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Numero do processo: 37169.005388/2006-26
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos
relacionados à contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-000.280
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Adriana Sato
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T16:42:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T16:42:56Z; Last-Modified: 2010-09-01T16:42:57Z; dcterms:modified: 2010-09-01T16:42:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4597640b-ff2c-4ab4-b051-3328880047e5; Last-Save-Date: 2010-09-01T16:42:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T16:42:57Z; meta:save-date: 2010-09-01T16:42:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T16:42:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T16:42:56Z; created: 2010-09-01T16:42:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-09-01T16:42:56Z; pdf:charsPerPage: 1183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T16:42:56Z | Conteúdo => S2-C3T2 F I 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO - - Processo n" 37169.005388/2006-26 Recurso n" 143.628 Voluntário Acórdão n" 2302-00.280 — 3" Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 29 de outubro de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente ALTA PAPÉIS E TUBOS DE PAPELÃO LTDA Recorrida DRP BLUMENAU / SC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a .31/12/2005 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), 1421/-e4ze LIEGE LACROIX THOMASI — Presidente ---- ildlikA ATO - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Marcelo Oliveira (suplente), Rogério de Lellis Pinto, Manoel Coelho Arruda Junior e Liege Lacroix Thomasi, (presidenta), 4)‘\ 1 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em face do Recorrente por não ter descumprido o artigo 33, §§20 e 3 0 da Lei 8212/91 combinado com os artigos 232 e 233 § único do RPS aprovado pelo Decreto 3048/99. De acordo com o Relatório Fiscal, o Recorrente não apresentou os documentos solicitados nos TIAD's de fisA2/17, motivando a multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8212/91 e no artigo 283, II, "j" e artigo 373 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, elevada em duas vezes em decorrência de reincidência genérica, O Recorrente apresentou impugnação, a Decisão-Notificação julgou a autuação procedente e o Recorrente, inconformado, interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: • inexigibilidade da multa aplicada em decorrência da devida apresentação por parte da empresa de todos os documentos pertinentes; o - da falta de proporcionalidade/razoabilidade do valor lançado; o - apresentou todos os atestados de saúde admissionais dos trabalhadores contratados antes de 2002, periódicos e demissionais, suprindo a falta inicial, não atrapalhando a ação fiscal; o - ilegalidade da multa aplicada; • - cancelamento da multa aplicada A DRP apresentou contra-razões reiterando os termos da DN. É o Relatório. Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões suscitadas pelo recorrente. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70,235, de 06/03/72, verbis: Ar t, 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente' 1- a qualificação do autuado, II - o local, a data e a hora da lavra/uru; 2 Processo n° 37169 005388/2006-26 S2-C3T2 Acórdão a° 2302-00180 Fl. 2 III - a descrição do fato, IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Alega o Recorrente de forma genérica que entregou os documentos solicitados por meio digital, e, que apresentou documentos substitutivos aos solicitados pela fiscalização. O reconhecimento do Recorrente quanto a entrega de documentos que o mesmo entende ser substitutivo aos que foram solicitados pela fiscalização através do TIAD por si só confirma o descumprimento por parte do Recorrente. A infração à legislação vigente foi constatada pela fiscalização que no cumprimento estrito de sua atividade vinculada autuou a recorrente, aplicando-lhe penalidade disposta pela lei. A autuada cumpria o ônus de corrigir a falta o que não o fez em todo o decorrer do processo administrativo. Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 11.3, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. "Art. 113, A obrigação tributária é principal ou acessória, § I' A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2°A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, § 3 0 A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária". A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Trata-se de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. /3 O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o Auto-de-Infração, A penalidade pecuniária exigida dessa fauna converte-se em obrigação principal, na forma do § 3° do art. 113 do CTI\L A presente autuação se refere a falta de apresentação do Livro Diário referente ao exercício de 2001, em nada se confundindo com o descumprimento da obrigação principal que foi objeto das notificações fiscais de lançamento de débito. Os documentos foram regularmente solicitados através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD ao Recorrente, e, é justamente com base nos documentos obrigatórios e hábeis da empresa que a auditoria fiscal apura a verdade dos fatos e a ocorrência ou não do fato gerador da contribuição previdenciária. Ao não apresentar os documentos solicitados a recorrente infringiu o art. 33, § 2° da Lei n.° 8.212/91: "A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei A multa aplicada está correta e contida no artigo 283, inciso II, letra "j", do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria MPAS n.° 525, de 29/05/2002. Quanto às argüições acerca do percentual abusivo e desproporcional da multa, temos a considerar que o mesmo vem definido em legislação e ao julgador administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Ademais, deve agir com imparcialidade, voltado para sua função precipua de controle da legalidade do ato administrativo. Portanto, na esfera administrativa o princípio da proporcionalidade ou da vedação ao excesso deve ser analisado sob o prisma de ser necessária ou não a sanção imposta. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correto, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. Nos processos de aplicação de sanção, o princípio da proporcionalidade impõe a perfeita correlação na qualidade e quantidade da sanção com a grandeza da falta e o grau de responsabilidade do infrator, com a verificação de circunstâncias atenuantes ou agravantes e dos antecedentes do infrator. Ademais, ao julgador administrativo não é permitido a aplicação subjetiva da norma, vigorando o princípio da tipicidade cerrada da lei, não podendo o julgador perdoar o contribuinte ou discordar da norma imposta pela legislação vigente. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 29 de outubro de 2009. k.$ "ATO Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001328/2004-40
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
NÃO DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS, NÃO
TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO.
Não é possível admitirmos anterior posição dos tribunais no sentido de permitir o creditamento de IPI dos insumos adquiridos com isenção, alíquota Zero, não-incidência ou imunidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-000.524
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: RENATA AUXILIADORA MARCHETI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 NÃO DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO. Não é possível admitirmos anterior posição dos tribunais no sentido de permitir o creditamento de IPI dos insumos adquiridos com isenção, alíquota Zero, não-incidência ou imunidade. Recurso Voluntário Negado.
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INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO. Não é possível admitirmos anterior posição dos tribunais no sentido de permitir o creditamento de IPI dos insumos adquiridos com isenção, alíquota Zero, não-incidência ou imunidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 0 CC4 YkD Rnatxiliad6r MarCheti - Relatora EDITADO EM: 13/12/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Amo Jerke Júnior, Andréia Dantas Lacerda Moneta, José Luiz Bordignon e Renata Auxiliadora Marchetti. Maqa Cotta Cardozo - Presidente Relatório Trata-se de recurso voluntário tempestivamente protocolado pelo qual o contribuinte se insurge contra decisão que negou-lhe ressarcimento/compensação de tributos advindos da aquisição de matéria prima adquirida com IPI tributado à aliquota zero. Por bem lançado adoto o relatório de fls. 54 do feito. "0 interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, acumulado no período em epígrafe, a ser utilizado na compensação dos débitos declarados. 0 pedido foi indeferido e as compensações não foram homologadas, por não existir base legal para o aproveitamento de créditos oriundos de insumos isentos, imunes ou tributados a aliquota zero, de qualquer natureza. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade basicamente alegando que a Lei n° 9779/99 deve ser interpretada de acordo como principio constitucional da não-cumulatividade, o qual não admitiria restrições infraconstitucionais, assim permitindo o creditatnento em questão, conforme jurisprudência que cita. Encerrou solicitando o reconhecimento de seus créditos, devidamente atualizados, e o deferimento integral de seu pedido" Ern decisão, a DRJ Brasilia aduz: "A impugnante espera que seja aceito, neste foro, o aproveitamento na escrita fiscal de créditos de IPI concernentes a aquisições de insumos isentos, imunes, tributados a aliquota zero e não tributados, utilizados na industrialização de produtos tributados, sob pena de conspurcação do principio da não- cumulatividade insculpido na Carta Magna, art. 153, § 3°, II e da jurisprudência que cita. Decisões judiciais atinentes ao caso concreto, como é assente, não têm eficácia erga omnes; não constituem legislação tributária, a luz do CTN, arts. 96 e 100, e dependem de Resolução do Senado Federal para que tenham efeito sobre a atividade da Administração Tributária (controle difuso da constitucionalidade). De acordo com o Decreto n°2.346, de 10 de outubro de 1997, se houvesse declaração de inconstitucionalidade, de lei, tratado ou ato normativo, com eficácia ex tunc , proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade (controle concentrado de constitucionalidade), relativamente a questão sob escrutínio, enteio seria permitido as autoridades fiscais incumbidas do julgamento administrativo ent l a instancia 2 Processo n° 10875.001328/2004-40 53-TE0 1 Acórdão n.° 3801-00.524 Fl. 98 afastar a aplicação do diploma normativo tisnado de inconstitucionalidade, mediante ato emanado do Secretário da Receita Federal. Do contrário, deve ser aduzido que o principio da estrita legalidade é o paradigma da atividade administrativa estatal, sendo que a apreciação de questionamentos de jaez constitucional não é província da atividade de julgamento administrativo empreendida pelo órgão competente no seio da Administração Pública, competindo-lhe tão-somente aplicar o direito tributário positivo. Ademais, é oportuno acrescentar que o julgamento administrativo de I° grau é coarctado pelos balizamentos postos por atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, consoante preceitua a Portaria MF n° 258, de 24 de agosto de 2001, art. 70 . Raciocínio semelhante se aplica a decisões emanadas do Conselho de Contribuintes. Sem embargo, podem ser articuladas as seguintes considerações e, para tal, deve ser, primeiramente, destacado o dispositivo constitucional mencionado: "Art. 153 — Compete à Unido, instituir impostos sobre: §3.° Q imposto previsto no inciso IV: será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;" (grifo meu) O principio da não-cumulatividade, radicado na Lex Legum, não é amplo e irrestrito, como pretende que seja a contribuinte, ao reclamar o creditamento, independentemente da incidência, ou não, do IPI sobre os insumos adquiridos. É perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais, tal como ocorre coin vários outros direitos e garantias previstos na Constituição. Exemplo disso é o próprio direito de ação (Constituição Federal, art. 5°, XXXV) que, apesar de estar garantido de forma ampla e irrestrita no texto constitucional, sofre limitações impostas pelas leis processuais infraconstitucionais, já que seu exercício condicionado à verificação dos pressupostos processuais e das condições da ação. Não há como sustentar o procedimento da postulante corn base no principio da não-cumulatividade, pois, urn principio constitucional de índole programática não é apto a criar relações jurídicas materiais de ordem subjetiva. Princípios constitucionais possuem como destinatário, via de regra, o legislador ordinário, servindo tão-somente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas jurídicas que regulam o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência legiferante conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata, têm o condão de criar relações jurídicas de direito material. 0 principio em comentário, de que trata o art. 153, § 3°, II, da Constituição Federal, deve ser estremado no exato limite de seus termos, segundo os quais se compensa o imposto que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, isto para evitar a denominada incidência em cascata, ou seja, a tributação de cada operação isoladamente, sem que seja considerada a tributação nas operações anteriores. A conclusão haurida desse principio é a de que, se não foi cobrado imposto nas operações anteriores, seja pela não- incidência, isenção ou tributação à alíquota zero dos insumos, não há direito ao crédito. Vale dizer que somente se considera na equação de débito e crédito fiscal o imposto pago na aquisição dos insumos e o imposto devido na saída dos produtos com eles fabricados. Foi exatamente esse o entendimento do Ministro limar Galvdo, do Supremo Tribunal Federal, no voto que proferiu no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 212.484-2/RS, em que assevera: "a compensação só se dá com o que for cobrado, sendo intuitivo admitir que, se nada foi cobrado na operação anterior, não haverá lugar para ela". É curial ressaltar que, se fosse admitido crédito de insumo que não correspondesse a imposto efetivamente pago na sua aquisição, o sujeito passivo (contribuinte de direito) seria beneficiado, pelo simples fato de que o imposto seria cobrado integralmente do consumidor final (contribuinte de fato) e recolhido à Fazenda apenas pela diferença entre o valor lançado na saída do produto final e o crédito (indevido). Seria normal o recolhimento pelo sujeito passivo, após a venda do produto e a apuração periódica do imposto, apenas da diferença (débito — crédito) se pagamento do imposto houvesse na aquisição do insumo; do contrário, trata-se de locupletamento ilícito, repudiado pelo ordenamento jurídico. É exatamente isso que a contribuinte colima em sua pretensão. Ora, crédito escritural de IPI não é crédito presumido em que são supostas incidências do imposto em cadeias anteriores e estipulada uma aliquota média para compensação do gravame. Aliás, é a própria Constituição Federal, no parágrafo 6° do artigo 150, que impõe a existência de lei especifica, com exclusiva regulamentação, para que se concedam créditos presumidos. Ademais, a tese perfilhada pela impugnante, na verdade, altera o sentido do texto constitucional de tal forma que uma não- cumulatividade, que se opera pelo abatimento do imposto já pago pelo que for devido, transforma-se numa exclusão da base de cálculo do IPI de todos os insumos não onerados pelo imposto. 0 tributo em questão sofre uma metamorfose e passa a ser um imposto sobre o valor agregado, o que positivamente não 6. Por essa razão, além da falta de previsão legal, não é possível que seja admitido crédito de imposto que não tenha sido pago na 4 Processo n° 10875.001328/2004-40 53-T EO 1 Acórdão n.° 3801-00.524 Fl. 99 aquisição dos insumos, não obstante a decisão em contrário do Pretório Excelso, no julgamento do RE no 212.484-2/RS, que so opera efeitos entre as partes. Por outro lado, ainda que, inconstitucionalmente, fosse aceito que o vocábulo cobrado abrangesse os casos de aliquota zero e produtos isentos, assim possibilitando um crédito fictício, seria possível ao sujeito ativo cobrar um imposto inexistente? Inexistente sim, pois esta é a (mica conclusão possível quanto as mercadorias não tributadas pelo IPI. A nova ordem constitucional, em vigor desde 1988, recepcionou a legislação que trata da espécie tributária em debate, em especial sobre o sistema de créditos e débitos. E o caso da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal dos sucessivos regulamentos de IPI, vigendo atualmente aquele aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002). O Código Tributário Nacional (CTN) — Lei n° 5.172, de 1966—, em seu artigo 49, assim dispõe sobre a não-cumulatividade do imposto: "Art. 49 - 0 imposto é não-cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados .(g.m.) Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte,transfere-se para o período ou períodos seguintes." 0 Regulamento do IPI (RIPI/98), aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998, com a alteração introduzida pela Lei n°9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, dispõe da seguinte maneira nos artigos 146 e 146, I (correspondentes aos arts. 163 e 164, I, do Decreto n° 4.544 (RIPI/2002), de 2002), in verbis: "Art. 146. A não-cumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capitulo (Lei n.° 5.172, de 1966, art. 49). (..) Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se(Lei n.° 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo- se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)"(grifo meu) 0 art. 82, 1, do RIP1/82, aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23 de dezembro de 1982, equivalente ao texto original da Lei n° 4.502, de 1964, art. 25, era vazado nos seguintes termos: "Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 25): 1 - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de aliquota zero e os isentos, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;"(g.m.) Sobre a questão há pronunciamentos oriundos da Administração Tributária: Parecer CST n° 410, de 8 de maio de 1991 "As matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, adquiridos sem pagamento de IPI, em razão de imunidade, isenção ou não-incidência, não propiciam direito ao crédito desse imposto, a não ser em casos excepcionais previstos em lei. "Parecer CST n° 515, de 10 de junho de 1994 "Ressalvados os casos especificos previstos em lei, não pode o contribuinte aproveitar o crédito do IPI correspondente a parcela que deixa de ser destacada na nota fiscal de aquisição de insumos em razão de isenção, não-incidência ou aliquota zero". Na órbita do julgamento administrativo de 2' instância (Conselhos de Contribuintes) pode ser destacado o julgado abaixo, infenso ao aproveitamento pelo sujeito passivo de créditos fictos concernentes A. aquisição de insumos isentos, não tributados ou corn aliquota zero, na mesma esteira de outros acórdãos exarados das Câmaras do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes (201-66161, 201-69359, 202-03228, 202-04413, 202-04414, 202- 08779, 203-00057, 203-02664 e 203-03077): Ementa do Acórdão n°202-06358, de 23/02/1994 "IPI - APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS - Só são reconhecidos aqueles provenientes de aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagens sujeitos ao pagamento do imposto. Produtos isentos, não- tributados e de aliquota reduzida a zero não podem oferecer direito a crédito, porquanto inocorreu pagamento do tributo pelo remetente e, conseqüentemente, não feriu o principio da não- cumulatividade. ENCARGOS DA TRD: Inaplicabilidade. A titulo de juros no período de 04.02.91 a 30.07.91. Principio da irretroatividade da norma tributária. Recurso provido em parte". 6 Process() n' 10875.001328/2004-40 S3-T E01 Acárddo n.° 3801-00.524 Fl. 100 Por outro lado, mesmo que, teratologicamente, fossem admitidos os créditos concernentes a insumos isentos e tributados à aliquota zero, em nenhuma hipótese poderiam ser admitidos aqueles referentes a insumos não tributados, vale falar, situados fora do campo de incidência do tributo. Ora, as Leis n° 4.502, de 1964 e n° 9.493, de 10 de setembro de 1997, definiram claramente as hipóteses de não-incidência do IPI. Tal norma está reproduzida no RIPI/98, como segue: "Art. 2° 0 imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI (Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1°, e Decreto-Lei n° 34, de 18 de novembro de 1966. art. 1°). Parágrafo único. 0 campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com aliquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" ('não-tributado,.) (Lei n° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13)". Outrossim é preciso delimitar a competência do julgador administrativo, ressaltando o caráter vinculado da atividade fiscal. Não lhe cabe questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Nesse sentido é vasta a jurisprudência dos colegiados administrativos, consoante se pode observar das ementas infratranscritas: "IPI - CONSTITUCIONALIDADE - VIGÊNCIA DA LEI - autoridade administrativa falece competência para apreciar a constitucionalidade e/ou a legalidade de legislação aplicável. Vinculação do artigo n° 142 do CTN." (2° CC — 3° Cd171. Acórdão n°203-00947. Data da sessão: 27/01/94.) "LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS - Compete exclusivamente ao Judiciário o exame da legalidade/constitucionalidade das leis. Recurso negado." (2° CC — 2"C —du?. Acórdão n°202-10665. Data da sessão: 10/11/98.) "INCONSTITUCIONALIDADE - Lei no 8.383/91- A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis e o contencioso administrativo não foro próprio para discussões desta natureza, haja vista que a apreciação e a decisão de questões que versarem sobre inconstitucionalidade dos atos legais é de competência do Supremo Tribunal Federal." (1° CC — 60 Câm. Acórdão 106- 10694. Data da sessão: 26/02/99) 0 dever de observância das normas abrange também os atos normativos editados pelo Poder Executivo e pelos órgãos a ele subordinados, aos quais seja conferida competência regulamentar sobre matéria tributária, especialmente a Secretaria da Receita Federal — SRF. Nesse sentido, cabe destacar o disposto na Portaria MF n.° 258, de 24 de agosto 7 de 2001, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: "0 Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações da Lei n°8.748, de 9 de dezembro de 1993 e da Medida Provisória n° 2.158-34, de 27 de julho de 2001, resolve:[..] Art. 7° 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assign o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros." (g.n.) Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitar-se a aplicá-la, sem emitir qualquer juizo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Essa vinculação somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou no difuso, neste caso a partir do momento e na hipótese de produzir efeitos "erga omnes" (na ocorrência de qualquer das situações previstas no ordenamento jurídico). Outrossim, o RIPI esclarece que se incluem no conceito de matéria-prima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. A propósito, o Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, publicado no Diário Oficial da União na mesma data, elucida a correta interpretação do inciso I do art. 66 do RIPI/79, o qual corresponde ao mencionado dispositivo do RIPI198. Pela importância do entendimento ali expendido, cumpre reproduzir as disposições do aludido Parecer: "Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 - 0 artigo 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8' do artigo 2° do Decreto-lei n° 34, de 18 de novembro de 1966, repetida "ipsis verbis" pelo artigo 1° do Decreto-lei n° 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: "Art. 25 A importância a recolher sera o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer". - Como se vê, trata-se de norma não auto-aplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito a subtração do montante de 1PI a recolher. 3 - Diante disto, ressalte-se serem "ex nunc" os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em 8 Processo no 10875.001328/2004-40 53-TEO( Acórdao n.° 3801-00.524 Fl. 101 lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a nicitéria, não se tratando, como ha quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIP 1/79: 'Art. 66 - Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n°4.502/64 arts. 25 a 30 e Decreto-lei n°3.466, art. 2°,alt. 8"9: I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo- se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consUlllidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.' 4 - Note-se que o dispositivo está subdividido em duos partes, a primeira referindo-se as matérias-primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias-primas e aos produtos intermediários que, embora nab se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 - Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma `matérias-primas' e 'produtos intermediários' são empregados `stricto sensu', a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 - Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos Fio processo de fabricação. ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na opera cão de industrialização. 5 - No que diz respeito a primeira parte da norma, que se refere a matérias-primas e produtos intermediários `stricto sensu', ou seja, beni dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a uni móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias-primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato fisico com o produto em fabricação, tais como 9 lixas, laminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige- se uma série de considerações. 6.1 - Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 - Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, unia vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 - Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógico-formal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários `stricto sensu', vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estar-se-ia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse "...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente", para o mesmo resultado. 7.1 - Tal op cão, todavia, eqüivaleria a pôr de lado o principio geral de direito consoante o qual 'a lei não deve conter palavras inúteis', o que só é licito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 - No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desniente esta acepção, de vez que a expressão 'incluindo-se, entre as inatérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização' é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto n° 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto n° 70.162/72), o que equivale a dizer que fbi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matérias-primas nem produtos intermediários `stricto sensu geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 - A norma constante do direito anterior (inciso Ido artigo 32 do Decreto n° 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 10 Processo n° 10875.001328/2004-40 83-T E01 Acórdão n.° 3801-00.524 Fl. 102 8.2 - 0 dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a titulo de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 - Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 - Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos 'que embora não se integrando 110 novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização', para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 - Como o texto fala em 'incluindo-se entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens hão de guardar semelhança corn as matérias-primas e os produtos intermediários 'strict° sensu semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato fisico, ou melhor dizendo, de ulna ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão 'consumidos' sobretudo levando-se ein conta que as restrições 'imediata e integralmente', constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, lid de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o instil/10." (negritos acrescidos). A leitura do Parecer acima reproduzido demonstra seu objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que, desde que não façam parte do ativo permanente, todos os insumos consumidos na industrialização, inclusive combustíveis, lubrificantes e a energia elétrica, poderiam ser considerados matérias-primas e produtos intermediários com fins de gerar o respectivo direito ao crédito. Esclarece, assim, que, dos insumos consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matérias-primas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. No mesmo sentido, já se tinha o Parecer Normativo n° 181, de 1974, que dispunha no seu item 13: "13 - Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, ben, C01170 os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionaniento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc." Assim sendo, nos termos dos Pareceres retro citados e em consonância com o RIPI, geram direito ao crédito, além das matérias-primas, produtos intermediários "stricto- sensu" e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens — desde que no contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Por conseguinte, não há crédito a ser ressarcido ao interessado, nos termos da IN SRF no 33/99. Sendo indevidos os créditos pelo principal, também são indevidos os créditos pela correção monetária, diante da regra de que o acessório segue o principal em sua natureza e destino. Entretanto, ainda que fosse devido o principal, não tem razão a defendente porque não se trata aqui de repetição de indébito. Trata-se, pelo contrário, de ressarcimento do saldo resultante do confronto entre créditos e débitos na conta gráfica de IPI que se tenta igualar ao instituto jurídico da restituição de tributos indevidamente recolhidos. A repetição de indébito, visa a devolução de tributos pagos indevidamente pelo contribuinte em razão de erro de fato ou de direito. Isso nada tem a ver com o sistema de débito e crédito da escrita do IPI, que visa abater o imposto devidamente pago nas operações anteriores do imposto debitado nas operações seguintes, implementando, assim, o principio da não-cumulatividade. A diferença é clara. 0 primeiro instituto cuida de imposto indevidamente pago. No sistema de débitos e créditos não há nenhum pagamento indevido, o que poderia ocorrer seria o creditamento extemporâneo do IPI pago na aquisição de insumos, conforme já explanado na presente fundamentação. Em verdade, não existe previsão expressa no ordenamento jurídico pátrio no sentido da correção monetária dos créditos escriturais do IPI, razão pela qual o contribuinte não pode efetuar tal crédito, nem exigi-lo no ressarcimento. Tampouco, poderia dar causa a nulidade o despacho decisório que trata, corretamente, como ressarcimento o pedido que o contribuinte chamou de restituição. Este entendimento é pacífico na esfera administrativa, que acolheu a posição firmada no STJ, conforme ementa transcrita a seguir: TRIBUTÁRIO - IPI - CRÉDITOS ESCRITURAIS - CORREÇÃO MONETÁRIA - NÃO INCIDÊNCIA. O IPI será não cumulativo, compensando-se o que for devido eni cada operação com o montante cobrado nas anteriores (CF, artigo 153, parágrafo 30, inciso II), dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele 12 Processo n° 10875.001328/2004-40 S3-TE01 Acórdão rt.° 3801-00.524 Fl. 103 entrados, tran.sferindo-se o saldo verificado para o período ou períodos seguintes (CTN, artigo 49). 0 Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais. Recurso improvido. RESP 212899/RS ; RECURSO ESPECIAL (1999/0039731-2). Fotzte:DJU de 07/02/2000, pág. 00119, ADCOAS Vol. 00005 pdg. 00102. Os grifos não são do original. Quanto às alegações baseadas em princípios constitucionais, reitere-se o que já foi dito no item anterior. Assim, diante do exposto, voto por se indeferir a solicitação." Inconformado, o recorrente recorre a este CARF com a pe ça juntada tempestivamente às fls. 69 e seguintes, repisando os mesmos argumentos de sua impugnação. Passo ao voto. Voto Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti - Relatora Em 25 de junho de 2007 o Supremo Tribunal Federal, decidindo os recursos extraordinários RE 353.657-5/PR e no RE 370682-9/SC, indeferiu por maioria o direito de creditamento referente a insumos adquiridos com aliquota zero e não tributados. Tais decisões, no entanto, silenciaram sobre os produtos isentos. Entendo que realmente não é possível admitirmos anterior posição dos tribunais no sentido de admitir o creditamento de IPI em casos isenção e de aliquota zero e, até mesmo, nos casos de não-incidência e de imunidade. O caso em tela trata de insumos adquiridos A. aliquota zero. Nesse tema, adoto como razão de decidir o voto do Ministro Eros Grau, nos autos do RE-AgR 372005 que bem resume a impossibilidade de se deferir crédito à operação que não gerou débito na etapa anterior. O IPI, justamente por se submeter à não cumulatividade, não pode ser calculado de outra forma: o crédito na etapa anterior abate débito da etapa posterior. Não havendo crédito, por isento, não tributado ou tributado A. aliquota de 0% não há valor a ser abatido já que nada foi acumulado atendendo-se perfeitamente o principio da não cumulatividade. Da mesma forma que acumular débito fere a Constituição Federal para os tributos não cumulativos, fere-a, da mesma forma, acumular créditos o que somente seria possível se eles existissem... só é possível de ser acumulado aquilo que existe, que se conta. 0 que não há, não se acumula. O principio genérico proíbe a cumulatividade, sem restringi-la aos débitos, mas em hipótese alguma cria valores espontaneamente. 13 Por tais argumentos, que reputo suficientes para deslinde desse caso, ainda que outros argumentos tenham sido trazidos à baila, nego provimento ao recursos voluntário. É como voto. Reriata.Auxthadora Marcheti r / ,... , i - / : 14
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000257/2008-31
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa: SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS.
Constituem omissão de receitas as de vendas não escrituradas e não declaradas ao Fisco federal, comprovada pelas notas fiscais emitidas.
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA
A não identificação do beneficiário de pagamentos efetuados pela empresa ou cuja operação ou causa não restar comprovada, enseja a tributação, conforme o art. 61 da Lei ft° 8.98111995.
Numero da decisão: 1103-000.187
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integam o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Hugo Correia Sotero
Nome do relator: MARIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. Constituem omissão de receitas as de vendas não escrituradas e não declaradas ao Fisco federal, comprovada pelas notas fiscais emitidas. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA A não identificação do beneficiário de pagamentos efetuados pela empresa ou cuja operação ou causa não restar comprovada, enseja a tributação, conforme o art. 61 da Lei ft° 8.98111995.
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"•ÁRM,.: ,.-'-''''''''''' ,`5"1`-`'---• MINISTÉRIO DA FAZENDA .,,,_, t•-7,.L";_ 4 • tCo9 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ...,...tke.S. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO - Processo n" 17883.000257/2008-31 Recurso n° 176132132 Voluntário Acórdão n0 1103-00.187 — 1 Câmara / 3' Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente FUNERÁRIA QUATIS LIDA Recorrida Ta. Turma da DRJ do Rio de Janeiro 1 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS, Constituem omissão de receitas as de vendas não escrituradas e não declaradas ao Fisco federal, comprovada pelas notas fiscais emitidas. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA A não identificação do beneficiário de pagamentos efetuados pela empresa ou cuja operação ou causa não restar comprovada, enseja a tributação, conforme o art. 61 da Lei ft° 8.98111995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integam o presente julgado.. Ausente, justificadamente, o co selheiro Hugo Correia Sotero. . - ALOYSIO .4 Ik/PE4 " I I'0, DA SILVA - Presidente 2 011101.11".".-- . ------,- MÁRIO .RGIO -É 1C\fANDES BARROSO - Relator EDITADO EM: rj 7 ..; lj 1 2110 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio José Percinia da Silva (Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervásio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata (Vice presidente), Eric Moraes de Castro e Silva, 4 ' • . I h Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da URI que negou provimento a impugnação da contribuinte.. A primeira infração decorreu de omissão de receita caracterizada pela existência de inúmeras notas fiscais emitidas no curso do ano-calendário de 2004, cuja receita correspondente não foi integralmente oferecida à tributação. A segunda infração foi decorrente da falta de recolhimento do SIMPLES, em função da diferença de aliquotas. A terceira infração deriva da falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos sem causa ou de operações não realizadas, referentes ao ano- calendário de 2004. Do Termo de Constatação Fiscal extraio: "o contribuinte foi intimado a apresentar os livros contábeis e .fiscais, o contrato social, os extratos de contas bancárias e aplicações financeiras e os comprovantes das receitas, contas bancárias e aplicações . financeiras e os comprovantes das receitas custos e despesas. Fundamentado na análise do extrato de conta corrente, em 26/06/2008, intimamos o contribuinte a informar a comprovar a origem dos recursos movimentados a crédito nas contas-corrente, relativo ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004 EM resposta o contribuinte demonstrou que os valores creditados na sua conta corrente foram originados do seu faturamento de acordo com as notas fiscais emitidas, desta forma, evidenciando que o somatório das notas fiscais superaram os valores constantes na DIPJ-SIMPLES Diante do exposto constatamos a ocorrência de receita omitidas e não escrituradas." "O contribuinte foi intimado através do Termo de Início de fiscalização em 08/04/2008 e apresentou o extrato de conta bancária, Analisando os saques efetuados na conta corrente procedemos à intimação em 24/07/2008 para o contribuinte informai .' e comprovar o destino dos recursos e a causa dos pagamentos vinculados aos movimentos a débito nas contas- correntes Na resposta o contribuinte não apresentou as notas fiscais vinculadas a pagamentos conforme relação constante do Termo de Constatação, desta forma, caracterizado a operação não comprovada através de documentos hábeis e idôneos, que toma necessário o recolhimento do Imposto de Renda na Fonte. A contribuinte impugnou (resumo): 2 Processo n 17883 000257/2008-31 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.187 Fl 2 Afirma que a fiscalização deixou de deduzir os depósitos oriundos de saques feitos na conta-corrente mantida na Caixa Econômica Federal (CEF), os valores recebidos de clientes para atender despesas, os depósitos referentes a dinheiro injetado pelos sócios da empresa para pagamentos estornados pelo Banco Itaú S/A; Alega que a fiscalização deveria provar quais lançamentos contábeis não merecem fé pública. Que não era obrigada a manter contabilidade regular, razão pela qual só registrou em seus assentamentos contábeis a sua receita própria de intermediação nas operações de sepultamento, o restante era controlado por meio de conta corrente gráfica; Afirma que a fiscalização desconsiderara a opção pelo SIMPLES, para submeter à tributação, a titulo de omissão de receita, os valores vinculados a depósitos bancários adotando a sistemática do Lucro Real. Deveria a fiscalização ter arbitrado o lucro; A DR.1 decidiu (ementa): "SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA VENDAS NÃO ESCRITURADAS. Constitui omissão de receitas a realização de vendas não escrituradas e não declaradas ao Fisco federal, devidamente comprovada pelas notas fiscais emitidas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Apurada omissão de receita auferida por contribuinte optante pelo SIMPLES, altera-se, conseqüentemente, a receita bruta mensal Quando altera-se também os percentuais sobre ela aplicáveis, é devida a diferença de tributo causada pela insuficiência de recolhimento PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA A inexistência de identificação do beneficiário de pagamentos efetuados pela empresa ou cuja operação ou causa não restar comprovada, enseja a tributação, conforme dispõe o art 61 da Lei n U8 981/1995." A contribuinte recorre fi. 1.103/1,117 (resumo): Teria havido contradição entre a fundamentação do auto de infração e a forma como o imposto foi apurado, pois, as receitas omitidas não foram do confronto entre as receitas declaradas na DIPI e as apuradas nas notas fiscais, mas sim, o montante dos depósitos bancários considerados não comprovados que teria ultrapassado o valor das receitas declaradas; Inexistência de escrituração regular SIMPLES 3 A contribuinte não era obrigada a manter contabilidade regular, assim, só registrou em seus assentamentos contábeis a sua receita própria, especifica de interrnediação nas operações de sepultamento; Toda a movimentação financeira de valores recebidos das seguradoras, empresas de transporte, e das partes interessadas era controlada em conta corrente gráfica; Desconsiderara a condição de ser SIMPLES e submeteu a tributação o valor dos depósitos bancários pelo critério do Lucro Real enquadrando-os como omissão de receita, em vez de arbitramento; A apreciação da prova apresentada: A fiscalização deixara de excluir da planilha geral elaborada pela contribuinte, os depósitos oriundos de saques feitos na conta mantida na CEF, os valores recebidos de clientes para atender despesas, e depósito de dinheiro injetado pelos sócios para pagamentos de contas, e pagamentos estornados pelo próprio Banco Itaú S/A; O fisco deveria provar quais lançamentos contábeis presentes nos livros fiscais não merecem fé; Imposto de Renda na Fonte incidente sobre pagamento sem causa ou de operação comprovada O fisco entendeu que os saques realizados representam pagamentos sem causa ante a ausência de comprovação de pagamentos; Assim, além de ser obrigado a comprovar a origem dos depósitos, terá a contribuinte que provar a quem foram pagos os valores sacados; O simples pagamento não traduz fato gerador do Imposto de Renda, pagamento importa em decréscimo patrimonial; A formalização de exigência de 35% prevista no art. 61 da Lei a' 8.981/95, a titulo de IR-Fonte, tem natureza de penalidade isolada e, como tal, é impossível de sabre ela ser calculada multa de 75, É o relatório. 4 Processo n° 17883 000257/2008-31 S1-C1T3 Acórdão n ° 1103-00J87 Fl 3 Voto Conselheiro Mário Sérgio Femandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Na primeira argumentação da recorrente que teria havido contradição entre a fundamentação e a forma em que foi apurado o imposto, não procede razão a recorrente, haja vista que de acordo com o auto: " intimamos o contribuinte a informar e comprovar a origem dos recursos movimentados a crédito nas contas-correntes. Em resposta o contribuinte demonstrou que os valores ci editados na sua conta corrente foram originados do seu faturamento de acordo com as notas fiscais emitidas, desta forma, evidenciando que o somatório das notas fiscais superaram os valores constantes na DIR.). SIMPLES Diante do exposto constatamos a ocorrência de receitas omitidas e mio escrituradas A contribuinte apresentou as notas fiscais emitidas no curso do ano- calendário de 2004 para comprovar a origem dos recursos financeiros creditados nas suas contas correntes (fi, 247/809), A fiscalização considerando justificado pelas notas fiscais os ingressos, não utilizou os extratos bancários. Observa-se que as notas fiscais consideradas pela fiscalização tratam de serviços funerários prestados pela empresa autuada. Assim, apenas foram objeto de lançamento as receitas oriundas das notas fiscais não escrituradas, comparando com a receita declarada na DIPI — SIMPLES (fi, 151 a 159), não assistindo razão a recorrente neste item. Ao contrário do que afirma a contribuinte não houve desconsideração de seus livros contábeis, pois, eles foram comparados às notas fiscais, e só a diferença foi lançada. E o lançamento foi de acordo com a legislação Se a fiscalização tivesse desconsiderado a escrita da recorrente teria arbitrado o lucro. A opção da recorrente pelo SIMPLES não fora desconsiderada em nenhum momento. Quanto aos valores que supostamente a fiscalização não excluíra da conta da CEF, a contribuinte não entendera que o lançamento não foi por depósitos, mas sim por receitas (notas fiscais) não escrituradas. Imposto de Renda na Fonte incidente sobre pagamento sem causa ou de operação comprovada 5 Quanto a esta infração, a fiscalização intimou a contribuinte a informar e comprovar o destino dos pagamentos e a causa, vinculados a os movimentos de débito nas contas correntes, porém a contribuinte não comprovara os destinos nem a causa No recurso a contribuinte parece questionar o conceito de acréscimo patrimonial, ou ainda, alega que o art. 61 da Lei n 8.981/95 seria penalidade, não podendo ser cumulada com multa de 75% De início, não cabe a esta instância administrativa questionar conceito de renda. Quando ao artigo 61 da lei em comento, não se trata de penalidade, mas sim de uma presunção legal. E mesmo que fosse outra penalidade não é da competência desta instância administrativa afastar lei ou Decreto. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso, 01/ Mario Sérgio Fernandes-Sarroso 6
score : 1.0
Numero do processo: 10707.001313/2007-66
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos tennos da Súmula n° 2, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS.
PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A
impugnação deve, necessariamente, mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O indeferimento genérico de pedido de perícia não é causa de nulidade da decisão de Primeira Instância.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO.
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nula, por falta de fundamentação
jurídica, a decisão de Primeira Instância fundamentada na análise dos fatos que ensejaram a autuação.
DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência dos arts. 150, §4° c/c 173, Ido CTN.
ÔNUS DA PROVA. Ao sujeito passivo, quando contestar a autuação, cabe a prova da existência de fatos extintivos, impeditivos ou modificativos do direito de a Fazenda Pública exigir o tributo lançado.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO DE VENDAS.
Constatado o subfaturamento nos preços praticados pelo confronto nas Notas Fiscais com os valores de operação e preços praticados pelo próprio autuado, procede o lançamento de oficio por Omissão de Receitas_
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. A inexistência de documento hábil e idôneo para afastar os fatos apontados pela fiscalização autoriza a exação.
IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. É procedente o lançamento do imposto de renda na fonte quando constatada a saída de numerário suportada em documentos inidôneos, caracterizando pagamento sem causa e a beneficiário não identificado.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Subsistindo o lançamento
principal, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas.
MULTA QUALIFICADA. A comprovação do intuito de fraude, conluio de
terceiros e dolo do sujeito passivo fundamenta a qualificação da multa de oficio de 150%.
JUROS DE MORA. SELIC. A partir de 10 de abril de 1995, os juros
moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula n° 4, do 1° CC).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.210
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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ementa_s : CONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos tennos da Súmula n° 2, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A impugnação deve, necessariamente, mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O indeferimento genérico de pedido de perícia não é causa de nulidade da decisão de Primeira Instância. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nula, por falta de fundamentação jurídica, a decisão de Primeira Instância fundamentada na análise dos fatos que ensejaram a autuação. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência dos arts. 150, §4° c/c 173, Ido CTN. ÔNUS DA PROVA. Ao sujeito passivo, quando contestar a autuação, cabe a prova da existência de fatos extintivos, impeditivos ou modificativos do direito de a Fazenda Pública exigir o tributo lançado. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO DE VENDAS. Constatado o subfaturamento nos preços praticados pelo confronto nas Notas Fiscais com os valores de operação e preços praticados pelo próprio autuado, procede o lançamento de oficio por Omissão de Receitas_ IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. A inexistência de documento hábil e idôneo para afastar os fatos apontados pela fiscalização autoriza a exação. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. É procedente o lançamento do imposto de renda na fonte quando constatada a saída de numerário suportada em documentos inidôneos, caracterizando pagamento sem causa e a beneficiário não identificado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. MULTA QUALIFICADA. A comprovação do intuito de fraude, conluio de terceiros e dolo do sujeito passivo fundamenta a qualificação da multa de oficio de 150%. JUROS DE MORA. SELIC. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula n° 4, do 1° CC). Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:51:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:51:26Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:51:27Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:51:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ef77dd74-220f-4aee-91dd-96eade0324b1; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:51:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:51:27Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:51:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:51:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:51:26Z; created: 2010-07-13T13:51:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2010-07-13T13:51:26Z; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:51:26Z | Conteúdo => S1-C3T2 Fl. 1 ÇáÁ\" MINISTÉRIO DA FAZENDA rfr*.À----- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10707.001313/2007-66 Recurso n° 165.972 Voluntário Acórdão n° 1302-00.210 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente PUIG DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO S/A Recorrida 3' TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I CONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos tennos da Súmula n° 2, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A impugnação deve, necessariamente, mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O indeferimento genérico de pedido de perícia não é causa de nulidade da decisão de Primeira Instância. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nula, por falta de fundamentação jurídica, a decisão de Primeira Instância fundamentada na análise dos fatos que ensejaram a autuação. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência dos arts. 150, §4° c/c 173, Ido CTN. ÔNUS DA PROVA. Ao sujeito passivo, quando contestar a autuação, cabe a prova da existência de fatos extintivos, impeditivos ou modificativos do direito de a Fazenda Pública exigir o tributo lançado. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO DE VENDAS. Constatado o subfaturamento nos preços praticados pelo confronto nas Notas Fiscais com os valores de operação e preços praticados pelo próprio autuado, procede o lançamento de oficio por Omissão de Receitas_ IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. ' PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. A inexistência de documento hábil e idôneo para afastar os fatos apontados pela fiscalização autoriza a exação. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. É procedente o lançamento do imposto de renda na fonte quando constatada a saída de numerário suportada em documentos inidôneos, caracterizando pagamento sem causa e a beneficiário não identificado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. MULTA QUALIFICADA. A comprovação do intuito de fraude, conluio de terceiros e dolo do sujeito passivo fundamenta a qualificação da multa de oficio de 150%. JUROS DE MORA. SELIC. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula n° 4, do 1° CC). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 1 \'; MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente , IRIN' EU BIANCHI -Relator EDITADO EM: 1 2010 8 k t Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcelo de Assis Guerra, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. 2 Processo n° 0707.001313/2007-66 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.210 Fl. 2 Relatório PUIG DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO S/A, devidamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Trata o processo sobre os Autos de Infração de fls. 5.052/5.090, pelos quais foi concretizada a exigência de créditos tributários de IRPJ, CSLL e IRkF, além de multa qualificada de 150% e juros de mora, num total de R$ 161.48.343,50, tendo em vista o que restou apurado pela fiscalização, como segue: 1. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Omissão de receitas caracterizada pela falta ou insuficiência - de contabilização, conforme descrito no item 2.2 do Termo de Constatação e Verificação Fiscal. 2. OMISSÃO DE RECEITA. SUBFATURAMENTO DE VENDAS. Omissão de receitas caracterizada por subfaturamento no documento fiscal, conforme descrito no item 2.1 do Termo de Constatação e Verificação Fiscal. Os fundamentos para a exigência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem causa, acham-se descritos nos itens 2.3 e 2.4 do Termo de Constatação e Verificação Fiscal. Cientificada dos lançamentos, a interessada apresentou a impugnação de fls. 5.134/5.173, inaugurando o contencioso administrativo. A ação fiscal foi julgada procedente nos teunos do Acórdão n° 12-18.537 (fls. 5241/5249), cujos fundamentos acham-se consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: IRPJ. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. - PEDIDO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. A impugnação deve, necessariamente, mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir-. O contribuinte não pode se eximir do ônus da prova mediante solicitação de perícia ou diligência. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Não elididos os fatos apontados :Ipela \ 3 fiscalização, suficiente para justificar a exação, deve ser mantido o lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO DE VENDAS. Constatada a emissão de notas fiscais com valor inferior ao da operação, é devido lançamento. MULTA E JUROS. Não compete à Autoridade Administrativa declarar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal (art. 102), em caráter privativo, ao Poder Judiciário. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Sujeitam-se à incidência do imposto exclusivamente na fonte, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Cientificada da decisão (fls. 5254), a interessada, tempestivamente, interpôs o recurso voluntário de fls. 5255/5282, dizendo em síntese: - que a decisão de primeira instância é nula por não ter sido devidamente motivada a argumentação jurídica utilizada para negar a realização da prova pericial; - que a decisão também é nula por falta de motivação jurídica, na medida em que se limitou em afirmar que a recorrente não provou o alegado; - torna a suscitar o decurso do prazo decadencial; - que é inconsistente o lançamento quanto à exigência de omissão de receitas por subfaturamento; - que a autoridade fiscal limitou-se a apontar suposto subfaturamento a partir de meros indícios por conta de vendas a clientes diversos por preços diversos; • - que apenas a partir, pura .e simplesmente, do comparativo entre as vendas para estes clientes e outros, a autoridade fiscal apontou indício de subfaturamento e concluiu pela presunção da omissão de receitas; - que durante a fiscalização e na lavratura do auto de infração não foi constatada nenhuma nota fiscal emitida pelo valor inferior, havendo apenas uma presunção; - que no item relativo a pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade, o lançamento carece de tipificação, segundo as hipóteses elencadas no art. 281 do RIR/99; 7-• - que as conclusões do fisco de ingresso de recursos da Ubigas 1\etróleo em favor da recorrente, sem que os mesmos tenham sido contabilizados, tendb este ingresso ocorrido soh_a forma de quitação de obrigações e a indevida contabilização da reCorrente da •• 4 Processo n° 10707.001313/2007-66 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.210 Fl. 3 saída de recursos de seu caixa para pagamento dos títulos que representam estas mesmas obrigações, não se subsumem ao tipo legal descrito no art. 40 da Lei n° 9.430/1996; - que o lançamento não pode prosperar em face da inidoneidade dos documentos utilizados corno provas da presunção fixada, eis que não são originais, sendo imprestáveis para que seja firmada qualquer presunção em termos de ocorrência do fato gerador do IRRF; - que a autoridade fiscal efetuou o lançamento de oficio do IRRF em face da empresa Ubigás, por pagamentos considerados pelo fisco como a beneficiários não identificados ou sem causa ou motivo jurídico; - que tais pagamentos estão sendo tributados como receita omitida da recorrente; - que não é admissivel a incidência de IRPJ e CSLL de forma concomitante com o IRRF antes referido, pena de violação ao disposto no art. 3° do CTN, bem como aos princípios constitucionais da igualdade, capacidade contributiva, da vedação ao confisco, da moralidade e da eficiência administrativas; - que não existem pagamentos realizados pela empresa Ubigás; - que é irregular a metodologia aplicada pelo fisco, pois se for mesmo a hipótese de ingressos de receitas não contabilizadas, trata-se de dever de arbitramento do lucro e não de omissão de receita; - que a exigência de IRRF está embasada em mera presunção; - que as saídas de recursos são equivalentes aos valores faturados em face da empresa que quitou os títulos, o que deve ser esclarecido com a realização da,,p rícia requerida; í e — - que deve ser afastada a aplicação da Taxa Selic assirn co o da–ab—usiva multa de 150%. É o Relatório. kj."1....,..... 5 Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. As exigências fiscais aqui tratadas decorrem da constatação, pela autoridade fiscal, das seguintes infrações ocorridas nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004: 1 - OMISSÃO DE RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Omissão de receitas caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, conforme descrito no item 2.2 do Termo de Constatação e Verificação Fiscal. 2 — OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO DE VENDAS. Omissão de receitas caracterizada por subfaturamento no documento fiscal, confomie descrito no item 2.1 do Teimo de Constatação e Verificação Fiscal. As mesmas infrações foram detectadas para o ano-calendário de 2001, cujo lançamento restou concretizado no processo número 10707.001486/2006-01. Levado à apreciação da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes através do recurso voluntário número 158.963, na sessão de 18 de dezembro de 2008, foi-lhe negado provimento, à unanimidade. A peça recursal contém argumentos que buscam a insubsistência do auto de infração tendo por premissa a inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de leis tributárias. O exame de tais alegações foge à competência do CARF, nos temios da Súmula n° 2, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo deixo de conhecer as alegações recursais, quanto a este particular. PRELIMINARES Nulidade da decisão recorrida — prova pericial Em caráter preliminar, a recorrente suscita que a decisão de primeira instância é nula por não ter sido devidamente motivada a argumentação jurídica utilizada para negar a realização da prova pericial. A decisão em exame assim analisou o pedido de realização da prova técnica: Quanto ao protesto pela produção de prova pericial e diligências, cabe observar que o inciso III, do artigo/ f.16, do---- Decreto 70.235/1972, com redação do artigo 1°, i da Lei 8.748/1993, determina que a impugnação apresentada d4ve , necessariamente mencionar "os motivos de fato e de direito : 177 _,--,:). _ 6 Processo n° 10707.001313/2007-66 SI-C3T2 Acórdão n." 1302-00.210 Fl. 4 que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". O artigo aduz, ainda, em seu § acrescentado pela Lei 9.532/1997, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos Autos posteriormente. O contribuinte não pode se eximir do (572U5 da prova mediante solicitação de perícia ou diligência. Deste modo, indefiro a solicitação de perícia ou diligência. Compulsando os autos verifica-se que durante o transcorrer dos trabalhos de fiscalização a recorrente restou intimada inúmeras vezes para apresentar documentos acerca de itens indicados pelo autor do feito, o fazendo parcialmente. De outra parte ao contestar a exigência fiscal, via impugnação, a recorrente deixou de apresentar as provas necessárias para alcançar o seu objetivo. Outrossim, o pedido de realização da prova pericial foi feito de forma genérica, sem a indicação dos pontos a serem esclarecidos, o que deveria ser feito através da apresentação de quesitos, conforme determina o Código Instrumental. Assim sendo, sou de parecer que decisão de primeira instância não merece reparos quanto a este particular. Nulidade da Decisão recorrida — falta de motivação jurídica Também em caráter preliminar a recorrente suscita a nulidade da decisão recorrida por falta de motivação jurídica, de vez que se limitou a afirmar que a interessada não provou o alegado. Não vislumbro na decisão recorrida o defeito apontado, de vez que o lançamento apresenta-se revestido dos requisitos perfilados no art. 142 do C.T.N. Cientificada dos termos acusatórios, a interessada apresentou seus argumentos defensivos e meios de prova, com o que restou instaurado o contencioso administrativo. Por sua vez, a Turma Julgadora, conhecidos os limites da lide, decidiu pela procedência do lançamento, à luz da análise dos fatos, da sua conformação com o direito e das provas produzidas. Desta maneira não vislumbro qualquer nulidade tia decisão recorrida. Decadência Por fim, ainda em caráter preliminar, a recorrente suscita o decurso do prazo decadencial, segundo os ditames do art. 150, § 4 0, do C.T.N. A decisão recorrida passou ao largo da circunstâncià de ter havido a imposição da multa_qualificada e afastou a preliminar nos seguintes termos: \ 7 • A regra de contagem estabelecido no ,s5' 4° do art. 150 cio CTN não trata de decadência, mas tão-somente de constituição e extinção do crédito tributário pela modalidade de lançamento por homologação tácita. A decadência se refere sempre ao lançamento de ofício, independentemente da modalidade de lançamento a que o tributo normalmente está sujeito. A decadência é regida, apenas, pelo art. 173 do CTN. No caso, há que se observar o disposto no art. 173, inciso 1, do CTN, ou seja, "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Portanto, qualquer lançamento realizável dentro de certo exercício (e que não seja efetivamente implementado nesse exercício) poderá ser efetuado em cinco anos após o próprio exercício em que se iniciou a possibilidade jurídica de realizá-lo. No caso dos autos, em relação ao ano-calendário 2002, considerando-se que o lançamento poderia ter sido efetuado no ano-calendário de 2003, aprazo decadencial começou afluir em I° de janeiro de 2004 e se3 encerrou em 31/12/2008. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 19/12/2007, conclui-se que não estava caracterizada a decadência. Não concordo com os fundamentos da decisão recorrida uma vez que me perfilo com o entendimento segundo o qual direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirando esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O imposto de renda da pessoa jurídica é tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição dos respectivos créditos tributários é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos teinios legais acima transcritos. Na análise do presente caso, uma vez que a recorrente tomou \ciência do lançamento na data de 19 de dezembro de 2007, e que os fatos geradores de IRPJle reflexos 9n-eram a partir do mês de março de 2002, deve-se examinar, primeiramente, a existência de -" • 8 • Processo n° 10707.001313/2007-66 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.210 Fl. 5 dolo, fraude ou simulação, hipóteses em que o prazo decadencial é contado na forma prevista no art. 173 do CTN. Neste sentido, para que seja aplicada a multa qualificada de 150%, é_ necessário que se caracterize o evidente intuito de fraude, como determina o art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996, que por sua vez se reporta à Lei tf 4.502, de 1964, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardai-, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; — das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 5.038), a autoridade fiscal consignou que o sujeito passivo, "...no desígnio de ocultar receitas do conhecimento do fisco, a autuada empreendeu diversas ações que evidenciam a intencionalidade da fraude (dolo), como descrito no item anterior (2.2). Registre-se, desde logo, que a recorrente não conseguiu demonstrar a lisura do seu modo de proceder, ao contrário da autoridade fiscal que aprofundou as investigações e comprovou à toda evidência o esquema fraudulento montado. Na infração identificada como pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade, a empresa UBIGÁS, de propriedade de um dos sócios empresa PUIG, ora recorrente, era participe da fraude que funcionava nos moldes do seguinte resumo elaborado às fls. 4966: Etapa 1 — O consumidor pagava seu abastecimento no posto de gasolina com cheque; Etapa 2 — O posto de gasolina repassava o cheque da etapa I para a UBIGAS como pagamento na aquisição de combustível; Etapa 3 — A UBIGAS depositava alguns cheques em sua conta corrente bancélria para constar na contabilidade da einpre; Etapa 4 - Outros cheques eram remetidos para (os bdncos partícipes do esquema para pagamentos de fornecedores/terceiros/sócios do grupo Chebabe. 9 Com esse modo de proceder, o grupo sonegava CPMF, omitia receitas e ocultava terceiros beneficiários. Já com relação ao item identificado como Subfaturamento de vendas, a autoridade fiscal logrou demonstrar que os preços declarados nas Notas Fiscais eram inferiores aos efetivamente praticados, com o que fica claramente evidenciado o intuito doloso da recorrente no sentido diminuir o valor do fato gerador. Diante do exposto, caracterizada a conduta dolosa e intencionalidade de fraude do contribuinte, agindo inclusive em conluio com terceiros, e mantendo-se o entendimento de aplicabilidade ao caso concreto da multa qualificada, o prazo decadencial debate deve ser contado em conformidade com o art. 173, I do CTN, que prevê o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, considerando que o fato gerador mais longínquo ocorreu no mês de março do ano-calendário de 2.002, e que no presente caso, o contribuinte foi cientificado do lançamento em 19.12.2007, este lançamento ocorreu dentro do prazo previsto para a constituição do crédito tributário pela Fazenda, razão pela qual deve ser afastada a preliminar de decadência. MÉRITO Omissão de Receitas. Subfaturamento de Vendas Conforme demonstrado no item 2.1 do Termo de Constatação e Verificação Fiscal e documentos juntados aos presentes autos, a fiscalização apresenta elementos suficientes para fundamentar materialmente o presente item da autuação. Em face dos fortes indícios de omissão de receitas via subfaturamento nas vendas, a fiscalização intimou e reintimou a autuada para infounar os custos operacionais, por litro, da gasolina C, detalhando a proporcionalidade dos componentes de matéria prima envolvidos (gasolina e álcool) e a quantidade, em litros, de perdas. Intimou ainda a informar, detalhada e mensalmente, a fonnação do preço de venda de todos os produtos vendidos. A autuada não atendeu plenamente a solicitação, limitando-se a informar os dados constantes das Notas Fiscais de Entrada, o que levou a fiscalização a consultar o sitio da ANP, verificando a proporcionalidade de álcool anidro misturado à gasolina A para composição da Gasolina C e com base nas Notas Fiscais de entrada, demonstrou que os preços médios de venda encontravam-se abaixo do preço médio de custo, comprovando assim o subfaturamento. Os levantamentos efetuados pela fiscalização acham-se detalhados nas planilhas que fazem parte do Tenno de Constatação e Verificação Fiscal e foram contestados pelo sujeito passivo a descoberto de qualquer prova capaz de neutralizar o efeito probante dos dados que servem de suporte à acusação. A acusação de omissão de receitas via subfaturamento não parte de mera presunção como quer a recorrente, eis que através do Auto de Infração, secundado pelo Termo de Constatação e Verificação Fiscal, ficou perfeitamente demonstrada a infraçãO—fiscal. Além disso, a peça acusatória menciona os dispositivos legais que estabelecem a omissão ide receitas a partir da emissão de nota fiscal com valor inferior ao da operação, configuando-se a respectiva tipicidade. Assim sendo, a exigência fisçgdeve ser mantida. 10 Processo n° 10707.001313/2007-66 . S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.210 Fl. 6 OMISSÃO DE RECEITAS. Receitas não contabilizadas A autoridade fiscal demonstrou que pagamentos efetuados pela recorrente a fornecedores e a terceiros, embora contabilizados, foram realizados pela empresa UBIGÁS. Com efeito, através de depoimentos e de trabalhos de circularização, principalmente junto a estabelecimentos bancários, a autoridade fiscal logrou comprovar que os pagamentos listados nas planilhas eleboradas, foram efetuados pela empresa UBIGÁS, sendo que a recorrente contabilizou como sendo paga pela conta caixa própria, tal como relatado às fls. 5.004, do TVF: As respostas das instituições bancárias não nos surpreendeu. A • maior parte dos pagamentos ali anotados, referentes a fornecedores/terceiros da PUIG, foram pagos pela UBIGAS, com cheques próprios e/ou de terceiros, não contabilizados pela UBIGAS, sendo que a ora autuada, contabilizou como sendo pagos pela conta caixa da própria autuada. Estes pagamentos efetuados pela UBIGAS não deram entrada na conta caixa da autuada. Resumindo: A autuada escriturou pagamentos (discriminados na planilha abaixo) a fornecedores/terceiros, contabilizando a crédito na conta caixa e a débito na conta respectiva do passivo, como se os recursos tivessem saído do caixa da autuada, porém os recursos utilizados nesses pagamentos saíram do caixa 2 da UBIGAS, com a conivência da instituição bancária. Esses recursos que a UBIGÁS utilizou nos pagamentos por/para a • autuada não foram escriturados nos livros da PUIG. Tem-se, então, a seguinte situação, os recursos que liquidaram, efetivamente, estes pagamentos, não foram escriturados pela autuada, e os recursos que a autuada escriturou como sendo destinados a esses mesmos pagamentos, saíram do caixa da autuada para beneficiários diferentes dos escriturados. Também não se aceita a simples alegação de que todas as operações anotadas nas planilhas abaixo, seriam simples troca de favores, pois a escrituração da ora autuada, não comprova a escrituração dessa troca. Na impugnação, a interessada apresentou diversos argumentos desacompanhados de elementos probatórios, os quais foram refutados pela decisão recorrida, nos seguintes termos: Diante do conjunto de fatos relatados pela fiscalização, entendo correta a conclusão de existência de omissão de receita, q eu se encontra ernbasada no art. 281, II, do RIR/1999, e demais dispositivos legais citados no Termo de Constatação e Verificação Fiscal. O referido Termo não merece reparo e fundamento o lançamento. Eventual lançamento de IRRF em relação à Ubigás (tfã'ando-se, inclusive, de processo referente a outra pessoa jurídida) não afeta o presente lançamento. O art. 332 do Código de Processo Civil (CPC) estabélece-qiie:/ - / 11 Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Por esse comando legal se vê que não há distinção entre provas, sejam elas documentais, testemunhais ou periciais, não havendo prevalência entre elas, bastando, para provar a verdade dos fatos, que sejam legais e legítimas. Os elementos apresentados pela fiscalização são suficientes para justificai- o lançamento. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no Lucro Real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (art. 251 do RIR/1999). A escrituração deve ser completa (art. 269 do RIR/1999). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis (art. 923 do RIR/1999). Em face dos dispositivos acima citados, não pode prosperar a alegação de que as operações consistiram em mútuo ou mera troca de cheques, uma vez que, como o próprio interessado reconhece, não houve registro contábil destas operações. O art. 24 da Lei n° 9.249/1995, base legal do art. 288 do RIR/1999, citado na fundamentação da autuação, assim estabelece: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. Portanto, não prospera a alegação de ser devido o arbitramento do lucro. O valor a ser considerado na determinação da base de cálculo do imposto devido, que deve ser lançado de acordo com • o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica, é a receita omitida. A dedução dos custos depende da prova efetiva de sua contabilização. Como se vê, a decisão recorrida respondeu a todos os questionamentos formulados pela interessada em sua impugnação. Com o recurso a interessada volta a suscitar os mesmos argumentos, porém, entendo que a mesma não logrou destruir a consistente acusação formulada pela autoridade fiscal. À vista das provas produzidas pelo fisco, sobre as quais/ári?rou todo o lançamento, era múnus do contribuinte neutralizá-las, igualmente à base de 6rovas, o que não X :-logrou fazer. Em face disto, mantenho o lançamento. JRRF 12 Processo n° 10707.001313/2007-66 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.210 Fl. 7 A exigência do IRRF, segundo TVF, é conseqüência do item anterior, urna vez que os pagamentos lançados nos livros fiscais, como sendo destinados a liquidação de pagamentos de despesas operacionais, não correspondem aos fatos reais, pelo que, foram descaracterizados. Segue-se que os verdadeiros beneficiários foram ocultados. Em sua impugnação a interessada argumenta na mesma linha, pela negativa dos fatos a ela imputados. • Assim, na medida em que os aludidos pagamentos foram desconsiderados pela fiscalização e assim confirmados no presente voto, torna-se inteiramente aplicável o disposto no art. 61 da Lei 8.981/1998, que serviu de base legal para a exigência aqui analisada. Além do mais, considerando a inexistência de qualquer prova em sentido contrário, a manutenção do lançamento é medida que se impõe. LANÇAMENTOS REFLEXOS Quando não há matéria especifica, de fato ou de direito, a ser apreciada, - aplica-se às exigências reflexas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito. TAXA SELIC • A exigência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic acha-se pacificada na jurisprudência administrativa, principalmente a partir da edição da seguinte Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1 0 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Desta maneira, também para este item a decisão recorrida não merece qualquer reparo. /DIANTE DO EXPOSTO e considerando tudo o mais que dos autos consta, conheço do recurso voluntário e voto no sentido de afastar as preliminares e no mérito por NEGAR-LHE PROVIMENTO. - IRINEU BIANCHI - Relator • 13
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Numero do processo: 10845.000810/2001-77
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração, 06/01/1988 a 05/10/1988
COTA DE CONTRIBUIÇÃO DE CAFÉ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.835
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres para
redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopez
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração, 06/01/1988 a 05/10/1988 COTA DE CONTRIBUIÇÃO DE CAFÉ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres para redigir o voto vencedor. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A Fazenda Nacional, representada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com fundamento no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra decisão consubstanciada em acórdão da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes interpõe recurso especial a esta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Inconformada, pois, com a decisão prolatada por maioria de votos, que considerou o prazo qüinqüenal de decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição, indicando como termo inicial o dia 30 de dezembro de 2004, data da publicação da Lei nº 11.051, sancionada em 29 de dezembro de 2004, ao invés da data do pagamento. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir transcrevo: “A Comercial e Exportadora Jacutinga Ltda. requereu, em 15/03/2001, ao Delegado da Receita Federal em Santos/SP, a restituição dos pagamentos que fez a título de quota de contribuição ao Instituto Brasileiro do Café IBC, exigidas nas exportações de café, e recolhidas pelo contribuinte referente aos períodos de novembrodezembro/87, janeirofevereiro/88, abril junho/88 a entre novembrojaneiro/1989 a maio/1990, de R$180.980,39 (atualizado até o mês do pedido). Alega o contribuinte que: a) o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da exigência dessas quotas de contribuição de café ao Instituto Brasileirodo Café, instituidas pelo DL n° 2.295/86; b) o Ministro lImar Galvão registrou no seu voto que a inconstitucionalidade ataca a norma desde sua origem em 1986; c) o pronunciamento da Suprema Corte mostra que são indevidos todos os recolhimentos efetuados pela empresa requerente, a título de 'quota de contribuição sobre a exportação por caracterizar 'pagamento indevido ou maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória ... ', conforme previsão contida no art. 66 da Lei n° 8.383/91, com redação do art. 58 da Lei n° 9.069/95. O contribuinte juntou planilha de cálculoatualização das referidas quotas de café, fls. 05/07, e cópia dos DARF's, fls. 10/15. Às fls.40/45, encontrase o Despacho Decisório nº 51/01, do Delegado da Receita Federal em Santos/SP, que indeferiu o pleito baseado nos seguintes fundamentos: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 213 3 1 O Parecer PGFN/CAT/NR 1538/99, se posicionando quanto ao início desta contagem do prazo decadencial para fins de restituição de tributos ou contribuições exigidos com base em leis posteriormente declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal; 2 O Parecer do Secretário da Receita Federal por intermédio do Ato Declaratório n° 96/99, no seu item I. O pleito de restituição foi indeferido, por caracterizar a ocorrência da decadência, com fundamento no AD n° 96/99, do Secretário da RF e arts.265 e 168 da Lei nº 5.1 72/66CTN. O requerente foi cientificado da referida decisão em 01/10/2001, fls.45. Às fls.47/59, encontrase o que o contribuinte chamou de Razões de Impugnação contra o Despacho Decisório nº 51/01 da DRF/Santos/SP. Em apertada síntese, assim se manifesta: 1 o Recurso Extraordinário n° 191.0445 (SP) relatado pelo Min.Carlos Velloso, foi assim ementado: 'Não recepção, pela CF/88, da cota de contribuição nas exportações de café, dado que a CF/88 sujeitou as contribuições de intervenção à lei complementar do art. 156, III, aos princípios da legalidade (C.F., art. 150, I), da irretroatividade (art. 150, III, a) e da anterioridade (art.150,III,b). No caso, interessa afirmar que a delegação isncrita no art. 4° do DL nº 2295/86 não é admitida pela CF/88, art. 1540, I, ex vi do disposto no art. 146. Aplicabilidade, de outro lado, do disposto nos artigos 15, I, e 34, §5° do ACT/88'; 2. Transcreve trechos do voto do Min. Ilmar Galvão: ' ... Pelo motivo já apontado de que o DL 2.295/86 se revelara, desde a sua edição incompatível com a EC 01/69 e, por conseguinte, sem qualquer validade' ; 3.Que a autoridade, Delegado da RF em Santos, não colocou em dúvida a existência dos questionados pagamentos indevidos, relacionados na planilha que acompanhou o pedido de restituição; 4.Que a administração da SRF, conforme Parece COSIT n° 58/98, tinha posição contrária aquela adotada agora, sendo que essa mudança de entendimento não pode resultar em tratamento desigual entre contribuintes; 5 A data do pagamento original do tributo (extinção do crédito tributário), não pode ser tomada como termo inicial da contagem do prazo decadencial previsto no art.168, I do CTN, para os indébitos nascidos de declaração de inconstitucionalidade da lei de incidência, pois a certeza da existência desse indébitos só aparece com a decisão final da Suprema Corte; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 6A devolução de um tributo recebido indevidamente não agride o princípio da segurança jurídica, mas atende o princípio da moralidade administrativa prevista no art. 37 da CF/88; 7Não restituir tributo que se sabe indevido equivale à tributação, o que torna inadequado o emprego da analogia, por impedimento do §1° do art. 108 do CTN; 8A inconstitucionalidade depende do Poder Judiciário para decretala, e nem caberia ao contribuinte ingressar a cada recolhimento com pedido de restituição como garantia do prazo decadencial, trazendo ao processo jurisprudência administrativa; 9 O início de contagem do prazo de decadência só pode ocorrer a partir da sentença definitiva; 10A PGFN reconhece a existência de jurisprudência contrária; 11. Segundo o Superior Tribunal de Justiça a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos (cinco anos para a homologação tácita e mais cinco anos para o exercício do direito). Ao final requer a improcedência do despacho que determinou o indeferimento do pedido de restituição.” Intimado em 19.07.2006 (AR de fl.84 verso) da decisão de fls.68 80, a empresa Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls.85113) em 04.08.2006, reiterando, em síntese, as razões acima apresentadas. Por meio do Acórdão nº 30334765 os Membros da 3ª TURMA do CÂMARA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, afastaram a prejudicial de decadência do direito de pleitear a restituição, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto, que a acolhiam. Por maioria de votos, devolver o processo à autoridade competente para decidir as demais questões de mérito, vencidos os Conselheiros Zenaldo Loibman, Nilton Luiz Bartoli e Marciel Eder Costa. Designado para redigir o voto o Conselheiro Tarásio Campelo Borges. A ementa dessa decisão recorrida, quanto à decadência, possui a seguinte redação: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 06/01/1988 a 05/10/1988 Ementa: Quotas de contribuição sobre exportações de café recolhidas ao IBC. Restituição. Decadência. O direito à restituição de indébitos decai em cinco anos. Nas restituições de quotas de contribuição sobre exportações de café recolhidas ao IBC, o dies a quo para aferição da decadência é 30 de dezembro de 2004, data da publicação da Lei 11.051, sancionada em 29 de dezembro de 2004. Processo administrativo fiscal. Julgamento em duas instâncias. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 214 5 É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superada, no órgão julgador ad quem, prejudicial que fundamentava o julgamento de primeira instância. Rejeitada prejudicial de decadência e não conhecidas as demais razões de mérito devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância. Recurso provido. Segundo as razões apresentadas pela D. Procuradoria, o direito de pleitear a restituição extinguese dentro de 5 anos, tendo como dies a quo “a data da extinção do crédito tributário”, que segundo o art. 156, I do CTN, é o pagamento. Pede a reforma da decisão recorrida. O apelo especial, sob o entendimento de terem sido preenchidos os requisitos de admissibilidade, foi recebido pelo despacho n˚ 117/2008 (fl.180) da Presidência daquela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A interessada foi devidamente cientificada do Recurso Especial, apresentando contrarrazões onde alega: I Preliminarmente – o não cabimento do recurso de decisão sob os seguintes argumentos: I.I que (SIC) “Anulou a decisão de primeira instância.” Invoca o §3º do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 147/02) assim disposto: Art. 7º (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmara que aplique Súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. Alega não se tratar de reforma de decisão (SIC) “ pois se assim o fosse, não haveria de se devolver os autos à DRJ/São Paulo II para que nova decisão seja proferida.” I.II Falta de cumprimento de requisito legal. Alega (SIC) “ A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao fundamentar o cabimento do seu Recurso Especial, trouxe a redação do art. 7º, inciso I, do novo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que prevê como requisito a contrariedade à lei, sem contudo, descrever qual seria essa contrariedade, qual ofensa à lei, limitandose a reproduzir trecho do voto condutor do acórdão que delimita a matéria (decadência) e coloca a interpretação adotada. Com efeito a contrariedade à lei deve estar evidenciada com inequívoca demonstração e fundamentação do dispositivo legal infringido pelo acórdão, sob pena de não conhecimento do Recurso Especial.”. Aduz que (SIC) “motivar não é simplesmente apontar o texto da lei” e mais adiante Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 (SIC) “ divergência de interpretação e aplicação da regra não importa em ofensa /contrariedade a texto legal”. II. No mérito da própria decadência, pede a manutenção da decisão recorrida pelos argumentos defendidos anteriormente. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Por entender caber ao relator do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional, interposto em 29 de fevereiro de 2008, entre eles, a verificação se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo à apreciação. ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. O recurso é tempestivo eis que apresentado dentro do prazo legal. Para tanto, cabe analisar as questões trazidas nas contrarrazões pelo contribuinte onde alega: I Preliminarmente – o não cabimento do recurso de decisão sob os seguintes argumentos: I.a que (SIC) “Anulou a decisão de primeira instância.” Invoca o §3º do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 147/02) assim disposto: Art. 7º (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmara que aplique Súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. Alega ainda não se tratar de reforma de decisão (SIC) “ pois se assim o fosse, não haveria de se devolver os autos à DRJ/São Paulo II para que nova decisão seja proferida.” I.b Falta de cumprimento de requisito legal. Alega (SIC) “A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao fundamentar o cabimento do seu Recurso Especial, trouxe a redação do art. 7º, inciso I, do novo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 215 7 prevê como requisito a contrariedade à lei, sem contudo, descrever qual seria essa contrariedade, qual ofensa à lei, limitandose a reproduzir trecho do voto condutor do acórdão que delimita a matéria (decadência) e coloca a interpretação adotada. Com efeito a contrariedade à lei deve estar evidenciada com inequívoca demonstração e fundamentação do dispositivo legal infringido pelo acórdão, sob pena de não conhecimento do Recurso Especial.”. Aduz que (SIC) “motivar não é simplesmente apontar o texto da lei” e mais adiante (SIC) “divergência de interpretação e aplicação da regra não importa em ofensa /contrariedade a texto legal”. Passo à análise: Penso equivocado o entendimento externado pela contribuinte. Explico: A decisão proferida pela primeira instância, em momento algum foi “anulada” e nem o poderia sêla, por não se tratar de ocorrência de nulidade formal ou material. Não há, com todo o respeito, como se dizer que uma decisão é nula simplesmente pelo fato de ter manifestado entendimento contrário ao externado pelos Conselhos de Contribuintes (atual CARF). No caso, a decisão da Delegacia de Julgamento manifestouse pela ocorrência da decadência, motivo pela qual não adentrou no mérito propriamente, das demais questões, eis que a decadência é uma prejudicial de mérito. A decisão ora recorrida reformulou o entendimento de que não teria ocorrido a decadência e assim, decidiram os julgadores de que o processo deveria retornar para manifestação das demais questões, não analisadas. Apenas isto. No mais, no que diz respeito à suposta falta de demonstração de contrariedade à lei, pareceme também não justificável, ainda que desse entendimento (análise de mérito) não concorde. Houve, no meu sentir, motivação de que teria havido contrariedade à lei, na interpretação adotada pela decisão recorrida. E nesse sentido, a D. Procuradoria invoca os arts. 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN e AD SRF nº 96, de 1999, (sic) como norma integrante da legislação tributária (fl.172). Uma vez demonstrado suposta contrariedade, resta ao julgador se manifestar sobre a mesma, e conclusivamente decidir se concorda ou não com as alegações. Feitas as considerações acima, concluo pela admissibilidade do recurso, eis que atendidas as condições intrínsecas e extrínsecas para seguimento. MÉRITO Passo à análise do recurso especial. Conforme relatado, o recurso interposto abrange a discussão da contagem do prazo, no meu entender de decadência, para solicitar a restituição de tributo pago indevidamente. A ora interessada requereu, em 15/03/2001, ao Delegado da Receita Federal em Santos/SP, a restituição dos pagamentos que fez a título de quota de contribuição ao Instituto Brasileiro do Café IBC, exigidas nas exportações de café, e recolhidas pelo contribuinte referente aos períodos de novembrodezembro/87, janeirofevereiro/88, abril junho/88 a entre novembrojaneiro/1989 a maio/1990, de R$180.980,39 (atualizado até o mês do pedido). Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Consta do voto vencido Finalmente, resta esclarecer que à dispensa de constituição de créditos veiculada pela Lei 11.051/04 veio se somar a Resolução do Senado Federal nº. 28, de 21 de junho de 2005 (DOU 22.6.05), que suspendeu a execução dos “arts. 2º e 4º do DecretoLei nº. 2.295, de 21 de novembro de 1986, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº. 408.8304 Espírito Santo”. In casu, sendo a Lei 11.051/04 anterior à Resolução 28/2005 do Senado Federal, é da primeira que se deve contar o prazo prescricional/decadencial para o pedido de restituição do contribuinte. O voto vencido entendeu que uma vez afastado a decadência deveria ter sido analisado pelo Conselho todas as demais matéria (índices). O voto vencedor afastou a decadência pela mesma linha, apenas discordou quanto ao aspecto de análise das demais questões e mandou o processo descer para exame das questões outras que não a decadência. Consta do voto vencedor (TARÁSIO): Conforme relatado, a DRJ não apreciou as demais razões do mérito da manifestação de inconformidade relativa ao indeferimento do pedido de restituição porque entendeu extinto o direito pela decadência. No fundamento do acórdão recorrido, a data do pagamento da contribuição é tomada como marco inicial do prazo de decadência, independentemente do posterior reconhecimento da improcedência da exação pelo artigo 18, caput e inciso X, da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, adicionado ao texto legal pelo artigo 3º da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004. (...) E é em consonância com o ordenamento jurídico, numa interpretação sistemática dos artigos 165 e 168, que deve ser definido o momento a partir do qual o direito à restituição do indébito poderia ter sido exercido. Nesse ponto, entendo solucionada a controvérsia, porquanto se as quotas de contribuição sobre exportações de café somente foram reconhecidas pela administração tributária como exigência indevida em 30 de dezembro de 2004, data da publicação da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004, não há se falar em dies a quo para aferição da decadência do direito à restituição em data anterior à publicação dessa norma jurídica. Não vislumbro outra interpretação sistemática e teleológica dos artigos 165 e 168 do CTN aplicada ao caso concreto à luz dos princípios constitucionais da isonomia, da boa fé e da segurança jurídica. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 216 9 Por conseguinte, concluo não operada a decadência do direito à restituição na data da protocolização do pedido objeto deste litígio. Já a D. Procuradoria entende aplicável o art. 168, inciso I, combinado com o art. 165, ambos do CTN, na interpretação dada pelo AD SRF nº 96, de 1999, ou seja o prazo de 5 anos, contados da data de extinção do crédito tributário. Destarte, o recurso interposto abrange a discussão da contagem do prazo, no meu entender de decadência, para solicitar a restituição/compensação de tributo pago indevidamente. Em primeiro lugar, reconhecendo a controvérsia que o tema envolve, ressalvo já ter me manifestado em diversas oportunidades, a minha opinião particular de reconhecer, na linha de interpretação do STJ, que os pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 1 devam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 2. No entanto, no caso dos autos, entre as duas interpretações apresentadas – uma pela Fazenda Nacional (5 anos contados do pagamento) e outra a do acórdão recorrido (5 anos, indicando como termo inicial a data de 30 de dezembro de 2004, data da publicação da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004, ao invés da data do pagamento) curvome a esta segunda, por ser particularmente a tese defendida muitas vezes, no passado esta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como, não cabe a esta Conselheira alterar o julgamento da decisão recorrida, por outro entendimento que não seja o defendido pela D. Procuradoria. Em outras palavras, cabe analisar se devido ou não o entendimento defendido pela Procuradoria de que o prazo deve ser contado “ com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de extinção do crédito tributário”. A Douta Procuradoria cita também a aplicabilidade do art. 3º da Lei Complementar no 118/2005 3, no sentido de que com a edição da norma sepultouse definitivamente a controvérsia envolvendo o termo inicial da prescrição em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Segundo noticiam os Embargos de Declaração 327.043/DF, a nova regra de cinco anos contados a partir do pagamento indevido, introduzida pela Lei Complementar, aplicase somente aos pedidos administrativos ou ações judiciais protocoladas ou ajuizadas a partir de 09 de junho de 2005. Ainda, registrese sobre a matéria o entendimento do REsp 688393 / RJ ; 2004/01259762 Ministro LUIZ FUX (1122) Data do Julgamento 17/10/2006; DJ 13.11.2006 p. 227, o seguinte: 1 "Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. 2 O prazo para ao pedido de restituição/compensação de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835SC). 3 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 "... a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplica se, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunamse com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada 'surpresa fiscal'. Na lúcida percepção dos doutrinadores, 'em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.' (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2004, pág. 295 a 300)". (Votovista proferido por este relator nos autos dos EREsp n.º 327.043/DF). (...) Esclarecido porque não entendo razoável a interpretação de que o prazo para a restituição ou compensação dos indébitos provenientes da cotacafé ( objeto de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº. 408.8304 Espírito Santo) não devam levar em conta a interpretação oferecida pela Recorrente. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Procuradora da Fazenda Nacional para manter o acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Como consignado no voto da relatora, a questão primeira que se apresenta a debate versa sobre o prazo prescricional para repetição dos valores pagos, supostamente, indevidos, a título de cota café. Essa questão foi objeto de julgamento, na sessão de julgamento de julho próximo passado, quando se examinou o prazo para repetição de indébito de Finsocial. Tanto na questão da repetição dessa contribuição quanto na da cota café, havia uma profusão de termo de início da prescrição para repetir o indébito. Este Colegiado, então, decidiu, naquela sentada, unificar o termo inicial como sendo a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. Assim, reedito o voto que proferi naquela sessão de julgamento e o adoto aqui, integralmente. De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorrime dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para, mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para Fl. 10DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 217 11 repetição do indébito – se decadencial ou prescricional – para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar nº 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos “cinco mais cinco anos”. Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar nº 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do art. 168 do CTN. Para tanto, em seu art. 3º, assim dispôs: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituirse às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do Fl. 11DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3º. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operavase a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4º da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4º. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplicase ao ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) De outro lado, os críticos da Lei Complementar nº 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a “interpretação” dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3º da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ. Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificandoa ou adicionandolhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4º dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1º Seção, que a Lei Complementar nº 118/2005, no tocante ao art. 3º, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiuse a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.0901 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4º dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto Fl. 12DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 218 13 do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3o E 4o. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTOINTITULADA INTERPRETATIVA. “Reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição” (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. ......................................................................................................... Brasília, 18 de junho de 2008. R E L A T Ó R I O Tratase de recurso extraordinário interposto pela União de acórdão prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça em que se afastou a aplicação da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar 118/2005. Tal dispositivo estabelece que a interpretação dada pelo art. 3º da mesma lei acerca do marco inicial para contagem do prazo prescricional para restituição do indébito tributário deve se submeter ao art. 106, I, do Código Tributário Nacional, isto é, que deve ser retroativa. Transcrevo, para fins de registro, a ementa do acórdão prolatado por ocasião do julgamento de Embargos de Declaração, com os quais a União alegou que a decisão fora omissa quanto à aplicabilidade do art. 97 da Constituição ao julgamento: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. (RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 TERMO INICIAL. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. LEI COMPLEMENTAR 118, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2005. JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO.). Acórdão embargado que assentou que “a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a título de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)”. A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto vista desta relatoria: ‘a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplicase, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda 1ei interpretativa, como toda 1ei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunamse com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada ‘surpresa fiscal’. Na 1úcida percepção dos doutrinadores, “Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibi1idade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.’ (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2004, pág. 295 a 300). (...) À míngua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrálo, e considerando que não há inconstitucional idade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permita o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucional idade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios.” Deveras, é cediço que inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, não há como prosperar o inconformismo, cujo real objetivo é a pretensão de reformar o decisum, o que é inviável de ser revisado em sede de embargos de declaração, dentro dos estreitos limites previstos no artigo 535 do CPC. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 219 15 Ademais, impõese a rejeição de embargos declaratórios que, à guisa de omissão, têm o único propósito de prequestionar a matéria objeto de recurso extraordinário a ser interposto. 5. Embargos de declaração rejeitados."(REsp 709.805EDcl, rel. min. Luiz Fux, PrimeiraTurma). Sustentase nas razões do recurso extraordinário que o acórdão prolatado pelo e. STJ afastou a aplicação da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar 118/2005, por ofender o princípio constitucional da autonomia e independência entre as Funções do Estado {art. 2º da Constituição) e a garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (art. 5e, XXXVI, da Constituição), A norma afastada estabelece que a interpretação fixada no art. 32 da Lei Complementar 118/2005, segundo a qual a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado", deverá observar o disposto no art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Tratarseia de norma meramente interpretativa e, portanto, de efeitos retroativos na contagem do prazo prescricional para restituição do indébito tributário. Segundo a União, o referido dispositivo legal somente poderia ter sua aplicação afastada pelo C. Superior Tribunal de Justiça mediante sua declaração de inconstitucional idade, o que exige a observância do princípio da reserva de plenário previsto no art. 97 da Constituição Federal’ (Fls. 267 grifos originais). Opina o Ministério Público Federal, em parecer subscrito pelo subprocuradorgeral da República Dr. Paulo da Rocha Campos, pelo provimento do recurso extraordinário (Fls. 281288). O recurso extraordinário foi afetado ao Pleno por decisão da Segunda Turma em 26.06.2007, É o relatório. V O T O O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4o, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do Fl. 15DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBI TO, NOS TRIBUTOS S UJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida.” Passo ao exame do recurso. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 220 17 Esta é a redação dada aos arts. 3º e 4o da Lei Complementar 118/2005: “Art. 3 Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Discutese no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3º da LC 118/2005, como determinam o art. 4º da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3º da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3º e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN), a prescrição do direito à Fl. 17DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3º da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3º e 4º da Lei 118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). 0 mencionado precedente, ainda não publicado, apoiase no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: “O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)”. A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto vista desta relatoria: “a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplicase, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunamse com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada “surpresa fiscal”. Na lúcida percepção dos doutrinadores, “Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.” (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 0 04, pág. 295 a 300) . (...) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrálo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, Fl. 18DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 221 19 mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios”. Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declaroulhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), “reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição”. Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007): “A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distinguo dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3º e 4º da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo – com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da “reserva de plenário”, do art. 97 da Lei Fundamental.” É como voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a Fl. 19DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4º da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3º da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4º, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3º, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer 4Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O “sistema difuso”, isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O “sistema concentrado”, em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de 1º de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretálas, suspendêlas e revogálas, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8º e 9º). 4 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2ª ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 222 21 Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagravase, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 5jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo ProcuradorGeral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional nº 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poderdever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudála por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar 5 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 22 as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obraprima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá las ao caso concreto submetido a seu julgamento; a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, devese valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dáse entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrandose no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo: o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendêla inconstitucional, nos termos do art. 66, § 1º, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2º da Lei nº 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2º. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no Fl. 22DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 223 23 desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea “a” do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo darse de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aqui foi dito, perguntase: podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus artigos: 97; 102, III, “a” e “c”; e 105, II, “a” e “b”), temse que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do exProcuradorGeral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (nº 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio que ousaríamos chamar fática, livre e realista e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, podese dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferirlhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputarse inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada e nos limites em que o seja toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, podese concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei Fl. 23DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 24 que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt6 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendose presumir boa e válida a resolução adotada. (...) Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercêla 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutôres. Damolhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerála inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parecenos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: 6 Bittencourt, Lúcio O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2º edição, págs.91 a 96. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 224 25 A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei não se presume lei é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e íntegra aquela fôrça formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtarse a obedecerlhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso7: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O princípio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou nãoaplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vício haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrairse à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspendese o julgamento do processo e remetese a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do 7 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3º edição, pp 170 e 171. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 26 tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III Do Poder Judiciário do Título IV Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Vejase ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o Fl. 26DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 225 27 caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei complementar nº 118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei complementar 118/2005, passase à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1658do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea “b” do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I...................................................................................................... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) .................................................................................................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei nº 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 8 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 27DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 28 b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1689 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira data da extinção do crédito tributário – aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformarse em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para 9 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 226 29 disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro10: Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 198811, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 5o, II da CF de 198812, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho13, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: “O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democráticoconstitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para a vinculação jurídicoconstitucional do poder executivo (cfr., infra. fontes de direito e estruturas normativas)”. (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a 10 julgamento do recurso voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. 11 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” 12 “II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” 13 Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7ª Edição, p. 256 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 30 prolação dos votos vencedores que, baseado na doutrina alemã14, pontifica: “O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bemestar público, será preciso decidirse pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado ‘princípio da proporcionalidade’...” (grifei). Poderseia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da “força” do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho15, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, enquanto “mandatos de otimização”16, assim se distinguem das últimas: “El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y reglas opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regla es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las reglas contienen determinaciones en el ámbito de lo fáctica y jurídicamente 14 STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 3º da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a BoaFé como Valores Constitucionais. As Leis Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www.sacha.adv.br/admin/arq_publica/bc7f621451b4f5df308a8e098112185d.pdf 15 Curso de direito tributário. 3ª edição, p.72 16 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 227 31 posible. Esto significa que la diferencia entre reglas y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regla o un principio” (grifei) Como esclarece José Afonso da Silva17, apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, faltalhes o que Alexy definiu como “possibilidade jurídica”. Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: “Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmarse que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia”. Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero18 que as regras: “constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado” Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CTN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembrese, o Decreto nº 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição 17Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3ª. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: 18 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 32 Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides19, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastos20 e Jorge Miranda21. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF no 54: “38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídicopositivo posto em cotejo com a Magna Carta.” Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da préfalada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os 19 Curso de direito constitucional, p. 518. 20 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 21 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 228 33 princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho22, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: “...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na ‘letra e na clara vontade do legislador’, devendo ‘respeitar a economia da lei’ e não podendo traduzirse na ‘reconstrução’ de uma norma que não esteja devidamente explícita no texto”.(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/SP23: “III. Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição.” Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação no 1.417724: “O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF em sua função de Corte Constitucional atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. (...) 22Op. cit., p. 1265/1266 23 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004. 24 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 34 No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica.” (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o “remédio” contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, ex vi do art. 5º, caput, inciso VXXI e §1º25. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2o do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal26, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareçase, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: 25 LXXI concederseá mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 26 Pacificouse, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considerase como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 229 35 O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente para mim, ela foi simplesmente interpretativa interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,devese reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpretao de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gizese que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: Fl. 35DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 36 EREsp na 435.835 / SC SC 27: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ 28: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR 29: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. 27 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; 28 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 29 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 230 37 O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estarseia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõese ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, devese esclarecer que ela encontra se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari30, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo31, leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parecenos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em 30 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 31 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 38 voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. José Afonso da Silva32, apoiado em doutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themístocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerandose dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tunc, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavascki33, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça34, sobre o tema, firmouse no seguinte sentido: REsp nº 547.744/MG35: 32 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10ª ed., p. 57. 33 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81101 34 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 231 39 Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminariase a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG36, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. 35 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. 36 Publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 40 A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes37, sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entendese, porém, que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (...) Acentuese, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concedese proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendose à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho38: “Pode também entenderse que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas.” 37 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5ª edição, pp. 333 e 334. 38 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5ª edição, p. 388. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 232 41 Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (...) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do Resp nº 686.05839 MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. (...) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, temse ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3º, I, da Lei 7.787∕89, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornouse pacífico na jurisprudência da 39 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 42 Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05640: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direitodever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigurase difícil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poderseia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissível o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG41: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o 40 DJ 01/07/1977. 41 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 233 43 recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Eurico de Santi42 arremata o tema com seu magistério: “Decadência e prescrição são regras que objetivam o princípio da segurança jurídica, como regras têm a função precípua de objetivar condutas: retratam a opção do legislador em prestigiar a justiça mediante a função segurança jurídica em detrimento da função legalidade, igualdade ou proporcionalidade. Aliás, “decadência” e “prescrição” são mecanismos que justamente restringem a realização concreta da legalidade da regra tributária, impedindo que a norma seja aplicada ao caso concreto.” Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tomese, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica do IPI – que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poderseia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. 42 Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 44 Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei nº 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia44 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo45. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória nº 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3º do seu art. 1846. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial no 747.09147 “Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é “incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazerse por lei” (RE 80.153∕SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). 43 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. 44Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente. 45Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 46§ 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 47 Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000810/200177 Acórdão n.º 930300.835 CSRFT3 Fl. 234 45 A doutrina posicionase em igual sentido: “O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público” (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345∕35). “A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei” (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, nº 40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.522∕2002 simplesmente dispensou “a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal” relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3º expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que no caso em análise o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecerse que o direito à repetição pleiteado nestes autos foi alcançado pela prescrição. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento e declarar extinto o direito à repetição do indébito objeto destes autos. Henrique Pinheiro Torres Fl. 45DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 46 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA MHP 14 de dezembro -.Sessão de de 19 89 ACÓRDÃO Ng 10179618 Recurso n2 55.789 - PIS-DEDUÇÃO - Exercícios de 1985 e 1986 Recorrente USINAGENS E PEÇAS COBAR LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM LIMEIRA (SP) . PIS-DEDUÇÃO - LANÇAMENTO DECORRENTE - Em virtude da estreita relação de causa e efeito entre o lançamento principal e o decorrente, mantido o primeiro, e não apre sentando o contribuinte matéria nova,iguaT . medida se impõe quanto ao segundo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por USINAGENS DE PEÇAS COBAR LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro CiDn_ selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o pre- sente julgado. // _ Sala das Sessões (DF), em 14 de dezembro de 1989. , 7,y, / ., UR ELTEIRA LOP'S _ - PRESIDENTE ,-- P abl.u.4, , n ° , 'S 'É ED ARDO _:Á1 EL DE ALCKMIN - RELATOR 11 W- - AFONSO-tr" Sé FERREIRA O !' CAMPOS - PROCURADOR DA FA-- VISTO EM ZENDA NACIONAL SESSÃO DE: c') cuu 1990i 1.. 1 , v- , - - , Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CRIS TÕVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL e CÃNDIDU RODRIGUES NEUBER. - 2 tt:Oaí SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13888-000.384/88-99 RECURSO N9: 55.789 ACÓRDÃO N9: 101-79.618 RECORRENTE : USINAGENS E PEÇAS COBAR LTDA. - RELATÓRIO Trata-se de lançamento de contribuição ao PIS, nos termos do art. 39, alínea "a", da Lei Complementar n9 07/70, em decorrência de ação fiscal que apurou IRPJ a recolher. Intimada da exigência a contribuinte formulou im- pugnação, seria improcedente, como demonstrado no processo matriz. Às fls. 10/15 cópia da decisão de primeiro grau relativa ã exigência principal, assim ementada: "SUPRIMENTOS DE CAIXA - Os suprimentos de cai- xa devem ser inequivocamente comprovados quan- to a sua efetividade e origem dos recursos sob pena de caracterizarem omissão de receitas -- RIR/80 - artigo 181. DESPESAS COM ARRENDAMENTO MERCANTIL - Não se aceitam as despesas contabilizadas a esse títu lo, nos anos-bases de 1.984 e 1.985, quando, T da análise dos elementos carreados aos autos,' a operação não fica caracterizada como tal. Re tifica-se, de ofício, o erro de fato contido T no lançamento. LANÇAMENTO PARCIALMENTE PROCEDENTE." Já as fls. 16/17, o decisum atinente aos presen- tesautos, portador da seguinte ementa: //7 munoNniconmuL PROCESSO N9 13888-000.384/88-99 3 Acórdão n9 101-79.618 "Mantida parcialmente a imposição' fiscal no processo matriz, a exi- gência derivada há de ser mantida' na mesma proporção. Lançamento procedente. Reticada de ofício." Em suas razões de decidir, o julgador acentuou que noa termos da jurisprudência firmada para tais situações, em que o lançamento em pauta decorre de outro, e de dar-se ao conten- cioso decorrente a mesma decisão proferida no processo principal , dada a íntima relação de causa e efeito existente entre ambos. Ciente, a empresa, inconformada, interpôs recurso a este Conselho, renovando os mesmos argumentos apresentados na fa - se impugnatOria. Saliento que ao apreciar o Recurso n9 95.238 ea Câmara houve por bem manter o lançamento levado a efeito contra a pessoa jurídica, consoante o Acórdão n9 101-79.531, assim ementado: "IRPJ - SUPRIMENTO DE CAIXA - NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HABIL E IDÔNEA - A alegação de que os recursos su pridos provie ram de emp±.6stimos obtidos pelos sócios oume-g mo de pagamentos de empréstimos anteriores cã- rece de ser acompanhada de documentação hábil e idônea a comprovar o asseverado, sob pena de manter-se a tributação. IRPJ - ARRENDAMENTO MERCANTIL - DESCARACTERI- ZAÇÃO - Nos termos de iterativa jurisprudên- cia deste Conselho, entende-se que a fixação' de valor residual ínfimo descaracteriza o con trato de arrendamento mercantil." É o relatório./ ./7 1 ( ,' ,, SERNONEWOHURAL PROCESSO N9 13888-000.384/88-99 4 AcOrdão n9 101-79.618 VOTO _ Conselheiro JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relator: O recurso foi interposto com guarda do prazo de trinta dias estabelecido pelo art. 33 do Decreto n9 70.235/72, ' razão por que é de ser conhecido. No mérito, cuida-se de lançamento decorrente de PIS-DEDUÇÃO, nos termos do art. 39, "a", da Lei Complementar n9 07/70. É cediço que no caso de lançamento dito reflexi vo há estreita relação de causa e efeito entre o lançamento prin cipal e o lançamento decorrente. Com efeito, ambas exigências re pousam em um mesmo embasamento fático de modo que, entendendo-se verdadeiro ou falso os fatos alegados, tal exame enseja decisões homogêneas em relação a cada um dos lançamentos. Assim, o exame feito em um dos processos atinen tes a lançamentos ensejados pelo mesmo suporte fático, serve tam bem para os demais. Não quer isso dizer que a decisão de um vin- cula a de outro. No entanto, não havendo no processo decorrente' nenhum elemento novo que seja apto a alterar a convicção do jul- gador, por questão de coerência lOgica, a decisão de ve ser toma da em igual sentido. No presente caso, observa-se que este mesmo Co- legiado, apreciando os fatos ensejadores do lançamento, concluiu, no respectivo processo, que a exigência de imposto de renda de pessoa jurídica era procedente. Ora, sendo assim, e tendo em vista que não se apresenta nestes autos qualquer elemento novo que possa ensejar' mudança do entendimento anteriormente fixado, impõe-se que igual decisão seja adotada. Em face dessas considerações, nego provimento I ao recurso. J. / 1//// el? 1 JOSÉ EDUARDO RNEL DE ALCKMIN - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.006581/90-07
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DA SILVEIRA SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida : DRF EM CURITIBA - PR PASSIVO FICTÍCIO - A declaração da existencia de obrigaçao contratual no passivo exigível, - conta fornecedores, no encerrar do período-ba se, sem a futura comprovação de sua real de= monstração no período seguinte, justifica a tributaçao com base na presunção de liquidação com numerário não contabilizado. DESPESAS INDEDUTÍVEIS - Na falta de comprova- ção com documentos hábeis da existencia da composição do valor lançado como despesa, no. final do período-base de apuração de resulta do, legítima se apresenta a tributação. PROVISÃO PARA IMPOSTO DE RENDA: Não e deduti vel a correção do valor da provisão para paga mento do imposto de renda, na apuração do lu — cro real. Vistos, relatados ,e discutidos os presentes autos - de recurso interposto por EDEVAR D.R. DA SILVEIRA =MERCADOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em NEGAR pro- vimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que passam a in- tegrar o presente julgado. S. das Sessoes (DF), em 27 de abril de 1992. - - 'ARIA SI " - PRESIDENTE v.v. - yss ALVÉIFEITOSA - RELATOR /r) 4,-;"-- ' -'---------- VISTO EM AFONSO t LSO FERREI DE CAMPOS - PROCURADOR DA Kl ( ISESSÃO DE: A . / 7 I iwt'7- ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros CARLO ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, JESER ' DE OLI- - VEIRA: CÂNDIDO, SANDRO MARTINS SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, Ausente justificadamente o Conselheiro RAUL PIMENTEL. TO.,4 il4 lvÁ, L ' -'' - A53R1 F::M ,") PL - 11.1C0 FEDERAL PROCESSO Pd? 10980/006.581/90-07 RECURSO N9 100.066 ACORMAON9 : 101-83.402 RECORRENTE: EDEVAR D.R. DA SILVEIRA SUPERMERCADOS LTDA. RELATÓRIO Foi a recorrente autuada sob a acuso de ter infrin gido a legislação do IR no exercício de 1986, ano base de 1987, as- sim elencado: a) OMISS 7`.0 DE RECEITA - decorrente de manutenção no passivo fictício de obrigaçOes já pagas, com infração aos artigos n 2 s 154, 155, 157 p. único, 172, 173, 174 e 387 do RIR/80; h) DIES'ESAS INDEDUTÍVEIS - caracterizado pela falta de adição no Lucro Real, da correção monetária da Provisão para o Imposto de Renda, com infração aos artigos 164, 191, 347 inciso II e 358 do RIR/80 e ainda art. 22 do DL. 1967/82; c) DES'ESAS INDEDUTIWIS - porque não comprovadas, conforme detalhamento, com infração aos artigos 153, 154, 155, 157, 173 a 175 e 191 do RIR/80. No prazo prorrogado apresentou a Recorrente a 15:a impugnação (fls. 44), dizendo que entregara ao Fisco parte da doeu mentação exigida, vez que o antigõ. sacio da empresa encarregado de sua administração havia falecido, enquanto ja declarara que partj SERVIÇO PIM= FEE)UW., Processo n 2 10980/006.581/90-07 3. AcOrdão n 2 101-83.402 da documentação faltante havia sido extraviada, mesmo queimada por ex-funcionários. - Dizendo ser real e nao fictício o passivo fornecedo res declarado em seu balanço, cuidou a Recorrente de enumerar uma grande parte de fornecedores que com direito a creditos no encerrar do balanço do ano-base de 1985, pois tinham recebido os mesmos no ano de 1986, tudo num montante de Cr$ 222.073.087,00. Argumentou no sentido de que o Conselho de Contri- buintes entendia por passivo ficticio a inexistencia da obrigação, enquanto a comprovação do efetivo pagamento com a figura nada ti- - nha a haver. Reclamou entao do enquadramento na norma do artigo 130 do RIR/80, não vendo relação de indicação de infringencia dos arti gos 154, 155 e 157, 172, 173, 174 e 387, II. Citou em seu socorro a decisão constante do acOrdão 101-75.111/84. Com respeito a despesas indedutiveis, disse que ten do no primeiro caso ela sido comprovada em 97,2%, a diferença de 3,8% totalmente afastada, devendo-se a falta ao extravio e pelo de curso do tempo. Rechaçou ainda a glosa do valor correspondente a dedução do lucro líquido da correção monetária das parcelas do im- posto de renda, por falta de amparo legal, já que os artigos indi- cados como infringidos: 164, 191, 347, II e 358 do RIR/80, e mesmo o artigo 22 do DIJ.1.967/82,davam amparo à exigencia. O Fisco se manifestou a fls. 431, rechaçandoas acusa çoes da Recorrente, afirmando que a juntada dos documentos dos for necedores por declaraçOes ao inves de duplicatas no original, de monstravam a inexistencia das mesmas na poca do lançamento. Houve por bem aceitar as declaraçoes dos fornecedo s SERVICO PUBLICO FEDERAL Processo n 2 10980/006.581/90-07 4. AcOrdão n 2 101-83.402 para opinar pela redução do lançamento, subsistindo o valor nãocom provado (f is. 433). Com referencia a glosa de despesas, esclareceu que selecionados alguns itens lançados no quadro 12 da declaração do imposto de renda, num total de Cr$ 59.008.898, foi comprovado Cr$ 40.096.683, remanescendo sem explicação o valor de Cr$ 18.892.215, dai a exigencia. A alegaçao de extravio por isso ou aquilo, feria o disposto no artigo 165 do RIR/80. Defendeu ainda a exigencia da correção dovalor do im posto de renda, dizendo que o artigo 164 do mesmo havia sido cita- do para lembrar que no LALUR devia ter sido feito o acerto, enquan to o disposto no artigo 22 do DL 1.967/82 não deixava dúvida sobre o ajuste, ao fixar: "A atualização da provisão para o Imposto de Ren da, em virtude da aplicação deste Decreto-lei, nao sera dedutivel para efeito de determinar o lucro real, e nao implicara retificação da cor reção monetária do patrimanio líquido registra da no balanço". A decisão recorrida deu parcial provimento ao recur so, para aceitar como comprovada parte da conta tida como de obri- gaçao ficticia, diante das provas trazidas para os autos. Manteve o mais, isto porque a correção monetária da provisão para o impos to de renda prevista no artigo 22 do DL. 1967/82, como não dedutl- vel do lucro real, de acordo com o estabelecido ainda no artigo 164 do RIR/80, não havendo dúvida de que violados ainda os artigos 347, II e 358 do mesmo RIR/80. O argumento de que provada a maior parte das despesas lançadas, viável a dispensa de parte menor, não tinha amparo legal. , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n 2 10980/006.581/90-07 5. AcOrdão n 2 101-83.402 Intimada em 28.02.91, apresentou a Recorrente o seu recurso voluntário em 01.04.91, a fls. 444, repetindo a impugnação. É o relatOrio. ^k's SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n 2 10980/006.581/90-07 6. AcOrdão n 2 101-83.402 VOTO_ Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA, Relator: O recurso e tempestivo. Com respeito ao tema passivo fictício, sou dós que entendem que uma vez registrada uma obrigação como a liquidar no final de um ano-base, a sua não comprovação como real valor a liqui dar em data futura, autoriza a conclusão - ate prova em contrário, de que a baixa não se deu por falta de disponibilidade contábil, com efetiva disponibilidade de caixa a margem, de acordo com o disposto no artigo 180 do RIR/80. Por outro lado, mansa e tranquila a jurisprudencia administrativa neste sentido: "PASSIVO FICTÍCIO - Desde que não comprovado adequadamente o passivo exigível irreal, confi gurada está a omissão de receitas (operacionais." (Ac. 101-3.706/8i) e ainda no mesmo sentido Ac. .103-6.823/85 e 103.7005/85. "PASSIVO FICTÍCIO - As importancias iintegrantes das contas Duplicatas a Pagar, Fornecedores e Congeneres ficam sujeitas a comprovação, sob pena de serem presumidamente consideradas omis — sao de receitas." (Ac. 1 2 CC 104-2.967/82). Portanto, não tendo trazido para os autos a Recor- rente a prova de pagamentos do saldo da conta fornecedores, legíti mo se me apresenta a exigencia fiscal,dena5aservindo a alegação de extravio da documentação em razão de administração anterior,ja que e sabido que as pessoas fisicas dos socios de uma empresa tem SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n 2 10980/006.581/90-07 7. Acárdão n 2 101-83.402 personalidadesdistintas da pessoa jurídica. A_alegação de que por ser pequena a parcela das des pesas lançadas não comprovadas, devia ser levada em consideração pa ra a dispensa da exigencia fiscal no pode ser aceita, por faltade amparo legal. Por outro lado, como deixou consignado o Fisco, o va lor não comprovado equivalia a mais ou menos 20% e não 3,8%, como alegado. Considerando que os documentos tem que ser, por expressa disposição legal (art. 165 do RIR/80), conservados, forçoso se tor na concluir que procedente a exigencia fiscal. Quanto 'a questão correção monetária da conta provi sao para o imposto de renda, no deixa duvida o disposto no artigo 22 doDI, 1967/P2 daí porque, não deve prevalecer a tese da Recorrente, perfeitamente identificados, fato e norma, a justificar a exigencia. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Brasília (DF), em 27 de abril de 1992. WP) CEL'O.i. ES F I OSA - RELATOR 1) ' Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 11516.003339/2007-59
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
MATÉRIA TRIBUTÁVEL. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO.
PROCEDÊNCIA. Se o contribuinte colaciona aos autos comprovação de que a receita tida como omitida pela autoridade fiscalizadora foi devidamente computada no resultado oferecido à tributação, há que se excluir do montante a tributar a parcela correspondente.
CSLL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. MAJORAÇÃO.
ABRANGÊNCIA. Nos termos do artigo 20 da Lei n° 9.249/95, na redação que lhe foi dada pelo artigo 22 da Lei n° 10.684, de 2003, a majoração do percentual de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (estimativa e pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil) alcança, apenas, as pessoas jurídicas que exerçam atividades de
prestação de serviços em geral; intermediação de negócios; administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; e prestação cumulativa e continua de serviços de assessoria crediticia, mercadológica, gestão de credito, seleção de riscos, administração de contas a
pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring).
ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. VARIAÇÃO MONETÁRIA. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. A autorização para aplicação do percentual de presunção sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividade imobiliária, nos termos da própria lei introdutora da mudança do critério jurídico (inciso IV, art. 132,
Lei n° 11.196, de 2005), só produziu efeitos a partir de 1° de janeiro de 2006.
PRECLUSÃO. A luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada.
Decorre dai que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS E INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Em consonância com as súmulas CARF nos 2 e 28, o Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidades de lei tributária e sobre controvérsias referentes a Processos Administrativos de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 1302-000.269
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer matéria preclusa, as questões relacionadas A alegação de inconstitucionalidade de lei e representação fiscal para fins penais e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos
termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11516.003339/2007-59 Recurso n° 167.702 Voluntário Acórdão n° 1302-00.269 — 3' Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS - EXS.: 2003 a 2008 Recorrente AM CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA. Recorrida 3' TURMA/DRJ-FLORIAN6POLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 MATÉRIA TRIBUTÁVEL. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO. PROCEDÊNCIA. Se o contribuinte colaciona aos autos comprovação de que a receita tida como omitida pela autoridade fiscalizadora foi devidamente computada no resultado oferecido à tributação, há que se excluir do montante a tributar a parcela correspondente. CSLL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. MAJORAÇÃO. ABRANGÊNCIA. Nos termos do artigo 20 da Lei n° 9.249/95, na redação que lhe foi dada pelo artigo 22 da Lei n° 10.684, de 2003, a majoração do percentual de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (estimativa e pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil) alcança, apenas, as pessoas jurídicas que exerçam atividades de prestação de serviços em geral; intermediação de negócios; administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; e prestação cumulativa e continua de serviços de assessoria crediticia, mercadológica, gestão de credito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. VARIAÇÃO MONETÁRIA. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. A autorização para aplicação do percentual de presunção sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividade imobiliária, nos termos da própria lei introdutora da mudança do critério jurídico (inciso IV, art. 132, Lei n° 11.196, de 2005), só produziu efeitos a partir de 1° de janeiro de 2006. PRECLUSÃO. A luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre dai que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS E INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com as súmulas CARF nos 2 e 28, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidades de lei tributária e sobre controvérsias referentes a Processos Administrativos de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer matéria preclusa, as questões relacionadas A alegação de inconstitucionalidade de lei e representação fiscal para fins penais e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. Partici a anrLssiAl )r ente julgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. 2 Processo n° 11516.003339/2007-59 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.269 Fl. 2 Relatório AM CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, que manteve, na integra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS e Programa de Integração Social — PIS), relativas aos anos-calendário de 2002 a 2007, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: 1. omissão de receitas derivadas de atividade imobiliária; 2. insuficiência de tributação de receitas de aluguéis; e 3. insuficiência de tributação de variações monetárias ativas. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação parcial ao feito fiscal (fls. 162/166), oferecendo, em síntese, os seguintes argumentos: - que teria sido constatado equivoco em relação a dois imóveis incluidos no Termo de Verificação Fiscal, visto que não foi levado em consideração que os valores correspondentes já haviam sido lançados no Livro Diário; - que os apartamentos 807 e 1106, ambos do Edificio Costa Esmeralda, que foram incluídos no citado Termo teriam sido vendidos e registrados contabilmente na competência 11/2004; - que, no que dizia respeito aos valores apurados como omissão de receita para fins de CSLL, teria havido equivoco quanto a aplicação da aliquota no terceiro trimestre de 2003 e no período do quarto trimestre de 2003 a junho de 2007, visto ter sido aplicada a aliquota de 2,88 %, enquanto o correto, a seu ver, seria a aplicação da aliquota de 1,08 %; - que a aliquota de 2,88 %, prevista no art. 22 da Lei n° 10.684/2003, seria aplicável a prestação de serviços, atividade que não seria por ela praticada; - que a aliquota aplicável seria a de 1,08%, prevista na MP n° 1858-10/1999 (art. 62). A 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão n" 07-12.816, de 13 de junho de 2008, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. 3 PROVA. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O conhecimento de afirmações relativas a . fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis. OMISSÃO DE RECEITAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. Nas atividades de compra e venda, loteaniento, incorporação e construção de imóveis, as variações monetárias a que se refere o art. 9' da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998, para efeitos do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, no caso de tributação com base no lucro presumido, serão adicionadas ao próprio lucro, pelo regime de competência ou de caixa, conforme opção do contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 218/237, por meio do qual, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita: - que ao se admitir a denúncia criminal antes da decisão definitiva da autoridade da Administração, é forma clara de negação do direito à certeza no que concerne à relação jurídica tributária, e, assim, negação da supremacia constitucional; - que existe decisão tomada pelo STF considerando inconstitucional o alargamento da base de cálculo da Cofins de faturamento bruto para a receita bruta; - que, relativamente As variações monetárias, no presente caso não se trata de outras receitas, mas da própria receita bruta, uma vez que a atualização monetária da venda a prazo deve integrar a receita bruta e não pode dissociar-se da própria venda, e, sendo tributada em separado, irá anular o seu ganho, pois os acréscimos fazem partes do prego final do produto (apartamentos); - que encontra-se devidamente comprovado que ela em nenhum momento teve a intenção de fraudar o Fisco; - que determinadas imposições contidas nas legislações tributárias (multa 75%), A guisa de penalizações impostas em face de infrações tributárias, repercutem dolorosamente no bolso do contribuinte e, por vezes, são estabelecidas e cobradas ate com postergações e violações a princípios constitucionais definidores de direitos e garantias individuais. 4 Processo n° 11516.003339/2007-59 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.269 Fl. 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas aos anos-calendário de 2002 a 2007, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas derivadas de atividade imobiliária; b) insuficiência de tributação de receitas de aluguéis; e c) insuficiência de tributação de variações monetárias ativas. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 68/77, temos que a Recorrente, tributada com base no lucro presumido: a) não ofereceu a tributação as receitas de diversos apartamentos em construção e ate mesmo alguns já concluidos; b) tributou a menor receitas de aluguéis auferidas no ano-calendário de 2005, eis que considerou a receita liquida para fins de aplicação do coeficiente de presunção, quando deveria ter tomado por base a receita bruta correspondente; c) teria aplicado indevidamente o coeficiente de presunção sobre os juros e as variações monetárias ativas (correspondentes as variações do IGP-M) contidos nos valores recebidos a titulo de unidades imobiliárias vendidas. Mantidos os lançamentos no julgamento em primeira instância, a contribuinte traz razões, em sede de recurso voluntário, as quais passo a apreciar. Destaco, de inicio, que, considerada a impugnação anteriormente interposta, o litígio a ser enfrentado no presente processo só se instaurou em relação a suposta tributação indevida dos valores relacionados aos apartamentos nos 807 e 1.106 do Edificio Costa Esmeralda e ao alegado equivoco na aplicação do percentual de presunção aplicável na determinação da CSLL devida (terceiro trimestre de 2003 e no período do quarto trimestre de 2003 a junho de 2007). Em convergência corn o que aqui se afirma, restou assinalado no voto condutor da decisão exarada em primeira instância: Conforme relatado, a impugnação que ora se aprecia não abrange a totalidade do lançamento; apenas são questionados a inclusão, na base de cálculo do IRPJ e contribuições (decorrentes), de dois apartamentos cuja venda teria sido contabilizada e tributada em novembro de 2004 (Primeira Infração do Auto de Infração do IRPJ) e, como segundo ponto de divergência, a exigência de CSLL em cujo cálculo teria havido equivoco da attoridade fiscal "[..] quanto a aplicação da 5 aliquota no terceiro trimestre de 2003 e, no quarto trimestre de 2003 a junho de 2007, pois foi aplicada a aliquota de 2,88 %, enquanto o correto seria a aplicação da aliquota de 1,08 %, o que provoca uma sensível redução do valor devido a titulo de CSLL, de acordo com a tabela acostada." (f. 165) (Quarta Infração do Auto de Infração do IRPJ). Destarte, apenas em relação aos dois assuntos acima delimitados (IRPJ e CSLL) será proferido este Voto, extensivo multa de oficio e aos lançamentos decorrentes da omissão de receitas ao IRPJ, visto que os valores das demais exigências fiscais já tiveram encaminhamentos próprios, nos termos do despacho de f 203 e, não tendo sido impugnados, tornaram-se definitivos na instância administrativa, conforme demonstrativo a seguir: No que tange ao primeiro argumento de defesa, sustenta a Recorrente que houve equivoco em relação a dois imóveis incluídos no Termo de Verificação Fiscal, visto que não foi levado em consideração que os valores correspondentes já haviam sido lançados no Livro Diário. Diz que os apartamentos 807 e 1106, ambos do Edificio Costa Esmeralda, que foram incluídos no citado Termo teriam sido vendidos e registrados contabilmente na competência 11/2004. A autoridade julgadora de primeira instância, entendendo que a documentação aportada aos autos não possibilitava confirmar o alegado pela Recorrente, eis quo inexistente qualquer indicio de cômputo no resultado do exercício das receitas referentes às unidades imobiliárias em questão. De fato, os documentos de fls. 188 e 190, à evidência, não permitem, por si só, aferir a veracidade da alegação. Contudo, anexa à peça recursal a contribuinte trouxe cópia de página do Livro Razão onde se constata que os valores questionados (R$ 40.000,00 e R$ 58.500,00) foram computados em conta de receita (fls. 248). Nesse contexto, devem ser excluídos de tributação os valores relativos aos apartamentos 807 (R$ 40.000,00) e 1.106 (R$ 58.500,00) do edificio Costa Esmeralda, constante no demonstrativo de fls. 69 do processo (página 2 do Termo de Verificação Fiscal). Quanto à segunda alegação, creio que a autoridade julgadora de primeira instância, apesar de expressar entendimento de que foi a Recorrente que não compreendeu a infração que lhe foi imputada, incorreu em equivoco. Com efeito, o voto condutor da decisão recorrida, relativamente a esse segundo questionamento da Recorrente, assinala: PARCELAS IMPUGNADAS: II - EXIGÊNCIA DE CSLL SOBRE VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS - IMF- FRESCA DE ALIQUOTA (F. 165) Conforme relatado, àf 165, assim diz a contribuinte: 6 Processo n° 11516.003339 12007-59 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.269 Fl. 4 "De outro norte, no que diz respeito aos valores apurados corno omissão de receita do tributo CSLL, houve equivoco quanto a aplicação da aliquota no terceiro trimestre de 2003 e, no quarto trimestre de 2003 a junho de 2007, pois foi aplicada a aliquota de 2,88 %, enquanto o correto seria a aplicação da aliquota de 1,08 %, o que provoca unia sensível redução do valor devido a titulo de CSLL, de acordo com a tabela acostada. E que a aliquota de 2,88 % equivocadamente usada, prevista no art. 22, da Lei n° 10.684/2003, é aplicável a prestação de serviços, atividade que não é definitivamente praticada pela Impugnante, o que faz merecer a retificação dos cálculos no tocante a ela, urna vez que a aliquota de 1,08 %, prevista na MP 1858-10/1999, art. 6°, é a que deve ser aplicada sobre a receita de venda de imóveis, com base no lucro presumido". Pelo visto, aparentemente a impugnante não se apercebeu da natureza da infração cometida, descrita no Termo de Verificação Fiscal 75/76), corno se transcreve: "A contribuinte deixou de "acrescer à base de calculo" (tributar em separado — sem aplicar o coeficiente de presunção), infringindo o artigo 521 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/99: os juros e as variações monetárias ativas (correspondentes as variações do 1GP-M — índice Geral de Pregos ao Consumidor) contidos nos pagamentos de clientes, descritos no Histórico do Lançamento como "Variação Monetária s/ Parcela do Apto. xxx", conforme "DEMONSTRATIVO DAS VARIAÇÕES MONETÁRIAS 2005" anexado as fls. 135 a 187 do ANEXO IV deste processo". A base legal da imposição assenta-se na disposição do art. 92 da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998 (DOU 28/11/1998), que assim diz, com destaque: Esclareço, em primeiro lugar, que apesar da contribuinte utilizar a expressão "ALÍQUOTAS", a controvérsia gira em torno do coeficiente de presunção. Em que pese o fato de o art. 6° da MP n° 1.858-10, de 1999, referenciado pela Recorrente, tratar de aliquotas de CSLL, o art. 22 da Lei n° 10.684, de 2003, também citado por ela, disciplina a aplicação do percentual de 32% na determinação da base de cálculo da CSLL das empresas prestadoras de serviços submetidas à tributação com base no lucro presumido. Observe-se que o percentual de 2,88% citado pela contribuinte na peça impugnatória resulta da multiplicação do percentual de 32% pela aliquota da contribuição (9%). Assim, salvo melhor juizo, o que ela procurou sustentar é que não se deveria aplicar o percentual de 32% previsto no artigo 22 da Lei n° 10.684, de 2003, mas, sim, o de 12% (9% X 12% = 1,08), eis que sua atividade não seria de prestação de serviços. Em conformidade com as fls. 137 e seguintes, os valores submetidos ao coeficiente de 32%, a partir de setembro de 2003, na determinação da base de cálculo da CSLL, derivaram de omissão de receitas relacionada aos apartamentos vendidos nos edificios Vinicius Residencial, Residencial Zimmermann, Res'xral Villa das Flores, Mário Quintana, 7 Solar das Acácias, Jardim das Palmeiras, e Recanto Imperial, apurada a partir de informações prestadas pela própria contribuinte (infração II do Termo de Verificação Fiscal). Sendo que, a partir do segundo trimestre de 2004, foram também consideradas nas bases de cálculo as omissões retratadas na infração I do Termo de Verificação Fiscal (omissão de receitas operacionais — falta de contabilização e tributação da venda de diversos apartamentos), e, a partir do primeiro trimestre de 2005, foram incluídas também as diferenças apontadas na infração III do referido Termo (omissão de receitas de aluguel). Merece acolhida, pois, o arguido pela Recorrente, vez que o artigo 22 da Lei n° 10.684, de 2003, dando nova redação ao art. 20 da Lei n° 9.249, de 1995, majorou o percentual de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (estimativa e pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil) apenas das pessoas jurídicas que exerçam atividades de prestação de serviços em geral', intermediação de negócios; administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; e prestação cumulativa e continua de serviços de assessoria crediticia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). No caso vertente, a autoridade autuante deveria, ainda, ter observado as disposições do art. 57 da Lei n° 8.8981, de 1995, e do parágrafo segundo do art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995, de modo que, no ano-calendário de 2005, em que a Recorrente tributou de forma insuficiente receitas auferidas em razão da locação de imóveis, deveria ter aplicado percentuais diversificados (12% para as receitas decorrentes das vendas das unidades imobiliárias e 32% para as derivadas da referida locação). Diante de tais considerações, as matérias tributáveis e as parcelas que devem ser exoneradas são as discriminadas no quadro abaixo. TRIMESTRE VALOR COEFICIENTE CORRETO VALOR TRIBUTÁVEL PARCELA EXONERADA 3/2003 8.968,43 12 1.076,21 1.793,69 4/2003 91.197,04 12 10.943,64 18.239,41 1/2004 187.891,69 12 22.547,00 37.578,34 2/2004 334.519,37 12 40.142,32 66.903,88 3/2004 166.645,06 12 19.997,40 33.329,02 4/2004 800.523,40 12 96.062,80 160.104,69 1/2005 2 1.028.125,01 26.615,91 12 32 123.375,00 8.517,09 205.625,07 A Lei n° 11.727, de 2008, dando nova redação ao inciso, excetou as seguintes atividades: serviços hospitalares e de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda As normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa. 2 Observe-se que em relação ao ano-calendário de2005, tendo havido tributação também sobre omissão de receitas de aluguel (INFRAÇÃO III DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL), a coluna VALOR representa a soma, apenas, das receitas decorrentes de unidades imobiliárias vendidas (INFRAÇÕES I E H DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL), vez que a locação de imóveis, nos termos da legislação de regência, se submete ao percentual de 32%. 8 Processo n° 11516.003339/2007-59 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.269 Fl. 5 2/2005 845.520,23 34.274,73 12 32 101.462,42 10.967,91 169.104,06 3/2005 704.703,53 30.914,41 12 32 84.564,42 9.892,11 144.141,21 4/2005 867.955,45 31.690,07 12 32 104.154,65 10.140,82 173.591,10 1/2006 929.489,67 12 111.538,76 185.897,93 2/2006 1.648.697,66 12 197.843,71 329.739,54 3/2006 1.442.503,94 12 173.100,47 288.500,79 4/2006 1.807.321,12 12 216.878,53 361.464,23 1/2007 1.992.620,96 12 239.114,50 398.524,21 2/2007 3.048.116,00 12 365.773,92 609.623,20 Diante da forma (equivocada) com que a autoridade julgadora de primeira instância tratou os argumentos expendidos pela impugnante acerca da incidência da CSLL, foi trazida para a lide matéria que não havia sido, antes, questionada pela Recorrente. Com efeito, entendendo a Turma Julgadora de primeiro grau que a autuada não tinha compreendido a natureza da infração que lhe havia sido imputada, trouxe para a apreciação da controvérsia a tributação dos juros e variações monetárias ativa, matéria, repito, que não havia sido objeto de questionamento pela ora Recorrente. Nessa linha, a Recorrente, por meio da peça recursal, sustenta que as referidas variações monetárias não poderiam ser consideradas como "outras receitas", mas, sim, da própria receita bruta, uma vez que a atualização monetária da venda a prazo deve integrar a receita bruta e não pode dissociar-se da própria venda, e, sendo tributada em separado, irá anular o seu ganho, pois os acréscimos fazem parte do preço final do produto (apartamentos). Esclareço, primeiramente, que em razão do disposto no art. 9° da Lei IV 9.718, de 1998, as variações monetárias dos direitos de crédito em função de indices ou coeficientes aplicáveis por disposição contratual são consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas financeiras. A infração referenciada pela autoridade julgadora da instância a quo e que oportunizou A. contribuinte o direito de oferecer razões de defesa, foi apontada no Termo de Verificação Fiscal como sendo a de número IV, tendo alcançado fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2005. Esclarece a autoridade autuante que, considerada a legislação da época em que os fatos imponiveis ocorreram, o modo pelo qual a Recorrente tributou os valores auferidos, isto 6, submetendo-os ao percentual de presunção, em vez de acrescê-los diretamente A base de cálculo, revelou-se contrário As dis osi ões normativas. 9 Creio não merecer reparo tal afirmação, eis que o tratamento pretendido pela Recorrente só foi autorizado a partir da edição da Lei n° 11.196, de 2005, cabendo destacar que, relativamente ao art. 34 abaixo reproduzido, a produção de efeitos, nos termos da alínea "h" do inciso IV do art. 132 do referido diploma, só se deu a partir de 10 de janeiro de 2006. Art. 34. Os arts. 15 e 20 da Lei n 0 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passam a vigorar corn a seguinte redação: "Art. 15. § 40 0 percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados a venda, bem como a venda de imóveis construidos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de indices ou coeficientes previstos em contrato." (NR) No que diz respeito aos demais argumentos expendidos pela Recorrente, deixo de conhecê-los, vez que: 1. em conformidade com as sumulas CARF n's 2 e 28, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidades de lei tributária e sobre controvérsias referentes a Processos Administrativos de Representação Fiscal para Fins Penais; 2. nos termos do disposto no artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, o argumento relacionado ao alegado alargamento da base de cálculo da Cofins, não tendo sido objeto de impugnação, não pode ser apreciado na segunda instância administrativa. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para: a) excluir de tributação os valores relativos aos apartamentos 807 e 1.106 da INFRAÇÃO I do Termo de Verificação Fiscal, no total de R$ 98.500,00 (matéria tributável); e b) excluir de tributação das INFRAÇõES I, II e III do Termo de Verificação Fiscal, o montante de R$ 3.184.160,37 (matéria tributável), conforme QUADRO apresentado no presente VOTO. WILS 1 0
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001003/90-80
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMERCIAL E DISTRIBUIDORA DE REVISTAS SENHOR DO BONFIM LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o pre- sente julgado. Sala das Sessões, em 09 de novembro de 1994 i H .,, #. ,/'- , • : MAR - AN - Ff - PRESIDENTE / --/ ..-..,;..-4, CELSO LVES -EITISA , - RELATOR .1 , , 1 1 VISTO EM LUIZ FERNANDO OLI k LIR- DE MORAES - PROCURADOR DA FA SESSMO DE: , ZENDA NACIONAL O 9 DEZ 19°4..# __ SERVICO PÚBLICO FEDERAL MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE- CONTRIBUINTES PROCESSO NR. 10930/001.003/90-80 RECURSO NR. 01.046 ACORDAO NR. 101-87.431 RECORRENTE: LOMEM:1ÃL E Dl8fR1BUIDuRA DE REVISVAS SFNHOR DO BONFIM LTDA 9. E I., A T. ORI p Foi a Recorrente autuada, em tributação reflexa FINSO- CIAL/FAT. assim descrita a imputação referente an(s) exercicio de 1987, verbisN DESCRICAO DOS FAiOS E ENQUADRAMENTO LE.EAL ... Lancamento decorrente de fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual dai apurada 0MiS55ãO de receita operacional ocasionando, por conseguinte, insuficiÉncia na determinação da base de calculo deste imposto/contribuição. O calculo do imposto/contribuição, a atualização monetária, as penalidades aplicáveis e os respec ..... tívos enquadramentos legais constam de demonstra- tivos, os quais fazem parte integrante deste Auto. - Art. I, parágrafo 1 do D1-1940/82 e art. 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto 92698/86." A impugnação da Recorrente encontra-se a fls. II com referxãocia a apresentada no processo matriz de o. 10930/001.007/90-31. A decisão recorrida assim se manifestou para manter lançamento. „,;,, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo nr. 10930/001.003/90-80 Acórdão nr. 101-87.431 'Considerando tudo o mais que do processo consta Tomo conhecimento da impugnação por tempestiva e na forma da Lei, para, no mérito, indeferi-1a, de- terminando que se prossiga na cobrança dos valores apurados no Auto deinfração de fl. 07, com os acréscimos legais inerentes ao lançamento de ofí- cio." A fls. 85 se vÊ o recurso voluntàrio, repetindo, de forma geral, a impugnação. E o Relatório. 'Pá 414‘ IIIL) , 1 1 , 1 , , 1 1 , .._ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NIR 109:30/001 . 00:3/90-80 ff-) c 6r et o n r 101-87, 4:31 VOTO Con se 1 hei r c3 g CEL... 5.3 0 ALVES OSP, R EL.. (.vr 0 R g O r e c: LÁ S C3 é 1: Cri ID S Ivo . NI c) p o c S»c: usa RPJ oi negado prov 1. men t. o ao r s o VD 1 1.1. ri 1: r á. o É2) CORD N 101-85 . Os f 1.1.n ci fïl ent os da dE..= C: i c) da a IA or idade mono c Tatic a „ no roc essa C3 !, f 1 c a in sujeitos, Ofr rEqra, Om r0V1S0 por for a d C:: 11 r'S C3 V C3 1 LÁ t F" 1. C3 g C3 Cs.,? :1 C1 C3 no pro c: e is is o c: è .:).(..x S C:1 1...1. f.€.? n CD C:: a SC) ant e ,̀1 'EL= .9. r si. o LÁ n o Ji Lt 1 g a ci o por f.s Fr si meira âmara do C:::onse1ho cio Cont.rlbL.ií.ntao . Assis si. m „ no r IA ma relac *.:á o ci e c: a Là -Ek e efe1 t. o „ noq o provi- Ffl Fl C3 ao r c L.È. r so E o meu voto. Bras .1 (DF' „ 09 dy novem A. ,119' C ELS O FFITO - R E OR • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10384.000680/92-12
Data da sessão: Fri Oct 29 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-85844
Nome do relator: Não Informado
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DE 1988 RECORRENTE: CONSTRUTORA TERESINA LTDA. RECORRIDA: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM TERESINA (PI) PROCEDIMENTO DECORRENTE - Contribuição para o PIS/REPIQUE - Em virtude da estreita relação de causa e efeito entre o lançamento principal e o decorrente, provido o primeiro o não arguindo o contribuinte matei-ia nova alusiva ao segundo, igual decisão se impbe quanto á lide reflexa. . Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CONSTRUTORA TERESINA LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Cámara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório E! voto que passam a integrar O presente julgado. Sal= : .a Sesseles, DF, em 29 de outubro de 1993 . f ', ,#•0 . . mAR .,,,,,, ..,r:i ' — PRESIDENTE E RELATORA , ‘ 410." e ANTONLO WALLAS k,_:NOPIVES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL VISTO EM sEssno DE. 1 9 NOV 1993 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lh eiro-EN C.: a F. - 1 c.:is PI 1 13 e i' t. 0 G O ri çalVos Nunes 9 Francisco cio (21 :5 :5 1. :.':. Miranda, Jezer de Oliveira Cándido, Celso Alves Feitosa, Raul Pimentel, Raimundo Soares de Carvalho e Sebastião Rodrígues Cabral. r , 16, 1 MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 10384/000.680192-12 RECURSO No: 77.336 ACORDO No: 101-85.944 RECORRENTE: CONSTRUTORA TERESINA LTDA. RECORRIDA: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM TERESINA (PI) 1 RELATORIO 1 , , • A contribuinte supra identificada recorre a este . Conselho da decisão da autoridade julgadora de primeiro grau, que julgou procedente a exigéncia fiscal formalizada no Auto de infração de fls. . Trata se de tr:ibutação. reflexa de outro processo instaurado contra a mesma contribuinte na área doímposto de Renda .... PessoaPessoa Jurídica, protocolizado na repartição local sob o no 10384/000.678/92-71. Nestes autos cogita-se da cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/ REPIQUE, correspondente a 5"/. do IRPJ suplementar relativo ao exercício de 1988, consoante estabelecido no artigo 3o, alínea "a', par lo, da Lei Comple- mentar no 07//0. Mantida a tributação no processo matriz em pri- meira instância, igual sorte coube a este litígio naquele grau de • jurisdição, conforme decisão de fls. Dessa decisão a contribuinte foi cientificada em 26.01.93 e, inconformada, ingressou em 19.02.93 com o recurso voluntario de fls. Coffio razbes do recurso, a contribuinte se reporta aos fundamentos apresentados no processo princ.ipal. . . • .. . • •' » .1 E o relatOrio. ..,, i . , 2 _ i MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 10384/000.680/92-12 Acórd%o no 101-B5.844 VOTO Conselheira MAR1AM SEU: , Relatora O recurso foi interposto no prazo legal e com observãnOia dos demais pressupostos processuais, rezo porque dele tomo conhecimento. No mérito, trata-se de processo decorrente, tendo 1este Colegiado, apreciando o processo principal 01O 10384/000/678/92-71), resolvido reformar a decis%o de primeiro grau, entendendo precedente a írresignação da contribuinte. E cediço, nesta instáncia administrativa, de que no caso de lançamento dito reflexivo há estreita rela0o de causa e efeito entre o lançamento principal e o lançamento decorro.... uma vez que ambas as exigencias repousam em um mesmo embasamento -ático. Assim, entendendo-se verdadeiros ou falsos os fatos alegados, tal exame enseja decisbes homogéneas em relação a cada um dos lançamentos. Nestas cirCunstãncias, o exame feito em um dos processos atinentes a lançamento ensejado pelo mesmo suporte fático, especialmente no processo intitulado principal, serve também para os „ demais. Não que dizer com isso que a deciso de um vincula a de outro. No entanto, não havendo no processo decorrente nenhum elemento nevo que seja apto a alterar a convicção do julgador, por questão de coerencia lógica, a decisão deve ser tomada em igual sentido. Como salientado, no presente caso observa-se • que este mesmo Colegiada, apreciando os fatos ensejadores do lançamento principal, concluiu no respectivo processo, que o inconformismo da recorrente quanto à exigÊncia do imposto de renda da pessoa iuridica procedia como faz certo o Acerd2le no 101- 85.754, de 26/10/93. Ora, sendo assim, e tendo em vista que não se „ .:„ . H apresenta nestes autos qualquer elemento novo capaz de alterar o ./ • „ . „i1 , 1 J MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 10384/000.880/92-12 Acórdão no 101-85.844 entendimento anteriormente fixado, impei:e-se que decisão consentã- nea seja adotada. Em face de tais consideraçbes, dou provimento ao recurso. Brasilia. D;•, 29 de outubro de 1993 MARI. 1 SE. - RELPIIORA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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