/94, por força da interpretação a ser dada aos arts. 106, inc. II, letra "c", em c/c o art. 66, do CTN, deve ser aplicada à infração, no momento da execução, o art. 35, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.528/97, por se tratar de legislação mais benéfica. 3. Recurso improvido. (REsp 266.676/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16.11.2000, DJ 05.03.2001 p. 128) “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. MULTA. ART. 44, I, DA LEI Nº 9.430/96. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.005534/200787 Acórdão n.º 230100.683 S2C3T1 Fl. 6 6 REDUÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. ART. 106, II, "C", DO CTN. POSSIBILIDADE. 1. Em razão do caráter mais benéfico ao contribuinte, é plenamente cabível, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN, que os efeitos de lei superveniente que prevê a redução de multa decorrente de débito tributário retroajam aos atos ou fatos pretéritos não definitivamente julgados. 2. Recurso improvido. (REsp 512.913/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03.10.2006, DJ 06.11.2006 p. 302) TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. MULTA MORATÓRIA. REDUÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. ART. 106, II, "C", DO CTN. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. POSSIBILIDADE. ART. 44, INC. I, DA LEI Nº 9.430/96. APLICABILIDADE. 1. Aplicase a lei mais benéfica ao contribuinte (art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/96), nos termos do art. 106 do CTN. Incide no caso a multa moratória menos gravosa, eis que inexiste decisão definitiva sobre o montante exato do crédito tributário. 2. Recurso especial improvido. (REsp 549688/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17.05.2005, DJ 01.08.2005 p. 382)” 14. Destarte, firmase de solar clareza o disposto no art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional, que admite a retroatividade, em favor do sujeito passivo, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Assim, no caso concreto, é que com o advento da Medida Provisória 449/2008, art. 65, restou expresso que o dirigente máximo municipal não responde pela multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória previdenciária. 15. Nesse sentido, vale enfatizar que o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao analisar questão igual a que agora temos em mesa, excluiu a responsabilidade pessoal do agente político para responder pela infração: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. PREVIDÊNCIA SOCIAL. AUTUAÇÃO PELA FALTA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO MENSAL, POR MEIO DE GFIP, SOBRE DADOS CADASTRAIS DOS SERVIDORES DO MUNICÍPIO. MULTA APLICADA DIRETAMENTE AO PREFEITO. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE PÚBLICO. (...) 2. "O artigo 137, I, do CTN, exclui expressamente a responsabilidade pessoal daqueles que agem no exercício regular do mandato, sobrepondose tal norma ao disposto nos artigos 41 e 50, da Lei 8.212/91" (STJ, RESP N. 236.902/RN, Rel. Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 11.03.02). 3. Não se verificando qualquer das hipóteses disciplinadas no art. 137 do CTN, não pode a legislação ordinária estabelecer responsabilidade tributária pelo descumprimento de obrigação acessória a quem é estranho ao respectivo fato gerador. 4. De qualquer modo, "a Lei n. 9.476/97 alterou o disposto no artigo Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.005534/200787 Acórdão n.º 230100.683 S2C3T1 Fl. 7 7 41 da lei n. 8.212/91, vetandoo, e anistiando os agentes políticos e os dirigentes de órgãos públicos estaduais, do Distrito Federal e municipais a quem porventura tenham sido impostas penalidades pecuniárias decorrentes daquele artigo" (STJ, 1ª Turma, RESP 838549, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJ 28.09.2006). 16. De maneira que, mesmo antes do advento do art. 65 da Medida Provisória n.º 449, de 3 de dezembro de 2008, que revogou expressamente o art. 41 da Lei Previdenciária, tenho para mim que o auto de infração não prevaleceria, eis que desprovido de fundamentação quanto a responsabilidade do representante máximo do Município, como requer o art. 137 do CTN. 17. Com isso, acato a preliminar e dou provimento ao recurso voluntário vez que se tornou insubsistente o lançamento tributário com fulcro em legislação revogada. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, voto por dar PROVIMENTO ao recurso voluntário. DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10825.901234/2010-14
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI - FALTA DE PROVAS. INDEFERIMENTO
Nos pedidos de ressarcimento ou restituição, recai sobre a requerente o ônus de provar a pretensão deduzida. O pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente
DILIGÊNCIAS - IMPOSSIBILIDADE
A diligência não se presta a suprir material probatório da parte obrigada pela sua produção.
Numero da decisão: 3803-003.438
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI - FALTA DE PROVAS. INDEFERIMENTO Nos pedidos de ressarcimento ou restituição, recai sobre a requerente o ônus de provar a pretensão deduzida. O pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente DILIGÊNCIAS - IMPOSSIBILIDADE A diligência não se presta a suprir material probatório da parte obrigada pela sua produção.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern - Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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INDEFERIMENTO Nos pedidos de ressarcimento ou restituição, recai sobre a requerente o ônus de provar a pretensão deduzida. O pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente DILIGÊNCIAS IMPOSSIBILIDADE A diligência não se presta a suprir material probatório da parte obrigada pela sua produção. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 12 34 /2 01 0- 14 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de IPI formulado em 31 de outubro de 2006, através do PER/DCOMP 34423.52611.311006.1.1.015532 (fls. 2 a 29) no valor de R$ 75.200,91. Em despacho decisório eletrônico (fls 30 a 34), com fundamento no art. 11 da Lei 9779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4544/2002; art. 74 da Lei 9430/96 e art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008, foi homologado o valor de R$ 67.787,85, remanescendo o valor de R$ 7.413,06, objeto do presente recurso. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando que os produtos: CONTINUUM, CORRSHIELD, LOGOSFLOC, STOCKOSORB, CORTROL, FLOGARD, OPTISPERSE, HYPERPERSE, SPECTRUS, STEAMATE e OPTISPERSE, são primordiais ao processo produtivo, tendo papel fundamental para atingir a temperatura , pressão, PH e tempo de resistência controlados na caldeira de cozimento de cavacos de madeira. Aduz, em sua manifestação, explicação do processo industrial Kraft de produção de celulose. Ao final pede que sejam reconhecidos os créditos. A DRJ em Ribeirão Preto considerou improcedente a manifestação de inconformidade, confirmando o despacho decisório. Em seu acórdão a turma traz uma pesquisa feita nos sites das fabricantes dos produtos químicos objeto da glosa e constata que a função destacada pela manifestante não é relatada nem mencionada nas descrições. Alega ainda que o ônus da prova é da recursante e não foram anexadas provas que comprovem a utilização dos produtos químicos no seu processo produtivo. Ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DO IPI. MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 24/11/2011, apresentou recurso voluntário para este Conselho, no qual questiona a fonte de pesquisa da DRJ e que a turma julgadora possuía em mãos todos os recursos para buscar as provas necessárias que corroborasse as alegações deduzidas pela recorrente. Advoga a mesma tese da manifestação sobre a importância dos produtos, e requer ao final, a conversão do julgado em diligência a fim de dirimir a dúvida levantada pela fiscalização acerca da finalidade e utilização dos produtos listados. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10825.901234/201014 Acórdão n.º 3803003.438 S3TE03 Fl. 11 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, pelo que conheço e passo a análise do mérito. A interessada, em seu recurso voluntário, discorre sobre a importância dos produtos químicos objeto da glosa, no processo de dissociação da lignina, por comporem o vapor d'água utilizado na produção da celulose. A presença dos componentes, alega a empresa, seria de fundamental importância por garantir a pureza da água. Aduz que o vapor d'água carregado dos referidos produtos químicos continua a agir sobre a celulose nas demais etapas do processo produtivo e que sua utilização é preponderante para atingir a temperatura, pressão, PH e tempo de resistência controlados. Alega que é impossível manter o controle de PH unicamente com a utilização de vapor d'água. Frisase que, nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. A defesa, porem, nada trouxe que pudesse comprovar suas afirmações. Trata se de postulado do Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. Assim, na hipótese de pedidos de ressarcimento e restituição, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente. As diligências destinamse à formação da convicção do julgador, e servem para que se aprofunde ou complemente matéria probatória existente nos autos. Jamais poderão estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Não se pode conceber, portanto, o uso da diligência para fins de suprir material probatório da parte obrigada pela sua produção. No presente caso, não foi apresentado nenhum elemento de prova destinado a pelo menos evidenciar as afirmações proferidas. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Em face ao exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, indeferindo o pedido de diligência. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001351/2004-09
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 30/08/2001
REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. PRAZO.
A revisão aduaneira pode ser efetuada enquanto não houver decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-40.023
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselht» de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do vofjto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 30/08/2001 REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. PRAZO. A revisão aduaneira pode ser efetuada enquanto não houver decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Numero do processo: 10314.001793/99-17
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 27/11/1998
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.100
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 27/11/1998 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 27/11/1998 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os mem os da Ter/ eira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de voto em NEGi R provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheir udith do •f aral Marcondes Armando. CARLOS ALBER EITS L ARRETO Presidente /0I\-111IQUE PINHEIR lf"-"dlitS Relator FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz (Substituto convocado), José Adão Vitorino de Morais (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez Lopez e Leonardo Siade Manzan (Vice-Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das instâncias precedentes: A interessada importou partes e peças para uso próprio em montagem de veículos, dando entrada em seu estoque e utilizando, para a mesma operação, duas Declarações de Importação, efetuando pagamento com débito automático, tendo sido uma delas cancelada posteriormente pela IRF/SP, onde ocorreu o desembaraço aduaneiro. A interessada, em razão desse cancelamento, pleiteou a restituição de tributos, tendo a IRF/SP entendido pertinente o pleito em razão do que preceitua a Instrução Normativa - IN/SRF 34/98, encaminhando o processo para a DRF/Sã o José dos Campos para as providências finais cabíveis. A DRF/São José dos Campos intimou a interessada a apresentar o Plano de Contas da Empresa, constatando que houve a contabilização do imposto pago a maior a débito de uma conta de estoque que, pela sua natureza, implica em transferência do encargo financeiro para o custo das mercadorias vendidas e o resultado contábil/fiscal da empresa, entendendo ser incabível a restituição pretendida por não atender ao que preceitua o art. 166 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN), devolvendo o processo à IRF/SP. A IRF/SP reiterou os termos de sua decisão, conforme IN/SRF 34/98, devolvendo o processo à DRF/São José dos Campos para que decidisse sobre a restituição, conforme preceitua o art. 6° da supracitada Instrução Normativa. O Delegado de São José dos Campos enviou um Notes no sentido de que a restituição de tributos aduaneiros prevista na IN 34/98 seja procedida com observância do disposto no art. 166 do CTN e, novamente, devolveu o processo à IRF/SP. A IRF/SP mais uma vez reiterou os termos de sua decisão inicial, notificando a interessada da decisão da DRF/São José dos Campos, por economia processual. Ciente da decisão da DRF/São José dos Campos que negou a restituição, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade para esta DRJ/SPOIL alegando, em síntese, que agiu conforme preceitua a IN 34/98, específica para o cancelamento de declarações de importação objeto de multifflicidade de registros, não sendo cabível ao caso a vercação efetuada pera-DRF/S5 o José dos Campos, por violar 2 Processo n° 10314.001793/99-17 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.100 Fl. 448 o princípio da legalidade, e nem a previsão do art. 166 do CIN." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Imposto sobre a Importação -II Data do fato gerador: 27/11/1998 Ementa: Restituição de Imposto de Importação. Duplicidade de Declarações de Importação. Ainda que cancelada a Declaração de Importação, a restituição do tributo somente será feita a quem prove haver assumido seu encargo financeiro, conforme preceitua a Lei 5.172/66 - Código Tributário Nacional. Solicitação indeferida". Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição, nos autos, inclusive repisando argumentos. A Câmara a quo deu provimento ao Recurso Voluntário mediante o Acórdão n° 301-32.946 (fls. 371/382), de 21/06/2006, cuja ementa transcrevo: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Somente nos casos de tributos que comportem, por sua natureza jurídica, transferência do respectivo encargo financeiro, ou seja, aqueles . para os quais a lei assim estabelece, aplica-se a regra do art. 166, do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A Procuradoria da Fazenda Nacional, alegando contrariedade à lei tributária, interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 384/429) contra decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por ter deixado de aplicar ao Imposto de Importação as disposições contidas no art. 166 do CTN. Por meio do Despacho n° 1309-131.780 (fls. 430/432) deu-se seguimento ao recurso do Procurador. Posteriormente, a interessada apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial às fls. 437/443. É o relatório"( 3 Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso é tempestivo e atendeu aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A questão que se apresenta a debate cinge-se em decidir se a restituição do imposto de importação está condicionada ao atendimento dos requisitos fixados no art. 166 do CTN. De início, cabe esclarecer que o litígio não envolve a existência do indébito, posto que quanto a isso não há controvérsia. Diante disso, deve-se passar de imediato ao debate acerca da exigência da autoridade fazendária de condicionar a restituição ao fato de a requerente não haver demonstrado o atendimento das condições estabelecidas no mencionado dispositivo legal. Segundo o art. 166 do Código Tributário Nacional: Ar. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, esteja por este expressamente autorizado a recebê-la. A norma inserta no dispositivo retrotranscrito é destinada, especificamente, ao tributo cuja natureza jurídica implica transferência do encargo financeiro, do sujeito passivo da obrigação tributária — contribuinte de direito — ao contribuinte de fato, vale dizer, àquele que adquire a mercadoria ou o serviço prestado. Como bem anotou o Conselheiro José Luiz Novo Rossari, no voto condutor do Acórdão n° 301-32.780, da Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, que transcrevo para fundamentar este voto: Essa situação ocorre com os impostos classificados no próprio CTN como Impostos sobre a Produção e a Circulação, v.g. IPI, ICMS, I0F, os quais são comumente classificados como impostos indiretos por grande parte dos estudiosos em direito tributário. No Imposto de Importação não se tipificam as figuras de contribuinte de direito e contribuinte de fato, visto que a lei básica aduaneira (art. 12, inciso I, do Decreto-lei n2 37/66, com a redação que lhe deu o art. 1 2 do Decreto-lei n2 2.472/88) estabelece que a responsabilidade tributária pela introdução de mercadoria estrangeira no Pais é do importador e o imposto pago no despacho aduaneiro não é destacado em notas fiscais para repasse aos consumidores subseqüentes. Destarte, não se caracteriza o Imposto de Importação como um imposto indireto. E em decorrência, tal imposto não se classifica , 4 -- Processo n° 10314.001793/99-17 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.100 Fl. 449 entre os que comportam transferência do encargo financeiro de que trata o art. 166 do CIN. Importante ressaltar que, já por ocasião da instituição da Instrução Normativa SRF n 21, de 10/3/1997, houve a preocupação da SRF em disciplinar a matéria ora sob exame. Para isso foi estabelecido no art. 18 da referida IN que, verbis: "Art. 18. Nenhum contribuinte poderá solicitar restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outrem (IOF e IPI)" A norma retrotranscrita deixou claro serem os ali indicados (IOF e IPI) os tributos federais sujeitos à prova de assunção do encargo financeiro para os fins previstos no art. 166 do CTIV. No entanto, a matéria voltou a ter a preocupação da SRF, tendo sido editado o Parecer Cosit n 47, de 17/11/2003, que, analisando as particularidades do Imposto de Importação com vistas à aplicabilidade do disposto no art. 166 do CTY, deu disciplina final à matéria no sentido de que descabe tal requisito no caso de pedido de restituição desse tributo. Tal Parecer recebeu a seguinte ementa, verbis: "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Reforma do Parecer CST/DAA n 1.965, de 18 de julho de 1980." A orientação trazida pela Cosit, órgão responsável pela interpretação da legislação tributária federal, ficou claramente explicitada no Parecer Cosit ri' 47/2003, que reformou o Parecer CST adotado no julgamento de primeira instância e dispensou o sujeito passivo de comprovar a assunção do encargo financeiro. Tratando-se de norma de caráter interpretativo, é inteiramente aplicável à hipótese o disposto nos art. 106, I, do CTN, que permite a interpretação retroativa nos casos da espécie, razão pela qual entendo estar assegurado o direito de restituição à recorrente. Diante do exposto e considerando que ficou confirmado no processo o cancelamento da DI e o pagamento do imposto reclamado, matéria de fato que nem foi suscitada na decisão recorrida, voto por que seja dado provimento ao recurso voluntário. 5 De outro lado, o fato de o sujeito passivo haver escriturado o valor do II pago como custo, não importa em perda do direito à restituição do indébito, pois a lei não previu tal restrição, e, onde a lei não restringe não cabe ao intérprete fazê-lo. Todavia, cabe ao Fisco, se o sujeito passivo utilizou esse custo como despesa dedutivel do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, glosá-la. No caso presente, é incontroversa a existência de indébitos, havendo divergência apenas no tocante ao direito de restituição em face do não atendimento dos requisitos do art. 166 do CTN e da escrituração do valor do imposto pago como custos. Todavia, conforme escrito linhas acima, a forma de escrituração do indébito que se pretende repetir, pode ensejar autuação (glosa de despesas) pertinente ao Imposto de Renda, mas não é causa impeditiva de restituição. Já no tocante aos requisitos do art. 166 do CTN, demonstrou- se, também em linhas acima, que o imposto de importação não se afigura como imposto que por sua natureza comporta a repercussão tributária, como é o caso do IPI, do ICMS e do I0F. Registre-se, por oportuno, que nada impede a Fiscalização de apurar eventuais irregularidades nas declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica decorrentes da escrituração e utilização como custos dos valores correspondentes aos indébitos destes autos e, se houver, exija, de oficio, a diferença do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro. Frente ao exposto, nego provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 08 de julho de 2009. --e r ENRIQUE P HEIRO TORRE 6
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Numero do processo: 10675.004393/2004-83
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/01/1997
CSLL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Recurso Extraordinário Provido.
Numero da decisão: 9900-000.229
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martínez López, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire,Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valdete Aparecida Marinheiro.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/01/1997 CSLL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Extraordinário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 43 93 /2 00 4- 83 Fl. 714DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martínez López, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire,Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 677 a 682) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 667 a 674) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto à decadência. A ementa do v. acórdão recorrido é a seguinte: CSLL DECADÊNCIA A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originária de apuração, para a CSLL aplicase a regra decadencial prevista no § 4 o do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Nos casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, apenas na ocorrência de dolo fraude ou simulação é que o dies a quo do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CTN). Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso extraordinário, apontando, em síntese, divergência jurisprudencial quanto à aplicação dos dispositivos constantes do § 4º do artigo 150 e do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, apresentando como paradigma acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O recurso foi admitido através do r. despacho de fl. 684. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10675.004393/200483 Acórdão n.º 9900000.229 CSRFPL Fl. 715 3 Contrarrazões do contribuinte às fls. 687 a 700 em que se propugnou, em suma, pela aplicação do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 716DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 717DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10675.004393/200483 Acórdão n.º 9900000.229 CSRFPL Fl. 716 5 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o auto de infração, cuja ciência se deu em 12/11/2004, diz respeito a crédito tributário referente a CSLL relativo aos fatos geradores de 31/01/1997 a 31/12/2003. Em primeira instância decidiuse pela manutenção do lançamento e, em segunda instância, acolheuse a preliminar de decadência com arrimo no artigo 150, § 4º do CTN. Pelo que consta dos autos, notadamente do contido no auto de infração, verificase que não houve pagamento antecipado. Assim, não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase à espécie o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, devendo ser mantida a r. decisão ora recorrida. Nesse sentido, como a ciência do auto de infração se deu em 12/11/2004, e o termo inicial do prazo decadencial quanto ao fato gerador mais antigo, de 31/01/1997, é o dia 01/01/1998, e o seu termo final é o dia 31/12/2002, ocorreu a decadência quanto aos fatos geradores anteriores a 31/11/1998, que poderiam ser lançados até 31/12/2003. Por conseguinte, em face de todo o exposto, com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário da Fazenda Fl. 718DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Nacional para reformar o v. acórdão recorrido, considerando decaído o lançamento apenas quanto aos fatos geradores anteriores a 31/11/1998. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 719DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11853.000055/2008-61
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EVENTO EXCLUDENTE. CISÃO.
Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência da Lei 9.317/96.
Numero da decisão: 1301-001.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,.por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EVENTO EXCLUDENTE. CISÃO. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência da Lei 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,.por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 00 55 /2 00 8- 61 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em Brasília/DF. Trata o presente processo administrativo acerca de exclusão do SIMPLES, levada a efeito por meio do Ato Declaratório n° 8, de 10/03/2008 (fls. 24/28), com efeitos a partir de 01/01/2002, em virtude de terse constatado que a Recorrente realizou operação de cisão, situação excludente da sistemática, nos termos do então vigente artigo 9°, XVII, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Cientificada de sua exclusão em 12/09/2008 (fl. 32), a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 22/09/2008 (fls. 33/35), alegando, em síntese que por meio do 9°, XVII, da Lei n° 9.317, de 1996, o legislador não pretendeu vedar o ato de cisão ou desmembramento de empresas, o qual é garantido constitucionalmente, mas apenas impedir que as empresas optantes pela sistemática e cuja receita bruta estivesse se aproximando ao limite legal permitido nesse âmbito, lançassem mão daquelas operações para garantir seu enquadramento. Destacou que conforme reconhecido pela Decisão da DRF, sempre atuou de forma regular no adimplemento de suas obrigações, não tendo agido de máfé, tampouco houve lesão ao Fisco, pois em que pese a operação de cisão, a soma da receita bruta global das duas empresas jamais ultrapassou os limites estabelecidos na legislação do Simples. A 4ª Turma da DRJ em Brasília/DF, nos termos do acórdão e voto de folhas 252 a 255, indeferiu a solicitação da contribuinte ao fundamento de que a legislação veda a opção pelo Simples Federal de pessoas jurídicas resultante ou remanescente da cisão (cindida), excepcionandose as seguintes situações: (i) eventos ocorridos antes de 01/01/1997; (ii) opção de pessoa jurídica remanescente (cindida), se na ocasião do evento ela já constar como optante pela sistemática simplificada, sendo que no caso dos autos, a contribuinte é pessoa jurídica resultante de cisão ocorrida no anocalendário 2001, quando recebeu parte do patrimônio da empresa Aero Ótica Ltda., CNPJ 24.901.886/000102 (fls. 16 e 249/250), restando assim, caracterizada a incidência na hipótese de vedação pelo Simples Federal estabelecida naquele artigo 92, inciso XVII, da Lei n°9.317, de 1996. Devidamente cientificada (fl. 258), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 264 – 268), reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11853.000055/200861 Acórdão n.º 1301001.135 S1C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Apresentase para julgamento situação em que a Recorrente foi excluída da sistemática do SIMPLES, ainda na vigência da Lei nº 9.317/96, em razão de ter participado de processo de cisão, pelo qual recebeu parcela do patrimônio da empresa Aero Ótica Ltda., CNPJ 24.901.886/000102 (fls. 16 e 249/250). Longe de refutar materialmente o evento tido por excludente, a Recorrente limitouse a sustentar que sua exclusão implicaria em verdadeira sanção, aduzindo que da cisão em questão nem mesmo resultou capital ou faturamento que excedesse o limite de adesão ao regime simplificado, situação que ao seu sentir autorizaria sua permanência no aludido regime, sob pena de obstaculizarse a liberdade do empresário em alterar sua formulação societária. Atento à hipótese dos autos e ao conteúdo decisório impugnado, registro de pronto que não há reparos a serem feitos no entendimento da 4ª Turma da DRJ em Brasília/DF. Com efeito, não se cuida de ingerência nas decisões privadas das empresas, antes disso, tratase de hipótese préestabelecida de regime de tributação, que impediam a opção ou permanência no SIMPLES. Convém relembrar, a propósito, o detalhamento da legislação de regência vigente à época realizado pela decisão impugnada, porquanto me parece sobremodo esclarecedor o conteúdo do artigo 9º, inciso XVII, da Lei nº 9.317/96, in verbis: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XVII que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei. Verificado, portanto, que a decisão recorrida conferiu correta interpretação da legislação de regência ao caso concreto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 05 de março de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
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