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Numero do processo: 11444.000945/2007-11
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS.
A elaboração deficiente das folhas de pagamento, das GFIP E DOS Livros Fiscais, marcada pelo não registro de todas as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço e de todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária, autoriza o Fisco a lançar a contribuição social que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, §3º, in fine da Lei nº 8.212/91.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Constatado o descumprimento de obrigação acessória, a fiscalização previdenciária lavrará, de ofício, o competente auto de infração.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada de acordo com o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 21/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS. A elaboração deficiente das folhas de pagamento, das GFIP E DOS Livros Fiscais, marcada pelo não registro de todas as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço e de todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária, autoriza o Fisco a lançar a contribuição social que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, §3º, in fine da Lei nº 8.212/91. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Constatado o descumprimento de obrigação acessória, a fiscalização previdenciária lavrará, de ofício, o competente auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS. A elaboração deficiente das folhas de pagamento, das GFIP E DOS Livros Fiscais, marcada pelo não registro de todas as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço e de todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária, autoriza o Fisco a lançar a contribuição social que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, §3º, in fine da Lei nº 8.212/91. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Constatado o descumprimento de obrigação acessória, a fiscalização previdenciária lavrará, de ofício, o competente auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 09 45 /2 00 7- 11 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada de acordo com o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 21/12/2007. Data de ciência do Auto de Infração: 21/12/2007. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa acima identificada, em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ, que julgou procedente em parte o lançamento tributário aviado no Auto de Infração nº 37.077.9401, decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de a empresa ter apresentado GFIP contendo omissões de fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 27/31. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 316 3 ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II, na redação do Dec. 4.729/2003. A multa aplicada corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, calculada por competência, respeitado o limite mensal conforme o número de segurados da empresa, sendo o valor mínimo de R$ 1.195,13 (hum mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos) já atualizado conforme Portaria MPS/SRP n° 142, de 11/04/2007, na forma assinalada na memória de cálculo aviada no Relatório Fiscal de Aplicação de Multa a fls. 31/77. Relata o Agente Fiscal que, do exame da documentação apresentada, aqui incluídas as GFIP, Folhas de Pagamentos, Livros Caixa e Livros Diário, bem como de Processos relativos a Reclamatórias Trabalhistas tramitadas na 2ª Vara do Trabalho de Marilia, apurouse que a empresa não registrava nas suas folhas de pagamento, nas GFIP e nos Livros Diário e Caixa, no período de 10/1997 a 09/2002, os valores pagos a segurados obrigatórios do RGPS a título de comissões sobre vendas. Consigna a Autoridade Lançadora em seu Relatório Fiscal que os segurados cujas remunerações relativas a comissões não foram informados nas GFIP, e cujas contribuições não foram recolhidas, encontramse relacionados no ANEXO I do relatório fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD nº 37.077.9398, mediante a qual houveramse por apuradas as contribuições devidas, por competência. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 217/243. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1219.850 10ª Turma da DRJ/RJOI, a fls. 265/279, julgando procedente em parte o Auto de Infração, para dele fazer excluir as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores fulminados pela decadência, nos termos do art. 173, I do CTN, e retificando o crédito tributário para R$ 13.427,06. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 29/07/2008, conforme Termo de Intimação e Aviso de Recebimento a fls. 283 e 285, respectivamente. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 287/309, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que o Auto de Infração foi lavrado com base em mera presunção. Aduz que a Fiscalização não se empenhou em verificar se todos os vendedores seriam comissionados ou não; · Que os agentes administrativos só podem agir em conformidade com a lei que regulamenta os procedimentos a serem por eles serão adotados. Ainda Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 que possuam discricionariedade, seus atos sempre haverão de estar respaldados em lei. Ao fim, requer a declaração de nulidade do ato administrativo que constituiu o crédito tributário referente à multa em questão. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/07/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 28 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do reconhecimento, pela DRJ/RJOI da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2001, exclusive, e cujo crédito tributário correspondente já foi excluído, por aquela Delegacia de Julgamento do vertente lançamento, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos ocorridos nessas competências não serão igualmente debatidas, em razão da perda do objeto. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 317 5 2.1. DA CONDUTA INFRACIONAL Alega o Recorrente que a fiscalização da Receita Federal presumiu os fatos geradores da obrigação tributária eis que os fiscais se pautaram em sentenças trabalhistas que reconheceram o direito ao recebimento de verbas a serem calculadas com base em comissão mensal arbitrada. Preliminarmente, cumpre ser destacado que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Impôs também ao sujeito passivo o dever instrumental de elaborar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação tributária. Além disso, determinou que o contribuinte informasse, mensamente, mediante GFIP, todos os dados relacionados a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, e outras informações do interesse do INSS. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de salário família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. No que toca à GFIP, exige a lei que em tal documento sejam declarados mensamente pelo empregador, dentre outras informações, os dados cadastrais do empregador/contribuinte, dos trabalhadores e tomadores/obras; as Bases de incidência do FGTS e das contribuições previdenciárias, compreendendo o total das remunerações dos trabalhadores, a comercialização da produção, a receita de espetáculos desportivos/patrocínio, o pagamento a cooperativa de trabalho, a movimentação de trabalhadores (afastamentos e Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 318 7 retornos), saláriofamília e saláriomaternidade, compensação de contribuições previdenciárias, assim como retenção de 11% sobre nota fiscal/fatura, exposição a agentes nocivos/múltiplos vínculos, valor da contribuição do segurado, nas situações em que não for calculado pelo SEFIP (múltiplos vínculos/múltiplas fontes, trabalhador avulso), valor das faturas emitidas para o tomador, dentre tantas outras previstas no Manual da GFIP, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16/10/2008 e pela Circular CAIXA nº 451, de 13/10/2008. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Enganase aquele que acredita serem os livros contábeis exigíveis apenas pela legislação comercial. A legislação Tributária é aquela que mais impõe modulações e padrões aos lançamentos contábeis e à estruturação e formalização dos livros, não sendo por outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária sujeita o contribuinte ao pagamento de penalidades pecuniárias a lhe serem impostas mediante o competente Auto de Infração. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 319 9 b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida. d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não é demasia enaltecer que o registro das informações acima abordadas na contabilidade, nas folhas de pagamento e nas GFIP não se configura como mera faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que os livros contábeis, as folhas de pagamento e as GFIP equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Citese, ademais, que a supressão ou redução de contribuições previdenciárias mediante a omissão, nas de folha de pagamento da empresa ou nas GFIP, de segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços, ou ainda, pela omissão de lançamento em títulos próprios da contabilidade das quantias descontadas dos segurados ou das contribuições devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços, ou das remunerações pagas ou creditadas a segurados obrigatórios do RGPS ou de demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias, constituise conduta tipificada no art. 337A do Código Penal como Sonegação de Contribuição Previdenciária, sujeitando o infrator à pena de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Sonegação de contribuição previdenciária Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 320 11 §1o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) No caso em exame, a empresa não incluiu nas suas folhas de pagamento nem nas GFIP, tampouco lançou em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, mensalmente, as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados obrigatórios do RGPS, a título de comissões sobre vendas, violando, dessarte, obrigações acessórias imperativas estabelecidas nos inciso I, II e IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Para tanto, no caso das contribuições previdenciárias, exige o art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social que a empresa, mensalmente, elabore folhas de pagamento e lance em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Exige, ainda, que o Contribuinte informe ao Fisco Federal, mediante GFIP, todos os citados fatos geradores e outras informações de interesse do INSS, etc. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos fatos geradores ocorridos na empresa, pelo exame dos documentos acima referidos, não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego meios indiretos para a apuração da base de cálculo das contribuições sociais devidas. Conjuguese que o art. 33 da Lei nº 8.212/91 estatui a prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos seus AuditoresFiscais, de examinar contabilidade das empresas, ficando estas obrigadas a prestar todos os Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 esclarecimentos e informações solicitados, e a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, sendo certo que a recusa ou a sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, autoriza a Secretaria da Receita Federal do Brasil a lançar de ofício a importância reputada como devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestarem todos os esclarecimentos e informações solicitados, o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Paralelamente, se a Fiscalização constatar, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, que a contabilidade desta não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, o preceito inscrito no §6º do art. 33 acima transcrito outorga competência à Fiscalização para apurar, mediante aferição indireta, as contribuições previdenciárias devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário O caminho trilhado nos procedimentos fiscais de apuração da base de cálculo tributária por aferição indireta é deveras árduo e hostil, tanto para os agentes do Fisco, que se veem obrigados a dimensionar a matéria tributável a partir de documentos e conjecturas que não aqueles originariamente idealizados pela Legislação Tributária, assim como para o Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 321 13 Contribuinte, que passa a arcar com o ônus da contradita eficaz ao lançamento, a qual tem que ser sustentada em pilares documentais idôneos e legítimos. Não por outra razão a Legislação Tributária determina formalidades indispensáveis no registro de todas as operações realizadas no desenvolvimento da atividade da empresa, as quais devem ter assentamento expresso em documentos adrede, que devem ser mantidos sob a responsabilidade e guarda da empresa até que se opere a decadência do direito da Fazenda Pública de constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios e a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Código Tributário Nacional Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Guarda de Documentos Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) §11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528/97). No procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, nas situações autorizadas pela lei, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como próprios e adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, remunerações reconhecidas em sentenças trabalhistas, dentre outros. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Alguns desses critérios de arbitramento encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringe se, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Não restando mecanismo de arbitramento positivado na Legislação Tributária, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muitas vezes e tão somente, o principio da razoabilidade. No caso em apreciação, a falta de registro dos valores pagos, creditados ou devidos a segurados obrigatórios do RGPS nas folhas de pagamento, nos títulos próprios da contabilidade e nas GFIP frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como Termos de Oitivas de Testemunhas e sentenças trabalhistas proferidas em Reclamatórias Trabalhistas tramitadas na 2ª Vara do Trabalho de Marília. Mostraram deficientes e omissas, pois, as folhas de pagamento, as GFIP e a escrita fiscal da Autuada, eis que não registravam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, tampouco as remunerações pagas a seus segurados a título de comissões. Nessas circunstâncias, a apresentação deficiente e omissa das folhas de pagamento, dos livros fiscais e das GFIP, assim como a constatação de que a contabilidade não registrava o real movimento das remunerações dos segurados a serviço da empresa recorrente configurouse motivo justo, bastante, suficiente e determinante para que a Fiscalização inscrevesse de ofício as contribuições previdenciárias reputadas como devidas, mediante a apuração de sua base de cálculo por aferição indireta, transferindo aos ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrário, autorizado que estava pelo permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. No episódio ora em debate, o substrato tributável houvese por determinado em conformidade com a mecânica descrita no item 3.2. do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.077.9398, a fls. 46/67 dos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11444.000940/200781, resumidamente descrito adiante: “3.2. Para o cálculo dos valores referentes às comissões, no período de 10/1997 a 12/1998 e 01/2001 a 08/2002, tomamos por base o valor da remuneração acima, isto é, R$ 650,00 e utilizamos o seguinte critério: A) Efetuamos o cálculo da média do salário base da categoria, utilizando os valores dos salários base obtidos no Sindicato dos Empregados no Comércio de Marília, no período de 01/1999 a 12/2000, como segue: B) Dividimos o valor total do salário base (9.048,00) pelo número total de meses (24) e encontramos o valor da média mensal do salário base no período de 01/1999 a 12/2000, isto é, 377,00. C) Dividimos o valor da remuneração arbitrada na sentença de condenação (650,00) pelo valor da média do salário base Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 322 15 (377,00) e encontramos o índice a ser utilizado no cálculo da comissão mensal no período de 10/1997 a 12/1998 e 01/2001 a 08/2002 (1,7241), como segue: D) Elaboramos uma planilha (Anexo I) com a relação dos nomes dos segurados que exerceram a função de "balconista" (vendedor), o valor das comissões aferidas, o valor constante das Folhas de Pagamentos e GFIPs, e o recálculo das contribuições dos segurados. Tivesse o sujeito passivo cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP e nos títulos próprios da contabilidade. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma série de outros documentos para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Registrese que, de acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso em foco, encontrase o direito creditório do fisco plenamente consignado, com todos os seus elementos, nos documentos, termos e relatórios que compõem o vertente levantamento, cuja base de cálculo houvese por apurada mediante aferição indireta a partir dos montantes remuneratórios sob a forma de comissões sobre vendas consignados nas Sentenças Trabalhistas proferidas pela 2ª Vara do Trabalho de Marília, frutos de processos judiciais conduzidos à luz do contraditório, da ampla defesa e do Devido Processo Legal. Dessarte, fulguram os assentamentos consignados no lançamento como bastantes e suficientes para fazer prova do fato afirmado pela Fiscalização, em razão da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Dessarte, havendo um documento público devidamente fundamentado e com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, que não logrou afastar a fidedignidade do teor do lançamento em debate. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. Não procede, portanto, a alegação recursal de que o lançamento foi apurado com base em presunções, nem a de que os Auditores Fiscais não se empenharam em verificar se todos os vendedores seriam comissionados. Tais circunstâncias somente seriam cabíveis de sindicância se a empresa tivesse cumprido, com rigor e fidedignidade, as obrigações acessórias estatuídas na lei, fato que, conforme já divisado, não veio a ocorrer no presente caso, por culpa única e exclusiva do próprio Recorrente, que omitiuse, ao seu inteiro alvedrio, de proceder ao registro nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade, dos segurados e das remunerações por eles auferidas a título de comissões sobre vendas. Alertese, por outro lado, que a aferição indireta não se apoiou, exclusivamente, nas sentenças judiciais em realce, mas também nos termos de audiência de Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 323 17 oitiva de testemunhas e demais documentos que demonstram que as vendas realizadas por cada balconista eram apuradas mensal e individualmente, circunstância que, aliás, se configura como prática comum verificada em estabelecimentos comerciais, em que a remuneração de vendedores é constituída, em regra, por um salário fixo mensal, de pequena monta, e por uma parcela proporcional ao volume de vendas concretizadas por cada vendedor – as assim denominadas comissões sobre as vendas. Conforme muito bem salientado na decisão recorrida, “muito embora se alegue que a fiscalização estendeu indevidamente os efeitos das decisões judiciais prolatadas nas reclamatórias trabalhistas para todos os vendedores, na verdade, o que ocorreu foi o aproveitamento das provas produzidas na esfera judicial trabalhista em que restou plenamente comprovado o pagamento de comissões não apenas aos reclamantes, mas a todos os vendedores da empresa interessada”. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, a qual foi apenada com a multa pecuniária prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.528/97, combinado com os artigos 284, II e 373 do Decreto 3.048/99, e com valores atualizados pela Portaria MPS/SRP n° 142, de 11/04/2007, na forma assinalada na memória de cálculo aviada no Relatório Fiscal de Aplicação de Multa a fls. 31/77. O Recorrente alega que “os agentes administrativos só podem agir em conformidade com a lei que regulamenta os procedimentos que por eles serão adotados. Ainda que possuam discricionariedade, seus atos sempre haverão de estar respaldados em lei”. Nesse particular, o Recorrente está corretíssimo. No caso presente, a Fiscalização constatou que remunerações pagas sob a forma de comissões a segurados obrigatórios do RGPS não haviam sido informadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, e que tal omissão representa violação objetiva à obrigação tributária acessória fixada nos artigos 32, IV da Lei nº 8.212/91. Sabedor, como assim se revelou ser, que o §5º do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social estatui que a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeita o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º desse mesmo dispositivo legal, o Auditor Fiscal autuante, em atenção ao preceito inscrito no art. 37 da Lei nº 8.212/91, procedeu à lavratura do vertente Auto de Infração, no cumprimento do seu dever de ofício plenamente vinculado à lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (grifos nossos) A motivação do lançamento é simples, única e pueril, e se encontra exposta às escâncaras no Auto de Infração em debate: A Fiscalização apurou que rubricas remuneratórias abrangidas pelo conceito legal de Salário de Contribuição, pagas, creditadas ou devidas a segurados obrigatórios do RGPS, não foram declaradas nas GFIP da empresa autuada, omissão essa que representou violação objetiva a obrigação tributária acessória prevista na Lei de Organização da Seguridade Social, e se constituiu em motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a lavratura do vertente Auto de Infração. Só isso. Dessarte, fruto de tais considerações, restou detalhadamente demonstrado que a imputação in comentum resultou de procedimentos administrativos conduzidos em perfeita sintonia com os comandos constitucionais e legais vigentes no Ordenamento Jurídico, impondose salientar não haver sido detectado qualquer vício, de jaez formal ou material, que possa macular o lançamento operado pela fiscalização. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 324 19 Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, descuidandose de enfrentar o mérito do lançamento, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da presente autuação. Optou, por sua conta e risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. 2.2. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária aplicada à infração em exame, em honra ao preceito encartado no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 325 21 Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 326 23 II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 2302002.584 S2C3T2 Fl. 327 25 Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 339DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13884.002829/98-13
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas processuais.
Ementa: 0 recurso extraordinário visa A uniformização da jurisprudência entre as Turmas da CSRF. Sendo os fatos distintos nos arestos postos em confronto, não há divergência de interpretação da legislação a ser solucionada. No recorrido o pedido restituição foi feito dentro de cinco anos a contar do ato que reconheceu indevido o tributo (FINSOCIAL) (MP 1.110
publicada em 31.08.95), já no paradigma o pedido foi feito depois do ato que reconheceu indevido o tributo (PIS) (Resolução 49 do Senado Federal publicada em 10.10.95).
Há entre os acórdãos CSRF/03-05.529 combatido e CSRF/02-02.088
paradigma, convergência, pelo fato do voto condutor ter citado a tese de cinco anos a contar do evento que considerou o tributo indevido e não tê-la contraditado, pelo contrário a referendou, explicando que mesmo considerando como termo inicial A data publicação da Resolução do Senado n° 49 o pedido de restituição era perempto.
Numero da decisão: 9100-000.156
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NÃO CONHECER
do extraordinário. Vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego, Leonardo Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosemburg Filho e Jose Adão Vitorino de Moraes (Suplente convocado ) que conheciam do recurso.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Caio Marcos Candido.
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CIA LTDA. Assunto: Normas processuais. Ementa: 0 recurso extraordinário visa A uniformização da jurisprudência entre as Turmas da CSR_F. Sendo os fatos distintos nos arestos postos em confronto, não há divergência de interpretação da legislação a ser solucionada. No recorrido o pedido restituição foi feito dentro de cinco anos a contar do ato que reconheceu indevido o tributo (FINSOCIAL) (MP 1.110 publicada em 31.08.95), já no paradigma o pedido foi feito depois do ato que reconheceu indevido o tributo (PIS) (Resolução 49 do Senado Federal publicada em 10.10.95). Há entre os acórdãos CSRF/03-05.529 combatido e CSRF/02-02.088 paradigma, convergência, pelo fato do voto condutor ter citado a tese de cinco anos a contar do evento que considerou o tributo indevido e não tê-la contraditado, pelo contrário a referendou, explicando que mesmo considerando como termo inicial A data publicação da Resolução do Senado n° 49 o pedido de restituição era perempto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NÃO CONHECER do extraordinário. Vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego, Leonardo Andrade Couto. Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Mareopdes AT -land°, Gilson Macedo Rosemburg Filho e Jose Ado Vitorino de Moraes (Suplente16onvocad" ) que conheciam do recurso. Pr sidente Substituto EDIT OEM: 15/03/2011 ANOEL ELHO A I0 R tor, P iciparam do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Jose Praga de Souza, Alexandr Andrade Lima da Fonte Filho, Adriana Comes Rego, Karen Jureidini Dias, Leonardo Andrade Couto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Albertina Silva Santos de Lima, Valmir Sandri, Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Alage, Elias Sampaio Freire, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Júlio César Vieira Gomes, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Francisco Assis de Oliveira Junior, Manoel Coelho Arruda Junior, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Trata-se de recurso extraordinário interposto em face do v. acórdão proferido pela então Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com espeque nos artigo 9 0 c/c art. 43, todos do RICSRF aprovado pela Portaria MF n. 147/2007. O acórdão recorrido negou provimento a recurso especial da Fazenda Nacional para determinar que o prazo para restituição do indébito tributário, nos casos de declaração de inconstitucionalidade, tem inicio no momento em que o Poder Executivo reconhece (ou é obrigado a reconhecer) não mais ser devida a malfadada exação. Decidiu-se que, no caso do FIN -SOCIAL, tributo objeto do pedido de restituição, o prazo teve inicio com a publicação da MP 1.110/95, momento em que a inconstitucionalidade foi formalmente reconhecida pelo Poder Executivo. Assim, a e. Turma entendeu que não havia decorrido o referido prazo pelo que negou seguimento ao recurso e determinou o retorno dos autos à autoridade preparadora para analise do pedido, verbis: FINSOCIAL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitueionalidade pelo STF, em ação direta, ou coin a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n'. 1,110 em 31/08/1995, posto que foi primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%. Precedentes AC. CSRF/03-04.227, 301-31 406, 301-31404 e 301-31.321 No entendimento da D. Procuradoria da Fazenda Nacional ha no presente caso nítida divergência entre os acórdãos recorridos e paradigma abaixo colacionado: 2 Processo n° 13884.002829/98-13 Acórdão n ° 9100-00156 CSRF-PL Fl 2 ACORDÃO PARADIGMA PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO - 0 dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário peio pagamento antecipado e o termo final e o dia em que se completa o qiiinqiidnio legal, contado a partir daquela data (CSRF; Segunda Turma; Recurso ng, 201-121066, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, Ac. 02-02.088, Sessão de 17.10 2005) 0 acórdão paradigma, mesmo analisando caso de tributo declarado inconstitucional, entendeu inafastáveis as previsões do CTN que determinam a contagem do prazo para restituição a partir do pagamento indevido. Quer dizer, segundo a Fazenda Nacional: o paradigma aplicou ipsi litteris o art. 168, do CTN, enquanto o acórdão recorrido aplicou o art. 168, do CTN, conjuntamente corn o principio da actio nata (trecho do acórdão recorrido: "Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em decadência ou prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido"). Argumenta, ainda, .a D. Procuradoria da Fazenda Nacional, com o fito de conhecimento de o Extraordinário interposto: apenas para que não se alegue que a diferença entre os tributos envolvidos nas querelas (FINSOCIAL e PIS) afastaria a divergência, lembramos que, em ambos os casos, o debate jurídico é um so o termo inicial para contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de tributos que tenham sido reconhecidos como indevidos em Ação Direta de Inconstitucionalidade, por ato do Poder Legislativo ou por ato da própria Administração Observe-se que, na presente discussão, não hcí especificidades inerentes a cada tributo ou qualquer debate sobre pontos específicos da legislação das exações. Em verdade, estamos diante das chamadas "normas gerais em matéria de legislação tributária", previstas em lei complementar, conforme ordena o art 146, da Constituição Federal. A ratio decidendi e a base legal dos julgamentos são RIGOROSAMENTE idênticas Seja pela aplicação isolado do art. 168, do CT1V, seja por uma interpretação sistêmica (actio nata), teremos INEXORAVELMENTE que empreender a mesma discussão jurídica, a declaração de inconstitucionalidade de tributo, com vincula cão da Administração "desloca" o dies a quo (pagamento indevido) do prazo de restituição para o momento em que o Poder Executivo reconhece (ou. é obrigado a reconhecer) nti9 mais ser devida a malfadada exação? Destaque-se que a MP n 1.110/95, relativa ao FINSOCIAL e a Resolução IV 49, do Senado Federal, de 10 de outubro de 1995, concernente ao PIS, detém a mesma "natureza jurídica" de ato que modifica o status quo e torna indevido administrativamente o anterior pagamento do tributo. Ambos os instrumentos jurídicos supostamente dariam início à contagem do prazo para restituioio. Requer, ao final, seja admitido o referido recurso e pugna, no mérito, o provimento desse para que se reconheça a prescrição do direito a restituição do F1NSOCIAL, contada a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Devidamente intimado, o sujeito passivo apresentou contra-razões ao extraordinário interposto, tendo ratificado Os termos do v. acórdão recorrido. Requereu, ao final, o não conhecimento da peça recursal por não demonstração da divergência jurisprudencial e, caso seja superada essa proposição, pleiteia o não provimento do recurso. E o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Trata-se de recurso extraordinário interposto cm face do v. acórdão proferido pela então Terceira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, com espeque nos artigo 90 c/c art 43, todos do R1CSRF aprovado pela Portaria ME' n. 147/2007. O acórdão recorrido negou provimento a recurso especial da Fazenda Nacional para determinar que o prazo para restituição do indébito tributário, nos casos de declaração de inconstitucionalidadc, tem inieio no momento em que o Poder Executivo reconhece (ou é obrigado a reconhecer) não mais ser devida a malfadada exação. Decidiu-se que, no caso do. FINSOCIAL, tributo objeto do pedido de restituição, o prazo teve inicio com a publicação da MP 1.110/95, momento em que a inconstitucionalidade foi formalmente reconhecida pelo Poder Executivo. Traz como paradigma o acórdão CSRF/02-02.088 de 17 de outubro de 2.005. DO CONHECIMENTO Aduz o Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF 147/2007, que é cabível Recurso Extraordinário quando demonstrada divergência: Subseção 11 Do Recurso Extraordinário ao Pleno Art 43. (:) recurso extraordinário previsto no art. 9° deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda NaciOnal ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão § I' 0 recurso deverá demonstrar, fimdamentadamente, divergência arguida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou 4 Processo n° 13884.002829/98-13 CSRF-PL Acórchio n ° 9100-00156 Fl 3 mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente O julgamento pelo Pleno da CSRF do Recurso Extraordinário tem corno objetivo a uniformização da jurisprudência no âmbito das Turmas componentes do Colegiaclo. Assim somente Matéria de direito pode ser objeto recurso extraordinário, ou seja, quando as turmas interpretando deteiminado dispositivo legal, aplicável ao mesmo fato ou a fato semelhante, derem interpretaçZies distinta s . O acórdão recorrido está assim ementado: FINSOCIAL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - 0 direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pogo em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou coin a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada ineonstitu. Cional, na via indireta Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n'. 1.110 em 31/08/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial a al/quota superior a 0,5%. Precedentes- AC C5'RF/03- 04 227, 301 -31,406, 301-31404 e 301-31 321 , O acórdão paradigma CSRF/02 -02.088, está assim ementado. ACÓRDÃO PARADI .GA/IA PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO - O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinvdo do crédito tributário peio pagamento antecipado e o termo final e o dia em que se completa o qiiinqiiénio legal, contado a partir daquela data (CSKE; Segunda Turma; Recurso ng, 201 -121066, Rel , Cons. Henrique Pinheiro Torres, Ac, 02-02 088, Sessão de 17. 10 2005) Analisando somente as ementas dos acórdãos postos em confronto poder-se- ia concluir pela existência de divergência de interpretação, porém, adentrando aos inteiros teores dos julgados verificamos que ela não se estabeleceu. Abstraindo das características de cada tributo, visto que o atacado tratou de FINSOCIAL e o paradigma de PIS, o fato é que a matéria relativa ã. decadência e prescrição é regulamentada pelo CTN, logo se divergência houvesse seria na interpretação da referida Lei 5.172/66, não importando portando as leis instituidoras ou regulamentadoras desses tributos. Os fatos são totalmente distintos senão vejamos: No acórdão recorrido o pedido foi feito em 25 de fevereiro de 2000. conforme carimbo da Unidade de Origem aposto na folha 01, dentro, portanto do qüinqüênio, se o prazo for contado a partir do ato que reconheceu ser indevida a cobrança do F1NSOCIAL, ou seja, 31 de agosto de 1.995, data da publicação da MP 1.110. JA no acórdão paradigma o pedido foi feito em 10 de novembro de 2.000, fora do qüinqüênio que considerou inconstitucionais os aumentos de aliquotas previstos nos DLs 2.445 e 2449/88, ou seja, a Resolução do Senado Federal publicada em 10 de outubro de 1.995. Ora os fatos são totalmente distintos, no acórdão atacado o contribuinte cumpriu o prazo se considerado o evento de inconstitucionalidade, já no paradigma o contribuinte não cumpriu o referido prazo. Mas não é só isso, o relator do acórdão paradigma assim se posicionou, verbis: "Por último, resta esclarecer que a jurisprudência dominante nos Conselhos de Contribuintes e, também, na Camara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que o prazo para repetição de eventual indébito conta-se a partir da publicação do ato senatorial Especificamente, para a hipótese de restituição de pagamentos efetuados a maior por força dos inconstitucionais Decretos- Leis 2 445/1 998 e 2,449/1,998, o marco inicial da contagem da prescrição seria 10 de outubro de 1.995, data da publicação da Resolução 49 do Senado da República. Coin isso, o termo final para repetição de indébito referente à aplicação dos indigitados decretos-leis seria 10 de outubro de 2.000. Como o pedido só foi protocolado em 10 de outubro de 2.000, o direito postulado foi extinto pela inércia de seu detentor Ern assim sendo, seja o termo inicial contado da data da extinção do crédito tributário 13. elo pagamento antecipado, seja da data da publicação da Resolução do Senado, não importa, no momento em que o pedido foi protocolado na repartição fiscal o prazo encontrava-se exaurido," O recorrente quer estabelecer a divergência QOM urn dos argumentos longamente explicados no acórdão, que é a tese geral dos Conselhos e das Turmas da CSRF, de que o prazo para repetição do indébito inicia-se na data do pagamento antecipado a teor do que determina o artigo 168-1 do CTN, porem isso quando não há incidentes corno os de inconstitucionalidades, nesses casos a tese geral tanto nos ConselhOs corno nas Turmas da CSRF, 6* de que o tributo se torna indevido na data da publicação do ato e que o contribuinte dispõe de cinco anos a contar dessa data para solicitar restituição do § tributos pagos que foram considerados inconstitucionais. Diferentemente do argumentado pelo recorrente a inclusão pelo relator do paradigma da tese de que o prazo iniciaria na data da publicação da Resolução do Senado não foi só uma observação, essa é a tese predominante na 2' Turma da CSRF, e se o pedido tivesse sido feito dentro do qüinqüênio contado a partir da Resolução 49 do Senado, com certeza o contribuinte teria seu recurso provido, pois tanto no paradigma como no acórdão CSRF/02-02.032, os vencidos foram os mesmos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer e Francisco Mauricio R. Albuquerque Silva que adotam a tese dos 5 Mais cinco. 6 Processo n°13884.002829/98-13 Acórdão n ° 9100-00156 CSRF-PL Fl 4 No acórdão CSRF/02-02.032 cujo julgamento ocorreu no mesmo dia do paradigma 17 de outubro de 2.005, tendo a Turma a mesma composição, tendo o mesmo tema, restituição PIS prazo para pleitear, o acórdão ficou assim ementado: Número do Re curs o: 202-122461 Turma: SE GUNDA TURMA Niimero do Process o:13839.001172/2001-89 Tipo do Recurso: RE CURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: RESTITUIÇÃO/ COMP PIS Recorrente: EXPRESSO ITATIBA LTDA Interessado (a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 17/ 10/2005 09:30: 00 Relator (a): Rogerio Gustavo Dreyer AcOrdão: CSRF/ 02- 02.032 Decisão: NPM - NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão:Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogerio Gustavo Dreyer (Relator) e Francisco Mauricio R de Albuquerque Silva que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques. Os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres acompanharam pelas conclusões. Ausente justificaciamente a Conselheira Adriene Maria de Miranda. Inteiro Teor do Accirdão Ac CSRF 02 02032 . 202 122461Wok pdf Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA PRAZO. - A decadência do direito de pleitear a restituição de valores recolhidos a maior a titulo de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos-leis nos 2.445 e 2.449, de 1988, e de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, a data da publicação da Resolução do Senado no 49, de 1995. Recurso especial negado. Cabe destacar alguns pontos desse julgamento. 0 relator adotou a tese dos 10 anos a contar dos recolhimentos indevidos, e embora o contribuinte tenha feito o pedido em 16 de julho de 2.001, mais de cinco anos a contar da Resolução 49 do Senado Federal publicada em 10.10.95, com término, portanto cm 10.10.2.000, defendeu que os pagamentos feitos a partir de 16 de julho de 1.991, poderiam ser objeto de restituição, o que não foi acompanhado pela maioria da Turma que adotou a tese da contagem do prazo a partir de 10.10.95 conforme voto da Conselheira redatora do voto vencedor, Dra Josefa Maria Coelho Marques: "Acórdão CSRF/02-02,032 VOTO VENCEDOR Conselheira JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, Redatora designada, Discordo da posição do Relator no que se refere ez questão do prazo prescricional para os contribuintes pleitearem restituição de valores pagos relativos a tributo cuja norma que o exige tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Para tal efeito comungo com o raciocínio exposto no Parecer Cosit le 58, de 1998, cujo trecho referente ao assunto transcrevo abaixo; ) 24: Há de se concordar, portanto, com o mestre Alionar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, 10" ed., Forense, Rio, 1993, p 570), que entende que o prazo de que trata o art. 168 do CTN é de decadência, 25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável; que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível Assim, antes de a lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, ate então, por presunção, eram a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos. 26. Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionahdade, o inicio da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos ergo que, conforme já foi dito no item 12, ocorre apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição de ato especifico do Secretário da Receita Federal (hipótese do Decreto no 2346/1997, art 40) 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade de lei por meio de ADIn, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF. (.) " Na verdade, concordo com o entendimento desse Parecer porque o pagamento so se torna indevido quando a lei deixa de existir, ou seja, como poderia o contribuinte pleitear a restituição/ compensação sobre valores que até então eram considerados devidos No caso concreto, uma vez tratar-se de declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-lei no 2 445 e 2.449, ambos de 1988, foi editada Resolução do Senado Federal de no 49, de 8 Processo n° 13884.002829 198-13 Acórdão n° 9100-00156 CSRF-PL Fl 5 09/09/1995, retirando a eficácia das aludidas normas legais que foram acoimadas de inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Assim, havendo manifestação senatorial, nos termos do art. 52, X, da Constituição Federal, é a partir da publicação da aludida Resolução que o entendimento da Egrégia Corte se estende erga omnes Portanto, o direito subjetivo do contribuinte de postular a repetição de indébito pago coin arrimo em norma declarada inconstitucional, nasceu a partir da publicação da Resolução do Senado no 49, o que ocorreu em 10/10/95 e conforme, fi decidido em outras ocasiões por esta Turma, o prazo para tal flui ao longo de cinco anos No presente caso o contribuinte ingressou com seu pedido em 16/07/2001, portanto não é mais cabível por ter sido formulado após 10/10/2000 Assim meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso Sala das sessões, DF, em 17 de outubro de 2005. - JOSEFA MARIA COELHO MARQUiS " Temos então que diferentemente do argumentado pelo recorrente, embora o relator do acórdão CSRF/02-02.088, tenha discorrido longamente sobre a tese geral dos cinco anos a contar do pagamento, a tese de que o prazo para restituição tem inicio na data do ato que considerou inconstitucional a lei é a predominante para os casos de inconstitucionalidade. Assim se a mesma Turma no mesmo dia referendou a tese de que o prazo tern inicio corn a declaração de inconstitucionalidade, no acórdão CSRF/02-02.032 e não a tese de cinco anos a contar do pagamento indevido é porque essa tese é que fora subsidiária no voto. 0 fato é que ern ambos os julgados, o paradigma apontado pela PFN CSRF/02. 02.088 corno no CSRF/02.032, que trataram do mesmo tema prazo de restituição do PIS, cm ambos o recurso era do contribuinte e nos dois os pedidos foram formalizados após cinco anos a contar da Resolução do Senado Federal, no primeiro acórdão não ha nenhuma referência a tese de cinco anos a contar do pagamento, a não ser no voto vencido para considerar os cinco mais cinco. Alias, em recursos apresentados pela PFN na CSRF, a tese dos cinco anos a partir do pagamento, restou vencida nos acórdãos CSRF 02-02.699 e 02.720 da mesma Turma do acórdão paradigma bem como nos acórdão 204-00609, nesses julgados a contagem se fez a partir da publicação da Resolução 49 do Senado Federal em 10.10.95. Concluindo, a divergência não restou caracterizada e sim a convergência entre os julgados, pois nos acórdãos postos em confronto recorrido, bem como no paradigma CSRF/02- 02.088 a tese é a mesma de que o prazo para repetir indébito nos casos de declaração de inconstitucionalidades inicia-se na data de publicação do ato que reconheceu tal inconstitucionalidade. Brasil, Brasilia - DF, em MANOEL COELHO Ar D. JUNIOR - R Por fim cabe salientar que para ser caracterizada a divergência há necessidade de que a tese do acórdão recorrido tenha sido enfrentada no acórdão paradigma e que a interpretação tenha sido diferente, no presente caso quando trataram do tema prazo para repetição do indébito, nos casos especiais de declaração de inconstitucionalidade, emergiu a convergência, ou seja, a mesma interpretação. Assim deixo de conhecer do recurso por não ter sido estabelecida à divergência. 10
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Numero do processo: 10925.002026/2004-56
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
Ementa:
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - GLOSA
Glosada área de preservação permanente por falta de protocolização tempestiva do ADA, é de ser restabelecida a área, nos termos da súmula 41 do CARF. A mera indicação em laudo técnico da existência de mata nativa não representa suficiente alegação para sua inclusão como área de preservação permanente, mormente quando não indicada como tal na DITR respectiva e não enquadrada segundo o próprio laudo como área de preservação permanente.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2802-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer 450,20ha como área de preservação permanente, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 10/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - GLOSA Glosada área de preservação permanente por falta de protocolização tempestiva do ADA, é de ser restabelecida a área, nos termos da súmula 41 do CARF. A mera indicação em laudo técnico da existência de mata nativa não representa suficiente alegação para sua inclusão como área de preservação permanente, mormente quando não indicada como tal na DITR respectiva e não enquadrada segundo o próprio laudo como área de preservação permanente. Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer 450,20ha como área de preservação permanente, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
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A mera indicação em laudo técnico da existência de mata nativa não representa suficiente alegação para sua inclusão como área de preservação permanente, mormente quando não indicada como tal na DITR respectiva e não enquadrada segundo o próprio laudo como área de preservação permanente. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer 450,20ha como área de preservação permanente, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 20 26 /2 00 4- 56 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração, de fls. 01/03, 08/09, através do qual se exige do contribuinte pagamento de a título de Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 2000, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, decorrente da glosa de áreas de preservação permanente e de utilização limitada (Reserva Legal), resultando no aumento da Área Tributável e diminuição do Grau de Utilização, que fez aumentar também o Valor da Terra Nua Tributável e Alíquota de Cálculo, em relação aos dados informados em sua Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial — D1TR, do exercício de 1997, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Rio do Mato, com área de 2.028,7 ha, inscrita na SRF sob o n° 4.356.755.0, localizado no município de Água Doce — SC. A ação fiscal iniciouse em 14/07/2000, com intimação ao contribuinte, conforme AR de fl. 36, para apresentar Laudo Técnico emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, segundo as normas da ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas, para comprovar a área de preservação permanente, bem como a devida averbação dessa área no respectivo e Ato Declaratório Ambiental — ADA do lbama. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas no DIAC/DIAT (cópia do extrato da declaração às fls. 06/07), a fiscalização constatou a falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em decorrência das alterações ocorridas na DITR/1997, através do FAR — Formulário de Alteração e Retificação, em que foi glosada a área de Utilização Limitada (reserva legal) de 1.044,7 ha. Inicialmente, o interessado informou na DIAT/2000, 150 ha como área de preservação permanente e 1044,7 ha de utilização limitada. A fiscalização glosou integralmente a área de utilização limitada e a área de preservação permanente (fl.99), por falta de apresentação de qualquer documentação pelo contribuinte quando da intimação. Cientificado do lançamento (fl. 11), ingressou o contribuinte com as razões de impugnação (fls. 13/21), aduzindo, em síntese, que: Não possui perfil de sonegador, é cidadão correto, mantém sempre suas obrigações tributárias e fiscais em dia; Acometido de doença grave irreversível, teve reduzida a capacidade gerencial de seus negócios, ficando impossibilitado de apresentar corretamente as declarações 4111 relativas ao ITR; Em razão da doença, mal de Parkinson, não recebeu pessoalmente a correspondência relativa ao débito do ITR/1997, tendo recebido a intimação em 29/03/2001, data considerada termo inicial do prazo de 30 dias para apresentar impugnação; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10925.002026/200456 Acórdão n.º 2802002.076 S2TE02 Fl. 370 3 Não atendeu à solicitação do Fisco, porque achou que a retificadora que apresentou na SRF, para os exercícios anteriores ao exercício de 1997, tivesse solucionado a questão; Não estando precluso o prazo para a declaração, aproveita o prazo da impugnação para fornecer todas as informações relativas ao ITR/1997; Nas declarações anteriores a 1997, informou áreas de preservação permanente e reserva legal, mas foram glosadas, sendo lavrado o Auto de Infração para cobrança do imposto suplementar; A fazenda está inserida no conceito da Mata Atlântica, razão pela qual procurou afeiçoarse ao contexto, abstendose de ocupar pedaço coberto pela mata; respeitou a mata ciliar, nunca praticando corte raso, por não ser autorizado pelo IBAMA; Para comprovar a exploração restrita no imóvel, há anos vem mantendo, no pasto, uma média de 600 animais de grande porte; Existem em tomo de 450,20 ha de preservação permanente; Tomou conhecimento da Ação Civil Pública ocorrida por volta de 1996 contra o IBAMA, exigindo e obtendo a imediata paralisação de todo e qualquer processo que vise à supressão de Mata Atlântica ou para licenciamento ambiental de projetos que envolvam tal supressão. A mata existente na fazenda em questão impede o corte raso e, sendo remanescente da Mata Atlântica é inaproveitável à agricultura e pecuária; Considerando as áreas de preservação permanente, utilização limitada e a coberta por mata nativa, mais da metade da fazenda é constituída de área de utilização lestrita, não podendo ser exigido pagamento de imposto de área que não possa ser explorada; A área de utilização limitada está averbada à margem da transcrição, Matrícula 5.230, correspondendo a 405,0 ha; Foi demonstrada a existência de 405,76 ha de área de utilização limitada e 450,2 ha de preservação permanente que somadas, resultam em 855,96 ha de área não tributável, portanto a área tributável seria de 1.172,8 ha que, descontada a área de benfeitorias, resulta numa área de 1.031,8 ha. Por último, requer que sejam acolhidas as declarações referentes ao ITR/1997, considerando que em sua fazenda mantém 405,76 ha de área de utilização restrita e 450,2 ha de matas de preservação permanente; e 422,6 ha de Mata Nativa como área de utilização limitada e como não tributável; que seja deferida ajuntada dos documentos anexos e que seja acolhida a impugnação. Acompanharam a impugnação os documentos de fls. 22 a 33. Os fundamentos legais e normativos da autuação, conforme esclarece o auto de infração, fl. 03, são os seguintes, arts. 1°, 7°, 9°, 10, 11 e 14 da Lei 9.393/1996. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/Campo GrandeMS, em sessão realizada no dia 13/08/2004, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, acatando para fins de exclusão de tributação uma área de reserva legal de 405,7 ha, nos termos de fl.164, aos fundamentos de que: quanto à área de reserva legal, ficou comprovada a sua devida averbação em data anterior ao fato gerador da obrigação tributária, motivo pelo qual assiste razão ao contribuinte; quanto à área de preservação permanente/utilização limitada, o laudo apresentado está em desconformidade com as normas da ABNT e desacompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA; também ausente a prova de protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA. Cientificado o contribuinte da supramencionada decisão, conforme fl.252, o espólio do contribuinte interpôs tempestivamente Recurso Voluntário por via postal a fl. 258, atacando a decisão exarada pela DRJ, naquilo em que sucumbiu, e afirmando que a averbação da área de reserva legal em data anterior ao fato gerador ficou comprovada nos autos, sendo de ser reconhecidos a este título 405,76 ha; além disso, 450,20 ha, hão de ser considerados área de preservação permanente, nos termos do laudo junto aos autos, o qual afirma ter sido elaborado nos termos das normas da ABNT e está já acompanhado da respectiva ART, junta aos autos, e a legislação de regência dispensa a exigência de provas adicionais; por fim, devem ser considerados ainda 422,60 ha de mata nativa, também área de preservação permanente, área que, não sendo passível de exploração, não pode ser tributada; cita ainda a jurisprudência administrativa em casos versando o mesmo imóvel, em outros exercícios, e junta o ADA, protocolado em 27/04/2001 É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator O recurso é tempestivo, razão pela qual conheço do mesmo, exclusivamente quanto à área de preservação permanente, de vez que a área de reserva legal/utilização limitada, de 405,7 ha, já foi reconhecida pela decisão da DRJ. No mérito, é preciso atentar ao que contém o auto de infração, fl.03, que afirma o seguinte: “No caso da área de preservação permanente, foi apresentado o Laudo Técnico do Imóvel que demonstra diferenças em relação à DITR 2000. Em primeiro lugar, o Laudo apresenta uma APP maior (de 450,20 ha) do que a declarada na DITR (de 150 ha). Esta diferença a maior poderia ser considerada como redução para efeito do Cálculo da Área Tributável não fosse o fato de não estar sendo cumprida (como discutido abaixo) a condição representada pelo ADA.” Passa, em seguida, a autoridade responsável pela autuação a afirmar que o ADA protocolizado em 27.04.2001 é intempestivo, reconhecendo que para áreas de preservação permanente dispensase a averbação no Registro de Imóveis. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10925.002026/200456 Acórdão n.º 2802002.076 S2TE02 Fl. 371 5 Face ao caráter vinculado do lançamento tributário, nenhum outro argumento além dos constantes da fundamentação do auto de infração deve ser levado em consideração para decidirse acerca de sua manutenção ou de seu desfazimento. No caso presente, incide a Súmula CARF nº. 41, segundo a qual, para fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, a não apresentação do ADA não pode representar fundamento para lançamento de ofício. Sendo assim, serão reconhecidos os 450,20ha declarados como área de preservação permanente. Quanto à pretensão recursal de que mais 422,60ha de mata nativa sejam reconhecidos como sendo de preservação permanente, faltam elementos nos autos capazes de comprovar tal assertiva, de vez que o próprio laudo apresentado pelo contribuinte, embora tenha identificado tal área de mata nativa, não a considerou enquadrável como área de preservação permanente. Isto posto, dou parcial provimento ao recurso, para restabelecer 450,20 ha como área de preservação permanente. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000013/2002-17
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1996
NULIDADE DO LANÇAMENTO. SÚMULA 21 DO CARF. ARTIGO 72 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF DISPONDO QUE AS DECISÕES CONSUBSTANCIADAS EM SÚMULA SÃO DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELOS MEMBROS DO CARF. APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO.
Verificado que o auto de infração não contém a identificação da autoridade que a expediu, incide o disposto na Súmula n.° 21 do CARF, que prevê que é nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Inteligência do artigo 53 da Lei n° 9.784, de 1996.
No caso concreto, em conformidade com o artigo 53 da Lei ri° 9.784, de 1996, e artigo 72 do Regimento Interno do CARF, que prevê que as decisões consubstanciadas em súmula são de observância obrigatória pelos membros do CARF, aplica-se o disposto em tais normas para reconhecer a nulidade, por vício formal, do lançamento, resultando prejudicado o recurso da fazenda nacional.
Processo anulado.
Numero da decisão: 9202-000.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade do lançamento, julgando prejudicado o recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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SÚMULA 21 DO CARF. ARTIGO 72 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF DISPONDO QUE AS DECISÕES CONSUBSTANCIADAS EM SÚMULA SÃO DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELOS MEMBROS DO CARF. APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO. Verificado que o auto de infração não contém a identificação da autoridade que a expediu, incide o disposto na Súmula n.° 21 do CARF, que prevê que é nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Inteligência do artigo 53 da Lei n° 9.784, de 1996. No caso concreto, em conformidade com o artigo 53 da Lei ri° 9.784, de 1996, e artigo 72 do Regimento Interno do CARF, que prevê que as decisões consubstanciadas em sumula são de observância obrigatória pelos membros do CARF, aplica-se o disposto em tais normas para reconhecer a nulidade, por vício formal, do lançamento, resultando prejudicado o recurso da fazenda nacional. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, p nanimidade de votos, em declarar a nulidade do lançamento, julgando prejud cado o recurs•,. eiggCARLOS ALBER • 0.! • FITAS B • J • • TO - Presidente _ MO - r t •-'" • ES DA SILVA - Relator EDITADO EM: 3 1 M/1 2Q10 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (Suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório Trata-se de notificação de malha relativa ao Imposto Teultorial Rural - 1TR, exercício de 1996, cuja causa está relacionada ao Valor da Terra Nua — VTN, declarada pelo contribuinte. De inicio, destaco que a notificação de lançamento de fls. 06 não contém a identificação da autoridade que a expediu, incidindo as disposições da Súmula n.° 21 do CARF. O contribuinte apresentou impugnação questionando o VTN. O lançamento foi julgado procedente e, cientificado da decisão, o contribuinte recorreu alegado a nulidade do lançamento por falta de identificação do lançador tributário. O acórdão recorrido n° 303-33.611 (fls. 70/73) não analisou a nulidade argüida pelo contribuinte, no entanto, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência tributária, nos tei MOS da ementa abaixo transcrita: ITR/BASE DE CÁLCULO. VALOR DA TERRA NUA mínimo. A base de cálculo do ITR, é o Valor da Terra Nua (VTIV) declarado pelo contribuinte. Entretanto, caso este valor for inferior ao VIII mínimo (117Wm) fixado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, este passará a ser o valor tributável, ficando reservado ao contribuinte o direito de provar, perante a autoridade administrativa, por meio de laudo técnico de avaliação, que o valor declarado é de fato o preço real da terra nua do imóvel rural especificado. Comprovado os fatos alegados na impugnação, deve-se afastar a exigência fiscal relativa a impugnação. tH‘ks, RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. 2 Processo n° 10825.00001312002-17 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.903 Fl. 2 Regulamente intimada às fls. 74, a Fazenda Nacional ingressou com o recurso especial de fls. 76 e seguintes, alegando contrariedade à evidência das provas. Sustenta que o laudo técnico apresentado pelo recorrido não se presta para rever o VTN, conforme é facultado à Administração, por força do § 4a, artigo 3°, da Lei n.° 8.847, de 1994. O recurso foi admitido às fls. 85/87 e recorrido apresentou contrarrazões de fls. 96 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legitima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Dados os fatos especificados no relatório o conheço para exame da legalidade do lançamento. A notificação de lançamento de fls. não contém a identificação da autoridade que a expediu, incidindo o disposto na súmula n°21 do CARF, "in verbis": Súmula CARF n.' 21: É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Por sua vez, o artigo 72 do Regimento Interno do CARF, que prevê que as decisões consubstanciadas em súmula são de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, verificada nulidade, não pode o relator silenciar acerca da mesma. Soma-se a isto a determinação prevista no artigo 53, da Lei n" 9384, de 1999, que prevê que a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicios de legalidade. Ademais, quando se analisa a legalidade do lançamento, há que se ter presente as disposições do artigo 10, do Decreto n° 70.235, de 1972, que trata dos requisitos para a validade do auto de infração, assim dispondo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1- a qualificação do autuado; ii - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou ; função e o número de matricula. 3 A qualificação do autuado, a descrição do fato, a disposição legal infringida são requisitos essenciais para validade do lançamento. Sem tais requisitos, sequer é possível falar em lançamento válido, ainda que para fins de interrupção da decadência. Todavia, as questões relacionadas à identificação do local, da data e a assinatura da autoridade autuante, são requisitos necessários, mas que, se inexistentes, não alteram a essência do lançamento, constituindo-se, apenas, em nulidades formais, nos termos da Súmula n°21 do CARF, anteriormente transcrita. No caso dos autos a falta de assinatura na notificação do lançamento se constitui em nulidade que deve ser declarada a qualquer tempo, uma vez que é requisito essencial ao regular desenvolvimento do processo. Quanto às questões de mérito articuladas no recurso da Fazenda Nacional, as mesmas resultam prejudicadas em decorrência da nulidade. ISTO POSTO, voto no sentido de reconhecer a nulidade do lançamento, nos termos da Súmula n° 21 do CARF, resultando prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. a. Moisés "acomelli Nunes da Silva - Relator • 4
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Numero do processo: 10314.000861/2004-40
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 07/01/1999 a 24/06/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração têm como finalidade a correção de falhas existentes nos acórdãos, quando for demonstrada contradição entre os argumentos e a conclusão ou entre as partes dispositivos e as decisões ou ementas, ou ainda obscuridade nas conclusões do acórdão ou constatação de que a decisão foi omissa no tocante às alegações do recurso, não se prestando para a rediscussão sobre a matéria objeto de lide.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3101-000.116
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-29T19:16:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-29T19:16:24Z; Last-Modified: 2010-03-29T19:16:24Z; dcterms:modified: 2010-03-29T19:16:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-29T19:16:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-29T19:16:24Z; meta:save-date: 2010-03-29T19:16:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-29T19:16:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-29T19:16:24Z; created: 2010-03-29T19:16:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-03-29T19:16:24Z; pdf:charsPerPage: 1410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-29T19:16:24Z | Conteúdo => S3-C1T1 Fl. t.963 6-4•Y» MLNISTÉRIO DA FAZENDA '>k • •Aï.. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10314.000861/2004-40 Recurso n° 132.101 Embargos Acórdão n° 3101-00.116 — P Câmara/ia Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria IPECLASSIFICAÇÃO FISCAL Embargante JOHNSON MATTHEY BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 07/01/1999 a 24/06/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração têm como finalidade a correção de falhas existentes nos acórdãos, quando for demonstrada contradição entre os argumentos e a conclusão ou entre as partes dispositivos e as decisões ou ementas, ou ainda obscuridade nas conclusões do acórdão ou constatação de que a decisão foi omissa no tocante às alegações do recurso, não se prestando para a rediscussão sobre a matéria objeto de lide. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Relator. To"rreA':e.O.7.7dente uiz No o Ro -"uri - Relator EDITADO EM . 15 de setembro de 2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domin go, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda, Valdete Aparecida Marinheiro, Tarasio Campeio Borges, Sasy Gomes Hoffina.nn e Henrique Pinheiro Torres. - Relatório Trata-se de embargos de declaração apresentados tempestivamente pela empresa interessada (fls. 1874/1960) ao Acórdão n' 301-34.180, de 4/12/2007, da P Câmara do 3' Conselho de Contribuintes (fls. 1799/1814), que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto. Alega que o acórdão contém contradições, obscuridade e omissões. Entende a embargante que o acórdão apresenta primeira contradição quando o voto do relator invoca notas referentes à posição 8421, que estabelecem que as superficies filtrantes de cerâmica classificam-se segundo sua matéria constitutiva (cerâmica), bem como as notas de alcance geral do Capitulo 84, que determinam que as partes de cerâmica classificam- se no Capítulo 69 (produtos cerâmicos) e não no Capítulo 84. Assim, o voto do relator entende que, por ser um objeto de cerâmica, o depurador catalítico importado não deveria ser classificado no Capítulo 84 mas sim no Capitulo 69. Ocorre, contudo, que a autuação não classificou o produto no Capitulo 69, mas sim, no Capitulo 38. Portanto, há contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou seja, a prevalecer a fundamentação do voto, a decisão deveria ter cancelado o auto de infração, pois este não classificou o produto no Capitulo 69, mas sim, no Capítulo 38. A embargante suscita outra contradição, esta porque, segundo o voto embargado, as NESH da posição 3815 fundamentariam a classificação dos depuradores catalíticos nessa posição, na medida em que determinam que ali sejam classificadas as preparações catalíticos. No entanto, o produto importado, dada a sua forma, estrutura, tamanho, etc., não é uma preparação catalítica. Alega que as preparações catalíticas são aquelas apresentadas na forma de grãos, pó, farinha, etc., inclusive envasadas, mencionadas nos exemplos das NESH e trazidas fisicamente pela embargante como exemplos quando do julgamento. Que o produto importado é um filtro depurador catalítico e não uma preparação catalítica. E que além do laudo do INT, no próprio laudo técnico solicitado pela SRF em relação à DI 99/0468211-9, o perito se refere à mercadoria analisada como "depurador por conversão catalítica" em diversas ocasiões. Que também no segundo laudo técnico solicitado pela SRF, relativo à DI 01/1205548-0, o perito se refere à mercadoria como derhurador por conversão catalítica de gases de escape de veículos repetidas vezes; jamais como preparação catalítica. Em face de o produto não ser caracterizado como uma preparação, a embargante requer seja também sanado esse aspecto contraditório da decisão recorrida, urna vez que a NESH citada como fundamento para a manutenção da autuação refere-se apenas às preparações e que as notas referidas pelo voto condutor não se prestam a fundamentar a classificação do produto na posição 3815. Alega também a embargante a existência de obscuridade no voto, tendo em vista que os documentos referentes à classificação adotada em outros países (México e Argentina) não foram considerados pelo voto condutor, que entendeu que os produtos ali citados não se identificariam com aquele que é objeto da lide. Aduz que restaram obscuras as razões desse entendimento. A embargante entende, ademais, que a decisão embargada foi omissa em relação à alegação de alteração do critério jurídico, visto que o auto de infração pretendeu dar aplicação retroativa a essa alteração, o que é vedado pelo ordenamento pátrio. Nesse ponto, entende que somente a partir de l/1/2003, com a introdução da Resolução Camex n' 35/2002, que criou o código 3815.12.10, introduzindo o item 10 na posiçãb 3815, que a SRF passou a não mais aceitar os certificados de origem e a questionar a classificação fiscal adotada pela embargante. v;\, 2 Processo n° 10314.00086112004-40 S3-CITI Acórdão n.° 3101-00.116 Fl. 1.964 Finalmente, a embargante aduz a ocorrência de omissão, consistente em não ter constado do acórdão a declaração de voto da Conselheira Susy Gomes Hoffmann, nem ter sido essa declaração de voto disponibilizada nos autos do processo. Pelo exposto, requer sejam acolhidos os embargos, para que sejam sanadas as contradições, obscuridades e omissões, com o que este recurso poderá ter efeitos infringentes. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator Conheço dos embargos em vista de serem tempestivos e por se verificarem satisfeitos os requisitos para a sua admissibilidade. Vejo que, no que respeita à contradição primeira alegada pela embargante, essa não compreendeu o voto do relator no sentido e dimensão que esse lhe deu. Assim, e diversamente do que a embargante entendeu, as explicações contidas no voto, pertinentes às partes de cerâmica, não tiveram o objetivo de classificar os produtos da embargante e objeto de lide no Capitulo 69, e sim, de tão somente explicitar que as superficies filtrantes de cerâmica não podem ser classificadas no Capítulo 84 por expressa determinação do Sistema Harmonizado, conforme estabelecido pelas Notas das NESH referentes a este Capítulo. E isso para que, preliminarmente, ficasse claro que o fato de o produto ser um filtro ou depurador não basta para que tenha classificação no Capítulo 84 pretendido pela recorrente. O voto foi claro ao discorrer sobre a matéria quando, a seguir, transcreveu as redações das NESH que levam à classificação do produto na posição 3815 do Sistema Harmonizado, conforme as NESH dessa posição referentes a produtos constituídos de substâncias ativas depositadas sobre um suporte (denominadas "catalisadores em suporte"), no caso, de matérias cerâmicas. Por isso, não há qualquer contradição no voto norteador do acórdão, o qual entendo ter bem fundamentado as razões que levaram a manter a classificação adotada pelo Fisco. A segunda contradição suscitada refere que, segundo o voto embargado, a posição 3815 fundamentaria a classificação dos depuradores catalíticos na medida em que determinam que ali sejam classificadas as preparações catalíticas, ao passo que o produto importado não é uma preparação catalítica e sim, um filtro depurador catalítico. Ora, as NESH são claras ao classificar na posição 3815 as preparações para iniciar ou acelerar certos processos . químicos, compreendendo ai o depósito de substâncias ativas sobre um suporte (denominadas "catalisadores em suporte"). Trata-se de determinação rígida estabelecida no Sistema Harmonizado em relação_ à qual não cabem questionamentos. De outra parte o voto referiu às Notas do Capítulo 71, que em seu item 3, "d", dispôs expressamente que os catalisadores em suporte classificam-se na posição 3815. Também nessa parte não há qualquer contradição, razão pela qual não assiste razão à embargante. Quanto à alegação de obscuridade no voto, vê-se que, ao contrário do que alega a embargante, o voto foi claro ao citar as razões pelas quais não foram levadas em consideração as classificações comidas nos documentos por ela acostados ao recurso. Aliás, a própria embargante transcreve ao rodapé de seus embargos os excertos do voto conespondentes a esse tópico, onde são explicadas de Mima compreensível as razões do não acolhimento desses documentos para os fins pretendidos, não cabendo, assim, cotar-se da falha alegada. De outra parte a embargante alega a existência de omissão do relator no que respeita à alegação de alteração do critério jurídico, tendo em vista o advento da Resolução Camex ni2 35/2002. Também nessa parte não assiste razão à embargante, visto que a matéria foi enfrentada de forma específica para afastar a alegação trazida no recurso, tendo sido explicado, na oportunidade, que o produto importado já tinha classificação na posição 3815.12.00 antes da entrada em vigor da referida Resolução. Em resumo, nenhuma das alegações acima examinadas se caracterizam pela existência de contradição, obscuridade ou omissão. Na verdade, os questionamentos da embargante traduzem, em essência, a sua inconformidade à decisão embargada e a tentativa de trazer a lide para reexame, hipótese não albergada em sede de embargos de declaração. • Finalmente, quanto à falta da declaração de voto referida pela embargante, Mão se trata de elemento que justifique a apresentação de embargos, tendo em vista que tal hipótese não está relacionada entre as previstas no Re gimento como admissivel de embargos declaratórios. Mais o que o Regimento dispõe quanto à apresentação de declarações de voto é o estabelecimento de prazo para tanto, ficando a critério dos conselheiros a implementação dessa providência. Diante do exposto, voto por que os embargos de declaração sejam conhecidos e rejeitados. ovo • ossari _ 4
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Numero do processo: 10120.009210/2002-21
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, sob o rito do recurso repetitivo, previsto no art. 543-C do CPC, de que o condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS, criado via instrução normativa, exorbita os limites impostos pela lei ordinária.
CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS SITUADAS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE.
A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. (Súmula CARF nº 20)
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. SELIC. APLICABILIDADE.
É cabível a aplicação da correção pela taxa SELIC ao ressarcimento, desde que haja a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (entendimento fixado pelo STJ sob o rito do art. 543-C do CPC).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-002.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, reconheceu-se o direito de o contribuinte apurar o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à atualização pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido, excluída a correção sobre a parcela do ressarcimento concedida de plano pela DRF; e b) por maioria de votos, negou-se provimento quanto ao direito de apurar crédito presumido em relação à exportação de produtos NT. Vencidos nesta parte os Conselheiros Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel (Relatora). Designado o Conselheiro Alexandre Kern.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Alexandre Kern Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, sob o rito do recurso repetitivo, previsto no art. 543-C do CPC, de que o condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS, criado via instrução normativa, exorbita os limites impostos pela lei ordinária. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS SITUADAS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. (Súmula CARF nº 20) IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. SELIC. APLICABILIDADE. É cabível a aplicação da correção pela taxa SELIC ao ressarcimento, desde que haja a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (entendimento fixado pelo STJ sob o rito do art. 543-C do CPC). Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, sob o rito do recurso repetitivo, previsto no art. 543C do CPC, de que o condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS, criado via instrução normativa, exorbita os limites impostos pela lei ordinária. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS SITUADAS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. (Súmula CARF nº 20) IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. SELIC. APLICABILIDADE. É cabível a aplicação da correção pela taxa SELIC ao ressarcimento, desde que haja a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (entendimento fixado pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC). Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 92 10 /2 00 2- 21 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte apurar o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à atualização pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido, excluída a correção sobre a parcela do ressarcimento concedida de plano pela DRF; e b) por maioria de votos, negouse provimento quanto ao direito de apurar crédito presumido em relação à exportação de produtos NT. Vencidos nesta parte os Conselheiros Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel (Relatora). Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Antonio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Alexandre Kern – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos presumidos do IPI (fls. 1), formulado por CARAMURU ALIMENTOS S.A., relativos ao 3º trimestre de 2002, no valor de R$ 2.726.413,42, protocolado em 03/12/2002 na Delegacia da Receita Federal em Goiânia/GO, e de Declaração de Compensação (fls. 29), protocolada em 11/02/2003, para compensar débito da CSLL no valor de R$ 485.422,22. Em 18/11/2008, por meio do Despacho Decisório nº 1.081 – DRF/GOI (fls. 153/161), foi deferido parcialmente o pedido da Recorrente, reconhecendo créditos no valor de R$ 371.603,59, a título de Ressarcimento do IPI, e R$ 113.818,63, a título de compensação tácita, pelo decurso do prazo de cinco anos entre a data da compensação e a data da homologação, além de ter indeferido a atualização dos créditos reconhecidos. O indeferimento parcial do Pedido de Ressarcimento é devido à glosa na base de cálculo utilizada para a apuração do crédito presumido, em cujo cálculo da Recorrente constavam as aquisições de insumos feitas de pessoas físicas e de cooperativas, no valor de R$ 104.178.609,44, bem como as Receitas de Exportação de Produtos NãoTributados (NT), no valor de R$ 2.307.940,90. Notificada do conteúdo do Despacho Decisório em 11/3/2009 (fls. 166), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 167/199), protocolada em 24/03/2009, tida como tempestiva, conforme certidão de fls. 200. Nessa ocasião, a contribuinte se opôs ao Despacho Decisório, bem como afirmou seu direito ao ressarcimento e à respectiva correção monetária, fundamentados em diversas razões. 2 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 533 Em que pese os documentos e a argumentação apresentados, a Manifestação de Inconformidade da Recorrente foi julgada improcedente, conforme se extrai do Acórdão nº 0924.074, proferido em 22/05/2009 pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), de fls. 201/215, sob os principais argumentos de que: 1. o crédito presumido do IPI é calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS; 2. o crédito presumido do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto; 3. a incidência de correção monetária ou de juros sobre créditos básicos ou incentivos fiscais carece de previsão legal; e 4. ante a presunção de legalidade, não cabe à esfera administrativa questionar ou negar a aplicação de normas e determinações previstas na legislação tributária. Em 17/6/2009, a contribuinte tomou ciência da decisão proferida em primeira instância, consoante Aviso de Recebimento (AR) de fls. 220. Irresignada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 221/264) em 3/7/2009. Nessa oportunidade, a Recorrente reiterou e acrescentou, em síntese, os seguintes argumentos: 1. a Lei nº 9.363/96 não fez qualquer exclusão da base de cálculo do crédito presumido, valendo, portanto, as regras tanto para aquisições de pessoas jurídicas quanto para a aquisição de pessoas físicas; 2. o produtor rural utilizou insumos sobre os quais incidiram o PIS e a Cofins, logo, tais contribuições já estariam embutidas no preço das mercadorias; 3. as Instruções Normativas nº 23/97 e 103/97, ambas da Secretaria da Receita Federal, são normas complementares, não podendo transpor, inovar ou modificar a norma legal; 4. a Requerente é empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais e, portanto, preenche as duas condições exigidas pela Lei nº 9.363/96 para fazer jus ao crédito presumido do IPI; 5. os produtos não tributados (NT) ou tributados à alíquota zero são considerados industrializados, para fins da TIPI; 6. a correção monetária garante a equidade e decorre de aplicação analógica das determinações legais relativas à restituição e à compensação; 7. a correção monetária não representa um “plus”, mas simplesmente um mero regate de expressão real dos valores envolvidos; e 8. a não autorização da correção monetária promove o enriquecimento sem causa do Fisco e compromete o princípio da igualdade. 3 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Nos pedidos, requereu o provimento de seu Recurso Voluntário para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, desconsideradas as glosas efetuadas pela DRFB/Goiânia e mantidas pelo acórdão recorrido. Consequentemente, requereu o restabelecimento à base de cálculo de apuração do crédito presumido do IPI os seguintes valores: R$ 104.178.609,44, pelas aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperativas (aquisições de produtor rural), e R$ 2.307.940,90 pela receita de exportação de produtos não tributados pelo IPI. Por fim, requereu a atualização dos créditos, inclusive sobre a parte expressamente reconhecida no Despacho Decisório, calculandoa desde a data da protocolização do pedido até a data de vencimento do tributo compensado, de acordo com a IN SRF 21/97. Em suma, é o relatório. Voto Voto Vencido Conselheira Relatora Raquel Motta Brandão Minatel, Admissibilidade O recurso merece conhecimento, pois é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Mérito 1. Aquisições de pessoas físicas e cooperativas Argumenta a Recorrente, no tocante a essa matéria, que o objetivo da Lei n.º 9.363/96 é “[...] desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, permitindo maior competitividade desses produtos no mercado externo, mediante o ressarcimento, na forma de crédito presumido, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, das contribuições para PIS/PASEP e para a COFINS, incidentes sobre todos os insumos utilizados no processo produtivo de mercadorias nacionais destinados ao mercado externo [...]”. Com isso, alega a Recorrente que qualquer entendimento que venha “[...] limitar o direito da contribuinte reconhecido ex vi legis, é totalmente insubsistente, por carecer de respaldo legal [...]”. Nesse sentido, alega a Recorrente que a decisão proferida pela DRJ desrespeita os comandos constitucionais e legais que regulam a matéria em questão, na medida em que o julgado admitiu as “[...] Instruções Normativas nº 23/97 e 103/97, editadas pela Secretaria da Receita Federal, cujo conteúdo restringe inexoravelmente o benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363/96 [...]”, fato que é vedado à normas meramente complementares. Além disso, alega a Recorrente que o artigo 2º da Lei 9.363/96 prevê que o crédito presumido sobre o valor total das aquisições de matériaprima e que tal dispositivo não prevê qualquer tipo de exceção, como a imposta pelos atos normativos citados acima. 4 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 533 Colacionou diversas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais e também do Superior Tribunal de Justiça que respaldariam esse argumento, ou seja, de que o crédito presumido em questão seria apurado sobre a totalidade das aquisições de matériaprima. No tocante a essa matéria não cabe maiores digressões, posto que o STJ já a julgou sob o rito do repetitivo, previsto no art. 543C do CPC, cuja ementa se transcreve: RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. Condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS. Exorbitância dos limites impostos pela lei ordinária. Súmula Vinculante 10/STF. Observância. Instrução Normativa (ato normativo secundário). Correção monetária. Incidência. exercício do direito de crédito postergado pelo fisco. Não caracterização de crédito escritural. Taxa SELIC. Aplicação. violação do artigo 535, do CPC inocorrência. Assim, nos termos do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do RICARF, acato a decisão proferida pelo STJ, e dou provimento ao Recurso no tocante à inclusão no cálculo do crédito presumido de PIS/COFINS das aquisições de pessoas físicas e cooperativas. 2. Exportações de produtos não tributados ou tributados com alíquota zero pelo IPI (produtos NT) A atividade da Recorrente consiste na industrialização e comercialização de alguns produtos para alimentação derivados de grãos, como milho, soja etc. Entre as glosas de créditos presumidos de IPI constantes do Despacho Decisório e mantidos pelo Acórdão da DRJ, estão as referentes às exportações de “Fubá tipo exportação Caramuru e Fubá mimoso fino”, classificados pela TIPI como produtos não tributados, bem como às exportações de fubá médio, produto sujeito à alíquota zero. No que tange às mencionadas glosas, a Recorrente pondera que “[...] a lei instituidora do benefício fiscal não restringiu a sua aplicação apenas aos produtos industrializados tributados, o incentivo alcança todas as mercadorias [...]”, independentemente de serem produtos industrializados não tributados. Razão assiste à Recorrente. De fato, não cabe ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. A Lei nº 9.363/96, em seu art. 1º, não veda a fruição do benefício em relação às mercadorias classificadas como produtos não industrializados ou tributados pela alíquota zero. Sendo assim, é lícita a inclusão das receitas de exportação de produtos não tributados ou tributados pela alíquota zero na base de cálculo do crédito presumido de IPI. 5 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou algumas vezes, de acordo com o seguinte precedente: Ementa Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja tributado pelo IPI ou que a empresa seja contribuinte do IPI. Referindose a lei a "mercadorias", foi dado o benefício fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados", que são espécie do gênero "mercadorias". CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC SÚMULA nº 411STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos acrescidos) Portanto, dou provimento ao Recurso no que tange à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, das receitas de exportação de produtos não tributados e dos produtos tributados pela alíquota zero. 3. Aplicação da taxa SELIC A Recorrente, por fim, insurgese quanto ao ponto da decisão de primeira instância que negou a incidência de juros pela SELIC em casos de ressarcimento de IPI. Argumenta a Recorrente que “[...] se realmente não coubesse a atualização monetária dos referidos valores, isto certamente representaria, para o Estado, enriquecimento sem causa [...]”. Citou de diversas decisões administrativas e judiciais que reconheceriam o direito à utilização da Taxa SELIC nos moldes pleiteados. Relativamente a essa matéria, tenho a registrar que concordo plenamente com a aplicação da correção pela taxa SELIC ao ressarcimento, desde que haja a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. No caso em questão, o Despacho Decisório reconheceu parte do pedido de ressarcimento, no montante de R$ 371.603,59, razão pela qual a Recorrente carece de interesse de agir quanto a essa parcela. 6 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 533 Por outro lado, a Recorrente faz jus à atualização do pedido de ressarcimento, pela taxa SELIC, quanto ao restante do crédito, que foi indevidamente glosado. Por todo o exposto, voto no seguinte sentido: a) Dou provimento no tocante às aquisições de pessoas físicas e cooperativas; b) Dou provimento no tocante ao direito de apurar crédito presumido relativamente à exportação de produtos não tributados e tributados pela alíquota zero de IPI; c) Dou provimento parcial quanto à atualização do pedido de ressarcimento pela taxa SELIC, para que sejam atualizados apenas os valores pleiteados via “Pedido de Ressarcimento”, mas que ainda não foram objetos de pedido de compensação pela Recorrente. Raquel Motta Brandão Minatel Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado. Este voto aborda, exclusivamente, a matéria versando sobre a inclusão os produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI – TIPI com a notação NT (não tributados) no cálculo do crédito presumido do IPI, em que foi vencida a ínclita relatora. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1° da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores. A teor do artigo 3° da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da TIPI com a notação NT estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. 7 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, queda insatisfeita uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semi elaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no RIPI. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Ainda, mas não menos importante, a Súmula CARF nº 20 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009) veda expressamente o creditamento do IPI nas aquisições de insumos aplicados em produtos NT: Súmula CARF Nº 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. Com essas considerações, nego provimento ao recurso quanto a esta matéria. Sala de sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern 8 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Numero do processo: 11065.002048/87-67
Data da sessão: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 1990
Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA - Exclui-se do lançamento decorrente parcela proporcional àquela desonerada no processo matriz, devido à
Intima relação de causa e efeito existente.
Numero da decisão: 103-09.964
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso a fim de se excluir da tributação a importância de Cr$ 4.994.790, no ano de 1985
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira
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Numero do processo: 12466.000097/98-11
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 18/01/1995 a 29/03/1995
EMENTA:
VALORAÇÃO ADUANEIRA - REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS - ART. 8º DO AVA- NÃO INCLUSÃO - VINCULAÇÃO . As remunerações pagas pelos Concessionários à detentora do uso da marca em contrapartidas a serviços contratados e prestados no Brasil, após a internalização das mercadorias pela detentora do uso da marca, não integra o valor aduaneiro. Para efeitos da formação do valor da transação a vinculação ou não, no caso presente, não ocasiona repercussão. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-002.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente substituto.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 18/01/1995 a 29/03/1995 EMENTA: VALORAÇÃO ADUANEIRA - REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS - ART. 8º DO AVA- NÃO INCLUSÃO - VINCULAÇÃO . As remunerações pagas pelos Concessionários à detentora do uso da marca em contrapartidas a serviços contratados e prestados no Brasil, após a internalização das mercadorias pela detentora do uso da marca, não integra o valor aduaneiro. Para efeitos da formação do valor da transação a vinculação ou não, no caso presente, não ocasiona repercussão. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
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As remunerações pagas pelos Concessionários à detentora do uso da marca em contrapartidas a serviços contratados e prestados no Brasil, após a internalização das mercadorias pela detentora do uso da marca, não integra o valor aduaneiro. Para efeitos da formação do valor da transação a vinculação ou não, no caso presente, não ocasiona repercussão. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 00 97 /9 8- 11 Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Nas fls.1177/1188 Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional admitido pelo despacho de fl 1.193, por insurgimento ao entendimento contido no Acórdão de fl. 1.123 materializado pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de então, com provimento a Contribuinte por maioria de votos nos seguintes termos: VALORAÇÃO ADUANEIRA – VALORES PAGOS POR IMPORTADORAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS. Os valores pagãos por concessionários às detentoras do uso da marca no país, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no país, não constituem acréscimo ao Valor Aduaneiro da mercadoria, para cálculo dos tributos na importação. Inteligência dos artigos 1º 8º e 15 do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930, 16.07.86 e das Decisões COSIT nº 14 e 15 de 1997. PROVA PERICIAL. É de ser indeferida...... SOLIDARIEDADE – Inaplicabilidade do art. 124 do CTN..... VALORAÇÃO ADUANEIRA – Não provada a vinculação ou a ocorrência de situações que justifiquem os ajustes previstos no art. 8º, do AVA, impõese a aceitação dos valores de transação, nas operações de importação. Recurso Voluntário Provido. Na fl. 1.168, Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, arguindo omissão quanto à notificação da decisão proferida pela DRJ à empresa MMCB, omissão essa devidamente sanada por declaração (fl. 1.174) dos Advogados das Empresas, quanto à ciência de todos os atos do processo além do Despacho de fls. 1173 baseandose no fato de que não haveria motivo para suprir a falta alegada uma vez que o mérito foi decidido em favor da MMCB. Inicia seu insurgimento contra a decisão da Câmara intermediária que não enquadrou a COIMEX Cia. Importadora e Exportadora como parte legítima a responder pelas obrigações tributárias relativas aos negócios objeto deste processo, sustentando que o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, reproduzindo a base legal do art. 31 do DecretoLei nº 37/66 comanda que “contribuinte do imposto de importação é o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional.” Essa afirmativa propicia o entendimento de que tanto a COIMEX quanto a MMCB podem ser consideradas contribuintes do imposto uma vez que a “MMC era quem determinava a COIMEX como seriam introduzidos os veículos no território nacional.” Fl. 4536DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12466.000097/9811 Acórdão n.º 9303002.350 CSRFT3 Fl. 4.536 3 Chama a baila para o enfrentamento do tema os arts. 124, I e 128 e seguintes do CTN. Denuncia a ocorrência de contrariedade á evidência das provas no tocante à questão do erro na valoração aduaneira e discorre longamente sobre a vinculação entre o importador e o exportador a justificar a lavratura do auto de infração. Afirma que “nos termos do AVA, para a existência de vinculação não há necessidade de que existia uma subordinação societária onde uma empresa controla a outra, bastando tãosomente que exista um contrato forma que promova essa vinculação.” Destaca a necessidade de ser reconhecido o ajuste ao valor da transação nos moldes do art. 8º do AVA, para que sejam abrangidas as “comissão de compras e/ou licença par uso da marca nas bases relacionadas no auto de infração cujos dados foram obtidos junta a MMCB”. Continua registrando que “longa troca de informações foi feita entre o Fisco e as empresas COIMEX e MMC, se que estas últimas chegaram a confessar que cobravam das concessionárias percentual de 17% (dezessete por cento) como comissão pelo uso da marca que deveriam ter sido acrescentados ao Valor Aduaneiro.”(fl. 1.187) Contra – Razões nas fls.1.556/1575 da COIMEX e 1.615/1.634 da MMCB, que relato informando serem peças de mesmo conteúdo e iniciam com preliminar de inadmissibilidade recursar em razão se serem os paradigmas de divergência, Acórdãos 301 32.003 e 30132.416 proferidos nos processos 12466.000273/9834 e 12466.000098/9876, respectivamente, pela 1ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, tendo sido os mesmos acórdãos declarado nulas pela Câmara prolatora por via dos acórdãos 30133.450 e 301 33.564. Os acórdãos nulificantes têm a seguinte ementa: EMENTA – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NULIDADE DO ACÓRDÃO POR FALTA DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADE PROCESSUAL ESSENCIAL. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Isto por ausência de intimação à empresa declarada responsável solidária. Destaca que os paradigmas não devem ser considerados aptos a produzir efeitos em virtude de declaração de nulidade contra eles materializadas. No mérito, transcreve partes dos contratos que regem as relações jurídicas entre MMC, MMCB e COIMEX. Argumenta, com veemência, que ao contrário do exposto no Recurso as notas fiscais emitidas pela COIMEX contra os concessionários não agregam valores destinados a MMC Automotores do Brasil Ltda. sendo esta mesma MMC que emitia esses documentos fiscais contra os concessionários para fazer jus às remunerações por ela percebidas, na conformidade do Contrato de Prestação de Serviços, cláusulas primeira e segunda, transcrito acima. Fl. 4537DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Destaca sem haver sido arguido no Auto de Infração, a inaplicabilidade dos dispositivos 1, “a” e “i”, constante do art. 8º do AVA em razão de entender desnecessário o ajuste ao valor da transação, decorrente de “comissão pelo uso da marca. Esclarece que a remuneração da MMCB não desfruta da característica de comissão de venda porque, isto sim, representa contrapartida pela prestação de serviços da MMCB, no Brasil, aos concessionários, não se confundindo com agenciamento de compras ou de vendas já que a MMCB é apenas distribuidor da MMC na conformidade das cláusulas 2 e 3 do contrato de distribuição. Transcreve na f. 1.208 Nota Explicativa 2.1 (v. IN SRF 17/98) intitulada COMISSÕES E CORRETAGENS NO CONTEXTO DO ARTIGO 8 DO ACORDO, in verbis: 2. As comissões e as corretagens são remunerações pagas a intermediários por sua participação na conclusão de um contrato de venda. Ao analisar essa Nota Explicativa inclusive seus itens 4, 5 e 7, registra chegar à conclusão que a MMCB não desempenha atividades nela caracterizadas e por isto, não recebe dos concessionários remuneração que possa ser confundida com as definições nela contidas. Chama a baila, a Decisão COSIT nº 14/97 em solução de consulta formulada pela Confederação Nacional do Comércio, com fundamento no art. 2º do Decreto nº 37/66, fl. 1.209, in verbis: “1.Os valores pagos pelas Concessionárias às Detentoras de Uso da Marca no País, pelos serviços, efetivamente contratados e prestados no Brasil, a título de “divulgação de marca no país”. “treinamento de pessoal”, etc, não constituirão acréscimo ao valor aduaneiro da mercadoria, para fins de cálculo do II.” Rebate item a item a inaplicabilidade do art. 8º do AVA. Finalmente destaca que inexiste no contrato de distribuição qualquer disposição pela qual a MMC atribua à MMCB a incumbência de receber recursos dos concessionários, a título de autorização pelo uso da marca e reembolso de despesas de propaganda, treinamento de pessoal e assistência técnica e, de igual modo, que atribua à MMCB a incumbência de, em seguida, aplicar esses recursos no fortalecimento ou valorização da marca em benefício da MMC. Dos auto não consta, segundo as Recorridas, comprovação de vinculação entre MMC e MMCB em razão da inexistência de vínculo societário ou de subordinação entre ambas, inexistindo igualmente comprovação de exigência do exportador para com a MMCB, COIMEX ou concessionários de pagamento de “royalties” ou direito de licença como condição de venda/exportação do produtos para o Brasil. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Fl. 4538DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12466.000097/9811 Acórdão n.º 9303002.350 CSRFT3 Fl. 4.537 5 O Recurso preenche condições de admissibilidade na conformidade do Despacho de fls. 1.193, dele tomo conhecimento. Examino primeiramente as articulações no Recurso destinadas a defender a legitimidade da COIMEX para responder como contribuinte dos tributos lançados. O Recurso em seu item 5. fl.1.182 referese ao acórdão proferido pela 3ª Câmara do 3º Conselho de então como ofensivo aos dispositivos legais por haver decidido que a COIMEX – Cia Importadora e Exportadora não seria parte legítima e responsável pelas obrigações tributárias que aqui se cuidam. Não enxerguei na decisão combatida essa abrangência, porque apenas decide pela não ocorrência de vinculação, sem registro de legitimidade ou ilegitimidade. Nesse passo, igualmente ao efetuado no voto do acórdão recorrido, verifico no contrato de distribuição entre a MMC – fabricante exportadora – e a MMCB Automotores do Brasil Ltda. os seguintes detalhes: “art. 2º sujeita aos termos e condições deste contrato, a Mitsubishi Motors Corporation designa, por este instrumento, o distribuidor, como importador e distribuidor dos produtos no território, em uma base não exclusiva.” (fl. 539) “art. 4º 8 – a: nenhuma das condições declaradas ou garantias serão feitas ou consideradas como feitas pela MMC (fabricante) com respeito aos produtos vendidos.” (fl. 544) “art. 4º 10 – o distribuidor deverá, por sua própria conta, obter ou providenciar seguro de responsabilidade do produto.” “art. 6º o distribuidor concorda em treinar, instruir e supervisionar cada concessionário e deverá ter total responsabilidade pelas atividades de tais concessionários, e deverá proteger, defender, reembolsar, indenizar e manter a MMC isenta de e contra todas as reclamações e processos resultantes dessas atividades.” Constato nos autos que relativamente às importações de veículos, valores e responsabilidade pelos seus recolhimentos o pacto de regência abrange exclusivamente a COIMEX e concessionárias. (fls. 494/500) O fato gerador da obrigação espelhada no lançamento é a entrada dos veículos no território brasileiro sendo portanto ato desempenhado e do interesse exclusivo da COIMEX. O Auto de Infração na fl. 3 referindose á responsabilidade pelas obrigações tributárias registra que tanto a COIMEX quanto a MMCB podem ser consideradas como contribuintes do imposto uma vez que o lançamento do imposto foi efetivado pela primeira e a determinação de “como seriam introduzidos os veículos no território nacional” pela segunda empresa e menciona dispositivos do CTN ( 124, 128 e seguintes e art. 15 do AVA) para sustentar a vinculação e a solidariedade entre elas. Fl. 4539DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No mais, o Auto de Infração referese aos artigos 455 e 456 do RA e ao Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto 87.981/82 e art. 8º, 1, “a” e “i” do AVA. Decreta, apenas, que a COIMEX ao emitir as notas fiscais de venda dos veículos o fez em valor “flagrantemente a menor”. caracterizando a infração. Faço contato agora com o objeto do lançamento que diz respeito a ajuste no valor aduaneiro, de parcelas referentes ao uso da marca, dentre outras. Já de todos sabido, que o objetivo da exigência fiscal busca agregar valor aduaneiro, além do declarado pelo importador, a título de remuneração pela autorização do uso da marca e pelos serviços de assistência técnica, e também a título de reembolso de despesas com promoção publicitária. Destaco, por oportuno, que o valor da transação é específico quanto ao preço de exportação das mercadorias, já o benefício do uso da marca somente é revertido para os concessionários em razão dos seus efeitos na comercialização. É certo que as relações jurídicas entre as empresas MMCB, MMC e COIMEX, estão formalizadas em contratos cujos objetos estão transcritos nestes autos. Um deles, o Contrato de Distribuição, firmado entre o fabricante exportador MMC do Japão e MMC Automotores do Brasil vai com tradução juramentada às fls. 537/562 soleniza no seu artigo 13 intitulado Propaganda, que transfere ao importador o ônus da promoção, divulgação e proteção da marca no mercado nacional. Claro fica portanto, tratarse de remuneração por prestação de serviços que, por sinal, foram realizadas após as importações, não guardando relação alguma com os atos exigidos por elas. Deste o universo, além dos artigos 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro quanto ao II e artigos simplesmente o RIPI quanto ao IPI foi pinçado pela fiscalização, vocacionada pela existência de comissões, também, o parágrafo 1, alíneas “a” e “i” do art. 8º do AVA, fl. 7, que reverberam: “1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do art.1º, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias; “i” comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; Assim, necessário deslindar se as remunerações que de fato foram pagas pelas concessionárias a MMC Atomotores do Brasil Ltda. a título de uso da marca, se enquadram nesses ditames normativos. Fl. 4540DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12466.000097/9811 Acórdão n.º 9303002.350 CSRFT3 Fl. 4.538 7 É evidente e de todos sabido que a base para o estabelecimento da valoração aduaneira é o valor da transação e, me parece que no caso presente, os montantes pagos pelas concessionárias Mitsubishi aos detentores do uso da marca não devem nela serem incluídos em razão de não estarem presentes nos atos de importação não fazendo portanto parte integrante do valor da transação. Destaco que o documento fiscal que lastreia a cobrança dos serviços postos à disposição dos concessionários é emitido pela MMCB com inserções em suas notas fiscais das características dos serviços prestados, em nenhum momento transitando pela COIMEX conforme menciona o nobre Conselheiro Júlio César Alves Ramos no voto vencedor prolatado no processo 12466.000155/9816, Acórdão nº9303002105. É evidente que quando da ocorrência de desforços mercantis para a conclusão de um contrato de venda de produtos importados, caracterizarseá legalmente a adoção do ajuste por tratarse de atuação complementar do preço de transação, enquadrandose tipicamente aos ditames do art. 8º do AVA. Porém, a MMCB não está na relação comercial dotada desta finalidade, a ela cabendo, exclusivamente, a prestação de serviços após a celebração dos contratos de venda. Colho, por oportuno, entendimento do Relator do Voto Vencedor antes mencionado, lastreado em transcrição da IN SRF 327/03, II, art. 10 que define: vendedor, a pessoa que, em decorrência da transação comercial, transfere ao comprador a propriedade da mercadoria que lhe pertence e se compromete a entregála conforme termos e condições acordados, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de exportação. Concluo afirmando que o acórdão recorrido não afastou a COIMEX como responsável tributária e a parcela buscada no lançamento não deve ser incluída, na forma de ajuste, ao dimensionamento da valoração aduaneira no caso destes autos, existindo vinculação ou não, em razão de não ter natureza jurídica para tanto como restou demonstrado e, fundamentalmente porque não diz ela respeito a formação do preço de transação vez que completamente ausente dos atos necessários à importação, tudo também na conformidade do decidido por esta CSRF no processo 12466.000155/9816. Voto por negar provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 13 de agosto de 2013. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA – Relator. Fl. 4541DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10768.002611/2003-25
Data da sessão: Wed Aug 12 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
DEPÓSITOS JUDICIAIS INTEGRAIS. LANÇAMENTO.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O lançamento efetuado sobre valores depositados judicialmente e
considerados integrais tem por função a prevenção da decadência, nos termos expressos do art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.067
Decisão: ACORDAM os Membros da 3° Câmara / 2° Turma Ordinária da 3° Seção do Carf, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida ao judiciário e na parte conhecida. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 DEPÓSITOS JUDICIAIS INTEGRAIS. LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O lançamento efetuado sobre valores depositados judicialmente e considerados integrais tem por função a prevenção da decadência, nos termos expressos do art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-12-22T03:37:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-12-22T03:37:25Z; Last-Modified: 2009-12-22T03:37:25Z; dcterms:modified: 2009-12-22T03:37:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-12-22T03:37:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-12-22T03:37:25Z; meta:save-date: 2009-12-22T03:37:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-12-22T03:37:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-12-22T03:37:25Z; created: 2009-12-22T03:37:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-12-22T03:37:25Z; pdf:charsPerPage: 1488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-12-22T03:37:25Z | Conteúdo => S3-C3T2 Fl. 442 , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO - Processo n° 10768.002611/2003-25 Recurso n° 156.564 Voluntário Acórdão n° 3302-00.067 — 3' Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 12 de agosto de 2009 Matéria Cofins Recorrente Fundação Eletrobrás de Seguridade Social - Eletros Recorrida DRJ Rio de Janeiro II / RJ ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 DEPÓSITOS JUDICIAIS INTEGRAIS. LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O lançamento efetuado sobre valores depositados judicialmente e considerados integrais tem por função a prevenção da decadência, nos termos expressos do art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da 3 a Câmara / 2 Turma Ordinária da 3' Seção do Carf, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida ao judiciário e na parte conhecida. Por unanimidade de votos, em negar provim nto ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. 4 e)(40 cUtir2/D.- -#9SEF! MARIA COELHO MARQUES - Preside e ://2-.7 • JOS 7, TONTO kANCISCO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Ausente a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 386 a 422) apresentado em 25 de junho de 2007 contra o Acórdão n° 13-15.510, de 20 de março de 2007, da DRJ Rio de Janeiro II / RJ (fls. 368 a 382), do qual tomou ciência a Interessada em 24 de maio de 2007 e que, relativamente a auto de infração de Cofins de períodos situados entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2000, considerou procedente o lançamento. A ementa do acórdão de primeira instância foi a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 NULIDADE. PRESSUPOSTOS.- Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. - A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais. AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. - A interposição de ação judicial, por qualquer modalidade, importa em renúncia à instância administrativa quanto à matéria nela discutida. ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic. Lançamento procedente O auto de infração foi lavrado em 26 de março de 2003 e, segundo o teimo de fls. 156 a 161, a interessada é entidade fechada de previdência privada sem fins lucrativos. A fiscalização tratou, a seguir, da legislação aplicável a tais entidades e esclareceu que a Medida Provisória n. 2.222, de 2001, instituiu regime especial de tributação - RET, que permitia às entidades optantes quitar débitos anteriores sem acréscimos legais, desde que desistissem de ações judiciais propostas e processos administrativos em que contestassem a incidência. 4f9 2 Processo n° 10768.002611/2003-25 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.067 Fl. 443 Mencionou as Instruções Normativas SRF n. 126, de 2001, e 170, de 2002, que regularam a apuração da base de cálculo da Cofms. Esclareceu, a seguir, haver intimado a interessada a demonstrar os valores que foram parcelados no âmbito do RET, tendo sido confirmada a exatidão da apuração. Entretanto, a interessada não teria efetuado pagamento via parf dos valores parcelados, tendo optado por efetuar depósitos judiciais no âmbito da ação cautelar inominada n. 2002.34.00.00.002358-5, apresentada em 30 de janeiro de 2002, no âmbito da qual foi deferida medida liminar. Acrescentou a fiscalização que a interessada efetuou os depósitos em seis parcelas mensais, na forma do parcelamento. Esclareceu que, à vista das alterações previstas na IN SRF n. 170, de 2002, a interessada foi intimada a apresentar novos demonstrativos. Também foi intimada a esclarecer se efetuou o pagamento das diferenças entre as bases de cálculo previstas nas instruções normativas, havendo informado a realização de novo depósito judicial. À vista da medida cautelar obtida, a fiscalização entendeu ser cabível a lavratura de auto de infração em relação à diferença de alíquota da Co s (3%), com exigibilidade suspensa. No recurso, a interessada alegou que auto de infração seria nulo, em razão da existência de depósitos judiciais. Esclareceu que apresentou a ação ordinária n. 2002.34.00004587-5, contestando a apuração da Cofins nos moldes da IN SRF n. 170, de 2002, tendo, entretanto, desistido das referidas ações e requerido a conversão dos depósitos em renda da União. Dessa forma, "os valores supostamente devidos a título de Cofms até 31.08.2001 foram recolhidos aos cofres públicos e convertidos em renda da União, ou foram recolhidos nos moldes da anistia, com o amparo da medida liminar deferida", e a diferença apurada em relação às duas instruções normativas teria sido depositada. No entendimeno da interessada, os depósitos foram efetuados apenas com a finalidade de garantir a adesão à anistia, razão pela qual foram convertidos em renda sem a incidência de acréscimos, conforme autorizado pelo Juízo. Dessa forma, se ação judicial for julgada favoravelmente ao Fisco, os depósitos serão convertidos em renda, não havendo que se falar em exigência dos valores lançados. A seguir, alegou que somente caberia diferença se a Fazenda Pública discordasse dos valores depositados, uma vez que sua concordância representaria homologação do lançamento. Contestou, ainda, a base de cálculo, alegando que de suas atividades não decorreria faturamento, por não realizar venda de mercadorias e serviços. Tratou da IN SRF n. 170, de 2002, e a inclusão das receitas de reavaliação da carteira imobiliária na base de cálculo da Cotins e da inclusão das receitas assistenciais. 0-k"" 3 Contestou a possibilidade de aplicação retroativa de lei determinada por instrução normativa, da incorreta "classificação da reavaliação da carteira de imóveis como receita" e da ilegalidade da vedação à exclusão das receitas assistenciais da base de cálculo. Por fim, alegou ser ilegal a adoção da Selic como taxa de juros de mora e ser confiscatória a multa aplicada. É o Relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Inicialmente, há que se esclarecer que não foi aplicada multa, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, nos termos do art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996, que dispõe o seguinte: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1996. 1° O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. 35' 2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Ademais, a fiscalização entendeu que o montante depositado judicialmente corresponderia aos valores devidos da contribuição, razão pela qual não houve lançamento de diferenças em relação àqueles valores. Nesse contexto, o acórdão de primeira instância entendeu que "os depósitos judiciais, diversamente dos efeitos pretendidos pela impugnante, não se confundem com o efetivo recolhimento da contribuição devida, uma vez que, por previsão legal, se efetuados em montante integral, apenas suspendem a exigibilidade do crédito correspondente, permanecendo presente o inadimplemento do crédito tributário." - - Recentemente foi decretada a Medida Provisória n. 449, de 3 de dezembro de 2008, que, em seu art. 49, dispõe o seguinte: Art.49. Para efeito de interpretação do art. 63 da Lei d. 9.430, de 1996, prescinde do lançamento de oficio destinado a prevenir 4 , Processo n° 10768.002611/2003-25 1 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.067 Fl. 444 a decadência, relativo ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, o crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso lido art. 151 da Lei n'' 5.172, de 25 de outubro de 1966-Código Tributário Nacional. A disposição é expressamente interpretativa e afirma que, havendo depósitos integrais', descabe lançamento para constituir o crédito tributário e prevenir a decadência. O pressuposto jurídico da disposição é o entendimento d Hugo de Brito Machado2 e de Alberto Xavier3 de que os depósitos judiciais correspondem à atividade do art. 150 do CTN e, dessa forma, tornam desnecessários o lançamento. 1 Entretanto, tal disposição não constou da Lei de Conversão n. 11.941, de 27 de maio de 2009, ficando sem efeito desde a origem, nos termos do art. 62, §I§ 30 e 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 32, de 2001. Especificamente, o último parágrafo citado diz o seguinte: ,¢ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3° até 1sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas. Ocorre que, no presente caso, não há relação jurídica constituída ou decorrentes de atos praticados durante a vigência da referida MP. Portanto, prevalece a disposição do art. 63 da Lei n. 9.430, e 1996, segundo a qual cabe o lançamento para constituição do crédito tributário. Por fim, observe-se que, relativamente à ressalva efetuada pela interessada no pedido inicial de que os depósitos seriam efetuados "sem a renúncia do direito de questionar sua cobrança", descabe a apreciação das demais questões alegadas no recurso uma vez que se restringe a competência dos Conselhos de Contribuintes ao exame de recursos relativos a lançamentos efetuados pelo fisco. Ademais, em relação a todos as matérias submetidas ao Judiciário, aplica-se a Súmula n. 1, do 2° Conselho de Contribuintes, aprovada em Sessão Plenária d )- 18 de setembro de 2007: iSúmula n°1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade 1 1 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: 4w_ [.-.] 1 II - o depósito do seu montante integral; 1 [..] Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessorios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. 2 TI A Decadência e os Tributos Sujeitos a Lançamento por Homologação" in Revista Dialética de Direito Tributário n.° 59, ago 2000, pp. 49-51. 3 "Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário", 2" ed. São Paulo, Editora Forense, ps. 427-428. ri 5 processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. À vista do exposto, voto por não tomar conhecimento da matéria submetida ao Judiciário e, quanto aos aspectos formais do lançamento, por negar provimento ao recurso. JOSE ONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10865.000275/90-01
Data da sessão: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - RERRATIFICAÇÃO D0 JULGADO - PASSIVO-FICTÍCIO -
Demonstrado por perícia contábil o valor do passivo fictício, é este o valor a ser utilizado corno"base de Cálculo do lançamento, devendo ser retificado o Acórdão que fixou outro valor.
Numero da decisão: 102-42.283
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, RERRATIFICAR o Acórdão N°. 102- 30.073 de 22/08/95, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Júlio Cesar Gomes da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto _por ME TAL FER CONSTRUÇÕES. METÁLICAS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, RERRATIFICAR o Acórdão N°. 102- 30.073 de 22/08/95, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DE/FREITAS DUTRA- PRESIDENTE JÚLIO CÉSAR GOMES Di _ - RELATOR FORMALIZADO EM: 1 4 NOV 1997 Participaram, -ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, CLÁUDIA BRITO LEAL IVO e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. Ausentes, justificadamente„ os Conselheiros URSULA HANSEN, JOSÉ CLÓVIS ALVES e MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS. MNS . , - K. MINISTÉRIO DA FAZENDA -,- PRIMEIRO CONSELHO DL CONTRIBUINTES Processo n°. : 10865.000275/90-01- Acórdão n°. : 102-42.283 Recurso n°, : 99.163 Recorrente : METAL FER CONSTRUÇÕES METÁLI CAS LTDA RELATÓRIO Trata-se de lançamento decorrente de diligência que apurou passivo fictício na conta de fornecedores da declaração do I.R.P.J. do Recorrente no ano base de 1.985, gerando Auto de Infração de 11.450,95 BTNFs, mais acréscimos legais e multa de 50%. Tempestivamente a Recorrente impugna o lançamento negando a existência do passivo ante o pagamento comprovado por documentos e cheques xerocados que junta e requer perícia, cumprindo a obrigação capitulada no art. 17 do Dec. n.° 70.235/72. A perícia foi indeferida apesar de parecer favorável do autuante (fls. 67) e determinado o procedimento de diligência para verificação dos documentos trazidos à colação, diligência efetuada e descrita às fls. 69. Em decisão circunstanciada o Delegado de Limeira, aceita a comprovação de diversas Notas Fiscais que relaciona e despreza os cheques por serem ao portador, reduzindo a base fiscal e julgando parcialmente provida a impugnação. Recurso tempestivo suscitando preliminar de nulidade da decisão por cerceamento de defesa e reiterando as razões de impugnação foi apreciado por esta C. Câmara que transformou o julgamento em diligência para realização de perícia contábil, realizada de conformidade com o laudo de fls. 107/166. Colocado em pauta o processo foi julgado e retornou a repartição de origem. 2 - y, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10865.000275/90-01- Acórdão n°. : 102-42.283 Em procedimento de fls. 122, a Agencia de Rio Claro constatou erro material na decisão de fls. 118 que divergia do voto do Relator às fls. 121. Retornando a esta Câmara e por determinação de seu Presidente volta o processo ao Relator para que verifique e sane o erro encontrado. Colocado em pauta, novo julgamento em que o voto do relator coloca fim a divergência entre o voto e a ementa, mas o faz de forma equivocada levando este Conselho a erro. Novamente o TTN que examinou o processo anteriormente acusou o erro e intimou o Perito para falar sobre o laudo, o que fez às fls. 131. É o Relatório. 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - Processo n°. : 10865.000275/90-01 Acórdão n°. : 102-42.283 VOTO Conselheiro JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, Relator Não há o que se discutir neste processo senão sanar a desatenção do Relatar em não conferir com a devida atenção o acórdão quando de sua assinatura. O passivo não comprovado apurado pelos Srs. Peritos e reconfirmada pela informação de fis_ 131 é de CR$ 108.290,00, sendo esta portanto a base de cálculo do imposto. Por tais razões voto por rerratificar o Acórdão N°. 102-30.073; reduzindo a base de cálculo do imposto a CR$ 108.290,00, importância esta apurada pela perícia. Sala das Sessões - DF, em 17 de Outubro de 1997. JÚLIO CES_AR-GOMES—ITA—____$.1.L--W c 4
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